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E2_D1_Ebook_Estado_e_Democracia_no_Brasil_e_a_Constituicao_de_1988

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D1 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
DEMOCRÁTICO DE DIREITO NO BRASILEIXO 2
Escola Nacional de Administração Pública
Presidenta
Betânia Lemos
Diretora de Educação Executiva (DEX)
Iara Cristina da Silva Alves
Coordenadora-Geral de Formação Inicial de Carreiras (FOCAR)
Carolina Pereira Tokarski
Coordenadora de Desenvolvimento Inicial de Servidores Federais (DESENVOLVE)
Fabiany Glaura Alencar e Barbosa
Curadoras do Curso
Gabriela Lotta 
Lígia Camargo
Curadora Pedagógica
Janaina Angelina Teixeira
Assessoria Técnica Especializada à Coordenação e Execução do Programa 
Flávia Magalhães Freire
Curso elaborado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em parceria com a 
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Brasília
2025
Sumário
Unidade 1 – Apresentação da Disciplina ..............................................................5
Unidade 2 – Estado, Democracia e Administração Pública ............................7
2.1 O Estado e sua Evolução Política ............................................................................................................8
2.2 A Democracia Contemporânea ..............................................................................................................11
2.3 Desenvolvimento Histórico da Administração Pública ...........................................................18
Unidade 3 – Democracia e a Constituição de 1988 no Brasil ....................26
3.1 A Democracia Representativa no Brasil ..........................................................................................27
3.2 O Controle Horizontal entre os Poderes .........................................................................................31
3.3 Órgãos de Controle Externo e Interno e seu Papel na Democracia .............................33
3.4 A Democracia Participativa no Brasil .................................................................................................37
Unidade 4 – Estado de Bem-Estar e Provisão de Serviços após 1988 ...44
4.1 O Estado de Bem-Estar Social no Brasil após 1988 ...............................................................44
4.2 O Papel do Estado na Provisão de Serviços após 1988 ......................................................52
Glossário .....................................................................................................................59
Referências ...............................................................................................................60
Material Complementar .........................................................................................63
5Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Unidade 1 – Apresentação da Disciplina
Aqui se inicia a disciplina Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988, que 
tem por pano de fundo a evolução sobre as formas e ideias sobre o Estado, a democracia 
e a administração pública. A Constituição de 1988 reforçou a democracia como forma de 
governo, o que veio acompanhado da implantação do Estado de bem-estar social com seus 
efeitos na organização da administração pública e na forma de provisão de serviços.
Objetivo de
aprendizagem
Nosso objetivo é mostrar a importância de compreender a organização 
do Estado, a democracia e a administração pública, pois as ideias que as 
inspiram seguem servindo de base para a atuação de servidores públicos 
no Brasil. 
Guia de Estudos
A disciplina está organizada nas seguintes unidades:
• Unidade 1 – Apresentação da Disciplina
• Unidade 2 – Estado, Democracia e Administração Pública
• Unidade 3 – Democracia e a Constituição de 1988 no Brasil
• Unidade 4 – Estado de Bem-Estar e a Provisão de Serviços após 1988 
Cada unidade propõe atividades que combinam leituras, atividades de estudos e vídeos a 
serem realizados individualmente. No Guia do Participante, você pode consultar todas as 
atividades previstas e a sistemática de avaliação proposta.
Guia do Participante CLIQUE AQUI
Clique no botão ao lado e acesse o Guia do Participante.
Para assistir à videoaula “Apresentação e Boas-vindas”, acesse o conteúdo 
interativo da disciplina.
https://cdn.evg.gov.br/cursos/pdi/ns/pdf/PDI_Guia_do_Participante_Enap_Programa_Desenvolvimento_Inicial_V4.pdf
6 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
O docente responsável por desenhar essas atividades é Eduardo José Grin.
Eduardo José Grin
Fonte: Arquivo pessoal (2025).
Eduardo José Grin é cientista político e professor do 
Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio 
Vargas de São Paulo nos cursos de graduação e pós-
graduação acadêmica e profissional em Administração 
Pública. É pesquisador do Centro de Estudos em 
Administração Pública e Governo, pesquisador e membro 
do conselho gestor do Instituto Nacional de Ciência e 
Tecnologia QualiGov, pesquisador visitante da 
Universidade de Berkeley em 2023 e professor da 
Universidad del Valle (Colômbia) e da Escuela Iberoamericana 
de Políticas Públicas. Suas áreas de interesse são o 
federalismo e relações intergovernamentais em perspectiva 
comparada, estudos sobre o poder local, capacidades 
estatais e descentralização de políticas públicas.
A disciplina é autoformativa, ou seja, você estuda com flexibilidade, no seu tempo, e realiza 
as atividades de acordo com sua disponibilidade, mas é importante observar as datas 
de finalização de cada disciplina e ler o Guia do Participante.
Ótimo estudo!
Eduardo José Grin
7Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Unidade 2 – Estado, Democracia e 
Administração Pública
Apresentação da Unidade 
Estudar o Estado, a democracia e a administração pública é essencial para compreender 
como as nações evoluíram quanto à sua organização política e administrativa. A conexão 
das três características é uma invenção relativamente recente na história humana e data 
do final da segunda metade do século XIX. 
A construção do Estado democrático de direito como regime político que garante ações 
públicas e governamentais para atender às necessidades da coletividade é um modelo 
com pouco mais de cem anos de história. Compreender como funcionam as instituições 
políticas e administrativas nas democracias contemporâneas é chave, pois, em muitos 
países, como o Brasil, a vigência da democracia influencia a forma como a sociedade e o 
Estado se organizam.
Esta unidade tem por objetivo estudar o que é o Estado, a democracia e a administração 
pública e como sua conexão caracteriza o modelo político, a organização do aparato estatal 
e das burocracias públicas.
Assim, você poderá compreender um pouco mais sobre o surgimento e as características 
do desenho político e institucional do Estado que responde pela produção de políticas 
públicas que afetam a vida dos cidadãos e cidadãs. Nesta unidade, vamos: 
• caracterizar o Estado e sua evolução política;
• descrever as características, modelos e sistemas de governo democráticos;
• apresentar o desenvolvimento histórico da administração pública.
8 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
2.1 O Estado e sua Evolução Política
Elaboração: CEPED/UFSC (2025). 
Para responder a essa pergunta, vamos começar falando da origem, da evolução e das 
características do Estado, destacando sua relação com a evolução das sociedades.
O Estado é um ordenamento político que substituiu as comunidades primitivas baseadas 
em laços de parentesco para dar lugar a sistemas mais amplos de dominação e exercício do 
poder instituído. Para Miller (2022), Aristóteles afirmou que os seres humanos são animais 
políticos que conectam o social e o político por meio da pólis.
A definição moderna de Estado nasceu no século XVI com Maquiavel, que afirma se tratar 
da máxima organização de poder e comando de um grupo de indivíduos sobre um território 
e seus habitantes.Constituição de 1988 criou o Sistema Único de Saúde (SUS), cujos 
serviços passaram a ser fornecidos a partir das necessidades das pessoas e com base nos 
princípios da justiça, acesso universal, integral, igualitário e equidade social. Foi criada uma 
política inovadora de inclusão social de larga repercussão, pois acabou com a segmentação 
de públicos que poderiam ter acesso aos serviços de saúde. Trata-se de um sistema público 
de saúde formado por uma rede responsável pela prevenção, promoção, cura e reabilitação 
da população brasileira (Carnut; Ferraz, 2021). 
Os resultados são bastante expressivos se forem considerados dois resultados de alto 
impacto social. Veja, no infográfico a seguir, como a criação do SUS impactou os números 
referentes às taxas de mortalidade infantil e à expectativa de vida dos brasileiros.
47Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Impactos Positivos da Criação do SUS. Fonte: o autor. Elaboração: CEPED/UFSC (2025). 
48 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
DICA
Na assistência social, fortaleceram-se as políticas de proteção social por meio da expansão 
de redes universais de serviços, a ampliação de benefícios monetários e a promoção da 
equidade (Bichir, 2020). A Constituição e a Lei Orgânica da Assistência consagraram a 
assistência social como um direito universal e o Estado como um provedor das ofertas de 
serviços e regulador da política pública. Em 2005, com a constituição do Sistema Único 
da Assistência Social, a política pública deixou de focar apenas na gestão da pobreza para 
abarcar cidadãos e grupos sociais em situação de vulnerabilidade e riscos e violação de 
direitos (pessoas em situação de rua, trabalho infantil e exploração sexual). 
A segurança de renda passou a ser garantida por dois programas. O Benefício de Prestação 
Continuada (PBC), que é uma garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com 
deficiência e ao idoso com sessenta cinco anos ou mais que comprovem não ter meios 
de prover a própria manutenção e tampouco tê-la provida por sua família, de natureza 
não contributiva. O Programa Bolsa Família, que atende famílias em situações de extrema 
pobreza e famílias com crianças em situações de pobreza instituiu garantia de renda para 
além das situações de não trabalho (Bichir, 2020). O programa busca garantir a essas 
famílias o direito à alimentação e o acesso à educação e à saúde. Em 2023, 21,3 milhões 
de famílias foram atendidas pelo Bolsa Família. 
A assistência social vem se consolidando como um direito universal, apesar de as influências 
históricas da lógica assistencialista ainda não terem desaparecido. De acordo com Vaistman, 
Andrade e Farias (2009, p. 739),
Não se trata apenas de acesso ao consumo via 
transferência de renda, mas da criação de bases 
institucionais e organizacionais para a incorporação 
dos segmentos sociais mais pobres e vulneráveis a um 
sistema de proteção, em que benefício assistencial não 
significa assistencialismo, mas direito. 
Para entender a organização do SUS, é importante diferenciar o SUS como 
um sistema nacional de saúde e não um sistema do Governo Federal, o 
que tem implicações práticas para sua gestão. Cada esfera de governo tem 
autonomia para gerir o SUS em seu território e o Governo Federal não pode 
impor diretrizes. Por isso, ao estudar o SUS, considere essa característica 
peculiar de seu desenho institucional.
49Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Saiba mais A proteção social básica é ofertada pelos Centros de Referência 
de Assistência Social (CRAS), que são a porta de entrada do 
SUAS. É um equipamento público localizado, em geral, em áreas 
de maior vulnerabilidade social, cujos serviços visam fortalecer a 
convivência com a família e com a comunidade. A proteção social 
especial é ofertada pelos Centros de Referência Especializado 
de Assistência Social (CREAS), que são equipamentos públicos 
voltados a atender pessoas que vivenciam situações de violações 
de direitos ou de violências. 
A previdência social, considerando o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que 
cobre essencialmente os empregados regidos com vínculos formais de trabalho, é a única 
modalidade de proteção social que depende de contribuição obrigatória dos segurados e 
se organiza por meio do regime de repartição: aposentadorias e benefícios são financiados 
pela população em idade economicamente ativa. Conforme a Constituição, deve atender: a) 
cobertura de eventos de incapacidade temporária; b) proteção à maternidade, especialmente 
à gestante; c) proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; d) salário-
família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda e; e) pensão 
por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes.
