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ASCENSÃO DA 
SOLITUDE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mateus H. de Oliveira 
 
3 
 
SUMÁRIO 
 
 
• INTRODUÇÃO ................................................ 4 
• SENTIDO LATO .............................................. 6 
• SOLIDÃO ....................................................... 12 
• ASPECTO SOCIAL........................................ 24 
• A PLENA SOLITUDE ................................... 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
 
 A ideia de que a solidão é sempre ruim está 
enraizada em nosso mundo desde o princípio das 
primeiras comunidades e civilizações, essa falsa 
ideia coletiva tem anulado muitas respostas para 
uma vida completa e autossuficiente. 
 
 Nesta obra você terá acesso a uma 
investigação coerente acerca da solitude, e a 
forma mais simples de alcançá-la. 
 O objetivo deste livro é bastante claro, isto é, 
oferecer a você maior profundidade e clareza 
sobre o significado e a prática da solitude. 
 
 
 
5 
 
 
 Como tratado no livro anterior, a solitude é a 
consequência de um elevado nível de 
autoconhecimento, caso não tenha alcançado a 
solitude ainda sugiro que antes leia a primeira 
obra desta coleção, só assim esse livro fará o 
devido sentido para você, caso já tenha lido 
desconsidere esta parte. 
 
Vamos ao tema! 
 
 
 
 
 
 
6 
 
SENTIDO LATO 
 
 Segundo o instituto de psicanálise de São 
Paulo, a solitude é uma conquista, ou seja, a 
capacidade para ficar só, de maneira positiva, 
em suas complexas injunções psicológicas e 
sociais, encontra-se diretamente relacionada à 
qualidade da sustentação emocional e das 
oportunidades culturais que nos são oferecidas, 
seja no início ou no decorrer da vida, no 
conjunto formado pelo ambiente familiar e pela 
sociedade em que vivemos. 
 Trocando em miúdos só afirma alguns 
aspectos que eu já tenho dito há muito tempo, 
quer dizer que a solitude nada mais é do que a 
consequência de um equilíbrio emocional, essa 
capacidade pode vir de inúmeras formas como 
 
7 
 
descrito em um trecho do artigo, mas para 
sermos ainda mais concisos vou separar em duas 
vertentes segundo o Instituto de psicanálise, a 
primeira é organizando a bagunça, trata-se do 
equilíbrio interno, o famoso Autoconhecimento 
que ensino no primeiro livro desta coleção 
chamado “Conheça a ti mesmo”, a segunda 
vertente são as influências externas, que são 
responsáveis tanto pela construção da nossa 
personalidade quanto para o equilíbrio presente, 
contudo eu não me familiarizo muito com essa 
ideia de que as influências externas sejam fatores 
determinantes no aspecto cultural, se você leu o 
primeiro livro saberá que acredito que o 
indivíduo elevado é aquele que primeiramente 
muda a si mesmo, para depois tornar-se um 
agente transformador no mundo. 
 
8 
 
Veja, não estamos falando das influências 
externas em relação a personalidade, estamos 
falando sobre uma influência sobre a solitude, 
que é algo que só é possível em um indivíduo 
com a sua personalidade completamente 
formada. 
 A morte de um ente querido, o término de um 
longo relacionamento, ou até mesmo um brusco 
choque de realidade, são fatores que poderiam de 
certa forma abalar até os mais fortes, mas são 
fases, que em vez de nos derrubar nos fazem 
mais resistentes do que antes, por isso é 
importante também não nos acostumarmos com 
uma vidinha de porcelana, perfeita como em um 
conto de fadas, do caos pode surgir coisas boas. 
 Quando dizem que a solitude também pode ser 
resultado de oportunidades culturais, creio que 
 
9 
 
estão se referindo a cenários sociais 
preestabelecidos antes da nossa própria 
consciência, isto é, o país, a região, a cidade, a 
cultura e a família. 
Olhando nesta direção caminhamos para um 
conceito tendencioso e típico do indivíduo 
nascido no século XXI, que é a de se vitimizar, a 
pessoa quando se deixa levar por essa linha de 
pensamento logo começa a sentir piedade de si 
mesmo, pensamento típico do indivíduo preso na 
quarta e quinta camada (conceito das doze 
camadas da personalidade tratada no primeiro 
livro da coleção), a quarta camada seria o 
indivíduo carente de afeto, que se acha muito 
especial e que todos precisam amá-lo, no 
primeiro livro digo, se essa característica 
permanece em um adulto isso significa que 
 
10 
 
problemas da quarta camada ainda não foram 
resolvidos e precisa buscar ajuda de um 
terapeuta, em caso de trauma um psicólogo. 
 
