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FUNDAMENTOS E PRÁTICA NO ENSINO 
DE CIÊNCIAS DA NATUREZA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá! 
O período da infância é uma fase em que a curiosidade está presente de 
forma genuína e criativa. Desde muito cedo, as crianças se mostram interessadas 
em realizar descobertas e responder aos porquês do mundo que as rodeia. Durante 
os anos iniciais do Ensino Fundamental, o fazer científico já pode estar presente 
no cotidiano das crianças, sendo aprofundado ao longo do Ensino Fundamental 
nos anos finais que pode ser considerado um período propício para iniciar a 
compreensão mais aprofundada sobre as ciências naturais. 
Todo cientista é curioso e, enquanto educadores, precisamos manter ativa 
a curiosidade em nossas crianças, para que elas construam, desconstruam e 
reconstruam seus conhecimentos e suas ações sobre o mundo onde estão 
inseridas. O planejamento e a avaliação das práticas pedagógicas no ensino de 
ciências 
Nesta aula, você vai conhecer as principais características voltadas ao 
planejamento e a avaliação no ensino de ciências. Além disso, vai identificar 
implicações positivas e negativas do uso de provas escritas. Também vai estudar 
a importância de elaborar propostas de planejamento embasadas em resultados 
de avaliação. 
Bons estudos! 
 
 
 
AULA 8 - 
PLANEJAMENTO E 
DESENVOLVIMENTO DE 
ATIVIDADES E MATERIAIS, 
INSTRUMENTOS E CRITÉRIOS 
DE AVALIAÇÃO NO ENSINO 
ESPECÍFICO DA ÁREA DE 
CIÊNCIAS DA NATUREZA 
 
 
 
8. PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES E MATERIAIS, 
INSTRUMENTOS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO NO ENSINO ESPECÍFICO 
DA ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA 
Segundo Zabala (1998, p. 17), “o planejamento e a avaliação dos processos 
educacionais são uma parte inseparável da atuação docente, já que acontece nas 
aulas, a própria intervenção pedagógica, nunca pode ser entendida sem uma análise 
que leve em conta as intenções, as previsões, as expectativas e a avaliação dos 
resultados”. 
Na maioria das vezes, pensamos nos professores em seus momentos em sala 
de aula ou em uma saída de estudos com seus alunos, mas essa é apenas parte de 
seu trabalho docente. Entre suas diversas tarefas, há o planejamento e a avaliação. 
Para planejar uma aula de ciências você deve levar em conta as características sociais 
e culturais dos alunos, contemplar conteúdos que os tornem aptos à vida em 
sociedade (que sejam úteis ou relacionados ao seu dia a dia), que promovam a 
inclusão social, o uso das tecnologias e a preocupação com o ambiente natural. 
 Como essa disciplina normalmente tem uma carga horária baixa, é importante 
que você verifique quais métodos serão mais eficazes para que os alunos consigam 
aprender, compreender e agir. Questionamentos como “Quais suas necessidades 
sociais?”, “Que conteúdos abordam a ciência e a tecnologia?”, “Que conteúdos são 
importantes para que tenham a capacidade de fazer escolhas social e ecologicamente 
responsáveis?” são importantes no planejamento das aulas para darem sentido ao 
aprendizado. 
Para Zabala (1998), a avaliação também é um ponto importante, pois é através 
dela que você verifica se o conteúdo abordado foi assimilado e se sua prática 
pedagógica está sendo eficiente. A avaliação permite que você modifique as 
estratégias, os planejamentos e métodos, melhorando a qualidade do trabalho em 
sala de aula. Lembrando que não é somente na aplicação de provas que conseguimos 
avaliar os alunos. Os trabalhos em grupos, seminários, cinema, teatro, jogos 
pedagógicos, entre outras estratégias, estão disponíveis e andam a nosso favor, pois 
é uma maneira fácil de compreender o conteúdo. 
 
