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Resumo sobre as Filosofias Sociais do Século XIX As filosofias sociais do século XIX surgiram em um contexto de grandes transformações sociais e econômicas, impulsionadas pela Revolução Industrial. Embora o uso de máquinas tenha trazido vantagens significativas, como aumento da produção, também gerou uma série de problemas sociais, incluindo desemprego, miséria, êxodo rural, inchaço urbano, exploração da mão de obra proletária, e uma acentuada desigualdade social. Essas filosofias, com um espírito progressista, buscavam estabelecer metas e ações que prometiam um futuro "ainda melhor", conforme a perspectiva da burguesia. William Bottomore, em seu livro "Introdução à Sociologia" (1987), descreve a gênese da sociologia como uma ciência entre 1750 e 1850, abrangendo obras de pensadores como Montesquieu, Karl Marx e Augusto Comte. Esses trabalhos tinham um caráter enciclopédico, buscando compreender a totalidade da vida social e da história humana, e eram fortemente influenciados pelo evolucionismo, que via a sociologia como uma ciência positiva, similar às ciências naturais. Evolucionismo Social O evolucionismo social é uma corrente que defende que todas as sociedades humanas estão em um contínuo processo de desenvolvimento, transitando de estágios mais simples para estágios mais avançados. Essa teoria é frequentemente associada à Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin, embora tenha sido formulada antes de suas publicações. Os principais proponentes do evolucionismo foram Lewis Morgan e Edward Taylor, cujas ideias foram reforçadas por Herbert Spencer, que se tornou bastante popular na Inglaterra vitoriana. Morgan e Taylor, no entanto, eram antropólogos que se baseavam em relatos de outros pesquisadores, e não em estudos de campo diretos. O evolucionismo foi utilizado como um paradigma para estudar sociedades não europeias, especialmente durante o período de colonialismo e imperialismo, onde a diversidade étnica e cultural era explicada através de uma visão etnocêntrica que considerava a sociedade europeia industrial como o padrão de "avanço". Essa abordagem resultou em uma hierarquização das sociedades, onde as que não se encaixavam nesse modelo eram vistas como inferiores. O método comparativo foi amplamente utilizado pelos evolucionistas, que pressupunham a superioridade europeia e estabeleciam uma linha evolutiva linear e determinista. Essa perspectiva permitiu justificar a colonização e o imperialismo sob a ideia de uma "Missão Civilizadora", sustentando que sociedades consideradas superiores tinham a obrigação moral de ajudar as inferiores a evoluírem. Contudo, essa teoria é hoje considerada pseudocientífica, uma vez que suas motivações eram mais políticas do que científicas, e seus impactos foram devastadores em regiões como a Ásia e a África. Darwinismo Social e Racismo Científico Após a publicação de "A Origem das Espécies" por Charles Darwin, o conceito de evolução e seleção natural ganhou popularidade, levando ao surgimento do Darwinismo Social. Essa corrente buscava explicar as diferenças culturais com base em noções biológicas de raça, sendo Herbert Spencer um dos principais defensores. Ele combinou a teoria darwinista com a teoria malthusiana para justificar a ideia de que a "raça" africana era biologicamente inferior à europeia, o que explicaria os atrasos percebidos. O Darwinismo Social dividia a humanidade em subgrupos com características distintas, sustentando que a sobrevivência do mais apto se aplicava também às dinâmicas sociais. Essa visão determinista biológica implicava que características intelectuais e comportamentais eram definidas geneticamente, levando à conclusão de que os brancos eram naturalmente mais inteligentes e, portanto, superiores. O racismo científico, que emergiu dessa perspectiva, afirmava que a raça era um fator determinante para estabelecer hierarquias entre grupos humanos. Teorias como a eugenia, frenologia e craniometria, que buscavam relacionar características físicas a comportamentos sociais, foram amplamente aceitas. A eugenia, proposta por Francis Galton, visava aprimorar a herança genética das raças humanas, suprimindo características consideradas inferiores, especialmente as da raça negra. No início do século XX, a eugenia ganhou aceitação no Ocidente, mas sua imagem foi severamente prejudicada quando foi utilizada pelo nazismo para justificar atrocidades como o Holocausto. Críticas ao Evolucionismo Social e ao Racismo Científico As teorias do evolucionismo social e do racismo científico resultaram na disseminação de preconceitos e na legitimação de domínios políticos, servindo como base teórica para o imperialismo europeu e justificando injustiças e opressões, como a exploração do proletariado durante a Revolução Industrial. As críticas a essas filosofias sociais culminaram após a Segunda Guerra Mundial, quando as consequências das doutrinas racistas se tornaram evidentes, especialmente com o auge do nazismo. As falhas teóricas e metodológicas, bem como o comprometimento ideológico dessas doutrinas, levaram a uma rejeição científica e a um esforço para superá-las, reconhecendo a necessidade de uma abordagem mais ética e justa nas ciências sociais. Destaques As filosofias sociais do século XIX surgiram em um contexto de transformação social e econômica, abordando problemas como desemprego e desigualdade. O evolucionismo social defendia que sociedades evoluíam de estágios simples para complexos, com a sociedade europeia como padrão. O Darwinismo Social justificava desigualdades raciais e sociais com base em teorias biológicas, sustentando a ideia de superioridade racial. O racismo científico utilizou teorias como a eugenia para legitimar hierarquias raciais e sociais, com consequências devastadoras. Críticas a essas teorias se intensificaram após a Segunda Guerra Mundial, levando à sua rejeição e à busca por abordagens mais éticas nas ciências sociais.