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26 4.3 Portaria GM/MS n° 1.823/ 2012 e a PNSTT (Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora). Considerando a necessidade de implementação de ações de saúde do trabalhador em todos os níveis de atenção do SUS (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1996). Considerando a necessidade da definição dos princípios, das diretrizes e das estratégias a serem observados nas três esferas de gestão do SUS no que se refere à saúde do trabalhador, resolve: Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Objetivo Art. 2º (...)tem como finalidade definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), para o desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância (...) A quem se aplica? Art. 3º Todos os trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de sua localização, urbana ou rural, de sua forma de inserção no mercado de trabalho, formal ou informal, de seu vínculo empregatício, público ou privado, assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativados, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado são sujeitos desta Política. Parágrafo único. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora alinha-se com o conjunto de políticas de saúde no âmbito do SUS, considerando a transversalidade das ações de saúde do trabalhador e o trabalho como um dos determinantes do processo saúde-doença. Fonte: Portaria GM/MS n° 1.823/ 2012 Em MINISTÉRIO DA SAÚDE (1996), uma das principais questões que a PNSTT traz é a organização descentralizada do serviço de saúde, onde a esfera 27 federal atua estabelecendo políticas e instrumentos que devem ser estudados e executados pelas esferas estaduais e municipais. Nesse sentido, os resultados desta Política dependerão diretamente de como a questão “trabalho” será abordada nos planos estaduais e municipais de saúde, que devem priorizar a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade relacionada à ocupação. Tais objetivos devem ser alcançados mediante a execução de ações de promoção, vigilância, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação da saúde. 4.4 Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é um componente do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, como definido na Portaria GM/MS nº 3252 de dezembro de 2009, que visa “à promoção da saúde e à redução da morbimortalidade da população trabalhadora, por meio da integração de ações que intervenham nos agravos e seus determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos’’ ( DIAS et al., 2016). A VISAT é estruturante e essencial ao modelo de Atenção Integral em Saúde do Trabalhador. Constitui-se de saberes e práticas sanitárias, articulados intra e intersetorialmente, a especificidade de seu campo de ação é definida por ter como objeto a relação da saúde com o ambiente e os processos de trabalho, realizada com a participação e o saber dos trabalhadores em todas as suas etapas. Princípios: A VISAT pauta-se nos princípios do Sistema Único de Saúde, em consonância com a Promoção da Saúde e o Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, mantendo estreita integração com as demais Vigilâncias – sobretudo com a Sanitária, Epidemiológica e Saúde Ambiental - e as redes assistenciais (DIAS et al., 2016). 28 Fonte: Ministério da Saúde 29 5 DOENÇAS OCUPACIONAIS E DOENÇAS DO TRABALHO Fonte: borgesvieira.adv.br O trabalho em turno integral existe há centenas de anos, de fato com registros desde a era do Império Romano. Entretanto, nas últimas décadas a sociedade passou a ser dependente de serviços disponíveis vinte e quatro horas por dia. Além de trabalhos que necessitam tradicionalmente de troca de turnos como o de vigilância e o de enfermagem, trabalhos disponíveis originalmente em horários comerciais como tele-entrega de comida e postos de combustível, tornaram-se uma oferta frequente de serviços ininterruptos, principalmente nas grades cidades (FISCHER et al., 2003 apud SILVA, 2008). A doença ocupacional ou profissional está definida no artigo 20, I da Lei n. 8.213 de 24 de julho de 1991 como a enfermidade “produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. “As doenças profissionais, conhecidas ainda com o nome de “idiopáticas”, “ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típicas”, são produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar de determinada atividade, ou seja, são doenças que decorrem necessariamente do exercício de uma profissão (TAMBELLINI et al., 2018). Por conseguinte, o autor propõe isso, prescindem de comprovação de nexo de causalidade com o trabalho, porquanto há uma relação de sua tipicidade, presumindo-se, por lei, que decorrem de determinado