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2 ASCENSÃO DA SOLITUDE Mateus H. de Oliveira 3 SUMÁRIO • INTRODUÇÃO ................................................ 4 • SENTIDO LATO .............................................. 6 • SOLIDÃO ....................................................... 12 • ASPECTO SOCIAL........................................ 24 • A PLENA SOLITUDE ................................... 40 4 INTRODUÇÃO A ideia de que a solidão é sempre ruim está enraizada em nosso mundo desde o princípio das primeiras comunidades e civilizações, essa falsa ideia coletiva tem anulado muitas respostas para uma vida completa e autossuficiente. Nesta obra você terá acesso a uma investigação coerente acerca da solitude, e a forma mais simples de alcançá-la. O objetivo deste livro é bastante claro, isto é, oferecer a você maior profundidade e clareza sobre o significado e a prática da solitude. 5 Como tratado no livro anterior, a solitude é a consequência de um elevado nível de autoconhecimento, caso não tenha alcançado a solitude ainda sugiro que antes leia a primeira obra desta coleção, só assim esse livro fará o devido sentido para você, caso já tenha lido desconsidere esta parte. Vamos ao tema! 6 SENTIDO LATO Segundo o instituto de psicanálise de São Paulo, a solitude é uma conquista, ou seja, a capacidade para ficar só, de maneira positiva, em suas complexas injunções psicológicas e sociais, encontra-se diretamente relacionada à qualidade da sustentação emocional e das oportunidades culturais que nos são oferecidas, seja no início ou no decorrer da vida, no conjunto formado pelo ambiente familiar e pela sociedade em que vivemos. Trocando em miúdos só afirma alguns aspectos que eu já tenho dito há muito tempo, quer dizer que a solitude nada mais é do que a consequência de um equilíbrio emocional, essa capacidade pode vir de inúmeras formas como 7 descrito em um trecho do artigo, mas para sermos ainda mais concisos vou separar em duas vertentes segundo o Instituto de psicanálise, a primeira é organizando a bagunça, trata-se do equilíbrio interno, o famoso Autoconhecimento que ensino no primeiro livro desta coleção chamado “Conheça a ti mesmo”, a segunda vertente são as influências externas, que são responsáveis tanto pela construção da nossa personalidade quanto para o equilíbrio presente, contudo eu não me familiarizo muito com essa ideia de que as influências externas sejam fatores determinantes no aspecto cultural, se você leu o primeiro livro saberá que acredito que o indivíduo elevado é aquele que primeiramente muda a si mesmo, para depois tornar-se um agente transformador no mundo. 8 Veja, não estamos falando das influências externas em relação a personalidade, estamos falando sobre uma influência sobre a solitude, que é algo que só é possível em um indivíduo com a sua personalidade completamente formada. A morte de um ente querido, o término de um longo relacionamento, ou até mesmo um brusco choque de realidade, são fatores que poderiam de certa forma abalar até os mais fortes, mas são fases, que em vez de nos derrubar nos fazem mais resistentes do que antes, por isso é importante também não nos acostumarmos com uma vidinha de porcelana, perfeita como em um conto de fadas, do caos pode surgir coisas boas. Quando dizem que a solitude também pode ser resultado de oportunidades culturais, creio que 9 estão se referindo a cenários sociais preestabelecidos antes da nossa própria consciência, isto é, o país, a região, a cidade, a cultura e a família. Olhando nesta direção caminhamos para um conceito tendencioso e típico do indivíduo nascido no século XXI, que é a de se vitimizar, a pessoa quando se deixa levar por essa linha de pensamento logo começa a sentir piedade de si mesmo, pensamento típico do indivíduo preso na quarta e quinta camada (conceito das doze camadas da personalidade tratada no primeiro livro da coleção), a quarta camada seria o indivíduo carente de afeto, que se acha muito especial e que todos precisam amá-lo, no primeiro livro digo, se essa característica permanece em um adulto isso significa que 10 problemas da quarta camada ainda não foram resolvidos e precisa buscar ajuda de um terapeuta, em caso de trauma um psicólogo. Na quinta camada o indivíduo não quer mais ser amado, mas conhece o poder do ego, caminha mediante as suas próprias ilusões, ele não conhece a vida real por isso é presa fácil de ideologias com esta exata narrativa de que somos vítimas de um sistema injusto e que se você gritar, bater os pés no chão e seguir a manada, o mundo se tornará em um lugar muito melhor, pétalas de rosas cairão do céu, sim! A própria Disneylândia ou sei lá, o país das maravilhas. Aspectos culturais afetam a personalidade, mas não trazem vantagens significativas na busca 11 pela solitude, porque isto só é alcançável através de esforços conscientes. 