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Aula 10
SEFAZ-RJ (Auditor Fiscal) Auditoria -
2023 (Pré-Edital)
Autor:
Guilherme Sant Anna, Tonyvan de
Carvalho Oliveira
23 de Fevereiro de 2023
1
Sumário
MOTIVAÇÃO DA AULA .................................................................................................................................. 3
1. CONTEXTUALIZAÇÃO ................................................................................................................................ 4
2. ASPECTOS GERAIS DA CONTABILIDADE ..................................................................................................... 6
2.1 – Alinhamento Conceitual ........................................................................................................................... 6
2.1.1 Funções Contábeis ........................................................................................................................................................................... 6
2.1.2 Campo de ação da Contabilidade ............................................................................................................................................. 6
2.1.2.1 – Escrituração .............................................................................................................................. 6
2.1.2.2 – Demonstrações Contábeis ..................................................................................................... 7
2.1.2.3 – Estrutura das Demonstrações Contábeis para fins de análise ....................................... 8
2.1.2.4 – Auditoria .................................................................................................................................. 8
2.2 – Demonstrações contábeis sujeitas à auditoria .................................................................................... 14
2.3 – Teste de Recuperabilidade .................................................................................................................... 19
3. PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA EM ÁREAS ESPECÍFICAS .......................................................................... 27
3.1 – Aspectos Gerais ...................................................................................................................................... 27
3.1.1 Presunção de omissão de receitas ............................................................................................................................................. 27
3.1.1.1 Ativos ocultos ou fictícios e Passivos Ocultos ou fictícios .................................................................................................... 27
3.1.1.2 Saldo credor na conta caixa ................................................................................................................................................... 29
3.1.1.3 Suprimentos não comprovados ............................................................................................................................................... 29
3.1.1.4 Diferenças em levantamentos quantitativos por espécie .................................................................................................. 30
3.1.1.5 Diferenças em levantamentos econômicos ou financeiros.................................................................................................. 30
3.1.1.6 Omissão do registro de pagamento efetuados .................................................................................................................. 31
3.1.1.7 Desfalques de Caixa ................................................................................................................................................................ 31
3.1.2 Auditoria dos componentes patrimoniais .................................................................................................................................. 32
3.1.2.1. Auditoria de Caixa e Bancos ................................................................................................................................................. 32
3.1.2.2. Auditoria das Contas a Receber ........................................................................................................................................... 34
3.1.2.3. Auditoria dos Estoques ............................................................................................................................................................. 34
3.1.2.4. Auditoria das Despesas Antecipadas ................................................................................................................................... 35
3.1.2.5. Auditoria do Realizável à Longo Prazo ............................................................................................................................... 35
3.1.2.6. Auditoria dos Investimentos .................................................................................................................................................... 35
3.1.2.7. Auditoria do Imobilizado ........................................................................................................................................................ 36
3.1.2.8. Auditoria do Intangível ............................................................................................................................................................ 36
3.1.2.9. Auditoria dos Passivos ............................................................................................................................................................. 37
3.1.2.10. Auditoria do Patrimônio Líquido ......................................................................................................................................... 37
3.1.2.11. Auditoria do Resultado ......................................................................................................................................................... 37
3.2 – Procedimentos de Auditoria no Passivo Circulante e Não Circulante ............................................. 38
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2
3.2.1 Auditoria das Contas do Passivo Circulante ............................................................................................................................ 39
3.2.2 Auditoria das Contas do Passivo Não Circulante ................................................................................................................... 42
3.3 – Procedimentos de Auditoria no Patrimônio Líquido .......................................................................... 43
3.4 – Procedimentos de auditoria nas Contas de Resultado ...................................................................... 46
3.5 – Testes para superavaliação e para subavaliação ............................................................................. 47
4. QUESTÕES COMENTADAS ....................................................................................................................... 61
5. LISTA DE QUESTÕES ............................................................................................................................. 120
6. GABARITO .......................................................................................................................................... 140
7. RESPOSTAS DAS QUESTÕES SUBJETIVAS ............................................................................................... 141
8. RESUMO EM MAPAS E ESQUEMAS ........................................................................................................ 149
9. BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 153
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administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo
acionista controlador da Companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não
forem comprovadamente demonstradas. O Conselho de Contribuintes tem se manifestado
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repetidas vezes a respeito das operações de reforço de caixa de empresas mediante empréstimos
ou aumento de capital social por parte de dirigentes. Ressaltamos, entre as inúmeras decisões:
“A prova da origem e efetiva entrega dos recursos, tanto para suprimento de caixa, como para
integralização de capital, deve ser comprovada por documentação hábil, idônea e coincidente, em
datas e valores, por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual
ou pelo acionista controlador da companhia.” [Acórdão 1025, DF/Fortaleza/3ª Turma – de
04/04/2002]
3.1.1.4 Diferenças em levantamentos quantitativos por espécie
A legislação tributária vigente estabelece outra hipótese de presunção legal de omissão de receitas,
que consiste na identificação de receitas omitidas através de levantamento, por espécie, das
quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da
pessoa jurídica. Para efeito de determinação da receita omitida será apurada a diferença, positiva
ou negativa, entre as somas das seguintes quantidades:
A = Estoques de produtos, no início do período, constantes no Registro de Inventário + produtos
fabricados + matérias primas e produtos intermediários utilizados no período.
B = Produtos vendidos escriturados no Diário + estoques, no final do período, constantes no Registro
de Inventário.
Diferença positiva: Se a soma de “A” for maior que a de “B” ficará configurada a presunção de
venda de produtos sem a emissão ou sem registro de notas fiscais.
Diferença negativa: Se, ao contrário, “A” resultar menor que “B”, presumir-se-á que houve compra
de matérias-primas ou produtos intermediários com recursos de ingressos não escriturados.
Considera-se receita omitida o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de
produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de
venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento.
O critério de apuração de receita omitida aplica-se, também, às empresas comerciais, relativamente
às mercadorias adquiridas para revenda.
3.1.1.5 Diferenças em levantamentos econômicos ou financeiros
Constituem, também, presunção legal de omissão de receita, os valores creditados em conta de
depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular
pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a
origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Essa prática, que não prejudica a proteção
do sigilo bancário, tem por objetivo, a partir da obtenção legítima das informações, a caracterização
e quantificação do ilícito fiscal, sem nenhum arbítrio, mas de forma justa e correta, haja vista que a
metodologia permite a mais ampla defesa por parte do contribuinte.
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3.1.1.6 Omissão do registro de pagamento efetuados
A não escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica (compras omitidas) caracteriza
omissão de receitas. Dentre as inúmeras decisões do Conselho de Contribuintes a respeito da
matéria, destacamos:
“A falta de registro contábil e fiscal de aquisição de mercadorias autoriza a presunção de omissão de
receita, em montante correspondente ao custo dessas mercadorias, ressalvada prova em contrário
(tributação que se solidifica quando o contribuinte não apresenta prova que descaracteriza a
presunção).” [Acórdão 1.044 – CSRF-MF/1ª turma – 26/11/90]
“A falta de contabilização de compras autoriza a presunção de que os valores dos respectivos custos
foram pagos com recursos mantidos à 171 margem da escrituração, omitidos, portanto, dos
resultados da empresa.” [Acórdão 103-12.162 1º CC MF/3ª Câmara – de 09/11/93]
Memorize o esquema a seguir:
3.1.1.7 Desfalques de Caixa
Existem dois tipos de desfalques de caixa: os desfalques encobertos e os desfalques não encobertos.
Desfalques encobertos são normalmente aqueles feitos por meio de um lançamento de
compensação nos registro contábeis, de modo que a falta do bem não seja notada. Normalmente,
o ato de encobrir o desfalque só é possível com um mau controle interno, que permite ao indivíduo
desonesto acesso ao caixa e autoridade para fazer lançamentos no diário. O desfalque não
encoberto é aquele que não se faz acompanhar de lançamento contábil em contrapartida. Portanto,
as faltas resultantes de desfalques não encobertos podem ser escondidas por algum tempo apenas,
ou não podem ser escondidas de forma nenhuma. Há dos tipos comuns de desfalques não
encobertos, que são o lapping e o kiting.
Ativo oculto
Bem ou direito não registrado, mas existe!
Passivo fictício
Manutenção no passivo de obrigações já pagas ou manutenção no passivo de obrigações cuja
exigibilidade não seja comprovada. (Obrigações registradas, mas não existem!)
Passivo oculto
Obrigações não registradas (ou a menor), mas existem!
Ativo fictício
Bem registrado, mas não existe!
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1. O lapping geralmente se faz com cobranças de contas a receber e consiste em desviar os
resultados de cobranças, substituindo-se o montante desviado por cobranças posteriores.
2. O kiting é um tipo de desfalque de caixa que envolve os desembolsos aí feitos. É, essencialmente,
um sistema de encobrir faltas de dinheiro com transferências, em cheques não registrados.
Basicamente, o kiting (ou check kiting) é uma fraude que envolve transferências via cheque entre
diferentes contas bancárias. Exemplificando:
Saldo atual banco A: 1.000
Saldo atual banco B: 0
Fraudador emite um cheque de 8.000 do banco A e deposita no banco B.
Obviamente, quando houver a compensação do cheque emitido no banco A, será verificado que não
havia fundos. Porém, em tese (desconsiderando avanços tecnológicos relacionados a controles sobre
operações com cheque), no período entre o depósito do cheque no banco B e a compensação do
cheque no banco A, o fraudador criou um crédito fictício de 7.000.
O check kiting pode ser usado para obter acesso ilegal a crédito de curto prazo ou para exagerar o
saldo de caixa (ou disponibilidades) da empresa com o objetivo de enganar os auditores.
É mais fácil detectar kiting do que lapping, pois, com procedimentos adequados de auditoria de caixa
é possível descobrir essa fraude na data da verificação. Entre esses procedimentos, estão os
seguintes:
• Coleta de dados de caixa e conferência posterior dos mesmos com a lista de cheques em circulação;
• Exame de recebimentos não depositados na data da verificação, para se certificar de que não há
cheques da empresa entre esses recebimentos;
• Correto uso do extrato do banco;
• Preparação de uma cédula com todas as transferências bancárias ocorridas durante um período
razoável, antes e após a data da verificação.
3.1.2 Auditoria dos componentes patrimoniais
Os procedimentos aplicáveis à auditoria das contas variam de acordo com o auditor. A título de
exemplificação, apresentamos alguns dos procedimentos básicos de auditoria que podem ser
aplicados aos principais elementos que compõem o balanço patrimonial. Além dos procedimentos
indicados, outros podem ser aplicados, de acordo com as circunstâncias.3.1.2.1. Auditoria de Caixa e Bancos
Uma vez que o Caixa é considerado um bem que envolve grande risco e é relativamente difícil de ser
controlado, os procedimentos de auditoria a ele aplicáveis tendem a ser mais extensos e detalhados
que em outras áreas. Como regra, a avaliação feita pelo auditor do controle interno contábil da
entidade sobre o Caixa e Bancos irá influenciar sobremaneira a extensão e a intensidade dos
procedimentos a serem empregados.
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Entre os objetivos específicos da auditoria nas contas Caixa e Bancos podemos relacionara
verificação da existência, da propriedade, da exatidão dos valores, a descoberta de eventuais
restrições e a determinação e apresentação fidedigna nas demonstrações financeiras.
O valor de Caixa e Bancos normalmente apresentado no Balanço de uma empresa é formado de dois
componentes: encaixe (numerário em mãos) e depósito em bancos. Cada componente possui
características próprias e, por isso, consideram-se os procedimentos de auditoria para cada um de
forma separada.
Encaixe (numerário em mãos): consiste, normalmente, no fundo fixo de Caixa e recebimento de
clientes, antes de serem depositados. Os principais procedimentos para ambos os tipos de encaixe
são: contagem feita pelo auditor; conferência posterior dos totais obtidos na contagem com aqueles
constantes nos registros contábeis; exames de cheques de clientes e comprovantes de Caixa
pequena, com o objetivo de verificar se são corretos e válidos; e verificação de depósitos referentes
aos recebimentos de clientes nas contas bancárias. É importante que o auditor tenha um empregado
do cliente o observando enquanto faz a contagem de Caixa. Pode-se, ainda, solicitar que o
funcionário do cliente efetue a contagem, enquanto o auditor observa e faz os apontamentos
necessários. O elemento surpresa deve ser considerado em todas as auditorias de Caixa; ao
empregar esse elemento, no entanto, o auditor enfrenta objetivos conflitantes. Primeiro, se
considerar que é necessário verificar o Caixa na data do balanço, não haverá esse elemento surpresa.
Digamos que o auditor, ano após ano, faz a contagem de Caixa na data do encerramento do
exercício. Se assim fizer, perde-se o elemento surpresa. Quando o controle interna funciona bem,
pode-se priorizar o elemento surpreso, fazendo a contagem em outra data que não no
encerramento do exercício. Quando o controle interno é ineficaz, uma solução viável é efetuar duas
contagens de Caixa: uma em caráter de surpresa e outra ao final do exercício.
Caixa depositado: aqui, os procedimentos são totalmente distintos dos aplicados para o dinheiro
em mãos. Não se trabalha com dinheiro, propriamente dito, mas sim com documentos que
comprovam a existência de dinheiro. Pode-se considerar que os procedimentos para essa parte do
Caixa se iniciam por ocasião da contagem do dinheiro em mãos. A partir daí, procedem-se a coleta
de dados necessários para verificação do Caixa depositado, finalizando-se os trabalhos com a
aplicação da técnica de conciliação bancária.
Em relação aos desfalques mais comuns de caixa, já os estudamos anteriormente na aula.
A doutrina, usualmente, apresenta – de forma ampla – os objetivos da auditoria das disponibilidades
(das quais fazem parte o Caixa e os chamados Equivalentes de Caixa). Nesse contexto, a auditoria do
disponível tem a finalidade de:
a) determinar sua existência, que poderá estar na companhia, em bancos ou com terceiros;
b) determinar se e pertencente à companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de restrições de uso ou de vinculações em garantia;
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e) determinar se está corretamente classificado nas demonstrações financeiras e se as divulgações
cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem de caixa, fundo fixo,
aplicação financeira, confirmação de saldos bancários, pessoas autorizadas a assinar, aplicações
financeiras; exames em documentos, cheques pagos, avisos bancários, aplicações financeiras, atas
de assembleias ou reuniões, contratos; cálculos de conciliações, razão auxiliar dos bancos, juros
pagos ou recebidos; observação de classificações contábeis, etc.
3.1.2.2. Auditoria das Contas a Receber
A auditoria das contas a receber tem a finalidade de:
a) determinar sua existência e representatividade contra os devedores envolvidos;
b) determinar se são de propriedade da companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de restrições de uso, de vinculações em garantia ou de contingências;
e) determinar que estão corretamente classificadas nas demonstrações financeiras e que as
divulgações aplicáveis foram expostas por notas explicativas.
f) determinar rentabilidade da cobrança;
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem de duplicatas a receber,
títulos a receber, adiantamentos concedidos a fornecedores e funcionários; exame de vendas,
contratos; cálculo da soma de juros, duplicatas a receber; exame das contas; investigação detalhada
das vendas; investigação na baixa de duplicatas; inquérito; observação de princípios contábeis, etc.
3.1.2.3. Auditoria dos Estoques
A auditoria dos estoques tem a finalidade de:
a) determinar sua existência, que poderá estar na companhia, em custódia com terceiros ou em
trânsito;
b) determinar se é pertencente à companhia;
c) determinar se foram aplicados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de estoques penhorados ou dados em garantia;
e) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras e se as divulgações
cabíveis foram expostas por notas explicativas;
f) determinar que há um bom controle interno sobre estoques;
g) averiguar se foi atribuído preço adequado ao estoque;
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h) determinar a possibilidade de venda do estoque existente, atentando-se para indícios, tais como
mercadorias danificadas, itens obsoletos etc.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: verificação da existência física,
exame de estoques de matérias-primas, processo, confirmações de materiais e estoques com
terceiros, exame de notas fiscais de compra e venda, contratos, cálculos de impostos, preço unitário,
exame das contas de produtos acabados, em processo, teste de avaliação,
3.1.2.4. Auditoria das Despesas Antecipadas
A auditoria das despesas antecipadas, classificadas como ativo circulante tem a finalidade de:
a) determinar que representam gastos efetivos que irão beneficiar o período subsequente;
b) determinar se foram utilizados em bases uniformes os princípios de contabilidade geralmente
aceitos;
c) determinar se estão corretamente classificadas nas demonstrações financeiras e se as divulgações
cabíveis foram expostas nas notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: confirmação com empresas de
seguro, exame de faturas, notas fiscais, apólices de seguro, cálculo da amortização mensal,
observação dos controles internos, etc.
3.1.2.5. Auditoria do Realizável à Longo Prazo
Os objetivos de auditoria e os procedimentos de auditoria relacionados com o realizável a longo
prazo são os mesmos que os aplicados ao caixa, contas a receber e estoques, uma vez que as contas
classificadas norealizável a longo prazo são da mesma natureza daquelas, diferenciando-se apenas
quanto à realização, visto que essa ocorre em prazo superior a um exercício da data de
encerramento das demonstrações financeiras.
A Lei das S.A. determina a classificação como realizável a longo prazo para os direitos realizáveis
após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou
empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro
da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia.
3.1.2.6. Auditoria dos Investimentos
A auditoria dos investimentos classificados no ativo permanente tem a finalidade de:
a) determinar a existência de um adequado sistema de controle interno sobre investimentos e lucros
deles decorrentes
b) determinar que os investimentos apresentados realmente existem e são de propriedade da
companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
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d) determinar a existência de vinculações em garantia;
e) determinar se a receita ou o prejuízo apropriável ao período foram adequadamente
contabilizados;
f) determinar se estão corretamente avaliados nas demonstrações financeiras e se as divulgações
cabíveis foram expostas por notas explicativas;
g) determinar se há registro adequado de resultados e de receitas com investimentos.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame e contagem física dos
investimentos (especialmente quando há títulos envolvidos.), confirmação com terceiros, exame
documental das vendas, compras, cálculo da participação acionária, registros, correlação entre
contas do ativo e passivo, procedimentos de avaliação (análise da equivalência patrimonial),
observação da classificação adequada dos investimentos, verificação do lucro de investimentos, .
3.1.2.7. Auditoria do Imobilizado
A auditoria do imobilizado tem as seguintes finalidades:
a) determinar sua existência física e a permanência em uso;
b) determinar se pertence à companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar se o imobilizado não contém despesas capitalizadas (ou seja, desembolsos que
deveriam ser lançados como despesa e que foram incorporados ao ativo) e, por outro lado, a
despesa não contém itens capitalizáveis (situação contrária, ou seja, gastos que deveriam ter se
incorporado ao ativo mas que foram lançados como despesa).
e) determinar se os bens do imobilizado foram adequadamente depreciados e corrigidos
monetariamente em bases aceitáveis;
f) determinar a existência de imobilizado penhorado, dado em garantia ou com restrição de uso;
g) determinar se o imobilizado está corretamente classificado nas demonstrações financeiras e se as
divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas; e
h) estudar e avaliar o controle interno para os bens do imobilizado.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame físico, exame e avaliação de
bens, inspeção em obras em andamento, confirmação das escrituras em cartório (bem como de
fornecedores quanto aos bens adquiridos e de advogados sobre processos em andamento), exame
de documentos de compra e venda, cálculo da depreciação, inquérito sobre adequação da variação
do saldo do imobilizado, etc.
3.1.2.8. Auditoria do Intangível
A doutrina de auditoria, ao tratar da auditoria do intangível, reforça – basicamente – os conceitos
contábeis relacionados a esse grupo de contas do Ativo, como por exemplo: identificação,
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reconhecimento e mensuração (inclusive a valor justo), combinação de negócios, goodwill, pesquisa
e desenvolvimento, amortização, redução ao valor recuperável, baixa e alienação, dentre outros.
3.1.2.9. Auditoria dos Passivos
A auditoria dos passivos tem a finalidade de:
a) determinar se são pertencentes à companhia;
b) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
c) determinar a existência de ativos dados em garantia ou vinculações aos passivos; e.
d) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras, e se as
divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem de contas a pagar,
confirmação com fornecedores, exame de notas fiscais, cálculo dos encargos, impostos a pagar,
exame das contas do passivo, verificação de passivos não registrados, etc.
3.1.2.10. Auditoria do Patrimônio Líquido
A auditoria do patrimônio líquido tem as seguintes finalidades:
a) determinar se as ações ou o título de propriedade do capital social foram adequadamente
autorizados e emitidos;
b) determinar se toda a norma descrita nos estatutos social e nas obrigações sociais e legais foram
cumpridas;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de restrições de uso das contas patrimoniais;
e) determinar se o patrimônio líquido está corretamente classificado nas demonstrações financeiras
e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem das ações, confirmação
da participação acionária, exame em documentos, atas, estatutos, exame em contas de reserva,
correlação entre saldos de reservas e resultado do exercício, etc.
3.1.2.11. Auditoria do Resultado
A auditoria do resultado tem como finalidades:
a) determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados;
b) determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem
exercícios futuros estão corretamente diferidos.
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c) determinar se os custos e despesas estão corretamente contrapostos às receitas devidas,
d) determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizadas de acordo com os princípios de
contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
e) determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificadas nas demonstrações
financeiras, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame das contas correlatas ao
balanço patrimonial, estudo e avaliação dos controles internos e testes de procedimentos, estudo,
análise e exame das contas de resultado.
3.2 – Procedimentos de Auditoria no Passivo Circulante e Não
Circulante
O Art. 180, da Lei nº 6.404/1976, define Passivo Circulante e Passivo Não Circulante da seguinte
forma:
“As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não
circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e
no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior.”[...] [grifo nosso]
De maneira geral, a doutrina aponta as seguintes finalidades da auditoria dos passivos:
a) determinar se são pertencentes à companhia;
b) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
c) determinar a existência de ativos dados em garantia ou vinculações aos passivos; e.
d) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras, e se as
divulgações cabíveis foram expostas por notasexplicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem de contas a pagar,
confirmação com fornecedores, exame de notas fiscais, cálculo dos encargos, impostos a pagar,
exame das contas do passivo, verificação de passivos não registrados, etc.
As obrigações representam fontes de recursos e reivindicações de terceiros contra os ativos da
empresa. O auditor estabelece a importância das contas passíveis a serem testadas, verificando se
todas as dívidas da empresa foram devidamente registradas na contabilidade.
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Contabilmente, as obrigações são classificas no Balanço Patrimonial nos grupos do Passivo Circulante
ou no Passivo não Circulante.
As obrigações da empresa compreendem normalmente os seguintes grupos de contas:
✓ Empréstimos a pagar;
✓ Fornecedores de mercadorias;
✓ Impostos a recolher;
✓ Salários a pagar;
✓ Outras obrigações;
✓ Provisões.
3.2.1 Auditoria das Contas do Passivo Circulante
O passivo circulante apresenta os valores que explicam a origem dos investimentos de vencimento
a curto prazo. O exame de auditoria do passivo visa averiguar a exatidão e a correta classificação,
acréscimos falsos e simulações. Esses erros também são destinados a verificar fins diversos, tais
como: falências, desvios de numerários, entre outros.
A seguir, será feita uma análise sobre esses erros no passivo circulante, os fins visados para se
proceder de tal forma e os efeitos da situação financeira da empresa.
Os principais erros são:
1. Subavaliação do passivo
Objetivo: esconder situação de dificuldade financeira, fraudar o fisco, ludibriar credores e sócios.
Efeito: falso quociente de liquidez, melhora a aparência da empresa junto a credores.
2. Superavaliação do passivo
Objetivo: aumentar o capital de terceiros visando prejudicar credores e sócios de maneira
intencional.
Efeito: aparecimento de juros falsos em virtude de falsas dívidas.
3. Valores fictícios
São valores hipotéticos sem qualquer substância; dívidas inexistentes.
Objetivo: aumentar o volume das obrigações a fim de iludir credores e sócios ou para justificar
sonegações fiscais.
Efeitos: falso quociente de liquidez, interfere no cálculo do Imposto de renda.
4. Valores ocultos
Objetivo: beneficiar a situação financeira, visa também omitir compras realizadas e, por
conseguinte, atingir o grupo de resultados, afetando o cálculo do Imposto de renda.
5. Simulação
Classificação errada das dívidas a curto prazo como sendo de longo prazo.
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Objetivo: influenciar no quociente de liquidez a curto prazo, dando melhor aparência à empresa
para credores.
A seguir, apresentaremos um programa de auditoria para o passivo circulante, em suas
principais contas, com os principais procedimentos, a fim de encontrar os erros citados.
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GRUPO OBJETIVOS PROCEDIMENTOS
Fornecedores
Verificar se todas as aquisições a
prazo forma contabilizadas
Obter relação de fornecedores, notas
fiscais e duplicatas, em seu grupo
Verificar se as obrigações foram
reconhecidas mediante a passagem
de propriedade do bem, ou seja,
em seu recebimento.
Obter confirmação de saldo dos
fornecedores por meio de circularização
Verificar se todas as dívidas com
fornecedores foram registradas em
sua integralidade
Verificar se o valor da Nota Fiscal confere
com o valor pedido;
Verificar as contas do razão e
comparar com a data do
recolhimento da obrigação
Imposto de
Renda
Verificar se a despesa com o IR foi
contabilizada no exercício social
em que a empresa gerou lucro.
Preparar um papel de trabalho com o
saldo do Imposto de Renda no início do
período e no fim e comparar o saldo com
os papéis de trabalho do ano anterior.
Verificar se o percentual de
destinação do imposto de renda
para fins fiscais está de acordo com
a legislação pertinente.
Outros
Verificar se outros impostos: ICMS,
IPI, impostos que não são
acumuláveis, assim foram
calculados, ou seja, se a empresa
tem pagado apenas a diferença
entre o preço de custo de aquisição
da matéria-prima e o preço de
venda.
Analisar a composição dos saldos das
contas. Conferir a análise com o saldo do
razão. Confrontar os valores a pagar com
os livros fiscais.
Salários a pagar
Verificar se no grupo Salários a
Pagar estão registrados apenas os
rendimentos líquidos a pagar aos
empregados
Analisar o saldo das contas. Conferir a
análise dos saldos das contas com o razão
geral da contabilidade.
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GRUPO OBJETIVOS PROCEDIMENTOS
Descontos e
Encargos
Verificar se no grupo Descontos
estão registradas as quantias que
são deduzidas dos rendimentos
brutos dos funcionários. Verificar
se no grupo Encargos Sociais foram
contabilizadas todas as obrigações
trabalhistas que incidam sobre os
rendimentos dos funcionários
como INSS, FGTS e Imposto de
Renda.
Verificar se os descontos e
encargos sociais foram registrados
no mês em que o funcionário
trabalhou
Confrontar os valores das folhas de
registro de empregados.
Outras
obrigações
Verificar se as outras contas
registradas no passivo circulante
realmente devem estar ali
registradas e não em outro grupo,
e não como Passivo Não Circulante.
Verificar a exatidão dos saldos do razão e
confrontar com a análise que deve ser
feita nessas contas.
Provisões
Verificar se as provisões foram
feitas de acordo com a legislação
vigente.
Conferir o cálculo para construir cada
provisão.
Verificar se as provisões foram
debitadas quando da liquidação da
dívida e, por conseguinte, se é
devido fechá-las.
Conferir a natureza destas provisões.
Cruzar os saldos do razão com a apuração
do resultado do exercício. Inspecionar a
documentação com os pagamentos
efetuados.
Fonte: (Aparecido Crepaldi. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2016)
3.2.2 Auditoria das Contas do Passivo Não Circulante
O exame de auditorias das contas do não circulante requer, sob vários aspectos, uma filosofia
diferente por parte dos auditores. Na auditoria do ativo, os auditores tentam comprovar a existência
e o valor de bens tangíveis e intangíveis. Normalmente, podem fundamentar-se em dados de
observação pessoal ou em confrontação direta para se assegurarem da existência do ativo. Essa
evidência concreta, contudo, não pode ser obtida prontamente na verificação das contas do exigível,
porque uma vez que estas contas são de natureza intangível, observá-las é irrelevante. Outro
motivo, no que concerne aos exigíveis, envolve as expectativas dos auditores com relação a
eventuais manipulações deliberadamente feitas com o propósito de melhorar o quadro da posição
financeira de uma empresa ou de encobrir qualquer outra fraude.
Os auditores têm de reconhecer que na auditoria do Passivo Não Circulante, de muitas maneiras, o
grau de objetividade das provas pode ser inferior ao de outras áreas de exame.
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Os objetivos do auditor, ao verificar o Passivo Não Circulante, compreendem o seguinte:
✓ Verificar se existe controle interno satisfatório;
✓ Determinar a razoabilidade e a propriedade do passivo registrado;
✓ Certificar-se de quetodo o passivo foi registrado, ou seja, de que não há item algum do
passivo sem registro;
✓ Determinar se os itens do passivo são corretamente apresentados nas demonstrações
financeiras.
3.3 – Procedimentos de Auditoria no Patrimônio Líquido
O patrimônio líquido representa a parcela dos Ativos financiada pelos acionistas. Ele é composto dos
seguintes grupos de contas:
✓ Capital Social;
✓ Reservas de Capital;
✓ Ajuste de avaliação patrimonial;
✓ Reservas de lucro.
A auditoria das contas do Patrimônio Líquido consiste em o auditor checar as transações que
ocorreram durante o período auditado, observando se foram atendidas as disposições societárias e
estatutárias. Nas empresas de capital aberto, é uma das mais importantes auditorias, pois envolve
muitos aspectos de grande valia para os investidores, como a distribuição de dividendos.
Os aspectos mais importantes a verificar, na área, são os de observância dos formalismos legais e
estatutários:
✓ Determinar se as ações ou títulos de propriedade do capital social foram adequadamente
autorizados e emitidos;
✓ Determinar se todas as normas descritas nos estatutos sociais, as obrigações sociais e legais
foram cumpridas;
✓ Assegurar-se da organização e atualização dos livros societários, atas de assembleias gerais e
de reuniões da diretoria e/ou do Conselho de Administração;
✓ Determinar se o Patrimônio Líquido foi corretamente contabilizado e classificado nas
demonstrações contábeis.
Objetivos específicos
Os objetivos da auditoria das contas do Patrimônio Líquido consistem nas seguintes finalidades:
a) Determinar a quantidade de ações ou títulos de propriedade do capital social, bem como se foram
adequadamente autorizados e emitidos;
b) Determinar se todas as normas descritas nos estatutos social, as obrigações sociais e legais foram
cumpridas, tal como for entendido pelo auditor;
c) Determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
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d) Determinar a existência de restrições de uso das contas patrimoniais;
e) Determinar se o patrimônio líquido está corretamente classificado nas demonstrações
financeiras, se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas;
f) Verificar a disponibilidade do PL quanto a sua distribuição aos acionistas, quotistas ou
proprietários;
g) Verificar a segurança dos comprovantes de requisição de propriedade dos títulos emitidos, entre
outros.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: contagem das ações, confirmação
da participação acionária, exame em documentos, atas, estatutos, exame em contas de reserva,
correlação entre saldos de reservas e resultado do exercício, etc.
O auditor deve certificar-se de que a seção do Patrimônio Líquido do balanço seja apresentada
corretamente e se faça acompanhar de divulgação apropriada. Certas regras básicas de divulgação
a serem seguidas são:
✓ Devem-se separar os valores realizados e os a integralizar;
✓ O capital deve ser apresentado por um valor adequado a sua natureza;
✓ Em geral, deve-se divulgar a fonte dos diversos componentes do capital integralizado;
✓ As restrições aplicáveis aos pagamentos de dividendos devem ser divulgadas.
Cabe ao auditor certificar-se da propriedade dos valores e divulgações referentes a itens, tais como
ações readquiridas pelo próprio emitente, ações autorizadas, emitidas, em circulação, dividendos
preferenciais em atraso e outros assuntos.
O exame de auditoria efetuado na área do Patrimônio Líquido tem por finalidade atingir os objetivos
previamente determinados.
Uma vez definido o programa de auditoria, durante a execução do trabalho, o auditor deve estar
alerta para evitar possíveis trabalhos desnecessários ou deixar de realizar trabalhos não
programados, porém importantes. Caso isso venha a acorrer, o programa original deverá ser
modificado com a introdução de eventuais itens não programados.
A seguir, apresentaremos um programa de auditoria para o Capital e outros itens patrimoniais:
relação e tipos de erros das demonstrações financeiras, objetivos de auditoria e testes substantivos
de auditoria. Veja:
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Capital e outros itens patrimoniais: relação e tipos de erros das demonstrações
financeiras, objetivos de auditoria e testes substantivos de auditoria.
Tipos de Erros das
Demonstrações
Financeiras
Objetivos da Auditoria
Exemplos de Testes Substantivos de
Auditoria para alcançar os objetivos de
auditoria
✓ Existência;
✓ Direito e
Obrigações;
✓ Integridade
O capital e outros itens patrimoniais
representam valores pagos na
subscrição de ações ordinárias e/ou
preferenciais, valores pagos como
prêmio (ágio) na subscrição de ações,
lucros não distribuídos, inclusive
reservas e valores pagos pela
sociedade pela compra de suas
próprias ações.
Confirmação do capital social com Atas
da Assembleia Geral dos Acionistas,
registros de acionistas e agente
fiduciário, se for o caso. Confirmação do
prêmio (ágio) de subscrição com Atas da
Assembleia Geral dos Acionistas.
Análises de contas
✓ Existência;
✓ Direito e
Obrigações
As importâncias das contas de capital
e outros itens patrimoniais então de
acordo com requisitos dos estatutos
da sociedade, resoluções dos
acionistas e disposições legais
aplicáveis, e estão corretamente
registradas.
Confirmação das ações emitidas com os
registros de controle da sociedade ou
com o agente fiduciário, se for o caso.
Análises de contas. Revisão quanto ao
atendimento às disposições legais.
✓ Integridade;
✓ Valorização
Todas as transações nas contas de
capital e outros itens patrimoniais
durante o período auditado estão
devidamente autorizadas e
corretamente contabilizadas.
Confirmação das ações emitidas com o
agente fiduciário, se for o caso. Exame
dos registros de acionistas. Leitura de
Atas de Assembleia Gerais dos
Acionistas. Confirmação dos dividendos
pagos com a instituição bancária
autorizada ou com os registros da
sociedade. Procedimentos analíticos.
Análises de contas.
✓ Apresentação
e Divulgação
O capital e outros itens patrimoniais
estão corretamente descritos e
classificados nas demonstrações
financeiras, e as devidas divulgações
relativas a esses valores foram feitas.
Revisão das demonstrações financeiras e
comparação das divulgações feitas com
os requisitos dos princípios de
contabilidade.
Fonte: (Aparecido Crepaldi. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2016)
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3.4 – Procedimentos de auditoria nas Contas de Resultado
O exame desta área demanda dedicação e paciência por parte do auditor. Normalmente, o volume
de lançamentos é muito grande, assim como o de comprovantes, e a possibilidade de erros,
intencionais ou não, é enorme. Logo, ao iniciar seu exame, será desejável que o auditor não esteja
demasiadamente premido pela necessidade de concluir tarefas.
As contas de receita (vendas à vista) e despesas têm influência direta nas contas de disponibilidades
(Caixa e Bancos). Por esse motivo, estão sujeitas à tentação de fraude. Todavia, não é só a esse
campo que o exame ficará limitado. Estende-se, também, às provisões, seja para depreciação e
amortização, seja para devedores duvidosos, ou para despesas financeiras vencidas e não pagas.
Assim, todas as contas que interferem no resultado do exercício fazem parte do exame.
Objetivos
A auditoria das contas de resultado tem como objetivos:a) determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados;
b) determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem
exercícios futuros estão corretamente diferidos.
c) determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizadas de acordo com os princípios de
contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
d) determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificadas nas demonstrações
financeiras, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame das contas correlatas ao
balanço patrimonial, estudo e avaliação dos controles internos e testes de procedimentos, estudo,
análise e exame das contas de resultado.
