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SUMÁRIO
Habeas Data (Lei 9.507/97) .............................................................................................................. 5
ADI, ADC, ADO (Lei 9.868/99) ........................................................................................................ 16
ADPF (Lei 9.882/99) ....................................................................................................................... 61
ADI Interventiva Federal (Lei 12.562/11) ....................................................................................... 72
Soberania Popular (Lei 9.709/98) ................................................................................................... 79
CPIs (Lei 1.579/52) ......................................................................................................................... 84
Súmulas Vinculantes (Lei 11.417/06) ............................................................................................. 94
Interceptação Telefônica (Lei 9.296/96) ...................................................................................... 106
A LEGISLAÇÃO CONSTITUCIONAL COORDENADA possui o tripé da aprovação:
LEI SECA:
Texto completo das Leis, extraídos do site do Planalto e devidamente adaptados ao layout da
Coleção Legislação Coordenada.
JURISPRUDÊNCIAS:
Principais Súmulas do STF e STF;
Principais jurisprudências vinculantes do STF e STJ.
DOUTRINA UTILIZADA COMO BASE:
Manual de Direito Constitucional, Coleção Manuais Dizer o Direito (2024)
Direito Constitucional Esquematizado, Pedro Lenza (2024)
Curso de Direito Constitucional, Marcelo Novelino (2021)
Curso de Direito Constitucional, Bernardo Gonçalves Fernandes (2020)
ESPAÇO RESERVADO
Habeas Data (Lei 9.507/97)
CONSIDERAÇÕES SOBRE O HABEAS DATA
Segundo Marcelo Novelino, referida ação surgiu como resposta à “experiência constitucional
anterior, em que os dados referentes às convicções e condutas dos indivíduos eram arquivados de
forma sigilosa pelo governo, prática incompatível com o modelo político-jurídico consagrado na
nova ordem constitucional que ´rejeita o poder que oculta e o poder que se oculta´. A Constituição
se limita a estabelecer as hipóteses de cabimento (CF, art.5°, LXXII) e a gratuidade dessa ação (CF,
art. 5°, LXXII), sendo todo o procedimento disciplinado pela Lei 9.507/97. Trata-se de garantia
jurídico-processual de natureza constitucional, com caráter civil e rito sumário, caracterizada pela
celeridade de seu procedimento”.
Marcelo Novelino, Curso de Direito Constitucional (2022)
LEGITIMIDADE
ATIVA
• Pessoa física ou jurídica (direito público ou privado), nacional ou estrangeira.
• A ação é personalíssima (só pode ser impetrada pelo titular do direito
fundamental).
• A impetração por terceiros só é admitida por herdeiros/sucessores do titular,
excepcionalmente, para evitar o uso ilegítimo de dados do de cujus.
• Não há previsão constitucional ou infraconstitucional do habeas data
‘coletivo. STF. 2ª Turma. HC 143641/SP (Info 891)
LEGITIMIDADE
PASSIVA
• Órgão ou entidade detentores da informação que se quer obter, retificar ou
complementar (doutrina majoritária e art. 2° da Lei 9.507/97);
• Pode ser entidade privada que possua informações de caráter público (ex.
Serasa). Novelino explica que a legitimidade passiva não “depende da natureza
pública do órgão/entidade, mas sim da natureza da própria informação
pretendida (deve ter caráter público).
OBJETO e
OBJETIVO
OBJETO
Tutela dos direitos fundamentais à privacidade (CF, art. 5°, X) e de
acesso à informação (CF, art. 5°, XIV e XXXIII)
OBJETIVO
Assegurar o conhecimento, a retificação e/ou a complementação de
informações pessoais presentes em registros de dados públicos,
sempre que não se prefira fazê-lo por processo sigiloso (judicial ou
administrativo).
HABEAS DATA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL:
(CF, Art. 5º, LXXII) Conceder-se-á habeas data para assegurar o conhecimento de informações:
a. relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público;
b. para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;
⚡️Art. 1º (VETADO)
Parágrafo único. Considera-se de caráter público todo registro ou banco de dados contendo
informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo
do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações.
Art. 2° O requerimento será apresentado ao órgão ou entidade depositária do registro ou banco
de dados e será deferido ou indeferido no prazo de 48 horas.
Parágrafo único. A decisão será comunicada ao requerente em 24 horas.
Art. 3° Ao deferir o pedido, o depositário do registro ou do banco de dados marcará dia e hora
para que o requerente tome conhecimento das informações.
Art. 4° Constatada a inexatidão de qualquer dado a seu respeito, o interessado, em petição
acompanhada de documentos comprobatórios, poderá requerer sua retificação.
§ 1° Feita a retificação em, no máximo, 10 dias após a entrada do requerimento, a entidade ou
órgão depositário do registro ou da informação dará ciência ao interessado.
§ 2° Ainda que não se constate a inexatidão do dado, se o interessado apresentar explicação ou
contestação sobre o mesmo, justificando possível pendência sobre o fato objeto do dado, tal
explicação será anotada no cadastro do interessado.
Art. 5° (VETADO)
Art. 6° (VETADO)
⚡️Art. 7° Conceder-se-á habeas data:
I - para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes
de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
II - para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou
administrativo;
III - para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre
dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável.
HIPÓTESES DE CABIMENTO DO HABEAS DATA
CF/88 LEI 9.507/97
Assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.
Retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
-
Anotação nos assentamentos do interessado, de
contestação ou explicação sobre dado
verdadeiro, mas justificável e que esteja sob
pendência judicial ou amigável.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5, LXXII, a) se não houve recusa de informações por
parte da autoridade administrativa.
O habeas data é a garantia constitucional adequada para a obtenção dos dados concernentes ao
pagamento de tributos do próprio contribuinte constantes dos sistemas informatizados de apoio à
arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais. STF. Plenário. RE 673707/MG,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/6/2015 (Info 790)
Art. 8° A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 285 do Código de
Processo Civil (art. 319 a 321 CPC/15), será apresentada em 2 vias, e os documentos que instruírem a
primeira serão reproduzidos por cópia na segunda.
(CPC/15, art. 319) A petição inicial indicará:Ricardo Lewandowski, julgado em 2/9/2020 (Info 989)
§ 2o O relator poderá, ainda, solicitar informações aos Tribunais Superiores, aos Tribunais
federais e aos Tribunais estaduais acerca da aplicação da norma impugnada no âmbito de sua
jurisdição.
§ 3o As informações, perícias e audiências a que se referem os parágrafos anteriores serão
realizadas no prazo de 30 dias, contado da solicitação do relator.
SEÇÃO II
DA MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
⚡️Art. 10. Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por
decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a
audiência dos órgãos ou autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que
deverão pronunciar-se no prazo de 5 dias.
Alegação de contrariedade à Súmula Vinculante 10 do STF. (...) Indeferimento de medida cautelar
não afasta a incidência ou declara a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Decisão proferida
em sede cautelar: desnecessidade de aplicação da cláusula de reserva de plenário estabelecida no
art. 97 da CR. STF, Rcl 10.864-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 24.3.2011, Plenário, DJE de
13.4.2011
§ 1o O relator, julgando indispensável, ouvirá o ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO e o
PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA, no prazo de 3 dias.
§ 2o No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos
representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela expedição do
ato, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal.
§ 3o Em caso de excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a
audiência dos órgãos ou das autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado.
O amicus curiae não tem legitimidade para propor ação direta; logo, também não possui
legitimidade para pleitear medida cautelar. Assim, a entidade que foi admitida como amicus curiae
em ADPF não tem legitimidade para, no curso do processo, formular pedido para a concessão de
medida cautelar. STF. Plenário. ADPF 347/DF, julgado em 18/3/2020 (Info 970)
Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção
especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no
prazo de 10 dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato,
observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo.
§ 1o A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc,
salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.
NÃO CONFUNDA OS EFEITOS
CONCESSÃO DE MEDIDA CAUTELAR DECISÃO DEFINITIVA
Em regra, a eficácia é ex nunc (não retroage).
Pode o STF conceder eficácia retroativa (art. 11,
§1°).
Em regra, a eficácia é ex tunc (retroage).
Pode o STF (2/3) modular os efeitos da decisão
(art. 27).
§ 2o A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo
expressa manifestação em sentido contrário.
É constitucional a parte final do § 2º do art. 11. STF. Plenário. ADI 2154/DF e ADI 2258/DF, julgados
em 03/04/2023 (Info 1089)
EFEITOS DA CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR EM ADI
Em regra, ocorre o efeito repristinatório da legislação anterior (parte inicial do §2°). Contudo, o STF
pode expressamente manifestar-se pela não ocorrência do efeito repristinatório (parte final do §2°).
EFEITO REPRISTINATÓRIO X REPRISTINAÇÃO (CC/02)
EFEITO REPRISTINATÓRIO REPRISTINAÇÃO DO CC/02
É automático, pois basta a concessão da cautelar
para ocorrer. Apesar disso, pode o STF decidir
pela não ocorrência.
Depende de previsão expressa na lei para
ocorrer.
EFEITO REPRISTINATÓRIO INDESEJADO
É uma circunstância em que a norma que volta a vigorar padece dos mesmos defeitos da norma
declarada inconstitucional. Nesse caso, para se evitar tal efeito, devem-se formular pedidos
sucessivos de declaração de inconstitucionalidade, tanto do diploma ab-rogatório quanto das
normas por ele revogadas, sob pena de não conhecimento da ADI.
JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE O ASSUNTO
Foi proposta uma ADI contra a Lei nº 3.041/2005, do Estado do Mato Grosso do Sul, que tratava
sobre assunto de competência da União e havia revogado outras leis estaduais de mesmo conteúdo.
Desse modo, se a Lei nº 3.041/2005 fosse, isoladamente, declarada inconstitucional, as demais leis
revogadas "voltariam" a vigorar mesmo padecendo de idêntico vício. A fim de evitar essa "eficácia
repristinatória indesejada", o PGR impugnou não apenas a Lei nº 3.041/2005, mas também aquelas
outras normas por ela revogadas. O STF concordou com o PGR e, ao declarar inconstitucional a Lei
nº 3.041/2005, afirmou que não deveria haver o efeito repristinatório em relação às leis anteriores
de mesmo conteúdo. O dispositivo do acórdão ficou, portanto, com a seguinte redação:
O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou procedente o pedido formulado
para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 3.041/2005, do Estado de Mato Grosso do
Sul, inexistindo efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo, (...)" (grifou-
se) STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 8/9/2016 (Info 838)
⚡️Art. 12. Havendo pedido de medida cautelar, o relator, em face da relevância da matéria e de
seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a prestação das
informações, no prazo de 10 dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do Procurador-
Geral da República, sucessivamente, no prazo de 5 dias, submeter o processo diretamente ao Tribunal,
que terá a faculdade de julgar definitivamente a ação.
CAPÍTULO II-A
DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO
(Incluído pela Lei nº 12.063, de 2009)
SEÇÃO I
DA ADMISSIBILIDADE E DO PROCEDIMENTO DA
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO
Art. 12-A. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) os
legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de
constitucionalidade.
Art. 12-B. A petição indicará:
I - a omissão inconstitucional total ou parcial quanto ao cumprimento de dever constitucional
de legislar ou quanto à adoção de providência de índole administrativa;
II - o pedido, com suas especificações.
Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, se for o caso,
será apresentada em 2 vias, devendo conter cópias dos documentos necessários para comprovar a
alegação de omissão.
Art. 12-C. A petição inicial inepta, não fundamentada, e a manifestamente improcedente serão
liminarmente indeferidas pelo relator.
Parágrafo único. Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial.
Art. 12-D. Proposta a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá
desistência.
Art. 12-E. Aplicam-se ao procedimento da ação direta de inconstitucionalidade por omissão,
no que couber, as disposições constantes da Seção I do Capítulo II desta Lei.
§ 1o Os demais titulares referidos no art. 2o desta Lei poderão manifestar-se, por escrito, sobre
o objeto da ação e pedir a juntada de documentos reputados úteis para o exame da matéria, no prazo
das informações, bem como apresentar memoriais.
§ 2o O relator poderá solicitar a manifestação do Advogado-Geral da União, que deverá ser
encaminhada no prazo de 15 dias.
§ 3o O Procurador-Geral da República, nas ações em que não for autor, terá vista do processo,
por 15 dias, após o decurso do prazo para informações.
ADI POR OMISSÃO
Relator poderá solicitar manifestação do AGU
Nas ações em não for autor, o PGR terá vista do
processo
JURISPRUDÊNCIA SOBRE REVISÃO GERAL ANUALSão inconstitucionais, por vício de iniciativa, leis estaduais deflagradas pelos Poderes e órgãos
respectivos que preveem recomposição linear nos vencimentos e nas funções gratificadas de seus
servidores públicos, extensiva a aposentados e pensionistas, com o intuito de recuperar a perda do
poder aquisitivo da moeda. A revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, conforme
o art. 37, X, da Constituição Federal, é de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, conforme
estabelecido no art. 61, § 1º, inciso II, alínea “a”, da Constituição. A revisão geral anual não se
confunde com aumento real de remuneração, sendo destinada apenas a recompor a perda do poder
aquisitivo da moeda, sem gerar ganho real para os servidores. Quando ocorre um ganho real, trata-
se de reajuste, e a iniciativa legislativa deve ser específica para cada Poder ou órgão com autonomia
administrativa, financeira e orçamentária. As leis estaduais do Rio Grande do Sul impugnadas (Leis
nº 14.910, 14.911, 14.912, 14.913 e 14.914 de 2016) foram consideradas inconstitucionais porque
visaram a recompor perdas inflacionárias, caracterizando-se como revisão geral anual, mas não
foram de iniciativa do chefe do Poder Executivo, conforme exigido pela Constituição Federal. STF.
Plenário. ADI 5.562/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 01/07/2024 (Info 1143)
O não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos,
previsto no inciso X do art. 37 da CF/88, não gera direito subjetivo a indenização. Deve o Poder
Executivo, no entanto, se pronunciar, de forma fundamentada, acerca das razões pelas quais não
propôs a revisão. STF. Plenário. RE 565089 /SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 25/9/2019 (Tema 19 RG) (Info 953)
Nas ações diretas de inconstitucionalidade por omissão sobre a revisão geral anual, é imperiosa a
indicação do presidente da República no polo passivo. É do Presidente da República a iniciativa
legislativa para a lei que disponha sobre a revisão geral anual. Sendo assim, nas ações diretas de
inconstitucionalidade por omissão, a ausência de indicação do Presidente da República, no polo
passivo da demanda, não permite depreender a exata dimensão da ofensa ao dever de legislar, a
desautorizar o conhecimento da ação (a ação não é conhecida). STF. Plenário. ADO 42/DF AgR, Rel. Min.
Edson Fachin, julgado em 29/05/2020
Atenção
O julgado se refere à revisão geral anual em âmbito federal, por isso a menção ao Presidente da
República. Caso se referisse ao âmbito estadual, seria obrigatória a presença do respectivo chefe do
Poder Executivo no polo passivo (Governador), tendo em vista o princípio da simetria. Além disso,
revisão geral anual (todos os servidores indistintamente) é competência do CHEFE DO PODER
EXECUTIVO. Aumentos setoriais são de competência do respectivo chefe de Poder ou Instituição.
Exemplo: aumento apenas para servidores do Poder Judiciário Federal é de iniciativa do STF.
SEÇÃO II
DA MEDIDA CAUTELAR EM
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO
(Incluído pela Lei nº 12.063, de 2009)
⚡️Art. 12-F. Em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da
maioria absoluta de seus membros, observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida
cautelar, após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que
deverão pronunciar-se no prazo de 5 dias.
§ 1o A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo
questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de
procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal.
§ 2o O relator, julgando indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3
dias.
§ 3o No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos
representantes judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão
inconstitucional, na forma estabelecida no Regimento do Tribunal.
Art.12-G. Concedida a medida cautelar, o STF fará publicar, em seção especial do Diário Oficial
da União e do Diário da Justiça da União, a parte dispositiva da decisão no prazo de 10 dias, devendo
solicitar as informações à autoridade ou ao órgão responsável pela omissão inconstitucional,
observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I do Capítulo II desta Lei.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12063.htm#art1
MEDIDA CAUTELAR ADI X ADO X ADC X ADPF X ADI INTERVENTIVA
ADI GENÉRICA
Lei 9.868/99
Art. 11,
§ 1º
A medida cautelar, dotada de eficácia erga omnes, será concedida com efeito
ex nunc, salvo se o Tribunal decidir pela concessão de eficácia retroativa.
Art. 11,
§ 2º
A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior, acaso
existente, exceto expressa manifestação em sentido contrário.
ADO
Lei 9.868/99 Art. 12-F,
§ 1º
A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do
ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na
suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou
ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal.
ADC
Lei 9.868/99
Art. 21,
caput
O STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir
pedido de medida cautelar na ADC, consistente na determinação de que os
juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam
a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação, até seu julgamento
definitivo.
Art. 21,
parágrafo
único
Concedida a medida cautelar, o STF fará publicar, em seção especial do
DOU, a parte dispositiva da decisão, no prazo de 10 dias, devendo o tribunal
proceder ao julgamento da ação no prazo de 180 dias, sob pena de perda
de sua eficácia.
ADPF
Lei 9.882/99
Art. 5º,
§ 1º
Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período
de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal
Pleno.
Art. 5º,
§ 3º
A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais
suspendam o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou
de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da
ADPF, salvo se decorrentes da coisa julgada.
ADI
Interventiva
Lei 12.562/11
Art. 5º,
§ 2º
A liminar poderá consistir na determinação de que se suspenda o andamento
de processo ou os efeitos de decisões judiciais ou administrativas ou de
qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da
representação interventiva.
SEÇÃO III
(Incluído pela Lei nº 12.063, de 2009).
DA DECISÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO
Art. 12-H. Declarada a inconstitucionalidade por omissão, com observância do disposto no art.
22, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias.
§ 1o Em caso de omissão imputável a órgão administrativo, as providências deverão ser
adotadas no prazo de 30 dias, ou em prazo razoável a ser estipulado excepcionalmente pelo Tribunal,
tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido.
§ 2o Aplica-se à decisão da ação direta de inconstitucionalidade por omissão, no que couber, o
disposto no Capítulo IV desta Lei.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Não há inércia legislativa apta a caracterizar mora inconstitucional quanto à regulamentação da
polícia penal, quando existe processo de implementação em curso, com medidas objetivas, a
evidenciar um andamento compatível com a complexidade do desenho administrativoe financeiro
exigido para a nova carreira. Conforme jurisprudência desta Corte, a simples inexistência de um
diploma “acabado” não basta para configurar a omissão, sendo imprescindível a identificação de
reticência injustificável, aferida pelo tempo decorrido, pelas providências concretas já adotadas e
pela complexidade institucional da matéria. STF, ADO 88/MG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento
virtual finalizado em 24.10.2025 (Info 1196)
O Congresso Nacional está em mora quanto ao dever constitucional de regulamentar e tornar
efetivo o dispositivo que confere aos trabalhadores urbanos e rurais o direito social à proteção em
face da automação (CF/1988, art. 7º, XXVII). A ausência de regulamentação desse direito, após mais
de três décadas, configura omissão inconstitucional, pois o avanço da automação pode provocar
desemprego estrutural, exigir requalificação profissional e impactar a saúde e segurança no
trabalho (CF/1988, art. 7º, XXII). Diante desse cenário, a atuação normativa do Congresso Nacional
é indispensável para assegurar a adaptação dos trabalhadores às transformações tecnológicas, por
meio da capacitação profissional, da negociação coletiva e de medidas de preservação do emprego
(CF/1988, art. 170, VIII), sem que isso represente obstáculo ao desenvolvimento científico e à
inovação (CF/1988, art. 218, caput). STF, ADO 73/DF, relator Ministro Luís Roberto Barroso, julgamento
finalizado em 09.10.2025 (Info 1194)
Não há inércia legislativa quando sua atuação resulta em projetos de lei integralmente vetados pelo
Presidente da República. Por essa razão, o Congresso Nacional não está em mora na edição da lei
complementar atinente à criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios (CF/1988,
art. 18, § 4º). STF, ADO 70/PA, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 26.09.2025 (Info
1191)
Não há omissão constitucional na regulamentação da assistência aos herdeiros e dependentes
carentes de pessoas vitimadas por crimes dolosos (CF/1988, art. 245), pois não há inércia
deliberativa do poder público no oferecimento de respostas às necessidades sociais e econômicas
oriundas do cometimento de crimes. STF, ADO 62/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual
finalizado em 18.08.2025 (Info 1186)
O Congresso Nacional está em mora na edição da lei regulamentadora referente à tipificação penal
da retenção dolosa do salário dos trabalhadores urbanos e rurais (CF/1988, art. 7º, X). STF, ADO
82/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 23.05.2025 (Info 1179)
CAPÍTULO III
DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE
SEÇÃO I
DA ADMISSIBILIDADE E DO PROCEDIMENTO DA
AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE
Art. 13. Podem propor a ação declaratória de constitucionalidade (ADC) de lei ou ato normativo
federal:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa da Câmara dos Deputados;
III - a Mesa do Senado Federal;
IV - o Procurador-Geral da República.
Ver tabelas do art. 2°
Art. 14. A petição inicial indicará:
I - o dispositivo da lei ou do ato normativo questionado e os fundamentos jurídicos do pedido;
II - o pedido, com suas especificações;
III - a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da
ação declaratória.
Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, quando
subscrita por advogado, será apresentada em 2 vias, devendo conter cópias do ato normativo
questionado e dos documentos necessários para comprovar a procedência do pedido de declaração
de constitucionalidade.
Art. 15. A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão
liminarmente indeferidas pelo relator.
Parágrafo único. Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial.
⚡️Art. 16. Proposta a ação declaratória, não se admitirá desistência.
Art. 17. (VETADO)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/1999/Mv1674-99.htm
⚡️Art. 18. Não se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação declaratória de
constitucionalidade.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM ADC
REGRA EXCEÇÃO
NÃO SE ADMITE (Art. 7°)
Pessoa física não tem representatividade
adequada para intervir na qualidade de “amigo
da Corte” em ação direta. STF, ADI 3396 AgR/DF,
Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info
985)
É possível o ingresso de amicus curiae (art.7°,
§2°). Como se sabe, o CPC/15 incluiu esse
instituto como uma modalidade de intervenção
de terceiros. Desse modo, em tese, é admissível
a intervenção de terceiros em ADI.
Atenção
Para fins de prova, guarde a regra geral, pois
geralmente é o que as bancas cobram em
questões objetivas.
Art. 19. Decorrido o prazo do artigo anterior, será aberta vista ao Procurador-Geral da
República, que deverá pronunciar-se no prazo de 15 dias.
Art. 20. Vencido o prazo do artigo anterior, o relator lançará o relatório, com cópia a todos os
Ministros, e pedirá dia para julgamento.
§ 1o Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de
notória insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações
adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão ou fixar
data para, em audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na
matéria.
§ 2o O relator poderá solicitar, ainda, informações aos Tribunais Superiores, aos Tribunais
federais e aos Tribunais estaduais acerca da aplicação da norma questionada no âmbito de sua
jurisdição.
§ 3o As informações, perícias e audiências a que se referem os parágrafos anteriores serão
realizadas no prazo de 30 dias, contado da solicitação do relator.
SEÇÃO II
DA MEDIDA CAUTELAR EM AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE
Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá
deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na
determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a
aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo.
É constitucional o art. 21 da Lei 9.868/99. STF, ADI 2154/DF e ADI 2258/DF, julgados em 03/04/2023 (Info
1089)
Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em
seção especial do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de 10 dias, devendo
o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de 180 dias, sob pena de perda de sua eficácia.
Ao conceder uma medida cautelar em ADI, pode-se verificar facilmente o resultado prático, que é a
declaração liminar da inconstitucionalidade da norma. Porém, na ADC, esse resultado não é tão
óbvio, já que toda lei é considerada constitucional até ser comprovado o contrário (presunção de
constitucionalidade das leis). Portanto, se o STF declarasse liminarmente a constitucionalidade da
norma, ele estaria apenas atribuindo efeitos já existentes. Para tornar a concessão de medida
cautelar na ADC mais eficaz, foi estabelecido o seguinte objetivo: suspende-se a análise de
processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo em questão, até sua decisão final.