Na quinta camada o indivíduo não quer mais ser 
amado, mas conhece o poder do ego, caminha 
mediante as suas próprias ilusões, ele não 
conhece a vida real por isso é presa fácil de 
ideologias com esta exata narrativa de que somos 
vítimas de um sistema injusto e que se você 
gritar, bater os pés no chão e seguir a manada, o 
mundo se tornará em um lugar muito melhor, 
pétalas de rosas cairão do céu, sim! A própria 
Disneylândia ou sei lá, o país das maravilhas. 
Aspectos culturais afetam a personalidade, mas 
não trazem vantagens significativas na busca 
 
11 
 
pela solitude, porque isto só é alcançável através 
de esforços conscientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
SOLIDÃO 
 
No ensaio sobre a solidão positiva, Samuel Katz 
enfatiza que a solidão não é uma doença, nem 
mesmo lhe é própria, mas é uma conquista de 
muitos e poderia ser junto com outros”. Ao fazer 
uma genealogia filosófica da solidão, percorre 
diversas sendas, até encontrar sua aparição 
positiva na vida excepcional de Santa Teresa de 
Ávila (1515-1582), quando “a solidão não será 
mais determinada negativamente pelo saber 
unificador da Igreja, como afastamento da 
comunhão dos que constroem solidários a 
organização e hierarquia do caminho de Deus, 
mas pela afirmação dos que pertencem à 
experiência singular da religiosidade” (Katz, 
1996, p.107). 
 
 
13 
 
A solidão não é um valor que se dissipa com a 
anulação da negatividade, caso não haja angustia 
na solidão, ou ela se torna neutra, ou ela se torna 
solitude, que é a solidão positiva. 
A ideia de que a solidão é sempre negativa 
começa lá atrás por uma má interpretação dos 
textos bíblicos (partindo de um pressuposto 
baseado no criacionismo, que é majoritário no 
consciente coletivo) ou seja, Deus criou o 
homem à sua imagem e semelhança, criou 
também os outros animais em pares, exceto o 
homem; observando Adão isto sentiu-se só mas 
não falou, vendo Deus a sua tristeza o fez cair em 
profundo sono, tirando uma costela de Adão Ele 
criou a mulher, após isso o homem se contentou 
e disse: 
 
 
14 
 
“Esta sim é osso do meu osso e carne da minha 
carne”. 
A partir de então é criado a ideia de que um ser 
humano quando sozinho é triste como Adão, e se 
acompanhado por uma outra pessoa é feliz pois, 
Deus diz: “Não é bom que o homem esteja só”. 
Qualquer ideia coletiva é falha porque nega a 
investigação dos fatos, geralmente é guiado por 
emoções tendenciosas para não chamarmos de 
autossabotagem, mas se observamos 
primeiramente de forma abrangente incluindo 
também o pentateuco, os livros históricos, 
poéticos, proféticos e o novo testamento, 
veremos que em inúmeras vezes a solidão se faz 
positiva achegando o espírito do homem para 
mais perto de Deus, aliás em Gêneses adão não 
 
15 
 
era sozinho ele se sentiu sozinho; quando um 
sentimento conduz uma ação antes do 
entendimento pela razão, possivelmente essa 
ação o fará ter consequências infelizes, Adão 
tinha Deus, então por que se sentiu triste e só? 
Sim! Ele não se fez essa pergunta, se deixou 
levar pela influência “inconsciente” da 
percepção dos animais em pares em sua tarefa 
classificadora. Entendo que isso faça parte de um 
propósito divino, entretanto o propósito divino 
não justifica nossas ações, mas esse é um assuntocomplicado se eu me estender ficará massivo. De 
toda forma eu não estou indo contra o evangelho, 
aliás creio nele, estou apenas dizendo o que já se 
encontra nele, mas que pela falta de um estudo 
sistemático, muitos ainda desconhecem. 
 
