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INFORMATIVO STJ-873
12 Questões certo/errado
2025
Entrar no grupo
https://chat.whatsapp.com/DiajJxorl4bIftUGG2vd5H
 SUMÁRIO 
 QUESTÃO 1 - ADMINISTRATIVO: Em que pese o princípio do parcelamento nas licitações, a opção 
 administrativa pela estruturação do objeto licitatório em lote único, quando fundamentada em razões técnicas 
 adequadas e amparada pelo art. 40, § 3º, I, da Lei n. 14.133/2021, não configura ato abusivo ou ilegal, 
 inserindo-se no legítimo exercício da discricionariedade administrativa. (STJ-873 / RMS 76.772-MT) 
 QUESTÃO 2 - ADMINISTRATIVO: Não é possível a condenação, em ação popular, ao ressarcimento ao erário 
 com base em dano presumido, sem comprovação efetiva de prejuízo financeiro e não apontado na petição inicial 
 nexo causal e efetividade do dano para a responsabilização. (STJ-873 / AgInt no REsp 1.773.335-SP) 
 QUESTÃO 3 - ADMINISTRATIVO: As empresas públicas prestadoras de serviço público essencial, em regime 
 não concorrencial e sem finalidade lucrativa, fazem jus ao processamento da execução por meio de precatório. 
 (STJ-873 / AgInt no REsp 2.092.441-DF) 
 QUESTÃO 4 - TRIBUTÁRIO: Não cabe a isenção do ISS, prevista no art. 2º, I, da LC n. 116/2003, para a 
 intermediação de serviços de turismo e viagens internacionais realizada inteiramente em território nacional. 
 (STJ-873 / REsp 1.974.556-SP) 
 QUESTÃO 5 - CIVIL / HUMANOS: É possível a relativização do requisito da publicidade para a configuração de 
 união estável homoafetiva, desde que presentes os demais requisitos caracterizadores da união estável previstos 
 no art. 1.723 do CC. (STJ-873 / Processo em segredo de justiça) 
 QUESTÃO 6 - CIVIL: Mesmo diante do reconhecimento da prescrição intercorrente, o pagamento de obrigação 
 judicialmente inexigível não confere direito à repetição do indébito. (STJ-873 / REsp 2.081.015-SP) 
 QUESTÃO 7 - CIVIL: Verificado o excesso de reportagem decorrente do desbordo dos fins informativos, devem 
 prevalecer os direitos da personalidade com o consequente ressarcimento dos danos correlatos. (STJ-873 / REsp 
 2.230.995-GO) 
 QUESTÃO 8 - EMPRESARIAL: Nos casos de ação de responsabilidade de administradores fundada em alegada 
 prática de atos de corrupção corporativa, a prévia anulação das atas assembleares nas quais houve a aprovação 
 das contas por eles apresentadas constitui condição de procedibilidade. (STJ-873 / REsp 2.207.934-RS) 
 QUESTÃO 9 - PENAL: A expressão "logo depois" utilizada no art. 157, § 1º, do Código Penal, no crime de roubo 
 impróprio, não exige que a violência ocorra imediatamente após a subtração, admitindo-se algum lapso temporal 
 entre os eventos. (STJ-873 / AgRg no REsp 2.098.118-MG) 
 QUESTÃO 10 - PENAL: É possível a concessão de salvo-conduto para o cultivo de cannabis sativa para fins 
 medicinais, desde que comprovada a necessidade terapêutica por documentação idônea, até que haja 
 regulamentação específica pelo Poder Executivo Federal. (STJ-873 / AgRg no HC 1.017.622-SC) 
 QUESTÃO 11 - PROCESSO PENAL: A ausência de tese defensiva registrada em ata que justifique a absolvição 
 por clemência ou outra causa correlata, aliada à contradição entre as respostas dos jurados, autoriza a anulação 
 do julgamento e a realização de novo júri. (STJ-873 / EDcl no AREsp 2.802.065-PR) 
 QUESTÃO 12 - PROCESSO PENAL: Apesar da ilicitude do conteúdo do relatório de investigação com imagens 
 de captura de tela (prints ou screenshots) de conversas de WhatsApp, a posterior extração dos dados do aparelho 
 celular da paciente realizada com autorização judicial permite classificar tais provas como de fonte independente, 
 nos termos do art. 157, § 2º, do Código de Processo Penal. (STJ-873 / HC 1.035.054-SP) 
 GABARITO 
 1 
 QUESTÃO 1 
 A estruturação de certame licitatório em lote único, quando fundamentada em razões técnicas plausíveis 
 que evidenciem a inviabilidade ou a desvantagem do parcelamento do objeto, constitui legítimo 
 exercício da discricionariedade administrativa e não configura ilegalidade passível de anulação judicial. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O regime jurídico das licitações públicas consagra o parcelamento do objeto como diretriz destinada a 
 promover a ampla competitividade e viabilizar a participação de empresas de diferentes portes. A Lei n. 