Os exemplos acima são corroborados pelo entendimento de Attie (2010), para o qual os testes de
auditoria aplicados pelo auditor no resultado se dividem, basicamente, em três tópicos:
✓ Exame de contas correlatas do balanço patrimonial;
✓ Estudo e avaliação do controle interno e teste de procedimentos; e
✓ Estudo, análise e exame das contas de resultado.
Exame das contas correlatas do balanço patrimonial: O exame das contas correlatas do balanço
patrimonial nada mais é do que o relacionamento harmônico do sistema contábil (e da aplicação do
método das partidas dobradas), cujo efeito se revela tanto no balanço quanto no resultado.
Estudo e avaliação do controle interno e teste de procedimentos: nesse tipo de teste, o enfoque
recai sobre a existência de três grandes ciclos que merecem a análise do auditor e que têm influência
significativa, tanto no balanço patrimonial quanto no resultado: o ciclo de vendas, o ciclo de compras
e o ciclo de folha.
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O efetivo funcionamento dos controles internos deve sugerir, nas fases envolvidas de cada ciclo, a
exatidão das informações, de forma conveniente ao bom andamento do trabalho, e que todas as
pessoas envolvidas em cada setor tenham a totalidade das informações necessárias, e de forma
tempestiva.
Inclui-se, no contexto de cada um dos ciclos desenvolvidos, a contabilidade – que é a responsável
pelo registro de todas as operações que deverão estar presentes nas demonstrações financeiras.
Dessa maneira, um adequado teste de procedimentos, que possua uma cobertura de aplicação
razoável, permite que – além de se atestar a efetividade dos controles – se determine ainda a
adequação das informações contábeis presentes em suas demonstrações financeiras.
Para cada ciclo examinado no contexto do estudo e avaliação do controle interno e teste de
procedimento, o trabalho relativo à auditoria do resultado deveria ser complementar, uma vez que
já foram analisadas as contas do ativo e do passivo, observando-se, a depender das necessidades do
auditor, os seguintes itens:
• Ciclo de vendas: análise comparativa das vendas por produtos, comportamento de mercado,
analise da rentabilidade por produto, discussão com a gerência de vendas quanto às variações ou
aos aspectos relevantes etc.;
• Ciclo de compras: complementação através de exame documental para compras, caso seja
necessário, e exame de compras de matérias de despesas, caso relevantes etc.;
• Ciclo de folha: análise mensal da distribuição da folha e encargos, discussão com a gerência sobre
variações ocorridas ou aspectos relevantes etc.
Estudo, análise e exame das contas de resultado: diz respeito ao estudo e análise do
comportamento das receitas, custos e despesas do período em exame e, em casos específicos, o
exame documental suporte das receitas, custos e despesas contabilizados no resultado.
3.5 – Testes para superavaliação e para subavaliação
Como dissemos anteriormente, o saldo de uma conta do balanço patrimonial ou da demonstração
do resultado do exercício pode estar errado para mais (superavaliado) ou para menos (subavaliado).
Devido a esse risco, todas as contas da contabilidade devem ser testadas para superavaliação e para
subavaliação. A experiência tem demonstrado que é mais prático dirigir os testes principais de
superavaliação para as contas devedoras (normalmente, as contas do ativo e despesas) e os de
subavaliação para as contas credoras. Devido ao fato de as transações na contabilidade serem
registradas pelo sistema de partidas dobradas, quando se testam as contas devedoras para
superavaliação, as contas credoras também estão sendo testadas indiretamente nessa mesma
direção.
Por exemplo, se durante o exame das demonstrações contábeis de uma empresa, para o ano findo
em 31/12/X0, o auditor descobre que as despesas de pessoal estão superavaliadas, em função de os
salários do mês de janeiro de X1 terem sido provisionados indevidamente em X0, é evidente que a
conta credora de salários a pagar, classificada no passivo circulante, também está superavaliada. Da
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mesma forma, quando se testam as contas credoras para subavaliação, as contas devedoras estão
sendo testadas secundariamente nessa mesma direção. Por exemplo: por ocasião da auditoria da
conta credora de fornecedores a pagar (testado para subavaliação), o auditor descobre que uma
fatura de compra de matéria-prima não foi registrada na contabilidade; consequentemente, as
contas de fornecedores a pagar e matéria-prima (conta devedora classificada no grupo de estoques
do ativo circulante) estão subavaliadas.
Na figura a seguir, são demonstradas as possibilidades de testes principais e secundários para as
contas do ativo, despesa, passivo e receita. Tenha em mente que os testes principais de
superavaliação são aplicáveis às contas do ativo e de despesa e que os testes principais de
subavaliação são aplicáveis às contas do passivo e de receita. Os testes secundários dependerão do
contexto da análise feita pelo auditor, sendo as seguintes as possibilidades registradas pela doutrina:
Exemplos da direção dos testes:
1) Teste principal para superavaliação de uma conta do ativo e teste secundário para
subavaliação de outra conta do ativo: durante a auditoria do Intangível, constatou-se que as
participações no capital social de outras sociedades foram debitadas indevidamente nessa conta,
quando o correto seria no grupo de contas Investimentos. Como consequência, o ativo intangível
(teste principal) estava superavaliado e investimentos (teste secundário) subavaliado.
2) Teste principal para superavaliação do ativo e teste secundário para superavaliação do
passivo: na auditoria da conta de matéria-prima (estoques no ativo circulante), observou-se que
um compra realizada em janeiro/X1 foi contabilizada erroneamente em X0. Com efeito, a conta de
matéria-prima (teste principal) e a conta de fornecedores a pagar (teste secundário) estavam
superavaliadas no exercício de referência (X0).
3) Teste principal para superavaliação do ativo e teste secundário para subavaliação de despesa:
na auditoria de máquinas e equipamentos (ativo imobilizado), o auditor verificou que foram
capitalizadas (debitadas no ativo) peças de reposição que, de acordo com os princípios contábeis,
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deveriam ser registradas como despesa do exercício. Portanto, a conta máquinas e equipamentos
(teste principal) estava superavaliada e o grupo de despesas (teste secundário) subavaliado.
4) Teste principal para superavaliação do ativo e teste secundário para superavaliação de receita:
na auditoria de duplicatas a receber (ativo circulante), o auditor constatouque uma venda
realizada em 20X1 foi contabilizada em 20X0. Como consequência, a conta de duplicatas a receber
(teste principal) e a conta de receita bruta de vendas (teste secundário) estavam superavaliadas.
Para cada cenário previsto na figura anterior, poderíamos pensar em situações como as
apresentadas acima. Não recomendamos decorar tais exemplos, mas sim raciocinar como a
contabilização incorreta age sobre cada grupo de contas.
3.5.1 Testes para superavaliação
No teste de superavaliação, o auditor parte do valor registrado no razão geral para o documento-
suporte da transação.
Os procedimentos básicos de auditoria do teste para superavaliação são:
1) Conferir a soma da conta do razão geral;
2) Selecionar débito e conferir seu valor com o valor total do registro final;
3) Conferir a soma do registro final;
4) Selecionar parcela do registro final e conferir seu valor com o valor total do registro intermediário;
5) Conferir a soma do registro intermediário;
6) Selecionar parcela no registro intermediário e conferir seu valor com o valor total do registro
inicial;
7) Conferir a soma do registro inicial;
DOCUMENTO
REGISTRO INICIAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO FINAL
RAZÃO GERAL
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8) Selecionar parcela no registro inicial e conferir seu valor com a documentação comprobatória.
O objetivo desses procedimentos é detectar superavaliação de débitos. Essa superavaliação poderia
ser feita verificando-se o seguinte:
1) Falta de documento ou documento inválido;
2) Soma a maior dos registros ou razão geral;
3) Transporte a maior do valor do documento para o registro inicial e do valor de um registro para
outro ou para o razão geral.
3.5.2 Testes para subavaliação
No teste para subavaliação, o auditor parte do documento para o razão geral, agindo de forma
contraria ao do teste de superavaliação.
Os procedimentos básicos de auditoria do teste para subavaliação são os seguintes:
1) Selecionar e inspecionar o documento suporte;
2) Verificar a inclusão do valor do documento no registro inicial;
3) Conferir a soma do registro inicial;
4) Verificar a inclusão do valor total do registro inicial no registro intermediário;
5) Conferir a soma do registro intermediário;
6) Verificar a inclusão do valor total do registro final no razão geral;
7) Conferir a soma do razão geral.
O objetivo dos procedimentos relatados é identificar subavaliação de créditos. Os créditos poderiam
ser subavaliados das seguintes formas:
1) Não inclusão do documento no registro inicial;
RAZÃO
REGISTRO FINAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO INICIAL
DOCUMENTO
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2) Soma a menor dos registros ou do razão geral;
3) Transporte a menor do valor do documento para o registro inicial e do valor de um registro para
outro ou para o razão geral.
3.5.3 Exemplos práticos
A cada conta examinada, serão aplicados os testes cabíveis, como por exemplo:
Ativo (teste de superavaliação)
a) Caixa: será aplicado o teste de contagem física. Verificando a quantidade de numerário em caixa.
b) Bancos: conferir se os saldos dos extratos conferem com os do balanço.
c) Clientes: aplicar o teste de liquidação-subsequente (verificar se houve quitação na data prevista).
Verificar se as vendas foram contabilizadas pelo regime de competência. Este exame poderá ser feito
através do cut-off de vendas, verificando se as notas fiscais emitidas no mês foram contabilizadas no
próprio mês. No caso de uma empresa de construção civil, a conta clientes poderá ser testada
verificando se o seu saldo é igual ao de receita do exercício futuro (verificar se a receita está sendo
apropriada à medida que se recebe).
d) Aplicações financeiras: teste da apropriação de rendimento pró-rata. Este teste consiste na
verificação de que os rendimentos estão sendo contabilizados no próprio mês.
e) Permanente: será testado com o cálculo global, ou seja, será pago o valor das contas do
permanente e serão verificados os lançamentos das depreciações e correções monetárias cabíveis a
cada uma em particular.
Passivo (teste de subavaliação)
a) Fornecedores: teste de liquidação subsequente, verificando se estão sendo pagas as dívidas do
tempo hábil.
Verificação dos lançamentos de acordo com o regime de competência.
b) Impostos: teste de liquidação subsequente (examinar se foi provisionado no mês de competência
e pago na data correta).
Teste de cálculo global (pega-se o saldo da conta ou receita a ser tributada no balanço, aplica-se a
alíquota e verifica-se se a mesma foi provisionada ou paga de acordo com as leis).
Cuidado: o chamado “teste de cálculo global e liquidação subsequente” de impostos a pagar, que
nada mais é do que a aplicação conjunta dos procedimentos acima listados, foi cobrado em prova
do CEBRASPE de 2020.
c) Patrimônio líquido: Teste de cálculo global, correção monetária e exame de documentos,
verificando se as variações ocorridas estão corretamente demonstradas.
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TESTES ESPECÍFICOS UTILIZADOS PELO AUDITOR PARA
SUBAVALIAÇÃO E SUPERAVALIAÇÃO, RESPECTIVAMENTE:
Rastreamento: o auditor seleciona documentos criados quando transações são executadas
e determina quais informações daqueles documentos encontram-se adequadamente
registradas nos livros contábeis (diários e razões). A direção dos testes é dos documentos
para os registros contábeis, refazendo o fluxo original dos dados do sistema contábil.
Assim, constitui importante procedimento para obtenção de evidências relacionadas com
afirmações de integridade. Sua eficácia aumenta quando o cliente utiliza documentos pré-
numerados. Rastreamento fornece evidência ascendente1, inicialmente, para dispor do
contexto econômico para rastreamento e teste de afirmações de integridade.
Vouching: envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e
inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados, para
determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas. A direção do teste é
oposta à do rastreamento. É um procedimento muito utilizado para detectar lançamentos
a maior nos registros contábeis. Assim, constitui procedimento importante para obtenção
de evidências sobre afirmações de existência ou ocorrência. Vouching fornece evidência
ascendente e como acontece com rastreamento e contagem, geralmente é precedido pela
realização de procedimentos descendentes com os quais se obtêm evidências do contexto
econômico com base no qual o vouching deve ser realizado.
(FEPESE / MPE SC – 2014) Assinale a alternativa que apresenta o sequenciamento para realização
do teste para subavaliação.
a) Documento > registro inicial > registro intermediário > registro final > razão geral.
b) Razão geral > registro inicial > registro intermediário > registro final > documento.
c) Planilha de lançamento > escrituração contábil > crítica de lançamento > revisão do
lançamento > anotação no papel de trabalho.
d) Contagem física > confirmação com terceiros > conferência de cálculos > inspeção de
documentos > anotação no papel de trabalho.
1 Evidência ascendente, segundo William C. Boyton, focaliza diretamente a realização de testes de
transações e de saldos de contas e dos sistemas que registram as transações e apuram os saldos. Já a
evidência descendente focaliza a atenção do auditor no entendimento do negócio, nos objetivos e nas
metas da administração, em como a administração utiliza seus recursos para atingir tais objetivos e
metas,na vantagem competitiva que a organização tem no mercado em que atua, em seus principais
processos e em seu livro e fluxo de caixa.
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e) Visitas in loco > técnicas de entrevistas > preparação de cálculos > execução da auditoria.
Comentários:
Segundo Aparecido Crepaldi, o saldo de uma conta do balanço patrimonial ou da demonstração
de resultado do exercício pode estar errado para mais (superavaliado) ou para menos
(subavaliado). Devido a esse risco, todas as contas da contabilidade devem ser testadas para
superavaliação e para subavaliação. Segundo a doutrina, é mais prático dirigir os testes principais
de superavaliação para as contas devedoras (normalmente as contas do ativo e despesas) e os de
subavaliação para as contas credoras.
No teste para subavaliação, o auditor parte do documento para o razão geral, agindo de forma
contraria ao do teste de superavaliação.
Gabarito: A.
(CESGRANRIO / PETROBRAS – 2018) Durante um procedimento de auditoria da conta de Veículos,
foi constatado que os juros decorrentes do financiamento para aquisição de um lote de veículos,
que deveriam ter sido registrados como despesa do exercício, foram capitalizados.
Os testes que retratam a situação apresentada são:
a) teste
para subavaliação de ativo e teste secundário para superavaliação de outra conta do ativo
b) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para superavaliação de ativo
c) teste principal para superavaliação de despesa e teste secundário para subavaliação de ativo
d) teste principal para superavaliação de despesa e teste secundário para subavaliação de outra
despesa
e) teste principal para superavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de despesa
RAZÃO
REGISTRO FINAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO INICIAL
DOCUMENTO
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Comentários:
Situação: Conta de veículos (ativo) - foi constatado que os juros decorrentes do financiamento
para aquisição de um lote de veículos foram capitalizados no ativo, e não como despesas (esse
seria o correto).
Consequências:
O ativo ficou maior do que deveria – superavaliação do ativo
A despesa ficou menor do que deveria – subavaliação da despesa.
Portanto, alternativa correta é E.
(FGV - TJ GO – 2014) Nos procedimentos de auditoria, um dos objetivos da inspeção física de itens
registrados no ativo imobilizado é verificar:
a) a existência de bens obsoletos ou deteriorados;
b) a coerência na definição do valor residual;
c) a necessidade de reconhecimento de perdas;
d) a conformidade com o valor de mercado;
e) o registro adequado das despesas de depreciação.
Comentários:
Segundo a doutrina, a auditoria do imobilizado tem as seguintes finalidades/objetivos:
a) determinar sua existência física e a permanência em uso;
b) determinar se pertence à companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar se o imobilizado não contém despesas capitalizadas e, por outro lado, a despesa
não contém itens capitalizáveis;
e) determinar se os bens do imobilizado foram adequadamente depreciados e corrigidos
monetariamente em bases aceitáveis;
f) determinar a existência de imobilizado penhorado, dado em garantia ou com restrição de uso;
g) determinar se o imobilizado está corretamente classificado nas demonstrações financeiras e se
as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e a doutrina, concluímos que a única que é objetivo
específico da inspeção física do imobilizado é verificar a existência de bens, inclusive os obsoletos
ou deteriorados. As demais até poderiam estar associadas ao imobilizado, mas não exatamente à
inspeção física (esta, sim, tem como objetivo a verificação da existência do bem).
Portanto, alternativa correta é A.
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(FGV / TCM SP – 2015) Em muitas entidades, o Imobilizado representa um dos grupos de contas
mais relevantes do Ativo e, como está sujeito a registros sistemáticos durante o exercício, deve
passar por procedimentos específicos no exame de auditoria. Dos objetivos apresentados, o que
está dissociado da auditoria do Imobilizado é:
a) avaliação dos bens, inclusive quanto à correção monetária;
b) especificação do custo de reposição dos bens;
c) detecção de eventual existência de ônus;
d) identificação de critérios e extensões das depreciações;
e) verificação de existência, propriedade e posse.
Comentários:
Segundo a doutrina, a auditoria do imobilizado tem as seguintes finalidades/objetivos:
a) determinar sua existência física e a permanência em uso; (Letra E)
b) determinar se pertence à companhia; (Letra E)
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar se o imobilizado não contém despesas capitalizadas e, por outro lado, a despesa
não contém itens capitalizáveis; (Letra C)
e) determinar se os bens do imobilizado foram adequadamente depreciados e corrigidos
monetariamente em bases aceitáveis; (Letra D e A)
f) determinar a existência de imobilizado penhorado, dado em garantia ou com restrição de uso;
(Letra E)
g) determinar se o imobilizado está corretamente classificado nas demonstrações financeiras e se
as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e a doutrina, concluiremos que é única que está
dissociada (ou não associada) do Imobilizado é a especificação do custo de reposição dos bens.
Esse objetivo está associado ao Estoque.
Portanto, alternativa correta é B.
(FCC / TRT 15ª Região – 2013) O auditor da empresa Seringueira S.A. elaborou exame seletivo nas
notas fiscais emitidas, para confirmação do saldo de Contas a Receber e da Receita do período.
Referido procedimento
a) é suficiente para confirmação dos saldos, por expressar o perfil da população inteira.
b) é um meio eficiente de constituir uma amostragem em auditoria.
c) não é um meio eficiente de obter evidência de auditoria.
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d) é um meio eficiente de obter evidência de auditoria, mas não podem ser projetados para a
população inteira.
e) não é um meio de evidências previsto nas normas de auditoria, sendo vedada a utilização.
Comentários:
O objetivo do auditor, no caso em tela, é confirmar o saldo de Contas a Receber e da Receita do
período. Para isso, ele teria que pegar todas as notas (população) para ratificar esse saldo. Como
ele elaborou exame seletivo (seleção de itens específicos) nas notas fiscais emitidas, não chegará
ao saldo total, embora tal procedimento seja um meio eficiente para obtenção de evidência de
auditoria. Em consequência disso, não poderá projetar as conclusões para população como um
todo.
Portanto, alternativa correta é D.
(UFG – Pref. CN - 2014) O teste de saldos é aquele empregado pelo auditor, em conformidade
com o padrão, relativo à execução do trabalho. Ao aplicar o teste de saldos, o auditor objetiva
certificar-se de aspectos relacionados
a) à existência real e à propriedade.
b) ao risco de controle e ao inerente.
c) aos direitos e às obrigações reais.
d) à validade e à confiabilidade.
Comentários:
Procedimento substantivo é o procedimento de auditoria planejado para detectar distorçõesrelevantes no nível de afirmações. Os procedimentos substantivos incluem:
(a) testes de detalhes (de classes de transações, de saldos de contas e de divulgações); e
(b) procedimentos analíticos substantivos.
Segundo a doutrina, este tipo de teste é empregado pelo auditor quando ele deseja obter provas
suficientes e convincentes sobre as transações, que lhe proporcionem fundamentação para a sua
opinião a cerca de determinados fatos.
Eles são imprescindíveis em trabalhos de auditoria uma vez que é através da aplicação correta
destes que o auditor obtém evidências sobre os saldos, e ou transações apresentadas pela
empresa.
Como objetivos fundamentais dos procedimentos substantivos, destacam-se as seguintes
constatações:
- Existência real: que as transações comunicadas/registradas realmente tenham ocorrido;
- Integridade: que não existam transações além daquelas registradas/demonstradas;
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- Parte interessada: que os interessados naquele registro/comunicação tenham obtido as
informações na sua totalidade;
- Avaliação e aferição: que os itens que compõem determinada transação/registro tenham sido
avaliados e aferidos corretamente.
- Divulgação: que as transações/registros tenham sido corretamente divulgadas. Nesse caso,
temos como verificar a propriedade.
Ressalte-se que esse tipo de teste é de fundamental importância na complementação dos testes
de controle, considerando que é através dos procedimentos substantivos que o auditor tem
condições de constatar elementos sobre a fidedignidade das transações e registros contábeis.
Portanto, alternativa correta é A.
(FCC / DPE SP – 2010) No processo de revisão da conta de Despesas Antecipadas, relativa as
demonstrações contábeis de dezembro de 2008, o auditor percebeu que uma apólice de seguro,
contratada com vigência para 01 de julho de 2008 a 01 de julho de 2009, com pagamento a vista
não tinha sido apropriada. Dessa forma, pode-se afirmar que a conta de
a) Seguros a Pagar está superavaliada.
b) Despesa de Seguros está superavaliada.
c) Despesa Antecipada está subavaliada.
d) Despesa de Seguros está subavaliada.
e) Seguros a Pagar está subavaliada.
Comentários:
Dados da questão:
1. Conta de Despesas Antecipadas, relativa às demonstrações contábeis de dezembro de 2008: o
auditor percebeu que uma apólice de seguro, contratada com vigência para 01 de julho de 2008 a
01 de julho de 2009, com pagamento a vista, não tinha sido apropriada.
Consequências: a conta Despesa Antecipada (seguros a vencer ou a apropriar) está superavaliada
(ativo) e Despesa de seguros (contrapartida de despesa antecipada) está subavaliada.
Portanto, alternativa correta é D.
(FGV / TCM SP – 2015) Durante a execução do trabalho de auditoria em uma determinada
empresa, um auditor detectou que uma aquisição de mercadorias a prazo realizada em dezembro
de 2012 só foi registrada quando do efetivo pagamento, no exercício seguinte. Em consequência
disso, as contas de fornecedores a pagar e mercadorias para revenda apresentaram distorções no
exercício de competência.
Nessa situação os testes realizados pelo auditor são:
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a) teste principal para superavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
b) teste principal para superavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
c) teste principal para subavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
d) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
e) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para superavaliação de ativo.
Comentários:
Situação apresentada:
1. Aquisição de mercadorias a prazo realizada em dezembro de 2012 só foi registrada quando do
efetivo pagamento, no exercício seguinte.
2. Em consequência disso, as contas de fornecedores a pagar e mercadorias para revenda
apresentaram distorções no exercício de competência (ambas estão subavaliadas, uma vez que
não houve o lançamento a débito na conta mercadorias e a crédito na conta fornecedores a
pagar).
Nesse contexto, devido à situação apresentada, tempo as seguintes consequências:
1. Subavaliação da conta Fornecedores a pagar (Passivo)
2. Subavaliação da conta Mercadoria (Ativo)
Nesse tipo de questão, você deve ficar atento se há super ou subavaliação do ativo e do passivo.
No caso da questão, restariam apenas as alternativas “C” e “D”, uma vez que tanto ativo quanto
passivo encontram-se subavaliados. Pelo princípio da prudência, verifica-se, primeiro, se há uma
subavaliação do passivo (teste principal na conta fornecedores) e, caso exista, como
consequência, a contrapartida em mercadorias (teste secundário) também estaria subavaliada.
Adicionalmente, como vimos ao longo da aula, a doutrina diz que é mais prático dirigir os testes
principais de superavaliação para as contas devedoras (normalmente, as contas do ativo e
despesas) e os de subavaliação para as contas credoras (passivo). Nesse sentido, faria mais sentido
direcionar o teste principal de subavaliação para a conta fornecedores a pagar (conta credora do
passivo).
Portanto, alternativa correta é D.
(CESGRANRIO - Contador Júnior (TRANSPETRO)/Auditoria Interna - 2011) O auditor externo, no
exame realizado na conta Despesa Administrativa, verificou que uma devolução de vendas foi
contabilizada indevidamente nessa conta. Isso implica que a conta de Despesa Administrativa
estava
a) subavaliada, e a conta de Receita, superavaliada
b) subavaliada, e a conta do Ativo, subavaliada
c) superavaliada, e a conta de Receita, superavaliada
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d) superavaliada, e a conta de Passivo, subavaliada
e) superavaliada, e a conta do Passivo, superavaliada
Comentários:
Tanto na devolução de vendas de mercadorias produzidas pelo estabelecimento quanto na
devolução de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros, deverá ser efetuado um lançamento
a débito no resultado, na Conta Devolução de Vendas (redutora da receita bruta de vendas), e a
crédito na Conta de Clientes, ou Duplicatas a Receber ou Caixa (este último no caso de a venda ter
sido à vista).
Devolução das vendas:
D – Devolução de Vendas (Conta de Resultado – Deduções de vendas)
C – Clientes (Ativo Circulante – Contas a receber)
Situação apresentada:
1. Verificou que uma devolução de vendas foi contabilizada indevidamente na conta Despesa
Administrativa.
Nesse contexto, devido à situação apresentada, tempo as seguintes consequências:
1. Despesa Administrativa está superavaliada (não deveria ter sido feito o lançamento nessa
conta);
2. Resultado líquido de vendas está superavaliado, uma vez que não houve o lançamento à
conta Devolução de Vendas (redutora da receita bruta de vendas).
Portanto, alternativa correta é C.
(CONSULPLAN - Analista Judiciário (TSE)/Contabilidade/ Administrativa - 2012) A auditoria das
contas de resultado exige maior tempo do auditor, devido ao volume de lançamentos efetuados
nas mesmas. São objetivos da auditoria das contas de resultado, EXCETO:
a) Verificar se as receitas, despesas e os custos são pertinentes às atividades da empresa e estão
suportadas por documentação.
b) Constatar a existência, posse e propriedade dos itens que justificam a existência das receitas,
despesas e dos custos.
c) Assegurar que as receitas, despesas e os custos foram contabilizados corretamente de acordo
com as normas contábeis e regulamentares.
d) Determinar se os custose as despesas estão corretamente contrapostos às receitas referentes
ao período.
Comentários:
Questão trata de procedimento adotado pelo auditor numa área específica – contas de resultado.
Segundo a doutrina, a auditoria do resultado tem como finalidades:
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a) determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados; (Letra A).
b) determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem
exercícios futuros estão corretamente diferidos.
c) determinar se os custos e despesas estão corretamente contrapostos às receitas devidas, (Letra
D).
d) determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizadas de acordo com os princípios
de contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes; (Letra C).
e) determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificadas nas
demonstrações financeiras, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ao realizar o cotejo entre os aspectos doutrinários e as alternativas, concluiremos que a única
alternativa que não é objetivo da auditoria do resultado é a letra B. Tal objetivo está mais
relacionado à auditoria do ativo imobilizado.
Gabarito: B.
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4. QUESTÕES COMENTADAS
1. (FCC / SEFAZ AP / 2022)
No decorrer de uma auditoria em empresa comercial, a autoridade tributária constatou a
ocorrência de saldo credor de caixa. Um evento passível de explicar tal descoberta seria a
(A) compra de veículo, para uso do sócio, sem os registros contábeis do recebimento do veículo
e da saída de caixa.
(B) ausência de lançamento contábil das despesas de depreciação de máquinas e
equipamentos da empresa.
(C) venda de mercadorias, em espécie, sem o registro contábil dos valores recebidos na conta
caixa.
(D) distribuição disfarçada de lucros aos sócios, em espécie, sem registrar na conta caixa o
evento contábil.
(E) omissão de lançamento das despesas bancárias com tarifas e juros pagos nas contas
adequadas.
Comentários
O saldo credor de caixa, também conhecido como estouro de caixa, é algo impossível de ser
observado no mundo real (se não houver nenhuma espécie de omissão ou irregularidade na
escrituração).
A conta Caixa, portanto, nunca poderia apresentar Saldo Credor. No geral, tal cenário só
acontece porque a contabilidade da empresa deixa de efetuar o lançamento de receitas
(recebidas à vista) que aumentariam o saldo da conta “caixa”, e não faz o mesmo com as
despesas (ou outros pagamentos) que reduziriam o saldo da mesma conta. Em outros termos,
para que o caixa apresente saldo credor, é preciso que se omitam entradas (lançamentos a
débito) e que se escriturem regularmente as saídas (lançamentos a crédito). Essas omissões de
lançamentos a débito, usualmente, estão relacionadas à omissão de receitas. Ora, eventual
lançamento contábil relativo a uma receita com venda de mercadorias recebida a vista (em
dinheiro) seria o seguinte:
D. Caixa
C. Receita de vendas
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Se a empresa não emite nota fiscal, por exemplo, ou de outra maneira age para não registrar
a operação na escrita fiscal, o lançamento contábil acima NÃO é efetuado. Mas por que a
empresa agiria dessa maneira? Simples, porque ela não quer pagar o imposto incidente sobre
a operação de venda!
Portanto, a ocorrência de saldo credor no caixa (ou “estouro de caixa”) é a mais clássica
situação fática em que há presunção legal de omissão de receitas.
Pelo exposto, dentre as assertivas apresentadas, a única que pode ocasionar o saldo credor de
caixa é a venda de mercadorias, em espécie, sem o registro contábil dos valores recebidos na
conta caixa.
Gabarito: “C”.
2. (FCC / SEFAZ AP / 2022)
Antônio, autoridade tributária competente para fiscalizar e lançar ICMS no Estado do Amapá,
no âmbito de levantamento fiscal realizado na Empresa Vende Mais Ltda., não optante pelo
Regime do Simples Nacional, cuja atividade principal é a compra e venda de mercadorias no
Estado, constatou a ocorrência de baixa fictícia de títulos a receber, de fato ainda não
recebidos.
Conforme a legislação estadual relativa ao ICMS e as normas contábeis da NBC,
respectivamente, a constatação de baixa fictícia de títulos a receber
(A) não afeta o valor do imposto a pagar e deve ser considerada como de baixa materialidade.
(B) permite presumir a ocorrência de operação tributada pelo ICMS e pode ser indício de fraude
nos registros contábeis.
(C) leva o contribuinte a ser classificado de ofício no Regime do Simples Nacional e ao início de
auditoria com auditor independente.
(D) torna a escrita fiscal não revestida das formalidades legais e o auditor deve considerar a
realização de avaliação a preço justo do saldo da conta fornecedores do passivo.
(E) obriga o auditor a arbitrar o valor das operações de entrada a prazo e a avaliar a conta
fornecedora a valor presente.
Comentários
A baixa fictícia de títulos não recebidos é uma das maneiras da empresa injetar, artificialmente,
numerário na conta caixa (ou equivalente). Em geral, essa simulação é feita quando a empresa
está com problemas na conta caixa (apresenta saldo credor ou está em vias de “estourar” o
caixa) e deseja inserir ali recursos cuja origem não é comprovada, ou seja, recursos que
entraram na empresa sem passar pela contabilidade.
A essa “manobra” damos o nome de suprimento não comprovado de caixa ou suprimento não
comprovado das disponibilidades. A baixa fictícia de títulos não recebidos é apenas uma forma
de se efetuar o suprimento não comprovado de caixa. Há tantas outras, como é o caso de
aumento do capital social, adiantamentos de clientes, empréstimos de sócios ou de terceiros,
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operações, prestações ou recebimentos sem origem, alienação de investimentos e bens do
ativo imobilizado.
No caso específico da baixa fictícia de títulos não recebidos, o raciocínio contábil é o seguinte:
1) Reconhecimento do direito a receber:
D. Clientes a receber
C. Receita de venda
2) Baixa regular (o numerário foi recebido)
D. Caixa
C. Clientes a receber
3) Baixa fictícia (o numerário não foi recebido)
D. Caixa (reparem que há uma entrada simulada de recursos no caixa)
C. Clientes a receber.
Pelo exposto, a baixa fictícia de títulos não recebidos, enquanto uma das formas de se efetuar
o suprimento não comprovado de caixa (ou das disponibilidades) é uma hipótese de presunção
de omissão de receita e, certamente, é um forte indício de fraude.
Conforme a legislação do Imposto de Renda (que é uma das bases para o estudo desse tipo de
situação), provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou por
outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos
recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima,
titular da empresa individual, ou por acionista controlador da companhia, se a efetividade da
entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.
Gabarito: “B”.
3. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Os benefícios fiscais de ICMS fruídos por uma empresa, na situação em que o valor da
subvenção governamental não é distribuído ou de qualquer forma repassado aos sócios ou
acionistas (fazendo-se a retenção), após o trânsitoFiscal) Auditoria - 2023 (Pré-Edital)
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MOTIVAÇÃO DA AULA
Vamos pensar um pouco no tema da aula de hoje? Tente responder as perguntas a seguir.
1) Quais as demonstrações financeiras obrigatórias segundo a Lei nº 6.404/76?
2) Quais os grupos de contas do Balanço Patrimonial previstos na Lei nº 6.404/76?
3) Explicite o fluxograma utilizado pelo auditor para assegurar que ativos da entidade auditada
estejam registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação (Teste
de Recuperabilidade).
4) Segundo a Lei 6.404/76, a diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e
intangível será registrada periodicamente em quais contas?
5) Como o passivo exigível está classificado, segundo a Lei nº 6.404/76?
6) Diferencie os institutos Ativo Oculto, Ativo Fictício, Passivo Oculto e Passivo Fictício.
7) Explique como se dá o teste para superavaliação.
8) Explique como se dá o teste para subavaliação.
9) Quais os procedimentos de auditoria utilizados para superavaliação e subavaliação?
10) Em que se fundamenta a auditoria das contas do Ativo?
11) Qual a finalidade da auditoria de Estoques?
12) Qual a finalidade da auditoria dos Passivos?
13) Qual a finalidade da auditoria do Patrimônio Líquido?
14) Qual o objetivo da auditoria das contas de resultado?
Se você não tem certeza de uma ou algumas das respostas a esses questionamentos, não se
preocupe. Fique atento que esses temas serão abordados ao longo da aula de hoje!
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1. CONTEXTUALIZAÇÃO
Os testes e procedimentos em áreas específicas das demonstrações contábeis estão intimamente
ligados à disciplina de Contabilidade. Essa interface entre as duas disciplinas (Auditoria e
Contabilidade) não é nada por acaso, afinal de contas a auditoria é uma das técnicas da
contabilidade. Vejamos:
São 4 (quatro) as técnicas utilizadas na contabilidade:
✓ Escrituração
✓ Elaboração das Demonstrações Contábeis
✓ Auditoria
✓ Análise das Demonstrações Contábeis
A Auditoria, sob a ótica de técnica contábil, opera como uma validação – por parte do auditor
independente – da escrituração contábil feita pelas entidades. Isso está em linha com o que diz o
Art. 176, parágrafo 3º, da Lei nº 6.404/76. Veja:
Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com
obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de
contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis
uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de
competência.
[...]
§ 3º As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas
expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a
auditoria por auditores independentes nela registrados.
Isso também está em conformidade com o objetivo geral da Auditoria, apresentado anteriormente
em nosso curso. Vamos relembrar?
3. O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis
por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo
auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos
relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável (...).
[Item 3 da NBC TA 200 (R1) – grifos nossos]
Nesse contexto, questões desse tópico querem saber – basicamente – se o auditor pode validar
(verificar, expressar opinião, etc.) conceitos e institutos da Contabilidade (ou Legislação Tributária,
conforme o caso), como por exemplo: classificação das contas no Balanço Patrimonial, critérios de
avaliação do Ativo e Passivo, dentre outros.
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Adicionalmente, há diversos conceitos doutrinários (esses, de auditoria propriamente) acerca dos
testes e procedimentos em áreas específicas das demonstrações contábeis – todos serão
apresentados nesta aula.
