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JÚRI SIMULADO AÇÃO PENAL DE COMPETÊNCIA DO JÚRI – VARA ÚNICA DO JÚRI DA COMARCA DE CAUCAIA. Juiz: Prof. Magno Oliveira Advogado: Prof. Mário Albuquerque Promotor de Justiça: André Zech Processo 879-70.2000.8.06.0064/0 No dia 07 de outubro de 2016 às 8:00h deu-se início ao júri simulado no Teatro Nila Soárez da Faculdade 7 de Setembro, trazendo em sua pauta o crime doloso contra a vida, que se enquadrou na competência do Tribunal do Júri. Porém, ao contrário do que podemos imaginar, nem todos os crimes cometidos são julgados pelo Tribunal do Júri. Em verdade, a grande parte dos crimes são julgados pelo juiz singularmente, ou seja, sozinho. Quando o julgamento é pelo Júri, dizemos que há um julgamento colegiado, pois são sete os jurados. O júri guarda sua competência estabelecida expressamente na Constituição Federal (art. 5º XXXVIII), sendo designado para a apuração e julgamento dos crimes dolosos contra a vida. “(...) Art. 5º. XXXVIII - e reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; (...)”. O Código Penal é que diz quais são os crimes dolosos contra a vida, que são os previstos do artigo 121 até o artigo 126. Nesse caso, só nos interessa o disposto no artigo 121. Homicídio – uma pessoa mata ou tenta matar a outra (não se trata aqui do homicídio culposo, pois a Constituição Federal só fala no doloso, ou seja, o que tem intenção de fazer). Os jurados são pessoas do povo, leigos em matéria jurídica, escolhidos para servir nos julgamentos. Normalmente os Tribunais possuem uma lista de cidadãos que são voluntários para servir como jurados. A cada sessão do Tribunal do Júri, vinte e um jurados são intimados para comparecer. A audiência somente pode ter início se pelo menos 15 jurados estiverem presentes. E salvo em casos de grande repercussão, qualquer pessoa pode assistir ao julgamento. Em geral, o auditório é ocupado por parentes do réu e da vítima, jornalistas e estudantes de direito O procedimento do Júri é dividido em duas fases: na primeira, estão abrangidos os atos praticados do oferecimento da denúncia até a decisão de pronúncia; na segunda, estão abrangidos os atos praticados entre a pronúncia e o julgamento pelo Tribunal popular. O ponto culminante do julgamento é o debate entre a acusação, a cargo do promotor público, e a defesa, feita pelo advogado do réu. Como precisam convencer pessoas comuns de suas versões do fato, eles costumam lançar mão de um discurso com forte apelo emocional. E essa é uma das principais polêmicas sobre esse tipo de julgamento: há quem alegue que o júri decide mais pelo instinto do que pela razão. Mas, ainda assim, o tribunal do júri encontra defensores, por ter um tanto de democracia e participação popular, que um tribunal comum não tem. Assim, adotadas todas as precauções que a lei recomenda, o processo será submetido a julgamento perante o Júri Popular, que se reúne em plenário, presentes o réu, seu defensor, o representante do Ministério Público, os assistentes, se houver, e serventuários da Justiça, além do Juiz-presidente. Pelo Ministério Público, a denúncia foi oferecida contra João do Nascimento. Segundo se fez constar nos autos de inquérito policial datado em 23 de outubro do ano de 1988, o acusado assassinou, utilizando uma faca tipo peixeira, a vítima Geraldo Carneiro de Oliveira, que veio a falecer em decorrência dos ferimentos recebidos. Pelos depoimentos até então colhidos pela autoridade policial, observou-se que o acusado praticou o crime por motivo banal e de modo que dificultou a defesa da vítima. O juiz presidente, antes de iniciar os trabalhos, verificou a presença da quantia mínima jurados. Então, anunciou o processo que deve ser julgado. Logo depois, sorteou sorteados os jurados, facultou às partes a recusa imotivada de três jurados cada. O juiz presidente, autoridade máxima do tribunal, faz valer a decisão dos jurados, mas não é responsável por ela nem pode induzi-la. Ele conduz o julgamento e resolve as questões de Direito, como definir a pena no