Prévia do material em texto
Constitucionalismo Teoria da Constituição Profa. Cintia Garabini Lages Constitucionalismo: sentidos SENTIDO AMPLO Constitucionalismo é o fenômeno relacionado ao fato de todo Estado possuir uma constituição em qualquer época da humanidade, independentemente do regime político adotado ou do perfil jurídico que lhe pretenda impor. Exemplo de compreensão em sentido amplo: “Debaixo desse aspecto [material], não há Estado sem Constituição, Estado que não seja constitucional, visto que toda sociedade politicamente organizada contém uma estrutura mínima, por rudimentar que seja.” Paulo Bonavides Curso de Direito Constitucional, p. 63. SENTIDO ESTRITO Constitucionalismo é a técnica jurídica de tutela das liberdades, surgida nos fins do século XVIII, que possibilitou aos cidadãos exercerem, com base em constituições escritas, os seus direitos e garantias fundamentais, sem que o Estado lhes pudesse oprimir pelo uso da força e do arbítrio. Nicola Matteucci “A definição mais conhecida de constitucionalismo é a que o identifica com a divisão do poder, ou de acordo com a formulação jurídica, com a separação dos poderes. A favor dessa identificação existe um precedente assaz e respeitável, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que tão grande influência havia de ter nas mudanças constitucionais da Europa no século XIX.(2) Charles Howard McIlwain Sentido amplo vs Sentido estrito Nós, hoje, somos propensos a considerar as constituições como o que elas devem ser. Uma constituição deve ser um documento escrito, nós achamos, com artigos sobre liberdade, direitos humanos, o estado de direito, e democracia de modo a ser considerada merecedora do nome. Tais concepções ideológicas sobre a constituição (constitucionalismo) podem tornar alguém míope. Elas ficam no caminho de um verdadeiro entendimento acerca das raízes mais antigas da constituição e como esse fenômeno está conectado à história humana.” Evolução do constitucionalismo O constitucionalismo pode ser dividido em fases que variam a segundo a concepção de cada doutrinador. Analisaremos aqui o sentido da expressão constituição na Antiguidade Grega, no Império Romano, na Idade Média e no Estado Absolutista. Posteriormente, analisaremos o constitucionalismo moderno, liberal e social. Constitucionalismo Antigo O sentido originário da expressão constituição remonta à Grécia e Roma Antigas. Na Grécia, a expressão politeia é compreendida com constituição, referindo-se à maneira de ser da pólis, sua forma, estrutura e organização. “Uma verdadeira constituição representa autenticamente a maneira estável da unidade política, cuja origem deve ser pacífica, produto de um acordo entre forças políticas distintas, de modo a garantir a unidade da pólis.” Platão CONSTITUIÇÃO GREGA Aristóteles avança com relação ao pensamento de Platão e concebe a constituição como regime constitucional estavelmente fundado. A estabilidade pressupõe o reconhecimento da virtude como fim da política. De todos os diversos significados atribuíveis à palavra “constituição”, o temo grego “politeia” corresponde a um dos mais antigos. Significa sobretudo o estado como ele é em realidade. É um termo que compreende todas as inumeráveis características que determinam a natureza peculiar de um estado, incluindo o conjunto da sua estrutura econômica e social, assim como o referente às questões de seu governo, (...). Se trata de um termo puramente descritivo, abrangente no seu significado das mesmas coisas que incluímos na palavra “constituição” quando falamos em termos gerais da constituição de um homem ou da matéria. Charles Howard McIlwain Fioravanti considera que o sentido de constituição para os antigos, gregos e romanos, era compartilhado. José Alfredo de Oliveira Baracho identifica outro sentido para a expressão constituição para os romanos. Constitucionalismo Romano • Segundo Baracho, em Roma, a expressão “constitutio” era empregada com o sentido de ato legislativo em geral ou como resultado do mesmo. • Em um momento