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Autor: Prof. João Carlos Shimada Borges Colaboradoras: Profa. Vanessa Santhiago Profa. Laura Cristina da Cruz Dominciano Biologia (Citologia) Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Professor conteudista: João Carlos Shimada Borges Natural de São Paulo‑SP, nasceu em 1964. Formou‑se em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, em 1993. Fez mestrado (2000) e doutorado (2003) em Ciências (Biologia Celular e Tecidual) na Universidade de São Paulo e pós‑doutorado na mesma área e instituição. Desde 1991, é professor titular da Universidade Paulista, iniciando as atividades docentes no curso de Educação Física. Atualmente, também é coordenador do curso de mestrado profissional em Saúde Ambiental no Centro Universitário Faculdades Metropolitanas Unidas (aprovado na área interdisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior – Capes). Tem experiência nas áreas de Biologia Geral, Celular, Tecidual e do Desenvolvimento, com ênfase em biomarcadores histofisiológicos, atuando principalmente nos seguintes temas: bioindicadores ambientais, Antártica, resposta imunológica inata, equinodermatas e biomarcadores para o monitoramento ambiental. Na área acadêmica, trabalhou como professor II na Secretaria Estadual de Educação do Governo do Estado de São Paulo, entre 1994 e 1997; como monitor na Universidade de São Paulo (USP) pelo Programa de Aperfeiçoamento do Ensino (PAE), entre 1998 e 2001; como professor substituto também na USP, no curso de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, no segundo semestre de 1998; e como professor‑assistente I na Universidade Santo Amaro (Unisa), entre 2001 e 2003. Orientou diversos alunos em programas de iniciação científica e pós‑graduação. Até o momento, publicou 24 artigos em periódicos indexados nacionais e internacionais. É coautor do livro Efeitos da Fração Solúvel de Petróleo em Água (FSA) num Peixe Marinho, do capítulo “Bioindicadores e Biomarcadores para Avaliação Ambiental” no livro Direito Ambiental Contemporâneo e do capítulo “Análises Citológicas no Biodiagnóstico” na obra Biodiagnósticos, Fundamentos e Técnicas Laboratoriais. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) B732b Borges, João Carlos Shimada. Biologia (citologia) / João Carlos Shimada Borges. – São Paulo: Editora Sol, 2016. 140 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXII, n. 2‑063/16, ISSN 1517‑9230. 1. Biologia. 2. Citologia. 3. Células. I. Título. CDU 57 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Lucas Ricardi Vitor Andrade Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Sumário Biologia (Citologia) APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 O QUE SÃO CÉLULAS .........................................................................................................................................9 1.1 Estrutura das células procarióticas e eucarióticas .....................................................................9 1.2 Células autotróficas e heterotróficas ........................................................................................... 10 1.3 Tipos de células eucariontes ............................................................................................................ 12 1.4 Ultraestrutura celular ......................................................................................................................... 14 2 AS MOLÉCULAS DA CONSTITUIÇÃO CELULAR ..................................................................................... 16 2.1 Proteínas .................................................................................................................................................. 17 2.2 Carboidratos ........................................................................................................................................... 17 2.3 Lipídios ...................................................................................................................................................... 18 2.4 Ácidos nucleicos ................................................................................................................................... 19 2.5 Vitaminas ................................................................................................................................................. 23 2.6 Sais minerais ........................................................................................................................................... 25 2.7 Água ........................................................................................................................................................... 25 3 AS CÉLULAS FORMAM TECIDOS ................................................................................................................ 26 3.1 Tecido epitelial ....................................................................................................................................... 26 3.2 Tecido conjuntivo ................................................................................................................................. 28 3.2.1 Matriz extracelular ................................................................................................................................. 29 3.2.2 Células ......................................................................................................................................................... 29 3.2.3 Conjuntivo propriamente dito........................................................................................................... 30 3.2.4 Conjuntivo de propriedades especiais ............................................................................................ 30 3.2.5 Sangue ........................................................................................................................................................ 31 3.2.6 Tecidos cartilaginoso e ósseo ............................................................................................................. 33 3.3 Tecido ósseo ............................................................................................................................................ 35 3.4 Tecido muscular .................................................................................................................................... 38 3.5 Tecido nervoso .......................................................................................................................................intervertebrais têm a função de absorver os impactos entre as vértebras e previnem o desgaste do tecido ósseo vertebral. Cada disco intervertebral é formado pelo anel fibroso e uma parte central, o núcleo pulposo. A ruptura do anel fibroso, conhecida como hérnia de disco, resulta na expulsão do núcleo pulposo e no achatamento concomitante do disco, causando dores fortes quando pressionada a medula espinhal. A seguir, uma fotomicrografia de um disco intervertebral. Em A, observa‑se o tecido ósseo recém‑formado de uma vértebra; em B, a cartilagem hialina, responsável pela ossificação endocondral; em C, a cartilagem fibrosa que forma o disco intervertebral; e em D, o núcleo pulposo, que é um resquício do desenvolvimento embrionário. 35 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 20 – Fotomicrografia de um disco intervertebral (coloração de hematoxilina e eosina) 3.3 Tecido ósseo O tecido ósseo é constituído por células denominadas osteoblastos, que se modificam em osteócitos após ficarem presas nas lacunas (osteoplastos) e diminuírem o metabolismo. Os osteoclastos são células fagocíticas multinucleadas (com até cinco núcleos) responsáveis pela remoção da matriz óssea e corresponsáveis pela remodelação óssea. A matriz óssea é formada por duas partes: a orgânica e a inorgânica. Na substância orgânica, aparecem fibras colágenas e pequena quantidade de substância amorfa. A resistência e a rigidez do tecido ósseo são determinadas pela substância inorgânica calcificada formada por cristais de hidroxiapatita de cálcio. Como a calcificação óssea impermeabiliza a matriz, a nutrição dos osteócitos se faz por canalículos que unem os osteoplastos e permitem a comunicação entre os osteócitos. Na matriz óssea secundária (madura), encontram‑se, longitudinalmente, uma série dos chamados canais de Havers (ou canal central), percorridos por capilares sanguíneos e fibras nervosas. Entre os canais de Havers, estão obliquamente dispostos os canais de Volkmann (ou canal transverso ou perfurante). Os osteócitos ordenam‑se concentricamente em torno de um canal de Havers, no limite entre lamelas circulares, formando um conjunto denominado sistema de Havers. O osso primário ou jovem não apresenta essas estruturas (veja a figura a seguir). As superfícies externas dos ossos são revestidas pelo periósteo e as internas, pelo endósteo, que são membranas do tecido conjuntivo frouxo nas quais se encontram os osteoblastos e os osteoclastos. 36 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I A seguir, veja um desenho da matriz óssea secundária (A) e uma fotomicrografia da porção mineralizada (osso desgastado) de uma matriz óssea secundária (B) na qual se observa o sistema de Havers. Em B, a letra A aponta para uma lacuna (osteoplasto); a letra B, para o canal de Havers; e a letra C, para um canalículo que permite a comunicação de osteócitos em lacunas próximas. Figura 21 – Desenho da matriz óssea secundária (A) e fotomicrografia da porção mineralizada (osso desgastado) de uma matriz óssea secundária (B) na qual se observa o sistema de Havers O processo de ossificação acontece por dois modos. A ossificação intramembranosa ocorre a partir da deposição de matriz extracelular por osteoblastos situados nas membranas de revestimento, o periósteo e o endósteo. Essa ossificação ocorre ao longo da vida e, de um modo geral, pode‑se dizer que ela aumenta e alarga a espessura dos ossos. Já a ossificação endocondral, como citado anteriormente, ocorre a partir de uma peça formada por tecido cartilaginoso hialino e é responsável pela osteogênese do esqueleto, pois na vida embrionária o esqueleto inteiramente formado por tecido cartilaginoso foi gradativamente substituído por tecido ósseo. Assim, esse tipo de ossificação em geral promove o alongamento ósseo até a fase final da adolescência. É comum aos pediatras estimarem o crescimento a partir de radiografias do punho, para observação dos discos espifisários do rádio e ulna que estão situados nas extremidades ósseas, as epífises. O disco epifisário apresenta cinco regiões. A zona de cartilagem em repouso é a inicial, a qual é semelhante a uma peça de cartilagem hialina com os condrócitos distribuídos individualmente em suas lacunas. Na sequência, ocorre a zona de cartilagem seriada, em que os condrócitos se multiplicam por sucessivas mitoses, chamadas de multiplicação clonal; estes aumentam o seu volume e morrem, formando grandes lacunas vazias, que determinam a zona de cartilagem hipertrófica. As finas paredes das lacunas criam estruturas denominadas trabéculas e sofrem calcificação, definindo a zona de cartilagem calcificada. Então, ocorre a migração de células osteogênicas para os espaços das grandes lacunas vazias, os osteoblastos depositam matriz óssea e os osteoclastos removem a matriz cartilaginosa calcificada, finalizando a última região, a zona de ossificação, conforme a figura a seguir, uma fotomicrografia de um disco epifisário, o qual é responsável pela ossificação endocondral. Em A, adjacente à borda superior da fotomicrografia, observa‑se a zona de cartilagem em repouso, a qual é caracterizada por uma região do disco epifisário onde ocorre somente um condrócito por lacuna (setas). O número 1 está situado na zona de cartilagem seriada, na qual ocorre multiplicação 37 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) clonal (sucessivas mitoses) dos condrócitos, formando pilhas de células, umas sobre as outras, lembrando moedas empilhadas. Esse processo alonga a matriz cartilaginosa, e posteriormente essa células sofrem um expressivo aumento de volume, criando condrócitos hipertróficos que entram em falência, deixando grandes lacunas vazias e delimitadas por delgadas paredes de matriz cartilaginosa (trabéculas). Representam a zona de cartilagem hipertrófica situada na região número 2. Essas trabéculas sofrem calcificação, formando a zona de cartilagem calcificada, que está situada na região do número 3. Imediatamente, as células osteogênicas, os osteoblastos e osteoclastos invadem as lacunas delimitadas pelas paredes calcificadas e, respectivamente, produzem matriz óssea e removem a matriz cartilaginosa calcificada, determinando a zona de ossificação, identificada pela região do número 4. Na figura B, observa‑se parte da mesma estrutura em maior aumento, verificando‑se a morte dos condrócitos hipertróficos na região 2 e a migração de osteoblastos (seta pequena) e osteoclastos (seta grande) no interior da zona de cartilagem calcificada na região 3. Figura 22 – Fotomicrografia de um disco epifisário (coloração de hematoxilina e eosina) Observação Análogos hormonais da somatotrofina (GH) ou a própria, quando aplicada em adultos, além de aumentarem o volume muscular (hipertrofia), também estimulam o crescimento ósseo, mas apenas por ossificação intramembranosa. Uma vez que adultos não possuem mais os discos epifisários, torna‑se fácil suspeitar do uso dessas drogas por pessoas que, além de apresentarem músculos desenvolvidos, também possuem o rosto largo e os dentes separados, pois como só ocorre a ossificação intramembranosa, esses hormônios ou análogos promoverão, além do desenvolvimento muscular, o alargamento dos ossos. 38 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I 3.4 Tecido muscular O tecido muscular é o responsável pelos movimentos corporais, sendo formado por células excitáveis e contráteis que contêm grande quantidade de filamentos citoplasmáticos. Neste tópico serão demonstradas apenas as características morfológicas desse tecido, pois o mecanismo de contração será descrito no tópico referente ao citoesqueleto. Os componentes das células musculares recebem nomes especiais. A membrana é chamada de sarcolema; o citoplasma, de sarcoplasma; e o retículoendoplasmático liso, de retículo sarcoplasmático. De acordo com as características morfológicas e funcionais, podem‑se distinguir três tipos de tecidos musculares: o estriado esquelético, o estriado cardíaco e o liso. O músculo estriado esquelético é formado por feixes de células denominadas fibras musculares, cilíndricas, muito longas, multinucleadas, com predominância dos núcleos na periferia celular. Elas apresentam estrias transversais e longitudinais em decorrência, respectivamente, da sobreposição dos miofilamentos (proteínas filamentosas) que compõem as unidades funcionais chamadas de sarcômeros e do alinhamento desses filamentos em disposição paralela. As células possuem contrações rápidas, vigorosas e sujeitas ao controle voluntário. Têm pouca capacidade de regeneração, pois são formadas pela fusão de células periféricas (satélites) que são, na maioria das vezes, utilizadas no desenvolvimento até o fim da adolescência. Isso significa que uma lesão muscular pode ser irreversível, isto é, com redução das fibras musculares, o músculo nunca apresentará a força e o desempenho que antes possuía. Como veremos adiante, para que ocorra a contração, é necessária a presença do cálcio. Assim, o armazenamento do cálcio ocorre em três pequenas vesículas, denominadas sistema T tríade; o aumento do volume celular, hipertrofia; o aumento do número de células ou de fibras musculares, hiperplasia. Esse tipo muscular está associado ao esqueleto e ligamentos, promovendo o movimento e a sustentação corpórea. O músculo estriado cardíaco é formado por células cilíndricas ramificadas e pouco alongado, que se unem por intermédio dos discos intercalares, constituídos por desmossomos (estrutura proteica que liga duas células adjacentes por ligações aos citoesqueletos) e junções comunicantes, que são hexamêros proteicos que formam diafragmas e modulam a passagem de pequenas moléculas entre células vizinhas. Também contém estrias transversais e longitudinais pelo mesmo motivo do estriado esquelético e possui um ou dois núcleos em posição central. Apresenta contrações involuntárias, rápidas e vigorosas, não se regenera e armazena o cálcio em duas pequenas vesículas, denominadas sistema T díade. O músculo cardíaco ocorre apenas no coração e não está presente na parede dos vasos sanguíneos. O músculo liso é formado por células fusiformes que não possuem estrias transversais. Os miofilamentos estão distribuídos em disposição aparentemente aleatória e não possuem o sarcômero. Apresenta apenas um núcleo em posição central e se regeneram facilmente. Seu processo de contração é lento e involuntário. Estão presentes nas vísceras, na parede dos vasos sanguíneos, no tubo digestório, nas tubas uterinas e útero etc. 39 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Existem membranas que são os envoltórios de tecido conjuntivo. O tecido muscular está organizado em grupos de feixes cobertos por tecido conjuntivo chamado de epimísio, do qual partem septos muito finos de tecido conjuntivo para o interior do músculo, separando os feixes. Esses septos são denominados perimísios. O perimísio contorna cada feixe de fibras musculares. Cada fibra muscular é envolvida por uma fina camada de fibras reticulares (endomísio). O tecido conjuntivo mantém as fibras musculares unidas, permitindo que a força de contração gerada por cada fibra individualmente atue sobre o músculo inteiro. Os vasos sanguíneos penetram nos músculos através dos septos de tecido conjuntivo e formam uma rica rede de capilares que correm entre as fibras musculares. O tecido muscular está organizado em grupos de feixes envolvidos por tecido conjuntivo denominado epimísio, do qual partem septos muito finos de tecido conjuntivo para o interior do músculo, separando os feixes, septos esses chamados de perimísio. O perimísio contorna cada feixe de fibras musculares, e cada fibra muscular é coberta por uma fina camada de fibras reticulares (endomísio). O tecido conjuntivo mantém as fibras musculares unidas, permitindo que a força de contração gerada por cada fibra individualmente atue sobre o músculo inteiro. Os vasos sanguíneos penetram nos músculos através dos septos de tecido conjuntivo e formam uma rica rede de capilares que correm entre as fibras musculares. O citoplasma da fibra muscular apresenta fibrilas paralelas, as miofibrilas. Na figura a seguir, em A, observa‑se o desenho da organização em grupos de feixes envolvidos por tecido conjuntivo. O epimísio reveste externamente o fascículo muscular do qual partem septos para o interior, separando os feixes (perimísio), que, por sua vez, cobre cada feixe de fibras musculares, e cada fibra muscular é envolvida por uma fina camada de fibras reticulares (endomísio). Em B, observa‑se parte de uma célula estriada esquelética. Note a nomenclatura própria. Figura 23 – Em A, observa‑se o desenho da organização em grupos de feixes envolvidos por tecido conjuntivo. Em B, observa‑se parte de uma célula estriada esquelética 40 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I A figura a seguir é uma fotomicrografia dos três tipos musculares. Em A, observa‑se o músculo estriado esquelético; em B, o músculo estriado cardíaco; e em C, o músculo liso. As setas grandes apontam as estriações transversais, e a pequena, o disco intercalar. Figura 24 – Fotomicrografia dos três tipos musculares (coloração de hematoxilina e eosina) Quadro 4 – Diferenças histofisiológicas dos três tipos musculares Músculo estriado esquelético Músculo estriado cardíaco Músculo liso Contração Voluntária Involuntária Involuntária Distribuição Associada ao esqueleto e visceral Apenas no coração Visceral e vasos sanguíneos Morfologia celular Cilíndrica Cilíndrica ramificada Fusiforme Comprimento celular Longo Relativamente longo Curto 41 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Número de núcleos Vários Um a dois Um Posição do núcleo Periférica Central Central Disposição dos miofilamentos Em feixes paralelos Em feixes paralelos Desorganizados Estriações no citoplasma Transversais e longitudinais Transversais e longitudinais Ausente Aporte de cálcio Sistema T tríade Sistema T díade Pinocitose Unidade funcional Sarcômero Sarcômero A própria célula Capacidade de regeneração Apenas na infância Não possui Fácil Adesão celular Glicocálix Glicocálix e discos intercalares Glicocálix Observação O músculo do coração é formado por células estriadas alongadas que se anastomosam irregularmente. As células cardíacas possuem de um a dois núcleos centralmente localizados. Elas são revestidas por delicada bainha de tecido conjuntivo, equivalente ao endomísio do músculo esquelético, que contém abundante rede de capilares. Uma característica das células cardíacas são as linhas transversais fortemente coradas que aparecem em intervalos irregulares – os discos intercalares. Estes representam complexos juncionais formados por desmossomos e junções comunicantes (gap) encontrados na interface de células musculares adjacentes. 3.5 Tecido nervoso O tecido nervoso forma a interface do organismo com o meio. Ele é responsável por detectar, transmitir, analisar e utilizar as informações geradas pelos estímulos sensoriais calor, luz, energia mecânica e modificações químicas, para então organizar e coordenar, direta ou indiretamente, o funcionamento de todas as funções do organismo: motoras, viscerais, endócrinas e psíquicas. O tecido nervoso apresenta dois componentes principais: os neurônios, que são as células excitáveis e unidades do sistema nervoso, e as células da glia ou neuroglia, que são acessórias aos neurônios, nutrindo, protegendo e os auxiliando em suas atividades. Os neurônios possuem uma morfologia extremamente complexa, porém a grande maioria apresenta os seguintes componentes: • Dendritos: prolongamentosnumerosos, ramificados e de diâmetro variável. Nas sinapses (transmissão do impulso nervoso) químicas, são especializados em receber estímulos. • Corpo celular ou pericário ou Soma: é o centro trófico dos neurônios. Contém o núcleo e toda a maquinaria para a síntese proteica. Também é capaz de receber estímulos. • Axônio: prolongamento único com poucas ramificações e diâmetro constante. É especializado na condução de impulsos que transmitem as informações do neurônio para outras células (neurônio, célula muscular ou glândula). 42 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Lembrete Não esqueça que os neurônios: • São células excitáveis: respondem a estímulos. • São células especializadas: não realizam mitose. • São células ramificadas: apresentam axônio e dendritos. • Possuem citoplasma basófilo: contém muito ácido (RNA) no citoplasma. • Possuem pouca heterocromatina: indicando atividade de transcrição. • Possuem alto metabolismo: há elevado consumo de 02. Figura 25 – Desenho da organização de um neurônio multipolar 43 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 26 – Desenho da organização de um pericário (corpo celular ou soma) de um neurônio multipolar Para que se possa mapear o sistema nervoso, os neurônios estão classificados de acordo com sua morfologia (multipolar, bipolar e pseudonipolar) e com sua função (sensitivo, interneurônio e motor). • Quanto a sua morfologia: — os neurônios multipolares apresentam mais de dois prolongamentos celulares, sendo desse tipo a grande maioria dos neurônios; — os neurônios bipolares possuem dois prolongamentos celulares, um dendrito e um axônio, e estão representados pelos neurônios do nervo coclear e vestibular, da mucosa olfatória e da retina; — e os neurônios pseudo-unipolares exibem próximo ao corpo celular um prolongamento único, mas este logo se divide em dois, dirigindo‑se um ramo para a periferia (funciona como dendrito) e outro para o sistema nervoso central (funciona como axônio). Os neurônios dos gânglios espinhais possuem essa morfologia. • Quanto a sua função: — os neurônios motores são neurônios que controlam órgãos efetores, tais como glândulas e células musculares; — os neurônios sensitivos são os que recebem estímulos sensoriais do meio ambiente e do organismo; 44 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I — e os interneurônios são os que estabelecem conexões entre outros neurônios, formando circuitos. Figura 27 – Desenho dos tipos de neurônios em relação à morfologia 3.6 Sinapses Geralmente um neurônio transmite impulsos nervosos através do seu axônio. A transmissão do impulso nervoso de um neurônio para outro depende de estruturas altamente especializadas denominadas sinapses. A sinapse é uma porção especializada de contato entre duas células. As membranas das duas células ficam separadas por um espaço de 20 a 30 nm, denominado fenda sináptica. No local da sinapse, as membranas são denominadas membrana pré‑sináptica (membrana do terminal axônico) e membrana pós‑sináptica (membrana do dendrito, pericário, axônio ou célula efetora). Na porção terminal do axônio, observam‑se numerosas vesículas sinápticas que contêm substâncias denominadas neurotransmissores, que são mediadores químicos responsáveis pela transmissão do impulso nervoso de um neurônio para outro. Os neurotransmissores são liberados da membrana pré‑sináptica na fenda sináptica e aderem a receptores localizados na membrana pós‑sináptica, promovendo a condução do impulso nervoso através do intervalo sináptico. 45 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 28 – Desenho da organização de um pericário (corpo celular ou soma) de um neurônio multipolar A maioria das sinapses se estabelece entre axônio e dendrito, chamada axodendrítica. O axônio também pode estabelecer um contato sináptico com o corpo celular de outro neurônio, denominada axossomática, ou com outro axônio (axoaxômica). Embora os tipos de sinapse citados sejam os mais frequentes, deve‑se ressaltar que existem outras formas de contato sináptico. Atualmente, há uma tendência de se considerar também como sinapse a terminação axônica em uma célula efetora, como uma célula muscular ou glandular. No tecido nervoso, ao lado dos neurônios, há vários tipos celulares, chamados coletivamente de células da glia ou neuroglia. Calcula‑se que há no sistema nervoso central cerca de 10 células da glia para cada neurônio, mas em virtude de seu menor tamanho, ocupam aproximadamente metade do volume desse tecido. Essas células não geram impulsos nervosos nem fazem sinapses. Ao contrário do neurônio, as células da glia são capazes de multiplicação mitótica, mesmo nos organismos adultos. São elas: astrócitos, oligodendrócitos, microglia e células ependimárias, presentes no sistema nervoso central. Consideramos também como células da glia as células de Schwann que estão localizadas no sistema nervoso periférico e estabelecem apenas contato com o axônio dos neurônios. Os astrócitos são as maiores células da glia, possuindo muitos prolongamentos e núcleo esférico e central. Há dois tipos de astrócitos: os protoplasmáticos, presentes na substância cinzenta, e os fibrosos, encontrados na substância branca. Embora sejam descritas duas variedades, trata‑se de um único 46 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I tipo celular, com variações morfológicas determinadas por sua localização. Essa célula participa da formação da barreira hematoencefálica. Os prolongamentos possuem uma dilatação na porção terminal denominada pé vascular. Os pés vasculares envolvem a parede dos vasos sanguíneos localizados no interior do sistema nervoso central. Os oligodendrócitos possuem poucos prolongamentos. Sua principal função é formar a bainha de mielina nos axônios mielínicos no interior do sistema nervoso central. O corpo celular das células da microglia é alongado e pequeno, com o núcleo denso e alongado. Seus prolongamentos são curtos e muito ramificados. As células da microglia possuem função de defesa e apresentam intensa atividade fagocitária. As células ependimárias são células cilíndricas com base afilada e muitas vezes exibem ramificações. Embora sejam células de origem neural, arranjam‑se como um epitélio simples prismático, revestindo as superfícies do sistema nervoso central. As células de Schwann são cilíndricas, com núcleo alongado no sentido do eixo celular, e estão localizadas no sistema nervoso periférico. Elas estabelecem apenas contato com o axônio dos neurônios, formando a bainha de mielina, e esta é um envoltório proteico. Os axônios de pequeno diâmetro são envolvidos por uma única dobra de membrana plasmática da célula de Schwann e constituem as fibras nervosas amielínicas. Nos axônios de maior diâmetro, a célula de Schwann forma dobras de membrana plasmática concêntricas em espiral em torno do axônio, a bainha de mielina. Quanto mais calibroso for o axônio, maior o número de envoltórios concêntricos provenientes das células de Schwann. A bainha de mielina é descontínua, pois se interrompe em intervalos regulares, formando os nódulos de Ranvier. O intervalo entre dois nódulos de Ranvier é denominado internódulo. Figura 29 – Desenhos de células da glia, baseados em observações microscópicas de cortes preparados por impregnações metálicas 47 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) O tecido nervoso forma um complexo sistema denominado sistema nervoso. O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC), que é composto pelo encéfalo e pela medula espinhal, e sistema nervoso periférico (SNP), composto pelos nervos, gânglios e terminações nervosas livres.No SNC distinguem‑se duas substâncias: cinzenta e branca. Na substância cinzenta, situam‑ se os corpos celulares dos neurônios, também chamados de pericários, grande quantidade de fibras nervosas amielínicas, pequena quantidade de fibras nervosas mielínicas, oligodendrócitos, astrócitos protoplasmáticos e células da microglia. Na substância branca, há grande quantidade de fibras nervosas mielínicas, pequena quantidade de fibras nervosas amielínicas, oligodendrócitos, astrócitos fibrosos e células da microglia. A localização das substâncias no SNC varia conforme a parte que é analisada. Por exemplo, na medula espinhal, a substância cinzenta é central e a substância é branca periférica, conforme o esquema a seguir: Figura 30 – Desenho da medula nervosa, na qual se pode observar as substâncias branca e cinzenta O SNP é composto basicamente pelos nervos e gânglios nervosos. As fibras nervosas agrupam‑se em feixes, formando um nervo. O nervo é revestido por um tecido conjuntivo de sustentação denominado epineuro. Cada feixe nervoso é envolto por um grupo de células conjuntivas achatadas chamado de perineuro, e os axônios com as células de Schwann são envoltos por um tecido conjuntivo rico em fibras reticulares denominado endoneuro. Os gânglios nervosos são aglomerados de corpos de neurônios localizados fora do SNC. Os gânglios podem ser de três tipos: gânglios sensitivos (por exemplo, gânglios espinhais), gânglios parassimpáticos (por exemplo, gânglios intramurais) e gânglios simpáticos (por exemplo, gânglios paravertebrais). A seguir, veja o desenho do arco reflexo mais simples. A fibra sensorial parte da pele, realiza sinapse com um interneurônio e ativa um neurônio motor, que tem seu axônio inervando um músculo estriado esquelético. Note as capas de conjuntivo que envolvem o nervo, análogas às que envolvem um fascículo muscular. 48 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Figura 31 – Desenho do arco reflexo mais simples 4 AS CÉLULAS MODIFICAM A ENERGIA Como descrito anteriormente, as células autotróficas são capazes de transformar a energia luminosa em energia química e as nossas células heterotróficas usam a energia química produzida por elas. Neste tópico, verificaremos como ocorre essa transferência de energia. Imagine o quanto existe de energia no interior de um tanque de combustível e logo se perceberá que essa quantidade energética deve ser usada paulatinamente, em etapas, pois se usada em uma única vez, a energia liberada destrói toda a estrutura. As células realizam o mesmo processo, quebrando as moléculas energéticas geradas pelas células autotróficas em fases. Existem reações químicas endotérmicas e exotérmicas, que, respectivamente, necessitam e liberam energia, sendo que a quebra de macromoléculas orgânicas libera muita energia. Nos mamíferos, as células usam basicamente a glicose, que gradativamente vai sendo “quebrada”, liberando energia para a formação de unidade energética adenosina trifosfato (ATP). Veja a seguir um fluxograma indicando a sequência de quebras das principais moléculas orgânicas e a formação aproximada de ATPs, resultando no produto final, que é CO2 e água. Vale lembrar que o fluxograma está simplificado para a compreensão das etapas do processo. Para cada quebra inicial, outra molécula idêntica é formada, isto é, a glicose, por exemplo, quando quebrada (glicólise), resulta em dois ácidos pirúvicos, e não em apenas um, como esquematizado a seguir. 49 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 32 4.1 ATP e ADP Forma‑se ATP a partir de ADP, por hidrólise de GTP (guanidina trifosfato). ATP é um nucleotídeo, uma molécula denominada trifosfato de adenosina, um transportador universal de energia na célula. Apresenta ligações ricas em energia. Chama‑se trifosfato por ter três fosfatos de adenosina (base nitrogenada = adenina + açúcar = ribose). O ATP é a soma de um nucleosídeo (adenina + açúcar) mais três fosfatos; portanto, torna‑se um nucleotídeo. O ADP é um nucleotídeo com dois fosfatos, e o AMP possui apenas um fosfato. O ATP é um doador de energia nas diferentes partes da célula. Resumidamente, fornece molécula de alta energia terminal, ficando na forma de ADP. Mas pode voltar a ser ATP por ação dos produtores de energia, localizados na membrana interna da mitocôndria. Essa volta, ou reconstrução/regeneração de ADP em ATP, efetua‑se pela degradação da glicose e de ácidos graxos. Os ATPs se difundem por toda a célula. Em resumo: denomina‑se adenosina o conjunto da base nitrogenada adenina (A) com o açúcar ribose, que possui cinco carbonos (pentose). Assim, A + ribose = adenosina, e quando a adenosina é unida a três fosfatos, adenosina + P + P + P, torna‑se trifosfato de adenosina (ATP). Quando o ATP perde um fosfato, forma‑se o ADP (ATP – P = ADP), e quando o ADP ganha um fosfato, forma‑se novamente o ATP (ADP + P = ATP). Se o ADP perder outro fosfato (ADP – P = AMP), cria‑se o monofosfato de adenosina (AMP). Portanto, AMP + P = ADP + P = ATP. O ácido cítrico possui seis carbonos – é um ácido tricarboxílico. O ácido oxalacético inicia uma série de reações enzimáticas. Ao terminar essa série de reações químicas, surge novamente o ácido oxalacético; portanto, este ácido é o substrato inicial e terminal. 