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AINE's & Eicosanóides . . Inflamação . A inflamação é uma resposta biológica complexa do organismo a lesões, infecções ou agressões químicas/físicas. O objetivo é eliminar o agente agressor e iniciar o processo de reparo tecidual. Sinais clássicos da inflamação ● Rubor ● Calor ● Tumor (edema) ● Dor ● Perda da função Mediadores químicos da inflamação ● Histamina ● Prostaglandinas ● Leucotrienos ● Bradicinina ● Citocinas (IL-1, IL-6, TNF-α) ● Óxido nítrico Complemento clínico importante: A maioria dos fármacos anti-inflamatórios atua bloqueando mediadores químicos, principalmente as prostaglandinas. Eicosanóides . São mediadores fisiológicos endógenos produzidos pelo próprio organismo a partir do ácido araquidônico, um ácido graxo poli-insaturado presente nos fosfolipídios da membrana celular. Eles incluem principalmente: ● Prostaglandinas (PGE2, PGI2, PGF2α e PGD2) ● Tromboxano A2 (TXA2) ● Leucotrienos ● Lipoxinas Essas substâncias desempenham papel fundamental na regulação de diversos processos fisiológicos e patológicos, participando da inflamação, da dor, da febre, da hemostasia, da regulação da função renal, da proteção da mucosa gástrica, da contração uterina e da modulação do tônus da musculatura brônquica. AINE's & Eicosanóides . Dessa forma, os eicosanoides são moléculas sinalizadoras naturais do organismo e não medicamentos; eles fazem parte do sistema de comunicação celular que permite ao corpo responder a lesões, infecções e alterações homeostáticas. Formação dos eicosanoides . 1. Começa quando ocorre um estímulo inflamatório, traumático, imunológico ou químico que ativa a enzima fosfolipase A2 2. Essa enzima cliva os fosfolipídios da membrana celular, liberando o ácido araquidônico 3. A partir desse ponto, o ácido araquidônico pode seguir diferentes vias metabólicas: ● Pela via da ciclooxigenase (COX): são formadas as prostaglandinas e os tromboxanos ● Pela via da lipoxigenase (LOX): formam-se os leucotrienos. ● Além disso, podem ser produzidas lipoxinas, que têm papel regulador e anti-inflamatório, contribuindo para a resolução da resposta inflamatória. Esse sistema constitui a chamada cascata do ácido araquidônico, um dos principais eixos bioquímicos da inflamação. . VIA DA CICLOOXIGENASE . COX-1 Expressão: ● Constitutiva ● Expressão ubíqua Localização celular: ● Retículo endoplasmático Funções: ● Proteção gástrica (PGI2) ● Perfusão renal (PGE2) ● Agregação plaquetária (TXA2) Não é induzida inflamatóriamente de forma importante. COX-2 Expressão: ● Induzida por inflamação ● Também constitutiva no SNC Indutores: ● LPS ● TNF-α ● IL-1 ● IL-2 ● EGF ● IFN-γ Funções: ● Pró-inflamatória ● Mitogênica FUNÇÕES DAS PROSTAGLANDINAS ● Vasodilatação ● Aumento da permeabilidade vascular ● Sensibilização dos nociceptores (dor) ● Febre (PGE2 no hipotálamo) ● Proteção da mucosa gástrica ● Manutenção do fluxo renal Os prostanoides são derivados do ácido araquidônico formados pela via da AINE's & Eicosanóides . ciclo-oxigenase (COX) e desempenham papel central na inflamação, na homeostase vascular, gastrointestinal, renal e reprodutiva. Entre eles: Prostaglandina E2 (PGE2): É um dos mediadores mais importantes das respostas inflamatórias, sendo responsável pela febre e pela sensibilização dos nociceptores periféricos, o que resulta em dor (hiperalgesia). A PGE2 atua por meio de diferentes subtipos de receptores acoplados à proteína G, denominados EP1, EP2, EP3 e EP4, e os efeitos fisiológicos variam conforme o receptor ativado e o tecido-alvo. ● Nos receptores EP1: a PGE2 promove aumento do cálcio intracelular, levando à contração do músculo liso brônquico e do trato gastrintestinal. ● Nos receptores EP2: ocorre aumento de AMPc, resultando em relaxamento do músculo liso brônquico, vascular e do trato gastrintestinal, além