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ERGONOMIA 
APLICADA
Dulce América 
de Souza
Relações entre as 
dimensões do homem, 
do mobiliário e dos 
equipamentos construídos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as relações do homem com o meio edificado e os seus 
componentes. 
  Dimensionar os espaços de acordo com as suas funções e 
normatizações. 
  Projetar situações de ergonomia de mobiliários e equipamentos. 
Introdução
O homem estabelece relações de ordem prática e subjetiva com os 
espaços habitados. Há uma dimensão sensorial da arquitetura que é de-
terminada pela qualidade dos ambientes. Do ponto de vista dimensional, 
as diversas escalas do ambiente físico determinam nossas apropriações 
e nosso comportamento em um determinado espaço ou edifício. Do 
microambiente ao ambiente global, as referências dimensionais são 
constantes na vida humana — elas nos situam no espaço e conferem 
qualidades ergonômicas aos diversos ambientes.
Neste capítulo, você vai estudar as percepções de escala que con-
firmam o pressuposto teórico do homem como padrão de referência 
dimensional. Você também vai ler a respeito da ABNT NBR 15575:2013, 
que padroniza o patamar mínimo de desempenho das edificações habi-
tacionais, incluindo um item exclusivo para os parâmetros dimensionais. 
A partir desses conhecimentos, você vai analisar aspectos ergonômicos, 
identificando as determinações da Norma e as prescrições técnicas refe-
renciadas pela teoria em situações de projeto arquitetônico.
Relações práticas e subjetivas entre o homem e 
o ambiente construído
No livro Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos, Pallasmaa (2011, p. 
16-17) descreve que “A arquitetura é nosso principal instrumento de relação 
com o espaço e o tempo, e para dar uma medida humana a essas dimensões, 
ela domestica o espaço ilimitado e o tempo infi nito, tornando-o tolerável, 
habitável e compreensível para a humanidade”. Nossas percepções espaciais 
são determinadas pelos elementos da paisagem, seja ela edifi cada ou não. No 
ambiente construído, a primeira sensação desencadeada é a relação de escala. 
Existem, no entanto, outros níveis de impressão causados nas pessoas pelos 
espaços construídos: eles se referem à dimensão afetiva da arquitetura. 
Neufert (2013, p. 18) admite o domínio sensorial da arquitetura quando 
afirma que “O homem não é apenas um corpo vivo que ocupa e utiliza um 
espaço; a parte afetiva não tem menos importância. Seja qual for o critério ao 
dimensionar, pintar, iluminar ou mobiliar um local, é fundamental considerar 
a ‘emoção’ que ele cria em quem o ocupa”. Para tanto, segundo o autor, a única 
escala referencial deve ser o corpo humano. Os arquitetos devem conhecer 
as dimensões tanto dos objetos e equipamentos quanto dos espaços mínimos 
que o homem utiliza diariamente, para conferir comodidade, conveniência e 
experiências sensoriais agradáveis aos usuários dos seus projetos. 
A partir das decisões de projeto, o arquiteto cria as condições para que 
o usuário experimente o ambiente. A experiência, na arquitetura, dá-se em 
relação ao espaço, que, segundo Ching (2014, p. 80), “[...] é o vazio existente 
entre as formas”. O projeto arquitetônico configura criteriosamente o espaço 
para acomodar diversas funções; o espaço, então, confere propósito a uma 
edificação. O programa de necessidades de um projeto arquitetônico é uma 
importante etapa do estudo preliminar; nele, o arquiteto elenca os ambientes 
e os pré-dimensiona para atender a todas as funções da edificação (ou do 
projeto urbano).
A funcionalidade de um determinado ambiente é determinada por algu-
mas variáveis, dentre elas o tamanho e a proporção do espaço a ele destinado, 
conforme leciona Ching (2014). Para a ergonomia interessam, sobretudo, 
as relações de escala física, embora elas não sejam as únicas responsáveis 
por conferir qualidades espaciais a um projeto. A apropriação do espaço 
físico define diferentes comportamentos humanos: nos sentimos e agimos 
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos2
de maneira diferente em um espaço pequeno ou restrito e em um espaço 
amplo ou livre. 
