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Caderno de Organização Estatal Federalismo · Federalismo (conceito/sistema): É a ideologia que prega a divisão de competências e a autonomia dos entes federados para fortalecer o poder local, como o modelo adotado na Constituição de 1988 no Brasil. · Federação (organização/estrutura): É o Estado Federal em si, formado pela união dos entes autônomos (União, Estados, DF, Municípios), que compartilham soberania nacional sem poder se separar (proibição da secessão). Tipos de Federalismo Quanto a origem: · Federalismo por Desagregação: nasce de um Estado unitário e reparte suas competências para a formação de um novo Estado, de dentro para fora (movimento centrífugo). · Federalismo por Agregação: Entidades Soberanas se unem, abrindo mão de sua soberania, para a formação de um novo Estado. Quanto à repartição de competência: · Federalismo Dualista: marcado pela coordenação entre os entes federativos; há uma separação rígida entre as competências da União do Governo Central e as competências dos entes Nacionais, dos Entes Federalistas. Algo comum dos Estados Unidos. · Federalismo Cooperativo: não há separação rígida entre as competências, sendo utilizadas de maneira comum, “concorrente”, algo comum do nosso país. Quanto ao tratamento dos entes federativos: · Federalismo Simétrico: É aquele que possui homogeneidade cultural, social e econômica. Ex: Estados Unidos. · Federalismo Assimétrico: Não há homogeneidade entre os Entes, há uma certa desigualdade social e econômica entre os Entes. O princípio federativo O princípio federativo é previsto nas Constituições de uma grande variedade de países, apresentando um desenvolvimento distinto em virtude de peculiaridades históricas e políticas próprias de cada nação. Federação como forma de Estado: Adotada no Brasil desde 1891, a federação é a forma de Estado nascida na república, com o Decreto nº 1, de 15 de novembro de 1889, cuja consolidação se deu na Constituição de 1891 em seu art. 1º. Niveis políticos e administraativos: As Constituições posteriores mantiveram a forma federativa de Estado, mas a de 1988 elevou o número de entes federativos, com inclusão do município, passando a adotar um sistema com três níveis políticos e administrativos: federal, estadual e municipal. A federação brasileira é composta pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, mediante um vínculo indissolúvel, não sendo permitido, portanto, o direito de secessão (prerrogativa de se retirar da federação). Ora, o artigo 1º da Constituição é claro ao afirmar que a República Federativa do Brasil será “formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal”. A tentativa de secessão pode ocasionar, inclusive, uma intervenção federal, na forma do art. 34, I, da CRFB/88. Além disso, a federação brasileira recebe proteção especial no art. 60, § 4º, I, que a considera cláusula pétrea, de maneira que não pode ser abolida por meio de reformas constitucionais. Isto é, não é possível, por meio de uma emenda constitucional, alterar a forma de Estado da federação no Brasil. A única maneira, juridicamente possível, seria mediante uma nova Constituição. Soberania e autonomia · Soberania (República Federativa do Brasil): Poder incondicionado. O país não se subordina a outras nações. Possui poder constituinte originário. · Autonomia (União, Estados, DF e Municípios): Poder condicionado à Constituição Federal. Não há direito de secessão (separação). Envolve auto-organização, autogoverno e autoadministração (capacidade de criar leis próprias, eleger representantes) dentro da moldura constitucional. “No Brasil, União, estados e Distrito Federal são autônomos. Já a soberania é atributo exclusivo da República Federativa do Brasil, que é representada internacionalmente pela União.” A forma de Estado é o modo pelo qual o Estado organiza o povo e o território e estrutura o seu poder relativamente a outros poderes de igual natureza, que a ele ficarão coordenados ou subordinados. Como exemplo: · Estado Unitário 1) Unitário puro: há uma centralização do poder. 2) Unitário descentralizado administrativamente: as decisões políticas são centralizadas, mas as execuções dessas decisões políticas são delegadas. 