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ISBN 978-65-5821-151-8
9 786558 211518
Código Logístico
I000643
SANEAMENTOSANEAMENTO
SAÚDEe
AMBIENTAL
SANEAMENTOSANEAMENTO
e SAÚDE
AMBIENTALAMBIENTAL
Patricia Bilotta
SAÚDE
Patricia Bilotta
e
AMBIENTAL
SAÚDE
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SAÚDE
e
AMBIENTAL
SANEAM
ENTO
SANEAM
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SAÚDEAMBIENTAL
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
eeee
Patricia Bilotta
Patricia Bilotta
Patricia Bilotta
SAÚDEAMBIENTAL
SAÚDEAMBIENTAL
SAÚDEAMBIENTAL
Saneamento e 
saúde ambiental 
Patricia Bilotta
IESDE BRASIL
2022
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
© 2022 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Anusorn Nakdee/Shutterstock
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
B495s
Bilotta, Patricia
Saneamento e saúde ambiental / Patricia Bilotta. - 1. ed. - Curitiba 
[PR] : IESDE, 2022. 
118 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5821-151-8
1. Saneamento. 2. Saneamento - Aspectos ambientais. 3. Água - Uso. 
I. Título.
22-77929 CDD: 628.5
CDU: 628
Patricia Bilotta Doutora e mestre em Engenharia Hidráulica e 
Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos 
da Universidade de São Paulo (EESC-USP). Especialista 
em Projetos Sustentáveis e de Mitigação das Mudanças 
Climáticas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) 
e em Geoprocessamento pela Pontifícia Universidade 
Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Graduada em 
Química Industrial pela Universidade Federal de São 
Carlos (UFSCar). Professora permanente do Programa 
de Pós-Graduação em Desenvolvimento Local (PPGDL) 
e pesquisadora-membro do Núcleo de Estudos em 
Ecossocioeconomia dos programas de Pós-Graduação 
em Meio Ambiente e Desenvolvimento e em 
Desenvolvimento Territorial Sustentável da UFPR. Atua 
nas seguintes linhas de pesquisa: economia circular 
(água, energia e resíduos); economia de baixo carbono 
(mitigação e gestão de emissões de Gases de Efeito 
Estufa – GEE, estratégias de adaptação às mudanças do 
clima); e nature based solutions (NBS).
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
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SUMÁRIO
1 Saneamento e saúde 9
1.1 Introdução ao saneamento 9
1.2 Saneamento básico e saneamento ambiental 11
1.3 Doenças de veiculação hídrica 16
1.4 Política Nacional de Saneamento Básico 20
1.5 Saneamento e urbanização 23
2 Controle da poluição hídrica 31
2.1 Instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos 31
2.2 Indicadores de qualidade da água 41
2.3 Parâmetros e limites de qualidade da água 44
3 Sistemas de tratamento de água de abastecimento 52
3.1 Usos múltiplos da água 52
3.2 Tratamento convencional da água 58
3.3 Tratamento avançado da água 62
4 Sistemas de tratamento de efluentes 70
4.1 Origem e características dos efluentes 70
4.2 Tratamento convencional dos efluentes 74
4.3 Tratamento avançado dos efluentes 79
4.4 Reúso de água 84
5 Resíduos sólidos 91
5.1 Introdução aos resíduos sólidos 92
5.2 Origem e classificação dos resíduos sólidos 96
5.3 Tratamento e destinação dos resíduos sólidos 100
5.4 Recuperação de energia e materiais 105
 Resolução das atividades 112
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Esta obra reúne os elementos fundamentais para a 
compreensão da importância do investimento dos municípios 
em saneamento básico, sobretudo em áreas urbanas. O 
texto está organizado em cinco capítulos: i) Saneamento 
e saúde; ii) Controle da poluição hídrica; iii) Sistemas de 
tratamento de água de abastecimento; iv) Sistemas de 
tratamento de efluentes; e v) Resíduos sólidos. O livro trata 
de teoria, conceitos e aplicação de soluções práticas para os 
problemas que envolvem os eixos do saneamento básico e 
traz recomendações de leituras e vídeos que complementam 
o conteúdo abordado no texto.
O primeiro capítulo contextualizará e descreverá os cinco 
eixos do saneamento básico, sua relação com as doenças 
de veiculação hídrica, a poluição ambiental, o processo 
de urbanização e a importância da Política Nacional do 
Saneamento Básico (Lei n. 14.026/2020) na mitigação dos 
impactos ambientais, sociais e econômicos negativos. 
O segundo capítulo discutirá os instrumentos da Política 
Nacional dos Recursos Hídricos (Lei n. 9.433/1997) na gestão 
sustentável das águas brasileiras, apresentará os indicadores 
de avaliação da qualidade dos corpos hídricos superficiais e 
subterrâneos e os limites de acordo com os usos múltiplos. 
O terceiro capítulo descreverá o funcionamento do 
sistema de abastecimento de água e exemplificará algumas 
alternativas de tratamento convencional e avançado. 
O quarto capítulo exporá as principais características das 
águas residuais (esgoto doméstico e efluentes industriais), 
segundo a fonte geradora, retratará os principais aspectos do 
sistema de esgotamento sanitário, as tecnologias de tratamento 
convencional e avançado de efluentes e o reuso de água.
APRESENTAÇÃOVídeo
8 Saneamento e saúde ambiental
Por fim, o quinto capítulo caracterizará a geração de resíduos sólidos 
(origem e classificação) e apresentará as orientações e regulações de 
manejo sustentável (coleta, tratamento, recuperação de energia e de 
materiais e destinação) previstas na Política Nacional dos Resíduos Sólidos 
(Lei n. 12.305/2010).
Ao final do estudo, o aluno será capaz de compreender os problemas 
que resultam da carência de infraestrutura de saneamento básico e suas 
múltiplas dimensões, de conceber as soluções de gestão e tecnologia 
atualmente disponíveis e de entender os instrumentos previstos na 
legislação brasileira, para minimizar os impactos sobre o meio ambiente e 
a saúde humana.
Desejamos que seu estudo seja bastante proveitoso!
Saneamento e saúde 9
1
Saneamento e saúde
Este capítulo trata da importância do saneamento e sua relação com 
as quatro dimensões da Agenda 2030 das Nações Unidas (17 Objetivos 
do Desenvolvimento Sustentável – ODS): ambiental, social, econômica e 
institucional. O conteúdo desta parte está organizado em cinco partes 
que irão abordar o saneamento básico e ambiental; as doenças de vei-
culação hídrica; a política brasileira vigente; e o papel do saneamento no 
processo de urbanização. 
O texto também apresenta conceitos e fundamentação teórica, bem 
como destaca os principais aspectos da legislação brasileira vigente, tra-
zendo dados oficiais sobre o saneamento básico no país. 
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• apresentar e contextualizar os cinco eixos do saneamento básico;
• discutir a diferença entre saneamento básico e saneamento 
ambiental;
• descrever o impacto do saneamento básico na qualidade de vida 
e na saúde humana;
• apresentar os principais aspectos da política nacional de sanea-
mento básico; 
• discutir o papel do saneamento na urbanização.
Objetivos de aprendizagem
1.1 Introdução ao saneamento 
Vídeo
O termo saneamento é definido pela Organização Mundial da Saú-
de (OMS) como o domínio das condições físicas que podem resultar em 
impactos negativos para a saúdefísica, mental e social humana (AMA-
TO-LOURENÇO, 2019). Em outras palavras, há o reconhecimento de que 
o saneamento contempla um conjunto de ações socioeconômicas com 
10 Saneamento e saúde ambiental
o objetivo de assegurar a salubridade ambiental, pois, assim, pode-se 
minimizar o impacto dos fatores físicos na qualidade de vida humana.
O conceito de salubridade ambiental, por sua vez, é compreendido 
como a “qualidade ambiental capaz de prevenir doenças, que são veicula-
das pelo meio ambiente, e de aperfeiçoar as condições favoráveis à saúde 
da população urbana e rural” (VALVASSORI; ALEXANDRE, 2012, p. 2). 
Portanto, pode-se concluir que esses dois conceitos se sobrepõem 
exatamente na dimensão socioambiental, reforçando a importância da 
qualidade das relações diretas e indiretas existentes entre o ser huma-
no e o meio ambiente onde ele está inserido. 
Nesse sentido, o saneamento – com vistas à salubridade ambiental 
– pode ser entendido como um instrumento de promoção da saúde da 
população, seja no meio urbano ou rural, com impacto também na eco-
nomia, pois estima-se que cada R$ 1,00 investido no setor de saneamen-
to reduz em R$ 4,00 os gastos com a medicina curativa (BRASIL, 2004).
Sob uma perspectiva integradora da saúde pública, o saneamento 
da qualidade ambiental e da sustentabilidade econômica pode ser en-
tendido em sua plenitude por meio dos 17 objetivos (ODS) da Agenda 
2030 das Nações Unidas (Figura 1).
Erradicação 
da pobreza 
energia limpa 
e acessível 
ação contra 
a mudança 
global do clima 
saúde e 
bem-estar 
indústria, 
inovação e 
infraestrutura 
vida terrestre 
igualdade de 
gênero 
cidades e 
comunidades 
sustentáveis 
parcerias 
e meios de 
implementação 
Fome zero e 
agricultura 
sustentável 
trabalho decente 
e crescimento 
econômico 
vida na água 
educação de 
qualidade
redução das 
desigualdades 
paz, justiça e 
instituições 
eficazes 
água potável e 
saneamento 
consumo e 
produção 
sustentáveis 
Figura 1
17 objetivos da Agenda 2030 
Fonte: ONU, 2022.
Assista ao vídeo O que são 
os Objetivos de Desenvolvi-
mento Sustentável da ONU?, 
do canal ONU Brasil, para 
entender melhor quais 
são os 17 ODS da Agenda 
2030, por que eles são 
importantes para o desen-
volvimento sustentável e 
como o saneamento está 
inserido nesse assunto. 
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=u2K0F 
f6bzZ4. Acesso em: 7 abr. 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=u2K0Ff6bzZ4
https://www.youtube.com/watch?v=u2K0Ff6bzZ4
https://www.youtube.com/watch?v=u2K0Ff6bzZ4
Saneamento e saúde 11
1.2 Saneamento básico e saneamento ambiental 
Vídeo
Os conceitos de saneamento básico e saneamento ambiental 
são, muitas vezes, tratados como sinônimos, entretanto isso é um 
grande engano. 
As ações contempladas na esfera do saneamento básico se restrin-
gem a um número bastante reduzido de intervenções físicas conside-
radas indispensáveis (básicas) para minimizar o impacto dos fatores 
ambientais sobre a saúde humana. Essas ações englobam um conjun-
to de serviços públicos, de infraestrutura e de instalações 
operacionais que se concentram em cinco eixos de atua-
ção, como vemos na Figura 2: 
Já o saneamento ambiental, por outro lado, é um con-
ceito muito mais complexo e abrangente. Ele envolve um 
amplo leque de serviços direcionados para diferentes 
setores da sociedade, cujos benefícios são sentidos in-
tensivamente pela população, seja de maneira direta ou 
indireta. 
Sendo assim, os serviços destinados à promoção do sa-
neamento ambiental, apesar de englobarem os mesmos 
serviços do saneamento básico, vão muito além das ações 
simplificadas. Esses serviços demandam infraestrutura físi-
ca, educacional, legal e institucional (SOARES; BERNARDES; 
CORDEIRO NETTO, 2002). Em outras palavras, o saneamen-
to ambiental se destina a alcançar o estado de salubridade 
ambiental (AMATO-LOURENÇO, 2019). O Quadro 1 compa-
ra o nível de abrangência de cada conceito.
Figura 2
Eixos de atuação
água 
potável; águas 
residuais; 
resíduos 
sólidos; 
drenagem 
urbana; 
limpeza pública. 
Fe
el
pl
us
Cr
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Sh
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to
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Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 2020a.
As ações previstas nesses objetivos têm como finalidade “acabar 
com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que 
as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de pros-
peridade” (ONU, 2022). E o saneamento vem de encontro com essas 
orientações, pois compreende um conjunto de práticas que tem como 
objetivo proporcionar condições ambientais favoráveis para o pleno 
desenvolvimento da sociedade humana.
12 Saneamento e saúde ambiental
Quadro 1
Saneamento básico e ambiental: serviços
Saneamento básico Saneamento ambiental
 • Abastecimento de água, com garan-
tia de qualidade à saúde humana e em 
quantidade suficiente para as demandas 
básicas de conforto.
 • Coleta, tratamento e disposição ade-
quada e segura de águas residuárias 
(efluentes domésticos, industriais e agrí-
colas).
 • Conservação, coleta, tratamento e des-
tinação de resíduos sólidos (domésticos, 
industriais, agrícolas, comerciais, de lim-
peza pública).
 • Coleta de águas pluviais e controle de 
inundações e alagamentos.
 • Limpeza de vias públicas.
 • Abastecimento de água, com garan-
tia de qualidade à saúde humana e em 
quantidade suficiente para as demandas 
básicas de conforto.
 • Coleta, tratamento e disposição 
adequada e segura de águas residuais 
(efluentes domésticos, industriais e agrí-
colas).
 • Conservação, coleta, tratamento e des-
tinação de resíduos sólidos (domésticos, 
industriais, agrícolas, comerciais, de lim-
peza pública).
 • Coleta de águas pluviais e controle de 
inundações e alagamentos.
 • Limpeza de vias públicas.
 • Controle de vetores de transmissão de 
doenças (insetos, roedores etc.).
 • Segurança alimentar (qualidade e 
quantidade).
 • Saneamento dos meios de transporte.
 • Saneamento e planejamento territo-
rial.
 • Saneamento habitacional, laboral, 
educacional, recreativo e dos serviços de 
saúde.
 • Controle da poluição ambiental (água, 
ar, solo, acústica, visual).
Fonte: Adaptada de Amato-Lourenço, 2019.
Embora as ações na esfera do saneamento ambiental tragam, sem 
dúvida, muito mais benefícios sociais, ambientais e econômicos para a 
sociedade, sua implantação, entretanto, depende de recursos (tecnoló-
gicos, orçamentários, profissionais capacitados, políticas públicas e ca-
pacidade gestora) que a absoluta maioria dos municípios não dispõem 
(AMATO-LOURENÇO, 2019). Por isso, o saneamento básico é a solução 
indicada para promover a salubridade ambiental.
Ainda assim, a situação do saneamento básico no cenário brasileiro 
é muito precária, segundo o relatório do Sistema Nacional de Infor-
mações sobre Saneamento (SNIS), órgão subordinado ao Ministério do 
Desenvolvimento Regional (MDR) (BRASIL, 2020b). 
Faça o levantamento de 
informações a respeito 
da situação do abaste-
cimento de água e da 
coleta e tratamento de 
esgoto do município em 
que você vive, por meio 
de uma consulta à base 
de dados do SNIS (http://
www.snis.gov.br/). Analise 
os resultados, compare-
-os com os dados do ce-
nário nacional e observe 
as informações obtidas.
Desafio
Saneamento e saúde 13
A Figura 3 destaca os principais dados da realidade atual, com dados 
que se referem ao percentual de serviços realizados nos municípios.
Figura 3
Panorama do saneamento básico no Brasil
Rede de 
abastecimento 
de água potável: 
84,1%
Rede coletora de 
esgoto: 55%
Tratamento do 
esgoto coletado: 
50,8%
Coleta de resíduos 
sólidos urbanos: 90,5%
Coleta seletiva dos 
resíduos sólidos 
urbanos: 36,3%
Resíduos sólidos 
domésticos destinados 
a lixões: 14,6%
Resíduos sólidos 
domésticos 
destinados a 
aterro sanitário: 
73,8% Infraestrutura exclusiva 
para drenagem urbana 
de água da chuva: 
45,3%Gestão 
municipal de 
risco hidrológico 
(enchentes e 
inundações): 
28,8%
>50% da população 
residente em áreas de 
risco de inundação:18 
municípios
Sistema de 
alerta de risco 
hidrológico 
(chuvas intensas): 
15,1%
Mapeamento de áreas 
de risco (deslizamento, 
desmoronamento etc.): 
67,7%
Ol
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 T
he
 D
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ig
ne
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ut
te
rs
to
ck
Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 2020b.
Essas informações mostram um cenário bastante preocupante, com 
graves consequências para a saúde coletiva. Os principais destaques no 
relatório do SNIS são os seguintes: apenas 25% da população brasileira, 
aproximadamente, tem acesso a serviços de coleta e tratamento de esgo-
14 Saneamento e saúde ambiental
to doméstico (50% do que é coletado pela rede é tratado, o que correspon-
de a cerca de 25% do total geral de esgoto produzido no país); somente 
28,8% dos municípios possuem um plano de gestão de risco de enchentes 
e inundações; e 26,2% do lixo urbano coletado (soma dos lixões e dos ater-
ros controlados) é destinado para lixões ou aterros controlados. Os piores 
resultados municipais para infraestrutura de esgotamento e destinação 
de resíduos estão nas regiões Norte e Nordeste.
Si
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População total 
atendida com coleta 
domiciliar 190,9 milhões
População total 
atendida 
114,6 milhões
Investimentos em sistemas de esgoto Municípios 
com cobrança
Despesas Totais
R$25,25 bilhões
R$141,22/hab
Custos cobertos 
pela cobrança
1.851
56,5%
1.851
2019
R$5,33 bilhões R$5,89 bilhões
2020
13,1% 
Norte
80,7% 
Norte
30,3% 
Nordeste
83,1% 
Nordeste
80,5% 
Suldeste
96,1% 
Suldeste
47,4% 
Sul
91,5% 
Sul
59,5% 
Centro-Oeste
91,3% 
Centro-Oeste
Figura 4
Coleta de esgoto e de resíduos sólidos por região brasileira
Fonte: Adaptada de Brasil, 2020b.
A B
O esgoto sanitário é uma das principais fontes de disseminação de 
doenças humanas e de poluição dos cursos de águas superficiais (rios, 
riachos, lagos etc.) e águas subterrâneas (lençóis freáticos e poços arte-
sianos) (FORESTI, 2012). 
A Figura 4 apresenta dados da Agência Nacional de Águas e Sanea-
mento Básico (ANA) sobre o panorama da capacidade dos corpos hídri-
cos do país diluírem esgotos municipais. Os resultados desses dados 
sinalizam que a maioria dos cursos d’água do Brasil se enquadram na 
categoria ruim ou nula para diluição de esgoto (ANA, 2017). 
Portanto, o lançamento de esgoto bruto nesses corpos hídricos deve 
resultar em um grave impacto ambiental e na perda da capacidade de 
atendimento da demanda por abastecimento de água potável da re-
gião, devido ao comprometimento da qualidade da água.
Mapa A – Índice de 
atendimento total de esgoto. 
Mapa B – Índice total de coleta 
de resíduos sólidos urbanos.
Saneamento e saúde 15
Figura 5
Capacidade de diluição de esgotos municipais
Fonte: ANA, 2017.
Os lixões são áreas totalmente inadequadas para descartar resí-
duos sólidos porque essas áreas não possuem qualquer infraestrutura 
de controle e manejo do material ali depositado. 
Esse tipo de alternativa, ainda utilizada por muitos municípios bra-
sileiros, traz diversos impactos negativos para a saúde da população 
(transmissão de várias doenças; proliferação de insetos, roedores e 
aves indesejadas; e maus odores) e para a qualidade ambiental (con-
taminação do solo; poluição dos lençóis freáticos e poços artesianos; 
desvalorização imobiliária da região; e poluição visual). 
16 Saneamento e saúde ambiental
A solução recomendada é a coleta seletiva dos 
resíduos sólidos, a recuperação de materiais que 
têm valor econômico (como papel, papelão, plástico, 
vidro e alumínio) e a destinação dos resíduos orgâ-
nicos para aterros sanitários com infraestrutura de 
recuperação de energia, isto é, produção de biogás 
por meio da decomposição biológica dos compostos 
orgânicos (SOUTO; POVINELLI, 2012).
A drenagem urbana é outra medida de sanea-
mento básico muito importante para promover a 
saúde humana e ambiental. Chuvas intensas po-
dem provocar inundações, alagamentos, erosão e 
assoreamento, e esses fenômenos causam vários prejuízos, como mor-
tes e perda de bens materiais (por enchentes), transmissão de doenças 
de veiculação hídrica (como a leptospirose), danos e estragos em in-
fraestruturas urbanas (parques, asfalto, calçamento, sinalização, pon-
tes etc.), tendo maior impacto sobre a população residente em áreas 
mais vulneráveis. 
Portanto, obras de engenharia são recomendadas (reservatórios 
subterrâneos, galerias e canais de água de chuva etc.) a fim de favorecer 
o escoamento da água em dias de intensa precipitação (CHRISTOFIDIS; 
ASSUMPÇÃO; KLIGERMAN, 2019).
1.3 Doenças de veiculação hídrica 
Vídeo
Cerca de 15 mil mortes, além de 350 mil internamentos, são regis-
tradas anualmente no Brasil em razão da precariedade dos serviços 
de saneamento básico, e as crianças são as mais vulneráveis (84%), 
segundo as Nações Unidas (LEMOS, 2020). Essa lamentável realidade 
é o resultado do panorama precário de atendimento dos serviços de 
saneamento básico (água, esgoto, resíduos, drenagem, limpeza públi-
ca) prestados pelos municípios brasileiros, sendo as regiões Norte e 
Nordeste as mais impactadas por esse problema.
O Quadro 2 destaca as doenças predominantes causadas pelo con-
tato direto (consumo) ou indireto (utilização na preparação de alimen-
tos e atividades diárias) com águas contaminadas. A diarreia aguda é a 
principal doença responsável por morbimortalidades no Brasil e em 
morbimortalidade: 
relação entre casos de 
enfermidade/morte e 
número de habitantes em 
um lugar e momento.
Glossário
Dm
ytro Falkowskyi/Shutterstock
Saneamento e saúde 17
países subdesenvolvidos e a transmissão também ocorre pelo contato com um indivíduo 
doente (BRASIL, 2010).
Quadro 2
Doenças de veiculação hídrica
Doenças Origem/consequência
Diarreia aguda
 • Ausência ou precariedade no sistema de esgotamento sanitário (precariedade nos 
serviços de saneamento básico).
 • Consumo de água contaminada.
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
 • Fonte: a) bactérias (staphylococcus aureus, campylobacter jejuni, escherichia coli 
enterotoxigênica, escherichia coli enteropatogênica, escherichia coli enteroinvasiva, 
escherichia coli enterohemorrágica, salmonella, shigella dysenteriae, yersinia 
enterocolitica, vibrio cholerae); b) vírus (astrovírus, calicivírus, adenovírus entérico, 
norovírus, rotavírus); c) parasitas (entamoeba histolytica, cryptosporidium, balantidium 
coli, giardia lamblia, isospora belli).
Cólera
 • Ingestão de água contaminada por esgoto sanitário (precariedade nos serviços de 
saneamento básico).
 • Consumo de alimentos preparados ou produzidos com água contaminada (exem-
plos: irrigação de verduras, moluscos e crustáceos).
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
Febre tifoide
 • Ingestão de água contaminada por esgoto sanitário (precariedade nos serviços de 
saneamento básico).
 • Consumo de alimentos preparados ou produzidos com água contaminada (exem-
plos: irrigação de verduras, moluscos e crustáceos).
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
Verminoses
 • Ingestão de água contaminada por esgoto sanitário (precariedade nos serviços de 
saneamento básico).
 • Consumo de alimentos preparados ou produzidos com água contaminada (exem-
plos: irrigação de verduras, moluscos e crustáceos).
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
 • Fonte: parasitas (amebíase, giardíase).
Hepatite A
 • Ingestão de água contaminada por esgoto sanitário (precariedade nos serviços de 
saneamento básico).
 • Consumo de alimentos preparados ou produzidos com água contaminada (exem-
plos: irrigação de verduras, moluscos e crustáceos).
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
Leptospirose
 • Ingestão de água contaminada por enchentes (precariedade nos serviços de sanea-
mento básico).
 • Contato com esgoto sanitário lançado em rios e lagos sem tratamento adequado.
 • Contato com animais contaminados (doentes).
 •Consumo de alimentos preparados ou produzidos com água contaminada (exem-
plos: irrigação de verduras, moluscos e crustáceos).
 • Falta de higiene adequada (corporal, domiciliar, laboral).
 • Fonte: urina de rato (transmissão por via cutânea).
Fonte: Elaborado pela autora com base em Brasil, 2010.
18 Saneamento e saúde ambiental
Entre as formas de contaminação, o esgoto sanitário é a principal 
fonte de disseminação de doenças por veiculação hídrica. Isso ocorre 
nos casos de ausência de serviços municipais de esgotamento sanitário 
(coleta, transporte e tratamento de esgoto) ou mesmo quando as insta-
lações existentes são precárias e não operam adequadamente. 
O efluente sanitário contém uma grande diversidade e elevada con-
centração de microrganismos patogênicos (bactérias, vírus, protozoá-
rios, vírus e helmintos) expelidos nas fezes de indivíduos doentes. Se 
esses microrganismos não são eliminados corretamente por alguma 
técnica de desinfecção – como a cloração em uma estação de trata-
mento de esgoto – eles se tornam fonte de contaminação de indivíduos 
saudáveis que tiveram contato com o esgoto, por exemplo, crianças 
brincando nos arredores de locais onde o esgoto é despejado no solo, 
a céu aberto (DANIEL, 2012).
A contaminação pode ocorrer também de modo indireto, geralmen-
te de maneira imperceptível. Por exemplo, esgoto lançado no rio ou 
no solo, sem tratamento adequado, pode provocar a contaminação de 
fontes de água potável (poços artesianos e lençóis freáticos). Isso re-
sulta na alteração e no comprometimento da qualidade da água dos 
reservatórios naturais e põe em risco a saúde da população que utiliza 
a água desses locais para suas atividades diárias (higiene, alimentação, 
dessedentação, recreação etc.) (DANIEL, 2012).
Da mesma forma, o consumo e a produção de alimentos irriga-
dos com água contaminada por esgoto também podem acarretar 
enfermidades graves para o consumidor e para os produtores agrí-
colas e seus familiares. A OMS estabelece medidas para a aplicação 
segura de esgoto no cultivo de determinadas culturas (WHO, 2006). 
No Brasil, a Resolução n. 498/2020 define critérios e condições para 
o uso de lodo de estação de tratamento de esgoto como fertilizante 
para o solo (BRASIL, 2020c).
A Figura 6 descreve o mecanismo de disseminação de doenças por 
veiculação hídrica.
Para aprofundar o 
conhecimento nesse 
assunto, é recomendado 
assistir ao vídeo Doenças 
veiculadas pela água, do 
canal Mais ciências – 
Profa. Rafaela Lima. 
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=RBB8p 
0RbNQE. Acesso em: 9 maio 2022. 
Vídeo
dessedentação: matar a 
sede de alguém, de algo 
ou de si próprio.
Glossário
https://www.youtube.com/watch?v=RBB8p0RbNQE
https://www.youtube.com/watch?v=RBB8p0RbNQE
https://www.youtube.com/watch?v=RBB8p0RbNQE
Saneamento e saúde 19
Excretas
(esgoto sanitário)
Mãos Vetores Água
Alimentos
Boca/Pele
Doença
Figura 6
Transmissão de doenças por veiculação hídrica
Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 2004.
Solo
Para evitar o contágio e a transmissão de doenças por veiculação 
hídrica, são recomendadas as seguintes medidas: 
 • Utilizar sempre água encanada, água fervida ou filtrada (caso o 
município não disponha de rede de abastecimento de água), ou 
água mineral (envazada). 
 • Nunca consumir água bruta de procedência desconhecida (rio, 
mina, poço etc.).
