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Instalações em aquicultura e manejo do pescado Produção aquícola e pesqueira no Brasil e no mundo e suas características principais, instalações em aquicultura e o manejo do pescado. Prof. Carlos Eduardo Ribeiro Coutinho 1. Itens iniciais Propósito A familiarização com a cadeia produtiva da aquicultura e da pesca e o conhecimento sobre as principais formas de produção é de grande importância aos futuros profissionais que desejam atuar nessas áreas para definir adequadamente a forma de manejo e o sistema de produção mais propícios a cada situação. Objetivos Reconhecer as principais características que envolvem as cadeias aquícola e pesqueira no Brasil. Identificar os principais sistemas de produção aquícola e os principais parâmetros de qualidade da água. Analisar as técnicas de manejo do pescado e suas aplicações. Introdução O Brasil é um país de dimensões continentais e com diferentes biomas, cada um com suas aptidões no que se refere a sistemas produtivos agropecuários. Devido à sua abundância de sistemas de água doce, como rios, lagos, lagoas e represas, e ainda ao seu grande litoral, com cerca de 10.959km de extensão, a alta capacidade de produção na aquicultura e na pesca é de grande importância para a economia do país. Por isso, há necessidade crescente de profissionais competentes para suprir a demanda do mercado. O profissional que irá atuar nessas áreas precisa ter o conhecimento tanto das normas legais quanto das técnicas que envolvem os sistemas de produção. Este conteúdo irá trazer um panorama geral das cadeias da aquicultura e da pesca no Brasil, destacando os conceitos básicos, as principais espécies produzidas, suas finalidades e dados de produção. Também serão apresentados os sistemas de cultivo existentes e seus princípios de funcionamento, bem como os parâmetros de qualidade de água, que são de grande importância para um bom funcionamento do sistema. Por fim, serão apresentados os princípios do manejo do sistema aquícola, desde o povoamento dos tanques até a despesca ao final do ciclo. • • • 1. Panorama geral da aquicultura e da pesca no Brasil Pescado e aquicultura Definições de pescado e aquicultura Para começarmos a estudar sobre pesca e aquicultura, antes temos de conhecer alguns conceitos. Seja qual for o sistema, o produto gerado pela produção pesqueira e aquícola é denominado pescado. De acordo com o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA): O termo pescado se refere a todos os peixes, os crustáceos, os moluscos, os anfíbios, os répteis, os equinodermos e outros animais aquáticos usados na alimentação humana. (BRASIL, 2020) Já a aquicultura é a atividade de cultivo de organismos aquáticos em qualquer fase do seu desenvolvimento, sempre em ambientes controlados e confinados. Esse termo é bem amplo e engloba uma grande variedade de cultivos, com espécies e ambientes diversos. Quando pensamos na aquicultura, inicialmente imaginamos tanques em uma fazenda contendo peixes alimentados com ração. Entretanto, nessa atividade, podem ser cultivadas outras espécies, como camarões e outros crustáceos, moluscos, répteis e até mesmo algas. Além disso, pode ser realizada tanto em água doce como salgada, na qual uma grande diversidade de manejos pode ser utilizada. Em um sentido amplo da aquicultura, podemos encontrar os seguintes cultivos: Piscicultura É o cultivo de peixes, seja qual for a forma de manejo ou a finalidade. Em água salgada, também pode ser chamada de maricultura ou piscicultura marinha. Carcinicultura É o cultivo de camarões, podendo ser de água doce ou salgada, dependendo da espécie escolhida. Malacocultura É o cultivo de moluscos. No Brasil, as espécies cultivadas são as ostras (Crassostrea sp.), cujo cultivo se chama ostricultura; os mexilhões (Perna perna), mitilicultura; e as vieiras (Nodipecten nodosus), pectinicultura. Algicultura É o cultivo de macroalgas e microalgas, seja para a alimentação seja para usos não alimentares. Diversas espécies de algas podem ser cultivadas. No Brasil, o gênero Kappaphycus é o mais produzido. Ranicultura É o cultivo de rãs em cativeiro. A espécie mais cultivada é a rã-touro (Lithobates castesbianus), devido às suas características de rusticidade e capacidade produtiva. Quelonicultura É a criação de quelônios (cágados). Pode ter finalidade ornamental (em sua maioria), porém algumas espécies são comercializadas para o consumo, principalmente na região Norte do Brasil. Jacaricultura É o cultivo de jacarés. Essa atividade tem sua rentabilidade não somente pelo aproveitamento da carne dos animais, mas também pelo couro, que possui grande valor comercial. Produção pesqueira e aquícola A produção mundial de pescado em 2018 foi de aproximadamente 179 milhões de toneladas, movimentando um total de 401 bilhões de dólares. Desse montante, cerca de 82 milhões de toneladas e 250 bilhões de dólares foram provenientes da aquicultura. No mundo, o consumo de pescado per capita gira em torno de 20,5kg e, do total produzido, 156 milhões de toneladas foram destinadas ao consumo humano. A aquicultura teve maior participação, contribuindo com 52% e superando a produção pesqueira. A aquicultura tem aumentado nos últimos anos e esse crescimento tende a se manter. Tanques-rede de piscicultura marinha para cultivo do peixe Bijupirá em Angra dos Reis/RJ. Com destaque para a China, a Ásia é a maior produtora de pescado, contribuindo com 89% da produção mundial, seguida das Américas, Europa, África e Oceania. No continente americano, o Chile é o maior produtor, mas o Brasil vem aumentando sua produção a cada ano e se destaca cada vez mais nesse cenário. A produção aquícola brasileira, em 2020, foi de mais de 800 mil toneladas, apresentando um crescimento de 5,93% em relação ao ano anterior. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, espécie que representa 60% da produção do país. Os peixes nativos, liderados pelo tambaqui, participam com 35% e outras espécies com 5% da produção. Quanto à produção pesqueira, o país produziu, no ano de 2021, em torno de 650 mil toneladas, sendo esse total superado pela produção aquícola. Gráfico: Produção mundial da pesca e da aquicultura continentais e marinhas (1950 e 2018). FAO, SOFIA, 2020. Gráfico: Produção da pesca e aquicultura por continentes. FAO, SOFIA, 2020. Finalidades da produção A produção de pescado serve a diferentes finalidades, dentre as quais podemos citar: o consumo humano direto, o uso ornamental, a pesquisa científica e o uso na indústria. Vamos entender cada uma dessas finalidades a seguir. Consumo humano direto A principal finalidade da produção aquícola no Brasil é o consumo humano. O consumo de pescado per capita é de 9kg por ano embora o recomendado pela Organização Mundial da Saúde seja de 12kg por ano. Apesar disso, há uma tendência de crescimento com a popularização dos peixes de cultivo. Uso ornamental A produção de organismos aquáticos para fins ornamentais possui grande importância na economia. Na sua maioria, são cultivados os peixes ornamentais de água doce, mas também existem produtores de peixes marinhos. Em menor quantidade, porém não menos importantes, estão espécies como: crustáceos, moluscos, répteis e anfíbios. Pesquisa científica Nos últimos anos, popularizou-se a utilização de peixes ornamentais, mais especificamente, a espécie conhecida como zebrafish ou paulistinha (Danio rerio). Essa espécie é considerada um modelo ideal para a realização de experimentos científicos porque tem cerca de 70% de semelhança genética com a espécie humana. Seu uso é menos custoso do que outras alternativas e tem rápida reprodução e crescimento. Por esses motivos, a sua utilização tem aumentado no meio científico, abrindo um novo campo de trabalho para profissionais que atuam na área. Uso na indústria Alguns setores da indústria, como a farmacêutica, alimentícia e de alimentação animal, utilizam os recursos pesqueiros e aquícolas como insumos para sua produção, como é o caso de algumasMonitoramento do comportamento dos peixes e do aspecto da água Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Controle sanitário no manejo do pescado Conteúdo interativo Etapas de arraçoamento, biometria e despesca no manejo do pescado Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Conteúdo interativo Explore + Referênciasespécies de algas, óleos de peixes e resíduos do beneficiamento do pescado. Espécies aquáticas cultivadas no Brasil Vamos conhecer agora as principais espécies aquáticas cultivadas no Brasil, bem como algumas de suas características e viabilidade para o cultivo. Tilápia (Oreochromis niloticus) Ciclídeo nativo da África, é uma das espécies mais produzidas no Brasil e no mundo atualmente. Seu cultivo pode ocorrer em diversos sistemas de manejo. Por ser uma espécie onívora, adapta-se a diversos tipos de alimentos. A temperatura ideal da água para a criação e reprodução das tilápias é entre 26 e 28°C, temperaturas abaixo ou acima dessa