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4.3 Portaria GM/MS n° 1.823/ 2012 e a PNSTT (Política Nacional de Saúde 
do Trabalhador e da Trabalhadora). 
Considerando a necessidade de implementação de ações de saúde do 
trabalhador em todos os níveis de atenção do SUS (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 
1996). 
Considerando a necessidade da definição dos princípios, das diretrizes e 
das estratégias a serem observados nas três esferas de gestão do SUS no que 
se refere à saúde do trabalhador, resolve: 
 
Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da 
Trabalhadora. 
Objetivo Art. 2º (...)tem como finalidade definir os 
princípios, as diretrizes e as estratégias a 
serem observados pelas três esferas de 
gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), 
para o desenvolvimento da atenção integral à 
saúde do trabalhador, com ênfase na 
vigilância (...) 
A quem se aplica? Art. 3º Todos os trabalhadores, homens e 
mulheres, independentemente de sua 
localização, urbana ou rural, de sua forma de 
inserção no mercado de trabalho, formal ou 
informal, de seu vínculo empregatício, 
público ou privado, assalariado, autônomo, 
avulso, temporário, cooperativados, 
aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado 
ou desempregado são sujeitos desta Política. 
Parágrafo único. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora 
alinha-se com o conjunto de políticas de saúde no âmbito do SUS, considerando a 
transversalidade das ações de saúde do trabalhador e o trabalho como um dos 
determinantes do processo saúde-doença. 
Fonte: Portaria GM/MS n° 1.823/ 2012 
 
Em MINISTÉRIO DA SAÚDE (1996), uma das principais questões que a 
PNSTT traz é a organização descentralizada do serviço de saúde, onde a esfera 
 
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federal atua estabelecendo políticas e instrumentos que devem ser estudados e 
executados pelas esferas estaduais e municipais. Nesse sentido, os resultados 
desta Política dependerão diretamente de como a questão “trabalho” será 
abordada nos planos estaduais e municipais de saúde, que devem priorizar a 
promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da 
morbimortalidade relacionada à ocupação. 
 Tais objetivos devem ser alcançados mediante a execução de ações de 
promoção, vigilância, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação da 
saúde. 
4.4 Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) 
Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é um componente do 
Sistema Nacional de Vigilância em Saúde, como definido na Portaria GM/MS nº 
3252 de dezembro de 2009, que visa “à promoção da saúde e à redução da 
morbimortalidade da população trabalhadora, por meio da integração de ações 
que intervenham nos agravos e seus determinantes decorrentes dos modelos de 
desenvolvimento e processos produtivos’’ ( DIAS et al., 2016). 
A VISAT é estruturante e essencial ao modelo de Atenção Integral em 
Saúde do Trabalhador. Constitui-se de saberes e práticas sanitárias, articulados 
intra e intersetorialmente, a especificidade de seu campo de ação é definida por 
ter como objeto a relação da saúde com o ambiente e os processos de trabalho, 
realizada com a participação e o saber dos trabalhadores em todas as suas 
etapas. 
 
Princípios: 
 
A VISAT pauta-se nos princípios do Sistema Único de Saúde, em 
consonância com a Promoção da Saúde e o Sistema Nacional de Vigilância em 
Saúde, mantendo estreita integração com as demais Vigilâncias – sobretudo 
com a Sanitária, Epidemiológica e Saúde Ambiental - e as redes assistenciais 
(DIAS et al., 2016). 
 
 
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Fonte: Ministério da Saúde 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
5 DOENÇAS OCUPACIONAIS E DOENÇAS DO TRABALHO 
 
Fonte: borgesvieira.adv.br 
O trabalho em turno integral existe há centenas de anos, de fato com 
registros desde a era do Império Romano. Entretanto, nas últimas 
décadas a sociedade passou a ser dependente de serviços disponíveis 
vinte e quatro horas por dia. Além de trabalhos que necessitam 
tradicionalmente de troca de turnos como o de vigilância e o de 
enfermagem, trabalhos disponíveis originalmente em horários 
comerciais como tele-entrega de comida e postos de combustível, 
tornaram-se uma oferta frequente de serviços ininterruptos, 
principalmente nas grades cidades (FISCHER et al., 2003 apud SILVA, 
2008). 
A doença ocupacional ou profissional está definida no artigo 20, I da Lei 
n. 8.213 de 24 de julho de 1991 como a enfermidade “produzida ou 
desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e 
constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência 
Social. “As doenças profissionais, conhecidas ainda com o nome de 
“idiopáticas”, “ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típicas”, são 
produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional peculiar de 
determinada atividade, ou seja, são doenças que decorrem necessariamente do 
exercício de uma profissão (TAMBELLINI et al., 2018). 
Por conseguinte, o autor propõe isso, prescindem de comprovação de 
nexo de causalidade com o trabalho, porquanto há uma relação de sua 
tipicidade, presumindo-se, por lei, que decorrem de determinado trabalho. Tais 
doenças são ocasionadas por microtraumas que cotidianamente agridem e 
 