de efeitos vasodilatadores que contribuem para o rubor e o aumento da permeabilidade na inflamação. ● Nos receptores EP3: que possuem múltiplas isoformas, há redução de AMPc, levando à inibição da secreção ácida gástrica, aumento da secreção de muco gástrico (efeito citoprotetor), contração uterina durante a gravidez, inibição da lipólise no tecido adiposo e inibição da liberação autônoma de neurotransmissores. Além disso, a ativação central de EP3 no hipotálamo está diretamente relacionada ao mecanismo da febre induzida por citocinas inflamatórias. As prostaglandinas exercem funções específicas conforme o subtipo. ● PGE2: É um dos principais mediadores da dor e da febre, além de participar da vasodilatação e do aumento da permeabilidade vascular ● Prostaciclina (PGI2): produzida principalmente pelo endotélio vascular, promove vasodilatação e inibe a agregação plaquetária, exercendo efeito antitrombótico. Correlação clínica importante: Bloquear prostaglandinas reduz a dor e a inflamação. Mas também pode causar: ● Gastrite ● Úlcera ● Insuficiência renal FUNÇÕES DOS TROMBOXANOS Tromboxano A2: Produzido pelas plaquetas, tem efeito oposto, promove vasoconstrição e estimula a agregação plaquetária, sendo importante na hemostasia. O equilíbrio entre PGI2 e TXA2 é essencial para a regulação do fluxo sanguíneo e da coagulação. FUNÇÕES DOS LEUCOTRIENOS Os leucotrienos estão mais relacionados à broncoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e recrutamento de células inflamatórias, tendo grande importância em doenças como asma e rinite alérgica. AINE's & Eicosanóides . . Anti-inflamatórios não . . Esteroidais . Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) são medicamentos desenvolvidos para modular esse sistema fisiológico. Eles atuam principalmente inibindo a enzima ciclooxigenase, responsável pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos. Ao bloquear a COX, os AINEs reduzem a produção desses mediadores, especialmente da PGE2 e da PGI2, o que resulta em diminuição da inflamação, da dor e da febre. Além disso, um dos efeitos adversos é a hipersensibilidade, alguns pacientes desenvolvem: ● Broncoespasmo ● Urticária ● Rinite Mecanismo importante: Bloqueio da COX → desvio do ácido araquidônico para via da LOX → ↑leucotrienos → broncoconstrição (Síndrome da asma induzida por AINE) Principais AINEs: ● Ácido acetilsalicílico (AAS) ● Ibuprofeno ● Diclofenaco ● Naproxeno ● Cetoprofeno ● Indometacina ● Meloxicam ● Nimesulida ● Celecoxibe Não seletivos (COX-1 e COX-2) ● AAS ● Ibuprofeno ● Diclofenaco ● Naproxeno ● Indometacina ● Cetoprofeno ● Piroxicam Usados em: ● Dor leve a moderada, Febre ● Artrite reumatoide, Gota ● Alterações do tec. conjuntivo ● Distúrbios de partes moles Preferenciais COX-2 ● Meloxicam ● Nimesulida Usados em: ● Miastenia gravis e Doença de Alzheimer ● Dor de garganta e uso odontológico (nimesulida) ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS) ● Inibição irreversível da COX. Nas plaquetas a acetilação é permanente, porque a plaqueta não possui núcleo e não consegue sintetizar nova enzima. O efeito dura toda a vida da plaqueta (7–10 dias). Isso explica por que mesmo doses baixas têm efeito antiplaquetário prolongado. Efeitos por dose AINE's & Eicosanóides . ● Baixa dose (75–100 mg): Antiagregante plaquetário ● Dose média : Analgésico e antitérmico● Dose alta: Anti-inflamatório Essa diferença ocorre porque a inibição plaquetária exige menor concentração do fármaco do que o efeito anti-inflamatório periférico. Indicações ● Prevenção de IAM ● AVC isquêmico ● Doença arterial coronariana Também pode ser usado em dor leve a moderada, febre e doenças inflamatórias, mas hoje costuma-se preferir outros AINEs para essas indicações devido ao perfil gastrointestinal. Efeitos adversos do AAS ● Sangramento ● Irritação gástrica ● Síndrome de Reye (em crianças com infecção viral) ● Salicilismo: Zumbido, Hiperventilação e Alcalose respiratória seguida de acidose metabólica Síndrome de Reye Ocorre em crianças com infecção viral que recebem AAS: ● Encefalopatia ● Esteatose hepática. ● Contraindicado em crianças com viroses. INIBIDORES SELETIVOS DA COX-2 ● Celecoxibe ● Etoricoxibe Vantagens: Menos lesão gástrica Desvantagens: Risco de Infarto, AVC e Eventos trombóticos Isso acontece porque eles reduzem a prostaciclina (PGI2), que é vasodilatadora e antiagregante, mas não reduzem o tromboxano A2 plaquetário (que depende da COX-1). Resultado: desequilíbrio pró-trombótico. CORTICOSTEROIDES Embora não sejam AINEs, são potentes anti-inflamatórios. Mecanismo 1. Inibem: Fosfolipase A2 → bloqueiam a formação de ácido araquidônico → reduzem prostaglandinas e leucotrienos 2. Reduzem citocinas inflamatórias 3. Suprimem o sistema imune Ou seja, eles atuam acima da COX, bloqueando toda a cascata do ácido araquidônico, inclusive a via dos leucotrienos. AINE's & Eicosanóides . Exemplos ● Prednisona ● Prednisolona ● Dexametasona ● Hidrocortisona Uso prolongado: ● Síndrome de Cushing ● Hiperglicemia ● Osteoporose ● Imunossupressão ● Supressão adrenal Ponto clínico essencial: Nunca suspender corticoide abruptamente após uso prolongado, pois o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fica suprimido e pode ocorrer insuficiência adrenal aguda. . Interações importantes . ● AINE + anticoagulante: risco de sangramento ● AINE + corticoide: risco de úlcera ● AINE + IECA/diurético: insuficiência renal ● Ibuprofeno pode reduzir o efeito antiagregante do AAS Efeitos terapêuticos principais O efeito anti-inflamatório: ocorre pela redução da vasodilatação e do edema, decorrente da menor síntese de prostaglandinas inflamatórias. O efeito analgésico: resulta da diminuição da sensibilização das terminações nervosas periféricas a mediadores como bradicinina e serotonina. O efeito antipirético: ocorre porque, durante processos infecciosos ou inflamatórios, citocinas como a interleucina-1 estimulam a produção de PGE2 no hipotálamo, elevando o ponto de ajuste da temperatura corporal; ao inibir a COX, os AINEs reduzem a PGE2 e normalizam o set point térmico. Entretanto, o uso de AINEs também interfere em funções fisiológicas importantes dos eicosanoides: COX-1: Isoforma constitutiva, responsável pela produção de prostaglandinas envolvidas na proteção da mucosa gástrica, na manutenção do fluxo sanguíneo renal e na função plaquetária. ● Proteção gástrica ● Agregação plaquetária (TXA2) ● Perfusão renal COX-2: Induzida principalmente em processos inflamatórios e é a principal responsável pela produção de prostaglandinas inflamatórias. ● Produzida em processos inflamatórios ● Responsável por dor, febre e inflamação A inibição não seletiva dessas enzimas explica muitos dos efeitos adversos dos AINEs. Importante . Quando a produção de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica é reduzida, ocorre diminuição da secreção de muco e AINE's & Eicosanóides . bicarbonato e aumento da vulnerabilidade ao ácido, podendo levar a gastrite, úlceras e sangramento digestivo. Nos rins, as prostaglandinas promovem vasodilatação da arteríola aferente e ajudam a manter a taxa de filtração glomerular, especialmente em situações de hipovolemia ou insuficiência cardíaca; sua inibição pode causar redução da perfusão renal, retenção de sódio e água, edema e insuficiência renal aguda. No sistema cardiovascular, o desequilíbrio entre a redução da prostaciclina (antitrombótica) e a manutenção relativa do tromboxano pode favorecer eventos trombóticos, especialmente com os inibidores seletivos da COX-2. Quando evitar AINEs? ● Idoso frágil ● Doença renal ● Uso de anticoagulante ● História de úlcera ● Insuficiência cardíaca ● Terceiro