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ISBN 978-65-5821-006-1
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 6 1
Código Logístico
59804
LU
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 LU
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LL
A
 VA
LLE
Novos paradigmas 
educacionais 
Luciana de Luca Dalla Valle
IESDE BRASIL
2021
© 2021 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Prostock-studio/Shutterstock
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
V272n
Dalla Valle, Luciana de Luca
Novos paradigmas educacionais / Luciana de Luca Dalla Valle. - 1. ed. 
- Curitiba [PR] : IESDE, 2021. 
100 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-65-5821-006-1
1. Professores - Formação. 2. Prática de ensino. I. Título.
21-69248 CDD: 370.71
CDU: 37.026
Luciana de Luca 
Dalla Valle
Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade 
Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em 
Educação Infantil e em Psicopedagogia pela Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e graduada 
em Pedagogia pela mesma universidade. É autora 
de livros para formação de professores e sobre 
desenvolvimento infantil, tendo sido agraciada, em 
2010, com o Prêmio Jabuti, na categoria material 
didático. Possui experiência como docente e 
pesquisadora na área de capacitação de professores 
na graduação e pós-graduação. Atuou, ainda, 
como professora de educação básica, professora 
universitária, coordenadora pedagógica e diretora de 
instituição de ensino superior.
Minicurrículo
Apresenta as principais qualificações e a 
trajetória profissional do autor, destacando sua 
formação acadêmica, experiências relevantes e 
áreas de atuação.
Apresentação
Apresenta os temas centrais e o propósito 
do livro, explicando sua importância e a 
abordagem adotada. É o primeiro contato 
com o conteúdo, convidando o leitor a 
mergulhar nas reflexões e descobertas que 
virão ao longo dos capítulos.
Objetivos de aprendizagem
Descrevem o que se espera que o leitor seja 
capaz de saber ou fazer após o estudo do 
capítulo. Funcionam como um guia para 
quem aprende, indicando as competências, 
habilidades e conhecimentos que devem ser 
desenvolvidos.
Seções do capítulo
O conteúdo, estruturado para facilitar o 
aprendizado, é organizado em seções 
de modo claro, didático e acessível. Traz 
exemplos contextualizados, práticas criativas 
e inovadoras, recursos visuais diversificados 
e atividades que estimulam o engajamento, 
conectando a teoria à prática.
Recursos visuais diversificados
Recursos visuais como figuras, quadros, 
diagramas, mapas e infográficos facilitam 
a compreensão de conceitos complexos, 
reforçam a aprendizagem e auxiliam na 
memorização, organizando informações de 
modo sintético e atendendo a diferentes 
estilos de aprendizagem.
Atividades
Estimulam o raciocínio e promovem a 
aprendizagem ativa, permitindo aplicar 
conceitos na prática e desenvolver habilidades 
como pensamento crítico e resolução de 
problemas, consolidando a compreensão 
e tornando o aprendizado mais profundo e 
duradouro.
Referências
Listam as obras que fundamentam as 
explicações de cada capítulo, oferecendo ao 
leitor a oportunidade de consultar as fontes 
originais e explorar os assuntos com maior 
profundidade.
Resolução de atividades
Localizada ao final do livro, essa seção apresenta 
as respostas e soluções comentadas dos 
exercícios e atividades propostas nos capítulos, 
permitindo comparar respostas, verificar o 
aprendizado, analisar diferentes estratégias 
de resolução e identificar pontos a revisar, 
favorecendo a autonomia e transformando erros 
em oportunidades de crescimento.
Conteúdos extras
Incluem dicas, curiosidades, explicações 
complementares, reflexões sobre os temas 
abordados, exemplos práticos e estudos de 
casos, sinalizados por ícones.
Conheça este livro
Antes de iniciar a leitura, convidamos você a conhecer todos os elementos que 
compõem esta obra, desenvolvidos para facilitar e enriquecer seu aprendizado.
QR Code
Presente no início de cada seção, 
este recurso permite acessar 
rapidamente os vídeos do livro, 
que são enriquecidos com diversos recursos 
digitais. Para assistir, basta aproximar a câmera 
do seu smartphone ou tablet do QR Code e 
abrir o link que aparecerá na tela.
SUMÁRIO
1 Propósito educativo e desafios cotidianos 9
1.1 Paradigmas educacionais da contemporaneidade 10
1.2 Qual é o propósito educativo? 17
1.3 Flexibilidade e adaptação docente 22
1.4 Desafios cotidianos do trabalho docente 25
2 A vida presente na escola 31
2.1 Educação disruptiva 32
2.2 Repensando o mindset educacional 37
2.3 Dá para viver sem tecnologia na escola? 44
3 Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 53
3.1 Curadoria de conteúdo 54
3.2 Criatividade no uso das tecnologias na escola 60
3.3 Metodologias ativas 68
4 Professor como sujeito da práxis docente 76
4.1 Afetividade e qualidade 77
4.2 Protagonismo e autonomia 84
4.3 Criticidade e reflexão 91
5 Gabarito 98
Falar sobre educação contemporânea é refletir sobre 
mudanças e quebras de paradigmas. Esta é a proposta deste 
livro: contribuir para a percepção de que a escola, em seus 
processos pedagógicos, precisa estar antenada com seu tempo 
e disposta a refletir sobre temas que estão presentes no dia a 
dia da sociedade e que também influenciam o ambiente escolar. 
O primeiro capítulo propõe reflexões sobre os propósitos 
da educação na contemporaneidade e dos novos paradigmas 
vigentes, elencando pontos essenciais na atuação dos professores 
para a efetivação de uma educação de qualidade e, dessa forma, 
fortalecendo o profissional para os desafios de seu cotidiano. 
Oferecendo percepções para suscitar pensamentos sobre 
a importância do mindset dos educadores, com atualização de 
conceitos, o segundo capítulo interliga teoria com exemplos 
e vivências, ao mesmo tempo em que oferece aos educadores 
um repensar das suas próprias convicções sobre a escolha de 
recursos e metodologias para seus programas pedagógicos. 
O uso de ferramentas digitais e a importância de um 
planejamento com curadoria de conhecimentos consciente é 
o tema das reflexões do terceiro capítulo, que também propõe 
o uso de metodologias ativas e projetos colaborativos nas 
realidades educacionais. 
O quarto e último capítulo propõe um refletir sobre aspectos 
intrínsecos da atuação do professor: afetividade, autonomia 
e criticidade, principalmente com vistas à qualidade de seu 
desempenho profissional. Nesse capítulo a percepção do 
protagonismo na educação é estudado sob o ponto de vista do 
professor e do aluno. 
A educação precisa ser pensada sob óticas modernas e 
esperamos que este livro possa desencadear mudanças de 
paradigmas, bem como ações conscientes que ajudem a fazer a 
educação melhor no nosso país.
Que você possa pensar, desafiar-se, mudar e agir. 
APRESENTAÇÃO
Vídeo
Propósito educativo e desafios cotidianos 9
1
Propósito educativo e 
desafios cotidianos
O pensador aponta sua luneta para o céu e questiona uma 
verdade absoluta: a Terra não é o centro do Universo. É a Terra 
que gira em torno do Sol, e não o contrário. Estuda, calcula, refaz 
cálculos, anota, compara. Apropria-se das ideias de outro pensa-
dor para fortalecer as suas. E comprova! A história estava prestes 
a mudar.
Publica o livro, desafia as ideias e as instituições vigentes e é 
duramente criticado por isso. Será morto se não alterar suas ideias 
e dizer estar equivocado. Muda as ideias e permanece vivo, mas 
em prisão domiciliar. Impedido de pesquisar e aprofundar seus 
estudos, é renegado à situação de ser alguém que publica here-
sias. Morre cego, preso e sem ver suas ideias serem reconhecidas,países. A isso correspondem mais 
de 180 milhões de visitantes nas listagens da empresa em todo o mun-
do. No Brasil, segundo dados de 2017, a comunidade do Airbnb con-
tava com cerca de 123.000 anúncios, sendo que no ano anterior, em 
2016, registrou a chegada de mais de um milhão de hóspedes no país 
(SALOMÃO, 2017). Assim, perceba como uma ideia inovadora de hospe-
dagem também ajudou a desenvolver o turismo.
Só para valer o desafio, que tal comparar a pequena pesquisa de 
hospedagem em hotel a qual foi desafiado a fazer com os valores prati-
cados pelo Airbnb na mesma cidade? Há diferenças nos valores? Claro 
que é preciso compreender que há diferenças também na oferta uma 
vez que são hospedagens diferentes. Não é o caso aqui de comparar 
as facilidades ou vantagens de uma ou outra hospedagem. Estamos 
somente destacando que são propostas diferentes para um mesmo 
fim. A ideia de que durante uma viagem de lazer a hospedagem só 
34 Novos paradigmas educacionais
podia ser realizada em hotéis foi rompida e inovada com a proposta de 
hospedagem em casas de famílias.
Como toda proposta diferente, algumas vão agradar um público, 
outras vão agradar outro. É normal que seja assim. Não se pretende, 
neste capítulo, direcionar você, leitor, a entender o quão vantajoso é 
este ou aquele formato de hospedagem; isso é muito particular. A ideia 
é só fazê-lo pensar que há sempre um outro jeito de fazer as coisas, 
aqui representado pelo exemplo da hospedagem em outro continente. 
Ao romper com o que era normal, com o que era estabelecido, os rapa-
zes conseguiram criar um negócio muito lucrativo que é reconhecido e 
utilizado em todo o mundo, além de revolucionarem a forma de fazer 
alguma coisa, no caso, de hospedar pessoas.
Amplie o pensamento em direção à disrupção: há sempre outra 
maneira de romper com o que está sendo feito e fazer diferente 
e, ao fazê-lo, podem surgir grandes inovações, como foi o caso do 
exemplo apresentado.
Mas o que isso tem a ver com a educação? Na essência, tem tudo 
a ver. Estamos falando de romper com práticas estabelecidas e tidas 
como normais para recriar uma outra forma de fazer. Essa é a proposta 
da disrupção que vai ao encontro da demanda de atualização, de ino-
vação, de práticas modernas de que carece a educação. O conceito de 
inovação disruptiva, dessa forma, invade o campo educacional e apre-
senta uma nova ótica: a educação disruptiva.
Um dos maiores exemplos que temos de educação disruptiva é a Escola da Ponte, 
em Portugal, que rompeu com as bases de uma educação tradicional ao eliminar 
classes, séries e disciplinas, integrando os alunos em salas únicas e baseando a 
aprendizagem partindo do interesse deles. Essa escola revolucionou o formato da 
aprendizagem ao reformular sua proposta pedagógica e até hoje é exemplo para 
muitas outras escolas.
É importante frisar aqui que romper com o já estabelecido não sig-
nifica dizer que tudo na educação precisa ser esquecido ou descartado. 
Isso depende do local onde você está, do objetivo do rompimento. O 
que pretendemos com a educação disruptiva é romper com práticas 
tradicionais estabelecidas, as quais ainda imperam na escola e levam 
sempre a resultados iguais (muitas vezes que não são mais satisfató-
Sobre a Escola da 
Ponte, há muito material 
produzido, mas uma 
boa referência é uma 
entrevista do criador 
dessa ideia, José Pacheco, 
que foi diretor da escola 
e responsável pela dis-
rupção.
Disponível em: https://novaescola.
org.br/conteudo/335/jose-
pacheco-e-a-escola-da-ponte. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
E também o livro A escola 
com que sempre sonhei 
sem imaginar que pudesse 
existir, escrito por Rubem 
Alves, que trata da visita 
do autor à escola.
ALVES, R. 11. ed. São Paulo: 
Papirus, 2008.
Leitura
https://novaescola.org.br/conteudo/335/jose-pacheco-e-a-escola-da-ponte
https://novaescola.org.br/conteudo/335/jose-pacheco-e-a-escola-da-ponte
https://novaescola.org.br/conteudo/335/jose-pacheco-e-a-escola-da-ponte
A vida presente na escola 35
rios para as necessidades do mundo contemporâneo) e ousar em no-
vas possibilidades.
Não se trata também de considerar a educação disruptiva apenas 
como um conjunto de práticas novas; seria muito mais coerente dizer 
que ela é uma possibilidade de repensar (e refazer) tudo que envolve o 
processo de ensinar e aprender: as práticas metodológicas, os concei-
tos, os conteúdos, o uso das tecnologias no ambiente escolar, enfim, a 
educação como um todo. Mas só repensar não adianta, é preciso rom-
per, ousar e fazer!
Essa é a ideia presente quando utilizamos o conceito em questão: é 
preciso olhar para os elementos que compõem um processo educativo 
sob a ótica da análise e assim verificar o que não está funcionando, o 
que pode ser mudado, interrompido e redirecionado, o que precisa ser 
modernizado e de que modo a inovação pode fazer parte da realidade 
existente. Disrupção, então, está intrinsecamente ligada à inovação. O 
rompimento acontece para dar lugar à inovação.
Sobre inovação é preciso destacar: inovar não é necessariamente 
fazer algo que nunca foi feito em lugar nenhum. É fazer algo diferen-
te na sua realidade. Mas o diferente para uma escola pode já ser o 
cotidiano de outra, percebe? Há muitas escolas que se inspiraram 
na Escola da Ponte, por exemplo, e igualmente obtiveram sucesso. 
Outras escolheram modelos diferentes que também deram certo. O 
importante é considerar que temos muita disparidade (de educação, 
de recursos, de qualidade educativa) entre as escolas brasileiras e, 
por isso, algumas são mais avançadas em práticas mais modernas 
de educação, assim podemos aprender com quem faz melhor do 
que já fazemos.
Desse modo, não é preciso que a escola esteja sempre criando, em-
bora, obviamente, é muito interessante a escola criar um modelo seu 
para educar. No entanto, às vezes as escolas precisam de ajuda para 
inovar, para criar, ou pelo menos para começar a inovar e a criar. Então, 
lembre-se: o que é inovação em uma escola, pode ser prática em outra. 
Em outras palavras, dá para aprender com os exemplos de sucesso que 
temos por aí. Só precisamos encontrá-los, estudá-los e colocá-los em 
prática. Perceba a importância da formação continuada do professor, 
da leitura, da pesquisa, as quais vão possibilitar que o docente encontre 
essas diferentes práticas e partilhe com colegas experiências diversas.
Mudar por quê? Pense que 
se fizermos tudo do mesmo 
jeito, teremos sempre o mesmo 
resultado; essa é a lógica natural. 
Agora, foque nos resultados. Eles 
estão bons? Se os resultados 
não estão bons, será necessário 
alterar o modo de fazermos as 
coisas para chegar aos novos 
resultados tão desejados. Isso faz 
sentido para você?
Para re�etir
A proposta do livro Inova-
ção na sala de aula: como 
a inovação disruptiva 
muda a forma de aprender 
é ampliar os horizontes 
do professor para que 
ele possa compreender 
como acontece uma edu-
cação disruptiva, conside-
rando a tecnologia como 
primordial para promover 
um ensino mais persona-
lizado e moderno e com 
isso refletir sobre formas 
de superar alguns dos 
desafios da educação.
CHRISTENSEN, C. M.; HORN, M. 
B.; JOHNSON, C. W. Porto Alegre: 
Bookman, 2012.
Livro
36 Novos paradigmas educacionais
Um dos pontos de maior destaque de inovação na esfera educa-
cional e, por consequência, na educação disruptiva diz respeito ao uso 
de tecnologias. Todos concordamos que há vários anos as tecnologias 
revolucionam nossa forma de viver, estando presentes na nossa vida 
cotidiana. Se há tecnologias na vida, não há como imaginar que elas 
não estejam presentes na escola em projetos pertinentes. A questão 
não é a presença, é o bom uso.
Acompanhe este exemplo: até aproximadamente duas décadas 
atrás, as aulas eram sempre ministradas pelo trio professor, quadro e 
giz; com a evolução, passaram a ser apresentadas aos alunos em trans-
parências de retroprojetor e posteriormente em slides. Sem dúvida, 
foi uma evolução para a apresentação do conteúdo e essa evolução é 
bem-vinda.Aliás, não poderia ser diferente; se os recursos evoluem, é 
fundamental que o ambiente escolar faça uso deles. Então, atente-se 
para esta afirmação: evolução não é necessariamente disrupção. É 
preciso especial atenção para que o conceito de educação disruptiva 
não se confunda com o de evolução. Evolução é o processo de melhoria 
natural das coisas, o curso normal das práticas; disrupção é o rompi-
mento de práticas ineficazes.
Acontece que, numa grande parte dos casos, mesmo evoluindo 
no recurso, a apresentação dos conteúdos continua sendo feita da 
mesma maneira, como no exemplo do parágrafo anterior. Não houve 
ruptura com o modelo de aula expositiva (professor explicando e apre-
sentando o conteúdo), somente uma evolução do meio de fazer isso. 
A essência do trabalho pedagógico continuou a mesma, mas agora 
com o professor explicando o que aparece nas telas do computador. 
Então, teoricamente continua o mesmo modus operandi 1 : o professor 
repassa ou apresenta as informações. E nos tempos atuais é isso que 
precisa ser questionado.
De modo geral, é facilmente perceptível na prática que os resul-
tados de aprendizagem da educação brasileira não melhoraram só 
porque os professores passaram a dar aulas usando telas de com-
putador. Mas os testes são reveladores desse deficit: no ranking da 
avaliação do PISA (programa internacional de avaliação de estudan-
tes, sigla em inglês), que avalia as habilidades dos alunos de leitura, 
matemática e ciências, o Brasil está em 57º lugar entre 79 países 
avaliados (O QUE…, 2019).
Professores devem partilhar sua 
prática pedagógica em cursos 
e congressos, porque assim, 
além de refletirem sobre o que 
fazem, podem aprender com o 
fazer de outros profissionais e 
conhecer novas teorias. Qual é a 
importância dessa participação 
na sua opinião? Agora reflita: 
quantas vezes você já participou 
destes eventos? E profissionais 
da sua escola já apresentaram 
alguma experiência pedagógica 
nessas ocasiões? O que falta para 
mais professores participarem de 
eventos pedagógicos?
Para re�etir
Muitos professores 
desejam realizar práticas 
inovadoras nas suas salas 
de aula, mas nem sempre 
sabem como fazer isso. 
Então, aqui vai uma aju-
da: acesse o texto do site 
Diário Escola e conheça 
cinco dicas para inovar na 
sua prática escolar.
Disponível em: https://diarioescola.
com.br/cinco-dicas-para-inovar-
em-sala-de-aula/. Acesso em: 9 
fev. 2021.
Leitura
Compare os resultados na sua 
realidade, ou até mesmo na sua 
prática como aluno: acredita 
que apresentar os conteúdos 
valendo-se de slides possibilite 
aprender mais? Os resultados 
provenientes do uso desse 
modelo são mais significativos?
Para re�etir
Expressão do latim que indica o 
modo utilizado para desenvolver 
ou realizar alguma coisa; proces-
so de realização.
1
https://diarioescola.com.br/cinco-dicas-para-inovar-em-sala-de-aula/
https://diarioescola.com.br/cinco-dicas-para-inovar-em-sala-de-aula/
https://diarioescola.com.br/cinco-dicas-para-inovar-em-sala-de-aula/
A vida presente na escola 37
Então, voltamos ao início do raciocínio: o que é preciso fazer para 
melhorar a educação? Não basta só usar o recurso tecnológico en-
tendendo que está inovando, é preciso romper com a prática do 
professor ser o centro do saber e buscar novas possibilidades de os 
alunos aprenderem.
A função do professor é que vai ser alterada, de fornecedor de in-
formações passa a ser o mediador delas, pois com o uso dos recursos 
tecnológicos as informações estão mais acessíveis do que nunca. E o 
uso desses recursos pode fazer muita diferença para a aprendizagem 
justamente porque permitem comparar e avaliar notícias, analisar pon-
tos de vista etc.
A inovação, portanto, sob o ponto de vista da educação disruptiva, 
precisa permitir um rompimento do que está estabelecido, mas não 
somente mudar o recurso usado para isso, e sim atualizar o recurso e 
mudar a prática, a fim de voltar-se para o aluno, com o intuito de que 
este possa adquirir as competências necessárias para viver no mundo 
de hoje, e assim romper com a educação tradicional e incorporar de 
vez o uso das tecnologias nos espaços escolares.
Não pretendemos aqui esgotar o assunto da educação disruptiva. 
Objetivamos fazer você pensar na possibilidade real de fazer diferen-
te do que vem fazendo, pesquisar sobre o tema, encontrar as suas 
respostas, seja nas práticas já desenvolvidas em outras escolas e por 
outros profissionais, seja porque inventou uma nova prática. A educa-
ção precisa de muitos rompimentos e de profissionais corajosos para 
fazê-los. Novas práticas geram novos resultados e acreditar nisso é o 
primeiro passo da mudança.
A educação disruptiva 
pode fazer parte da 
sua sala de aula? Como 
inserir a disrupção em 
sua escola? O texto Como 
aplicar inovação disruptiva 
em sala de aula aborda 
com clareza alguns 
pontos a serem consi-
derados quanto ao uso 
da inovação disruptiva 
nas salas de aula e pode 
ajudar você a iniciar esse 
processo.
Disponível em: https://
desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/
inovacao-disruptiva-sala-de-aula/. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
2.2 Repensando o mindset educacional 
Vídeo
Na primeira reunião pedagógica, ainda na fase de planejamento das 
aulas daquele ano letivo, a coordenadora pedagógica da escola expli-
cou que, somado às aulas habitualmente ministradas, a instituição in-
cluiria um projeto de educação tecnológica, em que as crianças teriam 
um espaço no portal da escola para aprender mais e para, de certa ma-
neira, a unidade de ensino acompanhar o desenvolvimento do mundo 
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/inovacao-disruptiva-sala-de-aula/
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/inovacao-disruptiva-sala-de-aula/
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/inovacao-disruptiva-sala-de-aula/
38 Novos paradigmas educacionais
contemporâneo em relação ao uso das tecnologias no ambiente esco-
lar. Cabia, portanto, aos professores criarem as atividades e projetos 
que seriam realizados nesse espaço virtual.
A notícia, comemorada por uns e temida por outros, provocou um 
desequilíbrio no grupo de professores. E agora? Como fazer uma edu-
cação pela via tecnológica? A reação dos professores foi dividida em 
dois grupos. Havia aqueles que acharam a proposta dificílima e posicio-
naram-se na reunião reclamando que não houve preparação, que não 
sabiam como fazer uma educação de qualidade utilizando elementos 
tecnológicos, que uma coisa era as crianças pesquisarem sobre algum 
tema nos tablets oferecidos pela escola, outra era fazer um espaço vir-
tual a ser acessado da casa das crianças. Sendo assim, houve muita 
contrariedade e desconfiança na validade dessa educação. Professores 
diziam não serem capazes disso, que já estavam fazendo o trabalho há 
muito tempo de uma forma e que mudar agora era só modismo.
O outro grupo, no entanto, encarou a proposta como um desafio 
que precisava ser vencido. Compreenderam a necessidade de se atua-
lizar (alguns lamentaram não ter estudado formas de trabalho on-line 
antes) e de buscar respostas que pudessem ajudá-los a fazer os me-
lhores projetos para seus alunos. Mesmo sem saber como fariam, essa 
era uma oportunidade única para uma educação diferente, como bus-
cavam já há algum tempo.
Os dois grupos que ilustram nosso exemplo tiveram posturas dis-
tintas. Algo saiu diferente do que tinham planejado inicialmente, ou 
do que estavam acostumados a fazer nas salas de aula, e agora foram 
colocados em uma situação inédita, em que era preciso reinventar suas 
práticas educativas. De um lado, estavam aqueles que ao escutarem 
a proposta já se posicionaram contra, rejeitando a ideia e reclaman-
do, enfatizando que uma proposta assim era fadada ao fracasso. Essa 
recusa abre espaço para uma reflexão: se o professor que será o pro-
positor de projetos para crianças já começa rejeitando-o, como ele vai 
se empenhar para o sucesso do projeto? Se não acredita que pode dar 
certo, qual será sua motivação para buscar alternativas?
Por outro lado,o grupo dos professores que aceitou o desafio (mes-
mo sem saber ainda como realizá-lo) demonstrou uma outra faceta: 
encararam a questão com otimismo e se dispuseram a ir em busca 
Mesmo com tantas 
evidências da qualidade 
da educação que se pode 
realizar com o uso das 
tecnologias, ainda há 
muitos professores que 
apresentam resistência. 
O texto A resistência do 
professor diante das novas 
tecnologias trata desse 
assunto e oferece uma 
boa reflexão. 
Disponível em: https://meuartigo.
brasilescola.uol.com.br/educacao/a-
-resistencia-professor-diante-das-
-novas-tecnologias.htm. Acesso em: 
9 fev. 2021.
Leitura
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-resistencia-professor-diante-das-novas-tecnologias.htm
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-resistencia-professor-diante-das-novas-tecnologias.htm
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-resistencia-professor-diante-das-novas-tecnologias.htm
https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-resistencia-professor-diante-das-novas-tecnologias.htm
A vida presente na escola 39
de alternativas, acreditaram que eram capazes de realizar a tarefa da 
melhor maneira possível.
O comportamento diferenciado de cada um dos grupos retrata a 
maneira como lidaram com uma situação desafiadora, como demons-
traram seu otimismo ou pessimismo em relação a uma proposta. Esse 
comportamento pode indicar o modo de reação geral dessas pessoas 
frente às dificuldades da vida. São as pessoas que sempre reclamam 
e não se acham capazes aquelas que possuem maior dificuldade em 
aceitar e se arriscar em propostas diferentes. Assim, os professores do 
nosso exemplo, com suas diferentes reações, demonstraram sua ma-
neira de pensar, seu modelo mental.
Há um termo da psicologia que define o modelo mental de cada 
um de nós: mindset. Original da língua inglesa, essa palavra é a junção 
das palavras mind, que significa mente em inglês, e set, que tem vários 
significados, mas nesse contexto utilizaremos apenas um deles, que é 
configuração. Então, de maneira geral, podemos dizer que mindset é 
a configuração da mente, a forma como organizamos nossos pensa-
mentos e decidimos encarar as situações do cotidiano. Para esclarecer 
melhor esse conceito, acompanhe:
Mindset é o conjunto de pensamentos e crenças que existe den-
tro de nossa mente e que determina como nos sentimos e como 
nos comportamos.
O Mindset é a forma como sua mente está programada para 
pensar sobre (qualquer) determinado assunto. (METRING, 2016, 
grifo nosso)
No exemplo do início desta seção, percebemos diferentes mindsets 
entre os professores perante uma situação que gerou certo estresse. 
Cada grupo reagiu à sua maneira, de acordo com as configurações da 
sua mente, seja aceitando o que não era possível recusar e tentando 
encontrar um jeito de realizar a nova tarefa, seja reclamando e colocan-
do empecilhos, os quais certamente tornaram mais difícil a realização 
do trabalho a ser feito. Foram reações diferentes que nos indicam que 
a mente deles estava também programada de modo diferente.
Há duas formas de mindset: o fixo e o de crescimento (DWECK, 2017).
Pessoas com mindset fixo acreditam que suas qualidades são imu-
táveis e criam diariamente a necessidade de provar a si mesmo seu 
valor, como foi o caso do grupo de professores que refutou a proposta 
Quer saber um pouco mais sobre 
mindset? Acesse o texto Mindset 
– O que é e como ele determina 
os resultados da sua vida?, que 
contém um compilado interes-
sante de ideias sobre o tema.
Disponível em: https://administra-
dores.com.br/artigos/mindset-o-
-que-e-e-como-ele-determina-
-os-resultados-da-sua-vida. Acesso 
em: 9 fev. 2021.
Leitura
https://administradores.com.br/artigos/mindset-o-que-e-e-como-ele-determina-os-resultados-da-sua-vida
https://administradores.com.br/artigos/mindset-o-que-e-e-como-ele-determina-os-resultados-da-sua-vida
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40 Novos paradigmas educacionais
da coordenadora. Como não possuem habilidade tecnológica, ficaram 
com medo da exposição e do fracasso, com medo de fazerem papel de 
tolos, reforçando que já faziam uma educação de qualidade anterior-
mente, então para que mudar?
Pessoas com o mindset fixo estão constantemente achando que não 
são capazes de realizar propostas desafiadoras. Os sentimentos que 
estão por trás da recusa podem ser transformados em algumas frases, 
as quais, embora não sendo ditas, povoam a mente: “sou um fracas-
sado, vou fazer papel de idiota porque os outros são melhores que eu 
nisso, querem acabar comigo, nada de bom me acontece, sou a pessoa 
mais sem sorte do mundo” (DWECK, 2017, p. 16-17). E como decidem 
não arriscar, acabam tomando atitudes compensatórias: não se esfor-
çam para fazer o que é preciso, arrumam brigas com outras pessoas, 
discutem e, em alguns casos, podem usar o choro, o sono e a comi-
da como elementos compensatórios. É preciso considerar que, para 
as pessoas com mindset fixo, não é o suficiente ser bom, é “necessá-
rio ser praticamente perfeito, sempre perfeito”, “especial, melhor que 
os outros” (DWECK, 2017, p. 32). Assim, essas pessoas não arriscam, 
não se empenham em fazer nada que saia da sua zona de conforto, 
porque dentro do que estão confortáveis, são perfeitos. E acabam fa-
zendo tudo sempre da mesma forma. Com isso, também sofrem, pois 
falta-lhes a confiança necessária para ousar (seja quando é preciso por 
contingências da vida, seja quando podia ser uma escolha que geraria 
crescimento). O mindset fixo dificulta o desenvolvimento e a mudança 
já que, nessa posição, o esforço é visto como algo ruim, uma vez que re-
força esta ideia equivocada: quem é inteligente não precisa se esforçar.
Por outro lado, pessoas com o mindset de crescimento são otimis-
tas, acreditam em suas habilidades e estão dispostas a correr riscos. 
O mindset de crescimento é um ponto de partida para a mudança. As-
sim, mesmo que as pessoas acreditem não saberem fazer determinada 
coisa (como implementar projetos com o uso da tecnologia), podem 
realizá-la se houver empenho e perseverança. Nem tudo dará certo, é 
verdade, mas o fracasso para essas pessoas é encarado como oportu-
nidade de crescimento. “Essa é a característica maravilhosa do mindset 
de crescimento, você não precisa achar que é competente em algo para 
desejar fazê-lo e ter prazer nisso” (DWECK, 2017, p. 61, grifo nosso).
É importante destacar que a programação mental, o mindset das 
pessoas, vai se formando à medida que vão interagindo com o meio 
Na série Anne with an E 
você conhecerá Anne, uma 
menina órfã que, ao ser adotada, 
revoluciona a forma de vida 
de uma comunidade e faz 
as pessoas repensarem suas 
verdades estabelecidas. Anne 
é um grande exemplo de uma 
pessoa otimista, com o mindset 
de crescimento.
Criação: Moira Walley-Beckett. 
Canadá: Pelican Ballet; Northwood 
Entertainment, 2017-2019.
Série
Você conhece pessoas que mes-
mo nas dificuldades encaram 
tudo com otimismo e sempre 
com boa vontade, buscando 
opções para fazer dar certo? E 
pessoas que ao menor sinal de 
mudança reagem apontando as 
dificuldades, reclamam e sempre 
focam na parte negativa das 
situações? Em qual configuração 
mental você se encaixaria?
