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AULA 01: Princípios gerais dos exames laboratoriais Patologia clinica: É o estudo de doença no ambiente clínico por meio de exames laboratoriais. Tem que fazer uma analise completa, não é só exame. Tem que levar em consideração histórico, o exame físico, exames laboratoriais (complementares) para se chegar ao diagnóstico. Se faz exame laboratorial para definir ou classificar um estado físico patológico; Eliminar possível causa e avaliar alterações (progressão da doença ou tratamento). Fatores que compõe um exame laboratorial: (Pré-analítica) Amostra Objeto de analise é chamado de analítico. A amostra deve representar a parte do todo. A coleta deve corresponder o todo (Quantidade da coleta). A quantidade depende do que exame que quero fazer, o local depender dessa quantidade, o quanto depende da avaliação que vou fazer. (Analítica) Análise (Pós-analítica) Resultado – Laudo Tubos para a coleta de amostras São comumente conhecidos como tubos Vacutainer Tubos a vácuo ( Porém, não se usa o sistema a vácuo, pois corre menos risco de hemólise) São identificados pela cor de sua tampa De acordo com o tipo de sistema anticoagulante presente ou não O tubo vermelho e amarelo não tem anticoagulante. Eles tem ativador de coágulo. Eles são usados para coagulação e para obtenção do soro, pois é o soro que se utiliza na maioria das avalições de bioquímica. São usados para perfil bioquímica. A diferença entre os dois é que no amarelo temos o gel separador de coagulo, quando centrifuga, o coagulo vai pra baixo o gel no meio e o soro pra cima. A vantagem do amarelo e que quando centrifuga a gente separa a parte celular do soro, isso é muito importante quando faz analise de hormônio, principalmente de glicose. O tubo especifico para glicose é o cinza, com fluoreto, se não tiver, pode usar o vermelho ou amarelo. Se usar o vermelho tenho que centrifugar a amostra e separar o soro em outro tubo em até 30 minutos, de 1 hora pra cima a cada uma hora 10% da glicose é perdida. Tubo azul tem o anticoagulante citrato de sódio, usa para fazer a avaliação da coagulação. Tubo verde, o que tem heparina, usa para fazer a avaliação de eletrólitos e hemogasometria. Tubo Cinza, com fluoreto e EDTA, faz avaliação de glicose. O fluoreto impede a metabolização da glicose. Tubo roxo, tem EDTA, usa para coleta de hematologia geral, pois ele mantem a morfologia das células sanguíneas sem alterações por mais tempo. ------- Soro não tem fibrinogênio e plasma tem fibrinogênio. Interfere em algumas avaliações. Por exemplo, se eu estou avaliando proteína total no plasma, como o fibrinogênio é uma proteína plasmática, o valor de proteína total no plasma vai ser maior do que a do que a gente avalia no soro, pois o soro não tem mais fibrinogênio. No soro que é o sobrenadante do sangue que foi coletado sem anticoagulante a gente não tem fibrinogênio. No plasma que é o sobrenadante do sangue que foi coletado no tubo com anticoagulante a gente vai ter fibrinogênio. O soro é o líquido resultante após o sangue ser coletado sem anticoagulante. Isso permite que o sangue coagule, ou seja, as células sanguíneas (como as plaquetas) formam um coágulo e os componentes plasmáticos que não participam da coagulação ficam no sobrenadante. Durante o processo de coagulação, o fibrinogênio, que é uma proteína plasmática responsável pela formação de fibrina (importante para a coagulação), é convertido em fibrina. Essa fibrina, junto com outros componentes, forma a rede do coágulo. Portanto, após a coagulação, não há fibrinogênio no soro. O plasma, por outro lado, é obtido quando o sangue é coletado com anticoagulante (por exemplo, heparina ou citrato). O anticoagulante impede a coagulação do sangue, permitindo que todos os componentes do plasma, incluindo o fibrinogênio, permaneçam intactos. O plasma contém fibrinogênio, porque o anticoagulante bloqueia o processo de conversão de fibrinogênio em fibrina. As proteínas totais incluem todas as proteínas no plasma ou soro, sendo que o fibrinogênio é uma dessas proteínas. Como o fibrinogênio é uma proteína que está presente no plasma, mas não no soro, a quantidade total de proteínas no plasma será maior do que no soro, porque o plasma tem essa proteína adicional. AULA 02: Morfologia Eritrocitária Função primária dos eritrócitos é transportar hemoglobina (O2) A morfologia normal dos eritrócitos varia entre as diversas espécies: São anucleados nos mamíferos. Na hemácia do cão, por ser maior, é comum que a quantidade de hemoglobina fique mais dispersa, por isso é comum observar uma palidez central mais acentuada. Forma de disco côncavo do eritrócito: Eficiente para a troca de oxigênio Possibilita que a célula seja maleável Facilita a movimentação por vasos com diâmetro menor do que o seu O formato do disco bicôncavo é eficiente para a troca de oxigênio, e permite que as células seja deformável a medida que se move através da vasculatura que apresenta diâmetro menor que a da hemácia. O aumento do rouleaux está associado ao aumento de proteína (inflamatório, infecciosa), neoplasia. Pontilhado basofilico, comum em ruminantes, estão associado com eritrócitos que estão imaturos. Em outras espécies, sinal de anemia intensa, ou intoxicação com chumbo. O chumbo altera uma enzima que é responsável por catabolizar o ribossomo. Presença de muito ribossomos que faz a célula ficar com esses pontilhados azuis. O chumbo diminui a atividade dessa enzima, essa vai agir menos sobre os ribossomos, vai ter mais ribossomos presente na célula e como consequência os pontilhados vão aparecer. Em ruminantes essa enzima já tem uma atividade menor fisiologicamente, por isso ver mais nele. Fatores considerados na classificação da morfologia eritrocitária Cor Tamanho Forma Estrutura interna e externa Disposição das células em um esfregaço sanguíneo COR Policromasia Células policromatofílicas são eritrócitos jovens que foram liberados prematuramente, isso indica que a medula está trabalhando mandando eritrócitos jovens para a corrente sanguínea. Normalmente, são células grandes e com coloração mais azulada do que as células maduras. Quando observa na rotina pode não ser fidedigna (quantificação), pois a cor pode ser observada de maneira diferente por cada pessoa. Dessa forma, tem que levar em consideração a presenta de reticulocitos (na coloração de rotina estaria azul), na coloração de rotina, o