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TURISMO, MEIO AMBIENTE E 
SUSTENTABILIDADE 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Aline Maria Biagi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A inclusão social de todos os atores envolvidos no processo de 
elaboração do planejamento turístico é de grande importância. A união de forças 
ajuda para que o turismo seja democrático, tanto para quem visita quanto para 
as comunidades receptoras. 
Para que isso aconteça, existem alguns segmentos e orientações no 
planejamento turístico para que todos os atores envolvidos caminhem para o 
mesmo objetivo de propagar o turismo local e fazer com que cada visitante saia 
com uma maior conexão com o meio ambiente e a conservação da natureza. 
CONTEXTUALIZANDO 
A execução do turismo conta com o trabalho de vários atores e segmentos 
da sociedade para o seu pleno desenvolvimento. Esses atores vão desde os 
órgãos públicos e empresas voltadas a serviços de estadia até as comunidades 
locais e ONGs de cunho socioambiental. 
Visando que a atividade turística, mais do que levar um visitante de um 
local para outro, roteiros voltados a experiências socioambientais possuem 
ferramentas e segmentos específicos que são importantes apoios na relação 
entre turismo e conscientização ambiental. Vamos conhecer um pouco mais 
dessa relação entre os atores envolvidos na atividade turística e nos roteiros 
socioambientais. 
TEMA 1 – A RELAÇÃO ENTRE ATORES SOCIAIS, TURISMO E 
SUSTENTABILIDADE: CIDADÃO, COMUNIDADES E ORGANIZAÇÕES 
PRIVADAS 
O turismo é apresentado como um fenômeno que possui diversos 
contextos, entre eles: o contexto histórico, o econômico-administrativo, o 
filosófico-político-sociológico e o ambiental. Esses contextos são 
interdependentes e interagem entre si, “ora se complementando, ora se 
contradizendo” (Sampaio, 2007, p. 149). 
Porém, existe uma crítica em relação a uma maior vantagem para quem 
se desloca, e não para quem recebe. Dessa forma, é colocado que as 
Highlight
 
 
3 
comunidades receptoras e os recursos naturais nessas comunidades estariam à 
disposição de pessoas que se deslocam a esses territórios (Sampaio, 2007). 
Por esse viés, o planejamento turístico acaba por privilegiar os atores que 
se deslocam (turista) em detrimento dos que recebem (comunidades 
autóctones). E, em boa parte, as comunidades são medidas sob a perspectiva 
econômica reducionista, que privilegia os resultados econômicos de curto prazo 
e ignora os resultados socioambientais de médio e longo prazo. Isso dimensiona 
apenas a infraestrutura turística, como acessos, estrutura urbana básica, 
equipamentos e serviços turísticos e de apoio (Sampaio, 2007). 
Esse foco estritamente econômico na atividade turística, visando apenas 
o curto prazo, acaba por prejudicar a própria viabilidade econômica do 
empreendimento turístico. Um exemplo disso está nas 
[…] comunidades receptoras localizadas em zona costeira brasileira — 
muitas delas — estão sujeitas às condições inadequadas de 
balneabilidade e acabam afugentando os turistas; ou, ainda, tornando 
o turismo uma atividade empresarial predominantemente sazonal, 
restrita aos meses de verão, sujeitando as comunidades a conviver nas 
demais estações do ano com o subtrabalho ou com o não trabalho ou, 
mesmo, com a descaracterização de atividade principal — a pesca. 
(Sampaio, 2007, p. 150-151) 
O crescimento do turismo sem considerar a capacidade de carga 
ecológica e as mazelas sociais provenientes de um ecossistema exaurido é um 
problema em muitos locais. Javarini et al. (2022), a partir de uma revisão 
bibliográfica sobre turismo, sustentabilidade e governança, apontam um 
problema que é amplamente discutido na literatura, o turismo de massa 
(overtourism), que afeta muitos destinos populares no mundo, como Amsterdã, 
Veneza e Atenas. 
Os impactos negativos que o turismo excessivo traz para os destinos são 
de ordem socioeconômica, cultural e ambiental, resultando em efeitos 
inflacionários no preço da habitação, diminuição do poder de compra dos 
residentes e terceirização da força de trabalho. Além disso, há impactos 
climáticos e ambientais, uma vez que o turismo demanda muita energia e 
consumo de combustível (Javarini et al., 2022, p. 8). 
Um desafio encontrado na dimensão social do turismo é a criação de 
organizações comunitárias para a gestão turística sustentável, um processo 
lento de convencimento no qual os atores se transformam em reivindicadores. A 
dimensão social do turismo baseia-se em mudanças sociais geradas por 
 