 14.133/2021, em seu art. 40, § 3º, I, estabelece essa orientação como princípio norteador da 
 estruturação dos certames, buscando otimizar a eficiência e a economicidade nas contratações 
 públicas. 
 Entretanto, a legislação não confere caráter absoluto ao parcelamento, reconhecendo que determinadas 
 circunstâncias técnicas podem justificar a manutenção da unidade do objeto licitatório. Situações 
 envolvendo a natureza específica do bem ou serviço, a necessidade de padronização, a complexidade 
 da gestão contratual ou a demonstração de custos adicionais desproporcionais podem fundamentar 
 legitimamente a opção pelo lote único. 
 A jurisprudência dos tribunais superiores orienta que a discricionariedade administrativa deve ser 
 exercida mediante fundamentação técnica adequada, observando os princípios da proporcionalidade e 
 razoabilidade. A existência de justificativa plausível afasta a presunção de ilegalidade, cabendo ao 
 controle judicial verificar apenas a presença de fundamentação idônea e a ausência de arbitrariedade 
 manifesta, sem substituir o juízo de conveniência e oportunidade do gestor público. 
 As normas de fomento aos pequenos negócios, embora relevantes, não suprimem a possibilidade de 
 estruturação em lote único quando razões técnicas demonstrarem que o parcelamento comprometeria a 
 execução contratual ou geraria desvantagem ao interesse público, devendo sempre prevalecer a análise 
 casuística sobre imposições rígidas e uniformes. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 2 
 Nas ações populares que objetivem o ressarcimento ao erário por irregularidades em contratações 
 realizadas por empresas públicas ou sociedades de economia mista, é admissível a presunção de dano 
 patrimonial quando comprovada a violação aos procedimentos administrativos legalmente 
 estabelecidos, cabendo ao réu demonstrar a ausência de prejuízo efetivo mediante inversão do ônus 
 probatório típica do Direito Administrativo Sancionador. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A distribuição do ônus da prova no Direito Administrativo Sancionador constitui tema de grande 
 relevância prática e teórica, especialmente após as alterações legislativas que reforçaram as garantias 
 dos acusados em processos que possam resultar em sanções patrimoniais. A questão assume 
 2 
 contornos específicos quando envolve empresas estatais, submetidas simultaneamente ao regime 
 jurídico de direito público e privado. 
 O modelo constitucional brasileiro estabelece que compete ao autor da ação demonstrar os fatos 
 constitutivos de seu direito, cabendo ao réu a prova de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos. Em 
 matéria sancionatória, essa regra adquire reforço adicional, aproximando-se das garantias penais: 
 presume-se a licitude da conduta até prova em contrário, não se admitindo inversão do ônus probatório 
 em desfavor do acusado. 
 A presunção de dano baseada exclusivamente em irregularidade procedimental representaretrocesso 
 incompatível com o estágio evolutivo do Direito Administrativo contemporâneo. Mesmo em contratações 
 de empresas estatais, submetidas a regime licitatório específico, a simples inobservância de 
 formalidades não autoriza conclusão automática de prejuízo patrimonial. É necessário demonstrar nexo 
 causal entre a irregularidade e a lesão concreta ao erário. 
 A inversão do ônus da prova, quando admitida no processo civil, restringe-se a hipóteses excepcionais 
 previstas em lei ou justificadas por peculiaridades do caso concreto que dificultem ao autor a produção 
 probatória. No âmbito sancionatório, tal inversão mostra-se ainda mais restrita, não podendo ser 
 aplicada de forma generalizada sob pena de violar o princípio da presunção de inocência e o direito 
 fundamental ao devido processo legal. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 3 
 A prestação de serviço público essencial por empresa estatal, ainda que realizada com finalidade 
 lucrativa e em regime concorrencial com a iniciativa privada, determina a aplicação do regime de 
 precatórios, tendo em vista a natureza pública da atividade desempenhada e a necessidade de proteção 
 dos recursos destinados à continuidade do serviço. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O regime jurídico aplicável às empresas estatais não é uniforme, devendo-se considerar a natureza da 
 atividade desempenhada e as características operacionais da entidade. O art. 173, § 1º, da Constituição 
 Federal estabelece que empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade 
 econômica submetem-se ao regime próprio das empresas privadas. Contudo, essa regra comporta 
 importante exceção quando a entidade atua na prestação direta de serviços públicos. 
