Prévia do material em texto
Profª. M.e. Janara A. S. Vasconcelos Engª. Civil e Engª. Segurança do Trabalho Curitiba-PR/ 2025 TÉCNICAS BÁSICAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL 2 APRESENTAÇÃO Bem-vindo(a) ao espaço de estudo da Disciplina de Técnicas Básicas da Construção Civil. Nesta disciplina vamos conhecer um pouco mais sobre como executar serviços de obras civis. A construção civil é um setor fundamental para o desenvolvimento das cidades e infraestrutura. Para garantir qualidade, segurança e durabilidade nas obras, é essencial o conhecimento e aplicação de técnicas básicas adequadas. O domínio das técnicas básicas da construção civil é fundamental para um bom andamento de uma obra. Com planejamento adequado e execução correta, é possível construir edificações duráveis e funcionais. 1. EVOLUÇÃO TÉCNICA DAS CONSTRUÇÕES Os materiais, as formas e as técnicas que utilizamos na construção civil de hoje são diferentes dos materiais de épocas anteriores. Também a nossa maneira de interpretar a importância de uma construção é hoje diferente da de outras épocas, ou seja, possui outros significados. Observou também as diferenças entre os estilos de cada época. Entre o gótico e o barroco, por exemplo. O que pretendemos é indicar a importância de algumas técnicas construtivas históricas e como elas ainda hoje influenciam a forma de se construir. Sabemos, por exemplo, que a arquitetura gótica era feita para o alto, para o inatingível, revelando, por meio do espaço transformado, o poder divino sobre o ser humano. E para isso foi inventada uma estrutura, o arco gótico, que possuía uma forma pontiaguda. Essa forma, além de estrutural, tinha o simbolismo de apontar para o céu. 3 O estilo gótico é diferente do estilo precedente, o românico, revelando não só a intenção religiosa de suas construções, mas também suas evoluções técnicas. Em ambos os estilos, a pedra era o material predominante de construção, tanto nos revestimentos como na sustentação dos edifícios. Só que, enquanto em uma construção românica as paredes eram muito grossas e as janelas muito pequenas, na estrutura gótica seus arcos permitiam paredes e colunas mais finas e amplas janelas. As janelas góticas recebiam vitrais com informações religiosas que produziam seu efeito com a entrada da luz solar. O primeiro tipo de construção que se multiplicou no Brasil foi o engenho. O engenho era, na verdade, uma fazenda que se organizava em torno de um único produto: a cana-de-açúcar. Uma fazenda de engenho era um pequeno retrato da sociedade existente no Brasil colonial. Havia a máquina de engenho, dedicada à moagem da cana e à fabricação do açúcar, na qual trabalhavam os escravos sob a vigilância de alguns capatazes, e havia a sede da fazenda, chamada de casa-grande, na qual habitava o senhor de engenho e sua família, além de alguns agregados. Próximo à casa-grande estava a senzala, na qual dormiam os escravos, sujeitos a péssimas condições de conforto e salubridade. Um engenho era um organismo completo, que não dependia de provisões de fora dele: tinha capela para missas, plantações e criações para a subsistência, serrarias para a confecção de móveis e para o madeiramento das casas e até mesmo escolas de “primeiras letras”, nas quais um padre-mestre ensinava os meninos. Esse sistema era patriarcal, ou seja, o poder era concentrado no senhor de engenho e as suas mulheres não tinham poder de decisão. 4 O país era eminentemente agrário, convivendo com o primeiro sistema político que existiu no Brasil, o das capitanias hereditárias. Não havia uma noção clara de governo ou de associação entre os moradores de uma mesma região. Tudo era subordinado à Coroa Portuguesa e, enquanto a economia do açúcar funcionasse, assim se manteria o país: uma fazenda, com diversas casas-grandes e suas senzalas. A urbanização do Brasil teve início graças a um novo ciclo econômico: a extração de ouro e pedras preciosas. Após a descoberta das primeiras minas de ouro, o rei de Portugal tratou de organizar sua extração e de estabelecer a cobrança de impostos nas casas de fundição. A descoberta desse metal e o início da exploração de minas nas regiões auríferas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) provocaram uma verdadeira “corrida do ouro” para essas regiões. Vários empregos surgiram, diversificando o mercado de trabalho na região aurífera. Igrejas foram erguidas em cidades como Vila Rica (atual Ouro Preto), Diamantina, Mariana, Cuiabá e Vila Boa de Goiás. Nesse período vieram da Europa arquitetos, pintores, escultores e comerciantes interessados nas riquezas brasileiras. Esses artistas conviviam com o estilo barroco europeu, que sucedeu ao Renascimento, caracterizado por construções exuberantes, muito decoradas, pinturas de colorido forte e contrastante, com figuras que pareciam estar em movimento. A arquitetura religiosa foi o maior expoente da arte barroca. As igrejas eram decoradas com entalhes em madeira cobertos de ouro, tinham teto pintado com cenas bíblicas, esculturas de santos, altares com anjos, colunas, flores e muitos outros elementos decorativos. O grande artista desse período foi Aleijadinho, lembrado até hoje: ele produziu muitas esculturas, seja em madeira ou em 5 pedra-sabão, e também imprimiu um estilo próprio, notadamente na expressão dos rostos, que gerou uma grande influência sobre outros artistas do mesmo período. As construções da época incorporavam essas influências europeias, mas também produziam uma linguagem local. As casas possuíam um pé-direito alto, o que fornecia maior conforto térmico. Em geral, eram construídas em pau-a-pique (é uma técnica construtiva antiga que consistia no entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós) ou alvenaria de adobes ou pedras, cobertas de telhas de barro. Com a crescente urbanização e a redução dos terrenos nas cidades, criaram- se duas formas típicas de construção urbana, que perduram até hoje: as casas “grudadas” umas nas outras e os sobrados. Os sobrados eram construídos com o piso intermediário estruturado em madeira, pois ainda não existia o concreto armado que possibilitasse a fabricação de uma laje. Com a independência, em 1822, o Brasil experimentou um novo processo econômico agrário e novas formas de urbanização e de incremento em sua infraestrutura interna. Desembarcaram no país muitos profissionais ligados à construção civil com domínio de técnicas e linguagens arquitetônicas próprias que enriqueceram o repertório nacional. Destacaram-se os profissionais ingleses e franceses que integraram as equipes projetistas e construtoras de estradas de ferro, portos, canais, pontes metálicas e até de edifícios públicos e particulares, como teatros, mercados, pavilhões e palacetes. Nesse período, as construções em taipa e pau-a-pique foram aos poucos substituídas por construções de alvenaria e concreto. A alvenaria é a construção de estruturas e de paredes utilizando unidades ligadas entre si por argamassa. Essas unidades podem ser os tijolos ou os blocos de pedra. Alguns novos materiais, como o aço, começaram a ser utilizados como elemento estrutural. 