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1 de 7faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ambiente Global e Perfil Empreendedor Transformações no Mercado, Negócios e Novo Ambiente Objetivo da Aula Apresentar os principais fatores que influenciam as dinâmicas de mercado e os ciclos competitivos, mostrando como a tecnologia e a inovação se tornaram ingredientes fundamentais para a sobrevivência nesse novo ambiente. Apresentação Bem-vindo(a), estudante, ao nosso módulo de empreendedorismo e inovação. Ao longo dessa jornada, você aprenderá os principais conceitos sobre esses importantes campos da atividade humana, além de compreender a correlação fundamental entre eles, o atual cenário de negócios e a dinâmica da competição global. Em muitas situações, parece que falar de empreendedorismo e inovação é trazer conceitos que são relevantes pela perspectiva teórica, mas não necessariamente encontram espaço de aplicação prática no dia a dia das organizações. Muitas vezes, executivos, gestores e profissionais ficam tão absorvidos nas demandas do dia a dia e na operação que se esquecem desses princípios básicos, que, no final das contas, são o que garantem não apenas o sucesso momentâneo, mas a sustentabilidade e perenidade de um projeto. Portanto, temos no mercado uma realidade em que muito se fala sobre empreendedorismo e inovação, mas pouco se aplicam, na prática, as ideias e práticas oriundas dessas duas áreas. Tampouco essas atividades e uma postura mais adequada são estimuladas dentro das organizações. A inovação acaba restrita aos eventos de final de ano, quando palestrantes motivacionais são convidados para injetar novo ânimo nas equipes e aumentar o seu engajamento nos projetos. Assim, o empreendedorismo acaba preso aos discursos do fundador da empresa, quando este se lembra das dificuldades vividas no início do negócio. Só que este é um erro crucial: o olhar empreendedor e o foco em inovação são ingredientes fundamentais para que um projeto prospere e, também, para que se mantenha competitivo. Livro Eletrônico 2 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Ao longo deste curso, você entenderá as principais dimensões da inovação e da visão empreendedora e como elas ampliam os horizontes de um projeto. Outro ponto diz respeito à amplitude: até onde os ensinamentos do empreendedorismo e da inovação se aplicam? O senso comum tende a colocar ambas as áreas sempre associadas a empresas e grandes projetos empresariais, mas, na realidade, podemos ter uma atitude empreendedora e buscar a inovação em todas as esferas das nossas vidas. Inclusive, historicamente, a evolução da humanidade, não apenas pela perspectiva econômica, deve- se a empreitadas empreendedoras e à capacidade de inovar presente em indivíduos ou em determinados grupos. Ou seja, ao longo de toda sua trajetória, o ser humano usou da visão empreendedora e de sua capacidade de inovar para superar desafios. O ato de empreender é tão antigo quanto a civilização humana. Assim como as mudanças econô- micas, sociais, políticas e de poder são fruto do trabalho humano, o empreendedorismo também é. Os processos de transformação e de superação das dificuldades que foram apresentadas ou criadas às sociedades humanas, historicamente, sempre provocaram mudanças e estas criaram situações nas quais o empreendedorismo surgiu como uma oportunidade de crescimento ou como única alternativa de sobrevivência” (Pompeu; Camarotto apud Patrício; Candido, 2016, p. 4). Por isso mesmo é importante a compreensão sobre quão longe é o escopo do empreendedorismo e da nossa capacidade de inovar, enfatizando que não são conhecimentos restritos ao campo dos negócios, mas aplicáveis em praticamente todas as esferas da vida humana. Ser empreendedor não está limitado ao ato de criar novas empresas e produtos; trata-se de uma mentalidade e uma abordagem que valoriza a criatividade, a resiliência e a busca contínua por soluções melhores para os desafios existentes. Quando se associa isso à busca por inovação, criamos um poderoso motor que impulsiona a evolução, tanto pela perspectiva econômica quanto pela perspectiva humana de uma forma geral. Bons estudos! 1. Introdução A sociedade se transforma com cada vez mais velocidade. Tecnologia, capacidade produtiva e grandes infovias globais fazem com que o mundo evolua de uma forma cada vez mais rápida. Essa velocidade impõe, também, um novo ritmo ao mundo dos negócios. Novos modelos são criados, testados, fazem sucesso ou desaparecem em um intervalo O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis cada vez menor de tempo. De modo bem diferente do século passado, a realidade atual é bastante dinâmica e se mantém em transformação o tempo todo. Esse cenário impõe, para empresas e profissionais, uma necessidade muito maior de manter um perfil empreendedor aguçado, bem como a capacidade de inovar. Nesta aula, analisaremos o ambiente global e a escalada da competitividade. Em um cenário de “todos contra todos”, em que o capital flui de um ponto ao outro do planeta, em um piscar de olhos, e modelos de negócios já consagrados se dissolvem por conta de mudanças de conjuntura ocorridas do outro lado do mundo, a visão estratégica e a busca pelo novo passam de características desejáveis a condições básicas para a sobrevivência. 2. A Nova Dinâmica da Competição Global O planeta parece ter encolhido, e o tempo parece correr mais rápido. Essa é uma percepção não apenas no mundo dos negócios, mas praticamente unânime em todas as esferas da vida humana. E uma das suas principais causas repousa no movimento conhecido como “globalização”. A globalização não é um movimento novo: pelo contrário, ela é discutida desde os anos 1990 e não pode ser encarada, isoladamente, por apenas uma perspectiva. Podemos dizer que a globalização é um movimento complexo que, a partir da evolução da tecnologia e dos mercados, torna os países cada vez mais interligados. Essa conexão crescente ocorre tanto pela perspectiva econômica (mercados interligados, cadeias de valor independentes entre si e fluxo intenso de capital transnacional) quanto pelas perspectivas social e cultural, com um intercâmbio cada vez maior de valores, símbolos, narrativas e sistemas de pensamento. Uma das consequências diretas da globalização diz respeito às demarcações geográficas de um mercado. Por mais que existam barreiras tarifárias e algum nível de protecionismo, a realidade é de mercados cada vez mais integrados. Na prática, temos lojistas e indústrias nacionais competindo diretamente com comerciantes e empresas do outro lado do planeta (literalmente). Isso é muito diferente de uma abordagem que ganhou notoriedade, nas quatro últimas décadas do século passado, com estratégias de internacionalização. Naquela época, companhias de grande destaque e capital disponível criavam suas unidades de operação em outros países, garantindo uma presença local. Eram as famosas empresas “multinacionais”. O cenário globalizado é uma etapa posterior aos negócios multinacionais, pois agora tratamos de fluxos globais de comércio e de troca não apenas de mercadorias e serviços, como também de informação, conteúdo, conhecimento e ideias. Além disso, temos o setor financeiro interligado. Por isso mesmo, alguns autores passaram a classificar essa nova O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis etapa não mais como competição, mas como hipercompetiçãocom foco na agilidade nos negócios (business agility). O grande objetivo por trás de cada uma dessas iniciativas é tornar empresas de todos os setores e, em especial, os novos negócios (as startups) mais preparados para lidar com o mundo VUCA. Assim, empresas e projetos orientados pelos princípios da agilidade estariam mais preparados para lidar com a constante transformação, além de darem respostas rápidas às mudanças, mesmo em condições de incerteza e complexidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Por essa razão, toda a cena empreendedora que se desenvolveu desde esse período até agora tem seus pilares em conceitos como o próprio business agility, mas também em outros, como a lean startup (startup enxuta), design thinking etc. Uma das ferramentas que mais se popularizou nesse período foi o Canvas Business Model, uma ferramenta muito prática, baseada em recursos visuais, que torna mais rápido e prático o processo de modelagem. Por sua natureza focada na usabilidade e na experiência do usuário, essa ferramenta também é muito fácil de ser compreendida, podendo ser adotada por profissionais fora do campo da administração e dos negócios sem maiores dificuldades. O modelo Canvas foi introduzido por Alexander Osterwalder, no início dos anos 2000, a partir de sua tese de doutorado, e logo se tornou a ferramenta-padrão nas empresas mais modernas e, principalmente, nos novos negócios, que passaram a ser conhecidos como “startups”. Esse modelo é todo baseado em recursos visuais. Por isso, podemos usar um quadro branco ou mesmo uma folha de papel para esquematizá-lo. Veja o exemplo a seguir: Figura 1: Modelo Canvas Fonte: Site Bem Feito. Disponível em: https://sitebemfeito.com.br/blog/como-criar-um-plano-de-negocios-no-can- vas/. Acesso em: 4 jan. 2024. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://sitebemfeito.com.br/blog/como-criar-um-plano-de-negocios-no-canvas/ https://sitebemfeito.com.br/blog/como-criar-um-plano-de-negocios-no-canvas/ 6 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Como você viu, o planejamento em Canvas é dividido em quatro áreas, cada uma com suas subdivisões, o que totaliza nove setores para serem preenchidos. As quatro áreas principais são: • Oferta; • Clientes; • Infraestrutura; • Viabilidade financeira. As quatro áreas também podem ser entendidas a partir de perguntas simples. Vamos entender o que deve ser priorizado em cada uma dessas áreas? • Oferta (o quê?): o campo da oferta tem uma subárea, a proposta de valor. − Proposta de valor: aqui, o empreendedor define aquilo que ele entrega, seus pro- dutos ou serviços, destacando os pontos de diferencial. A ideia da proposta de valor é ir além dos aspectos objetivos que uma empresa é capaz de gerar, mas olhar para todo o conjunto de benefícios. EXEMPLO Imagine um aplicativo de geolocalização de pets, que ajuda famílias a encontrar seus animais de estimação caso eles se percam. Existe uma entrega objetiva (a localização dos animais via sistema GPS), mas existe um conjunto mais amplo de benefícios que torna essa oferta atraente: o sistema trabalha com questões emocionais, pois envolve segurança e conforto psicológico para quem o utiliza. • Clientes (para quem?): o campo dos clientes pode ser dividido em três subáreas: re- lacionamento com os clientes, segmentos de clientes e canais. Vamos entender cada uma dessas dimensões: − Relacionamento com o cliente: a etapa de definição da estratégia de relaciona- mento com o cliente é de extrema importância. Aqui, o empreendedor vai definir as abordagens de relacionamento e de comunicação com seu público; − Segmentos de clientes: nesse quadro, o empreendedor deve estabelecer um ou mais segmentos de públicos que possuem aderência à proposta de valor. É preciso estabelecer uma conexão entre o conjunto de benefícios gerado pela oferta e o perfil dos segmentos de público selecionados; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis − Canais: aqui, o empreendedor define a sua estratégia de presença e disponibilidade dos produtos, estabelecendo a maneira como a oferta chega aos seus clientes. Isso inclui a estratégia de marketing e de distribuição de uma empresa, seus canais de venda, pontos de distribuição etc. • Infraestrutura (como?): a área do Canvas, destinada à infraestrutura, define todos os recursos e as mecânicas necessários para que a empresa seja capaz de entregar a sua proposta de valor e está dividida em três subáreas: − Atividades-chave: aqui, são descritas as atividades desenvolvidas pela empresa, que são cruciais para a execução e entrega da proposta de valor. O empreendedor deve listar tudo o que é imprescindível para que o seu negócio realmente entregue aquilo que é prometido; − Recursos-chave: nesse quadro, serão listados todos os ativos necessários para que o negócio funcione. Mas se lembre de que estamos falando daquilo que é essencial para a entrega da proposta de valor. Podemos listar recursos de diversas naturezas: humanos, físicos, logísticos, tecnológicos, intelectuais etc.; EXEMPLO Precisamos de uma infraestrutura de servidores cloud para garantir que um novo jogo mobile que será lançado em breve rode com fluidez, mesmo com um grande quantitativo de usuários simultâneos. − Parceiros: o terceiro quadro, referente ao campo da infraestrutura, serve para listar as alianças, parcerias e cooperações que precisam ser estabelecidas para que uma empresa consiga entregar a sua proposta de valor. EXEMPLO Uma empresa que vende produtos tecnológicos precisa estabelecer parcerias comerciais com distribuidores ou com grandes redes varejistas. • Finanças (quanto custa?): essa é a última parte do Canvas Business Model e trata justamente da viabilidade financeira do projeto. Aqui, o empreendedor deve preencher duas subáreas: estrutura de custos e receita. − Estrutura de custos: nessa parte, devem ser detalhadas todas as necessidades financeiras do projeto. O empreendedor deve deixar claro qual será o custo de ter o novo negócio em operação. − Receita: como o próprio nome diz, nesse campo serão indicadas as fontes de re- ceita do projeto. Em resumo, é como a empresa ganha dinheiro e se esse ganho é suficiente para manter toda a estrutura montada e remunerar o capital investido. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 4. As Vantagens da Metodologia Canvas Como vimos, o Canvas Business Model permite que empreendedores e gestores possam visualizar com muita clareza e simplicidade como um projeto funciona, o que ele entrega de valor e como se remunera. Por conta da sua versatilidade e sua abordagem intuitiva, torna-se mais fácil a visualização de gaps e incoerências, além de permitir readequações rápidas. Por exemplo, caso o grupo envolvido na elaboração de um projeto perceba que um dos elementos do Canvas não está de acordo com a proposta de valor, isso pode ser facilmente alterado. A praticidade do Canvas fez com que ele se tornasse rapidamenteuma das ferramentas mais utilizadas no planejamento e na modelagem de negócios, principalmente quando tratamos de negócios de natureza inovadora e com foco em novos mercados. No entanto, a ferramenta também traz alguns pontos fracos: a contrapartida pela praticidade está na carência de informações. Por isso mesmo é importante que empreendedores e gestores estejam muito bem embasados por pesquisas de mercado e por indicadores sólidos. Do contrário, o Canvas pode resultar em um plano de negócios incrível, porém com nenhuma aplicação prática, já que não estará fundamentado na realidade, mas sim na opinião daqueles que elaboraram o projeto. O que é uma startup? Por fim, vamos entender o conceito de startup, tão utilizado atualmente. Uma startup é uma empresa, geralmente de pequeno porte, que está no estágio inicial de desenvolvimento e busca criar um produto, um serviço ou uma tecnologia inovadora para atender a uma demanda específica no mercado. Por serem pequenas e buscarem construir participação de mercado, a partir de um produto ou serviço inovador, obrigatoriamente as startups precisam de agilidade, flexibilidade e disposição para assumir riscos. O objetivo de uma startup é crescer rapidamente (o que atrai investidores e fundos de capital de risco), pois, como atuam diretamente com inovação, existe potencial para que criem mercados ou mesmo que consigam redefinir os limites e parâmetros de um mercado já existente. Ou seja, as startups correm maior risco (pois lidam com inovação e mercados ainda não estabelecidos), mas, por outro lado, apresentam maior potencial de crescimento do que qualquer outro negócio, uma vez que são capazes de gerar um movimento de ruptura. Considerações Finais Nesta aula, exploramos o conceito de modelo de negócios e examinamos exemplos significativos de sua aplicação. Para criar organizações com capacidades distintas, produtos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis diferenciados e serviços inovadores, capazes de redefinir padrões, é crucial considerar os modelos de negócios. Esse tópico pode ser considerado uma das principais preocupações no contexto contemporâneo do empreendedorismo. Material Complementar Business Model Canvas: como construir seu modelo de negócio? Sebrae, 2021. O artigo traz as etapas para elaboração de um modelo de negócios a partir do Business Model Canvas. Disponível em: https://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/business-model-can- vas-como-construir-seu-modelo-de-negocio/. Acesso em: 19 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/business-model-canvas-como-construir-seu-modelo-de-negocio/ https://digital.sebraers.com.br/blog/estrategia/business-model-canvas-como-construir-seu-modelo-de-negocio/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 4faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ambiente Global e Perfil Empreendedor TI Verde Objetivo da Aula Apresentar o conceito de TI Verde e os seus impactos positivos tanto para o ambiente interno da empresa quanto para o seu posicionamento externo e a competitividade nos novos mercados. Apresentação Esta aula tem relação com a estrutura tecnológica demandada pelos novos projetos. Uma das principais demandas e preocupações, não só de empresas como de governos e da sociedade como um todo, tem relação direta com a sustentabilidade. Quanto mais tecnologia usamos, maior é o consumo de energia e, potencialmente, o impacto no meio ambiente. Assim, entenderemos um pouco mais sobre o conceito de TI Verde e quais ferramentas e estratégias temos à nossa disposição para construir negócios em sintonia com essas preocupações. 1. O Conceito de TI Verde Nenhuma empresa hoje sobrevive em mercados competitivos sem a aplicação intensa de tecnologia. Mesmo para aquelas que não atuam diretamente com o setor tecnológico, o uso de ferramentas e soluções high tech se tornou fundamental para aumentar a performance, eliminar tarefas redundantes e permitir que as equipes foquem aquilo que é mais relevante: a inovação. Porém, o uso de mais e mais ferramentas tecnológicas gera algumas contrapartidas negativas, como a complexidade cada vez maior na estruturação interna dos negócios, com sistemas se sobrepondo, informações que se perdem e uma crescente dificuldade para que os próprios colaboradores consigam entender os processos. Outro ponto é o impacto gerado pelo maior uso de equipamentos e sistemas: maior consumo energético, custos de atualização e questões ligadas ao descarte de peças e componentes. Livro Eletrônico 2 de 4faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Isso, somado às crescentes preocupações mundiais com relação à sustentabilidade, à eficiência energética e ao meio ambiente em geral, abriu espaço para o conceito de TI Verde. Mas o que esse conceito significa na prática? Tecnologia da Informação Verde (TI Verde) é um termo que reúne práticas e tecnologias que buscam reduzir o impacto ambiental das atividades relacionadas à tecnologia da informação. O conceito vai englobar desde o uso eficiente de recursos até a adoção de soluções sustentáveis. Ao implementar um projeto dessa natureza, dentro de uma organização, os principais objetivos são a economia de energia, a redução das emissões de carbono, a reciclagem de equipamentos eletrônicos obsoletos e a promoção de tecnologias mais limpas e sustentáveis. Com isso, a TI Verde tenta reduzir seu impacto negativo no meio ambiente. 