posterior, a expressão “constitutiones” passa a significar o arsenal jurídico do Império. No mesmo sentido, afirmou Charles Howard McIlwain: “No Império Romano a palavra, em sua forma latina, era a denominação técnica de atos de legislação imperiais.” Características da Idade Média • Formação e consolidação do feudalismo • Integração das culturas romana e germânica • Fragmentação e descentralização do poder, com política e economia exercida pelos senhores feudais • Sociedade estamental e hierarquizada seguindo as ordens do clero, nobreza e servos (os que rezam, guerreiam e trabalham, respectivamente) • Europa ruralizada baseando a economia na agricultura, formação dos feudos, poucos contatos comerciais externos e uso de moedas • Fortalecimento da Igreja Católica, do Teocentrismo e do cristianismo, ao mesmo tempo em que houve o enfraquecimento da cultura laica • Invasão dos povos vikings, húngaros, sarracenos e eslavos nos séculos IX e X, saqueando várias cidades europeias Constitucionalismo Medieval A constituição adquire o significado de legislação, segundo Baracho, e teve como objetivo fundamentar e explicar as relações de poder dos indivíduos na realidade política. Constitucionalismo Medieval No século XIII, afirma McIlwain, e durante os séculos seguintes, “constituição” significa sempre uma disposição administrativa concreta, no mesmo sentido conferido pelos romanos. O termo era empregado pra distinguir estas disposições dos costumes. ESTADO ABSOLUTISTA Poder político: • Fundamentação. • Características. • Relação Estado x Sociedade. Luís XVI da França e Maria Antonieta FUNDAMENTAÇÃO DO PODER POLÍTICO ABSOLUTISTA Com a obra “Política tirada das Santas Escrituras”, escrita em 1679, mas publicada postumamente em 1709, Jacques Bénigne-Bossuet (1627-1704) torna-se o teórico do absolutismo monárquico. Atribui-se a ele o desenvolvimento da teoria do direito divino do monarca de governar. Assim, qualquer governo formado legalmente expressa a vontade de Deus e é sagrado e qualquer rebelião contra ele é criminosa. Ao soberano compete governar seus súditos como um pai, à imagem de Deus, sem se deixar afetar pelo poder. características do absolutismo monárquico Estado Absolutista “A organização política repousa em um pacto celebrado entre os governados, que convêm em obedecer, e os governantes, que se comprometem a assegurar a ordem e respeitaras condições postas ao seu direito de mandar: respeitar as leis do reino, as liberdades e prerrogativas dos súditos”. Esse o sentido de Constituição no Estado absolutista, segundo Baracho. Henrique VIII Características do estado absolutista: – Centralização política em uma capital; – Separação entre sociedade civil e governo; – Burocracia estatal; – Moeda única; – Formação de tropas permanentes (exército); – Sistema de leis e tributário unificados; – Soberania nacional. Características da economia no contexto do estado absolutista... • Pacto colonial • Mercantilismo • Protecionismo Ordenamento jurídico (ou desordenamento...) • Segundo José Reinaldo de Lima Lopes, no Estado absolutista, era do ius commune, várias eram as fontes do direito, dentre as quais destacavam-se as fontes legisladas do poder político, como as leis régias, os costumes, os estatutos locais e corporativos, o corpo do direito romano e o corpo de direito canônico estudados na universidade. Estado Absolutista Fatores que levam o Estado Absolutista à crise: • Reforma protestante. • Lutas por liberdade de confissão religiosa. • Fortalecimento da classe burguesa. • Desenvolvimento de práticas de investigação científica. CONSTITUCIONALISMO NA MODERNIDADE Democracia Constituição escrita Reconhecimento dos direitos humanos Rule of law – império da lei Constitucionalismoclássico - Origens • Limitação do poder do Rei Charles I pelo Parlamento com a aprovação do Petition of Rights – Inglaterra – 1628; • Revoluções liberais na Inglaterra; • Independência das colônias inglesas na América do Norte – 1776; • Constituição do Estado da Virginia de 1776; • Propagação dos