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Unidade Curricular Nutrição, Saúde e Doença nas Fases da Vida Prof. Dr. Francisco Stefani Amaro Conceituação das Fases do Ciclo da Vida Desenvolvimento Humano A noção de desenvolvimento está atrelada a um contínuo de evolução, em que nós caminharíamos ao longo de todo o ciclo vital. Essa evolução, nem sempre linear, se dá em diversos campos da existência, tais como afetivo, cognitivo, social e motor. Este caminhar contínuo não é determinado apenas por processos de maturação biológicos ou genéticos. O meio (e por meio entenda-se algo muito amplo, que envolve cultura, sociedade, práticas e interações) é fator de máxima importância no desenvolvimento humano. Ciclo Vital De todos os períodos do ciclo vital o grupo materno-infantil é o que mais se destaca devido, principalmente, à vulnerabilidade biológica e condições socioeconômicas precárias. (até 2 anos) (2 a 6 anos) Gestante O período gestacional é composto de 40/41 semanas • 1º trimestre (até a 13ª semana de gestação) - primeiros 3 meses • 2º trimestre (da 14ª a 26ª semana gestacional) - 4º ao 6 mês • 3º trimestre (a partir da 26ª semana) - 7º ao 9º mês • Alguns fatores são determinantes para o crescimento e desenvolvimento normais do feto e uma gravidez saudável, tais como: ganho adequado de peso, satisfatória ingestão de nutrientes e energia, fator emocional e o estilo de vida. • A gravidez é acompanhada de alterações fisiológicas que visam regular o metabolismo materno, promover o crescimento fetal e preparar a mãe para o momento da lactação, tendo a nutrição um papel crucial neste processo. Gestante https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_f eliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Cader neta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf Conceituação de Mortalidade Mortalidade Materna Considerado um importante indicador de saúde por representar a saúde materna, mas também da população como um todo. Definida como a morte de uma mulher durante a gestação ou no período de 42 dias após o término da gravidez, devido a qualquer causa relacionada com, ou agravada, pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais. No Brasil, em 2020, a razão de mortalidade materna foi de 72 mortes; saltando para 113 mortes, em 2021; e caindo para 49 mortes, em 2022. A mortalidade materna atinge muito mais as mulheres pretas ou pardas do que as brancas. O aborto inseguro continua sendo uma das principais causas de mortalidade materna. • Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a meta é reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 por 100 mil nascidos vivos. • OMS estipulou como meta - 30 mortes a cada 100 mil nascimentos para o Brasil até 2030. RASEAM 2024 - RELATÓRIO ANUAL SOCIOECONÔMICO DA MULHER Conceituação de Mortalidade RASEAM 2024 - RELATÓRIO ANUAL SOCIOECONÔMICO DA MULHER Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 1) Características individuais e condições socioeconômicas desfavoráveis 2) História reprodutiva anterior 3) Condições clínicas preexistentes 4) Exposição indevida ou acidental a fatores teratogênicos durante a gestação 5) Doença obstétrica na gestação atual 6) Intercorrências clínicas durante a gestação • Idade 35 anos • Altura 75kg • IMC 30kg/m² • Anormalidades nos órgãos reprodutivos • Situação conjugal insegura • Conflitos familiares • Baixa escolaridade materna e paterna • Condições ambientais desfavoráveis • Dependência de drogas lícitas ou ilícitas • Exposição a riscos ocupacionais Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 1) Características individuais e condições socioeconômicas desfavoráveis • Abortamento • Morte perinatal explicada e inexplicada • História de recém-nascido com restrição de crescimento ou malformado • Parto pré-termo (prematuro) anterior • Intervalo interpartal 6 anos • Nuliparidade e grande multiparidade • Síndromes hemorrágicas • Síndromes hipertensivas da gestação • Diabetes gestacional • Cirurgia uterina anterior Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 2) História reprodutiva anterior • Hipertensão arterial • Cardiopatias • Pneumopatias • Nefropatias • Endocrinopatias • Hemopatias • Epilepsia • Doenças infecciosas • Doenças autoimunes • Ginecopatias • Neoplasias Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 3) Condições clínicas preexistentes • Medicamentos: Ex.: Talidomida, anticoagulantes, antifúngicos, isotretinoína (Roacutan). • Doenças Maternas: Diabetes, epilepsia, hipotireoidismo, tuberculose, depressão, HIV. • Infecções Congênitas: Ex.: Sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus. • Radiações. • Substâncias químicas: Mercúrio, chumbo. • Outras Drogas: Álcool, fumo, cocaína, crack,.... Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 4) Exposição indevida ou acidental a fatores teratogênicos durante a gestação • Desvio quanto ao crescimento uterino • Número de fetos • Volume de líquido amniótico • Trabalho de parto prematuro • Gravidez prolongada • Ganho ponderal inadequado • Pré-eclampsia e eclâmpsia • Diabetes gestacional • Hemorragias da gestação • Óbito fetal Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 5) Doença obstétrica na gestação atual • Doenças infecto-contagiosas durante a gestação: Infecção do trato urinário, doenças do trato respiratório, rubéola, toxoplasmose... • Doenças diagnosticadas pela primeira vez na presente gestação: Cardiopatias, endocronopatias... https://www.youtube.com/watch?v=oWjbxH8iV64&t=6s Fatores de Risco Relacionados ao Resultado Obstétrico Indesejável 6) Intercorrências clínicas durante a gestação Mamíferos Nutrizes ou Lactantes • O Aleitamento Materno ou Lactação é um processo complementar à gestação, com impacto na saúde do lactente. • A lactação é uma fase de alta demanda energética do período reprodutivo humano, sendo as necessidades maiores do que da gestação, uma vez que em 4 meses, após o nascimento, o lactente dobra seu pessoa ao nascer. • As necessidades nutricionais durante a lactação dependem do estado nutricional materno, necessitando de mais proteínas, vitaminas e minerais. A ingestão inadequada de nutrientes pode impactar a produção de LM e influenciar no ganho de peso do bebê. Agosto Dourado O mês de agosto é conhecido como Agosto Dourado por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação – a cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. “ A lactação é a fase final do ciclo reprodutivo nos mamíferos e, em quase todas as espécies, o leite materno é essencial para a sobrevivênciadurante o início da vida extrauterina.” Amamentação https://www.gov.br/saude/pt- br/assuntos/noticias/2024/agosto/ministerio- da-saude-lanca-campanha-de-amamentacao- com-foco-na-reducao-de-desigualdades Ministério da Saúde lançou a Campanha da Semana Mundial da Amamentação 2024. Com o tema "Amamentação, apoie em todas as situações" • Lactentes = crianças de 0 a 2 ano de idade. • Perdem peso (5 a 10%) durante os primeiros dias e recuperam ao redor do 7º ao 10º dias de vida. • Dobram de peso ao redor de 4 a 6 meses e triplicam em torno de 1 ano. • Existem variações dependendo do perfil de ganho de peso da criança. • Aumentam a estatura em torno de 50% no 1º ano e dobram até os 4 anos. • A gordura corporal até os 9 meses e depois pelo resto da infância. • A água corporal no 1º ano. Lactantes Conceituação de Mortalidade Morte infantil neonatal é causada principalmente pela assistência à saúde, ou melhor, por sua ausência ou por um cuidado mal prestado à mãe e ao bebê durante à gestação e no parto. Já o componente pós- neonatal reflete, principalmente, as condições de vida do bebê, incluindo alimentação adequada, acesso à água potável, a condições de moradia. Conceituação de Mortalidade A mortalidade infantil é afetada pelas condições de vida, pela qualidade da assistência ao parto, bem como a assistência ao recém-nascido e aos problemas comuns aos primeiros 12 meses de vida. • Amamentação é o único fator que, isoladamente, pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis Foram registradas 20,2 mil mortes, o menor número de uma série histórica desde 1996. À época, o total de óbitos contabilizado foi de 53,1 mil, portanto 62% a mais que no ano atual. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/marco/mortalidade-infantil-e-fetal-por-causas-evitaveis-no-brasil-e-a-menor-em-28-anos Os primeiros 1100 dias EVENTOS IMPORTANTES DOS PRIMEIROS 1100 DIAS GESTAÇÃO Tanto a alimentação quanto o estilo de vida da gestante interferem diretamente no crescimento e no desenvolvimento fetal não só ao nascer, mas também na vida adulta PRÉ-NATAL O impacto do acompanhamento pré-natal vai além da gestação. Por isso, a triagem está se tornando cada vez mais detalhada PARTO O parto ideal é aquele mais seguro para a mãe e para o bebê, de acordo com o contexto. No entanto, atualmente observamos uma “epidemia” de cesáreas no Brasil, que tem a segunda maior taxa de partos cirúrgicos do mundo AMAMENTAÇÃO A OMS recomenda o aleitamento materno até 2 anos, sendo exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Entre as vantagens, estão o vínculo e a proteção contra infecções, diabetes e obesidade MARCO DO DESENVOLVIMENTO No primeiro ano, espera-se que o bebê aprenda a sentar, a engatinhar e a dar os primeiros passos (entre 12 e 18 meses). Já no segundo, ele