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SUMÁRIO 
2 INTRODUÇÃO 3 
3 MUSICOTERAPIA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO 4 
3.1 A Importância da Música para o Desenvolvimento Cognitivo 6 
3.2 Neurociência e musicoterapia 10 
3.3 Música e cérebro 14 
3.4 Música e neuroimagem 16 
3.5 Música e linguagem 17 
3.6 A linguagem musical como elemento para potencializar a cognição e o 
desenvolvimento 20 
4 REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA 24 
4.1 A música como terapia 27 
4.2 Música, memoria, emoção e reabilitação 28 
5 A MUSICOTERAPIA COMO INTERVENÇÃO NÃO FARMACOLÓGICA 30 
5.1 A intervenção não farmacológica na doença de Alzheimer 33 
6 BIBLIOGRAFIA 37 
 
 
 
 
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2 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - 
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 MUSICOTERAPIA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO 
 
Fonte: musica.wordpress.com 
Segundo COLI; et al., (2018) a capacidade cognitiva é fundamental no 
desenvolvimento e aprendizagem, visto ser ela a responsável pela assimilação de 
informações através dos processos visual, auditivo e sensorial, e pela representação 
mental desses segmentos impressos no córtex. Na infância este processo ocorre com 
maior frequência, entretanto na idade escolar por vezes se apresenta deficitária, 
devido aos Transtornos Funcionais Específicos - TFE, estes denunciam que a 
capacidade cognitiva está em déficit em seu funcionamento, dessa maneira se faz 
imprescindível o uso de um método não medicamentoso em detrimento de tais 
psicopatologias. Propõe se então com este projeto o uso da Musicoterapia, visto que 
ela oportuniza o desenvolvimento de habilidades cognitivas tais como: aquisição 
fonológica, desenvolvimento e abrangência da linguagem oral e escrita, 
aprimoramento do processamento auditivo e das habilidades matemáticas e a 
construção de redes neurais ao cérebro. 
De acordo com COLI; et al., (2018) durante o desenvolvimento gradual da 
criança, ela passa a superar os próprios limites de modo que as primeiras concepções 
passam por modificações qualitativas importantes, oportunizando posteriormente, 
uma melhor adaptabilidade da resposta chegando a idade adulta, corroborando com 
 
 
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a teoria de Piaget e Vygotsky, conceituados como grandes escritores na área do 
desenvolvimento e cognição, defendem que a aprendizagem cognitiva ocorre por 
estágios, que vão se tornando mais complexos à medida que a criança se desenvolve. 
“O desenvolvimento cognitivo é uma sequência de procedimentos cada vez 
mais poderosos para a solução de problemas, juntamente com um conjunto 
cada vez mais eficiente de estruturas conceituais de conhecimento” 
(SANTANA, ROAZZI e DIAS, 2006 apud COLI; et al., 2018). 
O ambiente social é um fator relevante juntamente com participação ativa da 
criança em todo processo. Ademais, há problemáticas que vão para além do contexto 
social, envolvendo aspectos cognitivos e neurológicos, como os transtornos presentes 
no cotidiano escolar, afirma COLI; et al., (2018). 
Segundo Cunha, Arruda e Silva, (2010 apud COLI; et al., 2018), o objetivo de 
tornar a musicoterapia uma prática terapêutica, é oportunizar a reabilitação física, 
mental e social das pessoas, atuando na cognição, nas funções motoras e nos 
elementos afetivos, através da música, entretanto é necessário considerar a realidade 
psíquica, social e condição física de cada sujeito. 
Logo, a ação musicoterapêutica concentra-se em compreender os significados 
e os sentidos, que cada indivíduo em terapia atribui ao conteúdo musical, envolvendo 
para isto suas experiências pessoais, o setting terapêutico musical promove uma 
comunicação mediada por um aglomerado de fenômenos acústicos como tons agudos 
e graves, fracos e fortes, ritmos, timbres, melodias e letra, que compõe de forma verbal 
e não verbal a arte de se comunicar (CUNHA, ARRUDA e SILVA, 2010 apud COLI; et 
al., 2018). 
Sampaio (2015 apud COLI; et al., 2018), constata que a música tem servido de 
subsídio para auxílio no entendimento das emoções, já que permite resultados 
semelhantes, mesmo em diferentes culturas e etnias. Logo percebe-se os benefícios 
no desenvolvimento da cognição. Pois que à comunicação cerebral se dá por sinapses 
e quanto maior o número de sinapses, maior à qualidade da comunicação neuronal e 
da resposta comportamental. 
 
 
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3.1 A Importância da Música para o Desenvolvimento Cognitivo 
Segundo Leão (2001 apud AGNOLON; et al., 2016) afirma que a inserção da 
música favorece o desenvolvimento perceptual e motor, a coordenação mãos-olhos, 
o equilíbrio estático e dinâmico, as relações espaciais, o pensamento linear, o 
planejamento, a habilidade de escuta e os canais de comunicação. Combinada com 
outras áreas de estudo, favorece a criatividade e os meios de expressão das crianças 
e dos jovens. A autora divide em dois campos a atuação da música. O primeiro é o 
ouvir músicas; e o segundo, o cantar. Ouvir músicas favorece aspectos como 
experimentação, auto expressão, habilidade de contar e criar histórias originais, 
comunicação verbal e não-verbal, desenvolvimento intelectual e, também, possibilita 
encontrar respostas e realizar novos relatos. Além disso, cantar melhora o diálogo, a 
escrita e proporciona mudanças nas habilidades do pensamento criativo. Assim, a 
música influencia o comportamento da criança e seu desenvolvimento cognitivo, 
apontando para mudanças na originalidade verbal, nas habilidades linguísticas e em 
aprendizados e expressões bilíngues. 
Em consonância, observa-se que, quando o trabalho envolve música, os 
indivíduos são beneficiados, pois amplia a sensibilidade, o raciocínio lógico, a 
concentração, a disciplina, a expressão corporal e desenvolve o sentido de 
valorização e respeito ao próximo. É importante que ela seja utilizada na educação 
por meio do trabalho com canções, ritmos, explorando aspectos cognitivos, afetivos e 
emocionais. Além de ser utilizada em favor do desenvolvimento do pensamento 
criativo por meio da interpretação única e pessoal, essas experiências ficarão na 
memória dos sujeitos e servirão de alicerce para a vida adulta (GOMES, BIAGIONE, 
VISCONTI, 1998; GAMBA, 2004; PFUTZENREUTER, 1999 apud AGNOLON; et al., 
2016). 
A influência da música no desenvolvimento das crianças pode ser identificada 
de forma significativa, uma vez que há diversas pesquisas desenvolvidas em vários 
países e em diferentes épocas. Especialmente nas décadas finais do século XX, 
determinados estudos demonstraram que o bebê é capaz de desenvolver reações a 
estímulos sonoros ainda no útero da mãe. Os pesquisadores Schlaug, da Escola de 
Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), nos 
estudos que realizaram para verificar as diferenças entre os cérebros de músicos e os 
 
 
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de não músicos, revelaram que os músicos apresentaram maior quantidade de massa 
cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle 
motor (SHARON,2000 apud AGNOLON; et al., 2016). Em complemento, uma 
pesquisa realizada na Universidade de Toronto por Sandra Trehub possibilitou 
comprovar que melodias interferem no comportamento de recém-nascidos. Durante 
as análises observou-se que quando os recém-nascidos eram expostos a melodias 
serenas, exibiam tendência a permanecerem mais calmos; porém, ocorrendo uma 
aceleração no ritmo musical, eles ficavam mais alertas (CAVALCANTE, 2004 apud 
AGNOLON; et al., 2016). 
 