ideais iluministas. • Constituição norte-americana – 1787; • Revolução Francesa e a declaração universal dos direitos do homem e do cidadão – 1789. Charles I, Rei da Inglaterra Constitucionalismo Clássico e as características do Estado Liberal Constitucional Democrático* Formal/mínimo Capitalista/não intervencionista PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO LIBERAL: Tem por referência o próprio Estado; Visa regular juridicamente o Estado de modo separado da sociedade; Não intervencionista; Adota um regime democrático representativo e Possui uma forte inspiração liberal. Conteúdo das constituições liberais: Forma de Estado: unitário, federal, etc.. Formas de governo: república ou monarquia; Sistema de governo: presidencialismo ou parlamentarismo; Conteúdo das constituições liberais: Princípio da separação de poderes: a função legislativa é atribuída ao parlamento, a administrativa ao Rei ou ao Presidente e a jurisdicional aos juízes e tribunais. Positivação dos direitos fundamentais individuais como garantidores da autonomia privada. Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão “Art. 16 - Toda a sociedade que não garanta direitos nem assegure o princípio da separação de poderes não possui uma constituição”. A Liberdade guiando o povo - Eugène Delacroix https://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A8ne_Delacroix Pluralismo e liberdade no Estado Liberal Segundo Gisele Cittadino, a ideia de liberdade, segundo a lógica liberal, significa a capacidade que cada cidadão possui de ter a sua concepção razoável acerca da vida digna e de procurar realizar os objetivos por ela fixados, sem interferências impeditivas externas. O que entendem os modernos por liberdade? Perguntai-vos primeiro, Senhores, o que em nossos dias um inglês, um francês, um habitante dos Estados Unidos da América entendem pela palavra liberdade. Benjamin Constant É para cada um o direito de não se submeter senão às leis, de não poder ser preso, nem detido, nem condenado, nem maltratado de nenhuma maneira, pelo efeito da vontade arbitrária de um ou de vários indivíduos. É para cada um o direito de dizer sua opinião, de escolher seu trabalho e de exercê-lo; de dispor de sua propriedade, até de abusar dela; de ir e vir, sem necessitar de permissão e sem ter que prestar conta de seus motivos ou de seus passos. É para cada um o direito de reunir-se a outros indivíduos, seja para discutir sobre seus interesses, seja para professar o culto que ele e seus associados preferem, seja simplesmente para preencher seus dias e suas horas de maneira mais condizente com suas inclinações, com suas fantasias. “A liberdade dos modernos” • Direitos fundamentais são concebidos como limites à atuação da soberania popular, limites ao próprio processo democrático. • Os direitos são concebidos como trunfos (Dworkin) contra decisões da maioria que tenham por objetivo restringir as liberdades individuais. Pluralismo social e justiça no Estado Liberal • No estado liberal prevalece uma concepção de pluralismo que privilegia a lógica individual, segundo a qual o pluralismo é compreendido como diversidade de concepções individuais acerca da vida digna, diversas concepções individuais acerca do bem. • O ideal de justiça busca assegurar a cada indivíduo a realização do seu projeto pessoal de vida. Declaração de Independência das 13 colônias inglesas da América do Norte “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens sa ̃o criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inaliena ́veis, que entre estes esta ̃o a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos sa ̃o institui ́dos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados...” DECLARAÇÃO DO BOM POVO DA VIRGINIA I - Que todos os homens são, por natureza, igualmente livres e independentes, e têm certos direitos inatos, dos quais, quando entram em estado de sociedade, não podem por qualquer acordo privar ou despojar seus pósteros e que são: o gozo da vida e da liberdade com os meios de adquirir e de