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INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL DE CAXIAS DO SUL
FACULDADES IDEAU
ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO DE OVINOS
CURZEL, Helen Lemaire[footnoteRef:0] [0: Discentes do Curso de Medicina Veterinária, Nível I 2025/1 - Faculdade IDEAU – Caxias do Sul/RS.] 
SILVA, Alex Sandro da¹
RIBEIRO, Kainã Rodrigues¹
GHENO, Brenda Picoli²
PAIM, William[footnoteRef:1] [1: Docentes do Curso de Medicina Veterinária, Nível I 2025/1 - Faculdade IDEAU – Caxias do Sul/RS.] 
BERTOLAZZI, Sabrina[footnoteRef:2] [2: Coordenação do Curso de Medicina Veterinária, Nível I 2025/1 - Faculdade IDEAU – Caxias do Sul/RS.] 
RESUMO: O sistema respiratório dos ovinos apresenta particularidades anatômicas e fisiológicas que o tornam fundamental para o entendimento clínico e a prática veterinária. Este estudo teve como objetivo revisar a literatura e realizar a análise macroscópica e citológica do sistema respiratório de um ovino adulto da raça Texel, visando relacionar a teoria com a prática laboratorial. Foram observadas estruturas condutoras e respiratórias, como a traqueia com aproximadamente 52 anéis cartilaginosos, a divisão lobar pulmonar e a presença do brônquio traqueal característico da espécie. A análise microscópica, realizada por imprint, PAAF e squash, possibilitou a observação celular, embora com limitações técnicas que demandaram auxílio docente para interpretação. Os resultados obtidos estão em concordância com a literatura e destacam a relevância do estudo anatômico e fisiológico na formação veterinária, fornecendo subsídios para diagnósticos clínicos e compreensão das enfermidades respiratórias em pequenos ruminantes.
Palavras-chave: Ovinos; sistema respiratório; anatomia; fisiologia; citologia.
ABSTRACT: The respiratory system of sheep presents anatomical and physiological particularities that are essential for clinical understanding and veterinary practice. This study aimed to review the literature and perform a macroscopic and cytological analysis of the respiratory system of an adult Texel sheep, seeking to relate theoretical knowledge with laboratory practice. Conducted observations included the trachea with approximately 52 cartilaginous rings, the pulmonary lobar division, and the presence of the tracheal bronchus, a characteristic feature of the species. Microscopic analysis, performed using imprint, fine-needle aspiration (FNA), and squash techniques, allowed cellular visualization, although with technical limitations that required professor assistance for interpretation. The results obtained are consistent with the literature and highlight the relevance of anatomical and physiological studies in veterinary training, providing support for clinical diagnosis and a better understanding of respiratory diseases in small ruminants.
Keywords: Sheep; respiratory system; anatomy; physiology; cytology
1 INTRODUÇÃO
O estudo da anatomia e fisiologia do sistema respiratório em animais é fundamental na veterinária pois está associado diretamente à oxigenação, metabolismo e até à defesa contra doenças. Esse conhecimento é indispensável na avaliação clínica, em diagnósticos e na prevenção de enfermidades, sempre visando manter a eficiência respiratória e a saúde geral dos animais.
Nos ovinos, o sistema respiratório é composto por vias respiratórias superiores, incluindo cavidade nasal, seios paranasais, faringe, laringe, e pelas vias respiratórias inferiores, formadas pela traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos, onde ocorrem as trocas gasosas. Cada uma dessas estruturas possui funções específicas, como filtrar, aquecer e umidificar o ar, conduzi-los até os pulmões e permitir a difusão de oxigênio e dióxido de carbono entre o ar e o sangue. 
A ventilação pulmonar é promovida principalmente pela ação do diafragma e dos músculos intercostais, que regulam a entrada e saída de ar dos pulmões. Nos alvéolos, a superfície interna rica em capilares sanguíneos garante alta eficiência nas trocas gasosas, sustentando as demandas metabólicas do organismo. Alterações nesse processo, sejam elas anatômicas ou funcionais, podem comprometer seriamente a saúde do animal.
Compreender a estrutura e funcionamento do sistema respiratório possibilita diagnósticos mais precisos e manejo adequado de enfermidades como pneumonia, asma, e infecções respiratórias crônicas. Além disso, este conhecimento orienta a aplicação de técnicas como ventilação assistida e intubações, e promove intervenções clínicas e cirúrgicas mais seguras e eficazes. 
Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de realizar uma revisão bibliográfica sobre a anatomia e a fisiologia do sistema respiratório dos ovinos, destacando suas particularidades estruturais e funcionais, bem como a relevância dessas informações para a prática clínica veterinária e a promoção do bem-estar animal. Além da revisão teórica, foi realizada a dissecação de uma peça anatômica do sistema respiratório de um ovino, a fim de complementar o estudo com a observação direta das estruturas descritas na literatura.
2 DESENVOLVIMENTO
	Nesta seção, são apresentados os principais aspectos teóricos e práticos relacionados ao sistema respiratório dos ovinos. Primeiramente, é realizada uma revisão bibliográfica abordando a anatomia e a fisiologia deste sistema, destacando suas estruturas e funções. Em seguida, descreve-se a atividade prática de dissecação de uma peça anatômica do sistema respiratório de um ovino, que permitiu a observação direta das estruturas estudadas e a integração entre teoria e prática.
