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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO 
DEPARTAMENTO DE LETRAS - CECEN
DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA DO SIMBOLISMO AS TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS.
DOCENTE: ANDREA LOBATO 
DISCENTE: CAMILA CUNHA
TEXTO DISSERTATIVO ACERCA DA LITERATURA NA CONTEMPORANEIDADE
 A literatura portuguesa na contemporaneidade: foco em José Saramago.
 A literatura portuguesa tem desempenhado um papel significativo na compreensão do mundo em todas as épocas, destacando-se como uma 
A literatura portuguesa contemporânea compreende aqui como a produção literária a partir da década de 1970, apresenta uma rica diversidade de temas , estilos e abordagens. Este texto visa explorar como essa literatura reflete e questiona a identidade portuguesa, a memória histórica e a diversidade cultural, destacando autores como José Saramago e suas obras representativas. 
A literatura portuguesa contemporânea é um campo fértil de expressão e reflexão, e tem sido marcada pela diversidade de vozes, estilos, temáticas e influências culturais, refletindo as complexidades da sociedade moderna. A literatura contemporânea é marcada pela diversidade estilística. Desde o romance ao ensaio, há uma riqueza de formas e técnicas narrativas. Entre os autores mais emblemáticos dessa fase, José Saramago se destaca não apenas pela profundidade de suas obras, mas também pela sua capacidade de redefinir a literatura e a visão do mundo. Sua produção abrange questões existenciais, sociais e políticas, além de questionar a própria natureza da linguagem e da realidade. Neste contexto, Saramago não é apenas um dos maiores nomes da literatura portuguesa moderna, mas também um dos mais relevantes do cenário literário mundial.
Além dos grandes nomes, a literatura portuguesa contemporânea é enriquecida por uma nova geração de escritores que trazem uma perspectiva fresca e inovadora. Autoras como Dulce Maria Cardoso e Valter Hugo Mãe destacam-se por suas narrativas envolventes e por abordarem temas como a imigração, a marginalização e a busca por identidade em um mundo globalizado.
Influência da Tecnologia
A influência da globalização e da cultura digital é outro aspecto importante da literatura contemporânea. A internet e as redes sociais têm transformado a forma como os textos literários são produzidos e consumidos, permitindo uma maior interação entre autores e leitores e expandindo o alcance das obras para um público global. Este novo ambiente digital tem incentivado a experimentação e a inovação criando novos aspectos de expressão e comunicação.
A globalização e o advento da cultura digital têm tido um impacto significativo na literatura portuguesa contemporânea. Novos meios de produção e disseminação de textos literários, como blogs, redes sociais e plataformas digitais. têm alterado a forma como a literatura é consumida e produzida. a acessibilidade e a interatividade proporcionadas pela internet criam novos espaços de expressão e comunicação, permitindo que escritores alcancem um público global.
A era digital tem mudado a maneira como os escritores se conectam com seu público. Blogs, redes sociais e plataformas digitais são utilizados tanto para a promoção de obras quanto para a publicação de textos e interações com leitores. Isso permite uma democratização do acesso à literatura e cria novas oportunidades para escritores emergentes.
À luz do contemporâneo, marcado pela necessidade de redescobrir o homem português, sua apreensão do real e seu posicionamento no mundo atual, percebemos as principais características da literatura produzida em Portugal nos dias de hoje. Relacionadas às diversas formas de narrar e pensar a escrita. 
Compreender as transformações na literatura produzida em Portugal contemporâneo é se dispor a entender as mudanças que avançam sobre o homem português e sua cultura. As relações históricas não se esgotam, mas se modificam, alteram-se e expõem ao leitor um novo sujeito, com uma disposição anímica que vai além do espaço territorial que habita. Essa desnacionalização portuguesa, afastando-se de um romance centrado em temas nacionais e que demarcavam uma cultura e literatura voltadas para si mesma, oferece ao homem português, esse novo sujeito que se abre ao mundo e se torna cosmopolita, uma nova configuração ideológica. O distanciamento dessa história de um passado, quer distante, quer próximo, e a expansão do horizonte dessa literatura revelam um sujeito que agora se dispõe a expandir-se identitariamente, também percebendo questões de alteridade e afastando-se das imposições das fronteiras territoriais e culturais sobre as sociedades, o que se manifesta singularmente em suas produções artísticas.
A ditadura salazarista, o fim das guerras coloniais e o retorno de residentes das antigas colônias ( os chamados retornados) foram impulsionadores de muitas narrativas contemporâneas. Sob diversas nomenclaturas de tipos de escrita, essas ficções trouxeram o encargo de colocar ao mundo e aos próprios portugueses as vozes de suas especificidades identitárias. Testemunhos de uma memória que não adormece. Sempre redimensionadas, as fronteiras entre a ficção e a realidade são características predominantes da literatura portuguesa.
A literatura desempenha um papel fundamental como memória cultural, registrando formas de pensar e viver ao longo das épocas. Ela preserva experiências oferecendo uma reflexão sobre o mundo, a história, a identidade e a cultura. Em A literatura em perigo, Todorov comenta dessas potencialidades da literatura, do que de fato ela pode realizar como instrumento da imaginação dos escritores e da recepção por parte dos leitores, assim pensar a literatura portuguesa ou determinar literatura é antes de tudo, pensar o que ela pode como espaço de manifestação de um imaginário, de uma cultura e de uma forma de pensar e ver o mundo. 
Antonio Candido, em Literatura e Sociedade, discute o papel do escritor e a função social atribuída a ele, destacando como a coletividade vê o escritor como um agente dinâmico da cultura e da história. De acordo com Candido, o escritor, alinhado com seu tempo, atua como um centro gerador de uma visão social e cultural, além de histórica e identitária.