A Constituição definiu o salário-mínimo como piso para os benefícios da Seguridade 
Social, de modo que reajustes naquele elevam os proventos das aposentadorias, o que 
teve impacto na queda da desigualdade de renda (Arretche, 2018). O seguro-desemprego 
passou a ser um direito do trabalhador e foi incorporado aos mecanismos de proteção 
social. Empregadores rurais passaram ter direito aos benefícios de aposentadoria por 
invalidez e velhice, pensão, auxílio-funeral, serviços de saúde no ano de 1975. Estabeleceu-
se a inclusão dos trabalhadores rurais no Regime Geral da Previdência Social (RGPS) com 
o direito a: benefícios previdenciários no valor de um salário-mínimo; aposentadoria por 
idade aos 65 anos para os homens e 62 para as mulheres, desde que tenham contribuído, 
respectivamente, pelo menos por 20 e 15 anos, respectivamente, aposentadoria por 
invalidez, pensão por morte, salário-maternidade e auxílio-doença.
50 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Saiba mais Observe que, além do Regime Geral de Previdência Social, o 
Brasil tem também dois outros regimes de previdência. Um deles 
é o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que cobre o 
funcionalismo público efetivo no estado, no Distrito Federal, no 
município ou na União. A filiação dos trabalhadores nesse caso 
também é obrigatória. Já o Regime de Previdência Complementar 
é de caráter privado e ofertado por entidades complementares 
de previdência. Sua finalidade é adicionar uma renda aos 
trabalhadores, além do plano previdenciário oficial, quando de 
sua aposentadoria.
Na educação, a Constituição garantiu o acesso ao ensino fundamental obrigatório e 
gratuito, inclusive para todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria. Em 2013, o 
ensino obrigatório de 4 a 17 anos foi oficializado no país. Ficou definida a oferta obrigatória, 
pelo Estado, do ensino fundamental e da educação infantil, em creches e pré-escolas para 
crianças de zero a seis anos. O acesso ao ensino médio universalizado para jovens de 15 a 17 
anos ficou assegurado. Reconheceu-se a insuficiência do ensino fundamental e a urgência 
de um grau de escolaridade mais apropriado às necessidades sociais contemporâneas 
(Corbucci et al., 2018). Foram assentadas as bases para o que a Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação (LDB), em 1996, definiu como a educação básica como a mínima necessária a 
qualquer cidadão, ao abranger as três etapas: infantil, fundamental e média. A LDB foi um 
avanço por ter normatizado o sistema escolar nacional.
A Constituição explicitou que o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito do cidadão, 
o que implica a possibilidade de responsabilizar a autoridade competente quando do não 
oferecimento ou sua oferta irregular pelo Poder Público. No artigo 206, a Carta determina 
que o ensino deve basear-se nos princípios de igualdade de condições para acesso e 
permanência na escola e garantia de padrão de qualidade. A obrigatoriedade da educação 
básica é de nove anos, considerando o início do ensino fundamental aosseis anos de 
idade. A Constituição assegurou o atendimento educacional especializado às pessoas com 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, o que representou um avanço 
quanto à inclusão de brasileiras/os até então excluídos do acesso à escola e a oferta de 
ensino noturno regular adequada às condições do educando. Passou a ser dever do Estado 
garantir o atendimento ao educando, no ensino fundamental, por meio de programas 
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde, 
o que passou a ser essencial para viabilizar para muitos que não dispõem de condições para 
51Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
estudar. Por fim, a oferta de ensino noturno regular adequado às condições do educando 
ampliou o direito à educação para milhares de brasileiras/os (Corbucci et al., 2018).
Alguns indicadores mostram os avanços da educação brasileira após a década de 1980: 
Redução substancial da população analfabeta com 15 ou mais anos 
Em 21 anos, de 1996 a 2017, a queda foi de 14,7% para 6,9%, mas com grandes 
disparidades regionais, pois nesse último ano o Nordeste ainda apresentava 14% de 
analfabetos.
Ampliação da média nacional de anos de escolaridade
De 1980 a 2022, a média mais que dobrou: de 4 anos para 8,3 anos. Nos anos iniciais 
do ensino fundamental, em 1997, 55,5% das/os alunas/os de 12 anos tinham concluído. 
Em 2007, houve um salto para 93,3% de concluintes. Com relação à conclusão dos 
anos finais do ensino fundamental, houve um avanço de 40,8 em 20 anos (31,3% em 
1997 para 72,1% em 2017) (IPEA, 2021).
A evolução do Índice de Desenvolvimento Humano em 32 anos também permite verificar 
os avanços obtidos na melhora da qualidade de vida da população brasileira.
O IDH no Brasil (1991-2023). Fonte: Abel; Almeida (2024), adaptado por CEPED/UFSC (2025).
52 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
4.2 O Papel do Estado na Provisão de Serviços após 1988
A Constituição de 1988 inaugurou uma nova era nas políticas públicas. Houve esforços de 
construir um Estado de bem-estar social antes desse período, principalmente com Vargas e 
no regime militar. Contudo, dadas as limitações das experiências anteriores, caracterizadas 
por clientelismo, corporativismo e segmentação de públicos, a administração pública não 
estava organizada para assumir a prestação de serviços e a provisão de direitos sociais em 
bases universais. Essa realidade demandou construir novas capacidades administrativas 
e um novo formato de relações intergovernamentais que ampliou as responsabilidades 
descentralizadas, sobretudo para os municípios (veja mais sobre esse tema na disciplina 
“Separação dos Poderes e Pacto Federativo no Brasil”). O papel do Estado na provisão 
de serviços tem dois eixos complementares: sem a descentralização não seria possível 
implementar o Estado de bem-estar social, e sem a construção de uma burocracia estatal 
na esfera central não haveria como formular políticas e coordenar esse processo. 
A criação dos sistemas nacionais de políticas públicas na área da saúde e da assistência, 
bem como a ampliação das responsabilidades descentralizadas, sobretudo para os 
municípios também como provedor de serviços educacionais, fez desse processo a 
grande transformação administrativa que garantiu a implementação do Estado de bem-
estar social. Nesse sentido, três aspectos são essenciais para gerar capacidades estatais 
na esfera federal:
1) A qualificação e a expansão da burocracia pública
Com relação ao primeiro tema, foram implementados mecanismos para profissionalizar a 
burocracia pública, o que foi um processo inédito do Estado brasileiro. O principal avanço foi 
a redução do clientelismo e do patrimonialismo na administração das políticas, tornando-as 
mais públicas e com maior potencial de universalização e democratização. Vale frisar que a 
Constituição de 1988 foi a primeira na história do país a introduzir um capítulo específico 
sobre a administração pública que reforçou a profissionalização meritocrática do serviço 
civil. Essas mudanças foram observadas principalmente no processo de recrutamento 
por meio de concursos públicos (art. 37, II e III). Também foram melhoradas as condições 
institucionais da burocracia estatal, por exemplo, com a previsão de planos de carreira, o 
que se alinha com as bases da administração burocrática.
Para Cavalcante e Carvalho (2017), são cinco os critérios para avaliar a profissionalização 
da burocracia pública federal: 
53Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
• A evolução no quadro de pessoal e de ingresso (quantitativo de servidores e criação 
de novas carreiras em função de demandas que o Estado passou a assumir na 
provisão de serviços). 
• A política salarial, que gerou melhorias significativas na média salarial do servidor 
público federal. 
• A avaliação de desempenho que, embora com iniciativas implantadas, segue sendo 
um desafio da profissionalização. 
• A valorização da burocracia federal e de servidores efetivos em cargos de direção.
• A formação e capacitação de servidores, que tem crescido bastante com apoio das 
escolas de governo. 
2) A necessidade de gerar fontes de financiamento para as políticas de bem-estar 
social.
O financiamento do Estado de bem-estar social no Brasil está inserido no desenho da 
Seguridade Social (art. 194 da Constituição). Este é um conjunto integrado de ações de 
iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à 
saúde, à previdência e à assistência social. O financiamento da Seguridade Social é um dever 
da sociedade mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos estados, do 
Distrito Federal, dos municípios e de contribuições sociais. No âmbito federal, o orçamento 
da Seguridade Social é composto pelas receitas da União, receitas das contribuições sociais 
e outras fontes. Constituem contribuições sociais pagas pelas empresas sobre faturamento 
e lucro, empregadores domésticos e salário de contribuição dos trabalhadores.
A Constituição definiu que municípios e estados alocassem 25% de suas receitas 
na educação, mas foi com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e Valorização do Magistério, implantado em 1998, e o Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
(FUNDEB), implantado em 2006, que as restrições no financiamento da educação foram 
reduzidas. A lógica dos fundos é alocar os recursos conforme os números de matrículas, o 
que incentiva esse processo, além de ser uma medida redistributiva em favor dos estados 
mais pobres. Esta é a conclusão de Arretche (2018), destacando especialmente seus efeitos 
sobre a oferta de ensino no nível municipal, que é responsável pelo ensino fundamental. 
54 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Saiba mais
Clique aqui e assista ao vídeo “Política Educacional: FUNDEF x 
FUNDEB” para aprender mais sobre ambos os fundos.
Também cresceu a vinculação de recursos federais e manteve-se a contribuição social do 
salário-educação.
3) A formulação e a implementação de políticas públicas que materializam a provisão 
de serviços públicos e estatais.
A formulação e a implementação de políticas públicas foram possíveis com a expansão e o 
surgimento de novas carreiras na burocracia federal e com fontes estáveis de financiamento 
estatal. No Sistema Único de Saúde (SUS), a provisão de serviços públicos foi ampliada com 
a criação de programas e políticas de atenção à saúde, que visam à prevenção de doenças, 
solução e direcionamento dos casos mais graves para níveis de atendimento superiores em 
complexidade. As Unidades Básicas de Saúde (UBS), porta de entrada do SUS, oferecem 
vários serviços: acolhimento com classificação de risco, consultas de enfermagem,médicas 
e de saúde bucal, distribuição de medicamentos, vacinas, curativos, visitas domiciliares por 
meio do Programa Saúde da Família e Programa Agentes Comunitários de Saúde. A rede 
de serviços do SUS é ampla e engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os 
serviços de urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias 
epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica.