2.1 Referencial teórico
O estudo do sistema respiratório dos animais é essencial para entender o processo de ventilação, as trocas gasosas e funções fisiológicas que garantem a correta oxigenação dos tecidos. Esse sistema desempenha papel fundamental na manutenção da vida, sendo composto por estruturas que têm as funções de filtrar, conduzir e trocar gases com eficiência.
O sistema respiratório é formado pelas vias aéreas superiores e pelas vias aéreas inferiores. Em conjunto com músculos respiratórios, essas estruturas permitem a entrada e saída de ar, garantindo que o oxigênio seja captado e transportado ao sangue e que o dióxido de carbono seja eliminado, evitando acúmulo tóxico no corpo. Além disso, atua filtrando, aquecendo e umidificando o ar inspirado e auxilia no controle do pH sanguíneo.
Nos animais, o sistema respiratório é formado por órgãos que efetivamente realizam a troca de gases e por estruturas que apenas conduzem o ar. Os pulmões são a parte central desse sistema, pois é neles que o oxigênio do ar inspirado passa para o sangue e o gás carbônico segue no sentido contrário. Para que o ar chegue até eles, existe um conjunto de órgãos condutores: o nariz, que além de ser via de passagem também é responsável pelo olfato; a faringe, ponto de encontro entre o ar e o alimento, cuja porção superior, a nasofaringe, é destinada exclusivamente à respiração; a traqueia, que conduz o ar até os brônquios; e estes, que se subdividem em ramos cada vez menores até chegarem aos bronquíolos e, por fim, aos alvéolos.
Ao longo desse trajeto, as paredes das vias respiratórias são revestidas por um epitélio pseudoestratificado ciliado. Ele trabalha em conjunto com o muco secretado pelas células caliciformes para reter partículas e microrganismos, ao mesmo tempo que aquece e umidifica o ar. Esse sistema de limpeza, chamado transporte mucociliar, mantém as vias desobstruídas e protegidas para que a troca gasosa ocorra de forma eficiente nos alvéolos.
2.1.1 Componentes do Sistema Respiratório
2.1.1.1 Nariz
O nariz é a estrutura externa do sistema respiratório responsável pela entrada inicial do ar. Amplamente, o nariz engloba o nariz externo, os seios paranasais e as cavidades nasais pares. Nos ovinos, ele apresenta plano nasolabial (Figura 1) com pele espessa e presença de pelos nas bordas, que atuam como barreira física contra partículas suspensas no ambiente. Diferentemente da espécie humana, onde o nariz externo é uma característica evidente, em espécies domésticas ele édificilmente reconhecido; contudo, a extensão dessa área é facilmente percebida ao toque, pois coincide com a parte do focinho feita de cartilagem, uma região mais flexível e não rígida como os ossos. Nos pequenos ruminantes, a pele ao redor das narinas, chamada de tegumento, é lisa e bastante diferente da pele comum, recebendo a denominação de plano nasal (DYCE, 2010).
O nariz é dividido internamente em duas cavidades chamadas vestíbulos nasais. Cada vestíbulo começa na narina e, por uma região estreita, leva para a cavidade nasal. O formato e o tamanho das narinas, assim como a pele ao redor, variam bastante entre as espécies. Além disso, o nariz contém glândulas mucosas que ajudam na umidificação do ar inspirado. Essa região também possui receptores olfatórios, importantes para o comportamento alimentar e social dos animais (KÖNIG; LIEBICH, 2011).
Figura 1: Detalhes do plano nasolabial de um ovino
 Fonte: Arquivo Pessoal (2025).
2.1.1.2 Cavidade Nasal
As cavidades nasais são separadas medialmente em direita e esquerda pelo septo nasal, que é predominantemente cartilaginoso, embora ossificado em sua porção caudal, formando a lâmina perpendicular do osso etmóide. As duas cavidades nasais ocupam grande parte da face, estendendo-se do septo ósseo até a extremidade da cavidade craniana. Parte dos ossos que as delimitam é espessada por seios paranasais, que se comunicam com as cavidades nasais, mas não fazem parte delas (DYCE et al., 2010).
Além disso, a cavidade nasal é revestida por epitélio respiratório ciliado e células caliciformes que produzem muco, atuando na filtragem, umidificação e aquecimento do ar. Possui conchas nasais que aumentam a superfície de contato com o ar, favorecendo sua preparação antes de alcançar os pulmões. A separação entre cavidade nasal e oral é feita pelos palatos duro e mole, garantindo a condução adequada do ar (DYCE et al., 2010).
2.1.1.3 Epitélio respiratório: células pseudoestratificadas ciliadas 
O epitélio respiratório é composto por células pseudoestratificadas ciliadas (Figura 2), células caliciformes e células basais. Esse tipo de epitélio reveste grande parte das vias aéreas superiores e inferiores, como as conchas nasais, meatos e seios paranasais, atuando na proteção contra agentes externos. Os cílios realizam movimentos coordenados que impulsionam o muco em direção à faringe, onde pode ser deglutido ou expelido, enquanto o muco retém partículas e microrganismos. Essa ação conjunta forma o sistema mucociliar, essencial para a defesa pulmonar (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013).