Para re�etir
A vida presente na escola 41
em que vivem, na forma como são criadas, nas respostas que ouvem 
quanto aos seus posicionamentos e ações, principalmente na infância.
É claro que existem traços de personalidade que nos definem: se 
você é professor já deve ter se deparado com alunos que mesmo pe-
quenos são mais sérios, outros mais risonhos, alguns que têm muita fa-
cilidade de relacionamento, outros precisam de mais ajuda. As pessoas 
são diferentes. Mas a reação das pessoas com as quais convivemos ao 
longo da nossa vida, inclusive os professores, é que formará aos pou-
cos nosso modelo mental.
Então, considerandoque as pessoas são diferentes, aprendem de 
maneira diferente, têm habilidades diferentes, reagem de modo dife-
rente, há ligação desse jeito de ser, que é a nossa personalidade, com a 
nossa aprendizagem? Somos mais ou menos inteligentes se temos esta 
ou aquela forma de aprender e de nos relacionarmos com os outros? 
Qual é a relação do mindset com a nossa inteligência?
Para falar sobre inteligência, é preciso destacar os trabalhos de um 
dos estudiosos mais reconhecido nessa área, Howard Gardner, psicólo-
go e professor norte-americano que impactou o mundo e teve grande 
influência nas propostas educativas com suas pesquisas sobre as múl-
tiplas inteligências na década de 1990.
Estudando o comportamento humano, Gardner realizou um ma-
peamento que revolucionou a forma como a inteligência humana era 
entendida até então, e apresentou sua teoria ao mundo explicando que 
as pessoas têm habilidades diferentes e que não existe apenas uma 
forma de inteligência. Lembre-se de que, até essa época, todas os estu-
dos direcionavam para o entendimento da inteligência como passível 
de ser medida pelos famosos testes de quociente de inteligência (QI) 2 , 
em que eram aplicados alguns testes nas crianças ou adultos e com o 
resultado numérico obtido pelo desempenho determinava-se o grau 
de inteligência daquela pessoa. Assim, o normal era a pessoa ser encai-
xada numa escala numérica que caracterizava sua inteligência.
Nesse contexto, os estudos de Gardner causaram uma revolução, 
uma vez que os resultados apontavam para a certeza (com compro-
vação) de que havia sete formas diferentes de inteligência: lógico-ma-
temática, linguística, espacial, cinestésica, interpessoal, intrapessoal e 
musical (GARDNER, 1995). Pela primeira vez se percebia que as pessoas 
Você pode saber mais 
sobre a criação dos 
testes de QI acessando 
o texto Como a ciência 
define inteligência?, publi-
cado pela Revista Super 
Interessante. Nele, há 
um panorama histórico 
que indica quais foram as 
necessidades da criação 
dessa forma de testagem 
e quem foi o criador da 
escala de inteligência co-
nhecida no mundo todo.
Disponível em: https://super.abril.
com.br/ciencia/o-cerebro-numa-
regua/. Acesso em: 9 fev. 2021.
Curiosidade
Conjunto de testes usados para 
avaliar a capacidade cognitiva do 
ser humano. O resultado dessa 
testagem era numérico e a este 
correspondia uma tabela em que 
as pessoas eram classificadas de 
deficiente mental a inteligência 
muito superior.
2
https://super.abril.com.br/ciencia/o-cerebro-numa-regua/
https://super.abril.com.br/ciencia/o-cerebro-numa-regua/
https://super.abril.com.br/ciencia/o-cerebro-numa-regua/
42 Novos paradigmas educacionais
tinham facilitadores de aprendizagem, ou seja, aprendiam mais e me-
lhor algumas coisas do que outras, de acordo com suas habilidades.
Portanto, os estudos desse autor provaram ser injusto e parcial que a 
inteligência humana (e vamos considerar aqui que isso era feito com as 
crianças na escola) fosse medida por uma escala de testes que prioriza-
vam apenas as áreas lógico-matemática e de linguagem. Aliás, no seu livro, 
Gardner (1995) justamente propõe o termo inteligências múltiplas.
Então, voltamos ao cerne da questão ligando o mindset com as in-
teligências múltiplas. Se já está provado por Gardner que temos inte-
ligências múltiplas e aprendemos de modos diversos, relacionados a 
essas inteligências, não parece claro que a escola precisa usar formas 
diferentes para ensinar, garantindo assim que todos os alunos possam 
aprender mais e melhor?
E aí que entra o mindset: se a programação mental deste ou da-
quele professor pender para o mindset fixo, a possibilidade de propor 
atividades diferenciadas é muito, muito pequena. E como irá propor 
apenas atividades que combinam com seu pensamento, correrá o risco 
de não atingir todos os alunos, ou, ainda pior, dizer frases e demons-
trar decepção com aqueles que não aprenderam. E essa decepção vai 
formar o mindset daquele aluno. É um ciclo perigoso. Percebe por que 
a configuração da mente do professor é um ponto importante no de-
sempenho das suas atividades?
É fato que o mindset de um professor pode (e possivelmente vai) 
influenciar o dos seus alunos. É o que ocorre quando os professores 
cometem um dos erros mais comuns em suas práticas: o elogio da apti-
dão. Sabemos que há alunos com aptidões diversas, como aqueles que 
têm incrível facilidade em estudar e aprender matemática, que muitas 
vezes são elogiados por essa facilidade. Mas o que esse elogio realmen-
te sinaliza para a criança? Algo como: que bom que você nasceu com 
essa habilidade, pois o sucesso virá apenas para quem nasceu com 
ela. Igualmente sinalizará aos demais alunos (principalmente aos sem 
habilidade em matemática) que são fracassados, que infelizmente por 
não terem nascido com tal habilidade não merecem elogios, não são 
dignos do reconhecimento do professor. E isso não é verdade! Por isso, 
o elogio da aptidão (“nossa, como você desenha bonito, sua colagem 
está linda!”) deve ser evitado ou vir também acompanhado do elogio do 
esforço (“eu acredito em você, olhe como sua escrita melhorou desde o 
início do ano, reconheço seu esforço para resolver essa questão mate-
Se você se interessa 
pelos testes que foram 
criados pela humanidade 
para testar a inteligência 
humana, precisa ler o 
livro História dos testes 
psicológicos: origens e 
transformações. São sete 
capítulos dedicados a 
refazer os caminhos que 
levaram a proposta de 
medição da inteligência 
humana.
SILVA, M. C. de. V. M. São Paulo: 
Vetor, 2001.
Livro
A vida presente na escola 43
mática”). Por vezes, só mudando a forma de falar, teremos outro resul-
tado e aquela criança passará a se tornar mais segura (DWECK, 2017).
O elogio do esforço está vinculado ao processo, não somente ao re-
sultado. Claro que o resultado é importante, mas nem todas as pessoas 
chegarão a ele, correto? Às vezes não conseguimos realizar aquilo que 
gostaríamos. Todas as pessoas fracassam em algum momento. O que faz 
diferença é que nem todas encaram o fracasso como algo limitador. Para 
algumas é o resultado possível, para outras é a plataforma de continuida-
de (“não consegui ainda tal coisa, posso melhorar, vou tentar de novo!”).
Assim, não se trata somente de elogiar o processo das coisas, e sim 
de vincular tal processo ao resultado, à aprendizagem da criança ou 
ao progresso das suas conquistas (DWECK, 2017). A mensagem a ser 
repassada é: com o seu esforço, dedicação e perseverança, você con-
seguiu um resultado diferente e está no caminho de algo muito maior. 
Lembre-se ainda de que não precisamos sempre elogiar. É importante 
também interessar-se verdadeiramente sobre o progresso da criança.
A boa notícia é que qualquer pessoa pode mudar seu mindset. 
Pense sobre suas atitudes, analise como reage aos desafios, observe 
como conduz a relação com seus alunos. Qual é a base disso tudo? Um 
mindset fixo? Ou um de crescimento? Lembre-se de que mindsets de 
crescimento mudam o significado de fracasso e de esforço, de capaci-
dade e de limitações. E isso muda as realidades e as práticas.
O professor não deve esquecer que cada palavra e ato seu envia 
uma mensagem ao aluno. Ao elogiar a inteligência ou o talento, ele está 
mandando uma mensagem de mindset fixo, como se só os que nascem 
com determinado talento terão sucesso – o que não é verdade, pois o 
esforço pode levar a um grande resultado.
Que tal algumas reflexões para usar seu mindset de crescimento e 
ajudar seus alunos a desenvolverem os deles?
 • Elogiar a inteligência ou o talento de uma criança é tentador, mas 
isso a torna frágil nos quesitos de confiança e motivação. É como 
se você dissesse que ela só terá sucesso porque tem talento. Mas 
lembre-se de que nós não temos tantos talentos. Por isso, elogiar 
o esforço da criança é muito melhor. Um desenho feito pelos pe-
queninos não precisa ser a todo momento elogiado como bonito, 
lindo; em vez disso você pode conversar com a criança sobre o 
que ela desenhou,o porquê, que escolha de cores fez etc.
Esta dica é para quem 
quer conhecer a fundo 
a teoria das inteligências 
múltiplas. Nada melhor 
do que ir direto no livro 
do próprio autor da 
teoria, não é? O livro Inte-
ligências multiplas: a teoria 
na prática é de 1995, mas 
vale a leitura. Agora, se 
você pesquisar, vai ver 
que esse autor escreveu 
muitos outros livros 
depois desse, os quais 
aprofundam o assunto e 
são materiais muito bons. 
Um deles vai ajudar você.
GARDNER, H. Porto Alegre: Artmed, 
1995.
Livro
44 Novos paradigmas educacionais
 • Coloque objetivos para seus alunos, mas se lembre de não os 
vincular ao talento. Nada de “vamos ver quem consegue a letra 
mais bonita” ou “quem consegue pintar somente dentro do dese-
nho”, porque você já sabe que há crianças que não vão conseguir. 
Qual é a ideia por trás disso? Quem não consegue não é capaz, 
é fracassado. E o objetivo era esse? Por que não dizer “vamos 
ver quem faz o seu melhor”, “percebo que você se esforçou para 
conseguir” ou “viu só como sua pintura melhorou do começo do 
mês para cá?”?
 • Cuidado com o que você pensa sobre os alunos que não conse-
guem aprender com as estratégias propostas por você. No lugar 
de considerá-los inaptos, que tal mudar as estratégias? Procure 
imaginar o porquê de eles não aprenderem. Não use mindset fixo: 
lembre-se de que todos podem aprender. Descubra como!
 • Como professores, nossa missão é desenvolver o potencial das 
pessoas, mesmo que para isso você tenha que abaixar um pouco 
seus padrões de exigência para elevar a autoestima de seus alu-
nos. Use tudo que puder nesse sentido, inclusive seu mindset de 
crescimento. As crianças precisam ser incentivadas, não só elo-
giadas. Reconheça o esforço, aproxime-se mais de seus alunos e 
compreenda o que eles sentem (DWECK, 2017).
Conhecimento e análise sobre mindset podem ajudar o professor a 
realizar um trabalho incrível em sala de aula, mas isso envolve análise 
e mudança de crenças individuais. Quanto mais se conhecer, mais o 
professor poderá ajudar seu aluno.
2.3 Dá para viver sem tecnologia na escola? 
Vídeo Quantas vezes por dia você se depara com a tecnologia em seu co-
tidiano? A quantos elementos tecnológicos já se acostumou? Lembra 
quando não existia um aplicativo de mensagens em que você podia 
comunicar-se em tempo real com as pessoas? Como seria sua vida hoje 
sem tecnologia?
Essas perguntas são pura retórica, mas fazem pensar. Não há como 
conceber a hipótese de viver sem tecnologia. Seja na simples atitude de 
identificar que horas são, para comprar algo sem sair da sua casa ou 
ouvir música em um carro que conecta automaticamente seu celular 
com o rádio, a tecnologia está presente das mais variadas formas em 
O filme Um sonho possível 
conta a história de um ra-
paz que foi adotado por 
uma família e, estimulado, 
viveu uma das maiores 
experiências da sua vida, 
tornando-se um astro 
de futebol americano. 
Um bom exemplo de 
como incentivos e boas 
palavras geradas pelo 
mindset da mãe ajudaram 
um filho a conquistar seu 
espaço.
Direção: John Lee Hancock. EUA: 
Warner Bros, 2010.
Filme
A vida presente na escola 45
nossa vida: nos exames que realizamos, na comida que compramos, no 
acesso aos andares do prédio em que moramos, no GPS 3 que indica 
qual o caminho a seguir.
É possível afirmar que a tecnologia mudou a forma como nos rela-
cionamos uns com os outros e a própria maneira como vivemos, a tal 
ponto que fica muito difícil considerar a vida sem todos os recursos tec-
nológicos e imaginar os que ainda vão surgir (talvez um carro voador?).
Considerando essa presença tão intrínseca da tecnologia na socie-
dade, como podemos conceber uma escola sem recursos tecnológicos? 
Impossível! Assim, a pergunta que ilustra esta seção tem uma resposta 
muito direta: não, não dá para viver sem tecnologia na escola. Mas por 
que então temos tantas escolas ainda sem utilizá-las? Por que as tecno-
logias ainda não estão presentes em muitos dos projetos que ilustram 
o cotidiano das escolas? Por que ainda há professores que resistem ao 
uso da tecnologia? São questões que serão discutidas nos próximos 
parágrafos.
A reflexão inicial consiste não só em aceitar que as tecnologias são 
parte do mundo em que vivemos e, por consequência, devem igual-
mente estar no ambiente escolar, mas também em entender que é pre-
ciso pensar em como vamos integrá-las às ações educativas para que 
possam ajudar alunos a aprender mais e melhor.
Já é consenso que muitos professores precisam reinventar o modo 
como abordam seus conteúdos, uma vez que um ensino basicamente 
de transmissão de informação, unicamente centrado no conhecimento 
do professor, tem se mostrado ineficiente, sendo inclusive motivo de 
insatisfação e de não aprendizagem por parte dos alunos. A pergunta 
surge naturalmente: como pode a escola diante de tantos avanços tec-
nológicos e científicos ainda ter como base um modelo de aula em que 
se privilegia somente o ensino oral e escrito? Há ainda um agravante: 
em salas de aula em que o professor é o centro do processo educati-
vo, apresentando-se como detentor do conhecimento, dificilmente os 
alunos participam ativamente, pois têm medo de errar, de arriscar e de 
participar (CAMARGO, 2018). Então parece uma incongruência. Os estu-
dos modernos sobre educação apontam para atividade prática, ação do 
aluno, metodologias ativas e participativas, e muitas escolas ainda insis-
tem nas práticas centralizadas no professor e pouco uso das tecnologias.
Sigla em inglês para Global 
Positioning System; no Brasil, 
Sistema de Posicionamento 
Global. Sistema de navegação 
que permite, por meio de saté-
lites, obter informações sobre 
localizações geográficas.
3
46 Novos paradigmas educacionais
A Base Nacional Comum Curricular – BNCC (BRASIL, 2018) também 
ressalta a importância de a tecnologia estar presente nas salas de aula, 
nos mais diferentes contextos pedagógicos. Ao citar as competências 
gerais que os alunos devem desenvolver ao longo de toda a educação 
básica, o documento inclui especificamente uma para retratar a ques-
tão tecnológica. Num rol de 10 competências, a de número 5 é:
compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e 
comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas 
diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comuni-
car, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, 
resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida 
pessoal e coletiva. (BRASIL, 2018, p. 9)
Assim, para garantir que o aluno tenha desenvolvido suas compe-
tências para compreensão, uso e criação de tecnologias, é preciso ex-
perienciar isso nas salas de aula, desde a mais tenra idade. A BNCC, 
pela quantidade de vezes que aborda o tema, demonstra a importân-
cia deste para a educação brasileira: o termo tecnologia é citado 220 
vezes no documento, distribuído entre a parte teórica das disciplinas 
e as indicações das competências a serem trabalhadas com os alunos 
de todos os níveis, para citar só alguns momentos. Então, não se trata 
de querer usar a tecnologia na escola ou não; tais elementos precisam 
estar na escola também por uma imposição do texto legal.
A questão é que não basta estar escrito na lei. É preciso estar re-
conhecido no dia a dia escolar, nas ações dos professores. E quando 
tratamos do professor utilizar recursos tecnológicos em suas aulas, es-
tamos falando de um repensar no formato das aulas que vêm sendo 
ministradas, uma inovação, não no uso puro e simples.
O recurso tecnológico não é o ponto principal dessa questão, é o 
professor quem é, juntamente às suas escolhas metodológicas e ao 
seu processo educativo. É o professor que precisa buscar uma alterna-
tiva dinâmica, moderna e em consonância com seu tempo para educar 
mais e melhor, e os recursos tecnológicos podem ajudar nisso.
Então, apresenta-se a seguinte situação: a tecnologia faz parte da 
vida diária do aluno, impõe mudanças cada vez mais fortes na forma 
como nos comunicamose nos relacionamos com as pessoas e não 
pode mais ser coadjuvante nas aulas. Estas, por sua vez, precisam mu-
dar de formato com o uso das tecnologias e deixar de ser centradas em 
professores e seus saberes, para focar nos saberes e necessidades dos 
A vida presente na escola 47
alunos e nos elementos que fazem parte do cotidiano deles, como os 
recursos tecnológicos.
Se você perguntasse para um aluno de ensino fundamental ou do 
ensino médio com acesso à tecnologia aonde ele vai para buscar res-
postas quando tem dúvidas sobre algum assunto, acreditamos que ele 
não dirá que vai à escola, porque esta não é mais o local que contém as 
respostas – esse papel agora é dos sites de busca, da internet. A escola, 
principalmente a sala de aula, precisa ser reformulada para ocupar o 
papel de refinar as perguntas, de questionamento, de descobrimento. E 
os recursos tecnológicos serão protagonistas dessa renovação.
Muito já se falou e há igualmente muitos estudos sobre modos di-
ferentes de se aprender, e todas as respostas apontam para o fim da 
passividade gerada pelas aulas tradicionais. Direcionam para a busca 
do conhecimento, do desafio, da pesquisa, da movimentação do alu-
no em prol do conhecimento e em detrimento à passividade. Enfim, 
indicam o fato de o aluno aprender ativamente. E os recursos das 
tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs) podem 
ajudar nesse movimento.
Por causa da rapidez de processamento das informações, da quan-
tidade de informação disponível, da atração natural que a tecnologia 
exerce pela junção de cores, sons, palavras, textos, imagens que for-
necem ricos estímulos sensoriais, além é claro da funcionalidade, os 
recursos tecnológicos são, por natureza, elementos fundamentais para 
fomentar e facilitar a aprendizagem. Mas de nada adianta que as tec-
nologias estejam na escola se as ações educativas continuarem sendo 
pautadas por transmissão de conhecimento e passividade dos alunos.
Não se trata, assim, de ter as TDICs como meio para a aprendiza-
gem, mas como parte integrada dela. As tecnologias digitais não 
se tornam invisíveis, para deixar inalteradas as práticas atuais, 
nem se tornam o centro, para diminuir a importância das práti-
cas pedagógicas. As tecnologias digitais tornam-se um fator de 
mudança dos processos de ensino-aprendizagem. (ROSA, 2015)
As tecnologias digitais da informação e comunicação vieram para 
fazer a escola mudar de postura e para serem incorporadas em um 
programa de ensino que se fortalece na pesquisa, na busca, no pro-
tagonismo do aluno e, ao mesmo tempo, oportuniza ao professor a 
mudança de sua prática.
Que tal usar o celular 
para aprender Matemá-
tica? Foi isso que fez um 
professor de uma escola 
aqui no Brasil. Acesse o 
texto publicado pelo G1 e 
conheça a história, quem 
sabe não dá para propor 
isso na sua escola?
Disponível em: http://
g1.globo.com/distrito-federal/
noticia/2014/11/colegio-do-
df-adota-telefone-celular-para-
ensinar-matematica.html. Acesso 
em: 9 fev. 2021.
Leitura
Quando falamos de ação do 
aluno, estamos considerando 
que ele não pode mais apenas 
ouvir passivamente, mas precisa 
buscar respostas, perguntar, 
pesquisar, analisar, comparar 
dados.
Atenção
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/11/colegio-do-df-adota-telefone-celular-para-ensinar-matematica.html
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/11/colegio-do-df-adota-telefone-celular-para-ensinar-matematica.html
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/11/colegio-do-df-adota-telefone-celular-para-ensinar-matematica.html
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/11/colegio-do-df-adota-telefone-celular-para-ensinar-matematica.html
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/11/colegio-do-df-adota-telefone-celular-para-ensinar-matematica.html
48 Novos paradigmas educacionais
É fato que é mais fácil escrever ou falar sobre a inserção da tecno-
logia e a responsabilidade do professor do que realizar isso na prática, 
porque é uma verdadeira revolução, uma desconstrução do modelo de 
aula a que o professor esteve sempre vinculado. E as tecnologias inva-
diram a sala de aula de tal forma que muitos professores se sentiram 
ameaçados, inseguros, impactados com tal presença. Mas, assim como 
essa invasão foi inevitável (qual professor nunca teve de lidar com alu-
nos que acessam o celular durante as aulas?), também será inevitável, 
se desejamos uma educação de qualidade e antenada com os tempos 
modernos, a mudança do formato das aulas.
Então, não dá mais para resistir. É melhor os professores rapidamente 
reverem suas práticas e compreenderem que precisam se atualizar, que 
necessitam de novas competências para essa nova forma de educação.
Um outro ponto de vista precisa ser incluído aqui. É preciso que 
o uso das tecnologias não seja visto somente como recurso às aulas, 
mas também como um tema sobre o qual os alunos vão construir 
conhecimentos. Assim, além de usar as tecnologias para suas apren-
dizagens, os alunos também vão aprender sobre as tecnologias, os 
seus usos, as suas limitações, a ética que envolve as postagens, a 
análise de comportamento e muitos outros temas, a depender da 
idade dos alunos e da criatividade do professor.
Para ser esse profissional que vai usar as tecnologias em seu co-
tidiano e explorar novas possibilidades dentro das aulas, o professor 
também precisa desenvolver suas capacidades frente ao novo. Com 
base em Bates (2016), indicamos sete pontos que o professor pode me-
lhorar para corresponder aos novos tempos:
1. Desenvolvimento de habilidades de comunicação
2. Capacidade de aprender de modo independente
3. Respeito à ética e responsabilidade
4. Trabalho em equipe e flexibilidade
5. Desenvolvimento e habilidades de pensamento
6. Desenvolvimento de competências digitais
7. Gestão do conhecimento
No vídeo Especial Tecno-
logia na Educação – Por 
que usar tecnologia?, pu-
blicado pelo canal Porvir 
Educação, Anna Penido, 
diretora do Instituto Ins-
pirare, fala do impacto da 
tecnologia na educação e 
por que é urgente adotá-
-la na realidade brasileira. 
É um vídeo curto, com 
muitas informações. Não 
deixe de assistir!
Disponível em: https://youtu.be/
IzsHAiCvxR8. Acesso em: 9 fev. 
2021.
Como estão as suas 
competências digi-
tais? Quer fazer uma 
autoavaliação sobre isso? 
Acesse o site Guia Edutec 
e verifique no que você 
precisa desenvolver-se 
profissionalmente para 
ser considerado um 
educador competente 
tecnologicamente.
Disponível em: https://guiaedutec.
com.br/educador. Acesso em: 9 
fev. 2021.
Dica
Vídeo
https://youtu.be/IzsHAiCvxR8
https://youtu.be/IzsHAiCvxR8
https://guiaedutec.com.br/educador
https://guiaedutec.com.br/educador
A vida presente na escola 49
Vejamos com mais detalhes cada um deles.
Hoje em dia, as formas de comunicação mudaram muito, então 
o professor precisa incluir no seu rol de competências, além de ler, 
falar e escrever com coerência e clareza, capacidades como gravar 
um vídeo, escrever num blog, propor chats e fóruns virtuais, com-
partilhar informações de diferentes formas, até realizar pequenas 
edições de vídeo. Claro que ele não precisa obrigatoriamente fazer 
tudo isso, porque não se espera dele que seja um design instrucional. 
Mas o professor precisa conhecer as diferentes linguagens e assim 
desenvolver suas habilidades de comunicação – mesmo que seja 
para explicar a quem vai fazer o trabalho de edição, por exemplo, 
o que ele deseja. Não vamos descaracterizar a função do professor, 
apenas sugerimos que ele esteja aberto a conhecer e a desenvolver 
suas competências digitais. Não se trata também de deixar o recur-
so ficar mais importante que o discurso, mas cada nova ferramenta 
requer uma linguagem própria e é sobre conhecer essa nova lingua-
gem que estamos falando.
O professor precisa trabalhar a sua capacidade de aprender de 
modo independente, saber onde buscar as novas informações, seja 
com o aprendizado de manejo de diferentes objetos (computador, 
celular, impressora,scanner) ou novas teorias (nos cursos especí-
ficos ou de formação continuada, ou nas palestras de autores que 
tratam de temas contemporâneos). É o professor que deve assumir 
a responsabilidade de sua formação.
Lidar com o mundo tecnológico requer muito cuidado com a ex-
posição que ele gera. Por isso, responsabilidade redobrada e atenção 
à ética são pontos relevantes nas novas competências do professor.
O mundo virtual possibilita contatos que podem fazer a diferen-
ça para a realização de um trabalho. Por isso, a atuação colaborati-
va, com trabalho em equipe e partilhado, é muito melhor do que o 
trabalho isolado. Essa é outra grande competência do mundo tec-
nológico: o trabalho colaborativo. Aliado ao trabalho que se realiza 
em conjunto vem a flexibilidade dessa relação: é possível contatar 
professores do Brasil todo (e com recursos de tradução, do mun-
do todo) e conhecer experiências em espaços virtuais acessados a 
qualquer tempo e local. O professor torna-se mais flexível com as 
O Currículo de Referência 
em Tecnologia e Computa-
ção é um material muito 
interessante, elaborado 
pelo Centro de Inovação 
para a Educação Brasi-
leira (CIEB) e que pode 
ajudar os profissionais na 
composição de um currí-
culo o qual contemple o 
uso ativo das TDICs nas 
escolas. É um documento 
bem completo que conta 
inclusive com a listagem 
de habilidades a serem 
desenvolvidas nos alunos 
de acordo com a BNCC. 
Além disso, orienta todos 
os passos para montar 
um currículo contem-
plando a adoção das 
tecnologias. Não deixe de 
conhecer esse material.
Disponível em: https://curriculo.
cieb.net.br/. Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
https://curriculo.cieb.net.br/
https://curriculo.cieb.net.br/
50 Novos paradigmas educacionais
ideias (uma vez que amplia significativamente seu campo de conhe-
cimento), com o gerenciamento de tempo (porque pode acessar nos 
seus horários possíveis) e de local (porque o espaço geográfico não 
é significativo nas tecnologias digitais). A flexibilidade é uma compe-
tência a ser adquirida quando em contato com tecnologias digitais, 
pois elas poderão abrir novas oportunidades.
O desenvolvimento de habilidades de pensamento é muito neces-
sário no contexto da modernidade, pois elas permitem que o pro-
fessor possa ter pensamento crítico, resolver problemas com mais 
facilidade, demostrar criatividade, compor seu trabalho com origina-
lidade e elaborar estratégias eficientes para cumprir seus objetivos.
Se há uma competência que o professor precisa muito desen-
volver é a de conhecer recursos tecnológicos que possam ajudar na 
sua área. Não se trata só de usar ou não o computador, e sim de co-
nhecer programas, sites, fóruns de discussão que possam fomentar 
cada vez mais os assuntos sobre os quais leciona, tanto para a sua 
formação pessoal quanto para a formação de seus alunos. Então, a 
competência digital não requer só o conhecimento do recurso, mas 
também o bom uso dele.
Nunca a frase “o conhecimento pode ser ampliado rapidamente” 
teve tanto sentido quanto atualmente. Os recursos tecnológicos dão 
uma dimensão tão rápida de como encontrar tudo sobre qualquer 
assunto que é fácil se perder em meio a tanta informação, inclusive 
sobre notícias não verdadeiras, as chamadas fake news. É por isso 
que a gestão do conhecimento é uma competência necessária ao 
professor; é preciso que ele saiba como encontrar, avaliar, analisar, 
aplicar e divulgar as informações de determinado contexto, e possa 
ensinar isso aos seus alunos.
Trata-se de novas competências para um novo professor, aque-
le que atuará em consonância com seu tempo, atento ao contexto 
atual, lecionando com recursos tecnológicos que fazem parte da sua 
vida e principalmente da vida de seus estudantes. Aquele entende-
dor de que a aprendizagem pode se tornar muito mais envolvente 
se realizada com recursos que, além de encantar, desafiam e es-
timulam. Então, não esqueça: a experiência de aprender pode ser 
ampliada significativamente com o uso dos recursos tecnológicos.
Certamente, nunca as 
habilidades de comunicação e 
as competências digitais dos 
professores no nosso país tinham 
sido tão exigidas como quando 
precisaram passar a dar aulas 
on-line por causa da pandemia 
do coronavírus. E você? Teve 
que se adaptar a essa realidade 
como professor? Como aluno? 
Como pai ou mãe? Como foi essa 
experiência?
Para re�etir
A vida presente na escola 51
Ampliando seus conhecimentos
 • Filme
O filme Sociedade dos poetas mortos é um clássico! Lançado em 1989, 
ainda tem muito a ensinar. Mostra as ações do professor John Keating 
na tentativa de revolucionar a forma de ensinar em uma escola muito 
tradicional dos Estados Unidos. Um excelente exemplo da educação 
disruptiva, incluindo as dificuldades de fazer isso acontecer.
Direção: Peter Weir. Estados Unidos: Disney; Buena Vista, 1989.
 • Livro
Uma das maiores estudiosas sobre mindset é a psi-
cóloga Carol Dweck. No livro Mindset: a nova psico-
logia do sucesso você vai encontrar, além de muitos 
exemplos, alguns testes para identificar e desenvol-
ver a sua configuração mental.
DWECK, C. S. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Romper com o estabelecido e implantar o novo na escola pode fazer a di-
ferença na qualidade da educação ministrada. A chamada educação disruptiva 
surge como uma alternativa para que a escola possa eliminar de vez práticas 
ultrapassadas, rompendo com paradigmas e estereótipos e inovando.
É preciso, no entanto, que o profissional envolvido não meça esforços 
para conseguir a mudança por meio da inovação, inclusive programando seu 
modelo mental para um crescimento cada vez maior, e igualmente ajudando 
a desenvolver atitudes de mindset de crescimento nos seus alunos também. 
O profissional com esse tipo de configuração mental terá infinitas possibili-
dades de fazer um trabalho diferenciado na escola e de colher resultados 
melhores na instituição de ensino inovadora que deseja.
Não dá para considerar uma escola inovadora apenas pelo uso de tec-
nologias como notebooks, tablets, telefones celulares ou computadores. Por 
outro lado, também não dá para considerá-la inovadora se não utilizar ne-
nhum desses elementos tecnológicos. Como equacionar tudo isso? É preci-
so que a prática pedagógica proposta com esses recursos faça a diferença. 