 
Fonte: psicologiasdobrasil.com.br 
Ao analisar o estudo de Leão (2001 apud AGNOLON; et al., 2016), mais dirigido 
ao ensino musical e os de Gardner (1999 apud AGNOLON; et al., 2016), abordando 
de maneira geral a educação em artes, percebe-se que ambos apontam para a 
necessidade de desenvolver nos seres humanos o aspecto emocional, cognitivo e 
corporal. Para que isso aconteça é preciso atribuir ao aprendizado artístico, um caráter 
sensibilizador. Gardner (1999, 2001, 2005 apud AGNOLON; et al., 2016) se 
posicionou preocupado com o uso de currículos fechados para o trabalho do contexto 
artístico, principalmente quando se trata do aprendizado de música. A proposta para 
a educação musical tem como desafio olhar as habilidades da criança e o 
 
 
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entendimento da música que ela apresenta, para que, a partir disso, seja possível 
construir uma proposta respeitando esse momento dela. Não é recomendado impor 
um currículo projetado, o qual tenha como propósito assegurar performances musicais 
adultas e competentes. 
A musicalização na escola proporciona à criança ferramentas para que ela 
possa desenvolver a noção de esquema corporal, bem como se conhecer melhor e 
se comunicar de forma eficaz com o outro. Esse trabalho implica de maneira 
permanente o desenvolvimento cognitivo-linguístico, psicomotor e socioafetivo. As 
situações vivenciadas pela criança diariamente é a fonte de conhecimento; no entanto, 
uma participação ativa em experiências rítmico-musicais, vendo, ouvindo e tocando 
favorece o desenvolvimento dos sentidos. O trabalho com sons aprimora a acuidade 
auditiva, dançar ou copiar gestos exercita a coordenação motora e a atenção e cantar 
ou imitar sons promove a descoberta de suas capacidades, estabelecendo-se 
relações com o ambiente em que vive. Isto posto, tem-se que o desenvolvimento 
psicomotor da criança é favorecido com as atividades envolvendo a música. O ritmo, 
por sua vez, tem papel fundamental na formação e equilíbrio do sistema nervoso, pois 
toda a expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo uma descarga 
emocional, uma reação motora e um alívio das tensões (WEIGEL,1988; BARRETO, 
2000 apud AGNOLON; et al., 2016). 
Promover situações em que a criança estimule e aguce os cinco sentidos, 
ampliando a ação deles, favorece o desenvolvimento de inúmeras valências físicas 
que envolvam a coordenação motora geral, o ritmo, a noção ou a orientação temporal 
e espacial. Estimular os cinco sentidos é importante e necessário, pois por meio desse 
estímulo se trabalha a psicomotricidade, que, caso seja bem explorada, leva a criança 
a ter facilidade na aprendizagem, devido à ligação direta ao encéfalo, que é o centro 
do sistema nervoso. Quando tal trabalho não é constituído ou é mal realizado, a 
criança poderá apresentar dificuldade de aprendizagem (SILVA, 2011 apud 
AGNOLON; et al., 2016). Esses estímulos e atividades que trabalham o canto, a 
dança, o senso rítmico e a coordenação motora também são importantes para o 
processo de aquisição da leitura e da escrita (WEIGEL,1988; BARRETO, 2000 apud 
AGNOLON; et al., 2016). 
 
 
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Levando em consideração que, para comunicar uma música ouvida, usa-se a 
imagem verbal e que a criança pode criar histórias a partir da imaginação inspirada no 
que ela ouve, pode-se pressupor que essa vem antes da criatividade, bem como 
envolve percepção e intuição. A partir dessa investigação verifica-se que, por meio da 
música, é possível cultivar a imaginação e a expressão verbal. Tal fato ocorre, em 
razão do sujeito estar exposto a estruturas musicais, às quais ele responde, uma vez 
que se tratam de estímulos estruturados no tempo (LEÃO, 2001 apud AGNOLON; et 
al., 2016). 
A música na escola favorece a aprendizagem das diferentes áreas que 
compõem o currículo escolar e também desenvolve comportamentos de atenção 
importantes para melhorar a cognição. Isso ocorre devido às ligações específicas 
entre o estudo de música e a habilidade de manipular informação tanto na memória 
de trabalho, usada para pensar, como na memória de longa duração, usada para 
arquivar os conteúdos apreendidos, os métodos e as experiências. Sua atuação 
ocorre de forma direta no cérebro, promovendo a atenção executiva, necessária para 
formar memórias de qualquer área do conhecimento formal e de suas metodologias 
(GANINZA, 2008 apud AGNOLON; et al., 2016). 
Em relação ao uso de jogos musicais, Bréscia (2003 apud AGNOLON; et al., 
2016) informa que podem ser de três tipos correspondentes às fases do 
desenvolvimento infantil: Sensório-Motor (até os dois anos), Simbólico (a partir dos 
dois anos), Analítico ou de Regras (a partir dos quatro anos). Quando a criança se 
encontra na fase Sensório-Motor, as atividades deverão envolver sons e gestos. 
Dessa forma, elas ouvem e cantam sendo estimuladas a expressar-se fisicamente, 
representando e produzindo sons por meio de movimentos e gestos, uma vez que 
essas atividades favorecem o desenvolvimento da motricidade. Na fase Simbólica, a 
função do som é de ilustração e de sonoplastia e visa representar o significado, o 
sentimento e a expressão da música, contribuindo para o desenvolvimento da 
linguagem no indivíduo. Por fim, na fase Analítica, ou de Regras, a criança necessita 
ouvir a si mesma e aos outros, esperando sua vez de cantar ou tocar. Para 
desenvolver essa disposição, são utilizados jogos que envolvem a estrutura da 
música, demandando a socialização e a organização. Dessa forma, tal proposta ajuda 
no desenvolvimento do sentido de organização e disciplina. Ao planejar a duração das 
 
 
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atividades propostas em todas as fases, torna-se necessário considerar a idade da 
criança, o grau de atenção e de interesse. É necessário lembrar que cada sujeito tem 
uma maneira própria de se expressar, podendo ser repetitivo, sem sentido ou tímido, 
mas, independentemente da desenvoltura do indivíduo no momento em que se 
encontra, é importante que haja respeito por parte de todos os envolvidos, criando um 
ambiente que favoreça o sentimento de liberdade para expressão e criação. 
No mesmo sentido, Frota (2013 apud AGNOLON; et al., 2016) afirma que aos 
dois meses o feto apresenta seu primeiro sentido, a audição e, por meio dele, pode 
ouvir o coração, as vibrações internas do corpo da mãe e dos líquidos que o envolvem. 
Pode-se dizer que todos esses sons juntos formam uma sinfonia para a pele do feto 
e em seguida para os seus ouvidos, os quais ainda não estão inteiramente formados. 
A palavra musicalizar foi criada pelos professores e musicistas com o significado de 
introduzir na vida das crianças a música. O contato com a música é fundamental, 
principalmente para os bebês, que antes mesmo de aprender falar já apresentam a 
gênese do pensamento musical. Por meio da imaginação, a criança ao ouvir os sons 
faz combinações entre eles e o silêncio, em uma sequência de espaço-tempo. Assim, 
ela está organizando a prática do pensamento musical, ou seja, quando a criança é 
exposta a canções de ninar e brincadeiras com a voz, ela está se desenvolvendo 
musicalmente. Esse indivíduo que tem acesso à música aprende rápido, desenvolve 
habilidades motoras e expressa estruturas musicais mesmo antes de falar seu nome. 
Recebendo os estímulos musicais sem excesso ou escassez, torna-se mais 
equilibrada emocionalmente, apresenta facilidade na aprendizagem da escrita, e se 
mostra mais sensível e feliz. Além disso, brincando comobjetos sonoros, 
experimentando-os, satisfaz a curiosidade e alimenta sua sensibilidade. 
3.2 Neurociência e musicoterapia 
Não é espantoso perceber o crescimento de pesquisas que articulam música e 
medicina, e não só pelo contexto de crescimento das ciências humanas e biológicas, 
na apologia da interdisciplinaridade, que ascende a unificação de áreas de 
conhecimentos antes seccionadas como as ciências e as artes (CAMPOS; CORREIA; 
 
 
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MUSZKAT, 2000 apud CARVALHO; et al., 2012), mas também pelos dados históricos 
de uso da música para o fim de saúde. 
Antes, porém, é preciso explicitar o conceito de música para neurociência, que 
ocorre na ideia de estruturação das unidades sonoras (ritmo, melodia, harmonia e 
timbres), fugindo de qualquer conotação estético-cultural, hoje instalada e 
convencionada. Tais conceitos são também encontrados na música contemporânea, 
que descentraliza a estética para usar a música dentro de quaisquer possibilidades 
sonoras, afirma CARVALHO (et al., 2012). 
Baseado nos pensamentos contemporâneos sobre música, a neurociência 
aprofunda seus estudos na tentativa de relacionar os sons com as mais diversas áreas 
cerebrais, particularmente na organização cerebral das funções musicais, e 
estabelece métodos criteriosos, que estudam a relação entre música e as mudanças 
na atividade elétrica cerebral. Essas medições podem sugerir quando reconhecem 
as alterações fisiológicas o auxílio do desenvolvimento em bases funcionais, em 
procedimentos mais adequados de intervenções musicais, segundo CARVALHO (et 
al., 2012). 
Assim, as alterações fisiológicas da estimulação sonora podem refletir-se nas 
mudanças dos padrões, no reflexo de orientação, na variabilidade das 
respostas fisiológicas envolvidas em processos de atenção e expectativa 
musicais ou na mudança de frequência, topografia e amplitude dos ritmos 
elétricos cerebrais (CAMPOS; CORREIA; MUSZKAT, 2000, p. 71 apud 
CARVALHO; et al., 2012). 
Segundo, CARVALHO (et al., 2012) o interesse dos estudos que encampam 
música e cérebro, não apenas residem nas complexas funções neuropsicológicas que 
ativam áreas corticais multimodais quando estimuladas por sons, mas também por a 
música fazer parte do campo das artes, e leva consigo a significação cultural-
simbólica, de representação estética da comunicação, do sentir e do processar. 
 
