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15/08/2023 Polímeros – Parte 2 Profa Dra Giovana de Fátima Menegotto Polímeros Revisando... o O que são Polímeros? Materiais orgânicos ou inorgânicos, naturais ou sintéticos, de alto peso molecular, cuja estrutura molecular consiste na repetição de pequenas unidades, chamadas meros, que compõem as macromoléculas. Por isso o nome poli (muitos) + mero. o Como são produzidos? A matéria prima que dá origem ao polímero chama-se monômero. No caso do polietileno (PE) é o etileno. A molécula inicial (monômero) vai, sucessivamente, se unindo a outras até chegar ao polímero A reação que produz o polímero é chamada Reação de Polimerização. ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 1 2 15/08/2023 Polímeros Revisando... Como as moléculas poliméricas podem ser classificadas? Tamanho molecular peso molecular e grau de polimerização. Forma molecular grau de torção, flexão e dobra da cadeia. Estrutura molecularmaneira na qual as unidades de estrutura são juntadas entre si Estruturas lineares, ramificadas, com ligações cruzadas, em rede, e em adição a várias configurações isoméricas ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Cristalização, fusão e transição vítrea oAs propriedades mecânicas dos polímeros são sensíveis as mudanças de temperatura oAlterações na propriedades físicas e mecânicas acompanham a cristalização, fusão e transição vítrea Para os Polímeros semicristalinos as ◦ regiões cristalinas fusão e cristalização ◦ regiões amorfas transição vítrea Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 3 4 15/08/2023 Cristalização Etapas ◦ nucleação e crescimento Resfriamento através da temperatura de fusão: ◦ formação de núcleos nos pontos onde pequenas regiões das moléculas embaraçadas e aleatórias se tornam ordenadas e alinhadas, na forma de cadeias dobradas Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Fusão (Tf) Transformação de um material sólido, contendo uma estrutura ordenada de cadeias alinhadas, em um líquido viscoso ◦ estrutura aleatória ◦ aquecimento, na temperatura de fusão Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 5 6 15/08/2023 Transição Vítrea (Tg) oPolímeros amorfos e semicristalinos o redução no movimento de grandes segmentos de cadeias moleculares pela diminuição da temperatura oCom resfriamento, a transição vítrea corresponde a transição gradual de um líquido em um material com características de borracha e, finalmente, em um sólido rígido oEssa sequência de eventos ocorre na ordem inversa quando um polímero rígido a uma temperatura inferior a Tg é aquecido Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Temperatura de Fusão e de Transição Vítrea Temperaturas determinadas a partir de um gráfico de ◦ volume específico (inverso da densidade) versus temperatura A curva A é para um polímero amorfo A curva C é para um polímero cristalino A curva B para um polímero semi-cristalino Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 7 8 15/08/2023 Temperatura de Fusão e de Transição Vítrea Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Exemplo 1 Escolha entre os seguintes polímeros aquele(s) que seria(m) indicado(s) para fabricação de copos de café. 9 10 15/08/2023 Fatores que influenciam nas temperaturas de fusão Rigidez da cadeia ◦ controlada pela facilidade com que ocorre a rotação ao redor das ligações químicas ao longo da cadeia Ligações duplas, grupos aromáticos = ◦ ↓ flexibilidade da cadeia e ↑ Tf Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Fatores que influenciam nas temperaturas de fusão Grupos laterais volumosos ou grandes restringem a rotação molecular e ↑ Tf ◦ Tf do PP > Tf do PE, 175oC e 115oC, respectivamente Grupos laterais polares (Cl, OH e CN) forças intermoleculares e ↑ Tf ◦ Tf do PVC > Tf do PP, 212oC e 175oC, respectivamente Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 11 12 15/08/2023 Fatores que influenciam nas temperaturas de fusão ↑ PM ↑ Tf oFusão de um polímero = faixa de temperaturas oCada polímero = moléculas que possuem uma variedade de PM Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Exemplo 2 Para cada um dos seguintes pares de polímeros, faça o seguinte: (1). Diga se é possível ou não estabelecer se um polímero apresenta maior temperatura de fusão do que o outro; (2). Se isso for possível, diga qual apresenta maior Tfusão e cite as razões para sua escolha. a) PS (poliestireno) isotático com densidade de 1,12g/cm3 e peso molecular numérico de 150.000g/mol; e PS sindiotático com densidade de 1,10g/cm3 e com peso molecular numérico de 125.000g/mol. b) PE (polietileno) linear com grau de polimerização numérico de 5000; PP (polipropileno) linear e com grau de polimerização numérico de 6500. 