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FACUMINAS 
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM NEUROCIÊNCIAS 
 
 
RAFAEL CASTELLAR MORAIS 
 
 
REDE DE MODO PADRÃO, INCONSCIENTE DINÂMICO E FUNÇÃO ALFA: 
INTERFACES ENTRE NEUROCIÊNCIAS E PSICANÁLISE NA COMPREENSÃO DO 
SUJEITO CONTEMPORÂNEO 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Pós-Graduação Lato Sensu em 
Neurociências, da Facuminas, como requisito parcial para obtenção do título de especialista. 
 
 
 
CAMPOS DOS GOYTACAZES – RJ 
2026 
 
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO 
Nas últimas décadas, as neurociências consolidaram-se como um dos campos centrais 
para a compreensão do funcionamento mental, oferecendo descrições detalhadas de circuitos 
neurais envolvidos em emoção, memória, atenção, motivação e consciência. O desenvolvimento 
de técnicas de neuroimagem funcional e estrutural, aliado a modelos computacionais como o 
princípio da energia livre, ampliou a capacidade de investigar a dinâmica cerebral em condições 
de repouso e de tarefa, abrindo novas perspectivas para repensar conceitos clássicos das ciências 
humanas. Paralelamente, a psicanálise, desde a proposta freudiana de um “Projeto para uma 
psicologia científica”, mantém-se como uma tradição clínica e teórico-metapsicológica voltada à 
compreensão do inconsciente, do conflito psíquico e do sujeito do desejo, tendo influenciado 
profundamente a clínica do sofrimento mental ao longo do século XX e início do século XXI. 
O diálogo entre neurociência e psicanálise, contudo, sempre foi marcado por tensões 
epistemológicas e metodológicas. De um lado, há o risco de reduzir a complexidade da 
experiência subjetiva a correlações neurobiológicas simplistas, ignorando os níveis simbólicos, 
discursivos e transferenciais que constituem o sujeito em psicanálise. De outro, existe o perigo de 
manter uma distância radical em relação aos avanços empíricos das neurociências, fazendo com 
que a psicanálise permaneça isolada do debate científico contemporâneo e menos capaz de 
dialogar com outras práticas em saúde mental. Nesse contexto, surge a proposta da 
neuropsicanálise como um campo de interseção que busca articular, de maneira crítica, achados 
neurocientíficos e conceitos psicanalíticos, sem reduzir um campo ao outro. 
Um dos eixos mais promissores dessa interlocução refere-se ao estudo das redes cerebrais 
em repouso, especialmente a Rede de Modo Padrão (Default Mode Network – DMN). Essa rede, 
descrita em estudos de neuroimagem funcional, apresenta maior atividade quando o sujeito não 
está engajado em tarefas externas específicas, estando associada a processos de auto-referência, 
memória autobiográfica, simulação de cenários futuros e mente vagante. Tais fenômenos 
guardam afinidade com descrições psicanalíticas sobre devaneio, fantasia inconsciente, 
associações livres e trabalho do sonho, que expressam camadas não conscientes ou pré-
conscientes da vida psíquica. Ao mesmo tempo, modelos neurobiológicos inspirados no princípio 
da energia livre, formulado por Karl Friston, vêm sendo discutidos como possíveis pontes 
conceituais para repensar processos como pulsão, conflito e defesa, sugerindo analogias entre 
minimização de surpresa no cérebro e busca de equilíbrio psíquico. 
A literatura recente em neuropsicanálise propõe que a mente consciente emergiria de 
dinâmicas subcorticais e corticais organizadas em redes hierárquicas, nas quais sistemas afetivos 
básicos descritos por Jaak Panksepp – como SEEKING, FEAR, RAGE, CARE, LUST, 
PANIC/GRIEF e PLAY – desempenham papel central na constituição do self e na experiência 
subjetiva. Mark Solms e colaboradores argumentam que esses sistemas afetivos constituem uma 
espécie de “id neurobiológico”, capaz de fornecer um modelo empírico para a noção freudiana de 
pulsão, ao passo que processos cognitivos e representacionais corticais se aproximariam das 
funções do ego. Nesse cenário, a DMN e outras redes em repouso poderiam ser compreendidas 
como arranjos neurais que articulam memória autobiográfica, imaginação e sentimento de si, 
fornecendo substratos possíveis para fenômenos clínicos tradicionalmente abordados pela 
psicanálise, como fantasias nucleares, narrativas de si e estilos defensivos. 
Ao mesmo tempo, autores vinculados à psicanálise advertem que qualquer tentativa de 
“localizar” o inconsciente em estruturas cerebrais específicas incorre em risco de reducionismo, 
na medida em que o inconsciente, tal como concebido por Freud e aprofundado por autores como 
Lacan, Klein e Bion, é inseparável da linguagem, da história relacional e dos dispositivos clínicos 
que o fazem emergir. O inconsciente dinâmico é entendido como estrutura de significantes, como 
campo de fantasias e como modo de funcionamento que se manifesta em lapsos, sonhos, 
sintomas e na transferência, não podendo ser diretamente observado por técnicas de 
neuroimagem, mas apenas inferido na cena clínica. Assim, a construção de pontes com as 
neurociências exige um cuidado epistemológico rigoroso, distinguindo níveis de descrição e 
reconhecendo que correlações neurais de estados mentais não equivalem à redução da mente ao 
cérebro. 
É nesse ponto que o conceito bioniano de função alfa torna-se particularmente fértil para o 
diálogo. Bion descreve a função alfa como a capacidade de transformar experiências sensoriais e 
emocionais brutas (elementos beta) em elementos alfa, passíveis de serem sonhados, pensados e 
simbolizados. Em termos neurobiológicos, alguns autores sugerem que processos de integração 
cortical, regulação emocional e sincronização de redes de larga escala podem ser lidos como 
analogias à função alfa, ao promoverem a passagem de estados de excitação difusa para padrões 
mais organizados de representação e significado. Nessa perspectiva, a clínica psicanalítica pode 
ser compreendida como um espaço privilegiado de modulação e reorganização dessas redes, na 
medida em que a relação transferencial oferece condições para que afetos não simbolizados 
encontrem forma narrativa e sejam reinscritos na memória autobiográfica do paciente. 
Diante desse cenário, o presente trabalho parte da seguinte questão de pesquisa: de que 
modo os achados recentes da neurociência sobre a Rede de Modo Padrão e as redes cerebrais em 
repouso podem dialogar com os conceitos psicanalíticos de inconsciente dinâmico, sujeito do 
desejo e função alfa, contribuindo para a compreensão do sofrimento psíquico e para a prática 
clínica contemporânea? A partir dessa pergunta, formula-se a hipótese de que a DMN e modelos 
baseados no princípio da energia livre oferecem um modelo neurobiológico plausível para pensar 
certos aspectos do inconsciente, da fantasia e da autorreferência, desde que se mantenha a 
distinção entre níveis de descrição e se evite a redução da metapsicologia à neurofisiologia. 