2. As Principais Variáveis em um Projeto de TI Podemos dividir um projeto de tecnologia sustentável a partir de algumas variáveis. Desde o descarte responsável de resíduos e de hardwares até as questões ligadas ao uso inteligente de recursos e eficiência energética, todos os pontos visam reduzir os impactos e as potenciais externalidades geradas pelas empresas. A seguir, listamos algumas das principais dimensões envolvidas nesse tipo de projeto. • Redução do impacto ambiental: o ponto de partida para qualquer projeto de TI Verde é a redução do impacto ambiental. Mas, para isso acontecer, é necessário que a em- presa tenha consciência de como as suas atividades produtivas podem ser causadoras ou potencializadoras de eventos externos negativos (veremos a seguir o conceito de externalidades). Portanto, tanto empreendedores quanto gestores precisamincluir essa preocupação no planejamento do negócio. Isso pode incluir o consumo de ener- gia, as emissões de carbono, o uso de recursos e a produção de resíduos eletrônicos. • Eficiência energética: quanto mais os sistemas avançam e ampliam o seu poder de processamento, maior é o consumo energético. Portanto, melhorar a eficiência ener- gética dos data centers e equipamentos de TI é um ponto fundamental. Isso pode ser feito por meio da virtualização de servidores, da otimização do resfriamento, do uso de hardware eficiente, em termos de energia, e da implementação de políticas de gerenciamento de energia. • Energia renovável: quando falamos de eficiência energética, as energias renováveis entram em cena. Sempre que possível, a organização deve optar por construções mais eficientes do ponto de vista energético (por exemplo, espaços que fazem melhor apro- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 4faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis veitamento da luz solar), até a transição para estruturas de captação de energia solar ou eólica. Essas ações reduzem significativamente a pegada de carbono da empresa. • Redução de resíduos eletrônicos: o planejamento de um projeto de TI Verde deve incluir práticas de reciclagem e reutilização de equipamentos eletrônicos obsoletos. A empresa deve estar atenta para que o descarte de equipamentos seja feito de forma responsável e de acordo com as regulamentações ambientais. • Virtualização e computação em nuvem: a virtualização de servidores e serviços de computação em nuvem deve ser utilizada para consolidar recursos e reduzir a neces- sidade de hardware físico, economizando energia e recursos. • Políticas de compra sustentável: ao adquirir novos equipamentos de TI, opte por produtos que sejam eficientes e tenham certificações ambientais. Considere, também, a compra de produtos recondicionados. • Educação e conscientização: a empresa deve treinar seus funcionários sobre práticas de TI Verde e incentivar o uso responsável de recursos. 3. Os Ganhos Gerados por um Projeto de TI Verde A implementação bem-sucedida de um projeto de TI Verde requer um compromisso contínuo com a sustentabilidade e a redução do impacto ambiental das operações de TI da empresa. Isso não apenas beneficia o meio ambiente, mas também pode levar a economias significativas de custos a longo prazo. Portanto, a direção da empresa deve ponderar sempre sobre os ganhos ao longo do tempo, que tendem a uma progressão. Infelizmente, em muitas situações, acaba prevalecendo uma mentalidade de curto prazo, focada em pequenas economias que fazem sentido pontualmente, mas que, no médio e longo prazo, perdem seus efeitos. Os empreendedores devem pensar, também, a nível de vantagem competitiva. Além da economia pela perspectiva financeira, negócios em sintonia com as questões ambientais e de sustentabilidade terão cada vez maior abertura e facilidade de negociação. À medida que as discussões sobre esses temas avançarem, teremos novas legislações, maior regulamentação, exigências de certificações e outros parâmetros que servirão de “filtro”. Negócios já atentos a essas novas perspectivas terão maior espaço, além de terem maior apelo junto a investidores e fundos de capital de risco. Quanto mais a empresa for capaz de demonstrar o seu compromisso com práticas sustentáveis, melhor será a sua capacidade de negociação, de inserção social e, também, de “navegação” em mercados cada vez mais turbulentos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 4faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Considerações Finais O tema abordado nesta aula está relacionado à infraestrutura tecnológica necessária para os novos projetos. Uma das principais demandas e preocupações, tanto para as empresas quanto para os governos e a sociedade em geral, está vinculada à sustentabilidade. À medida que aumentamos o uso de tecnologia, cresce, também, o consumo de energia e, potencialmente, o impacto ambiental. Nesta aula, aprofundamos o entendimento do conceito de TI Verde e exploramos as ferramentas e estratégias disponíveis para desenvolver negócios alinhados a essas preocupações. Material Complementar TI Verde: o caso de uma indústria de computadores do RN 2009, Glauber Ruan Barbosa Pereira. Este artigo descreve algumas práticas da TI Verde através de um estudo de caso em uma indústria do Rio Grande do Norte. Disponível em: https://repositorio.unp.br/index.php/connexio/article/view/11/7. Acesso em: 19 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://repositorio.unp.br/index.php/connexio/article/view/11/7 https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 9faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ideias e Projetos Ideias e Oportunidades Objetivo da Aula Compreender o conceito de oportunidade, pela perspectiva do marketing, e aplicar as principais ferramentas de análise de mercado para identificar possibilidades para o desenvolvimento de novos negócios. Apresentação Bem-vindo(a), estudante, à nossa segunda unidade de Empreendedorismo e Inovação. Nesta aula, nosso foco estará em aspectos práticos do desenvolvimento de negócios inovadores, a partir do vislumbre de oportunidades e desenvolvimento de produtos e serviços inovadores. O empreendedorismo depende desses ingredientes para se desenvolver e servir de mola para o progresso econômico. Quando a criação de novos negócios não é guiada por esses parâmetros, as empresas criadas dificilmente são capazes de gerar diferencial ou maior valor agregado. Nas próximas páginas, entenderemos o conceito de oportunidade de mercado, as principais ferramentas de análise de mercado, além de metodologias como o design thinking e as suas variações, como o Value Proposition Design – modelos que nos ajudam a pensar na natureza de cada produto ou serviço – e sobre como podemos conectá-los às reais necessidades e aos desejos de um mercado. Também falaremos sobre aspectos básicos do planejamento de marketing e sua importância para o lançamento de novos negócios, produtos e serviços. Por fim, vamos explorar alguns dos pilares da gestão, com foco na inovação, com o objetivo de entendercomo os modelos gerenciais influenciam a capacidade de uma organização de pensar produtos e serviços que sejam verdadeiramente disruptivos. Bons estudos! Livro Eletrônico 2 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 1. O Conceito de Oportunidade Abrir uma empresa certamente está em primeiro lugar na lista de sonhos e conquistas de muitos profissionais brasileiros. A ideia de desenvolver o próprio negócio e ter maior autonomia e independência, além da possibilidade de obter ganhos maiores, acaba por atrair um grande contingente de pessoas. O grande entrave, contudo, acaba sendo em alguns aspectos básicos quando se fala da criação de um negócio: nem sempre existe uma visão clara sobre a oportunidade a ser explorada, além de faltar capacidade estratégica e planejamento. O resultado disso é que temos um povo extremamente criativo e empreendedor. No entanto, boa parte das empresas criadas é pequenos negócios de baixo valor agregado e com pouca ou nenhuma capacidade de diferenciação. Sem falar nas altas taxas de mortalidade dos novos negócios: um alto percentual das novas empresas brasileiras acaba sucumbindo antes do quinto ano de vida. 1.1. Mortalidade das Empresas no Brasil Historicamente, o Brasil sempre teve uma alta taxa de mortalidade entre os seus novos negócios. Números publicados em 2023 reforçam essa realidade. De acordo com o Sebrae (2023a), os MEIs têm a maior taxa de mortalidade entre os pequenos negócios no Brasil: 29% fecham antes dos cinco anos de atividade. Já as microempresas têm taxa de mortalidade intermediária entre os pequenos negócios: 21,6% fecham após cinco anos de atividade. Na sequência, empresas de pequeno porte têm a menor taxa de mortalidade, mas ainda assim um percentual considerável: 17% fecham em até cinco anos de atividade. O próprio Sebrae enumera os principais fatores geradores dessa mortalidade, entre eles: pouco preparo pessoal e falta de planejamento. Em média, os novos negócios são criados por pessoas que ficaram desempregadas (42%). Ainda, no relatório do Sebrae (2023s), 17% dos empreendedores dizem não ter feito nenhum planejamento, e 59% dizem ter feito um plano para no máximo seis meses. Esses números refletem que, apesar do perfil criativo e empreendedor, as pessoas “mergulham” na abertura empreendedora mais munidas de empolgação do que de conhecimento sobre os mercados em que pretendem atuar ou sobre a gestão de um negócio. Veremos, a seguir, o conceito de oportunidade e as principais ferramentas para mapear de maneira correta essas oportunidades. Muitas vezes, o conceito de oportunidade é mal compreendido. Na visão leiga, as pessoas acabam entendendo como oportunidade sempre que um determinado setor econômico O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis está muito movimentado, com consumidores ávidos por determinado tipo de produto ou serviço, quando um determinado tipo de atividade está em alta, sendo muito comentado pela mídia, ou simplesmente quando temos um movimento de hype, gerado por novas tecnologias e pelas oportunidades que elas geram. Na realidade, na maioria das vezes, o que o público entende por oportunidade não o é na prática. Aliás, essa falha de entendimento acaba resultando em um movimento inverso: quando as pessoas entendem um contexto como oportunidade, acabam entrando em mercados já saturados, com poucas ou nenhuma chance de sucesso. Pela perspectiva do marketing, quando estamos diante de uma verdadeira oportunidade? A oportunidade de mercado surge quando, em determinado contexto ou cenário, existem áreas de demandas e necessidades não atendidas ou que sejam mal atendidas. EXEMPLO Imagine um cenário delimitado, em que exista demanda do público para alguma oferta (um produto ou serviço) destinada a um determinado segmento de público. Uma oportunidade de mercado existe a partir de três percepções derivadas deste cenário: a) O público-alvo em questão não tem suas demandas atendidas: nesse caso, dentro do cenário analisado, as empresas existentes não oferecem produtos ou serviços que sejam capazes de entregar o valor buscado pelo público. Logo, existe um espaço não ocupado. Um novo negócio que esteja atento a essa demanda não atendida poderá ocupar esse espaço; b) O público-alvo em questão tem suas demandas atendidas, porém com deficiências: nesse caso, dentro do cenário analisado, existem empresas que já oferecem produtos e serviços focados em atender à demanda do público-alvo. Porém, as ofertas existentes não são plenamente satisfatórias ou falham em algum aspecto da entrega. Logo, existe espaço para novos empreendimentos que sejam capazes de corrigir esses aspectos e atender plenamente ao público; c) Os públicos ou as demandas ainda não mapeadas: uma terceira possibilidade é quando temos questões que são demandas (necessidades ou desejos) de um determinado grupo (público-alvo), mas estas ainda não foram identificadas. Ou seja, não existe, no mercado, a percepção do problema, logo também não existem empresas focadas em desenvolver soluções para ele. Pode ser, também, que o mercado perceba a demanda existente, mas as soluções dependam de tecnologias muito caras, que ainda estão em desenvolvimento ou que simplesmente não existem. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis A correta visualização de oportunidades é um dos aspectos mais cruciais para o desenvolvimento de novos negócios de sucesso. Algumas ferramentas do campo da administração e do planejamento estratégico são extremamente úteis nesse tipo de tarefa. Veremos algumas delas a seguir. 2. Ferramentas para Mapear Oportunidades Agora que entendemos o que é de fato uma oportunidade, que tal analisarmos algumas ferramentas que nos ajudam a identificar algumas brechas e espaços não ocupados de mercado? Uma delas é a matriz SWOT, que veremos a seguir. 2.1. Matriz SWOT A matriz SWOT, também conhecida como análise SWOT, é uma ferramenta amplamente utilizada no campo da gestão e do planejamento estratégico. Seu principal objetivo é ajudar indivíduos e organizações a avaliar sua situação atual e a planejar ações futuras de maneira mais eficaz. O acrônimo SWOT representa quatro elementos-chave que compõem a análise: • Forças (strengths): esses são os pontos fortes, as vantagens internas ou os recursos que uma pessoa ou organização possui. Podem incluir talentos, competências, ativos, marca sólida e outras características que oferecem uma vantagem competitiva; • Fraquezas (weaknesses): as fraquezas representam os pontos fracos internos, as deficiências ou as limitações que precisam ser enfrentadas. Identificar as fraquezas é essencial para o desenvolvimento de estratégias de melhoria; • Oportunidades (opportunities): esses são os fatores externos positivos que uma pessoa ou organização pode aproveitar. Oportunidades podem surgir de mudanças no mercado, avanços tecnológicos, mudanças demográficas, entre outros; • Ameaças (threats): as ameaças são fatores externos negativos que podem afetar negativamente uma pessoa ou organização. Isso pode incluir concorrência acirrada, mudanças regulatórias, instabilidade econômica, entre outros. A análise SWOT envolve a identificação e avaliação desses quatro componentes, com o objetivo de criar uma visão clara e abrangente da situação atual. Depois de ter uma compreensão sólida de suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, você pode desenvolverestratégias para: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Capitalizar sobre as forças: usar seus pontos fortes para explorar oportunidades no mercado; • Superar as fraquezas: identificar maneiras de melhorar ou mitigar suas fraquezas internas; • Aproveitar as oportunidades: explorar oportunidades externas que se alinham com seus pontos fortes; • Enfrentar as ameaças: desenvolver estratégias de contingência para lidar com pos- síveis ameaças. A matriz SWOT é uma ferramenta flexível e adaptável que pode ser aplicada em diversos contextos, desde planejamento de carreira pessoal até análise estratégica em grandes corporações. É uma ferramenta valiosa para tomar decisões e definir metas realistas, ajudando a alcançar o sucesso a longo prazo. Sua grande contribuição está em correlacionar aspectos internos (forças e fraquezas) com os aspectos externos (oportunidades e ameaças). Mas fique atento: a melhor maneira de trabalhar com essa ferramenta é coletivamente, trazendo o máximo de perspectivas e de informações relevantes (e reais) sobre um determinado mercado. Se a matriz for preenchida com dados que não correspondem à realidade ou, ainda, que estão de alguma forma distorcidos, os resultados obtidos também estarão deturpados. 2.2. Análise das Dores de um Mercado Outra maneira simples de identificar oportunidades e espaços em um determinado mercado é a partir das dores dos consumidores. Todo mercado existe para satisfazer algum tipo de necessidade ou desejo de um grupo de pessoas. Seja uma demanda por maior conforto, sejam soluções mais eficientes, sejam problemas de natureza social, é a partir de algum tipo de necessidade que um mercado se estrutura. Portanto, uma forma prática de se pensar em uma oportunidade é sempre a partir de questões ou problemas que não estão plenamente atendidos. Quando um empreendedor inicia o seu projeto a partir de uma demanda ou necessidade já mapeada, as chances de sucesso são muito maiores: afinal, existem pessoas que estão de fato em busca de uma solução para os problemas e desafios identificados. Mais à frente, veremos mais a fundo essa metodologia. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 2.3. Atendendo a Demandas que Não Existem (Ainda!) Em algumas situações específicas, o empreendedor pode focalizar dores ainda não percebidas pelo público ou pela sociedade de maneira mais ampla. Isso significa dizer que esse projeto trabalhará a inovação do ponto de vista mais puro, pois envolverá ofertas projetadas para uma visão de futuro, mas sem demanda efetiva no presente. Inúmeros produtos de extremo sucesso foram projetados sem uma demanda presente, mas apostando em transformações e dinâmicas futuras: pensar no formato de smartphones existentes hoje, com grandes telas para consumo de conteúdo e sem o teclado embutido na sua carcaça, pode ser um excelente exemplo. Em 2006, pouco antes do anúncio do primeiro iPhone, qualquer pesquisa feita junto aos consumidores mostraria que o modelo mais desejado era um Blackberry. No entanto, o novo formato, que ninguém aparentemente desejava, tornou-se o padrão. Um case interessante é a startup Telly, que está desenvolvendo um modelo de smart TV gratuito, com uma tela padrão de 55 polegadas e outra tela auxiliar, que servirá para widgets, além de exibir conteúdo adicional à programação principal, ou, ainda, para exibição exclusiva de anúncios. A empresa aposta que um contrato transparente de uso de dados, de inserção de anúncios direcionados e de modelo de TV com muito mais recursos que as melhores smart TVs existentes no mercado hoje pode revolucionar. Será que no futuro não compraremos mais TVs e que as vendas tradicionais serão substituídas por plataformas de assinatura ou totalmente financiadas pela publicidade? O tempo dirá! 3. Desenvolvimento de Ofertas A jornada de um empreendedor começa ao identificar uma oportunidade, mas esse é apenas o primeiro passo. A partir desse momento, ele deve buscar soluções e caminhos para que seu projeto ocupe o espaço identificado. Na linguagem do marketing, estamos falando em desenvolver uma oferta. Toda empresa ou mesmo um profissional possui uma ou mais ofertas que são disponibilizadas em um determinado mercado. Essas ofertas podem acontecer na forma de produtos ou serviços. Por exemplo, uma empresa desenvolve ferramentas para algum O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis tipo de atividade (ou seja, uma solução na forma de um produto), mas podemos pensar também em organizações que desenvolvem projetos comerciais ou algum tipo de consultoria (ou seja, uma solução na forma de serviço). Da mesma forma, um profissional vende seus serviços, seu conhecimento e suas habilidades para empresas ou para outros profissionais (o que também podemos caracterizar como uma oferta). Ou seja, ofertas são os produtos e/ou serviços que são oferecidos por uma empresa ou por um profissional para um ou mais mercados. Talvez você esteja pensando que isso é um pouco óbvio, porém, na prática, muitos empreendimentos falham por não entenderem exatamente que precisam “produtificar” uma ideia. Em outras palavras, eles precisam pegar o conceito de uma solução pensada para um certo problema ou uma demanda (oportunidade identificada) e entregar isso na forma de uma oferta que seja vendável (um produto ou serviço que tenha apelo comercial e que atenda aos anseios do público-alvo em questão). Quando esses produtos e serviços estão mal formatados ou mal configurados, eles encontram maior resistência por parte do mercado, seja pela rejeição do público, seja pela inferioridade verificada na comparação direta com os concorrentes. Isso significa dizer que, muitas vezes, as empresas trazem soluções interessantes, mas que falham quando são transformadas em ofertas. Nesse caso, os empreendedores e as suas empresas estão falhando no desenvolvimento dos produtos e dos serviços que serão colocados à venda, embora, em muitos casos, as ideias contidas nesses mesmos produtos e serviços sejam excelentes. Considerações Finais da Aula Nesta aula, você conheceu o conceito de oportunidade, as principais ferramentas de análise de mercado, bem como as metodologias como o design thinking e suas variações, como o Value Proposition Design. Essas abordagens oferecem insights valiosos para compreender a essência de cada produto ou serviço. Abordamos, ainda, os fundamentos do planejamento de marketing e sua importância crucial no lançamento de novos negócios, produtos e serviços. Por fim, exploramos alguns dos pilares da gestão, com ênfase na inovação, visando compreender como os modelos gerenciais impactam a capacidade de uma organização em conceber produtos e serviços verdadeiramente disruptivos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Material Complementar Strategyzer’s Value Proposition Canvas Explained 2017, Strategyzer.O vídeo explica a metodologia e a abordagem utilizadas em um Value Proposition Canvas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ReM1uqmVfP0. Acesso em: 22 jan. 2024. Referências AGÊNCIA O GLOBO. Brasil tem 132 milhões de MEIs. Exame, 4 out. 2023. Disponível em: https://exame.com/economia/brasil-tem-132-milhoes-de-meis-que-representam- -70-das-empresas-do-pais/. Acesso em: 20 out. 2023. BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. LOPES, A. Esta empresa quer dar TVs de 55 polegadas aos clientes: conheça o negócio da Telly. Exame, 20 jul. 2023. Disponível em: https://exame.com/tecnologia/esta-empresa- -quer-dar-de-graca-tvs-de-55-polegadas-aos-clientes-conheca-o-negocio-da-telly. Acesso em: 20 out. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. A taxa de sobrevivência das empresas. Sebrae, 27 jan. 2023a. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/a-taxa-de-sobrevivencia-das-em- presas-no-brasil,d5147a3a415f5810VgnVCM1000001b00320aRCRD. Acesso em: 20 out. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.youtube.com/watch?v=ReM1uqmVfP0 https://exame.com/economia/brasil-tem-132-milhoes-de-meis-que-representam-70-das-empresas-do-pais/ https://exame.com/economia/brasil-tem-132-milhoes-de-meis-que-representam-70-das-empresas-do-pais/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://exame.com/tecnologia/esta-empresa-quer-dar-de-graca-tvs-de-55-polegadas-aos-clientes-conheca-o-negocio-da-telly https://exame.com/tecnologia/esta-empresa-quer-dar-de-graca-tvs-de-55-polegadas-aos-clientes-conheca-o-negocio-da-telly https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/a-taxa-de-sobrevivencia-das-empresas-no-brasil,d5147a3a415f5810VgnVCM1000001b00320aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/a-taxa-de-sobrevivencia-das-empresas-no-brasil,d5147a3a415f5810VgnVCM1000001b00320aRCRD 9 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023b. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 5faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ideias e Projetos Design Thinking e Criação de Startups Objetivo da Aula Compreender o conceito de design thinking e as suas principais aplicações e abordagens no ambiente dos negócios, bem como aplicar as metodologias visuais para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores. Apresentação Empreendedores precisam de ferramentas ágeis e dinâmicas para competir em cenários cada vez mais mutantes. Nesta aula, conheceremos um pouco mais o conceito do design thinking e sua aplicação no processo de criação de novos negócios. O pensamento, a partir da perspectiva do design thinking, tornou-se um dos elementos centrais para o desenvolvimento de novas soluções, novos negócios e inovação. 1. Pensando pela Perspectiva do Design No senso comum, as pessoas tendem a associar a área de design ao esforço puramente criativo, a atividades de natureza mais artística e ao apelo visual que os objetos e as estruturas ao nosso redor podem ter. Porém, o design hoje é uma ferramenta importante no desenho de estratégias, no planejamento e, também, no momento em que o assunto é inovação. Mas como isso acontece? Um dos pontos-chave que trouxe a filosofia do design para o âmbito dos negócios é justamente a sua habilidade de pensar nos problemas a partir do foco no ser humano. Por isso mesmo, o conceito de design thinking (pensamento a partir do design, em tradução livre) ganhou tanto espaço em tantas outras esferas da nossa sociedade, expandindo seu campo de atuação, que, antes, era mais restrito à esfera criativa. No mundo dos negócios, em especial, todas as decisões sempre estiveram embasadas a partir de elementos matemáticos e mais racionais: administradores, engenheiros, estatísticos, entre outros perfis profissionais, analisam mercados, produtos, serviços e comportamento Livro Eletrônico 2 de 5faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis de consumidores e dos seus próprios concorrentes, a partir de indicadores objetivos e muito bem definidos. Nesse sentido, melhorar um produto quase sempre significaria ampliar ou aprimorar suas dimensões técnicas e funcionais. Competir por uma fatia de um determinado segmento de público demandaria muito mais uma análise estatística de fatores demográficos do que a busca por um entendimento mais amplo sobre as reais necessidades das pessoas. Felizmente, hoje podemos ter um olhar mais abrangente sobre todos esses pontos. E muito disso é proporcionado pela perspectiva do design. Os designers abordam desafios complexos com empatia, buscando entender profundamente as necessidades e experiências das pessoas afetadas por esses problemas. Eles veem problemas como oportunidades para criar soluções criativas e eficazes, muitas vezes desafiando as abordagens convencionais. O design também enfoca a simplicidade, acessibilidade e sustentabilidade, buscando encontrar soluções que não apenas resolvam problemas imediatos, mas também melhorem a qualidade de vida das pessoas e tenham um impacto positivo no ecossistema como um todo. Em um mundo em constante mudança, o design desempenha um papel crucial na identificação e resolução de problemas, oferecendo novas perspectivas e soluções inovadoras. Podemos listar alguns elementos que são princípios-chave do design thinking: • Empatia: o primeiro passo do design thinking é entender profundamente os usuários e seus contextos. Isso envolve ouvir, observar e se colocar no lugar do outro para iden- tificar suas necessidades e desafios; • Definição do problema: o problema, após coletar insights, por meio da empatia, deve ser definido de maneira clara e específica. Isso evita soluções precipitadas e garante que o foco permaneça no usuário; • Geração de ideias: as equipes multidisciplinares se reúnem, nessa etapa, para gerar uma ampla gama de ideias. A ênfase está na criatividade e na divergência, encorajando soluções inovadoras; • Prototipagem: as ideias promissoras são transformadas em protótipos tangíveis, que podem variar de esboços simples a modelos funcionais. Esses protótipos são usados para testar e validar conceitos; • Testes: os protótipos são testados com os usuários, e o feedback é coletado. Isso per- mite refinar e aprimorar as soluções com base no que realmente funciona. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilizaçãocivil e criminal. 3 de 5faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 2. O Design e o Pensamento Estratégico O design desempenha um papel fundamental na criação e execução de estratégias eficazes. Justamente por trazer um olhar mais abrangente e, por que não dizer, mais humano em suas abordagens, seus encaminhamentos tendem a conquistar maior adesão, o que é extremamente importante no campo empresarial. Ao colocar elementos mais humanos no centro da tomada de decisões, esse campo do conhecimento promove saídas diferenciadas para os diferentes tipos de problemas existentes. Veja alguns exemplos em que o design pode contribuir de forma substancial para que novas empresas ganhem espaço e tração em determinados mercados: • Posicionamento: o design é essencial na criação da identidade de uma marca e na comunicação de seu posicionamento estratégico no mercado. Uma identidade visual sólida ajuda a transmitir os valores, a missão e a visão de uma organização, diferen- ciando-a da concorrência; • Experiência do cliente: o design de produtos, serviços e experiências do cliente de- sempenha um papel crítico. Uma experiência bem projetada pode melhorar a satisfação do cliente, reforçar a fidelidade e contribuir para o sucesso; • Alinhamento organizacional: o design ajuda a alinhar todos os aspectos de uma organização com sua estratégia. Isso inclui a criação de documentos estratégicos vi- sualmente atraentes, a comunicação interna de metas e objetivos e a integração de valores na cultura organizacional. 3. Value Proposition Design e a Busca por Inovação O Value Proposition Design é uma abordagem estratégica que coloca os clientes no centro do desenvolvimento de produtos e serviços. Essa metodologia, parte integrante da disciplina mais ampla do Business Model Canvas, concentra-se na criação de propostas de valor claras e atraentes para os clientes. Em um mundo em que a competição é feroz e as expectativas do cliente estão sempre evoluindo, o Value Proposition Design é uma ferramenta essencial para empresas que desejam se destacar e prosperar. Ele ajuda as organizações a entender as necessidades e os desejos dos clientes, bem como a criar soluções que atendam a essas necessidades de maneira eficaz e única. Nesse contexto, o Value Proposition Design é uma poderosa abordagem que capacita empresas a inovar, diferenciar-se e criar valor sólido para clientes e negócios. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 5faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Da mesma forma que no Canvas Business Model, nessa metodologia também utilizamos recursos gráficos para entender as necessidades e os desejos de um segmento de mercado. Assim, o Value Proposition Design é projetado para ajudar as empresas a entender melhor as necessidades de seus clientes e criar propostas de valor que atendam a essas necessidades de maneira eficaz. Ele é composto de dois blocos principais: • Segmento de clientes (customer segment): − Trabalhos do cliente (customer jobs): quais são os principais trabalhos ou tarefas que seus clientes estão tentando realizar; − Dores do cliente (customer pains): quais são as dores, os problemas, as frustrações ou os desafios que seus clientes enfrentam ao tentar realizar esses trabalhos; − Ganhos do cliente (customer gains): quais são os ganhos desejados pelos clientes. Isso pode incluir benefícios, desejos, necessidades e expectativas que eles têm ao realizar esses trabalhos. • Proposta de valor (value proposition): − Produtos e serviços (products and services): quais produtos ou serviços específicos você oferece aos clientes; − Dores aliviadas (pain relievers): como suas ofertas aliviam ou resolvem as dores e os desafios identificados pelos clientes; − Ganhos proporcionados (gain creators): como seus produtos ou serviços proporcio- nam ganhos ou benefícios que atendem às necessidades e aos desejos dos clientes. O Value Proposition Design é uma ferramenta de análise e design, em que você preenche cada seção com informações relevantes para o seu negócio. Ao fazê-lo, você começa a entender melhor a relação entre as necessidades dos clientes e a proposta de valor que sua empresa oferece. A chave está em alinhar as características e os benefícios de seus produtos ou serviços com as necessidades, as dores e os desejos dos clientes. Esse alinhamento ajuda a criar propostas de valor mais eficazes, que são mais propensas a atrair clientes, aumentar a satisfação do cliente e impulsionar o sucesso do negócio. Além disso, o Value Proposition Design é uma ferramenta dinâmica que pode ser usada para integrar e aprimorar suas propostas de valor, à medida que o mercado e as necessidades dos clientes evoluem. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 5faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Considerações Finais da Aula Nesta aula, exploramos mais a fundo o conceito do design thinking e a sua aplicação no processo de criação de novos negócios. O pensamento, a partir da perspectiva do design thinking, emergiu como um dos elementos essenciais para o desenvolvimento de soluções inovadoras e novos negócios e para a promoção da inovação. Material Complementar Entenda o conceito de design thinking e como aplicá-lo aos negócios 2014, Sebrae. O texto traz um resumo sobre o que é o design thinking e quais etapas devem ser rea- lizadas na sua aplicação. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/design-thinkin- g-inovacao-pela-criacao-de-valor-para-o-cliente,c06e9889ce11a410VgnVCM- 1000003b74010aRCRD. Acesso em: 22 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/design-thinking-inovacao-pela-criacao-de-valor-para-o-cliente,c06e9889ce11a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/design-thinking-inovacao-pela-criacao-de-valor-para-o-cliente,c06e9889ce11a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/design-thinking-inovacao-pela-criacao-de-valor-para-o-cliente,c06e9889ce11a410VgnVCM1000003b74010aRCRD https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 9faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNOREIS Ideias e Projetos Estratégias de Marketing Objetivo da Aula Conhecer os pilares de um planejamento de marketing e relacionar as bases do marketing mix com a construção de novos negócios inovadores. Apresentação Na maioria das vezes, o marketing acaba sendo mal interpretado, mesmo pelos profissionais da área. As pessoas tendem a encarar a área apenas pelas suas ferramentas de comunicação. Por isso mesmo, quando o termo “marketing” é citado, o mais provável é que as pessoas se lembrem da publicidade ou de outras formas de comunicação que uma marca pode desenvolver para atrair o seu público e encantá-lo. Só que essa é uma visão parcial do marketing. Na prática, o seu escopo de atuação é bem mais amplo e tem início muito antes de chegarmos à etapa de comunicar algo para os nossos potenciais consumidores. Isso porque uma das funções primordiais do marketing é fazer a análise correta de um mercado. A análise feita pelo marketing vai avaliar necessidades e desejos pela perspectiva do público ou da sociedade, entender as dinâmicas competitivas existentes no cenário e ajudar o empreendedor a desenvolver as melhores ofertas (produtos e serviços que estejam mais adequados ao contexto analisado e que, com isso, tenham melhores chances de aceitação). Em outras palavras, a tarefa principal do marketing é muito mais analítica e tem início bem antes de qualquer esforço criativo. Empreendedores de sucesso sabem que não existe negócio sem orientação ao marketing. É o que veremos neste módulo. 1. O Mix de Marketing e a Importância da Oferta Podemos entender o termo marketing como a área responsável por “fazer mercados” ou por construir mercados. No uso comum, traduzimos o verbo “to market” como vender, negociar ou promover alguma coisa. Refinando essa definição, podemos entender a área Livro Eletrônico 2 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis do marketing como um campo do saber que estuda as dinâmicas de troca dentro de uma sociedade. As trocas acontecem de empresas para indivíduos, de empresas para empresas, entre indivíduos ou de indivíduos para empresas. Ainda, elas podem ser mediadas pelo dinheiro (uma venda) ou por outros valores e benefícios percebidos (um projeto social ou de natureza não lucrativa). E o marketing é o campo que vai oferecer conhecimento, metodologias e ferramentas para ajudar empreendedores e gestores nas mais diversas áreas e campos de atuação. Essa ajuda é de natureza analítica: a partir do entendimento correto das dinâmicas presentes em um mercado, pessoas e empresas terão capacidade para desenvolver ofertas (produtos e serviços) mais adequadas e com maiores chances de sucesso. Em outras palavras: o marketing deve ser a base de qualquer projeto empreendedor, porque ele vai orientar a nova empresa no desenvolvimento da sua oferta. É a partir desta que todo o negócio vai se estruturar. Mas se o marketing é a base de um novo negócio, quais são as bases do marketing? Uma análise de mercado se baseia em quatro dimensões, mais conhecidas como marketing mix (ou composto de marketing). As quatro dimensões são os famosos 4 Ps do marketing e compilam, de uma forma prática, as principais variáveis que devem ser estudadas antes de levarmos uma oferta ao mercado. Os 4 Ps derivam dos seguintes termos: • Produto (product) Aqui tem início o planejamento de marketing, pois definimos as características e os demais detalhes da oferta. Isso envolve o desenvolvimento, o design e as características do produto ou serviço, bem como a qualidade, a embalagem e outros atributos que afetam a percepção do cliente. Também na etapa de desenvolvimento do produto, a empresa precisa delimitar bem o público (ou os diversos segmentos) que serão atendidos. O P de “produto” é a etapa mais importante do planejamento, pois todas as demais etapas vão depender dessas definições iniciais. Por exemplo, delimitando o público-alvo e o conjunto de benefícios que serão ofertados, a empresa poderá identificar, com mais clareza, as características principais da sua oferta, os canais de venda necessários e a melhor estratégia de precificação, que veremos no segundo P. • Preço (price) A partir da exata definição da oferta, podemos calcular a quantidade de dinheiro a ser cobrada para que o público acesse tal oferta. O preço é a representação monetária de uma proposta de valor, ou seja, do conjunto de benefícios que um produto ou serviço é O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis capaz de entregar. Ao desenvolver uma estratégia de precificação, o empreendedor precisa considerar alguns desafios importantes: primeiro, porque o preço define a acessibilidade de uma oferta (quanto mais caro, menos acessível é um produto, por exemplo); segundo, porque o preço comunica um determinado posicionamento (as pessoas sempre traçam um comparativo entre o preço de um produto e seus principais concorrentes, o que vai delimitar se elas vão interpretar sua oferta como de entrada, média ou de alto padrão); e, também, porque o preço faz correlação direta com o valor percebido (quanto maior o valor percebido, menor a percepção de preço). A estratégia de precificação é extremamente importante e delicada, pois, ao contrário do que o senso comum pensa, o preço não é um elemento matemático, mas sim subjetivo. O entendimento de um preço “caro” ou “barato” é resultado direto de um esforço interpretativo. Portanto, é a partir do valor que a empresa consegue gerar e da percepção que ela consegue passar aos consumidores que o preço será analisado. Por outro lado, o preço é fundamental para o planejamento interno, pois ele precisa ser competitivo na comparação direta com os concorrentes, ao mesmo tempo que precisa ser suficiente para sustentar financeiramente a empresa, além de gerar o retorno esperado aos seus sócios. • Praça (place) A terceira dimensão do marketing mix diz respeito à acessibilidade de uma oferta. Em quais canais e plataformas seus produtos e serviços estarão disponíveis para que os consumidores o acessem? A estratégia de praça determina os tipos de canais de venda, as regiões que serão abastecidas e, também, as questões logísticas envolvidas. No senso comum, as pessoas entendem praça apenas como pontos de venda, ou seja, em quais lojas o produto estará disponível. Mas uma análise mais aprofundada revela que existem muitas decisões críticas a respeito dessa dimensão do marketing mix. Por exemplo, em determinadas regiões, uma empresa pode optar por uma entrada mais “tímida”, por já existirem concorrentes muito fortes em atuação. Em outras situações, talvez uma venda por canais digitais próprios seja a mais indicada. As possibilidades são múltiplas e vão depender do tipo de oferta, do perfil de público a ser abordado, dos desafios logísticos (e seus custos), da ocupação dos concorrentes e da negociação com os próprios canais de vendas, que podem ser mais amigáveis ou estabelecer regras mais rígidas, para permitir que sua empresa disponibilize seus produtos por meio deles. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Promoção (promotion) A última dimensão do marketing mix é o P de “promoção”, que envolve todas as ações de comunicação que uma empresa vai fazer para que o público conheça o seu produto, entenda os benefícios gerados pela oferta e tenha interesse e/ou desejo por esta. Embora muitas pessoas entendam o marketingcomo sinônimo de comunicação, na verdade ela é a última etapa do planejamento e depende diretamente de todas as decisões anteriores para atingir os melhores resultados. Isso significa que, se as definições dadas em produto, preço e praça estiverem equivocadas, as ações de comunicação também serão mal direcionadas. Outro erro comum é que as pessoas entendem a comunicação apenas como publicidade, mas esta é apenas uma das ferramentas disponíveis. Além dos anúncios, as empresas podem usar da comunicação dentro dos canais de venda (chamada de “promoção de venda”), comunicação e diálogo com a mídia, com formadores de opinião ou com outros públicos de interesse (chamada de “relações públicas”), além de ações de marketing direto, patrocínios, eventos etc. O P de “promoção” encerra o ciclo básico do planejamento de marketing. As etapas devem seguir essa ordem, pois cada definição dada será determinante para as decisões estratégicas seguintes. Ou seja, a dimensão do produto influenciará o preço, que influenciará a abordagem de praça, e, por fim, todas serão importantes para estabelecer a melhor estratégia de comunicação. 