 
4 
políticas públicas e planejamento estratégico nos processos sistêmicos e 
cooperativos de ordenação do turismo (Javarini et al., 2022, p. 6). 
Considera-se que a verdadeira autonomia dos sujeitos só pode ser 
alcançada por meio da participação social no processo de tomada de decisão e 
construção regional, garantindo a adaptação às mudanças contínuas 
decorrentes do dinamismo global. Destaca-se que esse processo de 
participação é lento e busca recuperar a capacidade de organizar e construir o 
território (Javarini et al., 2022, p. 6). 
Essa relação entre visitantes e comunidades interage com diversos atores 
no processo de organização e normatização das atividades. Abordaremos mais 
sobre isso no próximo tópico. 
TEMA 2 – A RELAÇÃO ENTRE ATORES SOCIAIS E SUSTENTABILIDADE: 
ORGANIZAÇÕES PÚBLICAS E DO TERCEIRO SETOR 
O turismo também é visto como um fenômeno humano, levando em 
consideração a necessidade de considerar os interesses das comunidades 
receptoras ao tomar decisões sobre as diretrizes políticas (Sampaio, 2007). 
O turismo engloba diferentes atores sociais (comunidade, turistas, poder 
público), e cada um desses atores pode ter expectativas diferentes e, muitas 
vezes, divergentes. Conciliar esses interesses no que diz respeito ao 
ordenamento territorial pelo e para o turismo deve ser um ponto norteador do 
planejamento, uma vez que “para que um local seja considerado atraente 
turisticamente, deve possuir as condições básicas para satisfazer as 
necessidades dos turistas” (Moreira, 2014, p. 20). 
Santos e Cândido (2014, p. 18), com base em diversos autores, apontam 
que “o alcance do turismo sustentável está relacionado ao envolvimento da 
comunidade local e das empresas da iniciativa privada, juntamente com os 
órgãos públicos responsáveis por seu planejamento”, uma vez que, quando o 
turismo se desenvolve com base em planejamento, é mais fácil minimizar 
impactos negativos e maximizar o retorno econômico. 
São considerados atores sociais importantes as três esferas que incluem 
o poder público, as empresas e a comunidade local. Cada um desses atores 
possui papéis e objetivos diferentes, mas são interdependentes entre si, 
 
 
5 
buscando uma atividade turística sustentável (Santos; Candido, 2014). O Quadro 
1 apresenta resumidamente os papéis a serem desenvolvidos por cada um 
desses atores para alcançar o turismo sustentável. 
Quadro 1 – Resumo dos papéis dos atores envolvidos no desenvolvimento do 
turismo sustentável 
Papéis dos atores para o alcance do Turismo Sustentável 
Governo 
Devem garantir os direitos civis, sociais e políticos de todos os 
cidadãos; elaborar políticas públicas, programas de educação 
ambiental e de incentivo ao turismo sustentável; incentivar 
pesquisas científicas voltadas para a temática; fiscalizar o 
cumprimento das leis ambientais etc. 
Empresas 
Englobam as agências de viagens, hotéis, pousadas, 
restaurantes, entre outras empresas ligadas à atividade, 
levando em consideração os aspectos ambientais, sociais e 
econômicos, mas não se preocupar apenas em obter lucro. 
Devem desenvolver práticas socioambientais capazes de 
desempenhar um melhor papel no âmbito coletivo com vistas 
a uma melhoria na performance dessas organizações. 
Sociedade 
Civil 
Além de realizar associações que visem a luta por seus 
direitos, devem individualmente agir como cidadão consciente 
da responsabilidade em relação àsoutras pessoas e ao meio 
ambiente. A comunidade local não deve permitir que seus 
costumes, valores, culturas, entre outros aspectos, sejam 
corrompidos frente ao turismo. 
Turistas 
Devem agir como cidadãos conscientes e realizar suas 
atividades turísticas de modo a não causar danos ambientais e 
sociais aos locais visitados. 
Fonte: elaborado com base em Santos e Cândido (2014). 
Figueiredo (2022, on-line), em uma pesquisa considerando o contexto da 
Amazônia, aponta que quando observadas a partir das políticas públicas 
voltadas às atividades turísticas, são muitos os agentes que formaram e formam 
o campo das práticas turísticas. Entre eles estão instituições como a Sudam, 
ministérios como o Ministério do Meio Ambiente, Turismo e Integração Nacional, 
Embratur, Ibama, governos estaduais, Organizações dos Estados Americanos, 
Sebrae e até mesmo ONGs que atuam como catalisadores de experiências 
inovadoras de turismo, como o turismo de base comunitária. 
Highlight
 