4.2 Estrutura das mitocôndrias As primeiras células eucarióticas eram anaeróbicas. Há 3,5 bilhões de anos, não existia oxigênio na atmosfera; portanto, as bactérias existentes só faziam a glicólise anaeróbica, processo semelhante 50 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I à fermentação. Os tipos de células existentes produziam uma pequena quantidade de energia. Provavelmente, num determinado momento, ocorreu a entrada de bactérias (células procarióticas) nas células eucarióticas anaeróbicas. Houve um tipo de invasão ou foram fagocitadas por estas células, desenvolvendo uma relação de simbiose (simbiótica) entre organismos diferentes. Por um lado, estavam as bactérias que haviam desenvolvido a capacidade de utilizar o oxigênio (bactérias que se tornariam mais tarde organelas citoplasmáticas – as mitocôndrias) e, por outro lado, estavam as células eucarióticas anaeróbicas em processo de “evolução”. Assim, em certas formas de bactérias, as mitocôndrias foram englobadas pelas células eucarióticas anaeróbicas, passando estas agora a ser denominadas células eucarióticas aeróbicas. Essa hipótese pode ser justificada e é aceita pelas seguintes razões: • bactérias e mitocôndrias possuem DNA circular; • DNA mitocondrial apresenta bases nitrogenadas diferentes do DNA do núcleo das células e também não exibe as proteínas histonas; • bactérias e mitocôndrias apresentam RNAs semelhantes, os quais são diferentes dos RNAs das células eucarióticas; • DNA e RNA mitocondriais se assemelham ao DNA e RNA bacterianos. A partir da presença de mitocôndrias no interior das células eucarióticas, estas passaram a ser aeróbicas, e a produção de energia aumentou, possibilitando todo o processo de sua evolução. Nas mitocôndrias, há aproximadamente 700 proteínas diferentes. Cerca de 600 proteínas são provenientes dos ribossomos do citoplasma. As mitocôndrias só produzem cerca de 5% de proteínas, oriundas, portanto, de seus ribossomos. As mitocôndrias são encontradas nas células eucarióticas dos animais e dos vegetais, nas algas, nos fungos e protozoários. Algas e plantas são organismos autótrofos; animais, fungos, protozoários e certas bactérias são heterótrofos. Os seres humanos apresentam mitocôndrias de origem apenas materna. A palavra mitocôndria pode ser assim traduzida: mitos = filamentos e côndria = grãos. A expressão condrioma é utilizada para designar o conjunto das mitocôndrias. A morfologia (forma) das mitocôndrias pode ser: de grão, bastonete, filamento, arredondada e esférica. A forma é dependente da pressãoosmótica e do pH. As mitocôndrias mudam de forma devido à concentração de proteínas e se localizam nas células, no citoplasma. Em células epiteliais, as mitocôndrias, geralmente, estão localizadas no polo basal. Quando o pH for ácido, as mitocôndrias são esféricas. Durante a mitose, cessam os movimentos das mitocôndrias. O tamanho das mitocôndrias é da ordem de 0,2 a 10 micrômetros em certos tipos filamentosos. O número de mitocôndrias é variável de célula para célula. Assim, no espermatozoide há 25; em hepatócitos (células do fígado), de 500 até 1.600; nas células renais, 300; em uma ameba, 10.000; e em certos ovócitos, 300.000 mitocôndrias. Células vegetais apresentam pequeno número de mitocôndrias. 51 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Na mitocôndria, são identificáveis: membrana externa e interna, espaço intramembranoso, matriz mitocondrial e cristas mitocondriais. São autorreplicantes, pois são geradas de mitocôndrias preexistentes (mitocôndria possui DNA circular). É de 10 dias, aproximadamente, o seu tempo médio de vida. Podem concentrar proteínas, lipídios e metais, como prata (Ag), ferro (Fe) e cálcio (Ca). Em células cancerosas, o número, a forma, o tamanho e a estrutura ficam alterados. 4.3 Respiração anaeróbica e aeróbica A respiração celular apresenta três momentos: a glicólise, no citoplasma; o ciclo do ácido cítrico ou ciclo de Krebs, na matriz mitocondrial; e a cadeia respiratória e a afosforilação oxidativa, na membrana interna da mitocôndria. Assim, a respiração celular possui etapas no citoplasma (glicólise) e na mitocôndria (ciclo de Krebs, cadeia respiratória e fosforilação oxidativa). Observação A disciplina de Citologia não entrará nas discussões de todas as reações químicas. Esses assuntos são tratados pela disciplina de Bioquímica. As mitocôndrias produzem energia (ATP) pela degradação da glicose e de ácidos graxos, catalizam a síntese de ácidos graxos e de aminoácidos e dão início à síntese de hormônios esteroides. Isto é, na mitocôndria, inicia‑se essa síntese com a separação da cadeia lateral do colesterol, tipo de reação química catalisada por enzimas da membrana interna da mitocôndria. A glicose é degradada (quebrada) parcialmente no citoplasma e na ausência de oxigênio; portanto, trata‑se de um processo anaeróbico. Há dez diferentes tipos de reações. Nessa degradação, formam‑se quatro ATPs; porém, como são gastos dois ATPs no processo, o saldo será de dois ATPs, quatro hidrogênios e dois ácidos pirúvicos (dois piruvatos/sal). Os dois piruvatos vão se dirigir para a matriz mitocondrial, onde sofrerão processos de reações químicas. Os quatro hidrogênios serão transportados por coenzimas para a membrana interna da mitocôndria. Essas coenzimas são denominadas NAD (nicotinamida adenina dinucleotídeo) e são em número de duas. Cada NAD transporta dois hidrogênios. Portanto, o NAD oxidado passa para a forma NADH2 reduzido. Como são quatro hidrogênios, a representação fica: 2NADH2. Os ATPs serão utilizados no citoplasma. A Hipótese do Acoplamento Quimiosmótico está baseada em quatro itens: • A cadeia respiratória mitocondrial na membrana interna é translocadora de prótons. Ela bombeia H+ para fora do espaço da matriz enquanto os elétrons são transportados ao longo da cadeia. • A ATP sintase mitocondrial também transloca prótons através da membrana interna. Sendo reversível, pode usar a energia da hidrólise do ATP como uma bomba de H+ através da membrana, mas se um gradiente eletroquímico de prótons estiver presente, os prótons migrarão no fluxo contrário e conduzirão uma síntese de ATP. 52 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I • A membrana mitocondrial interna é equipada com um conjunto de proteínas que medeiam a entrada e a saída de metabólitos essenciais e íons inorgânicos essenciais. • A barreira mitocondrial interna é por outro lado impermeável a H+, OH– e em geral a cátions e ânions. A oxidação mitocondrial começa quando grandes quantidades de acetil CoA são produzidas no espaço da matriz a partir de ácidos graxos (que provêm das gorduras) e piruvato (cuja origem se dá a partir da glicose e outros açúcares) que são transportados através da membrana. Os grupos acetil da acetil CoA são então oxidados na matriz através da via do ácido cítrico, que converte NAD+ em NADH (e FAD em FADH2). O ciclo converte os átomos de carbono da acetil CoA em CO2, que é liberado para fora da célula como excreta. O ciclo também gera elétrons de alga energia que são veiculados por moléculas transportadoras NADH e FADH2. Estes elétrons são então transferidos para as membranas internas mitocôndrias, onde entram na cadeia condutora de elétrons, que passam rapidamente para o oxigênio molecular (O2) para formar H2O (a perda de elétrons regenera o NAD+ e o FAD, que são necessários para dar continuidade ao metabolismo oxidativo). Esse transporte de elétrons gera um gradiente de prótons através da membrana interna que é utilizado para subordinar a produção de APT pela ATP sintase. O processo envolve o consumo de O2 e a síntese de APT através da adição de um grupo fosfato ao ADP chamado fosforilação oxidativa. Os elétrons são derivados em última instância da oxidação da glicose e de ácidos graxos, e o oxigênio molecular (O2) atua como receptor final dos elétrons, produzindo água como produto de refugo. A cadeia transportadora de elétrons ou cadeia respiratória que conduz a fosforilação oxidativa está presente em muitas cópias da membrana mitocondrial interna. Contém mais de 40 proteínas, das quais cerca de 15 estão diretamente envolvidas na condução de elétrons. A maioria dessas proteínas está imersa na bicamada lipídica e funciona apenas em membrana intactas. Grande parte das cadeias mitocondriais de transporte de elétrons está agrupada em três grandes complexos de enzimas respiratórias, cada um contendo múltiplas proteínas individuais. Os complexos incluem proteínas transmembrana, que ancoram firmemente o complexo proteico inteiro na membrana mitocondrial interna. Os complexos contêm íons metálicos e outros grupos químicos que formam uma via de passagem para elétrons através do complexo. O complexo respiratório é o local da bomba de prótons que pode ocorrer em cada um. A ubiquinona e o citocromo c servem como transportadores móveis que levam os elétrons de um complexo para outro: • NADH dehidrogenase. • Complexo citocromo b‑c1. • Complexo citocromo oxidase. O transporte de elétrons inicia‑se com o íon dihídro (H‑), que é removido do NADH e convertido em um próton e dois elétrons de alta energia. 53 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) H– → H+ + 2e‑ A reação é catalizada primeiro pelos complexos enzimáticos respiratórios, a NADH desidrogenase, que aceita os elétrons. Os elétrons então passam ao longo da cadeia para cada um dos complexos enzimáticos de cada vez, utilizando os transportadores de elétrons. O transporte de elétrons ao longo da cadeia é energeticamente favorável: o elétron começa com um elevado nível de energia e perde energia a cada etapa conforme caminha pela cadeia, eventualmente entrando no citocromo oxidase, onde se combina com uma molécula de O2 para formar H2O. Essa etapa requer oxigênio, que é consumido pela respiração. As proteínas da cadeia respiratória conduzem os elétrons de forma que eles possam se mover sequencialmente de um complexo enzimático para outro. Cada transferência de elétron é uma reação de óxidorredução. A molécula doadora de elétron se torna oxidada, e o receptor, reduzido. Os elétrons passaram espontaneamente de moléculas que possuem uma afinidade relativamente baixa para elétrons para moléculas com grande afinidade. Um exemplo é o HADH, que com seu elétron de alta energia possui uma baixa afinidade por elétrons, assim os elétrons passam rapidamente para a HADHdesidrogenase. Na ausência de captadores dessa energia, ela será liberada como calor. Em cada um dos complexos enzimáticos respiratórios, há energia liberada pela transferência de elétrons através delas, para um levantamento dos prótons da água na matriz mitocondrial acompanhado pela liberação dos prótons do outro lado da membrana nos espaços intermembranas. Como resultado, o fluxo energeticamente favorável de elétrons ao longo da cadeia transportadora de elétrons bombeia prótons através da membrana para fora da matriz, criando um gradiente eletroquímico de prótons através da membrana mitocondrial interna. O bombeamento ativo de prótons tem duas consequências: • Gera um gradiente de concentração de prótons (H+) (∆pH) através da membrana mitocondrial interna, onde o pH (pH = 8) da matriz (menos íons H+ livres) é maior que o do espaço intermembranoso (pH = 7) (mais íons H+ livres), que é igual ao do citosol, onde as moléculas fluem livremente. • Gera um gradiente de voltagem ∆V (ou ∆ψ) (potencial de membrana) com o lado interno (lado da matriz) negativo e o externo positivo; como resultado, os prótons (+) são atraídos para o lado (‑) e atravessam a membrana do espaço intermembranoso para a matriz. O ∆pH conduz os H+ de volta ao interior da matriz e os OH– para fora da matriz, reforçando o efeito do potencial de membrana (∆V), que atua atraindo qualquer íon positivo para dentro da matriz e conduzindo íons negativos para fora. Juntos são chamados de gradiente eletroquímico de prótons. O mecanismo geral da fosforilação oxidativa ocorre quando um elétron (e‑) de alta energia passa pela cadeia transportadora de elétrons. Parte da energia é liberada e utilizada para conduzir três complexos enzimáticos que bombeiam o H+ para fora da matriz. Isso resulta num gradiente eletroquímico de prótons através da membrana interna, que conduz o H+ de volta através da ATP sintase – um complexo transmembrana que utiliza a energia do fluxo de H+ para sintetizar ATP de ADP e Pi na matriz. 54 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I A ATP sintase é um grande complexo enzimático (mais de 500.000 daltons) ancorado na membrana com uma passagem hidrofílica através da membrana mitocondrial interna, que permite o fluxo dos prótons a favor do gradiente eletroquímico. Como esses íons passam com dificuldade através da ATP sintase, eles são utilizados para conduzir uma energia energeticamente favorável entre o ADP = Pi, que produz ATP. É composta de uma porção anterior chamada FIATPase e um transportador de H+ de membrana chamado F0. Ambos, FI e F0, são formado por múltiplas subunidades. A base gira com o rotor formado por um anel de 10 a 14 subunidades c de membrana laçando as subunidades externas, que criam um braço alongado. Esse braço fixa o arcabouço a um anel de subunidades 3α e 3β, que forma a cabeça. Três das seis subunidades da cabeça possuem sítios de ligação para o DP e para Pi. Estes são conduzidos para formar ATP assim que a energia mecânica é convertida em energia química (ligação química) através de repetidas mudanças na conformação proteica da rotação. A ATP sintase é capaz de produzir mais de 100 moléculas de APT/s. Três ou quatro prótons são necessários para passar através desse aparelho para produzir cada molécula de ATP. O gradiente eletroquímico de prótons através da membrana mitocondrial interna é também utilizado para conduzir alguns processos de transporte acoplado. O piruvato, o Pi e o ADP são transportados para dentro da matriz, enquanto o ATP é bombeado para fora. O potencial de membrana é negativo do lado de dentro e a membrana externa é permeável a todos esses compostos. Assim, as variações de pH conduzem a importação do piruvato (‑) e a importação do Pi, enquanto a voltagem realiza a troca ADP3– para dentro e ATP4– para fora da membrana mitocondrial interna. O gradiente de prótons é responsável pela criação da maior parte do ATP celular. Enquanto a glicólise (fermentação) gera somente duas moléculas de ATPs por molécula de glicose, a fosforilação oxidativa de cada par de elétrons doado por um NADH produzido na mitocôndria conduz a produção de 2,5 moléculas de ATP, uma vez que inclui a energia necessária para transportar esse ATP para o citosol. A fosforilação oxidativa gera também 1,5 moléculas de ATP para cada dois elétrons do FDHA2 ou a partir da molécula de NADH produzida pela glicólise no citosol. Assim, começando com a glicólise e terminando com a fosforlização oxidatativa, há uma produção liquidada de 30 ATPs. A fosforilação oxidativa na mitocôndria cria ainda uma grande quantidade de ATP a partir do NADH e do FADH2 derivados da oxidação das gorduras. A ATP sintase é única em sua habilidade de converter energia eletroquímica armazenada em um gradiente iônico transmembrana diretamente em energia de ligação fosfato – ATP. A seguir, veja desenhos esquemáticos da mitocôndria. Em A, observam‑se os processos metabólicos que ocorrem em seu interior (entenda‑se ciclo do ácido cítrico como ciclo de Krebs); em B, a ultraestrutura mitocondrial, apontando os seus componentes; e em C, o detalhe do espaço intramembranoso, em que se verifica o mecanismo da ATP sintetase. 55 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 33 – Desenhos esquemáticos da mitocôndria A seguir, uma fotomicrografia de fluorescência na qual se observa a coloração dupla que revela as múltiplas moléculas de DNA mitocondrial. As células foram tratadas com uma mistura de dois corantes: brometo de etídio, que se liga ao DNA e emite fluorescência vermelha, e diacetado de fluorceína, que incorpora especificamente as membranas mitocondriais e emite uma fluorescência verde. 56 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Figura 34 – Fotomicrografia de fluorescência na qual se observa a coloração dupla que revela as múltiplas moléculas de DNA mitocondrial 4.4 Fadiga muscular O conjunto de reações químicas enzimáticas que resultam na produção de pequenas moléculas orgânicas é denominado fermentação. Como já verificamos anteriormente, a glicólise que ocorre no citoplasma celular é um tipo de fermentação, porem o ácido pirúvico não é uma molécula estável e, desse modo, facilmente convertida em ácido lático. Nessas reações químicas, há pequena liberação de energia. São tipos de fermentação: alcoólica, lática e acética. Quando ocorrer a fermentação da glicose, há sua ativação pelo recebimento de dois PO4 e, portanto, a glicose passa a ser denominada frutose‑1, 6‑difosfato (apresenta seis carbonos e dois fosfatos). Após essa etapa, a frutose é quebrada, originando duas moléculas de gliceraldeído‑3‑fosfato (exibe três carbonos e um fosfato). Essa molécula agora formada permite o acoplamento de mais um fosfato e, portanto, passa a ser chamada de gliceraldeído‑1, 3‑difosfato (possui três carbonos e dois fosfatos). Como são duas moléculas que se originaram, temos então quatro fosfatos que serão transportados para quatro ADPs, os quais formarão em conjunto quatro ATPs. Os gliceraldeídos originaram o ácido pirúvico. Na fermentação, a quebra da glicose (glicólise) irá produzir dois ATPs, pois dois ATPs foram usados para iniciar o processo. Nas fibras musculares (células) estriadas esqueléticas dos mamíferos, também pode ocorrer esse tipo de reação, produzindo o ácido lático, por falta de oxigenação correta (motivo da câimbra). No processo da fermentação (processo sem a presença de oxigênio), a cadeia respiratória fica inoperante, porque não possui oxigênio. Como se sabe, o oxigênio é o último aceptor de hidrogênio. Assim, sem oxigênio, os hidrogênios são transportados para o NAD e devolvidos para o ácido pirúvico (piruvato), o qual se transforma em ácido lático, tal como esquematizado a seguir: 57 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /16 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 35 Durante a atividade intensa e prolongada do músculo, o oxigênio chega em quantidade menor do que a necessária. Quando há deficiência de oxigênio, acumula‑se ácido lático no músculo. Se houver um excesso de ácido lático, os músculos não poderão se contrair ou responder a estímulos. Portanto, o ácido lático age como um tóxico. Quando o oxigênio chega novamente a esse tecido, parte do ácido lático acumulado se converte em ácido pirúvico, que então passa pela série de reações do ciclo de Krebs, havendo uma liberação muito maior de energia. O ácido lático remanescente é conduzido ao fígado pela corrente sanguínea, e aí convertido em glicogênio. Para cada molécula de glicose utilizada na glicólise, há um lucro final de duas moléculas de ATP. Esse processo libera somente cerca de 5% de energia química potencial da molécula da glicose em relação ao que é obtido na respiração aeróbia. Os íons de cálcio participam da reação de quebra da ligação fosfato da ATP na presença da enzima ATPase, necessária para a liberação da energia para a contração. A fonte primária de energia para a contração é o glicogênio do músculo. A creatina‑fosfato é uma fonte energética utilizada na síntese da ATP no relaxamento muscular. Figura 36 – Esquema do fornecimento de ATP na contração e relaxamento 58 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I 4.5 Músculos estriados tipo I e tipo II Nos mamíferos e demais vertebrados, pode‑se observar tipos musculares aeróbicos e anaeróbicos. A distribuição desses tipos musculares é hereditária, isto é, o DNA determina o perfil muscular individual. Portanto, é fácil notar que existem pessoas com melhor desempenho a atividades aeróbicas e outras com melhor desempenho a atividades anaeróbicas, independentemente de treinamentos e de exercícios físicos. Os tipos de fibras musculares estriadas esqueléticas vermelhas ou tipo I, aeróbica (slow switch), apresentam as seguintes características: • Obtenção de energia a partir de ácidos graxos, principalmente por fosforilação oxidativa. • Muita mioglobina (proteína de cor vermelha com alta afinidade por oxigênio). • Muitas mitocôndrias. • Muito citocromo, pigmentos mitocondriais da cadeia respiratória. • Contração lenta e contínua. • Inervação de condução lenta. O perfil de predominância desse tipo muscular é encontrado em ciclistas e maratonistas, no músculo do voo de aves e nos membros de mamíferos. Já os tipos de fibras musculares estriadas esqueléticas brancas ou tipo II (A, B e C), anaeróbica (fast switch), têm como características: • Obtenção de energia a partir da glicose. • Pouco citocromo, mioglobia. • Muito retículo sarcoplasmático e túbulos T (alta capacidade de armazenamento de cálcio). • Contração rápida. • Pouca resistência à fadiga muscular. • Inervação de condução rápida de impulso. O perfil de predominância desse tipo muscular é encontrado em corredores de 100 metros e nos músculos peitorais do peru e da galinha. 59 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Quadro 5 – Três tipos de fibras musculares que se diferem na sua morfologia, metabolismo energético predominante e atuação na contração muscular Fibras tipo I Fibras tipo IIa Fibras tipo IIb Metabolismo Aeróbico Glicolítico‑oxidativo (intermediário) Anaeróbico Motoneurônios Alfa‑2 (calibre pequeno) Médio Alfa‑1 (calibre grosso) Unidades motoras Lentas, com baixo limiar de excitabilidade Intermediárias, com limiar de excitabilidade médio Rápidas, com alto limiar de excitabilidade Resistência à fadiga Alta Média Baixa Suprimento sanguíneo Rico Intermediário Pobre Grânulos de glicogênio Raros Frequentes Numerosos Nº de mitocôndrias Grande Médio Pequeno Quantidade de mioglobina Alta Média Baixa Cor Vermelha Intermediária Branca Força de contração Pouco potente Potência média Muito potente Velocidade de contração Lenta Intermediária Rápida Tempo de contração Longo Médio Curto Tipo de exercício característico Longa duração com intensidade baixa ou moderada. Exemplos: corridas longas, caminhada, ciclismo, ginástica Duração média e intensidade intermediária. Exemplos: musculação, natação Curta duração e intensidade alta. Exemplos: corridas curtas, saltos, levantamento de peso Fonte: Universidade Estadual Paulista ([s.d.]). Saiba mais Conheça o site do Espaço Interativo de Ciências: . Resumo Todos os seres vivos são formados por células. Uma célula provém de outra, portanto, a célula é a unidade morfofisiológica de todos os seres vivos. Quanto à morfologia, existem células procariontes e eucariontes. Ao contrário das eucarióticas, as procarióticas não possuem organelas membranosas (retículo endoplasmático liso e rugoso, complexo de Golgi, mitocôndrias, plastos, lisossomos e vacúolos) e muito menos um núcleo delimitado pela cariomembrana (carioteca) envolvendo os cromossomos. 60 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Os modos de obtenção de energia para ativar o metabolismo das células diferenciam‑nas em dois grupos: as células procarióticas e eucarióticas, que transformam a energia luminosa em energia química e são denominadas autotróficas, e as células procarióticas e eucarióticas, que convertem a energia química proveniente da alimentação em energia mecânica, térmica ou mesmo em outra modalidade de energia química e são denominadas heterotróficas. A química orgânica estuda os átomos predominantes nos seres vivos e suas combinações moleculares, tanto para o tratamento da vida quanto para a criação de produtos e utensílios, tais como o poliéster das roupas e a gasolina. Os átomos predominantes são carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O) e nitrogênio (N). Quase todos os outros componentes químicos estão presentes, mas nunca na mesma ordem de grandeza dos anteriores. As proteínas são polímeros de aminoácidos. Existem 20 tipos de aminoácidos que se combinam por ligações químicas (peptídicas). Os aminoácidos se unem formando polipeptídios, e estes, por sua vez, se agregam, dando origem às proteínas. Como uma proteína apresenta mais de 70 aminoácidos, repetem‑se ao longo do polímero proteico. Nos hidratos de carbono ou carboidratos ou glicídio, sua formulação mínima é assim representada: CH2O. São exemplos: as pentoses (tipos de açúcares) C5H10O5 e as hexoses (outros tipos de açúcares) C6H12O6. As pentoses importantes são as encontradas nos ácidos nucléicos; já a ribose e a desoxirribose, no DNA. Glicose, frutose e galactose são monossacarídeos; maltose e sacarose são dissacarídeos; celulose, amido e glicogênio são polissacarídeos. Lipídios ou gorduras são substâncias que resultam da reação entre um álcool (glicerol, álcool etílico, entre outros) e um ácido carboxílico (palmítico, esteárico, oleico). Lipídios isolados apresentam‑se na forma de óleos (líquidos na temperatura ambiental) ou ceras (sólido). Os triglicerídeos são lipídios formados pela ligação estérica de três ácidos graxos (iguais ou diferentes) com uma molécula única de glicerol (álcool). São triglicerídeos as gorduras e os óleos. A concentração no sangue humano deve oscilar entre 40 e 150 mg/dl. As estruturas lipídicas são hidrofóbicas (possuem aversão à água). Os ácidos nucléicos são encontrados no núcleo e no citoplasma. Esses ácidos formam cadeias de nucleotídeos. São os principais exemplos: ácido desoxirribonucleico (DNA) e ácido ribonucleico (RNA). No DNA, ocorre o armazenamento da carga hereditária/material genético. Ele também é o responsável por transmitir essa carga genética para as células‑filhas. Cada nucleotídeo contém um açúcar (pentose), bases nitrogenadas púricas = adenina (A), guanina (G) e pirimídicas = timina (T), citosina (C) e uracila (U), além do fosfato. Portanto, o DNA possui A + T + G + C + PO4 + desoxirribose, enquanto o RNA possuiA + U + G + C + PO4 + ribose. Localiza‑se no núcleo celular, na mitocôndria, em 61 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) células animais, e em cloroplastos, nas células vegetais e em certos vírus (adenovírus). Possui forma de dupla hélice, realiza replicação/duplicação no estágio S da interfase, é do tipo semiconservativa e dependente de enzimas como a helicase e a DNA polimerase. Já o RNA possui cadeia simples, com funções bem conhecidas: há o RNAr, que é o constituinte dos ribossomos livres ou aderidos no retículo endoplasmático; o RNAm ou mRNA, que surge da transcrição do DNA pela ação da enzima RNA polimerase II (RNA mensageiro – é o códon); e o RNAt (anticódon), RNA transportado, que conduz aminoácidos do citoplasma para o ribossomo (RNAr). As vitaminas são cofatores metabólicos e coenzimas, ativando uma grande quantidade de enzimas para o bom funcionamento do organismo – portanto, agem no metabolismo geral, mantendo a homeostasia. Avitaminose é o termo empregado para indicar a deficiência de vitaminas no organismo. Os sais minerais são os fatores ou participantes diretos nas reações químicas das células, constituindo o soluto das soluções verdadeiras. Muitas vezes, são mencionados como seus precursores (ácidos, como o ácido úrico, e bases, como o hidróxido de cálcio). A água é o componente mais comum, constituindo cerca de 70% do protoplasma (denominação dada para a matéria viva). É solvente de soluções químicas e fase dispersante de coloides. Um tecido animal é uma estrutura constituída por células de mesma origem embrionária e que juntas desenvolvem uma função. O tecido epitelial é formado por células poliédricas com polaridade basal e apical definidas, intimamente unidas, coesas, com pouca matriz extracelular (material externo às células) e avascular. O tecido conjuntivo é o tecido de maior ocorrência no organismo. Sua função é nutrir, unir e sustentar os demais tecidos. Assim, o tecido conjuntivo apresenta vasos do sistema circulatório e linfático que transportam alimentos e removem excretas por todo o organismo. Nesse mesmo tecido, aparecem elementos encarregados da defesa do organismo contra os agentes infecciosos. O tecido conjuntivo tem como característica a grande quantidade de matriz extracelular. A matriz extracelular do tecido conjuntivo é formada pelas fibras colágenas e elásticas e por uma porção gel, que é a substância fundamental. As fibras colágenas são compostas de uma proteína chamada colágeno e oferecem grande resistência às tensões. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano. Há uma série de tipos colágenos: as fibras reticulares (pequenas redes de sustentação celular) são formadas por fibras colágenas do tipo 3; já as fibras elásticas são predominantemente constituídas por uma proteína, a elastina, e são responsáveis pela elasticidade de certos órgãos, como pulmões, vasos sanguíneos e pele. 62 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I As principais células do conjuntivo são: fibroblastos (que se transformam em fibrócitos, após oclusos na matriz extracelular), macrófagos, mastócitos, células adiposas, plasmócitos e células mesenquimais indiferenciadas. O tecido cartilaginoso possui rede compacta de fibras colágenas e, em alguns casos, elásticas imersas em substância fundamental consistente e gelatinosa, na qual aparecem os condrócitos (células cartilaginosas). É um tecido avascular, não sendo percorrido por vasos sanguíneos. A nutrição é feita pelo tecido conjuntivo. As cartilagens possuem as funções estruturais, quando formam articulações, coxins, o externo e demais estruturas de sustentação e proteção, e participam da criação dos ossos, atuando como um “molde”, denominado ossificação endocondral, que é a composição do tecido ósseo no interior de uma peça cartilaginosa. Não ocorre a transformação da cartilagem em osso, e sim a substituição do tecido cartilaginoso pelo tecido ósseo. Existem três tipos de cartilagem: hialina, elástica e fibrosa. O tecido ósseo é constituído por células denominadas osteoblastos, que se modificam em osteócitos após ficarem presos nas lacunas (osteoplastos) e diminuírem o metabolismo. Os osteoclastos são células fagocíticas multinucleadas (com até cinco núcleos) responsáveis pela remoção da matriz óssea e corresponsáveis pela remodelação óssea. A matriz óssea é formada por duas partes: orgânica e inorgânica. Na substância orgânica, aparecem fibras colágenas e pequena quantidade de substância amorfa. A resistência e a rigidez do tecido ósseo são determinadas pela substância inorgânica calcificada formada por cristais de hidroxiapatita de cálcio. O tecido muscular é o responsável pelos movimentos corporais, sendo organizado por células excitáveis e contráteis que contêm grande quantidade de filamentos citoplasmáticos. Os componentes das células musculares recebem nomes especiais. A membrana é chamada de sarcolema; o citoplasma, de sarcoplasma; e o retículo endoplasmático liso, de retículo sarcoplasmático. De acordo com as características morfológicas e funcionais, podem‑se distinguir três tipos de tecidos musculares: o músculo estriado esquelético, o músculo estriado cardíaco e o músculo liso. O tecido nervoso forma a interface do organismo com o meio, sendo ele o responsável por detectar, transmitir, analisar e utilizar as informações geradas pelos estímulos sensoriais calor, luz, energia mecânica e modificações químicas, para então organizar e coordenar, direta ou indiretamente, a operação de todas as funções do organismo: motoras, viscerais, endócrinas e psíquicas. O tecido nervoso apresenta dois componentes principais: os neurônios, que são as células excitáveis e unidades do sistema nervoso, e as células da glia ou neuroglia, que são acessórias aos neurônios, nutrem, protegem e os auxiliam em suas atividades. Nos mamíferos, as células usam 63 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) principalmente a glicose, que gradativamente vai sendo “quebrada” e liberando energia para formação de unidade energética, adenosina trifosfato (ATP). Resumidamente, o ATP é uma molécula de alta energia terminal quando é hidrolisado, ficando na forma de ADP, mas pode voltar a ser ATP por ação dos produtores de energia, localizados na membrana interna da mitocôndria. Essa volta, essa reconstrução/regeneração de ADP em ATP, efetua‑se pela degradação da glicose e de ácidos graxos. Os ATPs se difundem por toda a célula. O conjunto de reações químicas enzimáticas que resultam na produção de pequenas moléculas orgânicas é denominado fermentação. A glicólise que ocorre no citoplasma celular é um tipo de fermentação, porem o ácido pirúvico não é uma molécula estável, e desse modo facilmente convertida em ácido lático. Nessas reações químicas, há pequena liberação de energia. São tipos de fermentação: alcoólica, lática e acética. Quando ocorrer a fermentação da glicose, há sua ativação pelo recebimento de dois PO4 e, portanto, a glicose passa a ser chamada de frutose 1, 6 difosfato (apresenta seis carbonos e dois fosfatos). Após essa etapa, a frutose é quebrada, originando duas moléculas de gliceraldeído‑3‑fosfato (exibe três carbonos e um fosfato). Essa molécula agora formada permite o acoplamento de mais um fosfato e, portanto, passa a ser denominada gliceraldeído 1, 3 difosfato (possui três carbonos e dois fosfatos). Como são duas moléculas que se originaram, temos então quatro fosfatos que serão transportados para quatro ADPs, os quais formarão em conjunto quatro ATPs. Os gliceraldeídos originaram o ácido pirúvico. Na fermentação, a quebra da glicose (glicólise) irá produzir dois ATPs, pois dois ATPs foram usados para iniciar o processo. Nas fibras musculares (células) estriadas esqueléticas dos mamíferos, também pode ocorrer esse tipo dereação, produzindo o ácido lático, por falta de oxigenação correta (motivo da câimbra). Nos mamíferos e demais vertebrados, podem‑se observar tipos musculares aeróbicos e anaeróbicos. A distribuição desses tipos musculares é hereditária, isto é, o DNA determina o perfil muscular individual. Portanto, é fácil notar que existem pessoas com melhor desempenho em atividades aeróbicas e outras com melhor desempenho em anaeróbicas, independentemente de treinamentos e de exercícios físicos. Exercícios Questão 1 (Santa Casa‑SP). Considere os seguintes eventos: I – Ruptura das ligações entre bases nitrogenadas. 64 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I II – Ligação entre os nucleotídeos. III – Pareamento de nucleotídeos. Durante a replicação do DNA, a sequência de eventos é: A) I, II e III. B) I, III e II. C) II, III e I. D) II, I e III. E) III, I e II. Resposta correta: alternativa B. Resolução do exercício Para que ocorra a replicação do DNA, inicialmente ocorre a (I) separação das fitas em razão do rompimento das pontes de hidrogênio; os (III) nucleotídeos livres iniciam então o emparelhamento; e finalmente (II) ocorre a união entre eles. Questão 2 (UPF). O tecido muscular é constituído por células alongadas, altamente especializadas e dotadas de capacidade contrátil. A capacidade de contração desse tecido é que proporciona os movimentos dos membros, das vísceras e de outras estruturas do organismo. O quadro a seguir apresenta os três tipos de células musculares com suas principais características: Quadro 6 A alternativa que preenche corretamente os espaços de I a IV é: A) Esquelético, liso, involuntária, vários. B) Esquelético, liso, voluntária, vários. 65 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) C) Liso, esquelético, involuntária, um. D) Liso, esquelético, voluntária, vários. E) Esquelético, liso, involuntária, um. Resolução desta questão na plataforma. 66 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Unidade II 5 A COMUNICAÇÃO E O TRANSPORTE CELULAR A membrana plasmática é a estrutura que delimita o meio interno e o externo de uma célula, é a interface entre a célula e o meio em que se encontra. Resumidamente, podemos relacionar as principais funções a seguir: • Constitui uma barreira permeável seletiva que controla a passagem de íons e pequenas moléculas. • Forma o suporte físico para a atividade ordenada das enzimas nela contidas. • Possibilita o deslocamento de substâncias no citoplasma através da formação de pequenas vesículas. • Realiza a endocitose e a exocitose. • Possui receptores que interagem especificamente com moléculas do meio externo. 5.1 Estrutura da membrana plasmática A membrana plasmática é uma bicamada de fosfolipídios que contém proteínas e envolve externamente a célula eucariótica. Seu tamanho varia de 0,008 a até 0,01 de um micrômetro (1 μm é a milésima parte do milímetro); portanto, a membrana plasmática só é perceptível no MET. Mantém contato íntimo com o citoplasma e também com alguns de seus componentes (o citoesqueleto). Observação Para essa membrana, outras denominações já foram atribuídas, como membrana citoplasmática, celular, plasmalema e plásmica. A estrutura dessa membrana é responsável pela sua capacidade de permeabilidade seletiva, afirmação que ainda é válida para muitas organelas citoplasmáticas de membrana. O citoplasma possui uma matriz citoplasmática também denominada citossol. É formado por substância coloidal, a qual é aquosa e contém moléculas químicas simples e complexas, além das organelas citoplasmáticas, do citoesqueleto, de inclusões e pigmentos. No citoplasma, ocorre uma série de reações químicas vitais para o funcionamento celular. Também no citoplasma está o núcleo, que é o coordenador das atividades celulares. Portanto, a membrana plasmática envolve, protege, faz comunicações e realiza uma série de atividades, mantendo a integridade celular. 