 
16 
 
Seguindo esse princípio bíblico, temos então 
inúmeros episódios que nos provam a solidão em 
valores positivos como por exemplo em: 
 
Mt 14:13 
“Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar 
deserto, à parte; e quando as multidões o souberam, seguiram-no a 
pé desde as cidades” 
 
Lc 4:42 
“Ao romper do dia saiu, e foi a um lugar deserto; e as multidões 
procuravam-no e, vindo a ele, queriam detê-lo, para que não se 
ausentasse delas.” 
 
Mt 26:36 
“Enquanto se preparava para Sua crucificação, Jesus buscou a 
solidão no jardim do Getsêmani” 
 
 
 
17 
 
Repare que Jesus busca um lugar isolado e 
distante da multidão para se fortalecer 
espiritualmente, essa atitude corriqueira do 
próprio Jesus já demonstra o lado positivo em 
momentos de solidão. 
* 
 
Só entendemos o quanto a solitude está ligada à 
maturidade e ao nível de autoconhecimento do 
indivíduo, quando observamos o princípio da 
solidão negativa que está ligado diretamente ao 
ego do indivíduo. 
Observe por exemplo um jovem rapaz que se 
entregou cegamente a uma paixão e no fim fora 
rejeitado; debaixo de profunda angustia se isola 
de todos. Essa reação depressiva em face da 
 
18 
 
perda do objeto decorre de a pessoa estar 
parcialmente identificada com o objeto e 
confundida com ele, para se defender do 
sentimento de tê-lo perdido. 
“A sombra do objeto caiu sobre o ego, que então 
pode ser julgado por uma determinada instância, 
como um objeto - como o objeto abandonado. A 
perda do objeto se transformou em perda do ego e a 
pessoa amada em uma bipartição entre a crítica do 
ego e o ego modificado pela identificação (Freud, 
1917/1985, p. 33).” 
 
Em outras palavras, às vezes estar acompanhado 
é estar isolado no mais profundo abismo do 
nosso ego, por mais difícil que seja enxergar, 
este momento uma hora ou outra chega com a 
perda da pessoa amada, isso é absolutamente 
normal, mas a incapacidade de se elevar dificulta 
o processo de dissipação do 
 
19 
 
“outro” em si mesmo, que na realidade torna-se 
a sombra do próprio ego. 
Vemos o quão doentio isto é, quando 
percebemos no indivíduo a dependência 
emocional que ele projeta no outro, torna-se 
como um dependente químico que sabe o que 
deve ser feito mas não faz, aquele que está 
enraizado no outro e teme a separação que seja 
de um grupo de amigos, equipe no trabalho ou 
em um relacionamento é o mais solitário de 
todos, ele não teme somente a perda do outro, 
teme a falta de si mesmo, a falta de sentido que 
a sua vida terá. 
Conquistar a solitude não nos torna antissociais, 
nos torna livres e bem acompanhados onde quer 
que estejamos, um relacionamento constituído 
por duas pessoas 
 
20 
 
completas é o mais saudável de todos, pois 
haverá equilíbrio entre a razão e a emoção, 
espaço para o amor e para a coerência em 
momentos de conflitos. Caso haja separação, é 
completamente normal que haja dor e 
sofrimento, mas nunca falta de sentido, a vida 
segue, pois não perderam a si mesmos. 
* 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
A solidão possui duas faces! Negativamente na 
maioria das vezes chamamos de depressão que 
existe em diversos níveis e naturezas. 
Positivamente chamamos de solitude, é o lado da 
solidão que muitos preferem não enxergar, mas 
é justamente esse aspecto que torna uma pessoa 
normal em um semideus; as potências artísticas 
e intelectuais podem até ganharem forma com a 
solidão, mas só ganham vida com a solitude. 
Existe um grau altíssimo de solitude nos maiores 
artistas e gênios que esse mundo já viu. 
 
Momentos de solidão deram a Ludwig van 
Beethoven a possibilidade de se tornar um dos 
maiores gênios do piano. 
 
 
22 
 
Pra Agostinho de Hipona a revelação que mudou 
o curso de uma história. 
 
“A verdade e Deus devem ser buscados na alma, e 
não no mundo exterior” 
 
 
Para o Matemático Andrew Wiles o teorema de 
Fermat, que por sinal lhe era impossível sentir-
se só, negativamente, com a sua mente povoada 
por números e um grande propósito, alcançar a 
solução de um problema matemático de 
aproximadamente 358 anos de fracassadas 
tentativas. 
 
