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Tópico 01
Biologia Celular
Célula: estrutura básica dos
seres vivos
1. Introdução
A Biologia Celular é uma parte da biologia que estuda a
vida da célula. Nossa disciplina terá como foco principal a
Citologia, ou seja, o estudo da forma, estrutura,
composição, função e desenvolvimento das células e seus
componentes. A célula é a base de toda a vida, por isso
todos devemos conhecer bem esse assunto.
Reflita: Como você responderia as questões
abaixo?
Será que todos os organismos vivos são formados
por células? Os vírus, as bactérias, os cães, os
fungos, as plantas e o homem são todos formados
por células? Todos os organismos são formados
por uma única célula? Todas as células possuem as
mesmas estruturas. Elas são iguais?

Organismos vivos formados por células.
No Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa Michaelis
(2018, p.1), a célula é definida da seguinte forma:
“Unidade básica, microscópica, de qualquer organismo
vivo, exceto dos vírus, de forma variável, constituída de
núcleo, que contém material genético, citoplasma e
organelas, todos circundados por uma membrana.”
De maneira geral, as células são pequenas unidades
envolvidas por membrana e preenchidas por uma solução
aquosa contendo biomoléculas e com a capacidade de
criar cópias de si mesmas. De acordo com a definição, os
vírus não são considerados células e isso é certo. Mas, essa
definição relata que a célula é constituída de núcleo. Fica
uma dúvida então, será que toda célula tem núcleo?
Analise a figura abaixo e ache a resposta.
Células com presença e ausência da membrana nuclear ou
carioteca.
2. Células procariotas e
eucariotas
As células são as unidades estruturais e funcionais dos
seres vivos. Elas possuem uma variedade de formas,
VEJA ESTE VÍDEO!
Assista ao vídeo para ampliar seu conhecimento
sobre o vírus. O vídeo “Vírus Mutantes: Assassinos
Microscópicos” é um documentário da National
Geographic.

tine fihe
Vírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (DuVírus Mutantes: Assassinos Microscópicos (Du
tamanhos e funções. Quanto à organização, existem duas
classes de células: procariotas e eucariotas. A principal
diferença entre estas células é que na célula procariota o
material genético (responsável pela hereditariedade) não
está separado do citoplasma por uma membrana. Já na
célula eucariota, o material genético encontra-se
acondicionado dentro do núcleo e este é delimitado por
uma membrana denominada envoltório nuclear ou
carioteca.
As células procariotas são células simples que se
caracterizam pela ausência de núcleo individualizado, ou
seja, o material genético está disperso no citoplasma e não
isolado pela carioteca. Além disso, nos organismos
procariontes também não existem organelas
membranosas (mitocôndrias, retículo endoplasmático,
complexo de Golgi, entre outros), nem tampouco
citoesqueleto (estrutura celular responsável pela forma e
movimentação). Entretanto, as células procariotas
apresentam ribossomos, ou seja, estas células são capazes
de produzir proteínas.
Célula procariótica.
As células eucariotas são aquelas que possuem núcleo
individualizado, delimitado por membrana (carioteca) e
bem organizado. “Eu” e “karion” têm sua origem na língua
grega e significa verdadeiro e núcleo, respectivamente.
Desta forma, neste tipo celular o material genético
encontra-se isolado dentro do núcleo. As células
eucariotas são mais complexas que as procariotas, pois
além de carioteca, elas apresentam diversas estruturas,
membranosas ou não, denominadas organelas
citoplasmáticas, além dos ribossomos. As organelas
citoplasmáticas são as estruturas responsáveis por realizar
diferentes funções que são essenciais para o
funcionamento das células.
Célula eucariótica.