reticulocito seria uma célula policromatofilica. Células policromatofílicas: Muito importante para determinar a causa de anemia Anemia por perda sanguínea ou a destruição de eritrócitos, com a medula óssea fazendo rápida liberação de células A espécie equina é exceção. Não libera um número significativo de células policromatofílicas na anemia. Neles, olha o tamanho da célula, células maiores são característico de células novas, células macrociticas. Nos mamíferos os eritrócitos são tem núcleo, a medida que ele vai maturando ele vai expulsando o núcleo dele. Ele libera o núcleo pq a função da célula e só carregar oxigênio. Eritrócito tenta priorizar o acumulo de hemoglobina no interior dele, para que posso fazer o papel dele de carregar O2. Quando se ver células com resquícios de núcleo ou com núcleo, em mamíferos, isso indica também que está tendo ativação da medula na produção de células novas. Hipocromasia Células hipocromicas, são claras e com palidez central mais acentuada. Devido a menor concentração de hemoglobina decorrente da deficiência de ferro Em cães, a hipocromasia é mais evidente. TAMANHO Anisocitose Variação no tamanho dos eritrócitos Macrócitos (alteração macrocitica) Células grandes Micrócitos (alteração microcitica) Células pequenas -Eritrócitos microcíticos Ocorre diminuição do volume corpuscular médio (VCM) A anemiapor deficiência de ferro é a principal causa Em casos graves é possível verificar microcitose e hipocromia no esfregaço sanguíneo Cães com shunt porto-cava pode ter microcitose Podem manifestar anemia microcítica Associada ao metabolismo anormal de ferro e à baixa concentração sérica de ferro -Eritrócitos macrocíticos Ocorre aumento do volume corpuscular médio (VCM) A principal causa é o aumento da quantidade de eritrócitos imaturos Os equinos liberam macrócitos não policromatofílicos Também observada na infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV) FORMA Poiquilócitos (Poiquilocitose) As hemácias com formato anormal são denominadas poiquilócitos. Geralmente essa presença de modificação morfológica não vai ter um impacto direto na função da célula, mas ela tem um contexto de função geral do organismo. Porque se ela tá presentem, e não foi alteração de artefato produzido por algum problema na coleta, ela vai tá indicando algum processo associado a ela. E esse processo que vai ta causando alterações no animal. Algumas vezes essas alterações elas vão diminuir muito drasticamente os números de células, como nos esferocitos, que essa célula está sendo destruída e pode passar pelo processo de hemólise, destruição por causa da presença desse anticorpo que fica na superfície dela, e outras vezes indicando que alguma coisa está errada como o equinocito que tá indicando problemas renais, como o acantocito que pode tá associado a hemangiossarcoma em cães, como o ceratocito que tá associado a deficiência de ferro. -Eritrócitos espiculados Equinócitos: Fragmentos de hemácias, geralmente resultam da ruptura das hemácias por traumatismo intravascular. Associado a CID (Coagulopatia intravascular disseminada); Deficiência de ferro e hemangiossarcoma . Ceratócitos: São hemácias que apresentam uma ou duas projeções na sua membrana (semelhantes a chifres) Associado a Deficiência de ferro Acantócitos: Células com esporões. São hemácias irregulares e espiculadas com pouca projeções de superfície distribuídas desigualmente em com comprimento e diâmetro variáveis. Associado a hemangiossarcoma . Esquistócitos: São células espiculadas com muitas projeções de superfície curtas, uniformemente espaçadas, contundentes e afiadas que são bastante uniformes em tamanho e formato. Associado a linfoma, problema renal, picada de cascavel, equino que fez exercício, o tempo de secagem da lama pode fazer a desidratação, e pode apresentar esse aspecto tbem. Esferócitos: São hemácias de coloração escura que não tem a área central de palidez. Eles são pequenos, mas tem volume normal. Os esferócitos tem uma quantidade reduzida de membrana como resultado da fagocitose parcial, que ocorre porque o anticorpo ou complemento está na superfície da hemácia. Associado a anemia hemolítica imunomediada. Excentrócitos: Deslocamento da hemoglobina para um lado da célula, perda de palidez central normal e uma zona clara delineada por uma membrana. Danos oxidativos da hemoglobina (ex: ingestão de cebola, plantas, fármacos) Pode ser encontrado em conjunto com o corpúsculo de heinz, que tbem indica esse processo de oxidativo da hemoglobina. Estomatócitos: São hemácias unicôncavas com uma área clara com formato de boca, próxima ao centro da célula . Outras alterações de forma: Leptócitos (células dobradas) Codócitos (células-alvo) – Colesterol Dacriócitos (eritrócitos em forma de lágrima) Leptócitos e codócitos Torócitos (eritrócitos arredondados) ESTRUTURA INTERNA E EXTERNA Corpúsculos de Heinz Os corpúsculos de Heinz são agregados anormais de hemoglobina que resultam da desnaturação oxidativa da hemoglobina nos glóbulos vermelhos. Esses corpúsculos podem ser observados em diversas situações patológicas, como em intoxicações, doenças metabólicas, ou em animais com deficiências enzimáticas. Características dos Corpúsculos de Heinz: • Composição: São formados pela precipitação de hemoglobina desnaturada devido a estresse oxidativo. • Aparência: Estruturas pequenas, pálidas e excêntricas dentro dos eritrócitos. Podem se projetar discretamente pelas bordas das células, o que torna sua visualização no microscópio algo que exige cuidado. • Prevalência normal em gatos: Em gatos saudáveis, é comum encontrar de 1 a 2% de eritrócitos com corpúsculos de Heinz, o que é considerado normal para a espécie. Os corpúsculos de Heinz são agregados de hemoglobina desnaturalizada que resultam do estresse oxidativo nos glóbulos vermelhos, tornando-os mais suscetíveis à hemólise. Esses corpúsculos danificam a membrana dos eritrócitos, o que os torna mais frágeis e propensos a se romper tanto no interior dos vasos sanguíneos (hemólise intravascular), liberando hemoglobina livre, quanto fora deles, no baço (hemólise extravascular), onde são fagocitados. Esse processo de destruição aumentada dos glóbulos vermelhos pode levar a anemia hemolítica, icterícia e, eventualmente, esplenomegalia. Embora a presença de corpúsculos de Heinz em pequenas quantidades seja normal em gatos, sua quantidade excessiva pode indicar intoxicação ou