Assim sendo, na aula de hoje abordaremos de forma objetiva e direta aspectos doutrinários dos
testes e procedimentos, especificamente relacionados à Auditoria no Ativo, Passivo, Patrimônio
Líquido, Receitas e Despesas, além de assuntos correlatos, como a Lei nº 6404/1976 e o CPC 01 –
Redução ao Valor Recuperável (Teste de Recuperabilidade). Veremos, também, algumas
terminologias inerentes à Auditoria Fiscal.
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2. ASPECTOS GERAIS DA CONTABILIDADE
2.1 – Alinhamento Conceitual
Antes de iniciarmos, apresentarmos uma revisão de Contabilidade Geral, que será importante para
compreensão dos temas seguintes.
2.1.1 Funções Contábeis
Contabilidade é a ciência destinada a estudar e controlar o patrimônio das entidades, do ponto de
vista econômico e financeiro, observando seus aspectos quantitativo e qualitativo e as variações
por ele sofridas. Caracteriza-se como um contínuo processo de fornecimento das informações
referentes, primordialmente, às atividades financeiras das entidades econômicas, sendo
considerada como um valioso instrumento que mede os resultados das entidades, avalia o
desempenho dos negócios e fornece diretrizes para a tomada de decisões.
Os que utilizam informações contábeis classificam-se em duas amplas categorias: aqueles de dentro
da entidade, usuários internos, e aqueles de fora da entidade, usuários externos. Os administradores
de entidades, obviamente, são usuários internos, enquanto que credores, investidores, entidades
normativas e autoridades fiscais são os principais usuários externos. O objeto da Contabilidade é,
pois, o patrimônio administrável, à disposição das entidades, sobre o qual ela fornece as
informações necessárias à avaliação da riqueza patrimonial e dos resultados produzidos por sua
gestão. Finalmente, podemos dizer que as Entidades usam a linguagem contábil para transmitir os
resultados de seus esforços às partes interessadas.
2.1.2 Campo de ação da Contabilidade
Para atingir os seus objetivos, a contabilidade utiliza-se de diversas técnicas, as quais são descritas a
seguir.
2.1.2.1 – Escrituração
A escrituração é o registro dos fatos que ocorrem no patrimônio. Esse registro obedece a princípios
e normas contábeis consagrados pela doutrina e pela técnica e é feito em ordem cronológica, o que
dá à Contabilidade característica de verdadeira história do patrimônio. Os registros evidenciam a
expressão monetária dos fatos, selecionando-os, segundo critérios técnicos, de acordo com a
natureza de cada um, o que permite que eles sejam reunidos em grupos homogêneos, que
distinguem os diversos componentes do patrimônio e suas variações.
Os seguintes elementos são fundamentais para uma adequada escrituração:
a) Documentos hábeis
b) Plano de Contas
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c) Software/Hardware
d) Arquivos
e) Profissional habilitado
2.1.2.2 – Demonstrações Contábeis
O simples registro e seleção dos fatos, dado seu volume e heterogeneidade, não são elementos
suficientes para atingir a finalidade informativa da Contabilidade. Daí, esses fatos são reunidos em
demonstrações sintéticas que recebem a denominação genérica de demonstrações contábeis.
As demonstrações contábeis são preparadas sob a égide da estrutura conceitual elaborada pelo
Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC em correlação com as Normas Internacionais de
Contabilidade (Framework for the Preparation andpela demonstração do resultado, devem ser
contabilizados na conta contábil de Reserva de Incentivos Fiscais, conforme disciplinado pelo
Pronunciamento técnico CPC 07 − Subvenção e Assistências Governamentais emitido pelo
Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
Desejando realizar uma auditoria na conta contábil de Reserva de Incentivos Fiscais, o Auditor
Fiscal deverá se debruçar na seguinte área do Balanço Patrimonial:
(A) Patrimônio Líquido.
(B) Despesas Antecipadas.
(C) Ativo Fiscal Diferido.
(D) Contas a Pagar.
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(E) Investimentos em Participações Societárias.
Comentários
Questão simples! Era preciso saber apenas que a Reserva de Incentivos Fiscais é uma espécie
do gênero Reservas de Lucro (e esta é um dos grupos de contas que compõem o Patrimônio
Líquido). Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática. 10ª ed.
São Paulo: Atlas, 2016,p. 2-3/82” explicita que:
O patrimônio líquido representa a parcela dos Ativos financiada pelos acionistas. Ele é
composto dos seguintes grupos de contas:
Capital Social;
Reservas de Capital;
Ajuste de avaliação patrimonial;
Reservas de lucro.
A auditoria das contas do Patrimônio Líquido consiste em o auditor checar as transações que
ocorreram durante o período auditado, observando se foram atendidas as disposições
societárias e estatutárias. Nas empresas de capital aberto, é uma das mais importantes
auditorias, pois envolve muitos aspectos de grande valia para os investidores, como a
distribuição de dividendos.
Os aspectos mais importantes a verificar, na área, são os de observância dos formalismos legais
e estatutários:
- Determinar se as ações ou título de propriedade do capital social foram adequadamente
autorizados e emitidos;
- Determinar se todas as normas descritas nos estatutos sociais, as obrigações sociais e legais
forma cumpridas;
- Assegurar-se da organização e atualização dos livros societários, atas de assembleias gerais
e de reuniões da diretoria e/ou do Conselho de Administração;
- Determinar se o Patrimônio Líquido foi corretamente contabilizado e classificado nas
demonstrações contábeis.
Pela Lei das S/A, classificam-se como reservas de lucros:
a) Reserva Legal;
b) Reserva Estatutária;
c) Reserva para Contingências;
d) Reserva de Lucros a Realizar;
e) Reserva de Lucros para Expansão;
f) Reserva de Incentivos Fiscais.
Gabarito: “A”.
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4. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
O Auditor Fiscal Rodrigo, continuando seu trabalho de auditoria tributária na empresa
Manezinho Comercial Ltda., em Florianópolis, ao conferir no encerramento do exercício social
o Balanço Patrimonial da empresa, identificou que a rubrica contábil “Caixa-numerário físico”
disponível na empresa apresentava saldo credor.
A única opção que poderia explicar essa situação é:
(A) realização de vendas regularmente contabilizadas e com a respectiva emissão de
documentos fiscais pelos valores corretos da efetiva transação.
(B) pagamentos a fornecedores não contabilizados.
(C) adiantamentos recebidos de clientes regularmente contabilizados.
(D) pagamentos de despesas não contabilizados.
(E) recebimentos de numerários não contabilizados por meio da falta de emissão de
documentos fiscais.
Comentários
A ocorrência de saldo credor na conta caixa não é algo comum (ou natural) de se observar. Se
corretamente escriturada, a conta “caixa”, ao contrário do que pode ocorrer com outras contas
do ativo, nunca pode apresentar saldo credor. Esse “fenômeno” geralmente ocorre quando se
deixa de efetuar o lançamento de receitas que aumentariam o saldo da conta “caixa”,
habitualmente por motivos de se evadir do pagamento de tributos. Nesse cenário, ao não
registrar operações que aumentariam o caixa (vendas, por exemplo) e contabilizar
normalmente operações que reduzem o saldo da mesma conta (compras, por exemplo), pode
ser observado o saldo credor de caixa. Dessa maneira, a observância de saldo credor no caixa
(ou “estouro de caixa”) é uma situação em que há presunção legal de omissão de receitas.
Tal entendimento é reforçado pela doutrina e por decisões administrativas em matéria
tributária, dentre as quais destacamos:
“Se a reconstituição do saldo da conta Caixa, mediante a exclusão de valores representados por
cheques que, embora destinados a suprir esta conta, foram compensados em razão de
depósitos bancários, resultar saldo credor, presume-se que o respectivo valor tem origem em
receitas emitidas e não tributadas.” [Acórdão 107-04.318 – 1º CC-MF/7ª Câmara de 20/0897]
De acordo com a legislação do Imposto de Renda, ocorre a presunção legal de omissão de
receitas quando é detectada a ocorrência de uma das três situações a seguir:
I - Indicação na escrituração de saldo credor de caixa;
II - Falta de escrituração de pagamentos efetuados;
III - Manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
[grifo nosso]
Ante o exposto, percebemos que a única alternativa alinhada ao entendimento de uma
eventual ocorrência de saldo credor na conta caixa é a letra E (recebimentos de numerários não
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contabilizados por meio da falta de emissão de documentos fiscais). As assertivas A e C retratam
escrituração regular, que certamente não concorre para o saldo credor de caixa (essa, frise-se,
situação totalmente atípica). As assertivas B e D são semelhantes em essência (em ambas, a
não contabilização das operações deixaria o caixa superavaliado, o que também não concorre
para ocorrência de saldo credor).
Gabarito: “E”.
5. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
No processo de acompanhamento do inventário físico de estoques de matéria-prima (que são
comprados a prazo) de uma determinada indústria, o Auditor Fiscal constatou a existência de
quantidades relevantes de itens que não constavam dos registros físico-financeiros e
contábeis, após uma detalhada análise do registro de inventário de ICMS no SPED, do saldo
contábil da conta Estoques de matéria-prima e de realizar uma contagem física destes itens in
loco (que apontou quantidades físicas maiores que as registradas na contabilidade e nos livros
fiscais).
Nesse caso, o Auditor Fiscal identificou ativos
(A) e passivos ocultos, não sendo necessário nenhum procedimento fiscal em relação à
empresa.
(B) fictícios e passivos ocultos, não sendo necessário nenhum procedimento fiscal em relação
à empresa.
(C) e passivos fictícios, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
(D) e passivos ocultos, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
(E) fictícios e passivos ocultos, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
Comentários
O enunciado descreve situação em que o auditor observa que não foram registradas (ou
contabilizadas) operações de aquisição a prazo de estoques de mercadorias. Tal cenário foi
reforçado pela contagem física do estoque, análise do inventário presente na escrituração
fiscal digital do contribuinte, etc.
Ora, o lançamento correto das aquisições a prazo de estoque seria:
D. Mercadorias (ativo circulante)
C. Fornecedores a pagar (passivo circulante ou não circulante, conforme o prazo)
Afalta de registro dessas operações leva às seguintes situações fáticas:
1) Os ativos (mercadorias em estoque) existem, mas não estão registrados – Ativo Oculto;
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2) O passivo (fornecedores a pagar) existe de fato, porém também não foi registrado – Passivo
Oculto.
Vejamos mais uma vez o esquema abaixo, apresentado ao longo de nossa aula:
Adicionalmente, caberá ao auditor fiscal autuar o estoque existente e não contabilizado, uma
vez que a não contabilização pelo contribuinte prejudica a apuração do ICMS por meio da
sistemática de débitos e créditos (que, por sua vez, atende ao princípio da não cumulatividade).
Gabarito: “D”.
6. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Dentre as técnicas mais usuais de auditoria contábil e fiscal, pode-se mencionar o Exame e
Contagem Física. É um procedimento de auditoria utilizado para as contas do
(A) Ativo relativos a bens intangíveis (por exemplo: marcas e patentes), que consiste em
identificar apenas documentalmente os bens declarados no Balanço Patrimonial.
(B) Passivo (por exemplo: fornecedores e empréstimos), que consiste em identificar
fisicamente (in loco) o bem declarado no Balanço Patrimonial.
(C) Ativo (por exemplo: dinheiro, estoques, ativo imobilizado), que consiste em identificar
fisicamente (in loco) o bem declarado no Balanço Patrimonial.
(D) Passivo (por exemplo: fornecedores e empréstimos), que consiste em realizar a
confirmação de contas a pagar e proceder a exames de pagamentos subsequentes.
(E) Ativo (especificamente da Conta de Investimentos), que consiste em auditar o cálculo do
resultado da equivalência patrimonial.
Comentários
Questão simples e previsível, em que exige a correta adequação entre o procedimento/teste
de auditoria (nesse caso, o exame e contagem física) com a área correspondente das
demonstrações contábeis.
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Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática. 10ª ed. São
Paulo: Atlas, 2016, p. 43/194” explicita que:
Exame e contagem física
Esse procedimento é utilizado para as contas do ativo e consiste em identificar fisicamente o
bem declarado nas demonstrações financeiras. A seguir, exemplos de ativos que normalmente
são submetidos à contagem física pelo auditor:
Dinheiro em caixa;
Estoques;
Títulos (ações, título de aplicações financeira etc.);
Bem do ativo imobilizado; [...] [Grifo nosso]
Portanto, alternativa correta é C.
Dessa forma, eliminaríamos de pronto as alternativas “B” e ”D”, uma vez que o exame e
contagem física é utilizado para contas do ativo (e não do passivo). Adicionalmente, é fácil
eliminarmos a assertivas “A” e “E” por não representarem bens (ou ativos) tangíveis, cuja
existência pode ser atestada por meio de exame (ou observação) físico.
Gabarito: “C”.
7. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Considerando os procedimentos a serem utilizados por um Auditor Fiscal de ICMS do Estado
de Santa Catarina, visando à auditoria do grupo de contas de Fornecedores no Passivo, pode-
se mencionar:
I. Obter a relação de fornecedores.
II. Obter a confirmação de saldos da conta contábil de fornecedores junto a estes
(especialmente, se forem os fornecedores localizados em Santa Catarina).
III. Contagem física do caixa em um determinado dia.
IV. Obter a relação de clientes.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) II, III e IV.
(B) I e II.
(C) II e III.
(D) I e IV.
(E) I, III e IV.
Comentários
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Questão aborda os procedimentos a serem adotados pelo auditor no grupo de contas de
Fornecedores no Passivo. Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria
e prática. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2016, p 5/44” explicita:
A seguir, apresentaremos um programa de auditoria para o passivo circulante, suas principais
contas, com os principais procedimentos, a fim de encontrar os erros citados.
Fonte: (Aparecido Crepaldi. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2016)
Dessa forma, apenas os itens I e II estão corretos e em conformidade com o posicionamento
doutrinário acima. Os itens III e IV são procedimentos mais adequados ao Ativo (Conta Caixa e
Duplicatas a receber, respectivamente).
Gabarito: “B”.
8. (FCC - Analista Judiciário (TRE PR)/Contabilidade / Administrativa -2012)
O auditor da Secretaria de Controle Interno verificou, em auditoria realizada numa empresa
controlada por um ente federado, que a referida entidade tinha efetuado o teste de
recuperabilidade do valor de ativos, obedecendo às novas normas contábeis brasileiras
instituídas pelas Leis nº 11.638/2007 e nº11.941/2009. Constatou a existência física de um
ativo imobilizado, adquirido pela entidade em julho de 2009 por R$ 250.000,00 e
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imediatamente colocado em operação, cuja vida útil foi estimada em 10 anos e seu valor
residual, em R$ 30.000,00. Em 31-12-2010, o departamento de contabilidade da entidade
estimou os seguintes valores para esse ativo:
O auditor constatou que o valor contábil do referido ativo foi escriturado corretamente pela
entidade pelo valor (em R$) de
a) 182.000,00.
b) 181.000,00.
c) 187.000,00.
d) 180.000,00.
e) 184.500,00.
Comentários
Inicialmente, cabe-nos determinar (com os dados de valor de aquisição, valor residual, vida útil
e período de operação) o valor contábil do ativo. Vejamos:
A depreciação acumulada, nesse caso, é calculada por meio da aplicação do fator (18/120 –
sendo 18 meses o tempo de efetiva operação e 120 meses a vida útil) sobre o valor depreciável
(220.000), o que resulta no valor de 33.000. Assim sendo, chegamos ao valor contábil de
217.000.
Posteriormente, a entidade aplicou o Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao valor
recuperável de Ativos, a fim de:
(a) verificar se houve perda por redução ao valor de recuperação (impairment) ao adotar as
novas práticas contábeis adotadas no Brasil; e
(b) medir a eventual perda por redução ao valor de recuperação existente, com o objetivo de
complementar ou reverter perdas por redução ao valor de recuperação que possam ter sido
constituídas anteriormente.
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Ao realizar o teste, o auditor concluiu que foi feito corretamente a provisão para perda com
teste de recuperabilidade, pois o valor recuperável é menor que o valor contábil, em
31/12/2010, conforme dados a seguir:
Valor Contábil: 217.000
Valor recuperável (maior entre o valor em uso e o valor justo): 182.000
Se o valor contábil > valor recuperável, deve-se constituir a provisão.
Perda por desvalorização = 217.000 – 182.000 = 35.000
Após a constituição da perda por teste por desvalorização, chegou-se a um novo valor contábil
de R$182.000,00.
Como a questão pergunta o valor contábil “final”, e já afirma que houve a correta aplicação do
teste de recuperabilidade, bastava saber que o valor recuperável é o maior dentre os valores
justo e em uso para cravar o gabarito letra A.
Gabarito: “A”.
9. (FCC - Auditor Fiscal da Receita Municipal (Teresina) - 2016)
Estão sujeitas à auditoria, entre outras demonstrações contábeis, o Balanço Patrimonial e a
Demonstração do Resultado do Exercício da entidade, elaboradospela sua administração. Na
auditoria das demonstrações contábeis do exercício de 2015 de determinada empresa
prestadora de serviços, o auditor, ao examinar as obrigações da empresa, constatou que o ISS
a recolher com vencimento no exercício subsequente, no valor de R$ 1.487.950,00, foi
classificado incorretamente no Balanço Patrimonial.
As obrigações, quando se vencerem no exercício seguinte, deverão ser classificadas no grupo
de contas do Balanço Patrimonial
a) Passivo circulante.
b) Ativo realizável a longo prazo.
c) Passivo não circulante.
d) Obrigações fiscais de longo prazo.
e) Ativo diferido.
Comentários
Questão trata de uma impropriedade encontrada pelo auditor durante análise de uma conta
específica (imposto a recolher), cuja classificação não estava em conformidade com a Lei
6.404/76. Veja:
Passivo Exigível
Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do
ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no
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exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior,
observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei. [grifo nosso]
Portanto, alternativa correta é A.
Gabarito: “A”.
10. (FCC - Auditor Fiscal da SEFAZ MA - 2016)
Determinada empresa de economia mista do Estado fez o seguro do ativo imobilizado, junto à
seguradora Martelo, para o período de 24 meses: 01/10/2015 a 30/09/2017.
− O prêmio de seguro foi de R$ 600.000,00, pago 40% no ato e o restante 30 e 60 dias.
− A empresa encerra seu exercício social em 31 de dezembro de cada ano.
− O lucro do exercício de 2015 foi de R$ 1.390.000,00.
O auditor independente no exame dos registros contábeis da apólice do seguro contratado
constatou que:
− 300.000,00 – foram contabilizados (apropriados) como despesas de seguro do exercício de
2015, e que o valor da apropriação do seguro está incorreto.
− 300.000,00 – foram contabilizados na conta “Seguros a Vencer” classificada no realizável de
curto prazo.
O auditor concluiu, se a despesa com seguro do exercício de 2015 tivesse sido apropriada
corretamente, o lucro do exercício de 2015 passaria de R$ 1.390.000,00, para, em reais, de
a) 1.165.000,00.
b) 1.465.000,00.
c) 1.190.000,00.
d) 1.440.000,00.
e) 1.615.000,00.
Comentários
Durante a realização da auditoria, o auditor faz uso de procedimentos ou normas para validar
as informações contábeis. O auditor, durante a realização de seus trabalhos, detectou uma
apropriação irregular de uma despesa antecipada (pagamento de seguros).
Segue a sequência a ser observada para encontrar o valor do lucro líquido corretamente:
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1. Primeiramente, iremos encontrar o lucro líquido correto. Como a despesa com seguro, no
valor de R$ 300.000) foi apropriada indevidamente, iremos estornar essa quantia, de modo
que o lucro líquido passará a R$1.690.000,00 (R$ 1.390.000,00 + R$300.000,00).
2. Como o prêmio dos seguros é R$600.000,00, com vigência de 24 meses, temos que apropriar
uma despesa de R$25.000,00 por mês (R$600.000,00 / 24).
3. Durante 2015, houve apropriação de 3 meses (10/2015 a 12/2015), perfazendo R$75.000,00
( 3x R$25.000,00).
4. Logo, o lucro líquido correto é de R$1.615.000,00 (R$1.690.000,00 - R$75.000,00)
Gabarito: “E”.
11. (FCC - Auditor Fiscal da SEFAZ MA - 2016)
Determinada empresa de economia mista do Estado fez o seguro do ativo imobilizado, junto à
seguradora Martelo, para o período de 24 meses: 01/10/2015 a 30/09/2017.
− O prêmio de seguro foi de R$ 600.000,00, pago 40% no ato e o restante 30 e 60 dias.
− A empresa encerra seu exercício social em 31 de dezembro de cada ano.
− O lucro do exercício de 2015 foi de R$ 1.390.000,00.
O auditor independente no exame dos registros contábeis da apólice do seguro contratado
constatou que:
− 300.000,00 – foram contabilizados (apropriados) como despesas de seguro do exercício de
2015, e que o valor da apropriação do seguro está incorreto.
− 300.000,00 – foram contabilizados na conta “Seguros a Vencer” classificada no realizável de
curto prazo.
A despesa de seguro paga antecipadamente (seguro a vencer), segundo o auditor, deveria ter
sido classificada, respectivamente, nos grupos de contas e valores
a) ativo circulante – R$ 300.000,00 e ativo não circulante – R$ 225.000,00.
b) passivo circulante – R$ 75.000,00 e passivo não circulante – R$ 300.000,00.
c) ativo imobilizado – R$ 300.000,00 e passivo não circulante – R$ 225.000,00.
d) ativo circulante – R$ 75.000,00 e ativo não circulante – R$ 525.000,00.
e) ativo realizável curto prazo – R$ 225.000,00 e ativo realizável longo prazo – R$ 300.000,00.
Comentários
Segue a sequência da classificação das contas que envolvem a despesa antecipada:
1. Em 2015, despesa com seguros referente aos meses 10/2015 a 12/2015: R$75.000,00 (3 x
R$25.000,00).
2. Em 2016, seguros a vencer (ou a apropriar): R$300.000,00 (12 x R$25.000,00). (Ativo
Circulante)
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3. Em 2017, seguros a vencer (ou a apropriar): R$225.000,00 (9 x R$25.000,00). (Ativo Não
Circulante).
Gabarito: “A”.
12. (FCC - Agente de Defensoria Pública (DPE SP)/Contador - 2010)
No processo de revisão da conta de Despesas Antecipadas, relativa às demonstrações
contábeis de dezembro de 2008, o auditor percebeu que uma apólice de seguro, contratada
com vigência para 01 de julho de 2008 a 01 de julho de 2009, com pagamento a vista não tinha
sido apropriada. Dessa forma, pode-se afirmar que a conta de
a) Seguros a Pagar está superavaliada.
b) Despesa de Seguros está superavaliada.
c) Despesa Antecipada está subavaliada.
d) Despesa de Seguros está subavaliada.
e) Seguros a Pagar está subavaliada.
Comentários
Dados da questão:
1. Conta de Despesas Antecipadas, relativa às demonstrações contábeis de dezembro de 2008:
o auditor percebeu que uma apólice de seguro, contratada com vigência para 01 de julho de
2008 a 01 de julho de 2009, com pagamento a vista, não tinha sido apropriada.
O lançamento referente à apropriação seria esse:
D. Despesas com Seguros
C. Despesa Antecipada (seguros a apropriar)
Vejam que esse lançamento reduziria o valor da conta seguros a apropriar e aumentaria o valor
da despesa.
Consequências: como o lançamento de apropriação não foi efetuado, a conta Despesa
Antecipada (seguros a vencer ou a apropriar) está superavaliada (ativo) e Despesa de seguros
(contrapartida de despesa antecipada) está subavaliada.
Gabarito: “D”.
13. (FGV / SEFAZ AM / 2022)
Ao realizar a auditoria das demonstrações contábeis de uma sociedade empresária relativa ao
exercício de 2020, o auditor independente constatou que em 2019, o contador havia avaliado
todos os ativos imobilizados, que eram constituídos por móveis e utensílios, a valor de
mercado, que eram maiores do que os valores contábeis. Em 2020, a sociedade empresária
vendeu à vista todos os móveis que eram utilizados em seu escritório com lucro e que estes
foram substituídos por móveis novos, adquiridos a prazo. O auditor pode concluir que nas
demonstrações contábeis de 31/12/2020, o seguinte grupo estava subavaliado:
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a) Patrimônio Líquido.
b) Ativo Circulante.
c) Passivo Circulante.
d) Ativo Imobilizado.
e) Passivo Não Circulante.
Comentários
Questão de raciocínio,essencialmente, contábil. Vamos interpretar os dados fornecidos:
O enunciado informa que, em 2019, aos ativos estão avaliados a valor de mercado, maiores
que o valor contábil. Podemos entender, portanto, que os ativos estão, em alguma medida,
superavaliados. Vejam que eu estou me prendendo ao dado do enunciado. Nem estou
considerando, no detalhe, os desdobramentos contábeis que poderiam acontecer a partir da
situação.
Essa superavaliação em 2019 permanece no exercício seguinte (2020), quando ocorre a venda
do ativo com lucro (ou ganho). Atribuindo alguns valores hipotéticos:
Valor "correto" (contábil) do imobilizado: 500
Valor real do imobilizado: 1000
Valor de venda: 2000
Lucro ("correto") com a venda: 2000 - 500 = 1500
Lucro (real) com a venda: 2000 - 1000 = 1000
Reparem que, no caso em tela, o lucro com a venda do imobilizado está avaliado a menor
(subavaliado), justamente em função da superavaliação do ativo. Diante das alternativas
apresentadas, temos que raciocinar que esse lucro será, em algum momento, levado ao
Patrimônio Líquido que, portanto, também estará subavaliado.
Nesse contexto, o gabarito é a letra A e as demais assertivas são totalmente absurdas.
Gabarito: “A”.
14. (FGV / SEFAZ AM / 2022)
Um auditor realiza a auditoria do ativo imobilizado de uma sociedade empresária. Assinale a
opção que indica o fator que deve receber maior atenção do auditor independente, pois
influencia no cálculo do resultado.
a) Qual é a procedência do ativo.
b) Como é utilizado o caixa gerado com o seu uso.
c) Se os ativos foram comprados novos ou usados.
d) Como são estimados a vida útil e o valor residual.
e) Qual foi o modo de pagamento utilizado na compra do ativo.
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Comentários
Dentre os objetivos usuais da auditoria do imobilizado, aquele que mais tem reflexo no
resultado é a verificação da adequação de sua depreciação. Isso porque o lançamento do
reconhecimento da depreciação se dá a débito em despesa com depreciação e a crédito no
próprio imobilizado.
Dito isso, e considerando a questão bastante abstrata (com poucos dados concretos), entendo
que o melhor gabarito é a letra D. A estimação da vida útil do ativo e de seu valor residual
influenciam, diretamente, no cálculo da depreciação. Vejamos:
Depreciação = valor depreciável X taxa de depreciação OU valor depreciável / nº de períodos
da vida útil.
O valor residual influencia o valor depreciável (valor contábil - valor residual).
Entendo que as demais assertivas até poderiam ser relevantes para a auditoria do imobilizado,
porém sem reflexo direto no resultado!
Gabarito: “D”.
15. (FGV / SEFAZ ES / 2021)
Ao auditar uma sociedade empresária, o auditor independente constatou que o resultado
estava superavaliado. Assinale a opção que indica uma possível causa desse efeito no
resultado.
a) A sociedade empresária não reconheceu a perda de recuperabilidade de seus ativos
intangíveis.
b) A sociedade empresária não reconheceu o valor residual de seus ativos imobilizados para
cálculo da depreciação.
c) A sociedade empresária não reconheceu a reversão da provisão para contingências de uma
causa julgada favoravelmente na justiça.
d) A sociedade empresária não contabilizou o lucro obtido com a venda de um ativo
imobilizado.
e) A sociedade empresária não reconheceu os dividendos declarados no período.
Comentários
Questão envolve, essencialmente, raciocínio contábil.
Temos que identificar, nas assertivas, um cenário que leva à superavaliação do resultado. Nesse
ponto, vale ressaltar que a avaliação a maior do resultado pode vir da avaliação a maior das
entradas (receitas) e/ou da subavaliação das saídas (despesas) - essa é uma conclusão,
basicamente, matemática.
Exemplo: digamos que uma empresa vendeu 1.000 em mercadorias que custaram 700. O
resultado, nesse exemplo hipotético, seria um lucro de 300 (1000 - 700). Se a receita de venda
estiver superavaliada (1200, por exemplo), o resultado também estará superavaliado (1200 -
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700 = 500). Já se o custo da mercadoria vendida estiver subavaliado (600, por exemplo), o
resultado também estará superavaliado (1000 - 600 = 400).
Logo na letra A, temos um exemplo de fato que, se não reconhecido, gera superavaliação do
resultado. A entidade, nesse caso, deveria lançar uma despesa com a perda por desvalorização
do intangível. O não lançamento dessa despesa acarreta distorção (para maior) na apuração
do resultado. Vejamos as demais assertivas:
B: ERRADA. O não reconhecimento do valor residual leva a um valor maior da despesa com
depreciação. Se a despesa está superavaliada, o resultado estará subavaliado.
C: ERRADA. O não reconhecimento de uma receita (reversão com provisão) acarreta
subavaliação do resultado.
D: ERRADA. O não reconhecimento do lucro (ou ganho) com a venda de um imobilizado
acarreta subavaliação do resultado.
E: ERRADA. A distribuição do lucro em forma de dividendos não afeta o resultado. Trata-se de
um lançamento feito nas contas do ativo apenas (débito em lucro acumulado - PL - e crédito
em dividendos a pagar - passivo).
Gabarito: “A”.
16. (FGV / Funsaúde CE / 2021)
O auditor independente percebeu que uma entidade contabilizava seus gastos com pesquisa e
desenvolvimento de produtos como ativo intangível, em seu balanço patrimonial. Assinale a
opção que indica a constatação do auditor.
a) O passivo no Balanço Patrimonial está superavaliado.
b) O ativo circulante no Balanço Patrimonial está subavaliado.
c) O ativo não circulante no Balanço Patrimonial está superavaliado.
d) O resultado apresentado na Demonstração do Resultado do Exercício está subavaliado.
e) O resultado apresentado na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido está
subavaliado.
Comentários
Os gastos com pesquisa e desenvolvimento devem ser, em regra, reconhecidos como despesa
(e não incorporados ao ativo, ou "ativados", como ocorrido no caso concreto).
Pelo exposto, no caso em tela, o subgrupo Intangível, do ativo não circulante, está
superavaliado. É simples, somou-se ao ativo intangível um valor que deveria ter sido
reconhecido como despesa. Gabarito, portanto, é a letra C.
O resultado, nesse caso, está superavaliado em função do não reconhecimento da despesa.
Lembrem-se que a despesa reduz o valor do resultado. Logo, seu não reconhecimento acarreta
um aumento no resultado.
Gabarito: “C”.
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17. (FGV / SEFAZ ES / 2021)
Assinale a opção que indica, respectivamente, um erro que pode ser constatado por meio da
auditoria do passivo de uma entidade e o efeito que o erro pode gerar.
a) Reconhecimento de empréstimo fictício / Superavaliação das despesas financeiras.
b) Não reconhecimento de um passivo contingente / Melhoria nos indicadores de liquidez.
c) Cálculo errado das perdas estimadas com crédito de liquidação duvidosa / Melhoria na
aparência da empresa junto aos credores.
d) Não contabilização da baixa do estoque / Ausência de produtos para venda.
e) Reconhecimento de despesa antecipada por valor maior / Subavaliação do caixa.
Comentários
Nesse tipo de questão devemos analisar assertiva por assertiva. Pede-se uma situação que
configura um erro, passível de constatação por meio da auditoria do passivo. Entendo que o
"erro", no caso em tela, refere-se a um problema, ou uma distorção que - como sabemos -
pode advir tanto de um erro (propriamente) quanto de uma fraude.
Letra A: CERTA (gabarito) se assumirmos que o empréstimo tem encargos (o que é o comum),o reconhecimento de um empréstimo fictício leva, dentre outros, a um lançamento a débito
em despesa com encargos/juros. Despesa essa que não ocorreu, dado que o empréstimo é
fictício. Portanto, a despesa está superavaliada. Por mais que o reflexo seja em conta de
despesa, a auditoria ocorreu sobre a conta empréstimos a pagar, no Passivo.
Letra B: ERRADA. Assertiva não traz, propriamente, um erro. Segundo o CPC 25, a entidade
NÃO deve reconhecer um passivo contingente (logo, não se pode tratar esse não
reconhecimento como um erro).
Letra C: ERRADA. A conta perdas estimadas com crédito de liquidação duvidosa é retificadora
do ativo. Portanto, estamos diante da auditoria no ativo e não no passivo, como pede o
enunciado.
Letra D: ERRADA. Assertiva fala sobre estoque. Portanto, estamos diante da auditoria no ativo
e não no passivo, como pede o enunciado.
Letra E: ERRADA. Despesa antecipada é conta do ativo. Portanto, estamos diante da auditoria
no ativo e não no passivo, como pede o enunciado.
Gabarito: “A”.
18. (FGV - Auditor Fiscal Tributário da Receita Municipal (Cuiabá)/2016)
Um auditor precisa avaliar os estoques de entidade auditada.
As opções a seguir apresentam possíveis procedimentos de auditoria para lidar com riscos
avaliados de distorção relevante decorrente de fraude em relação à quantidade do estoque, à
exceção de uma. Assinale-a.
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a) Examinar os registros de estoque da entidade, identificando os locais que exigem atenção
específica durante ou após a contagem física do estoque.
b) Realizar contagens físicas de estoque em datas pré-agendadas e traçar um cronograma
escalonado para contagens físicas de estoques em diferentes localidades.
c) Conduzir contagens de estoque no fim ou perto do fim do período de reporte.
d) Executar procedimentos adicionais durante a observação da contagem física de estoques,
como examinar mais rigorosamente o conteúdo de itens encaixotados.
e) Comparar as quantidades para o período corrente com períodos anteriores por classe ou
categoria de estoque, local ou outros critérios, ou comparação de quantidades contadas com
registros de estoques.
Comentários
Questão traz procedimentos específicos na área de estoques, enumerados no Apêndice 1, da
NBC TA 240. Tal normativo enumera exemplos de possíveis procedimentos de auditoria para
lidar com riscos avaliados de distorção relevante decorrente de fraude em relação à
quantidade do estoque. Veja:
• Examinar os registros de estoque da entidade para identificar locais que exijam atenção
específica durante ou após a contagem física do estoque (letra “a”);
• Observar contagens físicas de estoque em certas localidades sem anúncio prévio ou
conduzir contagens físicas de estoque em todos os locais na mesma data.
• Conduzir contagens de estoque no fim ou perto do fim do período de reporte para minimizar
o risco de manipulação inadequada durante o período entre a contagem e o fim do período
sob exame (letra “c”);
• Executar procedimentos adicionais durante a observação da contagem física de estoques.
Por exemplo, examinar mais rigorosamente o conteúdo de itens encaixotados, a maneira como
os itens são empilhados (por exemplo, quadrados vazios) ou etiquetados e a qualidade (isto é,
pureza, grau ou concentração) de substâncias líquidas como perfumes ou substâncias químicas
especiais. Usar o trabalho de especialista pode ser útil neste aspecto (letra “d”);
• Comparar as quantidades para o período corrente com períodos anteriores por classe ou
categoria de estoque, local ou outros critérios, ou comparação de quantidades contadas com
registros de estoques (letra “e”);
• Usar técnicas de auditoria assistidas por computador para testar adicionalmente a
compilação das contagens físicas dos estoques, por exemplo, organização por número de
etiqueta para testar o controle de etiquetas ou por número de série de item, para testar a
possibilidade de omissão ou duplicação de itens.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e a norma, concluímos que o único dos procedimentos
listados nas assertivas que não deve ser realizado pelo auditor é realizar a contagem física em
datas pré-agendadas (letra B), já que o objetivo precípuo é avaliar a possibilidade de fraude
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utilizando-se do elemento surpresa. Vejam que a norma diz que deve-se observar as contagens
físicas de estoque sem anúncio prévio.
