Prévia do material em texto
Legislação e organização dos sistemas
de distribuição de energia elétrica
Desenvolvimento do sistema de distribuição e suas principais funções, responsabilidades e instituições
que participam do processo regulatório e operativo.
Profa. Isabela Oliveira Guimarães
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o funcionamento do sistema de distribuição, bem como suas funções é indispensável ao
estudante de engenharia elétrica, pois promoverá conhecimentos técnicos relacionados à operação e às
legislações vigentes nos dias que decorrem. Esse conhecimento se faz importante não somente ao aluno, uma
vez que a energia elétrica faz parte do cotidiano e cabe ao consumidor conhecer seus direitos e deveres.
Preparação
Antes de iniciar, tenha em mãos caneta e papel para tomar notas e solucionar os exercícios propostos.
Objetivos
Descrever a estrutura organizacional, as áreas de atuação e responsabilidades inerentes ao sistema de
distribuição de energia elétrica.
Reconhecer a legislação básica vigente.
Identificar quais os itens de controles e índices de qualidade e confiabilidade, bem como sua forma de
cálculo.
No vídeo a seguir, a professora Isabela Oliveira, mestra em engenharia elétrica, faz uma introdução sobre o
tema Legislação e organização de sistemas de distribuição de energia elétrica.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
•
•
•
1. Sistema de distribuição de energia elétrica
Estrutura organizacional, áreas de atuação e
responsabilidades inerentes
No vídeo a seguir, a professora Isabela Oliveira, mestra em engenharia elétrica, fala sobre a estrutura
organizacional, as áreas de atuação e as responsabilidades inerentes ao sistema de distribuição de energia
elétrica.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O setor elétrico: estrutura organizacional
O sistema elétrico mundial passou por diversas mudanças que influenciaram o surgimento de instituições, no
Brasil, com a finalidade de desempenhar funções específicas relacionadas a questões políticas e regulatórias.
Essas instituições acabaram contribuindo para a evolução do sistema elétrico; veja a seguir um resumo
histórico (dividido em três fases) com os principais acontecimentos dessas modificações em nosso país:
Início do século XX
Marco inicial das atividades elétricas no Brasil: nesta fase, surgiram as primeiras usinas hidrelétricas e
também as primeiras empresas operando no setor. Também foram promulgadas as primeiras leis para
operação do sistema.
Investimento estatal
Forte atuação do estado nas tarefas do setor elétrico: nesta fase, observam-se grandes
investimentos por causa da presença do estado que perdura até o fim do século XX. Surgem os
primeiros órgãos do setor como o Ministério de Minas e Energia. Entra em operação a primeira
geração de Itaipu.
Reestruturação do setor elétrico
Participação da iniciativa privada: nesta fase, identifica-se a desestatização do setor, com a
implementação de novo modelo, e a presença de empresas privadas.
Na imagem a seguir, é apresentada uma linha do tempo que representa a evolução histórica das três fases
acima citadas.
Evolução histórica do Setor Elétrico Brasileiro
O surgimento do modelo do “novo setor elétrico”, implementado em 2004, promoveu a criação de diversos
agentes que juntos são responsáveis pelos processos institucionais relacionados às políticas que vão desde a
geração até a comercialização de energia no país.
As principais funções dos membros institucionais são regulamentar, fiscalizar, mediar conflitos e organizar
leilões de energia entre as concessionárias.
A imagem a seguir ilustra o modelo institucional do setor elétrico, em que se destacam os membros
integrantes e sua relação entre si.
Modelo institucional do setor elétrico
Cada uma das instituições apresentadas possui um papel individual e indispensável dentro da organização do
setor elétrico. Conheça os detalhes:
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)
Órgão político, com a função de formular as políticas e diretrizes que devem ser tomadas pelo
governo; os membros do conselho são responsáveis por propor planos de ações para garantir o
atendimento da demanda de carga em todo território brasileiro e por avaliar e propor o uso econômico
dos recursos energéticos do país, entre outras funções correlatas.
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)
Coordenado diretamente pelo MME (Ministério de Minas e Energia), tem a função de garantir a
segurança do suprimento de energia em todo o Brasil; são avaliados os desenvolvimentos dos setores
de geração, transmissão, distribuição e comercialização.
Ministério de Minas e Energia (MME)
Criação e implementação de políticas para o setor energético. Segundo o próprio MME, entre as
principais responsabilidades estão a gestão do CNPE e o CMSE.
Empresa de Pesquisa Energética
É uma empresa pública independente, cujas funções englobam o desenvolvimento de estudos e
pesquisas no setor energético e o incentivo financeiro a projetos voltados ao setor elétrico. Essa
instituição presta serviços para o MME.
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
Responsável por operar e coordenar o sistema elétrico
brasileiro; entre as tarefas do órgão estão o
planejamento e a operação dos sistemas e a
administração de novas instalações.
Agência Nacional de Energia Elétrica
Responsável por fiscalizar e regular a transmissão, distribuição e comercialização de energia, além de
estabelecer as tarifas para esse serviço. Essas ações podem ser definidas por meio de ações
contratuais entre o órgão regulador (Aneel) e as empresas prestadoras de serviço, distribuidoras,
concessionárias e demais.
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
Opera o mercado de energia.
Composição do sistema elétrico
O sistema elétrico, apresentado na imagem a seguir e operado pelo ONS, é composto por todos os
equipamentos cuja responsabilidade é gerar, transmitir e distribuir a energia. Essa divisão do sistema em três
subgrupos só ocorreu, porém, após a implementação do modelo de livre-mercado, segundo dados da CCEE,
em que as atividades passaram a ser desenvolvidas em seus respectivos setores.
O sistema elétrico
O sistema elétrico tem a função principal de atender a carga, independentemente das condições em que ele
se encontre. Sendo assim, deve ser projetado de acordo com a demanda do consumidor, prevendo cenários
de aumento.
A energia (mecânica, térmica, química ou outra) é transformada em elétrica nas usinas e parte do sistema
atribuída por geração. Devido ao alto potencial hídrico brasileiro, a maioria das geradoras se situam em áreas
distantes dos centros de carga (consumidores), porque utilizam os recursos hidráulicos ofertados, o que
requer uma vasta área disponível para a instalação. Por essa razão, a eletricidade precisa percorrer longas
distâncias, trafegando pelas linhas de transmissão para que alcance o sistema de distribuição e, por meio
dele, chegue até o ponto de consumo.
Na imagem a seguir está representado um fluxograma do processo de geração, transmissão e distribuição: o
caminho percorrido pela energia até o ponto de consumo. O percurso entre a geração e a carga exige
cuidados quanto aos níveis de tensão de cada trecho, por isso, na transação entre um subsistema e outro são
inseridas subestações abaixadoras ou ainda transformadores abaixadores ou elevadores. Tais alterações nos
níveis de tensão da rede também podem ser observadas por meio do fluxograma apresentado.
