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aula 3 1 cestoda_ familia hymenolepididae e taenidae

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CESTODA PARTE II
FAMÍLIA HYMENOLEPIDIDAE
Gênero: Hymenolepis sp
Hymenolepis nana
É chamada de tênia anã
· Ciclo Direto (o mais comum): O hospedeiro ingere os ovos do parasita (em alimentos, água ou por autoinfecção), que eclodem no intestino e liberam as oncosferas que vão penetrar nas vilosidades intestinais → se transforma em cisticercoide (fase larval). Em seguida, os cisticercoide rompem a vilosidade intestinal e voltam para o lúmen intestinal para se tornarem vermes adultos. Nesse caso, esse hospedeiro é ao mesmo tempo hospedeiro definitivo e intermediário. (ciclo mais comum)
· Ciclo Indireto (ocasional): Esse ciclo envolve um hospedeiro intermediário, geralmente insetos como pulgas ou besouros de cereais. Uma larva de inseto ingere o ovo do parasita e desenvolve o cisticercoide. O HD se infecta ao ingerir acidentalmente (na comida por exemplo) esse inseto contaminado. Nesse cenário, o inseto funciona como hospedeiro intermediário.
A capacidade de alternar entre esses dois ciclos é um dos fatores que torna a Hymenolepis nana um parasita de fácil disseminação.
Localização:
· Adultos: no intestino delgado do hospedeiro (tanto no ciclo indireto como no direto fica na luz do intestino do hospedeiro vertebrado)
· Larvas cisticercóides: nas vilosidades intestinais do HD (ciclo direto) ou na cavidade celomática do HI (ciclo indireto
e curto
forma larval (cisticercoide)
A bolha arredondada é a vesícula larval; dentro dela já se forma o escólex invaginado (a “cabeça” da futura tênia).
Quando a larva sai da vilosidade ou é ingerida a partir do inseto, o escólex se evagina (se vira para fora) e fixa-se no intestino para formar o adulto.
À esquerda: imagem ampliada mostrando o escólex (cabeça da tênia).
· Tem quatro ventosas e um rostro com ganchos (rostelo armado), usado para fixação.
→ setas indicando cisticercoides (fase larval da H. nana) que estão dentro das vilosidades intestinais do hospedeiro (ciclo direto). Isso mostra a fase em que a oncosfera penetrou na mucosa e está em desenvolvimento antes de virar adulto.
Essa invasão pode causar atrofia das vilosidades, inflamação e até hemorragia leve, o que explica sintomas intestinais como dor abdominal, diarreia e má absorção em infecções intensas.
Hymenolepis diminuta
Parecida com a H. nana mas não tem ciclo direto (sempre precisa de hospedeiro intermediário → insetos como besouros e pulgas) – HI besouro é mais comum
· H. nana: ciclo direto e também indireto.
· H. diminuta: ciclo apenas indireto (heteroxênico).
FAMÍLIA TAENIA
Gênero: taenia spp.
Taenia ovis, T. hydatigena, T. multiceps
· Cestóides adultos (tênias) parasitam canídeos (cão doméstico, raposas, lobos) → HD
· Escólex com rostelo armado e não retrátil com 4 ventosas
· Estróbilo com proglótides de forma retangular com poros genitais unilaterais alternados (o poro genital aparece num lado da proglótide e no segmento seguinte aparece do lado oposto (alternância lateral))
· Forma larval em carneiros (mais comum, mas pode aparecer em outros animais) → HI
Taenia hydatigena
Ciclo
1. O HD (canídeos) se alimenta das vísceras (principalmente fígado e peritônio) de um animal intermediário contaminado, que contém cistos.
2. No sistema digestivo do cão, o cisto é digerido e a larva (estrobilocerco) que está dentro dele se liberta. O escólex se prende à parede do intestino delgado do cão.
3. Uma vez fixado, o escólex começa a se desenvolver e a produzir novos segmentos (proglótides), formando o corpo da tênia. A tênia adulta vive no intestino, absorvendo nutrientes do cão → formação de ovos que serão depositados no ambiente junto às fezes, contaminando o ambiente (pastagens, água, etc.).