possuir a propriedade e de buscar e obter felicidade e segurança. “Com efeito, os liberais, porque conferem prioridade à autonomia privada, privilegiam os direitos fundamentais, pois são eles que asseguram a configuração de um Estado neutro e evitam interferências indevidas em relação às visões individuais acerca do bem. Ou, de outra forma, a neutralidade é uma exigência que decorre do próprio pluralismo.” Gisele Cittadino (p.06) A partir de uma compreensão liberal de estado e de pluralismo, fundada no protagonismo da autonomia privada, garantidora da liberdade e representada pelos direitos fundamentais, qual papel desempenha a Constituição? Sentido de constituição A Constituição apresenta-se como “constituição- garantia”, sua função é a de preservar os direitos fundamentais concebidos como liberdades negativas, e assegurar a autonomia moral dos indivíduos. Iluminismo, economia, estado e direitos fundamentais No contexto pós-revolucionário liberal, havia uma “crença bastante simplista de que como a filosofia da burguesia estava baseada na Razão e que, do ponto de vista social, nada poderia existir de mais racional do que uma sociedade justa e igualitária, a burguesia seria capaz de criar, por si própria, o bem-estar geral.” Arnaldo Spindel Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã “Proposta à Assembleia Nacional da França, durante a Revolução Francesa (1789-1799) por Marie Gouze (1748-1793), filha de um açougueiro do Sul da França, que adotou o nome de Olympe de Gouges para assinar seus planfletos e petições em uma grande variedade de frentes de luta, incluindo a escravidão, em que lutou para sua extirpação. Batalhadora, em 1791 ela propõe uma Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã para igualar-se à outra do homem, aprovada pela Assembleia Nacional. Girondina, ela se opõe abertamente a Robespierre e acaba por ser guilhotinada em 1793, condenada como contra revolucionária e denunciada como uma mulher "desnaturada". http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-à-criação-da- Sociedade-das-Nações-até-1919/declaracao-dos-direitos-da-mulher-e-da-cidada- 1791.html Constitucionalismo clássico Exemplos de Constituições Liberais: • Constituição Americana de 1787; • Constituição Francesa de 1791; • Constituição Brasileira de 1824; • Constituição Brasileira de 1891. No entanto, um novo modo de pensar, já presente na lógica liberal, enquanto sua negação, acaba tornando-se a solução... Entra em crise a concepção liberal de estado, que dá lugar a uma concepção socialista. Fatores que levaram o Estado Liberal à crise: • Formalismo exagerado no reconhecimento de direitos; • Reivindicação de melhores condições de vida e trabalho; • Surgimento dos sindicatos; • Edição do Manifesto Comunista, em 1848; • Revolução Russa em 1917; • 1ª Guerra Mundial; • Grade Depressão Econômica de 1929. Com o desenvolvimento da economia de mercado, fortemente influenciado pelo liberalismo econômico, uma nova configuração da sociedade substituiu a anterior: industriários, proprietários de um lado e os proletários do outro. “Começou-se a perceber que Liberdade, Igualdade e Fraternidade para a burguesia não significava a mesma coisa do que para o proletariado, e que este último, para consegui-lo, teria de se organizar e lutar.” “No caminho que vai de Baboeuf à Marx, uma série de movimentos revolucionários ocorreram e muitospensadores socialistas surgiram, propondo soluções diversas.” Arnaldo Spingel Constitucionalismo e Estado Social Características: • Busca a correção do individualismo e do formalismo do Estado Liberal. • Assume um conteúdo material, buscando realizar direitos sociais através de políticas públicas. • Princípio basilar: igualdade • Socialismo pressupõe a busca por uma sociedade mais justa e mais igual. Constituição e Estado Social É concebida como projeto social integrado por um conjunto de valores compartilhados que traduz um compromisso com certos ideais; Liberdades constitucionais positivas, direitos de participação política, integram os