Processos do sistema elétrico
Geração
Responsáveis pela conversão ou transformação de um tipo de energia em
elétrica, em sua maioria, as usinas geradoras brasileiras são de natureza
hídrica; entretanto, tendo em vista a escassez de recursos naturais, a alta
emissão de gases poluentes, a preocupação com problemas
socioambientais e o forte potencial para exploração de recursos
alternativos, o país vem apresentando uma grande diversidade na
composição da matriz produtora.
Transmissão
Elo entre geração e distribuição, opera como viapara que a eletricidade
seja transportada de um subsistema para outro. É composto de mais de
100km de linhas de transmissão que percorrem o país conectando
geradoras e distribuidoras e integrando os elementos da rede.
Distribuição
Responsável por distribuir a energia recebida pelo sistema de
transmissão para os pontos consumidores (a ser apresentado a seguir).
Sistema de distribuição
Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), o sistema de distribuição
pode ser confundido com a topologia das cidades, onde existem ramificações que permitem a conexão física
entre o sistema elétrico e o consumidor.
Sua constituição é dada por equipamentos responsáveis por transportar a energia do
sistema de transmissão aos centros de consumo, como cabos, transformadores,
medidores, dispositivos responsáveis pela proteção e pelo controle.
Entre as linhas de transmissão e as de distribuição, são construídas unidades de subestação abaixadoras, que
recebem a eletricidade do sistema de transmissão e alteram o nível de tensão, deixando-a em níveis
adequados para ser distribuída, mas ainda superiores e não ideais para a maioria dos consumidores. Para
critérios didáticos, essa primeira parcela abaixadora, é conhecida por subtransmissão, contudo, é importante
destacar que esta parcela do sistema é regulada e fiscalizada por distribuição em alta tensão.
Os consumidores conectados ao sistema de distribuição podem ser caracterizados por:
Residenciais.
Comerciais.
Industriais.
Rurais.
Outros.
Os dados do Gráfico 1 foram publicados pelo relatório anual da EPE, em que são apresentados os detalhes da
composição da produção do consumo do produto energético do país, tais como suas respectivas variações ao
longo dos anos, permitindo com que demais estudos sejam desenvolvidos. Em análise ao gráfico a seguir, é
possível avaliar a composição do sistema de distribuição considerando as características dos consumidores
agregados.
•
•
•
•
•
Composição do sistema de Distribuição
Composição estrutural do sistema de distribuição e funções
Subtransmissão ou distribuição em alta tensão
Nível de tensão entre 69kV e 230kV: recebe a energia em níveis de tensão da transmissão e transfere
para as subestações de distribuição por meio de linhas que operam em valores de 138kV ou 69kV.
Podem haver consumidores conectados diretamente na subtransmissão, sendo eles definidos por
grandes instalações industriais.
Subestações de distribuição (SE)
Nível de tensão inferior a 69kV e superior a 1kV: recebem a energia em valores não ideais para a
maioria dos consumidores, assim, por meio de transformadores, alteram novamente o nível de tensão
para valores caracterizados por distribuição primária.
Distribuição primária: inferior a 1kV
Atende aos consumidores primários, transformadores
de distribuição e estações transformadoras que
suprem a rede secundária. Por consumidores
primários podem ser identificadas as indústrias de
médio porte, shoppings (conjuntos comerciais) e
iluminação pública. A energia pode ser distribuída em
arranjos aéreos ou subterrâneos.
Distribuição secundária
A distribuição primária alimenta as estações transformadoras; destas, a tensão sofre outra alteração
de nível e, assim, pode atender aos consumidores de baixa tensão, ou seja, residências, comércios,
pequenas indústrias.
Comentário
Os níveis de tensão são definidos por lei, pela agência reguladora, Aneel, juntamente com a distribuidora
local, podendo haver algumas variações quanto aos níveis de tensão final entregue na distribuição
secundária.
Funções atribuídas às distribuidoras
O sistema elétrico brasileiro, segundo o relatório da EPE, supre atualmente uma carga de aproximadamente
482.225,904GWh, distribuída não uniformemente pelo país. Foram registradas nos últimos anos, 109
distribuidoras, cuja função é operar o sistema elétrico e garantir que essa demanda seja alimentada.
Essas empresas são divididas em:
Concessionárias (53).
Permissionárias (43).
Autorizadas (13).
Operar o sistema elétrico
A tarefa de operar o sistema ocorre sob ação contratual e inclui funções como: Levantamento da carga
conectada e previsão de aumento da carga dentro do horizonte de planejamento; Manutenção dos
equipamentos e linhas do sistema de distribuição; Segurança e qualidade do serviço prestado.
Mercado de energia
A eletricidade entregue aos consumidores é adquirida pelas distribuidoras por meio do mercado de energia. O
Brasil opera hoje com o chamado Sistema Interligado Nacional (SIN), isso implica que toda energia produzida
no país, possa ser transportada por meio de interligações, como mostra a Figura 5, para qualquer região,
permitindo que haja um intercâmbio de fornecimento entre as regiões de menores produções em estações
onde a hidrologia é desfavorável.
•
•
•
SIN
A distribuidora encarregada por cada região, com reponsabilidade adquirida por meio de concessões, tem a
tarefa de estudar a carga conectada e adquirir um montante de energia das unidades geradoras que seja
suficiente para supri-las e, então, repassá-la, por meio de contratos, ao consumidor.
Existem dois ambientes de contratação que podem ser ofertados ao consumidor final e que dependem das
características da carga e instalação do mesmo: ambiente regulado (ou cativo) e ambiente livre, conforme
apresentado na imagem a seguir:
Mercados de Energia
Vamos entender suas diferenças:
Verificando o aprendizado
Questão 1
A distribuição da energia elétrica ao consumidor cativo só é possível após a energia passar
por:
A
Um transformador que transforma a corrente de CC em CA.
B
Um transformador que transforma a corrente de CA em CC.
C
Nada, o consumidor cativo consome a energia na forma CC direto do gerador.
D
Nada, o consumidor cativo consome a energia na forma CA direto do gerador.
E
Um poste de aterramento protetor.
A alternativa A está correta.
Como mostra a imagem, para o cliente cativo, a energia passa do gerador pela torre de transmissão e
chega ao transformador de CC em CA, que despeja a energia nas linhas distribuídas por postes (em
cidades) e estes postes guiam as linhas até os consumidores cativos. Ponto de retorno: mercado de
energia.