faixa podem acarretar redução do crescimento e produtividade. Exemplares de tilápia em cultivo intensivo. Carpa comum (Cyprinus carpio) Essa espécie pode atingir o peso de 40kg, porém seu peso de abate gira em torno de 1 e 6kg. Pode tolerar temperaturas mais frias, por isso, no Brasil, sua produção concentra-se nos estados do Sul e Sudeste. As variações mais cultivadas são a carpa húngara, capim, prateada, cabeça grande e, como ornamentais, as coloridas, também conhecidas como nishikigois. Carpa comum (Cyprinus carpio), espécie de carpa mais comum criada em cativeiro. Tambaqui (Colossoma macropomum) Peixe da Amazônia que pode atingir cerca de 90 metros de comprimento. É a segunda espécie mais produzida no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Na natureza, sua alimentação varia com a disponibilidade do alimento, mas em cativeiro se adapta bem à ração comercial. Por ser uma espécie de carne mais gordurosa, é mais rica em ômegas 3 e 6. Tambaqui (Colossoma macropomum), segunda espécie mais cultivada no Brasil. Pacu (Piaractus mesopotamicus) O pacu é um peixe com boa capacidade de adaptação ao cultivo em cativeiro e tem sua maior produção no Centro-Oeste, região em que, normalmente, são produzidos em açudes e viveiros escavados. Também se adaptam a tanques-rede e demais sistemas de cultivo. São onívoros e alcançam dimensões de 80cm de comprimento. O pacu (Piaractus mesopotamicus), peixe redondo nativo do Brasil. Pirarucu (Arapaima gigas) É um peixe carnívoro nativo da Amazônia. Sua alimentação é bem variada na natureza e, em cativeiro, é alimentado com ração ou outros peixes. Um exemplar adulto na natureza pode chegar até os 300kg, porém, em cativeiro, o peso de abate costuma ser bem menor. O peixe possui bexiga natatória modificada para funcionar como um pulmão e pode ser observado subindo à superfície para respirar, por isso possui maior tolerância a baixos níveis de oxigênio. A produção dessa espécie pode ser feita em locais diversos, como viveiros escavados, tanques suspensos ou tanques-rede. Já existem diversos cultivos comerciais de pirarucu no Brasil, assim como fornecedores de alevinos. Pirarucu (Arapaima gigas), espécie que se adaptou ao cultivo em cativeiro e possui bom rendimento para produção. Pangassius (Pangasianodon hypophthalmus) O pangassius pertence à família Pangasiidae. No Brasil, o consumo dessa espécie tem crescido muito e, embora a maior parte do produto seja importada, o seu cultivo tem despertado o interesse de muitos produtores. O peso de abate gira em torno de 800 a 1200g, mas pode chegar a pesos bem maiores. É um peixe nativo da Ásia, onde é cultivado em larga escala. Pangassius ou Panga (Pangasianodon hypophthalmus). Dourado (Salminus brasiliensis) Esse peixe carnívoro está no topo da cadeia alimentar nos rios do Brasil. Apresenta rápido crescimento e se adapta bem ao cultivo em cativeiro e às dietas comerciais e artificiais. Sua carne é de ótima qualidade. A espécie também é muito apreciada na pesca esportiva. Ainda não existem grandes produtores desse peixe no país. Uma dificuldade em relação ao cultivo é a sua reprodução, que deve ser induzida. O dourado (Salminus brasiliensis) é um peixe muito apreciado por pescadores esportivos e se adaptou ao cultivo em cativeiro. Curimatã (Prochilodus sp.) Essa espécie possui hábitos alimentares iliófagos, alimentando-se de detritos e algas no fundo dos tanques. Pode ser usada como espécie de policultivo, em conjunto com outras espécies onívoras. Pode atingir até 800g no primeiro ano de cultivo, apresentando bom desenvolvimento. O cultivo do curimatã ainda é restrito a sistemas extensivos ou semi-intensivos, principalmente para fins de subsistência ou pesque-pague. A cadeia produtiva dessa espécie ainda não é muito desenvolvida em razão da baixa demanda comercial. Curimatã (Prochilodus sp.), espécie nativa muito utilizada em sistema de policultivo. Truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss) É um salmonídeo original da América do Norte introduzido no Brasil nos anos 40, na região de Campos do Jordão, em São Paulo. A espécie é produzida em grandes altitudes, pois necessita de temperaturas mais baixas para um bom desenvolvimento, além de grande quantidade de água de ótima qualidade, por isso são utilizados normalmente sistemas de Raceway para sua produção. A carne da truta tem um alto valor comercial por ser muito apreciada na alta gastronomia. Truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss), originária dos Estados Unidos. Pintado ou surubim (Pseudoplatystoma corruscans) É um peixe carnívoro que pode ser criado tanto em viveiro escavado quanto em tanques-rede, com manejo extensivo ou intensivo. O cultivo em viveiros escavados é mais comum no Brasil. Devido aos seus hábitos alimentares, precisa de um treinamento para adaptação às rações comerciais, que é feito na fase inicial de alevinagem. Sua carne é muito apreciada e possui um alto valor comercial de mercado. Pintado(Pseudoplatystoma corruscans) criado em tanques escavados. Camarão cinza (Litopenaeus vannamei) Originária do Pacífico, é a espécie de camarão mais cultivada no Brasil, demonstrando boa adaptação ao clima. Atualmente, a região Nordeste é a maior produtora dessa espécie, entretanto seu cultivo tem se espalhado por outras regiões devido ao avanço tecnológico. Antes, as criações eram feitas em tanques escavados próximos ao mar, em regiões estuarinas, desse modo a alta e baixa das marés era utilizada para a troca de água dos viveiros. Atualmente, os sistemas intensivos de bioflocos permitem o cultivo dessa espécie em praticamente qualquer região, pois independem da proximidade do mar. O camarão tem grande valor de mercado e, por isso, atrai o interesse de muitos produtores. Camarão cinza (Litopenaeus vannamei). Rã-touro (Lithobates catesbeianus) A rã-touro é a principal espécie de rã cultivada no Brasil devido à sua capacidade produtiva e rusticidade, enquanto a rã-manteiga, espécie nativa, tem pouca expressividade. O cultivo de rã no Brasil é bem desenvolvido e a carne desse animal possui alto valor comercial. Uma dificuldade dos produtores é a constância do fornecimento, pois as características reprodutivas sazonais das rãs geram períodos de safra e entressafra. Alguns produtores, no entanto, já utilizam técnicas de reprodução induzida e conseguem uma produção mais constante. A tecnologia do cultivo de rã já é bem estabelecida e existem diversas formas de instalações e manejo que podem ser aplicadas. Rã-touro (Lithobates catesbeianus). Reprodução induzida em ranicultura Confira agora a técnica tradicional de reprodução em ranicultura, bem como as dificuldades em manter uma produção contínua em ranicultura ao longo do ano e as vantagens da reprodução induzida. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Maricultura e pesca Aquicultura marinha (maricultura) Outro ramo da aquicultura que tem crescido no Brasil é a maricultura, ou seja, o cultivo de organismos aquáticos em água salgada. Existem diversas espécies que podem ser cultivadas e o nome do cultivo é dado de acordo com a espécie-alvo. Tanques-rede de cultivo de peixes marinhos em área de mar abrigado. Vamos conhecer algumas espécies e seus tipos de cultivo. 1Malacocultura É o cultivo de moluscos bivalves, ostras, vieiras e mexilhões. O cultivo de ostras no Brasil tem sua maior produção na regiãoSul, sendo o maior produtor o estado de Santa Catarina. O cultivo de mexilhões também tem grande participação na maricultura. No Rio de Janeiro, as regiões da Costa Verde e Região do Lagos são pólos produtores. O cultivo de vieiras também é representativo na região Sul. 2 Algicultura É o cultivo de macro e microalgas em ambientes naturais, laboratórios ou tanques suspensos, dependendo da espécie. Pode servir para a indústria alimentícia ou outras finalidades. 3 Piscicultura marinha É a criação de espécies de peixes marinhos e pode ser feita em tanques suspensos ou em tanques- rede em ambiente marinho. O cultivo do bijupirá (Rachycentron canadum) em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, é um exemplo de piscicultura marinha feita no Brasil. 