No Sistema Único de Assistência Social (SUAS), são oferecidos vários serviços para garantir 
que o cidadão não fique desamparado e que sua capacidade de acessar direitos sociais 
fique comprometida. Estão divididos entre a Proteção Social Básica, voltada à prevenção 
de riscos sociais e pessoais, e a Proteção Social Especial, destinada a pessoas em situação 
de risco ou violação de direitos. Entre os serviços fornecidos podem ser destacados o 
Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família, que apoia famílias e previne a ruptura 
de laços; o Serviço de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos para famílias e 
pessoas que estão em situação de risco social ou tiveram direitos violados; o Centro de 
Referência Especializado de Assistência Social, que oferece o serviço de proteção social a 
adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de liberdade assistida; os serviços 
de acolhimento, que oferecem acolhimento e proteção a pessoas/famílias afastadas de seu 
núcleo familiar e/ou comunitários e se encontram em situação de abandono, ameaça ou 
violação de direitos.
https://www.youtube.com/watch?v=139kLRpToAI
55Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
DICA
Observe que, em algumas políticas sociais, como saúde e assistência 
social, a descentralização de atribuições para estados e municípios veio 
acompanhada de sistemas nacionais de políticas – SUS e SUAS – que são 
centrais para cofinanciar as ações e para oferecer apoio técnico para 
qualificar a gestão estadual e municipal. Ambos os tipos de suporte são 
essenciais para a implantação descentralizada, pois sem eles os governos 
locais menores e mais carentes teriam menos condições de assumir essas 
responsabilidades, o que prejudicaria o acesso das populações aos direitos 
universais consagrados na Constituição.
Na educação, além da oferta dos serviços diretos de ensino, o Governo Federal oferece 
outros serviços essenciais para garantir a presença das/os alunas/os nas escolas, 
principalmente por meio dos seguintes programas: 
Programa Nacional de Alimentação Escolar
Transfere recursos financeiros para os estados e municípios para compra de gêneros 
alimentícios.
Programa Nacional do Livro Didático
Proporciona material didático gratuitamente às escolas públicas. 
Programa Dinheiro Direto na Escola 
Transfere recursos de manutenção e de consumo necessários para manter o 
funcionamento da escola.
Programa Caminho da Escola
Visa garantir o acesso diário e a permanência de estudantes residentes em áreas rurais 
e ribeirinhas nas escolas públicas de educação básica.
Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar
Apoia o transporte dos estudantes das redes públicas de educação básica, residentes 
em áreas rurais, por meio de assistência técnica e financeira, em caráter suplementar, a 
estados, municípios e Distrito Federal.
Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede 
Escolar Pública de Educação Infantil
Visa garantir o acesso de crianças a creches e escolas, bem como a melhoria da 
infraestrutura física da rede de educação infantil.
56 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
ATIVIDADES DE ESTUDO
Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos.
Atividade de Estudo 1
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: quais foram as principais mudanças introduzidas pela 
Constituição Federal no Estado de bem-estar social no Brasil?
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
Atividade de Estudo 2
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: quais são as três condições necessárias para o Governo 
Federal realizar a provisão de serviços públicos focados no Estado 
de bem-estar social e por que são importantes? 
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
57Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Encerramento
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
Esta unidade abordou a estrutura do Estado de bem-estar social consignado na Constituição 
de 1988.
A Seguridade Social avançou na universalização de direitos sociais na saúde e assistência 
social e inovou ao gerar o status de cidadania que independe de qualquer critério como 
renda ou emprego formal. A Seguridade Social, chave na estrutura da proteção social, 
ampliou a cobertura da previdência social e os benefícios dos trabalhadores rurais.
A assistência social foi reconhecida como um direito e também passou a fornecer serviços 
e benefícios monetários. O SUS universalizou o acesso à saúde, e o seguro-desemprego foi 
implementado para amparar cidadãos e cidadãs.
A educação básica foi reconhecida como um direito universal e seu acesso gratuito é um 
dever de Estado.
Com efeito, para um país de renda média, que saiu de 21 anos de regime militar com uma 
enorme dívida social, os avanços na construção do Estado de bem-estar no país não foram 
poucos.
58 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Também vimos como o Estado brasileiro se organiza para a provisão de serviços públicos 
essenciais para a implementação do Estado de bem-estar social.
Esperamos que esses conhecimentos contribuam para sua atuação como servidor/a 
público/a.
Atividade de Estudo 1
O status da cidadania alargou o leque de direitos garantidos pelo Estado. Foi reforçado o dever do 
Estado na provisão de serviços e políticas sociais em áreas como a saúde, assistência social e previdência 
social, sob o conceito de Seguridade Social.
Qualificação e a expansão da burocracia pública, a necessidade de gerar fontes de financiamento para as 
políticas de bem-estar social e a formulação e a implementação de políticas públicas que materializam 
a provisão de serviços públicos e estatais. 
Atividade de Estudo 2
Espelho de Resposta
59Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Glossário
IDH: O IDH é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões 
básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O IDH buscou oferecer 
um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto per capita, que 
considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Clique aqui para saber mais.
Poliarquia: Conceito que surgiu no âmbito da ciência política americana, criado por Robert 
Dahl para designar a forma como funcionam os regimes democráticos dos países ocidentais 
desenvolvidos. Clique aqui para saber mais.
Medida Provisória: As medidas provisórias são normas com força de lei editadas pelo 
presidente da república em situações de relevância e urgência. Apesar de produzir efeitos 
jurídicos imediatos, precisam da posterior apreciação pelo Congresso Nacional para se 
converterem em lei ordinária. Clique aqui para saber mais.
Coronelismo: O coronelismo é uma prática política típica da República Velha, quando os 
chamados “coronéis” exerciam o poder sobre eleitores por meio do voto de cabresto para 
garantir votos em troca de favores das esferas políticas locais, estaduais e federais. Clique 
aqui para saber mais.
Cidadania regulada: Descreve um tipo específico de cidadania em que só é cidadão que 
estivesse formalmente inserido no mercado de trabalho teria direitos reconhecidos pelo 
Estado. Clique aqui para saber mais.
https://www.undp.org/pt/brazil/idh
https://www.politize.com.br/poliarquia/
https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/entenda-a-tramitacao-da-medida-provisoriahttps://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/coronelismo-no-brasil.htm
https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/coronelismo-no-brasil.htm
https://www.scielo.br/j/eh/a/YC5NhQNKLyLL4dB9tJmw5wL/
60 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
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63Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Material Complementar
LATINOBARÓMETRO. Disponível em: http://www.latinobarometro.org/lat.jsp. Acesso em: 26 
fev. 2025.
MAPA DEMOCRACIA SIM! (Pacto pela democracia). Disponível em: https://mapademocraciasim.
org/. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DAS DESIGUALDADES. Disponível em: https://observatoriodesigualdades.
fjp.mg.gov.br/. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DAS DESIGUALDADES. Disponível em: https://www.
observatoriodasdesigualdades.ccsa.ufrn.br/. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DE PESSOAL. Disponível em: https://www.gov.br/servidor/pt-br/
observatorio-de-pessoal-govbr. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DA DEMOCRACIA. Disponível em: https://www.gov.br/agu/pt-br/assuntos-1/
observatorio_da_democracia. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/
observatorio/component/tags/tag/democracia. Acesso em: 26 fev. 2025.
OBSERVATÓRIO DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS. Disponível em: https://
observatoriodemocraciadireitos.unifesp.br/. Acesso em: 26 fev. 2025.
http://www.latinobarometro.org/lat.jsp
https://mapademocraciasim.org/
https://mapademocraciasim.org/
https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/
https://observatoriodesigualdades.fjp.mg.gov.br/
https://www.observatoriodasdesigualdades.ccsa.ufrn.br/
https://www.observatoriodasdesigualdades.ccsa.ufrn.br/https://www.gov.br/servidor/pt-br/observatorio-de-pessoal-govbr
https://www.gov.br/servidor/pt-br/observatorio-de-pessoal-govbr
https://www.gov.br/agu/pt-br/assuntos-1/observatorio_da_democracia
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https://www.ipea.gov.br/observatorio/component/tags/tag/democracia
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https://observatoriodemocraciadireitos.unifesp.br/
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	Unidade 1 – Apresentação da Disciplina
	Unidade 2 – Estado, Democracia e Administração Pública
	2.1 O Estado e sua Evolução Política
	2.2 A Democracia Contemporânea
	2.3 Desenvolvimento Histórico da Administração Pública
	Unidade 3 – Democracia e a Constituição de 1988 no Brasil
	3.1 A Democracia Representativa no Brasil
	3.2 O Controle Horizontal entre os Poderes
	3.3 Órgãos de Controle Externo e Interno e seu Papel na Democracia
	3.4 A Democracia Participativa no Brasil
	Unidade 4 – Estado de Bem-Estar e Provisão de Serviços Após 1988
	4.1 O Estado de Bem-Estar Social no Brasil após 1988
	4.2 O Papel do Estado na Provisão de Serviços após 1988
	Glossário
	Referências 
	Material Complementar
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		Lbl e LBody		Ignorado		Lbl e LBody devem ser filhos de LI
		Cabeçalhos
		Nome da regra		Status		Descrição
		Aninhamento apropriado		Aprovado		Aninhamento apropriado
Voltar ao topoHistoricamente, o Estado sempre teve duas características-chave:
• presença de um aparato administrativo para a provisão de serviços públicos;
• monopólio legítimo da força em um território delimitado (Bobbio, 2017).
Os Estados decidem de forma soberana, pois não se subordinam a nenhum outro poder no 
território. O poder não pode ser retirado, sem ele não há mais Estado e, por essa razão, não 
tem prazo de validade.
9Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
O surgimento e o crescimento do Estado coincidem com a evolução das sociedades 
humanas, que passaram a requerer uma forma de manutenção da ordem coletiva. O 
Estado também resultou do nascimento da propriedade individual e a necessidade de sua 
proteção legal, bem como da divisão de trabalho na sociedade (proprietários e os que 
nada têm), que se refletiu na expansão do poder político instituído e organizado, visando 
fazer uso de seus recursos de poder político e coercitivo em favor do status quo. Como 
o Estado é um ordenamento político que conta com recursos de poder para assegurar a 
ordem econômica e social, ele necessita de legitimidade: o comando político não pode se 
manter apenas pela coerção e precisa se basear em princípios organizativos aceitos pela 
sociedade (Bobbio, 2017). 
Saiba mais A ciência política distingue os conceitos de Estado e governo. O 
Estado é soberano, estável e conta com instituições permanentes 
como o Poder Judiciário, a burocracia pública e as forças armadas. 
Governos são uma parte do poder de Estado cuja formação não 
é permanente, pois periodicamente eleições modificam seus 
ocupantes. Governos são instituições do Estado, mas o contrário 
não se aplica. Governos não são soberanos, pois não podem se 
sobrepor às instituições do Estado. De comum, Estado e governos 
só existem por serem a forma que as sociedades têm de se 
organizar para atender a seus interesses coletivos. 
As bases filosóficas da legitimação do poder de Estado é longa e sofreu muitas 
transformações desde que Maquiavel definiu as bases da ciência política moderna no século 
XVI. O Estado absolutista foi o modelo em vigor entre os séculos XVI e XVIII nas nascentes 
nações europeias e assumiu sua preponderância sobre as liberdades individuais. Monarcas 
absolutistas confundiam seu reinado com o próprio Estado. A famosa declaração de Luís 
XIV, rei da França de 1643 a 1715, “o Estado sou eu”, revela a natureza do absolutismo: 
não há divisão entre as funções do Estado, pois o rei concentra em si todos os poderes. 