6 No início do século XX surgiu um novo material, o concreto armado, que transformou a maneira de projetar edifícios. O concreto armado é um material da construção civil que se tornou um dos mais importantes elementos da arquitetura do século XX. Junto com essas novas tecnologias, surgiu uma nova linguagem arquitetônica que transformou a função e o aspecto das edificações no Brasil: a arquitetura moderna. A arquitetura moderna brasileira foi um movimento muito importante no mundo todo, porque ela utilizava uma técnica moderna de construção e buscava preservar alguns elementos locais, criando uma linguagem, uma forma de representação bastante original.2. A ESPECIFICIDADE DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL A indústria da construção civil movimenta a economia do país e é constituída de atividades que visam a realização de obras civis, atendendo demandas de moradia, trabalho e desenvolvimento da região em que está sendo executada, de modo a utilizar todos os recursos possíveis, humanos e tecnológicos. As obras, portanto, podem ser: edificações, obras viárias, hidráulicas, industriais, de urbanização, de minas, de contenção, contemplando as mais variadas possibilidades de execução. A indústria da construção civil é altamente específica devido a uma série de características que a diferenciam de outros setores. Uma das principais particularidades é a natureza única de seus produtos: cada projeto é geralmente distinto, adaptado às necessidades específicas do cliente e às 7 condições do terreno, resultando em baixa padronização e alta variabilidade nos processos produtivos. Algumas das principais especificidades incluem: • Ciclo Produtivo Longo e Complexo: Envolve diversas etapas: planejamento, projeto, fundação, estrutura, acabamento, etc. • Dependência de Mão de Obra Especializada: Profissionais como engenheiros, arquitetos, mestres de obras e operários especializados são fundamentais. A capacitação técnica influencia diretamente a qualidade do projeto. • Influência de Fatores Externos: Condições climáticas podem impactar o andamento da obra. Regulações ambientais e normas técnicas variam conforme a localização. • Materialidade e Logística: Transporte de insumos pesados e volumosos, como cimento, aço e tijolos. Armazenamento e controle de desperdício são desafios constantes. • Personalização e Singularidade: Cada obra pode ter características únicas, diferentemente da produção industrial em série. Adaptação às necessidades do cliente e às particularidades do terreno. • Alto Investimento e Risco Financeiro: Grandes volumes de capital são necessários antes da conclusão e retorno do investimento. Variações de custos de materiais e mão de obra impactam diretamente os orçamentos. • Normas e Regulamentações Estritas: ABNT, normas de segurança do trabalho (NRs), código de edificações e normas ambientais regulam o setor. O não cumprimento pode gerar sanções e atrasos na obra. 8 Essas características tornam a construção civil um setor dinâmico e desafiador, exigindo planejamento detalhado, inovação e gestão eficiente. A construção civil distingue-se por projetos únicos, alta dependência de mão de obra e variabilidades externas, desempenhando um papel vital na economia brasileira e buscando constantemente inovações para aprimorar sua eficiência e produtividade. 3. MATERIAIS BÁSICOS PARA CONSTRUÇÃO Todo ser humano busca um abrigo. Desde os seus primórdios, protegeu-se das chuvas, do frio e de raios. O abrigo mais antigo e que nos faz lembrar logo da era pré-histórica é a caverna. A caverna possuía, para nossos antepassados, alguns elementos importantes que a definiam como um abrigo seguro e que respondiam, ainda que precariamente para os padrões atuais, às necessidades que o homem tinha de proteção dos fenômenos naturais e dos predadores. A caverna é coberta, protegida de ventos e da chuva, portanto, minimamente confortável. Possui apenas uma entrada, facilitando a defesa contra inimigos externos. Acontece que o ser humano resolveu se espalhar pelo mundo e nessa aventura desenvolveu, geração após geração, técnicas para se abrigar artificialmente, ou seja, o ser humano foi aprendendo o artifício de se abrigar. A ideia de “construção” é o resultado dessa preocupação do homem por um abrigo. A construção representa um abrigo artificial, ou seja, edificado pelo homem para sua proteção. Hoje, quando pensamos em um abrigo, lembramos logo de nossa casa, uma construção que, geração após geração, vem ganhando novos materiais e novas técnicas construtivas. Mas as construções não se limitaram às residências. 9 Na casa, temos uma série de materiais básicos para a construção: cimento, tijolo, areia, brita, cal, vigamento, madeira, prego, telha e, é claro, água. Temos também elementos já manufaturados, como as janelas, os canos, os fios elétricos, os vasos sanitários, os pisos e azulejos. E de onde vem tudo isso? Como o material de construção chegou até o depósito? Uma coisa é certa: uma parte do planeta Terra foi deslocada para a construção da casa de cada um de nós. Todos os materiais empregados na construção de uma casa são extraídos da natureza, o que significa que a construção civil é uma atividade que gera um intenso impacto ambiental. E para iniciarmos uma obra é necessário analisarmos técnicas básicas e essenciais da construção civil. Sabemos que para se executar qualquer projeto devemos antes de mais nada, realizar uma entrevista com o interessado em executar qualquer tipo de construção. Devemos considerar que geralmente o cliente é praticamente leigo, cabendo então ao profissional orientar esta entrevista, para obter o maior número possível de dados. O estudo preliminar é a fase inicial de um projeto arquitetônico, onde se desenvolvem as primeiras concepções da obra, considerando as necessidades do cliente e as características do terreno. Esta etapa é fundamental para orientar as fases subsequentes do projeto e garantir sua viabilidade técnica e financeira. Objetivos do Estudo Preliminar: • Definir o Programa de Necessidades: Levantamento detalhado das exigências e expectativas do cliente, incluindo a função de cada espaço, dimensões desejadas e relações entre os ambientes. • Analisar o Terreno: Estudo das condições topográficas, climáticas e legais do local, identificando restrições e potencialidades para o desenvolvimento do projeto. • Desenvolver Conceitos Arquitetônicos: Criação de esboços iniciais que representem a organização espacial, volumetria e estética da edificação, alinhados ao programa de necessidades e às características do terreno. • Avaliar a Viabilidade Técnica e Econômica: Estimativa preliminar dos custos de construção e análise da compatibilidade do projeto com o orçamento disponível, garantindo a execução dentro dos limites financeiros estabelecidos. Um estudo preliminar bem elaborado é crucial para evitar problemas futuros, como retrabalhos, estouro de orçamento e incompatibilidades técnicas. Além disso, proporciona uma visão