trabalho. Tais doenças são ocasionadas por microtraumas que cotidianamente agridem e 30 vulneram as defesas orgânicas e que, por efeito cumulativo, terminam por vencê- las, deflagrando o processo mórbido. A doença ocupacional ou profissional, portanto, é desencadeada pelo exercício do trabalhador em uma determinada função que esteja diretamente ligada à profissão. Alguns exemplos de doença ocupacional: O escrevente que adquiriu tendinite O soldador que desenvolveu catarata O auxiliar de limpeza que sofre com LER, O trabalhador que levanta peso e sofre com problemas de coluna, entre outros. A doença de trabalho tem previsão legal no inciso II do artigo 20 da Lei n. 8.213 de 24 de julho de 1991, que a define “como enfermidade adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.” Diferentemente da doença profissional, a doença de trabalho não está atrelada à função desempenhada pelo trabalhador, mas ao local onde o operário é obrigado a trabalhar. Como exemplo de doença de trabalho, podemos citar: O câncer que acomete trabalhadores de minas e refinações de níquel As pessoas que trabalham em contato com amianto ou em proximidade com algo radioativo Os trabalhadores que sofrem de doenças pulmonares por estarem em contato constante com muita poeira, névoa, vapores ou gases nocivos. A surdez provocada por local extremamente ruidoso, entre outros. Segundo Vassole (2016), existem algumas doenças que não são consideradas doença de trabalho devido a sua natureza, pois se desenvolvem naturalmente. São elas: Doença degenerativa; Doença inerente ao grupo etário; 31 Doença que não produza incapacidade laborativa (Perda ou redução da capacidade de o indivíduo desempenhar as funções referentes à sua ocupação profissional) Doença endêmica adquirida por segurado habitante de região e que se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. a) Doença degenerativa Doenças degenerativas são as que modificam o comportamento da célula, causando uma gradual lesão do tecido de caráter irreversível e evolutivo. Essas doenças são cada vez mais comuns e são assim conhecidas porque causam a degeneração progressiva do organismo como um todo. (RAMOS, 2017). As doenças degenerativas são crônicas, não transmissíveis e algumas não têm cura conhecida. O conhecimento que se tem é de que elas podem se desenvolver devido a diversos fatores, como tabagismo, excesso de peso corporal, má alimentação, vida sedentária, predisposição genética e alcoolismo. Alguns exemplos de doença degenerativa são: câncer, diabetes, esclerose múltipla, osteoartrose,osteoporose, degeneração dos discos vertebrais, hipertensão arterial, Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, entre outras (SILVA, 2008). b) Doença inerente ao grupo etário Na abordagem de questões acerca da melhor compreensão do sofrimento e do adoecimento no trabalho e de intervenções mais efetivas na promoção da saúde dos trabalhadores, destacam- -se os conceitos de saúde mental, estresse, estresse ocupacional e sofrimento psíquico. No sentido de evidenciar a necessidade de reconhecimento, no âmbito da gestão do trabalho, da relevância do processo de sofrimento psíquico e de adoecimento no trabalho e seus impactos sobre os trabalhadores e familiares, foram apresentadas perspectivas metodológicas que incorporam estratégias de formação dos profissionais de saúde e dos trabalhadores em geral nessa temática (BRITO; ATHAYDE, 2003 apud TAMBELLINI et al., 2018). 32 Como descrito por Turi et al. (2010) as doenças ligadas ao grupo etário têm necessariamente a idade como fato gerador da enfermidade. Sua causa não decorre das atividades exercidas, e sim da própria idade. Como exemplos dessa doença, podemos citar a presbiacusia (que é a perda da acuidade auditiva iniciada a partir dos 30 anos, resultante da degenerescência das células sensoriais), a catarata, doenças reumáticas, Alzheimer, entre outras. c) Doença que não produz incapacidade laborativa Também são consideradas doenças de trabalho as enfermidades que não ensejam a perda da capacidade laboral, como simples queda ou até mesmo um pequeno corte (TURI et al., 2010, p. 1). d) Doença endêmica Adquirida por segurado habitante de região e que se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho (TURI et al., 2010, p. 1). 