Prévia do material em texto
DIREITO CONSTITUCIONAL Questões Comentadas (Bônus) Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 231110197340 ALINE OLIVEIRA Advogada. Assessora no MP-RJ. Pós-graduada em Direito Público (UCAM), Advocacia Pública (UERJ), Direito Tributário (UCAM) e Direito e Processo Civil (UNIFTEC). Aprovada em concursos de analista (MP-SP e PGE-RJ) e advocacia pública. Professora de alguns cursos jurídicos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Questões Comentadas (Bônus) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira aPresentaÇÃoaPresentaÇÃo Olá, futuro(a) advogado(a)! Tudo bem? Firme nos estudos? Para quem ainda não me conhece, meu nome é Aline de Oliveira Cabral. Atualmente sou Assessora no MPRJ, pós-graduada em Direito Público pela UERJ e pela UCAM, em Direito Tributário pela UCAM e em Direito Civil e Processo Civil pela UNIFTEC e faço parte do GRAN. Eu fui residente jurídico tanto da PGE RJ quanto da PGM RJ, já fui aprovada em alguns concursos de advocacia pública (ex.: Procurador da UNICAMP e advogado da IMBEL) e em dois concursos de analista (PGE RJ e MPSP). Está vendo? Sou prova de que é possível SIM ser aprovado (a) tanto na OAB quanto em concursos públicos. Continuo prestando concursos de advocacia pública, ou seja, entendo o perrengue que é a vida de concurso e estou aqui para facilitar a vida de vocês. Eu e toda a equipe do GRAN estamos aqui para te dar o máximo de dicas, teorias, exercícios, respondendo questões de provas anteriores e criando questões inéditas para que você surpreenda a Banca examinadora e não, o contrário. Registro que estou muito feliz em estar aqui escrevendo esse livro digital para você atingir o sucesso na aprovação na OAB. Desde já, gostaria de parabenizar cada um de vocês por terem alcançado a aprovação na 1ª fase desse difícil certame. Agora o foco será nas peças práticas e nas questões discursivas para vocês conseguirem a tão sonhada carteira vermelha. Espero que você goste do que vamos estudar e do material a seguir. Então, fica ligado no curso GRAN. Estou esperando as dúvidas no Fórum do aluno! Vamos começar? Aline Oliveira. @prof_alineoliveira O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira QUESTÕES COMENTADAS (BÔNUS)QUESTÕES COMENTADAS (BÔNUS) eXerCÍCioseXerCÍCios 001. 001. O Presidente da República, diante do estado de calamidade pública de âmbito nacional, e com o objetivo de elaborar lei delegada declarando esse estado de calamidade pública, solicita a delegação ao Congresso Nacional. Indaga-se o seguinte: a) É viável a elaboração dessa lei delegada pelo Presidente da República? b) Ainda em relação à elaboração de leis delegadas, questiona-se qual o instrumento que formaliza o conteúdo da delegação ao Presidente da República? Admite-se que esse instrumento determine a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional? 002. 002. Alice, filha de diplomata que estava a serviço do Brasil, nasceu em determinado país que é regido pelo ius soli. Indaga-se: a) Alice pode ser extraditada? b) Admite-se que Alice perca a nacionalidade brasileira? É possível readquirir a nacionalidade? Fundamente. 003. 003. Foi instaurada determinada comissão parlamentar de inquérito que tinha como objeto o tráfico ilícito de drogas. Durante a investigação descobriram fatos conexos ao fato determinado para a sua instauração. Considerando os pressupostos das comissões parlamentares de inquérito e o entendimento do STF, responda: a) Quais são os pressupostos e requisitos da CPI. A investigação de fatos conexos deve ser admitida? b) Admite-se a prorrogação do prazo da CPI? 004. 004. Segundo a Constituição, as comissões parlamentares de inquérito (cpi) possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros que sejam previstos nos regimentos das respectivas Casas. Foi apresentado requerimento de constituição de uma CPI subscrito por um terço dos membros da Casa Legislativa. Sobre o tema, indaga-se: a) Há juízo de valor na instauração da CPI? É possível alterar o objeto? b) João, Senador, um dos que assinaram o requerimento de constituição dessa CPI resolve retirar a sua assinatura. Isso é possível? Qual a consequência? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 005. 005. João, deputado federal, cometeu crime eleitoral após a sua diplomação, crime esse relacionado a função desempenhada por ele. Maria, senadora, cometeu uma contravenção penal relacionada a sua função desempenhada, após a sua diplomação. Indaga-se: a) Onde João e Maria serão submetidos a julgamento? Justifique. b) Após o final da instrução processual João resolve renunciar ao mandato e Maria teve o mandato parlamentar cessado, em virtude da não reeleição. Há modificação de competência? 006. 006. Determinado Tribunal Superior apresentou um projeto de lei sobre descriminalização do uso de drogas. Tal projeto foi sancionado. Na mesma semana, outro projeto de lei é sancionado passando a tratar o uso de drogas como crime. Indaga-se: a) A primeira lei é constitucional? b) Determinada Constituição Estadual tem um artigo que prevê: “a sanção expressa ou tácita supre a iniciativa do Poder Executivo no processo legislativo”. Analise a constitucionalidade desse dispositivo constitucional. 007. 007. Sanção e veto são atos do Chefe do Poder Executivo no processo legislativo. A sanção ocorre quando há a concordância em relação ao teor do projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.que determinado projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional está pendente de sanção pelo Presidente da República. Sobre o tema, indaga-se: a) Diante de urgência devidamente comprovada é possível a edição de medida provisória no caso em tela? Justifique. b) Admite-se a revogação de medida provisória por nova medida provisória na mesma sessão legislativa que trate sobre o mesmo tema? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira a) No caso concreto, não é possível a edição de medida provisória, por expressa vedação no art. 62, § 1º, IV, da Constituição Federal. Dessa forma, mesmo que presentes os requisitos da relevância e da urgência exigidos pelo art. 62, caput, da Constituição Federal não é possível a edição de medida provisória. Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) II – que vise a detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto do Presidente da República. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do § 7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 4º O prazo a que se refere o § 3º contar-se-á da publicação da medida provisória, suspendendo- se durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 5º A deliberação de cada uma das Casas do Congresso Nacional sobre o mérito das medidas provisórias dependerá de juízo prévio sobre o atendimento de seus pressupostos constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 6º Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira § 7º Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 8º As medidas provisórias terão sua votação iniciada na Câmara dos Deputados. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 12. Aprovado projeto de lei de conversão alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até que seja sancionado ou vetado o projeto. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) b) O Supremo Tribunal Federal não admite que na mesma sessão legislativa seja editada uma medida provisória revogando a anterior e tratando do mesmo tema. O fundamento é que admitir isso seria uma burla à vedação do art. 62, § 10, da Constituição. JURISPRUDÊNCIA EMENTA CONSTITUCIONAL. PROCESSO LEGISLATIVO. MEDIDA PROVISÓRIA. ESTABELECIMENTO DA ORGANIZAÇÃO BÁSICA DOS ÓRGÃOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E DOS MINISTÉRIOS. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 62, CAPUT e §§ 3º e 10, CRFB. REQUISITOS PROCEDIMENTAIS. REJEIÇÃO E REVOGAÇÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA COMO CATEGORIAS DE FATO JURÍDICO EQUIVALENTES E ABRANGIDAS NA VEDAÇÃO DE REEDIÇÃO NA MESMA SESSÃO LEGISLATIVA. INTERPRETAÇÃO DO § 10 DO ART. 62 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE SUPERVENIENTE. ADITAMENTO DA PETIÇÃO INICIAL. PRECEDENTES JUDICIAIS DO STF. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE JULGADA PROCEDENTE. 1. O Supremo Tribunal Federal definiu interpretação jurídica no sentido de que apenas a modificação substancial, promovida durante o procedimento de deliberação e decisão legislativa de conversão de espécies normativas, configura situação de prejudicialidade superveniente da ação a acarretar, por conseguinte, a extinção do processo sem resolução do mérito. Ademais, faz-se imprescindível o aditamento da petição inicial para a convalidação da irregularidade processual. Desse modo, a hipótese de mera conversão legislativa da medida provisória não é argumento suficiente para O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira justificar prejudicialidade processual superveniente. 2. Medida provisória não revoga lei anterior, mas apenassuspende seus efeitos no ordenamento jurídico, em face do seu caráter transitório e precário. Assim, aprovada a medida provisória pela Câmara e pelo Senado, surge nova lei, a qual terá o efeito de revogar lei antecedente. Todavia, caso a medida provisória seja rejeitada (expressa ou tacitamente), a lei primeira vigente no ordenamento, e que estava suspensa, volta a ter eficácia. 3. Conversão do exame da medida cautelar em julgamento do mérito da demanda. 4. O argumento de desvio de finalidade para justificar o vício de inconstitucionalidade de medida provisória, em razão da provável direção de cargo específico para pessoa determinada não tem pertinência e validade jurídica, porquanto, na espécie, se trata de ato normativo geral e abstrato, que estabeleceu uma reestruturação genérica da Administração Pública. Esse motivo, inclusive, autorizou o acesso à jurisdição constitucional abstrata. 5. Impossibilidade de reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória revogada, nos termos do prescreve o art. 62, §§ 2º e 3º. Interpretação jurídica em sentido contrário, importaria violação do princípio da Separação de Poderes. Isso porque o Presidente da República teria o controle e comando da pauta do Congresso Nacional, por conseguinte, das prioridades do processo legislativo, em detrimento do próprio Poder Legislativo. Matéria de competência privativa das duas Casas Legislativas (inciso IV do art. 51 e inciso XIII do art. 52, ambos da Constituição Federal). 6. O alcance normativo do § 10 do art. 62, instituído com a Emenda Constitucional n. 32 de 2001, foi definido no julgamento das ADI 2.984 e ADI 3.964, precedentes judiciais a serem observados no processo decisório, uma vez que não se verificam hipóteses que justifiquem sua revogação. 7. Qualquer solução jurídica a ser dada na atividade interpretativa do art. 62 da Constituição Federal deve ser restritiva, como forma de assegurar a funcionalidade das instituições e da democracia. Nesse contexto, imperioso assinalar o papel da medida provisória como técnica normativa residual que está à serviço do Poder Executivo, para atuações legiferantes excepcionais, marcadas pela urgência e relevância, uma vez que não faz parte do núcleo funcional desse Poder a atividade legislativa. 8. É vedada reedição de medida provisória que tenha sido revogada, perdido sua eficácia ou rejeitada pelo Presidente da República na mesma sessão legislativa. Interpretação do § 10 do art. 62 da Constituição Federal. 9. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade da Lei n. 13.502, de 1º de novembro de 2017, resultado da conversão da Medida Provisória n. 782/2017. (ADI 5709, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 27-03-2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe- 140 DIVULG 27-06-2019 PUBLIC 28-06-2019) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 009. 