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SEGURANÇA DO TRABALHO E 
ERGONOMIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado (a) aluno (a), 
 
A ergonomia é uma disciplina que se concentra no estudo do 
relacionamento entre os seres humanos e seu ambiente de trabalho, com o 
objetivo de otimizar a eficiência, segurança e conforto no desempenho das 
atividades laborais. Ela abrange diversos campos, incluindo a ergonomia física, 
cognitiva e organizacional, buscando adaptar as condições de trabalho às 
características e limitações dos trabalhadores. Através da aplicação de 
conhecimentos científicos sobre anatomia, fisiologia, psicologia e sociologia, a 
ergonomia visa melhorar a qualidade de vida no trabalho e prevenir lesões 
ocupacionais. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 07 – 
ERGONOMIA E 
CONCEITUAÇÕES 
 
 
1 ERGONOMIA — CONCEITUAÇÕES 
Na evolução dos estudos de Taylor, surgiram dois novos campos de pesquisa. 
Um deles é a Ergonomia, que se dedicou a conceber meios de trabalho adaptados às 
características do homem, visando a saúde e a produtividade (SANTOS et al., 1997). 
Por outro lado, na Administração Científica, houve um avanço significativo com o 
estudo dos fatores psicológicos que influenciam os trabalhadores na produção. 
Descobriu-se que era possível melhorar a produtividade pelos elementos relacionados 
à interação do ambiente de serviço com o usuário, como a agradabilidade, ou seja, a 
sensação de conforto que o ambiente pode proporcionar ao colaborador (ETTINGER, 
1964). 
A obra “De Morbis Artificum” (Doenças Ocupacionais), publicada em 1700 pelo 
médico italiano Bernardino Ramazzini (1633–1714), foi pioneira ao descrever lesões 
relacionadas ao trabalho. Ramazzini realizava visitas aos locais de serviço de seus 
pacientes para identificar as causas de seus problemas de saúde ocupacional. O 
termo “ergonomia” foi utilizado pela primeira vez pelo polonês Wojciech Jastrzębowski 
na publicação do artigo “Ensaios de Ergonomia ou Ciência do Trabalho, baseada nas 
Leis Objetivas da Ciência sobre a Natureza”, em 1857. 
A ergonomia tem suas raízes em disciplinas mais antigas, como biologia 
humana, medicina do trabalho, ciências cognitivas, psicologia do trabalho, sociologia 
do trabalho, organização do trabalho e ciências da gestão (LEPLAT; MONTMOLLIN, 
2007, p. 33). 
As definições de ergonomia frequentemente concentram em dois objetivos 
principais. Primeiramente, busca-se promover o conforto e a saúde dos trabalhadores, 
com o intuito de prevenir riscos acidentais e ocupacionais, ao mesmo tempo, em que 
se busca minimizar a fadiga associada ao trabalho. Em segundo lugar, a ergonomia 
visa maximizar a eficácia organizacional, avaliada em termos de produtividade e 
qualidade, os quais estão intrinsecamente ligados à eficiência e desempenho 
humanos. 
Na década de 1970, a Société d’ergonomie de langue française (SELF) propôs 
a seguinte definição de ergonomia: ela é a adaptação do trabalho ao homem ou, de 
maneira mais precisa, a aplicação de conhecimentos científicos relacionados ao ser 
humano, fundamentais para o projeto de ferramentas, máquinas e dispositivos que 
 
