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Tópico 01 Biologia Celular Célula: estrutura básica dos seres vivos 1. Introdução A Biologia Celular é uma parte da biologia que estuda a vida da célula. Nossa disciplina terá como foco principal a Citologia, ou seja, o estudo da forma, estrutura, composição, função e desenvolvimento das células e seus componentes. A célula é a base de toda a vida, por isso todos devemos conhecer bem esse assunto. Reflita: Como você responderia as questões abaixo? Será que todos os organismos vivos são formados por células? Os vírus, as bactérias, os cães, os fungos, as plantas e o homem são todos formados por células? Todos os organismos são formados por uma única célula? Todas as células possuem as mesmas estruturas. Elas são iguais? Organismos vivos formados por células. No Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa Michaelis (2018, p.1), a célula é definida da seguinte forma: “Unidade básica, microscópica, de qualquer organismo vivo, exceto dos vírus, de forma variável, constituída de núcleo, que contém material genético, citoplasma e organelas, todos circundados por uma membrana.” De maneira geral, as células são pequenas unidades envolvidas por membrana e preenchidas por uma solução aquosa contendo biomoléculas e com a capacidade de criar cópias de si mesmas. De acordo com a definição, os vírus não são considerados células e isso é certo. Mas, essa definição relata que a célula é constituída de núcleo. Fica uma dúvida então, será que toda célula tem núcleo? Analise a figura abaixo e ache a resposta. Células com presença e ausência da membrana nuclear ou carioteca. 2. Células procariotas e eucariotas As células são as unidades estruturais e funcionais dos seres vivos. Elas possuem uma variedade de formas, VEJA ESTE VÍDEO! Assista ao vídeo para ampliar seu conhecimento sobre o vírus. O vídeo “Vírus Mutantes: Assassinos Microscópicos” é um documentário da National Geographic. tine fihe Vírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (DuVírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (Du tamanhos e funções. Quanto à organização, existem duas classes de células: procariotas e eucariotas. A principal diferença entre estas células é que na célula procariota o material genético (responsável pela hereditariedade) não está separado do citoplasma por uma membrana. Já na célula eucariota, o material genético encontra-se acondicionado dentro do núcleo e este é delimitado por uma membrana denominada envoltório nuclear ou carioteca. As células procariotas são células simples que se caracterizam pela ausência de núcleo individualizado, ou seja, o material genético está disperso no citoplasma e não isolado pela carioteca. Além disso, nos organismos procariontes também não existem organelas membranosas (mitocôndrias, retículo endoplasmático, complexo de Golgi, entre outros), nem tampouco citoesqueleto (estrutura celular responsável pela forma e movimentação). Entretanto, as células procariotas apresentam ribossomos, ou seja, estas células são capazes de produzir proteínas. Célula procariótica. As células eucariotas são aquelas que possuem núcleo individualizado, delimitado por membrana (carioteca) e bem organizado. “Eu” e “karion” têm sua origem na língua grega e significa verdadeiro e núcleo, respectivamente. Desta forma, neste tipo celular o material genético encontra-se isolado dentro do núcleo. As células eucariotas são mais complexas que as procariotas, pois além de carioteca, elas apresentam diversas estruturas, membranosas ou não, denominadas organelas citoplasmáticas, além dos ribossomos. As organelas citoplasmáticas são as estruturas responsáveis por realizar diferentes funções que são essenciais para o funcionamento das células. Célula eucariótica. Entre as células eucariotas podemos encontrar células que formam os tecidos dos animais e células que formam os tecidos das plantas. Estas células (animais e vegetais) possuem várias diferenças, além de semelhanças, em sua estrutura básica. Entre as semelhanças podemos destacar que tanto as células vegetais como animais apresentam membrana plasmática, carioteca e organelas citoplasmáticas (mitocôndrias, ribossomos, retículo endoplasmático e complexo de Golgi). A presença destas estruturas é que faz com que estes tipos celulares sejam classificados como células eucariotas. As