Prévia do material em texto
15/03/2024 1 FLUIDOS DE PERFURAÇÃO E COMPLETAÇÃO Professor: Roque Machado de Senna 2024-1 Bibliografia Básica: I. MACHADO, J. C. V. Reologia e Escoamento de Fluidos: Ênfase na Indústria de Petróleo. Rio de Janeiro, Interciência, 257 p., 2002. II. DARLEY, H. C. H.;GRAY, G. R. Composition and Properties of Drilling and Completion Fluids. 5th ed., Houston, Gulf Professional Pub, 643 p., 1988. III. THOMAS, J. E. Fundamentos de Engenharia de Petróleo. 4ª Edição. Rio de Janeiro: Interciência, Bibliografia Complementar: IV. PETRU STEFAN, Manual de Fluidos de Perfuração, 2ª Edição, 537p., 1982, Editora PETROBRÁS/ DEPER/DPBA, Salvador, BA. V. NASCIMENTO, A.; GONÇALVES, J. L. Operations Review and Drilling Optimization for the Brazilian Pre-Salt: a focus on drilling fluids. 1ª Edição. Saabrücken: Lambert Academic Publishing, 2014. VI. Franco Brunetti, Mecânica dos Fluidos, 448p, 2ª Edição, Editora Pearson Universidades, 2008, São Paulo, SP, ISBN-13.9788576051824. VII. Merle Potter, David Wiggert, Bassem Ramadan, Mecânica dos fluídos, 2ª Edição, 728p, Editora Cengage, 2014, São Paulo, SP, ISBN-13. 978-8522115686 VIII. W. N. L. Fenômenos de Transporte para Engenharia. São Carlos: RIMA, 2003. IX. Gilberto Ieno e Luiz Negro, Termodinâmica, 220 páginas, Editora Pearson, São Paulo SP, ISBN: 978- 85-87918-75-8, 2004. X. Claus Borgnakke e Richard E. Sonntag, Fundamentos da Termodinâmica, 730 páginas, Editora Blucher, Tradução a 8ª Edição Americana, 978 65-212-0792-4, 2013. 2 3 Fluidos de Perfuração e Completação Ementa: 1. Classificação, viscosidade aparente, equações constitutivas, medidas de propriedades reológicas, perda de pressão em escoamentos laminares completamente desenvolvidos para fluidos independentes do tempo. 2. Perda de carga em escoamentos turbulentos completamente desenvolvidos. 3. Fluidos viscoelásticos. Objetivos Específicos: 1. ingressar com conhecimentos específicos sobre fluidos de perfuração e completação. 2. Entender conceitos básicos sobre equipamentos e características dos fluidos. 3. Compreender as aplicações de fluidos em atividades de perfuração e completação. 1. Apresentação da Disciplina, introdução aos Fluidos de Perfuração e Completação; 2. Visão geral das Estruturas de Perfuração, Completação, e Produção para a exploração de Petróleo; 3. Pressão hidrostática exercida por fluidos de perfuração em poços de petróleo; 4. Massa específica, e densidade equivalente, aplicada a fluidos de perfuração e completação; 5. Pressão da formação, pressões no sistema sonda-poço, e avaliação de pressões de superfície no fechamento de poços, em situação de kicks (invasão de fluidos advindos das formações); 6. Manipulação da pressão de circulação durante a perfuração de um poço de petróleo; 7. Estimativas de pressão de fratura de uma formação em águas profundas; 8. Determinação da pressão de bombeio, das pressões atuantes no fundo do poço, no topo dos comandos, e respectiva ECD (Densidade equivalente de circulação), em poço de água profunda; 9. Fluido Viscoso Ideal, e a Lei de Newton para a Viscosidade; 10. Tensão de cisalhamento, Viscosidade absoluta ou dinâmica , Viscosidade cinemática; 11. Teorema de Stevin, Lei de Pascal, Carga de pressão, Equação Manométrica; 12. Reologia, Viscosidade, e Viscoelasticidade; 13. Viscoelasticidade, modelos de Kelvin-Voigt e Maxwell; 14. Modelo Reológico de Ostwald de Waale, ou Fluido de Potência; 15. Determinação gráfico/analítico, e interpretação do Modelo Reológico de Potência, via Matlab; 16. Modelo Reológico Bingham ou Plástico Ideal, determinação gráfico/analítico, via Matlab; 17. Modelo Herschell-Buckley/Potência Modificado, determinação gráfico/analítico, via Matlab; 18. Modelos Reológicos de Casson e de Robertson –Stiff; 19. Viscosimetria, Viscosímetro Baroid 286, Viscosímetro Tubular ou Tubo-capilar, Viscosímetro Fann Metter 35A, avaliação das medições por métodos gráfico/analítico, via Matlab; 20. Escoamento por tubos e anulares, perda de carga em escoamentos laminares e turbulentos, determinação gráfico/analítico, via Matlab. 