 • Evitar o contato com água de enchentes e alagamentos (pode ha-
ver contaminação por esgoto lançado irregularmente). 
 • Utilizar corretamente a rede coletora de esgoto (água de chuva 
não pode ser lançada na rede de esgoto) e se a residência não é 
atendida por esse serviço, utilizar sistema de tanque séptico.
 • Dar a destinação correta para os resíduos sólidos.
Além disso, algumas práticas cotidianas são muito importantes, 
como lavar bem os alimentos com água filtrada antes de consumi-los e 
sempre ter hábitos de higiene pessoal (banhos regulares, limpeza bucal 
etc.) e domiciliar (higienização da residência).
20 Saneamento e saúde ambiental
1.4 Política Nacional de Saneamento Básico 
Vídeo
A Lei n. 14.026, publicada em 2020 pela Secretaria Geral da Presidên-
cia da República, atualiza o marco legal do saneamento básico no Brasil 
e traz alterações em alguns aspectos da lei anterior (Lei n. 9.984/2000). 
Um ponto bastante polêmico na Lei n. 14.026/2020 é, sem dúvida, 
a abertura dos serviços de saneamento básico para empresas priva-
das. Essa estratégia tem o objetivo de atrair maior investimento para o 
setor com recursos financeiros privados (BRASIL, 2020a). Porém, a mu-
dança na legislação brasileira tem gerado muita preocupação e dúvida 
com relação ao impacto no valor da tarifa de água e esgoto (TEMÓTEO; 
ANDRETTA, 2020) além de que parte das companhias de saneamento, 
as quais atuam no país há décadas e são estatais ou empresas de eco-
nomia mista, protestam contra essa legislação.
O novo marco do saneamento básico aprova a criação de mecanis-
mos legais e administrativos que facilitam a entrada de empresas pri-
vadas no setor, mas esse marco também gera vários obstáculos para a 
participação de empresas públicas na livre concorrência a fim de prestar 
serviços aos municípios, entre outras determinações (BRASIL, 2020a). A 
seguir, resume-se os principais pontos da atualização do novo marco le-
gal do saneamento básico brasileiro (BRASIL, 2020a; VERDÉLIO, 2020).
• Objetivo: universalização do saneamento básico até 31 de dezembro de 
2033.
• Meta: atendimento nacional de 99% da população com abastecimento 
de água potável; 90% na cobertura dos serviços de coleta e tratamento 
de esgoto até 2033 (com possibilidade de prorrogação desse prazo até 
2040, se comprovada a inviabilidade técnica ou financeira).
• Investimento previsto em 13 anos: aproximadamente R$ 700 bilhões.
• Abertura para consórcios participarem nos editais de contratação de ser-
viços de saneamento básico, com o objetivo de viabilizar os serviços nos 
municípios de menor capacidade técnica e financeira, e reduzir custos 
(plano regional de saneamento básico). “Pode ser estruturado por regiões 
metropolitanas, por unidades regionais, instituídas pelos estados e cons-
tituídas por municípios não necessariamente limítrofes, e por blocos de 
Para aprofundar o conhe-
cimento nesse assunto, é 
recomendado assistir ao 
vídeo Webinar ANA – O Novo 
Marco Legal do Saneamento, 
do canal AnaGovBr.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=Lamzmo2_ 
1SQ. Acesso em: 9 maio. 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=Lamzmo2_1SQ
https://www.youtube.com/watch?v=Lamzmo2_1SQ
https://www.youtube.com/watch?v=Lamzmo2_1SQ
Saneamento e saúde 21
referência criados pelos municípios de forma voluntária para gestão asso-
ciada dos serviços” (VERDÉLIO, 2020).
• Obrigatoriedade de conter em contrato informações sobre as metas pro-
gressivas e graduais e o cronograma para o atendimento dos serviços 
prestados (isto é, apresentar as condições para expansão dos serviços 
e sua qualidade), além de descrever as fontes de receitas (por exemplo, 
fundos internacionais, recursos privados etc.) e os critérios de divisão de 
riscos (entre usuários, empresas de saneamento e municípios).
• Contratos em andamento podem ser mantidos se as empresas presta-
doras dos serviços contratados comprovarem sua capacidade econômi-
ca e financeira para atender à meta de universalização da nova lei até 
2033 (99% da população com abastecimento de água potável, 90% na 
cobertura dos serviços de coleta e tratamento de esgoto).
• Obrigatoriedade de conter em contrato as metas para o controle de per-
das na distribuição de água tratada (rede de abastecimento de água dos 
municípios), “da qualidade, da eficiência, uso racional da água, da ener-
gia e de outros recursos naturais” (BRASIL, 2020a).
• Estabelece vários critérios para a licitação e a contratação de serviços.
• Planos municipais de saneamento podem ser elaborados com base em 
estudos realizados pelos prestadores de serviço, mas devem ser compa-
tíveiscom os planos das bacias hidrográficas e os planos diretores dos 
municípios participantes. 
• “As taxas ou as tarifas decorrentes da prestação de serviço de limpeza 
urbana e de manejo de resíduos sólidos considerarão a destinação ade-
quada dos resíduos coletados e o nível de renda da população da área 
atendida, de forma isolada ou combinada, e poderão, ainda, considerar 
as características dos lotes e as áreas que podem ser neles edificadas, o 
consumo de água e a frequência de coleta” (BRASIL, 2020a).
• Estabelece cronograma para a disposição ambientalmente correta dos 
resíduos sólidos urbanos para os municípios que possuem plano inter-
municipal ou integrado de gestão de resíduos (de acordo com o número 
de habitantes e características geopolíticas).
• Empresas públicas que atuam na área de saneamento básico não po-
dem mais ser contratadas diretamente pelo município para prestar ser-
viços - agora é necessário realizar licitação com a livre concorrência, 
inclusive com a participação de empresas privadas.
22 Saneamento e saúde ambiental
Em teoria, o objetivo do novo marco legal do saneamento básico 
brasileiro é viabilizar a universalização dos serviços (água, esgoto, re-
síduo, drenagem e limpeza pública) até 2033, por meio da entrada de 
recursos vindos de empresas privadas, reduzindo os gastos públicos 
com o setor, caso o Estado fosse obrigado a arcar com o investimento 
necessário para alcançar a meta. 
Outro ponto a ser destacado no novo marco do saneamento é a quali-
dade dos serviços. Com a implantação dos critérios estabelecidos na Lei n. 
14.026/2020, espera-se serviços de melhor qualidade. Por exemplo, o for-
necimento de água com regularidade e em quantidade adequada, o lan-
çamento de efluentes tratados condizentes com os critérios da legislação 
ambiental (redução de impacto nos corpos hídricos por contaminação de 
águas residuais), a minimização de perda de água tratada na rede de abas-
tecimento (atualmente estima-se perda superior a 40%) (BRASIL, 2020b).
Porém, os críticos da nova lei afirmam que a privatização do se-
tor de saneamento deve trazer mais prejuízos do que benefícios, por 
exemplo, pode encarecer os serviços prestados (água, esgoto, resíduos, 
drenagem urbana e limpeza pública), recaindo o ônus na população. 
Nesse caso, o Estado deixará de subsidiar e destinar recursos da União 
para os municípios, e, desse modo, regiões periféricas podem nunca 
ser atendidas, pois não são economicamente atrativas para empresas 
privadas, visto que há baixo retorno do investimento. Os municípios e 
a agência reguladora (ANA) não dispõem de corpo técnico suficiente 
para fiscalizar a qualidade dos serviços prestados, entre outros pontos 
apontados como fragilidades da nova lei.
Entende-se iniciativa privada no setor como sendo a economia mis-
ta público-privada. Atualmente “6% das cidades são atendidas pela ini-
ciativa privada, como nos mostra Temóteo; Andretta (2020). Nas outras 
94%, o serviço é feito por companhias estaduais ou municipais, com 
ajuda do governo federal. Apesar dessa diferença, as empresas priva-
das respondem por 20% de todo investimento no setor”. 
Com a Lei n. 14.026/2020, a ANA passa a atuar ativamente nas nor-
mas de regulação desses serviços de saneamento nos municípios do 
país (BRASIL, 2020a). 
A seguir, destaca-se as principais atribuições administrativas e re-
guladoras da ANA diante do novo marco legal do saneamento básico 
brasileiro (BRASIL, 2020d).
Saneamento e saúde 23
• Definir parâmetros de fiscalização do atendimento das metas.
• Estabelecer indicadores de avaliação da potabilidade da água.
• Criar critérios de composição de custos pagos pelos usuários finais 
pelos serviços prestados.
• Elaborar mecanismos de subsídios para usuários de baixa renda e 
de compartilhamento de ganhos de produtividade empresarial com 
os usuários.
• Avaliar práticas regulatórias.
• Realizar consultas e audiências com a representação de atores públi-
cos municipais e entidades reguladoras/fiscalizadoras dos serviços 
de saneamento básico.
• Declarar situação de escassez hídrica nos rios de domínio da União 
quando detectado risco por alteração da qualidade ou quantidade de 
água disponível para abastecimento dos municípios.
• Definir regras para o reuso de efluente sanitário tratado.
• Fiscalizar a execução das regras de uso da água para as múltiplas 
finalidades quando declarada situação de escassez.
• Elaborar o novo Plano Nacional de Saneamento Básico com ações, 
objetivos e metas.
• Estabelecer normas e metas para a troca de sistemas unitários (tanque 
séptico) pelo modelo separador absoluto (redes coletoras de esgoto 
sanitário).
Em resumo, a ANA passa a assumir atribuições de regulação das 
normas que se referem ao saneamento básico no território brasileiro.
1.5 Saneamento e urbanização 
Vídeo
Conforme já discutido anteriormente, existe uma forte inter-relação 
entre o saneamento, a saúde pública e a qualidade ambiental. Assim, o 
saneamento deve estar intensivamente presente no processo de urba-
nização de um município.
24 Saneamento e saúde ambiental
Nesse sentido, deve-se analisar essas questões de maneira integra-
da para construir soluções eficientes e sustentáveis, e isso aponta inevi-
tavelmente para a escala municipal-urbana, pois é ali que se concentra 
a maioria da população do país. Segundo levantamento realizado pelo 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 84,7% da população 
brasileira vive nas cidades, sendo o Sudeste a região com o maior per-
centual (93%) e o Nordeste com o menor percentual (73%) (IBGE, 2015). 
Paralelo a isso, tem-se o fato de que a situação atual do saneamento bá-
sico nos municípios brasileiros é bastante preocupante na esfera urbana, 
como mostram os dados oficiais do último relatório do SNIS (Figura 7). 
Figura 7
Situação do saneamento básico nas cidades brasileiras
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97,2 milhões de 
pessoas não são 
atendidas em suas 
residências por 
coleta e tratamento 
de esgoto sanitário.
153,6 milhões de pessoas têm acesso ao sistema 
de coleta de esgoto (redes), porém o esgoto 
coletado é despejado, sem qualquer tratamento, 
em rios, lagos, reservatórios de água etc., ou no 
solo (isso representa cerca de 30,7 milhões de 
m3 de esgoto bruto por dia).
36,3 milhões 
de pessoas não 
recebem água 
tratada.
20,8 milhões de pessoas não têm coleta 
domiciliar de resíduos sólidos.
9,8 milhões de 
toneladas de 
resíduos por ano são 
destinados a lixões 
pelo país.
71,4% dos municípios brasileiros não têm redes 
ou canais para escoamento de água de chuva.
218,4 mil pessoas 
foram desabrigadas 
por eventos 
hidrológicos.
Apenas 30,4% das cidades brasileiras possuem 
um plano municipal de saneamento básico 
(previsto na Lei n. 11.445/2007).
Apenas 35,6% dos 
municípios são 
pavimentados.
Fonte: Elaborada pela autora com base em Brasil, 2020b; Amato-Lourenço, 2019. 
O saneamento básico é um problema histórico no país. As cidades 
brasileiras cresceram e se desenvolveram de modo desarticulado – isto 
é, sem planejamento – e a infraestrutura sanitária implantada no passa-
Saneamento e saúde 25
do para atender às necessidades da população não foram efetivas. Isso 
resultou em problemas ambientais e sociais sentidos ainda nos dias 
de hoje, relacionados à carência de sistemas eficientes de saneamento 
básico. O “processo de urbanização acelerado tornou inadequada a in-
fraestrutura das cidades, sendo os efeitos sentidos no abastecimento 
de água, transporte e tratamento de esgoto doméstico, drenagem ur-
bana e controle de cheias” (VALVASSORI; ALEXANDRE, 2012, p. 2).
Em outras palavras, isso mostra a grande dimensão do problema 
enfrentado pela administração pública (municipal, estadual e federal) 
para atender o ODS 6 – água potável e saneamento – da Agenda 2030 
da ONU nas áreas urbanas. O Quadro 3 reúne os instrumentos utiliza-
dos na avaliação do atendimento do ODS 6 para os países signatários 
nas Nações Unidas, comoé o caso do Brasil.
Quadro 3
Meta e indicadores do ODS 6 da Agenda 2030
Meta Assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento
Indicadores
1. Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo à água potável e segura para todos.
2. Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para to-
dos, e acabar com a defecação a céu aberto, com especial atenção para as necessidades 
das mulheres e meninas e daqueles em situação de vulnerabilidade.
3. Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando o despejo 
e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo pela 
metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentando substancialmente a 
reciclagem e reutilização segura globalmente.
4. Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os seto-
res, assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a 
escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a 
escassez de água.
5. Até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, 
inclusive via cooperação transfronteiriça, conforme apropriado.
6. Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo mon-
tanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos.
6a. Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países 
em desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, in-
cluindo a coleta de água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de 
efluentes, a reciclagem e as tecnologias de reuso.
6b. Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da 
água e do saneamento.
Fonte: ONU, 2022.
O novo marco legal do saneamento básico brasileiro 
(Lei n. 14.026/2020) está perfeitamente alinhado com o ODS 6 da 
Agenda 2030 ao estabelecer como meta a universalização dos ser-
26 Saneamento e saúde ambiental
viços de saneamento básico para toda a população até 2033. Entre-
tanto, muitos desafios ainda devem ser superados para que esse 
objetivo seja alcançado pelo Estado (como políticas públicas, gestão, 
investimento, tecnologia e capacitação técnica).
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou em 2015 
um estudo direcionado para a avaliação do nível de fragilidade social 
dos municípios brasileiros, denominado Índice de Vulnerabilidade Social 
(IVS). No cálculo do índice são consideradas três dimensões (renda, 
educação e saúde), e o acesso da população a serviços de saneamento 
básico é um dos critérios analisados pelo IVS (COSTA; MARGUTI, 2015). 
A Figura 8 mostra o resultado da aplicação do índice (vermelho re-
presenta os municípios altamente vulneráveis e azul escuro os municí-
pios muito pouco vulneráveis). Quanto maior a vulnerabilidade social de 
um município, menor é a qualidade de vida da população (em termos 
de saúde, habitação, educação, infraestrutura urbana etc.). Em termos 
de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil ocupa a 75ª po-
sição no ranking internacional em uma lista de 195 país (PNUD, 2022).
Legenda
 0,501 - 1 | Muito Alta
 0,401 - 0,500 | Alta
 0,301 - 0,400 | Média
 0,201 - 0,300 | Baixa
 0.000 - 0,200 | Muito Baixa
 Sem dados
Legenda
 75,500 - 78,640
 74,150 - 75,500
 72,710 - 74,150
 70,620 - 72,710
 65,300 - 70,620
 Sem dados
Figura 8
Mapa da situação social dos municípios brasileiros
A – Índice de vulnerabilidade social B – Longevidade da população
Fonte: Ipea, 2022a.
Para aprofundar o conhe-
cimento nesse assunto, 
é recomendado assistir 
ao vídeo ODS #6: Água 
limpa e saneamento • IBGE 
Explica, do canal IBGE. 
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=ydH9Y 
poxpsI. Acesso em: 9 maio2022. 
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=ydH9YpoxpsI
https://www.youtube.com/watch?v=ydH9YpoxpsI
https://www.youtube.com/watch?v=ydH9YpoxpsI
Saneamento e saúde 27
A Figura 9 apresenta as condições de contorno para cada uma das 
variáveis que compõem o IVS. É possível notar que 67% dos indicado-
res que constituem a dimensão Infraestrutura Urbana são aspectos do 
saneamento básico, ou seja, resíduo, água e esgoto.
Dimensão 
infraestrutura urbana
Dimensão
capital humano
Dimensão 
renda e trabalho
• Coleta de lixo
• Água e esgoto inadequados
• Tempo de deslocamento casa-
trabalho
• Mortalidade infantil
• Crianças de 0 a 5 fora da escola
• Não estudam, não trabalham e 
baixa renda
• Crianças 6 a 14 fora da escola
• Mães jovens (10 a 17)
• Mães sem fundamental + filhos 
até 15
• Analfabetismo
• Crianças em domicílio em que 
ninguém tem o fundamental 
completo
• Renda menor ou igual a R$255
• Baixa renda e dependente de 
idosos
• Desocupação
• Trabalho infantil
• Ocupação informal s/ ensino 
fundamental
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Muito Baixa Baixa Média Alta Muito alta
Figura 9
Critérios de composição do IVS
Fonte: Adaptada de Ipea, 2022b.
A análise das áreas com maior vulnerabilidade social (IVS acima de 0,4) 
(Figura 8, lado A) e menor longevidade (idade de vida inferior a 72,7 anos) (Fi-
gura 8, lado B) coincidem exatamente com as regiões mais impactadas pela 
carência nos serviços de saneamento básico (Figura 4), como era esperado. 
Portanto, isso reforça a importância da universalização dos serviços 
de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto doméstico, 
coleta e destinação adequada e sustentável de resíduos sólidos, drena-
gem urbana de águas pluviais e limpeza pública para promover a saúde 
da população.
28 Saneamento e saúde ambiental
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Existe uma forte inter-relação entre saneamento, saúde humana e 
qualidade ambiental. Investimentos em saneamento básico são reverti-
dos em benefícios sociais (melhoria da qualidade de vida da população), 
ambientais (redução da poluição, principalmente da água e do solo) e 
econômicos (promoção do desenvolvimento sustentável e minimização 
de gastos públicos com a saúde curativa).
O processo de urbanização traz consigo grandes desafios para a 
gestão pública, pois as soluções para as demandas urbanas devem ser 
adaptadas às necessidades de infraestrutura da população, bem como 
aos recursos de que ela dispõe na esfera municipal.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique a diferença entre o saneamento ambiental e o saneamen-
to básico e destaque qual deles é o mais eficaz em seu propósito.
Atividade 2
Exemplifique duas formas de transmissão de doenças por veicula-
ção hídrica e apresente uma solução para os exemplos escolhidos. 
Atividade 3
Apresente os eixos do saneamento básico e explique sua impor-
tância no processo de urbanização de um município.
Saneamento e saúde 29
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de bacias hidrográficas. Brasília, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/ana/pt-br/
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AMATO-LOURENÇO, L. F. Saúde e saneamento ambiental. São Paulo: Senac, 2019. 
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de Saúde, 2004. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_
saneamento_3ed_rev_p1.pdf. Acesso em: 9 maio 2022.
BRASIL. Lei n. 14.026, de 15 de julho de 2020. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 16 jul. 2020a Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-
2022/2020/Lei/L14026.htm. Acesso em: 9 maio 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Glossário de doenças vinculadas à água. Brasília, DF: ICICT – 
Fiocruz, 2010. Disponível em: www.aguabrasil.icict.fiocruz.br/index.php?pag=doe. Acesso 
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Brasília: CONAMA, 21 ago. 2020c. Disponível em: www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-
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CHRISTOFIDIS, D.; ASSUMPÇÃO, R. S. F. V.; KLIGERMAN, D. C. A evolução histórica 
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Controle da poluição hídrica 31
2
Controle da poluição hídrica
Neste capítulo serão abordados os aspectos mais importantes sobre o 
controle da poluição hídrica, na perspectiva dos instrumentos previstos na 
legislação brasileira. Esse tema é contemplado pelo objetivo 6 da Agenda 
2030 das Nações Unidas (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 
ODS), que estabelece a meta de universalização dos serviços de acesso 
a água potável e saneamento para toda a população como uma das me-
didas mandatórias para a promoção da saúde humana e da qualidade 
ambiental (ONU, 2022).
As seções a seguir destacam aspectos teóricos e conceituais sobre o 
tema, trazendo uma interpretação didática da legislação brasileira vigente 
sobre os recursos hídricos, em uma linguagem descomplicada e objetiva. 
Ao longo do texto também são sugeridas leituras e atividades comple-
mentares para ampliar e fixar o conhecimento sobre o assunto.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• apresentar e discutir os instrumentos da política nacional dos recur-
sos hídricos; 
• descrever os parâmetros de avaliação da qualidade da água; 
• descrever os limites de qualidade da água para os diversos usos.
Objetivos de aprendizagem
2.1 Instrumentos da Política Nacional 
de Recursos Hídricos Vídeo
A primeira legislação brasileira que tratou dos recursos hídricos 
foi o Código das Águas (Decreto n. 24.643), assinado em 1934. Porém, 
esse era outro momento, e desde então muitas mudanças surgiram 
na economia e na organização social do país (por exemplo, a intensiva 
urbanização, o crescimento populacional, a expansão industrial, a glo-
balização das relações de mercado, o aumento do consumo de água 
32 Saneamento e saúde ambiental
e da poluição etc.), o que tornou necessária a criação de uma política 
específica para regular a questão do uso das águas no Brasil. 
A Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) foi instituída pela 
Presidência da República em 1997, na forma da Lei n. 9.433, conhecida 
como a Lei das Águas. Os objetivos da PNRH são (BRASIL, 1997): 
I. garantir a oferta de água para a atual e futuras gerações em 
quantidade e qualidade compatíveis com os usos pretendidos; 
II. promover o consumo racional e integrado da água para o desen-
volvimento sustentável do território brasileiro; 
III. planejar ações de prevenção e defesa para o enfrentamento de 
eventos hidrológicos críticos (principalmente a crise hídrica) em 
razão de efeitos naturais ou ações humanas;
IV. estimular a utilização consciente da água de chuva (águas 
pluviais).
A Lei das Águas é um importante marco na regulação do direito de 
uso e exploração dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, em 
escala municipal, estadual e federal, pois ela considera a água como 
um elemento estratégico para o desenvolvimento social, econômico e 
ambiental do país e reconhece que (BRASIL, 1997): 
I. a água é um bem de domínio público;
II. Ia água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III. em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos 
é o consumo humano e a dessedentação de animais;
IV. a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso 
múltiplo das águas;
V. a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação 
da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema 
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI. a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e con-
tar com a participação do Poder Público, dos usuários e das 
comunidades.
A água é elemento essencial para a manutenção da vida humana e 
de outras espécies no planeta (GOMES, 2011), para a sustentação de to-
das as práticas industriais, principalmente no agronegócio, além de ser 
fonte de recurso para diversas outras atividades, como a navegação, a 
recreação, a purificação do ar etc. Assim, a gestão planejada dos recur-
sos hídricos é estratégica para sanear conflitos de interesse e garantir 
água em quantidade e qualidade adequada para atender as diversas fi-
nalidades (usos múltiplos), pois sua disponibilidade varia muito de uma 
Controle da poluição hídrica 33
região para outra (efeito da geografia e da poluição) e sofre a influência 
das condições climáticas (sazonalidade e impacto das mudanças do cli-
ma) (ANA, 2021). 
A Figura 1 mostra a variação da demanda de água no Brasil para 
atender todas as finalidades de uso. Os valores apresentados na legen-
da se referem à vazão de retirada, medida em m3.s–1 (metro cúbico por 
segundo). As áreas em laranja, vermelho e marrom representam os 
pontos mais críticos e isso significa que essas regiões concentram ele-
vado consumo e, consequentemente, registram cenários de conflitos 
pelo uso da água. Por isso a importância de uma política nacional bem 
estruturada e articulada com órgãos ambientais (federal e estadual) 
para atender a demanda de todos os usuários.
Figura 1
Distribuição do consumo de água nos municípios brasileiros
Fonte: ANA, 2022e.
Demanda total
 < 0,001
 0,001 - 0,005
 0,005 - 0,010
 0,010 - 0,100
 0,100 - 0,500
 0,500 - 8,332
A PNRH prevê cinco instrumentos para regular as relações entre 
oferta e consumo de água e, principalmente, controlar a poluição dos 
recursos hídricos da PNRH para a gestão planejada da água no territó-
rio brasileiro (BRASIL, 1997):
34 Saneamento e saúde ambiental
Instrumentos
1. Enquadramento dos cursos d’água;
2. Outorga do direito de uso da água;
3. Cobrança pelo uso da água;
4. Sistema de informações sobre recursos hídricos;
5. Planos de recursos hídricos.
O primeiro instrumento da PNRH é o enquadramento dos cursos 
d’água (rios, lagos, reservatórios, represas etc.), cujos objetivos são: 
I – garantir água de qualidade compatível com os usos pretendidos; 
II – reduzir custos com a poluição hídrica, com base em ações 
preventivas contínuas. 
A regra para a classificação dos corpos hídricos considera a análise 
de três fatores básicos: a qualidade atual da água, a qualidade futura 
desejada e a qualidade possível de ser mantida ou alcançada diante 
das limitações técnicas, sociais e econômicas da realidade brasileira 
(ANA, 2019b).
Portanto, primeiro é necessário conhecer quais são os usos predo-
minantes de determinado curso d’água e, em seguida, observar qual a 
qualidade exigida para cada finalidade, pois o enquadramento é apli-
cado por trecho do curso d’água, de acordo com suas características 
físicas. Assim, ao comparar essas informações com a condição atual 
da água será possível estabelecer metas futuras de qualidade e prazos 
para o seu cumprimento. 
As condições para o enquadramento dos cursos de águas super-
ficiais e subterrâneas são definidas pelo Conselho Nacional do Meio 
Ambiente (Conama), por meio da Resolução n. 357 (BRASIL, 2005) e Re-
solução n. 396 (BRASIL, 2008), respectivamente. Os usos da água são 
divididos em classes e englobam três diferentes categorias: 
I. água doce (salinidade 0,5‰); 
II. água salobra (salinidade entre 0,5‰ e 30‰); 
III. água salina (salinidade 30‰). 
Quanto maior a classe e menor a qualidade, mais restritivos serão 
os usos possíveis e maior o nível de tratamento necessário (Quadro 1).
Para aprofundar o seu 
conhecimento desse 
assunto, assista ao vídeo 
institucional Planos de 
Recursos Hídricos e o 
Enquadramento de Corpos 
d’Água, do canal anagovbr, 
sobre os Planos de Recur-
sos Hídricos.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=f2Yj9NYID9w. Acesso em: 
14 abr. 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=f2Yj9NYID9w
https://www.youtube.com/watch?v=f2Yj9NYID9w
https://www.youtube.com/watch?v=f2Yj9NYID9w
Controle da poluição hídrica 35
Quadro 1
Classes e usos das águas superficiais
Classes Usos
Ág
ua
s 
do
ce
s
Especial
Consumo humano (após desinfecção), preservação do 
equilíbrio natural das comunidades aquáticas, preservaçãodos ambientes aquáticos em unidades de conservação de 
proteção integral.
1
Consumo humano (após tratamento simplificado), proteção 
das comunidades aquáticas, recreação de contato primário 
(natação, esqui aquático e mergulho – Conama 274/2000), 
irrigação (hortaliças consumidas cruas e frutas desenvol-
vidas rentes ao solo e ingeridas cruas sem remoção de 
película), proteção das comunidades aquáticas em Terras 
Indígenas.
2
Consumo humano (após tratamento convencional), prote-
ção das comunidades aquáticas, recreação de contato pri-
mário (como na classe 1), irrigação (hortaliças, plantas frutí-
feras, parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os 
quais o público tenha contato direto), aquicultura e pesca. 
