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■ ESTUDÃO — DIREITO TRIBUTÁRIO CONSTITUCIONAL Legalidade Tributária + Anterioridade Tributária Objetivo: organizar o conteúdo da aula em um material de revisão para faculdade, OAB e concursos. Base central: Constituição Federal, especialmente art. 150, e Código Tributário Nacional, especialmente art. 97 e art. 113. 1. O que estamos estudando? O tema está inserido nas limitações constitucionais ao poder de tributar. A Constituição autoriza os entes federativos a instituírem e cobrarem tributos, mas impõe garantias destinadas a proteger o contribuinte. • Legalidade • Irretroatividade • Anterioridade anual • Anterioridade nonagesimal (noventena) • Isonomia • Não confisco • Liberdade de tráfego Foco deste estudão: princípio da legalidade tributária e princípios da anterioridade. 2. Princípio da Legalidade Tributária Regra fundamental: não existe instituição ou aumento de tributo sem lei que o estabeleça (art. 150, I, CF). Para decorar: tributo novo → lei. Tributo maior → lei. 2.1 O que a lei deve estabelecer? O art. 97 do CTN trata da reserva legal tributária. Entre os elementos relevantes estão: • Instituição do tributo. • Majoração do tributo. • Definição do fato gerador. • Fixação da alíquota. • Fixação da base de cálculo. • Definição do sujeito passivo. • Penalidades e outros elementos submetidos à reserva legal. A legalidade tributária, portanto, é uma legalidade estrita: a Administração não pode criar ou aumentar livremente tributos por simples decisão administrativa. 3. Lei ordinária × Lei complementar Regra: a maioria dos tributos pode ser instituída ou majorada por lei ordinária, salvo quando a Constituição exigir lei complementar. 3.1 Exemplos de exigência de lei complementar • Empréstimos compulsórios: dependem de lei complementar. • Impostos residuais da União: lei complementar, não cumulatividade e fato gerador/base de cálculo diferentes dos impostos já discriminados na Constituição. • Novas contribuições residuais da seguridade social: lei complementar. 4. Medida provisória e matéria tributária Medida provisória possui força de lei e pode tratar de matéria tributária em determinadas situações, observadas as regras constitucionais. Para impostos instituídos ou majorados por MP, deve-se observar a disciplina do art. 62, §2º, da Constituição. Pegadinha: “MP nunca pode tratar de tributos” → errado. 5. Exceções à legalidade — alteração de alíquotas A Constituição permite ao Poder Executivo alterar determinadas alíquotas, observadas as condições e os limites estabelecidos em lei. • II — Imposto de Importação • IE — Imposto de Exportação • IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados • IOF — Imposto sobre Operações Financeiras Macete: II + IE + IPI + IOF = Executivo pode mexer na alíquota, dentro da autorização constitucional/legal. Cuidado: isso não significa que o Executivo possa criar livremente esses impostos ou alterar qualquer elemento da obrigação tributária por decreto. 6. CIDE-combustíveis A Constituição prevê regra específica para a CIDE-combustíveis: as alíquotas podem ser reduzidas e restabelecidas por ato do Poder Executivo, conforme art. 177, §4º. Macete: CIDE-combustíveis → redução e restabelecimento de alíquota nas hipóteses constitucionais. Atenção: não transforme essa autorização em uma permissão genérica para aumentar tributo por decreto. 7. Atualização da base de cálculo A simples atualização do valor monetário da base de cálculo, conforme índice oficial e nos limites admitidos, não se confunde com majoração real do tributo. Pegadinha: atualização monetária ≠ aumento automático de tributo. Se houver verdadeira reavaliação econômica da base de cálculo com aumento real da carga tributária por ato que não possua suporte legal adequado, pode surgir violação à legalidade. 8. Obrigações acessórias — art. 113 do CTN O CTN diferencia obrigação principal e obrigação acessória. 8.1 Obrigação principal Relaciona-se ao pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. 8.2 Obrigação acessória Consiste em prestações positivas ou negativas previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos. • Emitir nota fiscal. • Entregar declarações. • Manter escrituração. • Prestar informações ao Fisco. O descumprimento da obrigação acessória pode gerar penalidade pecuniária, convertendo-se em obrigação principal quanto à multa. 9. Alteração do prazo de pagamento A alteração do prazo de recolhimento, por si só, não representa instituição ou majoração do tributo. Súmula Vinculante 50 do STF: norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Macete: mudou apenas o prazo de pagamento → não aplica anterioridade. 10. Princípio da Anterioridade A anterioridade protege o contribuinte contra a surpresa tributária. Como regra, o Estado não pode criar ou aumentar tributo e cobrar imediatamente. 10.1 Anterioridade anual Art. 150, III, “b”, CF: o tributo não pode ser cobrado no mesmo exercício financeiro em que foi publicada a lei que o instituiu ou aumentou. Exemplo: lei publicada em 10/08/2030 → regra geral: cobrança a partir de 2031. 