Gabarito: “B”.
19. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
O contador está envolvido em um esquema de desfalques no caixa da empresa em que
trabalha. A empresa mantém contas nos bancos X e Y. Com o objetivo de encobrir falta de
dinheiro na conta do banco X, o contador deposita em 31/12 a quantia que faltava nessa conta,
por meio de cheque da conta do banco Y. Porém, o cheque só foi registrado como desembolso
na conta do banco Y em janeiro do ano seguinte. Na reconciliação bancária a falta de dinheiro
no caixa é temporariamente ocultada em decorrência do tempo de compensação do cheque.
Nos trabalhos de auditoria, esse tipo de desfalque é denominado:
a) desfalque encoberto;
b) desfalque sistêmico;
c) encaixe;
d) kiting;
e) lapping.
Comentários
Questão bem específica (e difícil), que aborda procedimentos adequados de auditoria de caixa.
Segundo a doutrina, existem dois tipos de desfalques de caixa: os desfalques encobertos e os
desfalques não encobertos. Desfalques encobertos são normalmente aqueles feitos por meio
de um lançamento de compensação nos registro contábeis, de modo que a falta do bem não
seja notada. Normalmente, o ato de encobrir o desfalque só é possível com um mau controle
interno, que permite ao indivíduo desonesto acesso ao caixa e autoridade para fazer
lançamentos no diário. O desfalque não encoberto é aquele que não se faz acompanhar de
lançamento contábil em contrapartida. Portanto, as faltas resultantes de desfalques não
encobertos podem ser escondidas por algum tempo apenas, ou não podem ser escondidas de
forma nenhuma. Há dos tipos comuns de desfalques não encobertos, que são o lapping e o
kiting.
1. O lapping geralmente se faz com cobranças de contas a receber e consiste em desviar os
resultados de cobranças, substituindo-se o montante desviado por cobranças posteriores.
2. O kiting é um tipo de desfalque de caixa que envolve os desembolsos aí feitos. É,
essencialmente, um sistema de encobrir faltas de dinheiro com transferências, em cheques
não registrados.
É mais fácil detectar kiting do que lapping, pois, com procedimentos adequados de auditoria
de caixa é possível descobrir essa fraude na data da verificação. Entre esses procedimentos,
estão os seguintes:
• Coleta de dados de caixa e conferência posterior dos mesmos com a lista de cheques em
circulação;
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• Exame de recebimentos não depositados na data da verificação, para se certificar de que não
há cheques da empresa entre esses recebimentos;
• Correto uso do extrato do banco;
• Preparação de uma cédula com todas as transferências bancárias ocorridas durante um
período razoável, antes e após a data da verificação.
Vejamos então a situação apresentada na questão: com o objetivo de encobrir falta de
dinheiro na conta do banco X, o contador deposita em 31/12 a quantia que faltava nessa conta,
por meio de cheque da conta do banco Y. Porém, o cheque só foi registrado como desembolso
na conta do banco Y em janeiro do ano seguinte. Na reconciliação bancária a falta de dinheiro
no caixa é temporariamente ocultada em decorrênciado tempo de compensação do cheque.
Ante o exposto, conclui-se que se trata do desfalque Kitting.
Gabarito: “D”.
20. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
Em muitas entidades, o Imobilizado representa um dos grupos de contas mais relevantes do
Ativo e, como está sujeito a registros sistemáticos durante o exercício, deve passar por
procedimentos específicos no exame de auditoria. Dos objetivos apresentados, o que está
dissociado da auditoria do Imobilizado é:
a) avaliação dos bens, inclusive quanto à correção monetária;
b) especificação do custo de reposição dos bens;
c) detecção de eventual existência de ônus;
d) identificação de critérios e extensões das depreciações;
e) verificação de existência, propriedade e posse.
Comentários
Segundo a doutrina, a auditoria do imobilizado tem as seguintes finalidades/objetivos:
a) determinar sua existência física e a permanência em uso; (Letra E)
b) determinar se pertence à companhia; (Letra E)
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar se o imobilizado não contém despesas capitalizadas e, por outro lado, a despesa
não contém itens capitalizáveis; (Letra C)
e) determinar se os bens do imobilizado foram adequadamente depreciados e corrigidos
monetariamente em bases aceitáveis; (Letra D e A)
f) determinar a existência de imobilizado penhorado, dado em garantia ou com restrição de
uso; (Letra E)
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g) determinar se o imobilizado está corretamente classificado nas demonstrações financeiras
e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e a doutrina, concluiremos que é única que está
dissociada (ou não associada) do Imobilizado é a especificação do custo de reposição dos bens.
Esse objetivo está mais associado ao Estoque.
Gabarito: “B”.
21. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
Durante a execução do trabalho de auditoria em uma determinada empresa, um auditor
detectou que uma aquisição de mercadorias a prazo realizada em dezembro de 2012 só foi
registrada quando do efetivo pagamento, no exercício seguinte. Em consequência disso, as
contas de fornecedores a pagar e mercadorias para revenda apresentaram distorções no
exercício de competência.
Nessa situação os testes realizados pelo auditor são:
a) teste principal para superavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
b) teste principal para superavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
c) teste principal para subavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
d) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
e) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para superavaliação de ativo.
Comentários
Situação apresentada:
1. Aquisição de mercadorias a prazo realizada em dezembro de 2012 só foi registrada quando
do efetivo pagamento, no exercício seguinte.
2. Em consequência disso, as contas de fornecedores a pagar e mercadorias para revenda
apresentaram distorções no exercício de competência (ambas estão subavaliadas, uma vez que
não houve o lançamento a débito na conta mercadorias e a crédito na conta fornecedores a
pagar).
Nesse contexto, devido à situação apresentada, tempo as seguintes consequências:
1. Subavaliação da conta Fornecedores a pagar (Passivo)
2. Subavaliação da conta Mercadoria (Ativo)
Nesse tipo de questão, você deve ficar atento se há super ou subavaliação do ativo e do passivo.
No caso da questão, restariam apenas as alternativas “C” e “D”, uma vez que tanto ativo quanto
passivo encontram-se subavaliados. Pelo princípio da prudência, verifica-se primeiro se há uma
subavaliação do passivo (teste principal na conta fornecedores) e, caso exista, como
consequência, a contrapartida em mercadorias (teste secundário) também estaria
subavaliada.
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Adicionalmente, como vimos ao longo da aula, a doutrina diz que é mais prático dirigir os testes
principais de superavaliação para as contas devedoras (normalmente, as contas do ativo e
despesas) e os de subavaliação para as contas credoras (passivo). Nesse sentido, faria mais
sentido direcionar o teste principal de subavaliação para a conta fornecedores a pagar (conta
credora do passivo).
Gabarito: “D”.
22. (FGV - Analista Judiciário (TJ GO)/Contador/Especializada - 2014)
Nos procedimentos de auditoria, um dos objetivos da inspeção física de itens registrados no
ativo imobilizado é verificar:
a) a existência de bens obsoletos ou deteriorados;
b) a coerência na definição do valor residual;
c) a necessidade de reconhecimento de perdas;
d) a conformidade com o valor de mercado;
e) o registro adequado das despesas de depreciação.
Comentários
Segundo a doutrina, a auditoria do imobilizado tem as seguintes finalidades/objetivos:
a) determinar sua existência física e a permanência em uso;
b) determinar se pertence à companhia;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar se o imobilizado não contém despesas capitalizadas e, por outro lado, a despesa
não contém itens capitalizáveis;
e) determinar se os bens do imobilizado foram adequadamente depreciados e corrigidos
monetariamente em bases aceitáveis;
f) determinar a existência de imobilizado penhorado, dado em garantia ou com restrição de
uso;
g) determinar se o imobilizado está corretamente classificado nas demonstrações financeiras
e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e a doutrina, concluímos que a única que é objetivo
específico da inspeção física do imobilizado é verificar a existência de bens, inclusive os
obsoletos ou deteriorados. As demais até poderiam estar associadas ao imobilizado, mas não
exatamente à inspeção física (esta, sim, tem como objetivo a verificação da existência do bem).
Gabarito: “A”.
23. (FGV - Analista Administrativo (PROCEMPA)/Contador/2014)
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Em 2013, uma entidade possuía um terreno contabilizado por R$ 1.000,00 em seu balanço
patrimonial. Este era utilizado como depósito. No ano seguinte, houve a desvalorização do
terreno para R$ 600,00 e a diminuição do fluxo de caixa futuro. A entidade, erradamente, não
reconheceu a redução.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que indica o erro constatado por meio da
auditoria do ativo e o efeito que esse erro pode trazer.
a) Subavaliação do ativo, melhorando a aparência da entidade junto a credores.
b) Subavaliação do ativo, indicando o correto valor da entidade.
c) Subavaliação do ativo, indicando que a entidade está em uma situação mais negativa do que
a atual apresentada.
d) Superavaliação do ativo, indicando um valor superior à atual capacidade de realização dos
ativos.
e) Superavaliação do ativo, indicando que a entidade necessita fazer uma nova contagem física.
Comentários
No caso do enunciado, o ativo deveria ter sido depreciado em razão da sua desvalorização e
diminuição do fluxo de caixa futuro. Nesse sentido, deveria ter sido efetuado um lançamento
a débito em despesas com depreciação e a crédito em depreciação acumulada (conta redutora
do ativo imobilizado). Esse lançamento teria reduzido o valor do ativo e, por não ter sido feito,
concluímos que o ativo está supervalorizado. Essa supervalorização,como vimos, indica um
valor do ativo superior ao que de fato corresponde a sua capacidade de realização.
Gabarito: “D”.
24. (FGV - Contador (CM Recife)/2014)
No desenvolvimento dos trabalhos de auditoria, o auditor deve buscar conhecimentos sobre
as diversas áreas da empresa que o auxiliem no planejamento e execução dos exames de
acordo com as normas de auditoria. Informações relativas à existência de contas de clientes
em atraso e limites de aprovação de compras são levantadas, respectivamente, nas áreas:
a) contábil e de operações;
b) contábil e de suprimentos;
c) de operações e contábil;
d) financeira e contábil;
e) financeira e de suprimentos.
Comentários
Questão doutrinária acerca dos conhecimentos que o auditor deve buscar nas diversas áreas
da empresa que o auxiliem no planejamento e execução dos exames de auditoria.
Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática. 10ª ed. São Paulo:
Atlas, 2016” explicita que “o auditor externo deve adquirir ou restabelecer conhecimentos
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sobre a empresa para que possa planejar e efetuar seu exame de acordo com as normas de
auditoria geralmente aceitas. Para obter esse conhecimento, deve estudar, principalmente, as
seguintes áreas:"
-- Financeira:
Comportamento do fluxo de caixa;
Se as operações da empresas estão gerando recursos suficientes para sustentá-la
financeiramente;
Principais credores bancários, encargos financeiros e formas de pagamento;
Possíveis problemas de liquidez;
Se os fornecedores estão sendo pagos em dia;
Principais fornecedores e suas condições financeiras;
Principais clientes em atraso;
Principais clientes e suas condições financeiras;
Principais investimentos feitos ao longo do ano e a situação econômico-financeira das
empresas investidas.
-- Contábil:
Princípios contábeis adotados na elaboração das demonstrações contábeis;
Uniformidade, de um exercício social para outro, na aplicação desses princípios;
Quando as demonstrações contábeis estarão prontas;
Se as análises das contas estão sendo preparadas regularmente ao longo do ano;
Se foram ou estão sendo tomadas providências para corrigir as irregularidades ou erros
identificados nas análises das contas;
-- Orçamentária:
Atuação atual do orçado em comparação com o incorrido;
Explicações para as variações significativas entre o orçado e o real;
Projeções até o final do exercício social;
-- Pessoal
Políticas de admissões;
Política de treinamento;
Política de avaliações;
Política de aumentos salariais;
Estrutura organizacional da empresa;
Saída de funcionários importantes;
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-- Fiscal e legal
Situação atual de processos envolvendo o nome da empresa;
Livros fiscais e legais e sua escrituração;
Resultado das investigações realizadas pelas autoridades fiscais;
Mudanças no contrato social ou estatuto.
-- Operações
Principais aquisições de bens do Ativo Imobilizado;
Principais baixas de bens do Ativo Imobilizado;
Máquinas paradas, obsoletas;
Estoques obsoletos ou de lento movimento;
Novos produtos;
Planejamento do inventario físico anual.
-- Vendas
Situação da empresa no mercado em comparação com os concorrentes;
Política de propagando;
Causas de devolução de vendas;
Política de garantia dos produtos;
-- Suprimentos
Limites de aprovação de compras;
Sistema de compras (informações da necessidade de compra, pesquisa de possíveis
fornecedores, seleção da melhor proposta e a compra);
Problemas potenciais de compra (único fornecedor, dificuldade de importação, crescimento
muito elevado dos preços das matérias-primas etc.).
Ao realizar o cotejo entre os aspetos doutrinários e as alternativas, concluímos que
informações relativas à existência de contas de clientes em atraso e limites de aprovação de
compras são levantadas, respectivamente, nas áreas financeiras e suprimentos.
Gabarito: “E”.
25. (FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP)/2010)
Assinale a alternativa que apresente o objetivo específico da auditoria do resultado:
a) comprovar se compras de mercadoria estão de acordo com os objetivos da empresa.
b) confirmar se os pagamentos realizados foram conciliados.
c) verificar se as despesas correspondentes às receitas realizadas foram apropriadas no
período.
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d) comprovar a correta apropriação das despesas em obediência ao regime de caixa.
e) conferir a exatidão dos registros contábeis dos estoques de mercadorias.
Comentários
Como vimos ao longo da aula, a auditoria das contas de resultado tem como objetivos:
a) determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados;
b) determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que
beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos.
c) determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizadas de acordo com os princípios
de contabilidade geralmente aceitos, em bases uniformes;
d) determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificadas nas
demonstrações financeiras, e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
A alternativa C é a única que está alinhada aos objetivos acima apresentados. A letra D erra ao
mencionar o regime de caixa (do contrário, o regime a ser adotado – em conformidade com os
princípios de contabilidade geralmente aceitos – é o de competência). As demais assertivas
estão mais alinhadas à auditoria do ativo.
Gabarito: “C”.
26. (FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP)/2010)
Assinale a alternativa que indique os procedimentos de auditoria aplicáveis à conta Provisão
para Devedores Duvidosos.
a) Inspeção documental para exame dos documentos de pagamentos e recebimentos e
solicitação de informações aos bancos mediante circularização.
b) Revisão de cálculos por meio da conferência da exatidão aritmética do valor e inspeção para
verificação dos documentos que serviram de base para fixação dos critérios de cálculo.
c) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos para a verificação dos valores lançados nos
investimentos.
d) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos no caso de depreciação e amortização
acumulada.
e) Revisão de cálculos e investigação e confirmação das operações por meio de circularização
de informações financeiras.
Comentários
Segundo a doutrina, em relação às contas do Ativo Circulante, os procedimentos a seguir são
os mais indicados:
DISPONIBILIDADES
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- Caixa: inspeção física (contagem do dinheiro); inspeção documental para exame da
documentação de pagamento e recebimento.
- Bancos Conta Movimento: inspeção documental (extratos bancários); investigação e
confirmação, pela solicitação de informações ao banco (circularização); revisão dos cálculos de
conciliações bancárias.
- Aplicações de Liquidez Imediata - inspeção documental (extratos bancários, certificados,
recibos) e investigação e confirmação, pela solicitação de informações ao banco
(circularização).
CRÉDITOS
- Duplicatas e Outros Títulos a Receber: inspeção documental dos títulos; investigação e
confirmação mediante circularização junto de devedores.
- Provisão para Devedores Duvidosos: revisão dos cálculos por meio da conferência da
exatidão aritmética do valor e inspeção paraverificação dos documentos que serviram como
base para a fixação dos critérios de cálculo.
Ao analisar as alternativas, percebemos que a banca se baseou em entendimento específico
da doutrina (acima apresentado). Portanto, alternativa correta é a letra B.
Comentários das demais alternativas.
Letra a) Inspeção documental para exame dos documentos de pagamentos e recebimentos e
solicitação de informações aos bancos mediante circularização. Tais procedimentos estão mais
associados às contas caixa e bancos.
c) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos para a verificação dos valores lançados nos
investimentos. Tais procedimentos estão mais associados à conta Investimentos.
d) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos no caso de depreciação e amortização
acumulada. Procedimentos estão mais associados à conta Imobilizado.
e) Revisão de cálculos e investigação e confirmação das operações por meio de circularização
de informações financeiras. Procedimentos estão mais associados à conta Duplicatas a receber.
Gabarito: “B”.
27. (FGV - Analista (SAD PE)/Controle Interno /Finanças Públicas/2009)
Um objetivo comum no exame de qualquer tipo de ativo é a verificação de que os valores
representados são exatos.
Esse objetivo está diretamente ligado à:
a) determinação qualitativa do bem.
b) determinação dos riscos relacionados a esse bem.
c) determinação do objeto de auditoria
d) determinação da existência quantitativa do bem.
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e) determinação da amostra para fins de inspeção física.
Comentários
Segundo a doutrina, a auditoria das contas do ativo fundamenta-se no exame e na
comprovação da existência e valor dos bens tangíveis ou intangíveis, e em dados de observação
ou em confirmação pessoal. Desta forma os auditores conseguem reunir provas satisfatórias
sobre a existência e adequação dos valores registrados.
Embora os objetivos de auditoria possam variar ligeiramente de um para outro tipo de ativo,
eles se aplicam, de modo geral, a quase todos. Apresentamos a seguir os objetivos básicos
usualmente relacionados com os vários itens do ativo.
a) EXISTÊNCIA: A verificação do item do ativo deve ser o objetivo primordial da auditoria. Este
objetivo sugere um procedimento, principalmente no caso de ativos tangíveis: o exame do bem
pelo auditor, pessoalmente. A confirmação (averiguação por escrito) muitas vezes fornece
provas da existência de um bem, assim como o fazem a averiguação verbal e o exame de
documentos. Em certos casos, é necessária evidência qualitativa e quantitativa, para se
estabelecer a existência de um bem. Nessas circunstâncias, muitas vezes são exigidos
procedimentos especiais que deem ao auditor a necessária certeza. Esses procedimentos
podem envolver a contratação de um especialista para verificar a existência de bens. Os
aspectos qualitativos da existência de um bem relacionam-se estreitamente com o objetivo da
avaliação.
b) AVALIAÇÃO: A determinação do valor dos ativos é outro objetivo primordial da auditoria,
em que são exigidos procedimentos específicos, com a finalidade de reunir provas referentes
a seu valor. Dentre as que se usam para obter provas do valor de um bem, citam-se:
b.1) consulta às cotações de mercado;
b.2) determinação de valor justo;
b.3) exame das listas de preços, catálogos e outros dados sobre custos, no caso de estoque;
b.4) classificação por vencimentos e confirmação, no caso de contas a receber;
b.5) cálculo do valor em uso, ou valor líquido de mercado (recuperabilidade de ativos);
b.6) cálculo de ajuste a valor presente de créditos e obrigações.
c) AUTORIZAÇÃO: O auditor tem de se certificar de que o ativo é constituído de bens
adquiridos com autorização. Esta autorização tem de ser expressa, como por exemplo: a
política que determina que se compre estoque apenas mediante requisição pelo departamento
de produção e após concorrência para escolha do melhor preço, pelo departamento de
compras.
A autorização, no tocante a contas a receber, também tem caráter geral, normalmente, pelo
fato de a política de crédito autorizar vendas a crédito a clientes que preencham determinadas
exigências. Em geral, exige-se autorização específica para a aquisição de itens muito
importantes e para investimentos em outras entidades. Nesses casos, a diretoria, ou até um
comitê de investimentos nomeado pela diretoria, vota para aprovar ou não as referidas
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aquisições. O auditor deve adotar a prática de examinar os manuais de procedimentos da
entidade e outros documentos, para conhecer sua política oficial, e de ler atas de assembleias,
reuniões de diretoria ou de outros grupos, para se cientificar das autorizações específicas.
d) PROPRIEDADE: O auditor precisa, também, determinar a propriedade dos itens de ativo. Em
muitos casos, a posse de um bem, corroborada por uma nota ou fatura, é o bastante para
comprovar a propriedade, e isso vale, especialmente, no tocante a estoques, títulos,
maquinário, etc. A posse de veículos pode ser também evidenciada através de certificados de
propriedade, documentos de registro e recibos de impostos. A de um bem imóvel pode ser
estabelecida examinando-se contratos, recibos, guias de imposto predial.
e) RESTRIÇÕES: A determinação de um item de ativo é estreitamente ligada a outro objetivo,
que é o de ver se há ônus ou restrições de qualquer natureza sobre o bem em questão. Se
houver, elas devem ser divulgadas nas demonstrações financeiras. Por isso, é essencial que o
auditor se empenhe em descobrir eventuais restrições ou ônus.
f) EXATIDÃO DE VALORES: Um objetivo comum no exame de qualquer tipo de ativo é a
verificação se os valores apresentados são exatos. Esse objetivo está estreitamente ligado a
determinação da existência quantitativa do bem, mas concentra-se mais especificamente na
exatidão matemática. Dentre os procedimentos empregados para atingir esse objetivo, estão
a verificação física, como por exemplo: contagem, confirmação e, também, exame e verificação
dos registros contábeis e documentação hábil.
g) UTILIDADE: No caso de muitos itens de ativo, o objetivo de auditoria é tirar conclusões a
respeito do uso potencial da propriedade. Já se disse antes que no caso de ativo imobilizado,
os valores de mercado são, na maioria das vezes, os mais relevantes. É um dado muito
importante para o auditor a indicação de que um item é obsoleto ou de que é usado na
fabricação de um produto que poderá ser tirado de linha. Além disso, os estoques obsoletos
ou invendáveis, por qualquer outro motivo, também são pouco úteis.
h) APRESENTAÇÃO NAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: o último, porém, crucial objetivo de
auditoria é verificar se os diversos itens de ativo são apresentados corretamente nas
demonstrações contábeis.
Ao realizar o cotejo entre as alternativas da questão e o resumo-teórico apresentado,
concluímos que o caso do enunciado se refere à existência quantitativa do bem.
Gabarito: “D”.
28. (FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ RJ)/2008)
O controle interno é muito importante para a auditoria, uma vez que, com base nele, será
determinada a quantidade de testes (substantivos) a serem aplicados. Se, porventura, esses
controles inexistirem ou falharem (risco inerente ou de controle), a possibilidade de ocorrerem
fraudes é maior.
Na obra "Por Dentro das Fraudes: como são feitas, como denunciá-las, como evitá-las", o autor
comenta um caso de fraude conhecido como emissão de "notas fiscais calçadas".
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91"Por ocasião do faturamento de bens e serviços, dependendo dos tributos e da esfera de
governo, são extraídos documentos fiscais a serem entregues ao comprador/tomador, ficando
as demais vias no talonário para fins de registro e fiscalização por parte do governo. A fim de
reduzir a carga tributária, vendedor e comprador às vezes ajustam um valor menor a ser
registrado no documento fiscal. Quando isso não é possível, o vendedor, unilateralmente,
preenche a nota com montantes diferentes: a via entregue ao contratante com o valor total; a
que será fiscalizada, com valor menor. Como o preenchimento costuma ser simultâneo (com
folhas carbonadas), coloca-se algo entre a primeira e as demais vias (uma prancheta de
madeira, por exemplo). Dessa forma, o contratante recebe sua via com o valor correto, e o
fraudador, em um segundo momento, completa sua via com uma quantia menor."
Considerando a situação exposta, assinale o procedimento que menos contribui para detectar
esse tipo de operação.
a) confrontar (correlacionar) a documentação do tomador do serviço/comprador com a
documentação do prestador de serviço/ vendedor
b) somar atentamente as notas fiscais emitidas pelo prestador de serviço/vendedor
c) verificar se valor faturado (emitido) é suficiente, pelo menos, para cobrir os custos da
operação e manter o prestador de serviço/vendedor em condições de funcionamento
d) confrontar o valor praticado pelo prestador de serviço/vendedor na operação analisada com
os valores praticados em outras operações similares
e) confrontar o valor praticado pelo prestador de serviço/vendedor na operação analisada com
os valores praticados por concorrentes.
Comentários
A prática de calçar notas fiscais é bem antiga e sempre foi amplamente utilizada por empresas
sonegadoras. Podem ser executados vários procedimentos para a detecção de tal prática.
Analisemos cada uma das opções apresentadas pela banca quanto a eficácia na detecção desse
tipo de fraude.
Letra A - Sem dúvida alguma, trata-se, nessa opção, do procedimento mais eficaz para a
detecção desse prática. Por meio dela pode-se constatar, nota a nota, as diferenças nos valores
preenchidos pelo vendedor.
Letra C - É de se esperar que as empresas vendam seus produtos por preços superiores aos
seus custos. Nos preços, além de estar presente a margem de lucro, estarão também outros
gastos, como despesas de comercialização, por exemplo. Apenas em casos bastante específicos
se justifica a venda por preços abaixo do custo, como a de itens com defeito ou danificados. Se
a empresa apresenta, frequentemente, notas fiscais de venda com preços abaixo do custo, isso
é um forte indício de que a prática de calçar notas pode estar sendo usada. Ressalte-se que o
procedimento de verificar a coerência dos preços não é uma prova irrefutável da adoção da
prática fraudulenta.
Letra D - Os preços praticados pelas empresas podem variar em razão da forma de pagamento,
da quantidade vendida, do prazo para entrega, etc. Entretanto, em operações similares, há
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uma tendência natural dos preços estarem em patamares semelhantes. Ao se verificar a
consistência da política de preços, a observação de preços muito diferentes em operações
similares é um indício da prática fraudulenta.
Letra E - A prática de preços muito inferiores aos do mercado pode ser um indício da prática
ilegal. O procedimento de comparar os preços da empresa com os de seus concorrentes pode
propiciar a constatação dessa prática fraudulenta. Ressalte-se que, para ter certeza da adoção
do calço nas notas, há que se confrontar as vias do cliente com as da empresa.
Em todas as opções acima, há sempre um procedimento de confrontar duas fontes: preços
constantes nas diferentes vias da mesma nota fiscal, custo do produto com o preço na venda,
preço na venda com o preço em vendas similares e preço praticado na venda com os preços
no mercado. Apenas a letra B, nosso gabarito, apresenta um procedimento que não
corresponde a um confronto de duas informações. Somar, simplesmente, as notas fiscais
emitidas só permitirá saber – por óbvio – qual o somatório dessas notas. Haveria que se adotar
um procedimento alternativo de comparação com outra variável de interesse.
Gabarito: “B”.
29. (FGV - Auditor Substituto de Conselheiro do TCM-RJ/2008)
Durante a aplicação dos procedimentos atinentes à espécie, o auditor detectou, com base nos
documentos contábeis, que em determinado dia a conta “caixa” da entidade apresentava saldo
contábil credor. Em relação a esse fato, assinale a melhor explicação.
a) Trata-se de ativo fictício, uma vez que há valores registrados que, de fato, inexistem.
b) Trata-se de passivo oculto, tendo em vista que dívidas contratadas foram registradas
erroneamente no passível exigível a longo prazo.
c) Corresponde a “estouro de caixa”, situação decorrente, por exemplo, de receitas recebidas,
mas não contabilizadas.
d) Corresponde a “estouro de caixa”, decorrente, por exemplo, de mercadorias adquiridas e
pagas, mas não contabilizadas.
e) Corresponde ao que culturalmente chamamos de “caixa 2”, prática sabidamente conhecida
e permitida pela legislação.
Comentários
A ocorrência de saldo credor na conta caixa não é algo comum (ou natural) de se observar. Se
corretamente escriturada, a conta “caixa”, ao contrário do que pode ocorrer com outras contas
do ativo, nunca pode apresentar saldo credor. Esse “fenômeno” geralmente ocorre quando se
deixa de efetuar o lançamento de receitas que aumentariam o saldo da conta “caixa”,
habitualmente por motivos de se evadir do pagamento de tributos. Nesse cenário, ao não
registrar operações que aumentariam o caixa (vendas, por exemplo) e contabilizar
normalmente operações que reduzem o saldo da mesma conta (compras, por exemplo), pode
ser observado o saldo credor de caixa. Dessa maneira, a observância de saldo credor no caixa
(ou “estouro de caixa”) é uma situação em que há presunção legal de omissão de receitas.
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Pelo exposto, concluímos que o saldo credor de caixa pode ocorrer em função da não
contabilização de receitas recebidas.
Gabarito: “C”.
Para resolver as questões 13 a 16, considere o seguinte:
Determinada entidade que sofre auditoria externa apresentou os seguintes documentos
para o auditor, durante auditoria referente ao exercício de 20X1.
Tabela 1 – Inventário de produtos para revenda em 31/12/20X0
código descrição quantidade
custo unitário
(em R$)
total
(em R$)
323.21 produto alfa 150 420 63.000
357.41 produto beta 1.100 900 990.000
366.01 produto charlie 300 380 114.000
369.51 produto delta 1.800 95 171.000
Tabela 2 – Inventário de produtos para revenda em 31/12/20X1
código descrição quantidade
custo unitário
(em R$)
total
(em R$)
323.21 produto alfa 220 280 61.600
357.41 produto beta 800 1.050 840.000
366.01 produto charlie 25 430 10.750
369.51 produto delta 3.600 230 828.000
Tabela 3 – Mapa de vendas
20X0 20X1
descrição quantidade
valor
(em R$)
quantidade
valor
(em R$)
produto alfa 1.700 1.241.000 1.950 1.794.000
produto beta 1.300 1.027.000 2.100 2.331.000
produto charlie 100 95.000 76 98.800
produto delta 4.200 630.000 1.430 314.600
vendas brutas 2.993.000 4.538.400
ICMS sobre
vendas
!448.950
!663.060
abatimentos sobre
vendas
!44.500
!76.200
vendas líquidas 2.499.550 3.799.140
custo de
mercadorias
vendidas (CMV)
1.999.000
3.230.000
Tabela 4 – Registro total mensal de vendas brutas constantes
da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) — posição
em 31/12/20X1
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Sabe-se que a alíquota aplicável de ICMS sobre vendas para a empresa era de 15%, que os
valores das vendas brutas do mapa de vendas foram confirmados pelo auditor e que a empresa
realizou metade de suas vendas de 20X1 à vista.
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsecutivos.
30. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Considerando-se os documentos apresentados, será necessário realizar testes para verificar a
superavaliação da conta clientes.
Comentários
Questão envolve um raciocínio contábil básico, associado ao conhecimento previsto na
doutrina. Vamos analisá-la por partes:
Não há, diretamente, informações sobre a conta clientes. Há, no entanto, a informação de que
as vendas foram realizadas metade a vista e metade a prazo. Ora, a contrapartida das vendas
a prazo é a conta clientes (ou clientes a receber).
Agora podemos nos debruçar sobre as informações de vendas, para então concluir sobre a
conta clientes.
O enunciado diz que valor das vendas brutas no Mapa (Tabela 3) está correto. O valor ali
presente é 4.538.400. Agora que vem a jogada: quando somados, os valores da DRE (Tabela 4)
totalizam 4.420.400.
Como a soma da DRE (escrita contábil) é menor que a receita apresentada no Mapa, a indicação
é de que as vendas (que englobam aquelas feitas a prazo) estão subavaliadas. Logo, concluímos
que a conta clientes também está subavaliada (o que já torna a questão errada – vejam que
ela afirma que devem ser aplicados testes de superavaliação da conta clientes).
Interessante notar que a questão não entrou no mérito se seria um teste principal ou
secundário. Tudo bem, podemos entender que seria um caso de teste principal para
subavaliação da receita e teste secundário para subavaliação de ativo.
O fato é: superavaliação de ativos, nesse caso, não se aplicaria.
mês total (em R$)
janeiro 525.300
fevereiro 12.200
março 45.500
abril 188.100
maio 199.200
junho 325.500
julho 699.400
agosto 757.500
setembro 780.000
outubro 455.600
novembro 322.100
dezembro 110.000
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Gabarito: “ERRADO”.
31. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Por meio de teste de cálculo global e de liquidação subsequente, o auditor poderá confirmar
suspeita fundada de subavaliação do ICMS.
Comentários
Pelos dados apresentados, especialmente Tabela 3, o ICMS parece ter sido calculado
corretamente no exercício de 20X0 (15% sobre as vendas brutas), mas não no exercício de
20X1. Tudo indica que foi utilizada alíquota menor do que a prevista (15%) – o resultado da
aplicação de 15% sobre as vendas brutas é 680.760, sendo que o valor presente na tabela é
663.060. Portanto, temos um fato: o valor do ICMS está subavaliado. Isso terá reflexos na conta
Impostos a Pagar, no Passivo, que também estará subavaliada.
Dessa maneira, por meio dos testes de cálculo global (aplicação da alíquota sobre a receita a
ser tributada) e de liquidação subsequente (exame se o valor do imposto a pagar foi
provisionado no mês de competência e pago na data correta) o auditor poderia sim detectar a
subavaliação do ICMS.
A banca tomou por base trecho da doutrina de Sílvio Aparecido Crepaldi, reproduzido em nossa
aula. Vamos recordar:
Passivo (teste de subavaliação)
[...]
b) Impostos: teste de liquidação subsequente (examinar se foi provisionado no mês de
competência e pago na data correta).
Teste de cálculo global (pega-se o saldo da conta ou receita a ser tributada no balanço, aplica-
se a alíquota e verifica-se se a mesma foi provisionada ou paga de acordo com as leis).
Gabarito: “CERTO”.
32. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Em razão dos dados contidos na DRE, o auditor deverá realizar exame documental para
identificação de possíveis fraudes na escrita contábil.
Comentários
Questão envolve um raciocínio contábil básico, associado ao conhecimento dos tipos
específicos de procedimentos de auditoria previstos nas normas e na doutrina. Vamos analisá-
la por partes:
O enunciado diz que valor das vendas brutas no Mapa (Tabela 3) está correto. O valor ali
presente é 4.538.400. Agora que vem a jogada: quando somados, os valores da DRE (Tabela 4)
totalizam 4.420.400.
Ora, isso é um indicativo de que há receitas omitidas na DRE. A empresa pode ter feito isso
com intuito de pagar menos tributo sobre vendas.
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Certamente, um dos primeiros procedimentos que o auditor deverá aplicar é o exame dos
documentos fiscais de saída de mercadorias da empresa. Seu objetivo será comparar se a
contabilidade (DRE) reflete a totalidade das operações de saída da empresa.
Portanto, o exame documental é perfeitamente aplicável ao caso concreto.
De acordo com a doutrina, o exame documental é a análise de documentos relacionados ao
objeto da auditoria em busca de dados ou informações que poderão servir de subsídio ao
planejamento da auditoria ou como evidências dos achados. Nesse contexto, para o auditor
identificar possíveis fraudes na escrita contábil em razão dos dados contidos na DRE, ele deve
realizar duas verificações nos documentos analisados:
1) a sua autenticidade, para assegurar que as informações contidas nos documentos podem
ser utilizadas na auditoria; e
2) as bases e a metodologia de sua elaboração, para poder estimar a confiabilidade das
informações apresentadas.
Gabarito: “CERTO”.
33. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Em razão do indicativo de compras de estoques não contabilizadas, o auditor deverá realizar
procedimentos analíticos de recálculo.
Comentários
Questão envolve um raciocínio contábil básico, associado ao conhecimento dos tipos
específicos de procedimentos de auditoria previstos nas normas e na doutrina. Vamos analisá-
la por partes:
1) Apenas com os dados apresentados, não se pode “cravar” que há evidências de compras
de estoques não contabilizados. Temos, de um lado, o valor dos estoques inicial (tabela 1)
e final (tabela 2) do exercício de X1, bem como o CMV do período (tabela 3). Para concluir
que as compras estão super ou subavaliadas, seria necessário a questão fornecesse o valor
de compras presente nos registros da empresa.
