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VENTILAÇÃO E CONDICIONAMENTO DE MINAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Reconhecer a importância da higiene durante a rotina de trabalho. > Explicar os riscos inerentes à atividade mineira. > Definir um ambiente salutar de trabalho. Introdução A segurança e a higiene no ambiente de trabalho são essenciais para garantir a segurança e o desempenho satisfatório das atividades laborais pelos cola- boradores. Todas as atividades, de forma geral, apresentam algum ou vários fatores de risco que podem comprometer a segurança das operações. A mineração, além de apresentar os fatores de risco gerais, também conta com elementos específicos inerentes à natureza das atividades envolvidas. Nesse sentido, é fundamental que as normas de segurança sejam implementa- das e respeitadas, a partir do conhecimento dos agentes de riscos e de formas de eliminá-los ou minimizá-los. Neste capítulo, você vai identificar a importância da higiene durante a rotina de trabalho, de modo a minimizar os riscos e evitar acidentes. Além disso, você vai analisar os riscos das atividades minerárias, de acordo com os agentes de risco sugeridos pelas normas regulamentadoras. E, por fim, você vai examinar os elementos essenciais para que um ambiente de trabalho seja adequado e proporcione bem-estar para os trabalhadores. Higiene e saúde ocupacional Aline Carneiro Silverol A importância da higiene durante a rotina de trabalho A mineração é uma atividade que apresenta diferentes riscos aos traba- lhadores. Para minimizá-los, evitar os acidentes e melhorar o ambiente de trabalho, é importante identificar e implementar as condições adequadas, de forma a desenvolver integralmente os indivíduos por meio do seu trabalho. Nesse sentido, para garantir esse desenvolvimento, é essencial estabelecer as condições adequadas de um ambiente seguro de trabalho para que não haja prejuízos físicos, mentais e sociais aos trabalhadores. Os primeiros estudos sobre a saúde dos trabalhadores, especialmente da mineração, são datados do século XVI. Naquela época, foi relatado que, na extração de minerais, prata e ouro, havia, além dos acidentes de trabalho, alguns problemas de saúde, como a “asma dos mineiros” (BRISTOT, 2019). Entre 1760 e 1830, época da Primeira Revolução Industrial, surgiram alguns estudos sobre a segurança do trabalhador, que foram responsáveis pela criação das primeiras leis trabalhistas (BRISTOT, 2019). Essas leis visavam a proteger os trabalhadores dos riscos de acidentes e das possíveis doenças relacionadas ao trabalho (Figura 1). Figura 1. A precariedade das condições de trabalho e, especialmente, de segurança, em 1914. Fonte: Museums Victoria/Unsplash.com. Higiene e saúde ocupacional2 Com a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, houve uma grande evolução das legislações trabalhistas, o que permitiu o desenvolvimento da medicina do trabalho, a partir dos aspectos técnicos da higiene industrial (BRISTOT, 2019). No Brasil, as primeiras leis de proteção ao trabalhador surgiram entre 1919 e 1930. No entanto, somente em 1943, por meio da promulgação do Decreto-lei nº. 5.452, de 1° de maio de 1943, foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Dentre os direitos dos trabalhadores, destacam-se, no Capítulo V do Título II, artigos 154 a 201, a segurança e a medicina do trabalho (BRASIL, 1943). A Lei nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, alterou o capítulo da CLT re- ferente à segurança e medicina do trabalho, transformando-o em normas regulamentadoras, por meio da Portaria nº. 3.214, de 08 de junho de 1978, que estão em vigor até os dias atuais, com diversas atualizações. A higiene do trabalho tem por objetivos prevenir os danos à saúde do trabalhador decorrentes das condições do trabalho, a partir da identificação e da avaliação do ambiente laboral, e, assim, determinar melhorias e altera- ções (BRISTOT, 2019). Além disso, é uma área que inter-relaciona a medicina, a segurança do trabalho e a ergonomia, ou seja, utiliza elementos dessas áreas para identificar e avaliar os riscos. A medicina permite uma avaliação das características fisiológicas, físicas, sociais e emocionais do trabalhador e de como estas podem interferir na qualidade do seu trabalho. Outra