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VENTILAÇÃO E 
CONDICIONAMENTO 
DE MINAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Reconhecer a importância da higiene durante a rotina de trabalho.
 > Explicar os riscos inerentes à atividade mineira.
 > Definir um ambiente salutar de trabalho.
Introdução
A segurança e a higiene no ambiente de trabalho são essenciais para garantir 
a segurança e o desempenho satisfatório das atividades laborais pelos cola-
boradores. Todas as atividades, de forma geral, apresentam algum ou vários 
fatores de risco que podem comprometer a segurança das operações.
A mineração, além de apresentar os fatores de risco gerais, também conta 
com elementos específicos inerentes à natureza das atividades envolvidas. 
Nesse sentido, é fundamental que as normas de segurança sejam implementa-
das e respeitadas, a partir do conhecimento dos agentes de riscos e de formas 
de eliminá-los ou minimizá-los.
Neste capítulo, você vai identificar a importância da higiene durante a rotina 
de trabalho, de modo a minimizar os riscos e evitar acidentes. Além disso, você 
vai analisar os riscos das atividades minerárias, de acordo com os agentes de 
risco sugeridos pelas normas regulamentadoras. E, por fim, você vai examinar 
os elementos essenciais para que um ambiente de trabalho seja adequado e 
proporcione bem-estar para os trabalhadores. 
Higiene e saúde 
ocupacional
Aline Carneiro Silverol
A importância da higiene durante a rotina 
de trabalho
A mineração é uma atividade que apresenta diferentes riscos aos traba-
lhadores. Para minimizá-los, evitar os acidentes e melhorar o ambiente de 
trabalho, é importante identificar e implementar as condições adequadas, de 
forma a desenvolver integralmente os indivíduos por meio do seu trabalho. 
Nesse sentido, para garantir esse desenvolvimento, é essencial estabelecer 
as condições adequadas de um ambiente seguro de trabalho para que não 
haja prejuízos físicos, mentais e sociais aos trabalhadores.
Os primeiros estudos sobre a saúde dos trabalhadores, especialmente 
da mineração, são datados do século XVI. Naquela época, foi relatado que, 
na extração de minerais, prata e ouro, havia, além dos acidentes de trabalho, 
alguns problemas de saúde, como a “asma dos mineiros” (BRISTOT, 2019).
Entre 1760 e 1830, época da Primeira Revolução Industrial, surgiram alguns 
estudos sobre a segurança do trabalhador, que foram responsáveis pela 
criação das primeiras leis trabalhistas (BRISTOT, 2019). Essas leis visavam a 
proteger os trabalhadores dos riscos de acidentes e das possíveis doenças 
relacionadas ao trabalho (Figura 1).
Figura 1. A precariedade das condições de trabalho e, especialmente, de segurança, em 1914.
Fonte: Museums Victoria/Unsplash.com.
Higiene e saúde ocupacional2
Com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, 
houve uma grande evolução das legislações trabalhistas, o que permitiu o 
desenvolvimento da medicina do trabalho, a partir dos aspectos técnicos da 
higiene industrial (BRISTOT, 2019).
No Brasil, as primeiras leis de proteção ao trabalhador surgiram entre 1919 
e 1930. No entanto, somente em 1943, por meio da promulgação do Decreto-lei 
nº. 5.452, de 1° de maio de 1943, foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT). Dentre os direitos dos trabalhadores, destacam-se, no Capítulo V do 
Título II, artigos 154 a 201, a segurança e a medicina do trabalho (BRASIL, 1943). 
A Lei nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, alterou o capítulo da CLT re-
ferente à segurança e medicina do trabalho, transformando-o em normas 
regulamentadoras, por meio da Portaria nº. 3.214, de 08 de junho de 1978, que 
estão em vigor até os dias atuais, com diversas atualizações.