indivíduos no processo político comunitário. Para assegurar a concretização desses valores, a interpretação da constituição é orientada pelos valores éticos compartilhados socialmente. Gisele Cittadino A Constituição, - com seu sistema de direitos – significa, na verdade uma matriz, um projeto social integrado por um conjunto de práticas comuns que determinam a identidade dos indivíduos autônomos que, por sua vez, tem a obrigação “de restaurar ou de sustentar a sociedade na qual esta identidade é possível. A constituição, enquanto projeto, revela, neste sentido, um sentimento compartilhado, uma identidade e uma história comuns, um compromisso com certos ideais. Constitucionalismo Liberal A soberania popular é limitada pelos direitos fundamentais e assegura o reconhecimento de liberdades negativas, protetivas de uma esfera de atuação individual, no âmbito da qual os indivíduos, considerados como iguais, gozam da sua autonomia privada. Constitucionalismo social Soberania popular define os direitos fundamentais, resultado da tradução dos valores compartilhados. Confere primazia à autonomia pública: direitos fundamentais são concebidos como liberdades positivas de participação na ativa na construção das decisões políticas. Assim, a soberania popular define a extensão dos direitos fundamentais. Componentes do Estado Social • O Estado atua como agente redistribuidor de rendas; • fornece bens primários; • diminui o risco, a incerteza e a informação assimétrica. • Garante a materialização da igualdade. Estado Social • A interpretação do Direito é dirigida no sentido de garantir as dinâmicas e amplas finalidades sociais que recaem sobre os ombros do Estado; • Métodos interpretativos buscam possibilitar a materialização do Direito sobretudo dos valores do Estado Social; Art. 1 - A Itália é uma República Democrática, baseada no trabalho. A soberania pertence ao povo, que a exerce nas formas e nos limites da Constituição. Art. 2 - A República reconhece e garante os direitos invioláveis do homem, quer como ser individual quer nas formações sociais onde se desenvolve a sua personalidade, e requer o cumprimento dos deveres inderrogáveis de solidariedade política, econômica e social. Art. 3 - Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei, sem discriminação de sexo, de raça, de língua, de religião, de opiniões políticas, de condições pessoais e sociais. Cabe a República remover os obstáculos de ordem social e econômica que limitando de fato a liberdade e a igualdade dos cidadãos, impedem o pleno desenvolvimento de pessoa humana e a efetiva participação de todos os trabalhadores na organização política, econômica e social do País. • Art. 38 - Todo cidadão, impossibilitado de trabalhar e desprovido dos recursos necessários para viver, tem direito ao seu sustento e à assistência social. Os trabalhadores têm direito a que sejam previstos e assegurados meios adequados às suas exigências de vida em caso de accidente, doença, invalidez, velhice e desemprego involuntário. • Os incapacitados e os deficientes têm direito à educação e ao encaminhamento profissional. Às tarefas previstas neste artigo provêem orgãos e instituições predispostos ou integrados pelo Estado. A assistência privada é livre. Estado Social • Exemplo de Constituições Sociais: • 1917 – Constituição de Queretaro – México; • 1919 – Constituição de Weimar – Alemanha; • 1934, 1937, 1946 e 1967/69 – Constituições Brasileiras; • 1787– Constituição Norte Americana. Crise do Estado Social • Insuficiência econômica pós 2ª Guerra Mundial; • Eclosão de movimentos sociais que pugnavam pelo reconhecimento do exercício da autonomia pública. Exemplos: Movimento feminista, movimento ecologista, movimento hippie, movimento pacifista. Constitucionalismo procedimental (Estado democrático de Direito) “Não há Estado de Direito sem democracia radical” Jürgen Habermas Em 6 de agosto de 1965, o presidente Lyndon Johnson, dos Estados Unidos, assinou a Lei dos Direitos de Voto (Voting Rights Act) que proibiu a discriminação