21. Aplicações para os Fluidos em atividades de perfuração e completação 4 Conteúdo Programático 5 1. Se destinam a limpar, esfriar, lubrificar a broca, e a coluna de perfuração; 2. Controlar as pressões de subsuperfície; 3. Transportar, para a superfície, os fragmentos triturados pela broca, ou os provenientes de desmoronamentos, permitindo a sua separação, por meio dos equipamentos de superfície. 4. Manter em suspensão, durante as paralisações da circulação, tanto o cascalho a ser removido do poço, como as partículas inertes da própria fase dispersa. 5. Prevenir o desmoronamento das formações perfuradas; 6. Permitir a obtenção do maior número possível de informações das camadas perfuradas; 7. Suportar uma parte do peso das colunas de perfuração, e de revestimentos, devido ao empuxo. Fluidos de Perfuração e Completação Fluidos de Perfuração e Completação -2 8. Formar um reboco de consistência adequada, ao longo das paredes do poço, consolidando-as, com o objetivo de minimizar o desmoronamento, e reduzir a filtração em camadas permeáveis; 9. Reduzir ao mínimo a danificação das formações produtoras; 10. Transmitir potência hidráulica às brocas; 11. Prevenir a corrosão da coluna de perfuração; 12. Reduzir ao mínimo o risco de vida das equipes de perfuração, bem como o perigo de incêndio; 13. Reduzir os custos com as colunas de revestimentos. 6 15/03/2024 2 Fluidos de Perfuração e Completação - 3 7 Fluidos de Perfuração e Completação - 4 8 PLATAFORMA SEMI-SUBMERSÍVEL: formada por um ou mais conveses, apoiado por colunas em flutuadores submersos. A estabilidade é controlada por um sistema de ancoragem (âncoras, cabos e correntes) e de posicionamento dinâmico, com propulsores instalados no casco. RISERs: são dutos suspensos que conectam a unidade de exploração ou produção, de um poço de petróleo, aos equipamentos submarinos no leito marinho, também objetiva encapsular e proteger os equipamentos de perfuração, tais como drill pipes e revestimentos, também serve de conduto ao poço, bem como aloja a coluna de perfuração em seu interior, para que o retorno do fluido de perfuração possa ocorrer no espaço anular existente entre o riser e a coluna de perfuração. FPSO (FLOATING, PRODUCTION, STORAGE AND OFFLOADING), trata-se de navio adaptado para receber, processar e armazenar o petróleo, também permitir a transferência do petróleo e/ou gás natural a outro navio de transporte. Posiciona-se no convés do FPSO, uma planta de processo, para pré-processar os fluidos produzidos pelos poços. MANIFOLD SUBMARINO é um equipamento constituído de um conjunto de válvulas e acessórios que possibilitam direcionar a produção de vários poços para um sistema coletor de produção, também dividir o fluxo, enviá-lo de acordo com a finalidade e a direção desejada. CABOS UMBILICAIS são condutos utilizados para conexão entre as estações e os poços submarinos de petróleo, tais como: cabos elétricos, hidráulicos, de dados de telecomunicações, de fluídos e produtos químicos. Fluidos de Perfuração e Completação -5 9 10 Fluidos de Perfuração e Completação -6 11 Fluidos de Perfuração e Completação - 7 Fluidos de Perfuração e Completação – Conceitos Fundamentais COMPLETAÇÃO DE UM POÇO: se refere ao conjunto de operações realizadas, após a sua perfuração, destinada a elevar o fluido obtido nas