009. Fernando, empresário de uma grande rede de restaurantes e marido da Mariana, famosa apresentadora de televisão, tomou conhecimento de que seu nome constava de um banco de dados de caráter público como inadimplente de uma dívida de dois milhões de reais. Fernando reconhece a existência da dívida, entretanto, entende que o não pagamento é justificado pelo fato de que o valor da condenação em primeiro grau ainda está pendente de análise do recurso por ele interposto. Insatisfeito com essa informação pela metade e após a negativa de complementação da informação em via administrativa, Joaquim procura o seu escritório de advocacia questionando: a) É possível fazer com que essa informação complementar seja incluída juntamente a informação principal que diz respeito a existência do débito? Qual é a forma correta para se questionar a inclusão dessa informação complementar? b) Exige-se o esgotamento da via administrativa para o ajuizamento da ação questionando a incompletude da informação constante do banco de dados de caráter público? a) É possível a inclusão dessa informação complementar por meio do habeas data, na forma do art. 7, III, da Lei n. 9.507/1997. Destaca-se que a Lei n. 9.507/1997 ampliou as hipóteses previstas no art. 5, LXXII, da Constituição Federal. Constituição Federal Art. 5º, LXXII – conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Lei n. 9.507/1997 Art. 7º Conceder-se-á habeas data: I – para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público; II – para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; III – para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável. b) A Lei n. 9.507/1997 exige a negativa ou a inércia/demora. Não há a necessidade de exaurimento da via administrativa. Art. 8º A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dos arts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda. Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova: I – da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão; II – da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou III – da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 010. 010. Diante da ausência de regulamentação de direito previsto na Lei XYZ, a associação Beta, legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, almeja garantir o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor dos seus associados. Indaga-se: a) É possível impetração de mandado de injunção no caso concreto? A associação Beta é legitimada para impetrar genericamente mandados de injunção? b) Imagine que a associação Beta tenha impetrado o mandado de injunção e o magistrado desde logo indeferiu a petição inicial. Qual o recurso cabível e em qual prazo? a) No caso concreto, não se admite a impetração de mandado de injunção. O mandado de injunção é utilizado sempre que falta norma regulamentadora que torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais. Não cabe mandado de injunção caso falte norma regulamentadora de direito infraconstitucional. A associação Beta é constituída há pelo menos um ano, mas a legitimidade para a impetração de mandado de injunção não é genérica. Exige-se que haja pertinência com as finalidades e é dispensada a autorização especial, na forma do art. 12, III, da Lei n. 13.300/2016. Art. 5º LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; Art. 12. O mandado de injunção coletivo podeser promovido: I – pelo Ministério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis; II – por partido político com representação no Congresso Nacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária; III – por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde que pertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial; IV – pela Defensoria Pública, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal. Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. Não cabe Mandado de Injunção ✓ Se houver norma regulamentadora do direito constitucional, mesmo que esta seja defeituosa. ✓ Se faltar norma regulamentadora de direito infraconstitucional. ✓ Se houver fala de regulamentação de medida provisória ainda não convertida em lei pelo Congresso Nacional. ✓ Caso seja mera faculdade para a regulamentação do direito constitucional O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira b) A petição inicial pode ser desde logo indeferida quando a impetração for manifestamente incabível ou manifestamente improcedente. Dessa decisão cabe agravo, no prazo de 5 dias, na forma do art. 6º da Lei n. 13.300/2016. Art. 6º A petição inicial será desde logo indeferida quando a impetração for manifestamente incabível ou manifestamente improcedente. Parágrafo único. Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração. Não confunda ação direta de inconstitucionalidade por omissão e mandado de injunção! Ação direta de inconstitucionalidade por omissão Mandado de Injunção Garantir a supremacia constitucional Resolver o interesse daquele que teve inviabilizado o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; Processo objetivo (proteção da supremacia da Constituição) Processo subjetivo (proteção de interesse individual da parte autora) Controle de constitucionalidade abstrato Controle de constitucionalidade concreto Competência concentrada Competência difusa Efeitos erga omnes Efeitos inter partes (via de regra) Legitimados previstos no art. 103 da Constituição Federal I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal; III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V – o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII – partido político com representação no Congresso Nacional; IX – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Impetração por qualquer pessoa que tenha tido o exercício dos direitos inviabilizados 011. 011. O Território Federal Y, após 10 anos de sua criação, deseja ser reintegrado ao Estado de origem. Diante de intenso debate no Poder Legislativo, indaga-se: a) É possível que um território federal seja reintegrado ao Estado de origem? b) Como é o procedimento para que um Estado forme um Território Federal? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira a) A Constituição Federal admite que um território seja reintegrado ao seu Estado de origem, na forma da lei complementar (art. 18, § 1º, da Constituição). Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. § 1º Brasília é a Capital Federal. § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar. § 3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar. § 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. b) Exige-se aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar, na forma do art. 18, § 3º, da Constituição Federal. 012. 012. A Lei XYZ do Estado B versa sobre regime jurídico e remuneração dos servidores públicos estaduais na área da saúde. O projeto de lei foi de iniciativa do chefe do Poder Executivo e sofreu emendas parlamentares com o seguinte teor: Art. 3º Instituição de gratificação que acarreta aumento remuneratório de 2%. Art. 4º É obrigatória a realização de concurso público no próximo ano Art. 5º Fica definido o percentual de 10% para os cargos comissionados com novos critérios para incrementos remuneratórios. a) A lei XYZ é constitucional? Fundamente. b) É permitida emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do chefe do executivo? a) A lei XYZ é inconstitucional, pois as emendas parlamentares não podem promover aumento de despesa, nem versar sobre objeto distinto da proposta original. JURISPRUDÊNCIA Embora possível a apresentação de emendas parlamentares a projetos de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, são inconstitucionais os atos normativos resultantes de alterações que promovem aumento de despesa (art. 63, I, CF/1988), bem como que não guardem estrita pertinência com o objeto da proposta original, ainda que digam respeito à mesma matéria. STF. Plenário. ADI 6.091/RR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/05/2023 (Info 1096). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I – nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; II – nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do MinistérioPúblico. Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: I – fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas; II – disponham sobre: a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) É permitida a emenda, sem aumento da despesa, na forma do art. 63, I, da Constituição Federal. 013. 013. O Estado A, resolvendo criar a região metropolitana para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum dos Municípios X, Y e Z, sofreu a emenda à constituição estadual n. 20/2023 que tinha como único objetivo criar essa nova região metropolitana. A vinculação dos municípios foi compulsória e a região metropolitana contaria com órgãos colegiados, que exerceriam as funções de deliberação e gestão, e teriam a participação do Estado a) Analise a constitucionalidade dessa emenda. b) O Estado A pode disciplinar a regulamentação da sua exploração de serviços locais de gás canalizado por lei? a) A emenda é formalmente inconstitucional, já que a Constituição Federal exige lei complementar para a instituição de região metropolitana (art. 25, § 3º). Por outro lado, a emenda é materialmente constitucional, uma vez que a participação do Estado nos órgãos da região metropolitana é possível. Ademais, segundo o STF, a compulsoriedade na formação da região metropolitana não viola a autonomia municipal. Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 5, de 1995) § 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira JURISPRUDÊNCIA O interesse comum e a compulsoriedade da integração metropolitana não são incompatíveis com a autonomia municipal. O mencionado interesse comum não é comum apenas aos Municípios envolvidos, mas ao Estado e aos Municípios do agrupamento urbano (STF, ADI 1842/RJ). b) Pode, na forma do art. 25, § 2º, da Constituição Federal. É vedado apenas a regulamentação por meio de medida provisória. 014. 014. Diante do enorme calor que o Município X vem sofrendo no mês de novembro os vereadores aprovaram a seguinte lei: Art. 1º O horário bancário no Município X é de 8h as 14h. Art. 2º O tempo máximo de espera na fila é de 30 minutos. Art. 3º É devida a instalação de banheiros e bebedouros nas agências. a) Analise a constitucionalidade do art. 1º. b) Analise a constitucionalidade do art. 2º e 3º. a) O art. 1º é inconstitucional. Cabe a União fixar o horário bancário para atendimento ao público, na forma da súmula 19 do STJ. O fundamento é que o assunto, devido à sua abrangência, transcende o interesse local. JURISPRUDÊNCIA Súmula 19-STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União. b) Os artigos são constitucionais. Os Municípios possuem competência para legislar sobre assuntos de interesse local (artigo 30, I, da CF), tais como medidas que propiciem segurança, conforto e rapidez aos usuários de serviços bancários. JURISPRUDÊNCIA Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. LEI MUNICIPAL. PORTA ELETRÔNICA EM TERMINAIS DE AUTOATENDIMENTO BANCÁRIO. COMPETÊNCIA MUNICIPAL PARA LEGISLAR SOBRE QUESTÕES DE SEGURANÇA NOS LOCAIS DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO. INTERESSE LOCAL. INOCORRÊNCIA DE USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA LEGISLATIVA FEDERAL. REEXAME DA LEGISLAÇÃO LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 280 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. Os Municípios possuem competência para legislar sobre assuntos de interesse local (artigo 30, I, da CF), tais como medidas que propiciem segurança, conforto e rapidez O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira aos usuários de serviços bancários. (Precedentes: RE n. 610.221-RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 20.08.10; AI n. 347.717-AgR, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJ de 05.08.05; AC n. 1.124-MC, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJ de 04.08.06; AI n. 491.420-AgR, Relator o Ministro Cezar Peluso, 1ª Turma, DJ de 24.03.06; AI n. 574.296-AgR, Relator o Ministro Gilmar Mendes, 2ª Turma, DJ 16.06.06; AI n. 709.974-AgR, Relatora a Ministra Cármen Lucia, 1ª Turma, DJe de 26.11.09; AI n. 747.245-AgR, Relator o Ministro. Eros Grau, 2ª Turma, DJe 06.08.09; RE n. 254.172-AgR, Relator o Ministro Ayres Britto, 2ª Turma, DJe de 23.09.11, entre outros). 2. Deveras, para se chegar à conclusão contrária à adotada pelo acórdão recorrido como deseja o recorrente quanto a extensão da exigência prevista no art. 1º, da Lei Municipal n. 7.494/94 aos terminais de autoatendimento bancário, necessário seria o reexame da legislação local que o orientou, o que inviabiliza o extraordinário, a teor do Enunciado da Súmula 280 do Supremo Tribunal Federal, verbis: por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. 