 
6 
No que diz respeito às ONGs, comunidades indígenas, quilombolas e 
comunidades tradicionais de áreas naturais, “constroem aos poucos suas 
características autônomas, com a parceria de ONGs e políticas públicas 
oriundas de governos democráticos, no final do século XX e primeira década do 
século XXI, perpassadas pelas noções de sustentabilidade” (Figueiredo, 2022, 
on-line). 
São muitos os atores que formam a base do turismo e, nesse processo, 
vários novos objetos e tipos de roteiros vão se formando. Abordaremos alguns 
deles. 
TEMA 3 – PROTAGONISMO LOCAL: O TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA 
Ao observar o turismo como um fenômeno ambiental, surge a questão de 
que a temática do turismo recebe uma ênfase maior quando vista como uma 
atividade tipicamente econômica (a indústria do turismo), em comparação com 
o turismo como uma atividade ecossocioeconômica, na qual se insere o turismo 
de base comunitária (Sampaio, 2007). 
O turismo de base comunitária é baseado 
[…] na relação dialética entre turista e comunidade receptora (e não na 
sobreposição de comunidade ao turista), ambos considerados agentes 
de ação ecossocioeconômica, repensando as bases de um novo tipo 
de desenvolvimento — regulando padrões de consumo e estilos de 
vida — e de um conjunto de funções produtivas e socioecológicas — 
regulando a oferta de bens de serviço, e seus impactos ambientais. 
(Sampaio, 2007, p. 157) 
O turismo de base comunitária é norteado pelos princípios da 
participação, cooperação, autossustentação e universalidade. Dessa forma, é 
concebido como um turismo com foco no interesse do grupo social e no 
protagonismo voltado ao desenvolvimento local. São considerados aspectos 
essenciais desse tipo de turismo: 
i) base endógena da iniciativa e desenvolvimento local; ii) participação 
e protagonismo social no planejamento; iii) implementação e avaliação 
de projetos turísticos; iv) escala limitada e impactos sociais e 
ambientais controlados; v) geração de benefícios diretos à população 
local; e vi) afirmação cultural, interculturalidade e o “encontro” como 
condições essenciais (Oliveira et al., 2021, p. 72, citado por Irving, 
2018) 
Entre as variadas modalidades de turismo conhecidas, o turismo 
comunitário pode ser encontrado em várias delas. Alguns exemplos são o 
 
