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Autores: Profa. Sandra Aliberti Profa. Katia Brandina Prof. Sérgio H. F. de Carvalho Colaboradores: Profa. Vanessa Santhiago Prof. Luiz Henrique Cruz de Mello Atividades Aquáticas Professores conteudistas: Sandra Aliberti / Katia Brandina / Sérgio H. F. de Carvalho Sandra Aliberti É licenciada em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1991) e graduada em Fisioterapia pela Universidade Cidade de São Paulo (1997). Tem especialização em Aparelho Locomotor no Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) (2004), mestrado em Ciências da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) (2009) e doutorado em Educação Física na Universidade de São Paulo (USP) (2015), complementado pelo Programa de Doutoramento Sanduíche no Departamento de Cinesiologia da Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos. É professora titular da Universidade Paulista (UNIP) desde 2015 nos cursos de Educação Física e Fisioterapia e ministra aulas de pós-graduação na área de Reabilitação das Lesões e Doenças Musculoesqueléticas (Universidade Estácio de Sá, Universidade de São Caetano do Sul e Faculdades Metropolitanas Unidas). Tem experiência clínica em Reabilitação das Lesões Musculoesqueléticas e Análise Biomecânica do movimento humano. Katia Brandina É graduada em Educação Física pela Universidade São Judas Tadeu (1997). É mestre (2004) e doutora (2009) em Biodinâmica do Movimento Humano pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP). Atualmente é professora titular (profissional IV) da Universidade Paulista (UNIP). Coordena e ministra aulas nos cursos de pós-graduação da Universidade Estácio de Sá, Universidade de São Caetano do Sul e Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Dentre os temas de estudo de maior interesse na área da Biomecânica, destaca-se a Biomecânica do Meio Líquido. Sérgio H. F. de Carvalho É graduado em Educação Física pela Universidade de São Paulo (USP) (1990) e atua na área de Natação desde 1986. É mestre em Recursos Humanos pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e especialista em Ensino à Distância pela Universidade Paulista (UNIP). Já escreveu e revisou livros sobre Natação e outras áreas temáticas da Educação Física. Trabalha como professor de Natação na UNIP desde 1998, e atualmente também ensina natação particular para adultos e crianças, além de atuar na área de ginástica laboral e como instrutor de mergulho desportivo (desde 1988), graduado Master Instructor pela Professional Association of Diving Instructors (Padi). © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) A398a A398a Atividades Aquáticas / Sandra Aliberti, Katia Brandina, Sérgio H. F. de Carvalho. – São Paulo: Editora Sol, 2022. 128 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Atividades aquáticas. 2. Habilidade. 3. Mercado. I. Aliberti, Sandra. II. Brandina, Katia. III. Carvalho, Sérgio H. F. de. IV. Título. CDU 797.2 U516.25 – 22 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Profa. Sandra Miessa Reitora em Exercício Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades do Interior Unip Interativa Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Angélica L. Carlini Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. Deise Alcantara Carreiro Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Luiza Gomyde Jaci Albuquerque Sumário Atividades Aquáticas APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 PAPEL DAS ATIVIDADES AQUÁTICAS NA SOCIEDADE..........................................................................9 1.1 História e desenvolvimento das atividades aquáticas .............................................................9 1.2 Atuação do profissional de educação física nas atividades aquáticas diversas ......... 11 2 HIGIENE E SEGURANÇA EM AMBIENTE AQUÁTICO .......................................................................... 13 2.1 Higiene na condução de atividades aquáticas ......................................................................... 14 2.1.1 Condições de higiene da água e do entorno de piscinas ....................................................... 14 2.1.2 Orientações de boas práticas de higiene para os usuários de ambientes aquáticos ..15 2.2 Risco na relação humana com os ambientes aquáticos ...................................................... 16 2.2.1 Riscos ambientais ................................................................................................................................... 16 2.2.2 Riscos atitudinais .................................................................................................................................... 20 2.3 Regras de segurança e prevenção na condução de atividades aquáticas .................... 21 2.4 Salvamento ............................................................................................................................................. 23 2.4.1 Posicionamento ....................................................................................................................................... 24 2.4.2 Atenção e prontidão .............................................................................................................................. 24 2.4.3 Materiais de apoio flutuantes ........................................................................................................... 24 2.4.4 Acesso da pessoa em risco e reestabelecimento da segurança ........................................... 25 3 FÍSICA APLICADA ÀS ATIVIDADES AQUÁTICAS .................................................................................... 26 3.1 Hidrostática ............................................................................................................................................ 26 3.1.1 Densidade corporal e dos líquidos ................................................................................................... 28 3.1.2 Capacidade de flutuabilidade/princípio de Arquimedes ......................................................... 38 3.1.3 Estabelecimento do equilíbrio de flutuação ................................................................................ 41 3.2 Hidrodinâmica ....................................................................................................................................... 46 3.2.1 Resistência de deslocamento ............................................................................................................. 47 3.2.2 Propulsão ................................................................................................................................................... 51 4 HABILIDADES AQUÁTICAS BÁSICAS E NADOS ELEMENTARES ..................................................... 55 4.1 Imersão da face e controle respiratório ......................................................................................por um corpo ou objeto imerso nela, temos uma força de empuxo capaz de suportar 1 kg de peso desse mesmo corpo ou objeto. No entanto, para cada litro de água salgada deslocada por um corpo ou objeto imerso nela, temos uma força de empuxo capaz de suportar 1,03 kg de peso desse mesmo corpo ou objeto – portanto, a capacidade de flutuar na água doce é menor do que na água salgada. 41 ATIVIDADES AQUÁTICAS Até o momento, discutimos as forças que atuam em determinado corpo ou objeto no meio líquido e os fatores que influenciam a variação da intensidade dessas forças que facilitam ou dificultam a flutuação; no entanto, os locais em que cada uma dessas forças (peso e empuxo) incide no corpo humano para que o sujeito consiga se manter em equilíbrio no meio líquido precisam ser compreendidos. 3.1.3 Estabelecimento do equilíbrio de flutuação Ao considerarmos apenas o corpo humano, seu centro de massa (CM) é definido pelo ponto imaginário em torno do qual a massa de todos os segmentos do corpo está distribuída igualmente (DUARTE, 2004). Esse ponto está representado na figura a seguir: CM Figura 20 – Representação do centro de massa (CM) do corpo humano sobre uma balança Adaptado de: Hall (2020, p. 527). Perceba que na figura o sujeito está totalmente equilibrado sobre uma balança, sustentada apenas por um eixo central em forma de triângulo – o que mostra que tal triângulo foi posicionado exatamente na vertical do CM do corpo do sujeito. Como vivemos em um meio em que a aceleração da força da gravidade atua com intensidade equivalente sobre a massa de todos os segmentos do nosso corpo, temos que o local do CM do corpo será o mesmo do local do centro de gravidade do corpo (CG) – já que, o CG do corpo é definido pelo ponto imaginário em torno do qual os pesos de todos os segmentos corporais estão distribuídos de forma equivalente (DUARTE, 2004). Veja a figura a seguir: P CG Figura 21 – Representação da força peso (P), que incide no centro de gravidade (CG) do corpo humano sobre uma balança Adaptado de: Hall (2020, p. 527). Portanto, o CM e o CG do corpo coincidem, havendo apenas a inclusão do vetor da força peso na figura para representar o CG do corpo humano em posição de equilíbrio sobre uma balança. 42 Unidade I No entanto, no meio líquido, não há uma tábua abaixo do corpo do sujeito para que ele se mantenha na posição horizontal, o que cria uma tendência de o corpo livre e imerso na água girar para assumir outra forma de equilíbrio, geralmente afundando as pernas. Um dos motivos para a posição de flutuação do corpo relaxado ser mais verticalizada é o fato de o braço de alavanca dos membros inferiores ser maior do que o braço de alavanca dos membros superiores, ambos em relação ao CG do corpo, como ilustrado na figura a seguir: Direção da rotação Centro de gravidade PMMII BAPMMII BAPMMSS PMMSS Figura 22 – Representação das forças que atuam sobre um corpo submerso em água Adaptado de: Hall (2020, p. 581). A figura mostra a força peso dos membros inferiores (PMMII) e a distância ou braço de alavanca (BAPMMII) dessa força em relação ao centro de gravidade do corpo; e da força peso dos membros superiores (PMMSS) e da distância ou braço de alavanca (BAPMMSS) dessa força em relação ao centro de gravidade do corpo. Essa dinâmica faz com que a força de rotação criada pelos membros inferiores em relação ao CG do corpo seja maior do que a força de rotação criada pelos membros superiores em relação ao mesmo ponto. Observação O braço de alavanca é uma das variáveis que compõe a força rotacional que incide sobre o corpo, conhecida como torque. O torque é definido pela força que está a uma determinada distância (ou braço de alavanca) de um eixo, fazendo com que tal força provoque uma rotação no corpo em que ela está incidindo (HALL, 2020). Quanto maior for a força e a distância em relação ao eixo de rotação, mais fácil será girar o corpo. 43 ATIVIDADES AQUÁTICAS Na figura a seguir, além do maior braço de alavanca dos membros inferiores em relação ao dos membros superiores em torno do CG do corpo, destaca-se que a porção superior do corpo tende a apresentar menor densidade do que a da água. Isso ocorre porque nessa região temos os pulmões que, ao se encherem de ar, diminuem a densidade do tronco e favorecem a flutuação dessa parte do corpo, facilitando ainda mais o giro do corpo em direção às pernas. O volume de ar captado pelos pulmões gera uma diferença de densidade entre as porções superior e inferior do corpo, que influencia o local sobre o qual a força de empuxo atua no corpo imerso em água. Esse local é conhecido como centro de volume (CV). O CV é o ponto imaginário em torno do qual o volume do corpo está distribuído igualmente. Quando o sujeito flutua com o corpo relaxado na água, o CV fica mais próximo da cabeça – o que também gera um torque em torno desse ponto, que tende a empurrar os membros inferiores para baixo. Direção da rotação Centro de volume PMMII BAPMMII BAPMMSS PMMSS Figura 23 – Representação da força peso dos membros inferiores (PMMII) e da distância ou braço de alavanca (BAPMMII) desta força em relação ao centro de volume do corpo; e da força peso dos membros superiores (PMMSS) e da distância ou braço de alavanca (BAPMMSS) desta força em relação ao centro de volume do corpo Adaptado de: Hall (2020, p. 581). Portanto, quando o sujeito flutua na água com o corpo relaxado em decúbito dorsal, geralmente existe a tendência da verticalização do corpo – o que não significa que o aluno “não sabe” ou “não consegue” flutuar. Tal verticalização se dá pela diferença de tamanho entre os braços de alavanca das forças peso e de empuxo e pela menor densidade do tórax em relação aos membros inferiores. Por conta desses fatores, as forças peso e de empuxo se alinham na direção vertical, igualando o torque do corpo e fazendo com que, nessa posição, o valor do torque em torno de CM e CV seja igual a zero, deixando o corpo em equilíbrio estável (conforme a figura a seguir). 44 Unidade I Empuxo Centro de volumeCentro de gravidade Peso Figura 24 – Alinhamento das forças peso e de empuxo na direção vertical com o sujeito submerso na água, posição de equilíbrio estável Adaptado de: Hall (2020, p. 581). Exemplo de aplicação Um aluno, que ainda não está adaptado ao meio líquido e tem um pouco de medo de água, deseja aprender a se equilibrar flutuando em decúbito dorsal. O professor sabe que existe uma tendência de o corpo girar para a direção das pernas e que este posicionamento do corpo pode fazer o aluno afundar a cabeça na água e se desesperar pelo medo que tem dela. Uma forma de evitar que o rosto afunde na água é manipular os segmentos do corpo para mudar o tamanho dos braços de alavanca dos membros inferiores e superiores em relação às forças peso e de empuxo, facilitando o controle do equilíbrio do corpo no meio líquido. Essa manipulação pode ser conseguida pela flexão das articulações do joelho, que diminui o braço de alavanca dos membros inferiores em relação às forças peso e de empuxo, e pela flexão dos ombros e extensão dos cotovelos para elevar as mãos acima da cabeça, a fim de aumentar o braço de alavanca dos membros superiores. Além disso, o aluno deve controlar a respiração para garantir uma densidade do tórax menor do que a densidade da água, evitando que a boca e a cabeça afundem. Na expiração, o ar que sai dos pulmões diminui o volume interno dessa estrutura, o que aumenta a densidade do tórax. Solicitar que o aluno realize uma leve extensão da coluna cervical no instante da inspiração também ajuda a manter a boca e o nariz fora da água. 45 ATIVIDADES AQUÁTICAS Quando o objetivo da aula for somente trabalhar a flutuação estável do corpo, sua verticalização é aceitável; mas, ao considerar a necessidade de se deslocar no meio líquido, tal posicionamento aumenta a resistência da água sobre o corpo e dificulta seu deslocamento. Assim, o sujeito deve aprender a controlaro equilíbrio do corpo para se manter o mais horizontal possível no meio líquido em atividades de deslocamento. Para manter o corpo imerso na água na posição horizontal, o sujeito precisa contrair os músculos suportando na superfície os membros inferiores para vencer a força de rotação que tende a empurrar esses segmentos para baixo no meio líquido. Com tal ação muscular, as pernas são erguidas até ficarem próximas da superfície da água. Outra manobra importante é a manutenção da postura do tronco. A coluna deve estar o mais ereta possível a fim de evitar a força de rotação que gira o tronco para cima, devido à diferença de tamanho entre os braços de alavanca dos membros inferiores e superiores e à densidade dos membros superiores em relação à água. A manutenção da coluna ereta pode ser conseguida com a ação dos músculos do tronco em contração isométrica. Ao usar a ação muscular para manter o posicionamento horizontal do corpo no meio líquido, a localização do CG e do CV no corpo muda em relação à posição verificada no equilíbrio estável. Esses pontos ficam um ao lado do outro, criando um equilíbrio instável. Veja na figura a seguir: Centro de volume Empuxo Centro de gravidade Peso A Figura 25 – Alinhamento das forças peso e de empuxo na direção horizontal com o sujeito submerso na água, posição de equilíbrio instável Adaptado de: Hall (2020, p. 581). Percebe-se, portanto, que o aluno deve dominar dois tipos de equilíbrio do corpo no meio líquido: o estável – em que a pessoa fica relaxada, as forças peso e de empuxo ficam alinhadas na vertical e a posição do corpo encontra-se mais verticalizada – e o instável –, que a pessoa usa para se deslocar na água com a menor resistência possível e, para isso, precisa manter tanto os pontos de aplicação das forças peso e de empuxo quanto os segmentos do corpo alinhados na direção horizontal. 46 Unidade I Exemplo de aplicação Para auxiliar o aluno a aprender a manter a posição horizontal do corpo em exercícios de deslocamento no meio líquido, é possível usar o flutuador de pernas ou pullbuoy. Lembre-se de que esse acessório é fabricado com um material que tem menor densidade em relação à água. Quando ele é posicionado entre as pernas, o flutuador cumpre a função dos músculos dos membros inferiores que, quando acionados, controlam a força de rotação que tende a girar as pernas para baixo. Dessa forma, ao usar os flutuadores nas atividades aquáticas, com a devida explicação do professor sobre o motivo do uso, o aluno é gradativamente conscientizado a acionar a musculatura dos membros inferiores para controlar de forma autônoma a força de rotação que atua nas pernas e, por consequência, aprende a assumir o posicionamento horizontal do corpo nos deslocamentos no meio líquido. Até o momento, foi apenas citada a importância de o aluno assumir o posicionamento horizontal do corpo para se deslocar com mais facilidade no meio líquido. Em seguida serão apresentadas e discutidas a explicação da relação entre posicionamento horizontal do corpo, a resistência da água e a propulsão do corpo. 3.2 Hidrodinâmica Durante as atividades de deslocamento no meio líquido existem forças que atuam no corpo que podem favorecer ou dificultar a propulsão de um corpo na água. É importante conhecer tais forças para ensinar o aluno a usá-las de forma que elas favoreçam o deslocamento do corpo com menos gasto energético. Esse conhecimento também serve para que o professor saiba sobrecarregar o deslocamento do aluno no meio líquido quando a intenção for treinar força e resistência muscular para as diversas atividades aquáticas. As forças que atuam no corpo durante o deslocamento no meio líquido podem ser divididas em dois grandes grupos: a de resistência e a de propulsão. A força de resistência (ou força de arrasto) varia em função das características do fluido (fluxo, densidade e viscosidade) e de como esse fluido se relaciona com o nadador por meio da resistência de fricção ou resistência mecânica de superfície; resistência frontal ou resistência mecânica de forma; e resistência de esteira ou resistência mecânica de onda (DUARTE, 2004; HALL, 2020). Veja na figura a seguir: 47 ATIVIDADES AQUÁTICAS Fluxo do fluido Densidade do fluido Viscosidade do fluido Resistência Força de arrasto Resistência de esteira ou resistência mecânica de onda Resistência frontal ou resistência mecânica de forma Resistência de fricção ou resistência mecânica de superfície Relacionada ao fluido Relacionada ao nadador Figura 26 – Esquema que representa a força de resistência ou de arrasto do fluido e sua relação com as características do fluido e do nadador. Já a força de propulsão pode ser produzida pelo nadador no momento em que ele domina o controle das forças de reação e de sustentação do corpo na água e o vórtex (DUARTE, 2004; HALL, 2020), como demonstra o esquema na figura a seguir: Força vórtice Força de sustentação propulsiva Força de reação de água Propulsão Figura 27 – Esquema que apresenta a força de propulsão que depende do controle das forças de reação, de sustentação propulsiva e do vórtex A definição de cada uma das forças citadas nos esquemas anteriores e sua influência do deslocamento do corpo na água serão discutidas a seguir. 3.2.1 Resistência de deslocamento A força de resistência do fluido que atua no corpo em deslocamento pode ser denominada como força de arrasto. A força de resistência ou de arrasto de um fluido é a resistência criada por ele quando um corpo tenta atravessá-lo. Essa força pode variar dependendo do fluxo (laminar ou turbulento) da densidade e da viscosidade do fluido (HALL, 2020). Imaginem uma primeira situação em que um adulto está em pé dentro de uma piscina infantil com a água parada e na altura de seu joelho. Em dado momento, este adulto começa a caminhar pela piscina. Como não há correnteza na água, ela apresenta um fluxo laminar – ou seja, a resistência que a água gera para impedir o deslocamento do adulto pelo fluido é baixa e não causa um gasto energético tão alto. 48 Unidade I Na segunda situação, o adulto está em pé na beira de um rio com água corrente na altura de seu joelho e começa a caminhar contra a correnteza. Neste caso, a resistência oferecida contra o corpo do adulto é maior do que a da situação anterior, uma vez que a água apresenta um fluxo turbulento, em movimento, o que faz o adulto gastar mais energia para conseguir se deslocar pelo corpo d’água. O adulto só terá facilidade para se deslocar em um fluido com fluxo turbulento se, em vez de caminhar contra a correnteza, ele se deslocar a favor da correnteza. Nesta condição, a correnteza ajudará a impulsionar seu corpo para frente, facilitando o deslocamento na caminhada e economizando energia. Por esses exemplos é possível entender que um sujeito que pratica o nado na piscina, considerando a resistência do fluxo de fluido, tende a ter uma condição favorável de economizar energia se comparado com quem pratica o nado em rios, mares ou oceanos. Outro fator que afeta a resistência do fluido, aumentando o arrasto, é a densidade. Fluidos mais densos e mais pesados geram uma resistência ou arrasto maior contra o corpo que se desloca por ele, criando uma condição de maior gasto energético. Segundo Hall (2020), a densidade e o peso específico da água doce são 998 kg/m3 e 9,790 n/m3, respectivamente, considerando a temperatura de 20 °C com pressão atmosférica normal; e, da água salgada, 1,026 kg/m3 e 10,070 n/m3, aos 10 ºC e com 3,3% de salinidade. A comparação dos valores de densidade e de peso específico desses dois meios mostra que o nadador que pratica o nado em mares e oceanos deve ter um bom condicionamento físico para superar essa condição ambiental que aumenta a resistência ou arrasto da água do mar contra o corpo do nadador, gerando maior gasto energético do corpo para o deslocamento. Finalmente, devemos considerar a viscosidade da água, que também afeta a resistência ou arrastodo fluido no qual o corpo se desloca. Um fluido é considerado mais viscoso quando ele demora mais tempo para escoar. Quando despejamos uma colher de água em um copo, por exemplo, toda água se desloca rapidamente para o copo; o mesmo não acontece com uma colher de mel. Por ser mais viscoso, a velocidade de deslocamento do mel da colher para o copo será menor. Ainda que o exemplo a seguir possa parecer bem estranho, ele ilustra bem a forma como o deslocamento de um corpo em um fluido pode ser afetada por sua viscosidade. Imagine um adulto caminhando em uma piscina cheia de água na altura do joelho, agora imagine o mesmo adulto caminhando em uma piscina cheia de mel. Obviamente, pela viscosidade do fluido mel, a dificuldade de deslocamento do adulto nesse meio é bem maior do que na piscina com água. Novamente, Hall (2020) mostra que a água do mar apresenta maior viscosidade (0,0014 ns/m2) do que a água doce (0,0010 ns/m2), mais um fator que dificulta o deslocamento do nadador em mares e oceanos. Até o momento, discutimos como as características do fluido podem afetar o deslocamento de uma pessoa no meio líquido; a partir de agora, as características antropométricas e de posição do corpo na água que serão consideradas. 49 ATIVIDADES AQUÁTICAS A resistência de fricção ou resistência mecânica de superfície é aquela gerada pelo fluxo da água contra superfície corporal do nadador. Conforme o nadador se desloca na água, a superfície do corpo do nadador cria uma força de cisalha contra a água, que torna a velocidade do fluido próximo ao corpo do nadador mais lenta do que o seu deslocamento. Isso gera um atraso na propulsão do nado (DUARTE, 2004; HALL, 2020). Observação Força de cisalha pode ser entendida como força de contato, quando um corpo que se move em uma direção colide com outro corpo que se move na direção oposta. O resultado disso é a força de cisalha. No caso em questão, a superfície do corpo em movimento colide com a água, criando uma força de cisalha entre eles. O controle da resistência de fricção pode ser conseguido com a diminuição da superfície de contato entre corpo e água, por exemplo, usando roupas mais justas em vez de roupas largas, e, também, com a diminuição da rugosidade da superfície corporal ao raspar os pelos do corpo ou usar vestimentas de natação com tecido próprio para reduzir o atrito com a água (HALL, 2020). Fluidos com maior viscosidade criam mais resistência de fricção quando o nadador se desloca nesse tipo de meio (HALL, 2020). No nado crawl, por exemplo, quando a velocidade do nadador atinge de 1 a 3 m/s, a resistência de fricção já é bem representativa no movimento, podendo apresentar de 1/4 a 1/3 do arrasto total do movimento (HALL, 2020). A resistência frontal ou resistência mecânica de forma é gerada pela porção anterior do corpo que se desloca em um fluido. A porção anterior do corpo empurra a água que está à frente para promover o deslocamento, movimentando o fluido e criando uma região turbulenta na porção posterior do corpo. Veja a situação descrita na figura a seguir: Região de turbulência Movimento da esfera Figura 28 – Diferença de pressão criada pela resistência frontal ou resistência mecânica de forma de uma esfera se deslocando em um fluido Adaptado de: Hall (2020, p. 584). 