4. O ovo da Taenia hydatigena é ingerido por um hospedeiro intermediário (como a ovelha).
5. No intestino do animal, o ovo eclode e libera a larva chamada oncosfera. Essa oncosfera é também conhecida como embrião hexacanto, por ter seis ganchos que a ajudam a penetrar na parede intestinal.
6. Depois de penetrar na parede intestinal, a oncosfera entra na circulação sanguínea.
7. Ela é transportada pelo sangue até o fígado (seu destino principal) ou, em alguns casos, outros órgãos.
8. No fígado, a oncosfera migra pelo tecido hepático e, depois de aproximadamente 4 semanas, se desenvolve em uma forma maior, o estrobilocerco (Cysticercus tenuicollis).
É essa forma, o estrobilocerco, que forma os cistos cheios de líquido. Esses cistos se fixam no fígado e no peritônio, esperando para serem ingeridos pelo hospedeiro definitivo (o cão) e dar continuidade ao ciclo
Patogenia
Migração das oncosferas pode causar 'hepatite cisticercosa', que pode ser fatal
· A oncosfera é a larva que eclode do ovo e migra pelo corpo do hospedeiro intermediário (a ovelha, por exemplo).
· Migração → inflamação → hepatite 
· Se a infecção for muito intensa, com um grande número de oncosferas migrando ao mesmo tempo, as lesões no fígado podem ser graves e, em casos raros, levar o animal à morte.
A resposta imune do hospedeiro tenta encapsular e destruir os estrobilocercos sendo capaz de o destruir, como resultado desse processo forma-se nódulos esverdeados de aproximadamente 1 cm de diâmetro na superfície do órgão
· A cor esverdeada desses nódulos se deve à reação inflamatória no tecido, que envolve a morte de células e a presença de células de defesa do sistema imune.
Taenia ovis
→ no HI
· larva = cysticercus ovis (localiza em músculos esqueléticos e coração de ovinos).
Mesmo ciclo da Hydatigena, só muda o local onde a larva irá se desenvolver e o tipo larval.
Taenia multiceps
· larva = Coenurus cerebralis — localiza no cérebro e medula espinal (SNC) de ovinos, provocando coenurose com sinais neurológicos.
· Mesmo ciclo → muda a localização da larva e tipo larval
Importância prática geral
· Impacto econômico: condenação de carcaças, retirada de peças, perda de valor comercial.
· Controle: impedir que cães comam vísceras/cruas, tratamento periódico de cães (praziquantel), manejo sanitário ( descarte correto de vísceras → a incineração - mais eficiente - ou enterrar) e inspeção de matadouros e educação do produtor.
· C. tenuicollis (T. hydatigena) é frequentemente mais detectado porque:
· O cisticerco é relativamente grande, geralmente visível nas vísceras (peritônio/fígado) durante a inspeção.
· C. ovis (T. ovis) causa muitos prejuízos porque localiza-se em músculos e pode levar à condenação de cortes nobres; porém às vezes é menos detectado em inspeção se os cisticercos forem pequenos ou não generalizados.
· Coenurus (T. multiceps) é menos comum, mas clínico-epidemiologicamente importante devido aos sinais neurológicos em ovinos.
Taenia Saginata
inermes→ sem ganchos
São grandes: 5m a 6m
Mesmo ciclo da taenia anterior: muda hospedeiros e localização da larva e tipo larval
Proglotes longas
Taenia solium
→ quando afeta o cérebro (infeccção mais perigosa), esta é a causa da neurocisticercose, uma infecção neurológica grave
→ Proglote mais quadrada
Ciclo
O ciclo é o mesmo que os anteriores, tanto para o HD e HI, porém vai mudar a localização da larva, tipo larval e a dupla infecção humana.
Duas formas de infecção para humanos:
Diferente das outras tênias, a Taenia solium pode causar duas doenças diferentes em humanos, dependendo de como a pessoa se infecta.
1. Teníase Humana (Causada pela larva no porco)
Essa é a forma mais comum. Ocorre quando uma pessoa come carne de porco crua ou malcozida que contém os cistos da larva (Cysticercus cellulosae).
· A pessoa ingere a carne contaminada.
· No intestino, a larva se liberta, se fixa na parede intestinal e se desenvolve na tênia adulta.
· A tênia vive no intestino do hospedeiro, se alimenta e produz ovos, que são liberados nas fezes.