formações até a superfície, também, injetar fluidos nos reservatórios para se obter melhorias na produção. Se incluem a instalação de equipamentos de superfície, a colocação de fluido de completação, instalação da coluna de produção, canhoneio, e a colocação do poço em produção. PERFILAGEM: operação realizada, normalmente, após a perfuração, e anterior à completação, com a finalidade de obter uma imagem das características das formações atravessadas, e dados de propriedades tais como: temperatura, geometria do poço, estruturas adjacentes, também útil na estimativa de porosidade, e litologia, adicionalmente,identificar qualitativamente, e quantitativamente, a existência, e o potencial para extração de fluidos, porventura, existentes no meio poroso. LINER: É um revestimento fixado no revestimento anterior à cabeça do poço. Essa característica permite uma grande redução de custo, melhora o desempenho hidráulico do poço, permitindo que tubos de maior diâmetro possam ser utilizados acima do Liner, além de reduzir os esforços de tração devido ao menor peso da coluna. VÁLVULA DE SEGURANÇA DE SUBSUPERFÍCIE (DHSV - Down Hole Safety Valve), componente da coluna de produção posicionada, normalmente, acerca de 30 metros abaixo do nível inferior do mar, com objetivo de fechar o poço em casos de acidentes, ou ocorrências pertinentes, não podendo ser danificada por fogo ou colisão, devido ao seu posicionamento. A DHSV contém uma mola que tende a fechá-la, sendo mantida na posição aberta por uma linha de controle conectada à superfície. 12 15/03/2024 3 Fluidos de Perfuração e Completação – Conceitos Fundamentais 2 Pressão Hidrostática (Ph, N/m²) é uma grandeza físicaexpressanosistemaSIcomoopesoespecíficodo fluido (γ, N/m³) multiplicado pelo desnível (h, m), comoestabelece aLeideStevin. Nota: pode também ser expressa em: din/cm²; psi = lbf/cm²; lbf/ft²; (e seexpressaempressãoabsoluta, psia = pressão manométrica local acrescida de 14,7 psi, sistema de campo), sendo usada de modo predominante comopressãorelativa, oumanométrica. Ph =γ.h Ph = ρ. g. h Ph = 0,17. ρ. h ... (01) Eq-01,utilizada nosistemadecampo: ρ = lb/gal=119,841kg/m³ 0,17= constante deconversão h =metros g=9,81m/s² 1psi=6,895kPa 1 bbl = 0,1589873 m³: Exemplo01: determinar a pressão hidrostática atuando no fundodeumpoço verticalde3.000 metros deprofundidade,utilizando-sedeumfluidocommassa específica de 10 lb/gal. Utilizar o SI, e o sistema de campo,paraasolução. Ph = 0,17. ρ. h Ph = 0,17. 10. 3.000 Ph = 5.100 psi Ph = ρ. g. h=10. 119,841. 9,81. 3.000 Ph = 35.269,14 kPa Convertendo para o sistema de campo, ... Ph = 35.269,14/ 6,895 Ph = 5.115,2 psi Exemplo 02: determinar a pressão hidrostática exercida por 300 bbl de fluido de perfuração de 10 lb/gal em um poço vertical de 8 ½” de diâmetro. D = 8,5. 0,0254 D = 0,2159m A = pi. D²/4 A = 0,03661m² H=300.0,1589873/0,03661 [m³/m²], H =1.303m Ph = 0,17. 10. 1.303 Ph =2.214,8 psi Ph = ρ. g. h=10. 119,841. 9,81. 1.303 Ph = 15.318,6kPa /6,895, ... 2.221,7 psi 13 Fluidos de Perfuração e Completação – Conceitos Fundamentais 3 14 Massa Específica ou Densidade Equivalente (ρe, kg/m³, Lbf/gal) é grandeza física expressa no sistema SI como pressão hidrostática (Ph, Pa, psi) pelo peso específico do fluido (γ, N/m³, Lbf/gal) . ρe = Ph /(g. h) ρe = Ph /(0,17. h) Sendo: ρ e = lb/gal = 119,841 kg/m³ 0,17 = constante de conversão h = metros g = 9,81 m/s² 1 psi = 6,895kPa, 1bbl= 0,1589873 m³ Exemplo 03: determinar a massa específica equivalente atuando no fundo de um poço vertical de 2.500 metros de profundidade, no qual foi realizado medição de pressão na superfície do poço, no tubo bengala, de 300 psi. Sabe-se que o fluido de perfuração possui massa específica de 9,3 lb/gal. Determinação da pressão hidrostática exercida pelo fluido no fundo do poço; Ph = 0,17. 