diferenças entre células animais e vegetais são muitas. Entretanto, a diferença primordial é que a célula vegetal apresenta uma estrutura denominada parede celular que não é encontrada nas células animais. A parede celular pode ser observada revestindo externamente a membrana plasmática das células vegetais. Ela é formada, principalmente, pelo polissacarídeo celulose e entre as suas funções podemos destacar sustentação, resistência e proteção, além de ser a estrutura responsável por dar forma à célula vegetal. A presença de parede celular faz com que as células vegetais apresentem formato fixo, geralmente retangular, enquanto que as células animais apresentam formato irregular. Outra diferença importante entre a célula vegetal e a animal está relacionada a forma como estas células produzem energia. As plantas são consideradas seres produtores e por isso são classificadas como organismos autótrofos uma vez que são capazes de produzir seu próprio alimento. A célula vegetal realiza fotossíntese que é um processo em que a célula utiliza a luz solar, dióxido de carbono (CO ) e água para produzir glicose (alimento). A fotossíntese acontece em uma organela, denominada cloroplasto, exclusiva dos seres autótrofos e fotossintetizantes. O cloroplasto também tem como função o armazenamento de substâncias (clorofila). Célula vegetal. 2 Por outro lado, os animais são considerados seres consumidores e por isso são classificados como organismos heterótrofos uma vez que não são capazes de produzir o próprio alimento. Desta forma, seres heterótrofos precisam se alimentar de outros seres para conseguirem viver. As células animais não possuem cloroplastos. Nestas células, todo o processo de produção de energia acontece em uma organela considerada a central energética da célula, chamada de mitocôndria. É importante destacar que as mitocôndrias também são encontradas nas células vegetais, mas discutiremos sua estrutura e funções em um módulo específico. Agora que já vimos que existem células procariotas e eucariotas, autótrofas e heterótrofas, é possível entender que os seres vivos são classificados em cinco reinos de acordo com o biólogo norte-americano Robert Whittaker (1969). São eles: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia ou Metazoa. Como existem milhões de espécies diferentes de seres vivos no planeta, esta classificação é bastante útil. Dentro dos reinos da natureza, vamos conhecer um pouco mais sobre o Monera, reino em que encontramos as bactérias, e o Animalia ou Metazoa, pois é neste reino em que está inserido o ser humano, foco desta disciplina. No reino Monera, todos os indivíduos são muito simples e formados por uma única célula procariota. Os principais organismos que encontramos neste reino são as bactérias. Apesar de serem organismos simples, são causadores de diferentes doenças humanas, como tuberculose, pneumonia, sífilis, gonorreia, entre outras. Entretanto, os organismos do reino Monera não se destacam apenas por trazerem prejuízo à saúde humana uma vez que neste reino existem organismos com grande relevância biológica envolvidos na decomposição de matéria orgânica (biorremediação), na fabricação de alimentos (queijos) e de medicamentos (insulina). Exemplos de bactérias e suas diversas formas SAIBA MAIS Os jalecos dos profissionais da saúde, quando utilizados inadequadamente e fora do ambiente laboratorial, são veículos de transmissão de microrganismos . Saiba mais lendo a pesquisa clicando aqui. O reino Animalia ou Metazoa, como o próprio nome já diz, é constituído pelos animais. Neste reino, encontramos organismos com forma, estrutura,habitat e características muito distintas. Entretanto, todos os componentes deste grupo são eucariotos, formados por várias células (pluricelulares) e heterótrofos. Os representantes desse reino vão desde seres microscópicos, como por exemplo, os ácaros, até seres gigantes como o elefante. Eles podem ser invertebrados ou vertebrados, ou seja, possuírem ou não coluna vertebral. O escorpião, a minhoca, a estrela do mar e a água-viva são alguns exemplos de animais invertebrados, já a cobra, o sapo, o pavão, o tubarão, o cachorro, o macaco e o ser humano são exemplos de animais vertebrados. Pelos exemplos podemos perceber que os animais apresentam os mais variados modos de vida. Organismos do reino Animalia. PARA PENSAR: Você já havia parado para pensar que o ser humano e a água-viva fazem parte do mesmo reino filogenético? Considerando os vários tipos de animais, pense quais animais seriam filogeneticamente mais próximos do ser humano? Pensou? Você chegou à alguma conclusão? 