 
possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficácia. 
De acordo com Dul & Weerdmeester (2004), a ergonomia concentra-se no 
homem em projetos de trabalho e situações cotidianas, visando adaptar suas 
capacidades e limitações físicas e psicológicas para eliminar condições de 
insegurança, desconforto, ineficiência e insalubridade. O estudo da ergonomia 
abrange diversos aspectos, incluindo postura e movimentos corporais, como sentar, 
ficar de pé, erguer e carregar objetos, e empurrar. Além disso, considera fatores 
ambientais, como ruídos, vibrações, iluminação, clima e agentes químicos. A 
ergonomia também se preocupa com a informação, percebida por meio da audição, 
visão e outros sentidos. 
1.1 Ergonomista 
Em alguns países, é possível realizar cursos de graduação em ergonomia, 
enquanto em outros, profissionais como engenheiros, desenhistas industriais, 
médicos e psicólogos podem adquirir conhecimentos e treinamentos em ergonomia 
por meio de cursos de especialização. Muitos desses profissionais são chamados de 
ergonomistas, devido aos conhecimentos e experiências acumulados ao longo dos 
anos. Os ergonomistas profissionais desempenham papéis importantes no ensino, em 
instituições de pesquisa, na elaboração de normas, na prestação de serviços de 
consultoria e no setor produtivo, incluindo departamentos de projeto, pesquisa e 
desenvolvimento, saúde ocupacional e treinamento, entre outros. 
Em diversos países, existem organizações profissionais responsáveis por 
certificar os ergonomistas. Na Europa, por exemplo, o Centro de Registro de 
Ergonomistas Europeus (CREE) concede registros para profissionais qualificados que 
desejam atuar como ergonomistas. No Brasil, a Abergo estabeleceu o Sistema de 
Certificação do Ergonomista Brasileiro. 
Muitos ergonomistas que trabalham em empresas atuam na interface entre os 
projetistas e os operadores ou usuários dos sistemas de produção. Nesse papel, eles 
orientam projetistas, compradores, gerentes e trabalhadores sobre questões 
ergonômicas, adaptando os respectivos trabalhos às características e limitações do 
ser humano. 
 
 
 
Além dos ergonomistas, diversos outros profissionais aplicam os 
conhecimentos de ergonomia em suas áreas de atuação, incluindo engenheiros, 
designers, médicos do trabalho, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros. 
 
2 NR 17 – ERGONOMIA 
Não é interessante começar o tópico com uma imagem; o correto é abordar 
primeiro o assunto e, em seguida, apresentá-la. Além disso, ela não está formatada 
conforme o preconizado no manual. 
 
 
 
Fonte: shre.ink/rnpS 
Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), esse conceito foi incorporado, 
com as devidas adaptações, na redação do item 17.1. 
 
A atenção do legislador nacional para essa questão é especialmente evidenciada nos 
seguintes artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): 
Art. 198. É de 60 (sessenta) quilogramas o peso máximo que um 
empregado pode remover individualmente, ressalvadas as disposições 
especiais relativas ao trabalho do menor e da mulher. 
 
Parágrafo único. Não está compreendida na proibição deste artigo a 
remoção de material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, 
carros de mão ou quaisquer outros aparelhos mecânicos, podendo o 
Ministério do Trabalho, em tais casos, fixar limites diversos, que evitem sejam 
exigidos do empregado serviços superiores às suas forças. 
 
Art. 199. Será obrigatória a colocação de assentos que assegurem 
postura correta ao trabalhador, capazes de evitar posições incômodas ou 
forçadas, sempre que a execução da tarefa exija que trabalhe sentado. 
 
Parágrafo único. Quando o trabalho deva ser executado de pé, os 
empregados terão à sua disposição assentos para serem utilizados nas 
pausas que o serviço permitir. 
3 ERGONOMIA FÍSICA 
A ergonomia física aborda as características anatômicas, antropométricas, 
fisiológicas e biomecânicas do ser humano em relação à atividade física. Os principais 
tópicos incluem posturas de trabalho, manipulação de objetos, movimentos 
repetitivos, problemas osteomusculares, layout do local de trabalho, segurança e 
saúde. 
Considera-se que o corpo humano possui um sistema músculoesquelético 
movimentado por uma fonte central de energia. O sistema esquelético determina as 
dimensões antropométricas do corpo, como estatura, comprimento dos membros e 
alcance de movimento. Portanto, a antropometria é uma disciplina fundamental da 
ergonomia. A inadequação nas medidas antropométricas pode resultar em 
desequilíbrios posturais estáticos, contribuindo para o desenvolvimento de 
LER/DORT, além de problemas como lombalgia, ciática e outras condições fisiátricas. 
 
