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TURISMO, MEIO AMBIENTE E 
SUSTENTABILIDADE 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Aline Biagi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, vamos abordar as formas como a sustentabilidade entra no 
contexto dos roteiros turísticos e no planejamento turístico como um todo. Alguns 
segmentos e ferramentas de administração são primordiais nesse processo. 
CONTEXTUALIZANDO 
A administração turística nem sempre consegue ser efetivada pelos 
setores públicos, dessa forma, concessões são feitas com o setor privado para 
um maior desempenho turístico e investimento em infraestrutura. 
Assim, o planejamento turístico nesses espaços passa a ser elaborado 
com vistas a uma exploração equilibrada desses ambientes, podendo 
proporcionar tanto a experiência turística quanto a sensibilização e o 
pertencimento ambiental. Vamos abordar alguns segmentos que têm esse 
caráter ambiental e sustentável no seu escopo. 
TEMA 1 – GESTÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO USO PÚBLICO E 
TURISMO: PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS, CONCESSÕES E PERMISSÕES 
Na gestão das áreas protegidas no território brasileiro, foram 
estabelecidas algumas diretrizes para que os objetivos de conservação do 
patrimônio ambiental e cultural fossem atingidos. No que diz respeito ao 
planejamento e implementação de diferentes instrumentos de parcerias para a 
gestão dessa área, a legislação desenvolveu-se e abriu espaço para as diversas 
parcerias. 
[elas] podem ocorrer entre as esferas pública e privada, com e sem fins 
lucrativos, e visam diferentes objetivos, tais como o apoio à 
conservação da área, à prestação de serviços para visitação, à 
realização de atividades de educação ambiental e pesquisa, dentre 
outros. (OPAP, 2023) 
O Observatório de Parcerias em Áreas Protegidas (OPAP) propõe-se a 
fomentar, registrar e divulgar as pesquisas relacionadas ao tema, 
entendendo que as parcerias podem funcionar como instrumentos de 
implementação de políticas públicas, e não apenas como um aparato 
para viabilizar a participação privada na gestão da coisa pública. 
(OPAP, 2023) 
 
 
3 
Aqui, parceria é considerada como “os diferentes arranjos e modelos de 
gestão entre as esferas pública e privada, com e sem fins lucrativos, no apoio à 
criação, implementação, gestão e utilização de áreas protegidas” (OPAP, 2023). 
Um dos principais instrumentos utilizados nesse processo é a concessão 
de serviços e áreas com objetivo de viabilizar atividades de suporte à visitação 
em UCs e parques. Além disso, a permissão e a autorização são encaminhadas 
para formalizar a parceria com a iniciativa privada com fins lucrativos. 
As atividades em parcerias com entidades sem fins lucrativos utilizam os 
instrumentos de regulação no contexto da participação das organizações da 
sociedade civil, como termo de colaboração, termo de fomento e acordo de 
cooperação. 
As parcerias são vistas aqui como um caminho para a implementação de 
políticas públicas, e o OPAP considera aqui o debate sobre o tema por meio de 
dois contextos principais: (1) o desempenho e os resultados das parcerias para 
as áreas protegidas e para a sociedade; (2) a democratização no processo de 
formação e monitoramento da agenda pública sobre parcerias (OPAP, 2023). 
Um exemplo de concessão marcando essa parceria público-privada pode 
ser visto no Parque Nacional do Iguaçu (PNI), no oeste do Paraná, com 
aproximadamente 180.000 hectares. 
Em 1999, parte das atividades de apoio à visitação foi concessionada 
à empresa Cataratas do Iguaçu S/A. Ao todo, a empresa gerencia o 
aproveitamento econômico de quatro espaços dentro do Parque; o 
Centro de visitantes, o Espaço Naipi, o Espaço Porto Canoas e o 
Espaço Tarobá, além de manutenção da Trilha das Cataratas. Entre 
atividades econômicas exploradas nesses espaços estão os serviços 
de bilheteria, atendimento ao público, estacionamento, transporte 
interno no Parque, ambulatório, gastronomia e limpeza das áreas de 
visitação, gestão ambiental dos impactos da visitação nas áreas 
concessionadas, além da venda de souvenires em quatro lojas 
espalhadas pelo Parque. Também foram concessionadas atividades 
de visitação de trilha ou barco (Macuco Safari) e helicóptero (Helisul), 
além do Belmond Hotel Cataratas, único hotel situado dentro do 
parque. (Young et al., 2017, p. 4) 
Young et al. (2014, p. 17) apontam o impacto de geração de emprego e 
renda da visitação do PNI em referência às atividades da empresa 
concessionária responsável pela maior parte dos serviços prestados aos 
visitantes. Estima-se que “as atividades da Concessionária tiveram um impacto 
total (direto e indireto) sobre a produção entre R$ 33,5 e R$ 38,6 milhões anuais 
(período considerado: outubro de 2015 a setembro de 2016)”, a considerar que 
69% dessa produção se dá nos municípios de entorno ao parque, sinalizando 
 