caso de condenação. O escrivão – que registra tudo o que é dito no julgamento – fica ao seu lado. Após o sorteio e formação do Conselho de Sentença, o juiz presidente fez aos jurados uma exortação de julgar com imparcialidade e justiça (art. 472). Depois houve a entrega das cópias da pronúncia e do relatório feito pelo. · Compor Conselho de Sentença. Só está composto após a promessa. Assim, nos termos do art. 457, verificado publicamente pelo juiz que se encontram na urna as cédulas relativas aos jurados presentes, será feito o sorteio de no mínimo 7 (sete) para a formação do conselho de sentença. Antes do sorteio do conselho de sentença, o juiz advertirá os jurados dos impedimentos constantes do art. 462, bem como das incompatibilidades legais por suspeição, em razão de parentesco com o juiz, com o promotor, com o advogado, com o réu ou com a vítima, na forma do disposto no Código de Processo Penal sobre os impedimentos ou a suspeição dos juízes togados. Na mesma ocasião, o juiz advertirá os jurados de que, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do conselho e multa. Dos impedidos entre si por parentesco servirá o que houver sido sorteado em primeiro lugar (art.458). São impedidos de servir no mesmo conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado (art.462). O mesmo conselho poderá conhecer de mais de um processo na mesma sessão de julgamento, se as partes o aceitarem. Entretanto, prestará cada vez novo compromisso (art.463). Nos dizeres do art.464, assim que formado o conselho de sentença, o juiz, levantando-se, e com ele todos os presentes, num momento inspirado pela solenidade, fará aos jurados a seguinte exortação: Em nome da lei, concito-vos a examinar com imparcialidade esta causa e a proferir a vossa decisão, de acordo com a vossa consciência e os ditames da justiça. Os jurados, nominalmente chamados pelo juiz, responderão: Assim o prometo. O que se observa, nessa passagem, é a tentativa legal de fazer surtir um certo efeito psicológico no compromisso dos jurados, incutindo-se-lhes a ideia de seriedade e solenidade que permeiam o julgamento. Em seguida, o presidente interrogará o réu pela forma estabelecida para utilização na instrução criminal, no que for aplicável (art.465). Feito e assinado o interrogatório, o presidente, sem manifestar sua opinião sobre o mérito da acusação ou da defesa, fará o relatório do processo e exporá o fato, as provas e as conclusões das partes. Depois do relatório, o escrivão lerá, mediante ordem do presidente, as peças do processo, cuja leitura for requerida pelas partes ou por qualquer jurado. Onde for possível, o presidente mandará distribuir aos jurados cópias datilografadas ou impressas, da pronúncia, do libelo e da contrariedade, além de outras peças que considerar úteis para o julgamento da causa. Nesse caso, o Conselho de Sentença poderia decidir por quatro resultados: Nem foi motivo fútil, nem foi motivo torpe. Luta corporal não caracteriza motivo fútil. A embriaguez exclui a futilidade do crime. Determina a absolvição por falta de provas (in dubio pro reu). Exige a certeza plena. Absolvição do réu no instituto da legitima defesa como excludente de ilicitude. Porque agiu como defesa à ofensa. Desclassificação como tese alternativa do crime de homicídio, excluindo as qualificadoras. Terminado o relatório, o juiz, o acusador, o assistente e o advogado do réu e, por fim, os jurados que o quiserem, inquirirão sucessivamente as testemunhas de acusação. O relatório do juiz deve ser conciso e se pautar pela imparcialidade. Aqui não as partes, mas o juiz presidente começa a inquirição, facultando às partes, depois, a apresentação de questionamentos. O mesmo ocorre no interrogatóriodo acusado. Os jurados também podem formular perguntas, que serão intermediadas pelo juiz presidente. CS pode decidir 4 resultados. 