 
 
23 
 
A solitude está sempre relacionada a grandes 
personalidades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
ASPECTO SOCIAL 
 
 
Quando vivemos em sociedade tendemos a 
acreditar que esta é a verdadeira realidade, sendo 
que toda essa estrutura vem sido construída há 
milênios. A natureza distante dos centros 
urbanos é a verdadeira realidade, tudo o que você 
enxerga em um centro urbano não passa de um 
sistema criado para alcançar objetivos “simples” 
por meios quase que maquiavélicos, qual a 
possibilidade disso trazer ordem para a alma 
humana? 
Aristóteles em seu livro sobre a Política diz que 
o homem é um ser naturalmente político, a 
sustentabilidade disso para Aristóteles se dá 
porque alguns nasceram para serem senhores e 
governar enquanto outros para serem escravos e 
 
25 
 
obedecer, então descreve a classificação social 
de Atenas com a sua própria estrutura lógica, 
porém o que mais me chama atenção neste 
apanhado é algo que ele diz sobre o indivíduo 
que abandona a POLIS, isto é, aquele que se 
torna autossuficiente e consegue viver longe da 
multidão: 
“A prova de que o estado é uma criação da 
natureza e tem prioridade sobre o indivíduo é 
que o indivíduo, quando isolado, não é 
autossuficiente; no entanto, ele o é como parte 
relacionada com o conjunto. Mas aquele que for 
incapaz de viver em sociedade, ou que não tiver 
necessidade disso por ser autossuficiente, será 
uma besta ou um deus, não uma parte do estado. 
Um instinto social é implantado pela natureza 
em todos os homens, e aquele que primeiro 
 
26 
 
fundou o estado é o maior dos benfeitores. Isso 
porque o homem, quando perfeito, é o melhor 
dos animais; porém, quando apartado da lei e 
da justiça, é o pior de todos, uma vez que a 
injustiça armada é a pior.” 
Primeiro ponto sobre esse trecho: “Um instinto 
social é implantado pela natureza em todos os 
homens”. 
Ou seja, esse instinto implantado, assim como na 
figura de adão que fora feito originalmente 
solitário, e posteriormente criado a necessidade 
de uma companhia, revela que a natureza 
política do homem não é genuína, mas 
implantada para garantir a sobrevivência da 
espécie. Pois, apesar da forma como o estado 
funciona ser artificial, ela facilita a 
sobrevivência em comparação com a forma de 
 
27 
 
vida dos nossos antepassados; o problema é que 
isso nos afastou da pureza, do ar fresco e do 
ambiente natural, tudo o que vivemos na cidade 
é sintético, o sistema caótico urbano às vezes 
dificulta o equilíbrio, é sempre bom ter o 
costume de se distanciar por um tempo, e 
observando a natureza assim como ensinam os 
estoicos, podemos também aprender mais sobre 
nós mesmos. 
 
Quando Aristóteles cita o indivíduo 
autossuficiente, chamando-o de deus, revela a 
possibilidade de senhorio sobre si mesmo. O 
indivíduo para se tornar autossuficiente precisa 
antes ter consciência das coisas que se passam ao 
seu redor e posteriormente ter domínio sobre o 
impacto que elas causam em si, esse é o único 
 
28 
 
fator que separa uma besta de um deus, a besta 
é incapaz de conviver em sociedade por isso se 
isola, o indivíduo “deus” sabe como as coisas 
funcionam e domina a si mesmo, logo torna-se 
extremamente poderoso por ser autossuficiente. 
O espírito da “besta” que se isola pela 
incapacidade de viver em sociedade, equipara-se 
a de um adolescente imaturo que se tranca no 
quarto achandoque isso irá resolver todos os 
problemas, se essa distopia perdura até a fase 
adulta torna-se doentio, e como o próprio 
Aristóteles diz, é o mais perigoso dos animais 
pois guia a sua ação baseando-se em sua loucura, 
já não sabe o que é certo e o que é errado, 
transforma-se em um bárbaro incapaz de instruir 
seus pensamentos. 
 