50 Unidade I Com tal movimentação da água pelo corpo, cria-se uma região de alta pressão na porção anterior do corpo (para onde a água é empurrada) e uma região de baixa pressão na porção posterior dele. De acordo com a força do gradiente de pressão, um corpo tende a se mover da região de maior pressão para a de menor pressão. Assim, existe a tendência dessa diferença de pressão atrasar o deslocamento do corpo para frente (SCARPELLINI; ADREATTA, 2012). A magnitude da resistência frontal ou da resistência mecânica de forma pode ser controlada pela magnitude da diferença de pressão entre as porções anterior e posterior do corpo em deslocamento – que, por sua vez, pode ser controlada pelo posicionamento do corpo na água. Quando um nadador assume um alinhamento mais verticalizado do corpo na piscina, ele aumenta a área da superfície corporal alinhada na direção perpendicular ao fluido, criando uma diferença de pressão maior entre as porções anterior e posterior do corpo, o que aumenta a área de turbulência e, por consequência, atrasa o deslocamento para frente. Veja a situação na figura a seguir: Resistência frontal ou Resistência mecânica de forma + - Figura 29 – Representação da resistência frontal ou resistência mecânica de forma para um corpo muito verticalizado se deslocando em um fluido Adaptado de: Hall (2020, p. 593). É importante que os alunos saibam controlar adequadamente o posicionamento do corpo no meio líquido a fim de minimizar o atraso no deslocamento que a resistência frontal ou resistência mecânica de forma pode gerar no movimento. O posicionamento inadequado do corpo promove grande gasto energético do nadador para tal deslocamento. Entretanto, se o objetivo de um treino for melhorar a resistência e a força muscular do nadador para propulsão no meio líquido, adotar o posicionamento do corpo mais verticalizado (por exemplo, sem bater as pernas) ou usar acessórios, como o “paraquedas aquático”, podem ser estratégias eficientes para melhorar a condição física do nadador em razão dessa sobrecarga. Por fim, a resistência de esteira ou resistência mecânica de onda é visualizada na superfície da água quando o nadador, ao se deslocar no fluido, cria ondas na superfície da água da piscina. Tais ondas aumentam com a velocidade de deslocamento pela piscina e com a movimentação do corpo para cima e para baixo; e atrasam o deslocamento do corpo para frente (HALL, 2020). 51 ATIVIDADES AQUÁTICAS Os atletas mais experientes, em acordo com as regras das provas de nado, sempre que possível, mantêm-se submersos no meio líquido por mais tempo a fim de evitar o atraso que a resistência de onda causa no movimento (CHATARD; WILSON, 2003). No entanto, nos estudos feitos por Chatard e Wilson (2003), nos trechos das provas em que o nadador deve ficar na superfície, o atleta que está 50 cm de distância atrás do líder da prova tem a possibilidade de reduzir de 11% a 38% do seu gasto energético causado pela resistência de onda, o que sugere que a manutenção da segunda colocação no início da prova de nado pode controlar o gasto energético gerado pela resistência de onda e garantir que o segundo colocado tenha energia para se deslocar com mais velocidade ao final da prova. 50 cm Figura 30 – Ilustração que mostra uma distância de 50 cm entre o nadador líder e o segundo colocado. Tal distância reduz o gasto energético por resistência de onda do nadador na segunda colocação Adaptado de: Chatard e Wilson (2003, p. 1.178). 3.2.2 Propulsão Assim como recebemos uma força de reação do solo quando caminhamos sobre ele, ao nadar imerso no meio líquido enfrentamos uma força de reação entre o corpo e o fluido. Portanto, tanto no meio terrestre como no meio líquido, a 3a Lei de Newton é aplicada ao corpo. Observação A 3ª Lei de Newton é a lei da ação e reação que preconiza que, quando um corpo entra em contato com outro corpo, ambos os corpos reagem ao contato com forças de mesma intensidade e direção, porém em sentidos opostos. Durante uma caminhada, no instante que colocamos o pé no solo recebemos uma força desse meio, que corriqueiramente chamamos de impacto. Controlamos essa força para evitar lesões no corpo, e ela 52 Unidade I é exatamente a força de reação entre o corpo e o solo. No final do apoio da caminhada, empurramos o pé contra o solo para usar a força de reação do solo a nosso favor no movimento e acelerar o corpo para frente (NORDIN; FRANKEL, 2014). A lógica não é muito diferente no meio líquido. Existem instantes nos quais o controle da força de reação precisa ser bem feito para evitar que a propulsão para frente do nadador seja prejudicada e, em outros instantes, a forçade reação é usada para acelerar o corpo do nadador para frente. Quando o nadador realiza braçadas no meio líquido para se mover, ele aplica uma força contra a água e a água reage. A reação da água ao ser empurrada para trás pelos braços e mãos do nadador gera uma força que o empurra para frente, ajudando na sua propulsão (STAGER; TANNER, 2007). A técnica de braçada para usar a melhor condição de força de reação do meio líquido foi inicialmente discutida por James Counsilman. Este observou que, ao buscar a água parada com as mãos, o nadador tem melhores condições de aproveitamento do impulso que a força de reação entre as mãos e a água pode gerar. Por isso, a braçada do nado crawl, por exemplo, é feita com o padrão em formato de “S” (STAGER; TANNER, 2007). Saiba mais Para conhecer mais sobre a teoria de James Counsilman, precursor do estudo sobre o efeito das braçadas e do uso das pernas na propulsão dos nadadores, veja a obra: STAGER, J. M.; TANNER, D. A. Natação: manual de medicina e ciência do esporte. Barueri: Manole, 2007. A força de reação também está presente na movimentação das pernas dos nadadores. O ciclo de batida de pernas envolve movimentos de flexão e extensão de joelhos, quadris, dorsiflexão, flexão plantar de tornozelo e rotação dos quadris (nos nados crawl e costas). Ao realizar as pernadas, o nadador empurra a água e ela reage a esse movimento propulsionando o corpo. Observação O movimento de dorsiflexão é feito pela articulação do tornozelo no plano sagital e eixo transversal. Nele, o dorso do pé se aproxima da perna, diminuindo o ângulo entre os segmentos perna e pé. O movimento de flexão plantar é feito pela articulação do tornozelo no plano sagital e eixo transversal. Nele, o dorso do pé se afasta da perna, aumentando o ângulo entre os segmentos perna e pé. 53 ATIVIDADES AQUÁTICAS Vale lembrar também que a viscosidade do fluido aumenta a força de reação entre o corpo e o líquido, promovendo desaceleração no deslocamento do corpo imerso no líquido em questão. O posicionamento do corpo no meio líquido também pode comprometer o correto uso da força de reação pelo nadador, bem como o correto uso da força de sustentação propulsiva no meio líquido (HALL, 2020). Veja a figura a seguir: α = 0 Sustentação Arrasto A — + α Sustentação Arrasto B — + α C Arrasto—+ α Arrasto Sustentação D + — Figura 31 – Relação entre o ângulo de posicionamento do corpo na água, a força de sustentação e a força de arrasto (resistência). Em A, a posição do corpo está a 0º de angulação em relação à linha do horizonte; em B, a posição do corpo está a 10º de angulação em relação à linha do horizonte; em C, a posição do corpo está a 45º de angulação em relação à linha do horizonte; em D, a posição do corpo está à −15º de angulação em relação à linha do horizonte Adaptado de: Hall (2020, p. 593). Quando o nadador assume a posição ilustrada em A do corpo para o nado, a diferença de pressão gerada entre o fundo e a superfície da piscina faz com que a força de sustentação seja favorável ao corpo, uma vez que, pela lei do gradiente de pressão, o corpo tende a se mover de um ambiente de maior pressão para o ambiente de menor pressão. Ao assumir a posição ilustrada em B, verifica-se que a diferença de pressão também favorece a força de sustentação do corpo do nadador na água; mas, nessa posição, o nadador tem uma vantagem em relação ao posicionamento visto na imagem ilustrada em A, que o ajudará na propulsão: repare 54 Unidade I que as quatro linhas desenhadas abaixo da posição B fazem uma curva que apresenta um pequeno deslocamento para cima quando o fluido passa pela região que representa os pés do nadador. Este comportamento do fluido, devido à força de reação entre os pés do nadador e a água, promove maior aceleração no deslocamento do corpo do nadador para frente, melhorando sua propulsão. A posição ilustrada em C dificulta muito o deslocamento do corpo nesse ambiente, além de prejudicar a força de sustentação do corpo no meio líquido. A inclinação negativa do corpo no meio líquido durante a propulsão, como ilustrado na posição D, embora não comprometa o controle das forças resistentes sobre o corpo do nadador como ocorre na posição C, compromete o correto uso da força de sustentação pelo corpo, pois haverá uma inversão no gradiente de pressão sobre o corpo do nadador, com maior pressão na superfície da piscina e menor pressão na parte de baixo. Nesse caso, a tendência é o nadador ser empurrado para o fundo da piscina. Portanto, ao adotar o posicionamento correto no meio líquido, além de reduzir as forças resistentes que atuam no corpo do nadador, ele ainda usa a força de reação e a de sustentação propulsiva a seu favor. O posicionamento de ataque das mãos e das pernas também favorece o uso das forças de sustentação no meio líquido. As teorias que surgiram após a descrita por James Counsilman, aperfeiçoando-a, indicam que o ângulo de ataque mais efetivo das mãos e dos pés no nado cria impulsos distintos e constantes pelos segmentos corporais que favorecem tanto a força de sustentação do corpo como a força propulsiva (HALL, 2020). Saiba mais Ernest Maglischo estudou e escreveu sobre o Princípio de Bernoulli, que se refere à diferença de pressão gerada pelo movimento das mãos na água durante o nado. Para saber se e como o conceito afeta a propulsão no nado, consulte a seguinte obra do autor: MAGLISCHO, E. Nadando ainda mais rápido. Barueri: Manole, 1999. Embora o nado em mares e oceanos seja uma condição mais penosa ao considerar as forças resistentes que atuam no corpo do nadador devido às características do fluido, um fluido mais denso e mais pesado favorece a sustentação de propulsão do nadador no meio – um ponto positivo desse tipo de ambiente para o nado (HALL, 2020). Para finalizar, discutiremos a força vórtice. Ela é uma força gerada na água, quando as pernas se movem rapidamente para baixo, empurrando e deslocando grandes quantidades do líquido para trás. Esse deslocamento gera um turbilhão na água e cria uma força de reação intensa entre ela e o nadador, que ajuda a propulsionar o corpo do nadador para frente. Este tipo de força é característico das pernadas observadas no nado borboleta. 55 ATIVIDADES AQUÁTICAS Com a apresentação e discussão sobre como as forças resistentes e propulsivas atuam no corpo do nadador, o entendimento do controle e uso em potencial delas para planejar atividades aquáticas foi adquirido. Portanto, deve-se pôr em prática tais conhecimentos para melhorar a habilidade dos alunos em controlar e usar tais forças a seu favor. 4 HABILIDADES AQUÁTICAS BÁSICAS E NADOS ELEMENTARES Qualquer que seja a atividade aquática a ser desenvolvida, ela exigirá dos praticantes uma relação com o ambiente aquático que possa propiciar a possibilidade de execução de tarefas ou atividades na água. A conquista de uma boa interação humana na água pode ser facilitada pelo professor de educação física, que irá desenvolver nos seus alunos as noções básicas que geram segurança e conforto nessa relação. Iremos agora entender melhor como são os primeiros passos desse desenvolvimento. Você se lembra quando iniciou suas experiências aquáticas no esporte? O que sentiu, qual reação o corpo tinha a esse contato? Nessa fase, conhecida como adaptação ao meio aquático, são desenvolvidas as habilidades aquáticas básicas, que são utilizadas em diversas possibilidades de interação, como a natação, jogos na água, hidroginástica ou simplesmente o lazer. As habilidades aquáticas básicas são os fundamentos de uma boa relação da pessoa com o ambiente aquático. Por meio delas, estabelece-se o envolvimento necessário para que o indivíduo possa desenvolver-se e, futuramente, realizar tarefas no meio aquático ou simplesmente usufruir dele. Um primeiro passo é garantir o acesso tranquilo e seguro do aluno à piscina ou ao ambiente aquático. Alguns alunos podem facilmente acessar a borda e, com um pequenogesto, ficarem em pé no ambiente aquático. Outros precisam de tempo para descer cuidadosamente por um acesso seguro até aceitarem estar envoltos pela água. Para os alunos com maior dificuldade, a água transmite a sensação de desequilíbrio. Após completar a tarefa da entrada e permanência do aluno na água confortavelmente, deve-se trabalhar os deslocamentos ainda na posição vertical, com os pés no chão, para reconhecimento do espaço, fazendo uso das habilidades motoras básicas de locomoção como andar, correr, saltitar, saltar, agachar, girar, entre outras. Dependendo dos níveis de adaptação e medo, primeiro permita ao aluno fazer o trabalho apoiando-se nas bordas da piscina. Depois, deixe-o apoiar-se nas mãos do professor ou em material fixo e, numa terceira etapa, em um material transportável (prancha ou espaguete, por exemplo). Esse trabalho inicial, para alguns alunos, será a mera constatação de que ele pode prosseguir com facilidade, ou ainda a verificação de que há necessidade de permanecer por mais tempo nessa etapa, uma vez que o aluno não tenha condições de avançar prontamente. Quando o aluno adquirir maior autonomia e equilíbrio, ele poderá executar as atividades de adaptação propostas em dupla, trios e, por último, sozinho. 56 Unidade I Observação Para deixar a atividade mais interessante, é possível fazer uso de brincadeiras e jogos tanto para o público infantil como para o público adulto. Pode-se promover pequenas gincanas ou desafios do tipo “quem consegue atravessar a piscina mais depressa, mais devagar, carregando a maior quantidade de objetos?”. Esteja atento, especialmente, às piscinas ou ambientes aquáticos que contenham desníveis, como rampas ou degraus. Esses locais devem ser supervisionados pessoalmente pelo professor, pois o aluno pode se desequilibrar e ter dificuldades de manter o rosto acima da superfície, mesmo que o local seja raso, gerando uma sensação de insegurança ou pânico. Figura 32 – O desenvolvimento da imersão do rosto na água e o controle respiratório vão permitir que a pessoa se acostume com a sensação, diminuindo o desconforto e possibilitando a progressão do aprendizado Disponível em: https://cutt.ly/XXB8RFt. Acesso em: 23 ago. 2022. O medo é uma realidade que afasta inúmeros potenciais clientes do engajamento em atividades aquáticas. Observe sinais, muitas vezes racionais, desse medo – como uma conversa com alunos adultos, ou implícito no choro de uma criança, ou ainda a ocorrência de faltas do aluno às atividades aquáticas dirigidas, significando que ele está evitando a atividade. Por outro lado, o medo também tem uma função de proteção inerente ao comportamento humano, dado que uma pessoa com medo evita o contato que considera potencialmente perigoso com a água. Nessa fase de adaptação do indivíduo, é necessário compreender e não subestimar o sentimento. 57 ATIVIDADES AQUÁTICAS Analisaremos a seguir as habilidades aquáticas básicas, que são o controle respiratório, o equilíbrio de flutuação e a propulsão. 4.1 Imersão da face e controle respiratório O próximo objetivo após a adaptação inicial é a imersão da face na água e o controle respiratório (apneia). Para muitos alunos, esse é um momento difícil não pela complexidade do exercício em si, mas porque envolve o medo de imergir o rosto na água, o que causa uma sensação de desconforto. O momento adequado para que a ação seja praticada tem relação direta com a familiarização com o meio aquático. O processo será facilitado pelo reflexo de mergulho dos mamíferos, que se manifesta ao imergir o rosto na água, provocando a apneia. Os exercícios para imersão do rosto na água devem começar de modo confortável (em pé, muitas vezes) e depois serem associados à flutuação e ao deslocamento em decúbito ventral, aprimorando-os. Pode-se utilizar a forma lúdica para estimular o desenvolvimento da habilidade de forma mais tranquila e natural. Ganhar domínio sobre a própria respiração significará para o aprendiz conseguir evitar episódios de inalação de água, engasgamentos ou sensação de desconforto e insegurança. Munster e Alves (2010) propõem que tal habilidade seja treinada em diferentes abrangências, como direcionamento oral, nasal ou ambos, velocidade (lenta ou rápida), intermitente ou contínua. Dessa forma, conquista-se a consciência e o domínio sobre o ato respiratório. Figura 33 – Como pode um bebê adaptar sua respiração à imersão no meio aquático antes mesmo de aprender a andar, entender significado das palavras ou falar? O reflexo de mergulho dos mamíferos e os estímulos corretos provocam ótimos resultados Disponível em: https://cutt.ly/mXB5ZT1. Acesso em: 23 ago. 2022. 58 Unidade I A velocidade de adaptação do aluno servirá de medida para a progressão das etapas. O professor deve acompanhar os alunos que demonstram dificuldade, desconforto, aflição ou medo de imergir a face na água, respeitando a carga emocional dessa dificuldade, que vai muito além da simples constatação de que ele consegue ou não realizar o ato. Uma vez constatado que o aluno consegue confortavelmente imergir o rosto na água e aceita a sensação de estar com a face sem acesso direto ao ar, deve-se trabalhar o aspecto de controle consciente da respiração. Observação Algumas vezes, a recusa em colocar o rosto na água é instintiva e de preservação da vida. O aluno sente-se ameaçado pela água. Nesses casos, uma estratégia pode ser levar as mãos cheias de água até a boca e fazer “bolhinhas”, ou até os olhos, semelhante ao ato de lavar o rosto. Esses exercícios diminuem a sensação de ameaça, pois o aluno não precisa afundar o rosto na água de imediato. Considere essa situação apenas como um dos inúmeros aspectos que o professor deve ter em perspectiva. O controle respiratório é essencial para o conforto no meio aquático e para a boa evolução nas fases subsequentes. A respiração no ambiente aquático é realizada de modo diferente da respiração habitual e depende de adaptação. A inspiração é feita pela boca, para otimizar a quantidade de ar captada e evitar irritação da mucosa nasal por partículas de água inspiradas com o ar. Ao inspirar pela boca, uma pessoa mais experiente conseguirá bloquear momentaneamente a respiração e separar o ar da água que porventura tenha entrado no momento da inspiração, evitando engasgamento. Já a expiração, mais prolongada, pode ser feita pela boca e pelo nariz, que terão que vencer a resistência da água. A expiração somente pelo nariz nem sempre tem capacidade de volume suficiente para uma atividade mais intensa, pois normalmente o aluno tem a necessidade de uma troca rápida do ar, seja porque está fazendo esforço físico, seja porque tem pouca habilidade e, portanto, “urgência” em respirar logo. A respiração correta evita perturbações nos seios da face e nas mucosas nasais, pois impede a passagem de água pelas vias respiratórias, facilmente irritáveis. A prática de exercícios específicos deve tornar a respiração regular consciente e de fácil execução na interação do indivíduo com a superfície da água; a automatização é atingida em um estágio posterior. Dificuldades de controle da entrada e saída do ar são comuns, dado que o aluno precisa coordenar sua respiração com o ato de imergir o rosto (ou mesmo afundar todo o corpo) na água. Por isso, como sugestão inicial, pode-se trabalhar primeiro com exercícios de consciência e controle respiratório (sem afundar o rosto na água), permitindo a prática sem o risco de inalação de água, para depois fazer o mesmo imergindo também a face. A maestria do controle respiratório depende de muita prática. Exercícios de controle respiratório são importantes para o aluno dominar sua própria respiração. Ele deve conquistar o poder de decisão e de 59 ATIVIDADES AQUÁTICAS controle sobre quando inspirar pela boca, quando expirar pelo nariz, pela boca ou ambos, evitando que a água entre pelas narinas etc. Em uma segunda etapa, o aluno vai começar a interagir com a água de forma maisprodutiva – ou seja, em vez de apenas “aceitar” a imersão, vai interagir com resultados cada vez mais significativos. Chamada por Velasco (1997) de “enriquecimento adaptativo”, pressupõe-se que o aprendiz já tenha se acostumado às sensações do convívio com a água e que esteja pronto para adicionar experiências sensoriais e motoras que o levarão a dominar algumas habilidades básicas da natação. Ao terminar esta fase, o aluno conseguirá respirar na superfície e prender a respiração com tranquilidade, coordenadamente com o fato de sua face estar submersa na água, antevendo e planejando quando deseja prender, soltar ou inspirar o ar – pois terá consciência de sua posição, equilíbrio e previsão de levantar ou afundar o rosto na água, levando em conta sua situação de flutuação e busca do equilíbrio para levantar-se. Isso será importante para o alinhamento dessa habilidade ao desenvolvimento dos deslocamentos e outras atividades conjugadas. Como a demanda respiratória aumenta devido ao esforço muscular durante deslocamentos, haverá necessidade de realizar uma respiração eficiente para suprir o organismo de oxigênio durante a execução de um nado ou outra atividade aquática. Exercícios estáticos de levantar e abaixar o rosto na água, fazendo “bolhinhas”, podem ser em seguida realizados com a caminhada na água, com os pés no chão, segurando uma prancha para orientação e equilíbrio, enquanto o aluno eleva e afunda a cabeça, inspirando e depois soltando o ar enquanto submerso. Essa dinâmica será importante logo a seguir, quando conjugarmos a propulsão à manutenção do equilíbrio em decúbito ventral, habilitando o aluno a movimentar-se batendo pernas ao mesmo tempo que mantém um ciclo respiratório coordenado. 4.2 Equilíbrio de flutuação, recuperação vertical e submersão 4.2.1 Equilíbrio de flutuação A flutuação é a capacidade de manter o corpo parcialmente na superfície da água, especialmente devido à composição corporal do indivíduo. Ela é essencial porque é a partir da percepção do equilíbrio em flutuação que será possível realizar a propulsão, que permite o deslocamento no meio aquático. De acordo com os princípios de hidrostática estudados anteriormente, sabemos que é possível que alguns alunos não tenham a capacidade individual de flutuar. O professor saberá identificar os casos após verificar se o aluno realmente afunda por sua densidade ser maior que a densidade da água ou se apenas sente-se inseguro porque movimenta-se desordenadamente quando sustentado pela água, mas possui capacidade de flutuar. O equilíbrio da flutuação poderá ser trabalhado nas posições grupada, ventral e dorsal. Inicialmente, é mais fácil trabalhar a autonomia nas posições grupada e ventral, pois ela é mais confortável e mais fácil de ser estabelecida, ainda que dependa do controle respiratório em desenvolvimento paralelo. É importante que o aluno já tenha experimentado a imersão do rosto na água em apneia ou já tenha adquirido o controle respiratório para evitar desconfortos. 60 Unidade I Figura 34 – A flutuação é uma característica corporal, muito influenciada pelas ações e comportamentos do aprendiz. Uma pessoa com insegurança sobre sua capacidade não vai conseguir relaxar a ponto de deixar a água sustentá-la Disponível em: https://cutt.ly/FXNtSLs. Acesso em: 23 ago. 2022. No início da prática de flutuação é necessário desenvolver exercícios de recuperação vertical e de equilíbrio do corpo na água, para que o aluno tenha autonomia para assumir diversos posicionamentos, como veremos a seguir. A flutuação ventral elimina a sensação de que, se as pernas afundarem, resultará uma imersão completa, pois a posição mais vertical de equilíbrio possibilitada pelo decúbito ventral fará o corpo assumir uma flutuação mais próxima da situação esperada, em que a parte posterior do tórax tende a ficar junto à linha da superfície e as pernas inclinadas apontam para baixo, como estudado anteriormente na hidrostática. Assim, basta o aluno ter um controle respiratório adequado e, ao deitar-se na água com os pulmões cheios de ar, verificará que consegue flutuar nessa posição, com as pernas apontadas para baixo. Provavelmente você ainda estará trabalhando com o aluno na parte rasa da piscina, e os pés do aluno podem fazer contato com o chão; apenas peça que ele não use este contato para apoiar-se enquanto durar o tempo do exercício. Essa constatação inicial do aluno de que ele não afunda é bastante reconfortante. Enquanto os pulmões estiverem com ar, a maior parte da população é capaz de flutuar relaxadamente em decúbito ventral. Com aqueles que realmente têm flutuabilidade negativa (densidade maior que a densidade da água), que afundam mesmo com os pulmões cheios de ar, você poderá usar uma prancha para complementar 61 ATIVIDADES AQUÁTICAS a flutuabilidade que falta para o aluno buscar o equilíbrio de flutuação na superfície. Em breve, o aluno obterá habilidades básicas de palmateio, podendo abrir mão da prancha, pois terá habilidade para se manter na superfície, ainda que ativamente, fazendo movimentos controlados, mas com pouco gasto energético. No trabalho com a flutuação dorsal, partindo do mesmo pressuposto que a maioria dos indivíduos tem a capacidade de flutuar devido à sua densidade corporal combinada com o ar nos pulmões, em muitos dos alunos o trabalho será fazer com que ele aceite “ser sustentado pela água”. É difícil aceitar essa ideia, especialmente quando o indivíduo não se sente seguro. Outra tarefa importante será neutralizar a flutuabilidade negativa das pernas, que normalmente tendem a afundar, principalmente em indivíduos do sexo masculino. Esse é o motivo pelo qual a maioria das pessoas acredita que não consegue flutuar. Como as pernas tendem a afundar, elas levam o quadril e o tronco mais para o fundo, e seria necessária uma hiperextensão exagerada da região cervical para conseguir ficar com o rosto para fora da água. Se a capacidade de flutuação do aluno não se modifica por causa da posição do corpo, seja na posição ventral ou dorsal, logicamente ele não deverá afundar – mas este ajuste do equilíbrio na posição dorsal tende justamente a levá-lo para a posição mais vertical, com as pernas para baixo e o tórax para cima. Figura 35 – O referencial da imagem de um foguete deslizando é importante para uma criança compreender o alinhamento necessário para ter menor resistência hidrodinâmica. Um adulto também precisa do domínio desse conceito na linguagem apropriada à sua percepção Disponível em: https://bityli.com/vRESkIOV. Acesso em: 23 ago. 2022. Exemplo de aplicação O conceito de flutuação pode ser trabalhado de formas diversas. Na medida que o aluno progride em seu equilíbrio e conquista segurança, o professor pode pedir para que ele flutue e impulsione os pés na borda da piscina, para que, durante a flutuação, ele esteja se deslocando a partir do impulso inicial na borda – sem movimentação posterior de membros durante o deslocamento. Esse tipo de exercício muda a percepção da posição do corpo, agora em movimento (embora sem pernadas e braçadas), pelo tempo em que o seu controle respiratório permitir. Isso também permitirá ao aluno, por meio da consciência e 62 Unidade I do controle corporal, assumir uma posição mais hidrodinâmica, aproveitando mais o impulso inicial, o que caracteriza a atividade como desafiadora e motivadora. Alguns outros exemplos de exercícios para desenvolvimento do equilíbrio da flutuação: • Em pé, com apoio na borda, imergir o rosto e deitar o corpo em decúbito ventral, observando o que ocorre com o equilíbrio das pernas: flutuam ou afundam? • “Teste” de flutuação: começando em pé, com pulmões cheios de ar, imergir o rosto, grupar o corpo na superfície trazendo os joelhos na direção dos ombros e verificar se o corpo flutua ou não. • O mesmo do item anterior, caso o aluno flutue, em seguida solta todo o ar dos pulmões, para ver o que ocorre com a flutuabilidade. • Em duplas, experimentar a flutuaçãoventral com apoio na prancha. • O mesmo do item anterior, sem o uso da prancha, sendo apoiado pelo professor quando necessário. 