 
4 
que a visitação ao Parque tem efeito sobre a economia local. Todavia, é 
importante que as concessões não foquem exclusivamente na dimensão 
econômica no território, distanciando a população lindeira, e na 
descaracterização ambiental em prol de um “conforto” a ser ofertado como 
produto. 
TEMA 2 – TURISMO DE NATUREZA, ECOTURISMO E TURISMO DE 
AVENTURA 
Os termos “turismo na natureza”, “turismo natureza” e “turismo em 
espaços naturais” ora são tratados como sinônimos; ora são tratados como 
conceitos distintos. Nesse contexto, ainda, o ecoturismo “muitas vezes é 
considerado uma tipologia ou modalidade dentro do escopo desses termos” 
(Martins; Silva, 2018, p. 490). 
O termo “turismo de natureza” utilizado por autores brasileiros, espanhóis, 
portugueses e cubanos está relacionado à perspectiva do “nature based 
tourism”. Existe uma certa confusão semântica sobre esse termo, e uma 
definição utilizada é a seguinte: 
Nature based tourism é o equivalente em português a “turismo na 
natureza”. É um conceito abrangente que enquadra todas as atividades 
que tenham como base de ação e de patrimônio recursos da natureza, 
independentemente se a sua prática é mais ou menos responsável 
(sustentável). (Martins; Silva, 2018, p. 491) 
Muitas tipologias turísticas enquadram-se no conceito de turismo na 
natureza, de forma que o turismo na natureza é o termo maior que aglutina outros 
termos como ,o ecoturismo, o turismo de aventura e o turismo rural, bem como 
outras tipologias, como turismo desportivo, geoturismo e turismo náutico 
(Martins; Silva, 2018, p. 497). 
Dessa forma, o turismo na natureza estaria na base de todo esse 
processo e está diretamente relacionado à paisagem. Por meio dele, teríamos 
os segmentos Turismo de Natureza e Ecoturismo (em direções opostas no 
sentido de diferentes princípios, motivações e realidades). Com base nesses 
segmentos, teríamos outra hierarquia, relacionada às tipologias turísticas e, em 
último nível, às atividades turísticas (Martins; Silva, 2018, p. 498). 
O Ecoturismo pode ser definido como: 
 
 
 
5 
o turismo responsável/sustentável na natureza, que busca maior 
interação com ela e, dentro dessa preocupação com minimização de 
impactos, também considera a importância da interpretação, da 
educação e da valorização das comunidades locais. (Martins; Silva, 
2018, p. 491) 
Historicamente, o ecoturismo no Brasil ganha destaque a partir do 
movimento ambientalista, que por meio de debates sobre a necessidade de 
conservação do meio ambiente e técnicas sustentáveis, ganha espaço na 
atividade turística e tem avançado na discussão de um modelo de turismo mais 
responsável (Brasil, 2010). 
Entre os princípios do ecoturismo está “a conservação ambiental aliada 
ao envolvimento das comunidades locais, devendo ser desenvolvido sob os 
princípios da sustentabilidade, com base em referenciais teóricos e práticos, e 
no suporte legal” (Brasil, 2010, p. 11). Dessa forma, 
O Ecoturismo pressupõe a elevada difusão de premissas fundamentais 
– como princípios e critérios que apontam que o alcance da 
sustentabilidadesocioambiental está associado ao processo de 
planejamento participativo, com integração intersetorial e inserção da 
comunidade local para contemplar as necessidades de infraestrutura e 
qualificação profissional para a gestão sustentável da atividade. 
Os produtos de Ecoturismo apresentam peculiaridades que vão desde 
a escolha da área natural, a identificação da legislação ambiental 
pertinente, a seleção de atrativos naturais a serem ofertados, as 
atividades contempladas, até a aplicação de um marketing 
responsável, associado à promoção e comercialização, observando-se 
o caráter ecológico – que ampliam as reflexões ambientais e a 
interpretação socioambiental com inserção das comunidades locais 
receptoras. (Brasil, 2010, p. 12) 
No ano de 2001, foi elaborada a primeira definição de Turismo de 
Aventura no Brasil, durante a Oficina para Elaboração do Plano Nacional de 
Desenvolvimento Sustentável do Turismo de Aventura, em Caeté, MG. 
O conceito de Turismo de Aventura tem como base os aspectos que se 
referem “à atividade turística e ao território em relação à motivação do turista, 
pressupondo o respeito nas relações institucionais, de mercado entre turistas e 
com o ambiente”, dessa forma, o Turismo de Aventura é definido como “os 
movimentos turísticos decorrentes da prática de atividades de aventura de 
caráter recreativo e não competitivo” (Brasil, 2010, p. 14). 
Podemos citar como principais atividades desenvolvidas nesse segmento 
atividades na terra, tais como arvorismo, bungee jump, cachoeirismo, canoismo, 
caminhada (com ou sem pernoite), caminhada de longo percurso, cicloturismo, 
espeleoturismo, espeleoturismo vertical, escalada, montanhismo, turismo fora-
de-estrada em veículos 4x4 ou bugues e tirolesa. Temos também: 
 