Entre as células eucariotas podemos encontrar células que
formam os tecidos dos animais e células que formam os
tecidos das plantas. Estas células (animais e vegetais)
possuem várias diferenças, além de semelhanças, em sua
estrutura básica. Entre as semelhanças podemos destacar
que tanto as células vegetais como animais apresentam
membrana plasmática, carioteca e organelas
citoplasmáticas (mitocôndrias, ribossomos, retículo
endoplasmático e complexo de Golgi). A presença destas
estruturas é que faz com que estes tipos celulares sejam
classificados como células eucariotas.
As diferenças entre células animais e vegetais são muitas.
Entretanto, a diferença primordial é que a célula vegetal
apresenta uma estrutura denominada parede celular que
não é encontrada nas células animais. A parede celular
pode ser observada revestindo externamente a membrana
plasmática das células vegetais. Ela é formada,
principalmente, pelo polissacarídeo celulose e entre as
suas funções podemos destacar sustentação, resistência e
proteção, além de ser a estrutura responsável por dar
forma à célula vegetal. A presença de parede celular faz
com que as células vegetais apresentem formato fixo,
geralmente retangular, enquanto que as células animais
apresentam formato irregular.
Outra diferença importante entre a célula vegetal e a
animal está relacionada a forma como estas células
produzem energia. As plantas são consideradas seres
produtores e por isso são classificadas como organismos
autótrofos uma vez que são capazes de produzir seu
próprio alimento. A célula vegetal realiza fotossíntese que
é um processo em que a célula utiliza a luz solar, dióxido
de carbono (CO ) e água para produzir glicose (alimento).
A fotossíntese acontece em uma organela, denominada
cloroplasto, exclusiva dos seres autótrofos e
fotossintetizantes. O cloroplasto também tem como
função o armazenamento de substâncias (clorofila).
Célula vegetal.
2
Por outro lado, os animais são considerados seres
consumidores e por isso são classificados como
organismos heterótrofos uma vez que não são capazes de
produzir o próprio alimento. Desta forma, seres
heterótrofos precisam se alimentar de outros seres para
conseguirem viver. As células animais não possuem
cloroplastos. Nestas células, todo o processo de produção
de energia acontece em uma organela considerada a
central energética da célula, chamada de mitocôndria. É
importante destacar que as mitocôndrias também são
encontradas nas células vegetais, mas discutiremos sua
estrutura e funções em um módulo específico.
Agora que já vimos que existem células procariotas e
eucariotas, autótrofas e heterótrofas, é possível entender
que os seres vivos são classificados em cinco reinos de
acordo com o biólogo norte-americano Robert Whittaker
(1969). São eles: Monera, Protista, Fungi, Plantae e
Animalia ou Metazoa. Como existem milhões de espécies
diferentes de seres vivos no planeta, esta classificação é
bastante útil.
Dentro dos reinos da natureza, vamos conhecer um pouco
mais sobre o Monera, reino em que encontramos as
bactérias, e o Animalia ou Metazoa, pois é neste reino em
que está inserido o ser humano, foco desta disciplina. 
No reino Monera, todos os indivíduos são muito simples e
formados por uma única célula procariota. Os principais
organismos que encontramos neste reino são as bactérias.
Apesar de serem organismos simples, são causadores de
diferentes doenças humanas, como tuberculose,
pneumonia, sífilis, gonorreia, entre outras. Entretanto, os
organismos do reino Monera não se destacam apenas por
trazerem prejuízo à saúde humana uma vez que neste
reino existem organismos com grande relevância biológica
envolvidos na decomposição de matéria orgânica
(biorremediação), na fabricação de alimentos (queijos) e
de medicamentos (insulina).
Exemplos de bactérias e suas diversas formas
SAIBA MAIS
Os jalecos dos profissionais da saúde, quando
utilizados inadequadamente e fora do ambiente
laboratorial, são veículos de transmissão de
microrganismos . Saiba mais lendo a
pesquisa clicando aqui.