racial no processo eleitoral, decorrentes da segregação racial dos Estados Unidos. A lei que assegurou o direito de voto para os negros foi resultado do movimento dos direitos civis. https://ensinarhistoriajoelza.com.br/linha-do-tempo/negros-conquistam-o-direito-de- voto-estados-unidos/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues Constitucionalismo procedimental • Um dos seus maiores expoentes é Jürgen Habermas, que busca conciliar as duas principais tradições do Iluminismo, a liberal, que se ocupa da defesa das liberdades individuais e da autonomia privada, e a social, que prioriza a lógica cidadã, democrática, dando ênfase à autonomia pública e aos direitos que a asseguram, as liberdades de comunicação e participação. • Para Habermas, a superação dos paradigmas de Estado Liberal e Social, deve ocorrer sem que o Estado adote um conteúdo ideológico pré-determinado. Movimento reivindicando o direito das religiosas de votarem no Sínodo da Amazônia – 2019 - https://www.womensordination.org/2018/09/votes-for-catholic-women/ • Para tanto, devem ser reconhecidos tanto direitos a iguais liberdades subjetivas de ação, direitos sociais, direitos processuais e de participação política, de modo a assegurar o caráter complementar e co- originário das autonomias pública e privada. Autonomia privada Âmbito de ação individual, garantido a partir do reconhecimento de que todo indivíduo possui os mesmos direitos e a mesma dignidade, permitindo a cada um sonhar e trabalhar em prol de um plano de vida pessoal. As liberdades individuais que garantem a autonomia privada também se apresentam como uma condição essencial para a vida política, para a ação cidadã, pois sem igualdade (uma pessoa, um voto), e sem liberdade política, não há como assegurar a todos o exercício da cidadania. Autonomia Pública • É o direito de cada um, na qualidade de cidadão, de participar dos processos de tomada de decisões que os afetam. São garantidos pelos direitos de peticionamento, de liberdade de opinião e expressão, de liberdade sindical, de liberdade político-partidária, liberdade de comunicação, direito ao voto e a ser votado, entre outros. • A autonomia pública pressupõe a adoção de procedimentos que possibilitam a participação do cidadão de forma livre e sem coação e resultados legítimos. O caráter procedimental do direito • Como assegurar a cada um seus direitos, a cada um a mesma liberdade e a mesma dignidade? E como assegurar direitos de participação política? Qual a forma a ser adotada para possibilitar que tanto os direitos individuais, as liberdades civis, quanto as liberdades públicas possam ser garantidas? • A resposta encontra-se na adoção de procedimentos democráticos. Constitucionalismo procedimental e democracia deliberativa • A democracia é concebida como sendo do tipo deliberativa ou participativa, o que significa dizer que a mesma é mais ampla e ao mesmo tempo mais exigente se comparada aos modelos democráticos representativos simples ou mesmo os complementados por participações diretas. • A democracia deliberativa repousa naadoção de procedimentos democráticos que possibilitam a construção de decisões políticas através de uma prática discursiva, assegurada àqueles que, na qualidade de destinatários dos efeitos das decisões tomadas, tem garantido o direito de participação em simétrica paridade. Legitimidade do Direito: • Não repousa em uma concepção ideológica liberal ou comunitarista; • É neutra, na medida em que respeita o caráter plural da sociedade; • Resulta da adoção de procedimentos dos quais participam ou tem assegurado o direito de participar todos aqueles que serão afetados pela decisão ao final tomada. Ainda sobre a legitimidade do direito • Uma ordem jurídica é legítima na medida em que assegura a autonomia privada e a autonomia cidadã de seus membros, pois ambas são co-originárias; ao mesmo tempo, porém, ela deve sua legitimidade a formas de comunicação nas quais essa autonomia pode manifestar-se e comprovar-se. A chave da visão procedimental consiste nisso. Praça dos Três Poderes – Brasília/Distrito Federal A constituição procedimental • A Constituição, no Estado Democrático de Direito, caracteriza-se por institucionalizar juridicamente os processos e pressupostos comunicacionais que possibilitam a formação democrática do direito e ao assegurar a autonomia pública e privada dos cidadãos. Bibliografia 1 - CARVALHO, Kildare Gonçalves. Direito Constitucional. Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2010, p. 257. 2 – BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 11 3 – BARACHO, José Alfredo de Oliveira. Teoria Geral do Constitucionalismo. Acesso em 17/02/2013 e Disponível em: http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/00 0427043.pdf 4 – BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros Editores, 2001. 5 - OLIVEIRA, Marcelo Andrade Cattoni de. Tutela jurisdicional e Estado democrático de direito. Belo Horizonte: Del Rey Editora, 1997. 6 – LAGES, Cintia Garabini. A inadequação do processo objetivo à luz do modelo constitucional do processo brasileiro. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte: PUC Minas, 2002. http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/000427043.pdf http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/181733/1/000427043.pdf Slide 1: Constitucionalismo Slide 2 Slide 3: SENTIDO AMPLO Slide 4: Exemplo de compreensão em sentido amplo: Slide 5: SENTIDO ESTRITO Slide 6: Nicola Matteucci Slide 7: Charles Howard McIlwain Slide 8: Sentido amplo vs Sentido estrito Slide 9 Slide 10: Evolução do constitucionalismo Slide 11: Constitucionalismo Antigo Slide 12 Slide 13: CONSTITUIÇÃO GREGA Slide 14 Slide 15 Slide 16: Constitucionalismo Romano Slide 17 Slide 18: No mesmo sentido, afirmou Charles Howard McIlwain: Slide 19: Características da Idade Média Slide 20: Constitucionalismo Medieval Slide 21: Constitucionalismo Medieval Slide 22: ESTADO ABSOLUTISTA Slide 23: FUNDAMENTAÇÃO DO PODER POLÍTICO ABSOLUTISTA Slide 24: características do absolutismo monárquico Slide 25: Estado Absolutista Slide 26: Características do estado absolutista: Slide 27: Características da economia no contexto do estado absolutista... Slide 28: Ordenamento jurídico (ou desordenamento...) Slide 29: Estado Absolutista Slide 30: CONSTITUCIONALISMO NA MODERNIDADE Slide 31: Constitucionalismo clássico - Origens Slide 32: Constitucionalismo Clássico e as características do Estado Liberal Slide 33: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO LIBERAL: Slide 34: Conteúdo das constituições liberais: Slide 35: Conteúdo das constituições liberais: Slide 36: Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão Slide 37: Pluralismo e liberdade no Estado Liberal Slide 38 Slide 39: O que entendem os modernos por liberdade? Slide 40 Slide 41: “A liberdade dos modernos” Slide 42: Pluralismo social e justiça no Estado Liberal Slide 43: Declaração de Independência das 13 colônias inglesas da América do Norte Slide 44: DECLARAÇÃO DO BOM POVO DA VIRGINIA Slide 45 Slide 46 Slide 47: Sentido de constituição Slide 48: Iluminismo, economia, estado e direitos fundamentais Slide 49 Slide 50: Constitucionalismo clássico Slide 51 Slide 52: Fatores que levaram o Estado Liberal à crise: Slide 53 Slide 54: Constitucionalismo e Estado Social Slide 55: Constituição e Estado Social Slide 56 Slide 57: Constitucionalismo Liberal Slide 58: Constitucionalismo social Slide 59: Componentes do Estado Social Slide 60: Estado Social Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65: Estado Social Slide 66: Crise do Estado Social Slide 67: Constitucionalismo procedimental (Estado democrático de Direito) Slide 68 Slide 69: Constitucionalismo procedimental Slide 70 Slide 71: Autonomia privada Slide 72: Autonomia Pública Slide 73: O caráter procedimental do direito Slide 74: Constitucionalismo procedimental e democracia deliberativa Slide 75: Legitimidade do Direito: Slide 76: Ainda sobre a legitimidade do direito Slide 77: A constituição procedimental Slide 78 Slide 79: Bibliografia