condições metabólicas que afetam a integridade das células sanguíneas. Causas Cebola, alho, Brassicas spp., folhas murchas ou secas de bordo-vermelho (Acer rubrum), benzocaína, zinco, cobre, paracetamol, propofol, fenazopiridina, fenotiazina, fenilidrazina, naftaleno, vitamina K, azul de metileno e propilenoglicol Pontilhado basofílico A agregação de ribossomos, in vivo, na forma de pequenos grânulos basofílicos Em cães e gatos precisa de uma anemia intensa para que haja a presença de pontilhado basofilico. Se o animal apresenta e não tem anemia, pode ser uma intoxicação por chumbo. O pontilhado basofílico refere-se à agregação de ribossomos nos glóbulos vermelhos, formando pequenos grânulos basofílicos visíveis ao microscópio. Esse fenômeno ocorre em eritrócitos imaturos, mas, em cães e gatos, é particularmente indicativo de intoxicação por chumbo quando não há anemia grave associada. O chumbo interfere na atividade da enzima pirimidina 5'-nucleotidase, que normalmente cataboliza os ribossomos, resultando na sua acúmulo nas células. Embora nem todos os animais intoxicados por chumbo apresentem esse sinal, sua presença é sugestiva da intoxicação. Além disso, essa alteração é menos comum em ruminantes, pois a atividade da enzima é naturalmente baixa nessa espécie. Eritrócitos nucleados São glóbulos vermelhos imaturos que ainda mantêm o núcleo, normalmente observados em situações de anemia regenerativa, quando a medula óssea tenta compensar a perda de glóbulos vermelhos. Quando a quantidade de eritrócitos nucleados é desproporcional ao grau de anemia, isso pode ser indicativo de intoxicação por chumbo, que interfere na produção normal das células sanguíneas. Em gatos, a presença de eritrócitos nucleados, sem uma policromasia acentuada (ausência de aumento de glóbulos vermelhos imaturos), pode sugerir mielodisplasia ou doença mieloproliferativa, condições em que há um distúrbio na produção das células sanguíneas pela medula óssea. A anemia hemolítica imunomediada (AHIM) em cães é uma condição em que o sistema imunológico do animal ataca e destrói seus próprios glóbulos vermelhos, resultando em anemia hemolítica. Nesse processo, os anticorpos produzidos pelo sistema imunológico se ligam à superfície dos eritrócitos, marcando-os para destruição. Corpúsculos de Howell-Jolly São pequenas inclusões nucleares (restos de núcleos celulares) dentro dos eritrócitos. Eles são arredondados, de cor azul-escura e variam em tamanho. Sua presença indica que o baço, responsável pela remoção de restos celulares dos glóbulos vermelhos, não está funcionando corretamente ou foi removido (esplenectomia). Os corpúsculos de Howell-Jolly são frequentemente encontradosem casos de anemia regenerativa, quando a medula óssea está produzindo glóbulos vermelhos em grande quantidade, e também em condições que suprimem a função esplênica, como doenças que afetam o baço ou após a esplenectomia. Em resumo, os corpúsculos de Howell-Jolly são uma indicação de disfunção ou ausência do baço, ou de uma resposta regenerativa à anemia. Parasitas eritrocitários (ou hemoparasitas) Quando tem parasita pode ocorrer a deposição de anticorpo na superfície do eritrócito. Quando o anticorpo se deposita nele, o monócito pode ir la e fagocitar. Uma das causas da anemia imunomediada é a presença de parasita no eritrócito. São organismos que infectam os glóbulos vermelhos (eritrócitos) e podem causar diversas alterações nas células sanguíneas, incluindo a formação de esferócitos e a aglutinação dos eritrócitos. Esses parasitas incluem agentes como Babesia, Anaplasma, Plasmodium, entre outros, que invadem e se multiplicam dentro dos glóbulos vermelhos. 1. Formação de esferócitos: Os parasitas podem modificar a forma dos glóbulos vermelhos, resultando em células esféricas (esferócitos), que são mais propensas à destruição pelo sistema imune, particularmente no baço. 2. Aglutinação: Alguns hemoparasitas causam a aglutinação (agregação) dos glóbulos vermelhos, o que pode dificultar a circulação normal e aumentar o risco de obstrução de vasos sanguíneos. 3. Anemia imunomediada: A presença de parasitas eritrocitários pode desencadear uma resposta imunológica contra os glóbulos vermelhos infectados, levando à destruição desses glóbulos (hemólise) e resultando em anemia hemolítica imunomediada. O sistema imunológico pode começar a atacar os eritrócitos parasitados ou até mesmo os não parasitados, aumentando o quadro de anemia. Inclusões virais podem ocasionalmente ser vistas nos eritrócitos de cães infectados com cinomose. Essas inclusões variam em tamanho (de 1 a 2 μm), quantidade e cor (podem ser de azul-claro a magenta, dependendo da coloração usada no exame). Elas são mais frequentemente observadas em eritrócitos policromatofílicos, que são células imaturas, mais jovens, com uma coloração variada devido à presença de ribossomos remanescentes. A presença dessas inclusões virais é um sinal sugestivo de infecção pelo vírus da cinomose, que pode afetar vários sistemas do corpo do cão, incluindo o hematológico, e está associada a uma resposta imune desregulada que pode resultar em anemia. DISTRIBUIÇÃO A formação de rouleaux ocorre quando os glóbulos vermelhos se agrupam em pilhas, semelhante a uma "pilha de moedas", devido a alterações na viscosidade do sangue. As principais causas para isso incluem o aumento na concentração de proteínas plasmáticas, como fibrinogênio e imunoglobulinas, que podem alterar a carga superficial dos eritrócitos, facilitando o seu agrupamento. Isso é frequentemente observado em estados de inflamação crônica ou infecção. Além disso, a gamopatia, como o mieloma múltiplo, uma condição caracterizada pela produção excessiva de imunoglobulinas anormais (proteínas plasmáticas), também pode induzir a formação de rouleaux. Essa alteração é indicativa de um aumento na viscosidade do plasma, que pode predispor ao agrupamento dos glóbulos vermelhos. A aglutinação é a formação de aglomerados celulares irregulares e esféricos de glóbulos vermelhos, resultado da ligação entre os eritrócitos por pontes de anticorpos. Essa formação ocorre quando anticorpos presentes no sangue se ligam à superfície dos glóbulos vermelhos, fazendo com que eles se agrupem. A aglutinação é frequentemente observada em anemia hemolítica imunomediada, onde o sistema imunológico do animal ataca seus próprios eritrócitos, ou após uma transfusão sanguínea com sangue