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vulneram as defesas orgânicas e que, por efeito cumulativo, terminam por vencê-
las, deflagrando o processo mórbido. 
A doença ocupacional ou profissional, portanto, é desencadeada pelo 
exercício do trabalhador em uma determinada função que esteja diretamente 
ligada à profissão. Alguns exemplos de doença ocupacional: 
 O escrevente que adquiriu tendinite 
 O soldador que desenvolveu catarata 
 O auxiliar de limpeza que sofre com LER, 
O trabalhador que levanta peso e sofre com problemas de coluna, entre 
outros. 
A doença de trabalho tem previsão legal no inciso II do artigo 20 da Lei 
n. 8.213 de 24 de julho de 1991, que a define “como enfermidade adquirida ou 
desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado 
e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso 
I.” 
Diferentemente da doença profissional, a doença de trabalho não está 
atrelada à função desempenhada pelo trabalhador, mas ao local onde o operário 
é obrigado a trabalhar. 
Como exemplo de doença de trabalho, podemos citar: 
 O câncer que acomete trabalhadores de minas e refinações de 
níquel 
 As pessoas que trabalham em contato com amianto ou em 
proximidade com algo radioativo 
 Os trabalhadores que sofrem de doenças pulmonares por estarem 
em contato constante com muita poeira, névoa, vapores ou gases 
nocivos. 
 A surdez provocada por local extremamente ruidoso, entre outros. 
Segundo Vassole (2016), existem algumas doenças que não são 
consideradas doença de trabalho devido a sua natureza, pois se desenvolvem 
naturalmente. São elas: 
Doença degenerativa; 
Doença inerente ao grupo etário; 
 
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Doença que não produza incapacidade laborativa (Perda ou redução 
da capacidade de o indivíduo desempenhar as funções referentes à 
sua ocupação profissional) 
Doença endêmica adquirida por segurado habitante de região e que se 
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou 
contato direto determinado pela natureza do trabalho. 
 
 
a) Doença degenerativa 
 
Doenças degenerativas são as que modificam o comportamento da 
célula, causando uma gradual lesão do tecido de caráter irreversível e evolutivo. 
Essas doenças são cada vez mais comuns e são assim conhecidas porque 
causam a degeneração progressiva do organismo como um todo. (RAMOS, 
2017). 
As doenças degenerativas são crônicas, não transmissíveis e algumas 
não têm cura conhecida. O conhecimento que se tem é de que elas podem se 
desenvolver devido a diversos fatores, como tabagismo, excesso de peso 
corporal, má alimentação, vida sedentária, predisposição genética e alcoolismo. 
Alguns exemplos de doença degenerativa são: câncer, diabetes, 
esclerose múltipla, osteoartrose,osteoporose, degeneração dos discos 
vertebrais, hipertensão arterial, Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, entre outras 
(SILVA, 2008). 
 
b) Doença inerente ao grupo etário 
 
Na abordagem de questões acerca da melhor compreensão do 
sofrimento e do adoecimento no trabalho e de intervenções mais 
efetivas na promoção da saúde dos trabalhadores, destacam- -se os 
conceitos de saúde mental, estresse, estresse ocupacional e 
sofrimento psíquico. No sentido de evidenciar a necessidade de 
reconhecimento, no âmbito da gestão do trabalho, da relevância do 
processo de sofrimento psíquico e de adoecimento no trabalho e seus 
impactos sobre os trabalhadores e familiares, foram apresentadas 
perspectivas metodológicas que incorporam estratégias de formação 
dos profissionais de saúde e dos trabalhadores em geral nessa 
temática (BRITO; ATHAYDE, 2003 apud TAMBELLINI et al., 2018). 
 
 
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Como descrito por Turi et al. (2010) as doenças ligadas ao grupo etário têm 
necessariamente a idade como fato gerador da enfermidade. Sua causa não 
decorre das atividades exercidas, e sim da própria idade. Como exemplos dessa 
doença, podemos citar a presbiacusia (que é a perda da acuidade auditiva 
iniciada a partir dos 30 anos, resultante da degenerescência das células 
sensoriais), a catarata, doenças reumáticas, Alzheimer, entre outras. 
 
c) Doença que não produz incapacidade laborativa 
Também são consideradas doenças de trabalho as enfermidades que não 
ensejam a perda da capacidade laboral, como simples queda ou até mesmo um 
pequeno corte (TURI et al., 2010, p. 1). 
 
d) Doença endêmica 
Adquirida por segurado habitante de região e que se desenvolva, salvo 
comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado 
pela natureza do trabalho (TURI et al., 2010, p. 1). 
5.1 Evolução das Doenças Ocupacionais 
A relação das pessoas com o trabalho mudou ao longo dos anos. Assim 
como as doenças ocupacionais. Hoje em dia, as doenças 
ocupacionais configuram enfermidades com o mesmo caráter dos acidentes de 
trabalho do ponto de vista legal. Mas nem sempre foi assim (TURI et al., 2010, 
p. 1). 
 
 Doenças Ocupacionais: a virada dos anos 70 
 
Até a década de 1960, apenas acidentes de trabalho eram considerados 
enfermidades derivadas da profissão. Somente na década de 1970 as doenças 
ocupacionais passaram a ser vistas com a seriedade que merecem. 
Uma das razões para essa mudança foi o crescimento da classe médica e 
da indústria no País, o que aumentou consideravelmente distúrbios relacionados 
a agentes físicos, químicos e térmicos. Começou-se a ver um padrão em 
 
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trabalhadores que lidavam com poeira, radiação, solventes ou ruídos, para citar 
alguns exemplos. 
 