 
 
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Fonte: pixabay.com 
A Neurociência pode ser entendida como área que busca a compreensão do 
funcionamento do sistema nervoso. De suas possíveis definições, cabe esta de que a 
neurociência “é uma ciência relativamente nova, voltada para o desenvolvimento, a 
química, a estrutura, a função e a patologia do sistema nervoso” (LUNDY-EKMAN, 
2000, apud CORREIA, 2006 apud CARVALHO; et al., 2012). 
Pelas pesquisas recentes que revelam existência de interações neurais que 
provocam reações humanas ao estímulo musical, e que o sistema nervoso tem 
diferentes sistemas para perceber, processar e tocar música os neurocientistas 
referem à música como um modelo ideal de como sistema nervoso integra tarefas, de 
percepção ou perceptuais e comportamentais complexas. Conforme afirma Correia 
(2006 apud CARVALHO; et al., 2012): 
Compreendendo a sua influência no cérebro, poderemos compreender as 
reações do paciente à música e ao som, seu comportamento musical, assim 
como ter subsídios para aplicar adequadamente a musicoterapia em 
pacientes sem e com diferentes distúrbios neurológicos e psiquiátricos. 
(CARVALHO; et al., 2012) 
De todos os trabalhos e pesquisas até agora realizadas, mesmo com 
elaborações de hipóteses e metodologias diferentes de cada pesquisador, pôde-se 
retirar contribuições enriquecedoras para o conhecimento das relações entre música 
 
 
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e cérebro, o que justifica secundariamente sua inserção em terapia, ou da música 
como terapia, afirma CARVALHO (et al., 2012). 
No processamento da música, as funções musicais envolvem o conjunto das 
atividades cognitivas e motoras. Há necessidade de estudos no âmbito da cognição 
dessas funções para melhor compreensão da organização cortical para coordenar 
todas as operações mentais. Os processos de testes dessas funções poderiam gerar 
subsídios para formulações de planos de tratamento em musicoterapia, conforme 
CARVALHO (et al., 2012). 
Segundo CARVALHO (et al., 2012) nesses campos de estudos, a música tem 
ganhado espaço como instrumento de estudo de vários aspectos da neurociência, e 
seu lugar tem sido deslocado do campo artístico. Ouvir e produzir música envolve 
muito mais do que reproduzir arte, mas requerem de certa forma todas as funções 
cognitivas, mesmo aquelas que estão relacionadas a outros tipos de cognição, neste 
estudo complexo, gera tanto a compreensão do funcionamento cerebral como do 
comportamento musical. 
Conforme, CARVALHO (et al., 2012) os fundamentos biológicos do 
comportamento musical têm sido amplamente explorados, e essas explorações têm 
crescido consideravelmente, além de ser alvo de grande interesse pelos 
neurocientistas, que ressaltam a importância do cérebro nos estudos do 
comportamento musical. Esses conhecimentos podem favorecer formas de 
intervenção musicoterapêutica, que são diferentes e independentes das formas de 
intervenção psicológica. Além disso: 
Os conhecimentos neuropsicológicos da música nos permitem 
compreender melhor as reações e o comportamento musical nato ou 
adquirido dos pacientes, dando-nos o suporte necessário para 
aplicações criteriosas dos recursos sonoro-musicais em musicoterapia 
(CORREIA, 2006, p.3 apud CARVALHO; et al., 2012). 
 
Estudos como esses enriquecem a literatura musicoterápica, pois não apenas 
informam, mas engendram novas estratégias e critérios de atuação, além de 
ampliarem os recursos sonoro-musicais a serem utilizados pelo profissional em 
musicoterapia, gerando intervenção específica e própria deste profissional, 
diferenciando e emancipando-o de outras áreas de intervenção clínica, afirma 
CARVALHO (et al., 2012). 
 
 
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3.3 Música e cérebro 
Sendo música um fenômeno sonoro, sua arquitetura é estruturada a partir da 
organização temporal de sons e silêncios no espaço (meio), refletindo estruturalmente 
a consciência humana do próprio tempo, que lida com correlações lineares (entre os 
eventos, presente/futuro, antecedência/consequência) ou psíquicas (processos 
perceptivos, afetivos e cognitivos, com retratos dos conteúdos internos, e estados 
emocionais de expectativas entre outros) afirma, CARVALHO (et al., 2012). 
Conforme, CARVALHO (et al., 2012) se pensarmos historicamente, o 
desenvolvimento das artes (e neste caso a música) se relaciona estreitamente com a 
evolução da espécie humana, e as descobertas de um campo de evolução, refletirão 
necessariamente a evolução de outros campos. 
Como exemplo, temos a música da Idade Média, de canto monofônico, 
ressoando uma maneira não dividida de estar no mundo; este pensamento 
acompanha a ideia que considerava o cérebro como uma massa homogênea com 
distribuições elementares de suas funções. Porém, a partir do Renascimento, emerge 
uma visão racionalista de um mundo dividido, que separa o eu do espaço 
(meio/mundo), refletindo os modos de artes da época, como a criação da perspectiva 
na pintura, ou esboços de polifonia, de convergência tonal e harmônica na música 
renascentista, afirma CARVALHO (et al., 2012). 
Assim, sucedeu-se no continuar dessas classes de desenvolvimento em outros 
períodos como: Barroco, Classicismo a chegar à contemporaneidade que o abandono 
das referências tonais para exploração das sonoridades e silêncios expressivos, 
conota a desconstrução de instituições e signos sonoros enquanto eventos não 
lineares; pensamento que comunga com as ciências modernas sob os conceitos de 
espaço-tempo, que fundamentam suas teorias nos apontamentos da física quântica e 
teoria da relatividade aproximando-nos na estética da nova música à visão físicaou 
material do mundo, quando “[...] ambas traduzem a consciência autorreflexiva, a 
maneira pela qual dimensionamos, relacionamos temporalmente e mesmo nomeamos 
nossos próprios processos psíquicos de ‘ver, decodificar, e reinterpretar’ o mundo em 
que vivemos” (CAMPOS; CORREIA; MUSZKAT, 2000, p. 71-72 apud CARVALHO; et 
al., 2012). 
 
 
 
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Fonte: pixabay.com 
Atualmente, o cérebro é visto como uma rede complexa de áreas específicas e 
não específicas, integrando funções cognitivas, afetivas e sensoriais. Relacionando a 
esta visão, a complexidade musical, no olhar da ciência que vê a relação entre cérebro 
e funções musicais dentro de estudos da chamada: “Assimetria Funcional 
Hemisférica”, com trabalhos que só foram realizados a partir da segunda metade do 
século XX, com pacientes que apresentavam quadros de epilepsia, na descrição de 
epilepsia musicogênica, afirma CARVALHO (et al., 2012). 
Essas pesquisas, após a apuração criteriosa dos dados, apontaram as funções 
musicais em diferentes áreas do cérebro, às vezes, com defasagens em um processo 
musical, mas não em outros, como por exemplo, dificuldades de cantar e preservação 
da fala; apontamentos que separam as funções e processamentos musicais em 
hemisférios cerebrais, divisão de lobos (frontal, temporal etc.) e até a secção de áreas 
específicas como “os trabalhos mais recentes de Zatorre et al. e Chauvel et. al sobre 
as disfunções musicais em pacientes submetidos a lobectomia temporal” (CAMPOS; 
CORREIA; MUSZKAT, 2000, p. 72 apud CARVALHO; et al., 2012). 
 
 
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3.4 Música e neuroimagem 
Estudos específicos comprovam alterações consideráveis de áreas cerebrais 
aos estímulos sonoros. Não só dos sons em sua matéria física, mas de música como 
estrutura dos sons organizados, contêm os simbolismos culturais das suas frases 
melódicas e sua familiaridade, regularidade rítmica, identificação de mudança 
tímbrica, enfim, um encampado de processos musicais, que gerou várias 
possibilidades de mapear, “[...] pelos trabalhos com TEP (embolia pulmonar), as 
mudanças na ativação metabólica durante o processamento perceptivo e cognitivo 
dos constituintes da música” (CAMPOS; CORREIA; MUSZKAT, 2000, p. 72 apud 
CARVALHO; et al., 2012). 
 