5º resultado: acolher a tese da desclassificação da lesão corporal seguida de morte. Sentença será proferida pela decisão monocrática que tiver presidindo o júri. Após esta pequena instrução em plenário, serão iniciados os debates. Primeiro o MP, que tem 1:30 hrs, e depois a defesa pelo mesmo tempo. Se for mais de uma réu, este tempo será de 02:30 hrs para cada parte. A acusação tem ainda a possibilidade de réplica, pelo prazo de uma hora, ao que se sucede a tréplica da defesa por igual período de tempo. Em caso de múltiplos réus, réplica e tréplica poderão durar até duas horas. É possível, durante o julgamento, que as partes realizem os chamados “apartes”, que são breves interrupções da parte contrária no tempo de fala do outro para esclarecimento de questão relativa àquela fala específica. Não se permite a interrupção para tratamento de assunto diverso. Geralmente, a concessão dos apartes é solucionada pelas partes entre si, mas caso não haja consenso pode (deve) o juiz conceder o aparte ao solicitante (art. 497, XII), por até 3 minutos, tempo que será devolvido à parte que foi interrompida na sua fala ao final. Durante as falas as partes não poderão fazer referência à decisão de pronúncia ou qualquer outra que a confirme, nem ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento. Se qualquer menção for feita, cabe o registro em ata para, em caso de prejuízo, alegação da nulidade em recurso para o Tribunal. Concluídos os debates, o juiz pergunta aos jurados se estão em condições de julgar ou se necessitam de algum esclarecimento. Os jurados podem ter acesso aos autos ou mesmo aos instrumentos do crime se assim solicitarem ao juiz. A partir da dúvida de algum jurado, inclusive, pode se originar a necessidade de proceder a alguma diligência, o que levará à dissolução do Conselho de Sentença para a realização das diligências. Ao final, as partes e os jurados se encaminharão para a Sala Secreta, onde serão lidos e votados os quesitos formulados pelo juiz com a anuência das partes. Primeiro deve se questionar a matéria de fato e se deve o acusado ser absolvido. A redação dos quesitos deve ser clara e objetiva, permitindo uma resposta igualmente objetiva, “sim” ou “não”. Promotor de justiça não é um órgão acusador somente. Tem ampla liberdade para até absolver o réu. Não é o que o promotor de justiça nesse caso pretende. Merece total procedência. Acusado João do Nascimento proprietário de um bar, se conheciam, costumavam beber juntos. João a golpeou na região do coração sem nenhuma motivação. Na delegacia João confessou ter furado por estarem embriagados, embora tenha alterado sua versão no decorrer do processo. Em breve síntese, esse processo teve inicio no auto de prisão em flagrante. É uma das formas por meio da qual pode-se instaurar inquérito. Testemunhas, própria declaração do réu. O Réu foi indiciado e o MP ofereceu a denuncia. E foi recebida pelo magistrado. Houve a instrução da primeira fase do júri. Por ser anterior a alteração do CPP (2008). Houve pronuncia do réu que nada mais é que a delegação para o júri acerca da causa. Com a pronuncia, estamos houve reunidos para julgar a causa. Primeiro se deve questionar a materialidade do fato, depois autoria e participação, depois, se for o caso, quesito sobre tentativa ou desclassificação do delito. Importante ter atenção para o terceiro quesito, que indaga se acusado deverá ser absolvido. Este quesito obrigatório foi inserido pela reforma, para reduzir a complexidade das questões envolvendo, principalmente, as causas exculpantes absolutórias, que geralmente causavam dúvidas aos jurados no momento de sua resposta. Depois são inquiridas as causas de diminuição, se houver, sobre a existência de qualificadora ou causa de aumento de pena (necessariamente presentes na pronúncia). Segundo a materialidade, ou seja, se houve a ocorrência de um fato típico, pela descrição que consta dos autos, em relação ao feito, houve em tese a ocorrência sim de um fato típico. Não há duvidas. Tanto que a vitima não pôde estar no plenário. Auto de apresentação e apreensão fls. 11. Faca do tipo peixeira e uma goiva. Laudo cadavérico fls. 23 e 25 dos autos. Ultimas paginas do processo: laudo pericial, analisa a área em que ocorreu