área que trabalha em conjunto com a medicina do trabalho é a de saúde ocupacional, cujos objetivos são promover e manter o mais alto grau do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores. Neste sentido, a partir de ações como a proteção aos danos causados pelas condições de trabalho; a minimização e/ou a eliminação dos riscos resultantes dos diferen- tes agentes que podem interferir na saúde e na segurança do trabalhador; e a alocação dos trabalhadores em funções adequadas às suas aptidões fisiológicas e psicológicas, busca-se assegurar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Por sua vez, a segurança do trabalho tem parâmetros que possibilitam a inspeção, a avaliação e o controle dos riscos no ambiente laboral, ou seja, visa à prevenção dos acidentes de trabalho. Já a ergonomia tem como funções analisar e intervir no ambiente de trabalho em busca de melhorias e qualidade de vida aos trabalhadores (BRISTOT, 2019). Higiene e saúde ocupacional 3 Ações para a higiene do trabalho no ambiente laboral Para que a higiene do trabalho seja implementada, garantindo, assim, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores durante o desempenho de suas atividades, é importante que alguns parâmetros sejam observados. Na mineração também não é diferente, e a partir das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), podemos listar as principais ações relativas à higiene do trabalho, que são (BRISTOT, 2019): � a determinação e o combate de fatores físicos, químicos, mecânicos, biológicos e psicossociais que possam representar um risco; � a adaptação da função laboral e das exigências de esforço físico e men- tal pertinentes à função de acordo com as habilidades, necessidades e limitações anatômicas, fisiológicas e psicológicas de cada trabalhador; � a adoção de medidas eficazes, de forma a proteger os trabalhadores que sejam vulneráveis às condições prejudiciais no ambiente de trabalho, além do reforço da sua capacidade de resistência; � o monitoramento e a correção de condições de trabalho que possam deteriorar a saúde dos trabalhadores, para que as taxas de morbidez geral dos diferentes grupos profissionais não sejam superiores à do conjunto da população; � o treinamento e a orientação junto aos trabalhadores sobre a impor- tância dos regulamentos relativos à segurança e à saúde no ambiente de trabalho; � a aplicação de programas periódicos de ação sanitária para a conso- lidação de normas e cuidados relativos à saúde, de modo a contribuir na elevação do nível sanitário da coletividade. A partir dessas orientações gerais, é possível minimizar os riscos de qualquer atividade, inclusive na mineração. No entanto, existem algumas especificidades nas explorações de bens minerais, especialmente quando envolvem operações no subsolo que devem ser consideradas para prevenção e minimização de riscos e acidentes. Higiene e saúde ocupacional4 Riscos da atividade mineira A atividade mineira, como qualquer atividade, está submetida às normas regulamentadoras (NR) de segurança e medicina do trabalho, estabelecidas pela Portaria nº 3.214/1978 e suas alterações, que devem ser observadas por empregadores e empregados regidos pela CLT (PEIXOTO, 2010). Para saber mais sobre as normas regulamentadoras e conhecer quais NRs se aplicam na mineração, faça uma busca na internet para acessá-las na íntegra. As normas regulamentadoras, de modo geral, categorizam os riscos no ambiente do trabalho, que podem ser definidos como os decorrentes das atividades laborais que podem gerar algum dano e provocar acidentes ou agravo à saúde do trabalhador quando ele é exposto a esses riscos (BRISTOT, 2019). Os riscos ambientais são classificados em cinco grupos: riscos físicos,químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos. Riscos físicos Os riscos ou os agentes físicos consistem nas diversas formas de energia a que os trabalhadores podem estar expostos em seu ambiente de trabalho, como os ruídos, a vibração, as temperaturas extremas, as radiações ionizantes e não ionizantes, e trabalhos sob condições hiperbáricas e umidade (BRISTOT, 2019). Na mineração, os agentes físicos podem ser encontrados em todos os locais de trabalho, desde a exploração em subsolo até a condução do bem mineral à superfície, como em maquinário