Moser (2018) relaciona as diferentes apropriações humanas com os limites 
físicos do espaço (menor, mais estreito ou mais baixo) e com as restrições 
comportamentais. Uma escola, uma igreja, um hospital, um shopping ou um 
parque são locais que definem padrões atitudinais distintos. No contexto do 
ambiente físico, as escalas podem ser definidas em quatro níveis, conforme 
mostra o Quadro 1.
Fonte: Adaptado de Moser (2016).
Nível 1: microambiente
Espaço privativo; casa; alojamento; espaço 
de trabalho. Nível individual e familiar.
Nível 2: mesoambiente
Espaços compartilhados semipúblicos; 
hábitat coletivo; condomínio; 
prédios corporativos; vizinhança; 
parques; espaços verdes.
Nível 3: macroambiente
Ambientes coletivos públicos; 
bairros; cidades; aldeias; campo.
Nível 4: ambiente global
Ambiente na sua totalidade 
(construído e natural).
Quadro 1. Ambiente físico
Em relação ao Quadro 1, os níveis que representam o espaço privativo — 
tanto residencial quanto laboral — e os espaços compartilhados semipúblicos 
são aqueles aos quais conseguimos estabelecer critérios dimensionais mais 
precisos, a partir do amparo normativo e das informações técnicas disponíveis. 
A Figura 1 exemplifica as percepções de escala relacionadas ao microam-
biente e ao mesoambiente. As escalas monumentais (Figura 1a) conferem 
proporções de amplitude (vertical e/ou horizontal) aos espaços edificados, as 
escalas intermediárias (Figura 1b) estabelecem condições de transição entre 
o meso e o microambiente, ao passo que a escala humana pode ser refletida 
nos interiores habitacionais (Figura 1c), onde o homem é a medida de referência 
para os equipamentos e o mobiliário, conforme leciona Hertzberger (1999).
3Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
Figura 1. Escalas de referência.
Fonte: (a) Galeria... ([2018], documento on-line); (b) e (c) Shutterstock, 2018.
Para que os ambientes sejam adequados ao uso, devem conter espaços 
com área, dimensões e equipamentos que permitam o desenvolvimento das 
funções previstas no programa, bem como o acesso conveniente aos espaços 
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos4
que os constituem. O dimensionamento dos espaços projetados é orientado 
por normatizações e orientações técnicas condizentes com suas funções.
Orientações para o dimensionamento de espaços: 
a habitabilidade na ABNT NBR 15575:2013
A defi nição de espaços adequados às funções e aos usuários em projetos arqui-
tetônicos prevê o conhecimento da antropometria, das dimensões do mobiliário 
e dos equipamentos como informações técnicas essenciais. O arcabouço teórico 
resultante dos estudos publicados apoia os arquitetos na busca pela funcionali-
dade e adequação ergonômica dos ambientes projetados. Além de se apoiar na 
bibliografi a referencial, todos os projetos devem atender à legislação municipal e 
estadual e às normas técnicas publicadas pela Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT), que estabelecem critérios para a defi nição da dimensão física 
dos equipamentos e do mobiliário para diversos usos.
Com a redução dos espaços destinados à habitação nas últimas décadas, 
estudos foram desenvolvidos para auxiliar os arquitetos quanto à adequação 
de leiautes e dimensionamento. Esse fenômeno é global e envolve as habita-
ções de interesse social (HIS) e demais sistemas habitacionais denominados 
compactos, conforme lecionam Pedro et al. (2011). No Brasil, o aumento 
significativo da produção de HIS recebeu a contribuição da ABNT NBR 
15575 (“Edificações habitacionais — Desempenho”), publicada em 2013. A 
Norma define níveis mínimos de desempenho para qualquer edificação de uso 
habitacional (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013).
Vejamos a nota nº. 1 da ABNT NBR 15575:2013(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2013, documento on-line):
NOTA 1: Esta Norma não estabelece dimensões mínimas de cômodos, 
deixando aos projetistas a competência de formatar os ambientes da 
habitação segundo o mobiliário previsto, evitando conflitos com legis-
lações estaduais ou municipais que versam sobre dimensões mínimas 
dos ambientes.
5Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
A ABNT NBR 15575:2013 é dividida em seis partes que tratam de requisitos 
gerais e específicos (sistemas estruturais, piso, vedações verticais internas e 
externas, cobertura e sistemas hidrossanitários). Na Parte 1, intitulada “Re-
quisitos gerais”, a Norma apresenta uma lista de requisitos do usuário, “[...] 
utilizada como referência para o estabelecimento dos requisitos e critérios” 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013, documento 
on-line). São eles: segurança, habitabilidade e sustentabilidade, compostos 
pelos requisitos expostos no Quadro 2.
Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013).
Segurança
  Segurança estrutural
  Segurança contra fogo
  Segurança no uso e na operação
Habitabilidade
  Estanqueidade
  Desempenho técnico
  Desempenho acústico
  Desempenho lumínico
  Saúde, higiene e qualidade do ar
  Funcionalidade e acessibilidade
  Conforto tátil e antropodinâmico
Sustentabilidade
  Durabilidade
  Manutenibilidade
  Impacto ambiental
Quadro 2. Requisitos do usuário
Os parâmetros dimensionais são definidos no requisito identificado como 
“funcionalidade e acessibilidade”, para o qual são apresentados outros quatro 
requisitos relativos aos componentes, apresentados no Quadro 3.
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos6
Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013).
Funcionalidade 
e acessibilidade
  Altura mínima de pé-direito
  Disponibilidade mínima de espaços para uso e 
operação da adaptação
  Adequação para pessoas com deficiências físicas ou 
mobilidade reduzida
  Possibilidade de ampliação da unidade habitacional
Quadro 3. Composição do requisito denominado funcionalidade e acessibilidade
Destacamos que o nível de atendimento aos critérios dimensionais es-
tabelecidos pela Norma apresenta um patamar mínimo de desempenho; os 
níveis intermediário e superior possuem caráter facultativo. Isso significa que 
o maior desafio para os arquitetos e projetistas é atender ergonomicamente à 
disponibilidade mínima de espaços para as atividades da habitação; os demais 
níveis podem ser alcançados com menor dificuldade.
O Requisito 16.2, intitulado “Disponibilidade mínima de espaços para uso e 
operação da habitação”, tem como objetivo “[...] apresentar espaços mínimos dos 
ambientes da habitação compatíveis com as necessidades humanas” (ASSOCIA-
ÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013, documento on-line). Para 
atender à proposição, o critério estabelecido é: “Para os projetos de arquitetura de 
unidades habitacionais, sugere-se prever, no mínimo, a disponibilidade de espaço 
nos cômodos da edificação habitacional para colocação e utilização dos móveis 
e equipamentos-padrão listados no anexo F” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA 
DE NORMAS TÉCNICAS, 2013, documento on-line). 
A Norma apresenta como condição mínima a necessidade de considerarmos 
a dimensão mobiliário/equipamento e, ainda, o seu espaço de uso, indicados 
no anexo mencionado. O Anexo G — “Dimensões mínimas e organização 
funcional dos espaços” — visa a “[...] apresentar como sugestão algumas das 
possíveis formas de organização dos cômodos e dimensões compatíveis com 
as necessidades humanas” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS 
TÉCNICAS, 2013, documento on-line). O Quadro 4 traz as informações 
contidas na Tabela 2 do Anexo F da Norma.
7Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
 Ambiente
Mobiliário
Circulação 
(m)
ObservaçõesMóvel ou 
equipamento
Dimensões 
(m)
L P
Sala de 
estar
Sofá de três luga-
res com braço
1,70 0,70 Prover 
espaço 
de 0,50 na 
frente do 
assento, 
para 
sentar, 
levantar e 
circular.
Largura mínima 
da sala de estar 
deve ser 2,40 m.
Número mínimo 
de assentos 
determinado 
pela quantidade 
de habitantes 
da unidade, 
considerando o 
número de leitos.
Sofá de dois 
lugares com 
braço
1,20 0,70
Poltrona com 
braço
0,80 0,70
Sofá de três luga-
res sem braço
1,50 0,70
Sofá de dois 
lugares sem 
braço
1,00 0,70
Poltrona sem 
braço
0,50 0,70
Estante/armário 
para TV
0,80 0,50 0,50 Espaço para o mó-
vel obrigatório.
Mesinha de cen-
tro ou cadeira
- - - Espaço para o 
móvel opcional.