Supõe-se ainda que a articulação entre redes afetivas subcorticais, redes de repouso e conceitos 
como função alfa permite repensar as formas como o sujeito lida com o excesso de excitação, a 
angústia e o trauma, iluminando mecanismos possivelmente implicados na eficácia da 
psicoterapia psicanalítica. 
O objetivo geral deste estudo é analisar criticamente as interfaces entre a neurociência das 
redes cerebrais em repouso, com ênfase na Rede de Modo Padrão, e conceitos psicanalíticos de 
inconsciente dinâmico, sujeito do desejo e função alfa, discutindo as implicações dessa 
interlocução para a compreensão do sujeito e para a prática clínica na contemporaneidade. Como 
objetivos específicos, busca-se: (a) descrever os principais achados da neurociência sobre a 
organização e as funções da DMN e de outras redes de repouso, relacionando-os a processos de 
auto-referência, devaneio e mente vagante; (b) revisar contribuições centrais da psicanálise 
clássica e pós-freudiana acerca do inconsciente, da fantasia, do sujeito do desejo e da função alfa; 
(c) mapear a literatura de neuropsicanálise que articula esses dois campos, identificandoconvergências, tensões e limites; e (d) discutir possíveis repercussões clínicas dessa interlocução 
para a escuta e o manejo do sofrimento psíquico. 
A relevância desta pesquisa justifica-se em diferentes níveis. No âmbito teórico, 
contribuir para o esclarecimento das condições de possibilidade de um diálogo rigoroso entre 
neurociências e psicanálise é fundamental para evitar tanto a rejeição global da investigação 
empírica quanto a adesão acrítica a modelos neurobiológicos que desconsiderem a especificidade 
da clínica psicanalítica. No plano clínico, compreender como processos de reorganização de 
redes cerebrais podem se articular a transformações subjetivas descritas em psicanálise pode 
oferecer subsídios para uma prática mais informada, especialmente em contextos 
interdisciplinares de saúde mental em que psiquiatras, psicólogos, neurologistas e outros 
profissionais dialogam sobre casos complexos. Por fim, em termos formativos, a discussão aqui 
proposta é pertinente para cursos de pós-graduação em neurociências e em psicanálise, pois ajuda 
a situar o profissional diante de um campo em rápida expansão, exigindo capacidade de leitura 
crítica da literatura internacional. 
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, qualitativa e de caráter 
teórico-reflexivo, baseada em revisão seletiva da literatura internacional e nacional sobre 
neuropsicanálise, redes cerebrais em repouso, princípio da energia livre e metapsicologia 
psicanalítica. Foram priorizados artigos publicados em periódicos indexados, tais como Frontiers 
in Psychology, Frontiers in Human Neuroscience, Social Cognitive and Affective Neuroscience, 
Neuropsychoanalysis, Brain Sciences e outros periódicos de reconhecido impacto na área, bem 
como livros de autores de referência como Mark Solms, Jaak Panksepp, Karl Friston e 
colaboradores. A seleção dos textos considerou a pertinência direta ao tema, o recorte temporal 
aproximado de 2000 a 2025 para os estudos empíricos e teóricos contemporâneos, e a relevância 
histórica de obras clássicas da psicanálise sem restrição temporal. Os materiais foram analisados 
por meio de leitura analítica e fichamento temático, permitindo a construção de eixos de 
discussão nos capítulos de desenvolvimento. 
No que se refere à organização do trabalho, além desta introdução, o TCC está estruturado 
em três capítulos principais de desenvolvimento, seguidos das considerações finais. No Capítulo 
2, serão apresentados os fundamentos da neurociência das redes cerebrais, com ênfase na Rede de 
Modo Padrão e nas principais descobertas sobre mente vagante, auto-referência e conectividade 
funcional em repouso. O Capítulo 3 tratará dos conceitos psicanalíticos centrais mobilizados 
nesta pesquisa – inconsciente dinâmico, fantasia, sujeito do desejo e função alfa – destacando 
contribuições de Freud, Bion, Lacan e de autores contemporâneos que dialogam com as 
neurociências. O Capítulo 4 será dedicado à discussão propriamente neuropsicanalítica, 
articulando os dados apresentados nos capítulos anteriores, analisando convergências, tensões e 
possibilidades de integração entre os níveis neurobiológico e metapsicológico, bem como 
explorando implicações para a clínica psicanalítica contemporânea. Por fim, nas Considerações 
Finais, serão sintetizados os principais resultados da análise, indicadas limitações do estudo e 
sugeridas direções para futuras pesquisas neste campo em expansão. 
 
CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTOS DE NEUROCIÊNCIA DAS REDES CEREBRAIS 
O paradigma de estudo do cérebro humano passou, nas últimas décadas, de uma ênfase 
em regiões isoladas para a compreensão do sistema nervoso como um conjunto de redes 
funcionais de larga escala. Estudos de conectividade funcional em estado de repouso e durante 
tarefas mostraram que diferentes grupos de áreas cortical e subcortical coativam-se de forma 
coordenada, formando sistemas relativamente estáveis, porém dinâmicos, frequentemente 
denominados redes de estado de repouso (resting-state networks). Entre essas redes, destacam-se 
a Rede de Modo Padrão (Default Mode Network – DMN), a rede de controle executivo 
(Executive Control Network – ECN) e a rede de saliência (Salience Network – SN), que 
participam de forma articulada na regulação de processos cognitivos, afetivos e sociais. 
2.1 Redes cerebrais em repouso e organização de larga escala 
As redes de estado de repouso são identificadas por meio de correlações espontâneas de 
baixa frequência no sinal BOLD obtido em exames de fMRI, quando o sujeito não executa 
nenhuma tarefa específica e permanece em vigília relaxada. Essas correlações revelam padrões 
consistentes de coativação entre regiões distantes, sugerindo que o cérebro mantém uma 
organização funcional intrínseca que não depende exclusivamente de estímulos externos 
imediatos. A investigação dessas redes permitiu compreender que o cérebro, mesmo em repouso, 
permanece ativo em processos de integração de informações internas, preparação para respostas 
futuras e manutenção de um sentido de continuidade do self. 
Do ponto de vista estrutural, estudos combinando conectividade funcional e estrutural 
mostraram que essas redes repousam sobre feixes de substância branca que conectam regiões 
corticais e subcorticais, como o cíngulo, o precuneus, o tálamo e núcleos basais. A DMN, em 
particular, apresenta forte participação de regiões midline, como o córtex pré-frontal medial e o 
córtex cingulado posterior/precuneus, além de conexões com hipocampo e regiões parietais 
laterais. Já a rede de controle executivo envolve regiões fronto-parietais laterais, associadas a 
atenção dirigida, memória de trabalho e regulação cognitiva, enquanto a rede de saliência inclui a 
ínsula anterior e o córtex cingulado anterior, participando da detecção de estímulos relevantes e 
do redirecionamento de recursos atencionais. 