 A jurisprudência do STJ tem estabelecido critérios rigorosos para a equiparação de empresas estatais à 
 Fazenda Pública. Não basta a simples prestação de serviço público essencial para justificar a aplicação 
 das prerrogativas fazendárias, sendo necessária a verificação cumulativa de requisitos específicos que 
 caracterizem verdadeira atuação estatal direta, ainda que instrumentalizada por pessoa jurídica de 
 direito privado. 
 Os requisitos estabelecidos pela jurisprudência incluem a prestação de serviço público essencial em 
 regime não concorrencial (monopólio de fato ou de direito) e a ausência de finalidade lucrativa. A 
 presença de concorrência privada ou de intuito lucrativo descaracteriza a equiparação, mantendo a 
 3 
 empresa estatal submetida ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto à 
 execução de seus débitos por penhora direta de bens, sem submissão ao sistema de precatórios. 
 Essa distinção fundamenta-se na compreensão de que empresas estatais atuantes em regime 
 concorrencial ou com finalidade lucrativa participam do mercado em condições análogas às da iniciativa 
 privada, não justificando tratamento privilegiado. A aplicação indiscriminada do regime de precatórios a 
 todas as prestadoras de serviços públicos violaria a isonomia e desvirtuaria o sistema constitucional de 
 execução contra a Fazenda Pública, que se destina exclusivamente à proteção do erário na atuação 
 estatal direta. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 4 
 Configura-se exportação de serviços para fins de isenção do ISS quando a atividade de intermediação 
 turística tem por objeto conectar clientes nacionais a fornecedores estrangeiros de serviços, 
 considerando-se que o resultado da intermediação ocorre no exterior em razão da execução dos 
 serviços finais contratados fora do território nacional. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A isenção prevista na Lei Complementar n. 116/2003 para exportações de serviços exige rigorosa 
 análise conceitual sobre o local de ocorrência do resultado do serviço prestado. O regime jurídico 
 tributário estabelece distinção fundamental entre o local de execução da atividade e o local de produção 
 do resultado do serviço, sendo este último elemento determinante para a configuração da exportação de 
 serviços e consequente não incidência do ISS. 
 Na atividade de intermediação turística, o serviço prestado pela agência consiste essencialmente em 
 aproximar clientes viajantes e fornecedores estrangeiros de serviços turísticos. Esta atividade 
 intermediária se concretiza integralmente no território nacional, onde ocorrem as negociações, 
 efetivação de reservas e a remuneração do serviço de intermediação. 
 O fato de os serviços turísticos finais (hospedagens, locações) serem executados no exterior não 
 desloca o resultado da atividade de intermediação para fora do Brasil, uma vez que esta se esgota com 
 a aproximação entre as partes e a conclusão das reservas em território nacional. 
 A hermenêutica tributária impõe interpretação restritiva das normas concessivas de isenções fiscais, 
 vedando a aplicação analógica de benefícios tributários. O conceito de "resultado" para fins de 
 caracterização da exportação de serviços deve ser interpretado tecnicamente, considerando-se a 
 natureza específica da atividade prestada. 
 No caso da intermediação, o resultado se materializa com a efetivação do serviço intermediário, 
 independentemente do local onde serão fruídos os serviços finais contratados. Essa interpretação 
 assegura coerência sistêmica com o regime constitucional e legal de tributação das operações de 
 prestação de serviços, preservando a competência tributária municipal sobre serviços cujo resultado 
 econômico e jurídico se verifica em seu território. 
