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1 Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 2 Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com Direitos Autorais: Este material é de uso exclusivo do aluno, sendo vedada a distribuição, a cópia, a reprodução e a comercialização a terceiros, em quaisquer formas ou por quaisquer meios, sob pena de responsabilização civil e criminal. As questões contidas neste e-book em PDF são atos o昀椀ciais, não são protegidas como Direitos Autorais, segundo o artigo 8º, IV, da Lei 9.610/1998. Os comentários das questões são de responsabilidade da autora. 25-295947.0 CDU-347.965.8(81)(076.1) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Justi, Melissa 197 questões mais cobradas pela FGV para a OAB [livro eletrônico] / Melissa Justi. -- 2. ed. -- Capão da Canoa, RS : Melissa Silveira Justi Pontes, 2025. PDF ISBN 978-65-01-65485-0 1. Ordem dos Advogados do Brasil - Exames de Ordem 2. Direito - Exames, questões etc. I. Título. Índices para catálogo sistemático: 1. Ordem dos Advogados do Brasil : Exames de Ordem 347.965.8(81)(076.1) Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964 Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 5 A G R A D E C I M E N T O S AGRADECI MENTOS Agradeço a Deus, por ter me dado este propósito de vida que tanto amo: espalhar meu conhecimento sobre a prova da OAB de uma forma didática, assertiva e leve aos meus alunos, a 昀椀m de que vençam essa etapa. Aos meus pais, Silvia e Jaime, que 昀椀zeram o melhor para me proporcionar um estudo de qualidade, que sempre me apoiaram e acreditaram no meu potencial. À minha avó Vanira, que sempre acreditou em mim e fez parte da minha aprovação no Exame de Ordem XXI. Ao meu amor, Lucas, que sempre me encorajou, esteve ao meu lado e acreditou no sonho da concretização do Escaneando OAB. Aos meus alunos, que valorizam o meu trabalho e con昀椀am em mim. Vocês são a minha motivação diária e sempre farei o que for necessário para ver a alegria da aprovação estampada no rosto de vocês. 5 Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 6 APRESENTAÇÃO Profª Melissa Justi Instagram: @escaneandooab www.escaneandooab.com.br Este e-book contém questões muito cobradas pela banca Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a prova da 1ª fase da OAB. Após minuciosa análise de provas elaboradas pela FGV, foram selecionadas 197 (cento e noventa e sete) questões mais cobradas pela banca, com temas, artigos e súmulas que se repetem ao longo dos anos. As questões foram distribuídas entre as 10 (dez) disciplinas que pontuam muito na prova: Ética, Constitucional, Administrativo, Civil, Processo Civil, Penal, Processo Penal, Trabalho, Processo do Trabalho e Tributário. Assim, você terá um estudo muito mais assertivo, resolvendo questões certeiras para a prova. Para garantir excelência e elevar o seu nível de preparação, forma incluídas questões de concursos públicos da banca. Além disso, em diversos gabaritos comentados há tabelas didáticas de conteúdo, macetes e “pegadinhas” para uma e昀椀ciente memorização. Desse modo, você potencializará muito mais os seus resultados para a prova. Tenho certeza que esse material será um grande diferencial na sua preparação! Conte comigo. Não esqueça de acompanhar todo o conteúdo gratuito e valioso que passo no meu Instagram: @escaneandooab. Juntos venceremos a banca FGV! Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 7 SUMÁRIO ÉTICA PROFISSIONAL ................................................................... 8 GABARITO COMENTADO............................................................. 17 DIREITO CONSTITUCIONAL ........................................................26 GABARITO COMENTADO ............................................................ 36 DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................ 45 GABARITO COMENTADO ............................................................ 55 DIREITO CIVIL ............................................................................... 63 GABARITO COMENTADO ............................................................ 72 PROCESSO CIVIL ........................................................................... 81 GABARITO COMENTADO ............................................................ 91 DIREITO PENAL ............................................................................ 102 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................ 193 GABARITO COMENTADO ............................................................ 111 PROCESSO PENAL ........................................................................ 122 GABARITO COMENTADO ............................................................ 132 DIREITO DO TRABALHO ............................................................. 139 GABARITO COMENTADO ............................................................ 149 PROCESSO DO TRABALHO ......................................................... 158 GABARITO COMENTADO ............................................................ 167 DIREITO TRIBUTÁRIO .................................................................. 174 GABARITO COMENTADO ............................................................ 183 (BÔNUS) CRONOGRAMA DE ESTUDOS .................................... 195 Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 8 QUESTÕES DE ÉTICA PROFISSIONAL QUESTÃO 1 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA (OAB/Exame XLIII - 2025 - FGV) Afonso, condenado por trá昀椀co de drogas, cumpre pena dividindo cela com Rodrigo, preso preventivamente há mais de dois anos, sem que a instrução do processo por roubo a que responde tenha sido concluída. Indignado com a situação de Rodrigo, Afonso, que não tem formação jurídica, mas sempre foi habilidoso com a escrita, decide redigir um pedido de habeas corpus em folha de caderno, à mão, em favor de seu companheiro de cela. Considerando o disposto no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (EOAB), assinale a a昀椀rmativa correta. A) A impetração de habeas corpus é atividade privativa de advogado regularmente inscrito na OAB, não podendo ser realizada por um leigo, ainda que em defesa de direitos fundamentais. B) Afonso poderá redigir e impetrar o habeas corpus em favor de Rodrigo, pois a impetração desse remédio constitucional não está incluída entre as atividades privativas da advocacia. C) Afonso somente poderia impetrar o habeas corpus se comprovasse que não havia advogado disponível para atuar no caso de Rodrigo. D) A impetração de habeas corpus é vedada para leigos quando se trata de crimes graves, como roubo, exigindo obrigatoriamente a atuação de advogado. QUESTÃO 2 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA (OAB/Exame XXXII – 2021 – FGV) O advogado Filipe, em razão de sua notoriedade na atuação em defesa das minorias, foi procurado por representantes de certa pessoa jurídica X, que solicitaram sua atuação pro bono em favor da referida pessoa jurídica, em determinados processos judiciais. De acordo com o Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a opção que apresenta a resposta que deve ser dada por Filipe a tal consulta. A) A) É vedada a atuação pro bono em favor de pessoas jurídicas, embora seja possível a defesa das pessoas físicas que sejamgovernador do estado X, casa-se com Mariana, deputada federal eleita pelo estado Y, a qual já possuía uma 昀椀lha chamada Letícia, advinda de outro relacionamento pretérito. Na vigência do vínculo conjugal, enquanto Juliano e Mariana estão no exercício de seus mandatos, Letícia manifesta interesse em também ingressar na vida política, candidatando-se ao cargo de deputada estadual, cujas eleições estão marcadas para o mesmo ano em que completa 23 (vinte e três) anos de idade. A partir das informações fornecidas e com base no texto constitucional, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Letícia preenche a idade mínima para concorrer ao cargo de deputada estadual, mas não poderá concorrer no estado X, por expressa vedação constitucional, enquanto durar o mandato de Juliano. B) Uma vez que Letícia está ligada a Juliano, seu padrasto, por laços de mera a昀椀nidade, inexiste vedação constitucional para que concorra ao cargo de deputada estadual no estado X. C) Letícia não poderá concorrer por não ter atingido a idade mínima exigida pela Constituição como condição de elegibilidade para o exercício do mandato de deputada estadual. D) Letícia não poderá concorrer nos estados X e Y, uma vez que a Constituição dispõe sobre a inelegibilidade re昀氀exa ou indireta para os parentes consanguíneos ou a昀椀ns até o 2º grau nos territórios de jurisdição dos titulares de mandato eletivo. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 32 QUESTÃO 13 – ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (OAB/Exame XXXIX – 2023 – FGV) O Governador do Estado Alfa, recém-empossado, apresentou projeto de lei à Assembleia Legislativa no qual propôs políticas de proteção especí昀椀cas, direcionadas às pessoas com de昀椀ciência no âmbito do seu Estado, visto ser esta uma de suas pautas durante a campanha eleitoral. Com base na situação hipotética narrada e no sistema jurídico-constitucional brasileiro, em relação ao projeto de lei, assinale a opção correta. A) A competência para legislar sobre a proteção das pessoas com de昀椀ciência é matéria de interesse local, de competência dos Municípios. B) Os Estados podem legislar concorrentemente com a União sobre a matéria. C) À União compete, privativamente, legislar sobre a proteção das pessoas com de昀椀ciência. D) O projeto de lei está de acordo com a CRFB/88, visto que trata de matéria que o texto constitucional dispõe, expressamente, ser afeta à competência residual dos Estados. QUESTÃO 14 – ORGANIZAÇÃO DO ESTADO (OAB/Exame XXXV – 2022 – FGV) Um agente público federal, em entrevista a jornal de grande circulação, expressou sua insatisfação com o baixo índice de desenvolvimento econômico e social de aproximadamente 25 por cento do amplo território ocupado pelo Estado Alfa, mais precisamente da parte sul do Estado. Por entender que a autoridade estadual não possui os recursos necessários para implementar políticas que desenvolvam essa região, a昀椀rma que faz parte da agenda do governo federal transformar a referida área em território federal. O Governador de Alfa, preocupado com o teor do pronunciamento, solicita que os procuradores do Estado informem se tal medida é possível, segundos os parâmetros estabelecidos na Constituição Federal de 1988. O corpo jurídico, então, responde que A) embora na atual con昀椀guração da República Federativa do Brasil não conste nenhum território federal, caso venha a ser criado, constituirá um ente dotado de autonomia política plena. B) embora não exista território federal na atual con昀椀guração da República Federativa do Brasil, a Constituição Federal de 1988 prevê, expressamente, a possibilidade de sua criação. C) em respeito ao princípio da autonomia estadual, somente seria possível a criação de território pelo Governador de Alfa, a quem caberia a responsabilidade pela gestão. D) ainda que o Brasil já tenha tido territórios federais, a Constituição Federal não prevê tal modalidade, o que afasta a possibilidade de sua criação. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 33 QUESTÃO 15 – PODER LEGISLATIVO (OAB/Exame XXXVIII – 2023 – FGV) José foi eleito deputado estadual por determinado Estado da Federação. Uma semana após a sua posse e fora do recinto da Assembleia Legislativa do seu respectivo Estado, o deputado encontra João, candidato não eleito e seu principal opositor durante a campanha eleitoral, vindo a agredi-lo, causando-lhe lesões corporais gravíssimas, cuja persecução em juízo é iniciada mediante denúncia oferecida pelo Ministério Público. Diante de tal contexto, levando em consideração as imunidades do parlamentar estadual, de acordo com o Direito Constitucional brasileiro, assinale a opção correta. A) Em relação à imunidade formal de processo, recebida a denúncia oferecida contra o deputado estadual José, por crime cometido após a posse, a Casa legislativa a que pertence o parlamentar denunciado poderá apenas sustar a tramitação da ação penal. B) Por gozar da mesma imunidade material (inviolabilidade parlamentar) de deputados federais e senadores, o deputado estadual José não poderá ser responsabilizado por qualquer tipo de crime praticado durante o seu mandato eletivo. C) Em relação à imunidade formal de processo, o deputado estadual José está sujeito a julgamento judicial pelo crime comum cometido, desde que a análise da denúncia oferecida contra ele seja autorizada pela respectiva casa legislativa. D) Por não possuir as mesmas imunidades formais de deputados federais e senadores, mas apenas a imunidade material relativa aos atos praticados em razão do seu mandato, o deputado estadual José será julgado pelo crime comum cometido, não sendo possível que seja sustada a tramitação da ação penal. QUESTÃO 16 – PROCESSO LEGISLATIVO (OAB/Exame XXV – 2018 – FGV) Por entender que o voto é um direito, e não um dever, um terço dos membros da Câmara dos Deputados articula proposição de emenda à Constituição de 1988, no sentido de tornar facultativo a todos os cidadãos o voto nas eleições a serem realizadas no país. Sabendo que a proposta gerará grande polêmica, o grupo de parlamentares resolve consultar um advogado especialista na matéria. De acordo com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, assinale a opção que indica a orientação correta a ser dada pelo advogado. A) Não é possível sua supressão por meio de Emenda Constitucional, porque o voto obrigatório é considerado cláusula pétrea da Constituição da República, de 1988. B) Não há óbice para que venha a ser objeto de alteração por via de Emenda Constitucional, embora o voto obrigatório tenha estatura constitucional. C) Para que a proposta de Emenda Constitucional seja analisada pelo Congresso Nacional, é necessária manifestação de um terço de ambas as Casas. D) A emenda, sendo aprovada pelo Congresso Nacional, somente será promulgada após a devida sanção presidencial. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 34 QUESTÃO 17 – PROCESSO LEGISLATIVO (OAB/Exame XXVIII – 2019 – FGV) Ante o iminente vencimento do prazo para adimplemento de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil perante o Fundo Monetário Internacional, bem como diante da grave crise econômica enfrentada pelo Estado, o Presidente da República, no regular exercício do mandato, edita a Medida Provisória X. A medida dispõe sobre a possibilidade de detenção e sequestro, pelo governo federal, de bens imóveis com área superior a 250 m² situados em zonas urbanas, desde que não se trate de bem de família e que o imóvel esteja desocupado há mais de dois anos. Sobre a Medida Provisória X, com base na CRFB/88, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É inconstitucional, uma vez que a Constituição Federal de 1988 veda, expressamente, que tal espécie normativa disponha sobre matéria que vise a detenção ou o sequestro de bens. B) É inconstitucional, pois trata de matéria já regulamentada pelo legislador ordinário, qual seja, a possibilidade de desapropriaçãode bens imóveis urbanos por necessidade ou utilidade pública. C) Ela não se revela adequada ao cumprimento do requisito de urgência porque só produzirá efeitos no exercício 昀椀nanceiro seguinte, caso venha a ser convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. D) É constitucional, pois foram respeitados os requisitos de relevância e urgência, desde que seja submetida de imediato ao Congresso Nacional, perdendo e昀椀cácia se não for convertida em lei no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável uma única vez por igual período. QUESTÃO 18 – DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS (OAB/Exame XL – 2024 – FGV) Depois da ocorrência de calamidade de grandes proporções, em razão de enchentes causadas por chuvas intensas e de longa duração e com efeitos devastadores, e, além disso, classi昀椀cada como “sem precedentes”, o Presidente da República vislumbra a possibilidade de decretação de estado de defesa para combater o quadro caótico no qual se encontram algumas cidades de uma determinada região do país. Depois de visitar o local, ele tem dúvidas acerca do prazo de duração da medida e, por isso, submete a proposta à apreciação de sua assessoria jurídica. Assinale a a昀椀rmativa que, em consonância com o sistema jurídico-constitucional brasileiro, deve ser adotada. a) O Presidente da República tem poder discricionário para de昀椀nir o prazo de duração, desde que haja aprovação prévia do Congresso Nacional. b) O tempo de duração não será superior a 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justi昀椀cam a sua decretação. c) O tempo para a superação da crise que deu origem à decretação pelo Presidente da República não pode ultrapassar uma sessão legislativa. d) O tempo de duração será de昀椀nido discricionariamente, em respeito ao princípio da separação de poderes, pelo Congresso Nacional. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 35 QUESTÃO 19 – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE (FGV/2018 – TJ-AL – Analista Judiciário) O Governador do Estado Alfa, ao tomar conhecimento de que o Supremo Tribunal Federal declarara a inconstitucionalidade da Lei X do referido Estado, decidiu ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade contra leis semelhantes, de outros Estados da federação, de teor praticamente idêntico, embora não tivessem qualquer correlação com o Estado Alfa. As ações foram ajuizadas perante o Supremo Tribunal Federal. À luz da sistemática constitucional, o Governador do Estado Alfa: A) não tem legitimidade para ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal; B) tem legitimidade universal para ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal; C) deveria demonstrar a relevância da matéria para o Estado Alfa para que sua legitimidade fosse reconhecida; D) somente tem legitimidade para ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade contra leis do Estado Alfa; E) deveria ter sido autorizado pela Assembleia Legislativa do Estado Alfa a ajuizar as ações diretas. QUESTÃO 20 – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE (OAB/Exame XXXVII – 2023 – FGV) Determinada lei federal de 2020 gerou intensa controvérsia em vários órgãos do Poder Judiciário, bem como suscitou severas críticas de importantes juristas que questionaram a constitucionalidade de diversos dos seus dispositivos. A昀椀nal, cerca de metade dos juízes e tribunais do País inclinou-se por sua inconstitucionalidade. A existência de pronunciamentos judiciais antagônicos vem gerando grande insegurança jurídica no País, daí a preocupação de um legitimado à de昀氀agração do controle concentrado de constitucionalidade em estabelecer uma orientação homogênea na matéria regulada pela lei federal em tela, sem, entretanto, retirá-la do mundo jurídico. Sem saber como proceder para afastar a incerteza jurídica a partir da mitigação de decisões judiciais con昀氀itantes, esse legitimado solicitou que você, como advogado(a), se manifestasse. Assinale a opção que indica a ação cabível para atingir esse objetivo. A) Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI). B) Representação de Inconstitucionalidade (RI). C) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). D) Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 36 GABARITO COMENTADO DIREITO CONSTITUCIONAL QUESTÃO 1 – DIREITOS INDIVIDUAIS Gabarito: “C”. O gabarito correto é a alternativa C, pois a Constituição Federal, em seu art. 5.º, XI, assegura a inviolabilidade do domicílio, mas admite exceções, entre elas o ingresso em caso de desastre ou para prestar socorro, situações que não dependem de consentimento do morador nem de ordem judicial, podendo ocorrer em qualquer horário. No caso narrado, havia risco iminente de desabamento e os bombeiros agiram para salvar vidas, enquadrando-se exatamente na hipótese constitucionalmente autorizada, sem gerar responsabilidade civil do ente federativo. As demais alternativas estão incorretas porque: a letra A erra ao a昀椀rmar que o socorro só poderia ocorrer de dia, confundindo a regra do mandado judicial, que exige execução diurna, com as exceções constitucionais (desastre/socorro). A letra B incorre em erro ao sustentar que o consentimento do morador seria indispensável, pois justamente nessas hipóteses excepcionais a autorização não é exigida. Já a letra D erra ao restringir a dispensa de consentimento apenas à ordem judicial, ignorando que a própria Constituição autoriza a entrada em situações emergenciais, como a descrita no enunciado. QUESTÃO 2 – DIREITOS INDIVIDUAIS Gabarito: “B”. A alternativa correta é a letra B. A requisição administrativa é uma forma de intervenção do Estado na propriedade privada em situações de iminente perigo público, autorizada pelo art. 5º, XXV, da Constituição Federal. Nesses casos, a autoridade competente pode utilizar bens Ingresso na casa (conceito amplo) pode acontecer COM o consentimento do morador Ingresso na casa (conceito amplo) pode acontecer SEM o consentimento do morador, nos casos de: - Desastre; prestação de socorro; 昀氀agrante delito (a qualquer hora) - Ordem judicial (durante o dia) ATENÇÃO! “Constitui delito de abuso de autoridade cumprir mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h ou antes das 5h.” (FGV/2021 – TCE-RO – Técnico Judiciário) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 37 QUESTÃO 3 – DIREITOS INDIVIDUAIS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 5º, VII, CF: “é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva” (grifo nosso). Desse modo, o hospital, ainda que adote orientação religiosa diferente do paciente, não poderá lhe negar a assistência espiritual solicitada, pois a Constituição Federal assegura o direito à liberdade de crença e religião. QUESTÃO 4 – PODER CONSTITUINTE Gabarito: “C”. O Preâmbulo da Constituição do Estado Alfa descreve a elaboração de sua Constituição Estadual, o que con昀椀gura o exercício do poder constituinte derivado decorrente. Esse tipo de poder é concedido pela Constituição Federal (art. 25) aos estados-membros, permitindo-lhes criar suas próprias constituições, desde que respeitem os princípios e normas estabelecidos pela Constituição Federal. Assim, trata-se de um poder limitado e subordinado, diferentemente do poder constituinte originário, que é autônomo e cria uma nova ordem jurídica. Ademais, a letra A está errada porque o poder constituinte originário só ocorre na criação de uma nova Constituição nacional, rompendo com a ordem anterior, o que não é o caso. A letra B está incorreta, pois o poder constituinte derivado difuso refere-se à mutação constitucional, que modi昀椀ca o sentido de normas sem alterar seu texto. Por 昀椀m, a letra D erra ao confundir o poder derivado decorrente como derivado reformador, que se refere à realização de emendas constitucionais, o que também não se aplica à questão. O Poder Constituinte é o poder responsável por criar, modi昀椀car ou adaptar a Constituição de um Estado. Divide-se em: 1. Poder Originário: Cria uma nova Constituição, rompendo com a ordem jurídica anterior. É ilimitado, inicial e incondicionado. 2. Poder Derivado: Altera ou complementa a Constituição existente, sendo subordinado a ela. Reformador: Realiza emendas constitucionais. Decorrente: Permite que estados elaborem suas próprias constituições. Revisor: Foi utilizado para revisar a CF/88, em 1993, com procedimentos menos rígidos. 3. Poder Difuso: Reinterpreta normas constitucionais sem alterar seu texto, por meio de mutação constitucional. Exemplo: Reconhecimento da união estável homoafetiva pelo STF. particulares para atender ao interesse coletivo, mas a indenização somente é devida se houver dano efetivo ao bem requisitado. No enunciado, o gerador de energia foi utilizado pelo hospital municipal sem qualquer prejuízo, razão pela qual não há direito à indenização. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra ao a昀椀rmar que sempre há indenização, já que a Constituição condiciona esse direito à ocorrência de dano. A letra C se equivoca ao negar o direito de indenização mesmo em caso de prejuízo, contrariando a previsão constitucional. Já a letra D não procede, pois a requisição pode ser realizada por qualquer autoridade competente (federal, estadual ou municipal), sendo irrelevante a esfera de governo para de昀椀nir o direito à indenização, que depende apenas da ocorrência ou não de dano ao bem requisitado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 38 QUESTÃO 6 – REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Gabarito: “A”. É cabível o habeas data, o qual assegura o direito de acesso a informações relacionadas ao impetrante. É o que dispõe o teor do artigo 5º, inciso LXXII, alíneas “a” e “b”, CF: “conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a reti昀椀cação de dados, quando não se pre昀椀ra fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”. Gabarito: “A”. Dispõe o artigo 5º, LXXIII, CF, que “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, 昀椀cando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência” (grifo nosso). Desse modo, como restou comprovado que não há má-fé no interesse da causa, Roberto 昀椀cará isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. MACETE: Ação Popular anula ato lesivo ao “PA PA MEIO MORAL“ PAtrimônio histórico e cultural PAtrimônio público ou de entidade de que o Estado participe MEIO ambiente MORALidade administrativa Mandado de Segurança Direito líquido e certo Ação Popular Anula ato lesivo ao “PAPA MEIO MORAL” Mandado de Injunção Falta de norma regulamentadora Habeas Data Acesso à informação Habeas Corpus Direito de locomoção ATENÇÃO! Negar certidão e requerer certidão Mandado de Segurança ATENÇÃO! Reti昀椀car (corrigir) informação e negar informação Habeas Data QUESTÃO 5 – REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 39 QUESTÃO 7 – ORDEM SOCIAL Gabarito: “A”. A Constituição Federal, em seus artigos 206, IV, Constituição Federal (CF) e 208, §1º, CF, garante a gratuidade do ensino público em estabelecimentos o昀椀ciais e estabelece o acesso ao ensino obrigatório e gratuito como um direito público subjetivo. Assim, qualquer tentativa de cobrar uma taxa para a utilização dos serviços municipais de educação básica viola expressamente a ordem constitucional, uma vez que esse direito não pode ser condicionado a qualquer pagamento, independentemente da condição econômica do usuário. “Art. 206, CF: O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: (...) IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos o昀椀ciais;” (grifo nosso) “Art. 208, CF: O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: (...) I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (...) §1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.” (grifo nosso) Ademais, a letra B está errada, pois não há possibilidade de cobrança proporcional em razão da proibição constitucional. A letra C é incorreta porque a gratuidade do ensino não exige comprovação de hipossu昀椀ciência econômica. A letra D erra ao a昀椀rmar que a cobrança poderia ser feita para o ensino médio, já que a Constituição assegura a gratuidade da educação básica em todas as etapas, incluindo o ensino fundamental e médio, conforme o art. 208, I, CF. QUESTÃO 8 – NACIONALIDADE Gabarito: “B”. São brasileiros nato, segundo o teor do artigo 12, inciso I, alínea “c”, CF, “os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira;” (grifo nosso). Veja que Klaus nasceu no estrangeiro (Alemanha), seu pai é brasileiro e este não estava à serviço do Brasil, mas estava trabalhando para uma empresa privada na Alemanha. Então, aos 18 anos (atingida a maioridade), Klaus terá reconhecida a nacionalidade brasileira se 昀椀xar residência no Brasil e optar pela nacionalidade brasileira, mesmo que não tenha sido registrado em repartição brasileira competente na Alemanha. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 40 QUESTÃO 9 – NACIONALIDADE Gabarito: “C”. A presente questão cobra o entendimento de dois artigos muito importantes da Constituição Federal, artigo 12 e 14. O inciso II do §3º do artigo 12 da CF dispõe que o cargo de Presidente da Câmara dos Deputados é privativo de brasileiro nato (e não o cargo de Deputado Federal). Ademais, quanto à idade de João, este possui 29 anos e a idade mínima para ser um Deputado Federal é de 21 anos (artigo 14, §3º, VI, “c”, CF). Então, uma vez que João é brasileiro naturalizado e possui 21 anos, poderia se candidatar ao cargo de Deputado Federal, mas não poderia ser Presidente da Câmara dos Deputados, já que este é um cargo privativo de brasileiro NATO. “PEGADINHAS” da FGV para você NÃO CAIR: É CARGO PRIVATIVO DE BRASILEIRO NATO: Presidente da Câmara dos Deputados; Presidente do Senado Federal; Ministro do STF; NÃO É CARGO PRIVATIVO DE BRASILEIRO NATO: Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital; Senador; Ministro do STJ; QUESTÃO 10 – NACIONALIDADE Gabarito: “C”. A presente questão cobra o teor do artigo 5º, LX, CF: “nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em trá昀椀co ilícito de entorpecentes e drogas a昀椀ns, na forma da lei” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que Jean naturalizou-se brasileiro em 2003 e restou comprovado envolvimento com o trá昀椀co ilícito de cocaína, na França, entre os anos de 2010 e 2014 (após a naturalização), Jean será extraditado. ATENÇÃO! Nenhum brasileiro nato será extraditado. (Artigo 5º, LI, CF) - Não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião (artigo 5º, LI, CF). - Brasileiro NATURALIZADO PODE ser extraditado por: * crime comum praticado ANTES da naturalização OU * por comprovado envolvimento em trá昀椀co ilícito de entorpecentes e drogas a昀椀ns, praticadoa QUALQUER TEMPO. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 41 QUESTÃO 11 – DIREITOS POLÍTICOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 14, §§ 10 e 11, CF: “§ 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. § 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.” (grifo nosso). Portanto, o Partido Pi agiu de acordo com os parágrafos acima citados, tendo em vista que o partido tinha provas do abuso do poder econômico por parte de João e a ação foi ajuizada 10 dias após a diplomação (o prazo é de 15 dias contados da diplomação). Então, está dentro do prazo previsto na CF. QUESTÃO 12 – DIREITOS POLÍTICOS Gabarito: “A”. A presente questão diz que Juliano exerce cargo do Executivo, qual seja, Governador do Estado “X”. Dispõe o artigo 14, §7º, CF: “São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou a昀椀ns, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição” (grifo nosso). Este artigo trata da inelegibilidade re昀氀exa, que é quando alguém, no momento em que ocupa um cargo de Chefe do Poder Executivo (Presidente, Governador e Prefeito), afeta a elegibilidade de terceiros (cônjuge, parentes e a昀椀ns). Portanto, tendo em vista que Juliano exerce cargo do Executivo, qual seja, Governador do Estado “X”, Letícia (parente de 1º grau, por a昀椀nidade, de Juliano) não poderá se candidatar na jurisdição de Juliano. Assim, apesar de Letícia com 23 anos possuir idade para se candidatar à Deputada (idade mínima de 21 anos), ela está abarcada pela inelegibilidade no Estado “X” e não pode concorrer neste Estado enquanto durar o mandato de Juliano. Em relação ao Estado “Y”, Letícia poderia concorrer neste Estado, pois sua mãe, Mariana, não exerce cargo de Chefe do Poder Executivo. Mariana é Deputada Federal (cargo do Poder Legislativo). Então, não haveria vedação constitucional. MEMORIZE! QUEM TRANSMITE A INELEGIBILIDADE SÃO OS CHEFES DO PODER EXECUTIVO (PRESIDENTE, GOVERNADOR E PREFEITO). QUESTÃO 13 – ORGANIZAÇÃO DO ESTADO Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do tema “REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS”, um dos seus favoritos. Dispõe o artigo 24, XIV, CF: “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de de昀椀ciência;” (grifo nosso). Desse modo, a competência é concorrente da União, Estados e Distrito Federal, os quais podem legislar sobre a matéria. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 42 QUESTÃO 14 – ORGANIZAÇÃO DO ESTADO Gabarito: “B”. Dispõe o artigo 18, §§ 2º e 3º, CF: “§2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. §3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar” (grifo nosso). Portanto, apesar de não existir, atualmente, Território Federal no Brasil, há a possibilidade de sua criação, conforme consta do texto constitucional. QUESTÃO 15 – PODER LEGISLATIVO Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 53, §3º, CF: “Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão 昀椀nal, sustar o andamento da ação” (grifo nosso). ATENÇÃO! A imunidade material dos parlamentares alcança apenas a inviolabilidade por opiniões, palavras e votos, conforme previsto no artigo 53, CF. Importante destacar que essa imunidade não é absoluta, tendo em vista que se exige que as manifestações possuam relação com o mandato do parlamentar. QUESTÃO 16 – PROCESSO LEGISLATIVO Gabarito: “B”. A banca FGV fez uma “pegadinha” nessa questão. O voto obrigatório não é cláusula pétrea. Assim, o Brasil pode deixar de ter o voto obrigatório por meio de uma emenda constitucional. O voto direto, secreto, universal e periódico são cláusulas pétreas, de acordo com o teor do artigo 60, §4º, inciso II, CF: “A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: § 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais” (grifo nosso). CUIDADO! “ÓBICE” signi昀椀ca “IMPEDIMENTO; OBSTÁCULO”. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 43 QUESTÃO 17 – PROCESSO LEGISLATIVO Gabarito: “A”. O Presidente da República não poderia ter editado a Medida Provisória “X”, tendo em vista que a medida dispõe sobre a possibilidade de detenção e sequestro. A banca cobrou a literalidade da lei: Artigo 62, § 1º, II, CF: “É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: II - que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo 昀椀nanceiro” (grifo nosso). QUESTÃO 18 – DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 136, §2º, CF: “O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma vez, por igual período, se persistirem as razões que justi昀椀caram a sua decretação. ” A banca cobrou a literalidade da lei na alternativa correta. ATENÇÃO! No estado de defesa, o Presidente decreta com o 昀椀m de preservar ou restabelecer a ordem pública em locais restritos e determinados. O prazo máximo é de 30 dias e é admitida uma única prorrogação por igual prazo! Por outro lado, o ESTADO DE SÍTIO possui uma situação mais gravosa! O estado de sítio, conforme o teor do artigo 137, I, CF, é quando há: 1) comoção grave de repercussão nacional; ou ocorrência de fatos que comprovem a ine昀椀cácia de medida tomada durante o estado de defesa; PRAZO: 30 dias, podendo ocorrer quantas prorrogações forem precisas, de no máximo 30 dias cada. 2) declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira; PRAZO: pelo tempo que durar a guerra ou a agressão armada estrangeira. QUESTÃO 19 – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Gabarito: “C”. Esse tema é um dos “queridinhos” da FGV. Para ajuizar a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra leis semelhantes, de outros Estados da federação, de teor praticamente idêntico, há a necessidade de o Governador do Estado Alfa demonstrar a pertinência temática com os interesses do seu Estado, ou seja, é necessário que ele demonstre o nexo entre o conteúdo do objeto impugnado e os seus interesses. Por isso que o Governador do Estado é um legitimado especial. MACETE para você DECORAR quem são os LEGITIMADOS para propor ADI, ADC, ADO e ADPF: “3 PESSOAS, 3 MESAS E 3 ENTIDADES” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 44 3 PESSOAS: - Presidente - PGR - Governador 3 MESAS: - Mesa do Senado Federal (SF) - Mesa da Câmara dos Deputados (CD) - Mesa da Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF 3 ENTIDADES: - Conselho Federal da OAB (CFOAB) - Partido Político com representação no Congresso Nacional - Confederação Sindical ou Entidade de Classe de âmbito nacional Legitimados UNIVERSAIS:Presidente, PGR, Mesa da CD, Mesa do SF, CFOAB, Partido político. Legitimados ESPECIAIS: O restante. Precisam demonstrar pertinência temática. QUESTÃO 20 – CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Gabarito: “D”. A ADC possui o condão de declarar a constitucionalidade de uma lei ou ato normativo federal. Neste caso, então, já poderíamos descartar a ADI, que não possui o objetivo de garantir o questionamento acerca da constitucionalidade da lei (papel dado à ADC). A ADI possui o condão de declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. A ADPF possui o objetivo de evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do poder público. ATENÇÃO! A ADPF possui caráter subsidiário (já caiu na OAB). Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI): Artigo 102, I, “a”, CF/88 e Lei nº 9.868/99. Legitimados para propor ADI estão no artigo 103, incisos I ao IX, CF/88. Tem por objetivo a declaração de inconstitucionalidade de lei/ato normativo Federal ou Estadual. Não cabe ADI para questionar lei/ato normativo municipal. Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC): Artigo 102, I, “a”, CF/88 e Lei nº 9.868/99. Legitimados para propor ADC estão no artigo 103, incisos I ao IX, CF/88. Pedido principal é a declaração de constitucionalidade de lei/ato normativo Federal. Usada a 昀椀m de eliminar a controvérsia e uniformizar o entendimento. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF): Artigo 102, § 1º, da CF/88 e Lei nº 9.882/99. Legitimados para propor ADPF estão no artigo 103, incisos I ao IX, CF/88. Visa evitar/reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do poder público. Cabível em leis municipais e leis anteriores à Constituição de 1988. A ADPF possui caráter subsidiário, pois, em regra, quando não couber outro meio, poderá ser usada a ADPF. Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO): Artigo 102, I, “a”, c/c artigo 103, §2º, CF/88 e Lei nº 9.868/99. Legitimados para propor ADO estão no artigo 103, incisos I ao IX, CF/88. Visa o controle de omissões do Poder Público que possam ser contrárias à ordem constitucional. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 45 QUESTÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO QUESTÃO 1 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS (OAB/Exame XL – 2024 – FGV) Marcelo, servidor público federal estável, aposentou-se por invalidez. Meses depois, uma junta médica o昀椀cial declarou insubsistentes os motivos de sua aposentadoria. Consoante a Lei nº 8.112/90, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, o retorno de Marcelo à atividade, por meio de provimento de cargo público derivado por reingresso, se dará pela A) reintegração, que se dará no cargo anteriormente ocupado ou no cargo resultante de sua transformação. Na hipótese de o cargo ter sido extinto, Marcelo 昀椀cará em disponibilidade. B) recondução, que ocorrerá no mesmo cargo de origem e, encontrando-se provido o cargo, Marcelo será aproveitado em outro. C) reversão, que se fará no mesmo cargo ou no cargo resultante de sua transformação e, encontrando-se provido o cargo, Marcelo exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga. D) readaptação, que se realizará em cargo de atribuições a昀椀ns ao cargo originário de Marcelo, respeitada a habilitação exigida, o nível de escolaridade e a equivalência de vencimento. QUESTÃO 2 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS (FGV/2022 – TJDFT – Analista Judiciário) Maria, servidora pública federal, foi aposentada por incapacidade permanente. Após algum tempo, junta médica o昀椀cial declarou insubsistentes os motivos da aposentadoria. Como Maria estava plenamente apta ao exercício das funções que sempre desempenhou, deve ocorrer o(a) seu/sua: A) aproveitamento; B) reintegração; C) readaptação; D) recondução; E) reversão. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 46 QUESTÃO 3 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS (OAB/Exame XXII – 2017 – FGV) O Município Beta procedeu ao recadastramento de seus servidores efetivos e constatou que 6 (seis) bacharéis em contabilidade exerciam variados cargos na estrutura administrativa, todos providos mediante concurso público. Veri昀椀cou também que existiam 10 (dez) cargos vagos de auditores 昀椀scais de tributos, decorrentes de aposentadorias havidas nos últimos anos. O Município, considerando a necessidade de incrementar receitas, editou lei reorganizando sua estrutura funcional de modo a reenquadrar aqueles servidores como auditores 昀椀scais de tributos. Com base na hipótese apresentada, acerca do provimento de cargo público, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A medida é inválida, porque o provimento originário de cargo efetivo em uma determinada carreira exige concurso público especí昀椀co. B) A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são concursados, con昀椀gurando-se na espécie mera transformação de cargos, expressamente prevista na CRFB/88. C) A medida é inválida, porque o provimento de todo e qualquer cargo faz-se exclusivamente mediante concurso público. D) A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são concursados e não há aumento de despesa, uma vez que os cargos preenchidos já existiam. QUESTÃO 4 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS (FGV/2022 – TJDFT – Analista Judiciário) Maria foi contratada, temporariamente, sem a realização de concurso público, para exercer o cargo de professora substituta em entidade autárquica federal, em decorrência do grande número de professores do quadro permanente em gozo de licença. A contratação foi objeto de prorrogação, de modo que Maria permaneceu em exercício por mais três anos, período durante o qual recebeu muitos elogios. Em razão disso, alunos, pais e colegas de trabalho levaram à direção da autarquia o pedido de criação de um cargo em comissão de professora, para que Maria fosse nomeada para ocupá-lo e continuasse a ali lecionar. Avalie a situação hipotética apresentada e, na qualidade de advogado(a), assinale a a昀椀rmativa correta. A) Não é possível a criação de um cargo em comissão de professora, visto que tais cargos destinam-se apenas às funções de direção, che昀椀a e assessoramento. B) É adequada a criação de um cargo em comissão para que Maria prolongue suas atividades como professora na entidade administrativa, diante do justi昀椀cado interesse público. C) Maria tem estabilidade porque exerceu a função de professora por mais de três anos consecutivos, tornando desnecessária a criação de um cargo em comissão para que ela continue como professora na entidade autárquica. D) Não é necessária a criação de um cargo em comissão para que Maria permaneça exercendo a função de professora, porque a contratação temporária pode ser prorrogada por tempo indeterminado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 47 QUESTÃO 5 – INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE (OAB/Exame XXXIV – 2022 – FGV) Em determinado hospital municipal ocorreu grave incêndio, iniciado por pane elétrica no sistema de refrigeração. Todos os pacientes foram imediatamente retirados do hospital e, diante do iminente perigo público, a autoridade competente determinou que, até que fosse providenciada a remoção dos pacientes para outras unidades de saúde, os enfermos fossem abrigados no pátio de uma grande escola particular situada em frente ao nosocômio. Buscando obter informações sobre seu eventual direito à indenização, o proprietário da escola particular procurou você, como advogado(a), para obter a orientação jurídica correta. Segundo sua orientação, no caso em tela, o agente público fez uso da A) ocupação administrativa temporária, e o proprietário da escola particular não faz jus à indenização, em razão da supremacia do interese público. B) limitação administrativa, que assegura ao proprietário da escola particular o direito à indenização imediata e ao poderpúblico o direito de preempção. C) servidão administrativa, que assegura ao proprietário da escola particular o direito à prévia indenização, em razão do uso temporário de seu bem imóvel. D) requisição administrativa, que assegura ao proprietário da escola particular o direito à indenização ulterior, caso haja dano. QUESTÃO 6 – INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) O Município Alfa editou lei, aplicável após sua entrada em vigor, sem caráter retroativo, devidamente regulamentada por decreto, dispondo sobre o número máximo de pavimentos em edi昀椀cações situadas em determinadas ruas à beira−mar, em bairros da cidade especi昀椀cados. Cuida−se, pois, de restrição geral, que atinge um número indeterminado de particulares proprietários de imóveis, nos termos indicados pelas normas municipais. Gustavo, em decorrência da aludida determinação ter afetado sua propriedade, procurou você, como advogado(a), para ser informado sobre a modalidade de intervenção praticada pelo Estado. Assinale a opção que indica, corretamente, sua resposta. A) Trata−se de servidão administrativa, embasada no regular emprego do poder hierárquico, diante da supremacia do interesse público sobre o privado. B) Trata−se de limitação administrativa, embasada no regular emprego do poder de polícia, haja vista que visa condicionar o exercício do direito de propriedade ao cumprimento de sua função social. C) Trata−se de requisição administrativa, embasada no regular emprego do poder disciplinar, haja vista que visa disciplinar e compatibilizar o direito de propriedade ao cumprimento de sua função social. D) Trata−se de desapropriação indireta, embasada no emprego do poder regulamentar, haja vista que reduziu parcialmente o direito de propriedade, diante da supremacia do interesse público sobre o privado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 48 QUESTÃO 7 – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO (OAB/Exame XLIIII - 2025 - FGV) Rodrigo agrediu 昀椀sicamente seu desafeto Afonso, quando estava no exercício de suas atribuições como servidor público do Estado Alfa, em decorrência de uma desavença entre eles, no momento em que realizava atendimento ao público. Em razão dos danos sofridos, Afonso ajuizou ação de responsabilidade civil em face do mencionado ente federativo. Depois do trânsito em julgado da sentença condenatória ao pagamento da quantia indenizatória de R$ 20.000 (vinte mil reais), o Estado Alfa ajuizou ação de regresso em desfavor de Rodrigo, com vistas a obter o ressarcimento do erário. O então agente público foi citado na última segunda-feira, motivo pelo qual ele procurou você, como advogado(a), para a realização da sua defesa no respectivo processo. Assinale a opção que indica, corretamente, a orientação jurídica que você prestou e que deve constar da contestação na ação de regresso em que Rodrigo é o demandado. A) A responsabilidade civil do Estado é objetiva, com base na teoria do risco integral, enquanto a de Rodrigo, apesar de objetiva, com base na teoria do risco administrativo, admite a discussão acerca do elemento subjetivo. B) A responsabilidade civil é objetiva, com base na teoria do risco administrativo, tanto para Rodrigo quanto para o Estado Alfa, motivo pelo qual a peça de defesa deve se restringir a indicar eventuais causas excludentes do nexo de causalidade. C) A responsabilidade civil é subjetiva na situação de Rodrigo, sendo necessária a demonstração de dolo ou culpa na ação de regresso em questão, a qual foi ajuizada em decorrência da condenação do Estado fundada em sua responsabilização objetiva, com base na teoria do risco administrativo. D) A responsabilidade civil é subjetiva tanto para Rodrigo quanto para o Estado, com base na teoria do risco administrativo, admitindo, contudo, a discussão do elemento subjetivo em ambas as hipóteses, que é imprescindível para 昀椀ns de romper o nexo de causalidade. QUESTÃO 8 – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO (FGV/2023 – TJDFT – Analista Judiciário) Antônio, funcionário público do Município Beta, sem o conhecimento dos seus superiores e com o objetivo de prejudicar a sociedade empresária WW, lavrou um auto de infração em razão do alegado descumprimento da legislação municipal. Daí resultou a aplicação de multa e sua inscrição em dívida ativa, o que impediu que a referida sociedade empresária participasse de licitações e celebrasse contratos administrativos. Caso demonstre a ilicitude da referida conduta, a sociedade empresária WW pode promover a responsabilidade civil A) apenas de Antônio, o que ocorrerá de modo subjetivo. B) apenas do Município Beta, o que ocorrerá de modo subjetivo. C) de Antônio, de modo subjetivo, o qual, se condenado, terá direito de regresso contra o Município Beta. D) do Município Beta e de Antônio, necessariamente em conjunto, o que ocorrerá de modo objetivo. E) do Município Beta, de modo objetivo, o qual, se condenado, tem direito de regresso contra Antônio. