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H747 Holman, Gareth. 
 Psicoterapia analítica funcional descomplicada : guia 
 prático para relações terapêuticas / Gareth Holman … [et al.] ; 
 tradução de Alan Souza Aranha … [et al.] ; revisores técnicos 
 Priscila Rolim de Moura … [et al.]. — Novo Hamburgo : 
 Sinopsys Editora, 2022. 
 400 p. ; 23 cm.
Tradução de: Functional Analytic Psychotherapy Made
Simple: A Practical Guide to Therapeutic Relationships.
ISBN 978-65-5571-088-5
1. Psicoterapia. 2. Psicoterapeuta e paciente. I. Aranha, Alan
 Souza. II. Título.
CDD 616.891425
Catalogação na publicação: Vanessa Levati Biff — CRB 10/2454
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
2022
Revisão técnica
Priscila Rolim de Moura
Terapeuta, supervisora e treinadora em Psicoterapia Analítica Funcional certificada pela 
University of Washington. Mestra em Psicologia Clínica pela Leiden University 
(reconhecida pela Universidade de São Paulo). Fundadora da iMind – Psicologia e Mindfulness. 
Claudia Kami Bastos Oshiro
Professora Doutora do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia 
da Universidade de São Paulo. Cientista afiliada ao Center for the Science 
of Social Connection da University of Washington.
Alessandra Villas-Bôas
Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo. Terapeuta e treinadora 
em Psicoterapia Analítica Funcional certificada pela University of Washington.
Obra originalmente publicada sob o título
Functional Analytic Psychotherapy Made Simple – 
A Practical Guide to Therapeutic Relationships
Copyright © 2017 by Gareth Holman, Jonathan Kanter, 
Mavis Tsai and Robert Kohlenberg.
New Harbinger Publications, Inc.
5674 Shattuck Avenue Oakland, CA 94609
www.newharbinger.com
Supervisão editorial: Paola Araújo de Oliveira
Assistente editorial: Vitória Duarte Martinez
Tradução: Alan Souza Aranha, Amanda Raña Ferreira, Aline Redressa, 
Daniel Afonso Assaz, Elisângela Ferreira da Silva, Fernanda Moreira, 
Gabriela dos Santos, Gabriela de Oliveira Lima, Joana Figueiredo Vartanian, 
Mariana Salvadori Sartor, Renata da Conceição da Silva Pinheiro
Capa: Márcio Monticelli
Preparação de originais: Marquieli Oliveira
Editoração: Ledur Serviços Editoriais Ltda.
Todos os direitos reservados à
Sinopsys Editora
(51) 3066-3690
atendimento@sinopsyseditora.com.br
www.sinopsyseditora.com.br
Autores
Gareth Holman, PhD, é psicólogo e terapeuta em Seattle. É sócio da 
OpenTeam, uma empresa de consultoria que ajuda as equipes de negó-
cios e liderança a se comunicarem abertamente e a cooperarem de modo 
efetivo para alcançarem seus objetivos. Sua prática em consultório par-
ticular se concentra em melhorar os relacionamentos e a comunicação. 
Ele treina e troca conhecimentos com terapeutas e treinadores que estão 
praticando psicoterapia analítica funcional (FAP, do inglês functional 
analytic psychotherapy) e terapias comportamentais relacionadas em todo 
o mundo.
Jonathan Kanter, PhD, é doutor em Psicologia Clínica pela University 
of Washington e professor associado de pesquisa e de FAP no Departa-
mento de Psicologia da University of Washington, onde dirige o Center 
for the Science of Social Connection. Sua pesquisa central se concentra 
na FAP e em outras intervenções baseadas em uma compreensão com-
portamental e contextual da conexão social e das relações íntimas em 
áreas de importância para a saúde pública em que os relacionamentos 
importam, como a psicoterapia e o racismo. É considerado o líder de 
pesquisas sobre a FAP e é regularmente convidado para palestras, work-
shops e supervisões sobre a abordagem em âmbito internacional.
Mavis Tsai, PhD, é cofundadora da FAP e diretora da FAP Specialty 
Clinic da University of Washington. Tsai tem seguidores internacionais 
como instrutora, supervisora e clínica.
vi Autores
Robert Kohlenberg, PhD, é cofundador da FAP e professor de Psicolo-
gia na University of Washington.
Steven C. Hayes, PhD, escritor do Prefácio, é professor da Nevada 
Foundation e diretor da formação clínica no Departamento de Psicologia 
da University of Nevada. Autor de 41 livros e quase 600 artigos científicos, 
sua carreira se concentra na análise da natureza da linguagem e da cogni-
ção humana e da sua aplicação à compreensão e ao alívio do sofrimento 
e à promoção da prosperidade. Entre outras associações, Hayes foi pre-
sidente da Association for Behavioral and Cognitive Therapies (ABCT) 
e da Association for Contextual Behavioral Science (ACBS). Seu traba-
lho recebeu vários prêmios, incluindo o Prêmio de Impacto da Ciência 
na Aplicação da Sociedade para o Avanço da Análise do Comportamento 
e o Prêmio pela Realização da Vida da ABCT.
Para John Avery (avô):
“Todo dia, faça alguém sorrir”.
Consciência, coragem, amor e humor.
Agradecimentos
GARETH HOLMAN
Há muitas pessoas que ajudaram a criar este livro, não apenas modelando 
as palavras e as ideias que estão nele, mas também me ajudando a crescer 
nos últimos anos. Compilando essa lista, sinto-me um homem de muita 
sorte: Jen Loser, por apresentar a ideia de que a criatividade é um ato 
de amor no momento certo. Jonathan Bricker, por oferecer segurança 
— quando eu estava decidindo se deveria ou não assumir este projeto 
— de que o livro poderia oferecer uma contribuição digna, apesar da 
ausência de uma forte base de evidências para a FAP. “Será lindo como 
um guia clínico.” Neil Kirkpatrick — o terapeuta comportamental mais 
eficaz (ou pelo menos opinativo) que conheço —, por organizar o pri-
meiro rascunho cabeludo do Capítulo 1 de maneira profundamente útil. 
Yvonne Barnes-Holmes, Carmen Luciano, Niklas Törneke, Joe Oliver, 
John Boorman, Miles Thompson, Nic Hooper, Kelly Wilson e Louise 
McHugh, por me inspirarem com a clareza e a paixão do seu trabalho 
durante a conferência da ACBS em 2015, em Berlim. O livro se crista-
lizou em grandes saltos durante aquela semana. Tien Mandell, pelo seu 
trabalho original e seu desafio de esclarecer e tornar a teoria da FAP útil.
Michael Vurek, Tore Gustafsson e Marie Blom, pelos seus comentá-
rios e apoio em alguns capítulos iniciais. Marie Blom, em particular, por 
encontrar a maravilhosa citação de Virginia Woolf que abre a Parte 2. 
Fabian Olaz, por compartilhar sua amizade e seu crescimento comigo. 
x Agradecimentos
Estamos na montanha-russa juntos. Benjamin Schoendorff, pelas suas 
amáveis palavras. Joanne Steinwachs, por “não selecionar e escolher”. 
Rachel Collis, por uma relação de trabalho real e verdadeira. Daniel 
Maitland, pela honestidade, por ter uma mente aberta, pela integridade 
e pelo trabalho duro. Angela Cathey, por persistir e acreditar. Russell 
Kolts, por compaixão e visões de pranchas de paddle. Jenn e Matthieu 
Villatte, pela amizade e pelo que parece ser uma afiliação entre irmãos. 
Glenn Callaghan, por acreditar que isso pode ser feito corretamente. 
Chris Hall, pela amizade e por uma visão externa. Todos os membros da 
comunidade da FAP, por se preocuparem com esse trabalho. Meus clien-
tes e supervisionados, que foram a minha educação e o meu propósito 
mais valiosos. Kelly Koerner, Linda Dimeff, Katie Patricelli e Tim Kelly 
do Evidence Based Practice Institute, por me ensinarem tanto e depois 
me libertarem.
Catharine Meyers, Heather Garnos, Katie Parr e Jesse Burson da 
New Harbinger, por me darem essa oportunidade e me apoiarem, com 
muita paciência e alegria, ao longo do caminho que me levou a chegar 
até aqui. Jasmine Star e James Lainsbury, pela edição brilhante e por se-
gurarem minha mão. Bob Kohlenberg e Mavis Tsai, por serem meus pais 
profissionais. Este livro é minha verdadeira dissertação. Jonathan Kanter, 
por ser meu companheiro e amigo enquanto a FAP evoluiu nesses últi-
mos anos.
E para minha família, eu amo vocês. 
Sarah e Jackson, eu amo vocês. 
JONATHAN KANTER
Agradeço a Alessandra Villas-Bôas e Glenn Callaghan pelas importantes 
contribuições para o meu pensamento sobre a FAP e pelo apoio pessoal 
que me deram; à minha esposa, Gwynne Kohl, por todo amor e apoio; 
e à Zoedo sofrimento — e os desafios en-
volvidos na mudança — analisando os contextos sociais em que Mark 
e Joan vivem. Da mesma forma, pode ser possível fornecer alívio tera-
pêutico para Mark ou Joan focando-se em uma faixa mais estreita de 
funcionamento psicológico, como planejamento de tarefa ou aceitação 
da dor e outros sentimentos. No entanto, esses processos, que parecem 
ser intrapessoais, se desenrolam necessariamente em contextos inter-
pessoais, começando com o contexto interpessoal de aceitar a ajuda de 
um terapeuta.
O ponto é tão importante, que repetimos: o contexto social tem 
impacto contínuo e penetrante não apenas na satisfação com relaciona-
mentos, mas também no funcionamento em geral — humor; níveis de 
estresse; bem-estar geral; busca por metas; comportamentos relacionados 
com a saúde, tais como exercícios e nutrição; sensação de segurança; e 
senso de self, significado e propósito. Na linguagem da CBS, as intera-
ções sociais são o contexto principal em que todos esses e outros aspectos 
da nossa psicologia são modelados, tanto ao longo do desenvolvimento 
quanto no presente. Mesmo a forma como nos relacionamos com nós 
mesmos é modelada por contextos interpessoais, por exemplo, como 
nossos pais e outras pessoas se relacionaram conosco, como eles nos tra-
tam agora e como nos relacionamos com eles. (Claro, há uma miríade de 
outras causas não sociais de dor e sofrimento, como genética, fatores cog-
nitivos e todos os tipos de traumas e estressores não sociais. Não estamos 
sugerindo a substituição de todo o modelo biopsicossocial do sofrimento 
por um modelo unicamente social; em vez disso, procuramos entender 
a importância da peça social no quebra-cabeça e dedicar a atenção ade-
quada a ela.)
A relação entre contexto social e satisfação e funcionamento gerais 
torna interessante olhar mais de perto a metáfora da conexão, como a 
conexão social. Com frequência, descrevemos nossas relações mais fortes 
30 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
usando termos metafóricos, como “próximo” ou “profundo”. Na ver-
dade, um dos métodos mais populares para medir a proximidade dos 
relacionamentos pede às pessoas que descrevam, visualmente, o quanto 
o próprio “eu” se sobrepõe ao dos outros — o quanto do self do outro é, 
metaforicamente, incluído no seu próprio self (Aron, Aron, & Smollan, 
1992). Essas metáforas sobre a proximidade ou a profundidade da co-
nexão revelam uma verdade simples: as relações mais próximas ou mais 
íntimas envolvem graus mais elevados de contato psicológico. Nos rela-
cionamentos íntimos, revelamos mais de nós mesmos e abrimos mais de 
nós mesmos para influências. Somos capazes de dar e receber influência, 
que — idealmente — é apoiadora e benéfica. Ao mesmo tempo, se essa 
influência tem sido dolorosa, ou se não fomos ensinados a aceitar e nos 
beneficiar da conexão com os outros, nosso sofrimento pode ser agrava-
do. Uma história dolorosa de relacionamentos modela como existimos 
na nossa rede atual de relações sociais. Além disso, o sofrimento psicoló-
gico no presente tende a impactar como nos relacionamos.