Conforme os agentes patogênicos primários ou infecções bacterianas secundárias atuam, o sistema mucociliar se altera, levando à redução do número de células ciliadas. Nas porções mais distais das vias aéreas e nos alvéolos, o número de células ciliadas diminui ou elas estão ausentes (MARCONDES, 2007). 
O epitélio respiratório desempenha papel central na manutenção da homeostase pulmonar, pois além de atuar como barreira física, participa ativamente na resposta imune inata. De acordo com Junqueira e Carneiro (2013), a presença de células ciliadas, caliciformes e basais garante tanto a produção quanto a eliminação do muco, processo fundamental para impedir a penetração de microrganismos e partículas inalatórias nas regiões mais profundas do sistema respiratório. O movimento coordenado dos cílios, conhecido como clearance mucociliar, é considerado o principal mecanismo de defesa inespecífico das vias aéreas.
Marcondes (2007) ressalta que a integridade desse sistema pode ser comprometida por agentes infecciosos, poeira, gases tóxicos e até mesmo por variações ambientais, levando à diminuição da atividade ciliar e à predisposição para doenças respiratórias. Nessas condições, observa-se que a quantidade de células ciliadas tende a reduzir-se progressivamente, principalmente nas regiões mais distais, como bronquíolos e alvéolos, onde elas já são naturalmente escassas. Um exemplo extremo desse comprometimento é a metaplasia, um processo adaptativo onde, em resposta a estresses crônicos, como a exposição a gases tóxicos ou fumaça, um tipo de célula adulta é substituído por outro. No epitélio respiratório, isso pode causar a substituição das células ciliadas por células escamosas estratificadas. Embora essas novas células sejam mais resistentes à agressão, elas não possuem cílios nem a capacidade de secretar muco, resultando na perda total dos mecanismos de proteção e remoção de partículas daquela área (JUNIOR, 2024). Esse fator contribui para que a defesa pulmonar dependa mais fortemente da ação dos macrófagos alveolares, células especializadas na fagocitose de partículas e patógenos inalados (KUMAR; ABBAS; ASTER, 2016).
Nos animais domésticos, incluindo os ovinos, o sistema mucociliar é descrito como um dos mecanismos de defesa mais eficientes contra a entrada de agentes infecciosos nas vias respiratórias, sendo frequentemente associado à resistência ou suscetibilidade a doenças respiratórias de importância clínica, como pneumonias e bronquites (RADOSTITS et al., 2007).
Figura 2: Representação esquemática de um corte transversal da traquéia
1: Epitélio pseudoestratificado. 2: Glândulas na lâmina própria. 3: Glândulas na submucosa. 4: Cartilagem. 5: Faixa de músculo liso.
Fonte: REECE; ROWAN (2020).
2.1.1.4 Faringe e laringe
A faringe é um tubo muscular que conecta a cavidade nasal à laringe e ao esôfago, sendo comum aos sistemas respiratório e digestório. Ela é dividida em nasofaringe, orofaringe e laringofaringe. Sua função no sistema respiratório é conduzir o ar inspirado da cavidade nasal até a laringe, além de participar da defesa imunológica por meio das tonsilas faríngeas (ROSS; PAWLINA, 2015).
A laringe é um órgão que liga a faringe à traquéia e aos brônquios, tendo a função de proteger as vias respiratórias contra a entrada de líquidos ou outros materiais. Ela abriga as pregas vocais, sendo responsável pela fonação. Também atua como válvula de proteção, impedindo a entrada de alimentos nas vias aéreas inferiores durante a deglutição, graças à ação da epiglote. Nos ovinos, as cartilagens da laringe incluem epiglote, tireoide, cricoide e aritenoides (KÖNIG; LIEBICH, 2011).
A laringe fica localizada abaixo da faringe e atrás da boca, presa à base do crânio pelo aparelho hioideo. Em muitas espécies, uma parte dela fica entre os ossos da mandíbula e outra parte se estende para o pescoço, onde suas cartilagens podem ser facilmente sentidas ao tocar o animal vivo. Internamente, na laringe existe um espaço chamado cavidade da laringe, que é dividido em três partes: o vestíbulo, que vai da entrada da laringe até a borda da frente das cartilagens aritenoides e das pregas vocais; a fenda glótica, formada pelas cartilagens aritenoides na parte superior (dorsal) e pelas pregas vocais nas laterais e na parte inferior, sendo que o tamanho dessa abertura pode variar; e a cavidade infraglótica, que tem tamanho fixo e se continua suavemente até o interior da traqueia (DYCE et al., 2010).
2.1.1.5 Traqueia
A traqueia (Figura 3) é um órgão tubular formado por anéis cartilaginosos incompletos dorsalmente que mantêm sua estrutura aberta para a passagem do ar, que, junto aos brônquios, forma um sistema contínuo de tubos que levam o ar da laringe até os bronquíolos nos pulmões. Ela se estende da laringe até sua bifurcação dos brônquios principais e internamente, é revestida por epitélio ciliado que auxilia na remoção de partículas inaladas, direcionando-as para fora do trato respiratório (DYCE et al., 2010).
Nos ovinos, a traqueia pode apresentar entre 48 e 60 anéis cartilaginosos. A traqueia começa na borda da cartilagem cricoide da laringe, aproximadamente ao nível da vértebra axis, passa pelo pescoço, entra no tórax pelo mediastino cranial e segue até se dividir em dois brônquios principais, logo acima do coração (Figura 4). A divisão da traquéia em dois brônquios ocorre aproximadamente entre o 4º e o 6º espaços intercostais, podendo variar conforme a espécie e o momento da respiração(DYCE et al., 2010; DAWOOD; YOUSIF,2020). 