aprende a correr, a falar seu nome e a nomear alguns objetos SONO Até os seis meses, os padrões de sono-vigília dos bebês são mais curtos; por isso, eles tendem a acordar com frequência. Mas, de modo geral, eles só dormem a noite inteira por volta dos 2 anos. Criar um ritual do sono é a melhor maneira de ensinar o pequeno a dormir INTRODUÇÃO ALIMENTAR O bebê pode comer alimentos sólidos a partir do sexto mês, quando já é capaz de sentar com apoio e digerir melhor. A experimentação nessa fase é crucial para a formação do paladar BRINCAR É o melhor estímulo que um bebê pode receber, pois assim ele desenvolve os sentidos, a criatividade e a socialização PERÍODO PRÉ-CONCEPÇÃO Uma mulher saudável no momento da gravidez tem mais probabilidade de ter uma gravidez bem-sucedida e um filho saudável Crianças????? Constitui um grupo extremamente vulnerável do ponto de vista nutricional, já que apresenta elevada velocidade de crescimento, principalmente os lactentes. Pré-escolares caracterizam-se por um declínio na velocidade de crescimento, acompanhado pela redução do apetite e de menor necessidade de nutrientes. Crianças Fase escolar tem como característica o aumento do tecido adiposo (repleção energética - preparo para o estirão de crescimento). Ocorre aumento da ingestão alimentar e maior independência, manifestando seus gostos e preferências. Adolescência A adolescência (10 aos 19 anos) é marcada por intensas modificações físicas, psíquicas, comportamentais e sociais que podem influenciar o estado nutricional. Após o nascimento é o único momento em que o ser humano apresenta aceleração na velocidade de crescimento estatural e no ganho de peso. Nos demais casos, mesmo com crescimento intenso, há desaceleração dessa velocidade. Entre as alterações biológicas, destaca-se o estirão de crescimento, maturação sexual e modificações na composição corporal. Os adolescentes ganham cerca de 20% de altura e 50% do peso corpóreo e massa óssea de um indivíduo no início de sua vida adulta. Adolescência Comparando os sexos, as meninas iniciam o desenvolvimento púbere 2 anos antes dos meninos. A fase do pico de crescimento é dependente da fase de maturação sexual. Critérios de Tanner: desenvolvimento puberal Adolescência Adulto • OMS: ≥ 20 anos e LEI Nº 14.423, DE 22 DE JULHO DE 2022 Direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Obrigações ou deveres para a família do idoso, a comunidade e o Estado, no que se refere a garantir direitos dos idosos. Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade: Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. § 1º Na mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa, por qualquer motivo. “Você não tem mais idade para usar/fazer isso!” “Tá querendo parecer mocinha/garotão.” “Ele (a) não entende dessas coisas, pois já está velho (a).” “Você deve ter sido muito bonito (a).” “Você é muito bonita (o) para sua idade.” “Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem?” ETARISMO EPIDEMIOLOGIA E CICLOS DA VIDA Dados Demográficos Dados Demográficos https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/ Quanto anos você terá daqui 36 anos? Pirâmide Etária Transição demográfica Redução fecundidade Redução das taxas de mortalidade Melhoras condições de vida Expectativa de Vida IBGE, 2022 Projeção expectativa de vida em 2060: 83,91 anos Idoso Podemos destacar as seguintes alterações no envelhecimento que podem influenciar o estado nutricional Alterações na composição corporal (Ex.: diminuição da massa magra) Diminuição do metabolismo basal Diminuição da acuidade dos órgãos dos sentidos (Ex.: redução do paladar) Alterações na cavidade oral (Ex.: perda ou ausência de dentes) Alterações esofágicas (Ex.: disfagia,alterando a deglutição) Alterações gástricas (Ex.: atrofia da mucosa, reduzindo absorção de B12) Alterações intestinais (Ex.: redução da absorção de nutrientes) Idoso Podemos destacar as seguintes alterações no envelhecimento que podem influenciar o estado nutricional Redução da atividade física (Ex.: alterações neurológicas, limitações físicas) Alterações no apetite (Ex.: redução do paladar, olfato, visão) Envelhecimento do sistema imune (Ex.: maior suscetibilidade a infecções) Maior risco de patologias (Ex.: surgimento de doenças crônicas) Fatores sociais (Ex.: redução da socialização Fatores econômicos (Ex.: baixo poder aquisitivo) Fatores culturais (Ex.: crenças que podem prejudicar o cuidado da saúde) 5ªed 2018 1 a 2,5 cm por década, a partir dos 40 anos As escolhas que fazemos ao longo da vida podem interferir no nosso ciclo da vida? Qual é a influência da nutrição nesse processo? QUAL O PAPEL DA NUTRIÇÃO NAS FASES DA VIDA?