 
7 
turismo cultural ou etnoturismo (incluindo o turismo indígena), ecoturismo e 
agroturismo (abordaremos mais detalhadamente em outro momento). 
Um exemplo de turismo comunitário pode ser observado no município de 
Aracati, litoral leste do Ceará. Na comunidade quilombola do Cumbe, é realizada 
uma experiência de turismo comunitário a partir da identidade pesqueira 
quilombola e do pertencimento ao território tradicional (Oliveira et al., 2021). 
[…] os visitantes se sentem pertencentes aos espaços comunitários, a 
exemplo do mangue, que consiste no espaço primordial de construção 
identitária do grupo social. O turismo comunitário poderá impulsionar o 
protagonismo social de maneira a contribuir para a permanência dos 
modos de vida tradicionais idem para a sustentabilidade da 
comunidade, à medida em que a produção de serviços turísticos 
acontecer de maneira compartilhada e compatível com a realidade 
social e ambiental local, também ao passo em que o grupo social 
evidenciar o cuidado com o patrimônio material e imaterial, e garantir a 
preservação da sua identidade pesqueira-quilombola. (Oliveira et al., 
2021, p. 67) 
O turismo comunitário no Quilombo do Cumbe impulsiona o protagonismo 
social e contribui para a 
[…] permanência dos modos de vida tradicionais e para a 
sustentabilidade comunitária, desde que a produção de serviços 
turísticos ocorra de maneira compartilhada e compatível com a 
realidade social e ambiental local, e o grupo social demonstre cuidado 
com o patrimônio material e imaterial e garanta a preservação de sua 
identidade pesqueira-quilombola. (Oliveira et al., 2021, p. 80) 
Observa-se que essa parte do turismo voltada para atividades pesqueiras 
tem ganhado grande destaque nos últimos anos. Abordaremos essa forma de 
turismo a seguir. 
TEMA 4 – ATUALIDADES E TENDÊNCIAS DO TURISMO EM ÁREAS 
NATURAIS: TURISMO DE PESCA E TURISMO NÁUTICO 
Em 2017, as Nações Unidas declararam o período de 2021 a 2030 como 
a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Essa 
década tem como foco a construção de uma “estrutura comum para garantir que 
a ciência oceânica possa apoiar plenamente os países na implementação da 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” (Ocean Decade, 2019, p. 4). 
A Década do Oceano busca fortalecer a cooperação internacional 
necessária para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnologias 
inovadoras que conectem a ciência oceânica com as necessidades da 
 
 
8 
sociedade, com o objetivo de possibilitar que os países alcancem as prioridades 
da Agenda 2030 (ODS) relacionadas aos oceanos. Para isso, será necessário o 
envolvimento de diversas partes interessadas para criar novas ideias, soluções, 
parcerias e aplicações, como cientistas, governos, acadêmicos, formuladores de 
políticas, empresas, indústria e sociedade civil (Ocean Decade, 2019, p. 4). 
Na busca por cumprir as metas dos ODS, o turismo também desempenha 
um papel. Nesse caso, a abordagem se concentra no turismo náutico e no 
turismo de pesca, que podem ser aliados na busca pelos objetivos quando são 
realizados de forma consciente, responsável e sustentável. 
Aqui, abordaremos o turismo náutico. Rodrigues (2022, p. 1) utiliza em 
seu trabalho a definição de turismo náutico como “um segmento costeiro, 
relacionado com a prática de atividades de lazer e desporto que estejam em 
contato com o mar, rio, barragens ou marinas, sendo possível estabelecer uma 
relação com o produto sol e mar”. O setor náutico de recreio e lazer registrou um 
aumento significativo nas últimas décadas, refletido no aumento do número de 
embarcações, locais de ancoragem e viagens realizadas. 
Um exemplo de crescimento do turismo náutico é a indústria de cruzeiros. 
A demanda por turismo de cruzeiros aumentou significativamente até março de 
2020, quando a pandemia de Covid-19 paralisou a indústria. A Cruise 
International Association (CLIA) identifica cinco grandes regiões ao redor do 
mundo: Caribe/Bahamas, o destino com maior demanda global, representando 
cerca de 50% dos cruzeiros em 2019; Mediterrâneo e Sudeste da Europa; 
Alasca; Norte da Europa; Ásia/Pacífico, com destinos ricos em história, cultura e 
tradições (Lopes, 2022, p. 40). 
O crescimento do setor turístico de cruzeiros é apoiado por quatro fatores 
relevantes para o desenvolvimento: 
(1) Os passageiros têm a oportunidade de visitar diversos lugares em 
um curto período de tempo sem os problemas de outros meios de 
transporte; 2) O navio é autossuficiente; 3) Os navios de cruzeiro 
possuem um diretor e os funcionários cuja única função é fazer com 
que os passageiros passem um tempo agradável;4) Os alimentos são 
de alta qualidade e são servidos em um estilo elegante. (Lopes, 2022, 
p. 41) 
No entanto, mesmo com a imagem positiva, existem muitos impactos nas 
comunidades receptoras associados a problemas ambientais, sociais e 
econômicos. 
 