Inovar, portanto, não é somente implementar novas tecnologias no cotidiano 
escolar, e sim garantir que o uso dessas tecnologias esteja aliado a um pro-
jeto pedagógico eficiente, a fim de assegurar o desenvolvimento das compe-
tências que os alunos precisam para viver no mundo contemporâneo.
52 Novos paradigmas educacionais
ATIVIDADES
1. O que é mindset e qual é a diferença entre mindset fixo e de crescimento?
2. O que é educação disruptiva? Qual é a relação da educação disruptiva 
e da tecnologia?
3. Cite dois pontos favoráveis que justifiquem a implantação das 
tecnologias na escola.
REFERÊNCIAS
BATES, T. Educar na era digital: design, ensino e aprendizagem. São Paulo: Artesanato 
Educacional, 2016.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018. 
Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_
versaofinal_site.pdf. Acesso em: 9 fev. 2021.
CAMARGO, F. A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o 
aprendizado ativo. Porto Alegre: Penso, 2018.
CHRISTENSEN, C. M.; HORN, M. B.; JOHNSON, C. W. Inovação na sala de aula: como a 
inovação disruptiva muda a forma de aprender. Porto Alegre: Bookman, 2012.
DWECK, C. S. Mindset: a nova psicologia do sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2017.
GARDNER, H. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 1995.
METRING, N. Mindset: o que é e como ele determina os resultados da sua vida? 
Administradores.com, 28 nov. 2016. Disponível em: https://administradores.com.br/
artigos/mindset-o-que-e-e-como-ele-determina-os-resultados-da-sua-vida. Acesso em: 9 
fev. 2021.
O QUE os dados do Pisa 2018 dizem sobre a educaçãono Brasil. Desafios da educação, 
3 dez. 2019. Disponível em: https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/pisa-2018-
educacao-brasil/. Acesso em: 9 fev. 2021.
ROSA, F. R. Aprendizagem móvel no Brasil: gestão e implementação das políticas atuais e 
perspectivas futuras. São Paulo: Zinnerama, 2015.
SALOMÃO, K. De desempregado a bilionário: a vida do CEO do Airbnb. Exame, 20 out. 
2017. Disponível em: https://exame.com/negocios/de-desempregado-a-bilionario-a-vida-
do-ceo-do-airbnb/. Acesso em: 9 fev. 2021.
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
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https://administradores.com.br/artigos/mindset-o-que-e-e-como-ele-determina-os-resultados-da-sua-vida
https://administradores.com.br/artigos/mindset-o-que-e-e-como-ele-determina-os-resultados-da-sua-vida
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/pisa-2018-educacao-brasil/
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/pisa-2018-educacao-brasil/
https://exame.com/negocios/de-desempregado-a-bilionario-a-vida-do-ceo-do-airbnb/
https://exame.com/negocios/de-desempregado-a-bilionario-a-vida-do-ceo-do-airbnb/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 53
3
Planejamento e uso criativo 
de ferramentas digitais
A professora Gisele planejava uma aula significativa sobre as di-
ferentes estações do ano. Consultando alguns materiais didáticos, 
encontrou dificuldades pois percebeu que eles indicavam que ela 
deveria incluir informações sobre trajes adequados às diferentes 
estações climáticas. Estava posto o problema: Gisele e seus alunos 
moram no Nordeste brasileiro, região em que mesmo no inverno 
faz calor de 26 a 30 graus, e dessa forma certamente os trajes uti-
lizados pelas pessoas não se assemelhavam aos propostos pelo 
material didático disponível.
O inverno quente no Nordeste foi a oportunidade para que os 
alunos pesquisassem sobre as estações climáticas e, compartilhan-
do os resultados, pudessem analisar e descobrir que, no Brasil, as di-
ferentes estações do ano não são claramente percebidas em todas 
as regiões (variando até mesmo entre estados da mesma região).
A professora publicou um texto em suas redes sociais e no ou-
tro lado do país, morando na região Sul, a professora Carla pela 
primeira vez pensou que precisava explicar aos seus alunos a di-
ferença de temperatura presente no Brasil. Assim, um conteúdo 
tão simples foi sendo tomado pelo viés da pesquisa e da reflexão, 
primeiro porque houve um questionamento por parte de uma 
professora e depois, com a ajuda das tecnologias, houve a possibi-
lidade de que essa nova percepção alcançasse outras realidades.
Quer repensar algumas práticas? Então vem com a gente na 
direção da reflexão sobre curadoria de conteúdo e propostas me-
todológicas ativas e colaborativas.
54 Novos paradigmas educacionais
3.1 Curadoria de conteúdo 
Vídeo Você consegue imaginar algum assunto que não esteja incluído num 
site de pesquisa, especialmente no maior de todos, o Google? É tão difí-
cil encontrar isso que a expressão “dar um google” já se tornou popular 
quando desejamos saber mais sobre qualquer assunto, correto?
Agora imagine que você precise fazer uma lista manual de tudo o 
que já pesquisou nos sites de busca. Que tamanho ela teria? Não é 
preciso ser muito bom em adivinhação para dizer que esse seria um 
trabalho que demandaria muita energia e tempo e resultaria numa lis-
ta imensa, pois provavelmente, como nativo digital, você já fez as mais 
variadas pesquisas no Google.
Mas poderíamos propor que você categorizasse as suas buscas; 
por exemplo, você já pesquisou sobre: receitas de comidas, modelos 
de plano de aula, terapias alternativas, locais para viagens em famí-
lia. Assim, embora a lista ainda continue muito grande, já é possível 
fazer uma prévia de quanto conteúdo nos cerca, não é? E princi-
palmente quais são os conteúdos de seu interesse. Então, vamos 
ampliar o assunto para o tema principal da discussão: estamos cer-
cados de conteúdo e de informação por todos os lados, e as tecno-
logias digitais ajudaram a tornar isso cada vez mais evidente, seja 
em sites específicos de geração de conteúdo, seja em publicidade 
e propaganda, ou em jogos; em qualquer lugar que se procure no 
mundo virtual há uma informação ou um conteúdo (ou mais, simul-
taneamente) sendo divulgado.
Voltando um passo na reflexão, para antes das tecnologias digitais, a 
bem da verdade, é preciso considerar que sempre estivemos cercados 
de conteúdo e de informação, desde as conversas com idosos, que nos 
povoavam a mente com reflexões da vida da época deles, e as histórias 
dos mais variados assuntos nos livros e nos filmes, até em cadernos de 
receita familiares, que passaram de geração em geração e ainda trazem 
um gostinho de infância quando os pratos são preparados. Os conteú-
dos e as informações sempre estiveram em nosso entorno.
Mas hoje é diferente. O que mudou? Sem dúvida a velocidade com 
que as informações e o conteúdo são propagados e a quantidade dis-
ponível, sem contar a facilidade de conseguir acesso aos mais variados 
assuntos e temas. Veja só: é possível aprender pratos de culinária de 
O Google processa mais de 
40 mil consultas de pesquisa a 
cada segundo, o que significa 
que há mais de 3,5 bilhões de 
pesquisas sendo feitas por dia e 
1,2 trilhão de pesquisas por ano 
em todo o mundo. Apenas para 
você entender o crescimento 
da plataforma, em setembro 
de 1998, quando foi criado, 
o Google processava 10 mil 
consultas por dia. Em 2006, esse 
número era processado em um 
único segundo.
Curiosidade
Os conteúdos que nos 
cercam no mundo digital 
não estão disponíveis 
apenas em sites de busca 
como o Google. Eles tam-
bém estão presentes nas 
redes sociais, por exem-
plo, Facebook, Instagram, 
Pinterest, Snapchat 
(para citar só alguns). O 
documentário O dilema 
das redes sociais propõe 
uma reflexão sobre o 
uso desses recursos e o 
quanto podemos estar 
expostos com seu uso 
desmedido. Imperdível, 
é um documentário que 
inspira reflexão sobre o 
tema.
Direção: Jeff Orlowski. Estados 
Unidos: Exposure Labs; Argent 
Pictures; The Space Program, 2020.
Documentário
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 55
chefes de cozinha apenas acessando as receitas, que vêm também com 
vídeos que explicam como fazê-las. É possível aprender a consertar sua 
máquina de lavar (com alguma habilidade, é verdade), e somente assis-
tindo aos vídeos de pessoas comuns é capaz de aprender técnicas de 
decoração e maneiras de mudar ambientes em sua própria casa. Abso-
lutamente tudo se encontra on-line, bem explicado e fácil de achar.
Assim, graças à disseminação propagada pelas tecnologias digitais 
da informação e da comunicação (TDICs), temos hoje disponíveis uma 
infinidade de informações sobre tudo que se pensar.
Se a quantidade de assuntos e de informações disponíveis modifi-
ca nosso modo de viver, é natural que mude também nosso modo de 
educar. Por isso, afirmamos que essa quantidade de informações e de 
conteúdos disponíveis on-line não passou ilesa à escola, ao contrário, 
afetou sensivelmente o ambiente escolar. De certa forma, essa possi-
bilidade de saber sobre qualquer assunto e em qualquer tempo – bas-
tando ter acesso à internet – retirou da escola a posição de detentora 
das informações e, com isso, gerou certa reestruturação no formato 
das aulas. Em alguns casos, a escola “briga” com a tecnologia, tentando 
ignorar seu poder e suas possibilidades, mas nas instituições que já 
entenderam que não é possível educar sem tecnologia, esta permitiu 
avanços e questionamentos.
Sem entrarmos aqui no mérito da qualidade de todas as informa-
ções disponíveis e atentando para o fato de que há a necessária media-
ção dos professores para o bom uso das tecnologias na escola, o que 
pretendemos destacar é que diante de tanta informação disponível a 
escola e os sistemas de ensino precisaram repensar suas escolhas de 
conteúdos, além, é claro, da forma como os disponibilizarãoa seus alu-
nos, tendo o tempo destinado a essas ações e a profundidade do ensi-
no como base para essa função.
É importante destacarmos que a decisão das aprendizagens que os 
alunos devem desenvolver nas escolas e nos sistemas de ensino é de-
terminada pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC (BRASIL, 2018). 
Ela é um documento normativo que define o conjunto de aprendiza-
gens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo da 
educação básica. Observe que a BNCC não é um currículo único para 
todos os estados do país, e sim um conjunto de referências e normas 
para que cada estado, escola ou sistema de ensino crie seu currículo.
Para prender a atenção 
dos alunos no mundo 
contemporâneo, é preci-
so uma escola inovadora 
em metodologias que 
incluam tecnologias que 
tornem o ensino cada vez 
mais atual e moder-
no. O texto Entenda a 
importância da tecnologia 
na educação atual elenca 
alguns benefícios que a 
tecnologia pode disponi-
bilizar para a educação 
nos dias de hoje. É uma 
leitura rápida e esclare-
cedora.
Disponível em: https://catracalivre.
com.br/educacao/entenda-a-
importancia-da-tecnologia-na-
educacao-atual/. Acesso em: 9 
fev. 2021.
Leitura
https://catracalivre.com.br/educacao/entenda-a-importancia-da-tecnologia-na-educacao-atual
https://catracalivre.com.br/educacao/entenda-a-importancia-da-tecnologia-na-educacao-atual
https://catracalivre.com.br/educacao/entenda-a-importancia-da-tecnologia-na-educacao-atual
https://catracalivre.com.br/educacao/entenda-a-importancia-da-tecnologia-na-educacao-atual
56 Novos paradigmas educacionais
A Base estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que 
todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica. Orientada pelos 
princípios éticos, políticos e estéticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais 
da Educação Básica, a BNCC soma-se aos propósitos que direcionam a educação bra-
sileira para a formação humana integral e para a construção de uma sociedade justa, 
democrática e inclusiva.
Dessa forma, mesmo com um documento com referências com-
pletas sobre as competências necessárias para a construção de sabe-
res na educação básica, sobra muito espaço para as escolas trazerem 
conteúdos e metodologias de interesse dos alunos que possibilitem 
ensino com significado e, assim, com melhor qualidade. E é isto que 
diferenciará uma escola da outra: o que ela fará a mais, o que trará 
com mais profundidade, os formatos diferentes de ensino e a escolha 
significativa de conteúdo.
Neste momento entra a importância da curadoria de conteúdo, cujo 
conceito precisa ser bem entendido: “a palavra curadoria tem origem 
epistemológica na expressão que vem do latim curator, que significa 
tutor, ou seja, aquele que tem uma administração a seu cuidado, sob 
sua responsabilidade” (MARTINS, 2006, p. 4).
O ato de curar aqui explorado está ligado ao cuidado, à atenção e 
à responsabilidade. Abra o pensamento, não estamos falando de curar 
como algo que foi machucado ou ofendido e precisa de cura, mas de 
outro aspecto da palavra curar, que envolve cuidado, atenção e esco-
lha. Nesse caso, pense, por exemplo, num curador de obras de arte, 
que em linhas gerais é quem seleciona as obras e organiza uma mostra 
de algum artista ou de uma galeria de arte. Ou um curador das músi-
cas de alguma novela ou série que está sendo transmitida: aquele que 
escolherá quais músicas farão parte do repertório, qual agradará mais, 
qual combina com a personagem em questão. Não são escolhas alea-
tórias, tal profissional precisa conhecer o artista que vai representar 
para escolher as suas obras, compreender o perfil do público, além de 
entender da própria organização do material disponível. Esse é o cura-
dor de conteúdo.
É sob esse ponto de vista que propomos o conceito de curadoria 
de conteúdo na escola, a chamada curadoria educacional. Caberá ao 
Para conhecer o texto 
da BNCC, acesse o site a 
seguir.
Disponível em: http://
basenacionalcomum.mec.gov.br/. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Site
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 57
professor, junto à equipe pedagógica, a escolha dos conteúdos a serem 
trabalhados nas salas de aula, obviamente, como já destacamos, levan-
do em consideração os preceitos legais, no caso, respeitando a BNCC. 
Essa escolha de conteúdo pressupõe o conhecimento do interesse dos 
alunos, o tempo destinado a cada conteúdo trabalhado, a relação de 
conteúdo com as aprendizagens diversas dos alunos e, principalmente, 
a dedicação, o critério e o conhecimento para trazer aos alunos con-
teúdos significativos e atuais que não só transmitam informações, mas 
também possam gerar reflexão. As reflexões caminham em direção às 
seguintes questões: o que pode ser interessante a este grupo? Por que 
escolher este ou aquele conteúdo? Qual é o perfil do público que de-
sejo atingir? E quais projetos posso elaborar para tornar significativa a 
aprendizagem de meus alunos? Essas são perguntas que devem nor-
tear o trabalho.
A curadoria de conteúdo pode parecer simples, mas precisa ser en-
carada como um trabalho muito sério. Considere que a facilidade de 
acesso a uma quantidade imensa de conteúdo e de informações e a 
velocidade com que isso é feito poderão ter como resposta alunos (e 
professores) perdidos no meio de tanta informação.
Uma coisa é certa: não há como conceber uma educação moderna, 
hoje em dia, que não esteja conectada à realidade tecnológica. Assim, 
as redes sociais, os sites de busca e os aplicativos fornecerão aos alu-
nos muito mais informação do que qualquer professor possa pensar. 
Como lidar com tudo isso? Como evitar que a grande quantidade de 
informação disposta na internet não acabe causando mais confusão 
do que educação?
O montante de informações disponíveis requererá do professor um 
trabalho de curadoria. Fará diferença a forma com que ele escolherá 
potencializar suas aulas: os recursos, as imagens, as experiências pro-
postas e disponibilizadas; aquilo que trará ao aluno condições de refle-
tir, de pensar, de formar um conhecimento sólido – mais crítico –, o que 
se transformará em uma experiência de aprendizagem.
É preciso considerar que fazer o aluno refletir, experienciar, pensar 
e seguir linhas de seu interesse não é, por assim dizer, novidade nos 
preceitos educacionais. A proposta educativa da escola nova já preconi-
zava a importância da experiência do aluno em sobreposição à simples 
fala do professor nas aulas tradicionais. Naquele contexto, destacava-
58 Novos paradigmas educacionais
-se que as palavras do educador nunca seriam maiores que as expe-
riências do educando frente àquilo que se busca conhecer. Os tempos 
mudaram, outras propostas pedagógicas foram surgindo, mas a ideia 
de que o aluno precisa aprender sendo sujeito de sua aprendizagem 
permanece e pode encontrar seu lugar com o uso das tecnologias no 
ambiente escolar.
Há um passo importante a ser dado no sentido de educar com 
tecnologias: a superação do simples consumo de informação para 
a transformação obtida com a aprendizagem. Esta precisa ter sen-
tido, e o papel dos professores cada vez mais se direciona para 
ajudar seu aluno a construir sua autoria, sua criticidade, não só a 
consumir informações.
Existe um outro ponto que merece destaque na reflexão sobre as 
informações disponíveis por meio dos recursos tecnológicos. Os alunos 
– assim como as outras pessoas da comunidade escolar – não serão 
meros expectadores, nem apenas consumidores das informações/con-
teúdos; eles serão também produtores de conteúdo, uma vez que as 
tecnologias oferecem cada vez mais essa possibilidade. Os alunos pro-
duzem lives, vídeos, são youtubers, portanto, ao fazer sua curadoria, o 
professor precisa incluir espaços de criação. Lembre-se de que, atual-
mente, qualquer pessoa com um smartphone em mãos pode produ-
zir conteúdo e ressignificar informações. A ideia é ensinar ou explorar 
esse conhecimento doaluno para aprendizagens e reflexões positivas 
que possam de fato suscitar aprendizagens.
Quando faz uma curadoria de conteúdo, o professor é capaz 
de agregar novas e inusitadas perspectivas à informação, ofere-
cendo a seus alunos a surpresa, o inesperado ou aquilo que eles 
nem imaginariam existir no mundo: a ampliação de sua realidade 
(SOUZA; VIEIRA, 2016). Isso fará nascer possibilidades de compreen-
sões de mundo que levarão à criticidade e à reflexão e, em conse-
quência, a cidadãos mais engajados, seres pensantes, não apenas 
consumidores desenfreados.
Essa curadoria é realmente uma escolha. Talvez seja melhor dizer 
“A” escolha, enfatizando a importância desta. Trata-se de o professor 
escolher como serão as aulas, como será o caminho da aprendizagem 
de cada conteúdo, como serão as atividades propostas e como a tecno-
logia potencializará a educação.
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 59
Mas isso não é o que o professor já faz? Não é o planejamento? 
Talvez você pense que essa escolha já é feita, que há uma curado-
ria de informações e conteúdos quando o professor planeja uma 
aula, pois ele escolhe as informações que disponibilizará aos alunos 
e a forma como trabalhará cada conteúdo. Esse pensamento está 
correto; o professor faz uma curadoria quando planeja. O que está 
se propondo aqui é a curadoria de conteúdo aliada à potência dos 
recursos digitais.
Nesse caso, a noção de aula é ampliada: de apenas um encontro 
para transmissão de conteúdo, para uma experiência diferenciada 
que envolve a pesquisa do professor, a prévia seleção de materiais 
e, se preciso, certa adaptação do que será ofertado e principalmente 
a ação do aluno (LOPES; SOMMER; SCHMIDT, 2014).
A curadoria de conteúdos propõe um desafio e novas possibilida-
des ao professor. Estamos vivenciando a era digital, já percebemos 
que o digital é parte importante e relevante da aprendizagem hu-
mana, seja ela formal ou não formal. Então, é hora de escolhermos 
propostas interessantes de educação que envolvam essa tecnologia 
e suas milhares possibilidades. É hora de envolvermos a participa-
ção e a interatividade dos alunos em projetos de comunicação que 
gerarão interesse, farão as aulas serem mais criativas, interessantes 
e com muito maior chance de gerar aprendizagens reais, explorando 
as competências digitais dos alunos.
Fazer o trabalho de curadoria educacional é considerar trabalhar 
com projetos que se ampliam pela pesquisa, otimizados pela media-
ção tecnológica. Isso exigirá dos professores inovação, não apenas 
no discurso, mas na prática pedagógica (GARCIA; CZESZAK, 2020).
É preciso refletir que para alguns professores isso é desafiador, 
realmente, e difícil. Sim, é difícil trabalhar com o que não estamos 
acostumados, com o que não dominamos ou conhecemos na pro-
fundidade. Muitos de nós, professores, nascemos quando não havia 
celular, não havia grupo de mensagens, nem a possibilidade de pes-
quisar na internet. Nossas pesquisas foram feitas em livros grossos 
nas bibliotecas das escolas ou em casa nas enciclopédias com mui-
tos volumes que as famílias compravam e ostentavam na sala. O 
saber que conhecíamos estava escrito ali, as informações que rece-
bíamos eram repassadas por jornal ou rádio (sim, alguns nasceram 
60 Novos paradigmas educacionais
antes da televisão). Logo, pode ser difícil para alguns de nós traba-
lhar com tecnologias digitais e é compreensível que seja. A questão 
é que é necessário.
Diante disso, o que fazer? Sem dúvida, encarar a modernidade. 
Quando uma pessoa escolhe ser professor, sabe da necessidade in-
trínseca de formação e de atualização constante. Entende que preci-
sará pesquisar e adequar suas propostas educativas à geração que 
pretende educar. E é isso que a curadoria de conteúdo e a potencia-
lidade da educação digital oportunizarão.
3.2 Criatividade no uso das tecnologias 
na escola 
Vídeo Falar em criatividade no ambiente educacional não é somente 
tratar de aulas divertidas. É considerar, especialmente, aulas que 
têm como proposta ensinar ao mesmo tempo em que retiram o alu-
no da posição de passividade. Observe que a palavra criatividade é 
uma junção de duas ideias: criar e atividade. Isso já deve fornecer ao 
professor pistas de como deve ser o trabalho educativo: envolvendo 
criação e ação. Mas quem deve ser o protagonista destas?
É aí que impera a diferença. Por muito tempo na escola o prota-
gonista da aula foi o professor. No caso dos professores de crian-
ças da educação básica, isso foi mais relevante ainda: o professor 
explicava, levava material para o aluno colorir, recortar ou após a sua 
explanação solicitava um registro no caderno, mas sob todos os pon-
tos de vista era o professor quem dominava a aula. Cabia aos alunos 
somente ouvir e reproduzir o que o professor pedia.
Mas a concepção dessa aula mudou. O papel de protagonista está 
cada vez mais sendo ofertado ao aluno, de maneira que ele possa 
ser desafiado, buscar respostas, construir seu conhecimento. É para 
esta direção que apontam as pesquisas e os estudos mais moder-
nos: o aluno precisa ser protagonista de sua própria aprendizagem. 
Mas isso não significa que o papel do professor foi ou será extinto. 
O papel do professor é importantíssimo, pois é ele quem ofertará 
as experiências para que a aprendizagem do aluno aconteça. O pro-
fessor é o mediador do conhecimento do aluno.
O uso de recursos tecnológicos 
na escola precisa tirar o professor 
da função de protagonista da 
aula e deixar o aluno descobrir, 
pesquisar e ser sujeito da sua 
própria aprendizagem.
Atenção
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 61
Cabe, portanto, ao professor ser criativo na escolha dos recursos 
para ensinar, na oferta de propostas pedagógicas e na curadoria de 
conteúdo. As aulas precisam ser criativas e interessantes. Lembre-se: 
criar em atividade. As propostas educativas precisam esquecer a ideia 
de alunos apenas ouvindo o professor ou assistindo a aulas expositi-
vas; eles precisam participar.
Crianças aprendem em movimento. E não se trata somente de 
movimento físico, embora este também seja muito importante, mas 
o movimento mental de procurar, questionar, refletir, pensar sobre de-
terminado assunto, elaborar estratégias, levantar hipóteses. O aluno 
passivo tem menos chances de aprender do que aquele que está em 
movimento – realizando tarefas, buscando informações, analisando 
pontos de vistas diferentes.
Entendemos que o uso das tecnologias da informação e comunica-
ção é uma das melhores formas de fazer com que a criatividade seja 
exercitada. As ferramentas digitais podem trazer grande vantagem às 
aulas porque fazem com que o aluno seja instigado a buscar, a pes-
quisar, a saber mais. E por serem atraentes aos alunos, trazem mais 
possibilidades de interesse e desafios aos que aprendem.
É necessário pontuarmos que as tecnologias digitais da informação 
e da comunicação, as chamadas ferramentas digitais, devem ser aliadas 
da educação presencial. Precisamos lembrar que a educação de crian-
ças não foi feita para ser a distância ou virtual, ao contrário, ela requer 
proximidade, afeto, toque, presença real. Mas é primordial considerar 
que a força das tecnologias é tão intensa na sociedade que a escola 
necessita adaptar algumas de suas propostas e inserir tais tecnologias 
como parte de seu processo educativo. O digital está presente em to-
dos os aspectos da vida humana, não há como ignorá-lo. Na escola da 
educação básica, ensinar e aprender sem o digital é como privar os 
estudantes de ricas oportunidades de vivências importantes que farão 
diferença em sua vida pessoal, profissional (no caso dos alunos do en-
sino médio) e social (MORAN, 2020).
A experiência vivida no Brasil a partir de março de 2020 requereu 
dos professores de crianças muito estudo e dedicação. Rapidamen-
te as escolas de todo o país foram fechando suas portas, pois com 
a periculosidade da Covid-19 não se podia permitir mais o contato 
entre as pessoas.
62 Novossem saber que seu estudo não apenas questionou o paradigma 
vigente, mas também serviu de base para diversos outros estudos 
e, com isso, para o avanço da ciência.
Certamente você reconhece que estamos falando de Galileu 
Galilei, físico italiano cujos estudos revolucionaram o que se co-
nhecia sobre astronomia e física. A história de Galileu ilustra nosso 
raciocínio sobre mudanças de pensamento necessárias e nos re-
mete às dificuldades encontradas para fazê-lo.
Assim também ocorre no campo educacional, em que desafios 
estão constantemente surgindo, fazendo com que professores e 
equipes pedagógicas constantemente repensem seus propósitos e 
sua conduta. A dificuldade e o desafio de repensar e a necessidade 
de flexibilidade na atuação docente serão os temas tratados ao 
longo deste capítulo.
10 Novos paradigmas educacionais
1.1 Paradigmas educacionais da 
contemporaneidade 
Vídeo Ao longo de sua história, a educação adotou vários formatos, de-
pendendo da época e das ideias vigentes. Convidamos você a relem-
brar a educação pelo debate de ideias, defendida pelo filósofo grego 
Sócrates (470-399 a.C.), em que o diálogo era pano de fundo para 
que as pessoas, de modo geral, pensassem por si mesmas e sobre si 
mesmas. Considere na sua lembrança que Sócrates tinha um método 
diferenciado de ensinar, que pregava a reflexão oral sobre os temas, 
especialmente sobre aqueles de natureza humana. Quando era ques-
tionado por seus discípulos, respondia às dúvidas com outras pergun-
tas, que, segundo ele, faziam seus alunos pensarem sobre o assunto 
discutido e encontrarem suas próprias respostas. Sócrates acreditava 
que a educação deveria despertar nas pessoas um repensar de suas 
próprias ideias, no intuito de que somente o conhecimento interior 
poderia levar à construção de conceitos  (FRAZÃO, 2019). Como não 
deixou nenhum texto escrito, suas ideias foram difundidas pelos seus 
mais conhecidos discípulos, Platão e posteriormente Aristóteles, que 
mesmo nascendo 15 anos após o falecimento de Sócrates, foi um im-
portante estudioso da obra deste.
Num salto histórico, há o grande período em que os jesuítas im-
primiram no mundo sua forma de educar, tendo como argumento e 
modelo principal a formação moral e religiosa atrelada à educacional. 
A Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada em 1534, destacava 
que a religião deveria ser um dos pilares de toda a instrução jesuítica, 
como destacado no documento Ratio Studiorum, cuja primeira edição 
data de 1599. O Ratio Studiorum foi escrito como um conjunto de nor-
mas para regulamentar o ensino dos colégios jesuítas no mundo. Nele, 
os preceitos da educação jesuíta foram defendidos e explicados em 
467 regras (TOYSHIMA; MONTAGNOLI; COSTA, 2012).
Observe que os jesuítas foram considerados arrojados em sua pro-
posta educativa no Ratio Studiorum, pois defendiam a ideia de que era 
necessário elogiar e incentivar as produções dos alunos, em detrimen-
to dos castigos físicos permitidos na época. Não que eles tivessem de 
fato eliminado todo castigo (a palmatória era utilizada), mas a inovação 
estava realmente na ideia do incentivo, da premiação dos melhores 
Propósito educativo e desafios cotidianos 11
alunos e de sua dedicação. Você pode estar pensando que hoje obvia-
mente se entende como melhor a ideia de incentivar os alunos no lugar 
de castigá-los por não corresponderem ao que se espera, mas volte 
no tempo em que essas ideias foram propostas, 1599, e aí sim essas 
palavras terão outro peso.
Para saber mais sobre o documento com os preceitos da educação jesuítica, 
acesse o artigo de Ana Maria da Silva Toyshima e Célio Juvenal Costa intitu-
lado O Ratio Studiorum e seus preceitos pedagógicos, apresentado e publicado 
no Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-graduação em Educação da 
Universidade Estadual de Maringá.
Acesso em: 9 fev. 2021. 
http://www.ppe.uem.br/publicacoes/seminario_ppe_2012/trabalhos/co_05/104.pdf
Artigo
Ao trazer à tona dois modelos de educação ao longo da história – 
sendo o primeiro de Sócrates, que defendia o método oral da reflexão, 
e o segundo dos jesuítas, focado na instrução atrelada à religiosidade –, 
não se pretende apenas uma pequena retrospectiva histórica, mas sim 
destacar a você a importância da compreensão de que nos diferentes 
períodos históricos houve diferentes formatos de educação.
A escolha de um formato de educação destinado a uma sociedade 
depende em grande parte dos valores que são comungados por ela, 
do acesso à informação e do que aquela sociedade “pensa”. Assim, 
ressaltamos que em tempos diferentes a educação apresentou dife-
rentes formatos e, da mesma forma, soluções diferentes para seus 
problemas. Vamos, portanto, evidenciar que há diferentes formatos 
de educação, considerando aqui que a educação é diferente em cada 
tempo histórico e que esses modelos são influenciados – e em alguns 
casos criados – pela sociedade da época. Também deve ficar nítido 
que não é só a época que define o formato da educação: ele também 
é definido pelo acesso às informações, pela atualização profissional e 
pela percepção da necessidade de mudança.
Essa relação entre época, valores praticados e acesso à informação 
precisa ser compreendida para que possamos avançar na definição do 
que estamos chamando aqui de paradigmas educacionais.
