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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA ÚNICA DA COMARCA DO MUNICÍPIO ALFA PEDRO CAMÕES, nacionalidade, estado civil, profissão, portador do RG n. …, inscrito no CPF sob o n. …, e-mail …, residente e domiciliado na …, por seu advogado legalmente constituído (procuração anexa), com escritório profissional situado na …, onde receberá as intimações de estilo, vem, com fundamento no art. 38 da Lei n. 6.380/1980 e nos arts. 300 e 303 do Código de Processo Civil, à presença de Vossa Excelência propor a presente: AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA em face do MUNICÍPIO ALFA, pessoa jurídica de direito público interno, a ser citado na pessoa de seu representante legal, com domicílio no endereço de sua repartição, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. 1. DO CABIMENTO E DA TEMPESTIVIDADE A presente ação de anulação de débito fiscal é cabível, nos termos do art. 38, caput, da Lei n. 6.380/1980, em razão da notificação recebida pelo autor para pagamento de tributo do qual não é contribuinte ou responsável pelo fato gerador da cobrança, que enseja a necessidade de produção de laudo pericial. Quanto à tempestividade, observa-se o prazo legal de 5 (cinco) anos para a propositura da presente ação, conforme prevê no Art. 1º do Decreto nº 20.910, o que restou devidamente observado. Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Art. 1 - As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 2. DOS FATOS O Autor é proprietário de imóvel localizado no bairro Beta, no Município Alfa, onde reside com sua família. Em 15/04/2022, foi surpreendido ao receber em sua residência notificação acompanhada de guia de recolhimento de Contribuição de Melhoria no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), expedida pela Secretaria Municipal de Fazenda, em razão de obra pública realizada pela municipalidade. O tributo foi instituído pela Lei Municipal n. 12.345/22, publicada em 10/01/2022, e deveria ser quitado em até três parcelas mensais e sucessivas, vencendo a primeira em 30/04/2022. Além disso, o imóvel do Autor está situado no bairro Beta, distante do bairro Gama, onde se localiza o Parque Municipal da Liberdade, objeto da obra de iluminação, arborização e recuperação, custeada pela contribuição de melhoria. Evidente, assim, que seu imóvel não se encontra na zona de efetivo benefício da intervenção pública. Não bastasse, o valor exigido – R$ 15.000,00 – supera em mais de dez vezes a valorização real do bem no último ano. Ressalte-se que eventual acréscimo de valor do imóvel decorreu exclusivamente das condições do mercado imobiliário local, e não de qualquer relação com a obra mencionada. Por fim, verificou que o somatório dos valores cobrados de todos os contribuintes constantes do edital excede em 50% o custo total da obra, o que revela flagrante ilegalidade, visto que a Constituição e o CTN proíbem que a cobrança ultrapasse as despesas realizadas pela Administração. O Autor encontra-se, ainda, em vias de alienar seu imóvel e necessita de certidões negativas ou positivas com efeito de negativa para a formalização da venda, razão pela qual não pode permanecer sujeito à indevida cobrança. Para comprovar a ausência de valorização decorrente da obra, será imprescindível a realização de prova pericial imobiliária por profissional habilitado. Diante desse cenário, não restou ao Autor alternativa senão recorrer ao Judiciário para ver resguardados seus direitos. 3. DA ANULABILIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL O lançamento fiscal deve ser anulado pelos seguintes fundamentos jurídicos: I. Violação ao princípio da anterioridade anual A contribuição de melhoria foi cobrada de forma ilegal, tendo em vista que a lei que instituiu a contribuição foi publicada em 10/01/2022, razão pela qual a cobrança em 2022 viola o princípio da anterioridade anual, sendo impossível a exigência antes de 01/01/2023, preconiza o art. 150, inciso III e alínea “b” Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Hugo de Brito Machado ensina que “a anterioridade é uma das mais importantes garantias do contribuinte contra abusos de poder tributário, evitando surpresas e assegurando previsibilidade no planejamento econômico” (Curso de Direito Tributário, 38ª ed., p. 163). II. Cobrança de contribuição de melhoria sobre imóvel situado fora da zona beneficiada Nos termos do art. 145, III, da CF/88 e do art. 81 do CTN, a contribuição de melhoria somente pode ser exigida de proprietários de