4.2.2 Recuperação vertical A recuperação vertical é uma habilidade motora que conjuga aplicação de força muscular para obter uma nova situação de equilíbrio desejada na posição em pé. Esta habilidade é importante, e um aluno aprendiz pode não possuir ainda desenvolvida a coordenação necessária para usar os grupos musculares específicos para voltar à posição em pé. Mesmo em água rasa, um aluno iniciante pode ter dificuldade em assumir a posição vertical novamente, em especial se ele possuir flutuação excessiva, pois precisará agir contra o empuxo para empurrar as pernas para baixo e restabelecer a posição em pé. A posição inicial do corpo é em situação de equilíbrio na superfície, em decúbito ventral ou dorsal. Também no caso de um aluno que não flutue, ao dominar sua interação com a água, ele conseguirá deitar-se momentaneamente na superfície e, antes que afunde, treinar os movimentos de recuperação vertical. Recuperação vertical a partir da posição de decúbito ventral Na posição de equilíbrio com o rosto na água, o aluno deve flexionar quadris e joelhos coordenadamente, levando-os na direção do abdome; dessa forma, o corpo vai passar para a posição vertical, em um movimento pendular, devido ao maior peso dos membros inferiores, que assumirão uma posição mais baixa. O aprendiz deve aguardar os pés ficarem na vertical de seu tronco para, em seguida, os joelhos e quadris serem estendidos, e os pés são direcionados ao chão até apoiarem-se. 63 ATIVIDADES AQUÁTICAS Quando possível, o professor deve estar dentro da água em atenção individual para ensinar essa habilidade, visando especialmente dosar o apoio das suas mãos nas mãos do aluno. Ao contrário do apoio em um objeto fixo como a borda ou a escada, que resultaria na aquisição da posição vertical por meio do uso da força dos membros superiores e da musculatura peitoral, o professor, ao apoiar apenas parcialmente as mãos do aluno, deve permitir ao aprendiz a ação de extensão dos ombros e flexão da coluna, aproximando os quadris e os pés para a vertical dos ombros. Assim, ele estará alinhado para assumir a posição vertical quando realizar a extensão dos segmentos. Figura 36 – Exercícios para desenvolver a recuperação vertical utilizam elementos de controle corporal e equilíbrio do corpo na água Fonte: Machado (2014, p. 28). Saiba mais Esse exercício de recuperação vertical também é conhecido por “tartaruga” devido à semelhança com a forma do animal na posição grupada. Leia mais em: MACHADO, D. C. Metodologia da natação. São Paulo: EPU, 2014. Recuperação vertical a partir da posição em decúbito dorsal A partir da posição inicial em decúbito dorsal na superfície com os braços em abdução, o aprendiz flexiona a coluna, os quadris e os joelhos, aproximando os dois últimos do tronco. É importante a flexão conjunta da coluna, especialmente a coluna cervical, levando a cabeça (com seu peso considerável) para a frente, trazendo o queixo para junto do peito a fim de que, com passagem da cabeça para a frente do corpo, afundando momentaneamente, o tronco também afunde e o corpo assuma a posição vertical. As mãos devem ser trazidas para junto dos quadris (adução e extensão dos ombros) à medida que os 64 Unidade I quadris afundam. Quando o quadril e os pés estiverem na vertical dos ombros, estendem-se os joelhos e o quadril direcionando os pés até o apoio no chão. O trabalho para o ensino da recuperação vertical a partir da flutuação dorsal também deve ser feito inicialmente com o professor, se possível dentro da água. Ele deve apoiar a mão na parte posterior do pescoço do aluno e direcionar sua cabeça para frente, auxiliando a trajetória na movimentação que está sendo realizada, pois, muitas vezes, inicialmente, o aluno não tem força e coordenação necessárias para que a flexão seja suficiente para forçar quadris e coxas para baixo do tronco. Como em indivíduos obesos e idosos essas regiões corporais normalmente tendem a flutuar com facilidade, há mais necessidade de aplicação de força coordenada para se alcançar a posição vertical neles. Ao iniciar o treino dessa habilidade, o professor auxilia para que não haja desequilíbrio que possa deixar o aluno inseguro. Após algumas tentativas bem-sucedidas, o aluno terá condições de realizar o movimento, mesmo que com dificuldade, sem risco de afobação. O uso de materiais de apoio pode ser útil desde que não tornem os alunos dependentes desse apoio. Eles, por fim, podem treinar sem ajuda e sem uso de material até a automatização. Figura 37 – Você consegue descrever a ação motora necessária para que este nadador fique na posição vertical novamente? Quais flexões e extensões dos segmentos corporais são necessárias, e em que coordenação? Disponível em: https://cutt.ly/MXNj7s2. Acesso em: 23 ago. 2022. 4.3 Propulsão, deslocamentos e nados elementares Outra habilidade básica a ser trabalhada é a propulsão, que é a aplicação de força para deslocar o corpo no meio aquático utilizando recursos próprios e pela ação conjunta de membros superiores e inferiores. Fazem parte dessa habilidade as seguintes fases de aprendizagem: noção de propulsão, em que são exploradas atividades que lidam com noções de impulso e progressão isoladas ou complementares; propulsão dos membros inferiores, com exercícios visando o deslocamento pela movimentação; e propulsão dos membros superiores, em diferentes atividades. 65 ATIVIDADES AQUÁTICAS Este é um momento muito gratificante ao aluno, pois ele começa a “ver resultados” do seu esforço em se deslocar efetivamente na água, pois, dependendo da atividade aquática escolhida (natação ou outras), há necessidade de deslocamento eficiente do corpo no meio aquático. Mesmo de forma ainda rústica, o fato de o aluno conseguir deslocar-se na água indica que ele já está obtendo sucesso. Figura 38 – A aquisição de propulsão no meio aquático é muitas vezes intuitiva para pessoas que apresentam boa adaptação. Uma pessoa pode apresentar movimentos razoavelmente eficientes sem nunca ter sido ensinada, apenas por experimentação ou imitação. Por outro lado, alguns aprendizes podem necessitar de bastante repetição até conseguirem desenvolver um movimento eficiente Disponível em: https://cutt.ly/QXNl4jC. Acesso em: 23 ago. 2022. Podemos utilizar os conceitos da propulsão, experimentando movimentos de “puxar a água” e “empurrar a água”, enquanto caminhamos na piscina, nos primeiros contatos do aluno com a água, durante a fase de adaptação ao meio aquático. Esse manuseio da água com a mão visando obter uma reação de deslocamento, ainda que andando, começa a ser sentido e entendido pelo aluno. A noção de reação da água também será importante nos ajustes de corpo usando as mãos durante as ações de recuperação vertical. Passamos então a desenvolver a propulsão por meio dos nados elementares. Estes nados envolvem movimentos básicos de pernas e braços que proporcionam o deslocamento do corpo na água. É uma forma de fazer com que o aluno experimente a dinâmica envolvida ao se deslocar na água pelos atos de propulsão apresentados em detalhes anteriormente. 66 Unidade I Figura 39 – A utilização de braços e pernas para propulsão é uma habilidade básica necessária antes da aprendizagem dos gestos dos nados formais. Formas variadas de deslocamento devem ser experimentadas e trabalhadas, como o “nado cachorrinho”, realizado por uma criança na imagem Disponível em: https://cutt.ly/zX4MZN3. Acesso em: 23 ago. 2022. Os nados elementares são nados que utilizam movimentos simples que podem ser sugeridos aos alunos como possibilidades para se deslocar na água em vez do andar. A partir dessas sugestões, ou mesmo antes delas, os alunos podem ser incentivados a criar sua forma própria de se deslocar. Uma possibilidade é conjugar a flutuação ventral com uma puxada de água com as mãos, semelhante à que foirealizada caminhando. O aluno poderá experimentar a reação de seu corpo se deslocando de forma simples enquanto utiliza também o controle respiratório para prender a respiração por algum tempo. Entre outras experiências motoras, o aluno pode aprender os nados: cachorrinho, de lado, de costas com braços simultâneos e submersos, parafuso, entre outros que enriquecem o conceito de propulsão. Os movimentos do nado cachorrinho são realizados de forma natural pela criança em brincadeiras, portanto ele deve ser incentivado como uma forma básica de deslocamento. O nado “cachorrinho” utiliza uma combinação de gestos propulsivos de braços e pernas para se deslocar. Os membros superiores agem mais no sentido vertical, alternadamente, gerando propulsão para cima, fazendo com que a cabeça possa ser mantida para fora da água pela combinação da flexão e extensão dos ombros, cotovelos e punhos. As pernas empurram a água para trás em gestos de flexão e extensão alternadas de quadril, joelho e tornozelo. 67 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 40 – O ato de nadar instintivo dos cães nos mostra os movimentos de membros superiores, avançando pelo alto e pressionando a água para baixo alternadamente, e de membros inferiores, “pedalando” a água para trás Disponível em: https://cutt.ly/jX40tlA. Acesso em: 23 ago. 2022. O professor pode estimular os alunos utilizando pequenos jogos ou gincanas com competições e desafios para que eles experimentem essas formas de se deslocar na água. Exemplo de aplicação “Foguetinho ligado”: Comparando com a experiência anterior na mesma posição, chamada de “foguetinho desligado”, nesta nova proposição o aluno irá desenvolver uma experimentação do batimento de pernas alternado, enquanto assume uma posição de flutuação ventral e com os braços acima da cabeça, alinhados em posição hidrodinâmica (foguetinho). Assim, utilizando uma figura do universo infantil, o aluno pode criar uma referência de posição do corpo alinhado e ação de propulsão simples de pernas. 68 Unidade I Figura 41 – O imaginário de uma figura conhecida, como o “foguetinho”, facilita a analogia para realização de um movimento específico: batimento de pernas em flutuação ventral e alinhamento do corpo Disponível em: https://cutt.ly/6X40YZ2. Acesso em: 23 ago. 2022. Saiba mais O artigo a seguir apresenta propostas amplas que preconizam o uso de elementos iniciais de nado sincronizado, polo aquático e saltos ornamentais ainda na fase de adaptação ao meio aquático. CANOSSA, S. et al. Ensino multidisciplinar em natação: reflexão metodológica e proposta de lista de verificação. Motricidade, Vila Real, v. 3, n. 4, p. 82-99, 2007. Disponível em: https://cutt.ly/3XDQfZw. Acesso em: 23 ago. 2022. 69 ATIVIDADES AQUÁTICAS Resumo Nesta unidade, verificamos que para atuar em atividades aquáticas é necessário que o profissional de educação física conheça uma série de informações que servirão de base para orientar as interações dos indivíduos com as atividades na água. Em primeiro lugar, buscamos compreender a razão e as intenções pelas quais o ser humano interage com ambientes aquáticos desde épocas mais antigas até os tempos atuais. Em seguida, procuramos explicar as principais considerações sobre a frequência de ambientes aquáticos e a necessidade de higiene desses espaços. Com base nisso, ressaltamos a responsabilidade do profissional de educação física em lidar com a segurança das vidas de seus alunos enquanto realizam atividades em ambientes aquáticos, tanto na prevenção como em um eventual salvamento, mas sempre pensando na prevenção em primeiro plano, analisando os aspectos dos riscos ambientais e atitudinais envolvidos nas atividades aquáticas. Por fim, trabalhamos os aspectos físicos da hidrostática e da hidrodinâmica, que são essenciais no relacionamento de aprendizes com a água e precisam ser explorados e desenvolvidos. As habilidades aquáticas básicas são o aspecto final desta unidade, em que analisamos os movimentos e necessidades iniciais de relacionamento organizado do aluno com a água, buscando controle respiratório, equilíbrio e propulsão para o deslocamento, sem esquecer da necessidade de estabilidade para assumir as posições desejadas na água. 70 Unidade I Exercícios Questão 1. Veja as indicações a seguir: Figura 42 Disponível em: https://cutt.ly/HXFTriJ. Acesso em: 23 ago. 2022. Os profissionais de educação física devem saber que a prática de atividades aquáticas pode colocar em risco a saúde e a vida dos seus praticantes. É frequente encontrarmos avisos e orientações (como o aviso reproduzido na figura) sobre os riscos nos ambientes onde essas práticas são desenvolvidas. Contudo, deve fazer parte do conhecimento do profissional de educação física um conjunto de informações que colaborem com essa prevenção. Com base no exposto, avalie as afirmativas a seguir: 71 ATIVIDADES AQUÁTICAS I – Os riscos ambientais incluem características dos locais onde as atividades aquáticas serão praticadas como, por exemplo, pisos escorregadios, profundidade da água e fios expostos que ofereçam risco de choque elétrico. II – Quando se trata de riscos à saúde durante a prática de atividades aquáticas, o profissional deve se preocupar apenas se elas forem realizadas em ambientes artificiais, como piscinas, já que os ambientes naturais não podem ser modificados para acomodar as pessoas. III – Os próprios participantes das atividades aquáticas podem colocar suas vidas em risco ao desenvolverem comportamentos inadequados, como não respeitar os avisos, as regras e os regulamentos dos locais onde as atividades serão realizadas. Sobre as afirmativas apresentadas, assinale a alternativa correta. A) Apenas I é correta. B) Apenas II é correta. C) Apenas I e III são corretas. D) Todas são corretas. E) Nenhuma é correta. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o ambiente de desenvolvimento de uma atividade aquática é o local onde ela será realizada. Há ambientes naturais, como lagos, e ambientes artificiais, como piscinas. A escolha de um ambiente adequado passa pela análise das condições existentes dentro e fora da água. Assim, os pontos levantados pela afirmativa estão de acordo com essas características, ou seja, o tipo de piso, a profundidade da água e os fios elétricos expostos. Todos eles oferecem riscos à saúde e à integridade física caso estejam irregulares. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: qualquer ambiente para o desenvolvimento de atividades aquáticas pode oferecer riscos à saúde e à integridade física dos participantes. Cabe ao educador físico que irá atuar no local verificar as condições existentes e os riscos potenciais. Os ambientes naturais também oferecem risco, pois podem ter águas escuras que escondam pedras ou outros materiais submersos e sua profundidade 72 Unidade I pode variar por causas naturais. Além disso, pode haver movimentação da água, e até mesmo a presença de animais que ofereçam risco. III – Afirmativa correta. Justificativa: na prática de atividades aquáticas, o risco à saúde e à vida dos praticantes não é definido apenas pelas condições do ambiente. Quando é um ambiente controlado e previamente adaptado para a realização da atividade, é comum termos a presença de placas e regulamentos que alertam para as regras de uso e para os riscos decorrentes do descumprimento de tais regras. Nesses casos, em que o ambiente está adequado à prática da atividade, o elemento que pode aumentar as chances de risco é o comportamento dos praticantes que não cumprirem o regulamento. Questão 2. Leia o texto a seguir: Estudos indicam que nos cursos de educação física no Brasil as disciplinas de atividades aquáticas têm como centralidade o ensino de conteúdos direcionados ao paradigma da racionalidade instrumental dos quatros estilos oficiais de natação – crawl, costas, peito clássico e borboleta. Esses conteúdos são importantes na formaçãoinicial, mas insuficientes para uma formação histórico-social que aborde a relação homem × água numa perspectiva crítica. A perspectiva restrita das atividades aquáticas direcionadas ao paradigma da racionalidade instrumental é discutida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Com efeito, diferentes razões econômicas, sociais, culturais e epistemológicas, além da tradição esportivista da educação física brasileira – que, por sinal, ainda possui grande relevância no imaginário escolar e nas instituições de ensino superior –, influenciam a prevalência da tematização das principais técnicas de nados presentes nas competições esportivas. Ou seja, os principais estilos de nados esportivos tornam-se sinônimo de atividades aquáticas, desconsiderando ou colocando em plano secundário o processo reflexivo da relação homem × água. Adaptado de: CARLAN, P.; DÜRKS, D. B. O conteúdo “atividades aquáticas” na educação física escolar: limites e perspectivas. Kinesis, Santa Maria, v. 36, n. 3, p. 2-14, 2018. Disponível em: https://cutt.ly/LXFRLTc. Acesso em: 23 ago. 2022. O texto faz considerações acerca da relação entre o ser humano e a água e da importância desse conhecimento ser introduzido no ensino de educação física. Com base no exposto, avalie as afirmativas a seguir: I – A abordagem proposta é irrelevante, pois a relação entre homem e água surgiu da necessidade de sobrevivência, com a busca de recursos naturais. II – Entre as relações do homem com a água, devemos negligenciar o uso da água para higiene e lazer. III – O ensino das atividades aquáticas na educação física escolar, na perspectiva histórico-social, deve limitar-se ao conhecimento das diferentes técnicas de nados. 73 ATIVIDADES AQUÁTICAS Sobre as afirmativas apresentadas, assinale a alternativa correta: A) Apenas a I é correta. B) Apenas a II é correta. C) Apenas I e III são corretas. D) Todas são corretas. E) Nenhuma é correta. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: a afirmativa apresenta um aspecto primordial do homem em relação à água que já estava presente nas primeiras civilizações e foi cada vez mais desenvolvido. Naquela época, o uso da água ocorria nos ambientes naturais (como rios, lagos e oceanos) e estava ligado à pesca, à retirada de sal, ao transporte de pessoas e materiais e à sua utilização como meio de transporte para alcançar novos territórios. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: com o desenvolvimento das civilizações e o domínio das atividades nos ambientes aquáticos naturais, o homem incluiu dois novos tipos de interação. A higiene pessoal e doméstica relacionada aos banhos e à eliminação de dejetos/sujeira dava mais saúde ao ser humano, sendo um bem para o corpo. Por sua vez, o uso da água para lazer também afetava o estado físico e o mental, colaborando com a saúde e o bem-estar. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: o texto deixa claro o apoio ao ensino das modalidades de nado nas aulas de educação física. Contudo, os educadores físicos devem estar atentos à necessidade de ultrapassar essa simplificação da relação entre homem e água, já que esse tema pode ser muito mais rico. 74 Unidade II Unidade II 5 ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA DESENVOLVIMENTO E SAÚDE Dividiremos as possibilidades de atuação profissional em atividades aquáticas em grandes grupos: as atividades aquáticas para o desenvolvimento e saúde, as atividades aquáticas para esporte e as atividades aquáticas para lazer. No primeiro grupo, a atenção se volta para as atividades aquáticas que podem ser utilizadas ou procuradas quando o aluno tem como objetivos principais a preocupação com a saúde e o desenvolvimento físico. Diversas atividades físicas são indicadas para auxiliar as condições de saúde da população ao longo da vida. Você certamente já ouviu falar da importância da natação para certas pessoas com problemas respiratórios, e você, como futuro profissional de educação física, já deve considerar que a atividade física deveria ser incluída na rotina diária de todas as pessoas, independentemente da idade. Entre as possibilidades de atividades físicas, as atividades aquáticas são uma opção benéfica em muitas realidades. Assim, abordaremos de modo geral as diversas atividades aquáticas que podem estar presentes com esta finalidade: promover o desenvolvimento e saúde da população geral ou grupos específicos. Em todos os grupos comentados, a natação é uma possibilidade – não a natação competitiva, que será tratada no último capítulo deste livro‑texto, mas a prática de natação como meio de atingir os objetivos de cada grupo. Nadar pode significar chegar de um ponto a outro através da água para alguns indivíduos, enquanto para outros significa uma forma de fazer exercícios físicos prazerosos; ou ainda a quebra vitoriosa de uma barreira psicológica que demanda muita perseverança, ou a busca por condições melhores de saúde ou desenvolvimento saudável. 5.1 Atividades aquáticas para o desenvolvimento infantil A infância é uma fase importantíssima para incluir a atividade física como promotora da saúde da criança e do desenvolvimento de suas potencialidades. As atividades aquáticas podem fazer parte desse portfólio para o enriquecimento motor e os desenvolvimentos físico, cognitivo e social. Também é indicada como importante atividade para garantir a segurança das crianças em ambientes aquáticos acessíveis – mas também é necessário que os pais sejam educados sobre os cuidados constantes com as crianças nessas situações. Uma das formas mais comuns de se promover atividades aquáticas nessa faixa etária (levando em consideração a atenção à saúde geral) é a prática da natação infantil. Sem o caráter competitivo e tecnicista, aprender a nadar enquanto criança é uma das formas de promover atividade física de forma alegre e diversificada. 75 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 43 – Atividades aquáticas para crianças devem atender aos interesses delas, mas com objetivos traçados cuidadosamente pelo professor para as necessidades dessa faixa etária Disponível em: https://cutt.ly/JX7qE1Q. Acesso em: 23 ago. 2022. Mais adiante no curso de educação física, a natação será explorada mais profundamente em seus aspectos pedagógicos, técnicos e fisiológicos. Neste momento em que o futuro educador físico precisa diversificar seus conhecimentos sobre atividades aquáticas no geral, evidenciamos algumas características da atuação na natação infantil, em que o ensino das técnicas formais não é o foco principal. Na natação infantil, o professor necessitará de recursos diversificados (como brinquedos, teatralização, ludicidade e fantasia) para lidar com crianças menores, e à medida que a idade das crianças avança, deverá adequar as propostas metodológicas às características de cada fase, proporcionando uma atividade que manifeste os benefícios esperados de saúde, desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e social, sem se prender à rigorosidade técnica. Aprender a nadar, para essa faixa etária, não pode ser sinônimo de seguir regras. Muitas brincadeiras ou desafios podem ser utilizados para tornar as propostas do professor atraentes. 76 Unidade II Figura 44 – Ensinar natação para crianças não é apenas mandar repetir o gesto técnico. O professor deve organizar o ambiente para que as atividades progridam de maneira motivadora Além da natação, outras atividades aquáticas também são interessantes para essa faixa etária. A possibilidade de incluir ambientes aquáticos artificiais ou naturais na rotina das crianças, com vistas a proporcionar a experiência, controle e aquisição de habilidades diversificadas, colabora até mesmo no desenvolvimento da segurança contra afogamentos. Atividades aquáticas tão diversas como surfe, jogos e brincadeiras aquáticas podem causar os benefícios procurados para o desenvolvimento infantil e a saúde na infância, sendo mais específicos aqueles planejados pelo professor de educação física. 5.2 Atividadesaquáticas para adultos: aspectos de manutenção da saúde, segurança, autoconhecimento, autorrealização e relacionamento social Algumas atividades aquáticas tornaram‑se populares entre o público adulto, podendo a escolha variar dependendo de características de cada região. Pense sobre os interesses dos adultos em relação à saúde ao buscar uma atividade aquática para praticar. As opções mais populares são a hidroginástica e a natação – esta segunda possível de ser praticada tanto em busca da saúde como também do rendimento esportivo, que será analisado mais adiante. Deixando de lado o rendimento, por enquanto, podemos dizer que tanto a natação como outras atividades aquáticas podem oferecer benefícios à saúde dos praticantes. 77 ATIVIDADES AQUÁTICAS Há inúmeras outras atividades que podem colaborar com a saúde de pessoas adultas. A participação em atividades que dão prazer tem relação direta com a diversificação das possibilidades. Além da natação e da hidroginástica, há atividades menos conhecidas como hidro‑spinning (bicicleta estacionária aquática), deep‑running (movimentos de corrida flutuando na vertical), watsu (shiatsu na água) e hidroterapias, todas elas com parte de seus objetivos contemplando a saúde do praticante. Jogos adaptados a partir de esportes formais, como polo aquático e o voleibol praticado na água, são exemplos de como essa diversificação coloca o praticante em uma atividade satisfatória e ao mesmo tempo possibilita a melhora de seus sistemas. 