 
9 
A nível ambiental, por exemplo, os principais impactos estão ligados a: 
modificações aos ambientes naturais e já construídos de forma a 
capacitar os destinos a receberem navios de cruzeiro provocando, 
consequentemente, a perda de habitats naturais; os que envolvem o 
uso de energia, água e outros, como anti-incrustantes que resultam em 
estragos acidentais ou deliberados aos ecossistemas marinhos; 
associados ao transporte de passageiros nos homeports e nos portos 
de escala; as atividades recreativas na vida selvagem, que provoquem 
distúrbios e lixo e pressões sobre as espécies ameaçadas. As 
emissões dos cruzeiros cobrem uma infinidade de resíduos orgânicos 
e inorgânicos em formas gasosas, líquidas e sólidas. (Lopes, 2022, p. 
43) 
Essas questões merecem atenção especial, uma vez que a renda das 
viagens é concentrada em empresas estrangeiras, enquanto os impactos 
ambientais são compartilhados por toda a comunidade local. 
Outro segmento em expansão no turismo é a pesca. A pesca 
amadora/esportiva movimenta o comércio e a prestação de serviços em todo o 
mundo, gerando renda, emprego e crescimento econômico em regiões remotas 
do país. Por exemplo, nos Estados Unidos em 2011, o setor teve um impacto 
econômico de US$ 115 bilhões de dólares e gerou mais de 800 mil empregos 
diretos. No Brasil, o potencial dos recursos pesqueiros para essa atividade é 
muito grande, principalmente nas águas continentais, que abrigam mais de 100 
espécies de peixes considerados esportivos, oferecendo inúmeras 
oportunidades para o turismo de pesca (Lopes et al., 2022, p. 201). 
O Estado de Mato Grosso, por exemplo, é um exemplo do grande 
potencial dessa atividade. Uma característica importante desse segmento é a 
necessidade de preservar os aspectos culturais da pesca em sua prática, uma 
vez que os melhores guias de pesca são aqueles que aplicam seu conhecimento 
sobre o ambiente e os peixes, adquirido a partir de sua história de pesca 
tradicional (Lopes et al., 2022, p. 220). 
No entanto, essa atividade deve ser realizada de forma ordenada. Lopes 
et al. (2022) recomendam a elaboração de um “Plano Estadual de 
Desenvolvimento do Turismo de Pesca Mato-Grossense” para o Estado de Mato 
Grosso, a fim de promover um desenvolvimento ordenado do setor, com 
benefícios tanto para os moradores locais quanto para o meio ambiente e, 
consequentemente, para os turistas de pesca. O plano deve incluir a elaboração 
de um inventário turístico, diagnóstico dos serviços prestados pelos ribeirinhos, 
monitoramento ambiental da atividade, capacitação dos pescadores artesanais 
para atuarem na cadeia do turismo de pesca, entre outras medidas. 
 
 
10 
Além das atividades do turismo náutico, existe um segmento que é o mais 
conhecido e frequentado quando se trata do turismo envolvendo rios e oceanos, 
que é o turismo de sol e praia. 
Para esse segmento, várias denominações podem ser utilizadas, como: 
Turismo de Sol e Mar, Turismo Litorâneo, Turismo de Praia, Turismo de 
Balneário, Turismo Costeiro e muitos outros. O Ministério do Turismo (2010) 
aponta que o turismo de sol e praia “consiste em atividades turísticas 
relacionadas à recreação, entretenimento ou descanso em praias, devido à 
presença conjunta de água, sol e calor” (Brasil, 2010, p. 14). 
O Brasil possui um grande potencial nesse setor, considerando que 
“possui cerca de 8.500 km de costa e uma rica diversidade cultural e 
socioambiental, com uma extensa rede hidrográfica de 35.000 km de vias 
navegáveis e aproximadamente 9.260 km de margens de reservatórios de água 
doce — resultantes da implantação de hidrelétricas” (Brasil, 2010, p. 13). As 
atividades turísticas pertinentes nesse segmento são caracterizadas pela oferta 
de serviços, produtos e equipamentos de: Operação e agenciamento turístico; 
Transporte; Hospedagem; Alimentação; Recepção e condução de turistas; e 
outras atividades complementares (Brasil, 2010, p. 14). 
Além disso, o turismo de sol e praia pode estar associado a outros 
segmentos do turismo, como é o caso de Paraty, RJ, que possui uma ampla 
oferta de turismo de sol e praia e também se consolida como referência de 
turismo cultural. Outro exemplo são os empreendimentos participantes do 
Projeto Economia da Experiência na Costa do Descobrimento, BA. Esse destino 
consolidado de sol e praia utilizou elementos da cultura local (baiana, indígena 
e portuguesa) como a culinária, o artesanato, o folclore e a música (Brasil, 2010, 
p. 51). 
O turismo de sol e praia é predominantemente realizado em zonas 
costeiras, e pode causar impactos prejudiciais às comunidades receptoras e aos 
seus recursos naturais quando o planejamento e a gestão turística estão focados 
exclusivamente em uma abordagem economicista. Algumas praias brasileiras, 
como as localizadas nos municípios de Balneário Camboriú (SC), Guarujá (SP) 
e Cabo Frio (RJ), devido à alta densidade de fluxo turístico durante os meses de 
verão, registraram ou ainda registram condições inadequadas de balneabilidade 
em algum momento (Sampaio, 2007). 
 