Tome como exemplo a instrução formal das mulheres no Brasil. No 
período colonial, a educação feminina era totalmente realizada no lar 
e voltada às atividades domésticas, porque se acreditava que a função 
http://www.ppe.uem.br/publicacoes/seminario_ppe_2012/trabalhos/co_05/104.pdf 
12 Novos paradigmas educacionais
das mulheres era cuidar bem do seu lar e posteriormente de sua fa-
mília. Somente a partir do século XIX as mulheres abastadas puderam 
frequentar colégios, para que pudessem aprender a se comportar na 
sociedade e respeitar o outro, em especial o seu companheiro, po-
rém não estudavam nenhuma disciplina que envolvesse cálculo; essas 
eram destinadas somente aos homens. Perceba a ideia implícita da 
mulher como alguém com capacidade inferior ao homem. Somente em 
1880 foram instauradas escolas para formar professoras (novamente 
apenas mulheres oriundas de classe social abastada), e outra vez a 
ideologia restringia à mulher somente tarefas de cuidados das crian-
ças pequenas, seja em casa ou na escola (RIBEIRO, 2000). As mulheres 
também não tiveram acesso a cursos superiores ou a qualquer ativi-
dade relacionada à política até fins do século XIX (STAMATTO, 2002), 
e, em pleno século XXI, você certamente continua escutando nas pro-
pagandas eleitorais frases sobre a importância das mulheres na polí-
tica, o que demonstra que ainda há muito a conquistar e consolidar 
sobre essa questão.
Obviamente há uma história de emancipação das mulheres em nos-
so país que merece ser destacada, mas é relevante relembrar o peso 
desse paradigma de inferioridade, que faz com que algumas pessoas 
considerem que apenas cabe às mulheres (não por escolha própria, 
porque nesse caso não seria um problema) a tarefa de cuidar da família 
e da casa ou, quando estudadas, de lecionar.
Desafiamos você com algumas perguntas: quantas mulheres engenhei-
ras você conhece? Quantas meninas que desejam ser engenheiras que 
você conhece relatam ter o apoio e incentivo dos pais ou familiares? Não 
se trata aqui de colocar em posição melhor os cursos de engenharia em 
relação aos de licenciatura, claro. Trata-se do desafio de quebrar as ideias 
ainda vigentes na sociedade de que profissões envolvendo cálculo não são 
adequadas para mulheres; ideias essas que impedem muitas pessoas de 
olhar para as mulheres como igualmente capazes em relação aos homens 
e, claro, eficientes nas atividades que envolvam cálculos matemáticos.
Com o avançar dos séculos e estudos, muita coisa mudou na reali-
dade feminina, mas a luta das mulheres para que suas escolhas profis-
sionais possam ser equiparadas as dos homens ainda é grande.
Nos tempos atuais há muitos modelos de educação, e eles tambémparadigmas educacionais
Sistemas de ensino precisaram se organizar para dar aulas virtuais 
transmitidas para os alunos por meio de plataformas on-line – algumas 
ao vivo, outras disponibilizadas por gravações. E esse entendimento 
não foi fácil de aceitar. De uma hora para outra, professores do país 
todo tiveram que aprender a lidar com ferramentas digitais, com au-
las planejadas de modo diferenciado, compreendendo que a educação 
precisava deles e eles não podiam abandonar os alunos.
Seguramente a ideia de realizar aulas remotas para crianças da edu-
cação básica não seria a proposta adequada em condições normais. 
Mas a situação vivida – no mundo, é preciso pontuar – não foi um con-
texto normal, e sim totalmente atípico, que precisava de ações rápidas 
e diferenciadas.
O que poderia ser pior: ministrar aulas em que as crianças estariam 
de certa forma em contato com sua escola e seus colegas, ou simples-
mente deixá-las em quarentena, sem contato com o mundo escolar? 
Com certeza, e muitos especialistas da educação concordaram, as au-
las remotas foram a melhor forma encontrada para dar às crianças 
uma oportunidade de convívio, mesmo que a distância, com aquilo que 
era parte da vida delas, da sua segurança: sua escola, seus professores, 
seus colegas.
Obviamente as mudanças trazidas por esse novo modelo de ensino 
impactaram todos os envolvidos: profissionais da educação, estudan-
tes e famílias. A pandemia da Covid-19 criou necessidades escolares 
que sequer seriam imagináveis em situação normal. Mas era preciso 
e assim foi. O que ficou disso tudo? O que aprendemos? Uma situação 
inusitada se instalou em algumas escolas: na educação antes da pan-
demia, professores impediam o uso dos celulares em sala de aula, e 
com a pandemia esses aparelhos se tornaram aliados, pois, para mui-
tos brasileiros, foi a única forma de assistir às aulas. E agora? Voltamos 
às aulas e ignoramos tudo isso? Cremos que esse não é o caminho. Por 
mais árduo que tenha sido o trabalho com a tecnologia, ele se impôs e 
nos mostrou novas possibilidades.
Uma reflexão precisa ser feita: evidentemente muitas crianças fi-
caram sem acesso às aulas por ausência de internet e de ferramentas 
apropriadas. Não se pretende aqui discutir sobre isso por não ser o 
assunto da seção, mas é importante ter em mente que há uma necessi-
dade de melhorar a infraestrutura brasileira nesse sentido.
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 63
Uma coisa é certa: a escola nunca mais será a mesma depois dessa 
pandemia. E isso pode ser bom! Quando perdemos os pilares da edu-
cação que conhecíamos, precisáramos criar outros e é nessa recriação 
dos pilares que inserimos a tecnologia na escola com ferramenta para 
a produção do conhecimento.
É preciso fundir tecnologias a outros meios e processos de 
ensino-aprendizagem. As propostas que envolvem a educação com o 
uso de tecnologias digitais não devem florescer em detrimento de prá-
ticas presencias que envolvem afeto, toque e presencialidade; é neces-
sário considerar que as TDICs vieram para somar e modernizar, não 
para substituir. Se sozinhas não conseguem mudar a escola, podem 
fazer maravilhas se conectadas a um projeto educativo competente.
Então é uma oportunidade única para recriar a escola, não voltar 
simplesmente às práticas que careciam de atualização. Sem dúvida 
o fator novidade da tecnologia é relevante, mas se isso não acarretar 
numa melhora da aprendizagem, de nada servirá. Não é a tecnologia 
por ela mesma, é o uso tecnológico a serviço de um planejamento edu-
cacional e, nesse contexto, é preciso criar oportunidades de estudo, de 
crescimento, de aprendizagem para formar sujeitos antenados a seu 
tempo, com opinião, responsabilidade e ética.
Você certamente fez alguma pesquisa quando era aluno em sala de aula, então acom-
panhe este exemplo: na década de 1980, uma professora pediu para crianças de uma 
sala de 23 alunos do terceiro ano do ensino fundamental fazerem uma pesquisa sobre 
Dom Pedro II. Como as pesquisas eram feitas nos mesmos livros que estavam na bi-
blioteca, grande parte (para não dizer todas) das crianças copiaram o mesmo texto. 
O trabalho foi entregue copiado na folha de papel almaço, com capa, da forma que a 
professora pediu. Ninguém aprendeu nada com isso, e a professora teve um trabalhão 
para corrigir 23 trabalhos iguais. Naquele contexto, pesquisar era coletar informações 
prontas. Mas como essa atividade poderia ser feita hoje em dia?
Vamos propor essa atividade de modo diferente? O que exatamente a professora gos-
taria que os alunos aprendessem sobre D. Pedro II? Que tal dividir a sala em grupos e 
cada um deles pesquisar sobre um aspecto do tema? Por exemplo, um grupo pesquisará 
curiosidades sobre a vida do príncipe, outro grupo sobre a vida pessoal dele, outro so-
bre o contexto político que se formou quando do seu reinado, mais um grupo poderia 
pesquisar sobre hábitos da realeza, sobre alimentação da época. Há muita informação 
disponível na internet e cada uma delas fará os alunos entenderem o contexto da época.
(Continua)
Para re�etir
Um panorama dos 
sentimentos vividos pelos 
professores pode ser 
conhecido na pesquisa 
Educação, Docência e a 
COVID-19, que explorou 
com os professores do 
Estado de São Paulo 
como eles se sentiam 
com relação a desafio, 
aprendizado e inova-
ção no que se refere à 
educação mediada por 
tecnologia.
Disponível em: http://www.iea.usp.
br/pesquisa/projetos-institucionais/
usp-cidades-globais/pesquisa-
educacao-docencia-e-a-covid-19. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/pesquisa-educacao-docencia-e-a-covid-19
http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/pesquisa-educacao-docencia-e-a-covid-19
http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/pesquisa-educacao-docencia-e-a-covid-19
http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/pesquisa-educacao-docencia-e-a-covid-19
64 Novos paradigmas educacionais
Após a pesquisa, pode-se proporcionar uma interação dos grupos para que cada um 
conte aos demais o que encontrou. Uma pequena reunião que gerará perguntas ou con-
siderações que posteriormente serão colocadas para todos os alunos num seminário. 
Por exemplo: sabiam que a cidade de Petrópolis tem esse nome em homenagem a ele? 
E muitas curiosidades que serão percebidas nas pesquisas. Os resultados das pesquisas 
poderão fazer surgir comparações e análises, diferenciando o tempo antigo do atual, ou 
comparar se ainda há monarquias no mundo atualmente. Enfim, um projeto abre portas 
para muitos outros.
Ao pedir que cada grupo pesquise sobre um aspecto do que se pretende estudar, a 
professora não receberá uma série de trabalhos iguais, possibilitará o uso de recursos 
tecnológicos, ensinará os alunos a lidarem com muitas informações e proporcionará que 
eles se empenhem e se movimentem em direção ao conhecimento, seja este o da sua 
pesquisa, ou o da pesquisa dos outros grupos.
Mas que ferramentas podem ser utilizadas na intenção de educar 
crianças com tecnologia? Vamos a algumas sugestões:
1. AVA: é a sigla para Ambiente Virtual de Aprendizagem, um espaço 
virtual em que é possível disponibilizar conteúdos, propostas 
educativas, jogos, videoaulas. O AVA é o ambiente em que o aluno 
vai “entrar” com seu login e sua senha. Ele é preparado pelos 
professores e pela equipe da escola de acordo com as necessidades. 
Para a educação de crianças, pode funcionar como recurso para 
revisão e fixação de conteúdo visto em sala de aula. Para isso, deve 
compor seu espaço com videoaulas, exercícios ou fóruns. O AVA 
precisa de ferramentas que promovam a interação dos alunos 
entre si e com os professores; não dá para deixar a criança solta no 
ambiente, é preciso indicar o que ela deve fazer e estar disponível 
para conversar. Por exemplo: estão estudando um determinado 
autor? Que tal disponibilizar o vídeo de uma entrevista com esseautor no AVA? Assim, as crianças podem conhecer mais sobre ele, 
ouvindo suas ideias e conhecendo sua pessoa.
2. Microlearning: é uma metodologia da educação que facilita 
o processo de aprendizagem em doses pequenas de maneira 
objetiva e direta. Em geral, separa o conhecimento em pequenas 
lições, com duração entre 2 e 5 minutos, sintetizando a informação. 
Claro que não dá para esperar que os vídeos curtos cumpram 
uma missão completa de ensino em termos de competência. 
Mas são parte de um trabalho maior. O professor pode elaborar 
um conteúdo macro que pode ser fragmentado em microvídeos 
O Ministério da Educação 
tem um Ambiente Virtual 
de Aprendizagem com 
muitas opções de cursos 
gratuitos para a formação 
continuada de professo-
res, inclusive alguns que 
tratam do uso da tecnolo-
gia em sala de aula. Para 
cursar e conhecer mais 
acesse o link a seguir.
Disponível em: https://avamec.mec.
gov.br/#/. Acesso em: 8 fev. 2021.
Site
https://avamec.mec.gov.br/#/
https://avamec.mec.gov.br/#/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 65
ou tarefas complementares. Uma sugestão de atividade é pedir 
aos alunos um determinado trabalho – lembre-se de não pedir a 
mesma coisa para todos os alunos, mas sim aspectos diferentes 
de um mesmo assunto – e fazer um seminário on-line, em que os 
alunos gravarão pequenos vídeos de apresentação dos trabalhos. 
Esses vídeos podem ser postados no AVA da escola, ou enviados 
por meio de um grupo de aplicativo de mensagem, depende da 
criatividade do professor. Explique a eles que trabalharão com a 
técnica de microlearning, eles vão gostar de saber que suas aulas 
estão inseridas na tecnologia. Também é possível aproveitar stories 
das redes sociais ou vídeos gravados em aplicativos de celular para 
reproduzir aspectos da cultura, por exemplo, com músicas, trajes, 
movimentos. Além de se divertirem, os alunos aprenderão.
3. Gameficação: é uma ideia de muito sucesso. Consiste 
na utilização de jogos digitais como recurso auxiliar da 
aprendizagem de maneira lúdica e significativa, como jogos de 
perguntas e respostas com pontuação. Jogos são uma forma 
muito interessante de aprender e os virtuais podem fazer esse 
papel. Para usar a gameficação há muitas possibilidades, uma 
delas é a escola criar um rol de quizzes (exercícios) no AVA com 
perguntas sobre os temas estudados e solicitar aos alunos que 
os respondam – dar a eles uma semana, por exemplo. Não se 
trata de fazer um ranking de quem conseguiu acertar mais, 
mas sim de estimular, por exemplo, que a cada rol de respostas 
certas os alunos tenham uma determinada pontuação que possa 
influenciar na sua nota final. O professor pode pensar que os 
alunos terão tempo para partilhar as informações entre si e isso 
é real, mas olhando por outro lado, não será também uma forma 
de estudar em grupo?
4. GoCongr: é uma ferramenta gratuita em que o professor pode 
criar grupos de estudo e compartilhar materiais com seus 
alunos, especialmente fluxogramas, gráficos e diagramas. Eles, 
por sua vez, podem produzir conteúdo criando mapas mentais, 
quizzes, flashcards, slides e anotações. É uma ferramenta muito 
interessante com muitas possibilidades, basta o professor criar 
uma conta e explorar. Embora os flashcards propostos aqui 
sejam um recurso próprio do GoCongr, é importante destacar 
que esse é um recurso utilizado há muito tempo como fixação 
de aprendizagem. Sem o uso da tecnologia digital, consistia no 
Você consegue imaginar 
uma escola que baseia 
todo seu currículo em 
jogos? Sim, ela existe 
e é um exemplo a ser 
conhecido. Está em Nova 
York e educa crianças 
de 8 a 12 anos usando 
a gameficação para 
aumentar o engajamento 
e a motivação dos alunos 
e potencializar o apren-
dizado. Para conhecer 
mais, acesse o texto 
Gamificação e Educação: 
Estudo de caso da Escola 
Quest to Learn.
Disponível em: http://www.
sbgames.org/sbgames2016/
downloads/anais/157723.pdf. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
Com relação ao uso das redes 
sociais, é preciso considerar o 
cuidado de que haja autorização 
da escola para seu uso e que 
seja feito somente em uma 
rede oficial da escola (ou criada 
oficialmente para tal função, 
como um perfil dedicado a um 
projeto dos alunos, com tempo 
de duração, grupo fechado e 
que deve ser extinto ao final 
da proposta). Isso porque pode 
acontecer de o espaço ser 
erroneamente utilizado para 
reclamações ou ponderações 
sobre temas diversos envolvendo 
a escola, e então o que era 
pedagógico perde totalmente o 
sentido. Portanto, use o recurso 
com cuidado e responsabilidade.
Atenção
http://www.sbgames.org/sbgames2016/downloads/anais/157723.pdf
http://www.sbgames.org/sbgames2016/downloads/anais/157723.pdf
http://www.sbgames.org/sbgames2016/downloads/anais/157723.pdf
66 Novos paradigmas educacionais
uso de pequenos cartões escritos com conceitos que se queria 
aprender (alguns até para decorar), sejam fórmulas matemáticas, 
ou de um lado perguntas e de outro respostas, enfim, para os 
mais diversos assuntos e aprendizagens. Na ferramenta, é uma 
forma de construir pequenos slides de lembretes com pouco 
texto para relembrar alguns tópicos de conteúdos escolhidos.
5. Khan Academy: surgiu quando um rapaz começou a dar 
aulas virtuais para um primo que estava com dificuldades em 
matemática. O primo repassou os vídeos para outros colegas 
e as aulas “viralizaram”. Salma Khan, o rapaz que foi professor 
das aulas, acabou postando-as no YouTube e, com o sucesso, 
posteriormente criou sua própria instituição sem fins lucrativos, 
que tem como objetivo proporcionar educação de qualidade 
a todos os alunos. O site contém espaços para formação de 
professores, videoaulas e exercícios que podem ser usados em 
sala de aula. Quando os alunos logam no site, recebem ajuda 
personalizada com os assuntos que estiverem estudando ou 
até para aprender algo totalmente novo. O próprio site salva o 
progresso do aluno, o que também o incentiva a participar.
Lembre-se que o simples uso do recurso das ferramentas digitais 
não será suficiente para que o aluno aprenda. O que o movimentará 
em direção à aprendizagem é o fato de ele usar recursos tecnológi-
cos direcionados para a pesquisa e a reflexão aliados a um projeto 
educativo em que o professor será o mediador. Se o professor esco-
lheu o melhor recurso tecnológico e fez apenas uma apresentação 
dos conteúdos, e coube ao aluno somente assistir, essa não é uma 
aula criativa, mesmo que o recurso tecnológico tenha sido usado.
Por isso, é preciso entender que a criatividade aqui está sendo co-
locada na junção com os recursos tecnológicos como alternativa para 
que as aulas sejam realmente capazes de mobilizar conhecimentos e 
competências dos alunos.
Não há regra para seguir ao montar uma aula com recursos 
tecnológicos e o professor pode usar sua criatividade nas propostas, 
mas há alguns passos que podem ajudar na escolha (curadoria) das 
informações que serão repassadas e mediadas junto aos alunos por 
meio digital e que podem auxiliar na elaboração de um projeto de 
aula diferenciado.
Conheça o site Devora-
dores de livros, em que 
adultos e crianças encon-
tram livros para leitura 
off-line, quizzes sobre eles 
e até prêmios. É uma pro-
posta muito interessante 
para incentivar a leitura e 
erradicar o analfabetismo 
funcional. As escolas 
podem associar-se para 
ter acesso ao conteúdo 
completo, mas é possível 
realizar algumas ativida-
des gratuitamente. Desa-
fiamos você a responder 
a um quiz sobre algum 
livro disponível.
Disponível em: http://www.
devoradoresdelivros.com.br/. Acesso 
em: 9 fev. 2021.
Site
Pesquisador da área de 
tecnologia na educação, 
Leo Burd destaca novas 
abordagens, concepções 
e tecnologias no processo 
educacional e afirma que 
o mais importante para 
um trabalho de sucesso 
não é o uso de equipa-
mentos, mas o trabalho 
do professor. As opiniões 
desse pesquisador são 
muito relevantes, vale a 
leitura!
Disponível em: https://
revistaeducacao.com.
br/2015/03/02/incentivar-a-
criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-
aula-afirma-pesquisador-do-mit/.
Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
http://www.devoradoresdelivros.com.br/
http://www.devoradoresdelivros.com.br/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
https://revistaeducacao.com.br/2015/03/02/incentivar-a-criatividade-e-o-caminho-para-trabalhar-a-tecnologia-na-sala-de-aula-afirma-pesquisador-do-mit/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 67
Quadro 1
Como elaborar um projeto de aula diferenciado.
Buscar
Busque um tema interessante! A escolha do tema aqui pode 
ser do professor ou pode surgir fundamentada em questio-
namentos dos alunos. A importância disso é que buscar o 
tema que mobilizará a turma fará toda a diferença no grau 
de interesse e na aprendizagem.
Filtrar e selecionar
Filtre subtemas e selecione o que será estudado dentro da pro-
posta. Atenção à qualidade do assunto, à originalidade do es-
tudo e à relevância dessa aprendizagem para os alunos! Lem-
bre-se de que quanto mais interessante, mais significativa a 
aprendizagem será. Por isso, escolha com base em conteúdos 
e desenvolvimento de competências que façam a diferença.
 Contextualizar o 
conteúdo
Contextualize o assunto. Por que estudar isso? Qual a rele-
vância? Não proponha assuntos que “caíram do céu”, pro-
cure explicar aos alunos o porquê, chame atenção deles 
com perguntas, músicas, vídeos. Crie um clima facilitador de 
aprendizagem. Relacione o tema a ser estudado à vida real. 
Invista na contextualização, ela ajudará seus alunos a enten-
derem o assunto mais facilmente.
Arranjar/ 
formatar/ classificar 
o conteúdo
Observe a classificação dos conteúdos. Hoje em dia, a quan-
tidade de conteúdos disponíveis pode confundir ou desviar 
o foco dos estudos; por isso, classifique, formate de modo 
que seus alunos possam entender o nível de importância de 
determinada informação, assim como a desviar-se de con-
ceitos inadequados.
Criar
O uso das tecnologias permite uma variedade de criações 
tanto para a busca de informações quanto para a propaga-
ção delas. Então, confie nas crianças e nos jovens (que co-
nhecem muitos programas) e aventure-se na criação de um 
trabalho que envolva aplicativos, pesquisas, redes sociais ou 
até mesmo aplicativos de mensagem. Se seus alunos não têm 
esse conhecimento, é a sua hora, professor. Estude, busque, 
reinvente e faça acontecer o uso das tecnologias na escola.
Compartilhar
Compartilhe as informações pesquisadas e os conceitos 
aprendidos. Descubra qual mídia seus alunos usam e se en-
gaje. Participe com eles, mostre que a escola pode ser um 
lugar de tecnologias e de aprendizagem. Pode ser num semi-
nário ou numa página de blog, o importante é que as infor-
mações sejam disponibilizadas e compartilhadas, isso dará 
maior peso à informação.
Monitorar
Essa é uma função muito importante. Embora as aulas com 
tecnologias tendam a ser mais participativas e mais soltas, é 
preciso não se esquecer de que há um trabalho pedagógico a 
ser feito. Então, monitore o engajamento e o desenvolvimento 
de todos os alunos, especialmente daqueles que não estão 
muito familiarizados com a tecnologia escolhida. Medeie, mas 
não deixe de monitorar para que cada aluno dê o seu melhor.
Fonte: Adaptado de Weisgerber, 2011.
68 Novos paradigmas educacionais
Assim, vamos deixar claro: a tecnologia precisa ser usada em propos-
tas criativas de trabalho, que o professor com sua curadoria de conteúdos 
proporá. Essa criatividade envolve a escolha de ações em que o aluno seja 
sujeito ativo, busque seu conhecimento, participe da construção deste. 
Então, a parte mais importante não é o uso do recurso, mas o trabalho 
do professor! Estamos num momento em que é preciso “pensar fora da 
caixa”, como diz a expressão popular, para propormos alternativas peda-
gógicas que realmente desenvolvam competências e proporcionem co-
nhecimento utilizando os recursos tecnológicos com criatividade.
3.3 Metodologias ativas 
Vídeo Consegue imaginar qual foi sua primeira aprendizagem? Essa é uma 
pergunta cuja resposta vai levá-lo novamente a sua mais tenra infância, 
correto? E é isso mesmo, desde que nasce, o ser humano vai aprenden-
do ativamente. A vida é um eterno aprender. Como você aprendeu a 
andar de bicicleta? Como aprendeu a ler? Como aprendeu a falar? Na 
sequência, as respostas poderiam ser simplesmente: andando, primei-
ro com auxílio das rodinhas e depois, já com mais habilidade, em duas 
rodas; lendo as imagens, depois reconhecendo letras e sons e final-
mente com consciência fonológica; e falando, reproduzindo sons ouvi-
dos, aprendendo a comunicar ideias. Logo, de um modo bem simples, 
é possível dizer que aprendemos a fazer as coisas, fazendo-as!
Observe como desse modo o conceito de aprendizagem ao longo da 
vida está relacionado ao de atividade, de movimento. Não que não seja 
possível aprender por meio da transmissão, mas temos percebido que 
aprendizagens por questionamentos e experimentação são mais rele-
vantes para compreensão mais ampla e profunda. Assim, ações que en-
volvam perguntas, pesquisas, projetos e desafios têm se mostrado mais 
eficientes no processo de aprendizagem das pessoas (MORAN, 2018).
E como a escola, que é o local onde a aprendizagem mais deve flo-
rescer, pode ignorar essa constatação? Se considerarmos que as me-
todologias para a aprendizagem consistem “em uma série de técnicas, 
procedimentos e processos usados pelos professores durante as aulas, 
a fim de auxiliar a aprendizagem do aluno” (VALENTE, 2018, p. 28), e re-
conhecermos o fato de que a aprendizagem se dá com mais facilidade 
quando nos pomos em ação, em atividade, parece uma resposta natural 
que a escola lance mão das chamadas metodologias ativas para que os 
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 69
alunos sejam sujeitos de sua aprendizagem. Note que ao usar essa ex-
pressão – sujeitos de sua aprendizagem – estamos falando de responsabi-
lidade, de protagonismo do aluno, não somente de alunos que repetem 
e realizam o que o professor pede. As práticas das metodologias ativas 
estão relacionadas ao tanto que elas envolvem e possibilitam que os alu-
nos estejam engajados em atividades práticas.
Adaptando as ideias de Dias (2016), podemos citar algumas caracte-
rísticas que compõem as metodologias ativas:
 • São centradas nos alunos.
 • Envolvem métodos e técnicas que estimulam a interação aluno 
x professor, aluno x aluno e aluno x material didático e outros 
recursos de aprendizagem.
 • Opõem-se a métodos e a técnicas que enfatizam a transmissão 
do conhecimento.
 • Estimulam uma aprendizagem fundamentada na reflexão – cola-
borativa e significativa.
 • Oportunizam reflexão crítica sobre a experiência de aprendizagem.
 • Permitem maior apropriação e divisão das responsabilidades no 
processo de ensino-aprendizagem.
 • Favorecem o desenvolvimento de capacidade para 
autoaprendizagem.
 • Favorecem maior retenção do conhecimento.
 • Produzem melhoria no relacionamento interpessoal.
É dentro dessas características que se propõe o conceito de meto-
dologias ativas para que os alunos aprendam participando de maneira 
autônoma, por meio de situações reais. Nessa proposta, o aluno fica 
no foco central da aprendizagem e é responsável pela construção do 
seu conhecimento.
Em parte das escolas, issoseria renunciar às práticas de memoriza-
ção, repetição e controle, para ousar em práticas mais relacionadas à 
vida das pessoas e às expectativas de cada um (MORAN, 2018). As me-
todologias ativas contrastam com a abordagem do ensino tradicional, 
a qual é centrada no professor.
Podemos apresentar uma diferenciação entre professores que tra-
balham por metodologias ativas e professores que trabalham no mé-
todo tradicional:
70 Novos paradigmas educacionais
Quadro 2
Diferença entre professores no ensino tradicional e no ensino de metodologias ativas
Professor no ensino tradicional Professor no uso de metodologias ativas
Transmissor do conhecimento e cen-
tro do processo.
Orientador, tutor; conduz à aprendizagem.
Trabalho individual. Trabalho em equipe.
Conteúdos organizados em aulas 
expositivas.
Curso organizado em situações reais.
Trabalho individual por disciplina. Estímulo ao trabalho interdisciplinar.
Fonte: Dias, 2016.
Nos alunos são percebidas as seguintes diferenças:
Quadro 3
Diferença entre alunos no ensino tradicional e no ensino de metodologias ativas
Aluno no ensino tradicional Aluno no uso de metodologias ativas
Receptor passivo da informação. Valoriza conhecimento prévio.
Participa isoladamente do processo.
Interação aluno x aluno, aluno x pro-
fessor, aluno x materiais didáticos.
Transcreve, memoriza, repete, faz ava-
liações.
Constrói conhecimentos, questiona e 
equaciona problemas.
Aprendizagem individualista/competitiva. Aprendizagem em ambiente colaborativo.
Avaliação em conteúdos limitados.
Análise e solução de problemas em um 
contexto.
Avaliação pelo professor. Aluno + grupo avalia contribuições.
Fonte: Dias, 2016.
Segundo Moran (2018), uma escola que adote práticas de metodo-
logias ativas terá como resultado:
 • integração maior entre as áreas de conhecimento 
(interdisciplinaridade);
 • destaque à importância do protagonismo e participação do 
aluno;
 • continuidade da formação dos professores;
 • planejamentos mais flexíveis.
Diversas estratégias podem ser utilizadas para que as metodolo-
gias ativas possam fazer o aluno ser construtor do seu conhecimen-
to, mas é preciso que o professor conheça alguns de seus modelos, 
de modo que possa personalizar esse formato educativo dando ao 
aluno mais autonomia. Não se trata de o professor abster-se do pro-
cesso educativo, e sim reconfigurar seu papel como mediador.
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 71
A tecnologia digital é uma das aliadas do desenvolvimento das me-
todologias ativas e, pela sua presença acentuada na nossa sociedade 
desde a mais tenra idade dos alunos, tem alterado significativamente 
a dinâmica da escola e das salas de aula. A integração das tecnolo-
gias digitais da informação e da comunicação no desenvolvimento 
das metodologias ativas tem proporcionado o que é conhecido como 
blended learning, ou ensino híbrido (VALENTE, 2018), no conceito de 
mesclado, misturado.
Vamos apresentar alguns tipos de metodologias ativas, mas des-
tacamos a responsabilidade do professor como executor delas. Para 
colocá-las em prática em suas salas de aula é preciso conhecer bem, 
então,desejamos que a leitura desta seção seja ao mesmo tempo des-
mistificadora, mostrando que é possível fazer esse ensino na educação 
básica, e desafiadora – afinal, para realizar essas metodologias é preciso 
ler e estudar sobre elas, para fazer as melhores escolhas.
Entre os diversos tipos de metodologias ativas destacamos:
 • Problem Based Learning ou Aprendizagem Baseada em Pro-
blemas: mais conhecida pela sigla em inglês PBL. Consiste nos 
alunos trabalharem em equipes para a resolução de um proble-
ma gerador. É muito importante que o problema seja percebido 
pelos estudantes como carente de solução, para que o envolvi-
mento seja mais intenso. Nem sempre o mesmo problema pre-
cisa ser destinado a toda a turma. É possível que cada grupo de 
alunos (ou até mesmo indivíduos, no caso de alunos mais velhos) 
pesquise, estude, analise um problema específico e partilhe sua 
experiência com o grupo.
Na aprendizagem baseada em problemas, o entendimento da 
situação desafiadora surge por meio da interação dos alunos; 
é preciso que haja algum conflito de opinião para estimular a 
aprendizagem. Nem sempre haverá uma única resposta para o 
problema colocado e isso também fará bem aos alunos, uma vez 
que aprendem a lidar com a opinião do outro.
 • Aprendizagem Baseada em Projetos: essa metodologia faz com 
que os alunos construam seus saberes de maneira colaborativa, 
por meio da pesquisa, de grupos de trabalho, da força de equipe. 
Reforçada pela BNCC, a metodologia de projetos tem a proposta 
de estimular habilidades, desenvolver competências e integrar 
alunos em propostas interdisciplinares. Para alguns autores, a 
Você sabe quanto uma 
girafa precisa dormir? E 
um gato? E quantas horas 
eles passam acordados 
por dia? Essas foram algu-
mas das perguntas-pro-
blema que originaram o 
quebra-cuca matemático. 
Quer conhecer uma expe-
riência bem interessante 
sobre aprendizagem 
baseada em resolução de 
problemas? Então, acesse 
o texto Como a resolução 
de problemas pode melho-
rar as aulas de Matemática, 
publicado pela Revista 
Nova Escola.
Disponível em: https://novaescola.
org.br/conteudo/11767/como-a-
resolucao-de-problemas-pode-
melhorar-as-aulas-de-matematica.
Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
https://novaescola.org.br/conteudo/11767/como-a-resolucao-de-problemas-pode-melhorar-as-aulas-de-matematica
https://novaescola.org.br/conteudo/11767/como-a-resolucao-de-problemas-pode-melhorar-as-aulas-de-matematica
https://novaescola.org.br/conteudo/11767/como-a-resolucao-de-problemas-pode-melhorar-as-aulas-de-matematica
https://novaescola.org.br/conteudo/11767/como-a-resolucao-de-problemas-pode-melhorar-as-aulas-de-matematica
72 Novos paradigmas educacionais
aprendizagem baseada em projetos é uma evolução da aprendi-
zagem baseada em problemas, pois nas duas o início é dado com 
um problema ou uma questão desafiadora, mas cuja resposta 
instigue o aluno a pesquisar, a descobrir ou a criar.
 • Sala de aula invertida ou Flipped classroom: é uma metodolo-
gia que propõe inverter a lógica conhecida das aulas. Na maioria 
das aulas que conhecemos, o assunto a ser estudado é apresen-
tado pelo professor em sala e após tal apresentação – que pode 
ser feita em vídeos, em exposição oral ou em qualquer outra for-
ma – os alunos são convidados a realizar exercícios, debates ou 
pesquisas mais aprofundadas. Essa é a lógica que a metodologia 
da sala de aula invertida quer inverter.
Nessa proposta, os professores disponibilizam aos alunos – via 
tecnologia – materiais para que sejam assistidos ou exercícios a se-
rem realizados antes da explicação do assunto que será o tema da 
aula. Se a escola não dispõe de tecnologia, os materiais podem ser 
entregues impressos, mas a proposta é a utilização das tecnologias 
para tal. A ideia principal é a compreensão de que o tempo de aula 
é mais bem gasto com o professor orientando sobre temas que os 
alunos já conhecem previamente. Com a ajuda da tecnologia, po-
dem-se disponibilizar vídeos para que os alunos se envolvam com 
a teoria em momentos distintos, liberando o tempo da aula para 
uma exploração mais profunda do conteúdo (FAVA, 2018).
Em linhas gerais, a sala de aula invertida propõe a exploração 
conceitual com conteúdos em websites, vídeos, áudios, simula-
ções e textos para leituras e, na reunião de alunos e de profes-
sores, reflexões sobre o que estudaram. Essas reflexões não são 
vagas, pois o professor ouvirá as dúvidas, os questionamentos, 
e criará situações de desafio aos alunos. Juntos podem criar tex-
tos, podcasts, fóruns de discussão (FAVA, 2018), tudo com base na 
interdisciplinaridade.
O uso da sala de aula invertida requer do professor um compor-
tamento diferenciado: planejamento, escolha adequada e inte-
ressante de materiais, feedback aos alunos, vínculo do material 
on-line a toda a discussão da sala de aula.
De modo geral, todasas metodologias ativas requerem do professor 
um conhecimento sobre aprendizagem colaborativa. Esse conceito envol-
ve a interação e a participação dos alunos, não só respondendo ao que o 
Com uma produção 
super cuidadosa, o 
infográfico Mão na 
Massa apresenta 
algumas experiências de 
escolas brasileiras com 
o uso de metodologias 
ativas, especialmente por 
projetos. É um docu-
mento interessante que 
possibilita vários passeios 
(e aprendizagens) virtuais. 
Não dá para perder. Uma 
dica? Clique em “caixa de 
ferramentas” e divirta-se.
Disponível em: https://
maonamassa.porvir.org/. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Dica
https://maonamassa.porvir.org/
https://maonamassa.porvir.org/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 73
professor pergunta ou sugere como atividade, mas também colaborando 
para o aprendizado das outras pessoas. Colaborar é palavra de ordem 
nas metodologias ativas, é um princípio do trabalho. O professor, nesse 
caso, incentiva a colaboração dos alunos e igualmente colabora com eles, 
agindo como um orientador, um mediador da aprendizagem.
Via de regra, o uso do princípio da aprendizagem colaborativa me-
lhora a dinâmica da sala de aula, pois cria um clima de trabalho em 
equipe de respeito, de ajuda mútua, que desenvolve tanto as com-
petências de comportamento do indivíduo quanto as cognitivas (de 
aprendizagem dele). Os relacionamentos interpessoais na proposta da 
metodologia colaborativa tendem a ser mais fáceis, visto que aos pou-
cos os alunos vão aprendendo a lidar com pontos de vistas diferentes 
do seu, mas igualmente importantes.
Mas voltamos a ressaltar: é o professor com seu planejamento, 
organização e estudo quem será o condutor dessas experiências de 
metodologias ativas. Caberá a esse profissional reorganizar sua visão 
educativa e ousar a modernidade, na compreensão de que em movi-
mento os alunos aprendem mais e melhor.
Ampliando seus conhecimentos
 • Leitura
Conheça um exemplo muito interessante de trabalho de uma escola 
brasileira com a metodologia de projetos no texto Quando a tecnologia 
transforma toda a escola, que conta como uma escola pública gaúcha 
da zona rural revolucionou o currículo para aproveitar melhor os re-
cursos digitais.
Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/16479/quando-a-
-tecnologia-transforma-toda-a-escola. Acesso em: 9 fev. 2021.
 • Vídeo
Para saber mais sobre as metodologias ativas, acesse a série Reapren-
dendo a Aprender, produzida pela Microsoft, que oferece reflexões so-
bre as transformações na educação, bem como sobre a necessidade 
de colocar o aluno no centro da aprendizagem por meio do uso da 
tecnologia. São quatro vídeos com os temas: metodologias ativas e 
aprendizagem baseada em projetos, games e gamificação e pensamen-
to computacional, ensino híbrido e novo ensino médio. Imperdível!
Disponível em: https://education.microsoft.com/pt-br/learningPath/
d6c298d3. Acesso em: 9 fev. 2021.
(Continua)
https://novaescola.org.br/conteudo/16479/quando-a-tecnologia-transforma-toda-a-escola
https://novaescola.org.br/conteudo/16479/quando-a-tecnologia-transforma-toda-a-escola
https://education.microsoft.com/pt-br/learningPath/d6c298d3
https://education.microsoft.com/pt-br/learningPath/d6c298d3
74 Novos paradigmas educacionais
 • Entrevista
Jonathan Bergmann é um entusiasta da proposta da sala de aula inver-
tida por entender que ela melhora a aprendizagem e o interesse dos 
alunos. Nessa entrevista, ele pondera a questão da pandemia, o mo-
delo híbrido que a escola teve que realizar, e reforça a necessidade de 
a escola ir além das aulas expositivas para envolver crianças e jovens 
em propostas de aprendizagem.
BERGMANN, J. de. O momento reforça a necessidade de ir além da aula 
expositiva, diz Jon Bergmann. Porvir: Inovações em Educação, 26 ago. 2020. 
Disponível em: https://porvir.org/momento-reforca-a-necessidade-de-ir-
-alem-da-aula-expositiva-diz-jon-bergmann/. Acesso em: 9 fev. 2021.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante de tantas informações disponíveis, em especial por meio das tecno-
logias digitais da informação e da comunicação, o professor precisa escolher 
bem o que ensinar. Mesmo seguindo as necessárias determinações da Base 
Nacional Comum Curricular, caberá a cada professor fazer a curadoria dos 
conteúdos, a escolha cuidadosa dos temas e do formato de seu ensino. Essa 
escolha precisa contemplar conteúdos e metodologias que propiciem uma 
bela experiência de educação. Então, planejar suas propostas educativas e 
escolher sons, imagens e textos é uma tarefa que precisa de um professor 
comprometido em fazer o seu melhor pelos seus alunos usando sua compe-
tência e sua criatividade para isso.
A criatividade do professor precisa contemplar também o uso dos recursos 
tecnológicos, visto a relevância destes na nossa sociedade. Esse uso dentro da 
escola ajudará a colocar o aluno na função de protagonista de sua aprendiza-
gem, pois o instiga a pesquisar. Assim, as informações disponibilizadas pela 
tecnologia e as possibilidades de produção de conteúdo por meio delas ajuda-
rão o professor a reconstruir sua aula desvinculando-se do ensino tradicional, 
em que as informações somente eram repassadas pelo professor. Hoje, o pro-
fessor é mediador do conhecimento dos alunos; as informações estão dispo-
níveis e caberá ao professor ajudar seus alunos a lidar e a aprender com elas.
Uma das formas mais modernas de conceituar ensino-aprendizagem hoje 
em dia é fazê-lo sob a ótica das metodologias ativas. De maneira colaborativa 
e com propostas diferenciadas o aluno estará em movimento, em atividade 
em direção à sua aprendizagem. Ensinar por meio das metodologias ativas, 
porém, aponta para a necessidade de um professor comprometido com um 
ensino de protagonismo do aluno. Dessa forma, caberá a cada profissional 
romper seus paradigmas e mergulhar nas metodologias ativas.
https://porvir.org/momento-reforca-a-necessidade-de-ir-alem-da-aula-expositiva-diz-jon-bergmann/
https://porvir.org/momento-reforca-a-necessidade-de-ir-alem-da-aula-expositiva-diz-jon-bergmann/
Planejamento e uso criativo de ferramentas digitais 75
ATIVIDADES
1. Qual é a importância da curadoria de conteúdo para o ensino atual?
2. Por que o professor deve usar recursos digitais em suas aulas?
3. O que caracteriza as metodologias ativas?
REFERÊNCIAS
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Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_
versaofinal_site.pdf. Acesso em: 9 fev. 2021.
DIAS, M. M. Metodologias Ativas: Parte 1. Blog Tecnologia e Educação Unifenas, 13 abr. 2016. 
Disponível em: http://ned.unifenas.br/blogtecnologiaeducacao/educacao/metodologias-
ativas-parte-1/. Acesso em: 9 fev. 2021.
FAVA, R. Trabalho, educação e inteligência artificial: a era do individuo versátil. Porto Alegre: 
Penso, 2018.
GARCIA, M. S. dos S.; CZESZAK, W. Curadoria educacional. Práticas pedagógicas para tratar 
(o excesso de) informação e fakes news em sala de aula. São Paulo: SENAC, 2020.
LOPES, D. de Q; SOMMER, L. H.; SCHMIDT, S. Professor-Propositor: A Curadoria como 
Estratégia para a Docência On-Line. Revista Educação & Linguagem, v. 17, n. 2, p. 54-72. jul./
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MARTINS, M. C. (coord.). Curadoria educativa: inventando conversas. Reflexão e Ação – 
Revista do Departamento de Educação/UNISC, Santa Cruz do Sul, v. 14, n. 1, p. 9-27, jan./jun. 
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Curadoria_Educativa. Acesso em: 9 fev. 2021.
MORAN, J. A culpa não é do online: contradições na educação evidenciadas pela crise atual. 
Porvir: Inovações em Educação, 29 jun. 2020. Disponível em: https://porvir.org/a-culpa-nao-e-
do-online-contradicoes-na-educacao-evidenciadas-pela-crise-atual/. Acesso em: 9 fev. 2021.
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VALENTE, J. A. A sala de aula invertida e a possibilidade do ensino personalizado. Uma 
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WEISGERBER, C. Building thought leadership in an age of curation. In: 11ª CONFERÊNCIA 
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https://www.academia.edu/34044268/Canal_do_Educador_Texto_Curadoria_Educativa.%20Acesso%20em:%2027%20dez.%202020
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https://porvir.org/a-culpa-nao-e-do-online-contradicoes-na-educacao-evidenciadas-pela-crise-atual/
https://porvir.org/a-culpa-nao-e-do-online-contradicoes-na-educacao-evidenciadas-pela-crise-atual/
https://www.portalintercom.org.br/anais/sul2016/resumos/R50-0926-1.pdf
https://www.portalintercom.org.br/anais/sul2016/resumos/R50-0926-1.pdf
http://www.slideshare.net/corinnew/building-thought-leadership-through-content-curation
http://www.slideshare.net/corinnew/building-thought-leadership-through-content-curation
76 Novos paradigmas educacionais
4
Professor como sujeito 
da práxis docente
A menina guardou o caderno na mochila usada. Respirou fundo, 
estava prestes a tomar uma decisão. Continuar ou desistir? Pensou 
na sala de aula, nos colegas e nas vezes em que se sentiu inferior 
a eles. Pensou na quantidade de tempo em que frequentava a es-
cola e sentiu-se derrotada. Sem dúvida, acumulava mais fracassos 
do que vitórias. Pensou seriamente em desistir. Mas lembrou do 
sorriso da professora, da boa vontade dela em lhe explicar tudo 
incansavelmente quando percebia que não tinha entendido. E em 
como a professora foi incrível em fazer isso discretamente, em sua 
carteira, sem chamar a atenção dos demais colegas para seu fra-
casso. A menina sorriu. Decidiu ir à escola mais um dia. Ia vencer. 
A professora merecia seu sucesso. A professora acreditava nela.
A menina (ou quem sabe um menino) do parágrafo anterior 
pode estar na sua sala de aula, ou talvez dentro de você. Medrosa, 
afetada por fracassos que, mesmo parecendo pequenos a outros 
olhos, afetaram-na sensivelmente e a fizeram quase desistir do 
ambiente escolar. Apoiar-se nas ações da professora fortaleceu 
sua decisão de continuar.
A proposta deste capítulo é refletir sobre o papel do professor. 
Não só como alguém que sabe o conteúdo e é formado para ensi-
nar conceitos, mas como alguém que entende que afeta a vida do 
outro e, dessa forma, dispõe-se a educar, no sentido mais amplo 
da palavra: o de dar um direcionamento diferente, fazer o outro 
perceber que pode ser muito melhor, que há diversas possibili-
dades e não uma só resposta. E este é o convite lançado: rever 
seus paradigmas e suas escolhas sobre ser professor. Não temos 
todas as respostas, mas podemos ajudar a elaborar perguntas e 
lhe mostrar alguns caminhos.
Professor como sujeito da práxis docente 77
4.1 Afetividade e qualidade 
Vídeo Não é novidade para nenhum educador, especialmente aqueles 
que trabalham com as crianças pequenas, a relevância da afetividade 
no processo de ensino aprendizagem. Há décadas, esse tema vem sen-
do abordado nas teorias que sustentam as propostas pedagógicas des-
tinadas à educação das crianças. As teorias mais respeitadas no mundo 
acadêmico reforçam a importância da afetividade e do contato com o 
outro (ou com o objeto de aprendizagem) para a efetivação da apren-
dizagem, como as de Piaget, Vygotsky e Wallon (LA TAILLE; OLIVEIRA; 
DANTAS, 1992). O que se pretende nesta sessão é ampliar a discussão 
e articular uma reflexão na direção da afetividade e da qualidade edu-
cativa sob o ponto de vista da ação do professor.
Vamos começar analisando o sentido da palavra afetividade, que 
está descrita no dicionário como “a capacidade do ser humano de rea-
gir prontamente às emoções e aos sentimentos” (MICHAELIS, 2021). É 
preciso considerar aqui como elemento da nossa análise que essa defi-
nição não se refere somente a bons sentimentos, ela trata de 
qualquer sentimento, os bons e os ruins, os agradáveis e aque-
les que não são fáceis de sentir, como medo, apreensão, inse-
gurança e raiva. Propomos, com esse raciocínio, encarar a 
afetividade sob o ponto de vista do verbo afetar: da quantidade 
e profundidade com que algo nos afeta e, igualmente, da forma 
como nos afeta.
Isso tem tudo a ver com o conceito de aprendizagem da 
contemporaneidade. Observe: quando o termo educar corres-
pondia somente à ideia de repassar ou transmitir informações 
(por parte do professor) e decorar e repetir padrões (por par-
te do aluno), o sentimento envolvido nesse processo não era 
relevante, embora mesmo assim ele se fizesse presente. Mas 
atualmente a evolução do conceito de educar permite pensar 
que, além de lidar com conteúdos, auxiliando a construção de 
conhecimento, é preciso ajudar o outro a tomar consciência 
de si mesmo, a encontrar suas possibilidades, que são dife-
rentes de pessoa para pessoa, é ajudar o outro a encontrar o 
seu melhor, as suas possibilidades. E não há como educar sob 
essa perspectiva moderna sem levar em conta os sentimentos 
Leitura
Henri Wallon (1879-
1962), psicólogo francês, 
é uma das maiores refe-
rências de estudo quan-
do se trata de afetividade 
e crianças. É ele quem 
destaca a necessidade da 
compreensão da parte 
emocional (afetiva) das 
crianças e da sua rele-
vância na formação das 
pessoas, indicando que o 
estudo da emoção deve 
ser tão relevante quanto 
o estudo de outros 
aspectos da inteligência 
humana. Para saber mais 
sobre ele, acesse o link 
a seguir e leia o texto O 
conceito de afetividade de 
Henri Wallon.
Disponível em: https://novaescola.
org.br/conteudo/264/0-conceito-
de-afetividade-de-henri-wallon. 
Acesso em: 9 fev. 2020.
https://novaescola.org.br/conteudo/264/0-conceito-de-afetividade-de-henri-wallon
https://novaescola.org.br/conteudo/264/0-conceito-de-afetividade-de-henri-wallon
https://novaescola.org.br/conteudo/264/0-conceito-de-afetividade-de-henri-wallon
78 Novos paradigmas educacionais
envolvidos nesse processo. Educar, portanto, está relacionado a sen-
timento, pois envolve reflexões sobre como me sinto com relação a 
alguns conceitos, o que me afeta mais ou menos, o que posso aprender 
com mais facilidade e a que precisarei dedicar mais estudo e atenção.
Logo, há muita relevância em considerar a dimensão afetiva no 
trabalho pedagógico, pois o que o professor faz afeta o aluno em di-
ferentes proporções, e isso realmente precisa ser considerado pelo 
profissional da educação.
É importante reforçar a ideia de que a afetividade envolve a reação 
das pessoas a qualquer sentimento, e é isso que a torna tão relevante 
para o processo educativo, porque aprender envolve a sensação de fra-
casso, de vitória e de perseverança. Aprender é recheado de emoção 
e, por assim dizer, de afetividade. Então, se considerarmos que para 
aprender é preciso envolver sentimentos, estamos reconhecendo que 
a afetividade está presente em todas as faixasetárias em que há apren-
dizagem. Não é uma especificidade das crianças pequenas, mas sim 
das pessoas. Daí a necessidade de articular a dimensão afetiva com 
propostas pedagógicas coerentes, em que principalmente as ações dos 
professores possam levar em conta esses sentimentos.
De fato, a teoria de Vygotsky (1984) já preconizava a ideia de que para 
aprender é preciso se relacionar com o outro. Para esse autor, nossa 
aprendizagem vai se formando por meio dos relacionamentos que te-
mos na nossa vida, nas interações e principalmente na linguagem. Com 
essa perspectiva de raciocínio, podemos dizer que faz diferença a forma 
como um professor fala (e trata) com seus alunos? A forma como esco-
lhe direcionar-se a eles, além propriamente do fato de ensinar? Observe 
que aqui não estamos falando somente da metodologia que o professor 
escolheu para ensinar (e ela também faz diferença), mas nas pequenas 
ações que demonstram que o professor acredita nos alunos, nos comen-
tários que faz instigando a descoberta, aceitando a dúvida, entendendo 
quando os alunos têm dificuldades como parte de um processo normal.
Sim, faz diferença. A aprendizagem inclui a relação entre as pes-
soas, e uma das relações mais fortes é entre professores e seus alunos. 
Talvez seja o caso de perguntar aos professores, e aqui transferimos 
a pergunta a você, se acreditam realmente que da forma como estão 
ensinando e com os comentários que estão fazendo seus alunos têm 
todas as possibilidades de aprender. Têm? Você acredita nisso? 
Professor como sujeito da práxis docente 79
Talvez para entender isso em profundidade seja necessário voltar ao 
tempo em que se era criança e relembrar os comentários incentivadores 
de seus professores. Esqueça as aulas que foram dadas à turma toda, 
lembre as vezes em que seus professores se dirigiram a você especifi-
camente. O que de fato fez diferença na sua formação, no seu aprendi-
zado? O que afetou você? Um professor que foi até você e lhe explicou 
novamente a matéria, sem julgamentos; um comentário escrito na sua 
avaliação, elogiando seu desempenho; um sorriso de algum professor, 
demonstrando cumplicidade? Ou talvez um comentário grosseiro e in-
feliz que só fez você desacreditar no seu potencial? Quais experiências 
educativas envolvendo sentimentos estão vívidas na sua memória?
Reviver essas lembranças não tem outra finalidade senão a de co-
locar você em contato com suas emoções, para que retome a temática 
desta seção: somos realmente afetados pela relação entre as pessoas, 
inclusive no ato de ensinar, principalmente na relação professor-aluno. 
Afetividade, portanto, é realmente sentir-se afetado por algo ou por 
alguém (WALLON, 1995). E com certeza você não passou imune às si-
tuações que vivenciou. Seu aluno também não passará.
Se consideramos que o professor deve ser um facilitador da apren-
dizagem, um mediador do processo de ensino-aprendizagem, como 
podemos conceber que não leve em conta que a afetividade é fator 
primordial para o sucesso e a qualidade do processo? Considere que 
desenvolver habilidades interpessoais também se aplica ao quesito 
aprendizagens que os alunos adquirirão ao longo dos anos de convívio 
escolar. E como desenvolver essas habilidades? Exercitando-as em sala 
de aula, aprendendo com o exemplo de seus professores. Essa não 
é a única forma, claro. Outros grupos sociais, entre eles fortemente 
o familiar, também exercem relevância para esse aprendizado, mas a 
relação professor-aluno é algo muito importante nessa esfera e recebe 
destaque por ser objeto de estudo desta seção.
As diferentes modulações da voz de um professor, como quando ele 
fala alto (ou até grita) com seu aluno, podem ser fatores que geram an-
siedade ou intranquilidade. E isso pode afetar a compreensão do que 
está sendo dito. Sim, o aluno pode não entender o que está sendo dito 
quando a voz é muito alta ou gritada, porque fica tão nervoso com a 
situação que simplesmente bloqueia o conteúdo e foca só a forma. Ao 
contrário, quando o professor se dirige aos seus alunos com calma, mes-
mo que para chamar sua atenção, há uma nítida percepção de senti-
80 Novos paradigmas educacionais
mentos de consideração e respeito e, sentindo-se respeitado, o aluno 
ouve e acolhe a mensagem. Não se trata, portanto, de aceitar tudo que 
os alunos fazem, mas sim de lidar com o que eles fazem de maneira res-
peitosa e profissional e ajudá-los a lidar com as situações mais difíceis. E 
isso vale para qualquer aluno de qualquer idade (TESSONI; LEITE, 2013).
Vamos abrir um outro ponto de reflexão aqui: os resultados não 
intencionais de uma relação professor-alunos, ou a aprendizagem que 
ocorre no ambiente escolar sem que seja essa a intenção do professor. 
Observe: podemos chamar de “normal” (entre aspas por suscitar uma 
série de interpretações, mas usando-a especificamente com aproxima-
ção da palavra rotineira) a situação intencional em que um professor 
planeja a aula e utiliza metodologias e conhecimentos pedagógicos 
para que aquele conteúdo seja transformado em aprendizagem pelo 
seu aluno. Isso é uma normalidade, uma rotina no dia a dia escolar. 
Mas existe uma forma de aprendizagem que está presente nessa rela-
ção, que não foi planejada e por vezes nem considerada pelo professor: 
o que chamamos de aprendizagem não intencional. Dela fazem parte 
aspectos que são percebidos pelos alunos sem que tenham sido inten-
cionadamente destinados a educar, como pouca energia por parte do 
professor ao explicar, má vontade de ambas as partes para lidar com 
as dificuldades do processo de aprendizagem, entre outros exemplos. 
Sim, há aprendizagem também em cada uma dessas coisas que foge à 
“normalidade” daquilo que foi planejado (MORALES, 2006).
Vamos transformar isso em um exemplo? Numa sala de ensino mé-
dio, o professor escreveu no quadro e explicou uma expressão mate-
mática e metade da sala não entendeu. Um aluno levanta a mão e diz 
em voz alta que não entendeu nada, outros alunos riem da situação, e 
a reação e a resposta do professor assumem um tom de voz mais enér-
gico, um pouco desdenhando da falta de entendimento do aluno, lem-
brando a ele de que, enquanto explicava, percebeu que o aluno estava 
desenhando no caderno. Isso tudo em voz alterada e diante da sala 
toda. Ora, essa reação do professor acabou de gerar em boa parcela 
da sala que não havia entendido a explicação a aprendizagem e a per-
cepção de que não se deve perguntar nada, que não se deve mostrar 
frágil perante esse professor, pois se corre o risco de ser ridicularizado 
Professor como sujeito da práxis docente 81
em voz alta na frente de todos os alunos da sala. Esse foi o aprendiza-
do não intencional. É prejuízo, certamente, para ambas as partes. O 
professor, frustrado porque não conseguiu cumprir seu objetivo, e os 
alunos, que com a não aprendizagem podem reforçar a ideia de que 
não entendem nada dessa matéria, não servem para estudar, e esses 
pensamentos são passaportes para a evasão escolar.
Observe que alunos entendem rapidamente que na dinâmica do 
processo de ensino-aprendizagem não devem levar em conta somente 
o que o professor fala, mas sim a forma como fala e como demostra 
o que sente. As atitudes dos professores de fato demonstram se eles 
acreditam no potencial dos seus alunos e eles percebem isso.
Aprendizagens não intencionais ocorrem o tempo todo e devem 
servir como reflexão para os professores pensarem na importância de 
serem modelos de identificação para seus alunos.
Acompanhe nos quadros a seguir uma reflexão sobre o tema:
O aluno aprende:
intencionalmente, 
porque quer aprender
O aluno aprende:
sem intenção, mesmo 
sem querer aprender
O aluno NÃO 
aprende
O professor 
ensina: intencio-
nalmente, porque 
quer ensinar
A B C
O professor ensi-
na: sem intenção, 
sem pretender 
isso
D E F
Não há professor, 
ninguém ensina G H I
Quadro 1
Ensino e aprendizado intencionais e não intencionais (estrutura)
Fonte: Morales, 2006, p. 19-20.
82 Novos paradigmas educacionaisQuadro 2
Ensino e aprendizado intencionais e não intencionais (conteúdo)
O aluno aprende...
A relação professor-aluno
O professor ensina... Intencionalmente, porque 
quer aprender...
Não intencionalmente, mesmo sem 
querer aprender...
Intencionalmente, 
porque quer ensinar...
Áreas que ocupam 
nossa atenção 
consciente, dimensão 
formal...
Ênfase nos conheci-
mentos da matéria
A
Área normal: processos 
habituais de ensino-aprendi-
zado; o aluno médio estuda, 
trabalha, aprende...
B
Problemas de aprendizado, de moti-
vação...
Mas, graças aos exercícios, avaliações... 
há alunos que acabam aprendendo, 
apesar de sua pouca vontade...
Sem intenção, sem 
pretender ensinar ou 
sem se dar conta...
Áreas que podem fugir 
mais à nossa atenção 
consciente, dimensão 
informal...
Área de influência 
predominante: valo-
res, atitudes, motiva-
ção...
D
Modelos de identificação: o 
aluno quer ser como...
A figura do professor o trans-
forma em modelo de identifi-
cação. Muitos aprendizados 
importantes para a vida 
(valores, atitudes, condutas) 
se aprendem pela imitação 
dos modelos apresentados 
pela mídia...
E
Ensinamos coisas mais importantes 
que nossa matéria, com o que somos, 
com nosso modo de relacionamento com 
os alunos, com comentários inciden-
tais... O interesse e o desinteresse, a 
autoestima, as ilusões... são ensinados 
e aprendidos...
Fonte: Morales, 2006, p. 19-20.
Modelos de identificação, como o nome sugere, são aquelas pes-
soas com as quais os alunos se identificam, com as quais nós, adultos, 
nos identificamos. Analise a sua vida: quem são ou foram os seus mo-
delos? Claro que não temos um único modelo e talvez nem o tenhamos 
pela vida toda. Podemos nos identificar com a forma como uma pessoa 
da nossa família se relaciona com as outros, talvez aquela tia querida 
que sempre recebe você com tanto amor ou aquele chefe que orien-
ta seu trabalho com explicações que fazem sentido sem fazer você se 
sentir diminuído. Os modelos de identificação aparecem a todo mo-
mento e traçam grande importância nas nossas vidas. Então perceba 
a importância de ser professor: muitos professores são modelos de 
identificação de seus alunos.
Há duas características que podem fazer um professor se tornar 
modelo de identificação para seus alunos, a primeira diz respeito a ser 
um bom professor, aquele que sabe a matéria e dá boas aulas; e a 
segunda diz respeito à aceitabilidade desse profissional, que quanto 
Professor como sujeito da práxis docente 83
mais querido e estimado for pelo seu grupo, mais mensagens valiosas 
passará aos seus alunos. Esse aceite emocional do professor por parte 
dos alunos não deve ser desconsiderado pelos profissionais da educa-
ção (MORALES, 2006). Por isso, é importante que seu trabalho educa-
tivo e intencional canalize a afetividade para que seja mobilizadora de 
aprendizagem, em que atenção, paciência e respeito à individualidade 
devem estar muito presentes, bem como respeito aos ritmos, erros e 
avanços dos seus alunos (MAHONEY; ALMEIDA, 2009). Lembre-se de 
que as suas ações deixarão marcas nos seus alunos.
“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o 
professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gen-
tes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, 
burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” 
(FREIRE, 1996, p. 73).
Vamos trazer aqui uma pesquisa realizada pela autora Alicia Fer-
nandes (1994), psicopedagoga argentina que trata de crianças e jovens 
com problemas de aprendizagem. Ela percebeu que a maioria (de 75 
a 80%) das crianças que chegava para tratar os problemas para apren-
der era composta de meninos e questionou-se por que isso acontecia. 
Pesquisando, percebeu que a maioria das pessoas que educava esses 
meninos era composta de mulheres e, aprofundando seus estudos, 
detectou uma certa dificuldade dessas mulheres em fazê-lo. Isso por-
que havia padrões estabelecidos do que deveria ser um “bom aluno”, e 
esses padrões eram feitos e baseados nas expectativas das mulheres 
e muitas vezes não combinavam com a forma de ser dos meninos. O 
fracasso escolar de ambas as partes era iminente. Para a pesquisadora, 
as professoras é que apresentavam dificuldades para lecionar aos que 
eram diferentes delas, no que chamou de dificuldades de ensinagem. 
Observe que a escola havia previsto metas de desenvolvimento que 
combinavam com alunos quietos, passivos, que não questionavam, 
que realizavam tudo que era pedido pelo professor, e isso era o con-
trário do que estavam vivendo na prática. Logo, como não alcançavam 
as metas, os alunos com problemas (e naquele contexto eram em sua 
maioria meninos) acabavam engrossando a estatística de alunos com 
problemas de aprendizagem.