Modelos recentes enfatizam que a cognição e a afetividade emergem de interações 
dinâmicas entre essas redes, com acoplamentos e desacoplamentos que variam conforme as 
demandas internas e externas. Em situações de ameaça, por exemplo, a rede de saliência tende a 
aumentar sua coesão interna e sua conectividade com sistemas executivos, favorecendo respostas 
rápidas e vigilantes, enquanto a participação da DMN na integração global sofre modulações 
específicas. Em contextos de repouso, introspecção ou processamento autobiográfico, a DMN 
assume papel mais central, articulando diferentes subsistemas ligados à memória, à simulação de 
cenários futuros e à reflexão sobre si. 
Essa perspectiva em termos de redes de larga escala é particularmente relevante para o 
diálogo com a psicanálise, pois desloca a visão de “centros” cerebrais isolados para uma 
concepção de configurações relacionais, nas quais o significado das atividades neurais depende 
da posição que uma região ocupa em determinado arranjo dinâmico. Tal enfoque aproxima-se, 
em nível análogo, da forma como a metapsicologia descreve o psiquismo como um sistema em 
movimento, em que elementos representacionais e afetivos assumem diferentes posições no 
campo subjetivo conforme as condições internas e externas. 
2.2 A Rede de Modo Padrão e seus subsistemas 
A Rede de Modo Padrão foi inicialmente descrita como um conjunto de áreas que 
apresentavam diminuição de atividade durante tarefas externas e aumento relativo em estados de 
repouso, sendo, por isso, associada a um “modo padrão” de funcionamento cerebral. Estudos 
subsequentes, porém, mostraram que a DMN não é simplesmente uma rede “desligada” de 
tarefas, mas está envolvida em processos específicos de cognição interna, incluindo memória 
autobiográfica, pensamento orientado para o futuro, teoria da mente e construção de narrativas 
sobre si mesmo. 
Autores que revisam sistematicamente a literatura apontam que a DMN pode ser 
fracionada em subsistemas funcionalmente distintos, ainda que interconectados. Um subsistema 
medialtemporal estaria ligado à recuperação de memória episódica e à simulação de cenários 
futuros; outro subsistema, envolvendo regiões como o córtex pré-frontal medial e o precuneus, 
relacionar-se-ia mais diretamente à auto-referência e à manutenção de um sentido de 
continuidade de si. A conectividade entre esses subsistemas permite que conteúdos mnêmicos e 
afetivos sejam integrados em experiências de devaneio, planejamento e reflexão pessoal, 
fenômenos que constituem parte importante da vida mental cotidiana. 
Estudos de mente vagante (mind-wandering) mostram que variações individuais na 
conectividade da DMN se associam a diferenças no padrão de pensamentos espontâneos, na 
tendência a se engajar em pensamentos voltados ao futuro e na riqueza de detalhes de lembranças 
autobiográficas. Em pesquisas com relatos de experiência e fMRI, maior acoplamento entre 
subcomponentes da DMN foi relacionado a períodos de menor engajamento com estímulos 
externos e maior foco em conteúdos internos, sugerindo que a rede contribui para a capacidade de 
sustentar estados de cognição desvinculados do aqui-agora. 
Por outro lado, há evidências de que a DMN participa também de processos de integração 
global durante tarefas cognitivas, podendo modular sua interação com redes executivas de acordo 
com as exigências contextuais. Essa flexibilidade indica que a DMN não é apenas uma rede “da 
fantasia” ou do repouso, mas um sistema que auxilia na articulação entre informações internas e 
externas, integrando memória, contexto e expectativas para orientar decisões e comportamentos. 
Do ponto de vista clínico, alterações na estrutura e na conectividade da DMN têm sido 
associadas a diversos quadros psicopatológicos, incluindo depressão, transtornos de ansiedade, 
esquizofrenia, transtornos do espectro autista e condições relacionadas a trauma. Em muitos 
desses casos, observam-se padrões de hiperconectividade ou hipoconectividade entre núcleos da 
DMN e outras redes, o que se correlaciona com sintomas como ruminação, auto-referência 
negativa, dificuldade de desligar-se de pensamentos intrusivos ou, ao contrário, empobrecimento 
da vida mental interna. Esses achados sugerem que a forma como a DMN se organiza pode estar 
ligada à qualidade da experiência subjetiva, ao estilo de funcionamento reflexivo e à capacidade 
de simbolização, temas centrais também para a clínica psicanalítica. 
2.3 Interações entre DMN, rede de saliência e rede executiva 
Uma compreensão mais refinada da DMN emerge quando se considera sua relação com 
outras redes de larga escala, especialmente a rede de saliência e a rede de controle executivo. A 
rede de saliência, centrada na ínsula anterior e no córtex cingulado anterior, atua como um 
sistema de detecção e avaliação de estímulos relevantes, integrando sinais interoceptivos, 
emocionais e ambientais para decidir quando é necessário redirecionar recursos atencionais. A 
rede de controle executivo, por sua vez, envolve regiões fronto-parietais laterais envolvidas em 
planejamento, monitoramento de desempenho e regulação top-down da cognição. 
Modelos dinâmicos propõem que a rede de saliência desempenha papel de “interruptor” 
entre a DMN e a rede executiva, suprimindo a atividade da DMN e recrutando sistemas 
executivos quando estímulos externos relevantes são detectados. Evidências indicam que, em 
situações de aumento de arousal ou estresse agudo, coesão interna da rede de saliência aumenta, 
enquanto a centralidade da rede executiva na comunicação global diminui, configurando um 
estado de prontidão defensiva. Em contraste, em condições de repouso tranquilo, a DMN pode 
retomar sua predominância, sustentando estados de reflexão e preparação interna. 
Essas oscilações entre redes podem ser vistas como correlatos neurais de mudanças de 
estado mental: transições entre momentos de atenção voltada para o mundo externo, períodos de 
introspecção, estados de alerta ameaçador e experiências emocionais intensas. As descrições 
psicanalíticas de movimentos psíquicos – por exemplo, entre atenção flutuante, associações 
livres, defesas de evitamento ou estados de excitação traumática – podem encontrar analogias 
nesses modelos de reconfiguração de redes, sem que se estabeleça correspondência simples ou 
direta. 
Estudos recentes também exploram como a DMN se articula com redes sensório-motoras 
e emocionais em diferentes contextos de vida. Pesquisas em envelhecimento, por exemplo, 
mostram declínio da conectividade em redes cognitivas, incluindo a DMN, ao longo do ciclo 
vital, enquanto redes ligadas a emoção parecem relativamente preservadas, sugerindo 
reconfigurações diferenciadas dos sistemas ao longo da idade. Outras investigações indicam que 
variações na conectividade da DMN estão associadas à empatia, à percepção de suporte social e à 
capacidade de regulação de emoções, apontando para um papel dessa rede na construção de um 
self situado em contextos relacionais. 
A partir dessa perspectiva, a DMN pode ser concebida como uma espécie de “plataforma 
neural” para processos de auto-referência, narrativa autobiográfica e simulação de possibilidades, 
enquanto a rede de saliência e a rede executiva modulam a passagem entre estados de 
introspecção e engajamento direto com o ambiente. Essa imagem ressoa, em nível análogo, com a 
ideia psicanalítica de que o sujeito oscila entre posições subjetivas, ora mais voltadas à 
elaboração simbólica de fantasias e conflitos, ora mais dominadas por respostas defensivas, ora 
mais orientadas pela realidade externa. 