5.1 Evolução das Doenças Ocupacionais A relação das pessoas com o trabalho mudou ao longo dos anos. Assim como as doenças ocupacionais. Hoje em dia, as doenças ocupacionais configuram enfermidades com o mesmo caráter dos acidentes de trabalho do ponto de vista legal. Mas nem sempre foi assim (TURI et al., 2010, p. 1). Doenças Ocupacionais: a virada dos anos 70 Até a década de 1960, apenas acidentes de trabalho eram considerados enfermidades derivadas da profissão. Somente na década de 1970 as doenças ocupacionais passaram a ser vistas com a seriedade que merecem. Uma das razões para essa mudança foi o crescimento da classe médica e da indústria no País, o que aumentou consideravelmente distúrbios relacionados a agentes físicos, químicos e térmicos. Começou-se a ver um padrão em 33 trabalhadores que lidavam com poeira, radiação, solventes ou ruídos, para citar alguns exemplos. Doenças Ocupacionais Pós-Informática O início da década de 1980 ficou marcado pela difusão da informática nas empresas brasileiras, ocasionando novas doenças ocupacionais referentes a riscos ergonômicos e de postura, como LER, DORT e Tenossinovite. A virada do milênio inaugurou um período marcado pela exigência cada vez maior nas mais diversas áreas. Do excesso de pressão, multiplicaram-se as doenças de caráter psicossocial, como depressão, ansiedade, estresse ou síndrome do pânico. 6 PRINCIPAIS DOENÇAS OCUPACIONAIS Fonte: preventwork.com.br Para Chiavenato (2010 apud SILVA, 2008) saúde ocupacional pode ser conceituada como a ausência de doença, como também, o estado físico, mental e social de bem-estar. O trabalho é o local onde as pessoas passam grande parte do seu dia e, por essa razão, pode se tornar um dos grandes vilões da saúde dos 34 colaboradores. Se por um lado a sociedade convive com altos níveis de estresse laboral, por outro, inadequadas condições físicas para a realização de determinadas atividades ou a falta de equipamentos de proteção individual, muitas vezes, causam distúrbios orgânicos, denominados doenças ocupacionais (FISCHER; ALBUQUERQUE , 2007). As principais doenças ocupacionais do Brasil estão ligadas às mais variadas profissões. Embora a legislação brasileira seja bastante exigente quanto à observância das normas de saúde e segurança do trabalho, a incidência de doenças ocupacionais na nossa sociedade ainda é bastante elevada. Isso alarma para a necessidade de serem adotadas práticas de prevenção e combate aos principais males atentatórios da integridade física e psíquica dos trabalhadores (FISCHER; ALBUQUERQUE, 2007). 6.1 Principais Doenças Ocupacionais por repetição Lesão por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT): Segundo Bellusci (2003 apud SOUZA; AGUIAR, 2013) LER/DORT não é uma doença propriamente dita, mas um nome para designar um grupo de doenças osteomusculares e repercussões sócio psicológicas que têm em comum o fato de serem provocadas por condições inadequadas no trabalho. LER/DORT é um termo abrangente que se refere aos distúrbios ou doenças do sistema musculoesquelético, principalmente do pescoço e membros superiores, como o próprio nome diz, essas lesões são causadas pela repetição excessiva de movimentos ou postura inadequada, causando uma dor crônica que tende a piorar ao longo dos anos (PEREIRA et al., 2011). Para o autor acima, o grande problema da LER é ser confundida com um mal-estar passageiro, uma torção ou mau jeito. A diferença básica entre LER e DORT, é que a primeira pode não necessariamente ocorrer em ambiente de trabalho e a segunda refere-se unicamente ao dia a dia profissional. 35 Fonte: jcuberaba.com.br 6.2 Principais Doenças Ocupacionais Respiratórias: Durante o planejamento do sistema de turnos e de seus horários, fatores como horários do transporte público, conteúdo do trabalho, refeições com a família e desejos dos trabalhadores devem ser considerados. Como não existe uma solução ótima para esse planejamento, é recomendável que se utilize arranjos de horário flexíveis (KNAUTH, 1996; DEMEROUTI et al., 2004 apud SILVA, 2008). I. Asma Ocupacional: Ocorre por inalação de partículas, comuns em trabalhadores da construção civil ou que lidam com couro, algodão, madeira ou sílica. Começa com tosse crônica, falta de ar e chiado no peito e pode ter desdobramentos fatais, como paradas respiratórias e câncer de pulmão. 36 Fonte: biosom.com.br II. Silicose Doença ocupacional irreversível causada pelo acúmulo de poeira de sílica (sílica - ou óxido de silício - é o principal componente da areia e matéria prima para a fabricação do vidro e do cimento) nos pulmões, revestindo-os de uma forma que impede a respiração gradativamente e aumenta progressivamente com o tempo, mesmo que o trabalhador seja afastado. Pode levar à morte por insuficiência respiratória. Fonte: almeidaconsultores.wordpress.com Fonte: telemedicinamorsch.com.br III. Antracose 37 Lesão pulmonar causada pelo acúmulo de partículas de carvão nos pulmões, infelizmente bem comum em mineiros, trabalhadores de grandes centros urbanos, trabalhadores que lidam com carvão ou que residam/trabalhem em áreas muito poluídas, pode levar a disfunções pulmonares graves, como por exemplo a fibrose pulmonar (FERNANDES; STELMACH; ALGRANTI, 2006). Fonte: tuasaude.com Fonte: infoescola.com IV Bissinose Comum na indústria algodoeira e têxtil, é causada pelo acúmulo de poeira das fibras de algodão, linho ou cânhamo nos pulmões, é uma forma de doença reativa das vias respiratórias caracterizada por broncoconstrição O agente etiológico é a endotoxina bacteriana do pó de algodão. Os sintomas são opressão torácica e dispneia, que pioram no primeiro dia da semana de trabalho e regridem no decorrer da semana. O diagnóstico baseia-se na história e nos testes de função pulmonar. O tratamento envolve extinção da exposição e utilização de fármacos para a asma (LARA,2018). 