 
 
 
 
Fonte: shre.ink/r9duPara que o sistema esquelético se mova e mantenha determinadas posições, 
ele está conectado ao sistema muscular, que pode ser comparado a um conjunto de 
cabos extensores em oposição. O sistema muscular tem a capacidade de contrair e 
relaxar, o que requer energia proveniente do metabolismo. Este processo metabólico 
é responsável por transformar alimentos e oxigênio em energia no organismo. 
O organismo humano, composto pelo sistema músculoesquelético, possui um 
sistema de transformação de energia, o metabolismo, que interage com o ambiente 
para manter a homeostase. Em ambientes com temperaturas elevadas, o corpo 
transpira para regular a temperatura. Além disso, o organismo percebe odores e 
sabores, tendo sido influenciado pela qualidade acústica e luminosa do ambiente em 
que está inserido, o que facilita ou dificulta sua integração às atividades realizadas. 
Uma adequada especificação de ambientes físicos utiliza como referência os 
padrões ambientais normalizados, estabelecidos pelas normas pertinentes. No 
entanto, busca-se enriquecer esses padrões com considerações ergonômicas 
relacionadas às atividades desempenhadas no ambiente. Na prática, a colaboração 
entre ergonomistas e higienistas industriais é de grande interesse para ambas as 
partes, resultando em benefícios tanto para a empresa quanto para seus funcionários. 
4 ERGONOMIA COGNITIVA 
A ergonomia cognitiva dedica ao estudo dos processos mentais, tais como 
percepção, memória, raciocínio e respostas motoras, no contexto das interações entre 
indivíduos e outros componentes de um sistema. Os principais temas abordados 
incluem a carga mental, processos decisórios, desempenho especializado, interação 
 
 
humano-máquina, confiabilidade humana, estresse profissional e formação, todos 
eles relacionados à concepção pessoa - sistema. 
 
 
Fonte: shre.ink/r9W1 
A Ergonomia Cognitiva busca oferecer elementos de resposta para questões 
relacionadas ao design de sistemas de produção. Esses elementos projetuais derivam 
de três premissas fundamentais: 
 
(a) Como base técnica: é fundamental rejeitar a prática absurda de projetar 
sistemas de produção complexos sem fornecer aos operadores os recursos 
necessários para tomar decisões cruciais em momentos críticos. Quanto mais 
complexo e perigoso o sistema, mais os operadores devem estar preparados para 
tomar decisões acertadas. Essa preparação deve ser integrada às pessoas (através 
da formação), aos sistemas (por meio da tecnologia) e, principalmente, às interfaces 
entre eles (através da ergonomia). 
(b) Como base ética: parte-se do pressuposto de que os trabalhadores em um 
processo não devem ser vistos como indivíduos suicidas ou sabotadores. A 
ergonomia pode contribuir para desmitificar a questão do erro humano, fornecendo 
elementos cruciais para uma perícia eficaz. 
(c) Com base moral: acredita-se que as pessoas tentam cumprir seus 
contratos de trabalho nas condições em que se encontram. Portanto, cabe aos 
projetistas garantir condições de trabalho adequadas. Nesse sentido, a Ergonomia 
desempenha um papel indispensável para um bom projeto. 
 