Vale destacar que, apenas na ADC, o STF tem o prazo de 180 dias para julgar, caso conceda a
cautelar.
CAPÍTULO IV
DA DECISÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E
NA AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE
Art. 22. A decisão sobre a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato
normativo somente será tomada se presentes na sessão pelo menos 8 Ministros.
Art. 23. Efetuado o julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade
da disposiçãoou da norma impugnada se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo menos
6 Ministros, quer se trate de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de
constitucionalidade.
Parágrafo único. Se não for alcançada a maioria necessária à declaração de constitucionalidade
ou de inconstitucionalidade, estando ausentes Ministros em número que possa influir no julgamento,
este será suspenso a fim de aguardar-se o comparecimento dos Ministros ausentes, até que se atinja
o número necessário para prolação da decisão num ou noutro sentido.
QUÓRUM DE PRESENÇA x QUÓRUM DE VOTAÇÃO
Quórum de PRESENÇA (art. 22) Presentes na sessão pelo menos 8 Ministros (2/3)
Quórum de VOTAÇÃO (art. 23) Manifestado pelo menos 6 Ministros (maioria absoluta)
Art. 24. Proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou
procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á procedente
a ação direta ou improcedente eventual ação declaratória.
AMBIVALÊNCIA (DUPLICIDADE ou FUNGIBILIDADE) DA ADI E DA ADC
ADI
PROCEDENTE a ADI A norma é declarada INCONSTITUCIONAL
IMPROCEDENTE a ADI A norma é declarada CONSTITUCIONAL
ADC
PROCEDENTE a ADC A norma é declarada CONSTITUCIONAL
IMPROCEDENTE a ADC A norma é declarada INCONSTITUCIONAL
São irmãs, cujo alcance é chegar-se à conclusão quer sobre o vício, quer sobre a harmonia do texto
em questão com a Carta da República. O que as difere é o pedido formulado. Na ação direta de
inconstitucionalidade, requer-se o reconhecimento do conflito do ato atacado com a Constituição
Federal, enquanto na declaratória de constitucionalidade busca-se ver proclamada a harmonia. A
nomenclatura de cada qual das ações evidencia tal diferença (STF, ADI 3.324).
Art. 25. Julgada a ação, far-se-á a comunicação à autoridade ou ao órgão responsável pela
expedição do ato.
Art. 26. A decisão que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei ou do ato
normativo em ação direta ou em ação declaratória é irrecorrível, ressalvada a interposição de
embargos declaratórios, não podendo, igualmente, ser objeto de ação rescisória.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
É constitucional a parte final do art. 26. STF, ADI 2154/DF e ADI 2258/DF, julgados em 03/04/2023 (Info
1089)
É cabível a oposição de embargos de declaração para fins de modulação dos efeitos de decisão
proferida em ação direta de inconstitucionalidade, ficando seu acolhimento condicionado,
entretanto, à existência de pedido formulado nesse sentido na petição inicial. STF, ADI 2791/PR,
julgamento em 22.4.09
⚡️Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de
segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria de 2/3 de seus
membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu
trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. [Modulação dos efeitos da decisão]
IMPORTANTE
No julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral, para modular os efeitos da
decisão, existe uma diferença de quórum, a depender de dois casos. Assim, SE A DECISÃO:
NÃO DECLARAR INCONSTITUCIONALIDADE DECLARAR A INCONSTITUCIONALIDADE
Maioria absoluta para modular efeitos. 2/3 para modular efeitos.
TEORIA DA RESERVA DO IMPOSSÍVEL
Antes de tudo, não confunda esta teoria com a da reserva do possível (utilizada pelo Poder Público
para justificar a impossibilidade de efetivação de direitos fundamentais, por ausência de recursos
orçamentários). Ou seja, a reserva do impossível não é o avesso, nem o oposto da reserva do
possível.
Conforme Uadi Lammêgo Bulos, “por força do princípio da reserva do impossível, existem matérias
que, em termos formais, aparentam ser inconstitucionais. No entanto, devido à impossibilidade
fática, o STF impede a anulação do ato inconstitucional, a fim de evitar danos irreparáveis ao Estado.
Dessa forma, existem situações excepcionais estabelecidas que devem ser mantidas para preservar
a força normativa dos fatos, a segurança da ordem jurídica, a continuidade do Estado, os valores
éticos da convivência pacífica entre os indivíduos, a confiança e a boa-fé das relações sociais. Isso
permite ao STF modular os efeitos da decisão que declara a inconstitucionalidade para o futuro”. O
Autor prossegue ensinando que “o princípio da reserva do impossível, no âmbito do controle
concentrado, não é a regra. Sua aplicação é excepcionalíssima, justificando-se em nome da:
modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade (Lei 9.868/99, art. 27); da declaração
de inconstitucionalidade sem pronúncia da nulidade (...)”.
Atenção
O STF utilizou essa teoria na ADI 2.240/BA. Referida ação fora proposta pelo Partido dos
Trabalhadores (PT) contra a Lei estadual nº 7.619/2000, que criou o Município de Luís Eduardo
Magalhães, na Bahia. O partido alegou que a criação do município violava o artigo 18, § 4º, da CF/88,
pois ocorreu sem a edição da lei complementar federal exigida para a criação de novos municípios.
No caso, apesar da inconstitucionalidade formal, o STF decidiu não pronunciar imediatamente a
nulidade da norma. Em vez disso, modulou os efeitos da decisão, concedendo um prazo de 24 meses
para que o legislador estadual estabelecesse novo regramento, preservando, assim, a autonomia
do município e evitando prejuízos à segurança jurídica e ao princípio federativo.
Fonte: Terminologias e Teorias Inusitadas para Concursos Públicos, pág. 186/188Juspodivm (2024)
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Não configura inconstitucionalidade por omissão — por alegada ofensa aos princípios do
contraditório e da ampla defesa quanto à participação da sociedade civil no processamento das
ações declaratórias de constitucionalidade — o veto presidencial aos textos constantes do art. 17 e
dos §§ 1º e 2º do art. 18 do projeto de lei convertido na Lei nº 9.868/99. É constitucional a norma
contida no art. 27 da Lei nº 9.868/99, que permite a modulação de efeitos, pelo STF, da decisão que
declara a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Além disso, o STF também declarou
constitucionais: i) a parte final do § 2º do art. 11; ii) o art. 21; e iii) a parte final do art. 26. STF, ADI
2154/DF e ADI 2258/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, redatora do acórdão Min. Cármen Lúcia, julgados em 03/04/2023
(Info 1089)
Exige-se quórum de maioria absoluta dos membros do STF para modular os efeitos de decisão
proferida em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral, no caso em
que não tenha havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Desse modo, no
julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral reconhecida, na modulação
de dos efeitos, deve-se observar o seguinte:
1. Se declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros.
2. Se não declarou a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta. STF, RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 18/12/2019 (Info 964)
⚡️Art. 28. Dentro do prazo de 10 dias após o trânsito em julgado da decisão, o STF fará publicar
em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão.
Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a
interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução
de texto, têm EFICÁCIA CONTRA TODOS e EFEITO VINCULANTE em relação aos órgãos do Poder
Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.
INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO
Pode ser utilizada como uma técnica de interpretação ou como uma técnica de decisão em controle
de constitucionalidade.
TÉCNICA DE
INTERPRETAÇÃOÉ utilizada pelos operadores do Direito em geral. Ao interpretar o texto das leis,
você deve buscar sempre um sentido que seja compatível com as normas
constitucionais.
TÉCNICA DE
DECISÃO
É utilizada pelo Judiciário no controle de constitucionalidade das leis. Aplica-se
nos casos de textos polissêmicos ou plurissignificativas (diferentes
possibilidades de interpretação).
O órgão julgador elimina a inconstitucionalidade excluindo um ou mais
sentidos inconstitucionais da norma, dizendo qual a interpretação (sentido)
que é compatível com a Constituição.
Ex.: Na ADI 4.277, o STF atribuiu ao art. 1.723 do Código Civil interpretação
conforme a Constituição para dele “excluir qualquer significado que impeça
o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do
mesmo sexo como entidade familiar”. Com a decisão, o STF reconheceu que
a interpretação compatível é que “as uniões homoafetivas também são
entidades familiares”.
DECLARAÇÃO PARCIAL DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO
É uma técnica de decisão utilizada nas ações de controle de constitucionalidade.
TÉCNICA
DE DECISÃO
É utilizada para afastar determinadas “hipóteses de incidência” da norma.
Aqui, não se fala em vários sentidos da norma, mas sim numa situação específica
em que a aplicação da norma seria inconstitucional.
Exemplo: Essa técnica da declaração de inconstitucionalidade sem redução de
texto foi aplicada no julgamento da ADI 1.946, na qual o STF declarou a
inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 14 da EC 20/98 (que
instituiu o teto para os benefícios previdenciários do RGPS). Com isso, excluiu a
incidência do art. 14 no caso de benefício do salário-maternidade (licença
gestante), que deve ser pago sem sujeição a teto e sem prejuízo do emprego e
do salário, conforme o art. 7º, XVIII, da CF.
INTERPRETAÇÃO CONFORME DECLARAÇÃO PARCIAL DE INCONS. SEM RED.
O julgador diz qual o sentido constitucional da
norma e exclui os outros.
O julgador diz em qual situação fática a lei não
será aplicada, pois se fosse acarretaria uma
inconstitucionalidade.
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/20627236/acao-direta-de-inconstitucionalidade-adi-4277-df-stf?_gl=1*1t1up94*_gcl_au*MTU4MDIwOTI1OC4xNzIxMzQzNDk1*_ga*MTA0MDgzMjQxNy4xNzIxMzQzNDk2*_ga_QCSXBQ8XPZ*MTcyMTg2NjM5Ny43LjEuMTcyMTg2NjUxMi42MC4wLjA.
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10613814/artigo-1723-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91577/codigo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/771281/acao-direta-de-inconstitucionalidade-adi-1946-df
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11301927/artigo-14-emenda-constitucional-n-20-de-15-de-dezembro-de-1998
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103849/emenda-constitucional-20-98
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641213/artigo-7-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10726402/inciso-xviii-do-artigo-7-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
EFICÁCIA NORMATIVA X EFICÁCIA EXECUTIVA
A decisão do STF que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo
não produz a automática reforma ou rescisão das decisões proferidas em outros processos anteriores
que tenham adotado entendimento diferente do que posteriormente decidiu o Supremo. Para que
haja essa reforma ou rescisão, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso,
a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. 485, V, do CPC 1973 (art. 966, V do CPC
2015), observado o prazo decadencial de 2 anos (art. 495 do CPC 1973 / art. 975 do CPC 2015).
Segundo afirmou o STF, não se pode confundir a eficácia normativa de uma sentença que declara a
inconstitucionalidade (que retira do plano jurídico a norma com efeito “ex tunc”) com a eficácia
executiva, ou seja, o efeito vinculante dessa decisão. STF, RE 730462/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado
em 28/5/2015 (Tema 733 RG) (Info 787)
EFICÁCIA
NORMATIVA
A eficácia normativa é verificada quando o STF decide que determinado ato
normativo é constitucional (eficácia normativa = manter a validade da norma) ou
quando o STF decide que determinada lei é inconstitucional (eficácia normativa =
declaração de nulidade da norma e sua consequente exclusão do mundo jurídico).
Efeitos
EX TUNC
Em regra, a eficácia normativa (declaração de constitucionalidade ou
de inconstitucionalidade) opera de forma ex tunc (retroativa), isto é,
reconhecendo-se a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da
norma desde a origem.
EFICÁCIA
EXECUTIVA ou
INSTRUMENTAL
Trata-se do efeito vinculante gerado pela decisão do STF (obrigatoriedade de
respeitar a decisão tomada pela Corte). O saudoso Teori Zavascki intitulou esse
efeito de eficácia executiva ou eficácia vinculante.
Efeitos
EX NUNC
A eficácia executiva (obrigatoriedade da decisão) tem efeitos a partir
do momento em que é produzida.
EFICÁCIA SUBJETIVA DAS DECISÕES EM ADI, ADC E ADPF
PARTICULARES VINCULA Caso haja desrespeito, cabe reclamação.
PODER
EXECUTIVO
VINCULA
Caso haja desrespeito, cabe reclamação. Obs.: não vincula o Poder
Executivo quando edita medidas provisórias (função atípica de
legislar).
PODER
JUDICIÁRIO
VINCULA
Os juízes e tribunais brasileiros.
Cabe reclamação caso a decisão seja desrespeitada.
STF ATENÇÃO
A decisão vincula os julgamentos futuros a serem efetuados
monocraticamente pelos Ministros ou pelas Turmas do STF. Essa
decisão não vincula, contudo, o Plenário do STF. Assim, se o STF
decidiu, em controle abstrato, que determinada lei é constitucional,
a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que
essa mesma lei é inconstitucional por conta de mudanças no cenário
jurídico, político, econômico ou social do país. Isso se justifica a fim
de evitar a "fossilização da Constituição". Essa mudança de
entendimento do STF, sobre a constitucionalidade de uma norma
pode ser decidida, inclusive, durante o julgamento de uma
reclamação constitucional. STF. Plenário. Rcl. 4374/PE, rel. Min.
Gilmar Mendes, 18/4/2013 (Info 702)
PODER
LEGISLATIVO
NÃO
VINCULA
em sua
função
típica de
legislar.
Aqui o objetivo também é evitar a intitulada “fossilização da
Constituição".
Assim, é possível editar nova lei, com o mesmo conteúdo da
norma declarada inconstitucional pelo STF.
Para impugnar a nova legislação, é necessário propor ADI para que
o STF examine essa nova lei, cabendo destacar que o STF pode
mudar de opinião e passar a considerá-la constitucional.
Algumas questões consideram corretas enunciados tais como “as decisões de controle concentrado
não vinculam o STF, nem o Poder Legislativo”, mas tome CUIDADO, pois recentemente as bancas estão
cobrando exceção. Sempre se atente ao enunciado e não esqueça: tais decisões não vinculam o STF e
o Legislativo quando desempenham suas funções típicas de, respectivamente, julgar e legislar, mas
VINCULAM quando exercem funções atípicas.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
A declaração de inconstitucionalidade, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral,
também possui efeitos vinculantes e eficácia erga omnes, da mesma forma que o julgamento de
uma ação de controle abstrato de constitucionalidade. Se o STF, em recurso extraordinário sob a
sistemática da repercussão geral, decidir que determinada lei é inconstitucional, a resolução do
Senado prevista no art. 52, X, da CF/88 possuirá a finalidade apenas de dar publicidade para a
decisão. Isso significa que, mesmo antes dessa resolução ser eventualmente editada, a decisão do
STF já possui efeitos vinculanteserga omnes. Houve uma mutação constitucional do art. 52, X, da
CF/88, para as decisões proferidas em recurso extraordinário com repercussão geral. STF. Plenário.
RE 955227/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/02/2023 (Tema 885 RG) (Info 1082). STF, RE
949297/CE, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 8/02/2023(Tema 881
RG) (Info 1082)
As decisões do STF em controle incidental de constitucionalidade, anteriores à instituição do regime
de repercussão geral, não impactam automaticamente a coisa julgada que se tenha formado,
mesmo nas relações jurídicas tributárias de trato sucessivo. Já as decisões proferidas em ação direta
ou em sede de repercussão geral interrompem automaticamente os efeitos temporais das decisões
transitadas em julgado nas referidas relações, respeitadas a irretroatividade, a anterioridade anual
e a noventena ou a anterioridade nonagesimal, conforme a natureza do tributo. STF. Plenário. RE
955227/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/02/2023(Tema 885 RG) (Info 1082). STF.
Plenário. RE 949297/CE, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
8/02/2023(Tema 881 RG) (Info 1082)
A procuradoria jurídica estadual ou municipal possui legitimidade para interpor recurso em face de
acórdão de tribunal de justiça proferido em representação de inconstitucionalidade. STF, ARE 873804
AgR-segundo-ED-EDv-AgR/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/10/2022 (Info 1072)
É irrecorrível a decisão na qual o relator indefere pedido de ingresso de amicus curiae na ação. STF,
ADO 70 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 04/07/2022
É irrecorrível a decisão que indefere o pedido de ingresso na condição de amicus curiae. A diretriz
vigora também relativamente a processos de índole subjetiva. (RE 1017365 AgR, Relator(a): Edson
Fachin, Tribunal Pleno, DJe de 24/9/2020). STF, Inq 4888 AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
22/08/2022
É constitucional o dispositivo de constituição estadual que confere ao tribunal de justiça local a
prerrogativa de processar e julgar ação direta de inconstitucionalidade contra leis e atos normativos
municipais tendo como parâmetro a Constituição Federal, desde que se trate de normas de
reprodução obrigatória pelos estados. Admite-se o controle abstrato de constitucionalidade, pelo
Tribunal de Justiça, de leis e atos normativos estaduais e municipais em face da Constituição da
República, apenas quando o parâmetro de controle invocado for norma de reprodução obrigatória
ou exista, no âmbito da Constituição estadual, regra de caráter remissivo à Carta federal. STF.
Plenário. ADI5647/AP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 3/11/2021 (Info 1036)
Ação de controle concentrado de constitucionalidade não pode ser utilizada como sucedâneo das
vias processuais ordinárias. À luz do constitucionalismo contemporâneo, não há qualquer dúvida de
que a supremacia constitucional é o postulado sobre o qual se assenta a validade de todos os atos
estatais. Mostra-se inócua e desprovida de qualquer utilidade provocar o Poder Judiciário
objetivando, única e exclusivamente, declarar que as autoridades públicas estão sujeitas à ordem
constitucional. Em um Estado Democrático de Direito, como o Brasil, nenhum ato jurídico pode ser
praticado validamente à margem da Constituição. Transgressões aos princípios e regras
constitucionais praticadas por autoridades públicas ou particulares, quando ocorrem, exigem a
intervenção judicial, em caráter preventivo ou repressivo, diante de situações concretas e
específicas, e não por meio de uma ação de controle concentrado de constitucionalidade. STF.
Plenário. ADPF 686/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/10/2021 (Info 1034)
Não cabe controle concentrado de constitucionalidade de leis ou ato normativos municipais contra
a Lei Orgânica respectiva. Em outras palavras, a Lei Orgânica do Município não é parâmetro de
controle abstrato de constitucionalidade estadual, uma vez que a Constituição Federal, no art. 125,
§ 2º, estabelece como parâmetro apenas a Constituição Estadual. Assim, é inconstitucional
dispositivo da Constituição estadual que afirme ser possível ajuizar ADI, no Tribunal de Justiça,
contra lei ou ato normativo estadual ou municipal sob o argumento de que ele viola a Lei Orgânica
do Município. Não compete ao Poder Legislativo, de qualquer das esferas federativas, suspender a
eficácia de lei ou ato normativo declarado inconstitucional em controle concentrado de
constitucionalidade. Desse modo, é inconstitucional dispositivo da Constituição estadual que afirme
que, se o Tribunal de Justiça declarar a inconstitucionalidade de lei em ação direta de
inconstitucionalidade (controle concentrado de constitucionalidade), ele precisará comunicar essa
decisão à Assembleia Legislativa (se for lei estadual) ou à Câmara de Vereadores (se for lei
municipal) a fim de que o órgão legislativo suspenda a eficácia dessa lei. STF, ADI 5548/PE, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgado em 16/8/2021 (Info 1025)
Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do recebimento de
denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de
inconstitucionalidade. STF, ADI 6728 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/4/2021 (Info 1015)
O STF admite o uso das ações do controle concentrado de constitucionalidade para o exame de atos
normativos infralegais, nos casos em que a tese de inconstitucionalidade articulada pelo autor
propõe o cotejo da norma impugnada diretamente com o texto constitucional. No caso, a Resolução
do Conselho não tratou de mero exercício de competência regulamentar, mas expressou conteúdo
normativo que lida diretamente com direitos e garantias tutelados pela Constituição. Por esse
motivo, cabe ADI para questionar a norma. STF, ADI 3481/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
6/3/2021 (Info 1008)
É possível que uma emenda constitucional seja julgada formalmente inconstitucional se ficar
demonstrado que ela foi aprovada com votos “comprados” dos parlamentares e que esse número
foi suficiente para comprometer o resultado da votação. Em tese, é possível o reconhecimento de
inconstitucionalidade formal no processo constituinte reformador quando eivada de vício a
manifestação de vontade do parlamentar no curso do devido processo constituinte derivado, pela
prática de ilícitos que infirmam a moralidade, a probidade administrativa e fragilizam a democracia
representativa. O STF afirmou que, sob o aspecto formal, as emendas constitucionais devem
respeitar o devido processo legislativo, que inclui, entre outros requisitos, a observância dos
princípios da moralidade e da probidade. Assim, é possível o reconhecimento de
inconstitucionalidade formal no processo de reforma constituinte quando houver vício de
manifestação de vontade do parlamentar, pela prática de ilícitos. Porém, para tanto, é necessária a
demonstração inequívoca de que, sem os votos viciados pela ilicitude, o resultado teria sido outro.
STF, ADI 4887/DF, ADI 4888/DF e ADI 4889/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/11/2020 (Info 998)
A entidade que não representa a totalidade de sua categoria profissional não possui legitimidade
ativa para ajuizamento de ações de controle concentrado de constitucionalidade. Por esse motivo,
a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital - FENAFISCO não tem legitimidade para a
propositura de ADI na medida em que constitui entidade representativa de apenas parte de
categoria profissional, já que não abrange os auditores fiscais federais e municipais. STF, ADI 6465
AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 19/10/2020 (Info 995)
Não há impedimento, nem suspeição de ministro, nos julgamentos de ações de controle
concentrado, exceto se o próprio ministro firmar, por razões de foro íntimo,a sua não participação.
STF, ADI 6362/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 2/9/2020 (Info 989)
A CF/88 e a lei preveem que a “entidade de classe de âmbito nacional” possui legitimidade para
propor ADI, ADC e ADPF. A jurisprudência do STF, contudo, afirma que apenas as entidades de classe
com associados ou membros em pelo menos 9 (nove) Estados da Federação dispõem de
legitimidade ativa para ajuizar ação de controle abstrato de constitucionalidade. Assim, não basta
que a entidade declare no seu estatuto ou ato constitutivo que possui caráter nacional. É necessário
que existam associados ou membros em pelo menos 9 (nove) Estados da Federação. Isso representa
1/3 dos Estados-membros/DF. Trata-se de um critério objetivo construído pelo STF com base na
aplicação analógica da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (art. 7º, § 1º, da Lei nº 9.096/95). STF, ADI
3287, Rel. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Ricardo Lewandowski, julgado em 05/08/2020 (Info 988)
Os procuradores públicos têm capacidade postulatória para interpor recursos extraordinários
contra acórdãos proferidos em sede de ação de controle concentrado de constitucionalidade, nas
hipóteses em que o legitimado para a causa outorgue poderes aos subscritores das peças recursais.
STF, RE 1068600 AgR-ED-EDv/RN, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/6/2020 (Info 980)
Lei estadual que dispõe sobre criação, incorporação, fusão ou desmembramento de municípios
possui natureza normativa e abstrata, desafiando o controle concentrado. STF, ADI 1825, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 15/04/2020 (Info 978)
O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de
procuração com poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será
impugnado na ação. Repetindo: não basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI,
devendo indicar, de forma específica, o ato contra o qual se insurge. Caso esse requisito não seja
cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar, contudo, que essa exigência constitui vício
sanável e que é possível a sua regularização antes que seja reconhecida a carência da ação. STF, ADI
6051, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 27/03/2020
O amicus curiae não tem legitimidade para propor ação direta; logo, também não possui
legitimidade para pleitear medida cautelar. Assim, a entidade que foi admitida como amicus curiae
em ADPF não tem legitimidade para, no curso do processo, formular pedido para a concessão de
medida cautelar. STF, ADPF 347 TPI-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 18/3/2020 (Info 970)
É possível, em tese, o ajuizamento de ADI contra deliberação administrativa de tribunal, desde que
ela tenha conteúdo normativo com generalidade e abstração, devendo, contudo, em regra, a ação
ser julgada prejudicada caso essa decisão administrativa seja revogada. STF, ADI 1244 QO-QO/SP, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/12/2019 (Info 964)
O fato de uma lei possuir destinatários determináveis não retira seu caráter abstrato e geral,
tampouco a transforma em norma de efeitos concretos. STF, 1ª Turma, RE 1186465 AgR/TO, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 8/10/2019 (Info 955)
Mesmo que uma lei seja fruto de acordo homologado judicialmente, ela poderá ser objeto de ADI,
não havendo violação da coisa julgada material. STF, 1ª Turma, RE 1186465 AgR/TO, Rel. Min. Alexandre
de Moraes, julgado em 8/10/2019 (Info 955)
Não se conta em dobro o prazo recursal para a Fazenda Pública em processo objetivo, mesmo que
seja para interposição de recurso extraordinário em processo de fiscalização normativa abstrata. As
prerrogativas processuais dos entes públicos, tal como prazo recursal em dobro e intimação pessoal,
não se aplicam aos processos em sede de controle abstrato. Não se aplica ao processo objetivo de
controle abstrato de constitucionalidade a norma que concede prazo em dobro à Fazenda Pública.