 
29 
 
Embora o assunto do livro Política seja 
endereçada a outro tema central, a parte do 
isolamento me chamou atenção 
principalmente porque Aristóteles antecede 
ao período Helenístico que se teve após o 
reinado de Alexandre Magno. A civilização 
helenística foi uma civilização de culturas 
mistas, ou seja, de gregos, persas e egípcios; 
deste grande choque surgiu também a 
filosofia estoica que de certa forma é 
considerada uma filosofia do 
autoconhecimento, e segue os princípios da 
natureza assim como Aristóteles acreditava, 
só que no estoicismo fundado por Zenão os 
meios eram as leis da natureza e o fim estava 
no indivíduo como unidade, para Aristóteles 
 
30 
 
os meios também eram as leis da natureza 
mas o fim era o estado. A filosofia de 
Aristóteles teve influência na filosofia 
estoica neste aspecto, creio que ambos foram 
bem sucedidos em suas filosofias pelo 
simples fato de estarem em pleno vigor até 
os dias de hoje. 
Naquela época talvez, o estoicismo fosse a 
que chegasse mais perto daquela concepção 
aristotélica de “deus”, o ser autossuficiente 
isolado daquela sociedade confusa que se 
parecia em vários aspectos com a nossa do 
século XXI. O estoicismo apesar de bonito, 
é muito antigo e não fornece o conhecimento 
fisiológico, temperamental e psicológico do 
 
31 
 
indivíduo, são apenas atitudes observadas e 
guiadas por princípios naturais, que só serão 
úteis para aqueles que de certa forma já 
praticam o autoconhecimento, o método que 
desenvolvi no primeiro livro é um método 
baseado em diversos estudos, teorias e nas 
maiores referências que existiram. 
Recapitulando! A solitude é uma 
consequência que permite o indivíduo 
deleitar-se em si, potencializar suas 
capacidades naturais e ambições de forma 
prazerosa e profunda. Curar algumas feridas 
e sentir-se suficiente é o resultado daqueles 
que dominaram a si mesmos com o 
entendimento pleno e prático. 
 
32 
 
 
“Você não é você mesmo em meio a multidão, o 
indivíduo se torna quase que um autômato” 
 
Isto foi citado no livro “Psicologia das massas e 
análise do eu” escrita por Freud fazendo alusão 
as teorias existentes por Le Bon 1895: 
 
“Portanto, as principais características do 
indivíduo que se encontra na massa são as 
seguintes; desaparecimento da personalidade 
consciente, predomínio da personalidade 
inconsciente, orientação dos pensamentos e dos 
sentimentos na mesma direção por meio da 
sugestão e do contágio, tendência à execução 
imediata das ideias sugeridas. O indivíduo não 
 
33 
é mais ele mesmo; tornou-se um autômato 
desprovido de vontade. “ (Ibid., p. 17) 
 
O ser humano naturalmente prefere estar em 
meio a pessoas sendo o que não é, do que 
buscando a si mesmo explorando suas 
capacidades. Isto se explica também com a 
estrutura social descrita por Aristóteles em 
Órganon e Política (como citei posteriormente), 
a base dela segue um princípio natural, alguns 
nasceram para governar e outros para serem 
escravizados, basicamente falando o patriarca 
possuía senhorio sobre a mulher, os filhos, o 
escravo e os animais; a mulher, possuía dos 
filhos, escravos e animais; e o escravo, apenas 
dos animais. Na medida que se formam as 
primeiras comunidades naturalmente surgem 
líderes sob aquele pequeno número de pessoas, 
 
34 
 
essa estrutura toma proporções cada vez maiores 
como em uma pirâmide feudal. 
 
 
 
Mas Sócrates dentre outros, ascenderam na 
civilização o amor pelo conhecimento, na época 
Atenas era o polo do conhecimento, se 
orgulhavam de não serem uma civilização 
bárbara, a esperteza do povo fez com que o 
governo da época se tornasse a máquina estatal 
que temos hoje cada vez mais “maquiavélica” 
 
35 
 
por assim dizer, com a “educação” do povo é que 
chegamos ao modelo convencional, o cidadão 
“cria” as leis, e o governo as transformam em um 
monstro que se volta contra o próprio povo em 
prol dos interesses políticos. Como se já não 
bastasse o sistema caótico da natureza, a 
sociedade veio para potencializar isto com o caos 
político que age sempre por benefício próprio. 
Ou seja, se você entra nesse jogo você se torna 
um autômato que segue a manada e age 
conforme os interesses coletivos, mas se entende 
toda a situação, busca primeiro o equilibro em si 
mesmo, torna-se também autossuficiente, 
porque age por si e não por necessidade de 
aprovação ou para ser aceito em um meio. 
No fim voltamos à base de tudo, os que nascem 
para governar, governam segundo seu caráter e 
 