o evento criminoso. Como também houve a presença do quesito Autoria, que é o elo que vincula o acusado a aquele evento criminoso constante da denuncia. O Réu afirmou que conhecia Geraldo há três anos. Discutiram primeiro e só após houve a luta. Motivo foi banal. Durante o julgamento não será permitida a produção ou leitura de documento que não tiver sido comunicado à parte contrária, com antecedência, pelo menos, de 3 (três) dias, compreendida nessa proibição a leitura de jornais ou qualquer escrito, cujo conteúdo versar sobre matéria de fato constante do processo. O primeiro a falar é o promotor, que tem duas horas para a acusação. Seu papel é defender os interesses da sociedade. Se ele perceber que o réu é inocente – ou que merece tratamento diferenciado em virtude das circunstâncias do crime – deve pedir a sua absolvição ou a atenuante aplicável à provável pena. A família da vítima pode contratar um assistente que dividirá o tempo da acusação com o promotor Promotor: já pelo interrogatório, já houve uma confissão, não há duvidas. O que se verifica, em sede judicial, o réu novamente afirmou ter golpeado a vítima além disso Maria Solange da Silva, testemunha ouvida em face judicial, informou que ambos bebiam juntos durante todo o dia. Esfaqueava a vítima dizendo que iria mata-lo. A vitima já estava cambaleando, enquanto o acusado pegou a goiva em casa e ainda deferiu mais 3 golpes/goivadas. Afirmou que o réu era uma pessoa violenta Maria de Fátima Matias: avistou o homem caído já morto e teria chamado a policia e que o acusado foi o autor dos golpes. 4ª confirma que o acusado foi o autor dos golpes. 5ª também confirma ter atendido a diligencia em seguida quando viu a vítima prostrada ao solo. Materialidade x Autoria: não há duvida alguma. Duvida quanto as divergências entre as testemunhas. Algumas falam que não sabem as causas, algumas supõem que a causa foi alguma discussão havida entre a vitima e a esposa do réu. Defesa nada acrescentou. Motivo fútil no caso. Entre o crime e o móvel do crime. Ausência de motivo não se equipara a motivo fútil. Briga banal de bar que motivou a morte da vítima. Isso é evidente nos autos, ainda que haja certas divergências. Há uma testemunha nos autos que afirma que a vitima usou uma bacia para se defender dos golpes do réu. Os fatos evidenciam a impossibilidade de recurso da vítima. Incongruência da testemunha. Meio que possa contrapor os ataques. Diversas testemunhas são no sentido de que a vítima estava embriagada. Alguém que confronta em uma luta corporal, pode sair ileso? A falta de marcas indica uma deficiência em lutar da vitima. Existência nítida de materialidade, de futilidade (distancia entre o móvel, a discussão de bar). Impossibilidade de defesa da vitima nos próprios autos, inclusive o laudo cadavérico. O advogado – ou defensor público, no caso de pessoas que não podem pagar – também tem duas horas para a defesa Mário/Defesa: dizer que o desaparecimento de uma pessoa é sempre um fato lamentável. Para o direito penal há necessidade de uma certeza absoluta. Não opera com conjecturas, com incertezas, e aqui o próprio representante do MP, não só como representante titular, afirmou por varias vezes que o processo apresenta divergências, as testemunhas apresentam depoimentos confusos, e esse tipo de prova é imprestável. O juiz quando houver situações que absolva sumariamente. Se tivesse havido o controle do MP, o processo não teria chegado onde chegou. Série de decotes para tentar incriminar o réu, quando na verdade se vê algo completamente diferente. Relatos: 58 minutos (gravação do celular e há no processo). Causa estranheza duas pessoas bebendoe uma puxar a faca e matar. Do nada. Segundo aspecto: se fala que não houve chance de defesa. Uma testemunha disse que houve luta corporal, que se defendeu usando uma bacia. Em dado momento, o senhor Geraldo foi a casa dele buscar o almoço e este veio em uma bacia. Em outra oportunidade, diz que trouxe tira gosto em bacia. O que houve foi a discussão, a ida a casa e a volta para se