Prévia do material em texto
UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA MULHER: A EFETIVIDADE DOS MEIOS DE PROVA NO ENFRENTAMENTO, NA GARANTIA DE DIREITOS E NO COMBATE AO FEMINICÍDIO ALTAIS CORREIA SÃO PAULO 2025 ALTAIS CORREIA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA MULHER: A EFETIVIDADE DOS MEIOS DE PROVA NO ENFRENTAMENTO, NA GARANTIA DE DIREITOS E NO COMBATE AO FEMINICÍDIO Monografia apresentada à Unip- Universidade Paulista, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, sob orientação do Professor: Dr. SÃO PAULO 2025 ALTAIS CORREIA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA MULHER: A EFETIVIDADE DOS MEIOS DE PROVA NO ENFRENTAMENTO, NA GARANTIA DE DIREITOS E NO COMBATE AO FEMINICÍDIO Monografia apresentada à Unip- Universidade Paulista, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, sob orientação do Professor: BANCA EXAMINADORA _________________________________/___/_____ (Orientador-Unip) Universidade Paulista -UNIP ___________________________________/___/____ Prof. Universidade Paulista – UNIP ___________________________________/___/____ Prof. Universidade Paulista – UNIP RESUMO ABSTRACT SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................ 1. LEI MARIA DA PENHA...........................................................................X 1.1 Conceito...........................................................................................x 1.2 A lei Maria da Penha e a violência psicológica....................................x 2. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA E A RELAÇÃO COM O ISOLAMENTO SOCIAL................................................................................................X 2.1 Manipulação psicológica.................................................................x 2.2 O comportamento das vítimas.........................................................x 2.2.1 Síndrome de estocolmo e o patricarcado..................................x 3. FALTA DE RECONHECIMENTO LEGAL DA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA............................................................................................X 3.1 Meios de Prova no Contexto da Violência Psicológica.......................x 3.2 Desafios na Produção e Valoração da Prova...................................x 3.3 Como a falta de provas concretas pode levar à impunidade.............x POLÍTICAS PÚBLICAS DE PREVENÇÃO E/OU ACONSELHAMENTO PSICOSSOCIAL........................................................................................X CONCLUSÃO.............................................................................................. BIBLIOGRAFIA........................................................................................... INTRODUÇÃO 1.LEI MARIA DA PENHA Este Capítulo aborda o conceito da Lei Maria da Penha, lei esta que defende todos os tipos de violência doméstica contra a mulher. 1.1 Conceito No preâmbulo da Lei Maria da Penha, é explanado o objetivo da criação da lei, conforme citado abaixo: A LEI N° 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006 , Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8° do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências. Nas disposições preliminares é abordado todos os direitos que as mulheres gozam, assim como o dever do Estado e da sociedade de assegurar a sua devida efetividade. Art. 2° Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. Segundo Aury Lopes Junior “A Lei Maria da Penha assume uma natureza híbrida (material e processual), voltada à tutela de direitos fundamentais da mulher. Está inserida dentro de um processo penal de política pública criminal com recorte de gênero.” A Lei Maria da Penha é uma legislação de natureza processual penal especial, voltada à proteção da mulher em situação de violência doméstica e familiar, sendo um marco normativo de proteção dos direitos humanos das mulheres, segundo o princípio da igualdade material e da vedação à discriminação, a lei rompe com a neutralidade do processo penal, conferindo um tratamento diferenciado à mulher em situação de violência, legitimando medidas protetivas urgentes e reformulando a atuação do Estado penal para essa realidade específica1. 