clara do projeto para o cliente, facilitando a tomada de decisões e ajustes necessários antes de avançar para etapas mais detalhadas. Outro fato importante é o exame local do terreno. Sem sabermos as características do terreno, é quase impossível executar-se um bom projeto. As características ideais de um terreno para um projeto econômico são: 10 a) Não exixtir grandes movimentações de terra para a construção; b) Ter dimensões tais que permita projeto e construção de boa residencia; c) Ser seco; d) Ser plano ou pouco inclinado para a rua; e) Ser resistente para suportar bem a construção; f) Ter facilidade de acesso; g) Terrenos localizados nas áreas mais altas dos loteamentos; h) Escolher terrenos em áreas não sujeitas a erosão; i) Evitar terrenos que foram aterrados sobre materiais sujeitos a decomposição orgânica. Mas como nem sempre estas características são encontradas nos lotes urbanos, devemos leva- las em consideração quando da visita ao lote, levantando os seguintes pontos: a) Deve-se identificar no local o verdadeiro lote adquirido Segundo a escritura, colhendo-se todas as informações necessárias; b) Verificar junto a Prefeitura do Município, se o loteamento onde se situa o terreno, foi devidamente aprovado e está liberado para construção; c) Números das casas vizinhas ou mais próximas do lote; d) Situação do lote dentro da quadra, medindo-se a distância da Esquina ou construção mais próxima; e) Verificar se existem benfeitorias (água, esgoto, energia);f) Verificar se passa perto do lote, linha de alta tensão, posição de postes, bueiros, etc. g) Verificar se existe faixa de não construção. h) Verificar a largura da rua e passeio. 4. MOVIMENTAÇÃO DE TERRA E LOCAÇÃO A movimentação de terra e a locação são etapas fundamentais na execução de obras civis e infraestrutura. Esses processos garantem a estabilidade do solo e a correta demarcação do terreno, prevenindo problemas estruturais e otimizando a execução da construção. Movimentação de Terra Envolve a remoção, transporte, compactação e nivelamento do solo para adequação às necessidades do projeto. I. Etapas da Movimentação de Terra 11 • Limpeza do Terreno: Retirada de vegetação, entulhos e obstáculos superficiais. • Escavação: Remoção de terra para fundações, redes de esgoto e drenagem. • Aterro: Preenchimento de áreas baixas para nivelamento. • Compactação: Aumento da densidade do solo para evitar recalques e erosão. • Drenagem: Instalação de sistemas para prevenir acúmulo de água no solo. II. Equipamentos Utilizados • Retroescavadeira: Pequenas e médias escavações. • Escavadeira Hidráulica: Grandes volumes de terra. • Motoniveladora: Nivelamento do solo. • Rolo Compactador: Compactação do terreno. • Caminhões Basculantes: Transporte de terra. Locação da Obra É o processo de marcação dos elementos da obra no terreno, assegurando que a execução siga o projeto estrutural. I. Etapas da Locação • Levantamento Topográfico: Definição de níveis e alinhamentos. • Marção dos Eixos: Identificação dos pontos principais da fundação. • Implantação do Gabarito: Estruturas temporárias que guiam a construção. II. Ferramentas Utilizadas 12 • Teodolito: Medidas angulares precisas. • Nível a Laser: Alinhamento e alturas exatas. • Trena e Fios de Nylon: Marção manual dos eixos. III. Importância da Execução Correta • Garante estabilidade: Evita recalques e falhas estruturais. • Reduz desperdícios: Minimiza retrabalho e custos. • Assegura precisão: Mantém a construção dentro das especificações. • Previne impactos ambientais: Reduz erosão e desequilíbrios ecológicos. Considerações Importantes • Conformidade Legal: Antes de iniciar qualquer intervenção, é necessário obter as licenças e alvarás exigidos pelos órgãos competentes, assegurando que a obra esteja em conformidade com as normas vigentes. • Profissionais Qualificados: A supervisão de engenheiros civis, arquitetos ou topógrafos experientes é fundamental para garantir a precisão e a segurança nas etapas de movimentação de terra e locação da obra. • Planejamento Detalhado: Um planejamento cuidadoso previne retrabalhos, otimiza recursos e assegura o cumprimento dos prazos estabelecidos. 13 Em resumo, a movimentação de terra e a locação de obra são processos interdependentes que estabelecem as bases para o sucesso de qualquer empreendimento na construção civil. A atenção detalhada a cada etapa e o cumprimento das normativas garantem a qualidade e a durabilidade da edificação. A movimentação de terra e a locação são etapas indispensáveis para o sucesso de qualquer projeto de construção. A correta execução desses processos garante segurança, qualidade e eficiência na obra. Instalação de canteiro de obras Após o terreno limpo e com o movimento de terra executado, O canteiro é preparado de acordo com as necessidades de cada obra. Deverá ser localizado em áreas onde não atrapalhem a circulação de operários veículos e a locação das obras. No mínimo devemos fazer um barracão de madeira, chapas compensadas, ou ainda containers metálicos que são facilmente transportados para as obras com o auxílio de um caminhão munck. Nesse barracão serão depositados os materiais (cimento, cal, etc...) e ferramentas, que serão utilizados durante a execução dos serviços. Áreas para areia, pedras, tijolos, madeiras, aço, etc...deverão estar próximas ao ponto de utilização, tudo dependendo do vulto da obra, sendo que nela também poderão ser construídos escritórios, alojamento para operários, refeitório e instalação sanitária, bem como distribuição de máquinas, se houver. 14 Em zonas urbanas de movimento de pedestres, deve ser feito um tapume, "encaixotamento" do prédio, com tábuas alternadas ou chapas compensadas, para evitar que materiais caiam na rua. O dimensionamento do canteiro compreende o estudo geral do volume da obra, o tempo de obra e a distância de centros urbanos. Este estudo pode ser dividido como segue: • Área disponível para as instalações; • Empresas empreiteiras previstas; • Máquinas e equipamentos necessários; • Serviços a serem executados; • Materiais a serem utilizados; • Prazos a serem atendidos. Deverá ser providenciada a ligação de água e construído o abrigo para o cavalete e respectivo hidrômetro. O uso da água é intensivo para preparar materiais no canteiro. Ela serve também para a higiene dos trabalhadores e deve ser disponível em abundância. Não existindo água, deve-se providenciar abertura de poço de água, com os seguintes cuidados: a) que seja o mais distante possível dos alicerces; b) o mais distante possível de fossas sépticas e de poços negro, isto é, nunca a menos de 15 metros dos mesmos; c) o local deve ser de pouco trânsito, ou seja, no fundo da obra, deixando-se a frente para construção posterior da fossa séptica. Deve-se providenciar a ligação de energia. As instalações elétricas nos canteiros de obras são realizadas para ligar os equipamentos e iluminar o local da construção, sendo desfeitas após o término dos serviços. Mas precisam ser feitas de forma correta, para que sejam seguras. Antes do início da obra, é preciso saber que tipo de fio ou cabo deve ser usado, onde ficarão os quadros de força, quantas máquinas serão utilizadas e, ainda, quais as ampliações que serão feitas nas instalações elétricas. Instalações elétricas em Canteiro de obras: 1 - Os quadros de distribuição devem ser de preferência metálicos e devem ficar fechados para que os operários não encostem nas partes energizadas. 