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ÉTICA E SUSTENTABILIDADE 
NA ERA DIGITAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Giselle Aparecida Piragis Zogaib 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A evolução das tecnologias caminha junto com o desenvolvimento da 
humanidade. No início, o martelo de pedra lascada; hoje, o universo digital nos 
ajuda a viver melhor. 
Antes, buscávamos apenas meios que garantissem nossa sobrevivência; 
hoje, percebemos que também podemos ter algo além do que viver para não 
morrer. Experimentamos o conforto que as descobertas, os inventos humanos, 
podem oferecer, e gostamos. Gostamos tanto que aprendemos o que é 
consumismo. Desenvolvemos mercados, aperfeiçoamos técnicas de trocas, 
instituímos novos meios para medir como faríamos essas trocas – a moeda. 
Descobrimos a miséria e a desigualdade social, o uso indiscriminado dos 
recursos naturais, colocamos em risco o planeta e começamos a discutir o 
assunto, definimos conceitos e novas estratégias de produção para não 
deixarmos de ter conforto. Estamos reaprendendo a consumir, a pensar as 
nossas necessidades de um modo um pouco mais primitivo para garantir que a 
humanidade sobreviva aos próximos séculos com as descobertas que já 
fizemos; para que com as novas tecnologias os novos homens possam alcançar 
mais longe, outros universos, em que não precisem perder tempo reparando 
nossos erros ou aprendendo a lidar com eles. 
Nosso objetivo nesta aula é identificar como as novas tecnologias têm 
contribuído para o alcance do desenvolvimento sustentável no Brasil e o no 
mundo, durante a evolução desse conceito na história. 
Para que possamos iniciar nossos debates, falaremos de 
desenvolvimento sustentável. No primeiro tema, estudaremos os conceitos de 
crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade. No segundo tema, faremos 
uma breve recapitulação da história desse conceito, e de como chegamos a essa 
definição. Para compreender a diferença entre conservar, preservar e inovar, 
destinamos o terceiro tema. No quarto tema, falaremos sobre a sustentabilidade 
sob o olhar do consumo e do marketing, com uma breve explicação sobre as 
normas elaboradas pelas ISO 26000 e ISO 14000, que foram instituídas de forma 
internacional para incentivar o comércio de produtos e serviços mais consciente 
quanto à responsabilidade social e ao meio ambiente. No quinto tema, veremos 
como interage com as novas tecnologias. 
 
 
3 
CONTEXTUALIZANDO 
Em se tratando de uma sociedade de massa, de um modo geral, 
consumimos informação em um formato padronizado, preestabelecido e que nos 
orienta para um padrão cultural. Mas essa realidade tem mudado com as novas 
gerações e com o modo como elas consomem informação. Não ficam satisfeitas 
com senso comum, sentem constante necessidade de contestar, contrariar, 
transgredir, não mais como as gerações passadas que faziam mais pela 
provocação do que pela descoberta. E, por razão dessa inquietude, mudamos 
nosso modo de inovar e pensar o crescimento. Continuamos precisando curar 
doenças, salvar o planeta da destruição ambiental, acabar com a fome e com a 
seca, identificar formas de baixar custos de produção na indústria, definir novas 
estratégias de mercado, mas, agora, somos provocados a fazer isso de outra 
forma, mais rápida, mais precisa e mais interativa. Assim, as novas tecnologias 
têm se apresentado como o caminho dourado1 para o desenvolvimento 
sustentável da humanidade. Mas de que modo? Quais são os obstáculos desse 
caminho? Será mesmo que o uso das novas tecnologias tem atuado no alcance 
do desenvolvimento sustentável ou tem atrapalhado? 
TEMA 1 – CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E SUSTENTABILIDADE 
Entender a função da sustentabilidade não é coisa simples, porque ela 
reúne uma gama de informações e detalhes que envolvem processos de 
contínua elevação do bem-estar comum traduzido em: maior liberdade política, 
maior participação econômica e melhor qualidade de vida. Na medida em que o 
esforço educacional transforma quantitativamente os cidadãos e a sociedade 
gerando estabilidade política, equilíbrio econômico, ganhos de produtividade no 
uso da terra, do capital e do trabalho, o país ingressa em um processo de 
desenvolvimento. 
Uma maneira mais fácil de entender o que é sustentabilidade nos 
transfere para os conhecimentos básicos conceituais sobre a diferença entre 
desenvolvimento, crescimento e sustentabilidade. 
 
 
 
1 Referência ao filme O mágico de Oz (1939). 
 
 
4 
Crédito: KEEP SMILING/Shutterstock. 
1.1 Desenvolvimento 
Em sentido amplo, desenvolvimento é a conquista continuada de bem-
estar – meta principal de qualquer governo – e, portanto, de uma política 
econômica que busca a realização dos anseios comuns da sociedade, tais como: 
viver mais e com saúde, segurança, alimentação, habitação, desenvolvimento 
pessoal e desfrutar das liberdades fundamentais de pensar, opinar, ir e vir – 
princípios básicos da democracia. 
É evidente que desenvolvimento é um processo em que essas 
conquistas ocorrem de forma progressiva, envolvendo não apenas a questão 
econômica dos indivíduos, mas também as questões políticas, religiosas, 
biológicas, ambientais e culturais. 
Se o desenvolvimento econômico aumenta a vulnerabilidade às crises, 
ele é insustentável. [...] Mas pode-se reduzir a vulnerabilidade usando 
tecnologias que diminuam os riscos de produção, dando preferência a 
opções institucionais que reduzam as flutuações do mercado e 
acumulando reservas, sobretudo de alimentos e divisas. O 
desenvolvimento que aliar crescimento e menor vulnerabilidade será 
mais sustentável que o que não o fizer. Mas não basta ampliar a gama 
das variáveis econômicas a serem consideradas. Para haver 
sustentabilidade, é preciso uma visão das necessidades e do bem-
estar humano que incorpora variáveis não-econômicas (CMMAD, 
1991, p. 57). 
Portanto, é algo bem mais complexo e amplo do que o crescimento do 
Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação. É um conceito qualitativo, somente 
atingido no médio e no longo prazo. Não existe um alvo numérico a ser 
 
 
5 
encontrado, mas uma posição comparativa com outros países a ser melhorada. 
É uma dinâmica estrutural. É preciso acompanhar um elenco de indicadores de 
desenvolvimento para averiguar seu comportamento dentro de uma série 
histórica e comparar esse desempenho ao dos demais países. O 
desenvolvimento depende de programação econômica, resultado de 
planejamento político e distributivo da renda, dos interesses da nação e de 
critérios cuja premissa central se forma sobre a necessidade de alcançar níveis 
mais altos de capacidade produtiva. Afinal, quais são esses critérios? “Em seu 
conjunto os critérios e pressupostos apresentados constitui elementos para uma 
concepção de desenvolvimento ao mesmo tempo, “estrutural” e centralizada em 
valores também compatível com diversas combinações de meios e fins” (Wolf, 
1976, p. 52). 
Podem ser citados nos seguintes itens: acumulação, industrialização, 
modernização agrícola, padronização da demanda dos consumidores, 
capacidade empresarial, difusão tecnológica e científica, educação universal, 
provisão de recursos sociais e de previdência social, participação crescente no 
comercio mundial, aumento dos fluxos financeiros líquidos dos países 
desenvolvidos e em desenvolvimento. 
Para mudar a qualidade do crescimento é necessário mudar nosso 
enfoque do esforço desenvolvimentista, de modo a levar em conta 
todos os seus efeitos. Por exemplo, um projeto hidrelétrico não pode 
ser encarado simplesmente como um modo de produzir mais 
eletricidade; seus efeitos sobre o meio ambiente e sobre o meio de vida 
da comunidade local devem constar de todos os balanços. Assim, 
abandonar o projeto de uma hidrelétrica porque prejudicam um sistema 
ecológico raro pode ser uma medida a favor do progresso e não um 
retrocesso no desenvolvimento (CMMAD, 1991,37 
HAYDÉE, L. 7 Cidades que despoluíram seus rios e podem nos inspirar. Exame, 
13 set. 2016. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2019. 
A HISTÓRIA da Nespresso. Global Mentoring Group, 8 maio 2018. Disponível 
em: . Acesso em: 5 
dez. 2019.INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). 
Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2019. 
THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE. Dubai já descobre o lado menos 
fascinante do crescimento. Veja, 30 out. 2010. Disponível em: 
. Acessado em: out. 2019. 
MEADOWS, D. et al. Os limites do crescimento. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 
1978. 
MICROSOFT quer usar conhecimento em IA para analisar mudanças climáticas. 
Época Negócios, 16 abr. 2019. Disponível em: 
. Acesso 
em: 5 dez. 2019. 
PARQUE DAS AVES. Disponível em: . 
Acesso em: 6 dez. 2019. 
PESQUISAS apresentam soluções para o aproveitamento de rejeitos de 
mineração. SIMI, 6 fev. 2019. Disponível em: 
. Acessado em: set/2019. 
PROJETO TAMAR. Disponível em: . Acesso em: 6 
dez. 2019. 
O QUE é transformação digital? TD, S.d. Disponível em: 
. Acesso em: 5 
dez. 2019. 
SILVA, M. G.; ARAÚJO, N. M. S.; SANTOS, J. S. “Consumo Consciente”: o 
ecocapitalismo como ideologia. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 15, n. 1, p. 
95-111, jan./jun. 2012. Disponível em: 
https://globalmentoringgroup.com/a-historia-da-nespresso/
https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2019/04/microsoft-quer-usar-conhecimento-em-ia-para-analisar-mudancas-climaticas.html
https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2019/04/microsoft-quer-usar-conhecimento-em-ia-para-analisar-mudancas-climaticas.html
http://www.simi.org.br/noticia/Pesquisas-apresentam-solucoes-para-o-aproveitamento-de-rejeitos-de-mineracao
http://www.simi.org.br/noticia/Pesquisas-apresentam-solucoes-para-o-aproveitamento-de-rejeitos-de-mineracao
 