2.4 Redes cerebrais, princípio da energia livre e predição 
Além dos estudos de conectividade, modelos teóricos como o princípio da energia livre, 
proposto por Karl Friston, oferecem uma moldura matemática para pensar o funcionamento de 
redes cerebrais. Esse princípio sugere que sistemas biológicos, inclusive o cérebro, tendem a 
minimizar a diferença entre suas expectativas internas (modelos geradores) e os sinais sensoriais 
efetivamente recebidos, processo descrito como minimização de surpresa ou de energia livre. Em 
termos de redes, isso implica que a organização dinâmica entre DMN, rede de saliência, rede 
executiva e outros sistemas pode ser entendida como resultado de um processo contínuo de 
predição e correção de erros, pelo qual o cérebro atualiza seus modelos do mundo e de si mesmo. 
Esses modelos preditivos são hierárquicos: níveis superiores representam regularidades 
mais abstratas e de longo prazo, enquanto níveis inferiores codificam detalhes sensoriais 
imediatos. A DMN, dada sua participação em memória autobiográfica e simulação de cenários, é 
frequentemente associada a níveis mais altos desse sistema de predição, envolvendo modelos do 
self, da história pessoal e das relações. Já a rede de saliência poderia ser vista como um sistema 
que monitora discrepâncias relevantes entre as expectativas e os eventos, enquanto a rede 
executiva implementa ajustes comportamentais e cognitivos necessários para reduzir a 
discrepância. 
Vários autores têm explorado as possíveis convergências entre o princípio da energia livre 
e concepções psicanalíticas de conflito, defesa e pulsão, sugerindo que certos quadros clínicos 
poderiam ser compreendidos como modelos internos rigidamente defendidos, que resistem à 
atualização mesmo diante de evidências contrárias, gerando sofrimento e repetição. Do ponto de 
vista deste trabalho, interessa notar que, embora esses modelos não “expliquem” o inconsciente 
em sentido psicanalítico, oferecem metáforas formais para pensar processos de regulação de 
surpresa, de expectativa e de experiência afetiva que podem ser articulados a conceitos como 
função alfa e trabalho do sonho. 
Em síntese, o campo das redes cerebrais em repouso, da DMN e dos modelos de energia 
livre fornece um vocabulário neurocientífico sofisticado para descrever como o cérebro organiza 
internamente experiência, memória, afeto e auto-referência.Esses elementos serão retomados nos 
capítulos seguintes, quando se discutirá de que modo podem dialogar com a noção psicanalítica 
de inconsciente, de sujeito do desejo e de função alfa, bem como com a prática clínica orientada 
pela escuta do conflito e da fantasia. 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 3 – INCONSCIENTE DINÂMICO, SUJEITO DO DESEJO, FANTASIA E 
FUNÇÃO ALFA 
A teoria psicanalítica nasceu da tentativa freudiana de explicar fenômenos clínicos que 
escapavam às categorias da neurologia de sua época, como sintomas histéricos, sonhos, lapsos e 
atos falhos. Ao propor a existência de um inconsciente dinâmico, Freud desloca o foco da 
descrição anatômica do sistema nervoso para a consideração de processos psíquicos regidos por 
leis próprias, nas quais desejo, defesa e conflito desempenham papel estruturante. Esse 
inconsciente não se confunde com a ausência de consciência, mas indica um nível de 
funcionamento em que representações e afetos permanecem recalcados, manifestando-se de 
forma deslocada e disfarçada na vida cotidiana e na clínica. 
Do ponto de vista metapsicológico, a psicanálise descreve o psiquismo como composto 
por diferentes instâncias – inicialmente sistemas Inconsciente, Pré-consciente e Consciente, e, 
posteriormente, as instâncias id, ego e superego – que se relacionam por meio de processos de 
catexia, recalcamento, formação de compromisso e retorno do recalcado. A noção de dinamismo 
indica justamente o caráter conflitivo e em movimento dessas relações, em que forças pulsionais 
buscam expressão enquanto instâncias defensivas procuram barrar ou desviar essa emergência. 
Esse modelo permanece central para a prática psicanalítica, que se ocupa de interpretar os modos 
singulares pelos quais o sujeito organiza suas defesas e fantasias, em estreita articulação com a 
história relacional e com a transferência estabelecida no processo analítico. 
3.1 Inconsciente dinâmico e trabalho clínico 
O conceito de inconsciente dinâmico distingue-se tanto do inconsciente cognitivo descrito 
pela psicologia experimental quanto de concepções puramente descritivas de processos 
automáticos. Em psicanálise, o inconsciente é definido pela presença de representações 
recalcadas ligadas a afetos, cuja exclusão da consciência exige um gasto de energia permanente, 
manifestando-se em sintomas, sonhos, lapsos e atos falhos. A clínica mostra que esses conteúdos 
não são simplesmente inacessíveis, mas podem emergir de modo deslocado e condensado, 
especialmente quando o setting analítico oferece condições para que o sujeito associe livremente, 
suspenda censuras e se confronte com repetições sintomáticas. 
A noção de inconsciente dinâmico implica também uma concepção específica de 
interpretação. Ao contrário de uma mera tradução de conteúdos ocultos em linguagem clara, a 
interpretação visa alterar a economia defensiva do sujeito, tornando pensáveis experiências até 
então intratáveis. Nesse sentido, a psicanálise trabalha com a hipótese de que a fala, em contexto 
transferencial, pode modificar a forma como representações e afetos se articulam, reconfigurando 
padrões de repetição e abrindo espaço para novas formas de simbolizar o vivido. Essa 
compreensão será particularmente relevante quando se buscar dialogar com modelos 
neurocientíficos que concebem o cérebro como sistema preditivo em constante atualização de 
seus modelos internos. 
Autores ligados à neuropsicanálise, como Solms, têm insistido que o conceito de 
inconsciente dinâmico mantém sua pertinência mesmo à luz de achados neurocientíficos, desde 
que se reconheça que o nível de descrição psicanalítico refere-se a organizações de sentido e não 
apenas a correlações neurais. A proposta de utilizar a neurociência como “ciência básica” da 
psicanálise não visa reduzir o inconsciente a circuitos específicos, mas esclarecer como certos 
arranjos neurais podem suportar formas de organização psíquica descritas pela metapsicologia. 
Nessa perspectiva, o inconsciente dinâmico continua sendo um conceito indispensável para 
pensar fenômenos clínicos como resistência, transferência, compulsão à repetição e elaboração. 