3. In casu, o acórdão recorrido assentou: ADMINISTRATIVO. POSTOS DE AUTOATENDIMENTO BANCÁRIO. INSTALAÇÃO DE PORTA ELETRÔNICA DE SEGURANÇA INDIVIDUALIZADA. LEI MUNICIPAL N. 7.494/94. MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE. A exigência legal de instalação de porta eletrônica de segurança, com detector de metais, restringe-se às agências e postos de serviços, assim entendidos os postos que realizam as mesmas atividades das agências, com atendimento ao público, mas com menor número de funcionários, não se estendendo aos meros terminais de autoatendimento. 4. Agravo regimental a que se NEGA PROVIMENTO. (ARE 691591 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18-12-2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-038 DIVULG 26-02-2013 PUBLIC 27-02-2013) 015. 015. Considerando que determinado bairro já possuía 3 restaurantes do McDonald’s e dois do Burger King, o Município X editou a lei Y que impediu a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo naquela área. Posteriormente, foi editada a lei municipal Z fixando o horário de funcionamento de estabelecimento comercial. a) Analise a constitucionalidade da Lei Y. b) Analise a constitucionalidade da Lei Z a) A lei Y é inconstitucional, já que ofende a livre concorrência, na forma da súmula vinculante 49. JURISPRUDÊNCIA Súmula vinculante 49-STF: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmoramo em determinada área. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira b) A lei Z é constitucional, uma vez que versa sobre assunto de interesse local, em respeito ao art. 30, I, da Constituição Federal e a súmula vinculante 38. Ressalta-se, entretanto, que a fixação de horário bancário extrapola a competência municipal, na forma da súmula 19 do STJ. JURISPRUDÊNCIA Súmula Vinculante 38-STF: É competente o município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial. Art. 30. Compete aos Municípios: I – legislar sobre assuntos de interesse local; 016. 016. O Estado Z prevê em sua Constituição o seguinte: Art. 25. O Estado não intervirá no Município, salvo quando: (...) IV – se verificar, sem justo motivo, impontualidade no pagamento de empréstimo garantido pelo Estado; V – forem praticados, na administração municipal, atos de corrupção devidamente comprovados; (...) a) Tal previsão é constitucional? b) A Constituição Federal pode ser emendada na vigência de intervenção federal? a) Essa previsão é inconstitucional. O rol de intervenção estadual é taxativo, segundo o Supremo Tribunal Federal. A Constituição estadual, nesse caso concreto, inovou. JURISPRUDÊNCIA A Constituição Estadual não pode trazer hipóteses de intervenção estadual diferentes daquelas que são elencadas no art. 35 da Constituição Federal. As hipóteses de intervenção estadual previstas no art. 35 da CF/1988 são taxativas. STF. Plenário ADI 6616/AC, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/4/2021 (Info 1014). Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando: I – deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada; II – não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; III – não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 29, de 2000) IV – o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira b) A Constituição Federal não pode ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio (art. 60, § 1º, da Constituição Federal). Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: § 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. 017. 017. Uma proposta de emenda da Constituição foi apresentada por 1/3 dos membros do Senado Federal. A proposta foi votada em cada Casa do Congresso Nacional tendo obtido 3/5 dos votos no Senado Federal e 2/3 na Câmara dos Deputados. a) A proposta de emenda foi aprovada? b) Uma proposta de emenda que não seja aprovada pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa? E se for uma proposta de lei? a) A proposta de emenda foi aprovada. Destaca-se que a proposta de emenda foi proposta por legitimado (art. 60, I, da Constituição Federal) e obteve 3/5 dos votos no Senado Federal e mais do que 3/5 ( já que teve 2/3) dos votos na Câmara dos Deputados. A Constituição exige pelo menos 3/5 dos votos em ambas as Casas. Cuidado com a pegadinha da porcentagem! 2/3 é maior do que 3/5. Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II – do Presidente da República; III – de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. § 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. b) A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa, na forma do art. 60, § 5º, da Constituição Federal. Por outro lado, a matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional, na forma do art. 67 da Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 018. 018. Determinados servidores insatisfeitos com a ausência do reajuste anual resolveram realizar uma reunião pacífica na principal avenida da Cidade. a) Exige-se autorização para que seja realizada essa reunião? b) O servidor público civil tem direito à associação sindical? A revisão anual de vencimentos é obrigatória? a) Não se exige autorização, mas o prévio aviso à autoridade competente como forma de evitar que seja frustrada reunião anteriormente convocada, na forma do art. 5º, XVI, da Constituição Federal. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; b) O servidor público civil tem direito à associação sindical, na forma do art. 37, VI, da Constituição Federal. O reajuste anual garantido pelo art. 37, X, da Constituição Federal não é obrigatório, mas cabe ao Chefe do Executivo justificar a sua ausência, segundo o STF. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998) VI – é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical; X – A remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices. JURISPRUDÊNCIA Direito constitucional e administrativo.Recurso extraordinário. Repercussão geral. Inexistência de lei para revisão geral anual das remunerações dos servidores públicos. Ausência de direito a indenização. 1. Recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, contra acórdão do TJ/SP que assentara a inexistência de direito à indenização por omissão do Chefe do Poder Executivo estadual quanto ao envio de projeto de lei para a revisão geral anual das remunerações dos respectivos servidores públicos. 2. O art. 37, X, da CF/1988 não estabelece um dever específico de que a remuneração dos servidores seja objeto de aumentos anuais, menos ainda em percentual que corresponda, obrigatoriamente, à inflação apurada no período. Isso não significa, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira porém, que a norma constitucional não tenha eficácia. Ela impõe ao Chefe do Poder Executivo o dever de se pronunciar, anualmente e de forma fundamentada, sobre a conveniência e possibilidade de reajuste ao funcionalismo. 3. Recurso extraordinário a que se nega provimento, com a fixação da seguinte tese: “O não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos, previsto no inciso X do art. 37 da CF/1988, não gera direito subjetivo a indenização. Deve o Poder Executivo, no entanto, pronunciar-se de forma fundamentada acerca das razões pelas quais não propôs a revisão”. (RE 565089, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 25/09/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-102 DIVULG 27-04-2020 PUBLIC 28-04-2020) Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 624. SERVIDOR PÚBLICO. REVISÃO GERAL ANUAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE CONCEDE INJUNÇÃO PARA QUE O CHEFE DO PODER EXECUTIVO ENVIE PROJETO DE LEI QUE PROMOVA A REVISÃO ANUAL DOS VENCIMENTOS DOS SERVIDORES MUNICIPAIS. INVASÃO DO JUDICIÁRIO NA COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO EXECUTIVO. INEXISTÊNCIA DE DEVER CONSTITUCIONAL DE RECOMPOSIÇÃO INFLACIONÁRIA ANUAL DA REMUNERAÇÃO E SERVIDORES PÚBLICOS. PRECEDENTES. INAPLICABILIDADE DE SENTENÇA EXORTATIVA OU ADITIVA. ARTIGO 37, X, DA CRFB. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. A revisão geral anual, estabelecida pelo artigo 37, X, da CRFB, deve ser interpretada em conjunto com os demais dispositivos constitucionais e os julgados antecedentes desta Corte, tendo em vista o caráter controvertido do direito sub judice e o princípio da concordância prática. 2. A Constituição Federal não pretendeu impedir reduções indiretas à remuneração dos servidores públicos, dentre as quais aquela que decorre da desvinculação pari passu do índice inflacionário, consoante exegese prestigiada por esta Corte. O direito à reposição do valor real por perdas inflacionárias foi afastado por este Plenário ao interpretar e aplicar a garantia da irredutibilidade de vencimentos, prevista no artigo 37, XV, da CRFB. Precedentes: ADI 2.075-MC, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de 27/6/2003; e RE 201.026, Rel. Min. Ilmar Galvão, Primeira Turma, DJ de 6/9/1996. 3. A Constituição não estabelece um dever específico de que a remuneração dos servidores seja objeto de aumentos anuais, menos ainda em percentual que corresponda, obrigatoriamente, à inflação apurada no período, embora do artigo 37, X, da Constituição decorra o dever de pronunciamento fundamentado a respeito da impossibilidade de reposição da remuneração dos servidores públicos em dado ano, com demonstração técnica embasada em dados fáticos da conjuntura econômica. Precedente: RE 565.089, Redator do acórdão Min. Roberto Barroso, Plenário, DJe de 28/4/2020, Tema 19 da Repercussão Geral. 4. As sentenças aditivas, porquanto excepcionais, pressupõem a observância O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira de algumas balizas, tais como (i) a solução esteja presente no sistema legislativo em vigor, ao menos em estado latente (ZAGREBELSKY, Gustavo. La giustizia costituzionale. vol. 41. Mulino, 1988. p. 158-159); (ii) a norma análoga se adeque ao direito previsto constitucionalmente; (iii) a norma constitucional possua densidade normativa tal que conceda inequivocamente determinado direito a seus destinatários (BRANDÃO, Rodrigo. O STF e o Dogma do Legislador Negativo. Direito, Estado e Sociedade, n. 44, p. 206, jan./jun. 2014); (iv) sejam observados “o critério da vontade hipotética do legislador e o critério da solução constitucionalmente obrigatória” (MEDEIROS, Rui. A decisão de inconstitucionalidade. Lisboa: Universidade Católica, 1999, p. 501-505); (v) avalie-se os reflexos das sentenças normativas nas contas públicas, consoante a “observância da realidade histórica e dos resultados possíveis”, (PELICIOLI, Angela Cristina. A sentença normativa na jurisdição constitucional: o Supremo Tribunal Federal como legislador positivo. São Paulo: LRT, 2008. p. 223); (vi) a intervenção se legitime na natureza do direito constitucional, mormente quando em jogo os direitos materialmente fundamentais e demais condições de funcionamento da democracia (SOUSA FILHO, Ademar Borges. Sentenças Aditivas na Jurisdição Constitucional Brasileira. Belo Horizonte: Forum, 2016. p. 233). 5. In casu, o papel do Poder Judiciário na concretização do direito à revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos não permite a colmatação da lacuna por decisão judicial, porquanto não se depreende do artigo 37, X, da CRFB um significado inequívoco para a expressão “revisão geral”, dotada de baixa densidade normativa. A reposição das perdas inflacionárias não pode ser considerada “constitucionalmente obrigatória”, embora inegavelmente se insira na moldura normativa do direito tutelado, que atribuiu ao servidor público o direito a ter sua remuneração anualmente revista. 6. A delimitação das condições da concessão do direito constitucional pressupõe uma considerável expertise técnica e financeira, a exemplo do eventual parcelamento e da necessidade de se compatibilizar a revisão com restrições orçamentárias, ajustes fiscais subsequentes e eventual compensação frente a outras formas de aumento. Precedente: ADI 2.726, Plenário, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ de 29/8/2003. 7. A revisão remuneratória dos servidores públicos pressupõe iniciativa do Poder Executivo. Precedentes: ADI 3.599, Rel. Min. Gilmar Mendes, Plenário, DJ de 14/9/2007; e ADI 2.061, Rel. Min. Ilmar Galvão, Plenário, DJ de 29/6/2001. 8. A definição do índice cabe aos poderes políticos, em consonância com outras limitações constitucionais, máxime por prestigiar a expertise técnica desses poderes em gerir os cofres públicos e o funcionalismo estatal. As regras prudenciais e a relação entre as formas de aumento remuneratório revelam os elevados custos de erro da fixação do índice de revisão geral anual por quem não detém a expertise necessária (SUNSTEIN; VERMEULE. Interpretation and Institutions. Michigan Law Review, v. 101, p. 885, 2002. p. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br42 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 38). 9. O princípio democrático impede a transferência do custo político ao Judiciário, porquanto o povo deposita nas urnas expectativas e responsabilidades, o que justifica a posterior prestação de contas dos poderes eleitos e impede que maiorias ocasionais furtem-se de obrigação imposta pelo constituinte. 10. A Lei federal 10.331/2001, assim como a Lei Complementar 592/2011 do Município do Leme, que regulamentam o artigo 37, X, da CRFB, estabelecendo condições e parâmetros para a revisão geral anual, não suprem a omissão, o que, consectariamente, revela sua insuficiência em tutelar a garantia constitucional que impõe manifestações anuais, não havendo que se cogitar de perda de objeto. 11. A omissão do Poder Executivo na apresentação de projeto de lei que preveja a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos configura mora que cabe ao Poder Judiciário declarar e determinar que se manifeste de forma fundamentada sobre a possibilidade de recomposição salarial ao funcionalismo. 13. In casu, o tribunal a quo, ao conceder a injunção “para determinar que o Prefeito do Município de Leme envie, no prazo máximo de trinta dias, projeto de lei que vise promover – a revisão anual dos vencimentos de todos os servidores públicos municipais”, exorbitou de suas competências constitucionais, imiscuindo-se em matéria de iniciativa do Poder Executivo, a quem cabe a autoadministração do funcionalismo público e a gestão de recursos orçamentários destinados a despesas de custeio com pessoal. 13. Recurso Extraordinário Provido para reformar o acórdão recorrido e, via de consequência, cassar a injunção concedida. Tese de repercussão geral: O Poder Judiciário não possui competência para determinar ao Poder Executivo a apresentação de projeto de lei que vise a promover a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, tampouco para fixar o respectivo índice de correção. (RE 843112, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 22/09/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-263 DIVULG 03-11-2020 PUBLIC 04-11-2020) 019. 019. Matheus foi condenado por um crime em 1996. 20 anos depois descobriu que notícias da época eram facilmente encontradas na internet tendo, inclusive, se sentido constrangido quando vizinhos lhe questionaram sobre o ocorrido. a) A divulgação é lícita? b) Imagine que Matheus esteja numa praia, em pleno carnaval, onde foi fotografado, sem perceber, quando estava beijando uma mulher. Surpreendido, meses após, ao ver essa foto utilizada por uma marca com fins comerciais para as vendas do Dia dos Namorados. Cabe indenização nessa hipótese? É necessário comprovar o prejuízo? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 43 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira a) O STJ entende que a divulgação é lícita. Ressalta-se que não é reconhecido o direito ao esquecimento em nosso ordenamento jurídico, segundo o STF. JURISPRUDÊNCIA “CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. MATÉRIA JORNALÍSTICA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. EXCLUSÃO DA NOTÍCIA. DIREITO AO ESQUECIMENTO. NÃO CABIMENTO. 1. Ação de obrigação de fazer ajuizada em 29/06/2015, da qual foi extraído o presente recurso especial interposto em 13/10/2020 e concluso ao gabinete em 19/08/2021. 2. O propósito recursal é definir se a) houve negativa de prestação jurisdicional e b) o direito ao esquecimento é capaz de justificar a imposição da obrigação de excluir matéria jornalística. 3. Não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. 4. O direito à liberdade de imprensa não é absoluto, devendo sempre ser alicerçado na ética e na boa-fé, sob pena de caracterizar-se abusivo. A esse respeito, a jurisprudência desta Corte Superior é consolidada no sentido de que a atividade da imprensa deve pautar-se em três pilares, a saber: (i) dever de veracidade, (ii) dever de pertinência e (iii) dever geral de cuidado. Ou seja, o exercício do direito à liberdade de imprensa será considerado legítimo se o conteúdo transmitido for verdadeiro, de interesse público e não violar os direitos da personalidade do indivíduo noticiado. 5. Em algumas oportunidades, a Quarta e a Sexta Turmas desta Corte Superior se pronunciaram favoravelmente acerca da existência do direito ao esquecimento. Considerando os efeitos jurídicos da passagem do tempo, ponderou-se que o Direito estabiliza o passado e confere previsibilidade ao futuro por meio de diversos institutos (prescrição, decadência, perdão, anistia, irretroatividade da lei, respeito ao direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada). Ocorre que, em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal definiu que o direito ao esquecimento é incompatível com a Constituição Federal (Tema 786). Assim, o direito ao esquecimento, porque incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro, não é capaz de justificar a atribuição da obrigação de excluir a publicação relativa a fatos verídicos. 6. Recurso especial conhecido e provido.” (REsp 1961581/MS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/12/2021, DJe 13/12/2021) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira b) Cabe, sim, a indenização e independe de prova do prejuízo, na forma da súmula 403 do STJ. JURISPRUDÊNCIA SÚMULA N. 403 STJ Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais. 020. 020. João, escritor e jornalista, almeja escrever uma biografia sobre Marcelo, famoso cantor brasileiro. Entretanto, ao requerer a sua autorização para a publicação da biografia foi surpreendido pela negativa do cantor. Decidiu publicar a biografia mesmo assim. a) Exige-se a autorização do biografado para a publicação de uma biografia? b) Marcelo pode impedir a publicação dessa biografia? Marcelo pode pleitear indenização? a) Não se exige autorização para a publicação de biografias, segundo o STF. Isso porque a Constituição Federal proíbe qualquer censura. O exercício do direito à liberdade de expressão não pode ser cerceado pelo Estado ou por particular, na forma do art. 5º, IX. Art. 5º IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; JURISPRUDÊNCIA 1. A Associação Nacional dos Editores de Livros – Anel congrega a classe dos editores, considerados, para fins estatutários, a pessoa natural ou jurídica à qual se atribui o direito de reprodução de obra literária, artística ou científica, podendo publicá-la e divulgá-la. A correlação entre o conteúdo da norma impugnada e os objetivos da Autora preenche o requisito de pertinência temática e a presença de seus associados em nove Estados da Federação comprova sua representação nacional, nos termos da jurisprudência deste Supremo Tribunal. Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. 2. O objeto da presente ação restringe-se à interpretação dos arts. 20 e 21 do Código Civil relativas à divulgação de escritos,à transmissão da palavra, à produção, publicação, exposição ou utilização da imagem de pessoa biografada. 3. A Constituição do Brasil proíbe qualquer censura. O exercício do direito à liberdade de expressão não pode ser cerceada pelo Estado ou por particular. 4. O direito de informação, constitucionalmente garantido, contém a liberdade de informar, de se informar e de ser informado. O primeiro refere-se à formação da opinião pública, considerado cada qual dos cidadãos que pode receber livremente dados sobre assuntos de interesse da coletividade e sobre as pessoas cujas ações, público-estatais ou público-sociais, interferem em sua esfera O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 45 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira do acervo do direito de saber, de aprender sobre temas relacionados a suas legítimas cogitações. 5. Biografia é história. A vida não se desenvolve apenas a partir da soleira da porta de casa. 6. Autorização prévia para biografia constitui censura prévia particular. O recolhimento de obras é censura judicial, a substituir a administrativa. O risco é próprio do viver. Erros corrigem-se segundo o direito, não se coartando liberdades conquistadas. A reparação de danos e o direito de resposta devem ser exercidos nos termos da lei. 7. A liberdade é constitucionalmente garantida, não se podendo anular por outra norma constitucional (inc. IV do art. 60), menos ainda por norma de hierarquia inferior (lei civil), ainda que sob o argumento de se estar a resguardar e proteger outro direito constitucionalmente assegurado, qual seja, o da inviolabilidade do direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem. 8. Para a coexistência das normas constitucionais dos incs. IV, IX e X do art. 5º, há de se acolher o balanceamento de direitos, conjugando-se o direito às liberdades com a inviolabilidade da intimidade, da privacidade, da honra e da imagem da pessoa biografada e daqueles que pretendem elaborar as biografias. 9. Ação direta julgada procedente para dar interpretação conforme a Constituição aos arts. 20 e 21 do Código Civil, sem redução de texto, para, em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de pensamento e de sua expressão, de criação artística, produção científica, declarar inexigível autorização de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo também desnecessária autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes). (ADI 4815, Relator(a): Min. Cármen Lúcia CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 10/06/2015) b) Marcelo não tem como impedir essa publicação. O STF entendeu que não é necessária a autorização do biografado. Se houver dano, o Marcelo poderá pleitear indenização (art. 5, X, da Constituição Federal). Para a coexistência das normas constitucionais dos incisos IV, IX e X do art. 5º, há de se acolher o balanceamento de direitos, conjugando-se o direito às liberdades com a inviolabilidade da intimidade, da privacidade, da honra e da imagem da pessoa biografada e daqueles que pretendem elaborar as biografias. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Questões Comentadas (Bônus) Exercícios Gabarito ComentadoO veto, por sua vez, ocorre quando há discordância. Determinado projeto de lei tinha um dispositivo legal que o Presidente da República entendeu como inconveniente e inoportuno. Diante do exposto, o Presidente da República tem a intenção de vetar esse dispositivo. Indaga-se: a) Pode o Presidente vetar esse dispositivo? Como é o procedimento do veto? b) Admite-se que o Presidente após vetar um dispositivo de um projeto de lei se arrependa e vete outros dispositivos da mesma lei? Aplica-se o princípio da parcelaridade ao veto? 008. 008. A medida provisória deve ser submetida de imediato ao Congresso Nacional com força de lei. Trata-se de um instituto inspirado no Parlamentarismo e que é aplicado ao Presidencialismo. Imagine que determinado projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional está pendente de sanção pelo Presidente da República. Sobre o tema, indaga-se: a) Diante de urgência devidamente comprovada é possível a edição de medida provisória no caso em tela? Justifique. b) Admite-se a revogação de medida provisória por nova medida provisória na mesma sessão legislativa que trate sobre o mesmo tema? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 009. 009. Fernando, empresário de uma grande rede de restaurantes e marido da Mariana, famosa apresentadora de televisão, tomou conhecimento de que seu nome constava de um banco de dados de caráter público como inadimplente de uma dívida de dois milhões de reais. Fernando reconhece a existência da dívida, entretanto, entende que o não pagamento é justificado pelo fato de que o valor da condenação em primeiro grau ainda está pendente de análise do recurso por ele interposto. Insatisfeito com essa informação pela metade e após a negativa de complementação da informação em via administrativa, Joaquim procura o seu escritório de advocacia questionando: a) É possível fazer com que essa informação complementar seja incluída juntamente a informação principal que diz respeito a existência do débito? Qual é a forma correta para se questionar a inclusão dessa informação complementar? b) Exige-se o esgotamento da via administrativa para o ajuizamento da ação questionando a incompletude da informação constante do banco de dados de caráter público? 