Ambiente de contratação regulada (ACR)
As distribuidoras contratam a energia por
meio de leilões (conduzidos pela Aneel e
CCEE) e repassam ao consumidor regulado.
Aos consumidores cativos, ou regulados, não
têm a opção de contratar a energia, que é,
então, ofertada a eles pela distribuidora
responsável pela região, conforme a
Resolução Normativa 482 da Aneel.
Ambiente de contratação livre (ACL)
É caracterizado por promover as
negociações entre os consumidores que
têm a liberdade em escolher o
fornecedor da sua eletricidade. A Lei n.
9.648 dividiu em dois grupos aqueles
que se enquadravam no contexto de
migração entre o ambiente regulado e o
livre; o primeiro grupo engloba os
consumidores cuja demanda é superior
a 3MW e o segundo grupo inclui aqueles
cujo consumo varia entre 500kW e 3MW.
Estes últimos podem participar do ACL
desde que a compra seja feita a partir de
fontes alternativas.
Mercados de Energia
Questão 2
(Termorio, 2009) Com o advento das Leis n. 10.847 e n. 10.848 de 2004, deu-se início à
implantação do novo modelo institucional do setor elétrico. O Mercado Atacadista de Energia
(MAE) foi extinto e novos agentes institucionais foram criados, além das atribuições de outros
agentes existentes terem sido alteradas. Com relação à comercialização de energia elétrica no
atual modelo institucional, o órgão sucessor do MAE, que tem por finalidade viabilizar a
comercialização de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, é a(o):
A
Aneel
B
EPE
C
CCEE
D
CMSE
E
CNPE
A alternativa C está correta.
No âmbito do mercado regulado, é função da CCEE promover leilões de energia.
2. Legislação básica vigente
Legislação básica vigente
No vídeo a seguir, a professora Isabela Oliveira, mestra em engenharia eletríca, fala sobre a legislação básicavigente.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A distribuição de energia é um ramo do setor elétrico cuja responsabilidade é atender todos os consumidores,
com o suprimento de energia. Dentro desse contexto, cada região possui a companhia distribuidora
responsável por cumprir essa tarefa, delegada por meio de órgãos superiores por meio de concessões.
Após a implementação do novo setor elétrico, foi observado o surgimento de várias novas empresas
concessionárias, cooperativas e outras, que passaram a participar das licitações pelo direito de operar as
redes, abrindo espaço para um mercado competitivo. Por essa razão, foi desenvolvida a Aneel, com o objetivo
de regulamentar e padronizar a operação do sistema.
Concessões
São períodos de tempo conferidos às distribuidoras – que podem ser públicas, privadas ou mistas –, nos
quais elas recebem o direito de operar o sistema de distribuição.
ANEEL
Criada em 1996, pela Lei n. 9.427, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é um órgão que tem como
função regulamentar e fiscalizar os setores da transmissão, distribuição e comercialização de energia.
Isso é feito por meio da publicação de decretos e resoluções normativas, que são
constantemente revisados e atualizados; por meio deles, são publicados procedimentos
operativos que devem ser cumpridos pelos responsáveis de cada setor.
Cabe ainda à Aneel, fixar tarifas pelo uso do sistema, e distribuí-las aos agentes, como, por exemplo, a tarifa
pelo uso da distribuição (TUSD), que pode ser facilmente identificada na conta de energia. Todos os
processos, módulos e procedimentos são abertos para consulta pública, cabendo ao consumidor conhecer os
seus direitos diante do serviço ofertado pela distribuidora. O não cumprimento da regulamentação resulta em
punições dadas por meio de multas impostas aos agentes operadores.
Regulação do serviço de distribuição
O sistema de distribuição é operado por cerca de 109 agentes fiscalizados pela Aneel. A regulação técnica
que visa padronizar a operação desses agentes é conduzida pela Superintendência de Regulação de Serviços
de Distribuição (SRD).
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9427cons.htm#:~:text=L9427consol&text=LEI%20N%C2%BA%209.427%2C%20DE%2026%20DE%20DEZEMBRO%20DE%201996.&text=Institui%20a%20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de,el%C3%A9trica%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias
Principais atividades:
Estabelecimento do planejamento da expansão, acesso ao sistema de distribuição e operação desse
sistema, desenvolvimento de projetos voltados para automatização, ou redes inteligentes.
Definição dos chamados indicadores de qualidade do serviço e do produto, padronizando níveis de
qualidade de energia a ser entregue ao consumidor.
Regulação das condições de fornecimento do serviço.
Fomento a projetos de acesso à energia elétrica para a população (universalização);
Implementação de tarifas.
Entre as legislações apresentadas pela Aneel, destacam-se duas que afetam diretamente a operação do
sistema de distribuição:
Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional – Prodist.
Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica – Resolução Normativa n. 414/2010.
Procedimentos da Distribuição – Prodist
Os chamados Procedimentos da Distribuição são uma série de documentos, divididos em 11 módulos, que
foram desenvolvidos pela Aneel para normatizar e fiscalizar a operação do sistema de distribuição. Com isso,
busca-se conferir ao sistema condições de segurança e qualidade, tal como estabelecer os padrões para que
o serviço seja prestado e definir os procedimentos e as atividades que serão exercidos.
A seguir são apresentados aspectos importantes de cada módulo, com o objetivo de apresentar e
contextualizar sobre as principais tarefas impostas pelo Prodist.
Módulo 1
Introdução
•
•
•
•
•
•
•
•
São definidos os objetivos, a aplicabilidade e a divisão dos módulos dos procedimentos de distribuição
(Prodist).
Módulo 2
Planejamento da Expansão da Distribuição
São definidas as normas e diretrizes necessárias para desenvolvimento de um projeto de expansão do sistema
de distribuição; nesse contexto, as concessionárias devem avaliar se é necessário expandir o sistema
desenvolvendo estudos de carga e previsão de crescimento da demanda por um determinado período. A
carga é caracterizada pela demanda ativa e reativa, e as perdas técnicas do sistema, Módulo 7, devem ser
estimadas. O planejamento da expansão, quando proposto, deve considerar aspectos econômicos, sociais,
ambientais e de qualidade, visando sempre à escolha de menor custo para o consumidor.
Módulo 3
Acesso ao Sistema de Distribuição
Apresenta as condições de acesso ao sistema de distribuição, manutenção, segurança e acesso à mini e à
microgeração distribuída.
Módulo 4
Procedimentos Operativos do Sistema de Distribuição
São definidas as condições operativas do sistema, orientando os agentes ao desenvolvimento de planos
operacionais, a fim de padronizar os procedimentos envolvendo os centros de operação de todos os agentes
regulados pelo órgão. Inclui-se, neste módulo, o que é descrito por Controle de Carga, em que constam
orientações e critérios para que os responsáveis saibam lidar com a carga em situações de contingência (falta
ou perda de componentes).