O desafio do processo interpessoal da terapia é amplificado, então, 
quando os problemas dos clientes interferem na sua participação efetiva 
no processo de influência interpessoal, que se encontra no coração da 
psicoterapia. Por exemplo, quando Mark evita dar ao seu terapeuta o 
feedback de que as sessões parecem muito abstratas, pois ele tem medo 
de desapontar o terapeuta (que não percebe esse desalinhamento), ou 
quando Joan evita compartilhar a extensão de seu sofrimento com seu 
terapeuta, pois ela tem vergonha, o progresso da terapia provavelmente 
está prejudicado. Muitas vezes, parece que esse tipo de desafio é a regra, 
e não a exceção, quando se trabalha com clientes que têm sofrimento 
significativo ou de longa data. Como terapeutas, encontramos a pessoa 
inteira por meio da interação social da terapia — e é claro que os clientes 
trazem sua história social para essa interação.
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 31
APRENDIZAGEM SOCIAL
Agora, do ponto de vista da CBS, vamos considerar um pouco mais de 
perto como as interações sociais modelam o comportamento. A perspec-
tiva da CBS constitui a base da postura terapêutica na FAP, e existem 
alguns princípios gerais da CBS que se aplicam às nossas relações sociais.
Aqui, vamos apresentar apenas alguns conceitos básicos, que serão 
aprofundados no próximo capítulo — novamente, não em virtude da 
teoria em si, mas porque a perspectiva da CBS é um elemento-chave nas 
ferramentas clínicas práticas da FAP.
Todo comportamento é aprendido
A perspectiva geral dos profissionais da CBS é que os comportamentos 
com os quais trabalhamos em psicoterapia são aprendidos. Em outras 
palavras, os comportamentos foram modelados em sua forma atual por 
experiências no mundo. Se você faz alguma coisa, há uma razão pela qual 
você o faz: você aprendeu a se comportar dessa maneira em situações 
anteriores.
Essa perspectiva geral leva a uma postura de muita aceitação: o 
comportamento sempre faz sentido em seu contexto. Assim como nós 
não culpamos a bola de bilhar por ir para onde a física indica, nós não 
culpamos os clientes por como os seus comportamentos se desdobram. 
(Isso não significa que os comportamentos não possam ser alterados, pois 
somos sempre capazes de evoluir — é disso que se trata aprender. Tam-
pouco significa que o comportamento é sempre ideal. Fazer sentido não 
é o mesmo que ser ideal.)
Por exemplo, se uma cliente descreve sentir medo quando você con-
ta a ela que está saindo de férias, você pode descobrir que ela tem uma 
história de coisas dolorosas que ocorreram quando os outros a deixaram 
sozinha. Os sentimentos dela refletem essa história, assim como seus es-
forços para convencê-lo a ficar em contato. Da mesma forma, um cliente 
que relata ataques de pânico diários provavelmente aprendeu a temer 
32 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
os sinais de medo em seu próprio corpo, apesar de esse medo do medo 
paradoxalmente levar exatamente à experiência que ele não deseja ter. 
Como você tem, sem dúvida, experimentado, os clientes podem achar 
esclarecedor obter tais perspectivas sobre como a experiência modelou 
seus comportamentos.
A profunda influência das interações sociais 
no comportamento modelado
As interações sociais causam um impacto tão profundo sobre nós por 
duas razões principais: outras pessoas constantemente fornecem expe-
riências que modelam o nosso comportamento; e, como seres huma-
nos, chegamos a este mundo preparados para sermos profundamente 
modelados por nossas experiências sociais. À medida que nos movemos 
pelo mundo social, o caminho em que estamos é, em grande parte, re-
sultado da nossa história de interações com os outros, que modela uma 
ampla gama de comportamentos relacionados com o nosso bem-estar 
psicológico, incluindo como expressamos nossas emoções e necessida-
des, encontramos segurança e proteção, tomamos decisões importantes 
e resolvemos problemas. O impulso do passado nos leva para a frente, e 
somos empurrados em uma direção ou outra pelas nossas interações com 
os outros. Cada um de nós também está influenciando outros no proces-
so; a influência é recíproca.
Com o tempo, os efeitos dessa modelagem podem ser positivos, re-
sultando na capacidade de efetivamente buscar apoio dos outros, pro-
cessar emoções, resolver problemas e construir identidade e significado 
compartilhados. Se esse for o caso, podemos ser gratos pelo fato de que os 
nossos esforços para nos conectarmos com os outros tenham encontrado, 
em geral, sucesso suficiente para que continuemos a nos aproximar e a 
aumentar nossas habilidades para isso. Podemos ser gratos pelo ambiente 
social razoavelmente acolhedor que utilizamos para processar experiên-
cias dolorosas, tomar grandes decisões de vida, lidar com a mudança ou 
simplesmente desfrutar de um tempo quieto e conectado com alguém.Psicoterapia analítica funcional descomplicada 33
Infelizmente, a influência dos outros, ao longo do tempo, também pode 
ser negativa, levando a limitações na nossa capacidade de nos engajarmos so-
cialmente e nos beneficiarmos das conexões sociais nos modos mencionados 
(processar emoções, tomar decisões, etc.). Especificamente, podemos acabar 
apresentando padrões de nos relacionarmos com os outros que são restritos 
pelo passado. A curto prazo, esses padrões podem nos ajudar a sentir algum 
grau de conforto ou invulnerabilidade, porém eles geralmente têm custos a 
longo prazo. Como você provavelmente deve ter visto com alguns de seus 
clientes em profundo sofrimento, esses padrões podem resultar em um ciclo 
vicioso, em que o sofrimento se torna uma barreira que impede a conexão 
com os outros, e essa falta de conexão perpetua o sofrimento.
Naturalmente, essas generalizações são amplas, com o propósito de 
ilustrar como as interações sociais influenciam o comportamento. A re-
alidade não é tão preto no branco. Para muitos de nós, pode ser mais 
correto dizer que temos formas de nos relacionarmos que funcionam 
mais ou menos bem, e que algumas das nossas maneiras têm desvanta-
gens, porém podem ser melhoradas. Quando estamos sob estresse ou nos 
sentindo vulneráveis, essas limitações podem ser mais custosas, podendo 
estar diretamente associadas ao nosso sofrimento.
USANDO O RELACIONAMENTO 
TERAPÊUTICO COMO CONTEXTO 
PARA MUDANÇA
Compreender a relação entre conexão social e problemas psicológicos, e 
como a melhora da conexão social pode levar a uma melhora no bem- 
-estar, leva a uma conceituação muito particular da função e do signifi-
cado da relação terapêutica. O relacionamento terapêutico é fonte de in-
fluência para o comportamento do cliente — influência exercida no aqui 
e agora. Quando os clientes procuram tratamento, sobretudo quando 
seus problemas psicológicos envolvem dificuldades em relação a outras 
pessoas, o relacionamento terapêutico apresenta tanto uma oportunida-
de quanto uma responsabilidade.
34 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
Imagine que Tom, mencionado no início deste capítulo, tenha vindo 
ver você. As respostas dele para você parecem tensas. Ele se esforça para 
articular os pensamentos, e não parece encontrar um caminho através 
das dificuldades da vida. Se você ficar ansioso em relação à incerteza dele 
ou muito ansioso para ajudá-lo, pode morder a mesma isca que a mãe 
dele mordeu: completar suas frases, oferecer soluções, correr para resol-
ver problemas. Com a melhor das intenções, você se arrisca a perpetuar 
uma interação traiçoeira, na qual Tom recebe a mensagem de que ele é 
deficiente e menos capaz que os outros. Ele pode consentir e ainda assim 
permanecer desmoralizado.
Vamos colocar de forma mais explícita: na relação terapêutica, existe 
o risco de que você possa recriar e reforçar os problemas interpessoais 
que estão causando o sofrimento do cliente. Aqui estão alguns outros 
exemplos:
• Um cliente que tende a criticar os outros também faz isso dura-
mente com o terapeuta. O terapeuta abstém-se ou responde de 
modo defensivo. O cliente, por sua vez, aumenta as suas críticas 
e, eventualmente, deixa de comparecer à terapia.
• Uma cliente geralmente evita pedir o que precisa. O terapeuta 
não sabe como ajudá-la e faz sugestões que não são úteis. A clien-
te não segue essas sugestões inúteis, de modo que o terapeuta 
a considera preguiçosa ou desmotivada. Como consequência, a 
cliente sente vergonha e é ainda menos provável que peça o que 
precisa, criando um ciclo que persiste por semanas.
• Um cliente tem um processo interno de ruminação infinita e ten-
de a conversar com outras pessoas de forma semelhante, moven-
do-se por meio de ciclos entediantes e queixosos. O terapeuta 
sente impulsos contraditórios de ouvir atentamente e reconhe-
cer a dor do cliente e interrompê-lo com impaciente frustração. 
Quando o terapeuta finalmente faz um esforço para se concentrar 
na mudança de comportamento, o cliente percebe o julgamento 
do terapeuta e se sente ainda mais ansioso.
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 35
Essa responsabilidade, no entanto, também é uma oportunidade. 
Em essência, a relação terapêutica dá ao terapeuta uma oportunidade 
de ser um agente para interromper padrões sociais disfuncionais e nutrir 
aqueles mais eficazes. Assim, você tem a oportunidade de ver claramente 
as questões interpessoais que os clientes trazem para a terapia e pode 
escolher se envolver com essas questões no âmbito terapêutico, em vez 
de meramente recapitular o que os clientes experimentam com os outros 
fora da sessão. O resultado pode ser um virtuoso ciclo em que os clientes 
melhoram seu relacionamento com você e, como consequência, seus re-
lacionamentos com os outros, contribuindo para melhorar o bem-estar 
geral.
Por exemplo, com Tom, você pode reconhecer que a história so-
cial dele modelou sua reticência e ansiedade em agradar os outros. Você 
pode, então, de forma gentil e persistente, apresentar oportunidades para 
Tom expressar suas próprias necessidades e encontrar seu próprio cami-
nho. Você pode desafiá-lo a aproveitar essas oportunidades.
Vejamos algumas outras maneiras de criar um ciclo virtuoso usando 
os exemplos anteriores:
• Você pode apontar para o cliente, de modo compassivo, que as 
críticas dele são dolorosas e gentilmente relacionar a sua experiên-
cia à de outras pessoas que o cliente afastou. Você pode desafiá-lo 
a colaborar com você para encontrar outras maneiras de expressar 
as necessidades dele. 
• Você pode perceber a passividade e a vergonha da cliente e traba-
lhar em estreita colaboração com ela para perceber momentos em 
que ela recua, sugerindo que ela, em vez disso, encontre a lingua-
gem para articular o que quer na terapia e na vida.
• Você pode explicar ao cliente a tensão que você sente entre o 
desejo de ouvir atentamente e a preocupação de que a narrativa 
dele não é o uso mais eficiente do tempo da sessão. Então, vocês 
poderiam chegar a uma solução equilibrada que atenda às neces-
sidades do cliente, a fim de progredir na terapia.
36 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
Os dois pilares fundamentais da FAP — análise funcional e conexão 
genuína — equilibram-se mutuamente e ajudam você a conquistar a 
oportunidade de criar um relacionamento que é exclusivamente terapêu-
tico para cada cliente.
Relações terapêuticas genuínas e autênticas 
são essenciais
Experimentar uma maneira diferente de se relacionar é um veícu-
lo mais potente para modelar o comportamento relacional do que 
simplesmente falar sobre isso. Novamente, essa é uma afirmação so-
bre como as pessoas aprendem; geralmente aprendemos mais efetiva-
mente por meio da experiência, também chamada de aprendizagem 
experiencial, do que por meio da recepção passiva de informações. 
Isso não quer dizer que falar não seja importante — muito do nosso 
relacionamento consiste em falar —, mas sim, experimentar um de-
safio e praticar um comportamento diferente podem ser um potente 
contexto para mudança.
