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Serviço Social e Saneamento

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1 
Eixo temático: Política Social e Serviço Social 
O SERVIÇO SOCIAL NA POLÍTICA DE SANEAMENTO: UMA 
EXPERIÊNCIA NA COMPANHIA PÚBLICA DE SANEAMENTO 
DE PERNAMBUCO 
Viviane da Silva Souza1 
 
Resumo: O trabalho tem o propósito de evidenciar a 
atuação do/a assistente social na realidade de uma 
Companhia Pública de Saneamento do estado de 
Pernambuco, parte das determinações contemporâneas 
das políticas e serviços públicos, integradas com a 
experiência teórico-prática profissional, voltada para 
garantia do acesso ao saneamento na perspectiva do 
direito à cidade. 
Palavras-chave: Serviço Social;Política de Saneamento 
Básico; Direito à cidade. 
Resumo: El trabajo tiene como propósito evidenciar la 
actuación del/de la trabajador/a social en la realidad de 
una Compañía Pública de Saneamiento del estado de 
Pernambuco, como parte de las determinaciones 
contemporáneas de las políticas y servicios públicos, 
integradas con la experiencia teórico-práctica profesional, 
orientada a garantizar el acceso al saneamiento desde la 
perspectiva del derecho a la ciudad. 
Palabras claves: Trabajo Social. Política de 
saneamiento básico. Derecho a la ciudad. 
 
INTRODUÇÃO 
Este trabalho tem o propósito de evidenciar a atuação do exercício profissional 
do/a assistente social na realidade de uma Companhia Pública de Saneamento do 
estado de Pernambuco (Compesa). Para tanto, parte da compreensão das 
 
1
 viviane.silvas@ufpe.br. Universidade Federal de Pernambuco e Companhia Pernambucana 
de Saneamento. 
 
2 
configurações e determinações contemporâneas nas políticas e serviços públicos, 
assim como na prática profissional voltada para o atendimento às expressões da 
questão social. Desse modo, considera as dimensões teórico-metodológicas e ético-
políticas da atuação do/a assistente social no acesso ao direito à água potável e 
saneamento básico, em uma realidade do Nordeste brasileiro, identificando os 
desafios da contemporaneidade, em consonância com o projeto ético-político do 
Serviço Social. 
Como método de análise e exposição, partimos da teoria social crítica, na 
perspectiva da totalidade social, suas determinações e mediações necessárias para a 
compreensão da realidade social identificada, em favor da transformação social e 
defesa dos direitos sociais da classe trabalhadora e da população mais 
subalternizada. Para as aproximações com a realidade social e seus fundamentos, 
utilizamos bibliografias, artigos, dados secundários e observações diretas da 
experiência da atuação profissional na política de saneamento no estado de 
Pernambuco. 
NOTAS SOBRE A POLÍTICA DE SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL 
 
Partindo do conhecimento e análise da atuação do trabalho do Serviço Social 
na política de saneamento no Brasil, é importante entendermos os processos sócio-
históricos, políticos e econômicos que determinam a condução da política de 
saneamento, assim como a responsabilidade do Estado em atender, na perspectiva do 
direito social, as necessidades da classe trabalhadora. 
No que se trata da importância da política de saneamento para o 
desenvolvimento das cidades, para a sobrevivência humana e a reprodução da força 
de trabalho, há diversos estudos e pesquisas que evidenciam que a presença ou a 
ausência dos serviços de saneamento básico impacta diretamente nas condições de 
vida e de moradia da população, por haver uma relação intrínseca entre saneamento, 
saúde e conservação do meio ambiente. A exemplo das pesquisas apresentadas pelo 
Trata Brasil, Instituto Água e Saneamento (IAS), Fundação Nacional da Saúde 
(FUNASA), entre outros. 
 