3. Organização dos seres vivos Agora que você já viu que existem cinco reinos diferentes no planeta, e que estes reinos são formados por organismo diferentes, e que estes organismos são formados por células, vamos pensar em como os seres vivos estão organizados? Como acabamos de falar, as células são a unidade básica na constituição dos seres vivos (neurônio), um conjunto de células idênticas que realizam a mesma função formam um tecido (tecido nervoso), diferentes tipos de tecidos se agrupam para formar um órgão (cérebro), vários órgãos que realizam uma função em conjunto formam um sistema (sistema nervoso) e o conjunto de todos os sistemas de um organismo forma um ser vivo (homem). Organização dos seres vivos. Na figura acima, vimos o exemplo da organização do sistema nervoso humano. Vimos que os neurônios se associam a outros tipos de células nervosas (células da glia) para formar o tecido nervoso. O tecido nervoso se associa, por exemplo, com o tecido conjuntivo para formar o cérebro que, por sua vez, juntamente com a medula espinhal, os nervos e gânglios formam o sistema nervoso. Como já sabemos, o corpo humano é formado não apenas pelo sistema nervoso, mas também o cardiovascular, o ósseo, o digestório, entre outros. Portanto, chegamos à conclusão de que o organismo humano é formado pelo conjunto de diferentes sistemas. 4. Diferenciação celular Em algum momento da sua vida você já parou para pensar na forma que as células do corpo humano possuem? Por exemplo, um neurônio e uma hemácia. Você é capaz de descrever estas células morfologicamente? PARA PENSAR: Você consegue descrever a organização de um outro sistema do corpo humano usando como base o exemplo do sistema nervoso que acabamos de ver? Forma do neurônio e da hemácia. Como você deve saber, o ser humano surge a partir de uma única célula-ovo ou zigoto que se forma após a fecundação do óvulo (gameta feminino) pelo espermatozoide (gameta masculino). Nos parágrafos anteriores pudemos perceber que o ser humano é formado por sistemas, órgãos, tecidos e, consequentemente, células diferentes. O corpo humano possui mais de 200 tipos celulares diferentes, sendo que cada célula apresenta uma função específica. Você deve estar se perguntando: como uma única célula (o zigoto) é capaz de originar tantos tipos celulares diferentes? Além disso, se as nossas células possuem exatamente o mesmo material genético, ou seja, são geneticamente idênticas, como é possível que existam tantas células diferentes em nosso corpo? O processo responsável pela diversidade de células encontradas no corpo humano é denominado diferenciação celular. Todas as células passam por este processo de diferenciação com o objetivo de se especializarem morfologicamente e funcionalmente. O material genético contém toda a informação necessária para o funcionamento das células. Como vimos anteriormente, nas nossas células o material genético ou DNA (ácido desoxirribonucleico) encontra-se acondicionado dentro do núcleo. No DNA existem sequências chamadas de genes que carregam a informação que determina a sequência de aminoácidos das proteínas. Com as informações fornecidas até agora você consegue formular uma justificativa do porquê de, apesar de todas as células do nosso corpo possuírem exatamente o mesmo DNA, existirem mais de 200 tipos celulares diferentes no nosso organismo? Se você pensou que a diferença deve estar nos genes, acertou! Durante o processo de diferenciação celular, grupos de genes específicos são ativados ou inativados, definindo a forma e a função de cada uma das células encontradas no nosso corpo. Atualmente, ainda não é possível determinar qual é o sinal exato que uma célula indiferenciada recebe e que determina que tipo celular ela vai se tornar. O que se sabe é que a diferenciação celular é um processo irreversível, ou seja, uma vez um neurônio formado, ele nunca vai deixar de ser um neurônio. Diferenciação celular. Agora que você já sabe que as células são as unidades básicas que formam os seres vivos, vamos aprender um pouco sobre as moléculas que constituem as células? 