vingar. Em nenhum momento se negou a autoria do fato, a materialidade. REC 1h. Outra testemunha: mora em frente e diz que ouviu e viu no botequim no João. A situação já é desmentida pela testemunha, que atesta que houve discussão. Viu João colocando a faca em um homem e este se defendendo com uma bacia. E diz que este correu no seu botequim e apanhou uma goiva. A luta afasta a qualificadora de traição, emboscada. Ele próprio diz que de outra vez houveram 3 pauladas nele e mesmo assim este o recebeu em seu estabelecimento. Eles bebiam, o bar era do réu e a vítima não pagou. Ele foi em casa pegar a goiva e ele simplesmente se defendeu. REC 1:10min. Foi pedido a liberdade dele, opinou favoravelmente no parecer e o juiz determinou a soltura do réu. Nesse sentido, Canelutti misérias do direito penal. A testemunha Lucileide Maria: enquanto o acusado se aproximava da vitima com enorme facão, desferiu 3 golpes na cintura da vitima. Laudo cadavérico diz outra coisa. Um facão amputa um membro, é desregular. Mas no laudo não há nada disso. A testemunha Luzilene Cardoso: a vitima apenas se defendeu, mesmo assim está afastada a tese de defesa. O réu desferiu na vítima mais duas pancadas de goiva. 1:18. Afirma que houve defesa, discussão e golpe entre os dedos e outra na canela. Testemunhas de defesa: Josefá - Acusado agiu em virtude da vítima ter invadido sua residência. O promotor pode pedir uma réplica. Cabe ao juiz concedê-la ou não. Também pode haver uma tréplica do advogado, se necessário Réplica: Repetição das mesmas coisas faladas. Declaração de Geraldo: por motivo fútil O juiz então lerá os quesitos e os explicará (art. 484), conduzindo depois a votação. Os votos deverão ser, em sigilo, apurados, parando a contagem quando qualquer quesito receber 04 votos em um determinado sentido. Preserva-se, assim, de melhor modo, o princípio do sigilo das votações, geralmente violado quando as votações eram unânimes. Leitura dos quesitos acontece no tribunal. Mas a votação em sala secreta separada. Aos jurados, quando se recolherem à sala secreta, serão entregues os autos do processo, bem como, se o pedirem, os instrumentos do crime, devendo o juiz estar presente para evitar a influência de uns sobre os outros. Os jurados poderão também, a qualquer momento, e por intermédio do juiz, pedir ao orador que indique a folha dos autos onde se encontra a peça por ele lida ou citada (art.476). Mas apesar da possibilidade prevista em lei de intervenção de qualquer jurado, a prática nos tribunais vem demonstrando que o jurado, via de regra um leigo nas questões jurídicas e pouco afeito a falar em público, apresenta uma natural tendência a não se manifestar, com justo receio de estar fazendo algo de errado ou mesmo de estar interrompendo, indevidamente, o discurso da parte, quando dos debates, ou as atividades do juiz, no instante em que já se encontrarem na sala secreta. Se a verificação de qualquer fato, reconhecida essencial para a decisão da causa, não puder ser realizada imediatamente, o juiz dissolverá o conselho, formulando com as partes, desde logo, os quesitos para as diligências necessárias. Mais uma vez, procura-se preservar a observância do princípio da verdade real. Relatório Tribunal do Júri Data: 31/08/2012 Local: FITS Processo: 0022588-55.2009.8.02.0001 Juiz (a): Dra. Luana Cavalcante de Freitas Promotor: Dr. Tácito Yuri de Melo Barros Advogado de defesa: Dr. Ricardo Soares Moraes Réus: Robert Barbosa Moreira e Paulo Geovane Miguel dos Santos* O presente júri tem como objetivo absolver ou condenar os réus acima citados, pelo crime de triplo homicídio doloso contra as vítimas Josineide Rego Gregório, José Gregório Junior e Maria Luciana da Silva. O homicídio foi qualificado por motivo torpe (dívida de drogas), por impossibilidade de defesa das vítimas e por formação de quadrilha ou bando armado. O crime ocorreu no dia 27/12/2008 por volta das 20h no Bairro do Clima Bom. Segundo a tese apresentada pelo promotor de justiça, Dr. Tácito Yuri de Melo Barros, o laudo pericial informa