2) Não existe, nem nas normas e nem tampouco na doutrina, o chamado procedimento
analítico de recálculo. Existem, de um lado, os chamados procedimentos analíticos (que
quando aplicados no contexto de um procedimento substantivo ganham a denominação de
procedimento analítico substantivo) e, de outro, o procedimento de recálculo. A banca
misturou os conceitos.
Questão errada, portanto.
Gabarito: “ERRADO”.
34. (CESPE - (Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
Nos casos em que o auditor seleciona contas de receita e de despesa para serem analisadas
mais profundamente, o intuito do auditor é
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a) verificar operações incomuns e aquelas que tenham importância para a situação
patrimonial.
b) analisar as contas-chave em exercícios financeiros alternados, no caso de suspeita de fraude.
c) conferir operações comuns e numerosas, independentemente do valor.
d) conferir todas as operações registradas em determinada conta, relevantes ou não.
e) atentar mais especificamente a operações comuns entre a empresa e diretores ou
empregados-chave.
Comentários
Questão doutrinária acerca da auditoria das contas de receita e despesa (contas de resultado).
Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática. 10ª ed. SãoPresentation of Financial Statement) – IASB.
O Pronunciamento Conceitual Básico que dispõe sobre a estrutura conceitual para a elaboração e
apresentação das demonstrações contábeis apresenta os seguintes itens para destaque na auditoria
contábil:
a) Como pressupostos básicos: o regime de competência e a continuidade.
b) Como características qualitativas das demonstrações contábeis: a compreensibilidade, a
comparabilidade, a tempestividade, a verificabilidade, a relevância e a representação fidedigna (que
engloba a primazia da essência sobre a forma), além de outras implícitas como a materialidade, a
confiabilidade, a neutralidade, a prudência e a integridade.
c) Os elementos das demonstrações contábeis: ativos, passivos, patrimônio líquido, as receitas e
despesas.
Quando essas demonstrações têm em vista as exposições dos componentes patrimoniais, recebem
o nome de Balanço Patrimonial. Quando visam demonstrar as variações patrimoniais, bem como o
resultado econômico de um período administrativo, recebem a denominação de Demonstração do
Resultado do Exercício. Outras demonstrações contábeis estão consagradas pelo uso, podendo
destacar-se:
✓ Demonstração do Fluxo de Caixa: com o objetivo de proporcionar, aos usuários das
demonstrações contábeis, uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa ou
equivalente de caixa, bem como as necessidades da entidade para utilizar esses recursos.
Tornou-se obrigatória a partir da Lei nº 11.638/07 para as companhias fechadas com PL de
R$ 2.000.000,00 ou mais, na data do balanço.
✓ Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos: destinada a demonstrar como
surgiram os recursos econômico-financeiros manipulados no exercício e onde foram
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aplicados. Revogada pela Lei nº 11.638/07, porém, pode ser apresentada como quadro
complementar.
✓ Demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados: substituída, com vantagem, pela
demonstração das mutações do Patrimônio Líquido: pois esta abrange as variações sofridas
no exercício por todas as contas integrantes do Patrimônio Líquido.
✓ Demonstração do Valor Adicionado: representa um dos componentes do balanço social e
tem por finalidade evidenciar a riqueza gerada e a sua distribuição. Obrigatória para as
companhias abertas, os dados são obtidos principalmente a partir da demonstração de
resultados.
✓ Balanço social: destacando os benefícios sociais da entidade perante a sociedade.
✓ As Notas Explicativas, que são complementos das demonstrações contábeis, integram as
mesmas, e se destinam, precipuamente, a esclarecer os principais critérios adotados na
avaliação dos elementos patrimoniais e na apropriação dos resultados, além de propiciar
outras informações, tornando mais inteligíveis as demonstrações contábeis e permitindo
análise mais segura do patrimônio e de suas variações.
2.1.2.3 – Estrutura das Demonstrações Contábeis para fins de análise
Como algumas das demonstrações contábeis são sintéticas e nem sempre esclarecem a composição
analítica do patrimônio e de suas variações, a Contabilidade dispõe de mais uma técnica
especializada, denominada Análise de Balanços. Essa técnica permite decompor, comparar e
interpretar as demonstrações contábeis, oferecendo aos interessados dados analíticos e
interpretação sobre os componentes do patrimônio e sobre os resultados da atividade econômica
desenvolvida pela entidade, sob a ótica de desempenho (análise tradicional) e de riscos,
principalmente com análise dinâmica do capital de giro próprio e suas necessidades. A análise de
balanços é mais eficaz após a realização da auditoria.
2.1.2.4 – Auditoria
2.1.2.4.1 Introdução
Os usuários das demonstrações contábeis precisam ter a certeza que as informações e análises que
lhes são fornecidas são dignas de confiança, exatas e apresentadas honestamente e isentas de
distorções. Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros e das demonstrações
contábeis, a contabilidade utiliza-se de uma técnica que lhe é própria, chamada auditoria, que
consiste no exame de documentos, livros e registros, inspeções, obtenção de informações e
confirmações internas e externas, obedecendo à norma apropriada de procedimento, objetivando
verificar se as demonstrações contábeis representam adequadamente a situação nelas
demonstradas, de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos aplicados de
maneira uniforme.
2.1.2.4.2 Objetivos
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Para muitos profissionais e mesmo empresários, a conceituação de auditoria não tem ultrapassado
aquela de uma função destinada a garantir a inexistência de erros na documentação processada pela
contabilidade. Porém, a auditoria contábil é um sistema permanente de atividades especializadas
exercidas em uma entidade, compreendendo: o conhecimento das leis, normas ou costumes que
regem as atividades; a observação dos controles internos mantidos; o exame dos registros contábeis
e dos documentos de suas operações; a verificação física dos bens ou valores; confirmação dos
débitos e créditos de terceiros, com a finalidade de apurar:
a) se os demonstrativos contábeis (Balanços e relações discriminativas) expressam a realidade
patrimonial e suas relações com terceiros;
b) se as operações foram conduzidas conforme as Leis e normas vigentes;
c) se os bens ou valores administrados não sofreram fraudes, desvios ou extravios.
2.1.2.4.3 Definição
Podemos definir a auditoria como:
"A técnica contábil que através de procedimentos específicos que lhe são peculiares, aplicados no
exame dos registros e documentos, inspeção e na obtenção de informações e confirmações, objetiva
obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de
acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos e se as demonstrações contábeis deles
decorrentes refletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os resultados
do período examinado e as demais situações nelas demonstradas".
Pode-se dizer que é a técnica utilizada para confirmar a veracidade dos registros contábeis, principal
meio de que se vale a Contabilidade para alcançar seu fim. Com isto, não se quer afirmar que a ação
da auditoria se limita aquilo que está registrado nos livros, pois ela, poderá também, apurar o que
foi omitido nos registros.
Ela se vale, portanto, de todos os meios de prova ao seu alcance, para apurar a veracidade dos
registros, mesmo que tenha de recorrer a provas extracontábeis, ou mesmo fora da entidade
auditada. A apuração da falta de registros que deveriam ter sido feitos, por exemplo, é uma das
formas de comprovar que inexiste exatidão nas demonstrações contábeis, principal objetivo da
auditoria.
A auditoria das contas do ativo fundamenta-se no exame e na comprovação da existência e valor
dos bens tangíveis ou intangíveis, e em dados de observação ou em confirmação pessoal. Desta
forma, os auditores conseguem reunir provas satisfatórias sobre a existência e adequação dos
valores registrados.
Embora os objetivos de auditoria possam variar ligeiramente de um para outro tipo ativo, eles se
aplicam, de modo geral a quase todos. Enfocamos a seguir os objetivos básicos, usualmente
relacionados com os vários itens do ativo.
a) Existência: a verificação do item do ativo deve ser o objetivo primordial da auditoria desse setor
da empresa. Este objetivo sugere um procedimento, principalmente no caso de ativos tangíveis: o
exame do bem, pessoalmente, pelo auditor. A confirmação (averiguação por escrito) muitas vezes
também fornece provas da existência de um bem, assim como o fazem a averiguação verbal e o
Guilherme Sant Anna, Tonyvan dePaulo: Atlas, 2016, p.194 ” enfatiza os objetivos desse tipo de auditoria:
14. Programas de Auditoria para as Contas de Resultado
[...]
14.3 OBJETIVOS
A auditoria nas contas de resultado tem como objetivos:
Determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados;
Determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que beneficiem
exercícios futuros estão corretamente diferidos;
Determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizados de acordo com os princípios
de contabilidade, em bases uniformes; e
Determinar se as receitas, custos e despesas estão classificados nas demonstrações contábeis,
e se as divulgações cabíveis foram expostos por notas explicativas;
O objetivo maior do exame auditorial nessas contas é a busca de indícios, ou a própria
detecção de fraudes, desvios, sonegação, apropriação, ou outros tipos de delitos praticados
contra o patrimônio da empresa, intencionalmente ou por falhas do controle, praticados
pelos administradores ou por empregados desleais. [...] [grifo nosso]
Inicialmente, podemos descartar as assertivas que dizem que o objetivo é a busca de operações
comuns e não relevantes. O que se quer é o contrário, ou seja, a busca por operações que
fogem ao comum, podendo indicar alguma irregularidade, e que sejam relevantes no contexto
da auditoria. Com isso eliminamos as assertivas “C”, “D” e “E”.
A alternativa que melhor se adequa ao proposto pelo posicionamento doutrinário é verificar
operações incomuns e aquelas que tenham importância para a situação patrimonial. Em
outros termos, situações incomuns são aquelas em que há indícios de fraudes ou erros
causados pelos administradores ou empregados desleais e/ou que são materialmente
relevantes para entidade auditada, que tenham reflexo no patrimônio da empresa.
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Portanto, alternativa correta é A.
Em relação às demais alternativas:
Letra B) ERRADA. Essa análise é feita nas contas-chave em exercícios financeiros contínuos,
com intuito de observar uniformidade das práticas contábeis de um exercício para outro.
Letra C) ERRADA. Em regra, não é possível verificar todas as operações. É feito um “corte” e é
utilizado, quando aplicável, processo de amostragem. Dessa maneira são analisadas as
operações de maior materialidade e relevância.
Letra D) ERRADA. O foco do trabalho é nas operações relevantes.
Letra E) ERRADA. Em regra, a atenção recai sobre as operações incomuns.
Gabarito: “A”.
35. (CESPE - Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
Assinale a opção correta no que se refere à auditoria para empréstimos e financiamentos
circulantes e não circulantes.
a) As obrigações flutuantes devem estar apropriadamente classificadas e descritas nas
demonstrações.
b) O propósito dessa auditoria inclui verificar se todas as obrigações foram devidamente
autorizadas pelo controle interno.
c) Todos os empréstimos e outras dívidas estão incluídos nas contas a receber, na data do
balanço.
d) Esse tipo de auditoria possui um único objetivo: verificar se os passivos são registrados na
contabilidade corretamente.
e) A contabilização dos encargos deve ser livre de distorções e conforme os princípios
contábeis.
Comentários
Questão doutrinária acerca da auditoria para empréstimos e financiamentos circulantes e não
circulantes. Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática. 10ª
ed. São Paulo: Atlas, 2016, p.14/59 ” enfatiza os objetivos desse tipo de auditoria:
12.4 AUDITORIA PARA EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS CIRCULANTES E NÃO CIRCULANTES
12.4.1 Objetivos
O objetivo deste programa é determinar que:
As obrigações foram devidamente autorizadas e apropriadamente classificadas e descritas nas
demonstrações contábeis;
Passivos são registrados corretamente;
Os respectivos encargos são contabilizados de acordo com os Princípios de Contabilidade;
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A Contabilidade dos encargos é consistentemente efetuada;
As demonstrações financeiras incluem informações adequadas sobre cláusulas restritivas, em
encargos, ativos caucionados etc. [Grifo nosso]
Questão extraída quase literalmente desse posicionamento doutrinário. Portanto, alternativa
correta é E.
Vale ressaltar que essa questão é difícil por se basear em um posicionamento doutrinário
específico. Para dificultar ainda mais, foram inseridas termos e expressões para tornar as
demais alternativas erradas. Veja a maldade da banca:
Letra A) ERRADA. Não há que se falar em obrigações flutuantes. Conforme o posicionamento
doutrinário adotado pela banca, a auditoria para empréstimos e financiamentos circulantes e
não circulantes tem como um dos seus objetivos determinar que OBRIGAÇÕES foram
devidamente autorizadas e apropriadamente classificadas e descritas nas demonstrações
contábeis.
Letra B) ERRADA. Um dos propósitos ou objetivos dessa auditoria é determinar que as
obrigações foram devidamente autorizadas e apropriadamente classificadas e descritas nas
demonstrações contábeis pela própria administração. O controle interno não tem tal
competência.
Letra C) ERRADA. Esse não é um dos objetivos e/ou não está correlacionado à auditoria para
empréstimos e financiamentos circulantes e não circulantes.
Letra D) ERRADA. Há outros objetivos além desse.
Gabarito: “E”.
36. (CESPE - Auditor (FUB) - 2013)
A auditoria para apuração do valor real do patrimônio líquido de uma empresa é essencial em
circunstâncias tais como a transferência de seu controle acionário. Nessa ocasião, devem ser
considerados não apenas os valores patrimoniais contabilizados, mas também os intangíveis.
Comentários
Questão doutrinária acerca da auditoria do patrimônio líquido. Segundo Franco e Marra (2000,
p.214):
“2.4.4.4 Auditoria para apurar o valor real do patrimônio líquido da empresa
É a auditoria realizada para apurar o valor absoluto do patrimônio líquido da entidade. Não se
limita apenas à conferência dos saldos apresentados pelas demonstrações contábeis, mas
também a uma conferência e atualização dos valores patrimoniais de acordo com a flutuação
do mercado”.
De acordo com o mesmo autor, “quando o auditor é designado a essa forma de auditoria,
compete a ele conferir e confirmar a existência dos bens, bem como compará-los ao valor de
mercado e corrigi-los se necessário, substituindo os valores históricos pelos valores atualizados.
Após tal atualização o auditor deve apurar o novo valor do patrimônio líquido”. Da mesma
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maneira, os valores intangíveis do tipo fundos de comércio, marcas e patentes, valor da
clientela, etc., também devem ser avaliados – complementa o autor. Essa auditoria,
geralmente é realizada para atender aos seguintes requisitos:
- retirada ou admissão de sócio ou acionista;
- colocação de ações no mercado, com ágio;
- venda da empresa, ou de seu controle acionário;
- fusão com outra empresa;
- incorporação à outra empresa;
- absorção, por outra empresa;
- cisão da sociedade;
- liquidação da sociedade.
Gabarito: “CERTO”.
37. (CESPE / TCE-RN - 2015)
Com referência aos programas de auditoria aplicáveis aos diversos grupos de contas, julgue o
item subsequente.
Na auditoria de contas a receber, é relevante examinar os créditos a essa conta que não sejam
feitos em dinheiro. Pode-se simular uma devolução de mercadoria ou dar baixa em uma conta
supostamente incobrável, desviando-se o dinheiro efetivamente recebido.
ComentáriosQuestão está em conformidade com o posicionamento da doutrinária acerca da auditoria de
contas a receber. Crepaldi, em sua obra, na versão digital, “Auditoria Contábil: teoria e prática.
10ª ed. São Paulo: Atlas, 2016” explicita que “podem-se dar ou ocultar desfalques por meio de
quaisquer métodos de creditar indevidamente contas a receber. O auditor deve-se preocupar,
particularmente, em verificar os créditos a contas a receber que não são feitos em dinheiro.
Pode-se desviar o dinheiro do pagamento de determinada conta, ocultando-se o desvio com
um lançamento a crédito da conta, como se fosse devolução de mercadoria ou baixa de conta
incobrável. Além disso, as contas criadas para apresentar vendas a clientes fictícios poder ser
retiradas dos livros por meio desses créditos que não são feitos em dinheiro.” (Grifo nosso).
Gabarito: “CERTO”.
38. (CESPE / TCE-RN - 2015)
No teste de enquadramento do empregado em função compatível com sua formação
profissional, o auditor deverá verificar se o cargo desse empregado é compatível com a sua
lotação e com a sua escolaridade.
Comentários
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Questão está em conformidade com o posicionamento da doutrina acerca da auditoria de
despesas e custos na folha de pagamento, especificamente teste de enquadramento do
empregado em função compatível com sua formação.
Segundo Marcelo Cavalcanti Almeida:
“18.3.5.11 Teste de enquadramento do empregado em função compatível com sua formação
– Para os empregados selecionados, verifique o seguinte:
Se o cargo é compatível com o órgão em que o empregado está lotado (por exemplo: não
seria compatível um advogado lotado em um órgão da área de engenharia exercendo uma
função que requer conhecimentos específicos de engenharia;
Se o nível é compatível com a função exercida (por exemplo: não seria compatível um contador
desempenhando uma função que requer conhecimentos de contabilidade em nível básico);
Se o cargo em que o empregado foi enquadrado é compatível com sua escolaridade (por
exemplo: seria irregularidade um empregado contratado como engenheiro que não é formado
em engenharia, ou que ainda está concluindo o curso, neste último caso desde que na definição
do cargo seja exigido o curso completo).” [Auditoria: um curso moderno e completo. 8ª ed. São
Paulo: Atlas, 2012, p.199] [grifo nosso]
Gabarito: “CERTO”.
39. (CESPE / TJ CE – 2014)
É fundamental que o programa de auditoria contemple procedimentos que possibilitem ao
auditor verificar se os itens contabilizados estão apresentados corretamente nas
demonstrações financeiras. A respeito do programa de auditoria que fundamenta o parecer do
auditor, assinale a opção correta.
a) Um teste padrão para identificar passivos omitidos consiste em comparar os pagamentos
efetuados durante o mês de encerramento das demonstrações financeiras com os extratos das
contas bancárias dos fornecedores cadastrados.
b) Suponha que, após aplicar procedimento constante do programa de auditoria, o auditor
tenha verificado que a escrituração indicava saldo credor de caixa e que o passivo contemplava
obrigações já pagas. Nesse caso, há indícios que podem levar o auditor a reportar indícios de
omissão no registro de receita.
c) Considere que o auditor tenha obtido evidências de cobranças posteriores que substituem
os resultados de cobranças de contas a receber do período. Nesse caso, o desvio é registrado
em relatório como desfalque encoberto do tipo LAPPING.
d) Devido à abrangência e especificidade, o programa de auditoria para avaliar as
demonstrações financeiras deve constar da ordem de serviço preparada pela área de controle
que elabora os planos estratégico, tático e operacional, com participação da área contábil e
supervisão da equipe de auditoria.
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e) Para confirmar se as despesas antecipadas estão sendo corretamente contabilizadas, é
necessário que o programa de auditoria contemple procedimento capaz de testar se o saldo
diferido exprime os serviços pagos e que os referidos pagamentos representam na íntegra os
benefícios já recebidos.
Comentários
Questão, frise-se, bem difícil, que aborda diferentes aspectos relacionados aos testes em áreas
específicas das demonstrações contábeis. Analisando cada alternativa.
Letra A) INCORRETA. Essa comparação seria mais eficaz se fosse feita análise do saldo do
período da conta (consiste na análise e confrontação do valor do saldo credor da conta
fornecedores constante no balanço patrimonial do exercício financeiro fiscalizado, com a soma
dos valores dos documentos que representam exigibilidades contraídas junto a terceiros a
título dessa conta, no período fiscalizado ou anteriores e não quitados até a data do balanço
do período sob fiscalização) e análise dos lançamentos contábeis (consiste na conferência dos
lançamentos efetuados no livro Diário em confronto com as notas fiscais de compras a prazo
de mercadorias, matérias-primas, bens e serviços e dos lançamentos dos títulos quitados
efetuados no livro Diário.).
Letra B) CORRETA. Veja:
Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da
improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei nº 1.598, de
1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40):
I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;
II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados;
III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja
comprovada. (RIR – Decreto 3.000/99, Art. 281) (grifo nosso).
Letra C) INCORRETA. Item bem específico que aborda procedimentos adequados de auditoria
de caixa. Segundo a doutrina, existem dois tipos de desfalques de caixa: os desfalques
encobertos e o desfalques não encobertos. Desfalques encobertos são normalmente aqueles
feitos por meio de um lançamento de compensação nos registro contábeis, de modo que a
falta do bem não seja notada. Normalmente, o ato de encobrir o desfalque só é possível com
um mau controle interno, que permite ao indivíduo desonesto acesso ao caixa e autoridade
para fazer lançamentos no diário. O desfalque não encoberto é aquele que não se faz
acompanhar de lançamento contábil em contrapartida. Portanto, as faltas resultantes de
desfalques não encobertos podem ser escondidas por algum tempo apenas, ou não podem ser
escondidas de forma nenhuma. Há dos tipos comuns de desfalques não encobertos, que são
o lapping e o kiting.
1. O lapping geralmente se faz com cobranças de contas a receber e consiste em desviar os
resultados de cobranças, substituindo-se o montante desviado por cobranças posteriores.
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2. O kiting é um tipo de desfalque de caixa que envolve os desembolsos aí feitos. É,
essencialmente, um sistema de encobrir faltas de dinheiro com transferências em cheques não
registrados.
É mais fácil detectar kiting do que lapping, pois, com procedimentos adequados de auditoria
de caixa, é possível descobrir essa fraude na data da verificação.
Ante o exposto, conclui-se que há um erro sútil na alternativa, pois desfalque Lapping é não
encoberto, diferentemente do que afirma a alternativa.
Letra D) INCORRETA. O programa de auditoria é plano detalhado de ação, voltado para
orientar e controlar a execução dos procedimentos da auditoria. Ele descreve uma série de
procedimentos e exames a serem aplicados, com a finalidade de permitir a obtenção de
evidências adequadas que possibilitem formar uma opinião. Não há necessidade do plano estar
contidona ordem de serviço preparada pela área de controle. Além disso, quem elabora esse
plano é a equipe de auditoria (ou o auditor), sem a necessidade de participação de outras áreas.
Letra E) INCORRETA. As despesas antecipadas são aquelas pagas ou devidas com
antecedência, mas que se referem a períodos de competência subsequentes, de forma a
obedecer ao regime de competência. Nesse caso, o pagamento da despesa é realizado
integralmente, mas os benefícios futuros com ela advindos são apropriados mensalmente.
Assim, os pagamentos não representam a totalidade dos benefícios já recebidos.
Gabarito: “B”.
40. (CESPE - Analista Judiciário (STM)/Contabilidade/Apoio Especializado – 2011)
Julgue o item subsecutivo, relativo à execução dos trabalhos de auditoria em geral.
Considere que um auditor, ao elaborar seu balancete de trabalho, verifique que o saldo de
contas a pagar inclui saldos devedores de alguns fornecedores, decorrentes de adiantamentos
efetuados.
Nesse caso, o auditor deve determinar que se faça um lançamento de ajuste, a débito de contas
a pagar e a crédito de adiantamentos a fornecedores.
Comentários
Primeiramente, em regra, o auditor externo – ao constatar irregularidades na execução de seus
trabalhos – não faz determinações, mas sim recomendações (ou solicitações) para que a
entidade auditada adote medidas corretivas. Nesse sentido, como o saldo de adiantamento a
fornecedores, que deveria estar registrado no ativo circulante, está registrado em contas a
pagar (no passivo), deve-se debitar a conta adiantamento a fornecedores (e não creditar, como
diz o item).
Gabarito: “ERRADO”.
41. (CESPE - Analista Judiciário (STM)/Contabilidade/Apoio Especializado - 2011)
Julgue o item subsecutivo, relativo à execução dos trabalhos de auditoria em geral.
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Um tipo de teste substantivo de detalhes de saldos de caixa geralmente utilizado consiste na
contagem de caixa em mãos.
Nesse teste, para que uma contagem de caixa seja adequada, o auditor deve, entre outras
providências, assegurar-se de que todos os cheques não depositados sejam nominativos ao
cliente, diretamente ou por endosso.
Comentários
Essa questão acabou sendo anulada pelo seguinte motivo: “A palavra "cliente" causou
ambiguidade insuperável ao item, motivo pelo qual se opta por sua anulação.”
Reescrevendo o item e eliminando-se a palavra "clientes", o item estaria correto. Esse
procedimento de nominar os cheques não depositados garantiria que somente esta pessoa
poderia resgatar o valor no banco, não podendo repassá-lo a terceiros. Além disso, o
procedimento de endosso do cheque evita transtornos para quem recebe o cheque endossado.
Caso não haja fundos no banco, a pessoa que recebeu esse cheque endossado deverá procurar
quem o endossou. Esses procedimentos dão mais segurança quando é são utilizados cheques
nas transações comerciais. Adicionalmente, segundo a doutrina, “a contagem do caixa destina-
se a atingir o objetivo da auditoria da existência do numerário, mas é também de extrema
importância para fins de controle interno, dado que o caixa, por envolver dinheiro e um volume
muito grande de transações, está bastante suscetível a sofrer a prática de irregularidades,
especialmente fraudes. Na contagem do caixa alguns pontos devem ser observados: Registrar
a contagem em documento de auditoria do qual constarão, entre outras as seguintes
informações: 1) nome do fundo ou do caixa; 2)nome do responsável pelo numerário; 3) data e
hora da realização da contagem; e 4) listagem de todos os itens constantes do caixa, tais
como: dinheiro, cheques, recibos, e outros; 5) recibo (declaração) de devolução dos itens
contados; e atentar para sinais que indiquem possíveis dissimulações de numerários, tais como:
1) descontos de cheques de terceiros; 2) empréstimos temporários; 3) comprovantes de
pagamentos com sinais de falsificações; e 4) cheques de realização duvidosa. Para estes casos
o auditor deverá obter as explicações de imediato e acompanhar a solução.
Portanto, item estaria certo caso excluída a palavra “cliente”.
Gabarito: “ANULADO”.
42. (CESPE - Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
Um empregado de determinada instituição bancária, que trabalhava no setor de compensação
de cheques, depositava, habitualmente, um mesmo cheque em duas contas: na conta
designada pelo depositante e na conta de um comparsa. Tal crédito possuía duas origens
diferentes: uma da conta do emitente do cheque, e outra de uma conta contábil transitória, de
natureza credora. Uma auditoria nos demonstrativos de controle operacional do sistema de
compensação de cheques e nos registros contábeis da instituição bancária verificou saldo
irregular na referida conta transitória e, a partir disso, foi detectada a fraude que vinha sendo
praticada.
Com base nessas informações, é correto afirmar que o empregado realizava os registros
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a) a menor em contas de receita.
b) duplicados em contas de ativo.
c) a menor em contas de compensação.
d) a maior em contas de despesas.
e) a maior em contas de ativos.
Comentários
Segundo a NBC TA 240(R1), “as distorções nas demonstrações contábeis podem originar-se de
fraude ou erro. O fator distintivo entre fraude e erro está no fato de ser intencional ou não
intencional a ação subjacente que resulta em distorção nas demonstrações contábeis”.
Fraude: um empregado de determinada instituição bancária, que trabalhava no setor de
compensação de cheques, depositava, habitualmente, um mesmo cheque em duas contas: na
conta designada pelo depositante e na conta de um comparsa. Tal crédito possuía duas origens
diferentes: uma da conta do emitente do cheque, e outra de uma conta contábil transitória, de
natureza credora.
A forma correta de depósito de cheque no Banco:
D. Banco Conta Movimento (ativo)
C. Depósito Pessoas físicas (Passivo)
A forma incorreta de depósito de cheque no Banco (Fraude):
D. Despesa para o Banco (porque não houve entrada de disponibilidade no banco)
C. Depósito em conta transitória do comparsa (Passivo)
Consequência: registros a maior em contas de despesas (superavaliação das despesas).
De maneira geral, os testes de auditoria poderão ser realizados em contas de resultado
(receita, despesas e custos) e patrimoniais (ativo passivo e PL).
Objetivo dos Testes:
1) Contas de resultado
Receitas: testar a subavaliação (isto é, o fraudador alega que auferiu receita "a menor", de
modo a reduzir o resultado).
Despesas e custos: testar a superavaliação (isto é, o fraudador alega que teve uma
despesa/custo elevada, de modo a reduzir o resultado).
Cabe ressaltar que a conta transitória para a fraude é credora porque ela simula uma conta
corrente de um correntista do banco.
Gabarito: “D”.
43. (CESPE - Analista Judiciário (TST)/Administrativa/Contabilidade - 2008)
Com referência a conceitos e aplicações da auditoria em geral, julgue o item a seguir.
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Suponha que, por meio de testes, o auditor tenha verificado que a empresa vem lançando
como sendo de manutenção dispêndios que asseguram o aumento da vida útil de máquinas e
equipamentos. Nesse caso, é correto concluir que se trata de um teste principal de despesa
para superavaliação e secundário de ativo para subavaliação.
Comentários
Fernandes (2000), ao discorrer sobre o assunto, explicita que o saldo de uma conta do balanço
patrimonial ou da demonstração do resultado do exercício pode estar errado para mais
(superavaliado) ou para menos (subavaliado).Devido a esse risco, todas as contas da
contabilidade devem ser testadas para superavaliação e para subavaliação. A experiência tem
demonstrado que é mais prático dirigir os testes principais de superavaliação para as contas
devedoras (normalmente, as contas do ativo e despesas) e os de subavaliação para as contas
credoras. Devido ao fato de as transações na contabilidade serem registradas pelo sistema de
partidas dobradas, quando se testam as contas devedoras para superavaliação, às contas
credoras também estão sendo testadas indiretamente nessa mesma direção.
No caso em tela, a empresa vem lançando os gastos que aumentam a vida útil de alguns ativos
como despesas de manutenção (quando o correto seria “ativar” esse dispêndio, ou seja,
efetuar o lançamento a débito na conta máquinas e equipamentos).
Consequentemente, a despesa encontra-se superavaliada e o ativo encontra-se subavaliado.
Gabarito: “CERTO”.
44. (UFPR / ISS Curitiba – 2019)
Uma equipe de auditoria externa está realizando auditoria em uma empresa na área de
Recursos Humanos. No que diz respeito à auditoria da rubrica contábil “Salários a Pagar”, pode-
se considerar como procedimento de auditoria mais adequado e eficiente:
a) analisar o contrato de trabalho celebrado entre a empresa e pelo menos 90% dos
trabalhadores da empresa.
b) verificar se a empresa possui a documentação de admissão dos funcionários em ordem e
arquivadas.
c) verificar se o sistema de informações dos recursos humanos possui integração com o sistema
contábil e financeiro da empresa.
d) checar se o resumo da folha de pagamentos está em conformidade com os valores
contabilizados e se os valores foram efetivamente pagos até o 5º dia útil do mês subsequente.
e) verificar se os funcionários estão registrando adequadamente as entradas e saídas nos
horários previamente acordados nos contratos de trabalho.
Comentários
A conta salários a pagar deve refletir o saldo da folha de pagamentos dos colaboradores da
entidade em determinado período. De forma geral, o trabalho do auditor tem como objetivo
verificar a adequação das demonstrações à estrutura de relatório aplicável. Nesse caso, cabe
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ao auditor confrontar os valores presentes na conta salários a pagar com a folha de
pagamentos.
Diante do exposto, percebemos que a assertiva mais correta seria, de fato, a letra D (gabarito
da questão). Há posicionamentos doutrinários que reforçam nosso entendimento. Vejamos:
Marcelo Cavalcanti Almeida (Auditoria: um curso moderno e completo. 8ª ed. São Paulo:
Atlas, 2012, p.315), em sua obra na versão digital, esclarece que o teste dos salários a pagar e
descontos e encargos sociais a recolher apresenta os seguintes procedimentos: obter a análise
de composição dessas contas, conferir o valor da análise com a respectiva conta do razão da
contabilidade, verificar se não existem itens antigos ou anormais na análise e confrontar os
valores com a folha de pagamento.
O “problema” da questão, que a torna difícil (em nosso entendimento), é que ela exige
conhecimento da CLT (§ 1º, Art. 459, Decreto Lei 5.452/1943), em relação à necessidade de
pagamento da folha até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido.
As demais assertivas, ou são mais ligadas a aspectos de gestão RH e controle administrativo
(análise dos contratos de trabalho e da documentação de admissão; verificação de integração
entre sistemas; conferência de horário de entrada e saída).
Gabarito: “D”.
45. (VUNESP – ISS Guarulhos – Auditor Fiscal – 2019)
O procedimento de auditoria na área de resultado denominado estudo e avaliação do controle
interno e teste de procedimento consiste em
(A) avaliar procedimentos com efeitos simultâneos no Balanço Patrimonial e no Demonstrativo
de Resultados.
(B) estudar e analisar o comportamento das receitas, custos e despesas.
(C) averiguar se os saldos existentes na contabilidade conferem com os dos extratos bancários.
(D) confirmar diretamente do devedor sobre os saldos em aberto.
(E) avaliar os ciclos de vendas, de compras e de folha.
Comentários
Um dos tipos específicos de testes nas contas de resultado é o chamado Estudo e avaliação do
controle interno e teste de procedimentos. nesse tipo de teste, o enfoque recai sobre a
existência de três grandes ciclos que merecem a análise do auditor e que têm influência
significativa, tanto no balanço patrimonial quanto no resultado: o ciclo de vendas, o ciclo de
compras e o ciclo de folha.
Para cada ciclo examinado no contexto do estudo e avaliação do controle interno e teste de
procedimento, o trabalho relativo à auditoria do resultado deveria ser complementar, uma vez
que já foram analisadas as contas do ativo e do passivo, observando-se, a depender das
necessidades do auditor, os seguintes itens:
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• Ciclo de vendas: análise comparativa das vendas por produtos, comportamento de mercado,
analise da rentabilidade por produto, discussão com a gerência de vendas quanto às variações
ou aos aspectos relevantes etc.;
• Ciclo de compras: complementação através de exame documental para compras, caso seja
necessário, e exame de compras de matérias de despesas, caso relevantes etc.;
• Ciclo de folha: análise mensal da distribuição da folha e encargos, discussão com a gerência
sobre variações ocorridas ou aspectos relevantes etc.
Gabarito: “E”.
46. (VUNESP – ISS Guarulhos – Auditor Fiscal – 2019)
No que se refere à auditoria em ativos de maior liquidez, o procedimento que consiste em
verificar as transações registradas pela empresa e não registrada pelos bancos e vice-versa é
denominado
(A) contagem de caixa.
(B) confirmação de saldos bancários.
(C) corte de cheques.
(D) teste de conciliações bancárias.
(E) teste das transferências bancárias.
Comentários
Questão aborda aspecto doutrinário relativo a procedimentos relacionado aos testes aplicáveis
ao grupo do Ativo Caixa e Bancos. Segundo Marcelo Cavalcanti Almeida (Auditoria: abordagem
moderna e completa; 9ed; São Paulo: Atlas, P.161):
Teste das Conciliações Bancárias
Normalmente, as empresas preparam em base mensal as conciliações bancárias, as quais
representam uma reconciliação do saldo da conta corrente bancária pelo extrato (registro do
banco) com o saldo pelo razão analítico (registro da empresa). As conciliações demonstram as
transações registradas pelo banco e não pela empresa e as contabilizadas pela empresa e
não pelo banco”.
Portanto, alternativa correta é D.
Em relação aos outros procedimentos:
(A) contagem de caixa: “é aplicável para empresas que efetuam suas vendas à vista e que
poderiam ter uma quantia significativa de recursos no seu caixa na data do balanço
patrimonial”.
(B) confirmação de saldos bancários: “há a solicitação da carta de confirmação bancária”.
(C) corte de cheques: “serve para se certificar de que os cheques estão sendo registrados no
período de sua competência”.
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(E) teste das transferências bancárias: verifica se houve a preparação da conciliação de todas
as contas bancárias.
Gabarito: “D”.
47. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
Em um trabalho de asseguração realizado na Cia. A, o auditor independente observou que a
referida entidade tinha efetuado o teste de recuperabilidade do valor de ativos, obedecendo
às novas normas contábeis brasileiras, instituídas a partir da vigência das Leis nos 11.638/2007
e 11.941/2009. Constatou a existência física de um ativo imobilizado, adquirido pelaentidade
em julho de 2014 por R$ 490.000,00 e imediatamente colocado em operação. A sua vida útil
tinha sido estimada em 15 anos, e seu valor residual, em R$ 10.000,00. Em 31.12.2018, o
departamento contábil da companhia, seguindo a legislação pertinente, registrou uma perda
desse ativo em função do teste de recuperabilidade respectivo, no valor de R$ 20.000,00.
Tendo feito os cálculos necessários, o auditor concluiu pela exatidão do teste realizado pela
entidade. Portanto, o valor recuperável desse ativo, em 31.12.2018, correspondeu, em R$, a
(A) 450.000,00.
(B) 326.000,00.
(C) 310.000,00.
(D) 306.000,00.
(E) 290.000,00.
Comentários
Inicialmente, cabe-nos determinar (com os dados de valor de aquisição, valor residual, vida útil
e período de operação) o valor contábil inicial do ativo. Vejamos:
Valor de Aquisição: 490.000
Valor Residual: 10.000
Valor Depreciável: 480.000 (490.000 – 10.000)
Depreciação Acumulada: 480.000 * 54/180 = 144.000
Valor Contábil = 346.000 (490.000 – 144.000)
A depreciação acumulada, nesse caso, é calculada por meio da aplicação do fator (54/180 –
sendo 54 meses o tempo de efetiva operação e 180 meses a vida útil) sobre o valor depreciável
(480.000).
Diz o enunciado que o auditor concluiu pela exatidão do teste de recuperabilidade realizado
pela entidade. Temos, então, que refazer as etapas que a empresa efetuou para chegar ao valor
de perda com desvalorização de 20.000 (dado do enunciado)
Valor Contábil: 346.000
Valor recuperável: X
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Se o valor contábil > valor recuperável, deve-se constituir a provisão.
Perda por desvalorização = 346.000 – X = 20.000
Donde se conclui que o valor recuperável é de 326.000.
Gabarito: “B”.
48. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
Em relação ao acompanhamento de estoques pelo auditor independente, é correto afirmar
que
(A) se a empresa auditada utilizar o controle permanente de seus estoques, o auditor pode
considerar desnecessário acompanhar a respectiva contagem física no final do exercício.
(B) o auditor que não puder estar presente à contagem física dos estoques deve emitir parecer
com ressalva em relação a esse item.
(C) a inspeção dos estoques, ao acompanhar sua contagem física, ajuda o auditor a averiguar a
existência física deles e a identificar, por exemplo, estoques obsoletos, danificados ou sem
movimentação.
(D) o auditor, caso faça pessoalmente os testes de contagem física dos estoques, está
dispensado de solicitar documentos da administração sobre a referida contagem.
(E) mesmo que os estoques custodiados e controlados por terceiros sejam irrelevantes para as
demonstrações contábeis, o auditor deve obter evidência de auditoria apropriada e suficiente
com relação à existência e às condições desse tipo de estoque.
Comentários
Como vimos ao longo da aula, a auditoria dos estoques tem a finalidade de:
a) determinar sua existência, que poderá estar na companhia, em custódia com terceiros ou
em trânsito;
b) determinar se é pertencente à companhia;
c) determinar se foram aplicados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de estoques penhorados ou dados em garantia; e.
e) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras e se as
divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
Ainda, a inspeção envolve o exame físico de um ativo, além do exame de registros ou
documentos, internos ou externos, em forma de papel, em forma eletrônica ou em outras
mídias.
O acompanhamento da contagem física dos estoques envolve:
• inspeção do estoque para determinar a existência e avaliar as condições e execução de teste
de contagem;
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• observação do cumprimento das instruções da administração e da execução de
procedimentos para registrar e controlar os resultados da contagem física dos estoques; e
• obtenção de evidência de auditoria quanto à confiabilidade dos procedimentos de contagem
da administração.
Segundo a NBC TA 501 - Evidência de Auditoria – Considerações Específicas para Itens
Selecionados:
A6. A inspeção do estoque, ao acompanhar sua contagem física, ajuda o auditor a
averiguar a existência do estoque (embora não necessariamente a sua propriedade), e a
identificar, por exemplo, estoques obsoletos, danificados ou sem movimentação. [Grifos não
constantes no original]
Pelo exposto, nosso gabarito é a alternativa C.
Vejamos as demais assertivas:
A: ERRADA. De fato, no controle permanente de estoque, a necessidade de contagem física
não é primordial, como no sistema de controle periódico. No entanto, a assertiva diz que a
contagem física foi feita pela entidade. Isso se deve ao fato de que erros podem acontecer, e a
magnitude de tais erros, eventualmente, pode ser relevante. Dessa maneira, o auditor não
deve simplesmente dispensar o acompanhamento da contagem feita pela entidade auditada.
A NBC TA 501 reforça o entendimento acima. Vejamos: “quando um sistema de controle
permanente de estoque é mantido, a administração pode executar contagens físicas, ou outros
testes, para determinar a confiabilidade da informação sobre a quantidade do estoque incluída
nesses registros. Em alguns casos, a administração ou o auditor pode identificar as diferenças
entre os registros do controle permanente e as quantidades reais do estoque físico disponível;
isso pode indicar que os controles das variações no estoque não estejam operando de maneira
efetiva”.
B: ERRADA. Não há qualquer previsão normativa para tanto. A opinião com ressalva se aplica
quando são encontradas evidências de auditoria que identificam, efetivamente, distorções
relevantes. Se o auditor não consegue acompanhar a contagem física do estoque, inicialmente
ele deve buscar aplicar procedimentos alternativos para obter evidência apropriada e
suficiente. Caso isso não seja possível, a opinião será modificada conforme as circunstâncias
do caso. Vejamos o que diz a NBC TA 501 a esse respeito:
7. Se o acompanhamento da contagem física dos estoques for impraticável, o auditor deve
aplicar procedimentos alternativos de auditoria para obter evidência de auditoria apropriada
e suficiente com relação à existência e às condições do estoque. Se isso não for possível, o
auditor deve modificar a opinião no seu relatório de auditoria, de acordo com a NBC TA 705
que trata das modificações no relatório do auditor.
D: ERRADA. A contagem feita pelo próprio auditor não substitui a contagem feita pela entidade
auditada. Ao decidir por efetuar a contagem ele mesmo, o auditor tem por objetivo – dentre
outros – confrontar os dados produzidos pela entidade. Dessa maneira, ele não está
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dispensado de exigir documentos da administração a respeito da contagem efetuada pela
entidade. Vejamos o que diz a NBC TA 501 a esse respeito:
“...além de registrar os testes de contagem do auditor, a obtenção de cópias completas dos
registros da administração de contagem física do estoque, ajuda o auditor a executar os
procedimentos subsequentes de auditoria para determinar se os registros finais de estoque
da entidade refletem com precisão os resultados reais da contagem de estoque”.
E: ERRADA. O auditor, via de regra, busca evidência sobre fatos relevantes para as
demonstrações contábeis.
Gabarito: “C”.
49. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
Na auditoria de participações societárias permanentes, registradas no Ativo Não Circulante
como Investimentos,entre os procedimentos listados a seguir, relacionados à aplicação do
método da equivalência patrimonial (MEP), quando esta é obrigatória, o único que deve ser
considerado correto pelo auditor é:
a) registro da participação da investidora no lucro da investida como receitas antecipadas, a
serem classificadas no passivo circulante da investidora, mesmo que não tenha ocorrido venda
de ativos entre as duas.
b) exclusão do lucro da investida, decorrente da venda de ativos para a investidora, do valor
da participação societária permanente, quando este lucro não for considerado realizado.
c) recebimento de dividendos contabilizados como receita na investidora.
d) avaliação, pelo MEP, de investimentos em sociedades que não sejam controladas ou
coligadas da investidora.
e) registro de mais-valia na contabilidade da investidora quando esta adquire ações da
investida por um valor superior ao seu valor justo.
Comentários
A questão aborda, basicamente, aspectos contábeis que devem ser “validados” pela auditoria.
Questões como essa não exigem conhecimento de auditoria propriamente dito.
Exige-se conhecimento acerca das participações societárias permanentes. Segundo Ed Luiz
Ferrari (2016, p. 1085), essas participações “são adquiridas com a intenção de permanência, ou
seja, sem a intenção de venda, representando uma extensão da atividade econômica da
investidora. São classificadas no ativo circulante”.
Vejamos abaixo os comentários de cada alternativa:
Letra A: registro da participação da investidora no lucro da investida como receitas
antecipadas, a serem classificadas no passivo circulante da investidora, mesmo que não tenha
ocorrido venda de ativos entre as duas. Alternativa incorreta.
De acordo com o CPC 18 – Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento
Controlado em Conjunto:
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“3. Os termos a seguir são utilizados neste Pronunciamento com os seguintes significados:
Método da equivalência patrimonial é o método de contabilização por meio do qual o
investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, é ajustado para refletir a
alteração pós-aquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos (Patrimônio
líquido) da investida. As receitas ou as despesas do investidor incluem sua participação nos
lucros ou prejuízos da investida, e os outros resultados abrangentes do investidor incluem a
sua participação em outros resultados abrangentes da investida.” (Grifo nosso)
A receita supracitada corresponde a “Receita (Resultado) de Equivalência Patrimonial (REP)”,
e não “receitas antecipadas”, como afirma a alternativa.
Letra B: exclusão do lucro da investida, decorrente da venda de ativos para a investidora, do
valor da participação societária permanente, quando este lucro não for considerado realizado.
Alternativa correta.
Conforme à lei 6.404/76, art. 248:
“Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em
controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob
controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial de acordo com as
seguintes normas
I - o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em
balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta
Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da
companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não
realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à
companhia, ou por ela controladas;
II – (...)” (Grifo nosso)
Ainda, segundo o CPC 18:
“28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes
(downstream), envolvendo ativos que não constituam um negócio, conforme definido pelo
Pronunciamento Técnico CPC 15, entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas)
e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas
demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros
investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que
esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico ao qual pertence
a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou
do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. A participação da entidade
no resultado de coligada ou empreendimento controlado em conjunto resultante dessas
transações deve ser eliminada. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de
ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto.
(Alterado pela Revisão CPC 08)” (Grifo nosso)
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Letra C: recebimento de dividendos contabilizados como receita na investidora. Alternativa
incorreta. A contabilização dos dividendos não envolve a receita, a saber:
Contabilização do reconhecimento de dividendos:
D- Dividendos a Receber
C- Investimento
Contabilização do recebimento de dividendos:
D- Caixa
C- Dividendos a Receber
Letra D: avaliação, pelo MEP, de investimentos em sociedades que não sejam controladas ou
coligadas da investidora. Alternativa incorreta.
De acordo com o CPC 18:
“Objetivo
1. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer a contabilização de investimentos em
coligadas e em controladas e definir os requisitos para a aplicação do método da equivalência
patrimonial quando da contabilização de investimentos em coligadas, em controladas e em
empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures).
Alcance
2. Este Pronunciamento deve ser aplicado por todas as entidades que sejam investidoras com
o controle individual ou conjunto de investida ou com influência significativa sobre ela.”
(Grifo nosso)
Letra E: registro de mais-valia na contabilidade da investidora quando esta adquire ações da
investida por um valor superior ao seu valor justo. Alternativa incorreta. A questão estaria
correta se trocasse o termo “mais-valia” por ágio por expectativa de rentabilidade futura
(goodwill), que é o valor pago a mais pela investidora na aquisição das ações da investida, em
função de haver nesta a expectativa de lucros no futuro. (FERRARI, 2016, p. 1120)
Gabarito: “B”.
50. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
O auditor independente, ao proceder ao exame das contas bancárias da companhia auditada,
observou que, no Livro Razão da entidade, o saldo devedor da conta analítica do Banco X, em
31.12.2018, era de R$ 18.600,00, enquanto que o respectivo extrato bancário apontava um
saldo de R$ 19.300,00. Ao proceder à reconciliação dos saldos, o auditor constatou que
• dois cheques emitidos pela companhia a favor de terceiros, no valor total de R$ 830,00, não
haviam sido sacados pelos beneficiários, de acordo com o extrato bancário.
• despesas bancárias no valor de R$ 350,00 não haviam sido contabilizadas pela companhia.
• depósitos efetuados por terceiros a favor da companhia, no valor de R$ 320,00, também não
haviam sido contabilizados.
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• Um depósito feito pela companhia no banco 24 horas, após o expediente bancário do último
dia do ano, no valor de R$ 100,00, não tinha sido computado no extrato do banco.
Após os ajustes propostos pelo auditor serem efetuados pela contabilidade da companhia, o
saldo registrado no Livro Razão, relativo ao Banco X, correspondia, em R$, a:
a) 19.010,00.
b) 18.770,00.c) 18.570,00.
d) 18.520,00.
e) 18.610,00.
Comentários
Mais uma que não exige, propriamente, conhecimento de auditoria, mas sim de contabilidade.
O enunciado diz que alguns valores não foram devidamente contabilizados, seja na conta razão
ou no extrato bancário. Vamos, a seguir, organizar melhor os eventos ocorridos:
1) DÉBITOS
- Valores que a companhia debitou e o banco não considerou:
Depósito no banco 24 horas ------------------- R$ 100,00
- Valores que o banco debitou e a companhia não contabilizou:
Despesas bancárias ---------------------------- R$ 350,00
2) CRÉDITOS
- Valores que a companhia creditou e o banco não considerou:
Cheques emitidos pela cia -------------------- R$ 830,00
- Valores que o banco creditou e a companhia não contabilizou:
Depósitos de terceiros -------------------------- R$ 320,00
Para conhecer o saldo registrado no Livro Razão, devemos partir do saldo originalmente
registrado no livro (18.600) e fazer os ajustes com as operações que não foram contabilizadas
pela entidade. Vejamos:
- despesas bancárias no valor de R$ 350,00; (saída)
- depósitos de terceiros no valor de R$ 320,00 (entrada)
Saldo ajustado = R$ 18.600,00 – R$ 350,00 + R$ 320,00 = R$ 18.570,00
Gabarito: “C”.
51. (FEPESE - Fiscal de Rendas e Tributos (Criciúma) - 2017)
Ao final de determinado exercício social a empresa Presta Tudo Ltda tem um saldo relevante
na conta do ativo “Duplicatas a receber”.
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Para a obtenção de razoável segurança de que o saldo da conta representa com veracidade as
transações realizadas o auditor poderá:
a) Verificar se o valor das vendas à vista é inferior ao saldo da conta “Duplicatas a receber”.
b) Confirmar se a conta de resultado “Custo dos Serviços Prestados” recebeu o lançamento
contábil da contrapartida com saldo igual ao da conta “Duplicatas a receber”.
c) Remeter carta aos fornecedores dos quais a empresa realizou compras a prazo solicitando a
confirmação do saldo.
d) Enviar carta aos clientes para os quais a empresa realizou vendas a prazo solicitando a
confirmação do saldo.
e) Comparar o saldo da conta “Duplicatas a receber” com o percentual de lucro obtido em
exercícios sociais anteriores.
Comentários
A questão, na sua essência, aborda um dos procedimentos de auditoria a ser utilizado pelo
auditor durante a verificação do saldo relevante na conta do ativo “Duplicatas a receber”, com
o objetivo de obter razoável segurança de que o saldo dessa conta representa com veracidade
as transações realizadas.
Como duplicatas a receber é um direto da empresa auditada, advindo – geralmente – da venda
de mercadorias – então o auditor pode fazer uma circularização junto a seus clientes para
confirmação dos saldos correspondentes. Confirmação externa (ou circularização) é o
procedimento para obtenção de evidência de auditoria como resposta escrita de um terceiro
(a parte que confirma) diretamente para o auditor.
Uma aplicação prática desse procedimento é quando o auditor deseja confirmar informações
com terceiros, por exemplo, a existência de saldo de contas. O caso do enunciado se encaixa
perfeitamente no conceito de solicitação de confirmação.
Portanto, alternativa correta é D.
Segue mapa mental contendo informações adicionais sobre o procedimento confirmações
externas:
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Em relação às demais alternativas:
Letra A) ERRADA. É praxe haver descontos em vendas para pagamentos à vista, fazendo com
que o valor desse tipo de negociação seja inferior àquelas com pagamento a prazo (duplicatas
a receber). Logo não se trata de um procedimento adequado.
Letra B) ERRADA. Assertiva carece de lógica. A contrapartida da conta duplicatas a receber
seria a conta mercadorias ou outra equivalente.
Letra C) ERRADA. O correto seria remeter cartas aos clientes da empresa auditada (e não aos
fornecedores). O objetivo é checar o saldo da conta duplicatas a receber, que existe em função
de operações de venda (e não de compra).
Letra E) ERRADA. Assertiva carece de qualquer previsão normativa e é, em certa medida,
absurda.
Gabarito: “D”.
52. (FEPESE - Analista Legislativo (CM Palhoça)/Contador - 2015)
Não é objetivo da Auditoria:
a) determinar se as receitas correspondem ou estão relacionados com os custos.
b) determinar se as receitas, os custos e as despesas demonstrados são aplicáveis ao período
contábil sob exame.
c) determinar se tem sido dado às receitas, aos custos e às despesas o devido reconhecimento.
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d) verificar se tem sido dado tratamento apropriado a qualquer redução ou adição de imposto,
como resultado de transações não refletidas na demonstração de resultado.
e) verificar se as receitas, os custos e as despesas são classificados e discriminados de maneira
adequada na demonstração de resultados.
Comentários
Questão doutrinária acerca dos objetivos da auditoria das contas de resultado. Segundo a
doutrina, “as contas de resultado são representadas pelo registro das receitas e despesas, que
correspondem aos acréscimos e decréscimos ocorridos nos itens patrimoniais, reconhecidos e
medidos em conformidade com os princípios fundamentais de contabilidade, com destaque
para o regime de competência, resultantes dos diversos tipos de atividades, e que possam
alterar o patrimônio líquido”. Além disso, “a auditoria de receitas, despesas e custos
compreende principalmente os valores registrados na demonstração do resultado do exercício
e dos débitos nas contas de estoques, referentes a compras de matérias-primas e custos
incorridos na fabricação ou aquisição de produtos para a venda. O teste dessas transações
consiste em o auditor verificar se os valores foram registrados dentro do regime de
competência, se foram aprovados, se estão de acordo com a natureza do negócio da
companhia, se existe documentação suportando a operação e se a classificação contábil foi
adequada”. SÃO OS SEGUINTES OS OBJETIVOS DE AUDITORIA DE RESULTADO:
• determinar se as receitas, custos e despesas demonstrados são aplicáveis ao período
contábil sob exame;
• determinar se os custos e despesas estão relacionados às receitas;
• determinar se tem sido dado às receitas, custos e despesas o devido reconhecimento;
• verificar se tem sido dado tratamento apropriado a qualquer redução ou adição de imposto,
como resultado de transações não refletidas na demonstração de resultado;
• determinar se os ajustes significativos aplicáveis a outros períodos e a todas as transações
relevantes, de natureza estranha ou não racional, foram tratados convenientemente, no
resultado do exercício em exame;
• verificar se as receitas, os custos e as despesas são classificados e discriminados de maneira
adequada na demonstração de resultados;
• verificar se aqueles controles internos já avaliados para contas de balanço conservam a
mesma segurança para contas de resultados correlatas;
• verificar se a demonstração de resultado apresenta claramente o resultado das operações, e
se foi preparada segundo os princípios fundamentais de contabilidade, e aplicados
uniformemente em relação ao exercício anterior. [grifo nosso]
Ao realizar o cotejo entre as alternativas e o posicionamento doutrinário, concluímos que não
é objetivo da auditoria das contas de resultado determinar se as receitas correspondem ou
estão relacionados com os custos. Percebam que há um erro sútil na determinação do teste,
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conforme o entendimento doutrinário, pois o correto seria determinar se os custos e despesas
estão relacionados às receitas, e não o inverso, como consta na alternativa “A”.
Gabarito: “A”.
53. (FEPESE - Analista (CM São José)/Contábil - 2016)
São objetivos da auditoria das contas de resultado:
a) Determinar se todas as receitas, todos os custos e todas as despesas atribuídos ao período
estão devidamente comprovados e contabilizados.
b) Determinar se todas as receitas, todos os custos e todas as despesas não atribuídos ao
período ou que beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos.
c) Determinar que algumas contas devem ser analisadas com mais profundidade, e outras
podem ser analisadas através de testes e amostragens.
d) Determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizados de acordo com os
princípios fundamentais de contabilidade, em bases uniformes.
e) Determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificados nas
demonstrações contábeis, e se as divulgações cabíveis foram tratadas por notas explicativas.
Comentários
Mais uma que exige conhecimento doutrinário acerca da auditoria das contas de resultado.
Vejamos novamente os ensinamentos de Crepaldi:
14. Programas de Auditoria para as Contas de Resultado
[...]
14.3 OBJETIVOS
A auditoria nas contas de resultado tem como objetivos:
Determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados; [alternativa “a”]
Determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que
beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos; [alternativa “b”]
Determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizados de acordo com os princípios
de contabilidade, em bases uniformes; e [alternativa “d”]
Determinar se as receitas, custos e despesas estão classificados nas demonstrações
contábeis, e se as divulgações cabíveis foram expostos por notas explicativas; [alternativa
“e”]
Ante o exposto, e tomando por base o posicionamento doutrinário de Aparecido Crepaldi, a
questão apresenta 04 (quarto) alternativas corretas, levando a sua anulação.
Gabarito: “ANULADA”.
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5. LISTA DE QUESTÕES
1. (FCC / SEFAZ AP / 2022)
No decorrer de uma auditoria em empresa comercial, a autoridade tributária constatou a
ocorrência de saldo credor de caixa. Um evento passível de explicar tal descoberta seria a
(A) compra de veículo, para uso do sócio, sem os registros contábeis do recebimento do veículo
e da saída de caixa.
(B) ausência de lançamento contábil das despesas de depreciação de máquinas e
equipamentos da empresa.
(C) venda de mercadorias, em espécie, sem o registro contábil dos valores recebidos na conta
caixa.
(D) distribuição disfarçada de lucros aos sócios, em espécie, sem registrar na conta caixa o
evento contábil.
(E) omissão de lançamento das despesas bancárias com tarifas e juros pagos nas contas
adequadas.
2. (FCC / SEFAZ AP / 2022)
Antônio, autoridade tributária competente para fiscalizar e lançar ICMS no Estado do Amapá,
no âmbito de levantamento fiscal realizado na Empresa Vende Mais Ltda., não optante pelo
Regime do Simples Nacional, cuja atividade principal é a compra e venda de mercadorias no
Estado, constatou a ocorrência de baixa fictícia de títulos a receber, de fato ainda não
recebidos.
Conforme a legislação estadual relativa ao ICMS e as normas contábeis da NBC,
respectivamente, a constatação de baixa fictícia de títulos a receber
(A) não afeta o valor do imposto a pagar e deve ser considerada como de baixa materialidade.
(B) permite presumir a ocorrência de operação tributada pelo ICMS e pode ser indício de fraude
nos registros contábeis.
(C) leva o contribuinte a ser classificado de ofício no Regime do Simples Nacional e ao início de
auditoria com auditor independente.
(D) torna a escrita fiscal não revestida das formalidades legais e o auditor deve considerar a
realização de avaliação a preço justo do saldo da conta fornecedores do passivo.
(E) obriga o auditor a arbitrar o valor das operações de entrada a prazo e a avaliar a conta
fornecedora a valor presente.
3. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Os benefícios fiscais de ICMS fruídos por uma empresa, na situação em que o valor da
subvenção governamental não é distribuído ou de qualquer forma repassado aos sócios ou
acionistas (fazendo-se a retenção), após o trânsito pela demonstração do resultado, devem ser
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contabilizados na conta contábil de Reserva de Incentivos Fiscais, conforme disciplinado pelo
Pronunciamento técnico CPC 07 − Subvenção e Assistências Governamentais emitido pelo
Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
Desejando realizar uma auditoria na conta contábil de Reserva de Incentivos Fiscais, o Auditor
Fiscal deverá se debruçar na seguinte área do Balanço Patrimonial:
(A) Patrimônio Líquido.
(B) Despesas Antecipadas.
(C) Ativo Fiscal Diferido.
(D) Contas a Pagar.
(E) Investimentos em Participações Societárias.
4. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
O Auditor Fiscal Rodrigo, continuando seu trabalho de auditoria tributária na empresa
Manezinho Comercial Ltda., em Florianópolis, ao conferir no encerramento do exercício social
o Balanço Patrimonial da empresa, identificou que a rubrica contábil “Caixa-numerário físico”
disponível na empresa apresentava saldo credor.
A única opção que poderia explicar essa situação é:
(A) realização de vendas regularmente contabilizadas e com a respectiva emissão de
documentos fiscais pelos valores corretos da efetiva transação.
(B) pagamentos a fornecedores não contabilizados.
(C) adiantamentos recebidos de clientes regularmente contabilizados.
(D) pagamentos de despesas não contabilizados.
(E) recebimentos de numerários não contabilizados por meio da falta de emissão de
documentos fiscais.
5. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
No processo de acompanhamento do inventário físico de estoques de matéria-prima (que são
comprados a prazo) de uma determinada indústria, o Auditor Fiscal constatou a existência de
quantidades relevantes de itens que não constavam dos registros físico-financeiros e
contábeis, após uma detalhada análise do registro de inventário de ICMS no SPED, do saldo
contábil da conta Estoques de matéria-prima e de realizar uma contagem física destes itens in
loco (que apontou quantidades físicas maiores que as registradas na contabilidade e nos livros
fiscais).
Nesse caso, o Auditor Fiscal identificou ativos
(A) e passivos ocultos, não sendo necessário nenhum procedimento fiscal em relação à
empresa.
(B) fictícios e passivos ocultos, não sendo necessário nenhum procedimento fiscal em relação
à empresa.
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(C) e passivos fictícios, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
(D) e passivos ocultos, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
(E) fictícios e passivos ocultos, devendo proceder com a autuação fiscal de ICMS em relação à
quantidade de mercadorias adquiridas que existem fisicamente, mas não foram contabilizadas.
6. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Dentre as técnicas mais usuais de auditoria contábile fiscal, pode-se mencionar o Exame e
Contagem Física. É um procedimento de auditoria utilizado para as contas do
(A) Ativo relativos a bens intangíveis (por exemplo: marcas e patentes), que consiste em
identificar apenas documentalmente os bens declarados no Balanço Patrimonial.
(B) Passivo (por exemplo: fornecedores e empréstimos), que consiste em identificar
fisicamente (in loco) o bem declarado no Balanço Patrimonial.
(C) Ativo (por exemplo: dinheiro, estoques, ativo imobilizado), que consiste em identificar
fisicamente (in loco) o bem declarado no Balanço Patrimonial.
(D) Passivo (por exemplo: fornecedores e empréstimos), que consiste em realizar a
confirmação de contas a pagar e proceder a exames de pagamentos subsequentes.
(E) Ativo (especificamente da Conta de Investimentos), que consiste em auditar o cálculo do
resultado da equivalência patrimonial.
7. (FCC - Analista Fiscal/SEFAZ SC - 2018)
Considerando os procedimentos a serem utilizados por um Auditor Fiscal de ICMS do Estado
de Santa Catarina, visando à auditoria do grupo de contas de Fornecedores no Passivo, pode-
se mencionar:
I. Obter a relação de fornecedores.
II. Obter a confirmação de saldos da conta contábil de fornecedores junto a estes
(especialmente, se forem os fornecedores localizados em Santa Catarina).
III. Contagem física do caixa em um determinado dia.
IV. Obter a relação de clientes.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) II, III e IV.
(B) I e II.
(C) II e III.
(D) I e IV.
(E) I, III e IV.
8. (FCC - Analista Judiciário (TRE PR)/Contabilidade / Administrativa -2012)
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O auditor da Secretaria de Controle Interno verificou, em auditoria realizada numa empresa
controlada por um ente federado, que a referida entidade tinha efetuado o teste de
recuperabilidade do valor de ativos, obedecendo às novas normas contábeis brasileiras
instituídas pelas Leis nº 11.638/2007 e nº11.941/2009. Constatou a existência física de um
ativo imobilizado, adquirido pela entidade em julho de 2009 por R$ 250.000,00 e
imediatamente colocado em operação, cuja vida útil foi estimada em 10 anos e seu valor
residual, em R$ 30.000,00. Em 31-12-2010, o departamento de contabilidade da entidade
estimou os seguintes valores para esse ativo:
O auditor constatou que o valor contábil do referido ativo foi escriturado corretamente pela
entidade pelo valor (em R$) de
a) 182.000,00.
b) 181.000,00.
c) 187.000,00.
d) 180.000,00.
e) 184.500,00.
9. (FCC - Auditor Fiscal da Receita Municipal (Teresina) - 2016)
Estão sujeitas à auditoria, entre outras demonstrações contábeis, o Balanço Patrimonial e a
Demonstração do Resultado do Exercício da entidade, elaborados pela sua administração. Na
auditoria das demonstrações contábeis do exercício de 2015 de determinada empresa
prestadora de serviços, o auditor, ao examinar as obrigações da empresa, constatou que o ISS
a recolher com vencimento no exercício subsequente, no valor de R$ 1.487.950,00, foi
classificado incorretamente no Balanço Patrimonial.
As obrigações, quando se vencerem no exercício seguinte, deverão ser classificadas no grupo
de contas do Balanço Patrimonial
a) Passivo circulante.
b) Ativo realizável a longo prazo.
c) Passivo não circulante.
d) Obrigações fiscais de longo prazo.
e) Ativo diferido.
10. (FCC - Auditor Fiscal da SEFAZ MA - 2016)
Determinada empresa de economia mista do Estado fez o seguro do ativo imobilizado, junto à
seguradora Martelo, para o período de 24 meses: 01/10/2015 a 30/09/2017.
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− O prêmio de seguro foi de R$ 600.000,00, pago 40% no ato e o restante 30 e 60 dias.
− A empresa encerra seu exercício social em 31 de dezembro de cada ano.
− O lucro do exercício de 2015 foi de R$ 1.390.000,00.
O auditor independente no exame dos registros contábeis da apólice do seguro contratado
constatou que:
− 300.000,00 – foram contabilizados (apropriados) como despesas de seguro do exercício de
2015, e que o valor da apropriação do seguro está incorreto.
− 300.000,00 – foram contabilizados na conta “Seguros a Vencer” classificada no realizável de
curto prazo.
O auditor concluiu, se a despesa com seguro do exercício de 2015 tivesse sido apropriada
corretamente, o lucro do exercício de 2015 passaria de R$ 1.390.000,00, para, em reais, de
a) 1.165.000,00.
b) 1.465.000,00.
c) 1.190.000,00.
d) 1.440.000,00.
e) 1.615.000,00.
11. (FCC - Auditor Fiscal da SEFAZ MA - 2016)
Determinada empresa de economia mista do Estado fez o seguro do ativo imobilizado, junto à
seguradora Martelo, para o período de 24 meses: 01/10/2015 a 30/09/2017.
− O prêmio de seguro foi de R$ 600.000,00, pago 40% no ato e o restante 30 e 60 dias.
− A empresa encerra seu exercício social em 31 de dezembro de cada ano.
− O lucro do exercício de 2015 foi de R$ 1.390.000,00.
O auditor independente no exame dos registros contábeis da apólice do seguro contratado
constatou que:
− 300.000,00 – foram contabilizados (apropriados) como despesas de seguro do exercício de
2015, e que o valor da apropriação do seguro está incorreto.
− 300.000,00 – foram contabilizados na conta “Seguros a Vencer” classificada no realizável de
curto prazo.
A despesa de seguro paga antecipadamente (seguro a vencer), segundo o auditor, deveria ter
sido classificada, respectivamente, nos grupos de contas e valores
a) ativo circulante – R$ 300.000,00 e ativo não circulante – R$ 225.000,00.
b) passivo circulante – R$ 75.000,00 e passivo não circulante – R$ 300.000,00.
c) ativo imobilizado – R$ 300.000,00 e passivo não circulante – R$ 225.000,00.
d) ativo circulante – R$ 75.000,00 e ativo não circulante – R$ 525.000,00.
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e) ativo realizável curto prazo – R$ 225.000,00 e ativo realizável longo prazo – R$ 300.000,00.
12. (FCC - Agente de Defensoria Pública (DPE SP)/Contador - 2010)
No processo de revisão da conta de Despesas Antecipadas, relativa às demonstrações
contábeis de dezembro de 2008, o auditor percebeu que uma apólice de seguro, contratada
com vigência para 01 de julho de 2008 a 01 de julho de 2009, com pagamento a vista não tinha
sido apropriada. Dessa forma, pode-se afirmar que a conta de
a) Seguros a Pagar está superavaliada.
b) Despesa de Seguros está superavaliada.
c) Despesa Antecipada está subavaliada.
d) Despesa de Seguros está subavaliada.
e) Seguros a Pagar está subavaliada.
13. (FGV / SEFAZ AM / 2022)
Ao realizar a auditoria das demonstrações contábeis de uma sociedade empresária relativa ao
exercício de 2020, o auditor independente constatou que em 2019, o contador havia avaliado
todos os ativos imobilizados, que eram constituídos por móveis e utensílios, a valor de
mercado, que eram maiores do que os valores contábeis. Em 2020, a sociedade empresária
vendeu à vista todos os móveis que eram utilizados em seu escritório com lucro e que estes
foram substituídos por móveis novos, adquiridos a prazo. O auditor pode concluir que nas
demonstrações contábeis de 31/12/2020, o seguinte grupo estava subavaliado:
a) Patrimônio Líquido.
b) Ativo Circulante.
c) Passivo Circulante.
d) Ativo Imobilizado.
e) Passivo Não Circulante.
14. (FGV / SEFAZ AM / 2022)
Um auditor realiza a auditoria do ativo imobilizado de uma sociedade empresária. Assinale a
opção que indica o fator que deve receber maior atenção do auditor independente, pois
influencia no cálculo do resultado.
a) Qual é a procedência do ativo.
b) Como é utilizado o caixa gerado com o seuuso.
c) Se os ativos foram comprados novos ou usados.
d) Como são estimados a vida útil e o valor residual.
e) Qual foi o modo de pagamento utilizado na compra do ativo.
15. (FGV / SEFAZ ES / 2021)
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Ao auditar uma sociedade empresária, o auditor independente constatou que o resultado
estava superavaliado. Assinale a opção que indica uma possível causa desse efeito no
resultado.
a) A sociedade empresária não reconheceu a perda de recuperabilidade de seus ativos
intangíveis.
b) A sociedade empresária não reconheceu o valor residual de seus ativos imobilizados para
cálculo da depreciação.
c) A sociedade empresária não reconheceu a reversão da provisão para contingências de uma
causa julgada favoravelmente na justiça.
d) A sociedade empresária não contabilizou o lucro obtido com a venda de um ativo
imobilizado.
e) A sociedade empresária não reconheceu os dividendos declarados no período.
16. (FGV / Funsaúde CE / 2021)
O auditor independente percebeu que uma entidade contabilizava seus gastos com pesquisa e
desenvolvimento de produtos como ativo intangível, em seu balanço patrimonial. Assinale a
opção que indica a constatação do auditor.
a) O passivo no Balanço Patrimonial está superavaliado.
b) O ativo circulante no Balanço Patrimonial está subavaliado.
c) O ativo não circulante no Balanço Patrimonial está superavaliado.
d) O resultado apresentado na Demonstração do Resultado do Exercício está subavaliado.
e) O resultado apresentado na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido está
subavaliado.