incompatível, em que anticorpos do receptor reagem contra os glóbulos vermelhos do doador, formando aglomerados. O teste de confirmação para aglutinação consiste em misturar uma pequena quantidade de sangue com uma gota de solução salina isotônica. Esse procedimento é usado para distinguir a aglutinação verdadeira de outros fenômenos, como a formação de rouleaux. Quando ocorre aglutinação, os glóbulos vermelhos permanecerão agrupados em aglomerados mesmo após a adição da solução salina, já que as pontes de anticorpos entre as células mantêm a agregação. Em contraste, no caso de rouleaux, a adição da solução salina dispersará os agrupamentos, pois não há ligação mediada por anticorpos, mas sim um agrupamento devido a alterações na viscosidade do plasma. Esse teste ajuda a confirmar se a agregação dos glóbulos vermelhos é causada por anticorpos, como ocorre na anemia hemolítica imunomediada ou em reações transfusionais. AULA 03: CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS E DA POLICITEMIA Quando falamos em anemia, estamos falando de qualquer coisa que esteja diminuindo a massa eritrocitária, essa diminuição resulta na diminuição da oxigenação dos tecidos. O processo de anemia pode levar o animal ao processo de hipóxia, diminuição da concentração de oxigênio no organismo. Como é determinada essa massa de eritrócito? Ela é determinada pelo volume globular (chamado de VG ou hematócrito) O VG é a concentração de eritrócitos em relação ao volume total de sangue. Também avalia o teor de hemoglobina dentro desses eritrócitos e avalia a contagem de eritrócitos. Esses são os parâmetros que se avalia para dizer se tá ou não tendo diminuição da massa eritrocitária. Se esses padrões tao diminuídos, significa massa de eritrócito diminuída, ou seja, o animal está com anemia. O que causa anemia? Pode ser uma doença primária, responsável pela destruição de eritrócitos, um exemplo é quando a célula tá com hemoparasita pode levar a destruição da célula, e essa hemólise vai levar a diminuição de eritrócitos. Pode ser por perda de sangue decorrente de hemorragia Pode ser pela diminuição da produção de eritrócitos. Pode ser uma coisa que esteja lesionando diretamente as células promovendo hemólise. Problema na medula óssea, onde não está sendo produzido os eritrócitos. Sinais clínicos Os sinais não são específicos, não tem sinal patognomónico. Estão associados a diminuição de oxigenação do animal, sinais clínicos vão está relacionados a diminuição direta da massa eritrocitária, ou ao mecanismos de compensação que o organismo faz para evitar a hipóxia. O animal pode apresentar mucosas pálidas, letargia, intolerância ao exercício, aumento da frequência respiratória ou dispneia, aumento da frequência cardíaca e sopros induzidos pelo aumento da turbulência do sangue O animal pode apresentar sinais específicos associados à hemólise. Se a anemia for por hemólise, tem outros sinais clínicos. Isso pode direcionar para que tipo de anemina o animal está enfrentando. No caso da hemolítica, ele apresenta: Esplenomegalia (aumento do baço/ “cemitério das hemácias”), icterícia e urina escurecida, devido a hemobloginúria ou bilirrubinúria. Quando um animal está em processo intenso de destruição de eritrócitos (como ocorre na anemia hemolítica), a hemoglobina liberada dos glóbulos vermelhos destruídos é rapidamente degradada no fígado. Esse processo de degradação resulta na formação de bilirrubina (um produto da quebra da hemoglobina), que é então transportada para o fígado para ser processada e excretada na bile. Quando há uma destruição excessiva de glóbulos vermelhos, como na hemólise, o fígado pode ser incapaz de processar toda a bilirrubina produzida, levando ao acúmulo no sangue (causando icterícia, com coloração amarelada da pele e mucosas). Além disso, parte da hemoglobina não processada é liberada na corrente sanguínea e filtrada pelos rins, resultando em hemoglobina ou bilirrubina na urina, o que causa a hemoglobinúria (urina escurecida devido à presença de hemoglobina) ou biliirrubinúria (urina escurecida devido à presença de bilirrubina). Quando o animal está com bilirrunemia, Hiperbilirrunemia,tem muita concentração de bilirrumina no sangue. Isso associado a icterícia, pode lembrar problema hepático, mas deve-se lembrar que o animal com anemia hemolítica apresenta esses sinais. O que pode ajudar a distinção é a avaliação das enzimas hepáticas, analise de imagem, avaliação da bilirrubina (direta ou indireta). Se for indireta, é pre-hepatica, pode ser anemia hemolítica. Classificação das anemias Quando percebemos que o animal está com anemia, temos que classificar. Ela é classificada de acordo com o tamanho dos eritrócitos, teor de hemoglobina e se tá tendo ou não resposta da medula óssea Resposta da medula óssea: Apresenta uma quantidade de eritrócitos imaturos circulantes (células policromatofílicas (corante de rotina) ou reticulócitos – corante especial) Em relação a classificação pelo tamanho, avalia o VCM (volume corpuscular médio). A partir dele é que sabemos se a célula tá no tamanho normal (normocítica), se tá muito pequena (microcítica), ou se tá muito grande (macrocítica) Em relação ao teor de hemoglobina, avila o CHCM (concentração de hemoglobina corpuscular média), se tiver dentro da referencia chama de anemia normocrômica, se tiver abaixo, chama de anemia hipocrômica (pouca hemoglobina dentro dela) Pode ocorrer um CHCM falsamente elevado, pq normalmente a concentração de hemoglobina corpuscular média ela não pode ficar acima do que o eritrócito tem a capacidade de carregar de hemoglobina, quem tá dando esse valor é o CHCM, e o eritrócito ele tem uma concentração máxima fisiológica que ele pode carregar de hemoglobina dentro dele. Então, fisiologicamente, não da para a célula ser hipercrômica. Pq fisiologicante a célula não carrega mais hemoglobina do que foi projetada pra carregar. Agora, existe situações que fazem que esse CHCM fique aumentado, sem que seja o aumento da hemoglobina dentro da célula. A maquina faz a avaliação desses eritrócitos, depois quebra esses eritrócitos e avalia o teor de hemoglobina, se já tiver hemólise, vai aparecer hemoglobina livre, que não tá associada a quebra na analise, já tava livre. Isso pode acontecer em vivo (hemoparasitose), esse aumente pode sugerir isso, ou que ele tá tendo estimulo para anemia imunomediada (parasito, medicamento). Pode ser artefato tbém, por