3.2 Sujeito do desejo e fantasia em Freud e Lacan 
A psicanálise freudiana concebe o sujeito como estruturado pelo desejo, entendido não 
como simples necessidade biológica, mas como movimento incessante em torno de objetos que 
nunca o satisfazem plenamente. A experiência de satisfação primordial, marcada por uma cena 
em que uma necessidade é atendida por um outro, deixa um traço mnêmico que se torna eixo em 
torno do qual se organizam fantasias e expectativas futuras. Ao longo do desenvolvimento, o 
sujeito constrói um conjunto de fantasias fundamentais que articulam desejo, proibições e 
identificações, servindo de moldura para interpretar experiências posteriores e organizar suas 
relações com os outros. 
Lacan retoma e radicaliza essa concepção ao afirmar que o desejo é sempre desejo do 
Outro, sublinhando a dimensão de alteridade e de linguagem na constituição do sujeito. Para esse 
autor, o sujeito é um efeito de significante, constituído a partir de operações lógicas de alienação 
e separação em relação ao campo do Outro, e o inconsciente é estruturado como uma linguagem. 
A fantasia fundamental é concebida como uma espécie de “roteiro” que articula o sujeito dividido 
e o objeto causa de desejo (objeto a), fornecendo uma moldura através da qual o sujeito interpreta 
o desejo do Outro e o seu próprio. Clinicamente, isso significa que o analista não busca apenas 
elucidar conteúdos recalcados, mas também mapear a posição do sujeito em sua fantasia, 
permitindo deslocamentos na forma como se relaciona com o gozo e com o desejo. 
Essa concepção de sujeito do desejo tem implicações importantes para o diálogo com as 
neurociências. Em vez de buscar correlatos neurais de “traços de memória” isolados, a 
psicanálise propõe que o essencial é compreender estruturas de relação e posições subjetivas 
diante do desejo e da falta, o que remete a configurações de sentido mais do que a eventos 
discretos. Ao se considerar a DMN e outras redes como potenciais suportes de narrativas 
autobiográficas e de auto-referência, torna-se possível pensar que certos padrões de conectividade 
podem favorecer ou dificultar o modo como o sujeito elabora sua história e se posiciona em 
relação ao desejo, sem que isso reduza a complexidade da fantasia a um substrato puramente 
neural. 
3.3 Função alfa e capacidade de pensar em Bion 
A contribuição de Wilfred Bion é central para este trabalho, em especial seu conceito de 
função alfa e sua teoria do pensar. Bion propõe que, para que o sujeito possa pensar, é necessário 
que experiências emocionais brutas – que ele denomina elementos beta – sejam transformadas em 
elementos alfa, passíveis de serem sonhados, simbolizados e integrados em pensamentos. Essa 
transformação depende, inicialmente, da capacidade da figura cuidadora de funcionar como 
contenedora: ao acolher projeções do bebê, metabolizar suas angústias e devolvê-las em forma 
tolerável, a mãe fornece um modelo interno de função alfa que, progressivamente, é internalizado 
pela criança. 
Quando a função alfa é suficientemente consolidada, o sujeito desenvolve a capacidade de 
sonhar acordado, simbolizar experiências e aprender com a própria experiência, construindo 
significados a partir do vivido. Em situações em que a função alfa é falha ou sobrecarregada – 
como em contextos traumáticos, psicóticos ou de extrema desorganização afetiva –, preponderam 
elementos beta não metabolizados, que tendem a ser evacuados por meio de atuações, sintomas 
somáticos ou estados de confusão mental. Na clínica, o analista é convocado a exercer uma 
função alfa suplementar, oferecendo contenção para experiências que o paciente ainda não 
consegue simbolizar, de modo a favorecer a posterior apropriação desses processos pelo próprio 
sujeito. 
A aproximação entre a funçãoalfa e a neurociência tem sido explorada em diferentes 
frentes. Alguns autores sugerem que processos de integração de sinais sensoriais e afetivos em 
redes cortico-subcorticais, bem como mecanismos de consolidação e reconsolidação de memória, 
podem ser pensados como correlatos neurais de operações semelhantes às descritas por Bion. 
Estudos que investigam os efeitos de psicoterapias na conectividade de redes como a DMN e 
sistemas límbicos sugerem que experiências relacionais e simbólicas intensas podem modificar 
padrões de comunicação entre regiões implicadas na regulação de emoção e na construção de 
narrativas autobiográficas, o que ressoa com a ideia de que a análise fortalece a capacidade de 
pensar e de sonhar a própria experiência. 
A função alfa oferece, assim, um ponto de articulação privilegiado com modelos 
neurocientíficos. Trata-se de um conceito que descreve um processo de transformação – e não 
apenas um conteúdo recalcado – no qual experiências pré-simbólicas são metabolizadas em 
representações com as quais o sujeito pode trabalhar. Essa ênfase na transformação aproxima-se 
de concepções de plasticidade sináptica, reorganização de redes e regulação emocional, ao 
mesmo tempo em que mantém a especificidade da linguagem psicanalítica, centrada na relação 
analítica, na transferência e na dimensão histórica do sujeito. 
3.4 Síntese: sujeito, inconsciente e capacidade de simbolização 
Os conceitos trabalhados neste capítulo – inconsciente dinâmico, sujeito do desejo, 
fantasia fundamental e função alfa – delineiam um quadro em que o sujeito é concebido como 
estruturado pela linguagem, pela história relacional e pela capacidade de simbolizar a 
experiência. O inconsciente dinâmico refere-se ao campo de representações e afetos recalcados 
que, embora excluídos da consciência, continuam atuando e se manifestando de forma indireta. O 
sujeito do desejo, tal como formulado especialmente por Lacan, enfatiza que a subjetividade não 
se reduz a um indivíduo biológico, mas emerge da inserção do corpo na ordem simbólica, em um 
campo de significantes que o antecede e o atravessa. A fantasia fundamental, por sua vez, 
organiza a relação do sujeito com o gozo e com a falta, oferecendo uma moldura para interpretar 
o desejo do Outro e para sustentar a própria consistência subjetiva. A função alfa, finalmente, 
descreve a capacidade de transformar experiências brutas em pensamentos e sonhos, sustentando 
a possibilidade de aprender com a experiência e de construir narrativas sobre si. 
Do ponto de vista do diálogo com as neurociências, esses conceitos apontam para a 
necessidade de considerar não apenas conteúdos mentais, mas também formas de organização da 
experiência e da relação com o outro. A DMN e outras redes em repouso, ao sustentarem 
processos de auto-referência, memória autobiográfica e simulação, podem ser vistas como 
possíveis suportes neurais para operações psíquicas relacionadas ao trabalho da fantasia, à 
construção de narrativas e à metabolização de afetos, desde que se reconheça que a passagem de 
um nível de descrição ao outro exige prudência conceitual. A articulação entre função alfa e 
processos de integração cerebral, por exemplo, não implica que a primeira se reduza aos 
segundos, mas sugere que a clínica psicanalítica pode estar modulando, por vias simbólicas e 
relacionais, mecanismos neurais de regulação e de plasticidade. 