4 Carcinicultura É a criação de espécies de camarões de água salgada - também considerada maricultura - e pode ser feita em regiões estuarinas. Atualmente, no Brasil, está em franco crescimento o cultivo continental, processo no qual a água utilizada é trazida do mar ou tratada com suplementos que mimetizam a água do mar; ocorre quando a distância entre o mar e o cultivo é muito grande. Pesca e artes de pesca A pesca pode ser definida como a atividade de retirar os recursos pesqueiros do ambiente natural. Diferentemente da aquicultura, a pesca é uma atividade extrativista que depende da capacidade do meio ambiente de produzir determinado recurso. A história da pesca começa ainda na Pré-História e se desenvolve ao longo dos séculos. Em grande parte, ao redor do mundo e no Brasil, a pesca é uma atividade tradicional que envolve comunidades de pescadores bem estabelecidas regionalmente durante muitos anos, nas quais o conhecimento é passado por gerações. Chamamos esse tipo de atividade pesqueira, cuja arte empregada possui pouca tecnologia, de pesca artesanal. Na pesca artesanal, a produção é pequena e envolve normalmente mão de obra familiar. Barcos de pesca artesanal. Com o desenvolvimento das tecnologias, outra categoria de atividade pesqueira se formou. Denominada de pesca industrial, a tecnologia empregada nessa atividade é bem mais avançada, contando com instrumentos de precisão, grandes embarcações e emprego de mão de obra contratada. Esses elementos permitem uma produção bem maior por parte dessa categoria. Sequência da cadeia produtiva da pesca industrial. Diversas artes de pesca podem ser empregadas na captura e irão variar de acordo com a espécie-alvo e a tecnologia que a embarcação possui. Dentre essas artes, podemos citar algumas, tais como: Arrasto Redes de arrasto que capturam os peixes com a movimentação das embarcações. Cerco Os cardumes são cercados por embarcações e suas redes e, então, capturados. Vara e isca viva Mais específicas para barcos atuneiros, são utilizadas iscas vivas e os peixes são capturados pelos pescadores por meio de varas e anzóis. Redes de espera As redes são esticadas e os peixes são capturados ao emalharem nessas redes durante a passagem. Espinhel Vários anzóis equidistantes presos em uma linha longa são deixados no mar com iscas para a captura dos peixes. Linha e anzol Utilizados em diversas profundidades, anzóis são presos a uma linha com isca para a captura dos peixes. Tarrafa Uma rede é jogada e se abre sobre um cardume para realizar a captura. Gaiola, armadilha, covo ou pote São deixados em determinados locais, contendo isca ou não, para que os animais entrem e fiquem presos ali. Pesca com tarrafa. Existem ainda diversas outras modalidades e artes de pesca. O portal do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) disponibiliza informações interessantes sobre o assunto. Vem que eu te explico! Definições de pescado e aquicultura Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Principais espécies aquáticas cultivadas no Brasil Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Segundo o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, o conceito de “pescado” pode ser definido como: A Todos os organismos aquáticos marinhos e de água doce que podem ser criados em cativeiro de forma adequada e com boa produtividade. B Todos os peixes, crustáceos e moluscos marinhos cuja tecnologia de cultivo já está definida e apresenta bons resultados zootécnicos. C Todos os peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, répteis, equinodermos e outros animais aquáticos usados na alimentação humana. D Todos os organismos aquáticos marinhos que podem ser pescados por meio das diversas artes de pesca existentes. E Todos os organismos aquáticos de cultivo, de água doce ou salgada, que são utilizados na alimentação humana. A alternativa C está correta. A legislação brasileira, representada pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), é bem clara ao definir o conceito de pescado. Nela estão incluídas as diversas espécies de organismos aquáticos que são utilizadas na alimentação humana, incluindo tanto as de água doce como as de água salgada. Questão 2 Incontáveis espécies de organismos são cultivadas ao redor do mundo, sejam peixes, crustáceos ou moluscos, cada uma possuindo suas particularidades e formas de cultivo diferentes. Entretanto, em relação à finalidade do cultivo, podemos destacar o seguinte: A São destinados exclusivamente ao consumo humano, pois os recursos pesqueiros e aquícolas são as fontes de proteína mais consumidas no mundo. B Existem centenas de finalidades para o cultivo desses organismos e cada uma delas depende da espécie a ser utilizada. C Os peixes são utilizados exclusivamente para o consumo humano pois o seu aproveitamento é total para este tipo de destino, já os demais podem variar de acordo com a espécie. DO pescado pode ser destinado ao consumo humano direto ou como aditivo alimentar, como insumo para determinados setores industriais, de forma ornamental e ainda em alguns setores da pesquisa científica. EOs peixes marinhos são utilizados exclusivamente para fins de consumo humano e somente os de água doce e outros organismos aquáticos podem ser utilizados para fins ornamentais e de pesquisa. A alternativa D está correta. Os quatro principais usos do pescado são: na alimentação humana diretamente pelos produtos in natura, beneficiados ou utilizados como aditivos alimentares; na ornamentação, em aquários particulares ou públicos; nas indústrias, como na farmacêutica e na de alimentação animal para produção de rações; e em pesquisas científicas, por exemplo, como modelos de experimentação. 2. Sistemas de produção e qualidade da água na aquicultura Tipos de sistemas de cultivo Existem variados tipos de sistemas de cultivo, empregando as mais diversas tecnologias - às vezes, até um baixo nível de tecnologia - e formas diferentes de manejo de acordo com as espécies. Uma maneira de classificar os sistemas de cultivo de maneira mais ampla é em relação à densidade de animais que são criados em determinado espaço. Quanto maior for a densidade de animais, maior será a necessidade de tecnologia e manejo. Uma maior densidade permite uma maior produtividade. No entanto, os custos de produção aumentam proporcionalmente, nos quais os gastos com ração, aeração, mão de obra e controle da qualidade da água serão bem maiores. Sistema extensivo Os sistemas extensivos de piscicultura podem ser considerados atividades secundárias ou de subsistência devido às suas características de baixa produtividade por metro quadrado de área. Entretanto, quando se tem uma grande disponibilidade de espaço e água, a produção pode atender às necessidades de uma atividade comercial, pois o baixo custo de produção compensa a baixa produtividade. Sistema de cultivo do tipo extensivo, com hapas (redes) para a contenção dos alevinos. Normalmente, esses sistemas são mais comumente praticados em açudes naturais ou artificiais que não foram construídos para tal finalidade, como reservatórios utilizados como bebedouros paraanimais e para a irrigação de culturas. Ainda, são realizados em um sistema de policultivo (povoado com várias espécies de peixes) e o produtor não se preocupa com os custos. Comentário Nesse tipo de produção, praticamente não há manejo, somente na despesca. A alimentação de peixes é produzida naturalmente pela massa hídrica, não havendo, portanto, fertilização e/ou adubação na água. Não existem controles dos parâmetros de qualidade de água nem de abastecimento e drenagem. Não se faz adubação nem calagem antes do povoamento dos tanques. O crescimento dos animais é mais lento e, por isso, a atividade não é considerada um comercial clássico. Sistema semi-intensivo Nesse tipo de sistema, os viveiros são construídos estritamente com a finalidade de criar peixes. A tecnologia e o manejo empregados são mais avançados. Devem ser tomadas medidas no intuito de controlar o ambiente, assim como de manter a qualidade da água e a saúde dos animais. Veja a seguir algumas dessas medidas: Controle do abastecimento e drenagem da água A água de abastecimento deve ser captada de um local adequado, sem fontes de poluição ou de contaminação por resíduos tóxicos. É indicado o uso de um filtro no local de captação para evitar a entrada de espécies invasoras e resíduos. Essa água deve ser de boa qualidade. Troca de água em torno de 5% do volume total dos viveiros Deve-se estar atento à vazão de entrada da água nos viveiros, o mínimo de troca diária deve ser de 5%. Porém, dependendo da densidade de peixes existente nos viveiros, essa troca deverá ser maior. A troca de água é importante para a oxigenação da água e manutenção dos parâmetros físico- químicos. Controle de qualidade da água É de extrema importância que seja feito o monitoramento dos parâmetros de qualidade da água, pois esses influenciam diretamente no desenvolvimento e na saúde dos animais. A partir dos resultados, poderão ser feitas as correções por meio do controle de vazão da água. Prática da adubação orgânica e/ou química para implemento do alimento natural É utilizada para dar início a uma produção natural de alimento na água do viveiro. Estimula a formação do fitoplâncton e de outros organismos que servirão de alimento complementar para os peixes e microrganismos que participam da manutenção da qualidade da água. Calagem É feita antes do enchimento dos tanques. Serve para eliminar possíveis organismos que possam prejudicar os animais durante seu desenvolvimento, como predadores e patógenos. Além disso, também é uma maneira de corrigir o pH do solo e da água quando necessário. Povoamento feito com alevinos de espécies selecionadas É importante que se faça o povoamento com peixes selecionados e de boa linhagem genética, pois isso irá influenciar