5. Biomoléculas Todas as células são formadas por moléculas e as moléculas que fazem parte da constituição dos seres vivos são denominadas biomoléculas. Nos seres vivos, as biomoléculas podem ser de dois tipos: inorgânicas ou orgânicas. O grupo de biomoléculas inorgânicas é formado basicamente pela água e pelos sais minerais, enquanto que o grupo de biomoléculas orgânicas é formado pelas proteínas, carboidratos, ácidos nucleicos, lipídeos e vitaminas. A principal diferença entre estas biomoléculas é que as orgânicas possuem o carbono como elemento químico principal, enquanto que as inorgânicas não possuem carbono em sua estrutura. Vamos falar um pouco sobre cada uma das biomoléculas que constituem as nossas células? A água é o composto mais importante e abundante nas nossas células, constituindo cerca de 80% da massa celular, fazendo com que a maior parte do meio interno da célula (intracelular) seja formada por uma solução aquosa. Entretanto, é importante considerar que a quantidade de água em uma célula pode variar de acordo com a atividade ou idade da célula. Como sabemos, a água (H O) é um composto químico formado pela união de dois átomos de hidrogênio (H) e um átomo de oxigênio (O). A molécula de água é considerada um dipolo, ou seja, apresenta polaridade, já que possui uma região eletronegativa (oxigênio) e outra eletropositiva (hidrogênio), que estão unidas por ligações fortes, denominadas ligações covalentes pois ocorre o compartilhamento de elétrons entre os átomos. Cada molécula de água forma ligações de hidrogênio com um átomo de oxigênio de outra molécula próxima. Molécula de água e suas ligações. Como consequência do caráter dipolo a molécula de água é assimétrica, ou seja, uma região da molécula é carregada 2 positivamente e a outra negativamente. Sendo assim, a região positiva é atraída por cargas negativas e a região negativa é atraída por cargas positivas. Por ser um dipolo, a água é um dos melhores solventes conhecidos. Quando se dissolvem sais em água eles se dissociam em íons positivos, denominados cátions, e íons negativos, denominados ânions. Por exemplo, quando colocamos uma colher de sal de cozinha em um copo de água, o sal dissolve formando uma solução homogênea. O sal, ou cloreto de sódio (NaCl), quando colocado em contato com a água se dissocia formando dois íons: um com carga positiva, o sódio (Na ) e outro com carga negativa, o cloro (Cl ). Portanto, os íons Na são cátions, enquanto que os Cl são ânions. O fato da água ser um excelente solvente é extremamente importante porque todas as reações químicas que ocorrem dentro da célula se desenvolvem em meio aquoso. Cátion Na e ânion Cl . Como vimos anteriormente, a água é a molécula encontrada em maior quantidade nas nossas células. Por este motivo, o grau de afinidade queas biomoléculas têm + – + – + pela água exerce papel relevante nas propriedades biológicas destas moléculas. Assim, existem biomoléculas que apresentam em sua estrutura grupamentos químicos que têm afinidade pela água (grupamentos polares) sendo classificadas como hidrofílicas, e biomoléculas que apresentam em sua estrutura grupamentos químicos que não têm afinidade pela água (grupamentos apolares) e que, portanto, repelem a água, e são classificadas como hidrofóbicas. Além disso, existem biomoléculas que apresentam em sua estrutura grupamentos polares e apolares classificados como anfipáticas ou anfifílicas. Estas moléculas exercem importante função biológica pois possuem uma região hidrofílica e outra hidrofóbica. Desta forma, podemos resumir assim: Moléculas hidrofílicas: aquelas capazes de formar ligação de hidrogênio com a água e que apresentam grande quantidade de grupamentos polares. Moléculas hidrofóbicas: aquelas que não são capazes de formar pontes de hidrogênio com a água e que apresentam poucos ou nenhum grupamento polar, em vez disso, estas moléculas apresentam grupamentos classificados como apolares. Moléculas anfipáticas ou anfifílicas: são aquelas que apresentam tanto grupamentos polares como apolares em sua estrutura. A água também pode ser considerada um importante meio de transporte de substâncias entre os meios intracelular e extracelular. Além disso, é extremamente importante para a manutenção da temperatura corporal. A quantidade de água em uma célula é diretamente influenciada pelo tipo celular, a atividade metabólica realizada pela célula, assim como pela