12 SOLIDÃO No ensaio sobre a solidão positiva, Samuel Katz enfatiza que a solidão não é uma doença, nem mesmo lhe é própria, mas é uma conquista de muitos e poderia ser junto com outros”. Ao fazer uma genealogia filosófica da solidão, percorre diversas sendas, até encontrar sua aparição positiva na vida excepcional de Santa Teresa de Ávila (1515-1582), quando “a solidão não será mais determinada negativamente pelo saber unificador da Igreja, como afastamento da comunhão dos que constroem solidários a organização e hierarquia do caminho de Deus, mas pela afirmação dos que pertencem à experiência singular da religiosidade” (Katz, 1996, p.107). 13 A solidão não é um valor que se dissipa com a anulação da negatividade, caso não haja angustia na solidão, ou ela se torna neutra, ou ela se torna solitude, que é a solidão positiva. A ideia de que a solidão é sempre negativa começa lá atrás por uma má interpretação dos textos bíblicos (partindo de um pressuposto baseado no criacionismo, que é majoritário no consciente coletivo) ou seja, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, criou também os outros animais em pares, exceto o homem; observando Adão isto sentiu-se só mas não falou, vendo Deus a sua tristeza o fez cair em profundo sono, tirando uma costela de Adão Ele criou a mulher, após isso o homem se contentou e disse: 14 “Esta sim é osso do meu osso e carne da minha carne”. A partir de então é criado a ideia de que um ser humano quando sozinho é triste como Adão, e se acompanhado por uma outra pessoa é feliz pois, Deus diz: “Não é bom que o homem esteja só”. Qualquer ideia coletiva é falha porque nega a investigação dos fatos, geralmente é guiado por emoções tendenciosas para não chamarmos de autossabotagem, mas se observamos primeiramente de forma abrangente incluindo também o pentateuco, os livros históricos, poéticos, proféticos e o novo testamento, veremos que em inúmeras vezes a solidão se faz positiva achegando o espírito do homem para mais perto de Deus, aliás em Gêneses adão não 15 era sozinho ele se sentiu sozinho; quando um sentimento conduz uma ação antes do entendimento pela razão, possivelmente essa ação o fará ter consequências infelizes, Adão tinha Deus, então por que se sentiu triste e só? Sim! Ele não se fez essa pergunta, se deixou levar pela influência “inconsciente” da percepção dos animais em pares em sua tarefa classificadora. Entendo que isso faça parte de um propósito divino, entretanto o propósito divino não justifica nossas ações, mas esse é um assuntocomplicado se eu me estender ficará massivo. De toda forma eu não estou indo contra o evangelho, aliás creio nele, estou apenas dizendo o que já se encontra nele, mas que pela falta de um estudo sistemático, muitos ainda desconhecem. 16 Seguindo esse princípio bíblico, temos então inúmeros episódios que nos provam a solidão em valores positivos como por exemplo em: Mt 14:13 “Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; e quando as multidões o souberam, seguiram-no a pé desde as cidades” Lc 4:42 “Ao romper do dia saiu, e foi a um lugar deserto; e as multidões procuravam-no e, vindo a ele, queriam detê-lo, para que não se ausentasse delas.” Mt 26:36 “Enquanto se preparava para Sua crucificação, Jesus buscou a solidão no jardim do Getsêmani” 17 Repare que Jesus busca um lugar isolado e distante da multidão para se fortalecer espiritualmente, essa atitude corriqueira do próprio Jesus já demonstra o lado positivo em momentos de solidão. * Só entendemos o quanto a solitude está ligada à maturidade e ao nível de autoconhecimento do indivíduo, quando observamos o princípio da solidão negativa que está ligado diretamente ao ego do indivíduo. Observe por exemplo um jovem rapaz que se entregou cegamente a uma paixão e no fim fora rejeitado; debaixo de profunda angustia se isola de todos. Essa reação depressiva em face da 18 perda do objeto decorre de a pessoa estar parcialmente identificada com o objeto e confundida com ele, para se defender do sentimento de tê-lo perdido. “A