Módulo 5
Sistemas de Medição
A Aneel estabelece as regras impostas tanto para os usuários quanto para as distribuidoras, no que se refere
às condições de medição da energia. Fica sob responsabilidade da distribuidora o cuidado pelo sistema de
medição, desde que ele se encontre em áreas acessíveis a ela, conforme a Resolução n. 414. São
apresentados os procedimentos para leitura e faturamento da energia consumida, bem como os pontos
locacionais para medição das unidades. Instrui-se ao conjunto de consumidores pertencentes ao Grupo B,
baixa tensão, a instalar os medidores em locais livres e de fácil acesso nas proximidades de conexão com a
rede; aos consumidores conectados à média e alta tensão, conforme mostra a imagem a seguir, a medição
deve ser feita no lado de alta tensão do transformador.
•
•
•
•
Diagrama de medição para consumidores de média e alta tensão
Por fim, para os consumidores do Grupo A, cativos, a ligação pode também ser feita no lado de baixa do
transformador, como exemplo da imagem a seguir.
Diagrama de medição lado de baixa para consumidores cativos
Módulo 6
Informações Requeridas e Obrigações
Definem-se as informações a serem trocadas entre os agentes e órgãos do setor elétrico para cada um dos
módulos do Prodist.
Módulo 7
Cálculo de Perdas na Distribuição
O sistema de distribuição, assim como todo sistema real, perde uma parcela de energia no transporte até o
consumidor final. É tarefa da distribuidora minimizar esses valores deixando-o mais eficiente. Neste capítulo
do Prodist, são estabelecidos métodos para cálculo das perdas na rede, tal como as formas de apuração e os
valores a serem cumpridos referentes a elas. A norma descreve o cálculo das perdas em transformadores de
potência, as perdas no fluxo de potência, nos medidores e os procedimentos de cálculo a serem seguidos
para a aplicação das equações apresentadas. Por fim, são tabelados os valores aceitos pelo regulador para os
equipamentos utilizados na distribuição.
•
•
Diagrama de perdas em um processo de distribuição de energia
Módulo 8
Será detalhado no Módulo 3 deste estudo. Apresenta legislações que têm como objetivo regular a segurança
e qualidade do serviço prestado, garantindo assim que a energia chegue ao consumidor.
Consumidor
Módulo 3Acesso ao Sistema de Distribuição, apresenta as condições de acesso ao sistema de
distribuição, manutenção, segurança e ainda acesso à mini e à microgeração distribuída.
Módulo 9
Ressarcimento de Danos Elétricos
São estabelecidos nesse capítulo os procedimentos a serem observados pela distribuidora no processo de
ressarcimento de danosao consumidor. Fica decretado que a distribuidora deve avaliar todo processo de
ressarcimento e avaliar segundo as normas da Aneel.
Módulo 10
Sistema de Informação Geográfica Regulatório
Este módulo estabelece os dados geográficos da distribuidora, a fim de padronizar a base de dados da
reguladora para que esta possua um conjunto mínimo de informações para avaliar. Neste contexto, são
estabelecidas ainda as siglas a serem usadas, ou codificação, conforme o dicionário de dados da Aneel.
Módulo 11
Fatura de Energia Elétrica e Informações Suplementares
•
•
•
•
São apresentados, nesses capítulos, todos os procedimentos a serem cumpridos referentes à padronização
da emissão da fatura, como informações a serem fornecidas por meio dela ao consumidor e informações
suplementares referentes a faturas digitais.
É importante destacar que o consumidor deve estar atento às informações fornecidas pelo Módulo 11, a fim de
conhecer sua fatura e entender as cobranças emitidas pela distribuição.
Resolução Normativa n. 414/2010
A Resolução Normativa n. 414 publicada pela Aneel, tem por objetivo fornecer informações gerais de
regulamentação tanto aos consumidores quanto às distribuidoras, estabelecendo direitos e deveres de cada
uma das partes. A resolução, dividida em 13 capítulos, pode ser encontrada em três versões distintas: original,
atualizada e compacta, em que se abordam as condições contratuais, formas de medição e o faturamento
(Módulos 5 e 11 do Prodist); as responsabilidades da distribuidora para com o consumidor; direitos e deveres
do consumidor; e os ressarcimentos de danos elétricos (Módulo 9).
Vejamos agora, alguns dos direitos e responsabilidades do consumidor.
Direitos
Alguns dos principais direitos do consumidor pontuados na norma podem ser vistos a seguir:
Receber a energia em sua unidade de consumo em conformidade com padrões de tensão
estabelecidos e com confiabilidade segundo estipulado no Módulo 8 do Prodist.
Receber orientações sobre o uso eficiente da energia, com o objetivo de reduzir os gastos
desnecessários.
Ter o poder de escolha da data de vencimento da fatura e recebê-la com cinco dias de
antecedência, pelo menos.
Ter acesso a um serviço de atendimento gratuito disponível pela concessionária 24 horas por
dia e ser atendido em todas as solicitações.
Ser informado em caso de faturas não pagas e ser ressarcido por valores indevidamente
cobrados.
A fatura deve informar ao consumidor sobre o reajuste tarifário.
Em caso de suspensão da energia, deve haver aviso prévio.
Em caso de interrupções, o tempo máximo para religamento é de 4 horas a partir do momento
que a distribuidora é ciente do problema. Em caso de suspensões indevidas, o cliente tem
direito a crédito na fatura, como está previsto no Módulo 8 do Prodist.
Em caso de descumprimento dos padrões de qualidade, o cliente deve ser ressarcido.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Responsabilidades
O consumidor possui também responsabilidades diante do bom funcionamento do sistema, tais como:
Garantir a adequação técnica e segurança da instalação que deve ter acesso livre para leitura
e inspeção dos representantes da distribuidora.
Assegurar a integridade dos medidores, se estes estiverem dentro da propriedade do
consumidor.
Pagar a fatura antes do vencimento.
Manter as informações da distribuidora atualizadas como exemplo em caso de residentes que
use equipamentos indispensáveis à vida, troca de titularidade, mudanças de atividades
exercidas na instalação.
Grupos contratuais e estrutura tarifária
Grupo A – Consumo de energia em média ou alta tensão
O Grupo A, conforme a Resolução Normativa n. 414 é composto de unidades consumidoras cujo fornecimento
em nível de tensão é superior a 2,3kV. Também são englobados, nesse conjunto, os consumidores cuja
alimentação é dada por meio de sistema subterrâneo.