 Doenças Ocupacionais Pós-Informática 
 
O início da década de 1980 ficou marcado pela difusão da informática nas 
empresas brasileiras, ocasionando novas doenças ocupacionais referentes 
a riscos ergonômicos e de postura, como LER, DORT e Tenossinovite. 
A virada do milênio inaugurou um período marcado pela exigência cada 
vez maior nas mais diversas áreas. Do excesso de pressão, multiplicaram-se as 
doenças de caráter psicossocial, como depressão, ansiedade, estresse ou 
síndrome do pânico. 
6 PRINCIPAIS DOENÇAS OCUPACIONAIS 
 
Fonte: preventwork.com.br 
Para Chiavenato (2010 apud SILVA, 2008) saúde ocupacional pode 
ser conceituada como a ausência de doença, como também, o estado 
físico, mental e social de bem-estar. 
O trabalho é o local onde as pessoas passam grande parte do seu dia e, 
por essa razão, pode se tornar um dos grandes vilões da saúde dos 
 
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colaboradores. Se por um lado a sociedade convive com altos níveis de estresse 
laboral, por outro, inadequadas condições físicas para a realização de 
determinadas atividades ou a falta de equipamentos de proteção individual, 
muitas vezes, causam distúrbios orgânicos, denominados doenças ocupacionais 
(FISCHER; ALBUQUERQUE , 2007). 
As principais doenças ocupacionais do Brasil estão ligadas às mais 
variadas profissões. Embora a legislação brasileira seja bastante exigente 
quanto à observância das normas de saúde e segurança do trabalho, a 
incidência de doenças ocupacionais na nossa sociedade ainda é bastante 
elevada. Isso alarma para a necessidade de serem adotadas práticas de 
prevenção e combate aos principais males atentatórios da integridade física e 
psíquica dos trabalhadores (FISCHER; ALBUQUERQUE, 2007). 
6.1 Principais Doenças Ocupacionais por repetição 
Lesão por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares 
Relacionados ao Trabalho (DORT): 
 
Segundo Bellusci (2003 apud SOUZA; AGUIAR, 2013) LER/DORT não 
é uma doença propriamente dita, mas um nome para designar um 
grupo de doenças osteomusculares e repercussões sócio psicológicas 
que têm em comum o fato de serem provocadas por condições 
inadequadas no trabalho. 
 
LER/DORT é um termo abrangente que se refere aos distúrbios ou 
doenças do sistema musculoesquelético, principalmente do pescoço e membros 
superiores, como o próprio nome diz, essas lesões são causadas 
pela repetição excessiva de movimentos ou postura inadequada, causando uma 
dor crônica que tende a piorar ao longo dos anos (PEREIRA et al., 2011). 
Para o autor acima, o grande problema da LER é ser confundida com um 
mal-estar passageiro, uma torção ou mau jeito. A diferença básica entre LER e 
DORT, é que a primeira pode não necessariamente ocorrer em ambiente de 
trabalho e a segunda refere-se unicamente ao dia a dia profissional. 
 
 
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Fonte: jcuberaba.com.br 
6.2 Principais Doenças Ocupacionais Respiratórias: 
Durante o planejamento do sistema de turnos e de seus horários, 
fatores como horários do transporte público, conteúdo do trabalho, 
refeições com a família e desejos dos trabalhadores devem ser 
considerados. Como não existe uma solução ótima para esse 
planejamento, é recomendável que se utilize arranjos de horário 
flexíveis (KNAUTH, 1996; DEMEROUTI et al., 2004 apud SILVA, 
2008). 
I. Asma Ocupacional: 
 
Ocorre por inalação de partículas, comuns em trabalhadores 
da construção civil ou que lidam com couro, algodão, madeira ou sílica. Começa 
com tosse crônica, falta de ar e chiado no peito e pode ter desdobramentos 
fatais, como paradas respiratórias e câncer de pulmão. 
 
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Fonte: biosom.com.br 
II. Silicose 
 
Doença ocupacional irreversível causada pelo acúmulo de poeira de 
sílica (sílica - ou óxido de silício - é o principal componente da areia e matéria 
prima para a fabricação do vidro e do cimento) nos pulmões, revestindo-os de 
uma forma que impede a respiração gradativamente e aumenta 
progressivamente com o tempo, mesmo que o trabalhador seja afastado. Pode 
levar à morte por insuficiência respiratória. 
 
 
Fonte: almeidaconsultores.wordpress.com Fonte: telemedicinamorsch.com.br 
III. Antracose 
 
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Lesão pulmonar causada pelo acúmulo de partículas de carvão nos 
pulmões, infelizmente bem comum em mineiros, trabalhadores de grandes 
centros urbanos, trabalhadores que lidam com carvão ou que residam/trabalhem 
em áreas muito poluídas, pode levar a disfunções pulmonares graves, como por 
exemplo a fibrose pulmonar (FERNANDES; STELMACH; ALGRANTI, 2006). 
 
