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Aspectos Antropológicos e Sociológicos Marcos R. C. Ketelhut AULA 08 Karl Marx e alguns conceitos Veremos, agora, alguns conceitos do pensamento marxista para compreender a dinâmica da sociedade capitalista moderna. 1. Trabalho Para Karl Marx, o trabalho se configura como uma necessidade natural eterna que faz a mediação entre homem e natureza e, consequentemente, a própria vida humana, sendo uma condição da existência humana, independentemente de qual seja a forma de sociedade. Não é o trabalho que é comprado pelo capitalista, mas sim a “força de trabalho”, ou a capacidade de trabalho do operário. Essa força de trabalho é paga segundo as normas da economia capitalista. O salário é o que permite manter e reproduzir a força de trabalho. A MANUFATURA 2. Divisão social do trabalho Para Marx, em primeiro lugar, a divisão social do trabalho é definida como um sistema complexo de todas as formas úteis diferentes de trabalho que são levadas a cabo independentemente umas das outras por produtores privados; ou seja, uma divisão do trabalho que se dá na troca entre capitalistas individuais e independentes, os quais competem uns com os outros. Em segundo lugar, existe a divisão de trabalho entre trabalhadores, cada um dos quais executa uma operação parcial de um conjunto de operações que são executadas simultaneamente, e cujo resultado é o produto social do trabalhador coletivo. 3.Mercadoria Por mercadoria, ele afirma que todas as sociedades humanas produziram suas próprias condições materiais de existência. Portanto, a mercadoria é a forma que os produtos tomam quando essa produção é organizada por meio da troca. Nesse sistema, uma vez criados, os produtos são propriedade de agentes particulares, que têm o poder de dispor dos produtos, transferindo-os a outros agentes. A mercadoria tem duas características: satisfazer alguma necessidade humana (valor de uso); e poder obter outras mercadorias em troca, o que Marx chamou de permutabilidade (valor). O trabalho despendido na produção de uma mercadoria é o trabalho social. Os produtores de mercadorias dependem de que outros produtores lhes forneçam, por meio da troca, os meios de produção e de subsistência que lhes são necessários. 4. Mais-valia A extração da mais-valia é a forma específica que assume a exploração sob o capitalismo, em que o excedente toma a forma de lucro, e a exploração resulta do fato de a classe trabalhadora produzir um produto líquido que pode ser vendido por mais do que ela recebe como salário. É o valor produzido pelo trabalhador sendo apropriado pelo capitalista sem que um valor equivalente seja dado em troca. A força de trabalho é a mercadoria que possui a propriedade única de ser capaz de criar valor. Por exemplo, um funcionário leva 2 horas para fabricar um par de calçados. Nesse período, ele produz o suficiente para pagar todo o seu trabalho. Entretanto, ele permanece mais tempo na fábrica, produzindo mais de um par de calçados e recebendo o equivalente à confecção de apenas um. Em uma jornada de 8 horas, por exemplo, são produzidos 4 pares de calçados. O custo de cada par continua o mesmo, assim também como o salário do proletário. Com isso, ele trabalha 6 horas, reduzindo o custo do produto e aumentando os lucros do patrão. 5. Fetichismo da mercadoria É o processo pelo qual os produtos do trabalho humano passam a aparecer como uma realidade independente e incontrolável, alheia e estranha àqueles que os criaram. Marx observou que, na modernidade, o homem estava tratando as mercadorias (sapatos, bolsas etc.) como não sendo um produto humano. Tornaram-se objetos de adoração. Assim, a mercadoria deixa de ter a sua utilidade e passa a receber um valor simbólico, quase divino. 6. Alienação Para Marx, alienação é a ação pela qual um indivíduo, um grupo, uma instituição ou uma sociedade se torna (ou permanece) alheio, estranho, enfim, alienado em relação aos resultados ou produtos da sua atividade, à natureza na qual vive, a outros seres humanos, e – além de, e através de – também a si mesmo (às suas possibilidades humanas constituídas historicamente). Assim concebida, alienação é sempre de si próprio, ou autoalienação, isto é, alienação do homem em relação a si mesmo (às suas possibilidades humanas), por meio dele próprio (pela sua própria atividade). Por outro lado, a autoalienação, ou alienação de si mesmo, não é apenas um conceito, mas um apelo em favor de uma modificação revolucionária do mundo (desalienação). 7. Classe É considerada o ponto de partida de toda a teoria de Marx, pois foi a descoberta do proletariado (uma nova força política engajada em uma luta pela emancipação) que fez Marx voltar-se diretamente para a análise da estrutura econômica das sociedades modernas e de seus processos de desenvolvimento. A estrutura de classes da fase inicial do capitalismo e as lutas de classes nessa forma de sociedade constituíram o ponto de referência principal para a teoria marxista da história. Posteriormente, a ideia de luta de classes como força motriz da história foi ampliada. No Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram, em uma frase que ficou famosa: “a história de todas as sociedades que até hoje existiram é a história da luta de classes”. 8. Estado Constitui, de acordo com Marx, o primeiro poder ideológico e, na era capitalista, cumpre funções visando a garantir o bom funcionamento da economia, bem como a defesa da propriedade na sua forma burguesa, isto é, privada. Na realidade, o Estado é a forma de organização que a burguesia se dá com a intenção de garantir seus interesses. Marx teve uma preocupação com a educação, mas não desenvolveu uma teoria sobre a educação. Relacionadamente, propôs perceber a ligação entre a organização do trabalho e as classes sociais, o Estado e a ideologia. Assim, parte da ideia de que o elemento fundador da sociedade é o trabalho. Na sequência, imagem do filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin. Tempos Modernos O filme Tempos Modernos (1936), de Charlie Chaplin, tornou-se referência para pensar a sociedade capitalista. Ele focaliza a vida urbana nos EUA nos anos 1930, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu a sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, que, ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em um líder grevista, conhecendo uma jovem por quem se apaixona. O filme focaliza a vida na sociedade industrial, caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, no qual o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas ideias "subversivas".