 4 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 5 
 O reconhecimento da união estável homoafetiva admite a relativização do requisito da publicidade 
 quando demonstrado que a restrição da divulgação do relacionamento a círculos sociais limitados 
 decorre de contexto histórico-cultural marcado por discriminação, sendo suficiente que a relação seja 
 conhecida no ambiente de convivência próximo do casal, sem exigência de ampla exposição pública 
 que violaria o direito fundamental à privacidade. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A união estável, reconhecida como entidade familiar pela Constituição Federal, exige a presença de 
 requisitos específicos que a distinguem de outras formas de relacionamento afetivo. Entre esses 
 elementos, destacam-se a convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o propósito de 
 constituir família. A publicidade, tradicionalmente compreendida como manifestação social do 
 relacionamento, não pode ser interpretada de forma absoluta ou descontextualizada. 
 O ordenamento jurídico brasileiro consagra o direito fundamental à privacidade e à intimidade, 
 protegendo os indivíduos contra exposição indevida de sua vida pessoal. Essa proteção constitucional 
 impede que se exija dos companheiros divulgação irrestrita ou desmedida de seu relacionamento como 
 condição para reconhecimento da união estável. A publicidade deve ser compreendida como ausência 
 de clandestinidade, não como obrigação de propaganda da vida afetiva. 
 As uniões homoafetivas apresentam particularidades decorrentes do contexto social de discriminação e 
 preconceito historicamente enfrentado por essa população. O receio legítimo de represálias, 
 estigmatização e violência frequentementemotiva a discrição sobre a orientação sexual e o 
 relacionamento, especialmente perante familiares e ambientes profissionais. A jurisprudência tem 
 reconhecido que tais circunstâncias justificam a manifestação da publicidade em âmbitos restritos de 
 convivência. 
 A análise judicial deve considerar o contexto fático e social em que o casal está inserido, realizando 
 ponderação entre o requisito legal da publicidade e os direitos fundamentais à privacidade, dignidade e 
 livre desenvolvimento da personalidade. A comprovação de que a relação era conhecida no círculo 
 social próximo, aliada à demonstração dos demais elementos configuradores da união estável, pode ser 
 suficiente para seu reconhecimento, especialmente quando evidenciado que a restrição decorreu de 
 fundado receio de discriminação. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 6 
 O levantamento de depósito judicial pelo exequente, quando regularmente autorizado pelo juízo, 
 configura pagamento válido de obrigação prescrita, razão pela qual o posterior reconhecimento da 
 prescrição intercorrente não autoriza a repetição dos valores, ainda que a execução fiscal tenha sido 
 extinta, subsistindo a obrigação como natural. 
 5 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A prescrição intercorrente representa fenômeno processual que atinge a pretensão executiva em razão 
 da inércia processual qualificada ou da inexistência de bens penhoráveis, produzindo a extinção do 
 processo executivo. Contudo, assim como na prescrição comum, seus efeitos limitam-se à exigibilidade 
 judicial da obrigação, não alcançando o direito material subjacente, que permanece hígido no 
 ordenamento jurídico. 
 O Código Civil, em seu artigo 882, estabelece vedação expressa à repetição do que se pagou para 
 solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Esse dispositivo consagra a teoria 
 da obrigação natural, segundo a qual a prescrição transforma a obrigação civil em obrigação destituída 
 de coercibilidade, mas ainda válida e eficaz como vínculo jurídico legítimo entre credor e devedor. 
 O depósito judicial levantado mediante autorização do Poder Judiciário caracteriza cumprimento 
 voluntário da obrigação. Mesmo que posteriormente seja reconhecida a prescrição intercorrente, o 
 pagamento já realizado não se transmuda em pagamento indevido, pois satisfaz obrigação que, embora 
 prescrita, subsiste no plano material. A autonomia da vontade e a boa-fé objetiva impedem que o 
 devedor, após ter realizado o depósito e permitido o levantamento, invoque a prescrição para reaver o 
 que pagou. 
 A jurisprudência do STJ consolidou orientação no sentido de que o reconhecimento superveniente da 
 prescrição intercorrente não invalida o levantamento anterior de valores depositados, aplicando-se a 
 vedação legal à repetição. Admitir a devolução nessas circunstâncias configuraria enriquecimento ilícito 
 do devedor e violaria a natureza jurídica da prescrição, que atinge apenas a acionabilidade processual. 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 7 
 A responsabilidade civil por danos decorrentes de atividade jornalística exige prova de falsidade material 
 da informação veiculada, sendo legítima a divulgação de reportagem com afirmações categóricas sobre 
 autoria de fatos criminosos quando houver investigação policial em andamento ou quando a notícia se 
 fundamentar em aparência inicial de veracidade. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A responsabilidade civil da atividade jornalística constitui tema sensível na ponderação entre liberdade 
 de expressão e proteção aos direitos da personalidade. A jurisprudência do STJ estabeleceu 
 parâmetros específicos para aferir a licitude da conduta jornalística, afastando-se de critérios que 
 exigiriam prova absoluta de falsidade material ou que confeririam proteção excessiva à atividade de 
 imprensa em detrimento dos direitos individuais. 