2. Proposta Única de Valor e Posicionamento Todo planejamento de marketing começa pela definição correta da oferta. E toda oferta precisa ser entendida como uma promessa. Do ponto de vista mercadológico, esse entendimento é fundamental, pois as pessoas compram algum tipo de promessa, que está atrelada a um determinado produto ou serviço. A essa promessa damos o nome de proposta única de valor ou unique selling proposition (USP). A ideia por trás desse conceito é que todo produto ou serviço deve entregar um conjunto de benefícios (a sua promessa) que seja capaz de diferenciá-lo dos demais concorrentes. Por isso, podemos dizer que, se o esforço inicial do planejamento de marketing é analisar um mercado, identificar oportunidades e apontar caminhos para que produtos e serviços se adéquem a tais oportunidades, um segundo passo fundamental está na construção de ofertas diferenciadas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Todo produto ou serviço possui uma proposta de valor, ou seja, o conjunto de benefícios e valores percebidos pelo consumidor. Porém, quando as propostas de valor são muito similares ou próximas, a competição se torna mais dura e acaba sendo direcionada para os chamados “fatores de conveniência”: os mais comuns deles são facilidade de acesso e preço. Mercados muito saturados e com pouca capacidade de diferenciação possuem justamente essas características: como as ofertas são muito similares, a disputa recai para preço, para facilidades de acesso (o produto que estiver mais próximo) ou para facilidades de negociação (descontos, formas de pagamento, outros benefícios etc.). Mas é claro que essa não é a situação ideal. Por isso mesmo, empreendedores quase sempre buscam as soluções diferenciadas e a inovação: ao ingressarem em um mercado, gozarão de vantagem por terem uma proposta de valor superior aos demais. Na prática, todos buscam a inovação de ruptura, capaz de quebrar paradigmas de um mercado. Porém, no dia a dia, sabemos que essa é uma tarefa complexa, e o mais provável é que grande parte das empresas busque por melhorias incrementais para construir seus produtos e serviços. Outro ponto importante na estratégia de diferenciação diz respeito ao posicionamento. Em marketing, o posicionamento se refere a como determinados produtos e serviços são interpretados ou categorizados em nosso cérebro. Você pode lembrar de inúmeras marcas de creme dental, mas será que consegue especificar uma que seja especializada em dentes sensíveis? Esse é o poder do posicionamento, pois permite ao público enquadrar ofertas de maneira diferenciada. Toda marca, produto ou serviço vai possuir o seu próprio posicionamento. A grande questão é que ofertas genéricas terão posicionamentos também genéricos, ou seja, com pouca capacidade de diferenciação. O desenvolvimento de uma estratégia de marketing bem-sucedida depende da busca constante pela construção de diferenciais. Quanto mais avançarmos nesse sentido, melhor será a nossa proposta única de valor e, por conseguinte, nossa capacidade de gerar, no público, um posicionamento diferenciado. 3. A Importância de um Posicionamento Claro e Diferenciado Nem sempre as pessoas conseguem enxergar com clareza a importância de um posicionamento claro e diferenciado. Mas pense na perspectiva de um consumidor. Quando ele está em busca de algum produto ou serviço, de início pode se deparar com inúmeras ofertas de diferentes marcas, porém a maioria sem capacidade de diferenciação (mesmo que, na prática, cada produto tenha suas particularidades, isso não terá valor se a percepção do público não confirmar isso). Diante de muitas opções e, a princípio, sem qualquer referência, a tomada de decisão irá para os critérios de conveniência, como: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis a) Preço: o consumidor escolhe o preço dentro de suas capacidades financeiras ou, na dúvida, pega um produto de preço mais elevado, confiando que essa precificação indica qualidade superior; b) Acesso: o consumidor escolhe a oferta mais acessível, que esteja mais próxima ou disponível no menor prazo; c) Facilidades de negociação e/ou benefícios extras: aqui entram os descontos, as facilidades de pagamento, os benefícios extras com outros produtos ou serviços entregues, além dos famosos programas de fidelização. Todavia, repare que, em todas essas opções, a decisão do consumidor não foi tomada com base na crença de uma proposta de valor superior ou diferenciada, mas sim pela ausência de uma. Se, nesse mesmo exemplo, uma das marcas tivesse uma proposta de valor diferenciada ou um posicionamento claro constituído, esse certamente seria um dos primeiros fatores a influenciar a tomada de decisão. Não podemos esquecer que um dos fatores de influência na decisão de compra é a sensação de segurança e as garantias que uma marca oferece de que as promessas serão cumpridas. Propostas de valor diferenciadas e com posicionamentos sólidos reforçam essas garantias e reduzem a natural incerteza envolvida em todo o processo de compra. Isso, inclusive, explica por que o público aceita pagar mais caro por produtos e serviços que tenham essas características. 4. Entrega de Valor, CAC e CLTV A tarefa principal do marketing é analisar um mercado e entender a melhor forma de atender às demandas existentes, potencializando o bom desempenho de produtos e serviços. Porém, gerenciar um novo empreendimento não se resume às etapas iniciais do lançamento: ao longo do tempo, o conhecimento em marketing também será demandado para a manter a boa performance e o bom posicionamento de uma oferta no mercado. Por isso, nesta seção, veremos alguns indicadores e métricas essenciais. Já vimos que o senso comum costuma resumir a abordagem de marketing ao P de “promoção”, ou seja, às ações de comunicação. Porém, as métricas ligadas à comunicação de uma marca ou um produto nem sempre são os melhores indicadores sobre o desempenho de um novo negócio do mercado. Por isso, destacamos aqui duas referências que podem ajudar empreendedores e gestores nessa caminhada: o custo de aquisição do cliente (CAC) e o customer lifetime value (CLTV). Vamos a cada um deles: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada,por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • CAC: o custo de aquisição do cliente é calculado a partir do valor total das despesas de marketing dividido pelo quantitativo de novos clientes obtidos no período. Na prática, ele indica o quanto as ações para atração e captação do público estão sendo efetivas. Podemos derivar uma outra métrica, a partir dessa, que é o custo de manutenção do cliente (CMC), que usa princípio semelhante, porém para os consumidores que já ingressaram em nosso ciclo de atendimento – quanto custa para manter os clientes atuais, impedindo que eles migrem para um concorrente? • CLTV: o customer lifetime value é uma métrica que pode ser entendida como o “valor gerado pelo cliente ao longo de seu ciclo de vida com o nosso negócio”, ou seja, é a con- tribuição financeira potencial gerada por cada consumidor inserida no nosso ciclo de atendimento. Essa métrica leva em consideração não apenas as compras iniciais, mas também as compras recorrentes e a fidelidade do cliente ao longo do tempo. É uma ferramenta importante, pois ajuda a avaliar o retorno do investimento na aquisição de clientes e a tomar decisões estratégicas relacionadas ao atendimento ao cliente e desenvolvimento de produtos. Ela também vai ajudar o novo negócio a desenvolver abordagens de maior valor agregado. Afinal, caberá sempre à empresa lançar produtos e serviços com propostas de valor diferenciadas para que os clientes aumentem sua contribuição ao longo do tempo. EXEMPLO Imagine que a empresa possui três linhas de produto, com propostas de valor crescentes entre elas. O novo cliente que ainda não possui referências sobre a marca provavelmente fará uma primeira compra da linha inicial (mais básica, de menor valor agregado e com um preço mais acessível). Ao longo do ciclo de relacionamento, uma estratégia de marketing inteligente vai focar o desenvolvimento de novas ofertas – as Unique Selling Propositions (USPs), lembra? –, e estimular o consumidor a migrar para as soluções mais sofisticadas. Na prática, o objetivo seria fazer o cliente que tem potencial de compra migrar das linhas de produtos de entrada (as mais baratas) para as linhas mais sofisticadas (de maior valor agregado). 5. A Competição em Marketing Existem muitos caminhos para uma empresa competir. A partir das características de cada organização e também do contexto em que atuam, as possibilidades são variadas: algumas marcas apostaram na sua capacidade financeira, outras vão tentar se articular O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis por meio de contratos de exclusividade e de outras barreiras de entrada, dificultando a vida de novos players, enquanto algumas empresas entrarão na disputa por conveniência (mesmo a de preço!). Porém, pela perspectiva do marketing, o caminho para uma empresa se tornar mais competitiva é único: entregando maior valor que os seus concorrentes. Essa linha de raciocínio faz sentido: qualquer outro tipo de abordagem só se torna necessário pela ausência de diferenciação (ou de capacidade de diferenciação) entre as ofertas. Quando um produto ou serviço possui valor diferenciado, e esse valor é percebido pelo público, seu desempenho será superior. O grande desafio do marketing é justamente fazer uma análise correta, identificando o real valor que cada segmento de público busca ao adquirir determinada solução de uma empresa. Por outro lado, quando uma marca não consegue construir propostas de valor diferenciadas ou não coloca em evidência os pontos que estão no topo das prioridades do público, o único caminho para se manter no mercado será buscando outras abordagens, mais desgastantes e quase sempre menos lucrativas. Considerações Finais da Aula Nesta aula, aprofundamo-nos em descobrir que o marketing, nas organizações, requer um esforço analítico, antes de qualquer esforço criativo. Vimos, também, que a análise feita pelo marketing vai avaliar necessidades e desejos pela perspectiva do público ou da sociedade, entender as dinâmicas competitivas existentes no cenário e ajudar o empreendedor a desenvolver produtos e serviços que estejam mais adequados ao contexto analisado. Material Complementar Como construir uma proposta de valor para os seus clientes? 2022, Sebrae. O texto mostra a importância da criação e fornece dicas de como construir uma pro- posta de valor com foco no cliente. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-construir- -uma-proposta-de-valor-para-os-seus-clientes,beb80c727e983810VgnVCM- 100000d701210aRCRD. Acesso em: 22 jan. 2024. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-construir-uma-proposta-de-valor-para-os-seus-clientes,beb80c727e983810VgnVCM100000d701210aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-construir-uma-proposta-de-valor-para-os-seus-clientes,beb80c727e983810VgnVCM100000d701210aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-construir-uma-proposta-de-valor-para-os-seus-clientes,beb80c727e983810VgnVCM100000d701210aRCRD 9 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 12faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ideias e Projetos Propriedade Intelectual e Industrial Objetivo da Aula Conhecer as bases de uma estratégia de construção de marca (branding) e as regras referentes às propriedades intelectuais e industriais e compreender as dinâmicas envolvendo os projetos com inovação aberta e inovação fechada. Apresentação Um dos pontos que mais gera atrito entre as empresas, no mundo atual, certamente é o direito à propriedade intelectual. Quase tudo o que uma empresa desenvolve, desde o seu nome e a sua logo até os conceitos e as ideias apresentados na forma de produtos e serviços, pode ser enquadrado como parte de sua propriedade intelectual e industrial. Isso significa que, quando determinados– conceito que veremos em mais detalhes posteriormente. Todos esses ingredientes, juntos, tendem a acelerar os ciclos competitivos. EXEMPLO Imagine que você cria uma nova solução tecnológica (um novo equipamento ou sistema) e que tal solução não encontra de imediato uma outra opção equivalente no mercado. Podemos presumir, nesse exemplo, que sua empresa desenvolveu algo inovador, já que ainda não encontramos no mercado soluções similares a ela. A grande questão é: por quanto tempo a sua empresa poderá usufruir dessa vantagem (veremos o conceito de vantagem competitiva mais a frente) apenas pelo diferencial do produto ou serviço que você criou? Como a nova realidade mistura aspectos locais e globais (daí o termo “glocal”, que ganhou algum destaque durante um determinado período), pessoas, projetos e empresas passam a ser pressionados tanto pelos fatores mais próximos quanto por questões distantes, que, antes da globalização, seriam irrelevantes ou ao menos levariam bem mais tempo para migrar seus impactos para outros continentes. Indo além, dentro de um cenário globalizado, quais as chances de alguém ou alguma empresa, em algum lugar do mundo, já ter pensado e, até mesmo, desenvolvido solução similar ou superior à sua? Fica fácil perceber que, nesse novo cenário, um ciclo competitivo tende a se acelerar. 3. Ciclos Competitivos Os ciclos competitivos determinam o ritmo de evolução de um negócio e de um mercado. Em cenários menos aquecidos, os ciclos podem ser mais longos, de maneira que, se uma empresa possui vantagem sobre as demais, ela pode passar um bom tempo usufruindo dessa vantagem. Já em mercados mais aquecidos, em que existe mais dinheiro circulando e há mais pessoas com perfil empreendedor disputando pelos mesmos recursos, a tendência é que os ciclos competitivos sejam mais curtos. Veja como isso acontece na prática. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis EXEMPLO Imagine uma empresa hipotética que você tenha criado, independentemente da área ou setor de atuação. Podemos presumir que, se a empresa foi criada a partir de uma grande ideia ou do vislumbre de uma excelente oportunidade de mercado, passaremos pelas seguintes etapas: 1º - Sua empresa desenvolve novo produto com diferencial em relação aos demais (vantagem competitiva); 2º - Concorrentes aceleram o seu próprio desenvolvimento para construir produtos que possam rivalizar com a sua empresa; 3º - O mercado se satura com a quantidade excessiva de ofertas similares. Com o mercado saturado, a esfera competitiva acaba migrando da esfera do produto para a esfera da conveniência (o que quase sempre significa uma disputa pelos preços mais baixos); 4º - Sua empresa precisa criar novos produtos e/ou diferenciais para se afastar novamente da concorrência, iniciando um novo ciclo competitivo. Repare que a dinâmica competitiva sempre leva um mercado para a saturação (excesso de ofertas para uma demanda aparentemente inalterada), mas também para um processo de deterioração da proposta de valor dos produtos e serviços envolvidos na competição (ao acelerar a disputa por conveniência e preço, as empresas criam um desgaste e um processo “natural” de desvalorização). Como consequência, aquilo que era visto pelo consumidor como um produto ou serviço de alto valor agregado agora é compreendido como uma oferta comum e de baixo valor percebido. O papel do empreendedorismo é manter a visão aguçada em relação a esses ciclos competitivos e, principalmente, em relação aos avanços, às mudanças e às oportunidades de mercado que surgem o tempo todo. Já a inovação é a capacidade de pensar soluções melhores e de maior valor agregado para aplicação real na economia e na sociedade. Portanto, ao término de um ciclo competitivo (quando o mercado está saturado e as ofertas declinaram em sua percepção de valor), as empresas mais orientadas ao empreendedorismo e à inovação são as mais capazes de criar novos direcionamentos, modelos e produtos e, assim, restabelecer um novo ciclo competitivo. 4. Inovação e Tecnologia A inovação e o empreendedorismo sempre estão associados à tecnologia, mas não da maneira que é colocada pelo senso comum quando tratamos desse assunto. Quando falamos aqui em tecnologia, não estamos nos referindo ao mais novo smartphone lançado ou a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis novos supercomputadores e sistemas inteligentes. É claro que essas tecnologias também são importantes no mundo dos negócios (voltaremos a falar sobre elas), porém, antes de pensar na tecnologia aplicada aos produtos, que tal pensarmos na tecnologia enquanto conceito aplicado à eficiência e à produtividade? Pela perspectiva econômica, uma nova tecnologia é qualquer ferramenta, método ou modelo que melhora e amplia os resultados no desenvolvimento de uma determinada tarefa. Na prática, quando os seres humanos desenvolveram as primeiras ferramentas para ajudar na lavoura, estamos falando de tecnologia (e de inovação!), pois tais ferramentas permitiram um aumento considerável na eficiência e na produtividade. Uma sociedade se desenvolve a partir do desenvolvimento de novas tecnologias, que permitem a pessoas e empresas otimizarem os recursos existentes no desempenho de suas tarefas, gerando maior valor no final. A visão empreendedora é parte fundamental para sustentar uma sociedade com foco na inovação, uma vez que permitirá um olhar mais atento para as oportunidades e necessidades de melhorias e aperfeiçoamentos. Veja o esquema a seguir: 1) Sociedade possui seus desafios e problemas para resolver ou que dependem de maior eficiência; 2) Visão e postura empreendedora direcionam os esforços para oportunidades de avanços e melhorias; 3) Novas tecnologias são criadas (novas ferramentas, métodos ou modelos), que garantem um uso mais inteligente dos recursos existentes e a entrega de maior valor no final do processo (inovação); 4) A sociedade evolui pela perspectiva econômica e em suas demais dimensões (social, cultural etc.). Percebeu? A inovação é o motor de todo o desenvolvimento social. Ela não está restrita apenas ao mundo empresarial, mas encontra aplicabilidade em todas as esferas das nossas vidas. Da dimensão social até a gestão pública, todos se beneficiam de um ecossistema mais inovador, pois, na realidade, a inovação pressupõe sempre a maior geração de valor. Claro que acabamos prestando maior atenção na inovação aplicada a produtos, em especial na indústria de tecnologia. Na esfera empresarial, ter produtos e serviços mais inovadores também significa maior geração de valor e, por tabela, maiores ganhos pela perspectiva econômica. Esse ganho vem da obtenção de maior vantagem competitiva. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Veremos, na próxima aula, como a inovação pode influenciar os ciclos competitivos e dar vantagem a uma determinada empresa em detrimento de suas concorrentes. Considerações Finais Nesta aula, você conheceu a importância do entendimento dos conceitos de empreendedorismo e inovação, ressaltando a necessidade de trazer as discussões teóricas sobre esses temas à prática diária das organizações.nomes, conceitos e características são formalmente registrados (patenteados) junto aos órgãos competentes, outras pessoas e empresas automaticamente se tornam impedidas de usá-los, a menos que tenham autorização ou algum tipo de acordo liberando essa atividade. Especialmente em mercados inovadores, as questões envolvendo patentes e propriedade das empresas acabam estando no primeiro lugar da lista de preocupações de empreendedores e administradores. Isso acontece porque tais características presentes em produtos e serviços inovadores podem ser as responsáveis diretas pela sua performance superior ou pelo seu diferencial competitivo. Um ponto importante, em toda essa discussão, é que nem sempre as inovações ou invenções são patenteadas. Em muitos casos, a empresa opta por manter algo desenvolvido em segredo industrial. Historicamente, um exemplo muito difundido para ilustrar esse ponto era a fórmula da Coca-Cola, tida como um segredo de altíssimo valor. Porém, hoje, certamente, podemos usar exemplos mais modernos que ilustram como o conhecimento desenvolvido dentro das organizações pode ser decisivo para o sucesso de um modelo de negócios: quanto vale para o Google os códigos que garantem que a sua mecânica de buscas entregue resultados superiores aos de seus concorrentes? Quanto vale para a Amazon a engenharia logística que garante preços super competitivos e capacidade de entrega muito superior aos demais varejistas? Livro Eletrônico 2 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Além do desenvolvimento de inovação, dentro do universo empresarial, devemos contabilizar o impacto de outros elementos abstratos: personagens, roteiros, marcas, narrativas e posicionamentos. Esses aspectos também constituem ativos poderosíssimos, pois ajudam no reconhecimento mais rápido de uma determinada empresa, na familiarização com ela e na construção de vínculos afetivos. Por exemplo, quanto valem para a japonesa Nintendo o personagem Mario e todo o seu rico universo de histórias e personagens? Ser a proprietária dessa franquia dá à companhia vantagem competitiva? Certamente! Só para termos uma ideia, ao longo de sua vida, desde o início dos anos 1980, o encanador bigodudo já rendeu para os cofres da Nintendo mais de US$ 40 bilhões em faturamento. Da mesma forma, uma marca conhecida mundialmente e com excelente reputação gozará de extrema vantagem na competição direta com outras ofertas. Nos tópicos a seguir, veremos um pouco mais sobre marcas, patentes e todo tipo de propriedade intelectual, bem como sobre como esses elementos podem garantir vantagem competitiva. Bons estudos! 