3 
O saneamento básico, definido pelo aparato jurídico-legal2 como um conjunto 
de serviços, infraestruturas e instalações operacionais para o abastecimento de água 
potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos, e 
drenagem das águas pluviais, é, sem dúvida, um serviço essencial para o acesso 
democrático às cidades, na viabilização do acesso igualitário, integral, justo e de 
qualidade, em outras palavras, garantindo o direito à cidade para todos/as. 
No entanto, quando passamos a analisar o desenvolvimento do saneamento na 
particularidade da formação social brasileira, identificamos questões ideopolíticas, 
econômicas e sociais que determinam os avanços e/ou retrocessos da política e seus 
serviços públicos no país, assim como os impactos diretos para a classe trabalhadora 
e população mais subalternizada. 
Nesse contexto, identificar os marcos jurídicos-legais que explicitam as 
estratégias tomadas pelo Estado na condução do saneamento enquanto política 
pública de desenvolvimento urbano mostra-se necessário para compreender os 
desafios postos nos processos de universalização do acesso à água potável e ao 
saneamento. 
O primeiro plano de saneamento do Brasil (PLANASA) foi criado em 1970, em 
pleno regime ditatorial-empresarial, com a intenção de centralizar os projetos e 
investimentos no Banco Nacional de Habitação (BNH). No entanto, para acessar os 
financiamentos, os estados nacionais tiveram que criar e/ou reestruturar as 
Companhias Públicas de Saneamento Básico (CESBs) (Rezende; Heller, 2002). O 
PLANASA tinha como centralidade atender às necessidades econômicas do processo 
de industrialização do país e urbanização dos centros das cidades. 
No contexto do processo de redemocratização do país, com a promulgação da 
Constituição Federal do Brasil de 1988, o saneamento passou a ser referenciado nos 
seus artigos, trazendo assim a dimensão do dever público e a perspectiva do direito 
social no campo do desenvolvimento urbano e promoção da saúde. Como descrito no 
artigo 21, compete à União: inciso XX, “instituir diretrizes para o desenvolvimento 
urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos”; no artigo 23, 
nas competências da União, dos Estados, Distrito Federal e dos Municípios: inciso IX 
 
2
 Lei nº 11.445/2007, atualizada pela Lei nº 14.026/2020, que constitui o Marco Legal do 
Saneamento. 
 
4 
“promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições 
habitacionais e de saneamento básico”; e no Artigo 200, ao Sistema Único de Saúde 
compete: inciso IV, “participar da formulação da política e da execução das ações de 
saneamento básico” (Brasil, 1988). 
Todavia, somente em 2007, a Lei nº 11.445 do saneamento básico foi instituída 
no país, apresentando as diretrizes nacionais e as responsabilidades de estados e 
municípios, trazendo questões importantes como os princípios de universalização do 
acesso, controle social, necessidade de articulação com outras políticas sociais, 
dotação de subsídios para áreas e população considerada de baixa renda, destacando 
a titularidade dos serviços aos municípios e ao Distrito Federal, as ações de fomento, 
regulação dos serviços, dentre outros. 
Um marco importante também para o saneamento foi a aprovação, em 2010, 
pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da resolução de nº 64/292, 
reconhecendo o acesso à água potável e ao saneamento básico como um direito 
humano essencial e universal, sendo o Brasil seu signatário. Em 2015, a ONU, na 
Agenda 2030, traz nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS 6, no total de 
17, a ‘água potável e saneamento’, com metas que os países devem atingir para 
“garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento 
para todos” (ONU, 2025)3. 
No Brasil, em 2013, foi aprovado o Plano Nacional de Saneamento Básico 
(PLANSAB), Decreto de nº 8.141/2013, com parâmetro de 20 anos (2014 a 2033), 
devendo ser avaliado a cada um ano e revisado a cada quatro anos4. Com o objetivo 
de ser um instrumento estratégico de condução da política por meio da criação de 
programas, ações, medidas e necessidades de investimentos, utilizando dados e 
indicadores do saneamento,e o chamamento da participação dos sujeitos envolvidos 
na política, sendo considerado, na época, um importante avanço. 
 Contudo, no ano de 2020, em plena crise sanitária mundial, com a pandemia 
da Covid-19, é sancionado o novo marco regulatório do saneamento, Lei de nº 
14.026/2020, trazendo mudanças jurídicos-legais que favorecem a entrada de 
empresas privadas na gestão e execução dos serviços públicos, com destaque para o 
 