010. 010. Diante da ausência de regulamentação de direito previsto na Lei XYZ, a associação Beta, legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, almeja garantir o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor dos seus associados. Indaga-se: a) É possível impetração de mandado de injunção no caso concreto? A associação Beta é legitimada para impetrar genericamente mandados de injunção? b) Imagine que a associação Beta tenha impetrado o mandado de injunção e o magistrado desde logo indeferiu a petição inicial. Qual o recurso cabível e em qual prazo? 011. 011. O Território Federal Y, após 10 anos de sua criação, deseja ser reintegrado ao Estado de origem. Diante de intenso debate no Poder Legislativo, indaga-se: a) É possível que um território federal seja reintegrado ao Estado de origem? b) Como é o procedimento para que um Estado forme um Território Federal? 012. 012. A Lei XYZ do Estado B versa sobre regime jurídico e remuneração dos servidores públicos estaduais na área da saúde. O projeto de lei foi de iniciativa do chefe do Poder Executivo e sofreu emendas parlamentares com o seguinte teor: Art. 3º Instituição de gratificação que acarreta aumento remuneratório de 2%. Art. 4º É obrigatória a realização de concurso público no próximo ano Art. 5º Fica definido o percentual de 10% para os cargos comissionados com novos critérios para incrementos remuneratórios. a) A lei XYZ é constitucional? Fundamente. b) É permitida emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do chefe do executivo? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 013. 013. O Estado A, resolvendo criar a região metropolitana para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum dos Municípios X, Y e Z, sofreu a emenda à constituição estadual n. 20/2023 que tinha como único objetivo criar essa nova região metropolitana. A vinculação dos municípios foi compulsória e a região metropolitana contaria com órgãos colegiados, que exerceriam as funções de deliberação e gestão, e teriam a participação do Estado a) Analise a constitucionalidade dessa emenda. b) O Estado A pode disciplinar a regulamentação da sua exploração de serviços locais de gás canalizado por lei? 014. 014. Diante do enorme calor que o Município X vem sofrendo no mês de novembro os vereadores aprovaram a seguinte lei: Art. 1º O horário bancário no Município X é de 8h as 14h. Art. 2º O tempo máximo de espera na fila é de 30 minutos. Art. 3º É devida a instalação de banheiros e bebedouros nas agências. a) Analise a constitucionalidade do art. 1º. b) Analise a constitucionalidade do art. 2º e 3º. 015. 015. Considerando que determinado bairro já possuía 3 restaurantes do McDonald’s e dois do Burger King, o Município X editou a lei Y que impediu a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo naquela área. Posteriormente, foi editada a lei municipal Z fixando o horário de funcionamento de estabelecimento comercial. a) Analise a constitucionalidade da Lei Y. b) Analise a constitucionalidade da Lei Z 016. 016. O Estado Z prevê em sua Constituição o seguinte: Art. 25. O Estado não intervirá no Município, salvo quando: (...) IV – se verificar, sem justo motivo, impontualidade no pagamento de empréstimo garantido pelo Estado; V – forem praticados, na administração municipal, atos de corrupção devidamente comprovados; (...) a) Tal previsão é constitucional? b) A Constituição Federal pode ser emendada na vigência de intervenção federal? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 017. 017. Uma proposta de emenda da Constituição foi apresentada por 1/3 dos membros do Senado Federal. A proposta foi votada em cada Casa do Congresso Nacional tendo obtido 3/5 dos votos no Senado Federal e 2/3 na Câmara dos Deputados. a) A proposta de emenda foi aprovada? b) Uma proposta de emenda que não seja aprovada pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa? E se for uma proposta de lei? 018. 018. Determinados servidores insatisfeitos com a ausência do reajuste anual resolveram realizar uma reunião pacífica na principal avenida da Cidade. a) Exige-se autorização para que seja realizada essa reunião? b) O servidor público civil tem direito à associação sindical? A revisão anual de vencimentos é obrigatória? 019. 019. Matheus foi condenado por um crime em 1996. 20 anos depois descobriu que notícias da época eram facilmente encontradas na internet tendo, inclusive, se sentido constrangido quando vizinhos lhe questionaram sobre o ocorrido. a) A divulgação é lícita? b) Imagine que Matheus esteja numa praia, em pleno carnaval, onde foi fotografado, semperceber, quando estava beijando uma mulher. Surpreendido, meses após, ao ver essa foto utilizada por uma marca com fins comerciais para as vendas do Dia dos Namorados. Cabe indenização nessa hipótese? É necessário comprovar o prejuízo? 020. 020. João, escritor e jornalista, almeja escrever uma biografia sobre Marcelo, famoso cantor brasileiro. Entretanto, ao requerer a sua autorização para a publicação da biografia foi surpreendido pela negativa do cantor. Decidiu publicar a biografia mesmo assim. a) Exige-se a autorização do biografado para a publicação de uma biografia? b) Marcelo pode impedir a publicação dessa biografia? Marcelo pode pleitear indenização? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. O Presidente da República, diante do estado de calamidade pública de âmbito nacional, e com o objetivo de elaborar lei delegada declarando esse estado de calamidade pública, solicita a delegação ao Congresso Nacional. Indaga-se o seguinte: a) É viável a elaboração dessa lei delegada pelo Presidente da República? b) Ainda em relação à elaboração de leis delegadas, questiona-se qual o instrumento que formaliza o conteúdo da delegação ao Presidente da República? Admite-se que esse instrumento determine a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional? a) No caso concreto, não é possível a elaboração dessa lei delegada. O art. 68, § 1º é claro ao estabelecer que não podem ser objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional. A decretação do estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição é um ato de competência exclusiva do Congresso Nacional, na forma do art. 49, XVIII, da Constituição Federal. Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. § 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: I – organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II – nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III – planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. § 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. § 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda. Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II – autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar; III – autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; IV – aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira V – sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; VI – mudar temporariamente sua sede; VII – fixar idêntica remuneração para os Deputados Federais e os Senadores, em cada legislatura, para a subsequente, observado o que dispõem os arts. 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. VII – fixar idêntico subsídio para os Deputados Federais e os Senadores, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998) VIII – fixar para cada exercício financeiro a remuneração do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; VIII – fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998) IX – julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo; X – fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; XI – zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes; XII – apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão; XIII – escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União; XIV – aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; XV – autorizar referendo e convocar plebiscito; XVI – autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; XVII – aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e quinhentos hectares. XVIII – decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 109, de 2021) b) O instrumento que formaliza o conteúdo e os termos de exercício da delegação ao Presidente da República é resolução, na forma do art. 68, § 2, da Constituição Federal. A resolução pode determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, nesse caso, o Congresso a fará em votação única, vedada qualquer emenda, na forma do art. 68, § 3, da Constituição Federal. Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. § 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional, os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria reservada à lei complementar, nem a legislação sobre: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira I – organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; II – nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; III – planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos. § 2º A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. § 3º Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedadaqualquer emenda. 002. 002. Alice, filha de diplomata que estava a serviço do Brasil, nasceu em determinado país que é regido pelo ius soli. Indaga-se: a) Alice pode ser extraditada? b) Admite-se que Alice perca a nacionalidade brasileira? É possível readquirir a nacionalidade? Fundamente. a) Alice é brasileira nata, na forma do art. 12, I, b, da Constituição Federal. A Carta Maior veda a extradição de brasileiros natos, logo, Alice não pode ser extradita. Art. 12. São brasileiros: I – natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; Art. 5º LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; b) Houve uma recente emenda constitucional que passou a permitir o pedido expresso de perda de nacionalidade, excetuando os casos em que essa perda acarrete a apatridia. É o que dispõe o art. 12, § 4º, II, da Carta Maior. Dessa forma, Alice pode pleitear a perda da nacionalidade, uma vez que ela possui dupla nacionalidade e não levaria, portanto, a apatridia. Além disso, admite-se a reaquisição da nacionalidade brasileira originária (o caso da Alice), na forma do art. 12, § 5º, da Constituição Federal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 003. 003. Foi instaurada determinada comissão parlamentar de inquérito que tinha como objeto o tráfico ilícito de drogas. Durante a investigação descobriram fatos conexos ao fato determinado para a sua instauração. Considerando os pressupostos das comissões parlamentares de inquérito e o entendimento do STF, responda: a) Quais são os pressupostos e requisitos da CPI. A investigação de fatos conexos deve ser admitida? b) Admite-se a prorrogação do prazo da CPI? a) Os pressupostos da CPI são: prazo certo e fato determinado, na forma do art. 58, § 3º, da Constituição Federal. Os requisitos da CPI são: requerimento de constituição (deve ser requerido por alguém legitimado); formalização em um inquérito parlamentar; lavratura de um relatório final de investigação. É oportuno destacar que o Supremo Tribunal Federal (STF) mitiga os pressupostos da CPI. Entende o STF que é possível admitir a investigação de fatos conexos aos que levaram a instauração da CPI. Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação. § 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa. § 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: I – discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa; II – realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil; III – convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições; IV – receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas; V – solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão; VI – apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer. § 3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. § 4º Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira b) Admite-se a prorrogação do prazo da CPI, desde que dentro de uma mesma legislatura que é o intervalo de tempo de quatro anos. Sobre o tema, citamos os ensinamentos de Francisco Maia Braga1: Portanto, para que se instaure uma CPI, há duas condições impostas: que o fato seja certo e que o prazo de duração seja determinado. É importante registrar, porém, que a jurisprudência do STF mitiga esses pressupostos. Quanto ao pressuposto substancial, afirma-se que há atenuação por parte do STF, porque a CF/1988 exige fato determinado, mas a Suprema Corte admite que a CPI seja instaurada para a apuração, também, de um fato conexo ao fato que acarretou originalmente a sua instauração. Assim, havendo conexão entre o fato efetivamente apurado e aquele que deu ensejo à criação da CPI, o STF vem admitindo o inquérito parlamentar. Por exemplo, a chamada CPI do narcotráfico tinha como objeto da investigação o tráfico ilícito de drogas, e o STF aceitou que ela investigasse, também, tráfico de armas, milícia e até grupos de extermínio. Estes últimos não eram os fatos que acarretaram a criação da CPI, mas eram conexos ao fato determinado que levou à instauração da comissão e a sua investigação foi admitida. (...) Igualmente, o STF atenua o pressuposto temporal (que é a exigência de prazo certo), pois admite que haja prorrogação do prazo da CPI, desde que ocorra dentro da mesma legislatura. Para compreender isso, é necessário conhecer 4 (quatro) definições técnicas: a) Legislatura: é o intervalo de tempo de 4 (quatro) anos. Portanto, Deputado tem mandato de uma legislatura, enquanto o Senador tem mandato de duas legislaturas. b) Sessão legislativa: é o intervalo de tempo de 1 (um) ano. Logo, cada legislatura é composta por 4 (quatro) sessões legislativas. c) Período legislativo: é o intervalo de tempo de 6 (seis) meses. Cada sessão legislativa, então, é composta por dois períodos legislativos, que, são intermediados por dois recessos parlamentares. d) Sessão: é o intervalo de tempo de um dia em que as atividades parlamentares são desenvolvidas cotidianamente (sessão de terça-feira. Sessão de quarta-feira, sessão de quinta-feira etc.). 004. 004. Segundo a Constituição, as comissões parlamentares de inquérito (cpi) possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros que sejam previstos nos regimentos das respectivas Casas. Foi apresentado requerimento de constituição de uma CPI subscrito por um terço dos membros da Casa Legislativa. Sobre o tema, indaga-se: a) Há juízo de valor na instauração da CPI? É possível alterar o objeto? b) João, Senador, um dos que assinaram o requerimento de constituição dessa CPI resolve retirar a sua assinatura.Isso é possível? Qual a consequência? 1 BRAGA. Francisco Maia. Direito Constitucional grifado, páginas 977/978. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira a) Não há juízo de valor na instauração da CPI. O art. 58, § 3º, da Constituição Federal exige apenas o requerimento de um terço de seus membros. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que o requerimento de constituição de uma CPI não está sujeito à deliberação plenária. Por fim, o STF não admite que o objeto seja alterado. Complementando: nesse sentido, citamos Francisco Braga2 Aliás, o STF vem entendendo que essa vinculação é ainda maior. Antes, a Corte entendia que a vinculação em questão era simples, bastando, para a instauração da CPI, que o requerimento de constituição fosse subscrito por pelo menos 1/3 dos membros da Casa respectiva. Hoje, porém, o STF entende que essa vinculação é dupla: a Casa está vinculada a constituir CPI, assim como a constituir a CPI nos termos do pedido, não tendo a possibilidade de alterar o objeto constante do requerimento de instauração da comissão. Logo, além de o requerimento de constituição da CPI não estar sujeito à deliberação plenária, a essa deliberação também não se sujeita o objeto da CPI constante do requerimento de sua instauração. Em outras palavras: além de a Casa não ter a possibilidade de negar a criação da CPI, não pode modificar o seu objeto e, com isso, desnaturar a investigação. Isso é garantia eficiente que o STF confere ao direito das minorias parlamentares à investigação político-administrativa. b) Não é possível que João retire a sua assinatura. Para o Supremo Tribunal Federal, uma vez apresentado o requerimento de um terço de seus membros é inevitável a criação da comissão parlamentar de inquérito. JURISPRUDÊNCIA EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA – QUESTÕES PRELIMINARES REJEITADAS – PRETENDIDA INCOGNOSCIBILIDADE DA AÇÃO MANDAMENTAL, PORQUE DE NATUREZA “INTERNA CORPORIS” O ATO IMPUGNADO – POSSIBILIDADE DE CONTROLE JURISDICIONAL DOS ATOS DE CARÁTER POLÍTICO, SEMPRE QUE SUSCITADA QUESTÃO DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL – O MANDADO DE SEGURANÇA COMO PROCESSO DOCUMENTAL E A NOÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO – NECESSIDADE DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA – CONFIGURAÇÃO, NA ESPÉCIE, DA LIQUIDEZ DOS FATOS SUBJACENTES À PRETENSÃO MANDAMENTAL – COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO – DIREITO DE OPOSIÇÃO – PRERROGATIVA DAS MINORIAS PARLAMENTARES – EXPRESSÃO DO POSTULADO DEMOCRÁTICO – DIREITO IMPREGNADO DE ESTATURA CONSTITUCIONAL – INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO PARLAMENTAR E COMPOSIÇÃO DA RESPECTIVA CPI – IMPOSSIBILIDADE DE A MAIORIA PARLAMENTAR FRUSTRAR, NO ÂMBITO DE QUALQUER DAS CASAS DO CONGRESSO NACIONAL, O EXERCÍCIO, PELAS MINORIAS LEGISLATIVAS, DO DIREITO CONSTITUCIONAL À INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR (CF, ART. 58, § 3º) – MANDADO DE SEGURANÇA CONCEDIDO. O ESTATUTO CONSTITUCIONAL DAS MINORIAS PARLAMENTARES: A PARTICIPAÇÃO ATIVA, NO CONGRESSO NACIONAL, DOS GRUPOS MINORITÁRIOS, A QUEM ASSISTE O DIREITO DE FISCALIZAR O EXERCÍCIO DO PODER. – Existe, no sistema 2 página 981. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira político-jurídico brasileiro, um verdadeiro estatuto constitucional das minorias parlamentares, cujas prerrogativas – notadamente aquelas pertinentes ao direito de investigar – devem ser preservadas pelo Poder Judiciário, a quem incumbe proclamar o alto significado que assume, para o regime democrático, a essencialidade da proteção jurisdicional a ser dispensada ao direito de oposição, analisado na perspectiva da prática republicana das instituições parlamentares. – A norma inscrita no art. 58, § 3º, da Constituição da República destina-se a ensejar a participação ativa das minorias parlamentares no processo de investigação legislativa, sem que, para tanto, mostre-se necessária a concordância das agremiações que compõem a maioria parlamentar. – O direito de oposição, especialmente aquele reconhecido às minorias legislativas, para que não se transforme numa prerrogativa constitucional inconsequente, há de ser aparelhado com instrumentos de atuação que viabilizem a sua prática efetiva e concreta no âmbito de cada uma das Casas do Congresso Nacional. – A maioria legislativa não pode frustrar o exercício, pelos grupos minoritários que atuam no Congresso Nacional, do direito público subjetivo que lhes é assegurado pelo art. 58, § 3º, da Constituição e que lhes confere a prerrogativa de ver efetivamente instaurada a investigação parlamentar, por período certo, sobre fato determinado. Precedentes: MS 24.847/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.. – A ofensa ao direito das minorias parlamentares constitui, em essência, um desrespeito ao direito do próprio povo, que também é representado pelos grupos minoritários que atuam nas Casas do Congresso Nacional. REQUISITOS CONSTITUCIONAIS PERTINENTES À CRIAÇÃO DE COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO (CF, ART. 58, § 3º): CLÁUSULA QUE AMPARA DIREITO DE CONTEÚDO EMINENTEMENTE CONTRA-MAJORITÁRIO. – A instauração de inquérito parlamentar, para viabilizar-se no âmbito das Casas legislativas, está vinculada, unicamente, à satisfação de três (03) exigências definidas, de modo taxativo, no texto da Lei Fundamental da República: (1) subscrição do requerimento de constituição da CPI por, no mínimo, 1/3 dos membros da Casa legislativa, (2) indicação de fato determinado a ser objeto da apuração legislativa e (3) temporariedade da comissão parlamentar de inquérito. Precedentes do Supremo Tribunal Federal: MS 24.831/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.. – O requisito constitucional concernente à observância de 1/3 (um terço), no mínimo, para criação de determinada CPI (CF, art. 58, § 3º), refere-se à subscrição do requerimento de instauração da investigação parlamentar, que traduz exigência a ser aferida no momento em que protocolado o pedido junto à Mesa da Casa legislativa, tanto que, “depois de sua apresentação à Mesa”, consoante prescreve o próprio Regimento Interno da Câmara dos Deputados (art. 102, § 4º), não mais se revelará possível a retirada de qualquer assinatura. – Preenchidos os requisitos constitucionais (CF, art. 58, § 3º), impõe-se a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito, que não depende, por isso mesmo, da vontade aquiescente da maioria legislativa. Atendidas tais exigências (CF, art. 58, § 3º), cumpre, ao Presidente da Casa O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira legislativa, adotar os procedimentos subsequentes e necessários à efetiva instalação da CPI, não se revestindo de legitimação constitucional o ato que busca submeter, ao Plenário da Casa legislativa, quer por intermédio de formulação de Questão de Ordem, quer mediante interposição de recurso ou utilização de qualquer outro meio regimental, a criação de qualquer comissão parlamentar de inquérito. – A prerrogativa institucional de investigar, deferida ao Parlamento (especialmente aos grupos minoritários que atuam no âmbito dos corposlegislativos), não pode ser comprometida pelo bloco majoritário existente no Congresso Nacional, que não dispõe de qualquer parcela de poder para deslocar, para o Plenário das Casas legislativas, a decisão final sobre a efetiva criação de determinada CPI, sob pena de frustrar e nulificar, de modo inaceitável e arbitrário, o exercício, pelo Legislativo (e pelas minorias que o integram), do poder constitucional de fiscalizar e de investigar o comportamento dos órgãos, agentes e instituições do Estado, notadamente daqueles que se estruturam na esfera orgânica do Poder Executivo. – A rejeição de ato de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito, pelo Plenário da Câmara dos Deputados, ainda que por expressiva votação majoritária, proferida em sede de recurso interposto por Líder de partido político que compõe a maioria congressual, não tem o condão de justificar a frustração do direito de investigar que a própria Constituição da República outorga às minorias que atuam nas Casas do Congresso Nacional. (MS 26441, Relator(a): CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 25-04-2007, DJe-237 DIVULG 17-12-2009 PUBLIC 18-12-2009 EMENT VOL-02387-03 PP-00294 RTJ VOL-00223-01 PP-00301) Obs.: outro ponto muito importante sobre CPI que o examinando deve memorizar diz respeito ao que ela pode e o que ela não pode fazer. Segue o quadro em que o Professor Francisco Braga sistematizou essas informações extraídas do MS 33663. Vejamos: CPI PODE CPI NÃO PODE (RESERVA DE JURISDIÇÃO) 1) Quebrar o sigilo fiscal 2) Quebrar o sigilo bancário 3) Quebrar o sigilo de dados (inclusive, de dado telefônicos) 4) Ouvir investigados ou indiciados, respeitando o direito ao silêncio (não autoincriminação) 5) Ouvir testemunhas, sob pena de condução coercitiva, respeitando o direito ao silêncio (não autoincriminação) e ao sigilo profissional 6) Convocar Ministros de Estado 7) Determinar a realização de diligências (como perícias e exames) 8) Tomar depoimento de qualquer autoridade 9) Requisitar de órgãos públicos informações e documentos de qualquer natureza (inclusive, sigilosos) 10) Realizar “inspeções” presencialmente 1)Determinar busca e apreensão domiciliar (o que se aplica a qualquer espaço resguardado pela inviolabilidade, como escritórios de empresas) 2) Determinar interceptação telefônica 3) Expedir ordem de prisão, salvo em caso de flagrante delito, como pode ocorrer em uma situação de falso testemunho perante a própria CPI 4) Decretar medidas assecuratórias de eventual sentença condenatória, seja de natureza real ou pessoal (como arresto e sequestro de bens, hipoteca legal, proibição de se afastar do País) 5) Quebrar segredo de justiça O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 005. 