67 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Por ser a estrutura que separa o meio extracelular do intracelular, a membrana plasmática facilita e regula o transporte de substâncias para dentro e para fora da célula, através dos seus constituintes químicos. A estabilidade dessa estrutura membranosa, como também das demais membranas que formam as organelas citoplasmáticas portadoras de membrana, como o retículo endoplasmático, é devida aos seus constituintes fosfolipídicos. Assim, as proteínas e os carboidratos presentes nessa membrana, desempenham funções como: • receptar sinais químicos; • transportar íons e moléculas para os meios intra e extracelular; • formar complexos de aderências entre células e de aderências com moléculas extracelulares; • realizar a comunicação com células adjacentes e com o meio extracelular através das proteínas integrinas. Há proteínas que atravessam toda a espessura da membrana, comunicando moléculas extracelulares com moléculas intracelulares – são as proteínas transmembranas. A estrutura de bicamada de fosfolipídios (são moléculas anfipáticas) possui a cabeça polar hidrofílica, a qual possui afinidade por água e repele lipídios, e a sua porção alongada, que é hidrofóbica, de hidrocarbonetos repele água e possui afinidade por lipídios. Figura 37 – Estrutura da membrana plasmática. Note a estrutura trilaminar observada na eletromicrografia A seguir, um esquema molecular da membrana plasmática. Os depósitos de ósmio explicam a estrutura trilaminar da eletromicrografia, pois esse íon é usado para corar as laminadas de microscopia eletrônica. A taxa de colesterol é inversamente proporcional à fluidez de membrana. 68 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Figura 38 – Esquema molecular da membrana plasmática 5.2 Hipótese de mosaico fluido O modelo de mosaico fluido corresponde à disposição das proteínas na bicamada lipídica. Essas proteínas são dinâmicas, porém muitas delas estão presas a outras moléculas do citoesqueleto celular, que também é formado por proteínas. Quando há uma comparação entre a membrana plasmática e a membrana das organelas de membrana, como as que formam o Golgi, entre outras, nestas, há uma quantidade maior de enzimas (proteínas simples). Na superfície externa da membrana plasmática, há hidratos de carbono (HC) ligados a lipídios e a proteínas, que constituem o glicocálice. Essa estrutura é, na realidade, uma extensão da membrana, e na sua constituição há porções de açúcar das moléculas de glicolipídeos, glicoproteínas e proteoglicanas. Veja a seguir um esquema do experimento que demonstra a hipótese do mosaico fluído no qual se incubaram células de camundongo com anticorpos marcados com rodamina (fluorescência vermelha), os quais reagem com proteínas de membrana de células de camundongo, e incubaram‑se células humanas com anticorpos marcados com diacetato de fluorceína (fluorescência verde), os quais reagem com proteínas de membrana de células humanas. Promoveu‑se a fusão das células de camundongo com as células humanas, ambas já ligadas aos anticorpos. Após a fusão, em quarenta minutos, observou‑se que as proteínas do camundongo e as humanas estavam dispersas e misturadas ao longo da membrana plasmática. Figura 39 – Esquema do experimento que demonstra a hipótese do mosaico fluído 69 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) 5.3 Comunicação celular As células se comunicam entre si por sinais químicos (moléculas sinalizadoras) e por sinalização elétrica através da despolarização de membrana associada à alteração de permeabilidade, conferindo uma estabilidade funcional e coordenada entre os diversos tecidos, órgãos e sistemas. Toda a variedade de atividades metabólicas ocorremde modo integrado, nenhuma é isolada e independente da outra. Entre os diversos tipos condução de moléculas de sinalização química, os mecanismos mais conhecidos são os sistemas endócrino e a regulação parácrina. Mas é importante lembrar que existem mecanismos difusos internos e externos ao organismo que atuam conjuntamente e com igual importância na manutenção da homeostase: [...] a capacidade de sustentar a vida está dependente da constância dos fluidos do corpo humano, e poderá ser afetada por uma série de fatores, como a temperatura, a salinidade, o pH, ou as concentrações de nutrientes, como a glicose, gases, como o oxigênio, e resíduos, como o dióxido de carbono e a ureia. Estes fatores em desequilíbrio (pela falta ou pelo excesso) podem afetar a ocorrência de reações químicas essenciais para a manutenção do corpo vivo. Para manter os mecanismos fisiológicos é necessário manter todos esses fatores dentro dos limites desejáveis (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, [s.d.]b). Saiba mais Acesse o site equipe do departamento de Fisiologia da Universidade Federal Fluminense, que tem uma página bem elaborada no endereço a seguir: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF). Fisiologia. [s.d.]a. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2016. Na sinalização endócrina, as moléculas são os hormônios, que são transportados pelo sangue e podem agir bem distantes dos locais onde foram produzidos. Já na sinalização parácrina, as moléculas produzidas agem bem próximas ao local de origem e são prontamente inativadas. Cabe registrar que estas duas formas de sinalizações dependem de moléculas sinalizadoras e também dos receptores dessas moléculas, os quais se encontram tanto na membrana plasmática como nas organelas citoplasmáticas. A molécula sinalizadora liga‑se à proteína receptora, ativando uma rota de sinalização intracelular mediada por uma sequência de proteínas sinalizadoras; uma ou várias dessas proteínas interagem com uma proteína‑alvo, alterando‑a e levando, assim, a uma mudança no comportamento da célula. 70 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II A captação de sinais é feita pela proteína G, que é uma proteína associada a receptores e que atua por modificação conformacional do receptor, que, por sua vez, ativa no complexo G –GDP a liberação da subunidade alfa, que atua sobre os complexos efetores. Outro exemplo é a fosfolipase C, que cliva um inositol‑fosfolipídeo do folheto citosólico da membrana plasmática, gerando dois fragmentos: o diacilglicerol, que permanece na membrana e auxilia na ativação da proteína quinase C, e o IP‑3 (inositol trifosfato), que é liberado no citosol e estimula a liberação do cálcio do reticulo endoplasmático. Portanto, o processo é altamente seletivo. São formas de sinalização celular: • Parácrina: as moléculas sinalizadoras são secretadas e podem ser levadas para longe, agindo em alvos distantes ou como mediadores locais. • Sináptica: sinal químico chamado neurotransmissor. Esses sinais são secretados em junções celulares especializadas. • Endócrina: essas células secretam suas moléculas sinalizadoras chamadas hormônios na corrente sanguínea, que se encarrega de transportá‑las para células‑alvo distribuídas por todo o corpo. • Autócrina: célula que secreta moléculas sinalizadoras que se ligam aos seus receptores na própria célula. Por exemplo, quando uma célula decide seguir uma determinada rota de diferenciação, ela começa a secretar sinais autócrinos, o que reforça a sua decisão. • Elétrica: aqui, são gerados impulsos nervosos com alteração no potencial elétrico da membrana plasmática, pela entrada de íons sódio e saída de íons potássio. Esse processo é muito rápido quando comparado com processos de sinalizações químicas realizadas pelos hormônios, os quais são lentos. Todos os processos no interior das células envolvem moléculas hidrossolúveis; logo, a membrana deve impedir que a água e outras moléculas fluam descontroladamente para dentro ou para fora das células. Assim, a membrana mantém a integridade das células, função diretamente ligada a sua composição de fosfolipídeos. Esses fosfolipídios são denominados fosfatidilcolina, esfingomielina, fosfotidilinositol, fosfatidilserina e fosfatidoletanolamina. Todos são neutros, exceto a fosfatidilserina, que tem carga negativa, e quase sempre estão voltados para a face citosólica (interna). A assimetria dos fosfolipídeos das suas membranas plasmáticas é útil para distinguir células vivas de mortas. Quando as células animais sofrem uma morte celular programada, ou apoptose, a fosfatidilserina, que normalmente fica confinada no folheto citosólico na bicamada lipídica da membrana plasmática, é translocada para o folheto extracelular. A fosfatidilserina serve como um sinal para induzir células adjacentes a fagocitar e digerir a célula morta. 5.4 Transporte celular Pela membrana, há transportes, isto é, ocorrem passagens entre os meios intra e extracelular. Esses transportes são classificados em passivo (quando há difusão de uma substância sem gasto de energia), 71 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) ativo (quando há gasto energético) e em massa (endocitose, que pode ser de material sólido, a fagocitose, e de material líquido, a pinocitose). O transporte passivo é a passagem de pequenas moléculas e de íons, feitas a favor de um gradiente e sem gasto de energia, isto é, o acesso dessas moléculas e desses íons do lado de maior concentração para o lado de menor concentração, tendendo a produzir um equilíbrio por um processo físico sem gasto energético. Já o transporte ativo é realizado com ajuda das proteínas existentes na membrana, denominadas proteínas transportadoras. Nesse transporte de entrada ou de saída de material da célula, há gasto de energia proveniente da hidrólise de ATP (adenosina trifosfato ou trifosfato de adenosina). Aqui, o material/ substância pode ser transportado de um lado de menor concentração para o lado de maior concentração, isto é, contra o gradiente. Há ainda outra maneira de transporte pela membrana, denominado transporte facilitado. Esse tipo também se encontra na dependência de proteínas existentes na membrana plasmática, porém sem gasto de energia. É uma difusão que se processa a favor do gradiente, porém com velocidade maior quando comparado com o transporte passivo por difusão simples. A endocitose (transporte de massa) é um processo em que as células transferem para o seu interior moléculas grandes e partículas (micro‑organismos) por meio da fagocitose e até da pinocitose, constituindo atividades endocíticas. A transferência de material do meio intra para o extracelular denomina‑se atividade exocítica – exocitose. Há mais atividades de fagocitose do que de pinocitose. Conclui‑se que as passagens/transportes anteriormente descritas são dependentes, por exemplo, de proteínas de transporte, como a aquaporina, que permite a passagem da água. Proteínas carreadoras [...] fixam a molécula a ser transportada, modificando‑a para facilitar o transporte. A presença de uma determinada proteína carreadora na membrana facilita a sua velocidade de passagem. Se comparado com o processo da difusão, este é muito lento; logo, transporte por membranas carreadoras é diferente de transporte por difusão. O principal solvente encontrado na natureza é a água, considerada solvente universal, pois é dispersante e dispersora, desfazendo e dissolvendo os solutos. Portanto, a solução é constituída de um solvente mais um soluto. Substâncias que são dissolvidas em água são denominadas hidrossolúveis, e as que são dissolvidas em lipídios são lipossolúveis. A seguir, serão descritos detalhadamente os diferentes tipos de transportes realizados pela membrana: • O transporte passivo não requer consumo de energia e depende do gradiente de concentração (diferença de concentração41 3.6 Sinapses .................................................................................................................................................... 44 4 AS CÉLULAS MODIFICAM A ENERGIA ..................................................................................................... 48 4.1 ATP e ADP ................................................................................................................................................ 49 4.2 Estrutura das mitocôndrias .............................................................................................................. 49 4.3 Respiração anaeróbica e aeróbica ................................................................................................. 51 4.4 Fadiga muscular .................................................................................................................................... 56 4.5 Músculos estriados tipo I e tipo II ................................................................................................. 58 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II 5 A COMUNICAÇÃO E O TRANSPORTE CELULAR ................................................................................... 66 5.1 Estrutura da membrana plasmática ............................................................................................. 66 5.2 Hipótese de mosaico fluido .............................................................................................................. 68 5.3 Comunicação celular .......................................................................................................................... 69 5.4 Transporte celular ................................................................................................................................. 70 5.5 As células em meios de diferentes concentrações ................................................................. 74 6 MOVIMENTAÇÃO CELULAR E CITOESQUELETO .................................................................................... 75 6.1 Microtúbulos .......................................................................................................................................... 76 6.2 Microfilamentos de actina ................................................................................................................ 82 6.3 Citoesqueleto de uma fibra muscular estriada ........................................................................ 84 6.4 Filamentos intermediários ................................................................................................................ 90 Unidade III 7 CICLO CELULAR ................................................................................................................................................ 99 7.1 Núcleo interfásico ..............................................................................................................................102 7.2 Síntese proteica...................................................................................................................................107 7.3 Eucromatina e heterocromatina ..................................................................................................108 7.4 Expressão gênica.................................................................................................................................111 8 DIVISÃO CELULAR .........................................................................................................................................114 8.1 Mitose e meiose ..................................................................................................................................114 8.2 Estrutura e tipos de cromossomos ..............................................................................................116 8.3 Diferenciação celular e células‑tronco ......................................................................................119 8.4 Apoptose ................................................................................................................................................121 7 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 APRESENTAÇÃO Estudar as células abordando as suas diferentes morfologias e funções é parte fundamental da obtenção de conhecimento para a compreensão da fisiologia humana voltada para a atividade física e das demais disciplinas que se seguem na formação do profissional de Educação Física. Portanto, o conhecimento da micromorfologia é uma disciplina curricular básica do curso, que tem como objetivo geral fornecer subsídios para a assimilação das alterações morfológicas (teciduais) decorrentes do exercício físico e interpretar o mecanismo de transferência de energia pelas células e tecidos. Ao término desse estudo, o futuro profissional de Educação Física deverá se tornar apto para interpretar a atividade física do ponto de vista celular e assim compreender: • a ação de isotônicos; • a transferência de energia dos alimentos para as células e como ocorre a fadiga muscular; • a respiração celular aeróbica e anaeróbica, assim como seus determinantes; • as possíveis lesões celulares causadas por atividades físicas excessivas; • as relações entre síntese proteica com crescimento e comunicação celular com dependência física; • e, finalmente, apresentar a autonomia para estudar e pesquisar os inúmeros fenômenos fisiológicos do organismo humano em atividade física. INTRODUÇÃO Para se obter o estímulo de estudo adequado e, por conseguinte, um ótimo desempenho na vida acadêmica e profissional, duas perguntas devem ser continuamente repetidas ao longo da vida: “Onde irei utilizar esse conhecimento ou informação?” e “Como se obteve esse conhecimento e qual a legitimidade da informação?”. Respondendo à primeira pergunta, basta realizar a seguinte analogia: se o corpo humano for comparado a uma máquina – um automóvel –, o médico é, naturalmente, o mecânico. E o profissional de Educação Física? Ele é o navegador e condutor desse veículo, pois para se obter um bom desempenho, deve‑se conhecer a trajetória, a potência e a capacidade, o melhor combustível, a modalidade do veículo etc. Para saber isso, ele deve distinguir as peças e o seu funcionamento. Desse modo, é fácil justificar o conhecimento biológico da citologia, da anatomia e da fisiologia. Se você domina quais são os principais componentes e como funcionam, provavelmente obterá um ótimo resultado, sem o risco de danificar a máquina humana. E, para responder à segunda pergunta, basta verificar a origem e a legitimidade do conhecimento nos livros, nos artigos, nas universidades e nas pesquisas, que lhe permitem conferir e aprofundar o conteúdo adquirido. Além disso, a literatura lhe demonstrará a evolução da ciência, estimulando a criatividade para solucionar os inúmeros problemas que surgirão no decorrer da profissão e, principalmente, conferindo autonomia e independência para a sua condução. 8 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Nesse sentido, vale contar como se iniciou o estudo das células, a citologia. A partir da observação de pequenas lacunas (celas) em pedaços de cortiça, Robert Hooke (1635‑1703) denominou‑as no diminutivo, células. Com o avanço tecnológico decorrente da Revolução Industrial no século XVIII, os pigmentos aplicados na indústria têxtil foram utilizados para corar e identificar os diferentes tipos celulares, ampliando de modo considerável a citologia. A partir daí, a evolução desse conhecimento acelerou exponencialmente. Hoje, a cada mês se descreve uma nova estrutura da biologia celular e molecular. Os alunos têm a oportunidade de participar ativamente desse processo. Muitas questões ainda precisam de respostas, tais como elucidar a manutenção das fibras musculares (células) nos idosos, aumentar a transferência de energiaentre os meios intra e extracelular). Há transporte passivo por difusão simples, por difusão facilitada e por osmose. — Na difusão simples ocorre a passagem de soluto através da membrana plasmática, obedecendo a um gradiente de concentração, quando se tem um lado da membrana mais concentrado (hipertônico) do que o outro (hipotônico). O lado mais concentrado perde soluto para o menos concentrado, até que ocorra uma igualdade entre eles (isotônicos). Por difusão, temos a 72 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II passagem de substâncias hidrossolúveis, lipossolúveis e voláteis. Como exemplo, podemos citar O2, CO2, N2, benzeno, H2O e anestésicos. — Já na difusão facilitada ocorre o mecanismo da difusão simples, mas com a participação de uma proteína de membrana que atua como proteína transportadora ou carreadora, denominada permease. Como exemplo de substâncias que são transportadas por difusão facilitada, pode‑se citar o transporte de alguns íons e aminoácidos. — A osmose é um tipo de transporte passivo em que o gradiente de concentração não interfere. Nesse mecanismo de transporte, a membrana é permeável ao solvente e impermeável ao soluto. A passagem de solvente se dá do meio menos concentrado (hipotônico) para o meio mais concentrado (hipertônico), até que as concentrações dos meios fiquem iguais (isotônico). • O transporte ativo requer consumo de energia que vem da quebra da molécula de ATP (adenosina trifosfato ou trifosfato de adenosina), formando ADP (adenosina difosfato + fósforo). Ocorre contra o gradiente de concentração; aqui, o transporte do soluto é do meio menos concentrado para o meio mais concentrado. A bomba de sódio (Na+) e potássio (K+) ocorre por transporte ativo. Na maioria das células, a concentração de sódio (Na+) no meio extracelular é maior que no meio intracelular e a concentração de potássio (K+) no meio intracelular é maior que no meio extracelular. No mecanismo da bomba de (Na+) e (K+), o transporte iônico ocorre através do canal iônico presente na proteína transmembrana e se dá contra o gradiente de concentração; o sódio (Na+) sai da célula e o potássio (K+) entra na célula. O transporte em quantidade é denominado endocitose, ocorrendo três variações desse transporte: fagocitose, pinocitose e endocitose mediada por receptores. O processo de fagocitose ocorre quando uma célula realiza o englobamento de partículas grandes ou elementos estranhos para a célula vindo do meio extracelular (material sólido). O reconhecimento do que vai ser fagocitado é feito através dos receptores de membrana presentes na célula fagocitária (células: macrófagos, certos tipos de leucócitos e osteoclastos). Durante esse processo, ocorre a composição de projeções intracitoplasmáticas da membrana, criando os pseudópodos, que passam a envolver o material a ser fagocitado. Nesse processo, participam os filamentos de actina do citoesqueleto celular, presentes no citoplasma e que são os responsáveis pela invaginação da membrana na forma de saco/vesícula, caracterizando a fagocitose, pois quando a invaginação possuir forma de tubo vesicular, ocorrerá a pinocitose (ingestão de material líquido). O processo da fagocitose é mais comum; já a pinocitose ocorre em poucas células. A partir do englobamento, ocorre a formação de uma bolsa de membrana, contendo no seu interior o material fagocitado, o qual não entra em contato com o citoplasma. Com a fusão dos lisossomos primários, surge o vacúolo digestivo ou fagossomo. 73 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) No processo de pinocitose, o material a ser englobado pela célula corresponde a gotículas de líquidos que, graças a projeções citoplasmáticas delgadas, são englobadas para formar bolsas ou vesículas (pinossomo) contendo esse material no seu interior. Em algumas células, como no macrófago e nas células endoteliais, dependendo do tamanho da projeção citoplasmática e da gota a ser absorvida (transportada), ocorrem os eventos de micropinocitose e macropinocitose. A saída do material pela membrana (exocitose) pode ocorrer por secreção (quando o material foi elaborado pela célula) e por clasmocitose (resíduos de processos de endocitoses). Assim, à medida que a atuação dos lisossomos vai ocorrendo no interior da bolsa formada, o material interiorizado vai sendo quebrado em partículas menores para ser utilizado no citoplasma ou, então, para formar o corpo residual e ser eliminado da célula por clasmocitose. No processo da endocitose mediada por receptores, o caso clássico é o processo de absorção do colesterol, tipo de lipídio importantíssimo para a fabricação de membranas celulares e de muitos esteroides, como cortisol e cortisona, entre outros. Na corrente sanguínea, há lipoproteínas (partículas de colesterol) de baixa densidade (LDL – lipídio + proteína). O LDL funciona como um “ligante”, isto é, se fixa num receptor existente na membrana plasmática e, após esse acoplamento, penetra para o interior da célula por endocitose. Se ocorrer problemas nesse mecanismo de recepção com as lipoproteínas, haverá aumento de lipídios na corrente sanguínea, principalmente se o hábito alimentar for incorreto, proporcionando, num futuro próximo, o acúmulo de colesterol no sangue, ou seja, placas de aterosclerose em vasos importantíssimos, que promovem a diminuição do fluxo sanguíneo e, em consequência final, morte de células, como é o caso do infarto agudo do miocárdio. Figura 40 – Esquema que demonstra a pinocitose mediada por receptores e a identificação de endossomos (pequenas vesículas) a partir de proteínas de cobertura associadas à membrana 74 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II 5.5 As células em meios de diferentes concentrações Há concentrações denominadas isotônicas, hipertônicas e hipotônicas (respectivamente, de mesma, com maior e com menor concentração de soluto). Portanto, quando esses termos são usados, deve‑se sempre inferir que são entre duas soluções. Homeostase é o equilíbrio entre concentrações do meio interno do organismo e o meio externo, não significando que esse equilíbrio seja isotônico, e sim que as concentrações sejam estáveis. Quando a homeostase é alterada, pode‑se afirmar que o organismo está doente. Edemas são alterações dos tecidos por acúmulo de água, e a osmose pode ser um fator determinante na formação de edemas. Por exemplo, em subnutridos é comum a observação de regiões edemaciadas no corpo, o que ocorre devido às diferentes concentrações entre o sangue e os tecidos (conjuntos celulares). O sangue de um subnutrido é “ralo”, com baixas concentrações de nutrientes, enquanto os tecidos apresentam maior concentração, pois suas células contêm proteínas, lipídios etc. Portanto, a água sai do plasma sanguíneo por osmose e se acumula nos tecidos, formando o edema. Hidratantes isotônicos apresentam a mesma concentração dos fluídos corporais humanos (próximo a 0,9%). A velocidade de absorção de água não aumentará, uma vez que as concentrações são as mesmas – se fosse maior (hipertônica), promoveria a desidratação; se menor (hipotônica), seria rapidamente absorvida. A “vantagem” anunciada dos isotônicos é a reposição dos sais minerais (eletrólitos) ao organismo, porém, para que ocorra a reposição, o organismo deve estar sofrendo falhas nutricionais ou tratar‑se de um atleta de alto desempenho que perde excessivamente seus eletrólitos em atividades físicas. Portanto, ocorre um sério risco na ingestão desnecessária desse produto: a pressão arterial pode se elevar em decorrência da maior concentração sanguínea, que passou a ter maior pressão osmótica (capacidade de reter líquidos), e ainda pode ocorrer a formação de cálculos renais, devido à sobrecarga de sais que o rim passa a ter para eliminar o excedente. Em 2003, médicos americanos (MacKinnon e Agre) ganharam o PrêmioNobel de Química, pois descobriram os canais existentes na membrana plasmática que controlam o fluxo de água e de íons cálcio. Afirmam os pesquisadores que há, na membrana, canais específicos para entrada e saída de água e de íons: cálcio, potássio, sódio, cloro, entre outros. Esses canais são específicos, só reconhecem estes tipos de íons. Proteínas canais são proteínas integrais que formam poros hidrofílicos, também chamados de canais iônicos. Para a criação dos poros, as proteínas apresentam‑se pregueadas, de maneira que os aminoácidos hidrófobos aparecem internamente, enquanto os hidrófilos compõem o revestimento interno do canal. A maioria das porinas é seletiva, permitindo a passagem de íons de acordo com o tamanho e a carga elétrica. Assim, para exemplificar, canais estreitos bloqueiam íons grandes, enquanto os canais com revestimento interno negativo atraem e permitem a passagem de íons positivos. A aquaporina é uma proteína que forma o canal que permite a passagem da água. Veja a seguir desenhos de eritrócitos humanos em diferentes meios de concentração. No meio hipertônico (NaCl 1,5%), a célula se encontra crenada, totalmente desidratada; no meio isotônico (NaCl 0,9%), a sua morfologia é mantida; e no meio hipotônico (NaCl 0,6% e 0,4%) ocorrem, respectivamente, turgescência e hemólise. 75 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 41 – Desenhos de eritrócitos humanos em diferentes meios de concentração 6 MOVIMENTAÇÃO CELULAR E CITOESQUELETO Para a manutenção das organelas em locais predeterminados e da própria célula, o citoesqueleto estabelece, modifica e mantém a forma das células. É responsável pelos movimentos celulares como contração, pseudópodos, filopódios e deslocamentos intracelulares de ribossomos, organelas, cromossomos, vesículas e grânulos e pelo próprio tamanho (grande volume) das células dos eucariontes. O interior celular está em constante movimento intracelular, como o transporte de organelas de um local a outro e a segregação dos cromossomos durante a mitose. É predominante e estruturalmente complexo em eucariontes. O citoesqueleto é constituído de uma estrutura de três tipos de proteínas filamentosas: filamentos intermediários, microtúbulos e filamentos de actina, sendo a tubulina e a actina muito conservados durante a filogênese. Os principais elementos são os microtúbulos, os microfilamentos de actina, os filamentos intermediários e as demais macromoléculas diversas que assumem funções diferentes conforme o tipo celular. Apenas os filamentos intermediários são estáveis, exercendo papel de sustentação. Os deslocamentos de organelas e outras partículas são devido às proteínas motoras divididas em dois grupos: as dineínas e quinesinas, que causam deslocamentos em associação com os microtúbulos, e as miosinas, que podem formar filamentos e atuam em associação com filamentos de actina. A semelhança estrutural entre a miosina e a quinesina sugere uma origem evolucionária comum. De maneira geral, os polímeros do citoesqueleto combinam resistência com adaptabilidade porque são constituídos de múltiplos protofilamentos – subunidades cordonais unidas em suas extremidades e uma a outra lateralmente. Tipicamente, podem se enrolar em hélice. A perda adicional de uma subunidade de um protofilamento faz ou quebra um conjunto de ligações longitudinais e/ou um ou dois jogos de ligações laterais. Em contrapartida, a quebra do filamento composto no meio requer a quebra de uma série de ligações em diversos protofilamentos ao mesmo tempo. Essa diferença permite que o citoesqueleto resista à quebra térmica, enquanto as porções terminais são estruturas dinâmicas nas quais ocorre adição ou subtração de subunidades rapidamente. 76 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Outro tipo de interação proteína‑proteína, as subunidades dos filamentos do citoesqueleto são mantidas juntas por um grande número de interações hidrofóbicas e por fracas ligações não covalentes. A localização e os tipos de contatos entre subunidades são distintas entre os diferentes tipos de filamentos do citoesqueleto. Os neurônios migram no embrião para localidades especiais utilizando mobilidade baseada na actina. Uma vez no local, emitem uma série de processos longos e especializados em receber sinais elétricos (dentritos) ou transmitir esses sinais para células‑alvo (axônios). Ambos os processos (neuritos) são preenchidos por microtúbulos, que são essenciais para sua estrutura e função. Veja agora algumas fotomicrografias de fluorescência dos três tipos de filamentos do citoesqueleto em uma mesma célula (fiboblasto) que demonstram as distribuições e localizações características. Os três sistemas de fibras contribuem para a forma e os movimentos celulares. Figura 42 – Fotomicrografias de fluorescência dos três tipos de filamentos do citoesqueleto em uma mesma célula (fibroblasto) 6.1 Microtúbulos São rígidos, longos, tubulares, cilíndricos e constituídos pela proteína tubulina. Um protofilamento de tubulina é formado por subunidades (α‑β‑heterodímeros) na mesma orientação do filamento, promovendo uma polaridade. Vários protofilamentos se unem para formar o microtúbulo com 13 subunidades distintas. Estão presentes no citoplasma, com 25 nm de diâmetro e peso de 110 kD, tubulina α e tubulina β (5 nm cada), presentes no citosol, que se juntam para formar dímeros (a molécula GTP da α‑tubulina está tão fortemente ligada, que pode ser considerada uma parte integral da proteína; já a β‑tubulina não está tão firmemente ligada). Em corte transversal, sua parede é constituída por 13 pares de dímeros. Estão em constante reorganização, havendo polarização dos dímeros em uma extremidade (extremidade +) e despolarização na outra (extremidade –). A polarização é mediada por Ca2+ (polarização rápida) e pelas proteínas associadas aos microtúbulos (Maps – microtubule‑associated proteins) para polarização mais durável. Também formam o fuso mitótico durante a divisão celular. Podem ser permanentes nos cílios e flagelos, com a região central bem organizada. 77 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Um cílio possui parte central constituída de dois microtúbulos (axionema) circundados por nove duplas de microtúbulos. Nas duplas, o microtúbulo A é complexo e possui 13 subunidades + dois braços de dineína. O microtúbulo B possui dois ou três subunidades comuns com microtúbulo A. Quando ativados na presença de ATP, os braços de dineína ligam‑se ao microtúbulo adjacente, encurvando os microtúbulos. Há um par de centríolos com ângulo reto entre si, com 150 nm de diâmetro por 200 a 500 nm de comprimento, próximos ao aparelho de Golgi, chamados de centrossomo ou centro celular. São constituídos de nove trincas de microtúbulos unidos por pontes proteicas. O microtúbulo A é complexo, com 13 subunidades; já os microtúbulos B e C têm subunidades de tubulina em comum. Os centríolos são enigmáticos. Na maioria das células animais, residem nos centrossomos, um complexo macromolecular que organiza o sistema de microtúbulos. Os centríolos mãe e filho possuem um comportamento diferente. Algumas horas após a divisão celular, os centríolos vagam pelo corpo celular separado da mãe por muitos micrômetros. A motilidade gradualmente diminui até parar, coincidindo com o início da duplicação de DNA no núcleo. Ao redor dos centríolos, encontramos centenas de estruturas em forma de anel compostas de γ‑tubulina, e cada uma serve como ponto de partida ou centro de nucleação para o crescimento do mictrotúbulo. Os centríolos não possuem papel na nucleação dos microtúbulos no centrossomo (a γ‑tubulina é suficiente). A concentração de αβ‑tubulina livre é pequena. Por esse motivo, para haver formação de microtúbulos, é necessária uma concentração elevada de αβ‑tubulina livre. Jáo alongamento de microtúbulos pré‑existentes é rápido. Em algumas células, o centrossomo não contém centríolos e é constituído de material amorfo, de onde se originam os microtúbulos. O centrossomo é MTOC (microtubule organizing center). São constituídos de material amorfo onde se dispõem 27 microtúbulos em nove feixes, cada um com três microtúbulos paralelos presos entre si. Os corpúsculos basais onde se inserem os cílios e flagelos apresentam a mesma estrutura. As drogas que interferem na dinâmica dos microtúbulos são: • A ureia, que despolimeriza os microtúbulos. • A colchicina (alcaloide), vincristina e vimblastina, que paralisa a mitose na interfase e se combina especificamente com dímeros de tubulina, impedindo a adição de novas tubulinas à extremidade + (polimerizadora), de modo que a extremidade – (despolimerizadora) continua e o microtúbulo desaparece. • O taxol (alcaloide), que acelera a formação de microtúbulos e os estabiliza, impedindo a existência de tubulina livre no citoplasma para formar as fibras do fuso mitótico – consequentemente, a mitose também não ocorre. Esse é o princípio de algumas drogas utilizadas no tratamento do câncer. 