1. Branding Quando falamos na criação de um novo negócio, uma das primeiras preocupações é com relação à marca: qual será o nome e o símbolo a representar minha empresa? Essa é uma preocupação legítima, afinal, quanto mais uma marca consolida sua reputação e um certo status, mais facilmente ela consegue atrair pessoas e gerar novos negócios. Por isso mesmo, marcas também entram na lista de propriedades intelectuais de maior grandeza dentro de uma empresa. Em muitos casos, uma marca sozinha pode ter maior valor de mercado do que todos os demais ativos de uma empresa somados. Isso acontece por diversas razões, entre elas: a) A marca possui amplo alcance e reconhecimento: isso significa dizer que pessoas dos mais diferentes contextos e mercados serão capazes de identificar essas ofertas e posicioná-las da maneira correta. Isso significa que a empresa que detiver tal marca terá grande vantagem de aceitação e conversão; b) A marca possui alta reputação e credibilidade: uma marca goza de maior prestígio que outras empresas concorrentes e, com isso, pode também gerar negócios de maior valor agregado. Quanto maiores a promessa e as garantias de entrega de uma marca, mais o consumidor estará disposto a pagar por ela, pois isso influenciará diretamente a sua percepção de valor agregado; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis c) A marca possui posicionamento único e super diferenciado: a superioridade da marca está na sua capacidade de diferenciação ou de super especialização. E serão justamente tais características que farão com que essa marca ganhe a preferência entre os consumidores. Esteja a empresa atuando com uma das três possibilidades citadas ou a partir de uma combinação entre elas, quanto mais a marca for capaz de atrair e reter consumidores, maior valor de mercado ela terá. Na prática, significa dizer que um novo produto ou serviço poderá ter bom desempenho apenas por possuir uma marca já consolidada. Dentro da administração de marketing, existe uma área dedicada à criação, ao desenvolvimento e ao gerenciamento de marcas: o branding. No passado, o branding não costumava receber a atenção dos principais executivos. Geralmente, era considerado um elemento complementar à estratégia de comunicação, inserido no marketing mix. Nesse contexto, a gestão de marca raramente recebia uma atenção dedicada, muitas vezes sendo parte das responsabilidades da gerência de comunicação de marketing. Porém, com o passar dos anos e o rápido amadurecimento de praticamente todos os mercados existentes, a abordagem e o pensamento a respeito das marcas começaram a evoluir. À medida que os mercados ficavam superlotados e a competição aumentava, a perspectiva puramente promocional deixou de ser suficiente. Isso significa que, além das ações clássicas de comunicação para fazer com que o público conhecesse e posteriormente se lembrasse de uma oferta, era preciso ampliar esse vínculo. Empresas e homens de negócios começaram a entender que uma parte importante no processo de compra era a relação simbólica exercida pelos produtos e serviços dentro da sociedade. Para além da utilidade prática, as pessoas são atraídas em parte pelo significado e pelos valores que as marcas carregam. E tais significados são parte dos benefícios entregues por uma proposta de valor. EXEMPLO Quando uma pessoa compra uma camisa, além do uso prático da vestimenta, parte do valor está naquilo que a camisa pode agregar à sua personalidade em um sentido mais subjetivo. Quais narrativas, valores e personalidades são evidenciados por esse produto? Será que, ao usar uma roupa de uma marca esportiva, automaticamente agrego tal narrativa ao meu espectro individual? Quanto mais rica em significado e valores, mais valiosa tende a ser uma marca na percepção do público. Por isso mesmo, o branding passou a figurar como uma das principais preocupações entre empreendedores, CEOs e altos executivos de organizações renomadas. Veja, a seguir, algumas dimensões que ajudam a compor o universo simbólico de uma marca: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Elementos verbais: os elementos linguísticos compõem a marca, os nomes utilizados, o vocabulário da marca, como ela é descrita etc. Por exemplo: a marca McDonald’s, além do próprio nome, desenvolveu, ao longo do tempo, outras nomenclaturas e linhas de produto associadas: McNuggets, a linha Mcnífico, sem falar no universo do personagem Ronald McDonald e seus amigos; • Elementos visuais: os elementos visuais geram o reconhecimento a partir de ícones, identidade visual, personagens, símbolos e outros itens imagéticos. Para ilustrar, com o mesmo exemplo usado anteriormente, a marca McDonald’s possui um forte apelo de identidade visual, tanto pelas coresquanto por outros elementos, devido aos arcos dourados que formam a primeira letra de seu nome, passando por toda a ambientação dos seus canais de venda, apresentação e entrega dos produtos, entre outros elemen- tos que facilitam o reconhecimento visual; • Narrativas e aspectos subjetivos: toda marca gera uma ou mais narrativas que pas- sam a ser representativas dos seus pontos de diferenciação, dos seus contextos de uso e da própria identificação do público-alvo. Essas histórias precisam ser significativas e relevantes e, ao mesmo tempo, entregar algum tipo de valor (subjetivo) ao cliente; ainda, são parte fundamental da estratégia de branding, pois é a partir delas que o consumidor se identifica e começa a se relacionar com a marca. Os aspectos subjetivos de uma marca podem envolver a missão e a visão da empresa, o seu propósito e até uma personalidade da marca. E você? Já está pensando nas características da sua marca? 1.1. Definições de Branding O campo de atuação do branding é extremamente amplo, incluindo áreas como estratégia de negócios, design e até atendimento ao público. Por isso, nem sempre é muito simples definir o que é branding. Para ajudar nessa tarefa, recorremos a algumas definições oficiais de grandes associações da área. Veja, por exemplo, a definição dada pela American Marketing Association (AMA, 2024): “uma marca é um nome, termo, design, símbolo ou qualquer outro elemento que identifica um vendedor de bens e serviços como distinto de todos os demais vendedores”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Já a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA, [s.d.]) dá uma definição de branding mais abrangente e completa. Veja a seguir: Branding designa o conjunto de atividades de investigação, estratégia, criação, design e gestão de marca para coordenar suas expressões, otimizar suas relações com as partes interessadas (stakeholders), visando aumentar sua eficácia e seus valores econômico e simbólico. O branding inclui as seguintes atividades: a) estratégia de marcas; b) pesquisas e auditorias de marcas; c) identidade verbal ou naming (criação e definição de nomes e sistemas de nomenclatura); d) design da identidade visual e ambiental; e) comunicação da marca; f) gestão da marca; g) valoração da marca” A partir disso, podemos conjugar alguns dos elementos trazidos para construir um conceito que nos sirva para um entendimento completo da importância desta disciplina dentro do cenário atual: O branding envolve todas as atividades para criação, planejamento estratégico, manutenção e gestão de marcas como o principal ativo de uma organização, em todas as suas esferas e em todos os seus pontos de contato com o público, consolidando um posicionamento ligado a associações simbólicas e culturais, experiência, confiabilidade, nível de serviço, narrativas, valores, personalidade e propósito. 2. Patentes e Propriedades Intelectuais Além das marcas e dos nomes de produtos e de serviços, as empresas podem registrar soluções e projetos desenvolvidos internamente. Por isso mesmo, as patentes desempenham um papel vital na estratégia de negócios, pois, a partir delas, as organizações de todos os níveis garantem que suas inovações estejam protegidas, mantendo, assim, vantagem competitiva por algum tempo. Mas já que se trata de algo tão amplo, como podemos definir uma patente? Uma patente é um direito legal exclusivo concedido pelo governo a um inventor ou detentor de propriedade intelectual. O direito à patente permite que um indivíduo ou uma empresa proteja elementos desenvolvidos por um período determinado, impedindo que outros grupos possam copiar e/ou explorar comercialmente o mesmo item. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis A legislação referente a patentes e à proteção de propriedade intelectual pode sofrer algumas variações de país para país. Porém, na essência, a criação de uma patente pode envolver as seguintes categorias: • Patente de invenção: protege inovações em produtos, processos ou dispositivos; • Patente de modelo de utilidade: protege melhorias em produtos ou processos já existentes; • Patente de design: protege o design e outros elementos envolvidos na estética de um produto, como sua forma, ornamentos ou características visuais. As patentes são essenciais para estimular a inovação, incentivando pessoas e empresas a investirem em pesquisa e desenvolvimento. Elas também ajudam a criar um ambiente de competição justa no mercado, ao dar aos detentores de patentes uma vantagem temporária sobre suas inovações. Além disso, as patentes desempenham um papel importante na proteção da propriedade intelectual e no estabelecimento de direitos de propriedade sobre inovações valiosas. Contudo, é importante lembrar que nem sempre as empresas buscam patentear suas inovações. Em alguns casos, o caminho escolhido é por manter algo como segredo industrial. Nesse caso, não existe proteção legal, mas, em contrapartida, também não existe a priori obrigatoriedade da empresa em divulgar aquilo que foi desenvolvido (voltaremos a esse assunto mais adiante). Por quanto tempo dura a proteção a uma patente? Uma patente não garante proteção vitalícia ao avanço desenvolvido. A legislação estabelece diferentes critérios e prazos, de acordo com o tipo de registro solicitado. A ideia básica por trás da legislação de patentes é que o seu autor gozará de vantagem por um determinado tempo, porém, expirada a sua validade, toda a sociedade poderá usufruir dos avanços. No Brasil, o assunto é regulamentado pela Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996, que estabelece os seguintes prazos: • Patente de invenção: validade de 20 anos; • Patente de modelo de utilidade (representa um aperfeiçoamento a algo existen- te): validade de 15 anos; • Registro de desenho industrial (patente de design): validade de 10 anos, renovável por mais 15 anos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Obs.: � O princípio que rege a lei de patentes não é o mesmo que rege marcas e nomes de produtos e serviços. As patentes obrigatoriamente expiram com o tempo, e as empresas são obrigadas a continuar investindo em inovação para desenvolver novas ofertas. Já o direito a uso de uma marca pode ser renovado indefinidamente. A dife- rença de abordagem na legislação existe porque inovações, como já vimos, repre- sentam avanços propulsores do desenvolvimento econômico e social. Logo, depois de um tempo, suas patentes são “quebradas”, ou seja, ficam disponíveis para que outros agentes econômicos tirem proveito delas. Já uma marca não possui apelo ou impacto social relevante ou mensurável. Por exemplo: qual seria o benefício para a sociedade se outras empresas pudessem usar comercialmente a marca Coca-Cola? Percebeu a diferença? 2.1. A Diferença entre uma Patente e um Segredo Industrial A principal diferença entre uma patente e um segredo industrial reside na forma como a proteção é alcançada e no tipo de informações ou inovações que é protegido. Uma patente é um direito legal exclusivo concedido pelo governo para proteger inovações técnicas e intelectuais, exigindo que o inventor divulgue publicamenteos detalhes da invenção em troca desse direito exclusivo. Ou seja, prevalece a ideia básica de que o desenvolvimento científico e intelectual deve ser buscado em prol do benefício coletivo e não apenas da iniciativa privada. Em contraste, um segredo industrial envolve manter informações ou práticas comerciais valiosas em sigilo, sem a necessidade de divulgação pública. Enquanto as patentes protegem inovações por um período determinado, geralmente 20 anos, os segredos industriais buscam manter informações confidenciais indefinidamente, desde que a confidencialidade seja mantida, o que é cada dia mais complicado, em especial pela dinâmica da comunicação digital. Também existem situações específicas em que mesmo um segredo industrial pode ser questionado legalmente, forçando uma empresa a abrir seu conhecimento ou, ainda, pela própria dinâmica de um determinado setor, torna-se quase impossível manter algo em segredo, logo a patente acaba sendo a melhor opção. EXEMPLO Imagine uma startup do ramo farmacêutico que desenvolva um novo tipo de medicamento. Mesmo que ela quisesse manter alguma informação como segredo industrial, todo o processo regulatório necessário para testes e aprovação das vendas da nova droga pelos órgãos competentes (como a Anvisa) certamente demandaria que muitas dessas informações viessem a público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Por outro lado, o registro da inovação como patente garante proteção e possibilita outras formas de exploração comercial, como acordos de licenciamento, exploração mediante pagamento de royalties etc. 2.2. A Importância das Patentes em Mercados Movidos por Inovação Quando falamos no universo das startups, inovação não é apenas um conceito, mas a essência e o motor principal de todos os novos negócios criados. Já vimos que negócios inovadores possuem maior potencial de crescimento por duas razões: porque são capazes de “criar” um novo mercado ou simplesmente porque redefinem as regras de um mercado já existente. Uma startup, como também já vimos, é essencialmente uma empresa pequena que busca ganhar mercado a partir de rupturas e quebras de paradigmas. Isso significa que as ofertas desenvolvidas por essas empresas dão maior ênfase aos componentes inovadores que empresas tradicionais. Por isso mesmo, o ecossistema de startups tende a mirar no registro de novas patentes. Não podemos esquecer que patentes garantem que as inovações de uma empresa estejam protegidas contra cópias não autorizadas por concorrentes. Caso elas optassem por não registrar e manter a inovação como um segredo industrial, qual seria a proteção contra grandes corporações muito maiores, caso estas porventura acessassem tais informações? Além disso, possuir uma patente confere vantagem competitiva, pois permite que uma empresa ofereça produtos ou serviços únicos que não podem ser facilmente replicados. Por tabela, isso aumenta a reputação e a credibilidade da marca, mostrando seu compromisso com a inovação e qualidade. Ainda, pode influenciar positivamente a percepção do público e atrair investidores e parceiros para o novo negócio. Por fim, podemos dizer que o tópico referente a patentes, propriedades intelectuais e registro de marcas pode ser extremamente complexo, principalmente porque envolve elementos subjetivos ou questões legais passíveis de diferentes interpretações, sem falar na pressão que grandes organizações podem exercer sobre as menores. Se você é um empreendedor e lida com inovação, busque sempre orientação de escritórios e advogados especializados antes de tomar suas decisões nesse campo. 3. Inovação Aberta e Inovação Fechada Nesta seção, entenderemos a diferença entre as abordagens para o desenvolvimento de inovação. Na essência, existem dois caminhos disponíveis para empresas que pretendem ingressar em algum ecossistema inovador: a inovação aberta e a inovação fechada. Você entende esses conceitos? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis A inovação aberta é uma abordagem que envolve a colaboração com fontes externas, como outras empresas, instituições de pesquisa, startups e comunidades em geral, para gerar ideias, compartilhar conhecimento e codesenvolver novos produtos, serviços ou soluções. Ela reconhece que ideias valiosas e soluções inovadoras podem ser encontradas em diversos lugares, não apenas internamente. A vantagem desse tipo de abordagem é o poder do efeito em rede a partir do conhecimento compartilhado: com uma quantidade bem maior de pessoas e instituições envolvidas, a velocidade das pesquisas e o desenvolvimento de novas tecnologias tendem a ser muito maiores. Porém, do ponto de vista da cultura interna, a empresa precisa estar preparada para esse tipo de abordagem, já que a inovação aberta pressupõe um outro tipo de mentalidade: quem adota a inovação aberta deve estar disposto a compartilhar recursos, ideias e tecnologias com outros e a trabalhar com foco na cooperação. A inovação fechada, por sua vez, é o modelo tradicional que verificamos nas empresas: cada organização desenvolve internamente suas pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias, processos e ideias, os quais resultarão em produtos e serviços diferenciados. Dificilmente há cooperação com outras entidades, e é praticamente impossível que haja intercâmbio de informações e recursos com outras empresas. Como estratégia, essa inovação tende a ser muito mais onerosa, pois a empresa será a responsável por prover tudo o que for necessário. Como as informações são mantidas internamente para manter o controle absoluto sobre o processo e, principalmente, para proteger a propriedade intelectual em desenvolvimento, a rigidez tende a ser maior, o que torna o seu ritmo menos dinâmico. Ao mesmo tempo, essa abordagem tende a limitar o acesso a diversas fontes de conhecimento e oportunidades de colaboração. Então, qual seria a abordagem mais adequada? Pela perspectiva da construção de vantagem competitiva, não restam dúvidas de que o mundo ideal está nos projetos de inovação fechada. Quando seu resultado é satisfatório, a empresa detém sozinha o direito de exploração comercial das novas ofertas e pode usufruir de grande vantagem em relação aos seus concorrentes. A contrapartida é a capacidade interna de desenvolvimento e de pesquisa, já que uma empresa sozinha dificilmente conseguiria replicar o poder, em rede de várias organizações e grupos de pesquisa, trabalhando em regime de cooperação (por maior que seja). As startups, em particular, são negócios pequenos com pouca ou nenhuma capacidade de desenvolvimento. Por isso, a busca por projetos de natureza colaborativa e de inovação aberta acaba sendo a melhor opção. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Na prática, boa parte das grandes empresas adota abordagens híbridas, combinando elementos de inovação aberta e fechada para otimizar seus esforços de inovação e se adaptar às mudanças no ambiente de negócios. Também é comum que elas se mantenham próximas a ecossistemas altamente inovadores, incluindo hubs de startups, institutos de pesquisa e grandes universidades, de modo a colaborare, muitas vezes, financiar tais ecossistemas. Algumas grandes organizações passaram a adotar, nas duas últimas décadas, abordagens até mais “agressivas” para garantir acesso primário às principais inovações em desenvolvimento: ir às compras, adquirindo startups promissoras ou que desenvolvam pesquisas de ponta. Quem não se lembra da famosa camiseta com a frase “quero ser comprado pelo Google”, tão comum entre empreendedores, hipsters e entusiastas no início dos anos 2010? Esse tipo de meme ilustra bem a mentalidade em evidência dentro desses ambientes: trazer inovação altamente disruptiva, para, assim, atrair a atenção de investidores ou de grandes marcas, que topem aportar recursos ou mesmo se tornar sócios, comprando parte ou todo o novo negócio. Alguém se lembrou do reality show chamado “Shark Tank”? A dinâmica do programa era exatamente esta: empreendedores apresentando suas inovações para uma banca de jurados/investidores, que, no final, decidiam por aplicar ou não recursos financeiros para se tornarem sócios da novidade. 4. O Risco da Inovação Um último ponto referente à inovação tem relação com o risco. O investimento que uma empresa faz é diretamente proporcional ao maior risco a ser enfrentado pelo negócio. Por isso mesmo, muito se fala em inovação, mas poucas empresas arriscam de fato seus recursos em projetos totalmente disruptivos. Esses projetos carregam consigo um risco intrínseco, muitas vezes resultante da incerteza inerente à introdução de novas ideias, tecnologias ou abordagens. Na prática, produtos e serviços que carregam DNA inovador tendem a enfrentar maior resistência, no que tange à aceitação de mercado, e dependem de mais tempo para experimentação do público, além de questões técnicas no próprio desenvolvimento. Não bastasse isso, tais projetos frequentemente exigem investimentos substanciais de tempo, recursos e capital, o que amplifica o risco pela perspectiva financeira. Para as startups, o risco é ainda maior, já que são empresas de pequeno porte e que nem sempre têm acesso aos recursos financeiros necessários para concretizar suas ideias. Gerenciar e mitigar esses riscos é uma parte crítica da estratégia de inovação de qualquer empresa. Afinal, quando o sucesso é alcançado, as recompensas para os inovadores costumam ser muito maiores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 11 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Considerações Finais da Aula Nesta aula, conhecemos as bases de uma estratégia de construção de marca (branding) e as regras referentes a propriedades intelectuais e industriais, a fim de compreender as dinâmicas envolvendo os projetos com inovação aberta e inovação fechada. Um dos pontos que mais gera atrito entre as empresas no mundo atual certamente é o direito à propriedade intelectual. Quase tudo o que uma empresa desenvolve, do seu nome e logo aos conceitos e às ideias apresentados na forma de produtos e serviços, pode ser enquadrado como parte de sua propriedade intelectual e industrial. Isso significa que, quando determinados nomes, conceitos e características são formalmente registrados (patenteados) junto aos órgãos competentes, outras pessoas e empresas automaticamente se tornam impedidas de usá-los, a menos que tenham autorização ou algum tipo de acordo liberando para isso. Especialmente em mercados inovadores, as questões envolvendo patentes e propriedades das empresas acabam estando no primeiro lugar da lista de preocupações de empreendedores e administradores. Isso acontece porque tais características presentes em produtos e serviços inovadores podem ser as responsáveis diretas pela sua performance superior ou pelo seu diferencial competitivo. Material Complementar Branding: o que é, dicas, melhores livros e como trabalhar a gestão de sua marca 2017, Resultados Digitais. O texto traz um resumo sobre o conceito e a importância de estratégias de branding para marcas. Disponível em: https://resultadosdigitais.com.br/marketing/o-que-branding/. Acesso em: 22 jan. 2024. Referências ABA. Glossário Essencial de Branding. [s.l.]: Associação Brasileira de Anunciantes, [s.d.]