3
 Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/6. Acesso em 01/08/25. 
4
 No entanto, o prazo de revisão, desde o governo de Bolsonaro, não vem sendo atendido, 
atualmente encontra-se em processo de revisão conforme o Ministério das Cidades. 
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/6
 
5 
abastecimento de água e esgotamento sanitário, como a livre concorrência entre os 
setores públicos e privados, a regionalização monopólica privada dos serviços, 
mudanças na regulação que passa a ser de responsabilidade da ANA5, assim como a 
necessidade de atendimento das metas de universalização dos serviços no Brasil em 
até 2033, devendo atingir 99% da população com acesso à água potável e 90% da 
população com coleta e tratamento de esgoto. 
Frente a essa realidade, desde 2020, vem se expandindo o quantitativo de 
empresas de capital privado na prestação dos serviços de água e esgoto no país6, em 
todas as regiões, por meio das parcerias público-privadas (PPP) e/ou concessões 
parciais e totais dos serviços, trazendo uma lógica mercantilizada na condução da 
política e dos serviços públicos, e, consequentemente, novos desafios no atendimento 
às reais necessidades da classe trabalhadora e da população mais subalternizada. 
 
BREVE HISTÓRICO DA COMPESA E O CENÁRIO DO SANEAMENTO NO ESTADO 
DE PE 
O trabalho do Serviço Social na política de saneamento básico se mostra 
emergente no Brasil, frente aos avanços, sobretudo, de estruturação das instituições 
públicas ao longo da história do saneamento, com as criações das companhias 
públicas, autarquias e, mais recentemente, o crescimento de empresas privadas na 
gestão e prestação dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto. 
Na realidade do Nordeste, temos a experiência da Companhia Pernambucana 
de Saneamento (Compesa), criada em 1971, a partir do Plano Nacional de 
Saneamento (PLANASA), em pleno governo ditatorial-empresarial, com a finalidade de 
prestar os serviços de captação e distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto 
aos municípios do estado de Pernambuco. 
Na década de 70 e meados dos anos 80, os investimentos em saneamento 
foram significativos para a política: “como o PLANASA tinha metas ousadas de 
 
5
 Passou a ser denominada de Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, antes do 
novo marco regulatório era intitulada como Agência Nacional de Água. 
6
 De 2020 até meados de 2024, já foram realizados 57 leilões em 20 estados do país, entre as 
privatizações pioneiras, destacam-se os casos do Rio de Janeiro (CEDAE), Alagoas (CASAL) e 
Amapá (Caesa), além dos leilões mais recentes, como os de São Paulo (Sabesp) e Sergipe 
(DESO) (ABCON SINDCON, 2021). Disponível em: https://abconsindcon.com.br/panorama/o-
futuro-do-saneamento/. Acesso em 20/05/25. 
 
https://abconsindcon.com.br/panorama/o-futuro-do-saneamento/
https://abconsindcon.com.br/panorama/o-futuro-do-saneamento/
 