A higiene do trabalho tem por objetivos prevenir os danos à saúde do 
trabalhador decorrentes das condições do trabalho, a partir da identificação 
e da avaliação do ambiente laboral, e, assim, determinar melhorias e altera-
ções (BRISTOT, 2019). Além disso, é uma área que inter-relaciona a medicina, 
a segurança do trabalho e a ergonomia, ou seja, utiliza elementos dessas 
áreas para identificar e avaliar os riscos. 
A medicina permite uma avaliação das características fisiológicas, físicas, 
sociais e emocionais do trabalhador e de como estas podem interferir na 
qualidade do seu trabalho. 
Outra área que trabalha em conjunto com a medicina do trabalho 
é a de saúde ocupacional, cujos objetivos são promover e manter o 
mais alto grau do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores. Neste 
sentido, a partir de ações como a proteção aos danos causados pelas condições 
de trabalho; a minimização e/ou a eliminação dos riscos resultantes dos diferen-
tes agentes que podem interferir na saúde e na segurança do trabalhador; e a 
alocação dos trabalhadores em funções adequadas às suas aptidões fisiológicas 
e psicológicas, busca-se assegurar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
Por sua vez, a segurança do trabalho tem parâmetros que possibilitam a 
inspeção, a avaliação e o controle dos riscos no ambiente laboral, ou seja, 
visa à prevenção dos acidentes de trabalho. Já a ergonomia tem como funções 
analisar e intervir no ambiente de trabalho em busca de melhorias e qualidade 
de vida aos trabalhadores (BRISTOT, 2019). 
Higiene e saúde ocupacional 3
Ações para a higiene do trabalho no ambiente 
laboral
Para que a higiene do trabalho seja implementada, garantindo, assim, 
a segurança e o bem-estar dos trabalhadores durante o desempenho de 
suas atividades, é importante que alguns parâmetros sejam observados. 
Na mineração também não é diferente, e a partir das recomendações da 
Organização Mundial de Saúde (OMS), podemos listar as principais ações 
relativas à higiene do trabalho, que são (BRISTOT, 2019):
 � a determinação e o combate de fatores físicos, químicos, mecânicos, 
biológicos e psicossociais que possam representar um risco;
 � a adaptação da função laboral e das exigências de esforço físico e men-
tal pertinentes à função de acordo com as habilidades, necessidades e 
limitações anatômicas, fisiológicas e psicológicas de cada trabalhador;
 � a adoção de medidas eficazes, de forma a proteger os trabalhadores que 
sejam vulneráveis às condições prejudiciais no ambiente de trabalho, 
além do reforço da sua capacidade de resistência;
 � o monitoramento e a correção de condições de trabalho que possam 
deteriorar a saúde dos trabalhadores, para que as taxas de morbidez 
geral dos diferentes grupos profissionais não sejam superiores à do 
conjunto da população;
 � o treinamento e a orientação junto aos trabalhadores sobre a impor-
tância dos regulamentos relativos à segurança e à saúde no ambiente 
de trabalho;
 � a aplicação de programas periódicos de ação sanitária para a conso-
lidação de normas e cuidados relativos à saúde, de modo a contribuir 
na elevação do nível sanitário da coletividade.
A partir dessas orientações gerais, é possível minimizar os riscos de 
qualquer atividade, inclusive na mineração. No entanto, existem algumas 
especificidades nas explorações de bens minerais, especialmente quando 
envolvem operações no subsolo que devem ser consideradas para prevenção 
e minimização de riscos e acidentes.
Higiene e saúde ocupacional4
Riscos da atividade mineira
A atividade mineira, como qualquer atividade, está submetida às normas 
regulamentadoras (NR) de segurança e medicina do trabalho, estabelecidas 
pela Portaria nº 3.214/1978 e suas alterações, que devem ser observadas por 
empregadores e empregados regidos pela CLT (PEIXOTO, 2010).
Para saber mais sobre as normas regulamentadoras e conhecer 
quais NRs se aplicam na mineração, faça uma busca na internet para 
acessá-las na íntegra.