. Disponível em: https://www.aba.com.br/wp-content/uploads/content/7868949d15ee- 144fdf70f30c5a695e22.pdf. Acesso em: 22 jan. 2024. AMA. Definitions of Marketing. [s.l.]: American Marketing Association, 2024. Disponível em: https://bit.ly/3JxUqA5. Acesso em: 22 jan. 2024. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://resultadosdigitais.com.br/marketing/o-que-branding/ https://www.aba.com.br/wp-content/uploads/content/7868949d15ee144fdf70f30c5a695e22.pdf https://www.aba.com.br/wp-content/uploads/content/7868949d15ee144fdf70f30c5a695e22.pdf https://bit.ly/3JxUqA5 12 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. BRASIL. Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 maio 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm. Acesso em: 22 jan. 2024. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 6faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ideias e Projetos Estudos de Caso Objetivo da Aula Conhecer três cases reais de mercados de tecnologia que foram revolucionados a partir da inovação e relacionar esses estudos de caso com os conceitos vistos ao longo da disciplina. Apresentação Agora que está familiarizado com termos e conceitos ligados ao empreendedorismo e à inovação, que tal conhecer alguns exemplos reais de empresas que criaram movimentos de ruptura em seus mercados e foram bem-sucedidas? Nesta aula, analisaremos alguns cases de negócios que se destacaram em seus respectivos segmentos, além de outros que vêm se estruturando para criar paradigmas disruptivos. Bons estudos! 1. Entrando em um Mercado Hiper Saturado Um dos tópicos mais falados desde 2022 são os novos sistemas de inteligência artificial. Dos modelos de linguagem como o famoso ChatGPT aos geradores de imagens, sons e vídeos, todos os novos anúncios das grandes indústrias de tecnologia tentam envolver otermo “IA” como parte da sua estratégia de diferenciação. Portanto, podemos esperar que esse cenário rapidamente se torne hiperssaturado, certo? Além das gigantes do Vale do Silício, startups de todo o mundo entraram na corrida para criar novos modelos que sejam capazes de ajudar em tarefas ainda mais complexas. Enquanto o ChatGPT é o sistema mais conhecido, por ter “surfado” no hype das notícias sobre tecnologia, outros sistemas correm em paralelo: Bard, do Google, o Copilot, da Microsoft, do Claude e da Anthropic, e Llama, da Meta, são alguns desses nomes. Outras big techs, como Apple e Amazon, também estão desenvolvendo suas próprias soluções internamente. Isso sem falar nas gigantes chinesas e sul-coreanas: Bytedance (dona do TikTok), Alibaba, Tencent, Samsung e LG, as quais vêm acelerando os esforços de pesquisa e desenvolvimento nesse setor. Livro Eletrônico 2 de 6faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Isso mostra que o mercado está sendo inundado por novos modelos de IA. Mas será que um deles terá de fato vantagem sobre os demais? Em uma análise preliminar, podemos imaginar que o ChatGPT, da OpenAI, está em vantagem, por ser o sistema mais utilizado no momento. Porém, não podemos desconsiderar a força de plataformas já consolidadas: o Google detém mais de 90% de market share no mercado de buscas mundial; a Amazon é uma das maiores varejistas eletrônicas do mundo (além de ter grande presença no cenário de internet das coisas, por conta de sua família de produtos Alexa); a Meta reina nas plataformas sociais, com Facebook, Instagram, WhatsApp e, agora, Threads; a Microsoft domina o cenário de desktops e notebooks com o sistema Windows; e, por fim, a Apple possui uma base de mais de 1 bilhão de iPhones ativos no mundo (sem contar outros dispositivos como iPads, Apple Watches e computadores Mac). Todos eles têm potencial para estabelecer novos modelos de linguagem e sistemas de extrema popularidade, graças às plataformas e aos modelos de negócios que já possuem – sem falar em novas empresas, das quais nem sequer ouvimos falar, que podem surgir com novos serviços e funcionalidades que rompam com os paradigmas atuais. Então, sabemos que o futuro reside na disseminação dessas tecnologias, mas ainda é difícil prever qual empresa vai liderar esse movimento. Uma coisa é certa: como em qualquer mercado hiperssaturado, as ofertas generalistas e sem um posicionamento claro tendem a perder valor percebido com mais velocidade. O mais provável é que a disputa migre para soluções especializadas, com cada produto/serviço/plataforma se especializando em determinado tipo de tarefa. Esse é um palpite, mas teremos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento desse mercado enquanto ele efetivamente acontece. Quem viver, verá! 2. O Impacto no Mercado de Buscas Um aspecto pouco comentado, quando se fala em sistemas de inteligência artificial, é o seu potencial impacto no mercado de buscas. Hoje, as plataformas de buscas lideradas pelo Google são a estrutura que garante um sistema de publicidade on-line de quase US$ 1 trilhão. A grande questão é: e se as pessoas começarem a realizar suas buscas dentro de modelos de linguagem e não mais nos buscadores tradicionais? Se o tráfego migrar para outro endereço ou plataforma, o dinheiro dos anunciantes também migrará. Essa foi a aposta do buscador Bing, da Microsoft, e, embora ainda não tenha gerado qualquer impacto na participação de mercado de cada um desses players, o movimento ainda é inicial. Difícil prever o que vai acontecer em um mercado tão dinâmico (e tão competitivo!) como esse. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 6faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 3. Adaptação a uma Nova Proposta de Valor (Caso Netflix) Agora que fizemos uma rápida projeção de um mercado futuro, vamos analisar uma empresa que causou um verdadeiro movimento de ruptura em um passado recente: a Netflix. Fundada em 1997, a Netflix surgiu como um avanço aos modelos de videolocadoras vigentes até então. De acordo com a história da companhia, a ideia surgiu após seu fundador, Reed Hastings, ser multado por atraso na devolução de um DVD. Portanto, em um momento inicial, a Netflix não pretendia revolucionar o consumo de conteúdo. Pelo contrário: ela entrou em um mercado bastante saturado (o de videolocadoras), com uma melhoria incremental. Ao perceber uma deficiência do modelo em vigor, ela enxergou uma oportunidade para ocupar um espaço, a partir de uma proposta de valor diferenciada. No entanto, a inovação do serviço de aluguel de DVDs on-line, em que os clientes podiam escolher filmes em um catálogo e recebê-los pelo correio, logo daria lugar a um novo formato. Alguns anos após a sua criação, a empresa percebeu uma nova oportunidade no horizonte: a distribuição digital de conteúdo. Com a ampliação dos serviços de banda larga e maior capacidade de conexão, em breve não faria sentido que as pessoas dependessem de suporte físico (no caso, um DVD) para assistir a seus filmes e séries preferidos. Com essa visão de futuro em mente, Haastings e sua equipe deram início ao desenvolvimento de uma plataforma video on demand (VOD), que hoje todos nós conhecemos como “serviços de streaming”. Naquele momento (meados de 2007), poucas pessoas deram credibilidade ao movimento. Afinal, o catálogo inicial era restrito, com muitos filmes antigos, e as limitações tecnológicas ainda faziam com que a qualidade estivesse bem abaixo dos serviços de TV por assinatura. Porém, em poucos anos, a situação começou a mudar: apesar das limitações iniciais, estava claro que os benefícios do novo modelo eram muito superiores aos das antigas videolocadoras e mesmo aos do modelo de TV tradicional. Tanto que, no início dos anos 2010, a Netflix se tornou um fenômeno, inaugurando um novo setor: os serviços de streaming de vídeo. Trata-se de um mercado bilionário que hoje conta com a presença de algumas das maiores empresas do mundo: Apple, Disney, Warner e Amazon, só para citar algumas. Mas, antes que tantos concorrentes chegassem, a Netflix teve alguns bons anos de liderança absoluta no setor, o que garantiu fluxo financeiro suficiente para ampliar a visão original: de videolocadora digital, a empresa se tornou um grande estúdio, não só licenciando, mas também produzindo filmes, séries e outros programas. Mais recentemente, em 2022, o mercado de streaming passou por novas movimentações. Competição mais acirrada e menores margens, entre outros aspectos, vêm fazendo com que a própria Netflix esteja revendo algumas políticas que antes eram tidas como O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 6faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis fundamentais em seu modelo de negócios: um exemplo é a criação de um plano mais barato, com exibição de anúncios. Fora isso, a empresa vem desenvolvendo, também, sua própria plataforma de games. Independentemente de qual seja o futuro do mercado de streaming, está claro que a Netflix nasceu como uma empresa orientada à inovação e vem mantendo isso como um forte componente no seu DNA. Um movimento tão impressionante a ponto que sua marca não é apenas representativa por ter se tornado o serviço de VOD número 1 no mundo, mas também por aquilo que a Netflix representa como um novo momento tecnológico e até cultural. A plataforma criada por Haastings efetivamente mudou a maneira como o planeta consome entretenimento. 4. Oferecendo uma Nova Experiência (Caso Nubank) Outrocaso que merece a nossa análise é da empresa Nubank, uma fintech brasileira, fundada em 2013, que atingiu extremo sucesso em um mercado bastante fechado e conservador: o setor bancário. Em um ramo tão regulado, dominado por empresas gigantes e com pouco dinamismo, devido às próprias características da economia brasileira, certamente o setor bancário não seria a opção dos sonhos para boa parte dos empreendedores. No entanto, os fundadores do Nubank, David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible, tinham uma visão muito clara dos gaps existentes no setor, a saber: problemas crônicos de atendimento; altíssima complexidade; e uma distância muito grande das empresas tradicionais com as necessidades do público. Justamente por conta disso, o Nubank apostou em um ecossistema simples e totalmente digital: tudo pode ser resolvido pelo aplicativo, não existem agências, e tudo é pensado visando facilitar a experiência do usuário. De início, com poucas opções de serviços (apenas cartão de crédito), porém o Nubank hoje já possui um leque muito maior de serviços: da tradicional conta corrente a opções de investimento. Além da aposta na tecnologia, talvez seu maior mérito esteja na visão de colocar os usuários no centro da estratégia, algo que já estava abandonado há muito tempo pelos bancos de varejo até então existentes. Seu posicionamento e sua proposta de valor diferenciada renderam rápido destaque: a empresa atraiu maiores investimentos e avançou, inclusive, para mercados internacionais. Um feito inacreditável para uma companhia, na época, com menos de dez anos de vida. Hoje, o Nubank figura entre as marcas mais valiosas do país e também desponta no seu setor: em junho de 2023, seu valor de mercado chegou a ultrapassar os tradicionais líderes do segmento, com valor de mercado de US$ 36,57 bilhões, acima do Bradesco (US$ 33,42 bilhões), Banco do Brasil (US$ 29,38 bilhões), BTG (US$ 27,97 bilhões) e Santander Brasil (US$ 23,62 bilhões). A empresa ficou atrás apenas do Itaú. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 6faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis As inovações do Nubank abriram caminho para que outros players criassem as suas próprias plataformas financeiras. Os bancos tradicionais, por sua vez, tentam contra- atacar, com ecossistemas muito mais robustos a nível de possibilidades de serviços, mas também vêm avançando no quesito atendimento e experiência do cliente. Contudo, a marca Nubank continua a ocupar um espaço diferenciado na percepção do público: sinônimo de simplicidade, acessibilidade e qualidade no relacionamento com os correntistas. Considerações Finais da Aula Nesta aula, você conheceu exemplos concretos de empresas que provocaram mudanças significativas em seus mercados e alcançaram sucesso. Além disso, foi possível, através dos estudos de caso, conhecer estratégias que criaram destaque para empresas de diferentes áreas. Material Complementar Negócios disruptivos: entenda o que são e como funcionam 2024, DocuSign. O artigo aborda os principais conceitos sobre negócios disruptivos e as suas caracte- rísticas dentro dos negócios. Disponível em: https://www.docusign.com/pt-br/blog/negocios-disruptivos. Acesso em: 22 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. CAMPOS, Á. Ação do Nubank some mais de 100% em um ano e fintech já vale mais que o Bradesco. Valor, 30 jun. 2023. Disponível em: https://valor.globo.com/financas/noti- cia/2023/06/30/ao-do-nubank-sobe-mais-de-100-pontos-percentuais-em-um-ano- -e-fintech-j-vale-mais-que-o-bradesco.ghtml. Acesso em: 28 out. 2023. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.docusign.com/pt-br/blog/negocios-disruptivos https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/06/30/ao-do-nubank-sobe-mais-de-100-pontos-percentuais-em-um-ano-e-fintech-j-vale-mais-que-o-bradesco.ghtml https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/06/30/ao-do-nubank-sobe-mais-de-100-pontos-percentuais-em-um-ano-e-fintech-j-vale-mais-que-o-bradesco.ghtml https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/06/30/ao-do-nubank-sobe-mais-de-100-pontos-percentuais-em-um-ano-e-fintech-j-vale-mais-que-o-bradesco.ghtml https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ 6 de 6faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo Transformações no Mercado, Negócios e Novo Ambiente Transformações no Mercado, Negócios e Novo Ambiente Empreendedorismo e Inovação: Conceitos e Definições Transformações no Mercado, Negócios e Novo Ambiente Empreendedorismo e Inovação: Conceitos e Definições Características do Empreendedor Transformações no Mercado, Negócios e Novo Ambiente Empreendedorismo e Inovação: Conceitos e Definições Modelos de Negócios Ideias e Oportunidades Ideias e Oportunidades Design Thinking e Criação de Startups Ideias e Oportunidades Design Thinking e Criação de Startups Estratégias de Marketing Ideias e Oportunidades Design Thinking e Criação de Startups Propriedade Intelectual e Industrial Ideias e Oportunidades Design Thinking e Criação de Startups Estudos de CasoOs princípios podem comprometer não apenas o sucesso imediato, mas também a sustentabilidade e a durabilidade de projetos. Material Complementar Inovação nos negócios: o caminho para o desenvolvimento Sebrae, 2022. Esse material mostra a importância da inovação constante dentro das organizações. Disponível em: https://digital.sebraers.com.br/blog/inovacao/inovacao-nos-negocios- -o-caminho-para-o-desenvolvimento/. Acesso em: 19 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://digital.sebraers.com.br/blog/inovacao/inovacao-nos-negocios-o-caminho-para-o-desenvolvimento/ https://digital.sebraers.com.br/blog/inovacao/inovacao-nos-negocios-o-caminho-para-o-desenvolvimento/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 12faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ambiente Global e Perfil Empreendedor Empreendedorismo e Inovação: Conceitos e Definições Objetivo da Aula Apresentar os principais conceitos ligados ao empreendedorismo e à inovação e relacionar as bases do empreendedorismo com o desenvolvimento de novos negócios e projetos inovadores. Apresentação Sabemos que uma série de fatores transformou o mercado global em uma arena hipercompetitiva. Novas tecnologias, avanços na comunicação, interdependência entre as cadeias de valor e digitalização do sistema financeiro são alguns dos pontos que aceleraram o processo de globalização. Como consequência direta dessas mudanças, temos economias e mercados mais interligados do que nunca. Hoje, uma empresa pode vender para o planeta inteiro sem necessariamente sair da sua região de origem. O problema é que a nova economia globalizada impõe um ritmo nunca antes visto. Esse ritmo acelerado reduz os ciclos competitivos. Na prática, isso significa que uma empresa pode não ter muito tempo para usufruir da vantagem competitiva que ela possui, independentemente da sua natureza, pois rapidamente a concorrência e o próprio cenário podem se adaptar ou se transformar, eliminando ou reduzindo consideravelmente o impacto de produtos e serviços que antes gozavam de relevância bem acima da média. Para sobreviver, em um cenário bem mais hostil e cheio de incertezas, empresas e homens de negócio precisam adotar uma postura mais empreendedora e com foco na inovação. Nesta unidade, exploraremos mais a fundo esses dois conceitos e sua importância para os resultados de um projeto. Livro Eletrônico 2 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 1. Empreendedorismo e Desenvolvimento Econômico O empreendedorismo pode ser entendido por diversas perspectivas. Enquanto campo do conhecimento, podemos entendê-lo como uma área que estuda as ações humanas com foco na geração de valor: o que a ciência do empreendedorismo pode nos ensinar sobre desenvolvimento e novas perspectivas? O campo de estudos sobre empreendedorismo é muito amplo e multidisciplinar, envolvendo desde a área da administração até outros campos correlatos, mas também passando por economia, psicologia, linguística e até neurociência. Existe, também, uma perspectiva comportamental: qual a importância do perfil empreendedor tanto dentro quanto fora das empresas? Pela dimensão comportamental, tentamos entender como indivíduos empreendedores afetam e são capazes de transformar a realidade ao seu redor. Ainda, pela perspectiva do comportamento empreendedor, busca- se construir métodos e ferramentas para treinar pessoas que não tragam “instintivamente” esse olhar e, assim, possam aguçá-lo. E por que toda essa importância dada ao empreendedorismo? Simples: porque ele é considerado uma das forças vitais para o desenvolvimento econômico. Podemos entender o empreendedorismo como um dos pilares para a geração de inovação, crescimento econômico e progresso social. Os empreendedores são os motores por trás da dinâmica econômica, impulsionando a economia para a frente, por meio de suas atividades criativas e inovadoras. Quanto mais competitivo se torna um mercado, mais ele vai depender da inovação. E, para termos mais soluções inovadoras, precisamos ainda mais de indivíduos e grupos com visão e postura ligadas ao empreendedorismo. Um dos maiores pensadores sobre o empreendedorismo é Joseph Schumpeter, um renomado economista do século XX. Na visão de Schumpeter, o empreendedorismo desempenha um papel central no processo de desenvolvimento e na evolução das economias. Podemos listar algumas esferas em que o impacto positivo do empreendedorismo pode ser sentido, veja a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Inovação e progresso econômico: empreendedores são agentes de mudança e ino- vação. Eles introduzem novas ideias, produtos, processos e tecnologias no mercado. Schumpeter chamou esse movimento de “destruição criativa”, já que o comportamento empreendedor serve para “perturbar”, de certa forma, os modelos e paradigmas exis- tentes. Porém, é justamente essa movimentação que impulsiona a economia. • Ciclos econômicos: outro ponto de destaque é o papel do empreendedorismo na superação de ciclos econômicos. Em tempos difíceis ou em períodos recessivos, os empreendedores estariam dispostos a assumir riscos e investir em novos negócios, mesmo diante da incerteza econômica. • Competição e dinamismo: por estarem constantemente atentos às oportunidades e às mudanças, os empreendedores introduzem maior dinamismo ao mercado e forçam a concorrência a se movimentar. Dessa forma, incentivam a eficiência e a melhoria contínua. A competição empreendedora é vista como um fator que impulsiona a ino- vação e a eficiência econômica. • Criação de empregos e maior prosperidade: o empreendedorismo é uma fonte significativa de criação de empregos. Na medida em que novos projetos são criados e oportunidades são vislumbradas, o fluxo de interesse logo se converte em fluxo de dinheiro, permitindo investimentos e contratações. • Impacto na sociedade: toda evolução econômica gera impactos positivos, também, na sociedade. Por isso, muitos economistas, incluindo o próprio Schumpeter, veem o empreendedorismo como um catalisador de mudanças sociais e culturais. As inovações trazidas pelos empreendedores, em todas as esferas, não se resumindo ao campo em- presarial, podem transformar a sociedade, melhorando a vida das pessoas e alterando padrões de consumo e comportamento. 