 
Fonte: pixabay.com 
Segundo, CARVALHO (et al., 2012) por não precisar de codificações 
linguísticas e por armazenar vários signos estruturados, além de acessar diretamente 
a afetividade e os campos límbicos, a música estimula a memória não-verbal. Neste 
processo, ela unifica várias sensações que incluem 
[...] a gustatória, a olfatória, a visual e a proprioceptiva em um conjunto de 
percepções que permitem integrar as várias impressões sensoriais em um 
mesmo instante, como a lembrança de um cheiro ou de imagens após ouvir 
determinado som ou determinada música. Também ativa as áreas cerebrais 
 
 
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terciárias, localizadas nas regiões frontais, responsáveis pelas funções 
práxicas de sequenciarão, de melodia cinética da própria linguagem, e pela 
mímica que acompanha nossas reações corporais ao som. (CARVALHO; et 
al., 2012) 
Conforme, CARVALHO (et al., 2012) vários pesquisadores direcionaram seus 
estudos para medição das mudanças metabólicas específicas, quando estimulados 
por este ou outro som, por estruturas rítmicas, por identificações tímbricas ou audição 
melódica passiva, ou seja, por processamentos musicais diferenciados que podem 
gerar topografias das atividades cerebrais em determinadas áreas, na realização das 
funções mentais complexas ao estímulo das realizações de funções musicais. 
Os resultados a partir dos recursos de neuroimagem funcional têm contribuído 
para interessantes apontamentos, que enfatizam a importância da lateralização 
hemisférica na percepção musical. Grosso modo, as funções musicais parecem ser 
complexas e múltiplas, localizam-se assimetricamente no córtex, afirma, CARVALHO 
(et al., 2012): 
[...] o hemisfério direito para altura, timbre e discriminação melódica, e o 
esquerdo para ritmos, identificação semântica de melodias, senso de 
familiaridade, processamento temporal e sequencial dos sons. No entanto, a 
lateralização das funções musicais pode ser diferente em músicos, 
comparado a indivíduos sem treinamento musical, o que sugere um papel da 
música na chamada plasticidade cerebral (CAMPOS; CORREIA; MASZKUT, 
2000, p. 72-73 apud CARVALHO; et al., 2012). 
3.5 Música e linguagem 
Segundo, CARVALHO (et al., 2012) ao se falar em linguagem há a noção de 
um sistema que traz consigo um emaranhado de signos estabelecidos naturalmente 
ou convencionados que transmitem informações e mensagens de um sistema (social, 
orgânico etc.) a outro. A música pode ser comparada a tal sistema linguístico quando 
ambos dependem, do ponto de vista neurofuncional, das estruturas sensoriais 
responsáveis pela recepção e pelo processamento auditivo (fonemas, sons), visual 
(grafemas da leitura verbal e musical), da integridade funcional das regiões envolvidas 
com atenção e memória e das estruturas eferentes motoras responsáveis pelo 
encadeamento e pela organização temporal e motora necessárias para a fala e para 
a execução musical. 
 
 
18 
 
 
Segundo, CARVALHO (et al., 2012) o que diferencia a música da linguagem 
verbal, é que nesta última acontece uma separação entre significante e significado, 
uma vez que está condicionada a processos semântico-linguísticos, e na música, a 
própria mensagem é uma estrutura significativa que traduz as ideias, ou seja, a própria 
música é o significado e o conteúdo, o significante. 
 
 
Fonte: pensador.com 
Em um tratado sobre mito e música, o antropólogo Levi-Strauss (1978/1985 
apud CARVALHO; et al., 2012) tentou aproximar as características sonoro-musicais à 
estrutura de um mito, definindo dessas estruturas, uma aproximação entre música, 
mito e linguagem. Em seus escritos, afirma: 
A comparação entre a música e a linguagem é um problema extremamente 
espinhoso, porque, em certa medida, a comparação faz-se com materiais 
muitos parecidos e, ao mesmo tempo, tremendamente diferentes. Por 
exemplo, os linguistas contemporâneos disseram-nos que os elementos 
básicos da linguagem são os fonemas – ou seja, aqueles sons que nós 
incorretamente representamos por letras –, que em si mesmos não tem 
qualquer significado, mas são combinados para diferenciar os significados. 
Pode-se dizer praticamente o mesmo das notas musicais. Uma nota – A, B, 
C, D e assim por diante – não tem significado em si mesma; é apenas uma 
nota. É só pela combinação das notas que se pode criar música. Poder-se-ia 
dizer perfeitamente que, enquanto na linguagem se tem os fonemas como 
material elementar, na música temos algo que eu poderia chamar “fonemas”, 
afirma, CARVALHO (et al., 2012). 
 
 
19 
 
 
Segundo, CARVALHO (et al., 2012) no campo linguístico-verbal, os fonemas 
se combinam e formam palavras, e estas, se combinam e formam frases. Na música 
não há palavras, as notas (como seus elementos mais básicos) se combinam a formar 
imediatamente uma frase: a frase melódica. Enquanto na linguagem se tem três níveis 
definidos; i) fonemas, que se combinam em ii) palavras, que se combinam em iii) 
frases, na música há as notas que se assemelham aos fonemas, mas não existem as 
palavras; na combinação de notas, passa-se diretamente ao domínio das frases para 
a neurociência, dados que diferenciam a linguagem musical da verbal (como na 
problemática elucidada por Levi-Strauss, que divide as estruturas dos processos 
semânticos da linguagem, das significações musicais diretas em mensagens de frases 
melódicas, que são em ambos os casos, estruturas codificadas e decodificadas pelo 
cérebro em seus atributos neuropsíquico-funcionais) são importantes, pois, pelos 
estudos neuropsicológicos, atestou-se que as estruturas envolvidas para o 
processamento musical são autônomas e diferentes daquelas que são envolvidas na 
linguagem – a fala, leiturae escrita. Pesquisas mostram que a afasia – perda da 
função verbal – não acompanha a amusia – perda da função musical. 
A existência de uma perda funcional sem a outra (afasia sem amusia ou vice-
versa), demonstram a independência dos sistemas de comunicação verbal e musical 
na estrutura de seus substratos neurobiológicos. Neste caso, é possível a 
compreensão dos casos de grandes músicos que após sofrerem lesões cerebrais 
localizadas, mantiveram intactas suas habilidades e funções musicais. Por exemplo, 
o compositor e organista Jean Langlais (1907-1991) que após hemorragia 
temporoparietal esquerda, tornou-se afásico, aléxico e agráfico, mas manteve 
inalteradas suas capacidades de compor, de improvisar e de leitura das notações 
musicais. Ainda, o caso de Maurice Ravel (1875-1937); ou do compositor russo V.I. 
Shebalin (1902-1963) e outros (CAMPOS; CORREIA; MUSZKAT, 2000, p. 73 apud 
CARVALHO; et al., 2012). 
É consenso considerar que o meio intrauterino, em condições favoráveis, e 
dentro da normalidade, caracteriza-se por ambiente ideal para o ser em 
desenvolvimento. Ele deve prover toda e qualquer necessidade nutricional e de 
maturação para embrião em formação e para o feto em desenvolvimento. É no 
ambiente intrauterino que acontece o grande impulso para o desenvolvimento 
 