 
6 
• Atividades na água: boia cross, canoagem, duck, flutuação (snorkeling), 
mergulho autônomo turístico, rafting e windsurfe; 
• Atividades no ar: balonismo, paraquedismo e voo livre (asa delta ou 
parapente). 
Vale ressaltar que essas atividades podem se somar à oferta turística de 
destinos que tenham como vocação principal outro segmento, com objetivo de 
agregar valor aos produtos turísticos ofertados. 
a combinação de vários segmentos para a formatação de um produto 
turístico contribui para a diversificação da oferta, o aumento da 
permanência do turista na localidade e a diminuição da sazonalidade 
da atividade. (Brasil, 2010, p. 20) 
TEMA 3 – NOVAS TENDÊNCIAS DO TURISMO: O TURISMO REGENERATIVO 
A Organização Turismo Regenerativo (2023) traz esse tema emergente, 
dinâmico e em evolução, o qual se insere no contexto do turismo sustentável e 
incluiu o conceito de sustentabilidade no quadro dos sistemas vivos, enfatizando 
a relação do homem consigo, do homem com o outro e com a terra, em que 
o outro é convidado a visitar o lugar, desacelerando o ritmo do visitante 
e criando uma experiência que ativa conexões profundas e positivas 
entre o visitante, a comunidade local (o outro), o lugar e os sistemas 
que ali sustentam a vida, alinhando tanto o local como o visitante aos 
ritmos da natureza. 
O turismo regenerativo prioriza a integração entre todos os atores no seu 
escopo, apoiando o propósito cocriado do destino; as parcerias coevolutivas com 
a natureza e o pensamento sistêmico, visando, assim, construir a capacidade 
dos sistemas socioeconômicos, crescimento saudável a longo prazo e 
interações mutuamente benéficas (Turismo Regenerativo, 2023). 
O atual comportamento da sociedade está alcançando os limites dos 
ecossistemas além da capacidade desses de sustentar a rede da vida. Assim, 
sustentar o atual sistema não é suficiente quando pensamos no futuro (Araneda, 
2017). 
 
 
 