13 14 15/08/2023 Fatores que Influenciam na Temperatura de Transição Vítrea Presença de grupos laterais volumosos ◦ PP tem Tg de -18oC e PS Tg de 100ºC Átomos laterais polares ou grupos de átomos ◦ PVC tem Tg de 87oC e PP Tg de -18ºC Ligações duplas e grupos aromáticos na cadeias ◦ Tendem a enrijecer a cadeia molecular principal ↑PM ↑Tg Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Fatores que Influenciam na Temperatura de Transição Vítrea ↑ ramificações ↓ mobilidade da cadeia ↑Tg Ligações cruzadas ↑Tg ◦ ligações cruzadas restringem o movimento molecular Normalmente, o valor de Tg está situado aproximadamente entre 0,5 e 0,8 Tf (Kelvin) Polímeros ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 15 16 15/08/2023 Exemplo 3 Para cada um dos seguintes pares de polímeros, faça o seguinte: (1). Diga se é possível ou não estabelecer se um polímero apresenta maior temperatura de transição vítrea (Tg) do que o outro; (2). Se isso for possível, diga qual apresenta maior Tg e cite as razões para sua escolha. (a) PP isotático com peso molecular numérico de 100.000g/mol; e PS sindiotático com peso molecular numérico de 125.000g/mol. (b) PVC linear com grau de polimerização numérico de 6500; PP linear e com grau de polimerização numérico de 5000. Polímeros Polímeros Termoplásticos ◦ Tornam-se moles e deformáveis sob aquecimento – (polímeros lineares e ramificados). Mas quando resfriados voltam a sua condição rígida e dura. ◦ A plasticidade em altas temperaturas é devido a capacidade das cadeias deslizarem uma sob as outras. ◦ Comportamento mecânico similar aos dos metais, mas em temperaturas mais baixas na faixa de 110 - 175 oC. Os polímeros de engenharia fundem e amolecem na faixa de 150 – 175oC. ◦ Precisam esfriar para serem desenformados. ◦ Ex.: Polietileno (PE), polipropileno (PP), poli(tereftalato de etileno) (PET), policarbonato (PC), poliestireno (PS), poli(cloreto de vinila) (PVC), poli(metilmetacrilato) (PMMA)... ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 17 18 15/08/2023 Polímeros Termofixos ou termorrígidos ◦ Tornam-se duros e rígidos sob aquecimento – polímeros tridimensionais). ◦ A não plasticidade em altas temperaturas é devido a presença de cadeias cruzadas entre cadeias as principais. ◦ Após resfriamento o polímero mantém essas propriedades ◦ Podem ser desenformados à quente ◦ Não são recicláveis ◦ Ex.: Baquelite, usada em tomadas e no embutimento de amostras metalográficas; poliéster usado em carrocerias, caixas d'água, piscinas, etc., na forma de plástico reforçado (fiberglass). ENGENHARIA MECÂNICAUFPR Polímeros Viscoelasticidade em Polímeros Um polímero amorfo pode se comportar como: ◦ vidro em baixas temperaturas, ◦ sólido tipo borracha em temperaturas intermediárias (acima de Tg) ◦ líquido viscoso em temperatura mais elevada ainda - Baixas temperaturas + deformações pequenas comportamento elástico (lei de Hooke) s = E . e - Alta temperatura comportamento viscoso ou tipo líquido - Temperaturas intermediárias combinação destes 2 extremos viscoelasticidade 19 20 15/08/2023 Polímeros - Comportamento elástico Deformação elástica = instantânea ◦ independente do tempo Após o alívio da tensão externa dimensões originais (Fig. b) - Comportamento viscoso Totalmente viscoso deformação depende do tempo Não é reversível ou completamente recuperável após a tensão ter sido aliviada (Fig. c) - Comportamento Viscoelástico Viscoelásticointermediário deformação instantânea + deformação viscosa, dependente do tempo (Fig. d) (a) (b) (c) (d) Carga x tempo Deformação x tempo Polímeros Exemplo de extremos Viscoelásticos oEx.: Silicone oSe enrolado como uma bola pula elasticamente o a taxa de deformação durante o pulo é muito rápida oSe puxado em tração viscoso oPara este e muitos polímeros a taxa de deformação determina se a deformação é elástica ou viscosa 21 22 15/08/2023 Polímeros Módulo de Relaxação Viscoelástica - Comportamento viscoelástico dependente do tempo + temperatura - Testes de relaxação de tensão medem este comportamento ◦ Amostra é deformada rapidamente em tração ◦ Tensão necessária para manter esta deformação medida em função do tempo à Temperatura constante - ↓ Tensão com o tempo relaxação molecular - Módulo de relaxação Er(t) = s (t) / o ◦ s(t) = tensão dependente do tempo ◦ o = nível de deformação Polímeros Módulo de Relaxação Viscoelástica ◦ ↓ Er(t) ↑ Tempo ◦ ↓ Er(t) ↑ Temperatura 23 