Vamos considerar novamente o caso de Tom. Ele somente avalia-
rá plenamente suas experiências com a mãe, os efeitos de sua história 
e o grau em que ele é orientado a agradar outras pessoas por meio da 
experiência de se relacionar com você e dos desafios que você oferece. 
Mais importante, com você, ele pode começar a encontrar coragem para 
passar pelo sentimento da ansiedade que o impediu de fazer pedidos e 
declarar suas necessidades claramente para os outros.
A aprendizagem experiencial em um relacionamento terapêutico é 
um tipo de trabalho que requer que nós, terapeutas, sejamos abertos e 
diretos sobre o que está acontecendo na relação terapêutica, o que é um 
nível de autenticidade ou autorrevelação que muitos terapeutas consi-
deram desafiador. Essa franqueza pode se manifestar simplesmente com 
uma observação sobre como o cliente interage na terapia; por exemplo,“Percebo que me encontro inseguro sobre o que exatamente você deseja 
alcançar aqui”. Ou “Eu noto que você tende a concordar com o que eu 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 37
sugiro que nós coloquemos na agenda”. Ou “Eu noto que você parece 
bastante cético sobre muitas das coisas que eu digo”.
A aprendizagem experiencial também pode significar revelar aspec-
tos mais vulneráveis de nós mesmos ou de nossas reações aos clientes. 
Por exemplo, podemos expressar nossa frustração para um cliente per-
sistentemente atrasado, sabendo que ele tende a evitar o contato com as 
consequências negativas de suas ações. Podemos pedir-lhe para entrar em 
contato com a nossa reação. Podemos convidá-lo a perceber que emoções 
ou sensações surgem para ele como resultado.
Em virtude dessas interações serem complexas, diferenciadas e in-
dividuais, é importante que elas sejam genuínas, o que significa que o 
terapeuta está operando no contexto de suas experiências e reações reais 
para a situação. Por quê? Em primeiro lugar, porque qualquer uma ou 
todas as reações exercidas podem ser relevantes para a terapia, uma vez 
que o relacionamento terapêutico não deve ser mais simples do que um 
relacionamento real. Em segundo lugar, porque os seres humanos estão 
equipados com uma capacidade refinada para detectar falta de genuini-
dade — quando os outros estão escondendo respostas ou reações. Quan-
do a falta de genuinidade é detectada, ela não é um fato neutro. Embora 
possa não desencadear uma sensação primordial de ameaça, pelo menos 
desencadeará precaução, o que pode minar a qualidade da relação tera-
pêutica. Essa reação é especialmente provável para clientes que foram 
prejudicados ou traídos por outros.
A análise funcional nos mantém no caminho
Como os relacionamentos genuínos e autênticos são complexos, utili-
zamos a análise funcional para permanecer no caminho em relação aos 
objetivos terapêuticos. A análise funcional é um processo de avaliação 
em que utilizamos princípios da aprendizagem para entender o que um 
determinado comportamento representa para o cliente no contexto da 
sua própria história e situação de vida. Para esse fim, consideramos as 
questões a seguir:
38 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
• Como esse comportamento foi modelado no passado?
• Como isso funcionou no passado?
• Como isso funciona agora?
• Quais são os custos associados a ele?
Dessa forma, podemos entender quais comportamentos represen-
tam problemas na vida do cliente e quais — apesar de parecerem desajei-
tados ou imperfeitos — na verdade representam passos importantes para 
o crescimento. (Uma terceira classe de comportamentos inclui aqueles 
que podem chamar a nossa atenção — por exemplo, um cliente que é 
notável em mencionar pessoas famosas ou importantes para impressio-
nar os outros —, porém não representam qualquer problema clinica-
mente significativo. É importante discriminar esses comportamentos dos 
das outras duas classes, para que não tentemos “tratar” o que não precisa 
ser tratado.)
Por sua vez, a análise funcional ajuda a garantir que respondamos de 
modo estratégico e terapêutico aos clientes, no momento, com base na 
nossa compreensão de seus problemas e do crescimento ou da mudança 
de comportamento que eles necessitam. Por exemplo, com Tom, pode-
mos observar que algumas afirmações desajeitadas de suas necessidades 
são, na verdade, um passo importante em direção à assertividade.
Você pode observar que há uma potencial contradição nesse proces-
so: e se a análise funcional determinar que devemos ver um determinado 
comportamento como crescimento (p. ex., Tom deve ser mais assertivo), 
e ainda assim genuinamente acharmos aquele comportamento desagra-
dável (p. ex., consideramos Tom exigente de uma forma que nos faz re-
lutante em apoiar)? Devemos suprimir nossa reação pessoal para apoiar 
o crescimento de Tom?
Felizmente, essa contradição raramente surge na realidade. Em pri-
meiro lugar, quando paramos para realmente entender um cliente, seja 
por meio de uma análise funcional ou por outros meios, nossas respostas 
ao cliente tendem a se alinhar naturalmente com a análise funcional: 
sentimos satisfação e felicidade com os passos do cliente em direção ao 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 39
crescimento, pois entendemos o significado e a luta por trás desses pas-
sos. Da mesma forma, sentimos algum nível de frustração genuína ou 
decepção (equilibrada, claro, com compaixão e compreensão) quando 
vemos clientes presos em padrões autodestrutivos. Em segundo lugar, 
se você não pode responder natural e positivamente ao crescimento do 
cliente, então esse comportamento provavelmente é algo importante 
para se abordar. Por exemplo, você pode dizer a Tom: “Algo me ocorreu. 
Você sabe que eu apoio que você seja mais assertivo. E eu noto que, de 
alguma maneira, você está passando do ponto de ser franco, talvez duro. 
Você também notou isso?”.
Como os relacionamentos autênticos envolvem duas pessoas, no 
processo da FAP, nossas próprias reações e percepções são tão im-
portantes quanto as do cliente. Por conseguinte, também visamos 
continuamente a análise funcional a nós mesmos, refinando nosso 
autoconhecimento como terapeutas, nos perguntando como estamos 
contribuindo para o momento terapêutico e garantindo que a nossa 
abordagem atenda aos clientes, e não aos nossos próprios objetivos. 
O pressuposto é de que os terapeutas também são humanos, por-
tanto são suscetíveis à influência dos clientes, assim como eles são 
suscetíveis à nossa. Quando nos relacionamos com clientes em seu 
sofrimento, sobretudo se as coisas estão acontecendo rapidamente ou 
com uma grande quantidade de emoção, complexidade ou luta, po-
demos perder o equilíbrio. Mais uma vez, a análise funcional ajuda a 
nos manter na linha. 
No próximo capítulo, apresentaremos os princípios essenciais e prá-
ticos da perspectiva da CBS que está no cerne da FAP e de tratamentos 
similares (mais notavelmente, da ACT).
RESUMO
• Uma conexão social pobre representa tanto risco de mortalidade 
quanto o tabagismo.
40 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
• Do ponto de vista da CBS, as relações sociais são um contexto- 
-chave para modelar o funcionamento psicológico — humor, 
motivação, emoção e realização — e, portanto, o bem-estar ao 
longo da vida.
• A psicoterapia envolve processos de conexão social e influência 
por meio da relação terapêutica, que pode modelar mudanças no 
funcionamento psicológico e social do cliente.
• A FAP convida você a equilibrar uma forma genuína e autêntica 
de se relacionar com o cliente com uma compreensão baseada na 
análise funcional — uma maneira de avaliar a função do que está 
acontecendo na relação terapêutica para cada cliente de modo 
individual. Ao fazer isso, você pode garantir que a sua resposta ao 
cliente é terapêutica e não perpetua os problemas do cliente nos 
relacionamentos.Kanter, minha inspiração para ver alegria e beleza em todas as 
coisas, grandes e pequenas.
Agradecimentos xi
MAVIS TSAI
Agradeço aos meus coinstrutores da FAP na University of Washington 
ao longo dos anos — Mary Plummer Loudon, Gareth Holman, Andrew 
Fleming, Julia Hitch, Hilary Mead e Daniel Maitland — por me aju-
darem a criar um profundo ambiente de aprendizado, em que as feridas 
de todos são validadas, e nossos talentos, nutridos. Laura Brown, Julie 
Gottman, Barbara Johnstone, Kelly Koerner, Linda Luster, Joanne Stein-
wachs e Jennifer Waltz são irmãs de alma. Sou incrivelmente grata aos 
supervisionados e estudantes que moldaram quem eu sou — muitos de 
vocês se tornaram poderosos companheiros de FAP que inspiram minha 
mente e coração. E para Bob: você é o amor e a luz da minha vida, e isso 
nunca vai mudar.
ROBERT KOHLENBERG 
Pensando nos relacionamentos de tempos atrás que plantaram as semen-
tes e definiram as condições que, eventualmente, levaram à FAP: Loren 
Acker, Ivar Lovaas, Steven C. Hayes e Barbara Kohlenberg. Vocês, que 
conhecem a história da FAP, também sabem como o sagrado relaciona-
mento entre Mavis e eu estava e está em seu centro. Também quero agra-
decer pelas contribuições dos meus coautores, Jonathan e, claro, Mavis 
novamente, e sobretudo de Gareth, que foi a força motriz inspiradora e 
o principal contribuinte para este livro.
Apresentação à edição brasileira
A presentar este livro à comunidade brasileira de analistas do com-
portamento é, considerando alguns aspectos especiais, uma opor-
tunidade honrosa e de grande responsabilidade. O primeiro ponto se 
refere ao que a FAP representa no desenvolvimento da análise clínica 
comportamental. Não seria demais afirmar que, ao ser proposta por 
Tsai e Kohlenberg (1987), a FAP provocou certa revolução na análise 
comportamental da relação terapêutica. A explicitação dos processos 
presentes na interação terapeuta-cliente, bem como suas decorrências, 
ofereceu aos profissionais melhor compreensão do processo e os ajudou 
a construir instrumentos para atuar nesse campo de forma mais segura 
e eficiente. Além disso, inúmeras pesquisas sobre aspectos específicos da 
relação terapêutica foram desenvolvidas desde então, cujos resultados, 
por sua vez, impulsionaram a busca de conhecimento científico sobre 
outros processos e propostas terapêuticas. Apenas por esses motivos, 
escrever sobre a FAP já seria um privilégio. 
Contudo, se a isso se soma a oportunidade de apresentar uma obra 
cujos autores reúnem o que há de mais especial e essencial sobre o 
tema, em um texto acessível e de aplicabilidade direta, de estreita fi-
delidade com o modelo terapêutico proposto e suas bases conceituais 
e filosóficas, a tarefa se torna ainda mais provocativa! É disso que se 
trata este livro, escrito por Holman, Kanter, Tsai e Kohlenberg com a 
maestria que lhes é peculiar, sendo indispensável para os clínicos com-
portamentais. Há um terceiro aspecto que transformou a oportunidade 
xiv Apresentação à edição brasileira
de estar aqui em algo ainda mais significativo e me fez reescrever esta 
Apresentação. Ocorre que, quando da finalização deste texto, Robert 
Kohlenberg, idealizador da FAP (juntamente com Mavis Tsai) e um 
dos autores deste livro, nos deixou, em 28 de novembro de 2021, par-
tindo com a dignidade com a qual viveu em direção ao exercício pleno 
de seu justo direito à eternidade.
Esse fato foi extremamente impactante para mim e também, visi-
velmente, para os analistas clínicos comportamentais em todo o mundo. 
Provocou em mim uma série de emoções intensas e me levou a uma via-
gem no tempo: vejo-me, nos anos 1970/1980, em meio a um grupo de 
alunos e outros terapeutas iniciantes, hipnotizados, assistindo à filmagem 
de uma sessão terapêutica em grupo conduzida por Carl Rogers (1961), 
tentando avidamente entender o que ali acontecia. Ambiciosamente al-
mejávamos identificar e descrever os processos comportamentais presen-
tes nas interações que estabelecia com o grupo, inconformados sauda-
velmente com o que nos era dito, sobre não haver ali qualquer tipo de 
“controle comportamental”, como se fosse possível interagir com alguém 
sem afetá-lo e ao seu responder, portanto, sem exercer algum controle. 