7 
Nesse ponto, começamos a ir além da sustentabilidade e para o cenário 
restaurador que é reflorestar, recriar novos ecossistemas e introduzir a economia 
circular, mas ainda sob uma perspectiva humana e pensada na natureza. Isso 
incentiva a mudança dessa forma humanamente dominante de ver o mundo, a 
fim de que tenhamos uma relação de profunda reconciliação, em que a cultura 
se torne parte integrante da natureza (Araneda, 2017), para finalmente abordar 
a "regeneração", na qual o ser humano é parte consciente da coevolução da vida 
na terra. Precisamos de culturas vivas que geram maior diversidade, 
conservação pura dos elementos (água, ar e terra), saúde dos ecossistemas, 
alimentação livre de toxinas e comunidades sustentáveis, economias com 
resiliência ecológica e social para as próximas gerações (Araneda, 2017). 
O quadro 1 mostra os guias fundamentais no planejamento turístico 
envolvendo o turismo regenerativo. 
Quadro 1 – Fundamentos de guias do turismo regenerativo 
1 – ÉTICA E ESTÉTICA 
Devemos estudar a essência e a percepção da beleza, privilegiando a vida e a saúde do local 
Visualmente, a interferência deve ser mínima para que a essência local prevaleça sempre 
Utilizar produtos cultivados por pequenos produtores locais, ajudando e fomentando a cultura familiar 
e reduzindo a poluição advinda do transporte, consequentemente, diminuindo a utilização de 
combustíveis fósseis 
Não incentivar grandes produções que geralmente desmatam áreas nativas para a monocultura 
A alimentação nos liga à terra, e a saúde da terra é a nossa saúde, sendo assim, essa linguagem 
facilita o entendimento de conexão com a natureza 
2 – RELAÇÕES DA REGENERAÇÃO 
Eu comigo mesmo: como estou agindo a favor das coisas que acredito? Tenho me empenhado no 
meu propósito? Questionamentos que trazem o crescimento interno 
Eu com os outros: agir com empatia, colaborando para o desenvolvimento do outro, trabalhando 
para que todos cresçam, fomentando mais colaboração com o sentimento de pertencimento social 
e cultural 
Eu com a Natureza: criar condições para facilitar a regeneração da natureza e os sistemas que 
sustentam a vida 
3 – SENTIDO DE LUGAR 
Descobrir a identidade do lugar, sua essência e potencial; gerando pertencimento, conexão e 
cuidado com o local 
4 – IDENTIDADE ORGÂNICA 
Sair da visão mecanicista para uma visão orgânica, da fragmentação à unicidade com um propósito 
evolutivo 
 
 
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5 – DESIGN 
O desenho (design) consiste em uma visão de mundo para buscar a integração entre os objetivos 
éticos e estéticos, buscando beleza nas relações com a natureza 
Fonte: Araneda, 2023. 
Em resumo, o desenvolvimento regenerativo é um processo de gestão 
dinâmico que envolve fragmentos da natureza para restaurar a saúde e a 
vitalidade dos ecossistemas. Isso abre novas oportunidades além da 
sustentabilidade tradicional, geralmente vista como um objetivo final, e não como 
um resultado natural de processos de gestão inteligente. É uma 
abordagem holística baseada no local que incorpora processos 
transdisciplinares com participação ativa e empoderamento das 
comunidades locais por meio do reconhecimento do valor de suas 
redes sociais, culturas, conhecimentos e crenças. (Gutiérrez, 2020) 
Saiba mais 
O Jornal Estadão escreveu uma matéria sobre o turismo regenerativo. 
Você pode ler a matéria e se aprofundar mais sobre o tema. Acesse: 
. 
Acesso em: 30 jun. 2023. 
TEMA 4 – TURISMO RURAL – AGROTURISMO 
O turismo rural insere a necessidade de diversificação da fonte de renda 
do produtor rural, somado à demanda que muitos moradores urbanos têm de 
reencontrar suas raízes, interagir com a comunidade local, participar 
de suas festas tradicionais, desfrutar da hospitalidade e do aconchego 
nas propriedades, conhecer o patrimônio histórico e natural no meio 
rural, conviver com modos de vida, tradições costumes e com as 
formas de produção das populações do interior. (Brasil, 2010c, p. 14) 
O turismo no Espaço rural é definido como 
o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, 
comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a 
produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimôniocultural e 
natural da comunidade. (Brasil, 2010c, p. 18) 
Além das definições citadas, outras terminologias são usadas para se 
referir ao Turismo Rural ou Turismo no Espaço Rural: turismo na natureza, 
turismo de interior, de granja, de aldeia, alternativo, endógeno, verde, campestre, 
sertanejo, agroecoturismo, ecoagroturismo, agroecológico, entre outras (Brasil, 
2010c). 
https://www.estadao.com.br/viagem/sala-vip/o-que-e-turismo-regenerativo/
 