3
Consumo humano (após tratamento convencional ou avan-
çado), irrigação (culturas arbóreas, cerealíferas e forragei-
ras), pesca amadora, recreação de contato secundário, des-
sedentação de animais.
4 Navegação, harmonia paisagística.
Ág
ua
s 
sa
lo
br
as
Especial
Preservação de ambientes aquáticos em unidades de con-
servação de proteção integral, preservação do equilíbrio 
natural das comunidades aquáticas.
1
Recreação de contato primário (Conama 274/2000), pro-
teção das comunidades aquáticas, aquicultura e pesca, 
consumo humano (após tratamento convencional ou avan-
çado), irrigação (hortaliças consumidas cruas e frutas de-
senvolvidas rentes ao solo e ingeridas cruas sem remoção 
de película, parques, jardins, campos de esporte e lazer, 
com os quais o público tenha contato direto).
2 Pesca amadora, recreação de contato secundário.
3 Navegação, harmonia paisagística.
Ág
ua
s 
sa
lin
as
Especial
Preservação de ambientes aquáticos em unidades de con-
servação de proteção integral, preservação do equilíbrio 
natural das comunidades aquáticas.
1
Recreação de contato primário (Conama 274/2000), prote-
ção de comunidades aquáticas, aquicultura e pesca.
2 Pesca amadora, recreação de contato secundário.
3 Navegação, harmonia paisagística.
Fonte: Adaptado de ANA, 2007. 
36 Saneamento e saúde ambiental
O curso d’água enquadrado em cada uma das classes está subor-
dinado a limites específicos de qualidade, os quais exigem diferentes 
níveis de tratamento para atender as especificações dos usos preten-
didos. Este assunto será tratado com mais detalhes posteriormente.
A outorga e a cobrança pelo uso da água são instrumentos admi-
nistrativos na PNRH e dependem diretamente do enquadramento do 
corpo d’água. Esses dois instrumentos devem ser regulamentados pe-
los estados, por meio de legislação própria que estabeleça critérios e 
condições (ANA, 2019b).
A outorga é uma licença solicitada pelo usuário (consumidor) e emi-
tida pelo órgão público responsável pela gestão do curso d’água onde 
se pretende fazer a captação. Essa autorização é exigida para todas as 
seguintes condições: na derivação ou captação direta de água superfi-
cial ou subterrânea (por exemplo, uma estação de tratamento de água, 
uma indústria, uma perfuração de poço artesiano); no lançamento de 
águas residuais (por exemplo, descarte de efluente de uma indústria ou 
de efluente de uma estação de tratamento de esgoto); na geração de 
energia elétrica (represamento de água); ou em outras atividades que in-
terfiram na vazão ou na qualidade do curso d’água (BRASIL, 1997). A figu-
ra a seguir mostra os possíveis fluxos de autorização para o uso da água.
Figura 2
Fluxos de emissão de outorga de direito de uso da água
1. ÁGUAS SUPERFICIAIS
(rios, córregos e nascentes)
captação e lançamento 
de efluentes
Cadastro de vazão 
insignificante de água
2. ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
(poços rasos e profundos)
captação
Outorga prévia Outorga de direito
Anuência prévia 
para perfuração de 
poço
Cadastro de vazão 
insignificante de água
Outorga prévia Outorga de direito
3. INTERVENÇÕES
(obras e serviços)
Cadastro de vazão 
insignificante de água
Outorga prévia Outorga de direito
el
en
as
av
ch
in
a2
/S
hu
tte
rs
to
ck
Fonte: Adaptado de IAT, 2022. 
Para aprofundar o seu 
conhecimento nesse 
assunto, leia o relatório 
sobre a outorga e a 
cobrança dos recursos 
hídricos no Brasil.
Disponível em: www.ceivap.org.br/
ceivap_news/ed105/CEIVAPNEWS-
mat3.html. Acesso em: 14 abr. 
2022.
Leitura
Controle da poluição hídrica 37
Como foi dito anteriormente, a outorga depende do enquadramen-
to do corpo hídrico. Isso significa que novas licenças de uso (captação de 
água ou lançamento de efluentes) só serão emitidas ou renovadas se o 
curso d’água apresentar qualidade e quantidade compatíveis com a solici-
tação, considerando-se também a presença de outros usuários no mesmo 
trecho, isto é, o compartilhamento da demanda (múltiplos usuários).
Além disso, a outorga de direito de uso está subordinada à dispo-
nibilidade hídrica. Segundo a Lei 9.433, em caso de escassez hídrica, a 
prioridade é o abastecimento humano e a dessedentação de animais 
(BRASIL, 1997) e algumas áreas estão sujeitas à restrição de uso, tais 
como nascentes, margens de rios e lagos e trechos de recarga de aquí-
feros (ANA, 2011).
A outorga é emitida pelo órgão ambiental estadual responsável ou 
pela Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), dependendo do 
domínio do curso d’água referente à licença que está sendo solicitada 
(ANA, 2011). Alguns exemplos de órgãos estaduais que emitem outorga 
para o uso da água são: Instituto Água e Terra do Paraná (IAT), Compa-
nhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Instituto Estadual do 
Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), Secretaria dos Recursos Hídricos do 
Ceará (SRH/CE).
A cobrança pelo uso da água é outro importante instrumento de 
gestão da água previsto na PNRH. Essa remuneração não é um impos-
to, mas uma medida de valoração da água como um bem público. O 
valor unitário, ou seja, R$.m–3 (reais por metro cúbico) de água utiliza-
da, é definido em reuniões participativas (comitês) entre os usuários 
da água, a sociedade civil organizada e o poder público, sob a orien-
tação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos 
(SINGREH). A legislação brasileira determina que o valor arrecadado na 
cobrança pelo uso da água deve ser destinado exclusivamente para a 
recuperação da qualidade da bacia hidrográfica onde o valor foi gerado 
(BRASIL, 1997).
Os objetivos da cobrança são (BRASIL, 1997): 
I. conscientizar a população sobre o valor da água como um bem 
público; 
II. promover o uso responsável da água; 
III. obter fundos para financiar ações previstas nos planos de recur-
sos hídricos. São passíveis de cobrança todos os usos outorgáveis. 
38 Saneamento e saúde ambiental
Portanto, a cobrança pode ser entendida como um instrumento que 
complementa a outorga de direito de uso. O Quadro 2 apresenta a si-
tuação da implementação da cobrança pelo uso da água no Brasil. Os 
estados que não aparecem no quadro estão em processo de constru-
ção de políticas para a regulamentação da cobrança.
Quadro 2
Panorama nacional da cobrança pelo uso da água
Estado Cobrança ativa
Águas de domínio da 
União
Bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (São Paulo, Rio de 
Janeiro, Minas Gerais).
Bacias hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí 
(São Paulo e Minas Gerais).
Bacia hidrográfica do Rio São Francisco (Minas Gerais, Goiás, 
Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe).
Bacia hidrográfica do Rio Doce (Minas Gerais e Espírito San-
to).
Bacia hidrográfica do Rio Paranaíba (Goiás e Minas Gerais).
Bacia hidrográfica do Rio Verde Grande (Bahia e Minas Gerais).
Ceará Todas as águas de domínio cearense.
Minas Gerais
12 das 36 Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos 
Hídricos.
Paraíba Todas as águas de domínio paraibano.
Paraná
Somente nas bacias do Alto Iguaçu e afluentes do Alto Ribei-
ra.
Rio de Janeiro Todas as águas de domínio fluminense.
São Paulo 19 das 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Fonte: Adaptado de ANA, 2019a. 
A outorga e a cobrança pelo uso da água regulam o uso comparti-
lhado dos recursos hídricos, pois evitam sua retiradaem quantidade 
que possa impedir o acesso de outros usuários, assim como minimi-
zam o impacto negativo do descarte de águas residuais (efluentes 
industriais e esgoto doméstico) na qualidade dos cursos d’água, garan-
tindo o atendimento de outros usuários e outras finalidades. A seguir, 
destacam-se as principais vantagens do instrumento de cobrança pelo 
uso da água (ANA, 2019a).
Controle da poluição hídrica 39
Pontos positivos
• Internalização das externalidades ambientais nas instalações dos usuá-
rios da água, isto é, recai sobre o usuário o custo da conservação da água.
• Implantação de tecnologias mais eficientes (por exemplo, reuso de água).
• Redução do consumo, pois quanto menor a vazão captada, menor será o 
pagamento pelo usuário da água utilizada.
• Retorno da arrecadação na forma de benefícios para sociedade (recupe-
ração da qualidade e oferta de água na bacia hidrográfica).
• Distribuição dos custos de acordo com a capacidade de pagamento dos 
usuários (cobrança diferenciada, por exemplo: geração de energia, agri-
cultura, indústrias).
É importante destacar que o valor cobrado pelo uso da água não 
é o mesmo que a tarifa aplicada pela companhia de saneamento no 
fornecimento de serviços de água tratada e esgotamento sanitário. As 
empresas de saneamento (estatais ou de economia mista) cobram do 
usuário o valor correspondente aos custos de operação: tratamento e 
distribuição (ou entrega) de água potável; e coleta, tratamento e desti-
nação de águas residuais.
Porém, uma vez que essas empresas necessitam de uma outorga 
para captação de água e descarte de efluentes, isso significa que elas 
também são cobradas pelo direito de uso da água e esse valor recai 
sobre a conta paga pelo usuário final (a população) (DEMAJOROVIC; CA-
RUSO; JACOBI, 2015).
No caso do uso da água pelo setor elétrico (geração de energia por 
meio de reservatórios de água), é cobrado 6,75% do valor da energia 
produzida, que é destinado à ANA (órgão que responde pela gestão do 
recurso, conforme determina a PNRH) (ANA, 2019a; BRASIL, 1997).
O quarto instrumento de gestão das águas brasileiras, segundo a 
PNRH, é o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos 
(SNIRH). Como o próprio nome sugere, ele é o núcleo responsável pela 
coleta, tratamento e armazenamento de dados de todos os recursos hí-
dricos do território brasileiro. Os objetivos do SNIRH são (BRASIL, 1997): 
I. disponibilizar dados e informações consistentes sobre a situação 
da qualidade e quantidade de água dos recursos hídricos no país; 
II. manter a base de dados permanentemente atualizada; 
III. subsidiar ações e programas voltados à gestão dos recursos hí-
dricos no território nacional.
40 Saneamento e saúde ambiental
Por meio de pesquisas e estudos realizados nas bacias hidrográfi-
cas brasileiras, os dados inseridos no SNIRH são gerados pelos órgãos 
que o integram: o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH); a 
Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA); os Conselhos de Re-
cursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal (CRH/DF); os Comitês 
de Bacia Hidrográfica (CBH); os órgãos de gestão de recursos hídricos 
dos poderes públicos federais, estaduais e do Distrito Federal; e as 
Agências de Água (BRASIL, 1997).
O SNIRH tem um papel fundamental na articulação entre os outros 
instrumentos, pois fornece os dados necessários para o devido enqua-
dramento dos cursos d’água, que, por sua vez, orienta as licenças de 
outorga e cobrança pelo uso da água. A seguir, é apresentado o portal 
do SNIRH. 
Para mais informações 
sobre esse assunto, aces-
se o Portal do SNIRH. O 
acesso é gratuito e aberto 
para toda a população.
Disponível em: http://www.snirh.
gov.br/. Acesso em: 14 abr. 2022.
Site
Figura 3
Portal do SNIRH
Fonte: ANA, 2022d.
O último instrumento de gestão das águas brasileiras são os planos 
de recursos hídricos, que consistem em planos diretores formulados 
de modo a orientar a implementação da PNRH. Eles são elaborados 
por bacia hidrográfica segundo o domínio do corpo hídrico (estado ou 
país) e contemplam projetos, programas e ações a serem executados a 
longo prazo (BRASIL, 1997).
Controle da poluição hídrica 41
Os planos de recursos hídricos incluem (BRASIL, 1997): 
I. diagnóstico do cenário atual das águas nas bacias hidrográficas; 
II. projeção de crescimento populacional, econômico e alterações 
no uso e ocupação do solo (que influenciam na qualidade da 
água); 
III. balanço entre oferta e demanda futura e levantamento de pos-
síveis conflitos; 
IV. definição de metas de redução do consumo de água e melhoria 
da qualidade; 
V. elaboração de propostas para o atendimento das metas; 
VI. definição de critérios de cobrança pelo direito de uso da água; 
VII. criação de áreas de uso restrito da água; 
VIII. definição de critérios de prioridades para a emissão de outor-
gas de captação de água e lançamento de efluentes em corpos 
hídricos.
Os recursos utilizados para financiar as ações previstas nos planos 
de recursos hídricos são provenientes da arrecadação na cobrança 
pelo uso de água nas próprias bacias.
2.2 Indicadores de qualidade da água 
Vídeo
De modo geral, os indicadores são ferramentas utilizadas para 
se extrair informações de determinada situação que se deseja ana-
lisar para orientar decisões a serem tomadas (por exemplo, existem 
indicadores ambientais, econômicos e sociais). Quando os indicado-
res são combinados (dois ou mais), eles formam o que é conhecido 
como índice (SICHE et al., 2007). 
No caso da qualidade da água, os indicadores são mecanismos 
de sistematização de dados, cujo objetivo é monitorar e divulgar in-
formações sobre os recursos hídricos brasileiros para auxiliar o pla-
nejamento de ações e estratégias de gestão da qualidade da água. 
Em outras palavras, os indicadores medem o nível de qualidade da 
água para atender aos usos múltiplos (consumo humano, geração 
de energia, agricultura, recreação etc.) (SICHE et al., 2007). A seguir, 
resumem-se os principais índices aplicados na avaliação da qualida-
de dos recursos hídricos (ANA, 2022b).
Para aprofundar o 
conhecimento sobre o 
desenvolvimento de indi-
cadores de qualidade da 
água, leia o artigo Análise 
do desenvolvimento dos 
principais indicadores da 
qualidade da água, publi-
cado por Boso, Gabriel e 
Gabriel Filho (2015).
Disponível em: https://publicacoes.
amigosdanatureza.org.br/index.
php/forum_ambiental/article/
view/1265/1285. Acesso em: 
14 abr. 2022.
Leitura
https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/1265/1285
https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/1265/1285
https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/1265/1285
https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/forum_ambiental/article/view/1265/1285
42 Saneamento e saúde ambiental
Principais índices
• Índice de Qualidade da Água (IQA)
• Índice de Qualidade da Água Bruta para fins de Abastecimento Humano 
(IAP)
• Índice de Estado Trófico (IET)
• Índice de Contaminação por Agrotóxico (ICT)
• Índice de Balneabilidade (IB)
• Índice de Qualidade da Água para a Proteção da Vida Aquática (IVA)
Entre os índices apresentados, o IQA e o IB são os mais amplamente 
utilizados, por isso serão abordados em maior detalhe neste capítulo.
O IQA foi criado em 1970 nos Estados Unidos, com o objetivo de 
auxiliar o monitoramento da qualidade da água bruta captada para o 
abastecimento humano. Ele é composto por nove parâmetros: oxigê-
nio dissolvido, coliformes termotolerantes, pH, demanda bioquímica 
de oxigênio, temperatura da água, nitrogênio total, fósforo total, turbi-
dez e resíduo total. Cada parâmetro recebe um peso específico (entre 
0,08 e 0,17) de acordo com a sua importância dentro do índice, e o IQA 
é o produto ponderado do somatório dos nove parâmetros, que pode 
variar entre 0 e 100 (ANA, 2022b). Na medida em que o valor do IQA se 
aproxima de 100, melhor será a qualidade da água. No quadroa seguir, 
é mostrada a classificação do IQA segundo as faixas possíveis para os 
estados que o utilizam no monitoramento da qualidade da água.
Quadro 3
Faixas de qualidade do IQA aplicadas pelos estados brasileiros
Estados brasileiros
Qualidade
Alagoas, Minas Gerais, Mato 
Grosso do Sul, Paraná, Rio 
de Janeiro, Rio Grande do 
Norte, Rio  Grande do Sul
Bahia, Ceará, Espírito Santo, 
Goiás, Mato Grosso, Paraí-
ba, Pernambuco, São Paulo
91-100 80-100 Ótima
71-90 52-79 Boa
51-70 37-51 Razoável
26-50 20-36 Ruim
0-25 0-19 Péssima
Fonte: ANA, 2022b. 
O IQA também se subdivide em Índice de Qualidade da Água em 
Reservatórios (IQAR). Este se destina ao monitoramento e relato da 
Controle da poluição hídrica 43
qualidade da água em reservatórios para abastecimento humano ou 
geração de energia elétrica. Seu cálculo é semelhante ao do IQA, com a 
diferença de que outros parâmetros são incluídos (clorofila, profundi-
dade, cianobactérias) e os pesos atribuídos a eles são diferentes tam-
bém (ANA, 2022c).
A seguir, é mostrada a localização dos postos de monitoramento da 
qualidade da água que integram a Rede Hidrometeorológica Nacional, 
operada pela ANA e outras instituições autorizadas.
Figura 4
Pontos de monitoramento da qualidade das águas brasileiras
Fonte: ANA, 2005. 
Diferentemente do IQA, o IB avalia a qualidade da água utilizada 
na recreação com contato primário, em praias litorâneas e cursos de 
águas interiores (por exemplo, córregos, rios, lagos etc.), de acordo 
com as condições definidas na Resolução n. 274, publicada em 2000 
pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2000). O Quadro 4 apresenta a classi-
ficação adotada no Brasil para avaliar a balneabilidade.
Para aprofundar seu 
conhecimento, leia o rela-
tório sobre a conjuntura 
dos recursos hídricos no 
Brasil.
Disponível em: https://relatorio-
conjuntura-ana-2021.webflow.io/. 
Acesso em: 14 abr. 2022.
Leitura
https://relatorio-conjuntura-ana-2021.webflow.io/
https://relatorio-conjuntura-ana-2021.webflow.io/
44 Saneamento e saúde ambiental
Quadro 4
Classificação do índice de balneabilidade no país
Condições das 
praias Parâmetros Classes
Excelentes em 100% do 
ano
250 coliformes fecais, ou 200 E. 
coli, ou 25 enterococos por l00 mL
Ótima
Próprias em 100% do ano 
(exceto as excelentes)
500 coliformes fecais, ou 400 E. 
coli, ou 50 enterococos por 100 mL
Boa
Impróprias inferior a 50% 
do ano
< 1.000 coliformes fecais, ou 800 
E. coli, ou 100 enterococos por 100 
mL
Regular
Impróprias igual ou supe-
rior a 50% do ano
- Má
Fonte: Adaptado de ANA, 2022a e Brasil, 2000. 
O IB foi desenvolvido pela Cetesb e nele são utilizados dados de mo-
nitoramento semanal e mensal da qualidade das águas das praias e de 
cursos d’água em regiões interiores do Brasil (ANA, 2022a).
2.3 Parâmetros e limites de qualidade da água 
Vídeo
A qualidade das águas brasileiras é determinada por meio da aná-
lise de parâmetros específicos em amostras de água coletadas direta-
mente no corpo hídrico que se pretende examinar (lago, reservatório, 
rio, córrego etc.). Os parâmetros são classificados em três grupos se-
gundo suas características: 
I. físicos; 
II. químicos; 
III. biológicos. 
Além disso, existem metodologias próprias para medir cada um dos 
parâmetros (VON SPERLING, 2011).
Os limites de qualidade, por outro lado, dependem da finalidade ou 
do tipo de uso da água. Para cada uso pretendido, existem parâmetros 
específicos de avaliação da qualidade da água e limites bem definidos 
para esses parâmetros descritos na legislação brasileira. 
A qualidade da água destinada ao abastecimento humano, por 
exemplo, é regulamentada pela Portaria n. 888, publicada em 2021 pelo 
Ministério da Saúde. Alguns dos parâmetros analisados quando a água 
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre parâ-
metros de qualidade das 
águas, assista ao vídeo 
Quais são os principais 
parâmetros de qualidade 
da água? Parâmetros de 
potabilidade da água, 
publicado pelo canal 
Ambiental Análise. 
Disponível em: www.youtube.com/
watch?v=znbara2Gcuc. Acesso em: 
14 abr. 2022.
Saiba mais
http://www.youtube.com/watch?v=znbara2Gcuc
http://www.youtube.com/watch?v=znbara2Gcuc
Controle da poluição hídrica 45
é utilizada para o consumo humano são: turbidez, residual de agente 
de desinfecção, cor aparente, pH, fluoreto, gosto e odor, cianotoxinas, 
coliformes totais, Escherichia coli (indicador biológico de contaminação 
fecal), alumínio, cloreto, dureza, ferro, sódio, sulfato, zinco, amônia, 
manganês, sólidos dissolvidos totais, entre outros (BRASIL, 2021). A se-
guir, os limites de qualidade de alguns parâmetros são exemplificados.
Quadro 5
Parâmetros e limites de qualidade da água para consumo humano
Parâmetro Unidade Limite máximo
Alumínio mg/L 0,2
Amônia mg/L 1,2
Cloreto mg/L 250
Cor Aparente uH 15
Dureza total mg/L 300
Ferro mg/L 0,3
Gosto e odor Intensidade 6
Manganês mg/L 0,1
Sódio mg/L 200
Sólidos dissolvidos totais mg/L 500
Sulfato mg/L 250
Sulfeto de hidrogênio mg/L 0,05
Turbidez uT 5
Zinco mg/L 5
Escherichia coli NMP Ausência em 100 mL
Fonte: Adaptado de Brasil, 2021. 
É importante saber que os parâmetros descritos na Portaria n. 888 e 
seus correspondentes limites de qualidade devem ser obrigatoriamen-
te obedecidos por todas as estações de tratamento de água (ETAs) do 
país para assegurar a saúde da população. Por essa razão, a universali-
zação do serviço de abastecimento de água, por meio de uma rede de 
distribuição de água, é tão importante, pois ela garante a oferta hídrica 
com qualidade comprovada, compatível com o uso. 
Além disso, os níveis de tratamento da água para o abastecimento 
humano variam de acordo com o enquadramento do corpo hídrico. 
Quanto maior a classe, mais intensivo deve ser o tratamento para ga-
rantir água de qualidade para a população (Figura 5).
Para aprofundar seu 
conhecimento sobre 
parâmetros de qualidade 
da água, leia o primeiro e o 
segundo capítulo do livro 
Introdução à qualidade das 
águas e ao tratamento de 
esgoto publicado por Von 
Sperling (2011).
VON SPERLING, M. Belo Horizonte: 
Editora UFMG, 2011.
Leitura
46 Saneamento e saúde ambiental
Figura 5
Níveis de tratamento da água segundo o enquadramento
Classe Especial
Desinfeção simples¹
Classe 1
Tratamento simplificado
(Clarificação com filtração e desinfecção e 
correção de pH quando necessário)
Classe 2
Tratamento convencional
(Clarificação com coagulação e floculação, 
desinfecção e correção de pH)
Classe 3
Tratamento convencional e/ou avançado
(Inclui remoção de microorganismos 
patogênicos e tóxicos, entre outros)
Classe 4
Restrição para o abastecimento
(1) Não é permitido descarte de efluentes.
MAIS EXIGENTE
MENOS EXIGENTE
U
SO
S 
D
A 
ÁG
U
A
EXCELENTE
RUIM
Q
U
AL
ID
AD
E 
D
A 
ÁG
U
A
Fonte: ANA, 2019a. 
Por outro lado, a água destinada para outras finalidades (recreação, 
transporte, geração de energia, manutenção de ecossistemas, agricul-
tura etc.) é regulada pelas Resoluções n. 357, para águas superficiais 
(córregos, rios, lagos etc.), e n. 396, para águas subterrâneas (poços 
artesianos e lençóis freáticos) (BRASIL, 2005; 2008).
Conforme explicado anteriormente, os recursos hídricos super-
ficiais no Brasil são enquadrados em classes, por trecho, de acordo 
com a qualidade e a quantidade de água disponível, e a classificação 
da água determina o tipo de uso. O mesmo princípio se aplica para 
águas subterrâneas. A Figura 6 exemplifica as principais finalidades e 
restrições das águas doces, segundo a classe em que o corpo hídrico 
está inserido.
De acordo com a legislação brasileira, a classe (enquadramento) do 
corpo d’água determina o tipo de uso preponderante. Por exemplo, o 
uso para recreação e contato primário é permitido em corpos d’água 
de classe Especial, 1 e 2. Sendo assim, os campos em branco indicam 
que não há uso específico previsto.
Controle da poluição hídrica 47
Figura 6
Usos múltiplos das águas doces
Uso das águas doces Especial 1 2 3 4
Preservação do 
equilíbrionatural 
das comunida-
des aquáticas
Mandatório 
em UC de 
Proteção 
Integral
Proteção das 
comunidades 
aquáticas
Mandatório 
em Terras 
Indígenas
Recreação de 
contato primário
Aquicultura
Abastecimento 
para consumo 
humano
Após 
desinfecção
Após 
tratamento 
simplificado
Após 
tratamento 
convencional
Após 
tratamento 
convencional 
ou avançado
Recreação de 
contato secun-
dário
Pesca
Irrigação
Hortaliças 
consumidas 
cruas e fru-
tas ingeridas 
com película
Hortaliças, 
frutíferas, 
parques, jar-
dins, campos 
de esporte
Culturas 
arbóreas, 
cerealíferas e 
forrageiras
Dessedentação 
de animais
Navegação
Harmonia paisa-
gística
Fonte: SÃO PAULO, 2014.
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9
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11
48 Saneamento e saúde ambiental
Para atender às finalidades indicadas na Figura 6, a Resolução n. 357 
define uma ampla lista de parâmetros físicos, químicos e biológicos, sen-
do que os limites variam de acordo com a classe. O Quadro 6 exemplifica 
alguns desses parâmetros e limites de qualidade das águas doces para 
os usos múltiplos previstos na Resolução n. 357.
Os limites de qualidade variam de uma classe para outra (Quadro 6) 
e isso se justifica porque os tipos de uso também mudam dependendo 
da classificação dos corpos hídricos (Figura 6) (BRASIL, 2005; 2011).
Quadro 6
Parâmetros e limites de qualidade das águas doces
Parâmetros Unidade
Limites 
classe 
especial
Limites 
classe 1
Limites 
classe 2
Limites 
classe 3
Limites 
classe 4
Alumínio mg/L
Manter as 
condições 
naturais do 
corpo hídrico
0,1 0,2 0,2 -
Benzeno µg/L 0,005 0,005 0,005 -
Cloreto mg/L 250 250 250 -
Clorofila µg/L < 10 < 30 < 30 -
Coliformes fecais NMP
< 200 em 
100 mL
< 1.000 em 
100 mL
< 2.500 em 
100 mL
-
DDT (1) µg/L 0,002 1,0 1,0 -
Ferro mg/L 0,3 5 5 -
Manganês mg/L 0,1 0,5 0,5 -
Oxigênio dissolvido mg/L > 6 mg/L > 5 mg/L > 4 mg/L > 2 mg/L
Sólidos dissolvidos 
totais
mg/L 500 500 500 -
Sulfato mg/L 250 250 250 -
Turbidez UNT < 40 < 100 < 100 -
Zinco mg/L 5 5 5 -
(1) Se refere aos componentes de um tipo de agrotóxico.
Fonte: Adaptado de Brasil, 2005. 
Além disso, também existem parâmetros e limites de qualidade es-
tabelecidos nas Resoluções 357 e 430 para o lançamento de efluentes 
industriais e esgoto doméstico em corpos d’água.