sombra do objeto caiu sobre o ego, que então pode ser julgado por uma determinada instância, como um objeto - como o objeto abandonado. A perda do objeto se transformou em perda do ego e a pessoa amada em uma bipartição entre a crítica do ego e o ego modificado pela identificação (Freud, 1917/1985, p. 33).” Em outras palavras, às vezes estar acompanhado é estar isolado no mais profundo abismo do nosso ego, por mais difícil que seja enxergar, este momento uma hora ou outra chega com a perda da pessoa amada, isso é absolutamente normal, mas a incapacidade de se elevar dificulta o processo de dissipação do 19 “outro” em si mesmo, que na realidade torna-se a sombra do próprio ego. Vemos o quão doentio isto é, quando percebemos no indivíduo a dependência emocional que ele projeta no outro, torna-se como um dependente químico que sabe o que deve ser feito mas não faz, aquele que está enraizado no outro e teme a separação que seja de um grupo de amigos, equipe no trabalho ou em um relacionamento é o mais solitário de todos, ele não teme somente a perda do outro, teme a falta de si mesmo, a falta de sentido que a sua vida terá. Conquistar a solitude não nos torna antissociais, nos torna livres e bem acompanhados onde quer que estejamos, um relacionamento constituído por duas pessoas 20 completas é o mais saudável de todos, pois haverá equilíbrio entre a razão e a emoção, espaço para o amor e para a coerência em momentos de conflitos. Caso haja separação, é completamente normal que haja dor e sofrimento, mas nunca falta de sentido, a vida segue, pois não perderam a si mesmos. * 21 A solidão possui duas faces! Negativamente na maioria das vezes chamamos de depressão que existe em diversos níveis e naturezas. Positivamente chamamos de solitude, é o lado da solidão que muitos preferem não enxergar, mas é justamente esse aspecto que torna uma pessoa normal em um semideus; as potências artísticas e intelectuais podem até ganharem forma com a solidão, mas só ganham vida com a solitude. Existe um grau altíssimo de solitude nos maiores artistas e gênios que esse mundo já viu. Momentos de solidão deram a Ludwig van Beethoven a possibilidade de se tornar um dos maiores gênios do piano. 22 Pra Agostinho de Hipona a revelação que mudou o curso de uma história. “A verdade e Deus devem ser buscados na alma, e não no mundo exterior” Para o Matemático Andrew Wiles o teorema de Fermat, que por sinal lhe era impossível sentir- se só, negativamente, com a sua mente povoada por números e um grande propósito, alcançar a solução de um problema matemático de aproximadamente 358 anos de fracassadas tentativas. 23 A solitude está sempre relacionada a grandes personalidades. 24 ASPECTO SOCIAL Quando vivemos em sociedade tendemos a acreditar que esta é a verdadeira realidade, sendo que toda essa estrutura vem sido construída há milênios. A natureza distante dos centros urbanos é a verdadeira realidade, tudo o que você enxerga em um centro urbano não passa de um sistema criado para alcançar objetivos “simples” por meios quase que maquiavélicos, qual a possibilidade disso trazer ordem para a alma humana? Aristóteles em seu livro sobre a Política diz que o homem é um ser naturalmente político, a sustentabilidade disso para Aristóteles se dá porque alguns nasceram para serem senhores e governar enquanto outros para serem escravos e 25 obedecer, então descreve a classificação social de Atenas com a sua própria estrutura lógica, porém o que mais me chama atenção neste apanhado é algo que ele diz sobre o indivíduo que abandona a POLIS, isto é, aquele que se torna autossuficiente e consegue viver longe da multidão: “A prova de que o estado é uma criação da natureza e tem prioridade sobre o indivíduo é que o indivíduo, quando isolado, não é autossuficiente; no entanto, ele o é como parte relacionada com o conjunto. Mas aquele que for incapaz de viver em sociedade, ou que não tiver necessidade disso por ser autossuficiente, será uma besta ou um deus, não uma parte do estado. Um instinto social é implantado pela natureza em todos os homens, e aquele que primeiro 26 fundou o estado é o maior dos benfeitores. Isso porque o homem, quando perfeito, é o melhor dos animais; porém, quando apartado da lei e da justiça, é o pior de todos, uma vez que a injustiça armada é a pior.” Primeiro ponto sobre esse trecho: “Um instinto social é implantado pela natureza em todos os homens”. Ou seja, esse instinto implantado, assim