Prévia do material em texto
A orientação à família de João deve começar pelo acolhimento das inseguranças e dos mitos que ainda cercam a Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA). É comum que pais temam que o uso da CAA impeça ou atrase o desenvolvimento da fala oral, porém as evidências científicas mostram exatamente o contrário. Como fonoaudiólogo(a), é fundamental explicar que a CAA não substitui a fala, mas sim oferece um meio de comunicação funcional enquanto a fala não está disponível ou não é suficiente, podendo inclusive favorecer o seu surgimento. Inicialmente, eu explicaria que a comunicação é uma necessidade humana básica, essencial para expressar desejos, sentimentos, necessidades, opiniões e para participar das interações sociais. João, sendo uma criança não verbal, encontra-se em risco de frustração, comportamentos desadaptativos e prejuízos no desenvolvimento social e emocional justamente por não ter uma forma eficaz de se comunicar. A CAA surge como uma ferramenta que garante a ele o direito à comunicação, promovendo autonomia, participação social e qualidade de vida. Em seguida, orientaria que a CAA pode assumir diferentes formas — gestos, figuras, pranchas de comunicação, aplicativos ou dispositivos eletrônicos — e que a escolha será feita de forma individualizada, respeitando as habilidades cognitivas, motoras, sensoriais e linguísticas de João. Destacaria que a CAA é flexível e dinâmica, podendo evoluir conforme a criança se desenvolve, e não representa um “rótulo” permanente. Também é essencial esclarecer que estudos científicos demonstram que o uso da CAA não impede o desenvolvimento da linguagem oral; ao contrário, ela pode estimular a linguagem, ampliar o vocabulário, favorecer a compreensão e reduzir a ansiedade comunicativa. Quando a criança consegue se fazer entender, ela se sente mais segura para interagir, o que aumenta as oportunidades de aprendizagem e troca social. Outro ponto central da orientação é o papel da família. Eu explicaria que os pais são parceiros fundamentais nesse processo e que a CAA deve ser utilizada no cotidiano, em situações naturais, como refeições, brincadeiras e rotinas diárias. Reforçaria que o fonoaudiólogo estará presente para ensinar, acompanhar e ajustar o uso da CAA, oferecendo suporte contínuo. Por fim, reforçaria que iniciar a CAA é um passo de cuidado, respeito e empoderamento, e não um retrocesso. Ao oferecer a João uma forma eficaz de se comunicar, a família estará promovendo seu desenvolvimento global, sua independência e seu bem-estar emocional, garantindo que ele seja ouvido, compreendido e incluído.