 
11 
Além do turismo náutico, o turismo voltado para atrações geológicas 
também tem ganhado espaço nos últimos anos. Vamos abordar mais sobre esse 
setor. 
TEMA 5 – ATUALIDADES E TENDÊNCIAS DO TURISMO EM ÁREAS 
NATURAIS: GEOTURISMO 
O geoturismo desponta como um segmento do turismo que cresce a cada 
ano, sendo considerado uma nova tendência em termos de turismo em áreas 
naturais. Esse segmento possui ênfase na conservação, educação e atrativos 
turísticos relacionados aos aspectos geológicos. Interpretar o ambiente em 
relação aos processos que o moldaram pode ser uma ferramenta de educação 
ambiental, proporcionando um melhor aproveitamento dos recursos que a 
natureza nos oferece (Moreira, 2014, p. 26). 
Uma questão a se considerar no geoturismo é o reconhecimento de que 
as paisagens naturais, monumentos geológicos, rochas, fósseis, entre outros 
aspectos geológicos, precisam ser preservados antes que se percam. Assim, a 
compreensão sobre o novo fenômeno que o geoturismo representa, integrando 
a temática aos documentos oficiais da Unesco, o geoturismo é considerado, em 
termos de definição, como “uma segmentação turística sustentável, realizada por 
pessoas que têm interesse em conhecer mais sobre os aspectos geológicos e 
geomorfológicos de um determinado local, sendo essa a sua principal motivação 
na viagem” (Moreira, 2014, p. 29). 
Moreira (2014, p. 29) aponta que o público que pratica o geoturismo 
divide-se em dois grupos: (a) Geoturistas dedicados, aqueles que visitam sítios 
geológicos e exposições com propósitos educativos, crescimento intelectual e 
apreciação; (b) Geoturistas casuais, indivíduos que visitam sítios geológicos e 
exposições principalmente por prazer e alguma estimulação intelectual. 
Além desses, o geoturismo possui alguns fatores que podem favorecer ou 
limitar o seu desenvolvimento, como: (1) Fatores científicos, relacionados à 
comunidade geológica, que dizem respeito à limitação e descrição do patrimônio 
geológico; (2) Fatores políticos, como administração, legislação e promoção dos 
atrativos; (3) Fatores sociais e turísticos, que incluem o trade turístico, onde se 
 