3) Unitário descentralizado administrativamente e politicamente: aqui há uma descentralização administrativa das decisões políticas tomadas, mas as entidades são dotadas de autonomia para execução das decisões tomadas pelo governo central. Diante disso, podem decidir, no caso concreto, o que é mais conveniente ou oportuno fazer. No estado unitário, apesar de poder haver a descentralização, poderá regredir à centralização, o que não ocorre na federação. · Federações Nesse modelo, ocorre a descentralização do poder, mediante a distribuição de parcelas de administração política entre os entes federados que são autônomos e se reúnem por um vínculo indissolúvel para formação de um estado soberano, com previsão na Constituição, não se admitindo o direito de secessão. Ex.: CRFB/88. · Confederações Tem características distintas em relação à federação. A primeira delas é a soberania. Enquanto a federação origina da união de estados autônomos com o objetivo de compor uma unidade soberana, a confederação define-se por ser a união de estados soberanos. Nesse modelo, os estados que se reúnem não abrem mão de sua soberania, podendo a qualquer momento sair da confederação, ou seja, admite-se o direito de secessão. Outra diferença é que a confederação nasce a partir de um tratado internacional, pois os estados são soberanos. A forma de governo é o conjunto de instituições políticas por meio das quais um Estado se organiza a fim de exercer o seu poder sobre a sociedade, bem como as relações entre governantes e governados. São basicamente duas as formas de governo: · República Suas características básicas são: I) eletividade dos governantes; II) temporalidade do exercício do poder; III) representatividade popular; IV) responsabilidade do governante, que inclusive deve prestar contas. · Monarquia Suas características são: I) hereditariedade do governo; II) vitaliciedade no governo; III) inexistência de representação popular, pois quem coloca o governante lá é o seu sangue. O Brasil adota como forma de Estado a federação e como forma de governo a república. O que é sistema de governo e regime de governo? No sistema de governo, há uma preocupação de como se dá a relação entre os poderes Executivo e Legislativo. · Sistema presidencialista Há uma maior independência entre o Poder Executivo e o Legislativo. É característica do presidencialismo: o presidente da república acumula as funções de chefe de estado (na esfera internacional) e chefe de governo (na esfera interna), além de ser o chefe da administração pública federal. O governante tem um mandato com prazo certo. · Sistema parlamentarista Há uma colaboração entre o Executivo e o Legislativo. O chefe do Executivo, que é chefe do Estado, escolhe o primeiro-ministro, que exercerá a função de chefe de governo, permanecendo na chefia enquanto obtiver a maioria parlamentar, pois depende do apoio do parlamento. O regime de governo é o modo como um governo comporta-se no poder, e se divide basicamente em dois: · Regime democrático Há participação popular. · Regime autocrático Não há participação popular. O Brasil adota o presidencialismo como sistema de governo e a democracia como regime de governo. · Características comuns a toda federação · Descentralização política. · Constituição rígida como base jurídica. · Inexistência do direito de secessão (ou o princípio da indissolubilidade do vínculo federativo), lembrando que a forma federativa de Estado é cláusula pétrea (art. 60, § 4º, I, CRFB/88). · Soberania do Estado Federal. · Auto-organização dos Estados-membros: por meio da elaboração de suas Constituições estaduais. · Órgão representativo dos Estados-membros: no Brasil, o Senado Federal. · Guardião da Constituição: no Direito brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF). · Mínimo de dois níveis de governo, um com jurisdição sobre todopaís e o outro com jurisdição regional. Sistema de repartição de competências Conceitos Repartição de competências É adotada, em maior parte das Constituições do mundo, uma técnica pela qual o constituinte distribui, com base na natureza e no tipo histórico de federação, as atribuições de cada unidade federativa, preservando-lhes a autonomia política no âmbito do Estado Federal. Aplica-se, então, o princípio da predominância do interesse. “O princípio da predominância do interesse tem a finalidade de nortear a repartição de competências das entidades políticas, tomando como referência a natureza do interesse afeto a cada uma delas.” À União competem as matérias de interesse geral ou nacional (CRFB, art. 21); aos Estados-membros competem os temas de interesse regional (CRFB, art. 25, §1º); aos municípios competem os assuntos de interesse local (CRFB, art. 30, I); ao Distrito Federal compete a temática de interesse regional e local (CRFB, art. 32, § 1º) Há casos em que esse princípio não restringe as competências entre os entes federados. Isso ocorre porque há assuntos que tanto são pertinentes ao interesse local, como do país inteiro, por exemplo, a hipótese da transposição do rio São Francisco, da devastação da floresta Amazônica, da seca no Nordeste etc. Modelo de repartição de competências · Modelo horizontal: Não há concorrência entre os entes federativos, ou seja, cada um exerce suas competências nos limites fixados pela Constituição. Também