Assim, observa-se que há uma subdivisão conforme a tabela a seguir:
Subgrupo Tensão de Fornecimento
A1 Igual ou superior a 230kV
A2 De 88kV a 138kV
A3 69kV
A3a De 30kV a 44kV
A4 De 2,3kV a 25kV
AS Inferior a 2,3kV subterrâneo
Subclassificação de consumidores do Grupo A
Isabela Oliveira
A estrutura tarifária do Grupo A, ou seja, a forma como o consumidor paga pela energia pode ser feita por uma
análise horária do consumo (horosazonal), em que a avaliação é dividida em ponta, três horas diárias
consecutivas (18h a 21h), não incluindo feriados, sábados e domingos e fora de ponta (restante do dia),
aplicando em sequência uma das modalidades tarifárias: azul ou verde.
•
•
•
•
Fluxograma de tarifas
Grupo B – Consumo de energia em baixa tensão
Nesse grupo, encontram-se distribuídos os pequenos consumidores cujo fornecimento em tensão é inferior a
2,3kV, como as residências, comércios, iluminação pública e indústrias de pequeno porte. Tal como o Grupo A,
a Aneel apresenta uma subclassificação desses consumidores, conforme as características da carga, o que
pode ser visto na próxima tabela.
Subgrupo Classificação
B1 Residencial
B2 Rural
B3 Demais classes
B4 Iluminação Pública
Subclassificação de consumidores do Grupo B
Isabela Oliveira
Esse grupo é caracterizado pela tarifa monômia, que é uma tarifa de fornecimento, aplicada unicamente ao
consumo de energia ativa de baixa tensão. Essa modalidade é independente das horas de utilização, ou seja,
não são computadas tarifas mais elevadas para consumo no horário de maior carregamento (ponta).
Tarifa azul
É modelada por quatro fatores importantes:
demanda e consumo no horário de ponta e o
mesmo no horário fora de ponta, o que pode
ser visto no fluxograma da Figura 10. Essa
modalidade é indicada para consumidores
que possuem alta demanda na ponta e tem a
flexibilidade de deslocar o consumo para os
demais horários.
Tarifa verde
É mais indicada para aqueles cuja
demanda não é tão elevada nos horários
críticos; essa modalidade fornece valores
distintos de acordo com o consumo,
enquanto a tarifa por demanda é única,
isso pode ser observado no fluxograma
da imagem a seguir.
Comentário
As unidades do grupo B, com exceção das redes de iluminação pública, podem optar pelo uso da tarifa
branca, em que há diferenciação do custo tarifário de acordo com o horário de consumo.
O reajuste tarifário tende a ser feito anualmente para compensar perdas econômicas (inflação) e recuperar
custos investidos em novas instalações. O valor depende da fonte geradora de eletricidade, por isso durante
alguns períodos do ano experimentam-se tarifas mais elevadas. Isso ocorre em períodos de seca (baixas
precipitações) que requerem a entrada de usinas termelétricas agregadas ao processo de geração. As
térmicas carecem de investimentos maiores quando comparadas às hidrelétricas, elevando o custo total de
operação do sistema.
Verificando o aprendizado
Questão 1
(Petrobras,2015) Considerando-se a estrutura institucional atual do setor elétrico brasileiro, o
órgão que, entre outras funções, define as diretrizes para os procedimentos licitatórios e
promover as licitações destinadas à contratação de concessionários de serviço público para
produção, transmissão e distribuição de energia elétrica é:
A
EPE
B
Aneel
C
CCEE
D
CNPE
E
CMSE
A alternativa B está correta.
A Aneel desempenha diversas atividades para garantir o bom funcionamento e desenvolvimento do setor
elétrico. Assim, fiscaliza, regula e promove leilões de concessão para promover o serviço público de
energia.
Questão 2
(COPEVE/UNIFAL,2011) A estrutura tarifária, conjunto de tarifas aplicáveis às componentes de
consumo de energia elétrica e/ou demanda de potência ativas, de acordo com a modalidade
de fornecimento, é caracterizada pela aplicação de tarifas de consumo de energia elétrica e/
ou demanda de potência independentemente das horas de utilização do dia e dos períodos do
ano. No mesmo sentido, a estrutura tarifária horosazonal caracteriza-se pela aplicação de
tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica e de demanda de potência, de acordo
com as horasde utilização do dia e dos períodos do ano. Acerca disso, considere as seguintes
definições:
1. Tarifa Verde: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de
energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como
de uma única tarifa de demanda de potência.
2. Horário de ponta (P): período definido pela concessionária e composto por 3 (três) horas
diárias consecutivas, exceção feita aos sábados, domingos, terça-feira de carnaval, sexta-
feira da Paixão, Corpus Christi, dia de finados e os demais feriados definidos por lei federal,
considerando as características do seu sistema elétrico.
3. Horário fora de ponta (F): período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e
complementares àquelas definidas no horário de ponta.
Faz(em) parte da estrutura tarifária horosazonal, entre outras, a(s) tarifa(s) apresentada(s):
A
No item 1 apenas.
B
Nos itens 1 e 2 apenas.
C
Nos itens 1 e 3 apenas.
D
Nos itens 2 e 3 apenas.
E
Nos itens 1, 2 e 3.
A alternativa C está correta.
Os itens corretos são 1 e 3. Do item 1, de acordo com a Aneel, a aplicação de tarifas diferenciadas (verde,
amarela e vermelha), varia de acordo com o consumo da energia elétrica, acerca das horas de utilização do
dia e dos períodos do ano. Do item 2, as regras se aplicam a feriados federais, pois são nesses quem em
geral as grandes indústrias param sua produção. Do item 3, a Aneel define como as 21 horas restantes do
dia, que ficam fora do horário de ponta, ou também conhecido como horário de pico.
3. Itens de controle e índices de qualidade e confiabilidade
Itens de controle
No vídeo a seguir, a professora Isabela Oliveira, mestra em engenharia elétrica, vai falar sobre os itens de
controle e índices de qualidade e confiabilidade.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os itens de controle são medições numéricas, atribuídas ao controle de qualidade do processo de distribuição
de energia. Nesse contexto, são avaliados os seguintes aspectos:
Custo da distribuição.
Qualidade do serviço prestado.
Continuidade.
Demais serviços.
Para garantir que o sistema atenda aos critérios de qualidade, cada um dos itens acima deve ser medido e
avaliado isoladamente, com o objetivo de verificar seu efeito na distribuição de energia. Para que os itens de
controle apresentem bons resultados, implementam-se os itens de verificação que têm por objetivo verificar
seu valor. Esses últimos são representados pelos índices de qualidade e confiabilidade propostos pelo Módulo
8 do Prodist.