 
38 
. Acesso em: 5 dez. 2019. 
SOLEDADE, M. G. M. et al. ISO 14000 e a gestão ambiental: uma reflexão das 
práticas ambientais corporativas. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE GESTÃO 
EMPRESARIAL E MEIO AMBIENTE (ENGEMA), 9., Curitiba. Anais... São 
Paulo: FEA-USP, 2007. Disponível em: 
. Acesso em: 5 dez. 2019. 
TAYLOR, A. As grandes doutrinas econômicas. 7 ed. São Paulo: Coleções 
Saber, 1978. 
TEIXEIRA COELHO (Org.). A cultura pela cidade. São Paulo: Iluminuras, 2008. 
Disponível em: 
. Acesso em: 5 
dez. 2019. 
TRIGUEIRO, A. Cidades e soluções: como construir uma sociedade 
sustentável. Rio de Janeiro: LeYa, 2017. 
URBAN, T. Em outras palavras: meio ambiente para jornalistas. Curitiba: 
SENAR/SEMA, 2002. 
VEIGA, J. E. Para entender o desenvolvimento sustentável. São Paulo: 
Editora 34, 2015. 
WOLF, M. Desenvolvimento para que e para quem? Rio de janeiro: Editora 
Paz e Terra, 1976.p. 58). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Crédito: LightField Studios/Shutterstock. 
Caso: 
Em Toronto, Desenvolvimento Econômico e Cultura, antes vistos como 
estanques, hoje são partes do mesmo departamento. E a criatividade 
está hoje embutida como um dos pilares centrais de nossa agenda de 
prosperidade. Um documento recente, o Creative City Planning 
Framework, delineia como investir em indústrias criativas e culturais é 
fundamental para promover a competitividade econômica” (Teixeira 
Coelho, 2008, p. 73). 
Vale considerar que essas metas requerem um conhecimento prático de 
princípios básicos de tecnologia inovadora relativo ao nível tecnológico da 
indústria, da agricultura, da construção e demais atividades de diferentes níveis 
e tipos de especialidades com base em suposições realistas e relativas à 
evolução futura dos sistemas educacionais. 
Crédito: TMLsPhotoG/Shutterstock. 
 
 
 
 
7 
1.2 Crescimento 
O crescimento tem por meta estimular o processo produtivo das 
economias, e isso implica um conceito quantitativo medindo a capacidade do 
Produto Interno Bruto (PIB) de uma nação, estabelecido em modelos e projetos 
que implicam a expansão dos bens de consumo em escala capaz de atender às 
necessidades da produção interna e externa do país nas relações de mercado. 
Obedece a uma ordem conjuntural de curto prazo. 
O objetivo do crescimento econômico traz, frequentemente, 
consequências ambientais não desejadas como reflexo das atividades 
econômicas e dos custos ecológicos, que são cálculos derivados das ações 
práticas para produzir os bens de que a sociedade necessita. 
O Crescimento não estabelece um limite preciso a partir do qual o 
tamanho da população ou o uso dos recursos podem levar a uma 
catástrofe ecológica. Os limites diferem para o uso de energia, de 
matéria-prima, de água e de terra. Muitos deles se imporão por si 
mesmos mediante a elevação de custos e diminuição de retornos, e 
não mediante uma perda súbita de alguma base de recursos. O 
conhecimento acumulado e o desenvolvimento tecnológico podem 
aumentar a capacidade de produção da base de recursos. Mas há 
limites externos, e para haver sustentabilidade é preciso que, bem 
antes de esses limites serem atingidos, o mundo garanta acesso 
equitativo ao recurso ameaçado e reoriente os esforços tecnológicos 
no sentido de aliviar a pressão (CMMAD, 1991, p. 48). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Crédito: Potapov Alexander / Shutterstock 
Caso: 
Na tarde de 5 de novembro de 2015, o rompimento de uma barragem 
da mineradora Samarco (controlada pela Vale e pela anglo-australiana 
BHP Billiton) varreu do mapa o distrito de Banto Rodrigues, a 35 km de 
Mariana (MG), causando 19 mortes. Um tsunami de lama quente e 
fétida de rejeitos de minério de ferro (aproximadamente 50 milhões de 
m³, o suficiente para encher 20 mil piscinas olímpicas) percorreu uma 
distância superior a 800 km entre os estados de Minas Gerais e Espírito 
Santo até desaguar no litoral capixaba, destruindo a bacia do rio Doce. 
Foi a maior tragédia ambiental do Brasil e o maior vazamento de 
rejeitos minerais do mundo. Um gigantesco rastro de destruição 
devastou as matas ciliares, provocou a suspensão do abastecimento 
de água em vários municípios e impactou fortemente a pesca e o 
turismo. Aproximadamente 3 milhões de pessoas foram atingidas de 
forma direta ou indireta. De acordo com o Ibama, 835 hectares de 
Áreas de Preservação Permanente (APP) foram destruídos (Trigueiro, 
2017: 61). 
Tanto na pobreza quanto nos países desenvolvidos o crescimento está 
diretamente atrelado à sustentabilidade. No primeiro, por danos relacionados à 
falta de acesso a recursos básicos como saneamento, que, por exemplo, 
contamina rios e à educação, que leva informação como estratégias de manejo 
de produtos agroflorestais, entre outros exemplos que mostram como seria 
possível garantir maior destreza ao reconhecer nos recursos naturais potenciais 
econômicos. No segundo, o impacto ambiental recai sobre o uso descontrolado, 
desmedido, dos recursos sem o aguardo da regeneração do meio. A pressa em 
relação ao crescimento dos países desenvolvidos acaba por reforçar os fatores 
causadores da pobreza. 
O desenvolvimento sustentável é mais que crescimento, ele exige uma 
mudança no teor do crescimento a fim de torná-lo menos intensivo de 
matérias-primas e energia, e mais equitativo em seu impacto. Tais 
mudanças precisam ocorrer em todos os países, como parte de um 
pacote de medidas para manter a reserva de capital ecológico, 
melhorar a distribuição de renda e reduzir o grau de vulnerabilidade às 
crises econômicas (CMMAD, 1991, p. 56). 
 
 
9 
1.3 Sustentabilidade 
 
Créditos: EtiAmmos / Shutterstock. 
Reportando-nos às noções de bem e mal, de certo e errado, a visão de 
crescimento pode ostentar a ambiguidade no próprio conceito. Isto é, revelar 
consequências ambientais que apresentem opções inversas ao objetivo de 
expansão. Assim, a construção de rodovias, aeroportos, represas, mineradoras, 
petroquímicas e cimento provocam perdas à biodiversidade,2 à saúde e ao bem-
estar da coletividade e de muitos outros seguimentos produtivos que podem 
traduzir opções certas para o crescimento, mas promovem efeitos colaterais, 
como os resíduos industriais e a poluição do ar que transgridem o meio 
ambiente. 
Serviços ambientais, ecossistêmicos ou naturais são serviços que a 
natureza oferece ao homem, e que são indispensáveis para a sobrevivência 
humana. São exemplos o trabalho de polinização realizado pelas abelhas, 
fundamental para a manutenção da diversidade biológica e para a produção de 
grãos, e o controle do clima, da água e dos alimentos etc. Esses serviços são 
usados como cálculo sobre o valor da natureza. 
 
2 Biodiversidade: “Diversidade biológica; o total de genes, espécies, de comunidades e 
ecossistemas e processos de uma região; abrange todas as espécies de plantas, animais e 
microrganismos, bem como os sistemas a que pertencem, e pode ser considerada quatro níveis: 
diversidade genética, diversidade de espécies, diversidade e ecossistemas e diversidade de 
comunidades e processos. [...] A biodiversidade é o centro atual da discussão entre países 
possuidores de reservas significativas de diversidade biológica, que defendem o princípio da 
soberania sobre tais recursos, e os detentores de tecnologias para produção e uso destes 
recursos, que consideram a biodiversidade como ‘patrimônio da humanidade’, ou seja, de livre 
acesso” (Urban, 2002, p. 24). 
 