É muito importante frisar que não tratamos do gênero. Não estamos 
destacando o que é (ou deve ser) parte da educação dos meninos ou 
A expressão dificuldade de 
ensinagem está presente na 
versão argentina do livro de 
Alicia Fernandes e foi mantida 
assim nas traduções brasileiras, 
revelando uma dificuldade do 
professor em lecionar quando 
suas expectativas e a realidade 
que encontra em sala de aula 
são diferentes, e justamente por 
isso entram em choque. 
O termo ficou famoso no 
ambiente educacional e está 
presente aqui para fazer o 
professor pensar, além das suas 
técnicas de ensino, com igual in-
tensidade nas suas expectativas 
com relação ao desempenho, ao 
comportamento e às atitudes de 
seus alunos. Estarão adequadas 
à faixa etária e ao contexto de 
seus alunos?
Para re�etir
84 Novos paradigmas educacionais
das meninas, pois as conquistas da igualdade de gênero merecem ser 
respeitadas. Apenas estamos refletindo que há pessoas diferentes, se-
jam meninas ou meninos, que são mais agitadas, menos concentradas, 
pessoas que precisam de mais ação, que se entediam, que precisam de 
movimento. Enquanto para umas há necessidade de uma explicação e 
atenção mais detalhada, para outras bastam explicações orais. E nenhu-
ma é melhor que outra, são apenas diferentes.
A pesquisa de Fernandes (1994) foi trazida para este livro para ini-
ciar uma discussão que fortaleça que a educação deve ser pensada 
para todas as pessoas, mas sob o ponto de vista delas, não do profes-
sor. Senão corremos o risco de repetir o que a pesquisa mostrou, pro-
fessoras caracterizando como problemas de aprendizagem dos alunos 
algo que era uma dificuldade delas. A pesquisa aponta que as dificul-
dades de ensinagem podem nos ensinar algo: será que você percebe 
essa dificuldade ao seu redor? Ou em você mesmo? Quais são as suas 
dificuldades de ensinagem?
Então, professor, ampliamos as questões: qual é a sua concepção de 
“bom aluno”? Como estão suas expectativas com relação à aprendiza-
gem de seus alunos? O que você faz para atender às diferenças deles?
Afetividade, tornar-se afetado, afetar alguém. Pense nisso com mui-
ta profundidade. Não importa em que nível educacional você trabalhe, 
sua presença e suas ações sempre afetarão seus alunos intencional e 
não intencionalmente. O que você diz é importante, o que você demos-
tra talvez seja mais ainda.
Sim, é preciso incorporar práticas pedagógicas que possibilitem in-
teração e crescimento. É preciso estudar, ler e melhorar para poder 
fazer o outro crescer, para ser lembrado como diferencial na vida de 
alguém. Para realmente ser professor hoje em dia, é preciso considerar 
o que você sabe e o que você faz.
4.2 Protagonismo e autonomia 
Vídeo Os dois termos que intitulam esta seção possibilitam uma grande 
reflexão sobre o ato educativo da contemporaneidade. Vamos explorar 
os dois conceitos, iniciando com o de protagonismo.
O que é ser protagonista? Segundo o Michaelis on-line, protagonis-
ta é “o principal personagem de um filme, o participante ativo ou de 
A pesquisa da Alicia 
Fernandes resultou no 
livro A mulher escondida 
na professora: uma leitura 
psicopedagógica do ser 
mulher,da corporalidade e 
da aprendizagem, em que 
a autora discute o papel 
feminino na educação. O 
livro diz muito sobre o pa-
pel da mulher professora 
e alguns estereótipos que 
permeiam esse trabalho, 
tanto do lado da ação da 
professora quanto do 
lado da aprendizagem 
dos alunos. Uma leitura 
muito interessante e de 
muito crescimento para 
todas as mulheres pro-
fessoras, sem dúvida.
FERNANDES, A. Porto Alegre: Artes 
Médicas Sul, 1994.
Livro
Professor como sujeito da práxis docente 85
destaque de um acontecimento” (MICHAELIS, 2021). Relacionando esse 
conceito ao processo de ensino-aprendizagem, poderíamos considerar 
que por muitos anos coube ao professor o papel de protagonista. Era 
o professor quem detinha as informações, o conhecimento, quem de-
veria organizar a forma de repassar o conhecimento para os alunos, o 
responsável pelas escolhas da metodologia e do conteúdo a ser ensina-
do. Muito do processo de ensino-aprendizagem era protagonizado pelo 
professor. Veja, quando colocamos o verbo no passado – “era” protago-
nizado –, estamos concebendo que esse processo passou por uma evo-
lução. Mas é preciso reconhecer que, parte pela dimensão continental 
e formação cultural das pessoas e parte por desatualização profissional 
de alguns grupos, em muitos lugares ainda existe um protagonismo 
quase absoluto do professor no processo de ensino-aprendizagem.
Reconhecido aqui que as regiões do Brasil não trabalham com a 
mesma concepção de ensino e que enfrentamos desigualdade tam-
bém no aspecto do processo de ensino-aprendizagem – e não somente 
no aspecto social, amplamente divulgado –, seguimos na reflexão da 
questão do protagonismo do professor.
Com os avanços dos estudos que indicam quais as melhores formas 
de ensinar, principalmente amparados pela questão do movimento 
do aluno e da não passividade, aos poucos o professor deixa de ser o 
protagonista do ato educativo, ou talvez seja melhor dizer o único pro-
tagonista. É preciso abrir aqui um adendo explicando que obviamente 
não estamos colocando num plano rebaixado a função de professor, 
deixando de entendê-la como protagonista. Não é ser menor em ab-
solutamente nada, é apenas olhar o processo de ensino-aprendizagem 
sob a ótica da sua função maior: em linhas bem claras, qual é para 
você a função maior do processo de ensino-aprendizagem? Talvez fa-
cilmente você tenha pensado na resposta: que o aluno aprenda! Não 
só o conteúdo, mas aprenda a ser melhor, a usar o conteúdo que está 
sendo debatido em sala de aula para melhorar sua vida, para resolver 
seus problemas.
Então nos parece claro que o professor não pode ser o único prota-
gonista dessa relação. E é sob essa ótica que propomos a reflexão: as 
escolhas metodológicas, o planejamento do professor na curadoria de 
conteúdo, o tempo destinado a cada estudo, alguns dos projetos que 
farão parte da caminhada daquela turma são parte do protagonismo 
86 Novos paradigmas educacionais
dos professores, mas precisam ser pensados de maneira que sejam 
também destinados ao protagonismo dos alunos.
Não ache que do protagonismo único do professor passaremos ago-
ra ao protagonismo único dos alunos, como se somente eles pudessem 
(e devessem) escolher o que devem estudar e de quais formas. Não é 
bem assim. Em primeiro lugar é preciso reforçar que considerar o alu-
no como protagonista de sua aprendizagem é de certa maneira colocá-
-lo no centro do projeto educativo, é pensar uma educação para ele; é 
deslocar o professor da posição do “eu decido” para a posição do “eu 
penso em você”. Trata-se de uma mudança significativa que abre precei-
tos para considerarmos o processo de ensino-aprendizagem como algo 
que é feito em parceria. Não de um para outro, mas de professores e 
alunos em relação à descoberta que a aprendizagem possibilitará.
Mas colocar os alunos no centro do processo de ensino-aprendiza-
gem, dar a eles parte do protagonismo do professor tão difundido no 
imaginário de muitos, só será possível se os educadores mudarem a for-
ma como percebem e interagem com os alunos, acreditando e partindo 
da ideia de que todos têm capacidade de aprender (PENIDO, 2017).
Essa tarefa não é fácil. Muitos professores foram condicionados a 
achar que alguns alunos não têm jeito, não servem para estudar, não 
se dedicam com afinco. Sem procurar as causas, valorizam muito os 
sintomas (conversa durante as aulas, desinteresse etc.). Mudar esse 
pensamento é acreditar no potencial de cada um, mas isso requer um 
professor, por assim dizer, com um melhor preparo intelectual, que 
conhece teorias, que estuda e que se desafia. Não dá para continuar 
fazendo a mesma coisa e apenas querer mudar. É preciso mudar as 
crenças e atualizar os valores.
Uma mudança de concepção de aprendizagem requer algumas 
ações, como as listadas a seguir, que podem ajudar o professor a fazer 
com que os alunos ocupem um lugar de protagonistas no processo de 
ensino-aprendizagem. De acordo com Penido (2017):
 • Conhecer os alunos: educadores precisam saber quem são seus 
alunos para entender melhor o seu perfil e as condições que fa-
vorecem ou dificultam a sua aprendizagem. O objetivo desse co-
nhecimento não é o de rotular os alunos ou decidir o que eles 
podem ou não aprender, é realmente utilizar essa informação a 
Professor como sujeito da práxis docente 87
favor da aprendizagem deles: conhecer o que gostam, que músi-
cas ouvem, que gírias falam etc.
 • Reconhecer: educadores precisam reconhecer os limites e o po-
tencial de cada aluno. Esse reconhecimento pode ser perigoso 
para a educação se para o professor não estiver claro que todos 
os alunos podem aprender. Não se trata de repetir concepções 
antigas que diziam “fulano não consegue aprender”, “a escola não 
foi feita para ele”, trata-se de (porque a concepção de educação 
é diferente e o aluno é igualmente protagonista) encontrar uma 
forma de ensinar aquele aluno, estabelecer qual metodologia 
será um sucesso, ajudá-lo a entender quais são suas melhores 
habilidades, como ele pode melhorar suas competências. Reco-
nhecer o diferencial dos estudantes dá à educação um caráter 
único e acaba por elevar a autoconfiança deles, o que é importan-
tíssimo para a aprendizagem.
 • Relacionar: educadores precisam construir relações de confian-
ça com seus alunos. É importante lembrar ao professor que a 
concessão com seus alunos precisa estar em sintonia. É mais fá-
cil aprender quando temos um bom relacionamento com aquele 
que de certa maneira está nos apresentando o conteúdo ou nos 
ajudando a chegar até ele. Não confunda, porém, com o fato de 
o professor ser mais bonzinho ou mais divertido. A conexão com 
professores de personalidades diferentes também mostrará aos 
alunos que é possível aprender com pessoas diferentes. A ques-
tão maior aqui é a de profundidade na relação com o professor, 
pois quanto mais próximos os alunos se sentem dele, mais chan-
ces têm de estabelecer confiança e superar seus limites.
 • Planejar: educadores precisam planejar suas práticas pedagógi-
cas em função do perfil e das necessidades de seus alunos. Esse 
item não é novidade para nenhum professor, pois a cada início 
de período letivo (seja anual, semestral ou bimestral) todos os 
professores passam pelo ritual do planejamento, e para muitos 
é até mesmo um momento em que reforçam suas ideias de anos 
anteriores. O que precisa ser considerado é: essa etapa é muito 
importante e precisa contemplar o perfil dos alunos, práticas di-
versificadas, divisão do tempo em atividades diversas, divisão da 
turma em subgrupos para maior produtividade. Planejar é real-
mente uma etapa de escolhas e é o professor quem fará essas 
Sabemos que é importante 
que o professor conheça 
características dos seus alunos 
para que possa ajudá-los a 
melhor aprender. Porém, muitos 
professores acabam destacando 
características não tão rele-
vantes para a aprendizagem, 
especialmente nos alunos tidos 
como mais difíceis. O desafio 
da reflexão é: você saberia 
dizer uma característicaboa 
(pense num elogio) que poderia 
fazer a todos os seus alunos, 
individualmente?
Para re�etir
A série Merlí é sobre um 
professor de Filosofia que 
é uma grande inspiração 
para seus alunos no 
ensino médio. Utilizando 
metodologias que não 
são muito ortodoxas, o 
professor não passa des-
percebido na escola onde 
leciona, nem no grupo 
de pais. Vale assistir para 
perceber a incrível cone-
xão que esse professor 
tem com seus alunos. A 
série diverte e ensina aos 
professores muito sobre 
conhecer e conectar-se 
com os alunos.
Criação: Héctor Lozano; Eduard Cor-
tés. Espanha: Televisió de Catalunya, 
2015-2018.
Série
88 Novos paradigmas educacionais
escolhas. Você se orgulha das escolhas que fez em seus últimos 
planejamentos?
 • Engajar: educadores precisam engajar seus alunos para que se 
sintam comprometidos com o seu processo de aprendizagem e 
encorajados a continuar se desenvolvendo. Essa é uma proposta 
bastante desafiadora e moderna. Todos os estudos atuais apon-
tam para a questão das metodologias ativas, que, como o nome 
já indica, tratam das propostas pedagógicas que colocam os alu-
nos em atividade, em movimento. Para que essas metodologias 
de fato funcionem, a proposta tem que ser muito boa, suficiente 
para engajar os alunos em projetos pertinentes, que não somen-
te tragam conteúdos a serem aprendidos, mas conteúdos inte-
ressantes a serem vivenciados.
 • Acompanhar e avaliar: educadores precisam acompanhar e 
avaliar o desenvolvimento dos seus alunos para assegurar que 
todos aprendam. É como se neste item disséssemos: nenhum 
aluno ficará para trás na aprendizagem. A reflexão aponta para o 
acompanhamento dos alunos de maneira que o professor possa 
perceber a tempo o que fazer para ajudá-los. Para isso é preciso 
estar atendo à participação e ao comportamento dos alunos, va-
riar a forma de avaliação para não privilegiar determinadas ha-
bilidades, manter a parceria com os alunos mesmo quando os 
resultados não forem os esperados e valorizar cada conquista, 
mostrando que se está atento ao desenvolvimento deles.
Relembre que, ao iniciarmos esta seção, nos comprometemos a 
tratar de dois conceitos, e agora cumpre falarmos sobre o segundo: 
autonomia. O conceito de autonomia, em linhas gerais, indica alguém 
que tem capacidade de se autogovernar, que tem vontade própria. Ser 
autônomo é fazer suas escolhas. E, assim, certamente você reconhe-
cerá que, ao falarmos sobre o protagonismo do professor (que deve 
ser dividido com o aluno), falamos também sobre as escolhas que esse 
professor deve fazer para que isso aconteça.
Esse é um dos pontos que gostaríamos de destacar ao abordar a au-
tonomia nesta seção. O professor precisa aprender realmente a fazer 
suas escolhas e ser autônomo nas suas decisões. Entendemos o peso 
dessas palavras, mas reflita que é comum professores dizerem que 
optaram por essa ou outra prática porque só conheciam essa forma 
Professor como sujeito da práxis docente 89
de fazer, ou porque a escola sugeria que fizessem assim. Desse modo, 
novamente retomamos o conceito: autonomia é fazer suas escolhas.
Obviamente não estamos tratando de o professor deixar de lado as 
orientações do sistema de ensino ao qual está vinculado, mas ele pode 
e deve, dentro do que é possível, escolher alternativas modernas para a 
educação de seus alunos, ampliando aquilo que recebe como orienta-
ção por parte das escolas. São escolhas. Grande parte dessas escolhas 
passa pelo conhecimento do professor, pela leitura de materiais perti-
nentes, pelo estudo dos assuntos e pela atualização profissional. Infe-
lizmente ainda é possível encontrar profissionais que repetem apenas 
o que fizeram no ano anterior ou práticas pedagógicas que vivencia-
ram como alunos. É preciso que fique claro que isso deve ser encarado 
como uma escolha do professor. Atualmente o contato com matérias 
diversificadas é bastante democrático e todos os professores podem 
melhorar suas práticas.
O professor precisa usufruir de seu direito de escolha, de sua au-
tonomia. Sugerir práticas, escolher como vai tratar seus alunos, é isso 
que fará a diferença na educação. Mas, para isso, precisa fazer a sua 
parte: conhecer mais, ter opções. Formação continuada, portanto, pa-
rece ser a melhor opção, mas não somente aquela oferecida por seu 
sistema de ensino: formação continuada é toda formação que você faz, 
e isso vale para as pesquisas sobre determinados assuntos e meto-
dologias. Vale, portanto, exercitar sua autonomia de escolha também 
sobre o que estudar.
É preciso procurar novas possibilidades e combinações, considerar 
formas diferentes de atingir o mesmo resultado, envolver as pessoas 
(sejam alunos, colegas, pais ou equipe diretiva da escola) para contar 
com seu apoio e potencial de ação. Muitas vezes parece impossível 
mudar determinada estrutura, mas com autonomia, senso crítico e 
aprofundamento do tema você pode ter uma surpresa com as possibi-
lidades que surgirão (NELSON, 2003).
Um outro ponto de destaque para o conceito de autonomia diz res-
peito às propostas pedagógicas sugeridas pelo professor que levam 
em conta a autonomia por parte dos alunos. Isso mesmo, vamos pro-
por atividades que possibilitem o desenvolvimento da autonomia das 
crianças e jovens. Procure nos documentos pedagógicos da sua escola 
90 Novos paradigmas educacionais
termos como alunos autônomos, certamente a ideia estará lá. Mas e o 
conceito na prática será encontrado?
Pense em dois níveis de autonomia que podem ser partilhados com 
seus alunos: a escolha e a opinião. Na autonomia da escolha, permita 
que seu aluno escolha algumas atividades a serem realizadas na esco-
la. Pode até ser o livro que ele deseja ler; em vez de a escola indicar, 
por que não aceitar a indicação dos alunos? Pode ser um profissional 
que será entrevistado pela escola para alguma atividade. Sejam as pe-
quenas ou as grandes escolhas, o que importa aqui é a percepção do 
aluno de que ele tem autonomia para a escolha, que suas propostas 
são consideradas pelo professor.
Ouça e considere a opinião de seus alunos. Estimule que façam isso 
com a opinião dos outros também. Mas aproveite para lembrá-los (e aí 
está um ensinamento muito importante) de que nossas opiniões de-
pendem da nossa vivência e do nosso conhecimento, portanto podem 
ser alteradas. Então, faça-os refletir sobre o que pensam, oferecendo-
-lhes vivências diferenciadas, opiniões de pessoas diferentes e pontos 
de vista que mereçam destaque. Lendo, ouvindo e comparando as 
ideias, eles podem formar melhor as suas próprias.
Uma das formas de trabalhar com a autonomia na sala de aula e 
contar com o interesse dos alunos é por meio de conteúdos interes-
santes à faixa etária que você educa. Seu aluno tem quantos anos? O 
que pensa uma criança ou um jovem dessa idade? Por quais coisas se 
interessa? Quando você for conhecer do que seu aluno gosta, resista 
àquela frase “no meu tempo não era assim”, pois não era mesmo, 
mas agora é. E estamos educando agora, por isso precisamos conhe-
cer este tempo. Então retomamos: quais são os interesses da faixa 
etária da sua sala de aula? Invista suas aulas nesses interesses e dê 
aos alunos a autonomia da escolha de algumas práticas. O resultado 
pode ser surpreendente.
O princípio da autonomia é destacado na Base Nacional Comum 
Curricular (BRASIL, 2018) como uma das dez competências a serem ad-
quiridas pelos alunos na educação básica. O destaque dado à questão 
da autonomia reforça que as crianças e os jovens precisam exercer a 
autonomia individual, ou seja, as suas escolhas pessoais, mas não per-
der de vista a autonomia coletiva, na qual a opinião e a escolha de uma 
equipe também devem ser consideradas. De acordo com a lei, é pre-
A partir de março de 
2020, as escolas brasilei-
ras tiveram que reinven-
tar práticas educativas 
para atender aos alunos 
que não podiam mais 
frequentar espaços esco-
lares. A Covid-19 alterou 
as práticas escolares e 
desafiou os profissionais 
da escola a trabalhar com 
práticasestão atrelados ao pensamento vigente, ao desenvolvimento científi-
Sabia que existe uma data de co-
memoração mundial específica 
para as mulheres na engenharia? 
É o dia 23 de junho. Segundo 
os organizadores, a data tem 
como objetivo fortalecer o 
espaço que as engenheiras vêm 
ganhando na profissão, antes 
majoritariamente ocupada por 
homens. Essa data foi proposta 
pela Women’s Engineering 
Society, que reúne engenheiras, 
cientistas e tecnólogas para 
trabalhos em parceria.
Curiosidade
Propósito educativo e desafios cotidianos 13
co e tecnológico e às premissas pedagógicas de determinado grupo. 
Assim, é correto afirmar que todo modelo educacional corresponde a 
alguma vertente de pensamento que aquela sociedade tem sobre os 
assuntos que a circundam.
Convencionou-se chamar esses “modelos” de paradigmas. Segundo 
sua etimologia, um paradigma, do grego paradeigma (modelo ou pa-
drão), corresponde a modelos que são vigentes em determinado tem-
po e situação (ROMANO, 1998).
Observe que quando utilizada no campo educacional, a palavra 
pode ser considerada como sinônimo de modelo mental, desde que 
considerada dentro de um período histórico. Então, paradigmas são os 
delimitadores, verdades geradas em determinados períodos históricos, 
que definirão as ações da sociedade daquela época.
Tome como exemplo Galileu Galilei (1564-1642), cuja história ilustra 
o início deste capítulo. Com suas descobertas, revolucionou a história 
da astronomia ao comprovar que a teoria geocêntrica (que conside-
rava a Terra como o centro do Universo) não era verdadeira. Galileu 
reafirmou a teoria de Nicolau Copérnico de que o Sol era o centro do 
Sistema Solar (teoria heliocêntrica). A questão que queremos desta-
car aqui não é a simples substituição de uma teoria pela outra (o que 
poderia ser considerado sob o ponto de vista da evolução da ciência 
sobre a religião), mas sim a dificuldade das pessoas da época para mu-
dar os modelos vigentes que existiam. As conclusões de Galileu foram 
duramente questionadas pela Igreja Católica, porque contrariavam as 
Escrituras Sagradas, e o estudioso foi condenado à prisão domiciliar, 
onde morreu cego e sem o reconhecimento por seus estudos. Aliás, só 
não foi morto na fogueira (pena para quem cometia heresia) porque 
refutou seus conhecimentos e fez uma confissão admitindo que estava 
errado, mesmo sabendo que estava certo.
Mas os estudos científicos de Galileu estavam corretos, e assim o 
desenvolvimento aprofundado da teoria científica mudou os paradig-
mas vigentes e possibilitou avanços da ciência tanto no campo da astro-
nomia quanto na física e na matemática, para citar só algumas áreas.
Compreenda que naquela época, e por muito tempo depois, ques-
tionar os paradigmas da fé com a ciência era algo inimaginável. Não é 
o caso aqui trazer a discussão de fé versus ciência; o que se pretende é 
alcançar um raciocínio de que a quebra de paradigmas pode ser difícil 
14 Novos paradigmas educacionais
e morosa, a depender do assunto, das pessoas envolvidas e, conse-
quentemente, do quanto esse paradigma afeta a vida dessas pessoas e 
mexe com suas verdades.
No caso de Galileu Galilei, foram necessários 350 anos da morte do 
estudioso para que a Igreja reconhecesse que ele havia sido condena-
do injustamente e que as ideias por ele defendidas eram verdadeiras.
Thomas Kuhn, em seu livro A estrutura das revoluções científicas, tra-
ta dos paradigmas reconhecendo-os como as “realizações científicas 
universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem 
problemas e soluções modelares para uma comunidade” (KUHN, 1997, 
p. 13). Vamos destacar nas ideias de Kunh as expressões universalmen-
te reconhecidas, que indica que paradigmas precisam ser reconhecidos 
como eficientes por uma grande parcela da população, e durante algum 
tempo, que mostra que as verdades não são absolutas, e sim mutáveis. 
Paradigmas, portanto, são temporários.
Em seu livro, o autor defende a ideia de que a ciência vai seguindo 
seu curso até que problemas surgem e levam a um repensar. Esse re-
pensar desafia as verdades que até então eram sustentadas e obriga 
os pesquisadores a buscarem novas respostas para as novas dúvidas. 
Para isso, é preciso que formulem novas estratégias de resolução. Isso 
faz com que pensem de maneira diferente, muitas vezes ampliando o 
que pensavam anteriormente sob outras perspectivas. Esse repensar 
vai gerar outros modelos mentais que vão direcionar novas pesquisas 
e, consequentemente, a ampliação do que já se sabia ou a alteração do 
que se pensava como “verdade”.
É esta relação que se deseja estabelecer aqui: o entendimento 
de que os paradigmas, sendo modelos estabelecidos, em certo tem-
po serão alterados, pois esse é o curso natural. Porém, é importante 
lembrar que o entendimento do que se considera um paradigma não 
implica na facilidade de superação ou substituição dele. A história tem 
nos mostrado como é elaborada e por vezes morosa a aceitação da 
mudança de um paradigma, talvez porque aceitar a mudança significa 
sair da posição confortável de conhecimento da realidade e se lançar 
ao novo.
Desafiamos você a pensar na sua mudança pessoal de paradigmas. 
Certamente há verdades estabelecidas em sua vida, algumas já altera-
das, outras em processo de dúvidas. Vamos a uma pergunta que ainda 
Para saber mais sobre o impor-
tante pensador Galileu Galilei, 
recomendamos o acesso a este 
site: https://history.uol.com.br/
biografias/galileu-galilei. Acesso 
em: 9 fev. 2021.
Site
https://history.uol.com.br/biografias/galileu-galilei
https://history.uol.com.br/biografias/galileu-galilei
Propósito educativo e desafios cotidianos 15
gera controvérsias em nosso país: o que você pensa sobre professores 
homens na educação infantil?
De acordo com o Censo Educacional da Educação Básica de 2017, 
dentre os 443.405 profissionais da educação infantil brasileira, ape-
nas 13.516 (3%) são homens (PENZANI, 2017). Qual será a causa 
dessa pequena porcentagem? Será que no seu pensamento não apa-
receram os seguintes questionamentos: isso é trabalho feminino? 
Estamos ainda em um paradigma no qual há diferenciação na qua-
lidade do profissional por gênero? Será que para todas as pessoas 
essa quebra de paradigmas da docência na educação infantil é aceita 
facilmente? Não esqueça que repensar um paradigma significa estar 
disposto a refletir sobre o assunto, ponderar, renunciar a uma verda-
de que se achava estabelecida. Esse movimento, mesmo que difícil, 
é necessário.
Poderíamos listar aqui uma infinidade de modelos que inconscien-
temente fazem parte das verdades de cada um de nós. Poderemos afir-
mar que estamos dispostos a renunciar a algumas verdades e talvez 
ainda não estejamos preparados para mudar outras no campo pes-
soal. No entanto, como profissionais da educação, não é correto que-
rermos estar sempre atualizados?
Romper com paradigmas estabelecidos é resultado de fatores dife-
renciados, entre eles o tempo e as circunstâncias sociais. É também fru-
to de avanços de estudos da ciência e, no caso da educação, de ciências 
que podem apoiar a ação educativa, como a psicologia, a sociologia, a 
biologia, entre outras, além dos estudos específicos sobre a didática 
envolvida no processo de ensino-aprendizagem.
Mas quais são os paradigmas da contemporaneidade?
Para Behrens (2013), há dois tipos de paradigmas educacionais re-
conhecidos ao longo da história da educação brasileira: 
 • Paradigmas conservadores: são aqueles que se embasam na re-
produção do conhecimento, feita de modo linear, com acúmulo 
de informações repassadas pelo professor, em geral sem envol-
ver afeto e sentimento dos alunos e, dessa forma, com pouca 
incidência de compreensão. Podem ser encontrados nas teorias 
tradicional e tecnicista e na escola nova. Esta, mesmo sendo uma 
teoria cuja base era romper com o ensino tradicional e dar mais 
voz aos alunos, não foi imediatamente aceita e difundida por 
Será que a porcentagem pe-
quena de professores brasileiros 
lecionandoautônomas de 
estudo. Este artigo lança 
luz sobre Como desenvol-
ver a autonomia no ensino 
remoto ou híbrido?. É uma 
interessante e importante 
leitura e reflexão.
Disponível em: https://novaescola.
org.br/conteudo/19847/
como-desenvolver-a-autonomia-
das-criancas-no-ensino-remoto-
ou-hibrido. Acesso em: 9 fev. 2021.
Leitura
https://novaescola.org.br/conteudo/19847/como-desenvolver-a-autonomia-das-criancas-no-ensino-remoto-ou-hibrido
https://novaescola.org.br/conteudo/19847/como-desenvolver-a-autonomia-das-criancas-no-ensino-remoto-ou-hibrido
https://novaescola.org.br/conteudo/19847/como-desenvolver-a-autonomia-das-criancas-no-ensino-remoto-ou-hibrido
https://novaescola.org.br/conteudo/19847/como-desenvolver-a-autonomia-das-criancas-no-ensino-remoto-ou-hibrido
https://novaescola.org.br/conteudo/19847/como-desenvolver-a-autonomia-das-criancas-no-ensino-remoto-ou-hibrido
Professor como sujeito da práxis docente 91
ciso: “Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, 
flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base 
em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidá-
rios” (BRASIL, 2018, p. 10).
Como essa é uma competência a ser adquirida durante toda a edu-
cação básica, é preciso começar desde a educação infantil, aumentan-
do e diferenciando as práticas no ensino fundamental e reforçando-as 
no ensino médio. Todos os níveis devem ter atividades que privilegiem 
a autonomia.
A autonomia, portanto, precisa estar na escola tanto do ponto de 
vista das escolhas do professor nas suas práticas metodológicas quan-
to na prática dos alunos. Entendemos que um professor que exerce 
sua autonomia tem mais probabilidade de ajudar seus alunos a desen-
volverem a deles também.
4.3 Criticidade e reflexão 
Vídeo As muitas informações e tecnologias produzidas na sociedade nas 
últimas décadas ajudaram a movimentar o campo escolar, inserindo 
novos estudos, possibilidades metodológicas e um eterno repensar: 
estamos realmente ensinando nossos alunos? Qual é a concepção de 
ensino que nos importa? As respostas a essas duas perguntas exigem 
um comportamento cada vez mais científico e crítico. É preciso estudar, 
conhecer teorias que possam ajudar a transformar a forma como en-
sinamos e, com isso, melhorar a experiência da aprendizagem dos alu-
nos, pesquisar estratégias e aprender com os resultados. As ideias do 
professor de apenas ter boas atitudes e gostar de crianças, ou aquele 
que simplesmente deixou de estudar após sua formação universitária, 
não podem mais fazer parte do dia a dia escolar; em seu lugar, cabe um 
professor questionador e reflexivo.
A autonomia na escolha de metodologias ou na curadoria de con-
teúdos pressupõe que o professor conheça o que tem disponível para 
escolher, e essa não é uma tarefa fácil de realizar, uma vez que envol-
ve reconstruções de alguns modelos que foram formados ao longo da 
vida de todas as pessoas, inclusive dos professores. Então uma das pri-
meiras coisas que os professores vão perceber é que dificilmente vão 
ensinar seus alunos da maneira como aprenderam. Não que aquela 
92 Novos paradigmas educacionais
forma não desse certo, algumas sob ressalvas, mas sim porque as pes-
soas que são educadas hoje em dia são diferentes daquelas daquele 
tempo. Aliás, o tempo é diferente, os recursos são diferentes, a tec-
nologia disponível é diferente, por que somente as práticas escolares 
precisam continuar da mesma forma?
Não precisam e não devem! Sabemos da dificuldade de ser crítico 
do seu próprio trabalho, mas é preciso repensar as práticas, reavaliá-
-las, aprender com o novo, aceitar que é preciso modernizar.