5.3 Atividades aquáticas para idosos A população de idosos vem aumentando em nossa sociedade, o que impõe a necessidade do oferecimento de atividades físicas e políticas públicas voltadas à saúde dessa população. As atividades aquáticas são muito indicadas para o público mais velho, e muitas vezes os médicos geriatras recomendam a natação ou a hidroginástica como forma de manutenção da saúde nessa faixa etária. A prática de atividades físicas (dentre elas as atividades aquáticas) pode trazer aos idosos inúmeros benefícios, dado que ela: — Promove o seu desenvolvimento humano e bem‑estar, ajudando a desfrutar de uma vida plena com melhor qualidade; — Melhora as suas habilidades de socialização, por meio da participação em atividades em grupo; — Aumenta a sua energia, disposição, autonomia e independência para realizar as atividades do dia a dia; — Reduz o seu cansaço durante o dia; — Melhora a sua capacidade para se movimentar e fortalece músculos e ossos; — Reduz as suas dores nas articulações e nas costas; — Melhora a sua postura e o equilíbrio; — Reduz o seu risco de quedas e lesões; — Melhora a qualidade do seu sono; — Melhora a sua autoestima e autoimagem; 78 Unidade II — Auxilia no controle do seu peso corporal; — Reduz os sintomas de ansiedade e de depressão; — Ajuda no controle da pressão alta; — Reduz o colesterol e o diabetes (alto nível de açúcar no sangue); — Reduz o risco de desenvolver doenças do coração e alguns tipos de câncer; — Melhora a saúde dos seus pulmões e sua circulação; — Ajuda na manutenção da sua memória, sua atenção, sua concentração, seu raciocínio e seu foco. — Reduz o risco para demência, como a doença de Alzheimer (BRASIL, 2021, p. 28). Para essa faixa etária, o uso da natação é frequente, porém não deve ter como foco o rendimento ou a complexidade das técnicas de execução, mas sim proporcionar uma atividade física aeróbica e a oportunidade de utilizar os segmentos corporais de modo a preservar e estimular a funcionalidade. De qualquer modo, idosos que já praticam natação e têm alto rendimento na atividade obterão inúmeros benefícios, mas sem perder de vista as devidas recomendações médicas. Outra opção bastante indicada pelos médicos para essa idade é a hidroginástica, pois, segundo Paula e Paula (1998, p. 26), “as vantagens que a hidroginástica oferece em comparação com os exercícios terrestres vão desde a possibilidade de aumento de sobrecarga com menor risco de lesões, passando pelo maior conforto devido à temperatura adequada da água, até a diminuição das comparações estéticas”. Assim, dadas as possibilidades de atividades aquáticas para idosos, o educador físico deve adequar a atividade à idade de seus alunos, sempre observando fatores limitantes como equilíbrio, força, amplitude articular, intensidade etc. A hidroginástica é muito indicada para o público idoso pois possibilita, por exemplo, dosar a sobrecarga natural que a água oferece, podendo ser intensificada ou reduzida de acordo com os objetivos que se queira alcançar (PAULA; PAULA, 1998). 79 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 45 – Atividades aquáticas em grupos como a hidroginástica promovem, além dos benefícios físicos ao idoso, a possibilidade de melhoria das relações sociais Disponível em: https://cutt.ly/TX7tjnd. Acesso em: 23 ago. 2022. 6 ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA GRUPOS ESPECÍFICOS Ainda em busca do desenvolvimento da saúde, algumas atividades aquáticas são bem mais específicas do que apenas a divisão por faixas etárias. Muitas vezes elas requerem treinamento, preparação ou experiência prévios em razão de especificidades do praticante. A seguir ilustraremos algumas possibilidades, mas esteja atento às diversas formas de atuar em atividades aquáticas específicas. 6.1 Atividades aquáticas para bebês O uso do nome “natação para bebês” não é totalmente apropriado, pois não se trata de ensiná‑los a nadar – especialmente em relação aos gestos desportivos executados na natação, que certamente não fazem parte da proposta para essa faixa etária. As atividades aquáticas para bebês geralmente têm menor duração proposta do que para crianças maiores e adultos. Geralmente, programas de 30 a 45 minutos são os mais oferecidos. Em geral, os pediatras costumam liberar os bebês para a prática de atividades aquáticas a partir dos 3 meses de idade ou mais, dependendo da condição individual. Os benefícios da prática de atividades aquáticas para bebês são categorizados como físicos, psíquicos, sociais e afetivos, com aplicação também em objetivos terapêuticos e lúdicos (AZEVEDO et al., 2008). As atividades a serem propostas para bebês devem, portanto, estimular o repertório motor, aumentar a percepção sensorial, desenvolver o organismo de forma saudável, incentivar a relação de afetividade e segurança, entre outros objetivos. 80 Unidade II Segundo Fonseca (1995 apud AZEVEDO et al., 2008), esses benefícios podem ser diversos: fortalecimento da musculatura, desenvolvimento da lateralidade, equilíbrio, orientação espacial e coordenação motora ampla. Figura 46 – Normalmente, as atividades aquáticas para bebês são realizadas juntamente com algum familiar adulto, proporcionando reforço de vínculos afetivos, além da atividade física em si Disponível em: https://cutt.ly/CX7yym0. Acesso em: 23 ago. 2022. Figura 47 – Como você, futuro educador físico, poderia intervir na relação do bebê com o pai para promover os benefícios associados às atividades aquáticas? Disponível em: https://cutt.ly/8X7yY6c. Acesso em: 23 ago. 2022. 81 ATIVIDADES AQUÁTICAS 6.2 Atividades aquáticas para gestantes As atividades físicas para gestantes têm papel importante nos cuidados com a saúde: além da manutenção da saúde geral da mulher, com o objetivo de manter boas condições cardiovasculares, musculares e articulares de uma maneira ampla, também permitem promover uma compensação para as sobrecargas sofridas na gestação, especialmente em relação à circulação, respiração e cuidados com a coluna, além da preparação para o momento do parto. Entre as atividades físicas possíveis de serem oferecidas a gestantes, as atividades aquáticas merecem destaque pois, além da atividade física por si mesma, elas ainda contribuem para a diminuição momentânea da pressão na coluna devido aos efeitos do princípio de Arquimedes, possibilitando um alívio na sobrecarga lombar. Surita, Nascimento e Silva (2014, p. 532) afirmam que, para as gestantes, “a caminhada é mundialmente [a atividade] mais realizada,57 4.2 Equilíbrio de flutuação, recuperação vertical e submersão ................................................ 59 4.2.1 Equilíbrio de flutuação ......................................................................................................................... 59 4.2.2 Recuperação vertical ............................................................................................................................. 62 4.3 Propulsão, deslocamentos e nados elementares ..................................................................... 64 Unidade II 5 ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA DESENVOLVIMENTO E SAÚDE ..................................................... 74 5.1 Atividades aquáticas para o desenvolvimento infantil ......................................................... 74 5.2 Atividades aquáticas para adultos: aspectos de manutenção da saúde, segurança, autoconhecimento, autorrealização e relacionamento social ........................... 76 5.3 Atividades aquáticas para idosos ................................................................................................... 77 6 ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA GRUPOS ESPECÍFICOS .................................................................... 79 6.1 Atividades aquáticas para bebês .................................................................................................... 79 6.2 Atividades aquáticas para gestantes ............................................................................................ 81 6.3 Atividades aquáticas para grupos com interesses terapêuticos ....................................... 84 7 APLICAÇÃO DE ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA O LAZER ................................................................ 87 7.1 Jogos com bola ...................................................................................................................................... 88 7.2 Hidroginástica como lazer ................................................................................................................ 90 7.3 Atividades com prancha .................................................................................................................... 90 7.4 Stand up paddle (SUP) ....................................................................................................................... 92 7.5 Atividades com prancha em deslocamento com o vento ................................................... 93 7.6 Mergulho recreacional ....................................................................................................................... 96 8 ATIVIDADES AQUÁTICAS E DESPORTO: ESPORTES AQUÁTICOS OLÍMPICOS ........................... 97 8.1 Natação .................................................................................................................................................... 99 8.2 Polo aquático .......................................................................................................................................101 8.3 Nado artístico ......................................................................................................................................105 8.4 Saltos ornamentais ............................................................................................................................109 8.5 Maratonas aquáticas ........................................................................................................................114 8.6 Surfe ........................................................................................................................................................117 8.6.1 O torneio olímpico de surfe em Tóquio 2020 ........................................................................... 118 7 APRESENTAÇÃO A relação do homem com ambientes aquáticos mistura-se à história humana. Pesca, coleta, refúgio, transporte e ameaças remontam à necessidade de combate e da busca pela sobrevivência. O profissional de educação física encontra possibilidades diversas de atuação em atividades aquáticas no mercado de trabalho atreladas às necessidades modernas de desenvolvimento, saúde, cultura e lazer da sociedade. Com conhecimentos, estratégias e técnicas, o profissional poderá encontrar desafios que o motivem a se desenvolver e, quem sabe, desvendar rumos diversos para sua atuação. Este livro-texto foi desenvolvido para apresentar ao futuro profissional de educação física um panorama inicial do mercado de trabalho na área, abordando temas que aprofundarão seus conhecimentos com informações importantes para atuar com segurança e eficiência em cenários distintos – todos dentro do escopo das atividades aquáticas. INTRODUÇÃO Abordaremos os conhecimentos necessários para atuação do profissional de educação física em diversas atividades, que têm em comum o fato de ocorrerem dentro da água, em ambientes naturais ou não. Inicialmente, para entender a relação do ser humano com a água, estudaremos a questão de dependência e ameaça à segurança, passando por atividades que geram renda, medo, prazer, relaxamento ou aumento de adrenalina. Por que o homem moderno procura por atividades aquáticas e qual é o papel do profissional de educação física nesse mercado? A partir desse cenário inicial, trataremos das questões de segurança e higiene nas atividades aquáticas. Como deve-se planejar as atividades aquáticas mantendo os níveis de segurança e higiene condizentes com os padrões exigidos pelas autoridades? Uma vez resolvida essa questão, daremos atenção aos conhecimentos da física aplicada às atividades aquáticas e desenvolveremos os tópicos relacionados à hidrostática e à hidrodinâmica, que são as áreas de conhecimento diretamente ligadas à atuação do profissional de educação física em ambientes aquáticos. Nosso olhar então se voltará ao ser humano, sua aprendizagem na água e as primeiras habilidades que deverá adquirir para que sua relação com a água se estabeleça de maneira eficiente e segura. Seja qual for a atividade aquática realizada, ela vai se desenvolver a partir de habilidades básicas de controle respiratório, equilíbrio, flutuação e propulsão – e você, futuro profissional de educação física, será um importante elemento nesse processo. Finalmente, analisaremos as possibilidades de atuação no mercado, observando as necessidades sociais modernas de desenvolvimento, saúde, lazer e desporto como ótimas oportunidades para o profissional encontrar desafios que o motivarão a continuar estudando e atuando na área. 8 9 ATIVIDADES AQUÁTICAS Unidade I 1 PAPEL DAS ATIVIDADES AQUÁTICAS NA SOCIEDADE 1.1 História e desenvolvimento das atividades aquáticas Na história da humanidade, as atividades aquáticas são, a princípio, uma relação de sobrevivência. Os ambientes aquáticos, tão necessários para todas as espécies de vida, são um importante aspecto para a escolha do local de estabelecimento de pessoas e comunidades em uma dada região. Além da água, vital para a sobrevivência, esses espaços aquáticos também são capazes de fornecer alimentos por meio de pesca e coleta, bem como capazes de irrigar plantações a partir do domínio de técnicas de cultivo. Também é necessário analisar a relação do homem com o ambiente marinho, que, apesar das características da água salgada (imprópria para consumo e irrigação), também é importante para a obtenção de alimentos. A proximidade do homem com esses espaços aquáticos naturais passou a proporcionar um relacionamento mais íntimo do homem com a água, que passa a ser usada também para finalidades de higiene e lazer. Na Grécia de Platão, a Lei 689 prescrevia que “todo cidadão educado era aquele que sabe ler e nadar” (LENK, 1986 apud DAMASCENO, 1997, p. 7). Os gregos valorizavam a forma física, e a natação fazia parte de suas práticas corporais. Note que a água também permite, desde os primórdios, um ambiente de relaxamento e lazer (especialmente em condições climáticas favoráveis). Com o avanço da organização social, o domínio do espaço foiseguida das atividades aquáticas, que também se associam à melhora do edema”. De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2021), os principais benefícios da prática de atividades físicas pelas gestantes são: — Promove o seu desenvolvimento humano e bem‑estar, ajudando a desfrutar de uma vida plena com melhor qualidade; — Promove relaxamento, divertimento e disposição; — Auxilia no controle do seu peso corporal; — Diminui o risco do desenvolvimento de pressão alta e diabetes gestacional (alto nível de açúcar no sangue durante a gravidez); — Reduz o risco do desenvolvimento de pré‑eclâmpsia (pressão alta durante a gestação); — Melhora a sua capacidade de fazer as atividades do dia a dia; — Ajuda a diminuir a intensidade das dores nas suas costas; — Reduz o risco de depressão; — Ajuda na inclusão social, e na criação e fortalecimento de laços sociais, vínculos e solidariedade; — Reduz o risco do seu bebê nascer prematuro; — Ajuda o seu bebê a nascer com peso adequado (BRASIL, 2021, p. 38). 82 Unidade II Katz (1996 apud BATISTA et al., 2003, p. 156) defende que a natação: […] é a mais recomendada para a gestante, devido à propriedade inerente do corpo na água, isto é, a flutuabilidade. A atividade física na água é benéfica para os joelhos e geralmente é mais relaxante que outros tipos de exercícios, especialmente os exercícios de força como a musculação. A natação, reduz ainda a frequência de edema que é um efeito comum na gestação, porém desconfortável. O efeito da água fria sobre o corpo serve também como termorregulador, proporcionando ao feto a possibilidade de maior estabilidade frente à elevação de temperatura e a subsequente diminuição do suprimento de sangue. A temperatura ideal da água deve ficar entre 28 °C e 30 °C. Em geral, os médicos costumam liberar atividades físicas a partir do 3o mês de gestação, mas as condições individuais vão influenciar muito na decisão. É aconselhável ao profissional de educação física ter acesso ao médico ou suas recomendações para trocar informações e atender a gestante de maneira mais adequada e cuidadosa, principalmente se houver condições especiais importantes. Figura 48 – Atividades físicas durante a gestação são uma recomendação médica para colaborar com o andamento da gestação, a saúde da mãe e do feto Disponível em: https://cutt.ly/hX7odAx. Acesso em: 23 ago. 2022. Segundo Shum, Ang e Shorey, a prática regular de atividade física durante a gestação é […] benéfica e saudável para a mãe e feto […], que beneficia a saúde da mãe melhorando o condicionamento cardiovascular, prevenindo ganho excessivo de peso […], reduz o risco de pré‑eclâmpsia e diabetes gestacional 83 ATIVIDADES AQUÁTICAS […], melhorando a saúde psicológica, reduzindo desconfortos físicos e facilitando o trabalho de parto […], ainda beneficiando o feto, diminuindo risco de adiposidade neonatal […] e macrossomia (SHUM; ANG; SHOREY, 2022, tradução nossa). Além da própria prática da natação, desde que adequada às necessidades e condições das gestantes para manutenção da saúde, a hidroginástica também é bastante procurada, por ter os benefícios da atividade física em contato com a água. Em ambos os casos, a recomendação geral é de que se a gestante já era praticante da atividade, pode continuar a praticá‑la; porém, é necessário adequar as atividades ao longo do desenvolvimento da gestação. Agora, se a rotina de exercícios é uma novidade para a gestante, é preciso orientar a gestante a procurar orientação médica antes de iniciar o programa de exercícios. A primeira parte da proposta é mais geral – boas condições cardiovasculares, musculares e articulares ‑ e pode ser alcançada pela prática de atividades físicas utilizando a água como meio de suporte ou fonte de sobrecarga. Lembrete Atividades como a natação e a hidroginástica têm especificidades para gestantes que requerem atenção, e o professor deve adaptar as sobrecargas com base no conhecimento sobre a gestação e sobre a praticante. Uma complementação de conteúdo importante e possível em diversas atividades físicas para gestantes é fazer com que a atividade física se preste a preparar o organismo da mulher tanto para o trabalho de parto quanto para o puerpério. São indicadas atividades que melhorem as condições musculares associadas ao parto – musculatura abdominal e da pélvis – e o trabalho respiratório. É importante que o educador físico, nessas situações, consulte literatura específica para o trabalho com gestantes e esteja a par das recomendações médicas específicas para a gestante que será atendida no programa de atividades aquáticas. Ademais, condições ambientais específicas devem ser observadas para que o público gestante tenha condições adequadas de contato com a água, como por exemplo a temperatura, o tratamento bacteriológico e a segurança de acesso (cuidado com pisos escorregadios, acesso seguro pela escada etc.) ao ambiente aquático. Também é importante o professor considerar eventuais contraindicações de exercícios (em alguns casos, saltos na hidroginástica e mergulhos na natação são um bom exemplo), para evitar que a atividade cause riscos à gestante e ao feto. 84 Unidade II Figura 49 – A hidroginástica é uma opção de atividade física aquática para as gestantes. No entanto, o professor de educação física deve estar atento a possíveis limitações ou contraindicações para este grupo Disponível em: https://cutt.ly/MX7hcyc. Acesso em: 23 ago. 2022. Atividades aquáticas como o mergulho em profundidades (hiperbárico) não são recomendadas devido à alteração de pressão e absorção dos gases nos tecidos fetais. Outros casos de contraindicação podem relacionar‑se com a saúde da gestante, como por exemplo: cardiopatias, incompetência istmo‑cervical, gestação múltipla (após a trigésima semana), sangramento vaginal persistente, placenta prévia, trabalho de parto prematuro, ruptura de membranas, hipertensão arterial não controlada e pré‑eclâmpsia (The American College of Obstetricians and Gynecologists, 2002 apud SURITA; NASCIMENTO; SILVA, 2014, p. 532). 6.3 Atividades aquáticas para grupos com interesses terapêuticos Embora algumas atividades sejam específicas e requeiram treinamento especializado, muitas vezes as atividades aquáticas oferecidas pelos professores de educação física podem ser procuradas com interesses terapêuticos, por indicação médica ou por decisão do próprio praticante. As seguintes nomenclaturas referem‑se a atividades aquáticas com interesses terapêuticos: […] balneoterapia (terapia que utiliza banhos), crenoterapia (uso de águas minerais naturais), talassoterapia (terapia que utiliza a água do mar), crioterapia (terapia que utiliza a água na forma sólida – gelo), hidroterapia (terapia pela água de maneira ampla, desde de ingestão, vaporização, compressas, jatos de água e a realização de exercícios físicos dentro da água em tanques ou piscinas), hidroginástica (exercícios físicos dentro da água com 85 ATIVIDADES AQUÁTICAS a supervisão de um profissional de educação física), termalismo (englobam os meios medicinais, sociais, sanitários, administrativos e terapêuticos em relação ao uso da água), hidrologia médica (especialidade médica para prescrição terapêutica do uso da água) (SOBREIRA et al., p. 145). Exemplo dessa atuação com ênfase em aspectos de necessidade terapêutica é a asma, cujo tratamento envolve exercícios físicos e respiratórios, sendo a natação e a hidroginástica indicadas pelos médicos em razão da consciência e do controle respiratórios, devido à proximidade com a água. Outro fator citado é o ambiente úmido da piscina, que também alivia certos quadros respiratórios. Figura 50 – Algumas atividades aquáticas podem ser extremamente relaxantes e o profissional envolvido utiliza técnicas de acordo com as necessidades do cliente Disponível em: https://cutt.ly/uX7jkOF. Acesso em: 23 ago. 2022. Observação O termo SPA vem do latim salus per aquam, ou seja, saúde pela água, que também tem aintenção da melhora da saúde física e mental do ser humano (SOBREIRA et al., 2020). Outra condição que leva os alunos à prática de atividades aquáticas para atender a necessidades terapêuticas específicas são os problemas ortopédicos. Diversos quadros como problemas de joelho, coluna, ombros etc. podem ter indicação médica para a prática de exercícios regulares na água, pelo fato de a ação da gravidade ser menos limitante. Em certas necessidades especiais é recomendada a 86 Unidade II hidroterapia, já mais especializada na reabilitação, que pode requerer cursos, capacitações ou estudos extras para preparação profissional. Figura 51 – Algumas condições ortopédicas podem se beneficiar das atividades aquáticas, pois a tensão nas articulações gerada nos exercícios não é aumentada pela ação da gravidade, e a eliminação de parte do peso devido ao empuxo (princípio de Arquimedes) alivia algumas articulações especificamente afetadas em cada caso Disponível em: https://cutt.ly/pCr5wh5. Acesso em: 23 ago. 2022. Outro exemplo de atividade aquática especializada com interesses terapêuticos é o Watsu, que é uma junção das palavras water (água) e shiatsu (técnica terapêutica japonesa). Trata‑se de uma atividade em piscina aquecida (cerca de 34 °C) em que o profissional maneja o corpo do cliente, assumindo posturas relaxantes e coordenadas com a respiração. O profissional interessado deve procurar cursos de formação para poder praticar atividades aquáticas terapêuticas. Lembrete Você deve ter notado que certas atividades propostas para algumas faixas etárias ou para grupos com interesse terapêutico podem ser indicadas também para outros públicos. Por exemplo, a hidroginástica ou a natação são bastante indicadas tanto do ponto de vista de desenvolvimento e saúde para grupos etários, como também para cuidados com determinados problemas de saúde. Essa repetição deve‑se ao fato de que as características das atividades podem ser adaptadas para servirem a diferentes necessidades, de acordo com o contexto e através do planejamento adequado pelo profissional de educação física. 87 ATIVIDADES AQUÁTICAS As atividades aquáticas também são muito indicadas para pessoas com diversas necessidades especiais, como deficiências físicas, cognitivas etc. Por se tratarem de atividades físicas em um ambiente que praticamente elimina a força da gravidade devido ao empuxo, após um período de adaptação pode haver grande facilitação de movimentos para alguns casos. O educador físico que desejar atuar nessa área deve conhecer mais a fundo as especificidades de cada aluno e planejar as atividades mais adequadas a cada caso. Figura 52 – A natação adaptada é ótima atividade para pessoas com diversos tipos de deficiência ou dificuldades. O profissional deve realizar treinamento específico para poder aplicar melhor os conceitos da atividade aquática a cada necessidade especial Disponível em: https://cutt.ly/fX7lw58. Acesso em: 23 ago. 2022. 7 APLICAÇÃO DE ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA O LAZER As atividades aquáticas são amplamente utilizadas no lazer da população. O contato prazeroso com a água em ambientes naturais e artificiais, a prática de nadar sem o rigor da técnica, os desafios de cumprir tarefas no ambiente aquático ou somente a sensação do relaxamento em atividades aquáticas fazem com que o profissional que atua nessa atividade tenha uma diversidade de opções para se especializar. 88 Unidade II Figura 53 – A atuação do profissional de educação fisica em atividades aquáticas para o lazer pode ser muito diversificada. Você saberia dizer quais oportunidades se apresentam, e em qual teria interesse em crescer profissionalmente? Disponível em: https://cutt.ly/RX7lgV4. Acesso em: 23 ago. 2022. As atividades aquáticas de lazer podem compreender atividades usando acessórios diversos (como máscaras, bolas, boias), brincadeiras e recreação orientadas pelo professor, jogos aquáticos e outras atividades aquáticas – algumas podem ser especializadas, necessitando cursos ou práticas específicas para possibilitar a participação ou atuação do professor. Quando essas atividades aquáticas de lazer forem orientadas por um profissional de educação física – seja por necessidade técnica, motivação, de organização, ou para prover segurança –, tornam‑se áreas de atuação para o profissional interessado naquela atividade específica. A seguir trataremos de alguns exemplos de atividades aquáticas que podem ser utilizadas com a finalidade de lazer. 