Assim, por exemplo, a Fazenda Pública não possui prazo recursal em dobro no processo de controle
concentrado de constitucionalidade, mesmo que seja para a interposição de recurso extraordinário.
STF, ADI 5814 MC-AgR-AgR/RR, Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727 AgR/SC, Rel. para acórdão Min. Cármen
Lúcia, julgados em 06/02/2019 (Info 929)
Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça
local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual – somente prejudica o da segunda
– do STF – se preenchidas duas condições cumulativas: 1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela
procedência da ação e 2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da
Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle
de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF
para o controle abstrato de constitucionalidade. STF, ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 13/12/2018 (Info 927)
Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele
poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão. STF, ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918)
Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho
recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a competência para
autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística. Esta
recomendação deve ser considerada como ato de caráter primário, autônomo e cogente, inovando
no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por meio de ADI. STF, ADI 5326/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917)
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de
controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo
Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como
legitimado pelo art. 103 da CF/88). Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados a
agir como sujeitos processuais em sede de controle concentrado de constitucionalidade. STF.
Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018
É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que fique
demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta
solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não
irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF
irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro
do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente
processual, com vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF, ADPF 165/DF, Rel.
Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892)
Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um tratado
internacional. Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em
sede de controle concentrado de constitucionalidade. Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato
normativo que violou tratado ou convenção internacional que trate sobre direitos humanos e que
tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da CF/88. Isso porque neste caso esse
tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse uma emenda constitucional. STF,
ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872)
O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos
fundamentos jurídicos invocados pelo autor.Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa
de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa que todo e qualquer dispositivo da Constituição
Federal ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como
fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional. STF, ADI 3796/PR, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856)
Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais
utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de
reprodução obrigatória pelos estados. STF, RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgado em 1º/2/2017
Determinada lei foi impugnada por meio de ação direta de inconstitucionalidade.
Foi editada medida provisória revogando essa lei. Enquanto esta medida provisória não for
aprovada, será possível julgar esta ADI. Assim, se chegar o dia de julgamento da ADI, e a MP ainda
não tiver sido votada, o STF poderá apreciar livremente a ação, não tendo havido perda do interesse
de agir (perda do objeto). Isso, porque a edição de medida provisória não tem eficácia normativa
imediata de revogação da legislação anterior com ela incompatível, mas apenas de suspensão,
paralisação, das leis antecedentes até o término do prazo do processo legislativo de sua conversão.
Embora seja espécie normativa com força de lei, a medida provisória precisa ser confirmada.
A medida provisória é lei sob condição resolutiva. Se for aprovada, a lei de conversão resultará na
revogação da norma. Dessa maneira, enquanto não aprovada a MP, não se pode falar em perda de
interesse (perda do objeto). STF, ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa
Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935)
Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é convertida
em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá ser conhecida e
julgada. Como o texto da MP foi mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque
não há a convalidação ("correção") de eventuais vícios existentes na norma, razão pela qual
permanece a possibilidade de o STF realizar o juízo de constitucionalidade. Neste caso, ocorre a
continuidade normativa entre o ato legislativo provisório (MP) e a lei que resulta de sua conversão.
Vale ressaltar, no entanto, que o autor da ADI deverá peticionar informando esta situação ao STF e
pedindo o aditamento da ação. STF, ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info
851)
ESPAÇO RESERVADO
ADPF (Lei 9.882/99)
CONSIDERAÇÕES SOBRE A ADPF
Marcelo Novelino destaca que a ADPF foi criada pela CF/1988 e regulamentada pela Lei 9.8882/99,
ora estudada. É um instrumento de controle concentrado de constitucionalidade, cuja competência
é reservada ao STF (CF, art. 102, §1°). A ação possui caráter subsidiário, portanto só é cabível quando
não houver outro meio eficaz de evitar/sanar a lesão ao preceito fundamental (Lei 9.882/99, art. 4°,
§1°).
Admite-se a fungibilidade entre ADPF e ADI (e vice-versa). Além disso, é possível cumular pedidos
diversos, quando a análise conjunta for necessária para resolução da controvérsia. Desse modo, o
STF estabeleceu que é cabível ADPF, mesmo se for necessário, indiretamente, a declaração de
inconstitucionalidade de norma posterior à CF/88 ou se pretender superar a omissão parcial
inconstitucional (STF, ADPF 378/DF).
HIPÓTESES DE CABIMENTO
Marcelo Novelino explica que há duas formas de cabimento: 1. ADPF autônoma, nas modalidades
preventiva (evitar lesão) ou repressiva (reparar lesão); e 2. ADPF incidental.
ADPF
AUTÔNOMA
O objeto é prevenir ou reparar lesão a preceito fundamental (Lei 9.882/99, art.
1°, caput). É proposta diretamente no STF e não depende da existência de
nenhum processo/controvérsia anterior.
ADPF
INCIDENTAL
Surge no bojo de um processo judicial concreto, em razão da relevância da
controvérsia constitucional debatida (Lei 9.882/99, art. 1°, parágrafo único, I). A
arguição incidental possibilita que, num determinado processo, uma matéria
constitucional relevante seja direta e imediatamente remetida ao STF, desde que
ainda não tenha sido julgada em definitivo pelo órgão competente.
Novelino explica que nesse caso “ocorrerá uma ´cisão´ entre a questão
constitucional e as demais questões suscitadas pelas partes no caso concreto”,
cabendo ao STF apreciar apenas a primeira.
O autor destaca que a legitimidade ativa da ADPF incidental é a mesma da
arguição autônoma, não sendo admitida o ajuizamento pelas partes do processo
principal.
(...) No que se refere à ADPF incidental ou paralela (Lei 9.882/1999, art. 1º,
parágrafo único, I), a previsão não representa ampliação das competências do
STF (CF/1988, art. 102, § 1º), pois objetivou permitir a provocação da Corte
para apreciar relevantes controvérsias constitucionais concretamente
debatidas em qualquer juízo ou tribunal, quando inexistente outra forma
idônea de tutelar preceitos fundamentais. Ela se revela como mecanismo que
contribui para uma maior segurança jurídica, eis que propicia, de modo eficaz,
que uma decisão sobre a mesma questão de direito ocorra de forma isonômica
e uniforme. STF ADI 2.231/DF, julgamento em 19.5.2023 (Info 1095)
ROL DE PRECEITOS FUNDAMENTAIS (EXEMPLIFICATIVO, STF: ADPF 33 e ADPF 405)
PRECEITOS
FUNDAMENTAIS
Arts. 1º a 4º Princípios fundamentais
Arts. 5° a 17 Direitos e garantias fundamentais
Arts. 1º e 18 Princípio federativo
Art. 34, VII Princípios constitucionais sensíveis
Art. 37, caput Princípios da Administração pública
Art. 60, § 4° Cláusulas pétreas
Art. 100
Garantia de pagamentos devidos pela Fazenda Pública
em ordem cronológica de apresentação de precatórios
Arts. 34, V, 158, III e IV,
159, §§ 3º e 4º, e 160
Regime de repartição de receitas tributárias
Art. 167, VI e X Princípios e regras do sistema orçamentário
ADI, ADC E ADPF
ADI Lei ou ato normativo FEDERAL ou ESTADUAL
ADC Lei ou ato normativo FEDERAL
ADPF Lei ou ato normativo FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL
DECISÃO DO STF SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.882/99 (ADPF)
A Lei 9.882/1999 foi editada com estrita observância à ordem constitucional e representa
verdadeiro marco na mudança do tipo de fiscalização realizada pelo Supremo Tribunal Federal, com
ênfase na tutela dos preceitos fundamentais não amparados pelos outros meios de controle
concentrado de constitucionalidade. No que se refere à ADPF incidental ou paralela (Lei
9.882/1999, art. 1º, parágrafo único, I), a previsão não representa ampliação das competências do
STF (CF/1988, art. 102, § 1º), pois objetivou permitir a provocação da Corte para apreciar relevantes
controvérsias constitucionais concretamente debatidas em qualquer juízo ou tribunal, quando
inexistente outra forma idônea de tutelar preceitos fundamentais. Ela se revela como mecanismo
que contribui para uma maior segurança jurídica, eis que propicia, de modo eficaz, que uma decisão
sobre a mesma questão de direito ocorra de forma isonômica e uniforme.
Por sua vez, a possibilidade de suspensão de processos ou dos efeitos de decisões judiciais (Lei
9.882/1999, art. 5º, § 3º) representa importante instrumento de economia processual e de
uniformização da orientação jurisprudencial. Essas medidas visam evitar que a tutela de preceitos
fundamentais se torne ineficaz ou que sejam proferidas decisões contraditórias sobre a mesma
questão, o que comprometeria a segurança jurídica e a efetividade da prestação jurisdicional.Ademais, a possibilidade de atribuição de efeitos vinculantes e eficácia erga omnes às decisões
proferidas em sede de ADPF (Lei 9.882/1999, art.10, caput e § 3º) estão intrinsecamente
relacionados à própria natureza e às finalidades do controle objetivo e concentrado de
constitucionalidade. Já a modulação de efeitos (Lei 9.882/1999, art. 11) implica uma ponderação
entre a norma violada e as normas constitucionais que protegem os efeitos produzidos pela lei
declarada inconstitucional.
Com base nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade, conheceu parcialmente da ação e,
nessa extensão, a julgou improcedente para declarar a constitucionalidade da Lei 9.882/1999. STF
ADI 2.231/DF, julgamento em 19.5.2023 (Info 1095)
ADPF NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
(CF, Art.102, §1.º): A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), decorrente
desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.
⚡️Art. 1o A arguição prevista no § 1o do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o
Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante
de ato do Poder Público.
Parágrafo único. Caberá também arguição de descumprimento de preceito fundamental:
I - quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo
federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à constituição;
Art. 2o PODEM PROPOR arguição de descumprimento de preceito fundamental:
I - os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade;
§ 1o Na hipótese do inciso II, faculta-se ao interessado, mediante representação, solicitar a
propositura de arguição de descumprimento de preceito fundamental ao Procurador-Geral da
República, que, examinando os fundamentos jurídicos do pedido, decidirá do cabimento do seu
ingresso em juízo.
PODEM PROPOR A ADPF
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
LEGITIMADOS ATIVOS
UNIVERSAIS (NEUTROS) ESPECIAIS (NÃO UNIVERSAIS)
São aqueles que podem propor ADI, ADC,
ADPF contra leis ou atos normativos que
versem sobre qualquer matéria, sem
necessidade de comprovar pertinência
temática.
Precisam demonstrar a pertinência temática entre
a norma impugnada e as funções desempenhadas
pelo autor da ação.
- Presidente da República;
- Mesa do Senado e Mesa da Câmara;
- PGR;
- Conselho Federal da OAB; e
- Partido político com representação no CN.
- Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara
Legislativa do DF;
- Governador de Estado/DF;
- Confederação sindical; e
- Entidade de classe de âmbito nacional.
CAPACIDADE POSTULATÓRIA
TEM
Presidente da República;
Governador de Estado/DF;
Mesa do Senado e Mesa da Câmara;
PGR; e
Conselho Federal da OAB.
NÃO TEM
(Precisam de advogado
para propor a ação)
Partido político com representação no CN;
Confederação sindical; e
Entidade de classe de âmbito nacional.
Art. 3o A petição inicial deverá conter:
I - a indicação do preceito fundamental que se considera violado;
II - a indicação do ato questionado;
III - a prova da violação do preceito fundamental;
IV - o pedido, com suas especificações;
V - se for o caso, a comprovação da existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação
do preceito fundamental que se considera violado.
Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de mandato, se for o caso, será
apresentada em duas vias, devendo conter cópias do ato questionado e dos documentos necessários
para comprovar a impugnação.
⚡️Art. 4o A petição inicial será indeferida liminarmente, pelo relator, quando não for o caso de
arguição de descumprimento de preceito fundamental, faltar algum dos requisitos prescritos nesta Lei
ou for inepta.
§ 1o Não será admitida arguição de descumprimento de preceito fundamental quando houver
qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. [Caráter subsidiário da ADPF]
§ 2o Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de 5 dias.
Segundo a jurisprudência do STF, a ADPF, como instrumento de fiscalização abstrata das normas,
está submetida, cumulativamente, ao requisito da relevância constitucional da controvérsia
suscitada e ao regime da subsidiariedade. STF. Plenário. ADPF 210 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 06/06/2013
Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá
deferir pedido de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental.
§ 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso,
poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.
§ 2o O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem
como o Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de 5 dias.
§ 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o
andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente
relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se
decorrentes da coisa julgada.
Art. 6o Apreciado o pedido de liminar, o relator solicitará as informações às autoridades
responsáveis pela prática do ato questionado, no prazo de 10 dias.
§ 1o Se entender necessário, poderá o relator ouvir as partes nos processos que ensejaram a
arguição, requisitar informações adicionais, designar perito ou comissão de peritos para que emita
parecer sobre a questão, ou ainda, fixar data para declarações, em audiência pública, de pessoas com
experiência e autoridade na matéria.
§ 2o Poderão ser autorizadas, a critério do relator, sustentação oral e juntada de memoriais, por
requerimento dos interessados no processo.
Art. 7o Decorrido o prazo das informações, o relator lançará o relatório, com cópia a todos os
ministros, e pedirá dia para julgamento.
Parágrafo único. O Ministério Público, nas arguições que não houver formulado, terá vista do
processo, por 5 dias, após o decurso do prazo para informações.
⚡️Art. 8o A decisão sobre a arguição de descumprimento de preceito fundamental somente será
tomada se presentes na sessão pelo menos 2/3 dos Ministros.
Art. 9o (VETADO)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/1999/Mv1807-99.htm
Art. 10. Julgada a ação, far-se-á comunicação às autoridades ou órgãos responsáveis pela prática
dos atos questionados, fixando-se as condições e o modo de interpretação e aplicação do preceito
fundamental.
§ 1o O presidente do Tribunal determinará o imediato cumprimento da decisão, lavrando-se o
acórdão posteriormente.
§ 2o Dentro do prazo de 10 dias contado a partir do trânsito em julgado da decisão, sua parte
dispositiva será publicada em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União.
§ 3o A decisão terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos
do Poder Público.
IMPORTANTE
STF NA FUNÇÃO TÍPICA (JULGAR) Não fica vinculado
STF NA FUNÇÃO ATÍPICA (Realizar licitação etc.) Fica vinculado
PODER LEGISLATIVO NA FUNÇÃO TÍPICA (Editar leis) Não fica vinculado
PODER LEGISLATIVO NA FUNÇÃO ATÍPICA
(Administrar seus servidores etc.)
Fica vinculado
PODER EXECUTIVO FUNÇÃO TÍPICA (Administrar) Fica vinculado
PODER EXECUTIVO FUNÇÃOATÍPICA
(Editar medidas provisórias)
Não fica vinculado
⚡️Art. 11. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, no processo de arguição de
descumprimento de preceito fundamental, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de
excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de 2/3 de seus
membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu
trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. [Modulação dos efeitos da decisão]
⚡️Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de
descumprimento de preceito fundamental é IRRECORRÍVEL, não podendo ser objeto de ação
rescisória.
⚡️Art. 13. Caberá RECLAMAÇÃO contra o descumprimento da decisão proferida pelo Supremo
Tribunal Federal, na forma do seu Regimento Interno.
Art. 14. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
QUÓRUM DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
MEDIDA CAUTELAR Maioria absoluta (6)
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Maioria absoluta (6)
QUÓRUM DE SESSÃO 8 membros (2/3)
QUÓRUM DE JULGAMENTO Maioria absoluta (6)
MODULAÇÃO DOS EFEITOS 2/3
SÚMULA VINCULANTE 2/3
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que fique
demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta
solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não
irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF
irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro
do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente
processual, com vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF
165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892)
É cabível arguição de descumprimento de preceito fundamental que impugne decreto
regulamentador de lei, por ser este caracterizado como ato do Poder Público, quando, da leitura da
petição inicial, for possível depreender controvérsia constitucional suscitada em abstrato, cuja
ofensa se mostra direta à Constituição da República. ADPF 763, julgado em 03/11/2022, PUBLIC 18-
11-2022
A arguição de descumprimento de preceito fundamental não é via adequada para questionar
fundamento de decidir adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no exercício de sua competência
atinente à uniformização da legislação federal, ainda que em julgamento sob o rito dos recursos
repetitivos. ADPF 427, PUBLIC 22-11-2022
Não é cabível ADPF como sucedâneo recursal. STF. ADPF 891 AgR, PUBLIC 31-05-2022
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle
da inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público,
quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é
cabível contra os atos em geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a
preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF.
Plenário. ADPF 272/DF, julgado em 25/3/2021 (Info 1011)
A fungibilidade entre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental e a Ação Direta de
Inconstitucionalidade pressupõe dúvida aceitável a respeito da ação apropriada, a fim de não
legitimar o erro grosseiro na escolha. ADPF 451, PUBLIC 16-04-2018
Não há impedimento, nem suspeição de ministro, nos julgamentos de ações de controle
concentrado, exceto se o próprio ministro firmar, por razões de foro íntimo, a sua não participação.
STF. Plenário. ADI 6362/DF, julgado em 2/9/2020 (Info 989)
Cabe ADPF contra o conjunto de decisões judiciais que determinam medidas de constrição judicial
em desfavor do Estado-membro, das Caixas Escolares ou das Unidades Descentralizadas de
Execução da Educação UDEs e que recaiam sobre verbas destinadas à educação. STF. Plenário. ADPF
484/AP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 4/6/2020 (Info 980)
A decisão do Ministro Relator que, de ofício, na ADPF que trata sobre o Estado de Coisas
Inconstitucional no sistema prisional, determina medidas para proteger os presos do Covid-19
amplia indevidamente o objeto da ação. É certo que no controle abstrato de constitucionalidade, a
causa de pedir é aberta. No entanto, o pedido é específico. Nenhum dos pedidos da ADPF 347 está
relacionado com as questões inerentes à prevenção do Covid-19 nos presídios. Não é possível,
portanto, a ampliação do pedido cautelar já apreciado anteriormente. A Corte está limitada ao
pedido. Aceitar a sua ampliação equivale a agir de ofício, sem observar a legitimidade constitucional
para propositura da ação. Ademais, em que pese a preocupação de todos em relação ao Covid-19
nas penitenciárias, a medida cautelar, ao conclamar os juízes de execução, determina, fora do
objeto da ADPF, a realização de megaoperação para analisar detalhadamente, em um único
momento, todas essas possibilidades e não caso a caso, como recomenda o Conselho Nacional de
Justiça. O STF entendeu que, neste momento, o Poder Judiciário deve seguir as recomendações
sobre a questão emitidas pelo Conselho Nacional de Justiça CNJ e por portaria conjunta dos
Ministérios da Saúde e da Justiça. Para evitar a disseminação do novo coronavírus nas prisões, o CNJ
recomendou a análise de situações de risco caso a caso. A Recomendação 62/2020 do CNJ traz
orientações aos Tribunais e aos magistrados quanto à adoção de medidas preventivas contra a
propagação do Covid-19 no âmbito dos sistemas de justiça penal e socioeducativo. STF. Plenário.
ADPF 347 TPI-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 18/3/2020 (Info 970)
Em Fortaleza, foi editada a Lei municipal nº 10.553/2016 proibindo o serviço de transporte em
aplicativos. Foi ajuizada ADPF contra a lei. Antes que a ação fosse julgada, a referida Lei foi revogada.
Mesmo com a revogação, o STF conheceu da ADPF e julgou o mérito, declarando a Lei nº
10.553/2016 inconstitucional. O Tribunal considerou que a revogação da Lei atacada na ADPF por
outra lei local não retira o interesse de agir no feito. Isso porque persiste a utilidade da prestação
jurisdicional com o intuito de estabelecer, com caráter erga omnes e vinculante, o regime aplicável
às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da norma impugnada, bem como no que diz
respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. A ADPF não carece de interesse de
agir em razão da revogação da norma objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o
regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem como no que diz
respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Trata-se da solução mais
consentânea com o princípio da eficiência processual e o imperativo aproveitamento dos atos já
praticados de maneira socialmente proveitosa. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 8 e 9/5/2019 (Info 939)
Não cabe arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) contra decisão judicial
transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem como
função desconstituir a coisa julgada. STF. Decisão monocrática. ADPF 81 MC, Rel. Min. Celso de
Mello, julgado em 27/10/2015 (Info 810)
A arguição de descumprimento de preceito fundamental foi concebida pela Lei 9.882/99 para servir
como um instrumento de integração entre os modelos difuso e concentrado de controle de
constitucionalidade, viabilizando que atos estatais antes insuscetíveis de apreciação direta pelo
Supremo Tribunal Federal, tais como normas pré-constitucionaisI - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição
no CPF ou no CNPJ, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
§ 1º. Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer
ao juiz diligências necessárias a sua obtenção.
§ 2º. A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso
II, for possível a citação do réu.
§ 3º. A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a
obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça.
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação.
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o
autor, no prazo de 15 dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou
completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova:
I - da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de 10 dias sem decisão;
II - da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de 15 dias, sem decisão; ou
III - da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de
quinze dias sem decisão.
Art. 9° Ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se notifique o coator do conteúdo da petição,
entregando-lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de
que, no prazo de 10 dias, preste as informações que julgar necessárias.
Art. 10. A inicial será desde logo indeferida, quando não for o caso de habeas data, ou se lhe
faltar algum dos requisitos previstos nesta Lei.
Parágrafo único. Do despacho de indeferimento caberá recurso previsto no art. 15 (APELAÇÃO).
Art. 11. Feita a notificação, o serventuário em cujo cartório corra o feito, juntará aos autos cópia
autêntica do ofício endereçado ao coator, bem como a prova da sua entrega a este ou da recusa, seja
de recebê-lo, seja de dar recibo.
Art. 12. Findo o prazo a que se refere o art. 9°, e ouvido o representante do Ministério Público
dentro de cinco dias, os autos serão conclusos ao juiz para decisão a ser proferida em cinco dias.
Art. 13. Na decisão, se julgar procedente o pedido, o juiz marcará data e horário para que o
coator:
I - apresente ao impetrante as informações a seu respeito, constantes de registros ou bancos de
dadas; ou
II - apresente em juízo a prova da retificação ou da anotação feita nos assentamentos do
impetrante.
Art. 14. A decisão será comunicada ao coator, por correio, com aviso de recebimento, ou por
telegrama, radiograma ou telefonema, conforme o requerer o impetrante.
Parágrafo único. Os originais, no caso de transmissão telegráfica, radiofônica ou telefônica
deverão ser apresentados à agência expedidora, com a firma do juiz devidamente reconhecida.
⚡️Art. 15. Da sentença que conceder ou negar o habeas data cabe APELAÇÃO.
Parágrafo único. Quando a sentença conceder o habeas data, o recurso terá efeito meramente
devolutivo.
⚡️Art. 16. Quando o habeas data for concedido e o Presidente do Tribunal ao qual competir o
conhecimento do recurso ordenar ao juiz a suspensão da execução da sentença, desse seu ato caberá
agravo para o Tribunal a que presida.
Art. 17. Nos casos de competência do STF e dos demais Tribunais caberá ao relator a instrução
do processo.
Art. 18. O pedido de habeas data poderá ser renovado se a decisão denegatória não lhe houver
apreciado o mérito.
⚡️Art. 19. Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais,
exceto habeas-corpus e mandado de segurança. Na instância superior, deverão ser levados a
julgamento na 1ª sessão que se seguir à data em que, feita a distribuição, forem conclusos ao relator.