que mais de uma pessoa cometeu esse crime. Os depoimentos dos acusados e das testemunhas são contraditórios. Uma das testemunhas afirma ter visto os acusados “lanchando” enquanto os próprios réus afirmaram estarem bebendo em frente a um depósito de gás, estou citando apenas uma das contradições. Alguns dias após o crime os acusados foram presos por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Os acusados afirmaram terem sido torturados pela polícia para confessar o crime, porém nos autos não há confissão, segundo o promotor caso os mesmos realmente tivessem sido torturados para confessar um crime que não cometeu não tem lógica nos autos não constar essa “confissão” mesmo que inventada pelos policiais. Ainda segundo o promotor os acusados não tem uma vida pregressa com um bom histórico, os mesmos são usuários de drogas, pararam de estudar ainda no ensino fundamental e tem má fama no bairro que moram. Mesmo não havendo provas suficientes para condenar os réus, há fortes indícios que os mesmos praticaram o assassinato das três vítimas. O promotor de justiça pede a condenação dos réus. Segundo a tese apresentada pelo advogado de defesa, Dr. Ricardo Soares Moraes, o principal argumento utilizado foi de que as provas são insuficientes para condenar os réus. Não há provas de autoria do crime e no processo há outras testemunhas que falam o nome de outras pessoas envolvidas e apontadas como os autores do crime e não os réus. Também há denúncias anônimas onde são apontadas outras pessoas pela autoria do crime. Como havia mencionado o promotor os acusados foram presos por porte ilegal de arma, porém os mesmos foram pegos com um revólver calibre 38 e a arma que foi utilizada no crime foi uma pistola calibre 380. Existe também o nome de uma pessoa envolvida “Edvaldo” apontada pelo filho de seis anos da vítima como sendo o executor de uma das vítimas. O advogado reforça com o argumento de que os réus não podem ser condenados pelo simples fato de sua vida pregressa, não é porque os mesmos não tem escolaridade ou são usuários de drogas que devem ser condenados por um crime onde não há provas suficientes e claras que indiquem suas participações. Sendo assim o advogado apela pela absolvição dos réus. Sentença. Primeiramente a Juíza explica aos jurados como serão os quesitos para votação. Quanto ao crime: Há materialidade do crime? O réu é participe ou autor do crime? O réu deve ser absolvido? Quanto às qualificadoras: O homicídio foi praticado por um motivo torpe? O réu praticou o crime de forma que as vítimas não puderam se defender? Em seguida, lendo os quesitos, e explicando a significação legal de cada um, o juiz indagará das partes se têm requerimento ou reclamação que fazer, devendo constar da ata qualquer requerimento ou reclamação não atendida. Lidos os quesitos, o juiz anunciará que se vai proceder ao julgamento, fará retirar o réu e convidará os circunstantes a que deixem a sala, se não houver o devido isolamento dos jurados. Fechadas as portas, presentes o escrivão e dois oficiais de justiça, bem como os acusadores e os defensores, que se conservarão nos seus lugares, sem intervir nas votações, o conselho, sob a presidência do juiz, passará a votar os quesitos que Ihe forem propostos. Onde for possível, a lei recomenda que a votação seja feita em sala especial. Antes de dar o seu voto, porém, o jurado poderá consultar os autos, ou examinar qualquer outro elemento material de prova existente em juízo. Ademais, o juiz não permitirá que os acusadores ou os defensores perturbem a livre manifestação do conselho, e fará retirar da sala aquele que se portar inconvenientemente,impondo-lhe multa. Através dos quesitos, serão apresentados aos jurados os pontos fundamentais sobre os quais estes emitirão seu julgamento. É a forma que a lei encontrou para que não haja uma interlocução direta do juiz ou das partes com os jurados, a fim de manter intacta a isenção e imparcialidade dos juízes leigos. Os quesitos serão formulados com observância das seguintes regras: o primeiro versará