não há relação de subordinação ou hierarquia entre esses entes. (preponderância de interesses) · Modelo vertical: A União outorga a diferentes entes federativos a competência para atuar na mesma matéria, porém há uma subordinação, eis que irão atuar sobre a mesma matéria em um chamado condomínio legislativo. Isto é, a União irá legislar sobre as normas gerais e os estados irão legislar sobre as normas específicas, as quais não podem contrariar as normas gerais. Sob esse ponto de vista, é possível verificar uma relação de subordinação, e há uma repartição vertical da competência. Ex.: competência legislativa concorrente. No Brasil, predomina, na CRFB/88, o modelo horizontal de repartição de competência. Essa competência possui espécies, podendo ser legislativa e administrativa. Antes de seguir nosso estudo, é importante conhecer as características de cada ente federativo. Entes federativos A CRFB/88 estabelece que a organização político-administrativa da república compreende a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos autônomos. Os territórios federais não têm autonomia, sendo uma descentralização da União, mera autarquia federal. União A União é a pessoa jurídica de direito público interno. A pessoa jurídica de direito público externo é a República Federativa do Brasil. Todavia, a União representa a República Federativa do Brasil (art. 18 da CRFB/88). Portanto, cabe à União exercer as prerrogativas da república nas relações internacionais. E essas prerrogativas são de atribuições exclusivas da União. “De acordo com o art. 18, § 1º, a capital federal é Brasília. A União tem tanto competência não legislativa – administrativa ou material –, como competência legislativa para fazer leis. Do ponto de vista interno, da mesma forma que os estados, o Distrito Federal e os municípios, a União é um ente autônomo.” Competência não legislativa (administrativa ou material) da União Exclusiva da União Prevista no art. 21, e não pode ser atribuída a qualquer outro ente federativo. O art. 21 estabelece que compete exclusivamente à União: · Manter relações com os Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais: é quem representa a República Federativa do Brasil. · Declarar a guerra e celebrar a paz. · Assegurar a defesa nacional. · Permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. · Decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal. · Autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico. · Emitir moeda, entre outros. Comum (cumulativa administrativa ou paralela) Prevista no art. 23, é comum aos quatro entes federativos, quais sejam, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Em relação à competência comum, de maneira bastante interessante, o art. 23, parágrafo único, estabelece que as leis complementares fixarão as normas para a cooperação entre a União e os estados, o Distrito Federal e os municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. Um exemplo dessa competência é a a Lei Complementar nº 140/2011, que regulamentou os incisos III, VI e VII do art. 23. Não havendo definição da cooperação nos termos da lei complementar, eventual conflito de políticas governamentais deverá ser dirimido levando-se em consideração o critério da preponderância de interesses: os mais amplos devem prevalecer sobre os mais restritos. Cabe destacar algumas condutas no exercício dessa competência comum prevista no art. 23: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; entre outros. Em 2020, na ADI 6341, o STF entendeu que os prefeitos e os governadores também podem adotar medidas de combate ao coronavírus (quarentena, isolamento social etc.) considerando que são providências relacionadas com a proteção da saúde, sendo, portanto, matéria que é de competência comum da União, dos estados, do DF e dos municípios, na forma do art. 23, II, da CF/88. Competência legislativa da União Privativa Todas as matérias previstas no art. 22. Apesar de ser competência privativa, a União, por meio de lei complementar, poderá autorizar os estados (e o DF) a legislarem sobre questões específicas das matérias previstas no referido art. 22. Deixamos claro: somente por lei complementar e apenas questões específicas. Como exemplos dessa competência privativa legislativa prevista no art. 22, podemos citar: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; II - desapropriação; III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra; IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; V - serviço postal; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais; VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores; VIII - comércio exterior e interestadual; IX - diretrizes da política nacional de transportes; X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; XI - trânsito e transporte; entre outros. Vale lembrar que, segundo a súmula vinculante 2 do STF: “É inconstitucional a lei ou o ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias”. Sobre a situação disposta na súmula, o Supremo Tribunal Federal entendeu que a expressão “sistema de sorteios”, constante do art. 22, XX, da CRFB/88, alcança os jogos de azar, as loterias e similares, dando interpretação que veda a edição de legislação estadual sobre a matéria, em razão da competência privativa da União, estando a atividade dos bingos abrangida no preceito veiculado citado, que é categórico ao estipular a competência da União para legislar sobre os sorteios. Dessa forma, caso haja a aprovação de lei ou ato normativo estadual ou distrital sobre a matéria, haveria vício de inconstitucionalidade, em razão de a matéria ser privativa da União. Nota “A súmula vinculante é um mecanismo constitucional de uniformização da jurisprudência do Supremo TribunalFederal que possui força normativa sobre os órgãos do Poder Judiciário, bem como sobre toda a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal” Concorrente O art. 24 define as matérias de competência concorrente da União, dos estados e do Distrito Federal, como direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; orçamento; juntas comerciais; custas dos serviços forenses; produção e consumo; entre outros (sugerimos que leia integralmente o art. 24). Em relação a essas matérias, a competência da União limitar-se-á a estabelecer as normas gerais, cabendo aos estados editar as normas específicas. Em caso de inércia da União, inexistindo uma lei federal sobre a norma geral, os estados e o Distrito Federal poderão suplementar a União e legislar, também, sobre as normas gerais, exercendo a competência legislativa plena. Se a União resolver legislar sobre a norma geral, a norma geral que o estado (ou o Distrito Federal) havia elaborado terá a sua eficácia suspensa, no ponto em que for contrária à nova lei federal sobre a norma geral. Caso não sejam conflitantes, passam a conviver, perfeitamente, a norma geral federal e a estadual (ou a distrital). Observe-se que se trata de suspensão da eficácia e não revogação, pois, caso a norma geral federal que suspendeu a eficácia da norma geral estadual seja revogada por outra norma geral federal, que, por seu turno, não contrarie a norma geral feita pelo estado, esta última voltará a produzir efeitos (lembre-se de que a norma geral estadual apenas teve a sua eficácia suspensa). Estados-membros Os estados federados são autônomos em decorrência de sua capacidade de auto-organização, autogoverno, autoadministração e autolegislação. Trata-se de autonomia, e não soberania, na medida em que a soberania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Auto-organização De acordo com o art. 25, caput, os estados se organizarão e serão regulados pelas leis e Constituições que adotarem, observando-se, sempre, as regras e os preceitos estabelecidos na CRFB (trata-se de poder constituinte derivado decorrente). Autogoverno Os arts. 27, 28 e 125 estabelecem as regras para a estruturação dos “Poderes”: Legislativo - Assembleia Legislativa; Executivo - governador do estado; Judiciário - tribunais e juízes. Autoadministração e autolegislação Arts. 18 e 25 a 28 – regras de competências legislativas e não legislativas. “Para a criação de novos Estados-membros, o art. 18, § 3º, estabelece a necessidade de plebiscito e de lei complementar do Congresso Nacional, pelo processo de fusão, cisão ou desmembramento.” Os Estados-membros têm tanto competência não legislativa como legislativa. Competência não legislativa (administrativa ou material) dos Estados-membros Comum (cumulativa, concorrente, administrativa ou paralela) Trata-se de competência não legislativa comum aos quatro entes federativos, quais sejam, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios; e descrita no art. 23. Residual (remanescente ou reservada) São reservadas aos estados as competências administrativas que não lhe sejam vedadas, ou a competência que sobrar (eventual resíduo), após a enumeração dos outros entes federativos (art. 25, § 1º). Competência legislativa dos Estados-membros Como a terminologia indica, trata-se de competências, constitucionalmente definidas, para elaborar leis. Elas foram assim definidas para os Estados-membros: Expressa Art. 25, caput → qual seja, a capacidade de auto-organização dos Estados-membros, que se regerão pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios da CRFB/88. Residual (remanescente ou reservada) Art. 25, § 1º → toda competência que não for vedada está reservada aos Estados-membros. Delegada pela União Art. 22, parágrafo único → a União poderá autorizar os estados a legislarem sobre questões