Nos capítulos anteriores, foram discutidos os principais elementos da organização em rede 
do cérebro, com destaque para a Rede de Modo Padrão, a rede de saliência e a rede executiva, 
bem como o princípio da energia livre como modelo teórico de regulação e predição. No presente 
capítulo, delineou-se o campo conceitual da psicanálise relevante para o diálogo com essas 
descobertas. No Capítulo 4, essas duas vertentes serão articuladas de modo mais direto, 
examinando como a literatura de neuropsicanálise tem tentado integrar os achados 
neurocientíficos com a metapsicologia, que ganhos e riscos essa aproximação comporta e quais 
implicações podem ser extraídas para a prática clínica contemporânea. 
 
CAPÍTULO 4 – DIÁLOGO ENTRE NEUROCIÊNCIAS E PSICANÁLISE: 
DISCUSSÃO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS 
A aproximação sistemática entre neurociências e psicanálise, consolidada sob o rótulo de 
neuropsicanálise, tem buscado articular modelos de redes cerebrais, teorias da predição e achados 
de neuroimagem com conceitos como inconsciente dinâmico, pulsão, fantasia, sujeito do desejo e 
função alfa. Essa interlocução não pretende diluir a especificidade da clínica psicanalítica em 
uma neurobiologia generalizada, mas construir pontes conceituais que permitam compreender 
como experiências subjetivas e processos terapêuticos se relacionam com dinâmicas neurais de 
larga escala. Neste capítulo, serão discutidos alguns eixos centrais desse diálogo, com foco na 
Rede de Modo Padrão, no princípio da energia livre e nas aplicações clínicas propostas pela 
literatura recente em neuropsicanálise. 
4.1 Rede de Modo Padrão, self e inconsciente dinâmico 
Como visto no Capítulo 2, a Rede de Modo Padrão (DMN) está fortemente implicada em 
processos de auto-referência, memória autobiográfica, mente vagante e simulação de cenários 
futuros, constituindo um substrato neural para atividades mentais que extrapolam o aqui-agora 
sensorial. Muitos desses fenômenos guardam afinidade com o que a psicanálise descreve como 
fantasia e trabalho do inconsciente, na medida em que envolvem encenações internas, 
reinterpretações do passado e antecipações imaginárias do futuro, frequentemente carregadas de 
afetos e desejos. Pesquisas que exploram relatos subjetivos durante estados de repouso sugerem 
que a DMN participa ativamente de formas de pensamento espontâneo que podem incluir 
ruminação, devaneio e elaboração simbólica. 
Autores ligados à neuropsicanálise argumentam que a DMN, longe de ser simplesmente 
uma “rede do descanso”, pode ser concebida como um importante correlato neural de aspectos do 
self narrativo e da continuidade subjetiva, fornecendo suporte para a articulação de experiências 
ao longo do tempo. Quando a conectividade dessa rede se organiza de maneira flexível, o sujeito 
parece capaz de alternar entre engajamento com o mundo externo e reflexão interna, integrando 
afetos e lembranças em narrativas relativamente coerentes. Em contrapartida, padrões de 
hiperconectividade ou hipoconectividade associados a quadros como depressão, transtornos de 
ansiedade ou psicose podem corresponder, em nível clínico, a estados de ruminação estéril, auto-
referência persecutória ou empobrecimento da vida mental interna. 
A psicanálise pode oferecer um vocabulário enriquecido para interpretar essas variações. 
Por exemplo, um funcionamento da DMN dominado por circuitos que sustentam narrativas 
rígidas de culpa ou desvalia poderia ser pensado, clinicamente, como expressão de formações 
superegóicas severas e fantasias masoquistas, enquanto configurações que favorecem o 
desligamento de afetos dolorosos poderiam ser associadas a defesas dissociativas ou à negação. 
Embora tais correspondências não sejam diretas nem unívocas, a hipótese é que certas 
organizações neurais de rede possam favorecer ou dificultar a elaboração simbólica de conflitos, 
aproximando-se do que a psicanálise descreve como maior ou menor capacidade de simbolização 
e de trabalho de luto. 
4.2 Princípio da energia livre, conflito psíquico e função alfa 
O princípio da energia livre (Free Energy Principle – FEP) propõe que o cérebro, como 
sistema biológico, tende a minimizar a discrepância entre suas expectativas internas e as entradas 
sensoriais recebidas, processo operacionalizado por mecanismos de predição e correção de erro. 
Alguns autores sugerem que esse modelo oferece um “vocabulário matemático” para reinterpretar 
aspectos da metapsicologia freudiana, em especial a ideia de que o aparelho psíquico buscareduzir tensões internas, sem, contudo, alcançar um estado de equilíbrio absoluto. Em termos 
psicanalíticos, a impossibilidade de eliminar integralmente o conflito – dado o caráter estrutural 
da falta e do desejo – pode ser vista como correspondendo a um sistema que jamais zera sua 
energia livre, mas a mantém dentro de limites compatíveis com a vida e com a criatividade. 
Essa aproximação ganha interesse particular quando articulada ao conceito de função alfa 
de Bion. Enquanto o FEP descreve um processo de atualização de modelos internos com base em 
discrepâncias entre predições e dados sensoriais, a função alfa refere-se à capacidade de 
transformar experiências emocionais brutas em elementos pensáveis. Pode-se supor que, em 
contextos de trauma ou de falha de continência, determinadas experiências geram tamanha 
discrepância entre expectativa e realidade que não conseguem ser integradas a modelos internos 
estáveis, resultando em estados de excesso de “energia livre” e de colapso da capacidade de 
simbolização. Do ponto de vista clínico, isso apareceria como intrusões sensoriais, flashbacks, 
fragmentação de memória ou somatizações, que a psicanálise descreve como falhas no trabalho 
de sonho e na função alfa. 
Psychoanalytic psychotherapies have been described, à luz do FEP, como espaços de alta 
entropia controlada, em que se permite a emergência de experiências e significados não 
totalmente organizados, sob a contenção de um setting estável. A associação livre do paciente e a 
atenção flutuante do analista criam um contexto em que o aumento temporário de incerteza e de 
energia psíquica pode, paradoxalmente, favorecer a formação de novas ligações simbólicas, 
desde que o enquadre contenha e auxilie na posterior redução e reorganização dessa energia. Essa 
descrição dialoga diretamente com a ideia bioniana de que o analista “sonha” o material do 
paciente, metabolizando elementos beta em alfa e devolvendo-os sob forma interpretativa, o que 
implica uma transformação das predições afetivas do paciente acerca de si mesmo e do outro. 
4.3 Contribuições da neuropsicanálise para a clínica 
A literatura recente destaca diversas implicações clínicas da neuropsicanálise. Em 
primeiro lugar, a integração entre modelos de redes cerebrais e teoria psicanalítica fornece 
hipóteses mais refinadas sobre como intervenções psicoterapêuticas podem modificar padrões de 
conectividade funcional, especialmente em redes relacionadas ao self, à emoção e à regulação 
executiva. Estudos que investigam alterações em conectividade após tratamentos psicoterápicos 
sugerem que mudanças subjetivas relatadas em análise – como maior capacidade de 
mentalização, diminuição de ruminação e ampliação da tolerância a afetos – podem corresponder 
a transformações em redes como a DMN, a rede de saliência e circuitos límbicos. Ainda que tais 
estudos sejam incipientes, apontam para a possibilidade de uma neurobiologia da mudança 
psíquica, sem reduzir essa mudança a um simples “conserto” de circuitos. 