36 
 
suas crenças, aqueles que nascem para serem 
escravos permanecem cegos e ignorantes até a 
morte, mas o conhecimento torna a liberdade 
possível para aqueles que primeiramente querem 
mudança, não se trata de uma liberdade coletiva 
e política, nem Jesus conseguiu mudar a 
podridão do sistema, estou falando de mudança 
individual, cujo os esforços convergem para a 
ruptura dos grilhões, quanto mais você busca por 
autoconhecimento, mais autossuficiente você 
fica. 
* 
 
 
 
 
 
37 
 
No século XIX e XX não haviam tecnologias 
como as de hoje, o mais doentio é que somos 
conduzidos por uma personalidade algorítmica 
programada para tomarmos determinada ação, 
agindo como macaquinhos na frente de 
aparelhos eletrônicos. 
Esse tipo de engajamento traz a falsa sensação 
de pertencimento, busca por validação e 
confusão interna; uma sociedade 
demasiadamente confusa será sempre o cordeiro 
indefeso que é sacrificado por aqueles que sabem 
o que quer. Ter senso crítico é fundamental, isso 
se explica até pela teoria da hipnose, indivíduos 
críticos são mais difíceis de serem manipulados. 
Questione, não seja ingênuo! 
 
 
38 
 
Todo ser humano necessita de um propósito para 
viver, e quando não se sabe deleitar-se no 
silêncio esse processo com certeza fica mais 
difícil, mesmo os grandes comunicadores 
necessitam destes intervalos, nada se aprende 
apenas falando, para falar é preciso ter conteúdo 
e quando a pessoa continua falando mesmo 
desprovida daquilo, isso revela a sua mais 
triste carência. Grandes coisas nascem no 
silêncio e na quietude, mesmo que haja raiva 
ou decepções os sentimentos ganham vozes, 
o seu nível de maturidade e 
autoconhecimento determinará o equilíbrio. 
Contudo, se mesmo após ter lido, entendido 
e colocado em prática o que trato neste e no 
primeiro livro a confusão e a angustia não se 
 
39 
 
dissiparem, busque por psicoterapia, com 
toda certeza existe um problema mal 
resolvido nas fases anteriores da sua vida, ou 
algum desajuste químico que deve ser 
tratado com medicamentos e o 
acompanhamento de um psiquiatra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
A PLENA SOLITUDE 
 
 
Solitude é um valor adquirido somente por 
aqueles que já dominaram os outros aspectos 
da vida, por exemplo: Se você tem medo de 
estar em sociedade, tem timidez e se sente 
confortável sozinho, isto não é solitude é um 
problema, solitude só é caracterizado 
quando não há nenhum tipo de complicação 
interna, o indivíduo deve estar bem resolvido 
nas outras questões para alcançá-la. 
 
 
 
 
 
41 
 
Observando a teoria das doze camadas 
novamente, vemos que o normal é que a 
maioria das pessoas cheguem pelo menos a 
camada sete, e na camada oito o indivíduo 
através dos seus próprios esforços e 
autoconsciência, consegue desenvolver 
potencias de acordo com o grau de 
transparência acerca da sua personalidade. 
 
A natureza leva o homem até certo ponto, 
cria nele determinadosórgãos, mas há 
outros que é o homem mesmo que 
"inventa".” 
 
 
 
42 
 
A partir do nível de autoconsciência 
representado pela camada oito, pode surgir 
uma nona camada, que na quase totalidade 
dos seres humanos não surge. 
 
Poucos atingem a oitava camada, aos que 
alcançam, o normal e que as demais 
camadas fiquem apenas como potências. 
A princípio, qualquer ser humano tem 
potencial para prosseguir até a última 
camada, mas dependendo da vontade, do 
meio social e de outros fatores, nem todos 
efetivam a camada 8, muitos nem a 7, e 
outros sequer a 6 ou a 5. 
 