 
10 
No entanto, seja crescimento econômico, seja desenvolvimento 
econômico, as mudanças no ecossistema fisico são inevitáveis. Mas se a 
exploração estiver considerando os níveis dos impactos em cada área não será 
ruim porque não esgotará os recursos renováveis. É preciso definir a 
produtividade máxima sustentável. 
Podemos representar a relação de entre os conceitos conforme a figura a 
seguir. Apesar de conceitualmente distintos, são interdependentes no que se 
refere a uma sociedade que controla o consumo dos serviços ambientais. 
Figura 1 – Relação entre conceitos comuns ao desenvolvimento sustentável
 
Fonte: elaborado pela autora. 
Enquanto o desenvolvimento se ocupa de estruturar o investimento e as 
metas da União para que haja o crescimento, o crescimento cuida de realizar as 
ações necessárias para que exista um desenvolvimento que seja efetivo no 
atendimento às necessidades de longo prazo, por exemplo, a erradicação da 
pobreza. 
Quadro 1 – Desenvolvimento versus crescimento 
Desenvolvimento Crescimento 
Qualitativo Quantitativo 
Programação econômica 
Meta 
Estrutural, esqueleto do país 
Orçamento da união 
Ação 
Execução 
Aplicação do orçamento da União 
Funcionamento 
Desenvolvimento
CrescimentoSustentabilidade
 
 
11 
1.4 Como atenuar a intensidade deste problema? 
A degradaçãodo meio ambiente pode ser minimizada por projetos que 
não se preocupam em apenas efetivar a missão de implantação dos processos 
produtivos, mas em analisar os possíveis impactos destes ao meio ambiente. 
Não devemos ignorar os efeitos sobre o ecossistema,3 negligenciando os 
problemas derivados da ausência de responsabilidade na implantação e na 
avaliação do projeto. Exemplo: a poluição do ar por emissão de CO2. Os danos 
ambientais podem afetar a vida humana de várias formas, constatando-se o 
efeito maléfico do crescimento, como: encurtamento da vida das pessoas 
afetadas; capacidade produtiva e geração de renda prejudicadas; custos de 
remédios; insatisfação com a qualidade de vida (Contador, 2000, p. 291). 
Ainda sobre como atenuar a intensidade do problema, constatamos que 
a avaliação social de projetos dessa natureza exige investimentos por parte da 
sociedade. “A mensuração é mais simples do que a solução para os problemas 
causados pelos danos ambientais. Fechar simplesmente as indústrias poluidoras 
e proibir o uso de inseticidas e insumos tóxicos prejudica os trabalhadores que 
perdem as oportunidades de emprego” (Contador, 2000, p. 294). 
Os consumidores mais ricos têm acesso a bens substitutos, muitas vezes 
importados, e, consequentemente, são menos afetados diretamente. 
A proposta do Relatório de Brundtland (1988) é a criação de estratégias 
para substituir processos de crescimento destrutivos pelos de desenvolvimento 
sustentável. Para que isso seja viável, é necessário que os países modifiquem 
suas políticas tanto em relação ao próprio desenvolvimento quanto em relação 
aos impactos que podem gerar em outras nações. Por exemplo, a atual 
preocupação em relação ao Acordo de Paris (2015), com a saída dos Estados 
Unidos, é manter a China. Sem o compromisso desses países, que estão entre 
os principais poluidores, o acordo perde a aplicabilidade. 
As principais políticas que devem ser adotadas pelos países, segundo o 
Relatório de Brundtland, são: 
 retomar o crescimento com a proposta de diminuir desigualdades; 
 
3 Ecossistema: “Unidade formada pela comunidade biológica com seus ciclos de energia e de 
alimentação e ambientes bióticos, com os quais interagem; numa mesma área podem existir 
vários ecossistemas; não é correto falar, por exemplo, em ecossistema amazônico ou 
ecossistema litorâneo” (Urban, 2002, p. 42). 
 
 
12 
 alterar a qualidade do desenvolvimento com foco em metas que 
considerem o consumo dos serviços ambientais; 
 atender a necessidades essenciais de emprego, alimentação, energia, 
água e saneamento; 
 manter um nível populacional sustentável com alternativas 
sustentáveis para equilibrar consumo e crescimento populacional, como 
investimentos em novas tecnologias na agricultura e na produção de 
energia; 
 conservar e melhorar a base de recursos, como o reflorestamento e a 
recuperação de áreas degradadas; 
 reorientar a tecnologia e administrar o risco; 
 incluir o meio ambiente e a economia no processo de tomada de 
decisões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: AjayTvm/Shutterstock. 
Caso: 
Conheça o exemplo do Hospital Moinhos de Vento para reciclagem do 
lixo. O hospital criou estruturas que permitem reutilizar todo o lixo gerado, como 
é o caso do plástico usado e não contaminado, que, depois de reciclado, volta a 
ser utilizado em forma de sacolas de lixo para coleta seletiva. Os papéis que um 
dia foram usados como receituários e exames viram papel higiênico (GloboNews 
Cidades e Soluções, 2017). 
 
 
 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Ajayptp
 
 
13 
TEMA 2 – OBJETIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) 
 
Crédito: Rainier Ampongan/Shutterstock. 
A produção de tecnologias, desde os mais primitivos seres humanos até 
a época atual, integra um processo que tem como meta a proteção da espécie 
humana. No entanto, o surgimento de políticas de governo, como o capitalismo, 
gera consumo, e o processo de sobrevivência da espécie deixou de ser a 
preocupação primária. 
A explosão do capitalismo aconteceu com a Primeira Revolução Industrial 
no século XVIII, com o surgimento de máquinas de produção em massa. A 
máquina de fiar, o tear hidráulico e o tear mecânico tornaram-se marcos dos 
avanços tecnológicos. Nesse período, os bens de consumo eram um privilégio 
de minorias. Normalmente, quem trabalhava na produção não fazia parte do 
mesmo grupo daqueles que adquiriam os bens produzidos. 
Por volta de 1860 começou a Segunda Revolução Industrial, período em 
que se registrou o surgimento da eletricidade, a transformação do ferro em aço 
e o avanço dos meios de transporte. Nessa fase, o homem conheceu as 
ferrovias, o avião e a produção em massa por meio da linha de montagem (1923) 
de Henry Ford. Os meios de comunicação, por sua vez, passaram a ser o 
telégrafo e o telefone. Nessa época, o consumo era mais incentivado, 
diferentemente do que ocorrera no período anterior. Afinal, houve crescimento 
na produção e o surgimento da necessidade de se adquirir bens. 
 
 
14 
A Terceira Revolução Industrial aconteceu na metade do século XX e 
trouxe com ela os avanços ultrarrápidos – microeletrônica, robótica industrial, 
computadorização dos serviços e biotecnologia. Com as transformações que 
aconteceram ao longo dos anos em todas as áreas da sociedade, fez-se a 
separação definitiva entre o capital, representado pelos donos dos meios de 
produção, e o trabalho, representado pelos assalariados. 
Agora já estamos vivendo a Quarta Revolução Industrial, a da Era Digital. 
Esta é a fase em que se conectam máquinas aos meios digitais – a automação 
dos meios de produção e a Internet das Coisas (IoT). Pessoas e máquinas estão 
mais conectadas a problemas e soluções. 
De 1994 até hoje, as discussões continuam. A Cúpula da Terra, formada 
pela comissão da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, da Rio 
92, se reúne até hoje para dar continuidade aos debates, incluir novas 
discussões e rever dados. Exemplos disso são a revisão da Agenda 21, em 
1997; a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2002, em 
Johanesburgo (África do Sul), para os resultados da Rio 92; em 2005, o 
Programa de Barbados das Nações Unidas, para debater, entre outras coisas, 
as mudanças climáticas e a elevação do nível do mar; a Conferência das 
Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, realizada durante a COP 21,4 
quando foi definido o Acordo de Paris, em 2015. Nesse mesmo ano, em Nova 
York, aconteceu a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, em que foram 
definidos os Objetivos para Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma 
agenda que prevê ações até 2030. 
Nesse breve resumo, a história das discussões ambientais mostra que 
desde a apresentação dos relatórios até o momento atual ainda há os que 
acreditam que cabe apenas aos países em desenvolvimento a responsabilidade 
de preservar. Assumem parcialmente a culpa, mas eximem-se da 
responsabilidade. 
Estudos científicos mostram que a pobreza tem origem na má distribuição 
de renda, que a sociedade está dividida e que não é promovendo uma 
exterminação em massa que o problema será resolvido. O desenvolvimento 
humano traz consigo, ineditamente, todo tipo de mudança seja de maneira 
irracional, seja sustentável. Malthus não disponha de meios para prever todas 
 
4 Conferência das Nações Unidades sobre as Mudanças no Clima é a reunião bianual realizada 
pela Conference of the Parties (Conferência das Partes – COP), que é o órgão supremo decisório 
da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). 
 