Essa experiência gerou acaloradas discussões entre nós, em vários mo-
mentos, nas quais nos perguntávamos sobre como poderíamos analisar o 
que de especial ele fazia, uma vez que conseguia ter um impacto clínico 
importante que também desejávamos. As ferramentas mais especiais que 
tínhamos à época, para obter respostas, não eram muito mais do que o 
que havia sido escrito por Skinner (1953) sobre a psicoterapia e a relação 
terapêutica. Episódio à parte, seguíamos atuando como clínicos, anco-
rados na análise do comportamento, correndo os riscos destinados aos 
exploradores e, bem ou mal (ou os dois), íamos tendo nossos comporta-
mentos modelados pelas contingências. Muitos analistas debruçaram-se 
sobre vários aspectos relacionados ao tema, mas, de fato, foi somente 
com a chegada de Kohlenberg, com seu olhar privilegiado e preciso fren-
te às relações terapêuticas que eram estabelecidas nas intervenções reali-
zadas por Mavis, comprometido com a análise do comportamento assim 
como a necessidade de se estabelecerem conexões humanas significativas, 
Apresentação à edição brasileira xv
que tivemos respostas mais consistentes e específicas para nossos questio-
namentos.
Como se pode observar, o tempo corrido desde as primeiras análises 
de Skinner (1953) sobre a psicoterapia e a relação terapêutica e a propo-
sição da FAP (Tsai & Kohlenberg, 1987) é de pouco mais de 30 anos. 
Não é muito, visto o expressivo salto que representou na análise com-
portamental da relação terapêutica. A partir de então, tínhamos possibi-
lidade e diretrizes para planejar nossa relação com o cliente, tornando-a 
uma instância de mudança terapêutica direta e de forte impacto, afas-
tando-nos aos poucos dos processos de ensaio e erro. A FAP nos indicou 
o caminho para que pudéssemos tecer a “trama terapêutica” com mais 
competência. Em paralelo, fortaleceu a constatação da impossibilidade 
da neutralidade terapêutica e, ao ressaltar a humanidade comum entre 
clientes e terapeutas, demonstrou como poderiam colocar suas inescapá-
veis imperfeições a serviço da terapia, tornando, assim, os clínicos ainda 
mais responsáveis por suas ações. 
Desde então, a FAP, intervenção clínica que tem como principal 
“mecanismo” a modelagem de comportamentos clinicamente relevantes 
do cliente, em sua interação com o terapeuta, no aqui e agora da sessão, 
tem sido cada vez mais especificada e enriquecida por meio do traba-
lho de muitos pesquisadores e terapeutas, ou terapeutas-pesquisadores, 
influenciados pelos criadores da abordagem ou dela mesma. Kohlenberg, 
portanto, não poderia deixar de ser destacado e valorizado na Apresen-
tação à edição brasileira de Psicoterapia analítica funcional descomplicada: 
guia prático para relações terapêuticas, uma obra fortemente conectada 
com a essência da FAP. 
Esta obra apresenta um texto conceitualmente preciso, com base no 
conhecimento científico produzido e que é enriquecido, generosamente, 
com a revelação de seus autores, de suas experiências clínicas, o que a tor-
na, além de um recurso muito bem embasado e de aplicabilidade direta, 
bastante familiar aos terapeutas.
Pesquisadores, professores e supervisores certamente também se 
beneficiarão de sua leitura, pois os adjetivos “simples e descomplicado” 
xvi Apresentação à edição brasileira
jamais significam ou esbarram na superficialidade, na “tecnocracia” ou 
subvertem princípios essenciais. Pelo contrário. Este livro fortalece a im-
portância da análise funcional no seguimento flexível, pelos terapeutas, 
das regras propostas e na implementação dos procedimentos e estratégias 
sugeridas.
Psicoterapia analítica funcional descomplicada: guia prático para rela-
ções terapêuticas, é, de fato, “praticável”. Encaminha os terapeutas passo 
apasso na realização da FAP, do começo ao fim, ao agregar à já mencio-
nada base conceitual sólida descrições objetivas dos processos compor-
tamentais relevantes, vinhetas clínicas que os exemplificam, perguntas 
reflexivas e exercícios factíveis para que os profissionais desenvolvam as 
habilidades específicas necessárias, sem esquecer-se de indicar material 
suplementar e grupos de apoio.
Esta obra é um presente que recebemos de seus autores enquanto nos 
despedimos de Kohlenberg, a quem mais uma vez expresso gratidão e ad-
miração, tanto pelo que produziu quanto pela forma como viveu, por sua 
sabedoria ao decidir sobre o momento e a forma como gostaria de partir e, 
ainda, por sua coragem e autocuidado ao tomar sua decisão final. Certa-
mente ele deixa sua presença eternizada nos clínicos de sua geração, naque-
les que se seguiram a ele e certamente impactará aqueles que ainda virão.
Ao leitor, estou certa de que sua interação com este livro o ajudará a 
praticar a FAP de maneira descomplicada, mas competente e consistente 
com suas bases teóricas, produzindo assim relações profundas e positiva-
mente transformadoras, funcionalmente terapêuticas, que ajudarão seus 
clientes a desenvolverem conexões humanas significativas e a construir 
uma vida valorosa.
Fátima Conte
Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP). 
Analista do Comportamento com Acreditação Honorária e Vitalícia pela Associação 
Brasileira de Ciências do Comportamento (ABPMC). Professora Associada aposentada da 
Universidade Estadual de Londrina (UEL). Sócia-fundadora do Instituto Continuum, 
onde coordena o curso on-line de Formação e Especialização em Terapias Contextuais.
Apresentação à edição brasileira xvii
REFERÊNCIAS
Rogers, C. R. (1961). On becoming a person. Houghton Mifflin.
Skinner, F. B. (1953). Science and human behavior. Macmillan.
Tsai, M. & Kohlenberg, R. (1987). Functional analytic psychotherapy. In N. 
S. Jacobson (Ed). Psychotherapists in clinical practice: cognitive and behavioral 
perspectives (pp. 388-443). Guilford Press. 
Prefácio 
Tratando as pessoas com 
consciência, coragem e amor
O s seres humanos evoluíram em pequenos grupos e locais. Somos 
seres sociais, e a importância de outras pessoas é tão básica para a 
nossa psicologia quanto a respiração é para a nossa fisiologia.
Como questão científica, sabemos que os outros são fundamen-
tais para o nosso funcionamento, mas também podemos sentir o quão 
importante isso é no nosso dia a dia. Se você olhar para o que é mais 
importante e o que é mais doloroso para você, é provável que pessoas 
estejam envolvidas em ambas as reações. Podemos ser atormentados por 
rejeição, solidão, vergonha ou problemas de relacionamento: mas todos 
esses exemplos demonstram a importância de outras pessoas como ponto 
focal de nossa dor psicológica. Podemos desejar alcançar, criar, contribuir 
ou amar, mas esses exemplos também precisam implicitamente ser com-
partilhados com outras pessoas.
A maioria dos problemas clínicos se reflete em nossos relacionamen-
tos com os outros. Isso é etiologicamente verdadeiro: experiências como 
falta de amparo, abandono interpessoal, negligência e trauma estão en-
tre as experiências mais tóxicas conhecidas; na direção oposta, apoio so-
cial, intimidade e carinho estão entre as mais revigorantes. É de admirar, 
então, que a qualidade do relacionamento terapêutico esteja relacionada 
xx Prefácio
com os resultados da maioria das formas de terapia, incluindo aquelas 
que são baseadas em evidências?
Se os processos sociais são centrais para o desenvolvimento de pro-
blemas humanos, devemos esperar que a psicopatologia apareça na re-
lação entre clientes e terapeutas; e em muitos casos, se não na maioria, 
nós vemos isso. Isso será um problema se não for tratado corretamente, 
mas também pode ser uma oportunidade se for detectado, uma vez que 
o terapeuta será capaz de trabalhar diretamente com o comportamento-
-problema alvo no consultório.
Para fazer isso, no entanto, você precisa de um conjunto claro de 
princípios que o orientem. Você precisa olhar para a função dos even-
tos sociais, e não apenas para a sua forma. A maioria dos clientes tem 
relações sociais importantes fora da psicoterapia, porém, muitas vezes, 
elas não são curativas, pois as pessoas acidentalmente reforçam compor-
tamentos errados ou apoiam regras inúteis. Se apenas estar na presença 
de outros fosse o suficiente, então as pessoas geralmente não procura-
riam ajuda profissional. As reações automáticas que temos com os outros 
pode não ser o que eles precisam terapeuticamente. O terapeuta precisa 
ser genuíno, mas também precisa ser cuidadoso e estratégico. Esse é um 
equilíbrio complicado que precisa ser baseado em princípios.
O que a FAP oferece é um pequeno conjunto de diretrizes claras que 
ajudam os terapeutas a manterem os seus olhos em direção às caracterís-
ticas da relação terapêutica que mais predizem resultados. A FAP pode 
ser utilizada como tratamento em muitos casos, mas também pode ser 
utilizada para apoiar a implantação e o aumento de outros métodos de 
tratamento, sobretudo aqueles delineados das mesmas raízes comporta-
mentais.
Este livro posiciona a FAP como parte da ciência comportamen-
tal contextual (CBS, do inglês contextual behavioral science). Ao fazê-lo, 
convida o leitor a harmonizar os princípios da FAP com a análise com-
portamental moderna, incluindo a teoria das molduras relacionais (RFT, 
do inglês relational frame theory). Esse é um passo interessante e impor-
tante que dará ao clínico da FAP um poderoso conjunto adicional de 
Prefácio xxi
conceitos a serem aplicados. Além disso, isso dá um semblante novo ao 
uso do reforço social contingente como parte da agenda terapêutica.
Este livro também abarca vigorosamente o modelo de “consciência, 
coragem e amor”, que conecta mais a análise funcional abstrata e os com-
portamentos clinicamente relevantes (CCRs) para domínios definidos 
por conjuntos de análises funcionais. Nem todos aprovarão essa etapa, 
mas sei que os clínicos a aprovarão, pois ela torna a FAP imediatamente 
mais vital e focada. E isso, por sua vez, torna a FAP mais simples: mais 
simples de entender, mais simples de ensinar e mais simples de implantar.
A última parte desta obra lança uma luz clara sobre áreas de cresci-
mento e dificuldade, mostrando como usar esse modelo de forma prática 
e criativa. Algumas questões abordadas — tais como terminar a terapia 
e explorar o que foi aprendido — são, muitas vezes, perdidas em outros 
livros. Essas seções sábias, por si só, já valem o preço da admissão. 
Espero ver novos caminhos à frente, à medida que pesquisadores e 
clínicos descompactam ainda mais esse modelo. Minha sugestão para 
você, ao ler este livro, é explorar esse modelo com a consciência de olhar 
a oportunidade, a coragem de explorar completamente o novo território 
e o amor da humanidade para adquirir novas habilidades com humil-
dade — para trazer tudo isso para a tarefa. Se fizer isso, você mudará 
durante a jornada, assim como a vida daqueles a quem você serve. 
Steven C. Hayes
Professor fundador e diretor de treinamento clínico
University of Nevada
Sumário
 Apresentação à edição brasileira ................................................ xiii
Fátima Conte
 Prefácio: Tratando as pessoas com consciência, coragem e amor ... xix
Steven C. Hayes
 Introdução ................................................................................... 1
PARTE 1: AS IDEIAS ............................................................. 17
1 Conexão social e relação terapêutica como contextos para 
mudanças................................................................................... 19
2 Tenha uma perspectiva contextual do comportamento ............... 41
3 Esteja fundamentado na análise do comportamento .................. 61
4 Postura de consciência, coragem e amor ..................................... 99
5 Processo de modelagem com as cinco regrasda psicoterapia 
analítica funcional .................................................................... 119
xxiv Sumário
PARTE 2: A PRÁTICA ........................................................ 139
6 Conheça a si mesmo ................................................................ 143
7 Construa um alicerce no início da terapia ................................ 167
8 Chamada para o momento presente ......................................... 201
9 Responda ao crescimento ......................................................... 247
10 Equilibre estrutura e fluxo: a interação lógica ........................... 271
11 Compreensão em movimento — conceituação de caso com 
a psicoterapia analítica funcional .............................................. 293
12 Solidificar a mudança com tarefas de casa e exercícios 
experienciais ............................................................................ 323
13 Marcar o fim da terapia ............................................................ 341
 Conclusão ................................................................................ 351
 Referências ............................................................................... 359
 Leituras adicionais ................................................................... 365
 Indíce ...................................................................................... 367
Introdução
Nem o amor sem conhecimento 
nem o conhecimento sem amor podem 
produzir uma vida boa.