17. (FGV / SEFAZ ES / 2021)
Assinale a opção que indica, respectivamente, um erro que pode ser constatado por meio da
auditoria do passivo de uma entidade e o efeito que o erro pode gerar.
a) Reconhecimento de empréstimo fictício / Superavaliação das despesas financeiras.
b) Não reconhecimento de um passivo contingente / Melhoria nos indicadores de liquidez.
c) Cálculo errado das perdas estimadas com crédito de liquidação duvidosa / Melhoria na
aparência da empresa junto aos credores.
d) Não contabilização da baixa do estoque / Ausência de produtos para venda.
e) Reconhecimento de despesa antecipada por valor maior / Subavaliação do caixa.
18. (FGV - Auditor Fiscal Tributário da Receita Municipal (Cuiabá)/2016)
Um auditor precisa avaliar os estoques de entidade auditada.
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As opções a seguir apresentam possíveis procedimentos de auditoria para lidar com riscos
avaliados de distorção relevante decorrente de fraude em relação à quantidade do estoque, à
exceção de uma. Assinale-a.
a) Examinar os registros de estoque da entidade, identificando os locais que exigem atenção
específica durante ou após a contagem física do estoque.
b) Realizar contagens físicas de estoque em datas pré-agendadas e traçar um cronograma
escalonado para contagens físicas de estoques em diferentes localidades.
c) Conduzir contagens de estoque no fim ou perto do fim do período de reporte.
d) Executar procedimentos adicionais durante a observação da contagem física de estoques,
como examinar mais rigorosamente o conteúdo de itens encaixotados.
e) Comparar as quantidades para o período corrente com períodos anteriores por classe ou
categoria de estoque, local ou outros critérios, ou comparação de quantidades contadas com
registros de estoques.
19. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
O contador está envolvido em um esquema de desfalques no caixa da empresa em que
trabalha. A empresa mantém contas nos bancos X e Y. Com o objetivo de encobrir falta de
dinheiro na conta do banco X, o contador deposita em 31/12 a quantia que faltava nessa conta,
por meio de cheque da conta do banco Y. Porém, o cheque só foi registrado como desembolso
na conta do banco Y em janeiro do ano seguinte. Na reconciliação bancária a falta de dinheiro
no caixa é temporariamente ocultada em decorrência do tempo de compensação do cheque.
Nos trabalhos de auditoria, esse tipo de desfalque é denominado:
a) desfalque encoberto;
b) desfalque sistêmico;
c) encaixe;
d) kiting;
e) lapping.
20. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
Em muitas entidades, o Imobilizado representa um dos grupos de contas mais relevantes do
Ativo e, como está sujeito a registros sistemáticos durante o exercício, deve passar por
procedimentos específicos no exame de auditoria. Dos objetivos apresentados, o que está
dissociado da auditoria do Imobilizado é:
a) avaliação dos bens, inclusive quanto à correção monetária;
b) especificação do custo de reposição dos bens;
c) detecção de eventual existência de ônus;
d) identificação de critérios e extensões das depreciações;
e) verificação de existência, propriedade e posse.
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21. (FGV - Agente de Fiscalização (TCM SP) – 2015)
Durante a execução do trabalho de auditoria em uma determinada empresa, um auditor
detectou que uma aquisição de mercadorias a prazo realizada em dezembro de 2012 só foi
registrada quando do efetivo pagamento, no exercício seguinte. Em consequência disso, as
contas de fornecedores a pagar e mercadorias para revenda apresentaram distorções no
exercício de competência.
Nessa situação os testes realizados pelo auditor são:
a) teste principal para superavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
b) teste principal para superavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
c) teste principal para subavaliação de ativo e teste secundário para subavaliação de passivo;
d) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para subavaliação de ativo;
e) teste principal para subavaliação de passivo e teste secundário para superavaliação de ativo.
22. (FGV - Analista Judiciário (TJ GO)/Contador/Especializada - 2014)
Nos procedimentos de auditoria, um dos objetivos da inspeção física de itens registrados no
ativo imobilizado é verificar:
a) a existência de bens obsoletos ou deteriorados;
b) a coerência na definição do valor residual;
c) a necessidade de reconhecimento de perdas;
d) a conformidade com o valor de mercado;
e) o registro adequado das despesas de depreciação.
23. (FGV - Analista Administrativo (PROCEMPA)/Contador/2014)
Em 2013, uma entidade possuía um terreno contabilizado por R$ 1.000,00 em seu balanço
patrimonial. Este era utilizado como depósito. No ano seguinte, houve a desvalorização do
terreno para R$ 600,00 e a diminuição do fluxo de caixa futuro. A entidade, erradamente, não
reconheceu a redução.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que indica o erro constatado por meio da
auditoria do ativo e o efeito que esse erro pode trazer.
a) Subavaliação do ativo, melhorando a aparência da entidade junto a credores.
b) Subavaliação do ativo, indicando o correto valor da entidade.
c) Subavaliação do ativo, indicando que a entidade está em uma situação mais negativa do que
a atual apresentada.
d) Superavaliação do ativo, indicando um valor superior à atual capacidade de realização dos
ativos.
e) Superavaliação do ativo, indicando que a entidade necessita fazer uma nova contagem física.
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24. (FGV - Contador (CM Recife)/2014)
No desenvolvimento dos trabalhos de auditoria, o auditor deve buscar conhecimentos sobre
as diversas áreas da empresa que o auxiliem no planejamento e execução dos examesCarvalho Oliveira
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exame de documentos. Em certos casos, é necessária evidência qualitativa e quantitativa para se
estabelecer a existência de um bem. Nessas circunstâncias, muitas vezes, são exigidos
procedimentos especiais que forneçam ao auditor necessária certeza. Esses procedimentos podem
envolver a contratação de um especialista para verificar a existência de determinados bens. Os
aspectos qualitativos da existência de um bem relacionam-se estreitamente com o objetivo da
avaliação.
b) Avaliação: a determinação do valor (de curso ou de mercado) dos ativos é outro objetivo
primordial da auditoria, especialmente em áreas como estoques, contas a receber, e investimentos.
Nesse contexto, são exigidos procedimentos específicos com a finalidade de se reunir provas
referentes ao valor do ativo em questão. Dentre as técnicas que se usam para obter provas do valor
de um bem, citam-se:
b.1) consulta às cotações de mercado no caso de investimentos;
b.2) determinação de valor justo;
b.3) exame das listas de preços, catálogos e outros dados sobre custos, no caso de estoque;
b.4) classificação por vencimentos e confirmação, no caso de contas a receber;
b.5) cálculo do valor em uso, ou valor líquido de mercado (recuperabilidade de ativos);
b.6) cálculo de ajuste a valor presente de créditos e obrigações.
As Leis nº 11.941/09 e 11.638/07 introduziram modificações quanto ao critério de avaliação dos
ativos, dispostos no artigo 183 da Lei das S/A (Lei nº 6.404/76). Veja:
1. As aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de
créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo, serão avaliadas:
a) pelo seu valor justo, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis
para venda; e
b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais
ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das
demais aplicações e os direitos e títulos de crédito;
2. Os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia,
assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado serão avaliados
pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de
mercado, quando este for inferior;
3. Os investimentos em participação no capital social serão avaliados por equivalência
patrimonial ou pelo custo de aquisição (dependendo do enquadramento determinado),
deduzido de provisão para perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa perda
estiver comprovada como permanente, e que não será modificado em razão do recebimento,
sem custo para a companhia, de ações ou quotas bonificadas;
4. Os demais investimentos serão avaliados pelo custo de aquisição, deduzido de provisão
para atender às perdas prováveis na realização do seu valor, ou para redução do custo de
aquisição ao valor de mercado, quando este for inferior;
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5. Os direitos classificados no imobilizado serão avaliados pelo custo de aquisição, deduzido
do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão;
6. Os direitos classificados no intangível serão avaliados pelo custo incorrido na aquisição
deduzido do saldo da respectiva conta de amortização;
7. Os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor
presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.
8. A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada
periodicamente nas contas de:
a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens
físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;
b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de
direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício
de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou
contratualmente limitado;
c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos
cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.
9. A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores
registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam:
I - Registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os
empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não
poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou
II - Revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica
estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização.
10. Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados pelo valor
de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil (ex.: estoques
de produtos agropecuários).
c) Autorização: o auditor tem de se certificar de que o ativo é constituído de bens adquiridos com
autorização. Esta autorização tem de ser expressa, como por exemplo: a política que determina que
se compre estoque apenas mediante requisição pelo departamento de produção e após
concorrência para escolha do melhor preço pelo departamento de compras. Em geral, exige-se
autorização específica para a aquisição de itens muito importantes e para investimentos em outras
entidades. Nesses casos, a diretoria, ou até um comitê de investimentos nomeado pela diretoria,
vota para aprovar ou não as referidas aquisições. O auditor deve adotar a prática de examinar os
manuais de procedimentos da entidade e outros documentos para conhecer sua política oficial, e de
ler atas de assembleias, reuniões de diretoria ou de outros grupos, para se cientificar das
autorizações específicas. Como exemplo de evidências obtidas pelo auditor para se certificar da
legitimidade das autorizações pode-se citar: assinatura de funcionário autorizado, em um pedido de
compra de material de escritório, ou mesmo a assinatura de um supervisor em documento hábil, no
caso de adiantamento a empregados.
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d) Propriedade: o auditor precisa, também, determinar a propriedade dos itens de ativo. Em muitos
casos, a posse de um bem, corroborada por uma nota ou fatura, é o bastante para comprovar a
propriedade; isso vale, especialmente, no tocante a estoques, títulos, maquinário etc. Em relação a
contas a receber, seus proprietários podem ser identificados por meio da análise de faturas de
vendas e posteriores recibos de Caixa e Bancos. A posse de veículos pode ser também evidenciada
através de certificados de propriedade, documentos de registro e recibos de impostos. A de um bem
imóvel pode ser estabelecida examinando-se contratos, recibos, guias de imposto predial.
e) Restrições: a determinação da posse de um item do ativo é estreitamente ligada a outro objetivo,
que é o de verificar se há ônus ou restrições de qualquer natureza sobre o bem em questão. Se
houver, isso deve ser divulgado nas demonstrações financeiras, sendo que – em muitos casos –
exige-se modificação na apresentação das demonstrações em relação a esse bem em particular. Por
isso, é essencial que o auditor se empenhe em descobrir eventuais restrições ou ônus.
Procedimentos usualmente empregados para detectar restrições a itens do ativo incluem: exame de
cláusulas restritivas ou acordo com credores; exame de dados públicos oficiaisde
acordo com as normas de auditoria. Informações relativas à existência de contas de clientes
em atraso e limites de aprovação de compras são levantadas, respectivamente, nas áreas:
a) contábil e de operações;
b) contábil e de suprimentos;
c) de operações e contábil;
d) financeira e contábil;
e) financeira e de suprimentos.
25. (FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP)/2010)
Assinale a alternativa que apresente o objetivo específico da auditoria do resultado:
a) comprovar se compras de mercadoria estão de acordo com os objetivos da empresa.
b) confirmar se os pagamentos realizados foram conciliados.
c) verificar se as despesas correspondentes às receitas realizadas foram apropriadas no
período.
d) comprovar a correta apropriação das despesas em obediência ao regime de caixa.
e) conferir a exatidão dos registros contábeis dos estoques de mercadorias.
26. (FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP)/2010)
Assinale a alternativa que indique os procedimentos de auditoria aplicáveis à conta Provisão
para Devedores Duvidosos.
a) Inspeção documental para exame dos documentos de pagamentos e recebimentos e
solicitação de informações aos bancos mediante circularização.
b) Revisão de cálculos por meio da conferência da exatidão aritmética do valor e inspeção para
verificação dos documentos que serviram de base para fixação dos critérios de cálculo.
c) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos para a verificação dos valores lançados nos
investimentos.
d) Inspeção de documentos e revisão dos cálculos no caso de depreciação e amortização
acumulada.
e) Revisão de cálculos e investigação e confirmação das operações por meio de circularização
de informações financeiras.
27. (FGV - Analista (SAD PE)/Controle Interno /Finanças Públicas/2009)
Um objetivo comum no exame de qualquer tipo de ativo é a verificação de que os valores
representados são exatos.
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Esse objetivo está diretamente ligado à:
a) determinação qualitativa do bem.
b) determinação dos riscos relacionados a esse bem.
c) determinação do objeto de auditoria
d) determinação da existência quantitativa do bem.
e) determinação da amostra para fins de inspeção física.
28. (FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ RJ)/2008)
O controle interno é muito importante para a auditoria, uma vez que, com base nele, será
determinada a quantidade de testes (substantivos) a serem aplicados. Se, porventura, esses
controles inexistirem ou falharem (risco inerente ou de controle), a possibilidade de ocorrerem
fraudes é maior.
Na obra "Por Dentro das Fraudes: como são feitas, como denunciá-las, como evitá-las", o autor
comenta um caso de fraude conhecido como emissão de "notas fiscais calçadas".
"Por ocasião do faturamento de bens e serviços, dependendo dos tributos e da esfera de
governo, são extraídos documentos fiscais a serem entregues ao comprador/tomador, ficando
as demais vias no talonário para fins de registro e fiscalização por parte do governo. A fim de
reduzir a carga tributária, vendedor e comprador às vezes ajustam um valor menor a ser
registrado no documento fiscal. Quando isso não é possível, o vendedor, unilateralmente,
preenche a nota com montantes diferentes: a via entregue ao contratante com o valor total; a
que será fiscalizada, com valor menor. Como o preenchimento costuma ser simultâneo (com
folhas carbonadas), coloca-se algo entre a primeira e as demais vias (uma prancheta de
madeira, por exemplo). Dessa forma, o contratante recebe sua via com o valor correto, e o
fraudador, em um segundo momento, completa sua via com uma quantia menor."
Considerando a situação exposta, assinale o procedimento que menos contribui para detectar
esse tipo de operação.
a) confrontar (correlacionar) a documentação do tomador do serviço/comprador com a
documentação do prestador de serviço/ vendedor
b) somar atentamente as notas fiscais emitidas pelo prestador de serviço/vendedor
c) verificar se valor faturado (emitido) é suficiente, pelo menos, para cobrir os custos da
operação e manter o prestador de serviço/vendedor em condições de funcionamento
d) confrontar o valor praticado pelo prestador de serviço/vendedor na operação analisada com
os valores praticados em outras operações similares
e) confrontar o valor praticado pelo prestador de serviço/vendedor na operação analisada com
os valores praticados por concorrentes.
29. (FGV - Auditor Substituto de Conselheiro do TCM-RJ/2008)
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Durante a aplicação dos procedimentos atinentes à espécie, o auditor detectou, com base nos
documentos contábeis, que em determinado dia a conta “caixa” da entidade apresentava saldo
contábil credor. Em relação a esse fato, assinale a melhor explicação.
a) Trata-se de ativo fictício, uma vez que há valores registrados que, de fato, inexistem.
b) Trata-se de passivo oculto, tendo em vista que dívidas contratadas foram registradas
erroneamente no passível exigível a longo prazo.
c) Corresponde a “estouro de caixa”, situação decorrente, por exemplo, de receitas recebidas,
mas não contabilizadas.
d) Corresponde a “estouro de caixa”, decorrente, por exemplo, de mercadorias adquiridas e
pagas, mas não contabilizadas.
e) Corresponde ao que culturalmente chamamos de “caixa 2”, prática sabidamente conhecida
e permitida pela legislação.
Para resolver as questões 13 a 16, considere o seguinte:
Determinada entidade que sofre auditoria externa apresentou os seguintes documentos
para o auditor, durante auditoria referente ao exercício de 20X1.
Tabela 1 – Inventário de produtos para revenda em 31/12/20X0
código descrição quantidade
custo unitário
(em R$)
total
(em R$)
323.21 produto alfa 150 420 63.000
357.41 produto beta 1.100 900 990.000
366.01 produto charlie 300 380 114.000
369.51 produto delta 1.800 95 171.000
Tabela 2 – Inventário de produtos para revenda em 31/12/20X1
código descrição quantidade
custo unitário
(em R$)
total
(em R$)
323.21 produto alfa 220 280 61.600
357.41 produto beta 800 1.050 840.000
366.01 produto charlie 25 430 10.750
369.51 produto delta 3.600 230 828.000
Tabela 3 – Mapa de vendas
20X0 20X1
descrição quantidade
valor
(em R$)
quantidade
valor
(em R$)
produto alfa 1.700 1.241.000 1.950 1.794.000
produto beta 1.300 1.027.000 2.100 2.331.000
produto charlie 100 95.000 76 98.800
produto delta 4.200 630.000 1.430 314.600
vendas brutas 2.993.000 4.538.400
ICMS sobre
vendas
!448.950
!663.060
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abatimentos sobre
vendas
!44.500
!76.200
vendas líquidas 2.499.550 3.799.140
custo de
mercadorias
vendidas (CMV)
1.999.000
3.230.000
Tabela 4 – Registro total mensal de vendas brutas constantes
da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) — posição
em 31/12/20X1
Sabe-se que a alíquota aplicável de ICMS sobre vendas para a empresa era de 15%, que os
valores das vendas brutas do mapa de vendas foram confirmados pelo auditor e que a empresa
realizou metade de suas vendas de 20X1 à vista.
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsecutivos.
30. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Considerando-se os documentos apresentados, será necessário realizar testes para verificar a
superavaliação da conta clientes.
31. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Por meio de teste de cálculo global e de liquidação subsequente, o auditor poderá confirmar
suspeita fundada de subavaliação do ICMS.
32. (CESPE – SEFAZAL – 2020)
Em razão dos dados contidos na DRE, o auditor deverá realizar exame documental para
identificação de possíveis fraudes na escrita contábil.
33. (CESPE – SEFAZ AL – 2020)
Em razão do indicativo de compras de estoques não contabilizadas, o auditor deverá realizar
procedimentos analíticos de recálculo.
34. (CESPE - (Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
mês total (em R$)
janeiro 525.300
fevereiro 12.200
março 45.500
abril 188.100
maio 199.200
junho 325.500
julho 699.400
agosto 757.500
setembro 780.000
outubro 455.600
novembro 322.100
dezembro 110.000
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Nos casos em que o auditor seleciona contas de receita e de despesa para serem analisadas
mais profundamente, o intuito do auditor é
a) verificar operações incomuns e aquelas que tenham importância para a situação
patrimonial.
b) analisar as contas-chave em exercícios financeiros alternados, no caso de suspeita de fraude.
c) conferir operações comuns e numerosas, independentemente do valor.
d) conferir todas as operações registradas em determinada conta, relevantes ou não.
e) atentar mais especificamente a operações comuns entre a empresa e diretores ou
empregados-chave.
35. (CESPE - Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
Assinale a opção correta no que se refere à auditoria para empréstimos e financiamentos
circulantes e não circulantes.
a) As obrigações flutuantes devem estar apropriadamente classificadas e descritas nas
demonstrações.
b) O propósito dessa auditoria inclui verificar se todas as obrigações foram devidamente
autorizadas pelo controle interno.
c) Todos os empréstimos e outras dívidas estão incluídos nas contas a receber, na data do
balanço.
d) Esse tipo de auditoria possui um único objetivo: verificar se os passivos são registrados na
contabilidade corretamente.
e) A contabilização dos encargos deve ser livre de distorções e conforme os princípios
contábeis.
36. (CESPE - Auditor (FUB) - 2013)
A auditoria para apuração do valor real do patrimônio líquido de uma empresa é essencial em
circunstâncias tais como a transferência de seu controle acionário. Nessa ocasião, devem ser
considerados não apenas os valores patrimoniais contabilizados, mas também os intangíveis.
37. (CESPE / TCE-RN - 2015)
Com referência aos programas de auditoria aplicáveis aos diversos grupos de contas, julgue o
item subsequente.
Na auditoria de contas a receber, é relevante examinar os créditos a essa conta que não sejam
feitos em dinheiro. Pode-se simular uma devolução de mercadoria ou dar baixa em uma conta
supostamente incobrável, desviando-se o dinheiro efetivamente recebido.
38. (CESPE / TCE-RN - 2015)
No teste de enquadramento do empregado em função compatível com sua formação
profissional, o auditor deverá verificar se o cargo desse empregado é compatível com a sua
lotação e com a sua escolaridade.
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39. (CESPE / TJ CE – 2014)
É fundamental que o programa de auditoria contemple procedimentos que possibilitem ao
auditor verificar se os itens contabilizados estão apresentados corretamente nas
demonstrações financeiras. A respeito do programa de auditoria que fundamenta o parecer do
auditor, assinale a opção correta.
a) Um teste padrão para identificar passivos omitidos consiste em comparar os pagamentos
efetuados durante o mês de encerramento das demonstrações financeiras com os extratos das
contas bancárias dos fornecedores cadastrados.
b) Suponha que, após aplicar procedimento constante do programa de auditoria, o auditor
tenha verificado que a escrituração indicava saldo credor de caixa e que o passivo contemplava
obrigações já pagas. Nesse caso, há indícios que podem levar o auditor a reportar indícios de
omissão no registro de receita.
c) Considere que o auditor tenha obtido evidências de cobranças posteriores que substituem
os resultados de cobranças de contas a receber do período. Nesse caso, o desvio é registrado
em relatório como desfalque encoberto do tipo LAPPING.
d) Devido à abrangência e especificidade, o programa de auditoria para avaliar as
demonstrações financeiras deve constar da ordem de serviço preparada pela área de controle
que elabora os planos estratégico, tático e operacional, com participação da área contábil e
supervisão da equipe de auditoria.
e) Para confirmar se as despesas antecipadas estão sendo corretamente contabilizadas, é
necessário que o programa de auditoria contemple procedimento capaz de testar se o saldo
diferido exprime os serviços pagos e que os referidos pagamentos representam na íntegra os
benefícios já recebidos.
40. (CESPE - Analista Judiciário (STM)/Contabilidade/Apoio Especializado – 2011)
Julgue o item subsecutivo, relativo à execução dos trabalhos de auditoria em geral.
Considere que um auditor, ao elaborar seu balancete de trabalho, verifique que o saldo de
contas a pagar inclui saldos devedores de alguns fornecedores, decorrentes de adiantamentos
efetuados.
Nesse caso, o auditor deve determinar que se faça um lançamento de ajuste, a débito de contas
a pagar e a crédito de adiantamentos a fornecedores.
41. (CESPE - Analista Judiciário (STM)/Contabilidade/Apoio Especializado - 2011)
Julgue o item subsecutivo, relativo à execução dos trabalhos de auditoria em geral.
Um tipo de teste substantivo de detalhes de saldos de caixa geralmente utilizado consiste na
contagem de caixa em mãos.
Nesse teste, para que uma contagem de caixa seja adequada, o auditor deve, entre outras
providências, assegurar-se de que todos os cheques não depositados sejam nominativos ao
cliente, diretamente ou por endosso.
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42. (CESPE - Auditor do Estado (CAGE RS) -2018)
Um empregado de determinada instituição bancária, que trabalhava no setor de compensação
de cheques, depositava, habitualmente, um mesmo cheque em duas contas: na conta
designada pelo depositante e na conta de um comparsa. Tal crédito possuía duas origens
diferentes: uma da conta do emitente do cheque, e outra de uma conta contábil transitória, de
natureza credora. Uma auditoria nos demonstrativos de controle operacional do sistema de
compensação de cheques e nos registros contábeis da instituição bancária verificou saldo
irregular na referida conta transitória e, a partir disso, foi detectada a fraude que vinha sendo
praticada.
Com base nessas informações, é correto afirmar que o empregado realizava os registros
a) a menor em contas de receita.
b) duplicados em contas de ativo.
c) a menor em contas de compensação.
d) a maior em contas de despesas.
e) a maior em contas de ativos.
43. (CESPE - Analista Judiciário (TST)/Administrativa/Contabilidade - 2008)
Com referência a conceitos e aplicações da auditoria em geral, julgue o item a seguir.
Suponha que, por meio de testes, o auditor tenha verificado que a empresa vem lançando
como sendo de manutenção dispêndios que asseguram o aumento da vida útil de máquinas e
equipamentos. Nesse caso, é correto concluir que se trata de um teste principal de despesa
para superavaliação e secundário de ativo para subavaliação.
44. (UFPR / ISS Curitiba – 2019)
Uma equipe de auditoria externa está realizando auditoria em uma empresa na área de
Recursos Humanos. No que diz respeito à auditoria da rubrica contábil “Salários a Pagar”, pode-
se considerar como procedimento de auditoria mais adequado e eficiente:
a) analisar o contrato de trabalho celebrado entre a empresa e pelo menos 90% dos
trabalhadores da empresa.
b) verificar se a empresa possuia documentação de admissão dos funcionários em ordem e
arquivadas.
c) verificar se o sistema de informações dos recursos humanos possui integração com o sistema
contábil e financeiro da empresa.
d) checar se o resumo da folha de pagamentos está em conformidade com os valores
contabilizados e se os valores foram efetivamente pagos até o 5º dia útil do mês subsequente.
e) verificar se os funcionários estão registrando adequadamente as entradas e saídas nos
horários previamente acordados nos contratos de trabalho.
45. (VUNESP – ISS Guarulhos – Auditor Fiscal – 2019)
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O procedimento de auditoria na área de resultado denominado estudo e avaliação do controle
interno e teste de procedimento consiste em
(A) avaliar procedimentos com efeitos simultâneos no Balanço Patrimonial e no Demonstrativo
de Resultados.
(B) estudar e analisar o comportamento das receitas, custos e despesas.
(C) averiguar se os saldos existentes na contabilidade conferem com os dos extratos bancários.
(D) confirmar diretamente do devedor sobre os saldos em aberto.
(E) avaliar os ciclos de vendas, de compras e de folha.
46. (VUNESP – ISS Guarulhos – Auditor Fiscal – 2019)
No que se refere à auditoria em ativos de maior liquidez, o procedimento que consiste em
verificar as transações registradas pela empresa e não registrada pelos bancos e vice-versa é
denominado
(A) contagem de caixa.
(B) confirmação de saldos bancários.
(C) corte de cheques.
(D) teste de conciliações bancárias.
(E) teste das transferências bancárias.
47. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
Em um trabalho de asseguração realizado na Cia. A, o auditor independente observou que a
referida entidade tinha efetuado o teste de recuperabilidade do valor de ativos, obedecendo
às novas normas contábeis brasileiras, instituídas a partir da vigência das Leis nos 11.638/2007
e 11.941/2009. Constatou a existência física de um ativo imobilizado, adquirido pela entidade
em julho de 2014 por R$ 490.000,00 e imediatamente colocado em operação. A sua vida útil
tinha sido estimada em 15 anos, e seu valor residual, em R$ 10.000,00. Em 31.12.2018, o
departamento contábil da companhia, seguindo a legislação pertinente, registrou uma perda
desse ativo em função do teste de recuperabilidade respectivo, no valor de R$ 20.000,00.
Tendo feito os cálculos necessários, o auditor concluiu pela exatidão do teste realizado pela
entidade. Portanto, o valor recuperável desse ativo, em 31.12.2018, correspondeu, em R$, a
(A) 450.000,00.
(B) 326.000,00.
(C) 310.000,00.
(D) 306.000,00.
(E) 290.000,00.
48. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
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Em relação ao acompanhamento de estoques pelo auditor independente, é correto afirmar
que
(A) se a empresa auditada utilizar o controle permanente de seus estoques, o auditor pode
considerar desnecessário acompanhar a respectiva contagem física no final do exercício.
(B) o auditor que não puder estar presente à contagem física dos estoques deve emitir parecer
com ressalva em relação a esse item.
(C) a inspeção dos estoques, ao acompanhar sua contagem física, ajuda o auditor a averiguar a
existência física deles e a identificar, por exemplo, estoques obsoletos, danificados ou sem
movimentação.
(D) o auditor, caso faça pessoalmente os testes de contagem física dos estoques, está
dispensado de solicitar documentos da administração sobre a referida contagem.
(E) mesmo que os estoques custodiados e controlados por terceiros sejam irrelevantes para as
demonstrações contábeis, o auditor deve obter evidência de auditoria apropriada e suficiente
com relação à existência e às condições desse tipo de estoque.
49. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
Na auditoria de participações societárias permanentes, registradas no Ativo Não Circulante
como Investimentos, entre os procedimentos listados a seguir, relacionados à aplicação do
método da equivalência patrimonial (MEP), quando esta é obrigatória, o único que deve ser
considerado correto pelo auditor é:
a) registro da participação da investidora no lucro da investida como receitas antecipadas, a
serem classificadas no passivo circulante da investidora, mesmo que não tenha ocorrido venda
de ativos entre as duas.
b) exclusão do lucro da investida, decorrente da venda de ativos para a investidora, do valor
da participação societária permanente, quando este lucro não for considerado realizado.
c) recebimento de dividendos contabilizados como receita na investidora.
d) avaliação, pelo MEP, de investimentos em sociedades que não sejam controladas ou
coligadas da investidora.
e) registro de mais-valia na contabilidade da investidora quando esta adquire ações da
investida por um valor superior ao seu valor justo.
50. (VUNESP – Pref. Itapevi – Auditor Fiscal – 2019)
O auditor independente, ao proceder ao exame das contas bancárias da companhia auditada,
observou que, no Livro Razão da entidade, o saldo devedor da conta analítica do Banco X, em
31.12.2018, era de R$ 18.600,00, enquanto que o respectivo extrato bancário apontava um
saldo de R$ 19.300,00. Ao proceder à reconciliação dos saldos, o auditor constatou que
• dois cheques emitidos pela companhia a favor de terceiros, no valor total de R$ 830,00, não
haviam sido sacados pelos beneficiários, de acordo com o extrato bancário.
• despesas bancárias no valor de R$ 350,00 não haviam sido contabilizadas pela companhia.
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• depósitos efetuados por terceiros a favor da companhia, no valor de R$ 320,00, também não
haviam sido contabilizados.
• Um depósito feito pela companhia no banco 24 horas, após o expediente bancário do último
dia do ano, no valor de R$ 100,00, não tinha sido computado no extrato do banco.
Após os ajustes propostos pelo auditor serem efetuados pela contabilidade da companhia, o
saldo registrado no Livro Razão, relativo ao Banco X, correspondia, em R$, a:
a) 19.010,00.
b) 18.770,00.
c) 18.570,00.
d) 18.520,00.
e) 18.610,00.
51. (FEPESE - Fiscal de Rendas e Tributos (Criciúma) - 2017)
Ao final de determinado exercício social a empresa Presta Tudo Ltda tem um saldo relevante
na conta do ativo “Duplicatas a receber”.
Para a obtenção de razoável segurança de que o saldo da conta representa com veracidade as
transações realizadas o auditor poderá:
a) Verificar se o valor das vendas à vista é inferior ao saldo da conta “Duplicatas a receber”.
b) Confirmar se a conta de resultado “Custo dos Serviços Prestados” recebeu o lançamento
contábil da contrapartida com saldo igual ao da conta “Duplicatas a receber”.
c) Remeter carta aos fornecedores dos quais a empresa realizou compras a prazo solicitando a
confirmação do saldo.
d) Enviar carta aos clientes para os quais a empresa realizou vendas a prazo solicitando a
confirmação do saldo.
e) Comparar o saldo da conta “Duplicatas a receber” com o percentual de lucro obtido em
exercícios sociais anteriores.
52. (FEPESE - Analista Legislativo (CM Palhoça)/Contador - 2015)
Não é objetivo da Auditoria:
a) determinar se as receitas correspondem ou estão relacionados com os custos.
b) determinar se as receitas, os custos e as despesas demonstrados são aplicáveis ao período
contábil sob exame.
c) determinar se tem sido dado às receitas, aos custos e às despesas o devido reconhecimento.
d) verificar se tem sido dado tratamento apropriado a qualquer redução ou adição de imposto,
como resultado de transações não refletidasna demonstração de resultado.
e) verificar se as receitas, os custos e as despesas são classificados e discriminados de maneira
adequada na demonstração de resultados.
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53. (FEPESE - Analista (CM São José)/Contábil - 2016)
São objetivos da auditoria das contas de resultado:
a) Determinar se todas as receitas, todos os custos e todas as despesas atribuídos ao período
estão devidamente comprovados e contabilizados.
b) Determinar se todas as receitas, todos os custos e todas as despesas não atribuídos ao
período ou que beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos.
c) Determinar que algumas contas devem ser analisadas com mais profundidade, e outras
podem ser analisadas através de testes e amostragens.
d) Determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizados de acordo com os
princípios fundamentais de contabilidade, em bases uniformes.
e) Determinar se as receitas, custos e despesas estão corretamente classificados nas
demonstrações contábeis, e se as divulgações cabíveis foram tratadas por notas explicativas.
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6. GABARITO
1. C
2. B
3. A
4. E
5. D
6. C
7. B
8. A
9. A
10. E
11. A
12. D
13. A
14. D
15. A
16. C
17. A
18. B
19. D
20. B
21. D
22. A
23. D
24. E
25. C
26. B
27. D
28. B
29. C
30. ERRADO
31. CERTO
32. CERTO
33. ERRADO
34. A
35. E
36. CERTO
37. CERTO
38. CERTO
39. B
40. ERRADO
41. ANULADO
42. D
43. CERTO
44. D
45. E
46. D
47. B
48. C
49. B
50. C
51. D
52. A
53. ANULADA
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7. RESPOSTAS DAS QUESTÕES SUBJETIVAS
1) Quais as demonstrações financeiras obrigatórias segundo a Lei nº 6.404/76?
Resposta: Segundo a Lei nº 6.404/76, ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com
base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão
exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
2) Quais os grupos de contas do Balanço Patrimonial previstos na Lei nº 6.404/76?
Resposta: No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que
registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da
companhia.
No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas
registrados, nos seguintes grupos:
I – ativo circulante; e
II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado
e intangível.
As contas serão classificadas do seguinte modo:
I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social
subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;
II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte,
assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou
controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem
negócios usuais na exploração do objeto da companhia;
III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer
natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade
da companhia ou da empresa;
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IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive
os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses
bens;
VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da
companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido.
No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
I – passivo circulante;
II – passivo não circulante; e
III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação
patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
3) Explicite o fluxograma utilizado pelo auditor para assegurar que ativos da entidade auditada
estejam registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação (Teste
de Recuperabilidade).
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4) Segundo a Lei 6.404/76, a diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível
será registrada periodicamente em quais contas?
Resposta: Segundo a Lei 6.404/76, a diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado
e intangível será registrada periodicamente nas contas de:
a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens
físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;
b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de
direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício
de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente
limitado;
c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos
cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.
5) Como o passivo exigível está classificado, segundo a Lei nº 6.404/76??
Resposta: As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo
não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício
seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior.
6) Diferencie os institutos Ativo Oculto, Ativo Fictício, Passivo Oculto e Passivo Fictício.
Resposta: O quadro a seguir faz essa distinção:
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7) Explique como se dá o teste para superavaliação.
Resposta: No teste de superavaliação, o auditor parte do valor registrado no razão geral para o
documento-suporte da transação.
Os procedimentos básicos de auditoria do teste para superavaliação são:
1) Conferir a soma da conta do razão geral;
2) Selecionar débito e conferir seu valor com o valor total do registro geral;
3) Conferir a soma do registro final;
4) Selecionar parcela do registro final e conferir seu valor com o valor total do registro intermediário;
Ativo oculto
Bem ou direito não registrado, mas existe!
Passivo fictício
Manutenção no passivo de obrigações já pagas ou manutenção no passivo de obrigações cuja
exigibilidade não seja comprovada. (Obrigações registradas, mas não existem!)
Passivo oculto
Obrigações não registradas (ou a menor), mas existem!
Ativo fictício
Bem registrado, mas não existe!
DOCUMENTO
REGISTRO INICIAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO FINAL
RAZÃO GERAL
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5) Conferir a somado registro intermediário;
6) Selecionar parcela no registro intermediário e conferir seu valor com o valor total do registro
inicial;
7) Conferir a soma do registro inicial;
8) Selecionar parcela no registro inicial e conferir seu valor com a documentação comprobatória.