A legitimidade política dos reis, necessária para justificar seu poder político, em regra os 
apresentava como representantes de Deus, o que interessava à Igreja Católica. 
O contratualismo foi uma formulação filosófica sobre a formação do Estado que teve três 
grandes expoentes entre o século XVI e XVII:
10 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Thomas Hobbes
Defendia que as sociedades humanas deveriam sair do chamado estado de natureza, 
no qual todos estavam em situação de guerra contra todos, como consequência da 
ausência de um poder civil. A criação do Estado seria uma decisão coletiva na qual, 
por meio de um contrato ou pacto de submissão, os indivíduos cederiam o direito para 
um soberano governar, desde que suas vidas fossem protegidas. O surgimento de um 
Estado concentrador de poder seria a forma para a evitar a anarquia social (Teixeira 
Filho, 2023).
John Locke
Filósofo inglês, entendia o contrato entre indivíduos para criar o Estado e o governo 
como um pacto necessário para a defesa da propriedade, sendo esta entendida como 
sua vida e as posses materiais. Os indivíduos já eram livres antes do contrato criador do 
poder político que, ao ser instituído, lhes amplia a segurança para manter suas posses. 
Contudo, como representante do liberalismo e da precedência dos direitos individuais 
sobre o poder de estado, caso ele usurpasse os cidadãos de suas prerrogativas, estes 
teriam direito de rebelião. Isso seria impensável na visão hobbesiana, segundo a qual é 
o Estado que institui direitos (Santos, 2021).
Jean-Jacques Rousseau
Defendia que o contrato social representa a criação do poder político como forma de 
a sociedade atuar diretamente, sem a intermediação de representantes e governos, 
além de expressar a soberania e a vontade popular de forma autônoma. Nisso reside a 
legitimidade do poder político soberano (Rosa, 2021).
A concepção lockeana prevaleceu e o surgimento gradual de liberdades civis, como o direito 
ao habeas corpus, foram reduzindo, a partir do século XVII, os poderes estatais absolutos.
Exemplo A Inglaterra se tornou o exemplo mais conhecido, sobretudo após 
a chamada Revolução Gloriosa de 1688, que reduziu os poderes 
do rei ao criar uma monarquia constitucional e controlada pelo 
parlamento.
No século XIX surgiram as democracias liberais associadas à expansão gradual dos 
direitos políticos como o voto, ainda que limitado por critérios de renda e pela exclusão 
11Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
das mulheres. Contudo, em vez de um suposto contrato entre indivíduos como critério 
para legitimar o poder político instituído, processos eleitorais passaram a ser forma de 
selecionar representantes políticos. A competição política ainda era restrita a oligarquias 
com status e poder econômico, e a participação política estava longe de ser inclusiva (Dahl, 
2016). 
O século XX testemunhou a expansão das democracias de massa, e o direito ao voto se 
alargou para vários estratos sociais até se tornar universal e sem nenhuma barreira de 
status, classe, gênero ou educação. O surgimento de partidos políticos e o crescimento 
dos meios de comunicação de massa incrementaram a competição política para cargos 
eletivos em todos os níveis e poderes governamentais. Todos os cidadãos passaram a ter 
o direito de associar-se a um partido político, bem como de elegerem e serem eleitos para 
qualquer cargo. Esse tipo de democracia Dahl (2022) caracterizou como poliarquia por 
contar com um conjunto de características que serão descritas mais adiante.
2.2 A Democracia Contemporânea
Você se lembra do conceito de democracia? Antes de seguir, pense um pouco e compare 
sua resposta com a definição que trazemos aqui: 
Conceito de democracia
Democracia é uma forma de governo no qual o poder político é exercido pelo povo, e 
desde Aristóteles esse princípio geral sempre se manteve.
Agora vejamos como esse conceito foi constituído.
As antigas democracias só haviam sido testadas em territórios menores como as cidades-
estado gregas. Eram experiências de democracia direta exercida pela população considerada 
livre, o que excluía escravos, além de ser a política uma atividade reservada aos homens. A 
seleção de líderes políticos na democracia era realizada por sorteio e inexistiam noções de 
direitos e do status de cidadania como aqueles consignados nas constituições modernas. 
Durante séculos acreditou-se que a democracia apenas seria viável em pequenos estados 
onde a população poderia se reunir e onde todos se conhecessem. Mesmo assim, havia 
críticas sobre o funcionamento das democracias, pois a participação direta em assembleias 
poderia gerar conflitos diante da dificuldade de produzir consensos. Democracia e líderes 
populistas poderiam manipular maiorias contra minorias, geralmente os mais pobres contra 
os mais ricos, o que seria o caminho para a turbulência pública.
12 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
A resposta a essa pergunta vem do século XVII, quando a democracia moderna começou a 
tomar forma e as ressalvas à democracia já mencionadas começaram a ser dissipadas com 
a Independência dos Estados Unidos, pois se fazia necessário um novo modelo de poder 
político. A inovação política consistiu em criar um governo democrático, que substituiua democracia dos antigos pelo governo republicano representativo. Para os chamados 
pais fundadores da nação americana, em grandes territórios, o governo democrático 
seria organizado por meio da delegação a representantes eleitos pela sociedade. Esse 
experimento democrático se transformou em um modelo universal para outras nações.
Tocqueville, filósofo francês que viveu de 1805 a 1859 e se dedicou a estudar o liberalismo 
e a democracia, reconheceu que esta é a versão da democracia dos modernos em oposição 
à democracia dos antigos, baseada no princípio da soberania popular e da comunidade 
política formada por todos os indivíduos que dela participam de forma direta ou por meio 
de seus representantes (Paz, 2021).
De forma resumida, democracia é uma forma de governo que se organiza pela 
competição política, geralmente por meio de partidos políticos, que de tempos em 
tempos promovem a seleção de líderes para ocupar cargos eletivos nos governos 
e no parlamento. 
13Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
De acordo com Abraham Lincoln,
A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo.
Fonte: Wikipedia (2025).
Essa forma de governo representa soberania popular que aprova candidatos que os 
representam para produzir políticas públicas. Nesse processo reside sua legitimidade 
política, já que a origem do poder político está vinculada às decisões coletivamente 
adotadas.
As democracias usam dois conceitos centrais para descrever diferentes formas de controle 
e responsabilidade: accountability vertical e accountability horizontal.
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
14 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Antes de continuar, veja as definições desses conceitos:
1. Governos democraticamente eleitos são responsáveis e responsabilizáveis por seus 
atos perante as sociedades. Não há salvos-condutos para líderes usurpadores do 
poder ou maus governantes, e as democracias modernas dispõem de mecanismos 
para enfrentar esses problemas.
2. As democracias também dividem seus poderes para que estes não fiquem 
concentrados como no absolutismo. Para Madison, um dos fundadores da república 
democrática americana, o poder se divide (executivo, legislativo bicameral e judiciário) 
para que um controle o outro.
ATIVIDADES DE ESTUDO
Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos.
Vamos ver se você entendeu o conceito de cada uma dessas definições. Escolha a alternativa 
correta que corresponde ao conceito apresentado.
Atividade de Estudo 1
Atividade O que é accountability vertical?
a) O controle exercido entre os poderes do Estado, como 
Executivo, Legislativo e Judiciário.
b) O controle exercido pelos cidadãos sobre seus 
governantes por meio de eleições e participação política.
c) A ausência de mecanismos de responsabilização em 
democracias modernas.
d) A concentração de poderes em um único governante, 
sem fiscalização.
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
15Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Atividade de Estudo 2
Atividade O que é accountability horizontal?
a) O controle exercido entre os poderes do Estado, como 
Executivo, Legislativo e Judiciário.
b) O controle exercido pelos cidadãos sobre seus 
governantes por meio de eleições e participação política.
c) A ausência de mecanismos de responsabilização em 
democracias modernas.
d) A concentração de poderes em um único governante, 
sem fiscalização.
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
A distinção entre esses conceitos é essencial para entender como as democracias evitam 
abusos de poder e garantem a responsabilidade dos governantes. Caso tenha errado alguma 
resposta, revise os conceitos e reflita sobre como eles se aplicam no sistema político atual.
Em regra, a eleição de um governo democrático se dá pela maioria de votos, mas essa 
delegação não autoriza o líder político vencedor a se sobrepor às leis e tampouco a se 
opor aos direitos das minorias, dos derrotados e de seus opositores. 
Para assistir à videoaula “Constituição do Estado e Relação com a Democracia”, 
acesse o conteúdo interativo da disciplina. 
16 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Para lidar com o afastamento de líderes políticos eleitos, as democracias se valem 
usualmente de dois tipos de procedimentos. Em sistemas de governo presidencial, o 
impeachment é um instrumento constitucional utilizado para remover presidentes 
que cometeram os chamados crimes de responsabilidade praticados durante 
seu mandato. Geralmente, o impeachment é autorizado pela Câmara Baixa (por 
exemplo, a Câmara dos Deputados) e julgado pela Câmara Alta (por exemplo, o 
Senado). Esse sistema existe no Brasil. 
O voto de desconfiança é comum em sistemas de governo parlamentares e ocorre 
quando a oposição ao primeiro-ministro submete seu governo a uma moção que 
pode ser aprovada (confiança) ou desaprovada (desconfiança). O julgamento 
do governante é político e ele não precisa ter cometido crimes. Se o voto de 
desconfiança vence, o primeiro-ministro deve renunciar ao cargo e convocar novas 
eleições. Esse sistema existe na Inglaterra. 
Democracias são o governo das leis e não o governo de pessoas, o que também é conhecido 
como Estado democrático de direito, pois regras públicas como leis e constituições são 
igualmente aplicáveis quanto aos deveres e direitos a todos, sobretudo aos governantes. 
Como democracias são constituídas sob o fundamento da igualdade política – todos 
dispõem dos mesmos direitos – o cuidado é não a transformar em “tirania da maioria”. Este 
é um risco quando os vencedores buscam impor sua vontade e, assim, tornam desigual o 
exercício da liberdade política.
Exemplo
Exemplos atuais desses dilemas democráticos ocorrem em países 
que se opõem a direitos de grupos minorizados por questões de 
gênero, etnia, raça e orientação sexual. 
Segundo Dahl (2016), governos democráticos se caracterizam por cinco critérios que 
garantem a igualdade política entre os cidadãos que formam as comunidades políticas:
17Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
1. Participação efetiva
Todos os membros têm oportunidades iguais e efetivas para que suas opiniões sejam 
conhecidas.
2. Igualdade de voto
Os membros devem ter igual oportunidade de votos, e o peso desses votos deve ser 
igual.
3. Igual compreensão dos temas
Todos os participantes devem ter iguais oportunidades de instruir-se sobre as 
alternativas e consequências de suas decisões.