Bertrand Russell
2 Introdução
Você chega ao seu consultório e se traz consigo. Mas o que mais você 
traz?
Talvez você traga uma má noite de sono ou o estresse da segun-
da-feira de manhã. Você pode trazer um bom café e o compromisso 
de fazer o bem. Você está em um momento de altos ou baixos na sua 
carreira? Você está aprendendo um novo método ou consultando co-
legas fantásticos? Ou você está se perguntando o que fará em seguida, 
pois muitas semanas se tornaram “blé” ultimamente? Você está lutan-
do para gostar de algumas das pessoas que você verá esta semana?
Que deleite você trouxe consigo? Quais medos? Quais esperan-
ças? Quais vulnerabilidades?
Que vergonha você trouxe consigo? Você ainda está um pouco 
dolorido de uma sessão lancinante na sexta-feira? Você está se sentin-
do desconectado de um amigo devido a algo que aconteceu no fim de 
semana? Você está com medo de alguma coisa?
Ao iniciar o dia, com que firmeza você se apega ao que represen-
ta como terapeuta? Como você está resistindo? Você está realmente 
olhando para as suas fraquezas como terapeuta? Você está tentando 
demais?
O que você está evitando enfrentar em sua vida agora? Onde 
você está vulnerável?
E como todas as variáveis citadas afetam a maneira como você 
atua como terapeuta hoje? Como elas afetarão seus clientes?
Seu cliente — talvez ele seja um cliente novo, digamos que seu 
nome é Tom — também traz a si mesmo e sua história para a sessão. 
Tom acorda ansioso para a consulta com você. As mãos dele tremem 
enquanto ele serve o café.
Ele imagina que você estará sentado em frente a ele, silenciosa-
mente profissional e cheio de avaliação. Ele se imagina se contorcen-
do. Ele ensaia o que vai dizer para poder soar pelo menos semicoe-
rente. Ele sente o pânico subindo em seu peito.
Ele se lembra de uma série de médicos sem nome questionan-
do-o. Embora bem-intencionados, todos eles o colocaram no limite.
E então você e Tom se encontram. O que acontece quando os 
seus históricos, vulnerabilidades e perspectivas interagem? O que ele 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 3
vai tirar da interação? Como você vai encorajá-lo? Como você vai su-
tilmente desencorajá-lo? Envergonhá-lo? Como você vai convidá-lo a 
se abrir? Por sua vez, como ele vai envergonhar você? Desapontá-lo? 
Como você servirá a ele? Ou, se agir para preservar seu senso de 
especialização e competência, você vai sutilmente ou não tão sutil-
mente esquecer de Tom e negligenciar os principais problemas que 
precisam de atenção?
Cada cliente não é apenas um caso, e você não é apenas um te-
rapeuta. Você e seu cliente são duas pessoas se engajando em uma 
dança de conexão (esperançosamente curativa) com uma fundação 
que envolve centenas de milhares de anos de evolução humana. Isso 
é muito para uma segunda-feira de manhã!
4 Introdução
A psicoterapia analítica funcional (FAP, do inglês functional analytic 
psychotherapy), assunto desta obra, é sobre ser consciente, corajoso e 
habilidoso no momento em que interage com cada cliente. É sobre estar 
atento à sua própria história, com consciência e envolvimento com um 
cliente que está à frente da sua própria história. À medida que a interação 
se desdobra, a FAP é sobre ver juntos, com coragem e compaixão, como 
o momento presente na terapia pode conter o próprio problema para o 
qual seu cliente está buscando ajuda, aproveitando a oportunidade para 
crescer e mudar aqui e agora de uma maneira que é imediata, experien-
cial e relacional. Quando isso ocorre, a interação não é somente compas-
siva e conectada, mas também cria mudanças.
Temos dois objetivos principais com este livro:
• Em primeiro lugar, por meio das lentes da ciência comporta-
mental contextual (CBS, do inglês contextual behavioral science), 
queremos ajudá-lo a reconhecer que o que acontece em cada mo-
mento em uma sessão de terapia é um comportamento que faz 
sentido no contexto da história de aprendizagem de cada pessoa, 
e esse comportamento está se desdobrando agora em resposta ao 
presente. A análise funcional é o processo de avaliação no coração 
dessa maneira de ver cada momento em sessão. É um modo de 
se relacionar com o comportamento que é empático e compassi-
vo, bem como principista e preciso. Na FAP, aplicamos a análise 
funcional para entender os problemas do cliente — em particu-
lar, como este momento na terapia pode evocar estes problemas. 
A análise funcional é a forma como “miramos” os processos de 
mudança da FAP. É também como nós entendemos o que este 
momento significa para esta pessoa única.
• Em segundo lugar, queremos mostrar como tecer a análise fun-
cional com honestidade, coragem, compaixão e envolvimento 
pessoal no processo terapêutico. Uma relação terapêutica autên-
tica serve à análise funcional, pois esse é o meio natural em que 
os seres humanos se tornam “conhecidos” um pelo outro — por 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 5
meio da dança vulnerável de autorrevelação e respostas, encon-
trando uma linguagem e uma perspectiva comuns.
A interseção entre análise funcional e relacionamento define a FAP. 
Por que você deveria se importar?
Em primeiro lugar, é amplamente aceito que a qualidade da relação 
terapêutica é importante para os resultados na terapia (Horvath, Del Re, 
Flückiger, & Symonds, 2011). A FAP é baseada em pesquisa e análise so-
bre o que cria relacionamentos fortes e conectados, oferecendo diretrizes 
concretas para criar bons relacionamentos terapêuticos.
Em segundo lugar, a FAP fornece uma estrutura para se pensar sobre 
o processo terapêutico em um ambiente altamente individualizado, com 
um caminho preciso. A FAP mantém-se firme no crescente movimento 
da CBS (Hayes, Barnes-Holmes, & Wilson, 2012; Hayes, Levin, Plumb- 
-Vilardaga, Villatte, & Pistorello, 2013) e da terapia comportamental 
em geral. Ela se baseia na prática central da terapia comportamental, 
que é definir comportamentos específicos e, em seguida, direcioná-los 
por meio de processos de mudança específicos em terapia. Por sua vez, 
o terapeuta responde aos comportamentos não com base no que eles pa-
recem, mas no que eles realmente significam para o cliente (isto é, como 
eles funcionam) no contexto de sua vida em desdobramento.
Dizer que a FAP é uma terapia comportamental significa algo bem 
diferente do que significava há várias décadas. A mais nova onda de te-
rapias comportamentais (e terapias de outros tipos) diminuiu a lacuna 
entre a distância de princípio do terapeuta comportamentale a sensível 
sintonização do psicólogo humanista. Como terapeutas, não precisamos 
mais escolher entre uma estrutura de avaliação baseada em evidências e 
ser totalmente humano e sensível em nossas interações com os clientes. 
A FAP e seus companheiros de viagem — terapia de aceitação e com-
promisso (ACT, do inglês acceptance and commitment therapy; Hayes, 
Strosahl, & Wilson, 1999), terapia focada na compaixão (CFT, do in-
glês compassion-focused therapy; Gilbert, 2010) e terapia comportamental 
dialética (DBT, do inglês dialectical behavior therapy; Linehan, 1993), 
6 Introdução
em particular — integram esses pontos de vista. Se você tem experiência 
em terapias mais experienciais, a FAP pode ajudá-lo a melhorar a preci-
são de suas avaliações. Se você tem histórico em terapias comportamen-
tais, a FAP pode ajudá-lo a melhorar o fluxo experiencial e o imediatismo 
do seu trabalho.
De muitas maneiras, a terapia é um processo: uma série de eventos 
que se desenrolam entre duas pessoas que influenciam uma à outra de 
maneira extremamente sutil. Uma respiração, um suspiro ou um desvio 
de olhar podem comunicar mais do que um longo fluxo de palavras, 
sobretudo quando terapeutas ou clientes estão mais vulneráveis ou emo-
tivos. E porque esse processo de influência mútua é muitas vezes sutil, 
rápido, automático e efêmero — ou tão estendido ao longo do tempo 
que é difícil conectar os pontos —, é fácil perder o que realmente está 
acontecendo no momento. É fácil perder a terapia que acontece no aqui 
e agora e desdobra-se na sequência contínua dos momentos presentes. 
É fácil ignorar que a batalha que está acontecendo no aqui e agora, em 
sessão, é geralmente o que acontece em outras situações da vida de um 
cliente. Também é fácil ignorar os pequenos e hesitantes momentos de 
novas possibilidades em que mudanças profundas possam se enraizar.
A FAP é sobre desacelerar, sintonizar esse processo e perceber que a 
interação é sobre você e seu cliente. A FAP trata de examinar o pessoal e 
o interpessoal por meio dos princípios gerais de aprendizagem, reconhe-
cendo que nenhum conjunto de princípios sobrevive inteiramente ao 
contato com a vida real. A postura da FAP é que fazer a devida diligência 
no processo terapêutico também requer conhecer os nossos pontos ce-
gos, passando pela nossa vulnerabilidade, assumindo riscos e expressan-
do o que sentimos — não de modo imprudente, mas sim estratégico.
No decorrer de uma sessão, o terapeuta da FAP pode traçar uma 
análise funcional em um quadro e, então, evocar a expressão honesta de 
raiva do cliente, relacionada com um comentário que ele fez durante a 
análise funcional. Com um cliente diferente, o terapeuta da FAP pode 
passar 40 minutos trabalhando em conjunto para que ele possa expressar 
pensamentos e sentimentos vulneráveis no momento, para depois passar 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 7
os 10 últimos minutos da sessão definindo uma tarefa comportamental 
concreta. Na FAP, as ferramentas de terapia comportamental e o processo 
interpessoal deliberadamente se misturam.
Com ênfase em um relacionamento terapêutico intenso, engajado 
e individualizado, a FAP reflete o consenso científico em curso e a 
evolução de que as relações sociais são fundamentais para modelar o 
bem-estar humano e a sua realização. A psicoterapia é simplesmente 
uma expressão do poder da conexão social. Não é devido à mágica, 
a uma coincidência ou a um truque de psicologia científica que um re-
lacionamento (que é o que a terapia é) possa ser incrivelmente terapêu-
tico. A evolução humana procedeu de tal maneira que relacionamentos 
íntimos podem nos influenciar de modo significativo. Como resultado, 
nós, seres humanos, somos instrumentos extremamente sensíveis de 
mudança para o outro.
Em virtude do foco da FAP no engajamento genuíno no relaciona-
mento terapêutico e porque a terapia a partir de uma distância interpes-
soal é uma violação desse princípio, é justo dizer que a FAP exige muito 
dos terapeutas. Ela requer que você faça o seu trabalho para que possa 
estar consciente dos seus erros com os clientes, ser vulnerável, assumir 
riscos, sentir emoções, e assim por diante. Estamos na mesma situação 
que os nossos clientes: lutamos como seres humanos.
Essa postura de favorecer o engajamento genuíno não é acidental 
ou arbitrária; não é uma questão de preferência pessoal. Faz parte de 
um crescente reconhecimento mundial — núcleo da CBS — que o 
bem-estar humano é nutrido ou prejudicado pelos contextos nos quais 
vivemos, os quais são esmagadoramente sobre outras pessoas. Como 
mostra o cientista prevencionista e analista do comportamento Tony 
Biglan, resumindo mais de cinco décadas de ciência comportamental 
nas áreas de parentalidade, educação, saúde pública e ciência clínica, 
“ambientes acolhedores” apoiam profundamente a saúde humana e o 
bem-estar (2015).