38 Fonte: prevencaonline.net Fonte: saudedica.com.br IV. Siderose A siderose superficial do sistema nervoso central (SS) é uma doença caracterizada pelo depósito de hemossiderina nas leptomeninges (aracnóide e pia máter). Causada pelo acúmulo de partículas microscópicas de ferro nos bronquíolos, está entre as doenças ocupacionais que atacam trabalhadores de minas de ferro. Um dos seus sintomas mais comuns é a falta de ar constante. O acúmulo de ferritina ocorre tanto no encéfalo quanto na medula espinhal.1 Os principais sintomas são o desenvolvimento progressivo de ataxia, surdez neurossensorial, e achados de comprometimento do neurônio motor superior (síndrome piramidal), porém menos comumente há alterações comportamentais e comprometimento cognitivo, assim como distúrbios esfincterianos e crises epilépticas.2 Em relação à etiologia, estima-se que 50 % dos casos estejam relacionados a lesões estruturais com sangramento no espaço subaracnóide. Tumores como ependimomas, oligodendrogliomas, astrocitomas e ainda malformação arteriovenosa (MAV), aneurismas não rotos, angiomas venosos, traumas e histórico de cirurgias como hemisferectomias para controle de epilepsia são exemplos de lesões associadas a siderose superficial.2,3 Antes do advento da Ressonância Magnética (RM) o diagnóstico na maioria dos casos era realizado através de necropsia (VILAÇA et al., 2015). 39 Fonte: profjairobrasil.blogspot.com Fonte: saudedica.com.br 6.3 Principais Doenças Ocupacionais de Pele I. Dermatose ocupacional As DOs podem ser causadas por inúmeros agentes durante o trabalho, que podem ser químicos, físicos ou biológicos. Os mais comuns são: químicos – metais, ácidos e álcalis, hidrocarbonetos aromáticos, óleos lubrificantes e de corte, arsênico; físicos12 – radiações, traumas, vibração, pressão, calor, frio; biológicos – vírus, bactérias, fungos, parasitas, plantas, animais. Alterações psíquicas podem causar a autoindução de lesões (dermatites factícias), para a obtenção de algum benefício. Comum entre mecânicos e na indústria como um todo, a dermatose ocupacional é causada pelo contato constante com graxa ou óleo mecânico. Causa reações alérgicas crônicas, criando placas na pele (ALCHORNE; ALCHORNE; SILVA, 2010) 40 Fonte: ehsseguranca.com.br Fonte: equipedeobra17.pini.com.br II. Câncer de pele Embora seja muito comum no País, essa enfermidade só pode estar entre as doenças ocupacionais – e obter auxílio do INSS – caso tenha sido originada no ambiente de trabalho. Costuma ocorrer em trabalhadores de lavoura ou qualquer outro trabalho que envolva exposição ao sol. 6.4 Principais Doenças Ocupacionais Auditivas I. Surdez: Comum em trabalhadores expostos a ruídos constantes, a surdez pode ser temporária ou definitiva. É uma doença silenciosa, que se caracteriza pela perda auditiva progressiva, levando o trabalhador lentamente à perda parcial ou total da audição, por desgastar o ouvido de forma irreversível. Comum em operadores de telemarketing, metalúrgicos e trabalhadores da Construção Civil, especialmente se não há uma fiscalização rígida e um compromisso do trabalhador com a utilização de protetores auriculares. 41 Fonte: 4work.pt Fonte: seaffono.com 6.5 Principais Doenças Ocupacionais de Visão I. Catarata Responsável por metade dos casos de perda total de visão no mundo, a Catarata é muito comum no Brasil. Mas, assim como o câncer de pele, só é considerada ocupacional se decorre da atividade profissional do indivíduo. A Catarata é ocasionada pela perda do Cristalino, normalmente em decorrência de exposição a altas temperaturas. Afeta muitos trabalhadores da metalurgia e da siderurgia. Fonte: comunicabuzios.wordpress.com II Desgaste da Visão 42 Afeta trabalhadores noturnos como vigias, enfermeiros, médicos ou operadores de serviços 24 hrs. O trabalho noturno desregula a produção de hormônios, que aconteceria durante o sono, afetando outras funções corporais, como a visão, por exemplo. Se essa situação ocorre de forma prolongada, o desgaste pode levar à perda parcial ou total da visão. Principais