 
 Fonte: tuasaude.com Fonte: infoescola.com 
IV Bissinose 
 
Comum na indústria algodoeira e têxtil, é causada pelo acúmulo de poeira 
das fibras de algodão, linho ou cânhamo nos pulmões, é uma forma de doença 
reativa das vias respiratórias caracterizada por broncoconstrição O agente 
etiológico é a endotoxina bacteriana do pó de algodão. Os sintomas são 
opressão torácica e dispneia, que pioram no primeiro dia da semana de trabalho 
e regridem no decorrer da semana. O diagnóstico baseia-se na história e nos 
testes de função pulmonar. O tratamento envolve extinção da exposição e 
utilização de fármacos para a asma (LARA,2018). 
 
 
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 Fonte: prevencaonline.net Fonte: saudedica.com.br 
 
IV. Siderose 
 
A siderose superficial do sistema nervoso central (SS) é uma doença 
caracterizada pelo depósito de hemossiderina nas leptomeninges (aracnóide e 
pia máter). Causada pelo acúmulo de partículas microscópicas de ferro nos 
bronquíolos, está entre as doenças ocupacionais que atacam trabalhadores de 
minas de ferro. Um dos seus sintomas mais comuns é a falta de ar constante. O 
acúmulo de ferritina ocorre tanto no encéfalo quanto na medula espinhal.1 Os 
principais sintomas são o desenvolvimento progressivo de ataxia, surdez 
neurossensorial, e achados de comprometimento do neurônio motor superior 
(síndrome piramidal), porém menos comumente há alterações comportamentais 
e comprometimento cognitivo, assim como distúrbios esfincterianos e crises 
epilépticas.2 Em relação à etiologia, estima-se que 50 % dos casos estejam 
relacionados a lesões estruturais com sangramento no espaço subaracnóide. 
Tumores como ependimomas, oligodendrogliomas, astrocitomas e ainda 
malformação arteriovenosa (MAV), aneurismas não rotos, angiomas venosos, 
traumas e histórico de cirurgias como hemisferectomias para controle de 
epilepsia são exemplos de lesões associadas a siderose superficial.2,3 Antes do 
advento da Ressonância Magnética (RM) o diagnóstico na maioria dos casos era 
realizado através de necropsia (VILAÇA et al., 2015). 
 
 
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Fonte: profjairobrasil.blogspot.com Fonte: saudedica.com.br 
6.3 Principais Doenças Ocupacionais de Pele 
I. Dermatose ocupacional 
 
 As DOs podem ser causadas por inúmeros agentes durante o 
trabalho, que podem ser químicos, físicos ou biológicos. Os mais comuns são: 
químicos – metais, ácidos e álcalis, hidrocarbonetos aromáticos, óleos 
lubrificantes e de corte, arsênico; físicos12 – radiações, traumas, vibração, 
pressão, calor, frio; biológicos – vírus, bactérias, fungos, parasitas, plantas, 
animais. Alterações psíquicas podem causar a autoindução de lesões 
(dermatites factícias), para a obtenção de algum benefício. Comum 
entre mecânicos e na indústria como um todo, a dermatose ocupacional é 
causada pelo contato constante com graxa ou óleo mecânico. Causa reações 
alérgicas crônicas, criando placas na pele (ALCHORNE; ALCHORNE; SILVA, 
2010) 
 
 
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 Fonte: ehsseguranca.com.br Fonte: equipedeobra17.pini.com.br 
II. Câncer de pele 
 
Embora seja muito comum no País, essa enfermidade só pode estar entre 
as doenças ocupacionais – e obter auxílio do INSS – caso tenha sido originada 
no ambiente de trabalho. Costuma ocorrer em trabalhadores de lavoura ou 
qualquer outro trabalho que envolva exposição ao sol. 
6.4 Principais Doenças Ocupacionais Auditivas 
I. Surdez: 
 
Comum em trabalhadores expostos a ruídos constantes, a surdez pode 
ser temporária ou definitiva. É uma doença silenciosa, que se caracteriza 
pela perda auditiva progressiva, levando o trabalhador lentamente à perda 
parcial ou total da audição, por desgastar o ouvido de forma irreversível. 
Comum em operadores de telemarketing, metalúrgicos e trabalhadores 
da Construção Civil, especialmente se não há uma fiscalização rígida e um 
compromisso do trabalhador com a utilização de protetores auriculares. 
 
 
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 Fonte: 4work.pt Fonte: seaffono.com 
6.5 Principais Doenças Ocupacionais de Visão 
I. Catarata 
Responsável por metade dos casos de perda total de visão no mundo, 
a Catarata é muito comum no Brasil. Mas, assim como o câncer de pele, só é 
considerada ocupacional se decorre da atividade profissional do indivíduo. 
A Catarata é ocasionada pela perda do Cristalino, normalmente em 
decorrência de exposição a altas temperaturas. Afeta muitos trabalhadores 
da metalurgia e da siderurgia. 
 
Fonte: comunicabuzios.wordpress.com 
II Desgaste da Visão 
 
 
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Afeta trabalhadores noturnos como vigias, enfermeiros, médicos ou 
operadores de serviços 24 hrs. O trabalho noturno desregula a produção de 
hormônios, que aconteceria durante o sono, afetando outras funções corporais, 
como a visão, por exemplo. 
Se essa situação ocorre de forma prolongada, o desgaste pode levar à 
perda parcial ou total da visão. 
 