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 49 QUESTÃO 9 – PODERES ADMINISTRATIVOS (OAB/Exame XXX – 2019 – FGV) Após comprar um terreno, Roberto iniciou a construção de sua casa, sem prévia licença, avançando para além dos limites de sua propriedade e ocupando parcialmente a via pública, inclusive com possibilidade de desabamento de parte da obra e risco à integridade dos pedestres. No regular exercício da 昀椀scalização da ocupação do solo urbano, o poder público municipal, observadas as formalidades legais, valendo-se da prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza-o a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade privada em favor do interesse da coletividade, determinou que Roberto demolisse a parte irregular da obra. O poder administrativo que fundamentou a determinação do Município é o poder A) de hierarquia, e, pelo seu atributo da coercibilidade, o particular é obrigado a obedecer às ordens emanadas pelos agentes públicos, que estão em nível de superioridade hierárquica e podem usar meios indiretos de coerção para fazer valer a supremacia do interesse público sobre o privado. B) disciplinar, e o particular está sujeito às sanções impostas pela Administração Pública, em razão do atributo da imperatividade, desde que haja a prévia e imprescindível chancela por parte do Poder Judiciário. C) regulamentar, e os agentes públicos estão autorizados a realizar atos concretos para aplicar a lei, ainda que tenham que se valer do atributo da autoexecutoriedade, a 昀椀m de concretizar suas determinações, independentemente de prévia ordem judicial. D) de polícia, e a 昀椀scalização apresenta duplo aspecto: um preventivo, por meio do qual os agentes públicos procuram impedir um dano social, e um repressivo, que, face à transgressão da norma de polícia, redunda na aplicação de uma sanção. QUESTÃO 10 – PODERES ADMINISTRATIVOS (OAB/Exame XIII – 2014 – FGV) José da Silva é o chefe do Departamento de Pessoal de uma Secretaria de Estado. Recentemente, José da Silva avocou a análise de determinada matéria, constante de processo administrativo inicialmente distribuído a João de Souza, seu subordinado, ao perceber que a questão era por demais complexa e não vinha sendo tratada com prioridade por aquele servidor. Ao assim agir, José da Silva fez uso A) do poder hierárquico. B) do poder disciplinar. C) do poder discricionário. D) da teoria dos motivos determinantes. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 50 QUESTÃO 11 – PODERES ADMINISTRATIVOS (FGV/2022 – SEFAZ-AM – Analista de Tecnologia da Informação da Fazenda Estadual) Ressalvada a ordem de polícia, em relação à possibilidade de delegação do poder de polícia, por meio de lei, as pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público, que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e emregime não concorrencial, o Supremo Tribunal Federal entende que é A) inconstitucional, porque não integram a Administração Direta. B) constitucional, inclusive no que tange à fase do ciclo de polícia de sanção de polícia. C) inconstitucional, porque não ostentam personalidade jurídica de direito público. D) constitucional, apenas no que tange à fase do ciclo de consentimento e 昀椀scalização de polícia. E) constitucional, apenas no que tange à fase do ciclo de polícia do consentimento de polícia, razão pela qual não podem aplicar multas. QUESTÃO 12 – LICITAÇÕES (OAB/Exame XXXVIII – 2023 – FGV) O pequeno Município Alfa, situado no interior do Estado Beta, enfrenta grave problema de abastecimento de água potável, pois não há fornecimento de água encanada para determinada região da cidade, por di昀椀culdades técnicas. Visando à resolução para a questão juntamente com a iniciativa privada, o Município Alfa pretende, mediante licitação, contratar objeto que envolva inovação tecnológica ou técnica, sendo imprescindível a adaptação de soluções disponíveis no mercado. Atualmente, veri昀椀ca-se a impossibilidade de as especi昀椀cações técnicas serem de昀椀nidas com precisão su昀椀ciente pela Administração, razão pela qual é preciso o prévio debate com o setor privado, para se de昀椀nirem e se identi昀椀carem os meios e as alternativas que possam satisfazer as necessidades da administração municipal. Ao tomar conhecimento de que o Município Alfa pretende realizar licitação nas condições narradas, com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades da forma mais adequada, dada a complexidade da questão local de abastecimento de água, a sociedade empresária Delta se interessou em participar do certame. Como advogado(a) da sociedade empresária, você informou à diretoria que, de acordo com a nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/21), a modalidade de licitação mais adequada diante da realidade fática descrita, é o(a) A) concorrência, que é mais abrangente, seja do ponto de vista do valor do contrato, seja por contemplar variados objetos. B) leilão, em que serão admitidos como licitantes todos os interessados que preencherem os requisitos objetivos estabelecidos. C) concurso, no qual o poder público municipal não poderá revelar a outros licitantes as soluções técnicas propostas por um concorrente. D) diálogo competitivo, em que os licitantes devem apresentar proposta 昀椀nal após o encerramento dos diálogos. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 51 QUESTÃO 13 – LICITAÇÕES (OAB/Exame XXXIX – 2023 – FGV) O Município Ômega pretende alugar o imóvel de propriedade de João, pois suas características de instalações e de localização tornam necessária sua escolha, uma vez que se trata de um prédio de três andares situado ao lado do principal hospital municipal, que, após as necessárias adaptações e investimentos, poderá sediar a Secretaria Municipal de Saúde, cuja sede atual não mais comporta todos seus setores. Desta forma, o Município Ômega instaurou processo administrativo, no bojo do qual já houve a certi昀椀cação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que atendam ao objeto pretendido, bem como foram juntadas informações com as justi昀椀cativas que demonstram a singularidade do imóvel a ser locado pela Administração e que evidenciam vantagem para ela. João, que tem interesse em alugar seu imóvel, foi procurado por agentes públicos da Secretaria Municipal de Saúde para assinar o contrato administrativo, que será 昀椀rmado expressamente sob o regime jurídico da nova Lei de Licitações, mediante dispensa de licitação e com valor compatível com o preço de mercado. Na qualidade de advogado(a) contratado por João, você lhe informou que, de acordo com a Lei nº 14.133/21, o contrato administrativo de locação A) pode ser assinado com fundamento na dispensa de licitação, desde que haja prévias avaliação do bem e autorização do Prefeito Municipal. B) deve ser assinado com fundamento na inexigibilidade de licitação, desde que haja prévias avaliação do bem e autorização legal da Câmara Municipal. C) pode ser assinado com fundamento na dispensa de licitação, com avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação e estimativa dos custos de adaptações para atender às necessidades de utilização da Secretaria Municipal de Saúde. D) deve ser assinado com fundamento na inexigibilidade de licitação, com avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e do prazo de amortização dos investimentos. QUESTÃO 14 – ATOS ADMINISTRATIVOS (OAB/Exame XIX – 2016 – FGV) A associação de moradores do Município F solicitou ao Poder Público municipal autorização para o fechamento da “rua de trás”, por uma noite, para a realização de uma festa junina aberta ao público. O Município, entretanto, negou o pedido, ao fundamento de que aquela rua seria utilizada para sediar o encontro anual dos produtores de abóbora, a ser realizado no mesmo dia. Considerando que tal fundamentação não está correta, pois, antes da negativa do pedido da associação de moradores, o encontro dos produtores de abóbora havia sido transferido para o mês seguinte, conforme publicado na imprensa o昀椀cial, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Mesmo diante do erro na fundamentação, o ato é válido, pois a autorização pleiteada é ato discricionário da Administração. B) Independentemente do erro na fundamentação, o ato é inválido, pois a autorização pleiteada é ato vinculado, não podendo a Administração indeferi-lo. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 52 C) Diante do erro na fundamentação, o ato é inválido, uma vez que, pela teoria dos motivos determinantes, a validade do ato está ligada aos motivos indicados como seu fundamento. D) A despeito do erro na fundamentação, o ato é válido, pois a autorização pleiteada é ato vinculado, não tendo aassociação de moradores demonstrado o preenchimento dos requisitos. QUESTÃO 15 – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (FGV/2023 – AGENERSA - RJ - Assistente Técnico de Regulação) Josimar, funcionário de carreira de determinada empresa pública prestadora de serviço público, de forma dolosa, em janeiro de 2023, utilizou equipamentos e materiais de propriedade da empresa para a construção de uma piscina de hidromassagem em sua casa. Acerca da situação apresentada, evidencia-se que Josimar incorreu em ato de improbidade administrativa na modalidade de A) enriquecimento ilícito. B) lesão ao erário. C) atentado contra os princípios da Administração Pública. D) concessão de benefício 昀椀scal em percentual superior ao permitido. E) frustração de processo licitatório. QUESTÃO 16 – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Em dezembro de 2024, Lucas, servidor público celetista no âmbito da empresa pública XYZ, permitiu, culposamente, que Matheus da Silva utilizasse veículos automotores da estatal para a execução de serviços particulares, sem qualquer relação com a empresa pública. Nesse contexto, após tomar ciência de que o Ministério Público de昀氀agrou inquérito civil para apurar os fatos, Lucas procurou você para, na qualidade de advogado(a), lhe prestar a adequada orientação jurídica. Sobre a posição de Lucas, considerando a Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), assinale a a昀椀rmativa correta. A) Ele responderá por ato de improbidade administrativa, desde que se comprove a perda patrimonial efetiva em detrimento da empresa pública XYZ. B) Ele não está sujeito aos regramentos da Lei de Improbidade Administrativa, por não se enquadrar como um servidor público estatutário. C) Ele não poderá ser responsabilizado por ato de improbidade administrativa, já que não agiu de forma dolosa. D) Ele será responsabilizado pela prática de ato de improbidade administrativa que importa enriquecimento ilícito. Licenciado para - M árciaM aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 53 QUESTÃO 17 – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (FGV/2023 – TJ-SE – Técnico Judiciário) João, agente público, em maio de 2023, facilitou a aquisição de bens móveis, por parte do Município Alfa, por preço superior ao de mercado. O Ministério Público, após tomar ciência dos fatos, constatou que João atuou de forma dolosa. Considerando as disposições da Lei nº 8.429/1992 e o entendimento dominante dos Tribunais Superiores, o Ministério Público poderá ingressar com a ação de improbidade administrativa, desde que observado o prazo prescricional de: A) oito anos, contados a partir do conhecimento do fato pelas autoridades competentes, salvo em relação ao ressarcimento ao erário, que não está sujeito a prazo prescricional; B) cinco anos, contados a partir do conhecimento do fato pelas autoridades competentes, inclusive em relação ao ressarcimento ao erário; C) oito anos, contados a partir da ocorrência do fato, salvo em relação ao ressarcimento ao erário, que não está sujeito a prazo prescricional; D) cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato, salvo em relação ao ressarcimento ao erário, que não está sujeito a prazo prescricional; E) cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato, inclusive em relação ao ressarcimento ao erário. QUESTÃO 18 – AGENTES PÚBLICOS (OAB/Exame XVI – 2015 – FGV) Carlos, servidor público federal, utilizou dois servidores do departamento que che昀椀a para o pagamento de contas em agência bancária e para outras atividades particulares. Por essa razão, foi aberto processo administrativo disciplinar, que culminou na aplicação de penalidade de suspensão de 5 (cinco) dias. Sobre o caso apresentado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Carlos procedeu de forma desidiosa e, por essa razão, a penalidade aplicável seria a de advertência, não a de suspensão. B) A infração praticada por Carlos dá ensejo à penalidade de demissão, razão pela qual se torna insubsistente a penalidade aplicada. C) Caso haja conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida em multa, 昀椀cando o servidor obrigado a permanecer em serviço. D) A penalidade aplicada a Carlos terá seu registro cancelado após 3 (três) anos de efetivo exercício, caso ele não cometa, nesse período, nova infração disciplinar. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 54 QUESTÃO 19 – AGENTES PÚBLICOS (OAB/Exame XXV – 2018 – FGV) João foi aprovado em concurso público para ocupar um cargo federal. Depois de nomeado, tomou posse e entrou em exercício imediatamente. Porém, em razão da sua baixa produtividade, o órgão ao qual João estava vinculado entendeu que o servidor não satisfez as condições do estágio probatório. Considerando o Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, à luz do caso narrado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A Administração Pública deve exonerar João, após o devido processo legal, visto que ele não mostrou aptidão e capacidade para o exercício do cargo. B) A Administração Pública deve demitir João, solução prevista em lei para os casos de inaptidão no estágio probatório. C) João deve ser redistribuído para outro órgão ou outra entidade do mesmo Poder, a 昀椀m de que possa desempenhar suas atribuições em outro local. D) João deve ser readaptado em cargo de atribuições a昀椀ns. QUESTÃO 20 – SERVIÇOS PÚBLICOS (OAB/Exame XVIII – 2015 – FGV) Após dezenas de reclamações dos usuários do serviço de transporte metroviário, o Estado Y determinou a abertura de processo administrativo para veri昀椀car a prestação inadequada e ine昀椀ciente do serviço por parte da empresa concessionária. Caso se demonstre a inadimplência, como deverá proceder o poder público concedente? A) Declarar, por decreto, a caducidade da concessão. B) Declarar, por decreto, a encampação do serviço. C) Declarar, por decreto, após lei autorizativa, a revogação da concessão. D) Declarar, por lei, a anulação do contrato de concessão. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 55 GABARITO COMENTADO DIREITO ADMINISTRATIVO QUESTÃO 1 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Gabarito: Gabarito: “C”. De acordo com o art. 25, I da Lei nº 8.112/90, a reversão ocorre quando um servidor aposentado por invalidez retorna à atividade após ser declarado apto por junta médica o昀椀cial, que conclua que os motivos da aposentadoria se tornaram insubsistentes. “ Art. 25: Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: I - por invalidez, quando junta médica o昀椀cial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria;” Portanto, a alternativa C re昀氀ete corretamente o procedimento previsto para o caso. Veja o MACETE abaixo, sobre as FORMAS DE PROVIMENTO DO CARGO PÚBLICO e NÃO CONFUNDA NUNCA MAIS: REINTEGRAÇÃO = “Retorno do Estável Irregularmente demitido” Artigo 28 da Lei nº 8.112/90: “A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.” (grifo nosso) REVERSÃO = “REtorno do VElho” (lembrar do aposentado) Artigo 25 da Lei nº 8.112/90: “Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: I - por invalidez, quando junta médica o昀椀cial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou II - no interesse da administração” (grifo nosso) READAPTAÇÃO = “Doente” Artigo 24 da Lei nº 8.112/90: “Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental veri昀椀cada em inspeção médica.” (grifo nosso) RECONDUÇÃO = “REtorno ao cargo anterior” Artigo 29 da Lei nº 8.112/90: “Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de: I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo; II - reintegração do anterior ocupante.” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 56 QUESTÃO 2 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Gabarito: “E”. A banca cobrou entendimento do artigo 25 da Lei nº 8.112/90: “Reversão é o retorno à atividade de servidor aposentado: I - por invalidez, quando junta médica o昀椀cial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou II - no interesse da administração” (grifo nosso) O “aproveitamento” é quando há o retorno do servidor disponível. Artigo 30 da Lei nº 8.112/90: “O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.” (grifo nosso) APROVEITAMENTO = “Disponível” QUESTÃO 3 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou entendimento da súmula vinculante nº 43: “É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido” (grifo nosso). Ademais, a banca também cobrou entendimento do artigo 37, inciso II, CF, o qual veda o reenquadramento de servidor público em cargo no qual não realizou concurso público. QUESTÃO 4 – REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou entendimento sobre os cargos em comissão. Vejamos o teor do artigo 37, inciso V, CF: “as funções de con昀椀ança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, che昀椀a e assessoramento.” Acerca deste tema, os cargos em comissão são destinados somente para assessoramento, che昀椀a e direção, ou seja, é uma exceçãoao princípio do concurso público. De acordo com o caso em concreto, Maria era professora e não teria como ser criado um cargo em comissão de professora, tendo em vista que cargos em comissão se destinam somente às atribuições de che昀椀a, direção e assessoramento (não é o caso da pro昀椀ssão de Maria). QUESTÃO 5 – INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE Gabarito: “D”. “Requisição administrativa” é quando o poder público faz uso de bens ou serviços privados (escola privada, no caso da questão), de modo provisória, em razão de perigo público iminente (hospital sofreu um incêndio). Ademais, a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XXV, dispõe que “no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano”. Portanto, correta a letra “D”. FRASES para identi昀椀car as intervenções do Estado na propriedade: REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA “Perigo público iminente” TOMBAMENTO “Proteger o patrimônio histórico e cultural” OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA “Apoio à execução de obras/serviços públicos” SERVIDÃO ADMINISTRATIVA “Executar obras e serviços de interesse coletivo” LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA “Restrições gerais (fazer ou não fazer) para a propriedade atender a sua função social” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 57 QUESTÃO 6 – INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE Gabarito: “B”. A situação descrita con昀椀gura uma limitação administrativa, que é uma restrição geral e abstrata imposta pelo poder público ao uso da propriedade privada, com o objetivo de atender ao interesse público e garantir o cumprimento da função social da propriedade. Essa modalidade de intervenção estatal está vinculada ao poder de polícia, que regula o uso da propriedade privada para harmonizá-lo com as necessidades da coletividade. No caso, a lei municipal que limita o número de pavimentos em edi昀椀cações especí昀椀cas exempli昀椀ca perfeitamente uma limitação administrativa, pois não transfere a posse ou domínio ao Estado, apenas impõe restrições ao exercício do direito de propriedade. A letra A está errada, pois a servidão administrativa ocorre quando o Estado cria um ônus real sobre o imóvel, como a instalação de linhas de transmissão, o que não é o caso. A letra C também está incorreta, pois a requisição administrativa ocorre em situações de iminente perigo público, permitindo ao Estado utilizar bens privados temporariamente, mediante indenização se houver dano. Isso não se aplica à restrição urbanística descrita. Por 昀椀m, a letra D está equivocada, pois a desapropriação indireta ocorre quando há privação do bem, o que não aconteceu aqui, já que Gustavo manteve a propriedade, sofrendo apenas uma restrição no uso. QUESTÃO 7 – RESPONSABILIDADE CIVIL O ESTADO Gabarito: “C”. No caso apresentado, a responsabilidade civil do Estado é objetiva, com base na teoria do risco administrativo, o que signi昀椀ca que basta a demonstração da conduta do agente, o dano e o nexo causal, sem necessidade de provar dolo ou culpa. Assim, o Estado Alfa foi corretamente condenado a indenizar o particular. No entanto, ao mover ação de regresso contra o agente público, Rodrigo, exige-se a demonstração de que ele agiu com dolo ou culpa, pois essa responsabilidade é subjetiva, conforme prevê o art. 37, §6º da Constituição Federal. Portanto, na contestação da ação de regresso, a defesa deve sustentar a ausência de dolo ou culpa, buscando afastar a responsabilidade do servidor. As demais alternativas estão incorretas: A) erra ao a昀椀rmar que a responsabilidade do Estado é baseada na teoria do risco integral, o que é falso — o Brasil adota o risco administrativo, que admite excludentes de responsabilidade. B) incorre em erro ao a昀椀rmar que a responsabilidade de Rodrigo também seria objetiva, o que não é verdade, já que o servidor só responde mediante comprovação de dolo ou culpa. D) está errada porque a昀椀rma que a responsabilidade do Estado também seria subjetiva, o que contraria o texto constitucional e o entendimento pací昀椀co da doutrina e jurisprudência: o Estado responde objetivamente, e apenas o servidor responde subjetivamente. BIZU DIDÁTICO: EstadO = responsabilidade Objetiva / Servidor = responsabilidade Subjetiva (dolo ou culpa). QUESTÃO 8 – RESPONSABILIDADE CIVIL O ESTADO Gabarito: “E”. A banca cobrou o teor do artigo abaixo: “Art. 37, CF: § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa” (grifo nosso) Ademais, o particular lesado deve promover a ação de reparação civil somente contra a pessoa jurídica, e não contra o agente público, o qual não é parte legítima para integrar tal relação processual. Desse modo, se restar con昀椀gurado que houve dolo ou culpa por parte do servidor público, o Estado ingressará com ação de regresso contra o seu servidor para 昀椀ns de ressarcimento. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 58 PODER DE POLÍCIA: Limita o interesse individual em prol do coletivo. Pode ser preventivo ou repressivo. PODER HIERÁRQUICO: Distribui e escalona as funções. É um poder interno (ordem, coordenação, delegação, avocação (“chamar para si”), subordinação...) PODER DISCIPLINAR: Punição/sanção em relação ao servidor ou particular, mas este tem que ter vínculo com a Administração Pública (exemplo: aluno em escola pública). PODER REGULAMENTAR: É o poder de editar normas gerais, com o 昀椀m de complementação das leis. QUESTÃO 10 – PODERES ADMINISTRATIVOS Gabarito: “A”. A questão tratou do conceito de Poder Hierárquico, que é o poder de delegar ou avocar competências, entre outros. José avocou (“chamou para si”) uma responsabilidade, a qual, incialmente, fora atribuída a seu subordinado João. A avocação é excepcional e em razão de motivos relevantes. Portanto, restou con昀椀gurado o exercício do poder hierárquico. QUESTÃO 11 – PODERES ADMINISTRATIVOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF): “É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial” (grifo nosso). (STF. Plenário. RE 633782/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 532) (Info 996). Desse modo, para autorizar às pessoas jurídicas de direito privado a delegação do poder de polícia (conforme o STF, delega-se consentimento, 昀椀scalização e sanção, a ordem de polícia não), o STF trouxe alguns requisitos, quais sejam: - as delegatárias devem integrar a Administração Pública indireta - possuírem capital social majoritariamente público - prestar serviço público em regime de não-concorrência QUESTÃO 12 – LICITAÇÕES Gabarito: “D”. Segundo o teor do artigo Art. 6º, XLII, Lei nº 14.133/21, diálogo competitivo é a “modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e compras em que a Administração QUESTÃO 9 – PODERES ADMINISTRATIVOS Gabarito: “D”. A questão trata do Poder de Polícia, que está no artigo 78 do Código Tributário Nacional (CTN): “Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos” (grifo nosso). Licenciado para - M árcia M ariade S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 59 Artigo 32, Lei nº 14.133/21: “A modalidade diálogo competitivo é restrita a contratações em que a Administração: I - vise a contratar objeto que envolva as seguintes condições: a) inovação tecnológica ou técnica; b) impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções disponíveis no mercado; e c) impossibilidade de as especi昀椀cações técnicas serem de昀椀nidas com precisão su昀椀ciente pela Administração; II - veri昀椀que a necessidade de de昀椀nir e identi昀椀car os meios e as alternativas que possam satisfazer suas necessidades, com destaque para os seguintes aspectos: a) a solução técnica mais adequada; b) os requisitos técnicos aptos a concretizar a solução já de昀椀nida; c) a estrutura jurídica ou 昀椀nanceira do contrato;” O enunciado da questão deixa clara as características do diálogo competitivo: “(...) o Município Alfa pretende, mediante licitação, contratar objeto que envolva inovação tecnológica ou técnica, sendo imprescindível a adaptação de soluções disponíveis no mercado.” MODALIDADES DE LICITAÇÃO: CONCORRÊNCIA Artigo 6º, XXXVIII, Lei nº 14.133/21: “Contratação de bens e serviços especiais e de obras e serviços comuns e especiais de engenharia, cujo critério de julgamento poderá ser: menor preço; melhor técnica ou conteúdo artístico; técnica e preço; maior retorno econômico; maior desconto” (grifo nosso). CONCURSO Artigo 6º, XXXIX, Lei nº 14.133/21: “Escolha de trabalho técnico, cientí昀椀co ou artístico, cujo critério de julgamento será o de melhor técnica ou conteúdo artístico, e para concessão de prêmio ou remuneração ao vencedor” (grifo nosso). LEILÃO Artigo 6º, XL, Lei nº 14.133/21: “Alienação de bens imóveis ou de bens móveis inservíveis ou legalmente apreendidos a quem oferecer o maior lance” (grifo nosso). PREGÃO Artigo 6º, XLI, Lei nº 14.133/21: “Obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior desconto” (grifo nosso). DIÁLOGO COMPETITIVO Artigo 6º, XLII, Lei nº 14.133/21: “Contratação de obras, serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta 昀椀nal após o encerramento dos diálogos” (grifo nosso). Pública realiza diálogos com licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta 昀椀nal após o encerramento dos diálogos” (grifo nosso). Ademais, a modalidade de licitação denominada “diálogo competitivo”, deve ser utilizada para objeto que envolva inovação tecnológica/técnica e adaptação de soluções disponíveis no mercado, conforme o teor do artigo 32 da referida lei. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 60 QUESTÃO 13 – LICITAÇÕES Gabarito: “D”. O contrato administrativo de locação deve ser assinado com base na inexigibilidade de licitação, com avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, entre outros, conforme o disposto no teor do artigo 74, inciso V e §5º, I, da Lei 14.133/21: “Art. 74. É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: (...) V – aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha. (...) § 5º Nas contratações com fundamento no inciso V do caput deste artigo, devem ser observados os seguintes requisitos: I – avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos de adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e do prazo de amortização dos investimentos” (grifo nosso). Ademais, dispõe o artigo 74, inciso V, da mesma lei: “É inexigível a licitação quando inviável a competição, em especial nos casos de: (...) V - aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha” (grifo nosso) INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO A licitação é inviável. Inexiste concorrência. Há 5 hipóteses de inexigibilidade (artigo 74, Lei nº 14.133/21): 1) Fornecedor exclusivo; 2) Pro昀椀ssional do setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo; 3) Serviços técnicos especializados, de natureza singular, com pro昀椀ssionais ou empresas de notória especialização, mencionados no rol legal; 4) Objetos que devam ou possam ser contratados através de credenciamento; 5) Aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem necessária sua escolha. DISPENSA DE LICITAÇÃO A competição é viável. Na licitação dispensada, o administrador não poderá licitar, pois a própria lei determina isso (artigo 76, I e II, Lei nº 14.133/21). Na licitação dispensável (artigo 75 da Lei nº 14.133/21), a Administração Pública poderá licitar ou não. QUESTÃO 14 – ATOS ADMINISTRATIVOS Gabarito: “C”. Quando o Município negou o pedido formulado pela associação de moradores, a justi昀椀cativa foi embasada no motivo de que já existia outro evento no mesmo dia. Ocorre que o evento havia sido transferido para outra data e isso já havia sido publicado na imprensa o昀椀cial, antes da negativa do pedido da associação de moradores. Tendo em vista que houve erro na fundamentação, a justi昀椀cativa do Município torna-se inválida. Como os motivos apresentados pelo Município não eram verdadeiros, o ato que negou o pedido é nulo (ocorreu um vício). Essa é a Teoria dos Motivos Determinantes. QUESTÃO 15 – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Gabarito: “A”. Dispõe o teor do artigo 9º, Lei 8.429: “Constitui ato de improbidade administrativa importando em enriquecimento ilícito auferir, mediante a prática de ato doloso, qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades referidas no art. 1º desta Lei, e notadamente: (...) IV - utilizar, em obra ou serviço particular, qualquer bem móvel, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores, de empregados ou de terceiros contratados por essas entidades” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 61 Portanto, tendo em vista que Josimar, com dolo, utilizou equipamentos e materiais de propriedade da empresa com o intuito de construir uma piscina de hidromassagem em casa, praticou ato de improbidade que causa enriquecimento ilícito. QUESTÃO 16 – IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. Desde a alteração promovida pela Lei nº 14.230/2021, a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992) passou a exigir dolo como requisito indispensável para a con昀椀guração de qualquer ato de improbidade, inclusive nos casos de dano ao erário (art. 10) e de violação a princípios da Administração (art. 11). Assim, não existe mais improbidade culposa. No caso narrado, Lucas apenas permitiu, por culpa (negligência), que veículos da empresa pública fossem utilizados de forma indevida, sem intenção deliberada de causar prejuízo ou favorecer terceiros. Logo, não há responsabilidade por ato ímprobo. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra porque o prejuízo patrimonial só gera responsabilização por improbidade se houver dolo, e não mera culpa. A letra B falha ao excluir Lucas da aplicação da LIA, pois a lei abrange também empregados públicos celetistas, como os vinculados a empresas públicas, e não apenas estatutários. Já a letra D não se aplica, pois não houve enriquecimento ilícito de Lucas e, mesmo que houvesse, a falta de dolo impediria a caracterização do ato como improbidade. QUESTÃO 17 – IMPROBIDADEdestinatárias das suas atividades, desde que estas não disponham de recursos para contratação de pro昀椀ssional. B) É autorizada a atuação pro bono em favor de pessoas jurídicas, desde que consideradas instituições sociais e que não se destinem a 昀椀ns econômicos, e aos seus assistidos, sempre que os bene昀椀ciários não dispuserem de recursos para a contratação de pro昀椀ssional. C) É autorizada a atuação pro bono em favor de pessoas jurídicas, mesmo que destinadas a 昀椀ns econômicos, desde que a atividade advocatícia atenda a motivos considerados socialmente Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 9 relevantes, independentemente da existência de recursos para contratação de pro昀椀ssional. D) É autorizada a atuação pro bono em favor de pessoas jurídicas, mesmo que destinadas a 昀椀ns econômicos, desde que a atividade advocatícia se dirija a motivos considerados socialmente relevantes e as pessoas físicas bene昀椀ciárias das suas atividades não disponham de recursos para contratação de pro昀椀ssional. QUESTÃO 3 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA (OAB/Exame XVI – 2015 – FGV) João é advogado da sociedade empresária X Ltda., atuando em diversas causas do interesse da companhia. Ocorre que o controle da sociedade foi alienado para uma sociedade estrangeira, que resolveu contratar novos pro昀椀ssionais em várias áreas, inclusive a jurídica. Por força dessa circunstância, rompeu-se a avença entre o advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato em todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente. Após a renúncia, houve novo contrato com renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos, apresentou o instrumento de mandato antes do término do prazo legal à retirada do advogado anterior. Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado A) afastar-se imediatamente após a substituição por outro advogado. B) funcionar como parecerista no processo pela continuidade da representação. C) atuar em conjunto com o advogado sucessor por quinze dias. D) aguardar dez dias para veri昀椀car a atuação dos seus sucessores. QUESTÃO 4 – ELEIÇÕES E MANDATO NA OAB (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) José Fabiano, advogado recém-inscrito na OAB, com dois anos e seis meses de exercício da pro昀椀ssão, decidiu se candidatar para o cargo de Conselheiro Seccional da Ordem. Durante o procedimento de veri昀椀cação da regularidade de sua candidatura, observou-se que ele havia sido condenado pela prática da infração disciplinar de abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comunicação da renúncia, tendo-lhe sido imposta sanção de censura, sem que tenha ocorrido, até o momento da eleição, sua reabilitação. Com base nessa situação hipotética e considerando as eleições da OAB, assinale a a昀椀rmativa correta. a) José Fabiano somente poderá participar da eleição caso não haja outros candidatos dispostos a concorrer para o cargo, hipótese na qual as condições de elegibilidade são 昀氀exibilizadas para que a posição não 昀椀que vaga. b) José Fabiano não poderá participar da eleição corrente, porque ainda não completou o prazo de três anos de efetivo exercício pro昀椀ssional da advocacia e por ter sido apenado com sanção disciplinar, sem que tenha sucedido reabilitação. c) José Fabiano poderá participar da eleição e concorrer ao cargo de Conselheiro Seccional da OAB, porque exerce a pro昀椀ssão de advogado há mais de um ano e foi condenado por infração disciplinar leve, para a qual está prevista apenas a pena de censura. d) José Fabiano não poderá participar da eleição corrente e de futuras, porque, uma vez apenado com sanção disciplinar, o advogado não mais poderá recuperar sua condição de elegibilidade, estando impedido, inde昀椀nidamente, de se candidatar a cargos na OAB. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 10 QUESTÃO 5 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA (OAB/Exame XXXIX – 2023 – FGV) Luana, advogada especialista em Direito Civil, é procurada por Carla, que busca ajuizar demanda para obtenção de indenização por danos morais e materiais em face de seu vizinho. Ao tomar conhecimento dos fatos, Luana percebe que aquele era o último dia possível para o ajuizamento da ação, visto que a prescrição da pretensão de sua cliente se consumaria no dia seguinte. Luana, então, peticionou, perante o juízo competente, sem, contudo, ter tido tempo hábil para anexar aos autos a procuração de sua cliente, em razão da urgência decorrente da iminente prescrição. Nesse contexto, considerando as disposições do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A advogada Luana não pode postular em juízo ou fora dele sem procuração, ainda que em situação de alegada urgência. B) A urgência, por si só, não é su昀椀ciente para justi昀椀car a não apresentação da procuração, devendo ser conjugada com iminente risco à integridade física ou à vida do cliente. C) Luana não está obrigada a apresentar procuração, visto que o mandato conferido por seus clientes é presumido pelos fatos narrados na inicial e pela documentação que a instrui. D) No contexto da iminente prescrição da pretensão de sua cliente, Luana, a昀椀rmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. QUESTÃO 6 – INSCRIÇÃO NA OAB (OAB/Exame IX – 2012 – FGV) José da Silva, advogado renomado, é acometido por doença mental considerada pela unanimidade dos médicos como incurável, perdendo suas faculdades de discernimento e sendo considerado absolutamente incapaz por sentença judicial. Nos termos das regras estatutárias, sua inscrição como advogado será A) suspensa até laudo médico sobre a doença portada. B) cancelada diante da incurabilidade da doença. C) extinta por decisão de junta médica convocada para tal 昀椀m. D) suspensa temporariamente para avaliação pelo Conselho Seccional. QUESTÃO 7 – ÉTICA DO ADVOGADO (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) O advogado Antônio Carlos ajuizou, em favor de sua cliente Celina, lide manifestamente temerária em face de João. A esse respeito, à luz do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a a昀椀rmativa correta. a) A responsabilidade de Antônio Carlos e Celina será solidária, independentemente do intuito de lesar João, parte contrária. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 11 b) Não há responsabilidade solidária entre Celina e Antônio Carlos se comprovado que não estavam coligados nos seus intuitos. c) Celina poderá ser responsabilizada se comprovada a violação do dever de cuidado, ao constar como parte autora no processo, ainda que não esteja coligada com seu advogado. d) Caso comprovado que Celina não sabia do conteúdo temerário da lide, Antônio Carlos não poderá ser civilmente responsável de forma isolada, porque a responsabilização do advogado exige participação dolosa de Celina. QUESTÃO 8 – INSCRIÇÃO NA OAB (OAB/Exame XX – 2016 – FGV) Júlia é advogada de Fernando, réu em processo criminal de grande repercussão social. Em um programa vespertino da rádio local, o apresentador, ao comentar o caso, a昀椀rmou que Júlia era “advogada de porta de cadeia” e “ajudante de bandido”. Ouvinte do programa, Rafaela procurou o Conselho Seccional da OAB e pediu que fosse promovido o desagravo público. Júlia, ao tomar conhecimento do pedido de Rafaela, informou ao Conselho Seccional da OAB que o desagravo não era necessário, pois já ajuizara ação para apurar a responsabilidade civil do apresentador. No caso narrado, A) o pedido de desagravo público só pode ser formulado por Júlia, que é a pessoa ofendida em razão do exercício pro昀椀ssional. B) o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela, mas depende da concordância de Júlia, que é a pessoa ofendida em razão do exercício pro昀椀ssional. C) o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela, e não depende da concordância de Júlia, apesar de esta ser a pessoaADMINISTRATIVA Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 23, Lei nº 8.429/92: “A ação para a aplicação das sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos, contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de infrações permanentes, do dia em que cessou a permanência”. Ademais, a ação de ressarcimento ao erário é imprescritível. QUESTÃO 18 – AGENTES PÚBLICOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou a literalidade da lei. Carlos, servidor público, ao utilizar pessoal da repartição para o pagamento de contas em agência bancária e para outras atividades particulares incorreu em transgressão que enseja a demissão, conforme o artigo 132 da Lei nº 8.112/90. “Artigo 132, Lei nº 8.112/90: A demissão será aplicada nos seguintes casos: (...) XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.” Ademais, dispõe o artigo 117 da mesma lei: “Ao servidor é proibido: (...) XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;” (grifo nosso). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 62 QUESTÃO 19 – AGENTES PÚBLICOS Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou o teor do artigo abaixo: “Art. 34, Lei nº 8.112/90: A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício. Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á: I - quando não satisfeitas as condições do estágio probatório; II - quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que João não mostrou aptidão e capacidade para o exercício do cargo, ele será exonerado. EXONERAÇÃO: Caráter não punitivo DEMISSÃO: Caráter punitivo QUESTÃO 20 – SERVIÇOS PÚBLICOS Gabarito: “A”. A caducidade ocorre quando a empresa presta o serviço de forma inadequada (inexecução total ou parcial). Então, diante do serviço público mal prestado, ocorrerá a extinção do contrato por caducidade (artigos 35, III e 38, Lei nº 8.987/95). ATENÇÃO! A banca FGV gosta de confundir o candidato entre os conceitos de ENCAMPAÇÃO e CADUCIDADE (formas de extinção de concessão do serviço público). Então, MEMORIZE: - ENCAMPAÇÃO: “ENteresse público”. Extinção do contrato de concessão por interesse público (motivo de conveniência e oportunidade). - CADUCIDADE: “Concessionária DEscumpriu”. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 63 QUESTÕES DE DIREITO CIVIL QUESTÃO 1 – LGPD (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) A sociedade empresária Calçados Novos Ltda. consultou você, como advogado(a), na qualidade de controladora dos dados pessoais de seus clientes. Isso porque há quantidade relevante de dados cujo término do tratamento já ocorreu, considerando o 昀椀m do período de tratamento. Contudo, a sociedade empresária tem a intenção de manter as informações históricas de seus clientes, para 昀椀ns exclusivamente estatísticos, sem a necessidade de identi昀椀car pessoalmente os titulares de cada informação. Sobre a hipótese narrada, considerando o interesse do cliente, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A controladora é obrigada a eliminar os dados pessoais dos clientes cujo término do tratamento já ocorreu, em qualquer hipótese. B) A controladora pode conservar os dados cujo término do tratamento já ocorreu, desde que ainda seja possível tratar os dados conforme a 昀椀nalidade especí昀椀ca. C) A controladora pode conservar os dados cujo término do tratamento já ocorreu, para seu uso exclusivo, vedado o acesso por terceiro, e desde que anonimizados os dados. D) A controladora é obrigada a eliminar os dados pessoais dos clientes cujo término do tratamento já ocorreu, desde que desnecessários ao alcance da 昀椀nalidade especí昀椀ca almejada. QUESTÃO 2 – PERSONALIDADE, PESSOA NATURAL E CAPACIDADE (OAB/Exame XXXI – 2020 – FGV) Márcia, adolescente com 17 anos de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua faixa etária. Seu maior objetivo pro昀椀ssional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu criar um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões de jovens seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir custear seus estudos na Faculdade de História se conseguir 昀椀rmar alguns desses contratos. Para facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de Márcia por seus pais, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente tem na internet. B) Não tem requisitos formais especí昀椀cos, podendo ser concedida por instrumento particular. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 64 C) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. D) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria, o que ainda não aconteceu. QUESTÃO 3 – PERSONALIDADE, PESSOA NATURAL E CAPACIDADE (FGV/2022 – TJ-TO - Técnico Judiciário) Júlia é uma jovem de 16 anos que decidiu casar-se com seu primeiro namorado, Roberto, três anos mais velho que ela. Os pais de Júlia, que sempre aprovaram o relacionamento da 昀椀lha, prontamente deram a autorização necessária para que ela se casasse. Dois meses após o matrimônio, Júlia decidiu procurar uma agência de viagem e contratar um pacote turístico para que ela e Roberto pudessem realizar a sua primeira viagem juntos. Considerando que ela celebrou o contrato com a agência sem a participação de seu marido ou de seus pais, é correto a昀椀rmar que o contrato: A) é plenamente válido, pois Júlia tem capacidade civil plena, embora não tenha atingido a maioridade; B) não é válido, pois, sendo Júlia menor de 18 anos, não pode contratar sem a representação de seus pais; C) é plenamente válido, pois, sendo Roberto maior de 18 anos, sua idade supre a incapacidade de Júlia; D) não é válido, pois, até que Júlia complete 18 anos, precisa da assistência de Roberto para contratar; E) é anulável, pois Júlia é incapaz, mas pode tornar-se válido se Roberto prestar sua anuência posteriormente. QUESTÃO 4 – NEGÓCIO JURÍDICO (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Cláudia é devedora de valores elevados e foi executada em determinada demanda. Para evitar a penhora de seu carro, celebrou contrato de compra e venda do veículo com Eduardo, seu amigo fraterno, indicando data anterior às dívidas. Cláudia e Eduardo combinaram que o contrato não produziria qualquer efeito, de modo que não houve o pagamento do preço e tampouco a transferência da propriedade do carro. Sobre o contrato celebrado entre Cláudia e Eduardo, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É anulável. B) É válido, mas ine昀椀caz. C) É nulo, sem possibilidade de aproveitamento. D) Pode ser convalidado, bastando que se desconsidere a data indicada e se considere a data em que ele efetivamente foi celebrado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 65 QUESTÃO 5 – NEGÓCIO JURÍDICO (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) Durante uma viagem aérea, Eliseu foi acometido de um mal súbito, que demandava atendimento imediato. O piloto dirigiu o avião para o aeroporto mais próximo, mas a aterrissagem não ocorreria a tempo de salvar Eliseu. Um passageiro ofereceu seus conhecimentos médicos para atender Eliseu, mas demandou pagamento bastante superior ao valor de mercado, sob a alegação de que se encontrava de férias. Os termos do passageiro foram prontamente aceitos por Eliseu. Recuperado do mal que o atingiu, para evitar a cobrança dos valores avençados, Eliseu pode pretender a anulaçãodo acordo 昀椀rmado com o outro passageiro, alegando A) erro. B) dolo. C) coação. D) estado de perigo. QUESTÃO 6 – NEGÓCIO JURÍDICO (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) André possui um transtorno psiquiátrico grave, que demanda uso contínuo de medicamentos, graças aos quais ele leva vida normal. No entanto, em razão do consumo de remédios que se revelaram ine昀椀cazes, por causa de um defeito de fabricação naquele lote, André foi acometido de um surto que, ao privá- lo de discernimento, o levou a comprar diversos produtos caros de que não precisava. Para desfazer os efeitos desses negócios, André deve pleitear A) a nulidade dos negócios, por incapacidade absoluta decorrente de enfermidade ou de昀椀ciência mental. B) a nulidade dos negócios, por causa transitória impeditiva de expressão da vontade. C) a anulação do negócio, por causa transitória impeditiva de expressão da vontade. D) a anulação do negócio, por incapacidade relativa decorrente de enfermidade ou de昀椀ciência mental. QUESTÃO 7 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) Felipe e Ana, casal de namorados, celebraram contrato de compra e venda com Armando, vendedor, cujo objeto era um carro no valor de R$ 30.000,00, a ser pago em 10 parcelas de R$ 3.000,00, a partir de 1º de agosto de 2016. Em outubro de 2016, Felipe terminou o namoro com Ana. Em novembro, nem Felipe nem Ana realizaram o pagamento da parcela do carro adquirido de Armando. Felipe achava que a responsabilidade era de Ana, pois o carro tinha sido presente pelo seu aniversário. Ana, por sua vez, acreditava que, como Felipe 昀椀cou com o carro, não estava mais obrigada a pagar nada, já que ele terminara o relacionamento. Armando procura seu(sua) advogado(a), que o orienta a cobrar Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 66 A) a totalidade da dívida de Ana. B) a integralidade do débito de Felipe. C) metade de cada comprador. D) a dívida de Felipe ou de Ana, pois há solidariedade passiva. QUESTÃO 8 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (OAB/Exame XXXVIII – 2023 – FGV) Os irmãos Eduardo e Letícia herdaram um apartamento de sua mãe. Concluído o inventário, decidiram vender o apartamento ao casal Pedro e Mariana. Para tanto, as partes celebraram contrato de compra e venda. Pedro e Mariana se obrigaram, solidariamente, a pagar o preço pactuado (R$ 600.000,00) no prazo de trinta dias. Não foi avençada cláusula de solidariedade ativa. Alcançado o prazo contratual, Pedro e Mariana não pagaram o preço. Tendo em vista a situação hipotética apresentada, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Eduardo, sozinho, tem direito de cobrar a integralidade do preço pactuado, R$ 600.000,00, de Mariana, sozinha. B) Letícia, sozinha, tem direito de cobrar apenas a metade do preço pactuado, R$ 300.000,00, de Pedro, sozinho. C) Letícia, sozinha, tem direito de cobrar apenas um quarto do preço pactuado, R$ 150.000,00, de Mariana, sozinha. D) Eduardo e Letícia não podem pleitear sozinhos o pagamento do preço, ainda que parcial. QUESTÃO 9 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (OAB/Exame XV – 2014 – FGV) Donato, psiquiatra de renome, era dono de uma extensa e variada biblioteca, com obras de sua área pro昀椀ssional, importadas e raras. Com sua morte, seus três 昀椀lhos, Hugo José e Luiz resolvem alienar a biblioteca à Universidade do Estado, localizada na mesma cidade em que o falecido residia. Como Hugo vivia no exterior e José em outro estado, ambos incumbiram Luiz de fazer a entrega no prazo avençado. Luiz, porém, mais preocupado com seus próprios negócios, esqueceu-se de entregar a biblioteca à Universidade, que, diante da mora, noti昀椀cou José para exigir-lhe o cumprimento integral em 48 horas, sob pena de resolução do contrato em perdas e danos. Nesse contexto, assinale a a昀椀rmativa correta. A) José deve entregar a biblioteca no prazo designado pela Universidade, se quiser evitar a resolução do contrato em perdas e danos. B) Não tendo sido ajustada solidariedade, José não está obrigado a entregar todos os livros, r espondendo, apenas, pela sua cota parte. C) Como Luiz foi incumbido da entrega, a Universidade não poderia ter noti昀椀cado José, mas deveria ter interpelado Luiz. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 67 D) Tratando-se de três devedores, a Universidade não poderia exigir de um só o pagamento; logo, deveria ter noti昀椀cado simultaneamente os três irmãos. QUESTÃO 10 – CONTRATOS (OAB/Exame XVIII – 2015 – FGV) Renato é proprietário de um imóvel e o coloca à venda, atraindo o interesse de Mário. Depois de algumas visitas ao imóvel e conversas sobre o seu valor, Renato e Mário, acompanhados de corretor, realizam negócio por preço certo, que deveria ser pago em três parcelas: a primeira, paga naquele ato a título de sinal e princípio de pagamento, mediante recibo que dava o negócio por concluído de forma irretratável; a segunda deveria ser paga em até trinta dias, contra a exibição das certidões negativas do vendedor; a terceira seria paga na data da lavratura da escritura de昀椀nitiva, em até noventa dias a contar do fechamento do negócio. Antes do pagamento da segunda parcela, Mário celebra, com terceiros, contratos de promessa de locação do imóvel por temporada, recebendo a metade de cada aluguel antecipadamente. Renato, ao tomar conhecimento de que Mário havia celebrado as promessas de locação por temporada, percebeu que o imóvel possuía esse potencial de exploração. Em virtude disso, Renato arrependeu-se do negócio e, antes do vencimento da segunda parcela do preço, noti昀椀cou o comprador e o corretor, dando o negócio por desfeito. Com base na hipótese formulada, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido, não sendo devida a comissão do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se. B) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido pelo comprador. Contudo, é devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se. C) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, não sendo devida a comissão do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se. D) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, sendo devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se. QUESTÃO 11 – CONTRATOS (OAB/Exame XXX – 2019 – FGV) Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo, procurou Leonardo, que revende veículos usados. Ao 昀椀nal das tratativas, e para garantir que o negócio seria fechado, Lucas pagou a Leonardo um percentual do valor do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato, porém, Leonardo informou a Lucas que, infelizmente, o carro que haviam negociado já havia sido prometido informalmente para um outro comprador, velho amigo de Leonardo, motivo pelo qual Leonardo não honraria a avença. Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo, Lucas procurou você, como advogado(a), para orientá-lo. Nesse caso, assinale a opção que apresenta a orientação dada. A) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, com atualização monetária, juros e honorários de advogado, mas não o seu equivalente. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 68 B) Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, mais o seu equivalente, com atualização monetária, juros e honorários de advogado. C) Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do valor pago a título de sinal, pois informou, tão logo quanto possível, que não cumpriria o contrato. D) Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a título de sinal, pois este é computado comoinício de pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento. QUESTÃO 12 – RESPONSABILIDADE CIVIL (OAB/Exame XXXVI – 2022 – FGV) Henrique, mecânico da o昀椀cina Carro Bom, durante a manutenção do veículo de So昀椀a, deixado aos seus cuidados, arranhou o veículo acidentalmente, causando danos materiais à mesma. Ciente de que Henrique não tinha muitos bens materiais e que a execução em face de Henrique poderia ser frustrada, So昀椀a pretende ajuizar ação indenizatória em face da o昀椀cina Carro Bom. A esse respeito, é correto a昀椀rmar que Carro Bom responderá A) pelos danos causados a So昀椀a, devendo-se perquirir se houve culpa em eligendo pela o昀椀cina de um preposto desquali昀椀cado. B) subsidiariamente pelos danos causados por Henrique, caso este não tenha bens su昀椀cientes para saldar a execução. C) objetivamente pelos danos, sendo vedado o regresso em face do mecânico que atuou culposamente, pois a o昀椀cina não poderá repassar o risco de seu negócio a terceiros. D) objetivamente pelos danos, sendo permitido o regresso em face do mecânico que atuou culposamente. QUESTÃO 13 – RESPONSABILIDADE CIVIL (FGV/2023 – CGE-SC – Auditor do Estado - Direito) Adelina, 79 anos de idade, moradora e proprietária de uma unidade habitacional de um condomínio em Blumenau, SC, sofreu uma queda na área comum do condomínio em virtude de uma má conservação do piso, evidenciada pela acentuada deterioração e acúmulo excessivo de limo, circunstâncias que acabaram provocando o acidente, que causou graves lesões (fratura de fêmur e bacia) e uma demorada e dolorosa recuperação. Diante da situação narrada, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Adelina deverá promover ação de perdas e danos em face do síndico do Condomínio, que possui responsabilidade direta e subjetiva pelo acidente, em virtude de sua função. B) O Condomínio tem responsabilidade objetiva pelo acidente, visto que ele responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. C) Adelina deverá promover ação em face do Condomínio, devendo provar o dolo ou culpa do causador do dano, por força da responsabilidade subjetiva. D) Inexiste responsabilidade civil do Condomínio em virtude do caso fortuito ou força maior. E) Adelina tem direito apenas a dano material, visto que pelo avanço da idade inexiste o dano moral. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 69 QUESTÃO 14 – DIREITO DE FAMÍLIA (OAB/Exame XXIII – 2017 – FGV) Arlindo e Berta 昀椀rmam pacto antenupcial, preenchendo todos os requisitos legais, no qual estabelecem o regime de separação absoluta de bens. No entanto, por motivo de saúde de um dos nubentes, a celebração civil do casamento não ocorreu na data estabelecida. Diante disso, Arlindo e Berta decidem não se casar e passam a conviver maritalmente. Após cinco anos de união estável, Arlindo pretende dissolver a relação familiar e aplicar o pacto antenupcial, com o objetivo de não dividir os bens adquiridos na constância dessa união. Nessas circunstâncias, o pacto antenupcial é A) válido e ine昀椀caz. B) válido e e昀椀caz. C) inválido e ine昀椀caz. D) inválido e e昀椀caz. QUESTÃO 15 – DIREITO DE FAMÍLIA (OAB/Exame XXXVII – 2023 – FGV) Pedro e Joana casaram-se pelo regime da comunhão parcial de bens. Na constância do casamento, Pedro herdou ações e comprou um carro, enquanto Joana recebeu de doação um apartamento e ganhou um prêmio de loteria. Com base nessas informações, assinale a opção que indica, em caso de divórcio, os bens que devem ser partilhados. A) As ações e o apartamento. B) O carro e o prêmio de loteria. C) O carro e o apartamento. D) As ações e o prêmio de loteria. QUESTÃO 16 – DIREITO DAS SUCESSÕES (OAB/Exame XXVIII – 2019 – FGV) Matheus, sem 昀椀lhos, casado com Jane, no regime de comunhão parcial de bens, falece após enfarto fulminante. De seu parentesco em linha reta são ainda vivos Carlos, seu pai, e Irene, sua avó materna. A partir da situação acima, assinale a opção que indica a sucessão de Matheus. A) Serão herdeiros Carlos, Irene e Jane, a última em concorrência, atribuído quinhão de 1/3 do patrimônio para cada um deles. B) Serão herdeiros Carlos e Jane, atribuído quinhão de 2/3 ao pai e de 1/3 à Jane, cônjuge concorrente. C) Carlos será herdeiro sobre a totalidade dos bens, enquanto Jane apenas herda, em concorrência com este, os bens particulares do falecido. D) Serão herdeiros Carlos e Jane, esta herdeira concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio para cada um destes. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 70 QUESTÃO 17 – DIREITO DAS SUCESSÕES (OAB/Exame XXVII – 2018 – FGV) Em 2010, Juliana, sem herdeiros necessários, lavrou testamento público deixando todos os seus bens para sua prima, Roberta. Em 2016, Juliana realizou inseminação arti昀椀cial heteróloga e, nove meses depois, nasceu Carolina. Em razão de complicações no parto, Juliana faleceu poucas horas após o procedimento. Sobre a sucessão de Juliana, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Carolina herdará todos os bens de Juliana. B) Roberta herdará a parte disponível e Carolina, a legítima. C) Roberta herdará todos os bens de Juliana. D) A herança de Juliana será declarada jacente. QUESTÃO 18 – DIREITO DAS SUCESSÕES (OAB/Exame XXX – 2019 – FGV) Juliana, Lorena e Júlia são 昀椀lhas de Hermes, casado com Dóris. Recentemente, em razão de uma doença degenerativa, Hermes tornou-se paraplégico e começou a exigir cuidados maiores para a manutenção de sua saúde. Nesse cenário, Dóris e as 昀椀lhas Juliana e Júlia se revezavam a 昀椀m de suprir as necessidades de Hermes, causadas pela enfermidade. Quanto a Lorena, esta deixou de visitar o pai após este perder o movimento das pernas, recusando-se a colaborar com a família, inclusive 昀椀nanceiramente. Diante desse contexto, Hermes procura você, como advogado(a), para saber quais medidas ele poderá tomar para que, após sua morte, seu patrimônio não seja transmitido a Lorena. Sobre o caso apresentado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A pretensão de Hermes não poderá ser concretizada segundo o Direito brasileiro, visto que o descendente, herdeiro necessário, não poderá ser privado de sua legítima pelo ascendente, em nenhuma hipótese. B) Não é necessário que Hermes realize qualquer disposição ainda em vida, pois o abandono pelos descendentes é causa legal de exclusão da sucessão do ascendente, por indignidade. C) Existe a possibilidade de deserdar o herdeiro necessário por meio de testamento, mas apenas em razão de ofensa física, injúria grave e relações ilicítas com madastra ou padrasto atribuídas ao descendente. D) É possível que Hermes disponha sobre deserdação de Lorena em testamento, indicando, expressamente, o seu desamparo em momento de grave enfermidade como causa que justi昀椀ca esse ato. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 71 QUESTÃO 19 – DIREITOS DAS COISAS/REAIS (FGV/2022 - AGE-MG - Procurador do Estado) João e Maria, casados desde 2008 em regime da comunhão parcial de bens, divorciaram-se extrajudicialmente em março de 2020, sem tratar da partilha de bens. Em razão das medidas restritivas implementadas para a contenção da transmissão da covid-19, os ex-cônjuges permaneceram residindo juntos, em estado de composse, no imóvel comum (de propriedade de ambos), cuja área corresponde a 250m2. A situação se manteve até junho de 2022, quando João, 昀椀nalmente, retirou-se voluntariamente do lar. Nenhuma das partes tem outro imóvel em seu nome. Em agosto de 2022, Maria ajuíza ação de usucapião especial familiar, a 昀椀m de obter a declaração de propriedade exclusiva do bem a seu favor, evitando-se a partilha futura do bem. Sobre o caso narrado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Maria tem razão, na medida em que se manteve na posse direta, ininterrupta e sem oposição do bem, por prazo superior a 2 (dois) anos, contados da data do divórcio. B) Maria nãotem razão, considerando que não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos de posse mansa e pací昀椀ca. C) Maria não tem razão, porque a usucapião especial urbana só é permitida para imóveis inferiores a 250m2. D) Maria não tem razão, pois a usucapião especial familiar exige necessariamente o exercício de posse exclusiva do bem, após o abandono do lar do ex-cônjuge, pelo prazo de 2 (dois) anos. E) Maria não tem razão, porquanto a convivência no mesmo lar, após o divórcio, evidencia a existência de união estável entre as partes, fato que obsta o pedido de aquisição via usucapião. QUESTÃO 20 – DIREITOS DAS COISAS/REAIS (OAB/Exame XXXIX – 2023 – FGV) Vítor contraiu empréstimo perante uma instituição bancária e ofereceu, como garantia da dívida, a hipoteca sobre um bem imóvel dele. Considerando essa situação hipotética, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Vítor poderá alienar o imóvel hipotecado, salvo se o contrato de empréstimo vedar a alienação, cláusula que é considerada válida. B) Vítor poderá alienar o imóvel hipotecado, mas a alienação implicará o vencimento automático do empréstimo, independentemente de previsão no contrato. C) Vítor não poderá alienar o imóvel hipotecado, porque isso resultaria em conduta contrária à boa-fé objetiva. D) Caso Vítor realize melhoramentos no imóvel após a constituição da hipoteca, eles integrarão a garantia real em prol da instituição bancária. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 72 GABARITO COMENTADO DIREITO CIVIL QUESTÃO 1 – LGPD Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. De acordo com o art. 16, IV, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), após o término do tratamento, os dados pessoais devem ser eliminados, salvo em hipóteses especí昀椀cas autorizadas pela lei. Uma dessas hipóteses é a conservação para uso exclusivo do controlador, desde que os dados sejam anonimizados (isto é, impossibilitando a identi昀椀cação do titular) e não haja acesso por terceiros. Assim, no caso narrado, a empresa Calçados Novos Ltda. pode manter os dados para 昀椀ns estatísticos, desde que sejam efetivamente anonimizados e usados apenas internamente. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra ao a昀椀rmar que sempre há obrigação de eliminação, pois a LGPD admite exceções legais. A letra B não procede, porque o simples término do tratamento afasta a possibilidade de manter os dados para a mesma 昀椀nalidade especí昀椀ca original, devendo a conservação se restringir às hipóteses do art. 16. Já a letra D falha porque a obrigação de eliminação não depende apenas da desnecessidade dos dados, mas sim da ausência de alguma das hipóteses legais que autorizam sua conservação, como ocorre na alternativa correta. QUESTÃO 2 – PERSONALIDADE, PESSOA NATURAL E CAPACIDADE Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo do Código Civil (CC): “Artigo 5: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa 昀椀ca habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;” (grifo nosso) Ademais, dispõe o artigo 9º, II do Código Civil: “Serão registrados em registro público: II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz”. Portanto, a emancipação voluntária deverá ser levada a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais. QUESTÃO 3 – PERSONALIDADE, PESSOA NATURAL E CAPACIDADE Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo do Código Civil (CC): “Artigo 5: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa 昀椀ca habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: (...) II - pelo casamento;” Desse modo, tendo em vista que o casamento é causa de emancipação dos menores com 16 (dezesseis) anos completos, caso que ocorreu com Júlia, conforme descrito no enunciado da questão, correta a alternativa “A”. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 73 QUESTÃO 4 – NEGÓCIO JURÍDICO Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. O contrato 昀椀rmado entre Cláudia e Eduardo é um típico caso de simulação, situação em que as partes aparentam celebrar um negócio jurídico, mas sem intenção real de que ele produza efeitos. Nos termos do art. 167 do Código Civil, o negócio simulado é nulo de pleno direito, justamente porque sua 昀椀nalidade foi fraudar credores, criando uma falsa aparência de venda para afastar o bem da execução. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra porque não se trata de negócio anulável, mas sim nulo, já que a simulação é vício que atinge a própria validade do contrato. A letra B também não procede, pois o negócio não é válido, apenas aparente. A letra D está equivocada, uma vez que a simulação não se resolve pela simples correção da data; a nulidade decorre da própria intenção fraudulenta das partes. Portanto, a única resposta compatível com o Código Civil é a nulidade absoluta do contrato. Frases para você MEMORIZAR os defeitos do negócio jurídico: LESÃO: “premente necessidade ou inexperiência” ESTADO DE PERIGO: “alguém corre risco de vida” DOLO: “é um engano provocado (induzido maliciosamente)” ERRO: “desconhecimento da realidade” COAÇÃO: “pressão física/moral (temor ou ameaça)” FRAUDE CONTRA CREDORES: “desfazimento do próprio patrimônio para frustrar credores” SIMULAÇÃO: “é uma mentira, uma declaração enganosa”. A simulação é nula. QUESTÃO 5 – NEGÓCIO JURÍDICO Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 156 do Código Civil (CC): “Con昀椀gura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias” (grifo nosso) Foi exatamente o que ocorreu na questão, pois Eliseu precisava salvar-se e a aterrissagem não aconteceria a tempo de salvá-lo. Portanto, Eliseu teve que aceitar (era a sua única opção) o valor superior ao valor de mercado que lhe foi cobrado pelo passageiro que ofereceu seus conhecimentos médicos (assumiu obrigação excessivamente onerosa). Con昀椀gurou-se, então, o estado de perigo e Eliseu pode pretender a anulação do acordo 昀椀rmado com o outro passageiro. QUESTÃO 6 – NEGÓCIO JURÍDICO Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou os artigos abaixo, do Código Civil (CC): “Artigo 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente” (grifo nosso) “Artigo 4. São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 74 II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos” (grifo nosso) Assim, tendo em vista que havia uma causa transitória impeditiva em relação a André (surto que o privou de discernimento), os negócios são anuláveis. QUESTÃO 7 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Gabarito: “C”. Tome nota disso: A SOLIDARIEDADE NÃO SE PRESUME! Haverá solidariedade somente se decorrer da lei ou da vontade das partes (e isso virá no enunciado da questão). A banca FGV cobrou o artigo abaixo, do CC: “Artigo 257: Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.” Ademais, o próprio Código Civil aduz que “a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes” (artigo 265, CC).Portanto, uma vez que o enunciado não trouxe informações acerca da solidariedade, tem-se que a dívida adquirida pelo casal de namorados, Felipe e Ana, será dividida entre eles. QUESTÃO 8 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Gabarito: “B”. Conforme disposto no enunciado da questão, não foi estipulada a solidariedade ativa (entre os credores Eduardo e Letícia). Ademais, a obrigação é divisível (dinheiro). Assim, há a aplicação do teor do artigo 257 do CC: “Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.” Não existe solidariedade ativa para Letícia (ou Eduardo) cobrar tudo (R$ 600.000,00) dos devedores. A solidariedade é apenas passiva (entre Pedro e Mariana). Então, Letícia poderá cobrar tudo relativo a sua parte, que é apenas o valor de R$ 300.000,00. Diante disso, Letícia (ou Eduardo) pode cobrar o valor de R$ 300.000,00 apenas de Pedro, apenas de Mariana ou dos dois, já que há solidariedade passiva. Vejamos o artigo 275 do Código Civil, acerca da solidariedade passiva: “O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.” QUESTÃO 9 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES Gabarito: “A”. A presente questão dispõe que três irmãos alienaram a biblioteca (prestação indivisível) do falecido pai à uma Universidade. O enunciado nada menciona acerca de obrigação solidária entre os irmãos (eles não estipularam isso em contrato e a lei não determina que deve haver solidariedade). Contudo, a biblioteca é uma prestação indivisível e por este motivo os irmãos possuem responsabilidade conjunta sobre a entrega (artigo 259, CC): “Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda” (grifo nosso). Ademais, dispõe o artigo 475, CC, que “a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos”. Portanto, para evitar a resolução do contrato em perdas e danos, João deve entregar a biblioteca à Universidade no prazo estabelecido. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 75 QUESTÃO 10 – CONTRATOS Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou o teor dos artigos 418 e 419 do CC: “Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices o昀椀ciais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.” “Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.” Primeiramente, em relação ao conceito de arras/sinal: o contratante dá garantia em dinheiro ou bem móvel para tornar obrigatório o que foi ajustado entre as partes (é uma prova de seriedade do negócio e garantia do seu cumprimento). A primeira parcela paga foi um sinal. Todavia, Renato se arrependeu de ter realizado o negócio antes do pagamento da segunda parcela. Assim, ele noti昀椀ca o corretor e o comprador. Desse modo, com o desfazimento do negócio por Renato (vendedor), este perderá o sinal que foi pago e Mário (que é o comprador) poderá exigir uma indenização em relação aos prejuízos a que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do arras/sinal dado. Além disso, no que diz respeito à comissão do corretor, esta é devida, pois a venda foi feita e ele deve receber a sua comissão, apesar de depois o negócio ter sido desfeito por arrependimento de Renato. É o que dispõe o artigo 725 do CC: “A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes” (grifo nosso). QUESTÃO 11 – CONTRATOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 418, CC: “Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices o昀椀ciais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.” A presente questão não faz menção à cláusula de direito de arrependimento no que diz respeito à celebração do contrato de昀椀nitivo (foi caso de arras con昀椀rmatórias). Assim, de acordo com o disposto no artigo 418 do CC, Leonardo deve restituir a o valor que recebeu, mais o equivalente, com atualização monetária, de acordo com os índices o昀椀ciais regularmente estabelecidos, juros e honorários advocatícios. ARRAS PENITENCIAIS: - Tem cláusula de arrependimento; - Não comportam perdas e danos. ARRAS CONFIRMATÓRIAS: - Não há cláusula de arrependimento; - Com perdas e danos. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 76 QUESTÃO 12 – RESPONSABILIDADE CIVIL Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou exatamente o teor do seguintes artigos do Código Civil: “Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: (...) III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;” (grifo nosso) “Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.” (grifo nosso) “Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz.” (grifo nosso) Portanto, uma vez que o empregado cometeu ato ilícito, o empregador será responsável. QUESTÃO 13 – RESPONSABILIDADE CIVIL Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou o teor do artigo abaixo, do Código Civil: “Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta” (grifo nosso). Tendo em vista a má conservação do piso do condomínio, este terá responsabilidade objetiva (decorre da lei) pelo acidente de Adelina e não há que se provar dolo ou culpa do responsável. QUESTÃO 14 – DIREITO DE FAMÍLIA Gabarito: “A”. O pacto antenupcial é válido, tendo em vista que cumpriu os requisitos legais. Contudo, ele é ine昀椀caz, pois ocorreu o casamento logo em seguida. É o que dispõe o artigo 1.653 do CC: “É nulo o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e ine昀椀caz se não lhe seguir o casamento”. Ademais, a questão dispõe que Arlindo e Berta não se casaram e passaram a viver uma união estável. Diante disso, e por não ter contrato 昀椀rmado pelas partes, será aplicado o teor do art. 1.725 do CC: “Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens” (grifo nosso). QUESTÃO 15 – DIREITO DE FAMÍLIA Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo abaixo, do Código Civil: “Artigo 1.660. Entram na comunhão: I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior;” (grifo nosso) Portanto, o carro que Pedro comprou na constância do casamento e o prêmio de loteria que Joana ganhou devem ser partilhados. Além disso, a banca também cobrou entendimento do artigo 1.659 do CC: “Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar,e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;” Desse modo, as ações que Pedro herdou na constância do casamento, bem como o apartamento que Joana recebeu de doação estão excluídos da comunhão, ou seja, não entram na partilha. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 77 DICA BÔNUS ATENÇÃO! NOVIDADE! Nos casamentos e uniões estáveis envolvendo pessoa maior de 70 anos, o regime de separação de bens previsto no artigo 1.641, II, do Código Civil, pode ser afastado por expressa manifestação de vontade das partes mediante escritura pública. STF. Plenário. ARE 1.309.642/SP, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 02/02/2024 (Repercussão Geral – Tema 1236) (Info 1122). REGIME DE BENS – MACETE: Separação de Bens: “O que é meu, é somente meu!” Comunhão Universal: “Tudo é nosso!” Comunhão Parcial: “A partir de agora, o que é meu, é nosso!” QUESTÃO 16 – DIREITO DAS SUCESSÕES Gabarito: “D”. Dispõe o artigo 1.836 do CC: “Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente. § 1º Na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o mais remoto, sem distinção de linhas.” Desse modo, o pai de Matheus, que é Carlos, será herdeiro (na falta de descendentes, são chamados os ascendentes). Neste caso, a avó de Matheus, Irene, não será herdeira, tendo em vista que por força do artigo acima transcrito, o ascendente mais próximo (Carlos, que é o pai) exclui a mais remota (Irene, que é a avó). Ademais, dispõe o artigo 1.837 do CC: “Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.” Portanto, serão herdeiros Carlos (ascendente em primeiro grau) e Jane (cônjuge), esta herdeira concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio para cada. QUESTÃO 17 – DIREITO DAS SUCESSÕES Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou o teor dos seguintes artigos do Código Civil: “Artigo 1.973. Sobrevindo descendente sucessível ao testador, que não o tinha ou não o conhecia quando testou, rompe-se o testamento em todas as suas disposições, se esse descendente sobreviver ao testador” (grifo nosso). “Artigo 1.974. Rompe-se também o testamento feito na ignorância de existirem outros herdeiros necessários.” “Artigo 1.975. Não se rompe o testamento, se o testador dispuser da sua metade, não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba, ou quando os exclua dessa parte.” Veri昀椀ca-se que Juliana, no ano de 2010, lavrou testamento público deixando todos os seus bens para sua prima, Roberta, diante da inexistência de herdeiros necessários. Todavia, em 2016, Juliana teve uma 昀椀lha e faleceu poucas horas após o parto. Portanto, tendo em vista o nascimento de Carolina, Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 78 há uma herdeira necessária (descendente). Ocorre, assim, o rompimento do testamento feito em 2010, o qual perde a sua validade. Por 昀椀m, Carolina herdará todos os bens de Juliana. QUESTÃO 18 – DIREITO DAS SUCESSÕES Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou o teor dos seguintes artigos do Código Civil: “Artigo 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814 , autorizam a deserdação dos descendentes por seus ascendentes: I - ofensa física; II - injúria grave; III - relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto; IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade” (grifo nosso). Portanto, após Hermes se tornar paraplégico, Lorena (sua 昀椀lha) deixou de visita-lo recusando-se a colaborar com a família, até mesmo 昀椀nanceiramente. Então, é possível que Hermes disponha sobre deserdação de Lorena em testamento, devido ao seu desamparo em momento de grave enfermidade (conforme o artigo acima transcrito). INDIGNIDADE (artigo 1.814, CC): Exclui o herdeiro da herança (decorre da própria lei); qualquer sucessor pode ser declarado indigno; o fato que gera a indignidade pode ocorrer antes ou depois da abertura da sucessão; dá-se em ação própria (ação declaratória de indignidade) com prazo decadencial de 4 anos. DESERDAÇÃO (artigos 1.814, 1.962 e 1.963, CC): Exclui o herdeiro da herança (depende da manifestação da vontade do autor da herança); aplica-se apenas aos herdeiros necessários; o ato que gera a deserdação é anterior à abertura da sucessão; dá-se por testamento e con昀椀rmação em juízo com prazo decadencial de 4 anos. NOVIDADE! Artigo 1.815-A, CC: “Em qualquer dos casos de indignidade previstos no art. 1.814, o trânsito em julgado da sentença penal condenatória acarretará a imediata exclusão do herdeiro ou legatário indigno, independentemente da sentença prevista no caput do art. 1.815 deste Código. (Incluído pela Lei nº 14.661, de 2023)” QUESTÃO 19 – DIREITO DAS COISAS/REAIS Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo abaixo, do Código Civil: “Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural” (grifo nosso). Portanto, veri昀椀ca-se que João e Maria divorciaram-se extrajudicialmente em março de 2020, não trataram sobre a partilha de bens, mas permaneceram residindo juntos no imóvel comum (de propriedade de ambos) até junho de 2022 (quando João retirou-se de forma voluntária do lar). Diante deste cenário, o prazo de 2 (dois) anos para a usucapião especial familiar não é contado da data do divórcio extrajudicial de João e Maria, mas da data do abandono do lar (que foi em junho de 2022). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 79 Assim, Maria não tem razão em ajuizar a ação em agosto de 2022, pois não exerceu a posse exclusiva do bem, após o abandono do lar do ex-cônjuge João, pelo prazo de 2 (dois) anos. Usucapião Ordinária Usucapião Extraordinária Usucapião Especial Familiar Usucapião Rural Usucapião Urbana Coletiva Usucapião Urbana Individual - Artigo 1.242, CC - Com justo título e boa-fé - Prazo de 10 anos (regra), mas pode ser de 5 anos (aquisição onerosa; função social) - Artigo 1.238 do CC - Uso prolongado da posse por 15 anos, mas pode ser por 10 anos (se estabelecido no imóvel: moradia habitual, ou realizar obras ou serviços de caráter produtivo) - Independente- mente de título e boa-fé - Artigo 1.240-A, CC - Área de até 250 m² - Prazo de 2 anos - Posse exclusiva - Abandono do lar pelo ex- cônjuge - Que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. - Artigos 191 da CF/88 e 1.239, CC - Prazo de 5 anos - Área de terra em zona rural não superior a 50 hectares - Área produtiva por seu trabalho ou de sua família - Que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. - Artigos 10 até 14 da Lei 10.257/2001 - Prazo de 5 anos - Ocupação por famílias de baixa renda - Área de mais de 250 m² - Que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. - Não ser possível identi昀椀car os terrenos ocupados por cada um dos possuidores - Artigo 183, CF/88 e artigo 1.240, CC - Área até 250m² - Para sua moradia ou de sua família - Prazo de 5 anos - Que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. QUESTÃO 20 – DIREITO DAS COISAS/REAIS Gabarito: “D”. De acordo com o artigo 1.475 do Código Civil, “é nula a cláusula que proíbe ao proprietário alienar imóvel hipotecado. ” Portanto, Vítor pode alienar o imóvel hipotecado. Ademais, se Vítor realizar melhoramentos no imóvel depois da hipoteca, eles integrarão a garantia real em prol da instituição ban- cária, pois é o que dispõe o teor do artigo 1.474 do CódigoCivil: “A hipoteca abrange todas as acessões, melhoramentos ou construções do imóvel. Subsistem os ônus reais constituídos e registrados, anterior- mente à hipoteca, sobre o mesmo imóvel.” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 80 DICA BÔNUS! NOVIDADE SOBRE DIREITOS REAIS Artigo 1.225, Código Civil: “São direitos reais: I - a propriedade; II - a superfície; III - as servidões; IV - o usufruto; V - o uso; VI - a habitação; VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor; IX - a hipoteca; X - a anticrese. XI - a concessão de uso especial para 昀椀ns de moradia; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) XII - a concessão de direito real de uso; (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) XIII - a laje; (Redação dada pela Lei nº 14.620, de 2023) XIV - os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. (Incluído pela Lei nº 14.620, de 2023)” (grifo nosso). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 81 QUESTÕES DE PROCESSO CIVIL QUESTÃO 1 – DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES (OAB/Exame XX – 2016 – FGV) A médica Carolina é devedora de R$ 100.000,00 (cem mil reais), débito esse originado de contrato particular de mútuo, vencido e não pago, no qual 昀椀gura como credora a advogada Zélia. Diante do inadimplemento, Zélia ajuizou ação de cobrança que, após instrução probatória, culminou em sentença com resolução de mérito procedente. O juiz não se pronunciou quanto ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência à advogada porque esta atuou em causa própria. A omissa sentença proferida transitou em julgado recentemente. Sobre o caso apresentado, segundo o CPC/15, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O juiz agiu com acerto ao deixar de condenar Carolina ao pagamento de honorários. B) Os honorários advocatícios de sucumbência constituem direito do advogado sem natureza alimentar. C) A advogada Zélia não poderá requerer que o pagamento dos honorários seja efetuado em favor da sociedade de advogados no qual 昀椀gura como sócia. D) O recente trânsito em julgado da omissa sentença não obsta o ajuizamento de ação autônoma para de昀椀nição e cobrança dos honorários de sucumbência. QUESTÃO 2 – DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) A sociedade Palavras Cruzadas Ltda. ajuizou ação de responsabilidade civil em face de Helena e requereu o benefício da gratuidade de justiça, na petição inicial. O juiz deferiu o requerimento de gratuidade e ordenou a citação da ré. Como a autora não juntou qualquer documento comprobatório de sua hipossu昀椀ciência econômica, a ré pretende atacar o benefício deferido. Com base na situação apresentada, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O instrumento processual adequado para atacar a decisão judicial é o incidente de impugnação ao benefício de gratuidade, que será processado em autos apartados. B) A ré alegará na contestação que não estão presentes os requisitos para o deferimento do benefício de gratuidade. C) A ré alegará na contestação que o benefício deve ser indeferido, mas terá que apresentar documentos comprobatórios, pois a lei presume verdadeira a alegação de insu昀椀ciência deduzida. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 82 D) O instrumento processual previsto para atacar a decisão judicial de deferimento do benefício é o agravo de instrumento. QUESTÃO 3 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS (FGV/2023 - TJ-RN - O昀椀cial de Justiça - Judiciária – Direito) Intentada ação por meio da qual o autor pleiteava a condenação do 昀椀ador de determinada obrigação a cumpri-la, o réu, depois de validamente citado, pretende que a sua a昀椀ançada, uma pessoa jurídica, passe também a integrar o polo passivo do processo. Para tanto, caberá ao réu se valer do(a): A) chamamento ao processo, devendo a citação da a昀椀ançada ser requerida na peça de contestação; B) chamamento ao processo, devendo a citação da a昀椀ançada ser requerida numa peça autônoma, em até três dias após o oferecimento da contestação; C) denunciação da lide, devendo a citação da a昀椀ançada ser requerida na peça de contestação; D) denunciação da lide, devendo a citação da a昀椀ançada ser requerida numa peça autônoma, em até três dias após o oferecimento da contestação; E) desconsideração da personalidade jurídica, devendo a citação da a昀椀ançada ser requerida na contestação. QUESTÃO 4 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) Em uma tarde de domingo, voltando do shopping com seu namorado, Marisa se distraiu e colidiu contra a traseira do automóvel de Leandro. Assustada com a reação de Leandro, que saiu do carro aos gritos, Marisa foge. Leandro anotou a placa do carro e ajuizou uma ação indenizatória por danos materiais em face de Marisa, em razão dos prejuízos causados a seu automóvel. Considerando que Marisa contratou o seguro do veículo, denunciou a seguradora à lide. Acerca de tais fatos, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Marisa deve pedir a citação da seguradora até a decisão saneadora. B) Se a empresa seguradora contestar o pedido de Leandro, o processo prosseguirá tendo, na ação principal, em litisconsórcio, Marisa e a seguradora. C) Sendo julgado procedente o pedido de indenização por danos materiais, Leandro deve pedir o cumprimento de sentença somente contra Marisa. D) Sendo julgado procedente o pedido de indenização por danos materiais, mesmo apresentando contestação quanto ao mérito, a seguradora não será condenada em honorários de sucumbência. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 83 QUESTÃO 5 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS (OAB/Exame XXX – 2019 – FGV) Daniel, sensibilizado com a necessidade de Joana em alugar um apartamento, disponibiliza-se a ser seu 昀椀ador no contrato de locação, fazendo constar nele cláusula de benefício de ordem. Um ano e meio após a assinatura do contrato, Daniel é citado em ação judicial visando à cobrança de aluguéis atrasados. Ciente de que Joana possui bens su昀椀cientes para fazer frente à dívida contraída, Daniel consulta você, como advogado(a), sobre a possibilidade de Joana também 昀椀gurar no polo passivo da ação. Diante do caso narrado, assinale a opção que apresenta a modalidade de intervenção de terceiros a ser arguida por Daniel em sua contestação. A) Assistência. B) Denunciação da lide. C) Chamamento ao processo. D) Nomeação à autoria. QUESTÃO 6 – TUTELA PROVISÓRIA (FGV/2023 - DPE-RS - Analista - Área Jurídica - Processual) Impedido de realizar uma cirurgia de urgência, por força da recusa do atendimento pelo plano de saúde, o paciente procurou a Defensoria Pública para que esta obtivesse junto ao Poder Judiciário a realização imediata do procedimento médico determinado pela equipe médica, tendo em vista que estava em risco de vida. Nesse cenário, é correto a昀椀rmar que a petição inicial: A) pode limitar-se ao requerimento de tutela antecipada em caráter antecedente, com possível posterior aditamento à petição inicial; B) deve vir acompanhada de todos os documentos necessários, sob pena de preclusão; C) pode limitar-se ao requerimento de tutela de evidência em caráter antecedente, com possível posterior aditamento à petição inicial; D) deverá requerer providência cautelar antecedente, uma vez que presente o perigo de dano, não sendo admissível tutela antecipada antecedente; E) deverá conter, necessariamente, o pedido principal da causa e o requerimento de tutela antecipada antecedente. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 84 QUESTÃO 7 – TUTELA PROVISÓRIA (OAB/Exame XXXV – 2022 – FGV) Paulo Filho pretende ajuizar uma ação de cobrança em face de Arnaldo José, tendo em vista um contrato de compra e venda 昀椀rmado entre ambos. As alegaçõesde fato propostas por Paulo podem ser comprovadas apenas documentalmente, e existe uma tese 昀椀rmada em julgamento de casos repetitivos. Ao questionar seu advogado sobre sua pretensão, Paulo Filho buscou saber se existia a possibilidade de que lhe fosse concedida uma tutela de evidência, com o intuito de sanar o problema da forma mais célere. Como advogado(a) de Paulo, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A tutela da evidência será concedida, caso seja demonstrado o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, quando as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese 昀椀rmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante. B) A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, somente quando 昀椀car caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte. C) A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese 昀椀rmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante. D) A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, somente quando a petição inicial for instruída com prova documental su昀椀ciente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. QUESTÃO 8 – TUTELA PROVISÓRIA (FGV - 2020 - TJ-RS - O昀椀cial de Justiça) Atropelado por um carro que invadira a calçada onde se encontrava, José sofreu graves lesões, o que o levou a intentar ação indenizatória em face de Luiz, proprietário e condutor do veículo. Em sua petição inicial, José pleiteou a condenação de Luiz a lhe pagar verbas reparatórias dos danos morais e ressarcitórias dos danos materiais, incluindo as despesas com os tratamentos médicos e hospitalares que se faziam necessários. Alegando não ter condições 昀椀nanceiras de arcar com tais tratamentos, e que estes não poderiam ser interrompidos, o autor requereu, também, a concessão de tutela inaudita altera parte, consubstanciada na determinação para que o réu imediatamente custeasse essas despesas, até o julgamento do mérito do processo. Reputando, à luz de uma cognição sumária, satisfatoriamente comprovadas as alegações de José, o magistrado, sem prejuízo do juízo positivo de admissibilidade da ação, deferiu a medida requerida, que tem a natureza de tutela: A) de urgência cautelar; B) de urgência antecipada; C) da evidência; D) de昀椀nitiva; E) executiva. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 85 QUESTÃO 9 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO (OAB/Exame XXXIII – 2021 – FGV) João Carlos ajuizou ação em face do Shopping Sky Mall, objetivando a devolução dos valores que superem o limite máximo previsto em lei de seu município, pagos em virtude do estacionamento de seu automóvel. Julgado procedente o pedido e iniciado o cumprimento de sentença, o executado apresentou impugnação, alegando ser inexigível a obrigação. Sustentou que o Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, reconheceu a inconstitucionalidade da referida lei municipal que ampara o título judicial. Considerando que a decisão do STF foi proferida após o trânsito em julgado da ação movida por João Carlos, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É possível acolher a alegação do executado veiculada em sua impugnação, pois a decisão do STF sempre se sobrepõe ao título judicial. B) É possível acolher a alegação do executado apresentada em sua impugnação, pois não houve a modulação dos efeitos da decisão do STF. C) Não é possível acolher a alegação do executado veiculada por meio de impugnação, sendo necessário o ajuizamento de ação rescisória para desconstituir o título. D) Não é possível acolher a alegação do executado apresentada em sua impugnação, pois o reconhecimento da inconstitucionalidade se deu em controle difuso de inconstitucionalidade. QUESTÃO 10 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO (OAB/Exame XXIV – 2017 – FGV) O Supermercado “X” 昀椀rmou contrato com a pessoa jurídica “Excelência” – sociedade empresária de renome - para que esta lhe prestasse assessoria estratégica e planejamento empresarial no processo de expansão de suas unidades por todo o país. Diante da discussão quanto ao cumprimento da prestação acordada, uma vez que o supermercado entendeu que o serviço fora prestado de forma de昀椀ciente, as partes se socorreram da arbitragem, em razão de expressa previsão do meio de solução de con昀氀itos trazida no contrato. Na arbitragem, restou decidido que assistia razão ao supermercado, sendo a sociedade empresária “Excelência” condenada ao pagamento de indenização, além de multa de 30%. Considerando o exposto, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Por se tratar de um título executivo extrajudicial, deve ser instaurado um processo de execução. B) Por se tratar de um título executivo judicial, será promovido segundo as regras do cumprimento de sentença. C) A sentença arbitral só poderá ser executada junto ao Poder Judiciário após ser con昀椀rmada em processo de conhecimento, quando adquire força de título executivo judicial. D) A sentença arbitral será executada segundo as regras do cumprimento de sentença, tendo em vista seu caráter de título executivo extrajudicial. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 86 QUESTÃO 11 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO (OAB/Exame XXVI – 2018 – FGV) Cláudia, intimada pelo juízo da Vara Z para pagar a Cleide o valor de R$ 20.000,00, com fundamento em cumprimento de昀椀nitivo de sentença, realiza, no prazo de 15 dias, o pagamento de R$ 5.000,00. De acordo com o que dispõe o CPC/2015, deve incidir A) multa de 10% e honorários advocatícios sobre R$15.000,00. B) multa de 10% sobre R$15.000,00 e honorários advocatícios sobre R$ 20.000,00. C) multa de 10% e honorários advocatícios sobre R$ 20.000,00. D) multa de 10% e honorários advocatícios sobre R$5.000,00. QUESTÃO 12 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO (OAB/Exame XXXIX – 2023 – FGV) Stefano Carneiro, após ganhar indenização de R$ 60.000,00 em processo judicial movido em face de Estevão Braga, inicia o cumprimento de昀椀nitivo de sentença requerendo ao juízo competente que intime o devedor para o pagamento da condenação. No prazo para pagar, Estevão Braga reconhece o débito e solicita ao seu advogado que realize o depósito de trinta por cento do valor da execução, acrescido de custas e de honorários do advogado, e que o restante seja parcelado em seis parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês, pois soube que o Código de Processo Civil permite ao devedor o parcelamento nessas condições. Na condição de advogado(a) de Estevão Braga, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O parcelamento pretendido por Estevão é possível, independentemente da aceitação do exequente, pois é um direito do executado. B) O parcelamento pretendido por Estevão é possível, pois o reconhecimento do débito ocorreu dentro no prazo para pagar. C) O parcelamento pretendido por Estevão só é possível antes do início do cumprimento de sentença. D) O parcelamento pretendido por Estevão não se aplica ao cumprimento de sentença. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 87 QUESTÃO 13 – DEVERES DAS PARTES E DOS PROCURADORES (FGV - 2023 – DPE/RS – Analista – Área Jurídica) Caio, assistido por advogado particular, ajuizou ação em face de Tício, na qual pleiteou a condenação deste a lhe pagar verba indenizatória de danos morais. Na petição inicial, Caio requereu a concessão do benefício da gratuidade de justiça, tendo sido anexada àquela peça a declaração de hipossu昀椀ciênciaeconômica 昀椀rmada pelo autor. Apreciando a exordial, o juiz deferiu a gratuidade de justiça requerida e procedeu ao juízo positivo de admissibilidade da demanda. Regularmente citado, Tício ofertou contestação, na qual, sem prejuízo das matérias defensivas de natureza meritória, impugnou, a título de questão preliminar, o benefício da gratuidade de justiça concedido ao autor, sob o argumento de que este litigava assistido por advogado particular, e não pela Defensoria Pública. Apreciando o tema, o juiz acolheu a alegação de Tício, revogando o benefício da gratuidade que havia deferido a Caio. Nesse cenário, é correto a昀椀rmar que: A) a impugnação à gratuidade de justiça não deveria ter sido suscitada pelo réu como questão preliminar da contestação, mas sim em petição autônoma; B) a posterior revogação da gratuidade de justiça foi correta, já que tal benefício é incompatível com o patrocínio da causa por advogado particular; C) a declaração de hipossu昀椀ciência 昀椀rmada por Caio gerou uma presunção nesse sentido, a qual, sendo relativa, pode ceder diante de elementos que apontem para a conclusão oposta; D) a decisão que revogou o benefício da gratuidade de justiça é irrecorrível, podendo Caio, todavia, lançar mão do mandado de segurança para impugná-la; E) a decisão que revogou o benefício da gratuidade de justiça é impugnável pelo recurso de apelação, podendo Caio requerer a concessão de efeito suspensivo ao desembargador relator. QUESTÃO 14 – DESPESAS, HONORÁRIOS DE ADVOGADO E MULTA (OAB/Exame XXXVII – 2023 – FGV) Marco Aurélio atuou como advogado em uma ação indenizatória movida em face de uma operadora de plano de saúde que foi condenada a pagar indenização por danos morais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao seu cliente. Apesar de o processo ter corrido perante juízo cível, a sentença condenatória deixou de 昀椀xar honorários de sucumbência em favor de Marco Aurélio, tendo transitado em julgado sem que ele percebesse a omissão. Considerando o caso narrado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Após o trânsito em julgado da sentença, Marco Aurélio não poderá pleitear mais a condenação em honorários de sucumbência. B) Marco Aurélio poderá ajuizar ação autônoma para de昀椀nir o valor dos honorários de sucumbência. C) Após o trânsito em julgado da sentença, apesar de omissa quanto à condenação em honorários de sucumbência, Marco Aurélio poderá executar somente o valor mínimo de dez por cento sobre o valor da condenação. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 88 D) Marco Aurélio poderá opor embargos de declaração em face da sentença omissa, pois a matéria de honorários de sucumbência não transita em julgado. QUESTÃO 15 – AÇÃO RESCISÓRIA (OAB/Exame XXXI – 2020 – FGV) Em um processo em que Carla disputava a titularidade de um apartamento com Marcos, este obteve sentença favorável, por apresentar, em juízo, cópia de um contrato de compra e venda e termo de quitação, anteriores ao contrato 昀椀rmado por Carla. A sentença transitou em julgado sem que Carla apresentasse recurso. Alguns meses depois, Carla descobriu que Marcos era réu em um processo criminal no qual tinha sido comprovada a falsidade de vários documentos, dentre eles o contrato de compra e venda do apartamento disputado e o referido termo de quitação. Carla pretende, com base em seu contrato, retornar a juízo para buscar o direito ao imóvel. Para isso, ela pode A) interpor recurso de apelação contra a sentença, ainda que já tenha ocorrido o trânsito em julgado, fundado em prova nova. B) propor reclamação, para garantir a autoridade da decisão prolatada no juízo criminal, e formular pedido que lhe reconheça o direito ao imóvel. C) ajuizar rescisória, demonstrando que a sentença foi fundada em prova cuja falsidade foi apurada em processo criminal. D) requerer cumprimento de sentença diretamente no juízo criminal, para que a decisão que reconheceu a falsidade do documento valha como título judicial para transferência da propriedade do imóvel para seu nome. QUESTÃO 16 – COMPETÊNCIA (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Juliana e André foram casados por anos, tiveram um 昀椀lho que atualmente está com 6 anos, mas, por adversidades conjugais, resolveram pôr 昀椀m ao casamento. Após a separação, o 昀椀lho 昀椀cou residindo com a mãe em cidade distinta do pai. Considerando que não tem mais volta a relação conjugal, Juliana, por meio do seu advogado, deseja propor ação de divórcio e guarda. Sobre o caso, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A ação de divórcio e guarda deve tramitar em segredo de justiça. B) A ação de divórcio e guarda deve ser proposta no domicílio de André. C) Se André, após a citação, não comparecer em audiência nem apresentar contestação, ele não poderá mais intervir no processo. D) Ainda que André apresente resistência à ação de divórcio e guarda, sendo vencido na ação, ele não poderá ser condenado em honorários de sucumbência. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 89 QUESTÃO 17 – RECURSOS (OAB/Exame XXII – 2017 – FGV) Jorge ajuizou demanda contra Maria, requerendo sua condenação à realização de obrigação de fazer e ao pagamento de quantia certa. Fez requerimento de tutela provisória de urgência em relação à obrigação de fazer. Após o transcurso da fase postulatória e probatória sem a análise do mencionado requerimento, sobreveio sentença de procedência de ambos os pedidos autorais, em que o juízo determina o imediato cumprimento da obrigação de fazer. Diante de tal situação, Maria instruiu seu advogado a recorrer apenas da parte da sentença relativa à obrigação de fazer. Nessa circunstância, o advogado de Maria deve A) impetrar Mandado de Segurança contra a decisão que reputa ilegal, tendo como autoridade coatora o juízo sentenciante. B) interpor Agravo de Instrumento, impugnando o deferimento da tutela provisória, pois ausentes seus requisitos. C) interpor Apelação, impugnando o deferimento da tutela provisória e a condenação 昀椀nal à obrigação de fazer. D) interpor Agravo de Instrumento, impugnando a tutela provisória e a condenação 昀椀nal à obrigação de fazer. QUESTÃO 18 – RECURSOS (FGV - 2022 – TJDFT – Analista Judiciário) Recebendo a petição inicial de uma ação de execução fundada em título extrajudicial, o executado, depois de validamente citado, promoveu o depósito de importância em valor inferior àquela pretendida pelo exequente. Reputando, contudo, o crédito satisfeito em sua integralidade, o juiz extinguiu a execução. Para obter a reforma desse provimento junto ao órgão ad quem, deverá o exequente manejar: A) recurso de agravo de instrumento; B) recurso de apelação; C) recurso de embargos de declaração; D) recurso ordinário-constitucional; E) mandado de segurança, por se tratar de provimento irrecorrível. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 90 QUESTÃO 19 – RECURSOS (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Ricardo propôs a execução de um título executivo extrajudicial contra Isabela. Diante da propositura da execução por Ricardo, Isabela apresentou embargos à execução. O Magistrado julgou improcedentes os embargos à execução de Isabela que, irresignada, interpôs recurso de apelação contra a sentença de improcedência dos embargos à execução. Ao receber a apelação interposta por Isabela, o Desembargador relator, integrante de Câmara Cível, julgou o recurso monocraticamente, negando provimento à apelação. Assinale a opção que apresenta o recurso cabível a ser interposto por Isabela. A) Recurso especial, para que seja analisada, pelo Superior Tribunal de Justiça, eventual violação de lei federal por ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática pelo desembargador relator. B) Agravo interno, para que seja analisada, pelo Desembargador relator, eventual violação de lei federal decorrente de ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática pelo próprio relator. C) Agravo interno, porse tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível. D) Recurso especial, por se tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível. QUESTÃO 20 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA (OAB/Exame XXVI – 2018 – FGV) Uma fábrica da sociedade empresária Tratores Ltda. despejou 10 toneladas de lixo reciclável no rio Azul, que corta diversos municípios do estado do Paraná. Em decorrência de tal fato, constatou-se a redução da 昀氀ora às margens do rio. Sobre a medida cabível em tal cenário, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É cabível ação popular, na qual deve 昀椀gurar obrigatoriamente o Ministério Público como autor. B) É cabível ação civil pública, na qual deve 昀椀gurar obrigatoriamente como autor um dos indivíduos afetados pelos danos. C) Não é cabível ação civil pública ou ação coletiva, considerando a natureza dos danos, mas o Ministério Público pode ajuizar ação pelo procedimento comum, com pedido de obrigação de não fazer. D) É cabível ação civil pública, na qual o Ministério Público, se não for autor, 昀椀gurará como 昀椀scal da lei. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 91 GABARITO COMENTADO PROCESSO CIVIL QUESTÃO 1 – DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes parágrafos do artigo 85 do Código de Processo Civil (CPC): “§ 14. Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência parcial. § 15. O advogado pode requerer que o pagamento dos honorários que lhe caibam seja efetuado em favor da sociedade de advogados que integra na qualidade de sócio, aplicando-se à hipótese o disposto no § 14. (...) § 17. Os honorários serão devidos quando o advogado atuar em causa própria. § 18. Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua de昀椀nição e cobrança.” Desse modo, o magistrado cometeu um equívoco ao não incluir na sentença a condenação de Carolina ao pagamento de honorários, como estabelecido no artigo 85 do Código de Processo Civil. Contudo, essa omissão não afeta os direitos do advogado, que ainda pode buscar o recebimento dos honorários de sucumbência através de uma ação autônoma. DICA BÔNUS! “Artigo 85, § 2º, CPC: Os honorários serão 昀椀xados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos: I - o grau de zelo do pro昀椀ssional; II - o lugar de prestação do serviço; III - a natureza e a importância da causa; IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 92 QUESTÃO 2 – DEVERES DAS PARTES E DE SEUS PROCURADORES Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou os seguintes artigos do CPC: “Artigo 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insu昀椀ciência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.” “Artigo 99, § 3º Presume-se verdadeira a alegação de insu昀椀ciência deduzida exclusivamente por pessoa natural.” “Artigo 100. Deferido o pedido, a parte contrária poderá oferecer impugnação na contestação, na réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, nos autos do próprio processo, sem suspensão de seu curso.” Conforme disposto acima, quem não possui recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça. Para pessoas físicas, essa hipossu昀椀ciência é presumida, mas para pessoas jurídicas, é preciso provar falta de recursos. Nesse sentido, em relação ao caso em questão, o benefício foi concedido indevidamente, pois a empresa Palavras Cruzadas Ltda. não apresentou qualquer documento que comprovasse sua falta de recursos 昀椀nanceiros, conforme o artigo 99, §3º do CPC. Então, a ré (Helena) alegará em preliminar de contestação que não estão presentes os requisitos para o deferimento do benefício de gratuidade, de acordo com o artigo 100 do CPC. QUESTÃO 3 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Gabarito: “A”. No chamamento ao processo o réu, chamado de “chamante”, pode pedir a inclusão de outra pessoa, chamada de “chamado”, para que ela também seja responsável. Desse modo, a banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos do CPC: “Artigo 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu: I - do a昀椀ançado, na ação em que o 昀椀ador for réu; II - dos demais 昀椀adores, na ação proposta contra um ou alguns deles; III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum” (grifo nosso). “Artigo 131. A citação daqueles que devam 昀椀gurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de 昀椀car sem efeito o chamamento” (grifo nosso). Portanto, para que o réu 昀椀ador deseje que a pessoa a昀椀ançada faça parte do processo, ele deve utilizar o chamamento ao processo. A citação da pessoa a昀椀ançada deve ser requerida na contestação. Chamamento ao Processo: “Admito minha responsabilidade, porém, o senhor Fulano também é responsável pelo débito...” Há ideia uma ideia de solidariedade. Geralmente, a banca traz uma situação de “昀椀ador” na questão. Denunciação da Lide: Lembre-se de “ação de regresso” e “evicção” aqui. A banca FGV, geralmente, traz uma situação de “contrato de seguro” na questão. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica: Relaciona-se a casos de abuso da personalidade jurídica por desvio de 昀椀nalidade ou confusão patrimonial (artigos 133 a 137 do CPC e artigo 50 do Código Civil). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 93 QUESTÃO 4 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Gabarito: “B”. A alternativa correta é a letra B, pois, de acordo com o art. 125, inciso II, e o art. 128, I, do CPC, ao ser denunciada à lide, a seguradora forma um litisconsórcio passivo com a denunciante (Marisa) em relação ao autor da ação principal (Leandro). Isso signi昀椀ca que, ao contestar o pedido de Leandro, a seguradora passa a integrar o polo passivo da ação, assumindo a defesa dos interesses que lhe forem pertinentes. As demais alternativas estão incorretas. A alternativa A erra ao indicar que a denunciação da lide pode ocorrer até a decisão saneadora, quando, na verdade, o art. 126 do CPC determina que essa deve ser realizada na contestação. A alternativa C está errada porque, caso a seguradora seja condenada, Leandro pode exigir o cumprimento de sentença tanto contra Marisa quanto contra a seguradora, conforme o art. 128, parágrafo único, do CPC. Por 昀椀m, a alternativa D equivoca-se ao a昀椀rmar que a seguradora não será condenada em honorários de sucumbência, contrariando o art. 85 do CPC, que prevê tal condenação para a parte vencida. QUESTÃO 5 – INTERVENÇÃO DE TERCEIROS Gabarito: “C”. Veja que a banca trouxe a 昀椀gura do “昀椀ador” (contrato de locação) e cobrou o disposto no artigo abaixo, do CPC: “Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu: I - do a昀椀ançado, na ação em que o 昀椀ador for réu;” O chamamento ao processo é usado em caso de solidariedade na obrigação, como já dito em comentário de questão anterior. MEMORIZE! QUESTÃO 6 – TUTELA PROVISÓRIA Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou o teor do artigo abaixo, do CPC: “Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipadaofendida em razão do exercício pro昀椀ssional. D) o pedido de desagravo público só pode ser formulado por Júlia, que é a pessoa ofendida em razão do exercício pro昀椀ssional, mas o ajuizamento de ação para apurar a responsabilidade civil implica a perda de objeto do desagravo. QUESTÃO 9 – ESTÁGIO PROFISSIONAL (OAB/Exame XXIII – 2017 – FGV) Diogo é estudante de Direito com elevado desempenho acadêmico. Ao ingressar nos últimos anos do curso, ele é convidado por um ex-professor para estagiar em seu escritório. Inscrito nos quadros de estagiários da OAB e demonstrando alta capacidade, Diogo ganha a con昀椀ança dos sócios do escritório e passa a, isoladamente e sob a responsabilidade do advogado, retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga; visar atos constitutivos de sociedades para que sejam admitidos a registro; obter junto a escrivães e chefes de secretaria certidões de peças ou autos de processos em curso ou 昀椀ndos; assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais ou administrativos; e subscrever embargos de declaração opostos em face de decisões judiciais. Considerando as diversas atividades desempenhadas por Diogo, isoladamente e sob a responsabilidade do advogado, de acordo com o Estatuto e Regulamento da OAB, ele pode A) retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga, bem como visar atos constitutivos de sociedades, para que sejam admitidos a registro. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 12 B) obter, junto a escrivães e chefes de secretaria, certidões de peças ou autos de processos em curso ou 昀椀ndos, bem como assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais ou administrativos. C) obter, junto a escrivães e chefes de secretaria, certidões de peças ou autos de processos 昀椀ndos, mas não de processos em curso, bem como subscrever embargos de declaração opostos em face de decisões judiciais. D) assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais, mas não a processos administrativos, nem subscrever embargos de declaração opostos em face de decisões judiciais. QUESTÃO 10 – DIREITOS DOS ADVOGADOS (OAB/Exame XXIX – 2019 – FGV) O advogado X foi preso em 昀氀agrante enquanto furtava garrafas de vinho, de valor bastante expressivo, em determinado supermercado. Conduzido à delegacia, foi lavrado o auto de prisão em 昀氀agrante, sem a presença de representante da OAB. Com base no disposto no Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A lavratura do auto de prisão em 昀氀agrante foi eivada de nulidade, em razão da ausência de representante da OAB, devendo a prisão ser relaxada. B) A lavratura do auto de prisão em 昀氀agrante não é viciada, desde que haja comunicação expressa à seccional da OAB respectiva. C) A lavratura do auto de prisão em 昀氀agrante foi eivada de nulidade, em razão da ausência de representante da OAB, devendo ser concedida liberdade provisória não cumulada com aplicação de medidas cautelares diversas da prisão. D) A lavratura do auto de prisão em 昀氀agrante não é viciada e independe de comunicação à seccional da OAB respectiva. QUESTÃO 11 – DIREITOS DOS ADVOGADOS (FGV/2022 - AGE-MG - Procurador do Estado) O Brás Cubas, advogado inscrito na OAB/MG, recentemente, em três processos distintos, interpôs, no Superior Tribunal de Justiça, embargos de divergência, recurso especial e mandado de segurança. Contudo, o relator, por decisões monocráticas, não conheceu dos recursos e da ação. Brás pretende realizar sustentação oral nos julgamentos dos recursos por ele interpostos contra tais decisões monocráticas. Diante da situação narrada, com base no Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994), assinale a a昀椀rmativa correta. A) A Lei nº 8.906 confere o direito à sustentação oral somente no julgamento do recurso contra o não conhecimento do recurso especial. B) Brás Cubas deverá interpor agravo, que não confere direito à sustentação oral. C) Em todos os feitos interpostos no Poder Judiciário brasileiro, como corolário do princípio da ampla defesa, é direito essencial da advocacia, a realização da sustentação. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 13 D) Somente no julgamento do recurso contra o não conhecimento do recurso especial e do mandado de segurança, a lei garante o direito à sustentação oral. E) Por lei, em todos os feitos narrados no enunciado, Brás Cubas terá direito à sustentação oral. QUESTÃO 12 – DIREITOS DOS ADVOGADOS (OAB/Exame XIV – 2014 – FGV) O advogado Antônio de Souza encontra-se preso cautelarmente, em cela comum, por força de decreto de prisão preventiva proferido no âmbito de ação penal a que responde por suposta prática de reiteradas fraudes contra a Previdência. O advogado de Antônio requereu ao magistrado que decretou a prisão a transferência de seu cliente para sala de estado-maior. Como não havia sala de estado-maior disponível na localidade, o magistrado determinou que Antônio deveria permanecer em prisão domiciliar até que houvesse sala de estado-maior disponível. Sobre a decisão do magistrado, assinale a opção correta. A) O magistrado decidiu corretamente, pois, de acordo com o EAOAB, é direito do advogado não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado-maior e, na sua falta, em prisão domiciliar. B) O magistrado não decidiu corretamente, pois o advogado, assim como qualquer outro cidadão que tenha concluído curso superior, tem direito a ser recolhido preso em prisão especial, mas não em sala de estado-maior, que apenas é garantida a magistrados e membros do Ministério Público. C) O magistrado decidiu corretamente, devendo o advogado permanecer em prisão domiciliar, mesmo havendo sala de Estado Maior, após eventual trânsito em julgado de sua condenação. D) O magistrado não decidiu corretamente, pois o advogado apenas tem direito a não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, em sala de estado-maior e, na sua falta, em prisão domiciliar, quando o crime que lhe esteja sendo imputado decorra do exercício regular da pro昀椀ssão de advogado. QUESTÃO 13 – DIREITOS DAS ADVOGADAS (OAB/Exame XXII – 2017 – FGV) Viviane, Paula e Milena são advogadas. Viviane acaba de dar à luz, Paula adotou uma criança e Milena está em período de amamentação. Diante da situação narrada, de acordo com o Estatuto da OAB, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Viviane e Milena têm direito a reserva de vaga nas garagens dos fóruns dos tribunais. B) Viviane e Paula têm direito à suspensão de prazos processuais, em qualquer hipótese, desde que haja noti昀椀cação por escrito ao cliente. C) Viviane, Paula e Milena têm direito de preferência na ordem das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição. D) Paula e Milena têm direito a entrar nos tribunais sem serem submetidas a detectores de metais e aparelhos de raio-X. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 14 QUESTÃO 14 – ADVOGADO EMPREGADO (OAB/Exame XLI – 2024 – FGV) Gilson, advogado recém inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, estava em dúvida entre constituir sociedade unipessoal de advocacia, o que, em seu entender, lhe traria maior autonomia e liberdade, ou aceitar a proposta recebida da sociedade empresária XYZ, para atuar como advogado empregado em regime de dedicação exclusiva. Após estudar a legislação correlata, Gilson aceitou a proposta de emprego da sociedade empresária XYZ. Acerca desse vínculo contratual, de acordo com o texto legal do Estatuto da Advocacia, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Nas causas em que Gilson atuar como advogado empregado da empresa XYZ, ou de pessoa por esta representada, os honorários de sucumbência lhe pertencerão. B) Gilson estará eticamente obrigado a prestar serviços pro昀椀ssionais de interesse pessoal dos diretores da sociedade empresária XYZ. C) A jornada de trabalho dee à indicação do pedido de tutela 昀椀nal, com a ex- posição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. § 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a con昀椀rmação do pedido de tutela 昀椀nal, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz 昀椀xar; II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação na forma do art. 334; III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na forma do art. 335. § 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo, o processo será extinto sem resolução do mérito. § 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo dar-se-á nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. § 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela 昀椀nal. § 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício previsto no caput deste artigo. § 6º Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito” (grifo nosso). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 94 QUESTÃO 7 – TUTELA PROVISÓRIA Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 311, inciso II, do CPC: “Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I - 昀椀car caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese 昀椀rmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; IV - a petição inicial for instruída com prova documental su昀椀ciente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente” (grifo nosso). Veja que a FGV cobrou a literalidade da lei! O erro das alternativas “b” e “d” está em usar a palavra “somente”, pois há outras hipóteses de concessão de tutela de evidência, conforme o artigo 311 do CPC. ATENÇÃO! TUTELA DE URGÊNCIA: Fumus boni iuris (probabilidade das alegações) + Periculum in mora (perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo). Há urgência. Quanto ao momento, a tutela de urgência pode ser antecedente (antes da ação principal) ou incidental (ação principal já proposta). Quanto ao objetivo, pode ser tutela de urgência antecipada ou cautelar. TUTELA DE EVIDÊNCIA: Independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo. Não há necessidade de urgência. Basta uma das hipóteses do artigo 311 do CPC. Há uma “superprobabilidade”. O direito está muito evidente. A tutela de evidência é somente incidental (ação principal já proposta). QUESTÃO 8 – TUTELA PROVISÓRIA Gabarito: “B”. Diante da situação descrita na questão, a medida requerida por José, que consiste na determinação para que o réu imediatamente custeasse as despesas médicas e hospitalares até o julgamento do mérito do processo, se enquadra como tutela de urgência. Dentro das tutelas de urgência previstas no Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), temos duas modalidades: a tutela de urgência cautelar e a tutela de urgência antecipada. A tutela de urgência cautelar é aquela que visa resguardar o resultado útil do processo, enquanto a tutela de urgência antecipada é concedida para antecipar os efeitos da decisão 昀椀nal. No caso apresentado, José está buscando uma medida para custeio imediato das despesas médicas e hospitalares necessárias, alegando não ter condições 昀椀nanceiras para arcar com tais tratamentos e que estes não podem ser interrompidos. Portanto, a medida concedida pelo magistrado é uma forma de antecipação dos efeitos da tutela, pois visa garantir a efetividade do direito do autor antes mesmo do julgamento de昀椀nitivo da demanda. A tutela de urgência concedida foi de natureza antecipada e não de natureza cautelar (artigo 294, parágrafo único, do CPC: “a tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental”). Desse modo, quando a urgência ocorrer antes de iniciar o processo, o pedido inicial pode ser apenas pela tutela antecipada em caráter antecedente. Depois, é possível aditar a petição inicial com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a con昀椀rmação do pedido de tutela 昀椀nal. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 95 Ademais, na tutela de evidência não há necessidade de urgência (artigo 311 do CPC). Por isso, não poderia ser a alternativa “C”. Nesse sentido, a tutela concedida é provisória (e não de昀椀nitiva) e possui natureza de conhecimento (e não de execução), motivos pelos quais estão erradas as alternativas “D” e “E”. ATENÇÃO! “inaudita altera parte” = sem ouvir a parte contrária. MEMORIZE! Tutela de Urgência Antecipada “SATISFAZ”. Antecipa os efeitos da decisão 昀椀nal. Exemplo: uma cirurgia urgente que precisa ser realizada. Tutela de Urgência Cautelar “ASSEGURA”. Resguardar o resultado útil do processo. Exemplo: Guardar um bem. QUESTÃO 9 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO Gabarito: “C”. De acordo com o artigo 525, parágrafo 15, do CPC, a solução cabível é a ação rescisória, vejamos: “Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar: I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II - ilegitimidade de parte; III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VII - qualquer causa modi昀椀cativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença. (...) § 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. (...) § 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que ocorreu o trânsito em julgado, não é possível questionar a inconstitucionalidade por meio de impugnação ao cumprimento de sentença. O procedimento adequado é ajuizar uma ação rescisória para desconstituir o título, segundo o teor do artigo 525, §15 do CPC. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 96 QUESTÃO 10 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 515do CPC: “São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II - a decisão homologatória de autocomposição judicial; III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII - a sentença arbitral; VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça; X - (VETADO). § 1º Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias. § 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo” (grifo nosso). De acordo com o artigo 515, inciso VII, do Código de Processo Civil (CPC), a sentença arbitral é considerada um título executivo judicial, o que signi昀椀ca que pode ser executada de acordo com as regras para o cumprimento de sentença. Além disso, sabendo que a sentença arbitral é um título executivo JUDICIAL, o candidato já conseguiria “descartar” as alternativas A e D, que dizem se tratar de título executivo extrajudicial. QUESTÃO 11 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 523, §§ 1º, 2º e 3º do CPC: “Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já 昀椀xada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento de昀椀nitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. § 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. § 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no § 1º incidirão sobre o restante. § 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação.” Desse modo, veri昀椀ca-se que: Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 97 1º) Quando há condenação em quantia certa, o executado será intimado a pagar o débito no prazo de 15 dias (mais as custas, se houver). 2º) Se o pagamento do débito não for realizado, será acrescido de multa de 10% e de honorários advocatícios de 10%. 3º) Caso o pagamento seja parcial, os percentuais referidos incidirão sobre o restante da condenação. 4º) Se não for realizado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, para expropriação. Portanto, de acordo com o caso em concreto, tendo em vista que foi realizado o pagamento de 5 mil reais referente a uma condenação no valor de 20 mil reais (ou seja, ocorreu pagamento parcial do débito), haverá acréscimo de multa de 10% e de honorários advocatícios de 10% sobre 15 mil reais (restante da condenação). CUIDADO, pois a multa de 10% e honorários advocatícios NÃO É sobre R$ 20.000,00, mas sobre o restante da condenação! QUESTÃO 12 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA E PROCESSO DE EXECUÇÃO Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo: Artigo 916 do CPC: “No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de 30 % (trinta por cento) do valor em execução, acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 06 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de 1% (um por cento) ao mês. (...) § 7° O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença” (grifo nosso). Desse modo, o parcelamento pretendido por Estevão, nos termos do CPC, não se aplica ao cumprimento de sentença. Cumprimento de sentença: vedado o parcelamento Execução: permitido o parcelamento Para ocorrer o parcelamento deve ter depósito de 30%, podendo ser em até 6 (seis) parcelas mensais. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 98 QUESTÃO 13 – DEVERES DAS PARTES E DOS PROCURADORES Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos do CPC: “Artigo 99 - § 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos. § 3º Presume-se verdadeira a alegação de insu昀椀ciência deduzida exclusivamente por pessoa natural.” “Artigo 100. Deferido o pedido, a parte contrária poderá oferecer impugnação na contestação, na réplica, nas contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, nos autos do próprio processo, sem suspensão de seu curso. Parágrafo único. Revogado o benefício, a parte arcará com as despesas processuais que tiver deixado de adiantar e pagará, em caso de má-fé, até o décuplo de seu valor a título de multa, que será revertida em benefício da Fazenda Pública estadual ou federal e poderá ser inscrita em dívida ativa.” Desse modo, a declaração de hipossu昀椀ciência gera uma presunção relativa de veracidade, ou seja, pode ser contestada por elementos que indiquem o contrário. Ademais, uma vez requerido o benefício da gratuidade da justiça na petição inicial, o réu deve impugná-lo em preliminar de contestação. Isso é o que dispõe o teor do artigo 337, XIII do CPC: “Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.” Ainda, a assistência por advogado particular não impede a concessão da gratuidade de justiça, desde que o requerente demonstre sua insu昀椀ciência econômica, o que foi feito por Caio ao apresentar a declaração de hipossu昀椀ciência. Vejamos o teor do §4º do artigo 99 do CPC: “A assistência do requerente por a dvogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça.” Nesse sentido, a decisão que revogou a gratuidade de justiça é passível de recurso, que no caso é o agravo de instrumento, conforme os artigos 101 e 1.015, V, CPC . O mandado de segurança não é a via adequada para impugnar essa decisão. “Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na sentença, contra a qual caberá apelação. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: (...) V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;” (grifo nosso) Por 昀椀m, a decisão que revogou o benefício da gratuidade de justiça não poderia ser impugnável pelo recurso de apelação, pois a questão não foi resolvida na sentença. QUESTÃO 14 – DESPESAS, HONORÁRIOS DE ADVOGADO E MULTA Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo do CPC: “Artigo 85, § 18 - Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua de昀椀nição e cobrança.” Desse modo, tendo em vista que a sentença condenatória deixou de 昀椀xar honorários de sucumbência em favor de Marco Aurélio, ele poderá ajuizar ação autônoma para de昀椀nir o valor dos honorários desucumbência. Ademais, Marco Aurélio poderá executar o valor integral dos honorários e não apenas o valor mínimo de 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, bem como a matéria de honorários de sucumbência também transita em julgado, mas se a sentença for omissa em relação a eles, é cabível ação autônoma para sua de昀椀nição e cobrança. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 99 QUESTÃO 15 – AÇÃO RESCISÓRIA Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo do CPC: “Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se veri昀椀car que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente; III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a 昀椀m de fraudar a lei; IV - ofender a coisa julgada; V - violar manifestamente norma jurídica; VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação rescisória; VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; VIII - for fundada em erro de fato veri昀椀cável do exame dos autos” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que a decisão já transitou em julgado, Carla pode ajuizar rescisória, com base no art. 966, VI, do CPC. Ademais, não caberia na situação apresentada o recurso de apelação, pois já ocorreu o trânsito em julgado da decisão. QUESTÃO 16 – COMPETÊNCIA Gabarito: “A”. A alternativa correta é a letra A. Conforme o art. 189, II, do CPC, os processos que tratam de direito de família — como divórcio, guarda, alimentos e 昀椀liação — devem tramitar em segredo de justiça, justamente para proteger a intimidade da vida privada das partes e, especialmente, a dignidade do menor envolvido. No caso, a ação de divórcio e guarda proposta por Juliana deve obrigatoriamente observar esse sigilo processual. As demais alternativas estão incorretas. A letra B erra ao indicar o foro do pai, pois, havendo 昀椀lho menor, a competência é do domicílio do guardião, ou seja, da mãe (art. 53, I, CPC). A letra C está equivocada porque o réu revel pode sim intervir no processo a qualquer tempo, recebendo-o no estado em que se encontrar (art. 346, parágrafo único, CPC). Já a letra D também não procede, pois a regra do art. 85 do CPC prevê a condenação em honorários de sucumbência mesmo em ações de família, salvo situações excepcionais tratadas pela jurisprudência, o que não é o caso aqui. QUESTÃO 17 – RECURSOS Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos do CPC: “Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.” “Art. 1.013, § 5º - O capítulo da sentença que con昀椀rma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação.” “Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I - tutelas provisórias;” Desse modo, tendo em vista que o deferimento da tutela provisória e a condenação à obrigação de fazer se deram por meio de sentença, o recurso cabível é o de apelação. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 100 QUESTÃO 18 – RECURSOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos do CPC: “Art. 203, § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe 昀椀m à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.” “Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.” Portanto, tendo em vista que “reputando, contudo, o crédito satisfeito em sua integralidade, o juiz extinguiu a execução”, houve o encerramento de uma fase. O Juiz extinguiu a execução por meio de sentença e da sentença cabe apelação. QUESTÃO 19 – RECURSOS Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. Quando o desembargador relator profere decisão monocrática negando provimento a um recurso, como ocorreu no caso da apelação interposta por Isabela, o recurso cabível é o agravo interno, previsto no art. 1.021 do CPC. Esse recurso tem como 昀椀nalidade levar a questão ao julgamento do órgão colegiado — no caso, a Câmara Cível — para que os demais desembargadores possam reexaminar a decisão isolada do relator. Assim, a parte não pode pular etapas recorrendo diretamente aos tribunais superiores, devendo primeiro esgotar os recursos disponíveis na instância ordinária. As demais alternativas estão incorretas. A letra A e a letra D erram porque o recurso especial somente é cabível contra acórdão, ou seja, decisão colegiada, e não contra decisão monocrática de relator. Já a letra B também está incorreta, pois o agravo interno não é analisado pelo próprio relator que proferiu a decisão, mas sim pelo órgão colegiado ao qual ele pertence. Dessa forma, o único recurso adequado para impugnar a decisão monocrática é o agravo interno. Apesar de o artigo 1.015, inciso I, do CPC, falar sobre o cabimento de agravo de instrumento sobe tutelas provisórias, não pode ser caso de agravo de instrumento, pois não se trata de decisão interlocutória, conforme veri昀椀ca-se do caso em concreto. Ademais, o mandado de segurança também não seria cabível, pois o recurso correto é a apelação. QUESTÃO 20 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos da Lei 7.347/1985: “Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: l - ao meio-ambiente; ll - ao consumidor; III – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo; V - por infração da ordem econômica; VI - à ordem urbanística. VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos. VIII – ao patrimônio público e social. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 101 Parágrafo único. Não será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS ou outros fundos de natureza institucional cujos bene昀椀ciários podem ser individualmente determinados” (grifo nosso). “Art. 5º - Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar: I - o Ministério Público; II - a Defensoria Pública; III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia mista; V - a associação que, concomitantemente: a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil; b) inclua, entre suas 昀椀nalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. § 1º O Ministério Público, se não intervier no processo como parte, atuará obrigatoriamente como 昀椀scal da lei” (grifo nosso). Desse modo, tendo em vista que a questão trata de apuração de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao meio ambiente, cabível a ação civil pública, espécie de ação coletiva, conforme o teor do artigo 1º, I, da referida lei. Neste caso, se o Ministério Público não for o autor, ele atuará, de modo obrigatório, como 昀椀scal da lei, se- gundo o §1º do artigo 5º da mesma lei. Ademais, o autor da ação popular é qualquer cidadão. O Ministério Público poderá promover o prosseguimento da ação caso o autor desista dela, conforme disposto no teor do artigo 9º da Lei nº 4.717/196: “Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância, serãopublicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, 昀椀cando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação.” AÇÃO POPULAR (AP) - Artigo 5º, LXXIII, CF/88 e Lei 4.717/1965; - Anula atos lesivos ao patrimônio público, meio-ambiente, moralidade administrativa e patrimônio histórico e cultural; - Qualquer cidadão (com título de eleitor) pode propor ação popular; - A ação popular possui uma lógica mais anulatória (anular ato lesivo); - É gratuita, salvo comprovada má-fé. AÇÃO CIVIL PÚBLICA (ACP) - Lei nº 7.347/1985; - O cidadão não é um legitimado ativo para propor ação civil pública. Há legitimados próprios; - A ação civil pública possui uma lógica mais indenizatória, para apurar a responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente, ao consumidor, entre outros; Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 102 QUESTÕES DE DIREITO PENAL QUESTÃO 1 – NEXO DE CAUSALIDADE: CONCAUSAS (OAB/Exame XL – 2024 – FGV) Júlio desferiu um tapa no rosto de Jacinto, que foi projetado contra um poste em que havia um 昀椀o de alta tensão exposto, algo que não foi visto nem poderia ser imaginado por Júlio, pois já era noite e havia pouca iluminação. Jacinto recebeu uma forte descarga elétrica, que foi causa su昀椀ciente de sua morte. Sobre a responsabilidade de Júlio pelo resultado morte, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Júlio deve responder pelo homicídio doloso de Jacinto, tendo em vista que o resultado morte não teria ocorrido se não fosse a agressão dolosa. B) A descarga elétrica é uma concausa superveniente relativamente independente que, por si só, produziu o resultado morte, devendo Júlio responder por lesão corporal. C) Júlio agiu com dolo no delito antecedente e culpa no consequente, devendo responder por delito preterdoloso de lesão corporal seguida de morte. D) A descarga elétrica pode ser imputada a Júlio, ante a violação objetiva de um dever de cuidado, devendo Júlio ser responsabilizado por homicídio culposo. QUESTÃO 2 – TIPICIDADE/CONDUTA: AÇÃO E OMISSÃO (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) Carlos presta serviço informal como salva-vidas de um clube, não sendo regularmente contratado, apesar de receber uma gorjeta para observar os sócios do clube na piscina, durante toda a semana. Em seu horário de “serviço”, com várias crianças brincando na piscina, 昀椀ca observando a beleza física da mãe de uma das crianças e, ao mesmo tempo, falando no celular com um amigo, acabando por 昀椀car de costas para a piscina. Nesse momento, uma criança vem a falecer por afogamento, fato que não foi notado por Carlos. Sobre a conduta de Carlos, diante da situação narrada, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Não praticou crime, tendo em vista que, apesar de garantidor, não podia agir, já que concretamente não viu a criança se afogando. B) Deve responder pelo crime de homicídio culposo, diante de sua omissão culposa, violando o dever de garantidor. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 103 C) Deve responder pelo crime de homicídio doloso, em razão de sua omissão dolosa, violando o dever de garantidor. D) Responde apenas pela omissão de socorro, mas não pelo resultado morte, já que não havia contrato regular que o obrigasse a agir como garantidor. QUESTÃO 3 – TIPICIDADE: DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Marisa administrava os proventos de pensão recebidos por sua mãe, Sônia, que faleceu em dezembro de 2022. Com a intenção de continuar recebendo os proventos, Marisa deixou de comunicar à autarquia previdenciária o falecimento de Sônia e, assim, conseguiu efetuar os saques dos valores depositados nos meses de janeiro a março de 2023. Em abril, a autarquia recebeu notícia do falecimento e cessou os pagamentos. Ato contínuo, apurou o valor dos saques indevidos realizados por Marisa após o falecimento da segurada, acrescidos de multa e juros e a inscreveu em dívida ativa. Marisa, noti昀椀cada, efetuou o pagamento integral do débito, de forma parcelada, entre os meses de outubro de 2023 e janeiro de 2024. A denúncia foi ajuizada em janeiro de 2024, e recebida em fevereiro de 2024. De acordo com a teoria do crime, assinale a opção que apresenta o que a defesa de Marisa deve, corretamente, alegar. A) Desistência voluntária. B) Arrependimento e昀椀caz. C) Arrependimento posterior. D) Exercício regular de um direito. QUESTÃO 4 – TIPICIDADE: DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR (FGV - 2018 - TJ-AL - Técnico Judiciário - Área Judiciária) João, funcionário público de determinado cartório de Tribunal de Justiça, após apropriar-se de objeto que tinha a posse em razão do cargo que ocupava, é convencido por sua esposa a devolvê-lo no dia seguinte, o que vem a fazer, comunicando o fato ao seu superior, que adota as medidas penais pertinentes. Diante desse quadro, é correto a昀椀rmar que: A) houve arrependimento e昀椀caz, sendo o comportamento de João penalmente impunível; B) houve desistência voluntária, sendo o comportamento de João penalmente impunível; C) deverá João responder pelo crime de peculato tentado; D) deverá João responder pelo crime de peculato consumado, com a redução de pena pelo arrependimento posterior; E) deverá João responder pelo crime de peculato consumado, sem qualquer redução de pena. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 104 QUESTÃO 5 – TIPICIDADE: ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) Caio, muito atuante nas redes sociais, compartilhou vídeos e fotos pornográ昀椀cos em um grupo de amigos. O material compartilhado continha imagens que teriam sido extraídas, ilegalmente, de computadores pessoais por terceiros, já tendo sido inclusive objeto de registros policiais por parte das vítimas. Uma das pessoas para as quais as imagens foram compartilhadas procura a polícia e relata a atitude de Caio. O Delegado indiciou Caio pela prática do crime descrito no Art. 218-C do CP, o qual prevê a 昀椀gura penal do compartilhamento não autorizado de cena de sexo ou pornogra昀椀a. Caio, surpreendido com a acusação, a昀椀rmou não ter conhecimento de que o fato por ele praticado seria criminoso. A tese defensiva correta, a partir da a昀椀rmação de Caio, é a ocorrência do erro A) sobre a pessoa. B) de tipo permissivo. C) de proibição direto. D) de proibição indireto. QUESTÃO 6 – ANTIJURIDICIDADE (FGV - 2021 - PC-RN - Agente e Escrivão) Joana caminhava pela rua, quando percebeu que um cachorro de grande porte se desvencilhou da coleira de seu dono e correu ferozmente em direção a uma criança que brincava na calçada. Com o objetivo de proteger a criança, Joana atirou uma pedra na cabeça do animal, que veio a falecer. Considerando os fatos acima, Joana agiu em: A) estado de necessidade, que afasta a culpabilidade de sua conduta; B) legítima defesa de terceiro, que afasta a tipicidade de sua conduta; C) estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta; D) legítima defesa de terceiro, que afasta a ilicitude de sua conduta; E) estado de necessidade, que afasta a tipicidade de sua conduta. QUESTÃO 7 – SANÇÕES PENAIS (OAB/Exame XXXVIII – 2023 – FGV) Luís Alberto, primário, foi condenado a uma pena de oito meses de detenção, em regime inicial aberto, por ter agredido sua companheira, causando-lhe lesões corporais. Na qualidade de advogado(a) de Luís Alberto, assinale a opção que apresenta o benefício de natureza penal que pode, neste momento processual, ser pleiteado em favor do seu assistido. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 105 A) Aplicação de pena restritiva de direito, consistente em prestação de serviços à comunidade. B) Suspensão condicionalda pena, pelo período de dois anos. C) Suspensão condicional do processo, pelo período de dois anos. D) Substituição da pena privativa de liberdade por multa. QUESTÃO 8 – DAS PENAS (OAB/Exame XXXV – 2022 – FGV) Paulo foi condenado, com trânsito em julgado pela prática do crime de lesão corporal grave, à pena de 1 ano e oito meses de reclusão, tendo o trânsito ocorrido em 14 de abril de 2016. Uma vez que preenchia os requisitos legais, o magistrado houve, por bem, conceder a ele o benefício da suspensão condicional da pena pelo período de 2 anos. Por ter cumprido todas as condições impostas, teve sua pena extinta em 18 de abril de 2018. No dia 15 de maio de 2021, Paulo foi preso pela prática do crime de roubo. Diante do caso narrado, caso Paulo venha a ser condenado pela prática do crime de roubo, deverá ser considerado A) reincidente, na medida em que, uma vez condenado com trânsito em julgado, o agente não recupera a primariedade. B) reincidente, em razão de não ter passado o prazo desde a extinção da pena pelo crime anterior. C) primário, em razão de ter cumprido o prazo para a recuperação de primariedade. D) primário, em razão de a reincidência exigir a prática do mesmo tipo penal, o que não ocorreu no caso de Paulo. QUESTÃO 9 – CONCURSO DE CRIMES (FGV - 2022 - PC-RJ - Investigador Policial de 3ª Classe) Calíope, pretendendo matar Erato, saca uma arma de fogo e efetua disparos contra seu desafeto, atingindo-o e também a Euterpe, que passava pelo local. As duas pessoas alvejadas morrem em razão dos ferimentos sofridos. Na hipótese, é correto a昀椀rmar que haverá: A) crime único; B) concurso material; C) concurso formal perfeito; D) concurso formal imperfeito; E) crime continuado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 106 QUESTÃO 10 – CONCURSO DE CRIMES (FGV - 2024 - TJ-AP - Analista Judiciário) Jonas, mediante o emprego de uma faca, subtrai os pertences de uma idosa, evadindo-se na sequência. Durante a fuga, após percorrer mais de dois quilômetros, o agente, por coincidência, se depara com um desafeto de longa data. Jonas resolve matá-lo, desferindo diversos golpes de arma branca em seu peito, logrando êxito no intento criminoso. Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, Jonas responderá pelos dois crimes praticados em: A) concurso formal impróprio, aplicando-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade; B) concurso material, aplicando-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade; C) concurso formal próprio, aplicando-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade; D) continuidade delitiva, aplicando-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido; E) concurso material, aplicando-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. QUESTÃO 11 – EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE (OAB/Exame XXIX – 2019 – FGV) João, por força de divergência ideológica, publicou, em 03 de fevereiro de 2019, artigo ofensivo à honra de Mário, dizendo que este, quando no exercício de função pública na Prefeitura do município de São Caetano, desviou verba da educação em benefício de empresa de familiares. Mário, inconformado com a falsa notícia, apresentou queixa-crime em face de João, sendo a inicial recebida em 02 de maio de 2019. Após observância do procedimento adequado, o juiz designou data para a realização da audiência de instrução e julgamento, sendo as partes regularmente intimadas. No dia da audiência, apenas o querelado João e sua defesa técnica compareceram. Diante da ausência injusti昀椀cada do querelante, poderá a defesa de João requerer ao juiz o reconhecimento A) da decadência, que é causa de extinção da punibilidade. B) do perdão do ofendido, que é causa de extinção da punibilidade. C) do perdão judicial, que é causa de exclusão da culpabilidade. D) da perempção, que é causa de extinção da punibilidade. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 107 QUESTÃO 12 – CRIMES CONTRA A VIDA (FGV - 2023 - Prefeitura de São José dos Campos - SP - Guarda Civil Municipal) No dia 25 de dezembro de 2022, Thales matou seu 昀椀lho de 13 anos, Joaquim, se utilizando de uma arma de fogo de uso restrito, com o 昀椀m de assegurar a impunidade de outro crime que havia cometido. Em relação ao caso narrado e com base no Código Penal, assinale a opção que elenca de modo mais completo as circunstâncias que aumentam a pena de Thales (quali昀椀cadoras ou causas de aumento). A) O fato de o crime ter sido praticado em data festiva, contra menor de 14 anos e com o 昀椀m de assegurar a impunidade de crime anterior. B) O fato de o crime ter sido praticado em data festiva, ser Thales ascendente de Joaquim, ter se utilizado de arma de fogo de uso restrito. C) O fato de o crime ter sido praticado contra menor de 14 anos e ter o agente se utilizado de arma de fogo de uso restrito. D) O fato de o crime ter sido praticado contra menor de 14 anos, ser Thales ascendente de Joaquim, ter se utilizado de arma de fogo de uso restrito e com o 昀椀m de assegurar a impunidade de crime anterior. E) O fato de Thales ser ascendente de Joaquim, ter se utilizado de arma de fogo de uso restrito e com o 昀椀m de assegurar a impunidade de crime anterior. QUESTÃO 13 – CRIMES CONTRA A VIDA (OAB/Exame XI – 2013 – FGV) Débora estava em uma festa com seu namorado Eduardo e algumas amigas quando percebeu que Camila, colega de faculdade, insinuava-se para Eduardo. Cega de raiva, Débora esperou que Camila fosse ao banheiro e a seguiu. Chegando lá e percebendo que estavam sozinhas no recinto, Débora desferiu vários tapas no rosto de Camila, causando-lhe lesões corporais de natureza leve. Camila, por sua vez, atordoada com o acontecido, somente deu por si quando Débora já estava saindo do banheiro, vangloriando-se da surra dada. Neste momento, com ódio de sua algoz, Camila levanta-se do chão, agarra Débora pelos cabelos e a golpeia com uma tesourinha de unha que carregava na bolsa, causando-lhe lesões de natureza grave. Com relação à conduta de Camila, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Agiu em legítima defesa. B) Agiu em legítima defesa, mas deverá responder pelo excesso doloso. C) Ficará isenta de pena por inexigibilidade de conduta diversa. D) Praticou crime de lesão corporal de natureza grave, mas poderá ter a pena diminuída. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 108 QUESTÃO 14 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (OAB/Exame XXXVII – 2023 – FGV) Silvio, mediante emprego da ameaça de “esquartejá-la com sua espada”, arrancou o cordão de ouro do pescoço de Ana. Após tal subtração, Silvio foi perseguido por policiais militares, que lograram prendê-lo em 昀氀agrante delito e recuperar o bem subtraído da vítima. É correto a昀椀rmar que Silvio cometeu crime de A) extorsão tentada. B) roubo tentado. C) roubo impróprio. D) roubo consumado. QUESTÃO 15 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (OAB/Exame XXI – 2016 – FGV) Felipe sempre sonhou em ser proprietário de um veículo de renomada marca mundial. Quando soube que uma moradora de sua rua tinha um dos veículos de seu sonho em sua garagem, Felipe combinou com Caio e Bruno de os dois subtraírem o veículo, garantindo que 昀椀caria com o produto do crime e que Caio e Bruno iriam receber determinado valor, o que efetivamente vem a ocorrer. Após receber o carro, Felipe o leva para sua casa de praia, localizada em outra cidade do mesmo Estado em que reside. Os fatos são descobertos e o veículo é apreendido na casa de veraneio de Felipe. Considerando as informações narradas, é correto a昀椀rmar que Felipe deverá ser responsabilizado pela prática do crime de A) furto simples. B) favorecimento real. C) furtoquali昀椀cado pelo concurso de agentes. D) receptação. QUESTÃO 16 – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (FGV - 2023 - Prefeitura de Niterói - RJ - Fiscal de Obras) Pedro, funcionário público municipal, é competente para apreciar o requerimento de concessão de licença para a realização de obras. Ao analisar a licença requerida por Maria, ele exigiu a importância de dez mil reais para que a licença requerida fosse deferida. Acresça-se que essa importância não era prevista em lei e seria direcionada a Pedro. A conduta de Pedro con昀椀gura crime de A) concussão. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 109 B) prevaricação. C) corrupção ativa. D) corrupção passiva. E) excesso de exação. QUESTÃO 17 – CRIMES CONTRA A HONRA (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Saulo, em razão de seu posicionamento político, foi chamado de “burro” e “idiota” por João, Paulo e Sérgio, seus adversários políticos, que tinham a intenção de ofender sua dignidade e decoro. Inconformado, Saulo decidiu processar seus três ofensores. Após a propositura da queixa, Saulo reconciliou-se com Sérgio, sendo o perdão dado pela vítima aceito pelo ofensor, e comunicou o fato ao Juizado Especial em que tramitava a ação penal. Em relação ao caso narrado, assinale a opção que indica, corretamente, o crime cometido pelos três amigos e as implicações da reconciliação entre Saulo e Sérgio. A) Injúria; o perdão concedido a Sérgio é de natureza personalíssima. B) Calúnia; o perdão concedido a Sérgio torna perempta a ação em relação a João e a Paulo. C) Difamação; o perdão concedido a Sérgio se aplica, obrigatoriamente, a João e a Paulo. D) Injúria; o perdão concedido a Sérgio se aplica, obrigatoriamente, a João e a Paulo. QUESTÃO 18 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (FGV - 2023 - TJ-RN - Analista Judiciário - Judiciária) Luiz, maior e capaz, conheceu uma adolescente de 12 anos de idade, tendo conhecimento dessa informação. Após semanas de conversas, Luiz e a adolescente começaram a namorar, com a concordância dos genitores da infante. Após alguns meses, vizinhos descobriram os fatos e deram ciência às autoridades competentes. Durante as investigações, a adolescente narrou que não praticou conjunção carnal com Luiz, mas apenas outros atos, como beijos e carícias recíprocas nas partes íntimas. Disse, ainda, que todos os atos foram consentidos. Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal e a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, é correto a昀椀rmar que Luiz: A) responderá pelo crime de estupro de vulnerável, considerando que o consentimento da vítima, na espécie, é penalmente irrelevante; B) responderá pelo crime de atentado violento ao pudor, considerando que o consentimento da vítima, na espécie, é penalmente irrelevante; C) não responderá por qualquer crime, considerando que havia o consentimento expresso dos genitores da infante, seus representantes legais; Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 110 D) responderá pelo crime de importunação sexual, considerando que o consentimento da vítima, na espécie, é penalmente irrelevante; E) não responderá por qualquer crime, considerando que havia o consentimento expresso da vítima. QUESTÃO 19 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Matheus foi a uma festa de réveillon onde reencontrou sua ex namorada, Laís, sendo ambos maiores e capazes. Assim que a viu, ele se aproximou dela e, a partir daí, iniciaram uma animada conversa sobre os “velhos tempos”. Em determinado momento, Matheus, sem a anuência de Laís, acariciou suas nádegas e tentou beijá-la, para satisfazer sua própria lascívia. Acerca da tipi昀椀cação da conduta de Matheus, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É fato atípico. B) É crime de estupro. C) É crime de assédio sexual. D) É crime de importunação sexual. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 111 GABARITO COMENTADO DIREITO PENAL QUESTÃO 1 – NEXO DE CAUSALIDADE: CONCAUSAS Gabarito: “B”. No caso apresentado, Júlio desferiu um tapa no rosto de Jacinto, o que constitui uma agressão física. Essa agressão é o fato antecedente que gerou uma situação de perigo. No entanto, a morte de Jacinto não foi diretamente causada pelo tapa, mas sim pela descarga elétrica proveniente do contato com o 昀椀o de alta tensão exposto no poste. Dispõe o artigo 13, §1º, do Código Penal (CP): “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou”. Em outras palavras, se a causa superveniente (descarga elétrica) é totalmente capaz de produzir o resultado, Júlio não é responsabilizado pelo resultado 昀椀nal (morte de Jacinto). Nesse contexto, a descarga elétrica é considerada uma concausa superveniente relativamente independente, pois foi o evento que, por si só, produziu o resultado morte de Jacinto. O tapa de Júlio foi o fato antecedente que gerou a situação de perigo, mas não foi diretamente responsável pela morte de Jacinto. Portanto, Júlio deve ser responsabilizado pelo crime de lesão corporal, já que sua conduta inicial foi a agressão física (tapa) que gerou a situação de perigo. No entanto, sua responsabilidade pelo resultado morte é excluída devido à intervenção da causa superveniente, a descarga elétrica. Assim, Júlio responderá por lesão corporal, referente ao tapa desferido na vítima. Ademais, no delito preterdoloso há dolo na conduta antecedente e culpa na conduta consequente. Júlio agiu com dolo ao desferir o tapa no rosto de Jacinto, ou seja, ele tinha a intenção de agredir. O dolo é a consciência e vontade de realizar determinado ato ilícito. A morte de Jacinto, causada pela descarga elétrica, não pode ser atribuída à culpa de Júlio. A descarga elétrica foi um evento imprevisível e extraordinário, não decorrente de uma conduta culposa por parte de Júlio. Por 昀椀m, Júlio não pode ser responsabilizado por homicídio culposo em relação à descarga elétrica. Para que alguém seja responsabilizado por homicídio culposo, é necessário que haja a prática de uma conduta negligente, imprudente ou imperita que resulte na morte de outra pessoa. No entanto, no caso em questão, Júlio não agiu de forma negligente, imprudente ou imperita em relação à descarga elétrica. A ocorrência da descarga elétrica foi um evento que não era previsto e externo à vontade e ação de Júlio. QUESTÃO 2 – TIPICIDADE/CONDUTA: AÇÃO E OMISSÃO Gabarito: “B”. Carlos, ao assumir o papel de salva-vidas informal e receber uma gorjeta para observar os frequentadores da piscina, tornou-se um garantidor da segurança na área. Sua conduta de se distrair com o celular, observar a beleza física de uma mãe e 昀椀car de costas para a piscina, negligenciando suas responsabilidades, é considerada uma omissão culposa que contribuiu para o afogamento da criança. De acordo com o artigo 13, §2º, alínea “b”, CP: “a omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado”. Assim, Carlos cometeu um crime comissivo por omissão (ou omissivo impróprio). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 112 CRIME OMISSIVO PURO/PRÓPRIO O agente se omite quando o tipo penal estabelece que a omissão, naquelas circunstâncias, tipi昀椀ca o delito. Exemplo: Maurício estava caminhando no parque quando viu que Paloma se encontrava caída no chão, pedindo ajuda. Maurício poderia ajuda-la, mas decidiu não prestar socorro à Paloma. Maurício praticou um crime omissivo próprio (art. 135, CP – omissão de socorro). Ele se omitiu, deixando de prestar socorro à Paloma, mesmo podendo ajudar sem risco pessoal. CRIME OMISSIVO IMPURO/ IMPRÓPRIO O sujeito se omite, mas responde por um crime comissivo,também chamado de crime comissivo por omissão (art. 13, §2º, CP). Nesses crimes o agente é responsabilizado por um certo resultado lesivo, por ter se omitido quando tinha o dever legal de agir, não imposto às pessoas em geral. Exemplo: Laura é casada com Lúcio. Laura tem uma 昀椀lha de 12 anos, Priscila, de seu casamento anterior. Laura 昀椀ca sabendo que Lúcio está tendo relações sexuais com Priscila. Laura, com medo de perder Lúcio, não faz nada a respeito da situação, não faz nada para impedir que Priscila não seja mais estuprada por Lúcio. Laura praticou um crime omissivo impróprio, pois tinha o especí昀椀co dever de proteção e cuidado em relação à sua 昀椀lha. Tinha o dever de agir para impedir a ocorrência do resultado. QUESTÃO 3 – TIPICIDADE: DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. O caso narrado caracteriza o arrependimento posterior, previsto no art. 16 do Código Penal, que ocorre quando, em crimes sem violência ou grave ameaça, o agente repara o dano ou restitui a coisa até o recebimento da denúncia ou da queixa, obtendo como consequência a redução da pena de um a dois terços. Marisa, após ter recebido indevidamente os proventos da pensão de sua mãe falecida, quitou integralmente o débito antes do recebimento da denúncia (que só ocorreu em fevereiro de 2024). Assim, a defesa pode invocar essa causa legal para pleitear a redução da pena. As demais alternativas estão incorretas. A letra A não se aplica, pois Marisa não desistiu espontaneamente da prática criminosa, já que o recebimento só cessou quando o INSS descobriu o óbito. A letra B também não é correta, porque o arrependimento e昀椀caz pressupõe que o agente evite a consumação do crime, o que não ocorreu, já que houve efetivo prejuízo. Já a letra D não se encaixa, porque não há exercício regular de direito na conduta de Marisa, mas sim apropriação ilícita de valores. Portanto, apenas o arrependimento posterior é cabível no caso. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 113 Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou o crime de peculato, do artigo 312 do CP: “Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.” Ademais, o crime de peculato se consumou no momento em que João, funcionário público, se apropriou de objeto que tinha a posse em razão do cargo que ocupava. Por 昀椀m, uma vez que João devolveu o objeto no dia seguinte, ocorreu o arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do CP: “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.” QUESTÃO 4 – TIPICIDADE: DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA, ARREPENDIMENTO EFICAZ E ARREPENDIMENTO POSTERIOR QUESTÃO 5 – TIPICIDADE: ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO Gabarito: “C”. A alternativa C está correta porque o erro de proibição ocorre quando o agente sabe exatamente o que está fazendo (no caso, compartilhar vídeos e fotos pornográ昀椀cos de forma não autorizada), mas desconhece que tal conduta é proibida pela lei penal. Esse tipo de erro está previsto no art. 21 do Código Penal. No caso de Caio, ele alegou desconhecimento sobre o caráter ilícito do ato, caracterizando um erro de proibição direto, pois ele ignorava que a prática de compartilhar o material fosse crime. “Art. 21, CP: O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.” As demais alternativas estão incorretas porque não se aplicam à situação. O erro sobre a pessoa (letra A) refere-se a equívocos relacionados à identidade da vítima, o que não é o caso. O erro de tipo permissivo (letra B) não é uma classi昀椀cação jurídica válida. Por 昀椀m, o erro de proibição indireto (letra D) ocorre quando o agente entende equivocadamente que sua conduta é justi昀椀cada por alguma circunstância excludente de ilicitude, como legítima defesa ou exercício regular de direito, o que também não se aplica ao caso de Caio. Assim, a alternativa C é a que melhor descreve a situação apresentada. VEJA O BIZU: Arrependimento e昀椀caz o agente já terminou a execução, mas logo se arrepende e evita o resultado (o arrependimento precisa ser EFICAZ, ou seja, o agente precisa impedir a consumação do crime). O agente não responde pela forma tentada, mas responde pelos atos já praticados. Arrependimento posterior o crime já se consumou, mas o agente repara o dano ou restitui a coisa. ATENÇÃO! O crime deve ser sem violência ou grave ameaça à pessoa. É uma causa geral de diminuição de pena (redução de um a dois terços). Desistência voluntária o agente pode continuar na execução do crime, mas não quer e desiste (por sua própria vontade), impedindo a consumação. O agente não responde pela forma tentada, mas responde pelos atos já praticados. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 114 ERRO DE TIPO - Artigo 20 do CP. - O agente não sabe o que faz. Há uma falsa percepção da realidade. - Exemplo: João, caçador, escuta um barulho na 昀氀oresta, pensou ser um urso e atira. Logo após, João veri昀椀ca que matou o seu colega de caça. ERRO DE PROIBIÇÃO - Artigo 21 do CP. - O agente sabe o que faz, mas não sabe que a sua conduta é proibida. Não há falsa percepção da realidade. - Exemplo: Holandês que é usuário de maconha, está no Brasil e é pego fumando um cigarro de maconha nas arquibancadas de um estádio de futebol. Apesar de na Holanda essa conduta ser permitida, no Brasil ela é proibida. O holandês sabia o que estava fazendo, mas não sabia que sua conduta era proibida. Incorreu em erro de proibição. QUESTÃO 6 – ANTIJURIDICIDADE Gabarito: “C”. O estado de necessidade e a legítima defesa são causas de exclusão da ilicitude. Então, já poderiam ser “descartadas” as alternativas “A”, “B” e “E”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos do CP: “Estado de necessidade Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.” “Legítima defesa Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)” Nesse sentido, tendo em vista que o cão se desvencilhou da coleira e Joana, para proteger a criança, atirou uma pedra na cabeça do animal, que veio a falecer, ela agiu em estado de necessidade (agente exposto a perigo atual e que não provocou por sua vontade). ESTADO DE NECESSIDADE: Há um perigo atual e não há destinatário determinado. LEGÍTIMA DEFESA: Há uma agressão humana injusta, atual ou iminente, direcionada a um indivíduo. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL: O funcionário público cumpre os deveres legais relacionados a sua função, mas de forma estrita, dentro dos limites. Ofuncionário pratica fato típico, porém, não atua de modo ilícito e não ocorrerá crime. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO: age de forma lícita quem exerce de forma regular, e dentro dos limites, um direito que foi outorgado pela lei, como é o caso das lesões desportivas (dentro das regras). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 115 ATAQUE ANIMAL À PESSOA: * Se o animal é usado como arma (sob o comando do homem) = há a legítima defesa. * Se o animal não é usado como arma (ataca por instinto) = há o estado de necessidade. QUESTÃO 7 – SANÇÕES PENAIS Gabarito: “B”. Diante do caso em concreto trazido pela banca FGV, veri昀椀ca-se que Luís Alberto foi condenado a uma pena restritiva de liberdade de 8 meses (ou seja, menor do que 2 anos). Também, ele é réu primário (ou seja, não é reincidente) e as condições do crime autorizam, após a sentença condenatória, a aplicação da suspensão condicional da pena, nos termos do artigo do CP, abaixo: “Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.” Ademais, não se aplica a suspensão condicional do processo em delitos sujeitos à Lei Maria da Penha, conforme a súmula do STJ, abaixo: “Súmula 536: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.” Além disso, ocorreu um crime com violência. Assim, incabível a aplicação de pena restritiva de direito, conforme o teor do artigo 44 do CP e súmula 588 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II – o réu não for reincidente em crime doloso; III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja su昀椀ciente.” “Súmula 588, STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.” Por 昀椀m, não é possível a substituição da pena privativa de liberdade por multa, conforme o disposto no artigo 17 da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): “É vedada a aplicação, nos casos de violência do- méstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.” SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO: Medida despenalizadora (Lei nº 9.099/95). Impede a condenação e aplicação da pena. Não se aplica a suspensão condicional do processo em delitos sujeitos à Lei Maria da Penha. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA: Benefício de execução penal, concedido na sentença, para que a pena privativa de liberdade 昀椀que suspensa (não seja executada). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 116 QUESTÃO 8 – DAS PENAS Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo do CP: “Reincidência Art. 63 - Veri昀椀ca-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior.” “Art. 64 - Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos.” (grifo nosso) Portanto, diante do caso apresentado na questão, decorreu o período de tempo de 5 anos entre a concessão do benefício da suspensão condicional da pena e o cometimento do posterior delito de roubo. Então, se Paulo vier a ser condenado por crime de roubo, deverá ser considerado primário, pois cumpriu o prazo para a recuperação de primariedade. QUESTÃO 9 – CONCURSO DE CRIMES Gabarito: “C”. A FGV cobrou o entendimento do art. 70 do CP: “Concurso formal Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código.” No concurso formal perfeito, o agente mediante somente uma conduta (ação ou omissão) comete dois ou mais crimes, sem que aja com desígnios (propósito) autônomos. Então, o concurso formal perfeito ocorre entre crimes culposos, ou entre um crime doloso e um crime culposo. A questão traz a con昀椀guração do concurso formal perfeito, pois o agente possui o dolo de atingir uma pessoa (“Calíope pretendendo matar Erato...”), mas acaba atingindo outra (“e também a Euterpe, que passava pelo local”), modo culposo. CONCURSO FORMAL: Quando no caso em concreto ocorrer a prática de apenas uma ação/omissão, haverá o concurso formal. Há o crime formal: • Perfeito/Próprio: ocorre entre crimes culposos, ou entre um crime doloso e um crime culposo. • Imperfeito/Impróprio: o agente tem dolo em todos os resultados. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 117 QUESTÃO 10 – CONCURSO DE CRIMES Gabarito: “E”. A FGV cobrou o entendimento do “caput” do artigo 69 do CP: “Concurso material Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela” (grifo nosso). No caso da questão, como Jonas não praticou crimes da mesma espécie, isso afasta a continuidade delitiva. Além disso, Jonas praticou mais de uma ação. Assim, não restou con昀椀gurado o concurso formal. Então, Jonas responderá pelos dois crimes praticados em concurso material (roubo e homicídio), pois por meio de mais de uma ação praticada, cometeu dois crimes, aplicando-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. CONCURSO MATERIAL DE CRIMES: Quando o caso em concreto resultar de mais de uma ação/ omissão, o concurso de crimes é o material. Aplica-se a pena de forma cumulativa. Somam-se as penas. CRIME CONTINUADO: Quando o agente pratica crime da mesma espécie, em condições semelhantes. QUESTÃO 11 – EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Gabarito: “D”. Tendo em vista que Mário, querelante, não compareceu à audiência, a defesa de João poderá requerer ao juiz o reconhecimento da perempção, conforme o teor do artigo 60, CP: “Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justi昀椀cado,a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações 昀椀nais; IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor” (grifo nosso). Ademais, a perempção é causa de extinção da punibilidade, segundo o teor do artigo 107 do CP: “Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: I - pela morte do agente; II - pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; IV - pela prescrição, decadência ou perempção; V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 118 QUESTÃO 12 – CRIMES CONTRA A VIDA Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 121, §2º, do CP, que abrange três quali昀椀cadoras mencionadas na questão (contra menor de 14 anos; ter se utilizado de arma de fogo de uso restrito e para assegurar impunidade de crime anterior): “Homicídio quali昀椀cado Art. 121. § 2° Se o homicídio é cometido: V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena - reclusão, de doze a trinta anos. VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: Pena - reclusão, de doze a trinta anos” (grifo nosso). Ademais, ser Thales ascendente de Joaquim é circunstância que aumenta a pena: “Artigo 121, § 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de: II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela.” QUESTÃO 13 – CRIMES CONTRA A VIDA Gabarito: “D”. O enunciado da questão deixa claro que Camila cometeu lesão corporal de natureza grave em Débora: “Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave § 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV - aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos.” Ademais, a pena de Camila poderá ser diminuída, conforme dispõe o artigo 129, §4º do CP: “Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.” ATENÇÃO! Camila não agiu em legítima defesa no caso, pois ela não repeliu uma agressão (a qual já havia ocorrido e terminado). Ficou claro que Camila quis se vingar de Débora. QUESTÃO 14 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO Gabarito: “D”. Ocorreu o crime de roubo, disposto no artigo 157 do CP: “Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: (...)” Portanto, no momento em que Silvio, com emprego da ameaça de “esquartejá-la com sua espada”, arrancou o cordão de ouro do pescoço de Ana, ele cometeu o crime de roubo. Ademais, o roubo se consumou, pois houve a inversão da posse do bem. Mesmo que por um breve tempo e que tenha sido recuperado o bem após perseguição imediata, con昀椀gurou-se o roubo Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 119 consumado. É o que diz a súmula 582 do STJ: “Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pací昀椀ca ou desvigiada.” QUESTÃO 15 – CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento sobre o crime de furto: “Furto Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (…) Furto quali昀椀cado § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de con昀椀ança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.” Tendo em vista que Felipe induziu Bruno e Caio a realizarem a subtração do veículo, atuou como partícipe do furto. Ainda, Felipe prometeu determinado valor para os comparsas. Desse modo, o furto cometido foi quali昀椀cado pelo concurso de agentes (artigo 155, § 4º, inciso IV, do CP). Ademais, Felipe não praticou receptação (artigo 180 do CP), uma vez que este crime é con昀椀gurado quando o sujeito adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (produtos roubados ou furtados). Ainda, Felipe não poderia ter praticado o crime de favorecimento real (artigo 349, CP), que é quando o sujeito auxilia o criminoso a tornar seguro o proveito do crime. Isso não ocorreu no caso em concreto. ROUBO Há violência ou grave ameaça, ou redução, por qualquer meio, da capacidade de resistência da vítima. O agente subtrai a coisa pretendida (verbo subtrair). - Roubo próprio: sujeito emprega violência/grave ameaça para subtrair a coisa. - Roubo impróprio: a violência ou grave ameaça é empregada logo depois da subtração da coisa. EXTORSÃO Envolve violência ou grave ameaça. O agente faz com que a vítima entregue a coisa (verbo constranger). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 120 QUESTÃO 16 – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Gabarito: “A”. Artigo 316, CP: “Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”. A conduta descrita na questão se enquadra no crime de concussão. Sempre que se falar em concussão”, LEMBRE DO VERBO “EXIGIR”. Verbos correspondentes aos crimes (principais) contra a Administração Pública: Peculato: “Apropriar-se” Concussão: “Exigir” Corrupção passiva: “Solicitar ou receber” Corrupção ativa: “Oferecer ou prometer” Prevaricação: “Retardar ou deixar de praticar - satisfazer interesse pessoal” Excesso de exação: “Exigir tributo ou contribuição social” QUESTÃO 17 – CRIMES CONTRA A HONRA Gabarito: “D”. A alternativa correta é a letra D. O caso narrado con昀椀gura o crime de injúria (art. 140 do Código Penal), pois os ofensores chamaram Saulo de “burro” e “idiota”, atingindo sua honra subjetiva, isto é, a dignidade e o decoro pessoal. Não se trata de calúnia (que exige imputação de crime) nem de difamação (que pressupõe atribuição de fato desonroso à reputação), mas sim de injúria, em que há ofensa direta à pessoa. Além disso, no âmbito da ação penal privada, há a regra da indivisibilidade, o que signi昀椀ca que o perdão concedido a um dos querelados se estende automaticamente aos demais. As demais alternativas estão incorretas. A letra A falha porque o perdão não é personalíssimo; ao contrário, ele aproveita a todos os querelados, como dispõe o art. 106 do CP. A letra B erra ao mencionar calúnia, já que não houve imputação de crime. A letra C também está equivocada porque não se trata de difamação, mas sim de injúria. Portanto, o perdão concedido a Sérgio necessariamente alcança João e Paulo, extinguindo a punibilidade de todos. QUESTÃO 18 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL Gabarito: “A”. Diante do caso em concreto, Luiz responderá pelo crime de estupro de vulnerável: “Estupro de vulnerável Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.” Isso porque a adolescente é menor de 14 anos, e o consentimento dela é irrelevante para a con昀椀guração do crime: “Súmula 593, STJ: O crime de estupro de vulnerável se con昀椀gura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 121 QUESTÃO 19 – CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL Gabarito: “D”. A alternativa correta é a letra D. A conduta de Matheus se enquadra no crime de importunação sexual, previsto no art. 215-A do Código Penal, que consiste em praticar contra alguém, e sem a sua anuência, ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. No caso, ao acariciar as nádegas de Laís e tentar beijá-la sem consentimento, Matheus praticou atos libidinosos não desejados pela vítima, con昀椀gurando o delito em questão. As demais alternativas estão incorretas. A letra A está errada porque a conduta não é fato atípico, mas tipi昀椀cada expressamente no Código Penal. A letra B não se aplica, já que o crime de estupro exige violência ou grave ameaça, o que não ocorreu. Já a letra C também não se encaixa, pois o assédio sexual pressupõe relação hierárquica ou de ascendência no trabalho, inexistente entre Matheus e Laís. Portanto, a tipi昀椀cação adequada é a de importunação sexual. Mini Resumo Esquematizado — Crimes contra a Liberdade Sexual 1. Estupro (art. 213 CP) Conduta: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar/permitir ato libidinoso. Pena: Reclusão de 6 a 10 anos. Formas quali昀椀cadas: - §1º: Se houver lesão corporal grave ou vítima entre 14 e 18 anos 8 a 12 anos. - §2º: Se resultar morte 12 a 30 anos. 2. Violação sexual mediante fraude (art. 215 CP) Conduta: Ter conjunção carnal ou ato libidinoso mediante fraude ou meio que di昀椀culte a livre mani- festação de vontade da vítima. Pena: Reclusão de 2 a 6 anos. Parágrafo único: Se houver vantagem econômica, aplica-se também multa. 3. Importunação sexual (art. 215-A CP) Conduta: Praticar, sem anuência, ato libidinoso para satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. Pena: Reclusão de 1 a 5 anos, se não constituir crime mais grave. 4. Assédio sexual (art. 216-A CP) Conduta: Constranger alguém para obter favorecimento sexual, valendo-se de superior hierárquico ou ascendência em emprego, cargo ou função. Pena: Detenção de 1 a 2 anos. §2º: Se vítima é menor de 18 anos aumento de até 1/3. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 122 QUESTÕES DE PROCESSO PENAL QUESTÃO 1 – INQUÉRITO POLICIAL (OAB/Exame XXVII - 2018 - FGV) Após receber denúncia anônima, por meio de disque denúncia, de grave crime de estupro com resultado morte que teria sido praticado por Lauro, 19 anos, na semana pretérita, a autoridade policial, de imediato, instaura inquérito policial para apurar a suposta prática delitiva. Lauro é chamado à Delegacia e apresenta sua identidade recém-obtida; em seguida, é realizada sua identi昀椀cação criminal, com colheita de digitais e fotogra昀椀as. Em que pese não ter sido encontrado o cadáver até aquele momento das investigações, a autoridade policial, para resguardar a prova, pretende colher material sanguíneo do indiciado Lauro para 昀椀ns de futuro confronto, além de desejar realizar, com base nas declarações de uma testemunha presencial localizada, uma reprodução simulada dos fatos; no entanto, Lauro se recusa tanto a participar da reprodução simulada quanto a permitir a colheita de seu material sanguíneo. É, ainda, realizado o reconhecimento de Lauro por uma testemunha após ser-lhe mostrada a fotogra昀椀a dele, sem que fossem colocadas imagens de outros indivíduos com características semelhantes. Ao ser informado sobre os fatos, na defesa do interesse de seu cliente, o(a) advogado(a) de Lauro, sob o ponto de vista técnico, deverá alegar que A) o inquérito policial não poderia ser instaurado, de imediato, com base em denúncia anônima isoladamente, sendo exigida a realização de diligências preliminares para con昀椀rmar as informações iniciais. B) o indiciado não poderá ser obrigado a fornecer seu material sanguíneo para a autoridade policial, ainda que seja possível constrangê-lo a participar da reprodução simulada dos fatos, independentemente de sua vontade. C) o vício do inquérito policial, no que tange ao reconhecimento de pessoa, invalida a ação penal como um todo, ainda que baseada em outros elementos informativos, e não somente no ato viciado. D) a autoridade policial, como regra, deverá identi昀椀car criminalmente o indiciado, ainda que civilmente identi昀椀cado, por meio de processo datiloscópico, mas não poderia fazê-lo por fotogra昀椀as. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 123 QUESTÃO 2 – INQUÉRITO POLICIAL (OAB/Exame XXXVIII - 2023 - FGV) Flávia foi acompanhada por você, na qualidade de advogado(a), à presença da Autoridade Policial, para noticiar a prática dos crimes de apropriação indébita e fraude processual supostamente praticados por seu ex-marido, descrevendo a prática do crime, fornecendo os dados quali昀椀cativos completos do suposto autor do fato, apresentando rol de testemunhas e anexando documentação pertinente à materialidade delitiva e de indícios de autoria. O Delegado de Polícia Civil, após cinco dias da confecção do registro da ocorrência, sem que tenha sido praticado nenhum ato para a veri昀椀cação da procedência das informações, despachou nos autos do Inquérito Policial pelo indeferimento da instauração do Inquérito Policial e determinou a suspensão do procedimento. Nesse caso, você deve A) requerer a remessa dos autos ao Ministério Público para que se manifeste, uma vez que o Delegado de Polícia não possui poderes para arquivar o procedimento. B) requerer a remessa dos autos ao Juízo para que se manifeste, uma vez que o Delegado de Polícia não possui poderes para arquivar o procedimento. C) apresentar recurso para a Che昀椀a de Polícia para que se manifeste sobre o indeferimento da instauração do Inquérito Policial. D) apresentar recurso ao Ministério Público para que se manifeste sobre o indeferimento da instauração do Inquérito Policial. QUESTÃO 3 – INQUÉRITO POLICIAL (OAB/Exame VIII - 2012 - FGV) Um Delegado de Polícia determina a instauração de inquérito policial para apurar a prática do crime de receptação, supostamente praticado por José. Com relação ao Inquérito Policial, assinale a a昀椀rmativa que não constitui sua característica. A) Escrito. B) Inquisitório. C) Indispensável. D) Formal. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 124 QUESTÃO 4 – INQUÉRITO POLICIAL (FGV - 2022 – PC/AM - Investigador de Polícia) A autoridade policial determinou a instauração de inquérito, após receber a notícia da suposta prática do crime de furto mediante fraude eletrônica, de昀椀nido no Art. 155, § 4º-B, do Código Penal, com a redação dada pela Lei 14.155 de 2021. O delito em questão é de ação penal pública incondicionada. Apesar da realização de diversas diligências, não foi possível apurar a autoria delitiva, o que constou no relatório elaborado pelo delegado de polícia. A partir dos dados apresentados, é correto a昀椀rmar que, no caso, A) o delegado deve arquivar diretamente o inquérito policial, não sendo possível, a partir do arquivamento, em nenhuma hipótese, a reabertura das investigações. B) o delegado pode promover o arquivamento do inquérito, devendo o membro do Ministério Público acompanhar a manifestação ou recorrer ao chefe de polícia. C) embora não possa arquivar diretamente o inquérito, as conclusões do delegado de polícia vinculam o órgãoGilson não poderá exceder a duração diária de 4 (quatro) horas contínuas e a de 20 (vinte) horas semanais. D) Em virtude da dedicação exclusiva, Gilson não poderá ser remunerado pelas horas trabalhadas excedentes à jornada normal prevista na legislação. QUESTÃO 15 – SOCIEDADE DE ADVOGADOS (OAB/Exame XXXIV – 2022 – FGV) Anderson, titular de sociedade individual de advocacia, é contratado pela sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. para atuar em sua defesa em ação judicial ajuizada por Pedro, consumidor insatisfeito. No curso da demanda, a impugnação ao cumprimento de sentença não foi conhecida por ter sido injusti昀椀cadamente protocolizada por Anderson após o prazo previsto em lei, o que faz com que Pedro receba valor maior do que teria direito e, consequentemente, a sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. sofra danos materiais. Diante dessa situação, Anderson, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possa incorrer, poderá responder com seu patrimônio pessoal pelos danos materiais causados à sociedade empresária Polvilho Confeitaria Ltda. A) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. B) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma ilimitada. C) Solidariamente, com a sociedade individual de advocacia e de forma limitada. D) Subsidiariamente, em relação à sociedade individual de advocacia e de forma limitada. QUESTÃO 16 – SOCIEDADE DE ADVOGADOS (OAB/Exame XXXV – 2022 – FGV) Antônio, economista sem formação jurídica, e Pedro, advogado, ambos estudiosos da Análise Econômica do Direito, desejam constituir sociedade de advogados que também fornecerá aos seus clientes serviços de consultoria na área econômica. Ao analisar a possibilidade de registro desse empreendimento, que consideram inovador, Antônio e Pedro concluíram, corretamente, que Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 15 A) poderá ser efetivado, já que é permitido o registro, nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicas e nas juntas comerciais, de sociedade que inclua, entre outras 昀椀nalidades, a atividade de advocacia. B) não poderá ser efetivado, já que somente são admitidas a registro as sociedades de advogados que explorem ciências sociais complementares à advocacia. C) poderá ser efetivado, desde que a razão social tenha o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade. D) não poderá ser efetivado, já que não são admitidas a registro as sociedades de advogados que incluam como sócio pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. QUESTÃO 17 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (OAB/Exame XXXIV – 2022 – FGV) O advogado César foi procurado pelo cliente Vinícius, que pretendia sua atuação defendendo-o em processo judicial. Ambos, então, ajustaram certo valor em honorários, por meio de contrato escrito. Na fase de execução do processo, César recebeu pagamentos de importâncias devidas a Vinícius e pretende realizar a compensação com os créditos de que é titular. Com base no caso narrado, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É admissível a compensação de créditos apenas na hipótese de o contrato de prestação de serviços a autorizar; se for silente o contrato, é vedada, mesmo diante de autorização posterior pelo cliente. B) É admissível a compensação de créditos somente se o contrato de prestação de serviços a autorizar; caso silente o contrato, é possível a compensação, se houver autorização especial 昀椀rmada pelo cliente para esse 昀椀m. C) A compensação pretendida apenas será cabível se houver autorização especial 昀椀rmada pelo cliente para esse 昀椀m; no contrato de prestação de serviços não é admitida a inclusão prévia de cláusula autorizativa de compensação de créditos. D) A compensação de créditos é vedada, não sendo admitida a inclusão prévia de cláusula autorizativa no contrato de prestação de serviços; tampouco, autoriza-se tal compensação, ainda que diante de autorização especial 昀椀rmada pelo cliente para esse 昀椀m. QUESTÃO 18 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (OAB/Exame XXXI – 2020 – FGV) O advogado Fernando foi contratado por Flávio para defendê-lo, extrajudicialmente, tendo em vista a pendência de inquérito civil em face do cliente. O contrato celebrado por ambos foi assinado em 10/03/15, não prevista data de vencimento. Em 10/03/17, foi concluída a atuação de Fernando, tendo sido homologado o arquivamento do inquérito civil junto ao Conselho Superior do Ministério Público. Em 10/03/18, Fernando noti昀椀cou extrajudicialmente Flávio, pois este ainda não havia adimplido os valores relativos aos honorários contratuais acordados. A ação de cobrança de honorários a ser proposta por Fernando prescreve em Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 16 A) três anos, contados de 10/03/15. B) cinco anos, contados de 10/03/17. C) três anos, contados de 10/03/18. D) cinco anos, contados de 10/03/15. QUESTÃO 19 – INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Antônia, advogada atuante na área previdenciária, foi consultada por Osvaldo sobre a possibilidade de propor ação judicial contra decisão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), visando à obtenção de benefício previdenciário indeferido na via administrativa. Ao estudar o caso, Antônia veri昀椀cou que o indeferimento do benefício havia se dado com base em dispositivo claro e expresso da lei que dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social; e que não havia, até aquele momento, notícia de precedente judicial favorável à pretensão de Osvaldo. Essas informações, bem como os riscos de eventual ação judicial, foram prestadas de modo claro e inequívoco por Antônia ao cliente. No entanto, devido à insistência de Osvaldo, Antônia decidiu propor a demanda judicial. Com base nesse cenário, considerando o regime das infrações e sanções disciplinares da Advocacia, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Antônia advogou contra literal disposição de lei, o que, não obstante seja conduta irrelevante no regime das infrações disciplinares, poderá sujeitá-la a eventual sanção por litigância de má-fé aplicada pelo juiz da causa. B) Antônia advogou contra literal disposição de lei, conduta que poderá sujeitá-la, perante o órgão competente da OAB, à pena isolada de multa. C) Antônia advogou contra literal disposição de lei, porém poderá contar com a presunção de boa-fé em seu favor, caso tenha fundamentado seu pedido na inconstitucionalidade ou na injustiça da lei. D) Antônia advogou contra literal disposição de lei, conduta que não possui relevância jurídico-disciplinar, mesmo porque a atuação da advocacia deve ser a mais ampla possível na defesa dos interesses de seus clientes. QUESTÃO 20 – INCOMPATIBILIDADE E IMPEDIMENTO (OAB/Exame XVII – 2015 – FGV) Deise é uma próspera advogada e passou a buscar novos desa昀椀os, sendo eleita Deputada Estadual. Por força de suas raras habilidades políticas, foi eleita integrante da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado Z. Ao ocupar esse honroso cargo procurou conciliar sua atividade parlamentar com o exercício da advocacia, sendo seu escritório agora administrado pela 昀椀lha. Nos termos do Estatuto da Advocacia, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A atividade parlamentar de Deise é incompatível com o exercício da advocacia. B) A participação de Deise na Mesa Diretora a torna incompatível com o exercício da advocacia. C) A função de Deise como integrante da Mesa Diretora do Parlamento Estadual é conciliável com o exercício da advocacia. D) A atividade parlamentar de Deise na Mesa Diretora pode ser conciliada com o exercício da advocacia em prol dos necessitados. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 17 QUESTÃO 21 – PUBLICIDADE (OAB/Exame XL – 2024 – FGV) Pedro, contador com vasta experiência e sólida carreira, decide fazer uma segunda graduação, tornando-se bacharel em Direito.do ministério Público responsável promoção de arquivamento ou oferecimento da denúncia. D) o delegado de polícia não pode arquivar diretamente o inquérito; entretanto, ocorrendo o arquivamento por determinação da autoridade competente, pode haver o desarquivamento e continuidade das investigações, desde que surja notícia de novas provas. E) o delegado de polícia não pode arquivar diretamente o inquérito; caso haja o arquivamento por determinação da autoridade competente, não pode haver o desarquivamento e a continuidade das investigações, ainda que surjam notícias de novas provas. QUESTÃO 5 – AÇÃO PENAL (OAB/Exame X - 2013 – FGV) Um professor na aula de Processo Penal esclarece a um aluno que o Ministério Público, após ingressar com a ação penal, não poderá desistir dela, conforme expressa previsão do Art. 42 do CPP. O professor estava explicando ao aluno o princípio da A) indivisibilidade. B) obrigatoriedade. C) indisponibilidade. D) intranscedência. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 125 QUESTÃO 6 – AÇÃO PENAL (FGV - 2021 – RN - Delegado de Polícia Civil) Concluídas investigações de inquérito policial, a autoridade policial indiciou Francisco, sem envolvimento anterior com o aparato policial ou judicial pela prática de crimes, como incurso nas sanções penais do delito de lesão corporal de natureza gravíssima (Art. 129, §2º, CP – pena: reclusão de 2 a 8 anos). Tendo Francisco confessado formal e circunstancialmente a prática da infração penal na delegacia, o acordo de não persecução penal, no caso em tela: A) poderá ser proposto pelo delegado, considerando a con昀椀ssão e a pena mínima cominada ao delito; B) não poderá ser proposto, diante da natureza do delito imputado; C) não poderá ser proposto, pois a pena máxima cominada é superior a quatro anos; D) poderá ser proposto pelo órgão ministerial, mas não pelo delegado, considerando a pena cominada e a con昀椀ssão em sede policial; E) poderá ser proposto pelo órgão ministerial, mas não pelo delegado, e, havendo concordância do indiciado e de sua defesa técnica, independerá de homologação judicial. QUESTÃO 7 – AÇÃO PENAL (OAB/Exame XXXV - 2022 – FGV) Magda é servidora pública federal, trabalhando como professora em instituição de Ensino Superior mantida pela União no Estado do Rio de Janeiro. Magda vem a ser vítima de ofensa à sua honra subjetiva em sala de aula, sendo chamada de “piranha” e “vagabunda” por Márcio, aluno que 昀椀cara revoltado com sua reprovação em disciplina ministrada por Magda. Nessa situação, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Magda só pode ajuizar queixa−crime contra Márcio, imputando− lhe crime de injúria. B) Magda só pode oferecer representação contra Márcio, imputando−lhe crime de injúria. C) Magda não pode ajuizar queixa−crime nem oferecer representação contra Márcio, imputando−lhe crime de injúria. D) Magda pode optar entre ajuizar queixa−crime ou oferecer representação contra Márcio, imputando−lhe crime de injúria. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 126 QUESTÃO 8 – AÇÃO PENAL (OAB/Exame XVII - 2015 – FGV) Carlos foi indiciado pela prática de um crime de lesão corporal grave, que teria como vítima Jorge. Após o prazo de 30 dias, a autoridade policial elaborou relatório conclusivo e encaminhou o procedimento para o Ministério Público. O promotor com atribuição concluiu que não existiam indícios de autoria e materialidade, razão pela qual requereu o arquivamento. Inconformado com a manifestação, Jorge contratou advogado e propôs ação penal privada subsidiária da pública. Nesse caso, é correto a昀椀rmar que A) caso a queixa seja recebida, o Ministério Público não poderá aditá-la ou interpor recurso no curso do processo. B) caso a queixa seja recebida, havendo negligência do querelante, deverá ser reconhecida a perempção. C) a queixa proposta deve ser rejeitada pelo magistrado, pois não houve inércia do Ministério Público. D) a queixa proposta deve ser rejeitada pelo magistrado, tendo em vista que o instituto da ação penal privada subsidiária da pública não foi recepcionado pela Constituição Federal. QUESTÃO 9 – PRISÕES (OAB/Exame XXV - 2018 – FGV) No dia 15 de maio de 2017, Caio, pai de um adolescente de 14 anos, conduzia um veículo automotor, em via pública, às 14h, quando foi solicitada sua parada em uma blitz. Após consultar a placa do automóvel, os policiais constataram que o veículo era produto de crime de roubo ocorrido no dia 13 de maio de 2017, às 09h. Diante da suposta prática do crime de receptação, realizaram a prisão e encaminharam Caio para a Delegacia. Em sede policial, a vítima do crime de roubo foi convidada a comparecer e, em observância a todas as formalidades legais, reconheceu Caio como o autor do crime que sofrera. A autoridade policial lavrou auto de prisão em 昀氀agrante pelo crime de roubo em detrimento de receptação. O Ministério Público, em audiência de custódia, manifesta-se pela conversão da prisão em 昀氀agrante em preventiva, valorizando o fato de Caio ser reincidente, conforme con昀椀rmação constante de sua Folha de Antecedentes Criminais. Quando de sua manifestação, o advogado de Caio, sob o ponto de vista técnico, deverá requerer A) liberdade provisória, pois, apesar da prisão em 昀氀agrante ser legal, não estão presentes os pressupostos para prisão preventiva. B) relaxamento da prisão, em razão da ausência de situação de 昀氀agrante. C) revogação da prisão preventiva, pois a prisão em 昀氀agrante pelo crime de roubo foi ilegal. D) substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, pois Caio é responsável pelos cuidados de adolescente de 14 anos. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 127 QUESTÃO 10 – PRISÕES (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Peterson teve sua prisão temporária decretada pelo prazo de trinta dias, ao ser investigado pela prática do crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, disposto no Art. 302 da Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro), cuja pena cominada é de dois a quatro anos de detenção. A decisão foi fundamentada na necessidade da coleta de provas imprescindíveis durante a investigação policial. Você foi procurado(a), como advogado(a), para atuar no melhor interesse de Peterson, no primeiro dia da sua prisão. Assinale a opção que apresenta, corretamente, o pedido cabível tendo em vista os interesses de seu cliente. A) A liberdade provisória com arbitramento de 昀椀ança, pois a pena máxima do crime não ultrapassa quatro anos. B) A liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, pois não demonstrada a imprescindibilidade da medida. C) O relaxamento imediato da prisão ilegal, pois o crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor não está no rol dos crimes que autorizam a prisão temporária. D) O relaxamento da prisão ilegal a partir do quinto dia de prisão, pois a prática do homicídio culposo na direção de veículo automotor não con昀椀gura crime hediondo e o prazo da prisão temporária deveria ser de 5 dias, e não, de 30 dias. QUESTÃO 11 – COMPETÊNCIA (OAB/Exame XXVI - 2018 – FGV) Maria recebe ligação de duas delegacias diferentes, informando a prisão em 昀氀agrante de seus dois 昀椀lhos. Após contatar seu advogado, Maria foi informada de que Caio, seu 昀椀lho mais velho, praticou, em Niterói, um crime de lesão corporal grave consumado, mas somente veio a ser preso no Rio de Janeiro. Soube, ainda, que Bruno, seu 昀椀lho mais novo, foi preso por praticar um crime de roubo simples (pena: 04 a 10 anos de reclusão e multa) em Niterói e um crime de extorsão majorada (pena: 04 a 10 anos de reclusão, aumentada de 1/3 a 1/2, e multa) em São Gonçalo, sendo certo que a prova do roubo in昀氀uenciaria na prova da extorsão, já que o carro subtraído no roubo foi utilizado quando da prática do segundo delito. Considerando apenas as informações constantes do enunciado,o advogado de Maria deverá esclarecer que o(s) juízo(s) competente(s) para julgar Caio e Bruno será(ão), A) Niterói, nos dois casos, sendo que, entre os crimes de roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, continência. B) Niterói, nos dois casos, sendo que, entre os crimes de roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, conexão. C) Rio de Janeiro e São Gonçalo, respectivamente, sendo que, entre os crimes de roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, continência. D) Niterói e São Gonçalo, respectivamente, sendo que, entre os crimes de roubo e extorsão, há, de acordo com o Código de Processo Penal, conexão. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 128 QUESTÃO 12 – COMPETÊNCIA (FGV - 2023 – TJ/RN – O昀椀cial de Justiça) Joana, residente e domiciliada em Niterói/RJ, interessada na aquisição de uma raquete de tênis, encontra, nas redes sociais, a propaganda da sociedade empresária XYZ, localizada em Natal/RN. Joana 昀椀ca muito interessada, considerando o desconto oferecido pela entidade para a compra de uma raquete de tênis da última geração. Dessa forma, Joana, em março de 2023, acaba por realizar uma transferência bancária para uma conta com registro em agência situada em Porto Alegre/RS. Posteriormente, a particular percebe que foi vítima de um crime de estelionato. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal, é correto a昀椀rmar que a competência para o processo e julgamento do crime de estelionato é de uma das Varas Criminais de: A) Natal/RN, local da sede da sociedade empresária XYZ ou Porto Alegre/RS, local da conta bene昀椀ciada pela transferência bancária; B) Niterói/RJ, local do domicílio da vítima, ou Natal/RN, local da sede da sociedade empresária XYZ; C) Porto Alegre/RS, local da conta bene昀椀ciada pela transferência bancária; D) Natal/RN, local da sede da sociedade empresária XYZ; E) Niterói/RJ, local do domicílio da vítima. QUESTÃO 13 – RECURSOS (FGV - 2023 – TJ/BA – Conciliador) Tício é objeto de investigação, no bojo de um inquérito policial, pela suposta prática de crime de homicídio quali昀椀cado. A defesa técnica, então, impetra, junto ao juízo criminal, habeas corpus, visando ao trancamento das investigações. A ordem requerida é denegada. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal, em face da decisão que nega a ordem de habeas corpus: A) é cabível a interposição de recurso de apelação; B) é cabível a interposição de embargos infringentes; C) é cabível a interposição de recurso em sentido estrito; D) não é cabível a interposição de recurso, mas sim de pedido de reconsideração da decisão; E) não é cabível a interposição de recurso, mas sim de novo habeas corpus junto ao Tribunal. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 129 QUESTÃO 14 – RECURSOS (FGV - 2023 – TJ/BA – Juiz Leigo) João, suposto autor de fato delituoso, e o Ministério Público assinaram proposta de Acordo de Não Persecução Penal. O juiz, em seguida, recusou homologação ao pactuado. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal, é correto a昀椀rmar que: A) não caberá a interposição de qualquer recurso, devendo a proposta ser encaminhada diretamente ao procurador-geral de Justiça; B) não caberá a interposição de qualquer recurso, devendo o Ministério Público dar prosseguimento ao processo penal; C) caberá a interposição de recurso em sentido estrito; D) caberá a interposição de embargos de nulidade; E) caberá a interposição de recurso de apelação. QUESTÃO 15 – RECURSOS (OAB/Exame XXIX - 2019 – FGV) Vanessa foi condenada pela prática de um crime de furto quali昀椀cado pela 1ª Vara Criminal de Curitiba, em razão de suposto abuso de con昀椀ança que decorreria da relação entre a vítima e Vanessa. Como as partes não interpuseram recurso, a sentença de primeiro grau transitou em julgado. Apesar de existirem provas da subtração de coisa alheia móvel, a vítima não foi ouvida por ocasião da instrução por não ter sido localizada. Durante a execução da pena por Vanessa, a vítima é localizada, con昀椀rma a subtração por Vanessa, mas diz que sequer conhecia a autora dos fatos antes da prática delitiva. Vanessa procura seu advogado para esclarecimento sobre eventual medida cabível. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Vanessa deve esclarecer que A) não poderá apresentar revisão criminal, tendo em vista que a pena já está sendo executada, mas poderá ser buscada reparação civil. B) caberá apresentação de revisão criminal, sendo imprescindível a representação de Vanessa por advogado, devendo a medida ser iniciada perante o próprio juízo da condenação. C) não poderá apresentar revisão criminal em favor da cliente, tendo em vista que a nova prova não é apta a justi昀椀car a absolvição de Vanessa, mas tão só a redução da pena. D) caberá apresentação de revisão criminal, podendo Vanessa apresentar a ação autônoma independentemente de estar assistida por advogado, ou por meio de procurador legalmente habilitado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 130 QUESTÃO 16 – RECURSOS (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) No dia 10 de agosto de 2023, foi publicada a decisão de rejeição da queixa-crime relativa ao crime de injúria (pena: um a seis meses de detenção), que teria sido praticado por Maria Aparecida contra Augusto. Augusto, inconformado com a sentença, procurou você, como advogado(a), para se insurgir contra a decisão de rejeição de exordial acusatória. Assinale a opção que indica, corretamente, o recurso cabível para o caso. A) Agravo. B) Apelação. C) Recurso Inominado. D) Recurso em Sentido Estrito. QUESTÃO 17 – PROVAS (OAB/Exame XIV - 2014 – FGV) O Delegado de Polícia, descon昀椀ado de que Fabiano é o líder de uma quadrilha que realiza assaltos à mão armada na região, decide, com a sua equipe, realizar uma interceptação telefônica sem autorização judicial. Durante algumas semanas, escutaram diversas conversas, por meio das quais descobriram o local onde a res furtiva era armazenada para posterior revenda. Com essa informação, o Delegado de Polícia representou pela busca e apreensão a ser realizada na residência suspeita, sendo tal diligência autorizada pelo Juízo competente. Munidos do mandado de busca e apreensão, ingressam na residência encontrando diversos objetos fruto de roubo, como joias, celulares, documentos de identidade etc., tudo conforme indicou a interceptação telefônica. Assim, Fabiano foi conduzido à Delegacia, onde se registrou a ocorrência. Acerca do caso narrado, assinale a opção correta. A) A realização da busca e apreensão é admissível, tendo em vista que houve autorização prévia do juízo competente, existindo justa causa para ajuizamento da ação penal. B) A realização da busca e apreensão é admissível, apesar da interceptação telefônica ter sido realizada sem autorização judicial, existindo justa causa para ajuizamento da ação penal. C) A realização da busca e apreensão não é admissível porque houve representação do Delegado de Polícia, não existindo justa causa para o ajuizamento da ação penal. D) A realização da busca e apreensão não é admissível, pois derivou de uma interceptação telefônica ilícita, aplicando- se a teoria dos frutos da árvore envenenada, não existindo justa causa para o ajuizamento da ação penal. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 131 QUESTÃO 18 – PROVAS (FGV - 2022 – PC/AM – Investigador de Polícia) No curso de inquérito que apurava a prática do crime de corrupção passiva, previsto no Art. 317 do Código Penal, a autoridade policial representou pela interceptação das comunicações telefônicas do ramal de um indiciado. Demonstrada a imprescindibilidade da medida e indícios de autoria, houve autorização do juiz competente para a interceptação pelo prazo de 15 dias.Após a implementação, não houve pedido ou decisão sobre a renovação da escuta. Ocorre que a interceptação não foi interrompida no prazo e, no 16º dia, um diálogo revelou uma informação até então desconhecida da autoridade. Munido dessa informação, o delegado de polícia representou pela realização de buscas em um endereço onde, em cumprimento a mandado judicial, foram apreendidos documentos importantes à apuração do fato. Posteriormente, tais documentos instruíram denúncia ofertada pelo Ministério Público. Considerando os dados fornecidos pelo enunciado, indique a a昀椀rmativa correta. A) Os documentos devem ser admitidos no processo pois obtidos por fonte absolutamente independente. B) Os documentos devem ser admitidos no processo, pois derivaram de escuta lícita, decretada por juiz competente. C) Os documentos não podem ser admitidos no processo, pois, de acordo com a teoria dos frutos da árvore envenenada, derivam de prova obtida por meios ilícitos. D) Os documentos não podem ser admitidos no processo, pois sua apreensão se deu de forma ilícita, já que apenas o Ministério Público poderia pleitear a busca. E) Os documentos podem ser admitidos no processo, pois sua obtenção decorreu de descoberta inevitável. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 132 GABARITO COMENTADO PROCESSO PENAL QUESTÃO 1 – INQUÉRITO POLICIAL Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 5º, §3º, Código de Processo Penal (CPP): “Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, veri昀椀cada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.” Portanto, quando existir uma denúncia anônima, deve a Autoridade Policial, antes mesmo de instaurar o inquérito, realizar diligências preliminares para averiguar as informações. Ademais, se há alguma irregularidade na fase do inquérito policial, em regra, isso não invalida toda a ação penal, apenas se toda a ação penal estivesse fundamentada de forma exclusiva em prova ilícita. Assim, ocorreria a anulação do processo. Ainda, em razão do princípio da vedação à autoincriminação, não é possível constranger o indiciado ou o réu a participar da reprodução simulada dos fatos. Por 昀椀m, a regra é não identi昀椀car criminalmente o civilmente identi昀椀cado. E seria possível fazer por meio de fotogra昀椀a (Lei 12.037/2009). QUESTÃO 2 – INQUÉRITO POLICIAL Gabarito: “C”. A banca cobrou o seguinte artigo 5º, §2º, CPP: “Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia.” CUIDADO! A FGV vai tentar te induzir ao erro, dizendo que, nesse caso, deve ser apresentado recurso ao Ministério Público para que ele se manifeste sobre o indeferimento da instauração do Inquérito Policial. QUESTÃO 3 – INQUÉRITO POLICIAL Gabarito: “C”. O inquérito policial é procedimento DISPENSÁVEL (não é necessário se já existem provas da autoria e materialidade do crime): “Artigo 39, §5º, CPP: O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias.” CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL (IP): Escrito, inquisitivo (sem contraditório, pois ainda não há processo), dispensável (não é necessário o IP se já existem provas da autoria e materialidade), o昀椀cial (investigação realizada por agentes públicos), sigiloso, o昀椀cioso (Delegado instaura de ofício nos crimes de ação penal pública incondicionada), indisponível (instaurado o inquérito, a autoridade policial não poderá dele dispor/ promover o seu arquivamento) e formal (procedimento que precisa ser formalizado em um instrumento). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 133 QUESTÃO 4 – INQUÉRITO POLICIAL Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos abaixo, do CPP: “Art. 17: “A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.” “Art. 18: “Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.” Desse modo, uma vez que o Delegado de Polícia não pode arquivar inquérito policial, estão incorretas as alternativas “A” e “B”. Ademais, já decidiu o STF: “As deliberações da autoridade policial não vinculam o membro do Ministério Público.” (STF, HC 133.835 MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 18/04/2016). Então, incorreta a alternativa “C”. Por 昀椀m, pode ocorrer o desarquivamento do IP e continuidade das investigações, desde que surja notícia de novas provas. QUESTÃO 5 – AÇÃO PENAL Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 42 do CPP: “O Ministério Público não poderá desistir da ação penal.” Esse artigo traz o princípio da indisponibilidade, o qual signi昀椀ca que, depois de propor a ação penal, o Ministério Púbico não pode mais dela desistir. QUESTÃO 6 – AÇÃO PENAL Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 28-A, CPP: “Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e su昀椀ciente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente: (...)” (grifo nosso). Desse modo, tendo em vista que o crime praticado por Francisco foi o de lesão corporal de natureza grave (cometido por meio de violência), incabível a celebração do acordo de não persecução penal (ANPP). PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE: Artigo 48, CPP: “A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade.” PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE: Uma vez constatadas a autoria e materialidade do crime, o Ministério Público deve a oferecer denúncia. PRINCÍPIO DA INTRANSCEDÊNCIA: Artigo 5º, XLV, CF: “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 134 Requisitos do ANPP: art. 28º-A do CPP. - É pré-processual. - Aplicável nos crimes cuja pena MÍNIMA em abstrato seja INFERIOR a 4 anos. - Exige CONFISSÃO. - Infração sem violência ou grave ameaça. - Não ser caso de arquivamento. - Não cabe o ANPP na Lei Maria da Penha. - Quando o Ministério Público recusa o oferecimento do ANPP, a defesa do investigado poderá requerer a remessa dos autos por órgão superior do Ministério Público. QUESTÃO 7 – AÇÃO PENAL Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento da súmula 714 do STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.” Assim, essa súmula dispõe que tanto o servidor público ofendido quanto o Ministério Público podem buscar a responsabilização do sujeito nos casos de crimes contra a honra cometidos contra o servidor no exercício de suas funções. No entanto, essa atuação do Ministério Público depende da representação do ofendido (vítima). Portanto, considerando que Magda é servidora pública federal, vítima de ofensa à sua honra subjetiva durante o exercício de suas funções como professora em uma instituição de ensino mantida pela União, ela poderá ajuizar a queixa-crime ou permitir que o Ministério Público promova a ação penal, desde que ela represente contra Márcio. QUESTÃO 8 – AÇÃO PENAL Gabarito: “C”. Conformeo art. 5º, LIX, da CF: “será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal”. Portanto, não ocorreu inércia do Ministério Público e a queixa proposta deve ser rejeitada. Veja que a questão diz que o “promotor com atribuição concluiu que não existiam indícios de autoria e materialidade, razão pela qual requereu o arquivamento”, ou seja, o promotor agiu (ele não 昀椀cou inerte). Ele entendeu que era caso de arquivamento. QUESTÃO 9 – PRISÕES Gabarito: “B”. Tendo em vista que a prisão se deu de forma ilegal, deverá ocorrer o relaxamento da prisão em 昀氀agrante. Isso porque Caio não se encontrava em nenhuma situação do artigo 302 do CPP, não houve nenhuma perseguição ininterrupta: “Considera-se em 昀氀agrante delito quem: I - está cometendo a infração penal; II - acaba de cometê-la; III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 135 Na situação apresentada, a prisão de Caio pelo crime de roubo, dois dias após o ocorrido, con昀椀gura-se ilegal, pois o roubo é um crime instantâneo, ou seja, se consuma quando há a subtração com violência ou grave ameaça. Consequentemente, a prisão em 昀氀agrante realizada pela autoridade policial não se sustenta legalmente, conforme previsão do art. 310, I, do Código de Processo Penal. Portanto, o correto seria o relaxamento da prisão de Caio, também de acordo com o artigo 5º, LXV, CF: “a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária”. VEJA O BIZU: Flagrante próprio: “quem está cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la (art. 302, I e II do CPP). Flagrante impróprio: “quem é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração” (art. 302, III do CPP). Flagrante presumido: “quem é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração” (art. 302, IV do CPP). Flagrante esperado: É válido. A autoridade policial é informada previamente de que um crime será cometido e se dirige ao local onde o delito ocorrerá. Quando os atos que con昀椀guram o crime são iniciados ou mesmo quando ele é consumado, a autoridade realiza a prisão em 昀氀agrante. Flagrante forjado: É ilegal. É um 昀氀agrante “armado” e realizado para incriminar um indivíduo inocente. Flagrante preparado/provocado: É ilegal. A pessoa é instigada a cometer o crime. QUESTÃO 10 – PRISÕES Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. A prisão temporária é uma medida cautelar excepcional, prevista na Lei nº 7.960/1989, que somente pode ser decretada nos casos expressamente previstos no art. 1º dessa lei. O rol é taxativo e inclui crimes como homicídio doloso, sequestro, entre outros. O crime imputado a Peterson é o de homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB), que não está listado como hipótese autorizadora de prisão temporária. Assim, a decretação da medida foi ilegal, cabendo à defesa requerer o relaxamento imediato da prisão por ausência de amparo legal. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra porque não se trata de caso de liberdade provisória, mas de prisão ilegal que deve ser imediatamente relaxada. A letra B também não se aplica, pois o vício não está na falta de fundamentação, mas na absoluta ausência de previsão legal para prisão temporária nesse crime. Já a letra D está equivocada porque não se trata de discussão sobre prazo (5 ou 30 dias), mas sim de inexistência de previsão legal para prisão temporária em crimes culposos de trânsito. Portanto, a única medida adequada é o pedido de relaxamento imediato da prisão. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 136 QUESTÃO 11 – COMPETÊNCIA Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento desses artigos do CPP: “Artigo 70 - A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.” “Artigo 76 - A competência será determinada pela conexão: (...) III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares in昀氀uir na prova de outra infração.” “Artigo 78 - Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: (...) Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave;” Desse modo, embora Caio sido preso no Rio de Janeiro, o crime aconteceu em Niterói, então a competência para julgá-lo é determinada pelo local onde o crime se consumou, de acordo com o art. 70 do CPP. No caso de Bruno, será competente o juízo do local em que fora cometido o crime mais grave (artigo 78, II, “a”, CPP). Isso acontece porque os dois crimes estão relacionados/conexos, seguindo o que diz o art. 76 do CPP. QUESTÃO 12 – COMPETÊNCIA Gabarito: “E”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 70, §4º, CPP: “§ 4º Nos crimes previstos no art. 171 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), quando praticados mediante depósito, mediante emissão de cheques sem su昀椀ciente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou mediante transferência de valores, a competência será de昀椀nida pelo local do domicílio da vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência 昀椀rmar-se-á pela prevenção.” Portanto, a competência para o processo e julgamento do crime de estelionato é de uma das Varas Criminais de Niterói/RJ, local do domicílio da vítima, pois Joana morava em Niterói/RJ quando pagou por uma raquete de tênis, por meio de transferência bancária, e acabou sendo vítima de um crime de estelionato. QUESTÃO 13 – RECURSOS Gabarito: “C”. A banca cobrou entendimento do artigo abaixo do CPP: “Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: (...) X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus;” Assim, tendo em vista que a defesa de Tício impetrou habeas corpus, visando ao trancamento das investigações e a ordem requerida foi denegada, cabível a interposição de recurso em sentido estrito contra a decisão que negou a ordem de habeas corpus. QUESTÃO 14 – RECURSOS Gabarito: “C”. A banca cobrou entendimento do artigo abaixo do CPP: “Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: (...) XXV - que recusar homologação à proposta de acordo de não persecução penal, previsto no art. 28-A desta Lei.” Portanto, diante da recursa de homologação à proposta de acordo de não persecução penal (ANPP), cabível o recurso em sentido estrito (RESE). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 137 QUESTÃO 15 – RECURSOS Gabarito: “D”. A banca cobrou entendimento dos seguintes artigos do CPP: “Art. 621. A revisão dos processos 昀椀ndos será admitida: I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos; II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos; III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.” “Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.” Então, Vanessa pode buscar a revisão criminal, que pode ser pedida por ela mesma ou por um procurador legalmente habilitado, independentemente de estar assistida por advogado, conforme previsto no artigo 623 do CPP. Ademais, a revisão criminal é cabível porque a novaprova apresentada pela vítima pode ser considerada para afastar a quali昀椀cadora do furto, nos termos do artigo 621, inciso III, do CPP, e a pena de Vanessa poderá ser diminuída. QUESTÃO 16 – RECURSOS Gabarito: “B”. A alternativa correta é a letra B. Nos termos do art. 82 da Lei nº 9.099/95, da decisão que rejeita a denúncia ou a queixa, assim como da sentença, cabe o recurso de apelação. Assim, Augusto, inconformado com a rejeição da queixa-crime por injúria, deve interpor apelação para buscar a reforma da decisão. As demais alternativas estão incorretas. A letra A (agravo) não é prevista no âmbito dos Juizados Criminais. A letra C (recurso inominado) é cabível apenas em causas cíveis nos Juizados Especiais, não em matéria criminal. Já a letra D (recurso em sentido estrito) também não se aplica, pois a rejeição da queixa-crime, em sede de Juizado Especial Criminal, não está no rol do art. 581 do CPP, mas sim regulada de forma especí昀椀ca pela Lei 9.099/95. Portanto, o recurso cabível é a apelação. QUESTÃO 17 – PROVAS Gabarito: “D”. A banca cobrou entendimento dos seguintes artigos: “Art. 5º, LVI, CF: são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;” “Art. 157, CPP: São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1º: São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2º: Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. §3º: Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. § 4º: (VETADO) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 138 § 5º: O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão.” A realização da busca e apreensão não é admissível, pois derivou de uma interceptação telefônica realizada sem autorização judicial, o que a torna ilícita. Consequentemente, aplica-se a teoria dos frutos da árvore envenenada, invalidando as provas obtidas a partir dessa interceptação. Portanto, não existe justa causa para o ajuizamento da ação penal. QUESTÃO 18 – PROVAS Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo abaixo: “Art. 157, CPP: São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1º: São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2º: Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. §3º: Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. § 4º: (VETADO) § 5º: O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão.” Os documentos apreendidos durante a busca não podem ser admitidos no processo porque derivam de uma interceptação telefônica que ultrapassou o prazo autorizado pelo juiz. De acordo com a teoria dos frutos da árvore envenenada, as provas obtidas por meio ilícito são consideradas contaminadas, inviabilizando sua admissão no processo. Como a interceptação foi realizada além do prazo autorizado, toda informação obtida após esse período é considerada ilícita, afetando a validade dos documentos apreendidos durante a busca. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 139 QUESTÕES DE DIREITO DO TRABALHO QUESTÃO 1 – JORNADA DE TRABALHO (OAB/Exame XXXVII - 2023 - FGV) Sabrina era empregada de um grande escritório de contabilidade desde 2021, e sempre chegava ao local de trabalho com 5 minutos de antecedência em relação ao horário contratual para trocar a roupa e colocar o uniforme da sociedade empresária. O empregador permitia que o empregado chegasse uniformizado, mas Sabrina achava melhor trocar a roupa na empresa por questão de segurança. Da mesma forma, após terminar o horário contratual, Sabrina permanecia mais 5 minutos no emprego para tirar o uniforme e colocar a sua roupa pessoal. Sabrina foi dispensada em fevereiro de 2023 e ajuizou reclamação trabalhista postulando 10 minutos diários de horas extras relativas às trocas de roupa. Sobre a hipótese apresentada, diante do que dispõe a CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Sabrina está correta na postulação e, caso comprovada, ensejará o pagamento de horas extras. B) A sociedade empresária deverá pagar metade do período como hora extra, uma vez que o excesso era de 10 minutos diários e o objetivo era a troca de uniforme. C) Sabrina terá direito ao pagamento dos 10 minutos diários, mas não do adicional de 50%. D) Sabrina está errada, pois esse período não será descontado nem computado como jornada extraordinária. QUESTÃO 2 – FÉRIAS (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Guilherme, engenheiro responsável por obras de infraestrutura, trabalha para uma sociedade empresária há cinco anos. Ao longo dos últimos 4 anos sempre desfrutou de 30 dias de férias corridos. Em janeiro de 2024, ao veri昀椀car a incidência de numerosos feriados ao longo do ano, ele pretendeu fracionar suas férias. Assim sendo, procurou você, como advogado(a), para orientá-lo sobre a possibilidade de fracionar os 30 dias de férias a que tem direito. Acerca do interesse do seu cliente, assinale a opção que indica, corretamente, a orientação a ser dada. A) Ele não pode fracionar as férias porque não usufruiu desse direito nos últimos quatro anos, mas tem o direito de converter 1/3 em pecúnia. B) Ele pode fracionar as férias em 3 períodos de 10 dias consecutivos cada, para fazer coincidir com os numerosos feriados observados ao longo do ano. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 140 C) Ele pode fracionar as férias em períodos inferiores a cinco dias, contados em dias úteis, de modo a coin- cidir, ou no início ou no término, com os feriados. D) Ele pode fracionar as férias em até 3 períodos, desde que um deles não seja inferior a 14 dias corridos e, os demais, não sejam inferiores a cinco dias corridos, cada um. QUESTÃO 3 – REMUNERAÇÃO E SALÁRIO (OAB/Exame XXXIII - 2021 - FGV) Um grupo de investidores está estimando custos para montar empresas em diversos ramos. Por isso, procuraram você, como advogado(a), para serem informados sobre os custos dos adicionais de periculosidade e insalubridade nas folhas de pagamento. Sobre a orientação dada, de acordo com o texto da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O adicional de insalubridade varia entre os graus mínimo, médio e máximo sobre o salário mínimo; o de periculosidade tem percentual 昀椀xo: 30% do salário básico do empregado. B) Os adicionais de periculosidade e insalubridade variam entre os graus mínimo, médio e máximo, sendo, respectivamente, de 10%, 20% e 30% do salário dos empregados. C) As atividades com in昀氀amáveis, explosivos e energia elétrica são consideradas as de maior risco, com um adicional de 50% sobre as remunerações dos empregados. D) O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou periculosidade só pode cessar com a mudança de função ou por determinação judicial. QUESTÃO 4 – RELAÇÃODE TRABALHO E RELAÇÃO DE EMPREGO (OAB/Exame XXXVIII - 2023 - FGV) Francisco é caseiro desde 2019 em uma chácara localizada em área urbana, cujo proprietário aluga o imóvel por temporada por meio de um site especializado neste tipo de negociação. Francisco tem a incumbência de manter limpa a casa, receber os locatários e atender às eventuais necessidades deles no tocante ao conforto e à segurança. Além disso, de 2ª feira a sábado, Francisco faz a manutenção geral do local, independentemente de estar locado, para que a aparência esteja sempre impecável e, assim, os hóspedes recomendem a estadia na chácara a outros candidatos. Diante desta situação e das normas de regência, assinale a opção que indica a categoria pro昀椀ssional de Francisco. A) Trabalhador intermitente. B) Empregado doméstico. C) Empregado rural. D) Empregado comum. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 141 QUESTÃO 5 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) Em sede de acordo coletivo, 昀椀rmado em janeiro de 2024 e com vigência de dois anos, entre uma sociedade empresária e o sindicato da categoria pro昀椀ssional, constou cláusula determinando que o tempo de deslocamento dos empregados do portão até o interior da sociedade empresária, onde se situa o relógio de ponto, seria computado na jornada de trabalho. Isso porque o deslocamento é feito em transporte fornecido pela sociedade empresária e dura cerca de 20 minutos. Sobre a jornada, não consta mais nada na norma coletiva. A sociedade empresária, por liberalidade, mantém salas de recreação, biblioteca e uma capela. A utilização desses espaços antes e após o trabalho e durante os intervalos é facultada aos empregados. Em razão do ajuizamento de uma ação trabalhista por um ex-empregado, a sociedade empresária indagou a você, como advogado(a), se todos esses períodos, seja o de deslocamento, seja o tempo despendido nos espaços mencionados, deveriam integrar a jornada de trabalho. Acerca do tema, com base na CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Todos os períodos não se computam na jornada de trabalho dos empregados. B) Apenas o tempo de utilização da capela deve ser computado na jornada, pois o Estado é laico. C) Apenas o período de deslocamento deve integrar a jornada por força da norma coletiva. Os demais períodos não são considerados tempo à disposição. D) O período de deslocamento assim como o período de utilização da biblioteca, voltado para o estudo, devem ser computados na jornada. Os demais períodos não são computados na jornada. QUESTÃO 6 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA (OAB/Exame XXVI - 2018 - FGV) Em 2018, um sindicato de empregados acertou, em acordo coletivo com uma sociedade empresária, a redução geral dos salários de seus empregados em 15% durante 1 ano. Nesse caso, conforme dispõe a CLT, A) uma contrapartida de qualquer natureza será obrigatória e deverá ser acertada com a sociedade empresária. B) a contrapartida será a garantia no emprego a todos os empregados envolvidos durante a vigência do acordo coletivo. C) a existência de alguma vantagem para os trabalhadores para validar o acordo coletivo será desnecessária. D) a norma em questão será nula, porque a redução geral de salário somente pode ser acertada por convenção coletiva de trabalho. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 142 QUESTÃO 7 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA (OAB/Exame XXVII - 2018 - FGV) O sindicato dos empregados em tinturaria de determinado município celebrou, em 2018, acordo coletivo com uma tinturaria, no qual, reconhecendo-se a condição 昀椀nanceira difícil da empresa, aceitou a redução do percentual de FGTS para 3% durante 2 anos. Sobre o caso apresentado, de acordo com a previsão da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) É válido o acerto realizado porque fruto de negociação coletiva, ao qual a reforma trabalhista conferiu força legal. B) Somente se houver homologação do acordo coletivo pela Justiça do Trabalho é que ele terá validade em relação ao FGTS. C) A cláusula normativa em questão é nula, porque constitui objeto ilícito negociar percentual de FGTS. D) A negociação acerca do FGTS exigiria que, ao menos, fosse pago metade do valor devido, o que não QUESTÃO 8 – COMPLEXO SALARIAL (OAB/Exame XXXII - 2021 - FGV) Desde abril de 2019, Denilson é empregado em uma indústria de cosméticos, com carteira pro昀椀ssional assinada. No último contracheque de Denilson veri昀椀ca-se o pagamento das seguintes parcelas: abono, prêmio, comissão e diária para viagem. Considerando essa situação, assinale a opção que indica a verba que, de acordo com a CLT, integra o salário e constitui base de incidência de encargo trabalhista. A) Abono. B) Prêmio. C) Comissão. D) Diária para viagem. QUESTÃO 9 – COMPLEXO SALARIAL (OAB/Exame XXXVI - 2022 - FGV) A partir de 2021, uma determinada sociedade empresária passou a oferecer aos seus empregados, gratuitamente, plano de saúde em grupo como forma de 昀椀delizar a sua mão de obra e para que o empregado se sinta valorizado. O plano oferece uma boa rede credenciada e internação, se necessária, em enfermaria. Tanto o empregado quanto os seus dependentes são bene昀椀ciários. Todos os empregados se interessaram pelo plano e assinaram o documento respectivo de adesão. Em relação a essa vantagem, de acordo com a CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O benefício não é considerado salário utilidade e, assim, não haverá qualquer re昀氀exo. B) O plano, por se tratar de salário in natura, vai integrar o salário dos empregados pelo seu valor real. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 143 C) O valor do plano deverá ser integrado ao salário dos empregados pela metade do seu valor de mercado. D) O valor relativo ao empregado não será integrado ao salário, mas o valor referente aos dependentes re昀氀etirá nos demais direitos do trabalhador. QUESTÃO 10 – TELETRABALHO (OAB/Exame XL - 2024 - FGV) Em 2024, uma companhia imobiliária contratou Olívia como estagiária. Olívia foi designada para trabalhar em regime de teletrabalho (trabalho em domicílio, home o昀케ce) na confecção de planilhas de locatários inadimplentes, que, em seguida, são enviadas ao setor jurídico da sociedade empresária. Considerando os fatos e o que dispõe a CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O regime de teletrabalho é incompatível com o estágio, por frustrar o seu objetivo principal que é a vivência prática das rotinas. B) Havendo autorização prévia do Juiz do Trabalho, é possível, em caráter excepcional, o regime de teletrabalho no estágio. C) Somente se estivesse na cota de estagiário com de昀椀ciência, ela poderia trabalhar em regime de teletrabalho. D) Se for conveniente para as partes, o regime de teletrabalho pode ser adotado nos contratos de estágio. QUESTÃO 11 – TELETRABALHO (OAB/Exame XXXIV - 2022 - FGV) Júlia é analista de sistemas de uma empresa de tecnologia e solicitou ao empregador trabalhar remotamente. Sobre a pretensão de Júlia, observados os termos da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O teletrabalho só pode ser assim considerado se a prestação de serviços for totalmente fora das dependências da empresa. B) O ajuste entre Júlia e seu empregador poderá ser tácito, assim como ocorre com o próprio contrato de trabalho. C) O computador e demais utilidades que se 昀椀zerem necessárias para o trabalho remoto de Júlia não integrarão sua remuneração. D) O ajuste entre as partes para o trabalho remoto deverá ser por mútuo consentimento, assim como o retorno ao trabalho presencial. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 144 QUESTÃO 12 – TELETRABALHO (OAB/Exame XXXII - 2021 - FGV) Luiz e Selma são casados e trabalham para o mesmo empregador. Ambos são teletrabalhadores, tendo o empregador montado um home o昀케ce no apartamento do casal, de onde eles trabalham na recepção e no tratamento de dados informatizados. Para a impressão dosdados que serão objeto de análise, o casal necessitará de algumas resmas de papel, assim como de toner para a impressora que utilizarão. Assinale a opção que indica quem deverá arcar com esses gastos, de acordo com a CLT. A) Cada parte deverá arcar com 50% desse gasto. B) A empresa deverá arcar com o gasto porque é seu o risco do negócio. C) A responsabilidade por esse gasto deverá ser prevista em contrato escrito. D) O casal deverá arcar com o gasto, pois não há como o empregador 昀椀scalizar se o material será utilizado apenas no trabalho. QUESTÃO 13 – CONTRATO DE TRABALHO (OAB/Exame XXXIX - 2023 - FGV) Você, como advogado, trabalha no setor de recursos humanos de uma grande empresa multinacional. Como o gerente do setor está de férias, e é ele, na condição de gerente, que defere ou indefere as licenças reivindicadas pelos funcionários, a secretária do setor, agora, lhe indagou sobre as solicitações de quatro funcionários: o primeiro está com o contrato suspenso por doença, em gozo de benefício previdenciário de auxílio doença comum e requer pagamento de salário; o segundo requereu o abono de um dia de trabalho, em razão de doação de sangue; o terceiro formulou requerimento de dispensa para ser ouvido como testemunha na Justiça do Trabalho em audiência presencial e, o quarto e último, aduziu que o primo faleceu e requereu a dispensa do dia de trabalho. Sobre as solicitações, considerando o teor da legislação trabalhista em vigor, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Na hipótese de falecimento do primo, sendo parente do funcionário, a dispensa ao trabalho é devida por um dia. B) Em caso de doação de sangue voluntária, devidamente comprovada, o empregado tem direito a um dia de licença remunerada a cada 12 meses. C) O empregado em gozo de auxílio-doença tem direito a receber a complementação salarial da diferença entre o benefício previdenciário e o salário. D) A ausência ao trabalho para comparecimento em juízo refere-se tão somente aos casos de o empregado ser parte na demanda, mas não para servir como testemunha. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 145 QUESTÃO 14 – CONTRATO DE TRABALHO (FGV - 2023 - Técnico de Gestão Administrativa (ALEMA)/Advogado) A suspensão contratual se diferencia da interrupção porque nesta o empregador deve pagar o salário do período correspondente, ao passo que naquela, não. De acordo com a CLT, assinale a opção que indica um caso que envolve interrupção e seu respectivo prazo, contanto que devidamente comprovado. A) Até três dias consecutivos em caso de falecimento do cônjuge. B) Nos dias em que o empregado estiver realizando provas de concurso público. C) Até dois dias úteis em virtude de casamento. D) Um dia por ano para acompanhar 昀椀lho de até dez anos de idade em consulta médica. E) Até três dias, em cada doze meses de trabalho, para realizar exames preventivos de câncer. QUESTÃO 15 – CONTRATO DE TRABALHO (OAB/Exame XXXVI - 2022 - FGV) Sua cliente é uma empresa do setor calçadista com sede em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, e lhe procurou indagando acerca da possibilidade de transferir alguns empregados para outras localidades. Diante disso, considerando o texto da CLT em vigor e o entendimento jurisprudencial consolidado do TST, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O empregado com contrato de trabalho no qual consta cláusula expressa de transferência decorrente de comprovada real necessidade de serviço obrigatoriamente deve aquiescer com a transferência, sendo tal concordância requisito indispensável para a validade da transferência. B) Apenas serão consideradas transferências aquelas que acarretarem, necessariamente, a mudança de domicílio do empregado. C) Em caso de necessidade de serviço, o empregador será livre para transferir o empregado provisoriamente, desde que com a aquiescência deste, sendo desnecessário o pagamento de qualquer outra vantagem ou benefício ao empregado, exceto a ajuda de custo para a mudança. D) Havendo transferência provisória com o pagamento do respectivo adicional, as despesas resultantes da transferência serão do empregado, uma vez que já indenizada a transferência pelo adicional respectivo. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 146 QUESTÃO 16 – CONTRATO DE TRABALHO (OAB/Exame XXXIV - 2022 - FGV) Rita trabalha, desde a contratação, das 22h às 5h, como recepcionista em um hospital. Tendo surgido uma vaga no horário diurno, a empresa pretende transferir Rita para o horário diurno. Diante disso, de acordo com o entendimento consolidado da jurisprudência do TST, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A alteração do turno de trabalho do empregado é vedada, pois implica redução remuneratória pela perda do respectivo adicional. B) A alteração do turno noturno para o diurno é lícita, mesmo com a supressão do adicional noturno. C) A alteração de turno depende do poder diretivo do empregador, mas o adicional noturno não pode ser suprimido. D) A alteração do turno de trabalho será lícita, desde que haja a incorporação de昀椀nitiva do adicional ao salário de Rita. QUESTÃO 17 – ESTABILIDADES PROVISÓRIAS (OAB/Exame XXXV – 2022 - FGV) Sheila e Irene foram admitidas em uma empresa de material de construção, sendo Sheila mediante contrato de experiência por 90 dias e Irene, contratada por prazo indeterminado. Ocorre que, 60 dias após o início do trabalho, o empregador resolveu dispensar ambas as empregadas porque elas não mostraram o per昀椀l esperado, dispondo-se a pagar todas as indenizações e multas previstas em Lei para extinguir os contratos. No momento da comunicação do desligamento, ambas as empregadas informaram que estavam grávidas com 1 mês de gestação, mostrando os respectivos laudos de ultrassonogra昀椀a. Considerando a situação de fato, a previsão legal e o entendimento consolidado do TST, assinale a a昀椀rmativa correta. A) As duas empregadas poderão ser dispensadas. B) Somente Sheila poderá ser desligada porque o seu contrato é a termo. C) Sheila e Irene não poderão ser desligadas em virtude da gravidez. D) Apenas Irene poderá ser desligada, desde que haja autorização judicial. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 147 QUESTÃO 18 – DIREITO COLETIVO DO TRABALHO (OAB/Exame XXXIII – 2021 - FGV) Walmir foi empregado da sociedade empresária Lanchonete Chapa Quente Ltda., na qual atuou como atendente por um ano e três meses, sendo dispensado sem justa causa em julho de 2021. A sociedade empresária procura você, como advogado(a), para saber o modo de pagamento dos direitos devidos a Walmir. De acordo com o que dispõe a CLT, sabendo-se que a norma coletiva nada dispõe a respeito, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Uma vez que o contrato vigorou por mais de um ano, deve ser feita a homologação perante o sindicato de classe do empregado ou perante o Ministério do Trabalho. B) O pagamento poderá ocorrer na própria empresa, pois não há mais necessidade de homologação da rescisão contratual pelo sindicato pro昀椀ssional ou pelo Ministério do Trabalho. C) Não havendo discórdia sobre o valor devido a Walmir, deverá ser apresentada uma homologação de acordo extrajudicial na Justiça do Trabalho, com assinatura de advogado comum. D) A sociedade empresária, ao optar por fazer o pagamento em suas próprias instalações, deverá obrigatoriamente depositar o valor na conta do trabalhador para ter a prova futura do adimplemento. QUESTÃO 19 – JUSTA CAUSA (OAB/Exame XXVIII – 2019 - FGV) Gerson Filho é motorista rodoviário e trabalha na sociedade empresária Viação Canela de Ouro Ltda. No dia 20 de agosto de 2018, ele se envolveu em grave acidente automobilístico, sendo, ao 昀椀nal da investigação, veri昀椀cado que Gerson foi o responsável pelo sinistro, tendo atuado com dolo no evento danoso. Em razão disso, teve a perda da sua habilitação determinada pela autoridade competente. O empregador procura você, como advogado(a), a昀椀rmandoque não há vaga disponível para Gerson em outra atividade na empresa e desejando saber o que deverá fazer para solucionar a questão da maneira mais econômica e em obediência às normas de regência. Diante desta situação e dos termos da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O contrato de Gerson deverá ser suspenso. B) O empregador deverá interromper o contrato de Gerson. C) O contrato do empregado deverá ser rompido por justa causa. D) A empresa deverá dispensar Gerson sem justa causa. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 148 QUESTÃO 20 – DIREITOS DOS TRABALHADORES (PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA) (OAB/Exame XXVIII – 2019 - FGV) João pretende se aposentar e, para tal 昀椀m, dirigiu-se ao órgão previdenciário. Lá 昀椀cou sabendo que o seu tempo de contribuição ainda não era su昀椀ciente para a aposentadoria, necessitando computar, ainda, 18 meses de contribuição. Ocorre que João, 25 anos antes, trabalhou por dois anos como empregado para uma empresa, mas não teve a CTPS assinada. De acordo com a CLT, sobre uma eventual reclamação trabalhista, na qual João viesse a postular a declaração de vínculo empregatício para conquistar a aposentadoria, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Se a empresa arguir a prescrição a seu favor, ela será conhecida pelo juiz, já que ultrapassado o prazo de 2 anos para ajuizamento da ação. B) Não há o instituto da prescrição na seara trabalhista porque prevalece o princípio da proteção ao empregado. C) O prazo, na hipótese, seria de 5 anos e já foi ultrapassado, de modo que a pretensão estaria fulminada pela prescrição total. D) Não haverá prescrição, pois a demanda tem por objeto anotações para 昀椀ns de prova junto à Previdência Social. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 149 GABARITO COMENTADO DIREITO DO TRABALHO QUESTÃO 1 – JORNADA DE TRABALHO Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): “Art. 4°. § 2º -Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1o do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: I - práticas religiosas; II - descanso; III - lazer; IV - estudo; V - alimentação; VI - atividades de relacionamento social; VII - higiene pessoal; VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa” (grifo nosso). Portanto, veri昀椀ca-se que Sabrina por opção sua preferiu trocar o uniforme dentro da empresa: “O empregador permitia que o empregado chegasse uniformizado, mas Sabrina achava melhor trocar a roupa na empresa por questão de segurança (...)”. Então, não havia obrigatoriedade de realização a troca nas dependências da empresa. Desse modo, não há como se falar em pagamento de hora extra pela troca do uniforme. QUESTÃO 2 – FÉRIAS Gabarito: “D”. A alternativa correta é a letra D. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 134, §1º, prevê expressamente que as férias podem ser usufruídas em até três períodos, desde que haja concordância do empregado. Um desses períodos não pode ser inferior a 14 dias corridos, enquanto os demais não podem ser inferiores a 5 dias corridos cada. Portanto, Guilherme tem sim a possibilidade de fracionar seus 30 dias de férias, desde que observadas essas limitações legais, sem qualquer impedimento pelo fato de, em anos anteriores, ter usufruído o período de forma contínua. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra ao a昀椀rmar que o fracionamento seria vedado por não ter sido utilizado nos anos anteriores, o que não existe na lei, embora seja correto que o empregado pode converter até 1/3 das férias em abono pecuniário (art. 143, CLT). A letra B é incorreta Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 150 porque não é permitido dividir as férias em três períodos iguais de 10 dias, já que um dos períodos obrigatoriamente deve ser de pelo menos 14 dias. Já a letra C também está errada, pois a legislação veda períodos inferiores a 5 dias corridos. Logo, a única orientação correta a ser dada a Guilherme é que ele pode fracionar suas férias conforme os limites do art. 134, §1º, da CLT. QUESTÃO 3 – REMUNERAÇÃO E SALÁRIO Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos da CLT: “Art. 192 - O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário-mínimo da região, segundo se classi昀椀quem nos graus máximo, médio e mínimo” (grifo nosso). “Art. 193, § 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de grati昀椀cações, prêmios ou participações nos lucros da empresa” (grifo nosso). Desse modo, veri昀椀ca-se que a banca cobrou a literalidade da lei, sendo que o adicional de periculosidade possui percentual 昀椀xo de 30% do salário básico do empregado e o adicional de insalubridade possui variação entre os graus máximo, médio e mínimo sobre o salário mínimo. NOVIDADES! “Art. 193, CLT: São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a: I - in昀氀amáveis, explosivos ou energia elétrica; (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012) II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades pro昀椀ssionais de segurança pessoal ou patrimonial. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012) III – colisões, atropelamentos ou outras espécies de acidentes ou violências nas atividades pro昀椀ssionais dos agentes das autoridades de trânsito. (Incluído pela Lei nº 14.684, de 2023) § 5º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica às quantidades de in昀氀amáveis contidas nos tanques de combustíveis originais de fábrica e suplementares, para consumo próprio de veículos de carga e de transporte coletivo de passageiros, de máquinas e de equipamentos, certi昀椀cados pelo órgão competente, e nos equipamentos de refrigeração de carga.” (Incluído pela Lei nº 14.766, de 2023) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 151 QUESTÃO 4 – REMUNERAÇÃO E SALÁRIO Gabarito: “D”. Considerando que a chácara é alugada por temporada e que Francisco realiza atividades tanto relacionadas ao cuidado da propriedade quanto ao atendimento aos locatários, ele é um empregado comum, não é empregado doméstico (a banca FGV quis fazer uma “pegadinha” na questão). “Art. 3º, CLT: Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” A 昀椀gura do empregado doméstico, conforme de昀椀nido pela Lei Complementar nº 150/2015, se aplica a trabalhadores que prestam serviços de natureza contínua e de 昀椀nalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas, o que não é o caso de Francisco, dadas as características comerciais da locação da chácara. Há 昀椀nalidade de lucro por meio da locação temporária a terceiros. Isso afasta a caracterização do trabalho de Francisco como empregado doméstico. QUESTÃO 5 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA Gabarito: “C”. A questão aborda a duração do trabalho e de昀椀ne que a utilização de salas de recreação, biblioteca e capela, antes ou após o expediente e durante os intervalos,não será computada como parte da jornada de trabalho. Isso está amparado no § 2º do art. 4º da CLT, que esclarece que atividades realizadas por escolha própria, como práticas religiosas, lazer e estudo, não con昀椀guram “tempo à disposição do empregador”. Essas atividades, mesmo realizadas nas dependências da empresa, são opcionais e não possuem vínculo direto com as obrigações trabalhistas. Por outro lado, o período de deslocamento mencionado no enunciado deve ser computado na jornada de trabalho, conforme estabelecido pela norma coletiva vigente. Embora o § 2º do art. 58 da CLT exclua o tempo de deslocamento da jornada, a norma coletiva ajusta essa regra ao determinar sua inclusão, o que prevalece sobre a legislação, de acordo com o art. 611-A, inciso I, da CLT. Assim, a alternativa correta é a letra C, pois apenas o deslocamento integra a jornada, enquanto as demais atividades facultativas não se enquadram como tempo à disposição do empregador. QUESTÃO 6 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do seguinte artigo da CLT: “Artigo 611-A, §3º: se for pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o acordo coletivo de trabalho deverão prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de vigência do instrumento coletivo.” Ademais, também cobrou artigo da CF/88: “Art. 7º: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo.” Portanto, tendo em vista que um sindicato de empregados acertou, em acordo coletivo com uma sociedade empresária, a redução geral dos salários de seus empregados pelo período de 1 ano, o acordo coletivo de trabalho deverá prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada pelo prazo de vigência do instrumento coletivo. CUIDADO! A redução geral de salário pode ser acertada por convenção coletiva de trabalho OU acordo coletivo de trabalho (como foi o caso da questão). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 152 QUESTÃO 7 – NEGOCIAÇÃO COLETIVA Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou o teor do artigo abaixo, da CLT: “Art. 611-B: Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: (...) III - valor dos depósitos mensais e da indenização rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);” Desse modo, ocorreu a nulidade da cláusula pactuada, em sede de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), em relação ao FGTS, já que houve a redução do percentual de FGTS para 3% durante 2 anos. Segundo o artigo supracitado, constitui objeto ilícito negociar percentual de FGTS. QUESTÃO 8 – COMPLEXO SALARIAL Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou os seguintes artigos da CLT: “Art. 457, § 1º: Integram o salário a importância 昀椀xa estipulada, as grati昀椀cações legais e as comissões pagas pelo empregador” (grifo nosso). “Art. 457,§ 2º: As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário” (grifo nosso). Desse modo, de acordo com o § 1º do art. 457 da CLT, as comissões pagas pelo empregador integram o salário do empregado e, portanto, constituem base de incidência de encargo trabalhista. As demais parcelas mencionadas, como abono, prêmio e diária para viagem, não integram o salário, conforme disposto no § 2º do mesmo artigo. QUESTÃO 9 – COMPLEXO SALARIAL Gabarito: “A”. A banca FGV cobrou os seguintes artigos da CLT: “Art. 458 da CLT: § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; (...) § 5º O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médico-hospitalares e outras similares, mesmo quando concedido em diferentes modalidades de planos e coberturas, não integram o salário do empregado para qualquer efeito nem o salário de contribuição, para efeitos do previsto na alínea q do § 9o do art. 28 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.” (grifo nosso) De acordo com o parágrafo 5º do artigo 458 da CLT, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio ou não, inclusive para dependentes, não integra o salário do empregado para qualquer efeito. Portanto, o plano de saúde oferecido gratuitamente pela empresa não é considerado salário utilidade, e não haverá re昀氀exo nos direitos trabalhistas do empregado. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 153 Utilidades concedidas pelo empregador que NÃO são consideradas como salário (artigo 458, §2º, CLT): - Vestuários, equipamentos e acessórios - Educação (matrícula, mensalidade, etc.) - Transporte para deslocamento ao trabalho - Assistência médica, hospitalar e odontológica - Seguros de vida e acidentes pessoais - Previdência privada - Vale-cultura QUESTÃO 10 – TELETRABALHO Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou os seguintes artigos da CLT: “Art. 75-B, § 6º Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes.” (Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) De acordo com o artigo 75-B, § 6º, da CLT, incluído pela Lei nº 14.442/2022, 昀椀ca permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes. QUESTÃO 11 – TELETRABALHO Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou os seguintes artigos da CLT: “Art. 75-B. Considera-se teletrabalho ou trabalho remoto a prestação de serviços fora das dependências do empregador, de maneira preponderante ou não, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação, que, por sua natureza, não con昀椀gure trabalho externo. (Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022) § 1º O comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades especí昀椀cas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto. (Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) (...) Art. 75-C. A prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do instrumento de contrato individual de trabalho. (Redação dada pela Lei nº 14.442, de 2022) § 1º Poderá ser realizada a alteração entre regime presencial e de teletrabalho desde que haja mútuo acordo entre as partes, registrado em aditivo contratual. § 2º Poderá ser realizada a alteração do regime de teletrabalho para o presencial por determinação do empregador, garantido prazo de transição mínimo de quinze dias, com correspondente registro em aditivo contratual. (...) Art. 75-D. As disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação do trabalho remoto, bem como ao reembolso de despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito. Parágrafo único. As utilidades mencionadas no caput deste artigo não integram a remuneração do empregado.” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 154 O parágrafo único do artigo 75-D da CLT estabelece que as utilidades necessárias para o trabalho remoto, como os equipamentos tecnológicos e a infraestrutura adequada, não integram a remuneração do empregado. Isso signi昀椀ca que, ao fornecer esses recursos para a realização do trabalho remoto, o empregador não precisaconsiderar esses itens como parte da remuneração do empregado. Portanto, pode-se a昀椀rmar que os equipamentos e utilidades necessárias para o trabalho remoto de Júlia, não serão considerados como parte de sua remuneração. QUESTÃO 12 – TELETRABALHO Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou esse artigo da CLT: “Art. 75-D. As disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação do trabalho remoto, bem como ao reembolso de despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito. Parágrafo único. As utilidades mencionadas no caput deste artigo não integram a remuneração do empregado.” (grifo nosso) A CLT não estabelece uma divisão especí昀椀ca de responsabilidade nos custos associados ao teletrabalho. Portanto, de acordo com o artigo 75-D da CLT, as disposições relativas aos custos associados ao teletrabalho, como a aquisição de equipamentos e a manutenção da infraestrutura, devem ser previstas em contrato escrito. QUESTÃO 13 – CONTRATO DE TRABALHO Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou esse artigo da CLT: “Art. 473 - O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: I - até 2 (dois) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica (...) IV - por um dia, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada; (...) VIII - pelo tempo que se 昀椀zer necessário, quando tiver que comparecer a juízo” (grifo nosso). Desse modo, a banca FGV cobrou a literalidade da lei. Para a doação voluntária de sangue, comprovada, o empregado tem direito a um dia de licença remunerada a cada 12 meses de trabalho, conforme o artigo 473, IV, da CLT. Acerca da alternativa “A”, a CLT não dispõe sobre a morte do primo e fala sobre a dispensa por até 2 dias consecutivos (artigo 473, I, CLT). Sobre a alternativa “C”, não se pode falar em complementação salarial. “Em caso de seguro-doença ou auxílio-enfermidade, o empregado é considerado em licença não remunerada, durante o prazo desse benefício”, conforme o artigo 476, CLT. (grifo nosso) Muito cuidado em relação à alternativa “D”, que mencionou sobre as testemunhas, as quais “não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao serviço, ocasionadas pelo seu comparecimento para depor, quando devidamente arroladas ou convocadas” (artigo 822, CLT). Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 155 QUESTÃO 14 – CONTRATO DE TRABALHO Gabarito: “E”. A banca FGV cobrou esse artigo da CLT: “Art. 473 - O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: I - até 2 (dois) dias consecutivos, em caso de falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social, viva sob sua dependência econômica II - até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento; (...) VII - nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingresso em estabelecimento de ensino superior; (...) XI - por 1 (um) dia por ano para acompanhar 昀椀lho de até 6 (seis) anos em consulta médica. XII - até 3 (três) dias, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer devidamente comprovada” (grifo nosso). Veja que a banca FGV “brincou” com os prazos. É isso o que geralmente ela faz quando cobre o artigo 473 da CLT. Então, você precisa MEMORIZAR os prazos! A única alternativa que traz o prazo correto é a “E”, que é a correta, pois traz o prazo de “até 3 (três) dias, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer devidamente comprovada”, conforme o inciso XII, artigo 473, CLT. “PEGADINHA” da FGV: Veja que a banca trouxe em uma das alternativas que esse caso envolve interrupção do contrato de trabalho “Nos dias em que o empregado estiver realizando provas de concurso público.” ESTÁ ERRADO, pois a banca trocou “exame vestibular” (que é o correto) por “provas de concurso público”. CUIDADO! Há uma regra especial para os professores artigo 320, §3º, da CLT: “Não serão descontadas, no decurso de 9 (nove) dias, as faltas veri昀椀cadas por motivo de gala ou de luto em consequência de falecimento do cônjuge, do pai ou mãe, ou de 昀椀lho.” QUESTÃO 15 – CONTRATO DE TRABALHO Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou esse artigo da CLT: “Art. 469 - Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. § 1º - Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de con昀椀ança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço. (Redação dada pela Lei nº 6.203, de 17.4.1975) § 2º - É licita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado. § 3º - Em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse caso, 昀椀cará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 156 Ademais, dispõe a súmula 43 do Tribunal Superior do Trabalho (TST): “Presume-se abusiva a transferência de que trata o § 1º do art. 469 da CLT, sem comprovação da necessidade do serviço.’’ Assim, considerando o 昀椀nal do “caput” do artigo 469 diz “não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio”, então somente serão consideradas transferências as que tiverem, necessariamente, a mudança de domicílio do empregado. QUESTÃO 16 – CONTRATO DE TRABALHO Gabarito: “B”. Ocorrendo a transferência, o empregado perde o direito ao adicional noturno, segundo o teor da Súmula 265 do TST: “A transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno”. Então, é lícito a empresa transferir Rita para o horário diurno, mesmo com a supressão do adicional noturno. QUESTÃO 17 – CONTRATO DE TRABALHO Gabarito: “C”. Tendo em vista que Irene foi contratada por prazo indeterminado, ela possui estabilidade provisória no emprego. Em relação à Sheila, que possui contrato de experiência de 90 dias (prazo determinado), esta possui também estabilidade provisória. A banca FGV cobrou entendimento dos seguintes artigos e súmula: “Art. 10, ADCT: Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: II - 昀椀ca vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: b) da empregada gestante, desde a con昀椀rmação da gravidez até cinco meses após o parto.” (grifo nosso) “Art. 391-A, CLT: A con昀椀rmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.” (grifo nosso) “Súmula 244 do TST: III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado.” (grifo nosso) A garantia provisória da gestante não se aplica ao contrato temporário. QUESTÃO 18 – DIREITO COLETIVO DO TRABALHO Gabarito: “B”. Tendo em vista que a Lei nº 13.467, de 2017 (reforma trabalhista) revogou osDepois da aprovação no Exame de Ordem Uni昀椀cado e da inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, Pedro pretende continuar prestando serviços contábeis, sem prejuízo do exercício concomitante da nova atividade. Acerca da intenção de Pedro, bem como dos limites ético-normativos para a publicidade pro昀椀ssional da sua nova atividade, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Pedro não poderá exercer de modo concomitante as atividades de contador e advogado, pois, de acordo com o Estatuto da Advocacia e da OAB, a prestação de serviços contábeis é incompatível com o exercício simultâneo da advocacia. B) Não há óbice ético para o duplo exercício das atividades de contador e advogado, podendo Pedro se valer da divulgação conjunta dos serviços oferecidos, desde que não seja por meio de inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público. C) Embora não haja incompatibilidade para o exercício concomitante das duas atividades, não será permitido a Pedro divulgar sua nova pro昀椀ssão de modo conjunto com a de contador. D) Pedro poderá fazer uso de mala direta, distribuição de pan昀氀etos ou formas assemelhadas de publicidade, visando a captação de clientela para a sua nova atividade, mas não poderá mencionar, nessa publicidade, os serviços de contabilidade. GABARITO COMENTADO ÉTICA PROFISSIONAL QUESTÃO 1 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA Gabarito: “B”. Afonso, mesmo sendo leigo e preso, tem pleno direito de impetrar habeas corpus em favor de Rodrigo. Isso porque, segundo o art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal, e o art. 1º, §1º, do Estatuto da OAB, a impetração de habeas corpus não é considerada atividade privativa de advogado. Em outras palavras, não é necessário ser advogado ou ter capacidade postulatória para pedir habeas corpus, nem se exige qualquer formalidade rígida: basta a manifestação clara da situação de coação ou ameaça à liberdade. É justamente por ser um remédio constitucional para garantir a liberdade de locomoção que ele tem acesso amplo e direto, podendo ser feito até à mão, em papel simples, por qualquer pessoa. As alternativas A, C e D estão erradas porque ignoram essa característica fundamental do habeas corpus. Não há exigência de procuração, nem de advogado, nem de formalidade elaborada, e a gravidade do crime não impede que qualquer cidadão, mesmo um preso, formule o pedido. A alternativa B está correta porque reconhece esse caráter desburocratizado e essencial à proteção da liberdade. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 18 QUESTÃO 2 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA Gabarito: “B”. A questão aborda as condições para a prática da advocacia pro bono, conforme o artigo 30 do Código de Ética e Disciplina da OAB. Esse artigo de昀椀ne que a advocacia pro bono é a prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos a instituições sociais sem 昀椀ns econômicos e seus assistidos, ou a pessoas físicas que não disponham de recursos 昀椀nanceiros para contratar advogado sem comprometer o próprio sustento. Além disso, o artigo proíbe o uso dessa modalidade para bene昀椀ciar instituições com 昀椀ns político-partidários ou eleitorais, ou como instrumento de publicidade para captação de clientela. Filipe, portanto, ao avaliar a solicitação da pessoa jurídica X, deve veri昀椀car se ela atende aos critérios de ser uma instituição sem 昀椀ns econômicos e se os assistidos se enquadram no requisito de carência 昀椀nanceira. A alternativa B é a resposta correta porque re昀氀ete exatamente as condições descritas no artigo 30, §1º, CED: permite a atuação pro bono para pessoas jurídicas sem 昀椀ns econômicos e seus assistidos, desde que estes não tenham recursos para contratar advogado. As demais alternativas erram ao restringir ou ampliar indevidamente o alcance do pro bono, como permitir sua prática para pessoas jurídicas com 昀椀ns econômicos (alternativas C e D) ou proibi-la para pessoas jurídicas em geral (alternativa A). Portanto, a letra B é a única que está de acordo com as normas éticas e legais da advocacia pro bono. QUESTÃO 3 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA Gabarito: “A”. Veja que a questão diz que João foi substituído antes do término do prazo de 10 (dez) dias. Portanto, deverá afastar-se ineditamente após a substituição (houve novo contrato com outro escritório de advocacia). Dispõe o teor do artigo 5º, §3º, do EAOAB: “O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à noti昀椀cação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo” (grifo nosso). QUESTÃO 4 – ELEIÇÕES E MANDATO NA OAB Gabarito: “B”. A questão avalia os requisitos de elegibilidade para o cargo de Conselheiro Seccional da OAB, conforme o artigo 63, §2º, do EAOAB. Para ser candidato, o advogado precisa comprovar: (1) situação regular perante a OAB; (2) não ocupar cargo exonerável ad nutum; (3) não ter condenação disciplinar, salvo se já houver ocorrido reabilitação; e (4) ter mais de três anos de efetivo exercício da BIZU DIDÁTICO: Habeas corpus é exceção: não precisa de advogado, não precisa de procuração e não exige formalidade. Qualquer pessoa — até o próprio preso — pode pedir, em qualquer instância, sempre que houver ameaça ou violação à liberdade de locomoção. É um remédio simples, direto e universal. SÃO ATOS PRIVATIVOS DE ADVOGADO: Postulação a órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais Gerência Jurídica Consultoria, assessoria e direção jurídicas Visar atos e contratos constitutivos de pessoa jurídicas. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 19 QUESTÃO 5 – ATIVIDADE DE ADVOCACIA Gabarito: “D”. Dispõe o artigo 5º, §1º, EAOAB: “O advogado, a昀椀rmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período” (grifo nosso). Veja que a banca FGV “copiou e colou” na alternativa correta o teor do artigo. MEMORIZE! Em caso de urgência, é possível ao advogado atuar sem procuração, mas deve apresentá-la no prazo de 15 dias (prorrogável por igual período). QUESTÃO 6 – INSCRIÇÃO NA OAB Gabarito: “B”. A banca FGV gosta muito de cobrar sobre o licenciamento e o cancelamento da inscrição na OAB. Como a questão aborda que José é acometido por uma doença mental INCURÁVEL, ocorrerá o CANCELAMENTO (artigo 11, inciso V, do EAOAB), tendo em vista que ele perdeu o requisito da capacidade civil para a inscrição (artigo 8º, inciso I, EAOAB). Doença mental CURÁVEL LICENCIAMENTO da inscrição na OAB Doença mental INCURÁVEL CANCELAMENTO da inscrição na OAB QUESTÃO 7 – ÉTICA DO ADVOGADO Gabarito: “B”. A questão trata da responsabilidade solidária do advogado e do cliente em casos de lide temerária, com base no artigo 32, parágrafo único, do EAOAB. Esse dispositivo estabelece que a solidariedade só ocorre se for comprovada a coligação entre o advogado e o cliente, ou seja, um acordo de vontades para lesar a parte contrária. Isso signi昀椀ca que ambos devem ter agido intencionalmente com o objetivo de causar prejuízo, e essa coligação deve ser apurada em ação própria. Sem essa prova de coligação, a responsabilidade não será solidária. “Art. 32, EAOAB: Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no exercício pro昀椀ssional, praticar com dolo ou culpa. Parágrafo único. Em caso de lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o que será apurado em ação própria.” A alternativa B é a resposta correta porque re昀氀ete exatamente o que prevê o artigo 32, parágrafo único: a solidariedade entre advogado e cliente só existe se for comprovado que ambos estavam coligados na intenção de prejudicar a parte contrária. As demais alternativas erram ao ignorar a necessidade de coligação (alternativa A) ou ao supor que a responsabilidade do advogado ou do cliente é automática, independentemente de dolo ou coligação (alternativasparágrafos §1º e §3º do artigo 477 da CLT (que antes era necessária a homologação da rescisão contratual pelo sindicato pro昀椀ssional ou pelo Ministério do Trabalho quando o período contratual fosse superior a um ano), o pagamento poderá ocorrer na própria empresa: “Artigo 477, CLT: Na extinção do contrato de trabalho, o empregador deverá proceder à anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e realizar o pagamento das verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste artigo.” Ademais, a homologação de acordo extrajudicial é ato facultativo das partes. “Art. 855-B, CLT: O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a representação das partes por advogado. § 1º As partes não poderão ser representadas por advogado comum. § 2º Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria.” Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 157 QUESTÃO 19 – JUSTA CAUSA Gabarito: “C”. Tendo em vista que Gerson se envolveu em grave acidente automobilístico e atuou com dolo, bem como perdeu a sua habilitação, requisito do cargo que ocupa, a maneira mais econômica para a empresa, é a dispensa do empregado por justa causa, conforme dispõe a CLT: “Art. 482: Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da pro昀椀ssão, em decorrência de conduta dolosa do empregado.” (grifo nosso) QUESTÃO 20 – DIREITO DOS TRABALHADORES (PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA) Gabarito: “D”. A banca FGV cobrou a literalidade do artigo abaixo: “Art. 11, CLT: A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) II - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) § 1º O disposto neste artigo não se aplica às ações que tenham por objeto anotações para 昀椀ns de prova junto à Previdência Social.” (grifo nosso) Sobre PRESCRIÇÃO TRABALHISTA, não deixe de memorizar o teor deste artigo: “Art. 7º, CF/88: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.” (grifo nosso) Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 158 QUESTÕES DE PROCESSO DO TRABALHO QUESTÃO 1 – CUSTAS PROCESSUAIS (OAB/Exame XXII - 2017 - FGV) Lucas é vigilante. Nessa condição, trabalhou como terceirizado durante um ano em um estabelecimento comercial privado e, a seguir, em um órgão estadual da administração direta, no qual permaneceu por dois anos. Dispensado, ajuizou ação contra o ex-empregador e contra os dois tomadores dos seus serviços (a empresa privada e o Estado), pleiteando o pagamento de horas extras durante todo o período contratual e a responsabilidade subsidiária dos tomadores nos respectivos períodos em que receberam o serviço. A sentença julgou procedente o pedido e os réus pretendem recorrer. Em relação às custas, com base nos ditames da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Cada réu deverá recolher 1/3 das custas. B) Havendo participação do Estado, ninguém pagará custas. C) Somente o Estado 昀椀cará dispensado das custas. D) Cada réu deverá recolher a integralidade das custas. QUESTÃO 2 – CUSTAS PROCESSUAIS (OAB/Exame XL - 2024 - FGV) Em sede de reclamação trabalhista na qual você advoga para o empregado, foi celebrado acordo entre as partes ainda na fase de conhecimento, antes da prolação da sentença. Na petição de lavra conjunta entre os advogados das partes nada constou acerca das custas processuais. Seu cliente é bene昀椀ciário da gratuidade de justiça, conforme decisão constante do processo desde o início. Sobre as custas processuais, considerando o silêncio das partes e havendo acordo, segundo o texto da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) As custas deverão incidir em 2% sobre o valor do acordo e serão divididas em frações iguais pelas partes, sendo que, no caso de seu cliente, não haverá o pagamento por força da gratuidade de justiça. B) As custas deverão incidir em 10% sobre o valor do acordo e serão integralmente recolhidas pela parte ré. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 159 C) As custas deverão incidir em 2% sobre o valor do acordo e 昀椀carão integralmente sob responsabilidade da parte autora que, na hipótese, está dispensada do recolhimento por força da gratuidade de justiça. D) As custas deverão incidir em 5% sobre o valor da causa, já que não houve prolação de sentença, e serão rateadas igualmente pelas partes, dispensado o autor do recolhimento pela gratuidade de justiça. QUESTÃO 3 – AUDIÊNCIA (OAB/Exame XXIX - 2019 - FGV) O réu, em sede de reclamação trabalhista, ajuizada em 20/04/2018, apresentou defesa no processo eletrônico, a qual não foi oferecida sob sigilo. Feito o pregão, logo após a abertura da audiência, a parte autora manifestou interesse em desistir da ação. Sobre a desistência da ação pela parte autora, assinale a a昀椀rmativa correta. A) O juiz deverá, imediatamente, homologar a desistência. B) Não é possível desistir da ação após a propositura desta. C) Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação. D) O oferecimento da defesa pelo réu em nada se relaciona à questão da desistência de pedidos ou da demanda. QUESTÃO 4 – AUDIÊNCIA (FGV - 2022 - TRT - 13ª Região (PB) - Analista Judiciário - Área Judiciária) Eduarda ajuizou reclamação trabalhista contra o seu empregador, que foi distribuída para a 5ª Vara do Trabalho de Itaporanga/PB. A juíza titular designou audiência telepresencial. No dia e hora marcados, Eduarda compareceu com seu advogado, a empresa restou ausente, mas o advogado da reclamada estava presente, informando que no dia anterior havia protocolizado pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) sua defesa com documentos. O advogado de Eduarda requereu a aplicação da revelia e con昀椀ssão, bem como a exclusão imediata da defesa e documentos apresentados. Considerando a situação e os termos da CLT, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Deverão ser aceitos a contestação e os documentos apresentados. B) Por se tratar de audiência telepresencial, não poderá haver qualquer punição. C) Defesa e documentos juntados deverão obrigatoriamente ser excluídos. D) O juiz deverá analisar o caso concreto e decidir se a defesa e documentos devem ou não permanecer nos autos. E) Os documentos poderão permanecer nos autos, mas a defesa deve ser excluída. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 160 QUESTÃO 5 – RECLAMAÇÃO TRABALHISTA (OAB/Exame XLII – 2024 – FGV) As irmãs Alessandra, Antônia, Alba e Aline foram dispensadas de seus empregos em 2024, e cada qual contratou uma advogada de sua con昀椀ança para ajuizar reclamação trabalhista visando postular horas extras. Alessandra tem 58 anos de idade; Antônia, 65 anos de idade; Alba, 50 anos de idade; e Aline, 61 anos de idade. Considerando a norma de regência, assinale a opção que indica o(s) processo(s) que terá(ão) prioridade na tramitação. A) O de Antônia, somente. B) Os de Antônia e Aline, somente. C) Os de Alessandra e Aline, somente. D) Os das quatro irmãs, em condições iguais. QUESTÃO 6 – RITOS PROCESSUAIS (OAB/Exame XVIII - 2015 - FGV) A empresa XPTO Ltda., necessitando dispensar empregado estável, ajuizou inquérito para apuraçãoC e D). Assim, a alternativa B é a única que está em conformidade com o texto legal, destacando a necessidade de prova especí昀椀ca para con昀椀gurar a responsabilidade solidária. pro昀椀ssão. No caso de José Fabiano, ele não cumpre dois desses requisitos: ainda não possui três anos de efetivo exercício pro昀椀ssional (tem apenas dois anos e seis meses), e foi apenado com sanção disciplinar de censura, sem que tenha ocorrido sua reabilitação. A alternativa B é correta porque José Fabiano está inelegível na eleição corrente devido à ausência de dois requisitos essenciais: o prazo de três anos de exercício efetivo da advocacia e a reabilitação da sanção disciplinar. As demais alternativas estão incorretas: a A é errada, pois não existe 昀氀exibilização das condições de elegibilidade por falta de candidatos; a C é falsa, porque o exercício da pro昀椀ssão por mais de um ano não é su昀椀ciente; e a D erra ao a昀椀rmar que a inelegibilidade é de昀椀nitiva, ignorando a possibilidade de reabilitação prevista na legislação. Por isso, a alternativa correta é a B. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 20 QUESTÃO 8 – INSCRIÇÃO NA OAB Gabarito: “C”. Segundo o artigo 7º, inciso XVI, EAOAB, é direito do advogado “ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício da pro昀椀ssão ou em razão dela”. Ademais, desagravo público não depende da concordância da pessoa ofendida (advogada Júlia), conforme o teor do artigo 18, §3º, do RGOAB: “O desagravo público, como instrumento de defesa dos direitos e prerrogativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, devendo ser promovido a critério do Conselho” (grifo nosso). Portanto, o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela mesmo sem a concordância de Júlia. QUESTÃO 9 – ESTÁGIO PROFISSIONAL Gabarito: “B”. Segundo o teor do artigo 29, §1º, RGOAB: “O estagiário inscrito na OAB pode praticar isoladamente os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado: I – retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga; II – obter junto aos escrivães e chefes de secretarias certidões de peças ou autos de processos em curso ou 昀椀ndos; III – assinar petições de juntada de documentos a processos judiciais ou administrativos” (grifo nosso). PONTOS IMPORTANTES SOBRE DESAGRAVO PÚBLICO: O desagravo é cabível quando o inscrito na OAB é ofendido em razão de cargo/função da OAB ou do exercício pro昀椀ssional. O local do desagravo será preferencialmente no local da ofensa ou onde se encontre a autoridade ofensora. O desagravo pode ser requerido a pedido do ofendido; de ofício pelo Conselho competente; a pedido do Conselho competente; a pedido de qualquer pessoa. Precisa da concordância do ofendido? NÃO! A competência para promover o desagravo é, em regra, do Conselho Seccional do local da ofensa. Exceções: Compete ao Conselho Federal promover o desagravo público: 1) de Conselheiro Federal e de Presidente de Conselho Seccional, quando ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e 2) quando a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas pro昀椀ssionais, com repercussão nacional. O desagravo deve ser decidido em até 60 dias. Uma vez acolhido o parecer, a sessão deverá ocorrer no prazo máximo de 30 dias. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 21 QUESTÃO 10 – DIREITOS DOS ADVOGADOS Gabarito: “B”. São direitos dos advogados, segundo o teor do artigo 7º, IV, EAOAB: “ter a presença de representante da OAB, quando preso em 昀氀agrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB” (grifo nosso). Como no caso da questão, o advogado “X” não foi preso em 昀氀agrante por um crime ligado ao exercício da advocacia, a autoridade policial somente deveria comunicar de forma expressa à seccional da OAB respectiva. Então, a lavratura do auto de prisão em 昀氀agrante não é viciada. Prisão em 昀氀agrante do advogado, por motivo relacionado ao exercício da advocacia será possível com a presença de representante da OAB e quando se tratar de crime ina昀椀ançável. Prisão em 昀氀agrante não está ligada ao exercício da advocacia basta a comunicação expressa à seccional da OAB. QUESTÃO 11 – DIREITOS DOS ADVOGADOS Gabarito: “E”. O Estatuto da Advocacia e da OAB (EAOAB) prevê de modo expresso a possibilidade de sustentação oral para embargos de divergência, recurso especial e mandado de segurança. É o que dispõe o artigo 7º, §2-B, EAOAB: “Poderá o advogado realizar a sustentação oral no recurso interposto contra a decisão monocrática de relator que julgar o mérito ou não conhecer dos seguintes recursos ou ações: (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) I - recurso de apelação; (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) II - recurso ordinário; (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) III - recurso especial; (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) IV - recurso extraordinário; (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022) V - embargos de divergência; (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022)” VI - ação rescisória, mandado de segurança, reclamação, habeas corpus e outras ações de competência originária. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022)” (grifo nosso). QUESTÃO 12 – DIREITOS DOS ADVOGADOS Gabarito: “A”. O EAOAB, em seu artigo 7º, inciso V, dispõe que é direito do advogado “não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, e, na sua falta, em prisão domiciliar” (grifo nosso). Então, como no caso da presente questão o advogado Antônio estava preso cautelarmente e não havia sala de Estado Maior disponível na localidade, foi correta a decisão do magistrado ao determinar que Antônio permanecesse em prisão domiciliar. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 22 ATENÇÃO! ANTES da sentença transitada em julgado: o advogado tem direito a ser recolhido em sala de Estado Maior e, na sua falta, em prisão domiciliar. Obs.: O crime não precisa ser ligado ao exercício da advocacia. APÓS a sentença transitada em julgado: não tem direito a ser preso em sala de Estado Maior, nem direito à prisão domiciliar (na falta de sala de Estado Maior). O QUE É “SALA DE ESTADO MAIOR”? Sala de Estado Maior pode ser um quartel da Polícia Militar, por exemplo. QUESTÃO 13 – DIREITOS DAS ADVOGADAS Gabarito: “C”. “Artigo 7°-A, EAOAB - São direitos da advogada, quando gestante ou lactante: III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição.” OBS.: Apenas as advogadas gestantes têm direito à vaga de garagem e não precisam passar pelo detector de metais e raio-X. As três não eram gestantes. Sobre a suspensão de prazos processuais, o artigo 7º-A, EAOAB, em seu inciso IV, dispõe que a advogada adotante ou que der à luz, terá direito à suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que haja noti昀椀cação por escrito ao cliente. Então, a suspensão não é em qualquer hipótese. QUESTÃO 14 – ADVOGADO EMPREGADO Gabarito: “A”. A questão trata da relação contratual de Gilson como advogado empregado de uma sociedade empresária, explorando os direitos e deveres desse vínculo segundo o Estatuto da Advocacia e da OAB. O cenário proposto envolve aspectos importantes, como a independência do advogado empregado, limites de jornada, direitos trabalhistas e honorários de sucumbência. De acordo com o artigo 21 do EAOAB, quando o advogado atua em causas em que o empregador ou uma pessoa por ele representada é parte, os honorários de sucumbência são devidos ao advogado. Isso re昀氀ete o reconhecimento do esforço técnico do pro昀椀ssional no processo, independentemente do vínculo empregatício.“Art. 21, EAOAB: Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados empregados. Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebidos por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo.” A alternativa A é a resposta correta porque está em conformidade com o artigo 21 do EAOAB, que assegura ao advogado empregado o direito aos honorários de sucumbência nas causas do empregador. As demais alternativas estão incorretas: a B viola o princípio de que o advogado empregado não é obrigado a prestar serviços pessoais aos diretores da empresa (art. 18, §1º, EAOAB); a C erra ao limitar a jornada Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 23 QUESTÃO 15 – SOCIEDADE DE ADVOGADOS Gabarito: “B”. A responsabilidade civil, em primeiro lugar, é da sociedade (pessoa jurídica). O sócio e o titular da sociedade individual possuem responsabilidade subsidiária e ilimitada, ou seja, apenas se a sociedade não possuir capital su昀椀ciente para indenizar o cliente, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia responderão. Dispõe o artigo 17 do EAOAB: “Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade individual de advocacia respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por ação ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer” (grifo nosso). QUESTÃO 16 – SOCIEDADE DE ADVOGADOS Gabarito: “D”. Pedro (advogado) e Antônio (economista sem formação em Direito) decidem constituir sociedade de advogados. Dispõe o artigo 16 do EAOAB: “Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que Antônio é economista sem formação jurídica, ou seja, não é pessoa inscrita como advogado, a sociedade não poderá ser efetivada. QUESTÃO 17 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 48, §2º, Código de Ética e Disciplina (CED): “A compensação de créditos, pelo advogado, de importâncias devidas ao cliente, somente será admissível quando o contrato de prestação de serviços a autorizar ou quando houver autorização especial do cliente para esse 昀椀m, por este 昀椀rmada” (grifo nosso). EXEMPLO: Advogado “X” recebe um valor de uma ação em sua conta bancária para repassar ao cliente. 30% do valor é de honorários. O advogado pode reter os 30% na sua conta e pagar o valor que sobrou ao cliente. Ocorre que para isso acontecer, deve constar expressamente no contrato escrito ou deve haver autorização especial do cliente. QUESTÃO 18 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Gabarito: “B”. A banca FGV cobrou entendimento do artigo 25 do EAOAB: “Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contado o prazo: I - do vencimento do contrato, se houver; II - do trânsito em julgado da decisão que os 昀椀xar; III - da ultimação do serviço extrajudicial; IV - da desistência ou transação; V - da renúncia ou revogação do mandato” (grifo nosso). Portanto, tendo em vista que não havia uma data prevista para vencimento do contrato entre as partes, o prazo prescricional será contado a partir da ultimação do serviço extrajudicial, que ocorreu na data de a 4 horas diárias, ignorando o limite correto de 8 horas diárias e 40 semanais (art. 20, EAOAB); e a D contraria a norma que garante pagamento de horas extras com adicional de 100%, mesmo em regime de dedicação exclusiva (art. 20, §2º, EAOAB). Por isso, a resposta correta é a letra A. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 24 10/03/17 (foi concluída a atuação de forma extrajudicial do advogado Fernando no inquérito civil em que seu ele defendia seu cliente) e será de 5 (cinco) anos. QUESTÃO 19 – INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES Gabarito: “C”. A alternativa correta é a letra C. Isso porque o art. 34, VI, da Lei 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB) prevê como infração disciplinar “advogar contra literal disposição de lei”. Contudo, a própria lei traz a ressalva de que há presunção de boa-fé quando o advogado fundamenta sua atuação na inconstitucionalidade da norma, na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior. No caso narrado, Antônia explicou os riscos ao cliente, agiu de forma transparente e poderia sustentar a demanda com base na injustiça da lei, o que lhe assegura a proteção legal e afasta a con昀椀guração automática de má-fé. As demais alternativas estão incorretas. A letra A erra ao dizer que a conduta seria irrelevante no campo disciplinar, pois a lei expressamente tipi昀椀ca essa infração. A letra B falha porque a pena de multa nunca é aplicada isoladamente, mas apenas em conjunto com censura ou suspensão, conforme os arts. 36 e 39 do Estatuto da OAB. Já a letra D está incorreta porque, embora a advocacia tenha amplitude na defesa dos interesses do cliente, essa liberdade não é absoluta e encontra limites na lei e na ética pro昀椀ssional, sendo vedado advogar contra literal disposição legal sem a devida fundamentação. QUESTÃO 20 – INCOMPATIBILIDADE E IMPEDIMENTO Gabarito: “B”. Deise era Deputada Estadual (hipótese de impedimento, de acordo com o artigo 30, II, EAOAB) e, ao ocupar o cargo na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado Z, tornou-se incompatível. Segundo o teor do artigo 28, inciso I, EAOAB, a advocacia é incompatível com a atividade de “chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais” (grifo nosso). Diferença entre Incompatibilidade e Impedimento: Incompatibilidade: É a proibição total do exercício da advocacia. O advogado incompatível não pode advogar para ninguém, nem mesmo para si próprio, familiares ou amigos. Impedimento: É a proibição parcial do exercício da advocacia. O advogado impedido pode advogar em algumas situações, mas está impedido de atuar em casos especí昀椀cos. Exemplos de cargos que são incompatíveis com a advocacia: Judiciário: Qualquer cargo, desde técnico até ministro. Ministério Público: Qualquer cargo, desde analista até procurador. Cartório: Tabelião, substituto e demais cargos. Tribunal de Contas: Conselheiros, ministros e auditores. Policiais e Militares: Qualquer categoria ou patente. Fiscal de Tributos: Auditores da Receita Federal, agentes da Secretaria da Fazenda, entre outros. Gerente de Instituições Financeiras: Bancos públicos e privados. Chefes do Poder Executivo: Presidente, governador, prefeito e seus vices. A incompatibilidade se aplica apenas durante o mandato. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 25 QUESTÃO 21 – PUBLICIDADE Gabarito: “C”. A banca FGV cobrou o teor do artigo 40, inciso IV, Código de Ética e Disciplina (CED), o qual dispõe que é vedada a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades. O exercício da contabilidade não é incompatível com a advocacia, de acordo com o disposto no EAOAB, mas a divulgação dos serviços deve ser feita de forma separada. Artigo 40, CED: “Os meios utilizados para a publicidade pro昀椀ssional hão de ser compatíveis com a diretriz estabelecida no artigo anterior, sendo vedados: I – a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; II – o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; III – as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; IV – a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculosentre uns e outras; V – o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; VI – a utilização de mala direta, a distribuição de pan昀氀etos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela. Parágrafo único. Exclusivamente para 昀椀ns de identi昀椀cação dos escritórios de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39” (grifo nosso). DICA EXTRA! NOVIDADE sobre Publicidade no artigo 47-A do CED: Termo de Ajustamento de conduta Permite a celebração de termo de ajustamento de conduta para cessar publicidade irregular praticada por advogados e estagiários. Âmbito de Aplicação Pode ser celebrado nos Conselhos Seccionais e no Conselho Federal da OAB. Regulamentação Será regulamentado por provimento do Conselho Federal, que de昀椀nirá os requisitos e condições para sua aplicação. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 26 QUESTÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL QUESTÃO 1 – DIREITOS INDIVIDUAIS (OAB/Exame XLIII - 2025 - FGV) Durante um violento temporal, em que as chuvas torrenciais poderiam levar ao desabamento de uma casa, os bombeiros militares ingressaram em um domicílio, sem o consentimento do morador, à noite, para socorrer as pessoas que estavam no imóvel. Posteriormente, o morador propôs ação indenizatória por danos morais em face do ente federativo ao qual os bombeiros militares estavam vinculados, argumentando que o referido ingresso fora ilícito. Sobre a hipótese narrada, com base no sistema constitucional brasileiro, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Houve desproporcionalidade na atuação dos agentes, o que permite a condenação do ente federativo na ação indenizatória, visto que a prestação de socorro, sem consentimento do morador, só pode ocorrer durante o dia. B) A medida adotada pelos bombeiros militares, a despeito da boa intenção deles, foi incorreta, pois o domicílio é inviolável, o que pressupõe a autorização do morador para que pudessem ingressar no local e prestar socorro. C) A ação indenizatória não prosperará, pois os bombeiros militares, diante do desastre iminente, não precisam de consentimento do morador do imóvel para prestar socorro. D) A despeito do direito à inviolabilidade do domicílio não ser absoluto, o consentimento do morador somente pode ser dispensado por determinação judicial, logo a ação dos bombeiros foi ilícita. QUESTÃO 2 – DIREITOS INDIVIDUAIS (OAB/Exame XLIV - 2025 - FGV) Durante uma forte tempestade que causou inundações e interrupções no fornecimento de energia na cidade Delta, o Prefeito Municipal, buscando evitar o agravamento da situação de iminente perigo público, requisitou um gerador de energia de propriedade da sociedade empresária Gama para manter em funcionamento o hospital municipal. O equipamento foi utilizado por dois dias, até que o fornecimento de energia fosse restabelecido, o que não causou qualquer dano ao bem requisitado. Diante dessa situação, o sócio-gerente de Gama compareceu à Prefeitura de Delta para exigir indenização pela requisição do bem. A esse respeito, assinale a a昀椀rmativa correta. A) A sociedade empresária Gama tem direito à indenização, independentemente de ter havido dano ao bem. B) Como o bem não sofreu danos durante sua utilização, a sociedade empresária Gama não tem direito à indenização. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 27 C) A utilização de bem privado, em prol do interesse público, sendo-lhe causado dano, ou não, não gera direito à indenização. D) A sociedade empresária Gama só teria direito à indenização se a requisição tivesse sido realizada por autoridade federal, mas não pela autoridade citada no caso concreto. QUESTÃO 3 – DIREITOS INDIVIDUAIS (OAB/Exame XXXVII – 2023 – FGV) Carlos, praticante de religião politeísta, é internado em hospital de orientação cristã e solicita assistência espiritual a ser conduzida por um líder religioso de sua crença. Os parentes de Carlos, mesmo cientes de que a assistência solicitada se resumiria a uma discreta conversa, estão temerosos de que a presença do referido líder coloque em risco a permanência de Carlos no hospital, em virtude de representar uma vertente religiosa não aderente à fé adotada pela instituição hospitalar. Os parentes de Carlos o procuram, como advogado(a), para conhecer os procedimentos adequados à situação narrada. Você os informou que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, o hospital A) pode negar a autorização para a assistência espiritual em religião diversa daquela preconizada pela instituição, embora não fosse o caso de Carlos perder a vaga. B) não pode negar o apoio espiritual solicitado, mesmo que a assistência seja prestada em bases religiosas diversas daquela o昀椀cialmente preconizada pelo hospital. C) somente está obrigado a autorizar a assistência religiosa caso já tivesse permitido que sacerdote de outra religião exercesse atividades religiosas em suas instalações. D) tem, como instituição privada, total autonomia para estabelecer regras para situações como esta, podendo permitir ou negar o pedido, de acordo com seu regulamento interno. QUESTÃO 4 – PODER CONSTITUINTE (OAB/Exame XXXV – 2022 – FGV) No Preâmbulo da Constituição do Estado Alfa consta: “Nós, Deputados Estaduais Constituintes, no pleno exercício dos poderes outorgados pelo artigo 11 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, reunidos em Assembleia, no pleno exercício do mandato, de acordo com a vontade política dos cidadãos deste Estado, dentro dos limites autorizados pelos princípios constitucionais que disciplinam a Federação Brasileira, promulgamos, sob a proteção de Deus, a presente Constituição do Estado Alfa.” Diante de tal fragmento e de acordo com a teoria do poder constituinte, o ato em tela deve ser corretamente enquadrado como forma de expressão legítima do poder constituinte A) originário. B) derivado difuso. C) derivado decorrente. D) derivado reformador. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 28 QUESTÃO 5 – REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (OAB/Exame XXXVI – 2022 – FGV) Roberto, cidadão brasileiro, toma conhecimento que um órgão público federal está contratando uma conhecida empreiteira do Estado Delta para a realização de obras sem promover o regular procedimento licitatório. A 昀椀m de proteger o interesse público, busca obter maiores informações junto aos setores competentes do próprio órgão. Sem sucesso, passa a considerar a hipótese de ajuizar uma Ação Popular a 昀椀m de anular os atos de contratação, bem como buscar o ressarcimento dos cofres públicos por eventuais danos patrimoniais. Antes de fazê-lo, no entanto, quer saber as consequências referentes ao pagamento de custas judiciais e do ônus de sucumbência, caso não obtenha sucesso na causa. Você, como advogado(a), então, explica-lhe que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, caso não obtenha sucesso na causa, A) não terá que arcar com as custas judiciais e com o ônus de sucumbência, posto que o interesse que o move na causa é revestido de inequívoca boa-fé, em defesa do interesse público. B) somente terá que arcar com as custas judiciais, mas não com os ônus sucumbenciais, posto se tratar de um processo de natureza constitucional que visa a salvaguardar o interesse social. C) terá que arcar com as custas judiciais e com o ônus de sucumbência, como ocorre ordinariamente no âmbito do sistema processual brasileiro. D) não terá que arcar com qualquer custo, considerando que a ConstituiçãoFederal de 1988 concede aos brasileiros isenção de custas em todos os chamados remédios constitucionais. QUESTÃO 6 – REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS (FGV/2022 – TCE-TO – Analista Técnico - Direito) Maria tomou conhecimento de que 昀椀gurava como devedora de determinado imposto estadual. Como jamais desenvolvera qualquer atividade em que 昀椀gurasse como contribuinte desse imposto, compareceu à repartição competente e solicitou o acesso à íntegra das informações concernentes à sua pessoa, incluindo os impostos de que era devedora. Para sua surpresa, o requerimento foi indeferido, inclusive em sede de recurso hierárquico, com base no argumento de que informações tributárias eram sigilosas. Nesse caso, a ação constitucional a ser ajuizada por Maria para ter acesso às referidas informações é o(a): A) habeas data; B) mandado de injunção; C) mandado de segurança; D) reclamação constitucional; E) representação constitucional. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 29 QUESTÃO 7 – ORDEM SOCIAL (OAB/Exame XXXVIII – 2023 – FGV) Preocupado com a qualidade da educação básica ofertada pela rede de ensino municipal do Município Teta, o prefeito da cidade pretende apresentar projeto de lei à Câmara Municipal, no qual uma série de melhorias está prevista. No entanto, ciente da ausência de recursos orçamentários e 昀椀nanceiros para efetivar o que está previsto no projeto, o Prefeito levantou a hipótese de criar uma taxa de serviço, que seria paga por aqueles que viessem a se utilizar dos serviços municipais de educação básica (ensinos fundamental e médio) em seus estabelecimentos o昀椀ciais. Antes de enviar o projeto de lei, o Prefeito consultou sua assessoria sobre a conformidade constitucional do projeto, sendo-lhe corretamente informado que a cobrança da referida taxa A) caracterizaria efetiva violação à ordem constitucional, posto ser o acesso gratuito à educação básica um direito subjetivo de todos. B) poderia ser exigida, contanto que o valor cobrado como contraprestação pelo serviço de educação não afrontasse o princípio da proporcionalidade. C) apenas poderia ser exigida daqueles que não conseguissem comprovar, nos termos legalmente estabelecidos, a hipossu昀椀ciência econômica. D) poderia ser exigida dos estudantes do ensino médio, mas não dos estudantes do ensino fundamental, aos quais a ordem constitucional assegura a gratuidade. QUESTÃO 8 – NACIONALIDADE (OAB/Exame XXXIV – 2022 – FGV) Klaus, nascido na Alemanha, é 昀椀lho de Ângela, também alemã, e de Afonso, brasileiro, que estava no país germânico porque fora contratado por empresa privada local, como engenheiro mecânico. Klaus, com 18 anos, resolve seguir os passos do pai, e vem para o Brasil cursar engenharia mecânica em conceituada universidade federal. Para tanto, e para concorrer às vagas comuns, deseja ter reconhecida a nacionalidade brasileira. Acerca do caso narrado, e com base no que dispõe a Constituição da República, assinale a a昀椀rmativa correta. A) Klaus não poderá optar pela nacionalidade brasileira, pois Afonso, ainda que brasileiro, não estava na Alemanha a serviço do Brasil. B) Klaus poderá ter reconhecida a condição de brasileiro nato se 昀椀xar residência no Brasil e optar pela nacionalidade brasileira, ainda que não tenha sido registrado em repartição brasileira competente na Alemanha. C) Tendo em vista que Klaus já atingiu a maioridade, poderá requerer a nacionalidade brasileira apenas na condição de naturalizado. D) A comunicação em língua portuguesa mostra-se como condição para a obtenção da nacionalidade brasileira por Klaus. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 30 QUESTÃO 9 – NACIONALIDADE (OAB/Exame XII – 2013 – FGV) João, 29 anos de idade, brasileiro naturalizado desde 1992, decidiu se candidatar, nas eleições de 2010, ao cargo de Deputado Federal, em determinado ente federativo. Eleito, e após ter tomado posse, foi escolhido para Presidir a Câmara dos Deputados. Com base na hipótese acima, assinale a a昀椀rmativa correta. A) João não poderia ter-se candidatado ao cargo de Deputado Federal, uma vez que esse é um cargo privativo de brasileiro nato. B) João não poderia ser Deputado Federal, mas poderia ingressar na carreira diplomática em que não é exigido o requisito de ser brasileiro nato. C) João poderia ter-se candidatado ao cargo de Deputado Federal, bem como ser eleito, entretanto, não poderia ter sido escolhido Presidente da Câmara dos Deputados, eis que esse cargo deve ser exercido por brasileiro nato. D) João não poderia ter-se candidatado ao cargo de Deputado Federal, mas poderia ter se candidatado ao cargo de Senador da República, mesmo sendo brasileiro naturalizado. QUESTÃO 10 – NACIONALIDADE (OAB/Exame XXV – 2018 – FGV) Jean Oliver, nascido em Paris, na França, naturalizou-se brasileiro no ano de 2003. Entretanto, no ano de 2016, foi condenado, na França, por comprovado envolvimento com trá昀椀co ilícito de drogas (cocaína), no território francês, entre os anos de 2010 e 2014. Antes da condenação, em 2015, Jean passou a residir no Brasil. A França, com quem o Brasil possui tratado de extradição, requer a imediata extradição de Jean, a 昀椀m de que cumpra, naquele país, a pena de oito anos à qual foi condenado. Apreensivo, Jean procura um advogado e o questiona acerca da possibilidade de o Brasil extraditá-lo. O advogado, então, responde que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, a extradição A) não é possível, já que, a Constituição Federal, por não fazer distinção entre o brasileiro nato e o brasileiro naturalizado, não pode autorizar tal procedimento. B) não é possivel, pois o Brasil não extradita seus cidadãos nacionais naturalizados, por crime comum praticado após a o昀椀cialização do processo de naturalização. C) é possível, pois a Constituição Federal prevê a possibilidade de extradição em caso de comprovado envolvimento com trá昀椀co ilícito de drogas, ainda que praticado após a naturalização. D) é possivel, pois a Constituição Federal autoriza que o Brasil extradite qualquer brasileiro quando comprovado o seu envolvimento na prática de crime hediondo em outro país. Licenciado para - M árcia M aria de S ouza - 19428342840 - P rotegido por E duzz.com 31 QUESTÃO 11 – DIREITOS POLÍTICOS (OAB/Exame XXIII – 2017 – FGV) João, rico comerciante, é eleito vereador do Município “X” pelo partido Alfa. Contudo, passados dez dias após sua diplomação, o partido político Pi, adversário de Alfa, ajuíza ação de impugnação de mandato eletivo, perante a Justiça Eleitoral, requerendo a anulação da diplomação de João. Alegou o referido partido político ter havido abuso do poder econômico por parte de João na eleição em que logrou ser eleito, anexando, inclusive, provas que considerou irrefutáveis. João, sentindo-se injustiçado, já que, em momento algum no decorrer da campanha ou mesmo após a divulgação do resultado, teve conhecimento desses fatos, busca aconselhamento com um advogado acerca da juridicidade do ajuizamento de tal ação. Com base no caso narrado, assinale a opção que apresenta a orientação dada pelo advogado. A) O Partido Pi não poderia ter ingressado com a ação, pois abuso de poder econômico não con昀椀gura fundamento que tenha o condão de viabilizar a impugnação de mandato eletivo conquistado pelo voto. B) O Partido Pi respeitou os requisitos impostos pela CRFB/88, tanto no que se refere ao fundamento (abuso do poder econômico) para o ajuizamento da ação como também em relação à sua tempestividade. C) O Partido Pi, nos termos do que dispõe a CRFB/88, não poderia ter ingressado com a ação, pois, ocorrida a diplomação, precluso encontrava-se o direito de impugnar o mandato eletivo de João. D) O Partido Pi só poderia impugnar o mandato eletivo que João conquistou pelo voto popular em momento anterior à diplomação, sob pena de afronta ao regime democrático. QUESTÃO 12 – DIREITOS POLÍTICOS (OAB/Exame XXVI – 2018 – FGV) Juliano,