mal transporte, por exemplo (agitação do tubo). Em relação a resposta da medula óssea, pode classifica em regenerativa ou em não regenerativa Anemia regenerativa Aumento da produção de eritropoetina por causa do estimulo da hipóxia. Toda vez que tem diminuição da quantidade de oxigênio, o sangue chega nos rins, onde tem quimiorreceptores que percebem essa alteração e estimulam os rins a liberar eritropoietina, que vai para a medula e pede para produzir mais eritrócitos. A eritropoetina (EPO) é um hormônio glicoproteico fundamental na regulação da produção de glóbulos vermelhos (eritrócitos) na medula óssea. Sua principal função é estimular a eritropoiese, o processo de formação de novos glóbulos vermelhos. Normalmente esse processo de estimulo da medula leva de 2 a 4 dias para que ela comece a responder. Considera que é uma anemia regenerativa quando contagem de reticulócitos superior a 60.000 células/μℓ. Reticulocitose. Anemia não regenerativa Ausência de eritrócitos imaturos circulante. Deve ser considerado um problema na medula, que tá impedido ela de responder (evidência de disfunção da medula). Pode ser causada por agentes infecciosos (parvovirose), medula pode tá em hipoplasia a aplasia, anomalia intrínseca no comportamento proliferativo, insuficiência renal, medicamentos tóxicos. A medula não responde em insuficiência renal, pois o rins perde a capacidade de produzir eritropoietina. A medula pode não ser acionada. Normalmente é normocítica, as células tem o tamanho normal. A anemia aplásica, também conhecida como pancitopenia aplásica, é uma condição em que há uma diminuição generalizada da produção de células sanguíneas, incluindo glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Isso ocorre devido a uma falha na medula óssea, que perde a capacidade de produzir essas células adequadamente. Causada por: Medicamentos, produtos químicos, toxinas e estrógeno, Agentes infecciosos, Vírus da leucemia felina, Ehrlichia canis, vírus da anemia infecciosa equina, parvovírus. Aplasia eritrocitária pura Só a linhagem eritrocitária foi afetada. Isso acontece quando os estímulos estão sendo focados apenas nos precursores para eritrócitos. Todas as outras linhagens não estão sendo afetados. O vírus da leucemia felina pode fazer isso. Hipoplasia de eritrócitos Causas Anemia por doença inflamatória Sequestro de ferro, exemplo. Os agentes infecciosos precisam de ferro para realizar o metabolismo deles, mas alguns não sintetizam por conta própria, precisando do ferro presente no organismo do hospedeiro. Como mecanismo de defesa o organismo esconde o ferro, manda as células esconderem, para o agente infeccioso não proliferar. Mas, sem ferro, pode acontecer problemas na produção de hemoglobina. Produz eritrócitos pequenos e mais claros e chega uma hora que ela não consegue produzir. Insuficiência renal crônica Associada à doença endócrina Anemia associada a deficiências nutricionais Anemia regenerativa há uma tentativa da medula óssea de compensar a anemia. Aumento na produção de eritrócitos e liberação precoce de formas imaturas. Indícios de que a anemia é regenerativa Aumento de células policromatofílicas no esfregaço sanguíneo e o aumento da concentração de reticulócitos Volume corpuscular médio (VCM) pode estar aumentado Anemia Regenerativa A anemia regenerativa ocorre quando a medula óssea responde ao déficit de glóbulos vermelhos, aumentando a produção de eritrócitos e liberando formas imaturas (como os reticulócitos) na corrente sanguínea para tentar compensar a perda de células sanguíneas. Isso é um sinal de que a medula óssea está funcionando ativamente para combater a anemia. Indícios de que a anemia é regenerativa: • Aumento de células policromatofílicas no esfregaço sanguíneo: Essas células imaturas, também conhecidas como reticulócitos, têm uma coloração azulada no esfregaço devido à presença de ribossomos e RNA remanescentes. O aumento das células policromatofílicas indica que a medula óssea está liberando essas células imaturas para ajudar a suprir a deficiência de glóbulos vermelhos. • Aumento da concentração de reticulócitos: O reticulócito é a célula imatura que se diferencia em glóbulo vermelho. Quando a medula óssea está respondendo a uma anemia regenerativa, há um aumento no número de reticulócitos circulantes no sangue. • Volume corpuscular médio (VCM) pode estar aumentado: O VCM mede o tamanho médio dos glóbulos vermelhos. Na anemia regenerativa, pode haver um aumento no VCM devido à liberação de glóbulos vermelhos imaturos, que tendem a ser maiores que os glóbulos vermelhos maduros. Causas Hemorragia Externa ou interna Aguda Traumatismos, lesões hemorrágicas (tumores ou úlceras extensas) e distúrbios hemostáticos (trombocitopenia, CID) Crônica Parasitas gastrintestinais e ectoparasitas (células pequenas, por deficiência de ferro) Hemólise Intra (acontece dentro do vaso) ou extravascular (acontece no baço, destruição no baço) Hemoparasitas, hemólise imunomediada, medicamentos e substâncias químicas que produzem danos oxidativos (formação de corpúsculos de Heinz) Hemorragia aguda Inicialmente, o hematócrito permanece normal Há perda simultânea de eritrócitos e de plasma, por isso hematócrito permanece normal. Efeito diluidor decorrente da transferência de líquido intersticial ao sangue, a partir desse momento que ser ver diminuição, em algumas horas, o VG e o teor plasmático de proteínas diminuem. Isso demora, cerca de 72 horas após a hemorragia. Então, durante o processo de hemorragia aguda, se a gente fizer a avaliação imediatamente, pode não aparecer célulasjovens na corrente sanguínea. Não em um numero que sugira anemia regenerativa, isso acontece pq a medula demora a responder ao estimulo que recebeu, chama essa anemia de pre-regenerativa. Depois de certo tempo ver as células novas, e células normais. Hemorragia crônica Resulta em anemia por deficiência de ferro Normalmente relacionada com sangramento gastrintestinal lento e continuo. Seja por uma neoplasias, úlceras gastrintestinais, doença intestinal inflamatória e parasitas intestinais. Infestações graves por ectoparasitas sugadores, como pulgas e alguns piolhos Pode ser regenerativa, mas se persistir, passa a não ser regenerativa. Anemia hemolítica imunomediada Aumento da destruição de eritrócitos, como resultado da ação de anticorpos contra eritrócitos ou da adesão de complexos imunes a eles Em geral, a anemia