 
15 
as modificações que a mente humana poderia criar, nem as mudanças que as 
ações humanas poderiam desencadear no meio ambiente. Mas herdeiros 
teóricos do economista atualizaram, no devido tempo, as previsões sobre o 
futuro da humanidade. Sempre houve necessidadede atualizações e, 
possivelmente, sempre haverá, como ocorre com o Código Florestal novamente 
em discussão no Congresso Nacional. 
Hoje, nada mudou. Ainda temos como realizar previsões com o respaldo 
científico de especialistas E elas continuam sendo de grande valia para a 
evolução e para a preservação da espécie humana. A diferença é que hoje a 
fundamentação científica está mais ampla e os argumentos técnicos são mais 
debatidos. Ignorar previsões, por mais apocalípticas que pareçam, não é sensato 
se não houver respaldo de uma antítese testada em nível equivalente. 
Propondo um comparativo, países desenvolvidos, em desenvolvimento ou 
não desenvolvidos poderiam seguir o exemplo do modo como o ecossistema 
estabelece a inter-relação entre as formas de vida. Apesar de nem sempre ser 
tranquila, sempre é necessariamente harmoniosa. Além do mais, 
independentemente de concordar ou não com as previsões para os próximos 80 
anos, não podemos negar os fatos de que ocupamos o mesmo planeta e que o 
resultado das ações de um será sentido por todos. 
TEMA 3 – PRESERVAÇÃO, CONSERVAÇÃO OU INOVAÇÃO? 
O mais recente e forte desafio que o mercado globalizado enfrenta é 
conceituar sustentabilidade sem fugir da dura realidade universal que é a 
utilização de recursos cada vez mais escassos e necessidades cada vez mais 
diversificadas para atender ao mundo dos negócios, cuja megatendência de 
consumo é amparada pelas novas tecnologias, cada vez mais sofisticadas, que 
buscam abrandar a força do extremo entre escassez de recursos produtivos e 
capacidade de produção em larga escala. 
Essa situação dicotômica exige soluções inovadoras no âmbito das 
dimensões: ambiental, social, econômica, política e institucional. Diante dessa 
premissa, surge com força total o desafio da sustentabilidade, que é inibir o 
esgotamento dos recursos naturais no âmbito das gerações atuais em 
detrimento de gerações futuras. 
Foi com este enunciado que a ideia começou a ser assimilada pela 
comunidade internacional, depois que a Organização das Nações 
 
 
16 
Unidas (ONU) assumiu, em 1 de dezembro de 1987, que a partir de 
então o desenvolvimento sustentável deveria se tornar princípio 
orientador central de governos e instituições privadas, organizações e 
empresas (Veiga, 2015, p. 9). 
Vários autores já contaram como o conceito de desenvolvimento 
sustentável surgiu. Mas o que eles ainda não puderam descrever é como o 
mundo se uniu para aplicar de fato o desenvolvimento sustentável, simplesmente 
porque ainda não chegamos a um consenso prático. 
Algumas poucas vozes reagiam ao “catastrofismo”, mas, no geral, tudo 
se encaminhava para a consolidação da ideia de que as nações ricas 
eram as únicas áreas viáveis do mundo e os países que não haviam 
enriquecido até aquele momento deveriam desistir de fazê-lo – em prol 
da sobrevivência da vida na Terra. Foi aí que a ONU decidiu convocar 
a conferência de Estocolmo. Quando o tema, até então tratado na 
esfera acadêmica, foi levado para o nível dos governos, o vento 
começou a mudar. E o Brasil teve papel destacado nessa história [com 
a Rio92] (Almeida, 2002, p. 18). 
Para algumas sociedades, o crescimento é prioridade a qualquer preço. 
Esse é o caso dos Estados Unidos, que saiu recentemente do Acordo do Clima 
(2015) para intensificar a produção interna, mesmo que isso gere mais emissões 
de CO2. Para outros, a cultura do desenvolvimento já assimilou o conceito de 
sustentabilidade; alguns carregam em sua história a boa convivência com o meio 
ambiente, com um perfil cultural, como o Japão, e outros, mais recentemente, 
como a Alemanha e a Noruega. Mas, mesmo esses países já erraram muito no 
quesito preservação, porque nem sempre estamos cientes dos danos que suas 
escolhas, para suprir necessidades do presente, podem causar no futuro. Certas 
coisas só aprendemos com o tempo, por meio de um método dedutivo. 
Uma conclusão dolorosa desse raciocínio é que alguns projetos provocam 
reação de valor negativo à sociedade, ou seja, na maioria das vezes não 
resultam no desenvolvimento sustentável. Não deveriam ser aprovados e, sim, 
eliminados por significarem violência aos padrões morais e éticos da sociedade. 
Um exemplo é a mineração no Brasil. Essa produção é uma das mais 
importantes para a economia nacional, no entanto, os danos ao meio ambiente 
são irreversíveis, mesmo sem catástrofes. Os investimentos no setor se 
restringem à captação dos recursos naturais, pois não existe uma efetiva 
aplicação do conhecimento científico já disponível para atenuar os impactos ao 
meio ambiente, tanto na extração quanto no restante do processo. 
Sugestão de leitura 
 
 
17 
Leia o artigo do SIMI (2019) Pesquisas apresentam soluções para o 
aproveitamento de rejeitos de mineração, disponível em: 
. Não deixe também de assistir ao 
vídeo disponível na página. 
O desenvolvimento sustentável não é a solução definitiva dos problemas 
ambientais, apenas uma prevenção. É uma alternativa calculada sustentada em 
metodologias que embasam planejamentos que procuram avaliar e prever danos 
futuros. A resistência de alguns países em aderir às estratégias sustentáveis 
apenas demonstra a dificuldade em inovar. Os riscos que correm não são 
apenas o de serem responsáveis por prejuízos a todo o planeta, mas o de serem 
superados por aqueles que viram no desenvolvimento sustentável um desafio 
não restrito à preservação da vida, uma oportunidade de crescimento com 
desenvolvimento. 
3.1 Quem preserva conserva 
É tão simples quanto parece: quem preserva o meio ambiente conserva 
sua estrutura. Mas, afinal, qual é a diferença entre eles? Conservar é manter 
em um estado que não prejudique a existência dos recursos e da vida e ainda 
permita seu uso para o desenvolvimento e crescimento econômico. Preservar 
trata da aplicação de planejamento e métodos aplicados a longo prazo com o 
objetivo de conservar. Vamos às definições trazidas pela ambientalista e 
jornalista Teresa Urban (2002): 
Conservação da natureza – manejo do uso humano da natureza, 
compreendendo a preservação, a manutenção, a utilização 
sustentável, a restauração e a recuperação do ambiente natural, para 
que possa produzir, em bases sustentáveis, o maior benefício às atuais 
gerações, mantendo seu potencial de satisfazer às gerações futuras e 
garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral; não é sinônimo 
de preservação porque está voltada para o uso humano da natureza, 
em bases sustentáveis, enquanto a preservação visa à proteção a 
longo preza das espécies, habitats e ecossistemas (Urban, 2002, p. 
35). 
Conservação in situ – conservação de ecossistemas e habitas 
naturais e a manutenção e recuperação de populações viáveis de 
espécies em seus meios naturais e, no caso de espécies domesticadas 
ou cultivadas, nos meios onde tenham desenvolvido suas propriedades 
características (Urban, 2002, p. 35). 
Preservação – conjunto de métodos, procedimentos e políticas que 
visem à proteção a longo prazo das espécies, dos habitats e 
 
 
18 
ecossistemas, além da manutenção dos processos ecológicos, 
prevenindo a simplificação dos sistemas naturais; parte integrante da 
conservação” (Urban, 2002, p. 63). 
Vamos aos exemplos: 
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)5 realiza 
estudos que viabilizam práticas para uso sustentável dos recursos naturais, tanto 
no plantio quanto na extração e nos procedimentos que devem ser adotados 
para a segurança dos trabalhadores. Esse trabalho é um trabalho de 
conservação da natureza. 
O Parque das Aves,6 em Foz do Iguaçu, Paraná, é uma instituição 
destinada à conservação de aves da Mata Atlântica. Eles contribuem para a 
recuperação e a prevenção da extinção de espécies. Um outro exemplo é o 
Projeto Tamar,7 que trabalha com a recuperação e a prevenção de extinção de 
espécies,mas, no caso deles, espécies marinhas, em especial as tartarugas. 
Estes são exemplos de conservação in situ (no local). 
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)8 trabalha com 
estratégias de monitoramento remoto, via satélite, para oferecer imagens sobre, 
por exemplo, a Amazônia e o Cerrado. Isso garante o fornecimento de dados 
com bases metodológicas que serão usadas para a preservação desses biomas. 
3.2 Inovações para o bem 
Dizem que é na necessidade que inovamos. Por tudo o que já vimos até 
aqui, tem fundamento. Quando existe a sombra do mal, trabalhamos para 
superá-lo (assimetria por supressão).9 Uma comunidade com poucos recursos 
desenvolveu uma forma alternativa para aquecimento de água, usando garrafas 
pet, caixas de leite tetrapak e canos de PVC. Funcionou, além de reutilizar 
resíduos. Outro exemplo: algumas empresas como a Microsoft estão 
disponibilizando tecnologias de Inteligência Artificial para contribuir com a 
preservação do meio ambiente. Em uma reportagem da revista Época Negócios, 
Lucas Joppa, diretor ambiental da Microsoft, afirma: “Mesmo para setores 
diferentes, a rápida adoção de tecnologia baseada em IA tem potencial de não 
 