 
20 
 
 
neuronal responsável pela saúde do futuro ser. Como uma esponja, neste período de 
desenvolvimento absorve tudo, e pesquisas denunciam sobre os impactos negativos 
resultantes do efeito de drogas, álcool, estimulantes, medicamentos, produtos 
químicos, e radiações para sua maturação e saúde. 
3.6 A linguagem musical como elemento para potencializar a cognição e o 
desenvolvimento 
Segundo, VARGAS (2014) é consenso considerar que o meio intrauterino, em 
condições favoráveis, e dentro da normalidade, caracteriza-se por ambiente ideal para 
o ser em desenvolvimento. Ele deve prover toda e qualquer necessidade nutricional e 
de maturação para embrião em formação e para o feto em desenvolvimento. É no 
ambiente intrauterino que acontece o grande impulso para o desenvolvimento 
neuronal responsável pela saúde do futuro ser. Como uma esponja, neste período de 
desenvolvimento absorve tudo, e pesquisas denunciam sobre os impactos negativos 
resultantes do efeito de drogas, álcool, estimulantes, medicamentos, produtos 
químicos, e radiações para sua maturação e saúde. 
O futuro bebê, sensível a toda e qualquer interferência, terá nos registros 
mnemônicos da experiência sonora vivenciada precocemente referência para 
respostas físicas e emocionais posteriores. É a condição de desenvolvimento obtida 
inicialmente pelo cérebro que irá influenciar na reação do bebê frente aos estímulos 
do meio e capacidade de aquisições, afirma VARGAS (2014). 
Após o nascimento, o desenvolvimento cerebral apresenta-se potencializado 
nos primeiros anos da infância, dependendo em grande parte dos estímulos recebidos 
do meio e contexto cultural onde a criança está inserida. Assim sendo, a condição 
social e cultural irá desempenhar papel fundamental para a instrumentalização 
cerebral e como consequência para desenvolvimento psíquico, físico, emocional e 
cognitivo da criança. A criança inserida em um meio precário e carente de estímulos 
terá grandes chances de apresentar déficits cognitivos e dificuldades de interação em 
diferentes áreas envolvendo o contexto biopsicossocial. Neste sentido, o uso da 
música é considerado um importante elemento para contribuir para o desenvolvimento 
da criança e de habilidades necessárias para o processo da aprendizagem, de acordo 
com VARGAS (2014). 
 
 
21 
 
 
 
 
Fonte: pixabay.com 
Segundo, VARGAS (2014) sabe-se que muitas carências decorrentes do meio 
familiar podem ser amenizadas e contornadas com o acesso da criança no convívio 
do ambiente escolar e este início tem acontecido cada vez mais precocemente, 
independentemente do nível social. É neste contexto que o uso da música é de grande 
importância sendo indicado para potencializar conexões neuronais necessárias para 
estimular a cognição, o incremento de habilidades, e como consequência, possibilitar 
a superação de carências e promover uma melhor condição para o desenvolvimento 
como um todo. Hoje é consenso a possibilidade de desenvolvimento de áreas 
cerebrais para compensar outras que se tornaram inativas devido à falta de estímulos 
ou devido a algum dano. 
A música, elemento da cultura, conecta e resgata memórias primordiais da 
experiência de vida e passa a ser um fator importante influenciando o comportamento 
humano. Além de aspectos singulares, a música mobiliza “necessariamente, em sua 
realização, funções cerebrais diversas. ” Afirma, VARGAS (2014). 
“A música é uma forma de energia percebida pelo sentido auditivo e tátil”. 
Achados em neurociência constatam que diferentemente da linguagem, a música 
“exige ambas as metades do cérebro”, e como não tem um centro de processamento, 
 
 
22 
 
 
assim como a linguagem, seu impacto é “distribuído por todo o cérebro”. “A 
interdependência de cada hemisfério é particularmente evidente no processamento 
da música. ” Diz, VARGAS (2014). 
A música além de ativar o cérebro como um todo, faz conexões com áreas 
responsáveis pela emoção e memória e é recurso importante estimulador da 
dopamina, neurotransmissor responsável pela produção do prazer. Pesquisas 
apontam que a música estimula as mesmas áreas do cérebro onde são acionadas as 
emoções, sendo que “regiões diferentes do cérebro estão envolvidas nas reações 
emocionais. ” Por outro lado, “a memória afeta tão profundamente a experiência de 
audição de uma música que sem ela não haveria música. ” De acordo com, VARGAS 
(2014). 
Segundo, VARGAS (2014) “Música e fala são fundamentalmente similares, já 
que utilizam o material sonoro, que são recebidos e analisados no mesmo órgão”. 
Dessa forma, o uso da música pode contribuir para a plasticidade cerebral estimulando 
áreas compensatórias que deixaram de ser ativadas em um desenvolvimento carente 
ou pobre de estímulos. 
O treino e a aprendizagem podem levar à criação do fluxo da informação 
dentro de um circuito nervoso. É o caso de um pianista, que diariamente se 
torna mais exímio porque o treinamento constante promove alterações em 
seus circuitos motores e cognitivos, permitindo maior controle e expressão na 
sua execução musical. Por outro lado, o desuso, ou uma doença podem fazer 
com que ligações sejam desfeitas, empobrecendo a comunicação de circuitos 
atingidos, afirma, VARGAS (2014). 
Na educação, o uso de diferentes propostas através da música permite intervir 
na recuperação de aspectos do desenvolvimento biopsicossocial da criança e criar 
ambiente propício para sua evolução na área cognitiva e refletir no seu 
desenvolvimento como um todo. Segundo Ilari (apud, VARGAS 2014): 
É importante que o educador utilize uma grande variedade de atividades e 
tipos de música. Cantar canções em aula, bater ritmos, movimentar-se, 
dançar, balançar partes do corpo ao som de música, ouvir vários tipos de 
melodias e ritmos, manusear objetos sonoros e instrumentos musicais, 
reconhecer canções, desenvolver notações espontâneas antes mesmo do 
aprendizado da leitura musical, participar de jogos musicais, acompanhar 
rimas e parlendas com gestos, encenar cenas musicais, participar de jogos 
de mímica de instrumentos e sons, aprender e criar histórias musicais, 
compor canções, inventar músicas, cantar espontaneamente, construir 
instrumentos musicais; essas são algumas das atividades que devem 
necessariamente fazer parte da musicalização das crianças. Todas essas 
 
 
23 
 
 
atividades são benéficas e podem contribuir para o bom desenvolvimento do 
cérebro da criança, afirma VARGAS (2014). 
Pesquisadores consideram que propostas usando o canto associado a gestos 
e movimentos corporais possibilitam aos participantes a ativação de pelo menos seis 
sistemas cerebrais. Refereque o uso de jogos musicais de forma lúdica, sem foco 
competitivo, como recurso motivacional, importante para o aprendizado e para o 
neurodesenvolvimento, afirma VARGAS (2014). 
Jogos de memória de timbres, notas e instrumentos, dominós de células 
rítmicas ou instrumentos musicais e brincadeiras de solfejo podem ativar os 
sistemas de controle de atenção, da memória, da linguagem, de ordenação 
sequencial e do pensamento superior, segundo VARGAS (2014). 
Para Ilari (2003 apud VARGAS, 2014) o estímulo ao sistema da memória, de 
orientação espacial, de aspectos motores e de pensamento social pode ser realizado 
através do uso de jogos envolvendo o corpo, como no caso de cantigas de roda, 
encenações musicais e pequenas danças. A autora aponta o aprendizado 
instrumental como auxiliar no desenvolvimento de funções como atenção, memória, 
orientação espacial, ordenação sequencial, motor e pensamento superior. 
O ato de compor música envolve a experimentação com sons, a utilização do 
ouvido interno e a resolução de problemas. Ao compor uma canção, a criança 
pode estar ativando os sistemas de controle da atenção, da memória, da 
linguagem, de ordenação sequencial e de pensamento superior, entre outros. 
Independentemente de ser representada graficamente, as canções e obras 
compostas pelas crianças parecem ser benéficas ao neurodesenvolvimento. 
Entre essas composições estão as canções espontâneas e improvisadas das 
crianças pequenas. A improvisação musical, acompanhada ou não de gestos 
e movimentos corporais, também pode servir para ativar os sistemas motor e 
de orientação espacial, afirma VARGAS (2014). 
As funções de desenvolvimento espacial, ordenação sequencial e do 
pensamento superior também são estimuladas através da utilização de notações 
tradicionais e inventadas. Segundo Ilari (apud VARGAS 2014): 
Ao construir um instrumento, as crianças experimentam com os sons 
produzidos por diferentes tipos de materiais, aprendem “na prática” sobre os 
diversos tipos de instrumentos, discutem algumas questões de física 
(proporções de tamanho de instrumentos e alturas das notas musicais, 
materiais e timbres, entre outras). Tudo indica que a construção de 
instrumentos musicais é benéfica para o desenvolvimento dos sistemas do 
pensamento superior, de ordenação sequencial, motor e de controle da 
atenção. A construção de instrumentos musicais, entre outras, é mais um 
 
 
24 
 
 
exemplo de atividade musical prazerosa e enriquecedora, afirma VARGAS 
(2014). 
Segundo, VARGAS (2014) pode-se observar o potencial que existe nas 
atividades musicais e para contribuir no estimulo do desenvolvimento cerebral das 
crianças. Os educadores devem planejar com atenção e cuidado as atividades para 
que estas produzam os efeitos desejados no neurodesenvolvimento da criança e 
como consequências contribuam para estimular a cognição e aprendizagem. 
4 REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA 
 