6 
universalização dos serviços de água e de esgotos, na década de 70 não faltavam 
verbas para a realização de investimentos que beneficiassem a população dos 
municípios mais carentes de saneamento básico” (Compesa, 2022, p. 63). Situação 
que não perdurou, por exemplo, na década de 90, marcada pelos baixos investimentos 
e estagnação da política no país. 
 No estado de PE, o processo de estruturação da companhia pública se deu 
pela extinção do Departamento de Saneamento do Recife (Saner), o Departamento de 
Saneamento do estado de PE (Sanepe) e o Fundo de Desenvolvimento de PE 
(Fundespe), que foram incorporados à Compesa, tornando-se assim a única empresa 
pública responsável pelos serviços de água e tratamento de esgoto. Sendo organizada 
juridicamente como uma sociedade anônima de economia mista, de utilidade pública, 
vinculada ao governo do estado, especificamente integrada à Secretaria de 
Desenvolvimento Econômico. 
Na atualidade, está estruturada como uma organização de direito privado, 
tendo o maior acionista o governo de PE, e integra a Secretaria de Recursos Hídricos 
e Saneamento, juntamente com a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC), 
atuando em 172 municípios, mais o Arquipélago Fernando de Noronha, atendendo 
mais de 6 milhões de pessoas com os serviços de água e 1,8 milhões de pessoas com 
os serviços de esgotamento sanitário (Compesa, 2025). É importante considerar que o 
estado de PE possui questões históricas, políticas, ambientais e socioeconômicas que 
determinam as condições de acesso aos serviços de água e saneamento, tanto na 
Região Metropolitana do Recife (RMR), quanto nas regiões da zona da Mata, Agreste 
e Sertão. 
Dados e indicadores de saneamento do Nordeste e Pernambuco revelam as 
necessidades de ampliação de investimentos e obras estruturadoras públicas de 
saneamento, que devem melhorar a cobertura dos serviços e seu acesso integral nos 
territórios, nas áreas urbanas e rurais, considerando suas especificidades, sobretudo, 
em áreas periféricas, de morros, de risco social, comunidades rurais, quilombolas e 
indígenas. 
O Nordeste apresenta a maior concentração de moradias sem acesso à água 
potável e ao saneamento, totalizando mais de 7 milhões de moradias (Trata Brasil, 
 
7 
2023)7. Em PE, 86,65% da população tem acesso ao abastecimento de água e 
somente 34,20% da população tem acesso aos serviços de esgotamento sanitário 
(SNIS, 2023). No que se refere às comunidades rurais, o estado apresenta 7 mil 
comunidades rurais, 1,5 milhões de pessoas, com ausência ou precariedade no 
acesso à água potável e aos serviços de saneamento (PROSAR-PE8, 2023). O estado 
de PE também apresenta a menor disponibilidade hídrica per capita9 do país — menor 
quantidade de água por habitante/ano —, sendo o 4º estado com menor rendimento 
per capita do Brasil, R$ 1.010 (PNAD10, 2022), evidenciando uma realidade social 
marcada historicamente pela desigualdade social e pelo acesso deficitário aos 
serviços de saneamento. 
Desse modo, dados e indicadores demonstramas necessidades de 
universalização do acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto, situam-se 
principalmente nos territórios periféricos e áreas rurais, na população de baixa renda, 
com baixa instrução escolar, autodeclaradas pardas, sendo as mulheres as mais 
impactadas pela ausência ou insuficiência dos serviços (IBGE, 2024; SNIS, 2023). O 
que reforça a importância da ampliação e investimento na política de saneamento 
enquanto serviço público, dotado de direito social na região, visando atender às reais 
necessidades da classe trabalhadora. 
 
A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA COMPESA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA 
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL 
A partir do século XXI, a Compesa inicia as primeiras ações sociais 
direcionadas à população usuária, integradas às necessidades de água e esgoto. As 
iniciativas embrionárias foram vinculadas à Assessoria de Comunicação e 
 
7
 Disponível: https://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Estudo-ITB-Release_A-vida-
sem-saneamento-para-quem-falta-e-onde-mora-essa-populacao.pdf. Acesso em 10 fev. 25. 
8
 Programa de Saneamento Rural de Pernambuco. Disponível em: 
https://srhs.pe.gov.br/programas-acoes/saneamento-rural. Acesso em: 14 maio 25. 
9
 De acordo com pesquisa realizada pelo Tribunal de Contas de Pernambuco em 2017, ficando 
3,5% da média nacional. 
10 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/PNAD. 
https://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Estudo-ITB-Release_A-vida-sem-saneamento-para-quem-falta-e-onde-mora-essa-populacao.pdfhttps://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Estudo-ITB-Release_A-vida-sem-saneamento-para-quem-falta-e-onde-mora-essa-populacao.pdf
https://srhs.pe.gov.br/programas-acoes/saneamento-rural
 