idade da célula. Uma célula óssea (osteócito) apresenta em sua composição muito menos água do que uma célula muscular (miócito), assim como normalmente uma célula de um indivíduo jovem apresenta maior teor de água quando comparada com uma célula de um idoso, por exemplo. Os sais minerais também representam as biomoléculas inorgânicas e constituem aproximadamente 1% do total da composição celular. Eles podem ser encontrados de três maneiras diferentes nas células: na forma iônica, dissolvidos em água (Na , K , Ca2 , Cl ), na forma insolúvel, imobilizados fazendo parte da composição de estruturas de sustentação (ossos), ou na forma de componentes da matéria orgânica (enxofre, ferro, magnésio fazem parte de moléculas de proteínas). Na tabela abaixo estão relacionados alguns dos sais minerais encontrados nas células humanas e suas funções. Tabela: Sais minerais e suas funções SAIS MINERAIS FUNÇÕES Cálcio (Ca) Participa da composição de ossos e dentes; atua no funcionamento das células musculares e nervosas; atua na coagulação do sangue Fósforo (P) Participa da composição de ossos e dentes; atua na transferência de energia; componente dos ácidos nucleicos. Sódio (Na) Ajuda no equilíbrio dos líquidos corporais; atua na transmissão do impulso nervoso e na manutenção do potencial de repouso das membranas + + + – SAIS MINERAIS FUNÇÕES Cloro (Cl) Componente do ácido clorídrico encontrado no suco gástrico Potássio (K) Atua junto com o sódio no equilíbrio dos líquidos corporais; na transmissão do impulso nervoso e na manutenção do potencial de repouso das membranas Magnésio (Mg) Atua como cofator em várias reações químicas junto com enzimas e vitaminas; participa da composição dos ossos e do funcionamento de nervos e músculos Ferro (Fe) Componente da hemoglobina que auxilia no transporte de oxigênio no sangue; atua na respiração celular Iodo (I) Componente dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), responsáveis pela manutenção do metabolismo corporal Flúor (F) Fortalece ossos e dentes As biomoléculas orgânicas ou macromoléculas biológicas são todas formadas por pequenas moléculas, denominadas monômeros, que servem como unidades fundamentais para síntese de moléculas maiores, denominadas polímeros. Por exemplo, os aminoácidos (monômeros) são as unidades básicas que formam as proteínas (polímero). As células têm quatro tipos principais de monômeros orgânicos: monossacarídeos, aminoácidos, nucleotídeos e ácidos graxos. Estas, são utilizadas na construção das macromoléculas celulares carboidratos, proteínas, ácidos nucleicos e lipídeos, respectivamente. O elemento químico básico de todas as biomoléculas orgânicas é o carbono (C). Isto acontece porque o átomo de carbono é capaz de formar 4 ligações com alta estabilidade, permitindo a formação de polímeros estáveis e versáteis. Os carboidratos, também conhecidos como glicídeos ou hidratos de carbono, são formados basicamente por átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio, sendo que existem dois átomos de hidrogênio para cada átomo de carbono e de oxigênio. Assim, a fórmula básica de um carboidrato é CH O (1:2:1). Como vimos, a unidade formadora dos carboidratos são os monossacarídeos ou oses. Carboidratos simples com 6 carbonos são denominados hexoses e sua principal função é energética. No grupo das hexoses, encontramos a glicose, fonte primária de energia para todas as células do nosso corpo, a frutose, considerada o mais doce dos açúcares e encontrada nas frutas, e a galactose, que diferente dos outros dois tipos não existe na forma livre na natureza, mas é obtida a partir da digestão de derivados do leite. A combinação de dois monossacarídeos (hexoses) pela formação de uma ligação glicosídica entre eles, forma uma classe de carboidratos chamada de dissacarídeos, sendo os principais a sacarose (glicose + frutose), a lactose (glicose + galactose) e a maltose (glicose + glicose). Por fim, existem os carboidratos grandes, formados pela união de milhares de moléculas de glicose conhecidos como polissacarídeos. O principal polissacarídeo encontrado nas células humanas é o glicogênio que apresenta função de reserva energética. Além dos polissacarídeos de reserva nutritiva, as células também sintetizam polissacarídeos que desempenham funções relacionadas ao reconhecimento célula-célula, assim como funções estruturais (glicosaminoglicanas). 