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AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DA APRENDIZAGEM CURSO: PEDAGOGIA Prof. Me. Erick Cavalcante A avaliação como um mecanismo de aperfeiçoamento das práticas didáticas vem sendo elemento integrador das formações docentes em todo o país, além de circunscrever os planejamentos de sala de aula e os de instâncias governamentais. Avaliação da aprendizagem – fundamentos teóricos e metodológicos A avaliação pode ser compreendida de diferentes formas: como elemento integrador entre aprendizagem e ensino; como ajuste e orientação da intervenção pedagógica. A avaliação não tem um fim em si mesma; é um mecanismo pedagógico de intervenção com o objetivo de melhorar as condições de ensino-aprendizagem, portanto supera o entendimento de verificação da aprendizagem, em que a responsabilidade por aprender se concentrava nos alunos. A avaliação nessa perspectiva cabe a todos os envolvidos no processo – gestores, professores, pedagogos, alunos e familiares –, por isso pode ser entendida também como: informações sobre o que e como foi aprendido; elemento de reflexão contínua. No contexto da educação formal, existem três modelos e funções da avaliação da aprendizagem: 1) avaliação diagnóstica; 2) avaliação formativa; 3) avaliação somativa. A avaliação diagnóstica, como o próprio nome sugere, trata-se de um diagnóstico da apren- dizagem dos alunos, mas também do trabalho do professor. É o momento de compreender qual é a intencionalidade da avaliação e repensar os caminhos a serem direcionados para garantir de maneira mais precisa a aquisição dos conhecimentos por parte dos alunos. Isso deve proporcionar a eles ainda um momento de reflexão sobre o seu estágio de desenvolvimento, tendo por objetivo melhorar sua dinâmica de estudo. Ao professor, cabe repensar e reorganizar seu planejamento. A avaliação formativa se fundamenta também na ideia de avaliação como contínua e processual e na intenção de reajustar o trabalho do professor, tendo como premissa básica um processo ininterrupto de reflexão e reorganização do planejamento e da didática do docente. Essa avaliação apresenta um foco formativo, ajuda na regulação do processo de construção da aprendizagem, tendo ainda função corretiva, sendo considerada a melhor forma de ilustrar se o professor efetiva essa avaliação ou não, pois permite verificar se este alterou/aumentou suas estratégias – ou, como afirma Hadji, se “houve aumento da variabilidade didática” –, se após as práticas avaliativas foram realizadas mudanças nas estratégias de aula. É interessante salientar que a avaliação formativa traz um aspecto muito importante denominado de feedback, que é considerado por Villas Boas (2008) como elemento-chave dessa avaliação, pois se refere à informação direcionada ao próprio estudante. É o momento em que se conversa sobre como foi o desenvolvimento do trabalho realizado. O aluno deve ser capaz de julgar a qualidade do seu trabalho e melhorar sua aprendi- zagem, passando a: saber o que esperar; comparar seu aprendizado atual com o esperado; envolver-se em ações que levem ao fechamento da distância entre o nível atual e o esperado. A ideia de avaliação formativa corresponde ao modelo ideal de uma avaliação, colocando-se deliberadamente a serviço do fim que lhe dá sentido: tornar-se um elemento, um momento determinante da ação educativa, propondo-se tanto a contribuir para uma evolução do aluno quanto a dizer o que se deve implementar de ações na continuidade da ação pedagógica. (Hadji, 2001) A avaliação somativa, também denominada terminal acumulativa, está focada no final do processo e tem uma função certificativa, que objetiva ter uma visão geral sobre o desempenho dos alunos. Portanto, essa avaliação tem enfoque no resultado, ao emitir um parecer de aprovação ou reprovação. Critérios e instrumentos de avaliação Segundo Luckesi (2011), avaliar é um processo que visa a assegurar o desenvolvimento dos educandos, por meio da investigação, para encontrar os melhores resultados, garantindo assim a confirmação de uma educação que prioriza a aprendizagem. Os critérios de avaliação devem explicitar a essência de cada conhecimento, que servirá de referência de análise de quais aspectos devem ser avaliados. Ou seja, devem revelar as expectativas de aprendizagem considerando os objetivos e os conteúdos propostos para determinada área e em dado período, contemplando as peculiaridades de aprendizagem em cada etapa do desenvolvimento. Os critérios têm como atribuição se constituir em uma das vias para se acompanhar o processo de aprendizagem. Segundo Luckesi (2011, p. 412): “[o critério] depende de um conjunto de decisões que tomamos. O critério define o que queremos como resultado de nossa atividade e, desse modo, estabelecer a direção tanto para o ato de ensinar quanto para o de avaliar”. É preciso priorizar uma avaliação pautada em objetivos claros, preocupada em verificar o nível de apropriação dos conhecimentos pelos alunos para além da atribuição de notas e conceitos. Segundo Depresbiteres (1998, p. 167): “Com toda a dificuldade que temos para definir critérios, uma coisa é certa: é imprescindível que eles sejam claros e precisos. Os critérios tornam as ‘regras do jogo’ mais explícitas e podem ser mais adequados, quanto maior for a integração entre professores e alunos”. Os instrumentos se tornam um mediador entre os critérios de aprendizagem e a informação (indicador, evidências, descritor). Por essa razão, devem ser cautelosamente pensados, para que não distorçam a realidade. Elaborar instrumentos que possam coletar dados da avaliação da aprendizagem dos alunos, o mais próximo do real, traduz uma preocupação com uma avaliação intencional e bem planejada. Desse modo, bons instrumentos serão aqueles que: contemplem propostas desafiadoras, contextualizadas e coerentes com as expectativas de aprendizagem; identifiquem os conhecimentos do aluno e as expectativas por ele formuladas; possibilitem a reflexão nos alunos, para que possam elaborar hipóteses e expressar seus pensamentos; permitam que os alunos aprendam com os erros; tenham clareza do que se pretende; explicitem, de modo claro, o que e como se pretende avaliar. Como afirma Freire (1975), a avaliação numa dimensão formativa é compreendida como uma prática educativa contextual, mediadora e flexível, que está presente ao longo do trabalho dos professores e dos educandos, de maneira contínua e dialógica. image3.png image1.png image2.png