2.Inovação e Desenvolvimento Econômico Vimos que o empreendedorismo tem alto potencial de impacto na economia e na sociedade. No entanto, a importância tanto da visão quanto da postura empreendedora reside em um resultado específico que elas são capazes de gerar: a inovação. O empreendedorismo, enquanto filosofia e enquanto método, tem como principal objetivo gerar a inovação. Portanto, podemos dizer que, se o empreendedorismo é a condição básica para uma economia evoluir, a inovação, por sua vez, é o motor que impulsiona o progresso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Mas qual a melhor definição para inovação? Como todo termo que entra “na moda”, “inovação” acaba sendo uma palavra muito utilizada, embora boa parte das pessoas não entenda necessariamente o que ela significa. É bastante comum, inclusive, que se confunda inovação com invenção, pois se consolidou, no imaginário popular, a figura de inventores como personagens muito criativos e inquietos, sempre buscando construir algo surpreendente e que seja, de certa forma, revolucionário. O estereótipo dos inventores na cultura pop: a) Prof. Pardal (Disney); b) Franjinha (Turma da Mônica); c) Tony Stark (Marvel). Só que a inovação não precisa necessariamente ser uma invenção. Na prática, raramente o é. Inovação tem a ver com soluções melhores, mais inteligentes e mais eficientes para problemas já existentes ou problemas que não existiam antes, mas que agora precisam ser resolvidos. Também é importante desvincular o conceito de inovação com tecnologia disponibilizada para o público final (tecnologia em produtos e serviços), pois apenas ampliar a tecnologia embarcada em algo não torna um produto ou serviço necessariamente em algo inovador (voltaremos a falar sobre isso posteriormente). O mais importante, pela perspectiva da inovação, é que tenhamos soluções melhores e mais eficientes. Veja um exemplo bem simples: EXEMPLO Imagine uma equipe de limpeza de um grande escritório responsável por higienizar os espaços sempre ao final do expediente de trabalho. Caso essa equipe consiga desenvolver um método para realizar o mesmo serviço, com o mesmo nível de qualidade, mas com uma redução de 20% na utilização dos recursos (tempo, material de limpeza etc.), qual o tamanho desse ganho em um ano inteiro? Talvez, esse avanço tenha sido possível mesmo sem qualquer aplicação de novas tecnologias, como equipamentos e outros materiais, mas apenas por uma melhor organização do método de trabalho. Reparem que estamos diante de uma inovação poderosa, pois encontramos uma solução melhor, para um determinado problema, do que a usada anteriormente. No âmbito geral, podemos pensar em inovação como soluções mais inteligentes e eficientes para os desafios que temos em nossa sociedade. A inovação sempre precisa de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis aplicabilidade prática, obrigatoriamente. E, justamente por essa condição, ela está atrelada diretamente ao desenvolvimento econômico e à geração de riqueza. Voltemos ao exemplo da equipe de limpeza: se, na execução dessa atividade, a equipe obteve 20% de economia (sejam lá quais forem os recursos envolvidos, mesmo que seja apenas de tempo), em algum momento essa eficiência se transforma em ganho financeiro. Mais ainda: se o método desenvolvido por esses profissionais for aplicado em larga escala, o ganho de 20% será aplicado em todos os prédios comerciais e não apenas na empresa em questão. Portanto, a eficiência, que antes era um ganho restrito, agora representa uma melhor otimização dos recursos em uma escala bem mais ampla. Assim, a conversão de eficiência em ganho financeiro também se dará em uma proporção muito maior. Veja por uma outra perspectiva: EXEMPLO Imagine que um grupo de pesquisadores desenvolve um método e uma infraestrutura para circulação e entrega de mercadorias, dentro de grandes metrópoles, sem o uso de veículos de qualquer tipo ou porte. Portanto, todo o serviço de frete de grandes e-commerces, por exemplo, daria lugar a essa nova modalidade de entrega. De início, esse novo sistema que estamos imaginando teria um custo maior de adesão, devido ao investimento feito para desenvolvê-lo. Porém, uma vez implementado, qual o tamanho do impacto positivo gerado pelo novo sistema? Primeiro, entregas muito mais rápidas. Outro ponto é que poderíamos ter uma redução drástica de caminhões, carros e motos que circulam diariamente apenas para levar itens de um ponto ao outro da cidade. Além do evidente ganho de eficiência econômica, temos, por tabela, um ganho social (menos trânsito) e ambiental (ar menos poluído). Mesmo que, no curto prazo, o custo do novo sistema de frete seja superior, no médio e no longo prazo os ganhos e benefícios gerados são muito maiores. No final, a economia ganha e a sociedade ganha, pois temos mais dinheiro circulando e recursos sendo utilizados de uma maneira mais inteligente. Portanto, embora a inovação e o desenvolvimento tecnológico de ponta estejam frequentemente correlacionados, é crucial reconhecer que a inovação é um conceito mais amplo, que abrange uma variedade de áreas, incluindo tecnologia, processos, produtos, serviços e muito mais. O desenvolvimento tecnológico é apenas uma parte do quadro geral da inovação. Veja alguns potenciais impactos da inovação a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Desenvolvimento e prosperidade econômica: a inovação pode ser a principal fonte de criação de riqueza em uma economia. Por meio da inovação, novos produtos, servi- ços e mercados são desenvolvidos, impulsionando o crescimento. A inovação permite que as empresas atendam às necessidades dos consumidores de maneira mais eficaz e eficiente. • Vantagem competitiva: a inovação é fundamental para a competitividade das empre- sas. Organizações que inovam continuamente são capazes de se destacar no mercado, diferenciando-se de seus concorrentes. • Quebra de paradigmas e mudanças no comportamento das pessoas: nos casos de uma inovação radical, em que temos modelos disruptivos que rompem com os antigos modelos estabelecidos, podemos ter novos comportamentos e questões culturais que são alteradas, fruto da inovação. Pense, por exemplo, na revolução comportamental gerada pela possibilidade de consumo individual de música, com o lançamento do Sony Walkman, no início dos anos 1980, ou, ainda, na postura das novas gerações em relação à produção de conteúdo, devido à ascensão dos smartphones e de diferentes redes sociais, a partir dos anos 2010. • Melhoria da eficiência e produtividade: a inovação só é válida quando resulta na melhoria de alguma atividade ou processo, dentro ou fora das organizações. Novas tecnologias, processos e práticas de gestão podem permitir que as empresas e pessoas façam mais com menos recursos, o que é essencial para o crescimento sustentável. • Solução de problemas sociais: como já vimos, a inovação não se resume à esfera em- presarial. Inovações em áreas como saúde, educação, energia e meio ambiente podem ter um impacto extremamente positivo na sociedade. 3. Os Tipos de Inovação Agora que entendemoso conceito geral de inovação e sua importância, vamos analisar mais de perto a sua aplicabilidade no mundo dos negócios. Mas, para isso, precisamos categorizar a inovação de acordo com a dimensão em que está sendo aplicada. Veremos, a seguir, os principais campos de aplicação da inovação. • Inovação de produto: esse é o tipo mais comum de inovação, que envolve a criação de novos produtos ou melhorias significativas em produtos existentes. Isso pode in- cluir inovações tecnológicas, novos recursos, designs aprimorados ou introdução de produtos completamente novos no mercado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Inovação de processo: a inovação de processo se concentra na melhoria dos métodos e processos de fabricação ou entrega de produtos e serviços. Isso pode levar a reduções de custos, aumento da eficiência operacional e maior qualidade. • Inovação de modelo de negócios: nesse tipo de inovação, as empresas redefinem a maneira como operam, criam valor e geram receita. Isso pode envolver mudanças na estrutura de preços, na cadeia de suprimentos, na forma como os produtos são co- mercializados ou na adoção de novos modelos de receita. • Inovação de marketing: a inovação de marketing diz respeito à forma como os pro- dutos e serviços são apresentados aos clientes. Isso inclui estratégias de branding, publicidade, posicionamento de mercado e uso de canais de distribuição inovadores. • Inovação organizacional: esse tipo de inovação envolve a reestruturação das operações internas da empresa. Pode incluir a implementação de práticas de gestão inovadoras, novos sistemas de recompensa, mudanças na cultura organizacional ou criação de equipes de trabalho multidisciplinares. • Inovação aberta: a inovação aberta envolve a colaboração com parceiros externos, como fornecedores, clientes, universidades e startups, para buscar ideias e soluções inovadoras. É uma abordagem que reconhece que a inovação não precisa ocorrer ape- nas dentro das fronteiras da organização. • Inovação social: a inovação social busca resolver desafios sociais e ambientais, muitas vezes por meio de novos modelos de negócios que têm um impacto positivo na socie- dade. Isso pode incluir empresas sociais, iniciativas de sustentabilidade e projetos de responsabilidade social corporativa. • Inovação de serviço: esse tipo de inovação se concentra na criação de novos serviços ou na melhoria dos serviços existentes. Pode envolver a adoção de tecnologias digitais, a personalização de serviços ou a redefinição da experiência do cliente. • Inovação de cadeia de valor: a inovação de cadeia de valor visa otimizar a forma como os produtos e serviços são criados, entregues e suportados ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Isso pode levar a uma maior eficiência e redução de custos. É importante ressaltar que esses tipos de inovação podem acontecer ao mesmo tempo, e, muitas vezes, as empresas buscam várias formas de inovação, simultaneamente, para ganhar vantagem competitiva. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Podemos classificar, também, a inovação pelo potencial de impacto que ela possui. Nesse caso, o foco não está no campo de aplicação, e sim na possibilidade de transformação que temos a partir da sua aplicação. Não existe uma única teoria e categorização a esse respeito, porém uma das mais disseminadas é a proposta pelo professor Clayton Christensen, autor do livro The Innovator’s Dilemma (O Dilema da Inovação), publicado em 1997. Na visão de Christensen, as inovações que possuem natureza disruptiva e têm potencial para transformar a sociedade (e os mercados) são enquadradas como rupturas (ou inovações radicais). Porém, elas são mais arriscadas e complexas, já que lidam com elementos novos que ainda não foram testados. Como consequência, as empresas e pessoas, de um modo geral, estariam muito mais inclinadas a trabalhar no modelo de inovação incremental, quando melhorias e aperfeiçoamentos são feitos em soluções já existentes. Veja as principais características de cada uma delas a seguir. • Inovação incremental: focada nas melhorias graduais e contínuas em soluções já existentes. Na esfera empresarial, significa aperfeiçoar produtos e serviços que já en- tregam resultados satisfatórios, com o objetivo de torná-los cada vez melhores. Por direcionarem as mudanças nos parâmetros já existentes, o movimento da inovação incremental tem o seu potencial de geração de valor reduzido. Por outro lado, oferece um menor risco para a empresa, já que trata de ofertas que já existem para um público que já é conhecido. • Inovação de ruptura (ou radical): pode ser resumida como uma mudança de parâ- metro que tem potencial para gerar transformações radicais em um mercado ou na sociedade. Ela pode estar baseada em questões de natureza tecnológica, no modelo de negócios ou nas próprias mudanças culturais e de mercado. Como envolve mudanças drásticas, é muito mais arriscada para a empresa, mas é aquela que pode proporcionar grandes ganhos e uma vantagem competitiva duradoura. A inovação incremental é muito mais atraente para a empresa pela perspectiva da segurança e da previsibilidade, pois lida com fatores já conhecidos: um produto. Podemos trazer um exemplo dos tipos de inovação citados para entendermos o impacto: • Atende a novos segmentos: foca atender a novos segmentos de mercado ou neces- sidades não atendidas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis 4. Inovação e Vantagem Competitiva Você pode estar se perguntando sobre o real interesse das empresas em inovação. Por mais que já tenhamos visto os inegáveis benefícios que o fomento à inovação gera para a sociedade como um todo, para o mundo dos negócios nem sempre esse ganho é tão direto e explícito. Afinal, a inovação costuma forçar a empresa a fugir da sua operação convencional, além de oferecer um certo grau de risco. Então, qual o ponto da inovação? E por que as principais empresas do mundo e seus executivos parecem tão obcecados com ela? A resposta é uma só: vantagem competitiva! Já sabemos que a globalização, os mercados supersaturados e o aumento excessivo da competição aceleram os ciclos competitivos. Nesse cenário, o mais provável é que tenhamos uma situação de crise de hiper oferta (quando muitas empresas e fornecedores oferecem produtos e serviços equivalentes, sem que exista um aumento expressivo da demanda), associada a um problema de paridade (no marketing, o problema da paridade se aplica quando temos produtos ou serviços que não conseguem gerar nenhum diferencial pela perspectiva do público). Ou seja, temos um mercado inundado de produtos similares, com pouca ou nenhuma capacidade de diferenciação. É provável que, nesse tipo de cenário, nem as melhorias incrementais sejam suficientes, já que a crise de supersaturação acaba “puxando” a percepção de valor das ofertas para baixo. Nesse sentido, produtos verdadeiramente inovadores são aqueles com maior chance de terem melhor desempenho, pois oferecerão características e benefícios que a concorrência não possui. A partir disso, eles conseguem fugir do efeito da paridade, ao mesmo tempoque podem sair da concorrência direta com outros players (e, logo, de um mercado saturado). Inclusive, a inovação, em muitos aspectos, pode reconfigurar os limites do mercado, permitindo que um público, que antes não era “atingido” pelas ofertas existentes, passe a ser contemplado pela nova oferta, que possui características disruptivas. Imagine o mercado de lanchonetes delivery em uma grande cidade. Imaginou? Então, você deve ter percebido que esse mercado está bem próximo de características apontadas no parágrafo anterior: saturação (muitas ofertas para uma demanda estável) e paridade (pouca ou nenhuma capacidade de diferenciação por parte dos concorrentes envolvidos). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Nesse tipo de cenário, a inovação incremental pode não gerar tanto efeito, exceto para quem já está na liderança, pois é a marca que já tem a preferência do público. Para os demais, o jogo fica bem mais apertado. Porém, se uma empresa consegue criar algum elemento de ruptura dentro da sua oferta, isso pode mudar as regras do jogo. EXEMPLO O McDonalds não foi a primeira lanchonete dos Estados Unidos especializada em hambúrguer, mas foi a primeira a garantir um atendimento muito rápido com um preço extremamente competitivo, consagrando o modelo que hoje conhecemos como fast-food. Nesse caso, a inovação em processos deu à marca vantagem competitiva, que permitiu a sua expansão até se tornar uma empresa global. A inovação também pode permitir a criação de novos mercados e uma rápida expansão. Quando uma empresa cria uma solução nova e tem domínio sobre ela, abre a possibilidade de estabelecer uma nova demarcação, já que as estruturas de mercado se reconfiguram. EXEMPLO Pense no Google, no final dos anos 1990. Era apenas uma startup em um mercado já “infestado” por centenas de buscadores. Porém, em se tratando de um novo universo (todo o ecossistema digital proporcionado pela internet comercial), nenhuma empresa detinha o domínio sobre como aquele novo ambiente funcionava. O Google foi o primeiro sistema de buscas a trazer resultados de forma rápida e extremamente confiável. O resultado disso: uma expansão absurda em pouquíssimo tempo, já que se tratava de um mercado totalmente novo, ainda não dominado por ninguém. Hoje, o Google integra o seleto grupo de big techs que possuem um valor de mercado acima de US$ 1 trilhão. Agora, você entende por que os investidores e fundos de private equity buscam sempre startups e negócios inovadores para investir? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 11 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis O impacto da inovação nas principais economias do mundo: estima-se que os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) invistam, anualmente, mais de US$ 1,5 trilhão em inovação. Só nos Estados Unidos, mais de 16 mil empresas mantêm os seus próprios laboratórios e escritórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D), e pelo menos 20 delas aplicam um orçamento em pesquisa de mais de US$ 1 bilhão ao ano. Esses números dão uma ideia de como a inovação é importante para as principais economias do mundo. Considerações Finais Nesta aula, você compreendeu que, para enfrentar um ambiente mais desafiador e repleto de incertezas, é essencial que as empresas e empresários adotem uma abordagem mais empreendedora, com ênfase na inovação. Além disso, aprofundamos nossa compreensão sobre os conceitos de inovação e empreendedorismo, discutindo sua relevância para os resultados de um projeto. Material Complementar Veja 4 tipos de inovação que você pode implementar na sua empresa Sebrae, 2022. O texto presente no site do Sebrae indica quatro tipos de inovação que podem ser implementados nas empresas de forma prática. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/veja-4-tipos-de-i- novacao-que-voce-pode-implementar-na-sua-empresa,34257cb3952a2810VgnVCM- 100000d701210aRCRD. Acesso em: 19 jan. 2024. Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/veja-4-tipos-de-inovacao-que-voce-pode-implementar-na-sua-empresa,34257cb3952a2810VgnVCM100000d701210aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/veja-4-tipos-de-inovacao-que-voce-pode-implementar-na-sua-empresa,34257cb3952a2810VgnVCM100000d701210aRCRD https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/veja-4-tipos-de-inovacao-que-voce-pode-implementar-na-sua-empresa,34257cb3952a2810VgnVCM100000d701210aRCRD 12 de 12faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 7faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ambiente Global e Perfil Empreendedor Características do Empreendedor Objetivo da Aula Apresentar as principais características de um empreendedor e correlacionar tais características ao desenvolvimento de negócios de sucesso no ambiente competitivo atual. Apresentação Vimos o quanto o empreendedorismo e a inovação são aspectos cruciais para termos uma economia mais forte e mais competitiva. Porém, para que esse ecossistema seja plenamente potencializado, resta um ingrediente, o mais importante de todos: as pessoas. São as pessoas que movem as coisas de lugar, são as pessoas que criam novas ideias e conceitos, são as pessoas que organizam e gerenciam novos projetos. Ou seja: sem as pessoas, tudo o que temos sobre inovação e empreendedorismo na sociedade fica restrito à teoria. Portanto, podemos dizer que a inovação e o empreendedorismo dependem de pessoas com perfil empreendedor. E o que seria esse perfil? Podemos defini-lo da seguinte forma: o termo “perfil empreendedor” se refere a um conjunto de características, habilidades e traços de personalidade que são comumente associados aos indivíduos que buscam oportunidades, criam e gerenciam negócios, assumem riscos calculados e buscam a inovação.Esse perfil inclui qualidades como visão, paixão, habilidades de liderança, capacidade de inovação, resiliência, habilidades de tomada de decisão e disposição para enfrentar desafios e incertezas no mundo empresarial. 