Nesse caso, a pessoa tem a teníase, que é a infecção pelo parasita adulto no intestino.
2. Cisticercose Humana (Causada pelo ovo)
Essa é a forma mais perigosa, pois acontece quando uma pessoa age como o hospedeiro intermediário do parasita. Isso ocorre quando a pessoa se comporta como o HI (porco) ingere os ovos da tênia. Esse cicloocorre do mesmo modo com o porco ingerindo os ovos de humanos que defecam no ambiente.
· Uma pessoa ingere os ovos da Taenia solium por meio de água ou alimentos contaminados com fezes humanas (por ex quando uma verdura é manuseada por mãos contaminadas com ovos). A autoinfecção (contaminação da própria pessoa) também pode ocorrer:
· Retroperistaltismo (autoinfecção): Uma pessoa que já tem a tênia adulta no intestino pode, em um raro processo, ter o retrocesso dos movimentos intestinais (retroperistaltismo). Isso faz com que os ovos ou segmentos da tênia (proglotes) retornem ao estômago. No ambiente ácido do estômago, os ovos eclodem e a pessoa desenvolve a cisticercose em seu próprio corpo.
 A acidez do estômago ajuda a preparar o ovo para que ele possa se romper, mas a eclosão em si acontece no intestino
· ou por falta de higiene a pessoa pode ingerir os próprios ovos.
· No intestino, o ovo se rompe e libera a larva (oncosfera).
· A oncosfera entra na corrente sanguínea e se espalha pelo corpo, podendo se alojar em vários tecidos.
· As larvas se transformam em cistos nos músculos, olhos e, o mais grave, no Sistema Nervoso Central (SNC).
Essa condição, onde o parasita forma cistos nos tecidos humanos, é chamada de cisticercose. Quando os cistos se formam no cérebro, a doença é a neurocisticercose, que pode causar convulsões, dores de cabeça, confusão mental e outros problemas neurológicos graves.
Resumo do Ciclo Completo
1. Hospedeiro definitivo (Humano): A pessoa está com a tênia adulta no intestino e libera ovos nas fezes.
2. Hospedeiro intermediário (Suíno): O porco ingere os ovos da tênia por meio de pasto ou água contaminada. As larvas se desenvolvem em cistos nos músculos do porco.
3. Transmissão para o humano (teníase): A pessoa come a carne de porco contaminada com os cistos e desenvolve a tênia adulta no intestino.
4. Transmissão para o humano (cisticercose): A pessoa ingere os ovos (de outro humano com tênia) e desenvolve os cistos nos próprios tecidos (músculos, cérebro etc.).
→ HD: Três meses após a infecção, a tênia já está produzindo e eliminando proglotes nas fezes.
→ Os ovos podem permanecer viáveis no ambiente por até 12 meses
→ HI: O cisticerco demora 3 meses para se formar a partir da infecção do suíno.
→ Infecção crônica (após 8 meses): o cisticerco pode sofrer calcificação
Em uma infecção de longa duração (crônica), o sistema imunológico do hospedeiro, ou mesmo o próprio parasita, pode levar o cisto a morrer e se calcificar. O cisto calcificado é uma forma inativa e não viável do parasita.
→ A forma adulta pode viver no homem por cerca de 30 anos, mesmo sem apresentar sintomas.
cisticercos no tec.subcutâneo
Gênero: Echinococcus spp
→ Causa a doença chamada hidatidose
1. Hospedeiro Definitivo (HD) → Cão doméstico: A tênia adulta do Echinococcus é muito pequena, geralmente com apenas alguns milímetros de comprimento.
2. Hospedeiro Intermediário (HI) → Ovino
3. O Homem pode adquirir a infecção → Hidatidose (zoonose): Este é o ponto mais crítico. O homem também pode se tornar um hospedeiro intermediário acidental. Isso acontece quando ele ingere os ovos do parasita, seja pela pelagem de cães que carregam os ovos, ou por alimentos e água contaminados com fezes de cães.
· Crescimento Lento: Os cistos hidáticos que se formam nos órgãos humanos têm um crescimento muito lento. Eles só são percebidos anos depois da infecção, quando já estão grandes e causando sintomas.
· Cistos de até 50 litros: Em casos raros, os cistos podem atingir volumes enormes, de até 50 litros de líquido, geralmente no fígado.