2 As proteínas ou protídeos são as macromoléculas biológicas com a maior diversidade de funções no organismo, atuando como enzimas (pepsina), proteínas estruturais (queratina), de defesa (anticorpos), de transporte (hemoglobina), reguladoras (insulina), contráteis (miosina), entre outras. Depois da água, é o componente mais abundante nas células. Como vimos anteriormente, as proteínas são polímeros formados pela união de vários aminoácidos. Os aminoácidos são moléculas que apresentam um grupo amino (NH ) e um carboxila (COOH). Nas proteínas, os aminoácidos são unidos através de ligações peptídicas. A molécula formada pela união de dois aminoácidos é um dipeptídeo, de três aminoácidos é um tripeptídeo, quando a molécula apresenta mais de 20 aminoácidos é classificada como polipeptídeo. Todas as proteínas do corpo humano são formadas pela combinação de 20 aminoácidos diferentes. A sequência de aminoácidos de uma proteína determina sua estrutura primária. Quando aminoácidos afastados se ligam, a molécula é obrigada a ficar enrolada (α-hélice) ou a formar pregas (folha β pregueada), formando uma estrutura secundária. A cadeia contendo esta estrutura secundária, dobra-se sobre si mesma formando a estrutura terciária do peptídeo que tem forma tridimensional globosa ou alongada. Por fim, quando várias proteínas terciárias se ligam entre si é formada é estrutura final da proteína, conhecida como estrutura quaternária. 2 Estrutura das proteínas. Os ácidos nucleicos são macromoléculas formadas por subunidades denominadas nucleotídeos. São as principais moléculas envolvidas no controle celular e constituem os pilares da informação genética. Os ácidos nucleicos são formados por nucleotídeos, e cada nucleotídeo contém um grupamento fosfato, ligado a um açúcar com 5 carbonos (pentose) e uma base nitrogenada. Os nucleotídeos das moléculas de ácidos nucleicos se unem através de ligações fortes, denominadas ligações fosfodiéster.Os principais representantes deste grupo são o ácido desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA). O DNA é uma molécula de fita dupla em formato de hélice, formada pelos nucleotídeos adenina, timina, citosina e guanina. No DNA, as fitas são complementares e unidas através de ligações de hidrogênio (fracas). Esta complementariedade se deve ao fato da adenina de uma fita se ligar à timina na outra fita através de duas ligações de hidrogênio, enquanto que a citosina se liga à guanina através de três ligações de hidrogênio. A pentose (açúcar) encontrada nos nucleotídeos do DNA é a desoxirribose. Nas células eucariotas, o DNA encontra-se dentro do núcleo e é a molécula responsável pela transmissão das informações genéticas, sendo associada à hereditariedade. O RNA difere do DNA em três pontos: é uma fita-simples, tem como pentose a ribose e duas bases nitrogenadas são adenina, uracila, citosina e guanina. Existem três tipos principais de RNA nas células, o RNA mensageiro (mRNA), o RNA ribossômico (rRNA) e o RNA transportador (tRNA). O mRNA atua transferindo a informação contida no DNA para a síntese de proteínas, ou seja, carrega consigo uma sequência de bases nitrogenadas (código) que será determinante durante na exatidão da ordem de aminoácidos de uma proteína. Portanto, podemos dizer que o mRNA é um intermediário entre o DNA e a proteína. O rRNA é um dos componentes estruturais do ribossomo, estrutura responsável pela síntese de proteínas na célula. O tRNA atua no transporte de aminoácidos para o ribossomo, auxiliando na síntese proteica. Características das moléculas de RNA e DNA. Os lipídeos são compostos orgânicos muito heterogêneos, insolúveis em água, que formam a reserva nutritiva da célula (triglicerídeos), tem papel estrutural nas membranas celulares (fosfolipídeos e colesterol), função reguladora ou hormonal (hormônios esteroides), além de atuarem como isolantes térmicos e elétricos (mielina). Os lipídeos apresentam como unidade básica os ácidos graxos formados por uma cadeia linear de carbono com um grupo carboxila (-COO) terminal. Os ácidos graxos podem ser saturados (apenas ligações simples entre os átomos de carbono) ou insaturados (apresentam ligações duplas entre os átomos de carbono). Falaremos sobre os lipídeos de forma mais detalhada na próxima lição. Biomoléculas: funções gerais. 