Controle da poluição hídrica 49
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
A PNRH prevê a implantação de cinco instrumentos de gestão das 
águas brasileiras (enquadramento dos corpos d’água, outorga do direito 
de uso, cobrança pelo uso, sistema de informações e planos de recursos 
hídricos) em âmbito dos estados e municípios brasileiros, para oferecer 
água em quantidade e qualidade adequada para todas as finalidades.
O uso planejado e racional dos recursos hídricos é uma questão estra-
tégica para o desenvolvimento econômico e social do país, pois a água é 
um recurso natural limitado, de valor incalculável, presente em todas as 
atividades humanas e de outras espécies.
Os indicadores de qualidade da água e os parâmetros de qualidade 
são ferramentas essenciais para auxiliar no processo de planejamento e 
uso racional da água, uma vez que eles são utilizados no monitoramento 
da qualidade dos corpos hídricos (superficiais e subterrâneos), para aten-
der aos usos múltiplos, e na avaliação da condição da água tratada, para 
verificar se os limites exigidos pela legislação estão sendo respeitados. 
ATIVIDADES
Atividade 1
Quais são os cinco instrumentos da PNRH? Explique como eles 
atuam na gestão das águas brasileiras.
Atividade 2
A legislação brasileira define regras para o enquadramento e uso 
das águas doces, salinas e salobras no território nacional. Com 
base nessa classificação, apresente um exemplo de uso da água 
para cada classe (especial, 1, 2, 3 e 4). 
50 Saneamento e saúde ambiental
Atividade 3
Explique a diferença entre IQA e IB.
Atividade 4
Apresente as três categorias de parâmetros de qualidade da água 
e explique a relação que existe entre a classificação das águas 
brasileiras e os parâmetros de qualidade. 
REFERÊNCIAS
ANA – Agência Nacional de Águas. Cobrança pelo uso de recursos hídricos. Brasília: ANA, 
2019a. Disponível em: www.snirh.gov.br/portal/snirh/centrais-de-conteudos/conjuntura-
dos-recursos-hidricos/ana_encarte_cobranca_conjuntura2019.pdf. Acesso em: 14 abr. 
2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil: diagnóstico 
e prognóstico do novo PNRH. ANA, 2021. Disponível em: https://relatorio-conjuntura-
ana-2021.webflow.io/. Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Indicadores de qualidade – índice de balneabilidade 
(IB). ANA, 2022a. Disponível em: http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-balneabilidade.aspx. 
Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Indicadores de qualidade – índice de qualidade das 
águas (IQA). ANA, 2022b. Disponível em: http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-indice-aguas.
aspx. Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Indicadores de qualidade – qualidade da água em 
reservatórios (IQAR). ANA, 2022c. Disponível em: http://pnqa.ana.gov.br/indicadores-
qualidade-agua.aspx. Acesso em: 14 abr. 2022. 
ANA – Agência Nacional de Águas. Outorga de direito de uso de recursos hídricos. 
Brasília: ANA, 2011. (Cadernos de capacitação em recursos hídricos, v. 6). 
Disponível em: https://arquivos.ana.gov.br/institucional/sge/CEDOC/Catalogo/2012/
OutorgaDeDireitoDeUsoDeRecursosHidricos.pdf. Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Panorama da qualidade das águas superficiais no Brasil. 
Brasília: ANA, 2005. (Caderno de recursos hídricos, v. 1). Disponível em: http://pnqa.ana.
gov.br/Publicacao/PANORAMA%20DA%20QUALIDADE%20DAS%20%C3%81GUAS.pdf. 
Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Panorama do enquadramento dos corpos d’água do Brasil 
e Panorama da qualidade das águas subterrâneas no Brasil. Brasília: ANA, 2007. (Caderno de 
recursos hídricos, v. 5). Disponível em: http://pnqa.ana.gov.br/Publicacao/PANORAMA%20
DO%20ENQUADRAMENTO.pdf. Acesso em: 14 abr. 2022.
ANA – Agência Nacional de Águas. Portal do SNIRH, 2022d. Página inicial. Disponível em: 
http://www.snirh.gov.br/. Acesso em: 14 abr. 2022.
http://www.snirh.gov.br/portal/snirh/centrais-de-conteudos/conjuntura-dos-recursos-hidricos/ana_encarte_cobranca_conjuntura2019.pdf
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Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 abr. 2008. Disponível em: http://portalpnqa.ana.gov.
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52 Saneamento e saúde ambiental
3
Sistemas de tratamento de 
água de abastecimento
Neste capítulo serão abordados os principais aspectos dos sistemas 
de tratamento de água para o abastecimento humano urbano. Esse as-
sunto é extremamente importante no contexto da gestão pública, pois 
trata do atendimento da qualidade da água para assegurar a saúde da 
população, por isso ele está inserido no objetivo 6 (“Água potável e sa-
neamento” – universalização dos serviços sanitários) da Agenda 2030 das 
Nações Unidas.
As seções que serão apresentadas a seguir abordam aspectos teó-
ricos, conceituais e aplicados dos temas que envolvem os sistemas de 
tratamento de água de abastecimento em uma linguagem simplificada 
e objetiva. Ao longo do texto também são sugeridas leituras e atividades 
complementares para auxiliar a fixar os conhecimentos aprendidos sobre 
o assunto.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• discutir os tipos de usos múltiplos da água e suas implicações;
• descrever os principais aspectos dos sistemas de tratamento conven-
cional da água de abastecimento;
• descrever os principais aspectos dos sistemas de tratamento avança-
do da água de abastecimento.
Objetivos de aprendizagem
3.1 Usos múltiplos da água 
Vídeo A Política Nacional dos Recursos Hídricos (PNRH) determina que 
a gestão das águas no território brasileiro deve sempre assegurar as 
condições necessárias para suprir a demanda das múltiplas finalidades 
(BRASIL, 1997). A PNRH reconhece legalmente a abrangência do direito 
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 53
de acesso à água de boa qualidade e em quantidade para todas as ati-
vidades (humana, ecológica, industrial, comercial, recreação etc.).
A seguir, destacam-se os usos múltiplos preponderantes da água, 
segundo o enquadramento dos corpos hídricos da Resolução n. 357 
para água doce, salobra e salina (BRASIL, 2005).
Principais usos da água
• Abastecimento humano
• Aquicultura
• Atividade de pesca artesanal
• Dessedentação de animais
• Diluição de efluentes
• Irrigação (uso agrícola)
• Harmonia paisagística
• Navegação
• Pesca amadora
• Preservação de ambientes aquáticos
• Preservação do equilíbrio natural (ciclo da água)
• Recreação de contato primário (natação, esqui aquático, mergulho etc.)
• Recreação de contato secundário
Os usos múltiplos são classificados em dois grupos, de acordo com 
o tipo de finalidade: usos consuntivos e usos não consuntivos. Os usos 
consuntivos são aqueles em que ocorre captação e consumo de água, 
isto é, transferência total ou parcial de água do corpo hídrico para aten-
der uma ou várias atividades, como é o caso do abastecimento humano 
e industrial. Os usos não consuntivos, por outro lado, englobam ati-
vidades que demandam água para a sua manutenção, mas que não 
há retirada de água do corpo hídrico, comoecossistemas naturais e 
turismo (ANA, 2019).
Segundo levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA), em 
2017, os usos consuntivos foram responsáveis pela retirada de 93 tri-
lhões de litros de água de cursos superficiais e subterrâneos no país 
(ANA, 2019). Por essa razão, é importante planejar a gestão da água sob 
a perspectiva dos usos múltiplos para assegurar que todas as finalida-
des sejam atendidas.
Para aprofundar seu 
conhecimento sobre os 
usos consuntivos, visite o 
mapa interativo da Agência 
Nacional de Águas e Sanea-
mento e veja a situação de 
seu estado e município.
Disponível em: https://portal1.snirh.
gov.br/ana/apps/webappviewer 
/index.html?id=f3b8 
b806ff1e4ce79b57a8c9887992b2. 
Acesso em: 26 abr. 2022.
Site
54 Saneamento e saúde ambiental
O consumo de água é a parcela efetivamente utilizada (não retor-
na para o corpo hídrico) e varia muito entre os diversos tipos de usos 
consuntivos (Figura 1). A irrigação agrícola é a atividade responsável 
pela maior retirada de água (52,0%), seguida pelo abastecimento ur-
bano (23,8%), que envolve basicamente o uso residencial, comercial e 
institucional, e o setor industrial (9,1%).
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Retorno
291,5
397
87,5
6,9
23,3
77,0
41,7
Consumo
792,1
99,2
101,7
27,6
9,6
2,5
125,1
Retirada 
1083,6
496,2
189,2
34,5
32,9
79,5
166,8
Usos (em m3/s)
Irrigação 
Abastecimento 
urbano
Indústria
Abastecimento rural 
Mineração
Termelétrica 
Uso animal 
Retirada total 
2.082,7 (m3/s)
Termelétrica 3,8%
Mineração 
1,6%
Abastecimento 
rural 1,7%
Indústria 9,1%
Uso animal 8%
Abastecimento 
urbano 23,8%
Irrigação 52%
Termelétrica 
0,2%
Mineração 0,8%
Abastecimento 
rural 2,4%
Indústria 8,8%
Uso animal 10,8%
Irrigação 68,4%
Abastecimento urbano 8,6%
Consumo total 
1.157,9 (m3/s)
Figura 1
Retiradas de água no Brasil em 2017
Fonte: Adaptada de ANA, 2019. 
7
Parte da água retirada do corpo hídrico retorna a ele, principalmente 
na forma de descarte de águas residuais tratadas (efluentes industriais 
e esgoto doméstico) ou ainda como água que infiltra no solo, realimen-
tando os reservatórios superficiais (rios, lagos, represas, córregos etc.) 
e subterrâneos (lençóis freáticos e poços artesianos). O consumo total 
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 55
é a diferença entre a vazão retirada e a vazão de retorno (ANA, 2019). 
Segundo a NBR 9649 (ABNT, 1986), o coeficiente de retorno de água 
para o corpo hídrico é 80% da vazão retirada do corpo hídrico.
Uma vez que a vazão de retirada de água tem impacto na disponibili-
dade hídrica para o atendimento dos usos múltiplos, é muito importan-
te conhecer as demandas dos usos consuntivos por bacia hidrográfica, 
já que os Planos de Recursos Hídricos, previstos na Lei 9.433, devem 
ser elaborados em nível de bacia hidrográfica (BRASIL, 1997). 
Na Figura 2 é mostrado um levantamento realizado pela ANA sobre 
o consumo de água para usos consuntivos nos municípios brasileiros. 
As áreas destacadas em vermelho e marrom são aquelas em que os 
municípios apresentam as mais altas retiradas de água e que tendem a 
sofrer maior escassez em caso de crise hídrica.
Figura 2
Vazão retirada de água no Brasil
Fonte: Adaptada de ANA, 2017b.
< 0,050
0,050 – 0,100
0,100 – 0,500
0,500 – 2,500
2,500 – 10,000
10,000 – 46,026
Uso da Água por Município
Limites Estaduais
Demanda Hídrica 2017
 Demanda Total
 Vazão retirada (m³/s)
As maiores retiradas de água em 2017 ocorreram nos municípios: 
São Paulo (46,0 m3.s-1) e Rio de Janeiro (45,3 m3.s-1), para abastecimen-
Assista ao vídeo Usos múl-
tiplos da água, do canal 
Agência das Bacias PCJ, 
(rios Piracicaba, Capivari 
e Jundiaí), sobre os usos 
múltiplos da água.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=AAHv 
MPs3VjQ. Acesso em: 26 abr. 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=AAHvMPs3VjQ
https://www.youtube.com/watch?v=AAHvMPs3VjQ
https://www.youtube.com/watch?v=AAHvMPs3VjQ
56 Saneamento e saúde ambiental
to humano urbano; Uruguaiana (24,4 m3.s-1), Santa Vitória do Palmar 
(24,4 m3.s-1), Alegrete (22,0 m3.s-1) e Itaqui (20,9 m3.s-1), todos no Rio 
Grande do Sul, para irrigação; e Juazeiro (18,3 m3.s-1), na Bahia, para 
irrigação (ANA, 2019).
A quantificação da vazão dos usos consuntivos ainda é um grande 
desafio, pois, embora existam várias metodologias, todas apresentam 
limitações, uma vez que são aproximações, e não medições exatas.
Por exemplo, a estimativa da retirada de água para o abastecimento 
humano urbano se baseia no número de habitantes do município e no 
consumo médio per capita. Entretanto, o consumo pode variar bastan-
te dependendo das instalações, como apresentado no quadro a seguir.
Quadro 1
Coeficientes de consumo médio teórico de água
Instalação Consumo
Apartamento 200 L.d–1.habitante–1
Residência 150 L.d–1.habitante–1
Escola 50 a 150 L.d–1.habitante–1
Casa popular 120 L.d–1.habitante–1
Alojamento provisório 80 L.d–1.habitante–1
Fonte: Adaptado de ABNT, 1993. 
As variáveis aplicadas no caso do setor industrial são a tipologia da 
indústria, conforme a Classificação Nacional das Atividades Econômi-
cas (CNAE) (IBGE, 2022), e o número de empregados (ANA, 2017a). As 
indústrias alimentícias são as principais consumidoras de água (55,8%), 
seguidas pelos produtores de biocombustíveis e derivados de petróleo 
(25,5%) (Figura 3).
Retirada
Produtos alimentícios 
40,5%
Bebidas 5,4%
Celulose, papel e produtos 
de papel 13,4%
(Continua)
Outros 16,3%
Metalurgia 5,4%
Produtos químicos 2,9%
Produtos derivados do petróleo e 
de biocombustíveis 16,1%
Figura 3
Panorama do consumo de água no setor industrial brasileiro
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 57
Consumo
Bebidas 2,9%
Celulose, papel e produtos 
de papel 3,8%
Outros 7,4%
Produtos derivados do petróleo 
e de biocombustíveis 25,5%
Metalurgia 2,4%
Produtos químicos 1,9%
Produtos alimentícios 55,8%
Fonte: Adaptada de ANA, 2019. 
A estimava da retirada de água para a agroindústria utiliza a quanti-
dade de água autorizada pelo órgão ambiental (vazão outorgada) para 
captação e descarte de efluente (ANA, 2019).
Em resumo, o balanço hídrico de uma bacia hidrográfica deve consi-
derar todas as entradas de água (vazão de oferta) e todas as saídas (va-
zão de consumo para atender aos usos múltiplos). Uma exemplificação 
de balanço hídrico é apresentada na figura a seguir. 
Disponibilidade 
60,54 m3/s
Subterrânea
37,54 m3/seg
Superficial 
23 m3/seg
Uso industrial 
38,1%
Uso agrícola 
59,6%
Uso urbano 
2,3%
Relação 
disponibilidade
demanda 
69,3%
Demanda 
41,98 m3/seg
Figura 4
Exemplo de balanço hídrico da demanda municipal
Fonte: Adaptada de Região..., 2022. 
A oferta de água (somatório das entradas) deve ser superior à de-
manda (somatório das saídas) para garantir os usos múltiplos.
58 Saneamento e saúde ambiental
3.2 Tratamento convencional da água 
Vídeo
De acordo com o artigo V da Portaria n. 888 do Ministério da Saúde, 
o sistema de abastecimento de água para consumo humano (SAA) é 
definido como sendo uma “instalação composta por um conjunto de 
obras civis, materiais e equipamentos – desde a zona de captação até 
as ligações prediais – destinada à produção e ao fornecimento coletivo 
de água potável, por meio de rede de distribuição” (BRASIL, 2021).
Portanto, o sistema de abastecimento de água consiste basicamen-
te em um complexo de operações (ou unidades operacionais) que tem 
o objetivo de fornecer água potável para a população residente em 
áreas urbanas. Os principais componentes do sistema de abastecimen-
to são (FUNASA, 2014): 
1. o manancial; 
2. a captação e 
adução de água bruta; 
3. a estação de tratamento; 
4. a adução de água tratada; 
5. a reservação; 
6. a distribuição.A Figura 5 ilustra os principais componentes do circuito de abas-
tecimento urbano de água, desde o manancial de água bruta (1) até a 
etapa de distribuição da água potável para os consumidores finais (9).
Assista ao vídeo Estação 
de tratamento de água – 
como funciona?, do canal 
Estação de Tratamento 
de Água. 
Disponível em: www.youtube.com/
watch?v=YcLtPJBjdAc. Acesso em: 
26 abr. 2022.
Vídeo
Figura 5
Configuração do sistema de abastecimento de água urbano
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1
Represa
Bombeamento 2
Sulfato de alumínio 
Cal
Cloro 3
Floculação
4
Decantação
6
Cal
Cloro
Flúor
5
 Filtração
7
Reservatório 
Água final (ETA)
8
Reservatório 
dos bairros
9
Distribuição
Fonte: Elaborada com base em Tratamento..., 2022. 
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 59
O termo manancial se refere à fonte de água que será utilizada para 
abastecer um município ou região, podendo ser superficial (um lago), 
subterrânea (um poço artesiano) ou água de chuva (uma cisterna). A 
área de manancial compreende toda a extensão territorial que con-
tribui com o escoamento superficial ou subterrâneo de água para a 
formação desse manancial e existem parâmetros técnicos e legais que 
devem ser obedecidos antes da retirada de água de um manancial (SIL-
VA et al., 2001). Por exemplo, é necessário verificar a capacidade de 
vazão (oferta de água), a distância entre o manancial e o usuário final, 
e a geografia da área, visto que elas podem inviabilizar o transporte da 
água, a emissão da outorga, a qualidade da água, entre outros aspectos.
A Resolução n. 357 estabelece que os recursos hídricos enquadra-
dos na classe 4 são impróprios para o abastecimento humano, pois têm 
qualidade inferior ao mínimo necessário, já os cursos d’água classes 2 e 
3 podem ser utilizados somente após tratamento convencional e avan-
çado, respectivamente (BRASIL, 2005). A criação de áreas de proteção 
e de ordenamento do uso e da ocupação do solo é uma ferramenta 
muito eficaz na gestão da qualidade dos mananciais (SILVA et al., 2001).
A captação e adução compreendem a fase de transporte da água 
bruta desde o manancial até o local onde a água será tratada; em ou-
tras palavras, a captação é a fonte de água e a adução é o meio de 
transporte da água. O mecanismo de captação e adução varia muito, 
dependendo do tipo de manancial (rio, reservatório ou aquífero sub-
terrâneo) e das condições de relevo (planície entre o manancial e o 
local de tratamento, aclive, declive ou poços subterrâneos confinados 
profundos) (FUNASA, 2014). Portanto, as características físicas do ma-
nancial determinam o tipo de captação e de adução da água bruta. A 
seguir, um resumo das principais tipologias dessa etapa.
Quadro 2
Categorias de captação e adução de água
Tipologia
Captação
Água de chuva
Nascente de encosta 
Fundo de vale
Lenço freático
Lençol subterrâneo
Manancial de superfície (rios, lagos, reservatórios, açudes)
Assista ao vídeo Águas 
subterrâneas – aquífero, do 
canal anagovbr, sobre as 
águas subterrâneas.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=8LvS 
62bmWNE. Acesso em: 26 abr. 
2022.
Vídeo
(Continua)
https://www.youtube.com/watch?v=8LvS62bmWNE
https://www.youtube.com/watch?v=8LvS62bmWNE
https://www.youtube.com/watch?v=8LvS62bmWNE
60 Saneamento e saúde ambiental
Tipologia
Adução
Adutora por gravidade (sem bombeamento)
Adutora de recalque (com bombeamento – consumo de energia)
Mista (gravidade e recalque)
Contínua (sem interrupção)
Intermitente (com períodos de pausa)
Água bruta
Água tratada
Fonte: Adaptado de Funasa, 2014.
A adução pode acontecer por meio de um canal, uma galeria ou 
um encanamento. No caso da adução sob pressão (encanamento), é 
comum a necessidade de uma bacia de contenção (ou bacia de tranqui-
lização) para reduzir a força com que a água flui para a etapa seguinte. 
É nesse ponto também que comumente está instalado um sistema de 
gradeamento, que remove os sólidos grosseiros (de maior dimensão).
O destino da adução é a Estação de Tratamento de Água (ETA). A 
qualidade da água após o tratamento deve obedecer aos limites dos pa-
râmetros definidos na Portaria n. 888 do Ministério da Saúde (BRASIL, 
2021). Esse tratamento tem o objetivo de remover substâncias que al-
teram as propriedades físicas, químicas e biológicas originais da água, 
principalmente no caso de população residente nas grandes cidades, 
devido ao efeito da urbanização (mudança na dinâmica dos ecossiste-
mas naturais) e da poluição, que afetam a qualidade das águas e po-
dem provocar várias doenças de veiculação hídrica (FUNASA, 2014).
A etapa de tratamento da água de abastecimento pode ser dividida 
em duas categorias: convencional e avançada. Nesta seção serão apre-
sentados os principais aspectos do tratamento convencional, pois ele 
é utilizado na absoluta maioria das cidades brasileiras que dispõem de 
infraestrutura de rede de distribuição de água potável. 
O tratamento convencional, conhecido como ciclo completo, abran-
ge as seguintes fases operacionais principais: 
1. clarificação; 
2. desinfecção; 
3. correção do pH; 
4. fluoretação. 
A clarificação envolve processos físicos e químicos e é responsável 
pela remoção de sólidos suspensos (na coagulação-floculação-decantação) 
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 61
e dissolvidos (na filtração), resultando na redução da cor aparente e da turbi-
dez da água bruta (FUNASA, 2014). Os agentes de coagulação mais comuns 
são: sulfato de alumínio, cloreto férrico, sulfato férrico e compostos orgâni-
cos. Os coagulantes adicionados na água (fase de coagulação) favorecem a 
formação dos flocos (fase de floculação), que são o resultado da aglutinação 
dos sólidos suspensos e dissolvidos. Então, os flocos são separados fisica-
mente pela ação da gravidade, pois eles são mais pesados do que a água 
(fase de sedimentação). Os sólidos remanescentes, isto é, que não foram 
removidos na coagulação-floculação-decantação, são retidos no filtro (fase 
de filtração), que consiste, geralmente, em camadas de areia, brita e carvão 
ativado ou outro material semelhante (ROSCHILD; GUEDES, 2018).
O fluxo de água na filtração direta pode ocorrer de modo descen-
dente (pela ação da gravidade) ou ascendente (sob pressão). No caso 
de fluxo ascendente, é necessário o bombeamento da água, o que im-
plica em gasto de energia e consequente custo adicional com o trata-
mento. Entretanto, o fluxo ascendente é mais eficiente em comparação 
ao fluxo descendente. Na filtração podem ser removidas partículas 
com dimensão entre 0,01 e 10 µm (BERNARDO, 2003).
Na etapa da desinfecção, ocorre a eliminação de microrganismos 
causadores de doenças de veiculação hídrica (DANIEL, 2001). A corre-
ção do pH acontece em seguida, pois é adicionada cal na etapa de cla-
rificação para proporcionar as condições necessárias ao processo de 
coagulação-floculação. 
A fluoretação é a última etapa do tratamento convencional e nela 
ocorre a aplicação de flúor para a prevenção da cárie infantil (FUNASA, 
2014). A Figura 6 ilustra os principais componentes de uma ETA conven-
cional e o fluxo de materiais (entradas e saídas).
Figura 6
Fluxo de materiais em uma ETA convencional
Cal
Agentes químicos (coagulantes)
Clarificação
Agente desinfetante Cal e flúor
Água bruta Gradeamento Coagulação, 
floculação
Decantação, 
filtração Desinfecção Ajuste pH, 
fluoretação
Água 
potável
Resíduos grosseiros
Lodo
Fonte: Elaborada pela autora.
Assista ao vídeo Sedimenta-
ção e Decantação: processos 
de separação de misturas!, 
do canal EscolAnimada, 
sobre sedimentação para 
o tratamento de água.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=D-uduF6f_
oA. Acesso em: 26 abr. 2022. 
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=D-uduF6f_oA
https://www.youtube.com/watch?v=D-uduF6f_oA
https://www.youtube.com/watch?v=D-uduF6f_oA
62 Saneamento e saúde ambiental
Os sólidos removidos na fase de clarificação são transformados em 
lodo, e sua destinação adequada de ETA éuma importante etapa do tra-
tamento da água de abastecimento, pois contém substâncias que po-
dem comprometer a qualidade dos corpos hídricos e a saúde pública se 
o manejo correto for negligenciado (CUNHA et al., 2019). O lodo de ETA 
é caracterizado como resíduo sólido não perigoso e não inerte, de acordo 
com a NBR 10004 (ABNT, 2004), e como resíduo de serviços de saneamento 
básico, pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) (BRASIL, 2010). 
As principais destinações sustentáveis para o lodo de ETA são: recupe-
ração de áreas degradadas (combate ao processo de erosão); cobertura 
de aterro sanitário (substituto do solo); fabricação de tijolos e cerâmicas 
(substituto da argila extraída da natureza); e uso agrícola para a correção 
da qualidade do solo (CUNHA et al., 2019; HENDIGES et al., 2017).
A desinfecção da água pode ser classificada em dois grupos, segun-
do as características do desinfetante: 
1. agentes químicos; 
2. agente físico. 
Na desinfecção química geralmente é utilizada cloração, na forma 
de cloro gasoso (Cl2) ou de um sal (NaOCl – hipoclorito de sódio, ou 
Ca(ClO)2 – hipoclorito de cálcio) ou ozonização, com ozônio (O3) gasoso. 
Já na desinfecção física, utiliza-se radiação ultravioleta, emitida por lâm-
padas especiais (comercialmente conhecidas como lâmpadas germici-
das) que emitem luz predominantemente na região próxima de 254nm, 
que causa a destruição das células dos microrganismos (DANIEL, 2001; 
FUNASA, 2014; ROSCHILD; GUEDES, 2018). 
3.3 Tratamento avançado da água 
Vídeo
O tratamento avançado da água para o abastecimento urbano 
é utilizado quando a qualidade da água bruta está demasiadamente 
comprometida e o tratamento convencional não é suficiente para al-
cançar os padrões de potabilidade estabelecidos na Portaria n. 888 
do Ministério da Saúde (BRASIL, 2021). Essa alternativa também pode 
ser necessária no caso da captação de água de fontes subterrâneas 
(um aquífero) com elevada dureza (grande quantidade de íons cálcio e 
magnésio), ou de outras substâncias químicas que podem estar natu-
ralmente presentes no aquífero, mas que o tratamento convencional 
potabilidade: caracterís-
tica ou condição do que é 
potável.
Glossário
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 63
não é capaz de remover, ou ainda no caso da captação de água do 
mar para abastecimento urbano, que exige a remoção da salinidade 
da água bruta antes da sua distribuição para o consumo da população 
(MICROFILTRAÇÃO..., 2022).
A configuração geral do tratamento avançado é semelhante ao tra-
tamento convencional, com exceção de algumas unidades operacio-
nais que são específicas. A Figura 7 mostra um esquema dos principais 
componentes de uma ETA com tratamento avançado e o fluxo de ma-
teriais (entradas e saídas).
Figura 7
Componentes e fluxo de materiais em uma ETA avançada
Cal
Agentes Químicos (coagulantes)
Clarificação
Agente desinfetante
Cal e flúor
Água bruta
Gradeamento Coagulação, 
floculação Flotação Membranas Desinfecção
Ajuste pH, 
fluoretação
Água 
potável
Lodo LodoResíduos grosseiros
Fonte: Elaborada pela autora.
A flotação é um processo de separação entre partículas (sólidos 
suspensos e dissolvidos) e líquido (água). Essa é uma alternativa 
mais eficiente de clarificação da água para substituir a etapa de 
decantação, mostrada na Figura 6. Nesse processo, ar comprimido 
(pressurizado) é introduzido na base do tanque de flotação (após a 
coagulação-floculação), com o objetivo de arrastar para a superfí-
cie os flocos formados (sólidos suspensos e dissolvidos), para, pos-
teriormente, serem retirados por um mecanismo de pás rotativas 
superficiais. Várias vantagens estão associadas à flotação, como 
eficiência, tempo de tratamento e área necessária para implanta-
ção, pois esse sistema é compacto e otimiza a etapa de clarificação 
da água. 