5 Disponível em: . 
6 Disponível em: . 
7 Disponível em: . 
8 Disponível em: . 
9 Conteúdo apresentado anteriormente. 
 
 
19 
apenas gerar ganhos significativos para o meio ambiente, mas também para o 
PIB em geral” (Época Negócios, 2019). 
A tecnologia que será disponibilizada pela Microsoft é apenas um dos 
exemplos do que a inovação é capaz de fazer pelo bem do planeta e, como 
consequência, evitar nossa extinção. 
E a inovação não está apenas na tecnologia, mas em toda a cadeia 
produtiva, do conhecimento tradicional ao manejo dos resíduos. Inovar não está 
restrito à criação de novos produtos. Podemos encontrar inovação na forma de 
fazer, no modo de pensar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: G-Stock Studio/Shutterstock. 
Empresas inovadoras compreendem que a inovação começa com uma 
ideia. Ideias são mais ou menos como bebês – nascem pequenas, 
imaturas e sem forma. São promessas, e não uma realização. Em uma 
empresa inovadora, os executivos não dizem: “isso é uma ideia sem 
fundamento”. Em vez disso, perguntam: “O que seria necessário para 
transformar essa ideia em viável e que se transforme em uma 
oportunidade para nós?” (Drucker, 2012, p. 241). 
Para isso, a cultura da preservação depende de práticas de educação 
ambiental. Não se trata de plantar o feijão no copinho de café, mas observar o 
meio à sua volta e perceber que podem existir deferentes formas para solucionar 
o mesmo problema. É sempre bom lembrar que o real desenvolvimento 
sustentável tem seus alicerces no modo como a sociedade enxerga a sua própria 
existência. 
Vamos a mais um exemplo: 
 
 
20 
 
Crédito: Rodolfo Pizzo/Shutterstock. 
Você já deve conhecer as máquinas de café expresso. Existem diversas 
marcas no mercado. Algumas usam cápsulas de alumínio, outras, de plástico.10 
Nenhum dos dois recursos são baratos, e não são de fácil decomposição. Alguns 
países da Europa proibiram o uso dessas máquinas porque os resíduos eram 
crescentes, ou seja, não se conseguiu gerir de forma correta as consequências 
dessa charmosa e prática mordomia. Mas o Brasil continua vendendo as 
máquinas e suas cápsulas. O que é feito delas? Podemos citar o exemplo da 
líder europeia em máquinas de café expresso, a suíça Nespresso, fundada em 
1986, pertencente ao Grupo Nestlé. 
Em 2003, a marca anunciou o lançamento de seu Programa de Qualidade 
Sustentável AAA, com o objetivo de promover a produção e o fornecimento de 
café de alta qualidade de uma forma sustentável. No programa existe um sistema 
de logística reversa para as cápsulas de alumínio. Então, depois que você 
comprar as suas capsulas em uma das lojas, você as leva de volta quando for 
fazer sua próxima compra. A empresa então destina esse insumo a um setor em 
que o alumínio é encaminhado para a reciclagem e o café, para a compostagem. 
No início havia um serviço de coleta com motoboys. Mas ele foi suspenso, 
provavelmente porque, ao visitar a loja, você é convidado a tomar um café, 
conhecer a novidade e comprar mais. 
Só que, certamente, a maioria das pessoas não se preocupa com a 
devolução das cápsulas e, muito menos, em separá-las no lixo reciclável. Ou 
seja, uma importante e cara matéria-prima, com um (quase) infinito potencial 
 
10 Assista ao vídeo explicando como essas capsulas são produzidas, disponível em: 
 (Manual do Mundo, 2018). 
 
 
21 
para reuso – o alumínio vai parar em um aterro sanitário junto com todas as 
outras coisas desprezadas em nossas casas, sem a menor chance de futuro. 
Mas continuamos a consumir esse tipo de café porque é bom e porque tem 
status. Porque é prático e higiênico. Imagine o que acontece com as cápsulas 
de plástico. 
A trágica trajetória de vida das cápsulas de café não deveria nos causar 
remorso – supondo que exista uma preocupação quanto a isso. Seria simples se 
pensássemos em como tornar esse processo sustentável, lembrando que, como 
consumidores, estamos diretamente envolvidos. A responsabilidade não é só da 
empresa. Não precisamos boicotar produtos, apenas assumir as tarefas que nos 
cabe, ao menos realizar o descarte correto. Não precisaremos devolver as 
cápsulas à empresa se nos dispusermos a limpar as cápsulas de alumínio ou 
plástico e entregá-las para a reciclagem. Simples assim. Se quisermos ir mais 
longe, podemos procurar conhecer o processo de produção ou procurar 
alternativas, como as capsulas reutilizáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: Karol Moraes/Shutterstock. 
A nossa responsabilidade com o desenvolvimento, em especial com o 
desenvolvimento sustentável, está diretamente relacionada com a vida em 
sociedade, com os benefícios econômicos da produção industrial, com o 
emprego, a educação, o saneamento básico, a saúde pública... Uma simples 
cápsula de café pode disseminar doenças ou gerar empregos – em todas as 
fases de sua existência. 
E se você imagina que por não escolher uma máquina de café como esta 
você está livre de sua responsabilidade, se engana. Se você é daquelas pessoas 
que diz que não imprime papel porque faz mal ao meio ambiente e prefere ficar 
horas com o computador ligado para ler textos, por exemplo, saiba que: 
 
 
22 
Um computador ligado durante 1 hora/dia consome 5,0 kwh/mês. No 
decorrer de um ano, a economia decorrente de desligar o computador 
durante esta uma hora de almoço será de 60 kwh, o que leva cada 
pessoa que desligar seu computador a deixar de jogar na atmosfera 18 
quilos de CO2. Esse volume corresponde ao emitido por um carro 
movido a gasolina ao percorrer 120 km (Akatu, 2011). 
Ou você sabia que cada vez que realiza uma busca no Google você está 
contribuindo para a emissão de CO2? “São 3,5 bilhões de buscas por dia, 
fazendo com que a gigante de tecnologia seja responsável por 40% das 
emissões de dióxido de carbono relacionadas à internet” (Época Negócios, 
2018). Você não imaginava que fosse tanto, não é mesmo? 
Então, o que podemos concluir é que o problema não está em consumir, 
mas na forma como consumimos. O desenvolvimento precisa ser sustentável e 
é fundamental que essa responsabilidade não seja transferida para os outros. A 
responsabilidade é de todos, individualmente, por mais que esse pareça um 
discurso do senso comum. 
TEMA 4 – O MERCADO DA SUSTENTABILIDADE 
4.1 Consumo consciente 
De repente, ser sustentável tornou-se um status. Nem ao menos sabem 
bem do que se trata, mas já levantam bandeiras. A questão é se essas iniciativas 
têm alguma validade prática. Isso é importante deser discutido porque, como já 
vimos, o desenvolvimento sustentável trata de vivermos o presente, mas sem 
prejudicar as futuras gerações. Não basta apenas dizer que é sustentável. 
Precisa ser sustentável. E não tem como falar em consumo consciente sem 
parecer um tanto ideológico, porque ele envolve escolhas para um bem comum. 
Mas consumir de forma consciente nada mais é do que considerar os reflexos 
das escolhas individuais na sociedade, na economia e no meio ambiente. 
No entanto, mesmo com toda a mobilização pela causa ambiental e os 
alertas de ambientalistas e cientistas, os níveis de consumo não param de 
crescer, talvez motivados pela necessidade de expandir a produção: 
Os impactos dessa dinâmica sobre meio ambiente são reconhecidos 
até mesmo por economistas da Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE), os quais revelam que o 
crescimento econômico nos países ditos desenvolvidos tem 
intensificado as pressões sobre o meio ambiente desde a segunda 
metade do século 20, como perspectiva de acentuação desta nos 
próximos 20 anos (Kempf, 2010, citado por Silva et al., 2012, p. 97). 
 