24 15/08/2023 Polímeros Módulo de Relaxação Viscoelástica Poliestireno amorfo Er(t) x T t1 (10s após a aplicação da carga) Polímeros Módulo de Relaxação Viscoelástica ◦ Região 1: Baixa T (região vítrea) rígido e frágil cadeias moleculares congeladas na sua posição ◦ Região 2: ↑ T, ↓ Er(10) abruptamente ◦ Transição vítrea, PS Tg = 100oC. ◦ vibrações atômicas moléculas começam a experimentar movimentos de cadeia coordenados (a) (b) (c) 1 2 3 4 5 25 26 15/08/2023 Polímeros Região 3: Patamar elastomérico borracha ◦ elástica e viscosa deformação fácil baixo Er Regiões 4 : Escoamento elastomérico Região 5: Escoamento viscoso. ◦ transição borracha macia para líquido viscoso ◦ ↓ Er acentuadamente com ↑ T ◦ Cadeias experimentam movimentos de vibração e rotação (a) (b) (c) 1 2 3 4 5 Polímeros Módulo de Relaxação Viscoelástica ◦ Curva C PS amorfo ◦ Curva B PS atático com ligações X patamar até a T na qual o polímero se decompõe ◦ Curva A PS isotático cristalino Er(10) diminui pouco em Tg Er(10) mantido num valor relativamente alto com o aumento da temperatura até Tfusão Tfusão = 240oC 27 28 15/08/2023 Polímeros Fluência Viscoelástica Deformação dependente do tempo e em tensão constante ◦ Ex.: pneus de automóvel Testes de fluência ◦ tensão aplicada instantaneamente e mantida constante, enquanto a deformação é medida com o tempo ◦ T = constante Módulo de fluência Ef(t) = so / (t) ◦ s o = tensão constante aplicada ◦ (t) = deformação dependente do tempo • ↑ T ↓ Ef ↑ grau de cristalinidade ↑ Ef(t) Polímeros Deformação de elastômeros Força motriz para deformação elástica entropia ◦ ↑ desordem ↑entropia Tensionado cadeias se tornam + alinhadas sistema se torna mais ordenado A entropia aumenta se as cadeias retornarem aos contornos retorcidos e enrolados originais 29 30 15/08/2023 Polímeros Deformação de elastômeros Critérios para que o polímero seja elastomérico: (1) amorfos (2) rotações de cadeia devem ser relativamente livres (3) deformações elásticas grandes início da deformação plástica retardado ligações cruzadas realiza este objetivo pontos de âncora entre as cadeias e previnem a ocorrência de deslizamento de cadeia. (4) estar acima da sua temperatura de transição vítrea. Muitos elastômeros comuns Tg entre -50 e -90oC. Abaixo da sua temperatura de transição vítrea, um elastômero se torna frágil Polímeros Fratura de Polímeros Termoplásticos fratura dúctil ou fratura frágil muitos experimentam a transição dúctil-frágil ◦ ↓ T frágeis ◦ ↑ T dúcteis Fatores que favorecem a fratura frágil: - redução da temperatura - aumento da taxa de deformação - presença de entalhe - modificação da estrutura do polímero Gráfico tensão-deformação para o polimetilmetacrilato 31 32 15/08/2023 Polímeros Fratura de Polímeros Termofixos ◦ fratura frágil ◦ formação de trincas ocorre nos concentradores de tensão (riscos, entalhes) ◦ Ligações covalentes e cruzadas rompidas na fratura dos polímeros Polímeros Processo de Fratura em Polímeros 1. Formação e crescimento da microfissura 2. Nucleação de uma trinca no interior da microfissura 3. Propagação da trinca em baixa velocidade 4. Fratura final ◦ Microfissura (Craze) ◦ Microfissuramento (Crazing) ◦ Primeiro estágio do processo de fratura de polímeros 33 34 15/08/2023 Polímeros Processo de Fratura em Polímeros Termoplásticos fendilhamento ou formação de pequenas trincas (microfissuras ou pequenos microvazios interligados) Pontes fibrilhares aparecem entre as microfissuras tendo as cadeias moleculares orientadas (Fig. a) Cargas altas pontes alongam e quebram as microfissuras crescem e coalesçam formação de trincas (Fig. b) (a) (b) Processo de Fratura em Polímeros - Fendilhamento suporta uma carga maior tenacidade - Trinca não suporta carga Os fendilhamentos se formam em: ◦ riscos, falhas e heterogeneidades moleculares; ◦ se propagam perpendicularmente à tensão de tração aplicada, e possuem tipicamente 5μm ou menos de espessura Polímeros 35 36 15/08/2023 Referências oCALLISTER, W.D. Jr. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. 5ª. ed. São Paulo: ITC, 2002. oASKELAND, D. R. Ciência e Engenharia dos Materiais. São Paulo: CENGAGE Learning, 2008. oW. F. SMITH e J. HASHEM, Fundamentos de Engenharia e Ciência dos Materiais, 2010 oVAN VLACK, L. H. Princípios de Ciências e Tecnologia dos Materiais. Rio de Janeiro: Campus, 1988 oJAMES F. SHACKELFORD, Ciência dos Materiais, 2008 ohttps://afinkopolimeros.com.br/polimero-cristalino-o-que-e-saiba-ja/ oSPERLING, L. Introduction to physical polymer science . 4ª. ed. Estados Unidos: Wiley, 2006. ENGENHARIA MECÂNICAUFPR 37