O objetivo desses procedimentos é detectar superavaliação de débitos. Essa superavaliação poderia
ser feita verificando-se o seguinte:
1) Falta de documento ou documento inválido;
2) Soma a maior dos registros ou razão geral;
3) Transporte a maior do valor do documento para o registro inicial e do valor de um registro para
outro ou para o razão geral.
8) Explique como se dá o teste para subavaliação.
Resposta:
No teste para subavaliação, o auditor parte do documento para o razão geral, agindo de forma
contraria ao do teste de superavaliação.
Os procedimentos básicos de auditoria do teste para subavaliação são os seguintes:
1) Selecionar e inspecionar o documento suporte;
2) Verificar a inclusão do valor do documento no registro inicial;
3) Conferir a soma do registro inicial;
4) Verificar a inclusão do valor total do registro inicial no registro intermediário;
RAZÃO
REGISTRO FINAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO INICIAL
DOCUMENTO
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5) Conferir a soma do registro intermediário;
6) Verificar a inclusão do valor total do registro final no razão geral;
7) Conferir a soma do razão geral.
O objetivo dos procedimentos relatados é identificar subavaliação de créditos. Os créditos poderiam
ser subavaliados das seguintes formas:
1) Não inclusão do documento no registro inicial;
2) Soma a menor dos registros ou do razão geral;
3) Transporte a menor do valor do documento para o registro inicial e do valor de um registro para
outro ou para o razão geral.
9) Cite procedimentos específicos de auditoria utilizados para superavaliação e subavaliação?
Resposta:
TESTES ESPECÍFICOS UTILIZADOS PELO AUDITOR PARA
SUBAVALIAÇÃO E SUPERAVALIAÇÃO, RESPECTIVAMENTE:
Rastreamento: o auditor seleciona documentos criados quando transações são executadas
e determina quais informações daqueles documentos encontram-se adequadamente
registradas nos livros contábeis (diários e razões). A direção dos testes é dos documentos
para os registros contábeis, refazendo o fluxo original dos dados do sistema contábil.
Assim, constitui importante procedimento para obtenção de evidências relacionadas com
afirmações de integridade. Sua eficácia aumenta quando o cliente utiliza documentos pré-
numerados. Rastreamento fornece evidência ascendente, inicialmente, para dispor do
contexto econômico para rastreamento e teste de afirmações de integridade.
Vouching: envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e
inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados, para
determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas. A direção do teste é
oposta à do rastreamento. É um procedimento muito utilizado para detectar lançamentos
a maior nos registros contábeis. Assim, constitui procedimento importante para obtenção
de evidências sobre afirmações de existência ou ocorrência. Vouching fornece evidência
ascendente e como acontece com rastreamento e contagem, geralmente é precedido pela
realização de procedimentos descendentes com os quais se obtêm evidências do contexto
econômico com base no qual o vouching deve ser realizado.
10) Em que se fundamenta a auditoria das contas do Ativo?
Resposta: A auditoria das contas do ativo fundamenta-se no exame e na comprovação da existência
e valor dos bens tangíveis ou intangíveis, e em dados de observação ou em confirmação pessoal.
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Desta forma, os auditores conseguem reunir provas satisfatórias sobre a existência e adequação dos
valores registrados.
São os seguintes os objetivos básicos, usualmente relacionados com os vários itens do ativo.
a) Existência: a verificação do item do ativo deve ser o objetivo primordial da auditoria.
b) Avaliação: a determinação do valor dos ativos é outro objetivo primordial da auditoria, em que
são exigidos procedimentos específicos, com a finalidade de se reunir provas referentes a seu valor.
c) Autorização: o auditor tem de se certificar de que o ativo é constituído de bens adquiridos com
autorização.
d) Propriedade: o auditor precisa, também, determinar a propriedade dos itens de ativo.
e) Restrições: a determinação de um item de ativo é estreitamente ligada a outro objetivo, que é o
de ver se há ônus ou restrições de qualquer natureza sobre o bem em questão.
f) Exatidão de valores: um objetivo comum no exame de qualquer tipo de ativo é a verificação a
respeito dos valores apresentados, ou seja, se eles são exatos.
g) Utilidade: no caso de muitos itens presentes no ativo, o objetivo de auditoria é tirar conclusões a
respeito do uso potencial da propriedade.
h) Apresentação nas Demonstrações Contábeis: esse é o último, porém, crucial objetivo da auditoria
do ativo. Trata-se da verificação se os diversos itens de ativo são apresentados corretamente nas
demonstrações contábeis.
11) Qual a finalidade da auditoria dos Estoques?
Resposta: A auditoria dos estoques tem a finalidade de:
a) determinar sua existência, que poderá estar na companhia, em custódia com terceiros ou em
trânsito;
b) determinar se é pertencente à companhia;
c) determinar se foram aplicados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de estoques penhorados ou dados em garantia; e.
e) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras e se as divulgações
cabíveis foram expostas por notas explicativas.
12) Qual a finalidade da auditoria dos Passivos?
Resposta: A auditoria dos passivos tem a finalidade de:
a) determinar se são pertencentes à companhia;
b) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
c) determinar a existência de ativos dados em garantia ou vinculações aos passivos; e.
d) determinar se estão corretamente classificados nas demonstrações financeiras, e se as
divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
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13) Qual a finalidade da auditoria do Patrimônio Líquido?
Resposta: A auditoria do patrimônio líquido tem as seguintes finalidades:
a) determinar se as ações ou o título de propriedade do capital social foram adequadamente
autorizados e emitidos;
b) determinar se toda a norma descrita nos estatutos social e nas obrigações sociais e legais foram
cumpridas;
c) determinar se foram utilizados os princípios de contabilidade geralmente aceitos, em bases
uniformes;
d) determinar a existência de restrições de uso das contas patrimoniais;
e) determinar se o patrimônio líquido está corretamente classificado nas demonstrações financeiras
e se as divulgações cabíveis foram expostas por notas explicativas.
14) Qual o objetivo da auditoria das contas de resultado?
Resposta: a auditoria nas contas de resultado tem como objetivos:
• Determinar se todas as receitas, custos e despesas atribuídos ao período estão devidamente
comprovados e contabilizados;
• Determinar se todas as receitas, custos e despesas não atribuídos ao período ou que
beneficiem exercícios futuros estão corretamente diferidos;
• Determinar se os custos e despesas estão corretamente contrapostos às receitas devidas
• Determinar se as receitas, custos e despesas estão contabilizadosde acordo com os princípios
de contabilidade, em bases uniformes; e
• Determinar se as receitas, custos e despesas estão classificados nas demonstrações contábeis,
e se as divulgações cabíveis foram expostos por notas explicativas;
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame das contas correlatas ao
balanço patrimonial, estudo e avaliação dos controles internos e testes de procedimentos, estudo,
análise e exame das contas de resultado.
O objetivo maior do exame auditorial nessas contas é a busca de indícios, ou a própria detecção de
fraudes, desvios, sonegação, apropriação, ou outros tipos de delitos praticados contra o patrimônio
da empresa, intencionalmente ou por falhas do controle, praticados pelos administradores ou por
empregados desleais.
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8. RESUMO EM MAPAS E ESQUEMAS
1.
2.
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3.
4.
Ativo oculto
Bem ou direito não registrado, mas existe!
Passivo fictício
Manutenção no passivo de obrigações já pagas ou manutenção no passivo de obrigações cuja
exigibilidade não seja comprovada. (Obrigações registradas, mas não existem!)
Passivo oculto
Obrigações não registradas (ou a menor), mas existem!
Ativo fictício
Bem registrado, mas não existe!
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5.
TESTE PARA SUPERAVALIAÇÃO
6.
TESTE PARA SUBAVALIAÇÃO
DOCUMENTO
REGISTRO INICIAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO FINAL
RAZÃO GERAL
RAZÃO
REGISTRO FINAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO INICIAL
DOCUMENTO
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7.
8.
TESTES ESPECÍFICOS UTILIZADOS PELO AUDITOR PARA
SUPERAVALIAÇÃO E SUPERAVALIAÇÃO, RESPECTIVAMENTE:
Rastreamento: o auditor seleciona documentos criados quando transações são executadas
e determina quais informações daqueles documentos encontram-se adequadamente
registradas nos livros contábeis (diários e razões). A direção dos testes é dos documentos
para os registros contábeis, refazendo o fluxo original dos dados do sistema contábil.
Assim, constitui importante procedimento para obtenção de evidências relacionadas com
afirmações de integridade. Sua eficácia aumenta quando o cliente utiliza documentos pré-
numerados. Rastreamento fornece evidência ascendente, inicialmente, para dispor do
contexto econômico para rastreamento e teste de afirmações de integridade.
Vouching: envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e
inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados, para
determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas. A direção do teste é
oposta à do rastreamento. É um procedimento muito utilizado para detectar lançamentos
a maior nos registros contábeis. Assim, constitui procedimento importante para obtenção
de evidências sobre afirmações de existência ou ocorrência. Vouching fornece evidência
ascendente e como acontece com rastreamento e contagem, geralmente é precedido pela
realização de procedimentos descendentes com os quais se obtêm evidências do contexto
econômico com base no qual o vouching deve ser realizado.
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9. BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Site do Planalto. Lei nº 6.404, de 15 dezembro de 1976. Disponível em: . Acesso em 02 de abril de 2019.
_______. Oliveira & Carvalho. Auditoria. Disponível em: . Acesso em 02 de
abril de 2019.
_______. Manre Contabilidade. Procedimentos de auditoria em áreas específicas das
demonstrações contábeis. Disponível em:
. Acesso em 02 de abril de 2019.
_______. Krieck, Manfredo. Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis (Universidade
Regional de Blumenau). Disponível em: . Acesso em 02 de abril de 2019.
_______. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TA – de Auditoria Independente de Informação
Contábil Histórica. NBC TA 200(R1) - Objetivos Gerais do Auditor Independente. Disponível em: . Acesso em
02 de abril de 2019.
_______. Site do Planalto. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Disponível em: . Acesso em 02 de abril de 2019.
ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 8ªedição. São Paulo: Atlas,
2012.
ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 5ª edição. São Paulo: Atlas, 2010.
CREPALDI, Sílvio Aparecido. Auditoria contábil: teoria e prática. 10ª edição. São Paulo: Atlas, 2016.
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há registro de ônus de qualquer espécie contra a propriedade do cliente; e obtenção de
representação – por escrito – de cliente, com relação a bens alienados.
f) Exatidão de valores: um objetivo comum no exame de qualquer tipo de ativo é a verificação a
respeito dos valores apresentados, ou seja, se eles são exatos. Esse objetivo está estreitamente
ligado à determinação da existência quantitativa do bem, concentrando-se mais especificamente na
exatidão matemática. Dentre os procedimentos empregados para atingir esse objetivo, estão a
verificação física, como por exemplo, contagem, confirmação e, também, exame e verificação dos
registros contábeis e documentação hábil do cliente. Não basta apenas confirmar a exatidão das
quantias inicialmente registradas, sendo necessário verificar a razoabilidade e exatidão das quantias
posteriormente apropriadas à despesa. O custo original de despesas antecipadas, os ativos
imobilizados depreciáveis e os intangíveis são, normalmente, apropriados a diversos períodos
futuros.
g) Utilidade: no caso de muitos itens presentes no ativo, o objetivo de auditoria é tirar conclusões a
respeito do uso potencial da propriedade. No caso de ativo imobilizado, os valores de mercado são,
na maioria das vezes, os mais relevantes. É um dado muito importante para o auditor a indicação de
que um item é obsoleto ou de que é usado na fabricação de um produto que poderá ser tirado de
linha. Além disso, os estoques obsoletos ou invendáveis, por qualquer outro motivo, também são
pouco úteis. Nesse cenário, a redução do grau de utilidade de um bem deve provocar sua baixa ou
a divulgação do fato nas demonstrações financeiras. Procedimentos destinados a determinar o grau
de utilidade incluem estudos de registros de venda de certas linhas de produtos, movimentação de
estoques e inspeção física do bem.
h) Apresentação nas Demonstrações Contábeis: esse é o último, porém, crucial objetivo da
auditoria do ativo. Trata-se da verificação se os diversos itens de ativo são apresentados
corretamente nas demonstrações financeiras. Esse objetivo é atingido através de análise das
características de cada bem e da aplicação cautelosa das regras de classificação que compreendem
descrições bem feitas, métodos de avaliação, divulgação entre parênteses de valores alternativos,
referências às notas explicativas e descrições de ônus e restrições. O auditor deve estar consciente
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de que um erro de classificação ou descrição inadequada pode ser tão grave quanto um erro de
valor. Consequentemente, todo exame deve conter procedimentos que assegurem que as
demonstrações contábeis são fidedignamente apresentadas.
Terminados os macro-objetivos da auditoria no ativo, podemos nos voltar a outras peculiaridades
desse importante grupo do Balanço Patrimonial.
Os ativos são divididos em dois grandes grupos: ativo circulante e ativo não circulante. O ativo não
circulante é composto pelos “subgrupos” ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado
e intangível.
Caso existam evidências claras de que ativos estão avaliados por valor não recuperável no futuro, a
entidade deverá imediatamente reconhecer a desvalorização por meio da constituição de provisão
para perdas.
Segundo o parágrafo único, do artigo 179, da Lei nº 6.404/76, na companhia em que o ciclo
operacional tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou a longo prazo
terá por base o prazo desse ciclo.
Além da definição acima, o artigo 179 da Lei das S/A estabelece as seguintes regras de classificação
contábil:
I) no ativo circulante, serão classificados: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do
exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte.
II) no ativo realizável a longo prazo, serão classificados: os direitos realizáveis após o término do
exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a
sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia,
que não constituíssem negócios usuais na exploração do objeto da mesma.
III) em investimentos, serão classificadas as participações permanentes em outras sociedades e os
direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à
manutenção da atividade da companhia ou da empresa.
IV) no ativo imobilizado, os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive
os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses
bens.
V) no intangível, os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da
companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido
Os procedimentos básicos adotados no exame das contas do ativo são:
a) Avaliação dos controles internos adotados, na salvaguarda dos mesmos;
b) Comprovação de sua adição através de documentação hábil;
c) Exame físico e contagem;
d) Confirmação de saldos através de fontes externas;
e) Conferência de cálculos de avaliação.
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As medidas básicas de controle interno, aplicáveis às contas do ativo são:
a) Segregação de funções entre a custódia e o registro dos ativos;
b) Conciliação mensal do saldo dos controles analíticos com os registros contábeis;
c) Identificação física dos bens.
As contas a examinar de acordo com a sua representatividade são basicamente:
- Caixa e equivalentes de caixa
- Duplicatas a receber
- Estoques
- Investimentos
- Imobilizado
- Intangíveis
2.2 – Demonstrações contábeis sujeitas à auditoria
A NBC TA 200 (R1) trata das responsabilidades e dos objetivos gerais do auditor independente na
condução da auditoria de demonstrações contábeis em conformidade com as normas brasileiras e
internacionais de auditoria.
O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por
parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre
se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em
conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável.
No caso da maioria das estruturas conceituais para fins gerais, essa opinião expressa se as
demonstrações contábeis estão apresentadas adequadamente, em todos os aspectos relevantes,
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em conformidade com a estrutura de relatório financeiro. A auditoria conduzida em conformidade
com as normas de auditoria e exigências éticas relevantes capacita o auditor a formar essa opinião
Nesse contexto, ao conduzir a auditoria de demonstrações contábeis, os objetivos gerais do
auditor são:
(a) obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de
distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro, possibilitando assim que
o auditor expresse sua opinião sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os
aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável; e
(b) apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como exigido pelas NBCs
TA, em conformidade com as constatações do auditor.
Demonstrações contábeis, nos termos da NBC TA 200 (R1), são a representação estruturada de
informações financeiras históricas, incluindo divulgações (antes da revisão da norma,utilizava-se,
no lugar de “divulgações”, o termo “notas explicativas”), com a finalidade de informar os recursos
econômicos ou as obrigações da entidade em determinada data no tempo ou as mutações de tais
recursos ou obrigações durante um período de tempo, em conformidade com a estrutura de
relatório financeiro.
O termo “demonstrações contábeis” refere-se normalmente ao conjunto completo de
demonstrações contábeis como determinado pela estrutura de relatório financeiro aplicável, mas
também pode referir-se a quadros isolados das demonstrações contábeis. As divulgações
compreendem informações explicativas ou descritivas, elaboradas conforme requeridas, permitidas
expressamente ou de outra forma pela estrutura de relatório financeiro aplicável, incluídas nas
demonstrações contábeis, ou nas notas explicativas, ou incorporadas por referência cruzada.
As demonstrações contábeis sujeitas à auditoria são as da entidade, elaboradas pela sua
administração, com supervisão geral dos responsáveis pela governança.
A auditoria das demonstrações contábeis não exime dessas responsabilidades a
administração ou os responsáveis pela governança.
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As Normas Técnicas de Auditoria não impõem responsabilidades à administração ou aos
responsáveis pela governança (a quem cabe a elaboração das demonstrações) e não se sobrepõe às
leis e regulamentos que governam as suas responsabilidades.
Contudo, a auditoria em conformidade com as normas de auditoria é conduzida com base na
premissa de que a administração e, quando apropriado, os responsáveis pela governança têm
conhecimento de certas responsabilidades que são fundamentais para a condução da auditoria.
Premissa refere-se ao fato de que a administração e, quando apropriado, os responsáveis pela
governança, tem conhecimento e entendido que eles têm as seguintes responsabilidades,
fundamentais para a condução da auditoria em conformidade com as normas de auditoria. Isto é, a
responsabilidade:
(i) pela elaboração das demonstrações contábeis em conformidade com a estrutura de relatório
financeiro aplicável, incluindo quando relevante sua apresentação adequada;
(ii) pelo controle interno que os administradores e, quando apropriado, os responsáveis pela
governança, determinam ser necessário para permitir a elaboração de demonstrações contábeis que
estejam livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro;
(iii) por fornecer ao auditor:
a. acesso às informações que os administradores e, quando apropriado, os responsáveis pela
governança, tenham conhecimento que sejam relevantes para a elaboração e apresentação das
demonstrações contábeis como registros, documentação e outros assuntos;
b. quaisquer informações adicionais que o auditor possa solicitar da administração e, quando
apropriado, dos responsáveis pela governança para o propósito da auditoria; e
c. acesso irrestrito àqueles dentro da entidade que o auditor determina ser necessário obter
evidências de auditoria.
Como base para a opinião do auditor, as Normas Técnicas de Auditoria (NBCs TA) exigem que ele
obtenha segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de
distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro. Asseguração razoável é
um nível elevado de segurança. Esse nível é conseguido quando o auditor obtém evidência de
auditoria apropriada e suficiente para reduzir a um nível aceitavelmente baixo o risco de auditoria
(isto é, o risco de que o auditor expresse uma opinião inadequada quando as demonstrações
contábeis contiverem distorção relevante).
Contudo, asseguração razoável não é um nível absoluto de segurança porque há limitações inerentes
em uma auditoria, as quais resultam do fato de que a maioria das evidências de auditoria em que o
auditor baseia suas conclusões e sua opinião, é persuasiva e não conclusiva,
As demonstrações contábeis podem ser elaboradas em conformidade com uma estrutura de
relatório financeiro para satisfazer:
• as necessidades de informação financeira comuns de um amplo leque de usuários (isto é,
“demonstrações contábeis para fins gerais”); ou
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• as necessidades de informação financeira de usuários específicos (isto é, “demonstrações
contábeis para propósitos especiais”).
A opinião do auditor sobre as demonstrações contábeis trata de determinar se essas demonstrações
são elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório
financeiro aplicável. Tal opinião é comum a todas as auditorias de demonstrações contábeis.
A opinião do auditor, portanto, não assegura, por exemplo, a viabilidade futura da entidade nem
a eficiência ou eficácia com a qual a administração conduziu os negócios da entidade. Em algumas
situações, porém, lei e regulamento aplicáveis podem exigir que o auditor forneça opinião sobre
outros assuntos específicos, tais como a eficácia do controle interno ou a compatibilidade de um
relatório separado da administração junto com as demonstrações contábeis.
O auditor que realiza auditoria de acordo com as normas de auditoria é responsável por obter
segurança razoável de que as demonstrações contábeis, como um todo, não contêm distorções
relevantes, causadas por fraude ou erro. As demonstrações contábeis sujeitas à auditoria são as da
entidade, elaboradas pela sua administração, com supervisão geral dos responsáveis pela
governança.
Nesse contexto, uma das principais normas que rege a estrutura de relatório financeiro aplicável,
utilizadas pelo auditor independente durante a execução do seu trabalho, é a Lei nº 6.404/1976.
Segundo a norma supracitada, ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na
escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir
com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício:
Dentre essas demonstrações financeiras, a mais recorrente em questões de auditoria é o Balanço
Patrimonial.
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No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e
agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.
No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas
registrados, nos seguintes grupos:
I – ativo circulante; e
II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado
e intangível.
As contas serão classificadas do seguinte modo:
I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social
subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;
II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte,
assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou
controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem
negócios usuais na exploração do objeto da companhia;
III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer
natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade
da companhia ou da empresa;
IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à
manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusiveos decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses
bens;
VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da
companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido.
No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
I – passivo circulante;
II – passivo não circulante; e
III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação
patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
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As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não
circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e
no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior.
Por fim, a conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda
não realizada.
2.3 – Teste de Recuperabilidade
O objetivo do Pronunciamento Técnico - CPC 01 (R3) é estabelecer procedimentos que a entidade
deve aplicar para assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor que não
exceda seus valores de recuperação. Um ativo está registrado contabilmente por valor que excede
seu valor de recuperação se o seu valor contábil exceder o montante a ser recuperado pelo uso ou
pela venda do ativo. Se esse for o caso, o ativo é caracterizado como sujeito ao reconhecimento de
perdas, e a norma requer que a entidade reconheça um ajuste para perdas por desvalorização. Além
disso, o pronunciamento também especifica quando a entidade deve reverter um ajuste para perdas
por desvalorização e estabelece as divulgações requeridas.
Em sua análise, o auditor pode utilizar o fluxograma a seguir para descobrir eventuais
irregularidades. Veja:
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Segundo a Lei 6.404/76, a diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível
será registrada periodicamente nas contas de:
a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens
físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência;
b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de
direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício
de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente
limitado;
c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos
cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.
Além disso, a companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores
registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam:
I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os
empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão
produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou
II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada
e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização.
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As definições delineadas abaixo ajudam na compreensão das questões, seja em Auditoria, seja em
Contabilidade. Daremos atenção aos dispositivos que aparecem com frequência em Auditoria. Veja:
Valor contábil é o montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução
de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste para perdas.
Despesas de venda ou de baixa são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda ou
à baixa de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, excluindo as despesas financeiras e
de impostos sobre o resultado gerado.
Valor depreciável, amortizável e exaurível é o custo de um ativo, ou outra base que substitua
o custo nas demonstrações contábeis, menos seu valor residual.
Depreciação, amortização e exaustão é a alocação sistemática do valor depreciável,
amortizável e exaurível de ativos durante sua vida útil.
Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela
transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na
data de mensuração.
Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um ativo ou de unidade
geradora de caixa excede seu valor recuperável.
Valor recuperável de um ativo ou de unidade geradora de caixa é o maior montante entre o
seu valor justo líquido de despesa de venda e o seu valor em uso.
Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que devem advir de um
ativo ou de unidade geradora de caixa.
O ativo está desvalorizado quando seu valor contábil excede seu valor recuperável. A entidade
deve avaliar ao fim de cada período de reporte, se há alguma indicação de que um ativo possa ter
sofrido desvalorização. Se houver alguma indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável do
ativo.
Independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução ao valor recuperável, a
entidade deve:
(a) testar, no mínimo anualmente, a redução ao valor recuperável de um ativo intangível com vida
útil indefinida ou de um ativo intangível ainda não disponível para uso, comparando o seu valor
contábil com seu valor recuperável. Esse teste de redução ao valor recuperável pode ser executado
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a qualquer momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano, no mesmo
período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável testado em períodos diferentes.
Entretanto, se tais ativos intangíveis foram inicialmente reconhecidos durante o ano corrente,
devem ter a redução ao valor recuperável testada antes do fim do ano corrente; e
(b) testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) em
combinação de negócios.
A capacidade de um ativo intangível gerar benefícios econômicos futuros suficientes para recuperar
seu valor contábil é usualmente sujeita a maior incerteza na fase em que o ativo ainda não está
disponível para uso do que na fase em que ele já se encontra disponível para uso. Portanto, a norma
requer que a entidade proceda ao teste por desvalorização, no mínimo anualmente, de ativo
intangível que ainda não esteja disponível para uso.
Vamos ver como esses assuntos são cobrados nas PROVAS DE AUDITORIA?
(ISS Teresina / 2016) Estão sujeitas à auditoria, entre outras demonstrações contábeis, o Balanço
Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da entidade, elaborados pela sua
administração. Na auditoria das demonstrações contábeis do exercício de 2015 de determinada
empresa prestadora de serviços, o auditor, ao examinar as obrigações da empresa, constatou que
o ISS a recolher com vencimento no exercício subsequente, no valor de R$ 1.487.950,00, foi
classificado incorretamente no Balanço Patrimonial.
As obrigações, quando se vencerem no exercício seguinte, deverão ser classificadas no grupo de
contas do Balanço Patrimonial
a) Passivo circulante.
b) Ativo realizável a longo prazo.
c) Passivo não circulante.
d) Obrigações fiscais de longo prazo.
e) Ativo diferido.
Comentários:Questão trata de uma impropriedade encontrada pelo auditor durante análise de uma conta
específica (imposto a recolher), cuja classificação não estava em conformidade com a Lei 6.404/76.
Veja:
Passivo Exigível
Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo
não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício
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seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto
no parágrafo único do art. 179 desta Lei. [grifo nosso]
Portanto, alternativa correta é A.
Atenção: Para responder às duas questões seguintes, considere as seguintes informações:
Determinada empresa de economia mista do Estado fez o seguro do ativo imobilizado, junto à
seguradora Martelo, para o período de 24 meses: 01/10/2015 a 30/09/2017.
− O prêmio de seguro foi de R$ 600.000,00, pago 40% no ato e o restante 30 e 60 dias.
− A empresa encerra seu exercício social em 31 de dezembro de cada ano.
− O lucro do exercício de 2015 foi de R$ 1.390.000,00.
O auditor independente no exame dos registros contábeis da apólice do seguro contratado
constatou que:
− 300.000,00 – foram contabilizados (apropriados) como despesas de seguro do exercício de 2015,
e que o valor da apropriação do seguro está incorreto.
− 300.000,00 – foram contabilizados na conta “Seguros a Vencer” classificada no realizável de
curto prazo.
(SEFAZ MA / 2016) O auditor concluiu, se a despesa com seguro do exercício de 2015 tivesse sido
apropriada corretamente, o lucro do exercício de 2015 passaria de R$ 1.390.000,00, para, em
reais, de
a) 1.165.000,00.
b) 1.465.000,00.
c) 1.190.000,00.
d) 1.440.000,00.
e) 1.615.000,00.
Comentários:
Durante a realização da auditoria, o auditor faz uso de procedimentos ou normas para validar as
informações contábeis. O auditor, durante a realização de seus trabalhos, detectou uma
apropriação irregular de uma despesa antecipada (pagamento de seguros).
Segue a sequência a ser observada para encontrar o valor do lucro líquido corretamente:
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1. Primeiramente, iremos encontrar o lucro líquido correto. Como a despesa com seguro, no valor
de R$ 300.000) foi apropriada indevidamente, iremos estornar essa quantia, de modo que o lucro
líquido passará a R$1.690.000,00 (R$ 1.390.000,00 + R$300.000,00).
2. Como o prêmio dos seguros é R$600.000,00, com vigência de 24 meses, temos que apropriar
uma despesa de R$25.000,00 por mês (R$600.000,00 / 24).
3. Durante 2015, houve apropriação de 3 meses (10/2015 a 12/2015), perfazendo R$75.000,00 (3
x R$25.000,00).
4. Logo, o lucro líquido correto é de R$1.615.000,00 (R$1.690.000,00 - R$75.000,00)
Portanto, alternativa correta é E.
(SEFAZ MA / 2016) A despesa de seguro paga antecipadamente (seguro a vencer), segundo o
auditor, deveria ter sido classificada, respectivamente, nos grupos de contas e valores
a) ativo circulante – R$ 300.000,00 e ativo não circulante – R$ 225.000,00.
b) passivo circulante – R$ 75.000,00 e passivo não circulante – R$ 300.000,00.
c) ativo imobilizado – R$ 300.000,00 e passivo não circulante – R$ 225.000,00.
d) ativo circulante – R$ 75.000,00 e ativo não circulante – R$ 525.000,00.
e) ativo realizável curto prazo – R$ 225.000,00 e ativo realizável longo prazo – R$ 300.000,00.
Comentários:
Segue a sequência da classificação das contas que envolvem a despesa antecipada:
1. Em 2015, despesa com seguros referente aos meses 10/2015 a 12/2015: R$75.000,00 (3 x
R$25.000,00).
2. Em 2016, seguros a vencer (ou a apropriar): R$300.000,00 (12 x R$25.000,00). (Ativo Circulante)
3. Em 2017, seguros a vencer (ou a apropriar): R$225.000,00 (9 x R$25.000,00). (Ativo Não
Circulante).
Portanto, alternativa correta é A.
(SEFAZ RS / 2014) Uma máquina registrada no ativo imobilizado da Companhia Mega foi adquirida,
em 31 de dezembro de 2012, por R$ 1.200.000,00. Em 31 de dezembro de 2013, o saldo da
depreciação acumulada referente a essa máquina era de R$ 120.000,00, enquanto o valor justo
recuperável líquido, apontado por uma empresa de avaliação, era de R$ 1.120.000,00. Com base
nesses dados, o auditor conclui que o valor contábil líquido desse bem, em 31 de dezembro de
2013, é de:
a) R$ 1.120.000,00, devendo ser feito um ajuste ao valor contábil líquido de R$ 40.000,00.
b) R$ 1.200.000,00, devendo ser feito um ajuste ao valor contábil líquido de R$ 80.000,00.
c) R$ 1.080.000,00, não devendo ser feito qualquer ajuste ao valor contábil líquido.
d) R$ 1.120.000,00, não devendo ser feito qualquer ajuste ao valor contábil líquido.
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e) R$ 960.000,00, devendo ser feito um ajuste ao valor contábil líquido de R$ 120.000,00.
Comentários:
A questão aborda os procedimentos adotados – nesse caso, por exemplo, inspeção e cálculo - pelo
auditor ao examinar os registros contábeis da depreciação da referida máquina.
Realizado os cálculos, constatou-se que a máquina tinha um saldo de depreciação acumulada de
R$ 120.000,00 e estava correto, uma vez que já tinha se passado um ano e a taxa de depreciação
para máquinas, conforme legislação do IR, é de 10%. Veja a memória de cálculo abaixo.
Memória de Cálculo I
Valor de Aquisição (VA) R$ 1.200.000,00
Valor Residual (VR) -
Valor Depreciável (VD) = VA – VR R$ 1.200.000,00
Depreciação Acumulada (DA) = taxa x periodo x VD R$ 120.000,00
Valor Contábil (VC) = VA – DA R$ 1.080.000,00
Ao realizar o teste, o auditor concluiu que não deve ser feito qualquer ajuste no valor contábil
líquido, uma vez que o valor contábil é menor que o valor justo informado na questão, conforme
dados a seguir.
Teste de Recuperabilidade - CPC 01(R3)
Valor Contábil R$ 1.080.000,00
Valor Justo = Valor Recuperável R$ 1.120.000,00
Se Valor Contábil > Valor Recuperável Constitui uma provisão
Se Valor Contábil Valor Recuperável Constitui uma provisão (é o
caso da questão)
Se Valor Contábilde acordo com os princípios
de contabilidade, em bases uniformes; e
• Determinar se as receitas, custos e despesas estão classificados nas demonstrações contábeis,
e se as divulgações cabíveis foram expostos por notas explicativas;
Alguns exemplos de procedimentos de auditoria relacionados: exame das contas correlatas ao
balanço patrimonial, estudo e avaliação dos controles internos e testes de procedimentos, estudo,
análise e exame das contas de resultado.
O objetivo maior do exame auditorial nessas contas é a busca de indícios, ou a própria detecção de
fraudes, desvios, sonegação, apropriação, ou outros tipos de delitos praticados contra o patrimônio
da empresa, intencionalmente ou por falhas do controle, praticados pelos administradores ou por
empregados desleais.
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8. RESUMO EM MAPAS E ESQUEMAS
1.
2.
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3.
4.
Ativo oculto
Bem ou direito não registrado, mas existe!
Passivo fictício
Manutenção no passivo de obrigações já pagas ou manutenção no passivo de obrigações cuja
exigibilidade não seja comprovada. (Obrigações registradas, mas não existem!)
Passivo oculto
Obrigações não registradas (ou a menor), mas existem!
Ativo fictício
Bem registrado, mas não existe!
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5.
TESTE PARA SUPERAVALIAÇÃO
6.
TESTE PARA SUBAVALIAÇÃO
DOCUMENTO
REGISTRO INICIAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO FINAL
RAZÃO GERAL
RAZÃO
REGISTRO FINAL
REGISTRO INTERMEDIÁRIO
REGISTRO INICIAL
DOCUMENTO
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7.
8.
TESTES ESPECÍFICOS UTILIZADOS PELO AUDITOR PARA
SUPERAVALIAÇÃO E SUPERAVALIAÇÃO, RESPECTIVAMENTE:
Rastreamento: o auditor seleciona documentos criados quando transações são executadas
e determina quais informações daqueles documentos encontram-se adequadamente
registradas nos livros contábeis (diários e razões). A direção dos testes é dos documentos
para os registros contábeis, refazendo o fluxo original dos dados do sistema contábil.
Assim, constitui importante procedimento para obtenção de evidências relacionadas com
afirmações de integridade. Sua eficácia aumenta quando o cliente utiliza documentos pré-
numerados. Rastreamento fornece evidência ascendente, inicialmente, para dispor do
contexto econômico para rastreamento e teste de afirmações de integridade.
Vouching: envolve (1) seleção de lançamentos nos registros contábeis e (2) obtenção e
inspeção da documentação com base na qual os lançamentos foram efetuados, para
determinação da validade e exatidão das transações contabilizadas. A direção do teste é
oposta à do rastreamento. É um procedimento muito utilizado para detectar lançamentos
a maior nos registros contábeis. Assim, constitui procedimento importante para obtenção
de evidências sobre afirmações de existência ou ocorrência. Vouching fornece evidência
ascendente e como acontece com rastreamento e contagem, geralmente é precedido pela
realização de procedimentos descendentes com os quais se obtêm evidências do contexto
econômico com base no qual o vouching deve ser realizado.
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9. BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Site do Planalto. Lei nº 6.404, de 15 dezembro de 1976. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm>. Acesso em 02 de abril de 2019.
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http://www.oliveiraecarvalho.com/downloads/Auditoria%20-%20Apostila.pdf >. Acesso em 02 de
abril de 2019.
_______. Manre Contabilidade. Procedimentos de auditoria em áreas específicas das
demonstrações contábeis. Disponível em:
<http://manrecontabilidade.blogspot.com.br/2012/05/procedimentos-de-auditoria-em-
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_______. Krieck, Manfredo. Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis (Universidade
Regional de Blumenau). Disponível em: <
www.learned.com.br/download.php?pasta=_upl/file&arquivo...>. Acesso em 02 de abril de 2019.
_______. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TA – de Auditoria Independente de Informação
Contábil Histórica. NBC TA 200(R1) - Objetivos Gerais do Auditor Independente. Disponível em: <
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ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: um curso moderno e completo. 8ªedição. São Paulo: Atlas,
2012.
ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 5ª edição. São Paulo: Atlas, 2010.
CREPALDI, Sílvio Aparecido. Auditoria contábil: teoria e prática. 10ª edição. São Paulo: Atlas, 2016.
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