O reino Animalia ou Metazoa, como o próprio nome já diz,
é constituído pelos animais. Neste reino, encontramos
organismos com forma, estrutura,habitat e características
muito distintas. Entretanto, todos os componentes deste
grupo são eucariotos, formados por várias células
(pluricelulares) e heterótrofos. Os representantes desse
reino vão desde seres microscópicos, como por exemplo,
os ácaros, até seres gigantes como o elefante. Eles podem
ser invertebrados ou vertebrados, ou seja, possuírem ou
não coluna vertebral. O escorpião, a minhoca, a estrela do
mar e a água-viva são alguns exemplos de animais
invertebrados, já a cobra, o sapo, o pavão, o tubarão, o
cachorro, o macaco e o ser humano são exemplos de
animais vertebrados. Pelos exemplos podemos perceber
que os animais apresentam os mais variados modos de
vida.
Organismos do reino Animalia.
PARA PENSAR:
Você já havia parado para pensar que o ser
humano e a água-viva fazem parte do mesmo reino
filogenético? Considerando os vários tipos de
animais, pense quais animais seriam
filogeneticamente mais próximos do ser humano?
Pensou? Você chegou à alguma conclusão?

3. Organização dos seres
vivos
Agora que você já viu que existem cinco reinos diferentes
no planeta, e que estes reinos são formados por organismo
diferentes, e que estes organismos são formados por
células, vamos pensar em como os seres vivos estão
organizados? Como acabamos de falar, as células são a
unidade básica na constituição dos seres vivos (neurônio),
um conjunto de células idênticas que realizam a mesma
função formam um tecido (tecido nervoso), diferentes
tipos de tecidos se agrupam para formar um órgão
(cérebro), vários órgãos que realizam uma função em
conjunto formam um sistema (sistema nervoso) e o
conjunto de todos os sistemas de um organismo forma um
ser vivo (homem).
Organização dos seres vivos.
Na figura acima, vimos o exemplo da organização do
sistema nervoso humano. Vimos que os neurônios se
associam a outros tipos de células nervosas (células da
glia) para formar o tecido nervoso. O tecido nervoso se
associa, por exemplo, com o tecido conjuntivo para formar
o cérebro que, por sua vez, juntamente com a medula
espinhal, os nervos e gânglios formam o sistema nervoso.
Como já sabemos, o corpo humano é formado não apenas
pelo sistema nervoso, mas também o cardiovascular, o
ósseo, o digestório, entre outros. Portanto, chegamos à
conclusão de que o organismo humano é formado pelo
conjunto de diferentes sistemas.
4. Diferenciação celular
Em algum momento da sua vida você já parou para pensar
na forma que as células do corpo humano possuem? Por
exemplo, um neurônio e uma hemácia. Você é capaz de
descrever estas células morfologicamente?
PARA PENSAR:
Você consegue descrever a organização de um
outro sistema do corpo humano usando como base
o exemplo do sistema nervoso que acabamos de
ver?

Forma do neurônio e da hemácia.
Como você deve saber, o ser humano surge a partir de
uma única célula-ovo ou zigoto que se forma após a
fecundação do óvulo (gameta feminino) pelo
espermatozoide (gameta masculino). Nos parágrafos
anteriores pudemos perceber que o ser humano é formado
por sistemas, órgãos, tecidos e, consequentemente, células
diferentes. O corpo humano possui mais de 200 tipos
celulares diferentes, sendo que cada célula apresenta uma
função específica. Você deve estar se perguntando: como
uma única célula (o zigoto) é capaz de originar tantos
tipos celulares diferentes? Além disso, se as nossas células
possuem exatamente o mesmo material genético, ou seja,
são geneticamente idênticas, como é possível que existam
tantas células diferentes em nosso corpo? O processo
responsável pela diversidade de células encontradas no
corpo humano é denominado diferenciação celular. Todas
as células passam por este processo de diferenciação com
o objetivo de se especializarem morfologicamente e
funcionalmente.