2 - Os quadros de distribuição devem ficar em locais bem visíveis, sinalizados e de fácil acesso mas longe da passagem de pessoas, materiais e equipamentos. 3 - As chaves elétricas do tipo faca devem ser blindadas e fechar para cima. Não devem ser usadas para ligar diretamente os equipamentos. 4 - Os fios e cabos devem ser estendidos em lugares que não atrapalhem a passagem de pessoas, máquinas e materiais. 5 - Os fios e cabos estendidos em locais de passagem, devem estar protegidos por calhas de 15 madeira, canaletas ou eletrodutos. Podem ser colocados a uma certa altura que não deixe as pessoas e máquinas encostarem neles. 6 - Os fios e cabos devem ser fixados em isoladores. As emendas devem ficar firmes e bem isoladas, não deixando partes descobertas. 5. FUNDAÇÕES: INTERFACE ENTRE SUPERESTRUTURAS E O SOLO As fundações desempenham um papel crucial na construção civil, servindo como a interface entre a superestrutura de uma edificação e o solo. Elas têm a função de receber as cargas oriundas da superestrutura e transmiti-las ao solo de forma segura e eficiente. A escolha adequada do tipo de fundação é essencial para garantir a estabilidade e a durabilidade da construção. Existem dois tipos principais de fundações: rasas (ou superficiais) e profundas. a. Fundações Rasas: São utilizadas quando as camadas superficiais do solo possuem capacidade suficiente para suportar as cargas da edificação. Geralmente, são aplicadas em profundidades de até 3 metros. Entre os tipos mais comuns de fundações rasas estão: • Radier: Uma laje de concreto armado que se estende por toda a área da construção, distribuindo a carga de maneira uniforme sobre o solo. • Blocos: Elementos de concreto que suportam diretamente as colunas da edificação.• Sapatas: Estruturas em formato de base alargada que distribuem as cargas das colunas ou paredes para o solo. As fundações rasas são indicadas para solos com boa capacidade de suporte e onde as cargas da estrutura não são excessivamente elevadas. Sua execução é, em muitos casos, mais simples e econômica. 16 b. Fundações Profundas: São empregadas quando as camadas superficiais do solo não apresentam resistência adequada, necessitando transferir as cargas para camadas mais profundas e resistentes. As fundações profundas podem atingir profundidades superiores a 3 metros e incluem: • Estacas: Elementos alongados, pré-fabricados ou moldados in loco, que são cravados ou perfurados no solo até atingirem camadas com capacidade de suporte adequada. Podem ser de madeira, metálicas ou de concreto. • Tubulões: Elementos cilíndricos, geralmente de grande diâmetro, executados com escavação manual ou mecanizada, podendo ter base alargada para aumentar a capacidade de suporte. • Caixões: Estruturas prismáticas, pré-moldadas ou moldadas in loco, que são posicionadas no solo por escavação interna e podem ser utilizadas em obras marítimas ou fluviais. A escolha entre fundações rasas e profundas depende de diversos fatores, como as características do solo, a magnitude das cargas da edificação, a presença de lençol freático e a proximidade de construções vizinhas. Uma avaliação geotécnica detalhada é fundamental para determinar o tipo de fundação mais adequado para cada projeto, garantindo a segurança e a eficiência estrutural da edificação. A interação entre o solo, a fundação e a superestrutura é um aspecto crítico no projeto estrutural. O comportamento das fundações é influenciado por fatores como: • Propriedades mecânicas do solo (capacidade de suporte, adensamento, expansividade; • Tipo de carga aplicada (estática ou dinâmica); • Tipo e dimensão da fundação; • Presença de água subterrânea. O dimensionamento correto das fundações requer investigação geotécnica detalhada, ensaios 17 laboratoriais e a aplicação de critérios normativos para garantir um desempenho adequado e seguro. As fundações desempenham um papel vital na segurança e na funcionalidade das estruturas, sendo imprescindível a adoção de boas práticas de engenharia para seu correto projeto e execução. Uma fundação bem projetada e executada é a base para uma construção durável e segura. 6. ESTRUTURA DE CONCRETO ARMADO O concreto armado é um sistema construtivo que combina concreto e aço para formar estruturas capazes de suportar diversos tipos de cargas. Enquanto o concreto oferece excelente resistência à compressão, o aço, inserido na forma de barras ou vergalhões, proporciona resistência à tração. Essa combinação resulta em elementos estruturais robustos e versáteis, amplamente utilizados na construção civil. Composição do Concreto Armado 1. Concreto: Mistura de cimento, agregados (areia e brita) e água. O concreto é responsável por resistir aos esforços de compressão na estrutura. 2. Aço: Barras ou vergalhões posicionados estrategicamente dentro do concreto para absorver os esforços de tração. A aderência entre o aço e o concreto é fundamental para o desempenho adequado da estrutura. Principais Elementos da Estrutura 1. Fundações – Transmitem as cargas da estrutura ao solo. Podem ser rasas (sapatas) ou 18 profundas (estacas). 2. Pilares – Elementos verticais que suportam cargas e distribuem os esforços para a fundação. 3. Vigas – Estruturas horizontais que recebem as cargas das lajes e transferem para os pilares. 4. Lajes – Superfícies planas que suportam cargas e distribuem para vigas e pilares. 5. Escadas e Rampas – Ligam diferentes níveis da construção, podendo ser moldadas in loco ou pré-moldadas. Tipos de Estruturas de Concreto Armado 1. Convencional: Concreto moldado in loco, utilizando fôrmas e escoramentos temporários. 2. Pré-moldado: Peças fabricadas fora do canteiro de obras e montadas no local. 3. Protendido: Utiliza cabos de aço tensionados para reduzir deformações e aumentar a capacidade de carga. Vantagens do Concreto Armado • Durabilidade: Estruturas de concreto armado possuem longa vida útil e resistem bem a condições ambientais adversas. • Versatilidade: Permite a criação de diferentes formas e tamanhos, atendendo a diversas demandas arquitetônicas e estruturais. • Resistência ao Fogo: O concreto armado apresenta bom desempenho em situações de incêndio, retardando a propagação das chamas. • Facilidade de manutenção: Reparos podem ser realizados sem comprometer a estrutura. • Custo Acessível: Os materiais utilizados são relativamente econômicos e amplamente disponíveis. Desvantagens do Concreto Armado • Peso Elevado: Devido à sua densidade, estruturas de concreto armado podem exigir fundações mais robustas. • Tempo de Execução: O processo de cura do concreto demanda tempo, o que pode prolongar a duração da obra. • Geração de Resíduos: A construção com concreto armado pode produzir uma quantidade significativa de resíduos e entulhos. • Necessidade de mão de obra especializada: A execução exige conhecimento técnico para evitar falhas estruturais. 