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TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL Prof. Renato Horta @prof.RenatoHorta Aulas: Poderão ser filmadas vídeo e/ou áudio, fotografadas ou copiadas. Caso postem em redes sociais, mesmo que falando mal, me marquem. 😊 Bibliografia sugerida: Constituição da República de 1988 FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. Salvador: JusPodivm. 2024. Avaliação: Oficiais: 10 questões fechadas, com consulta ampla a qualquer material próprio, impresso ou manuscrito. É proibido o empréstimo de qualquer material depois de iniciada a prova ainda que o aluno não tenha recebido a sua. Parciais: Trabalhos em grupo. 2ª chamada: Poderá a prova ser aberta, fechada ou aberta e fechada. Em todo caso sem consulta. Especial: Poderá a prova ser aberta, fechada ou aberta e fechada. Em todo caso sem consulta. Formação de grupo com membros quantitativamente paritários por cores: 1- Preto; 2- Branco; 3- Vermelho; etc ---------- 1 Introdução ao Direito Constitucional I Origem. Objeto. Método. Relações com disciplinas afins a) Conceito de Direito Constitucional é ramo didaticamente autônomo do Direito Público, que tem como objetivo o estudo sistematizado das normas que integram a Constituição, a compreender as normas jurídicas, produzidas no desempenho do poder constituinte, dirigidas precipuamente à divisão territorial e funcional do exercício do poder político e à afirmação e asseguramento dos direitos fundamentais, inclusive os fins a serem alcançados na ordem econômica e social, as técnicas de aplicação e os meios de proteção das próprias normas constitucionais. b) Objeto e método de estudo do Direito Constitucional Particular ou especial Geral Comparado Examina o ordenamento jurídico-constitucional de um determinado Estado. Compara o conjunto de normas dos ordenamentos de diversos Estados, dos princípios que informam o moderno constitucionalismo. Compara as Constituições de diferentes Estados, ou quando analisa, no tempo, as diversas ordens constitucionais de um mesmo Estado. c) Origem Períodos Principais características 3500ac – 70dc Constitucionalismo antigo É expressada pela teocracia, com a recondução do poder político ao poder religioso, motivo pelo qual os monarcas seriam revestidos de natureza divina ou estariam submetidos à vontade de Deus. 1500ac – 338ac Constitucionalismo grego Subordinação do indivíduo ao Estado, de maneira que a liberdade compreendia a participação na vida política (liberdade política). 753ac – 395dc Constitucionalismo romano Centralização do poder, com o reconhecimento do poder político, uno e indivisível, cuja plenitude era atribuída ao Rei, ainda que possível a repartição do Direito entre Público (direito de voto e o de acesso aos cargos públicos) e Privado (direito de casamento legítimo e o de celebração de atos jurídicos) 475dc – 1453dc Constitucionalismo medieval Marcado pelo dualismo divergente entre povo e monarca, assim como cpnvergente Igreja e Monarca. 1453dc – 1789dc Constitucionalismo moderno O poder político concentrado e organização política girava em torno da nação tida como homogeneidade diante de uma consciência coletiva, solidariedade psíquica e identidade de interesses entre os seus membros, somada a supremacia. 1688 dc – 1917 dc Constitucionalismo liberal Revolução Gloriosa de 1688 Revolução norte-americana de 1776 Revolução francesa de 1789 Imposição de limitação do poder político, não somente no âmbito interno, pelo instrumento da divisão do exercício do poder político, mas também no âmbito externo, por intermédio da redução das funções do Estado perante a sociedade, com a finalidade de proteger o espaço de ação pessoal. 1917dc – 1989dc Constitucionalismo social Revolução soviética de 1917 Fundamentado no intervencionismo estatal, destinado à proteção, preservação e promoção do mercado, como também à satisfação das reivindicações sociais, econômicas e culturais da sociedade de massa, e na organização da comunidade internacional e proteção universal dos direitos humanos. 1990dc ... Constitucionalismo contemporâneo Queda do muro de Berlim de 1990 Identificado pela flexibilização ou mitigação dos conceitos de soberania e nação, pluralismo social, intervenção estatal no domínio econômico e participação social na vida política do estado. Crítica: Boaventura de Souza Santos e Roberto Gargarella. d) Relação do Direito Constitucional com outras disciplinas - coordenação: Busca a unidade harmônica entre os vários ramos do Direito interno (espaço). Direito constitucional Busca confrontar normas constitucionais estrangeiras (espaço e tempo). Busca conhecer normas constitucionais anteriores do mesmo Estado (conhecer, sistematizar e criticar). - subordinação: O Direito constitucional conversa com os demais ramos do Direito Interno em uma relação de adequação e subordinação. Eixos Administrativo Constitucional Objeto Estado Estado Dinâmico Estático Foco Administração Pública Governo Direito Processual: Eixos Processo Constitucional Objeto Pessoas x pessoas e Estado Disciplinar Relação disciplinar-obrigacional Foco Instrumental Garantista Direito Penal: Eixos Penal Constitucional Objeto