Principais itens a serem controlados em um sistema de
distribuição:
Nível de tensão nas barras;
Distorções harmônicas;
Fator de potência;
Desequilíbrio e flutuação de tensão;
Variação da frequência do sistema;
Qualidade do Serviço.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Módulo 8 do Prodist – qualidade da energia
Conforme decretado pela Aneel, o objetivo do Módulo 8 é estabelecer procedimentos referentes à qualidade
da energia elétrica, tratando tópicos que abordam a qualidade do produto, do serviço prestado e, ainda, do
tratamento dado às reclamações dos consumidores.
Quanto à qualidade do produto, definem-se indicadores e os limites estabelecidos para que eles possam ser
mensurados. Define-se, ainda, o método utilizado para medições e estudos específicos voltados para a
qualidade de energia. Ao se tratar da qualidade do serviço, são definidos métodos de apuração dos índices de
continuidade que, por sua vez, são apresentados no módulo. Apresenta-se também a padronização desses
métodos e a responsabilidade da distribuidora mediante o cumprimento desses índices. Por fim, para
mensurar a qualidade de tratamento das reclamações, a norma estabelece um cálculo de indicador de
qualidade comercial.
Qualidade do produto
A Seção 8.1 do Módulo 8 é dedicada à avaliação da qualidade do produto, em que são verificados os itens de
controle atribuídos a qualidade em regime transitório e regime permanente, como segue:
Controle dos níveis de tensão
O estabelecimento da tensão busca definir os limites adequados para o estado do sistema em condições de
regime permanente.
Esse valor deve ser medido em toda a rede, cabendo à distribuidora aplicar medidas e
recursos para garantir que eles se encontrem dentro do estipulado pela Aneel.
Para fins de controle, a tensão medida é comparada à tensão estipulada, normatizada como tensão de
referência (TR) pelo Módulo 8. Os valores encontrados são classificados em precários, críticos ou adequados
em função dessa comparação, sendo ideal que se encontre entre 95% a 105% da tensão nominal, quando o
sistema opere superior a 1kV.
A imagem a seguir, adaptada do Módulo 8, representa as faixas ideais de tensão em torno da referência, TR,
para o sistema de distribuição.
Regime transitório
Variação de tensão de curta duração.
Regime permanente
Tensão.
Fator de potência.
Harmônicos.
Desequilíbrio de tensão.
Flutuação de tensão.
Variação de frequência.
•
•
•
•
•
•
Faixas de tensão em relação à referência
Quando identificadas variações nos níveis de tensão por meio de reclamações ou leitura, devem ser
calculados fatores capazes de mensurar essa variação em torno da tensão adequada.
Comentário
A norma propõe o cálculo de índices coletivos de duração relativa à transgressão para tensão precária e
para a crítica, DRP e DRC respectivamente.
Esses índices são computados mediante um conjunto de medições (1008), feitas em intervalos de 10 minutos:
Onde:
nlp e nlc se referem ao maior valor computado entre as fases para a faixa precária e crítica, respectivamente.
Os índices DRP e DRC são associados a um mês civil, ou seja, 168 horas, e o valor final é dado pela média das
leituras computadas. O limite imposto pelo órgão para o DRP é de 3% e de 0,5% para o DRC.
O índice das unidades consumidoras com tensão crítica pode ainda ser calculado pela equação seguinte:
Os índices DRC e DRP podem ser calculados individualmente, ou seja, por unidade consumidora, sendo
representados pela duração relativa equivalente como mostra as equações que seguem:
Onde:
i varia com a unidade consumidora e NL o total de consumidores amostrados.
Atenção
DRP e DRC tanto individuais ou coletivos, são índices de duração.
Controle do fator de potência
O fator de potência do sistema é calculado partindo dos valores de potência ativa e reativa mensurados,
conforme estipulado pelo Módulo 8. Sabe-se que esse fator é capaz de mostrar a eficiência por meio da
indicação do quanto de energia está em uso, relacionando as grandezas ativa e aparente, como pode ser visto
no triângulo de potencias, na imagem a seguir.
Triângulo de potências
É desejável que consumidores e concessionárias ou distribuidoras mantenham o fator de potência (cosseno
do ângulo indicado na imagem) o mais próximo possível de 1, conferindo o melhor uso do sistema. A Aneel
definiu por 0,92 o fator de potência referência, conforme a Resolução Normativa n. 414.
Assim, define-se:
Para controlar o fator de potência, são feitas medições permanentes e obrigatórias tanto para unidades
atendidas em média quanto em alta tensão e ainda nas conexões entre as distribuidoras; já para unidades do
Grupo B, atendidas pela baixa tensão, as medições são individuais e facultativas, ou seja, não computadas.
Definem-se os seguintes critérios de medição:
Unidade consumidora ou ponto de conexão de tensão inferior a 230kV: fator de potência deve ser
superior a 0.92 e inferior a 1 (indutivos ou capacitivos), o que dependerá da regulamentação.
Unidades consumidoras de acesso à rede básica (>230kV) devem seguir os procedimentos da rede.
Controle das distorções harmônicas
Segundo a Aneel, as distorções harmônicas são efeitos observados no perfil de onda das tensões e correntes
do sistema de distribuição, fazendo com que este seja alterado. Assim, estipula-se o limite de distorção em
percentual, segundo um valor de tensãonominal a ser observado no sistema, como pode ser visto pela Tabela
3.
fator de potência
•
•
Indicador Tensão Nominal (Vn)
Vn ≤ 1kV 1kVsistema com recurso
Chave de resposta
FIC ponto 1 = 1 ocorrência
FIC ponto 2 = 1 ocorrência
DIC ponto 1= 10 horas
DIC ponto 2= 1 hora
Os indicadores coletivos são calculados para o conjunto de unidades consumidoras e devem ser
computados como mostra as equações a seguir:
•
•
•
•
Onde:
DEC: Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora, expresso em horas.
FEC: Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora, expresso em interrupções.
Cc: Número total de unidades pertencentes ao conjunto.
Exemplo 2
Para o mesmo sistema da imagem usada no exemplo 1, considerando os índices calculados anteriormente,
calcular DEC e FEC.
Chave de resposta
Para apurar esses índices, deve-se atentar aos seguintes critérios definidos por norma:
Consideram-se apenas as interrupções com duração superior a três minutos.
Considera-se que há interrupção sempre que a tensão for inferior a 70% do valor nominal.
Todas as interrupções programadas devem ser comunicadas previamente.