As normas regulamentadoras, de modo geral, categorizam os riscos no 
ambiente do trabalho, que podem ser definidos como os decorrentes das 
atividades laborais que podem gerar algum dano e provocar acidentes ou 
agravo à saúde do trabalhador quando ele é exposto a esses riscos (BRISTOT, 
2019). Os riscos ambientais são classificados em cinco grupos: riscos físicos,químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos. 
Riscos físicos
Os riscos ou os agentes físicos consistem nas diversas formas de energia a que 
os trabalhadores podem estar expostos em seu ambiente de trabalho, como 
os ruídos, a vibração, as temperaturas extremas, as radiações ionizantes e não 
ionizantes, e trabalhos sob condições hiperbáricas e umidade (BRISTOT, 2019).
Na mineração, os agentes físicos podem ser encontrados em todos os 
locais de trabalho, desde a exploração em subsolo até a condução do bem 
mineral à superfície, como em maquinário desprotegido e com manutenção 
insuficiente ou inadequada; ferramentas sem manutenção; explosões sem 
proteção; sistema de ventilação inadequado, entre outros.
Riscos químicos
Os riscos ou agentes químicos consistem em substâncias, compostos ou pro-
dutos que podem ser absorvidos pelo organismo e ocasionar danos, agravo, 
sequelas e até mesmo a morte do trabalhador (Figura 2). 
Higiene e saúde ocupacional 5
Figura 2. A atividade mineira possui muitos agentes químicos, como a poeira.
Fonte: Bruna Fiscuk/Unsplash.com.
De modo geral, os agentes químicos podem ser absorvidos pelo organismo 
de quatro maneiras (BRISTOT, 2019): 
 � pelo contato com a pele ou via cutânea;
 � por inalação por via respiratória;
 � pela boca ou via digestiva;
 � pela via parenteral. 
Na mineração, os riscos químicos estão associados às poeiras, que po-
dem causar doenças respiratórias, e à silicose. Ainda, há também os gases 
tóxicos emitidos por maquinários e produtos químicos, que também podem 
ser inalados, causado problemas de saúde. Os produtos químicos também 
podem ser absorvidos pela pele ou ingeridos acidentalmente. 
Higiene e saúde ocupacional6
O termo silicose foi utilizado pela primeira vez em 1870 e trata-se de 
um tipo de fibrose pulmonar causada pela inalação de poeira contendo 
sílica cristalina. O risco de desenvolvimento de silicose depende da concentração, 
da superfície, do tamanho da partícula, do tempo de exposição e de latência, 
da forma de sílica cristalina, dentre outros fatores (TERRA FILHO; SANTOS, 2006). 
A presença dos agentes químicos é um fator de risco à saúde dos traba-
lhadores. No entanto, nem toda exposição acarreta uma doença ocupacional. 
Para que isso aconteça, é necessário que o trabalhador fique exposto a uma 
determinada concentração durante um tempo específico. Cada agente químico 
apresenta um limite de tolerância, que informa quanto tempo o trabalhador 
pode ficar exposto repetida e diariamente sem comprometer a sua saúde.
A Norma Regulamentadora NR-15, que trata das atividades e operações 
insalubres, aborda, em seu anexo número 11, os agentes químicos 
cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de 
trabalho. A insalubridade só é caracterizada/confirmada se os limites de tolerância 
presentes nesse anexo forem ultrapassados. No anexo número 12, é definido 
o limite de tolerância para poeiras minerais, especificamente para o asbesto, 
o manganês e seus compostos, bem como para a sílica cristalizada (BRISTOT, 2019). 
Riscos biológicos
Os riscos ou agentes biológicos referem-se à probabilidade de exposição 
ocupacional aos microrganismos, geneticamente modificados ou não, às 
culturas de células, aos parasitas, às toxinas e aos príons (BRISTOT, 2019).
