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Unidade I – A Sociedade e o Direito Internacional (continuação) 1.5.3.14 – Trâmite dos Tratados no Brasil 1º) O Presidente tem competência para celebrar tratados - Delega poderes ao Ministério das Relações Exteriores, que indica pessoa para representar o país. 2º) Negocia o tratado e submete ao Ministro das Relações Exteriores. 3º) Se concordar: Projeto de Mensagem ao Congresso Nacional, devidamente justificado + cópia do texto original do tratado traduzido e exposição de motivos. Tudo isso é submetido ao Presidente. 4º) Presidente concordou: Mensagem ao Congresso Nacional (ao Presidente da Câmara dos Deputados, de onde inicia o trâmite) 5º) Presidente da Câmara faz primeira leitura em plenário e encaminha à Comissão de Relações Exteriores (para análise de mérito). Depois, para a CCJ e outras Comissões, se for o caso (Projeto de Decreto Legislativo ou de Emenda à Constituição, caso o tema verse sobre Direitos Humanos). 6º) Votado em plenário (pode haver emendas): Sessão única, maioria relativa (entretanto, se o tema versar sobre Direitos Humanos, o quorum é o de Emenda à Constituição – 3/5 dos membros do Congresso, em dois turnos de votação). 7º) Vai para o Senado, uma vez aprovado. 8º) O Senado aprovando: O Decreto Legislativo (as matérias em geral) ou a Emenda à Constituição (em se tratando de matéria de Direitos Humanos) é promulgado (pelo próprio Congresso). 9º) Ratificação do Presidente da República, no momento que quiser, por decreto, e pode não ratificar. Dispositivos da CR/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (…) Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; (…) Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) IV - aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente; V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; (...) VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal; VIII - dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno; (…) Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (…) VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; (…) 1.5.4 – Contratos Internacionais: A ser visto em Direito Internacional Privado 1.5.5 – Costumes É o conjunto de normas consagradas pelo longo uso e observadas na ordem internacional como obrigatórias. - A partir de quanto tempo pode se considerar um costume como fonte do direito? - Caráter impositivo e obrigatório: se não for cumprido, acarreta uma sanção, que é a ação de responsabilidade internacional. - Elementos: 1) Material: A convicção da obrigatoriedade reporta-se à interpretação funcional e normativa da vontade manifestada por sujeitos de Direito Internacional ou pelo seus órgãos, e não a uma “psicologia coletiva” qualquer. Exige tempo e repetição de comportamentos, seja por ação ou por omissão. 2) Subjetivo: “opinio juris sive necessitatis” – a convicção sentida pelos Estados de o Direito Internacional exigir em determinado tipo de conduta. (reconhecimento de um costume como sendo um novo direito). No terceiro mundo há uma tendência de se aceitar quando houver reconhecimento por todos os Estados. - Características: 1º) É prática comum: repetição uniforme de certos atos da vida internacional 2º) é prática obrigatória: o costume é direito a ser respeitado e seguido 3º) é prática evolutiva: Possuir plasticidade, que lhe permite adequar-se às novas circunstâncias da vida social. - Os costumes atualmente: a) Cabe à parte que o alega provar sua existência; b) Não têm meio de prova pacífica, muito menos método de interpretação; c) Para a Corte Internacional de Justiça é fonte frágil. 1.5.6 – Princípios Gerais do Direito Segundo o Estatuto da CIJ: Artigo 38. 1. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará: (...) c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas Nações civilizadas; (…) - Finalidade: Preencher lacunas do Direito, sendo elemento subsidiário para a decisão da CIJ. Princípios Gerais para Charles Rousseau: 1) Princípio do Primado do Direito Internacional sobre a lei interna; 2) Princípio do Respeito à independência dos Estados; 3) Princípio da Continuidade dos Estados; 4) Princípio do Patrimônio Comum da Humanidade (ex.: Montego Bay, 1992, que declarou que tudo no fundo do mar é res comunes, ou seja, patrimônio da humanidade). Vide Amazônia. Princípios Gerais para a antiga União Soviética: 1) Princípio da não agressão; 2) Princípio do desarmamento; 3) Princípio da proibição de propaganda de guerra; 4) Princípio da autodeterminação dos povos. 