sobre o fato principal, de conformidade com o libelo; se entender que alguma circunstância, exposta no libelo, não tem conexão essencial com o fato ou é dele separável, de maneira que este possa existir ou subsistir sem ela, o juiz desdobrará o quesito em tantos quantos forem necessários; se o réu apresentar, na sua defesa, ou alegar, nos debates, qualquer fato ou circunstância que por lei isente de pena ou exclua o crime, ou o desclassifique, o juiz formulará os quesitos correspondentes, imediatamente depois dos relativos ao fato principal, inclusive os relativos ao excesso doloso ou culposo quando reconhecida qualquer excludente de ilicitude; se for alegada a existência de causa que determine aumento de pena em quantidade fixa ou dentro de determinados limites, ou de causa que determine ou faculte diminuição de pena, nas mesmas condições, o juiz formulará os quesitos correspondentes a cada uma das causas alegadas; se forem um ou mais réus, o juiz formulará tantas séries de quesitos quantos forem eles. Também serão formuladas séries distintas, quando diversos os pontos de acusação; quando o juiz tiver que fazer diferentes quesitos, sempre os formulará em proposições simples e bem distintas, de maneira que cada um deles possa ser respondido com suficiente clareza. A lei determina, ainda, que serão formulados quesitos relativamente às circunstâncias agravantes e atenuantes, previstas nos arts. 44, 45 e 48 do Código Penal, observado o seguinte: a) para cada circunstância agravante, articulada no libelo, o juiz formulará um quesito; b) se resultar dos debates o conhecimento da existência de alguma circunstância agravante, não articulada no libelo, o juiz, a requerimento do acusador, formulará o quesito a ela relativo; c) o juiz formulará, sempre, um quesito sobre a existência de circunstâncias atenuantes, ou alegadas, e; d) se o júri afirmar a existência de circunstâncias atenuantes, o juiz o questionará a respeito das que Ihe parecerem aplicáveis ao caso, fazendo escrever os quesitos respondidos afirmativamente, com as respectivas respostas(9). Antes de proceder-se à votação de cada quesito, o juiz mandará distribuir pelos jurados pequenas cédulas, feitas de papel opaco e facilmente dobráveis, contendo umas a palavra "sim" e outras a palavra "não", a fim de, secretamente, serem recolhidos os votos (art.485). Assim que sejam distribuídas as cédulas, o juiz lerá o quesito que deva ser respondido e um oficial de justiça recolherá as cédulas com os votos dos jurados, e outro, as cédulas não utilizadas. Cada um dos oficiais apresentará, para esse fim, aos jurados, uma urna ou outro receptáculo que assegure o sigilo da votação (art.486). Após a votação de cada quesito, o presidente, verificados os votos e as cédulas não utilizadas, mandará que o escrivão escreva o resultado em termo especial e que sejam declarados o número de votos afirmativos e o de negativos (art.487). As decisões do júri serão tomadas por maioria de votos (art.488). Se a resposta a qualquer dos quesitos estiver em contradição com outra ou outras já proferidas, o juiz, explicando aos jurados em que consiste a contradição, submeterá novamente à votação os quesitos a que se referirem tais respostas. Se, da mesma forma, pela resposta dada a qualquer dos quesitos, o juiz verificar que ficam prejudicados os seguintes, assim o declarará, dando por finda a votação, cujo termo será assinado pelo juiz e pelos jurados (arts.489 a 491). Após a votação e vinculado ao seu resultado, o juiz presidente proferirá sentença, realizando a quantificação da pena com base nos critérios normalmente utilizados (fixação de pena base, circunstâncias agravantes e atenuantes, causas de aumentos e diminuições de pena, etc). Neste momento, inclusive, decidirá sobre a imposição de medida cautelar, se presentes os requisitos da preventiva. Em caso de absolvição, impositiva a colocação em liberdade do preso (se por outro motivo não estiver preso), e aplicação de medida de segurança no absolvido por inimputabilidade. Tendo o Conselho de