Fonte: pixabay.com 
Segundo a Organização mundial da saúde (OMS), a reabilitação 
neuropsicológica é um procedimento de recuperação de pacientes na busca pela 
melhor condição física, psicológica e de adaptação social possível. E isso engloba 
todas as medidas que tem como objetivo a diminuição do impacto de inabilidade e 
condições de desvantagens, de maneira a consentir a otimização da integração social 
do usuário (Silva, 2018 apud HIRATA; et al., 2019). 
Define-se também a reabilitação neuropsicológica como um grupo de 
intervenções que tem têm como objetivo ajudar na melhoria de problemas cognitivos, 
emocionais e sociais decorrentes de algum traumatismo encefálico, ajudando a 
 
 
25 
 
 
pessoa a obter maior independência dependendo do caso, e uma melhor qualidade 
de vida (Hamdan, 2011 apud HIRATA; et al., 2019). 
Nesse pressuposto, a reabilitação tem como objetivo ajudar na melhoria da 
qualidade de vida dos usuários e dos seus familiares, otimizando toda a prestabilidade 
das funções total ou parcialmente preservadas através do ensino de estratégias 
compensatórias, aquisição de novas habilidades e adaptação as perdas perpétuas. O 
método de reabilitação neuropsicológica propicia uma conscientização do usuário a 
respeito de suas capacidades restantes, o que geralmente acarreta a uma mudança 
na auto-observação e, supostamente de uma aceitação de sua nova realidade 
(Pontes, 2016 apud HIRATA; et al., 2019). 
A reabilitação neuropsicológica é vista como um processo ativo e dinâmico que 
procura capacitar as pessoas com défices cognitivos causados por lesão ou doença, 
para que possam adquirir um bom nível de funcionamento social, físico e psíquico. 
Desta forma, a reabilitação neuropsicológica procura maximizar as funções cognitivas 
por meio do bem-estar psicológico, da funcionalidade na realização das atividades de 
vida diária, e do relacionamento social, afirma HIRATA; et al., (2019). 
Tem por objetivo também a diminuição dos défices que implicam afastamento 
e isolamento social, dependência e discriminação. É um tratamento biopsicossocial 
que envolve os pacientes e os seus familiares, tendo em conta as alterações físicas e 
cognitivas dos sujeitos, o ambiente em que vivem, os fatores subjetivos, entre outros 
(Maia, 2009 apud HIRATA; et al., 2019). 
A fundamentação científica da reabilitação neuropsicológica dar-se-á na 
plasticidade neuronal, sendo esta a capacidade do cérebro de se regenerar e adaptar 
na sua morfologia. Esse é um mecanismo adaptativo biológico do sistema nervoso 
que modifica, constantemente, a sua organização estrutural e a sua funcionalidade, 
respondendo a estímulos, tanto intrínsecos como extrínsecos, afirma HIRATA; et al., 
(2019). 
Em suma, a plasticidade neuronal é uma propriedade interna do cérebro 
humano que permite ao sistema nervoso a capacidade de escapar às restrições do 
seu próprio genótipo e assim adaptar-se às pressões ambientais, mudanças a nível 
fisiológico e experiências. Desta maneira, o conhecimento dos mecanismos da 
plasticidade sináptica e de recuperação funcional orienta a formulação dos princípios 
 
 
26 
 
 
básicos e modelos de reabilitação, enquanto o conhecimento dos fatores prognósticos 
permite a sua aplicação racional (J. Q., et al., 2011; Pascual-Leone, Amedi, Fregni, & 
Marabet, 2005 apud HIRATA; et al., 2019). 
Com o decorrer dos estudos da mecânica de recuperação funcional após a 
ocorrência de lesões cerebrais, conclui-se que existem três pressupostos utilizados 
na reabilitação neuropsicológica; a restituição a substituição e a compensação. A 
“substituição” funcional está associada ao princípio que sugere, quanto mais precoce 
a lesão maior a probabilidade de recuperação funcional, já a “restituição” funcional 
após lesões cerebrais é possível quando estas lesões são parciais ou circunscritas, 
segundo HIRATA; et al., (2019). 
Por esta razão, a reabilitação neuropsicológica nunca é considerado um 
processo de fácil acesso, nunca é simples, daí a necessidade de educar e ensinar o 
paciente, os seus familiares e/ou cuidadores, estratégias de maneira a lidar 
eficazmente e corretamente com as suas dificuldades cognitivas no seu quotidiano 
(estratégias de coping) e organização para produção de respostas, proporcionando 
melhorias das funções cognitivas e da qualidade de vida (J. Q., et al., 2011; Pascual-
Leone, Amedi, Fregni, & Marabet, 2005 apud HIRATA; et al., 2019). 
Segundo HIRATA; et al., (2019) neste sentido algumas estratégias de 
compensação são desenvolvidas espontaneamente pelo usuário ou pela sua família 
e cuidadores, podendo ser aperfeiçoadas a partir de sugestões do terapeuta. 
Tipicamente compensações exige um treino muito intenso e assertivo e uma boa 
capacidade de disciplina e planeamento por parte do paciente e da sua família e/ou 
cuidadores. Por fim, sumarizando este presente conceito, observa-se alguns 
princípios genéricos da reabilitação neuropsicológica\cognitiva. 
 As funções cognitivas comprometidas são identificadas a partirdo 
exame neuropsicológico. (Maia, Correia & Leite, 2009 apud HIRATA; et 
al., 2019). 
 Um modelo teoricamente embasado define o processo cognitivo que vai 
ser treinado. (Maia, Correia & Leite, 2009 apud HIRATA; et al., 2019). 
 As tarefas terapêuticas são praticadas de forma repetida. (Maia, Correia 
& Leite, 2009 apud HIRATA; et al., 2019). 
 
 
27 
 
 
 O processo remediado é individualizado, ou seja, ajustado ao nível de 
performance de cada indivíduo. (Maia, Correia & Leite, 2009 apud 
HIRATA; et al., 2019). 
 O uso de trabalhos para casa e testes de generalização permite verificar 
a aplicação das melhorias de desempenho na sua vida cotidiana. (Maia, 
Correia & Leite, 2009 apud HIRATA; et al., 2019). 
 As medidas de sucesso ou fracasso relacionam-se com a capacidade de 
vida independente e reabilitação profissional (Maia, Correia & Leite, 
2009 apud HIRATA; et al., 2019). 
4.1 A música como terapia 
O sistema nervoso central tem uma capacidade de alterar sua estrutura em 
decurso de suas experiências, ou seja, isto é definido como neura plasticidade ou 
plasticidade neural. Algumas pesquisas relatam a ativação cortical durante o 
processamento auditivo da música, ou seja, reflete as experiências pessoais 
acumuladas ao longo do tempo. Também as técnicas de neuroimagem permitem a 
documentação das alterações plásticas no cérebro humano concatenadas ao fazer 
musical, ou seja, o cérebro além de processar a música é modificado por ela (Rosário 
e Loureiro, 2016 apud HIRATA; et al., 2019). 
Neste ínterim, define-se a Musicoterapia como uma utilização profissional da 
música, bem como de seus componentes e elementos como uma forma de 
intervenção em contextos médicos, educativos e sociais, em usuários, grupos ou 
comunidades, que buscam melhorar sua qualidade de vida e seu bem-estar físico, 
social, comunicativo, emocional, intelectual, e espiritual. As pesquisas, a prática, a 
educação e a formação clínica em musicoterapia são baseadas em critérios 
profissionais padronizados consoantes a seus contextos políticos, sociais e culturais 
(Rosado, 2016 apud HIRATA; et al., 2019). 
Algumas terapias não farmacológicas como psicoeducação, psicoterapia, 
terapia ocupacional, musicoterapia, são também recomendadas pelos médicos, 
estudos monstrão uma melhora significativa nos tratamentos de pacientes com DA 
(doença de Alzheimer) que são tratados com musicoterapia, por exemplo. A 
 
 
28 
 
 
musicoterapia pode agir como um funcionamento compensatório no processo de 
reabilitação neuropsicológica, ou seja, significa poder-se identificar habilidades ou 
funções remanescentes dos usuários, e com isso, trabalhar para o desenvolvimento 
de novas habilidades que possam compensar o déficit (Rosado, 2016 apud HIRATA; 
et al., 2019). 
 