Parágrafo único. O prazo para a conclusão não poderá exceder de 24 horas, a contar da
distribuição.
Art. 20. O julgamento do habeas data compete:
I - originariamente:
a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara
dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República
e do próprio Supremo Tribunal Federal;
b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou do próprio Tribunal;
c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal;
d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos
tribunais federais;
e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;
f) a juiz estadual, nos demais casos;
II - em grau de recurso:
a) ao Supremo Tribunal Federal, quando a decisão denegatória for proferida em única instância
pelos Tribunais Superiores;
b) ao Superior Tribunal de Justiça, quando a decisão for proferida em única instância pelos
Tribunais Regionais Federais;
c) aos Tribunais Regionais Federais, quando a decisão for proferida por juiz federal;
d) aos Tribunais Estaduais e ao do Distrito Federal e Territórios, conforme dispuserem a
respectiva Constituição e a lei que organizar a Justiça do Distrito Federal;
III - mediante recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, nos casos previstos
na Constituição.
COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DO HABEAS DATA
ORIGINARIAMENTE
STF
Contra atos
do Presidente da República
das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal
do TCU
do PGR
do próprio STF
STJ Contra atos
de Ministro de Estado
do próprio Tribunal
TRFs Contra atos
do próprio Tribunal
de juiz federal
JUIZ
FEDERAL
Contra ato
de autoridade federal, excetuados os casos de
competência dos tribunais federais;
JUIZ
ESTADUAL
Nos demais casos
EM GRAU DE
RECURSO
STF De decisão proferida em única instância pelos Tribunais Superiores.
STJ
Quando a decisão for proferida em única instância pelos Tribunais
Regionais Federais.
TRF Quando a decisão for proferida por juiz federal.
TJ´s
Conforme dispuserem a respectiva Constituição ou a lei que
organizar a Justiça do Distrito Federal.
⚡️Art. 21. São gratuitos o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação
de dados e para anotação de justificação, bem como a ação de habeas data.
(CF, art. 5°, LXXVII) São gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os
atos necessários ao exercício da cidadania.
Art. 22. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 23. Revogam-se as disposições em contrário.
JURISPRUDÊNCIAS RELEVANTES SOBRE HABEAS DATA
Súmula 2 STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5, LXXII, letra a) se não houve recusa de informações
por parte da autoridade administrativa.
Nas ações relacionadas a competições desportivas, é necessário o esgotamento das vias
administrativas (Justiça Desportiva) antes de se buscar a tutela jurisdicional (Art. 217, § 1º, CF/88);
Não se admite o emprego do habeas data como meio para a obtenção de cópia de autos de processo
administrativo disciplinar, em que o autor figure como implicado, porquanto tal propósito não
encontra abrigo no que dispõe o art. 7º, inciso I, da Lei 9.507/1997. STJ. 1ªou mesmo decisões judiciais
atentatórias a cláusulas fundamentais da ordem constitucional, viessem a figurar como objeto de
controle em processo objetivo. (...) (STF. Decisão Monocrática. ADPF 127, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 25/2/2014
É possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência, quando o enunciado tiver
preceito geral e abstrato. Obs: no caso, tratava-se de Súmula do TST. STF. Plenário. ADPF 501-AgR,
Rel. para acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 14/09/2020
A ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser possível a conversão da ADPF em
ADI quando imprópria a primeira, e vice-versa. No entanto, essa fungibilidade não será possível
quando a parte autora incorrer em erro grosseiro. É o caso, por exemplo, de uma ADPF proposta
contra uma Lei editada em 2013, ou seja, quando manifestamente seria cabível a ADI por se tratar
de norma posterior à CF/88. STF. Plenário. ADPF 314 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
11/12/2014 (Info 771)
ESPAÇO RESERVADO
ADI Interventiva Federal (Lei 12.562/11)
CONSIDERAÇÕES SOBRE A ADI INTERVENTIVA OU REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA
Como explica Marcelo Novelino, “na jurisdição constitucional brasileira, o controle de
constitucionalidade é exercido, em regra, nos modelos difuso-concreto ou concentrado-abstrato. A
representação interventiva (ou ação direta de inconstitucionalidade interventiva), é exceção, por se
tratar de um mecanismo de controle concentrado-concreto, cuja competência para processo e
julgamento é reservada ao STF, na esfera federal, e aos TRIBUNAIS DE JUSTIÇA, na esfera estadual.
A pretensão é deduzida em juízo por meio de um processo constitucional subjetivo, instaurado com
a finalidade de resolver conflitos de natureza federativa. O contraditório é estabelecido entre a
União e Estado-membro ou entre a União e o Distrito Federal (representação interventiva federal);
ou, ainda, entre Estado e Município a ele pertencente (representação interventiva estadual).
Concebida originariamente pela Constituição de 1934 (art. 12, §2°), a representação interventiva é
o mais antigo instrumento de controle concentrado de nossa jurisdição constitucional. Após ter
sido suprimida pela Carta de 1937, foi novamente introduzida na Constituição de 1946 (art. 8°,
parágrafo único) e, posteriormente, mantida em nosso sistema pelas Constituições de 1967/69 (art.
11, §1°, c) e de 1988 (art. 36, III)”.
REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA NA CF/88 (ADI INTERVENTIVA)
(CF, art. 36, III) A decretação da intervenção dependerá:
III. De provimento, pelo STF, de representação do PGR, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de
recusa à execução de lei federal.
§ 1º O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e
que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da
Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de 24 horas.
(...)
§ 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional
ou pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se
essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS (Art. 34, VII da CF/88)
ROL TAXATIVO
(Art. 34, VII, CF/88):
Forma republicana
Sistema representativo
Regime democrático
Direitos da pessoa humana
Autonomia municipal
Prestação de contas da Administração Pública, direta e indireta
Aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ENSINO e nas ações e serviços públicos de SAÚDE.
ADI INTERVENTIVA FEDERAL
COMPETÊNCIA - STF
LEGITIMIDADE
- ATIVA: PGR
- PASSIVA: Órgão estadual responsável pelo ato
HIPÓTESES
- Recusa à execução de lei federal
- Princípio constitucionais sensíveis
LIMINAR
- Concessão: Pleno (maioria absoluta = 6 Ministros)
- Efeitos: suspende processo, efeitos de decisões judiciais ou administrativas
ou qualquer outra medida relacionada ao objeto da ADI interventiva.
DECISÃO DE
MÉRITO
- Natureza: político-administrativa
- Comunicação às autoridades/órgãos responsáveis pelo ato questionado
- Procedência do pedido: Presidente do STF envia o acórdão ao Presidente
da República, para cumprimento em 15 dias (ato vinculado).
Tabela com base nos ensinamentos de Marcelo Novelino
ADI INTERVENTIVA ESTADUAL
COMPETÊNCIA - Tribunal de Justiça
LEGITIMIDADE
- ATIVA: Procurador-Geral de Justiça
- PASSIVA: Órgão municipal responsável pelo ato questionado
HIPÓTESES
- Princípios indicados na Constituição Estadual
- Recusa à execução de lei, ordem ou decisão judicial
DECISÃO DE
MÉRITO
- NATUREZA: Político-administrativa (não cabe recurso extraordinário)
- Governador: ato vinculado
SÚMULAS
IMPORTANTES
- Súmula 614 STF: Somente o Procurador-Geral de Justiça tem legitimidade
para propor ação direta interventiva por inconstitucionalidade de lei
municipal.
- Súmula 637 STF: Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de
Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em
município.
Tabela com base nos ensinamentos de Marcelo Novelino
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o processo e julgamento da representação interventiva prevista no
inciso III do art. 36 da Constituição Federal.
Art. 2º A representação será proposta pelo PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA, em caso de
violação aos princípios referidos no inciso VII do art. 34 da Constituição Federal, ou de recusa, por parte
de Estado-Membro, à execução de lei federal.
Art. 3º A petição inicial deverá conter:
I - a indicação do princípio constitucional que se considera violado ou, se for o caso de recusa à
aplicação de lei federal, das disposições questionadas;
II - a indicação do ato normativo, do ato administrativo, do ato concreto ou da omissão
questionados;
III - a prova da violação do princípio constitucional ou da recusa de execução de lei federal;
IV - o pedido, com suas especificações.
Parágrafo único. A petição inicial será apresentada em 2 vias, devendo conter, se for o caso,
cópia do ato questionado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação.
Art. 4º A petição inicial será indeferida liminarmente pelo relator, quando não for o caso de
representação interventiva, faltar algum dos requisitos estabelecidos nesta Lei ou for inepta.
Parágrafo único. Da decisão de indeferimento da petição inicial caberá agravo, no prazo de 5
dias.
⚡️Art. 5º O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá
deferir pedido de medida liminar na representação interventiva.
§ 1º O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem
como o Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de 5 dias.
§ 2º A liminar poderá consistir na determinação de que se suspenda o andamento de processo
ou os efeitos de decisões judiciais ou administrativas ou de qualquer outra medida que apresente
relação com a matéria objeto da representação interventiva.
MEDIDA CAUTELAR ADI X ADO X ADC X ADPF X ADI INTERVENTIVA
ADI GENÉRICA
Lei 9.868/99
Art. 11, § 1º
A medida cautelar, dotada de eficácia erga omnes, será concedida com
efeito ex nunc, salvo se o Tribunal decidir pela concessão de eficácia
retroativa.
Art. 11, § 2º
A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior,
acaso existente,exceto expressa manifestação em sentido contrário.
ADO
Lei 9.868/99
Art. 12-F, §
1º
A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou
do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como
na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos
administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo
Tribunal.
ADC
Lei 9.868/99
Art. 21,
caput
O STF, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir
pedido de medida cautelar na ADC, consistente na determinação de que
os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que
envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação, até seu
julgamento definitivo.
Art. 21,
parágrafo
único
Concedida a medida cautelar, o STF fará publicar, em seção especial do
DOU, a parte dispositiva da decisão, no prazo de 10 dias, devendo o
tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de 180 dias, sob pena
de perda de sua eficácia.
ADPF
Lei 9.882/99
Art. 5º, § 1º
Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em
período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum
do Tribunal Pleno.
Art. 5º, § 3º
A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais
suspendam o andamento de processos ou os efeitos de decisões
judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a
matéria objeto da ADPF, salvo se decorrentes da coisa julgada.
ADI
Interventiva
Lei 12.562/11
Art. 5º, § 2º
A liminar poderá consistir na determinação de que se suspenda o
andamento de processos ou os efeitos de decisões judiciais ou
administrativas ou de qualquer outra medida que apresente relação
com a matéria objeto da representação interventiva.
Art. 6º Apreciado o pedido de liminar ou, logo após recebida a petição inicial, se não houver
pedido de liminar, o relator solicitará as informações às autoridades responsáveis pela prática do ato
questionado, que as prestarão em até 10 dias.
§ 1º Decorrido o prazo para prestação das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o
Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República, que deverão manifestar-se, cada qual,
no prazo de 10 dias.
§ 2º Recebida a inicial, o relator deverá tentar dirimir o conflito que dá causa ao pedido,
utilizando-se dos meios que julgar necessários, na forma do regimento interno.
Art. 7º Se entender necessário, poderá o relator requisitar informações adicionais, designar
perito ou comissão de peritos para que elabore laudo sobre a questão ou, ainda, fixar data para
declarações, em audiência pública, de pessoas com experiência e autoridade na matéria.
Parágrafo único. Poderão ser autorizadas, a critério do relator, a manifestação e a juntada de
documentos por parte de interessados no processo.
Art. 8º Vencidos os prazos previstos no art. 6º ou, se for o caso, realizadas as diligências de que
trata o art. 7º, o relator lançará o relatório, com cópia para todos os Ministros, e pedirá dia para
julgamento.
⚡️Art. 9º A decisão sobre a representação interventiva somente será tomada se presentes na
sessão pelo menos 8 Ministros.
⚡️Art. 10. Realizado o julgamento, proclamar-se-á a procedência ou improcedência do pedido
formulado na representação interventiva se num ou noutro sentido se tiverem manifestado pelo
menos 6 Ministros.
Parágrafo único. Estando ausentes Ministros em número que possa influir na decisão sobre a
representação interventiva, o julgamento será suspenso, a fim de se aguardar o comparecimento dos
Ministros ausentes, até que se atinja o número necessário para a prolação da decisão.
QUÓRUM DE PRESENÇA X QUÓRUM VOTAÇÃO
PRESENÇA
(art. 9º)
Presentes na sessão pelo menos 8 Ministros (2/3)
VOTAÇÃO
(art. 10)
Manifestado pelo menos 6 Ministros (maioria absoluta)
⚡️Art. 11. Julgada a ação, far-se-á a comunicação às autoridades ou aos órgãos responsáveis pela
prática dos atos questionados, e, se a decisão final for pela procedência do pedido formulado na
representação interventiva, o Presidente do STF, publicado o acórdão, levá-lo-á ao conhecimento do
Presidente da República para, no prazo improrrogável de até 15 dias, dar cumprimento aos §§ 1º e
3º do art. 36 da Constituição Federal.
(CF, art. 36) § 1º. O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de
execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional
ou da Assembleia Legislativa do Estado, no prazo de 24 horas.
§ 3º. Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou
pela Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa
medida bastar ao restabelecimento da normalidade.
Parágrafo único. Dentro do prazo de 10 dias, contado a partir do trânsito em julgado da decisão,
a parte dispositiva será publicada em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União.
Art. 12. A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido da representação
interventiva é irrecorrível, sendo insuscetível de impugnação por ação rescisória.
Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
ESPAÇO RESERVADO
Soberania Popular (Lei 9.709/98)
A SOBERANIA POPULAR NA CF/88
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
⚡️Art. 1o A soberania popular é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos, nos termos desta Lei e das normas constitucionais pertinentes, mediante:
I – plebiscito;
II – referendo;
III – iniciativa popular.
⚡️Art. 2o Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria
de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa.
§ 1o O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao
povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido.
§ 2o O referendo é convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo
ao povo a respectiva ratificação ou rejeição.
PLEBISCITO x REFERENDO
Consultas formuladas ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de
natureza constitucional, legislativa ou administrativa.
PLEBISCITO
Convocado COM ANTERIORIDADE a ato legislativo ou administrativo o povo aprova
ou denega
REFERENDO
Convocado COM POSTERIORIDADE a ato legislativo ou administrativo o povo ratifica
ou rejeita
⚡️Art. 3o Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder
Executivo, e no caso do § 3o do art. 18 da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são
convocados mediante decreto legislativo, por proposta de 1/3, no mínimo, dos membros que
compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei.
(CF, art. 18) A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.
§ 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a
outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população
diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
⚡️Art. 4o A incorporação de Estados entre si, subdivisão ou desmembramento para se anexarem a
outros, ou formarem novos Estadosou Territórios Federais, dependem da aprovação da população
diretamente interessada, por meio de plebiscito realizado na mesma data e horário em cada um dos
Estados, e do Congresso Nacional, por lei complementar, ouvidas as respectivas Assembleias
Legislativas.
§ 1o Proclamado o resultado da consulta plebiscitária, sendo favorável à alteração territorial
prevista no caput, o projeto de lei complementar respectivo será proposto perante qualquer das
Casas do Congresso Nacional.
§ 2o À Casa perante a qual tenha sido apresentado o projeto de lei complementar referido no
parágrafo anterior compete proceder à audiência das respectivas Assembleias Legislativas.
§ 3o Na oportunidade prevista no parágrafo anterior, as respectivas Assembleias Legislativas
opinarão, sem caráter vinculativo, sobre a matéria, e fornecerão ao Congresso Nacional os
detalhamentos técnicos concernentes aos aspectos administrativos, financeiros, sociais e
econômicos da área geopolítica afetada.
§ 4o O Congresso Nacional, ao aprovar a lei complementar, tomará em conta as informações
técnicas a que se refere o parágrafo anterior.
Art. 5o O plebiscito destinado à criação, à incorporação, à fusão e ao desmembramento de
Municípios, será convocado pela Assembleia Legislativa, de conformidade com a legislação federal e
estadual.
Art. 6o Nas demais questões, de competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
o plebiscito e o referendo serão convocados de conformidade, respectivamente, com a Constituição
Estadual e com a Lei Orgânica.
⚡️Art. 7o Nas consultas plebiscitárias previstas nos arts. 4o e 5o entende-se por população
diretamente interessada tanto a do território que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá
desmembramento; em caso de fusão ou anexação, tanto a população da área que se quer anexar
quanto a da que receberá o acréscimo; e a vontade popular se aferirá pelo percentual que se
manifestar em relação ao total da população consultada.
Art. 8o Aprovado o ato convocatório, o Presidente do Congresso Nacional dará ciência à Justiça
Eleitoral, a quem incumbirá, nos limites de sua circunscrição:
I – fixar a data da consulta popular;
II – tornar pública a cédula respectiva;
III – expedir instruções para a realização do plebiscito ou referendo;
IV – assegurar a gratuidade nos meios de comunicação de massa concessionários de serviço
público, aos partidos políticos e às frentes suprapartidárias organizadas pela sociedade civil em torno
da matéria em questão, para a divulgação de seus postulados referentes ao tema sob consulta.
⚡️Art. 9o Convocado o plebiscito, o projeto legislativo ou medida administrativa não efetivada,
cujas matérias constituam objeto da consulta popular, terá sustada sua tramitação, até que o resultado
das urnas seja proclamado.
⚡️Art. 10. O plebiscito ou referendo, convocado nos termos da presente Lei, será considerado
aprovado ou rejeitado por maioria simples, de acordo com o resultado homologado pelo Tribunal
Superior Eleitoral.
⚡️Art. 11. O referendo pode ser convocado no prazo de 30 dias, a contar da promulgação de lei ou
adoção de medida administrativa, que se relacione de maneira direta com a consulta popular.
Art. 12. A tramitação dos projetos de plebiscito e referendo obedecerá às normas do Regimento
Comum do Congresso Nacional.
⚡️Art. 13. A iniciativa popular consiste na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados,
subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por 5 Estados, com não
menos de três décimos por cento (0,3%) dos eleitores de cada um deles.
§ 1o O projeto de lei de iniciativa popular deverá circunscrever-se a um só assunto.
§ 2o O projeto de lei de iniciativa popular não poderá ser rejeitado por vício de forma, cabendo
à Câmara dos Deputados, por seu órgão competente, providenciar a correção de eventuais
impropriedades de técnica legislativa ou de redação.
Art. 14. A Câmara dos Deputados, verificando o cumprimento das exigências estabelecidas no
art. 13 e respectivos parágrafos, dará seguimento à iniciativa popular, consoante as normas do
Regimento Interno.
Art. 15. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
ESPAÇO RESERVADO
CPIs (Lei 1.579/52)
NORMAS SOBRE CPI NA CF/88
(CF, art. 58, § 3º) As Comissões Parlamentares de Inquérito, que terão poderes de investigação
próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas,
serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente,
mediante requerimento de 1/3 de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo
certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova
a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO
REQUERIMENTO
DE
1/3 DOS
PARLAMENTARES
1/3 dos Deputados Federais ou
1/3 dos Senadores ou
1/3 dos membros de cada Casa, ou seja, 1/3 dos Deputados e dos Senadores
(CPI mista do Congresso Nacional)
Preenchidos os requisitos estabelecidos pelo artigo 58, §3º, CF/88, a CPI deve ser instaurada, já que
se trata de direito público subjetivo da minoria. A instalação de uma CPI não se submete a um juízo
discricionário seja do presidente da casa legislativa, seja do plenário da própria casa legislativa. Não
pode o órgão diretivo ou a maioria parlamentar se opor a tal requerimento por questões de
conveniência ou de oportunidade políticas (STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, julgamento em
14/4/2021 (Info 1013)
É atribuição do Presidente da Câmara aferir o preenchimento dos requisitos atinentes à instauração
de comissão parlamentar de inquérito na Câmara dos Deputados. STF. MS 33.521, rel. min. Marco
Aurélio, j. 15-5-2020, P, DJE de 24-6-2020. Obs.: o Presidente apenas verifica se foram preenchidos
os requisitos constitucionais (1/3, etc.), mas a instauração da CPI não depende da vontade dele nem
da vontade do Plenário. Trata-se de um direito público subjetivo das minorias.
A inércia dos líderes da maioria legislativa em indicar os membros para compor a CPI não pode
frustrar o direito público subjetivo das minorias, razão pela qual, nesse caso, o próprio Presidente
da respectiva Casa deve designar os nomes faltantes para compor a Comissão, observado o art. 58,
§1°, da CF/88 (STF, MS 24.831 e MS 24.845)
APURAÇÃO DE
FATO
DETERMINADO
Considera-se fato determinado todo acontecimento com relevante interesse
para a sociedade e a ordenamento jurídico. Essa relevância pode ser jurídica,
econômica, social etc.
O objeto da investigação pode ser posteriormente ampliado para englobar
fatos descobertos durante os trabalhos da CPI, desde que sejam conexos com
o fato determinado que ensejou a instauração da Comissão (STF, Inq 2245).
PRAZO CERTO
A CPI deve ser criada por prazo certo para conclusão dos trabalhos, mas isso
não impede que haja prorrogações. É possível que ocorra mais de uma
prorrogação, desde que não ultrapasse a mesma legislatura em que a CPI foi
criada (STF, HC.261)
CPI PODE, INDEPENDENTEMENTE DE ORDEM JUDICIAL
Quebrar os sigilos fiscal, bancário e de dados (inclusive dados telefônicos) dos investigados.
Prevalece que CPI MUNICIPAL não tem esse poder (logo precisam de autorização judicial).
Determinar perícias e requisitar diligências, tais como auditorias, exames grafotécnicos, coleta de
provas etc. Caso tais questões envolvam direitos e garantias fundamentais da pessoa, será
necessário obter ordem judicial.
Realizar oitiva de autoridades, inclusive Ministros de Estado, comoinvestigados ou testemunhas.
Na oitiva de investigados, é necessário respeitar o direito ao silêncio, sendo vedada a
condução coercitiva de investigados (STF, ADPF 395 e 444).
Na oitiva de testemunhas, estas podem deixar de responder perguntas que lhe possam
causar grave dano ou lhe incriminar (STF, HC 79.589). É possível a condução coercitiva de
testemunha, mas para isso a CPI precisa de ordem judicial (Lei 1.579/52, art. 3°, § 1°).
Realizar buscas e apreensões. Contudo, para realizar busca e apreensão domiciliar, é necessária
ordem judicial. As ordens expedidas pelas CPI´s não podem ser cumpridas quando já concluído o
trabalho da Comissão e aprovado o relatório final (STF, MS 38.289).
Investigar atos praticados em âmbito privado, desde que revestidos de potencial interesse público
e cujo enfrentamento insira-se, ao menos em tese, dentre as competências do Congresso Nacional
ou da respectiva Casa Legislativa que lhe dá origem (STF, MS 33.751, 2016).
Prender em flagrante delito.
Requisitar funcionários de qualquer poder para ajudar nas investigações, inclusive policiais.
Pode utilizar, na sua investigação, documentos oriundos de inquérito siligoso (HC 100.341, DJE de
2-12-2010).
CPI NÃO PODE
Não pode convocar Presidente da República, Vice-Presidente e Ministros do STF, Governadores,
Vice-Governadores, Presidente de TJ. Tais autoridades podem ser convidadas e não são obrigadas
a comparecer (Princípio da Separação dos Poderes)
No caso das CPIs municipais e estaduais, não podem investigar autoridades com prerrogativa de
foro federal (STJ, PET 1.611).
Não pode convocar juízes para investigar sua atuação jurisdicional. Entretanto, é possível investigar
membros do Poder Judiciário/Servidores por atos não jurisdicionais.
Não pode determinar medidas sujeitas à reserva da jurisdição. Em tais casos, será necessária ordem
judicial.
Não pode decretar prisões temporárias/preventivas.
Não pode determinar medidas acauteladores (medidas cautelares), tais como arresto,
sequestro, hipoteca ou indisponibilidade de bens.
Não pode determinar que pessoas saiam de determinada localidade (não pode apreender
passaporte, CNH).
Não pode expedir mandado de busca e apreensão domiciliar.
Não pode condenar. Trata-se de Comissão com poderes investigatórios, sem poder para proferir
condenação.