 Principais Doenças Ocupacionais Psicossociais: 
A pressão excessiva do mundo moderno gera uma série de problemas de 
ordem emocional, como depressão, estresse, ataques de ansiedade ou 
síndrome do pânico. 
Podem ser causadas por: 
 Isolamento 
 Pressão psicológica 
 Ritmo agressivo de trabalho 
 Dificuldades ou desentendimentos no ambiente de trabalho 
 Carga horária excessiva. 
 
São doenças perigosas, por não serem encaradas com a devida 
seriedade, podendo ser imperceptíveis quando no início ou à primeira vista. 
Ao contrário do que pensam, podem se tornas irreversíveis, afastando 
definitivamente o trabalhador. Ocorre com frequência entre policiais, 
seguranças, bancários, operadores de telemarketing e profissionais de 
comunicação. 
 
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7 PROGRAMAS OCUPACIONAIS EM SAÚDE DO TRABALHADOR 
 
Fonte: alphacor.med.br 
Por definição da Organização Mundial da Saúde, a Saúde Ocupacional 
tem como objetivo “promover a melhoria das condições de trabalho e outros 
aspectos de higiene ambiental”. Com boas políticas de Saúde Ocupacional é 
possível chegar a um ambiente de trabalho saudável: na própria definição da 
OMS. 
De acordo com a Associação Nacional dos Enfermeiros do Trabalho 
(ANENT), os Enfermeiros de Saúde Ocupacional (ESO), no Brasil, realizam 
serviços associados à higiene ocupacional, segurança e medicina, e constituem 
equipes de estudo de proteção da saúde e segurança do trabalhador. As 
responsabilidades de Enfermeiros de Saúde Ocupacional, de acordo com a 
ANENT, incluem tarefas variadas, relacionadas à prevenção de doenças e 
acidentes de trabalho e à promoção da saúde no trabalho. 
A incessante procura pelo bem-estar do trabalhador é uma das 
preferências da Enfermagem do Trabalho. Para constituir o grupo do Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) é 
preciso que o profissional de enfermagem – enfermeiro, técnico e auxiliar de 
enfermagem, sejam um especialista na área. 
 
44 
 
7.1 SESMT – Serviço Especializados em Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho - NR 4. 
A Norma Regulamentadora nº 4 – Serviços Especializados em Segurança 
e em Medicina do Trabalho – SESMT prevê em seu item 4.1 que as empresas 
devem, obrigatoriamente, manter os SESMT com a finalidade de promover a 
saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho, sendo que o 
dimensionamento do serviço vincula-se a gradação de risco da atividade 
principal da empresa e ao número total de empregados do estabelecimento, 
devendo ser observado o quadro II da NR-4 que estabelece quais e quantos 
profissionais (Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, 
Técnico de Segurança do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Auxiliar ou 
Técnico em Enfermagem do Trabalho) deverão compor o serviço. 
 
A NR4 vai além e determina, por meio do item 4.17, que os Serviços 
Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT devem ser 
registrados nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho. 
Desse modo, com o intuito de: 
 Facilitar o cumprimento da obrigação prevista na NR-4, agilizando 
o contato entre as empresas e o Ministério do Trabalho; 
 Tornar mais célere o processo de registro dos SESMT, permitindo 
inclusive atualização dos dados on-line, de forma que o declarado 
reflita a realidade dos SESMT; 
 Verificar os requisitos da NR-04 antes da efetiva declaração do 
SESMT; 
O Ministério do Trabalho desenvolveu o Sistema SESMT. 
7.2 CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – NR 5. 
As empresascom mais de vinte funcionários têm que ter constituída a 
CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), que tem como 
objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, 
de modo a tomar compatível permanentemente o trabalho com a 
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador 
(SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO, 2008, apud SILVA, 
2018). 
 
45 
 
 
A CIPA começou a ser escrita por volta da segunda metade do século 
XVIII, a partir da Revolução Industrial na Inglaterra. Esse fato se deu, devido ao 
elevado número de acidentes e lesões originados dos maquinários. Já no Brasil, 
a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, denominada CIPA, nasceu em 
10 de novembro de 1944. E foi exatamente essa comissão que alavancou a 
implantação da Segurança do Trabalho no solo brasileiro. 
A primeira Portaria a regulamentar as comissões internas foi a de número 
229, de 19 de junho de 1945. 
No início, o objetivo era que as comissões zelassem pela saúde física do 
trabalhador, estimulando os mesmos para assuntos que visassem a prevenção 
de acidentes. Várias foram as atribuições direcionadas à comissão neste 
período. 
A CIPA é regulamentada pela Portaria GM n. º 3.214, de 08 de junho de 
1978, que regulamenta a NR 5. Dentre outras regulamentações, ela determina: 
5.1 A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA - 
tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes 
do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho 
com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. 
5.6 A CIPA será composta de representantes do empregador 
e dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no 
Quadro I desta NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos 
normativos para setores econômicos específicos. 
5.16 A CIPA terá por atribuição: 
 a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de 
riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com 
assessoria do SESMT, onde houver; 
 b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na 
solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; c) participar 
da implementação e do controle da qualidade das medidas de 
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de 
ação nos locais de trabalho; 
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições 
de trabalho visando a identificação de situações que venham a trazer 
riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; 
 
