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Sexagem de sêmen A utilização do sêmen sexado permite a liberdade para escolher o sexo do produto e definir or rumos do negócio; incrementar a intensidade de seleção, acelerando o melhoramento genético do rebanho; acelerar a taxa de crescimento do rebanho; aumentar a quantidade de animais disponíveis para comercialização; realizar a reposição interna do rebanho com qualidade genética e segurança sanitária; e otimizar as características genéticas desejadas do sexo escolhido. Macroscopicamente, não há nenhuma diferença morfológica entre os espermatozóides X e Y, mas há diferença no conteúdo de DNA (o X tem 4% mais DNA na espécie bovina) e na densidade (o X tem maior densidade, sendo uma diferença de 0,06%*¹). Essa diferença de densidade permite a separação dos espermatozóide X e Y por centrifugação em gradiente de albumina, de percoll (acuidade de até 75%, mas apenas 25% de taxa de recuperação) ou de iodixanol; porém, a água e os lipídeos contidos na cabeça dos espermatozóides podem mascarar a diferença de densidade, fazendo com que a eficiência da separação não seja tão boa. Também é possível fazer a sexagem por coloração, sendo que o X cora mais que o Y. *¹ Essa diferença é maior em taurinos do que em zebuínos. SEXAGEM POR DIFERENÇA DE DENSIDADE O sêmen é colocado em um tubo com gradientes de fase em gel e, após a centrifugação, os espermatozóides defeituosos ficam agarrados no gel mais superficial e, na fase baixa, células íntegras, sendo o Y mais superficial que o X. No entanto, essa técnica é pouco utilizada no comércio de sêmen para inseminação artificial, sendo mais utilizada em laboratórios de fertilização in vitro (FIV) com objetivo de limpar o sêmen (retirar as células defeituosas). SEXAGEM POR CITOMETRIA DE FLUXO É a técnica mais utilizada no mercado de sêmen para inseminação artificial, que se baseia nas diferenças no conteúdo de DNA. As etapas da técnica são as seguintes: - Coloração com Hoechst 33342 e incubação por 45 minutos (antes de entrar no citômetro). - Entra no citômetro, onde o cristal ondula e quebra a corrente em microgotas (cada célula em uma microgota, sendo que passam, aproximadamente, 90.000 microgotas por segundo no aparelho). - O raio laser incide luz ultravioleta sobre os espermatozóides. - Os espermatozóides X fluorescem com 4% mais intensidade que os Y, que é justamente a diferença de DNA de uma célula feminina para uma masculina. - O computador analisa a fluorescência e faz a separação como X, Y e duvidosos. - Aplica-se carga negativa ou positiva ou nenhuma nas microgotas. - As microgotas carregadas são desviadas pelas placas continuamente polarizadas. - As amostras são separadas em tubos já contendo gema de ovo, os quais serão refrigerados a 4ºC e, posteriormente, congelados. OBS: O sêmen coletado em uma central é enviado para as empresas de sexagem em caixas de isopor com 1 (17°C) ou 2 gelos (4°C) e bastante antibiótico para controlar o crescimento bacteriano. A própria central manda o meio, que deve ser adicionado à temperatura ambiente ao sêmen. Adiciona-se um corante vermelho antes das células entrarem na máquina para atrapalhar a fluorescência daquelas que estão com a membrana danificada (absorvem o corante). Logo, além da sexagem, o citômetro também permite a seleção de células íntegras, já que aquelas que não recebem carga (fluorescência mais baixa devido ao rompimento de membrana, por exemplo) são descartadas. Quanto maior a rachadura no meio das colunas verdes que aparecem no computador, melhor, pois significa que as células X e Y são bastante diferentes. Isso é uma característica que varia conforme a espécie, a raça e o indivíduo. Os tubos são colocados dentro de um recipiente, que vai para o refrigerador. Como as amostra presentes nos tubos estão muito diluídas, necessitam de, no mínimo, 4h de