Na mineração, especialmente em atividades em subsolo, o risco biológico 
pode ser previsto no decorrer da escavação, caso ela seja realizada em áreas 
com aterros sanitários, cemitérios ou qualquer outro material que seja fonte 
de agentes biológicos.
Riscos ergonômicos
Os riscos ergonômicos são os agentes relacionados a fatores físicos, fisiológicos 
e psicológicos inerentes à execução das atividades profissionais (PEIXOTO, 2010). 
Higiene e saúde ocupacional 7
Esses agentes podem produzir alterações no organismo e no estado emocional 
dos trabalhadores, comprometendo sua saúde, segurança e produtividade.
Os principais fatores ergonômicos que podem ocasionar problemas aos 
trabalhadores, de forma geral, são o esforço físico intenso; levantamento 
e transporte manual de objetos com peso excessivo; exigência de postura 
inadequada para a realização da atividade laboral; controle rígido de produti-
vidade e ritmo de trabalho; jornadas prolongadas de trabalho; repetitividade; 
e outras situações que podem desencadear estresse físico e/ou psíquico, 
como iluminação inadequada, ruídos, etc.
A mineração é um ambiente de trabalho naturalmente desconfortável, 
devido à necessidade do uso de equipamentos de proteção em todas as 
etapas de trabalho, que podem causar desconforto físico. Ainda, muitas 
horas de trabalho em pé ou sentado em maquinários, operações repetitivas, 
ambientes com conforto térmico limitado, dentre outros, podem deteriorar a 
saúde dependendo do tempo e da periodicidade da exposição.
Riscos mecânicos
Os riscos mecânicos referem-se aos agentes que geram risco por meio do 
contato físico direto com o trabalhador. Esses agentes são responsáveis por 
uma série de lesões nos trabalhadores, como cortes, fraturas, escoriações, 
lesões, queimaduras, etc. (Figura 3). (PEIXOTO, 2010). 
Figura 3. A desorganização no ambiente de trabalho é um agente de risco.
Fonte: Kiefer Likens/Unsplash.com.
Higiene e saúde ocupacional8
Os principais fatores geradores de acidentes de trabalho e que também 
se aplicam à mineração são: o arranjo físico inadequado; ordem e limpeza 
precárias; máquinas e equipamentos sem proteção; ferramentas inadequadas 
ou defeituosas; eletricidade; risco de incêndio ou explosão; e armazenamento 
inadequado (PEIXOTO, 2010).
O arranjo físico inadequado consiste no mau aproveitamento do espaço 
do local de trabalho, como a alocação de máquinas, móveis e materiais em 
posições inadequadas ou maldispostos, constituindo-se risco de acidente.
A ordem e a limpeza precárias referem-se tanto à organização do espaço 
de trabalho, de forma a respeitar as áreas livres, facilitando a circulação e 
até mesmo uma rota de fuga, como à limpeza, que afeta a saúde física e até 
psíquica dos trabalhadores. Ambientes organizados e limpos exercem uma 
influência positiva no comportamento humano, o que contribui para um 
ambiente salutar de trabalho. 
Os riscos de máquinas e equipamentos sem proteção referem-se à ausência 
de mecanismos de proteção em correias, polias, correntes, eixos rotativos, 
etc. A falta de proteção pode criar pontos de agarramento, ou seja, locais 
nos equipamentos onde o trabalhador pode ficar preso pelas mãos, cabelos 
e roupas, puxando-os contra o mecanismo, causando ferimentos diversos.
As ferramentas inadequadas ou defeituosas consistem no improviso no 
uso dos equipamentos. Cada ferramenta tem uma função, e o seu uso para 
uma função diferente cria as condições para os acidentes.
A iluminação inadequada, como luz fraca ou ofuscante, afeta a visão, 
de modo que o trabalhador pode não visualizar adequadamente o que está 
fazendo, causando acidentes ou problemas de visão. 