Foi assim que aconteceu em uma escola no interior do estado de 
São Paulo. Dando aula no pré-1, a professora Lúcia conta que, quando 
começou a estudar para entender e optar por uma educação integral 
na sua escola, passou por um processo lento e dolorido. Admitiu que 
foi difícil levar em consideração o que pensam as outras pessoas, pois 
são todas diferentes e carregam fortemente em suas práticas os re-
sultados das experiências do que já fizeram e até mesmo de quando 
eram alunas (PICARELLI, 2021). Mas quando a escola em que trabalha-
va optou por transformar as aulas regulares em educação integral, foi 
necessário criar grupos de estudo e entender exatamente o que a pro-
posta da integralidade podia oferecer aos alunos, algo muito maior que 
apenas o aumento da carga horária. 
Esse é o ponto da criticidade e da reflexão: ser crítico do seu trabalho 
só tem sentido se essa criticidade se revelar uma boa reflexão, que pos-
sa impulsionar o ensino em direção a outros patamares. Nem sempre a 
tarefa é fácil, pois envolve, além dos saberes dos educadores envolvidos, 
suas expectativas, seus conceitos acerca da educação e seus paradigmas.
Um dos pontos mais sensíveis dessa reflexão e no aprimoramento 
das técnicas destinadas à educação de crianças e jovens diz respeito 
ao uso de recursos tecnológicos. É sabido que eles facilitam a maneira 
como nos aproximamos das informações e como nos colocamos em 
contato com o mundo, mas, por outro lado, nem todos os professores 
têm a proximidade necessária com os instrumentos para estabelecer 
uma educação de qualidade. Então é preciso reforçar: quem não tem 
familiaridade com a tecnologia que se familiarize logo, pois as tecnolo-
gias estão cada vez mais presentes no mundo e isso também se aplica 
à escola.
As tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDIC) pro-
vocaram uma verdadeira revolução no ambiente escolar, mudaram 
As estratégias usadas 
para a alfabetização de 
crianças são constan-
temente estudadas por 
diversos profissionais li-
gados à escola e muito se 
tem escrito e produzido 
sobre a melhor forma de 
alfabetizar crianças. Hoje 
em dia sabemos que o 
letramento precisa estar 
presente nas alternativas 
de alfabetização. O texto 
Um decálogo para ensinar 
a escrever pode ajudar 
nessa escolha, pois 
apresenta a alfabetização 
com textos significativos e 
formatos diferentes para 
ensinar a escrever. Muito 
interessante!
Disponível em: https://www.
escrevendoofuturo.org.br/
arquivos/4928/um-decalogo-
dolz-pasquier.pdf. Acesso em: 9 
fev. 2021.
Leitura
https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/4928/um-decalogo-dolz-pasquier.pdf
https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/4928/um-decalogo-dolz-pasquier.pdf
https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/4928/um-decalogo-dolz-pasquier.pdf
https://www.escrevendoofuturo.org.br/arquivos/4928/um-decalogo-dolz-pasquier.pdf
Professor como sujeito da práxis docente 93
funções, refizeram a estrutura da aprendizagem e podem potencializar 
muito mais, basta que deixemos alguns preconceitos de lado e ouse-
mos educar com elas. Observe no quadro a seguir uma comparação 
entre a função do professor antes e depois das TDICs.
Quadro 3
Estrutura do aprendizado 
Antes das TDIC Depois das TDIC
Professor Especialista Facilitador
Aluno Receptor passivo Colaborador ativo
Ênfase educacional Memorização de fatos Pensamento crítico
Avaliação Do que foi retido Da interpretação
Método de ensino Repetitivo Interacionista
Acesso ao conhecimento Limitado ao conteúdo Ilimitado
Fonte: Kalinke, 1999, p. 34.
Analisando o quadro, consegue perceber como as tecnologias não 
modificaram somente as aulas? Modificaram também a estrutura do 
aprendizado. Fizeram o professor deixar de ser aquele que entendia 
unicamente do assunto para que ele pudesse ser um facilitador da 
aprendizagem (já que as informações estão disponíveis a quem quiser 
achar). O aluno deixa de somente assistir à aula e passa a participar 
dela, a opinar, a ter pensamento crítico, a entender que sua opinião 
pode divergir da opinião do outro, afinal hoje é possível conhecer pes-
soas com opiniões diferentes com muito mais facilidade nas redes so-
ciais. A avaliação passa a ter o caráter de interpretação, e não somente 
conteudista. Com o uso de tecnologias, o ensino pode passar a priori-
zar a interação (do aluno com o objetode aprendizagem, com outras 
pessoas e com informações diversas sobre o tema), assim é possível 
dizer que temos uma educação com possibilidades ilimitadas.
Claro, é preciso considerar que nem todas as escolas brasileiras têm 
disponível os mesmos recursos tecnológicos para a educação; por ou-
tro lado, se há algum recurso disponível, ele pode e deve ser usado. O 
que não pode é um professor que, por não conhecer ou não entender, 
ou, ainda, não ser da geração tecnológica, recuse o uso de recursos que 
são tão presentes na vida de seus alunos. Seja você, professor, um crí-
tico do seu trabalho. Está fazendo tudo que pode para que a educação 
94 Novos paradigmas educacionais
de seus alunos seja a melhor que você pode oferecer, de acordo com o 
grau de interesse deles?
Compreende por que a reflexão é tão importante no contexto da 
formação e da ação do professor? Porque refletir sobre o que se pensa, 
sobre o que se faz, possibilita retomar, rever, alterar. Pensar sobre o 
que se faz é tão importante quanto fazê-lo, e estamos chamando esse 
pensar de prática reflexiva.
Atualmente a prática reflexiva é primordial na ação do professor. 
Isso porque a rapidez com que as coisas mudam, com que novas práti-
cas aparecem, com que novos recursos tecnológicos nos desafiam é ta-
manha que geralmente é preciso parar e pensar se estamos realmente 
fazendo o melhor, da melhor maneira, e possibilitando a aprendizagem 
significativa de nossos alunos.
Donald Schön é um dos autores que trabalha com a ideia de prá-
tica reflexiva na ação docente. Para esse autor, quando o professor 
se forma no ensino superior – e por meio da observação dos outros 
professores em seus estágios –, vai moldando sua forma de ação, mui-
tas vezes sem pensar muito a respeito do que faz. Especialmente pro-
fessores que estão há muito tempo num determinado nível de ensino 
acabam por repetir práticas já conhecidas, porque elas lhes dão certa 
sensação de sucesso iminente. É como se dissessem (e algumas vezes 
dizem mesmo) que fazem sempre assim porque sempre dá certo. E 
não vamos questionar que por vezes dá certo mesmo, mas é preciso 
considerar que as práticas continuam iguais, mas os alunos mudaram 
muito. Então, o que dará certo em 100% das vezes nos primeiros alu-
nos não se mostrará na mesma porcentagem com outras turmas, não 
porque a técnica ou metodologia utilizada não é boa, mas porque não é 
adequada àquela turma, ou seja, não evoluiu. É preciso pensar e refletir 
sobre essa prática.
Para Schön (2000), as reflexões da prática podem se dar após a rea-
lização desta, quando há a oportunidade de comparar resultados, re-
visar o que não ficou a contento, atualizar metodologias; ou durante 
a prática, o que ele convencionou chamar de reflexão na ação. A últi-
ma forma, que decorre de um professor que está muito atento ao que 
propõe a seus alunos, permite que, sem interromper a metodologia 
ou técnica utilizada, o professor reorganize alguns pontos de modo a 
redirecionar o que vem sendo feito para alcançar o melhor objetivo.
Professor como sujeito da práxis docente 95
Seja após a prática ou na reflexão em ação, refletir sobre sua prática 
é possibilitar um olhar atento para o que vem sendo desenvolvido nos 
ambientes escolares. Não é fácil, convenhamos, que um profissional 
professor seja crítico do seu trabalho. Mas é necessário. E não será 
crítico sem uma reflexão profunda das suas ações, dos seus pensa-
mentos, do que pensa sobre educação e de como esse pensamento é 
expresso em ações.
Rever o que pensa é também uma forma de o professor encarar 
suas fortalezas e suas fragilidades. O que precisa ficar claro é que todos 
temos aspectos em que somos melhores e outros em que precisamos 
de mais ajuda. O que é relevante lembrar é que essas fortalezas e fra-
gilidades não são uma decisão fechada, hermética; elas são passíveis 
de mudança. Então, é preciso primeiro acreditar no seu potencial como 
professor, depois fazer uma leitura honesta e crítica sobre suas facili-
dades e dificuldades e por fim partir para a busca da melhoria.
É preciso olhar para dentro com coragem, concentrar-se naquilo 
que não compreende, pensar em mudança, exercer autonomia, con-
versar com quem conhece, pedir opinião, frequentar cursos e pesqui-
sar sobre os temas, de fato entender como as coisas são para refletir 
sobre o que precisa ser feito para mudá-las.
Reflexão e criticidade são duas faces de uma mesma ação que pode 
levar os professores a uma melhoria do que fazem e dos resultados 
escolares. O ensino prático reflexivo pode fazer muito por sua escola e 
acreditamos que é esse um dos caminhos para o crescimento da edu-
cação que praticamos. Mas isso depende do professor: da vontade em 
analisar, crescer e movimentar sua prática, suas verdades e seus anseios. 
Depende também da força de cada um em aprender com os erros, não 
os repetir e acreditar que pensar sobre o que se faz é um dos meios de 
fazer melhor e ter melhores consequências. Esteja desafiado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerar a afetividade na escola é considerar o que nos afeta, alunos 
e professores, na relação de aprendizagem. É considerar sentimentos, 
dos mais doces até os mais difíceis, sabendo que todos eles estão pre-
sentes e influenciam o ato de aprender. Por isso, é papel dos professores 
considerar as relações interpessoais, principalmente a força e importân-
96 Novos paradigmas educacionais
cia da relação professor-aluno para uma maior qualidade no processo de 
ensino-aprendizagem.
O protagonismo do professor que sabia tudo e tinha todas as respos-
tas está sendo colocado em xeque à medida que as mudanças do mundo 
apontam para recursos tecnológicos com grande poder de informação 
e comunicação. Hoje em dia, ressalta-se importância de o protagonismo 
do professor respeitar igualmente o protagonismo do aluno, cada um 
responsável por sua parte no processo de aprendizagem. Por isso, as ati-
vidades deverão ser cada vez mais focadas no público-alvo, ou seja, no 
aluno, nas suas características e nos seus interesses. Isso não tirará dos 
professores a responsabilidade de educar, apenas os aproximará de seus 
alunos e dará mais oportunidades para o sucesso da educação.
Para que o professor possa ter resultados diferentes em suas práticas, 
é muito importante que incorpore a reflexão no seu cotidiano, seja refle-
tindo após sua prática, ou refletindo durante o seu trabalho. Pensar sobre 
o que se faz permite estabelecer estratégias, encontrar possíveis enganos 
e redirecionar sempre que necessário. Ao refletir, possivelmente o profes-
sor estará pronto para ser um crítico permanente do seu próprio traba-
lho. Não no sentido de encontrar erros, mas no sentido de ser corajoso 
em nunca se perder no caminho do fazer por fazer. A missão de professor 
precisa ser pensada com coragem e redirecionada quantas vezes forem 
necessárias, para que possa ajudar a formar gerações de pessoas críticas, 
antenadas com seu tempo.
ATIVIDADES
1. A afetividade é mais importante em qual nível de ensino? Por quê?
2. Na relação professor-aluno, quem deve ser o protagonista da 
educação? Justifique.
3. Qual é a relevância de o professor conhecer suas fragilidades e 
fortalezas para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem?
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VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1995.
https://michaelis.uol.com.br
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https://www.redalyc.org/pdf/848/84827901014.pdf
98 Novos paradigmas educacionais
GABARITO 
1 Propósito educativo e desafios cotidianos
1. Propósito é a intenção, aquilo que almejamos realizar. Na educação 
o termo é usado para destacar a função maior do ato educativo, 
que é a de possibilitar a aprendizagem. O propósito da educação é 
gerar conhecimentos novos, novas aprendizagens. Mas para esse 
entendimento é preciso que haja reflexão sobre o que se deseja 
atingir, buscando qualidade nas escolhas metodológicas.
2. Repensar os paradigmas vigentes é sempre um caminho para o 
avanço da educação. Para isso, além da eterna reflexão sobre as 
atitudes que o docente toma, há que se ter conhecimento teórico, 
para uma compreensão maior e melhor das oportunidades diferentes 
que podem vir dessa reflexão. Então, para ultrapassar paradigmas, o 
professor precisa de vontade docente, ação e conhecimento teórico.
3. Estudar continuadamente é um dos grandes desafios do professor, não 
só pelo acúmulo de cursos, mas pela própria reflexão que a pesquisa 
sobre resultados, atitudes e dificuldades dos seus alunos pode gerar. 
O professor tem que aprender com os seus resultados, e fará isso se 
comparar o que faz com as teorias que conhece, se buscar respostas 
diferenciadas para problemas que vão surgir. A formação continuada 
ocupa esse espaço de possibilitar a reflexão dos caminhos a serem 
adotados e é um desafio que se faz necessário o tempo todo nas 
tomadas de decisão do professor.
2 A vida presente na escola
1. Mindset é o modelo mental de cada pessoa, é a forma como as pessoas 
pensam sobre os diferentes assuntos. Há dois tipos: fixo, representado 
por pessoas pouco otimistas, com dificuldade de aceitar riscos e com 
baixa autoestima; e de crescimento, aquele em que as pessoas são 
otimistas, têm persistência, acreditam em suas habilidades e aceitam 
ousar e correr riscos.
2. Educação disruptiva é a ideia de romper com práticas ultrapassadas 
e ousar em propostas inovadoras na educação, principalmente com 
o uso das tecnologias. As tecnologias se tornam bons elementos 
para o rompimento com práticas ultrapassadas porque permitem 
Gabarito 99
a efetivação de uma educação interessante, baseada em pesquisa, 
discussão, levantamento de dados, reflexão etc.
3. As tecnologias estão presentes em todos os espaços da sociedade, 
então devem estar na escola também. Além disso, elas exercem 
grande atração sobre os alunos, o que facilitaria o seu uso em 
propostas escolares.
3 Planejamento e uso criativo de ferramentas 
digitais
1. A curadoria de conteúdo é fundamental para o ensino atual, pois é por 
meio dela que o professor definirá quais conteúdos serão trabalhados e 
o formato desse trabalho. É o momento em que o professor faz a escolha, 
com cuidado, para proporcionar uma experiência de aprendizagem a 
seus alunos, distanciando-se das aulas do modelo tradicional.
2. Primeiro pela relevância desses recursos na nossa sociedade; os 
recursos tecnológicos estão presentes em todos os aspectos da 
vida cotidiana. E segundo, o professor deve utilizá-los porque eles 
proporcionam experiências que instigam a pesquisar, a duvidar, a 
analisar e estes são elementos muito importantes numa aprendizagem 
significativa. Assim, recursos digitais são excelentes para otimizar o 
processo educativo.
3. A principal característica das metodologias ativas é que, contrariando 
a educação tradicional em que o professor era o transmissor do 
conhecimento e das informações, elas possibilitam aos alunos 
aprenderem em atividade. São atividades de pesquisa, de busca, 
acompanhadas de ações do professor que permitem reflexões e 
aprendizados significativos.
4 Professor como sujeito da práxis docente
1. A afetividade é importante em todos os níveis de ensino. Comumente 
se diz que a educação de crianças pequenas é mais afetiva, mas nesse 
caso é preciso considerar que o conceito de afetividade trata daquilo 
que nos afeta, de todos os sentimentos. Dessa forma, está presente 
em todas as pessoas, em qualquer nível de ensino.
2. Por muitos anos, acreditou-se que o protagonista era o professor. Hoje 
em dia, há protagonismo em ambas as partes, tanto naquela que ensina, 
que será sujeito das suas escolhas, quanto naquela que aprende, que 
será sujeito da sua aprendizagem. Mas caberá ao professor a missão 
100 Novos paradigmas educacionais
de realizar escolhas metodológicas que permitam que o aluno exerça 
sua autonomia, e não somente siga realizando tarefas e respondendo 
o que lhe é perguntado. O aluno também precisa ser ensinado a fazer 
as perguntas e a pensar com autonomia.
3. Todos temos algo no que somos bons e algo em que não somos tanto. 
São nossas fortalezas e nossas fragilidades. A relevância disso para o 
processo de ensino-aprendizagem é conhecer nosso potencial e saber 
no que precisamos melhorar para fazer uma educação de qualidade, 
lembrando sempre que essa não é uma situação estática. Fortalezas e 
fragilidades são mutáveis, e quanto mais o professor estudar e refletir 
sobre o que faz, mais se conhecerá e mais terá chance de fazer um 
trabalho de qualidade, refletindo sobre o que precisa alterar e o que 
deve continuar a fazer da forma como está fazendo.
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ISBN 978-65-5821-006-1
9 7 8 6 5 5 8 2 1 0 0 6 1
Código Logístico
59804
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	Página em branco
	Página em brancona educação infantil 
é fruto de um modelo mental 
que remete ao século XIX, em 
que “cuidar” de crianças era um 
trabalho feminino?
Uma das autoras que 
estudou o processo da 
mudança de paradigmas 
no campo educacional 
é Marilda Behrens. Em 
seu livro O paradigma 
emergente e a prática pe-
dagógica, ela nos convida 
a refletir sobre o papel de 
mediador e sua prática 
pedagógica com fortes 
raízes no tradicionalismo. 
Com reflexão e ciência, a 
autora oferece caminhos 
para mudar as práticas 
e possibilitar aos alunos 
uma aprendizagem 
significativa.
BEHRENS, M. A. 5. ed. Petrópolis: 
Vozes, 2013.
Livro
Para re�etir
16 Novos paradigmas educacionais
muitos professores, que não conseguiram romper com as práti-
cas anteriores.
 • Paradigmas inovadores: apresentam-se sob outra perspectiva, 
rompendo com a visão descontextualizada do ensino e possibili-
tando que conteúdos sejam trabalhados de maneira menos frag-
mentada e reducionista. Esses paradigmas estão presentes nas 
novas teorias da educação lançadas no Brasil a partir da década 
de 1980, em que raciocínio e sentimentos devem ser levados em 
consideração, como a teoria histórico-crítica e o construtivismo.
O artigo Paradigmas inovadores: novos desafios para a prática pedagógica do 
professor universitário, de Mari Regina Anastacio, faz uma importante reflexão 
de como é preciso refletir criticamente sobre os paradigmas da ciência e sua 
influência no processo educativo e, com isso, justificar a validade de se optar 
por paradigmas inovadores no contexto educacional, repensando o papel do 
professor e sua metodologia na atuação docente.
Acesso em: 9 fev. 2021. 
https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2011/5815_2745.pdf
Artigo
A autora ainda se posiciona no que considera ser o novo paradigma 
para o ensino e a aprendizagem: o paradigma emergente resultante 
de uma união entre diferentes abordagens de ensino, especialmen-
te a sistêmica (que supera o ensino fragmentado e recupera a hu-
manização no processo de aprendizagem) e o ensino com pesquisa 
(BEHRENS, 2013).
Como é do seu conhecimento, a história da educação não é linear; 
mesmo com as políticas públicas apontando para uma direção de 
modernidade, as práticas pedagógicas se diferenciam muito no país. 
Mesmo com todos os estudos apontando para a falência do ensino no 
modelo tradicional, ainda é possível encontrar escolas que insistem em 
defender essa prática. Então, é correto afirmar que há paradigmas dife-
renciados dentro do Brasil. Mas é importante refletir sobre as crenças; 
principalmente sobre o que as embasa. Por isso, é muito importante a 
formação continuada do professor para a atualização de ideias, para 
o contato com informações e estudos recentes que são capazes de 
melhorar sua prática pedagógica e que, em primeira instância, podem 
realmente alterar seu pensamento.
Refletir sobre paradigmas da contemporaneidade é levar em con-
sideração os avanços dos estudos sobre ensino, aprendizagem, co-
Organize uma lista de suas cren-
ças sobre educação, começando 
com a seguinte expressão: “Na 
educação, acredito que...”. Ao 
fazer esse exercício, seja sincero 
consigo mesmo. Depois de um 
tempo, releia a lista; será que 
algumas dessas crenças já não 
podem ser substituídas? Suas 
práticas educativas podem ser 
classificadas como conservado-
ras ou inovadoras? Será que o 
avanço das pesquisas e o resul-
tado da educação de modo geral 
não podem suscitar alguma 
mudança no seu pensamento 
e apontar para o paradigma 
emergente?
Desafio
https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2011/5815_2745.pdf
Propósito educativo e desafios cotidianos 17
nhecimento e contextualização. Isso envolve áreas como a biologia, 
a cognição, a sociologia, a psicologia e tantas outras. Paradigmas não 
são quebrados ou alterados pela simples opinião de alguém. É preci-
so fundamentá-los com teorias que a ciência produziu, respostas que 
foram provadas, confirmadas e que, por não resultarem mais no que 
seria considerado um sucesso, precisam ser alteradas.
1.2 Qual é o propósito educativo? 
Vídeo Ao pensar sobre os paradigmas educacionais vigentes e sobre aque-
les que norteiam sua práxis pedagógica, certamente você concordaria 
com esta afirmação: precisamos de práticas inovadoras na educação. 
Hoje em dia, falar sobre inovação é sem dúvida falar sobre experiências 
educativas de sucesso e de qualidade. Então, precisamos de sucesso e 
qualidade na educação.
Assim, o fato de que a educação precisa de práticas de vanguarda 
e de modernidade parece ser um consenso no desejo de professores. 
Mas como chegar até elas? Há muitas formas metodológicas, evidente-
mente, mas o desafio, em primeiro lugar, é cada professor pensar se-
riamente no assunto, não só com respostas metodológicas que podem 
alternar para essa ou aquela prática, mas com estudos que permitam 
entender a razão dessas práticas, o fundamento por trás das ações. 
Que o professor não só busque em alguma rede social uma experiência 
que possa ser copiada e reproduzida na sua escola, mas sim se ocupe 
de pensar quais teorias sustentam tal prática e possa compor ele mes-
mo as suas metodologias.
Quando o entendimento da teoria for real, a mudança da prática 
se dará com mais facilidade. Considere a reflexão: muitas vezes, o pro-
fessor que afirma ter dificuldades com as mudanças não é o mesmo 
que tece comentários sobre o atraso da educação brasileira? E a quem 
cabe a alteração das práticas? E a alteração das práticas não está de 
certa forma ligada a mudanças conceituais? Voltamos ao ponto que se 
pretende destacar: é preciso que o professor compreenda seu papel 
de estudioso, de fazedor de ciência da educação, e não seja apenas 
um reprodutor de práticas diferenciadas. Para ultrapassar paradigmas, 
o professor precisa de vontade docente, ação e conhecimento teórico.
18 Novos paradigmas educacionais
Para tal entendimento, convidamos você a um passeio na con-
figuração do que estamos chamando aqui de propósito educativo. 
Para nortear nosso raciocínio, começamos com a definição do termo 
propósito. Segundo o Dicio – Dicionário Online de Português (2021), 
o termo é entendido como “o que se quer alcançar; aquilo que se bus-
ca atingir; objetivo”, e também está definido como “grande vontade 
de realizar ou de alcançar alguma coisa; desígnio”.
Então, são lançadas as perguntas: o que se quer alcançar na edu-
cação? O que se busca atingir com as práticas educativas? Qual é o 
objetivo de todo o trabalho que realizamos na escola? Em linhas gerais, 
as respostas apontariam para a aprendizagem dos alunos, correto? Ou 
você responderia com “que o conteúdo seja repassado”? Quais os pa-
radigmas que norteiam nosso entendimento do propósito do que faze-
mos? São paradigmas conservadores, como os relacionados às práticas 
de transmissão de conhecimento em detrimento da construção, ou são 
paradigmas inovadores, que relacionam o aprender a um processo 
pessoal, o qual depende em grande parte do envolvimento de quem 
deseja aprender com o objeto de estudo?
Vamos analisar pelo ponto de vista dos paradigmas inovadores, 
em consonância com as ideias modernas de educação. É possível afir-
mar que o desejo dos professores em relação às suas práticas (pelo 
menos da maioria dos professores que segue esses paradigmas) é 
a melhoria do conhecimento dos alunos acerca do que está sendo 
trabalhado. É o desejo de que a aprendizagem aconteça de fato, com 
significado. Mas existe realmente uma grande vontade, um empenho 
real por parte dos educadores, para realizar esse propósito? Conside-
re que somente a intenção, o querer realizar, não vale como resposta. 
É preciso a ação. E para a ação, é preciso ter conhecimento de práticas 
e de teorias, é preciso sustentar o que se faz. Voltamos ao ponto: é 
preciso estudar.
Assim, propósito é utilizado na educação como um objetivo a ser 
alcançado, aquilo que se quer realizar, mas que, para se efetivar, pre-
cisa da ação. Mas qual a importância de se ter um propósito na vida e 
no trabalho? Para Cortella (2016),tão relevante quanto respirar é ser 
o autor da própria vida, decidir o que fazer e principalmente por que 
fazer. Para o autor, a ideia de propósito está também intrinsecamente 
ligada à ideia de valores, em que a escolha dos propósitos da vida, a 
Propósito educativo e desafios cotidianos 19
decisão dessa ou daquela opção, está relacionada aos valores que as 
pessoas possuem.
Vamos ampliar um valor importante atualmente: ter uma profissão 
e ser bem-sucedido nela. Hoje em dia, diferentemente de tempos atrás, 
há uma grande movimentação das pessoas para a realização no seu 
trabalho, que não é visto apenas como um ganha-pão, mas sim como 
um espaço de realização pessoal, algo que dê sentido à existência hu-
mana e, especificamente no caso da educação, algo que possa mudar a 
vida de outras pessoas. Professor é alguém que ganha a vida ajudando 
e oportunizando crescimento a outras pessoas (CORTELLA, 2016). Se 
esse raciocínio se aplica a trabalhos de modo geral, com certeza é mui-
to adequado à relação de trabalhar com a docência ou dentro de um 
ambiente escolar, local por excelência destinado a oportunizar cresci-
mento às pessoas.
Ocorre que para a escola e, consequentemente, a educação pode-
rem cumprir o seu propósito, ele precisa ser conhecido e vivenciado 
pelos educadores e por todas as pessoas que compõem a equipe peda-
gógica. Se consideramos que tal propósito das ações pedagógicas seja 
a aprendizagem dos alunos, precisamos pensar sobre isso, refletir so-
bre a melhor forma de ensinar, questionar nossas escolhas, ter ânimo 
para prosseguir mesmo quando as coisas não saem bem como esperá-
vamos e alterar alguns paradigmas que já se encontram ultrapassados.
Nem sempre isso é fácil, e algumas dificuldades podem aparecer 
nesse processo. Kofman (2018) lista quatro dificuldades que precisam 
ser enfrentadas quando há a intenção de mudança de paradigma para 
alcançar um propósito 1 :
 • Descomprometimento: é impossível fazer os outros se com-
prometerem com um projeto educativo moderno e arrojado se 
você mesmo não estiver 100% comprometido. Um líder precisa 
estar ciente da sua posição dentro da sua equipe, assim como 
um professor dentro da sua sala de aula. Comprometer-se com 
um processo educativo de qualidade é uma premissa que precisa 
ficar clara para todas as pessoas envolvidas, especialmente para 
o professor.
 • Desorganização: para dar certo, um projeto pedagógico inovador 
precisa que a equipe esteja coesa, partilhe as decisões e, com 
isso, as vitórias e os fracassos. Se cada pessoa da escola resolve 
Muitos professores 
serão também gestores 
em suas instituições de 
ensino. Para eles, e para 
aqueles que acreditam 
que bons professores 
devem ser bons líderes, 
sugerimos a leitura do 
livro Liderança e propósito: 
o novo líder e o real sig-
nificado do sucesso, que, 
com histórias e reflexões 
de líderes, oferece uma 
grande oportunidade 
para adquirir informa-
ções sobre propósito, 
liderança e quebra de 
paradigmas.
Kofman, F. Rio de Janeiro: Harper 
Collins, 2018.
Livro
No livro citado, Kofman escreve 
para gestores empresariais; 
assim, aqui foi feita uma relei-
tura das ideias dele no âmbito 
educacional. 
1
20 Novos paradigmas educacionais
fazer o trabalho por conta própria, sem se importar com o todo, 
as consequências dessa desorganização aparecerão como insu-
cesso, sensação de desânimo e, com o tempo, talvez abandono 
da ideia original e volta aos paradigmas antigos. A organização e 
a coesão de uma equipe escolar são fundamentais para o suces-
so do propósito educativo.
 • Desinformação: é preciso que o gestor escolar garanta que sua 
equipe tenha toda a informação de que precisa para a análise dos 
paradigmas latentes na escola e a definição clara do propósito 
educativo. Não basta receber um material pronto das entidades 
superiores ou do sistema de ensino do qual a escola faz parte 
(como Secretarias de Educação ou o próprio Ministério da Educa-
ção) e repassar aos professores. É preciso estudar esse material, 
discutir como tais ideias serão incorporadas no ambiente escolar, 
viabilizar e otimizar as propostas. Nesse aspecto, a formação con-
tinuada é fundamental para os professores, e ela também deve 
ser feita dentro do ambiente escolar. Sim, professores vão estu-
dar o tempo todo, pois a excelência do trabalho educativo passa 
pela amplitude do conhecimento dos mestres.
 • Desilusão: alguns professores (e alunos) estampam em seu 
semblante aparente desilusão com a educação. Há explicações 
múltiplas para isso, inclusive o trabalho realizado numa equipe 
que não partilha dos mesmos ideais. Espaços de educação que 
contêm líderes (ou professores) que minam o comprometimen-
to das pessoas, que seguem sendo controladores e arrogantes, 
promovem verdadeiras ondas de desilusão e podem causar um 
grande estrago a longo prazo. Quando os alunos seguem a lide-
rança de um professor, ou professores seguem a liderança de 
seus coordenadores e diretores, é porque acreditam nele, e ele 
deve estar ciente da responsabilidade que exerce nesse contex-
to; a desilusão precisa ser identificada e combatida. A equipe 
escolar precisa vibrar no mesmo tom para alcançar o sucesso 
de seu propósito.
Especificamente sobre a relação de desilusão que quase sempre é 
acompanhada de desânimo, Cortella (2016, p. 56) destaca:
um gestor dentro de uma organização precisa estar muito atento 
a esses sinais na equipe, não só em si mesmo. Quando se nota 
que a pessoa está desanimada, é preciso separar aquilo que é 
resultante da circunstância externa àquele emprego – como uma 
Propósito educativo e desafios cotidianos 21
crise econômica, por exemplo – do que é um desencanto com o 
trabalho. A coisa mais gostosa da vida é o encanto, ter um tra-
balho encantador. Quando alguém perde esse encanto, que não 
é o encanto da novidade, mas o da vitalidade, começa a desistir. 
Não ter desafios é um fator de risco para a motivação.