1.5.7 – Jurisprudência e Doutrina “Artigo 38. 1. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhe forem submetidas, aplicará: (...) d) sob ressalva da disposição do art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes Nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de direito.” Jurisprudência: a) Decisões de tribunais internacionais; b) decisões arbitrais; c) pareceres da CIJ; d) laudos e relatórios dos diversos mediadores das comissões de conciliação internacional. Doutrina: Vale a “dos juristas mais qualificados”. Pouco invocada. 1.5.8 – Atos Unilaterais Considerada nova fonte do DIP. Segundo Charles Rousseau, “são a manifestação de vontade de um sujeito de Direito Internacional suficiente para produzir efeitos jurídicos.” Condições de eficácia: a) deve ser público, de conhecimento da Sociedade Internacional b) deve haver intenção do Estado que elabora este ato de se obrigar. Não é possível fazer-se ato unilateral obrigando outro Estado. Espécies: a) Tácitos: Silêncio, significando que o sujeito de Direito Internacional, ao não se manifestar em relação a determinado ato unilateral, acata este mesmo ato unilateral. Condições: 1 – O Estado interessado deve conhecer o fato; 2 – O objeto do ato unilateral deve ser um interesse jurídico; 3 – Deve ser concedido um prazo razoável para que o Estado interessado se manifeste. Ex.: Caso da Groenlândia Oriental (Noruega x Dinamarca). Até o século XIX/início do século XX, havia a teoria da posse de uma nova terra pertencia ao Estado da nacionalidade do chefe da expedição. No caso do Polo Norte, a primeira expedição que chegou ao Polo Norte foi a de um Dinamarquês; Groenlândia pertencia à Dinamarca, portanto. Em 1919 A Dinamarca reconhece ao fim da 1ªGuerra Mundial a independência da Islândia, mas afirmava a sua soberania sobre a Groenlândia que restava de lado. E mandou esse comunicado para os principais líderes de Estado. Em 1933, o Primeiro Ministro da Noruega entra com uma ação contra a Dinamarca reivindicando a posseda Groenlândia pela Noruega usando outro artifício que era a projeção territorial. Pela teoria da projeção territorial, a Groenlândia estaria muito mais próxima da Noruega do que da Dinamarca. Em função disso, a Noruega reivindicava a posse da Groenlândia. Só que a CIJ negou essa pretensão da Noruega alegando que a Noruega teria reconhecido a posse da Dinamarca sobre a Groenlândia por não ter se manifestado dentro de um tempo hábil contra aquele comunicado público dinamarquês de posse. Afirmava que 14 anos era um tempo mais que extenso/suficiente para a manifestação. Como a Noruega se manteve em silêncio, aquele era um reconhecimento tácito do ato unilateral da Dinamarca. b) Expressos (duas formas): 1 – protesto: Sujeito de DIP não aceita a manifestação de vontade do outro sujeito de Direito Internacional. A eficácia do protesto depende de sua continuidade (ex.: Argentina com relação às Malvinas) 2 – Renúncia/Reconhecimento: O sujeito de Direito Internacional aceita o ato, renunciando a seu direito ou aceitando reconhecer o direito de outra parte (Individual ou situação de fato). Ex. da Renúncia: como aconteceu no governo FHC quando o Brasil renunciou o pagamento da dívida externa da Polônia. Lula renunciou ao créditos do Congo, São Tomé e Príncipe. Só uma vez esses atos chegaram à CIJ. A França sempre realizou teste s nucleares nos atóis em ilhas próximas ao Japão. Em 1974, anunciou publicamente que não mais faria testes nucleares no Pacífico Sul – um ato unilateral expresso em que a França renuncia a realização de testes nucleares no Pacífico Sul. Em setembro de 1995, François Mitterand anuncia que a França vai realizar mais oito testes nucleares nos atóis de Mururoa e Fungatufa. Imediatamente, Nova Zelândia, Austrália e Nova Guiné entram com uma ação na CIJ; primeiro, afirmando que isso vai atingir um patrimônio natural da humanidade que é a reserva marinha do Pacífico Sul; segundo, a França já havia se manifestado no sentido de não mais realizar testes nucleares ali. Antes da Corte se reunir, a França realizou dois testes nucleares. No dia em que a Corte se reúne, a França realiza mais um teste nuclear. A CIJ chega à conclusão de que a França não violou nenhuma norma internacional porque quando renunciou em 1974, a França não tinha a tecnologia que detinha em 1995. Naquela época, os testes eram realizados na superfície e, agora, eram realizados no subsolo.