como na figura de adão que fora feito originalmente solitário, e posteriormente criado a necessidade de uma companhia, revela que a natureza política do homem não é genuína, mas implantada para garantir a sobrevivência da espécie. Pois, apesar da forma como o estado funciona ser artificial, ela facilita a sobrevivência em comparação com a forma de 27 vida dos nossos antepassados; o problema é que isso nos afastou da pureza, do ar fresco e do ambiente natural, tudo o que vivemos na cidade é sintético, o sistema caótico urbano às vezes dificulta o equilíbrio, é sempre bom ter o costume de se distanciar por um tempo, e observando a natureza assim como ensinam os estoicos, podemos também aprender mais sobre nós mesmos. Quando Aristóteles cita o indivíduo autossuficiente, chamando-o de deus, revela a possibilidade de senhorio sobre si mesmo. O indivíduo para se tornar autossuficiente precisa antes ter consciência das coisas que se passam ao seu redor e posteriormente ter domínio sobre o impacto que elas causam em si, esse é o único 28 fator que separa uma besta de um deus, a besta é incapaz de conviver em sociedade por isso se isola, o indivíduo “deus” sabe como as coisas funcionam e domina a si mesmo, logo torna-se extremamente poderoso por ser autossuficiente. O espírito da “besta” que se isola pela incapacidade de viver em sociedade, equipara-se a de um adolescente imaturo que se tranca no quarto achandoque isso irá resolver todos os problemas, se essa distopia perdura até a fase adulta torna-se doentio, e como o próprio Aristóteles diz, é o mais perigoso dos animais pois guia a sua ação baseando-se em sua loucura, já não sabe o que é certo e o que é errado, transforma-se em um bárbaro incapaz de instruir seus pensamentos. 29 Embora o assunto do livro Política seja endereçada a outro tema central, a parte do isolamento me chamou atenção principalmente porque Aristóteles antecede ao período Helenístico que se teve após o reinado de Alexandre Magno. A civilização helenística foi uma civilização de culturas mistas, ou seja, de gregos, persas e egípcios; deste grande choque surgiu também a filosofia estoica que de certa forma é considerada uma filosofia do autoconhecimento, e segue os princípios da natureza assim como Aristóteles acreditava, só que no estoicismo fundado por Zenão os meios eram as leis da natureza e o fim estava no indivíduo como unidade, para Aristóteles 30 os meios também eram as leis da natureza mas o fim era o estado. A filosofia de Aristóteles teve influência na filosofia estoica neste aspecto, creio que ambos foram bem sucedidos em suas filosofias pelo simples fato de estarem em pleno vigor até os dias de hoje. Naquela época talvez, o estoicismo fosse a que chegasse mais perto daquela concepção aristotélica de “deus”, o ser autossuficiente isolado daquela sociedade confusa que se parecia em vários aspectos com a nossa do século XXI. O estoicismo apesar de bonito, é muito antigo e não fornece o conhecimento fisiológico, temperamental e psicológico do 31 indivíduo, são apenas atitudes observadas e guiadas por princípios naturais, que só serão úteis para aqueles que de certa forma já praticam o autoconhecimento, o método que desenvolvi no primeiro livro é um método baseado em diversos estudos, teorias e nas maiores referências que existiram. Recapitulando! A solitude é uma consequência que permite o indivíduo deleitar-se em si, potencializar suas capacidades naturais e ambições de forma prazerosa e profunda. Curar algumas feridas e sentir-se suficiente é o resultado daqueles que dominaram a si mesmos com o entendimento pleno e prático. 32 “Você não é você mesmo em meio a multidão, o indivíduo se torna quase que um autômato” Isto foi citado no livro “Psicologia das massas e análise do eu” escrita por Freud fazendo alusão as teorias existentes por Le Bon 1895: “Portanto, as principais características do indivíduo que se encontra na massa são as seguintes; desaparecimento da personalidade consciente, predomínio da personalidade inconsciente, orientação dos pensamentos e dos sentimentos na mesma direção por meio da sugestão e do contágio, tendência à execução imediata das ideias sugeridas. O indivíduo não 33 é mais ele mesmo; tornou-se um autômato desprovido de vontade. “ (Ibid., p. 17) O ser humano naturalmente prefere estar em meio a pessoas sendo o que não é, do que buscando a si mesmo explorando suas capacidades. Isto se explica também com a