O quadro a seguir compara as etapas de clarificação da água de 
abastecimento nos dois sistemas, de acordo com alguns aspectos ope-
racionais e econômicos.
Assista à palestra Trata-
mento de água e efluentes 
por membranas no Brasil, 
do evento Tecnologias 
Sustentáveis promovido 
pela Universidade Federal 
de Minas Gerais na 9ª 
SAEA – Semana Acadêmica 
de Engenharia Ambiental.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=-
Gz7hEVRIEo. Acesso em: 26 abr. 
2022.
Vídeo
Assista ao vídeo Coagula-
ção, floculação, flotação e 
mais: processos de separa-
ção de misturas!, do canal 
EscolAnimada.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=t98K 
BGrTu7U. Acesso em: 2022.
Vídeo
Gradeamento
https://www.youtube.com/watch?v=-Gz7hEVRIEo
https://www.youtube.com/watch?v=-Gz7hEVRIEo
https://www.youtube.com/watch?v=-Gz7hEVRIEo
https://www.youtube.com/watch?v=t98KBGrTu7U.
https://www.youtube.com/watch?v=t98KBGrTu7U.
https://www.youtube.com/watch?v=t98KBGrTu7U.
64 Saneamento e saúde ambiental
Quadro 3
Flotação e decantação 
Características Flotação Decantação
Eficiência Alta Média – baixa
Custo de implantação Médio – alto Baixo
Tempo de tratamento Médio – baixo Alto
Cuidados especiais Médio Baixo
Área para implantação Pequena Grande
Monitoramento Médio Alto
Consumo de energia Médio – alto Baixo
Fonte: Elaborado pela autora.
Embora a flotação seja mais eficiente que a decantação, sua prin-
cipal desvantagem é o consumo de energia elétrica para a pressuriza-
ção do ar injetado no tanque. Isso pode elevar o custo operacional do 
tratamento e impactar negativamente o valor da tarifa do serviço de 
abastecimento de água. Portanto, é necessário analisar cuidadosamen-
te a escolha da tecnologia mais adequada para cada caso, levando em 
consideração a relação custo/benefício.
A centrifugação também pode ser uma alternativa para substituir a 
decantação e a flotação, embora ela seja menos comum. Na centrifuga-
ção, a massa de água em tratamento é submetida à ação da força cen-
trífuga (efeito da alta velocidade de rotação interna do equipamento), 
que resulta na remoção de sólidos suspensos.
As membranas são alternativas tecnológicas que substituem a fil-
tração utilizada no tratamento convencional. Existem diversos tipos de 
membranas (microfiltração, nanofiltração, ultrafiltração, osmose rever-
sa e troca iônica) e a escolha de qual é o mais adequado dependerá, 
principalmente, das características da água bruta e da análise finan-
ceira (custo/benefício). As membranas são meios filtrantes, que têm 
elevada capacidade de barreira (retenção de sólidos entre 0,001 e 10 
m) (ROSCHILD; GUEDES, 2018; MICROFILTRAÇÃO..., 2022). O Quadro 4 
apresenta as principais características de cada tipo de membrana para 
o tratamento avançada da água de abastecimento.
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 65
Quadro 4
Membranas filtrantes
Tipo Características Condição de uso
Microfiltração
Remoção de partículas en-
tre 10 e 0,1 µm
 • Baixa pressão
 • Indicada para clarifica-
ção da água
Ultrafiltração
Remoção de partículas en-
tre 0,1 e 0,01 µm e micror-
ganismos
 • Média pressão (até 10 
bar)
 • Indicada para remoção 
de sólidos dissolvidos, 
bactérias e vírus
Nanofiltração
Remoção de íons até 0,001 
µm e microrganismos
 • Alta pressão (até 35 bar)
 • Indicada para desmine-
ralização, remoção de cor 
e dessalinização
Osmose reversa
Remoção de íons e micror-
ganismos
 • Alta pressão
 • Indicada para dessalini-
zação, potabilização, des-
mineralização e remoção 
de microrganismos para 
uso industrial e abasteci-
mento humano
Coluna de troca iônica
Remoção de íons (positi-
vos ou negativos)
 • Resina seletiva
 • Indicada para dessalini-
zação e potabilização da 
água
 • Indicada para dessalini-
zação e desmineralização 
de água de abastecimento 
ou para uso industrial
Fonte: Adaptado de Microfiltração..., 2022. 
A osmose reversa e a ultrafiltração são muito utilizadas no trata-
mento avançado de água de abastecimento, pois são membranas se-
mipermeáveis, que removem íons (Cálcio e Magnésio, responsáveis 
pela dureza da água), sais (cloreto de sódio ou sal de cozinha) e micror-
ganismos nocivosà saúde humana. 
A coluna de troca iônica também é um tipo de membrana filtrante, 
porém seletiva, pois somente remove íons (Ca2+, Mg2+, Na+, Cl-, K+). Sua 
aplicação é indicada para a redução da dureza da água de abasteci-
mento (abrandamento) e a remoção ou recuperação de íons positivos 
ou negativos (MICROFILTRAÇÃO..., 2022).
66 Saneamento e saúde ambiental
As membranas filtrantes são unidades de tratamento muito eficien-
tes, superiores ao sistema de filtração utilizado no tratamento conven-
cional da água de abastecimento. Porém, elas apresentam algumas 
limitações, principalmente o alto investimento (no ato da compra do 
equipamento), a mão de obra especializada para operar adequada-
mente o sistema e a manutenção preventiva constante para evitar que 
sua vida útil seja reduzida (MICROFILTRAÇÃO..., 2022).
Assim, o custo final para implantação e operação de um sistema de 
tratamento avançado é maior em relação ao sistema convencional. Por 
essa razão, as ETAs buscam prioritariamente mananciais de captação 
com qualidade compatível ao tratamento convencional para reduzir 
o impacto da tarifa da água na conta dos consumidores. O Quadro 5 
compara alguns aspectos operacionais e econômicos importantes nos 
dois sistemas.
Quadro 5
Sistemas de tratamento de água
Características Sistema convencional Sistema avançado
Custo geral Médio Alto
Tempo de tratamento Médio – baixo Alto
Cuidados especiais Médio – baixo Alto
Monitoramento Médio Alto
Geração de resíduos Médio – alto Alto
Consumo de energia Médio – baixo Alto
Fonte: Adaptado de Roschild; Guedes, 2018. 
As tecnologias de membrana e flotação também são muito utiliza-
das no tratamento de água para atividades industriais. Isso acontece 
porque a água fornecida pelas companhias de saneamento deve aten-
der apenas aos padrões de potabilidade da legislação brasileira (água 
para consumo humano) e muitas indústrias demandam qualidade su-
perior. Por isso, é comum que a água utilizada no processo produtivo 
necessite de tratamento complementar, para a remoção de material 
particulado e íons, e os sistemas de membranas filtrantes são os mais 
indicados para essa finalidade (MICROFILTRAÇÃO..., 2022).
Sistemas de tratamento de água de abastecimento 67
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
O sistema de abastecimento urbano de água potável para consumo 
humano é composto por uma sequência de operações, que envolvem a 
captação, o transporte, o tratamento e a distribuição da água. Existem 
várias tecnologias de tratamento da água de abastecimento, porém a es-
colha da melhor alternativa dependerá, principalmente, da qualidade da 
água no manancial (enquadramento). O tratamento avançado da água é 
particularmente indicado para alguns tipos de atividades industriais ou 
para abastecimento humano quando o manancial tem concentração na-
turalmente elevada de íons e sólidos dissolvidos.
A PNRH define que o abastecimento humano e a dessedentação de 
animais são os usos prioritários, em caso de escassez de água, e que to-
dos os usos múltiplos devem ser garantidos quando houver disponibilida-
de de água em quantidade e qualidade adequadas.
ATIVIDADES
Atividade 1
Os usos múltiplos da água são divididos em dois grupos de acordo 
com sua finalidade. Apresente a classificação dos usos múltiplos, 
dê um exemplo de cada tipo e explique como cada grupo influen-
cia na demanda hídrica de determinada região.
Atividade 2
Apresente os elementos que compõem o tratamento convencional 
da água de abastecimento e explique a função de cada um deles.
68 Saneamento e saúde ambiental
Atividade 3
O sistema de tratamento de água pode ser convencional ou 
avançado. Apresente um exemplo de tecnologia utilizada no 
tratamento avançado de água e explique em que situação ela é 
recomendada.
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https://repositorio.funasa.gov.br/bitstream/handle/123456789/491/06%20-%20Manual%20de%20controle%20da%20qualidade%20da%20%c3%a1gua%20para%20t%c3%a9cnicos%20que%20trabalham%20em%20ETAS%202014.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://repositorio.funasa.gov.br/bitstream/handle/123456789/491/06%20-%20Manual%20de%20controle%20da%20qualidade%20da%20%c3%a1gua%20para%20t%c3%a9cnicos%20que%20trabalham%20em%20ETAS%202014.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/12497/seer_12497.pdf
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https://concla.ibge.gov.br/busca-online-cnae.html
www.snatural.com.br/membranas-ultrafiltracao-filtracao-agua/
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http://www2.feis.unesp.br/irrigacao/dweb_15abr10.php
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https://wp.ufpel.edu.br/hugoguedes/files/2018/11/Aula-7-Tratamento-de-%C3%A1gua-Caroline-Voser.pdf
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http://www.comiteguandu.org.br/downloads/ARTIGOS%20E%20OUTROS/-AVALIACAO%20DE%20MANANCIAIS%20USADOS%20EM%20SISTEMAS%20DE.pdf
http://www.comiteguandu.org.br/downloads/ARTIGOS%20E%20OUTROS/-AVALIACAO%20DE%20MANANCIAIS%20USADOS%20EM%20SISTEMAS%20DE.pdf
http://www.comiteguandu.org.br/downloads/ARTIGOS%20E%20OUTROS/-AVALIACAO%20DE%20MANANCIAIS%20USADOS%20EM%20SISTEMAS%20DE.pdf
https://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=47
https://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=47
70 Saneamento e saúde ambiental
4
Sistemas de tratamento 
de efluentes
Neste capítulo serão descritos os principais aspectos dos sistemas 
de tratamento de efluentes. Esse tema é extremamente importante, pois 
compõe um dos eixos cruciais do saneamento básico, com impacto direto 
na saúde pública. Por essa razão, está inserido no objetivo 6 (Água potável 
e saneamento) da Agenda 2030 das Nações Unidas, que trata da necessi-
dade de universalização dos serviços sanitários.
Nas seções a seguir serão tratados aspectos teóricos, conceituais e apli-
cados dos sistemas de tratamento de efluentes, de modo descomplicado e 
objetivo. Também serão indicadas atividades complementares, como reco-
mendação para fixar o conhecimento apresentado aqui.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• apresentar as principais fontes de geração de efluentes e suas 
características; 
• descrever os principais aspectos dos sistemas de tratamento con-
vencional de efluentes; 
• descrever os principais aspectos dos sistemas de tratamento 
avançado de efluentes; 
• discutir o reúso de água e de efluente tratado, seus benefícios e 
desafios.
Objetivos de aprendizagem
4.1 Origem e características dos efluentes 
Vídeo
De acordo com o artigo 4 da Resolução n. 430, publicada em 2011 
pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, o termo efluente é utilizado 
para designar todos os resíduos (ou despejos) líquidos, gerados em ati-
vidades humanas e industriais (BRASIL, 2011). O termo águas residuais, 
Sistemas de tratamento de efluentes 71
ou águas residuárias, é um sinônimo bastante comum para se referir 
aos efluentes.
Os efluentes são classificados em três grupos (VON SPERLING, 2011): 
I. esgoto doméstico ou sanitário, proveniente de atividades huma-
nas (em residências, edifícios comerciais, instituições administra-
tivas etc.); 
II. águas residuais industriais, geradas no processo produtivo de 
qualquer tipo de atividade industrial em se tenha o consumo de 
água (metalurgia, têxtil, alimentícia, mineração, papel e celulose 
etc.); 
III. água de infiltração, que corresponde à parcela de água limpa que 
se infiltra na rede coletora de esgoto municipal. A água de infiltra-
ção deve ser evitada ao máximo, pois ela impacta negativamente 
no sistema de esgotamento sanitário (aumenta a vazão da rede 
coletora e prejudica a eficiência do tratamento do esgoto).
As características físicas, químicas e biológicas dos esgotos domésti-
cos podem variar de um município para outro, ou mesmo de um bairro 
para outro. Porém, de modo geral, elas são mais ou menos previsíveis, 
pois resultam de atividades humanas (higiene, alimentação, limpeza 
etc.). O quadro a seguir resume os principais componentes.
Quadro 1
Características gerais do esgoto sanitário
Componente Característica Valores
Fezes
Contêm matéria orgânica, nutrientes e microrganismos (mui-
tos deles são transmissores de doenças – bactérias, vírus e 
vermes).
–
Urina
Contém nutrientes (principalmente nitrogênio e fósforo), mi-
crorganismos, resíduos de hormônios e medicamentos.
–
Produtos químicos
Alguns se decompõem (sabões) e outros são persistentes no 
ambiente (venenos, tinturas de cabelo contendo metais pesa-
dos, detergentes com componentes não-biodegradáveis).
Cloretos: 20 – 50 mg/L
pH: ~7
Gorduras Compostos orgânicos de difícil decomposição. Óleos e graxas: 55 – 170 mg/L
Matéria orgânica
Contém uma combinação de carbono, hidrogênio, oxigênio,nitrogênio e enxofre, entre outros (por exemplo, restos de ali-
mentos).
DBO (Demanda Química de 
Oxigênio): 200 – 500 mg/L
Fibras têxteis e 
cabelos
Substâncias inertes que podem causar problemas no sistema 
de esgotamento sanitário.
–
Nutrientes
Substâncias resultantes da degradação da matéria orgânica 
por processos biológicos.
Nitrogênio total: 35 – 70 mg/L
Fósforo total: 5 – 25 mg/L
Sólidos Cerca de 70% são de origem orgânica. Suspensos: 200 – 450 mg/L
(Continua)
72 Saneamento e saúde ambiental
Componente Característica Valores
Coliformes termo-
tolerantes
Bactérias indicadores da presença de fezes humanas. 106 – 109 NMP/100 mL
Ovos de helmintos Vermes indicadores da presença de fezes humanas. < 103 NMP/100 mL
Fonte: Adaptado de Von Sperling, 2011; Ruggeri Júnior; Carvalho, 2020. 
Ao contrário da qualidade do esgoto sanitário, os efluentes industriais 
têm características físicas, químicas e biológicas que variam muito de uma 
planta industrial para outra, dependendo, principalmente, do tipo de ati-
vidade (alimentícia, têxtil, química, papeleira, metalúrgica, química, petro-
química etc.), do porte da indústria (número de funcionários e capacidade 
de produção) e do tipo de tecnologia e de matérias-primas utilizadas no 
processo produtivo (ODPPES et al., 2018; VON SPERLING, 2011). 
O Quadro 2 resume exemplos de efluentes industriais e seus res-
pectivos intervalos de valores para alguns parâmetros de qualidade.
Quadro 2
Qualidade de alguns tipos de efluentes industriais
Setor industrial Parâmetro Unidade Quantidade
Alimentos DBO mg/L 600 – 4.000
Bebidas DBO mg/L 500 – 4.000
Sólidos suspensos mg/L 350 – 750
Óleos e graxas mg/L 1 – 115
pH ~6
Laticínios DBO mg/L ~2.800
Sólidos suspensos mg/L ~700
pH ~4
Moveleira DBO mg/L ~700
Sólidos suspensos mg/L ~600 – 750
pH 8 – 12
Óleos e graxas mg/L ~45
Papel DBO mg/L 300 – 10.000
Siderurgia DBO mg/L 100 – 300
Têxtil DBO mg/L 200 – 5.000
Fonte: Adaptado de Santos et al., 2010; Matos et al., 2010; Schmidell et al., 2007.
Quando os valores do Quadro 1 e do Quadro 2 são comparados, é 
possível perceber que os efluentes industriais apresentam, de modo 
Sistemas de tratamento de efluentes 73
geral, qualidade inferior aos esgotos domésticos. Essa é a razão pela 
qual efluentes industriais não devem ser lançados na rede de esgoto, a 
não ser que a indústria tenha uma licença emitida pela companhia de 
saneamento para descartar seu efluente na rede coletora de esgoto 
municipal. Essa medida é necessária para evitar prejuízos ao funciona-
mento da estação de tratamento de esgoto, que receberá toda a carga 
poluidora das indústrias caso o efluente seja descartado na rede e re-
duzirá a vazão nas tubulações, que foram dimensionadas para atender 
à demanda doméstica (BRASIL, 2020; FUNASA, 2017).
Tanto o esgoto bruto quanto os efluentes industriais não podem ser 
descartados diretamente nos corpos hídricos sem tratamento, pois isso 
resulta em impactos ambientais negativos, contaminação das águas e 
consequente perda da capacidade de atendimento da demanda por 
abastecimento de água potável, e risco de graves doenças humanas de 
veiculação hídrica. Portanto, é necessário tratar os efluentes para aten-
der aos limites de qualidade estabelecidos na Resolução n. 430 (BRASIL, 
2011). Essa regulamentação se aplica tanto para efluentes domésticos 
(esgoto) quanto industriais. O Quadro 3 resume alguns exemplos de 
parâmetros e seus limites legais de qualidade para descarte de efluen-
tes em corpos d’água.
Quadro 3
Parâmetros e limites
Parâmetro Unidade Limite máximo
Arsênio total mg/L 0,5
Cádmio total mg/L 0,2
Cianeto total mg/L 1,0
Clorofórmio mg/L 1,0
Chumbo total mg/L 0,5
Fenóis totais mg/L 0,5
Ferro dissolvido mg/L 15,0
Mercúrio mg/L 0,01
Nitrogênio amoniacal mg/L 20,0
Sulfeto mg/L 1,0
Sulfeto de hidrogênio mg/L 0,05
Zinco total mg/L 0,5
Fonte: Adaptado de Brasil, 2011. 
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre 
esgotamento sanitário, as-
sista ao vídeo do Simpósio 
Regional Sul, realizado 
pela Associação Brasileira 
de Engenharia Sanitária e 
Ambiental – ABES. 
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=fa8DnX8_
N5Q. Acesso em: 2 maio 2022. 
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=fa8DnX8_N5Q
https://www.youtube.com/watch?v=fa8DnX8_N5Q
https://www.youtube.com/watch?v=fa8DnX8_N5Q
74 Saneamento e saúde ambiental
Na próxima seção, discutiremos o sistema de esgotamento sanitá-
rio e as tecnologias de tratamento convencional de efluentes.
4.2 Tratamento convencional dos efluentes 
Vídeo Nesta seção, será estudado o conhecimento sobre o sistema de 
tratamento convencional dos efluentes, desde a fonte geradora até a 
destinação. 
Antes de mais nada, é necessário destacar que os efluentes são ape-
nas água, antes limpa, que foi contaminada por uma quantidade gran-
de de impurezas (sólidos, líquidos ou gases) e desse contato resultam 
as águas sujas, ou águas residuais, que são os efluentes. Assim, cerca 
de 0,1% da composição dos efluentes é algum tipo de contaminação, 
mas esse percentual compromete a qualidade dos outros 99,9% que 
constitui a água propriamente dita, tornando-a imprópria para vários 
usos múltiplos da água (VON SPERLING, 2011).
Por essa razão, a Resolução n. 430 regulamenta as condições para 
o lançamento de efluentes em corpos d’água, isto é, define os limites 
dos parâmetros físico-químicos de análise da qualidade das águas re-
siduais (BRASIL, 2011). Esse é o motivo que torna obrigatório o trata-
mento dos efluentes antes de seu descarte em rios, lagos, córregos e 
reservatórios de água.
O sistema de esgotamento sanitário consiste em um conjunto de 
operações, ou unidades operacionais, cuja finalidade é coletar, trans-
portar, tratar e destinar adequadamente esgotos gerados no município 
por domicílios, comércio, instituições públicas e industriais (em casos 
muito especiais) (BRASIL, 2020). Os principais componentes desse sis-
tema são: 
 • a rede coletora (ramal domiciliar, ramal predial, coletor tronco, 
interceptor); 
 • a estação de tratamento de efluentes; 
 • o emissário. 
A estação elevatória também faz parte da infraestrutura de um sis-
tema de esgotamento sanitário. Ela é constituída por um conjunto de 
bombas e sua função é transportar o esgoto bruto do emissário para a 
estação de tratamento (FUNASA, 2017).
Sistemas de tratamento de efluentes 75
O ramal interno é responsável por levar o esgoto das residências 
ou edifícios até a rede predial, que, por sua vez, liga o imóvel à rede 
pública de esgoto. Esse processo ocorre por meio de tubulações ins-
taladas abaixo do nível do solo. O ponto final da rede de esgoto (tra-
çado roxo) é o coletor tronco (traçado laranja), que normalmente está 
próximo de um curso d’água, por ser a parte de menor cota (nível) do 
terreno. A figura a seguir ilustra a configuração de uma rede munici-
pal coletora de esgoto.
Figura 1
Representação dos componentes da rede coletora de esgoto
Fonte: Adaptado de SABESP, 2020. 
O interceptor recebe o esgoto vindo de todos os componentes 
da rede e o direciona para uma estação de tratamento. O emissá-
rio transporta o esgoto tratado para o seu destino (normalmente 
um curso d’água), ou para o lançamento direto em um rio, caso o 
município não disponha de infraestrutura de tratamento. A Figura 2 
representa os componentes da rede em relação ao imóvel (no exem-
plo é uma residência).
76 Saneamento e saúde ambiental
el
en
ab
sl
/S
hu
tte
rs
to
ck
Rede de esgoto
Galeria de 
águas pluviais
Bueiro
Calha
Figura 2
Componentes da rede coletora de esgoto
A dimensão da tubulação da rede aumenta na medida em que um 
maior número de conexões é inserido na rede (diâmetro do ramal pre-
dial < 100 mm). O interceptor e o emissário têm o maior diâmetro (< 
150 mm), pois recebem e transportam todo o esgoto coletado em de-
terminada área, conhecida como bacia de esgotamento sanitário. A rede 
coletora é planejada de modo que o escoamento do esgoto se dê por 
gravidade, aproveitando a declividade doterreno sempre que possível 
(FUNASA, 2017). 
O sistema de abastecimento de água e o sistema de esgotamento 
sanitário estão integrados, por isso devem ser planejados e executados 
de forma conjunta, pois o esgoto resulta do consumo de água potável 
pela população. A figura a seguir representa os principais elementos de 
uma bacia de esgotamento municipal.
Estação de Tratamento 
de Esgoto (ETE)
Interceptores de 
esgoto
 Manancial
Figura 3
Representação de uma bacia de esgotamento
Am
or
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o 
Be
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/W
ik
im
ed
ia
 C
om
m
on
s
Sistemas de tratamento de efluentes 77
No Brasil, o sistema de esgotamento sanitário se baseia no modelo 
separador absoluto, isto é, a rede de transporte de esgoto é independen-
te (separada) da rede de transporte de água de chuva (pluvial). A água 
coletada na rede pluvial não recebe tratamento e o seu destino é o curso 
d’água. Em outras palavras, a rede pluvial é apenas uma obra de enge-
nharia cuja finalidade é coletar o excesso de água, durante o período de 
chuvas intensas, e transportá-la para um curso d’água de forma planeja-
da, para evitar enchentes e alagamentos. Já o esgoto precisa ser subme-
tido a um tratamento antes de ser descartado nos corpos d’água, para 
evitar a contaminação da água e a transmissão de doenças de veiculação 
hídrica. Por essa razão, a legislação brasileira proíbe o descarte de esgo-
to na rede coletora de água de chuva (BRASIL, 2020).
A estação de tratamento de esgoto (ETE) é a etapa responsável pela 
recuperação da qualidade da água para atender aos padrões e limites 
de lançamento de efluentes em corpos hídricos, conforme estabelece a 
Resolução 430 (BRASIL, 2011). 
A configuração de uma ETE convencional basicamente envolve qua-
tro níveis de tratamento: 
I. preliminar; 
II. primário; 
III. secundário; 
IV. terciário. 
O tipo de tecnologia utilizado em cada nível de tratamento pode va-
riar bastante, dependendo das particularidades do esgoto (isto é, suas 
características físicas, químicas e biológicas), da área disponível para 
implantação da ETE e dos recursos disponíveis (quanto maior a eficiên-
cia da ETE, maior será o investimento em tecnologia) (VON SPERLING, 
2011). A figura a seguir apresenta um fluxograma das etapas de trata-
mento em uma ETE convencional.
Esgoto bruto
Tratamento preliminar
Tratamento secundário (biológico)
Tratamento 
primário
Grade Caixa de 
areia
Medidor de 
vazão Decantador
Decantador
Decantador
Flotador
Desinfecção
DesinfecçãoReator 
biológico
Coagulação
Floculação
Tratamento secundário (físico-químico)
Tratamento 
terciário
Tratamento 
terciário
Corpo d’água
Corpo d’água
Esgoto 
tratado
Esgoto 
tratado
Figura 4
Fluxograma
Fonte: Elaborada pela autora.
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre o 
sistema de tratamento 
convencional de esgoto 
sanitário, assista ao vídeo 
Como é feito o tratamento 
dos esgotos, produzido 
pela Companhia de 
Saneamento Básico do 
Estado de São Paulo 
– Sabesp. 
Disponível em: www.youtube.com/
watch?v=w2gnqPq5NBU. Acesso 
em: 2 maio 2022.
Vídeo
78 Saneamento e saúde ambiental
Os componentes do preliminar e primário são comuns a pratica-
mente todas as ETEs convencionais, já o tratamento secundário por ser 
dividido em dois grupos diferentes (VON SPERLING, 2011): 
 • processos biológicos, que ocorrem em reatores aeróbios ou 
anaeróbios, sob a ação de bactérias específicas que decompõem 
a matéria orgânica presente no esgoto; 
 • processos físico-químicos, que envolvem a utilização de substân-
cias químicas (agentes coagulantes) para promover a coagulação/
floculação. 
A seguir, é ilustrado o fluxo simplificado de materiais representati-
vos em uma ETE convencional.
Figura 5
Fluxo de materiais
Esgoto 
bruto
Sólidos 
sedimentáveis
Tratamento preliminar Tratamento primário Tratamento secundário Tratamento terciário
Lodo primário 
(sólidos suspensos)
Lodo secundário 
(sólidos suspensos 
e dissolvidos)
Agente desinfetante 
(cloro, ozônio, 
radiação UV)
Sólidos 
remanescentes
Agente coagulante 
(apenas no tratamento 
físico-químico)
Resíduos 
grosseiros
Fonte: Elaborada pela autora.
Os processos biológicos mais comuns são: reator UASB (upflow anae-
robic sludge blanket); reator RALF (reator anaeróbio de leito fluidizado); 
reator de lodos ativados (convencional ou por aeração prolongada); 
filtro biológico (anaeróbio, aeróbio, baixa carga, alta carga); lagoas de 
estabilização (anaeróbias, aeróbias, facultativas, australiana). Porém, 
assim como o tratamento primário (sólidos suspensos), o tratamento 
secundário também produz lodo, um subproduto da decomposição da 
matéria orgânica pela ação das bactérias, que deve ser manejado ade-
quadamente antes da destinação (VON SPERLING, 2011).