19 Aplicações Comuns • Edificações Residenciais e Comerciais: Uso em pilares, vigas, lajes e fundações. • Infraestruturas: Construção de pontes, viadutos, barragens e túneis. • Obras Industriais: Galpões, chaminés e bases para equipamentos pesados. Para garantir a segurança e a eficiência das estruturas de concreto armado, é essencial seguir as normas técnicas vigentes e contar com profissionais qualificados em todas as etapas do projeto e da execução. 6.1 Concreto armado produzido in loco A estrutura de concreto armado produzida in loco é aquela moldada diretamente no local da obra, utilizando formas para conformação do concreto e armaduras de aço para resistência estrutural. Esse método é amplamente utilizado na construção civil devido à sua versatilidade e adaptação a diversos tipos de edificações. A concretagem é todo o processo que envolve as fases de criação das peças de concreto de uma obra, o que diz respeito ao transporte do concreto, lançamento do concreto fresco, adensamento, cura e finalmente a secagem. Essa etapa é a finalização da construção dos elementos de concreto de uma edificação. Existem basicamente dois tipos de concreto armado: o comum e o protendido. No caso do sistema de concreto armado protendido, a armadura recebe um estiramento prévio do aço. Ou seja, quando ocorre a concretagem, ela já tem uma resposta, o que aumenta a capacidade de carga da estrutura. O MPa é uma unidade medida de tensão, cujo termo é uma abreviatura de Mega Pascal. O Pascal é a pressão exercida pela força de 1 newton, distribuída uniformemente sobre uma superfície plana com área de 1 m². Já o Mega Pascal é relativo a 1 milhão de Pascal. A sigla FCK se refere ao termo Feature Compression Know, que traduzido para o português significa “Resistência Característica do Concreto à Compressão”. O teste é realizado em laboratório e é indispensável para garantir qualidade e segurança em diferentes padrões construtivos. Principais Etapas da Execução 1. Preparação do Terreno: Nível e compactação do solo, além da marcação da fundação. 2. Montagem das Fôrmas: Elementos temporários (madeira, metal ou plástico) que darão forma à estrutura. A escolha adequada das fôrmas potencializa os ganhos do sistema. Na hora de definir a fôrma ideal, além das características de manuseio, durabilidade e economia, é preciso avaliar também a melhor opção. Ao escolher o sistema de fôrmas, 20 alguns fatores devem ser levados em consideração. Entre os mais importantes, estão: durabilidade da chapa e número de reutilizações, durabilidade da estrutura, modulação dos painéis e flexibilidade diante das opções de projeto.3. Colocação da Armadura: Barras de aço disponível. 4. Lançamento do Concreto: Concreto fresco é despejado nas fôrmas e vibrado para eliminar bolhas de ar. 5. Cura: Processo de hidratação do cimento para garantir resistência e durabilidade. 6. Desforma: Retirada das fôrmas após o tempo adequado de cura. Vantagens ✔ Maior flexibilidade Desvantagens Ritmo Esse método é amplamente utilizado em lajes, pilares, vigas e fundações, sendo uma solução eficaz para obras de médio e grande porte. A escolha pelo uso de estruturas de concreto armado moldadas in loco deve considerar as especificidades do projeto, o orçamento disponível e o cronograma da obra, avaliando-se as vantagens e desvantagens em relação a outros sistemas construtivos. Concreto preparado manualmente O concreto preparado manualmente é aceitável para pequenas obras e deve ser preparado com bastante critério seguindo no mínimo as recomendações abaixo: • Deve-se dosar os materiais através de caixas com dimensões pré determinadas, ou com latas de 18 litros, e excesso de areia ou pedra no enchimento das mesmas deve ser retirado com uma régua; • A mistura dos materiais deve ser realizada sobre uma plataforma, de madeira ou cimento, limpa e impermeável (preferencialmente em "caixotes"); • Espalha-se a areia formando uma camada de 10 à 15cm, sobre essa camada esvazia-se o saco de cimento, espalhando-o de modo a cobrir a areia e depois realiza-se a primeira mistura, com pá ou enxada até que a mistura fique homogênea; • Depois de bem misturados, junta-se a quantidade estabelecida de pedra britada, misturando os três materiais; • A seguir faz-se um buraco no meio da mistura e adiciona-se a água, pouco a pouco, tomando-se o cuidado para que não escorra para fora da mistura, caso a misturas for 21 realizada sobre superfície impermeável sem proteção lateral "caixotes". Para regular a quantidade de água e evitar excesso, que é prejudicial, é conveniente observar a consistência da massa. Concreto preparado em betoneira A betoneira é uma máquina que realiza a preparação de concreto. O equipamento é usado na mistura dos materiais, depositados nas proporções para alcançar a mistura desejada. Exerce papel fundamental durante uma obra. Ela é responsável por deixar a massa uniforme e pronta para uso durante a construção. O produto substitui o trabalho manual e consegue otimizar o tempo, gerar economia e mais produtividade. Recomenda-se o mesmo cuidado no enchimento das caixas ou latas, medidas de areia e pedra. 22 Os materiais devem ser colocados no misturador na seguinte ordem: • É boa a prática de colocação, em primeiro lugar, parte da água, e em seguida do agregado graúdo, pois a betoneira ficará limpa; • É boa a regra de colocar em seguida o cimento, pois havendo água e pedra, haverá uma boa distribuição de água para cada partícula de cimento, haverá ainda uma moagem dos grãos de cimento; • Finalmente, coloca-se o agregado miúdo, que faz um tamponamento nos materiais já colocados, não deixando sair o graúdo em primeiro lugar; • Colocar o restante da água gradativamente até atingir a consistência ideal. O tempo de mistura deve ser contado a partir do primeiro momento em que todos os materiais estiverem misturados. Os materiais devem ser colocados com a betoneira girando e no menor espaço de tempo possível. Após colocados os materiais, deixe misturar no mínimo por 3 min. Se o concreto ficar mole, adicione a areia e a pedra aos poucos, até atingir a consistência adequada. Se ficar seco, coloque mais cimento e água, na proporção de 5 partes de cimento por 3 de água. Nunca adicione somente água, pois isso diminui a resistência do concreto. Devemos sempre colocar um operário de confiança para operar a betoneira, pois é ele que controla o lançamento dos materiais. 