9,3. 2.500 Ph = 3.952,5 psi Determinação da pressão total exercida pelo fluido [Pt], e a viscosidade equivalente [ρe] que considera todos oscomponentes presentesnofluido; Pt = Pb + Ph= 300+3.952,5 Pt = 4.252,5 psi ρe = Pt /(0,17. h)= 4252,5/(0,17. 2.500) ρe = 10,01 Lbf/gal x119.841= ... ρe = 1.199,11 kg/m³ Exemplo 04: a pressão de circulação durante a perfuração de um poço é de 2.500 psi, a velocidade da bomba de 100 strokes por minuto (spm), e o fluido de perfuração possui massa específica de 9 lb/gal. Determine a nova pressão de bombeio, caso o operador altere a velocidade para 90 spm, e eleve a massa específica do fluido em 1,0 Lbf/gal? ... Fluidos de Perfuração e Completação – Conceitos Fundamentais 4 15 Manipulação da pressão de circulação durante a perfuração de um poço de petróleo Exemplo 04: a pressão de circulação durante a perfuração de um poço é de 2.500 psi, a velocidade da bomba de 100 strokes por minuto (spm), e o fluido de perfuração possui 9 lb/gal de massa específica. Determine, de modo aproximado, a nova pressão de bombeio, caso o operador altere a velocidade para 90 spm, eleve a massa específica do fluido em 1,0 Lbf/gal, e mantenha a temperatura? v1 = 100 spm; p1 = 2.500; ρ1 = 9lb/gal v2 = 90 spm; p2 = ? ρ2=10lb/gal Usando a equação da energia para considerar o equilíbrio velocidade/pressão: p1 /γ1 - (v1)². /2g =0 ... (01) p2 /γ2 - (v2 )². /2g =0 ... (02) γ1 = ρ1. g γ2 = ρ2. g ... (03) ... (04) Manipulando as eq-01,02,03,04, temos: p2 = p1. (v2 / v1)². (ρ2 /ρ1); p2=2.500.(90/100)². (10 /9) p2 = 2.250 psi p2 = 2.250. 6,895 p2 = 15.513kPa Os valores das perdas de carga no regime turbulento, e das perdas de carga localizadas, e as por fricção, são diretamente proporcionais à massa específica do fluido em circulação, e aproximadamente proporcionais ao quadradodavelocidade dabomba. Exemplo 05: um poço marítimo foi fechado tendo em vista um problema denominado de kick (invasão de gás, advinda das formações). Esse kick possui um gradiente hidrostático de 0,30 psi/m, o poço possui profundidade de 2.500m, e o mar possui profundidade de 700m. Determine a pressão de superfície após o fechamento. Fluido perfuração: ρ1= 9lb/gal Linha de choque: ρ2=8,5lb/gal Formação produtora kick: ρ3=9,5lb/gal Altura do kick espaço anular: 200m ... Continua SL-13 ... Fluidos de Perfuração e Completação – Conceitos Fundamentais 5 Pressão de poros da formação, pressões no sistema sonda-poço, e avaliação de pressões de superfície no fechamento de poços, em situação de kicks Kicks: invasão defluidos advindos dasformações Exemplo 05: um poço marítimo foi fechado tendo em vista um problema denominado de kick (invasão de gás, advinda das formações). Esse kick possui um gradiente hidrostático de 0,30 psi/m, o poço possui profundidade de 2.500m, e o mar possui profundidade de 700m. Ph = 0,17. ρ. h Determine a pressão de superfície, aproximada, após o fechamento. Fluido perfuração: ρ1= 9lb/gal Linha de choque: ρ2=8,5lb/gal Formação produtora kick: ρ3=9,5lb/gal Altura do kick no espaço anular: 200m ... Pressão hidrostática fluido fundo da coluna: P1 = 0,17. 9. 2.500 P1 = 3.825 psi Pressão da formação no fundo da coluna: P2 = 0,17. 9,5. 2.500 P2 = 4.037,5 psi Pressão exercida na superfície da coluna: P3 = 4.035,5 – 3.825 P3 = 212,5 psi Pressão exercida na linha choque, altura mar P4 = 0,17. 8,5. 700 P4 = 1.011,5 psi Pressão exercida na linha kick P5 = 200. 0,30 P5 = 60 psi Pressão fluido perfuração na coluna choke: P6 = 0,17. 9. 1.600 P6 = 2.448 psi Pressão exercida na superfície do choke: P7 = 4.037,5 – 2.448 – 1.011,5 – 60 P7 =518psi 16