trimestre da gestação (AINE no 3º trimestre pode causar fechamento precoce do ducto arterioso e Oligodrâmnio) Associação perigosa AINE + IECA + Diurético= “tríplice whammy” → insuficiência renal aguda Proteção gástrica Pacientes de risco: → associar IBP (omeprazol) Quando associar protetor gástrico? ● Idade > 60 anos ● História de úlcera ● Uso crônico ● Uso com anticoagulante ou corticoide . Estudo complementar . PARACETAMOL Mecanismo: Inibição da COX-3 no SNC. Efeito: ● Analgésico ● Antipirético Sem efeito anti-inflamatório relevante Hepatotoxicidade: ● Formação de NAPQI ● Saturação da conjugação ● Necrose hepática Doses tóxicas causam náuseas e vômitos e, decorridas 24-48h, ocorre lesão hepática potencialmente fatal por saturação das enzimas normais de conjugação, fazendo com que o fármaco seja convertido por oxidases de função mista em N-acetil-p benzoquinona-imina. Caso não seja inativado por conjugação com glutationa, este composto reage com proteínas celulares e mata a célula. DIPIRONA (METAMIZOL) Mecanismo: Depressão da atividade nociceptiva ● ↓ entrada de cálcio ● ↓ AMPc Efeitos: ● Analgésico ● Antipirético ● Sem atividade anti-inflamatória significativa. Efeitos adversos: ● Anafilaxia ● Agranulocitose Sua atividade analgésica, apesar de não ser completamente elucidada, é atribuída à depressão direta da atividade nociceptora; consegue diminuir o estado de hiperalgesia AINE's & Eicosanóides . persistente por meio do bloqueio da entrada de cálcio e da diminuição dos níveis de AMPc nas terminações nervosas. . Condições . Gota É uma artrite inflamatória causada por depósito de cristais de urato monossódico nas articulações, decorrente de hiperuricemia. Hiperuricemia: Ácido úrico aumenta no sangue e forma cristais nas articulações (principalmente 1ª metatarsofalângica podagra). Mas atenção: O problema não é o ácido úrico em si. O problema é a RESPOSTA INFLAMATÓRIA contra os cristais. Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) atuam inibindo a enzima COX (ciclooxigenase). Isso leva a: ● ↓ Prostaglandinas ● ↓ Vasodilatação ● ↓ Sensibilização de nociceptores ● ↓ Edema ● ↓ Dor Ou seja: Eles NÃO tratam a hiperuricemia. Eles tratam a inflamação causada pelos cristais FÁRMACOS DA GOTA ● ↓ síntese de ácido úrico: Alopurinol ● ↑ eliminação: Probenecida, Sulfimpirazona ● ↓ migração leucocitária: Colchicina ● AINEs e glicocorticoides: efeito anti-inflamatório Enxaqueca É entendida como um processo neuroinflamatório do sistema trigeminovascular. Fisiopatologia (simplificada): Ativação do sistema trigeminovascular → liberação de CGRP e outros neuropeptídeos → vasodilatação meníngea + inflamação neurogênica → produção de prostaglandinas (eicosanoides) → sensibilização dos nociceptores → dor pulsátil. As Prostaglandinas (derivadas do ácido araquidônico pela COX): ● Aumentam a inflamação ● Intensificam a vasodilatação ● Sensibilizam asterminações nervosas (aumentam a dor) Os AINEs na enxaqueca: Inibem a COX ● ↓ produção de prostaglandinas ● ↓ inflamação meníngea ● ↓ sensibilização da dor AINE's & Eicosanóides . Indicados nas crises leves a moderadas ou no início da crise. Tratamento da Crise Aguda: AINEs (ibuprofeno, naproxeno, AAS) Tratamento de crises leves a moderadas: Paracetamol Alternativa quando AINE é contraindicado: Metoclopramida ● Antagonista dopaminérgico (D2) ● Trata náuseas ● Acelera esvaziamento gástrico → melhora absorção do analgésico Triptanos (ex: sumatriptana) ● Agonistas 5-HT1B/1D ● Vasoconstrição dos vasos cranianos Tratamento específico da enxaqueca moderada a grave Contraindicados em doença coronariana e AVC prévio. Ergotamina ● Agonista serotoninérgico parcial ● Vasoconstrição prolongada Menos usada atualmente (mais efeitos adversos) Profilaxia (Prevenção) Indicada quando: ≥ 4 crises/mês, Crises incapacitantes e Uso excessivo de medicação