46 
 
requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a 
paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e 
iminente à segurança e saúde dos trabalhadores; 
i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e 
PPRA e de outros programas relacionados à segurança e saúde no 
trabalho; 
 j) divulgar e promover o cumprimento das Normas regulamentadoras, 
bem como cláusulas de acordos e convenções coletivas de trabalho, 
relativas à segurança e saúde no trabalho; 
Do treinamento: 
 5.32 A empresa deverá promover treinamento para os membros da 
CIPA, titulares e suplentes, antes da posse. 
5.33 O treinamento para a CIPA deverá contemplar, no mínimo, os 
seguintes itens: 
a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos 
riscos originados do processo produtivo; 
5 b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do 
trabalho; 
 c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de 
exposição aos riscos existentes na empresa; 
 d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e 
medidas de prevenção; 
e) noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à 
segurança e saúde no trabalho; 
 f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle 
dos riscos; 
 g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício 
das atribuições da Comissão. 
7.3 EPI - Equipamento de proteção individual – NR 6 
De acordo com Dobrovolski (2008, apud SILVA, 2018), estudos sobre 
aceitação de EPI ocorreram entre 1961 e 1964 realizados em minas e 
siderúrgicas e foram promovidos pela Comunidade Europeia do 
Carvão e do Aço, com o objetivo de obter bons resultados na 
prevenção de acidentes do trabalho. 
Dentre as normas e com a NR 6, o Equipamento de Proteção Individual é: 
todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, 
destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde 
 
47 
 
no trabalho. Todos os EPIs só poderão ser colocados à venda com a indicação 
do Certificado de Aprovação – CA (SILVA, 2018). 
A NR 6 estabelece todos os requisitos sobre o Equipamento de Proteção 
Individual. Dentre eles, as responsabilidades do empregador, empregado e 
também do fabricante de EPIs, nacional ou um EPI importado. 
Neste último caso, o importador também deverá seguir as NR 6, 
cumprindo e respeitando as normas de segurança para garantir a eficiência do 
equipamento de proteção e proteger o usuário. 
 
A Portaria MTE n. º 3.214, de 08 de junho de 1978, estabelece: 
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, 
gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de 
conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: 
 a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam 
completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de 
doenças profissionais e do trabalho; 
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo 
implantadas; e, 
 c) para atender a situações de emergência 
 
Responsabilidades do empregador: 
6.6.1. Cabe ao empregador quanto ao EPI: 
a) adquirir o adequado ao risco de cada atividade; 
 b) exigir seu uso; 
c) fornecer ao trabalhador somente o aprovado pelo órgão 
nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; 
d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, 
guarda e conservação; 
e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; 
f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção 
periódica; e, 
 g) comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada. h) 
registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados 
livros, fichas ou sistema eletrônico. 
 
Responsabilidades do trabalhador. 
6.7.1. Cabe ao empregado quanto ao EPI: 
 
48 
 
 a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se 
destina; 
 b) responsabilizar-se pela guarda e conservação; 
 c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne 
impróprio para uso; e, 
 d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso 
adequado. 
7.4 PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – NR 
7 
A Norma Regulamentadora nº 7 recebe o nome de PCMSO — Programa 
de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Essa NR estabelece que todos os 
empregadores, e instituições que admitam trabalhadores como empregados, 
têm a obrigatoriedade de elaborar e implementar o PCMSO, com o objetivo de 
promover e preservar a saúde de seus trabalhadores, o PCMSO é um 
documento escrito que dará base as ações práticas do programa, o PCMSO não 
poderá ser implementado de forma isolada. Este programa deverá sempre levar 
em consideração o que dizem as demais NR’s. 
A NR-9 (PPRA — Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), por 
exemplo, caracteriza o ruído no ambiente de trabalho, então cabe ao PCMSO 
determinar à realização do exame de audiometria. 
A elaboração e implementação do PCMSO é obrigatória a todos os 
empregadores que admitirem trabalhadores como empregados, em regime de 
CLT. 
A NR 7 estabelece, entre outras diretrizes: 
7.1.1 Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a 
obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os 
empregadores e instituições que admitam trabalhadores como 
empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 
- PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do 
conjunto dos seus trabalhadores. 
7.1.3. Caberá à empresa contratantede mão-de-obra 
prestadora de serviços informar a empresa contratada dos riscos 
existentes e auxiliar na elaboração e implementação do PCMSO nos 
locais de trabalho onde os serviços estão sendo prestados 
 
49 
 
7.2.3 O PCMSO deverá ter caráter de prevenção, rastreamento 
e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, 
inclusive de natureza subclínica, além da constatação da existência de 
casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos 
trabalhadores. 
7.2.4 O PCMSO deverá ser planejado e implantado com base 
nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente os identificados 
nas avaliações previstas nas demais NR 
 
Das responsabilidades 
 7.3.1 compete ao empregador: 
 a) garantir a elaboração e efetiva implementação do PCMSO, 
bem como zelar pela sua eficácia; 
 b) custear sem ônus para o empregado todos os 
procedimentos relacionados ao PCMSO; 
 
Do desenvolvimento do PCMSO: 
7.4.1 O PCMSO deve incluir, entre outros, a realização 
obrigatória dos exames médicos: 
a) admissional; 
b) periódico; 
 c) de retorno ao trabalho; 
 d) de mudança de função; 
e) demissional. 
 