A eletricidade é considerada um dos agentes de risco mais graves, já que 
o trabalhador só tem conhecimento sobre a existência de energia quando 
já tocou em uma máquina, ferramenta ou instalação elétrica. Nesses casos, 
o trabalhador pode ter uma parada cardíaca, parada respiratória, queima-
duras ou fulguração (clarão ou perturbação no organismo vivo por descarga 
elétrica) (PEIXOTO, 2010).
O risco de incêndio ou explosão consiste na presença de materiais poten-
cialmente inflamáveis e/ou explosivos no ambiente de trabalho, e que, por 
manuseio ou armazenagem incorretos, podem se tornar infláveis ou explo-
sivos. Na mineração, por exemplo, os trabalhadores podem estar expostos a 
combustíveis e explosivos como gasolina, querosene, madeira, papel, tecidos, 
dinamite, entre outros. Quando pulverizadas, essas substâncias podem formar 
uma mistura inflamável com o ar, causando acidentes.
Higiene e saúde ocupacional 9
O armazenamento inadequado de materiais em geral também se cons-
titui em risco potencial, poisuma pilha de materiais malfeita pode desabar, 
atingindo pessoas ou até paredes, colapsando-as. Para que os riscos sejam 
minimizados, é importante que os materiais sejam armazenados de acordo 
com a sua natureza e por trabalhadores treinados e habilitados, de acordo 
com as recomendações previstas nas normas regulamentadoras e em outras 
normas estabelecidas pela atividade (PEIXOTO, 2010).
Os acidentes de trabalho, infelizmente, são muito comuns na mi-
neração, e muitos deles podem estar relacionados ao descuido do 
trabalhador, como o uso incorreto ou sem equipamentos de proteção individual 
na operação de maquinários e a falta de organização do ambiente de trabalho, 
ocasionando acidentes como quedas e entorses, entre outros.
Além disso, há, também, a responsabilidade do empreendedor, que não realiza 
a manutenção periódica dos equipamentos e não fornece todos os equipamentos 
de proteção individual, treinamentos/atualizações e checagem periódica do 
atendimento das orientações.
Ambiente salutar de trabalho
Há dois tipos de causas de acidentes no ambiente de trabalho: a falha hu-
mana, a partir da execução incorreta das tarefas e sem seguir as normas de 
segurança; e os fatores ambientais, que consistem nos riscos físicos, quími-
cos, biológicos, ergonômicos e mecânicos que comprometem a segurança 
do trabalho. Por esse motivo, o planejamento das instalações onde serão 
desenvolvidos os trabalhos e sua organização são de grande importância, 
pois além de agilizar os serviços, também atuam na prevenção dos acidentes 
por minimização dos riscos.
Parte dos acidentes de trabalho ocorre em função da falta de integração 
entre o trabalhador, a tarefa ou função e o seu ambiente de trabalho. Para 
que essa integração ocorra, é essencial que o ambiente de trabalho esteja 
adequado para a execução da tarefa ou função e que o trabalhador esteja 
orientado e treinado para seguir as normas de segurança (Figura 4).
Higiene e saúde ocupacional10
Figura 4. Trabalhador exposto a diversos riscos em seu ambiente de trabalho.
Fonte: Abdul Muizz/Unsplash.com.
Ainda, devemos considerar que a adequação do ambiente de trabalho 
também é uma responsabilidade de trabalhadores e empreendedores. 
Portanto, a sua concepção reflete uma decisão e/ou um comportamento, 
independentemente do nível hierárquico no empreendimento, permitindo o 
desenvolvimento de situações de risco aos trabalhadores como um todo. Por 
isso, é necessária e exigida por lei a implantação de programas de higiene 
e segurança no trabalho, que visam à prevenção de ocorrências e riscos de 
acidentes.
A higiene e a segurança do trabalho estão relacionadas a um conjunto de 
leis, normas, procedimentos técnicos e educacionais que visam à proteção 
da integridade física e mental do trabalhador (EGGERS; GOBEL, 2006). Dessa 
forma, os trabalhadores são preservados dos riscos inerentes do seu am-
biente de trabalho. 