4. Controle da agenda dos representantes eleitos
Os integrantes devem ter a oportunidade de decidir como e quais assuntos devem ser 
incorporados à agenda de decisões governamentais. Esse processo nunca se encerra, 
pois a comunidade política está sempre aberta a mudanças introduzidas por seus 
membros sempre que assim decidirem.
5. Inclusão dos adultos e cidadania política
Todos os adultos – ou ao menos a maioria – devem ter plenos direitos de cidadania 
expressos nos quatro critérios anteriores ao serem tratados como iguais politicamente. 
Os integrantes estão qualificados para participar das decisões sempre que tenham 
oportunidades de informar-se sobre temas de interesse.
As cinco características enfatizam a igualdade política entre os cidadãos e cidadãs, já que 
democracias não aceitam distinções formais de qualquer tipo entre todos os portadores 
de direitos políticos. O Estado e suas instituições políticas como governos, parlamentos e 
o poder judiciário são responsáveis por garantir as condições para o pleno exercício dos 
direitos políticos. Dahl (2016) destaca as instituições políticas necessárias à democracia 
moderna, que se distinguem das outras experiências democráticas da história:
1. Representantes eleitos
Estão sempre sob o escrutínio público que controlasuas decisões.
2. Eleições livres, imparciais e frequentes
Nem podem ser em prazos tão curtos que não permitam ao governante eleito 
implementar suas ações e nem tão longas que corrompam o princípio da alternância de 
poder que caracteriza as democracias.
18 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
3. Liberdade de expressão
Todas as cidadãs e cidadãos têm o direito de se expressar sem o temor de serem punidos 
sobre quaisquer temas, mas respeitando o Estado democrático de direito.
4. Acesso a fontes alternativas de informação
Essencial para a sociedade não ficar refém de visões únicas sobre os fatos, sobretudo 
se os meios forem controlados pelos governos.
5. Autonomia associativa
Todas as cidadãs e cidadãos têm o direito de constituir e participar de organizações 
como partidos políticos, ONGs, sindicatos, entre outras.
6. Cidadania inclusiva
Nenhum/a adulto/a pode ter seus direitos políticos negados, pois estes são necessários 
para o pleno exercício dos cinco anteriormente mencionados.
Essa configuração da democracia também encontra correspondência nas características 
que a administração pública foi historicamente incorporando.
2.3 Desenvolvimento Histórico da Administração Pública
A evolução dos modelos de administração pública pode ser dividida da seguinte forma:
Patrimonialista (antes da consolidação das democracias de massa)
Para Regatieri (2021), Weber entende o patrimonialismo como uma forma tradicional 
de administração pública usual em governos não democráticos, e comum em Estados 
absolutistas, ao não separar o espaço público dos interesses privados. Como monarcas 
não eram eleitos e responsabilizáveis perante a sociedade, a separação da burocracia 
estatal dos interesses particulares do rei não existia. Esse tipo de administração não é 
público no sentido lato por duas razões:
1) politicamente e juridicamente, por não atender a cidadãs/os portadoras/es de direitos 
que cabem ao Estado;
2) não é universal em seus procedimentos, se baseia em privilégios e não se apoia em 
leis impessoais.
19Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Burocrático (contemporâneos das democracias de massa)
A expansão da democracia de massa caminhou concomitantemente com o crescimento 
da administração pública burocrática por duas razões:
1) o controle da sociedade sobre os governos e a visão de um aparato estatal 
independente do governante eleito se consolidaram aliados ao Estado democrático de 
direito. Seria improvável que a administração pública patrimonial garantisse tratamento 
igualitário para cidadãs/ãos portadoras/es de direitos.
2) o crescimento das sociedades ampliou a necessidade de um Estado provedor de 
serviços, o que passou a exigir uma organização para atender demandas crescentes da 
sociedade. Segundo Weber (2022), o surgimento da burocracia espelha a democracia 
de massa, o que resulta na organização da administração pública e do exercício de sua 
autoridade amparado no princípio da igualdade perante a lei, base essencial do Estado 
democrático de direito.
Gerencial (derivados da crise gerencial e de legitimidade da administração 
burocrática nas democracias de massa).
A administração burocrática se estrutura com base em normas universais igualmente 
aplicáveis, já que perante as leis nenhum/a cidadão/a pode ter privilégios. O caráter 
público, republicano e não patrimonial da administração estatal caminhou ao lado 
da racionalidade organizacional do aparato burocrático estatal para responder às 
demandas sociais por serviços públicos em uma democracia de massas.
Segundo Abrucio e Loureiro (2018), o modelo weberiano de administração burocrática se 
caracteriza por:
1. Seleção de servidores públicos segundo critérios de mérito e especialização técnica, 
por meio de processos universais de recrutamento, o que garante uma junção entre 
os critérios de meritocracia e igualdade perante a lei para o acesso aos cargos 
públicos.
2. Cargos burocráticos assim obtidos supõem estabilidade funcional para preservar o 
servidor público de ingerências políticas e manter a estabilidade da ação estatal no 
tempo.
3. Emprego público como uma profissão que exige remuneração fixa, carreira e garantias 
para exercer sua autonomia administrativa sem o receio de sofrer penalidades.
20 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
4. Burocracia estatal neutra e que atua de forma impessoal, pois no Estado democrático
de direito as normas legais são a forma de organização social em oposição aos
privilégios do patrimonialismo.
5. Administração burocrática hierarquizada e com subordinação entre autoridades
superiores e inferiores.
6. Burocracia pública não decide de forma autônoma, pois são os políticos eleitos que
têm essa legitimidade concedida pela sociedade.
7. Burocracias públicas subordinadas à política democrática, embora essa relação
esteja longe de ser bem equilibrada.
8. Burocracia pública se organiza por meio de uma divisão de trabalho na qual seus
integrantes têm atribuições definidas formalmente em estatutos legais.
9. Administração burocrática se orienta por procedimentos padronizados para reduzir
a discricionariedade dos servidores via: a) protocolos de atuação, em tese adequados
para atingir certo fim; b) critérios universais de funcionamento e acesso aos serviços
públicos para proteger os servidores da ação dos políticos e garantir igual tratamento
aos cidadãos.
O modelo weberiano inspirou a organização das burocracias públicas que se expandiram 
durante o século XX alinhadas com a consolidação das democracias de massa e do status 
de cidadania caracterizado pelos direitos civis, políticos e sociais. Contudo, a partir da década 
de 1970, esse modelo começou a ser criticado por sua suposta ineficiência, dando origem a 
uma revisão de várias de suas características para configurar o que ficou conhecido como 
administração gerencialista por sua adoção de procedimentos empresariais para modernizar 
Quando você for estudar a burocracia pública, é importante considerar 
a visão de Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão responsável por 
desenvolver as formulações teóricas fundamentais para o estudo desse 
tema. Weber tinha uma clara compreensão do lugar das burocracias 
públicas nas democracias modernas e temia que seu crescimento pudesse 
representar riscos se os líderes políticos eleitos não controlassem sua 
atuação dos burocratas. Então, fica a dica: o ethos republicano de servidores 
públicos não lhes confere legitimidade para substituir os políticos eleitos. 
Burocracias públicas estão a serviço de todos os governos, mas não podem 
assumir o lugar dos representantes eleitos democraticamente. 
DICA
21Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
a gestão pública. As burocracias públicas passaram a ser criticadas por serem onerosas e 
demoradas para processar demandas, em descompasso com o ritmo da vida moderna. 
Para assistir à videoaula “Capacidade Estatal e Profissionalização da Burocracia”, 
acesse o conteúdo interativo da disciplina.
O modelo weberiano, orientado por procedimentos, deveria ser substituído pela definição de 
resultados finalísticos a serem buscados que, por sua vez, seriam avaliados por indicadores 
de performance. A mensuração de desempenho, em tese uma característica bem-sucedida 
nas empresas privadas, deveria gerar um novo formato de gestão pública por resultados. 
Como consumidores comparam custos e benefícios, a administração pública deveria se 
comportar como se estivesse diante de um cliente que merece receber o melhor serviço 
pelo menor custo, o que faria com que a qualidade de suas entregas fosse ampliada.
Uma premissa central do gerencialismo assumia que as burocracias públicas, em vez 
de ter um ethos republicano, na verdade se comportavam como atores corporativos 
interessados em usar o aparato estatal para obter vantagens.Para enfrentar essa 
suposta distorção, seria necessário acabar com a estabilidade dos servidores públicos 
e criar formatos de vínculos funcionais com contratos baseados em performance. 
Servidores públicos deveriam ser submetidos a avaliações de desempenho, como nas 
empresas privadas, o que seria um antídoto para a ineficiência das burocracias públicas. 
O gerencialismo critica que a administração pública weberiana nada tinha de pública, 
pois sua falta de transparência dificultava que a sociedade pudesse responsabilizar os 
gestores por suas ações. A adoção de procedimentos de gestão à vista, apoiada em 
indicadores de resultado, faria as burocracias públicas prestarem contas aos cidadãos, 
que poderiam cobrar por mais resultados (Silva; Rodrigues, 2022).
Gestão à vista também seria útil para enfrentar a crítica sobre a rigidez burocrática, pois 
a mensuração de desempenho e o foco no cliente-cidadão faria a administração pública 
se tornar mais flexível. Nessa linha, grandes organizações burocráticas, hierárquicas 
e estruturadas com base na divisão de trabalho especializado e segmentado deveriam 
ser substituídas pela descentralização de funções em órgãos menores e mais próximos 
dos cidadãos-clientes e por servidores públicos mais polivalentes. Um número maior de 
organizações públicas permitiria que essas competissem, atraindo cidadãos-clientes, numa 
adaptação de lógicas de mercado na administração pública (Carneiro; Menicucci, 2013).
O gerencialismo serviu de referência para reformas do setor público em muitos países, a 
começar por Inglaterra e Estados Unidos, no final da década de 1970, mas foi a Nova Zelândia 
22 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
que se tornou o grande laboratório de gerencialismo ao adotar o “manual” na íntegra, aliado 
a um grande processo de ajuste fiscal para reduzir os custos da administração pública. 
Para assistir à videoaula “Novos Paradigmas de Gestão Pública e Reforma do 
Estado”, acesse o conteúdo interativo da disciplina.
Observe que os países não têm modelos administrativos “puros”, e mesmo 
Weber, quando propôs os tipos ideais de administração pública, não tinha 
ilusões de que resquícios de formatos mais tradicionais seriam superados. 
Por essa razão, no caso brasileiro, os três tipos podem ser encontrados, pois 
lógicas patrimonialistas, burocráticas e gerenciais convivem de forma híbrida 
em nossas organizações públicas. Por exemplo, se a impessoalidade das 
normas fosse universal, o uso da máquina pública para fins particulares não 
existiria mais. 
DICA
23Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
ATIVIDADES DE ESTUDO
Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos.
Atividade de Estudo 3
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: quais as principais diferenças entre as modernas 
democracias de massa e a democracia dos antigos? 