1 LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2020, p. 89. Segundo Guilherme de Souza Nucci “A Lei Maria da Penha tem como fundamento os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade entre homens e mulheres e da proteção contra qualquer forma de violência doméstica, familiar e de gênero.” Nucci define a Lei Maria da Penha como uma norma especial e protetiva, criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ele frisa que se trata de uma legislação penal de gênero, reconhecendo a desigualdade histórica entre homens e mulheres e corrigindo essa distorção com mecanismos protetivos específicos. A constitucionalidade da lei e sua conformidade com tratados internacionais de proteção aos direitos humanos das mulheres2. Conforme enfatiza Rogério Grecco “A Lei Maria da Penha constitui um avanço civilizatório no enfrentamento à violência doméstica, considerada uma norma de natureza penal e processual penal com enfoque na proteção da mulher e na responsabilização do agressor.” Rogério Greco aborda a Lei Maria da Penha como uma legislação penal e processual penal inovadora, criada para enfrentar a violência estrutural contra a mulher, com um viés claramente protetivo e preventivo. Destaca a importância das medidas protetivas de urgência e a necessidade de interpretação da norma sob uma perspectiva de direitos humanos e igualdade de gênero3. Por se tratar de violência doméstica, a lei tutela as relações domésticas, socialmente conhecidas como as relações íntimas de afeto, das vítimas, tais como citada na jurisprudencia abaixo: AREsp 1437852 AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.437.852 - MG (2019/0029089-0) RELATOR : MINISTRO RIBEIRO DANTAS AGRAVANTE : DIRLEY VAZ DE JESUS PIMENTA ADVOGADO : LEONARDO DOCH JANUARIO - MG163828 AGRAVADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMENTA PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DE LESÃO CORPORAL PRATICADO POR IRMÃO CONTRA IRMÃ. INCIDÊNCIA DA LEI MARIA DA PENHA. artigo 5º, II, DA LEI N.º 11.340/06. HONORÁRIOS. DEFENSOR DATIVO. MATÉRIA PACIFICADA. RECURSOS REPETITIVOS. RESPS 1.665.033 e 1.656.322 DE SANTA CATARINA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. De acordo com o entendimento desta Corte Superior, a agressão perpetrada pelo irmão contra a irmã incide na hipótese de violência praticada no âmbito familiar, tipificado no artigo 5º, II, da Lei nº 11.340/06. Precedentes. 2. "Ademais a análise da demanda, na intenção de averiguar se a violênciase deu em razão de gênero e em contexto de vulnerabilidade, demandaria o reexame fático-probatório4. 2 NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2022, p. 1062. 3 GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal – Parte Geral. 22. ed. Niterói: Impetus, 2023, p. 1127. 4 AREsp 1437852 , CORPUS 927.Posicionamentos isolados so STJ. Disponível em: https://corpus927.enfam.jus.br/legislacao/lmp-06. Acesso em: 04 de ago 2025. 1.2 A lei Maria da Penha e a violência psicológica A violência psicológica contra a mulher, faz a mulher se sentir diminuída , se auto considerar um ser inferior aos homens, exemplos práticos de violência psicológica: - Ameaças constantes de abandono ou morte; - Chantagem emocional; - Humilhações públicas ou privadas; - Isolamento social imposto pelo agressor; - Vigilância obsessiva ou controle de redes sociais; - Manipulação afetiva, gaslighting, etc. A violência psicológica contra a mulher está prevista no art. 7º, II da Lei Maria da Penha: Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. Por ser um tipo de violência psicológica a valoração da prova e a comprovação da sua existência se torna mais complexa e delicada. Rogério Greco ressalta que a violência psicológica representa uma forma de dominação emocional, geralmente antecedendo a violência física, e deve ser combatida de forma rigorosa pelo Estado. “A violência psicológica é um instrumento de dominação e controle, que corrói lentamente a liberdade da mulher. É imperioso reconhecer sua gravidade para que não seja minimizada5.” Guilherme de Souza Nucci afirma que a violência psicológica é um dos pilares da violência de gênero, sendo capaz de justificar, sozinha, a aplicação de medidas protetivas. “A violência psicológica não depende de marcas visíveis. Basta a prova do sofrimento interno da vítima, com base em testemunhos, laudos ou sua palavra, para justificar a proteção judicial.” 5 GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal – Parte Geral. 22. ed. Niterói: Impetus, 2023, p. 1130. 