Não pode determinar quebra de sigilo de correspondência.
Não pode determinar a anulação de atos de outros Poderes.
Não pode determinar a quebra de sigilo judicial (segredo de justiça).
Considerada a equiparação a magistrados, aplicam-se-lhes as disposições do art. 33 da LOMAN,
motivo pelo qual os conselheiros de tribunal de contas estaduais não estão sujeitos a notificação ou
intimação para comparecerem perante Comissão de Investigação e Processante, na condição de
testemunhas, podendo, contudo, serem convidados a fazê-lo. STJ. HC 590.436-MT, julgado
11/11/2021 (Info 718)
OUTRAS QUESTÕES RELEVANTES SOBRE CPI´S
Em virtude da inafastabilidade da jurisdição, é possível o controle judicial dos atos praticados pelas
CPI´s. No âmbito federal, tal controle é exercido pelo STF (CF/88, art. 102, I, d e i).
Como regra, realiza-se esse controle via mandado de segurança ou habeas corpus, sendo a
autoridade coatora o Presidente da CPI (STF, MS 24.630). Cabível a modalidade preventiva ou
repressiva.
Caso a CPI seja extinta em razão da conclusão dos trabalhos, em regra as ações judiciais contra ela
são prejudicadas por perda de objeto. Entretanto, o STF já excepcionou tal entendimento (STF, ACO
622).
É possível a utilização de prova emprestada perante as CPI´s (STF, Inq. 2.295).
A convocação, por CPI, de indígena na condição de testemunha para prestar depoimento fora de
seu habitat viola as normas constitucionais que conferem proteção específica aos povos indígenas.
STF. Plenário. HC 80.240/RR, rel. Sepúlveda Pertence, j. 20.06.2001
Atos praticados na esfera privada NÃO SÃO IMUNES À INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR, desde que
evidenciada a presença de interesse público potencial em tal proceder. Sendo assim, mais que
sustentáculo da responsabilização civil ou criminal, a apuração empreendida no contexto das CPIs
deve guardar relação instrumental com o conjunto das atividades parlamentares. Ou seja, o que
deve ser perquirido, portanto, é a existência potencial de interesse público no objeto de
investigação, sob a perspectiva das competências, no caso concreto, do Senado Federal. STF, MS
33.751, voto do rel. p/ o ac. min. Edson Fachin, j. 15.12.2015, 1ª T, DJE de 31.3.2016
Impossibilidade jurídica de CPI praticar atos sobre os quais incida a cláusula constitucional da
reserva de jurisdição, como a busca e apreensão domiciliar (...). Possibilidade, contudo, de a CPI
ordenar busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde que essa diligência não se
efetive em local inviolável, como os espaços domiciliares, sob pena, em tal hipótese, de invalidade
da diligência e de ineficácia probatória dos elementos informativos dela resultantes. Deliberação da
CPI/Petrobras que, embora não abrangente do domicílio dos impetrantes, ressentir-se-ia da falta
da necessária fundamentação substancial. Ausência de indicação, na espécie, de causa provável e
de fatos concretos que, se presentes, autorizariam a medida excepcional da busca e apreensão,
mesmo a de caráter não domiciliar (STF, MS 33.663 MC, rel. min. Celso de Mello, dec. monocrática,
j. 19.6.2015, DJEde 18.8.2015)
⚡️Art. 1o AS COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO, criadas na forma do § 3o do art. 58 da
Constituição Federal, terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de
outros previstos nos regimentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com ampla ação nas
pesquisas destinadas a apurar fato determinado e por prazo certo. Lei nº 13.367/16
Parágrafo único. A criação de Comissão Parlamentar de Inquérito dependerá de requerimento de
1/3 da totalidade dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em conjunto ou
separadamente. Lei nº 13.367/16
Art. 2o No exercício de suas atribuições, poderão as Comissões Parlamentares de Inquérito
determinar diligências que reputarem necessárias e requerer a convocação de Ministros de Estado,
tomar o depoimento de quaisquer autoridades federais, estaduais ou municipais, ouvir os indiciados,
inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar da administração pública direta, indireta ou
fundacional informações e documentos, e transportar-se aos lugares onde se fizer mister a sua
presença. Lei nº 13.367/16
Art. 3º. Indiciados e testemunhas serão intimados de acordo com as prescrições estabelecidas na
legislação penal.
§ 1o Em caso de não comparecimento da testemunha sem motivo justificado, a sua intimação será
solicitada ao juiz criminal da localidade em que resida ou se encontre, nos termos dos arts. 218 e 219
do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal. Lei nº 13.367/16
§ 2o O depoente poderá fazer-se acompanhar de advogado, ainda que em reunião secreta.
(CPP, art. 218) Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado, o
juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial
de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força pública.
(CPP, art. 219) O juiz poderá aplicar à testemunha faltosa a multa prevista no art. 453, sem prejuízo do
processo penal por crime de desobediência, e condená-la ao pagamento das custas da diligência.
⚡️Art. 3o-A. Caberá ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, por deliberação desta,
solicitar, em qualquer fase da investigação, ao juízo criminal competente medidacautelar necessária,
quando se verificar a existência de indícios veementes da proveniência ilícita de bens. Lei nº 13.367/16
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm#art453
Art. 4º. Constitui crime:
I - Impedir, ou tentar impedir, mediante violência, ameaça ou assuadas, o regular funcionamento
de Comissão Parlamentar de Inquérito, ou o livre exercício das atribuições de qualquer dos seus
membros.
Pena - A do art. 329 do Código Penal.
(CP, art. 329) Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente
para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio:
Pena - detenção, de 2 meses a 2 anos.
§ 1º - Se o ato, em razão da resistência, não se executa:
Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.
§ 2º - As penas deste artigo são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência.
II - fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, tradutor ou
intérprete, perante a Comissão Parlamentar de Inquérito:
Pena - A do art. 342 do Código Penal.
(CP, art. 342) Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador,
tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
§ 1° As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se
cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil
em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.
§ 2° O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se
retrata ou declara a verdade.
Art. 5º. As Comissões Parlamentares de Inquérito apresentarão relatório de seus trabalhos à
respectiva Câmara, concluindo por projeto de resolução.
§ 1º. Se forem diversos os fatos objeto de inquérito, a comissão dirá, em separado, sobre cada
um, podendo fazê-lo antes mesmo de finda a investigação dos demais.
§ 2º - A incumbência da Comissão Parlamentar de Inquérito termina com a sessão legislativa em
que tiver sido outorgada, salvo deliberação da respectiva Câmara, prorrogando-a dentro da Legislatura
em curso.
Art. 6º. O processo e a instrução dos inquéritos obedecerão ao que prescreve esta Lei, no que lhes
for aplicável, às normas do processo penal.
Art. 6o-A. A Comissão Parlamentar de Inquérito encaminhará relatório circunstanciado, com suas
conclusões, para as devidas providências, entre outros órgãos, ao Ministério Público ou à Advocacia-
Geral da União, com cópia da documentação, para que promovam a responsabilidade civil ou criminal
por infrações apuradas e adotem outras medidas decorrentes de suas funções institucionais. Lei nº
13.367/16
Art. 7º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
JURISPRUDÊNCIAS RELEVANTES SOBRE CPI
Com o término dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito, restam prejudicadas as ações
de mandado de segurança impetradas contra atos da CPI. STF. 1ª Turma. MS-AgR 38.130, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 29/08/2022
A Constituição Federal atribui às Comissões Parlamentares de Inquérito poderes de investigação
próprios das autoridades judiciais. Por essa razão, é lícito a tais órgãos colegiados decretarem no
curso de seus trabalhos medidas de apuração que impliquem restrições circunstanciais a direitos
fundamentais de pessoas de interesse, como a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico. Esses
poderes, contudo, devem ser exercidos de forma fundamentada e em conformidade com o princípio
da proporcionalidade, impondo à esfera jurídica dos indivíduos apenas aquelas limitações
imprescindíveis às tarefas de investigação. Esse entendimento está consolidado no âmbito do STF,
que assentou que o deferimento de providências investigatórias por Comissões Parlamentares de
Inquérito precisa ser devidamente motivado, demonstrada em qualquer caso a proporcionalidade
da medida implementada (MS 24.817, Tribunal Pleno, Rel. Min. Celso de Mello). Os requerimentos
de providências investigativas direcionados a Comissões Parlamentares de Inquérito devem ser
fundamentados adequadamente, de modo a: (i) individualizar as condutas a serem apuradas;
(ii)apresentar os indícios de autoria; (iii) explicitar a utilidade das medidas para a caracterização das
infrações; (iv) delimitar os dados e informações buscados. STF. 1ª Turma. MS-AgR 38.130, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 29/08/2022
A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos
requisitos previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) o requerimento de um terço
dos membros das casas legislativas; b) a indicação de fato determinado a ser apurado; e c) a
definição de prazo certo para sua duração. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013)
Os Conselheiros do TCE são equiparados a magistrados (equiparados a Desembargador do TJ). Logo,
não podem ser notificados ou intimados pela comissão, podendo ser convidados a comparecer.
Aplicam-se aos Conselheiros do TCE as garantias do art. 33, I e IV, da LOMAN (LC 35/79). STJ. Corte
Especial. HC 590436-MT, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/11/2021 (Info 718)
Vale ressaltar, ainda, que, se aceitarem o convite, os conselheiros não estarão sujeitos a
questionamentos acerca das atividades típicas de seus cargos, tais como sobre procedimentos de
tomadas de contas e fiscalizações sobre as operações orçamentárias, financeiras, patrimoniais etc.,
porquanto, no entendimento do Supremo Tribunal Federal “configura constrangimento ilegal, com
evidente ofensa ao princípio da separação dos Poderes, a convocação de magistrado a fim de que
preste depoimento em razão de decisões de conteúdo jurisdicional atinentes ao fato investigado
pela Comissão Parlamentar de Inquérito” (STF. Plenário. HC 80539, Rel. Min. Maurício Corrêa,
julgado em 21/03/2001)
Preenchidos os requisitos constitucionais (CF, art. 58, § 3º), impõe-se a criação da Comissão
Parlamentar de Inquérito, que não depende, por isso mesmo, da vontade aquiescente da maioria
legislativa. Atendidas tais exigências (CF, art. 58, § 3º), cumpre, ao Presidente da Casa legislativa,
adotar os procedimentos subsequentes e necessários à efetiva instalação da CPI, não se revestindo
de legitimação constitucional o ato que busca submeter, ao Plenário da Casa legislativa, quer por
intermédio de formulação de Questão de Ordem, quer mediante interposição de recurso ou
utilização de qualquer outro meio regimental, a criação de qualquer comissão parlamentar de
inquérito. STF. Plenário. MS 26441, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 25/04/2007
A norma inscrita no art. 58, § 3º, da Constituição da República destina-se a ensejar a participação
ativa das minorias parlamentares no processo de investigação legislativa, sem que, para tanto,
mostre-se necessária a concordância das agremiações que compõem a maioria parlamentar. (...) A
prerrogativa institucional de investigar, deferida ao Parlamento (especialmente aos grupos
minoritários que atuam no âmbito dos corpos legislativos), não pode ser comprometida pelo bloco
majoritário existente no Congresso Nacional, que não dispõe de qualquer parcela de poder para
deslocar, para o Plenário das Casas legislativas, a decisão final sobre a efetiva criação de
determinada CPI, sob pena de frustrar e nulificar, de modo inaceitável e arbitrário, o exercício, pelo
Legislativo (e pelas minorias que o integram), do poder constitucional de fiscalizar e de investigar o
comportamento dos órgãos, agentes e instituições do Estado, notadamente daqueles que se
estruturamna esfera orgânica do Poder Executivo. A rejeição de ato de criação de Comissão
Parlamentar de Inquérito, pelo Plenário da Câmara dos Deputados, ainda que por expressiva
votação majoritária, proferida em sede de recurso interposto por Líder de partido político que
compõe a maioria congressual, não tem o condão de justificar a frustração do direito de investigar
que a própria Constituição da República outorga às minorias que atuam nas Casas do Congresso
Nacional. STF. Plenário. MS 26441, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 25/04/2007
ESPAÇO RESERVADO
Súmulas Vinculantes (Lei 11.417/06)
CONSIDERAÇÕES SOBRE SÚMULA VINCULANTE
As súmulas vinculantes foram introduzidas, no ordenamento brasileiro, pela EC 45/2004 e
regulamentadas pela Lei 11.417/06. Segundo Marcelo Novelino, “aspectos jurídicos – como o
excesso de formalismo e de recursos existentes no sistema processual brasileiro – e econômicos –
custo desta lentidão para os diversos setores da sociedade – foram decisivos para a aprovação do
instituto, criado em um ambiente marcado por críticas à morosidade dos processos judiciais e à
baixa eficácia das decisões do Supremo”. Além disso, o autor arremata que “a eficácia vinculante
conferida aos enunciados de súmula tem caráter racionalizador, promove a isonomia e a segurança
jurídica, além de contribuir para a maior celeridade e previsibilidade das decisões judiciais”.
NATUREZA
Marcelo Novelino destaca que “as súmulas vinculantes têm como características a
generalidade, a abstração e a imperatividade, impondo-se com força cogente.
Possuem natureza constitucional, diversamente dos demais enunciados de súmula
da jurisprudência dominante, os quais são dotados de caráter processual”.
SÚMULA VINCULANTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de
2/3 dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que,
a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e
municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. EC
45/2004
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração
pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre
questão idêntica. EC 45/2004
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de
súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de
inconstitucionalidade. EC 45/2004
§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a
procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará
que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. EC 45/2004
Art. 1º Esta Lei disciplina a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula
vinculante pelo Supremo Tribunal Federal e dá outras providências.
A revogação ou modificação do ato normativo em que se fundou a edição de enunciado de súmula
vinculante acarreta, em regra, a necessidade de sua revisão ou cancelamento pelo Supremo
Tribunal Federal, conforme o caso. É constitucional a previsão legislativa de perda dos dias remidos
pelo condenado que comete falta grave no curso da execução penal. Em regra, deve-se revisar ou
cancelar enunciado de súmula vinculante quando ocorrer a revogação ou a alteração da legislação
que lhe serviu de fundamento. Contudo, o STF pode concluir, com base nas circunstâncias do caso
concreto, pela desnecessidade de tais medidas. STF, RE 1.116.485/RS (Tema 477 RG), julg. 28/02/23 (Info
1084)
⚡️Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas
decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder
à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.
EFICÁCIA SUBJETIVA DAS DECISÕES EM ADI, ADC E ADPF
PARTICULARES VINCULA Caso haja desrespeito, cabe reclamação.
PODER
EXECUTIVO
VINCULA
Caso haja desrespeito, cabe reclamação. Obs.: não vincula o
Poder Executivo quando edita medidas provisórias (função
atípica de legislar)
PODER
JUDICIÁRIO VINCULA
Os juízes e tribunais brasileiros. Cabe reclamação caso a
decisão seja desrespeitada.
STF ATENÇÃO
A decisão vincula os julgamentos futuros a serem efetuados
monocraticamente pelos Ministros ou pelas Turmas do STF.
As súmulas não vinculam, contudo, o Plenário do STF. Isso se
justifica a fim de evitar a "fossilização da Constituição".
PODER
LEGISLATIVO
NÃO VINCULA em
sua função típica de
legislar.
Aqui o objetivo também é evitar a intitulada “fossilização da
Constituição". Assim, é possível editar nova lei, com o mesmo
conteúdo da norma declarada inconstitucional pelo STF.
Para impugnar a nova legislação, é necessário propor ADI
para que o STF examine essa nova lei, cabendo destacar que
o STF pode mudar de opinião e passar a considerá-la
constitucional.
§ 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas
determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública,
controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos
sobre idêntica questão.
§ 2º O Procurador-Geral da República, nas propostas que não houver formulado, manifestar-
se-á previamente à edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante.
§ 3º A edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula com efeito vinculante
dependerão de decisão tomada por 2/3 dos membros do STF, em sessão plenária.
§ 4º No prazo de 10 dias após a sessão em que editar, rever ou cancelar enunciado de súmula
com efeito vinculante, o STF fará publicar, em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da
União, o enunciado respectivo.
⚡️Art. 3º São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula
vinculante:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III – a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV – o Procurador-Geral da República;
V - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VI - o Defensor Público-Geral da União;
VII – partido político com representação no Congresso Nacional;
VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional;
IX – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
X - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios,
os Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e
os Tribunais Militares.
LEGITIMADOS ADI X ADO X ADC X ADPF X SÚMULA VINCULANTE
ADI, ADO, ADC
e ADPF
Presidente da República
Mesa do Senado Federal
Mesa da Câmara dos Deputados
Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF
Governador de Estado ou do DF
PGR
Conselho Federal da OAB
Partidopolítico com representação no Congresso Nacional
Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional
SÚMULA
VINCULANTE
Todos os legitimados para ADI, ADO, ADC e ADPF
Defensor Público-Geral da União
Tribunais Superiores, TJ´s, TRF´s, TRT´s, TER´s e Tribunais Militares
§ 1º O Município poderá propor, incidentalmente ao curso de processo em que seja parte, a
edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante, o que não autoriza a
suspensão do processo.
§ 2º No procedimento de edição, revisão ou cancelamento de enunciado da súmula vinculante,
o relator poderá admitir, por decisão irrecorrível, a manifestação de terceiros na questão, nos termos
do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
⚡️Art. 4º A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o STF, por decisão de 2/3 dos
seus membros, poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de
outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público.
Art. 5º Revogada ou modificada a lei em que se fundou a edição de enunciado de súmula
vinculante, o Supremo Tribunal Federal, de ofício ou por provocação, procederá à sua revisão ou
cancelamento, conforme o caso.
⚡️Art. 6º A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não
autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão.
⚡️Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula
vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação.
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após
esgotamento das vias administrativas.
§ 2º Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo
ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação
da súmula, conforme o caso.
Art. 8º O art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte
§ 3º: [...]
Art. 9º A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-
A e 64-B: [...]
⚡️Art. 10. O procedimento de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula com efeito
vinculante obedecerá, subsidiariamente, ao disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal.
Art. 11. Esta Lei entra em vigor 3 meses após a sua publicação.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
A revogação ou modificação do ato normativo em que se fundou a edição de enunciado de súmula
vinculante acarreta, em regra, a necessidade de sua revisão ou cancelamento pelo Supremo
Tribunal Federal, conforme o caso. É constitucional a previsão legislativa de perda dos dias remidos
pelo condenado que comete falta grave no curso da execução penal. Em regra, deve-se revisar ou
cancelar enunciado de súmula vinculante quando ocorrer a revogação ou a alteração da legislação
que lhe serviu de fundamento. Contudo, o STF pode concluir, com base nas circunstâncias do caso
concreto, pela desnecessidade de tais medidas. STF, RE 1.116.485/RS (Tema 477 RG), julg. 28/02/23 (Info
1084)
Para admitir-se a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante, é necessário demonstrar que
houve: a) evidente superação da jurisprudência do STF no tratamento da matéria; b) alteração
legislativa quanto ao tema; ou c) modificação substantiva de contexto político, econômico ou social.
Vale destacar que o mero descontentamento ou eventual divergência quanto ao conteúdo da
súmula vinculante não autorizam que o legitimado ingresse com pedido para cancelamento ou
rediscussão da matéria. STF. Plenário. PSV 13/DF, julgado em 24/9/2015
Só cabe reclamação ao STF, por violação de tese fixada em repercussão geral, após terem se
esgotado todos os recursos cabíveis nas instâncias antecedentes. STF. 1ª Turma. Rcl 39305 AgR, Rel.
Luiz Fux, julgado em 03/04/2020
A reclamação não tem caráter preventivo, de modo que não serve para impedir a eventual prática
de decisão judicial ou ato administrativo. STF. Plenário. Rcl 4058 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em
17/02/2010
Em caso de descumprimento de decisão do STF, proferida em ADI, ADC ou ADPF, cabe reclamação
mesmo que a decisão “rebelde” seja de 1ª instância e não se exige o esgotamento dos recursos. STF.
1ª Turma.Rcl 27789 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/10/2017 (Info 882)
SÚMULAS VINCULANTES
Súmula Vinculante 01: Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem
ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante
de termo de adesão instituído pela Lei Complementar nº 110/2001.
Súmula Vinculante 02: É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha
sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
Súmula Vinculante 03: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de
concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Súmula Vinculante 04: Salvo nos casos previstos na Constituição, o salário mínimo não pode ser
usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem
ser substituído por decisão judicial.
Súmula Vinculante 05: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar
não ofende a Constituição.
Súmula Vinculante 06: Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração inferior ao
salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial.
Súmula Vinculante 07: A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada pela Emenda
Constitucional nº 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicação
condicionada à edição de lei complementar.
Súmula Vinculante 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário.
Súmula Vinculante 09: O disposto no artigo 127 da Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi
recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput
do artigo 58.
Súmula Vinculante 10: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de Tribunal que embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.
Súmula Vinculante 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de
fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado.
Súmula Vinculante 12: A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto
no art. 206, IV, da Constituição Federal.
Súmula Vinculante 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral
ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma
pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo
em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública diretae
indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
Súmula Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
Súmula Vinculante 15: O cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público não incide
sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo.
Súmula Vinculante 16: Os artigos 7º, IV, e 39, § 3º (redação da EC 19/98), da Constituição, referem-
se ao total da remuneração percebida pelo servidor público.
Súmula Vinculante 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição,
não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos.
Súmula Vinculante 18: A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não
afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal.
Súmula Vinculante 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta,
remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo
145, II, da Constituição Federal.
Súmula Vinculante 20: A Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA,
instituída pela Lei nº 10.404/2002, deve ser deferida aos inativos nos valores correspondentes a
37,5 (trinta e sete vírgula cinco) pontos no período de fevereiro a maio de 2002 e, nos termos do
artigo 5º, parágrafo único, da Lei nº 10.404/2002, no período de junho de 2002 até a conclusão dos
efeitos do último ciclo de avaliação a que se refere o artigo 1º da Medida Provisória no 198/2004, a
partir da qual passa a ser de 60 (sessenta) pontos.
Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
Súmula Vinculante 22: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de
indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por
empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em
primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04.
Súmula Vinculante 23: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória
ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
Súmula Vinculante 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º,
incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.
Súmula Vinculante 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
depósito.
Súmula Vinculante 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime
hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n.
8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo
fundamentado, a realização de exame criminológico.
Súmula Vinculante 27: Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária
de serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva necessária,
assistente, nem opoente.
Súmula Vinculante 28: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de
admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.
Súmula Vinculante 29: É constitucional a adoção, no cálculo do valor de taxa, de um ou mais
elementos da base de cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja integral
identidade entre uma base e outra.
Súmula Vinculante 30: (A Súmula Vinculante 30 está pendente de publicação)
Súmula Vinculante 31: É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer
Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis.
Súmula Vinculante 32: O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras.
Súmula Vinculante 33: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da
previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, inciso III da
Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica.
Súmula Vinculante 34: A Gratificação de Desempenho de Atividade de Seguridade Social e do
Trabalho – GDASST, instituída pela Lei 10.483/2002, deve ser estendida aos inativos no valor
correspondente a 60 (sessenta) pontos, desde o advento da Medida Provisória 198/2004,
convertida na Lei 10.971/2004, quando tais inativos façam jus à paridade constitucional (EC
20/1998, 41/2003 e 47/2005).
Súmula Vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995
não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior,
possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento
de denúncia ou requisição de inquérito policial.
Súmula Vinculante 36: Compete à Justiça Federal comum processar e julgar civil denunciado pelos
crimes de falsificação e de uso de documento falso quando se tratar de falsificação da Caderneta de
Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira de Habilitação de Amador (CHA), ainda que expedidas pela
Marinha do Brasil.
Súmula Vinculante 37: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia.
Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de
estabelecimento comercial.
Súmula Vinculante 39: Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros
das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.
Súmula Vinculante 40: A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição
Federal, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.
Súmula Vinculante 41: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.
Súmula Vinculante 42: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.
Súmula Vinculante 43: É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que
não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Súmula Vinculante 44: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a
cargo público.
Súmula Vinculante 45: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por
prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual.
Súmula Vinculante 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das
respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.
Súmula Vinculante 47: Os honorários advocatícios incluídos na condenação ou destacados do
montante principal devido ao credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação
ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada ordem especial
restrita aos créditos dessa natureza.