7.1 Jogos com bola Jogos com bola adaptados, como o biribol (vôlei aquático), o polo aquático em pé (diferentemente do jogo oficial de piscina funda), queimada aquática etc. são bastante interessantes e divertidos. O profissional de lazer aquático pode propor diferentes jogos dependendo da quantidade de participantes, idade, tipo de piscina e outras circunstâncias. 89 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 54 – A rede de vôlei montada na piscina alude ao “biribol”, que é um voleibol adaptado para brincar na piscina rasa, em pé. Divertido, torna‑se uma ótima atividade aquática para grupos Disponível em: https://cutt.ly/vX7lSuj. Acesso em: 23 ago. 2022. Como parte dos cuidados com a segurança, o profissional deve estar atento a todos os participantes, evitar usar bolas pesadas para não machucar, evitar disputas acirradas de bola ou deslocamentos pelo piso molhado ao redor da piscina. Figura 55 – Jogos adaptados com bola, como o polo aquático em piscina rasa, são uma opção de diversão para diversas faixas etárias. O profissional deve estar atento a possíveis riscos, e ao mesmo tempo promover uma atividade saudável e divertida Disponível em: https://cutt.ly/CX7lBW2. Acesso em: 23 ago. 2022. 90 Unidade II 7.2 Hidroginástica como lazer Quando um hotel ou resort oferece aulas de hidroginástica, a principal intenção não é o rigor da sobrecarga física baseada nos princípios do treinamento, mas sim a diversão, integração, alegria em participar e celebrar os momentos de lazer em família ou entre amigos. Figura 56 – Também utilizada como atividade voltada para a saúde, a prática da hidroginástica como lazer geralmente ocorre em hotéis e resorts, como uma atividade aquática de recreação e integração social Disponível em: https://cutt.ly/oX7zazr. Acesso em: 23 ago. 2022. O professor de educação física encarregado da atividade deve planejar as atividades com menor intensidade, uma vez que em situações de férias não há solicitação de exames médicos em piscinas de lazer. As atividades podem ser mais descontraídas e animadas do que em uma aula de hidroginástica que visa ao condicionamento físico, e no que se refere à complexidade dos movimentos também deve‑se considerar que o público participante nem sempre tem a mesma coordenação e velocidade como as de praticantes frequentes da hidroginástica em academias. 7.3 Atividades com prancha Você já brincou em uma piscina ou no mar utilizando uma prancha desenhada para alguma atividade ou de uso genérico? Qual é a experiência de que se recorda, em relação às possibilidades de uso do material, ao equilíbrio necessário e às sensações geradas? Ao trabalhar com atividades aquáticas, o uso de pranchas é uma das atividades possíveis. 91 ATIVIDADES AQUÁTICAS Diferentemente do uso de embarcações, que neste livro‑texto não serão considerados, as atividades aquáticas que utilizam pranchas podem ser uma área de atuação do profissional de educação física pela interação que exigem. Para o uso da prancha, o praticante irá se relacionar na superfície da água, que faz parte de sua atividade de lazer. Menos estáveis que as embarcações, as pranchas podem exigir equilíbrio e propiciar eventuais quedas na água, o que pede o aumento da atenção do profissional e a necessidade de habilidade e instrução do cliente, justificando a atuação profissional nas atividades aquáticas para recreação e lazer. Observação O surfe será abordado posteriormente neste livro‑texto, pois trata‑se de um esporte olímpico. Dequalquer modo, a ideia de usar a prancha de surfe para lazer, sem buscar desafiar limites esportivos, também pode ser considerada uma atividade bastante popular, e profissionais que queiram atuar na área nem sempre estarão comprometidos com o alto rendimento, pois atuarão na base, com aprendizes, que mais adiante podem – ou não – mostrar interesse em crescimento, rendimento e competitividade. Figura 57 – Há diversas possibilidades de uso de pranchas em atividades aquáticas. Algumas delas servem apenas para proporcionar flutuação e segurança em atividades de relaxamento sem deslocamento, por servirem de apoio na água. O profissional de atividades aquáticas que trabalhar com surfe precisa conhecer não somente as habilidades envolvidas, mas ser bastante proficiente em segurança aquática Disponível em: https://bityli.com/LeAwxfxG. Acesso em: 23 ago. 2022. 92 Unidade II Passando a analisar outras atividades que utilizam pranchas, diferentes opções de lazer se apresentam. Desde o uso da prancha para trabalhar deslocamentos pela superfície de uma piscina (sem onda e na posição deitada) até atividades especializadas como windsurfe, kitesurf, “sonrisal” (roundboards) etc. Por exemplo, as pranchas para uso na areia podem ser divertidas, e apesar de ser uma atividade aquática – pois ocorre na superfície da água –, geralmente é realizada na parte rasa. Algumas pranchas possibilitam manobras como deslizar sobre a água e ir ao encontro da onda e voltar surfando até a areia, por exemplo. Não é comum haver profissionais de educação física atuando nesse tipo de atividade, mas pode‑se encontrar locais que alugam este tipo de prancha. Figura 58 – Esta foto mostra como é possível fazer atividades complexas em ambientes aquáticos, retratando uma piscina específica e cara para a prática de um tipo de surfe adaptado a uma onda artificial. Certamente há a necessidade de um profissional capacitado para orientar a atividade, tornando‑se mais uma área interessante na grande diversificação das atividades aquáticas Disponível em: https://cutt.ly/sX7xNyL. Acesso em: 23 ago. 2022. 7.4 Stand up paddle (SUP) A prancha a remo (conhecido como stand up paddle ou SUP) é uma prancha em que o praticante de atividades aquáticas se equilibra em pé e utiliza um remo para obter propulsão. A dificuldade maior dessa atividade é o equilíbrio, embora a prancha seja significativamente maior para permitir que o usuário fique em pé, fornecendo a flutuabilidade necessária, mesmo que não haja deslocamento. Como dica de aprendizagem, a posição intermediária de joelhos pode facilitar o equilíbrio ao rebaixar o centro de gravidade do conjunto. 93 ATIVIDADES AQUÁTICAS Em geral, essa atividade é bastante popular em mar calmo, embora seja também possível pegar ondas utilizando a propulsão do remo. Também bastante utilizada em represas e lagos, possui alguns modelos fabricados em material maleável, que possibilita a utilização em piscinas, sem risco de danificar os azulejos ou a própria prancha. No entanto, pela existência de bordas na piscina, cabe ao profissional envolvido na atividade o cuidado para que uma queda do usuário não provoque choque contra a borda. Uma variação do uso desse equipamento permite que sejam cumpridas distâncias maiores (como travessias) em modelos específicos de prancha. Nessa atividade mais exigente, a competência de um profissional de educação física irá permitir grande desenvolvimento. Figura 59 – A prancha a remo (SUP) é muito divertida pelo desafio de se equilibrar e percorrer distâncias, que podem ser desde curtas até longas travessias entre pontos do litoral Disponível em: https://cutt.ly/OX7chDq. Acesso em: 23 ago. 2022. 7.5 Atividades com prancha em deslocamento com o vento Atividades de prancha que utilizam o vento já foram bastante divulgadas, a partir de 1980, quando se popularizou o windsurfe – uma prancha com uma vela triangular montada em seu centro, que o praticante maneja com as mãos na posição em pé, direcionando a prancha e realizando o deslocamento e até manobras com ventos mais fortes. Atualmente há muitos praticantes de kitesurf, que é uma prancha puxada por uma espécie de pipa, especialmente em cidades com mais vento e mar acessível (como no nordeste do Brasil, em Ilhabela e Florianópolis, entre outros locais) e até mesmo em lagos de água doce. 94 Unidade II A) B) Figura 60 – Um professor de windsurfe vai ensinar aos alunos as técnicas de equilíbrio, manejo do equipamento, análise do vento, informações locais sobre a prática etc. Disponível em: A) https://cutt.ly/pX7cVBK; B) https://cutt.ly/AX7cB41. Acesso em: 23 ago. 2022. As atividades com prancha que utilizam a força do vento para deslocamento necessitam de prática controlada para aprender a manejar os equipamentos, e um profissional interessado nesta área de atuação pode verificar como fazer para iniciar a ensinar atividade, geralmente a partir de serviços já instalados como cursos e locação de equipamentos, será possível trabalhar neste tipo de atividade aquática. 95 ATIVIDADES AQUÁTICAS A) B) Figura 61 – Alunos de kitesurf necessitam desenvolver equilíbrio e controle do equipamento Disponível em: A) https://cutt.ly/LX7n4Yk; B) https://cutt.ly/nX7n9J3. Acesso em: 23 ago. 2022. 96 Unidade II Saiba mais Você sabia que windsurfe é um esporte olímpico e o kitesurf está planejado para estrear nos Jogos Olímpicos de 2024, em Paris? Neste livro‑texto, consideramos esses esportes apenas como atividades recreativas devido à sua complexidade, mas você pode se desenvolver neles caso tenha interesse. Para saber mais sobre eles, busque por clubes que ofereçam essas modalidades ou acesse o site da Federação Brasileira de Vela: Disponível em: https://cutt.ly/qVvJ21P. Acesso em: 22 set. 2022. 7.6 Mergulho recreacional O uso de máscara e snorkel (respiradores) na superfície aumenta substancialmente a experiência das pessoas interessadas em recreação na água. Mesmo em uma piscina, as máscaras (que são diferentes dos óculos de natação por englobarem também o nariz) possibilitam uma visão ampliada do fundo, gerando sensações diferentes a respeito do ambiente, muitas vezes melhorando a relação do indivíduo com a água pela ampliação do sentido da visão. No mar ou em pequenas lagoas, o equipamento permite observar o meio ambiente como as plantas, rochedos, conchas ou vida local (peixes etc.), o que torna a atividade mais interessante. O uso da máscara combinado com o snorkel prolonga o tempo de observação pois elimina a necessidade de prender a respiração enquanto aprecia o fundo, possibilitando a respiração pela boca. A) B) Figura 62 – O uso de máscara e snorkel pode criar uma possibilidade de atuação do profissional se associado ao ensino das habilidades de mergulho livre Disponível em: A) https://cutt.ly/4X7WrCS; B) https://cutt.ly/AX7Wh18. Acesso em: 23 ago. 2022. 97 ATIVIDADES AQUÁTICAS Esses equipamentos são de fácil aquisição e de uso simples, e o profissional de atividades aquáticas pode ver nessa possibilidade uma atuação diferente. Algumas dicas sobre o uso dos equipamentos facilitam a experiência do usuário, e técnicas simples permitem que o aluno aprenda a controlar sua respiração e seu corpo para descer alguns metros para observar o fundo do mar ou lago (técnicas de mergulho livre). Outra atividade aquática de mergulho que também pode ser considerada, embora mais complexa, é o mergulho autônomo, que utiliza o equipamento Scuba (self‑contained underwater breathing apparatus) projetado para poder respirar a profundidades de até 40 m no limite de segurança. A atividade pode ter os formatos de curso com certificado ou simplesmente de um passeio subaquático, levado por um profissional com cursos e experiência nesse tipo de atividade. A) B) Figura 63 – A atividade de mergulho autônomo requer uso de equipamentos especializados e capacitação extra, tanto do cliente como do profissional de atividades aquáticas Disponível em: A) https://cutt.ly/fX7WFU9;B) https://cutt.ly/9X7WH1B. Acesso em: 23 ago. 2022. 8 ATIVIDADES AQUÁTICAS E DESPORTO: ESPORTES AQUÁTICOS OLÍMPICOS Você se lembra de ter brincado de competir em alguma atividade aquática? Desde uma “corrida na água” em uma piscina rasa ou na praia até jogos aquáticos, passando por possibilidades improváveis de lutas aquáticas ou desafios de submersão? As atividades aquáticas como forma de expressão da cultura foram adquirindo grande presença na vida do homem moderno. Já foram avaliadas diversas possibilidades de uso das atividades aquáticas com finalidades de desenvolvimento da saúde, recreação e lazer. Algumas das atividades já abordadas podem ser utilizadas como expressão esportiva e competitiva, como os campeonatos de windsurfe e kitesurf, esportes já analisados pelo ponto de vista do lazer. 98 Unidade II Ambos permitem a busca por conhecimento e aperfeiçoamento dentro do universo esportivo, pois fazem parte do programa olímpico de verão, assim como triatlo, a vela, a canoagem e o remo. Todas essas atividades, embora ocorram na água, estão fora do escopo deste livro. Por serem considerados esportes, o profissional de educação física é competente para atuar nessas modalidades de acordo com a Lei n. 9.696/1998 (BRASIL, 1998), bastando se capacitar profissionalmente (pois são bastante específicas). Observação Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 contaram com 46 modalidades esportivas. Destas, 6 são realizadas com os atletas dentro da água – natação, polo aquático, nado artístico, saltos ornamentais, maratona aquática e surfe, que serão abordados mais adiante neste livro‑texto. Já o triatlo dispõe de um dos trechos realizados como percurso de natação em águas abertas. Saiba mais Se você tem interesse nas atividades aquáticas diversas, procure confederações, clubes ou instituições que tratam de cada modalidade, como as seguintes: Confederação Brasileira de Vela. Disponível em: https://cutt.ly/ZVDmGLM. Acesso em: 27 set. 2022. Confederação Brasileira de Canoagem. Disponível em: https://cutt.ly/3VDQEwY. Acesso em: 27 set. 2022. Confederação Brasileira de Triatlo. Disponível em: https://cutt.ly/fVDQFXp. Acesso em: 27 set. 2022. Confederação Brasileira de Remo. Disponível em: https://cutt.ly/fVDQKUn. Acesso em: 27 set. 2022. Destacam‑se as atividades que fazem parte do programa atual dos Jogos Olímpicos de Verão, pois são bastante representativos em termos mundiais e de performance. Por esse motivo, trabalharemos essas modalidades como atividades aquáticas a partir do panorama da educação física, sem deixar de considerar todas as demais possibilidades de atuação profissional. 99 ATIVIDADES AQUÁTICAS 8.1 Natação Inicialmente vinculada à sobrevivência, busca de alimentos, proteção e ampliação das possibilidades de exploração, a natação foi se tornando parte das diferentes culturas com finalidades educativas, formativas, de saúde e até de lazer e convívio social em piscinas, lagoas e cachoeiras. Quando o acesso aos corpos aquáticos da natureza se mostrou difícil, foram criados os tanques e, posteriormente, as piscinas, para possibilitar o uso mais amplo de ambientes aquáticos independentemente de distância ou clima. Assim como as lutas – hoje esportivizadas por regras e competições, mas antes presentes na realidade da sobrevivência humana –, a natação como conceito amplo também evolui desde as raízes da civilização. Uma versão específica do que é a natação moderna é o esporte organizado, que nos leva a pensar sobre o regramento dos movimentos e as competições. No entanto, o educador físico deve ter uma visão ampliada, compreendendo a natação não somente visando a competição e a prática dos nados competitivos, mas também as demais formas de locomoção e sustentação na água, como os nados rudimentares, adaptados ou contatos recreativos (como já visto anteriormente). A natação está presente nos Jogos Olímpicos modernos desde a primeira edição do evento, em 1896. Com tamanha tradição, também está presente nos cursos de educação física por representar uma área de atuação bastante importante para o profissional. Basicamente, o esporte consta em cumprir distâncias predeterminadas em uma piscina, seguindo regras para os movimentos que sejam permitidos em cada prova definidas como: nado livre, nado de costas, nado de peito e nado borboleta. Há ainda provas de revezamento (equipes de quatro nadadores) e as provas de nado medley (em que se faz os quatro nados em uma mesma prova, seja individualmente, seja em equipe). As provas de natação são controladas por uma entidade internacional, a Fina (Federação Internacional de Natação), que, além de natação, também é responsável pelo polo aquático, nado artístico, saltos ornamentais e maratonas aquáticas. Os recordes mundiais e olímpicos devem ser reconhecidos pela Fina, que também atualiza o conjunto de regras que esses esportes utilizam como parâmetros de legalidade e competição. Na disciplina de natação você poderá conhecer detalhes da realização dos quatro nados formais, bem como sobre o processo de ensino‑aprendizagem dessa modalidade. Além dessa base, que será explorada dentro da disciplina específica em nosso curso, podemos fazer algumas observações ao considerá‑la uma das atividades aquáticas possíveis para atuação do profissional de educação física. A natação tem um programa olímpico bastante diversificado. São quatro provas de nados diferentes (nado livre, costas, peito e borboleta) mais provas de revezamento (quatro atletas) e provas de nado medley (chamadas de quatro estilos): 100 Unidade II Quadro 3 – Provas de natação em Tóquio 2020 Modalidade Tipo de nado Masculino Feminino Livre 50 m; 100 m; 200 m; 400 m; 800 m; 1500 m 50 m; 100 m; 200 m; 400 m; 800 m; 150 0m Costas 100 m; 200 m 100 m; 200 m Peito 100 m; 200 m 100 m; 200 m Borboleta 100 m; 200 m 100 m; 200 m Medley 2 00 m; 400 m 2 00 m; 400 m Revezamento 4 × 100 m; 4 × 200 m; 4 × 100 m medley 4 × 100 m; 4 × 200 m; 4 × 100 m medley Mista 4 × 100 m medley misto (equipe com 2 homens e 2 mulheres) Fonte: COI (2021 d). Quadro 4 – Medalhas na natação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 País Medalhas Ouro Prata Bronze Total Estados Unidos 11 10 9 30 Austrália 9 3 8 20 Grã‑Bretanha 4 3 1 8 China 3 2 1 6 Comitê Olímpico Russo 2 2 1 5 Japão 2 1 0 3 Canadá 1 3 2 6 Hungria 1 1 0 2 África do Sul 1 1 0 2 Tunísia 1 0 0 1 Itália 0 2 4 6 Holanda 0 2 0 2 Hong Kong 0 2 0 2 Ucrânia 0 1 1 2 França 0 1 0 1 Suécia 0 1 0 1 Brasil 0 0 2 2 Alemanha 0 0 2 2 Suíça 0 0 2 2 Dinamarca 0 0 1 1 Finlândia 0 0 1 1 Fonte: COI (2021a). 101 ATIVIDADES AQUÁTICAS Quadro 5 – Medalhistas brasileiros da natação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 Nadador Colocação Prova Idade Tempo Fernando Scheffer 3º (bronze) 200 m livre 23 anos 1’44”66 Bruno Fratus 3º (bronze) 50 m livre 23 anos 0’21”57 Fonte: COI (2021d). Observação Se você deseja atuar na área de ensino de natação, esteja atento às possibilidades de estágio e experiência na área – em especial em como você pode melhorar suas habilidades aquáticas para se tornar um professor com maior domínio do corpo e das habilidades necessárias. Não perca oportunidades de praticar e aprender! 8.2 Polo aquático O polo aquático é um esporte com bola, praticado na piscina, em que o objetivo é realizar gols na meta do adversário. É disputado em equipes, masculinas ou femininas. A piscina deve ter no mínimo 2 m de profundidade e o campo de jogo é para os homens entre 20 m e 30 m de comprimento por 10 m a 20 m de largura. Para mulheres, a medida é entre 20 m a 25 m de comprimento e 10 m a 20 m de largura. A dimensão do gol é de 3 m de largura e 0,9 m de altura ou, a depender da profundidade da piscina, pode haver variação do vão de altura do gol. 102 Unidade II Altura da mesa oficial = 0,70 m Dispositivo de liberação de bola 18.00 Homem/13.00 Mulher 18.00 Homem/13.00 Mulher 30.60 Homem/25.60 Mulher Cesto de bolas Juiz de gol Juiz de gol Cestode bolas Banco de sentar Banco de sentar Plataforma: Largura = 1 m. Altura = 0,70 m. Acima do nível da água Plataforma: Largura = 1 m. Altura = 0,70 m. Acima do nível da água Figura 64 – O campo de jogo de polo aquático; veja as linhas coloridas na borda da piscina, indicando cada uma das regiões mais importantes Adaptado de: Fina (2019, p. 2). A duração de uma partida de polo aquático é de quatro períodos de oito minutos de bola jogada, ou seja, o cronômetro é parado quando a bola não está em jogo. A intenção do jogo é marcar gols na meta adversária, podendo haver o arremesso de qualquer posição do campo de jogo. A bola deve pesar entre 400 g e 450 g e ser preenchida com ar, com circunferência de 68 cm a 71 cm para homens, e 65 cm a 67 cm para mulheres. As toucas devem ser amarradas sob o queixo, com um protetor para as orelhas. Um time usa touca branca ou cores de seu país e o outro time a cor azul ou outra contrastante. Os goleiros usam toucas vermelhas. 103 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 65 – As toucas são diferentes para cada time, e o goleiro usa touca vermelha para identificação Disponível em: https://cutt.ly/WX6HojQ. Acesso em: 23 ago. 2022. No jogo, são seis jogadores mais o goleiro. Os jogadores devem retirar adornos que possam provocar ferimentos e não é permitido usar óleos que deixem a pele escorregadia. Em qualquer momento do jogo, um jogador pode ser substituído se dirigir‑se à área de substituição. O jogador não pode segurar na borda nem tocar o fundo da piscina, realizando pernadas de sustentação alternadamente para se manter na superfície e manejar a bola. A bola não pode ser segurada com as duas mãos, exceto pelo goleiro. Áreas demarcadas por cores e linhas são restritivas a certas ações de jogo. Figura 66 – Os jogos de polo aquático são bastante disputados, muitas vezes considerado bastante violento pelo contato corporal e disputas frequentes Disponível em: https://cutt.ly/aX6H1vl. Acesso em: 23 ago. 2022. 104 Unidade II Saiba mais As regras do polo aquático podem ser consultadas em português na seção “regras” do site oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Disponível em: https://cutt.ly/BC7gMiB. Acesso em: 14 set. 2022. Elas também estão disponíveis em inglês no site oficial da Federação Internacional de Natação (Fina). Confira em: Fina. Water Polo Rules. Fédération Internationale de Natation, Lausanne, [s.d.]. Disponível em: https://cutt.ly/yX6JKOy. Acesso em: 23 ago. 2022. Pesquise regras, eventos, atletas e outras informações no site oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos em: Disponível em: https://cutt.ly/mX6NOe6. Acesso em: 23 ago. 2022. O site da Federação Internacional de Natação (Fina) dispõe de uma área exclusiva que trata do polo aquático. Disponível em: https://cutt.ly/JX6NpgD. Acesso em: 23 ago. 2022. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) disponibiliza uma página on‑line com resumos da história, curiosidades e notícias sobre o polo aquático. Confira em: Disponível em: https://cutt.ly/kX6Nwz1. Acesso em: 23 ago. 2022. 105 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 67 – A paixão pelo esporte faz os interessados criarem maneiras de praticá‑lo mesmo quando não há piscina disponível Disponível em: https://cutt.ly/hX6BXKY. Acesso em: 23 ago. 2022. 8.3 Nado artístico Muito mais conhecido pelo nome antigo, nado sincronizado, o esporte é atualmente chamado de nado artístico ou natação artística. Também era comum referir‑se a ele como balé aquático. É uma modalidade disputada apenas pelo sexo feminino. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o nado artístico foi disputado em duplas (dueto) e em equipes, mas outras competições incluem as variações solo, dueto, dueto misto (um participante masculino e um feminino), equipes, rotinas livres combinadas e rotinas de destaques (highlights). As apresentações são acompanhadas por músicas escolhidas pelas competidoras e sua equipe, compondo a apresentação. A música escolhida deve ser repassada para a equipe da organização da competição dentro de critérios predefinidos, para que não haja ocorrência de falhas no dia do evento. Observação As músicas usadas na apresentação ajudam o público a entrar na sintonia da apresentação, aumentando o entusiasmo, mas também podem ser ouvidas debaixo d’água, por meio de alto‑falantes especiais, para que as nadadoras consigam coordenar os movimentos de acordo com o planejado mesmo enquanto submersas. 106 Unidade II Figura 68 – No nado artístico, as atletas precisam realizar coreografias na água, acompanhadas de música, e se submeterem aos critérios de avaliação para saber a nota obtida Disponível em: https://cutt.ly/4C7lwQy. Acesso em: 15 set. 2022. A plasticidade, a beleza e a força das apresentações encantam a todos no público, o que pode motivar a procura pelo esporte. No entanto, não são muitos os clubes que têm equipes competitivas, que, portanto, se mostra um mercado latente para os profissionais de educação física com interesse nas atividades aquáticas e com conhecimento em coreografia ou expressão corporal. Figura 69 – Uma série de movimentos é executada e as nadadoras da equipe precisam realizar uma coreografia envolvente e rica para obter uma boa nota Disponível em: https://cutt.ly/sX60YsA. Acesso em: 23 ago. 2022. 107 ATIVIDADES AQUÁTICAS O esporte trabalha muito a expressão corporal, além de força, flexibilidade, equilíbrio, controle corporal, controle respiratório (apneia) etc. Se um profissional de educação física desejar trabalhar com o nado artístico, ele poderá se envolver em treinamentos para diversas faixas etárias, devendo buscar as entidades que dispõem da modalidade oferecida para a comunidade esportiva ou para o público em geral. Saiba mais As regras oficiais de nado artístico podem ser consultadas em português no site oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), na seção “regras”. Disponível em: https://cutt.ly/RC7lCJl. Acesso: 14 set. 2022. Elas também estão disponíveis em inglês no site oficial da Federação Internacional de Natação (Fina). Confira em: Disponível em: https://cutt.ly/GCtpchf. Acesso em: 23 ago. 2022. Figura 70 – No nado artístico há movimentos de execução obrigatória e outros de execução livre Disponível em: https://cutt.ly/1X64iT2. Acesso em: 23 ago. 2022. 108 Unidade II A execução dos movimentos dos atletas é julgada segundo os critérios estabelecidos nas regras da modalidade, e a pontuação obtida será comparada com as demais adversárias, consulte o Saiba mais a respeito do nado artístico para conhecer as regras. A título de ilustração, os critérios sob os quais a(s) competidora(s) são avaliadas são: Quadro 6 – Pontuação do nado artístico Avaliação Nota Perfeito 10 Quase perfeito 9.9‑9.5 Excelente 9.4‑9.0 Muito bom 8.9‑8.0 Bom 7.9‑7.0 Competente 6.9‑6.0 Satisfatório 5.9‑5.0 Deficiente 4.9‑4.0 Fraco 3.9‑3.0 Muito fraco 2.9‑2.0 Difícil reconhecer 1.9‑1.0 Completamente falho 0 Fonte: https://cutt.ly/AC7REnu. Acesso em: 23 ago. 2022. Saiba mais O site da Federação Internacional de Natação (Fina) dispõe de uma área exclusiva que trata do nado artístico. Disponível em: https://cutt.ly/TCq1e9V. Acesso em: 23 ago. 2022. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) também tem uma página com um resumo sobre notícias, fotos e curiosidades da modalidade. Confira em: Disponível em: https://cutt.ly/FCq1iWa. Acesso em: 23 ago. 2022. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) tem uma página que contém informações sobre clubes, atletas e eventos de nado artístico. Por exemplo, para consultar os clubes que disponibilizam aulas dessa prática esportiva, acesse: Disponível em: https://cutt.ly/3CwyJZy. Acesso em: 23 ago. 2022. 109 ATIVIDADES AQUÁTICAS Os resultados do nado artístico nos Jogos Olímpicos em Tóquio 2020 foram: Quadro 7 – Resultados do nado artístico (duetos) em Tóquio 2020 Posição no ranking País 1o (ouro) Comitê Olímpico Russo 2o (prata) China 3o (bronze) Ucrânia4o Japão 5o Canadá 6o Itália Fonte: COI (2021b). Quadro 8 – Resultados do nado artístico (equipe) em Tóquio 2020 Posição no ranking País 1o (ouro) Comitê Olímpico Russo 2o (prata) China 3o (bronze) Ucrânia 4o Japão 5o Itália 6o Canadá Fonte: COI (2021c). 8.4 Saltos ornamentais Os saltos ornamentais são uma modalidade bastante específica, que utiliza movimentos aéreos similares aos da ginástica artística após um salto a partir de uma plataforma ou trampolim em direção à água. A aterrissagem se dá na superfície, que não deve ser deslocada fortemente, o que indica uma entrada de boa qualidade. 110 Unidade II Figura 71 – É possível realizar os saltos de uma plataforma para aplicação não esportiva. No entanto, a prática torna‑se uma atividade bastante perigosa sem a supervisão de um profissional habilitado devido a perigo de acidentes e lesões na coluna e crânio, que são frequentes em ambientes de recreação aquática Disponível em: https://cutt.ly/2CqoJYl. Acesso em: 23 ago. 2022. Em ambientes esportivos, há duas alternativas quanto à estrutura utilizada para o início do salto: pode‑se saltar de uma plataforma ou de um trampolim. Também existem diferenças de alturas do equipamento, além da separação das competições por sexo e a existência do salto sincronizado, em que dois atletas executam o mesmo movimento em sincronia. As alturas do trampolim são de 1 m e 3 m, e da plataforma de 5 m a 10 m, lembrando que em competições da Fina (Federação Internacional de Natação) é usada a plataforma de 10 m. Observação • Plataforma: estrutura rígida da qual o atleta se lança para o salto. Para treino, podem ser oferecidas em diversas alturas. As de 10 m são as mais altas para as competições de saltos ornamentais em piscinas. 111 ATIVIDADES AQUÁTICAS • Trampolim: estrutura flexível sobre a qual se aplica o peso do corpo provocando a compressão do trampolim para baixo, o que causa a reação inversa, por parte do equipamento, de impulso para cima, projetando o corpo do atleta para o alto. Figura 72 – Exemplo de um trampolim, para recreação, de medidas não oficiais. A atuação do profissional de atividades aquáticas no nível de entrada e experimentação de movimentos específicos pode ser desafiadora Disponível em: https://cutt.ly/5Cql4hB. Acesso em: 23 ago. 2022. A atuação do profissional nessa atividade aquática é importantíssima para desenvolver os movimentos, preparar o atleta física e mentalmente, avaliar a execução, dar feedback e prover segurança nos movimentos simulados em seco, entre outros. Aspectos técnicos incluem atenção a detalhes, como por exemplo ao movimento de saída, que pode ser feito parado de frente para a água com salto para frente ou salto “pontapé à lua”, ou de costas para a água saltando de costas, ou “salto revirado”. Pode ser realizado ainda o movimento inicial em deslocamento (corrida) ou em parada de mão. Os movimentos aéreos podem ser parafusos, cambalhotas, nas posições carpada, grupada, esticada (conforme vocabulário utilizado na modalidade) ou livre. O profissional envolvido na condução de atividades irá contribuir com sua atuação para que o praticante se desenvolva e consiga melhorar sua performance. As descobertas nas fases iniciais também podem necessitar de sua atuação para que aconteçam com segurança. 112 Unidade II Figura 73 – Saltos ornamentais são uma atividade aquática bastante desafiadora. Especialmente no início da prática, o profissional precisa considerar os aspectos técnicos e até os psicológicos que a atividade exige Disponível em: https://cutt.ly/VCqzORB. Acesso em: 23 ago. 2022. Nas provas de saltos ornamentais, o saltador comunica previamente aos árbitros qual movimento de salto se pretende realizar. Cada combinação de movimentos tem um grau de dificuldade atribuído que aumenta a sua valoração. Quanto mais bem executado, maior será a nota atribuída ao salto. Saiba mais As regras oficiais dos saltos ornamentais podem ser consultadas em português no site oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), na seção “regras”. Disponível em: https://cutt.ly/dC7ToV7. Acesso em: 14 set. 2022. Elas também estão disponíveis em inglês no site oficial da Federação Internacional de natação (Fina). Confira em: Disponível em: https://cutt.ly/wCqxK8F. Acesso em: 23 ago. 2022. 113 ATIVIDADES AQUÁTICAS Quadro 9 – Resultados das provas de saltos ornamentais nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 Posição no ranking País Trampolim 3 m – feminino 1º (ouro) China 2º (prata) China 3º (bronze) Estados unidos Trampolim 3 m – feminino sincronizado 1º (ouro) China 2º (prata) Canadá 3º (bronze) Alemanha Trampolim 3 m – masculino 1º (ouro) China 2º (prata) China 3º (bronze) Grã‑Bretanha Trampolim 3 m – masculino sincronizado 1º (ouro) China 2º (prata) Estados Unidos 3º (bronze) Alemanha Plataforma 10 m – feminino 1º (ouro) China 2º (prata) China 3º (bronze) Austrália Plataforma 10 m – feminino sincronizado 1º (ouro) China 2º (prata) Estados Unidos 3º (bronze) México Plataforma 10 m – masculino 1º (ouro) China 2º (prata) Grã‑Bretanha 3º (bronze) Comitê Olímpico Russo Plataforma 10 m – masculino sincronizado 1º (ouro) Grã‑Bretanha 2º (prata) China 3º (bronze) Comitê Olímpico Russo Fonte: COI (2021e). 114 Unidade II Saiba mais O site do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) dispõe de uma área exclusiva que trata dos saltos ornamentais. Veja em: Disponível em: https://cutt.ly/3Cq8cUS. Acesso em: 23 ago. 2022. A Federação Internacional de Natação (Fina) também dispõe de um ambiente on‑line semelhante. Confira em: Disponível em: https://cutt.ly/qCq8mS7. Acesso em: 23 ago. 2022. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) também disponibiliza em seu portal os clubes que oferecem a modalidade de saltos ornamentais como atividade aquática para facilitar os contatos dos interessados. Disponível em: https://cutt.ly/SCwydp8. Acesso em: 23 ago. 2022. 8.5 Maratonas aquáticas A natação em águas abertas compreende as provas de natação – às vezes também chamadas de “travessias” – em que os nadadores não utilizam piscinas, e sim corpos naturais de água, como represas, lagoas, mar e rios. Por se tratarem de provas de maior distância e duração, a preparação física, técnica e psicológica é diferente, o que exige que um educador físico que pretenda atuar nessa atividade aquática busque a capacitação específica para tanto, explorando as possibilidades de crescimento profissional. O termo “maratona aquática” refere‑se especificamente às provas em águas abertas de 10 km. Todas as demais distâncias em diferentes provas que podem ser realizadas são chamadas somente de “natação em águas abertas”. Lembrete Natação em águas abertas são as provas de natação realizadas em corpos de água naturais: rios, represas, oceanos etc. Maratonas aquáticas têm uma distância específica a ser percorrida durante a prova: 10 km. 115 ATIVIDADES AQUÁTICAS As técnicas de entrada na água, geralmente em grandes grupos de nadadores a partir da praia ou de um píer, são importantes para que não haja perda de tempo. No início do percurso, a grande aglomeração de nadadores vai requerer táticas de perseguição (nadar próximo e atrás de outro nadador) para diminuir o arrasto. Figura 74 – No início da prova, os nadadores ainda estão muito próximos uns dos outros Disponível em: https://cutt.ly/cCqmbr1. Acesso em: 23 ago. 2022. Lembrete Os nadadores não podem usar equipamentos que auxiliem flutuação, velocidade ou resistência, mas podem usar roupas previamente aprovadas, respeitando o limite máximo de duas toucas, clipe nasal e tampões de ouvido (FINA, 2017). Também é importante desenvolver no praticante a noção de navegação, conhecimento de correntezas e uma preparação especial em relação à água fria, pois muitas vezes os ambientes aquáticos apresentam temperaturas bem abaixo de piscinas de treinamento usuais. As técnicas utilizadas para a execução do nado em sisão as técnicas do nado crawl, eventualmente adaptadas para as condições de ondas devido a interferência na braçada, organização do movimento de respiração e elevação da cabeça acima da superfície para orientação mais frequente, o que demandará ajustes de coordenação e movimentos de maior amplitude. Algumas provas de natação em águas abertas são especialmente desafiadoras: condições difíceis, distâncias longas, lugares isolados ou desafios próprios que o nadador deseja ultrapassar. Uma das provas mais conhecidas é a travessia do Canal da Mancha entre Inglaterra e França, que frequentemente tem condições difíceis e já causou inúmeras mortes de nadadores, mas continua sendo uma meta de muitos nadadores que praticam esta atividade. 116 Unidade II Observação A travessia do Canal da Mancha inicia‑se geralmente na cidade de Dove (Reino Unido) até a cidade de Calais, na França. São cerca de 35 km de distância em linha reta – por causa das correntes marinhas, nada‑se muito mais – podem ser enfrentadas temperaturas como 12 °C e cerca de 12 horas de prova (o recorde masculino é de um pouco mais de 6 horas). Outra aplicação da natação em águas abertas é o triatlo. Na verdade, o triatlo utiliza ciclismo, corrida e um percurso de águas abertas variáveis, dependendo da competição. No trecho da natação, aplicam‑se técnicas de acordo com as condições do ambiente. Saiba mais As regras das competições de águas abertas e maratonas aquáticas podem ser consultadas em português no site da Fina. Disponível em: https://cutt.ly/qCwesct. Acesso em: 23 ago. 2022. Elas também estão disponíveis em português no site oficial da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Confira na seção “regras”: Disponível em: https://cutt.ly/6Vv28Wz. Acesso em: 23 ago. 2022. Para informações sobre a modalidade, a Fina também tem uma página exclusiva que pode ser acessada em: Disponível em: https://cutt.ly/pCweHt5. Acesso em: 23 ago. 2022. Os clubes filiados à CBDA podem ser consultados em: Disponível em: https://cutt.ly/6Vv28Wz. Acesso em: 23 ago. 2022. Vale a pena uma pesquisa aprofundada se você deseja se desenvolver nesta área. 117 ATIVIDADES AQUÁTICAS 8.6 Surfe Estreante nos Jogos Olímpicos na edição de Tóquio 2020, o surfe tornou‑se uma atração à parte nesta última edição. A prática esportiva já é bastante consolidada em termos de profissionalismo, premiação, mídia e público. Para atuação profissional, é possível que o surfe passe a crescer ainda mais. Muitos profissionais já atuam ensinando crianças ou adultos a surfar, principalmente em cidades turísticas do litoral. A partir da implantação como modalidade olímpica, acredita‑se que haja um crescimento na procura dessa atividade aquática por parte do público. Figura 75 – Antes de chegar ao nível competitivo, o profissional de atividades aquáticas encontra diversas oportunidades para ensinar o surfe Disponível em: https://cutt.ly/yCwreCV. Acesso em: 23 ago. 2022. Diversos aspectos devem ser trabalhados pelo profissional da área. Habilidades e capacidades como reconhecimento das condições de mar, remadas, equilíbrio, postura, manobras e táticas de competição são imprescindíveis para o desenvolvimento do praticante, e o profissional deve buscar aprimorar‑se para poder enriquecer a própria bagagem e experiência. Há ainda a questão da segurança, pois atividades no mar dependem de uma preocupação com os praticantes que o profissional de atividades aquáticas deve abranger. De acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a Associação Brasileira de Surf Amador (Abrasa), criada em 1987, surge com a finalidade principal de desenvolver, coordenar e padronizar os critérios do surfe amador em todo o Brasil. No dia 17 de outubro de 1998, a Abrasa mudou seu nome para Confederação Brasileira de Surf (CBS). Em 2002, a entidade foi vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A CBS 118 Unidade II também está filiada à Panamerican Surfing Association (Pasa) e é reconhecida desde 1988 pela International Surfing Association (ISA) como responsável pelo surfe amador no Brasil. As competições de surfe podem ter baterias de duração determinada, com vários atletas ou confrontos diretos. A cada bateria, os árbitros atribuem notas de acordo com critérios técnicos para cada onda surfada pelo atleta. Saiba mais As regras oficiais da Confederação Brasileira de Surf (CBS), atualizadas em 2022, podem ser consultadas em: Disponível em: https://cutt.ly/dCwrKaS. Acesso em: 23 ago. 2022. 8.6.1 O torneio olímpico de surfe em Tóquio 2020 O torneio olímpico abrangeu vinte competidores de cada gênero: vinte homens e vinte mulheres. Nos dois casos, a primeira rodada contava com quatro atletas em cada bateria, dos quais dois eram classificados direto para a terceira rodada, e os restantes iam para a repescagem (segunda rodada). A terceira rodada são as oitavas de final: quatro baterias com quatro atletas, em que os dois melhores avançavam para as quartas de final, e dessa rodada em diante aconteciam confrontos diretos. Os melhores de cada confronto avançaram para a semifinal e, desse último conflito, para a final. Quadro 10 – Classificação das modalidades de surfe nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 Posição no ranking País Surfe masculino 1º (ouro) Brasil (Ítalo Ferreira) 2º (prata) Japão 3º (bronze) Austrália 4º Brasil (Gabriel Medina) Surfe feminino 1º (ouro) Estados Unidos 2º (prata) África do Sul 3º (bronze) Japão 5º Brasil (Silvana Lima) 9º Brasil (Tatiana Weston‑Webb) Fonte: COI (2021f). 119 ATIVIDADES AQUÁTICAS Resumo Nesta unidade pudemos analisar uma ampla possibilidade de atuação para o profissional da área de atividades aquáticas, pois a busca por esse tipo de atividade física é bastante difundida. Em primeiro lugar, analisamos as atividades aquáticas direcionadas para a área da saúde e do desenvolvimento, em que se destacam a própria natação (sem caráter desportivo) voltada para a busca da saúde e a hidroginástica como forma de atividade física – mesmo para quem não sabe nadar. A atuação do profissional de educação física nas atividades aquáticas em diversas faixas etárias também foi analisada, cada qual com suas preocupações relacionadas à saúde. Grupos especiais também fizeram parte de nossa análise, especialmente pessoas com deficiência, bebês, gestantes, entre outros, e aqueles que buscam a atividade para tratar problemas respiratórios ou ortopédicos. As atividades aquáticas como opção de lazer também mereceram nossa análise, pois o profissional de educação física pode encontrar mercados interessantes, especialmente ligados aos momentos de relaxamento ou atividades diversificadas que utilizam o contato com a água como forma de interação para o lazer. Por fim, pudemos analisar as atividades aquáticas no formato mais famoso, que são as modalidades desportivas – especialmente os esportes olímpicos, que sempre merecem atenção do profissional que se interessa por competições. Não só os esportes tradicionalmente ligados à Federação Internacional de Natação (Fina), mas também o surfe, que recentemente foi integrado ao programa olímpico nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Esperamos ter proporcionado o conhecimento sobre diversas áreas de estudo e atuação profissional para o estudante. Bons estudos! 120 Unidade II Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir: A população mundial vem apresentando uma tendência de envelhecimento nas últimas décadas, tanto pelo aumento da expectativa de vida devido à melhoria das condições de saúde como por uma redução da taxa de natalidade. Apesar do aumento nos seus anos de vida, os idosos apresentam uma redução no nível de atividade física regular, acarretando situações de elevada prevalência de sedentarismo; estes quadros podem estar associados a situações de deficiência física, deficiência mental e exclusão social, podendo evidenciar alguns sinais de uma possível depressão e de doenças cardiovasculares. De acordo com Gobbi,Villar, Zago, a prática de atividade física, como uma leve caminhada ou até mesmo a execução de atividades domésticas em geral, pode melhorar a aptidão física e também a capacidade funcional destes indivíduos, contribuindo significativamente para a manutenção de sua independência e autonomia. Esta realidade evidencia a necessidade de nós, enquanto profissionais da educação física, estarmos atentos e atualizados sobre os efeitos da prática de atividades aquáticas na saúde física, mental e emocional dos idosos, visando a melhoria de sua qualidade de vida, condição de saúde e bem‑estar. Adaptado de: LEÃO, L. A. et al. Benefícios das atividades aquáticas para idosos. Revista de Atenção à Saúde, São Caetano do Sul, v. 17, n. 61, p. 127‑134, 2019. Disponível em: https://cutt.ly/sXFTba5. Acesso em 17 ago. 2022. O texto mostra claramente a importância das atividades aquáticas para a saúde e o bem‑estar dos idosos. Assinale a alternativa que não representa uma vantagem ou um benefício desse tipo de atividade para os idosos: A) São atividades muito praticadas por serem consideradas de baixo impacto e preservarem a saúde das articulações. B) Essas atividades interferem na melhoria do condicionamento físico e da capacidade pulmonar. C) Apesar dos benefícios trazidos ao sistema muscular, as atividades aquáticas também são importantes para baixar a imunidade e permitir a instalação de infecções oportunistas. D) Há claros benefícios à frequência cardíaca e ao aumento da resistência e da força muscular. E) O idoso se beneficia ao desenvolver maior mobilidade articular e melhorar sua performance nas atividades diárias. Resposta correta: alternativa C. 121 ATIVIDADES AQUÁTICAS Análise da questão Pessoas idosas, de maneira geral, apresentam diferentes condições que dificultam a prática de exercícios em solo e, por isso, optam pela realização de atividades físicas em ambientes aquáticos. Pode‑se considerar que esse tipo de ambiente é um aliado no aumento do nível de atividade física entre os idosos. Nesse contexto, é possível observar benefícios em vários sistemas corporais como articulações, musculatura, esqueleto, circulação sanguínea, capacidade pulmonar, aumento do metabolismo, entre outros. Nesse tipo de atividade, fica evidente a menor sobrecarga nas articulações, o que reduz os riscos de lesões e de quedas. Além disso, o meio líquido proporciona, por flutuação, a realização de movimentos que dificilmente seriam praticados em solo. Uma vez que as atividades físicas em ambiente aquático trazem tantos benefícios ao idoso, não é correto considerar que elas contribuem para baixar a imunidade e permitir a instalação de infecções oportunistas. Na verdade, o processo de envelhecimento causa esses processos. É correto considerar que a prática de atividades físicas, em ambientes aquáticos ou não, é um método adequado para que várias disfunções sejam minimizadas, promovendo aumento da imunidade e redução de risco de acidentes e doenças. Questão 2. Leia o texto a seguir: A hidroginástica é uma atividade que vem sendo procurada em todo lugar, já que é realizada através de uma série de exercícios no meio líquido, que torna as aulas mais divertidas, agradáveis, estimulantes e proporcionam segurança aos praticantes. A hidroginástica, ou ginástica aquática como também é chamada, é uma atividade física atualmente bastante divulgada, e levada muito a sério por seus adeptos. Esta atividade tem como finalidade melhorar a saúde e o bem‑estar físico e mental dos seus praticantes. Não existem limites de idade ou de nível de condicionamento físico para aderir s esta prática. Adaptado de: MONTENEGRO, S.; PAIVA, R. Os benefícios da hidroginástica para as gestantes. Unifacol, Vitória de Santo Antão, 2019. Disponível em: https://cutt.ly/KXFT5wB. Acesso em 23 ago. 2022. Sobre a participação de gestantes em atividades aquáticas de hidroginástica, avalie as afirmativas a seguir: I – A hidroginástica é uma atividade aquática recomendada para todas as pessoas, inclusive as gestantes, sendo evidentes os benefícios no condicionamento físico, na parte emocional, na prevenção de dores lombares e cervicais, na melhora da circulação sanguínea nas pernas, além de um bom convívio social. II – A hidroginástica, no caso das gestantes, é necessária, por contribuir para uma gestação saudável e por proporcionar à criança um nascimento harmonioso e uma futura vida saudável. III – Entre os efeitos associados às atividades aquáticas em gestantes estão: atenuação do peso do corpo, redução do estresse sobre músculos e articulação e efeitos refrescantes da água já que, na gravidez, a temperatura central da mulher é mais alta do que o normal. 122 Unidade II Sobre as afirmativas apresentadas, assinale a alternativa correta: A) Apenas a I é correta. B) Apenas a II é correta. C) Apenas a I e III são corretas. D) Todas são corretas. E) Nenhuma é correta. Resposta correta: alternativa D. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: a atividade física no período de gestação tornou‑se um fato importante para o bem‑estar e a saúde integral da mulher. A hidroginástica tem se mostrado uma ótima opção de atividade para esse momento da mulher, já que o meio líquido é um ótimo relaxante, tanto no que diz a respeito à postura quanto ao descanso muscular e mental. II – Afirmativa correta. Justificativa: as atividades aquáticas são uma forma saudável, confortável e mais segura de exercícios para grávidas, pois se constituem em um benéfico programa de condicionamento físico para a futura mamãe, melhorando não apenas a sua saúde como, também, a saúde do bebê. III – Afirmativa correta. Justificativa: exercícios aeróbicos moderados na gravidez promovem a diminuição do número de complicações durante a gestação e o parto, aumentando a autoestima materna e proporcionando menor desconforto durante o último trimestre. O exercício de hidroginástica para gestantes inclui o alongamento e o condicionamento aeróbico, que trabalha todos os músculos do corpo, o que promove melhor condicionamento físico e fortalecimento de músculos específicos, como os abdominais. Tem, ainda, a finalidade de diminuir o estresse e promover o equilíbrio emocional da gestante. Para tanto, são desenvolvidos exercícios respiratórios que visam melhorar a parte circulatória, deixando a gestante mais relaxada, menos ansiosa, o que ajuda na autoestima e no autocontrole. O contato com a água é, ao mesmo tempo, estimulante e relaxante. 123 REFERÊNCIAS Audiovisuais CADEIA sobrevivência no afogamento 2016. 2016. 1 vídeo (21:41). Publicado por Sobrasa Brasil. Disponível em: https://cutt.ly/fXJRMXd. Acesso em: 23 ago. 2022. Textuais ABNT. NBR 10339: piscina: projeto, execução e manutenção. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. AZEVEDO, A. M. P. et al. Os benefícios da natação para bebês de 6 a 24 meses de idade. In: ENCONTRO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA, 11., 2008, João Pessoa. Anais […]. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, 2008. Disponível em: https://cutt.ly/aXDn35R. Acesso em: 23 ago. 2022. BATISTA, D. C. et al. Atividade física e gestação: saúde da gestante não atleta e crescimento fetal. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, Recife, v. 3 n. 2, p. 151‑158, 2003. 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São famosos os recintos conhecidos como banhos romanos ou termas, alguns datados de antes de Cristo, para que a população se banhasse e criasse um ambiente social. 10 Unidade I Figura 1 – Ambientes aquáticos artificiais tornaram-se famosos, como os antigos banhos romanos e modernamente os parques aquáticos Disponível em: https://cutt.ly/JXJew8O. Acesso em: 23 ago. 2022. Escavações mostraram a existência de piscinas aquecidas na antiga Índia há cinco mil anos (LENK; PEREIRA, 1966 apud PEREIRA, 1999, p. 36). Isso mostra que o contato com a água era valorizado ou praticado nessa sociedade milenar, que até hoje utiliza e venera o rio Ganges como sagrado. Em antigas inscrições egípcias (desenhos rudimentares) é possível identificar figuras de pessoas nadando. Os egípcios, de acordo com Lotufo, “eram adeptos da natação” (1980 apud PEREIRA, 1999, p. 36). Certos autores, como Velasco (1997), enxergam em algumas dessas pinturas um esboço rudimentar da braçada do nado crawl ao analisar a posição dos membros e gestos representados. Figura 2 – Antigas pinturas rupestres egípcias ilustram a interação com a água em indivíduos na antiguidade Disponível em: https://cutt.ly/7XJe6sp. Acesso em: 23 ago. 2022. 11 ATIVIDADES AQUÁTICAS O domínio da arte da navegação lança o ser humano para dentro dos ambientes aquáticos. Muitas vezes uma relação eficiente com a água significava a sobrevivência. Vale ressaltar que, nos dias de hoje, há atividades aquáticas esportivas como o remo e a canoagem advindas dessa evolução da navegação. Figura 3 – Os ambientes aquáticos fazem parte da característica de vida de grande parte da população mundial Disponível em: https://cutt.ly/pXJrcAy. Acesso em: 23 ago. 2022. 1.2 Atuação do profissional de educação física nas atividades aquáticas diversas Os futuros profissionais de educação física podem reconhecer formas de atuação nas atividades aquáticas, que vêm sendo conquistadas com a evolução da abordagem pedagógica até o momento atual da área. Guts Muths (1793, apud QUITZAU; SOARES, 2016, p. 41) cita em um de seus diversos estudos que um local apropriado para a prática de atividades aquáticas seria “um local cômodo às margens de um rio vicinal […] sua profundidade conhecida com exatidão, não sendo muito funda, mas também não muito rasa a ponto de impedir a imersão”. 