A parede da traquéia é formada por três camadas: a mucosa interna, a camada média fibrocartilaginosa e a adventícia (no pescoço) ou serosa (no tórax). Ela é feita de forma que não colapse e pode mudar de comprimento quando o pescoço se estende ou o diafragma se contrai, possuindo o músculo traqueal, que controla as mudanças do seu diâmetro (DYCE et al., 2010).
Figura 3: Anatomia básica da traqueia e dos brônquios principais
1: Anel traqueal. 2: Ligamento Anular. 3: Brônquios principais. 4: Anel traqueal. 5: Músculo traqueal. 6: Mucosa. 7: Carina.
Fonte: FAILS; MAGEE (2019)
Figura 4: Esquema geral da ramificação das vias respiratórias da traquéia até os alvéolos
1: Brônquio principal. 2: Traqueia. 3: Anéis Traqueais. 4: Brônquio secundário. 5: Brônquio terciário. 6: Ducto alveolar. 7: Brônquio respiratório 8: Alvéolos.
Fonte: FAILS; MAGEE (2019).
2.1.1.6 Brônquios
	
Os brônquios (Figura 5) são ramificações da traqueia que conduzem o ar aos pulmões. O brônquio direito é mais curto e vertical, enquanto o esquerdo é mais longo e horizontal, devido à posição do coração. Cada brônquio principal se divide em brônquios secundários (ou lobares) e segmentares, e depois em brônquios terciários, formando a árvore brônquica (KÖNIG; LIEBICH, 2011; FAILS; MAGEE, 2019). Nos ovinos, existe um brônquio traqueal que ventila diretamente o lobo cranial do pulmão direito, este brônquio emerge da traqueia acima e se divide em dois ramos, responsáveis por ventilar as partes cranial e caudal do lobo cranial direito (BORGES et al., 2004). Os bronquíolos se conectam a ductos alveolares, que terminam em sacos aéreos chamados alvéolos, onde ocorre a troca de gases. Alguns bronquíolos apresentam alvéolos em suas paredes e recebem o nome de bronquíolos respiratórios (FAILS; MAGEE, 2019). 
Figura 5: Árvore brônquica (representação esquemática)
1: Traqueia 2: Bifurcação da traqueia. 3: Brônquios subsegmentares. 4: Brônquio Segmentar. 5: Brônquio Lobar. 6: Brônquio principal. 7: Bronquíolo terminal. 8: Bronquíolo verdadeiro. 9: Bronquíolos respiratórios. 10: Alvéolos pulmonares. 11: Ducto alveolar. 12: Sacos alveolares.
Fonte: KÖNIG; LIEBICH (2020).
2.1.1.7 Alvéolos
Os alvéolos são estruturas microscópicas localizadas nas extremidades dos bronquíolos. São revestidos por epitélio simples pavimentoso e rodeados por capilares sanguíneos, permitindo a difusão dos gases respiratórios. É neles que ocorre a hematose, ou seja, a troca de oxigênio e dióxido de carbono entre o ar e o sangue. Os pneumócitos tipo I realizam a troca gasosa, enquanto os tipos II produzem surfactante pulmonar (KLEIN, 2014). 
O sangue venoso que chega pelas artérias pulmonares se transforma em sangue arterial e retorna ao átrio esquerdo pelas veias pulmonares. Durante esse processo, a cor do sangue muda: do púrpura-escuro do sangue venoso para o vermelho-brilhante do sangue arterial, devido à saturação da hemoglobina com oxigênio que entra pelos alvéolos. No século XVII, Richard Lower demonstrou que essa mudança na cor do sangue nos pulmões acontecia por causa da entrada de ar fresco (REECE; ROWAN, 2020).
2.1.1.8 Pulmões
Os pulmões (Figura 6) são os órgãos centrais e essenciais do sistema respiratório, localizados na cavidade torácica, onde ocorrem as trocas gasosas entre o ar e a corrente sanguínea. O pulmão direito (Figura 7) possui três lobos: cranial, médio e caudal; enquanto o pulmão esquerdo (Figura 8) apresenta dois lobos: cranial e caudal. Ambos são compostos por tecido esponjoso altamente vascularizado, permitindo uma eficiente troca gasosa (DYCE et al., 2010). O desenvolvimento pulmonar em ovinos mostra similaridades significativas com os pulmões infantis humanos, incluindo alveologênese pré-natal, padrões de ramificação das vias aéreas, número de células clube bronquiolar, desenvolvimento epitelial alveolar tipo II (pneumócitos) e presença de glândulas submucosas das vias aéreas (GRAY, et al., 2019).
Os pulmões direito e esquerdo estão envolvidos por uma membrana serosa chamada pleura, que exerce papel fundamental ao facilitar os movimentos respiratórios ao reduzir o atrito entre as superfícies pulmonares e a parede torácica durante a expansão e contração pulmonar e estão presos ao mediastino apenas pelas raízes, não possuindo tamanho ou forma fixos, pois se adaptam às mudanças do volume do tórax durante a respiração. O pulmão direito é sempre maior devido à inclinação do coração, que influencia a conformação interna do tórax (DYCE et al., 2010).