O processo físico-químico, em que se utiliza a coagulação-flocula-
ção, seguida pela decantação ou flotação, para remoção de sólidos sus-
pensos e dissolvidos, é o mesmo encontrado no tratamento de água 
para abastecimento humano (VON SPERLING, 2011).
É importante destacar que a implantação de uma rede coletora de 
esgoto e de uma estação de tratamento deve sempre ser precedida 
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre 
tecnologias de tratamento 
de esgoto sanitário, leia o 
material produzido pelo 
Instituto Nacional de Ciên-
cia e Tecnologia (INCT) – 
ETEs Sustentáveis. 
Disponível em: https://
etes-sustentaveis.org/metodos-
tratamento-de-esgoto/. Acesso em: 
2 maio 2022.
Leitura
Sistemas de tratamento de efluentes 79
por um estudo detalhado, que envolve análise de viabilidade econô-
mica (custos de instalação e operação do sistema, que recairá sobre o 
usuário), escolha da tecnologia mais adequada à realidade local, licença 
ambiental, outorga de descarte, entre outros aspectos (FUNASA, 2017).
O sistema de coleta e tratamento de efluentes industriais é um 
pouco diferente do sistema de esgotamento sanitário, pois essa tem 
seu traçado próprio, orientado pela própria configuração das linhas de 
produção de cada empresa. As estações de tratamento de efluentes 
industriais (ETEI) são construídas pela própria indústria e fazem parte 
da planta industrial, mas, muitas vezes, elas seguem as configurações 
e tecnologias semelhantes àquelas utilizadas nas ETEs: tratamento pre-
liminar (gradeamento, caixa de areia, tanque de equalização, caixa de 
gordura); tratamento primário (decantador); tratamento secundário 
(processo biológico ou físico-químico, decantador ou flotador); e, even-
tualmente, terciário (desinfecção, membras). Portanto, a implantação 
de uma ETEI deve ser sempre precedida por um estudo detalhado de 
caracterização das condições de operação da indústria (GIORDANO, 
2004).
O tratamento terciário envolve tecnologias que são consideradas 
avançadas, isto é, não convencionais, pois removem poluentes resis-
tentes ao tratamento convencional. Esse assunto será tratado na próxi-
ma seção deste capítulo.
4.3 Tratamento avançado dos efluentes 
Vídeo
O tratamento convencional tem sido amplamente utilizado, no Bra-
sil e em outros países, para o esgoto sanitário, por ser eficiente e fi-
nanceiramente acessível para boa parte dos municípios. Porém, muitas 
pesquisas têm mostrado que a qualidade do esgoto doméstico piorou 
muito nos últimos anos, devido, principalmente, ao aumento progres-
sivo da quantidade de poluentes resistentes e persistentes ao trata-
mento convencional, como hormônios, fármacos e micropoluentes 
orgânicos e inorgânicos. Do mesmo modo, vários efluentes industriais 
não podem ser tratados pelo método convencional, pelo mesmo moti-
vo. A toxicidade (metais pesados, compostos inorgânicos) e a elevada 
concentração de matéria orgânica (DBO) e nutrientes (nitrogênio e fós-
80 Saneamento e saúde ambiental
foro) em efluentes industriais são as principais razões para se buscar o 
tratamento avançado, pois as tecnologias convencionais não são capa-
zes de removê-los (VON SPERLING, 2011).
Portanto, quando o tratamento convencional não é suficiente para 
que a qualidade final do efluente (esgoto ou industrial)atenda aos li-
mites de lançamento em corpos hídricos (BRASIL, 2011), é necessário 
utilizar tecnologias mais eficientes, que são conhecidas como tratamen-
to avançado.
O tratamento avançado de efluentes pode ser dividido em duas ca-
tegorias (VON SPERLING, 2011): 
I. processos químicos; 
II. processos físicos. 
Os processos químicos são aqueles em que se utilizam diferentes 
substâncias químicas, durante o tratamento do efluente, para pro-
mover a remoção de sólidos dissolvidos, orgânicos ou inorgânicos. 
Os principais tipos são: eletrocoagulação (matéria orgânica, corantes, 
óleos e gorduras), precipitação (metais pesados, fosfato e sais), oxida-
ção (cianetos), redução (metais pesados, como o cromo) e troca iônica 
(GIORDANO, 2004). O Quadro 4 resume as principais características 
dos processos químicos no tratamento avançado de efluentes.
Quadro 4
Processos químicos
Processo Aplicação Desvantagens
Eletrocoa-
gulação
Oxidação de vários compostos 
por meio da passagem de cor-
rente elétrica no efluente (subs-
tituição iônica), que resulta na 
redução da concentração de 
material particulado orgânico 
dissolvida.
 • Custo elevado;
 • Consumo de energia;
 • Podem ocorrer reações inde-
sejadas.
Preci-
pitação 
(metais)
Formação de hidróxidos metáli-
cos insolúveis que são precipita-
dos em razão da redução do pH.
 • Formação de lodo, que deve 
ser tratado adequadamente;
 • Podem ocorrer reações inde-
sejadas;
 • Necessidade de reduzir o pH 
(pode impactar a qualidade do 
efluente).
(Continua)
Processo Aplicação Desvantagens
Preci-
pitação 
(fósforo)
Reação química entre o íon fér-
rico e o íon fosfato, que resulta 
na precipitação de fósforo (tam-
bém pode ocorrer com o íon 
alumínio).
 • Formação de lodo, que deve 
ser tratado adequadamente;
 • Fósforo fica indisponível para 
o tratamento biológico;
 • Pode ocorrer precipitação 
química de cálcio e magnésio.
Oxidação
Formação de hidróxidos de 
metais insolúveis (precipitado), 
que podem ser removidos dos 
efluentes. Baixo custo de trata-
mento e comprovada eficiência 
na remoção de metais.
 • Aumento da salinidade do 
efluente;
 • Necessidade de ajustar o pH 
do efluente antes do seu des-
carte (pH > 11,5);
 • Outros metais podem ser oxi-
dados concomitantemente.
Redução
Transformação química da car-
ga elétrica do cromo trivalente. 
Formação de precipitado metá-
lico de hidróxido (cromo). Baixo 
custo do tratamento. 
 • Aumento da salinidade do 
efluente;
 • Necessidade de ajustar o pH 
do efluente antes do seu des-
carte (pH < 2,5);
 • Necessidade de ventilação 
para eliminação de SO2.
Troca 
iônica
Substituição entre íons poluen-
tes (positivos ou negativos) por 
não poluentes, que compõem a 
camada da membrana de troca 
iônica.
 • Necessidade de tratamento 
periódico para recuperação 
da capacidade de troca iônica 
da membrana;
 • Consumo de energia;
 • Geração de efluentes conta-
minados com resíduos (re-
quer tratamento).
Fonte: Adaptado de Giordano, 2004.
Os processos físicos, como o próprio nome sugere, utilizam meca-
nismos físicos para a remoção de poluentes orgânicos e inorgânicos, 
suspensos e dissolvidos, como a centrifugação e o sistema de barreira 
(membranas).
Na centrifugação ocorre a separação entre a fase líquida (água) e só-
lida (poluentes) pela ação da força centrífuga. O equipamento consiste 
em um cilindro central que gira em seu eixo sob alta rotação, fazendo 
com que o material particulado presente no líquido seja projetado para 
as paredes do equipamento e, posteriormente, é recolhido em um re-
servatório próprio (GIORDANO, 2004). 
Sistemas de tratamento de efluentesSistemas de tratamento de efluentes 8181
82 Saneamento e saúde ambiental
As membranas, por outro lado, são meios filtrantes, cuja finalidade 
é reter fisicamente material sólido (partículas dissolvidas e finamente 
suspensas) e permitir a passagem do líquido (água). O processo aconte-
ce sob pressão e os principais tipos de membranas são: microfiltração 
(MF), ultrafiltração (UF), nanofiltração (NF), osmose reversa (OR) (GAL-
VÃO; GOMES, 2015). A seguir, é mostrada a capacidade de separação 
das membranas.
Osmose reversa
Nanofiltração
Ultrafiltração
Microfiltração
15 a 150
5 a 35
1 a 10
< 2,0
Pressão (bar)
Diâmetro do poro 
(micrometros)
Alimentação Membrana
Permeado
Concentrado
0,1 a 5
0,001 a 0,1
< 0,001
< 0,001
 Água
 Sais dissolvidos
 Lactose
 Proteínas
 Bactérias e gorduras
Figura 6
Características dos vários tipos de membranas
Fonte: Mierzwa, 2022.
Quanto maior a resistência da membrana filtrante, menor será o 
diâmetro dos seus poros e maior será a intensidade de pressão que 
poderá ser aplicada sobre ela, o que resultará na maior capacidade 
de retenção de sólidos. Nesse caso, a osmose reversa é a membrana 
que reúne as características para alcançar a maior eficiência de trata-
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre esse 
assunto, assista ao vídeo 
Tratamento de efluentes da 
cervejaria Germânia com 
biorreator à membrana, 
publicado pelo canal Por-
tal Tratamento de Água.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=Zztc 
rBgIWR4. Acesso em: 2 maio 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=ZztcrBgIWR4
https://www.youtube.com/watch?v=ZztcrBgIWR4
https://www.youtube.com/watch?v=ZztcrBgIWR4
Sistemas de tratamento de efluentes 83
mento, e a microfiltração apresenta relativamente a menor eficiência. 
O permeado é a fase líquida (água limpa) que consegue ultrapassar a 
barreira da membrana, e o concentrado é o residual (material poluen-
te) (GALVÃO; GOMES, 2015).
Para aprofundar o seu conhecimento sobre o uso de membranas filtrantes 
no tratamento de efluentes de laticínios, leia o artigo Os processos de sepa-
ração por membranas e sua utilização no tratamento de efluentes industriais 
da indústria de laticínios: revisão bibliográfica, publicado por Galvão e Gomes 
(2015), na Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes.
Acesso em: 3 maio 2022. 
www.revistadoilct.com.br/rilct/article/view/487
Artigo
As membranas são recomendadas nos casos em que existem res-
trições muito elevadas para o descarte de efluentes em corpos d’água 
(exigências legais em relação à qualidade do efluente) e quando se pre-
tende realizar o reúso de efluente tratado para outras finalidades (que 
também demanda qualidade superior) (GIORDANO, 2004). As mem-
branas também são indicadas no tratamento de água para consumo 
humano ou industrial.
Os métodos air stripping e adsorção por carvão ativado também são 
processos físicos utilizados no tratamento avançado de efluentes. O air 
stripping é indicado para a remoção de compostos orgânicos voláteis e 
nitrogênio gasoso. Essa técnica consiste no arraste de poluentes gaso-
sos (solúveis) por meio da aplicação de ar dissolvido no efluente, mas 
é necessário incluir uma etapa posterior de captura e tratamento dos 
gases exalados (WEBLER; MAHLER; DEZOTTI, 2018). 
Já a adsorção por carvão ativado é um tipo de filtração, em que 
os poluentes ficam retidos nos interstícios (ou cavidades) do car-
vão durante a passagem do efluente. O termo ativado significa que 
o carvão passou por processos físicos e químicos para aumentar 
sua capacidade de retenção de impureza (maior número e dimen-
são variável das cavidades). A principal desvantagem desse método 
é a exigência de limpeza periódica do filtro para evitar a colmatação 
(ou obstrução das cavidades), o que levaria à redução significativa 
da eficiência do processo (FERREIRA; MENDES; COUTINHO, 2013).
Para aprofundar o seu co-
nhecimento sobre o uso 
de membranas filtrantes 
para o reúso de efluente, 
assista ao vídeo Webinar: 
como utilizar membranas 
no reúso de efluentes, 
publicado pelo canal Água 
Engenharia. 
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=Bx3jUd-
wqS8. Acesso em: 16 maio 2022.
Vídeo
http://www.revistadoilct.com.br/rilct/article/view/487
https://www.youtube.com/watch?v=Bx3jUd-wqS8
https://www.youtube.com/watch?v=Bx3jUd-wqS8
https://www.youtube.com/watch?v=Bx3jUd-wqS8
84 Saneamentoe saúde ambiental
4.4 Reúso de água 
Vídeo
Nesta seção será abordado o tratamento de efluentes sob a pers-
pectiva do reúso de água (ou efluente tratado). Esse tema é muito an-
tigo, porém tem recebido especial destaque nos últimos anos devido 
aos crescentes cenários de crise hídrica que afetam o Brasil e o mundo, 
cujo impacto é sentido, principalmente, pelo setor industrial. A figura 
a seguir mostra o aumento no número de casos publicados sobre o 
reúso de efluente no Brasil.
Figura 7
Estudos sobre reúso de efluente no cenário nacional
Fr
eq
uê
nc
ia
 d
e 
oc
or
rê
nc
ia
 (%
)
0,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
14,0
16,0
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
Fonte: Adaptado de Bilotta et al., 2022. 
O Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026), publicado em 2020, 
reconhece a importância do reúso de efluentes tratados (e água de 
chuva), desde que a qualidade final seja compatível com os limites esta-
belecidos pelas normas ambientais e de saúde humana (BRASIL, 2020). 
Esse ponto é fundamental para a conscientização do poder público, das 
entidades privadas e da sociedade civil sobre a necessidade urgente de 
se avançar nas práticas de reúso de efluente como medida de enfren-
tamento da escassez hídrica e de gestão de conflitos pelo uso da água 
para atender aos usos múltiplos. 
A norma brasileira NBR 13969, publicada em 1997, define alguns 
parâmetros e limites de qualidade para o reúso de efluente tratado, 
de acordo com o tipo de uso (ABNT, 1997). O Quadro 5 apresenta as 
características de cada classe.
Para aprofundar o seu 
conhecimento sobre esse 
assunto, leia o capítulo 4 
de Tratamento e controle 
de efluentes industriais, 
publicado por Gandhi 
Giordano. 
Disponível em: http://metalclea 
naguas.com.br/pdf/tratamento-
controle-efluentes-industriais.pdf. 
Acesso em: 3 maio 2022.
Leitura
http://metalcleanaguas.com.br/pdf/tratamento-controle-efluentes-industriais.pdf
http://metalcleanaguas.com.br/pdf/tratamento-controle-efluentes-industriais.pdf
http://metalcleanaguas.com.br/pdf/tratamento-controle-efluentes-industriais.pdf
Sistemas de tratamento de efluentes 85
Quadro 5
Classificação do reúso de efluente tratado
Classe Tipo de uso Parâmetros Limites
1
 • Lavagem de veículos;
 • Usos em contato direto com a água 
(como na formação de aerossóis para 
operadores de máquinas e em chafari-
zes).
Turbidez < 5,0
Coliforme fecal < 200 NMP/100mL
Sólidos dissolvidos < 200 mg/L
pH 6,0 - 8,0
Cloro residual 0,5 - 1,5 mg/L 
2
 • Lavagens em geral (pisos, calçadas) e 
na irrigação dos jardins;
 • Manutenção de ambientes aquáticos 
(lagos e canais paisagísticos).
Turbidez < 5,0
Coliforme fecal < 500 NMP/100mL
Cloro residual < 0,5 mg/L
3 • Descargas em vasos sanitários.
Turbidez < 10,0
Coliforme fecal < 500 NMP/100mL
4
 • Irrigação (pomares, cereais, forragens, 
pastagens para criação de animais).
Coliforme fecal < 5.000 NMP/100mL
Oxigênio dissolvido > 2,0 mg/L
Fonte: Adaptado de ABNT, 1997. 
Segundo a NBR 13969, quanto maior a classe de reúso de água, me-
nor é a qualidade do efluente tratado, e, portanto, mais restritivos são 
os usos recomendados. A seguir, são resumidos os tipos de tratamento 
indicados para cada classe de reúso.
Quadro 6
Recomendações da NBR 13969
Classe Tipo de tratamento
1
Sistema aeróbio (filtro aeróbio submerso), filtração convencional (areia e carvão ativado) ou mem-
branas filtrantes e cloração.
2
Sistema aeróbio (filtro aeróbio submerso), filtração convencional (areia) ou membranas filtrantes e 
cloração.
3
Apenas cloração (efluente de lavagem de roupa, por exemplo) ou sistema aeróbio, filtração e desin-
fecção (para outros casos).
4
Não há especificações de tratamento, apenas a recomendação de interromper a aplicação pelo 
menos 10 dias antes de cada colheita.
Fonte: Adaptado de ABNT, 1997. 
O reúso industrial de efluente traz inúmeros benefícios sociais, am-
bientais e econômicos, tais como: aumento da oferta de água potável 
para a população, devido à redução do consumo pelo setor produtivo; 
maior disponibilidade hídrica para atender aos usos múltiplos (geração 
de energia, recreação, paisagismo, pesca etc.); minimização de impactos 
em ecossistemas aquáticos, decorrentes do descarte de efluentes conta-
86 Saneamento e saúde ambiental
minados em corpos d’água; capacidade de recuperação do investimento 
em infraestrutura de tratamento em virtude da economia de água (re-
dução do consumo industrial); minimização de custos operacionais as-
sociados à outorga de capitação de água e lançamento de efluentes em 
corpos hídricos (ODPPES; MICHALOVICZ; BILOTTA, 2018). 
Para aprofundar o seu conhecimento sobre o reúso de efluente em uma 
indústria de fabricação de concreto, leia o artigo Reúso de água em indústria 
de fabricação de estruturas em concreto: uma estratégia de gestão ambiental, de 
Odppes, Michalovicz e Bilotta (2018), na Revista Tecnologia e Sociedade.
Acesso em: 3 maio 2022. 
https://periodicos.utfpr.edu.br/rts/article/view/7662
Artigo
Alguns casos representativos do reúso industrial de efluente são 
apresentados no Quadro 7, assim como os principais resultados alcança-
dos com a implantação dessa prática em diferentes setores industriais.
Quadro 7
Casos representativos do reúso industrial de efluente
Indústria Tipo de reúso Resultados
Concreteira
Limpeza do pátio utilizado na fabri-
cação de estruturas de concreto
Redução de ~61% de água; investimento: R$3.244,18
Farmacêu-
tica
Torre de resfriamento e caldeira
Redução de 24.000m³.ano–¹ de água; necessidade de pós-
-tratamento (osmose reversa); economia estimada R$384 
mil.ano–1
Automotiva Torre de resfriamento
Redução de 40% de água; necessidade de pós-tratamento 
(filtro abrasador após lagoa de polimento)
Alimentícia Processamento de peixe
Necessidade de reduzir a quantidade de sólidos, compos-
tos orgânicos e microrganismos para viabilizar o reúso
Têxtil
Lavagem e higienização de tecidos 
em geral
Economia de ~80% de água
Têxtil Lavagem de peças jeans
Vazão efluente: 20m³.h–1; necessidade de pós-tratamento 
(alguns parâmetros de qualidade foram superiores aos li-
mites aceitáveis: cor, turbidez, óleos de graxas)
Têxtil Fabricação de couro Potencial para reúso direto
Alimentícia Irrigação de tomate
Melhoria na produtividade de tomate cereja (cultivo hidro-
pônico); substituição de 25% de água
Alimentícia
Linha de produção, lavagem dos 
equipamentos e pisos, refeitório e 
banheiros
Potencial para reúso direto; necessidade de pós-tratamen-
to (degradação fotoquímica de compostos orgânicos)
Metalmecâ-
nica
Não especificado
Necessidade de pós-tratamento (carvão ativado alcançou o 
melhor custo-benefício: US$1,14.m–³ tratado)
Fonte: Adaptado de Bilotta et al., 2022.
https://periodicos.utfpr.edu.br/rts/article/view/7662
Sistemas de tratamento de efluentes 87
A gestão eficiente e racional dos recursos hídricos deve necessa-
riamente incluir estratégias de reúso de efluente, e mesmo de águas 
pluviais, em escala municipal, por duas razões principais: a distribuição 
natural de água é irregular entre os estados brasileiros (cada região 
tem uma quantidade específica de reservatórios e mananciais), e o fe-
nômeno sazonal de seca amplifica esse problema ao longo do ano; a 
demanda hídrica do setor industrial é intensiva em certas regiões do 
país, criando conflitos pelo uso da água. 
Um estudo publicado recentemente propõe uma metodologia para 
identificar áreas mais vulneráveis frente a um cenário de escassez hídri-
ca, considerando-se três parâmetros de análise (BILOTTA et al., 2022): 
 • o consumo de água pelo setor industrial; 
 • a demanda urbana humana; 
 • a condição econômica dos municípios (Produto Bruto Interno – PIB) 
Figura 8
Mapa de destaque de vulnerabilidade hídrica
Fonte: Bilotta et al., 2022. 
88 Saneamento e saúde ambiental
O mapa mostra que os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de 
Janeiro são os mais potencialmente afetados pelo mapade destaque 
territorial. Quanto mais intensa é a coloração marrom, maior é o risco 
de conflitos pelo uso da água em situação de escassez hídrica.
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
Com base no que foi estudado, foi possível perceber que o sistema de 
coleta e tratamento de efluentes humanos (esgoto sanitário) ou industrial 
(águas residuais), assim como o reúso de efluente, é um tema de grande 
importância na gestão das águas urbanas.
As infraestruturas destinadas a esse sistema devem ser analisadas vi-
sando à perspectiva legal (limites e parâmetros de qualidade), às condi-
ções tecnológicas existentes (processos e eficiências disponíveis) e à ótica 
econômico-financeira (investimento necessário e fontes de recursos), pois 
ele tem como objetivo a prevenção da saúde humana (contra doenças de 
veiculação hídrica), da manutenção da qualidade ambiental e de elevado 
empenho de capital na implantação e operação dos sistemas.
ATIVIDADES
Atividade 1
Explique o que é o sistema de esgotamento sanitário e apresente 
quais são os seus principais componentes.
Atividade 2
Explique o que é o sistema separador absoluto e por que o esgoto 
não deve ser descartado na galeria de água de chuva.
Sistemas de tratamento de efluentes 89
Atividade 3
O sistema de tratamento de efluentes pode ser convencional ou 
avançado. Apresente um exemplo de tecnologia utilizada no trata-
mento avançado e explique em que situação ela é recomendada.
 
REFERÊNCIAS 
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https://normastecnicas.sabesp.com.br/Home/Arquivo?ID=22&ignoreTab=true&TipoDoc=1
http://www.scielo.br/j/esa/a/dcXJd777WQrMQfQPczDbgLN/?lang=pt
http://www.scielo.br/j/esa/a/dcXJd777WQrMQfQPczDbgLN/?lang=pt
http://www.scielo.br/j/esa/a/Zx6RsQ6PmmzMSkB7jyQfCCS/?lang=pt&format=pdf
http://www.scielo.br/j/esa/a/Zx6RsQ6PmmzMSkB7jyQfCCS/?lang=pt&format=pdf
Resíduos sólidos 91
5
Resíduos sólidos
Neste capítulo será abordado o tema resíduos sólidos, que representa 
atualmente um dos maiores desafios para a gestão pública e privada no 
Brasil e no mundo. Esse assunto é um dos cinco eixos que compõem o sa-
neamento básico, também estando inserido direta ou indiretamente em 
vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 
das Nações Unidas (saúde e bem-estar; energia limpa e acessível; trabalho 
descente e crescimento econômico; indústria, inovação e infraestrutura; 
cidades e comunidades sustentáveis; consumo e produção responsáveis; 
ação contra a mudança global do clima; parcerias e meios de implemen-
tação) (ONU, 2022). A meta nacional é a universalização dos serviços de 
coleta, tratamento e disposição adequada de resíduos sólidos.
As seções apresentadas a seguir trazem aspectos legais, teóricos, con-
ceituais e aplicados sobre o tema dos resíduos sólidos, para compreender 
como essas dimensões estão interligadas entre si. Ao longo do texto tam-
bém são sugeridas leituras e atividades complementares para ampliar o 
conhecimento sobre o assunto.
Com o estudo deste capítulo, você será capaz de:
• contextualizar a geração de resíduos sólidos; 
• descrever a origem e a classificação dos resíduos sólidos;
• descrever as alternativas de tratamento e a destinação de resí-
duos sólidos; 
• descrever as alternativas de recuperação de energia e matéria por 
meio de resíduos.
Objetivos de aprendizagem
92 Saneamento e saúde ambiental
5.1 Introdução aos resíduos sólidos 
Vídeo
A norma brasileira NBR 10004, publicada em 2004 (ABNT, 2004), de-
fine o termo resíduos sólidos como:
estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de ori-
gem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de 
serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos 
provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles ge-
rados em equipamentos e instalações de controle de poluição, 
bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem 
inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos 
de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente 
inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. 
Por outro lado, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 
n. 12.305, de 2 de agosto de 2010 (BRASIL, 2010), define a palavra rejeito 
como: 
resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades 
de tratamento e recuperação por processos tecnológicos dispo-
níveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possi-
bilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.
Portanto, a análise dessas duas definições leva ao entendimento de 
que uma parcela dos resíduos sólidos possui características que per-
mitem sua recuperação e valoração como matéria-prima, por meio de 
processos adequados de tratamento, bem como que a gestão correta 
dos resíduos sólidos é uma questão de saúde pública.
A PNRS é norteada por uma lista de 11 princípios centrais, os quais 
concentram as principais motivações para a elaboração de uma polí-
tica pública especificamente para tratar desse tema, tamanha é a im-
portância do assunto para a sociedade brasileira. Esses princípios são 
descritos a seguir (BRASIL, 2010).
Princípios da PNRS
 • Prevenção e precaução de impactos; 
 • Regulação para poluidor-pagador e protetor-recebedor; 
 • Gestão sistêmica dos resíduos sólidos, sob a dimensão ambien-
tal, social, cultural, econômica, tecnológica e sanitária; 
(Continua)
Resíduos sólidos 93
 • Promoção de desenvolvimento sustentável;
 • Estímulo à ecoeficiência competitiva de bens e serviços;
 • Cooperação entre o Poder Público, o setor privado e a sociedade civil;
 • Compartilhamento de responsabilidade no ciclo de vida de produtos;
 • Valoração econômica dos resíduos sólidos (reutilização e re-
ciclagem) para a geração de renda e o aumento da qualidade 
de vida humana;
 • Respeito às diversidades locais e regionais;
 • Acessibilidade à informação;
 • Garantia de razoabilidade e proporcionalidade.
Com base nesses princípios, a PNRS estabelece os objetivos pretendidos 
e os instrumentos legais propostos para se alcançar essas metas (Quadro 
1). A análise desses elementos evidencia que a Lei n. 12.305 busca construir 
uma solução planejada, integrada e sustentável (ambiental e financeira-
mente) para a problemática dos resíduos sólidos (coleta, tratamento e des-
tinação), sobretudo no que se refere aos resíduos sólidos urbanos.
Quadro 1
Objetivos e instrumentos da PNRS
Objetivos (Art. 7º.) Instrumentos (Art. 8º.)
I. Proteção da saúde pública e da qualidade 
ambiental;
II. Não geração, redução, reutilização, recicla-
gem e tratamento dos resíduos sólidos, bem 
como disposição final ambientalmente ade-
quada dos rejeitos;
III. Estímulo à adoção de padrões sustentá-
veis de produção e consumo de bens e 
serviços;
IV. Adoção, desenvolvimento e aprimoramen-
to de tecnologias limpas como forma de 
minimizar impactos ambientais;
V. Redução do volume e da periculosidade 
dos resíduos perigosos;
VI. Incentivo à indústria da reciclagem, tendo 
em vista fomentar o uso de matérias-pri-
mas e insumos derivados de materiais re-
cicláveis e reciclados;
I. Planos de resíduos sólidos; 
II. Inventários e o sistema declaratório anual 
de resíduos sólidos;
III. Coleta seletiva, os sistemas de logística re-
versa e outras ferramentas relacionadas à 
implementação da responsabilidade com-
partilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
IV. Incentivo à criação e ao desenvolvimento 
de cooperativas ou de outras formas de 
associação de catadores de materiais reu-
tilizáveis e recicláveis;
V. Monitoramento e fiscalização ambiental, sa-
nitária e agropecuária;
VI. Cooperação técnica e financeira entre os 
setores público e privado para o desenvol-
vimento de pesquisas de novos produtos, 
métodos, processos e tecnologias de ges-
tão, reciclagem, reutilização, tratamento de 
resíduos e disposição final ambientalmente 
adequada de rejeitos;
(Continua)
94 Saneamento e saúde ambiental
Objetivos (Art. 7º.) Instrumentos (Art. 8º.)