 
8.1 O uso de prova escrita 
De acordo com Haydt (2001), muitos professores e estudiosos da área da 
educação têm condenado o uso de provas como instrumento de avaliação eficiente, 
porém ainda não se estabeleceu outro método de avaliação que seja capaz de 
substituí-las completamente. Portanto, é necessário que você modifique a maneira de 
elaborar as provas, diminua o número de conceitos decorados e aplique 
questionamentos relacionados ao dia a dia, ou que faça o aluno pensar no contexto 
do conteúdo para responder. 
➢ Prova oral: recurso pouco utilizado atualmente, é muito usado no ensino de 
línguas, mas pode ser aplicado para avaliar as habilidades e conhecimentos. 
➢ Prova escrita dissertativa: deve estimular o aluno a dar a sua própria 
opinião, sem repetir o que foi lido no livro ou falado pelo professor. As questões 
formuladas, devem estar de acordo com o conteúdo abordado em aula e devem 
ter a função de verificar habilidades como raciocínio lógico, clareza na 
expressão, fazer relações entre fatos. 
Haydt (2001), apresenta quatro vantagens na aplicação das provas 
dissertativas: 
➢ Permite verificar certas habilidades intelectuais que constituem processos 
mentais superiores, como a capacidade reflexiva (analisar, sintetizar, aplicar 
conhecimentos, interpretar dados, emitir juízos de valor); 
➢ Pode ser facilmente elaborada e organizada; 
➢ Possibilita saber se o aluno é capaz de organizar suas ideias e opiniões e 
expressá-las por escrito; 
➢ Reduz a possibilidade de acerto casual, frequente nas provas objetivas. 
Prova escrita de questões objetivas: exige maior atenção na formulação das 
questões, mas há maior facilidade na hora da correção. Este tipo de prova avalia a 
capacidade do aluno de raciocinar e relacionar conceitos do conteúdo, com questões 
do tipo verdadeiro e falso, certo e errado, lacunas para preencher, correspondência 
entre colunas, múltipla escolha, ordenação. 
 
 
 
8.2 Funções da avaliação 
O psicólogo Benjamin Bloom (1913-1999) escreveu a Taxonomia dos objeti-
vos educacionais, em 1973, na qual apresentou a proposta de que a avaliação deveria 
cumprir três funções: diagnóstica, formativa e somativa. Estas funções permitem que 
a avaliação esteja presente em todas as etapas do ensino-aprendizagem, inter-
relacionadas e complementares. 
Função diagnóstica: ocorre através da observação e do diálogo, que permite 
conhecer a realidade na qual o processo ensino-aprendizagem irá ocorrer. Detecta o 
conhecimento prévio e a necessidade de pré-requisitos para a aprendizagem. 
Função formativa: também chamada de processual, ocorre durante todo o 
processo de ensino-aprendizagem. Ela permite que tanto você quanto seus alunos 
percebam seus erros e acertos, e verifica se os objetivos propostos foram alcançados. 
Função somativa: refere-se ao conhecimento adquirido ao final do proces-so 
e o resultado obtido (com relação à aprovação ou reprovação). 
Além dessas funções, também há outros tipos de avaliação: 
➢ Escrita: consiste na elaboração de provas, que podem ser dissertativas ou 
de questões objetivas. 
➢ Dinâmica: avalia o aluno através de suas competências. 
8.3 Breve histórico da didática 
O termo didática tem origem na Grécia antiga, a partir de techné didaktiké, que 
pode ser traduzida por instruir, técnica de ensinar. Apenas no século XVII que João 
Amós Comenius definiu didática como uma disciplina. Ele tinha um pensamento muito 
avançado para a época e afirmava que “a didática é a arte de ensinar tudo a todos”. 
A história da didática está diretamente relacionada com a evolução da 
educação, que desde a antiguidade até o século XIX não mudou muito. Durante todo 
esse tempo, a aprendizagem resumia-se a um processo passivo-receptivo, ou seja, o 
professor fala e o aluno ouve, memoriza e repete. O escritor e filósofo Jacques 
Rousseau (1712-1778), sugeria um modelo de ensino em que o jovem conseguisse 
viver com a sociedade (corrupta), lembrando que todas as pessoas nascem boas, mas 
são corrompidas pela sociedade. Já Johann Heinrich Pestalozzi (1996), influenciado 
por Rousseau, complementou seu modelo de ensino, afirmando que também deveria 
 