 
23 
Mas se em uma ida ao supermercado damos preferência a uma marca 
porque ela cuida do meio ambiente, isso realmente precisa ser pensado de forma 
consciente. Ao compramos um produto, estamos participando de uma das 
etapas da cadeia produtiva e da preservação do meio ambiente. Como um 
produto foi pensado, de que modo consumimos, como descartamos, o que fazem 
com esse resíduo depois de nós... São apenas algumas das perguntas que 
deveriam ser feitas quando pensamos em escolher este ou aquele item para 
incluirmos em nossas vidas. No ensaio “Consumo consciente”: o ecocapitalismo 
como ideologia (Silva; Araújo; Santos, 2012), as autoras acreditam na fragilidade 
do consumir diante da força do mercado, e que é transferido ao consumir uma 
responsabilidade de decisão, sendo que faltam informações para que realmente 
se possa estar consciente das escolhas que se faz. 
Este, enredado em uma teia de sedução mobiliada por mecanismos 
meticulosamente estudados pelo marketing e pela propagando e 
destituído das informações mínimas que orientem a sua decisão no ato 
da compra – quando não diretamente ludibriado –, vê reduzido ou 
diretamente nulo o poder que lhe vem sendo, em tese, atribuído. O 
discurso de valorização do papel do consumidor individual contrasta 
com a força das grandes corporações e seu controle sobre o mercado, 
expressos na produção de estilos de comportamento, pretensamente 
inovadores, mas reafirmadores da irracionalidade no uso dos recursos 
naturais (Silva; Araújo; Santos, 2012, p. 98). 
Mas será mesmo que o consumidor está tão indefeso assim, sujeito aos 
mandamentos do capitalismo como acreditam as autoras? 
4.2 Marketing e consumo 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: lemono / Shutterstock 
Ao contrário do que elas afirmam, a pesquisa A perspectiva responsável 
do marketing e o consumo consciente: uma interação necessária entre a 
empresa e o consumidor explica como o Marketing 3.0 adotado hoje pelas 
 
 
24 
empresas atua em defesa do meio ambiente tomando como base as escolhas 
dos consumidores. “O Marketing 3.0 se volta para valores humanos, partindo da 
premissa de que os consumidores estão cada vez mais em busca de soluções 
para satisfazer a seus anseios de transformar o mundo globalizado” (Enéas Silva 
et al, 2012, p. 70). 
Assim como o consumo muda ao longo do tempo, correspondendo às 
transformações culturais e aos valores morais, as estratégias de marketing 
também teriam que se adequar a essas mudanças. No início o Marketing 1.0 
tinha como objetivo a venda de produtos. Na sequência, no Marketing 2.0, com 
a era da informação, a opinião o perfil do cliente exigiu que as empresas 
segmentassem o mercado de acordo com o público. O Marketing 3.0, hoje, 
corresponde a essa nova era tecnológica, com pessoas globalizadas, criativas e 
mais sensíveis às necessidades não apenas físicas. 
A comunicação está intimamente ligada ao conceito de tribalismo em 
marketing, em que os consumidores desejam estar conectados a 
outros consumidores em comunidades e não às empresas, e que para 
estabelecer esta conexão com outros seres humanos as marcas 
precisam desenvolver uma personalidade autêntica [...] discutindo com 
mais ênfase o papel da experiência no processo de consumo, 
entendendo que se inicia antes e termina depois do consumo (Enéas 
Silva et al, 2012, p. 71). 
Ou seja, mais do que nunca as empresas interessadas em uma gestão 
voltada ao seu público e às causas ambientais estão determinadas a entender 
as necessidades específicas de seus consumidores e, assim, construir 
estratégias que não apenas vendam seus produtos como ambientalmente 
responsáveis, mas contribuam para a formação de uma nova consciência 
ambiental. 
Como uma das forças que definem o Marketing 3.0, a sustentabilidade 
ambiental tem se tornado preocupação de empresas e atores sociais 
de uma forma geral. Dentre os motivos podemos destacar a 
dependência de recursos naturais, o impacto ambiental exercido pelas 
organizações e a reputação ambiental da marca (Enéas Silva et al, 
2012, p. 72). 
Essa segmentação do mercado pode ser classificada em quatro pontos 
(Enéas Silva et al, 2012, p. 72): 
1. inovador de tendências, que possui motivação emocional e espiritual para 
usar produtos verdes; 
2. o que busca valor utilizando produtos verdes para aumentar a eficiência 
e economizar custos; 
 
 
25 
3. o que combina padrões, ou seja, produtos que já atingiram o 
mainstream;10 
4. o comprador cauteloso, aquele que não acredita em produtos verdes. 
O Marketing 3.0 deixou de ter atenção com a necessidade de lucro das 
empresas, apenas incorporou ações que terão como resultado o reconhecimento 
do consumidor e a contribuição para o desenvolvimento sustentável. O 
desenvolvimento é qualitativo, trata-se de um planejamento. Quando 
relacionamos esse conceito com sustentabilidade, estamos buscando um 
planejamento que tem como proposta sustentar esse desenvolvimento ao longo 
de gerações. Ele não pode encerrar seu ciclo onde iniciou. E esse último estágio 
do marketing tem atuado com esse perfil. 
Ainda como compradores cautelosos e habituados às antigas estratégias 
do marketing, temos o cuidado de pensar se não estamos sendo envolvidos 
apenas por estratégias de Marketing 1.0. Não é desconfiança à toa, afinal, nem 
todas as empresas estão realmente interessadas em adotar práticas 
sustentáveis pelos mais diversos motivos, incluindo o próprio despreparo quanto 
aos novos valores morais e às transformações cultural e de consumo. 
TEMA 5 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E NOVAS TECNOLOGIAS 
5.1 Transformação digital 
Talvez você seja como a maioria das pessoas que acreditam que as 
tecnologias são boas para o meio ambiente. E por que não seriam? Afinal, elas 
tornam a vida mais fácil, reduzem custos, aceleram processos, diminuem 
distâncias, produzem energia, promovem a interação entre as pessoas... O 
homem sempre buscou a tecnologia para melhorar a sua vida. O martelo de 
pedra lascada é um exemplo disso. Se existisse, na época de sua criação, um 
prêmio do ano para a melhor invenção, provavelmente o seu inventor o 
receberia. 
Damos tanta importância a isso que, ao longo da história, essas invenções 
sempre marcaram época. A máquina a vapor, a Revolução Industrial, a energia 
nuclear, a Internet. Estas e muitas outras tecnologias que mudaram a forma de 
existir dos seres vivos trouxeram tantos benefícios quanto malefícios. Sempre 
 
10 Conceito que expressa tendência ou moda dominante. 
 
 
26 
em função da necessidade e do desejo de superação da polaridade negativa. 
Poderíamos tecer infinitos elogios e críticas para nossos inventos, mas primeiro 
trataremos de falar do quanto as tecnologias melhoram nossas vidas e por que 
são tãouteis para o desenvolvimento sustentável. 
Como já vimos, a sociedade se transforma e, nessa mutação constante, 
define novas necessidades e novas formas de consumo que são acompanhadas 
por setores de produção e serviços que procuram lucrar com essas demandas. 
Já vimos também que o consumo consciente é importante para o 
desenvolvimento econômico e social. Se você listasse as tecnologias que mais 
consome em uma semana, saberia avaliar o impacto positivo que elas causam 
no meio ambiente? 
Mas cabe aqui esclarecer um ponto dessa conversa. Podemos falar em 
tecnologia de duas formas: tecnologias – generalizando todas as invenções 
humanas, desde o machado de pedra lascada – e novas tecnologias – que 
correspondem aos últimos quarenta anos, quando se iniciaram os processos de 
digitalização entre a terceira e a quarta revoluções industriais. 
Conciliando as necessidades do homem moderno com o crescimento da 
população, a ONU estima que, até 2030, seremos mais de 8,2 bilhões em todo 
o planeta. Com tanta gente vivendo junto, só mesmo muita tecnologia para tornar 
viável a qualidade de vida, a produção de alimentos, a educação... Ainda assim, 
muitos ficarão de fora. Serão apenas pessoas que, embora reais, estarão ainda 
mais invisíveis, porque não possuirão seus avatares e, por isso, provavelmente 
ficarão ainda mais isolados, ilhados, distantes do mundo em que as coisas 
acontecem. 
Quando usamos nossos celulares para conversar com pessoas, 
programar uma viagem, assistir programas (que eram) de televisão, comprar 
comida, pagar contas e consultar um médico, nos deslumbramos com a 
possibilidade de um futuro ainda mais informatizado, automatizado e integrado 
à Internet das Coisas (IoT). Mas, na ponta oposta à dos consumidores, as 
empresas estão acompanhando essas transformações da Era Digital? Segundo 
o site Transformação Digital (TD, S.d.), ainda não. Apenas 19% das empresas 
globais estão concentradas no potencial dessa nova Era (Transformações 
Digitais TD, S.d.). 
Segundo a Dell, 15% das organizações globais estão atrasadas, 32% 
só acompanham a marca e 34% estão avaliando a transformação 
digital. Apenas 19% das organizações estão concentradas em explorar 
 