VII. Gestão integrada de resíduos sólidos;
VIII. Articulação entre as diferentes esferas do 
poder público e destas com o setor em-
presarial, com vistas à cooperação técnica 
e financeira para a gestão integrada de 
resíduos sólidos; 
IX. Capacitação técnica continuada na área 
de resíduos sólidos;
X. Regularidade, continuidade, funcionali-
dade e universalização da prestação dos 
serviços públicos de limpeza urbana e de 
manejo de resíduos sólidos, com adoção 
de mecanismos gerenciais e econômicos 
que assegurem a recuperação dos custos 
dos serviços prestados;
XI. Prioridade, nas aquisições e contratações 
governamentais, de produtos reciclados e 
recicláveis, de bens, serviços e obras que 
considerem critérios compatíveis com 
padrões de consumo social e ambiental-
mente sustentáveis; 
XII. Integração dos catadores de materiais 
reutilizáveis e recicláveis nas açõesque 
envolvam a responsabilidade comparti-
lhada pelo ciclo de vida dos produtos; 
XIII. Estímulo à implementação da avaliação 
do ciclo de vida do produto;
XIV. Incentivo ao desenvolvimento de siste-
mas de gestão ambiental e empresarial 
voltados para a melhoria dos processos 
produtivos e ao reaproveitamento dos re-
síduos sólidos, incluindo a recuperação e 
o aproveitamento energético; 
XV. Estímulo à rotulagem ambiental e ao con-
sumo sustentável. 
VII. Pesquisa científica e tecnológica; 
VIII. Educação ambiental; 
IX. Incentivos fiscais, financeiros e creditícios;
X. Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo 
Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico; 
XI. Sistema Nacional de Informações sobre a 
Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR); 
XII. Sistema Nacional de Informações sobre Sa-
neamento (SNIS); 
XIII. Conselhos de meio ambiente e, no que cou-
ber, os de saúde; 
XIV. Órgãos colegiados municipais destinados ao 
controle social dos serviços de resíduos sólidos 
urbanos; 
XV. Cadastro Nacional de Operadores de Resí-
duos Perigosos; 
XVI. Acordos setoriais; 
XVII. Incentivo à adoção de consórcios ou de ou-
tras formas de cooperação entre os entes 
federados, com vistas à elevação das escalas 
de aproveitamento e à redução dos custos 
envolvidos;
XVIII. Outros instrumentos (padrões de qualida-
de ambiental, cadastro técnico, avaliação de 
impactos ambientais, sistema nacional de 
informação, licenciamento para atividades 
poluidoras).
Fonte: Adaptado de Brasil, 2010. 
Outro importante marco legal sobre resíduos sólidos é o Decreto 
n. 10.936, de 12 de janeiro de 2022. O documento regulamenta: res-
ponsabilidades dos geradores de resíduos sólidos (públicos e priva-
dos); condições da coleta seletiva; instrumentos da logística reversa e 
instituição do Programa Nacional de Logística Reversa (PNLR); critérios 
para acordos setoriais; mecanismo de participação dos catadores; re-
Resíduos sólidos 95
gras para os planos de resíduos sólidos e os planos de gerenciamento 
(estaduais, regionais e municipais), inclusive de resíduos perigosos; pa-
pel da educação ambiental na gestão de resíduos; acesso a recursos e 
fontes de financiamento; criação do Sistema Nacional de Informação 
sobre Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) (BRASIL, 2022).
As ações previstas no âmbito do Decreto n. 10.936 são mecanismos 
articulados e institucionalizados para promover o alcance das metas da 
PNRS (Quadro 1).
A logística reversa tem um papel muito importante na PNRS. Seu 
objetivo é viabilizar a reinserção dos resíduos sólidos nos processos 
produtivos e potencializar sua valoração econômica, por meio da reci-
clagem, da reutilização e da recuperação de materiais, em larga escala, 
com forte sinergia entre fabricantes, importadores, distribuidores e co-
merciantes de produtos e embalagens (BRASIL, 2022).
Os resíduos sólidos com obrigatoriedade de logística reversa são 
(BRASIL, 2010):
I. embalagens de agrotóxicos;
II. pilhas e baterias;
III. pneus; 
IV. óleos lubrificantes (resíduos e embalagens); 
V. lâmpadas fluorescentes (vapor de sódio, de mercúrio e misto); 
VI. produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
Para aprofundar o conhecimento nesse assunto, leia o artigo Boas práticas de 
logística reversa: uma abordagem exploratória no setor de embalagens de agro-
tóxicos, publicado por Bello e Cavenaghi (2015), no XI Congresso Nacional de 
Excelência em Gestão, sobre a aplicação de logística reversa em embalagens 
de agrotóxicos.
Acesso em: 20 maio 2022. 
www.inovarse.org/sites/default/files/T_15_227_0.pdf
Artigo
Como resultado da aplicação da PNRS, em 2014 o Brasil liderou o 
ranking mundial de recuperação de embalagens de agrotóxicos, segun-
do dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Va-
zias (inpEV), como apresentado na Figura 1 (BELLO; CAVENAGHI, 2015).
Para aprofundar o conhe-
cimento nesse assunto, 
assista ao vídeo Decreto n. 
10.936: Política Nacional de 
Resíduos Sólidos, publicado 
pelo canal ABES Sanea-
mento, sobre esse decreto, 
que regulamenta os instru-
mentos da PNRS.
Disponível em: www.youtube.com/
watch?v=VMPTiaHE4AM. Acesso 
em: 19 maio 2022.
Vídeo
http://www.inovarse.org/sites/default/files/T_15_227_0.pdf
96 Saneamento e saúde ambiental
Estados Unidos (ACRC)
Japão (JCPA)
Alemanha (Pamira)
Canadá (CropLife)
Reino Unido (Agsafe)
Espanha (CropLife)
Polônia (CropLife)
França (Advalor)
(Brasil inpEV) 94%
77%
73%
70%
68%
67%
50%
50%
33%
Figura 1
Ranking da recuperação de embalagens de agrotóxicos
Fonte: Bello; Cavenaghi, 2015, p. 13.
O panorama da destinação de embalagens de agrotóxicos no Brasil 
mostra, portanto, que a política de recuperação desse tipo de resíduo 
tem sido positivamente implantada na prática. 
5.2 Origem e classificação dos resíduos sólidos 
Vídeo
A PNRS apresenta duas classificações para os resíduos sólidos 
(BRASIL, 2010): 
I. segundo a origem do material; 
II. de acordo com a sua periculosidade. 
Os principais aspectos da classificação por origem são descritos 
no Quadro 2.
Resíduos sólidos 97
Quadro 2
Classificação dos resíduos sólidos
Classe Origem
a) Resíduos domiciliares Atividades domésticas em residências urbanas
b) Resíduos de limpeza urbana Varrição e limpeza pública
c) Resíduos sólidos urbanos Atividades domésticas em residências urbanas, varrição e limpeza pública
d) Resíduos de estabelecimentos comer-
ciais e prestadores de serviços
Resíduos sólidos urbanos, varrição e limpeza pública, serviço de saúde, 
construção civil, modalidades de transporte
e) Resíduos dos serviços públicos de sa-
neamento básico
Resíduos sólidos urbanos
f) Resíduos industriais Processos produtivos e instalações industriais
g) Resíduos de serviços de saúde Serviços de saúde
h) Resíduos da construção civil Construções, reformas, reparos, demolições e obras na construção civil
i) Resíduos agrossilvopastoris Atividades agropecuárias e silviculturais
j) Resíduos de serviços de transportes
Portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviárias, ferroviárias e 
passagens de fronteira 
k) Resíduos de mineração Atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios
Fonte: Brasil, 2010. 
Os resíduos sólidos são classificados quanto à periculosida-
de, de acordo com os critérios estabelecidos na norma NBR 10004 
(ABNT, 2004), segundo: 
I. suas propriedades físicas, químicas e biológicas, que resultam 
das atividades ou dos processos em que eles foram originados; 
II. o impacto que essas características podem causar na saúde hu-
mana e no meio ambiente.
O Quadro 3 resume os principais aspectos do enquadramento dos 
resíduos sólidos por periculosidade.
Quadro 3
Enquadramento dos resíduos sólidos pela NBR 10004
Classe Tipologia Características Origem
I Resíduos perigosos
Inflamabilidade, corrosividade, reatividade, 
toxicidade e patogenicidade 
Resíduos orgânicos e inorgâ-
nicos
II-A Não perigosos e não inertes
Biodegradabilidade, combustibilidade, so-
lubilidade em água
Resíduos orgânicos
II-B Não perigosos e inertes
Ausência das propriedades dos resíduos 
não perigosos e não inertes
Resíduos inorgânicos
Fonte: Adaptado de ABNT, 2004. 
98 Saneamento e saúde ambiental
A classificação na NBR 10004 é realizada com base em análises 
específicas em laboratório, utilizando-se de amostras do resíduo a 
ser caracterizado e de metodologias padronizadas. As características 
analisadas para o enquadramento apresentado no Quadro 3 são: in-
flamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, 
biodegradabilidade, combustibilidade e solubilidade (ABNT, 2004).
O lodo de estações de tratamento de água e de tratamento de 
efluentes (sanitários e industriais) é considerado um resíduo semissó-
lido, pela NBR 10004, porém o seu enquadramento varia, dependendo 
do tipo de atividade que o originou (ABNT, 2004). Nesse caso, é ne-
cessário analisar em laboratório uma amostra do lodo para determinar 
se suas propriedades físicas, químicas e biológicas atendem ou não às 
característicaslistadas anteriormente. Só depois desse procedimento é 
que o lodo poderá ser enquadrado como classe I, II-A ou II-B.
Os métodos de análise são destinados a resíduos (ABNT, 2004): 
I. perigosos, de fontes não específicas; 
II. perigosos, de fontes específicas; 
III. substâncias perigosas (agudamente tóxicas e tóxicas); 
IV. em ensaio de lixiviação e de solubilização; 
V. não perigosos.
Além dessas, existem outras subclassificações previstas na 
NBR 10004. Os serviços de saúde, por exemplo, são subdivididos em 
cinco grupos, segundo o tipo de risco (Quadro 4).
Quadro 4
Classificação dos serviços de saúde
Grupo Tipo de risco
A (infectantes) Biológico
B (químicos) Químico
C (radioativos) Radiológico
D (domésticos) Não oferece risco
E (perfuro cortantes) Biológico
Fonte: Brasil, 2018.
Os resíduos da construção civil são subdivididos em quatro grupos, 
de acordo com a capacidade de recuperação econômica dos materiais 
(Quadro 5).
Para aprofundar o 
conhecimento no assunto 
desta seção, assista ao 
vídeo Revisão da ABNT 
NBR 10004:2004 – resíduos 
sólidos-classificação, publi-
cado no canal abntweb, 
sobre a revisão da NBR 
10004. Uma parte desse 
vídeo está em inglês, 
mas você pode ativar a 
legenda em português e 
acompanhar todo o deba-
te promovido pela ABNT.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=ToNq 
1Hixzog. Acesso em: 19 maio 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=ToNq1Hixzog
https://www.youtube.com/watch?v=ToNq1Hixzog
https://www.youtube.com/watch?v=ToNq1Hixzog
Resíduos sólidos 99
Quadro 5
Classificação dos resíduos da construção civil
Classe Característica Origem
A Resíduos reutilizáveis ou recicláveis
Construção, demolição, reformas, reparos, fabri-
cação (por exemplo: tijolos, blocos, tubos)
B Recicláveis para outras destinações
Plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras 
e outros
C
Resíduos sem tecnologias ou aplicações economi-
camente viáveis para reciclagem ou recuperação
Gesso, por exemplo
D Resíduos perigosos da construção civil
Tintas, solventes, óleos e substâncias contamina-
das, telha de amianto
Fonte: Brasil, 2002. 
Dependendo da fonte (Quadro 2), o resíduo sólido pode conter uma 
mistura de diferentes classes (Quadro 3). Por exemplo, uma indústria 
de bebidas pode gerar: grandes quantidades de embalagens, como 
plásticos, papel e papelão (resíduos não perigoso e inerte – II-B); lodo 
do tratamento de efluentes da empresa (resíduo não perigoso e não 
inerte – II-A); material biológico (grupo A e E), se houver uma unidade 
de atendimento médico dentro da planta industrial; sobras de mate-
riais produzidos durante reformas e obras nas suas instalações (classe 
A, B, C e D); e restos do sanitário dos funcionários e de alimentos do 
refeitório (resíduo não perigoso e não inerte – II-A). 
Por outro lado, uma indústria química pode gerar todos esses re-
síduos e ainda substâncias inflamáveis, corrosivas, reativas e tóxicas 
(resíduos perigosos – I), enquanto um laboratório de análises clínicas 
pode produzir substâncias patogênicas (resíduos perigosos – I), emba-
lagens (resíduos não perigosos – II-B) e material biológico (grupo A e 
E). As residências também podem originar uma grande diversidade de 
tipos de resíduos (construção civil, serviço de saúde, alimentos, reciclá-
veis, sanitários – a classe dependerá do tipo de resíduo).
É possível perceber a imensa complexidade que envolve a gestão 
dos resíduos sólidos. Por isso, as normativas e a política nacional são 
tão importantes, pois elas norteiam as ações do Poder Público (prefei-
tura e governo do estado) no controle da geração, na fiscalização da 
destinação, no regramento da emissão de licenças ambientais e nas 
penalidades aplicadas quando as regras são descumpridas. Na mesma 
medida, a legislação orienta as decisões das entidades privadas (em-
presas, indústrias, comércio etc.).
Para aprofundar o 
conhecimento nesse 
assunto, assista ao vídeo 
Lixo – classificação, destino 
e tipos de resíduos sólidos, 
publicado no canal Vídeo 
Aulas Net, sobre resíduos 
sólidos domiciliares.
Disponível em: https://www. 
youtube.com/watch?v=xMY3m 
1rnsEU. Acesso em: 19 maio 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=xMY3m1rnsEU
https://www.youtube.com/watch?v=xMY3m1rnsEU
https://www.youtube.com/watch?v=xMY3m1rnsEU
100 Saneamento e saúde ambiental
5.3 Tratamento e destinação dos 
resíduos sólidos Vídeo
Conforme discutido na seção anterior, a geração de resíduos sóli-
dos é inerente a todas as atividades, sejam elas humanas, industriais, 
comerciais ou institucionais. Existem muitos tipos de resíduos ou ca-
tegorias, e uma mesma fonte (ou origem) pode produzir uma grande 
diversidade de resíduos, que podem ser perigosos ou não.
Por essa razão, a separação, o tratamento e a destinação adequada 
dos resíduos sólidos são tão importantes, seja na escala municipal, em 
uma planta industrial ou em uma residência. As Figuras 2 e 3 mostram 
o resultado do último levantamento realizado pelo Sistema Nacional 
de Informações sobre Saneamento (SNIS) e pelo Sinir quanto à coleta e 
destinação dos resíduos sólidos domiciliares em 2020.
De acordo com os dados publicados pelo SNIS e Sinir, a população bra-
sileira residente em áreas urbanas é amplamente atendida por algum tipo 
de serviço de coleta de resíduos sólidos domiciliares (Figura 2), sendo a 
região norte a menor cobertura (96,2%), e a região sudeste a maior cober-
tura (99,4%). Esse percentual é bastante positivo, já que a maioria dos bra-
sileiros (84,4%) vive nas cidades, segundo o Censo de 2010 (IBGE, 2022).
Figura 2
Coleta de resíduos sólidos domiciliares em 2020
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hu
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to
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Norte 
80,7% 
96,2%
Nordeste 
83,1% 
97,7%
Centro-
oeste 
91,3% 
98,2% Sudeste 
96,1% 
99,4%
Sul 
91,3% 
99,3%
Atendimento total
2
3
1
Atendimento urbano
Fonte: SNIS, 2021. 
Para aprofundar o 
conhecimento no assunto 
desta seção, navegue pelo 
site do Sinir (Ministério do 
Meio Ambiente) e conheça 
todas as ferramentas, os 
dados e as funcionalida-
des disponíveis sobre os 
resíduos sólidos no Brasil.
Disponível em: https://sinir.gov.br/. 
Acesso em: 19 maio 2022.
Site
Resíduos sólidos 101
Porém, o tratamento e a destinação dos resíduos sólidos domici-
liares ainda são um grande desafio para o Brasil e para muitos outros 
países. A maior parte dos municípios brasileiros ainda encaminha os 
resíduos sólidos coletados para lixões (sem qualquer controle ambien-
tal e sanitário) ou para aterros controlados (infraestruturas que apre-
sentam várias limitações).
A ausência, ou ineficiência, de planejamento e gestão dos resíduos 
sólidos resulta em sérios problemas ambientais (contaminação do solo 
e das águas superficiais e subterrâneas), sociais (transmissão de doen-
ças, proliferação de insetos e roedores, baixa qualidade de vida, po-
luição visual, maus odores) e econômicos (desvalorização de imóveis, 
perda de áreas com potencial construtivo, perda de receita no setor 
privado, impacto no custo de operação do setor produtivo). 
Por outro lado, a gestão sustentável dos resíduos sólidos traz consi-
go muitas oportunidades de novos negócios (empregos, produtos, pro-
cessos, comércio), de redução de custos operacionais nas empresas 
(recuperação de matérias-primas e eficiência na produção), de geração 
de renda e qualidade de vida para a população (ganhos sociais) e de re-
cuperação da qualidade ambiental (minimização da poluição), que tem 
impacto na saúde humana. Nesse sentido, a PNRS tem papel essencial 
no processo de transformação do atual cenário brasileiro para uma 
nova realidade (SILVA; BIERNASKI, 2018; JACÓ; MÁXIMO, 2016).
De acordo com a PNRS, os municípios são responsáveis pela elabo-
ração, pela implantação e pelo monitoramento dos planos de gestão 
integrada de resíduos sólidos, que abrangem todos os tipos de resí-
duos (industriais, domésticos, serviço de saúde, construção civil etc.), 
soba perspectiva das dimensões da sustentabilidade (ambiental, so-
cial, econômica e cultural) (BRASIL, 2010).
O plano de gerenciamento de resíduos sólidos, por outro lado, é 
uma exigência legal para todas as atividades que se enquadram nas 
especificações da PNRS, resumidas a seguir. Em outras palavras, a ges-
tão pública municipal é quem define as regras para o manejo susten-
tável dos resíduos sólidos produzidos pelo município, e os geradores 
Para aprofundar o conhe-
cimento no assunto desta 
seção, navegue pelo 
site do SNIS e conheça 
a situação da coleta e 
destinação dos resíduos 
sólidos da sua cidade.
Disponível em: https://app.powerbi.
com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTkt 
MGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ 
3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiM 
jY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05O 
DMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIs 
ImMiOjF9. Acesso em: 19 maio 2022.
Site
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTktMGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiMjY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05ODMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIsImMiOjF9
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTktMGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiMjY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05ODMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIsImMiOjF9
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTktMGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiMjY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05ODMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIsImMiOjF9
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTktMGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiMjY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05ODMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIsImMiOjF9
https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNGVkYTRiZTktMGUwZS00OWFiLTgwNWYtNGQ3Y2JlZmJhYzFiIiwidCI6IjJiMjY2ZmE5LTNmOTMtNGJiMS05ODMwLTYzNDY3NTJmMDNlNCIsImMiOjF9
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102 Saneamento e saúde ambiental
executam as determinações estabelecidas também pelo município. No 
caso dos resíduos domiciliares, a responsabilidade com o plano de ge-
renciamento é transferida para a concessionária que presta serviços 
de saneamento, que pode ser uma entidade pública ou uma autarquia 
(mista) (BRASIL, 2010). 
Atividades cujo plano de gerenciamento de resíduos sólidos é obrigatório
• Serviço de saneamento básico
• Industrial
• Serviço de saúde
• Mineração
• Estabelecimentos comerciais e prestação de serviço (quando gerar resí-
duos perigosos ou em grande quantidade)
• Construção civil
• Serviços de transporte (rodoviário, aeroportos, portos, ferroviários etc.)
• Atividades agrossilvopastoris
O plano de gerenciamento para as atividades obrigatórias deve 
apresentar em detalhes todas as medidas que compõem a coleta, o 
transporte, o transbordo, o tratamento e a destinação dos resíduos sóli-
dos (incluindo os rejeitos), em alinhamento com as regras impostas pelo 
plano de gestão integrada do município (BRASIL, 2022; BRASIL, 2010).
Como existem muitos tipos de resíduos sólidos, inclusive dentro de 
uma mesma atividade geradora (conforme explicado anteriormente), 
as alternativas de tratamento e de destinação final também são várias. 
O Quadro 6 resume os principais procedimentos, de acordo com as 
características dos resíduos.
Resíduos sólidos 103
Quadro 6
Principais alternativas de tratamento e destinação de resíduos
Etapa Procedimento Tipo de resíduo
Tratamento
Compostagem • Material orgânico (resíduos domiciliares)
Reciclagem • Plásticos, vidros, papel, papelão, entre outros
Reutilização • Vidros, tecido, papelão, entre outros
Incineração e pirólise
 • Material orgânico (resíduos domiciliares, resíduos de transporte)
 • Material infectante (resíduos de serviço de saúde)
 • Resíduos agrossilvopastoris
Processo químico e 
físico-químico
 • Resíduos industriais diversos (semissólidos)
 • Resíduos de mineração (recuperação de minérios)
 • Resíduos radioativos
Autoclave, micro-ondas, 
radiação ionizante
 • Resíduos infectantes e perfuro cortantes (serviço de saúde)
Destinação final
Aterro sanitário • Resíduos classe II-A
Aterro industrial • Resíduos classe I
Aterro de inertes • Resíduos classe II-B
Uso agrícola • Lodo de tratamento de esgoto
Os resíduos sólidos urbanos (RSU), que compreendem os resíduos 
domiciliares e públicos (varrição e limpeza pública), merecem um cui-
dado especial, embora eles sejam classificados como não perigosos. 
Isso acontece em razão do elevado volume gerado pelos municípios, 
sobretudo nos municípios mais populosos. Normalmente, a gestão 
desse tipo de resíduo envolve: coleta seletiva (separação do resíduo 
reciclável e não reciclável); transferência para a unidade de reciclagem 
(recuperação de materiais com valor agregado); compostagem da par-
cela orgânica; e envio do rejeito para aterro sanitário (ou lixão, no caso 
de municípios que ainda não atenderam às determinações da legisla-
ção brasileira), como é apresentado na Figura 3 (SNIS, 2021).
104 Saneamento e saúde ambiental
Unidades de transferência
Instalação intermediária de processamento, também conhecida como unidade de 
transbordo. É onde ocorre a transferência de resíduos sólidos urbanos coletados 
para os veículos de transporte de maior porte.
Reciclagem
Inicia com a separação na fonte, 
seguida da triagem. A triagem é 
por categorias, como plásticos, 
papéis, metais e vidros. Resíduos 
recuperáveis são encaminhados 
à indústria de transformação, e o 
rejeito a locais de disposição final. 
A massa recuperada no SNIS-RS é a 
efetivamente reciclada.
Unidades de tratamento
Instalações em que resíduos sólidos 
são submetidos a processos físicos, 
químicos e/ou biológicos para 
recuperação e redução de volumes e 
capacidade de poluição. Contempla 
a separação de recicláveis e a 
compostagem de materiais orgânicos.
Compostagem
Separação de resíduos orgânicos 
úmidos (folhas, restos de comida 
e verduras, serragem). Por meio 
de processos de decomposição 
biológica, a massa reciclável tratada 
é transformada em nutrientes 
(adubo e húmus), que podem ser 
utilizados na produção de alimentos 
e recuperação de áreas degradadas.
Unidades de disposição no solo
Locais de disposição final de materiais sólidos classificados como rejeitos, ou seja, sem 
possibilidade e/ou viabilidade de aproveitamento.
Aterro sanitário
Instalação com controle técnico e 
operacional permanente para evitar 
que resíduos e seus efluentes líquidos 
e gasosos causem danos à saúde 
pública e/ou ao meio ambiente.
Aterro controlado
Instalação com alguns cuidados, 
principalmente relacionados à 
segurança dos trabalhadores e ao 
trânsito de pessoas na unidade. 
Caracteriza-se como estágio 
intermediário entre o lixão e o 
aterro sanitário.
Lixão
Instalação sem qualquer tipo de 
controle, sejam eles de saúde, 
segurança e ambientais. Conhecida 
como vazadouro, que recebe 
materiais de todas as origens e 
periculosidades.
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Figura 3
Gestão dos resíduos sólidos urbanos
Fonte: Adaptada de SNIS, 2021, p. 40.
A gestão dos resíduos sólidos urbanos deve seguir o fluxo de mane-
jo, tratamento e destinação sustentável, para que o município alcance 
benefícios ambientais, sociais e econômicos.
Resíduos sólidos 105
5.4 Recuperação de energia e materiais 
Vídeo
A recuperação de energia no tratamento de resíduos sólidos tem 
sido uma estratégia cada vez mais utilizada pela gestão pública e, so-
bretudo, pelo setor privado. A principal razão para isso é o ganho finan-
ceiro, pois o investimento em tecnologia e infraestrutura retorna na 
forma de energia limpa e renovável para a fonte geradora do resíduo, 
e há o potencial de redução do custo operacional com o transporte do 
resíduo do local de geração até o destino final (custo evitado). 
Diante das crescentes altas no custo da energia fornecida pelas 
concessionárias brasileiras, a recuperaçãode energia passa a ser 
uma alternativa muito atrativa. Porém, cada caso é um caso, e isso 
significa que um estudo detalhado de viabilidade técnica e econômica 
deve ser realizado antes de se iniciar qualquer investimento em insta-
lações de geração de energia por meio dos resíduos (ABREN, 2020; 
BRAGAGNOLO et al., 2018).
A Portaria n. 274, publicada em 2019, regulamenta a recuperação 
de energia por meio de alguns tipos de resíduos sólidos e determina a 
obrigatoriedade de licenciamento ambiental para essa prática e da ela-
boração de plano de contingência, emergência e desativação. Os resí-
duos sólidos destinados a essa finalidade são: limpeza pública (varrição 
e podas); domiciliares (residências urbanas); comerciais e de prestação 
de serviços – classe II-A (BRASIL, 2019). Todos esses resíduos têm em 
comum a elevada concentração de carbono em sua composição, e isso 
os torna fontes de energia (PEDROZA et al., 2017). A recuperação de 
energia é considerada uma alternativa sustentável em substituição aos 
aterros sanitários convencionais.
As tecnologias mais utilizadas em usinas de recuperação de energia 
de resíduos sólidos – de que trata a Portaria n. 274 – são: incineração, 
gaseificação, pirólise e digestão anaeróbia. As técnicas apresentam 
vantagens e limitações, segundo critérios técnicos, ambientais e econô-
micos, como mostra o Quadro 7 (MARCHEZETTI; KAVISKI; BRAGA, 2011).