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
Atividade de Estudo 4
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: quais as principais características da administração 
burocrática e como esse modelo se adapta às democracias de 
massa? 
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
24 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Elaboração: CEPED/UFSC (2025). 
Abordamos a evolução histórica do Estado como organização política e suas características 
mais importantes como forma de poder político organizado. De modo especial, o Estado 
moderno e seu papel em grandes territórios chamados nações/países.
Vimos as principais ideias políticas que historicamente foram evoluindo para explicar 
o surgimento do Estado e as fontes de sua legitimidade junto às populações que são 
governadas desde o século XVI até as democracias de massa contemporâneas.
Apresentamos as características mais relevantes das democracias modernas e como se 
distinguem das democracias dos antigos, bem como as principais instituições políticas 
necessárias para o funcionamento dessas formas de governo.
 Além disso, descrevemos a evolução da administração pública desde o patrimonialismo, 
passando pela administração burocrática influenciada pelo modelo weberiano e o 
surgimento do gerencialismo.
Esperamos que os conhecimentos adquiridos aqui contribuam para sua atuação como 
servidor/a público/a.
25Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Atividade de Estudo 1
Resposta correta: b)
Accountability vertical refere-se ao controle exercido pelos cidadãos sobre seus governantes, 
principalmente por meio de eleições e participação política.
Resposta correta: a)
Accountability horizontal ocorre entre os próprios poderes do Estado, como Executivo, Legislativo e 
Judiciário, garantindo a fiscalização e o equilíbrio entre eles.
Atividade de Estudo 2
Espelho de Resposta
Atividade de Estudo 3
A democracia dos antigos não apresentava governo representativo e não era baseada no princípio da 
soberania popular.
A administração burocrática se adapta à democracia de massas por ser uma forma organizacional 
pautada na universalidade das regras, republicana, não patrimonial e que garante direitos iguais a todos.
Atividade de Estudo 4
26 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Unidade 3 – Democracia e a Constituição 
de 1988 no Brasil
Apresentação da Unidade 
Ao longo da história republicana do Brasil, iniciada em 1889, houve vários períodos de 
interrupção da democracia ou deturpação dessa forma de governo, a exemplo da República 
Velha, em que o falseamento do modelo representativo ocorria devido ao voto de cabresto 
que era aberto e sujeito a coerção dos coronéis (Leal, 2012).
Veja como esses períodos se marcaram:
Até 1930
A vida republicana teve dificuldade em consolidar uma verdadeira democracia, 
já que menos de 5% da população tinha o direito de votar.
De 1930 a 1945
A ditadura de Getúlio Vargas impediu eleições para presidente e, após o Estado 
Novo em 1937, também para governadores, sem falar no fechamento do 
Congresso Nacional.
Entre 1946 e 1964
Houve um breve retorno da democracia, mas ainda assim ameaçada por golpes 
militares, sendo mais conhecido aquele que buscou impedir a posse de João 
Goulart em 1961.
De 1964 a 1985
O país experienciou um longo período de ditadura militar que suprimiu 
liberdades políticas e democráticas. 
Após 1985
É o período democrático mais longo na história do país, o que mostra como 
essa forma de governo é recente e ainda enfrenta desafios.
27Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Esta unidade tem por objetivo estudar o Estado democrático de direito no Brasil e como a 
Constituição de 1988 assentou as bases desse modelo para evitar rupturas autoritárias. 
Assim, você poderá compreender um pouco mais sobre as características da democracia 
brasileira e suas bases constitucionais. A partir de agora, vamos: 
• descrever as características da democracia representativa no Brasil;
• apresentar as bases e instrumentos de democracia participativa no Brasil.
3.1 A Democracia Representativa no Brasil
3.1.1 As Bases Constitucionais da Democracia Representativa
A Constituição de 1988 consagra o Estado democrático de direito com cinco fundamentos: 
Soberania
Significa que o povo brasileiro é o titular 
do governo democrático, que obtém sua 
legitimidade política do apoio popular. A 
soberania também significa que suas 
decisões não podem ser sustadas por 
nenhuma ordem superior. Não há 
nenhuma autoridade ou poder acima da 
Constituição e das decisões soberanas 
das instituições que formam o sistema 
político brasileiro: o Executivo, o 
Legislativo e o Judiciário.
Cidadania
É uma premissa central da democracia, 
pois a concessão de direitos civis, 
políticos esociais deve ser a regra, 
cabendo ao Estado conceder a seus 
habitantes um mesmo status jurídico, 
sem distinção por critérios de renda, 
raça, religião ou etnia. A Constituição, 
nessa linha, define o racismo como crime 
inafiançável e imprescritível.
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
28 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Dignidade da pessoa humana
É o respeito aos direitos fundamentais, 
garantindo condições para uma vida 
digna, liberdade, igualdade e justiça.
Valores sociais do trabalho e da livre 
iniciativa
É o fundamento por meio do qual 
indivíduos e empresas são livres para 
desenvolver e conduzir atividades 
econômicas sem controle direto do 
Estado.
Pluralismo político
Assegura que a diversidade de opiniões e 
expressões da sociedade não sofrerão 
impedimentos de qualquer ordem, 
respeitadas as normas legais. Sociedades 
democráticas são plurais, pois o livre 
debate de ideias alimenta seu 
desenvolvimento contínuo sem 
preconceitos e censura.
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
29Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Esses princípios são organizadores das regras do sistema democrático do país que, para 
ser livre, precisa eleger seus governantes e representantes políticos. A Constituição de 
1988 restabeleceu a soberania popular por meio do direito ao voto. O povo foi impedido 
de eleger a/o presidenta/e de 1961 a 1989, governadores de 1965 a 1982 e prefeitos de 
capital até 1985. O direito político ao voto é basilar nas democracias e sua cassação impede 
o exercício da soberania popular. A Constituição ratificou o direito ao voto obrigatório e 
secreto para quem tem entre 18 e 70 anos e para todos os cargos eletivos de governos 
e parlamentos. Após 1985, a democracia brasileira reparou um erro histórico ao permitir 
que a população analfabeta pudesse exercer o direito de votar. Aos adolescentes entre 
16 e 18 anos também se aprovou o voto facultativo. A competição eleitoral passou a ser 
organizada por meio de partidos políticos que, mediante autorização do Tribunal Superior 
Eleitoral, podem ser formados e operam como veículos para a disputa de cargos eletivos.
Como nos lembra Dahl (2022), o exercício dos direitos políticos depende das liberdades 
e direitos civis, o que também está consagrado na Constituição de 1988. Em seu artigo 
5º, a CF estabelece direitos como a liberdade de manifestação de pensamento, expressão 
da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, liberdade de reunião e de 
associação para fins lícitos, acesso à informação pública de interesse particular e coletivo 
e petição aos poderes públicos, em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de 
poder. Após 21 anos de supressão da liberdade de expressão e de censura imposta pelo 
regime militar, a Carta Magna fundamenta as bases do pleno exercício dos direitos civis.
Ainda falando do artigo 5º, é importante mencionar que ele tem cláusulas essenciais para 
a democracia e o pluralismo político, pois garante o direito de os indivíduos se expressarem 
livremente, ficando vedado o anonimato.
30 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Elaboração: CEPED/UFSC (2025).
Isso significa que o artigo 5º contém cláusulas que permitem que as pessoas vivam mais livres 
e seguras, garantias fundamentais para a democracia. Essas garantias incluem liberdade 
de expressão, associação política, reunião pública e proteção contra arbitrariedade estatal. 
Também assegura liberdade de crença e consciência, e protege a vida privada, o que é um 
elemento crucial no pós-ditadura militar.
Vamos detalhar para que você entenda o que cada uma dessas garantias significa:
Fica garantido o direito de crítica, a liberdade de imprensa, a franquia para 
associar-se a partidos políticos, sindicatos ou outras organizações, desde que 
não atuem contra o Estado democrático de direito.
O direito a reuniões públicas fica assegurado, pois a democracia supõe a 
organização coletiva. Igualmente importante nas democracias é a garantia 
constitucional de que o Estado não pode valer-se de seus poderes de forma 
arbitrária contra seus cidadãos.
Como uma democracia laica, o Estado não se vincula a nenhuma religião, mas 
assegura a inviolável liberdade de consciência e de crença: ninguém será privado 
de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, 
o que é mais uma forma de igualdade jurídica entre as/os cidadãs/os.
31Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
A vida privada é inviolável, o que parece óbvio em democracias, mas importante de 
ressaltar diante da prática usual da ditadura militar de espionar adversários do regime ou 
de pessoas consideradas subversivas.
Saiba mais No Brasil, dois instrumentos são importantes para reduzir a falta 
de transparência do Estado na relação com a sociedade: 
• O habeas data, previsto no artigo 5º da Constituição, visa 
garantir que a pessoa física ou jurídica tenha acesso ou 
promova a retificação de suas informações que estejam 
registradas em banco de dados de órgãos públicos ou 
instituições similares.
• A Lei de Acesso à Informação, vigente desde 2012, 
regulamenta o direito de acesso às informações públicas, 
conforme manda a Constituição. Por meio dela, qualquer 
pessoa física ou jurídica, sem necessidade de apresentar 
motivo, pode solicitar informações dos órgãos públicos.
A Constituição também definiu as regras para o controle horizontal entre os poderes da 
República, pois esta também é uma salvaguarda para preservar a democracia.
3.2 O Controle Horizontal entre os Poderes
O artigo 2º da Constituição define que são poderes da União – independentes e harmônicos 
entre si – o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Esta é uma das quatro cláusulas pétreas 
da Constituição, o que impede de ser emendada, modificada ou suprimida. Em linha com 
as premissas de Madison, um dos pais fundadores da democracia americana, em todos os 
países em que essa forma de governo foi adotada existe algum procedimento de divisão 
horizontal e de controle mútuo de poderes.
Cada poder tem responsabilidades específicas e, por isso, são autônomos, mas também 
convivem de forma interdependente e, na medida do possível, de forma harmônica, pois 
decisões que afetam a população dependem do funcionamento dos três poderes. A 
Constituição de 1988 manteve o sistema de governo presidencial, o que se replica para 
estados (governadores) e municípios (prefeitos) de forma simétrica. 
32 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Para assistir à videoaula “Relação entre o Controle e a Gestão na Construção de 
Políticas Públicas”, acesse o conteúdo interativo da disciplina.
Os chefes do Poder Executivo têm a responsabilidade de organizar a administração de seus 
governos, o que ocorre por meio da definição de seus ministérios e secretarias. Ao Poder 
Executivo cabe executar e implementar leis elaboradas por esse próprio poder ou pelo 
poder legislativo (Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores). 
A divisão horizontal de poderes. Fonte: Wikipedia (2025), adaptada por CEPED/UFSC (2025). 
33Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Ao Poder Legislativo cabe elaborar leis e, em nome da sociedade, fiscalizar o governo. Na 
esfera federal, o Congresso Nacional é bicameral e formado pela Câmara dos Deputados 
(que representa o povo brasileiro) e o Senado Federal (que representa as unidades da 
federação). A Câmara dos Deputados é formada por 513 deputados eleitos para um 
mandato de 4 anos e o Senado Federal conta com 81 senadores eleitos para um mandato 
de 8 anos. Em ambos os casos, são permitidas reeleições indefinidas. Como apoioà função 
de fiscalizar o Poder Executivo, o Congresso Nacional também conta com o Tribunal de 
Contas da União (TCU), como será apresentado na próxima seção. Nos estados, o controle 
externo é exercido pelas assembleias legislativas e pelos tribunais de contas dos estados. 
Na esfera municipal, o Poder Legislativo é a Câmara de Vereadores (Grohmann, 2001).
Saiba mais Apesar de vigorar no Brasil a separação de poderes, o presidente 
tem muitos poderes que exercem influência sobre a produção 
legal via poderes reativos e proativos. As situações nas quais o 
presidente interfere diretamente são a rejeição de leis aprovadas, 
na edição de medidas provisórias de caráter unipessoal do 
presidente da república, com força de lei e editada sem participação 
do Poder Legislativo que será chamado a discuti-la e aprová-la. A 
faculdade constitucional de editar medidas provisórias é uma das 
mais marcantes mudanças institucionais do presidencialismo no 
Brasil após 1988, pois confere muito poder político ao presidente 
em sua relação com o Congresso Nacional.
O Poder Judiciário é formado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal 
de Justiça (STJ), tribunais regionais federais e tribunais dos estados e do Distrito Federal. 
Na esfera federal, o STF ocupa uma importante função de ser uma corte suprema 
constitucional, instância recursal e de resolução de conflitos federativos, além de exercer 
seu papel de peso e contrapeso em relação às ações do Governo Federal. Justamente para 
exercer com liberdade seu papel de controle das ações dos demais poderes, o judiciário 
tem autonomia administrativa e financeira garantidas pela Constituição Federal 
(Grohmann, 2001).
3.3 Órgãos de Controle Externo e Interno e seu Papel na Democracia
Anteriormente falamos sobre a forma como o controle horizontal de poderes se organiza. 
No entanto, os poderes constitucionais do presidente, governadores e prefeitos são 
34 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
também limitados por uma rede de instituições de controle externo. Essas instituições 
são responsáveis pelo processo de accountability horizontal: agências estatais com direito, 
poder legal e capacidade de ação – desde sanções legais até impeachment – contra delitos 
cometidos pelo presidente e autoridades públicas. São agências com poder de fiscalizar 
autoridades com poderes legais e constitucionais, e com autonomia de atuação, que 
complementam o controle horizontal externo exercido pelo Poder Legislativo.
A Constituição de 1988 delegou amplos poderes ao Judiciário e aos órgãos de 
controle autônomo, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público. Os constituintes 
empoderaram uma rede de controle para vigiar e prevenir irregularidades (Filgueiras, 
2018). As possibilidades garantidas constitucionalmente de exercício do poder majoritário 
dos chefes do poder executivo são controladas por instituições fortes e autônomas. As 
principais instituições de controle horizontal externo e interno são:
• Controladoria Geral da União.
• Tribunal de Contas da União.
• Ministério Público.
De acordo com o artigo 70 da Constituição Federal, o Controle de Contas é exercido pelo 
Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas, que terá a função de fazer a 
análise da execução financeira e orçamentária, operacional e patrimonial da administração 
pública. Por simetria, o mesmo artigo se aplica aos Estados e municípios. A Corte de Contas 
auxilia o Congresso no exercício do controle externo com as seguintes atribuições: 
1. Apreciação das contas anuais do presidente da república.
2. Julgamento das contas dos administradores e responsáveis por bens e valores 
públicos.
3. Emissão de parecer acerca da legalidade de licitações e contratos, admissão de 
pessoal, concessão de pensões e aposentadorias.
4. Apuração de denúncias apresentadas por qualquer cidadão, partido político, associação 
ou sindicato sobre irregularidades ou ilegalidades na aplicação de recursos federais.
5. Realização de inspeções e auditorias por iniciativa própria ou via Congresso Nacional. 
6. Fiscalização da aplicação de recursos da União repassados a estados.
35Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
7. Emissão de pronunciamento conclusivo, por solicitação da Comissão Mista 
Permanente de Senadores e Deputados, sobre despesas realizadas sem autorização.
Com relação ao Ministério Público (MP), com a Constituição de 1988, esse órgão adquiriu 
autonomia funcional e pode tomar decisões sem interferências de outros órgãos. O MP 
não está vinculado a nenhum dos poderes do Estado e é uma instituição permanente 
que atua na função jurisdicional do Estado com a atribuição de defesa da ordem jurídica, 
do regime democrático e dos interesses sociais e individuais e, na função de controle, na 
fiscalização do Poder Público. O MP atua como instituição de controle externo por meio da:
1. Apresentação de denúncias criminais contra autoridades públicas perante os 
tribunais.
2. Exigência do cumprimento da lei e fiscalização de sua obediência por ocupantes de 
cargos públicos, sendo uma atribuição que exerce com grande discricionariedade, o 
que amplia sobremaneira sua atuação como órgão de controle.
3. Proposição de Ações Diretas de Inconstitucionalidade para controlar a 
constitucionalidade das leis criadas pelo parlamento e atos do presidente da 
república.
4. Denúncia de improbidade administrativa contra autoridades públicas propondo 
sanções em casos de enriquecimento ilícito ao atuar na administração pública direta 
e indireta.
5. Participação de ações populares para preservar, contra atos das autoridades 
públicas, o patrimônio público, histórico e cultural, o meio ambiente e a moralidade 
administrativa.
6. Ação Civil Pública por danos causados por autoridades públicas ao meio ambiente, 
patrimônio público, cultural e artístico e contra a ordem econômica, por exemplo.
Preste atenção nos papéis do Tribunal de Contas da União, não apenas no 
controle externo ex post das ações do Poder Executivo, mas também sua 
atuação definindo metas e resultados a serem obtidos pela Administração 
Pública Federal. Trata-se de uma nova forma de controle que incide sobre a 
produção e avaliação das políticas públicas.DICA
36 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Internamente aos Poderes Executivos vem crescendo a organização de controladorias. Na 
esfera federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) é o órgão central de controle interno 
do Poder Executivo Federal, assim como existe em muitos estados e municípios. Cabe à 
CGU apoiar o chefe do Poder Executivo na defesa do patrimônio público e na transparência 
dos atos governamentais. Entre suas funções centrais estão:
1. Realização de auditorias e fiscalizações sobre como os recursos públicos são 
utilizados.
2. Encaminhamento das representações ou denúncias fundamentadas que receba, 
relativas à lesão contra o patrimônio público, de forma a zelar por sua integridade.
3. Instauração de sindicância quando constatada a omissão de autoridade competente 
e, se for o caso, aplicando a penalidade administrativa cabível.
4. Atuação na prevenção e combate à corrupção na administração pública.
5. Avaliação dos gastos públicos quanto à eficácia e eficiência da gestão pública.
6. Desenvolvimento da função de correição administrativa ao fiscalizar e inspecionar 
o exercício das atividades de servidores públicos, visando evitar abusos ou 
irregularidades.
7. Recebimento, exame e encaminhamento de denúncias realizadas contra a ação de 
agentes públicos, órgãos e entidades do Poder Executivo.
8. Realização de auditorias públicas para fiscalizar como estados, municípios, órgãos e 
entidades públicos e privados utilizam recursos públicos federais.
Essa rede de instituições é importante para moderar o exercício dos poderes que a 
Constituição garante aos presidentes, o que também explica muitoda estabilidade da 
governança democrática que o país construiu desde 1988. Argumento similar se aplica 
para o controle interno de governadores, prefeitos e outras autoridades públicas. 
Para assistir à videoaula “Gestão Participativa nas Políticas Públicas”, acesse o 
conteúdo interativo da disciplina.
37Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
3.4 A Democracia Participativa no Brasil
A Constituição de 1988 não apenas consagrou e ratificou as bases da democracia 
representativa e a lógica da divisão horizontal e de controle entre os poderes: a maior 
inovação institucional inserida no texto constitucional e outros textos legais diz respeito 
à democracia participativa. A Constituição alargou o conceito de cidadania política para 
assegurar que a sociedade seja chamada a fiscalizar a ação dos governantes. Existem 
diferentes instrumentos de controle social e de expressão direta de exercício da soberania 
popular que se estendem além do direito de votar e ser votado, em linha com o artigo 1º 
da Constituição. 
O artigo 14 da Constituição define o plebiscito, a iniciativa e o referendo como meios de 
exercício da soberania popular. 
Soberania popular
É exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos 
e mediante a participação em plebiscitos, referendos e leis de iniciativa popular. Contudo, 
com exceção da iniciativa popular, para o plebiscito e o referendo a sociedade depende 
da convocação do poder legislativo, além de não existir nenhuma lei determinando 
temas que necessariamente deveriam merecer consulta popular. O plebiscito e o 
referendo são consultas formuladas para que a população delibere sobre matéria de 
relevância constitucional, legislativa ou administrativa. 
Plebiscito
É o instrumento por meio do qual a população opina sobre antes da criação do ato 
legislativo ou administrativo. Em 1993, um plebiscito definiu se o país deveria ter um 
regime republicano ou monarquista e um sistema presidencialista ou parlamentarista. 
Desde então, este foi o único plebiscito. A Constituição também prevê que plebiscitos 
podem ser requisitados pelo Congresso Nacional em assuntos que entenda ser 
necessária a consulta à sociedade. O referendo é convocado por ato legislativo ou 
administrativo. Esse tipo de consulta tem eficácia absoluta, permitindo ou impedindo 
o ingresso do texto legal ou do ato administrativo sobre o qual incidiu a consulta. Em 
outubro de 2005 se votou para decidir sobre a validade de um artigo no Estatuto do 
Desarmamento que proibia o comércio de armas. O plebiscito é convocado antes da 
criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta. O referendo 
é convocado depois, para a população votar se aceita ou rejeita a proposta.
38 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Iniciativa popular
É a ação direta da sociedade na elaboração das leis. Para uma lei de iniciativa popular 
ser proposta ao Poder Legislativo, requer-se a assinatura de um por cento dos eleitores, 
distribuído por 5 unidades federativas e, no mínimo, 0,3% dos eleitores de cada uma dessas 
unidades federativas. O projeto de lei deve limitar-se a um só assunto e não pode ser 
rejeitado por vício de forma, cabendo ao parlamento providenciar a correção de eventuais 
impropriedades de técnica legislativa ou redação.
Exemplo Um exemplo exitoso da iniciativa popular foi a Campanha Ficha 
Limpa, lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o 
perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Após 
entrar em vigor, a lei foi declarada constitucional pelo Supremo 
Tribunal Federal (STF).