10.2 Anterioridade nonagesimal Art. 150, III, “c”, CF: deve-se respeitar o prazo mínimo de 90 dias entre a publicação da lei e a cobrança, ressalvadas as exceções constitucionais. Macete: noventena = conte 90 dias. 11. Regra geral: as duas anterioridades Quando o tributo está sujeito às duas modalidades, devem ser satisfeitas ambas: anterioridade anual + anterioridade nonagesimal. Em termos práticos: a cobrança somente pode começar quando os dois requisitos estiverem cumpridos. 12. Exceções à anterioridade anual Principais exceções constitucionais: • II — Imposto de Importação. • IE — Imposto de Exportação. • IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados. • IOF — Imposto sobre Operações Financeiras. • IEG — Imposto Extraordinário de Guerra. • Empréstimo compulsório nas hipóteses constitucionais do art. 148, I. Macete: II + IE + IPI + IOF + IEG + EC-I. 13. Exceções à anterioridade nonagesimal • II — Imposto de Importação. • IE — Imposto de Exportação. • IR — Imposto de Renda. • IOF — Imposto sobre Operações Financeiras. • IEG — Imposto Extraordinário de Guerra. • Empréstimo compulsório na hipótese de guerra externa ou calamidade pública. 14. A grande pegadinha: IPI × IR 14.1 IPI IPI = não respeita anterioridade anual, mas respeita a noventena. Portanto: IPI → ■ anual + ■ 90 dias. 14.2 IR IR = respeita anterioridade anual, mas não respeita a noventena. Portanto: IR → ■ anual + ■ 90 dias. 15. Tabela de memorização Tributo Anual 90 dias II ■ ■ IE ■ ■ IPI ■ ■ IOF ■ ■ IR ■ ■ IEG ■ ■ Regra geral ■ ■ 16. IPVA e IPTU — atenção A Constituição estabelece exceção específica relacionada à fixação da base de cálculo de IPVA e IPTU em relação à anterioridade nonagesimal. Não confunda: fixação da base de cálculo ≠ aumento da alíquota. A situação concreta precisa ser analisada conforme a regra constitucional. 17. CIDE-combustíveis e anterioridade A CIDE-combustíveis possui disciplina constitucional específica para redução e restabelecimento de alíquotas. Em questões, identifique primeiro qual alteração ocorreu: criação, aumento, redução, restabelecimento ou mudança de prazo. Não basta decorar “CIDE tem/não tem anterioridade”; é necessário identificar a hipótese constitucional. 18. IEG — Imposto Extraordinário de Guerra A União pode instituí-lo na iminência ou no caso de guerra externa, conforme art. 154, II, da Constituição. É exceção às anterioridades anual e nonagesimal. 19. Empréstimo compulsório O art. 148 da Constituição prevê hipóteses de empréstimo compulsório. • Guerra externa ou sua iminência. • Calamidade pública. • Investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. A hipótese do art. 148, I possui tratamento constitucional excepcional quanto à anterioridade. Já a hipótese de investimento público do art. 148, II deve observar a anterioridade anual. 20. Como resolverquestões de prova Passo 1: Houve instituição ou aumento de tributo? Se não, provavelmente não há anterioridade. Passo 2: O tributo é exceção à anterioridade anual? Passo 3: O tributo é exceção à anterioridade nonagesimal? Passo 4: Se estiver sujeito às duas, aguarde o cumprimento das duas. Passo 5: Verifique se a questão trata de mera alteração de prazo, atualização monetária ou outra situação que não represente instituição/majoração. 21. Pegadinhas de prova • “Todo tributo só pode ter alíquota alterada por lei.” → Cuidado: II, IE, IPI e IOF possuem exceção constitucional. • “IPI não respeita anterioridade.” → Incompleto: não respeita anual, mas respeita noventena. • “IR respeita noventena.” → Errado: IR é exceção à noventena. • “Alteração do prazo de pagamento precisa esperar 90 dias.” → Errado: Súmula Vinculante 50 do STF. • “Atualização monetária da base de cálculo sempre significa aumento.” → Errado: mera atualização monetária não constitui majoração. • “Medida provisória nunca pode tratar de tributos.” → Errado: há hipóteses admitidas pela Constituição. 22. Plano de estudo em 4 blocos Bloco 1 — Legalidade • Art. 150, I, CF. • Art. 97, CTN. • Lei ordinária e lei complementar. • Medida provisória. • II, IE, IPI, IOF. • CIDE-combustíveis. • Atualização da base de cálculo. • Obrigações acessórias. Bloco 2 — Anterioridade • Art. 150, III, “b”. • Anterioridade anual. • Art. 150, III, “c”. • Anterioridade nonagesimal. Bloco 3 — Exceções • II, IE, IPI, IOF, IR, IEG. • Empréstimo compulsório. • IPVA/IPTU — base de cálculo. Bloco 4 — Jurisprudência • Súmula Vinculante 50 do STF. • Regras do CTN sobre atualização monetária da base de cálculo. 23. Resumão de 30 segundos LEGALIDADE: criou/aumentou → regra geral exige lei. II, IE, IPI e IOF: Executivo pode alterar alíquotas dentro das condições legais/constitucionais. ANUAL: não cobra no mesmo exercício. NOVENTENA: espera 90 dias. IPI: ■ anual + ■ 90 dias. IR: ■ anual + ■ 90 dias. II, IE, IOF e IEG: ■ anual + ■ 90 dias. PRAZO DE PAGAMENTO: simples alteração do prazo não se sujeita à anterioridade. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA: não é, por si só, majoração do tributo. 24. Macetes finais ■ LEGALIDADE: “CRIOU/AUMENTOU? LEI!” ■ ANUAL: “NÃO COBRA NO MESMO ANO.” ■ NOVENTENA: “CONTA 90 DIAS.” ■ IPI: “IPI espera 90.” ■ IR: “IR espera o ano.” ■ II / IE / IOF: “escapam das duas anterioridades.” ■ PRAZO: “mudou o prazo? SV 50: sem anterioridade.” Material de revisão: elaborado a partir do conteúdo visual da aula e organizado didaticamente para estudo. Para provas, confira sempre a redação atualizada da Constituição Federal, do CTN e da jurisprudência aplicável.