Umberto Eco, em Confissões de um Jovem Romancista, afirma que “a narrativa é, para início de conversa, uma questão cosmológica”. Isso porque o autor, ao narrar, assume o papel de um demiurgo[footnoteRef:0], ou criador, de um universo que deve ser o mais fiel possível ao mundo real, onde ele possa se mover com segurança. Segundo Eco, escrever sobre algo que não está diretamente relacionado ao nosso contexto histórico ou cotidiano, entendido e vivenciado como patrimônio de nossa memória, é também ser um demiurgo de um mundo externo ao nosso. Esse rompimento de fronteiras requer a capacidade de compreender e assimilar o que é diferente e como esse defender se configura. [0: O termo “demiurgo” refere-se ao papel do autor como um criador de mundos. O conceito de demiurgos, originário da filosofia platônica, descreve uma entidade que molda e organiza o universo. Eco utiliza essa ideia para destacar como o autor, ao narrar uma história, assume uma função semelhante: ele cria um universo literário que deve ser coerente e incrível, tal como o mundo real. ] 
A escrita representa o desequilíbrio, uma determinada vontade de reajuste ou ainda uma necessidade de compreensão do mundo a que pertencemos. Uma obra literária é desse modo, resultado da relação do sujeito (escritor) com a realidade em que ele se insere e vive. Dentro desse contexto, podemos pensar a literatura como uma comunidade temática e afetiva, bem como uma comunidade de experiências formais, artísticas e de pensamento.
Contexto histórico e social em Saramago
José Saramago nasceu em 1922 e teve sua primeira obra publicada em 1947. No entanto, foi a partir da década de 1980, com o lançamento de Levanta do chão (1980) e Memorial do convento (1982), que sua escrita adquiriu maior visibilidade. A partir desses romances, ele começou a se consolidar como um dos principais nomes da literatura portuguesa contemporânea,sendo agraciado com o prêmio nobel de literatura em 1988. Saramago tem suas obras conhecidas pelo uso inovador da linguagem e pela exploração de temas existenciais. No romance “Ensaio sobre a cegueira”, por exemplo, Saramago discute a fragilidade da sociedade humana e a interdependência das pessoas em tempos de crise. A cegueira súbita que acomete a população serve como uma poderosa metáfora para a cegueira moral e ética, revelando as trevas que podem emergir quando as normas sociais colapsam.
Um dos aspectos mais inovadores de sua escrita é o uso peculiar da linguagem, caracterizado por frases longas e um uso peculiar da pontuação, que cria um fluxo contínuo de pensamento. Saramago não se limita à gramática tradicional; seus textos frequentemente quebram convenções sintáticas, como a ausência de pontuação, o uso de parágrafos longos e o estilo indireto, o uso de fluxo contínuo de pensamento e diálogos. Esse estilo narrativo, que pode ser visto em obras como “O ano da morte de Ricardo Reis", desafia as convenções literárias tradicionais e convida o leitor a uma leitura mais reflexiva e engajada, por vezes desafiadora.
Outra questão curiosa que chama atenção nas obras de Saramago e que as marcam profundamente é a falta de definição clara entre narrador e autor, duas categorias distintas do processo literário, mas que para ele, apesar do choque dos estudiosos da literatura, narrador e autor são a mesma coisa, ou seja, para ele essa separação se torna quase impossível, já que seus narradores, apesar de estarem em terceira pessoa, não se privam de utilizar a primeira pessoa do plural para emitir opiniões, fazer ironias e discutir ideias. O autor valoriza um narrador intruso, que não participa dos acontecimentos da história, mas está sempre presenteno discurso.
O impacto da Obra de Saramago ultrapassa as fronteiras de Portugal. Seu estilo único, a reflexão constante sobre as questões universais da humanidade e seu questionamento profundo das estruturas sociais e políticas ressoam em diferentes contextos culturais e históricos. Ele se torna um autor de relevância global, com uma visão que ultrapassa os limites do localismo e que encontra eco em diversas partes do mundo. Suas obras foram trazidas para inúmeras línguas e adaptadas para o cinema, permitindo que seu pensamento atingisse uma audiência cada vez mais ampla. 
Influência Literária
Saramago é frequentemente citado como uma referência para muitos escritores contemporâneos. Seu estilo de escrita, caracterizado por longos períodos, pontuação não convencional e um fluxo de consciência que imerge o leitor na narrativa, inspirou diversos autores a experimentar novas formas de contar histórias. Livros como "Ensaio sobre a Cegueira" e "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" são exemplos de como ele desafia convenções literárias e convida os leitores a refletirem sobre a condição humana e a sociedade.
A influência de Saramago na literatura portuguesa é inegável. Sua capacidade de combinar narrativas envolventes com crítica social e reflexões filosóficas fez dele uma figura central na literatura contemporânea. Seu legado é visível não apenas nas suas obras, mas também, na forma como inspirou outros escritores a explorar novas formas de expressão e abordar temas relevantes para a sociedade moderna. 
José Saramago não apenas deixou uma marca indelével na literatura, mas também inspirou gerações a pensarem criticamente sobre o mundo ao seu redor e a buscarem formas de torná-lo melhor. Sua voz continua a ressoar através de suas palavras, incentivando a reflexão, a empatia e a ação.
Referências:
CANDIDO. Literatura e Sociedade - estudos de teoria e história literária. São Paulo: T-A. Editor, 2000.
COMPAGNON. Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Tradução de Cleonice
ECO, Umberto. Confissões de um jovem romancista. São Paulo: Cosac&Naify, 2013.
TODOROV, Tvetzan. A literatura em perigo. São Paulo: Difel, 2009.

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