Súmula Vinculante 48: Na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do
ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro.
Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a
instalação de estabelecimentos comerciais do mesmoramo em determinada área.
Súmula Vinculante 50: Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não
se sujeita ao princípio da anterioridade.
Súmula Vinculante 51: O reajuste de 28,86%, concedido aos servidores militares pelas Leis
8622/1993 e 8627/1993, estende-se aos servidores civis do poder executivo, observadas as
eventuais compensações decorrentes dos reajustes diferenciados concedidos pelos mesmos
diplomas legais.
Súmula Vinculante 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde
que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.
Súmula Vinculante 53: A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da
Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao
objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados.
Súmula Vinculante 54: A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a
Emenda Constitucional 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias,
mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição.
Súmula Vinculante 55: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.
Súmula Vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção
do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os
parâmetros fixados no RE 641.320/RS.
Súmula Vinculante 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à
importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes
exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que
possuam funcionalidades acessórias.
Súmula Vinculante 58: Inexiste direito a crédito presumido de IPI relativamente à entrada de
insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, o que não contraria o princípio da não
cumulatividade.
Súmula Vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º,
da Lei 11.343/06) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP),
observados os requisitos do art. 33, § 2º, alínea c, e do art. 44, ambos do Código Penal.
Súmula Vinculante 60: O pedido e a análise administrativos de fármacos na rede pública de saúde,
a judicialização do caso, bem ainda seus desdobramentos (administrativos e jurisdicionais), devem
observar os termos dos 3 (três) acordos interfederativos (e seus fluxos) homologados pelo Supremo
Tribunal Federal, em governança judicial colaborativa, no tema 1.234 da sistemática da repercussão
geral (RE 1.366.243).
Súmula Vinculante 61: A concessão judicial de medicamento registrado na ANVISA, mas não
incorporado às listas de dispensação do Sistema Único de Saúde, deve observar as teses firmadas
no julgamento do Tema 6 da Repercussão Geral (RE 566.471).
Súmula Vinculante 62: É legítima a revogação da isenção estabelecida no art. 6º, II, da Lei
Complementar 70/1991 pelo art. 56 da Lei 9.430/1996, dado que a LC 70/1991 é apenas
formalmente complementar, mas materialmente ordinária com relação aos dispositivos
concernentes à contribuição social por ela instituída.
Súmula Vinculante 63: O tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006) não configura crime
hediondo, afastando-se a aplicação dos parâmetros mais rigorosos de progressão de regime e de
livramento condicional.
ESPAÇO RESERVADO
Interceptação Telefônica (Lei 9.296/96)
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
(CF, art. 5, XII) É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e
das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Reserva legal
qualificada
SIGILOS
PESSOAIS
SIGILO DE CORRESPONDÊNCIA
SIGILO DE DADOS
Dados bancários
Dados fiscais
Dados telefônicos
Dados telemáticos/informáticos
SIGILO DAS COMUNICAÇÕES TELEGRÁFICAS (TELEGRAMAS)
SIGILO DAS COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS / TELEMÁTICA ou INFORMÁTICAS
QUAL SIGILO A CPI PODE QUEBRAR?
As CPI´s federais, estaduais ou distritais podem determinar a quebra do sigilo de DADOS, mas não
podem quebrar (precisam de ordem judicial) o sigilo das COMUNICAÇÕES (conteúdo das
conversas). Por não possuir Poder Judiciário, prevalece que as CPI´s MUNICIPAIS não têm poder
para determinar a quebra do sigilo de dados.
PODER DE REQUISITAR DADOS BANCÁRIOS/FISCAIS DIRETAMENTE
POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial.
MINISTÉRIO
PÚBLICO
Em regra, não pode, pois é necessária autorização judicial: É ilegal a
requisição, sem autorização judicial, de dados fiscais pelo Ministério Público.
STJ. 3ª Seção. RHC 83.233-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
09/02/2022 (Info 724)
Exceção: É lícita a requisição, pelo Ministério Público, de informações
bancárias de contas de titularidade de órgãos e entidades públicas, com o
fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal
de sigilo bancário (STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).
TCU
Em regra, não pode, pois é necessária autorização judicial (STF MS 22934/DF,
DJe de 9/5/2012)
Exceção: O envio de informações ao TCU, relativas a operações de crédito
originárias de recursos públicos, não é coberto pelo sigilo bancário (STF. MS
33340/DF, j. em 26/5/2015).
RECEITA FEDERAL
SIM, com base no art. 6º da LC 105/2001.
O repasse das informações dos bancos ao Fisco não é "quebra de sigilo
bancário", pois se trata de mera “transferência de informações sigilosas”
entre o banco e o órgão fiscalizatório com competência legal para acessar
tais informações.
FISCO ESTADUAL
DISTRITAL
MUNICIPAL
SIM, desde que regulamentem, no âmbito de suas esferas de competência,
o art. 6º da LC 105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001.
CPI
SIM, diretamente (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. 4º, § 1º da LC
105/2001). Prevalece que CPI MUNICIPAL NÃO PODE.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em
investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá
de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em
sistemas de informática e telemática.
Determinado juiz decreta a interceptação telefônica dos investigados e, posteriormente, chega-se
à conclusão de que o juízo competente para a medida era o Tribunal. Esta prova colhida é ilícita?
Não necessariamente. A prova obtida poderá ser ratificada se ficar demonstrado que a
interceptação foi decretada pelo juízo aparentemente competente. Não é ilícita a interceptação
telefônica autorizada por magistrado aparentemente competente ao tempo da decisão e que,
posteriormente, venha a ser declarado incompetente. Trata-se da aplicação da chamada “teoria do
juízo aparente”. STF. 2ª Turma. HC 110496/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2013 (Info 701)
⚡️Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer
qualquer das seguintes hipóteses:
I - não houver indícios razoáveis da autoriaou participação em infração penal;
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da
investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade
manifesta, devidamente justificada.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
A renovação de interceptação telefônica é lícita quando presentes os requisitos do art. 2º da Lei n.
9.296/1996, desde que a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam fundamentadas de forma
legítima, ainda que sucinta, com base na necessidade da medida e na complexidade da investigação.
Embora o magistrado possa remeter-se a fundamentos apresentados pela autoridade policial e pelo
Ministério Público, é indispensável que exponha, com base na situação concreta, os motivos das
decisões. No caso concreto, embora a decisão inicial estivesse devidamente fundamentada, as
subsequentes prorrogações não seguiram o mesmo rigor, limitando-se à repetição de trechos da
decisão original, sem análise específica da situação fática de cada pedido, caracterizando
fundamentação genérica e indevida. O juiz deve fundamentar cada prorrogação com base na
realidade do momento decisório, especialmente quando deferir novas interceptações, não sendo
suficiente mera referência à decisão inaugural. STJ, 6ª Turma, AgRg no HC 910.860-PB, julgado em
12/11/2024 (Info 24-Extra)
A interceptação telefônica é subsidiária e excepcional, só podendo ser determinada quando não
houver outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, nos termos do art. 2º, inc. II, da Lei
nº 9.296/1996. Desse modo, é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada apenas com
base em “denúncia anônima”. STF, 2ª Turma, HC 108147/PR, rel. Min. Cármen Lúcia, 11/12/2012 (Info 692)
⚡️Art. 3° A INTERCEPTAÇÃO das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de
ofício ou a requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual
penal.
INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES
Ordem
do JUIZ
De ofício; ou
A requerimento
Autoridade policial Na investigação criminal.
Ministério Público
Na investigação criminal e na instrução
processual penal.
⚡️Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que
a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem
empregados.
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde
que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será
condicionada à sua redução a termo.
§ 2° O juiz, no prazo máximo de 24 horas, decidirá sobre o pedido.
SERENDIPIDADE/ENCONTRO FORTUITO DE PROVA/CRIME ACHADO
A prova obtida a respeito da prática do homicídio é lícita, mesmo a interceptação telefônica tendo
sido decretada para investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na
presente situação, tem-se aquilo que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou
seja, uma infração penal desconhecida e não investigada até o momento em que, apurando-se
outro fato, descobriu-se esse novo delito. Para o Min. Alexandre de Moraes, a prova é considerada
lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha relação (não seja conexo) com o delito que estava
sendo investigado, desde que tenham sido respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde
que não tenha havido desvio de finalidade ou fraude. STF, 1ª Turma, HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info 869)
Art. 5° A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de
execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de 15 dias, renovável por igual tempo uma
vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova.
Não há mais dúvida de que o disposto no art. 5º da Lei n. 9.296/1996 não limita a prorrogação da
interceptação telefônica a um único período, podendo haver sucessivas renovações, e de que o
prazo de 15 dias ali previsto começa a correr da data em que a escuta é efetivamente iniciada, e
não do despacho judicial. STJ. 6ª Turma. RHC 72.706/MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
06/10/2016
O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento de que a interceptação telefônica não pode
exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao
número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade. STJ. 5ª Turma. RHC 47.954/SP,
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 01/12/2016
⚡️Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação,
dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização.
§ 1° No caso de a diligência possibilitar a gravação da comunicação interceptada, será
determinada a sua transcrição.
§ 2° Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao
juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas.
§ 3° Recebidos esses elementos, o juiz determinará a providência do art. 8°, ciente o Ministério
Público.
Segundo o art. 6º, da Lei nº 9.296/96, os procedimentos de interceptação telefônica serão
conduzidos pela autoridade policial (Delegado de Polícia Civil ou Federal). O STJ e o STF, contudo,
entendem que tal acompanhamento poderá ser feito por outros órgãos, como, por exemplo, a
polícia militar (o que ocorreu no caso concreto), não sendo atribuição exclusiva da autoridade
policial. STF. 2ª Turma. HC 96986/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2012 (Info 666)
Art. 7° Para os procedimentos de interceptação de que trata esta Lei, a autoridade policial
poderá requisitar serviços e técnicos especializados às concessionárias de serviço público.
Art. 8° A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em autos
apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal, preservando-se o sigilo
das diligências, gravações e transcrições respectivas.
Parágrafo único. A apensação somente poderá ser realizada imediatamente antes do relatório
da autoridade, quando se tratar de inquérito policial (CPP, art.10, § 1°) ou na conclusão do processo ao
juiz para o despacho decorrente do disposto nos arts. 407, 502 ou 538 do Código de Processo Penal.
JURISPRUDÊNCIA IMPORTANTE
Segundo o art. 8º da Lei 9.296/96, o procedimento de interceptação telefônica (requerimento,
decisão, transcrição dos diálogos etc.) deverá ser instrumentalizado em autos apartados. Haverá
nulidade caso a interceptação não seja formalizada em autos apartados? NÃO. Preenchidas as
exigências previstas na Lei nº 9.296/96 (ex: autorização judicial, prazo etc.), não deve ser
considerada ilícita a interceptação telefônica pela simples ausência de autuação. A ausência de
autos apartados configura mera irregularidade que não viola os elementos essenciais à validade da
interceptação. STF, 1ª Turma, HC 128102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/12/2015 (Info 811)
⚡️Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a
requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando: Lei 13.964/19
I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e
II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais
cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos ou em infrações penais conexas.
§ 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma deSeção. HD 282/DF,
julgado em 12/12/2018
NÃO há previsão constitucional ou infraconstitucional do habeas data ‘coletivo. STF. 2ª Turma. HC
143641/SP.Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).
O habeas data é a garantia constitucional adequada para a obtenção dos dados concernentes ao
pagamento de tributos do próprio contribuinte, constantes dos sistemas informatizados de apoio à
arrecadação dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais. STF. Plenário. RE
673707/MG, RG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/6/2015 (Info 790)
É parte legítima para impetrar habeas data o cônjuge sobrevivente na defesa de interesse do
falecido. STJ. 3ª Seção. HD 147/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 28/02/2008 (Info
342)
O habeas data, como garantia constitucional, tem seus contornos limitados pelo art. 5º, inciso LXXII,
da CF/88, como instrumento apto à obtenção de informações do interesse da própria pessoa do
impetrante. Não se presta a obtenção de informações em processo administrativo que visa à
apuração de eventuais irregularidades cometidas por terceiro. STJ. 1ª Seção. HD 123/DF, Rel. Min.
Castro Meira, julgado em 22/03/2006
A teoria da encampação aplica-se ao habeas data, mutatis mutandis, quando o impetrado é
autoridade hierarquicamente superior aos responsáveis pelas informações pessoais referentes ao
impetrante e, além disso, responde na via administrativa ao pedido de acesso aos documentos. HD
n. 84/DF, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Terceira Seção, julgado em 27/9/2006,
DJ de 30/10/2006
O habeas data é instrumento processual colocado à disposição da pessoa física ou jurídica para
assegurar-lhe o acesso e conhecimento aos registros de informações concernentes à pessoa ou
atividade do postulante, bem como possibilitar-lhe a retificação de referidas informações. 2. In casu,
a despeito de o pedido referir-se à retificação da Lista da Dívida Ativa do INSS, pretende a
postulante, por via oblíqua, a exclusão de seu nome da lista lista de inadimplentes do INSS, o que,
prima facie, revela a inadequação da via eleita, a uma: porque a exclusão da lista de inadimplentes
reclama o exame de aspectos probatórios relacionados ao eventual pagamento da dívida ou a
prestação de garantia; a duas: porque o habeas data não é meio idôneo à substituir a ação
declaratória ou, ainda, ser impetrado para garantir direito controverso (...)" (AgRg no HD 116/DF,
STJ, Rei. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, unânime, DI. 10/10/2005)
O habeas data não é meio processual idôneo para obrigar autoridade coatora a prestar informações
sobre inquérito que tramita em segredo de justiça, cuja finalidade precípua é a de elucidar a prática
de uma infração penal e cuja quebra de sigilo poderá frustrar seu objetivo de descobrir a autoria e
materialidade do delito. Não se enquadra, portanto, nas hipóteses de cabimento do habeas data,
previstas no art. 7º da Lei 9.507/97. STJ. 1ª Seção. AgRg nos EDcl no HD 98/DF, Rel. Min. Teori Albino
Zavascki, julgado em 22/09/2004
O habeas data não é meio processual idôneo para obter dados sobre o recolhimento do ICMS pelo
Estado, não tendo a pretensão caráter pessoal, mas relacionando-se à própria atuação
administrativa do Estado. - Efetivamente, o habeas data, de acordo com a Constituição Federal e
com a Lei n° 9.507/97, destina-se a assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados das entidades governamentais ou de
caráter público. Nessa moldura, verifica-se que as informações solicitadas não se dirigem ao
impetrante, apesar do interesse que desponta. - Recurso não conhecido." (pet 1.318/MA, STJ, ReI.
Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, unânime, DI. 12/08/2002)
ESPAÇO RESERVADO
ADI, ADC, ADO (Lei 9.868/99)
CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Historicamente, na Grécia Antiga já existiam mecanismos de verificação das leis em face do direito
natural, o que hoje se assemelharia ao conhecido controle de constitucionalidade.
[FCC-2009] [Promotor de Justiça – MP/CE] No constitucionalismo antigo, mormente o ateniense, a
graphe paranomon – que permitia verificar a correção da lei votada pela assembleia popular em face
do Direito ancestral – é antecedente remoto do controle de constitucionalidade. [CORRETO]
Apesar disso, o mecanismo de controle de validade dos atos normativos, tal como conhecemos hoje,
surgiu mais recentemente, com a criação das Constituições escritas.
Nesse sentido, para a doutrina majoritária, o controle de constitucionalidade surgiu nos Estados
Unidos (Século XIX, em 1803), no julgamento do caso Marbury vs Madison (controle difuso). Na
sequência, a ideia foi assimilada por outros países, como é o caso da Áustria, onde Hans Kelsen criou
uma forma concentrada de verificação de constitucionalidade.
CONCEITO
Bernardo Gonçalves explica que “o controle de constitucionalidade se apresenta
como a análise de parametricidade entre a Constituição e a legislação
infraconstitucional nos países em que a Constituição tem supralegalidade (exerce
relação de supremacia em relação a todo o ordenamento jurídico) sendo, portanto,
formal e rígida”.
Desse modo, controle de constitucionalidade é o mecanismo de análise da
compatibilidade entre as normas infraconstitucionais/emendas constitucionais e a
Constituição Federal/bloco de constitucionalidade, a fim de manter no
ordenamento jurídico apenas aquelas compatíveis com a Lei Maior.
PRESSUPOSTOS
- Constituição formal e rígida;
- Existência de pelo menos um órgão dotado de competência para o controle
de constitucionalidade;
- Existência de uma consequência (invalidação) para a norma que desrespeite
a Constituição, caso contrário o controle de constitucionalidade seria mera
atividade de análise, sem força efetiva.
MATRIZES
AMERICANA
(1803)
Bernardo Gonçalves destaca que “a primeira matriz é a norte-americana,
deflagrada no célebre caso Marbury x Madison”.
• Controle difuso (realizável por diversos órgãos do Poder Judiciário dotados de
jurisdição);
• Caso concreto (o controle é realizado no bojo de um caso concreto, de forma
incidental);
• Efeitos inter partes;
• Efeito ex tunc (a declaração de inconstitucionalidade opera efeitos retroativos,
invalidando a norma desde a sua origem) (Teoria da nulidade).
AUSTRÍACA
(1920)
Capitaneada por Hans Kelsen, trata-se do controle concentrado, realizado por um
órgão constitucional específico, que funciona como uma espécie de legislador
negativo.
• Controle concentrado (realizado por órgão próprio, denominado Corte ou
Tribunal Constitucional;
• Via principal (o controle não é realizado no bojo de um caso concreto, mas sim
de forma principal, numa ação própria);
• Efeitos erga omnes;
• Efeito ex nunc (pro futuro), pois a sentença de inconstitucionalidade produziria
efeitos apenas da sua data em diante;
FRANCESA
(1958)
Bernardo Gonçalves ressalta que o sistema de controle francês “foi desenvolvido
a parte da Constituição da V República da França de 1958. Esse sistema,
basicamente, não tem o Poder Judiciário como órgão de controle, mas um órgão
de cunho político, com composição eminentemente política, intitulado Conselho
Constitucional”.
Sua principal característica é que, em regra, o controle é prévio, ou seja, antes de
o ato normativo entrar em vigor.
Sobre a matriz francesa, o Autor destaca que “em julho de 2008, em virtude de
uma reforma constitucional, a França passou a trabalhar com a possibilidadeinstalação do
dispositivo de captação ambiental.
§ 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária,
por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso
XI do caput do art. 5º da Constituição Federal. Lei 13.964/19
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art10§1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art407
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art502
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art538
§ 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 dias, renovável por decisão
judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente
atividade criminal permanente, habitual ou continuada. Lei 13.964/19
§ 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da
autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando
demonstrada a integridade da gravação. Lei 13.964/19
§ 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação
específica para a interceptação telefônica e telemática. Lei 13.964/19
INTERCEPTAÇÃO
TELEFÔNICA
CAPTAÇÃO
AMBIENTAL
ESCUTA TELEFÔNICA
GRAVAÇÃO
AMBIENTAL**
Procedimento previsto
na Lei 9.296/96
Feita por terceira
pessoa, SEM o
conhecimento dos
interlocutores
Um terceiro capta o
diálogo e UM dos
interlocutores SABE
Um dos próprios
interlocutores grava a
conversa.
Necessita de
autorização judicial.
Necessita de
autorização judicial
Necessita de
autorização judicial
Em regra, não
necessita de
autorização judicial
(ver Tema 979 RG)
**No processo eleitoral, é ILÍCITA a prova colhida por meio de gravação ambiental clandestina, sem
autorização judicial e com violação à privacidade e à intimidade dos interlocutores, ainda que
realizada por um dos participantes, sem o conhecimento dos demais. A exceção à regra da ilicitude
da gravação ambiental, feita sem o conhecimento de um dos interlocutores e sem autorização
judicial, ocorre na hipótese de registro de fato ocorrido em local público desprovido de qualquer
controle de acesso, pois, nesse caso, não há violação à intimidade ou quebra da expectativa de
privacidade. STF, RE 1040515/SE, julgado em 29.04.24 (Tema 979 RG)
Art. 9° A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o
inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou
da parte interessada.
Parágrafo único. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público, sendo
facultada a presença do acusado ou de seu representante legal.
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou
telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou
com objetivos não autorizados em lei: Lei 13.964/19
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de
conduta prevista no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei.
⚡️Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para
investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: Lei 13.964/19
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
§ 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores.
§ 2º A pena será aplicada em dobro ao funcionário público que descumprir determinação de
sigilo das investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações
enquanto mantido o sigilo judicial.
Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
JURISPRUDÊNCIAS RELEVANTES SOBRE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
Assegurados o contraditório e a ampla defesa, com acesso integral às mídias da interceptação
telefônica, não há cerceamento de defesa pelo indeferimento de cópia, especialmente porque os
autos são digitais. Caso hipotético: João, empresário, foi investigado por suspeita de corrupção e
lavagem de dinheiro. O juiz autorizou a interceptação das ligações telefônicas de João, que
revelaram possíveis transações ilícitas. Ele foi denunciado pelo Ministério Público. Durante o
processo, a defesa solicitou não apenas acesso aos áudios capturados, mas também cópias físicas
das gravações. O juiz concedeu o acesso digital integral, mas negou a entrega de cópias externas, o
que levou a defesa a impetrar habeas corpus alegando cerceamento de defesa. O STJ negou o
pedido da defesa, argumentando que a legislação não exige a transcrição integral das
interceptações, bastando que as partes tenham acesso ao conteúdo. Não há nulidade nem
cerceamento de defesa quando os dados interceptados são disponibilizados nos autos. Além disso,
a nulidade processual só se configura se houver comprovação de prejuízo para a parte, o que não
ocorreu no caso, já que a defesa teve acesso total ao material digital. STJ. 6ª Turma. RHC 203.219-
SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/2/2025 (Info 839)
Cabe ao juiz externar fundamentação, ainda que sucinta, baseada na situação concreta do momento
em que proferida a decisão de prorrogação das medidas cautelares de interceptação telefônica, não
sendo suficiente a mera referência à decisão inicial que deferiu a medida. A renovação de
interceptação telefônica é lícita quando presentes os requisitos do art. 2º da Lei n. 9.296/1996,
desde que a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam fundamentadas de forma legítima, ainda
que sucinta, com base na necessidade da medida e na complexidade da investigação. Embora o
magistrado possa remeter-se a fundamentos apresentados pela autoridade policial e pelo
Ministério Público, é indispensável que exponha, com base na situação concreta, os motivos das
decisões. No caso concreto, embora a decisão inicial estivesse devidamente fundamentada, as
subsequentes prorrogações não seguiram o mesmo rigor, limitando-se à repetição de trechos da
decisão original, sem análise específica da situação fática de cada pedido, caracterizando
fundamentação genérica e indevida. O juiz deve fundamentar cada prorrogação com base na
realidade do momento decisório, especialmente quando deferir novas interceptações, não sendo
suficiente mera referência à decisão inaugural. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 910.860-PB, julgado em
12/11/2024 (Info 24 - Edição Extraordinária).
A interceptação telefônica demanda ordem judicial fundamentada em elementos concretos que
justifiquem sua necessidade, bem como que afastem a possibilidade de obtenção das provas por
outros meios. STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC 183.085-SP, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado
em 16/4/2024 (Info 809)
O espólio possui legitimidade para contestar a validade de interceptações telefônicas em processo
penal, mesmo após o falecimento do acusado, especialmente quando tais provas impactam
significativamente o patrimônio dos herdeiros em ações de improbidade. Embora a extinção da
punibilidade pelo falecimento do agente encerre sua responsabilidade penal, não se elimina a
necessidade de resolver pendências civis e indenizatórias. Essas questões perduram até que se
obtenha uma resolução que esteja em conformidade com o direito substantivo e processual
aplicável. Assim, o espólio e os herdeiros do falecido podem ser convocados a responder pelas
consequências civis de seus atos, garantindo justiça e a devida reparação às partes afetadas.
Conforme o art. 107, I, do CP, a morte do agente extingue sua punibilidade. No entanto, isso não
elimina os efeitos civis de decisões anteriores que repercutem sobre o patrimônio do espólio.