imóveis diretamente beneficiados pela obra pública. No caso, o imóvel do Autor está situado em bairro diverso, sem qualquer valorização decorrente da obra. III. Necessidade de limitação da cobrança à valorização individual do imóvel Ainda que se admitisse algum benefício, a cobrança não pode exceder a valorização efetiva do bem, sob pena de enriquecimento ilícito do ente público. O valor lançado (R$ 15.000,00) supera em mais de dez vezes a valorização apurada no mercado, o que é vedado pelo art. 145, III, da CF/88 e art. 81 do CTN. IV. Impossibilidade de cobrança em valor superior ao custo total da obra Por fim, a soma das contribuições exigidas de todos os contribuintes não pode ultrapassar o custo da obra, conforme dispõe o art. 82, §1º, do CTN. O excesso de 50% verificado na presente cobrança revela clara ilegalidade. Assim, Roque Carrazza ressalta que “a contribuição de melhoria está submetida a um duplo limite: o custo da obra e a valorização individual do imóvel, de modo que a superação de qualquer desses marcos torna a cobrança ilegítima” (Curso de Direito Constitucional Tributário, 31ª ed., p. 678). Consoante julgado colacionado abaixo, além da necessidade da comprovação da valorização do imóvel, é preciso que se comprove o nexo de causalidade entre a obra pública e a valorização do bem privado, para a exigibilidade da cobrança, vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. REQUISITOS. NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A OBRA E A VALORIZAÇÃO DO IMÓVEL. PROVA QUE COMPETE AO ENTE TRIBUTANTE. REEXAME. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Para ser válida a contribuição de melhoria, é imprescindível, além da realização de obra pública e da efetiva constatação de valorização do imóvel, a comprovação de nexo de causalidade entre esses dois fatos, ou seja, a prova de que a valorização decorreu estritamente da obra levada a efeito pelo ente tributante, a quem compete o ônus da prova. 2. Diferentemente do que se afirma no recurso especial, conclusão diversa da manifestada pela instância de origem a respeito da moldura fática da causa demandaria reexame de questões probatórias, expediente inviável no âmbito do apelo nobre, a teor do entendimento firmado na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 417.697/PR,Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 18/12/2013). Diante de tais fundamentos, resta clara a nulidade do lançamento fiscal impugnado. 4. DA TUTELA PROVISÓRIA Nos termos dos arts. 300 e 303 do CPC, encontram-se presentes os requisitos para concessão da tutela de urgência, haja vista: Fumaça do bom direito, configurada pela violação ao princípio da anterioridade anual, já que a contribuição de melhoria somente poderá produzir efeitos a partir de 01/01/2023; cobrança de contribuição de melhoria incidente sobre imóvel localizado fora da zona efetivamente beneficiada; necessidade de cobrança proporcional à valorização individual do imóvel, e não em 10 vezes o valor desta; impossibilidade de cobrança superior ao custo total da obra. Além disso, o perigo da demora, consubstanciado no risco de incidência de juros e multa caso a exigibilidade do crédito não seja suspensa. Dessa forma, é imperioso o deferimento da tutela para suspender a exigibilidade do crédito tributário até decisão final, com a expedição de certidão positiva com efeito de negativa (arts. 151, V, e 206 do CTN). 5. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer a Vossa Excelência: a) a citação da parte contrária para apresentar defesa no prazo legal; b) o reconhecimento do cabimento e da tempestividade da ação, nos termos do art. 38 da Lei n. 6.380/1980; c) o deferimento da tutela de urgência, nos termos dos arts. 300 e 303 do CPC, para suspender a exigibilidade do crédito tributário, com posterior confirmação e expedição de certidão positiva com efeito de negativa (arts. 151, V, e 206 do CTN); d) ao final, a procedência do pedido, com a anulação do lançamento em razão das violações jurídicas acima elencadas; e) a condenação da parte contrária ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, na forma do art. 85, § 3º, do CPC; f) o deferimento da produção de todas as provas em direito admitidas (art. 319, VI, do CPC); g) a dispensa da audiência de conciliação, nos termos do art. 319, VII, do CPC; h) a intimação do advogado da parte autora no endereço constante dos autos (art. 106, I, do CPC). Atribui-se a causa o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) Nestes termos, pede deferimento. Local, data. Advogado OAB/…