 O entendimento consolidado não condiciona a responsabilização civil à demonstração de falsidade 
 material da informação divulgada. O que se exige é a observância do dever de verossimilhança, 
 compreendido como aparência de verdade com condições reais de ocorrência, sustentada por 
 elementos concretos. A mera existência de investigação policial ou de aparência inicial não autoriza, por 
 6 
 si só, afirmações categóricas sobre autoria de comportamento criminoso, sob pena de violação aos 
 direitos da personalidade. 
 A forma de veiculação possui relevância determinante na caracterização da ilicitude. Afirmações 
 taxativas sobre autoria delitiva, quando desprovidas de comprovação adequada, configuram ofensa aos 
 direitos da personalidade mesmo que posteriormente venham a se confirmar verdadeiras. O jornalista 
 deve adotar cautela na escolha das palavras, evitando imputações definitivas quando ausente certeza, 
 podendo utilizar expressões condicionais que preservem o caráter informativo sem comprometer a 
 imagem do indivíduo. 
 A responsabilização independe da comprovação de dolo específico de difamar ou de demonstração de 
 falsidade absoluta do conteúdo. Basta a violação aos deveres de cuidado, verossimilhança e adequação 
 da forma de divulgação, especialmente em contextos de instabilidade social ou exaltação de ânimos, 
 quando as consequências danosas da informação imprecisa ou mal veiculada se potencializam 
 significativamente. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 8 
 A aprovação sem ressalvas das contas dos administradores em assembleia geral de sociedade 
 anônima produz efeito liberatório perante a companhia, sendo necessária a prévia anulação judicial 
 dessa deliberação assemblear como condição para a subsequente propositura de ação social de 
 responsabilidade civil contra os administradores. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O instituto da aprovação de contas dos administradores (quitus) constitui mecanismo essencial na 
 governança corporativa das sociedades anônimas, conferindo aos acionistas reunidos em assembleia 
 geral ordinária a prerrogativa de examinar e deliberar sobre a gestão social do exercício anterior. A Lei 
 n. 6.404/1976 estabelece nos artigos 134, § 3º, 159 e 286 o regime jurídico desse instituto, 
 determinando seus efeitos e limites quanto à responsabilização dos administradores. 
 A natureza jurídica da aprovação de contas sem reservas tem sido objeto de interpretação 
 jurisprudencial quanto à sua eficácia liberatória. A discussão central envolve determinar se tal 
 deliberação assemblear impede automaticamente a propositura de ação de responsabilidade ou se 
 apenas cria obstáculo processual superável mediante anulação prévia. A segurança jurídica e a 
 estabilidade das relações societárias fundamentam a necessidade de conferir efeitos concretos às 
 deliberações validamente tomadas pelos acionistas. 
 O sistema legal estabelece ressalvas ao efeito exoneratório apenas em hipóteses específicas, como 
 erro, dolo, fraude ou simulação, permitindo a anulação da deliberação no prazo decadencial de dois 
 anos. A interpretação sistemática dos dispositivos legais revela que a proteção dos administradores 
 contra ações de responsabilidade, após aprovação regular das contas, visa equilibrar a necessidade de 
 fiscalização com a segurançajurídica indispensável ao exercício da gestão empresarial. 
 7 
 Resposta: CERTO 
 QUESTÃO 9 
 A expressão "logo depois" contida no tipo penal do roubo impróprio (art. 157, § 1º, CP 1 ) admite a 
 existência de lapso temporal razoável entre a subtração da coisa e o emprego de violência ou grave 
 ameaça, desde que mantido o nexo funcional entre os atos, caracterizado pelo propósito de assegurar a 
 posse do bem subtraído ou garantir a impunidade do crime, de modo que a violência exercida durante 
 perseguição iniciada minutos após a subtração integra o contexto unitário da empreitada criminosa. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O roubo impróprio representa modalidade de delito patrimonial em que a violência ou grave ameaça não 
 precede ou acompanha a subtração, mas é empregada em momento posterior, distinguindo-se do roubo 
 próprio pela cronologia dos elementos típicos. A interpretação da expressão normativa "logo depois" 
 constitui questão central para delimitar os contornos típicos dessa modalidade delitiva e diferenciá-la do 
 concurso material entre furto e crimes contra a pessoa. 