 
Fonte: musicacomoterapia.com 
A musicoterapia neurológica, remete a área de ação da musicoterapia, pois dar-
se-á visando estimular mudanças nas áreas cognitivas, motoras e de linguagem, após 
o acometimento da doença neurológica, com base no modelo neurocientífico na 
percepção e produção musical a música pode atuar em regiões não musicais do 
cérebro e no uso da música como tratamento. A música enquanto complexo 
multissensorial, no contexto terapêutico, pode exercer importante papel de 
reabilitação cognitiva (Silva, 2014 apud HIRATA; et al., 2019). 
4.2 Música, memoria, emoção e reabilitação 
A Reabilitação cognitiva da memória é orientada quando há um dano 
neurológico ou doença que interrompe ou impossibilita a ativação mnemônica, ou 
seja, a música pode incumbir-se de um papel especial na reabilitação da memória. A 
 
 
29 
 
 
memória pode ter sua classificação em diferentes tipos como por exemplo; memória 
de trabalho, memória semântica, memória episódica, sistema de representação 
perceptual, memória processual e prospetiva (Rosado, 2016 apud HIRATA; et al., 
2019). 
Segundo HIRATA; et al., (2019) neste pressuposto, algumas pesquisas 
demonstram que a música pode servir como recurso mnemónico para facilitar o 
aprendizado e estimular as lembranças de informação. As estruturas temporais são 
muito desenvolvidas com esses estímulos, como a música o canto e a rima, ou seja, 
isso poderia contribuir para tratamentos nessas regiões corticais. 
 
 
Fonte: uol.com.br 
O relacionamento entre música e emoção é ativada pela memória de 
experiências afetivas relacionadas com alguma canção significativas na história de 
vida do usuário. Ou seja, fragmentos de melodia podem convocar uma série de 
recordações no tocante a letra da canção. O contento emocional de uma melodia pode 
ser processado imediatamente tendo em vista que as memórias insistem quando são 
carregadas de significado pessoal ela (Rosário e Loureiro, 2016 apud HIRATA; et al., 
2019). 
Investigações com usuários portadores de lesão cerebral monstra que algumas 
regiões do encéfalo estão juntas na regulação da memória Através de exames de 
 
 
30 
 
 
neuroimagem, uma pesquisa recente realizada com portadores de Alzheimer por 
exemplo, encontrou evidências de que a memória musical é processada em um 
sistema neurológico específico, independente de outros sistemas de memória, afirma 
HIRATA; et al., (2019). 
Tais conclusões poderiam explicar a surpreendente preservação da memória 
musical nesta doença neurodegenerativa (Jacobsen et al. 2015 apud HIRATA; et al., 
2019). A musicoterapia neurológica tem mostrado grande resultados em doenças 
como a Alzheimer, e a reabilitação da memória pode ajudar a pessoas com demência 
a recordar e tornar-se alerta, recordar mais informações. (Rosário e Loureiro, 2016 
apud HIRATA; et al., 2019). 
5 A MUSICOTERAPIA COMO INTERVENÇÃO NÃO FARMACOLÓGICA 
 
Fonte: pixabay.com 
A música exerce influência na vida humana nas atividades mais usuais, tais 
como, acordar, celebrar, viajar, praticar esportes, adormecer, relaxar. Dentre vários 
fatores, a música é um estímulo que favorece: a) respostas físicas, por meio das 
qualidades sedativas ou estimulantes que influenciam aspectos fisiológicos (ex.: 
respiração, pressão arterial, tolerância à dor, etc.); b) oportunidades para integração 
social, comunicação e desenvolvimento de habilidades sociais; c) respostas 
 
 
31 
 
 
emocionais que atingem o estado afetivo de quem a ouve, eliciando sentimentos e 
sensações que podem estar associadas com vivências agradáveis ou desagradáveis 
e; d) associações extramusicais com épocas, pessoas, lugares, experiências vividas, 
evocando emoções ou informações guardadas na memória (ANASTACIO JUNIOR; 
CHUBACI; FALCÃO, 2018 apud JUNIOR, 2019). 
A Musicoterapia é uma forma de terapia não farmacológica que dialoga com as 
citadas anteriormente, uma vez que pode contribuir para a melhora de condições 
físicas, sociais e comunicativas do indivíduo. (WORLD FEDERATION OF MUSIC 
THERAPY, 2011 apud JUNIOR, 2019). Como estudo científico em processo 
investigativo, a musicoterapia com a pessoa idosa pode ser considerada uma terapia 
auto expressiva que atua nas funções cognitivas. Por meio do recurso sonoro-musical, 
o indivíduo pode ser estimulado em instâncias nas quais apenas linguagem verbal não 
poderá alcançar devido ao acometimento por doenças e deficiências (SOUZA, 2011 
apud JUNIOR, 2019). 
De forma geral, a musicoterapia pode ser receptiva ou ativa - e estas são 
frequentemente combinadas (GUETIN, 2013 apud JUNIOR, 2019). A intervenção 
receptiva consiste na audição musical pelo paciente, sendo que o terapeuta pode 
cantar, tocar ou selecionar música gravada para a intervenção de acordo com seus 
objetivos. Na musicoterapia ativa, o paciente está mais envolvido na produção 
musical, podendo tocar diferentes instrumentos ou cantar, de acordo com o objetivo 
terapêutico e suas preferências pessoais. 
Dessa forma, a musicoterapia oferece uma vasta gama de métodos de acordo 
com os objetivos de cada indivíduo/grupo. As principais categorias dos métodos são 
em improvisação,recriação, composição e audição. Em improvisação o paciente pode 
tocar ou cantar, criando melodias, ritmos, canções ou peças instrumentais. Já na 
recriação, pode aprender, cantar, tocar ou executar música composta previamente ou 
reproduz alguma forma musical apresentada como modelo. Na composição o 
terapeuta ajuda o cliente a escrever canções, letras ou peças instrumentais, ou a criar 
outro produto musical, como disco de áudio. Por fim, em experiências receptivas, o 
cliente ouve a música e responde às experiências silenciosamente, verbalmente ou 
em outra modalidade (BRUSCIA, 2000 apud JUNIOR, 2019). 
 
 
32 
 
 
Recentemente, além das formas de musicoterapia mais conhecidas, 
pesquisadores têm proposto o termo “musicoterapia indireta”, que pode envolver 
qualquer trabalho clínico não direto que possa potencializar os benefícios da 
musicoterapia. Por exemplo, durante reuniões de equipe multidisciplinar o 
musicoterapeuta pode compartilhar o que o paciente está fazendo em musicoterapia 
para aumentar a conscientização da equipe, ou contribuir com o treinamento para que 
outros profissionais se conscientizem sobre como usar a música no cuidado diário. No 
caso dos familiares cuidadores, as práticas de musicoterapia indireta visam oferecer 
um suporte no desenvolvimento de habilidades para gerenciar os desafios de cuidar 
e melhorar sua qualidade de vida (MCDERMOTT et al., 2018 apud JUNIOR, 2019). 
O objetivo final da prática da musicoterapia indireta no atendimento à demência 
continua sendo o bem-estar das pessoas que vivem com essa enfermidade. 
Compartilhar habilidades terapêuticas costuma fazer parte da prática clínica cotidiana. 
À medida que aumenta a popularidade da musicoterapia para indivíduos com 
demência, aumenta também a necessidade de garantir o uso seguro e responsável 
da música. No tratamento da demência, os musicoterapeutas são frequentemente 
solicitados a ampliar seus papéis e compartilhar habilidades com os outros, devido ao 
papel essencial da música em seus cuidados e atividades diárias (MCDERMOTT et 
al., 2018 apud JUNIOR, 2019). 
Em uma revisão sistemática, Van der Steen et al (2018 apud JUNIOR, 2019) 
analisaram 22 estudos a respeito de terapias baseadas na utilização da música, 
inclusive musicoterapia com pacientes idosos institucionalizados em diferentes 
estágios de demência. Alguns destes estudos utilizaram a intervenção musical 
individual e outros em grupos. A maioria das intervenções envolvia elementos ativos 
e receptivos. A revisão concluiu que as sessões de uma intervenção terapêutica 
baseadas na música para pessoas institucionalizadas com demência, podem reduzir 
sintomas depressivos e melhorar o manejo de sintomas comportamentais, além de 
melhorar o bem-estar emocional, qualidade de vida e reduzir a ansiedade. Para os 
autores, é importante que a metodologia dos estudos seja aperfeiçoada, ressaltando 
a importância de pesquisas focadas em resultados positivos, como bem-estar 
emocional e qualidade de vida. 
 