A cor dos pulmões sadios pode variar conforme a quantidade de sangue presente, sendo rosa vivo (como em muitos animais de abatedouro) ou vermelho-escuro (em animais não sangrados). Além disso, é comum a presença de pulmões com coloração acinzentada, causada pela deposição de fuligem e outras partículas inaladas em ambientes poluídos (DYCE et al., 2010). Externamente, cada pulmão possui várias estruturas, incluindo o ápice, base, face costal, face medial, margens dorsal, ventral e basal, além da fissura cardíaca. No pulmão direito há um pequeno lobo acessório localizado na base, separado do lobo caudal por uma fissura que se abre dorsalmente para acomodar a veia cava caudal enquanto atravessa o diafragma até o átrio direito. Esse lobo acessório está praticamente “montado” sobre a veia (DYCE et al., 2010).
Figura 6: Ilustração esquemática do pulmão de um bovino, apresentando similaridades anatômicas com o pulmão de ovinos
1: Lobo cranial esquerdo (parte cranial). 2: Lobo cranial esquerdo (parte caudal). 3: Linfonodos traqueobronquiais esquerdos. 4: Linfonodos pulmonares. 5: Lobo caudal esquerdo. 6: Lobo cranial direito (parte cranial). 7: Linfonodo traqueobronquial cranial do brônquio traqueal. 8: Lobo cranial direito (parte caudal). 9: Linfonodos traqueobronquiais direitos. 10: Lobo médio. 11: Lobo acessório. 12: Lobo caudal direito.
Fonte: KÖNIG; LIEBICH (2020).
Figura 7: Pulmão direito, visto da face mediastina
 
1: Parte cranial do lobo cranial. 2: Parte caudal do lobo cranial. 3: Lobo médio. 4: Lobo Caudal. 5: Lobo acessório. 6: Margem dorsal (obtusa). 7: Margem aguda ventral. 8: Fissura interlobar cranial. 9: Fissura interlobar caudal. 10: Impressão aórtica. 11: Impressão cardíaca. 12: Traqueia. 13: Artéria pulmonar direita. 14: Veias pulmonares. 15: Inserção da pleura mediastínica. 16: Sulco para a veia cava caudal. 17: Face diafragmática. 18: Brônquio traqueal.
Fonte: POPESKO (2012).
Figura 8: Pulmão esquerdo, visto da face mediastina
1: Parte cranial do lobo cranial. 2: Parte caudal do lobo cranial. 3: Lobo caudal. 4: Margem dorsal (obtusa). 5: Margem aguda ventral. 6: Fissura interlobar caudal. 7: Margem aguda basal. 8: Incisura cardíaca. 9: Face Diafragmática. 10: Impressão aórtica. 11: Impressão esofágica. 12: Inserção da pleura mediastinica. 13: Brônquio principal esquerdo. 14: Veias pulmonares. 15: Artéria pulmonar esquerda. 16: Impressão cardíaca
Fonte: POPESKO (2012).
2.1.1.9 Pleura
A pleura (Figura 9) é uma membrana serosa que reveste os pulmões. Ela possui duas camadas: a camada mais interna, chamada pleura visceral, que reveste diretamente os pulmões; e a camada mais externa, chamada pleura parietal, que é dividida em pleura costal, mediastínica e diafragmática. Entre as pleuras existe um espaço chamado cavidade pleural, que contém apenas uma pequena quantidade de líquido seroso. Esse líquido lubrifica e permite que os pulmões deslizem suavemente durante a respiração, evitando o atrito. A cavidade pleural é sempre um pouco maior que o pulmão (DYCE et al., 2010).
Figura 9: Esquema de corte transversal do tórax
1: Pleura parietal. 2: Pleura visceral. 3: Pericárdio parietal. 4: Pericárdio visceral. 5: Cavidade pleural. 6: Mediastino. 7: Pulmões. 8: Coração.
Fonte: FAILS; MAGEE (2019).
 
2.1.1.10 Músculos Respiratórios
	Os músculos respiratórios são responsáveis pelos movimentos de inspiração e expiração. O principal músculo é o diafragma, que se contrai durante a inspiração, aumentando o volume torácico. Os músculos intercostaistambém participam, elevando as costelas e ampliando a cavidade torácica. Durante a expiração, esses músculos relaxam, permitindo a saída do ar. Em situações de esforço, músculos acessórios como os abdominais também são recrutados (GUYTON; HALL, 2017).
2.1.2 Fisiologia do Sistema Respiratório
2.1.2.1 Inspiração e Expiração
O ciclo respiratório tem duas fases: inspiração e expiração. A inspiração ocorre quando o tórax aumenta de tamanho e os pulmões se expandem, permitindo a entrada de ar. Isso ocorre porque o diafragma (músculo que separa o tórax do abdome) se contrai e empurra o tórax para baixo, enquanto os músculos intercostais externos, que ficam entre as costelas, também se contraem e expandem o tórax para frente, para cima e para os lados (CARDOSO, 2019). 
Normalmente, a inspiração exige mais esforço que a expiração, que ocorre muitas vezes de forma passiva, no entanto, em situações de respiração rápida ou quando existe dificuldade para o ar sair, a expiração se torna ativa. Nesses casos, os músculos intercostais internos ajudam, e até mesmo outros músculos, como os abdominais, podem participar. Quando os abdominais se contraem, empurram as vísceras contra o diafragma, diminuindo o espaço do tórax e facilitando a saída do ar (REECE; ROWAN, 2020).