hemolítica imunomediada exibe regeneração marcante, com alto grau de policromasia (reticulocitose) Hemoparasitas Podem provocar hemólise intravascular ou extravascular Detectados por análise de esfregaço sanguíneo (pouco sensível) Outros microrganimos Clostrídios, leptospira e vírus Produção de enzimas que promovem alterações na membrana eritrocitária Adesão a membrana e lise das hemácias POLICITEMIA É o oposto da anemia. É o aumento da massa eritrocitária. Evidenciado pelo aumento do volume globular (VG ou hematócrito), pela contagem de hemácias ou pela concentração de hemoglobina A policitemia pode ser relativa ou absoluta Aumento de todas as células produzidas pela medula, o certo era chamar de eritrocitose. Policitemia relativa: Quando eu tenho um aumento da massa eritrocitária que não tem haver com a produção dessas células, eu chamo de policitemia relativa. Pode ser causada pela diminuição do volume plasmático ou por redistribuição de eritrócitos. Não tem um aumento verdadeiro de eritrócitos. Animal desidratado, fluidos concentrados, aumentando a concentração. Contração esplênica. O baço libera eritrócitos velhos, que estão acumuladas, saem na contração. Causa aumento moderado no VG. Policitemia absoluta tem um aumento real do eritrócitos. Pode ser de forma primaria ou secundaria. Quando é absoluta e secundaria, tem estimulo aumentado de eritropoietina, a medula responde aumentando. Problemas associados a hipóxia, podem levar o rin a fazer isso. Secundário a hipoxia generalizada (doença cardíaca ou pulmonar crônica grave), hipoxia renal localizada ou superprodução de eritropoetina por neoplasia. SE TEM HIPÓXIA LIBERA ERITROPOETINA. Policitemia absoluta primária (policitemia vera) Problema na medula, que tá com distúrbio mieloproliferativo, fazendo que ela produza eritrócitos demais. A eritropoese ocorre independente da concentração de eritropoietina Sinais clínicos: Secundários ao aumento da viscosidade e do volume sanguíneo Diminuição da perfusão tecidual e transporte de oxigênio Trombose Mucosas de coloração vermelho-escura, muitas vezes com discreta cianose ____ A policitemia é o aumento da massa eritrocitária, ou seja, o aumento no número de glóbulos vermelhos circulantes no sangue. Esse aumento pode ser evidenciado de várias maneiras, como o aumento do volume globular (VG ou hematócrito), aumento na contagem de hemácias ou concentração de hemoglobina. A policitemia pode ser relativa ou absoluta, dependendo da causa subjacente. Policitemia Relativa: A policitemia relativa não está associada a um aumento real na produção de glóbulos vermelhos. Em vez disso, ela ocorre devido a alterações no volume plasmático, como em casos de desidratação ou redistribuição dos eritrócitos. Isso pode fazer com que a concentração de glóbulos vermelhos no sangue pareça aumentada, mas, na realidade, não há produção excessiva de eritrócitos. Algumas causas comuns de policitemia relativa incluem: • Desidratação: Quando o volume plasmático diminui, a concentração de células sanguíneas (incluindo os glóbulos vermelhos) aumenta, o que pode levar a um hematócrito elevado. • Contração esplênica: O baço pode armazenar glóbulos vermelhos velhos ou "reservados", que, ao se contrair (por exemplo, em situações de estresse ou exercícios), são liberados para a circulação, causando um aumento moderado no hematócrito e volume globular. Policitemia Absoluta: A policitemia absoluta envolve um aumento real na produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea. Ela pode ser classificada em primária ou secundária, dependendo da causa: Policitemia Absoluta Secundária: A policitemia secundária ocorre como resposta a uma hipóxia crônica ou qualquer condição que estímule a produção de eritropoetina (EPO), o hormônio responsável pela estimulação da medula óssea para produzir glóbulos vermelhos. A medula óssea responde a esse aumento da EPO com uma produção excessiva de eritrócitos. Algumas causas comuns incluem: • Hipóxia generalizada: Condições como doenças cardíacas crônicas (insuficiência cardíaca) ou doenças pulmonares crônicas (como a doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC) podem reduzir a oxigenação do sangue, levando à liberação de EPO pelos rins, o que aumenta a produção de glóbulos vermelhos. • Hipóxia renal localizada: Se houver problemas nos rins (como uma doença renal crônica), eles podem perceber uma diminuição no oxigênio e, portanto, produzir EPO em excesso. • Superprodução de eritropoetina por neoplasias: Alguns tipos de tumores (como carcinomas renais) podem secretar EPO de forma anormal, estimulando a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos em excesso. Policitemia Absoluta Primária (Policitemia Vera): A policitemia vera é uma condição mieloproliferativa primária, na qual a medula óssea produz excessivamente glóbulos vermelhos, independentemente dos níveis de eritropoetina. Isso ocorre devido a um distúrbio das células-tronco hematopoiéticas da medula óssea, que passam a se multiplicar de forma descontrolada. A produção de glóbulos vermelhos não é mais regulada pela concentração de EPO, resultando em uma produção constante e excessiva de eritrócitos. Sinais Clínicos: A policitemia pode causar uma série de sinais clínicos secundários ao aumento da viscosidade sanguínea e do volume sanguíneo, que comprometem a circulação e a perfusão tecidual. Alguns dos principais sinais incluem: • Diminuição da perfusão tecidual e do transporte de oxigênio: O aumento da viscosidade do sangue pode dificultar o fluxo sanguíneo, especialmente nos vasos pequenos, prejudicando a oxigenação dos tecidos. • Trombose: O aumento da viscosidade também favorece a formação de coágulos (trombose), que podem obstruir os vasos sanguíneos e levar a complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio ou embolia pulmonar. • Mucosas de coloração vermelho-escura: O aumento na concentração de glóbulos vermelhos pode levar a mucosas hiperemiadas, que aparecem de cor vermelho-escuro ou roxo, muitas vezes com discreta cianose (coloração azulada), devido à diminuição do transporte de oxigênio para os tecidos. AULA 04: LEUCOGRAMA É um conjunto completo de dados numéricos no perfil leucocitário, com qualquer anormalidade morfológica Ele permite a identificação de processos patológicos, mas não o estabelecimento do diagnóstico específico Quando vamos interpretar o resultado de leucograma, a gente não leva