 
33 
 
 
Estudos indicaram que a música também pode auxiliar no cuidado em outras 
estâncias, como por exemplo: durante refeições ou banhos, em outras terapias, como 
parte de um programa artístico ou em intervenções psicossociais (VAN DER STEEN, 
2018 apud JUNIOR, 2019). Um estudo da enfermagem (CLARK, 1998 apud JUNIOR, 
2019) avaliou a utilização da música gravada na agressividade de idosos com 
demência durante o banho, com resultados positivos. Já em outro estudo (COOKE, 
2010 apud JUNIOR, 2019), foi avaliado o efeito da utilização de músicas gravadas e 
tocadas por músicos na qualidade de vida e depressão de idosos, com resultados 
positivos para a autoestima, integração e no combate aos sintomas depressivos. 
De forma geral, a música é utilizada como recurso pelos mais diversos 
profissionais com objetivos semelhantes, porém, para ser considerada musicoterapia, 
é necessário que se fundamente em sua teoria específica, sendo aplicada por um 
musicoterapeuta formalmente capacitado. 
5.1 A intervenção não farmacológica na doença de Alzheimer 
Os medicamentos atualmente disponíveis para o tratamento da DA (Doença de 
Alzheimer) têm como alvo os sintomas característicos da doença, e não sua causa. 
Assim, estudos científicos atuais buscam tratamentos que atuem na raiz do processo 
da doença, impedindo o acúmulo progressivo de proteína beta-amilóide (KUMAR et 
al., 2015 apud JUNIOR, 2019). Para contribuir com o bem-estar e a qualidade de vida 
do indivíduo também é recomendado o tratamento não farmacológico, que pode 
ajudar a manejar os sintomas (HATTORI, 2011 apud JUNIOR, 2019). Nesse contexto, 
as intervenções não farmacológicas podem atuar como uma terapia complementar, 
por meio de abordagens úteis e versáteis (OLAZARAN et al., 2010 apud JUNIOR, 
2019). 
O entendimento de que a demência é multifatorial e determinada por diferentes 
mecanismos que interagem e intervêm ao longo da vida estimula o constante 
surgimento de novas abordagens multimodais para a prevenção e manejo da doença 
(VAN DER LINDEN; JUILLERAT VAN DER LINDEN, 2018 apud JUNIOR, 2019), 
porém, ainda pouco se sabe sobre os efeitos e benefícios dessas intervenções. Em 
geral, há estudos com evidências positivas para pessoas com CCL 
 
 
34 
 
 
(Comprometimento Cognitivo Leve), porém, faltam evidências em estudos para 
pessoas que vivem com demência. (CHALFONT, 2018 apud JUNIOR, 2019). 
Uma das formas de terapias não farmacológicas mais utilizadas na DA é a 
Terapia de Reminiscências (TR). Essa forma de terapia é tipicamente descrita como 
a discussão de atividades, eventos e experiências passadas, geralmente com o auxílio 
de materiais e recursos com fotografias, música ou objetos familiares (WOODS et al., 
2005 apud JUNIOR, 2019). A TR digital também se tornou popular nos últimos anos, 
utilizando recursos multimídia, arquivos e aplicativos (SUBRAMANIAM, 2010 apud 
JUNIOR, 2019). 
 
 
Fonte: planetabandas.com.br 
O primeiro estudo sobre a utilização de TR para indivíduos com demência foi 
há cerca de 40 anos (KIERNAT, 1979 apud JUNIOR, 2019). Logo depois, a TR foi 
introduzida no tratamento da demência por Norris (1986 apud JUNIOR, 2019) e 
utilizado amplamente. Do ponto de vista cognitivo, a reminiscência pode oferecer 
resultados positivos para pessoas com demência, já que trabalha com ênfase nas 
memórias de longo prazo (MORRIS, 1994 apud JUNIOR, 2019). 
Na revisão de Woods et al (2005 apud JUNIOR, 2019) foi identificado um efeito 
positivo do TR nos escores de cognição durante o processo, mas não após o 
tratamento. Duas outras revisões descobriram que a TR beneficiou a cognição e 
 
 
35 
 
 
sintomas depressivos, embora os autores tenham destacado que os estudos 
posteriores precisam ser mais estruturados (COTELLI, 2012; HUANG et al., 2015 
apud JUNIOR, 2019). 
Outra forma de terapia não farmacológica frequentemente estudada no 
contexto da demência é a Estimulação Cognitiva (EC). No passado, os termos 
"treinamento cognitivo", "estimulação cognitiva" e "reabilitação cognitiva" foram 
amplamente utilizados como sinônimos, mas Clare e Woods (2004 apud JUNIOR, 
2019) estabeleceram as seguintes definições: 
 Estimulação cognitiva - O envolvimento em atividades e discussões 
(geralmente em um grupo) visando à melhoria geral do funcionamento 
cognitivo e social; 
 Treinamento cognitivo - Prática guiada em um conjunto de tarefas 
padronizadas e projetadas para utilizar funções cognitivas específicas 
em diferentes níveis de dificuldade de acordo com o nível de habilidade 
do indivíduo; 
 Reabilitação cognitiva - Abordagem individualizada onde são 
identificados objetivos individualmente. O terapeuta trabalha com a 
pessoa e sua família para elaborar as estratégias. A ênfase está na 
melhoria do desempenho na vida cotidiana, aproveitando os pontos 
fortes da pessoa e desenvolvendo formas de compensar a deficiência. 
Uma revisão realizada por Aguirreet al (2013 apud JUNIOR, 2019), indicou, 
pela primeira vez, que a estimulação cognitiva, definida de acordo com critérios pré-
determinados, melhora consistentemente a função cognitiva em pessoas com 
demência. A revisão também indicou que a EC (Estimulação Cognitiva) não só 
beneficia a cognição, mas também o bem-estar relatado, a qualidade de vida, a 
comunicação e a interação social. 
Além das terapias não farmacológicas, algo que vem ganhando destaque em 
relação ao envelhecimento é a importância do envolvimento dos idosos em atividades 
que geram sentimentos positivos (FERREIRA, 2011 apud JUNIOR, 2019). Foi durante 
os anos 60 que aumentou o número de pesquisas relacionando atividade e satisfação, 
principalmente em decorrência do crescimento da população idosa. A partir de 1970, 
a atividade começou a ser considerada como um determinante da satisfação, uma vez 
 
 
36 
 
 
que permitia que o indivíduo experimentasse um domínio sobre o ambiente e sobre 
os eventos de sua vida (NERI, 1993 apud JUNIOR, 2019). 
Alguns instrumentos já foram desenvolvidos para a avaliação da frequência da 
prática de atividades e do prazer subjetivo experimentado na prática de atividades, 
por idosos. Um desses instrumentos por exemplo é o de Planejamento de eventos 
prazerosos (The Pleasant Events Schedule): uma escala norte-americana com 53 
itens que descrevem eventos e atividades para idosos com DA. As atividades foram 
escolhidas para cobrirem duas dimensões primárias: (1) atividades passivas e ativas; 
e (2) atividades sociais e não-sociais. Algumas exigem maior grau de habilidade 
cognitiva (ex.: montar quebra-cabeças) do que outras (ex.: escutar música). A escala 
mensura frequência e disponibilidade das atividades e o quão agradável foi envolver- 
se em cada uma delas durante o último mês (TERI, 1991 apud JUNIOR, 2019). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
 
6 BIBLIOGRAFIA 
AGNOLON, Rosângela; MASOTTI, Demerval Rogério. A MUSICALIZAÇÃO E O 
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE CRIANÇAS A PARTIR DAS INTELIGÊNCIAS 
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CARVALHO, Altiere Araújo; PAIVA, William. MÚSICA, NEUROCIÊNCIA E 
MUSICOTERAPIA: DISCUSSÃO HISTÓRICA, FUNCIONALIDADE COGNITIVA. 
2012 
COLI, Talita Ribeiro; RIBAS, Solange Viana da Costa; CATELAN, Sandra Cristina 
Mainardes; SILVA, Yara Cristina Romano da. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE 
CRIANÇAS QUE PRATICAM MUSICOTERAPIA: UMA ANÁLISE QUALITATIVA. 
2018 
HIRATA, Silvio Matheus; BARBOSA, Andrá Frizo de Carvalho. A MUSICOTERAPIA 
E SUA INTER-RELAÇÃO COM A REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA NA 
DOENÇA DE ALZHEIMER. 2019 
JUNIOR, Mauro Pereira Amoroso Anastácio. Musicoterapia e doença de Alzheimer: 
um estudo com cônjuges cuidadores. 2019 
VARGAS, Maryléa Elizabeth Ramos. O USO DA LINGUAGEM MUSICAL PARA 
FACILITAR A COGNIÇÃO E DESENVOLVER O APRENDIZADO. 2014

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