Sala de 
estar/
jantar
sala de 
jantar/copa
copa/
cozinha
Mesa redonda 
para 4 lugares
D = 
0,95
- Circulação 
mínima 
de 0,75 a 
partir da 
borda da 
mesa (es-
paço para 
afastar a 
cadeira e 
levantar).
Largura mínima da 
sala de estar/jantar 
e da sala de jantar 
(isolada) deve ser 
de 2,40 m.
Mínimo: 1 mesa 
para 4 pessoas.
Admite-se leiaute 
menor da mesa 
encostada na 
parede, desde 
que haja espaço 
para seu afasta-
mento, quando da 
utilização.
Mesa redonda 
para 6 lugares
D = 
1,20
-
Mesa quadrada 
para 4 lugares
1,00 1,00
Mesa quadrada 
para 6 lugares
1,20 1,20
Mesa retangular 
para 4 lugares
1,20 0,80
Mesa retangular 
para 6 lugares
1,50 0,80
Quadro 4. Dimensões mínimas de mobiliário e circulação
(Continua)
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos8
 Ambiente
Mobiliário
Circulação 
(m)
ObservaçõesMóvel ou 
equipamento
Dimensões 
(m)
L P
Cozinha
Pia 1,20 0,50 Circulação 
mínima de 
0,85 fron-
tal à pia, 
fogão e 
geladeira.
Largura mínima da 
cozinha: 1,50 m.
Mínimo: pia, 
fogão, geladeira e 
armário.
Fogão 0,55 0,60
Geladeira 0,70 0,70
Armário sob pia 
e gabinete
- - - Espaço obrigatório 
para móvel.
Apoio para 
refeição (2 
pessoas)
- - - Espaço opcional 
para móvel.
Dormitório 
casal 
(principal)
Cama de casal 1,40 1,90 Circulação 
mínima 
entre o 
mobiliá-
rio e/ou 
paredes 
de 0,50.
Mínimo: 1 cama, 2 
criados-mudos e 
1 guarda-roupa.
Admite-se 
apenas 1 criado-
mudo, quando 
o 2º interferir 
na abertura 
de portas do 
guarda-roupa.
Criado-mudo 0,50 0,50
Guarda-roupa 1,60 0,50
Dormitório 
para 2 
pessoas (2º 
dormitório)
Camas de 
solteiro
0,80 0,90 Circulação 
mínima 
entre as 
camas de 
0,60.
Demais 
circu-
lações: 
mínimo 
de 0,50.
Mínimo: 2 camas, 
1 criado-mudo e 1 
guarda-roupa.
Criado-mudo 0,50 0,50
Guarda-roupa 1,50 0,50
Mesa de estudo 0,80 0,60
Quadro 4. Dimensões mínimas de mobiliário e circulação
(Continuação)
(Continua)
9Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
O rol programático de uma unidade básica de habitação apresentado no 
Quadro 4 apresenta algumas incongruências, segundo Pereira (2013). Uma 
delas diz respeito ao número de usuários da unidade: é apontado apenas um 
morador no 3º dormitório, apesar de ser prática comum a adoção de dois 
moradores por dormitório. Também no espaço destinado à sala de jantar é 
 Ambiente
Mobiliário
Circulação 
(m)
ObservaçõesMóvel ou 
equipamento
Dimensões 
(m)
L P
Dormitório 
para 1 
pessoa (3º 
dormitório)
Cama de solteiro 0,80 1,90 Circulação 
mínima 
entre o 
mobiliá-
rio e/ou 
paredes 
de 0,50.
Mínimo: 1 cama, 1 
guarda-roupa e 1 
criado-mudo.Criado-mudo 0,50 0,50
Armário 1,20 0,50
Mesa de estudo 0,80 0,60
Banheiro
Lavatório 0,39 0,29 Circulação 
mínima 
de 0,40 
frontal ao 
lavatório, 
vaso e 
bidê.
Largura mínima do 
banheiro: 1,10 m, 
exceto no box.
Mínimo: 1 lavatório, 
1 vaso e 1 box.
Lavatório com 
bancada
0,80 0,55
Vaso sanitário 
(caixa acoplada)
0,60 0,70
Vaso sanitário 0,60 0,60
Box quadrado 0,80 0,80
Box retangular 0,70 0,90
Bidê 0,60 0,60
Área de 
serviço
Tanque 0,52 0,53 Circulação 
mínima 
de 0,50 
frontal ao 
tanque e 
máquina 
de lavar.