estrutura social descrita por Aristóteles em Órganon e Política (como citei posteriormente), a base dela segue um princípio natural, alguns nasceram para governar e outros para serem escravizados, basicamente falando o patriarca possuía senhorio sobre a mulher, os filhos, o escravo e os animais; a mulher, possuía dos filhos, escravos e animais; e o escravo, apenas dos animais. Na medida que se formam as primeiras comunidades naturalmente surgem líderes sob aquele pequeno número de pessoas, 34 essa estrutura toma proporções cada vez maiores como em uma pirâmide feudal. Mas Sócrates dentre outros, ascenderam na civilização o amor pelo conhecimento, na época Atenas era o polo do conhecimento, se orgulhavam de não serem uma civilização bárbara, a esperteza do povo fez com que o governo da época se tornasse a máquina estatal que temos hoje cada vez mais “maquiavélica” 35 por assim dizer, com a “educação” do povo é que chegamos ao modelo convencional, o cidadão “cria” as leis, e o governo as transformam em um monstro que se volta contra o próprio povo em prol dos interesses políticos. Como se já não bastasse o sistema caótico da natureza, a sociedade veio para potencializar isto com o caos político que age sempre por benefício próprio. Ou seja, se você entra nesse jogo você se torna um autômato que segue a manada e age conforme os interesses coletivos, mas se entende toda a situação, busca primeiro o equilibro em si mesmo, torna-se também autossuficiente, porque age por si e não por necessidade de aprovação ou para ser aceito em um meio. No fim voltamos à base de tudo, os que nascem para governar, governam segundo seu caráter e 36 suas crenças, aqueles que nascem para serem escravos permanecem cegos e ignorantes até a morte, mas o conhecimento torna a liberdade possível para aqueles que primeiramente querem mudança, não se trata de uma liberdade coletiva e política, nem Jesus conseguiu mudar a podridão do sistema, estou falando de mudança individual, cujo os esforços convergem para a ruptura dos grilhões, quanto mais você busca por autoconhecimento, mais autossuficiente você fica. * 37 No século XIX e XX não haviam tecnologias como as de hoje, o mais doentio é que somos conduzidos por uma personalidade algorítmica programada para tomarmos determinada ação, agindo como macaquinhos na frente de aparelhos eletrônicos. Esse tipo de engajamento traz a falsa sensação de pertencimento, busca por validação e confusão interna; uma sociedade demasiadamente confusa será sempre o cordeiro indefeso que é sacrificado por aqueles que sabem o que quer. Ter senso crítico é fundamental, isso se explica até pela teoria da hipnose, indivíduos críticos são mais difíceis de serem manipulados. Questione, não seja ingênuo! 38 Todo ser humano necessita de um propósito para viver, e quando não se sabe deleitar-se no silêncio esse processo com certeza fica mais difícil, mesmo os grandes comunicadores necessitam destes intervalos, nada se aprende apenas falando, para falar é preciso ter conteúdo e quando a pessoa continua falando mesmo desprovida daquilo, isso revela a sua mais triste carência. Grandes coisas nascem no silêncio e na quietude, mesmo que haja raiva ou decepções os sentimentos ganham vozes, o seu nível de maturidade e autoconhecimento determinará o equilíbrio. Contudo, se mesmo após ter lido, entendido e colocado em prática o que trato neste e no primeiro livro a confusão e a angustia não se 39 dissiparem, busque por psicoterapia, com toda certeza existe um problema mal resolvido nas fases anteriores da sua vida, ou algum desajuste químico que deve ser tratado com medicamentos e o acompanhamento de um psiquiatra. 40 A PLENA SOLITUDE Solitude é um valor adquirido somente por aqueles que já dominaram os outros aspectos da vida, por exemplo: Se você tem medo de estar em sociedade, tem timidez e se sente confortável sozinho, isto não é solitude é um problema, solitude só é caracterizado quando não há nenhum tipo de complicação interna, o indivíduo deve estar bem resolvido nas outras questões para alcançá-la. 41 Observando a teoria das doze camadas novamente, vemos que o normal é que a maioria das pessoas cheguem pelo menos a camada sete, e na camada oito o indivíduo através dos seus próprios esforços e autoconsciência, consegue desenvolver potencias de acordo com o grau de transparência acerca da sua personalidade. A natureza leva o homem até certo ponto, cria nele determinadosórgãos, mas há outros que é o homem mesmo que "inventa".” 