Se excedidos os valores dos índices, a distribuidora é penalizada. Essa penalização é feita por meio de uma
compensação ao consumidor, atribuída posteriormente (em até 60 dias) na própria fatura sob forma de
crédito, calculada, por exemplo, pela seguinte equação:
A equação acima pode ser aplicada para DIC, FIC e DMIC, sendo alterado o índice violado. DICv indica o valor
medido pela distribuidora e DICp, o padrão definido pela Aneel. A variável EUSDmedio implica encargos de
uso do sistema durante o período de análise, 730 é a representação das horas mensais e kei é um coeficiente
que pode ser fixado de acordo com o nível de tensão.
•
•
•
Valor
Verificando o aprendizado
Questão 1
(FAURGS,2012) Assinale a alternativa que apresenta os indicadores individuais de
continuidade de fornecimento de energia elétrica que avaliam a qualidade do fornecimento e
subsidiam o cálculo da tarifa de energia elétrica.
A
DIC, DMIC e FIC.
B
DIC, DEC e DMIC.
C
DIC, DEC e FEC.
D
DMIC, DEC e FEC.
E
DIC, DEC, DMIC, FIC e FEC.
A alternativa A está correta.
Para mensurar a qualidade do fornecimento, a Aneel propõe os chamados índices de qualidade ou de
confiabilidade, que indicam a continuidade de energia ofertada pela concessionária ao consumidor, esses
podem ser calculados por conjunto ou por unidade consumidora (coletivos ou individuais).
Questão 2
(Adaptado da Aneel) Considere o diagrama abaixo e depois marque a alternativa correta.
Diagrama de um sistema de distribuição
As linhas 1, 2 e 3 possuem registros onde falham em uma razão de 0.04 vezes ao ano. Como
não há alimentação secundária, o defeito, ainda que isolado, promove o corte de todos os
pontos. Calcule os indicadores de qualidade individuais e coletivos para esse sistema. Atribui-
se a duração da falta de 5 horas e 1 hora para chavear e um período de avaliação anual.
A
Ponto 1, 2 e 3 iguais sendo DIC=0.5 FIC=0,12 e FEC=0,14, DEC=0,5.
B
FIC=0,12 iguais para todos os pontos, FEC=0,04, DIC=0,18 para todos dos pontos, DEC=0,18.
C
FIC=0,12 iguais para todos os pontos, FEC=0,04, DIC1=0,84, DIC2=1,32, DIC3=1,8, DEC=1,32.
D
FIC1=0,12, FIC2=0,08, FIC3=0,04, FEC=0,12, DIC1=0,84, DIC2=1,32, DIC3=1,8, DEC=1,32.
E
FIC1=0,12, FIC2=0,08, FIC3=0,04, FEC=0,12, DIC=0,18 para todos dos pontos, DEC=0,18.
A alternativa C está correta.
soma das razōes das falhas
falhas ao ano
F E C=\frac{F I C_1+F I C_2+F I C_2}{\text { consunidores }}=\frac{0,36}{3}=0,04
Falha na linha 1: Abre o disjuntor e a seccionadora 1, todos os pontos aguardam o reparo.
Falha na linha 2: Abre o disjuntor, em seguida, pode-se isolar o defeito abrindo as seccionadoras 2 e
3 e fechando novamente o disjuntor, que volta a alimentar o ponto 1; pontos 2 e 3 aguardam o
reparo.
Falha na linha 3: Abre o disjuntor para cessar a alimentação, em seguida, a falha é isolada pela
abertura da seccionadora 3 e do fusível do trecho 3. Podendo restaurar os pontos 1 e 2.
horas/ano
horas ano
horas ano
ano
Os índices FIC são iguais, pois há interrupção em todos os pontos dado a abertura do disjuntor.
•
•
•
Nota adicional: se o tempo para chavear for rápido o suficiente para não ser computado em norma, isto é,
inferior a 3 minutos, não são computadas falhas, o que não ocorre nesse exemplo.
4. Conclusão
Considerações finais
A abordagem trazida por este material teve por objetivo a apresentação estrutural e legislativa do sistema de
distribuição, pontuando as principais funções delegadas a ele, bem como os órgãos institucionais envolvidos
no processo de distribuição da energia elétrica.
Resumidamente, o módulo 1 é composto das características físicas do sistema, com uma apresentação do
setor elétrico em toda sua extensão. Em seguida, o módulo 2 complementa os dados apresentados,
pontuando aspectos regulatórios, em que é possível ver direitos e deveres tanto do consumidor quanto da
distribuidora responsável pelo trecho. Finalmente, apresentando uma análise de qualidade do produto
(energia) e do sistema, o módulo 3 é responsável por pontuar aspectos operacionais atribuídos pelo regulador.
Com isso, é possível observar que os módulos possuem relação em seus conteúdos apresentados, fazendo
indispensável que todos sejam devidamente estudados para melhor entendimento do seguinte.
Podcast
Para finalizar, ouça sobre a legislação e organização dos sistemas de distribuição de energia elétrica.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Explore a estrutura tarifária aplicada aos consumidores de baixa tensão proposta pela Aneel no site do órgão.
Note como a distribuição de energia e a legislação do sistema vêm sofrendo alterações com a inclusão de
fontes renováveis, principalmente geração distribuída; para isso, a Aneel propõe a Resolução 687/2015.
Observe como a compensação e controle de fator de potência é feita por Charles K. Alexander e Matthew N.
O. Sadiku no livro Fundamentos de Circuitos Elétricos.
Pesquise sobre qualidade do serviço na página da Aneel, buscando pelo Módulo 8 do Prodist.
Referências
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos. 5. ed. Porto Alegre: Amgh, 2013.
ANEEL. Resolução Normativa n. 414/2010. p. 205, 2010. Consultado em meio eletrônico em: 11 jan. 2021.
ANEEL. Os Procedimentos de Distribuição - PRODIST. Consultado em meio eletrônico em: 11 jan. 2021.
BOYLESTAD, R. L. Introdução a Análise de Circuitos Elétricos. 10. ed. Upper Saddle River: Prentice Hall/
Pearson, 2004.
BRASIL. Resenha Energética Brasileira: Oferta e Demanda de Energia; Instalações Energéticas; Energia no
Mundo. Brasília, DF. Consultado em
meio eletrônico em: 14 dez. 2020.
ELETROBRÁS. Planejamento de Sistemas de Distribuição. Rio de Janeiro: Campus, 1982.
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Anuário Estatístico de Energia Elétrica. Rio de Janeiro, 2020.
Consultado em meio eletrônico em: 14 dez. 2020.
KAGAN, N.; OLIVEIRA, C. C. B.; ROBBA, E. J. Introdução aos Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica. 1. ed.
São Paulo: Blucher, 2005.
PIMENTA, A. P. A. Legislação Básica do Setor Elétrico. 2010. Consultado em meio eletrônico em: 14 dez. 2020.