Pessoas e Estado Limitações Garantias e direitos limitadores com caráter potestativo. Obrigações Foco Punitivo Garantismo Direito Eleitoral: Eixos Eleitoral Constitucional Objeto Pessoas e Estado Conteúdo Conteúdo e limitações específicas Foco Regramento Regramento de caráter principiológico Direito Tributário: Eixos Tributário Constitucional Alvo Pessoas e Estado Relação Sistêmica e direcional. Foco Arrecadação Garantia e previsibilidade Direito Previdenciário: Eixos Previdenciário Constitucional Alvo Pessoas, sociedade e Estado Relação Sistêmica e direcional. Foco Regulação Garantia Direito a saúde, desporto, educação, cultura, segurança: Eixos Saúde, desporto, educação, cultura, segurança Constitucional Alvo Pessoas, sociedade e Estado Relação Sistêmica e direcional. Foco Regulação Garantia Direito Ambiental: Eixos Ambiental Constitucional Alvo Sociedade, pessoas e Estado Tempo Presente e futuro Passado, presente e futuro Foco Garantista e preservacionista Garantista e desenvolvimentista Direito do Trabalho: Eixos Trabalho Constitucional Alvo Pessoas, família, sociedade, organizações e Estado Relação Sistêmica e direcional. Foco Regulação Garantia. Direito Civil: Eixos Civil Constitucional Alvo Relação entre pessoas Relação Sistêmica e direcional Foco Regulação Garantia -------- II A Constituição. Conceito. Tipologia. Fontes do Direito Constitucional a) Conceito material: Em todos os lugares e épocas sempre existiu e existirá Constituição. -Histórico-universal Existência de elementos materiais Identidade (nós e eles) Organização social e especialização (mando e troca de poder) Valores subjacentes (regras) A Constituição é o modo de ser de uma comunidade. Sociedade ou Estado. Este conceito descreve fatos previamente existentes possuindo assim caráter sociológico e não jurídico. Organiza e estrutura o Estado -Histórico-constitucional Ordem jurídica fundacional do Estado Reconhece Direitos e garantias A Constituição é resultado de movimentos constitucionais iniciados com a Magna Carta de 1215 (Limitar o poder do Rei),Petition of rights 1628 (liberdades que o Rei não pode infringir, como lei marcial, imposto sem autorização parlamentar, prisão arbitrária), habeas corpus Act 1679 (obrigava o Judiciário a examinar a legalidade de prisões) e bill of rights 1689 (declara direitos dos súditos e sucessão da coroa) que objetivava garantir direitos e limitar o poder estatal. A Constituição continua a representar o modo de ser da comunidade, porém arrimada em documentos históricos de caráter coercitivo. Escrito em documento único que reflete os anseios revolucionários -Constituição formal Fundador, formador e criador de novo paradigma organiza e estrutura o Estado reconhece Direitos e garantias Documento normativo e político superior A Constituição não representa continuidade, mas ruptura, sem perder, contudo, sua essência material consistente em organizar e estruturar o Estado e reconhecer Direitos e garantias, possuindo todos os seus dispositivos super e supra legalidade. b) tipologia ou classificação - clássica/tradicional Quanto ao Classificação Conteúdo Formal* Material Estabilidade Rígida* Flexível Semirrígida Fixa Imutável Transitoriamente flexível Transitoriamente rígida Forma Escrita* Não escrita Origem Promulgada* Outorgada Cesarista Extensão Analítica* Sintética Ideologia Eclética* Ortodoxia Unidade documental Orgânica* Inorgânica Sistema Principiológica* Preceitual Finalidade Garantista Balanço Dirigente* Papel Lei* Fundamento Moldura Interpretação Nominalista Semântica* Lugar Hetero Homo* - Ontológica/essencial Karl Löewenstein: conformação constitucional quanto à realidade do processo de poder político. Tipos de Constituição Características Efetividade Legitimidade Normativa Relação de congruência do exercício do processo de poder político em relação a realidade social e texto constitucional. Há respeito e sentimento de adequação do texto constitucional e a expectativa social. Sim Sim Nominais* Não há relação de congruência do exercício do processo de poder político em relação a realidade social e texto constitucional. Há respeito e sentimento de adequação do texto constitucional e a expectativa social. Não Sim Semântica Tem como objetivo legitimar e não limitar poder. Sim Não c) Fontes do Direito Constitucional brasileiro: - Direito natural; - Constituição Política; - Costumes e tradições; - Jurisprudência; - Doutrina. *- Fatores reais de poder; -------------------- III O Poder Constituinte (PC) Conceito: é o poder ao qual incumbe criar ou elaborar um Constituição (PC originário), alterar ou reformar uma Constituição (PC reformador) e completar uma Constituição (PC complementar). Origem histórica: Século XVIII com as Constituições escritas. Poder constituinte x Poder constituído Ato de criação/revogação Atos jurídicos subsequentes Soberano Subordinado Tradições clássicas relativas ao PC Tradição inglesa Tradição norte-americana Tradição francesa Não existe um Poder Constituinte, criador, mas apenas o reconhecimento histórico de costumes. O Poder Constituinte é libertador e protetor, criador de norma superior. O Poder Constituinte promove a ruptura com a antiga ordem