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INFORMATIVO STJ-873 12 Questões certo/errado 2025 Entrar no grupo https://chat.whatsapp.com/DiajJxorl4bIftUGG2vd5H SUMÁRIO QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO: Em que pese o princípio do parcelamento nas licitações, a opção administrativa pela estruturação do objeto licitatório em lote único, quando fundamentada em razões técnicas adequadas e amparada pelo art. 40, § 3º, I, da Lei n. 14.133/2021, não configura ato abusivo ou ilegal, inserindo-se no legítimo exercício da discricionariedade administrativa. (STJ-873 / RMS 76.772-MT) QUESTÃO 2 - ADMINISTRATIVO: Não é possível a condenação, em ação popular, ao ressarcimento ao erário com base em dano presumido, sem comprovação efetiva de prejuízo financeiro e não apontado na petição inicial nexo causal e efetividade do dano para a responsabilização. (STJ-873 / AgInt no REsp 1.773.335-SP) QUESTÃO 3 - ADMINISTRATIVO: As empresas públicas prestadoras de serviço público essencial, em regime não concorrencial e sem finalidade lucrativa, fazem jus ao processamento da execução por meio de precatório. (STJ-873 / AgInt no REsp 2.092.441-DF) QUESTÃO 4 - TRIBUTÁRIO: Não cabe a isenção do ISS, prevista no art. 2º, I, da LC n. 116/2003, para a intermediação de serviços de turismo e viagens internacionais realizada inteiramente em território nacional. (STJ-873 / REsp 1.974.556-SP) QUESTÃO 5 - CIVIL / HUMANOS: É possível a relativização do requisito da publicidade para a configuração de união estável homoafetiva, desde que presentes os demais requisitos caracterizadores da união estável previstos no art. 1.723 do CC. (STJ-873 / Processo em segredo de justiça) QUESTÃO 6 - CIVIL: Mesmo diante do reconhecimento da prescrição intercorrente, o pagamento de obrigação judicialmente inexigível não confere direito à repetição do indébito. (STJ-873 / REsp 2.081.015-SP) QUESTÃO 7 - CIVIL: Verificado o excesso de reportagem decorrente do desbordo dos fins informativos, devem prevalecer os direitos da personalidade com o consequente ressarcimento dos danos correlatos. (STJ-873 / REsp 2.230.995-GO) QUESTÃO 8 - EMPRESARIAL: Nos casos de ação de responsabilidade de administradores fundada em alegada prática de atos de corrupção corporativa, a prévia anulação das atas assembleares nas quais houve a aprovação das contas por eles apresentadas constitui condição de procedibilidade. (STJ-873 / REsp 2.207.934-RS) QUESTÃO 9 - PENAL: A expressão "logo depois" utilizada no art. 157, § 1º, do Código Penal, no crime de roubo impróprio, não exige que a violência ocorra imediatamente após a subtração, admitindo-se algum lapso temporal entre os eventos. (STJ-873 / AgRg no REsp 2.098.118-MG) QUESTÃO 10 - PENAL: É possível a concessão de salvo-conduto para o cultivo de cannabis sativa para fins medicinais, desde que comprovada a necessidade terapêutica por documentação idônea, até que haja regulamentação específica pelo Poder Executivo Federal. (STJ-873 / AgRg no HC 1.017.622-SC) QUESTÃO 11 - PROCESSO PENAL: A ausência de tese defensiva registrada em ata que justifique a absolvição por clemência ou outra causa correlata, aliada à contradição entre as respostas dos jurados, autoriza a anulação do julgamento e a realização de novo júri. (STJ-873 / EDcl no AREsp 2.802.065-PR) QUESTÃO 12 - PROCESSO PENAL: Apesar da ilicitude do conteúdo do relatório de investigação com imagens de captura de tela (prints ou screenshots) de conversas de WhatsApp, a posterior extração dos dados do aparelho celular da paciente realizada com autorização judicial permite classificar tais provas como de fonte independente, nos termos do art. 157, § 2º, do Código de Processo Penal. (STJ-873 / HC 1.035.054-SP) GABARITO 1 QUESTÃO 1 A estruturação de certame licitatório em lote único, quando fundamentada em razões técnicas plausíveis que evidenciem a inviabilidade ou a desvantagem do parcelamento do objeto, constitui legítimo exercício da discricionariedade administrativa e não configura ilegalidade passível de anulação judicial. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O regime jurídico das licitações públicas consagra o parcelamento do objeto como diretriz destinada a promover a ampla competitividade e viabilizar a participação de empresas de diferentes portes. A Lei n. 14.133/2021, em seu art. 40, § 3º, I, estabelece essa orientação como princípio norteador da estruturação dos certames, buscando otimizar a eficiência e a economicidade nas contratações públicas. Entretanto, a legislação não confere caráter absoluto ao parcelamento, reconhecendo que determinadas circunstâncias técnicas podem justificar a manutenção da unidade do objeto licitatório. Situações envolvendo a natureza específica do bem ou serviço, a necessidade de padronização, a complexidade da gestão contratual ou a demonstração de custos adicionais desproporcionais podem fundamentar legitimamente a opção pelo lote único. A jurisprudência dos tribunais superiores orienta que a discricionariedade administrativa deve ser exercida mediante fundamentação técnica adequada, observando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. A existência de justificativa plausível afasta a presunção de ilegalidade, cabendo ao controle judicial verificar apenas a presença de fundamentação idônea e a ausência de arbitrariedade manifesta, sem substituir o juízo de conveniência e oportunidade do gestor público. As normas de fomento aos pequenos negócios, embora relevantes, não suprimem a possibilidade de estruturação em lote único quando razões técnicas demonstrarem que o parcelamento comprometeria a execução contratual ou geraria desvantagem ao interesse público, devendo sempre prevalecer a análise casuística sobre imposições rígidas e uniformes. Resposta: CERTO QUESTÃO 2 Nas ações populares que objetivem o ressarcimento ao erário por irregularidades em contratações realizadas por empresas públicas ou sociedades de economia mista, é admissível a presunção de dano patrimonial quando comprovada a violação aos procedimentos administrativos legalmente estabelecidos, cabendo ao réu demonstrar a ausência de prejuízo efetivo mediante inversão do ônus probatório típica do Direito Administrativo Sancionador. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A distribuição do ônus da prova no Direito Administrativo Sancionador constitui tema de grande relevância prática e teórica, especialmente após as alterações legislativas que reforçaram as garantias dos acusados em processos que possam resultar em sanções patrimoniais. A questão assume 2 contornos específicos quando envolve empresas estatais, submetidas simultaneamente ao regime jurídico de direito público e privado. O modelo constitucional brasileiro estabelece que compete ao autor da ação demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, cabendo ao réu a prova de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. Em matéria sancionatória, essa regra adquire reforço adicional, aproximando-se das garantias penais: presume-se a licitude da conduta até prova em contrário, não se admitindo inversão do ônus probatório em desfavor do acusado. A presunção de dano baseada exclusivamente em irregularidade procedimental representaretrocesso incompatível com o estágio evolutivo do Direito Administrativo contemporâneo. Mesmo em contratações de empresas estatais, submetidas a regime licitatório específico, a simples inobservância de formalidades não autoriza conclusão automática de prejuízo patrimonial. É necessário demonstrar nexo causal entre a irregularidade e a lesão concreta ao erário. A inversão do ônus da prova, quando admitida no processo civil, restringe-se a hipóteses excepcionais previstas em lei ou justificadas por peculiaridades do caso concreto que dificultem ao autor a produção probatória. No âmbito sancionatório, tal inversão mostra-se ainda mais restrita, não podendo ser aplicada de forma generalizada sob pena de violar o princípio da presunção de inocência e o direito fundamental ao devido processo legal. Resposta: ERRADO QUESTÃO 3 A prestação de serviço público essencial por empresa estatal, ainda que realizada com finalidade lucrativa e em regime concorrencial com a iniciativa privada, determina a aplicação do regime de precatórios, tendo em vista a natureza pública da atividade desempenhada e a necessidade de proteção dos recursos destinados à continuidade do serviço. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O regime jurídico aplicável às empresas estatais não é uniforme, devendo-se considerar a natureza da atividade desempenhada e as características operacionais da entidade. O art. 173, § 1º, da Constituição Federal estabelece que empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica submetem-se ao regime próprio das empresas privadas. Contudo, essa regra comporta importante exceção quando a entidade atua na prestação direta de serviços públicos. A jurisprudência do STJ tem estabelecido critérios rigorosos para a equiparação de empresas estatais à Fazenda Pública. Não basta a simples prestação de serviço público essencial para justificar a aplicação das prerrogativas fazendárias, sendo necessária a verificação cumulativa de requisitos específicos que caracterizem verdadeira atuação estatal direta, ainda que instrumentalizada por pessoa jurídica de direito privado. Os requisitos estabelecidos pela jurisprudência incluem a prestação de serviço público essencial em regime não concorrencial (monopólio de fato ou de direito) e a ausência de finalidade lucrativa. A presença de concorrência privada ou de intuito lucrativo descaracteriza a equiparação, mantendo a 3 empresa estatal submetida ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto à execução de seus débitos por penhora direta de bens, sem submissão ao sistema de precatórios. Essa distinção fundamenta-se na compreensão de que empresas estatais atuantes em regime concorrencial ou com finalidade lucrativa participam do mercado em condições análogas às da iniciativa privada, não justificando tratamento privilegiado. A aplicação indiscriminada do regime de precatórios a todas as prestadoras de serviços públicos violaria a isonomia e desvirtuaria o sistema constitucional de execução contra a Fazenda Pública, que se destina exclusivamente à proteção do erário na atuação estatal direta. Resposta: ERRADO QUESTÃO 4 Configura-se exportação de serviços para fins de isenção do ISS quando a atividade de intermediação turística tem por objeto conectar clientes nacionais a fornecedores estrangeiros de serviços, considerando-se que o resultado da intermediação ocorre no exterior em razão da execução dos serviços finais contratados fora do território nacional. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A isenção prevista na Lei Complementar n. 116/2003 para exportações de serviços exige rigorosa análise conceitual sobre o local de ocorrência do resultado do serviço prestado. O regime jurídico tributário estabelece distinção fundamental entre o local de execução da atividade e o local de produção do resultado do serviço, sendo este último elemento determinante para a configuração da exportação de serviços e consequente não incidência do ISS. Na atividade de intermediação turística, o serviço prestado pela agência consiste essencialmente em aproximar clientes viajantes e fornecedores estrangeiros de serviços turísticos. Esta atividade intermediária se concretiza integralmente no território nacional, onde ocorrem as negociações, efetivação de reservas e a remuneração do serviço de intermediação. O fato de os serviços turísticos finais (hospedagens, locações) serem executados no exterior não desloca o resultado da atividade de intermediação para fora do Brasil, uma vez que esta se esgota com a aproximação entre as partes e a conclusão das reservas em território nacional. A hermenêutica tributária impõe interpretação restritiva das normas concessivas de isenções fiscais, vedando a aplicação analógica de benefícios tributários. O conceito de "resultado" para fins de caracterização da exportação de serviços deve ser interpretado tecnicamente, considerando-se a natureza específica da atividade prestada. No caso da intermediação, o resultado se materializa com a efetivação do serviço intermediário, independentemente do local onde serão fruídos os serviços finais contratados. Essa interpretação assegura coerência sistêmica com o regime constitucional e legal de tributação das operações de prestação de serviços, preservando a competência tributária municipal sobre serviços cujo resultado econômico e jurídico se verifica em seu território. 4 Resposta: ERRADO QUESTÃO 5 O reconhecimento da união estável homoafetiva admite a relativização do requisito da publicidade quando demonstrado que a restrição da divulgação do relacionamento a círculos sociais limitados decorre de contexto histórico-cultural marcado por discriminação, sendo suficiente que a relação seja conhecida no ambiente de convivência próximo do casal, sem exigência de ampla exposição pública que violaria o direito fundamental à privacidade. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A união estável, reconhecida como entidade familiar pela Constituição Federal, exige a presença de requisitos específicos que a distinguem de outras formas de relacionamento afetivo. Entre esses elementos, destacam-se a convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o propósito de constituir família. A publicidade, tradicionalmente compreendida como manifestação social do relacionamento, não pode ser interpretada de forma absoluta ou descontextualizada. O ordenamento jurídico brasileiro consagra o direito fundamental à privacidade e à intimidade, protegendo os indivíduos contra exposição indevida de sua vida pessoal. Essa proteção constitucional impede que se exija dos companheiros divulgação irrestrita ou desmedida de seu relacionamento como condição para reconhecimento da união estável. A publicidade deve ser compreendida como ausência de clandestinidade, não como obrigação de propaganda da vida afetiva. As uniões homoafetivas apresentam particularidades decorrentes do contexto social de discriminação e preconceito historicamente enfrentado por essa população. O receio legítimo de represálias, estigmatização e violência frequentementemotiva a discrição sobre a orientação sexual e o relacionamento, especialmente perante familiares e ambientes profissionais. A jurisprudência tem reconhecido que tais circunstâncias justificam a manifestação da publicidade em âmbitos restritos de convivência. A análise judicial deve considerar o contexto fático e social em que o casal está inserido, realizando ponderação entre o requisito legal da publicidade e os direitos fundamentais à privacidade, dignidade e livre desenvolvimento da personalidade. A comprovação de que a relação era conhecida no círculo social próximo, aliada à demonstração dos demais elementos configuradores da união estável, pode ser suficiente para seu reconhecimento, especialmente quando evidenciado que a restrição decorreu de fundado receio de discriminação. Resposta: CERTO QUESTÃO 6 O levantamento de depósito judicial pelo exequente, quando regularmente autorizado pelo juízo, configura pagamento válido de obrigação prescrita, razão pela qual o posterior reconhecimento da prescrição intercorrente não autoriza a repetição dos valores, ainda que a execução fiscal tenha sido extinta, subsistindo a obrigação como natural. 5 ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A prescrição intercorrente representa fenômeno processual que atinge a pretensão executiva em razão da inércia processual qualificada ou da inexistência de bens penhoráveis, produzindo a extinção do processo executivo. Contudo, assim como na prescrição comum, seus efeitos limitam-se à exigibilidade judicial da obrigação, não alcançando o direito material subjacente, que permanece hígido no ordenamento jurídico. O Código Civil, em seu artigo 882, estabelece vedação expressa à repetição do que se pagou para solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Esse dispositivo consagra a teoria da obrigação natural, segundo a qual a prescrição transforma a obrigação civil em obrigação destituída de coercibilidade, mas ainda válida e eficaz como vínculo jurídico legítimo entre credor e devedor. O depósito judicial levantado mediante autorização do Poder Judiciário caracteriza cumprimento voluntário da obrigação. Mesmo que posteriormente seja reconhecida a prescrição intercorrente, o pagamento já realizado não se transmuda em pagamento indevido, pois satisfaz obrigação que, embora prescrita, subsiste no plano material. A autonomia da vontade e a boa-fé objetiva impedem que o devedor, após ter realizado o depósito e permitido o levantamento, invoque a prescrição para reaver o que pagou. A jurisprudência do STJ consolidou orientação no sentido de que o reconhecimento superveniente da prescrição intercorrente não invalida o levantamento anterior de valores depositados, aplicando-se a vedação legal à repetição. Admitir a devolução nessas circunstâncias configuraria enriquecimento ilícito do devedor e violaria a natureza jurídica da prescrição, que atinge apenas a acionabilidade processual. Resposta: CERTO QUESTÃO 7 A responsabilidade civil por danos decorrentes de atividade jornalística exige prova de falsidade material da informação veiculada, sendo legítima a divulgação de reportagem com afirmações categóricas sobre autoria de fatos criminosos quando houver investigação policial em andamento ou quando a notícia se fundamentar em aparência inicial de veracidade. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A responsabilidade civil da atividade jornalística constitui tema sensível na ponderação entre liberdade de expressão e proteção aos direitos da personalidade. A jurisprudência do STJ estabeleceu parâmetros específicos para aferir a licitude da conduta jornalística, afastando-se de critérios que exigiriam prova absoluta de falsidade material ou que confeririam proteção excessiva à atividade de imprensa em detrimento dos direitos individuais. O entendimento consolidado não condiciona a responsabilização civil à demonstração de falsidade material da informação divulgada. O que se exige é a observância do dever de verossimilhança, compreendido como aparência de verdade com condições reais de ocorrência, sustentada por elementos concretos. A mera existência de investigação policial ou de aparência inicial não autoriza, por 6 si só, afirmações categóricas sobre autoria de comportamento criminoso, sob pena de violação aos direitos da personalidade. A forma de veiculação possui relevância determinante na caracterização da ilicitude. Afirmações taxativas sobre autoria delitiva, quando desprovidas de comprovação adequada, configuram ofensa aos direitos da personalidade mesmo que posteriormente venham a se confirmar verdadeiras. O jornalista deve adotar cautela na escolha das palavras, evitando imputações definitivas quando ausente certeza, podendo utilizar expressões condicionais que preservem o caráter informativo sem comprometer a imagem do indivíduo. A responsabilização independe da comprovação de dolo específico de difamar ou de demonstração de falsidade absoluta do conteúdo. Basta a violação aos deveres de cuidado, verossimilhança e adequação da forma de divulgação, especialmente em contextos de instabilidade social ou exaltação de ânimos, quando as consequências danosas da informação imprecisa ou mal veiculada se potencializam significativamente. Resposta: ERRADO QUESTÃO 8 A aprovação sem ressalvas das contas dos administradores em assembleia geral de sociedade anônima produz efeito liberatório perante a companhia, sendo necessária a prévia anulação judicial dessa deliberação assemblear como condição para a subsequente propositura de ação social de responsabilidade civil contra os administradores. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O instituto da aprovação de contas dos administradores (quitus) constitui mecanismo essencial na governança corporativa das sociedades anônimas, conferindo aos acionistas reunidos em assembleia geral ordinária a prerrogativa de examinar e deliberar sobre a gestão social do exercício anterior. A Lei n. 6.404/1976 estabelece nos artigos 134, § 3º, 159 e 286 o regime jurídico desse instituto, determinando seus efeitos e limites quanto à responsabilização dos administradores. A natureza jurídica da aprovação de contas sem reservas tem sido objeto de interpretação jurisprudencial quanto à sua eficácia liberatória. A discussão central envolve determinar se tal deliberação assemblear impede automaticamente a propositura de ação de responsabilidade ou se apenas cria obstáculo processual superável mediante anulação prévia. A segurança jurídica e a estabilidade das relações societárias fundamentam a necessidade de conferir efeitos concretos às deliberações validamente tomadas pelos acionistas. O sistema legal estabelece ressalvas ao efeito exoneratório apenas em hipóteses específicas, como erro, dolo, fraude ou simulação, permitindo a anulação da deliberação no prazo decadencial de dois anos. A interpretação sistemática dos dispositivos legais revela que a proteção dos administradores contra ações de responsabilidade, após aprovação regular das contas, visa equilibrar a necessidade de fiscalização com a segurançajurídica indispensável ao exercício da gestão empresarial. 7 Resposta: CERTO QUESTÃO 9 A expressão "logo depois" contida no tipo penal do roubo impróprio (art. 157, § 1º, CP 1 ) admite a existência de lapso temporal razoável entre a subtração da coisa e o emprego de violência ou grave ameaça, desde que mantido o nexo funcional entre os atos, caracterizado pelo propósito de assegurar a posse do bem subtraído ou garantir a impunidade do crime, de modo que a violência exercida durante perseguição iniciada minutos após a subtração integra o contexto unitário da empreitada criminosa. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O roubo impróprio representa modalidade de delito patrimonial em que a violência ou grave ameaça não precede ou acompanha a subtração, mas é empregada em momento posterior, distinguindo-se do roubo próprio pela cronologia dos elementos típicos. A interpretação da expressão normativa "logo depois" constitui questão central para delimitar os contornos típicos dessa modalidade delitiva e diferenciá-la do concurso material entre furto e crimes contra a pessoa. A doutrina e a jurisprudência superior reconhecem que a locução temporal utilizada pelo legislador não exige contemporaneidade absoluta ou imediatidade perfeita entre a subtração e o emprego de força. O critério decisivo reside na manutenção do nexo funcional entre os atos, verificável quando a violência serve instrumentalmente para consolidar a posse do bem ou evitar a captura do agente, integrando o iter criminis do delito patrimonial como meio de assegurar seu resultado. O elemento subjetivo especial do tipo revela-se fundamental: a violência posterior deve ser dirigida especificamente às finalidades típicas de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa. Situações em que o agente, após a subtração, é perseguido pela vítima e reage violentamente para manter a posse do objeto configuram hipótese clássica de roubo impróprio, desde que demonstrada a continuidade contextual da ação criminosa. A caracterização do nexo temporal admite alguma elasticidade interpretativa, não se esgotando em critérios rígidos de segundos ou minutos, mas considerando as circunstâncias concretas do caso. A perseguição imediata deflagrada pela vítima e a reação violenta do agente para garantir o resultado da subtração evidenciam a unidade do contexto delitivo, justificando a tipificação mais gravosa em detrimento do concurso material de crimes. Resposta: CERTO 1 Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, afim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. 8 QUESTÃO 10 A concessão de salvo-conduto para cultivo doméstico de cannabis sativa com finalidade terapêutica está condicionada ao prévio esgotamento de todas as alternativas terapêuticas convencionais disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde, ainda que o paciente apresente laudos médicos e autorizações da ANVISA comprovando a necessidade do uso de canabidiol para seu tratamento. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 O acesso a tratamentos de saúde no ordenamento jurídico brasileiro orienta-se pelo princípio da integralidade da assistência terapêutica, previsto constitucionalmente e regulamentado pela legislação do Sistema Único de Saúde. A questão central reside em definir se a busca por alternativas envolvendo substâncias controladas exige prévia demonstração de insucesso de todos os tratamentos convencionais disponíveis na rede pública. A jurisprudência tem enfrentado situações nas quais pacientes buscam medicamentos de alto custo ou substâncias não regularizadas no Brasil, estabelecendo critérios para concessão judicial dessas medidas. Em regra, exige-se comprovação da adequação do tratamento pleiteado, sua necessidade para o caso concreto e, em algumas hipóteses, a ineficácia ou inadequação de alternativas disponibilizadas pelo SUS. Contudo, esse requisito não se aplica uniformemente a todas as situações envolvendo direito à saúde. Quando se trata de substâncias derivadas de cannabis para uso medicinal, a análise judicial considera primordialmente a prescrição médica especializada, os laudos que atestam a indicação terapêutica e as autorizações administrativas já obtidas junto à ANVISA. A existência de autorização para importação de medicamentos à base de canabidiol revela que a agência reguladora já reconheceu a legitimidade daquele tratamento específico para o paciente, configurando elemento probatório relevante. A exigência de esgotamento prévio de todas as alternativas terapêuticas convencionais poderia inviabilizar tratamentos urgentes ou prolongar desnecessariamente o sofrimento do paciente quando a indicação médica já aponta para a necessidade específica do canabidiol. A ponderação entre direitos fundamentais e políticas públicas de saúde deve considerar a singularidade de cada situação clínica, evitando condicionamentos formais excessivos que esvaziem a efetividade da tutela jurisdicional da saúde em casos devidamente fundamentados por documentação médica idônea. Resposta: ERRADO QUESTÃO 11 A absolvição proferida pelo Conselho de Sentença no quesito genérico deve ser preservada em razão da soberania dos veredictos, ainda que os jurados tenham reconhecido materialidade e autoria delitiva, pois o quesito genérico funciona como válvula de escape que permite o exercício da clemência tácita independentemente da apresentação de pedido expresso pela defesa ou da existência de tese defensiva específica que justifique a benesse. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 9 O quesito genérico absolutório, previsto no artigo 483, inciso III, do CPP, foi inserido pela reforma de 2008 com o objetivo de simplificar a quesitação e reduzir nulidades processuais. Esse dispositivo permite aos jurados absolver o acusado mesmo após o reconhecimento de materialidade e autoria, funcionando como instrumento de manifestação da consciência coletiva sobre o caso concreto. A soberania dos veredictos constitui garantia constitucional do Tribunal do Júri que assegura aos jurados ampla liberdade na valoração das provas e na formação de seu convencimento. Contudo, essa soberania não é ilimitada, sujeitando-se a controle judicial quando as respostas apresentam contradição manifesta que revele incompatibilidade lógica entre os quesitos respondidos. O STJ firmou precedente no sentido de que a clemência tácita, exercida mediante absolvição no quesito genérico, pressupõe respaldo fático mínimo nos autos ou existência de tese defensiva que a justifique. Quando a defesa se limita exclusivamente à negativa de autoria e os jurados reconhecem afirmativamente essa autoria, a posterior absolvição carece de fundamentação lógica que a sustente. A jurisprudência diferencia a impossibilidade de revisão do méritoprobatório da necessidade de coerência lógica entre as respostas. Não se trata de substituir a valoração dos jurados, mas de verificar se existe compatibilidade interna nas respostas apresentadas. A contradição intrínseca configura-se quando há incompatibilidade insuperável entre quesitos sucessivos, situação em que se autoriza a anulação do julgamento para submissão a novo Conselho de Sentença. Resposta: ERRADO QUESTÃO 12 Quando um aparelho celular é legitimamente apreendido durante prisão em flagrante, os dados nele armazenados que posteriormente sejam extraídos mediante autorização judicial constituem prova de fonte independente, desvinculando-se de eventual acesso ilegal anterior ao conteúdo do dispositivo, pois a apreensão lícita do objeto cria fonte autônoma que torna o acesso autorizado subsequente um desdobramento natural e previsível da investigação. ( ) CERTO ( ) ERRADO Justificativa: 💬 A teoria da prova ilícita por derivação, consagrada no art. 157, § 1º, do CPP, estabelece que são inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, ainda que com elas não tenham relação direta. Trata-se da chamada "teoria dos frutos da árvore envenenada", que busca desestimular práticas investigativas ilegais e preservar a integridade do processo penal. Contudo, o § 2º do mesmo dispositivo prevê exceções que permitem o aproveitamento de provas relacionadas ao contexto de ilegalidade. Entre as exceções à inadmissibilidade das provas derivadas, destaca-se a teoria da fonte independente, pela qual são admitidas provas que, embora guardem relação com o fato objeto da ilegalidade, possuam origem autônoma e desvinculada da contaminação original. A aplicação dessa teoria exige demonstração concreta, não meramente hipotética, de que a prova seria obtida pelos trâmites regulares da investigação, independentemente da ilegalidade cometida. No contexto específico de dispositivos eletrônicos, a jurisprudência reconhece que a apreensão lícita do aparelho durante ato de investigação ou prisão em flagrante cria situação jurídica autônoma. O acesso 10 posterior ao conteúdo do dispositivo, quando precedido de autorização judicial, representa desdobramento natural da investigação, especialmente considerando que a guarda legal do objeto pelo Estado justifica e legitima a postulação de medidas tendentes à extração de dados. A r atio decidendi fundamenta-se na premissa de que a legalidade da apreensão inicial e a natural expectativa de que a autoridade competente buscaria autorização judicial para acessar o conteúdo rompem o nexo causal com eventuais ilegalidades anteriores. Não se trata de convalidação do ato ilícito, mas de reconhecimento de que existe meio lícito, autônomo e paralelo de obtenção da mesma prova, ainda que temporalmente posterior à contaminação identificada. Resposta: CERTO GABARITO 1. C 2. E 3. E 4. E 5. C 6. C 7. E 8. C 9. C 10. E 11. E 12. C 11