 
Além dessas modalidades, os conselhos gestores de políticas públicas efetivam a 
democracia participativa e possibilitam a participação social ao constituírem espaços de 
corresponsabilidade entre governos e sociedade na definição de políticas garantidoras de 
direitos. Os conselhos existem nos três níveis da federação, mas sobretudo nos municípios 
essas instâncias ampliam o controle social sobre as políticas públicas descentralizadas 
como educação, saúde, assistência social, habitação, segurança pública, entre outras. Trata-
se, pois, de espaços institucionalizados de participação em que membros do Estado e da 
sociedade discutem e decidem sobre políticas públicas. Esses conselhos podem ser:
• setoriais: saúde, educação, cultura, meio ambiente;
• temáticos (temas transversais): direitos humanos, gênero, cor;
• gestão: de hospitais, Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Plano 
de Metas, Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Nos 5.570 municípios, esta é uma prática amplamente disseminada e, segundo a Pesquisa 
de Informações Básicas Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(Munic IBGE) (2011-2020), verificou-se a existência de pelo menos 70.521 conselhos nos 
municípios, o que representa uma média de 12,66 por cidade.
Como o Governo Federal repassa recursos para os municípios, cabe aos conselhos setoriais 
fiscalizar a aplicação dos fundos e avaliar como as ações são realizadas.
39Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Exemplo Na educação, o conselho municipal verifica a aplicação de 
recursos repassados para o Fundeb. Na saúde, o conselho 
municipal verifica a aplicação da verba do Fundo Municipal de 
Saúde, responsável pela gestão dos recursos recebidos pelo 
Sistema Único de Saúde (SUS). Com as possibilidades legais 
abertas com a criação de conselhos como instâncias de controle 
social e maior autonomia da sociedade perante o Poder Público, a ampliação dessa 
forma de participação é um importante instrumento para desenvolver a ação 
política dos cidadãos.
Para se ter uma dimensão da importância dos conselhos gestores de políticas públicas no 
Brasil: a) até 2016 existiam 35 conselhos nacionais em várias áreas (saúde, assistência 
social, cultura, direitos de crianças e adolescentes, meio ambiente, por exemplo); b) em 
2023 foram recriados conselhos extintos em 2019 (Juventude, Direitos das Pessoas 
LGBTQIA+, Ciência e Tecnologia, Políticas sobre Drogas, Desenvolvimento Industrial, Direitos 
de Pessoas Idosas e Povos e Comunidades Tradicionais). 
Além dos instrumentos de democracia anteriormente discutidos, também existem as 
audiências públicas, que são espaços de participação abertos que podem ser convocadas 
para a população se informar e se manifestar sobre uma determinada política ou projeto 
de lei. 
Para assistir à videoaula “O Estado de Bem-Estar Social no Pós-Constituição 
Federal de 88”, acesse o conteúdo interativo da disciplina.
40 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Exemplo a) Audiências públicas realizadas pelo Poder Executivo e Poder 
Legislativo para discutir o orçamento.
b) Audiências públicas realizadas para discutir obras com impacto 
ambiental, licitações, contratos administrativos, concessões, 
agências reguladoras.
c) Consultas públicas, que não são presenciais, têm período determinado, mas visam 
subsidiar a tomada de decisão e de edição das normas da administração pública por 
meio da contribuição dos cidadãos.
d) Por fim, a sociedade pode participar por meio de ouvidorias ao enviar reclamações, 
denúncias e sugestões.
Existem também as conferências de políticas públicas que são espaços de discussão 
organizados em todos os níveis da federação. Ocorrem em diversas políticas públicas e 
temas transversais: saúde, educação, assistência social, direitos humanos, transparência 
e controle social, entre outras. Geralmente apresentam subsídios para o planejamento da 
política pública e elegem representantes que participam nas conferências federais. Desde 
sua criação em 1941 até 2016, já foram realizadas 138 conferências nacionais e centenas 
de milhares de conferências intermediárias nas esferas municipais e estaduais. 
Paraentender os vários instrumentos de democracia participativa que 
foram implantados no Brasil, após 1988, você deve considerar o contexto 
anterior da ditadura militar que impedia a sociedade de participar da tomada 
de decisão sobre políticas públicas. A Constituição de 1988 buscou criar 
mecanismos que reforçassem a expansão dos direitos de cidadania no interior 
da administração pública como forma de evitar a centralização de decisões 
que afetam a vida das pessoas, como era usual durante o regime militar. Por 
outro lado, você deve considerar que os vários mecanismos de participação 
social foram concebidos também como antídotos contra novos retrocessos 
autoritários. Por essas razões, o Brasil é conhecido como um país em que 
várias inovações institucionais foram implantadas e lograram êxito como 
forma de ampliar a participação social na administração pública.
DICA
41Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
ATIVIDADES DE ESTUDO
Agora, realize duas atividades de estudo para testar os seus conhecimentos.
Atividade de Estudo 1
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: qual a importância dos órgãos de controle quanto às 
ações das autoridades públicas?
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
Atividade de Estudo 2
Atividade
Pense um pouco, pegue papel e caneta e responda à seguinte 
questão: qual a importância dos processos de democracia 
participativa no Brasil? 
Veja o espelho de resposta após o encerramento da Unidade.
42 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Elaboração: CEPED/UFSC (2025). 
Resumindo, vimos que a Constituição de 1988 apresenta princípios que sustentam a 
democracia representativa e a democracia participativa no Brasil. Não por acaso, ela passou 
a ser conhecida com a Constituição Cidadã ao ter consolidado e ampliado o conceito de 
democracia.
Além disso, compreendemos que o país não apenas conta com um desenho robusto de 
instituições democráticas e um sistema de divisão de poderes e controle externo e interno, 
mas também as arenas de controle social operam no âmbito da administração pública em 
todas as esferas da federação.
Por fim, ressaltamos que democracias também garantem sua legitimidade se a provisão 
de serviços públicos for bem conduzida para garantir direitos, o que será objeto de 
apresentação na próxima unidade.
Esperamos que, com o que aprendeu aqui, você possa melhorar em sua atuação como 
servidor/a público/a.
43Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Atividade de Estudo 1
Os órgãos de controle têm o poder de fiscalizar autoridades com poderes legais e constitucionais, e 
com autonomia de atuação, que complementam o controle horizontal externo exercido pelo Poder 
Legislativo.
Permitem o exercício dos direitos políticos, de instrumentos de controle social e de expressão direta de 
exercício da soberania popular para além do direito de votar e ser votado.
Atividade de Estudo 2
Espelho de Resposta
44 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Unidade 4 – Estado de Bem-Estar e 
Provisão de Serviços Após 1988
Apresentação da Unidade 
O Brasil acumulou uma enorme dívida social como consequência das políticas regressivas 
e concentradoras de renda implementadas durante a ditadura militar, o que se expressava 
em indicadores muito ruins, como taxa de analfabetismo e mortalidade infantil. A pobreza 
alcançou patamares elevados e a expectativa de vida seguia baixa. A universalização de 
serviços básicos como coleta de lixo e oferta de água estavam longe de terem números 
expressivos em termos de cobertura.
O retorno à democracia veio acompanhado de uma avaliação pelos responsáveis em 
elaborar a Constituição de 1988, da necessidade desse acerto de contas com a sociedade 
brasileira. Também por essa razão, a Carta Magna ficou conhecida como Constituição Cidadã 
ao consagrar vários dispositivos que transformaram e/ou garantiram vários direitos sociais 
universais. Por exemplo, a saúde passou a ser um direito independente da situação formal 
das pessoas no mercado de trabalho, como era exigido pelas regras prévias à criação do 
Sistema Único de Saúde após 1988.
A Constituição de 1988 definiu as bases do Estado de bem-estar social no Brasil de modo 
que, além dos direitos civis e políticos, a democracia também incorporou a universalização 
de direitos sociais. O status da cidadania, pela primeira vez na história republicana do país, 
alargou o leque de direitos garantidos pelo Estado.
Nesse sentido, esta unidade apresenta as características do Estado de bem-estar no Brasil, 
visando: 
• descrever as características do Estado de bem-estar no Brasil após 1988;
• abordar o papel do Estado na provisão de serviços públicos após 1988.
4.1 O Estado de Bem-Estar Social no Brasil após 1988
A estrutura do Estado de bem-estar social no Brasil sofreu mudanças significativas após 
1988. De um modelo marcado por uma ausência de direitos sociais universais, que vigorou 
até o final do regime militar, a concepção que emergiu com a Constituição de 1988 
45Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
reforçou o dever do Estado na provisão de serviços e políticas sociais em áreas como 
saúde, assistência social e previdência social, sob o conceito de Seguridade Social. O artigo 
6 da Constituição Federal define os direitos sociais como a garantia do acesso universal 
à educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à 
maternidade e à infância e assistência aos desamparados.
A Constituição alterou o modelo de cidadania regulada de políticas sociais que, na sua 
essência, esteve em vigor desde o governo Getúlio Vargas até o final do regime militar 
em 1985. A oferta de direitos sociais era segmentada por grupos sociais, sob padrões 
clientelistas ou autoritários, como consequência da ocupação funcional no mercado de 
trabalho e contribuição à previdência social, sem apoio de uma administração pública 
burocrática no sentido da impessoalidade e universalidade de regras, além de ser um 
modelo centralizador de relações intergovernamentais para a provisão de serviços.
Até 1988, existia uma “grande divisão entre insiders e outsiders, por meio de um mecanismo 
de superposição de vantagens que favorece os trabalhadores mais bem qualificados no 
mercado de trabalho” (Arretche, 2018, p. 299). A Constituição alterou a estrutura do 
Estado de bem-estar social ao universalizar direitos e introduzir dispositivos de proteção 
e seguridade social. Nesse padrão universalista, as políticas não poderiam mais segregar 
os beneficiários por critérios contributivos, pois o status de cidadão ficou garantido 
constitucionalmente e, assim, o acesso a políticas que antes não estavam a seu alcance. 
Para assistir à videoaula “O Papel dos Servidores Públicos na Promoção do 
Estado de Bem-Estar Social”, acesse o conteúdo interativo da disciplina.
O padrão universalista de políticas sociais, bem como a expansão de sua cobertura, visou 
assegurar a todo cidadão o direito a usufruir dos serviços e bens públicos produzidos pelo 
Estado. A Constituição introduziu um capítulo da Seguridade Social, o que permitiu que 
o status de cidadania fosse conferido de forma universal e adotado como um princípio 
central do Estado democrático de direito. Conforme o artigo 194, a Seguridade Social 
compreende ações do Estado e da sociedade destinadas a assegurar os direitos relativos à 
saúde, previdência social e assistência social. Ademais, para avaliar o Estado de bem-estar 
no Brasil, importa também considerar os avanços na política pública de educação. 
Assim, entre os principais avanços trazidos pela Constituição de 1988, temos:
46 Estado e Democracia no Brasil e a Constituição de 1988
Programa de Desenvolvimento Inicial
Na área da saúde, a

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