O material genético contém toda a informação necessária
para o funcionamento das células. Como vimos
anteriormente, nas nossas células o material genético ou
DNA (ácido desoxirribonucleico) encontra-se
acondicionado dentro do núcleo. No DNA existem
sequências chamadas de genes que carregam a
informação que determina a sequência de aminoácidos
das proteínas. Com as informações fornecidas até agora
você consegue formular uma justificativa do porquê de,
apesar de todas as células do nosso corpo possuírem
exatamente o mesmo DNA, existirem mais de 200 tipos
celulares diferentes no nosso organismo? 
Se você pensou que a diferença deve estar nos genes,
acertou! Durante o processo de diferenciação celular,
grupos de genes específicos são ativados ou inativados,
definindo a forma e a função de cada uma das células
encontradas no nosso corpo. Atualmente, ainda não é
possível determinar qual é o sinal exato que uma célula
indiferenciada recebe e que determina que tipo celular ela
vai se tornar. O que se sabe é que a diferenciação celular é
um processo irreversível, ou seja, uma vez um neurônio
formado, ele nunca vai deixar de ser um neurônio.
Diferenciação celular.
Agora que você já sabe que as células são as unidades
básicas que formam os seres vivos, vamos aprender um
pouco sobre as moléculas que constituem as células?
5. Biomoléculas
Todas as células são formadas por moléculas e as
moléculas que fazem parte da constituição dos seres vivos
são denominadas biomoléculas. Nos seres vivos, as
biomoléculas podem ser de dois tipos: inorgânicas ou
orgânicas. O grupo de biomoléculas inorgânicas é
formado basicamente pela água e pelos sais minerais,
enquanto que o grupo de biomoléculas orgânicas é
formado pelas proteínas, carboidratos, ácidos nucleicos,
lipídeos e vitaminas. A principal diferença entre estas
biomoléculas é que as orgânicas possuem o carbono como
elemento químico principal, enquanto que as inorgânicas
não possuem carbono em sua estrutura.
Vamos falar um pouco sobre cada uma das biomoléculas
que constituem as nossas células?
A água é o composto mais importante e abundante nas
nossas células, constituindo cerca de 80% da massa
celular, fazendo com que a maior parte do meio interno da
célula (intracelular) seja formada por uma solução
aquosa. Entretanto, é importante considerar que a
quantidade de água em uma célula pode variar de acordo
com a atividade ou idade da célula.
Como sabemos, a água (H O) é um composto químico
formado pela união de dois átomos de hidrogênio (H) e
um átomo de oxigênio (O). A molécula de água é
considerada um dipolo, ou seja, apresenta polaridade, já
que possui uma região eletronegativa (oxigênio) e outra
eletropositiva (hidrogênio), que estão unidas por ligações
fortes, denominadas ligações covalentes pois ocorre o
compartilhamento de elétrons entre os átomos. Cada
molécula de água forma ligações de hidrogênio com um
átomo de oxigênio de outra molécula próxima.
Molécula de água e suas ligações.
Como consequência do caráter dipolo a molécula de água
é assimétrica, ou seja, uma região da molécula é carregada
2
positivamente e a outra negativamente. Sendo assim, a
região positiva é atraída por cargas negativas e a região
negativa é atraída por cargas positivas. Por ser um dipolo,
a água é um dos melhores solventes conhecidos. Quando
se dissolvem sais em água eles se dissociam em íons
positivos, denominados cátions, e íons negativos,
denominados ânions. Por exemplo, quando colocamos
uma colher de sal de cozinha em um copo de água, o sal
dissolve formando uma solução homogênea. O sal, ou
cloreto de sódio (NaCl), quando colocado em contato com
a água se dissocia formando dois íons: um com carga
positiva, o sódio (Na ) e outro com carga negativa, o cloro
(Cl ). Portanto, os íons Na são cátions, enquanto que os
Cl são ânions. O fato da água ser um excelente solvente é
extremamente importante porque todas as reações
químicas que ocorrem dentro da célula se desenvolvem
em meio aquoso.