 
se levar em conta as aptidões de cada ser humano no processo educativoe também 
que todas as crianças deveriam ter acesso à educação, independentemente de sua 
condição social. 
De acordo com Haydt (2001), podemos resumir da seguinte maneira os 
princípios formulados por Pestalozzi: 
➢ A relação entre professor e aluno deve ser baseada no amor e no res-peito 
mútuo. 
➢ O professor deve respeitar a individualidade do aluno. 
➢ A finalidade da educação deve basear no seu fim mais elevado, ou seja, 
favorecer o desenvolvimento físico, mental e moral do aluno. 
➢ O ensino não deve objetivar a verdade absoluta e a memorização mecâ-nica, 
mas o desenvolvimento das capacidades intelectuais. 
➢ A educação deve auxiliar no desenvolvimento orgânico, por isso a ati-vidade 
física é tão importante quanto a intelectual. 
➢ A aprendizagem escolar não deve levar apenas à aquisição de conheci-
mentos, mas, principalmente, ao desenvolvimento de habilidades e ao domínio 
de técnicas. 
➢ O método de instrução deve ter por base a observação ou percepção 
sensorial e começar pelos elementos mais simples. 
➢ O ensino deve respeitar o desenvolvimento infantil, seguindo a ordem 
psicológica. 
➢ O professor deve dedicar a cada tópico do conteúdo o tempo necessário 
para assegurar que o aluno aprenda. 
Johann Friedrich Herbart (1983,) é considerado o primeiro autor a formular a 
Pedagogia em termos científicos. Sua teoria tem forte conteúdo moral e afirma que só 
se consegue atingir a finalidade da educação a partir da moralidade e da virtude. Ao 
contrário do modelo passivo tradicional, surge John Dewey (2002). 
Segundo Haydt (2001), Dewey (2002), afirmava que “A ação precede o 
conhecimento e o pensamento. Antes de existir como ser pensante, o homem é um 
ser que age. A teoria resulta da prática. Logo, o conhecimento e o ensino devem estar 
intimamente relacionados à ação, à vida prática, à experiência.” 
 As ideias de Dewey (2002), deram origem ao movimento conhecido com 
Escola Nova. No Brasil, a educação iniciou-se a partir dos padres jesuítas, de 1549 
 
 
até meados de 1759. Nessa época, entrou em vigor a chamada Pedagogia Tradicional 
Leiga (com os mesmos princípios didáticos, porém sem as questões religiosas). Em 
1932 iniciou-se o movimento escolanovista a partir da publicação do Manifesto dos 
Pioneiros da Escola Nova. Este movimento previa o direito de todos à educação e aos 
princípios democráticos. O centro da educação passou a ser o aluno, e o professor 
era um facilitador no processo de ensino-aprendizagem. 
A partir dos anos 1960, a Escola Nova perdeu força com a chegada da 
Pedagogia Tecnicista, baseada na psicologia comportamental (behaviorista), na qual 
o professor é apenas o executor de planejamentos preconcebidos. Desde os anos 
1980, os fundamentos das teorias utilizadas são questionados, e há uma preocupação 
com os aspectos sociopolíticos do processo de ensino. 
8.4 Avaliação tradicional x crítica 
Muitas vezes, a avaliação escolar pode ser encarada como uma maneira de 
punição aos alunos. Mas esse não é o seu objetivo. Na realidade, a avaliação serve 
como um norteador ao trabalho do professor, como um instrumento de medição da 
qualidade do aprendizado. Você não deve se basear apenas na utilização de provas 
escritas como instrumento de avaliação, pois existem muitos outros instrumentos que 
contemplam as diferentes maneiras de aprender e de se expressar de cada aluno. 
Mas simplesmente ignorar a avaliação não é válido. Você deve verificar qual método 
de avaliação se adéqua ao seu método de ensino. A avaliação do aluno está 
diretamente relacionada à avaliação do professor, ou seja, se os alunos aprenderam 
aquilo que o professor ensinou. São muitas propostas: 
Avaliação permanente: ou qualitativa, a partir da observação diária do aluno, 
de suas atitudes, seu desenvolvimento cognitivo, interação social, participação na 
aula, realização de tarefas. 
 Autoavaliação: em que o aluno verifica o que sabe e o que ainda precisa 
aprender, estimula a responsabilidade, participação, cria um ambiente democrático 
dentro da sala de aula. A autoavaliação deve ser orientada por você, pois é muito fácil 
para o aluno se autoavaliar com notas máximas! Você deve oferecer um roteiro de 
questionamentos que incluem desde o aproveitamento das aulas, relacionamento com 
colegas, tempo de estudo em casa, entre outros. 
 