específicas das matérias de sua competência privativa prevista no art. 22 e incisos. Tal autorização, conforme já alertamos, dar-se-á por meio de lei complementar. Concorrente Art. 24 → a concorrência para legislar dar-se-á entre a União, os estados e o Distrito Federal, cabendo à União legislar sobre as normas gerais e aos estados, sobre as normas específicas. Suplementar Art. 24, §§ 1º ao 4º → no âmbito da legislação concorrente, como vimos, a União limita-se a estabelecer as normas gerais, e os estados, as normas específicas. No entanto, em caso de inércia legislativa da União, os estados poderão suplementá-la, regulamentando as regras gerais sobre o assunto, sendo que, na superveniência de lei federal sobre a norma geral, a aludida norma estadual geral (suplementar) terá a sua eficácia suspensa, no que for contrária à lei federal sobre as normas gerais editada posteriormente. Outras competências Exploração de gás canalizado Compete aos estados a exploração diretamente, ou mediante concessão, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. Criação de regiões metropolitanas A criação de regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes (art. 25, §3º), as quais devem ser criadas por lei complementar com o objetivo de planejar e executar funções públicas de interesse comum. Municípios No Brasil, em trajetória histórica peculiar, o município possui existência jurídica desde a colônia, antecede à província e teve sua autonomia crescentemente reconhecida, atingindo o ápice na Constituição de 1988. Os municípios têm capacidade de: Auto-organização Art. 29, caput – os municípios organizam-se por meio de lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de 10 dias, e aprovada por 2/3 dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federal, na Constituição do respectivo Estado e o preceituado nos incisos I a XIV do art. 29 da CRFB/88. Autogoverno Elegem, diretamente, o prefeito, vice-prefeito e os vereadores (confira incisos do art. 29). Autoadministração e autolegislação Art. 30 – regras de competência que serão oportunamente estudadas. O STF, ao destacar a essência da autonomia municipal, estabeleceu que a autoadministração implica capacidade decisória quanto aos interesses locais, sem delegação ou aprovação hierárquica (ADI 1.842). Os municípios não possuem Constituição, mas sim lei orgânica. Como dissemos, trata-se de autonomia, e não de soberania, uma vez que a soberania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Internamente, os entes federativos são autônomos, na medida de sua competência, constitucionalmente definida, delimitada e assegurada. Competência não legislativas (administrativas ou materiais) dos municípios Domum (cumulativa, concorrente, administra ou paralela) Trata-se de competência não legislativa comum aos quatro entes federativos, nos termos do art. 23. Privativa (enumerada) Art. 30, III a IX. Competências legislativas dos municípios Expressa Art. 29, caput – o município auto-organiza-se por meio de lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de 10 dias, e aprovada por 2/3 dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federal e na Constituição do respectivo estado. Interesse local Art. 30, I – o município pode legislar sobre as peculiaridades e necessidades ínsitas à localidade, como, por exemplo, ao disciplinar sobre o tempo de espera na fila em bancos. Suplementar Art. 30, II – estabelece competir aos municípios suplementar a legislação federal e a estadual no que couber e à luz do interesse local. Plano diretor Art. 182, § 1º – o plano diretor deverá ser aprovado pela Câmara Municipal, sendo obrigatório para cidades com mais de 20.000 habitantes. Serve como instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. Distrito Federal O Distrito Federal (DF) é uma unidade federada autônoma, visto que possui capacidade de: · Auto-organização: Art. 32, caput – estabelece que o DF se regerá por lei orgânica, votada em doisturnos com interstício mínimo de dez dias e aprovada por 2/3 da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição Federal. · Autogoverno: Art. 32, §§ 2º e 3º – eleição de governador e vice-governador e dos deputados distritais. · Autoadministração e autolegislação: Regras de competências legislativas e não legislativas, que serão estudadas a seguir. Algumas outras regras devem também ser lembradas: · Impossibilidade de divisão do Distrito Federal em municípios. · Autonomia parcialmente tutelada pela União - CRFB art. 21, XIII e XIV, e art. 22. O DF possui as seguintes competências: Competência não legislativa (administrativa ou material) Comum (cumulativa ou paralela) Trata-se de competência não legislativa comum aos quatro entes federativos, quais sejam, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, prevista