criando algo novo. Não existe um (1) detentor do PC, mas um conjunto histórico. O povo é o detentor do PC. A nação é a detentora do PC. Revelador Declarador Criador. Discurso jurídico atual do PC Clássico Moderno Contemporâneo Poder de fato. Poder de fato. Poder de fato. Criador de nova ordem jurídica. Criador de nova ordem jurídica. Criando uma nova ordem jurídica. O titular é a nação (identidade e homogeneidade) (socilógico). O titular é o povo (pluralismo) (jurídico). O titular é o povo (pluralismo). Ilimitado. Limitado (democrático). Limitado (democrático). Incondicionado. Incondicionado. Condicionado (tempo). Poder Constituinte Originário (PCO) Conceito: Aquele que visa criar uma Constituição. Natureza jurídica: Três correntes: Poder de Direito Poder de Fato Poder híbrido* PCO tem origem no Direito Natural de autogoverno. PCO ruptura político-social. PCO como ruptura é um poder de fato, como criação é poder de direito (revoga e cria) Origem jurídica. Origem política e social. Origem política, social e jurídica. Origem fática: Golpe de Estado: 1964 – Constituição brasileira de 1967. Revolução – Constituição francesa de 1791. Consenso jurídico-político – Constituição brasileira de 1988. Classificação PCO: a) Quanto a dimensão: Poder constituinte material = conjunto de forças políticas-sociais que irão definir o conteúdo. Poder constituinte formal = aquele que irá formalizar a ideia do poder constituinte material. b) Quanto a manifestação histórica Fundacional = Construção de um novo Estado Nacional (descolonização). Pós-fundacional = Construção de nova Constituição em um Estado Nacional já existente. Características do PCO a) Inicial: Uma nova Constituição inaugura um novo Estado, portanto, o PCO é sempre inicial para o novo Estado. b) Autônomo: Cabe apenas ao PCO estabelecer diretrizes para a nova Constituição e para o Direito a ser implantado. c) Ilimitado: Teoria positivista; Teoria jusnaturalista; Teoria sociológica. d) Incondicionado: Não guarda condições ou termos prefixados para criação de nova ordem. e) Permanente: continua presente ainda que em estado de latência. ------------- IV Direito constitucional intertemporal. Teoria da recepção e da desconstitucionalização Uma nova Constituição não significa, necessariamente, uma ruptura com o ordenamento jurídico, mas uma ruptura político-social. Fenômeno da recepção: É o recebimento de norma infraconstitucional pela nova constituição Fenômeno Conceito Requisitos Forma Recepção É o recebimento de norma infraconstitucional pela nova Constituição. a) Não contraria o texto constitucional; b) Possuir disposições materialmente constitucionais; c) Não ser inconstitucional frente a Constituição anterior. Expressa; Tácita; Implícita. Inconstitu-cionalidade supervenien-te É o recebimento de norma infraconstitucional pela nova Constituição e sua posterior declaração de inconstitucionalidade frente a nova Constituição. a) Contraria o texto constitucional; ou b) Possuir disposições materialmente inconstitucionais; Não adotada no Brasil. ADI 02-DF/97. Municipaliza-ção ou Estadualiza-ção Ocorre quando há a alteração de competência Federal para a local ou regional. a) Lei de caráter nacional cuja competência tenha sido estabelecida na Constituição anterior. b) Alteração da competência legislativa atribuindo ao município ou Estado competência ampla para legislar. Expressa. Federalização Ocorre quando há a alteração de competência local ou regional para federal. a) Lei de caráter regional ou municipal cuja competência tenha sido estabelecida na Constituição anterior. b) Alteração da competência legislativa atribuindo a União competência para legislar. Não adotada no Brasil. Desconstitu-cionalização Ocorre quando norma de uma Constituição anterior são recepcionada pela nova Constituição, mas com status infraconstitucional. a) Não contraria o texto constitucional. Expressa. Repristinação Pode decorrer, como exceção, da não recepção de norma pela atual Constituição, voltando a vigorar lei anterior. a) Não contraria o texto constitucional. Expressa. Recepção material de normas constitucionais Ocorre quando norma de Constituição anterior é recepcionada pela nova Constituição com o mesmo status constitucional que possuía. a) Não contraria o texto constitucional. b) possuir prazo determinado. Expressa. ------------- V Direito Adquirido e Constituição Conceito de direito adquirido: ocorre quando determinada pessoa já tenha obtido o preenchimento de todos os requisitos normativos paraobtenção de certa vantagem ou prerrogativa, mas não tenha iniciado seu desfrute. O direito adquirido não se opõe frente ao texto constitucional, pois a Constituição é um diploma inicial e suas regras têm incidência imediata, assim somente é direito o que com ela é compatível, o que nela retira o seu fundamento de validade. Assim o que possuía status de direito na vigência da Constituição anterior pode não possuir na nova ordem. Por isso, se uma Constituição pretende preservar direitos anteriores a ela, mesmo quando eventualmente incompatíveis com o texto criado poderá o fazer de forma excepcional (art. 5º XXXVI) ou por meio de regras transitórias (art. 19 ADCT). 4