Legislação e organização dos sistemas de distribuição de energia elétrica
1. Itens iniciais
Propósito
Preparação
Objetivos
Conteúdo interativo
1. Sistema de distribuição de energia elétrica
Estrutura organizacional, áreas de atuação e responsabilidades inerentes
Conteúdo interativo
O setor elétrico: estrutura organizacional
Início do século XX
Investimento estatal
Reestruturação do setor elétrico
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)
Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)
Ministério de Minas e Energia (MME)
Empresa de Pesquisa Energética
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
Responsável por operar e coordenar o sistema elétrico brasileiro; entre as tarefas do órgão estão o planejamento e a operação dos sistemas e a administração de novas instalações.
Agência Nacional de EnergiaElétrica
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica
Composição do sistema elétrico
Geração
Transmissão
Distribuição
Sistema de distribuição
Sua constituição é dada por equipamentos responsáveis por transportar a energia do sistema de transmissão aos centros de consumo, como cabos, transformadores, medidores, dispositivos responsáveis pela proteção e pelo controle.
Composição estrutural do sistema de distribuição e funções
Subtransmissão ou distribuição em alta tensão
Subestações de distribuição (SE)
Distribuição primária: inferior a 1kV
Atende aos consumidores primários, transformadores de distribuição e estações transformadoras que suprem a rede secundária. Por consumidores primários podem ser identificadas as indústrias de médio porte, shoppings (conjuntos comerciais) e iluminação pública. A energia pode ser distribuída em arranjos aéreos ou subterrâneos.
Distribuição secundária
Comentário
Funções atribuídas às distribuidoras
Mercado de energia
Verificando o aprendizado
A distribuição da energia elétrica ao consumidor cativo só é possível após a energia passar por:
(Termorio, 2009) Com o advento das Leis n. 10.847 e n. 10.848 de 2004, deu-se início à implantação do novo modelo institucional do setor elétrico. O Mercado Atacadista de Energia (MAE) foi extinto e novos agentes institucionais foram criados, além das atribuições de outros agentes existentes terem sido alteradas. Com relação à comercialização de energia elétrica no atual modelo institucional, o órgão sucessor do MAE, que tem por finalidade viabilizar a comercialização de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, é a(o):
2. Legislação básica vigente
Legislação básica vigente
Conteúdo interativo
ANEEL
Isso é feito por meio da publicação de decretos e resoluções normativas, que são constantemente revisados e atualizados; por meio deles, são publicados procedimentos operativos que devem ser cumpridos pelos responsáveis de cada setor.
Regulação do serviço de distribuição
Principais atividades:
Procedimentos da Distribuição – Prodist
Resolução Normativa n. 414/2010
Direitos
Responsabilidades
Grupos contratuais e estrutura tarifária
Grupo A – Consumo de energia em média ou alta tensão
Grupo B – Consumo de energia em baixa tensão
Comentário
Verificando o aprendizado
(Petrobras,2015) Considerando-se a estrutura institucional atual do setor elétrico brasileiro, o órgão que, entre outras funções, define as diretrizes para os procedimentos licitatórios e promover as licitações destinadas à contratação de concessionários de serviço público para produção, transmissão e distribuição de energia elétrica é:
(COPEVE/UNIFAL,2011) A estrutura tarifária, conjunto de tarifas aplicáveis às componentes de consumo de energia elétrica e/ou demanda de potência ativas, de acordo com a modalidade de fornecimento, é caracterizada pela aplicação de tarifas de consumo de energia elétrica e/ou demanda de potência independentemente das horas de utilização do dia e dos períodos do ano. No mesmo sentido, a estrutura tarifária horosazonal caracteriza-se pela aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica e de demanda de potência, de acordo com as horas de utilização do dia e dos períodos do ano. Acerca disso, considere as seguintes definições:1. Tarifa Verde: modalidade estruturada para aplicação de tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com as horas de utilização do dia e os períodos do ano, bem como de uma única tarifa de demanda de potência.2. Horário de ponta (P): período definido pela concessionária e composto por 3 (três) horas diárias consecutivas, exceção feita aos sábados, domingos, terça-feira de carnaval, sexta-feira da Paixão, Corpus Christi, dia de finados e os demais feriados definidos por lei federal, considerando as características do seu sistema elétrico.3. Horário fora de ponta (F): período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta.Faz(em) parte da estrutura tarifária horosazonal, entre outras, a(s) tarifa(s) apresentada(s):
3. Itens de controle e índices de qualidade e confiabilidade
Itens de controle
Conteúdo interativo
Principais itens a serem controlados em um sistema de distribuição:
Módulo 8 do Prodist – qualidade da energia
Qualidade do produto
Controle dos níveis de tensão
Esse valor deve ser medido em toda a rede, cabendo à distribuidora aplicar medidas e recursos para garantir que eles se encontrem dentro do estipulado pela Aneel.
Comentário
Atenção
Controle do fator de potência
DTT
DTTP
DTTi
DTT3
Comentário
Controle de desequilíbrio de tensão
Qualidade do serviço
Confiabilidade
Análise da falta
Na ocorrência de uma falha em algum equipamento ou trecho, a proteção seguindo o defeito em sentido à fonte irá atuar para cessar a alimentação; outras proteções vão atuar no sentido de buscar caminhos alternativos para alimentar cargas que possam vir a perder a alimentação.
Tempo de restauração
A análise dessa falta, já apresentada, permite concluir que o ponto de carga 01 terá a energia suspensa e aguardará o reparo do trecho, enquanto o ponto 02 tem a possibilidade de ser atendido por um caminho alternativo dado a atuação de um chaveamento.
Comentário
Tempo Médio de Preparação
Tempo Médio de Deslocamento
Tempo Médio de Execução
Tempo Médio de Atendimento
Ocorrências Emergenciais com interrupção de Energia
Verificando o aprendizado
(FAURGS,2012) Assinale a alternativa que apresenta os indicadores individuais de continuidade de fornecimento de energia elétrica que avaliam a qualidade do fornecimento e subsidiam o cálculo da tarifa de energia elétrica.
Questão 2
(Adaptado da Aneel) Considere o diagrama abaixo e depois marque a alternativa correta.
As linhas 1, 2 e 3 possuem registros onde falham em uma razão de 0.04 vezes ao ano. Como não há alimentação secundária, o defeito, ainda que isolado, promove o corte de todos os pontos. Calcule os indicadores de qualidade individuais e coletivos para esse sistema. Atribui-se a duração da falta de 5 horas e 1 hora para chavear e um período de avaliação anual.
4. Conclusão
Considerações finais
Podcast
Conteúdo interativo
Explore +
Referências