Mínimo: 1 tanque e 
1 máquina (tanque 
de no mínimo 20 
litros)
Máquina de 
lavar roupa
0,60 0,65
Fonte: Adaptado de AssociaçãoBrasileira de Normas Técnicas (2013).
Quadro 4. Dimensões mínimas de mobiliário e circulação
(Continuação)
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos10
requerido um assento por número de leitos. Mesmo considerando apenas um 
único morador no 3º dormitório, a Norma permite uma mesa de refeições com, 
no mínimo, quatro assentos, o que não atenderia ao total de cinco moradores na 
unidade. Causa curiosidade a definição da mesa de estudos como equipamento 
opcional nos dormitórios, mesmo considerando habituais algumas atividades 
como estudar, ler, escrever, reparar e guardar objetos diversos.
Embora trate de dimensões mínimas voltadas à HIS, devemos considerar as 
prescrições da ABNT NBR 15575:2013 como um importante instrumento para 
dimensionar espaços reduzidos, como os apartamentos compactos largamente 
produzidos nas grandes cidades. Um exemplo que corrobora com a dimensão 
de circulação para cozinhas apresentada no Quadro 4 é mostrado na Figura 2.
Figura 2. Espaço para as atividades da cozinha (circulação): (a) geladeira, (b) armário de 
cozinha e (c) prateleira baixa de cozinha.
Fonte: Adaptada de Boueri Filho (2008).
O Quadro 4 determina que a dimensão livre mínima à frente dos equi-
pamentos (pia, fogão e geladeira) seja de, no mínimo, 0,85 m. A Figura 2 
apresenta, para cada situação, os níveis mínimo, recomendado e ótimo. À 
frente da geladeira, uma dimensão de 0,70 m atende basicamente ao manejo 
de abrir a porta; a adoção da distância estabelecida na Norma garantiria mais 
11Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
conforto ao usuário. Para acessar armários e prateleiras inferiores da cozinha, 
a dimensão de 0,80 m é ainda limitada à totalidade dos movimentos humanos; 
a dimensão de 0,85 m (prevista na NBR) é aparentemente ainda restritiva, 
sendo recomendado um espaço livre de 0,90 m.
Para dimensionar os espaços de acordo com suas funções, devemos conhecer 
as dimensões dos equipamentos e/ou do mobiliário, bem como o espaço necessá-
rio para desenvolver as diversas atividades envolvidas. Acomodar os itens em um 
leiaute funcional — que respeite as áreas mínimas exigidas — é uma atribuição 
desafiadora para o arquiteto; no entanto, devemos sempre considerar o mínimo 
exigido como uma “meta”, não como um “parâmetro” limite. As restrições 
espaciais normalmente ocorrem pelo orçamento disponível determinado pelo 
cliente; nossa responsabilidade é atender a seus anseios com base na legislação 
pertinente, visando obter a melhor ergonomia do ambiente construído.
Espaços de atividades que contribuem 
para situações ergonômicas dos projetos 
arquitetônicos
Os ambientes internos são projetados como locais de movimento, atividade 
e repouso humano. “Deve haver, portanto, um ajuste entre a forma e as di-
mensões do espaço interior e nossas próprias dimensões corporais”, conforme 
leciona Ching (2013, p. 54). A forma e o dimensionamento das habitações 
normalmente são confi gurados em relação às especifi cidades funcionais e 
aos padrões de equipamentos e mobiliário; cabe ao arquiteto organizar es-
pacialmente as funções, de forma a garantir o perfeito funcionamento dos 
espaços habitados. Para efeito de exemplifi cação da aplicação das normas e 
dos padrões dimensionais referenciais, analisaremos a seguir duas situações 
residenciais com usos distintos: a área de trabalho das cozinhas e o espaço 
para repouso dos dormitórios.
Ergonomia nas cozinhas
Uma das áreas que deve ser cuidadosamente planejada é a cozinha, onde o 
dimensionamento é um fator importantíssimo, pois os equipamentos não são 
ajustáveis. Um projeto arquitetônico deve facilitar ao máximo o bom funcio-
namento da cozinha, não somente com a aplicação das medidas recomendadas 
pelas normas e prescrições técnicas, mas também por meio de uma adequada 
setorização dos equipamentos. O conhecido triângulo de trabalho (ou trian-
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos12
gulação) é um percurso ininterrupto resultante da movimentação entre as três 
zonas de trabalho — geladeira, pia e fogão —, conforme leciona Mancuso (2004). 