 
12 
encontram a iniciativa privada, agências de turismo, operadoras, setor hoteleiro, 
transporte, marketing, souvenirs etc. (Moreira, 2014, p. 30). 
Desde o início dos anos 2000, o segmento do turismo geológico tem 
ampliado o número de parques naturais e projetos urbanos com potencial para 
a prática do geoturismo, como: o Projeto Caminhos Geológicos no Rio de 
Janeiro, desde 2001; o Projeto Sítios Geológicos e Paleontológicos do Paraná, 
em 2002; o ProjetoMonumentos Geológicos no Rio Grande do Norte; e desde 
2003, o Projeto Caminhos Geológicos da Bahia, entre outros (Moreira, 2014, 31-
32). 
Atualmente, temos exemplos recentes de Geoparques reconhecidos no 
Brasil. O Ministério do Turismo (2022) apresenta alguns desses parques que 
estão incluídos na lista de Geoparques Mundiais da Organização das Nações 
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sendo eles: Geoparque 
Araripe (CE), Seridó Geoparque (RN) e Geoparque Caminhos dos Cânions do 
Sul (localizado entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina). 
• Geoparque Araripe: localizado no Ceará, possui uma área de 
aproximadamente 3.798 km² e seu território é conhecido por estar inserido 
no período Cretáceo, da Era Mesozoica, onde habitaram fósseis de 150 a 
90 milhões de anos. 
• Geoparque Seridó: situado no Rio Grande do Norte, possui vegetação 
característica de caatinga e, devido ao clima rigoroso, algumas espécies 
apresentam altos índices de xerofilismo, uma condição de sobrevivência 
da espécie no ambiente. 
• Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul: localizado entre os Estados de 
Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o território é composto por praias, 
lagoas e também possui uma grande quantidade de paleotocas, abrigos 
subterrâneos escavados por mamíferos da megafauna que abrigaram 
animais há mais de 10 mil anos. Atualmente, faz parte do roteiro turístico 
dos visitantes. O local chama a atenção por suas gravuras rupestres e 
pela recente descoberta de troncos de árvores fossilizados. 
Além desses, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a 
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Prefeitura Municipal de 
Caçapava do Sul conduziram o projeto do Geoparque Caçapava, que foi elevado 
 
 
13 
à categoria de Geoparque Mundial e contou com o apoio e envolvimento dos 
moradores da região, o que possibilitará a ampliação da capacidade turística no 
local (Unipampa, 2023). 
Esse segmento turístico pode proporcionar impactos tanto positivos 
quanto negativos, uma vez que a atividade humana gera impactos no ambiente 
em que é realizada. 
Alguns impactos positivos do geoturismo estão relacionados à 
conservação do patrimônio geológico, à geração de empregos diretos 
e indiretos e à compreensão do ambiente através de uma educação 
geológica e ambiental dos visitantes, gerando um aumento da 
consciência da população local e dos turistas quanto ao patrimônio 
geológico. Já como impactos negativos podem ser citados os danos 
aos sítios geológicos, decorrentes da utilização excessiva e/ou 
incorreta, a coleta de souvenirs, vandalismo e remoção ilegal de itens 
como fósseis e minerais. Além disso, a geração de benefícios 
econômicos pode ser limitada se a maioria das pessoas empregadas 
não for da comunidade local. (Moreira, 2014, p. 33) 
Para evitar os impactos negativos que podem surgir do turismo, o 
planejamento das atividades de geoturismo ocorre por meio das seguintes fases 
(Moreira, 2014, p. 33-36): 
1. Fase 1 – Inventário dos pontos de interesse: nessa fase, busca-se 
informações sobre os seguintes itens: 
a) localização e delimitação geográfica; 
b) identificação do domínio (público ou privado); 
c) contexto geológico; 
d) identificação e descrição minuciosa do Ponto de Interesse; 
e) importância ou raridade em nível local, regional, nacional e mundial; 
f) tipos de interesses: científico, educativo, cultural e turístico; 
g) ramos das geociências relacionados ao local (geomorfologia, tectônica, 
estratigrafia, sedimentologia, mineralogia, petrologia, paleontologia, 
entre outros); 
h) geodiversidade presente (descrição); 
i) existência na região de outros valores (biológicos, paisagísticos, 
históricos, etnográficos etc.); 
j) possibilidade do desenvolvimento de atividades socioeconômicas na 
região e verificação da infraestrutura disponível; 
k) aptidão para a utilização do ponto em atividades educativas, culturais, 
promocionais e turísticas; 
 