 
9 
A paisagem rural (também composta pelo ser humano, sua cultura, suas 
práticas sociais e de trabalho) é um dos principais fatores atrativos do Turismo 
Rural. Podemos citar como principais características dessas atividades 
“elementos, condições e aspectos que compõem a paisagem rural e configuram 
a ruralidade e seus principais atrativos” (Brasil, 2010c, p. 23). Essas 
características podem ser abordadas sob os seguintes pontos: a) quanto à 
escala; b) quanto à localização; c) quanto às atividades agropecuárias; d) quanto 
à qualidade da paisagem; e) quanto aos aspectos culturais; e f) quanto à 
diversificação dos serviços oferecidos. 
Sampaio (2007) descreve um exemplo no agroturismo baseado na 
agricultura orgânica, que ainda pode ser entendido como um arranjo 
socioprodutivo de base comunitária, encontrado na Associação Acolhida na 
Colônia, com sede no município de Santa Rosa de Lima, SC (Sampaio, 2007). 
O interesse de implantar o agroturismo na região se iniciou com a 
criação da Associação de Agricultores Ecológicos das Encostas da 
Serra Geral (AGRECO). Dessa iniciativa surgiram 36 agroindústrias 
familiares. Em seguida foi criada a Associação Acolhida na Colônia, 
que primeiramente, nasceu da necessidade de hospedar pessoas que 
vinham conhecer as agroindústrias da AGRECO. (Sampaio, 2007, p. 
159) 
A Associação foi criada em 1999 e é composta por aproximadamente 200 
famílias de agricultores que são integrados à Rede Accueil Paysan, que atua na 
França desde 1987. A principal proposta aqui é a valorização do modo de vida 
no campo por meio do agroturismo ecológico (Acolhida, 2023). 
A proposta aqui é que os agricultores da região compartilhem o saber 
fazer, as histórias, a cultura e as paisagens, oferecendo “hospedagens simples 
e aconchegantes com direito a conversas na beira do fogão a lenha, a tradicional 
fartura de nossas mesas e passeios pelo campo” (Acolhida, 2023). 
 
 
 
10 
Os princípios orientadores do agroturismo praticado na propriedade são: 
a) A recepção dos turistas pelos agricultores familiares é parte 
integrante da atividade do estabelecimento rural; b) Os agricultores 
familiares que recebem turistas desejam mostrar o seu trabalho e o 
meio ambiente onde vivem (contato com os animais, conhecimento 
sobre plantas, o ritmo da estação, etc.). Esta é uma característica 
específica e o motivo fundamental do ato do agricultor acolher turistas; 
c) A recepção e convívio do agricultor e sua família com o turista ocorre 
num clima de troca de experiências e de respeito mútuo; 
d) O agroturismo deve praticar preços acessíveis; e) O agroturismo se 
constitui num fator de desenvolvimento local, contribuindo para manter 
o meio rural “vivo” demográfica, cultural e ambientalmente – com 
perspectivas de futuro para os seus jovens; f) O agricultor garante a 
qualidade dos produtos e dos serviços que oferecem; g) Os serviços 
de agroturismo são oferecidos em habitações adaptadas, oferecendo 
conforto, higiene e segurança; h) Os serviços agroturísticos são 
planejados e organizados pelos agricultores familiares; i) Outros atores 
locais podem se filiar a Associação com o objetivo de contribuir com a 
dinâmica local. (Acolhida, 2023) 
Acesse o endereço e conheça mais a fundo o 
projeto, suas atividades e premiações. 
TEMA 5 – TURISMO DE EVENTOS: EVENTOS VOLTADOS À 
CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL 
A cultura tem grande importância no fomento e incentivo ao 
desenvolvimento sustentável. Muitas cidades, enquanto espaços de potencial 
cultural e criativo, tendem a afirmar o seu respectivo valor, o que tem gerado o 
desenvolvimento turístico (Henriques, 2019). 
A cultura é um conceito complexo, dinâmico e em constante evolução, por 
essa razão, tem uma multiplicidade de definições. Henriques (2019, p. 329) 
utiliza em seu trabalho a definição de cultura estabelecida pela Unesco e pela 
União Europeia (EU): “um conjunto de características emocionais, intelectuais e 
espirituais distintivas ou grupo social que envolva arte e literatura, estilos de vida, 
modos de vivência, sistemas de valores, tradições e crenças”. O autor define 
“arte” como “conjunto de atitudes, crenças, costumes, valores e práticas 
partilhadas por um grupo”, ou ainda como “ferramenta para qualificar o setor 
cultural”. 
A cultura vai estar associada a um conjunto de atividades nomeadas como 
“culturais”, que vão ter três características identitárias: 
envolverem alguma forma de criatividade na sua produção; 
preocuparem-se com a criação e comunicação de meios simbólicos; o 
seu output enquadrar potencialmente alguma forma de propriedade 
intelectual. (Henriques, 2019, p. 330) 
 