diretamente na produtividade como um todo. Animais de boa linhagem apresentam melhores ganho de peso e conversão alimentar. Fornecimento de ração Esse tipo de sistema necessita de um fornecimento adequado de ração balanceada para a espécie cultivada, bem como de tipos diferentes de ração de acordo com a fase de desenvolvimento em que se encontram. Por isso, o monitoramento do desenvolvimento dos animais deve ser feito adequando a alimentação constantemente. Aeração Em alguns casos, quando a densidade de peixes usada é maior ou quando a vazão da água não é suficiente para suprir a necessidade de oxigênio, é necessária a utilização de aeradores. Aeradores são equipamentos que acrescentam oxigênio à água por meio da movimentação. Sistema semi-intensivo em tanques escavados com o emprego da tecnologia de aeração. Sistema intensivo Esse tipo de sistema se caracteriza por possuir uma densidade alta de animais por metro cúbico, podendo variar, no caso da tilápia, por exemplo, de 35 a 100kg de peixe por metro cúbico. Utiliza tecnologias mais avançadas para proporcionar um ambiente propício ao desenvolvimento dos animais, por exemplo, um sistema de injeção de grande quantidade de oxigênio, esterilização da água por ultravioleta e presença de sistemas de filtragem. Por isso, tende a ser um sistema com maior custo de implantação e manutenção, por outro lado, a produtividade é bem mais alta. Em sistemas intensivos, a densidade de peixes é maior, assim como o manejo e a tecnologia empregados são aumentados. Existe uma grande variedade de tecnologias empregadas na aquicultura. Já conhecemos os sistemas de cultivo com base na densidade de animais. A seguir, conheceremos diferentes sistemas de produção e suas particularidades. Viveiros escavados, tanques de rede, Raceways e biofiltro Sistema de produção em viveiros escavados Os três tipos de cultivo que estudamos podem ser realizados em viveiros escavados ou tanques escavados, entretanto os mais comuns são os sistemas extensivos e semi-intensivos. Esses viveiros são as estruturas mais simples e difundidas na atividade de aquicultura, pois consistem na escavação dos tanques e seu abastecimento com água em quantidade adequada. Porém, apesar de simples, diversos aspectos devem ser considerados quando se pretende implantar esse sistema, como: o tipo de solo, a declividade do terreno, a distância da captação da água, a forma de sua distribuição, dentre outros fatores. Produção aquícola com bateria de viveiros escavados com sistemas de aeração. Sistema de produção em tanques-rede Esse tipo de sistema é mais utilizado em grandes lagos, açudes ou represas, em razão da grande profundidade, o que é necessário para a instalação dos tanques-rede. Também pode ser feito em viveiros escavados, desde que estes possuam profundidade suficiente. Os tanques-rede mais comuns possuem a capacidade de quatro metros cúbicos e podem suportar de 30 a 100kg de tilápia por metro cúbico, dependendo das características de circulação da água no reservatório ou tanque. A alimentação é exclusivamente artificial, pois os animais ficam confinados em um espaço pequeno e têm pouco acesso à alimentação natural. O monitoramento dos parâmetros da água é importante principalmente em viveiros escavados. Já em reservatórios, caso haja alguma alteração dos parâmetros, a alternativa seria a troca de posição dos tanques dentro dele para um local onde os parâmetros estejam melhores. Sistema marinho de produção em tanques-rede. Sistema de produção em Raceways As principais características desse sistema são as altas trocas de água e densidades altas de peixes, o que gera maior produtividade por metro cúbico com custos de produção menores. Porém, são necessários volumes muito grandes de água e, por isso, esse sistema se limita a regiões muito ricas em água de qualidade. Por não exigir gastos com tratamento, aeração e retorno da água, como nos sistemas de recirculação, esse sistema se torna mais rentável. Outras vantagens é que não gasta recursos com insumos e mão de obra para operações de fertilização e calagem, além de utilizar menores quantidades de produtos para desinfecção, prevenção e tratamento de enfermidades. Sistema de Raceway, muito comum em truticulturas. Os altos volumes de água repostos continuamente garantem um contínuo suprimento de oxigênio e remoção dos metabólitos dos peixes, principalmente os amoniacais e os restos de alimentos em decomposição. É necessário o fornecimento de ração balanceada como única fonte de alimento nesse sistema. Normalmente, utiliza-se monocultivo, ou seja, somente uma espécie é cultivada. A truticultura (cultivo de trutas) costuma utilizar esse tipo de cultivo, pois, normalmente, estão localizadas em locais com grande disponibilidade de água. Sistema de recirculação com biofiltro Esse sistema é semelhante ao utilizado em um aquário comum, porém em grande escala. Nesse caso, a água utilizada no cultivo não é descartada e renovada constantemente como em um sistema de viveiros escavados, pelo contrário, a água sofre todo um processo de tratamento e retorna ao tanque com a qualidade adequada para ser reutilizada. Esse sistema já é utilizado amplamente em outros países, como Israel e Estados Unidos. No Brasil, somente nos últimosanos, esse tipo de tecnologia vem ganhando espaço na aquicultura comercial. Os insumos e equipamentos ainda representam grande parte dos custos, tornando esse um sistema de elevado custo de implantação. Outro entrave para o seu uso é a carência de profissionais que dominam esse tipo de tecnologia e sua implantação, por isso é importante a capacitação de técnicos para atuar na área. O princípio do sistema de recirculação se baseia em etapas de tratamento da água, para que esta retorne ao tanque com a melhor qualidade possível. Vamos agora conhecer as etapas do tratamento de água. Decantação ou remoção de sólidos A primeira etapa é a retirada mecânica dos sólidos mais grosseiros. Isso pode ser feito por decantação ou com equipamentos específicos, como tambores de remoção contínua de sólidos. Remoção de sólidos menores Na segunda etapa, ocorre uma remoção mais fina de sólidos menores suspensos. Isso pode ser feito com equipamentos chamados de skimmers de proteínas. Inicialmente usados em aquários marinhos, esses equipamentos, em maior escala, são utilizados na aquicultura para remover os sólidos de menor tamanho e ainda auxiliar na clarificação da água. Remoção de Em alguns sistemas, são utilizadas técnicas para a remoção do CO2 da água após sua passagem pelos filtros mecânicos, pois altas concentrações desse gás podem prejudicar até a respiração dos peixes. A maneira mais comum de cumprir essa etapa é por meio da passagem da água por gravidade através de uma estrutura de placas ou outro substrato (desgaseificador), havendo um aumento da superfície de contato entre o ar e a água. Assim, o CO2 evapora reduzindo significativamente sua concentração na água. Filtragem biológica Essa é a fase mais importante em um sistema de recirculação. No filtro biológico, ocorre a ação das bactérias nitrificantes (Nitrobacter e Nitrosomonas), essenciais para a manutenção da qualidade da água. Esses microrganismos têm a capacidade de converter a amônia em nitrito, o qual, por sua vez, é transformado em nitrato, um composto nitrogenado menos tóxico para os peixes e que pode permanecer em concentrações mais elevadas na água. No filtro, é colocado um substrato no qual as bactérias irão se fixar e realizar a nitrificação. O interior do filtro precisa permanecer sempre com água. Necessário para o metabolismo bacteriano, o oxigênio deve ser acrescentado por meio de um sistema de aeração. Injeção de oxigênio A oxigenação em sistemas de recirculação pode ser feita de diversas maneiras, no tanque ou ao longo do sistema, por sopradores de ar ou injeção de oxigênio puro. O ar ou o oxigênio são injetados na água por meio de um sistema de tubulação. Para oxigênio puro, é utilizado um cone de injeção de oxigênio que torna o processo mais eficaz. Esterilização UV Uma última etapa é a esterilização da água por luz ultravioleta. A água passa por meio de um filtro UV, que elimina todos os microrganismos patogênicos que poderiam causar alguma doença nos animais. Esse procedimento não é obrigatório, mas é altamente recomendado. O sistema de recirculação é feito em tanques suspensos. As vantagens desse tipo de cultivo são muitas, sendo as principais: Não necessita de grandes movimentações de terra. Uso de baixo volume de água para enchimento dos tanques de produção e baixo volume de troca de água, sendo somente reposto o que evapora. Alta capacidade de estocagem, variando de 20 a 80kg/m3. • • • Maior controle da produção e uniformidade quanto ao desenvolvimento de animais. Necessita de pouca mão de obra. Facilidade no povoamento, manejo e na despesca. Entre as desvantagens, estão: Alto custo de implantação. Necessidade de mão de obra mais qualificada. Gasto com energia elétrica para o funcionamento