6. Noções de microscopia Quando você olha para a sua mão, você consegue ver as células que a compõem? Certamente que não! Isso acontece porque as células são estruturas microscópicas, ou seja, elas são tão pequenas que só é possível observá- las com o auxílio de um equipamento chamado microscópio. O microscópio é a principal ferramenta utilizada na Biologia Celular, pois nos permite visualizar a célula e observar as suas estruturas. Microscópio: visualização das células Para a observação de células existem dois tipos principais de microscópios: o óptico, que utiliza feixe de luz, e o eletrônico, que utiliza feixe de elétrons. O microscópio óptico tem menor poder de ampliação e resolução quando comparado ao microscópio eletrônico. Em nosso laboratório de aulas práticas, vamos utilizar o microscópio óptico. Com ele, podemos observar estruturas cujo tamanho variam de 1mm até aproximadamente 1µm. Já com o microscópio eletrônico, podemos observar estruturas de até 0,1nm. Sendo assim, utilizamos o microscópio óptico para observação de células podendo identificar a membrana plasmática, o núcleo, o citoplasma, assim como algumas organelas e, até mesmo, os cromossomos. Utilizando o microscópio eletrônico, podemos observar com riqueza de detalhes a estrutura de todos os componentes celulares, inclusive de pequenas moléculas e, até mesmo, átomos. Existem dois tipos de microscópios eletrônicos: o de varredura e o de transmissão. O microscópio eletrônico de varredura faz uma análise da superfície da amostra uma vez que utiliza os elétrons que foram espalhados sobre a amostra para gerar a imagem. O microscópio eletrônico de transmissão, por outro lado, utiliza os elétrons que atravessaram a amostra para formar a imagem. A tabela abaixo apresenta algumas diferenças entre os tipos de microscópios apresentados no texto: Óptico Eletrônico de Transmissão Eletrônico de varredura Feixe de luz atravessa a amostra Feixe de elétrons atravessa a amostra Feixe de elétrons espalhado sobre a amostra Aumento: 1.000x 1.000.000x 20.000x Resolução: 200nm 0,1nm 10nm Amostra: células vivas ou mortas (fixadas) Células mortas (fixadas) Células mortas (fixadas) Os microscópios óticos são constituídos por vários componentes tais como: as lentes oculares e objetivas, charriot, parafusos macrométrico e micrométrico, platina e fonte de luz. Cada um tem uma função, e todos são importantes para boa visualização das células e suas estruturas. Conheça alguns dos componentes do microscópio abaixo. Microscópio óptico com as suas peças e as respectivas funções 7. Conclusão Como vimos neste módulo, o ser humano é um organismo eucarioto, pois suas células possuem núcleo bem definido e organelas citoplasmáticas. Além disso, também vimos que no corpo humano existem mais de 200 tipos de células diferentes e cada um destes tipos celulares tem uma forma e função específica, o que justifica o fato de o homem ser um ser pluricelular. Vimos também que cada uma das células do corpo humano é formada por biomoléculas orgânicas (carboidratos, proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos) e inorgânicas (água e sais minerais). Estes são os componentes básicos e que desempenham funções diferentes dentro das células. A falta, excesso ou mal funcionamento destas biomoléculas pode apresentar efeito deletério sobre o organismo. Por fim, vimos que a visualização das células só é possível através da microscopia. Ao longo dos anos, os microscópios evoluíram e, hoje em dia, conseguimos visualizar organelas citoplasmáticas minúsculas graças aos microscópios disponíveis. 8. Referências ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. 2018. Disponível em: . Acesso em: 08 maio 2018. ROBERTIS, E.M.F.; HIB, J.R. Bases da biologia celular e molecular. 4. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2014 SANTOS, N. Q. A resistência bacteriana no contexto da infecção hospitalar. Texto Contexto Enferm., v.13, p. 64-70, 2004. WHITTAKER, R. H. New concepts of kingdoms of organisms. Science, Nova Iorque, v. 163, p. 150-160, 1969. YouTube. (2017, setembro, 05). Universo do Documentário 2.0. Vírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (Dublado) Documentário National Geographic. 01min08. Disponível em: Acesso em: 11 set.2023 Parabéns, esta aula foi concluída! Mínimo de caracteres: 0/150 O que achou do conteúdo estudado? Péssimo Ruim Normal Bom Excelente Deixe aqui seu comentário Enviar