Existem várias maneiras diferentes de focar a FAP (Bonow, Mara-
gakis, & Follette, 2012). Contudo, devido ao importante lugar da FAP 
8 Introdução
na comunidade da CBS e da crescente base de evidências que respal-
dam as intervenções dessa abordagem (Hooper & Larsson, 2015), este 
livro baseia-se fortemente na fundação dos princípios da CBS relativos 
aos contextos em que os seres humanos florescem. Assim como a CBS, 
a FAP é sobre criar um contexto compassivo para a mudança — um que 
ancora ação flexível e comprometida — na relação terapêutica.
EVIDÊNCIAS PARA A FAP
Este livro é um guia clínico baseado em princípios comportamentais, 
em vez de um manual de reivindicações empíricas diretas. A razão para 
isso é simples: a base de evidências para aplicações específicas de princí-
pios da FAP — o que é necessário para fazer alegações empiricamente 
fundamentadas — tem ainda uma distância para percorrer.
Dito isso, uma das prioridades da FAP desde o seu início tem sido 
construir uma abordagem de tratamento que seja altamente flexível e 
experiencial, porém fundamentada em princípios rigorosos da ciência 
comportamental. A FAP baseia-se na CBS (Hayes et al., 2012) e procura 
aplicar os princípios básicos da CBS à psicoterapia, com foco particular 
na natureza e nos desafios de criar, manter e melhorar as relações tera-
pêuticas.
Embora a pesquisa da FAP tenha algum caminho para cobrir, nes-
ta seção, forneceremos um panorama da pesquisa que foi realizada até 
agora. Em termos diagnósticos, a FAP é uma abordagem transdiagnós-
tica: enfatiza processos de relacionamento terapêutico que são impor-
tantes para o tratamento em todos os diagnósticos. A pesquisa inicial 
sobre a FAP seguiu essa postura ampla com uma série de estudos de caso, 
descrições da FAP e pequenos estudos-piloto com clientes que experi-
mentavam uma gama diversificada de problemas, incluindo depressão, 
transtorno da personalidade histriônica, transtorno da personalidade bor-
derline, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de conduta, abuso 
de substâncias, problemas nas relações interpessoais, abuso sexual, dor, 
ansiedade acadêmica, agorafobia, exibicionismo, anorgasmia, transtorno 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 9
da personalidade não específica e transtorno de ansiedade inespecífica 
(revisado em Mangabeira, Kanter, & Del Prette, 2012).
Uma série de estudos de caso individuais mais controlados sobre 
a FAP também foram publicados (Esparza Lizarazo, Muñoz-Martínez, 
Santos, & Kanter, 2015; Landes, Kanter, Weeks, & Busch, 2013; Kanter 
et al., 2006). Um total de nove clientes, com uma gama de transtornos, 
como depressão, ansiedade e transtornos da personalidade, foram en-
volvidos nas investigações. Esses estudos são únicos e particularmente 
relevantes para este livro, uma vez que eles demonstram a abordagem 
individualizada da análise funcional que está no coração da FAP, bem 
como grandes mudanças clinicamente relevantes no âmbito do cliente 
individual, em vez de uma média de grupo.
Outras pesquisas substanciais da FAP foram realizadas com foco na 
depressão. Em 1996, Bob Kohlenbergrecebeu uma bolsa do National 
Institute of Mental Health para estudar se o treinamento da FAP me-
lhoraria os resultados do tratamento de terapia cognitiva para depres-
são conduzido por especialistas (Kohlenberg, Kanter, Bolling, Parker, 
& Tsai, 2002). A equipe dele argumentou que a terapia cognitiva, então 
reconhecida como o padrão-ouro de tratamento empiricamente validado 
para a depressão, foi uma grande abordagem, porém ainda poderia se 
beneficiar das principais características da FAP: análise funcional, aten-
ção à relação terapêutica e foco em melhorias no funcionamento social. 
Os terapeutas especialistas completaram primeiramente a sua terapia tí-
pica com 16 clientes. Então, eles participaram de um protocolo de trei-
namento da FAP, após o qual eles completaram a terapia com 24 clientes. 
O estudo descobriu que os clientes no primeiro grupo tiveram um bom 
desempenho, com 48% deles apresentando melhora clinicamente sig-
nificativa. Os clientes da FAP, no entanto, ficaram ainda melhores, pois 
cerca de 70% deles apresentaram melhorias. Curiosamente, os clientes 
do primeiro grupo não demonstraram nenhuma melhoria em uma me-
dida bem-validada sobre o funcionamento social: satisfação no relaciona-
mento. Em contrapartida, os clientes da FAP demonstraram melhorias 
na satisfação em relacionamentos.
10 Introdução
Pesquisas recentes proporcionaram maior compreensão dos meca-
nismos responsáveis pelos benefícios da FAP encontrados em estudos an-
teriores. Por exemplo, agora, temos evidências de que a estratégia da FAP 
de reforçar os comportamentos de melhoria em sessão (que discutiremos 
ao longo deste livro) é o mecanismo-chave responsável pelas melhorias 
dos clientes nos estudos de caso único discutidos anteriormente (Busch 
et al., 2009; Oshiro, Kanter, & Meyer, 2012) e que os processos do FAP 
foram os únicos responsáveis pelas melhorias no estudo de terapia cog-
nitiva que acabamos de descrever (Kanter, Schildcrout, & Kohlenberg, 
2005).
Mais recentemente, e mais notadamente, Daniel Maitland e cola-
boradores (no prelo) produziram o primeiro estudo controlado rando-
mizado de um tratamento FAP para dificuldades interpessoais. A FAP 
produziu resultados superiores de conexão social, ansiedade e esquiva 
em comparação com uma condição de controle ativa mínima (espera 
vigilante) em uma amostra de clientes ansiosos que apresentavam pro-
blemas interpessoais. Em um delineamento de tratamento alternado, 
Maitland e Gaynor (2016) demonstraram anteriormente a superiorida-
de da FAP em comparação com a escuta ativa para melhorar o funcio-
namento interpessoal. Em ambos os estudos, as classificações da aliança 
terapêutica também foram superiores para os tratamentos com a FAP.
Mais estudos são necessários, e esperamos que este livro possa inspi-
rar ainda mais os pesquisadores.
COMO USAR ESTE LIVRO
Este livro é baseado no conhecimento experiencial e prático. Enquanto 
utilizamos a linguagem técnica e geralmente confiamos mais no seu co-
nhecimento de psicoterapia, nossas palavras são apenas sinais destinados 
a levá-lo para experiências e comportamentos particulares. Esperamos 
que você participe plenamente e que seja dono dessas experiências, para 
que possa encontrar seu próprio jeito de trabalhar com a FAP. Então, por 
favor, faça uma pausa e pratique o que lhe pedimos para praticar. Como 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 11
você provavelmente sabe, treinar o conteúdo com conhecimento inte-
lectual faz pouco para mudar as habilidades reais (ver Beidas & Kendall, 
2010). Uma música surge quando você pratica totalmente a FAP, e você 
não a ouvirá se apenas ler as palavras.
Oferecemos exercícios que são práticos e interessantes e abordam 
toda a gama de princípios da FAP, a fim de facilitar a sua prática. Você 
pode praticá-los no dia a dia da sua vida pessoal, na sua prática de psi-
coterapia ou em ambos. Como você pode observar, iremos falar com 
você não apenas como terapeuta, mas como uma pessoa inteira. Temos 
várias razões para pedir a você que se envolva em uma prática pessoal dos 
princípios da FAP.
Você não está fora do processo de psicoterapia. De fato, você está no 
centro do processo. Isso inclui as palavras que você diz, as expressões que 
você mostra, onde você avança e onde você recua na dança da terapia e 
tudo o mais que contribui para como você aparece na sessão. Tudo isso é 
moldado pela sua história — não apenas o seu treinamento profissional, 
mas também a sua história pessoal de amor e conexão, de pertencimento 
e solidão, de sofrimento e luta, bem como as suas atuais circunstâncias 
de vida. Você nem sempre tem de se revelar, e pode haver partes de si 
mesmo que você nunca revelará em terapia. Contudo, uma vez que o 
processo de terapia é uma dança com nuances primorosas de influência 
entre duas pessoas, até mesmo as suas disposições mais sutis e vulneráveis 
podem, às vezes, importar.
Como terapeutas FAP, não pedimos aos clientes que pratiquem ou 
façam o que não fazemos. Para ser um instrumento sensitivo e orientar 
bem os clientes, os terapeutas devem estar familiarizados com o cami-
nho. A empatia é geralmente vivenciada por meio da experiência pessoal. 
Dito isso, você também deve ter consciência suficiente sobre as maneiras 
particulares pelas quais você viajou em seu próprio caminho para discri-
miná-las dos caminhos dos outros.
A terapia é exigente e requer autoconsciência. Os terapeutas precisam 
se envolver em práticas constantes de autocuidado e autorreflexão com-
12 Introdução
passiva. Você reagirá aos seus clientes. E, às vezes, essas reações serão in-
fluenciadas mais pela sua própria história do que pelos próprios clientes. 
Desse modo, você deve ser capaz de identificar quais de suas reações são 
principalmente sobre você e sua história, e, portanto, não fornece infor-
mações amplamente úteis sobre o cliente envolvido.
Esses aspectos citados descrevem a postura que pedimos a você 
como terapeuta da FAP. Um conjunto ligeiramente diferente de pon-
tos que definem a postura que nós convidamos você a adotar durante 
o aprendizado da FAP pode ser encontrado ao ler este livro. A seguir, 
confira algumas sugestões específicas sobre como aproveitar esta obra 
ao máximo.
Encontre parceiros de treino. Em virtude do foco da FAP nas inte-
rações interpessoais, provavelmente não será uma surpresa que alguns 
dos exercícios deste livro envolvem a interação com outras pessoas. Mui-
tos deles podem ser realizados com clientes, mas será útil fazer certos 
exercícios com outras pessoas. Aqui e agora, no início, tente identificar 
algumas pessoas que possam estar dispostas a participar de conversas pro-
fundamente sinceras com você ou a experimentar alguns jogos divertidos 
de psicologia experiencial. As pessoas escolhidas podem ser colegas, mas 
também podem ser amigos ou familiares.
Liberte-se do perfeccionismo e abrace o desconforto. Espere sentir-se 
desconfortável enquanto se envolve em muitos dos exercícios deste livro, 
além de aprender a análise funcional (se ela é nova para você) enquanto 
pratica a FAP em geral. Não há problema em se sentir desajeitado e an-
sioso. Você está praticando algo novo. Mesmo com toda a experiência, os 
autores deste livro continuam a se sentir ansiosos muitas vezes ao praticar 
a FAP ou treinar terapeutas na FAP. Você pode achar útil pensar no seu 
desconforto dessa maneira: na verdade, ele representa a sua sintonização 
e sensibilidade à dança da abertura até outra pessoa, a sua capacidade de 
se relacionar com os clientes a partir de uma fundação de humanidade 
compartilhada, em vez de a partir de uma experiência desconectada. Dis-
cutimos essa ideia em profundidade mais adiante. Agora, basta focar em 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 13
aceitar o desconforto e lembrar-se de que isso é um sinal de que você está 
no caminho certo.
Confie em sua própria experiência. Tenha em mente que a psicotera-
pia é um remédio forte, que pode ser tão prejudicial quanto benéfico se 
nãofor gerido de forma eficaz. Isso significa administrá-la localmente 
utilizando os anos que você se dedicou ao treinamento para desenvolver 
a capacidade de praticar com competência. Como não podemos saber os 
detalhes das situações que você e seus clientes enfrentam, não leve nada 
neste livro como uma recomendação absoluta. Se algo não lhe parece 
certo, confie na sua intuição e siga a sua experiência — ou procure a 
supervisão de especialistas. Vamos pedir a você para assumir riscos calcu-
lados, mas, por favor, não seja imprudente ou confie em nós cegamente.