no art. 23 da CRFB/88. Competência legislativa O art. 32, § 1º, estabelece que ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos estados e municípios. Territórios federais Apesar de terem personalidade, os territórios não são dotados de autonomia política. Trata-se de mera descentralização administrativo-territorial da União, qual seja, uma autarquia que, conforme expressamente previsto no art. 18, § 2º, integra a União. Apesar de não existirem, podem ser criados territórios federais no Brasil, na forma do art. 18, §§ 2º e 3º, CRFB/88, mediante lei complementar. Conceitos Não há apenas um conceito de Administração Pública, razão pela qual haverá o conceito a depender do enfoque: material e formal. Sob o enfoque material (objetivo), conceitua-se a Administração Pública como um conjunto de funções ou atividades de natureza essencialmente administrativa, consistentes em realizar concreta, direta e imediatamente os fins constitucionalmente conferidos ao Estado. Nesse sentido, a Administração Pública é a própria função administrativa atribuída, predominantemente, ao Poder Executivo. A doutrina apresenta quatro hipóteses da Administração Pública em sentido material: Polícia administrativa Trata-se das restrições de atividades privadas em benefício do interesse público. É a atividade em sentido material. A atividade da polícia administrativa é fiscalizar, por exemplo, os estabelecimentos comerciais, orientando os comerciantes sobre o risco de expor à venda produtos deteriorados ou impróprios para o consumo. Fomento da iniciativa privada É o incentivo à iniciativa privada, a fim de que possa orientar a maneira pela qual essa iniciativa irá atuar. Por exemplo, podemos destacar a possibilidade de financiamento oferecida pela Administração Pública, sob condições especiais, para a construção de hotéis e outras obras ligadas ao desenvolvimento do turismo; para a organização e o funcionamento de indústrias relacionadas com a construção civil. Intervenção Compreende a intervenção na propriedade privada, como ocorre, por exemplo, nas desapropriações por interesse social ou por necessidade pública; e a intervenção no domínio econômico para fins de regular as atividades estatais de disciplina, a normatização e fiscalização dos agentes econômicos, como é o caso da criação das agências reguladoras (Anvisa, ANS, Anac etc.). Serviço público Confere utilidades à população em geral. Serviço público é a Administração Pública em sentido material. A própria Constituição Federal é rica em exemplos de serviços públicos, em especial os previstos no artigo 21, como o serviço postal e correio aéreo nacional (inciso X), os serviços de telecomunicações (inciso XI), os serviços e as instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético. Princípios Constitucionais A Constituição Federal, em seu art. 37, trata expressamente dos princípios que orientam a Administração Pública: Legalidade Ele traduz uma das mais expressivas conquistas da humanidade, isto é, possibilitar que as divergências, os conflitos, as tensões se resolvam não pelo primado da força, mas pelo império da lei. “Art. 5º (...) II — ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” Impessoalidade O princípio da impessoalidade da Administração possui uma dupla finalidade: · Atua em prol do interesse público (A atuação da Administração Pública deve sempre visar ao interesse público.) · Veda a promoção pessoal do administrador (Quem atua é o Estado, e não o governante.) Moralidade O conceito da previsão do princípio da moralidade na CRFB/88 é a ideia de tornar jurídica a moral. O STF decidiu a questão sobre o nepotismo, que é violador do princípio da moralidade. Para o STF, a Constituição veda o nepotismo, inclusive o nepotismo cruzado. Publicidade O princípio da publicidade pode ser definido como o dever de divulgação oficial dos atos administrativos (art. 2º, parágrafo único, V, da Lei nº 9.784/99). Esse princípio possui duas vertentes: · Publicação em órgão oficial: Essa exigência funciona como requisito para que os atos administrativos possam ter efeitos: sendo ato interno ou externo da administração. · Transparência: A atuação da Administração Pública deve ser transparente. Neste caso, há controle da administração pelos administrados, pois a coisa é pública. Eficiência O princípio da eficiência é uma consequência do modelo denominado de administração gerencial, que vai se opor ao sistema burocrático. A ideia é fazer com que a administração se aproxime ao máximo e, na medida do possível, da ideia ou dos princípios, que orientam o setor privado, desburocratizando sua atuação. São características da ideia de administração gerencial: · Resultados e metas da administração. · Ampliação da autonomia dos entes federativos.