8 
Responsabilidade Social da Diretoria da Presidência (DPR), para atender algumas 
demandas das lideranças comunitárias de bairros11. 
Em meados de 2009, cria-se uma Assessoria Social com o intuito de 
desenvolver uma linha específica de trabalho social na Companhia. Todavia, foi em 
2011, com a Assessoria de Responsabilidade Social (ARS), integrada à Presidência, 
que se consolidou o trabalho social na prestação dos serviços de água e esgoto. O 
marco foi a contratação, via concurso público, de mais de dez assistentes sociais para 
compor o setor no período de 2011 a 2016. Uma parte foi alocada para o 
desenvolvimento do trabalho social nas gerências operacionais de água e esgoto, 
especificamente nos Núcleos Sociais, da RMR e interior, como nos municípios de 
Petrolina, Caruaru e Vitória. Nesse período, a área foi denominada Assessoria de 
Responsabilidade Social e Núcleos de Responsabilidade Social, posteriormente como 
Assessoria de Articulação Socioambiental e Núcleos de Articulação Socioambiental, 
integrada à Diretoria de Articulação e Meio Ambiente e Diretorias da Metropolitana e 
Interior. Na época, os/as assistentes sociais passaram a implantar o trabalho social 
descentralizado nos territórios de atuação das respectivas gerências de lotação. 
Contudo, em 2018, a área social se reestrutura, pela primeira vez, em Gerência 
de Mobilização Social12 (GMS) e, respectivamente, Núcleos de Mobilização Social, 
mas, passados dois anos, o setor torna-se Coordenação de Mobilização Social (CMS). 
Em 2023, com uma nova reestruturação organizacional da Companhia, a área social 
retoma o título de Gerência de Mobilização Social, sendo incorporada à Diretoria de 
Engenharia e Sustentabilidade (DES). 
Desse modo, em 54 anos de Compesa, o trabalho social direcionado à 
população usuária tem aproximadamente 16 anos de história, marcada 
majoritariamente pelo trabalho de assistentes sociais, concursadas e terceirizadas, na 
gestão e execução de projetos, programas e ações sociais, tanto nas obras de 
ampliação e/ou melhoria, quanto diretamente na prestação contínua dos serviços de 
água e esgoto no estado. 
 
11
 Como representantes da Associação dos Moradores, Conselhos de Moradores, grupos 
comunitários e outros. 
12
 Setor responsável pela gestão do trabalho social em serviços e obras, com destaque para o 
trabalho social financiado pelos bancos, como Caixa Econômica, Banco Mundial e outros. 
 
9 
É importante destacar, que o avanço da atuação do/a assistente social no 
saneamento, na realidade da Compesa, foi se desenvolvendo em conformidade com o 
aparato jurídico-legal da política de saneamento no Brasil, a exemplo das diretrizes e 
portarias do Ministério das Cidades para o desenvolvimento de trabalho social em 
obras, empreendimentos financiados. Além disso, pela necessidade crescente de 
atender às demandas da população usuária, provenientes das lutas e movimentos 
sociais da classe trabalhadora em favor do direito à cidade, à moradia digna, à 
habitação, da melhoria das condições de vida e de saúde, como o acesso universal 
aos serviços de saneamento, independentemente da situação socioeconômica, raça e 
etnia. 
A história da atuação do/a assistente social foi marcada por constantes 
mudanças internas, ocasionadas pelas políticas de gestão estratégica da Companhia, 
com reestruturações internas e descontinuidades de trabalhos sociais. Tais mudanças 
não são deslocadas do cenário de desmonte das políticas e serviços públicos na 
dinâmica do capitalismo contemporâneo, que traz desafios e impactos no exercício 
profissional do/a assistente social, nas relações e condições de trabalho, assim como 
nas suas competências e atribuições profissionais, podendo inflexionar o conteúdo do 
trabalho e a direção social da profissão. 
Diante deste cenário, temos a experiência da atuação do/a assistente social da 
Compesa na Gerência de Negócios Metropolitana Oeste (GNM Oeste),13 
especificamente no Núcleo de Mobilização Social Oeste (NMS Oeste),14 onde o/a 
profissional de Serviço Social é demandado, sobretudo, para atender às necessidades 
de acesso da população usuária aos serviços de abastecimento de água, prestados 
nos territórios de abrangência da gerência. Visto que esses territórios apresentam 
necessidades históricas de ampliação dos serviços de água, sobretudo nas áreas 
periféricas, de morros e risco social. 
 