em consideração as porcentagens, leva em consideração o valor absoluto. Para saber o valor absoluto de cada tipo celular leva em consideração o valor que sai da maquina de hemograma e depois do contador de células digital. Onde vai ver a quantidade de leucócitos se observa dentro do total de leucócitos que foi dado pela maquina de hemograma. O que se leva em consideração é o valor absoluto, o valor da porcentagem correspondente ao total. E esse valor que levamos em consideração na hora de observar se tem alteração quantitativa ou não. Quando observa que tem alteração totalde leucócitos, não adianta dizer só se tem pouco ou muito leucócitos, tem que procurar através da analise diferencial para saber qual o tipo de célula que tá interferindo na alteração numérica do valor total de leucócitos. Exame do perfil hematológico: Deve-se verificar primeiramente a concentração de leucócitos totais Utilizada apenas para o cálculo das concentrações diferenciais absolutas a partir da contagem diferencial Identificar qual tipo celular está em concentração alterada A interpretação de anormalidades leucocitárias em conjunto com os achados clínicos pode levar ao diagnóstico É necessário o conhecimento das características normais do leucograma Além da alteração numérica tem que observar as alterações morfológicas, para observar se é transitória ou hereditária. Terminologia dos padrões de contagens leucocitárias: Uso de diversos sufixos ligados ao nome do(s) tipo(s) celular(es) envolvido(s) “Penia” refere-se à diminuição da contagem do tipo celular no sangue Neutropenia, linfopenia e eosinopenia “Filia” ou “citose” referem-se ao aumento da contagem do tipo celular no sangue Neutrofilia, eosinofilia, basofilia, monocitose, linfocitose e metarrubricitose Desvio à esquerda Aumento na concentração de neutrófilos imaturos no sangue Quando as células estão se maturando, elas se maturam em uma direção, a forma normal das células, da esquerda pra direita. A medida que vai maturando a cromatina vai ficando mais compactada e a forma do núcleo vai mudando. Quando ver muito neutrófilo bastonete, o caminho desvio para a esquerda. Pode acontecer tanto na baixa ou na alta presença de neutrófilos (Pode ocorrer com neutrofilia e também com neutropenia). Se tem neutropenia e tem desvio a esquerda, isso significa que a demanda no tecido tá muito alta. A medula já mandou um monte de células, as células estão indo muito rápido para o tecido e ai tá tendo que ficar muita célula jovem na corrente sanguínea. Isso significa que tem mais liberação de células imaturas pela medulo óssea. Os neutrófilos vem de células-tronco GM que entram na via de diferenciação para granulócitos e são submetidas a proliferação e maturação Dentro das células granulociticas, inclui neutrófilo, eosinófilo e basófilo. De mielócito pra frente é que consegue saber que tipo de granulocito é aquele. É quando ele começa a produzir grânulos específicos, e esses grânulos específicos eles tem afinidades diferentes por corante, Os grânulos específicos dos neutrófilos, não tem afinidade por corante básico e nem muita afinidade por corante acido. Fica menos intensa a coloração das granulações deles. São neutros. Os eosinófilos, os grânulos deles tem afinidade pelo corante acido, e um dos corantes ácidos é a eosina, por isso o nome dele é eosinófilo. O basófilo, os grânulos dele tem afinidade pelo corante básico, por isso o nome é basófilo. TERMINOLOGIA DOS PADRÕES DE CONTAGENS LEUCOCITÁRIAS Tem alguns termos usados na avaliação do leucograma: Leucemia: Processo proliferativo. Usa quando a proliferação das células sanguíneas está acontecendo livre na corrente sanguínea, ou na medula. Quando tem a formação de massas, não chama mais de leucemia, entra dentro do distúrbio proliferativo como todo, onde vai ter células que estão se proliferando de forma neoplásica, pode ter leucemia, células que esta aumentando na corrente sanguínea , ou formacao de neoplasia em outros tecidos, como é o caso de linfoma por exemplo. Leucemia refere-se a um câncer das células do sangue ou da medula óssea, que normalmente resultam em uma proliferação de células imaturas (leucócitos) na medula óssea e na circulação periférica. No entanto, quando há a formação de massas de células proliferativas, o termo "leucemia" pode não ser o mais apropriado. Se a proliferação celular resulta em tumores sólidos, como ocorre em alguns tipos de linfoma (que é um câncer originado nos linfócitos, uma célula do sistema imunológico), o termo "linfoma" é mais utilizado. O linfoma é uma neoplasia que, embora também envolva uma proliferação de células do sistema hematopoético, geralmente forma massas em tecidos linfáticos, como os linfonodos, baço ou outros órgãos. Os distúrbios linfoproliferativos envolvem a proliferação anormal das células linfóides, que são células do sistema imunológico, como linfócitos B, linfócitos T e células NK (Natural Killer). Essas condições estão frequentemente associadas ao desenvolvimento de linfomas e leucemias linfocíticas. Os distúrbios mieloproliferativos envolvem a proliferação anormal das células mieloides, que são as células progenitoras dos leucócitos (exceto linfócitos), além de células vermelhas do sangue (hemácias) e plaquetas. Esses distúrbios afetam as células do sangue produzidas na medula óssea, levando a um aumento excessivo de uma ou mais linhagens celulares. ALTERAÇÕES TÓXICAS NOS NEUTRÓFILOS são características observadas em diversas condições clínicas, como infecções bacterianas graves, sepsis, intoxicações e alguns distúrbios hematológicos. Essas alterações refletem uma resposta do neutrófilo a estímulos patológicos, como a presença de agentes infecciosos, produtos tóxicos ou inflamação sistêmica. As alterações tóxicas mais comuns nos neutrófilos incluem: 1. Basofilia Citoplasmática A basofilia citoplasmática é uma alteração em que o citoplasma dos neutrófilos se torna mais basofílico (intensamente corado com corantes básicos, como o azul de metileno). Isso ocorre devido ao aumento do número de ribossomos ou de retículo endoplasmático rugoso no citoplasma, que são mais intensamente corados. A basofilia citoplasmática é frequentemente associada a condições de estresse celular ou infecções bacterianas graves, onde os neutrófilos estão ativados para combater patógenos. Causas comuns: • Infecções bacterianas agudas graves (como sepse). • Intoxicação por substâncias tóxicas (ex.: drogas, medicamentos). • Distúrbios hematológicos como leucemia mieloide aguda (LMA) ou síndrome mielodisplásica. 