Cátion Na e ânion Cl .
Como vimos anteriormente, a água é a molécula
encontrada em maior quantidade nas nossas células. Por
este motivo, o grau de afinidade queas biomoléculas têm
+
– +
–
+
pela água exerce papel relevante nas propriedades
biológicas destas moléculas. Assim, existem biomoléculas
que apresentam em sua estrutura grupamentos químicos
que têm afinidade pela água (grupamentos polares) sendo
classificadas como hidrofílicas, e biomoléculas que
apresentam em sua estrutura grupamentos químicos que
não têm afinidade pela água (grupamentos apolares) e
que, portanto, repelem a água, e são classificadas como
hidrofóbicas. Além disso, existem biomoléculas que
apresentam em sua estrutura grupamentos polares e
apolares classificados como anfipáticas ou
anfifílicas. Estas moléculas exercem importante função
biológica pois possuem uma região hidrofílica e outra
hidrofóbica. Desta forma, podemos resumir assim:
Moléculas hidrofílicas: aquelas capazes de formar ligação de
hidrogênio com a água e que apresentam grande quantidade
de grupamentos polares.
Moléculas hidrofóbicas: aquelas que não são capazes de
formar pontes de hidrogênio com a água e que apresentam
poucos ou nenhum grupamento polar, em vez disso, estas
moléculas apresentam grupamentos classificados como
apolares.
Moléculas anfipáticas ou anfifílicas: são aquelas que
apresentam tanto grupamentos polares como apolares em sua
estrutura. 
A água também pode ser considerada um importante
meio de transporte de substâncias entre os meios
intracelular e extracelular. Além disso, é extremamente
importante para a manutenção da temperatura corporal.
A quantidade de água em uma célula é diretamente
influenciada pelo tipo celular, a atividade metabólica
realizada pela célula, assim como pela idade da célula.
Uma célula óssea (osteócito) apresenta em sua
composição muito menos água do que uma célula
muscular (miócito), assim como normalmente uma célula
de um indivíduo jovem apresenta maior teor de água
quando comparada com uma célula de um idoso, por
exemplo.
Os sais minerais também representam as biomoléculas
inorgânicas e constituem aproximadamente 1% do total da
composição celular. Eles podem ser encontrados de três
maneiras diferentes nas células: na forma iônica,
dissolvidos em água (Na , K , Ca2 , Cl ), na forma
insolúvel, imobilizados fazendo parte da composição de
estruturas de sustentação (ossos), ou na forma de
componentes da matéria orgânica (enxofre, ferro,
magnésio fazem parte de moléculas de proteínas). Na
tabela abaixo estão relacionados alguns dos sais minerais
encontrados nas células humanas e suas funções.
Tabela: Sais minerais e suas funções
SAIS
MINERAIS
FUNÇÕES
Cálcio (Ca)
Participa da composição de ossos e dentes; atua no
funcionamento das células musculares e nervosas;
atua na coagulação do sangue
Fósforo (P)
Participa da composição de ossos e dentes; atua na
transferência de energia; componente dos ácidos
nucleicos.