 
Portfólios: são pastas construídas pelos próprios alunos durante um período 
de tempo (um mês, um bimestre, um trimestre) que incluem relatórios de aula, textos, 
fichas, desenhos, anotações e até mesmo a autoavaliação. 
Seminários: de forma individual ou em pequenos grupos, os alunos pesquisam 
sobre um determinado tema e apresentam aos demais colegas. Pode haver a 
distribuição de um resumo do que foi apresentado para a turma. 
Trabalhos em grupos: podem ser de diferentes formas, como através da 
confecção de cartazes, de pesquisa bibliográfica, fotográfico, etc. Os trabalhos em 
grupo facilitam a distribuição de tarefas entre os componentes e a organização do 
material para entrega ao professor. 
Qualquer que seja o método que você utilize, você não deve cobrar apenas a 
obtenção de respostas prontas, decoradas. Uma nova metodologia crítica propõe que 
o aluno se expresse, que participe da construção da avaliação para que não seja 
apenas um ato mecânico. É difícil mudar a forma de avaliação sem mudar a proposta 
da escola. Infelizmente, as notas e os boletins continuam sendo os métodos preferidos 
pelas escolas e pelos pais de alunos para medir o quanto estão aprendendo. 
8.5 Planejamento das aulas de ciências a partir dos resultados das 
avaliações 
Ao iniciar um planejamento de aulas, sequências didáticas e propostas 
avaliativas, é importante considerar atividades já realizadas anteriormente, seja pelo 
próprio professor, seja por colegas, ou se apoiar em materiais presentes na literatura 
científica da área, adaptando para o contexto de sala de aula. Deve-se dar preferência 
por projetos didáticos que obtiveram êxito e resultados positivos em relação ao 
assunto e ao ano escolar a que se propõe. Sob essa ótica, mediante atividades e 
avaliações já realizadas no cotidiano escolar, o professor será capaz de compreender 
os interesses, as dificuldades e as particularidades que despontam a partir dos 
estudantes e contribuem para uma aprendizagem mais completa e significativa no 
ensino de ciências. 
A literatura científica avança a passos largos com pesquisas que embasam o 
desenvolvimento, a adaptação e a validação de propostas metodológicas inovadoras 
que podem ser incluídas no planejamento de aulas e avaliações. 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BLOOM, B. et al. Taxonomia dos objetivos educacionais. Porto Alegre: Globo, 
1973. 
DEWEY, J. A escola e a sociedade e a criança e o currículo. Tradução Paulo Faria. 
Lisboa, Portugal: Relógio D'água, 2002. 
HAYDT, R. C. C. Curso de didática geral. 7. ed. São Paulo: Ática, 2001. 
HERBARTI J.F. Pedagogia general derivada del fin de la educacion. Tradução 
LorenzoLuzuriaga.Madrid: Ediciones de La Lectura, 1983. 
PESTALOZZI, J. H. Cartas sobre educación infantil. Madrid: Tecnos, 1996. 
ROUSSEAU, J-J. O Contrato Social: princípios do direito político.Tradução de 
Antônio P. Danesi. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 
ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. 
 
 
 
 
 
 
 
Bom dia,