desprotegido e com manutenção insuficiente ou inadequada; ferramentas sem manutenção; explosões sem proteção; sistema de ventilação inadequado, entre outros. Riscos químicos Os riscos ou agentes químicos consistem em substâncias, compostos ou pro- dutos que podem ser absorvidos pelo organismo e ocasionar danos, agravo, sequelas e até mesmo a morte do trabalhador (Figura 2). Higiene e saúde ocupacional 5 Figura 2. A atividade mineira possui muitos agentes químicos, como a poeira. Fonte: Bruna Fiscuk/Unsplash.com. De modo geral, os agentes químicos podem ser absorvidos pelo organismo de quatro maneiras (BRISTOT, 2019): � pelo contato com a pele ou via cutânea; � por inalação por via respiratória; � pela boca ou via digestiva; � pela via parenteral. Na mineração, os riscos químicos estão associados às poeiras, que po- dem causar doenças respiratórias, e à silicose. Ainda, há também os gases tóxicos emitidos por maquinários e produtos químicos, que também podem ser inalados, causado problemas de saúde. Os produtos químicos também podem ser absorvidos pela pele ou ingeridos acidentalmente. Higiene e saúde ocupacional6 O termo silicose foi utilizado pela primeira vez em 1870 e trata-se de um tipo de fibrose pulmonar causada pela inalação de poeira contendo sílica cristalina. O risco de desenvolvimento de silicose depende da concentração, da superfície, do tamanho da partícula, do tempo de exposição e de latência, da forma de sílica cristalina, dentre outros fatores (TERRA FILHO; SANTOS, 2006). A presença dos agentes químicos é um fator de risco à saúde dos traba- lhadores. No entanto, nem toda exposição acarreta uma doença ocupacional. Para que isso aconteça, é necessário que o trabalhador fique exposto a uma determinada concentração durante um tempo específico. Cada agente químico apresenta um limite de tolerância, que informa quanto tempo o trabalhador pode ficar exposto repetida e diariamente sem comprometer a sua saúde. A Norma Regulamentadora NR-15, que trata das atividades e operações insalubres, aborda, em seu anexo número 11, os agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho. A insalubridade só é caracterizada/confirmada se os limites de tolerância presentes nesse anexo forem ultrapassados. No anexo número 12, é definido o limite de tolerância para poeiras minerais, especificamente para o asbesto, o manganês e seus compostos, bem como para a sílica cristalizada (BRISTOT, 2019). Riscos biológicos Os riscos ou agentes biológicos referem-se à probabilidade de exposição ocupacional aos microrganismos, geneticamente modificados ou não, às culturas de células, aos parasitas, às toxinas e aos príons (BRISTOT, 2019). Na mineração, especialmente em atividades em subsolo, o risco biológico pode ser previsto no decorrer da escavação, caso ela seja realizada em áreas com aterros sanitários, cemitérios ou qualquer outro material que seja fonte de agentes biológicos. Riscos ergonômicos Os riscos ergonômicos são os agentes relacionados a fatores físicos, fisiológicos e psicológicos inerentes à execução das atividades profissionais (PEIXOTO, 2010). Higiene e saúde ocupacional 7 Esses agentes podem produzir alterações no organismo e no estado emocional dos trabalhadores, comprometendo sua saúde, segurança e produtividade. Os principais fatores ergonômicos que podem ocasionar problemas aos trabalhadores, de forma geral, são o esforço físico intenso; levantamento e transporte manual de objetos com peso excessivo; exigência de postura inadequada para a realização da atividade laboral; controle rígido de produti- vidade e ritmo de trabalho; jornadas prolongadas de trabalho; repetitividade; e outras situações que podem desencadear estresse físico e/ou psíquico, como iluminação inadequada, ruídos, etc. A mineração é um ambiente de trabalho naturalmente desconfortável, devido à necessidade do uso de equipamentos de proteção em todas as etapas de trabalho, que podem causar desconforto físico. Ainda, muitas horas de trabalho em pé ou sentado em maquinários, operações repetitivas, ambientes com conforto térmico limitado, dentre outros, podem deteriorar a saúde dependendo do tempo e da periodicidade da exposição. Riscos mecânicos Os riscos mecânicos referem-se aos agentes que geram risco por meio do contato físico direto com