78 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Há constante troca entre os dímeros de tubulina do citoplasma e os dímeros polimerizados dos microtúbulos, havendo formação e dissoluções permanentes. Há capacidade das moléculas de tubulina hidrolizarem GTP. Cada dímero livre de tubulina contém uma molécula de GTP fortemente ligada que é hidrolizada à GDP (continua fortemente ligada, mas não tanto), logo após uma subunidade ser adicionada a um microtúbulo em crescimento. As moléculas de tubulina associadas ao GTP se ligam de modo eficaz na parede do microtúbulo, enquanto as moléculas que possuem GDP exibem uma configuração distinta e se ligam mais fracamente uma à outra. Quando a polimerização ocorre rapidamente, moléculas de tubulina são adicionadas ao fim do microtúbulo mais facilmente do que o GTP que elas carregam é hidrolizado, assim a porção final do microtúbulo em formação possui subunidades de tubulina‑GTP, chamada de capuz GTP. Nessa situação, como o microtúbulo somente pode se despolimerizar pela perda de subunidades da sua extremidade livre, o crescimento do microtúbulo continuará. Como o processo químico se dá ao acaso, pode ocorrer que a tubulina da extremidade livre do microtúbulo hidrolize seu GTP antes que uma nova tubulina seja adicionada, assim o terminal será constituído de uma tubulina‑GDP, e uma vez iniciada a despolarização, ela tenderá a continuar e o microtúbulo começará a retrair rapidamente, podendo até desaparecer. As tubulinas liberadas ficam como estoque no citoplasma (num fibroblasto, cerca de metade das tubulinas se encontram dessa forma), disponíveis para o crescimento de microtúbulos. As moléculas de tubulina no reservatório trocam seu GDP por GTP, tornando‑se novamente competentes para serem adicionadas a outro microtúbulo que esteja na fase de crescimento. Numa célula normal, como consequência da instabilidade dinâmica, o centrossomo (ou centro organizador) está continuamente emitindo novos microtúbulos num padrão exploratório em diferentes direções e os retraindo. Entretanto, o microtúbulo poderá se estabilizar pela adição de outra molécula ou estrutura celular que impeça a despolimerização da tubulina. O centrossomo pode ser comparável a um pescador que lança sua linha em diversas direções e, quando não é fisgada, é recolhida depressa, mas se é fisgada, a linha permanece no local, segurando o peixe para o pescador. 79 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 43 – Desenho demonstrando a dinâmica da formação dos microtúbulos Os microtúbulos organizam o interior da célula. As células são capazes de modificar dinamicamente seus microtúbulos para diferentes objetivos: • Mitose: a princípio os microtúbulos se tornam mais dinâmicos, alternando entre formação e desintegração mais frequentemente que os microtúbulos do citoplasma. Isso permite que se desassociem rapidamente e criem os fusos mitóticos. • Morfologia celular: a célula é especializada com uma determinada estrutura fixa, de modo que a instabilidade dos microtúbulos é suprimida por proteínas que se ligam no término dos microtúbulos e os estabilizam para a manutenção da forma celular. • Polarização celular: por exemplo, célula nervosa, com o axônio de um lado e os dendritos de outro (os microtúbulos do axônio apontam para a mesma direção com a terminação + apontada para o terminal axônico. Células secretoras geralmente mantêm o Golgi em direção ao local de secreção. A polarização é decorrente dos microtúbulos, mantendo organelas em determinados locais e direcionando o tráfego de movimento entre uma parte da célula e outra. 80 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Influenciam a distribuição de membrana nos eucariontes através de proteínas motoras associadas a microtúbulos. As proteínas motoras se ligam aos filamentos de actina ou aos microtúbulos, utilizam energia derivada da hidrólise do ATP e trafegam sobre o filamento em uma direção. Podem também aderir a outros componentes celulares e transportar suas cargas ao longo dos filamentos. São duas grandes famílias: as dineínas, que geralmente se movem em direção ao terminal + dos microtúbulos (para longe do centrossomo), e as quinesinas, que se movem em direção ao terminal – (em direção ao centrossomo). As duas possuem duas cadeias pesadas e várias cadeias leves. Cada cadeia pesada forma uma cabeça globular, que interage com o microtúbulo de maneira estéreo específica. Elas são ATP dependente e “caminham” pelo microtúbulo. O aparelho de Golgi e RE dependem dos microtúbulos para sua localização e posicionamento intracelular. Com o desenvolvimento da célula, o RE cresce e a quinesina aderida do lado de fora da membrana do RE o puxa para fora ao longo dos microtúbulos, alongando‑o como uma rede. A dineína puxa o Golgi na direção contrária para dentro em direção ao núcleo. Se as células forem tratadas com drogas que inibem o crescimento dos microtúbulos, as organelas mudam de local. Os cílios são prolongamentos longos com motilidade presentes nas superfícies de algumas células epiteliais. Com 5 a 10 μm de comprimento por 0,25 μm de diâmetro, são envolvidos por membrana plasmática e contêm dois microtúbulos centrais cercados por nove pares de microtúbulos periféricos unidos entre si. Estão inseridos nos corpúsculos basais, que são estruturas eletrondensas presentes no ápice das células, sob a membrana (análoga aos centríolos). Exibem rápido vaivém, movimento que em geral é coordenado e gera uma corrente de fluído ou de partículas numa determinada direção. Além disso, utilizam ATP. Uma célula da traqueia pode ter 250 cílios (mais de um bilhão por cm2). Eles são constituídos por um feixe de microtúbulos paralelos envoltos por membrana. Nos mamíferos, são presentes na árvore respiratória (deslocam o muco e partículas a ele aderidas) e oviduto (deslocam o oócito). Nos protozoários, podem ser utilizados para locomoção e alimentação. Os microtúbulos são um pouco diferentes dos encontrados nas células. Cada um dos pares de microtúbulos (nove) são constituídos por um microtúbulo A (inteiro) com um microtúbulo B (um pouco maior, que se encaixa como uma orelha no A). Encontramos ainda raios radiais, uma bainha interna que envolve o par de microtúbulos centrais (ambos inteiros e separados entre si). Entre os nove pares encontramos uma ligação de nexina. Cada um dos microtúbulos possui um braço interno e um externo de dineína ciliar, como se aproximando o microtúbulo adjacente. Essas dineínas fazem contatos periódicos com o microtúbulo adjacente e se movem ao longo dele na presença de ATP, produzindo a força para o batimento ciliar. Outros tipos de proteínasatuam para ancorar e ligar aos microtúbulos juntos e converter o movimento de deslocamento produzido pelas ligações de dineínas. Os flagelos são mais longos e, em geral, se apresentam individualmente. Nos vertebrados, encontra‑se apenas no espermatozoide, sendo um por células. É diferente do flagelo bacteriano, embora ambos sejam feixes de nove pares de microtúbulos em círculo (fundidos) com um par central (separados). 81 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) A proteína dineína tem atividade ATPásica. Ela forma um par de braços ligados aos microtúbulos dos pares periféricos. É a interação entre a dineína e os túbulos vizinhos, que acarreta num deslizamento entre pares vizinhos e promove a torção de toda estrutura, gerando o movimento ciliar ou flagelar. Nos axônios os microtúbulos estão orientados na mesma direção, com o terminal – apontando para o corpo celular. Não há um microtúbulo cobrindo todo o axônio, há uma série de sobreposições de microtúbulos paralelos de poucos μm que fazem o transporte pelo axônio mais rápido. Nos dendritos, a polaridade dos microtúbulos é mista. Há muitas proteínas transportadoras de vesículas específicas, e elas são necessárias nos terminais axônicos, onde as sinapses são construídas e mantidas (são produzidas exclusivamente no corpo celular). Muitas mitocôndrias, grande número de proteínas específicas de transporte de vesículas e precursores de vesículas sinápticas realizam sua longa jornada (em neurônios longos) na direção anterógrada. São conduzidas por proteínas da família das proteínas motoras kinesinas (movem‑se um metro/dia), muito mais rápido que por difusão (levaria oito anos para uma mitocôndria percorrer a mesma distância). O transporte retrógrado pelo axônio acontece pela dineína. A estrutura dos axônios depende dos microtúbulos e também dos filamentos de actina e filamentos intermediários. Os filamentos de actina se orientam no córtex do axônio, logo abaixo da membrana plasmática, e as proteínas baseadas na actina, como a miosina V, são também abundantes. Filamentos intermediários especializados das células nervosas fornecem o suporte estrutural mais importante para o axônio. Os microtúbulos reforçam a direção final do crescimento do cone. Microtúbulos paralelos logo abaixo do cone de crescimento estão em constante expansão e encolhendo por uma instabilidade dinâmica. Sinais adesivos guias estão relacionados de alguma forma com o final dinâmico dos microtúbulos; assim, os microtúbulos dilatando‑se na direção correta são estabilizados contra o desmantelamento. Dessa forma, um axônio rico em microtúbulos é deixado para trás, fazendo o cone seguir sua viagem. Dendritos são em geral muito mais curtos que os axônios, e sua função é mais receber sinais que enviá‑los. Os microtúbulos nos dendritos são paralelos uns aos outros, mas suas polaridades são mistas. Todavia, os dendritos são resultantes da atividade do cone de crescimento. Expandindo‑se sozinhos por seus próprios caminhos, os cones de crescimento nas extremidades de ambos, dendritos e axônios, criam uma morfologia intricada e altamente individual de cada célula neuronal madura. Dessa forma, o citoesqueleto fornece o mecanismo para construção de todo sistema nervoso, assim como o suporte e estabilização do fortalecimento das suas partes. A imagem a seguir mostra uma eletromicrografia da porção apical de uma célula epitelial ciliada. Os cílios aparecem seccionados longitudinalmente e, no detalhe, seccionados transversalmente. As pontas de setas indicam microtúbulos dispostos longitudinalmente. A ultraestrutura ciliar de nove pares de microtúbulos em disposição circular em torno de um par central é facilmente evidenciada no detalhe à esquerda. 82 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Figura 44 – Eletromicrografia da porção apical de uma célula epitelial ciliada 6.2 Microfilamentos de actina É muito abundante no músculo e constitui 5‑30% das proteínas totais do citoplasma. Forma o córtex medular, camada imediatamente abaixo da membrana plasmática, que reforça a membrana e participa dos movimentos da célula (por exemplo, fagocitose). São moléculas muito conservadas filogeneticamente. A actina nos eucariontes se concentra, em geral, em uma camada logo abaixo da membrana plasmática, chamada de córtex celular. Os filamentos de actina estão ligados por proteínas de ligação da actina, formando uma rede que suporta a superfície celular externa e fornece resistência mecânica. Nos eritrócitos, são responsáveis pela forma discoide da célula. De maneira geral, o córtex celular é mais espesso e complexo, sendo capaz de uma série de movimentos e formas. Muitas células rastejam na superfície em vez de nadarem por cílios ou flagelos à procura de alimento, como as amebas carnívoras e células do sangue, que percebem moléculas difusíveis relacionadas com bactérias, migram, fagocitam e destroem (por exemplo, neutrófilos e macrófagos). Os neutrófilos (leucócitos granulócitos) migram em direção a uma infecção bacteriana. Proteínas receptoras de membrana permitem que os neutrófilos percebam concentrações muito baixas de peptídios N‑formilados que derivam das proteínas bacterianas (percebem diferenças de concentração de 1%), ocorrendo uma polimerização de actina nas proximidades dos receptores, que são estimulados quando os receptores se ligam ao estímulo. Essa reposta de polimerização de actina depende da família monomérica Rho de GTPases. Como resposta, a célula estende um prolongamento em direção ao sinal, que indiretamente causa uma reorientação do maquinário gerador de tração, e o corpo da célula segue seu “nariz” e se move em direção ao sinal atrativo. 83 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) A direção da migração celular pode também ser influenciada por sinais químicos aderidos à matriz extracelular ou na superfície das células. Receptores a esses sinais podem causar adesão celular em adição à polimerização de actina direcionada. A maioria das migrações de células animais em longas distâncias, incluindo o crescimento da crista neural e crescimentos neuronais através de cones, depende da combinação de sinais difusíveis e não difusíveis. São instáveis como os microtúbulos, mas podem formar estruturas estáveis, como no músculo ou nos microvilos do epitélio intestinal. Além disso, são associados com um grande número de proteínas que se ligam à actina. Figura 45 – Dinâmica da conversão da actina G em actina F; as regiões que promovem polimerização (+) e despolimerização (‑) permitem o movimento do filamento Podem se contrair (músculos das células), emitir prolongamentos, como nos fibroblastos, ou formar o anel que se contrai durante a divisão celular. São flexíveis, sendo formados por uma estrutura quaternária fibrosa composta de actina F (7 nm de diâmetro), constituída de duas cadeias em espiral de filamentos compostos de actina G, lembrando um colar de pérolas. Estão arranjados em forma de hélice, que completa um giro a cada 37 nm. Possuem ainda polaridade com um terminal + e um –. É bastante flexível e em geral menor que os microtúbulos, e a quantidade (comprimento total) de filamentos de actina na célula é cerca de 30 Xs de microtúbulos. Raramente estão isolados nas células: é comum vários filamentos de actina se agregarem para formar feixes mais espessos. Os filamentos de actina podem crescer pela adição de actina G nas terminações, sendo mais rápida na terminação + que na –. Um filamento de actina puro, como um microtúbulo, é muito instável e pode se desmontar por ambos os lados. Cada actina G possui um ATP fortemente ligado, que é hidrolizado à ADP após ser incorporado à actina F. A hidrólise reduz a força da ligação (como nos microtúbulos) e reduz a estabilidade do polímero. A hidrólise de nucleotídeos promove a despolimerização,ajudando a desmantelar os filamentos de actina após serem formados. 84 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II As citocalasinas combinam com actina e impedem a polimerização, e faloidinas combinam externamente com filamentos de actina, estabilizando‑os. Ambas são extraídas de fungos e interferem nos movimentos celulares, o que ocorre mais em células não musculares. Os filamentos de actina, após formados, duram alguns minutos. O equilíbrio entre os filamentos de actina e a reserva de actina G são essenciais para a sua função. Cerca de 5% da proteína total de uma célula animal é actina; cerca de metade está na forma de filamentos (actina F), e o restante, no citosol (actina G). A célula possui pequenas proteínas, como timosina (que mantém a actina G como reserva até ser necessária) e profilina. Elas se ligam à actina G no citosol, impedindo que eles se unam às terminações da actina F, e assim regulam a polimerização da actina. Há muitas outras proteínas que se une à actina na célula. A maioria se liga à actina F e controla o comportamento do filamento. Lembrete O citoesqueleto de actina pode regular o comprimento, a localização, a organização e o comportamento dinâmico das células. A atividade dos filamentos de actina pode ser regulada por sinais extracelulares, permitindo à célula reorganizar seu citoesqueleto em resposta ao ambiente. 6.3 Citoesqueleto de uma fibra muscular estriada Em uma fibra muscular, os microfilamentos de actina estão entre os miofilamentos e a associação deles com os miofilamentos de miosina é a peça fundamental para o movimento de contração muscular. Actina e miosina compõem 55% das proteínas do músculo estriado. A associação dos miofilamentos de actina e miosina forma uma família e hidrolisa ATP, que fornece energia para o movimento ao longo do filamento de actina em direção à teminação –. Há muitas subfamílias, sendo as miosinas I e II as mais abundantes. A miosina I é encontrada em todas as células e é a mais simples, pois possui apenas uma cabeça e uma cauda. A cabeça interage com o filamento de actina, que possui a atividade de hidrolisar o ATP, e assim a miosina se move sobre o filamento de actina em direção à terminação +, transportando a vesícula a ela ligada sobre o filamento de actina em ciclos repetitivos. A cauda pode também se ligar à membrana plasmática e modificar a forma desta. Os feixes de miofilamentos formam as miofibrilas, que possuem 1‑2 μm de diâmetro, e nessas estruturas estão os sarcômeros (de 2,5 μm de comprimento), com um padrão repetitivo que dá o aspecto estriado à célula. Sua composição é de filamentos de actina e miosina II (ou filamentos grossos), que são posicionados centralmente no sarcômero. São as unidades contráteis do músculo. Os principias miofilamentos são distribuidos da seguinte forma: • Actina G (globular), com 5,6 nm de diâmetro. • Actina F (fibrosa), hélice dupla de actina G polimerizada com sítio de ligação para miosina. 85 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) • Tropomiosina, molécula cordonal, fina, polarizada e rígida, com 40 nm de comprimento e duas cadeias em forma de α hélice enroladas, que se encaixa na hélice de actina (actina F), cobrindo sete actinas G e impedindo que as cabeças de miosina se associem com o filamento de actina. • Troponina, que possui três subunidades: — TnT, que liga na tropomiosina; — TnC, com afinidade por Ca++ no fim da molécula, que muda sua forma após a ligação Ca2+ e causa o deslocamento da molécula de tropomiosina, expondo o sítio de ligação da actina com a miosina; e — TnI, que cobre o sítio de ligação. • Miosina, que, dividida em meromiosina leve (filamentosa) e meromiosina pesada (atividade ATPásica), combina com a actina na banda H para fora. Forma um bastão com 2‑3 μm de diâmetro por 20 μm de comprimento PM 500.000 enrolado em hélice. Cada filamento de miosina apresenta cerca de 300 cabeças e cada uma pode se ligar a um filamento de actina numa velocidade de 15 μm/s, o suficiente para um sarcômero passar do estado distendido (3 μm) para completamente contraído (2 μm) em menos de um décimo de segundo. • Titin, uma molécula elástica que muda sua forma à medida que o sarcômero contrai ou relaxa, ligando o disco z à miosina. • Tropomodulina, que se liga à terminação – do filamento de actina, estabilizando, e o lado + se ancora no disco Z (Cap Z) – por isso, são muito estáveis. Permite que a fibra muscular se recupere após ter sido estirada em excesso. • Disco Z, que também contém α‑actina. • Nebulina, que determina o tamanho de cada filamento. É uma proteína com 35 aa repetitivos compondo a actina. A nebulina move‑se do disco Z para a terminação – de cada filamento de actina, atuando como uma “régua molecular” para dizer o tamanho do filamento. 86 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Veja as imagens a seguir: Figura 46 – Desenho esquemático demonstrando a organização de uma fibra muscular e sua unidade funcional, o sarcômero Figura 47 – Desenho esquemático demonstrando os principais miofilamentos encontrados no citoesqueleto de uma fibra muscular e do sarcômero 87 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) O desenho a seguir ilustra o Modelo de Huxley (Prêmio Nobel em 1963). A contração muscular obedece à Teoria dos Filamentos Deslizantes. Segundo esse modelo, quando ocorre a contração, os miofilamentos de actina e miosina não se encurtam nem se esticam; eles deslizam uns sobre os outros de maneira que os filamentos de actina se aproximam, diminuindo a faixa H. Observando a figura que segue, notamos que a banda A não altera suas dimensões durante a contração e o relaxamento, enquanto a banda I diminui de comprimento na contração e aumenta no relaxamento: Figura 48 – Desenho ilustrando o Modelo de Huxley Como os únicos contatos observáveis entre os miofilamentos são as pontes laterais, que partem dos miofilamentos de miosina, admite‑se que tais pontes sejam as responsáveis pelo deslizamento, deslocando‑se os filamentos de actina em relação aos de miosina. Se a proteína miosina de um músculo for relativamente dissolvida, a faixa A desaparece. Assim, demonstra‑se que os filamentos grossos sejam constituídos de miosina e que os filamentos finos, na sua maior parte, sejam constituídos da proteína actina. Como já observado, moléculas de proteína actina são globulares (actina G), polimerizam‑se e criam fios enrolados, dois a dois, em forma de hélice (actina F). No sarcômero, associam‑se a esta mais duas proteínas, denominadas troponina e tropomiosina. A miosina cria bastonetes longos com uma extremidade dilatada, lembrando um taco de golfe. Há a formação de uma ponte entre a miosina e a actina, ocasionando a contração muscular. Na contração muscular, as “cabeças” da miosina de um filamento grosso encaixam‑se aos receptores da actina (filamento fino), dobrando‑se e ocasionando o deslizamento desses filamentos de actina, o que lembra o movimento de uma “engrenagem de dentes” e encurta o sarcômero. 88 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Figura 49 – Esquema demonstrando o mecanismo de ligação entre a actina e a miosina e a contração do sarcômero A contração se inicia quando o músculo esquelético recebe o sinal do sistema nervoso. O sistema desencadeia um potencial de ação na membrana sarcoplasmática, em ms viajam até os túbulos T (transversos), que estendem o sinal pelas membranas plasmáticas ao redor de cada miofibrila. O sinal elétrico é então retransmitido ao retículo sarcoplasmático, um grupo de vesículas achatadas ao redor de cada miofribila, que armazena Ca2+ e, em resposta à excitação, libera o Ca2+ no citosol através de canais iônicos que se abrem. O íntimo contato entreos túbulos T e o retículo sarcoplasmático permite que a despolarização que progride pelos túbulos T atue diretamente nos grandes canais de liberação de Ca2+, que o liberam no sarcolema através de um mecanismo aberto por proteínas transmembrana sensíveis à voltagem. O Ca2+ liga ao TnC e o complexo miosina ATP é ativado, formando ponte entre a cabeça de miosina e a subunidade de actina G. Assim, ATP → ADP = Pi + E, e esta ativação deforma a cabeça da miosina, que aumenta a curvatura e empurra a actina ligada, promovendo a contração muscular. Observação Como o sinal da membrana plasmática é passado dentro de milisegundos para todos os sarcômeros da célula, todas as miofibrilas da célula se contraem ao mesmo tempo. O aumento do Ca2+ no citosol cessa assim que o sinal nervoso para, porque o Ca2+ é rapidamente bombeado de volta para o retículo sarcoplasmático por uma série de bombas de Ca2+. As concentrações de Ca2+ voltam ao normal e as moléculas de troponina e tropomiosina movem‑se de volta a sua posição original, onde bloqueiam a ligação entre actina e miosina. 89 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Quando a fibra muscular está relaxada, a actina se encontra bloqueada pela troponina. No momento em que o Ca++ está disponível e se liga à unidade TnC da troponina, ocorre alteração da configuração espacial das três subunidades de troponina, que, por sua vez, empurra a molécula de tropomiosina mais para dentro do sulco da hélice de actina, expondo os sítios de ligação dos componentes globulares de actina, de modo que estas ficam livres para interagir com as cabeças de miosina. A ponte entre a cabeça de miosina e a subunidade de actina G ganha atividade ATPásica (ATP → ADP = Pi + E). A consequente liberação de energia promove a deformação da cabeça da miosina, que aumenta curvatura e empurra a actina ligada a ela. Assim, ocorre o deslizamento da actina sobre a miosina. As pontes antigas só se desfazem depois que a miosina se une a uma molécula de ATP, fazendo com que a cabeça de miosina volte à sua posição normal, o que inicia um novo ciclo. A remoção do Ca++ é realizada por transporte ativo. Sem ATP, o complexo actina/miosina fica estável, determinando o estado de rigor mortis, que é caracterizado pela rigidez muscular do estado cadavérico. Figura 50 – Desenho e eletromicrografias de transmissão de sarcômeros relaxados e contraídos Veja a seguir um desenho dos miofilamentos finos de actina e tropomiosina e da troponina. Quando o cálcio se liga na troponina, ela sofre alteração de sua conformação molecular e desloca a tropomiosina; consequentemente, o sítio de afinidade da actina pela miosina é exposto, permitindo que o braço de meromiosina pesada se ligue na actina. Figura 51 – Desenho dos miofilamentos finos de actina e tropomiosina e da troponina 90 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Veja agora um desenho do modelo esquemático do ciclo contrátil da actino‑miosina. O movimento do filamento fino pela energia gerada na cabeça de miosina ocorre como resultado entre a ligação de um ciclo mecânico que envolve ancoramento, movimento e desancoramento da cabeça e um ciclo químico que abrange ligação, hidrólise e liberação de ATP, ADP e Pi (fósforo inorgânico). Nesse modelo, os dois ciclos iniciam‑se no item 1, com a ligação do ATP na fenda da cabeça de miosina, causando o deasancoramento da cabeça no filamento da actina. As hidrólises da ligação do ATP (item 2) energizam a cabeça, causando ligação fraca com o filamento de actina (item 3). A liberação de Pi causa um forte ancoramento da cabeça de miosina com o filamento fino do centro e a força rítmica (item 4), que move o filamento fino ao centro do sarcômero. A liberação do ADP (item 5) regula o estágio para outro ciclo. Figura 52 – Desenho do modelo esquemático do ciclo contrátil da actino‑miosina Lembrete O aumento da quantidade de miofilamentos em uma fibra muscular promove hipertrofia muscular; já o aumento de fibras musculares promove hiperplasia muscular, esta ocorrendo principalmente na infância. 6.4 Filamentos intermediários Os filamentos são chamados de intermediários por estarem entre os diâmetros da actina e da miosina. São mais estáveis que os microtúbulos e que os filamentos de actina. Não participam da contração celular nem nos movimentos de organelas. São abundantes em células que sofrem atrito (epiderme), 91 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) onde se prendem os desmossomos, nos axônios e em células musculares, e ausentes em células de multiplicação rápida (culturas e embriões) e nos oligodendrócitos (produtoras de mielina). Um tipo está presente na lâmina nuclear, logo abaixo da membrana nuclear interna. Outros tipos se estendem através do citoplasma, fornecendo à célula resistência mecânica, pois resistem a grandes forças tensoras. São os mais duráveis dos três (resistem a salinas concentradas e detergentes não iônicos). Encontram‑se no citoplasma da maioria das células animais, formando uma rede através do citoplasma, circundando o núcleo e se estendendo até a periferia da célula. Em geral, ancoram‑se nas junções celulares como desmossomos, dentro do núcleo (lâmina nuclear) que fornece estrutura à carioteca. Também protegem as células de estresse mecânico. São como cordas trançadas juntas, fornecendo resistência à tensão. Formam ligações em meio às α hélices entre as espirais, proporcionando grande resistência ao estiramento. Nos fibroblastos, os filamentos intermediários são constituídos de proteína vimetina. O monômero proteico do filamento intermediário consiste de um domínio em bastão central com regiões globulares nas extremidades. Pares de monômeros se associam para formar dímeros, e pares de dímeros se associam para formar tetrâmeros. Os tetrâmeros se empacotam juntos por suas porções terminais e se associam em uma formação em hélice, contendo oito grupos de tetrâmeros que geram o filamento intermediário. São exemplos de filamentos intermediários: • Queratina: exclusiva das células epiteliais, são mais de 30 tipos, formados da combinação de diferentes subunidades de queratina, em geral de uma extremidade da célula epitelial a outra e ancorados nos desmossomos, associando‑se lateralmente com outro compartimento celular através de seus domínios da cabeça e caudas globulares. Esses arranjos distribuíram o estresse entre todas as células. • Vimetina e filamentos relacionados à vimetina: tecido conjuntivo, células musculares e células de suporte do sistema nervoso (neuroglia). • Neurofilamentos: nas células nervosas, no corpo celular e dos prolongamentos dos neurônios. • Lâmina nuclear A, B e C: reforçam a carioteca (intranuclear) das células animais. Muitos filamentos intermediários são posteriormente estabilizados e reforçados por proteínas acessórias que se ligam transversalmente em feixes de fibras (por exemplo, plectina). A vimetina, por exemplo, liga os filamentos intermediários aos microtúbulos, aos filamentos de actinas e a estruturas adesivas dos desmossomos. 92 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Os envelopes nucleares são apoiados por uma rede de filamentos intermediários. Formam a rede bidimensional de filamentos intermediários chamada de lâmina nuclear na face interna da carioteca, que fornece local de ligação para as cromatinas contendo DNA. São constituídos de lamin, desfazem‑se e se reorganizam a cada divisão celular, quando o envelope nuclear se desfaz e se forma nas células‑filhas. A dissociação da lamin é controlada pela fosforilação e desfosforilação da lamin pela proteína quinase. Após a fosforilação da lamin, as ligações entre os tetrâmeros se enfraquecem e o filamento desintegra. No final da mitose, a desfosforilação causa a reorganização dalamin. Resumo A membrana plasmática é a estrutura que delimita o meio interno e o externo de uma célula, é a interface entre a célula e o meio em que se encontra. Resumidamente, as principais funções são formar uma barreira permeável seletiva que controla a passagem de íons e pequenas moléculas; formar o suporte físico para a atividade ordenada das enzimas nela contidas; possibilitar o deslocamento de substâncias no citoplasma através da formação de pequenas vesículas; realizar a endocitose e a exocitose; e possibilitar a comunicação celular através dos receptores que interagem especificamente com moléculas do meio externo. A membrana plasmática é uma bicamada de fosfolipídios que contém proteínas e envolve externamente a célula eucariótica. A estrutura dessa membrana é responsável pela sua capacidade de permeabilidade seletiva, afirmação que também é válida para muitas organelas citoplasmáticas de membrana. Há proteínas que atravessam toda a espessura da membrana, comunicando moléculas extracelulares com moléculas intracelulares – são as proteínas transmembranas. A estrutura de bicamada de fosfolipídios (são moléculas anfipáticas) possui a cabeça polar hidrofílica, a qual possui afinidade por água e repele lipídios, e a sua porção alongada, que é hidrofóbica, de hidrocarbonetos repele água e possui afinidade por lipídios. O modelo de mosaico fluido corresponde à disposição das proteínas na bicamada lipídica. Essas proteínas são dinâmicas, porém muitas delas estão presas a outras moléculas do citoesqueleto celular, que também é formado por proteínas. As células se comunicam entre si por sinais químicos (moléculas sinalizadoras) e por sinalização elétrica através da despolarização de membrana associada à alteração de permeabilidade, conferindo uma estabilidade funcional e coordenada entre os diversos tecidos, órgãos e sistemas. Entre os diversos tipos condução de moléculas de sinalização química, os mecanismos mais conhecidos são os sistemas neuroendócrino e a regulação 93 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) parácrina. Na sinalização endócrina, as moléculas são os hormônios, que são transportados pelo sangue e podem agir bem distantes dos locais onde foram produzidos. Já na sinalização parácrina, as moléculas produzidas agem bem próximas ao local de origem e são prontamente inativadas. As formas de sinalização celular são: • parácrina: as moléculas sinalizadoras são secretadas e podem ser levadas para longe, agindo em alvos distantes ou como mediadores locais; • sináptica: sinal químico chamado neurotransmissor. Esses sinais são secretados em junções celulares especializadas; • endócrina: essas células secretam suas moléculas sinalizadoras chamadas hormônios na corrente sanguínea, que se encarrega de transportá‑las para células‑alvo distribuídas por todo o corpo; • autócrina: célula que secreta moléculas sinalizadoras que se ligam aos seus receptores na própria célula. Por exemplo, quando uma célula decide seguir uma determinada rota de diferenciação, ela começa a secretar sinais autócrinos, o que reforça a sua decisão; • elétrica: na qual são gerados impulsos nervosos com alteração no potencial elétrico da membrana plasmática, pela entrada de íons sódio e saída de íons potássio. Pela membrana, há transportes, isto é, ocorrem passagens entre os meios intra e extracelular. Esses transportes são classificados em passivo (quando há difusão de uma substância sem gasto de energia), ativo (quando há gasto energético) e massa (endocitose, que pode ser de material sólido, a fagocitose, e de material líquido, a pinocitose). Há transporte passivo por difusão simples, por difusão facilitada e por osmose. O transporte ativo requer consumo de energia que vem da quebra da molécula de ATP (adenosina trifosfato ou trifosfato de adenosina), formando ADP (adenosina difosfato + fósforo). Ocorre contra o gradiente de concentração; aqui, o transporte do soluto é do meio menos concentrado para o meio mais concentrado. O processo de fagocitose ocorre quando uma célula realiza o englobamento de partículas grandes ou elementos estranhos para a célula vindo do meio extracelular (material sólido). No processo de pinocitose, o material a ser englobado pela célula corresponde a gotículas de líquidos que, graças a projeções citoplasmáticas delgadas, são englobadas para formar bolsas ou vesículas (pinossomo) contendo esse material no seu interior. Há concentrações denominadas isotônicas, hipertônicas e hipotônicas 94 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II (respectivamente, de mesma, com maior e com menor concentração de soluto). Portanto, quando esses termos são usados, deve‑se sempre inferir que são entre duas soluções. Para a manutenção das organelas em locais predeterminados e da própria célula, o citoesqueleto estabelece, modifica e mantém a forma das células. É responsável pelos movimentos celulares, como contração, pseudópodos, filopódios e deslocamentos intracelulares de ribossomos, organelas, cromossomos, vesículas e grânulos e pelo próprio tamanho (grande volume) das células dos eucariontes. Os principais elementos são os microtúbulos, os microfilamentos de actina, os filamentos intermediários e as demais macromoléculas diversas que assumem funções diferentes conforme o tipo celular. Apenas os filamentos intermediários são estáveis, exercendo papel de sustentação. Um protofilamento de tubulina é formado por subunidades (α‑β‑heterodímeros) na mesma orientação do filamento formado, criando assim uma polaridade. Vários protofilamentos se unem para criar o microtúbulo com 13 subunidades distintas. Os microtúbulos organizam o interior da célula. As células são capazes de modificar dinamicamente seus microtúbulos para diferentes objetivos, tais como a separação dos cromossomos na divisão celular, a forma celular, a polarização celular e o movimento intracelular, extracelular e celular. Os microfilamentos de actina são abundantes nos músculos e constituem 5‑30% das proteínas totais do citoplasma. Formam o córtex medular, camada imediatamente abaixo da membrana plasmática, que reforça a membrana e participa dos movimentos da célula (por exemplo, fagocitose). São moléculas muito conservadas filogeneticamente. Com a miosina, compõem 55% das proteínas do músculo estriado. A associação dos miofilamentos de actina e miosina forma uma família e hidrolisa ATP, que fornece energia para o movimento ao longo do filamento de actina em direção à teminação –. Há muitas subfamílias, sendo as miosinas I e II as mais abundantes. A miosina I é encontrada em todas as células e é a mais simples, pois possui apenas uma cabeça e uma cauda. A cabeça interage com o filamento de actina, que possui a atividade de hidrolisar o ATP, e assim a miosina se move sobre o filamento de actina em direção à terminação +, transportando a vesícula a ela ligada sobre o filamento de actina em ciclos repetitivos. A contração se inicia quando o músculo esquelético recebe o sinal do sistema nervoso. O sistema desencadeia um potencial de ação na membrana sarcoplasmática e em ms viajam até os túbulos T (transversos), que estendem o sinal pelas membranas plasmáticas ao redor de cada miofibrila. O sinal elétrico é então retransmitido ao retículo sarcoplasmático, um grupo de vesículas achatadas ao redor de cada miofribila, que armazena 95 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Ca2+ e, em resposta à excitação, libera o Ca2+ no citosol através de canais iônicos que se abrem. O íntimo contato entre os túbulos T e o retículo sarcoplasmático permite que a despolarização que progride pelos túbulos T atue diretamente nos grandes canais de liberação de Ca2+, que o liberam no sarcolema através de um mecanismo aberto por proteínas transmembrana sensíveis àvoltagem. Os filamentos são chamados de intermediários por estarem entre os diâmetros da actina e da miosina. São mais estáveis que os microtúbulos e que os filamentos de actina. Não participam da contração celular nem nos movimentos de organelas. São abundantes em células que sofrem atrito (epiderme), onde se prendem os desmossomos, nos axônios e em células musculares, e ausentes em células de multiplicação rápida (culturas e embriões) e nos oligodendrócitos (produtoras de mielina). Exercícios Questão 1 (Enade, 2005). Hemácias humanas foram imersas em duas soluções das substâncias I e II, marcadas com um elemento radioativo, para estudar a dinâmica de entrada dessas substâncias na célula. Os resultados estão apresentados no gráfico a seguir: Figura 53 Com base nesses resultados, pode‑se concluir que as substâncias I e II foram transportadas para dentro da célula, respectivamente, por: A) Transporte ativo e difusão passiva. B) Difusão facilitada e difusão passiva. C) Difusão passiva e transporte ativo. 