 
11 
Tais atividades vão estar inseridas em um conjunto de domínios culturais 
que podem ser identificados como: património natural e cultural, performances e 
celebrações, artes visuais e artesanato, livros e imprensa, audiovisual e mídia 
interativa, design e serviços criativos, domínios relacionados, patrimônio cultural 
intangível. 
Assim, surge o conceito de sustentabilidade cultural, entendida como 
a mudança que ocorre de forma a respeitar os valores culturais, pondo 
a tónica na necessidade de compreensão da cultura e do próprio lugar 
onde ela ocorre, de modo a que a comunidade e o contexto geográfico 
não sejam esquecidos. (Henriques, 2019, p. 332) 
A autora aponta que a sustentabilidade cultural considera dez temas-
chave: 1. cultura da sustentabilidade (the culture of sustainability); 2. 
globalização; 3. conservação do patrimônio; 4. sentido do lugar; 5. práticas e 
saberes tradicionais locais; 6. desenvolvimento cultural comunitário; 7. artes, 
educação e juventude; 8. design sustentável; 9. planeamento; 10. política cultural 
e governo local. 
A interconexão entre cultura e turismo tem sido reconhecida como agente 
de desenvolvimento e competitividade em indicadores como PIB, empregos e 
investimentos. 
A cultura, nas suas diferentes formas, constitui a motivação de mais de 
1,2 biliões de turistas, anualmente (Unesco, 2017). Como tal, distingue-
se como importante meio de diferenciação e heterogeneização de 
destinos turísticos ao promover o diálogo inter-cultural, a criação de 
oportunidades de emprego, a diminuição da migração rural, e 
possibilitar um sentido de orgulho entre as comunidades hóspedes. No 
entanto, gerida de forma deficiente pode também ser prejudicial ao 
património cultural, onde assenta o turismo. Neste contexto, o 
planeamento e gestão turísticos são fundamentais, nomeadamente ao 
potenciarem os impactos positivos e em precaverem os impactos 
negativos. (Henriques, 2019, p. 333) 
O turismo cultural é definido, então, como “uma forma de turismo em que 
as atrações culturais são o principal motivo de visita e permanência em 
determinado destino”. Assim, a ênfase está na criatividade e na autenticidade do 
destino como elementos determinantes para a experiência turística (Henriques, 
2019, p. 334). 
Existe aqui uma ascensão do turismo cultural e criativo em espaço urbano. 
O objetivo em questão é 
(re)humanizar as cidades, promovendo a cultura local, reconhecendo 
a diversidade cultural, promovendo o pluralismo, acesso à cultura, 
participação na vida cultural, infraestruturas culturais, conservação do 
património, criação de um sentimento de pertença e criação de 
emprego. (Henriques, 2019, p. 338) 
 