Estenda a mão se precisar de ajuda. Se você tiver dúvidas ou preocupa-
ções sobre a FAP, não pense que isso acontece porque você é, de alguma 
forma, inadequado como terapeuta. Para que sejamos responsáveis por 
ensinar a FAP de forma eficaz e tenhamos a oportunidade de fazê-lo, nos 
informe do que você precisa. Nós nos importamos profundamente com 
este trabalho e continuamos humildes ao fazê-lo. Se entrar em contato 
com a comunidade da FAP, você receberá respostas. Basta acessar a co-
munidade da FAP enviando um e-mail para cada um de nós (para infor-
mações de contato, visite http://www.functionalanalyticpsychotherapy.
com/find-a-fap-Supervisor). Se você está no Facebook, pode pedir para 
ser adicionado ao grupo privado da FAP, ou se conhece alguém que já é 
um membro, pode pedir a essa pessoa para adicioná-lo.
Participe de treinamento formal ou supervisão. Se você quiser inten-
sificar a sua prática dos princípios do FAP, se achar que partes da FAP 
permanecem difíceis de colocar em prática ou se simplesmente deseja 
ter uma experiência poderosa da FAP em ação, considere a possibilidade 
de ingressar no treinamento on-line ou inscrever-se para supervisão com 
um dos crescentes números de treinadores da FAP em todo o mundo. 
Confira https://functionalanalyticpsychotherapy.com para uma lista dos 
próximos treinamentos, supervisores e treinadores disponíveis. Embora 
14 Introdução
esta obra ofereça ideias importantes para você ponderar, exercitar e pro-
cessar no seu próprio ritmo, workshops, treinamentos on-line e supervisão 
individual fornecerão uma maior profundidade de aprendizagem expe-
riencial sobre a FAP, de maneiras que vão além do escopo possível em 
um livro.
ORGANIZAÇÃO DO LIVRO
Este livro está organizado em duas partes. A Parte 1 (Capítulos 1 a 5) 
abrange os princípios essenciais da FAP, ao passo que a Parte 2 (Capítulos 
6 a 13) aborda a prática clínica. O Capítulo 1 apresenta uma aborda-
gem contextual da visão comportamental da conexão social, descreven-
do, a partir dessa perspectiva, como o funcionamento social influencia 
os problemas psicológicos e como as relações terapêuticas funcionam. 
O Capítulo 2 se aprofunda na perspectiva comportamental contextual 
na raiz da FAP. O Capítulo 3 introduz os princípios fundamentais da 
análise funcional aplicados à FAP. O Capítulo 4 descreve o modelo de 
consciência, coragem e amor, uma estrutura para a análise funcional das 
conexões sociais que podem ser aplicadas às relações terapêuticas, bem 
como a outros contextos sociais. Por fim, o Capítulo 5 conecta todos 
os tópicos anteriores para descrever o processo terapêutico no centro da 
FAP, encapsulado nas cinco regras da FAP.
A Parte 2 causa uma sensação ligeiramente diferente da Parte 1 por 
uma razão simples: embora a teoria seja a espinha dorsal da FAP, ter uma 
noção teórica não é o suficiente para você se tornar um clínico eficaz da 
abordagem. Um conjunto particular de habilidades — pessoais, interpes-
soais e clínicas — é necessário para colocar a teoria em uso. Vamos tratar 
disso um pouco mais amplamente no Capítulo 6, com a apresentação 
de alguns exercícios que os terapeutas podem fazer para desenvolver au-
toconsciência e flexibilidade interpessoais, que apoiam as habilidades da 
FAP. O Capítulo 7 apresenta os elementos da FAP em jogo no início 
da terapia e estabelece como fortalecer a base para o trabalho nessa fase 
inicial. O Capítulo 8 aprofunda o processo de evocar e explorar o que 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 15
está ocorrendo na sessão entre você e o cliente. O Capítulo 9 discute 
a próxima parte importante no processo da sessão: como responder às 
melhorias de um cliente de maneiras reforçadoras. O Capítulo 10 revisa 
todas as cinco regras da FAP e discute uma estrutura para utilizá-las em 
uma única interação: a interação lógica. Ele também discute como a prá-
tica real da FAP pode se desviar de algo lógico e linear. O Capítulo 11 
aborda a conceituação de casos na FAP. O Capítulo 12 aborda o dever 
de casa e os exercícios experienciais e como estes são utilizados na FAP. 
O Capítulo 13 discute o fim da terapia, um tema de atenção especial na 
abordagem.
PARTE 1
As ideias
1
Conexão social e relação 
terapêutica como contextos 
para mudanças
Não existe algo como “a pessoa se fez sozinha”. 
Nós somos feitos de milhares de outros. 
Qualquer pessoa que nos tenha feito algo de bom 
ou nos dito uma palavra de encorajamento entrou 
na construção do nosso caráter e dos nossos 
pensamentos, bem como do nosso sucesso.
George Matthews Adams
20 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
Pense, por um momento, nas interações e nos relacionamentos mais 
importantes que você teve em sua vida. Pense naquelas que foram 
mais conectadas, alegres e inspiradoras. 
Pense, também, naquelas interações que foram mais dolorosas e 
desoladoras, terminando em traição e decepção. 
Como todas essas experiências definiram você? Quais lições você 
levou adiante? Quais palavras de outra pessoa você nunca esquecerá? 
Quais hábitos, formados no passado, você repete hoje? 
Considere Tom, o cliente mencionado na Introdução, que cresceu 
em uma família tida como distante, mas, às vezes, também sufocante. 
A mãe dele — uma executiva que trabalhava bastante — ensinou-lhe 
que as emoções devem ser controladas, pois são problemas a serem 
resolvidos. Ele se sentia ansioso sobre as próprias emoções. Sentia-
-se envergonhado da sua contínua inabilidade de fazer as coisas da 
maneira como sua mãe ensinara. No ensino médio, uma professora 
incentivou a habilidade de escrita dele, dando-lhe uma experiência de 
orgulho. Daquele momento em diante, ele valorizou as suas habilida-
des literárias, mas também lutou, pois sua mãe duvidou do seu valor. 
Um pequeno grupo de amigos da faculdade fortaleceu nele uma vi-
são de como a sociedade — principalmente o mundo corporativo — 
é opressiva e antiética. Ele se sentiu próximo a eles e sentiu uma justa 
indignação com o mundo. Tom, como todas as pessoas, é a soma de 
seus relacionamentos e experiências. Ambos afetam como ele vê a 
si mesmo, os outros e o mundo e como se sente sobre essas coisas. 
Reserve de 5 a 10 minutos para escrever algumas coisas. O que 
você vivenciou e aprendeu com os relacionamentos que teve? 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 21
A FAP trata da criação de relações terapêuticas em que você se rela-
ciona hábil e estrategicamente com os clientes para criar um con-
texto de mudança. Enquanto muitas relações mudam vidas, a relação 
terapêutica visa a mudar vidas de modo terapêutico. 
Antes de entrarmos nas especificidades da FAP e na sua abordagem 
da mudança terapêutica, vamos partir do início, com a perspectiva que 
trata de cada momento da FAP. A FAP é fundamentada em uma visão 
de psicologia e influência social que integra a CBS com a crescente ci-
ência da conexão social, incluindo como as conexões sociais afetam o 
funcionamento psicológico. Esse fundamento molda a conceituação do 
relacionamento terapêutico pela FAP e a postura do terapeuta em cada 
momento com os clientes. Neste capítulo, como forma de seguir em 
direção aos aspectos clínicos mais experienciais e aplicados pela FAP, nós 
expomos essa base.
AS CONEXÕES SOCIAIS IMPORTAM
Os seres humanos necessitam de conexão social para prosperar, de modo 
que os problemas com esse tipo de conexão podem criar um profundosofrimento. Essa afirmação é baseada em um conjunto de descobertas 
científicas bem-estabelecido, que trata da importância fundamental da 
conexão social. Confira, a seguir, algumas dessas descobertas.
• Ter relações sociais pobres ou extremamente limitadas causa um 
efeito na mortalidade, sendo comparável a fumar e duas vezes 
maior quando comparado com o efeito da obesidade (Holt-Luns-
tad, Smith, & Layton, 2010). Em outras palavras, as conexões 
sociais mantêm as pessoas saudáveis e as ajudam a viver mais. 
Pesquisadores estimam que os impactos negativos na saúde de ter 
uma vida pobre ou limitada em relações sociais são equivalentes a 
fumar 15 cigarros por dia (Holt-Lunstad & Smith, 2012).
• Tanto relacionamentos pobres (caracterizados por conflitos) 
quanto relações sociais limitadas (solidão) afetam negativamente 
22 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
os hormônios do estresse, o funcionamento do sistema imuno-
lógico e o funcionamento do sistema cardiovascular, entre mui-
tos outros fatores (Kiecolt-Glaser et al., 2005; Cacioppo et al., 
2002). Na verdade, o apoio social é uma influência fundamental 
nos resultados de uma série de problemas de saúde, desde doen-
ças cardiovasculares a tuberculose e esquizofrenia (House, Landis, 
& Umberson, 1988).
• Os seres humanos têm uma considerável propriedade neural de-
dicada ao processamento de sinais sociais, e a sintonia com esses 
sinais surge nos primeiros momentos após o nascimento, quando 
os bebês se orientam em direção a rostos e imitam expressões 
faciais (Meltzoff & Moore, 1977).
• As relações sociais fazem parte dos principais mecanismos que 
conduziram à evolução do complexo cérebro humano e estão 
profundamente interligadas com sistemas biológicos que regulam 
a fisiologia e as emoções humanas (Cacioppo & Patrick, 2008; 
Porges, 2001).
Ao examinar todas essas descobertas, a ciência evolucionária apon-
ta que o funcionamento social tem sido fundamental para a sobrevi-
vência da nossa espécie e modelou quem somos — de forma genética, 
fisiológica e comportamental. Somos os ancestrais dos seres humanos 
que se relacionaram efetivamente com os outros não apenas em termos 
de mecanismos sociais com significado evolutivo óbvio, tais como in-
terações sexuais e parentalidade, mas também em termos de uma série 
de comportamentos relacionais pró-sociais que funcionam no nível de 
grupos e promovem o bem-estar do grupo, como amizade, altruísmo 
e aprendizado e resolução de problemas cooperativos (Bugental, 2000; 
Sober & Wilson, 1998). Nós nos espalhamos para cobrir o globo não 
devido à nossa força física ou à nossa inteligência individual, mas porque, 
coletivamente, nossas habilidades de conexão e cooperação nos tornam 
poderosos. (Para análises cativantes dessa perspectiva, ver Harari, 2015, 
e Henrich, 2016.)
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 23
Existem quatro ideias centrais para se entender como a evolução nos 
modelou e aos desafios sociais que enfrentamos hoje:
1. Evoluímos para nos sintonizar e operar em pequenos grupos.
2. Também evoluímos para competir com outros grupos.
3. Em qualquer relacionamento, nós trabalhamos para encontrar 
um equilíbrio entre próximo e distante.
4. O mundo atual — talvez diferente do que experimentamos em 
nossa história evolutiva — envolve navegar entre e através de vá-
rios “grupos internos” e “grupos externos” próximos e distantes. 
O mundo de hoje requer que nos tornemos hábeis em formar 
e manter relacionamentos que atravessem mudanças e em equi-
librar nossas próprias necessidades contra as necessidades dos 
vários grupos aos quais pertencemos.
Evoluímos para nos sintonizar e operar em pequenos grupos. Em-
bora hoje nós façamos parte de uma ampla gama de grupos sociais — de 
famílias a comunidades (virtuais ou não) para unidades maiores, como 
cidades, estados e nações —, os grupos-chave nos quais evoluímos e 
florescemos por dezenas de milhares de anos tendiam a ser pequenos. 