23 Concreto dosado em central Para a utilização dos concretos dosados em central, o que devemos saber é programar e receber o concreto. A programação deve ser feita com antecedência e deve incluir o volume por caminhão a ser entregue, bem como o intervalo de entrega entre caminhões. Programação do concreto: devemos conhecer alguns dados, tais como: • Localização correta da obra; • O volume necessário; • A resistência característica do concreto a compressão (fck) ou o consumo de cimento por m³ de concreto; • A dimensão do agregado graúdo; • O abatimento adequado (slump test). Sistema de fôrmas e escoramentos convencionais Para se ter a garantia de que uma estrutura ou qualquer peça de concreto armado seja executado fielmente ao projeto e tenha a forma correta, depende da exatidão e rigidez das fôrmas e de seus escoramentos. Geralmente as fôrmas têm a sua execução atribuída aos mestres de obra ou encarregados de carpintaria, estes procedimentos resultam em consumo intenso de materiais e mão-de-obra, fazendo um serviço empírico, as fôrmas podem ficar superdimensionadas ou subdimensionadas. Hoje existe um grande elenco de alternativas para confecção de fôrmas, estudadas e projetadas, para todos os tipos de obras. As fôrmas podem variar cerca de 40% do custo total das estruturas de concreto armado. Considerando que a estrutura representa em média 20% do custo total de um edifício, concluímos que racionalizar ou otimizar a forma corresponde a 8% do custo de construção. Nessa análise, estamos considerando os custos diretos, existem os chamados indiretos, que 24 podem alcançar níveis representativos. No ciclo de execução da estrutura (forma, armação e concreto), o item forma é geralmente, o caminho crítico, responsável por cerca de 50% do prazo de execução do empreendimento. Portanto, o seu ritmo estabelece o ritmo das demais atividades e, eventuais atrasos. A forma é responsável por 60% das horas-homem gastas para execução da estrutura os outros 40% para atividade de armação e concretagem. De acordo com o acabamento superficial das fôrmas pode-se definir o tipo de material a ser empregado na sua execução. • Tábuas de madeira serrada; • Chapa de madeira compensada resinada; • Chapa de madeira compensada plastificada, além dos pregos, barras de ferro redondo. A mesa de serra deve ter uma altura e todos os sistemas de proteção que permita proceder ao corte de uma seção de uma só vez e as dimensões da mesa de serra devem ser coerentes com as dimensões das peças a serrar, e ainda é de grande importância adotar um disco de serra com dentes compatíveis com o corte a ser feito. 7. VEDAÇÃO VERTICAL: CONCEITO E FUNÇÕES A vedação vertical é um elemento fundamental nas construções, desempenhando funções essenciais para a estabilidade, conforto e segurança das edificações. Ela pode ser composta por diversos materiais e sistemas construtivos, como alvenaria, drywall, painéis pré-moldados, vidro, entre outros. As alvenarias de tijolos e blocos cerâmicos ou de concreto, são as mais utilizadas, mas existe investimentos crescentes no desenvolvimento de tecnologias para industrialização de sistemas construtivos aplicando materiais diversos. 25 Vedação vertical refere-se às estruturas que delimitam e compartimentam os espaços de uma edificação, sendo responsáveis pelo fechamento lateral das construções. Essas vedações podem ser estruturais, quando participam da sustentação da edificação (como paredes de concreto armado ou alvenaria estrutural), ou não estruturais, quando servem apenas para fechamento, sem contribuir para a resistência da estrutura (como divisórias internas de drywall). Na execução das paredes são deixados os vãos de portas e janelas. No caso das portas os vãos já são destacados na primeira fiada da alvenaria e das janelas na altura do peitoril determinado no projeto. Para que isso ocorra devemos considerar o tipo de batente a ser utilizado pois a medida do mesmo deveráser acrescido ao vão livre da esquadria. As vedações verticais exercem diversas funções dentro de um projeto arquitetônico e estrutural, entre elas: 1. Delimitação do Espaço • Define os ambientes internos e externos da edificação. • Separa diferentes áreas, garantindo privacidade e organização. 2. Isolamento Térmico e Acústico • Reduz a troca de calor entre ambientes, contribuindo para a eficiência energética. • Atenua a propagação do som, proporcionando conforto acústico. 3. Proteção Contra Intempéries • Age como barreira contra os ventos, chuvas e outras condições climáticas externas. • Protege os ambientes internos contra umidade e infiltrações. 4. Segurança e Resistência • Pode atuar na segurança estrutural em sistemas de alvenaria estrutural ou paredes de concreto. • Algumas vedações possuem resistência ao fogo, aumentando a segurança contra 26 incêndios. 5. Estética e Acabamento • Contribui para a estética da edificação, podendo ser revestida com diferentes materiais (reboco, pintura, cerâmica, vidro, etc.). • Permite personalização conforme o projeto arquitetônico. 6. Facilidade de Instalação e Manutenção • Algumas soluções de vedação vertical, como drywall e painéis modulares, proporcionam rapidez na instalação e facilidade de manutenção. Tipos de Vedação Vertical As vedações verticais podem ser classificadas de diversas formas, dependendo do sistema construtivo e da função desempenhada: • Alvenaria Tradicional (tijolos cerâmicos ou blocos de concreto) é amplamente utilizada devido à sua durabilidade e eficiência térmica. • Alvenaria Estrutural (blocos de concreto estrutural) permitindo que as paredes suportem cargas, reduzindo a necessidade de pilares e vigas. • Drywall (placas de gesso acartonado) leve e de fácil instalação, adequado para divisórias internas. • Painéis Pré-Moldados (concreto, madeira, metálicos) são transportados e montados no local da obra, oferecendo rapidez na construção. • Vedação em Vidro (fachadas envidraçadas, divisórias internas) proporciona estética moderna e aproveitamento da luz natural, além de isolamento térmico e acústico quando combinada com materiais adequados. Cada tipo de vedação vertical apresenta características próprias, sendo que a escolha do tipo de vedação vertical deve considerar fatores como necessidades específicas do projeto, aspectos construtivos, facilidade de manutenção e durabilidade, garantindo que a solução adotada atenda aos requisitos de desempenho e segurança da edificação. 7.1 Alvenaria convencional de blocos: técnica de execução A alvenaria convencional de blocos é uma técnica de construção que utiliza blocos de concreto ou cerâmicos para formar as paredes de uma edificação. Esses blocos são dispostos de forma ordenada, unidos por argamassa, e criam a estrutura da edificação. 27 Essa técnica é bastante comum e versátil, sendo utilizada em diversas obras, desde residenciais até comerciais. A execução envolve os seguintes passos principais: 1. Fundação: A base da alvenaria deve ser sólida, o que significa que é necessário ter uma fundação adequada, como uma sapata ou radier, para garantir a estabilidade da estrutura. A fundação deve ser dimensionada conforme o tipo de solo e as cargas a serem suportadas. 2. Assentamento dos blocos: O assentamento dos blocos é feito utilizando argamassa de assentamento, que pode ser de cimento, cal e areia, ou argamassa industrializada pronta. A camada de argamassa deve ser aplicada na base de cada bloco e, em seguida, o bloco é posicionado, alinhado e nivelado com precisão. 