Nesse sentido, a higiene e a segurança do trabalho têm por função reduzir 
as perdas humanas e financeiras decorrentes dos acidentes de trabalho, 
a partir da previsão, do monitoramento e da minimização das ações que po-
dem provocar os acidentes. Desse modo, a higiene e a segurança do trabalho 
são responsáveis pela preservação da saúde do trabalhador, por meio de 
um programa de prevenção de acidentes e enfermidades ocupacionais que 
melhoram a qualidade de vida no ambiente de trabalho.
Higiene e saúde ocupacional 11
Programa de prevenção de acidentes
O acidente de trabalho é um evento grave e que causa transtornos não só para 
o trabalhador, que é a vítima, mas para o empreendedor, para a sociedade 
e para o governo. A prevenção e a adequação do ambiente de trabalho para 
que a integridade física do trabalhador seja garantida são primordiais para 
o bom funcionamento do ambiente de trabalho. 
Para garantir a higiene e a segurança no ambiente de trabalho, a norma 
regulamentadora NR-9 exigia das empresas um programa de prevenção de 
riscos ambientais (PPRA). O PPRA tinha como objetivo a preservação da saúde 
e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhe-
cimento, da avaliação e do controle de riscos ambientais existentes ou que 
venham a existir no ambiente do trabalho.
No entanto, a NR-9 foi atualizada pela Portaria SEPRT 6.735/2020, conforme 
Portaria SEPTR 1.295/2021, e, a partir de 02 de agosto de 2021, o PPRA foi 
substituído pelo programa de gerenciamento de riscos. Posteriormente, foi 
incluído nesse programa o gerenciamento de riscos ocupacionais, de acordo 
com a atualização da norma regulamentadora NR-1.
O gerenciamento de riscos ocupacionais consiste em uma série de práticas 
para a prevenção de acidentes de trabalho e tem por objetivos mapear e 
gerenciar os possíveis riscos de acidentes e de suas fontes, como as físicas, 
químicas, biológicas, ergonômicas e mecânicas que estejam presentes em 
um determinado ambiente de trabalho. 
Nesse sentido, o gerenciamento de riscos ocupacionais busca a imple-
mentação de estratégias que possam prevenir as ações que desencadeiem 
incidentes e acidentes, além de elaborar protocolos para reduzir e minimizar 
os dados no caso de uma ocorrência. 
De forma geral, para elaborar um gerenciamento de risco ocupacional, 
podemos utilizar três pilares principais, de acordo com as especificidades 
e orientações da NR-1 e de outras NRs conforme a atividade. No caso da 
mineração, além de todas as normas regulamentadoras, as NR-15 (atividades 
e operações insalubres), NR-16 (atividades e operações perigosas) e NR-22 
(segurança e saúde ocupacional na mineração) devem ser atentamente 
observadas.
Os pilares são a identificação dos fatores de risco; a eliminação dos fatores 
de risco; e o monitoramento e controle dos riscos. A identificação dos fatores 
de risco consiste em reconhecer no ambiente de trabalho as situações ou 
ações que podem causar danos ao trabalhador, à empresa e ao meio ambiente. 
Higiene e saúde ocupacional12
Após a identificação dos fatores de risco, estes devem ser eliminados 
ou minimizados, a partir das seguintes proposições, cuja ordem parte das 
soluções mais efetivas para soluções de menor efetividade:
1. Elimine o risco. Não é possível eliminar?
2. Substitua o risco. Não é possível substituir?
3. Isole o trabalhador do risco. Não é possível isolar?
4. Mude o método de trabalho. Não é possível mudar?
5. Proteja os trabalhadores com equipamentos de proteção individual.
Além dessa lista diagnóstica, o empreendimento também deve investir em 
treinamentos, capacitações e atualizações dos trabalhadores, a fim de reduzir 
ainda mais a incidência de riscos e, por conseguinte, acidentes.