12 Unidade I Ainda segundo Quitzau e Soares (2016, p. 41), Guts Muths pensava que aprender a nadar era: […] uma progressão pedagógica que vai do ato de se banhar ao de nadar, mais complexo e que exige outros aprendizados. Aprender-se-ia a nadar sempre em rios calmos, cuja água atingisse no máximo a altura dos quadris, e com a companhia de um instrutor, de forma a reduzir a probabilidade de afogamento. Assim que estivesse habituado ao ambiente aquático, a submergir seu corpo inteiro na água, o jovem poderia aprender a nadar. Observação Guts Muths (1759-1839), importante desenvolvedor da educação física como conhecemos modernamente, escreveu, em 1973, Gymnastik für die Jugend (Ginástica para a juventude, em tradução livre), um tratado sobre a ginástica artística, que também abordava suas ideias sobre ensino e desenvolvimento de diversas práticas físicas – entre elas a natação, ainda intrinsecamente ligada aos ambientes aquáticos naturais naquela época. Figura 4 – Guts Muths Disponível em: https://cutt.ly/pXJuQE4. Acesso em: 23 ago. 2022. Nos tempos atuais, as atividades aquáticas ganham contornos extras. Além de ganharem propósitos educativos, de lazer, formativos e culturais, também se tornaram alternativas de atuação profissional de acordo com as demandas de cada região. Tanto em grandes centros urbanos – onde instalações disponibilizam piscinas e outros ambientes para que atividades como esportes, terapias e lazer possam ser praticados na água – como em cidades que dispõem de fácil acesso a corpos de água naturais, possibilita-se uma gama de atividades educativas, físicas e sociais que promovem a interação do homem com a água, muitas vezes intermediada por profissionais de educação física. 13 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 5 – Parque aquático dos Jogos Olímpicos na Rio 2016 Lembrete Atualmente, as atividades aquáticas, além de ganharem propósitos educativos, de lazer, formativos e culturais, também se tornaram alternativas de atuação profissional; de acordo com as demandas de cada região, há atividades aquáticas esportivas além da natação, como o remo e a canoagem. 2 HIGIENE E SEGURANÇA EM AMBIENTE AQUÁTICO Você, futuro profissional de educação fisica, já deve ter se preocupado com a segurança ao considerar atividades humanas realizadas no ambiente aquático. Na visão do praticante de atividades aquáticas, o risco nem sempre é claro, mas dependendo da cultura (especialmente familiar) há um grande temor do desconhecido em relação ao ambiente aquático, que pode levar pessoas a terem medo da água ou simplesmente a evitar o contato com ambientes aquáticos, privando-se desse convívio. Por outro lado, também dependente de condições culturais, pode haver um grande incentivo à frequentação de espaços aquáticos naturais ou artificiais sem o devido conhecimento dos riscos envolvidos, oportunizando a ocorrência de acidentes ou situações de emergência que poderiam ser evitadas com medidas de segurança eficazes. 14 Unidade I Saiba mais A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) é uma entidade que atua na área de conhecimentos sobre riscos envolvidos nas atividades aquáticas, afogamentos e salvamentos, com um rico acervo de informações importantes para o profissional de educação física conhecer os riscos envolvidos nas atividades aquáticas. Acesse o site da entidade em: Disponível em: www.sobrasa.org. Acesso em: 23 ago. 2022. 2.1 Higiene na condução de atividades aquáticas 2.1.1 Condições de higiene da água e do entorno de piscinas Boas condições de higiene são fundamentais para a prática de atividades aquáticas. As águas de piscinas, por exemplo, devem ser tratadas adequadamente para evitar a transmissão de doenças infecciosas causadas por fungos, bactérias e vírus. Segundo a OMS (2006), o controle dos microrganismos transmissores de doenças é feito por uma combinação da circulação da água, de filtragem e de desinfecção. A circulação da água é importante para assegurar que a água filtrada e desinfetada chegue em todas as áreas da piscina. A filtragem tem como função principal remover partículas que deixam a água turva. A claridade da água é fundamental para a segurança dos usuários. Uma visibilidade ruim dentro da água contribui para acidentes e dificulta o reconhecimento de uma pessoa que necessita de ajuda ou de um corpo no fundo da piscina. A filtragem também remove partículas que comprometem a desinfecção da água. A desinfecção é a parte do processo em que os microrganismos são inativados por um processo químico ou físico. Os principais desinfetantes químicos utilizados são à base de cloro (o desinfetante mais utilizado), bromo ou ozônio. A radiação ultravioleta é um exemplo de processo físico de inativação de microrganismos na água. A escolha do desinfetante com o melhor custo-benefício envolve alguns fatores como: compatibilidade da água com o desinfetante utilizado, tipo de piscina (aberta ou fechada), quantidade de pessoas que utilizam a piscina e capacidade operacional do local (custos envolvidos e habilidades técnicas necessárias para a manutenção). Uma boa qualidade da água não pode ser mantida sem uma adequada higiene de banheiros, duchas e ambientes no entorno da piscina. Em piscinas públicas, esses ambientes devem ser limpos diariamente. 15 ATIVIDADES AQUÁTICAS 2.1.2 Orientações de boas práticas de higiene para os usuários de ambientes aquáticos Estando a água e o entorno do ambiente aquático tratados de forma adequada,ainda resta a educação e orientação dos praticantes. O profissional de educação física deve educar e orientar as pessoas às boas práticas de higiene que minimizem a transmissão de doenças em ambientes aquáticos. No quadro a seguir, são descritas algumas orientações de boas práticas de higiene em ambiente aquático. Quadro 1 – Boas práticas de higiene em ambiente aquático Boas práticas de higiene em ambiente aquático 1 Tomar uma ducha antes de entrar na água reduz a quantidade de germes, suor e produtos químicos (filtro solar, por exemplo) que transmitimos para a água 2 Lugar de doente é em casa! Não entre na água caso esteja com alguma doença infecciosa, gastrointestinal, de pele ou respiratória 3 No banho, chinelo no pé! Em vestiários públicos, use sempre um calçado de borracha para evitar o contato do pé com o piso 4 Xixi é no vaso! Lembre-se de que existe um local adequado para cada coisa e que não se deve usar a água para satisfazer necessidades fisiológicas 5 Enxugue entre os dedos e evite a frieira! Enxugar os espaços entre os dedos dos pés após o contato com a água evita a umidade, fator que favorece a ação de fungos Adaptado de: OMS (2006, p. 109-110). Figura 6 – Orientar os praticantes de atividades aquáticas sobre boas práticas de higiene é fundamental para a saúde de todos! Disponível em: https://cutt.ly/DXJdqeN. Acesso em: 23 ago. 2022. Observação As orientações sobre boas práticas de higiene no ambiente aquático podem ser feitas junto com o contrato de prestação de serviços, por meio de cartazes ou placas de sinalização, e por meio digital – em redes sociais, por exemplo. 16 Unidade I 2.2 Risco na relação humana com os ambientes aquáticos Diferentemente do que possa parecer a princípio, o risco de afogamento não é o único inerente às atividades aquáticas. Dependendo da atividade realizada, outras situações podem apresentar riscos até mesmo ao profissional de educação física envolvido. Começaremos este tópico dividindo os riscos presentes, para entendimento didático, entre riscos ambientais e riscos atitudinais que os envolvidos devem levar em consideração para diminuir as chances de acidentes. 2.2.1 Riscos ambientais Os riscos ambientais estão presentes tanto em piscinas quanto em ambientes naturais como lagos, cachoeiras, represas, rios e praias. Local raso A parte rasa de uma piscina ou de um ambiente natural (como um rio, por exemplo) oferece apoio no piso para as pessoas que têm menos experiência na água. No entanto, mergulhar em um local raso é extremamente perigoso, pois se houver colisão com o fundo, onde pode haver pedras ou bancos de areias, o risco de lesão na coluna ou no crânio é enorme. Um acidente ao mergulhar em local raso pode matar ou causar lesões irreversíveis, como a lesão medular. O profissional não deve permitir mergulhos sem orientação durante as atividades aquáticas propostas e deve orientar os frequentadores sobre os riscos de mergulhar em locais rasos, com ou sem supervisão. Acidentes são evitados com uma boa orientação. Outra situação possível em locais rasos, que soa improvável mas oferece alto risco, seria a pessoa se desequilibrar e não conseguir manter o rosto fora d’água para respirar. O profissional deve estar sempre atento às pessoas que estão sob sua supervisão durante as atividades aquáticas. Saiba mais No livro proposto, Marcelo Rubens Paiva conta como, ainda adolescente, um acidente ao mergulhar em uma parte rasa de uma lagoa causou uma lesão irreversível na sua coluna, mudando o rumo de sua vida. PAIVA, M. R. Feliz ano velho. São Paulo: Alfaguara, 2015. 17 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 7 – Um acidente ao mergulhar em local raso pode causar lesões irreversíveis ao crânio ou coluna vertebral Disponível em: https://cutt.ly/gC0NKIg. Acesso em: 14 set. 2022. Local fundo Estar em um local onde não é possível apoiar-se no fundo dificulta a manutenção da cabeça fora d’água e aumenta o risco de afogamento. Esse risco cresce se a pessoa tem pouca experiência na água. Segundo Willcox-Pidgeon e colaboradores (2020), 90% dos afogamentos acontecem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Isso acontece porque parte da população está sujeita a fatores de risco, como pouca experiência em nadar e falta de conhecimento sobre os riscos envolvidos nos ambientes aquáticos e como prevenir acidentes. Crianças, adolescentes e idosos são as faixas etárias sob maior risco de acidentes. No caso de crianças, a supervisão de um adulto é fundamental. O acesso de crianças a piscinas ou ambientes aquáticos naturais devem ser controlados. Outras orientações importantes são: nunca nadar sozinho(a), dar preferência a nadar em locais rasos e nunca superestimar a própria capacidade de nadar. 18 Unidade I Lembrete O conhecimento dos riscos, assim como habilidades para sobrevivência na água (que muitas vezes se relaciona com a cultura e condição social da pessoa), são fundamentais quando se trata de segurança nas atividades aquáticas. Piso escorregadio O chão no entorno de piscinas, lagos e cachoeiras pode estar molhado, com limo ou barro escorregadio. Nessas situações existe grande risco de escorregamento, que pode causar lesões traumáticas como contusões, fraturas ósseas e entorses articulares. Avisos de piso escorregadio em piscinas e orientação sobre não correr ou efetuar mudanças rápidas de direção são necessários tanto em piscinas quantos em ambientes naturais. Essas orientações são fundamentais quando se trata de crianças, adolescentes ou idosos com dificuldades de equilíbrio. Eletricidade O choque elétrico é um risco importante em ambiente aquático porque a água é um excelente condutor de eletricidade. Fontes perigosas de choques elétricos em piscinas são fios de energia pelo chão molhado, instalações elétricas que ficam expostas à umidade (interruptores, por exemplo), aparelhos sonoros e bombas de filtragem instaladas em piscinas. Fique alerta a possíveis problemas nas instalações e avise a manutenção quando necessário. Certifique-se sobre a existência de para-raios. Em ambientes naturais, siga as orientações sobre as atitudes a serem tomadas durante tempestades de raios. Ralos, escadas, bordas e superfícies de piscinas Figura 8 – O sistema de escoamento da piscina deve seguir as normas de segurança, para diminuir o risco de prender por sucção; a integridade dos azulejos também é importante para a segurança dos praticantes 19 ATIVIDADES AQUÁTICAS A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece que as piscinas devem contar com ralo antissucção (ABNT, 2018), porque a força de sucção do ralo da piscina pode prender uma pessoa na água e impedi-la de subir para respirar, causando afogamento. Oriente os praticantes de atividades aquáticas a não brincar com esse equipamento, porque caso cabelos, brincos ou correntes se prendam no ralo, também existe risco de afogamento. Devemos estar atentos a bordas e superfícies que podem estar quebradas e, por isso, apresentem risco de cortes e escoriações – especialmente quando a pele fica mais frágil após período longo de imersão na água. A manutenção deve ser avisada para realizar os reparos necessários e os praticantes orientados a se manterem longe de locais danificados. Entrar e sair de piscinas pode parecer uma tarefa simples; no entanto, o profissional de educação física deve orientar o uso cuidadoso das escadas para iniciantes e pessoas com pouca experiência na água. Essa recomendação fica ainda mais importante quando se trata de idosos, pessoas com dificuldades de locomoção, obesos e gestantes. Figura 9 – A escada deve ser usada para entradas e saídas da água, especialmente por gestantes, obesos, idosos ou pessoas com dificuldade de locomoção Disponível em: https://cutt.ly/AXJxWqd. Acesso em: 23 ago. 2022. 20 Unidade I 2.2.2 Riscos atitudinais Além dos riscos ambientais, devemos estar atentos aos riscos atitudinais. Atitudes inapropriadas dos praticantes (assim como dos profissionais responsáveis)podem aumentar consideravelmente a chance de acidentes nas diversas atividades aquáticas. Falta de estabelecimento e cumprimento de regras Regras de utilização e comportamento devem ser estabelecidas e principalmente cumpridas com o objetivo de minimizar os riscos no ambiente aquático. De nada adianta existir uma regra que não é cumprida. As regras devem ser estabelecidas de acordo com as especificidades do ambiente e do público-alvo. Figura 10 – Estabelecer e principalmente cumprir as regras faz a diferença quando o objetivo é conduzir atividades seguras Disponível em: https://cutt.ly/oXJxKPV. Acesso em: 23 ago. 2022. Falta de orientação sobre brincadeiras perigosas Algumas brincadeiras que são comuns em ambientes aquáticos, como correr para mergulhar e fazer uma “pirâmide humana”, podem resultar em acidentes. Fingir afogamento é outra brincadeira que pode confundir as pessoas e mascarar uma emergência real. Devemos orientar as pessoas que estão sob nossa responsabilidade do perigo de fazer brincadeiras que a princípio parecem tranquilas. Essa orientação deve ser feita para que as pessoas levem essas informações para situações em que não necessariamente terão um profissional responsável pela segurança das atividades aquáticas. Responsáveis por crianças e adolescentes também precisam estar cientes dos riscos de atitudes inadequadas. 21 ATIVIDADES AQUÁTICAS Falta de atenção do responsável O profissional que conduz atividades em ambientes aquáticos deve manter constante atenção nas pessoas sob sua responsabilidade. Mesmo em situações que parecem tranquilas, acidentes podem acontecer. Deixar as pessoas que estão sob nossa responsabilidade desatendidas é um grave erro que pode ter graves consequências. 2.3 Regras de segurança e prevenção na condução de atividades aquáticas Segundo Szpilman (2015), no Brasil, o afogamento é a segunda causa de óbito entre pessoas de 1 a 9 anos, terceira causa dos 10 aos 19 anos e quarta causa dos 20 aos 25 anos. Estamos diante de um problema que não pode ser ignorado. Crianças menores de 9 anos se afogam mais em piscinas, enquanto adolescentes e adultos em águas naturais, como rios, praias e represas. Figura 11 – Nunca deixe pessoas sozinhas na água, principalmente crianças. Boia não é sinal de segurança! Cuidado! Disponível em: https://cutt.ly/aXJcJrF. Acesso em: 23 ago. 2022. Os profissionais responsáveis por atividades aquáticas em piscinas ou ambientes naturais são importantes agentes de prevenção de afogamentos e outros acidentes. No quadro a seguir são descritas algumas medidas de prevenção de acidentes em rios, praias e piscinas. 22 Unidade I Quadro 2 – Medidas de prevenção de acidentes em rios, praias e piscinas Rios e represas 1 Atenção: manter 100% das crianças à distância de um braço 2 Boia não é sinal de segurança – cuidado! 3 Aprenda sobre emergências aquáticas – saiba como se prevenir e agir 4 Sempre use um colete salva-vidas. Mico é não voltar para casa 5 Ao praticar esportes de aventura, além do colete use capacete 6 Sempre entre primeiro com os pés em águas rasas ou desconhecidas 7 Evite ingerir bebidas alcoólicas antes de entrar na água 8 Cuidado com buracos e fundos de lodo; você pode afundar rapidamente. Mantenha a água sempre na altura do umbigo 9 Cuidado com o limo e o barro liso, você pode escorregar e cair na água 10 Não superestime sua natação – 50% dos afogados acham que sabem nadar 11 Nade em local com guarda-vidas e pergunte sobre o local mais seguro 12 Não tente entrar na água para salvar alguém; chame o socorro profissional (193), jogue algum material flutuante e aguarde os profissionais 13 Se você cair na água, não lute contra a correnteza; guarde suas forças, flutue e acene por socorro imediatamente Praias 1 Nade sempre perto de um guarda-vidas e evite bebidas alcoólicas 2 Respeite a sinalização, não entre em águas sinalizadas com bandeira vermelha 3 Água no umbigo, sinal de perigo. Caso seja pego por uma corrente, fique calmo; não lute contra a correnteza, flutue e acene por ajuda imediatamente 4 Em costões ou locais com pedras, não entre na água – risco de morte 5 Não tente entrar na água para salvar alguém; chame o socorro profissional (193), jogue algum material flutuante e aguarde os profissionais Piscinas 1 100% de atenção nas crianças; leve-as consigo caso tenha de se afastar da piscina 2 Isole a piscina. Grades de segurança de 1,5 m de altura reduzem riscos de afogamento 3 Evite brinquedos próximos à piscina, pois estes atraem crianças sem supervisão 4 Desligue a circulação da piscina quando não estiver em uso 5 Tenha o telefone por perto quando estiver na piscina 6 Não pratique hiperventilação sem supervisão confiável 7 Cuidado com mergulhos em locais rasos; coloque avisos Adaptado de: Szpilman e colegas (2015, p. 9-11). Lembrete Não respeitar limites pessoais ou superestimar suas habilidades de natação pode ser fatal; 50% dos afogados acham que sabem nadar. 23 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 12 – Oriente os praticantes a respeitar a sinalização e não entrar na água com bandeira vermelha. Legenda: perigo ao nadar Disponível em: https://cutt.ly/2XJvCGH. Acesso em: 23 ago. 2022. 2.4 Salvamento Imagine que você está liderando uma atividade aquática em uma grande piscina ou em águas abertas. Existem atitudes que previnem acidentes? Será que o fato de estar supervisionando atletas experientes em ambiente aquático diminui a necessidade de atenção? E, se mesmo tomando as atitudes corretas de prevenção, acontecer um acidente? Qual é a melhor forma de agir para ajudar a pessoa em risco e ao mesmo tempo não arriscar sua própria vida? O profissional deve estar preparado para lidar com situações de emergência. Sem ter a pretensão de ser um “salva-vidas”, o que demandaria muito mais tempo e treinamento, algumas considerações são importantes para minimizar o risco em situações de emergência. Observação Técnicas especiais de salvamento são necessárias para ações mais complexas, e você precisará de treinamento especializado para algumas situações que podem evoluir para uma parada cardiorrespiratória, por exemplo. Ajude dentro de sua condição de preparo e competência, sem colocar sua vida em risco. Deixe resgates complexos para pessoas com treinamento adequado. Acione o resgate via Corpo de Bombeiros (193) ou o Samu (192) dependendo da gravidade de cada caso. 24 Unidade I 2.4.1 Posicionamento Você deve se posicionar próximo à situação de maior risco. Nas piscinas, alguns locais podem oferecer risco maior, como a rampa para a parte funda, as bordas das plataformas de apoio para crianças pequenas, a raia onde ficam os alunos menos habilidosos ou a saída de um escorregador (na recreação aquática). Em ambientes naturais, o foco deve ser voltado para as regiões de maior risco específicos de cada local. 2.4.2 Atenção e prontidão O profissional deve estar sempre atento e pronto para agir. Evite distrair-se com conversas, uso de telefone ou mensagens e outras ações que afastem a atenção do trabalho de supervisão. Caso seja necessário conversar, coloque a pessoa à sua frente de forma que consiga observar o ambiente aquático sob sua responsabilidade. Esteja ciente da responsabilidade de lidar com possíveis situações críticas. 2.4.3 Materiais de apoio flutuantes O profissional sempre deve ter em prontidão materiais que possam auxiliar um possível resgate. Boias circulares (especialmente uma boia flutuante com corda), “espaguetes” ou qualquer material que flutue – como garrafas PET, por exemplo – são de grande ajuda para você oferecer à pessoa que esteja experimentando uma dificuldade dentro da água. Em piscinas, espaguetes ou bastões podem ser oferecidos a alguém em qualquer sinal de necessidade, sem que o profissional precise entrar na água. Isso minimiza a sensação de dependência da pessoa que frequentemente precisa ser “salva” por alguém que pula na água. Em situações de pânico, uma pessoa pode ter ações inesperadas, bruscase usará toda sua força para permanecer na superfície, incluindo agarrar e afundar o socorrista. Para evitar esse tipo de situação, leve um objeto flutuante e ofereça-o ao chegar próximo, colocando o objeto entre você e a pessoa em risco. Assim, você evita ser agarrado se a pessoa estiver fora de controle. Mesmo socorristas treinados tentam evitar esse tipo de abordagem de contato quando é possível oferecer um objeto flutuante. Nas praias, muitas vezes as pranchas de surfistas são usadas como material de apoio enquanto um salva-vidas é acionado. 25 ATIVIDADES AQUÁTICAS Figura 13 – Você deve ter sempre prontos materiais que possam auxiliar um possível resgate. Objetos flutuantes, como a boia com corda na figura, devem ser entregues para as pessoas que estão em risco na água Disponível em: https://cutt.ly/IXJnAYY. Acesso em: 23 ago. 2022. Lembrete Em piscinas ou ambientes naturais como rios, represas e praias, oferecer um objeto flutuante para a pessoa que corre risco pode ser fundamental para salvá-la sem colocar a sua própria vida em risco. 2.4.4 Acesso da pessoa em risco e reestabelecimento da segurança Tanto em piscinas como em ambientes naturais, se você tiver que entrar na água para acessar uma pessoa em dificuldades, escolha o ponto mais próximo da borda ou da entrada na água. O acesso por terra diminui o tempo de chegada se comparado ao acesso via nado, e nadando é provável que o profissional tenha que passar por outras pessoas que estão na água. Em uma piscina, ao estabelecer a flutuação por meio do objeto flutuante, acalme a pessoa e lentamente traga-a para a borda ou para o raso, se estiver próximo. Tranquilize a pessoa e explique o que houve de errado e o que foi feito para ela estar segura novamente. A racionalização do entendimento do que estava faltando para o incidente ser evitado e das ações de ajuda realizadas é importante para que a pessoa compreenda o fato e trabalhe para evitar novas emergências. 26 Unidade I Em uma situação em ambientes naturais, utilize as mesmas técnicas vistas anteriormente. Entre na água somente em locais conhecidos e pelo ponto mais próximo à pessoa, esteja ciente de condições e caminhos seguros para voltar à terra, leve um material flutuante e ofereça-o à pessoa necessitada sem permitir que ela te agarre. Saiba mais Veja o vídeo sobre a cadeia de sobrevivência no afogamento elaborado pela Sobrasa e lembre-se: PREVENIR É SALVAR! CADEIA sobrevivência no afogamento 2016. 2016. 1 vídeo (21:41). Publicado por Sobrasa Brasil. Disponível em: https://cutt.ly/fXJRMXd. Acesso em: 23 ago. 2022. 3 FÍSICA APLICADA ÀS ATIVIDADES AQUÁTICAS Os princípios físicos no meio líquido são diferentes dos princípios físicos no meio terrestre; as forças que atuam sobre o corpo nesses dois meios são distintas. No meio terrestre, temos grande influência da força da gravidade sobre o corpo e pouca da resistência do ar, tanto quando ficamos parados como quando realizamos movimentos. Já no meio líquido, temos a influência da força da gravidade sobre o nosso corpo reduzida devido à força de empuxo e grande influência da resistência da água para realizar movimentos ou manter posturas estáticas nesse ambiente. Entender como tais forças presentes no meio líquido influenciam o posicionamento, o controle do equilíbrio e o deslocamento do corpo é de grande importância para os profissionais que ministram atividades aquáticas para seus alunos. Neste tópico discutiremos os princípios físicos da hidrostática e da hidrodinâmica a fim de explorar conceitos de grande relevância para o planejamento adequado das atividades no meio líquido, tornando-as mais eficientes para o aprendizado. O entendimento sobre as forças que atuam no corpo humano no meio líquido permite ao profissional observar as dificuldades dos alunos e definir as melhores estratégias para que eles vençam suas dificuldades, otimizando a performance deles. 3.1 Hidrostática A base de conhecimento para estudarmos os princípios físicos da interação entre o ser humano e o ambiente aquático é a hidrostática. Essa área do conhecimento da física estuda as propriedades dos fluidos em repouso, discutindo também como objetos ou corpos submersos, total ou parcialmente, se comportam para se manterem em equilíbrio (SCARPELLINI; ADREATTA, 2012). 