Doenças Ocupacionais Psicossociais: A pressão excessiva do mundo moderno gera uma série de problemas de ordem emocional, como depressão, estresse, ataques de ansiedade ou síndrome do pânico. Podem ser causadas por: Isolamento Pressão psicológica Ritmo agressivo de trabalho Dificuldades ou desentendimentos no ambiente de trabalho Carga horária excessiva. São doenças perigosas, por não serem encaradas com a devida seriedade, podendo ser imperceptíveis quando no início ou à primeira vista. Ao contrário do que pensam, podem se tornas irreversíveis, afastando definitivamente o trabalhador. Ocorre com frequência entre policiais, seguranças, bancários, operadores de telemarketing e profissionais de comunicação. 43 7 PROGRAMAS OCUPACIONAIS EM SAÚDE DO TRABALHADOR Fonte: alphacor.med.br Por definição da Organização Mundial da Saúde, a Saúde Ocupacional tem como objetivo “promover a melhoria das condições de trabalho e outros aspectos de higiene ambiental”. Com boas políticas de Saúde Ocupacional é possível chegar a um ambiente de trabalho saudável: na própria definição da OMS. De acordo com a Associação Nacional dos Enfermeiros do Trabalho (ANENT), os Enfermeiros de Saúde Ocupacional (ESO), no Brasil, realizam serviços associados à higiene ocupacional, segurança e medicina, e constituem equipes de estudo de proteção da saúde e segurança do trabalhador. As responsabilidades de Enfermeiros de Saúde Ocupacional, de acordo com a ANENT, incluem tarefas variadas, relacionadas à prevenção de doenças e acidentes de trabalho e à promoção da saúde no trabalho. A incessante procura pelo bem-estar do trabalhador é uma das preferências da Enfermagem do Trabalho. Para constituir o grupo do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) é preciso que o profissional de enfermagem – enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, sejam um especialista na área. 44 7.1 SESMT – Serviço Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - NR 4. A Norma Regulamentadora nº 4 – Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT prevê em seu item 4.1 que as empresas devem, obrigatoriamente, manter os SESMT com a finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho, sendo que o dimensionamento do serviço vincula-se a gradação de risco da atividade principal da empresa e ao número total de empregados do estabelecimento, devendo ser observado o quadro II da NR-4 que estabelece quais e quantos profissionais (Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Auxiliar ou Técnico em Enfermagem do Trabalho) deverão compor o serviço. A NR4 vai além e determina, por meio do item 4.17, que os Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT devem ser registrados nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho. Desse modo, com o intuito de: Facilitar o cumprimento da obrigação prevista na NR-4, agilizando o contato entre as empresas e o Ministério do Trabalho; Tornar mais célere o processo de registro dos SESMT, permitindo inclusive atualização dos dados on-line, de forma que o declarado reflita a realidade dos SESMT; Verificar os requisitos da NR-04 antes da efetiva declaração do SESMT; O Ministério do Trabalho desenvolveu o Sistema SESMT. 7.2 CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – NR 5. As empresascom mais de vinte funcionários têm que ter constituída a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tomar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador (SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO, 2008, apud SILVA, 2018). 45 A CIPA começou a ser escrita por volta da segunda metade do século XVIII, a partir da Revolução Industrial na Inglaterra. Esse fato se deu, devido ao elevado número de acidentes e lesões originados dos maquinários. Já no Brasil, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, denominada CIPA, nasceu em 10 de novembro de 1944. E foi exatamente essa comissão que alavancou a implantação da Segurança do Trabalho no solo brasileiro. A primeira Portaria a regulamentar as comissões internas foi a de número 229, de 19 de junho de 1945. No início, o objetivo era que as comissões zelassem pela saúde física do trabalhador, estimulando os mesmos para assuntos que visassem a prevenção de acidentes. Várias foram as atribuições direcionadas à comissão neste período. A CIPA é regulamentada pela Portaria GM n. º 3.214, de 08 de junho de 1978, que regulamenta a NR 5. Dentre outras regulamentações, ela determina: 5.1 A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA - tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. 5.6 A CIPA será composta de representantes do empregador e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no Quadro I desta NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos normativos para setores econômicos específicos. 