13
 Vinculada à Diretoria Regional Metropolitana (DRM) da Compesa, responsável pelos 
serviços de distribuição de água nos municípios de Recife (área Oeste), Jaboatão dos 
Guararapes (parte), Camaragibe, São Lourenço da Mata, Moreno e Bonança. A Compesa 
possui 19 gerências operacionais dos serviços de água e/ou esgotamento sanitário, 
descentralizadas por todo o estado de Pernambuco. 
14
 O NMS Oeste é parte de um conjunto de Núcleos de Mobilização Social localizados em 
vários territórios da RMR e áreas rurais, totalizando 13. Os NMS também são referenciados 
pela Gerência de Mobilização Social (GMS), vinculada atualmente à Diretoria de Engenharia e 
Sustentabilidade (DES). 
 
10 
Realidade que evidencia demandas e necessidades de atuação constante do/a 
assistente social no atendimento à população usuária mais impactada, tanto pela 
insuficiência da cobertura dos serviços, quanto pela intermitência do acesso à água 
potável nos bairros e comunidades. Sendo as mulheres negras as mais afetadas, pela 
sua responsabilidade, ainda predominante, no cuidado com os afazeres domésticos e 
manuseio da água para a sua reprodução social e da sua família. Inclusive, sendo 
esta, a que mais aciona o profissional de Serviço Social para atender às suas 
necessidades cotidianas de acesso à água. 
Assim, o trabalho do Serviço Social passa a ser integrado com os setores 
operacional e técnico, de distribuição de água, com o propósito de contribuir com a 
prestação satisfatória dos serviços, atendendo às demandas apresentadas pela 
população usuária, movimentos sociais, sociedade civil organizada, representantes de 
bairros, grupos sociais, entre outros, que reivindicam melhorias nos serviços, como a 
ampliação da cobertura e o atendimento das necessidades locais. 
Logo, o/a assistente social passa a desenvolver um trabalho social 
principalmente na perspectiva da mobilização social no saneamento, educação 
ambiental e participação popular15 na perspectiva do direito social, por meio de 
estudos sociais, plano de ação e projetos, com a execução de atividades sociais em 
consonância com as demandas e necessidades dos territórios, criando e estimulando 
espaços de participação popular, com um diálogo direto da população usuária com os 
serviços prestados. E, com isso, a busca pela intersetorialidade com outras políticas e 
serviços públicos, a exemplo, da política de assistência social, educação, meio 
ambiente, defesa civil, saúde e outros. 
Na experiência do NMS Oeste, o/a assistente social realiza atividades que 
permeiam entre atendimento social, visitas sociais, reunião comunitária, abordagens 
sociais, palestras, rodas de diálogo — que podem ser informativas e educativas —, 
além de entrevista social, mediação de conflitos, articulação social, pesquisas e 
estudos, dentre outras. Em conformidade com a realidade social e demandas 
recebidas pelos setores operacional, técnico e gerência, juntamente com as demandas 
 
15
 São eixos de trabalhos sociais referenciados em documentos técnicos, cartilhas, normativos 
e legislações da política de saneamento básico, como os manuais do Ministério das Cidades, 
documentos das agências financiadoras, Leis da EducaçãoAmbiental, Lei de nº 9.795/1999, 
nacional, e Lei nº 16.688/2019, do estado de Pernambuco, entre outros. 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.795-1999?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.795-1999?OpenDocument
 