 
27 
essa via de mão dupla, interagindo digitalmente com os usuários com 
o intuito de expandir seus resultados, destacando-se em canais, 
vendas, novos serviços e experiências de clientes – desde a atração 
até o pós-venda, quando é trabalhada a fidelização e condução para 
que os usuários se tornem embaixadores da marca (Transformação 
Digital TD, S.d.). 
A transformação digital das empresas não é mais uma questão de querer. 
Essa é a nova forma de comunicação com consumidores e toda empresa deverá 
ser capaz de se comunicar e satisfazer a necessidade de seus clientes por meio 
de software. E esse é o motivo de muitas empresas ainda estarem estudando a 
transformação digital em vez de partirem logo para as mudanças necessárias. A 
economia digital exige que se repense o papel do software na organização, 
independentemente do modelo de receita. E não se trata de apenas pensar qual 
software se encaixa melhor na empresa: 
A performance da organização está diretamente ligada ao seu nível de 
maturidade digital. Quanto mais evoluídos os componentes de um 
programa de transformação, como processos centrados em 
tecnologias inteligentes, pessoas capacitadas e ferramentas, melhor o 
desempenho comercial das empresas (Transformação Digital TD, 
S.d.). 
Veja a seguir quais setores industriais estão mais preparados para a 
transformação digital, ainda segundo o site Transformação Digital TD (S.d.). 
Figura 1 – Ranking de maturidade digital por indústria 
 
Fonte: Transformação Digital TD (S.d.) 
Com este ranking, podemos lembrar que quando a nova indústria se 
preocupa com a opinião e as necessidades dos clientes não é por uma simples 
estratégia de venda. As empresas estão atendendo a uma nova demanda de 
consumo em que o cliente não é apenas um mero receptor. Ele tem atuado de 
forma mais impactante sobre os bens produzidos, para quê produzi-los, como 
produzi-los e como distribuí-los. Então, o setor de saúde pública, por exemplo, 
https://transformacaodigital.com/transformacao-digital-empresa/
https://transformacaodigital.com/transformacao-digital-empresa/
 
 
28 
classificado como a último a estar preparado para a transformação digital, 
segundo o ranking, pode sofrer críticas quanto à destinação de investimentos se 
não estiver atento aos índices de vulnerabilidade social e ambiental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: Epitavi/Shutterstock. 
Caso: 
MAS COMO O BLOCKCHAIN PODE SER ÚTIL NA AGRICULTURA 
Como dito, todo ano, se desperdiça bilhões de reais em alimentos pela 
falta de eficiência seja na armazenagem, transporte ou venda dos 
produtos. Existe um “grande oceano” de dados que não são coletados 
e processados. Uma possiblidade tecnológica é aliar o Big Data na 
agricultura ao Blockchain para reunir, organizar e validar esses dados. 
Assim, é possível aumentar a eficiência e garantir 100% de 
transparência na cadeia produtiva. Se a cadeia de carnes no Brasil 
fosse descentralizada em um Blockchain, dificilmente a Operação 
Carne Fraca da Polícia Federal seria necessária, já que o próprio 
sistema faz a auditoria de todo o processo. 
Hoje, muitos produtores já possuem sistemas completos de 
monitoramento dos processos. São sensores no campo, drones, GPSs 
nas máquinas agrícolas e muito mais. No entanto, esses dados servem 
apenas para o produtor. Imagine ter um QR Code em cada rótulo de 
produto com as informações detalhadas de procedência, pesticidas 
usados, técnica de cultivo, condições do solo e etc? E a cada vez que 
esse produto trocar de mãos, os dados fossem atualizados 
identificando por quem passou o produto? Especialistas dizem que a 
adoção em grande escala dessas tecnologias pode ser responsável 
pelo maior salto na produtividade agrícola desde a mecanização. 
Mas e o produtor, o que ganha isso? Ele poderia ter mapeado ponto a 
ponto onde o seu produto é mais vendido, a taxa de perda em cada 
etapa do processo, garantindo um fluxo de caixa mais positivo. Os 
dados são muito úteis quando coletados e organizados. Finalmente, 
será possıv́el monitorar a taxa de perda de cada tipo de alimento, do 
cultivo, processamento, consumo e descarte. 
Os agricultores podem personalizar espaços no campo para demandas 
de consumo regionais identificadas no Blockchain e os usuários 
poderão rastrear sem dificuldades a origem dos alimentos diários. 
Frutas, legumes, carne, leite, café, arroz, feijão, soja, milho etc. 
Alimentos processados, como massa de tomate, macarrão, embutidos 
e sucos de frutas. Tudo isso pode estar presente no Blockchain do 
futuro (Transformação Digital TD, S.d.). 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Epitavi
 
 
29 
5.2 Acesso às tecnologias sustentáveis 
Mas e quem não tiver a possibilidade de ter acesso ao que será tão 
essencial quanto a água, a internet? O que será dessas pessoas? Nosso mundo 
ficará dividido em dois? Seremos a nossa própria supressão? 
Quando pensamos que no futuro faltará água, podemos estar muito 
equivocados. Talvez as fontes de água pura, natural, sejam mais escassas. Mas 
já desenvolvemos tecnologias que tornam a água potável, a mesma que 
deixamos escoar pelo ralo da cozinha, do banho ou da descarga. São Paulo já 
vive esta realidade (Ferreira, 2015; Portal Tratamento de água, 2018) com o 
reuso de água tratada em setores industriais, e a Namíbia, desde 1968, trata a 
água do esgoto para consumo, atendendo a todos os parâmetros de purificação 
exigidos pela Organização Mundial de Saúde e União Europeia. É um processo 
ainda caro, mas quanto maior for a procura, maior será a oferta. 
O mesmo já ocorre com a dessalinização da água do mar, a um custo, em 
média, duas vezes maior do que o tratamento convencional. Países como 
Inglaterra, Estados Unidos e Israel, além do desértico EmiradosÁrabes, fazem 
uso dessa tecnologia (The International Herald Tribune, 2010); alguns a 
terceirizam. Então, mesmo que continuemos jogando lixo nos oceanos, já temos 
duas estratégias para nos ajudar no futuro. Porque, como já vimos, se existe a 
necessidade, daremos um jeito. O problema será o acesso. 
Alguns povos indígenas não enterravam seus mortos nem os jogavam ao 
mar. Eles os depositavam em um local chamado sambaqui. Nesse mesmo lugar, 
eram depositadas conchas, utensílios e outros objetos referentes à comunidade. 
Era tanta coisa que formavam pequenos relevos na paisagem, alguns com 18 
metros de altura. Hoje são importantes fontes de pesquisa arqueológica. Imagine 
no futuro, quando escavarem locais como o Parque Fresh Kills (em Nova York, 
nos Estados Unidos). O local onde hoje há uma imensa área verde e captação 
de gás metano como fonte de energia já foi o maior aterro sanitário do mundo. 
Recebia mais de 25 mil toneladas de lixo por dia, resíduos diversos – 
biodegradáveis ou não – que foram enterrados para recuperação da área. 
Guarda certa semelhança com antigas tradições. Mas será que os 
pesquisadores do futuro ficarão tão entusiasmados quanto os arqueólogos de 
hoje? Qual impressão terão de nossa civilização? Teremos uma chance de 
 
 
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acharem que foi intencional, já que, por exemplo, estamos aproveitando nosso 
próprio desastre como matéria-prima para gerar energia? 
E os mares, que hoje sabemos ser o maior responsável pelo equilíbrio 
térmico da Terra, com algas que filtram o CO2 e devolvem oxigênio para a 
atmosfera, talvez terão em seu hábitat novos exemplares marinhos. Partindo do 
princípio da Lei de Lavoisier (1760), que diz que “Na natureza nada se cria, nada 
se perde, tudo se transforma”, teremos peixes mutantes que se alimentarão de 
micropartículas de plástico. Ainda não inventamos nada que reverta a situação 
que causamos aos mares, mas já descobrimos como reverter o que fizemos com 
os rios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: Alexmalexra/Shutterstock. 
Um investimento pesado em limpeza e longos anos de trabalho duro 
recuperaram rios como o Tamísia, na Inglaterra, o Senna, na França, e o rio 
Reno (Haydeé, 2016) que passa por várias cidades da Europa. Todos eles e 
tantos outros sofreram danos que pareciam irreversíveis, e alguns chegaram a 
ser considerados biologicamente mortos, consequência da evolução humana por 
séculos, com sua necessidade de atender a novas demandas de consumo em 
seu tempo. Mas investimentos que passaram da casa dos bilhões conseguiram 
reverter os danos e hoje, além de devolverem o hábitat para as vidas nativas de 
suas águas, também tornaram as cidades locais menos fedidos e mais atrativos. 
No Brasil, ainda não vivemos uma experiência assim com o rio Tietê (SP) ou o 
rio Iguaçu (PR), os mais poluídos do país. Mas já estamos experimentando o uso 
de novas tecnologias para o financiamento da recuperação de rios menores, 
como o Jundiai, no estado de São Paulo,12 onde pesquisadores desenvolveram 
 
12 Falaremos sobre este caso mais adiante. 
 
 
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um projeto que usa moedas virtuais (bitcoins) para financiar pesquisas de 
recuperação do rio. 
 