E, por fim, o acompanhamento das medidas de controle, que consiste 
nas ações que devem ser realizadas após a implementação dos programas 
e atitudes para a proteção do trabalhador. Nesse sentido, o gerenciamento 
de riscos ocupacionais é uma ação constante no empreendimento, já que 
os riscos devem ser monitorados e avaliados periodicamente. Além disso, 
a mudança no próprio sistema produtivo, como modificações tecnológicas, 
de procedimentos, de normas regulamentadoras, entre outros, pode extinguir 
e, ao mesmo tempo, criar pontos de atenção e riscos.
Outra forma de minimizar ou extinguir os acidentes de trabalho ou do-
enças ocupacionais é a composição da Comissão Interna de Prevenção de 
Acidentes, a CIPA, que é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Em-
prego (MTE), por intermédio da NR-5, pela Portaria nº. 3.214, de 8 de junho de 
1978, e atualizada pela Portaria SIT nº. 247, de 12 de julho de 2011 (MEDEIROS; 
ARRUDA; SAMENE, 2017).
A CIPA tem por função proporcionar condições de trabalho seguras e 
saudáveis para todos os colaboradores diretos e indiretos da empresa. Essa 
comissão é formada por empregados designados pelo empregador e por 
empregados escolhidos por meio de votação secreta por outros empregados 
(MEDEIROS; ARRUDA; SAMENE, 2017).
Além disso, a CIPA também tem por finalidade o reconhecimento dos 
riscos à saúde e segurançado ambiente de trabalho. Por meio da análise e 
da investigação e acidentes, ela pode solicitar as alterações necessárias no 
ambiente e nas condições de trabalho, de forma a preservar a integridade 
e a saúde do trabalhador, bem como a segurança financeira e jurídica do 
empreendimento.
Higiene e saúde ocupacional 13
Neste capítulo, você examinou os elementos que compõem um ambiente 
seguro de trabalho, bem como avaliou os fatores de risco dos diferentes se-
tores que compõem as atividades laborais. A partir do conhecimento desses 
elementos, é possível identificar os agentes de risco presentes nas ativida-
des mineiras, de modo a conhecê-las e buscar alternativas de eliminação e 
minimização dos riscos. 
Por meio de dispositivos regulamentados pela legislação, é possível ela-
borar um gerenciamento de riscos ocupacionais, de forma a inventariar os 
diferentes pontos de atenção existentes na mineração. Desse modo, torna-se 
possível a promoção de soluções definitivas ou que minimizem os riscos rela-
cionados aos agentes, assegurando um ambiente salutar para o trabalhador. 
Referências 
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MEDEIROS, M. ARRUDA, F. SAMENE, S. Caso: plano estruturado da CIPA de engajamento 
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v. 21, n. 41, p. 73-85, 2017.
PEIXOTO, N. H. Curso técnico em automação industrial: segurança do trabalho. 3. ed. 
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Leituras recomendadas
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planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 1 out. 2021.
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consolidação das leis do trabalho, relativo a segurança e medicina do trabalho e dá 
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www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6514.htm. Acesso em: 1 out. 2021.
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Higiene e saúde ocupacional14
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2019. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/
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BRASIL. Portaria SEPRT/ME nº 1.295, de 2 de fevereiro de 2021. Prorroga o prazo para 
início de vigência das normas regulamentadoras nº 01 - disposições gerais e geren-
ciamento de riscos ocupacionais; nº 07 - programa de controle médico de saúde ocu-
pacional - PCMSO; nº 09 - avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes 
físicos, químicos e biológicos; e nº 18 - condições de segurança e saúde no trabalho na 
indústria da construção. (Processo nº 19966.101487/2020-19). Diário Oficial da União, 
Brasília, 2 fev. 2021. Disponível em: https://www.udop.com.br/legislacao-arquivos/196/
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Higiene e saúde ocupacional 15

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