o trabalhador. Esses agentes são responsáveis por uma série de lesões nos trabalhadores, como cortes, fraturas, escoriações, lesões, queimaduras, etc. (Figura 3). (PEIXOTO, 2010). Figura 3. A desorganização no ambiente de trabalho é um agente de risco. Fonte: Kiefer Likens/Unsplash.com. Higiene e saúde ocupacional8 Os principais fatores geradores de acidentes de trabalho e que também se aplicam à mineração são: o arranjo físico inadequado; ordem e limpeza precárias; máquinas e equipamentos sem proteção; ferramentas inadequadas ou defeituosas; eletricidade; risco de incêndio ou explosão; e armazenamento inadequado (PEIXOTO, 2010). O arranjo físico inadequado consiste no mau aproveitamento do espaço do local de trabalho, como a alocação de máquinas, móveis e materiais em posições inadequadas ou maldispostos, constituindo-se risco de acidente. A ordem e a limpeza precárias referem-se tanto à organização do espaço de trabalho, de forma a respeitar as áreas livres, facilitando a circulação e até mesmo uma rota de fuga, como à limpeza, que afeta a saúde física e até psíquica dos trabalhadores. Ambientes organizados e limpos exercem uma influência positiva no comportamento humano, o que contribui para um ambiente salutar de trabalho. Os riscos de máquinas e equipamentos sem proteção referem-se à ausência de mecanismos de proteção em correias, polias, correntes, eixos rotativos, etc. A falta de proteção pode criar pontos de agarramento, ou seja, locais nos equipamentos onde o trabalhador pode ficar preso pelas mãos, cabelos e roupas, puxando-os contra o mecanismo, causando ferimentos diversos. As ferramentas inadequadas ou defeituosas consistem no improviso no uso dos equipamentos. Cada ferramenta tem uma função, e o seu uso para uma função diferente cria as condições para os acidentes. A iluminação inadequada, como luz fraca ou ofuscante, afeta a visão, de modo que o trabalhador pode não visualizar adequadamente o que está fazendo, causando acidentes ou problemas de visão. A eletricidade é considerada um dos agentes de risco mais graves, já que o trabalhador só tem conhecimento sobre a existência de energia quando já tocou em uma máquina, ferramenta ou instalação elétrica. Nesses casos, o trabalhador pode ter uma parada cardíaca, parada respiratória, queima- duras ou fulguração (clarão ou perturbação no organismo vivo por descarga elétrica) (PEIXOTO, 2010). O risco de incêndio ou explosão consiste na presença de materiais poten- cialmente inflamáveis e/ou explosivos no ambiente de trabalho, e que, por manuseio ou armazenagem incorretos, podem se tornar infláveis ou explo- sivos. Na mineração, por exemplo, os trabalhadores podem estar expostos a combustíveis e explosivos como gasolina, querosene, madeira, papel, tecidos, dinamite, entre outros. Quando pulverizadas, essas substâncias podem formar uma mistura inflamável com o ar, causando acidentes. Higiene e saúde ocupacional 9 O armazenamento inadequado de materiais em geral também se cons- titui em risco potencial, poisuma pilha de materiais malfeita pode desabar, atingindo pessoas ou até paredes, colapsando-as. Para que os riscos sejam minimizados, é importante que os materiais sejam armazenados de acordo com a sua natureza e por trabalhadores treinados e habilitados, de acordo com as recomendações previstas nas normas regulamentadoras e em outras normas estabelecidas pela atividade (PEIXOTO, 2010). Os acidentes de trabalho, infelizmente, são muito comuns na mi- neração, e muitos deles podem estar relacionados ao descuido do trabalhador, como o uso incorreto ou sem equipamentos de proteção individual na operação de maquinários e a falta de organização do ambiente de trabalho, ocasionando acidentes como quedas e entorses, entre outros. Além disso, há, também, a responsabilidade do empreendedor, que não realiza a manutenção periódica dos equipamentos e não fornece todos os equipamentos de proteção individual, treinamentos/atualizações e checagem periódica do atendimento das orientações. Ambiente salutar de trabalho Há dois tipos de causas de acidentes no ambiente de trabalho: a falha hu- mana, a partir da execução incorreta das tarefas e sem seguir as normas de segurança; e os fatores ambientais, que consistem nos riscos físicos, quími- cos, biológicos, ergonômicos e mecânicos