 
 
 
 
 
Crédito: vovan/Shutterstock. 
Nas florestas, onde normalmente o sinal do Wi-Fi não é muito bom, 
também se usa a tecnologia para proteger as matas. Os índios Saruí, da 
Amazônia, usam a tecnologia de smartphones e a ajuda do Google para 
defender o território contra os caçadores e madeireiros: 
Nos meses seguintes, após muitas reuniões de trabalho com sua 
equipe [a gerente de projetos Comunitário da Google, Rebeca Moore], 
organizou um projeto e partiu da Califórnia em direção à reserva saruí 
para oferecer cursos de capacitação aos índios. Com a ajuda do 
Google Tradutor, os americanos ensinaram a usar smartphones de um 
jeito diferente. Nas mãos dos saruís, esses equipamentos passaram a 
registrar qualquer movimentação estranha na floresta (caçadores, 
madeireiros etc.) para que se registrasse, por GPS. Depois era só 
enviar o material para as autoridades competentes, como a Polícia 
Federal e a Funai. Os índios passaram a se dividir em grupos para 
incursões de até cinco dias na floresta. Vinte e dois índios com 
smartphones tornaram-se responsáveis pela fiscalização, com o apoio 
das autoridades policiais da região (Trigueiro, 2017, p. 84). 
Além de servir como estratégia de defesa, os saruís aproveitaram para 
registrar também todas as espécies de animais e vegetais da reserva, sua 
diversidade biológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crédito: Budimir Jevtic/Shutterstock. 
 
 
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Nos locais já desmatados e fundamentais para a produção de alimentos 
pela agricultura, drones fazem o acompanhamento da plantação enquanto 
tratores e colheitadeiras, sem operadores, guiadas com o uso de um tablet, 
realizam o trabalho de até dez pessoas. 
O crescimento econômico depende de boas tecnologias para que seja 
viabilizado. Algumas não podem ser consideradas sustentáveis, mas quando o 
são, proporcionam desenvolvimento e seus resultados não são colhidos apenas 
em curto prazo. As tecnologias estão cada vez mais acessíveis à população, 
mais próximas do cotidiano das pessoas, tornando a vida de todos mais prática 
e ajudando a mensurar resultados e problemas com maior precisão. 
Essa interação, que também é usada pelo Marketing 3.0, e revista em 
certificações como as ISO, são apenas algumas das estratégias que 
smart-governos poderão utilizar para o crescimento econômico e o 
desenvolvimento sustentável de seus territórios. A negação de que temos um 
futuro em comum no planeta, e de que existe a necessidade de pensar no 
planejamento das cidades, trará, em pouco tempo, o isolamento. A tendência é 
que fique ainda mais distante a realidade entre países pobres e ricos. Será muito 
maior o custo para recuperar qualquer distanciamento que se tenha nesse 
momento sobre os avanços em direção ao desenvolvimento, 
independentemente de quanto a economia local seja uma potência hoje. 
TROCANDO IDEIAS 
Agora que foram apresentados conceitos para que você possa 
compreender a dimensão das novas tecnologias frente ao desenvolvimento 
sustentável, encolha um dos casos apresentados para debater com seus 
colegas. Lembre-se de indicar algumas referências que possam ilustrar o seu 
posicionamento. 
NA PRÁTICA 
Certamente você já ouviu falar da estação brasileira na Antártica, a 
Comandante Ferraz. Os pesquisadores que ficavam hospedados na base 
passavam meses por lá e tinham muita dificuldade em compartilhar dados com 
as universidades de origem, com outros pesquisadores e alunos. Mas a situação 
mudou um pouco com a instalação de internet. Para realizarmos uma prática: 
 
 
33 
 leia a reportagem a seguir, publicada pelo portal do Ministério da Ciência, 
Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em março de 2019; 
 indique de que modo a internet contribuirá para os avanços nas pesquisas 
realizadas na Estação Antártica Comandante Ferraz, na preservação do 
meio ambiente e no desenvolvimento sustentável do Brasil. Fale também 
sobre a importância desse investimento nesse contexto; 
 no conteúdo desta aula você encontra várias referências que o ajudarão 
nessa prática, mas será necessário que você as leia, analise e 
contextualize, levando em consideração as seguintes referências: 
o Tratado da Antártica (Decreto n. 75.963/1975); 
o Acordo de Paris (Acordo do Clima) (Decreto n. 9.073/2017). 
 o Acordo de Paris apresenta as demandas necessárias para frear os 
danos ambientais consequentes do aquecimento global. O Tratado da 
Antártica trata do compartilhamento de pesquisas em prol da 
humanidade. Entre as pesquisas que são realizadas nesse território 
internacional estão aquelas relacionadas ao clima e ao aquecimento da 
temperatura do planeta. 
Reportagem: 
MCTIC, ANATEL, MARINHA DO BRASIL E OI INAUGURAM A NOVABASE DE TELECOMUNICAÇÕES NA ANTÁRTICA 
Sistema antigo permitia aos pesquisadores somente chamadas 
por voz e novo sistema permite voz, vídeo e até videoconferência 
online (ao vivo). 
por ASCOM - publicado 10/03/2019 19h17. Última modificação 
22/05/2019 09h13. 
O que parece simples para quem vive em grandes cidades brasileiras, 
agora será rotina também para os pesquisadores que passam boa 
parte do ano na EACF – Estação Antártica Comandante Ferraz. 
A ampliação e modernização do sistema de telecomunicações foram 
possíveis graças a intermediação do MCTIC através da Anatel, para a 
renovação do acordo entre Marinha e Oi, criado em 2006 e prorrogado 
em 2018 por mais cinco anos. 
Com vinte vezes mais capacidade de transmissão de dados, agora a 
rede móvel com conexão 4G vai atenuar o isolamento dos cientistas e 
pesquisadores, permitindo a transmissão de imagens de pesquisas e 
informações que incluem as observações atmosféricas que podem 
reduzir as consequências de eventos meteorológicos severos no 
Brasil. 
Especialistas afirmam que a Região Sul, parte do Sudeste e Centro-
Oeste tem sofrido com tempestades de alto poder destrutivo. Esses 
eventos são alimentados pelos ventos úmidos com temperaturas 
negativas que chegam da Antártica. Esses ventos são tão importantes 
quanto os que circulam pelo país, mas que saem da Amazônia. Ou 
seja, Antártica e Amazônia são as principais fontes de energia para os 
temporais que provocam impacto socioeconômico direto na agricultura, 
 
 
34 
por exemplo, e que, consequentemente, interferem na economia e na 
vida dos brasileiros. 
Pesquisas 
Recentemente pesquisadores brasileiros descobriram um princípio 
ativo que vem dos fungos que pode aumentar a resistência das plantas 
no inverno. O estudo faz parte do PROANTAR – Programa Antártico 
Brasileiro. Criado em 1982, já realizou, por ano, vinte projetos de 
pesquisas, nas áreas de oceanografia, biologia marinha, glaciologia, 
geologia, meteorologia e arquitetura, além de permitir à Marinha do 
Brasil, com o apoio da FAB – Força Aérea Brasileira, realizar uma das 
maiores operações de apoio logístico, em termos de complexidade e 
distância. 
Pesquisas científicas de qualidade estão sendo desenvolvidas desde 
a década de 1980, requisito fundamental para o Brasil fazer parte do 
seleto grupo mundial de apenas 29 países que definem o futuro do 
Continente Branco no Tratado Antártico. 
O tratado da Antártica entrou em vigor em 1961. Por ele os países têm 
direito a exploração científica do continente em regime de cooperação 
internacional. 
A Antártica, o espaço e os fundos oceânicos constituem as últimas 
grandes fronteiras ainda a serem totalmente conquistadas pelo homem 
(Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, 2019). 
FINALIZANDO 
Chegamos ao fim de mais uma aula. Falamos sobre os conceitos que 
definem desenvolvimento sustentável e outros conteúdos relacionados. A 
abordagem histórica permitiu uma reflexão sobre como o Brasil cresceu na 
defesa do meio ambiente e enfrentou as críticas ao longo do ano. Críticas que 
ainda enfrenta e apontam para necessidades de investimentos no setor para a 
superação dos desafios que vêm sendo impostos. Podemos dizer que os 
investimentos em tecnologia, com regulamentações, poderão ser muito úteis 
para o crescimento econômico, com a preservação do meio ambiente. Essa 
realidade não está restrita ao país com a maior área da Amazônia, mas a todo o 
mundo, pois todos devem trabalhar em cooperação submetendo os interesses 
políticos aos interesses pela manutenção dos recursos para esta e para futuras 
gerações. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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Fronteira, 2002. 
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e Comunicações, 10 mar. 2019. Disponível em: 
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_____. NBR ISO 26000:2010: diretrizes sobre responsabilidade social. ABNT: 
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celebrado em Paris, em 12 de dezembro de 2015, e firmado em Nova Iorque, 
em 22 de abril de 2016. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 
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Antártida. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 jul. 1975. 
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http://g1.globo.com/hora1/noticia/2015/08/tecnologia-facilita-o-reuso-da-agua-em-paises-que-sofrem-com-escassez.html

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