7.4.2. Os exames de que trata o item 7.4.1 compreendem: 
 a) avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional e 
exame físico e mental; 
 b) exames complementares, realizados de acordo com os 
termos específicos nesta NR e seus anexos. 
7.4.3.1 no exame médico admissional, deverá ser realizada 
antes que o trabalhador assuma suas atividades; 
7.4.3.2 no exame médico periódico, de acordo com os 
intervalos mínimos de tempo abaixo discriminados: 
 a) para trabalhadores expostos a riscos ou a situações de 
trabalho que impliquem o desencadeamento ou agravamento de 
doença ocupacional, ou, ainda, para aqueles que sejam portadores de 
doenças crônicas, os exames deverão ser repetidos: 
 
50 
 
a.1) a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico 
encarregado, ou se notificado pelo médico agente da inspeção do 
trabalho, ou, ainda, como resultado de negociação coletiva de trabalho; 
a.2) de acordo com à periodicidade especificada no Anexo n. º 
6 da NR 15, para os trabalhadores expostos a condições hiperbáricas; 
 b) para os demais trabalhadores: 
 b.1) anual, quando menores de 18 (dezoito) anos e maiores 
de 45 (quarenta e cinco) anos de idade; 
 b.2) a cada dois anos, para os trabalhadores entre 18 (dezoito) 
anos e 45 (quarenta e cinco) anos de idade. 
7.4.3.3. No exame médico de retorno ao trabalho, deverá ser 
realizada obrigatoriamente no primeiro dia da volta ao trabalho de 
trabalhador ausente por período igual ou superior a 30 (trinta) dias por 
motivo de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou 
parto. 
7.4.3.4. No exame médico de mudança de função, será 
obrigatoriamente realizada antes da data da mudança. 
 7.4.3.4.1. Para fins desta NR, entende-se por mudança de 
função toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou de 
setor que implique a exposição do trabalhador a risco diferente daquele 
a que estava exposto antes da mudança. 
 7.4.3.5. No exame médico demissional, será obrigatoriamente 
realizada em até 10 (dez) dias contados a partir do término do contrato, 
desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há 
mais de: 
- 135 (centro e trinta e cinco) dias para as empresas de grau 
de risco 1 e 2, segundo o Quadro I da NR-4; 
 - 90 (noventa) dias para as empresas de grau de risco 3 e 4, 
segundo o Quadro I da NR-4. 
 
7.4.4. Para cada exame médico realizado, previsto no item 
7.4.1, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional - ASO, em 2 
(duas) vias. 
 7.4.4.1 A primeira via do ASO ficará arquivada no local de 
trabalho do trabalhador, inclusive frente de trabalho ou canteiro de 
obras, à disposição da fiscalização do trabalho. 
7.4.4.2 A segunda via do ASO será obrigatoriamente entregue 
ao trabalhador, mediante recibo na primeira via. 
7.4.4.3 O ASO deverá conter no mínimo: 
 
51 
 
a) nome completo do trabalhador, o número de registro de sua 
identidade e sua função; 
b) os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência 
deles, na atividade do empregado, conforme instruções técnicas 
expedidas pela Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho - SSST; 
 c) indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido 
o trabalhador, incluindo os exames complementares e a data em que 
foram realizados; 
d) o nome do médico coordenador, quando houver, com 
respectivo CRM; 
e) definição de apto ou inapto para a função específica que o 
trabalhador vai exercer, exerce ou exerceu; 
f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou 
forma de contato; 
g) data e assinatura do médico encarregado do exame e 
carimbo contendo seu número de inscrição no Conselho Regional de 
Medicina. 
 
Dos primeiros socorros. 
 7.5.1. Todo estabelecimento deverá estar equipado com 
material necessário à prestação dos primeiros socorros, considerando-
se as características da atividade desenvolvida; manter esse material 
guardado em local adequado e aos cuidados de pessoa treinada para 
esse fim. 
7.5 PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR 9 
O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais faz parte de um conjunto 
de medidas mais amplas e tem como objetivo a preservação da saúde e 
integridade física dos trabalhadores. O seu papel é auxiliar a eliminação, redução 
e controle dos riscos no ambiente de trabalho, a NR 9 estabelece a 
obrigatoriedade da elaboração e implementação do PPRA nas empresas que 
trabalham com atividades de risco à saúde do funcionário (MARÇON, 2016). 
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, esta Norma 
Regulamentadora tem como objetivo: 
 
Estabelecer a obrigatoriedade da elaboração e 
implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que 
 
52 
 
admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção 
de Riscos Ambientais – PPRA, visando à preservação da saúde e da 
integridade dos trabalhadores, através da antecipação, 
reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de 
riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de 
trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos 
recursos naturais. 
 
