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EIXO TEMÁTICO - EDUCAÇÃO
Apesar de o conceito de cidadania ser central na agenda intelectual
e política das sociedades contemporâneas, e de cruzar a cada dia
novas fronteiras, ganhando mais espaço nas democracias
representativas, não existe uma definição consensual ou mesmo
análises definitivas da sua história. Uma história de longuíssima
duração, é verdade, uma vez que, se a palavra cidadão vem do latim
civitas, o conceito remonta à Antiguidade, e na civilização grega
adquiriu os significados de liberdade, igualdade e virtudes
republicanas, ainda hoje a ele associados. O ponto inicial dessa
história do conceito de cidadania pode ser localizado nas primeiras
páginas do livro iii da Política de Aristóteles. Logo a princípio, o
filósofo divide o problema em dois: quem é o cidadão; quem ou
qual pessoa deve ser chamado de cidadão. À primeira pergunta,
Aristóteles responde que “ser cidadão” significa ser titular de um
poder público não limitado e participar de modo estável do poder
de decisão coletiva. Já para a segunda questão, os critérios parecem
mais restritos, limitando-se a um pequeno número de homens,
excluídos aqueles que viviam do próprio trabalho, as mulheres, os
escravos e os estrangeiros.
 BOTELHO, A. SCHWARCZ. L. Cidadania e direitos: aproximações e relações.
 
José Murilo de Carvalho faz uma análise política da sociedade brasileira e
detecta a presença constante de pelo menos duas grandes anomalias no
processo de implantação e de desenvolvimento da cidadania no Brasil. A
primeira anomalia consistiria na existência de uma defasagem
permanente entre os direitos legalmente declarados e os direitos
efetivamente exercidos, ou melhor, numa contradição persistente entre o
"país legal" e o "país real". A segunda anomalia consistiria numa inversão
constante da ordem normal de implantação de diversos elencos de
direitos. Assim, por exemplo, amplas liberdades políticas ter-se-iam
instaurado em pleno Império, isso ocorrendo paradoxalmente numa
sociedade (escravocrata) que negava liberdades civis elementares a
escravos e a homens livres pobres. Além disso, os direitos políticos teriam
passado por sucessivos avanços e recuos (o que implicaria a alternância, na
história política do Brasil, de períodos democráticos e de períodos
ditatoriais). Finalmente, importantes elencos de direitos sociais teriam sido
concedidos, a título compensatório, por dois regimes ditatoriais: o Estado
Novo e o regime militar de 1964-1984 (o que significaria uma antecipação
anômala da instauração de direitos sociais sobre a de direitos políticos).
Como Carvalho explica tais anomalias? Na reflexão sobre as causas
históricas desse desvio, o autor recorre em primeira instância ao tema da
carência relativa de lutas populares pela conquista de direitos no Brasil;
carência essa que se evidenciaria na comparação com o caso inglês, no
qual avulta a importância, no processo de conquista de direitos, de
movimentos populares como o cartismo, numa primeira etapa, e o
trabalhismo organizado em partido político, numa segunda etapa. Porém,
é um fator cultural de natureza transhistórica que explica em última
instância, segundo Carvalho, não só tal carência de lutas populares pela
cidadania como também, de um modo mais geral, as anomalias da
implantação e do desenvolvimento da cidadania no Brasil. Esse fator seria
a cultura política ibérica: ela teria transmitido ao Brasil, desde o início da
colonização, um ideal de comunidade paternalista, no qual não há lugar
para a luta pela conquista de direitos, substituída esta pela distribuição de
favores por parte dos de cima e pela manifestação de lealdade ou gratidão
por parte dos de baixo.
https://www.scielo.br/j/ea/a/4tXzWL8S6w3q59BHL4Pc99h/?lang=pt
TEMA 1 
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma
dissertação, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o seguinte tema:
“A importância do conhecimento de direitos para a construção da cidadania"
Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto:
reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é
também indispensável para o próximo. Esta me parece a essência
do problema, inclusive no plano estritamente individual, pois é
necessário um grande esforço de educação e autoeducação a fim
de reconhecermos sinceramente este postulado. Na verdade, a
tendência mais funda é achar que os nossos direitos são mais
urgentes que os do próximo. Nesse ponto, as pessoas são
frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. Elas afirmam
que o próximo tem direito, sem dúvida, a certos bens
fundamentais, como casa, comida, instrução, saúde –, coisas que
ninguém bem formado admite hoje em dia que sejam privilégio de
minorias, como são no Brasil. Mas será que pensam que seu
semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os
quartetos de Beethoven? Apesar das boas intenções no outro setor,
talvez isto não lhes passe pela cabeça. E não por mal, mas somente
porque quando arrolam os seus direitos não estendem todos eles
ao semelhante. Ora, o esforço para incluir o semelhante no mesmo
elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os
direitos humanos.
CANDIDO, A. Direito à Literatura.
TEXTO 1 TEXTO 2
TEXTO 3
Os movimentos sociais têm um importante papel a ser exercido tomando
como base um novo conceito de planejamento público marcado pela
participação popular, que, como o próprio nome sugere, exige a
participação dos movimentos sociais que, bem antes do processo de
redemocratização e sobretudo por ocasião da Assembleia Nacional
Constituinte de 1987, que promulgou a Constituição Federal de 1988, vem
desempenhando um papel fundamental para consolidação do nosso
Estado Democrático de Direito. Além disso, os movimentos sociais
ampliam, aprofundam e redefinem “a Democracia tradicional do Estado
político e a democracia econômica para uma democracia civil numa
sociedade civil”. E para que este papel possa se efetivar, não temos dúvida
do quão importante a ideia de uma educação dos movimentos populares
se torna fundamental e necessária. Uma Educação voltada para o exercício
da cidadania em seu sentido mais pleno, em que os cidadãos
efetivamente participam das decisões políticas que os afetam. Uma
concepção de cidadão enquanto sujeito político que exige “uma revisão
profunda na relação tradicional entre educação, cidadania e participação
política”.
https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/breve-historia-dos-movimentos-sociais-no-brasil/
TEXTO 4
TEXTO 5
A T E L I Ê D A R E D A Ç Ã O
A P O S T I L A 2 0 2 3
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