Ampliando a abrangência do texto do filósofo, vamos destacar que 
um professor também precisa ficar muito atento ao desempenho dos 
seus alunos, não só na execução do que é pedido a eles, mas na ener-
gia que colocam nas suas atividades. O encanto da descoberta, a valo-
rização do empenho e a busca por conhecimento precisam fazer parte 
da realidade das salas de aula, independentemente da disciplina ou do 
assunto que está sendo trabalhando. Este é o propósito da educação: 
a busca pelo conhecimento.
Vamos analisar os propósitos docentes com base na intencionalida-
de da ação do professor. É muito importante que as ações educativas 
dos professores estejam alinhadas com práticas modernas, atualizadas 
e que igualmente levem em conta o desenvolvimento das crianças e dos 
jovens que pretendem educar. É necessário compreender o como se faz 
(metodologia e intenção das ações educativas), o que se faz (quais são 
os temas relevantes ao desenvolvimento do meu grupo) e, principal-
mente, o por que fazer (quais são os motivos que me levam a realizar 
essa prática); isso, em linhas gerias, definiria o propósito educativo.
O caminho da reflexão é a busca das respostas, sem escolher 
somente buscar práticas novas sem entender por que as realizar. 
A diferença está em entender o todo que envolve a aprendizagem: 
o aprendente, o mediador e a própria relação entre eles e o objeto de 
aprendizagem 2 . Ou seja, é preciso compreender não apenas a busca 
por um conhecimento já estabelecido, mas a produção de um conhe-
cimento que dependerá das propostas educativas vivenciadas.
Para Behrens (2013, p. 55):
o desafio […] do todo contamina a educação e instiga os profes-
sores a buscarem uma prática pedagógica que supere a frag-
mentação e a reprodução do conhecimento. O ensino como 
produção de conhecimento propõe enfaticamente o envolvimen-
to do aluno no processo educativo. A exigência de tornar o sujeito 
Um livro leve e bem hu-
morado sobre propósitos 
de vida e trabalho é o 
Por que fazemos o que 
fazemos? Aflições vitais 
sobre trabalho, carreira 
e realização,do filósofo 
brasileiro Mario Sérgio 
Cortella. Essa leitura vai 
prender sua atenção em 
pontos importantes para 
reflexão sobre o tema.
CORTELLA, M. S. São Paulo: Planeta, 
2016.
Livro
Se propósito é aquilo que se 
deseja alcançar, o professor 
deve se perguntar: tenho 
realmente vontade de fazer um 
trabalho educativo que realize 
determinado propósito? Invisto 
minha energia, meu tempo e 
minha dedicação em buscas de 
conteúdos e ações que podem 
fazer a diferença na formação e 
aprendizagem dos meus alunos?
Por objeto de aprendizagem en-
tende-se aquilo que se estuda, 
o que se busca aprender.
2
Para re�etir
22 Novos paradigmas educacionais
cognoscente 3 valoriza a reflexão, a ação, a curiosidade, o espírito 
crítico, a incerteza, a provisoriedade, o questionamento e exige 
reconstruir a prática educativa proposta em sala de aula.
A reflexão que se sugere complementa a frase que nomeia esta se-
ção: a pergunta, após a leitura do texto, não deve ser mais qual é o pro-
pósito docente, mas sim: qual é o seu propósito, docente? A inserção 
de uma palavra e uma vírgula muda o tom da pergunta e relembra ao 
professor a importância da compreensão de que ele é professor por 
algum motivo; ele pode dar uma contribuição única para seu espaço 
educativo, para a vida das pessoas envolvidas e para a educação como 
um todo, e esse propósito merece seu melhor esforço.
1.3 Flexibilidade e adaptação docente 
Vídeo Se fosse convidado a escolher um animal para representar você, 
qual seria? Um cachorro, pela lealdade ao dono? Um gato gentil e cari-
nhoso? Um pássaro que voa livre? Um dinossauro poderoso? Ou talvez 
uma barata? Podemos apostar que pouquíssimos escolheriam a última 
opção. Mas leia com atenção: quando os dinossauros habitavam a Ter-
ra, eram os maiores predadores. Mas foram eliminados. E as baratas, 
seres bem menores, sobreviveram. Aliás, elas estavam no mundo antes 
mesmo dos dinossauros. E estão até hoje 4 .
Darwin explicou em sua teoria que a sobrevivência não era dos mais 
fortes, e sim dos mais aptos. Olhando por esse ponto de vista até dá 
para considerar ser representado por uma barata, não é? Um ser que 
se adaptou com os tempos e sobreviveu.
Mas qual a relevância da relação entre baratas e dinossauros para 
os estudos desta seção? Ora, estamos falando de sobrevivência, e aqui 
especificamente trataremos de sobrevivência no ambiente de trabalho. 
Não literalmente, claro, mas na metáfora de que para sobrevivermos 
no mercado de trabalho, é preciso que sejamos seres adaptáveis e fle-
xíveis e, com isso, mesmo com o passar dos tempos, sempre tenhamos 
no campo educacional professores e gestores adaptados ao tempo em 
que vivem.
A palavra flexibilidade, num sentido figurado e utilizado na proposta 
deste livro, está sendo entendida como a capacidade das pessoas em 
compreender opiniões diversas, aceitar pontos de vista diferentes e 
buscar novas opções em suas ações pedagógicas.
A palavra cognoscente aqui é 
entendida como atributo do 
sujeito que conhece, que se 
permite conhecer.
3
Mario Sérgio Cortella cita essa 
relação de sobrevivência da 
barata sobre os dinossauros 
numa entrevista concedida a 
Brisa Teixeira, do Jornal Gazeta 
do Povo, em 2017. 
Disponível em: https://www.
gazetadopovo.com.br/educacao/
flexibilidade-e-uma-virtude-
-para-o-trabalho-pedagogico-
-br5k78aa5zp5akld8oicab0we/. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
4
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/flexibilidade-e-uma-virtude-para-o-trabalho-pedagogico-br5k78aa5zp5akld8oicab0we/
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/flexibilidade-e-uma-virtude-para-o-trabalho-pedagogico-br5k78aa5zp5akld8oicab0we/
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/flexibilidade-e-uma-virtude-para-o-trabalho-pedagogico-br5k78aa5zp5akld8oicab0we/
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https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/flexibilidade-e-uma-virtude-para-o-trabalho-pedagogico-br5k78aa5zp5akld8oicab0we/
Propósito educativo e desafios cotidianos 23
A flexibilidade é, portanto, uma das competências necessárias para 
o professor da contemporaneidade, uma vez que há um novo cotidia-
no sendo construído nas escolas face às transformações vivenciadas 
na sociedade. Há avanço de tecnologias da informação, há mudança 
de pensamento e interesse dos alunos, há globalização e acesso fácil 
à informação e há, com tudo isso, a necessidade da revisão da ação 
docente, de modo que ela possa acompanhar (ou chegar perto disso) o 
que acontece na sociedade.
Vamos tomar como exemplo a situação vivida no mundo e especi-
ficamente no Brasil a partir de março de 2020, em que uma doença, 
a Covid-19, causada pelo Sars-CoV-2 e chamada de coronavírus, obrigou 
as escolas a repensarem suas práticas de contato social. Quem poderia 
imaginar uma situação como essa? Escolas tiveram que flexibilizar suas 
práticas e suas exigências até que pudessem reestruturar seus traba-
lhos pedagógicos. Pela força com que essa situação ficou impressa no 
mundo todo, certamente teremos ao longo dos anos muito o que falar; 
por décadas essa situação não será esquecida e será pano de fundo 
para muitas reflexões na educação. Mas quem vivenciou isso tudo na 
prática docente precisou repensar e flexibilizar suas ações num perío-
do muito pequeno de tempo.
Acompanhe a história da professora Shirlei Ventorin (2020), que 
leciona para o ensino médio. Ela estava participando de uma propos-
ta chamada Projetos de Vida, iniciativa em que professores trabalham 
com os alunos dos três anos do ensino médio. Segundo ela, no primei-
ro ano do ensino médio se trabalha principalmente autoconhecimento 
e identidade do aluno, destacando o que é importante para cada um. 
A partir do segundo ano o enfoque muda para a relação do aluno ado-
lescente com o mundo que o circunda e há a elaboração de um plano 
de ação que cada aluno cria para si mesmo. No terceiro ano o enfoque 
é dado ao caminho universitário, acadêmico, com visitas a faculdades, 
entrevistas e contato com profissionais e a retomada do plano que 
foi criado no ano anterior para comparação de crescimento ou para 
manutenção das ideias, de modo que o aluno possa compreender aos 
poucos a relação do mundo de trabalho que ele vai adentrar quando 
sair da escola.
Ventorin tinha acabado de começar o projeto quando todas as au-
las da escola foram mudadas para modelo remoto, em decorrência da 
pandemia do coronavírus. O pensamento dela foi imediato: havia ne-
24 Novos paradigmas educacionais
cessidade de cancelar o projeto, uma vez que entendeu que, como es-
sas aulas envolviam assuntos muito pessoais, não seria possível fazê-lo 
pelos meios digitais (exigência obrigatória por causa da situação), sem, 
portanto, contato físico e proximidade. Mas não foi bem assim: os alu-
nos começaram a mandar mensagem, cobrando da professora a reto-
mada do projeto. Com tudo que estava acontecendo, eles precisavam 
mais do que nunca contar com o apoio da professora e do projeto. E as-
sim foi feito. Com o projeto retomado, realizado graças à tecnologia das 
salas de aula via Classroom 5 , a professora conta que já realizaram um 
bate-papo com psicólogos e até uma gincana virtual. Nada muito de-
morado e nem exaustivo, como pedem as novas configurações de tra-
balho virtual – o projeto foi adaptado para uma hora por semana, em 
que os alunos podem ligar a câmera e há até familiares que participam.
Ventorin conta que percebeu que o projeto fez os alunos cresce-
rem e os ajudou a passar pelo período de isolamento. Mas a mudan-
ça real aconteceu com ela: com a convivência com os adolescentes, 
passou a entendê-los melhor, compreender suas ações e lembrar que 
muitas atitudes deles eram semelhantes às que ela tomava quando 
tinha essa idade.
Se você conversar com professores que tiveram que reconfigurar 
suas aulas por causa da pandemia, vai encontrar muitos exemplos 
como o da professora Shirlei. Eles retratam o que estamos trabalhando 
aqui como flexibilizaçãodo docente; não só flexibilização das aulas e 
da metodologia, mas flexibilização das pessoas em sua disponibilidade 
de pensar diferente. No início, a professora não percebeu que o pro-
jeto precisava ser feito mesmo que virtualmente, porque pensou só 
no projeto. Quando começou a receber pedidos dos alunos, mudou o 
foco do pensamento para os alunos e aí sim pode compreender como 
esses encontros verdadeiramente faziam diferença na vida deles e na 
dela. Por isso, é bom lembrar: todas as escolhas dos professores terão 
seu custo e seu benefício. Cumpre olhar para essas escolhas com olhos 
e disposição flexível para ousar, para se adaptar e para sempre fazer 
uma revisão e uma reflexão sobre elas.
Classroom é um recurso da pla-
taforma Google que possibilita 
gerenciamento de conteúdo a 
distância.
5
Para conhecer a história 
de Ventorin e seus alu-
nos no Projetos de Vida, 
acesse: https://porvir.org/
com-projetos-de-vida-me-
-transformei-como-profissio-
nal-e-os-alunos-perceberam/. 
Acesso em: 9 fev. 2021.
Dica
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
Propósito educativo e desafios cotidianos 25
1.4 Desafios cotidianos do trabalho docente 
Vídeo Se fosse convidado a fazer uma listagem que inclua uma série de 
desafios que o professor enfrenta para desenvolver seu ofício, o que 
colocaria? Será que é possível listar quais são os desafios que um pro-
fessor enfrenta atualmente para exercer seu trabalho? A lista seria fixa 
ou variável?
Hoje em dia há muitos desafios, e sem dúvidas a lista pre-
cisaria estar em constante atualização, mas, mesmo com esse 
entendimento, há dois temas que sempre estarão presentes 
na carreira 6 : a atualização profissional e a compreensão da 
realidade local.
A atualização profissional é um ponto fundamental na car-
reira de todo professor. E não se trata aqui de falar somente da 
formação superior básica exigida para exercer a função, e sim 
da importância de reciclar essa formação constantemente com 
cursos de capacitação continuada. É preciso destacar aqui as ideias de 
Antônio Nóvoa (2012), autor conhecido no campo da formação de pro-
fessores: não é o acúmulo de cursos que fará o bom professor exercer 
com maestria sua ação docente, e sim a possibilidade de que esses 
estudos possibilitem ao professor um refletir sobre suas práticas.
Óbvio que uma diversidade de cursos pode formar um professor 
multifacetado, mas para haver eco desses estudos na atualização de 
práticas, é preciso que o professor reconheça a importância do que 
estuda em comparação com a prática que exerce. Do contrário, pode-
remos lidar com o profissional que frequenta os cursos sem conseguir 
aproveitar nada do que foi estudado, sem melhorar sua ação e, com 
isso, seu profissional.
Outra atualização importantíssima diz respeito às políticas públicas, 
às legislações e aos documentos oficiais, por exemplo, a Base Nacio-
nal Comum Curricular (BRASIL, 2018). Como pode um professor não 
conhecer tal documento? Simples: não pode. A atualização de docu-
mentos precisa ser uma exigência do professor. Observe que não es-
tamos dizendo que o professor precisa concordar com tudo, e sim que 
precisa conhecer. O conhecimento ajudará na análise da viabilidade da 
proposta, na adequação do que está escrito com sua realidade, na efe-
tivação da melhoria na educação.
6
Não pretendemos aqui, pela 
especificidade do tema, esgotar 
a lista com os itens propostos. 
Ao contrário, entendemos que 
essa lista pode ser alterada pe-
riodicamente. O que desejamos 
é refletir sobre esses temas. 
26 Novos paradigmas educacionais
Destacamos que o conhecimento – inclusive o docente – constrói-
-se em hipóteses que se estruturam e se desestruturam. Há certezas 
que são quebradas e reconfiguradas, há convicções que são restabe-
lecidas e que geram outras convicções, que vão ensinando, mudando 
as pessoas, desenvolvendo-as. É esse movimento que se espera do 
professor, um movimento de crescimento, amparado pelos estudos 
diversos que sempre deverão fazer parte da sua vida, não como obri-
gação, não como fardo, mas como parte da essência de ser professor 
(MIZUKAMI, 2002).
Com relação à compreensão da realidade local, não se esqueça de 
que a escola faz parte de uma realidade local e que ela precisa ser, 
além de respeitada, considerada como parte importante nos projetos 
pedagógicos. A cultura do local onde a escola está inserida é um grande 
ponto a ser considerado pelo professor. Em linhas gerais, não se trata 
de restringir as ações em função de a escola estar nessa ou naquela 
comunidade, mas de agregar conhecimento ao estilo de vida daquele 
local, e não criar entre escola e sociedade um muro de separação.
A escola deve abrir suas portas e derrubar suas paredes não ape-
nas para que possa entrar o que se passa além de seus muros, 
mas também para misturar-se com a comunidade da qual faz 
parte. Trata-se, “simplesmente”, de romper o monopólio do 
saber, a posição hegemônica da função socializadora, por parte 
dos professores, e constituir uma comunidade de aprendizagem 
no próprio contexto. (IMBERNÓN, 2000, p. 85)
Considerar a cultura do local onde a escola está faz com que profes-
sores redefinam o sentido social do seu trabalho, dando destaque nas 
suas competências a um necessário saber se relacionar – nesse caso, 
com os outros (NÓVOA, 2012). Analisando esse ponto de vista, numa 
escola em que as pessoas se relacionam bem com a comunidade, que 
tem projetos de parceria e em que uma parte acredita na outra, abrem-
-se as portas para uma aprendizagem de verdade, real.
Essa necessidade de relacionamentos com o externo, aqui aponta-
do como a comunidade que circunda o ambiente escolar, faz com que 
a escola possa cumprir seu papel de educação verdadeira, que não se-
para saberes da vida e saberes escolares e retira do ambiente escolar 
aquela aura de saber enclausurado, de não pertencimento. O fato é 
que entre comunidade (com destaque para as famílias dos alunos) e 
escola deve haver um elo de parceria, de respeito e de crescimento 
Propósito educativo e desafios cotidianos 27
mútuo. A parceria tem que servir para a escola poder apresentar seus 
objetivos, solicitar (e agradecer) apoio e explicar qual a relevância das 
ações pedagógicas realizadas. Claro que, ao abrir as portas para a co-
munidade, a escola também fica mais vulnerável (e mais verdadeira), 
uma vez que aceita receber as críticas, os pedidos e a análise de quem 
vê a realização da tarefa educativa por outro ângulo. Não podemos 
esquecer que os pais também têm expectativas, e quanto mais a es-
cola considerá-las, mais sucesso vai ter na sua empreitada. Por isso, 
podemos dizer que, ao ouvir sua comunidade, a escola se torna mais 
vulnerável a diferentes pontos de vista, mas essa vulnerabilidade não é 
ruim; é uma reconstrução de caminho, de função educativa e de função 
social do professor. A parceria com as comunidades não torna a escola 
menor (ou tira dela a autonomia), apenas a torna verdadeira, uma me-
diadora cultural e organizadora de situações educativas que levam em 
conta que ela precisa do outro para realizar seu papel (NÓVOA, 2012).
Vamos ao desafio: o que você conhece da escola dos seus filhos? 
Da escola em que você trabalha? Da escola do seu bairro? Conhecer 
aquele que se pretende educar e o local onde essa educação se dará 
parece ser uma alternativa segura e de qualidade para fundamentar as 
práticas educativas?
As perguntas aqui listadas têm como função provocar você para 
a parceria, incluindo na reflexão um aspecto relevante: não basta só 
aproximar a comunidade da escola, é preciso conhecer essa comuni-
dade. Acompanhe esta história: uma empresa cria uma linha novade 
calçados e manda dois vendedores para locais diferentes na tentativa 
de vender seus produtos. Depois de um tempo, recebe duas comuni-
cações diferentes dos vendedores. O primeiro afirma: “não vamos con-
seguir vender nada, aqui ninguém usa sapatos”. O segundo, animado, 
diz: “nós vamos vender muito nesse local, ninguém ainda usa sapatos”. 
Ora, se eram dois vendedores com o mesmo potencial, vendendo o 
mesmo produto em comunidades parecidas, o que mudou? O olhar 
do vendedor e a percepção de que era possível vencer os obstáculos 
e transformá-los em possibilidades com o conhecimento da realidade 
em que o negócio seria feito.
Agora vamos trazer isso para o campo educativo. Imagine que a es-
cola é uma empresa e que você precisa vender um determinado produ-
to a um cliente; qual seria uma das melhores formas de fazer isso? Se 
você usou a lógica do vendedor de sapatos e disse: “conhecendo meu 
Escola e comunidade podem 
formar uma grande parceria. 
Para isso, a escola precisa 
propor alternativas interessantes 
para que a comunidade se 
perceba bem-vinda no ambiente 
escolar e possa de fato ajudar a 
instituição no projeto educativo. 
Quer algumas dicas de ações 
que podem aumentar a 
parceria da sua escola? Acesse: 
https://gestaoescolar.org.br/
conteudo/2175/escola-e-comu-
nidade-9-acoes-para-comecar-
-uma-boa-parceria. Acesso em: 
13 nov. 2020.
Preciosa é um filme que 
discute a importância 
da relação entre uma 
aluna e uma professora. 
Parece simples, mas é 
recheado de surpresas 
e de realidade e ensina 
que um bom professor, 
que conhece a realidade 
dos seus alunos, e uma 
boa proposta educativa 
podem fazer diferença 
na vida das pessoas, 
especialmente daquelas 
que mais precisam.
Direção: Lee Daniels. Estados 
Unidos: Playarte Pictures, 2009.
Filme
Saiba mais
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2175/escola-e-comunidade-9-acoes-para-comecar-uma-boa-parceria
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2175/escola-e-comunidade-9-acoes-para-comecar-uma-boa-parceria
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2175/escola-e-comunidade-9-acoes-para-comecar-uma-boa-parceria
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2175/escola-e-comunidade-9-acoes-para-comecar-uma-boa-parceria
28 Novos paradigmas educacionais
público e suas necessidades”, acertou. Essa é uma forma incrível de 
fazer a educação dar certo.
Por isso, outro ponto que merece destaque na ação profissional é 
a realização de pesquisas que indiquem quais os desafios que são en-
frentados por determinada escola em determinado local. E isso varia de 
escola para escola, claro. Vamos buscar pesquisas que nos apontem por 
que os alunos fracassam e o que precisamos alterar para que tenham 
sucesso – em que pese que a condição social muitas vezes influencia o 
desenvolvimento da parte educacional. Conhecer a realidade específica 
do local onde a escola está dará mais chances de a educação ser ver-
dadeira e, com isso, respeitada. As escolas têm episódios de violência 
e indisciplina e apresentam índices de desigualdade, mas todos esses 
fenômenos podem ser estudados e pesquisados pela escola para fun-
cionarem como combustível de crescimento, não de acomodação.
Muitos dos desafios que o professor encontrará em seu cotidiano 
serão objetos de seu aprendizado e crescimento como profissional, 
desde que resultem em reflexão. Não basta passar pelas dificuldades; 
é preciso aprender com elas. Estudar, comparar, analisar os aconteci-
mentos e conhecer a realidade em que se pretende educar são cami-
nhos eficientes na busca de diminuição de problemas e efetivação de 
um excelente projeto educativo.
Vamos encerrar este capítulo com uma frase, deixando aqui um es-
paço para reflexão e relembrando o compromisso que o professor tem 
na construção do seu caminho profissional: “Ouça sempre. A experiên-
cia tem valor, mas esteja atento a essa verdade pétrea […]: bons conse-
lhos podem ser úteis, mas seu caminho será construído exclusivamente 
por você” (KARNAL, 2012, p. 16). Pense nisso!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos a esta altura do capítulo que você tenha se questionado, 
concordado e, também, discordado. Certamente essas páginas serviram 
para reflexão sobre o tema proposto. Esse é o caminho para a mudança 
de paradigmas, para a alteração dos modelos mentais que por muito tem-
po fizeram a escola ser da mesma forma, sem considerar a necessidade 
da mudança, do fazer diferente.
É preciso resgatar o real propósito da educação, da escola e dos pro-
fissionais. Por que estamos fazendo esse trabalho? Qual é o caminho mais 
Antônio Nóvoa é um dos 
autores mais respeitados 
quando o assunto é 
formação de professores. 
Suas reflexões sobre o 
tema são sempre perti-
nentes e desafiadoras. 
Recomendamos a leitura 
da obra do autor como 
um todo, mas aqui o 
destaque vai para o livro 
Formação de professores e 
trabalho pedagógico.
NÓVOA. A. Lisboa: Educa, 2012.
Livro
Propósito educativo e desafios cotidianos 29
acertado? Será que existe um só caminho? As dúvidas não se encerram e 
nem podem acabar. São elas que em primeira instância inquietarão o pro-
fessor e o farão avançar. Essa inquietude pode resultar num crescimento 
formidável.
A flexibilização docente também é um ponto importante a se desta-
car para que o profissional pense de maneira diferente, permita-se tes-
tar novas possibilidades metodológicas e conheça diferentes alternativas 
teóricas. O professor precisa se adaptar às exigências de uma sociedade 
cada vez mais plural. Observe que é preciso antes de tudo considerar a 
necessidade dessa adaptação para a mudança que se deseja.
Mas crescer e mudar requer esforço, dedicação, estudo e conheci-
mento da realidade. A atividade docente, e seus desafios, é uma ativida-
de profissional – por mais que haja grande relação de afetos, ela precisa 
ser desenvolvida por quem entende do assunto. O desafio maior é e 
sempre será de estudo, de capacitação e de profissionalização cada vez 
maior dos professores.
ATIVIDADES
1. O que quer dizer propósito e como esse conceito é aplicado no campo 
da educação?
2. Há muitos paradigmas que circundam a prática profissional, e muitos 
deles acabam por impedir o avanço de atividades docentes mais 
modernas. O que o professor precisa fazer para superá-los?
3. Como a formação continuada pode ser considerada um desafio 
presente no cotidiano do professor?
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Acesso em: 9 fev. 2021.
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Artmed, 2000.
KARNAL, L. Conversas com um jovem professor. São Paulo: Contexto, 2012.
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
https://www.ebiografia.com/socrates/
https://www.ebiografia.com/socrates/
30 Novos paradigmas educacionais
KOFMAN, F. Liderança e propósito: o novo líder e o real significado do sucesso. Rio de 
Janeiro: Harper Collins, 2018.
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1997.
NÓVOA. A. Formação de professores e trabalho pedagógico. Lisboa: Educa, 2012.
PENZANI, R. Por que há tão poucos professores homens na educação infantil? Catraca 
Livre, 28 abr. 2017. Disponível em: https://catracalivre.com.br/educacao/por-que-ha-tao-
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http://www.uel.br/grupo-estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais14/arquivos/textos/Comunicacao_Oral/Trabalhos_Completos/Ana_Toyshima_e_Gilmar_Montagnoli_e_Celio_Costa.pdf
http://www.uel.br/grupo-estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais14/arquivos/textos/Comunicacao_Oral/Trabalhos_Completos/Ana_Toyshima_e_Gilmar_Montagnoli_e_Celio_Costa.pdf
http://www.uel.br/grupo-estudo/processoscivilizadores/portugues/sitesanais/anais14/arquivos/textos/Comunicacao_Oral/Trabalhos_Completos/Ana_Toyshima_e_Gilmar_Montagnoli_e_Celio_Costa.pdf
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
https://porvir.org/com-projetos-de-vida-me-transformei-como-profissional-e-os-alunos-perceberam/
A vida presente na escola 31
2
A vida presente na escola
A alegria da formatura da faculdade já havia se dissipado 
e a realidade se impunha. Estavam os dois rapazes formados, 
desempregados e sem dinheiro para pagar o aluguel daquele 
mês. Precisavam ganhar algum dinheiro rapidamente e tiveram 
a ideia de inflar três colchões de ar e alugar um quarto em seu 
apartamento, visto que havia uma demanda de hospedagem na 
cidade em que moravam por conta de os hotéis estarem lota-
dos naquele fim de semana. Essa história é verídica e aconte-
ceu em 2008, na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. 
O projeto iniciado ali foi chamado de Air Bed & Breakfast, numa 
tradução livre “cama de ar e café da manhã”. Deu certo e eles re-
ceberam um bom dinheiro na continuidade da proposta, a qual 
só se iniciou porque entenderam que havia uma outra forma 
de conceber hospedagem, diferente daquela que era praticada.
O novo formato de hospedagem oferecido pelos recém-
-formados rompeu com os paradigmas propostos do que se 
entendia como hospedagem até então. Romper com o que já 
existe e inovar. Essa é a proposição discutida ao longo desse 
capítulo, sob o ponto de vista da educação. A disrupção pode 
ser um caminho interessante e real para mudanças e cresci-
mento e, dentro dessa ótica, convidamos você a pensar so-
bre uma escola diferente, propostas pedagógicas inovadoras, 
uso de tecnologias na escola e, principalmente, em mudar seu 
mindset, repensar as suas escolhas metodológicas e otimizar o 
processo de ensino-aprendizagem.
32 Novos paradigmas educacionais
2.1 Educação disruptiva 
Vídeo O termo disruptivo indica uma ruptura, uma interrupção. Contudo, 
neste capítulo, a disrupção não será considerada no sentido de que 
alguma coisa seja interrompida e tenha fim, mas sim de que a inter-
rupção de determinado ciclo é seguida do começo de outro. A questão 
é que o novo início precisa ser diferente do que vinha sendo feito. Sob 
essa ótica, a disrupção, então, está associada à ideia de mudança, de al-
teração e principalmente de inovação. Em outras palavras, ao abordar-
mos o termo sob esse ponto de vista, não estamos pensando apenas 
em romper ou interromper algo que vinha sendo feito, mas que essa 
interrupção precisa ter a função de permitir uma inovação. Não dá para 
romper e continuar fazendo a mesma coisa, é preciso romper e ousar 
inovar. Chamamos, então, de inovação disruptiva.
A ideia de inovação disruptiva foi proposta na década de 1990 por 
Clayton Christensen, professor de Administração na Harvard Business 
School, e é embasada na ideia de que é preciso fazer diferente para ino-
var e romper com o estabelecido. Fazer diferente de tudo que vinha sen-
do feito e usar a tecnologia como elemento propulsor do seu sucesso é a 
proposta de inovar com disrupção (CHRISTENSEN; HORN; JOHSON, 2012).
Vamos considerar a seguinte situação: supondo que desejemos fa-
zer uma viagem ao continente europeu, há que considerar um bom 
planejamento e uma reserva considerável de recursos. É preciso prever 
que investimento será necessário para a concretização da viagem e um 
dos gastos mais efetivos, sem dúvida, será com a hospedagem. Aqui, 
no nosso exemplo, focaremos apenas nesse gasto, para contextualizar 
uma inovação que nasceu após uma ruptura.
Convidamos você a fazer uma pequena busca em sites de reserva 
de hotéis das cidades europeias que deseja visitar. A ideia é pesquisar 
para fazer um panorama de valores. Então, dê uma paradinha na lei-
tura deste texto e realize essa pesquisa em um site de busca. Quanto 
custa, por exemplo, se hospedar em hotéis da cidade de Paris?
Fez a pesquisa? Ficou impactado com os resultados? Já havia previs-
to? E se você pudesse reduzir os gastos em hospedagem? Na maioria 
dos casos isso impactaria em uma economia de valores que poderiam 
ser destinados a outras diversões na viagem, não acha? E se a sua 
hospedagem pudesse ser realizada num daqueles colchões de ar do 
A vida presente na escola 33
exemplo dado no início do capítulo? Fique tranquilo que não estamos 
propondo isso. A ideia aqui é dar significado ao conceito de disrupção, 
que envolve rompimento e inovação.
Voltemos ao exemplo que inicia este capítulo e apresenta dois jovens 
recém-formados com um problema financeiro. Ao alugar um quarto 
com colchões de ar em seu apartamento, eles, além de arranjar uma 
forma de ganhar dinheiro, romperam com o estabelecido e criaram um 
modo inovador de conceber o que se entendia por hospedagem du-
rante uma viagem. Sim, porque até aquele momento só se pensava 
em hospedagem (que não fosse na casa de amigos ou parentes, ob-
viamente) em hotéis. Acontece que essa ideia inicial de disponibilizar 
hospedagem no apartamento deles se transformou em uma empresa 
conhecida e respeitada (e utilizada) em quase todos os lugares do pla-
neta. Uma empresa que vale aproximadamente 25 bilhões de dólares 
(SALOMÃO, 2017). Se você não a identificou pelo nome, provavelmente 
reconhecerá estas letras: AIRBNB – Air Bed & Breakfast; lembra?
O modelo de hospedagem proposto pelo Airbnb conecta consumi-
dores que desejam alugar um espaço, por curto período, aos donos dos 
locais para essa hospedagem. Tudo isso feito por meio de um site re-
conhecidamente seguro, com presença em quase todos os lugares do 
mundo. Alguns números impressionam: em 2017, o relatório do Airbnb 
indicava que haviam disponibilizados mais de 3 milhões de anúncios 
(de casas, quartos, apartamentos e até castelos) em mais de 65.000 
cidades distribuídas em mais de 191

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