As ações do PPRA são de responsabilidade do empregador e devem ser 
desenvolvidas no âmbito de cada empresa. Neste processo, é importantíssima 
a participação dos colaboradores para que o resultado da prevenção dos riscos 
ambientais seja efetiva e realmente garanta a segurança do trabalho durante a 
jornada (MARÇON, 2016). 
A elaboração é realizada através de uma avaliação dos riscos ambientais 
que irá identificar, avaliar e controlar os agentes ambientais. Os Técnicos de 
Segurança, Engenheiros de Segurança e Médicos do Trabalho são as pessoas 
legalmente habilitadas para a elaboração do PPRA. 
Os riscos presentes são classificados em: 
 Riscos Físicos 
 Riscos Químicos 
 Riscos Biológicos 
 
Estrutura do PPRA: 
 
O MTE estabeleceu exigências mínimas para que o empregador elabore 
o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. De acordo com a NR 9, os 
profissionais da segurança do trabalho, devem seguir uma estrutura para 
elaborar o PPRA. Ela deve conter: 
 Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e 
cronograma; 
 Estratégia e metodologia de ação; 
 Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; 
 Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. 
 
Etapas de Implementação do PPRA: 
 
53 
 
 
A implantação do PPRA melhora a produtividade e as condições de 
trabalho do colaborador. Também preveni futuros processos judiciais cíveis, 
trabalhistas e previdenciários. Isto porque o programa evita o surgimento de 
doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, além de garantir um ambiente 
mais confortável e seguro para todos os trabalhadores da empresa (NOGUEIRA; 
BOIM, 2017). 
As etapasde implantação do Programa de Prevenção de Riscos 
Ambientais são: 
 Antecipação e reconhecimento dos riscos ambientais (físicos, 
químicos e biológicos); 
 Planejamento das medidas de controle dos riscos; 
 Elaboração de ações preventivas; 
 Monitoramento qualitativo e quantitativo do ambiente 
 Registro e divulgação dos dados 
 Cronograma de execução das prioridades 
 Desenvolvimento do documento base 
 Documento base e relatórios anuais 
 Laudos ergonômicos 
 Laudos técnicos 
Quanto ao reconhecimento dos riscos ambientais, deverá conter: 
 
a) a sua identificação; (109.017-8 / I3) 
b) a determinação e localização das possíveis fontes geradoras; 
(109.018-6 / I3) 
c) a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação 
dos agentes no ambiente de trabalho; (109.019-4/I3) 
d) a identificação das funções e determinação do número de 
trabalhadores expostos; (109.020-8 / I3) 
e) a caracterização das atividades e do tipo da exposição; (109.021-6 
/ I3) 
f) a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível 
comprometimento da saúde decorrente do trabalho; (109.022-4 / I3) 
g) os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, 
disponíveis na literatura técnica; (109.023-2 / I3) 
h) a descrição das medidas de controle já existentes. (109.024-0 / I3) 
 
54 
 
9.3.4. A avaliação quantitativa deverá ser realizada sempre que 
necessária para: 
a) comprovar o controle da exposição ou a inexistência riscos 
identificados na etapa de reconhecimento; (109.025-9/I1) 
b) dimensionar a exposição dos trabalhadores; (109.026-7 /I1) 
c) subsidiar o equacionamento das medidas de controle. (109.027-5 / 
I1) 
 
A NR 9 regulamenta, entre outras diretrizes: 
9.1.1. Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece a 
obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os 
empregadores e instituições que admitam trabalhadores como 
empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - 
PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos 
trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e 
consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou 
que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração 
a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. (109.001-1 / I2) 
 
9.1.2. As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada 
estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do empregador, 
com a participação dos trabalhadores, sendo sua abrangência e 
profundidade dependentes das características dos riscos e das 
necessidades de controle. 
 
9.1.3. O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das 
iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da 
integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado com o 
disposto nas demais NR, em especial com o Programa de Controle 
Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO previsto na NR 7. 
 
9.1.5. Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os 
agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de 
trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade 
e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do 
trabalhador. 
 
9.1.5.1. Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia 
a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, 
 
55 
 
vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações 
ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infrassom e o 
ultrassom. 
 
9.1.5.2. Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos 
ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, 
nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou 
que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou 
ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. 
 
9.1.5.3. Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, 
bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros. 
 
7.6 PCMAT - Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na 
Indústria da Construção – NR 18 
A NR 18, regulamenta e estabelece as diretrizes para o PCMAT: 
18.1.1. Esta Norma Regulamentadora - NR estabelece 
diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, 
que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas 
preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio 
ambiente de trabalho na Indústria da Construção. 
18.1.3. É vedado o ingresso ou a permanência de 
trabalhadores no canteiro de obras, sem que estejam assegurados 
pelas medidas previstas nesta NR e compatíveis com a fase da obra. 
8.3.1. São obrigatórios a elaboração e o cumprimento do 
PCMAT nos estabelecimentos com 20 (vinte) trabalhadores ou mais, 
contemplando os aspectos desta NR e outros dispositivos 
complementares de segurança. 
18.3.1.1. O PCMAT deve contemplar as exigências contidas na 
NR 9 - Programa de Prevenção e Riscos Ambientais. 
18.3.1.2. O PCMAT deve ser mantido no estabelecimento à 
disposição do órgão regional do Ministério do Trabalho e Emprego – 
A implementação do PCMAT nos estabelecimentos é de 
responsabilidade do empregador ou condomínio. 
18.3.4. Integram o PCMAT: 
a) memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas 
atividades e operações, levando-se em consideração riscos de

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