005. João, deputado federal, cometeu crime eleitoral após a sua diplomação, crime esse relacionado a função desempenhada por ele. Maria, senadora, cometeu uma contravenção penal relacionada a sua função desempenhada, após a sua diplomação. Indaga-se: a) Onde João e Maria serão submetidos a julgamento? Justifique. b) Após o final da instrução processual João resolve renunciar ao mandato e Maria teve o mandato parlamentar cessado, em virtude da não reeleição. Há modificação de competência? a) Os deputados e senadores possuem foro especial, na forma do art. 53, § 1º e art. 102, I, b, ambos da Constituição Federal. É importante destacar que a expressão “infrações penais comuns” engloba qualquer tipo de delito. Portanto, considerando que o foro especial dos deputados e senadores é o STF e que o termo inicial dessa prerrogativa é a diplomação, João e Maria serão submetidos a julgamento no STF, conforme os dispositivos mencionados e o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Segue o que nos ensina Francisco Braga3 1) O foro especial dos membros do Congresso Nacional é no STF; e 2)O termo inicial dessa prerrogativa é a diplomação (que é o ato solene que ocorre antes da posse pelo qual a Justiça Eleitoral declara que o mandato foi adquirido na via eleitoral e habilita o eleito ao seu exercício). Fixadas essas duas máximas, é preciso, preliminarmente, registrar que a expressão “infrações penais comuns” contida no art. 102, I, b, da CF/1988 abrange qualquer tipo de delito, englobando, inclusive, crimes eleitorais e contravenções penais, conforme já afirmado pelo Supremo Tribunal Federal (...) b) Não há modificação de competência em nenhum dos casos. O Supremo Tribunal Federal entende que após a instrução processual a competência não é mais modificada, independentemente do motivo de leve ao parlamentar deixar o cargo, em respeito ao princípio da identidade física do magistrado. 3 página 992. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira De olho na doutrina: Novamente, citamos Francisco Braga4: 1) O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do mandato (após a diplomação) e relacionados às funções desempenhadas. Isso se justifica porque a ampliação do foro especial (como vinha sendo feito anteriormente, ao abranger toda e qualquer infração penal) é contrária às suas próprias finalidades. Ora, se o foro por prerrogativa de função foi criado para evitar que a persecução penal em juízo seja utilizada como forma de perseguição política, não faz sentido admitir que ele seja aplicado para infrações que nada têm a ver com o exercício do mandato. Na verdade, a ampliação exagerada do foro especial acabava transformando- o em um privilégio pessoal, o que é inadmissível em uma república. 2) Após o final da instrução processual (que fica caracterizado, objetivamente, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais), a competência para processar e julgar ações penais não será mais modificada em razão de o Parlamentar deixar o cargo, seja qual for o motivo (haja tentativa de fuga do foro ou não). Assim, uma vez publicada a intimação para a apresentação das razões finais, a cessação do exercício do mandato parlamentar (por renúncia, não reeleição, nomeação para outro cargo ou qualquer outro motivo) não retira do STF a competência para julgar o caso. A fixação desse entendimento e a adoção do critério (objetivo) da publicação da intimação para apresentação de alegações finais, além de representar aplicação de entendimento que já vinha sendo adotado pelo STF, homenageia o princípio da identidade física do juiz, pois permite que a causa seja julgada pelo juízo que presidiu a instrução processual. É importante também o aluno lembrar do tema prerrogativa de foro em âmbito estadual. Novamente, citamos Francisco Braga: Aqui o grande questionamento inicial é o seguinte: os Estados-membros podem criar hipóteses de foro por prerrogativa de função no respectivo Tribunal de Justiça para cargos estaduais? A jurisprudência que havia sido firmada pelo STF era no sentido de que isso seria possível, tendo em vista que o art. 125, § 1º, da CF/1988 prevê que a competência dos Tribunais de Justiça deve ser definida pelas Constituições dos respectivos Estados. (...) Ocorre que, ao julgar a ADI 2553 (em 15/05/2019), o STF, seguindo sua tendência de restringir a prerrogativa de foro, realizou uma guinada jurisprudencial e passou a entender que, sendo as hipóteses de foro especial verdadeirasexcepcionalidades, todos os casos de foro por prerrogativa de função, inclusive, em âmbito estadual, já estão previstos na própria CF/1988, não podendo o constituinte estadual estabelecer outras hipóteses de foro especial no respectivo TJ. Assim, a Suprema Corte firmou nova interpretação do art. 125, § 1, da CF/1988, entendendo, a partir de então, que tal dispositivo não dá liberdade aos Estados-membros para atribuir prerrogativa de foro a quem não foi contemplado por ela na Constituição Federal. Atualmente, portanto, o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que somente é possível haver prerrogativa de foro em âmbito estadual perante o Tribunal de Justiça nas hipóteses previstas na Constituição Federal, a exemplo dos juízes estaduais e dos membros do Ministério Público, conforme previsto no art. 96, III, da CF/1988. 4 página 994. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira De olho nos julgados: JURISPRUDÊNCIA EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO PROCESSUAL PENAL. COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. CONSTITUIÇÃO ESTADUAL QUE ESTENDE FORO CRIMINAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO A PROCURADORES DE ESTADO, PROCURADORES DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, DEFENSORES PÚBLICOS E DELEGADOS DE POLÍCIA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DAS HIPÓTESES DEFENDIDAS PELO LEGISLADOR CONSTITUINTE FEDERAL. AÇÃO DIRETA PROCEDENTE. 1. A Constituição Federal estabelece, como regra, com base no princípio do juiz natural e no princípio da igualdade, que todos devem ser processados e julgados pelos mesmos órgãos jurisdicionais. 2. Em caráter excepcional, o texto constitucional estabelece o chamado foro por prerrogativa de função com diferenciações em nível federal, estadual e municipal. 3. Impossibilidade de a Constituição Estadual, de forma discricionária, estender o chamado foro por prerrogativa de função àqueles que não abarcados pelo legislador federal. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 81, IV, da Constituição do Estado do Maranhão. (ADI 2553, Relator(a): GILMAR MENDES, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 15-05-2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-204 DIVULG 14-08-2020 PUBLIC 17-08-2020) EMENTA: Direito Constitucional e Processual. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Constituição do Estado do Amazonas. Atribuição de foro por prerrogativa de função a procuradores e defensores públicos. 1. Ação direta de inconstitucionalidade contra o art. 72, I, a, da Constituição do Estado do Amazonas, na parte em que atribuiu foro por prerrogativa de função aos procuradores e defensores públicos do Estado. 2. A Constituição Federal estabelece, como regra geral, que todos devem ser processados e julgados pelos mesmos órgãos jurisdicionais. Excepcionalmente, em razão das funções de determinados cargos públicos, estabelece-se o foro por prerrogativa de função, cujas hipóteses devem ser interpretadas de maneira restritiva. 3. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal evoluiu no que diz respeito à possibilidade de concessão de foro por prerrogativa de função pelo constituinte estadual, passando a declarar a inconstitucionalidade de expressões de constituições estaduais que ampliam o foro por prerrogativa de função a autoridades diversas das estabelecidas pela Constituição Federal. Precedentes. 4. Tendo em vista que a norma impugnada se encontra em vigor há anos, razões de segurança jurídica recomendam a modulação de efeitos da decisão. Precedentes. 5. Pedido julgado procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão “da Procuradoria-Geral do Estado e da Defensoria Pública”, constante do art. 72, I, a, da Constituição do Estado do Amazonas, com efeitos ex nunc. Fixação da seguinte tese de julgamento: “É inconstitucional norma de constituição estadual que estende o foro por prerrogativa de função a autoridades O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira não contempladas pela Constituição Federal de forma expressa ou por simetria”. (ADI 6515, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 23-08-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021) EMENTA: Direito Constitucional e Processual. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Referendo da Medida Cautelar. Conversão em Julgamento de Mérito. Constituição do Estado de Pernambuco. Atribuição de foro por prerrogativa de função ao Defensor Público geral e ao Chefe Geral da Polícia Civil. 1. Ação direta de inconstitucionalidade contra o art. 62, I, a, da Constituição do Estado de Pernambuco, na parte em que atribuiu foro por prerrogativa de função ao Defensor Público Geral e ao Chefe Geral da Polícia Civil. 2. A Constituição Federal estabelece, como regra geral, que todos devem ser processados e julgados pelos mesmos órgãos jurisdicionais. Excepcionalmente, em razão das funções de determinados cargos públicos, estabelece-se o foro por prerrogativa de função, cujas hipóteses devem ser interpretadas de maneira restritiva. 3. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal evoluiu no que diz respeito à possibilidade de concessão de foro por prerrogativa de função pelo constituinte estadual, passando a declarar a inconstitucionalidade de expressões de constituições estaduais que ampliam o foro por prerrogativa de função a autoridades diversas das estabelecidas pela Constituição Federal. Precedentes. 4. Tendo em vista que a norma impugnada se encontra em vigor há anos, razões de segurança jurídica recomendam a modulação de efeitos da decisão. Precedentes. 5. Referendo da medida cautelar convertido em julgamento de mérito. Pedido julgado procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão “o Defensor Público-Geral, o Chefe Geral da Polícia Civil”, constante do art. 61, I, a, da Constituição do Estado do Pernambuco, com efeitos ex nunc. Fixação da seguinte tese de julgamento: “É inconstitucional norma de constituição estadual que estende o foro por prerrogativa de função a autoridades não contempladas pela Constituição Federal de forma expressa ou por simetria”. (ADI 6502, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 23-08-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021) EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMENDA N. 80/2014 À CONSTITUIÇÃO DO CEARÁ. PREVISÃO DE FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO A MEMBROS DA DEFENSORIA PÚBLICA. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AÇÃO DIRETA PROCEDENTE. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. 1. Na organização do Judiciário estadual, as competências de seus órgãos são limitadas pelos princípios da Constituição da República. Ausência de fundamento constitucional de instituição de foro para estabelecer privilégios processuais. Princípio da igualdade. 2. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar inconstitucional a expressão “os membros da Defensoria Pública” na al. a do inc. VII do art. 108 da Constituição do Ceará, alterada pela Emenda n. 80/2014, com eficácia ex nunc a contar da publicação da ata de julgamento. (ADI 6514, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 29-03-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-084 DIVULG 03-05-2021 PUBLIC 04-05-2021) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada,por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. EMENDA N. 21/2006 À CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. PREVISÃO DE FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO A DELEGADO-GERAL DE POLÍCIA CIVIL POR CRIMES COMUNS E DE RESPONSABILIDADE: INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AÇÃO DIRETA PROCEDENTE. 1. Na organização do Judiciário estadual as competências de seus órgãos são limitadas pelos princípios da Constituição da República. Ausência de fundamento constitucional de instituição de foro para estabelecer privilégios processuais. Princípio da igualdade. 2. Afronta ao inc. VII do art. 129 da Constituição da República, pelo qual o controle externo da atividade policial é função institucional do Ministério Público. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar inconstitucional a expressão “o Delegado Geral da Polícia Civil” posta no inc. II do art. 74 da Constituição do Estado de São Paulo. (ADI 5591, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 22-03-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-085 DIVULG 04-05-2021 PUBLIC 05-05-2021) EMENTA Ação direta de inconstitucionalidade. Artigo 338 da Constituição do Estado do Pará. Criação de novas hipóteses de foro por prerrogativa de função. Perda parcial do objeto. Conhecimento parcial. Expressão “Delegado Geral de Polícia Civil”. Violação do princípio da simetria. Procedência parcial. 1. O art. 338 da Constituição do Estado Pará foi alterado pela Emenda Constitucional n. 62/2014, a qual excluiu o consultor- geral do Estado do rol de autoridades com foro por prerrogativa de função no Tribunal de Justiça, restando configurada a perda parcial do objeto desta ação direta no que tange à expressão “Consultor-Geral do Estado”, razão pela qual se conhece apenas parcialmente do pedido. 2. Por obra do constituinte originário, foi fixada a primazia da União para legislar sobre direito processual (art. 22, I, CF/1988). Contudo, extraem-se do próprio texto constitucional outorgas pontuais aos estados-membros da competência para a elaboração de normas de cunho processual. Destaca-se aqui a possibilidade de a Constituição estadual definir as causas afetas ao juízo natural do respectivo tribunal de justiça, desde que atendidos os princípios estabelecidos na Lei Fundamental (art. 125, CF/1988). 3. É possível extrair do art. 125 da Constituição a faculdade atribuída aos estados-membros de fixarem o elenco de autoridades que devem ser processadas originalmente nos respectivos tribunais de justiça. As hipóteses de foro por prerrogativa de função já previstas na Carta Federal – as quais asseguram a alguns agentes políticos o julgamento por tribunal de justiça, tais como, o prefeito municipal (art. 29, X), os juízes estaduais e os membros do ministério público (art. 96, III) – não são taxativas, de modo que o constituinte estadual está legitimado a fixar outras hipóteses. 4. A jurisprudência da Corte impõe o dever de observância pelos estados-membros do modelo adotado na Carta Magna (princípio da simetria), sob pena de invalidade da prerrogativa de foro (ADI n. 2.587/GO-MC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Maurício Corrêa, O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira DJ de 6/9/02). Os ocupantes dos cargos de chefe da casa civil, chefe da casa militar, comandante-geral da polícia militar e comandante-geral do corpo de bombeiros militar são auxiliares diretos do governador do estado, pertencentes ao primeiro escalão da estrutura do poder executivo estadual, e se equiparam aos ocupantes do cargo de secretário de estado, havendo, portanto, similaridade com as hipóteses de competência originária do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, c, da CF/1988). 5. Quanto ao cargo de delegado-geral de polícia civil, a prerrogativa a ele conferida não deflui, por simetria, da Constituição de 1988, visto que não há previsão de foro especial para o Diretor-Geral da Polícia Federal, cargo equivalente no âmbito federal. Assim, declara-se a inconstitucionalidade material da expressão “Delegado Geral de Polícia Civil”, constante do art. 338 na Constituição do Estado do Pará. 6. Ação parcialmente conhecida e julgada parcialmente procedente. (ADI 3294, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 22-03-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-100 DIVULG 25-05-2021 PUBLIC 26-05-2021) Imunidade parlamentar material (STF X STJ) Segue uma tabela com os entendimentos esquematizados por Francisco Braga5: STJ STF “1) A imunidade parlamentar (que é irrenunciável) é outorgada pela Constituição para que o Parlamentar exerça suas funções com autonomia e independência. 2)A imunidade parlamentar não é absoluta, pois, conforme jurisprudência do STF, “a inviolabilidade dos Deputados Federais e Senadores, por opiniões palavras e votos, prevista no art. 53 da Constituição da República, é inaplicável a crimes contra a honra cometidos em situação que não guarda liame com o exercício do mandato” (Inq 3438). 3) A ofensa segundo a qual a ofendida não “mereceria” ser vítima de estupro (em razão de seus dotes físicos e intelectual) não guarda nenhuma relação com o mandato parlamentar. 4) Considerando que a ofensa foi veiculada em imprensa e na Internet, a localização do recorrente, no recinto da Câmara dos Deputados, é elemento meramente acidental, que não atrai a aplicação da imunidade. 5) Há violação à dignidade humana e, portanto, dever de indenizar (danos morais). “ “1) No recinto da Casa Legislativa, a imunidade é absoluta (não havendo de se perquerir acerca da conexão do ato, palavra ou voto com o exercício do mandato parlamentar) e acompanha o Parlamentar na tribuna, nas comissões e em qualquer outra atividade parlamentar desenvolvida no edifício da Casa Legislativa, mesmo quando veiculada, posteriormente, pelos meios de comunicação. 2)A análise da presença ou não do nexo com o mandato apenas tem espaço quando o ato, palavra ou voto se dá fora do recinto do Parlamento. Se o fato ocorre dentro do recinto do Parlamento, o nexo funcional é absolutamente presumido. 3) Estende-se a imunidade parlamentar e sua extensão não significa amparar excessos (manifestações abusivas do Parlamentar). Estes, porém, resolvem-se no âmbito da própria Casa Legislativa, podendo o Parlamentar perder o mandato por quebra de decoro e outras transgressões regimentais. Mas o certo é que, se a manifestação ocorreu no recinto do Parlamento, a inviolabilidade é absoluta, não podendo haver responsabilização (tanto civil quanto criminal) do Parlamentar na esfera judicial.” 5 página 1006. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira 006. 006. Determinado Tribunal Superior apresentou um projeto de lei sobre descriminalização do uso de drogas. Tal projeto foi sancionado. Na mesma semana, outro projeto de lei é sancionado passando a tratar o uso de drogas como crime. Indaga-se: a) A primeira lei é constitucional? b) Determinada Constituição Estadual tem um artigo que prevê: “a sanção expressa ou tácitasupre a iniciativa do Poder Executivo no processo legislativo”. Analise a constitucionalidade desse dispositivo constitucional. a) A primeira lei é formalmente inconstitucional por vício de iniciativa. Segundo o art. 61, caput da Constituição Federal os Tribunais Superiores têm iniciativa legislativa. Entretanto, essa iniciativa legislativa é reservada, ou seja, é aquela que se encontra listada no art. 93 e art. 96, II, ambos da Carta Maior. Não há previsão nesses artigos para a competência para legislar sobre direito penal. Dessa forma, a lei é formalmente inconstitucional, em virtude do vício de iniciativa. A sanção não convalida o vício de iniciativa. Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. b) O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que esse dispositivo é inconstitucional. Para o STF sanção executiva não tem força normativa para sanar vício de inconstitucionalidade formal, mesmo que se trate de vício de usurpação de iniciativa de prerrogativa institucional do Chefe do Poder Executivo. JURISPRUDÊNCIA EMENTA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL. PROCESSO LEGISLATIVO NO ÂMBITO ESTADUAL. ART. 70, § 2º, CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. VÍCIO DE INICIATIVA DE PROJETO DE LEI. SANÇÃO DO PODER EXECUTIVO. AUSÊNCIA DE CONVALIDAÇÃO PROCESSUAL DO VÍCIO DE INICIATIVA. PRECEDENTES. PROCEDÊNCIA. INCIDÊNCIA DA REGRA DO ART. 27 DA LEI 9.868/99. MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. SITUAÇÃO DE TUTELA DA SEGURANÇA JURÍDICA E EXCEPCIONAL INTERESSE SOCIAL. 1. Sanção executiva não tem força normativa para sanar vício de inconstitucionalidade formal, mesmo que se trate de vício de usurpação de iniciativa de prerrogativa institucional do Chefe do Poder Executivo. O processo legislativo encerra a conjugação de atos complexos derivados da vontade coletiva de ambas as Casas do Congresso Nacional acrescida do Poder Executivo. Precedentes. 2. Os limites da auto- organização política não podem violar a arquitetura constitucional estruturante. O processo legislativo encerra complexo normativo de edificação de espécies O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira normativas de reprodução obrigatória. Nesse sentido, a interpretação jurídica adscrita ao art. 25 da Constituição Federal (ADI 4.298, ADI 1.521, ADI 1.594. ADI 291). 3. Norma originária de conformação do processo legislativo estadual com vigência há mais de três décadas. A modulação dos efeitos da decisão, no caso, apresenta-se como necessária para a tutela adequada da confiança legítima que resultou na prática de atos com respaldo em autoridade aparente das leis publicadas e observa a boa-fé objetiva enquanto princípio geral de direito norteador das decisões judiciais. 4. Ação direta de inconstitucionalidade procedente, com atribuição de modulação dos efeitos da decisão. (ADI 6337, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 24-08-2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-255 DIVULG 21-10-2020 PUBLIC 22-10-2020) 007. 007. Sanção e veto são atos do Chefe do Poder Executivo no processo legislativo. A sanção ocorre quando há a concordância em relação ao teor do projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo. O veto, por sua vez, ocorre quando há discordância. Determinado projeto de lei tinha um dispositivo legal que o Presidente da República entendeu como inconveniente e inoportuno. Diante do exposto, o Presidente da República tem a intenção de vetar esse dispositivo. Indaga-se: a) Pode o Presidente vetar esse dispositivo? Como é o procedimento do veto? b) Admite-se que o Presidente após vetar um dispositivo de um projeto de lei se arrependa e vete outros dispositivos da mesma lei? Aplica-se o princípio da parcelaridade ao veto? a) O veto pode ser jurídico ou político (art. 66, § 1º, da Constituição Federal). O veto jurídico é aquele que está relacionado a inconstitucionalidade. O veto político, por sua vez, é aquele que está relacionado ao interesse público. O enunciado menciona que o Presidente considera que o dispositivo é inconveniente e inoportuno. Considerando-se que é contrário ao interesse público, admite-se o veto desse dispositivo. O veto deve ser expresso no prazo de quinze dias úteis, contados da data do seu recebimento, na forma do art. 66, § 1º, da Carta Maior. Além disso, o veto parcial deve ser integral, na forma do art. 66, § 2º, da Constituição Federal. Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará. § 1º Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. § 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jerciara Teixeira Lopes - 09263155607, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 46gran.com.br Direito ConstituCional Questões Comentadas (Bônus) Aline Oliveira § 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 76, de 2013) § 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República. § 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 32, de 2001) § 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República, nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo. b) O Supremo Tribunal Federal já decidiu a respeito, no sentido de que não pode o Presidente da República “vetar” dispositivos de lei. Não pode o Presidente da República alegar arrependimento, erro ou mera incorreção para renovar a etapa de sanção ou veto do projeto de lei. O princípio da parcelaridade é aplicado ao controle concentrado e não ao veto. O art. 66, § 2º, da Constituição Federal dispõe que o veto parcial deve corresponder ao texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea. Não possuem etapa de sanção e veto: • Emenda à Constituição; • Leis delegadas; • Decretos legislativos; • Resoluções; • Conversão de medida provisória SEM alteração de conteúdo. Submetem-se a etapa de sanção e veto: • Projeto de lei ordinária; • Projeto de lei complementar; • Projeto de conversão de medida provisória em lei COM alteração de conteúdo. 008. 008. A medida provisória deve ser submetida de imediato ao Congresso Nacional com força de lei. Trata-se de um instituto inspirado no Parlamentarismo e que é aplicado ao Presidencialismo. Imagine