sentença optado pela desclassificação, o juiz presidente deve proferir sentença imediatamente, cabendo ainda as benesses da lei 9.099 quando for o caso de crime àquela lei afeto. O mesmo deve ocorrer se houver crime conexo não doloso contra a vida que remanescer em caso de absolvição ou desclassificação. Depois de definida a sentença, será ela lida em plenário antes do encerramento da sessão. Cada sessão terá sua ata, aonde deverão constar todas as ocorrências relevantes. Sua falta pode implicar em responsabilidade administrativa e penal para o responsável. VOTAÇÃO DO JÚRI Sim – configura materialidade Não – prejudica todos os demais quesitos 1ª sim (materialidade) /sim (autoria confirmada)/sim 2ª sim/sim/sim 3ª sim/sim/sim 4ª sim/sim/não 5ª –/-/não 6ª –/-/não 7ª –/-/sim 4 x 3 = Réu foi absolvido. Defesa apresentou a legítima defesa. Lavrar a sentença e mencionar que o corpo de jurados/CS reconheceu a tese de legitima defesa. Testemunha Defesa e acusação podem chamar até cinco testemunhas cada. O juiz também pode requerer a presença de alguém. Muitas vezes, as testemunhas de defesa não viram o que aconteceu (vão falar do caráter do réu ou apresentar um álibi), enquanto as de acusação estavam no local do crime Réu Quando está preso, o réu fica algemado e é acompanhado por policias militares. Apesar de ser a figura central do julgamento (afinal, é seu destino que está sendo decidido), sua participação é pequena dentro do tribunal Conselho de sentença Dos 21 jurados intimados, só sete participam do julgamento, formando o conselho de sentença. Eles são sorteados e podem ser recusados pelas partes. São permitidas até três recusas sem motivo (por exemplo, o promotor pode preferir não ter pessoas com forte crença religiosa no conselho). Nesse caso, novos nomes serão sorteados Sala secreta Para cada quesito a ser votado, os jurados recebem uma cédula com a palavra “sim” e outra com a palavra “não”. As decisões são tomadas por maioria simples de votos (nos Estados Unidos, a decisão deve ser unânime) e a votação é sigilosa, ou seja, os jurados não podem falar sobre suas impressões do processo. Se um julgamento demorar dois dias ou mais, os jurados se hospedam em alojamentos e são acompanhados por oficiais de justiça, para garantir que não troquem informações entre si Quem são os jurados Vinte e um cidadãos são intimados a comparecer ao tribunal na data do julgamento. Devem ser maiores de 21 anos, alfabetizados e não ter antecedentes criminais. Sete formarão o conselho de sentença. Os outros serão dispensados. O serviço do júri é obrigatório e recusá-lo por convicção política, religiosa ou filosófica implica a perda dos direitos políticos Passo a passo Um julgamento pode durar de algumas horas a alguns dias. Conheça as dez etapas do processo 1 – É escolhido o conselho de sentença. Defesa e promotoria podem dispensar até três jurados sorteados. Sete participarão do julgamento 2 – Juiz, promotor, defesa e jurados formulam, nessa ordem, perguntas para o réu, que tem o direito de respondê-las ou não 3 – O juiz apresenta aos jurados o processo, expondo os fatos, as provas existentes e as conclusões da promotoria e da defesa 4 – São ouvidas as testemunhas. Primeiro as indicadas pelo juiz (quando há), seguidas pelas de acusação e depois pelas de defesa 5 – Começam os debates entre a acusação e a defesa. O primeiro a falar é o promotor, que tem duas horas para a acusação 6 – O advogado – ou defensor público, no caso de pessoas que não podem pagar – também tem duas horas para a defesa 7 – O promotor pode pedir uma réplica. Cabe ao juiz concedê-la ou não.Também pode haver uma tréplica do advogado, se necessário 8 – O juiz formula os quesitos (perguntas) que serão votados pelo conselho de sentença e os lê, em plenário, para os jurados 9 – Um oficial de justiça recolhe as cédulas de votação dos quesitos. Os votos são contabilizados pelo juiz 10 – Voltando ao plenário, o juiz pede que todos se levantem e dá o veredicto em público. Estipula a pena e encerra o julgamento 1 [Data] [Data] 10