Sódio (Na)
Ajuda no equilíbrio dos líquidos corporais; atua na
transmissão do impulso nervoso e na manutenção do
potencial de repouso das membranas
+ + + –
SAIS
MINERAIS
FUNÇÕES
Cloro (Cl)
Componente do ácido clorídrico encontrado no suco
gástrico
Potássio (K)
Atua junto com o sódio no equilíbrio dos líquidos
corporais; na transmissão do impulso nervoso e na
manutenção do potencial de repouso das membranas
Magnésio
(Mg)
Atua como cofator em várias reações químicas junto
com enzimas e vitaminas; participa da composição
dos ossos e do funcionamento de nervos e músculos
Ferro (Fe)
Componente da hemoglobina que auxilia no transporte
de oxigênio no sangue; atua na respiração celular
Iodo (I)
Componente dos hormônios tireoidianos (T3 e T4),
responsáveis pela manutenção do metabolismo
corporal
Flúor (F) Fortalece ossos e dentes
As biomoléculas orgânicas ou macromoléculas biológicas
são todas formadas por pequenas moléculas,
denominadas monômeros, que servem como unidades
fundamentais para síntese de moléculas maiores,
denominadas polímeros. Por exemplo, os aminoácidos
(monômeros) são as unidades básicas que formam as
proteínas (polímero). As células têm quatro tipos
principais de monômeros orgânicos: monossacarídeos,
aminoácidos, nucleotídeos e ácidos graxos. Estas, são
utilizadas na construção das macromoléculas celulares
carboidratos, proteínas, ácidos nucleicos e lipídeos,
respectivamente.
O elemento químico básico de todas as biomoléculas
orgânicas é o carbono (C). Isto acontece porque o átomo
de carbono é capaz de formar 4 ligações com alta
estabilidade, permitindo a formação de polímeros estáveis
e versáteis.
Os carboidratos, também conhecidos como glicídeos ou
hidratos de carbono, são formados basicamente por
átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio, sendo que
existem dois átomos de hidrogênio para cada átomo de
carbono e de oxigênio. Assim, a fórmula básica de um
carboidrato é CH O (1:2:1). Como vimos, a unidade
formadora dos carboidratos são os monossacarídeos ou
oses. Carboidratos simples com 6 carbonos são
denominados hexoses e sua principal função é energética.
No grupo das hexoses, encontramos a glicose, fonte
primária de energia para todas as células do nosso corpo,
a frutose, considerada o mais doce dos açúcares e
encontrada nas frutas, e a galactose, que diferente dos
outros dois tipos não existe na forma livre na natureza,
mas é obtida a partir da digestão de derivados do leite. A
combinação de dois monossacarídeos (hexoses) pela
formação de uma ligação glicosídica entre eles, forma uma
classe de carboidratos chamada de dissacarídeos, sendo os
principais a sacarose (glicose + frutose), a lactose (glicose
+ galactose) e a maltose (glicose + glicose). Por fim,
existem os carboidratos grandes, formados pela união de
milhares de moléculas de glicose conhecidos como
polissacarídeos. O principal polissacarídeo encontrado
nas células humanas é o glicogênio que apresenta função
de reserva energética. Além dos polissacarídeos de reserva
nutritiva, as células também sintetizam polissacarídeos
que desempenham funções relacionadas ao
reconhecimento célula-célula, assim como funções
estruturais (glicosaminoglicanas).
2
As proteínas ou protídeos são as macromoléculas
biológicas com a maior diversidade de funções no
organismo, atuando como enzimas (pepsina), proteínas
estruturais (queratina), de defesa (anticorpos), de
transporte (hemoglobina), reguladoras (insulina),
contráteis (miosina), entre outras. Depois da água, é o
componente mais abundante nas células. Como vimos
anteriormente, as proteínas são polímeros formados pela
união de vários aminoácidos. Os aminoácidos são
moléculas que apresentam um grupo amino (NH ) e um
carboxila (COOH). Nas proteínas, os aminoácidos são
unidos através de ligações peptídicas. A molécula formada
pela união de dois aminoácidos é um dipeptídeo, de três
aminoácidos é um tripeptídeo, quando a molécula
apresenta mais de 20 aminoácidos é classificada como
polipeptídeo. Todas as proteínas do corpo humano são
formadas pela combinação de 20 aminoácidos diferentes.
A sequência de aminoácidos de uma proteína determina
sua estrutura primária. Quando aminoácidos afastados se
ligam, a molécula é obrigada a ficar enrolada (α-hélice) ou
a formar pregas (folha β pregueada), formando uma
estrutura secundária. A cadeia contendo esta estrutura
secundária, dobra-se sobre si mesma formando a
estrutura terciária do peptídeo que tem forma
tridimensional globosa ou alongada. Por fim, quando
várias proteínas terciárias se ligam entre si é formada é
estrutura final da proteína, conhecida como estrutura
quaternária.