1. As Principais Características do Perfil Empreendedor Existe toda uma discussão sobre a construção desse perfil: para muitos especialistas e estudiosos, algumas das características necessárias para um profissional com visão empreendedora seriam inatas. Contudo, embora realmente algumas pessoas já tenham um perfil psicológico mais adequado para projetos empreendedores, é fato que todas as características envolvidas nesse campo podem ser treinadas. Livro Eletrônico 2 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Por exemplo, um profissional com pouca experiência pode treinar e desenvolver sua soft skill sobre liderança. Da mesma forma, todos podem treinar sua capacidade de análise e contextualização das oportunidades de mercado ou suas habilidades relativas à capacidade de negociação ou para se tornarem mais resilientes, embora alguns possam ter uma maior facilidade para tais questões pela maior adequação de perfil psicológico e postura. Vamos olhar com um pouco mais de detalhe para algumas das principais características ligadas a um empreendedor. • Visão: Os empreendedores geralmente têm uma visão clara do que desejam realizar. Eles identificam possibilidades e definem metas ambiciosas para alcançar essa visão. Quase sempre, a visão vem acompanhada de um desejo profundo de mudar pontos importantes da sociedade ou resolver problemas complexos. Podemos dizer que a visão impulsiona a ação e a inovação. Em um sentido mais objetivo, a visão também pode ser entendida como a capacidade de enxergar oportunidades além do presente, criando um quadro mental claro e inspirador do que poderia ser alcançado no futuro. Ou seja, a visão empreendedora tanto ajuda a identificar lacunas no mercado como propõe ideias e soluções para preenchê-las. A ambição também é parte importante dessa equação, pois acaba sendo o combustível para que as pessoas se movam. Porém, não devemos confundir a ambição empreendedora com a ambição comum do dia a dia: indivíduos e grupos preocupados exclusivamente com a recompensa financeira certamente encontrarão caminhos mais fáceis para conseguir dinheiro do que apostando suas fichas em projetos empreendedores e inovadores. • Paixão: A paixão é outro elemento fundamental dentro do campo do empreendedorismo e da inovação. Os empreendedores movidos por um forte sentimento em relação àquilo que fazem naturalmente possuem maior resiliência e capacidade para perseverar em momentos de muita pressão ou de maior dificuldade. A conexão emocional com o projeto é importante para que os profissionais tenham garra e determinação e para que estejam realmente imbuídos do desejo de transformar a realidade e fazer coisas grandiosas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis O apego emocional a uma ideia, contudo, pode trazer algumas ameaças. Da mesma forma que mantém o indivíduo focado e determinado em relação às soluções que desenvolve, também pode desenvolver certa miopia: algumas pessoas podem se tornar tão “cegas” pelos projetos em desenvolvimento que passam a ignorar seus pontos fracos e ameaças. • Persistência e resiliência: O verdadeiro empreendedorismo pode ser um caminho difícil e desafiador, pois pressupõe o desenvolvimento de projetos inovadores. Como já vimos, a inovação envolve sempre um maior grau de risco, já que parte para a criação de soluções diferenciadas. Portanto, o empreendedor deve estar preparado para lidar com os consecutivos fracassos e com a imprevisibilidade dos resultados, pois fica sempre mais difícil antever cenários quando estamos lidando com produtos e serviços novos. A imprevisibilidade, inclusive, é talvez o principal entrave para termos modelos de gestão mais orientados à inovação dentro das empresas. Detalharemos esse tópico mais adiante. Outro ponto importante é a adaptabilidade. Como já vimos, o ambiente empresarial está em constante mudança. Em um mundo hipercompetitivo e hiperconectado, os negócios são surpreendidos, o tempo todo, por novos fatores e condições, em muitos casos gerando transformações e redirecionamentos de uma forma brusca. Empreendedores precisam ser resilientes e ter rápida capacidade de adaptação. • Criatividade: Já vimos que falar de inovação não significa necessariamente falar sobre inventividade. Em outras palavras, o indivíduo não precisa criar algo totalmente novo para ser considerado inovador. Muitas vezes, inovações extremamente simples podem ser responsáveis por grandes mudanças de paradigma. Mas, mesmo quando não estamos criando algo do zero, ser criativo é fundamental. E por quê? Porque a criatividade é a capacidade de realizar novas conexões e inferências a partir de pontos que normalmente não estariam próximos. Você certamente já ouviu a expressão “pensar fora da caixa”, não? Mas, em algum momento, parou para refletir sobre o que essa expressão significa? O ato de ter novas ideias e desenvolver soluções para os desafios do dia a dia depende do uso da imaginação. Antes de tomarmos qualquer ação, em geral, pensamos nela e nas suas potenciais consequências. Ser mais criativo, nesse caso, pode ser entendido como ter maior capacidade para imaginar diferentes consequências a partir de diferentes opções de combinações de possibilidades. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis O mais provável, no entanto, é que as combinações de possibilidades acabem obedecendo a uma lógica do senso comum: por exemplo, problemas de engenharia serão resolvidos a partir de combinações das ferramentas e soluções existentes nesse campo. Enquanto isso, indivíduos mais criativos poderão criar novas conexões com áreas diferentes da área de origem do problema (a engenharia, no nosso exemplo). Daí a expressão pensar “fora da caixa”, ou seja, fora do escopo tradicional de atuação de uma empresa ou um grupo de profissionais. Em suma, podemos dizer que a capacidade de inovar e encontrar soluções criativas para problemas é crucial no empreendedorismo. Isso pode envolver a criação de novos produtos, serviços ou modelos de negócios. 2. Empreendedorismo e Liderança Não há empreendedorismo sem liderança. Pode parecer exagero, mas não é. A liderança desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de qualquer projeto, independentemente da sua natureza, tendo ou não fins lucrativos. E por que o líder é tão importante? Primeiro, vamos entender o conceito de liderança, a qual pode ser resumida como a capacidade de direcionar os esforços e a energia de um determinado grupo em razão de um projeto. Os líderes são indivíduos fundamentais para garantir a motivação e o engajamento da equipe em relação a uma causa específica, da mesma forma que eles fornecem a visão de futuro e a orientação estratégica sólida para que um projeto se mantenha fiel aos seus objetivos principais. A liderança pode ser entendida pela: perspectiva interpessoal, quando o líder usa sua capacidade de comunicação para nortear as ações e o comportamento de um determinado grupo (sua equipe); perspectiva simbólica, ligada à geração de confiança e redução das incertezas, quando o líder não apenas inspira, mas também possui credibilidade suficiente para que as pessoas tenham uma crença sólida e não duvidemdo caminho proposto; e, por fim, perspectiva funcional e hierárquica, já que repousa sobre o líder a responsabilidade de refletir sobre os desafios e tomar as decisões. Resumidamente, podemos dizer que: liderança é o processo de influenciar e orientar indivíduos ou grupos em direção a objetivos ou metas específicas, geralmente envolvendo a habilidade de tomar decisões, motivar, inspirar e coordenar esforços para alcançar resultados desejados. Empreendedores lidam com o novo ou com as propostas ainda não testadas. Por isso, a liderança se torna primordial, já que será necessário convencer as pessoas sobre a validade O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis e viabilidade de um projeto. E não estamos falando de convencer apenas a equipe, mas também os investidores, os sócios, os parceiros comerciais, os formadores de opinião, os potenciais clientes e a sociedade de maneira geral. Veja, a seguir, algumas características importantes de um bom líder. • Comunicação eficaz: a comunicação clara e eficaz é fundamental para liderar uma equipe e transmitir sua visão. Os empreendedores precisam ser capazes de expressar suas ideias de maneira compreensível, ouvir atentamente os outros e fornecer fee- dback construtivo. • Tomada de decisão: os líderes empreendedores, muitas vezes, enfrentam decisões difíceis. Eles devem ser capazes de avaliar as opções disponíveis, considerar os prós e contras e tomar decisões informadas e rápidas. • Motivação: os líderes empreendedores devem ser capazes de motivar e inspirar suas equipes. Isso pode ser feito por meio de reconhecimento, incentivos, estabelecimento de metas desafiadoras e compartilhamento de visão. • Habilidade em construir equipes e delegar tarefas: um dos maiores desafios de lide- rança é montar uma equipe talentosa. Isso envolve recrutar, selecionar e reter talentos, bem como criar uma cultura de colaboração e inovação. Além disso, é preciso delegar tarefas e não ser centralizador. O líder deve ser capaz de distribuir as responsabilidades entre a sua equipe e, assim, liberar tempo e energia para tarefas mais estratégicas. Por fim, antes de encerrarmos esta aula, é importante perceber que o empreendedor não existe e tem valor apenas nos ambientes inovadores e nos ecossistemas das startups. O perfil empreendedor é importante em todas as esferas e os tipos de projetos. Um profissional pode ter perfil empreendedor e não ser, necessariamente, o fundador de um novo negócio. Ele pode atuar e ser muito bem-sucedido dentro de organizações já constituídas e consolidadas. É o que chamamos de “intraempreendedorismo”. Veja a seguir. 3. O Intraempreendedor Um profissional intraempreendedor, muitas vezes chamado de “intraempreendedor corporativo”, é alguém que demonstra as qualidades empreendedoras dentro de uma organização ou empresa estabelecida. Esses profissionais são caracterizados por sua capacidade de identificar oportunidades de inovação e melhorias dentro da empresa em que trabalham, agindo de maneira proativa para implementar novas ideias e soluções, assumindo riscos calculados e contribuindo para o crescimento e o sucesso da organização. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Eles são empreendedores dentro das estruturas corporativas, desempenhando um papel crucial na promoção da inovação, no aumento da eficiência e na adaptação às mudanças no mercado, enquanto trabalham em equipe e colaboram com outros membros da organização para atingir os objetivos comuns. O profissional intraempreendedor desempenha um papel valioso no fortalecimento da cultura empresarial e na manutenção da competitividade da empresa no mercado. Considerações Finais Nesta aula, você conheceu as características que fazem parte do “perfil empreendedor”, além das habilidades desse profissional, como a capacidade de inovação, resiliência, tomada de decisão e disposição para enfrentar desafios no ambiente empresarial. Material Complementar 22 filmes de empreendedorismo obrigatórios! 2023, Serasa Experian. O artigo faz indicações interessantes de filmes que contam a trajetória de empreen- dedores de sucesso. Disponível em: https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/impulsiona/filmes-de- -empreendedorismo/. Acesso em: 19 jan. 2024. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/impulsiona/filmes-de-empreendedorismo/ https://www.serasaexperian.com.br/conteudos/impulsiona/filmes-de-empreendedorismo/ 7 de 7faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Referências BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. ISBN 9788582605189. ENDEAVOR BRASIL. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Endeavor, 29 jun. 2018. Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-em- preendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/. Acesso em: 23 abr. 2023. PATRÍCIO, Patrícia; CANDIDO, Claudio Roberto (org.). Empreendedorismo: uma perspecti- va multidisciplinar. Rio de Janeiro: LTC, 2016. ISBN 9788521630852. PORTAL DO EMPREENDEDOR. Disponível em: https://www.gov.br/empresas-e-negocios/ pt-br/empreendedor. Acesso em: 14 dez. 2022. SEBRAE. Mas afinal, o que é empreendedorismo? Sebrae, 8 nov. 2023. Disponível em: https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo. Acesso em: 23 abr. 2023. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/o-que-e-empreendedorismo-da-inspiracao-a-pratica/ https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor https://www.sebrae-sc.com.br/blog/o-que-e-empreendedorismo 1 de 9faculdade.grancursosonline.com.br PROFESSOR(A): BRUNO REIS Ambiente Global e Perfil Empreendedor Modelos de Negócios Objetivo da Aula Compreender o conceito de modelagem de negócios e a sua importância para o desenvolvimento de novos projetos inovadores, bem como apresentar a metodologia do Canvas Business Model para a criação e o desenvolvimento de projetos. Apresentação Quando falamos em empreendedorismo e inovação pela perspectiva empresarial, significa dizer que o enfoque estará em criar empresas, produtos e serviços que, de alguma forma, tragam soluções superiores ao mercado (nesse caso, estamos tratando da superioridade das soluções em um sentindo amplo ou pela perspectiva do consumidor, isto é, aquilo que ele enxerga como uma solução melhor). E, se queremos gerar organizações com capacidades específicas, produtos que sejam diferenciados e serviços que sejam capazes de estabelecer novos paradigmas, precisamos pensar a nível de modelos de negócios. Tanto é que esse tema pode ser encarado como uma das maiores preocupações no moderno ecossistema empreendedor. Nesta unidade, entenderemos o conceito de modelo de negócios e seus principais exemplos de aplicação. Bons estudos! 1. O que É um Modelo de Negócios? Podemos entender um modelo de negócios por uma perspectiva muitosimples e objetiva: é a maneira como uma empresa obtém dinheiro. Na prática, um modelo estabelece algumas diretrizes básicas, como: a) O que minha empresa vende? b) Como ela se estrutura para oferecer essa solução? c) Como ela acessa e vende sua solução para o público? d) Por quanto ela vende e como esse preço praticado mantém a estrutura e remunera o capital investido? Livro Eletrônico 2 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Na prática, podemos dizer que um modelo de negócios descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização. Pensemos em um exemplo bem simples, como um restaurante. Existe uma lógica por trás do funcionamento desse tipo de empresa (uma lógica comum, inclusive, entre essas empresas). Para que o negócio funcione, eu preciso ter bem definidos alguns parâmetros. Toda empresa é, antes de mais nada, um sistema para entrada e processamento de algum tipo de recurso e posterior entrega de algum tipo de benefício (o valor). Uma organização de qualquer natureza só se sustenta se o resultado final do seu trabalho tiver maior valor que a soma dos recursos que foram utilizados. Veja o esquema a seguir: • Inputs: tudo o que a empresa recebe de insumos (pode ser matéria-prima, recursos de todo tipo, dados e conhecimento); • Throughputs: processamento interno da empresa, isto é, como os recursos disponíveis são transformados internamente com o objetivo de gerar algum tipo de valor no final; • Outputs: resultado desses processos na forma de produtos, serviços e entregas que a empresa disponibiliza para a sociedade. Voltemos, agora, ao exemplo do restaurante: os inputs (alimentos, temperos e conhecimento do chef) são processados internamente (throughputs), para o preparo das refeições solicitadas pelos clientes, e, depois, servidos ao público (a refeição pronta é um output gerado). Conforme ressaltamos anteriormente, uma empresa se torna lucrativa na medida em que seus outputs possuem maior valor que a soma dos inputs processados internamente. Na prática, significa que a refeição pronta vale mais que a soma dos ingredientes. O maior valor entregue pode ser medido por conta da conveniência (a refeição pronta gera mais facilidade para quem quer um almoço rápido), por meio do diferencial gerado (a refeição preparada pelo restaurante tem uma qualidade superior ou um sabor específico) ou, ainda, pelo contexto ou apelo emocional envolvido (a refeição é servida em um ambiente diferenciado ou com um nível de serviço mais exclusivo). Obs.: � É importante ressaltar que a percepção de valor (seja maior ou menor) deriva da análise do público. São os consumidores que, em última instância, dirão se um determinado produto ou serviço entrega maior valor. Mesmo que tenhamos ele- mentos objetivos, como o preço de determinadas mercadorias, em alguns casos a avaliação passa por critérios subjetivos (o quanto de status e reconhecimento um determinado produto gera para os consumidores que o utilizam, por exemplo). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis Ao estabelecer um modelo de negócios, definimos como uma empresa funciona e como ela processa recursos para gerar algum tipo de valor esperado pelo público no final. Pode parecer óbvio, mas nem sempre empreendedores e gestores possuem um entendimento claro de como seus negócios funcionam e se possuem ou não um modelo bem definido. Veremos, a seguir, que o modelo de negócios é fundamental para que tenhamos o correto direcionamento estratégico (e para que a empresa consiga reagir a eventuais mudanças). 2. Modelos de Negócios Tradicionais No momento de criação de uma empresa ou de um projeto, a definição do modelo de negócios é um aspecto fundamental. Por isso, esse documento, tradicionalmente, é chamado de “plano de negócios” – uma extensa documentação que mostra, em detalhes, como a empresa vai funcionar em suas diferentes dimensões. O problema do modelo clássico de plano de negócios, contudo, reside no seu detalhamento, o que faz com que mesmo uma equipe preparada leve um bom tempo para produzi-lo. Isso não seria necessariamente um grande problema há algumas décadas, mas, nos dias atuais, em que passamos por mudanças rápidas e os mercados se transformam o tempo todo, o tempo passa a ser um fator de muita relevância. Repare que, nesse plano, não estamos tratando apenas de como um projeto funciona e consegue fazer dinheiro, mas de uma análise muito mais detalhada de todo o funcionamento da organização. Porém, em mercados de ciclos competitivos muito acelerados e dinâmicos, esse tipo de abordagem pode fazer com que a empresa perca boas oportunidades e acabe ficando para trás. Por isso, surgiram metodologias mais ágeis para a modelagem de negócios, tema que veremos no próximo tópico. 2.1. Mundo VUCA Um dos conceitos mais usados para descrever o cenário atual é o chamado “VUCA”, uma sigla que representa quatro características principais da sociedade contemporânea. Essas características enfatizam a natureza incerta e metamórfica das condições sociais, econômicas e de mercado. Por isso mesmo, a sigla VUCA passou a ser muito utilizada no campo do empreendedorismo e da inovação para reforçar a importância dessas áreas e, também, para destacar a necessidade de maior agilidade nos modelos de planejamento e de gestão. Veja a seguir o que cada letra significa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para LEONARDO - 10462288625, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 9faculdade.grancursosonline.com.br Professor(a): Bruno Reis • Volatilidade (volatility): refere-se à natureza instável e imprevisível das mudanças que ocorrem no ambiente. Isso pode incluir flutuações abruptas nos mercados finan- ceiros, variações rápidas nas demandas dos consumidores ou alterações inesperadas na concorrência. A volatilidade significa que as condições podem mudar rapidamente e de forma significativa. • Incerteza (uncertainty): descreve a falta de clareza e previsibilidade em relação ao futuro. Em um ambiente incerto, é difícil antecipar eventos ou resultados com precisão. As decisões tomadas podem ter resultados imprevisíveis, devido à falta de informações ou à complexidade das variáveis envolvidas. • Complexidade (complexity): refere-se à complicação e à multiplicidade de fatores, interações e variáveis que afetam as situações empresariais e sociais. A complexida- de implica que os desafios e problemas podem ser intrincados e difíceis de entender completamente. Tomar decisões eficazes, em ambientes complexos, requer uma com- preensão profunda e a consideração de várias perspectivas. • Ambiguidade (ambiguity): indica a falta de clareza sobre a interpretação de informa- ções ou a natureza de eventos. Em um ambiente ambíguo, as informações podem ser contraditórias ou confusas, tornando difícil discernir o que é certo ou errado. Tomar decisões sob ambiguidade requer uma tolerância para a falta de certeza e a disposição de explorar diferentes possibilidades. Compreender o ambiente VUCA é tarefa fundamental para os empreendedores e profissionais que lidam com inovação. O novo cenário demanda abordagens flexíveis e modelos gerenciais orientados à aprendizagem constante, o oposto do que o planejamento empresarial tradicional pressupõe, já que este se concentra em tentar conhecer todas as variáveis e, assim, ter o máximo de previsibilidade possível. 3. Agilidade na Modelagem de Negócios e o Canvas Business Model Do início dos anos 2000 para cá, surgiram muitas metodologias e modelos