refrigeração, com posterior centrifugação para concentrar. Após a centrifugação, há formação de pellets, que devem ser rediluídos, envasados em palhetas de cores diferentes*² e congelados. A concentração final é menor que a palheta de sêmen não sexado. *² SexedUltra 4.0M: 4 milhões de células nas palhetas (light pink para fêmeas e light blue para machos); ou SexedUltra 2.1M: 2,1 milhões de células nas palhetas (pastel red e pastel blue). As palhetas amarelas são utilizadas para animais superovuladas. Por exigências do MAPA, deve-se fazer o controle da qualidade do sêmen sexado avaliando o volume da dose, o número de espermatozóide, a motilidade progressiva, o vigor, os defeitos totais e os defeitos maiores. Também é importante fazer exames complementares, como virologia, bacteriologia, acrossomos intactos, TTR (37ºC, 3h) e pureza. Para analisar a pureza da amostra, deve-se colocar um dos tubos para passar no citômetro novamente e avaliar quantas células do sexo oposto estavam presentes naquela amostra, dando o resultado em porcentagem. O armazenamento é igual ao do sêmen convencional, assim como o controle de qualidade e os exames pós-descongelação. UTILIZAÇÃO DO PRODUTO 1. INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL (IA) Deve ser utilizado somente em novilhas ou em vacas com histórico reprodutivo excelente, evitando o uso em repasses naqueles animais com 2, 3 ou mais serviços. Deve-se utilizar, preferencialmente, em rebanhos com adequado manejo nutricional, alimentar e sanitário, e também em animais que não estejam sofrendo qualquer tipo e estresse (ambiental, social e/ou diverso). O descongelamento do sêmen sexado é o mesmo adotado para o sêmen convencional, sendo o ideal utilizar o descongelador automático. Alguns cuidados que devem ser tomados: - Não levantar a caneca acima da linha de congelamento do botijão. - Manusear as palhetas com pinça. - Descongelar a 35ºC por, no mínimo, 20 segundos. - Corte reto da palheta. - Cuidado ao montar o aplicador (palheta fina). - Observar o cio 2 vezes ao dia por 30 minutos cada período (manhã e tarde). - Inseminar 12h após a manifestação de cio (bovinos). - Utilizar somente inseminadores capacitados. - Utilizar em propriedades com excelente prática de manejo de inseminação artificial. OBS: Não se deve comparar os resultados do sêmen convencional com o sêmen sexado. Pode-se comparar o sêmen sexado e o convencional de um mesmo ejaculado. 2. INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM TEMPO FIXO (IATF) A literatura não recomenda o uso em inseminação artificial em tempo fixo (IATF), nem mesmo em fêmeas que utilizaram hormônio para tratamento de fertilidade, pois a taxa de concepção é menor do que a IATF com sêmen convencional. Porém, o nascimento de uma porcentagem maior de animais do sexo requerido compensam (a tecnologia da sexagem permite uma expectativa média de nascimento de 85-90% do sexo escolhido). 3. TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÃO (TE) 4. FERTILIZAÇÃO IN VITRO (FIV) Deve-se consultar antecipadamente o laboratório sobre os resultados com o uso de sêmen sexado e adotar um protocolo específico, sendo uma dose a cada 100 oócitos em média. Foi observado que o processo de sexagem por citometria de fluxo afeta algumas características das células espermáticas, mas não afeta sua capacidade de produzir embriões in vitro. SEXAGEM REVERSA É a sexagem do sêmen previamente congelado oriundo de um animal indisponível (já morreu). O sêmen deve ser utilizado imediatamente após a sexagem: refrigera e encaminha para as centrais de FIV. IMUNO SEXAGEM São produzidos anticorpos monoclonais contra antígenos de superfície das células X e Y. O processo é mais rápido porque não separa as células mortas ou danificadas, o que também é uma desvantagem, pois essas células vão junto com as células íntegras para o congelamento.