Portanto, apesar de a responsabilidade penal serextinta, os impactos patrimoniais de decisões em
ações penais ou de improbidade administrativa — que se basearam em interceptações — podem
continuar afetando o espólio. STJ. 5ª Turma. AREsp 2.384.044-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 11/6/2024 (Info 816).
É constitucional o estabelecimento, por resolução do CNMP, de cautelas procedimentais para
proteção de dados sigilosos e garantia da efetividade dos elementos de prova colhidos via
interceptação telefônica. É constitucional — por não extrapolar as competências do Conselho
Nacional do Ministério Público - CNMP (CF/1988, art. 130-A, caput, § 2º, II), bem como não violar a
competência privativa da União para legislar sobre direito processual (CF/1988, art. 22, I), o
princípio da legalidade (CF/1988, art. 5º, II) e a competência da Polícia Judiciária (CF/1988, art. 144,
§ 1º, IV e § 4º) — a Resolução 51/2010 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização das
interceptações telefônicas no âmbito do Ministério Público. STF. ADI 5.315/DF, julgamento em
1º.9.2023 (Info 1106)
É possível a fundamentação per relationem para decretar ou prorrogar a interceptação telefônica,
desde que o magistrado faça considerações autônomas, ainda que sucintas, justificando a medida.
Em decisões que autorizem a interceptação das comunicações telefônicas de investigados, é
inválida a utilização da técnica da fundamentação per relationem (por referência) sem tecer
nenhuma consideração autônoma, ainda que sucintamente, justificando a indispensabilidade da
autorização de inclusão ou de prorrogação de terminais em diligência de interceptação telefônica.
STJ. 6ª Turma. RHC 119342-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/09/2022 (Info 751)
Admite-se o uso da motivação per relationem para justificar a quebra do sigilo das comunicações
telefônicas. No entanto, as decisões que deferem a interceptação telefônica e respectiva
prorrogação devem prever, expressamente, os fundamentos da representação que deram suporte
à decisão - o que constituiria meio apto a promover a formal incorporação, ao ato decisório, da
motivação reportada como razão de decidir - sob pena de ausência de fundamento idôneo para
deferir a medida cautelar. STJ. 6ª Turma. HC 654131-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
16/11/2021 (Info 723)
A mera referência à legalidade da interceptação telefônica, com exclusiva intenção de justificar a
imposição de outra medida cautelar, não significa que tenha havido a sua validação pelo STJ.
Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade,
julgado em 13/09/2022 (Info 749)
A conversão do conteúdo das interceptações telefônicas em formato escolhido pela defesa não é
ônus atribuído ao Estado. STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 155.813-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 15/02/2022 (Info 731)
A gravação ambiental em que advogados participam do ato, na presença do inquirido e dos
representantes do Ministério Público, inclusive se manifestando oralmente durante a sua
realização, ainda que clandestina ou inadvertida, realizada por um dos interlocutores, não configura
crime, escuta ambiental, muito menos interceptação telefônica. HC 662.690-RJ, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17/05/2022 (Info 737)
A conversão do conteúdo das interceptações telefônicas em formato escolhido pela defesa não é
ônus atribuído ao Estado. AgRg no RHC 155.813-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta
Turma, por unanimidade, julgado em 15/02/2022, DJe 21/02/2022 (Info 731)
Não é necessária a transcrição integral das conversas interceptadas, desde que possibilitado ao
investigado o pleno acesso a todas as conversas captadas, assim como disponibilizada a totalidade
do material que, direta e indiretamente, àquele se refira, sem prejuízo do poder do magistrado em
determinar a transcrição da integralidade ou de partes do áudio. STF. Plenário. Inq 3693/PA, Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/4/2014 (Info 742)
É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial em
substituição ao do investigado titular da linha. REsp 1.806.792-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta
Turma, por unanimidade, julgado em 11/05/2021 (Info 696)
Fonte: Buscador Dizer o Direito + Informativos do STJ e STF
https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre='202101265761'.REG.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28%28AGRRHC.clas.+ou+%22AgRg+no+RHC%22.clap.%29+e+%40num%3D%22155813%22%29+ou+%28%28AGRRHC+ou+%22AgRg+no+RHC%22%29+adj+%22155813%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%221806792%22%29+ou+%28RESP+adj+%221806792%22%29.suce.
JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ – EDIÇÃO 117- INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
1) A alteração da competência não torna inválida a decisão acerca da interceptação telefônica
determinada por juízo inicialmente competente para o processamento do feito.
2) É admissível a utilização da técnica de fundamentação per relationem para a prorrogação de
interceptação telefônica quando mantidos os pressupostos que autorizaram a decretação da
medida originária.
3) O art. 6º da Lei n. 9.296/1996 não restringe à polícia civil a atribuição para a execução de
interceptação telefônica ordenada judicialmente.
4) É possível a determinação de interceptações telefônicas com base em denúncia anônima, desde
que corroborada por outros elementos que confirmem a necessidade da medida excepcional.
5) A interceptação telefônica só será deferida quando não houver outros meios de prova
disponíveis à época na qual a medida invasiva foi requerida, sendo ônus da defesa demonstrar
violação ao disposto no art. 2º, inciso II, da Lei n. 9. 296/1996.
6) É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido
com detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão.
7) A garantia do sigilo das comunicações entre advogado e cliente não confere imunidade para a
prática de crimes no exercício da advocacia, sendo lícita a colheita de provas em interceptação
telefônica devidamente autorizada e motivada pela autoridade judicial.
8) É desnecessária a realização de perícia para a identificação de voz captada nas interceptações
telefônicas, salvo quando houver dúvida plausível que justifique a medida.
9) Não há necessidade de degravação dos diálogos objeto de interceptação telefônica, em sua
integralidade, visto que a Lei n. 9.296/1996 não faz qualquer exigência nesse sentido.
10) Em razão da ausência de previsão na Lei n. 9.296/1996, é desnecessário que as degravações
das escutas sejam feitas por peritos oficiais.
ESPAÇO RESERVADOde
apreciação de constitucionalidade de leis e atos normativos mediante um controle
abstrato (de nítido viés kelseniano) (...)”.
BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE
Marcelo Novelino destaca que esse conceito foi “desenvolvido por Louis Favoreu, em referência às
normas com status constitucional do ordenamento jurídico francês, dentre elas, a Constituição de
1958, o preâmbulo da Constituição de 1946, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do
Cidadão de 1789, além de outras normas de valor constitucional”.
SENTIDO
ESTRITO
Engloba a totalidade de normas constitucionais, expressas ou implícitas, constantes
na Constituição formal.
SENTIDO
AMPLO
Compreende, além das normas formalmente constitucionais, aquelas apenas
materialmente constitucionais (ex. normas sobre direitos humanos do Pacto de San
Jose da Costa Rica) e outras normas que, embora abaixo da Constituição, são
“vocacionadas a desenvolver, em toda sua plenitude, a eficácia dos postulados e dos
preceitos inscritos na Lei Fundamental” (STF, ADI 595/ES).
EVOLUÇÃO DO SISTEMA BRASILEIRO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
CF-1824
A Constituição Imperial de 1824 não previa nenhum sistema de controle de
constitucionalidade. Consagrava-se o dogma da soberania do Parlamento, inspirada no
direito francês e no direito inglês.
CF-1891
A primeira Constituição Republicana, sob a influência do direito norte-americano,
consagrou o controle difuso de constitucionalidade, mantido até a CF/88.
CF-1934
Estabeleceu a ADI Interventiva, a cláusula de reserva de plenário e a possibilidade de
o Senado Federal suspender a execução, no todo ou em parte, de lei ou ato declarado
inconstitucional por decisão definitiva.
CF-1937
A CF de 1937 (Constituição Polaca, ditatorial), manteve o sistema difuso de
constitucionalidade, mas criou um instrumento bastante polêmico.
O Presidente da República podia influenciar as decisões do Poder Judiciário que
declarassem inconstitucional determinada lei. Ou seja, de modo discricionário, o PR
poderia submetê-las ao Parlamento para o seu reexame, podendo o Legislativo, por
2/3 de ambas as Casas, tornar sem efeito a declaração de inconstitucionalidade, desde
que confirmasse a validade da lei.
CF-1946
Fruto do movimento de redemocratização e de reconstitucionalização instaurado no
País, atenuou a hipertrofia do Executivo, restaurando a tradição do sistema de controle
de constitucionalidade.
Com a EC 16/1965, surgiu a ação direta de inconstitucionalidade, de competência
originária do STF, a ser proposta exclusivamente pelo Procurador-Geral da República
(PGR). Também surgiu controle concentrado em âmbito estadual.
CF-1967 e
EC 1/69
Retirada do controle concentrado estadual. Previu-se o controle de
constitucionalidade municipal em face da Constituição Estado, porém, só para fins de
intervenção no município.
CF/88
• Em relação ao controle concentrado em âmbito federal, ampliou a legitimidade para
a propositura da ADI, acabando com o monopólio do Procurador-Geral da República;
• Criou-se o controle de constitucionalidade das omissões legislativas: de modo
concentrado, por meio das ações diretas de inconstitucionalidade por omissão —
ADO, nos termos do art. 103, § 2º); ou de modo incidental, pelo controle difuso
(mandado de injunção — MI, art. 5º, LXXI).
• Previu a representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual (art. 125, § 2º).
• Criou-se a ADPF;
• A EC 3/93 criou a ação declaratória de constitucionalidade (ADC);
• A EC 45/2004 ampliou a legitimidade ativa para o ajuizamento da ADC, equiparando
com os legitimados da ADI. Também inseriu na CF a previsão de efeito vinculante
para a ADI, pois antes era previsto apenas para a ADC (apesar do que já dizia o art.
28, parágrafo único, da Lei n. 9.868/99 e da jurisprudência do STF).
TEORIA DA NULIDADE X TEORIA DA ANULABILIDADE
NULIDADE
De matriz norte-americana, defende que a decisão de inconstitucionalidade
possui natureza declaratória e efeitos retroativos (ex tunc).
ANULABILIDADE
Elaborada por Hans Kelsen, a teoria da anulabilidade da norma inconstitucional
influenciou a Corte Constitucional austríaca, e considera que a decisão de
inconstitucionalidade possui natureza constitutiva, e seus efeitos não
retroagem (ex nunc).
No direito brasileiro, em virtude da forte influência norte-americana, em regra, ao se declarar a
inconstitucionalidade de um ato normativo, a norma é declarada nula desde a origem (plano da
validade) e ocorre o efeito retroativo (teoria da nulidade).
Entretanto, com o objetivo de compatibilizar a supremacia da Constituição com outros valores
constitucionalizados (notadamente a segurança jurídica e a boa-fé objetiva), em certos casos ocorre
a mitigação da teoria da nulidade, ou a aplicação da teoria da anulabilidade. Nesse sentido:
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de
segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por
maioria de 2/3 de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só
tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Trata-se da técnica de modulação dos efeitos da decisão, a qual permite uma compatibilização
entre a declaração de inconstitucionalidade com outros valores também constitucionalizados, a
exemplo da segurança jurídica, do interesse social e da boa-fé.
Atenção
A técnica da modulação dos efeitos, em casos específicos, também tem sido aplicada, por analogia,
no controle difuso de constitucionalidade. O STF, à luz da segurança jurídica, vem mitigando os
efeitos da decisão que reconhece a inconstitucionalidade das leis, preservando-se situações
pretéritas consolidadas com base na lei objeto do controle.
ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE
PARCIAL x TOTAL
A inconstitucionalidade pode atingir apenas parte do ato normativo (parcial) ou sua totalidade
(total).
PARCIAL
A regra no ordenamento jurídico é a inconstitucionalidade de apenas parte da lei ou
do ato normativo (parcial). Isso porque a aferição de validade da norma é feita
dispositivo por dispositivo, e não globalmente.
A declaração de inconstitucionalidade parcial pode recair sobre fração de artigo,
parágrafo, inciso, alínea, ou até mesmo sobre uma única palavra da lei ou do ato
normativo (princípio da parcelaridade). Não confunda: o princípio da parcelaridade não
se aplica ao chamado “veto jurídico” do Presidente da República (art. 66, §2º, CF).
A declaração da inconstitucionalidade parcial pelo Judiciário não pode subverter o
intuito da lei, sob pena de ofensa ao princípio da separação dos poderes. Nesses casos,
o Poder Judiciário deverá declarar a inconstitucionalidade de toda a norma, sob pena
de atuar como autêntico legislador positivo.
TOTAL
Embora a regra seja a inconstitucionalidade parcial, em certos casos o Poder Judiciário
deve declarar a inconstitucionalidade total da norma impugnada, a exemplo de uma
lei com vício de iniciativa.
POR AÇÃO x POR OMISSÃO
INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO
A inconstitucionalidade por ação classifica-se em:
a) formal (nomodinâmica);
b) material (nomoestática); ou
c) por “vício de decoro parlamentar” (tese criada por Pedro Lenza).
FORMAL
ORGÂNICA
Decorre da inobservância das normas de competência legislativa dos entes
federativos (União, Estados/DF e Municípios). Ex.: O STF considera
inconstitucional lei municipal que discipline o uso do cinto de segurança, pois
legislar sobre trânsito e transporte (art. 22, XI, CF) é competência da União.PROPRIAMENTE
DITA
Decorre da inobservância do devido processo legislativo constitucional.
• Vício formal subjetivo: a inconstitucionalidade ocorre na fase de iniciativa
legislativa. Ex.: lei de iniciativa parlamentar que fixe o efetivo das Forças
Armadas (a iniciativa é exclusiva do PR).
• Vício formal objetivo: Verifica-se nas demais fases do processo legislativo,
posteriores à fase de iniciativa. Ex.: lei complementar que é aprovada
mediante maioria simples (o quórum para aprovar LC é maioria absoluta).
POR VIOLAÇÃO A
PRESSUPOSTOS
OBJETIVOS DO
ATO NORMATIVO
Como exemplo, temos a edição de medida provisória sem a observância dos
requisitos da relevância e urgência (art. 62, caput, CF), ou a criação de
Municípios por lei estadual, sem a observância dos requisitos do art. 18, § 4º.
MATERIAL
Uma lei/ato normativo é materialmente inconstitucional quando afronta o conteúdo de uma norma
constitucional. Ex.: uma lei que estabeleça uma distinção indevida entre pessoas numa mesma
situação violará o princípio da igualdade.
ATENÇÃO: O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem
impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional. STF.
Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787)
POR VÍCIO DE DECORO PARLAMENTAR
Pedro Lenza criou a noção de inconstitucionalidade formal por vício de decoro parlamentar, a
exemplo dos casos de compra de votos para se obter a aprovação de proposições legislativas no
Parlamento. Para o ilustre autor, nesses casos de compra de votos, ocorre vício de decoro
parlamentar, porque, segundo o art. 55, §1º, da CF, “é incompatível com o decoro parlamentar,
além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro
do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas”.
Veja só o que o STF já decidiu a respeito:
É possível que uma emenda constitucional seja julgada formalmente inconstitucional se ficar
demonstrado que ela foi aprovada com votos comprados dos parlamentares e que esse número
foi suficiente para comprometer o resultado da votação. STF. Plenário. ADI 4887/DF, ADI 4888/DF e
ADI 4889/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10.11.2020
MOMENTOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
PRÉVIO
(ou preventivo)
O controle de constitucionalidade prévio (ou preventivo) ocorre durante o
processo legislativo, antes de o projeto de lei virar lei.
POSTERIOR
(ou repressivo)
O controle de constitucionalidade é posterior (ou repressivo) quando ocorre após
a conclusão do processo legislativo, quando já existe a lei/ato normativo.
CONTROLE PRÉVIO (preventivo)
É o realizado durante o processo legislativo de formação do ato normativo. Pode ser realizado pelo
Legislativo, Executivo e Judiciário.
LEGISLATIVO
Pedro Lenza ensina que quem deflagrar o processo legislativo (iniciativa), em tese
já deve verificar a regularidade material do projeto de lei.
O Poder Legislativo, por meio de suas Comissões de Constituição e Justiça,
analisará se o projeto de lei contém algum vício a ensejar sua
inconstitucionalidade.
EXECUTIVO
O Chefe do Poder Executivo realiza controle prévio ao realizar o chamado veto
jurídico à projeto de lei considerado inconstitucional.
JUDICIÁRIO**
O controle prévio realizado pelo Poder Judiciário sobre PEC ou projeto de lei em
trâmite na Casa Legislativa busca garantir ao parlamentar o respeito ao devido
processo legislativo. Trata-se de controle exercido no caso concreto, pela via de
exceção ou defesa, ou seja, de modo incidental (é uma hipótese de controle
concentrado-concreto). Concentrado porque cabe a um único órgão realizar (STF)
e concreto porque se dá no bojo de uma ação de mandado de segurança.
ATENÇÃO: Parcela da doutrinária e da jurisprudência entende se tratar de um
controle difuso-concreto, cujo objetivo principal é a proteção do direito subjetivo
do parlamentar ao devido processo legislativo constitucional (Marcelo Novelino,
por exemplo).
O processo de formação das leis ou de elaboração de emendas à Constituição
revela-se suscetível de controle incidental ou difuso pelo Poder Judiciário, sempre
que, havendo possibilidade de lesão à ordem jurídico-constitucional, a
impugnação vier a ser suscitada por membro do próprio Congresso Nacional, pois,
nesse domínio, somente ao parlamentar - que dispõe do direito público subjetivo
à correta observância das cláusulas que compõem o devido processo legislativo -
assiste legitimidade ativa ad causam para provocar a fiscalização jurisdicional.
(STF, MS 2365-DF, Rel. Celso de Mello)
**CONTROLE PRÉVIO REALIZADO PELO JUDICIÁRIO
• A legitimidade para a impetração do MS é exclusiva do parlamentar, pois o direito público
subjetivo de participar de um processo legislativo hígido (devido processo legislativo) pertence
somente aos membros do Poder Legislativo. (vide RTJ 136/25-26, Rel. Min. Celso de Mello; RTJ
139/783, Rel. Min. Octavio Gallotti, e, ainda, MS 21.642-DF, MS 21.747-DF, MS 23.087-SP, MS 23.328-DF).
• O mandamus deve ser impetrado por parlamentar integrante da Casa Legislativa na qual a
medida se encontra em tramitação (MS 24.645/DF, Rel. Min. Celso de Mello). Por exemplo, um
Senador não pode impetrar o MS no tocante a um projeto que tramita na Câmara dos
Deputados.
• A atualidade do exercício do mandato parlamentar configura situação legitimante e necessária,
tanto para a instauração quanto para o prosseguimento da causa perante o STF. Assim, a perda
superveniente do mandato de parlamentar acarreta a extinção do mandado de segurança,
em virtude da ausência superveniente de legitimidade ativa ad causam. STF, MS 27.971, Rel. Min.
Celso de Mello, decisão monocrática, j. 1.º.07.2011, DJE de 1.º.08.2011)
PROJETO DE LEI
Em relação a projeto de lei, o controle judicial não analisará a matéria, mas
apenas o processo legislativo. O Judiciário só realiza o controle prévio formal.
PROPOSTA DE
EMENDA
CONSTITUCIONAL
(PEC)
O Judiciário pode realizar o controle prévio formal e material (verificar se a
PEC respeita as cláusulas pétreas).
CONTROLE POSTERIOR (repressivo ou sucessivo)
O controle posterior será realizado já sobre a lei, e não mais sobre o projeto de lei. Os órgãos de
controle verificarão se o ato normativo possui algum vício formal ou material. Tais órgãos variam
conforme o sistema de controle adotado pelo Estado. O controle posterior pode ser político,
jurisdicional ou híbrido.
No Brasil, em regra o controle posterior é realizado pelo Poder Judiciário, de forma concentrada ou
de maneira difusa.
POLÍTICO
Verificado em Estados onde o controle é feito por um órgão distinto dos três Poderes,
garantidor da supremacia da Constituição. Esse sistema é comum em países da Europa,
como Portugal e Espanha, sendo normalmente realizado pelas Cortes ou Tribunais
Constitucionais.
O Min. Barroso destaca que, no Brasil, existe controle político nos casos de veto jurídico
e de rejeição pela CCJ. No País, portanto, o controle político é preventivo.
JURISDICIONAL
Realizado por órgãos específicos quando é concentrado (STF ou TJ´s) ou por todos
os juízes e tribunais quando é realizado de maneira difusa. Diz-se que o Brasil
adotou um sistema jurisdicional misto, pois realizado pelo Poder Judiciário,
tanto de forma concentrada (controle concentrado) como por qualquer juiz ou
tribunal (controle difuso).
HÍBRIDO
Algumas normas são levadas a controle perante um órgão distinto dos três Poderes
(controle político), ao passo que outras são apreciadas pelo Poder Judiciário (controle
jurisdicional).
EXCEÇÕES À REGRA DO CONTROLE POSTERIOR JURISDICIONAL
Como visto acima, no Brasil, em regra, ocontrole posterior é realizado pelo Poder Judiciário, de
forma concentrada ou de maneira difusa. Vejamos as exceções (controle repressivo realizado pelo
Legislativo e pelo Executivo):
LEGISLATIVO
a) Competência do CN para sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar.
Atenção: há quem afirme que, na verdade, esse controle é de legalidade e não de
inconstitucionalidade, pois analisa se o decreto regulamentar extrapolou os limites
da lei a que se refere.
b) sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem dos limites de
delegação legislativa (leis delegadas).
EXECUTIVO
O princípio da supremacia da Constituição produz efeitos irradiantes em todos os
Poderes da República. As bancas vão te perguntar se o Chefe do Poder Executivo
pode deixar de cumprir uma lei inconstitucional. Sem entrar em minúcias,
entendemos que sim, pois aplicar uma lei flagrantemente inconstitucional é o
mesmo que negar a eficácia da própria CF/88.
A 1.ª Turma do STJ já enfrentou o tema com maior veemência, consagrando a
tese do controle posterior ou repressivo pelo Poder Executivo: “Lei
inconstitucional — Poder Executivo — Negativa de eficácia. O poder executivo
deve negar execução a ato normativo que lhe pareça inconstitucional” (STJ, REsp
23121/GO, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros; 1.ª Turma, j. 06.10.1993, DJ de
08.11.1993, p. 23521, LEXSTJ 55/152)
[CESPE-2009] [TER-MA / ANALISTA JUDICIÁRIO] O chefe do Poder Executivo não
pode deixar de cumprir lei ou ato normativo que entenda flagrantemente
inconstitucional, sob pena de afronta à competência e à atuação dos Poderes
Legislativo e Judiciário. [ERRADO]
O QUE É O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE SEMIPROCEDIMENTAL?
O controle semiprocedimental de constitucionalidade é uma modalidade que une os controles
formal e material, analisando a lei com base na qualidade do processo legislativo que a criou, indo
além da mera conformidade textual com a Constituição para verificar a racionalidade,
transparência, debate e deliberação democrática. Ele avalia se o procedimento legislativo foi
suficientemente reflexivo e participativo, exigindo um debate parlamentar substantivo e consulta
adequada, especialmente em matérias complexas, usando parâmetros de qualidade e
racionalidade que não estão expressos na Constituição, mas são extraídos da jurisprudência.
O objetivo é garantir que as normas sejam criadas de forma racional, democrática e com impacto
positivo na sociedade.
Exemplo
ADI 7222 e o Piso Salarial da Enfermagem. A ADI 7222 questionou a Lei nº 14.434/2022, que institui
o piso salarial nacional para a enfermagem.
Além dos aspectos formais e materiais, o STF avaliou:
✔ A participação dos setores envolvidos no processo;
✔ Estudos sobre o impacto financeiro da medida;
✔ A compatibilidade com princípios como equilíbrio federativo e responsabilidade fiscal.
TRIBUNAIS DE CONTAS PODEM REALIZAR CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE?
O STF possui o seguinte enunciado:
Súmula 347-STF: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público.
Referido verbete permanece formalmente válido, portanto, se a banca cobrar sua LITERALIDADE,
a assertiva estará certa. No entanto, atualmente essa Súmula deve ser lida à luz do recente
entendimento do STF (MS 25.888):
Súmula 347 do Supremo Tribunal Federal: compatibilidade com a ordem constitucional de
1988: o verbete confere aos Tribunais de Contas – caso imprescindível para o exercício do
controle externo – a possibilidade de afastar (incidenter tantum) normas cuja aplicação no caso
expressaria um resultado inconstitucional (seja por violação patente a dispositivo da
Constituição ou por contrariedade à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a
matéria). Inteligência do enunciado, à luz de seu precedente representativo. STJ, RMS 8.372/CE,
Rel. Min. Pedro Chaves, Pleno, julgado em 11.12.1961).