2
Estrutura das proteínas.
Os ácidos nucleicos são macromoléculas formadas por
subunidades denominadas nucleotídeos. São as principais
moléculas envolvidas no controle celular e constituem os
pilares da informação genética. Os ácidos nucleicos são
formados por nucleotídeos, e cada nucleotídeo contém um
grupamento fosfato, ligado a um açúcar com 5 carbonos
(pentose) e uma base nitrogenada. Os nucleotídeos das
moléculas de ácidos nucleicos se unem através de ligações
fortes, denominadas ligações fosfodiéster.Os principais
representantes deste grupo são o ácido
desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA).
O DNA é uma molécula de fita dupla em formato de
hélice, formada pelos nucleotídeos adenina, timina,
citosina e guanina. No DNA, as fitas são complementares
e unidas através de ligações de hidrogênio (fracas). Esta
complementariedade se deve ao fato da adenina de uma
fita se ligar à timina na outra fita através de duas ligações
de hidrogênio, enquanto que a citosina se liga à guanina
através de três ligações de hidrogênio. A pentose (açúcar)
encontrada nos nucleotídeos do DNA é a desoxirribose.
Nas células eucariotas, o DNA encontra-se dentro do
núcleo e é a molécula responsável pela transmissão das
informações genéticas, sendo associada à hereditariedade.
O RNA difere do DNA em três pontos: é uma fita-simples,
tem como pentose a ribose e duas bases nitrogenadas são
adenina, uracila, citosina e guanina. Existem três tipos
principais de RNA nas células, o RNA mensageiro
(mRNA), o RNA ribossômico (rRNA) e o RNA
transportador (tRNA). O mRNA atua transferindo a
informação contida no DNA para a síntese de proteínas,
ou seja, carrega consigo uma sequência de bases
nitrogenadas (código) que será determinante durante na
exatidão da ordem de aminoácidos de uma proteína.
Portanto, podemos dizer que o mRNA é um intermediário
entre o DNA e a proteína. O rRNA é um dos componentes
estruturais do ribossomo, estrutura responsável pela
síntese de proteínas na célula. O tRNA atua no transporte
de aminoácidos para o ribossomo, auxiliando na síntese
proteica.
Características das moléculas de RNA e DNA.
Os lipídeos são compostos orgânicos muito heterogêneos,
insolúveis em água, que formam a reserva nutritiva da
célula (triglicerídeos), tem papel estrutural nas
membranas celulares (fosfolipídeos e colesterol), função
reguladora ou hormonal (hormônios esteroides), além de
atuarem como isolantes térmicos e elétricos (mielina). Os
lipídeos apresentam como unidade básica os ácidos graxos
formados por uma cadeia linear de carbono com um
grupo carboxila (-COO) terminal. Os ácidos graxos podem
ser saturados (apenas ligações simples entre os átomos de
carbono) ou insaturados (apresentam ligações duplas
entre os átomos de carbono). Falaremos sobre os lipídeos
de forma mais detalhada na próxima lição.
Biomoléculas: funções gerais.
6. Noções de microscopia
Quando você olha para a sua mão, você consegue ver as
células que a compõem? Certamente que não! Isso
acontece porque as células são estruturas microscópicas,
ou seja, elas são tão pequenas que só é possível observá-
las com o auxílio de um equipamento chamado
microscópio. O microscópio é a principal ferramenta
utilizada na Biologia Celular, pois nos permite visualizar a
célula e observar as suas estruturas.