2.1.2.2 Trocas gasosas nos alvéolos
O transporte de oxigênio acontece sempre seguindo o gradiente de difusão. Quando o sangue com pouco oxigênio chega aos pulmões, O₂ se move dos alvéolos para dentro das hemácias. Já nos tecidos, quando o sangue chega rico em oxigênio, o processo se inverte: o oxigênio sai da hemoglobina e vai para as células (REECE; ROWAN, 2020).
O caminho é assim: o oxigênio passa do ar alveolar para o líquido intersticial, depois para o plasma, em seguida entra no interior da hemácia e, por fim, se liga à hemoglobina. Nos tecidos acontece o contrário: O₂ deixa a hemoglobina, passa para o líquido da hemácia, depois para o plasma, chega ao interstício e, por fim, às células (REECE; ROWAN, 2020).
O transporte de dióxido de carbono (CO₂) no sangue ocorre por diferentes formas químicas, resultado de várias reações que facilitam esse processo. Apesar de o CO₂ ser mais solúvel em água do que o oxigênio, a quantidade produzida pelo metabolismo celular é maior do que a que poderia ser transportada apenas dissolvida no plasma (REECE; ROWAN, 2020).
2.1.2.3 Transporte de gases pelo sangue 
O transporte de oxigênio dos pulmões aos tecidos é realizado quase inteiramente pela hemoglobina, pelo fato do oxigênio ser pouco solúvel no plasma. Essa capacidade de transporte está ligada diretamente à quantidade de hemoglobina. A hemoglobina é uma proteína formada por quatro subunidades, cada um contendo um grupamento heme com um íon de ferro ferroso no centro e cada molécula de hemoglobina pode se ligar de forma reversível a até quatro moléculas de oxigênio, uma em cada heme. Essa ligação altera a cor do sangue, se tornando vermelho-brilhante quando está saturada de oxigênio e vermelho-púrpura quando perde oxigênio (MORAES; SIMAS, 2012).
O mecanismo de transporte é governado pela pressão parcial de oxigênio (PO2). Nos capilares pulmonares, onde a PO2 é alta, o oxigênio é difundido dos alvéolos para o sangue até o equilíbrio das pressões parciais. O PO2 determina a quantidade de oxigênio que se liga à hemoglobina. Nas condições de alta PO2 nos pulmões, a hemoglobina atinge cerca de 98% de saturação, podendo diminuir até 33%, quando ocorre a baixa da PO2, assim liberando 65% do oxigênio transportado para onde ele é mais necessário (MORAES; SIMAS, 2012)
O dióxido de carbono produzido nos tecidos do corpo entra no sangue de forma eficiente, pois se difunde através dos tecidos cerca de 20 vezes mais fácil que o oxigênio. Uma vez no plasma sanguíneo, ele é transportado de três maneiras principais: uma pequena parte viaja dissolvida no plasma, pois o CO2 é cerca de 24 vezes mais solúvel do que o oxigênio. Outra porção é transportada ligada a proteínas que estão no plasma, formando compostos carbamínicos, sendo responsável por 20 a 30% de todo CO2 trocado. A principal forma de transporte, no entanto, ocorre quando o CO2 é convertido em íons bicarbonato. Dentro das hemácias, a enzima anidrase carbônica acelera a conversão do CO2 em ácido carbônico, que rapidamente se dissocia em íon hidrogênio, tamponado pela hemoglobina, e íon bicarbonato, que entra no plasma para ser transportado (MORAES; SIMAS, 2012; FAILS; MAGEE, 2019).
2.1.2.4	 Controle básico da respiração 
O sistema respiratório tem como função principal fornecer oxigênio para o metabolismo dos tecidos e remover o dióxido de carbono. Além da troca de gases, ele desempenha outros papéis cruciais, como a termorregulação e a defesa contra agentes inalados. Uma de suas funções é a manutenção do pH plasmático, que ocorre através da eliminação de H2CO3 (ácido carbônico). Para manter as concentrações de gases e de íons H⁺ em níveis constantes, o corpo utiliza um sofisticado sistema de controle, composto por três elementos básicos: sensores que coletam informações, um controle central que as processa e efetores (os músculos respiratórios) que executam a resposta (MORAES; SIMAS, 2012)
O ritmo da respiração é um processo automático, controlado por centros nervosos que governam a contração e o relaxamento dos músculos respiratórios, esses centros nervosos estão localizados no tronco encefálico, mais especificamente no Bulbo e na Ponte. O ritmo inspiratório básico é gerado pelo GRD (Grupo Respiratório Dorsal) no bulbo, que comanda a contração dos músculos da inspiração. A respiração normal é chamada de eupneia, tendo sua frequência e profundidade alteradas para atender às necessidades metabólicas. Essas alterações podem ser influenciadas por diversos fatores, como estímulos químicos como a asfixia – uma condição de hipóxia combinada com hipercapnia (aumento de CO2 no sangue) – que provocam fortes respostas para aumentar a ventilação, e são mediadas por dois tipos de sensores quimiorreceptores centrais no bulbo, que são altamente sensíveis ao aumento de CO₂ no sangue, e os quimiorreceptores periféricos (nos corpos carotídeos e aórticos), que detectam principalmente a queda de oxigênio (GUYTON; HALL, 2017).