 
A ergonomia cognitiva é dividida em dois campos distintos: cognição individual 
e cognição coletiva ou social. No campo da cognição individual, são estudados 
diversos aspectos do raciocínio e da tomada de decisão, que são úteis na elaboração 
de procedimentos e normas operacionais. Muitos desses estudos se concentram na 
formação profissional, especialmente nos processos de qualificação e requalificação, 
essenciais em um mundo em constante evolução devido à introdução contínua de 
novas tecnologias. No que diz respeito às interfaces, a ergonomia cognitiva tem 
produzido resultados significativos na engenharia de softwares, garantindo a 
amigabilidade, e nas interfaces de instrumentação e controle, promovendo a 
usabilidade. 
No contexto da cognição coletiva, especialmente nos sistemas de interconexão 
de múltiplos agentes, observa-se o surgimento de sistemas de controle em rede que 
requerem a intervenção simultânea de diversos operadores. Por exemplo, no controle 
de tráfego aéreo, esses sistemas têm se expandido para outras áreas industriais e de 
serviços, substituindo a filosofia de centralização que predominava até pouco tempo 
atrás. Esses dispositivos de cognição compartilhada e distribuída têm se mostrado 
muito mais eficazes no tratamento de situações anormais e de emergência. 
5 ERGONOMIA ORGANIZACIONAL 
A ergonomia organizacional tem como objetivo aprimorar os sistemas 
sociotécnicos, englobando sua estrutura organizacional, normas e processos. Os 
temas centrais compreendem a comunicação, a gestão de equipes, o desenho do 
trabalho, a definição dos horários laborais, o trabalho em equipe, a participação dos 
colaboradores, a ergonomia comunitária, a cooperação no trabalho, as novas 
modalidades de trabalho, a cultura empresarial, as organizações virtuais, o 
teletrabalho e a gestão da qualidade. 
 
 
 
Fonte: shre.ink/r9TS 
 
A organização geral se fundamenta na teoria das organizações e na logística, 
visando definir a estrutura produtiva como um organismo inserido em um contexto 
mais amplo: social, econômico, geográfico e cultural. A organização do trabalho, sob 
a metáfora biológica, trata dos sistemas funcionais internos de uma entidade produtiva 
que impulsionam sua atividade. Em essência, envolve a troca de energia entre os 
membros da organização, distribuídos entre as funções de execução e de controle, e 
como os sistemas são estruturados para gerenciar essas energias. O objetivo principal 
é compreender como cada unidade funcional adquire as habilidades necessárias para 
desempenhar suas funções atribuídas pela organização geral, com o estabelecimento 
de métodos de trabalho como um conceito subsidiário. 
Assim como na cognição, o campo da organização enfrenta o desafio de lidar 
com entidades em certa medida abstratas. Apesar do foco nas práticas tangíveis da 
organização do trabalho, essa concretude nem sempre é totalmente objetiva. Para 
muitos líderes e gestores, a organização é percebida e concebida subjetivamente. 
Nessa perspectiva, a discussão sobre a viabilidade prática muitas vezes encontra 
obstáculos, ao ser fácil desqualificar propostas ou alternativas com base em 
argumentos subjetivos. 
 
 
 
REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS 
DUL, Jan; WEERDMEESTER, Bernardo. Ergonomia Prática. Editora Blucher, 2012. 
E-book. ISBN 9788521216124. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521216124/. Acesso em: 11 
mar. 2024. 
 
FALZON, Pierre. Ergonomia. Editora Blucher, 2015. E-book. ISBN 9788521213475. 
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521213475/. 
Acesso em: 08 mar. 2024. 
 
FRANCESCHI, Alessandro de. Ergonomia. Disponível em: shre.ink/rndU. Acesso 
em: 08 mar. 2024. 
 
PEREIRA, Alexandre D. Tratado de segurança e saúde ocupacional: aspectos 
técnicos e jurídicos - NR 16 a NR 18. v.4. Editora Saraiva, 2015. E-book. ISBN 
9788502230705. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502230705/. Acesso em: 11 
mar. 2024. 
 
SARAIVA. Segurança e medicina do trabalho. Editora Saraiva, 2021. E-book. ISBN 
9786555595635. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786555595635/. Acesso em: 11 
mar. 2024. 
 
VIDAL, Mario Cesar. INTRODUÇÃO À ERGONOMIA. Disponível em: shre.ink/rnWC. 
Acesso em:08 mar. 2024. 
 
VILLAROUCO, V.; Andreto, L. F. M. Avaliando desempenho de espaços de 
trabalho sob o enfoque da ergonomia do ambiente construído. Produção, v. 18, 
n. 3, p. 523-539, 2008. 
 
 
 
 
 
 
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	1 Ergonomia — conceituações
	1.1 Ergonomista
	2 NR 17 – ergonomia
	3 Ergonomia física
	4 Ergonomia cognitiva
	5 Ergonomia organizacional
	Referênciasbibliográficas

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