das bombas. Maior custo com ração por não haver a possibilidade de alimentação natural. Sistema de aquicultura em recirculação com biofiltros. Bioflocos e aquaponia Sistema de bioflocos O sistema de bioflocos ou do inglês BFT (Biofloc Technology) é classificado como intensivo, pois são utilizadas altas densidades de animais. Devido a essa característica, sua produtividade por metro cúbico é alta, podendo girar em torno de 35 a 75kg. Esse sistema foi desenvolvido há muitos anos, porém ganhou força na aquicultura brasileira somente recentemente. O nível de tecnologia aplicada ainda é considerado alto, porém não tanto quanto aquele utilizado em sistema de recirculação com biofiltro. É necessário um investimento maior do que em sistemas tradicionais, pois esse sistema ocorre em tanques suspensos ou revestidos. Outra desvantagem seria a instabilidade do sistema de bioflocos em comparação ao de biofiltro, pois as mudanças de parâmetros da água, principalmente do oxigênio, podem variar amplamente em pouco tempo, e a necessidade de oxigênio é bem maior em razão das características do sistema. Um sistema de bioflocos não utiliza renovação de água. Somente é reposta a água perdida pela evaporação e pela remoção do excesso de sólidos. O princípio desse sistema se baseia na atividade de dois grupos de bactérias: Heterotróficas e Quimioautotróficas (nitrificantes). Os microrganismos irão promover o condicionamento da água por meio de seu metabolismo. Esse é o mesmo processo que ocorre em um ambiente natural equilibrado, porém no sistema de bioflocos ele é forçado artificialmente. As bactérias agem em conjunto - as heterotróficas consomem a amônia formada e a transformam em nitrito que, por sua vez, será convertido a nitrato pelas quimioautotróficas -, por isso devem estar em constante equilíbrio. Para tanto, é necessário fornecer todos os componentes que essas bactérias precisam para realizar suas funções. Essencialmente, tais componentes são: uma fonte de carbono, para manter a relação carbono/ nitrogênio do meio; um substrato para a colonização bacteriana; uma fonte de alcalinidade necessária ao • • • • • • • metabolismo bacteriano; e, principalmente, altas quantidades de oxigênio, o qual será utilizado tanto pelos peixes quanto pelas bactérias. Outro aspecto a ser observado é o nível de sólidos suspensos, que deve ser corrigido por meio de um sistema de decantação assim que ultrapassar os limites recomendados. Comentário O sistema de bioflocos, normalmente feito em tanques suspensos, deve possuir um sistema de aeração contínuo feito por sopradores ou bombas de circulação com sistemas venturi, que são tubos capazes de reduzir o tamanho das bolhas e de aumentar sua produção sob pressão. A aeração deve ser constante, com risco de perda de todos os animais caso haja alguma falha. O monitoramento dos parâmetros deve ser diário, pois as mudanças podem ocorrer rapidamente e as alterações devem ser corrigidas o mais rápido possível. Dentre as vantagens desse sistema, podemos citar que todo o processo de tratamento da água é feito no próprio tanque, sem a necessidade de equipamentos mais elaborados, além disso o próprio biofloco formado tem alto valor nutritivo e serve de alimento para os peixes, reduzindo o custo com ração. Como desvantagem, estão a instabilidade do sistema frente às alterações dos parâmetros de qualidade da água e o risco de mortalidade dos animais. Sistema de bioflocos em tanques suspensos. Aquaponia A aquaponia é um sistema de produção que une a aquicultura e a hidroponia. Nesse tipo de cultivo, há um consórcio entre plantas e animais. As plantas utilizam os resíduos de matéria orgânica produzida nos tanques para se desenvolver e, ao mesmo tempo, retiram o nitrato acumulado na água. A água então retorna ao tanque com uma melhor qualidade, o que é benéfico para os peixes. As bactérias nitrificantes estão presentes nas raízes das plantas e no substrato dos canteiros, que podem ser de cascalho, argila ou outro material semelhante. Essas bactérias realizam o processo de nitrificação, gerando o nitrato no final. Nesse tipo de sistema, dois produtos são obtidos, as hortaliças e o peixe, aumentando o lucro do produtor. Pequeno sistema de aquaponia, a associação do cultivode peixes e hortaliças. Inicialmente, essa modalidade começou pequena e como forma de subsistência, porém já existem cultivos comerciais em funcionamento no Brasil e no mundo. Diversas espécies podem ser cultivadas nesse sistema, inclusive em consórcio. A tilápia é a mais comumente cultivada devido às suas características de produtividade, resistência e adaptação. Qualidade da água: principais parâmetros Para iniciar qualquer atividade de aquicultura, a primeira preocupação deve ser a água: sua quantidade e sua qualidade. Para que se conheça a qualidade da água, é necessária a realização das análises de seus parâmetros, alguns dos quais são essenciais para a atividade aquícola. Quando ocorrem alterações nos parâmetros da água, os animais começam a sofrer um processo de estresse, que pode levar a doenças e até a morte. Dentre os parâmetros da água mais importantes e que devem ser monitorados, podemos destacar: Temperatura A temperatura interfere em todas as atividades fisiológicas dos organismos aquáticos, tanto que variações na escala de 3 a 4°C em um mesmo dia podem ser extremamente prejudiciais aos peixes. A aferição da temperatura pode ser feita com um termômetro comum ou com equipamentos mais sofisticados, como sondas multiparâmetros comumente utilizadas em aquicultura. Tanto o aumento quanto a queda excessiva da temperatura geram inicialmente uma redução ou parada total da alimentação, o que prejudica o desenvolvimento e a produtividade do cultivo. A temperatura também interfere e pode potencializar alterações em outros parâmetros, como é o caso da amônia. A solução de problemas relacionados à variação da temperatura depende do tipo de cultivo: em viveiros escavados, por exemplo, é possível aumentar a vazão de água; em estufas, pode-se abrir ou fechar as cortinas conforme a necessidade. Cor A coloração da água tem maior importância em viveiros escavados, podendo indicar a presença de organismos benéficos ou não dentro do tanque. A coloração verde, por exemplo, indica que a água está propícia para o cultivo, pois demonstra a existência de elementos básicos para a manutenção da vida aquática, como as microalgas. Águas cristalinas indicam uma baixa produtividade do viveiro, contudo, em sistemas de recirculação, a água deve ser cristalina, pois recebe o tratamento do sistema de filtragem. As alterações na coloração da água em viveiros podem ser corrigidas por meio de adubação e fertilização. Turbidez Águas muito turvas não são indicadas para a utilização em aquicultura, principalmente em tanques escavados, pois dificultam a penetração da luz solar, impedindo a formação do fitoplâncton. Entretanto, em sistemas de bioflocos, a água é sempre turva e de coloração marrom devido à presença dos flocos e isso é desejável. Visibilidade ou transparência É a capacidade da água de permitir a passagem dos raios solares, estando ligada à profundidade e à turbidez. Quanto mais turva for a água e maior a sua profundidade, menor será a transparência, e isso não é desejável. Existem valores considerados ideais para a transparência de acordo com a profundidade da água, o que pode ser medido por meio do disco de Secchi. Esse instrumento é mergulhado na água e possui uma fita graduada que mede a profundidade na qual o disco ainda pode ser visto. A luz é fonte de energia para as plantas cIorofiladas e algas, que produzem oxigênio por meio da fotossíntese. Sem plantas e algas, não há produção de oxigênio. Em sistemas intensivos de recirculação ou bioflocos, esse fator não tem tanta importância, pois há uma aeração forçada incorporando oxigênio à água. Disco de Secchi utilizado para a verificação da transparência da água. Oxigênio dissolvido (OD) O oxigênio é essencial à vida e aos processos biológicos no meio aquático, como fotossíntese, respiração e decomposição. O nível de oxigênio pode variar ao longo do dia, principalmente em sistemas mais extensivos e sem suplementação, aumentando durante o dia e caindo durante a noite, devido ao processo de fotossíntese realizado pelo fitoplâncton em presença de luz. Recomendação O nível recomendado de oxigênio dissolvido é, normalmente, acima de 4mg/L, porém, em alguns tipos de sistemas, pode chegar a 6mg/L. Níveis abaixo de 4mg/L prejudicam os processos e, consequentemente, o desenvolvimento dos animais. O oxigênio é incorporado à água por meio do ar e da troca de água. A movimentação da água também incorpora o oxigênio, ou seja, quanto maior a movimentação da água, maior a incorporação de oxigênio. Os aeradores estão entre as técnicas de oxigenação mais utilizadas, ao movimentarem a água, aumentam sua superfície de contato com o ar, incorporando assim mais oxigênio. Outra técnica é a injeção de ar ou o gás puro na água