11 
da população usuária atendida e sociedade civil organizada, além da identificação das 
necessidades diretamente nos territórios de atuação. 
Por meio de ações e projetos, como o “ComViver Compesa”, com encontros 
regulares com atores sociais, representantes de bairros e comunidades; “Projeto 
Portas Abertas”, com visitas educativas guiadas nas estações de tratamento de água e 
outras unidades da Companhia; “Projetos Educativos”, nas escolas e equipamentos 
sociais públicos e parceiros, com palestras, dinâmicas e jogos sobre a temática do 
saneamento, água, direitos sociais, meio ambiente e temas transversais; “Trabalho 
Social nas Obras e Serviços”, nas intervenções técnicas e operacionais de melhoria ou 
ampliação dos serviços de acesso à água nos bairros e comunidades; “Trabalho em 
Indenização Social às famílias”, acompanhamento social às famílias impactadas por 
motivos de danos aos bens e imóveis, provocados pela execução dos serviços 
prestados, dentre outros. 
Assim, o/a assistente social na política de saneamento básico deve atuar em 
favor do desenvolvimento urbano e o direito à cidade, sendo esta democrática, justa e 
igualitária, reafirmando o seu compromisso com a classe trabalhadora e a população 
usuária, inclusive pela via do acesso à água potável e ao saneamento de qualidade 
para todos/as. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Por fim, é importante considerar que o trabalho do/a assistente social é 
permeado por tensões e contradições nos diversos espaços ocupacionais, visto que 
está inserido na divisão social e técnica do trabalho, sendo um/a profissional 
assalariado/a, submetido às transformações da nova morfologia do mundo do trabalho 
(Antunes, 2018), no cenário de capitalismo desigual e periférico, com expropriações 
dos direitos sociais e do fundo público, precarização do trabalho e superexploração da 
força de trabalho (Boschetti, 2023). 
A dinâmica contemporânea de crise estrutural do capital e aprofundamento da 
ideologia conservadora, com o espraiamento de saídas individuais e empreendedoras 
para o atendimento das necessidades de sobrevivência humana, que passa a ser 
cada vez mais mercantilizado, aprofunda a desigualdade social e as condições de 
pobreza da classe trabalhadora, que acessa as políticas e serviços públicos. Estas são 
 
12 
questões que demandam, cada vez mais, uma prática profissional imbricada com o 
Código de Ética Profissional, a Lei de Regulamentação da Profissão e o Projeto Ético-
político. 
Portanto, a atuação do/a assistente social no acesso aos serviços de 
saneamento básico, no contexto de agravamento da questão urbana, emergência 
climática, mercantilização das cidades e privatizações dos serviços públicos, é 
permeada de desafios no cotidiano do exercício teórico-prático e ético-político da 
profissão. Estes, que só podem ser superados na perspectiva da totalidade social, 
pela via da teoria social crítica, para o desvelamento da realidade social, 
compreendendo as suas determinações e mediações, necessárias para qualificar 
continuamente a prática profissional, assim como a produção do conhecimento em 
Serviço Social. 
 
REFERÊNCIAS 
ANTUNES, RICARDO. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era 
digital. São Paulo: Boitempo, 2018. 
COMPANHIA PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO. 50 anos da Compesa. Recife: 
Cepe, 2022. Disponível em: https://servicos.compesa.com.br/wp-
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agencia-de-noticias/releases/36320-ibge-divulga-rendimento-domiciliar-per-capita-
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm
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https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/36320-ibge-divulga-rendimento-domiciliar-per-capita-2022-para-brasil-e-unidades-da-federacao
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REZENDE, Sonaly Cristina; HELLER, Léo. O saneamento no Brasil: políticas e 
interfaces. Belo Horizonte: Editora UFMG, Escola de Engenharia da UFMG, 2002.

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