6 NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2022, p. 1068. Criminalização específica – Art. 147-B do Código Penal (Lei nº 14.188/2021) A partir de 2021, a violência psicológica passou a ser tipificada como crime no Código Penal: Art. 147-B - Violência Psicológica contra a Mulher Causar dano emocional à mulher que prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões... Pena: reclusão de 6 meses a 2 anos, e multa. 2. VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA E A RELAÇÃO COM O ISOLAMENTO SOCIAL Neste Capítulo é abordado qual a relação da violência psicológica com o isolomento social. 2.1 Manipulação psicológica Segundo Ana Flávia Messa e Maria Clara da Cunha Calheiros, a manipulação é uma forma de violência psicológica caracterizada por qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. Exemplos: omitir ou distorcer fatos a fim de criar dúvidas na vítima sobre sua própria memória ou sanidade mentalx. Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; IV – a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; V – a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. X MESSA, ANA FLÁVIA. CALHEIROS, Maria Clara da Cunha. Violência contra a mulher. Almedina.2023. São Paulo. Cerca de seis mulheres são assassinadas por hora, 137 por dia, por homens em todo o mundo, num total de 50.000 por ano, sendo 38% por seus parceiros íntimos atuais ou passados (WHO, 2021). Globalmente, entre um quinto e quase metade das mulheres sofrem abuso físico ou sexual por seus parceiros masculinos e cerca de 35% sofreram violência psicológica, física e/ou sexual em sua vida, principalmente por um parceiro íntimox. Apesar destes números espantosos, a violência contra mulheres e meninas “ainda está tão profundamente incrustada em culturas ao redor do mundo que é quase invisível”, diz a ONU, descrevendo-a como “uma construção de poder e um meio de manter o status quo” (WHO, 2021; Broom, 2020). 2.2 O comportamento das vítimas Segundo Lenore Walker, o Isolamento e retraimento social: Muitas vítimas tendem a se afastar de familiares e amigos, seja por vergonha, medo de julgamentos ou pela manipulação do agressor, que as convence de que não merecem apoio, no chamado Ciclo da Violência, a vítima passa a desenvolver sentimentos de impotência e acaba por se isolar, acreditando que não pode sair da relação abusiva. Conforme Debora Diniz e Claudia Fonseca, o agressor constantemente desvaloriza e humilha, levando a vítima a acreditar que é responsável pela violência sofrida, e explicam que a violência psicológica corrói a identidade da vítima, levando a um estado de dependência emocional do agressorx. X WALKER, Lenore. The Battered Woman. New York: Harper and Row, 1979. X DINIZ, Debora; FONSECA, Claudia. Violência contra mulheres: vulnerabilidades e desafios. Brasília: LetrasLivres, 2017. X Crowell & Burgess, 1996; Friedrich, 2013; WHO, 2021 2.2.1 Síndrome de estocolmo e o patricarcado 2.2.1 Síndrome de estocolmo e o patricarcado 3.1 Meios de Prova no Contexto da Violência Psicológica Provas possíveis Palavra da vítima, testemunhos, laudos psicológicos, mensagens, etc. POLÍTICAS PÚBLICAS DE PREVENÇÃO E/OU ACONSELHAMENTOPSICOSSOCIAL DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Art. 9° A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso. § 1° O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do governo federal, estadual e municipal. § 2° O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para preservar sua integridade física e psicológica: I - acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da administração direta ou indireta; II - manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de trabalho, por até seis meses. § 3° A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo os serviços de contracepção de emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual. CONCLUSÃO Concluo que a violência doméstica contra a mulher BIBLIOGRAFIA AREsp 1437852 , CORPUS 927.Posicionamentos isolados so STJ. Disponível em: https://corpus927.enfam.jus.br/legislacao/lmp-06. Acesso em: 04 de ago 2025. DINIZ, Debora; FONSECA, Claudia. Violência contra mulheres: vulnerabilidades e desafios. Brasília: LetrasLivres, 2017. GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal – Parte Geral. 22. ed. Niterói: Impetus, 2023, p. 1127. LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2020, p. 89. MESSA, ANA FLÁVIA. CALHEIROS, Maria Clara da Cunha. Violência contra a mulher. Almedina.2023. São Paulo. NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2022, p. 1062. Crowell & Burgess, 1996; Friedrich, 2013; WHO, 2021 WALKER, Lenore. The Battered Woman. New York: Harper and Row, 1979.