 
12 
Quanto aos motores da ação (key drivers), temos: 
– promover uma abordagem territorial do desenvolvimento urbano 
através do planejamentoestratégico baseado na cultura, 
– aprender com práticas inovadoras em áreas históricas para planejar 
cidades mais compactas com base no desenvolvimento urbano misto, 
– estimular a regeneração urbana através de indústrias culturais e 
criativas, eventos e instituições, 
– melhorar a qualidade e o acesso aos espaços públicos através da 
cultura, 
– aumentar a competitividade liderada pela cultura das cidades, 
através de investimentos em infra-estrutura e indústrias culturais, 
programas de capacitação e novas tecnologias, 
– promover o turismo cultural sustentável em benefício das 
comunidades locais e dos indivíduos para encorajar a renovação e 
revitalização do patrimônio cultural, 
– percecionar a cultura como fator de identidade e diálogo entre as 
comunidades para a educação e a coesão social e na luta contra as 
desigualdades, 
– garantir direitos culturais para todos e respeitar a diversidade cultural 
para promover cidades inclusivas, 
– colocar a cultura no centro das estratégias de resiliência urbana. 
(Henriques, 2019, p. 338) 
Esses encontros culturais populares são realizados em capitais e no 
interior dos estados, especialmente em lugares com potencial em turismo 
ecológico e cultural. Quando abordado as programações, busca-se unir “a 
dimensão de um festival de música e dança voltado para o universo da cultura 
popular, com a de um fórum de discussão sobre políticas públicas culturais 
(Goulart, 2021, p. 236). 
Embora a realização dos festivais seja concentrada principalmente no 
estado de São Paulo, esses festivais com foco em cultura e propagação do 
folclore local são promovidos em todas as regiões do país. Nos eventos de 
caráter regional, os grupos e apresentações são 
provenientes dos estados, regiões e/ou cidades vizinhas ao lugar de 
sua realização. Contudo, vez ou outra, como nos Festivais de Folclore 
de Brasília, eram reunidos grupos ou manifestações de origens 
provenientes de diversas partes do Brasil. (Goulart, 2021, p. 239) 
Um exemplo de eventos musicais – os chamados festivais – com esse 
foco na sustentabilidade pode ser visto na Virada Sustentável, um movimento de 
mobilização para a sustentabilidade que organiza festival sobre o tema. 
Começou em 2011 em São Paulo e já tem edições nas cidades do Rio de 
Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Manaus, entre outras. Esse festival envolve a 
articulação de diversos atores e a participação direta e indireta de organizações 
da sociedade civil, órgãos públicos, coletivos de cultura, movimentos sociais, 
equipamentos culturais, empresas, escolas e universidades, entre outros 
 
 
13 
com o objetivo de apresentar uma visão positiva e inspiradora sobre a 
sustentabilidade e seus diferentes temas para a população, além de 
reforçar as redes de transformação e impacto social existentes nas 
diferentes cidades. (Virada Sustentável, 2023). 
O link do evento está disponível em 
. Por meio dele, você pode conhecer 
mais sobre as ações e atividades desenvolvidas. 
Outro exemplo de festival que movimenta o turismo local e o ecoturismo 
é o Festival de Inverno da Chapada dos Guimarães (2023) que acontece no 
estado do Mato Grosso e movimenta o estado com atrações musicais e as 
atividades e passeios turísticos que a região oferece. O site do evento está 
disponível em . O 
evento está em sua 36ª edição e é realizado em junho, no centro-oeste brasileiro. 
TROCANDO IDEIAS 
Em uma reportagem sobre atividades de aventura em Brotas, São Paulo, 
são apontadas algumas práticas da região. O link da reportagem está disponível 
em . Acesso em: 30 jun. 2023. 
Que tal apontarmos algum potencial de ecoturismo ou turismo de aventura 
da região em que você mora? Coloque no chat os principais cenários para essa 
prática no seu estado ou cidade. 
NA PRÁTICA 
A revista exame fez uma matéria abordando os grandes festivais e a sua 
aposta na sustentabilidade como uma oportunidade de sensibilização e 
consciência ambiental. Leia na íntegra em . 
Como profissionais de turismo, vamos organizar o escopo de um evento 
cultural que possibilite essa aproximação entre turismo e sustentabilidade, 
abordando o território de cada um. 
 
 
14 
FINALIZANDO 
O turismo sustentável conta com muitas ferramentas para a sua 
realização. Por meio do envolvimento dos diversos atores no processo, é um 
grande disseminador das questões ambientais e da sustentabilidade como um 
todo. Nesta etapa, estudamos alguns desses segmentos e atividades turísticas 
que caminham lado a lado com a natureza e a sustentabilidade. 
Ainda assim, a racionalização puramente econômica é uma preocupação 
constante nesse processo. Na próxima etapa, vamos abordar um pouco sobre 
formas de o setor empresarial voltado ao turismo interagir de forma mais 
equilibrada considerando fatores sociais e ambientais nas atividades que 
envolvem o turismo. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ACOLHIDA. Acolhida na colônia. Associação de agricultores. 2023. Disponível 
em: https://acolhida.com.br/>. Acesso em: 30 jun. 2023. 
ARANEDA, M. Por que regeneración?. Organização de Turismo Regenerativo. 
2017. Disponível em: . Acesso em: 30 jun. 2023. 
BRASIL. Ecoturismo: orientações básicas. Brasília. 2. ed. 2010a. Disponível 
em: . 
Acesso em: 30 jun. 2023. 
BRASIL. Turismo de aventura: orientações básicas. Ministério do Turismo. 3. 
ed. 2010b. Disponível em: 
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