5.16 A CIPA terá por atribuição: a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver; b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho; d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; 46 requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; j) divulgar e promover o cumprimento das Normas regulamentadoras, bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho; Do treinamento: 5.32 A empresa deverá promover treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. 5.33 O treinamento para a CIPA deverá contemplar, no mínimo, os seguintes itens: a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo produtivo; 5 b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho; c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos riscos existentes na empresa; d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e medidas de prevenção; e) noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no trabalho; f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos; g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão. 7.3 EPI - Equipamento de proteção individual – NR 6 De acordo com Dobrovolski (2008, apud SILVA, 2018), estudos sobre aceitação de EPI ocorreram entre 1961 e 1964 realizados em minas e siderúrgicas e foram promovidos pela Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, com o objetivo de obter bons resultados na prevenção de acidentes do trabalho. Dentre as normas e com a NR 6, o Equipamento de Proteção Individual é: todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde 47 no trabalho. Todos os EPIs só poderão ser colocados à venda com a indicação do Certificado de Aprovação – CA (SILVA, 2018). A NR 6 estabelece todos os requisitos sobre o Equipamento de Proteção Individual. Dentre eles, as responsabilidades do empregador, empregado e também do fabricante de EPIs, nacional ou um EPI importado. Neste último caso, o importador também deverá seguir as NR 6, cumprindo e respeitando as normas de segurança para garantir a eficiência do equipamento de proteção e proteger o usuário. A Portaria MTE n. º 3.214, de 08 de junho de 1978, estabelece: A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e, c) para atender a situações de emergência Responsabilidades do empregador: 6.6.1. Cabe ao empregador quanto ao EPI: a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade; b) exigir seu uso; c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e, g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada. h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico. Responsabilidades do trabalhador. 6.7.1. Cabe ao empregado quanto ao EPI: 48 a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina; b) responsabilizar-se pela guarda e conservação; c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso; e, d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado. 7.4 PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – NR 7 A Norma Regulamentadora nº 7 recebe o nome de PCMSO — Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Essa NR estabelece que todos os empregadores, e instituições que admitam trabalhadores como empregados, têm a obrigatoriedade de elaborar e implementar o PCMSO, com o objetivo de promover e preservar a saúde de seus trabalhadores, o PCMSO é um documento escrito que dará base as ações práticas do programa, o PCMSO não poderá ser implementado de forma isolada. Este programa deverá sempre levar em consideração o que dizem as demais NR’s. A NR-9 (PPRA — Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), por exemplo, caracteriza o ruído no ambiente de trabalho, então cabe ao PCMSO determinar à realização do exame de audiometria. A elaboração e implementação do PCMSO é obrigatória a todos os empregadores que admitirem trabalhadores como empregados, em regime de CLT. A NR 7 estabelece, entre outras diretrizes: 7.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. 7.1.3. Caberá à empresa contratantede mão-de-obra prestadora de serviços informar a empresa contratada dos riscos existentes e auxiliar na elaboração e implementação do PCMSO nos locais de trabalho onde os serviços estão sendo prestados 49 7.2.3 O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. 7.2.4 O PCMSO deverá ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações previstas nas demais NR Das responsabilidades 7.3.1 compete ao empregador: a) garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, bem como zelar pela sua eficácia; b) custear sem ônus para o empregado todos os procedimentos relacionados ao PCMSO; Do desenvolvimento do PCMSO: 7.4.1 O PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos: a) admissional; b) periódico; c) de retorno ao trabalho; d) de mudança de função; e) demissional. 