106 Saneamento e saúde ambiental
Quadro 7
Comparação entre as alternativas de recuperação de energia
Tecnologia Vantagens Desvantagens
Gaseificação
 • O gás gerado pode ser convertido em ener-
gia; pode diminuir a dependência de combus-
tíveis fósseis.
 • Eliminação de patógenos; emite baixa con-
centração de particulados.
 • Combustível resultante é limpo.
 • Aumenta a produção de hidrogênio e de 
monóxido de carbono.
 • Diminui a produção de dióxido de carbono.
 • Tecnologia pouco difundida.
 • Baixo rendimento de energia se hou-
ver muita umidade no resíduo domiciliar.
 • Operação mais difícil do que a quei-
ma direta.
 • Deve ser tomado cuidado com o va-
zamento de gases tóxicos.
Pirólise
 • Obtenção de energia de fácil transporte e 
armazenamento em relação à incineração.
 • Baixa emissão de particulados; não produz 
dioxinas e furanos.
 • Eliminação de patógenos.
 • Não há um desenvolvimento indus-
trial significativo, pois os resíduos aca-
bam sendo incinerados indiretamente.
Incineração
 • Produção de gás de síntese.
 • Redução drástica do volume e da massa do 
resíduo a ser descartado.
 • Redução do impacto ambiental; recupera-
ção e geração de energia.
 • Eliminação de patógenos.
 • Cinzas podem ser reclassificadas como não 
perigosas.
 • Usinas termelétricas híbridas (UTH) minimi-
zam a emissão dos gases de efeito estufa.
 • Incineradores atuais estão inseridos no 
conceito de recuperação de recursos.
 • Elevado custo de investimento, de 
manutenção, de operação e de moni-
toramento.
 • Requer mão de obra especializada.
 • Pode necessitar de combustível 
auxiliar.
 • O sistema pode gerar produtos tão 
ou mais perigosos quanto o próprio 
resíduo quando mal operado.
Digestão anaeróbia
 • Valorização dos resíduos.
 • Possibilidade de produção de elevadas 
quantidades de energia.
 • Permite a reciclagem da matéria orgânica e 
o aproveitamento energético.
 • Pode eliminar patógenos.
 • Variação na composição gravimétrica 
dos resíduos acarretará ineficiência do 
processo.
 • Em sistemas contínuos podem 
ocorrer obstruções da canalização por 
pedaços maiores de resíduos.
 • Mistura inadequada dos resíduos 
e do lodo de esgoto, utilizado como 
inóculo, pode afetar a eficiência do 
processo.
 • Está associada à geração de maus 
odores.
 • Pode gerar resíduos líquidos que ne-
cessitarão de tratamento.
Fonte: Adaptado de Marchezetti; Kaviski; Braga, 2011. 
Resíduos sólidos 107
Em resumo, os principais pontos a serem observados na escolha 
da alternativa mais apropriada são: prazo de implantação da tecnolo-
gia (anos); valor do investimento (R$); tipo e quantidade de poluentes 
atmosféricos liberados ao final; redução do volume dos resíduos; ca-
racterísticas dos resíduos pós-tratamento, destinados ao aterro; tem-
peratura a ser atingida para a operação da tecnologia (MARCHEZETTI; 
KAVISKI; BRAGA, 2011).
As técnicas de reciclagem e reutilização (plásticos, papel, vidro, alu-
mínio etc.) também são formas de recuperação, valoração e aumento 
da vida útil de vários materiais por meio direto, cujo impacto é a re-
dução significativa do volume de resíduos destinados a aterros sanitá-
rios e lixões e a geração de trabalho e renda para muitas famílias. Em 
2020, foram reciclados 1,9 milhão de toneladas de resíduos no Brasil, e 
a maior parte era papel e papelão (Gráfico 1).
 Papel e papelão – 298,0 mil ton./ano
 Plásticos – 204,8 mil ton./ano
 Vidros – 99,9 mil ton./ano
 Metais – 97,4 mil ton./ano
 Outros – 89,6 mil ton./ano
12,7%
12,3%
11,3%
37,8%
25,9%
Gráfico 1
Composição dos resíduos sólidos reciclados no Brasil em 2020
Fonte: Adaptado de SNIS, 2021, p. 47. 
Na construção civil também existem vários materiais que podem 
ser recuperados, porém é necessário um planejamento do fluxo de 
materiais descartados, assim como a separação e o acondicionado dos 
resíduos no próprio canteiro de obra (CETESB, 2014). 
Para aprofundar o 
conhecimento no assunto 
desta seção, assista ao 
I Seminário Desafios da 
Geração de Energia com 
Resíduos Sólidos Urbanos, 
publicado pelo canal Agên-
cia Nacional de Energia 
Elétrica, sobre os desafios 
na recuperação de energia 
dos resíduos sólidos.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=lm_m6HKaIn4. 
Acesso em: 19 maio 2022.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=lm_m6HKaIn4
https://www.youtube.com/watch?v=lm_m6HKaIn4
108 Saneamento e saúde ambiental
Quadro 8
Alternativas de recuperação de materiais da construção civil
Resíduo Reutilização no canteiro
Revestimentos de parede ou pavimentação das 
construções preexistentes
Bases para as instalações provisórias, pavimentação e reves-
timentos finais.
Cacos de revestimentos de piso ou parede das cons-
truções preexistentes
Revestimentos em mosaico, revestimentos das instalações 
provisórias.
Rochas de escavações Pedras decorativas do paisagismo, muros de arrimo.
Louças, metais, esquadrias e telhas
Aproveitamento nas instalações provisórias ou até mesmo na 
construção nova.
Resíduos classe A (inertes) dos processos de demo-
lição
Enchimento de valas e aterros sem necessidade de controle 
tecnológico mais rigoroso.
Resíduos classe B (recicláveis de outras indústrias) 
– embalagens
Aproveitamento de embalagens para acondicionamento de ou-
tros materiais, sempre que não houver riscos de contaminação 
ou alteração das características do novo material acondicionado.
Resíduos classe B (recicláveis de outras indústrias) – 
metais e madeiras
Aproveitamento para confecção de sinalizações, construções 
provisórias para estoque de materiais e baias para resíduos, 
por exemplo, cercas e portões.
Escoramento e andaimes metálicos Reaproveitáveis durante toda a obra.
Solos Reaterros.
Fonte: Cetesb, 2014.
Existem diferentes técnicas que permitem recuperar outros tipos de 
materiais, podendo ser encontrados nos resíduos sólidos, por exem-
plo, prata (BENDASSOLI et al., 2003), ferro e sulfato (MADEIRA, 2012). 
Porém essas alternativas são menos comuns, podem ser bastante 
onerosas e dependem da alta concentração desses materiais nos re-
síduos para serem viáveis, além de que não se aplicam a todos os 
tipos de resíduos.
CONSIDERAÇÕES 
FINAIS
A gestão dos resíduos sólidos é um dos maiores desafios da atualidade, 
não só no Brasil, mas para todos os países. Isso se deve principalmente ao 
grande volume de resíduos gerados, sobretudo nas grandes cidades, ao 
elevado grau de periculosidade e ao custo de tratamento de muitos de-
les, além dos inúmeros dos impactos ambientais e sociais decorrentes da 
inadequada destinação (por exemplo, lixões e descarte em corpos d’água).
Resíduossólidos 109
Embora existam várias alternativas tecnológicas para o tratamento e 
a valoração dos resíduos sólidos, a eficácia dos resultados depende de 
muitos fatores, entre os quais pode-se destacar: o intensivo investimento 
em infraestrutura, equipamentos e recursos humanos (capacitação e for-
mação); a conscientização da população (atitude cidadã); a educação am-
biental (sensibilização para o verdadeiro valor dos recursos naturais e os 
impactos da poluição); a fiscalização permanente e extensiva das fontes 
geradoras; e o incentivo e fortalecimento das cooperativas de reciclagem 
e das usinas de recuperação de energia.
ATIVIDADES
Atividade 1
A logística reversa é uma importante estratégia de gestão susten-
tável de resíduos sólidos, prevista na legislação brasileira. Explique 
o conceito de logística reversa dentro desse contexto e apresente 
um exemplo de resíduo que deve passar por esse processo. 
Atividade 2
Considere que uma indústria produz mensalmente diferentes 
quantidades dos seguintes tipos de resíduos sólidos: i) plástico; ii) 
lodo biológico do tratamento de efluentes; iii) restos de alimentos; 
iv) material de higiene pessoal (descarte de papel higiênico e papel 
toalha); v) material biológico gerado na unidade de atendimento 
médico da planta industrial. Analise essas informações e enquadre 
os resíduos gerados por essa empresa com base na classificação 
de periculosidade definida pela legislação brasileira.
Atividade 3
Segundo a legislação brasileira, algumas atividades devem obri-
gatoriamente elaborar um plano de gerenciamento de resíduos 
sólidos. Apresente dois exemplos de atividades que se enquadram 
nessa situação e explique qual é a importância dessa medida.
Atividade 4
Apresente dois exemplos de tipos diferentes de resíduos sólidos 
e indique as correspondentes tecnologias de tratamento mais 
adequadas para cada caso.
110 Saneamento e saúde ambiental
REFERÊNCIAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Resíduos sólidos: classificação. Rio de 
Janeiro, 2004.
ABREN – Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos. Benefícios das 
Usinas de Recuperação Energética de Resíduos em comparação com os aterros sanitários. 
ABREN, 2020. Disponível em: https://abren.org.br/2020/09/07/beneficios-das-usinas-de-
recuperacao-energetica-de-residuos-em-comparacao-com-os-aterros-sanitarios/. Acesso 
em: 19 maio 2022.
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exploratória no setor de embalagens de agrotóxicos. In: 11º CONGRESSO NACIONAL DE 
EXCELÊNCIA EM GESTÃO. Anais [...] Rio de Janeiro: UFF, 2015. Disponível em: http://www.
inovarse.org/sites/default/files/T_15_227_0.pdf. Acesso em: 19 maio 2022.
BENDASSOLLI, J. A. et al. Procedimentos para recuperação de Ag de resíduos líquidos e 
sólidos. Química Nova, v. 26, n. 4, p. 578-581, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/j/
qn/a/GfSGrYWr7dJfMZ4dDF58YZv/?lang=pt. Acesso em: 19 maio 2022.
BRAGAGNOLO, L. et al. Aplicação dos resíduos sólidos urbanos para geração de energia: 
uma revisão. Ciência & Tecnologia, v. 10, n. 1, p. 33-56, 2018. Disponível em: https://citec.
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BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n. 307, de 5 de julho de 2002. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 jul. 2002. Disponível em: http://conama.mma.gov.
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BRASIL. Decreto n. 10.936, de 12 de janeiro de 2022. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 
12 jan. 2022. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/
Decreto/D10936.htm. Acesso em: 19 maio 2022.
BRASIL. Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 3 ago. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 19 maio 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução n. 222, 
de 28 de março de 2018. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 28 mar. 2018. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf. Acesso 
em: 19 maio 2022.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Gabinete do Ministro. Portaria interministerial n. 
274, de 30 de abril de 2019. Disciplina a recuperação energética dos resíduos sólidos 
urbanos referida no § 1º do art. 9º da Lei n. 12.305, de 2010 e no art. 37 do Decreto n. 7.404, 
de 2010. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 2 maio 2019. Disponível em: 
http://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-interministerial-n%C2%BA-274-de-30-de-abril-
de-2019-86235505. Acesso em: 19 maio 2022.
CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Resíduos da construção civil: 
reutilização e reciclagem. São Paulo: Cetesb, 2014. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.
br/sigor/wp-content/uploads/sites/37/2014/12/Reutiliza%C3%A7%C3%A3o-e-Reciclagem.
pdf. Acesso em: 19 maio 2022.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010, 2022. Disponível em: 
https://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo.html?busca=1&id=3&moticia=1766&t=cen
so-2010-populacao-brasil-190-732-694-pessoas&view=noticia. Acesso em: 2 jun. 2022. 
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Resíduos sólidos 111
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PEDROZA, M. M. et al. Aproveitamento energético de resíduos sólidos urbanos em 
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Disponível em: https://revistas.ufpr.br/rber/article/view/46577. Acesso em: 19 maio 2022.
SILVA, C. L.; BIERNASKI, I. Planejamento e gestão de resíduos sólidos urbanos: um 
estudo de caso na região metropolitana de Belo Horizonte à luz da PNRS. Revista Gestão 
& Regionalidade, v. 34, n. 101, p. 184-199, 2018. Disponível em: https://seer.uscs.edu.br/
index.php/revista_gestao/article/view/3879/2405. Acesso em: 19 maio 2022. 
SNIS – Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Diagnóstico temático: manejo 
de resíduos sólidos urbanos. Brasília: MDR-SNIS, 2021. Disponível em: www.snis.gov.br/
downloads/diagnosticos/rs/2020/DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_RS_SNIS_2021.
pdf. Acesso em: 19 maio 2022.
https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/94319
http://www.scielo.br/j/ac/a/jhNwXdVpXJQpmgtrkPqJqmB/?lang=pt&format=pdf
http://www.scielo.br/j/ac/a/jhNwXdVpXJQpmgtrkPqJqmB/?lang=pt&format=pdf
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
https://revistas.ufpr.br/rber/article/view/46577
https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/3879/2405
https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/article/view/3879/2405
http://www.snis.gov.br/downloads/diagnosticos/rs/2020/DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_RS_SNIS_2021.pdf
http://www.snis.gov.br/downloads/diagnosticos/rs/2020/DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_RS_SNIS_2021.pdf
http://www.snis.gov.br/downloads/diagnosticos/rs/2020/DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_RS_SNIS_2021.pdf
Resolução das atividades
1 Saneamento e saúde
1. Explique a diferença entre o saneamento ambiental e o saneamento 
básico e destaque qual deles é o mais eficaz em seu propósito.
Saneamento ambiental é um conjunto de ações cujo objetivo é 
gerenciar e controlar os fatores físicos que impactam negativamente 
a vida humana. Essas ações se destinam a serviços de transporte, 
saúde, habitação, educação, planejamento territorial, água e resíduos, 
controle da poluição do ar, segurança alimentar, lazer, entre outros. Já 
o saneamento básico é um conjunto de ações restritas aos serviços 
de água, esgoto, lixo, drenagem urbana e limpeza pública. Portanto, o 
saneamento ambiental é muito mais abrangente e eficaz.
2. Exemplifique duas formas de transmissão de doenças por veiculação 
hídrica e apresente uma solução para os exemplos escolhidos. 
Um exemplo de transmissão de doença por veiculação hídrica é a 
contaminação de água de abastecimento por esgoto doméstico e uma 
solução é o manejo correto do esgoto (coleta, tratamento, destinação) 
para evitar esse problema. Outro exemplo é o consumo de alimentos 
contaminados por esgoto doméstico e uma solução é a higienização 
das mãos, dos utensílios de cozinha e dos próprios alimentos antes 
de consumi-los.
3. Apresente os eixos do saneamento básico e explique sua importância 
no processo de urbanização de um município.
Os eixos do saneamento básico são: I – fornecimento de água potável; 
II – serviço de esgotamento sanitário (coleta, transporte, tratamento, 
destinação); III – manejo dos resíduos sólidos (coleta, transporte, 
tratamento, destinação); IV – drenagem urbana de água de chuva; 
V – limpeza pública. A urbanização sem o devido planejamento e 
implantação dos cinco eixos do saneamento básico leva um município 
a enfrentar sérios problemas ambientais e sociais, como poluição dos 
corpos d’água e doenças por veiculação hídrica. 
2 Controle da poluição hídrica
1. Quais são os cinco instrumentos da PNRH? Explique como eles 
atuam na gestão das águas brasileiras.
112 Saneamento e saúde ambiental
Os instrumentos da Política Nacional dos Recursos Hídricos são: I 
– outorga (captação e lançamento); II – cobrança pelo uso da água; 
III – plano de gerenciamento; IV – sistema de informações; V – 
enquadramento dos corpos hídricos. A outorga é a licença ambiental 
para retirar água do ambiente e descartar efluente no ambiente; 
a cobrança é um mecanismo de valoração da água como um bem 
universal. Esses dois instrumentos têm o objetivo de promover o uso 
racional da água no território brasileiro. O enquadramento dos corpos 
d’água é uma forma de classificação dos cursos de águas superficiais 
(rios, córregos, lagos, reservatórios) e subterrâneas (aquíferos) para 
definir os usos possíveis e os limites de qualidade. O sistema de 
informação centraliza todos os dados disponíveis sobre qualidade e 
quantidade de água nos corpos hídricos brasileiros (acesso aberto) 
para apoiar a tomada de decisão dos municípios e dos gestores de 
bacias hidrográficas. O plano de gerenciamento é um documento que 
formaliza todas as estratégias a serem implantadas, por exemplo, 
por um município, para controlar a qualidade das águas e garantir o 
atendimento dos usos múltiplos a curto e longo prazo.
2. A legislação brasileira define regras para o enquadramento e uso 
das águas doces, salinas e salobras no território nacional. Com 
base nessa classificação, apresente um exemplo de uso da água 
para cada classe (especial, 1, 2, 3 e 4). 
O enquadramento dos recursos hídricos, previsto na legislação 
brasileira, define que quanto maior a classe pior é a condição 
de qualidade dos cursos de água, portanto mais restritivo será 
o uso. Nesse sentido, alguns exemplos de uso para cada classe 
podem ser: I – classe especial: consumo humano e conservação de 
ambientes naturais; II – classe 1: consumo humano (após tratamento 
simplificado), irrigação e proteção de comunidades aquáticas; III – 
classe 2: consumo humano (após tratamento simplificado), recreação 
de contato primário, irrigação (em condições especiais), aquicultura; 
IV – classe 3: consumo humano (após tratamento avançado), irrigação 
(em condições restritas), recreação de contato secundário; V – classe 
4: navegação, harmonia paisagística.
3. Explique a diferença entre IQA e IB.
O IQA mede o nível de qualidade da água para atender aos usos 
múltiplos (lazer, irrigação, abastecimento humano e industrial, geração 
de energia etc.), já o IB mede exclusivamente o nível de qualidade da 
água apenas para a recreação humana nas águas brasileiras (praias e 
águas interiores).
Resolução das atividades 113
4. Apresente as três categorias de parâmetros de qualidade da água 
e explique a relação que existe entre a classificação das águas 
brasileiras e os parâmetros de qualidade. 
Os três grupos de parâmetros de qualidade da água são: I – físicos; 
II – químicos; III – biológicos. As águas brasileiras (superficiais e 
subterrâneas) são classificadas segundo a sua qualidade e finalidade 
(tipo de uso). Os parâmetros são indicadores de qualidade utilizados 
para verificar se determinada fonte de água tem condição de atender 
ao uso pretendido. Portanto, os parâmetros de qualidade são 
ferramentas que auxiliam a classificação dos corpos d’água.
3 Sistemas de tratamento de água de abastecimento
1. Os usos múltiplos da água são divididos em dois grupos de acordo 
com sua finalidade. Apresente a classificação dos usos múltiplos, 
dê um exemplo de cada tipo e explique como cada grupo influencia 
na demanda hídrica de determinada região.
Os usos múltiplos da água se dividem em dois tipos: consuntivos e 
não consuntivos. Os usos consuntivos (abastecimento humano e 
industrial, e irrigação) são aqueles em que ocorre a retirada de água de 
um curso d’água, já nos usos não consuntivos (recreação, navegação 
e geração de energia) não há retirada de água, apenas o uso. Os 
usos consuntivos impactam diretamente na oferta hídrica de um 
município, pois quanto maior o volume de água para atender aos usos 
consuntivos, menor será a disponibilidade de água. Por essa razão, 
as estratégias de gestão dos recursoshídricos devem trazer medidas 
eficientes e reduzir a demanda de água dos usos consuntivos.
2. Apresente os elementos que compõem o tratamento convencional 
da água de abastecimento e explique a função de cada um deles.
O tratamento convencional de água de abastecimento é composto 
por: i) tratamento preliminar (gradeamento); ii) coagulação-floculação; 
iii) decantação-filtração; iv) desinfecção; v) ajuste do pH e fluoretação. 
O tratamento preliminar remove sólidos grosseiros. A coagulação-
floculação e a decantação-filtração são uma sequência de unidades 
da etapa de clarificação, em que sólidos suspensos e dissolvidos são 
retirados da água por processo físico-químico. A desinfecção promove 
a eliminação de microrganismos que causam doenças. O ajuste do 
pH e a fluoretação são medidas para atender às determinações da 
legislação (padrão de potabilidade da água). 
114 Saneamento e saúde ambiental
3. O sistema de tratamento de água pode ser convencional ou 
avançado. Apresente um exemplo de tecnologia utilizada no 
tratamento avançado de água e explique em que situação ela é 
recomendada.
Um exemplo de tecnologia de tratamento avançado de água são 
as membranas filtrantes (nano, ultra, micro, osmose reversa) e sua 
utilização é recomendada para remover material particulado (sólidos 
dissolvidos) e microrganismos. Também existem outros exemplos, 
como carvão ativado, coluna de troca iônica, flotação. A escolha 
da tecnologia dependerá da qualidade da água bruta e do nível de 
qualidade pretendida após o tratamento.
4 Sistemas de tratamento de efluentes
1. Explique o que é o sistema de esgotamento sanitário e apresente 
quais são os seus principais componentes.
O sistema de esgotamento sanitário é um conjunto de operação cuja 
finalidade é coletar, transportar e destinar corretamente o esgoto 
doméstico gerado em um município, proveniente de domicílios, 
comércio, instituições públicas e algumas indústrias autorizadas. 
Esse sistema é constituído por: rede coletora (ramal domiciliar, 
ramal predial, coletor tronco, interceptor); estação de tratamento 
de efluentes (recuperação da qualidade); e emissário (transporte do 
efluente tratado até o rio).
2. Explique o que é o sistema separador absoluto e por que o esgoto 
não deve ser descartado na galeria de água de chuva.
No sistema separador absoluto, o esgoto não se mistura com a água 
de chuva. A rede coletora transporta o esgoto desde a sua fonte 
(domiciliar, comercial, institucional) até a estação de tratamento, 
onde ele passa por unidades de tratamento até alcançar a qualidade 
necessária para ser descartado em corpos d’água. A água de chuva, 
por outro lado, é apenas transportada pelas galerias até o rio e não 
recebe tratamento. Portanto, quando o esgoto é lançado na galeria 
de águas pluviais, ele chega até os rios e causa contaminação da 
água transmitindo doenças de veiculação hídrica em eventos de 
inundações e enchentes. 
3. O sistema de tratamento de efluentes pode ser convencional 
ou avançado. Apresente um exemplo de tecnologia utilizada 
no tratamento avançado e explique em que situação ela é 
recomendada.
Resolução das atividades 115
Um exemplo de tecnologia de tratamento avançado de efluentes 
são as membranas filtrantes (nano, ultra, micro, osmose reversa) e 
sua utilização é recomendada para remover material particulado 
(sólidos dissolvidos) e microrganismos. Também existem outros 
exemplos, como carvão ativado, coluna de troca iônica, flotação, air 
stripping, centrifugação, precipitação e oxidação química. A escolha 
da tecnologia dependerá da qualidade da efluente e do nível de 
qualidade pretendida após o tratamento.
5 Resíduos sólidos
1. A logística reversa é uma importante estratégia de gestão sustentável 
de resíduos sólidos, prevista na legislação brasileira. Explique o 
conceito de logística reversa dentro desse contexto e apresente um 
exemplo de resíduo que deve passar por esse processo. 
A logística reversa é uma estratégia de valoração de resíduos sólidos 
que seriam destinados a aterros sanitários. O objetivo é viabilizar a 
reinserção desses resíduos, total ou parcialmente, nos processos 
produtivos, por meio de reciclagem, reutilização e recuperação 
de materiais, envolvendo todas as etapas da cadeia produtiva 
(fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes). A legislação 
brasileira determina a obrigatoriedade de alguns resíduos serem 
submetidos à logística reversa. Alguns exemplos são: embalagens de 
agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas 
fluorescentes, produtos eletrônicos.
2. Considere que uma indústria produz mensalmente diferentes 
quantidades dos seguintes tipos de resíduos sólidos: i) plástico; 
ii) lodo biológico do tratamento de efluentes; iii) restos de alimentos; 
iv) material de higiene pessoal (descarte de papel higiênico e papel 
toalha); v) material biológico gerado na unidade de atendimento 
médico da planta industrial. Analise essas informações e enquadre 
os resíduos gerados por essa empresa com base na classificação 
de periculosidade definida pela legislação brasileira.
A legislação brasileira classifica os resíduos sólidos em três categorias, 
segundo seu grau de periculosidade: i) perigosos (inflamabilidade, 
corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade); ii) não 
perigosos e não inertes (biodegradabilidade, combustibilidade, 
solubilidade em água); iii) não perigosos e inertes (ausência das 
propriedades dos resíduos não perigosos e não inertes). Com base 
nessas informações, os resíduos sólidos produzidos pela empresa 
podem ser enquadrados como:
116 Saneamento e saúde ambiental
i) plásticos - não perigosos e inertes (classe II-B);
ii) lodo biológico do tratamento de efluentes - não perigoso e não 
inerte (classe II-A);
iii) restos de alimentos - não perigosos e não inertes (classe II-A);
iv) material de higiene pessoal (descarte de papel higiênico e papel 
toalha) - não perigosos e não inertes (classe II-A);
v) material biológico gerado na unidade de atendimento médico da 
planta industrial - perigoso (classe I).
3. Segundo a legislação brasileira, algumas atividades devem 
obrigatoriamente elaborar um plano de gerenciamento de resíduos 
sólidos. Apresente dois exemplos de atividades que se enquadram 
nessa situação e explique qual é a importância dessa medida.
A legislação brasileira estabelece a obrigatoriedade de elaboração 
do plano de gerenciamento de resíduos sólidos para as seguintes 
atividades: serviços de saneamento básico; indústrias; serviços de 
saúde; mineração; estabelecimentos comerciais de grande porte; 
construção civil; serviços de transporte; e atividades agrossilvopastoris. 
O plano de gerenciamento envolve as etapas de coleta, transporte, 
tratamento e destinação final dos resíduos sólidos, por isso é uma 
importante estratégia de gestão sustentável desses materiais, que 
resulta em benefícios ambientais, sociais e econômicos.
4. Apresente dois exemplos de tipos diferentes de resíduos sólidos 
e indique as tecnologias de tratamento correspondentes mais 
adequadas para cada caso.
Segundo a legislação brasileira, os resíduos podem ser classificados 
em: domiciliares, urbanos, de limpeza urbana, de estabelecimentos 
comerciais, de serviços de saneamento básico, industriais, de serviços 
de saúde, de construção civil, agrossilvopastoris, de serviços de 
transporte, de mineração. A tecnologia de tratamento mais adequada 
depende do tipo de resíduo. Por exemplo: compostagem para 
resíduos domiciliares; reciclagem para resíduos comerciais; processos 
físico-químicos para resíduos industriais; incineração e pirólise para 
resíduos domiciliares e de limpeza urbana; autoclave para resíduos 
dos serviços de saúde.
Resolução das atividades 117
ISBN 978-65-5821-151-8
9 786558 211518
Código Logístico
I000643
SANEAMENTOSANEAMENTO
SAÚDEe
AMBIENTAL
SANEAMENTOSANEAMENTO
e SAÚDE
AMBIENTALAMBIENTAL
Patricia Bilotta
SAÚDE
Patricia Bilotta
e
AMBIENTAL
SAÚDE
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SAÚDEe
AMBIENTAL
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SAÚDEAMBIENTAL
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
SANEAM
ENTO
eeee
Patricia Bilotta
Patricia Bilotta
Patricia Bilotta
SAÚDEAMBIENTAL
SAÚDEAMBIENTAL
SAÚDEAMBIENTAL

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