 A doutrina e a jurisprudência superior reconhecem que a locução temporal utilizada pelo legislador não 
 exige contemporaneidade absoluta ou imediatidade perfeita entre a subtração e o emprego de força. O 
 critério decisivo reside na manutenção do nexo funcional entre os atos, verificável quando a violência 
 serve instrumentalmente para consolidar a posse do bem ou evitar a captura do agente, integrando o 
 iter criminis do delito patrimonial como meio de assegurar seu resultado. 
 O elemento subjetivo especial do tipo revela-se fundamental: a violência posterior deve ser dirigida 
 especificamente às finalidades típicas de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa. 
 Situações em que o agente, após a subtração, é perseguido pela vítima e reage violentamente para 
 manter a posse do objeto configuram hipótese clássica de roubo impróprio, desde que demonstrada a 
 continuidade contextual da ação criminosa. 
 A caracterização do nexo temporal admite alguma elasticidade interpretativa, não se esgotando em 
 critérios rígidos de segundos ou minutos, mas considerando as circunstâncias concretas do caso. A 
 perseguição imediata deflagrada pela vítima e a reação violenta do agente para garantir o resultado da 
 subtração evidenciam a unidade do contexto delitivo, justificando a tipificação mais gravosa em 
 detrimento do concurso material de crimes. 
 Resposta: CERTO 
 1 Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de 
 havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: 
 Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
 § 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, afim 
 de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro. 
 8 
 QUESTÃO 10 
 A concessão de salvo-conduto para cultivo doméstico de cannabis sativa com finalidade terapêutica 
 está condicionada ao prévio esgotamento de todas as alternativas terapêuticas convencionais 
 disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde, ainda que o paciente apresente laudos médicos e 
 autorizações da ANVISA comprovando a necessidade do uso de canabidiol para seu tratamento. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 O acesso a tratamentos de saúde no ordenamento jurídico brasileiro orienta-se pelo princípio da 
 integralidade da assistência terapêutica, previsto constitucionalmente e regulamentado pela legislação 
 do Sistema Único de Saúde. A questão central reside em definir se a busca por alternativas envolvendo 
 substâncias controladas exige prévia demonstração de insucesso de todos os tratamentos 
 convencionais disponíveis na rede pública. 
 A jurisprudência tem enfrentado situações nas quais pacientes buscam medicamentos de alto custo ou 
 substâncias não regularizadas no Brasil, estabelecendo critérios para concessão judicial dessas 
 medidas. Em regra, exige-se comprovação da adequação do tratamento pleiteado, sua necessidade 
 para o caso concreto e, em algumas hipóteses, a ineficácia ou inadequação de alternativas 
 disponibilizadas pelo SUS. Contudo, esse requisito não se aplica uniformemente a todas as situações 
 envolvendo direito à saúde. 
 Quando se trata de substâncias derivadas de cannabis para uso medicinal, a análise judicial considera 
 primordialmente a prescrição médica especializada, os laudos que atestam a indicação terapêutica e as 
 autorizações administrativas já obtidas junto à ANVISA. A existência de autorização para importação de 
 medicamentos à base de canabidiol revela que a agência reguladora já reconheceu a legitimidade 
 daquele tratamento específico para o paciente, configurando elemento probatório relevante. 
 A exigência de esgotamento prévio de todas as alternativas terapêuticas convencionais poderia 
 inviabilizar tratamentos urgentes ou prolongar desnecessariamente o sofrimento do paciente quando a 
 indicação médica já aponta para a necessidade específica do canabidiol. A ponderação entre direitos 
 fundamentais e políticas públicas de saúde deve considerar a singularidade de cada situação clínica, 
 evitando condicionamentos formais excessivos que esvaziem a efetividade da tutela jurisdicional da 
 saúde em casos devidamente fundamentados por documentação médica idônea. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 11 
 A absolvição proferida pelo Conselho de Sentença no quesito genérico deve ser preservada em razão 
 da soberania dos veredictos, ainda que os jurados tenham reconhecido materialidade e autoria delitiva, 
 pois o quesito genérico funciona como válvula de escape que permite o exercício da clemência tácita 
 independentemente da apresentação de pedido expresso pela defesa ou da existência de tese 
 defensiva específica que justifique a benesse. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 9 
 O quesito genérico absolutório, previsto no artigo 483, inciso III, do CPP, foi inserido pela reforma de 
 2008 com o objetivo de simplificar a quesitação e reduzir nulidades processuais. Esse dispositivo 
 permite aos jurados absolver o acusado mesmo após o reconhecimento de materialidade e autoria, 
 funcionando como instrumento de manifestação da consciência coletiva sobre o caso concreto. 