O projeto deve otimizar a triangulação, reduzindo ou otimizando as distâncias 
e liberando esse espaço de qualquer obstrução, como exemplifi ca a Figura 3.
Figura 3. Triângulo de trabalho.
Fonte: Adaptada de Cozinha... (2016).
A ergonomia em uma cozinha pode ser alcançada a partir de algumas 
orientações, conforme sugere Mancuso (2004) quando define os centros de 
trabalho. Estes são resultantes das tarefas desenvolvidas nas cozinhas, cuja 
correta coordenação depende da eficiência do projeto; são elas:
a) Recepção e armazenagem de alimentos: deve estar situada perto da entrada 
de serviço e ter uma mesa ou bancada para depositar as compras, antes de 
separá-las, limpá-las e guarda-las;
b) Cocção: fogão e forno de micro-ondas. por especificação dos fabricantes, 
fogão e geladeira não devem estar encostados. As bocas do fogão devem estar 
junto à mesa de trabalho e no mesmo nível, para que se possa manipular com 
facilidade as panelas quentes;
c) Servir: nas cozinhas compactas e conjugadas pode ser o passa-pratos;
d) Armazenagem: os armários altos não deverão ter mais de 30 cm de profundi-
dade e o espaço entre a bancada de trabalho e os armários altos deve ser de 60 
13Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
cm. Quando se tem armários altos “L”, formando cantos, é conveniente se adotar 
prateleiras giratórias. É conveniente que os armários fiquem deslocados do piso 
aproximadamente 10 cm; facilita a limpeza e não permite a entrada de água.
e) Preparação de comidas e limpeza: são dois centros relacionados entre si que 
consistem na mesa de trabalho ou bancada. A profundidade ideal da bancada 
é de 60 cm, a altura é 90 cm. Em geral, se dimensionam os balcões de acordo 
com as medidas dos aparelhos para neles se encaixarem: fogão, lava-louças 
(MANCUSO, 2004, p. 51-54).
As cozinhas tipo linear (Figura 4) são muito comuns em apartamentos 
compactos. É possível projetar uma cozinha funcional nesse formato; no entanto, 
é necessário um espaço mínimo de 80 a 90 cm entre a bancada de trabalho e 
a parede oposta, mais precisamente de 0,85 cm; é o que prevê a ABNT NBR 
15575:2013 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013). 
Figura 4. Cozinha linear.
Fonte: Adaptada de Cozinha... (2016).
Em espaços menos compactos, o leiaute com bancadas paralelas nas duas 
paredes opostas funciona muito bem. Entre as bancadas, a circulação deve 
atender à distância mínima de 1,10 m, conforme leciona Mancuso (2004). Essa 
configuração prevê que centros de trabalho possam ser locados nas duas bancadas 
paralelas, e, portanto, as dimensões e o posicionamento dos equipamentos e do 
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos14
mobiliário devem ser criteriosamente estudados. Supondo que em bancadas 
opostas sejam locados forno elétrico e fogão, ou fogão e geladeira, os espaços 
mínimos destinados à circulação central devem ser reconsiderados. Isso porque 
a circulação incorpora as atividades de manejo dos equipamentos, que devem 
ser executadas com máxima segurança, conforme mostra a Figura 5.
Figura 5. Bancadas paralelas.
Fonte: Adaptada de Panero e Zelnik (2008).
A Figura 5 apresenta uma situação com dimensões recomendadas, com base 
na análise de Panero e Zelnik (2008, p. 162). Nela, a distância mínima entre 
as bancadas de trabalho opostas é de 121,9 cm; a zona de trabalho do forno 
embutido requer um espaço livre de 101,6 cm, adequado para acomodar o forno 
aberto e a máxima profundidade corporal do usuário. A figura tracejada indica 
que a medida livre de 101,6 cm não permitirá espaço para circulação caso os 
equipamentos dos dois lados da bancada estejam sendo usados ao mesmo tempo. 