7.4.2. Os exames de que trata o item 7.4.1 compreendem: a) avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional e exame físico e mental; b) exames complementares, realizados de acordo com os termos específicos nesta NR e seus anexos. 7.4.3.1 no exame médico admissional, deverá ser realizada antes que o trabalhador assuma suas atividades; 7.4.3.2 no exame médico periódico, de acordo com os intervalos mínimos de tempo abaixo discriminados: a) para trabalhadores expostos a riscos ou a situações de trabalho que impliquem o desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou, ainda, para aqueles que sejam portadores de doenças crônicas, os exames deverão ser repetidos: 50 a.1) a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico encarregado, ou se notificado pelo médico agente da inspeção do trabalho, ou, ainda, como resultado de negociação coletiva de trabalho; a.2) de acordo com à periodicidade especificada no Anexo n. º 6 da NR 15, para os trabalhadores expostos a condições hiperbáricas; b) para os demais trabalhadores: b.1) anual, quando menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 45 (quarenta e cinco) anos de idade; b.2) a cada dois anos, para os trabalhadores entre 18 (dezoito) anos e 45 (quarenta e cinco) anos de idade. 7.4.3.3. No exame médico de retorno ao trabalho, deverá ser realizada obrigatoriamente no primeiro dia da volta ao trabalho de trabalhador ausente por período igual ou superior a 30 (trinta) dias por motivo de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou parto. 7.4.3.4. No exame médico de mudança de função, será obrigatoriamente realizada antes da data da mudança. 7.4.3.4.1. Para fins desta NR, entende-se por mudança de função toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou de setor que implique a exposição do trabalhador a risco diferente daquele a que estava exposto antes da mudança. 7.4.3.5. No exame médico demissional, será obrigatoriamente realizada em até 10 (dez) dias contados a partir do término do contrato, desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de: - 135 (centro e trinta e cinco) dias para as empresas de grau de risco 1 e 2, segundo o Quadro I da NR-4; - 90 (noventa) dias para as empresas de grau de risco 3 e 4, segundo o Quadro I da NR-4. 7.4.4. Para cada exame médico realizado, previsto no item 7.4.1, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional - ASO, em 2 (duas) vias. 7.4.4.1 A primeira via do ASO ficará arquivada no local de trabalho do trabalhador, inclusive frente de trabalho ou canteiro de obras, à disposição da fiscalização do trabalho. 7.4.4.2 A segunda via do ASO será obrigatoriamente entregue ao trabalhador, mediante recibo na primeira via. 7.4.4.3 O ASO deverá conter no mínimo: 51 a) nome completo do trabalhador, o número de registro de sua identidade e sua função; b) os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do empregado, conforme instruções técnicas expedidas pela Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho - SSST; c) indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido o trabalhador, incluindo os exames complementares e a data em que foram realizados; d) o nome do médico coordenador, quando houver, com respectivo CRM; e) definição de apto ou inapto para a função específica que o trabalhador vai exercer, exerce ou exerceu; f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contato; g) data e assinatura do médico encarregado do exame e carimbo contendo seu número de inscrição no Conselho Regional de Medicina. Dos primeiros socorros. 7.5.1. Todo estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à prestação dos primeiros socorros, considerando- se as características da atividade desenvolvida; manter esse material guardado em local adequado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim. 7.5 PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 9 O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais faz parte de um conjunto de medidas mais amplas e tem como objetivo a preservação da saúde e integridade física dos trabalhadores. O seu papel é auxiliar a eliminação, redução e controle dos riscos no ambiente de trabalho, a NR 9 estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PPRA nas empresas que trabalham com atividades de risco à saúde do funcionário (MARÇON, 2016). De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, esta Norma Regulamentadora tem como objetivo: Estabelecer a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que 52 admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. As ações do PPRA são de responsabilidade do empregador e devem ser