· Ruptura: A ruptura de um cisto hidático é extremamente perigosa. O líquido do cisto é cheio de material parasitário e, se ele vazar para a corrente sanguínea, pode causar um choque anafilático (uma reação alérgica grave e generalizada) e até mesmo a morte.
4. Ciclo Silvestre: O parasita também tem um ciclo natural na vida selvagem. Ele ocorre entre canídeos selvagens (como lobos) e ruminantes selvagens (como alces e veados). A infecção acontece por meio da predação ou da ingestão de carcaças contaminadas.
5. Importância Econômica: condenamento da carcaça
É mais comum a tênia apresentar somente 3 proglotes → 1º: imatura, 2º: madura, 3º: grávida (às vezes apresentam 4 proglotes)
· ventosas com acúleos (armado) 
· Echinococcus granulosus: O ciclo envolve cães como hospedeiros definitivos e ovelhas como hospedeiros intermediários. O humano é um hospedeiro acidental.
· Echinococcus multilocularis: O ciclo envolve raposas como hospedeiros definitivos e roedores como hospedeiros intermediários. O humano também pode se infectar acidentalmente
· O ciclo segue o mesmo padrão, muda os hospedeiros, a forma larval e a localização dos larvas (que estão dentro dos cistos)
· A ovelha ingere esses ovos. Dentro deles, os ovos eclodem → oncosfera → órgãos → se transformam em cistos hidáticos, principalmente no fígado e nos pulmões. 
fígado com cistos hidáticosfígado com cisto removido
→ Estrutura típica:
· Cápsula externa fibrosa (produzida pelo hospedeiro)
· Membrana interna (propriedade do parasita)
· Protoscolices dentro do cisto (representam as futuras larvas que podem se desenvolver no intestino do hospedeiro definitivo se ingeridas)
Observação: Cistos em órgãos como fígado ou pulmão podem causar compressão, necrose ou inflamação local.
Diphyllobothrium latum
· Conhecido como “tênia do peixe” ou “tênia latum”.
· É importante parasita de humanos
· Hospedeiros definitivos: humanos, canídeos, felídeos, ursos, focas, leões marinhos, etc.
· Transmissão: ingestão de peixes crus ou mal cozidos contendo larvas (plerocercóides).
· Importância em saúde: pode causar difilobotríase, que leva a deficiência de vitamina B12 e, consequentemente, anemia megaloblástica (hemácias grandes, pouco funcionais). Sintomas neurológicos: perda de sensibilidade, dificuldade de marcha, alterações cognitivas.
Spirometra spp
· Também é um cestódeo, mas o ciclo envolve hospedeiros diferentes (anfíbios, répteis, aves e mamíferos - cães e gatos).
· Nos humanos, geralmente não se desenvolve até a forma adulta — o que ocorre é a esparganose, causada pela presença das larvas (plerocercos) em tecidos subcutâneos, olhos ou até no sistema nervoso.
· A transmissão acontece pela ingestão de água contaminada com copépodes (crustáceos microscópicos → zooplâncton) infectados ou consumo de carne crua de animais paratênicos (anfíbios, répteis).
Ciclo biológico (Diphyllobothrium latum)
→ O prof não focou nesse ciclo 
O ciclo é complexo e envolve dois hospedeiros intermediários:
1. Ovos eliminados nas fezes do hospedeiro definitivo (humano, cão, gato, urso, etc.).
2. No ambiente aquático, o ovo libera um coracídio (larva ciliada).
3. O coracídio é ingerido por um copépode (crustáceo) → se transforma em procercoide.
4. O copépode infectado é ingerido por peixes → a larva evolui para plerocercóide (forma infectante para os definitivos).
5. Humanos e outros hospedeiros definitivos ingerem o peixe cru/mal cozido → no intestino, o parasita atinge a fase adulta.
⚠️ Importante: a doença está ligada ao consumo de peixe cru (sushi, sashimi, peixe mal cozido, peixe defumado, etc.).
Morfologia (Nao focado também)
· Corpo segmentado (proglotes), com escólex que não tem ganchos, mas sim ventosas em forma de fenda chamadas botrídeas.
· Pode atingir até 10 metros de comprimento no intestino humano.
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