3. Alinhamento e prumo: Durante o assentamento, é essencial garantir que as linhas verticais e horizontais da parede estejam alinhadas corretamente. Isso é feito com o auxílio de prumos e níveis, instrumentos que ajudam a manter as paredes retas e niveladas. 4. Deslocamento das juntas: Para garantir a resistência da parede, as juntas verticais entre os blocos devem ser deslocadas de uma fiada para outra. Esse deslocamento contribui para a estabilidade da parede, evitando que as juntas verticais fiquem alinhadas, o que poderia comprometer a resistência. 5. Revestimento: Após o assentamento dos blocos, a parede pode ser revestida com argamassa para dar acabamento. Esse revestimento também pode servir para esconder imperfeições e melhorar a estética da construção. 28 6. Aberturas (portas e janelas): Durante a execução da alvenaria, é necessário deixar espaços para a instalação de portas e janelas. Esses vãos podem ser feitos de acordo com o projeto, e é importante reforçar as áreas ao redor dessas aberturas com lintéis ou vigas de concreto armado. 7. Cura: A argamassa deve passar pelo processo de cura, que é essencial para garantir a resistência adequada do material. Esse processo consiste em manter a umidade na argamassa por um período determinado, evitando que ela resseque rapidamente e comprometa a adesão entre os blocos. Essa técnica é eficaz devido à resistência e durabilidade dos blocos. A alvenaria convencional é conhecida por ser sólida e segura, além de ser uma técnica bastante acessível e amplamente utilizada no mercado de construção civil. Essa técnica também permite boa flexibilidade em projetos, com possibilidade de modificações e adaptações conforme necessário. 7.2 Complementos da alvenaria Na construção em alvenaria, diversos elementos e técnicas são empregados para assegurar a estabilidade, segurança e funcionalidade das estruturas. A seguir, detalham-se alguns desses componentes essenciais: • Vergas e Contra-Vergas: São elementos estruturais fundamentais em aberturas como portas e janelas. Verga localizada na parte superior da abertura, a verga atua como uma viga que distribui as cargas provenientes da estrutura superior, evitando que sejam concentradas diretamente sobre a alvenaria abaixo. Contra-Verga situada na parte inferior da abertura, a contra-verga serve para equilibrar as tensões, especialmente em janelas que requerem um peitoril. A instalação adequada desses elementos previne deformações e rachaduras na alvenaria. Ambos devem ter um comprimento superior à largura da abertura, com apoios de no mínimo 30 cm em cada extremidade, garantindo a distribuição correta das cargas. Podem ser confeccionados in loco com concreto armado, pré- moldados ou utilizando blocos canaletas que funcionam como formas para esses elementos. 29 • Encunhamento: O encunhamento refere-se ao preenchimento do espaço entre a última fiada de blocos da alvenaria e a estrutura superior, como vigas ou lajes. Essa etapa é crucial para garantir a aderência entre a alvenaria e a estrutura, evitando fissuras e comprometimento da impermeabilização. Para uma execução eficaz do encunhamento, é necessário: Assegurar que a área esteja limpa, sem resíduos de pó ou óleos que possam prejudicar a aderência. Utilizar materiais adequados, como argamassas específicas ou espuma expansiva à base de poliuretano, que proporcionam resistência mecânica e flexibilidade. Realizar a aplicação de cima para baixo em construções de múltiplos andares, permitindo que as cargas sejam absorvidas gradualmente. 30 • Amarrações: As amarrações são técnicas utilizadas para unir diferentes partes da alvenaria, proporcionando estabilidade e resistência à estrutura. Uma prática comum é o uso de blocos estruturais de concreto, que, devido aos seus furos, permitem a passagem de instalações hidráulicas e elétricas, além de servir como elementos de amarração. Esses blocos são posicionados estrategicamente para garantir a coesão entre as paredes e a distribuição uniforme das cargas. • Passagem de Instalações: Durante a construção, é essencial planejar e executar adequadamente as passagens para instalações hidráulicas, elétricas e outras. Em alvenarias estruturais, os blocosvazados facilitam essa integração, permitindo a passagem de tubulações sem comprometer a integridade da parede. É importante garantir que essas passagens sejam feitas de forma que não afetem a resistência da alvenaria e que estejam em conformidade com as normas técnicas vigentes. 31 • Contramarcos: Os contramarcos são elementos que envolvem as aberturas, como portas e janelas, proporcionando acabamento e reforço estrutural. Eles podem ser feitos de diversos materiais, como concreto, madeira ou metal, e têm a função de proteger as extremidades da alvenaria, além de servir como suporte para as esquadrias. A correta instalação dos contramarcos é fundamental para a durabilidade da construção e o desempenho das aberturas. A compreensão e aplicação adequada desses elementos e técnicas são essenciais para a construção de edificações seguras, duráveis e funcionais. 7.3 Outros tipos de vedações Existem diversos tipos de vedações além da alvenaria convencional, utilizadas principalmente em construções modernas, em função de suas vantagens em termos de isolamento térmico, acústico, resistência e praticidade. Algumas delas incluem: 1. Vedação em Drywall: Utiliza chapas de gesso acartonado fixadas em uma estrutura 32 metálica. É leve, fácil de instalar e permite uma excelente flexibilidade no design de interiores. Comum em divisórias internas, sendo eficaz em reduzir ruídos e com bom isolamento térmico, mas não é adequada para áreas externas expostas diretamente à umidade. 2. Vedação em Painéis Pré-fabricados: São painéis compostos por materiais como concreto, madeira ou compósitos, já prontos para serem montados no local da construção. Oferecem rápida execução e podem ser projetados para ter isolamento térmico e acústico, além de uma resistência superior a certos tipos de danos (como incêndios). 3. Vedação em Vidro (Cortina de Vidro): Utilizada em fachadas, essa vedação é formada por uma estrutura de alumínio ou aço inoxidável, com vidro temperado ou laminado. Permite ampliação da luminosidade natural no ambiente e oferece estética moderna. Requer manutenção constante para garantir a vedação contra infiltrações de água e eficiência térmica. 4. Vedação em Materiais Plásticos (PVC, Policarbonato): O PVC e o policarbonato são materiais bastante utilizados para vedação de áreas externas e interiores devido à sua durabilidade e facilidade de manutenção. São usados em janelas, portas, coberturas e divisórias, oferecendo resistência ao impacto e à corrosão, além de bom desempenho térmico. 5. Vedação em Isolamento Térmico (Espumas, lã de vidro, lã de rocha): Esses materiais são usados principalmente em construção de paredes e telhados, para proporcionar isolamento térmico e acústico. São aplicados entre as camadas de revestimentos e ajudam a melhorar a eficiência energética de uma edificação. Cada tipo de vedação tem aplicações específicas, dependendo das necessidades de desempenho. 