Em segundo lugar, a perspectiva neuropsicanalítica pode auxiliar na formulação de casos 
complexos, especialmente em situações em que se combinam fatores neurológicos, psiquiátricos 
e psicodinâmicos. Pacientes com lesões cerebrais, epilepsia, doenças neurodegenerativas ou 
sequelas de trauma cranioencefálico frequentemente apresentam alterações em redes de repouso, 
que se articulam a modificações na personalidade, na afetividade e na capacidade de 
simbolização. A compreensão dessas alterações à luz da teoria psicanalítica permite construir 
intervenções que levem em conta tanto limitações orgânicas quanto a dinâmica transferencial e 
defensiva, evitando leituras puramente organicistas ou exclusivamente psicologizantes. 
Em terceiro lugar, a neuropsicanálise tem proposto modelos psicoeducativos e 
terapêuticos baseados em achados da neurociência afetiva, enfatizando a importância de 
reconhecer estados básicos de busca, medo, raiva, cuidado e luto na clínica. Ao compreender 
como esses sistemas afetivos se expressam em sintomas e padrões relacionais, o analista pode 
ajustar intervenções, reconhecendo, por exemplo, quando predomina um circuito de pânico/luto 
não elaborado, associado a experiências precoces de perda e separação. Essa leitura contribui 
para intervenções mais finas, que articulam a escuta do discurso com a atenção a estados 
corporais e afetivos, aproximando psicanálise de práticas integrativas em saúde mental. 
4.4 Riscos de reducionismo e desafios epistemológicos 
Apesar de seu potencial, o diálogo entre neurociências e psicanálise enfrenta desafios 
epistemológicos significativos. Um deles é o risco de redução da metapsicologia a descrições 
neurobiológicas, como se localizar determinadas ativações ou redes bastasse para “explicar” 
conceitos como inconsciente, fantasia ou desejo. Tal risco é amplamente discutido por autores 
que defendem a necessidade de reconhecer a autonomia relativa dos níveis de descrição, 
enfatizando que categorias psicanalíticas referem-se a configurações de sentido constituídas na 
linguagem e na história relacional, e não apenas a eventos neuronais. Nesse sentido, correlações 
entre determinados padrões de conectividade e fenômenos clínicos não podem ser entendidas 
como equivalências, mas como isomorfismos parciais que exigem interpretação cuidadosa. 
Outro desafio é evitar que a neuropsicanálise se converta em mera legitimação científica 
externa da psicanálise, buscando apoio em neuroimagens para validar conceitos já existentes, sem 
efetivamente permitir que os achados empíricos tensionem e transformem a teoria. A proposta 
mais fecunda parece ser a de um diálogo em que tanto a psicanálise quanto as neurociências 
sejam chamadas a revisar pressupostos, de modo que novas perguntas e modelos possam emergir 
dessa interlocução. Por exemplo, a investigação neurocientífica da mente vagante e das redes em 
repouso pode levar a refinar a compreensão psicanalítica de diferentes formas de pensamento, 
distinguindo mais precisamente entre devaneio criativo, ruminação estéril e estados de 
desligamento dissociativo. 
Há ainda questões éticas e clínicas relacionadas ao uso de linguagem neurocientífica na 
relação terapêutica. A tentação de explicar ao paciente seus sintomas em termos de “disfunções 
de rede” ou “déficits de conectividade” pode, em alguns casos, reforçar defesas de desalojamento 
subjetivo, deslocando o foco das responsabilidades e escolhas do sujeito para uma causalidade 
puramente cerebral. Em outros casos, no entanto, explicações neurobiológicas podem reduzir o 
estigma e favorecer a adesão ao tratamento, desde que integradas a uma escuta que preserve a 
singularidade da história e do desejo. A tarefa clínica consiste em encontrar um equilíbrio em que 
o conhecimento neurocientífico sirva como suporte conceptual para o terapeuta, sem se converter 
em discurso normativo ou desubjetivante para o analisando. 
4.5 Perspectivas integrativas para a prática clínica 
Diante desses desafios, começa a se delinear uma abordagem integrativa na qual o 
analista, informado por modelos de redes cerebrais e pelo princípio da energia livre, utiliza esse 
conhecimento como pano de fundo para pensar processos clínicos, sem abandonar o referencial 
da associação livre, da transferência e da interpretação. Por exemplo, compreender que o setting 
psicanalítico cria condições de alta entropia controlada, favorecendo a emergência de novos 
significados e a reorganização de redes de modo padrão, pode fortalecer a convicção clínica sobre 
a importância de preservar um enquadre estável e de tolerar períodos de aparente estagnação, 
reconhecendo-os como momentos em que processos de reorganização ainda não totalmente 
conscientes estão em curso. 
Da mesma forma, a articulação entre função alfa e modelos de integração cerebral pode 
reforçar a importância da reverie analítica, isto é, da capacidade do analistade acolher afetos 
brutos e sonhos do paciente, elaborando-os internamente antes de formular interpretações. Do 
ponto de vista neuropsicanalítico, esse processo pode ser pensado como uma forma de co-
regulação de estados afetivos e de atualização de modelos internos do paciente acerca do outro e 
de si mesmo, o que se refletiria em mudanças na conectividade entre redes de saliência, DMN e 
sistemas afetivos subcorticais. 
Além disso, o diálogo com a neurociência afetiva destaca a necessidade de que a 
psicanálise se mantenha atenta à dimensão corporal da experiência, reconhecendo que processos 
de regulação autonômica, inflamação sistêmica e atividade de microglia podem influenciar 
diretamente estados de humor, sensibilidade ao estresse e capacidade de simbolização. A 
integração de dados sobre sono, ritmo circadiano, dor crônica e outros fatores somáticos com a 
escuta do inconsciente pode favorecer abordagens mais abrangentes, nas quais a intervenção 
psicanalítica se articula a cuidados médicos, psiquiátricos e sociais. 
Em síntese, o diálogo entre neurociências e psicanálise não conduz a uma fusão dos 
campos, mas à construção de uma metaneuropsicologia em que modelos de redes cerebrais e 
conceitos metapsicológicos se iluminam mutuamente. A Rede de Modo Padrão, o princípio da 
energia livre e as evidências de modificação de conectividade após psicoterapias oferecem 
ferramentas potentes para pensar a transformação subjetiva, enquanto o referencial psicanalítico 
garante que essa transformação seja compreendida em termos de desejo, fantasia, conflito e 
capacidade de simbolização. Nas Considerações Finais, serão retomados os principais pontos 
discutidos ao longo do trabalho, indicando contribuições, limitações e possíveis desdobramentos 
dessa perspectiva para a formação e a prática de profissionais em neurociências e psicanálise. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O presente trabalho teve como objetivo analisar criticamente as interfaces entre a 
neurociência das redes cerebrais em repouso, com ênfase na Rede de Modo Padrão, e conceitos 
psicanalíticos de inconsciente dinâmico, sujeito do desejo, fantasia e função alfa, discutindo 
implicações para a prática clínica contemporânea. A revisão da literatura mostrou que as 
neurociências vêm descrevendo de forma cada vez mais precisa a organização em rede do 
cérebro, destacando o papel da DMN, da rede de saliência e da rede executiva na articulação 
entre processos de auto-referência, regulação emocional e engajamento com o ambiente. 