96 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II D) Fagocitose e pinocitose. E) Osmose e difusão facilitada. Resposta correta: alternativa A. Resolução do exercício Substância I – A passagem dessa substância para o interior celular (incorporação) pode ser analisada em dois momentos distintos: (1) quando a concentração do meio externo é inferior a 2 dpm.10‑3/cm3 e (2) quando essa concentração é superior a esse valor. No momento 1, a taxa de incorporação acompanha proporcionalmente a elevação da concentração da substância I no meio externo, o que indica que, até que seja atingida a concentração exterior de 2 dpm.10‑3/cm3, a entrada da referida substância nas células ocorre sem nenhum tipo de impedimento, um padrão semelhante ao descrito anteriormente para a substância II. No entanto, a partir da concentração de 2 dpm.10‑3/cm3, a taxa de incorporação da substância estabiliza‑se em torno de 500 dpm/106cel/h, permanecendo nesse patamar mesmo nas mais elevadas concentrações externas da substância. Portanto, no momento 2, passa a existir uma restrição à entrada da substância I, que continua a ser incorporada, porém a uma taxa limitada e constante. Se considerássemos apenas o momento 1 da curva, poderíamos afirmar que o fenômeno ocorrido era a difusão simples, na qual a elevação da concentração externa da substância gera uma incorporação equivalente (transporte desimpedido, seguindo o gradiente de concentração). Porém, a limitação verificada no momento 2 da curva sugere que a passagem da substância I não ocorre de modo desimpedido, o que nos permite deduzir que essa substância não atravessa a membrana plasmática pela bicamada lipídica, apesar do caráter passivo do transporte registrado no primeiro momento do gráfico. Desse modo, a explicação mais plausível é a de que o transporte da referida substância ocorre com o auxílio de proteínas. Logo, trata‑se de um fenômeno de difusão facilitada, uma vez que é um fenômeno passivo e executado por proteínas carreadoras de membrana. Assim, o comportamento da curva apresentada no gráfico pode ser explicado da seguinte forma: antes de a concentração exterior da substância I atingir o valor de 2 dpm.10‑3/cm3, havia uma quantidade livre de carreadores suficiente para promover a passagem dessa substância pela membrana de modo eficiente. Entretanto, quando a concentração se tornou muito elevada, todos os carreadores ficaram ocupados por moléculas da substância I, fazendo com que a taxa de incorporação dessa substância atingisse um valor máximo e constante, registrado pelo platô que marca o momento 2 do gráfico. Nesse caso, costuma‑se dizer que a proteína carreadora está saturada. 97 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 54 Substância II – A reta que representa o ocorrido com a substância II indica uma perfeita correlação entre a concentração da referida substância no meio externo e sua taxa de incorporação celular: quando a concentração no meio externo é baixa, a incorporação é baixa; quando a concentração extracelular é alta, a incorporação é igualmente elevada. Isso revela que a substância II tem livre passagem do meio externo para o meio interno através da membrana plasmática das células e segue o gradiente de concentração. Essa passagem sem restrições sugere que o mecanismo pelo qual a substância II é incorporada à célula é a difusão simples ou passiva, ocorrida através da bicamada lipídica. Nas demais modalidades de transporte, há a participação de proteínas de membrana, as quais atuam como carreadoras de substâncias ou formadoras de canais, o que impõe limitações de diversos graus à passagem de substâncias. Figura 55 98 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade II Questão 2 (UFRGS). As células animais para a produção de energia necessitam de oxigênio, enzimas e substrato. Em relação ao processo de produção de energia, considere as afirmações a seguir: I – A fosforilação oxidativa ocorre nas mitocôndrias. II – Na fase aeróbia, ocorre alta produção de ATP. III – A glicólise possui uma fase aeróbia e outra anaeróbia. É(são) correta(s): A) Apenas a afirmativa I. B) Apenas a afirmativa II. C) Apenas as afirmativas I e II. D) Apenas as afirmativas II e III. E) Todas as afirmativas. Resolução desta questão na plataforma. 99 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Unidade III 7 CICLO CELULAR O ciclo celular deve ser compreendido pela forma pela qual todos os seres vivos trabalham (exercem suas funções) e se reproduzem. Vamos lembrar que existem seres unicelulares; portanto, o seu ciclo de vida não é diverso do ciclo celular: todos nascem, desenvolvem‑se, trabalham, reproduzem‑se e morrem, com as células não são diferentes. Podemos condensar esses eventos no ciclo celular em dois momentos: a interfase e a mitose. Na mitose ocorre a divisão da célula, e no período entre duas divisões (entre fases reprodutivas) temos a interfase. O núcleo celular na interfase, que é o período de desenvolvimento e trabalho, é bem diferenciado em relação à atividade celular (profissão), e o núcleo mitótico (reprodução) nem sequer pode ser chamado de núcleo, pois perde sua membrana e torna‑se difuso no citoplasma. Neste tópico serão abordados os aspectos estruturais e funcionais do núcleo interfásico. A compartimentalização do ácido desoxirribonucleico (DNA) chamado de núcleo divide os eucariontes (onde nos encontramos) dos procariontes (bactérias). Isso é a base para explicar a grande diversidade da vida que encontramos hoje. O compartimento nuclear isolou as reações químicas e criou um ambiente para um processamento do DNA que permite um controle mais acurado e desacoplou as etapas de reações químicas (transcrição e a translocação), além de possibilitar a verificação de qualidade do DNA e sua restauração. O RNA passou a ser modificado conforme a necessidade antes de entrar em contato com os ribossomos fora do núcleo. Permitiu que as vias metabólicas nucleares se tornassem livres de interferências que ocorrem no citoplasma, impedindo competições por sítios de afinidades moleculares. O ciclo celular, desde a formação de uma célula até sua própria divisão em duas células‑filhas iguais entre si, apresenta, basicamente, as seguintes passagens: a interfase, em que a célula cresce e se prepara para uma nova divisão, e a divisão, em que se originam duas células‑filhas, a qual se inicia pela divisão do núcleo (cariocinese ou mitose) e posteriormente do citoplasma (citocinese). Algumas células, como os hepatócitos, não realizam a citocinese e passam a ser binucleadas. O ciclo tem que se ajustar para que tenha o tempo suficiente para que a célula dobre de tamanho e em seguida se divida, mantendo assim o tamanho das células dentro de um parâmetro.O controle nos eucariontes é feito por diversos produtos gênicos, que, por sua vez, são também regulados por fatores extracelulares, como nutrientes ou fatores de crescimento, fazendo que ocorra a divisão celular coordenadamente com as necessidades do organismo como um todo. 100 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Em uma das fases do ciclo celular, a interfase (95% do ciclo), ocorre a duplicação dos componentes da célula‑mãe, incluindo a duplicação do DNA. As células de mamíferos terminam sua duplicação de DNA, e pelo menos duas horas antes entram em mitose. Assim, dentro da interfase ocorrem os seguintes períodos: • G0 (tempo variável): estado quiescente em que a célula não apresenta a programação para entrar em mitose novamente. A maioria dos neurônios estão em G0. A quantidade de DNA é de 2C. • G1 (gap = vazio) – 12h em média: é o intervalo de tempo desde a mitose até o início da síntese de DNA. É o período pós‑mitótico. • R (ponto de restrição): quando a célula atravessa esse ponto, entra em mitose novamente. Fica no fim da G0. • S (stand) – 8h em média: é o momento em que ocorre a duplicação ou síntese de DNA. Pode‑se afirmar que há um conteúdo intermediário de DNA nessa fase. • G2 – 4h em média: intervalo entre o término da síntese de DNA e a próxima mitose, pós‑síntese de proteínas ou pré‑mitótico. A quantidade de DNA é de 4C. • M – 1h em média: mitose. O ciclo é termodependente e está à mercê da disponibilidade de nutrientes, sob efeito de mensageiros químicos, tais como hormônios, fatores de crescimento e fatores fisiológicos, tais como idade da célula, pressão osmótica, pressão hidrostática e pressão de oxigênio externa. O conjunto de proteínas que interagem, conhecidas como quinases, dependentes de ciclina (CDKs), controla por via enzimática o ciclo celular. Os receptores e agentes mais citados são a CDC2 e CDK. A célula passa por G1 e é induzida a progredir ao longo do ciclo por fatores de crescimento (mitógenos), atuando por meio de receptores que transmitem os sinais para prosseguir em direção à fase S. As ciclinas do tipo D (D1, D2 e D3) são as que se associam às CDKs e as ativam. Também existem outas que podem induzir a interrupção de G1. Caso essas proteínas sejam inativadas por mutações, a proliferação celular torna‑se contínua, comum em várias neuplasias. Quando ocorre detecção do dano do DNA e consequente interrupção do ciclo celular, por causa da ativação da p53, o impedimento para bloquear o ciclo se torna essencial em evitar que a célula entre na fase S. Assim que a célula passar pelo ponto de restrição G1, a ciclina E é degradada, e a célula entra na fase S. Isso é iniciado, entre muitas outras atividades, pela ligação da ciclina A à CDK2 e pela fosforilação da proteína RB (proteína retinoblastoma). Esse sistema impede que a célula prossiga o seu ciclo com um DNA alterado (danificado), sendo o ponto de controle o limite de ação dos sistemas de retroalimentação das ciclinas. Quando o genoma está integro, o CDC2 (CDK1) associado com ciclinas mitóticas A e B é ativado para formar o fator promotor de mitoses e imediatamente no início da divisão celular as ciclinas A e B são destruídas, determinando‑se o complexo promotor da anáfase e permitindo‑se assim a continuidade do ciclo. 101 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Observação Existem células em que o período G1 é quase inexistente (células embrionárias, embrioblastos) e células que estão sempre em G0, tais como os neurônios. Assim, o ciclo celular vai variar de acordo com a programação genética de cada tipo celular. Por exemplo: • Do zigoto (célula‑ovo fecundada) até que se torne homem, cerca de cem trilhões (1014) de células somáticas são mantidas. Portanto, o processo de crescimento se dá pelo aumento do número de células no organismo, pois as células, quase sempre, mantêm seus volumes constantes. • No adulto, ocorre a reposição de células mortas, pela regeneração ou cicatrização. • A morte celular ocorre por lesão ou por morte celular programada (apoptose). • Nos organismos de reprodução sexuada, ocorre a meiose, que é uma divisão celular reducional, na qual a célula‑mãe dá origem a quatro células‑filhas com metade da carga genética C = 2+2, sendo, portanto, haploides. Veja um esquema do ciclo celular. Neste esquema, trata‑se de uma célula somática, pois o maior tempo é o da interfase. No estágio G1 ocorrem, por exemplo, processos de sínteses; já no S, há a duplicação do DNA. O G2 precede a mitose ou a apoptose. Figura 56 – Esquema do ciclo celular 102 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Figura 57 – Gráfico referente à quantidade de DNA ao longo do tempo durante o ciclo celular Lembrete As células musculares estriadas esqueléticas (fibras) são incapazes de entrar no processo de mitose, pois são muitinucleadas e ultraespecializadas. Assim, estão sempre em G0, tal como a maioria dos neurônios. 7.1 Núcleo interfásico O núcleo interfásico é constituído por envoltório nuclear, cromatina, nucleoplasma e nucléolo. O número em geral é único, com posição central ou periférico, e representa a forma da célula. O tamanho é variável de acordo com o metabolismo e conteúdo de DNA da célula. A células ativas apresentam maior quantidade de proteínas relacionadas com a transcrição do DNA. O envoltório nuclear é visível apenas na microscopia eletrônica de transmissão, delimitando o núcleo. As unidades de membrana possuem 5 a 6 nm de espessura; já a cisterna perinuclear tem espessura de 10‑50 nm. Na face interna, há um espessamento formado pela lâmina nuclear e na face externa ocorre continuidade com o retículo endoplasmático rugoso (com composição química semelhante). As membranas lipoproteicas são assimétricas, com as porções glicídicas voltadas para a cisterna perinuclear, com 30% de lipídeos (90% fosfolipídeos, 30% triclicérides, colestrerol e ésteres de colesterol) e 70% de proteínas (com algumas glicoproteínas), algumas comuns ao RER (como glicose‑6‑fosfatase, citocromo P‑450, citocromo b5). Ocorrem poros (1,5 a 25% da área funcional) que apresentam fusão das membranas interna e externa, e permitem o trânsito de macromoléculas, sendo uniformemente distribuídos e variando em quantidade conforme a célula e o respectivo estágio funcional (+ ativa, + poros). As moléculas com diâmetro menor que 9 nm atravessam o poro rapidamente. Os RNA são grandes e passam pelo poro com gasto energético, e o poro abre até 25 nm de diâmetro. 103 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Proteínas de PM elevado (polimerases do DNA: 100.000 dáltons; do RNA: 200.000 dáltons) são sintetizadas no citoplasma com sinal de localização nuclear, com 4 a 8 aminoácidos orientados pela importina (proteína citoplasmática que se liga à proteína a ser transportada) e estão ligadas ao complexo do poro, permitindo à proteína atravessar o poro com gasto energético. Após a passagem, a importina retorna ao citoplasma. O sinal de localização nuclear permanece e permite que a proteína reentre no núcleo após a mitose. A exportação de RNA do núcleo para o citoplasma ocorre com gasto energético, com mRNA (RNA mensageiro), tRNA (RNA transportador) e rRNA (RNA ribossômico) como complexos RNA‑proteína. O sinal de exportação nuclear pode estar no RNA ou na proteína. O mRNA é completado com cerca de 20 proteínas, formando as ribonucleoproteínas nucleares heterogêneas ou hnRNPs. O rRNA também é transportado em subunidades ribossômicas. Já o tRNA, apesar de possuir sua morfologia descrita, ainda não tem todas as suas funções esclarecidas. A lâmina nuclear é uma rede fibrosa interna com 10‑20 nm de espessura interrompida nos poros. Nos mamíferos, a rede é formada pelas proteínas laminas A, B e C. A lamina dá a formae suporte estrutural à carioteca e é responsável pela ligação das fibras cromatínicas ao envoltório. Na mitose, ocorre uma fosforilação temporária e desorganização, sendo posteriormente recompostas. A proteína lamina é um dímero de subunidades proteicas que se associam através das porções α-hélice de cada cadeia polipeptídica, com as duas porções globulares de cada cadeia ficando nas extremidades. Com mudança do pH e concentração iônica, os dímeros se polimerizam, formando filamentos. São proteínas intrínsecas à membrana interna. A lamina B possui uma poção lipídica que se insere na bicamada, e a esta se associam as laminas A e C. O nucleoplasma é uma solução aquosa de proteínas, RNAs, nucelosídeos, nucleotídeos e íons + nucléolo e cromatina + proteínas (maioria enzimas de síntese e duplicação de DNA, como DNA‑polimerase, RNA‑polimerase, topoisomerases, helicases etc.). Cada cromossomo interfásico provavelmente ocupa um lugar definido dentro do núcleo, não se embaraçando com outros. Acredita‑se que partes dos cromômeros se aderem a sítios do envelope nuclear ou da lâmina nuclear. A matriz nuclear lâmina nuclear + estrutural nucleolar e rede fibrilar interna (≈ ao citoesqueleto citoplasmático) teria a função de ancorar as cromatinas no núcleo durante o processo e as enzimas na interfase. Os nucléolos são esféricos e sem membrana (de 1 a 7 μm de diâmetro). O tamanho costuma ser relacionado com a síntese proteica. Em geral, são únicos. É a região onde partes dos diferentes cromossomos que possuem genes para os RNA ribossomais se agrupam juntas. Contém 60% de proteínas e rRNA e pouco DNA (ribossômico). É onde os RNAs ribossômicos são sintetizados e se combinam com as proteínas para formar os ribossomos. O nucléolo só é observado quando a célula se encontra na interfase do ciclo celular. Portanto, durante o processo da divisão celular, o nucléolo se desestrutura. Podem existir até três nucléolos por núcleo, dependendo da atividade metabólica e do tipo celular estudado. Em células pancreáticas exócrinas, secretoras de proteínas, o nucléolo chega a ocupar 25% do volume do núcleo. O nucléolo apresenta 104 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III pequena quantidade de DNA e é o responsável pela formação dos RNAs: RNAr (um dos constituintes das subunidades maiores e menores dos ribossomos) e do RNAt (transportador de aminoácidos do citoplasma para os ribossomos). No nucléolo, são distintas quatro áreas: • Área fibrilar, pouco corada, apresenta o DNA inativo. Aqui, não há transcrição. • Área da porção fibrosa, possui RNAs que estão sendo transcritos. Aqui, o DNA é ativo. • Área granulosa, local que reúne as subunidades maiores e menores dos ribossomos em fase de maturação (amadurecimento). • Área da matriz, local da organização do nucléolo. São outras funções do nucléolo: regular eventos do ciclo celular, como a citocinese; inativar enzimas quinases; e alterar pequenas moléculas de RNAs que vão formar as subunidades do RNAr. Figura 58 – Eletromicrografia de transmissão demonstrando a ultraestrutura de um núcleo interfásico O DNA segundo o modelo de Watson e Crick é composto de duas cadeias de polinucleotídeos complementares e antiparalelas, que se associam por pontes de hidrogênio, formando uma dupla hélice com diâmetro de 2 nm. A quantidade de DNA é expressa em pares de bases, chamados valor C (107 até 1011pb). 105 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) As duas cadeias de polinucleotídeos são conhecidas como cadeias de DNA, cada uma composta de quatro pares de subunidades nucleotídeas. Uma cadeia possui uma terminação com um orifício (3’ hidroxil) e a outra, uma saliência (5’ fosfato) no seu término. Assim, a polaridade da cadeia do DNA é referida como terminações 5’ e 3’. As duas cadeias de polinucleotídeos são unidas por ligações de hidrogênio entre os pares de bases. São polarizadas e correm antiparalelas uma a outra, formando uma dupla hélice. Nucleotídeos são formados do açúcar de cinco carbonos: desoxirribose com um grupo fosfato (por isso ácido desoxirribonucleico) e uma base nitrogenada, com adenina (A), citosina (C), guanina (G) ou timidina (T). Os nucleotídeos são ligados covalentemente juntos em cadeias através dos açúcares e fosfatos, que formam a “espinha” alternada de açúcar‑fosfato‑açúcar‑fosfato, criando um colar com os quatro tipos de bases. A composição e a estrutura química das bases permitem que somente ocorram pontes de hidrogênio eficientemente entre A‑T (duas pontes de hidrogênio) e C‑G (três pontes de hidrogênio), permitindo que as cadeias se aproximem, criando uma hélice (10 pares de base a cada giro), sem perturbá‑la. As bases podem se agrupar dessa forma somente se a cadeia de polinucleotídios estiver alinhada em orientações opostas (antiparalela e complementar). Os genes são formados por um segmento de DNA que contém as instruções para fazer uma proteína particular (ou, em alguns casos, um grupo de proteínas intimamente relacionadas). Alguns genes comandam a produção de moléculas de RNA como produto final. Eles carreiam a informação genética, que deve ser copiada e transmitida precisamente durante a divisão celular. O DNA codifica a informação de forma sequencial com as quatro letras (A, C, G e T), que variam nos diferentes organismos e irão expressar os diferentes aminoácidos. Há uma correspondência entre a sequência de quatro nucleotídeos e os 20 aminoácidos que irão formar as diferentes proteínas. A informação completa do organismo é chamada de genoma. Cada gene possui um segmento com sequência de DNA de regulação, um íntron e um exón. Os íntrons são sequências sem significado genético, enquanto os exóns apresentam uma sequência que defina uma característica, isto é, determinam uma proteína. Há uma quantidade de DNA espalhado que parece não portar informação, chamado de DNA lixo. Em geral, quanto mais complexo o organismo, maior o seu genoma, mas nem sempre é assim. O genoma humano é 200 Xs maior que da Saccharomyces cerevisiae, 30 Xs menor que de algumas plantas e 200 Xs menor que de algumas espécies de amebas. Em geral, aumenta conforme sobe na filogenia, mas existem exceções (há alguns urodelos com 30 Xs mais DNA que Homo sapiens, e peixes pulmonados com número também mais elevado) – paradoxo do valor C. A quantidade de DNA no citoplasma dos vertebrados é superior à mínima necessária para armazenar informação genética. O RNAr associa‑se com proteínas e enzimas do núcleo e forma as subunidades maior e menor dos ribossomos, responsáveis pela produção das proteínas. O RNAr é produzido pela área fibrosa do nucléolo, pela ação da enzima RNA polimerase I. Essa formação de início é denominada RNAr 45S e se constitui num “pré‑ribossomo” (possui 13.000 nucleotídeos). O núcleo (o DNA do núcleo) produz o RNAr 5S. Os ribossomos já existentes no citoplasma produzem proteínas e as enviam para a parte 106 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III fibrosa do nucléolo. Agora, essas proteínas se unem ao RNAr 45S e formam uma grande partícula de RNP (ribonucleoproteína). Essa RNP dará origem às subunidades maiores e menores na área granulosa do nucléolo. São elas: RNArs 28S, RNArs 18S, RNArs 5,8S e RNArs 5S. A subunidade maior do ribossomo é formada pelos RNArs 28S, 5,8S e 5S. Esse RNAr permite dois acoplamentos, um do RNAm e outro do RNAt. Há ribossomos livres no citoplasma e outros acoplados no RER, constituindo os polirribossomos. Portanto, ribossomos produzem proteínas. Ribossomos livres no citoplasma produzem proteínas que serão utilizadas pelas células, enquanto os ribossomos associados ao retículo endoplasmático rugoso (REE) criam proteínas que serão secretadas, isto é, que sairão da célula (RE + ribossomos constituem o REG ou RER). Recentemente, foi descoberta uma nova organela citoplasmática chamadapara as células etc., e é evidente que para entender e resolver as questões de nossa natureza, devemos sempre agrupar todas as formas do conhecimento, que por ora estão fragmentadas em diversas disciplinas para apenas facilitar a sua compreensão. Boa leitura e bom proveito! 9 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Unidade I 1 O QUE SÃO CÉLULAS Nos dicionários – por exemplo, o Aulete e o Michaelis –, encontram‑se diferentes definições de célula: é a menor unidade estrutural básica do ser vivo; é um elemento funcional e estrutural que compõe os tecidos e órgãos dos seres vivos; é a menor unidade estrutural e funcional básica do ser vivo, sendo considerada a menor porção de uma matéria viva; é um elemento constitutivo de todo ser vivo; é a unidade fundamental de um organismo vivo com capacidade de reprodução independente etc. Percebe‑se que não há um consenso para a definição de célula, seja animal, seja vegetal. Desse modo, deve‑se buscar a melhor definição do conceito biológico de célula em sua raiz, e de acordo com Alberts (2006) se chegou à definição a seguir: célula é a unidade morfofisiológica de todos os seres vivos. Esse conceito é proveniente da teoria defendida no século XIX pelos cientistas alemães Matthias Schleiden (1804–1881) e Theodor Schwann (1810–1882): primeiro postulado – todos os seres vivos são constituídos por células; segundo postulado – a célula é uma espécie de “fábrica química” na qual se realizam todos os processos necessários à vida do organismo; terceiro postulado – cada célula deriva de uma outra célula (ARAÚJO‑JORGE, 2010). Salienta‑se que a ideia de “fábrica química” refere‑se ao termo morfofisiológico, no qual está implícito que a unidade celular possui uma forma padrão e um funcionamento contínuo com poucas variações e definidas em seu ciclo de vida. 1.1 Estrutura das células procarióticas e eucarióticas Em relação à morfologia e estrutura, existem dois grupos celulares: as células procariontes e as eucariontes. As células procariontes são assim designadas devido à carência de membrana plasmática em sua estrutura total. Ao contrário das eucarióticas, as procarióticas não possuem organelas membranosas (retículo endoplasmático liso e rugoso, complexo de Golgi, mitocôndrias, plastos, lisossomos e vacúolos) e muito menos um núcleo delimitado pela cariomembrana (carioteca) envolvendo os cromossomos. Essas células, com estrutura e funcionamento relativamente simples, teriam sido os primeiros organismos do planeta Terra. São as eubactérias e as arqueobactérias, dois grupos de protistas com a ultraestrutura diferente. As eubactérias são as bactérias comuns na nossa vida, as espécies que vivem no solo e as que causam doenças; as arqueobactérias são aquelas que, além de viver nesses ambientes, estão presentes em lugares hostis, tais como fossas abissais do mar e vulcões submersos. Essas células podem apresentar uma parede celular externamente à membrana plasmática, com função de proteção e controle das trocas de substâncias com o meio ambiente. Dispersos no citoplasma estão os ribossomos, atuando na síntese proteica, após o comando enviado pelo material genético que 10 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I está disperso no citoplasma, sendo que na maioria das vezes é formado um único filamento emaranhado de DNA circular (ácido desoxirribonucleico) chamado cromatina. Os seres procariontes são unicelulares ou coloniais. As cianobactérias (algas azuis ou cianofíceas) realizam fotossíntese, permitindo‑se afirmar que o “pulmão” da Terra é o mar, e não as florestas, como muitas pessoas imaginam. As células eucarióticas são consideradas células verdadeiras, mais complexas em relação às procarióticas por possuírem um desenvolvido sistema de membranas. Esse tipo celular, típico da constituição estrutural dos fungos, protozoários, animais e plantas, apresenta interior celular bem compartimentado, ou seja, uma divisão de funções metabólicas entre as organelas citoplasmáticas: retículo endoplasmático liso e rugoso (RER), mitocôndrias, organoplastos, lisossomos, peroxissomo e complexo de Golgi. O importante aspecto evolutivo das células eucarióticas é a individualização de um núcleo, delimitado por membrana nuclear, restringindo em seu interior o material cromossômico e permitindo que reações químicas que ocorram nessa região sejam parcialmente independentes do meio externo. Sem dúvida, a compartimentalização do núcleo e organelas participou do processo da formação dos seres pluricelulares. Evolutivamente, acredita‑se que o surgimento das células eucariontes tenha partido do processo de emissão de prolongamentos ou invaginações da membrana plasmática em células primitivas, que foram adquirindo crescente complexidade à medida que se multiplicavam. Quanto à existência dos cloroplastos e mitocôndrias no interior dos eucariotos, acredita‑se que as relações de endossimbiose (relação benéfica entre dois organismos celulares) foram retidas entre células procarióticas englobadas por células eucarióticas, mantendo um sistema celular adaptado ao meio ambiente em que se encontravam. Figura 1 – Desenhos da ultraestrutura de uma célula procariótica (A) e uma eucariótica (B). As diferenças morfológicas são evidentes 1.2 Células autotróficas e heterotróficas Além das diferenças morfológicas das células, também ocorrem disparidades fisiológicas. Os modos de obtenção de energia para ativar o metabolismo das células diferenciam‑nas em dois grupos: as células procarióticas e eucarióticas que transformam a energia luminosa em energia química são denominadas 11 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) autotróficas, e as células procarióticas e eucarióticas que convertem a energia química proveniente da alimentação em energia mecânica, térmica ou mesmo em outra modalidade de energia química são denominadas heterotróficas. Isso significa que os vegetais e as cianobactérias não dependem dos outros seres vivos do planeta (são autônomos), enquanto as bactérias, os protozoários, os fungos e os animais formados por células heterotróficas dependem dos seres autótrofos, pois a energia desses heterótrofos é obtida do alimento produzido pelos autótrofos. Isso pode até parecer irrelevante para o profissional de Educação Física, mas se lembrarmos que energia não se perde, e sim se transforma, e que para o bom desempenho físico a energia deve ser aproveitada adequadamente, a transferência de energia luminosa para energia química torna‑se essencial, uma vez que alguns autótrofos convertem e armazenam grande quantidade de energia, tornando‑se excelentes alimentos energéticos. O processo de transformação de energia luminosa em energia química é a fotossíntese. As células autotróficas eucarióticas possuem organelas ricas em clorofila (cloroplastos) e as células autotróficas procarióticas possuem a clorofila ou outro pigmento em seu citoplasma, convertendo por meio de reações bioquímicas a energia luminosa em energia química, conforme a equação química a seguir: Figura 2 Considerando que a luz é energia luminosa e que a glicose é energia química, torna‑se evidente que os animais, todos formados por células heterotróficas, realizam a mesma reação química, mas no sentido inverso, conforme representado pelo seguinte esquema: Figura 3 – Esquema demonstrando o fluxo energético entre autotróficos e heterotróficos 12 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I 1.3 Tipos de células eucariontes Como células são estruturas microscópicas, as dimensões celulares estão representadas a seguir, tomando‑se como referência um metro: 1 m (metro) ÷ 1.000 = 1 mm (milímetro) 1 mm (milímetro) ÷ 1.000 = 1 μm (micrômetro) 1 μm (micrômetro) ÷ 1.000 = 1 nm (nanômetro) O olho humano tem resolução parade proteossomo, que degrada proteínas descartáveis. O RNAm transporta o código genético do núcleo para o citoplasma, isto é, do núcleo para os ribossomos. O RNAm ou mRNA possui códigos que são cópia da sequência de bases nitrogenadas do DNA (códons), com a respectiva alteração A – U e G – C, atuando como “molde” ou “intermediário” para a produção de proteínas por parte dos ribossomos (RNAr). Pode‑se afirmar que o RNAm será traduzido em proteínas. Quem codifica é o DNA, e o RNAm transporta essa codificação. O RNAm transporta de uma só vez uma série de códons, os quais correspondem a determinados tipos de aminoácidos. O RNAm apresenta RNAt, transportador ou de transferência, que transporta ou transfere os aminoácidos ativados do citoplasma para os ribossomos. Sua formação é dependente da enzima RNA polimerase III, quando esta age sobre o DNA do nucléolo. É um tipo de ácido pequeno que possui apenas 80 nucleotídeos. Sua forma é de trevo por apresentar‑se dobrado sobre si mesmo. Há, em alguns locais desse RNA, o pareamento de bases nitrogenadas. Ele possui duas partes distintas: uma é a extremidade 5’, que possui o anticódon, a qual reconhece o códon do RNAm. A outra extremidade é a 3’, que possui o aminoácido (conjunto de três bases nitrogenadas). Observação O compartimento nuclear possui: • 46 cromossomos, cada um formado por uma única molécula de DNA combinada com numerosas proteínas. • Várias classes de RNA. • Nucléolo. • Proteínas reguladoras e estruturais. • Nucleoplasma. Já o envoltório nuclear apresenta: • Duas membranas concêntricas. 107 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) • Espaço perinuclear. • Lâmina nuclear – fina malha de laminofilamentos. • 3.000 a 4.000 poros. 