que comprometem a segurança do trabalho. Por esse motivo, o planejamento das instalações onde serão desenvolvidos os trabalhos e sua organização são de grande importância, pois além de agilizar os serviços, também atuam na prevenção dos acidentes por minimização dos riscos. Parte dos acidentes de trabalho ocorre em função da falta de integração entre o trabalhador, a tarefa ou função e o seu ambiente de trabalho. Para que essa integração ocorra, é essencial que o ambiente de trabalho esteja adequado para a execução da tarefa ou função e que o trabalhador esteja orientado e treinado para seguir as normas de segurança (Figura 4). Higiene e saúde ocupacional10 Figura 4. Trabalhador exposto a diversos riscos em seu ambiente de trabalho. Fonte: Abdul Muizz/Unsplash.com. Ainda, devemos considerar que a adequação do ambiente de trabalho também é uma responsabilidade de trabalhadores e empreendedores. Portanto, a sua concepção reflete uma decisão e/ou um comportamento, independentemente do nível hierárquico no empreendimento, permitindo o desenvolvimento de situações de risco aos trabalhadores como um todo. Por isso, é necessária e exigida por lei a implantação de programas de higiene e segurança no trabalho, que visam à prevenção de ocorrências e riscos de acidentes. A higiene e a segurança do trabalho estão relacionadas a um conjunto de leis, normas, procedimentos técnicos e educacionais que visam à proteção da integridade física e mental do trabalhador (EGGERS; GOBEL, 2006). Dessa forma, os trabalhadores são preservados dos riscos inerentes do seu am- biente de trabalho. Nesse sentido, a higiene e a segurança do trabalho têm por função reduzir as perdas humanas e financeiras decorrentes dos acidentes de trabalho, a partir da previsão, do monitoramento e da minimização das ações que po- dem provocar os acidentes. Desse modo, a higiene e a segurança do trabalho são responsáveis pela preservação da saúde do trabalhador, por meio de um programa de prevenção de acidentes e enfermidades ocupacionais que melhoram a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Higiene e saúde ocupacional 11 Programa de prevenção de acidentes O acidente de trabalho é um evento grave e que causa transtornos não só para o trabalhador, que é a vítima, mas para o empreendedor, para a sociedade e para o governo. A prevenção e a adequação do ambiente de trabalho para que a integridade física do trabalhador seja garantida são primordiais para o bom funcionamento do ambiente de trabalho. Para garantir a higiene e a segurança no ambiente de trabalho, a norma regulamentadora NR-9 exigia das empresas um programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA). O PPRA tinha como objetivo a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhe- cimento, da avaliação e do controle de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente do trabalho. No entanto, a NR-9 foi atualizada pela Portaria SEPRT 6.735/2020, conforme Portaria SEPTR 1.295/2021, e, a partir de 02 de agosto de 2021, o PPRA foi substituído pelo programa de gerenciamento de riscos. Posteriormente, foi incluído nesse programa o gerenciamento de riscos ocupacionais, de acordo com a atualização da norma regulamentadora NR-1. O gerenciamento de riscos ocupacionais consiste em uma série de práticas para a prevenção de acidentes de trabalho e tem por objetivos mapear e gerenciar os possíveis riscos de acidentes e de suas fontes, como as físicas, químicas, biológicas, ergonômicas e mecânicas que estejam presentes em um determinado ambiente de trabalho. Nesse sentido, o gerenciamento de riscos ocupacionais busca a imple- mentação de estratégias que possam prevenir as ações que desencadeiem incidentes e acidentes, além de elaborar protocolos para reduzir e minimizar os dados no caso de uma ocorrência. De forma geral, para elaborar um gerenciamento de risco ocupacional, podemos utilizar três pilares principais, de acordo com as especificidades e orientações da NR-1 e de outras NRs conforme a atividade. No caso da mineração, além de todas as normas regulamentadoras, as NR-15 (atividades e operações insalubres), NR-16 (atividades e operações perigosas) e NR-22 (segurança e saúde ocupacional na mineração) devem ser atentamente observadas. Os pilares são a identificação dos fatores de risco; a eliminação dos fatores de risco; e o monitoramento e controle dos riscos. A identificação dos fatores de risco consiste em reconhecer no ambiente de trabalho as situações ou ações que podem causar danos ao trabalhador, à empresa e ao meio ambiente. Higiene e saúde ocupacional12 Após a identificação dos fatores de risco, estes devem ser eliminados ou minimizados, a partir das seguintes proposições, cuja ordem parte das soluções mais efetivas para soluções de menor efetividade: 1. Elimine o risco. Não é possível eliminar? 