27 ATIVIDADES AQUÁTICAS Observação O termo “fluido” é sinônimo de “líquido” e pode ser definido como uma substância que tende a fluir ou se deformar continuamente (HALL, 2020; SCARPELLINI; ADREATTA, 2012). O que determina a forma do líquido em questão é a forma do recipiente no qual ele está contido e a ação da força da gravidade, que o empurra para baixo. Assim, em um ambiente como uma piscina, a água (ou líquido) tende a ficar parada, com uma velocidade de fluidez próxima a zero e a forma assumida pelo líquido será sempre igual ao da piscina (ou recipiente) em questão; diferente do que ocorrerá com a fluidez de um rio, que terá sua velocidade de fluidez e formato variando de acordo com a correnteza e o formato do rio. Saiba mais Para saber mais sobre a natureza dos fluidos, leia o capítulo “Movimento em um meio fluido” em: HALL, S. J. Biomecânica básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. O equilíbrio do corpo ou objeto submerso em um fluido caracteriza sua flutuabilidade, ou seja, sua capacidade de flutuar ou afundar de acordo com suas propriedades físicas (HALL, 2020). A flutuabilidade, portanto, dependerá essencialmente das características físicas do objeto ou da composição corporal do ser humano nas atividades em meio líquido. Dessa forma, a flutuabilidade não pode ser aprendida e não pode ser entendida como um fator determinante para classificar um sujeito como aquele que sabe ou não nadar. Uma pessoa pode se deslocar muito bem no meio líquido; no entanto, poderá afundar ao parar de se movimentar nesse meio (ou vice-versa). Para entender os conceitos da flutuabilidade a fim de aplicá-los no planejamento de atividades aquáticas, é necessário entender como as grandezas físicas e forças atuam no corpo humano no meio líquido. Conceitos importantes como a densidade corporal e dos líquidos, o princípio de Arquimedes e os fatores que influenciam o equilíbrio de flutuação serão discutidos nos tópicos a seguir. 28 Unidade I 3.1.1 Densidade corporal e dos líquidos A densidade é uma grandeza física que é definida pela quantidade de massa de um corpo ou de um objeto por unidade de volume (SCARPELLINI; ADREATTA, 2012). A fórmula que caracteriza tal grandeza é: d m V = Em que: • d é a densidade do corpo ou objeto, expressa em quilograma (kg) por metro cúbico (m3): kg/m3; ou em grama (g) por centímetro cúbico (cm3): g/cm3; ou em grama (g) por mililitro (mL): g/mL. • m é a quantidade de matéria do corpo ou objeto, expressa em quilograma (kg) ou em grama (g). • V é o volume de água deslocada pelo corpo ou objeto expresso em metro cúbico (m3), centímetro cúbico (cm3) ou mililitro (mL). Será, portanto, por meio da fórmula descrita que poderemos prever a densidade de sólidos e líquidos. Apesar de ela parecer bem simples, devemos ter o cuidado de entender que a densidade de materiais e fluidos depende da relação entre duas variáveis: a massa do corpo ou objeto e o volume de água deslocado por ele. Não é difícil ouvir as pessoas relacionarem a capacidade de um sujeito não afundar no meio líquido levando em consideração apenas o peso corporal dele. Dizer que pessoas obesas sempre afundam e pessoas magras sempre flutuam é uma crença popular porque, como já visto anteriormente, a flutuabilidade de um corpo ou objeto não depende apenas da sua massa – é preciso também considerar o seu volume. Lembrete A massa de um corpo ou objeto é caracterizada pela quantidade de matéria presente nele. Ao considerarmos o corpo humano, é possível determinar sua densidade pela equação: d m V = Em que: • d é a densidade do corpo ou objeto. • m é a quantidade de matéria do corpo ou objeto. • V é o volumede água deslocado pelo corpo ou objeto. 29 ATIVIDADES AQUÁTICAS O corpo humano é formado por diferentes substâncias que compõem ossos, músculos, articulações e outros órgãos, além da grande quantidade de líquido e certa quantidade de gordura. Cada uma dessas substâncias apresenta densidades distintas, e é a soma das diferentes densidades de cada substância que vai determinar a densidade do corpo de um indivíduo (DUARTE, 2004). Como o nosso objeto de estudo é o meio líquido, o entendimento de como a densidade dos diferentes tecidos do corpo influencia sua capacidade de afundar ou flutuar torna-se uma discussão importante e interessante. Para estudarmos tal comportamento, é preciso determinar a densidade relativa dos corpos ou objetos, que mostra quantas vezes a densidade do corpo ou objeto “cabe” na densidade do líquido (no caso, água) no qual está imerso. Dessa forma, se o objeto ou corpo apresentar uma densidade maior do que a densidade do líquido, ele tende a afundar (DUARTE, 2004). A densidade da água doce é de 1 g/cm3 (SCARPELLINI; ADREATTA, 2012). Considerando a temperatura de 25 °C, a densidade específica de um corpo ou objeto pode ser calculada por meio da seguinte equação: de x d x d ( ) ( ) ( ) � �� água Em que: • de(x) é a densidade específica de um corpo ou objeto x. • d(x) é a densidade de um corpo ou objeto x. • d(água) é a densidade da água doce, de 1 g/cm3, considerando a temperatura de 25 °C. Para aplicarmos a fórmula da densidade específica, observe a tabela a seguir: Tabela 1 – Densidade das diferentes matérias Matéria Densidade (g/cm3) Água doce 1,0 Corpo humano (média) 1,05 Osso compacto 1,8 Gordura humana 0,9 Massa humana sem gordura (músculos) 1,1 Adaptado de: Duarte (2004); Scarpellini e Adreatta (2012). 30 Unidade I Se calcularmos a densidade específica do corpo humano em relação à água doce, teremos que: de corpo humano d corpo humano d de corpo humano ( ) ( ) ( ) ( ) � � � � � � � água �� � � � � 1 05 1 00 1 05 , , ( ) ,de corpo humano Portanto, a densidade específica do corpo humano é maior do que a densidade específica da água, o que torna o corpo humano passível de afundar nesse meio. Lembre-se de que o valor da densidade do corpo apresentado na tabela 1 é uma média. A densidade pode variar dependendo das características físicas do sujeito, especialmente ao adicionar o volume pulmonar à equação – pois, ao ser preenchido por ar, os valores de densidade do pulmão cairão, o que alterará o cálculo da densidade corporal que, em um primeiro momento, considera apenas a massa e o volume dos tecidos. Isso influencia os valores de flutuabilidade dos sujeitos, aumentando-a. Veja na figura a seguir como os segmentos corporais apresentam diferentes densidades e, com isso, têm o potencial de alterar a densidade total do corpo. De ns id ad e do se gm en to (k g/ L) Densidade corporal (kg/L) 1,25 1,20 1,15 1,10 1,05 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 Mão Antebraço Braço Pé Perna Coxa Figura 14 – Relação entre a densidade dos segmentos e a densidade do corpo Adaptado de: Winter (2009, p. 85). 31 ATIVIDADES AQUÁTICAS Imagine que um sujeito A apresenta as seguintes densidades em seus segmentos: mão: 1,12 kg/L, antebraço: 10 kg/L, braço: 1,07 kg/L, pé: 1,08 kg/L, perna: 1,07 kg/L e coxa: 1,04 kg/L, isso significa que sua densidade corporal será da ordem de 1,04 kg/L; já um sujeito B, com as seguintes densidades em seus segmentos: mão: 1,20 kg/L, antebraço: 1,16 kg/L, braço: 1,105 kg/L, pé: 1,11 kg/L, perna: 1,10 kg/L e coxa: 1,07 kg/L, terá uma densidade corporal de aproximadamente 1,09 kgL. Comparativamente, o sujeito B afundará com mais facilidade do que o sujeito A. A partir disso, é possível afirmar que as características físicas dos sujeitos serão fator de grande relevância para determinar sua capacidade de flutuar. Perceba que, também na figura anterior, os segmentos da extremidade do corpo que são menores tendem a ter menor volume e, portanto, apresentam maior densidade, geralmente porque prevalece uma proporção óssea maior entre seus tecidos constituintes. Isso comprova que a densidade depende tanto da massa do corpo (ou objeto) quanto do volume de água deslocado. Observação Na fórmula usada para determinar a densidade, o valor da variável “densidade” fica na linha de cima da equação, enquanto o valor da variável “volume de água deslocado pelo objeto” fica na linha de baixo da equação. Quando isso acontece, dizemos que essas variáveis terão um comportamento inversamente proporcional – ou seja, sempre que o valor da variável “volume” aumentar, o da variável “densidade” diminuirá, e vice-versa. Por isso, verificamos a tendência de os segmentos corporais menos volumosos apresentarem maior densidade, mantida a massa e a proporção de tecidos. Com base no que foi estudado até o momento, é possível discutir como gênero, idade e estilo de vida podem influenciar as características físicas dos sujeitos e modificar sua capacidade de flutuar ou afundar. Considerando o osso, por exemplo, vemos na figura a seguir como o desenvolvimento desse tecido apresenta variação em sua densidade óssea mineral ao longo de toda vida, e também como tal densidade se distingue ao compararmos o gênero feminino e masculino (NORDIN; FRANKEL, 2014). 32 Unidade I Qu an tid ad e de m as sa ó ss ea (g rs d e Ca ) Idade (anos) 1000 500 20 40 60 80 Figura 15 – Relação entre massa óssea, idade e gênero Disponível em: Nordin e Frankel (2014, p. 45). Nos anos iniciais de vida, a quantidade de massa óssea é menor e há uma tendência de haver maior quantidade de gordura corporal. Como descrito na tabela 1, a densidade do osso (1,8 g/cm3) é maior do que a densidade da gordura (0,9 g/cm3), e essas duas substâncias influenciam no valor de densidade corporal total. Com a tendência de maior quantidade de gordura corporal e menor quantidade de tecido ósseo, bebês e crianças tendem a flutuar melhor. Pensando na comparação entre gêneros, ao longo de toda vida, os homens apresentam uma quantidade de massa óssea maior do que as mulheres. Outra característica do gênero feminino é apresentar maior quantidade de gordura corporal em relação aos homens. Dessa forma, as mulheres, devido a características físicas, tendem a apresentar melhor flutuabilidade do que os homens, pois geralmente têm uma densidade corporal total menor. É importante destacar que os tecidos do corpo humano, quando estimulados por exercícios físicos, tendem a aumentar sua massa. Um dos tecidos que apresenta tal adaptação ao exercício é o osso (HALL, 2020). Quando determinado sujeito realiza sessões de musculação frequentes, a cada sessão ele aplica forças compressivas sobre os ossos. Essas forças, que são de maior intensidade e volume em relação àquelas que o sujeito aplica no corpo quando não está treinando, geram microfissuras nos ossos, que estimulam as células a fabricarem mais material para preencher essas microfissuras, aumentando a densidade do tecido em questão (HALL, 2020). Portanto, um sujeito que faz musculação, por exemplo, tende a ter uma densidade corpórea maior do que a água (por possuir grande quantidade de massa óssea) e, possivelmente, menor proporção de gordura corporal, dificultando sua flutuação. Assim, percebe-se que as características físicas dos sujeitos, também são influenciadas por seu estilo de vida. 33 ATIVIDADES AQUÁTICAS O contrário ocorre com pessoas sedentárias, particularmente se associarmos o estilo de vida à idade do sujeito. Conforme apresentado no gráfico, pessoas com mais de 50 anos apresentam perda de massa óssea crescente e constante; esse fator aliado ao sedentarismo aumenta a possibilidade desses indivíduos apresentarem maior quantidade de gordura corporal. A soma de todos esses fatores pode favorecer a flutuabilidade do indivíduo, uma vez que, com menos massa óssea e mais gordura corporal, o sujeito tende a apresentar menor densidade corporaltotal em relação ao meio líquido. Nas atividades aquáticas, além das características físicas dos sujeitos, os materiais usados em aulas também podem auxiliar na flutuabilidade dos praticantes até que eles se familiarizem com a água. Tais materiais podem ser: boias infláveis de tamanhos e formatos variados, boias de braço, espaguetes (também conhecidos por macarrão), tapetes flutuantes, pranchas e flutuadores de perna (ou pullbuoys). Estes materiais estão ilustrados na figura a seguir. A) B) D) E) F) C) Figura 16 – Materiais de auxílio à flutuação: A) boias infláveis grandes e de formatos variados; B) boias de braço; C) espaguete (ou macarrão); D) tapetes flutuantes; E) pranchas e F) flutuadores de perna (ou pullbuoy) Disponível em: A) https://cutt.ly/3C0Mzd1; B) https://cutt.ly/HC0Mv0h; C) https://cutt.ly/qC0MIas; E) https://cutt.ly/UC0MFfl. Acesso em: 14 set. 2022. Os materiais em questão diminuem a densidade corporal total do sujeito que o está usando, facilitando a flutuação. Veja na tabela a seguir a densidade de alguns dos materiais usados para fabricação desses acessórios para as aulas de natação: 34 Unidade I Tabela 2 – Densidade das diferentes matérias Matéria Densidade (g/cm3) Ar 0,0012 Borracha de EVA (prancha de 300 g) 0,145 Espuma (espaguete de 100 g) 0,014 Adaptado de: Duarte (2004); Scarpellini e Adreatta (2012). As boias, por exemplo, são feitas com borracha e ar, permitindo a elas flutuarem sobre a superfície da água – já que o ar tem uma densidade de 0,0012 g/cm3, e a água de 1 g/cm3. Uma prancha de natação de 300 gramas apresenta uma densidade média de 0,145 g/cm3, facilitando também a flutuação, já que tem densidade menor do que a da água. O mesmo ocorre com o espaguete e com os flutuadores de perna. Lembre-se de que, quando um sujeito usa um flutuador, a massa do objeto soma-se a de seu corpo, assim como o volume de água deslocado por este sistema; por esse motivo, a soma das características físicas do corpo humano e do flutuador será considerada para o cálculo da densidade total. Algumas informações que são relevantes para entendermos os cuidados e objetivos referentes ao uso dos flutuadores nas atividades aquáticas estão pontuadas a seguir: • Boias infláveis de tamanho e formato variados: são usadas em estágios iniciais da aprendizagem da natação e outras atividades aquáticas para tornar a aula mais lúdica e interessante para crianças. Nesse estágio, enfatiza-se a adaptação das crianças ao meio líquido, então o tamanho da boia, que poderia comprometer a eficiência do deslocamento no meio líquido, não modifica o objetivo e nem atrapalha o desenvolvimento das habilidades a serem desenvolvidas em aula. • Boia de braço: não é um recurso muito usado nas aulas de natação, mas às vezes os pais adquirem esse material para outras atividades aquáticas. As boias de braço deixam as crianças dependentes de um flutuador, dificultando o desenvolvimento da habilidade de flutuar e de se deslocar no meio líquido de forma autônoma. • Espaguete (ou macarrão): são muito usados em atividades aquáticas com o objetivo de adaptar o aluno ao meio líquido e nos momentos de recreação da aula, nos quais os alunos tendem a explorar formas diferentes de flutuar com o auxílio deste objeto. — O espaguete permite que o aluno o posicione sob a coluna cervical, sob as axilas e sob a coluna lombar enquanto explora sua habilidade de flutuação dorsal. Quando há interesse em praticar a flutuação ventral, o espaguete pode ser posicionado sob as axilas e sob o abdome. Quando o desafio for controlar o equilíbrio do corpo, o espaguete pode ser posicionado sob os pés. 35 ATIVIDADES AQUÁTICAS — Crianças menores, que podem deixar o espaguete escapar do corpo, devem sempre estar sob supervisão. Nadadores experientes, que já se deslocam com grande facilidade no meio líquido, podem se incomodar com o uso do espaguete, pois ele gerará maior resistência contra o meio líquido, desacelerando seu deslocamento. • Tapetes flutuantes: é outro importante recurso lúdico para ser usado nas atividades aquáticas. Os alunos podem ser estimulados a usar este artefato nas brincadeiras de: — subir no tapete para pular, desenvolvendo a confiança do aluno para afundar e retornar à superfície sem entrar em pânico; — passar por baixo do tapete, treinando o controle respiratório embaixo d’água; — deitar sobre o tapete e deixar somente os pés em contato com a água para treinar o batimento de pernas, entre outras atividades. Observação Ao usar tapetes flutuantes em aula, o professor deve estar atento à possibilidade de o aluno se desequilibrar do tapete e cair na água; tão logo isso aconteça, o professor deve se preparar para auxiliar o aluno, se necessário. O professor também deve estar atento ao posicionamento do tapete na piscina, que deve estar longe das bordas para que, no caso de queda dos alunos, eles não corram o risco de bater nas bordas da piscina e se machucarem. • Pranchas: este material pode ser usado nos diferentes níveis de ensino da natação ou em outras atividades aquáticas para diferentes fins, como: — para iniciantes ela serve como apoio e aumenta a capacidade do aluno de flutuar no meio líquido; — para alunos já adaptados ao meio líquido, serve como uma referência para que o aluno consiga corrigir a postura dos braços, alinhando-os corretamente diante dos ombros quando a prancha é posicionada na frente do corpo; — para ajudar no controle do equilíbrio do corpo quando o aluno está aprendendo a realizar a respiração lateral de nados típicos da natação, como o crawl. Neste caso, a prancha é posicionada na frente do corpo e o aluno, a cada ciclo de braço do nado, ficará com apenas uma das mãos apoiada na prancha; — para melhorar a posição horizontal do corpo do aluno em adaptação ao meio líquido na posição de costas, ao ser posicionada abaixo da região do quadril; 36 Unidade I — para nadadores habilidosos, pode ser usada como uma referência para melhorar a biomecânica do nado em exercícios educativos, bem como para servir de apoio para as mãos e auxiliar no posicionamento correto do corpo quando os nadadores realizam treinos intensos para melhorar a propulsão do corpo na água somente com a força das pernas. • Flutuadores de pernas (pullbuoys): são usados para melhorar a flutuabilidade dos membros inferiores em alunos iniciantes. Quando o controle do equilíbrio do corpo no meio líquido não facilita o deslocamento do aluno na água, este tipo de boia (que tem forma de 8) pode ser usada entre as coxas e próxima ao joelho para melhorar o posicionamento do corpo do aluno na horizontal. Com isso, o indivíduo usará essencialmente os braços para se deslocar na água. — Os nadadores experientes usam o flutuador para inibir o uso das pernas ao se deslocarem no meio líquido e treinar o deslocamento somente com a força dos membros superiores. Dessa forma, os nadadores experientes percebem e corrigem o equilíbrio corporal nos nados, aperfeiçoando a técnica do movimento. Ainda que haja a possibilidade de uso de materiais flutuantes de acordo com o objetivo da atividade e nível de habilidade dos alunos, como descrito anteriormente, é importante destacar que o corpo humano dispõe de flutuadores naturais e dinâmicos que podem se encher ou esvaziar de ar conforme respiramos – os pulmões. Os pulmões são de grande importância para controlar a flutuabilidade no meio líquido, porque, ao se encherem de ar, diminuem a densidade corporal total – dado que a densidade do ar é de 0,0012 g/cm3, como visto na tabela 2, o que facilita a flutuabilidade do sujeito. A habilidade de usar este flutuador natural do corpo a nosso favor no meio líquido para não afundar é adquirida quando o sujeito não entra em pânico e mantém a calma. Se o sujeito está calmo, sua respiração também ficará controlada e manterá um ciclo respiratório constante, equilibrado e com maior volume de ar nos pulmões, o que facilita a flutuação. Sujeitos em pânico ou tensosacionam mais (e por mais tempo) músculos que deveriam estar relaxados. Com isso, o corpo gasta mais ATP (adenosina trifosfato) para manter esses músculos acionados. A produção de ATP depende do uso do oxigênio consumido, portanto a respiração ficará mais acelerada e rasa, o que compromete a capacidade de flutuação do corpo no meio líquido. Observação A adenosina trifosfato (ou ATP) é uma molécula formada por uma base nitrogenada de adenina, uma ribose e três fosfatos. Ela é usada pelos músculos na contração muscular concêntrica, permitindo o encurtamento muscular, que culmina a produção de força muscular para o movimento do corpo humano (KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 2013). 37 ATIVIDADES AQUÁTICAS O ATP pode ser fabricado pelo corpo por meio de três metabolismos distintos: o anaeróbico alático, o anaeróbico lático e o aeróbico. O tipo de metabolismo que será predominantemente usado para fabricá-lo depende da intensidade do exercício (ou movimento) e do tempo de permanência em atividade (KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 2013). Sujeitos em pânico no meio líquido tendem a usar mais energia e respirar menos controladamente. Como já dito, isso compromete o equilíbrio do corpo no meio líquido. Saiba mais Para entender melhor a fabricação e uso da molécula de ATP na produção de força muscular nos exercícios de diferentes intensidades e tempo de execução, leia o capítulo 2, “Bioenergética e satisfação da demanda metabólica por energia”, do livro: KRAEMER, W. J.; FLECK, S. J.; DESCHENES, M. R. Fisiologia do exercício: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. Depois de explorar bastante os conceitos de densidade dos líquidos e do corpo e entender como eles influenciam a flutuabilidade do corpo, é preciso desenvolver a habilidade de controlar o equilíbrio no meio líquido. Não basta ter uma boa capacidade física de flutuação se o comportamento do sujeito é desordenado e reativo; sua habilidade de flutuar, nesse caso, será comprometida por suas atitudes no meio líquido. Para adaptar o aluno ao meio líquido e evitar que seu comportamento influencie na sua capacidade de flutuar, é preciso desenvolver as habilidades básicas para que o aluno aprenda a ter domínio motor e encontre sua nova condição de equilíbrio. Para tanto, o professor deve compreender como as forças atuam no corpo no meio líquido a fim de ensinar aos seus alunos como se controlarem a fim de manter o equilíbrio. Assim, a capacidade de flutuação do aluno será otimizada pelo treinamento das habilidades que o mantém em equilíbrio. É importante ressaltar que a relação e a posição das forças que atuam no corpo quando o indivíduo está submerso influenciam a sua capacidade de se equilibrar nesse meio e, portanto, de controlar sua flutuabilidade corporal. Os conceitos que explicam tais relações são: o princípio de Arquimedes e os conceitos de centro de massa e centro de volume, que serão apresentados e discutidos na sequência. 38 Unidade I 3.1.2 Capacidade de flutuabilidade/princípio de Arquimedes Arquimedes de Siracusa foi um grande cientista grego da Antiguidade Clássica que estudou os conceitos de matemática, física, engenharia e astronomia grega e inventou o conceito da flutuabilidade (SILVA, 2006). Para Arquimedes, todo corpo imerso em um líquido sofre a ação de uma força vertical, com sentido para cima e intensidade igual ao peso do líquido deslocado – ou seja, assim como existe uma força que atua no nosso corpo o empurrando para baixo, existe, no meio líquido, outra força empurrando nosso corpo para cima. As forças em questão são a do peso corporal e a do empuxo, respectivamente. A força do peso atua no nosso corpo por meio da aceleração da gravidade que empurra a massa corporal na direção vertical e no sentido do centro da Terra (chão). Ela é, portanto, uma força vetorial, que pode ser representada por um vetor (seta) (DUARTE, 2004). A força de empuxo, descoberta por Arquimedes, se refere ao volume de líquido deslocado pelo volume de um corpo ou objeto que está total ou parcialmente imerso no líquido. Essa força atua na direção vertical do corpo ou objeto, mas no sentido oposto ao da força peso – ou seja, empurra o corpo ou objeto para cima. A força de empuxo também é uma grandeza vetorial e, por isso, também pode ser representada por um vetor (seta) (DUARTE, 2004). Veja no esquema da figura a seguir como essas forças podem ser representadas: E L S P Figura 17 – Relação entre as forças peso (P) e de empuxo (E) de um sólido (S) imerso no meio líquido (L) Fonte: Grupo Unip/Objetivo. Observação Uma grandeza física vetorial pode ser representada por uma letra com uma seta sobre ela, como visto na figura anterior. É preciso, no entanto, ter cuidado com o significado da seta, que apenas indica que aquela grandeza é vetorial, mas não define nem a direção e nem o sentido da força em questão. Para fazermos uma aplicação prática da relação entre as forças peso e de empuxo, podemos usar um dinamômetro a fim de registrar a força de empuxo em diferentes situações. 39 ATIVIDADES AQUÁTICAS Observação Dinamômetro é um dispositivo usado para quantificar a intensidade da força total que um sujeito aplica ao dispositivo ao ser manuseado, ou que um objeto registra ao ser suspenso por ele. Essa força é medida em Newtons (N), unidade de medida padronizada pelo Sistema Internacional (SI). O entendimento de como as forças se relacionam é importante para definirmos a capacidade de flutuação do corpo ou objeto imerso no líquido, como ilustrado na figura a seguir: P = 10 NP = 10 NP = 10 N P = 10 N Pa = 7 N E = 3 N Pa = 8 N E = 2 N Pa = 9 N E = 1 N P1 = 10 N 1 2 3 4 Figura 18 – Registro da força de empuxo com o objeto imerso em níveis de profundidade distintos Fonte: Grupo Unip/Objetivo. Na situação 1 apresentada na figura, P é a força peso do objeto fora do meio líquido e P1 é a força peso do objeto registrada pelo dinamômetro. Em 2, P é a força peso do objeto, Pa é a força peso do objeto registrada pelo dinamômetro no meio líquido (que sofreu influência da força de empuxo) e E é a quantidade da força de empuxo registrada quando o objeto está parcialmente imerso no líquido. Em 3, P é a força peso do objeto, Pa é a força peso do objeto registrada pelo dinamômetro no meio líquido (que sofreu influência da força de empuxo) e E é a quantidade da força de empuxo registrada quando o objeto está majoritariamente imerso no líquido. Em 4, P é a força peso do objeto, Pa é a força peso do objeto registrada pelo dinamômetro no meio líquido (que sofreu influência da força de empuxo) e E é a quantidade da força de empuxo registrada quando o objeto já está totalmente submerso no líquido. 40 Unidade I Podemos perceber que, quanto mais o corpo do objeto é imerso no líquido, maior é o volume de água deslocado, o que faz com que a força de empuxo aumente. Desse modo, quando: • a força peso do objeto for maior do que a força de empuxo, o objeto afunda; • a força peso do objeto for menor do que a força de empuxo, o objeto flutua; • a força peso do objeto for igual à força de empuxo, o objeto fica em equilíbrio neutro dentro do líquido – ou seja, permanece na profundidade na qual foi colocado. Mas será que somente o volume do líquido deslocado pelo objeto interfere na força de empuxo e na flutuabilidade dele em um líquido? Não podemos esquecer que a densidade do líquido também influencia na capacidade de flutuação de um corpo ou objeto. Líquidos com maior densidade tendem a apresentar uma força de empuxo maior, facilitando a flutuação de um corpo ou objeto imerso nele. Veja na figura a seguir a fotografia de um sujeito flutuando no Mar Morto, em que a proporção de sal no corpo d’água é dez vezes maior se comparado com outros mares e oceanos. Tamanha salinidade compromete a vida aquática, mas favorece a flutuabilidade. Figura 19 – Sujeito flutuando no Mar Morto Disponível em: https://cutt.ly/AC8C8Xz. Acesso em: 14 set. 2022. Para cada litro de água doce deslocada