Além do controle químico, a respiração é modulada por receptores pulmonares. Estes receptores são divididos em: receptores de distensão, que ficam localizados na musculatura lisas das vias aéreas e são estimulados durante a insuflação dos pulmões e ativam o reflexo de Hering-Breuer, que inibe a inspiração para facilitar a expiração, e os receptores irritantes que respondem a gases nocivos e poeiras, provocando reflexos protetores como a tosse (MORAES; SIMAS, 2012)
2.1.2.5 Termorregulação por meio da respiração
Segundo Polli et al. (2020), a termorregulação se apresenta como um mecanismo do animal de adaptação e manutenção em diferentes habitats, ajustado pela interação dos sistemas endócrinos e nervoso.
Fisiologicamente, os ovinos são animais endotérmicos, capazes de manter sua temperatura corporal estável através do controle de produção e perda de calor, quando expostos a oscilações climáticas do ambiente, esses animais sofrem de estresse calórico. Esse estresse calórico pode ser definido como uma força que o ambiente exerce sobre o organismo, gerando uma reação fisiológica, essa reação sendo persistente, afeta significativamente seu desempenho produtivo e reprodutivo. Caso essa condição de estresse seja prolongada, o organismo pode acionar respostas secundárias para reduzir a produção interna de calor, como diminuir a atividade da glândula tireóide para produzir menos tiroxina (POLLI et al., 2020).
A elevação da temperatura os estimula a acionar seus mecanismos de troca de calor, desviando energia que deveria ser direcionada a produção para poder manter sua homeotermia (SOUSA et al., 2015). Um dos principais mecanismos que os ovinos utilizam para realizar essa troca de calor e dissipar a carga térmica é a respiração ofegante (polipneia térmica), essa respiração promove a perda de calor por meio evaporativoe é considerado o principal método de termólise para ovinos lanados (POLLI et al., 2020).
A respiração é fundamental para controlar o pH do sangue, pois regula a quantidade de dióxido de carbono, que age como um componente ácido. Se o sistema respiratório não consegue eliminar o CO2 eficientemente, ele se acumula, fazendo o pH do sangue cair e causando a acidose respiratória. No entanto, se a respiração remove dióxido de carbono em excesso, seus níveis no sangue diminuem, fazendo com que o pH suba e o sangue se torna mais alcalino, uma condição chamada de alcalose respiratória (FAILS; MAGEE, 2019).
2.2 Metodologia
O presente trabalho foi executado pelos acadêmicos do segundo semestre do curso de medicina veterinária da Faculdade IDEAU. O início da metodologia constituiu na coleta do bloco cardiorrespiratório (coração, pulmões e traqueia) um ovino adulto da raça Texel (Figura 10). Esses órgãos utilizados para a demonstração foram provenientes de uma propriedade na Comunidade Rio Buratti, RS-453, na área de Nova Sardenha em Farroupilha/RS (Figura 11), sendo o animal abatido para consumo seguindo as normas de bem-estar animal, e os órgãos foram cedidos para fins didáticos e análise acadêmica. O tempo entre a captura e o abate foi de aproximadamente 15 minutos, seguido a sangria e o início do processo de coleta tendo tempo aproximado de 35 minutos.
Figura 10: Ovino da raça Texel
 Fonte: Pexels (2025).
Figura 11: Local de coleta dos órgãos respiratórios em uma propriedade localizada em Nova Sardenha, Farroupilha/RS
 Fonte: Google Maps (2025).
A peça (Figura 12) foi levada para o laboratório de anatomia da instituição, onde foram mantidas sob refrigeração até o momento da análise. Esta etapa constituiu na análise macroscópica, onde foram observadas as principais estruturas e a dissecação (Figura 13) com o auxílio de materiais como bisturis, pinças e tesouras (Figura 14), do lobo pulmonar esquerdo, na tentativa de expor a árvore brônquica. Posteriormente foi realizado um corte longitudinal na laringe e traqueia para observar suas camadas, estruturas internas e realizar a contagem de anéis traqueais.
Figura 12: Pulmões e traquéia antes da dissecação
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 13: Integrantes realizando a dissecação dos pulmões no laboratório da Faculdade IDEAU
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 14: Bisturis e tesouras utilizados na dissecação do pulmão
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Adicionalmente, foi realizada uma análise citológica para observar as células pulmonares. Foram utilizados pequenos fragmentos coletados dos lobos do pulmão e confeccionadas lâminas através das técnicas de Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF), imprint e squash. As lâminas foram coradas imediatamente no laboratório, utilizando três soluções corantes distintas. O procedimento seguiu uma sequência específica de 8 imersões na solução de triarilmetano a 0,1%, 10 imersões na solução de xantenos a 0,1% e 12 imersões na solução de tiazina a 0,1%. As lâminas foram analisadas em um microscópio óptico Eco Series. Contudo houve dificuldade na identificação das estruturas celulares, sendo necessário o auxílio docente para a interpretação citológica.