7.2 Síntese proteica O processo de síntese proteica inicia‑se com a transcrição, a qual ocorre quando o DNA origina RNAm. Só ocorre na interfase, nunca na mitose ou na meiose. É produzido, no sentido, a partir de 5’ para 3’. O RNAm não apresenta tamanho fixo. A expressão gênica começa com a produção do RNAm, tem sua continuidade com a tradução do RNAm e termina com a produção da proteína. Quando o RNAm se dobra, recebe o nome de microRNA. Ao sair do núcleo, o microRNA no citoplasma sofre ação de uma enzima que o picota em pequenos fragmentos. Há 31 tipos diferentes de RNAt. O RNAt se prende no ribossomo, em dois locais. Um deles prende a molécula do RNAt à qual está ligado o peptídio em formação; o outro local prende a molécula de RNAt à qual está ligado o aminoácido a ser acrescentado. A seleção do RNAt para o segundo local fica assegurada pelo códon do RNAm, o qual se apresenta nesse segundo local. O cruzamento entre as bases constitui 64 trincas. Destas 64 trincas, três não codificam aminoácidos, pois correspondem a trincas de finalizações, sendo que os humanos utilizam apenas 20 aminoácidos, e ocorrem diferentes combinações de bases que determinam o mesmo tipo de aminoácido. O RNAt (o anticódon) é uma molécula intermediária entre os códons do RNAm e aminoácidos. O RNAt se liga especificamente a um determinado aminoácido. Cada RNAt carrega o nome do aminoácido que transfere (que transporta). São exemplos: a leucinil‑RNAt, para o aminoácido RNAt da leucina, e o lisinil‑RNAt, para o aminoácido RNAt da lisina. O RNAt unido ao aminoácido compatível com ele é denominado aminoacil‑RNAt, em que “AA” corresponde à sigla do aminoácido. Exemplos: leucinil‑RNAtLeu e lisinil‑RNAtLys. Alguns RNAt são capazes de reconhecer mais de um códon. Isso acontece porque os anticódons do RNAt podem ter a primeira base adaptável, isto é, que pode se unir a uma base não complementar localizada na terceira posição do códon. Há uma base chamada de (I) = inosina, que é encontrada na primeira posição do anticódon em vários RNAt e é capaz de parear com qualquer base, exceto com G, localizada na terceira posição do códon. O RNAt possui forma de trevo com quatro folhas. A extremidade 3’ é a aceptora dos aminoácidos, enquanto a 5’ possui o anticódon. O braço da esquerda do “trevo” é denominado D, e o da direita, braço T. Há também outro braço entre o T e o anticódon, é o braço variável. Todas as células somáticas de um indivíduo apresentam a mesma informação genética codificada no DNA. Porém, diferentes tipos de células (caso do melanócito, produtor de melanina e da célula beta do pâncreas, produtora de insulina) expressam diferentes combinações de genes. O material genético pode ser expresso de várias formas – é o processo da diferenciação celular, em que, num genoma de uma determinada célula, alguns genes estão “ligados” e outros, “desligados”. Na célula melanócito, genes 108 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III estão ligados para fabricação da melanina e desligados para a fabricação da insulina; já nas células basófilas do pâncreas, genes estão ligados para a fabricação da insulina e desligados para a fabricação da melanina. A seguir, um esquema do processo de transcrição, que pode ocorrer tanto no estágio G1 quanto no G2, que precede a mitose. Isso permite inferir que em G2 a célula está duplicando suas proteínas para posteriormente se dividir entre suas células‑filhas. Figura 59 – Esquema do processo de transcrição 7.3 Eucromatina e heterocromatina Cromatina (do grego croma, que significa cor) = complexo de DNA + proteínas – toda a porção do núcleo que se cora e é visível à microscopia de luz (ML), menos o nucléolo. Uma mostra com os 46 cromossomos humanos é o cariótipo. Pelo cariótipo podem‑se determinar perdas, inversões ou trocas de pedaços entre os cromossomos. A cromatina dos eucariontes = DNA + proteínas do núcleo interfásico – cromatina compactada e/ou descompactada. O núcleo em divisão (mitose ou meiose) apresenta a cromatina altamente compactada em cromossomos. A condensação varia conforme o tipo celular, o grau de atividade e o estado de diferenciação que se encontra a célula. Células nervosas e os espermatócitos exibem cromatina pouco condensada em certas fases, já os plasmócitos possuem cromatina com grumos densos em forma de raios, lembrando uma roda de carroça. Nos eritroblastos (hemácias jovens) ocorre a condensação gradual da cromatina durante a maturação, e em mamíferos isso culmina com a expulsão no núcleo. Um cromossomo funcional, o DNA deve carrear os genes e se duplicar, e as cópias replicadas devem ser separadas igualmente nas células‑filhas, completando o ciclo celular, o que é chamado de mitose. Na interfase, os cromossomos estão estendidos como longas fitas de DNA (cromatina) e não podem ser distinguidos no núcleo sob ML – são os cromossomos interfásicos. Há tipos de sequências de nucleotídeos especiais que iniciam a replicação eficientemente – são as origens de 109 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) replicação. Os cromossomos eucariontes possuem diversas origens de replicação para permitir a rápida duplicação do cromossomo. Os telômeros são duas porções terminais dos cromossomos que possuem sequências de nucleotídeo repetidas que permitem que o final dos cromossomos se replique e também protegem o final dos cromossomos de ser entendido pela célula como uma molécula de DNA quebrada que precisa de reparo. Com o andar do ciclo, o DNA se enrola mais numa estrutura mais compacta de cromossomos mitóticos para serem facilmente separados durante a divisão celular. O centrômero é uma sequência especial de DNA que permite que os cromossomos sejam divididos em partes iguais e que se acoplem perfeitamente quando ocorre o fenômeno da recombinação gênica. O DNA é empacotado em cromossomos através de proteínas histonas que enrolam e dobram o DNA em grandes níveis de organização (podendo chegar a 10.000 Xs). Mesmo na interfase, o DNA está cerca de 1.000 Xs compactado. Há duas classes de proteínas compactadoras de cromossomos: ashistonas e as não histonas. Em geral, zonas da cromatina onde os genes estão sendo expressos são mais estendidas, e as zonas mais compactas estão quiescentes. A mesma fita pode apresentar os dois estados (alterações cíclicas). A heterocromatina (em grego, heteros significa diferente) exibe coloração mais intensa quando observada na microscopia de luz, não sendo transcrita pelo RNA. A maior parte do DNA contido na heterocromatina não contém genes, e os genes aí presentes em geral ficam indisponíveis devido ao elevado grau de compactação da heterocromatina. Essa cromatina densa é denominada heterocromatina constitutiva e apresenta sequências gênicas altamente repetitivas que nunca são transcritas, principalmente no centrômero, no telômero e ao redor das constrições secundárias. A heterocromatina facultativa é condensada em algumas células e descondensada em outras. No par de cromossomos X das fêmeas de mamíferos, uma é inativada aleatoriamente, uma vez que a expressão das duas seria letal. Nos neutrófilos (leucócitos granulócitos), a heterocromatina sexual pode ser observada em forma de raquete. A eucromatina (em grego, eu significa verdadeiro ou normal) é mais clara e homogêna. Portanto, na interfase, a transcrição só ocorre na eucromatina, que é a cromatina ativa. A ativação acontece pela acetilação (acetila) e ubiquitinação das histonas (a ubiquitina não é uma proteína histônica). A eucromatina possui uma estrutura denominada nucleossomo, que é a unidade estrutural básica da cromatina, formando um corpo cilíndrico e achatado com 10 nm de diâmetro e 6 nm de altura, com 200 pares de bases (pb) de DNA associados a um octâmero de histonas. O octâmero é formado por duas moléculas de H1, H2, H3 e H4. O H1 se associa externamente ao DNA que envolve o hexâmero proteico (converte o DNA a um terço do seu comprimento). 110 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III A cromatina observada no microscópio eletrônico de transmissão (MET) apresenta forma de um colar de contas. Cada conta é constituída de um octâmero de H2A, H2B, H3 e H4, em torno do qual se enrola um segmento de DNA com 146 pb. Conectando‑se um centro nucleossômico a outro, encontra‑se um segmento de DNA não associado a proteínas com 15 a 100 pb, chamado de DNA de ligação. No núcleo interfásico, os centros histônicos estão ligados por DNA. O centro histônico, de 11 nm de diâmetro, é enrolado com 146 pares de nucleotídios (com 1,65 voltas enroladas pelo lado esquerdo) e entre eles ≈ 200 pares de nucleotídios, formando um cordão que pode variar de poucos até 80 nucletotídeos. O centro histônico é octamérico e constituído de duas proteínas de H2A, H2B, H3 e H4, todas com muito aminoácido, maisomo lisina e arginina, que auxiliam as histonas a ligar fortemente a espinha de açúcares. Cada corpo histônico possui uma cauda de um longo aa N‑terminal que se estende para fora do DNA do corpo histônico. Essa cauda é sujeita a diversos tipos de modificações covalentes que controlam em muitos aspectos a estrutura da cromatina. Existem complexos remodeladores de cromatina – maquinários proteicos que utilizam a hidrólise do ATP para mudar a estrutura dos nucleossomos, deixando o DNA acessível às enzimas de replicação, reparo e expressão. Durante a mitose alguns complexos remodeladores de cromatina são inativados. Figura 60 – Desenho de um neutrófilo de uma mulher. Pode‑se afirmar o sexo em decorrência da heterocromatina facultativa (cromossomo X) apontada pela seta 111 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 61 – Diferentes condensações da fita de DNA livre e associado às histonas 7.4 Expressão gênica Como já discutido anteriormente, verificou‑se que existem trechos do genoma que naturalmente não se expressam, ou porque apresentam uma sequência de nucleotídeos arbitrária, repetitiva, sem significado genético, tal como a heterocromatina constitutiva, ou porque alguns segmentos do DNA possuem apenas a função estrutural de suporte aos trechos que realmente contêm o código genético, tais como os éxons, separados por segmentos não codificadores, os íntrons. Mas ainda resta saber como alguns genes são silenciados, ou ainda o que ativa e inativa a expressão dos genes. As células regulam seu desenvolvimento através da expressão gênica diferencial. Como bactérias eram os modelos para tal atividade, a expressão em geral significava transcrição de mRNA. Os três postulados da expressão gênica diferencial eram os seguintes: • Cada núcleo celular contém o genoma completo estabelecido no ovo fertilizado. Em termos moleculares, os DNAs de todas as células diferenciadas são idênticos. • Os genes não usados das células diferenciadas não são destruídos ou mutados, retendo o potencial de serem expressos. • Só uma pequena porcentagem do genoma está sendo expressa em cada célula, e uma porção do RNA sintetizado é específica para aquele tipo de célula. 112 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Saiba mais Leia o texto a seguir: UNIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE). O controle da expressão gênica. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 11 jul. 2016. Na década de 1960, Jacob e Monod sintetizaram dados sobre a indução da enzima (proteína) β galactosidase, elaborando a hipótese do modelo do operon. Esse modelo demonstra que uma pequena molécula indutora gerava a transcrição de diferentes genes da bactéria E. coli, e em sistemas de conjugação de moléculas, uma proteína de ação inibidora (repressora) codificada por genes liga‑se ao sítio operador (inicializador) adjacente aos genes responsáveis pela síntese dessa proteína (estruturais), impedindo a ação RNA polimerase ao sítio promotor que daria início à transcrição da β galactosidase. Quando a molécula indutora (proveniente do meio externo) se conjuga com a proteína repressora, ela bloqueia a sua repressão, pois promove uma alteração da sua conformação molecular de tal forma, que a repressora não se encaixa mais no operador para inibi‑lo. Com isso, o gene se expressa e passa a ser capaz de transcrever mRNA, que pode ser traduzido formando proteína enzimática (β galactosidase), e quando o substrato é totalmente digerido, a ação da repressora volta. Assim, a presença do respectivo indutor para cada gene determinará a sua expressão por impedir a atuação do gene repressor. Os pesquisadores enfatizaram que o mecanismo de controle do operon‑símile pode ser parte da regulação gênica universal, e atualmente verifica‑se isso em células eucariontes animais, mas em um sistema bem mais complexo, uma vez que os genes dos eucariontes não são formados por um único trecho do DNA, e sim por diversos fragmentos. Saiba mais Leia o texto a seguir: CALSA JR., T.; BENEDITO; V. A.; FIGUEIRA; A. V. de O. Análise serial da expressão genérica. Revista Biotecnologia – Ciência & Desenvolvimento, ed. 33, jul./dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 11 jul. 2016. A seguir, veja um modelo de expressão gênica operon em E. coli. Em A‑C, não há transcrição de RNA de β‑galactosidase, a não ser que a lactose esteja presente. Em B, quando a lactose não está disponível, uma proteína repressora produzida pelo gene i liga‑se ao sítio repressor (o), inibindo a transcrição pela RNA polimerase do promotor (p). Em C, quando o indutor lactose está presente, combina com a proteína repressora, alterando sua forma, o que faz com que a proteína não possa mais se ligar ao DNA operador, 113 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) fazendo começar a transcrição. Em D, a solubilidade dessa proteína é demonstrada em estudos com o mutante de E. coli. Quando células bacterianas haploides com um gene indutor não funcional (i‑)são tornadas parcialmente diploides com o gene tipo selvagem (i+), forma‑se repressor tipo‑selvagem capaz de tornar indutível o gene original da β‑galactosidase. Figura 62 – Modelo de expressão gênica operon em E. coli 114 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III 8 DIVISÃO CELULAR A diversidade celular permite os organismos a se adaptarem em diferentes meios e atividades. Graças à multiplicação do DNA e a sua recombinação no processo de reprodução sexuada, a evolução das espécies tem acontecido. 8.1 Mitose e meiose Mitose e meiose são divisões celulares. A mitose é equacional (mantém o número de cromossomos constante em todas as células do organismo), e a meiose é uma divisão reducional, na qual a célula‑mãe dá origem às células‑filhas com a metade do número de cromossomos, os quais irão se restabelecer apenas após a fecundação. Na interfase, cromossomos interfásicos são chamados de cromatina, que são estruturas cromossômicas individuais invisíveis. Células que não se dividem ficam no estágio G0. No estágio G1, o qual é muito variável no tempo, a célula faz transcrições: o DNA origina os códons – mRNA ou RNAm –; logo há atividades por partes dos ribossomos e do RER, além de outras atividades realizadas pelo REL, Golgi e lisossomos. Já no estágio S, o qual leva cerca de oito horas, ocorre a replicação do DNA. Finalmente, o estágio G2, que precede a mitose, possui um tempo médio de quatro horas. A mitose em células eucarióticas, em média, leva uma hora. Na prófase, a cromatina converte‑se em filamentos alongados. Ela já sofreu sua duplicação no estágio S da interfase; portanto, esses filamentos são agora denominados cromossomos, os quais, no início da prófase, se encontram fixados na membrana do núcleo e já possuem estrutura dupla. No fim da prófase, contraem‑se, tornando‑se mais grossos e mais curtos (condensação cromossômica), e a membrana do núcleo desaparece. Na metáfase, torna‑se visível o fuso mitótico a partir dos centríolos. Cromossomos se dispõem no centro da célula, na placa equatorial dela, mas os cromossomos homólogos não ficam pareados. No fim da metáfase, durante a transição para anáfase, os cromossomos dividem‑se pela região do centrômero. Na anáfase, as duas cromátides de cada cromossomo migram para polos opostos, iniciando‑se a derradeira fase, que é a telófase (telo significa terminal em grego). Na telófase, surge a membrana do núcleo, o nucléolo e a cromatina, e ocorre a divisão do citoplasma (citocinese). O cromossomo está com o seu DNA associado às proteínas em estado máximo de condensação durante a metáfase da mitose ou meiose. A divisão mitótica (mitose), quando dividida em cinco fases (prófase, prometáfase, metáfase, anáfase e telófase), possui eventos que tradicionalmente são descritos no fim da prófase e que passam a ser descritos na prometáfase (ocorre a fragmentação da membrana do núcleo, cromossomos mais condensados, cromátides com cinetócoro no centrômero e presença de microtúbulos do cinetócoro, os responsáveis pela movimentação cromossômica). É bom lembrar que na anáfase ocorre o encurtamento desses microtúbulos, os quais são os responsáveis pela distribuição equitativa dos cromossomos nas células‑filhas. Como numa célula somática humana há 46 cromossomos, após a replicação do DNA no estágio S da interfase, essa célula passará a ter 92 moléculas de DNA. Na metáfase, cada cromossomo possui dois braços (duas cromátides/dois DNAs) unidos pelo centrômero, os quais, nessa fase, ficam posicionados numa linha imaginária central na célula, tendo seus cinetocoros distintos para cada 115 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) microtúbulo do cinetocoro. São os cromossomos metafásicos. A citocinese (divisão do citoplasma) completa a mitose. Na citocinese, componentes do citoesqueleto formam o sulco da clivagem. Assim, num ciclo mitótico há interfase (com seus estágios G1, S e G2) e mais quatro ou cinco fases. O período mais longo de todo o ciclo é a interfase (a fase mais longa é a metáfase), enquanto o mais curto é a anáfase. A meiose difere fundamentalmente da mitose em relação aos aspectos citológicos e genéticos. Em primeiro lugar, os cromossomos homólogos pareiam‑se. Em segundo lugar, ocorrem trocas, permutações entre os cromossomos homólogos (crossing‑over), resultando em segmentos cromossômicos com novas constituições, isto é, com novas recombinações genéticas. Em terceiro lugar, o complemento cromossômico é reduzido à metade durante a primeira divisão celular, que é a divisão I da meiose. Assim, as células‑filhas resultantes na divisão II serão haploides (divisão reducional). Uma meiose completa consiste em duas divisões celulares: meiose I e meiose II (divisão I e II). A meiose começa com a replicação dos cromossomos (do DNA) na interfase. No fim da interfase, os cromossomos já se constituem como estruturas filamentosas. No início da prófase I, os cromossomos estão duplicados e realizam uma série de processos importantíssimos, como o pareamento dos cromossomos homólogos, o qual permite uma troca entre segmentos dos cromossomos (permutação ou crossing‑over), possível pela justaposição das cromátides de cromossomos homólogos (recombinação genética). Essa troca ocorre pouco antes da célula entrar em metáfase I. Figura 63 – Fotomicroscopias com as quatro fases da mitose 116 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Figura 64 – Desenho comparativo entre a mitose e meiose. Note que na meiose, os cromossomos das quatro células sexuais são todos diferentes enquanto na mitose, estão juntos com os seus homólogos, e as duas células apresentam os mesmos cromossomos 8.2 Estrutura e tipos de cromossomos Como já observado, o DNA é um polímero de nucleotídeos (macromolécula) em espiral que se combina com inúmeras proteínas estruturais e enzimáticas de modo que tais arranjos moleculares promovem alterações de sua densidade, sequência e expressão. Aqui não se pretende detalhar cada uma das interações moleculares, mas sim discorrer sobre o significado delas. Quando constatamos os fenômenos moleculares e suas consequências, torna‑se mais fácil compreender como podemos usar essas informações. O profissional de Educação Física está longe de exercer a engenharia genética, mas com uma boa noção da maquinaria molecular e do modo operante desse mecanismo, ele passa a ter a base necessária para assimilar que as atividades motoras, comportamentais e fisiológicas que ele aplicar sobre um organismo podem ter os resultados esperados quando se conhece como quase todas as informações vitais desse organismo estão armazenadas em uma molécula, e aprende também como poder alterá‑las e interpretá‑las para se obter o desempenho adequado do organismo. Portanto, não se prenda à nomenclatura, mas sim ao mecanismo. A capacidade de armazenar e transmitir as informações fisiológicas do organismo aos descendentes está na sequência e arranjo dos segmentos de nucleotídeos que forma os genes. O trecho do DNA 117 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) responsável ou corresponsável pela síntese de uma determinada proteína e a capacidade de verificar o que pode ser alterado ou se manifestar no organismo está na observação de suas interações moleculares que possam ocorrer entre o organismo e o meio, que não são necessariamente por contato com alimentos, toxinas, transgênicos etc. A aplicação de uma atividade física pode promover a manifestação de genes que estavam quiescentes ou inibir a manifestações deles, e é isso que devemos levar em conta. Atualmente, sabe‑se que até as características obtidas no decorrer da vida podem ser transmitidas para as gerações futuras. Neste item, vamos descrever a morfologia dos cromossomos para se entender que não há a necessidade deexames ultramoleculares e caros para um diagnóstico nem sempre preciso. É na fase da metáfase da mitose ou meiose que o DNA se encontra em seu estado mais condensado, e justamente por isso é nessa fase que se pode investigar melhor a presença de alterações cromossômicas que possam ser deletérias. Entre os 23 pares de cromossomos humanos, 22 são autossomos e um é sexual, e nos 23 pares existem quatro morfologias diferentes de cromossomos: telocêntricos, metacêntricos, submetacêntricos e acrocêntricos. Figura 65 – Desenho comparativo entre as diferentes morfologias de cromossomos. Os seres humanos não apresentam o cromossomo 1 Os animais e vegetais apresentam um complemento cromossômico característico, denominado cariótipo. Este é o conjunto de características constantes dos cromossomos da espécie em relação ao número, tamanho e morfologia. Graças ao uso da colchicina, alcaloide que impede a polimerização dos microtúbulos do fuso durante a divisão, pode‑se realizar o estudo morfológico dos cromossomos metafásicos de um indivíduo. A divisão mitótica é interrompida na metáfase, período em que a condensação dos cromossomos é máxima. No ideograma, que é a representação do cariótipo, os cromossomos são ordenados aos pares. Nas células somáticas dos eucariontes, os cromossomos ocorrem aos pares, sendo um de origem paterna e o outro de origem materna. Eles formam pares homólogos, isto é, para cada cromossomo paterno, existe um homólogo materno, apresentando o mesmo tamanho, a mesma morfologia e a mesma sequência gênica. Desse modo, o número de cromossomos de uma espécie é continuamente mantido durante as mitoses que as células passam. Somente na meiose, na formação dos gametas, ocorre a redução da metade dos cromossomos da célula germinativa. 118 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Figura 66 – Ideograma (cariótipo humano) com os 22 autossomos pareados aos seus homólogos e, no centro, o par sexual XY ‑Cromátides‑irmãs Centômero Cromátides‑irmãs Figura 67 – Eletrofotomicrografia de varredura de um cromossomo mestacêntrico ao lado de um esquema apontando os seus componentes. Note a nomenclatura das cromátides‑irmãs, que ocupam os braços do cromossomo 119 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) 8.3 Diferenciação celular e células‑tronco O processo de diferenciação celular iniciou‑se durante a evolução, com o aparecimento dos primeiros seres multicelulares – a alga pluricelular Volvox é um exemplo. A dissemelhança aumenta a eficiência das células, mas as torna dependentes umas das outras. O corpo de um animal pode ser comparado com uma sociedade: nos mamíferos ocorrem em média 200 tipos celulares diferentes. A distinção inicia‑se na fase embrionária de gástrula. Quando as células vão tornando‑se cada vez mais diferenciadas, também vão perdendo a capacidade de se dividirem por mitose. As células totipotentes são aquelas que apresentam 100% de potencialidade para se diferenciarem em qualquer outro tipo celular. São as células embrionárias, conhecidas por blastômeros, e ocorrem no ser humano nas primeiras etapas após a fecundação, nas fases embrionárias iniciais do blastocisto com apenas cinco a dez dias de vida em média. As células‑fonte ou células‑tronco (stem cell) são as pouco diferenciadas. Elas formam um pool de reposição celular aos tecidos, podendo ser encontradas na medula óssea jovem, e são capazes de se destacar em diversos tipos celulares – no caso da medula, diferenciam‑se em todas as células do sangue e do tecido conjuntivo. As células multipotentes se destacam em múltiplas células, mas dentro de uma especificidade celular; é o caso das células linfoides e mieloides, também encontradas na medula óssea, que origina parte das células do sistema imunológico. Já as células progenitoras, que se diferenciam em um ou dois tipos celulares, estão presentes nos tecidos exercendo a função de reposição para a manutenção deles. Quando uma célula tem em sua denominação o radical blasto, entenda que ela é uma célula precursora. Alguns exemplos são o fibroblasto, que forma o fibrócito, e o osteoblasto, que origina o osteócito. Resumindo, pode‑se definir que a diferenciação é o grau de especialização, pois as células se destacam progressivamente, atingindo o grau máximo quando chegam ao perfil dos neurônios ou fibras musculares estriadas. A potencialidade é a capacidade de originar outros tipos celulares, e um neurônio tem baixíssima potencialidade quando comparado a uma célula muscular lisa. A modulação, por sua vez, é uma diferenciação reversível, permitindo‑nos inferir que as células naturalmente podem retornar aos seus estágios de vida iniciais, desde que recebam os estímulos necessários. A capacidade de modulação é fundamental na regeneração e recomposição dos tecidos. A diferenciação é controlada por fatores intracelulares e extracelulares, requerendo, portanto, ocorrer intensa comunicação célula‑célula e célula‑ambiente. Os fatores intracelulares se encontram nas próprias células em diferenciação. A capacidade da célula de responder a estímulos extracelulares ou de iniciar modificações depende das vias de sinalização celulares disponíveis no seu repertório, isto é, da diversidade e quantidade de receptores em sua membrana plasmática; por isso, uma célula que não expressa receptor para insulina na sua membrana não seria capaz de receber estímulos dela no meio extracelular. Os fatores intracelulares são decorrentes do código no DNA da célula, ou, no caso do zigoto, de material previamente acumulado no seu citoplasma. A entrada de substâncias no citoplasma é bem conhecida, e os exemplos mais evidentes derivam de estudos realizados nos ovos de invertebrados. As células embrionárias dependem das macromoléculas depositadas no seu citoplasma, no organismo materno, durante o desenvolvimento de seu gameta feminino. Estas são distribuídas de modo desigual, 120 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III com concentração diferenciada de substâncias em locais diferentes. A compartimentalização precoce de componentes citoplasmáticos no zigoto gera uma desigualdade que persiste nas clivagens e é responsável pelo primeiro passo de diferenciação celular. Nas fases iniciais embrionárias, a distribuição diferenciada, ou segregação molecular do material intracitoplasmático nos embrioblastos, confere no norte das células‑filhas. Os fatores extrínsecos provêm de sinais de outras células e da matriz extracelular do organismo em diferenciação (secreções parácrinas, substratos e microclimas etc.), somando‑se aos xenobióticos oriundos do meio ambiente (fatores ambientais). Os fatores locais resultam da ação de células que agem enviando, por meio de moléculas, sinais que induzem alguns tecidos a se distinguirem em determinada direção, ou então esses sinais derivam da matriz extracelular. Desse modo, pode‑se afirmar que a diferenciação aumenta a eficiência das células, mas as torna dependentes umas das outras. Formando no corpo de um organismo uma estrutura celular, pode ser comparada com uma sociedade, e nos mamíferos ocorrem em média 200 tipos celulares diversos. A diferenciação inicia‑se na fase embrionária de gástrula, momento em que as células estão na fase de embrioblastos indiferenciados; e, em oposição às células que são muito diferenciadas e especializadas, perde a capacidade de se dividirem. A diferenciação celular continua após o nascimento. Quando nascemos, ainda existem vários setores do organismo que se encontram em diversas fases do desenvolvimento e terminam suas diferenciações em outra velocidade. Os rins e o fígado nos primeiros dias após o parto ainda não estão totalmente distintos. As glândulas mamárias param de se desenvolver no início da fase de diferenciação das glândulas exócrinas (formação de ductos) e somente na gestação terminamsua distinção, graças aos estímulos dos hormônios. O reinício da diferenciação ocorre com a formação dos adenômeros acinosos (porções secretoras da glândula com morfologia alveolar), que irão secretar após o parto. Finda a lactação, a glândula mamária regride e volta a ter a sua morfologia semelhante à anterior. Desse modo, pode‑se demonstrar que também ocorre a reversão da diferenciação, sendo possível estimular uma célula para que ela volte a sua origem. O exemplo do experimento com a ovelha Dolly é determinante: a partir de uma célula somática, consegue‑se um embrião que deu origem a um clone da ovelha doadora. A restrição da potencialidade pela diferenciação pode ser anulada. Em algumas situações, reverte‑se a célula para gerar um núcleo totipotente. Essa tecnologia abre as portas para terapias de regeneração dos tecidos que originalmente não possuem a capacidade regenerativa. A técnica é conhecida como desprogramação nuclear e já foram obtidos resultados com ela, o que inclusive permitiu a clonagem da ovelha Dolly. Lembrete Fatores que controlam os processos de diferenciação celular: • Fatores intrínsecos: derivam do programa no DNA. • Fatores extrínsecos: 121 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) – Fatores locais: interações e secreções celulares. – Fatores ambientais: raios‑x, radioatividade, temperatura, agentes químicos e biológicos. Figura 68 – Diferenciação celular na medula óssea 8.4 Apoptose A apoptose, morte celular programada, é uma característica inerente a todas as células, uma vez que o programa está no DNA celular. No experimento com a ovelha Dolly citado no item anterior, o clone r foi um resultado positivo, demonstrando‑se a possibilidade da reversão da diferenciação celular. Porém, o clone (Dolly) ainda em idade juvenil apresentou doenças típicas dessa espécie em idade idosa, não resistiu e foi a óbito. Verificou‑se que, apesar da idade juvenil, a Dolly era formada por células e tecidos em senescência, evidenciando‑se a apoptose em seus tecidos. Apesar da idade juvenil, a Dolly foi formada por células com idade avançada, pois o material genético de suas células estava respondendo ao seu programa original, para desativar as células após um número determinado de divisões celulares. Como esse material já era de um doador adulto, o tempo de programação de vida celular já estava se esgotando. Portanto, pode‑se não acreditar que o seu tempo de vida (natural) esteja determinado nas linhas da sua mão, mas em seu DNA há essa informação. 122 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Pode ser cruel saber o momento de sua morte, mas a destruição programada celular também é de grande importância funcional, pois sem ela você não estaria vivo. Para que a diferenciação leve à morfogênese de órgãos normais, é necessário que, ao lado da proliferação e da diferenciação celulares, exista também a eliminação das células que não são mais necessárias. Por exemplo, o feto humano tem os dedos inicialmente fundidos, como uma nadadeira, e posteriormente as células localizadas entre os dedos morrem e são eliminadas, ficando a mão com os cinco dedos normais. Outro exemplo é o timo, as células T (linfócitos T), com função defensiva, que atacam antígenos (células estranhas ao organismo), tais como bactérias e protozoários invasores, havendo também a formação de grande quantidade de células T que atacam os tecidos do próprio corpo, formando as doenças autoimunes. Essas células são eliminadas antes de saírem do timo, porque causariam grande dano aos tecidos do organismo se fossem lançadas na circulação sanguínea, assim o processo de apoptose é ativado para evitar maiores danos. Mais um exemplo: a remoção da cauda dos girinos, quando realizam a metamorfose (quando eles se transformam em rãs ou sapos adultos). A morte celular programada passa a ser essencial para que ocorra essa etapa da vida, e é por isso que a morte celular acontece pelo processo denominado apoptose. Morfologicamente, a apoptose é caracterizada por uma compactação da célula inteira. O núcleo e o citoplasma diminuem de volume, sendo que no microscópio óptico o núcleo aparece condensado e escuro (núcleo picnótico). A cromatina é fragmentada em trechos regulares por uma enzima (endonucleaseque) que ataca o DNA. As células alteram a superfície da membrana plasmática sinalizando a apoptose e são fagocitadas por macrófagos ou por outras células. Não ocorre síntese das moléculas que participam do processo inflamatório, enquanto as células que morrem por necrose promovem uma resposta inflamatória. A diferença é que em necrose mostram‑se hipertróficas (aumento de volume da célula inteira), de modo que na apoptose não ocorre liberação do conteúdo intracelular no meio extracelular. Pesquisas mostram que a falta de alguns hormônios e fatores de crescimento podem levar as células‑alvo à apoptose. Por exemplo, a diminuição do hormônio masculino testosterona promove apoptose nas células da próstata, e mesmo a ausência de alguns nutrientes em meio de cultura celular já foram relatados como indutores da apoptose. Proteínas da família TGF‑b inibem a proliferação bloqueando o ciclo em G1 ou estimulando a apoptose. Ambos os processos causam mudança na atividade de proteínas regulatórias da transcrição de genes tanto do controle do ciclo como da morte celular. Um exemplo é a miostatina, uma proteína da família TGF‑b que limita o crescimento dos músculos, inibindo a proliferação dos mioblastos; assim, quando o gene da miostatina é inativado, os músculos crescem ilimitadamente. E a apoptose também pode ser vista como um mecanismo de defesa, quando as células penetradas por vírus, bactérias ou protozoários entram nesse processo, ou ainda quando o DNA da própria célula passa por mutação. Sendo uma das causas do câncer as mutações em células somáticas, a apoptose passa a ser vista como uma defesa natural contra células malignas. Portanto, o mesmo mecanismo que um dia te levará à falência dos órgãos ou sistemas é o seu atual defensor, pois a apoptose resulta em benefício para o organismo como um todo. 123 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Observação A necrose (explosão) é o derramamento do conteúdo celular nas células vizinhas, sendo uma resposta inflamatória prejudicial às outras células. Já na apoptose (implosão), a célula encolhe e condensa, o que não prejudica as demais, pois a superfície celular é modificada. Isso faz com que ela seja rapidamente fagocitada, ocorrendo a reciclagem dos componentes orgânicos pela célula que ingeriu. Resumo Podemos condensar os eventos no ciclo celular em dois momentos: a interfase e a mitose. Na mitose, ocorre a divisão da célula, e no período entre duas divisões (entre fases reprodutivas) temos a interfase. O ciclo celular, desde a formação de uma célula até sua própria divisão em duas células‑filhas iguais entre si, apresenta, basicamente, as seguintes passagens: a interfase, em que a célula cresce e se prepara para uma nova divisão, e a divisão, em que se originam duas células‑filhas, a qual se inicia pela divisão do núcleo (cariocinese ou mitose) e posteriormente do citoplasma (citocinese). O controle nos eucariontes é feito por diversos produtos gênicos, que, por sua vez, são também regulados por fatores extracelulares, como nutrientes ou fatores de crescimento, fazendo que ocorra a divisão celular coordenadamente com as necessidades do organismo como um todo. Dentro da interfase ocorrem os seguintes períodos: • G0 (tempo variável): estado quiescente em que a célula não apresenta a programação para entrar em mitose novamente. A maioria dos neurônios estão em G0. A quantidade de DNA é de 2C. • G1 (gap = vazio) – 12h em média: é o intervalo de tempo desde a mitose até o início da síntese de DNA. É o período pós‑mitótico.