Outro dado dimensional relativo à segurança na execução da tarefa de 
cocção é muito importante: a altura dosolhos. “Quanto a isso, a distância 
entre a parte superior do fogão até a parte inferior da coifa de exaustão deve 
permitir que as bocas posteriores do fogão sejam totalmente visíveis pelo 
usuário”, conforme lecionam Panero e Zelnik (2008, p. 162).
Ergonomia nos dormitórios
A função dos dormitórios abrange, essencialmente, as atividades de dormir 
e descansar; a elas estão associadas outras atividades complementares, como 
15Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
ler, conversar em privado, assistir TV, estudar, arrumar e escolher roupas, 
vestir e despir roupas, entre outras. São as áreas mais privativas da habitação 
e possuem características dimensionais e confi gurações espaciais distintas em 
relação às particularidades dos usuários, conforme lecionam Pedro et al. (2011).
Pedro et al. (2011, p. 15) classificam três sistemas de atividades que cons-
tituem a função dormir/descanso: “Dormir/descanso de casal, dormir/des-
canso duplo e dormir/descanso individual”. Comuns a todos os sistemas, há 
a variedade de funções exercidas nesse espaço íntimo e a limitação de espaço 
detectada na maioria das habitações atuais (normalmente, apartamentos). 
Muitas são as relações básicas de antropometria desconsideradas nos 
espaços de dormir que adotam as dimensões mínimas estabelecidas nos pro-
gramas de HIS. Mancuso (2004, p. 36) observa: “Em geral demasiadamente 
pequenos, os dormitórios causam transtornos nos projetistas na medida em 
que estes não conseguem, muitas vezes, acomodar no local nem o estritamente 
necessário, quanto mais, sugerir novas propostas de uso”. Em apartamentos, 
as áreas de dormir giram em torno de 10 m² para solteiros e de 12 a 14 m² para 
casal; todos precisam de inúmeros equipamentos para atender com qualidade 
à diversidade de funções.
Os espaços mínimos definidos pelas legislações municipais (Código de 
Obras e Edificações — COE), aliados às dimensões mínimas de mobiliário 
e circulação estabelecidas na NBR 15575, comprometem a usabilidade dos 
dormitórios. Exemplificando: o COE do Município de São Paulo determina 
que quartos de solteiro possuam área mínima de 5 m² e que seja possível a 
inscrição de um círculo com diâmetro de 2,00 m no piso (PREFEITURA DE 
SÃO PAULO, 2017). Uma simulação em planta é apresentada na Figura 6.
Figura 6. Dimensões mínimas para dormitórios (COE-SP).
Fonte: Quartos.jpg ([2016], document on-line).
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos16
Retomando o instituído no Quadro 4 (Dimensões mínimas de mobiliário 
e circulação), a ABNT NBR 15575:2013 estabelece que no quarto de solteiro 
seja possível a colocação de, no mínimo, duas camas (0,80 × 1,90 m cada), com 
um criado mudo (0,50 × 0,50 m) entre elas, além de um guarda-roupa (1,50 
× 0,50 m). O espaço entre as camas deve ter, no mínimo, 0,60 m, e as demais 
circulações, 0,50 m. Analisando a Figura 6, constatamos que as dimensões 
determinadas pelo COE-SP não atendem à exigência da ABNT NBR 15575:2013 
quanto ao mobiliário mínimo exigido para quartos de solteiro (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013).
No entanto, um quarto de solteiro com 8 m² pode atender tanto ao quesito 
dimensões mínimas exigidas pelo COE do Município de São Paulo quanto 
ao disposto na ABNT NBR 15575:2013 em relação ao mobiliário mínimo. 
Vale ressaltar a importância de um leiaute com a melhor disposição dos 
móveis e equipamentos, para que, de fato, o quarto atenda à usabilidade 
necessária (Figura 7).
Figura 7. Leiaute adequado para dimensões mínimas.
Fonte: Quartos.jpg ([2016], document on-line).
A Figura 7 apresenta o leiaute de um dormitório de solteiro com área 
aproximada de 8 m², acatando todas as prescrições da Norma quanto ao 
mobiliário e à dimensão das circulações. Embora resultando em um espaço 
restrito — inviabilizando as atividades de estudos, por exemplo —, o leiaute 
alcança o mínimo de ergonomia e usabilidade.
17Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
O equipamento básico dos dormitórios é a cama, que varia de dimen-
são quanto ao modelo individual (solteiro) ou casal. Em relação às camas, 
destaca-se a necessidade de acesso a todo o perímetro do móvel para rea-
lizar as tarefas de limpeza e arrumação. A Figura 8 ilustra as dimensões 
mínimas, recomendadas e ótimas para o espaço de atividades relacionado 
ao equipamento, tendo como referência as recomendações da literatura de 
ergonomia voltada à arquitetura.
Figura 8. Dimensões de camas.
Fonte: Pedro et al. (2011, p. 17).
As dimensões expressas na Figura 8 podem ser confrontadas com as di-
mensões adotadas nos projetos de HIS, cuja área mínima do dormitório é de 
8 m², enquanto a dimensão mínima é de 2,50 m. Para um dormitório de casal, 
o mobiliário mínimo determinado na ABNT NBR 15575:2013 é constituído 
de uma cama, dois criados-mudos e um guarda-roupa. No Brasil, o modelo 
de casal de dimensão mínima possui 1,38 m de largura e é o mais utilizado 
nas HIS. Verificamos que, em relação à produção teórica referencial, há dis-
paridade dimensional especialmente nos espaços destinados às atividades 
em torno do móvel. 
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos18
Várias avaliações de qualidade no dimensionamento dos espaços da habita-
ção são realizadas pelos institutos certificados e pelas universidades, havendo 
unanimidade em relação à pontuação reduzida nos dormitórios, conforme 
afirma Lapetina (2007, p. 53):
Nos dormitórios a grande maioria teve a pontuação diminuída pois não há 
espaço para a arrumação das camas, ou seja, o ambiente não comporta o 
movimento da pessoa curvada para exercer esta atividade, ficando ainda mais 
agravada a capacidade de comportar o mobiliário e os equipamentos; neste 
caso, ressaltamos a cadeira /poltrona e a televisão, que são itens constantes 
na listagem, como almejado dentro dos dormitórios.
As Figuras 9 e 10 apresentam as dimensões mínimas, recomendadas e 
ótimas para se realizar algumas das tarefas comuns nos espaços de dormir/
descanso, segundo as referências técnicas de arquitetura.
Figura 9. Circular, arrumar e acessar o criado-mudo.
Fonte: Pedro et al. (2011, p. 21).
19Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos
Figura 10. Utilização do roupeiro e da cômoda.
Fonte: Pedro et al. (2011, p. 22).
A circulação mínima exigida pela ABNT NBR 15575:2013 entre o mobili-
ário (cama de casal) e as paredes é de 50 cm, e entre duas camas é de 60 cm. 
Verificamos nas Figuras 9 e 10 que a funcionalidade dos dormitórios demanda 
espaços mais amplos. Na maioria dos casos, a execução das tarefas diárias de 
limpeza e arrumação invadem os espaços de uso dos guarda-roupas e demais 
mobiliários ou equipamentos, como as portas de acesso aos compartimentos.
Uma importante constatação é a identificação da falta de espaço para as 
atividades acopladas aos dormitórios, especialmente quando se trata de quartos 
para duas pessoas. Em geral jovens, esses usuários utilizam o dormitório 
para realizar suas tarefas de escola, receber amigos, assistir TV e acessar 
computadores, dentre outras, conforme explica Lapetina (2007).
Desenvolver projetos que atendam às necessidades dos usuários nas áreas 
privativas é um estimulante exercício para os arquitetos e designers. Com 
o domínio dos conhecimentos da ergonomia, podemos propor alternativas 
de mobiliários multifuncionais, flexíveis e adaptados dimensionalmente às 
múltiplas tarefas desenvolvidas nos espaços de dormir/repousar.
As relações espaciais estabelecidas entre o homem e o meio suscitam uma 
revisão de alguns aspectos, em especial no que tange às dimensões restritas 
Relações entre as dimensões do homem, do mobiliário e dos equipamentos construídos20
das habitações. Por meio da aplicação da antropometria, constatamos que 
os dimensionamentos que respeitam o corpo e o comportamento humanos 
podem contribuir consideravelmente paraa melhoria da qualidade de vida 
nos espaços habitados.
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Leituras recomendadas
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