42 A partir do nível de autoconsciência representado pela camada oito, pode surgir uma nona camada, que na quase totalidade dos seres humanos não surge. Poucos atingem a oitava camada, aos que alcançam, o normal e que as demais camadas fiquem apenas como potências. A princípio, qualquer ser humano tem potencial para prosseguir até a última camada, mas dependendo da vontade, do meio social e de outros fatores, nem todos efetivam a camada 8, muitos nem a 7, e outros sequer a 6 ou a 5. 43 Na evolução normal do ser humano, é possível atingir até a camada 8. É nela que o indivíduo experimenta uma personalidade completa, podendo ver sua vida como um todo, contar sua própria história e, de certo modo, julgá-la. * 44 Estar bem resolvido com a coletividade significa que o indivíduo já superou as buscas da camada sete, e que caso haja prazer em estar a sós (solitude), isto não é uma fuga como presente na tenra idade ou em pessoas mais velhas que por algum motivo anda não superaram sequer a camada seis; não é por medo de socializar que a pessoa se sente bem sozinha, sente-se bem porque apesar de ser uma pessoa funcional e ter amigos no meio social ainda assim faz retiro em si mesmo periodicamente, pois conhece o poder que reside na calmaria de um espírito instruído. 45 Para aqueles que já encontraram em si a verdadeira solitude e que através da autoanálise lendo este e o primeiro livro desta coleção identificaram a sua respectiva camada, sugiro que crie o hábito sempre que possível de ir a lugares distantes da civilização, onde haja árvores, terra, pássaros, mato, água e ar fresco, esteja cem por cento presente naquilo, isto é o estoicismo na prática, na vida real e sem redes sociais, só então acho válido começar a ler Epicuro, Sêneca, Epiteto, Marco Aurélio, etc... Como sempre digo, o estoicismo é um ótimo complemento para continuar este processo de autoconhecimento, mas não o indico para 46 qualquer um, por um motivo óbvio, se o indivíduo por exemplo estiver preso na camada cinco, ele queimará a largada ou pior não irá entender o real motivo, entenderá apenas o que cabe em sua concepção de quinta camada, sim! Qualquer sinal vindo de uma das camadas superiores, serão interpretados por ele de acordo com a sua própria camada; seria como um pai (adulto) explicando para uma criança que está ainda na segunda camada poque ele não pode bater no amigo ao lado, se este pai tivesse a consciência destas coisas bastaria uma careta, ou apenas uma entonação de voz mais grave e direta, pois aquela criança só entende na base da ação e 47 reação, ela também aprenderia caso o outro revidasse. Em outras palavras cada camada possui a sua própria forma de linguagem, se você identificou com sinceridade a sua camada vigente, precisa encontrar agora a resolução desta busca antes de buscar a solitude, precisa chegar na oitava camada, caso contrário ficará perdido, e os problemas da sua camada irão te abafar o que trará ainda mais confusão em sua mente. Tanto os resultados do autoconhecimento, quanto a conquista da solitude, são coisas que levarão tempo, o processo por si só naturalmente o levará a estes fins. Veja, tens o mais importante, o caminho, agora sabe o 48 que deve ser feito. Estes estudos estarão sempre acessíveis para você, o que lhe dará uma grande vantagem, é a possibilidade de acelerar o processo. Finalizo esta obra com a esperança de ter-lhe ajudado, disponibilizei todo o meu conhecimento sobre o assunto nesta coleção para colaborar com o seu crescimento, pois este é o intuito da Saillors, despertar a melhor versão adormecida que reside dentro de cada um de nós, agora você tem uma missão para cumprir na vida real, coloque o seu conhecimento em prática. 49 Avante! 50 Mateus H. de Oliveira 51 Referências bibliográficas 52 Livros Poética/Órganon/Política/Metafísica – Aristóteles; O Portal da filosofia – Robert Zimmer; Simpósio/Fédon – Platão; Sobre a brevidade da vida/Sobre a ira – Sêneca; Meditações – Marco Aurélio; Confissões – Agostinho de Hipona; Os gregos, os historiadores, a democracia – Pierre Vidal-Naquet; Tipos Psicológicos – Carl Gustav Jung; O essencial da psicologia – Carl Gustav Jung 1875-1961; A interpretação dos sonhos/ Psicologia das massas e análise do eu /Histeria/Totem e tabu/O mal estar na civilização – Sigmund Freud; O prazer de ler Freud/Histeria/Édipo – J. D. Nasio; Um psicólogo no campo de concentração – Victor Frakl;