8. ESQUADRIAS As esquadrias são elementos construtivos utilizados para vedar aberturas, como portas, janelas e portões. Elas têm papel fundamental na iluminação, ventilação, conforto térmico e isolamento acústico dos ambientes, além de contribuir para a segurança e estética das construções. Esquadrias são um elemento bastante corriqueiro no universo da construção civil. Com a sua evolução, as esquadrias deixaram apenas de proteger e adquiriram também o lugar de decoração de fachadas. Os primeiros edifícios empregavam esquadrias de madeira, dado que a mão de obra era barata e o material abundante. Com a revolução industrial apareceram as esquadrias metálicas. Apesar de ser um elemento comum e bastante simples, as esquadrias não são iguais, muito pelo contrário, elas podem ser de materiais muito diferentes, e, além disso, podem apresentar dimensões diferentes. Além disso, elas podem se diferenciar no formato e modo de abertura. O uso da esquadria e a atenção redobrada para esse elemento durante a elaboração e execução do projeto são as mais 33 variadas possíveis. Podemos destacar, por exemplo, o acabamento moderno que a esquadria pode dar a uma construção ou determinado ambiente. Esquadrias de diferentes materiais podem garantir um visual arrojado e moderno para ambientes de uma casa ou empresa. Por isso, é importante sempre levar em consideração o impacto estético que as peças terão no projeto, especialmente para o uso da esquadria em ambientes internos. Dessa maneira, é necessário adequar a linguagem da construção com o estilo da esquadria que serão escolhidas e executadas durante o projeto. Componentes das Esquadrias • Contramarco: Estrutura auxiliar que facilita a instalação e o alinhamento da esquadria. • Marco ou Batente: Estrutura fixa onde são encaixadas as folhas móveis. • Folha ou Caixilho: Parte móvel ou fixa da esquadria, responsável pela vedacão. • Ferragens e Acessórios: Travas, dobradiças, fechos, roldanas, trincos e outros elementos que garantem o funcionamento adequado. • Vidros ou Painéis: Utilizados quando necessário para vedar e proporcionar isolamento térmico/acústico. 34 Tipos de Vedacão A vedacão pode ser feita por diferentes métodos, garantindo melhor isolamento e conforto: • Vedacão Simples: Utiliza encaixes naturais das folhas para minimizar a passagem de ar e ruídos. • Vedacão com Borrachas ou Escovas: Utiliza vedação flexível para melhorar o isolamento térmico e acústico. • Vedacão com Selantes e Espumas Expansivas: Aplicados na junção entre a esquadria e a alvenaria para reforçar a vedacão. Tipos de Abertura • De abrir: Gira sobre dobradiças ou pivôs, sendo comum em portas e janelas. • De correr: Folhas deslizantes sobre trilhos, economizando espaço. • Basculante: Gira em torno de um eixo horizontal, comum em áreas de serviço. • Guilhotina: Deslizamento vertical das folhas. • Maxim-ar: A folha se projeta para fora, girando no eixo superior. • Sanfonada: Composta por várias folhas articuladas, que se dobram ao abrir. • Oscilo-batente: Pode abrir lateralmente ou inclinar a parte superior. 35 Materiais Utilizados • Madeira: Proporciona uma estética sofisticada, mas exige manutenção constante contra umidade e pragas. • Alumínio: Leve, resistente à corrosão e de baixa manutenção. • PVC: Excelente isolamento térmico e acústico, além de resistência à umidade. • Aço: Alta segurança e durabilidade, mas requer tratamento contra oxidação. • Vidro: Garantem resistência, maior visibilidade e isolamento acústico. Fixação das Esquadrias • Chumbamento: Fixado com grapas metálicas ou argamassa na alvenaria. • Parafusamento: Utiliza buchas e parafusos diretamente na estrutura. • Colagem: Emprega adesivos estruturais, espumas expansivas ou silicones especiais. A escolha do tipo de esquadria, material e sistema de fixação depende das necessidades do projeto e das condições ambientais do local de instalação. Diversos fatores devem ser observados para a escolha da esquadria. O primeiro fator está ligado aos recursos utilizados para uma construção. Afinal, não adianta querer colocar uma esquadria que prejudicará, ao final, o orçamento da obra, afetando a lucratividade dos construtores ou acabar encarecendo o produto final, deixando-o menos competitivo. Dessa maneira, é importante que o responsável técnico avalie as diferentes opções disponíveis, indicando os materiais com melhor custo-benefício. Vale destacar que além do valor inicial, é necessário levar em consideração os gastos ao longo da vida útil da obra. Ou seja, com as manutenções. Esse tópico também poderia ser abordado como fator estético. Porém, o valor estético de um determinado produto ou material construtivo é um termo muito vago. Todo material tem a capacidade de se tornar agradável ou desagradável em um determinado ambiente. Os fatores que determinam esseresultado são vários, mas todos eles estão atrelados à linguagem arquitetônica escolhida para a obra. Se a construção ou edificação para escolha da esquadria está em uma região com baixa oferta de alumínio e ferro, o ideal é evitar que se indique o uso desses materiais para construção de esquadrias na edificação. O clima afeta diretamente as escolhas dos materiais para a esquadria, pois dão respostas sobre a durabilidade do material naquele espaço. A madeira não é indicada para ambientes de grande 36 variação de umidade, pois ela absorve a umidade e depois a expulsa, mudando toda a sua densidade e, ao longo dos anos, se deformando devido a esse processo. Outro exemplo de utilização incorreta de materiais por conta do clima está na escolha do ferro para a esquadria em regiões litorâneas. A oxidação é um grande problema nessas regiões e a esquadria de ferro, nesses locais, tendem a ter uma vida útil bastante reduzida. Para essa ocasião uma esquadria de alumínio poderia ser uma solução bastante interessante. A disponibilidade de material na região é importante sob diferentes aspectos. O primeiro deles está relacionado ao valor da esquadria de um determinado material. Se o alumínio for escasso na região da construção ou edificação, ele se tornará mais caro, o que prejudica o seu custo-benefício. Outra questão muito importante sobre o mesmo tema está na sustentabilidade. Muita gente acredita que uma casa de madeira é sustentável apenas por ter uma aparência natural. Uma construção, para ser sustentável, precisa estar de acordo com os princípios ambientais, econômicos e sociais. Utilizar madeira em um local com baixa disponibilidade do material pode ser bem menos sustentável do que utilizar ferramentas industriais. Afinal, o transporte do material por longas distâncias vai de encontro aos princípios sustentáveis. Por isso, é importante utilizar materiais que estejam disponíveis na região. 37 BIBLIOGRAFIA • CHING, Francis D. K. Técnicas de construção ilustradas. 4 Edição. São Paulo: PINI, 2010. • SALGADO, Julio. Técnicas e práticas construtivas para edificação. 1 Edição. São Paulo. Érica, 2009. • YAZIGI, Walid. A Técnica de Edificar. 10 Edição. São Paulo: Pini, 2011.