6. Reafirmação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à inviabilidade de
realização de controle abstrato de constitucionalidade por parte de Tribunal de Contas (MS
35.410, MS 35.490, MS 35.494, MS 35.498, MS 35.500, MS 35.812, MS 35.824, MS 35.836, todos
de Relatoria do Eminente Ministro Alexandre De Moraes, Tribunal Pleno, e publicados no DJe
5.5.2021). (...) STF. Plenário. MS 25888 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 22/08/2023
Para concursos, portanto, você deve saber que:
a) O Tribunal de Contas não é órgão do Poder Judiciário e, portanto, não possui atribuição para a
declaração de inconstitucionalidade de normas jurídicas.
b) A Súmula 347-STF confere aos Tribunais de Contas – caso imprescindível para o exercício do
controle externo – a possibilidade de afastar (incidenter tantum) normas cuja aplicação no caso
expressaria um resultado inconstitucional seja por:
i) violação patente a dispositivo da Constituição (inconstitucionalidade chapada); ou
ii) por contrariedade à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria.
SISTEMAS/VIAS DE CONTROLE JUDICIAL
O controle judicial de constitucionalidade poderá ser difuso ou concentrado. Além disso, sob o
ponto de vista formal, o sistema pode ser pela via incidental ou pela via principal. Vamos entender:
DIFUSO
O sistema difuso significa que qualquer juiz ou tribunal, observadas as regras de
competência, pode realizar o controle de constitucionalidade.
CONCENTRADO
No sistema concentrado, a análise de constitucionalidade concentra-se em um
ou mais de um (porém em número limitado) órgão. É competência originária do
referido órgão. No Brasil, por exemplo, o controle concentrado pode ser
realizado pelo STF e pelos TJ´s.
INCIDENTAL
Também chamado pela via de exceção ou defesa ou concreto, o controle é
realizado como questão prejudicial ao mérito do pedido principal do processo.
Ou seja, no controle incidental, a questão da constitucionalidade não é o pedido
principal da causa sob análise do Judiciário.
PRINCIPAL
No sistema de controle pela via principal (abstrata ou pela via de “ação”), a
análise da constitucionalidade da lei é o objeto principal, autônomo e exclusivo
da causa.
MESCLANDO OS CONCEITOS
Ao “misturarmos os conceitos”, temos que, em regra:
a) O sistema difuso é exercido pela via incidental, merecendo destaque a experiência norte-
americana, a qual, inclusive, influenciou o surgimento do controle difuso no Brasil.
b) O sistema concentrado é exercido pela via principal, como decorre da experiência austríaca e se
verifica no sistema brasileiro.
Essas regras, entretanto, possuem exceção: 1) Para Pedro Lenza, como exceção à regra do controle
concentrado e abstrato/principal de constitucionalidade, há situação em que o controle será
concentrado (em órgão de cúpula, com competência originária), mas incidental, discutindo-se a
questão de constitucionalidade como questão prejudicial ao objeto principal da lide.
Ex.: MS parlamentar visando ao sobrestamento de projeto de lei que viola o devido processo
legislativo. O autor considera que é caso de controle concentrado no STF, porém, incidental.
No mesmo exemplo de MS impetrado por parlamentar, parte da doutrina entende o contrário. Por
exemplo, Alexandre de Moraes considera que o controle concentrado de constitucionalidade
somente pode se operar sobre lei ou ato normativo aperfeiçoados, e não sobre projeto de lei ou de
emenda constitucional. Sendo assim, o caso seria de controle difuso e incidental/concreto. Gilmar
Mendes e Marcelo Novelino seguem o raciocínio. Segundo Novelino, “trata-se de um controle
difuso-concreto, cujo objetivo principal é a proteção do direito subjetivo do parlamentar ao devido
processo legislativo constitucional”. O STF também possui um julgado nesse sentido:
O processo de formaçãodas leis ou de elaboração de emendas à Constituição revela-se suscetível
de controle incidental ou difuso pelo Poder Judiciário, sempre que, havendo possibilidade de
lesão à ordem jurídico-constitucional, a impugnação vier a ser suscitada por membro do próprio
Congresso Nacional, pois, nesse domínio, somente ao parlamentar - que dispõe do direito público
subjetivo à correta observância das cláusulas que compõem o devido processo legislativo - assiste
legitimidade ativa ad causam para provocar a fiscalização jurisdicional” (STF, MS 2365-DF, Rel. Celso
de Mello).
CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO (FULL BENCH, FULL COURT ou JULGAMENTO EN BANC)
- Significa que, se um Tribunal for declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, é
obrigatório que essa declaração de inconstitucionalidade seja feita pelo voto da maioria absoluta
do Plenário ou do órgão especial deste Tribunal. Trata-se de um importante instituto para
manutenção da segurança jurídica.
- Primeira Constituição brasileira a adotá-la: CF/1934.
- O respeito à cláusula de reserva de plenário aplica-se tanto no controle difuso como no controle
concentrado de constitucionalidade.
NO STF: apenas no caso de controle concentrado. No caso de controle difuso, não precisa observar
a cláusula. (Trata-se de tema polêmico, portanto muita atenção na prova).
A vedação do art. 97 da CF/88 não tem aplicação ao STF, cuja missão precípua é a guarda da
Constituição. O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do
julgamento do recurso extraordinário, via apropriada à discussão de violação constitucional,
ordinariamente realizado por suas turmas. STF. 2ª Turma. ARE 1008426 AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 26/05/2017
O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do julgamento
do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários competência regimental para
fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da Constituição Federal. STF. 2ª Turma. RE 361829 ED, Min. Rel.
Ellen Gracie, julgado em 02/03/2010
PARA OS DEMAIS TRIBUNAIS: devem observar a cláusula de reserva de plenário tanto no caso de
controle difuso como concentrado.
PREVISÃO NO CPC/2015
Art. 948 do CPC/15. Arguida, em controle difuso, a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo
do poder público, o relator, após ouvir o Ministério Público e as partes, submeterá a questão à
turma ou à câmara à qual competir o conhecimento do processo.
Art. 949 do CPC/15. Se a arguição for:
I - rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde
houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão
especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do
plenário do STF sobre a questão.
NÃO É NECESSÁRIO OBSERVAR A CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO
Juiz singular;
Turmas Recursais (Colégios Recursais);
Se o órgão fracionário faz apenas uma interpretação conforme (como princípio interpretativo).
Na interpretação conforme a Constituição, quando utilizada como princípio interpretativo, não há
necessidade de se observar a cláusula de reserva de plenário. Porém, quando utilizada como
técnica de decisão em controle de constitucionalidade, o STF vem entendendo pela necessária
aplicação da reserva de plenário (RE 765.254 AgR-EDv, j. 20/04/2020, Pleno). E, seguindo a mesma
linha de raciocínio, o Min. Gilmar Mendes, em decisão monocrática proferida em 27/03/2018 no
RE 755.234, afirmou que “parece compatível com orientação da Corte que a interpretação
conforme se constitui técnica de decisão no controle de constitucionalidade, devendo assim
observar o full bench”.
O STF, no caso de controle difuso;
Quando o Plenário (ou órgão especial) do Tribunal que estiver decidindo já tiver se manifestado
pela inconstitucionalidade da norma;
Quando o Plenário do STF já tiver decidido que a norma em análise é inconstitucional;
Se a lei ou ato normativo for anterior ao texto da Constituição Federal;
Se o órgão fracionário declarar a constitucionalidade da norma;
Tabela com base no site Buscador Dizer o Direito + Youtube Prof. Francisco Braga (Revisão PGE)
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Súmula vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte.
É inconstitucional a suspensão dos efeitos financeiros de lei estadual mediante decreto do
Governador por considerá-la claramente inconstitucional. O STF declarou o decreto
inconstitucional por vício formal e material, entendendo que o Executivo não tem competência
para suspender unilateralmente a eficácia de lei, ainda que suspeita de inconstitucionalidade. Vale
ressaltar, contudo, que atendendo pedido formulado pelo PGR durante o julgamento, o STF
também julgou inconstitucional a própria Lei nº 2.853/2014. Por razões de segurança jurídica, os
efeitos da decisão foram modulados, preservando atos já praticados com base no decreto.
STF, ADI 5.297/TO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/08/2025 (Info 1186)
Não há de se falar em ofensa à cláusula de reserva de plenário e ao enunciado 10 da Súmula
vinculante do STF quando não haja declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais tidos
por violados, tampouco afastamento desses, mas tão somente a interpretação do direito
infraconstitucional aplicável ao caso, com base na jurisprudência do STJ. STJ, AgInt nos EDcl no RMS
64.859/ES, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21/03/2022
A cláusula de reserva de plenário não se aplica às Turmas Recursais. O art. 97 da Constituição, ao
subordinar o reconhecimento da inconstitucionalidade à decisão da “maioria absoluta de seus
membros ou dos membros dos respectivos órgãos especiais” refere-se aos Tribunais indicados no
art. 92 e aos respectivos órgãos especiais (art. 93, XI). A referência, portanto, não atinge juizados
de pequenas causas (art. 24, X) e juizados especiais (art. 98, I), os quais, pela configuração atribuída
pelo legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob regime de plenário ou de órgão especial.
STF. 2ª Turma. ARE 792562 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/03/2014
A cláusula de reserva de plenário não se aplica ao STF no caso de controle difuso, pois sua missão
precípua é a guarda da Constituição. O STF exerce, por excelência, o controle difuso de
constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, via apropriada à discussão
de violação constitucional, ordinariamente realizado por suas turmas. STF. 2ª Turma. ARE 1008426
AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/05/2017
Não viola a cláusula de reserva de plenário a decisão que declara a incompatibilidade entre normas
infraconstitucionais editadas anteriormente à Constituição de 1988 e o atual Texto Constitucional
(STF. 2ª Turma. RE 1328129 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/11/2021)
A norma inscrita no art. 97 da Carta Federal, porque exclusivamente dirigida aos órgãos colegiados
do Poder Judiciário, não se aplica aos magistrados singulares quando no exercício da jurisdição
constitucional. STF. 1ª Turma. HC 69.921, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 26/3/1993
CAPÍTULO I
DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE
CONSTITUCIONALIDADE
Art. 1o Esta Lei dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade
(ADI) e da ação declaratória de constitucionalidade (ADC) perante o Supremo Tribunal Federal.
ADI Lei/ato normativo federal ou estadual
ADC Lei/ato normativofederal
ATOS NORMATIVOS PARA FINS DE ADI/ADC
ATO NORMATIVO
PARA FINS DE ADI/ADC
As normas contidas no art. 59 da CF/88
Ato que tenha conteúdo normativo (caráter abstrato e geral)
(ex.: regimento interno de Tribunal)
DECRETO PODE SER
CONSIDERADO ATO
NORMATIVO PARA FINS DE
ADI/ADC?
DECRETO QUE APENAS
REGULAMENTA UMA LEI
NÃO**
DECRETO AUTÔNOMO SIM
**Admite-se o uso das ações do controle concentrado de constitucionalidade para o exame de atos
normativos infralegais, nos casos em que a tese de inconstitucionalidade articulada pelo autor propõe
o cotejo da norma impugnada diretamente com o texto constitucional. STF. Plenário. ADI 3481/DF,
julgado em 6/3/2021 (Info 1008)
HIPÓTESES DE CABIMENTO DA ADI
NORMAS
MUNICIPAIS
NÃO
A constitucionalidade ou não de normas municipais verifica-se pelo
controle difuso, por ADPF ou por meio de ADI/ADC proposta no
Tribunal de Justiça do respectivo estado/DF (art. 125, § 2º, da CF).
NORMAS
ORIGINÁRIAS DA
CF/88
NÃO O poder constituinte originário é ilimitado juridicamente e autônomo.
EMENDA
CONSTITUCIONAL
CABE
O poder constituinte derivado (reformador, no caso das Emendas; e
decorrente, no caso das Constituições Estaduais) deve observar os
limites impostos e estabelecidos pelo originário, a exemplo das regras
do art. 60 da CF.
CONSTITUIÇÃO
ESTADUAL
CABE
ATOS
NORMATIVOS
CABE
Pode ser objeto de controle qualquer ato revestido de abstração e
generalidade.
ATOS INFRALEGAIS
(Decreto regulamentar,
por exemplo)
NÃO
Entretanto: Admite-se o uso das ações do controle concentrado de
constitucionalidade para o exame de atos normativos infralegais, nos
casos em que a tese de inconstitucionalidade articulada pelo autor
propõe o cotejo da norma impugnada diretamente com o texto
constitucional. STF. Plenário. ADI 3481/DF, julgado em 6/3/2021 (Info 1008)
REGIMENTO
INTERNO DOS
TRIBUNAIS
CABE
Não há vedação quanto à possibilidade de ADI contra regimento
interno dos Tribunais (art. 96, I, a, da CF).
REVOGAÇÃO DO ATO NORMATIVO OBJETO DA ADI
O que acontece caso o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI seja revogado antes do
julgamento da ação?
REGRA
Haverá perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser conhecida (STF ADI
1203).
EXCEÇÕES
a)
Não haverá perda do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique
demonstrado que houve "fraude processual", ou seja, que a norma foi
revogada de forma proposital a fim de evitar que o STF a declarasse
inconstitucional e anulasse os efeitos por ela produzidos (STF ADI 3306).
b)
Não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato
impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste
caso, como não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto,
não há obstáculo para o conhecimento da ação (ADI 2418/DF).
c)
Caso o STF tenha julgado o mérito da ação sem ter sido comunicado
previamente que houve a revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não
será possível reconhecer, após o julgamento, a prejudicialidade da ADI já
apreciada.
.
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/bd294168a234d75851d6f26f02723ab1
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Podem ser objeto de ADI: os atos normativos previstos no art. 59 da CF/88 (atos normativos
primários); resolução do CNJ ou CNMP; Regimento Interno dos Tribunais; deliberações
administrativas dos órgãos judiciários, desde que dotados de força normativa (ADI 728); e
resoluções de tribunais que deferem reajuste de vencimentos (ADI 662). A Resolução do TSE pode
ser impugnada no STF por meio de ADI se, a pretexto de regulamentar dispositivos legais, assumir
caráter autônomo e inovador. STF. Plenário. ADI 5104 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
21/5/2014 (Info 747)
Não cabe ADI contra: Atos infralegais (regulamentares); normas constitucionais originárias; leis já
revogadas ou com eficácia exaurida; normas anteriores à CF/88; Súmulas (inclusive as vinculantes);
e para atacar projetos de lei ou propostas de emendas ainda em trâmite no processo legislativo.
Para o STF, não cabe ADI contra a resposta dada pelo TSE em consulta a ele formulada. O TSE,
quando responde a consultas, não produz atos normativos. A resposta é “um ato de caráter
administrativo, sem eficácia vinculativa, insusceptível de controle abstrato de constitucionalidade.”
STF. Plenário. ADIn MC 1.805-DF, julgado em 26/3/98
Ação de controle concentrado de constitucionalidade (no caso, ADPF) não pode ser utilizada como
sucedâneo (substituta) das vias processuais ordinárias. STF, ADPF 686/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado
em 18/10/2021 (Info 1034).
A simples divergência entre a ementa da lei e o seu conteúdo não é suficiente para configurar
afronta à Constituição e, consequentemente, ensejar o controle de constitucionalidade. STF. ADI-MC
1.096/RS, Relator Min. Celso de Mello, 16/03/1995
É sabido que nosso sistema constitucional não prevê nem autoriza o controle de constitucionalidade
de meros projetos normativos. A jurisprudência desta Corte Suprema está firmemente consolidada
na orientação de que, em regra, devem ser rechaçadas as demandas judiciais com tal finalidade. (...)
Somente em duas situações a jurisprudência do STF abre exceção a essa regra: a primeira, quando
se trata de Proposta de Emenda à Constituição – PEC que seja manifestamente ofensiva a cláusula
pétrea; e a segunda, em relação a projeto de lei ou de PEC em cuja tramitação for verificada
manifesta ofensa a alguma das cláusulas constitucionais que disciplinam o correspondente processo
legislativo. Nos dois casos, as justificativas para excepcionar a regra estão claramente definidas na
jurisprudência do Tribunal: em ambos, o vício de inconstitucionalidade está diretamente
relacionado a aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa. STF. MS 32033
CAPÍTULO II
DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
SEÇÃO I
DA ADMISSIBILIDADE E DO PROCEDIMENTO DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE
Art. 2o Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal;
V - o Governador de Estado ou o Governador do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.
ALERTA DE PEGADINHA
Mesa do Congresso Nacional não tem legitimidade.
Defensor Público-Geral da União não tem legitimidade.
ATENÇÃO
Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções, por força do recebimento de
denúncia por crime comum, não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de
inconstitucionalidade. STF. Plenário. ADI 6728 AgR/DF, julgado em 30/4/2021 (Info 1015)
LEGITIMADOS ATIVOS
UNIVERSAIS (NEUTROS) ESPECIAIS (NÃO UNIVERSAIS)
São aqueles que podem propor ADI, ADC, ADPF
contra leis ou atos normativos que versem
sobre qualquer matéria, sem necessidade de
comprovar pertinência temática.
Precisam demonstrar a pertinência temática
entre a norma impugnada e as funções
desempenhadas pelo autor da ação.
Presidente da República;
- Mesa do Senado e Mesa da Câmara;
- PGR;
- Conselho Federal da OAB; e
- Partido político com representação no CN.
- Mesa de Assembleia Legislativa ou da
Câmara Legislativa doDF;
- Governador de Estado/DF;
- Confederação sindical; e
- Entidade de classe de âmbito nacional.
CAPACIDADE POSTULATÓRIA
TEM
Presidente da República;
Governador de Estado/DF;
Mesa do Senado e Mesa da Câmara;
PGR; e
Conselho Federal da OAB.
NÃO TEM
(Precisam de advogado
para propor a ação)
Partido político com representação no CN;
Confederação sindical; e
Entidade de classe de âmbito nacional.
Para efeitos de legitimidade, a representação no Congresso Nacional pelo partido político requer
apenas um parlamentar. Caso haja superveniente perda da representação no Congresso, isso não
impedirá o prosseguimento da ADI, pois a legitimidade se afere na propositura.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Não podem ser consideradas válidas as relações jurídicas regidas por Medida Provisória afastada
por decisão liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade, quando esta decisão ainda se
encontrava em vigor no momento da rejeição da MP. STJ, REsp 2.024.527-RS, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 18/6/2024 (Info 817)
Apenas os partidos políticos, as confederações sindicais e as entidades de classe de âmbito nacional
precisam de advogado, devendo a petição inicial estar acompanhada de instrumento de mandato.
Ademais, a procuração deve ser concedida com poderes específicos e nela mencionar a lei ou ato
normativo que será impugnado na ação (STF, Info 905)
Para que as confederações sindicais e as entidades de classe possam propor ADI e ADC, o STF exige
o cumprimento dos seguintes requisitos: a) a caracterização como entidade de classe ou sindical,
decorrente da representação de categoria empresarial ou profissional; b) a abrangência ampla
desse vínculo de representação, exigindo-se que a entidade represente toda a respectiva categoria,
e não apenas fração dela; c) o caráter nacional da representatividade, aferida pela demonstração
da presença da entidade em pelo menos 9 (nove) estados brasileiros; e d) a pertinência temática
entre as finalidades institucionais da entidade e o objeto da impugnação.” STF. Plenário. ADI 6465
AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 19/10/2020 (Info 995)
https://processo.stj.jus.br/processo/pesquisa/?num_processo=REsp2024527
Art. 3o A petição indicará:
I - o dispositivo da lei ou do ato normativo impugnado e os fundamentos jurídicos do pedido
em relação a cada uma das impugnações;
II - o pedido, com suas especificações.
Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, quando
subscrita por advogado, será apresentada em duas vias, devendo conter cópias da lei ou do ato
normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovar a impugnação.
É sanável o vício de representação processual consistente na ausência de procuração com poderes
específicos com expressa referência ao ato normativo questionado. STF. Plenário. ADI 6051, julgado
em 27/03/2020
Art. 4o A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão
liminarmente indeferidas pelo relator.
Parágrafo único. Cabe agravo da decisão que indeferir a petição inicial.
JURISPRUDÊNCIAS IMPORTANTES
Não é admitido o aditamento à inicial da ação direta de inconstitucionalidade após o recebimento
das informações dos requeridos e das manifestações do Advogado-Geral da União e do Procurador-
Geral da República. STF. Plenário. ADI 4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/4/2021 (Info
1013).
O aditamento à petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade, para que sejam incluídos
novos dispositivos legais, somente é possível nas hipóteses em que a inclusão da nova impugnação:
a) dispense a requisição de novas informações e manifestações; e b) não prejudique o cerne da
ação. STF. Plenário. ADI 1926, Rel. Roberto Barroso, julgado em 20/04/2020
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de
controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo
Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como
legitimado pelo art. 103 da CF/88) e não do Estado-membro. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018 (Info 896).
Os procuradores públicos têm capacidade postulatória para interpor recursos extraordinários
contra acórdãos proferidos em sede de ação de controle concentrado de constitucionalidade, nas
hipóteses em que o legitimado para a causa outorgue poderes aos subscritores das peças recursais.
STF. Plenário. RE 1068600 AgR-ED-EDv/RN, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/6/2020
(Info 980)
⚡️Art. 5o Proposta a ação direta, não se admitirá desistência.
Art. 6o O relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou a lei ou o
ato normativo impugnado.
Parágrafo único. As informações serão prestadas no prazo de 30 dias contado do recebimento
do pedido.
⚡️Art.7o NÃO se admitirá intervenção de terceiros no processo de ação direta de
inconstitucionalidade.
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS EM ADI
REGRA EXCEÇÃO
NÃO SE ADMITE (Art. 7°)
Pessoa física não tem representatividade
adequada para intervir na qualidade de “amigo
da Corte” em ação direta. STF. Plenário. ADI 3396
AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em
6/8/2020 (Info 985)
É possível o ingresso de amicus curiae (art.7°,
§2°). Como se sabe, o CPC/15 incluiu esse
instituto como uma modalidade de intervenção
de terceiros. Desse modo, em tese é admissível
a intervenção de terceiros em ADI.
Atenção
Para fins de prova, guarde a regra geral, pois
geralmente é o que as bancas cobram em
questões objetivas.
Não se admite a intervenção como amicus curiae de instituição de caráter abrangente, composta
exclusivamente por advogados, cujo interesse subjetivo guarda relação apenas com o julgamento
favorável a uma das partes. STJ. 1ª Turma.REsp 2.099.872-SP, julgado em 24/9/2024 (Info 22-Extra)
§ 1o (VETADO)
§ 2o O relator, considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes,
poderá, por despacho irrecorrível, admitir, observado o prazo fixado no parágrafo anterior, a
manifestação de outros órgãos ou entidades.
É irrecorrível a decisão que inadmite o ingresso do amicus curiae, seja em processos objetivos
(controle concentrado de constitucionalidade), seja em processos subjetivos. STF, ADO 70/PA, Relator
Min. Dias Toffoli, julgamento em 05/08/2022
As entidades que participam dos processos na condição de amicus curiae têm como papel instruir
os autos com informações relevantes ou dados técnicos, não possuindo, entretanto, legitimidade
para a interposição de recursos, inclusive embargos de declaração. STF, ADI 4389 ED-AgR, Rel. Roberto
Barroso, julgado em 14/08/2019
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/1999/Mv1674-99.htm
Art. 8o Decorrido o prazo das informações, serão ouvidos, sucessivamente, o ADVOGADO-GERAL
DA UNIÃO e o PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA, que deverão manifestar-se, cada qual, no prazo
de 15 dias.
Art. 9o Vencidos os prazos do artigo anterior, o relator lançará o relatório, com cópia a todos os
Ministros, e pedirá dia para julgamento.
§ 1o Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória
insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais,
designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão, ou fixar data para, em
audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria.
Não há impedimento, nem suspeição de ministro, nos julgamentos de ações de controle
concentrado, exceto se o próprio ministro firmar, por razões de foro íntimo, a sua não participação.
STF, ADI 6362/DF, Rel. Min.