aguda Objetivo: → Reduzir hiperexcitabilidade neuronal Betabloqueadores (propranolol, metoprolol) ● Moduladores centrais ● ↓ excitabilidade do sistema trigeminovascular Primeira linha na profilaxia Amitriptilina (antidepressivo tricíclico) ● ↑ serotonina e noradrenalina ● Modula vias descendentes de dor Útil se houver insônia ou depressão associada Antagonistas de cálcio (verapamil, flunarizina) ● Estabilizam membranas neuronais ● ↓ excitabilidade cortical Sinais clássicos da inflamação Mediadores químicos da inflamação São mediadores fisiológicos endógenos produzidos pelo próprio organismo a partir do ácido araquidônico, um ácido graxo poli-insaturado presente nos fosfolipídios da membrana celular. Eles incluem principalmente: ●Prostaglandinas (PGE2, PGI2, PGF2α e PGD2) ●Tromboxano A2 (TXA2) ●Leucotrienos ●Lipoxinas Essas substâncias desempenham papel fundamental na regulação de diversos processos fisiológicos e patológicos, participando da inflamação, da dor, da febre, da hemostasia, da regulação da função renal, da proteção da mucosa gástrica, da contração uterina e da modulação do tônus da musculatura brônquica. Dessa forma, os eicosanoides são moléculas sinalizadoras naturais do organismo e não medicamentos; eles fazem parte do sistema de comunicação celular que permite ao corpo responder a lesões, infecções e alterações homeostáticas. Formação dos eicosanoides . 1.Começa quando ocorre um estímulo inflamatório, traumático, imunológico ou químico que ativa a enzima fosfolipase A2 2.Essa enzima cliva os fosfolipídios da membrana celular, liberando o ácido araquidônico 3.A partir desse ponto, o ácido araquidônico pode seguir diferentes vias metabólicas: ●Pela via da ciclooxigenase (COX): são formadas as prostaglandinas e os tromboxanos ●Pela via da lipoxigenase (LOX): formam-se os leucotrienos. ●Além disso, podem ser produzidas lipoxinas, que têm papel regulador e anti-inflamatório, contribuindo para a resolução da resposta inflamatória. Esse sistema constitui a chamada cascata do ácido araquidônico, um dos principais eixos bioquímicos da inflamação. FUNÇÕES DAS PROSTAGLANDINAS As prostaglandinas exercem funções específicas conforme o subtipo. ●PGE2: É um dos principais mediadores da dor e da febre, além de participar da vasodilatação e do aumento da permeabilidade vascular ●Prostaciclina (PGI2): produzida principalmente pelo endotélio vascular, promove vasodilatação e inibe a agregação plaquetária, exercendo efeito antitrombótico. FUNÇÕES DOS TROMBOXANOS Tromboxano A2: Produzido pelas plaquetas, tem efeito oposto, promove vasoconstrição e estimula a agregação plaquetária, sendo importante na hemostasia. O equilíbrio entre PGI2 e TXA2 é essencial para a regulação do fluxo sanguíneo e da coagulação. FUNÇÕES DOS LEUCOTRIENOS Os leucotrienos estão mais relacionados à broncoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e recrutamento de células inflamatórias, tendo grande importância em doenças como asma e rinite alérgica. . Anti-inflamatórios não . . Esteroidais . Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) são medicamentos desenvolvidos para modular esse sistema fisiológico. Eles atuam principalmente inibindo a enzima ciclooxigenase, responsável pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas e tromboxanos. Ao bloquear a COX, os AINEs reduzem a produção desses mediadores, especialmente da PGE2 e da PGI2, o que resulta em diminuição da inflamação, da dor e da febre. Além disso, um dos efeitos adversos é a hipersensibilidade, alguns pacientes desenvolvem: Principais AINEs: Não seletivos (COX-1 e COX-2) Preferenciais COX-2 ÁCIDO ACETILSALICÍLICO (AAS) ●Inibição irreversível da COX. Nas plaquetas a acetilação é permanente, porque a plaqueta não possui núcleo e não consegue sintetizar nova enzima. O efeito dura toda a vida da plaqueta (7–10 