2. Presença de Corpúsculo de Dohle Os corpúsculos de Dohle são inclusões citoplasmáticas no interior dos neutrófilos que aparecem como áreas basofílicas (azuis) no citoplasma. São formadas pela agregação de retículo endoplasmático rugoso, que se torna visível em resposta ao estresse ou estímulos patológicos. • Corpúsculos de Dohle são encontrados em neutrófilos imaturos e representam uma resposta celular ao estresse inflamatório ou infecção bacteriana. Causas comuns: • Infecções bacterianas agudas. • Queimaduras ou trauma físico. • Distúrbios hematológicos. • Intoxicações. 3. Vacuolização Citoplasmática A vacuolização citoplasmática é a formação de vacúolos (estruturas vazias ou semi- vazias) no citoplasma do neutrófilo. Essa alteração ocorre quando o neutrófilo está em processo de fagocitose de microorganismos ou substâncias, ou quando há ingestão de material tóxico, como produtos bacterianos ou toxinas circulantes. A vacuolização é frequentemente vista em neutrófilos em resposta a uma infecção grave, especialmente quando o neutrófilo está tentando fagocitar patógenos ou remover debris celulares. A vacuolização também pode ocorrer em condições de intoxicação grave ou em processos inflamatórios intensos. Causas comuns: • Infecções bacterianas (como sepse). • Infecções virais (em menor frequência). • Intoxicações (por drogas, álcool ou outras substâncias). • Neoplasias hematológicas, como leucemias mieloides agudas ou síndromes mielodisplásicas. A hipersegmentação dos neutrófilos é uma alteração morfológica observada nos leucócitos, especialmente nos neutrófilos, onde o núcleo da célula apresenta mais de cinco segmentos (normalmente, o núcleo de um neutrófilo maduro tem entre 2 a 5 segmentos). A hipersegmentação é geralmente um sinal de que os neutrófilos passaram por um período de maturação anômalo ou foram mantidosna circulação por um período maior do que o normal, o que pode ocorrer em diversas condições. Tá associado a efeito de esteroides, tanto administrado, ou a associado a processo que esteja liberando cortisol. Doença metabólica, dor intensa, processo de doença inflamatória, tudo isso estimula a liberação de cortisol. O cortisol muda padrão circulatório de neutrófilo, pode fazer que ele fique preso muito tempo na corrente sanguínea, a medida que ele fica preso, mais o núcleo dele segmenta. Degeneração de neutrófilos Em vivo é muito difícil de acontecer. Geralmente quando observa na lamina, significa que demorou muito tempo para a lamina ser produzida. Quando passa de 12 horas da coleta e do esfregaço sanguíneo. Em vivo aparece em outras amostras citológicas, como amostra de raspado cutâneo com secreção, se tiver agente infeccioso e o neutrofilo está ativo, como ele não tem uma capacidade fagocita muito grande, depois de uma ou duas fagocitose ele começa a morrer, processo de degeneração. Entao, em outros tecidos que não o esfregaço sanguíneo é normal ver neutrófilo degenerando. Anomalia de Pelger-Huët Anomalia hereditária, o neutrófilo é totalmente funcional ele tá maduro, ele não faz constrição no núcleo, não faz projeção. Para não confundir com desvio a esquerda leva em consideração a raça a animal, característica clinica. Alterações em relação a quantidade. Geralmente o que acontece com a medula, a medida que vai tendo demanda, consumo no tecido, o neutrófilo vai, depois de circular umas seis horas continuas ele vai para o tecido onde morre. Não volta mais para a corrente sanguínea. Sempre tem uma taxa de neutrófilos que está partindo para o tecido, e a medula tem que compensar mandando mais células. Mas, quando não está tendo processo inflamatório ou infeccioso no tecido, essa demanda tecidual e essa liberação da medula fica em equilíbrio. Em uma situação em que a necessidade tecidual aumenta, teremos estimulo. A medida que o neutrófilo vai sendo consumido no tecido, ele vai sendo fagocitado por macrófagos, ele vai entrando em morte, o macrófago que consome libera substancias que ativam outras células, que liberam mais substancias que chegam a medula e pedem para liberar mais neutrófilos. Geralmente essas células elas ficam dividas em três compartimentos: compartimento medular, compartimento sanguíneo e o compartimento tecidual. compartimento circulante (vasos maiores, onde eu faço a pulsão sanguínea), compartimento marginal são os capilares . A célula chega para o compartimento circulante, depois o marginal e chega no tecido. ____ O esteroide não deixa chegar no compartimento marginal, deixando o neutrófilo preso no compartimento circulante. Na hora que a medula começa a ter estimulo que ele está precisando de mais neutrófilo la na corrente sanguínea, ela libera e do compartimento circulante, vai para o marginal e chega no tecido. O neutrófilo so pode ficar voltando entre o compartimento circulante e o compartimento marginal. A demanda do tecido é menor que a capacidade de resposta da medula, então pode ser que o envio seja além do necessário para a resposta do tecido. Resposta à excitação | Liberação de epinefrina A resposta à excitação mediada pela liberação de epinefrina tem como efeito principal o desvio dos leucócitos do compartimento marginal para o compartimento circulatório, resultando em aumento temporário no número de leucócitos (especialmente neutrófilos e linfócitos). Esse aumento pode ser notado no leucograma, com duplicação do número de leucócitos, mas sem desvio à esquerda (ausência de formas imaturas de neutrófilos), o que distingue essa resposta fisiológica de uma resposta a infecção ou inflamação. Pode apresentar uma neutrofilia por estresse. Resposta ao estresse | Liberação ou administração de corticosteroides Estresse por doença. Liberação de cortisol pela glândula adrenal em resposta à maioria das doenças sistêmicas, distúrbios metabólicos e à dor Cortisol ele também atua na quantidade de célula, a principal característica é lifopenia. Quando o animal está com neutrofilia, a primeira coisa é avaliar bastonete, se tiver desvio a esquerda a possibilidade é de inflamação ou infecção. Se tem neutrofilia e não tem desvio a esquerda, vejo os linfócitos, tem linfopenia associada pode ser liberação de esteroide, faz apoptose de lifocitos. Se não tem a diminuição dos linfócitos, ai pode ser estresse de excitação, que vai liberar epinefrina.