por meio de sopradores e concentradores de oxigênio usados em sistemas mais intensivos. Sonda multiparâmetros para medição de oxigênio, pH e temperatura Aerador de pás utilizado para incorporação de oxigênio na água pH Indica o grau de acidez da água e sua escala varia de 0 a 14, sendo o valor 7 considerado neutro. O pH abaixo do valor neutro, é ácido; e acima, alcalino. O pH é muito importante nos ambientes aquáticos, pois interfere diretamente na saúde dos animais e nas reações que ocorrem no ambiente aquático. O pH alcalino, por exemplo, é responsável por uma percentagem de amônia não ionizada presente na água. Valores entre 7 e 8 são recomendados para a maioria das espécies, embora algumas possam suportar variação sem apresentar qualquer efeito deletério. Valores inferiores a 3,5 e acima de 12 podem causar morte rápida dos animais. Amônia, nitrito e nitrato A amônia é o principal produto de excreção dos organismos aquáticos resultante do metabolismo das proteínas. Alguns fatores, como pH, temperatura e salinidade, interferem no equilíbrio da amônia, pois, dependendo dos seus valores, a toxidez pode se intensificar. A amônia pode ser analisada da seguinte forma: Amônia não ionizada (NH3) É mais tóxica para organismos aquáticos, pois difunde-se facilmente por meio das membranas branquiais. Essa aumenta dez vezes para cada grau de pH que aumenta na água, o que demonstra a importância da interferência de outros parâmetros na sua toxicidade. Amônia ionizada (NH4+) É a amônia que penetra lentamente nas membranas e, por consequência, é menos tóxica. Amônia total A amônia total é a junção da ionizada com a não ionizada e deve estar abaixo de 0,05mg/L. Outro metabólito de importância é o nitrito (NO2 -), um intermediário do processo de nitrificação, durante o qual a amônia é oxidada a nitrato (NO3 -) pela ação de bactérias. O nitrito é tóxico para os organismos aquáticos e seus níveis devem permanecer abaixo de 0,3mg/L, podendo levar à morte dos animais. Já o nitrato, o produto da conversão do nitrito, é mais seguro e pode estar em concentrações mais elevadas na água sem causar grandes problemas. Teste colorimétrico para medição de pH Equipamento digital para medição de pH Alcalinidade Refere-se à quantidade de carbonato (CO3), bicarbonato (HCO3) e hidróxido (OH) disponível na água para as reações químicas e utilização pelos microrganismos. A faixa ideal situa-se entre 40 e 60mg/L, podendo variar de 20 a 200mg/L em diferentes tipos de sistemas. A alcalinidade representa a capacidade da água em manter seu equilíbrio ácido-básico. Águas com alcalinidade total baixa apresentam reduzido poder tampão e podem apresentar flutuações nos valores de pH. A alcalinidade total é determinada por um processo titulométrico, no qual é feita a titulação, medindo-se o volume que uma solução padrão gasta para modificar a coloração da solução de interesse. Dureza A dureza está intimamente relacionada à alcalinidade e se refere à quantidade de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) presente na água, que são combinados ao carbonato e/ou bicarbonato, podendo o Ca e o Mg estarem associados também com o sulfato e o cloreto. Juntamente com a alcalinidade, confere o poder tampão da água. A faixa ideal situa-se entre 40 e 60mg/L, podendo tambémvariar de 20 a 200mg/L. Sólidos totais Em um sistema de bioflocos, a concentração de sólidos totais deve ser monitorada e, sempre que atingir níveis elevados, deve-se fazer a correção por meio da decantação. O monitoramento é feito com Cone Imhoff, um recipiente cônico graduado no qual a água do tanque é colocada e deixada para decantar. Após o período de espera, mede-se a quantidade de sólidos no recipiente. O ideal é que a quantidade seja mantida na faixa de 40 a 60ml/L. Cones Imhoff para medição de sólidos totais em sistemas de aquicultura. Quanto mais intensivo o sistema, mais frequente deve ser o monitoramento da água. Os parâmetros da água devem ser registrados, frequentemente, durante todo o período de produção e anotados em ficha técnica para que sirvam de referência para a correção de futuras alterações ou para novos ciclos. Os instrumentos de mensuração podem ser encontrados com facilidade em lojas especializadas, kit de análise de água ou aparelhos digitais. A importância do monitoramento está na sua interpretação e interferência no sistema quando diagnosticada a necessidade. Planejamento e construção de viveiros escavados Confira agora os principais aspectos que devem ser observados antes de se escolher o lugar para iniciar a construção de viveiros escavados: declividade do local, tipo de solo, construção e medidas de taludes, entrada e saída de água, sistemas de captação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Tipos de sistemas de cultivo Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Qualidade da água e seus principais parâmetros Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Existem diversas formas e tecnologias de cultivo de organismos aquáticos, que variam de acordo com a espécie-alvo e a finalidade da produção. Entretanto, uma divisão mais ampla pode ser feita com base na densidade de animais criados em determinado espaço. Assinale a alternativa que aponta corretamente essa divisão. A Tanques escavados, tanques-rede e Raceways. B Sistema de recirculação, sistema de bioflocos e sistema de biofiltro. C Tanques suspensos, viveiros escavados e tanques revestidos. D Sistemas extensivos, sistemas semi-intensivos e sistemas intensivos. E Aquicultura em água doce, aquicultura em água salgada e aquicultura em sistemas estuarinos. A alternativa D está correta. Em relação à densidade de animais em um sistema de aquicultura, a classificação pode ser em sistemas extensivos, semi-intensivos e intensivos, nos quais a quantidade de animais em determinado espaço aumenta respectivamente. O aumento da densidade de animais está ligado ao da produtividade, entretanto a tecnologia aplicada e os custos de produção também aumentam proporcionalmente. Questão 2 Um sistema de recirculação com biofiltro tem certa semelhança com o sistema de filtração de um aquário, no qual são utilizadas algumas etapas de tratamento da água para que esta retorne ao tanque com boa qualidade e permita a manutenção e desenvolvimento dos animais. Assinale a opção que apresenta a sequência correta das etapas desse tipo de sistema. A Esterilização da água, povoamento, arraçoamento, monitoramento da qualidade da água e despesca. B Decantação ou remoção dos sólidos, remoção de sólidos menores, remoção do CO2, filtragem biológica, injeção de oxigênio e esterilização por ultravioleta. C Decantação ou remoção dos sólidos, filtragem biológica, remoção do CO2, injeção de oxigênio, aeração e esterilização por ultravioleta. D Filtragem biológica, filtragem mecânica, aeração, esterilização por ultravioleta e bombeamento da água para o tanque. E Filtragem mecânica, aeração, remoção de CO2, injeção de oxigênio e esterilização por ultravioleta. A alternativa B está correta. Existe uma sequência correta de etapas que deve ser respeitada para que um sistema de recirculação com biofiltro seja eficiente. Uma falha em qualquer etapa pode acarretar sérios problemas ao funcionamento do sistema. Inicialmente, são removidos os sólidos maiores e, depois, sendo facultativo, porém recomendado, são utilizados skimmers para remover partículas menores. Posteriormente, é retirado o excesso de CO2 e inicia-se a filtragem biológica, seguida da injeção do oxigênio e esterilização por ultravioleta. Essa sequência garante a eficácia do tratamento da água. 3. Manejo do pescado Introdução ao manejo de cultivos e controle sanitário O manejo a ser realizado em um sistema de produção em aquicultura varia conforme o tipo do sistema. Quanto mais intensivo e tecnificado for o sistema, mais complexo será o manejo. O manejo engloba todas as atividades, desde a preparação da água e dos viveiros, passando pelo povoamento, arraçoamento, monitoramento da qualidade da água e do desenvolvimento dos animais, controle sanitário até a despesca ao final do ciclo produtivo. Controle sanitário Fazem parte do controle sanitário todas as medidas tomadas com o intuito de evitar doenças e perdas nos animais de cultivo durante todo o ciclo de produção. Vamos conhecer tais medidas a seguir: Escolha de animais de boa linhagem Escolher animais com boa linhagem produtiva e de fornecedores idôneos é de extrema importância para um bom cultivo, pois serão animais com melhor desenvolvimento e mais resistentes às doenças. Vacinação A vacinação dos animais contra as principais doenças que podem os acometer influencia diretamente no sucesso do cultivo, pois animais vacinados estão menos propensos a adoecer e causar prejuízos ao produtor. É mais fácil e barato prevenir do que tratar as doenças já estabelecidas. Desinfecção e tratamento da água Utilizar uma água de boa qualidade e livre de patógenos é um ponto-chave nos cultivos. Em alguns sistemas, utilizam-se filtros