dias). Isso explica por que mesmo doses baixas têm efeito antiplaquetário prolongado. Efeitos por dose ●Baixa dose (75–100 mg): Antiagregante plaquetário ●Dose média : Analgésico e antitérmico ●Dose alta: Anti-inflamatório Essa diferença ocorre porque a inibição plaquetária exige menor concentração do fármaco do que o efeito anti-inflamatório periférico. Indicações ●Prevenção de IAM ●AVC isquêmico ●Doença arterial coronariana Também pode ser usado em dor leve a moderada, febre e doenças inflamatórias, mas hoje costuma-se preferir outros AINEs para essas indicações devido ao perfil gastrointestinal. Efeitos adversos do AAS ●Sangramento ●Irritação gástrica ●Síndrome de Reye (em crianças com infecção viral) ●Salicilismo: Zumbido, Hiperventilação e Alcalose respiratória seguida de acidose metabólica Síndrome de Reye INIBIDORES SELETIVOS DA COX-2 ●Celecoxibe ●Etoricoxibe Vantagens: Menos lesão gástrica Desvantagens: Risco de Infarto, AVC e Eventos trombóticos Isso acontece porque eles reduzem a prostaciclina (PGI2), que é vasodilatadora e antiagregante, mas não reduzem o tromboxano A2 plaquetário (que depende da COX-1). Resultado: desequilíbrio pró-trombótico. CORTICOSTEROIDES Embora não sejam AINEs, são potentes anti-inflamatórios. Mecanismo 1.Inibem: Fosfolipase A2 → bloqueiam a formação de ácido araquidônico → reduzem prostaglandinas e leucotrienos 2.Reduzem citocinas inflamatórias 3.Suprimem o sistema imune Ou seja, eles atuam acima da COX, bloqueando toda a cascata do ácido araquidônico, inclusive a via dos leucotrienos. Exemplos ●Prednisona ●Prednisolona ●Dexametasona ●Hidrocortisona Uso prolongado: ●Síndrome de Cushing ●Hiperglicemia ●Osteoporose ●Imunossupressão ●Supressão adrenal Ponto clínico essencial: Nunca suspender corticoide abruptamente após uso prolongado, pois o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fica suprimido e pode ocorrer insuficiência adrenal aguda. Efeitos terapêuticos principais O efeito anti-inflamatório: ocorre pela redução da vasodilatação e do edema, decorrente da menor síntese de prostaglandinas inflamatórias. O efeito analgésico: resulta da diminuição da sensibilização das terminações nervosas periféricas a mediadores como bradicinina e serotonina. O efeito antipirético: ocorre porque, durante processos infecciosos ou inflamatórios, citocinas como a interleucina-1 estimulam a produção de PGE2 no hipotálamo, elevando o ponto de ajuste da temperatura corporal; ao inibir a COX, os AINEs reduzem a PGE2 e normalizam o set point térmico. Entretanto, o uso de AINEs também interfere em funções fisiológicas importantes dos eicosanoides: COX-1: Isoforma constitutiva, responsável pela produção de prostaglandinas envolvidas na proteção da mucosa gástrica, na manutenção do fluxo sanguíneo renal e na funçãoplaquetária. COX-2: Induzida principalmente em processos inflamatórios e é a principal responsável pela produção de prostaglandinas inflamatórias. A inibição não seletiva dessas enzimas explica muitos dos efeitos adversos dos AINEs. Quando a produção de prostaglandinas protetoras da mucosa gástrica é reduzida, ocorre diminuição da secreção de muco e bicarbonato e aumento da vulnerabilidade ao ácido, podendo levar a gastrite, úlceras e sangramento digestivo. Nos rins, as prostaglandinas promovem vasodilatação da arteríola aferente e ajudam a manter a taxa de filtração glomerular, especialmente em situações de hipovolemia ou insuficiência cardíaca; sua inibição pode causar redução da perfusão renal, retenção de sódio e água, edema e insuficiência renal aguda. No sistema cardiovascular, o desequilíbrio entre a redução da prostaciclina (antitrombótica) e a manutenção relativa do tromboxano pode favorecer eventos trombóticos, especialmente com os inibidores seletivos da COX-2. Quando evitar AINEs? Associação perigosa Proteção gástrica