Microscópio: visualização das células
Para a observação de células existem dois tipos principais
de microscópios: o óptico, que utiliza feixe de luz, e o
eletrônico, que utiliza feixe de elétrons. O microscópio
óptico tem menor poder de ampliação e resolução quando
comparado ao microscópio eletrônico. Em nosso
laboratório de aulas práticas, vamos utilizar o microscópio
óptico. Com ele, podemos observar estruturas cujo
tamanho variam de 1mm até aproximadamente 1µm. Já
com o microscópio eletrônico, podemos observar
estruturas de até 0,1nm. Sendo assim, utilizamos o
microscópio óptico para observação de células podendo
identificar a membrana plasmática, o núcleo, o
citoplasma, assim como algumas organelas e, até mesmo,
os cromossomos. Utilizando o microscópio eletrônico,
podemos observar com riqueza de detalhes a estrutura de
todos os componentes celulares, inclusive de pequenas
moléculas e, até mesmo, átomos.
Existem dois tipos de microscópios eletrônicos: o de
varredura e o de transmissão. O microscópio eletrônico de
varredura faz uma análise da superfície da amostra uma
vez que utiliza os elétrons que foram espalhados sobre a
amostra para gerar a imagem. O microscópio eletrônico
de transmissão, por outro lado, utiliza os elétrons que
atravessaram a amostra para formar a imagem.
A tabela abaixo apresenta algumas diferenças entre os
tipos de microscópios apresentados no texto:
Óptico
Eletrônico de
Transmissão
Eletrônico de
varredura
Feixe de luz
atravessa a amostra
Feixe de elétrons
atravessa a amostra
Feixe de elétrons
espalhado sobre a
amostra
Aumento: 1.000x 1.000.000x 20.000x
Resolução: 200nm 0,1nm 10nm
Amostra: células
vivas ou mortas
(fixadas)
Células mortas
(fixadas)
Células mortas
(fixadas)
Os microscópios óticos são constituídos por vários
componentes tais como: as lentes oculares e
objetivas, charriot, parafusos macrométrico e
micrométrico, platina e fonte de luz. Cada um tem uma
função, e todos são importantes para boa visualização das
células e suas estruturas. Conheça alguns dos
componentes do microscópio abaixo.
Microscópio óptico com as suas peças e as respectivas funções
7. Conclusão
Como vimos neste módulo, o ser humano é um organismo
eucarioto, pois suas células possuem núcleo bem definido
e organelas citoplasmáticas. Além disso, também vimos
que no corpo humano existem mais de 200 tipos de
células diferentes e cada um destes tipos celulares tem
uma forma e função específica, o que justifica o fato de o
homem ser um ser pluricelular. Vimos também que cada
uma das células do corpo humano é formada por
biomoléculas orgânicas (carboidratos, proteínas, lipídeos
e ácidos nucleicos) e inorgânicas (água e sais minerais).
Estes são os componentes básicos e que desempenham
funções diferentes dentro das células. A falta, excesso ou
mal funcionamento destas biomoléculas pode apresentar
efeito deletério sobre o organismo. Por fim, vimos que a
visualização das células só é possível através da
microscopia. Ao longo dos anos, os microscópios
evoluíram e, hoje em dia, conseguimos visualizar
organelas citoplasmáticas minúsculas graças aos
microscópios disponíveis.
8. Referências
ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 5.
ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular
e molecular. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2012.
MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua
Portuguesa. 2018. Disponível em:
.
Acesso em: 08 maio 2018.
ROBERTIS, E.M.F.; HIB, J.R. Bases da biologia
celular e molecular. 4. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro,
RJ: Guanabara Koogan, 2014
SANTOS, N. Q. A resistência bacteriana no contexto da
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64-70, 2004.
WHITTAKER, R. H. New concepts of kingdoms of
organisms. Science, Nova Iorque, v. 163, p. 150-160,
1969.
YouTube. (2017, setembro, 05). Universo do
Documentário 2.0. Vírus Mutantes: Assassinos
Microscópicos (Dublado) Documentário National
Geographic. 01min08. Disponível em:
Acesso em: 11 set.2023
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