2. Substitua o risco. Não é possível substituir? 3. Isole o trabalhador do risco. Não é possível isolar? 4. Mude o método de trabalho. Não é possível mudar? 5. Proteja os trabalhadores com equipamentos de proteção individual. Além dessa lista diagnóstica, o empreendimento também deve investir em treinamentos, capacitações e atualizações dos trabalhadores, a fim de reduzir ainda mais a incidência de riscos e, por conseguinte, acidentes. E, por fim, o acompanhamento das medidas de controle, que consiste nas ações que devem ser realizadas após a implementação dos programas e atitudes para a proteção do trabalhador. Nesse sentido, o gerenciamento de riscos ocupacionais é uma ação constante no empreendimento, já que os riscos devem ser monitorados e avaliados periodicamente. Além disso, a mudança no próprio sistema produtivo, como modificações tecnológicas, de procedimentos, de normas regulamentadoras, entre outros, pode extinguir e, ao mesmo tempo, criar pontos de atenção e riscos. Outra forma de minimizar ou extinguir os acidentes de trabalho ou do- enças ocupacionais é a composição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, a CIPA, que é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Em- prego (MTE), por intermédio da NR-5, pela Portaria nº. 3.214, de 8 de junho de 1978, e atualizada pela Portaria SIT nº. 247, de 12 de julho de 2011 (MEDEIROS; ARRUDA; SAMENE, 2017). A CIPA tem por função proporcionar condições de trabalho seguras e saudáveis para todos os colaboradores diretos e indiretos da empresa. Essa comissão é formada por empregados designados pelo empregador e por empregados escolhidos por meio de votação secreta por outros empregados (MEDEIROS; ARRUDA; SAMENE, 2017). Além disso, a CIPA também tem por finalidade o reconhecimento dos riscos à saúde e segurançado ambiente de trabalho. Por meio da análise e da investigação e acidentes, ela pode solicitar as alterações necessárias no ambiente e nas condições de trabalho, de forma a preservar a integridade e a saúde do trabalhador, bem como a segurança financeira e jurídica do empreendimento. Higiene e saúde ocupacional 13 Neste capítulo, você examinou os elementos que compõem um ambiente seguro de trabalho, bem como avaliou os fatores de risco dos diferentes se- tores que compõem as atividades laborais. A partir do conhecimento desses elementos, é possível identificar os agentes de risco presentes nas ativida- des mineiras, de modo a conhecê-las e buscar alternativas de eliminação e minimização dos riscos. Por meio de dispositivos regulamentados pela legislação, é possível ela- borar um gerenciamento de riscos ocupacionais, de forma a inventariar os diferentes pontos de atenção existentes na mineração. Desse modo, torna-se possível a promoção de soluções definitivas ou que minimizem os riscos rela- cionados aos agentes, assegurando um ambiente salutar para o trabalhador. Referências BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma: Unesc, 2019. EGGERS, C.; GOEBEL, M. A. Princípios de higiene e segurança no trabalho. Revista Expectativa, v .5, n. 1, p. 103-1180, 2006. MEDEIROS, M. ARRUDA, F. SAMENE, S. Caso: plano estruturado da CIPA de engajamento da força de trabalho no Porto de Ponta da Madeira. Revista de Ciência & Tecnologia, v. 21, n. 41, p. 73-85, 2017. PEIXOTO, N. H. Curso técnico em automação industrial: segurança do trabalho. 3. ed. Santa Maria: UFSM, 2010. TERRA FILHO, M.; SANTOS, U. P. Silicose. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 32, suppl. 2, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/9df97NqpCcC8svNRJgBTGY P/?lang=pt#. Acesso em: 29 set. 2021. Leituras recomendadas BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. 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