simples na captação, porém, em sistemas fechados mais avançados, a água pode ser tratada com cloro, que depois será retirado, garantindo uma água segura para a introdução dos animais. Aclimatação A aclimatação dos animais no momento do povoamento deve ser feita para que haja uma adaptação gradual dos animais entre a água de transporte e a dos viveiros ou tanques. Os sacos com os peixes devem ser colocados fechados nos tanques por, pelo menos, 20 minutos, e a água misturada para evitar choques durante a soltura. Outras medidas também fazem parte do controle sanitário, tais como: quarentena para a introdução de novos animais, retirada de animais doentes e mortos, armazenamento adequado dos insumos e higiene dos equipamentos. Introduzir animais sem o devido período de quarentena pode permitir a entrada de doenças em um ambiente de animais saudáveis, podendo acarretar perdas enormes para o cultivo. Esse risco também ocorre com relação à retirada de animais doentes ou mortos e de utensílios usados no manejo, pois, quanto mais tempo esses animais permanecerem nos tanques, ou se os tanques não forem bem higienizados, maiores serão as chances de disseminação de uma possível doença. Além disso, animais mortos representam matéria orgânica que sobrecarrega o sistema. Alimentos e outros insumos mal-acondicionados podem gerar prejuízos com relação tanto à sua perda quanto à contaminação do ambiente. Por exemplo, rações com presença de fungos podem contaminar a água ou levar toxinas ao trato digestivo dos animais. Monitoramento, arraçoamento, biometria e despesca Monitoramento dos peixes Sempre que possível, durante o manejo normal, deve ser feita a observação do estado e do comportamento dos animais. É importante observar a natação e sua posição no tanque, se estão se alimentando normalmente ou se há sinais de lesões ou doenças. Esse monitoramento, associado à observação dos parâmetros da água, garante a base para que medidas sejam tomadas a fim de corrigir possíveis problemas que causariam perdas ao plantel. Por exemplo, peixes nadando e boquejando na superfície do tanque pode significar baixos níveis de oxigênio na água, o que gera a necessidade de aeraçãopara aumentar a sua disponibilidade para os animais. Monitoramento da água O monitoramento dos parâmetros da água deve ser frequentemente realizado. Deve-se estabelecer uma periodicidade diária ou semanal, de acordo com a necessidade. Porém, em casos em que se observa alguma alteração nos animais, estes devem ser medidos novamente ou com maior frequência, até a resolução do problema. Os dados obtidos devem ser sempre anotados em planilhas e tabelas, o que pode auxiliar que decisões futuras sejam tomadas com mais rapidez. Além dos parâmetros físico-químicos, aspectos gerais da água também devem ser observados, tais como: coloração, odor, presença de organismos invasores, dentre outras. Arraçoamento O fornecimento de ração, embora pareça um aspecto simples da atividade, possui características mais complexas que podem interferir na produtividade, além representar cerca de 70% do custo de produção. Inicialmente, deve ser escolhida uma ração de boa qualidade, adequada à espécie criada e a cada fase de desenvolvimento. Se tais fatores não forem respeitados, a produtividade será afetada diretamente. A partir do momento que se possui uma ração de boa qualidade, a quantidade a ser fornecida em cada fase deve ser respeitada. Essa quantidade é indicada em forma de porcentagem da biomassa total de animais e varia de acordo com a fase de crescimento e o peso. Essas informações são amplamente conhecidas e podem ser obtidas nas tabelas desenvolvidas para cada espécie e nas embalagens das rações. Atenção É importante conhecer a totalidade da biomassa e que essa seja constantemente monitorada, para que seja feita a adequação da quantidade de ração a ser fornecida. Outro fator a ser observado é a temperatura da água durante o arraçoamento. Caso a temperatura esteja muito alta ou muito baixa, deve-se reduzir a quantidade de ração fornecida. Dependendo da variação da temperatura, é possível nem mesmo fornecer a ração. A maneira de oferecer a ração aos animais também é importante. A ração deve ser espalhada em todo o tanque para que todos os animais possam se alimentar. Deve ser consumida em, no máximo, 10 minutos para evitar sobras e acúmulo de matéria orgânica nos tanques, bem como a perda de ração. Ração extrusada balanceada para alimentação de peixes cultivados. Biometria A biometria é o monitoramento do desenvolvimento dos animais. Ela é importante para que seja feita a adequação da quantidade de ração a ser fornecida diariamente. Consiste na coleta de uma amostragem de animais, aproximadamente 10%, mas pode ser menos dependendo do total de animais. São feitas de 3 a 10 amostragens em intervalos curtos de tempo. Os animais são pesados e, em seguida, é feita uma média de peso. Posteriormente, essa média é multiplicada pelo número total de animais no tanque e, desse modo, se obtém a biomassa total. A partir da tabela de arraçoamento, se define qual a quantidade de ração a ser fornecida com base na biomassa. O intervalo de tempo mais recomendado para esse manejo é a cada 15 dias durante todo o ciclo produtivo, porém pode variar. Para sua realização, é recomendado que os animais estejam em jejum de, pelo menos, 24 horas. Pode ser adicionado sal à água dos baldes utilizados para a realização da biometria, pois reduz o estresse e evita a ocorrência de doenças. Despesca A despesca é a retirada dos peixes do tanque para serem destinados ao abate. Normalmente, os peixes são transportados vivos em caminhões-tanque, para serem abatidos no frigorífico. O ideal é que seja feita uma depuração antes do abate, pois permite a eliminação do composto geosmina, que pode conferir um sabor desagradável à carne do peixe (off flavor), mas nem todos os frigoríficos possuem local adequado para esse procedimento. Os peixes devem ser mantidos em jejum de, pelo menos, 24 horas antes da despesca, a qual deve ser rápida, porém, organizada e segura, tanto para os funcionários quanto para os animais, o que evitará lesões e perdas. Rede de despesca utilizada para retirada dos peixes dos tanques de cultivo ao final do ciclo produtivo. Normalmente, a despesca é feita com redes de despesca, porém, em alguns tipos de sistemas mais tecnificados, existem equipamentos que fazem o transporte dos animais do tanque direto para os caminhões ou pequenos guindastes com cestos. Os peixes capturados devem ser transportados o mais rápido possível para os caminhões, devendo-se evitar as horas mais quentes do dia para realização dessa etapa. Monitoramento do comportamento dos peixes e do aspecto da água Confira agora como identificar os sinais no comportamento dos peixes ou no aspecto da água que podem indicar problemas no cultivo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Controle sanitário no manejo do pescado Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Etapas de arraçoamento, biometria e despesca no manejo do pescado Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 No manejo de um sistema de aquicultura, existem vários aspectos que devem ser considerados para o sucesso da atividade, dentre eles o controle sanitário tem grande importância para evitar perdas e prejuízos ao longo do ciclo produtivo. Assinale a alternativa que define o controle sanitário. A Consiste na vacinação dos animais com o objetivo de evitar as principais doenças que acometem os peixes de cultivo no Brasil. B Fazem parte do controle sanitário todas as medidas tomadas com o intuito de evitar doenças e perdas nos animais de cultivo durante todo o ciclo produtivo. C São as pesagens constantes dos animais realizadas para a adequação do quantitativo de ração a ser fornecida diariamente para os animais. D É a seleção e separação de animais por grupos de acordo com o desenvolvimento, em que lotes de animais de pesos semelhantes são separados e mantidos juntos em um tanque. E É o controle do estado de saúde dos funcionários, através da realização de exames periódicos, evitando a presença de pessoas que possam levar algum tipo de contaminação ao local de trabalho. A alternativa B está correta. O controle sanitário representa todo um conjunto de ações que devem ser tomadas com o objetivo de manter ao máximo a saúde dos animais e a sanidade das instalações, evitando assim as perdas que podem ocorrer quando determinada doença se instala. A prevenção é menos custosa do que o tratamento dos animais. Muitas vezes, é necessário que seja eliminado todo o lote, pois, devido à dificuldade de tratamento em um ambiente aquático, geralmente é mais caro tratar do que eliminar o plantel e recomeçar o ciclo. Questão 2 A biometria é uma das etapas mais importantes do manejo na atividade aquícola. Ela permite avaliar o desenvolvimento dos animais e adaptar a quantidade de ração a ser fornecida diariamente aos animais de acordo com a biomassa total do tanque. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que apresenta a frequência de realização da biometria e a porcentagem da amostra mais indicadas, respectivamente. A A cada 30 dias em 30% do total de peixes. B A cada 3 meses em 25% do total de peixes. C A cada 15 dias em 10% do total de peixes. D No início e no final do ciclo produtivo, em 50% do total de peixes. E Semanalmente, em 3% do total de peixes. A alternativa C está correta. A realização da biometria a cada 15 dias é a mais recomendada, pois permite avaliar de forma adequada o crescimento dos animais. Um tempo de intervalo muito curto não permitiria identificar diferenças significativas que justificassem o estresse dos animais durante o procedimento. Já um tempo de intervalo muito longo deixaria defasado o ajuste do quantitativo de ração a ser fornecida, sendo aquém do necessário e prejudicando o desenvolvimento dos animais. A amostragem de 10% é suficientemente representativa do total, em especial quando é feita em 3 a 10 lotes diferentes, permitindo a captura aleatória dos animais. 4. Conclusão Considerações finais Nesteconteúdo, aprendemos que existem diversas formas de cultivo e captura de organismos aquáticos, que variam de acordo com a finalidade de produção, a espécie a ser obtida e o local de implantação. Algumas formas de cultivo são mais complexas e outras mais simples. No geral, o aumento da produtividade está diretamente relacionado à sua complexidade. Os profissionais atuantes nessa área devem ter sempre em mente que uma avaliação prévia e minuciosa das características do local e da necessidade do produtor ou pescador deve ser feita antes de iniciar um projeto, sob o risco de inviabilizar a sua implantação e causar prejuízos irrecuperáveis. Fatores como a legislação ambiental, fonte de insumos e mercado consumidor para o produto também devem ser levados em consideração, visando sempre facilitar a atividade e reduzir custos. Seja qual for o sistema de produção escolhido, o profissional deve sempre aprofundar seus conhecimentos a respeito dele, atualizando- se e buscando melhorias na produtividade. Essa atualização também é importante em relação à pesca, atividade que já apresenta sinais de queda na produção devido à sobrexplotação, o que gera a necessidade de se tomar medidas que preservem os estoques naturais de pescado, mas que supram as necessidades da atividade, o que só será possível por meio do conhecimento de todos os aspectos que a envolvem. Podcast Ouça agora um resumo dos principais aspectos das instalações em aquicultura e do manejo do pescado. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Nesse vídeo, esclarecemos os conceitos de pescado, produção pesqueira e aquicultura. Exemplificamos os diversos usos do pescado, como alimentar, ornamental, científico e até medicinal. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Explore + Confira agora o que separamos especialmente para você! É importante que o profissional que vai atuar na área tenha conhecimento da legislação sobre Pesca e Aquicultura e quais instâncias estão envolvidas em cada região. Essas informações podem ser encontradas on-line nos portais das principais agências reguladoras, como o Ministério da Agricultura, IBAMA, órgãos ambientais estaduais e municipais. Ainda, você pode consultar os materiais abaixo para complementar seu aprendizado sobre o tema: Assista ao vídeo Recirculating Aquaculture Systems, no canal Veolia Water Technologies. Em inglês, o vídeo apresenta o funcionamento de um sistema de aquicultura em recirculação com biofiltro e • demonstra todas as etapas de tratamento da água. Acesse o site do INEA e leia as legislações sobre aquicultura e as principais normas que regulam a atividade aquícola no Estado do Rio de Janeiro. Acesse o site do Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro para obter informações sobre a pesca e a aquicultura no estado, dados de produção, material informativo e relatórios sobre as atividades. Acesse o site da Embrapa Pesca e Aquicultura, no qual você encontra diversas publicações sobre atividade aquícola, manejo e consumo de pescado. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA PISCICULTURA. PEIXE BR. Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2021. São Paulo: Texto Comunicação Corporativa, 2021. BRASIL. Decreto nº 10.468, de 18 de agosto de 2020. Diário Oficial da União, Brasília, 2020. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Consumo e tipos de peixe no Brasil. [on-line]. Consultado na internet em: 6 jun. 2022. BREGNBALLE, J. A guide to recirculation aquaculture: An introduction to the new environmentally friendly and highly productive closed fish farming systems. Copenhagen, 2015. CAMPECHE, D. F. B. et al. Peixes nativos do Rio São Francisco adaptados para o cultivo. Petrolina: Embrapa semiárido, 2021. FAO. The state of world fisheries and aquaculture: sustainability in action. Food and Agriculture Organization of the United Nations, Rome, 2020. 224p. MELO, J. M. C. Cultivo do camarão marinho Litopenaeus vannamei em sistema intensivo e semi-intensivo na fazenda Aquarium Aquicultura do Brasil LTDA. 2018, Monografia (Bacharelado em Engenharia de Pesca), UFRP, Serra Talhada, 2018. PEREIRA, A. C.; SILVA, R. F. Produção de Tilápias. Niteroi: Programa Rio Rural, 2011. REZENDE, F. P.; FUJIMOTO, R. Y. Peixes ornamentais no Brasil: Mercado, legislação, sistemas de produção e sanidade. Brasília: Embrapa, 2021. SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL. SENAR. Piscicultura: manejo e qualidade da água. Brasília: Senar, 2019. XIMENES, L. F. Produção de pescado no Brasil e no Nordeste. Caderno Setorial ETENE, Fortaleza, ano 5, n. 150, p. 1-16, jan. 2021. • • • Instalações em aquicultura e manejo do pescado 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Panorama geral da aquicultura e da pesca no Brasil Pescado e aquicultura Definições de pescado e aquicultura Piscicultura Carcinicultura Malacocultura Algicultura Ranicultura Quelonicultura Jacaricultura Produção pesqueira e aquícola Finalidades da produção Consumo humano direto Uso ornamental Pesquisa científica Uso na indústria Espécies aquáticas cultivadas no Brasil Tilápia (Oreochromis niloticus) Carpa comum (Cyprinus carpio) Tambaqui (Colossoma macropomum) Pacu (Piaractus mesopotamicus) Pirarucu (Arapaima gigas) Pangassius (Pangasianodon hypophthalmus) Dourado (Salminus brasiliensis) Curimatã (Prochilodus sp.) Truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss) Pintado ou surubim (Pseudoplatystoma corruscans) Camarão cinza (Litopenaeus vannamei) Rã-touro (Lithobates catesbeianus) Reprodução induzida em ranicultura Conteúdo interativo Maricultura e pesca Aquicultura marinha (maricultura) Malacocultura Algicultura Piscicultura marinha Carcinicultura Pesca e artes de pesca Arrasto Cerco Vara e isca viva Redes de espera Espinhel Linha e anzol Tarrafa Gaiola, armadilha, covo ou pote Vem que eu te explico! Definições de pescado e aquicultura Conteúdo interativo Principais espécies aquáticas cultivadas no Brasil Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Sistemas de produção e qualidade da água na aquicultura Tipos de sistemas de cultivo Sistema extensivo Comentário Sistema semi-intensivo Controle do abastecimento e drenagem da água Troca de água em torno de 5% do volume total dos viveiros Controle de qualidade da água Prática da adubação orgânica e/ou química para implemento do alimento natural Calagem Povoamento feito com alevinos de espécies selecionadas Fornecimento de ração Aeração Sistema intensivo Viveiros escavados, tanques de rede, Raceways e biofiltro Sistema de produção em viveiros escavados Sistema de produção em tanques-rede Sistema de produção em Raceways Sistema de recirculação com biofiltro Decantação ou remoção de sólidos Remoção de sólidos menores Remoção de Filtragem biológica Injeção de oxigênio Esterilização UV Bioflocos e aquaponia Sistema de bioflocos Comentário Aquaponia Qualidade da água: principais parâmetros Temperatura Cor Turbidez Visibilidade ou transparência Oxigênio dissolvido (OD) Recomendação Sonda multiparâmetros para medição de oxigênio, pH e temperatura Aerador de pás utilizado para incorporação de oxigênio na água pH Amônia, nitrito e nitrato Amônia não ionizada (NH3) Amônia ionizada (NH4+) Amônia total Teste colorimétrico para medição de pH Equipamento digital para medição de pH Alcalinidade Dureza Sólidos totais Planejamento e construção de viveiros escavados Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Tipos de sistemas de cultivo Conteúdo interativo Qualidade da água e seus principais parâmetros Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Manejo do pescado Introdução ao manejo de cultivos e controle sanitário Controle sanitário Escolha de animais de boa linhagem Vacinação Desinfecção e tratamento da água Aclimatação Monitoramento, arraçoamento, biometria e despesca Monitoramento dos peixes Monitoramento da água Arraçoamento Atenção Biometria Despesca