 
43 
 
Na evolução normal do ser humano, é 
possível atingir até a camada 8. É nela que o 
indivíduo experimenta uma personalidade 
completa, podendo ver sua vida como um 
todo, contar sua própria história e, de certo 
modo, julgá-la. 
* 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
Estar bem resolvido com a coletividade 
significa que o indivíduo já superou as 
buscas da camada sete, e que caso haja 
prazer em estar a sós (solitude), isto não é 
uma fuga como presente na tenra idade ou 
em pessoas mais velhas que por algum 
motivo anda não superaram sequer a camada 
seis; não é por medo de socializar que a 
pessoa se sente bem sozinha, sente-se bem 
porque apesar de ser uma pessoa funcional e 
ter amigos no meio social ainda assim faz 
retiro em si mesmo periodicamente, pois 
conhece o poder que reside na calmaria de 
um espírito instruído. 
 
 
45 
 
Para aqueles que já encontraram em si a 
verdadeira solitude e que através da 
autoanálise lendo este e o primeiro livro 
desta coleção identificaram a sua respectiva 
camada, sugiro que crie o hábito sempre que 
possível de ir a lugares distantes da 
civilização, onde haja árvores, terra, 
pássaros, mato, água e ar fresco, esteja cem 
por cento presente naquilo, isto é o 
estoicismo na prática, na vida real e sem 
redes sociais, só então acho válido começar 
a ler Epicuro, Sêneca, Epiteto, Marco 
Aurélio, etc... Como sempre digo, o 
estoicismo é um ótimo complemento para 
continuar este processo de 
autoconhecimento, mas não o indico para 
 
46 
 
qualquer um, por um motivo óbvio, se o 
indivíduo por exemplo estiver preso na 
camada cinco, ele queimará a largada ou 
pior não irá entender o real motivo, 
entenderá apenas o que cabe em sua 
concepção de quinta camada, sim! 
Qualquer sinal vindo de uma das camadas 
superiores, serão interpretados por ele de 
acordo com a sua própria camada; seria 
como um pai (adulto) explicando para uma 
criança que está ainda na segunda camada 
poque ele não pode bater no amigo ao lado, 
se este pai tivesse a consciência destas coisas 
bastaria uma careta, ou apenas uma 
entonação de voz mais grave e direta, pois 
aquela criança só entende na base da ação e 
 
47 
 
reação, ela também aprenderia caso o outro 
revidasse. Em outras palavras cada camada 
possui a sua própria forma de linguagem, se 
você identificou com sinceridade a sua 
camada vigente, precisa encontrar agora a 
resolução desta busca antes de buscar a 
solitude, precisa chegar na oitava camada, 
caso contrário ficará perdido, e os problemas 
da sua camada irão te abafar o que trará 
ainda mais confusão em sua mente. 
Tanto os resultados do autoconhecimento, 
quanto a conquista da solitude, são coisas 
que levarão tempo, o processo por si só 
naturalmente o levará a estes fins. Veja, tens 
o mais importante, o caminho, agora sabe o 
 
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que deve ser feito. Estes estudos estarão 
sempre acessíveis para você, o que lhe dará 
uma grande vantagem, é a possibilidade de 
acelerar o processo. 
 
Finalizo esta obra com a esperança de ter-lhe 
ajudado, disponibilizei todo o meu 
conhecimento sobre o assunto nesta coleção 
para colaborar com o seu crescimento, pois 
este é o intuito da Saillors, despertar a 
melhor versão adormecida que reside dentro 
de cada um de nós, agora você tem uma 
missão para cumprir na vida real, coloque o 
seu conhecimento em prática. 
 
 
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Avante! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Mateus H. de Oliveira 
 
 
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Referências bibliográficas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Livros 
 
Poética/Órganon/Política/Metafísica – Aristóteles; O 
Portal da filosofia – Robert Zimmer; Simpósio/Fédon 
– Platão; Sobre a brevidade da vida/Sobre a ira – 
Sêneca; Meditações – Marco Aurélio; Confissões – 
Agostinho de Hipona; Os gregos, os historiadores, a 
democracia – Pierre Vidal-Naquet; Tipos Psicológicos 
– Carl Gustav Jung; O essencial da psicologia – Carl 
Gustav Jung 1875-1961; A interpretação dos sonhos/ 
Psicologia das massas e análise do eu 
/Histeria/Totem e tabu/O mal estar na civilização – 
Sigmund Freud; O prazer de ler Freud/Histeria/Édipo 
– J. D. Nasio; Um psicólogo no campo de 
concentração – Victor Frakl;

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