• R (ponto de restrição): quando a célula atravessa esse ponto, entra em mitose novamente. Fica no final da G0. • S (stand) – 8h em média: é o momento em que ocorre a duplicação ou síntese de DNA. Pode‑se afirmar que há um conteúdo intermediário de DNA nessa fase. 124 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III • G2 – 4h em média: intervalo entre o término da síntese de DNA e a próxima mitose, pós‑síntese de proteínas ou pré‑mitótico. A quantidade de DNA é de 4C. • M – 1h em média: mitose. O conjunto de proteínas que interagem, conhecidas como quinases, dependentes de ciclina (CDKs), controla por via enzimática o ciclo celular. Os receptores e agentes mais citados são a CDC2 e CDK. A célula passa por G1 e é induzida a progredir ao longo do ciclo por fatores de crescimento (mitógenos), atuando por meio de receptores que transmitem os sinais para prosseguir em direção à fase S. As ciclinas do tipo D (D1, D2 e D3) são as que se associam às CDKs e as ativam. Também existem outas que podem induzir a interrupção de G1. Caso essas proteínas sejam inativadas por mutações, a proliferação celular torna‑se contínua, comum em várias neuplasias. Quando ocorre detecção do dano do DNA e consequente interrupção do ciclo celular, por causa da ativação da p53, o impedimento para bloquear o ciclo se torna essencial em evitar que a célula entre na fase S. Assim que a célula passar pelo ponto de restrição G1, a ciclina E é degradada, e a célula entra na fase S. Isso é iniciado, entre muitas outras atividades, pela ligação da ciclina A à CDK2 e pela fosforilação da proteína RB (proteína retinoblastoma). Esse sistema impede que a célula prossiga o seu ciclo com um DNA alterado (danificado), sendo o ponto de controle o limite de ação dos sistemas de retroalimentação das ciclinas. Quando o genoma está íntegro, o CDC2 (CDK1) associado com ciclinas mitóticas A e B é ativado para formar o fator promotor de mitoses e imediatamente no início da divisão celular as ciclinas A e B são destruídas, determinando‑se o complexo promotor da anáfase e permitindo‑se assim a continuidade do ciclo. O núcleo interfásico é constituído por envoltório nuclear, cromatina, nucleoplasma e nucléolo. O número em geral é único, com posição central ou periférico, e representa a forma da célula. O tamanho é variável de acordo com o metabolismo e conteúdo de DNA da célula. A células ativas apresentam maior quantidade de proteínas relacionadas com a transcrição do DNA. A exportação de RNA do núcleo para o citoplasma ocorre com gasto energético, com mRNA (RNA mensageiro), tRNA (RNA transportador) e rRNA (RNA ribossômico) como complexos RNA‑proteína. O sinal de exportação nuclear pode estar no RNA ou na proteína. O mRNA é completado com cerca de 20 proteínas, formando as ribonucleoproteínas nucleares heterogêneas ou hnRNPs. O rRNA também é transportado em subunidades ribossômicas. Já o tRNA, apesar de possuir sua morfologia descrita, ainda 125 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) não tem todas as suas funções esclarecidas. Os nucléolos são esféricos e, em geral, são únicos. É a região onde partes dos diferentes cromossomos que possuem genes para os RNA ribossomais se agrupam juntas. Contém 60% de proteínas e rRNA e pouco DNA (ribossômico). É onde os RNAs ribossômicos são sintetizados e se combinam com as proteínas para formar os ribossomos. O DNA segundo o modelo de Watson e Crick é formado por duas cadeias de polinucleotídeos complementares e antiparalelas, que se associam por pontes de hidrogênio, compondo uma dupla hélice com diâmetro de 2 nm. A quantidade de DNA é expressa em pares de bases, chamados valor C (107 até 1011pb). Nucleotídeos são formados do açúcar de cinco carbonos: desoxiribose com um grupo fosfato (por isso ácido desoxirribonucleico) e uma base nitrogenada, com adenina (A), citosina (C), guanina (G) ou timidina (T). Os nucleotídeos são ligados covalentemente juntos em cadeias através dos açúcares e fosfatos, que formam a “espinha” alternada de açúcar‑fosfato‑açúcar‑fosfato, criando um colar com os quatro tipos de bases. A forma e a estrutura química das bases permitem que somente ocorram pontes de hidrogênio eficientemente entre A‑T (duas pontes de hidrogênio) e C‑G (três pontes de hidrogênio), permitindo que as cadeias se aproximem, criando uma hélice (10 pares de base a cada giro), sem perturbá‑la. As bases podem se agrupar dessa forma somente se a cadeia de polinucleotídios estiver alinhada em orientações opostas (antiparalela e complementar). Os genes são compostos de um segmento de DNA que contém as instruções para fazer uma proteína particular (ou, em alguns casos, um grupo de proteínas intimamente relacionadas). Alguns genes comandam a produção de moléculas de RNA como produto final. Eles carreiam a informação genética, que deve ser copiada e transmitida precisamente durante a divisão celular. O DNA codifica a informação de modo sequencial com as quatro letras (A, C, G e T), que variam nos diferentes organismos e irão expressar os diferentes aminoácidos. Há uma correspondência entre a sequência de quatro nucleotídeos e os 20 aminoácidos que irão formar as diferentes proteínas. O registro completo do organismo é chamado de genoma. O RNAr associa‑se com proteínas e enzimas do núcleo e forma as subunidades maior e menor dos ribossomos, responsáveis pela produção das proteínas. O RNAm transporta o código genético do núcleo para o citoplasma, isto é, do núcleo para os ribossomos. O RNAm ou mRNA possui códigos que são cópia da sequência de bases nitrogenadas do DNA (códons), com a respectiva alteração A – U e G – C, atuando como “molde” ou “intermediário” para a produção de proteínas por parte dos ribossomos 126 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III (RNAr). Pode‑se afirmar que o RNAm será traduzido em proteínas. Quem codifica é o DNA, e o RNAm transporta essa codificação. O processo de síntese proteica inicia‑se com a transcrição, a qual ocorre quando o DNA origina RNAm. Só ocorre na interfase, nunca na mitose ou na meiose. O processo de síntese proteica inicia‑se com a transcrição, a qual ocorre quando o DNA origina RNAm. Só ocorre na interfase, nunca na mitose ou na meiose. O RNAt (o anticódon) é uma molécula intermediária entre os códons do RNAm e aminoácidos. O RNAt se liga especificamente a um determinado aminoácido. Cada RNAt carrega o nome do aminoácido que transfere (que transporta). Na interfase, os cromossomos estão estendidos como longas fitas de DNA (cromatina) e não podem ser distinguidos no núcleo sob ML – são os cromossomos interfásicos. Há tipos de sequências de nucleotídeos especiais que iniciam a replicação eficientemente – são as origens de replicação. Os cromossomos eucariontes possuem diversas origens de replicação para permitir a rápida duplicação do cromossomo. As zonas da cromatina onde os genes estão sendo expressos são mais estendidas e as zonas mais compactas estão quiescentes. A mesma fita pode apresentar os dois estados (alterações cíclicas). A heterocromatina (em grego, heteros significa diferente) exibe coloração mais intensa quando observada na microscopia de luz, não sendo transcrita pelo RNA. A maior parte do DNA contido na heterocromatina não contém genes, e os genes aí presentes em geral ficam indisponíveis devido ao elevado grau de compactação da heterocromatina. Essa cromatina densa é denominada heterocromatina constitutiva e possui sequências gênicas altamente repetitivas que nunca são transcritas, principalmente no centrômero, no telômero e ao redor das constrições secundárias. A heterocromatina facultativa é condensada em algumas células e descondensada em outras. No par de cromossomos X das fêmeas de mamíferos, uma é inativada aleatoriamente, uma vez que a expressão das duas serialetal. O mecanismo de controle do operon‑símile pode ser parte da regulação gênica universal, e atualmente verifica‑se isso em células eucariontes animais, mas em um sistema bem mais complexo, uma vez que os genes dos eucariontes não são formados por um único trecho do DNA, e sim por diversos fragmentos. Mitose e meiose são divisões celulares. A mitose é equacional (mantém o número de cromossomos constante em todas as células do organismo), e a meiose é uma divisão reducional, na qual a célula‑mãe dá origem às células‑filhas com a metade do número de 127 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) cromossomos, os quais irão se restabelecer apenas após a fecundação. A mitose em células eucarióticas, em média, leva uma hora. Na prófase, a cromatina converte‑se em filamentos alongados. Ela já sofreu sua duplicação no estágio S da interfase; portanto, esses filamentos são agora denominados cromossomos, os quais, no início da prófase, se encontram fixados na membrana do núcleo e já possuem estrutura dupla. No fim da prófase, contraem‑se, tornando‑se mais grossos e mais curtos (condensação cromossômica), e a membrana do núcleo desaparece. Na metáfase, torna‑se visível o fuso mitótico a partir dos centríolos. Cromossomos se dispõem no centro da célula, na placa equatorial dela, mas os cromossomos homólogos não ficam pareados. No fim da metáfase, durante a transição para anáfase, os cromossomos dividem‑se pela região do centrômero. Na anáfase, as duas cromátides de cada cromossomo migram para polos opostos, iniciando‑se a derradeira fase, que é a telófase (telo significa terminal em grego). Na telófase, surge a membrana do núcleo, o nucléolo e a cromatina, e ocorre a divisão do citoplasma (citocinese). O cromossomo está com o seu DNA associado às proteínas em estado máximo de condensação durante a metáfase da mitose ou meiose. A meiose difere fundamentalmente da mitose em relação aos aspectos citológicos e genéticos. Em primeiro lugar, os cromossomos homólogos pareiam‑se. Em segundo lugar, ocorrem trocas, permutações entre os cromossomos homólogos (crossing‑over), resultando em segmentos cromossômicos com novas constituições, isto é, com novas recombinações genéticas. Em terceiro lugar, o complemento cromossômico é reduzido à metade durante a primeira divisão celular, que é a divisão I da meiose. Assim, as células‑filhas resultantes na divisão II serão haploides (divisão reducional). Uma meiose completa consiste em duas divisões celulares: meiose I e meiose II (divisão I e II). A meiose começa com a replicação dos cromossomos (do DNA) na interfase. No fim da interfase, os cromossomos já se constituem como estruturas filamentosas. No início da prófase I, os cromossomos estão duplicados e realizam uma série de processos importantíssimos, como o pareamento dos cromossomos homólogos, o qual permite uma troca entre segmentos dos cromossomos (permutação ou crossing‑over), possível pela justaposição das cromátides de cromossomos homólogos (recombinação genética). Essa troca ocorre pouco antes da célula entrar em metáfase I. 128 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III Entre os 23 pares de cromossomos humanos, 22 são autossomos e um é sexual, e nos 23 pares existem quatro morfologias diferentes de cromossomos: telocêntricos, metacêntricos, submetacêntricos e acrocêntricos. Os animais e vegetais apresentam um complemento cromossômico específico, denominado cariótipo. Este é o conjunto de características constantes dos cromossomos da espécie em relação ao número, tamanho e morfologia. Graças ao uso da colchicina, alcaloide que impede a polimerização dos microtúbulos do fuso durante a divisão, pode‑se realizar o estudo morfológico dos cromossomos metafásicos de um indivíduo. A divisão mitótica é interrompida na metáfase, período em que a condensação dos cromossomos é máxima. No ideograma, que é a representação do cariótipo, os cromossomos são ordenados aos pares. Nas células somáticas dos eucariontes, os cromossomos ocorrem aos pares, sendo um de origem paterna e o outro de origem materna. O processo de diferenciação celular iniciou‑se durante a evolução, com o aparecimento dos primeiros seres multicelulares – a alga pluricelular Volvox é um exemplo. A diferenciação aumenta a eficiência das células, mas as torna dependentes umas das outras. O corpo de um animal pode ser comparado com uma sociedade: nos mamíferos ocorrem em média 200 tipos celulares distintos. A diferenciação inicia‑se na fase embrionária de gástrula. Quando as células vão tornando‑se cada vez mais diferenciadas, também vão perdendo a capacidade de se dividirem por mitose. As células totipotentes são aquelas que apresentam 100% de potencialidade para se distinguirem em qualquer outro tipo celular. As células‑fonte ou células‑tronco (stem cell) são as pouco diferenciadas. As células multipotentes se destacam em múltiplas células, mas dentro de uma especificidade celular; já as células progenitoras diferenciam‑se em um ou dois tipos celulares; pode‑se definir que a diferenciação é o grau de especialização, pois as células se diferenciam progressivamente, atingindo o grau máximo quando chegam ao perfil dos neurônios ou fibras musculares estriadas. A potencialidade é a capacidade de originar outros tipos celulares, e um neurônio tem baixíssima potencialidade quando comparado a uma célula muscular lisa. A modulação, por sua vez, é uma diferenciação reversível, permitindo‑nos inferir que as células naturalmente podem retornar aos seus estágios de vida iniciais, desde que recebam os estímulos necessários. A capacidade de modulação é fundamental na regeneração e recomposição dos tecidos. A diferenciação é controlada por fatores intracelulares e extracelulares, requerendo, portanto, ocorrer intensa comunicação célula‑célula e célula‑ambiente. A apoptose, morte celular programada, é uma característica inerente a todas as células, uma vez que 129 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) o programa está no DNA celular. A destruição programada celular também é de grande importância funcional, pois sem ela você não estaria vivo. Para que a diferenciação leve à morfogênese de órgãos normais, é necessário que, ao lado da proliferação e da diferenciação celulares, exista também a eliminação das células que não são mais necessárias. Morfologicamente, a apoptose é caracterizada por uma compactação da célula inteira. O núcleo e o citoplasma diminuem de volume, sendo que no microscópio óptico o núcleo aparece condensado e escuro (núcleo picnótico). A cromatina é fragmentada em trechos regulares por uma enzima (endonucleaseque) que ataca o DNA. As células alteram a superfície da membrana plasmática sinalizando a apoptose e são fagocitadas por macrófagos ou por outras células. Não ocorre síntese das moléculas que participam do processo inflamatório, enquanto as células que morrem por necrose promovem uma resposta inflamatória. A diferença é que em necrose mostram‑se hipertróficas. Pesquisas mostram que a falta de alguns hormônios e fatores de crescimento podem levar as células‑alvo à apoptose. Proteínas da família TGF‑β inibem a proliferação bloqueando o ciclo em G1 ou estimulando a apoptose. Ambos os processos causam mudança na atividade de proteínas regulatórias da transcrição de genes tanto do controle do ciclo como da morte celular. Exercícios Questão 1 (Enade, 2011). A figura a seguir representa variações na quantidade de DNA ao longo do ciclo de vida de uma célula. (X = unidade arbitrária de DNA por célula). Figura 69 A análise do gráfico revela que: A) As fases 1, 2 e 3 representam os períodos G1, S e G2, que resumem todo o ciclo vital de uma célula. B) As fases 1, 2 e 3 representam o período em que a célula se encontra em interfase, e as fases 4,130 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III 5, 6 e 7, subsequentes, são características da célula em divisão mitótica, quando, ao fim, ocorre redução à metade da quantidade de DNA na célula. C) As fases de 1 a 5 indicam a meiose I, enquanto a meiose II está representada pelas fases 6 e 7. D) A célula expressa no gráfico é uma célula diploide, que teve a quantidade de seu DNA duplicada no período S da interfase (fase 2) e, posteriormente, passou pelas fases da meiose, originando células‑filhas com metade da quantidade de DNA (fase 7, células haploides). E) A fase 3 é caracterizada por um período em que não há variação na quantidade de DNA na célula, portanto, essa fase destaca uma célula durante os períodos da mitose: prófase, metáfase e anáfase. Resposta correta: alternativa D. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: o ciclo vital de uma célula engloba o momento em que ela não está se dividindo (interfase) e o momento da divisão celular. De fato, os números 1, 2 e 3 indicados no gráfico representam os períodos G1, S e G2 da interfase, como descrito na alternativa. Porém, é um erro afirmar que todo o ciclo vital de uma célula se resume a essas fases, porque elas, que ocorrem após G2 (fase 3), também compõem o ciclo celular e expressam a divisão celular. B) Alternativa incorreta. Justificativa: as fases 4, 5, 6 e 7 são características de uma célula em divisão meiótica, porque, ao final, são originadas novas células com metade da quantidade de DNA da célula. Ao contrário do que afirma a alternativa, não há redução da quantidade de DNA nas células originadas ao fim da mitose. C) Alternativa incorreta. Justificativa: as fases 1, 2 e 3 correspondem aos períodos G1, S e G2 da interfase. Portanto, diferentemente do que afirma a alternativa, a meiose I é representada apenas pelas fases 4 e 5. D) Alternativa correta. Justificativa: observe as figuras a seguir: 131 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Separação das cromátides‑irmãs Figura 70 – Esquema representativo de uma célula e seus cromossomos em interfase e meiose. Observe que, ao fim da meiose I, há separação dos cromossomos homólogos e, ao fim da meiose II, há separação das cromátides‑irmãs Figura 71 – Gráficos representativos da variação da quantidade de DNA celular na interfase (fases 1 a 3 do gráfico à esquerda) e na meiose (fases 4 a 7 da figura à esquerda). No gráfico à direita, existe a identificação das fases numeradas no primeiro gráfico: G1, S e G2 – etapas da interfase; M1 – meiose I; T1 – telófase I; M2 – meiose II; T2 – telófase De fato, o gráfico fornecido na questão ilustra momentos de aumento e de redução da quantidade de DNA celular. O aumento ocorre por conta da duplicação do DNA ao longo do período S da interfase. Logo após o período G2 (fase 3), há a redução na quantidade de DNA devido à segregação dos pares de cromossomos homólogos ocorrida na meiose I (especificamente na fase 4, conforme as figuras). Após a fase 5, há nova redução na quantidade de DNA celular, dessa vez resultante da separação das cromátides‑irmãs de cada cromossomo duplicado, ocorrida na meiose II (sobretudo na fase 6). E) Alternativa incorreta. Justificativa: ao iniciar a mitose, a célula apresenta quantidade duplicada de DNA. A sucessão de etapas ao longo dessa divisão faz com que haja a distribuição equitativa de DNA para cada célula‑filha, 132 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade III ou seja, a quantidade de DNA presente em cada célula‑filha é igual à quantidade de DNA presente na célula inicial antes da duplicação. Logo, no gráfico, a mitose deveria corresponder a uma fase representada por uma reta descendente, como observado na fase 4 e na fase 6, e não por uma reta que expressa estabilidade na quantidade de DNA com o passar do tempo, como é o caso da fase 3 mencionada na alternativa. Questão 2 (Enade, 2011). Uma das funções essenciais da divisão celular em eucariotos complexos é a de repor células que morrem. Nos seres humanos, bilhões de células morrem todos os dias e, basicamente, a morte celular pode ocorrer por dois processos morfologicamente distintos: necrose e apoptose. Considerando que a distinção entre eles é de especial importância no diagnóstico de doenças, avalie as afirmações a seguir: I – Na apoptose, os restos celulares são fagocitados pelos macrófagos teciduais. II – Como processos ativos, tanto a apoptose quanto a necrose requerem reservas de ATP. III – Na necrose, ocorre extravasamento de substâncias contidas nas células, o que resulta em um processo inflamatório. IV – Tanto o mecanismo de necrose quanto o da apoptose envolvem a degradação do DNA e das proteínas celulares. É correto apenas o que se afirma em: A) I. B) II. C) I e III. D) II e IV. E) III e IV. Resolução desta questão na plataforma. 133 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 A) KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 9. Figura 1 B) KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 14. Figura 3 BIOLOGIA: Ecologia. v. 3. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 9. Figura 5 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 14. Figura 6 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 87. Figura 7 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 87. Figura 8 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 10. Figura 9 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 11. Figura 10 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 12. Figura 11 MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 20. 134 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Figura 23 BIOLOGIA: Citologia e Genética. v. 1. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 9. Figura 25 BIOLOGIA: Citologia e Genética. v. 1. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 9. Figura 26 BIOLOGIA: Citologia e Genética. v. 1. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 9. Figura 28 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 160. Figura 29 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 163. Figura 30 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 168. Figura 31 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 160. Figura 33 A) JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 66. Figura 33 B) JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 69. Figura 33 C) JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 71. 135 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Figura 34 HAYASHI, Y.; UEDA, K. The shape of mitochondria and the number of mitochondrial nucleoids during the cell cycle of Euglena gracilis. Journal of Cell Science, 1989, 93. p. 565. Figura 37 ALBERTS, B. et al. Fundamentos da Biologia Celular. Artmed: Porto Alegre, 2006. p. 367. Figura 38 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 24. Figura 39 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 27. Figura 40 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 29. Figura 41 JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 77. Figura 42 LODISH, H. et al. Molecular Cell Biology. 4. ed. Nova York: W. H. Freeman, 2003. p. 15. Figura 44 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 27. Figura 46 KARP, G. Biologia celular e molecular. 3. ed. Barueri: Manole, 2005. p. 374. Figura 47 BIOLOGIA: Biologia Animal. v. 2. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 19. 136 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Figura 48 BIOLOGIA: Biologia Animal. v. 2. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 19. Figura 49 BIOLOGIA: Biologia Animal. v. 2. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 19. Figura 51 KARP, G. Biologia celular e molecular. 3. ed. Barueri: Manole, 2005. p. 376. Figura 52 KARP, G. Biologia celular e molecular. 3. ed. Barueri: Manole, 2005. p. 376. Figura 56 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 109. Figura 57 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 110. Figura 59 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 109. Figura 62 GILBERT, S. F. Biologia do desenvolvimento. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética, 1994. p. 274. Figura 63 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 109. Figura 64 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 110. Figura 65 KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. p. 110. 137 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Figura 66 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 160. Figura 67 MITOSIS. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2016. Figura 68 JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 228. REFERÊNCIAS Textuais ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. ___. Fundamentos da Biologia Celular. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. ARAÚJO‑JORGE, T. C. de. Evolução do conceito de célula: lições da história da ciência. In: ESTEVES, F. (Org.). Grandes temas em Biologia. Rio de Janeiro: Fundação Cecierj, 2010. BIOLOGIA: Biologia Animal. v. 2. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 19. CALSA JR., T.; BENEDITO; V. A.; FIGUEIRA; A. V. de O. Análise serial da expressão genérica. Revista Biotecnologia – Ciência & Desenvolvimento, ed. 33, jul./dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 11 jul. 2016. CARVALHO, H. F.; RECCO‑PIMENTEL, S. M. A célula. 2. ed. Barueri: Manole, 2007. DE ROBERTIS JUNIOR, E. M. F.; HIB, J.; PONZIO, R. Biologia celular e molecular. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. GENÉTICA e atividade física. Revista EF, ano X, n. 45, p. 104‑18, set. 2012. Disponível em: . Acesso em: 5 jul. 2016. GILBERT, S. F. Biologia do desenvolvimento. Ribeirão Preto: Sociedade Brasileira de Genética, 1994. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 138 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 ___. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. KARP, G. Biologia celular e molecular. 3. ed. Barueri: Manole, 2005. KUCHINSKI, F. B. Citologia. São Paulo: Editora Sol, 2014. MANTZOURANIS, L.; BAGATTINI, R. Biologia molecular. São Paulo: Editora Sol, 2016. p. 87. MITOSIS. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2016. OLIVEIRA, M. M. de C. et al. Aspectos genéticos da atividade física: um estudo multimodal em gêmeos monozigóticos e dizigóticos. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, 17(2), p. 104‑18, jul./dez. 2003. Disponível em: . Acesso em: 5 jul. 2016. PENNISI, E. The birth of the nucleus, Science, 305, p. 766‑77, 2004. POLLARD, T. D.; EARNSHAW, W. C. Biologia celular. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP). Fisiologia do exercício II. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 7 jul. 2016. UNIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE). O controle da expressão gênica. [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 11 jul. 2016. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF). Fisiologia. [s.d.]a. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2016. ___. Homeostase – Definições. [s.d.]b. Disponível em: . Acesso em: 8 jul. 2016. Sites 139 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Exercícios Unidade II – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2005: Biologia. Questão 9. Disponível em: . Acesso em: 21 jul. 2016. Unidade III – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2011: Biologia. Questão 15. Disponível em: . Acesso em: 21 jul. 2016. Unidade III – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2011: Biologia. Questão 11. Disponível em: . Acesso em: 21 jul. 2016. 140 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000observar estruturas entre 300 e 200 micrótomos. Quando é realizada uma comparação entre células procarióticas (bactérias) com eucarióticas que formam animais e vegetais, verifica‑se que as características em relação ao tamanho são muito maiores nas eucarióticas animais, que chegam a até 1.000 μm (1 mm) nos óvulos e a muito mais em alguns protozoários, enquanto nas procarióticas o tamanho está compreendido entre 0,5 e 5 μm. A figura a seguir apresenta a fotomicrografia de uma célula fagocítica (à esquerda) e uma célula de secreção granulocítica (à direita), na qual se pode observar que uma superfície celular pode ser bem maior que a outra. Os prolongamentos da célula maior se alargam e ampliam a superfície de contato, facilitando o processo de fagocitose, que é o englobamento de uma grande estrutura de modo que uma célula possa “engolir” outra célula. Figura 4 – Fotomicrografia de uma célula fagocítica (à esquerda) e uma célula de secreção granulocítica (à direita) O quadro a seguir resume os diferentes tipos celulares encontrados nos humanos: 13 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Quadro 1 – Tipos celulares Células pavimentosas (planas ou achatadas) São encontradas no tecido epitelial. Juntas, são chamadas de epitélio pavimentoso. Essas células estão localizadas na camada mais superficial celular da epiderme, abaixo da queratina, e quando localizadas na camada mais interna dos vasos sanguíneos são denominadas células endoteliais (endotélio). Células prismáticas (colunares ou cilíndricas) São encontradas no epitélio gástrico e também no intestinal e em ductos de glândulas exócrinas. Células cúbicas Possuem três dimensões semelhantes, lembrando um dado, e são localizadas, por exemplo, na glândula endócrina tiroide. Células esféricas Como os glóbulos brancos (leucócitos) do sangue e o oócito. Os glóbulos vermelhos são discos bicôncavos (células discoides). Células estreladas Como os neurônios multipolares (células nervosas), essas células possuem ramificações (os dendritos e o axônio). Células fusiformes São células afiladas nas extremidades, típicas fibras musculares lisas dos órgãos, como estômago, intestino, útero, vagina e vasos sanguíneos. Células lábeis São células dotadas de ciclo vital curto, produzidas de forma contínua pelo organismo. Fornecem e/ou produzem o crescimento e a renovação constante dos tecidos onde ocorrem, por exemplo, as células epiteliais constituintes das mucosas intestinais, da mucosa gástrica, da epiderme (na pele) e células sanguíneas, como os glóbulos brancos (leucócitos) e glóbulos vermelhos (hemácias/eritrócitos). Células estáveis São células dotadas de ciclo vital médio ou longo, podendo durar meses ou anos, produzidas durante o período de crescimento do organismo (na vida intrauterina – períodos embrionário e fetal, como também pós‑nascimento – até o início da vida adulta). Essas células só voltam a ser formadas em condições excepcionais, como na regeneração de tecidos (uma fratura óssea, por exemplo). São exemplos de células estáveis: célula óssea (osteoblasto), célula do fígado (hepatócito), célula do pâncreas (acinosa pancreática) e célula muscular lisa (fibra muscular lisa involuntária). Células permanentes São células de ciclo vital muito longo, coincidindo, geralmente, com o tempo de vida do indivíduo, produzidas apenas durante os períodos embrionário e fetal e com desenvolvimento após o nascimento. Quando da morte desses tipos celulares, não há reposição; algumas dessas células aumentam em volume (hipertrofia celular), acompanhando o crescimento do indivíduo. São exemplos de células permanentes: células nervosas (neurônios) e células musculares estriadas (fibras musculares estriadas esqueléticas e cardíacas). Células federadas Organizam‑se sob a forma de tecidos. Tornam‑se especializadas e perdem parte de sua autonomia em favor do conjunto, passando a viver umas na dependência das outras. Apresentam certa individualidade, estabelecem com as células vizinhas certas relações, trocam nutrientes entre si, através dos líquidos intersticiais. Células anastomosadas São células fusionadas umas às outras, por meio de ligações citoplasmáticas. São alguns exemplos: células mesenquimais indiferenciadas do tecido conjuntivo e células ósseas jovens (osteoblastos). Sincícios São células que apresentam vários núcleos mergulhados no citoplasma, com ausência de individualidade celular. Casos típicos ocorrem nas células musculares estriadas esqueléticas (fibras musculares esqueléticas), nas células placentárias (sinciciotrofoblasto) e nas células do tegumento da lombriga (Ascaris lumbricoides). Todos os exemplos dados surgem pela fusão de células uninucleadas. Plasmódios Originam‑se de células mononucleadas, que sofrem sucessivas divisões do núcleo sem ocorrer divisão do citoplasma. Células somáticas São exemplos as células epiteliais (de origem dos três folhetos embrionários: ectoderma, mesoderma e endoderma); as células conjuntivas (de origem mesenquimal – o mesênquima origina‑se do mesoderma); as células musculares (de origem mesodérmica); e as células nervosas (de origem ectodérmica). As células somáticas possuem 46 cromossomos ou 23 pares de cromossomos, isto é, são células diploides (2n); portanto, o genoma dessas células é igual a 46 cromossomos. 14 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Células gaméticas (ou germinativas) São exemplos o espermatozoide e o oócito ou ovócito de segunda ordem (óvulo como denominação geral, porém incorreta). As células gaméticas possuem 23 cromossomos, isto é, são haploides, sendo o genoma dessas células igual a 23 cromossomos. Células diploides Como (n) representa 23 cromossomos, essas células são portadoras de 46 cromossomos, sendo 23 cromossomos maternos e 23 cromossomos paternos; portanto, são denominadas 2n (homem = 22 pares de cromossomos autossomos e 1 par de cromossomos sexuais, ou seja, 22A + XY; mulher = 22A + XX). Células haploides Como (n) representa 23 cromossomos, essas células são produzidas para reprodução da espécie. Nas gônadas ocorre a meiose, que reduz o número de cromossomos nos gametas de 46 para 23. Observação As células musculares estriadas esqueléticas, denominadas fibras musculares esqueléticas, são formadas após a fusão de um grande número de células embrionárias durante a criação de um músculo na vida intrauterina e aumentam na juventude pela fusão das células satélites adjacentes. Desse modo, uma fibra muscular pode medir vários centímetros de comprimento por 50 mm de espessura. 1.4 Ultraestrutura celular Quando descrevemos as células quanto as suas organelas e respectivas funções, nos referimos à ultraestrutura celular. Somente após o advento da microscopia eletrônica de transmissão, que tem a capacidade de analisar até estruturas moleculares, passamos a compreender o significado de boa parte das organelas e estruturas celulares. O aluno não deve se preocupar em decorar e memorizar a nomenclatura morfológica das células, o mais importante é saber o significado e função de cada uma evidenciando‑se o que faz aquela célula entre outras. Pense que em um dia da sua vida você já foi unicelular, e hoje você se comunica, se movimenta, respira, se alimenta e realiza mais uma diversidade de atividades fisiológicas que um organismo unicelular também faz. Coloque‑se no lugar de um protozoário, uma ameba, e perceba que até vida social essa célula apresenta. Não temos que decorar nomes, e sim entender os conceitos. Neste item, vamos observar os detalhes celulares e relacioná‑los às suas funções. Observe o desenho a seguir e note que para cada organela celular e sua respectiva função existe em seu organismo uma estrutura análoga. 15 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 5 – Desenho da ultraestruturade uma célula eucarionte animal apontando suas principais organelas Quadro 2 – Organelas celulares Organela Funções Membrana plasmática Envolvendo a célula, aparece a membrana plasmática, uma delgada película através da qual são realizadas as trocas de substâncias entre os meios intra e extracelular. É através da membrana que a célula recebe água, oxigênio e alimento, ao mesmo tempo que elimina substâncias úteis ao organismo ou resíduos provenientes de reações químicas que nela acontecem. Citoplasma O citoplasma é o constituinte celular mais abundante, formado pelo citosol e os organoides celulares. O citosol, principal componente do citoplasma, é um líquido no qual estão mergulhados os organoides celulares, entre os quais destacamos: ribossomos, retículo endoplasmático, mitocôndrias, lisossomos, complexo golgiense, centríolos e citoesqueleto. Ribossomos Os ribossomos são pequenos grânulos que aparecem livremente no citoplasma ou aderidos às membranas do retículo endoplasmático. Constituem a sede de um dos principais processos celulares: a síntese de proteínas. Retículo endoplasmático O citosol é percorrido por um sistema de vesículas e canais que se intercomunicam formando o retículo endoplasmático. Trata‑se de uma estrutura que auxilia a distribuição e o armazenamento de substâncias celulares. Existem dois tipos de retículo endoplasmático: o granular e o liso. O granular ou rugoso apresenta ribossomos aderidos às suas membranas, o que não acontece com o liso. Mitocôndrias As mitocôndrias são corpúsculos esféricos ou alongados, limitados por duas membranas: uma externa ou lisa e outra interna com uma série de expansões chamadas de cristas. Nas mitocôndrias, ocorrem etapas da respiração celular, processo que fornece a energia necessária às atividades vitais da célula. Complexo golgiense Organoide constituído por uma pilha de vesículas circulares e achatado, servindo principalmente para armazenamento de secreções, substâncias úteis produzidas e eliminadas pelas células. Lisossomos Os lisossomos são pequenas bolsas formadas por uma membrana que envolve enzimas, elementos responsáveis pela digestão de substâncias no meio intracelular. Peroxissomos Semelhantes aos anteriores, contendo a enzima catalase, cuja função é a degradação do íon peróxido de hidrogênio (água oxigenada). São responsáveis por eliminar das células determinados resíduos tóxicos. Podem também participar da conversão de gordura em glicose. Centrossomo Organoide situado no centro da célula e constituído por dois centríolos, pequenos cilindros perpendiculares entre si, que exercem importantes funções no processo de divisão celular. Citoesqueleto A forma celular é mantida pelo citoesqueleto, um conjunto de filamentos de natureza proteica existente no citoplasma. 