 
14 
l) Recomendações para a adequada gestão, conservação e utilização. 
2. Fase 2 – Definições de objetivos e metas: nessa etapa, são estabelecidas 
diretrizes para a organização do geoturismo, além das ações necessárias 
para o desenvolvimento do segmento. O planejamento turístico também 
é realizado para estabelecer metas e planos a longo prazo vinculados aos 
padrões de desenvolvimento e projetos estratégicos. Esse planejamento 
deve envolver a comunidade. 
3. Fase 3 – Desenvolvimento de ações: com base no planejamento anterior, 
algumas ações são recomendadas: 
a) verificar se há legislação específica de proteção do patrimônio 
geológico (nacional, estadual ou municipal). Se não houver, criá-la; 
b) em locais onde há potencial, iniciar discussões e incentivar a criação 
de geoparques, articulando parcerias e divulgando suas características 
à comunidade; 
c) em locais onde os recursos geológicos são importantes em nível 
nacional e regional, instalar centros interpretativos, sinalização e meios 
interpretativos; 
d) incentivar a inclusão de conteúdos relacionados ao patrimônio 
geológico da região em cursos universitários, no Ensino Médio e 
Fundamental; 
e) capacitar a população local para que possa atuar em atividades como 
a condução de visitantes, confecção de artesanato etc.; 
f) incentivar a divulgação e o aprendizado relacionados aos aspectos do 
patrimônio geológico. Para tanto, podem ser realizadas atividades 
como cursos, palestras, workshops, roteiros direcionados a públicos 
específicos, concursos de geofotografia, criação de websites, entre 
outros; 
g) produzir material promocional a ser utilizado em atividades 
interpretativas, educativas e de divulgação. 
4. Fase 4 – Gerenciamento, avaliação e monitoramento: não adianta 
planejar se não for assegurada a implementação e execução das medidas 
e diretrizes propostas. Dessa forma, a avaliação e o monitoramento 
devem ser constantes. É importante continuar envolvendo a comunidade 
em todas as etapas e, além disso, devem ser efetuadas pesquisas de 
 
 
15 
demanda que incluam aspectos relativos à satisfação dos visitantes. A 
realização de estudos de capacidade de carga e a verificação da sua 
eficiência são imprescindíveis para monitorar e evitar os impactos 
ambientais negativos que podem ocorrer nos Pontos de Interesse. 
O geoturismo possui uma importância enorme quando se considera que 
a evolução da história da Terra está gravada em um grande número de peças, 
“como um quebra-cabeça cujas partes só têm coerência quando vistas em 
conjunto. Infelizmente, os danos causados pelos seres humanos na superfície 
terrestre estão ocasionando, de forma acelerada, a destruição de muitas peças-
chave do nosso passado geológico” (Moreira, 2014, p. 38). 
TROCANDO IDEIAS 
Desde 2012, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável 
(Sustainable Development Solutions Network – SDSN), uma iniciativa da ONU, 
incentiva o turismo de base comunitária. Veja o vídeo explicando um pouco 
sobre. Disponível em: . 
Acesso em: 3 jul. 2023. 
O turismo de base comunitária é uma importante ferramenta na 
conscientização ambiental e na conservação da natureza. 
Que tal apresentar uma iniciativa de turismo comunitário no seu estado, 
ou que você considere uma importante iniciativa no turismo dentro das 
comunidades? 
NA PRÁTICA 
O vídeo apresenta o GeoHereditas, um grupo de geologia da USP, 
explicando os principais conceitos usados na conservação geológica. Disponível 
em: . Acesso em: 3 jul. 
2023. 
A partir de tudo que foi visto até aqui, imagine-se como o gestor de uma 
Unidade de Conservação voltada para a conservação geológica e elabore um 
plano de atividade de geoturismo com enfoque na educação ambiental. 
Sinalize o tipo de atividade, duração, público-alvo e outras informações 
que julgar pertinentes. 
Highlight
 
 
16 
FINALIZANDO 
A troca de experiênciase a inclusão de todos os atores envolvidos no 
processo de planejamento e execução do turismo são de grande importância 
para que o turismo se torne um agente multiplicador dos ideais de conservação 
da natureza, da biodiversidade e da cultura dos locais visitados. 
É importante estar sempre atento aos impactos negativos que esse 
turismo pode gerar e buscar mitigar os aspectos negativos e equilibrar as ações, 
de modo que a base cultural do local visitado permaneça e os atrativos naturais 
sejam preservados, para que o ciclo do turismo nesses locais possa ser mantido. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
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2010. Disponível em: . Acesso em: 3 jul. 2023. 
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ANPAD – ENANPAD, 46., 2022. Online, set. 2022. Disponível em: 
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fluviais, culturais e naturais. Instituto Politécnico de Tomar. 2022. Disponível 
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Disponível em: . 
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. Acesso em: 3 jul. 2023.

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