 A soberania dos veredictos constitui garantia constitucional do Tribunal do Júri que assegura aos 
 jurados ampla liberdade na valoração das provas e na formação de seu convencimento. Contudo, essa 
 soberania não é ilimitada, sujeitando-se a controle judicial quando as respostas apresentam contradição 
 manifesta que revele incompatibilidade lógica entre os quesitos respondidos. 
 O STJ firmou precedente no sentido de que a clemência tácita, exercida mediante absolvição no quesito 
 genérico, pressupõe respaldo fático mínimo nos autos ou existência de tese defensiva que a justifique. 
 Quando a defesa se limita exclusivamente à negativa de autoria e os jurados reconhecem 
 afirmativamente essa autoria, a posterior absolvição carece de fundamentação lógica que a sustente. 
 A jurisprudência diferencia a impossibilidade de revisão do méritoprobatório da necessidade de 
 coerência lógica entre as respostas. Não se trata de substituir a valoração dos jurados, mas de verificar 
 se existe compatibilidade interna nas respostas apresentadas. A contradição intrínseca configura-se 
 quando há incompatibilidade insuperável entre quesitos sucessivos, situação em que se autoriza a 
 anulação do julgamento para submissão a novo Conselho de Sentença. 
 Resposta: ERRADO 
 QUESTÃO 12 
 Quando um aparelho celular é legitimamente apreendido durante prisão em flagrante, os dados nele 
 armazenados que posteriormente sejam extraídos mediante autorização judicial constituem prova de 
 fonte independente, desvinculando-se de eventual acesso ilegal anterior ao conteúdo do dispositivo, 
 pois a apreensão lícita do objeto cria fonte autônoma que torna o acesso autorizado subsequente um 
 desdobramento natural e previsível da investigação. 
 ( ) CERTO ( ) ERRADO 
 Justificativa: 💬 
 A teoria da prova ilícita por derivação, consagrada no art. 157, § 1º, do CPP, estabelece que são 
 inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, ainda que com elas não tenham relação direta. Trata-se 
 da chamada "teoria dos frutos da árvore envenenada", que busca desestimular práticas investigativas 
 ilegais e preservar a integridade do processo penal. Contudo, o § 2º do mesmo dispositivo prevê 
 exceções que permitem o aproveitamento de provas relacionadas ao contexto de ilegalidade. 
 Entre as exceções à inadmissibilidade das provas derivadas, destaca-se a teoria da fonte independente, 
 pela qual são admitidas provas que, embora guardem relação com o fato objeto da ilegalidade, 
 possuam origem autônoma e desvinculada da contaminação original. A aplicação dessa teoria exige 
 demonstração concreta, não meramente hipotética, de que a prova seria obtida pelos trâmites regulares 
 da investigação, independentemente da ilegalidade cometida. 
 No contexto específico de dispositivos eletrônicos, a jurisprudência reconhece que a apreensão lícita do 
 aparelho durante ato de investigação ou prisão em flagrante cria situação jurídica autônoma. O acesso 
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 posterior ao conteúdo do dispositivo, quando precedido de autorização judicial, representa 
 desdobramento natural da investigação, especialmente considerando que a guarda legal do objeto pelo 
 Estado justifica e legitima a postulação de medidas tendentes à extração de dados. 
 A r atio decidendi fundamenta-se na premissa de que a legalidade da apreensão inicial e a natural 
 expectativa de que a autoridade competente buscaria autorização judicial para acessar o conteúdo 
 rompem o nexo causal com eventuais ilegalidades anteriores. Não se trata de convalidação do ato 
 ilícito, mas de reconhecimento de que existe meio lícito, autônomo e paralelo de obtenção da mesma 
 prova, ainda que temporalmente posterior à contaminação identificada. 
 Resposta: CERTO 
 GABARITO 
 1. C 2. E 3. E 4. E 5. C 6. C 7. E 8. C 9. C 10. E 11. E 12. C 
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