No máximo, eles normalmente alcançavam o famoso número de Dun-
bar, 150 (Dunbar, 2010). Mesmo em um mundo com sete bilhões de 
pessoas, grupos com o número de Dunbar, ou inferior a ele, tendem a 
ser os que mais nos modelam. Como a ciência do apego mostra, essa 
formação se inicia cedo, com nossos cuidadores primários (Cassidy & 
Shaver, 1999). Ela continua após a infância, com amigos adolescen-
tes e salas de aula, e, na idade adulta, com companheiros de quarto 
e parceiros românticos. Nossas emoções, comportamentos e senso de 
self e propósito estão bem-ajustados às sutilezas dos relacionamentos e 
aos vínculos que se desenvolvem dentro desses grupos relativamente 
pequenos.
A capacidade que temos de coordenar nossas ações com os outros 
depende de uma capacidade robusta de ver sentido na mente destes. 
24 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
O modelo de conectividade flexível (Levin et al., 2016; Vilardaga, Esté-
vez, Levin, & Hayes, 2012) — modelo da CBS que está reunindo supor-
te empírico — argumenta que a nossa capacidade de nos conectar com 
os outros depende de três capacidades distintas: tomada de perspectiva 
(capacidade de compreender a perspectiva do outro), empatia (capacida-
de de sentir o que se sente nessa perspectiva) e aceitação (disposição para 
experimentar os sentimentos que vêm dessa perspectiva). Essas capacida-
des são os mecanismos psicológicos da conexão. Estamos tão imersos na 
água da conexão, que é fácil esquecer que nossa capacidade de entender 
os outros é uma tarefa psicológica maravilhosamente complexa.
Por sua vez, o envolvimento efetivo nos relacionamentos favorece 
o bem-estar ideal. Por meio dos milhares de estudos sobre esse tema 
(além dos resultados citados anteriormente), três temas principais 
emergiram. O primeiro é que relacionamentos íntimos e intimidade 
são altamente benéficos (aqui, “intimidade” significa compartilhar 
pensamentos e sentimentos que você não compartilha com qualquer 
pessoa). Mesmo quando temos apenas um ou dois relacionamentos 
íntimos, tendemos a ser mais felizes e saudáveis, tanto física quanto 
mentalmente. O segundo tema é que receber apoio social é importan-
te. Mais uma vez, não são quantos amigos temos, e sim se sentimos 
que existem pessoas que nos apoiarão quando precisarmos. O terceiro 
tema envolve a participação social — sentimento de que somos parte 
de uma comunidade maior. Essa comunidade poderia ser uma família 
estendida, um grupo de amigos, uma rede de colegas de trabalho, uma 
igreja ou outro grupo religioso, um clube ou time de algum esporte ou 
uma organização voluntária. O que parece importar é sentirmos que 
pertencemos a um grupo — que é maior do que nós e nossos relacio-
namentos íntimos pessoais.
Evoluímos para competir com outros grupos. O outro lado da proxi-
midade com os outros, é claro, é a tendência de nos relacionarmos com 
cautela, reserva, competitividade e agressão. Essa tendência tem um claro 
papel em nossas relações com aqueles que estão fora dos nossos grupos 
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 25
sociais, sobretudo com pessoas em relações competitivas ou agressivas 
com nossos grupos. De fato, a ciência da evolução argumenta que nos 
unimos dentro de grupos porque um grupo altamente cooperativo pode 
competir com outros indivíduos e grupos. Em outras palavras, a forma-
ção de grupos poderosos é uma vantagem competitiva fundamental dos 
seres humanos (o que também é verdade para outros seres sociais).
Quando em competição, nós parecemos ter a capacidade de desligar 
o maquinário que sustenta a conexão. Podemos desumanizar e nos des-
conectar para não sentir a dor daqueles que prejudicamos ou ignoramos. 
Essa habilidade é subjacente ao preconceito, à esquiva (dos problemas 
dos outros), à capacidade de violência, e assim por diante (Levin et al., 
2016). Portanto, temos a capacidade de nos desconectar assim como de 
nos conectar.
Todos os relacionamentos envolvem equilibrar proximidade e dis-
tância. Em geral,nos unimos dentro de nossos grupos e competimos 
com outros que pertencem a grupos externos, porém somos sensíveis a 
danos e à exploração mesmo em nossos relacionamentos mais próximos 
e nos pequenos grupos a que pertencemos. Portanto, equilibramos cons-
tantemente proximidade e distância, conexão e desconexão, dar abertura 
e sustentar limites e oferecer aos outros e atender a nós mesmos. Inte-
ragir ou ser influenciado por outras pessoas é uma faca de dois gumes: 
pode nos fazer bem ou pode nos prejudicar. Ser próximo de outra pessoa 
sempre nos deixa um pouco vulneráveis e requer um salto de fé. Essa é a 
tensão de ser um ser humano socialmente sintonizado, com necessidades 
e vulnerabilidades sociais. Temos uma série de emoções sociais que nos 
orientam para essa tensão. Raiva quando nossas necessidades não são 
satisfeitas. Culpa ou vergonha quando violamos as necessidades do outro 
ou do grupo como um todo. Amor e gratidão quando o outro atende às 
nossas necessidades. Tristeza e pesar quando o outro nos trai.
A história de nossas relações sociais é, em muitos aspectos, uma his-
tória de como encontrar equilíbrio entre proximidade e distância — en-
tre ter nossas necessidades atendidas e nos proteger do dano e da vul-
26 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
nerabilidade. Como tal, é a história de como nos machucamos e nos 
nutrimos e, como resultado, como aprendemos a nos relacionar com os 
outros. Todos nós carregamos essa tensão, pois a evolução exigiu que os 
grupos lutassem com esse equilíbrio para obter êxito. Para sobreviver, 
tivemos de tecer linhas delicadas de conexão, mas também tivemos de 
ser capazes de cortá-las quando o custo de as manter se tornava muito 
alto. De fato, às vezes parece que a nossa própria capacidade de dar um 
passo atrás e nos desconectar — para que, então, possamos voltar e nos 
reconectar quando for a hora certa — é parte do que torna os relaciona-
mentos resilientes e flexíveis.
Hoje, o mundo é diferente. Não só todos nós experimentamos essa 
faca de dois gumes da conexão humana, como também vivemos em um 
mundo que é bastante diferente do mundo de nossos ancestrais, aquele 
que modelou e otimizou os nossos mecanismos acerca da conexão social. 
Esse mundo era, muitas vezes, pequeno e relativamente estável, com uma 
visão de mundo razoável e bem-definida e um conjunto de regras sociais. 
Por exemplo, uma criança nascida em uma tribo coletora-caçadora no 
centro-sul da África na década de 1940 viveu uma vida muito semelhan-
te a uma criança nascida na década de 1840 ou 1540, ou mesmo 40 d.C. 
Essa criança interagiu principalmente com as mesmas 20 ou 30 pessoas 
ao longo de sua vida. Esse tipo de arranjo social estável (da perspectiva 
de 2016) foi a norma, e não a exceção, para a maior parte da história 
humana.
Hoje, a escala social do mundo é muito maior. Muitos grupos — 
definidos por diferenças a respeito de crenças religiosas e políticas, focos 
profissionais, práticas culturais, hobbies, além de afiliações escolares e es-
portivas, por exemplo — se misturam e vivem juntos, o que exige muito 
mais demanda da nossa capacidade de adaptação e cooperação social. 
Por exemplo, nós experimentamos transição social após transição social, 
com as quais entramos em novos grupos, construímos novas alianças e 
decidimos em quem confiar. Essas transições podem continuar por toda 
a nossa vida, e podemos nunca nos estabelecer em uma comunidade es-
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 27
tável. Nossa visão de mundo pode diferir tão marcadamente da de nossos 
próprios pais, que temos dificuldade em nos relacionarmos com eles. Ao 
mesmo tempo, somos também filhos de pais que enfrentaram perturba-
ções semelhantes no seu tecido social, bem como conflitos e negociações 
similares. Hoje, enfrentamos desafios que forçam a nossa capacidade de 
adaptação social como parte normal da vida.
O CONTEXTO SOCIAL IMPORTA
O legado dessa história evolucionária se reflete profundamente na nossa 
psicologia. Não é que apenas somos sensíveis e nos sentimos melhores 
ou piores dependendo de como as pessoas interagem conosco; em todas 
as nossas interações humanas, estamos trabalhando para equilibrar pro-
ximidade e distância, aprendendo as lições de nossos relacionamentos e 
carregando as cicatrizes e as vitórias deles. Navegar no mundo social é 
tão importante para a nossa espécie, que as relações sociais nos modelam. 
Elas deixam marcas duradouras, influenciando o nosso comportamento 
e bem-estar.
As ligações entre dificuldades com conexão social e problemas psico-
lógicos são profundas e existem em quase todos os principais transtornos 
psiquiátricos (Barnett & Gotlib, 1988; Beck, 2010; Horowitz, 2004; 
Leach & Kranzler, 2013; McEvoy, Burgess, Page, Nathan, & Fursland, 
2013; Pettit & Joiner, 2006; Pincus, 2005). A seta causal provavelmente 
aponta para ambas as direções: estressores sociais causam estresse psi-
cológico, que, por sua vez, cria estresse social. Como resultado, muitos 
clientes que procuram a psicoterapia não estão apenas lutando com eles 
mesmos, mas também com os outros, e muitas vezes eles têm uma longa 
e dolorosa história de como fazer isso.
Considere Mark, um cliente que entrou em depressão após perder 
o emprego oito meses atrás e que agora está quase totalmente isolado. 
Embora ele possa parecer egoísta e afastado, seu isolamento é, na ver-
dade, intensamente interpessoal. Mark cresceu em uma casa em que era 
geralmente ignorado ou criticado; devido a esse contexto, desenvolveu 
28 Conexão social e relação terapêutica como contextos para mudanças
a sensação permanente de que algo estava errado com ele. Ele experi-
menta baixos níveis de ansiedade e de reticência, que se instalam em 
seu corpo sempre que ele está perto de pessoas que teme que o avaliarão 
de modo negativo. Mark lidou com seu senso de inadequação, tornan-
do-se muito direcionado a agradar os outros, de modo que a maioria 
das pessoas pensa que ele é um cara legal. Ainda assim, como se lhe 
pedissem para falar uma língua que nunca aprendeu, ele tem poucas 
palavras para expressar suas próprias necessidades ou sentimentos; ele 
só sabe que se sente “mal”. À medida que sua depressão se aprofun-
dava, ele se tornava cada vez mais oprimido por telefonemas e e-mails 
de amigos e familiares. Para ele, foi mais fácil evitar a proximidade do 
que sentir a dor de falar com eles. Agora, ele está congelado em um 
torturante isolamento, alternando entre vários estados aversivos: seve-
ra autocrítica e desespero; culpa por seu contínuo afastamento, que 
ele sabe que preocupa profundamente a sua família; e distanciamento 
entorpecido, girando em torno do sono, da televisão e da pornografia, 
que apenas reforça a sua crença de que ele é inútil.
Ou considere Joan, que sofre de dor crônica relacionada com uma 
lesão no trabalho que ocorreu há vários anos. Embora a causa mais óbvia 
de sua dor seja a própria lesão, o sofrimento de Joan, no contexto atual, 
envolve muitas outras pessoas. Ela se sente culpada por ser um fardo para 
o seu marido, que não apenas está mantendo a família financeiramente, 
mas também cuidando de todas as tarefas domésticas. Conduzida pela 
culpa, Joan periodicamente se esforça demais em casa, exacerbando a sua 
dor. Quando seu fisioterapeuta prescreveu exercícios que eram muito 
difíceis, ela estava muito envergonhada para dizer isso a ele, de modo 
que, em vez disso, cancelou várias sessões seguidas. Em geral, Joan evita 
buscar por amigos ou ex-colegas de trabalho, pois ela está envergonhada 
e frustrada e não quer que as pessoas a vejam “assim”. Ocasionalmente, 
ela expressa sua frustração por meio de comentários hostis aos filhos ou 
ao marido. Ao longo de vários meses, ela passou a atender aos critérios 
de depressão.
Psicoterapia analítica funcional descomplicada 29
Em ambos os casos, embora seja possível imaginar uma versão do 
problema da pessoa ocorrendo fora do contexto social, só podemos 
compreender a história completa

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