Na primeira, utilizou-se a técnica de imprint, na qual a lâmina de vidro foi pressionada levemente contra a parte cranial do lobo esquerdo, sendo analisada com objetiva de 40x (abertura numérica de 0.65). A segunda lâmina foi obtida por Punção (PAAF) com seringa acoplada para criar sucção, sendo o material espalhado pela técnica de squash e analisada com objetiva de 10x (abertura numérica de 0.25). Já a terceira lâmina foi feita por PAAF sem sucção, com o material também espalhado por squash e analisada com objetiva de 40x (abertura numérica de 0.25).
2.3 Resultados e Discussão
	Durante a análise macroscópica do sistema respiratório ovino, foi possível identificar estruturas compatíveis com as descrições da literatura, incluindo a divisão dos lobos pulmonares, a presença da traqueia com seus anéis cartilaginosos e a ramificação da árvore brônquica (Figura 15). A contagem dos anéis da traqueia revelou cerca de 52 anéis, número que se mantém dentro do intervalo descrito por Dyce et al. (2010), que varia entre 48 e 60 anéis em ovinos.
A dissecação evidenciou diferenças de conformação entre os lobos direito e esquerdo, sendo o lobo direito mais volumoso devido à posição do coração, conforme descrito por Dyce et al. (2010) e Popesko (2012). Foram identificados os lobos cranial, médio e caudal em ambos os pulmões, apresentando superfície lisa e sulcos superficiais entre os lobos, sem fissuras profundas. A pleura, membrana fina que reveste os pulmões, foi observada cobrindo toda a superfície, conferindo proteção e permitindo o deslizamento durante a ventilação. 
Os brônquios principais e secundários foram visualizados durante a dissecação, assim como os bronquíolos, que apresentavam pequenas estruturas terminais semelhantes a “buraquinhos”, possivelmente correspondentes à presença de alvéolos. Essa organização evidencia a ramificação progressiva da árvore brônquica, fundamental para o transporte eficiente de ar até as regiões respiratórias finais.
Nos cortes longitudinais da laringe e da traqueia, foi possível observar a organização das camadas descritas na literatura: mucosa interna revestida por epitélio pseudoestratificado ciliado, camada fibrocartilaginosa intermediária e adventícia. A laringe, além de permitir a passagem do ar, possui estruturas identificadas durante a dissecação — como a epiglote e as cartilagens associadas — que atuam na proteção das vias aéreas, impedindo a entrada de líquidos e alimentos durante a respiração. A visualização do epitélio ciliado foi realizada em lâminas histológicas, confirmando a presença de mecanismos de transporte mucociliar essenciais à defesa das vias aéreas (Junqueira; Carneiro, 2013).
Durante a análise citológica, foram preparadas lâminas das estruturas respiratórias. Houve algumas limitações na interpretação devido à dificuldade de identificação clara das células (Figuras 16-18). Com auxílio docente, foi validado que na lâmina número dois (Figura 19) foram observados linfócitos e neutrófilos com morfologia normal, não indicando alterações neoplásicas. Na lâmina número três (Figura 20), foram identificadas bactérias, interpretadas como resultado da decomposição post-mortem da peça.
Os achados observados nesta dissecação são compatíveis com a literatura e reforçam a importância da anatomia funcional do sistema respiratório ovino. A conformação da caixa torácica e a organização da árvore respiratória permitem acomodar órgãos vitais, garantir ventilação eficiente e integrar mecanismos de proteção, como o transporte mucociliar e a ação protetora da laringe. Estudos apontam que mamíferos com alto desempenho ventilatório apresentam adaptações torácicas que aumentam a capacidade respiratória, evidenciando a inter-relação entre morfologia e função (Callison et al., 2019).
Figura 15: Pulmões e traqueia após a dissecação
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 16: Fotomicrografia de lâmina da parte cranial do lobo esquerdo, obtida por imprint
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 17: Fotomicrografia da lâmina da parte cranial do lobo esquerdo, obtida por punção com seringa e squash
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 18: Fotomicrografia da lâmina da parte cranial do lobo esquerdo, obtida por punção sem seringa e squash
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 19: Fotomicrografia da lâmina obtida por punção com seringa e squash, demonstrando os achados da análise docente
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Figura 20: Fotomicrografia dalâmina obtida por punção sem seringa e squash, demonstrando os achados da análise docente
 Fonte: Arquivo pessoal (2025).
De forma geral, os resultados corroboram a literatura quanto à morfologia do sistema respiratório ovino, reforçando o papel da anatomia e fisiologia respiratória na compreensão clínica. Observa-se também que, apesar da similaridade estrutural com outros ruminantes, os ovinos apresentam particularidades relevantes, como a presença do brônquio traqueal ventilando diretamente o lobo cranial direito, característica de grande importância em abordagens diagnósticas e cirúrgicas (Borges et al., 2004). Não foram observados achados adicionais durante o PATP, o que evidencia que os resultados obtidos estão de acordo com a morfologia descrita na literatura, permitindo uma análise consistente do sistema respiratório ovino.
3 CONCLUSÃO
Conclui-se que o estudo do sistema respiratório ovino é essencial para a formação do médico veterinário, uma vez que proporciona compreensão aprofundada da fisiologia respiratória e de seus mecanismos de defesa, fundamentais para a prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças. Além disso, o exercício prático contribuiu para consolidar o aprendizado teórico, promovendo uma visão integrada da anatomia e da fisiologia respiratória.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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	Projeto de Aperfeiçoamento Teórico e Prático – Caxias do Sul – RS – Brasil 	
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