desenvolvidas no âmbito de cada empresa. Neste processo, é importantíssima a participação dos colaboradores para que o resultado da prevenção dos riscos ambientais seja efetiva e realmente garanta a segurança do trabalho durante a jornada (MARÇON, 2016). A elaboração é realizada através de uma avaliação dos riscos ambientais que irá identificar, avaliar e controlar os agentes ambientais. Os Técnicos de Segurança, Engenheiros de Segurança e Médicos do Trabalho são as pessoas legalmente habilitadas para a elaboração do PPRA. Os riscos presentes são classificados em: Riscos Físicos Riscos Químicos Riscos Biológicos Estrutura do PPRA: O MTE estabeleceu exigências mínimas para que o empregador elabore o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. De acordo com a NR 9, os profissionais da segurança do trabalho, devem seguir uma estrutura para elaborar o PPRA. Ela deve conter: Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; Estratégia e metodologia de ação; Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Etapas de Implementação do PPRA: 53 A implantação do PPRA melhora a produtividade e as condições de trabalho do colaborador. Também preveni futuros processos judiciais cíveis, trabalhistas e previdenciários. Isto porque o programa evita o surgimento de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, além de garantir um ambiente mais confortável e seguro para todos os trabalhadores da empresa (NOGUEIRA; BOIM, 2017). As etapasde implantação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais são: Antecipação e reconhecimento dos riscos ambientais (físicos, químicos e biológicos); Planejamento das medidas de controle dos riscos; Elaboração de ações preventivas; Monitoramento qualitativo e quantitativo do ambiente Registro e divulgação dos dados Cronograma de execução das prioridades Desenvolvimento do documento base Documento base e relatórios anuais Laudos ergonômicos Laudos técnicos Quanto ao reconhecimento dos riscos ambientais, deverá conter: a) a sua identificação; (109.017-8 / I3) b) a determinação e localização das possíveis fontes geradoras; (109.018-6 / I3) c) a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; (109.019-4/I3) d) a identificação das funções e determinação do número de trabalhadores expostos; (109.020-8 / I3) e) a caracterização das atividades e do tipo da exposição; (109.021-6 / I3) f) a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; (109.022-4 / I3) g) os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica; (109.023-2 / I3) h) a descrição das medidas de controle já existentes. (109.024-0 / I3) 54 9.3.4. A avaliação quantitativa deverá ser realizada sempre que necessária para: a) comprovar o controle da exposição ou a inexistência riscos identificados na etapa de reconhecimento; (109.025-9/I1) b) dimensionar a exposição dos trabalhadores; (109.026-7 /I1) c) subsidiar o equacionamento das medidas de controle. (109.027-5 / I1) A NR 9 regulamenta, entre outras diretrizes: 9.1.1. Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. (109.001-1 / I2) 9.1.2. As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do empregador, com a participação dos trabalhadores, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle. 9.1.3. O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado com o disposto nas demais NR, em especial com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO previsto na NR 7. 9.1.5. Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. 9.1.5.1. Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, 55 vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom. 9.1.5.2. Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. 9.1.5.3. Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. 7.6 PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – NR 18 A NR 18, regulamenta e estabelece as diretrizes para o PCMAT: 18.1.1. Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. 18.1.3. É vedado o ingresso ou a permanência de trabalhadores no canteiro de obras, sem que estejam assegurados pelas medidas previstas nesta NR e compatíveis com a fase da obra. 8.3.1. São obrigatórios a elaboração e o cumprimento do PCMAT nos estabelecimentos com 20 (vinte) trabalhadores ou mais, contemplando os aspectos desta NR e outros dispositivos complementares de segurança. 18.3.1.1. O PCMAT deve contemplar as exigências contidas na NR 9 - Programa de Prevenção e Riscos Ambientais. 18.3.1.2. O PCMAT deve ser mantido no estabelecimento à disposição do órgão regional do Ministério do Trabalho e Emprego – A implementação do PCMAT nos estabelecimentos é de responsabilidade do empregador ou condomínio. 18.3.4. Integram o PCMAT: a) memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de