Paralelamente, a psicanálise mantém a centralidade de uma metapsicologia que concebe o 
psiquismo como campo de conflitos, fantasias e defesas, estruturado pela linguagem, pela história 
relacional e pela capacidade de simbolização. 
A literatura neuropsicanalítica examinada indica que a DMN pode ser entendida como um 
importante correlato neural de funções associadas ao self narrativo, à memória autobiográfica e à 
mente vagante, fornecendo suporte para operações psíquicas que a psicanálise descreve em 
termos de fantasia, trabalho do sonho e elaboração de experiências. Ao mesmo tempo, o princípio 
da energia livre e os modelos preditivos sugerem analogias fecundas com a concepção 
psicanalítica de conflito e de busca de equilíbrio dinâmico, especialmente quando articulados ao 
conceito bioniano de função alfa, entendido como capacidade de transformar experiências 
emocionais brutas em elementos pensáveis. Esses paralelos, contudo, não autorizam a redução da 
metapsicologia a descrições neurobiológicas, mas apontam para isomorfismos parciais que 
podem enriquecer a compreensão dos processos de mudança psíquica. 
Do ponto de vista clínico, os estudos revisados sugerem que intervenções 
psicoterapêuticas, incluindo abordagens de orientação psicanalítica, podem produzir 
modificações em padrões de conectividade funcional, particularmente em redes ligadas ao self, à 
regulação afetiva e à saliência, corroborando a hipótese de que a experiência analítica participa da 
reorganização de redes neurais de larga escala. A neuropsicanálise oferece, assim, um 
vocabulário adicional para pensar a eficácia da clínica, sem substituir os conceitos de 
transferência, interpretação e fantasia, mas situando-os em diálogo com dados empíricos sobre 
plasticidade cerebral e redes de repouso. 
Como limitações deste estudo, destacam-se o caráter estritamente bibliográfico da 
pesquisa, sem realização de investigação empírica própria, e a amplitude do campo abordado, que 
impossibilita esgotar todas as vertentes do debate entre neurociências e psicanálise. A escolha de 
privilegiar a DMN, o princípio da energia livre e a função alfa implicou deixar em segundo plano 
outras áreas relevantes, como estudos sobre memória implícita, microglia e inflamação, ou ainda 
pesquisas em psicossomática neuropsicanalítica. Além disso, a literatura internacional apresenta 
divergências significativas quanto ao alcance da neuropsicanálise, havendo autores que 
sublinham seu potencial integrativo e outros que alertam para riscos de reducionismo ou de 
legitimação externa acrítica. 
Apesar dessas limitações, considera-se que o trabalho contribui para a formação de 
profissionais em neurociências e psicanálise ao oferecer uma síntese atualizada e criticamente 
orientada de um campo em rápida expansão, enfatizando tanto as potencialidades quanto os 
limites da interlocução entre cérebro e sujeito. Como desdobramentos futuros, sugerem-se 
pesquisas empíricas que investiguem, de forma sistemática, mudanças em redes de repouso 
associadas a processos psicoterapêuticos de orientação psicanalítica, bem como estudos que 
aprofundem a articulação entre função alfa, modelos preditivos e diferentes configurações 
clínicas, como trauma, psicose e estados-limite. Do ponto de vista teórico, permanece em aberto a 
tarefa de desenvolver uma metaneuropsicologia capaz de acolher a complexidade do sujeito do 
inconsciente sem perder de vista as contribuições robustas das neurociências contemporâneas. 
RESUMO 
O presente trabalho objetivou analisar as interfaces entre neurociências e psicanálise, 
tomando como eixos principais a Rede de Modo Padrão (Default Mode Network – DMN), o 
princípio da energia livre e os conceitos psicanalíticos de inconsciente dinâmico, sujeito do 
desejo, fantasia fundamental e função alfa. Realizou-se pesquisa bibliográfica qualitativa em 
artigos de periódicos indexados e obras de referência em neurociência, neuropsicanálise e 
metapsicologia, priorizando estudos publicados entre 2000 e 2025. Os resultados indicam que a 
DMN participa de processos de auto-referência, memória autobiográfica e mente vagante, 
podendo ser considerada um correlato neural de operações psíquicas ligadas à fantasia e ao self 
narrativo. O princípio da energia livre e modelos preditivos oferecem analogias com a concepção 
psicanalítica de conflito e regulação de tensão, aproximando-se do conceito bioniano de função 
alfa como capacidade de transformar experiências emocionais brutas em elementos pensáveis. 
Estudos clínicos sugerem que psicoterapias psicanalíticas podem modificar padrões de 
conectividade em redes de repouso e sistemas afetivos, corroborando a ideia de uma 
neurobiologia da mudança psíquica. Conclui-se que a neuropsicanálise constitui campo promissor 
para integrar achados neurocientíficos e teoria psicanalítica, desde que se evitem reducionismos e 
se preserve a especificidade do nível de descrição metapsicológico. 
Palavras-chave: Neurociências. Psicanálise. Neuropsicanálise. Rede de modo padrão. 
Inconsciente dinâmico. Função alfa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
Title: Default Mode Network, Dynamic Unconscious and Alpha Function: Interfaces 
Between Neuroscience and Psychoanalysis in the Understanding of the Contemporary Subject 
This study aimed to analyse the interfaces between neuroscience and psychoanalysis, 
focusing on the DefaultMode Network (DMN), the free energy principle, and the psychoanalytic 
concepts of dynamic unconscious, subject of desire, fundamental fantasy and alpha function. A 
qualitative bibliographical review was conducted based on peer‑reviewed journal articles and 
reference books in neuroscience, neuropsychoanalysis and metapsychology, with priority given 
to studies published between 2000 and 2025. The findings indicate that the DMN is involved in 
self-referential processing, autobiographical memory and mind-wandering, and may be 
considered a neural correlate of psychic operations related to fantasy and narrative self. The free 
energy principle and predictive processing models provide analogies with the psychoanalytic 
conception of conflict and tension regulation, converging with Bion’s notion of alpha function as 
the capacity to transform raw emotional experiences into thinkable elements. Clinical studies 
suggest that psychoanalytic psychotherapies can modify connectivity patterns in resting-state 
networks and affective systems, supporting the idea of a neurobiology of psychic change. It is 
concluded that neuropsychoanalysis represents a promising field for integrating neuroscientific 
findings and psychoanalytic theory, provided that reductionism is avoided and the specificity of 
the metapsychological level of description is preserved. 
Keywords: Neuroscience. Psychoanalysis. Neuropsychoanalysis. Default mode network. 
Dynamic unconscious. Alpha function. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

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