16 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Núcleo Situado geralmente no centro da célula, o núcleo é envolvido por uma dupla e porosa membrana e apresenta no seu interior o nucléolo e a cromatina. O nucléolo é um corpúsculo que origina os ribossomos. Estruturalmente, a cromatina é formada pelo DNA, onde aparecem os genes, por meio dos quais o núcleo coordena as funções celulares. Nucléolo Está presente no núcleo celular, na maioria das vezes são únicos, mas podem ocorrer mais de um, como nos hepatócitos. É responsável pela síntese de subunidades de RNA ribossômico, que se acoplarão no citoplasma, dando origem ao ribossomo. 2 AS MOLÉCULAS DA CONSTITUIÇÃO CELULAR Todos os alimentos que ingerimos têm um destino: as células. Portanto, são digeridos por enzimas em partículas e unidades proporcionais às dimensões celulares e absorvidos principalmente pelas células da mucosa intestinal (revestimento intestinal), sendo distribuídos para todas as outras do corpo através do sistema circulatório. A Química Orgânica estuda os átomos predominantes nos seres vivos e suas combinações moleculares, tanto para o tratamento da vida quanto para a criação de produtos e utensílios, tais como o poliéster das roupas e a gasolina. Os átomos predominantes são C, H, O e N (carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio). Quase todos os outros componentes químicos estão presentes, mas nunca na mesma ordem de grandeza dos anteriores. A Bioquímica estuda as vias metabólicas que ocorrem no organismo, isto é, como as reações químicas se desencadeiam nos processos fisiológicos. Já a Biologia Molecular estuda os componentes químicos e suas respectivas funções na constituição e comunicação celular. Assim, para o profissional de Educação Física, é fundamental entender como é a estrutura da unidade funcional dos seres vivos, para assim aplicar esse conhecimento no desempenho e condicionamento físico. As funções das grandes moléculas dos polímeros orgânicos são basicamente cinco: • Estruturais, quando participam da arquitetura celular. • Enzimáticas, quando aceleram reações químicas. • Informacionais, quando agem na comunicação celular. • De defesa, quando inativam antígenos (elementos estranhos ao organismo). • Energéticas, quando liberam unidades de energia para as células. As pequenas moléculas, tais como vitaminas, íons e a água, participam, respectivamente, nas reações químicas como fatores, cofatores e solventes metabólicos. 17 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) 2.1 Proteínas São polímeros de aminoácidos. Existem 20 tipos de aminoácidos que se combinam por ligações químicas (peptídicas). Os aminoácidos se unem formando polipeptídios; estes, por sua vez, se agregam, dando origem às proteínas. Como uma proteína apresenta mais de 70 aminoácidos, eles se repetem ao longo do polímero proteico. Funções: • Função estrutural: são proteínas que constituem células e tecidos, fornecendo elasticidade, flexibilidade, rigidez e consistência. São exemplos: colágeno, actina, miosina, queratina, fibrinogênio, albumina e muitas outras. • Função informacional: proteínas formam hormônios e estes são “mensageiros químicos”. As células que produzem essas proteínas formam os órgãos endócrinos (glândulas endócrinas: hipófise, tireoide, paratireoide, ilhotas pancreáticas, suprarrenais). • Função de defesa: são as proteínas denominadas imunoglobulinas – IgG, IgM, IgE. São produzidas por células denominadas plasmócitos e constituem um dos dois mecanismos de defesa do ser humano, o mecanismo de defesa de base adaptativa, pois as imunoglobulinas são os anticorpos (proteínas de defesa) específicos a cada antígeno (elemento estranho, agente da doença). São formadas a partir do contato com próprio antígeno, mas nem sempre isso ocorre, permitindo a adaptação ou não ao meio em que se encontra o antígeno. • Função enzimática: catalisam (aceleram) várias reações químicas biológicas. São exemplos: amilase salivar, lípases, fosfatases. • Função energética: a quebra de moléculas proteicas libera unidades energéticas, os ATPs (adenosina trifosfato), que são utilizados para a conversão em energia mecânica, térmica e química novamente. 2.2 Carboidratos A formulação mínima dos hidratos de carbono ou carboidratos ou glicídio é assim representada: CH2O. São exemplos: as pentoses, tipos de açúcares (C5H10O5) e as hexoses, outros tipos de açúcares (C6H12O6). As pentoses importantes são as encontradas nos ácidos nucleicos, ribose no DNA e desoxirribose no DNA. Glicose, frutose e galactose são monossacarídeos; maltose e sacarose são dissacarídeos; celulose, amido e glicogênio são polissacarídeos. Doces (açúcares) são apenas os mono e dissacarídeos; polissacarídeos não são doces, são insolúveis (celulose) ou formam coloides (amido). É válido ressaltar que os carboidratos são utilizados tanto como combustíveis como também para construções de estruturas celulares. 18 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I São divididos em: • Monossacarídeos: são carboidratos formadosde uma molécula cuja fórmula geral é Cn (H2O)n, onde n = 3 – 7. Exemplos mais importantes: pentoses (desoxirribose e ribose) e hexoses (glicose, frutose e galactose). • Dissacarídeos: formados pela união de duas moléculas de monossacarídeos com a perda de uma molécula de água. Exemplos: sacarose, maltose e lactose. • Polissacarídeos: compostos pela união de três ou mais moléculas de monossacarídeos. Há síntese por desidratação. Exemplos: amido (centenas de glicoses, é a reserva energética vegetal) e glicogênio (reserva energética animal). Funções: • Função estrutural: apenas nos vegetais. A celulose é o principal carboidrato estrutural dos vegetais, e não é digerida pelas enzimas humanas. Nos mamíferos herbívoros, ocorrem bactérias e protozoários que vivem em simbiose dentro de estruturas próprias para a digestão da celulose (rúmen e ceco, por exemplo). Quando associadas, as proteínas exercem ações estruturais, tais como os heteropolímeros, que são as glicosaminoglicanas que se combinam com proteoglicanas e glicoproteínas. • Função informacional: formam o glicocálix, ou glicálice, que é um polissacarídeo associado a proteínas situado na face externa da membrana plasmática celular. Tem o papel de comunicação celular (reconhecimento) e adesão celular. O sistema sanguíneo ABO é um exemplo da ação do glicocálix. • Função energética: são as gorduras neutras, formadas de ésteres de ácidos mais o glicerol ou glicerina, dando origem aos triglicerídeos (álcool). Ocorrem comumente nos adipócitos. Figura 6 – Exemplo da digestão de um dissacarídeo em dois monossacarídeos 2.3 Lipídios Lipídios ou gorduras são substâncias que resultam da reação entre um álcool (glicerol, álcool etílico, entre outros) e um ácido carboxílico (palmítico, esteárico, oleico). Lipídios isolados apresentam‑se na forma de óleos (líquidos na temperatura ambiental) ou ceras (sólido). Os triglicerídeos são lipídios concebidos pela ligação estérica de três ácidos graxos (iguais ou diferentes) com uma molécula única 19 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) de glicerol (álcool). São triglicerídeos as gorduras e os óleos. A concentração no sangue humano deve oscilar entre 40 e 150 mg/dl. As estruturas lipídicas são hidrofóbicas (possuem aversão à água). Funções: • Função estrutural: constitui a membrana plasmática das células, fundamental na compartimentalização celular, seletividade, semipermeabilidade, flexibilidade, rigidez e consistência da membrana plasmática. São exemplos: esfingomielina, colesterol, fosfatidilcolina e fosfatidiletanolamina. • Função informacional: lipídios formam os hormônios sexuais. As células que produzem esses lipídios estão nas gônadas masculina e feminina, glândulas endócrinas sexuais, ovários e testículos, produzindo principalmente os estrógenos e a testosterona. • Função energética: são as gorduras neutras, compostas de ésteres de ácidos mais o glicerol ou glicerina, formando os triglicerídeos (álcool). Ocorrem comumente nos adipócitos. 2.4 Ácidos nucleicos Encontrados no núcleo e no citoplasma, esses ácidos geram cadeias de nucleotídeos. São os principais exemplos: ácido desoxirribonucleico (DNA) e ácido ribonucleico (RNA). No DNA ocorre o armazenamento da carga hereditária/material genético, e ele também é o responsável por transmitir essa carga genética para as células‑filhas. Cada nucleotídeo contém um açúcar (pentose), bases nitrogenadas púricas = adenina (A) e guanina (G) e pirimídicas = timina (T), citosina (C) e uracila (U), além do fosfato. Portanto, o DNA possui A + T + G + C + PO4 + desoxirribose, enquanto o RNA possui A + U + G + C + PO4 + ribose. Localiza‑se no núcleo celular, na mitocôndria em células animais e em cloroplastos nas células vegetais e em certos vírus (adenovírus). Possui forma de dupla hélice, realiza replicação/duplicação no estágio S da interfase, é do tipo semiconservativa e dependente de enzimas como a helicase e a DNA polimerase. O RNA possui cadeia simples, com funções bem conhecidas: há o RNAr, que é o constituinte dos ribossomos livres ou aderidos no retículo endoplasmático; o RNAm ou mRNA, que surge da transcrição do DNA pela ação da enzima RNA polimerase II (RNA mensageiro – é o códon); e o RNAt (anticódon), RNA transportado, que veicula aminoácidos do citoplasma para o ribossomo (RNAr). As bases nitrogenadas são classificadas em purinas e pirimidinas. As bases purinas são adenina (A) e guanina (G), que possuem dois anéis na sua estrutura; já as bases pirimidinas são citosina (C), timina (T) e uracila (U), que são formadas por apenas um anel. Veja as figuras a seguir: 20 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Figura 7 – Esquema de um nucleotídeo Figura 8 – Estrutura geral das purinas e pirimidinas. As purinas possuem dois anéis, e as pirimidinas possuem apenas um anel Figura 9 – Bases nitrogenadas purina e pirimidina. As purinas são adenina e guanina, e as pirimidinas são timina, citosina e uracila 21 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) As bases nitrogenadas encontradas na molécula de DNA são A, T, C e G, e as bases nitrogenadas encontradas na molécula de RNA são A, U, C e G. Essa é uma diferença importante entre a molécula de DNA e RNA. Outra diferença existe entre as moléculas de DNA e RNA e a pentose: a pentose presente no RNA é a ribose, a qual possui um grupo OH na posição 2’; e a pentose presente no DNA é a desoxirribose, a qual possui um átomo de hidrogênio nessa mesma posição, conforme demonstra a figura a seguir: Figura 10 – Pentoses: ribose, presença de um grupo OH na posição 2’ (A); desoxirribose, presença de um átomo de hidrogênio na posição 2’ (B) Em 1953, Watson e Crick reuniram as informações já disponíveis e propuseram uma estrutura tridimensional para a molécula de DNA. Esse modelo propõe que: • duas cadeias polinucleotídicas estão enroladas em torno de um eixo, formando uma dupla hélice; • o giro é no sentido da mão direita; • as bases nitrogenadas estão empilhadas na parte interna da molécula; • o esqueleto da molécula, fosfato e pentose, está na parte externa da molécula; • o pareamento das duas fitas cria um sulco principal (maior) e um sulco secundário (menor) na superfície da molécula; • o plano das bases é perpendicular ao eixo da hélice; • as bases de uma fita estão pareadas no mesmo plano das bases da outra fita; • as cadeias polinucleotídicas são unidas por ligações de hidrogênio, nas quais adenina pareia com timina e guanina pareia com citosina. Na figura a seguir, é possível observar a dupla hélice, o esqueleto pentose‑fosfato na parte externa da molécula, as bases nitrogenadas na parte interna e perpendicular ao eixo da hélice, o sulco maior e o sulco menor, o pareamento entre as bases no mesmo plano, entre adenina e timina e entre citosina e guanina e também as fitas antiparalelas. 22 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Figura 11 – Características estruturais do DNA propostas por Watson e Crick, em 1953 Saiba mais Leia o texto a seguir: OLIVEIRA, M. M. de C. et al. Aspectos genéticos da atividade física: um estudo multimodal em gêmeos monozigóticos e dizigóticos. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, 17(2), p. 104‑18, jul./dez. 2003. Disponível em: . Acesso em: 5 jul. 2016. Funções do DNA: • Função informacional: transmite a informação genética via cromossomos (herança) para as outras células. • Função de comando celular: o DNA associado a proteínas e RNA transmite as funções hereditárias para comandar a célula. 23 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Funções do RNA: • Função informacional: transmite a informaçãogenética codificada no DNA para as organelas responsáveis pela síntese de proteínas, denominando‑se RNAm (mensageiro). • Função enzimática: acelera as reações químicas voltadas para síntese de proteínas. O RNAt de transferência (transportador) acelera a combinação de aminoácidos específicos para a formação dos diferentes tipos de proteínas. • Função estrutural: o RNAr ribossômico forma a estrutura dessa organela, que é o local inicial do processamento de síntese proteica. Saiba mais Leia o texto a seguir: GENÉTICA e atividade física. Revista EF, ano X, n. 45, p. 104‑18, set. 2012. Disponível em: . Acesso em: 5 jul. 2016. 2.5 Vitaminas São cofatores metabólicos e coenzimas, ativando uma grande quantidade de enzimas para o bom funcionamento do organismo – portanto, agem no metabolismo geral, mantendo a homeostasia. Avitaminose é o termo empregado para indicar a deficiência de vitaminas no organismo, por exemplo, avitaminose C, que causa distúrbio na síntese da proteína colágeno pelas células fibroblastos. Assim, na síntese do colágeno, a ausência de vitamina C não impede esse processo, mas faz com que ele ocorra de forma incompleta. Na época das descobertas continentais por navios à vela, que permaneciam muito tempo no mar, era comum o surgimento do escorbuto, doença que se inicia com quedas dos dentes em decorrência da síntese de um colágeno fraco nos ligamentos periodontais. Isso foi facilmente explicado pela ausência de vitamina C na dieta da tripulação, uma vez que a alimentação era toda à base de organismos marinhos, pobres nessa vitamina. A expressão provitamina é atribuída à substância precursora de uma determinada vitamina; assim, o caroteno encontrado na cenoura é a provitamina que irá se transformar em vitamina A (ácido retinoico). O esgosterol (provitamina D2), sob a ação dos raios ultravioletas na pele, transforma‑se em calciferol, que já é a vitamina D (quando de procedência animal é denominada 7‑deidrocolesterol). As vitaminas são classificadas em hidrossolúveis (tiamina/B1, riboflavina/B2, piridoxina/B6, nicotinamida ou niacina/ PP, cobalamina/B12, biotina/H, rutina/P e ácido ascórbico/C) e em lipossolúveis (retinol ou ácido ascórbico/A, calciferol/D, tocoferol/E e fitoquinona/K). 24 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I A seguir se verifica um quadro referente aos principais tipos de vitaminas, seus benefícios e riscos. Quadro 3 – Características e riscos das vitaminas Vitamina Características, efeitos e riscos associados A A vitamina A conserva a acuidade visual e fortalece as defesas naturais do organismo contra infecções, porém, doses maciças (50.000 a 100.000 u.i) durante longo período passa a ser tóxica, causando náuseas e problemas articulares. Em relação ao betacaroteno, é comum em frutas, como pêssego, e em hortaliças, como brócolis. Quando transformado em vitamina A, melhora a visão e o funcionamento do sistema imunológico. Ele também está associado à redução de riscos em certos tipos de câncer. O betacaroteno é transformado pelo organismo quando for necessário. B6 Entre outras funções da vitamina B6, pode‑se citar como a principal a atuação no sistema imunológico e a redução da dor em algumas alterações fisiológicas, tais como a síndrome pós‑menstrual e síndrome do túnel carpal. Banana, abacate, grão‑de‑bico e batata estão todos na lista dos alimentos que contêm vitamina B6. Pequenas quantidades estão presentes no espinafre, na ervilha, na noz e no germe de trigo. A vitamina B6 ajuda o sistema imunológico e pode reduzir a dor em certos males, como na síndrome pós‑menstrual e síndrome do túnel carpal. B12 Ajuda a manter e substituir as células do organismo, inclusive as responsáveis pela imunidade a infecções e pela coagulação sanguínea. Alimentos de origem animal ou alimentos fermentados são as fontes naturais de vitamina B12. Carne bovina, fígado e marisco enlatado contêm muita B12. C A vitamina C está relacionada à redução do estresse celular e na ativação do sistema imune. Atua na síntese do colágeno. Na ausência, não ocorre a hidroxilação do aminoácido lisina, sendo o cofator responsável pela integridade e resistência das fibras colágenas. O escorbuto é uma doença decorrente da carência de vitamina C, em cujo estágio inicial observa‑se a queda dos dentes devido ao rompimento dos ligamentos periodontais. D A vitamina D também é considerada um agente anticancerígeno, além de estar diretamente associada ao metabolismo dos ossos e do sistema imunológico. Uma das fontes são as sardinhas em lata, que contêm 1.100 u.i em 98 mg (forma exógena), e também ocorre a partir do colesterol que é sintetizado pela incidência de raios UVB do sol sob a pele (forma endógena). A vitamina D também é considerada um agente anticancerígeno, além de estar diretamente associada ao metabolismo dos ossos e do sistema imunológico. E Tem ação antioxidante, protegendo a estrutura das células e tecidos. As melhores fontes naturais são o germe de trigo e o óleo de girassol. Ela se encontra em menor quantidade na pera e na ameixa seca. Antioxidante, pode proteger contra doenças cardíacas e certos tipos de câncer. Ácido fólico O ácido fólico regula a divisão das células e pode ser capaz de reverter alguns tipos de lesões nos tecidos relacionadas ao câncer. É de suma importância para a formação e desenvolvimento do sistema nervoso. Fígado e hortaliças de folhas verde‑escuro estão entre as melhores fontes de ácido fólico, como também a levedura de cerveja. K A dose diária para mulheres e homens é de 65 microgramas. Encontrada em hortaliças como brócolis, em folhas de nabo e no repolho e também no queijo, na gema de ovo, no pêssego e na batata. A vitamina K ajuda a regular o processo da coagulação normal do sangue. Observação Não confunda vitaminas com enzimas. Quando combinadas com proteínas, podem participar da atuação de determinadas enzimas. As vitaminas atuam como cofatores ou coparticipantes das reações químicas que ocorrem nas células. A ausência de vitaminas não impede que aconteçam e nem desaceleram as reações químicas, mas estas passam a ocorrer de modo incompleto. 25 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) 2.6 Sais minerais Os sais minerais são os fatores ou participantes diretos nas reações químicas das células e constituem o soluto das soluções verdadeiras. Muitas vezes, são mencionados como seus precursores (ácidos, como o ácido úrico, e bases, como o hidróxido de cálcio). Quanto às suas funções, a presença dos minerais permite as reações químicas nas células, e a ausência impede absolutamente o processo metabólico. Tomemos como exemplo o cálcio: sem ele não ocorrem inúmeros processos, a fibra muscular não se contrai, os neurônios não transmitem o impulso nervoso, as células de defesa não fagocitam, as células não se dividem etc. 2.7 Água A água é o componente mais comum, constituindo cerca de 70% do protoplasma (denominação dada para a matéria viva). É solvente de soluções químicas e fase dispersante de coloides. A desidratação do organismo e, consequentemente, das células, é grave. Elevadas quantidades de água ficam retidas entre as células do tecido conjuntivo, na substância intersticial. Em relação às suas atribuições, a configuração molecular da água a torna bipolar (polo + e –), permitindo que ela se combine com todas as moléculas polares. Assim, é denominada solvente universal, e sem ela as reações químicas dos organismos não ocorrem. Lembrete Vale lembrar que os lipídios e óleos, por serem apolares e não se diluírem na água, são denominados hidrofóbicos. Exemplo de aplicação Análogos hormonais são substâncias sintéticas que agem nas células de modo semelhante aos hormônios, tanto os proteicos quanto os lipídicos (esteroides). O sistema endócrinotrabalha em conjunto no sistema de retroalimentação (feedback), sendo as concentrações hormonais ajustadas por inibição ou estímulo das glândulas pelos próprios hormônios. Ou seja, quando se ingere um análogo da somatotrofina (GH) ou da testosterona sem o conhecimento da procedência dos fármacos ou da dosagem indicada pelo endocrinologista, o sistema endócrino pode se desequilibrar irreversivelmente, provocando a morte ou sequelas para o resto da vida. Reflita sobre o uso dessas drogas e pesquise como é a legislação nos outros países. Que solução você poderia propor para minimizar os efeitos deletérios do uso inadequado? 26 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I 3 AS CÉLULAS FORMAM TECIDOS Os tecidos são formados por células (embrioblastos) derivadas dos três folhetos embrionários: ectoderme, mesoderme e endoderme. Estas se agrupam e juntas compõem uma estrutura que desempenhará uma determinada função. Portanto, o conceito de tecido deve ser claro: não é um conjunto de células que exercem o mesmo papel. Um tecido animal é uma estrutura constituída por células de mesma origem embrionária e que juntas desenvolvem uma função, ou seja, as células podem ser funcionalmente diferentes, mas em conjunto desempenham idêntico ofício. Em algumas situações, poucas células migram de um folheto embrionário para outro, indo constituir o tecido. Os tecidos epiteliais são formados por células dos três folhetos embrionários, mas cada tecido epitelial tem a sua origem em um único folheto embrionário. 3.1 Tecido epitelial O tecido epitelial é constituído por células poliédricas com polaridade basal e apical definidas, intimamente unidas, coesas, com pouca matriz extracelular (material externo às células) e avascular. Tem origem nos três folhetos embrionários (ecto, meso e endoderme). Esse tecido cria os epitélios de revestimento, que protegem externa e internamente o organismo, formando as mucosas que também podem absorver os alimentos, e produz os epitélios de secreção ou glandular, o qual pode ser endócrino quando libera os seus produtos (hormônios) para os vasos sanguíneo e exócrino, ao secretar os seus produtos (enzimas, saliva, suor, leite etc.) para a superfície dos epitélios. Existem glândulas mistas, endócrina e exócrina, tais como o pâncreas, que secreta a insulina para os vasos sanguíneos e enzimas para o duodeno. A classificação do tecido epitelial está demonstrada no organograma a seguir: 27 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 12 – Classificação do tecido epitelial A pele é um órgão formado por tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado na epiderme e tecido conjuntivo frouxo e denso na derme. O atrito contínuo pode promover uma queratinização excessiva, que é vulgarmente chamada de calo. De acordo com o número de camadas de células que possuem, os epitélios de revestimento são classificados em simples, estratificados e pseudoestratificados. Epitélios simples são formados por uma só camada celular, e, de acordo com a forma das células, ele pode ser classificado em: epitélio simples pavimentoso (o endotélio, epitélio que reveste internamente os vasos sanguíneos); epitélio simples cúbico (epitélio que recobre o ovário) e epitélio simples prismático (epitélio que forma as mucosas do estômago e do intestino). Os epitélios estratificados são constituídos por várias camadas de células e podem ser: pavimentosos (epiderme) e cúbicos (condutos glandulares). Já os epitélios pseudoestratificados são formados por uma só camada de células de tamanhos diferentes, dando a impressão de uma estratificação que, de fato, não existe, pois todas as células estão apoiadas no mesmo plano (traqueia). 28 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Além desses, há os epitélios de transição, que são epitélios estratificados cujas células superficiais variam de forma, segundo a pressão que recebem. É o epitélio que reveste internamente a bexiga, no qual a variação de forma celular depende de o órgão estar vazio ou distendido pela urina. Veja a seguir uma fotomicrografia da pele, na qual se observam na epiderme o tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado – células epiteliais (A) e queratina (B) – e o início da derme em que se observa o tecido conjuntivo frouxo (C). Figura 13 – Fotomicrografia da pele 3.2 Tecido conjuntivo É o tecido de maior ocorrência no organismo, tendo a função de nutrir, unir e sustentar os demais tecidos. Assim, o tecido conjuntivo apresenta vasos do sistema circulatório e linfático que transportam alimentos e removem excretas por todo o organismo. Nesse mesmo tecido, aparecem elementos encarregados da defesa do organismo contra os agentes infecciosos. O tecido conjuntivo tem como característica a grande quantidade de matriz extracelular. O termo conjuntivo não é aleatório: entende‑se por conjuntivo o grupo de estruturas conectadas às demais que exercem inúmeras funções. Dentre os principais papéis estão as de sustentação, nutrição, meio de comunicação e defesa dos outros tecidos, e os demais papéis são consequências destes. Apesar da diversidade funcional, todas as células têm a mesma origem embrionária, a mesoderme. Essa grande variedade de tipos de conjuntivos pode ser verificada em sua classificação, conforme exposto no organograma a seguir: 29 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Figura 14 3.2.1 Matriz extracelular A matriz extracelular do tecido conjuntivo é formada pelas fibras colágenas e elásticas e por uma porção gel, que é a substância fundamental. As fibras colágenas são constituídas por uma proteína chamada colágeno e oferecem grande resistência às tensões. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano. Existe uma série de tipos colágenos, as fibras reticulares (pequenas redes de sustentação celular), que são formadas por fibras colágenas do tipo 3. As fibras elásticas são predominantemente organizadas por uma proteína, a elastina, e são responsáveis pela elasticidade de certos órgãos, como pulmões, vasos sanguíneos e pele. A substância vital apresenta‑se no estado gel, transparente e homogênea, formada por proteoglicanas, glicosaminoglicanas (gags) e proteínas multiadesivas. As proteoglicanas criam um eixo central e as gags estão presas a elas como cerdas de escova, lembrando, então, uma escova para lavar tubos de ensaio. Entre as gags encontram‑se moléculas de água oclusas (presas molecularmente) denominadas água de oclusão e que conferem o estado gel a essa estrutura. 3.2.2 Células As principais células do conjuntivo são: fibroblastos (que se transformam em fibrócitos, após oclusos na matriz extracelular), macrófagos, mastócitos, células adiposas, plasmócitos e células mesenquimais indiferenciadas. • Fibroblastos são as células mais frequentes no tecido conjuntivo, sendo responsáveis pela formação das fibras e da substância fundamental. Modificam‑se quando se encontram presos na 30 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I matriz extracelular, reduzindo o seu metabolismo e se tornando uma célula delgada com poucas organelas. • Macrófagos locomovem‑se por pseudópodes e caracterizam‑se pela capacidade de realizar fagocitose. Os macrófagos agem como elementos de defesa, digerindo e realizando a fagocitose de micro‑organismos. Podem formar células gigantes, multinucleadas, e também são apresentadores de antígenos, ativando as outras células de defesa. • Mastócitos são células grandes e ovoides contendo grande quantidade de grânulos no citoplasma. Eles secretam a heparina e histamina, respectivamente, uma substância anticoagulante e outra vasodilatora. • Células adiposas uniloculares exibem o hialoplasma reduzido a uma película periféricaque envolve uma gota de gordura. São células especializadas no armazenamento de gorduras, usadas como reserva alimentar. Também ocorrem as células adiposas multiloculares, que possuem em seu citoplasma inúmeras gotículas lipídicas e são liberadoras de energia térmica. • Plasmócitos são ovoides e menores do que os macrófagos, não apresentando grânulos no citoplasma. Atuam na defesa do organismo, produzindo as imunoglobulinas (anticorpos) que inativam os antígenos. • Células mesenquimais indiferenciadas são multipotentes. Elas conseguem se transformar em células do conjuntivo, produtoras de matriz extracelular. 3.2.3 Conjuntivo propriamente dito O conjuntivo propriamente dito está classificado de acordo com a sua quantidade de matriz em: frouxo, quando são poucas fibras, sendo encontrado na camada superficial da derme; denso não modelado, quando o tecido apresenta muitas fibras distribuídas aleatoriamente, situando‑se na camada profunda da derme; e denso modelado, quando as fibras estão organizadas e distribuídas paralelamente, sendo encontrado nos tendões e demais ligamentos. 3.2.4 Conjuntivo de propriedades especiais O tecido conjuntivo de propriedades especiais exibe a sua classificação de acordo com o tipo de matriz. Desse modo, está distribuído em: conjuntivo mucoso, com muita substância fundamental, localizando‑se no cordão umbilical; conjuntivo reticular, com fibras reticulares, sendo encontrado no arcabouço dos órgãos, tais como a medula óssea; adiposo unilocular e multilocular, sendo o primeiro permanente no adulto e o segundo apenas em recém‑nascidos; e conjuntivo elástico, com muitas fibras elásticas, situando‑se nos terminais dos tendões, evitando‑se choques mecânicos e o rompimento desses ligamentos, e no interior das artérias que suportam muita pressão. 31 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) 3.2.5 Sangue O sangue foi considerado por muitos autores como conjuntivo de matriz líquida, pois o sistema circulatório é intrínseco ao conjuntivo e as células de defesa são todas originadas na medula óssea vermelha (conjuntivo reticular) e transportadas pelo sangue antes de alcançar os respectivos destinos. A figura a seguir apresenta uma fotomicrografia da pele na qual se observa, na epiderme, o tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado (A); na derme, o tecido conjuntivo frouxo (B) e o tecido conjuntivo denso não modelado (C); e na endoderme (nem sempre presente na pele), o tecido adiposo unilocular (D). Figura 15 – Fotomicrografia da pele (coloração de hematoxilina e eosina) Agora, observe a fotomicrografia de um tendão formado por tecido conjuntivo denso modelado na figura a seguir. A seta com ponta cheia indica um fibroblasto e a seta acima com ponta estreita indica um fibrócito. Figura 16 – Fotomicrografia de um tendão formado por tecido conjuntivo denso modelado (coloração de hematoxilina e eosina) 32 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I A próxima imagem é a fotomicrografia da parede de uma artéria. A seta indica o tecido epitelial pavimentoso simples, chamado de endotélio, e suas células, as endoteliais. Esse tecido está em contato direto com o sangue e define a camada como túnica íntima. A linha A delimita a túnica muscular (média), que é formada por células musculares lisas apoiadas em fibras elásticas. Note que a matriz extracelular se encontra ondulada, indicando a presença de fibras elásticas. Figura 17 – Fotomicrografia da parede de uma artéria (coloração de hematoxilina e eosina) Veja na figura a seguir, em A, uma fotomicrografia do parênquima (recheio) do fígado. Entre os hepatócitos, encontram‑se os macrófagos cheios de nanquim, que são os pigmentos pretos indicados pela seta. Em B, o mesmo tecido impregnado pela prata, no qual se observam as fibras reticulares que sustentam os hepatócitos. Figura 18 – Em A, fotomicrografia do parênquima (recheio) do fígado (coloração de hematoxilina e eosina). Em B, o mesmo tecido impregnado pela prata 33 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 BIOLOGIA (CITOLOGIA) Observação Uma falha genética da produção de elastina foi detectada em jogadores de basquete. A ausência dessa proteína no tecido ósseo permite o alongamento ósseo, portanto pessoas altas podem ser portadoras. Durante os jogos de basquete, a alta incidência de mortes súbitas por aneurisma e rompimento da aorta foi explicada pela falta de fibras elásticas em alguns jogadores. Essa doença hereditária é chamada de síndrome de Marfan e pode ser evidenciada quando se observa os braços e pernas muito alongadas, desproporcionais ao tronco, dando suporte para a realização de exames de diagnósticos específicos. 3.2.6 Tecidos cartilaginoso e ósseo O tecido conjuntivo de sustentação é formado pelos tecidos cartilaginoso e ósseo. O tecido cartilaginoso possui rede compacta de fibras colágenas e, em alguns casos, elásticas imersas em substância fundamental consistente e gelatinosa, na qual aparecem os condrócitos (células cartilaginosas). É um tecido avascular, não sendo percorrido por vasos sanguíneos. A nutrição é feita pelo tecido conjuntivo. As cartilagens possuem as funções estruturais: formam articulações, coxins, o externo e demais estruturas de sustentação e proteção e participam da criação dos ossos, atuando como um “molde”, denominado ossificação endocondral, que é a formação do tecido ósseo no interior de uma peça cartilaginosa. Não ocorre a transformação da cartilagem em osso, e sim a substituição do tecido cartilaginoso pelo tecido ósseo. Existem três tipos de cartilagem: hialina, elástica e fibrosa. A cartilagem hialina é a mais comum, de aspecto vítreo, constituída por condroblastos, condrócitos e fibras colágenas. Recobre as extremidades dos ossos e forma uma superfície lisa e lubrificada nas articulações. O condrócito fica no interior de uma cavidade chamada condroplasto (lacuna), e o condroblasto se situa no pericôndrio, tecido conjuntivo frouxo que reveste a matriz cartilaginosa. Além de participar das principais estruturas do organismo, a cartilagem hialina é responsável pela ossificação endocondral, na qual a cartilagem hialina é substituída pelo tecido ósseo. Lembrete A matriz cartilaginosa é avascular. Quando ocorrem lesões e rupturas, o processo de regeneração não acontece e há o preenchimento da região lesada por uma nova matriz cartilaginosa a partir do pericôndrio, mas sem a morfologia anterior, com consequente perda da função que a peça cartilaginosa exercia. 34 Re vi sã o: L uc as - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 5/ 07 /1 6 Unidade I Veja agora uma fotomicrografia da cartilagem hialina. Nesse aumento, não é possível identificar os condroblastos e condrócitos precisamente; porém, pode‑se inferir que a maior porcentagem de condroblastos com o núcleo mais claro está nas lacunas situadas na periferia da matriz, enquanto os condrócitos com o núcleo mais escuro situam‑se predominantemente no interior das lacunas localizadas no interstício da matriz cartilaginosa: Figura 19 – Fotomicrografia da cartilagem hialina A cartilagem elástica contém fibras elásticas e aparece no pavilhão da orelha externa e na epiglote. Já a cartilagem fibrosa apresenta grande quantidade de fibras colágenas do tipo I dispostas paralelamente. Entre as fibras, aparecem fileiras de condrócitos. Esse tipo de cartilagem, entre outras estruturas, forma os discos intervertebrais e o menisco e não exibe o pericôndrio (veja a figura a seguir). A cartilagem fibrosa é um tecido com características intermediárias entre o tecido conjuntivo denso e a cartilagem hialina. Os condrócitos frequentemente formam fileiras celulares e entre os condrócitos a existência da matriz da cartilagem fibrosa com grande quantidade de fibras colágenas é facilmente identificada no microscópio de luz. Os discos